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Sistema tegumentar 
 
Pele: barreira contra lesões químicas, físicas e microbiologias. 
Sensível a calor, dor, frio, prurido e a pressão. 
 
FUNÇÕES DA PELE 
• Proteção contra perdas (água, elitrólitos e 
macromoléculas); 
• Produção de estruturas queratinizadas, como pelos, 
unhas e a camada córnea; 
• Flexibilidade; 
• Termorregulação: pela sustentação do manto piloso, 
regulação de vasos sanguíneos e da função glandular; 
• Reservatórios (eletrólitos, água, vitaminas, 
carboidratos etc.); 
• Imunorregulação: apresenta imunidade celular e 
humoral capaz de controlar infecções ou inibir o 
desenvolvimento de neoplasias. 
• Pigmentação: melanina (protege contra raios 
solares); 
• Secreção: glândulas sudoríparas e sebáceas; 
• Produção de vitamina D; 
• Percepção; 
 
 
 
 
 
 
ESTRUTURAS DA PELE 
Epiderme: É formada por queratinócitos (85%), melanócitos 
(cerca de 5%), células de Largerhans (cerca de 3 a 8%) e 
células de Merkel (2%). 
 
Divisão: 
(1) Camada basal: camada mais profunda, formada por 
células basais e melanócitos; 
(2) Camada espinhosa: chamada também de camada 
malpighiana, composta por células filhas da camada 
basal. 
(3) Camada granulosa: grande quantidade de grânulos 
compostos por querato-hialina. 
(4) Camada lúcida: camada fina, completamente 
queratinizada, composta por células anucleares e 
mortas. (coxins palmoplantares e planos nasais). 
(5) Camada córnea: mais externa, composta por 
queratinócitos. 
 
 
 
 
 
 
TIPOS CELULARES 
Melanócitos: apresentam em seu citoplasma os melassonomas, 
nas quais ocorrem a síntese e disposição de melanina. Funções: 
promovem coloração responsável pela proteção e atração 
sexual; protege contra radiação (UV); participam nos 
processos inflamatórios. 
 
Melanina: responsável pela pigmentação da pele e dos pelos, a 
pigmentação decorre de dois fatores: genética e fatores 
externos. 
MSH – hormônio estimulador de melanócito 
αMSH – diminui a produção de citocinas pró-inflamatórias 
funciona como antagonista da interleucina 1, modulando 
assim a inflamação cutânea e as doenças hiperproliferativas da 
pele. 
 
Hiperpigmentação: observando-se as ações do αMSH na 
epiderme, pode-se compreender melhor o fato de grande parte 
das dermopatias inflamatórias crônicas apresentar-se 
hiperpigmentadas. 
 
Células de langerhans: são consideradas células monocitárias 
macrofágicas, atuando no processamento primário de 
antígenos exógenos que atigem a pele. Apresentam receptores 
para a porção FC da IgG, IgE e C3. 
São capazes de reconhecer antígenos, processá-los e apresentá-
los aos linfócitos T, iniciando, assim, sua ativação. 
Participam nas reações de sensibilização das dermatites de 
contato e na rejeição de enxertos, proteção de infecções virais 
e eliminação de células neoplásicas originadas na pele. 
 
Células de merkel: é considerada neural, pois estão associadas 
a terminações nervosas e desempenham função táteis e 
sensitivas. 
 
Derme: nessa camada estão alojadas: glândulas sudoríparas, 
folículos de pelo, glândulas sebáceas, musculo eretor do pelo, 
vasos sanguíneos, linfáticos e estruturas nervosas. 
 
Pelos: desenvolvem-se através de folículos pilosos. 
• Pelos primários: possui uma glândula sebácea e 
musculo eretor, além de emergi separadamente por 
um poro. (Bovinos e equinos). 
• Pelos secundários: são acompanhadas apena pela 
glândula sebácea e emergem em grupos por um 
mesmo poro. (Felinos, caninos, ovinos e suínos). 
• Fases de crescimento: anágena, catágena e telógena. 
 
Glândulas sebáceas: presentes em toda pele, exceto nos coxins 
e plano nasal, a secreção das glândulas é denominada sebum, 
que mantem a pele macia, hidratada, impedindo a perda de 
água. 
• Possibilita brilho e maciez nos pelos; 
• O sebum, junto com a secreção das glândulas 
sudoríparas, colabora na formação de uma barreira 
química e física contra patógenos. 
• Sofrem influência nutricional e controle hormonal, 
os andrógenos causam hipertrofia e hiperplasia, e os 
estrógenos e glicocorticoides causam involução. 
 
Glândulas sudoríparas: classificadas em epitriquiais e 
atriquiais. 
Ph da pele tem importância na escolha de xampu/xampu 
terapêutico. 
Ph mamíferos: 5,5 a 7,5 – levemente ácido 
Ph humanos: 3,5 
 
 
Na epiderme, a camada córnea é considerada como muro, 
os corneócitos como tijolos, e os lipídios como cimento. 
Havendo falha nos tijolos ou cimento (corneócitos e 
lipídios), o muro pode ruir. 
• Epitriquiais: presentes na pele recoberta por pelames, 
exercem funções antimicrobianas e de feromônios. 
(caninos, felinos, suíno, equino, ovinos e bovinos). 
• Atriquiais: encontrada nos coxins palmoplantares. 
 
SUDORESE 
• Em caninos e felinos as causas são poucos 
compreendidas (excitação ou febre extrema). 
• Alguns autores consideram que não há sudorese em 
glândulas epitriquias, e sim das glândulas atriquiais 
(coxins palmoplantares). 
• Pastor alemão e Golden Retriever (região axial, 
inguinal e abdominal ventral). 
• Equinos são capazes de produzir grande quantidade 
de suor, principal elemento de termorregulação. 
• Bovinos tem sudorese como importante componente 
na perda de calor. Ovinos e caprinos também, mas 
em menor quantidade. 
HIPERIDROSE: sudorese aumentada em uma região; 
HIPOIDROSE: sudorese diminuída; 
ANIDROSE: sudorese ausente. 
 
Hipoderme: é a camada mais fina e mais profunda da pele, 
chamada de panículo adiposo ou tecido celular subcutâneo. 
É deposito nutritivo de reservas, além de participar do 
isolamento térmico e na proteção mecânica do organismo as 
pressões e aos traumatismos externos. 
 
IDENTIFICAÇÃO DO PACIENTE 
Faixa etária: importante para o diagnóstico. 
• Demodiciose dos cães (animais jovens – menos de 
12 meses); 
• Dermatofitose, celulite juvenil, papilomatose dos 
bezerros (animais jovens); 
• Quadros alérgicos e doenças de queratinização – 
Adultos jovens; 
• Quadros hormonais (cães e gatos) – entre 6 e 10 
anos; 
• Neoplasias, doenças autoimunes – animais idosos. 
 
Orientação sexual: neoplasias testiculares – machos; 
• Fístulas perianais – machos caninos; 
• Neoplasias ovarianas – fêmeas; 
• Abcessos dos felinos – machos; 
• Escabiose – cães machos; 
• Castrado ou não? Também tem influência na 
aquisição de dermatopatias; 
 
ÉSPECIE RAÇAS DERMATOPATIAS 
Canina Akita Adenite sebácea, síndrome 
uveodermatológica. 
Canina Boxer Atopia, demodiciose, Hipotireoidismo 
Canina Bull 
Terrier 
Foliculite furunculose, acrodermatite letal, 
hipozincemia. 
Canina Buldogue 
Ingêns 
Atopia, demodiciose, piodermite das dobras. 
Canina Collie Dermatomiosite, Lúpus eritematoso. 
Canina Cocker 
Spaniel 
Astenia, hipersensibilidade alimentar, 
piodermite das dobras labiais, otite externa, 
seborreia primaria. 
Canina Dachshund Demodiciose, alopecia padrão, celulite 
juvenil, Acontose nigricans. 
Canina Golden R. Atopia, dermatite psicogênica, 
hipotireoidismo, foliculite furunculose. 
Canina Pator 
Alemão 
Atopia, eritema multiforme, DAPP, otite, 
seborreia... 
Canina Poodle Reações injeças subcutânea, 
hiperadrenocorticismo, 
hipossomatotropismo 
Canina Rottweiler Foliculite-furinculose, vitiligo; 
Canina Shar-Pei Sindrome do Shar-pei, atopia, 
demodiciose... 
Canina Yorkshire Dermatofitose, displasia folicular 
Felina Siamês Hipersensibilidade alimentar, vitiligo 
Felina Persa Dermatofitose, complexo grnuloma 
colagenolitico. 
Felina Abissinio Displasia folicular 
Equina Árabe Vitiligo, astenia cutânea 
Equina Appalosa Pênfigo foliáceo 
Equina Quarto de 
milha 
Adtênia cutânea, queratose linear. 
 
Bovina Angus Acontolise familiar 
Bocvina Jersey Hipotricose 
Bovina Holandês Carcinoma espino celular 
Ovina Blackface Epidemólise bolhosa 
Ovina Merino Astenia cutânea 
 
 
ANAMNESE 
• Tempo de evolução? 
• Início do quadro? 
• Tratamentos efetuados? Consequência do 
tratamento efetuado? 
• Antecedentes: procedência do animal dentro de uma 
mesma cidade, procedência geográfica do animal, 
parentesco. 
• Ambiente,manejo, hábitos, alimentação. 
• Ectoparasitas 
 
PRURIDO 
É a sensação que manifesta o desejo de coçar, quando o animal 
se coça acima de 30% do tempo disponível ou mais, 
considera-se um caso de prurido patológico. É o sinal clínico 
mais importante para o diagnóstico. 
 
DERMATOPATIA PRURIDO INTENSIDADE 
Escabiose Sim Grave 
Demodiciose Não - 
Atopia Sim Moderado a grave 
Hiperadrenocorticismo Não - 
Dermatofitose Geralmente não Leve (se houver) 
 
 
EXAME FISICO 
• Palpação; 
• Olfação 
• Inspeção direta e indireta; 
 
 
PALPAÇÃO 
• Deve ser utilizada para que sejam determinados 
aspectos de sensibilidade das lesões, volume, 
consistência, elasticidade, espessura, temperatura e 
características como umidade e untuosidade da pele. 
• Edema: aumento de líquido no interstício, pode ser 
generalizada (indica doença sistêmica – cardiopatia, 
hipoproteinemia), ou localizada, indicando quadro 
dermatológico. 
• Enfizema: presença de ar ou gás no intertiscio do 
tecido conjutivo. 
a) Aspirado: decorrente de perfuração de vias 
respiratórias superiores. 
b) Autoctone: decorrente de acúmulo de gases 
produzidos por bactérias (clostridium). 
• ERITEMA VS PURPURA: por meio da 
digitopressão é possível diferenciar as duas lesões 
cutâneas de coloração avermelhada. O eritema volta 
a adquirir a coloração normal da pele após a pressão, 
e a purpura permanece avermelhada. 
• Pode ser realizada para estimular o prurido. 
 
OLFAÇÃO 
• Auxílio para diagnostico de alguns quadros específicos. 
Ex miiase: apenas no primeiro contato já pode ser 
diagnosticada pelo odor exalado. 
 
INSPEÇÃO DIRETA 
• Deve ser realizada em ambiente muito bem iluminado; 
• A ausência de prurido durante o atendimento não 
significa que o quadro do animal não seja pruriginoso, 
em condições de estresse e medo é normal os animais 
não apresentarem esse sintoma. 
• O principal objetivo é a observação detalhada das 
lesões cutâneas e suas características sob diferentes 
aspectos. 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS LESÕES CUTÂNEAS 
Podem ser classificadas quanto a distribuição, configuração, 
topografia, profundidade e morfologia. 
 
DISTRIBUIÇÃO 
É importante essa classificação pois alguns quadros mórbidos 
são representados por lesões localizadas, e outros, por lesões 
disseminadas ou generalizadas. Há casos (ex demodiciose 
canina), onde o prognóstico é dado dependendo da 
distribuição da doença. 
• Localizada: de uma a cinco lesões cutâneas 
individualizadas; 
• Disseminada: mais de cinco lesões cutâneas 
individualizadas; 
• Generalizada: mais de 60% da superfície corporal do 
animal; 
• Universal: comprometimento total da superfície 
corporal do animal. 
 
TOPOGRAFIA 
• Classificação feita de uma lesão em relação a outra; 
• Classificadas em simétricas ou assimétricas. 
• Importante em quadros hormonais, que geralmente 
são representadas por perdas de pelos simétricas. 
 
PROFUNDIDADE 
• É importante pois classifica as lesões superficial ou 
profunda; 
• Em determinadas dermatopatias, o prognóstico e a 
gravidade do caso estão ligados a profundidade que 
a lesão se encontra. 
• Ex: foliculite 
 
CONFIGURAÇÃO (FORMA OU CONTORNO) 
• CIRCULAR – dermatofitose, demodiciose 
localizada; 
• IRIDIFORME – Dermatofitose; 
• GEOGRÁFICA – Larca migrans cutânea; 
• GOTADA: Dermatofilose; 
• LINEAR – Granuloma eosinofílico felino; 
• NUMULAR – histiocitoma, mastocitoma; 
• ARCIFORME – linfoma cutâneo; 
• PUNTIFORME – Dermatite miliar dos felinos; 
 
MORFOLOGIA 
Permite nomear as lesões, onde podem ser agrupadas em cinco 
grupos distintos; 
• Alteração de cor, formações solidas, coleções 
liquidas, alterações de espessura, perdas teciduais e 
reparações. 
Alterações de cor: Representadas pelas manchas ou máculas 
planas sem relevo ou depressão. Manchas 
vasculossanguineas: ocorrem por vasodilatação ou 
extravasamento de hemácias, pigmentares ou discrômicas: 
ocorrem pelo aumento ou diminuição de melanina, pu 
deposito de outros pigmentos na derme. 
 
Eritema: coloração avermelhada da pele decorrente de 
vasodilatação. Volta a coloração normal quando submetido á 
digitopressão. Ocorre em dermatopatias inflamatórias, 
frequente em quadros pruriginosos. 
• Cianose: eritema arroxeado, por congestão passiva ou 
venosa, com diminuição de temperatura; 
• Enantema: eritema de mucosa; 
• Exantema: eritema disseminado, agudo e efêmero. 
• Eritrodermia: eritema crônico, geralmente 
acompanhado de descamação; 
• Mancha lívida: cor plúmbea, do pálido ao azulado, 
temperatura fria, por isquemia. 
• Mancha anêmica: mancha branca, permanente, por 
agenesia vascular. 
• Eritema pode ser denominado também depedendo 
do formato: Eritema puntiforme, Lenticular, Em 
placa (tamanho do punho), Placar (tamanho da 
mão), Em lençol (grandes áreas da superfície 
corporal; 
 
Púrpura: Coloração avermelhada da pele decorrente de 
extravasamento de hemácias na derme. Na evolução apresenta 
cor arroxeada e verde-amarelada, pela alteração da 
hemoglobina. Não volta a coloração normal quando 
submetida a digitopressão. Ocorre por ruptura traumática de 
pequenos vasos ou por coagulopatias. 
• Patéquia: purpura de até 1 cm de diâmetro; 
• Equimose: purpura, maior que 1 cm de diâmetro. 
• Víbice: purpura linear; 
 
Telangiectasia: Evidenciação dos vasos cutâneos através da 
pele, decorrente do seu adelgaçamento (diminuição). Os vasos 
revelam-se sinuosos. Indica atrofia cutânea. Ocorre 
frequentemente em casos de hiperadrenocorticismo e 
cicatrização atrófica. 
 
MANCHAS PIGMENTARES OU DISCRÔMICAS 
• Hipopigmentação ou hipocromia: diminuição do 
pigmento melânico. 
• Acromia (leucodermia): Ausência do pigmento 
melânico. 
• Ambas indicam perda do pigmento por lesão dos 
melanócitos, ou imunidade contra os melanócitos, como nas 
dermatopatias autoimunes e no vitiligo. 
• Hiperpigmentação ou hipercromia: aumento de 
pigmento de qualquer natureza na pele (hemossiderina, 
pigmentos biliares, caroteno). 
• Quando decorrente do aumento de melanina, o 
termo mais apropriado é melanodermia, que apresenta 
diferentes tonalidades de castanho como claro, escuro, azul-
acastanhado e preto. O aumento de melanina indica 
dermatopatia crônica. 
• MANCHA SENIL: maior disposição de melanina 
em indivíduos de idade avançada. Ocorre na região 
abdominal ventral. 
 
FORMAÇÕES SÓLIDAS 
Resultam de processo inflamatório, infeccioso ou neoplásico, 
atingindo isolada ou conjuntamente, epiderme, derme e 
hipoderme. 
• Pápula: lesão solida circunscrita, elevada, que pode 
medir até 1 cm de diâmetro; 
• Placa: área elevada da pele com mais de 2cm de diâmetro, 
geralmente pelo coalescimento de pápulas. 
• Nódulo: lesão sólida circunscrita, saliente ou não de 1 a 
3 cm de diâmetro; 
• Tubérculo: designação em desuso. Significa pápula ou 
nódulo que evolui, deixando cicatriz. 
• Tumor ou nodosidade: lesão solida circunscrita, 
saliente ou não, de mais de 3cm de diâmetro. O termo 
tumor deve ser utilizado preferencialmente para 
neoplasia; 
• Goma: nódulo ou nodosidade que sofre depressão ou 
ulceração na região central e elimina material necrótico. 
Pode haver agente etiológico envolvido no 
desenvolvimento desse tipo de lesão, como nas 
micobacterioses atípicas e micoses profundas; 
• Vegetação: lesão sólida, exofítica (cresce distanciando-
se da superfície da pele), avermelhada e brilhante, que 
pode ocorrer pelo aumento da camada espinhosa. 
• Verrucosidade: lesão solida, exofítica, acinzentada, 
áspera, dura e inelástica, que ocorre pelo aumento da 
camada córnea. Lesão clássica da papolomatose e do 
sarcoide equino. 
 
 
COLEÇÕES LÍQUIDAS 
• Incluem-se as lesões com conteúdo seroso, 
sanguinolento e purulento. 
• Vesícula: elevação circunscrita de até 1 cm de diâmetro, 
contendo líquido claro. Esse conteúdo inicialmente claro 
(seroso) pode tornar-se turvo (purulento) ou 
avermelhado (hemorrágico). 
• Bolha: elevaçãocircunscrita maior que 1 cm de diâmetro, 
contendo líquido claro. 
• Pústula: elevação circunscrita de até 1 cm de diâmetro, 
contendo plus. 
• Cisto: formação elevada ou não, constituída por cavidade 
fechada envolta por um epitélio e contendo líquido ou 
substância semissólida. 
• Abcesso: formação circunscrita de tamanha variável, 
encapsulado, proeminente ou não, contendo líquido 
purulento na pele ou tecidos subjacentes. Há calor, dor 
e flutuação. Indica infecção por perfuração ou via 
hematógena; 
• Flegmão: aumento de volume de consistência flutuante, 
não encapsulado, de tamanho variável, proeminente ou 
não, contendo líquido purulento na pele ou tecidos 
subjacentes. Há calor e dor. Significado clínico: infecção 
por perfuração ou via hematógena; 
• Hematoma: Formação circunscrita de tamanho variável, 
proeminente ou não, decorrente de derramamento 
sanguíneo na pele ou tecidos subjacentes. Indica 
traumatismo. O hematoma mais frequentemente 
observado nos carnívoros domésticos é o oto-hematoma, 
decorrente de traumatismo por prurido ótico. 
 
 
ALTERAÇÕES DE ESPESSURA 
• Hiperqueratose ou queratose: espessamento de pele 
decorrente do aumento da camada córnea. A pele torna-se 
áspera, inelástica, dura e de coloração acinzentada. 
Denominada leucoplasia quando ocorre em mucosas. 
• Liquenificação ou lignificação: espessamento da pele 
decorrente do aumento da camada malpighiana com 
acentuação dos sulcos cutâneos, dando a pele aspecto 
quadriculado ou de favos de mel. 
• Edema: Aumento da espessura, depressível (sinal de Godet), 
sem alterações de coloração, decorrente do extravasamento de 
plasma na derme e/ou hipoderme. Indica qualquer processo 
que cause alterações do princípio da hipótese de Starling, 
como inflamação aguda, irrigação linfática deficiente, 
hipoproteinemia ou cardiopatias. 
• Esclerose: Aumento da consistência da pele, que se torna 
lardácea ou coriácea, não é depressível, e o pregueamento é 
difícil ou impossível; pode apresentar-se hipo ou 
hipercrômica, decorrente de fibrose do colágeno. 
• Cicatriz: Lesão de aspecto variável, saliente ou deprimida, 
móvel, retrátil ou aderente. Não apresenta estruturas 
foliculares nem sulcos cutâneos, sendo decorrente de 
reparação de processo destrutivo da pele. Associa atrofia, 
fibrose e discromia 
 
PERDAS TECIDUAIS E REPARAÇÕES 
• Escamas: Placas de células da camada córnea que se 
desprendem da superfície cutânea, por alteração da 
queratinização. Podem ser classificadas em farinácea, 
furfurácea ou micácea. Indicam queratinização precoce ou 
aumento da epidermopoese, decorrentes de fatores genéticos, 
processos inflamatórios ou metabólicos. 
• Escoriação: Erosão linear geralmente decorrente de lesão 
autotraumática pruriginosa. 
• Erosão ou exulceração: perda superficial da epiderme ou de 
camadas da epiderme; 
• Ulceração: Perda circunscrita da epiderme e derme, podendo 
atingir a hipoderme e os tecidos subjacentes. 
• Úlcera: Sinônimo de ulceração crônica. Denomina-se de 
úlcera terebrante aquela muito profunda. 
• Afta: Pequena ulceração em mucosa. 
• Colarinho epidérmico: Fragmento de epiderme circular que 
resta aderido à pele após a ruptura de vesículas, bolhas ou 
pústulas. 
• Fissura ou rágade: Perda linear da epiderme, ao redor de 
orifícios naturais ou em área de prega ou dobras. 
• Crosta: Concreção amarelo-clara (crosta melicérica), 
esverdeada ou vermelho-escura (crosta hemorrágica), que se 
forma em área de perda tecidual, decorrente do dessecamento 
de serosidade, pus ou sangue, além de restos epiteliais. 
• Escara: Área de cor lívida ou preta, limitada por necrose 
tecidual. O termo também é empregado para designar a 
eliminação do esfacelo (porção central e necrosada da escara). 
Indica morte tecidual por reação a injeção, crioterapia ou 
decúbito prolongado. 
• Fístulas: Canal com pertuito na pele, que drena foco de 
supuração ou necrose e elimina material purulento ou 
sanguinolento. Indica existência de foco infeccioso ou corpo 
estranho em tecidos subjacentes. 
 
LESÕES ASSOCIADAS 
As lesões elementares anteriormente descritas podem ocorrer 
isoladamente ou associadas umas às outras. Existem, assim, 
vários termos descritivos que podem ser utilizados, como 
lesões papulocrostosas, eritematopapulosas, vesiculobolhosas, 
ulcerocrostosas, entre outras. 
 
LESÕES PARTICULARES 
• Celulite: inflamação da derme e/ou do tecido 
subcutâneo 
• Comedão: acúmulo de corneócitos no infundíbulo 
folicular (cravo branco) ou de queratina e sebum em um 
folículo piloso dilatado (cravo preto). 
• Corno: Excrescência cutânea circunscrita e elevada, 
formada por queratina; é o grau máximo de hiperqueratose 
• Milium: pequeno cisto de queratina branco-
amarelado na superfície da pele. 
 
SINAIS ESPECIFICOS DA DERMATOLOGIA 
• SINAL DE NIKOLSKY: Pressão friccional sobre a 
pele, determinando a separação da epiderme; 
característico dos pênfigos e dermatoses por 
acantólise. 
• SINAL DE GODET OU CACIFO: Pressão sobre 
a pele, obtendo-se depressão; na presença de edema, 
a pressão permanece, mesmo quando não se exerce 
mais a pressão. 
• SINAL DE AUSPITZ: surgimento de pontos ou 
ponteado hemorrágico quando se raspam as escamas, 
em uma área recoberta por escamas. 
• SINAL DE LARSSON: fricção dos pelos contra o 
sentido de crescimento, evidenciando acúmulos 
paralelos de escamas, característico dos quadros de 
disqueratinização. 
 
INSPEÇÃO INDIRETA 
NA Dermatologia veterinária, os exames subsidiários são, 
quase na sua totalidade, métodos de inspeção indireta. Alguns 
são obtidos imediatamente, outros necessitam de algum 
tempo para a obtenção de resultados. 
 
DIASCOPIA OU VITROPRESSÃO 
Feita com lâmina de vidro ou lupa. Exerce-se pressão sobre a 
lesão que se quer investigar, a fim de provocar sua isquemia. 
Indicada para diferenciar eritema de púrpura. O eritema cede 
à diascopia, ou seja, adquire a mesma coloração da pele 
subjacente. A púrpura, ao contrário, mantém a coloração 
vermelha, não cedendo à diascopia. 
 
LUZ DE WOOD 
• Tem um arco de mercúrio que emite radiação ultravioleta. 
• O exame tem que ser feito em sala escura, para verificação 
de fluorescência; 
• Apresenta cores diferentes a depender da etiologia; 
• Nos casos de dermatofitose provocada pelo Microsporum 
canis, a luz de Wood pode provocar a fluorescência verde 
brilhante; 
• a possibilidade de fluorescências falsas (falso-positivo) em 
produtos tópicos derivados de petróleo (fluorescência 
azulada), infecções por Pseudomonas spp. (alaranjado) e 
escamas e crostas, que podem determinar fluorescência 
amarelada, não se tratando de casos de microsporíase. 
 
TESTE DA FITA ADESIVA 
• Tem como indicação a busca de ectoparasitas e seus ovos; 
• A fita adesiva deve ser colada e descolada várias vezes, em 
várias regiões do corpo do animal e, posteriormente, posta 
sobre a lâmina; 
• O material deve ser analisado no microscópio óptico, para 
verificar a presença ou não de parasitos; 
• Importante nos casos de cheiletielose; 
• Pode ser utilizado como técnica de coleta de material para 
exame citológico; 
 
EXAME DIRETO DO PELAME 
• Utiliza: lâmina de vidro, lamínula, potassa a 10% e 
microscópico óptico; 
• É indicado para observar esporos fúngicos, 
mormente de dermatófitos parasitando os pelos do animal 
examinado; 
• Os pelos devem ser removidos da periferia das lesões 
alopécicas, pois o substrato do dermatófito é a queratina; 
• O material coletado é acrescido de KOH a 10% em 
lâmina de vidro e aquecido em chama por 15 a 20s, sendo 
posteriormente analisado em microscópico óptico; 
• Esse exame é um pouco controverso, pois, quando no 
exame são evidenciados esporos de fungos dispersos pela 
lâmina, o diagnostico de dermatofitose não deve ser dado, pois 
os esporos observados podem ser de fungos pertencentes á 
flora fúngica normal dos animais domésticos; 
•Nesse exame não é possível a identificação da espécie 
de dermatófito, nem a identificação de macroconídeos 
(estrutura de reprodução sexuada), que somente podem ser 
observados em crescimento nos meios de cultura. 
 
 
 
TRICOGRAMA 
• É um exame que avalia o ciclo biológico do pelo, suas 
alterações fisiológicas e anatômicas; 
• É o exame detalhado do bulbo, da haste e da extremidade 
dos pelos. 
• Tem importância na determinação da alopecia 
autoinduzida, doença mutante de cor, displasia folicular, 
tricorrexis nodosa, pili torti, defluxo anagênico e defluxo 
telogênico nas dermatopatias endócrinas, além de defeitos 
de pigmentação. 
• O material deve ser coletado com uma pinça hemostática, 
posteriormente os pelos devem ser postos em uma lâmina 
de vidro, todos no mesmo sentido para que o clínico possa 
avaliar todos os bulbos, as hastes e as extremidades de uma 
vez. Por fim, devem ser analisados no microscópio óptico. 
• Proporciona a avaliação do estágio do ciclo do pelo 
(anágeno ou télogeno); condição da extremidade do pelo 
(quebrada ou integra); estado da haste, onde pode conter 
várias alterações de pigmentação, esporos de fungos e 
escamas aderidos, defeitos cuticulares. 
• O tricograma determina se certa região de rarefação pilosa 
é decorrente de queda de pelos ou prurido provocado pelo 
animal. 
• Ao analisar, se as extremidades dos pelos estiverem 
quebradas, o quadro é pruriginoso (lambeduras ou 
mordeduras); 
• Extremidades integras: o quadro não é pruriginoso e está 
havendo queda exagerada de pelos naquela região; 
 
Observações do 
tricograma 
Dermatopatia 
Proporção de telógeno 
e anágeno normal, com 
extremidades fraturadas 
Dermatite pruriginosa e 
dermatite psicogênica 
 
Alterações de haste Dermatofitose – parasitismo – 
ectotrix 
Pili torti, tricorrexis nodosa 
Displasia folicular 
Doença do mutante de cor 
Todos os pelos em 
telógeno 
Defluxo telogênico 
Alopecia paraneoplásica 
Hiperadrenocorticismo 
Todos os pelos em 
anágeno 
Defluxo anagênico 
 
 
PARASITOLÓGICO DE RASPADO CUTÂNEO 
• Grande importância no auxílio do diagnóstico para 
identificação de parasitos dos gêneros: Demodex, 
Sarcoptes, Psoroptes, Notoedris e Cheyletiella; 
• Material: lâmina de bisturi, lâmina de vidro, 
lamínula, potassa a 10% ou óleo mineral, 
microscópio óptico; 
 
Indicação 1 – SARNA DEMODÉCICA 
• Demodex canis, Demodex cati, Demodex gatoi, Demodex 
ovis, Demodex equi, Demodex capri, entre outros. 
• O raspado deve ser realizado em lesão representativa do 
quadro, preferencialmente em pele integra, evitando lesões 
ulceradas; 
• O material coletado deve ser levado ao microscópio óptico 
para ser constatado se há presença ou não de ácaros desse 
gênero, e também pode observar ovos e formas imaturas do 
parasito; 
• Quando há presença de ácaros do gênero Demodex, é um 
caso de demodiciose; 
• Quando não são evidenciados ácaros, não há possibilidade 
do diagnostico, exceto em duas exceções: Os cães de raça 
Shar-Pei e casos de pododemodiciose crônicos e com 
infecção bacteriana secundária; 
• Nesses dois casos, quando o parasitológico não evidencia a 
presença dos ácaros, o diagnóstico de sarna demodécica deve 
ser estabelecido por meio de biopsia seguida de exame 
histopatológico da pele. 
 
Indicação 2 – SARNA SARCÓPTICA 
• Familia Sarcoptidae: Sarcoptes scabiei que acometem as 
espécies canina, suína, bovina e caprina; acometem também, 
menos frequentemente, equinos e ovinos. 
• O raspado deve ser realizado em lesão representativa do 
quadro, preferencialmente em pele integra, evitar lesões 
ulceradas; 
• O exame deve ser realizado mais profundamente possível; 
• As lesões de escabiose frequentemente localizam-se na borda 
de pavilhões auriculares (orelha), mormente na espécie 
canina. Nesse sentido, o clínico deve ter cuidado ao raspar 
essa região com lâmina de bisturi, e o cão deve estar 
devidamente contido a fim de evitar acidentes. 
• Diferente do que ocorre na demodiciose, na escabiose, 
mesmo realizando vários raspados cutâneos, o acaro pode 
não ser evidenciado, mas esse fato não afasta o diagnostico 
de sarna sarcóptica. Quando o veterinário suspeita dessa 
dermatopatia, mesmo sem a confirmação da presença dos 
ácaros, o animal deve ser tratado. 
 
Indicação 3 – SARNA NOTOÉDRICA DOS FELINOS 
• É conhecida como escabiose dos felinos, causada pelo 
Notoedris Cati, ácaro pertencente á família sarcoptidae. 
• O raspado deve ser feito em lesões representativas do 
quadro, em pele integra, evitar lesões ulceradas. 
• Cuidados especiais devem ser tomados quando as 
lesões se localizam em regiões anatômicas delicadas, como 
na região periorbital e nas bordas de pavilhões auriculares, 
uma vez que o quadro envolve quase exclusivamente a 
cabeça. 
• Quando são evidenciados ácaros do gênero 
Notoedris, trata-se seguramente de um caso de sarna notoédrica 
e, quando não são evidenciados ácaros, não há a possibilidade 
do diagnóstico, mesmo se tratando de uma escabiose. Nesse 
caso, o diagnóstico será fechado apenas quando forem 
evidenciados os ácaros. 
 
Indicação 4 – SARNA PSORÓPTICA 
• Acomete as espécies bovina e ovina e, menos 
frequentemente, os equinos e caprinos; 
• O raspado deve ser realizado em quadro específico do 
quadro, em pele integra, evitar lesão ulcerada; 
• O raspado não precisa ser tão profundo; 
• É um exame altamente sensível, uma vez que os ácaros de 
Psoroptes são grandes e facilmente evidenciados. 
 
Indicação 5 – CHEILETIELOSE 
• É uma dermatite parasitaria que ocorre com frequência em 
felinos, pode acometer caninos; 
• Causada por ácaros da família Cheyletidae: Cheyletiella 
blakei, Cheyletiella yasguri e Cheyletiella parasitivorax; 
• Esses ácaros se alimentam de debris celulares e vivem na 
superfície da pele; 
• O raspado cutâneo deve ser realizado em lesões 
descamativas, pois, frequentemente, as escamas, além de 
estarem associadas ao quadro, podem ser confundidas com 
o parasito, preferencialmente em pele íntegra; 
• Muitas vezes, é mais fácil a evidenciação dos ovos que o 
parasita propriamente dito. 
 
EXAME MICOLÓGICO 
• Tem importância na determinação do diagnóstico e 
terapia de diferentes quadros provocados por fungos, 
como dermatofitose, malassezíase, esporotricose e 
criptococose. 
• Materiais utilizados: lâmina de vidro, Swab, carpetes 
esterilizados, material de biopsia, cureta, meios de cultura, 
Estufa e microscópico óptico. 
 
Indicação 1 – DERMATOFITOSE 
• Constitui em uma micose superficial causada por fungos 
filamentosos (bolores) nas diferentes espécies animais; 
• Representada por lesões alopécicas e descamativas de 
contornos circulares; 
• O diagnóstico final é dado pelo cultivo e identificação do 
fungo; 
• O material enviado ao laboratório deve ser representado 
por pelos e escamas coletados da periferia da lesão 
alopécica; 
• A identificação da espécie do dermatófito envolve as 
características morfológicas macroscópicas da cultura e seu 
reverso, além das características microscópicas de 
macroconídeos e microconídeos; 
• Outro meio de cultura frequentemente citado na literatura 
é o DTM (dermatophyte test medium), que é o meio 
Sabouraud acrescido de vermelho-fenol. Em poucos dias 
(3 a 10), o meio levemente amarelado torna-se vermelho, 
devido à produção de substâncias alcalinas produzidas 
pelos dermatófitos, confirmando o diagnóstico, sem, 
contudo, confirmar a espécie em questão; 
• O problema, além da impossibilidade de identificação 
específica, é o fato de que fungos saprófitas, como 
Aspergillus spp., Mucor spp., e bactérias podem provocar 
a mudança de coloração do meio, fazendo com que esse 
teste não seja plenamente confiável para a determinação de 
um diagnóstico positivo. 
• Os felinos são a única espécie doméstica que pode 
“portar” o Microsporum canis sem apresentar lesões de 
pele; 
 
Indicação 2 – DERMATITE PORMALASSEZIA 
• É uma dermatopatia relevante principalmente em cães; 
• Os animais acometidos têm lesões descamativas, 
eritematosas ou hiperpigmentadas, podendo apresentar 
essa dermatite em locais untuosos, como interdigito e 
pregas cutâneas; 
• O material enviado ao laboratório deve ser representado 
por escamas coletadas da lesão, que devem ser enviadas 
entre lâminas, em tubo estéril ou, ainda, dentro de 
coletores universais estéreis, ou coletadas por swab no caso 
de lesões untuosas; 
• É uma levedura que se assemelha a “pegadas” ou “tina 
d’água”, graças ao seu característico brotamento, de fácil 
identificação e consequente confirmação do diagnóstico; 
 
Indicação 3 – ESPOROTRICOSE 
• É uma micose subcutânea que pode acometer diferentes 
espécies animais, como cães, gatos e equinos; 
• É uma zoonose representada por lesões nodulares ou em 
goma com ou sem secreção; 
• O material enviado ao laboratório deve ser representado por 
secreção coletada por swab ou por fragmento de tecido 
acometido coletado por biopsia; 
• Ambos devem ser enviados imediatamente em tubo estéril 
ou, ainda, dentro de tubos com meio líquido de BHI (brain 
heart infusion). O material deve ser semeado em placas de 
Petri, contendo meio de cultura Sabouraud e Sabouraud 
acrescido de cicloeximida (impediente de crescimento de 
fungos saprófitas) a 25 e 37°C; 
• O Esporothrix schenckii é um fungo dimórfico, crescendo 
como bolor a 25°C e como levedura a 37°C. Como 
levedura, tem formato característico de charuto ou 
cigarrete, que permite a confirmação do diagnóstico. 
 
Indicação 4 – CRIPTOCOCOSE 
• É uma micose sistêmica que pode acometer os 
carnívoros domésticos. 
• Representada por lesões nodulares ou em goma com 
ou sem secreção, além de acometimento pulmonar ou de 
tecidos neurológicos; 
• O material enviado ao laboratório deve ser 
representado por secreção coletada por swab ou por 
fragmento de tecido acometido coletado por biopsia; 
• Ambos devem ser enviados imediatamente em tubo 
estéril ou, ainda, dentro de tubos com meio líquido de BHI. 
O material deve ser semeado em placas de Petri, contendo 
meio de cultura Sabouraud a 37°C; 
• O Cryptococcus neoformans é uma levedura envolta 
por uma cápsula de mucopolissacarídios. Essa cápsula não se 
cora, oferecendo a morfologia característica de “células-
fantasma” na identificação microscópica desse fungo; 
 
TESTE RADIOLERGOSSORVENTE E ENSAIO 
IMUNOSSORVENTE LIGADO Á ENZIMA 
• RASTE E ELIZA; 
• São duas metodologias de detecção quantitativa de IgE, 
em soro de animais, para diagnostico diferencial de 
dermatopatias alérgicas. 
• São indicados para confirmação de diagnósticos de 
dermatite alérgica á picada de ectoparasitos, 
hipersensibilidade alimentar (HA) e atopia. 
 
DERMATITE ALÉRGIA Á PICADA DE ECTOPARASITOS 
(DAPE) 
• Os antígenos envolvidos nessa dermatopatia estão 
presentes como antígenos completos e como haptenos, 
na saliva de pulgas; 
• Há o envolvimento de imunoglobulinas IgE e IgG, 
reações imunológicas tipo IV e reação basofílica cutânea, 
sem envolvimento de imunoglobulinas; 
• Esses aspectos inviabilizam a utilização desse teste na 
determinação do diagnóstico definitivo; 
 
HIPERSENSIBILIDADE ALIMENTAR (HA) 
• Os antígenos são proteínas encontradas no alimento, 
porém um alimento pode ter as estruturas proteicas 
alteradas após cocção e processamento pela indústria de 
rações, ocorrendo, consequentemente, alteração dos 
determinantes antigênicos; 
• Há o envolvimento de IgE e IgA e as reações imunológicas 
tipos III e IV, que, classicamente, não têm envolvimento 
de imunoglobulinas; 
• Pelos fatos expostos, esse exame é de pouca valia no 
diagnóstico desse tipo de dermatite alérgica; 
 
ATOPIA 
• Os antígenos estão presentes em suspensão no ar, e existe 
apenas a reação de hipersensibilidade tipo I com 
envolvimento de IgE; mesmo assim, os testes são 
quantitativos; 
• O animal atópico apresenta uma imunoglobulina mais 
reativa, não tendo maiores quantidades de 
imunoglobulina. Sendo assim, mesmo nos casos em que o 
clínico suspeita de atopia, o diagnóstico por esses métodos 
torna-se contestável. 
 
CITOLOGIA 
• Pode fornecer rápidos resultados, importantes para a 
orientação dos diagnósticos e capazes de diagnostico 
definitivo de diferentes enfermidades; 
• Materiais: seringa, agulhas, lâmina de vidro, Swab, 
corantes e microscópio óptico; 
• O material coletado deve ser distribuído na superfície da 
lâmina de vidro, e posteriormente, corado. 
• A coloração mais utilizada é o Diff-Quick ou panóptico 
rápido, que permite que o exame seja coletado, corado e 
analisado em poucos minutos; 
• Pode ser utilizado em diferentes dermatopatias de 
etiologia inflamatória, neoplásica ou infecciosa. 
• Podem-se evidenciar tipos celulares, morfologia celular, 
bactérias, fungos, além de seu número e distribuição; 
 
MÉTODO DE COLETA TIPO DE LESÃO OU 
REGIÃO 
Decalque da lâmina direto 
sobre a lesão. Vesículas, 
pústulas e bolhas devem ser 
perfuradas; 
Pápula, pústula, vesícula, 
úlcera e exulceração. 
Raspados superficiais Hiperqueratose, 
exulceração e úlcera 
Incisão Nódulos 
Aspiração por agulhas Nódulos e tumores 
Swab Fístulas, lesões bucais, 
pregas cutâneas 
 
ACHADOS MICROSCÓPICOS NO EXAME 
CITOLÓGICO E SUAS RELAÇÕES COM 
DIAGNÓSTICOS 
ACHADOS CONSIDERAÇÕES DE 
DIAGNÓSTICO 
Neutrófilos degenerados Infecção bacteriana 
Neutrófilos não 
degenerados 
Dermatites alérgicas, pênfigo, 
dermatite subconeal pustular, 
dermatite de contato. 
Eosinófilos Ectoparasitismo, alergia nos 
felinos, placa e granuloma 
eosinofilico, foliculite 
eosinofilica. 
Basófilos Ectoparasitismo, DAPP, 
endoparasitismo 
Mastócitos Mastocitoma, alergias nos 
felinos, ectoparasitismo 
Linfócitos, plasmócitos e 
macrófagos 
granulomatosos 
Quadros infecciosos ou não 
infecciosos (corpo estranho e 
paniculite estéril), na 
dependência de evidenciação 
de microrganismos 
Plasmócitos Pododermatite plasmocítica, 
plasmocitoma 
Células acantolíticas 
(queratinócitos que 
perderam a coesão por 
acantólise) 
Pênfigo e dermatofitose 
Bactérias Intracelular – infecção 
extracelular – colonização 
Leveduras Infecção fúngica (dermatite 
por Malassezia, esporotricose, 
criptococose) 
Células atípicas de uma 
mesma população 
Neoplasias 
 
 
BIOPSIA E EXAME HISTOPATOLÓGICO 
• As biopsias de pele seguidas de exame histopatológico 
são os instrumentos mais poderosos de diagnóstico na 
dermatologia; 
• Pode ser solicitado quando: 
A) Em todas as lesões que surgiram neoplasia; 
B) Em úlceras persistentes; 
C) Em casos de doenças nas quais o diagnóstico somente é 
fechado com exame histopatológico, como displasia 
folicular, doenças autoimunes, dermatomiosite, adenite 
sebácea, vitiligo, entre outras; 
D) Em uma dermatose que não esteja respondendo à terapia 
aparentemente adequada; 
E) Em uma dermatopatia, que, na experiência do clínico, 
não seja comum, ou aparentemente seja grave; 
F) Em dermatites vesicobolhosas; 
G) Em condições em que a terapia seja perigosa, muito 
dispendiosa ou muito prolongada. 
 
• Material necessário: bisturi, pinça anatômica, tesoura, 
porta-agulha, fio de sutura, Punch, formol a 10% e papel 
filtro. 
• A coleta dos fragmentos de tecidos pode ser realizada 
basicamente por dois métodos: com auxílio de bisturi, 
retirando-se um fragmento fusiforme de pele, ou com 
punch (saca-bocado), que é uma lâmina circular variando 
de 2 a 8 mm de diâmetro. Os punchs mais utilizados são 
os de 3 e 4 mm de diâmetro. A escolha da técnica está 
invariavelmente ligada à morfologia das lesões cutâneas. 
• A lesão a ser biopsiada deve ser clinicamente representativa 
do quadro. Não deve ser recente ou antiga, em fase de 
regressão, ou estar alterada por traumatismo, infecção ou 
medicamentos. 
 
TIPO LESIONAL MÉTODO DE COLETA 
Alterações de coloração Punch ou em fuso por 
bisturi,na transição pele 
íntegra/pele acometida 
Formas sólidas: pápulas Punch 
Nódulos, tumor, vegetação 
e verrucosidade 
Biopsia excisional por 
bisturi de toda a lesão ou 
parte representativa 
Coleções liquidas Biopsia excisional por 
bisturi em fuso contendo a 
lesão inteira 
Alterações de espessura Punch 
Perdas teciduais Punch ou em fuso por 
bisturi, na transição pele 
íntegra/pele acometida 
 
A precisão do diagnostico pode estar ligada às colorações 
especificas para diferentes situações. 
• PAS: para evidenciação de mucopolissacarídios. Útil no 
diagnóstico de dermatites fúngicas e lesões relativas à lâmina 
basal, como os lúpus eritematosos. 
• Grocott: específica para evidenciação de fungos Ziehl-
Neelsen: para evidenciação de bacilos álcool-
acidorresistentes, como na micobacteriose atípica. 
• Azul da Prússia: para evidenciação de hemossiderina. 
• Vermelho Congo: para evidenciação de proteína amiloide 
sob luz polarizada. 
• Azul de toluidina: para evidenciação de grânulos 
preenchidos por heparina (mastócitos). 
• Von Kossa: para evidenciação de cristais de cálcio. 
• Tricrômica de Masson: para evidenciação de colágeno. 
• Van Gieson: para evidenciação de fibras colágenas e fibras 
musculares. 
• Masson-Fontana: para evidenciação de melanócitos. 
• Azul alcian: para evidenciação de mucopolissacarídios.