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Prévia do material em texto

P985m Pureza, Diego.
Manual de Criminologia / Diego Pureza - 3.ed., rev., atual, e ampl. - São 
Paulo: Editora JusPodivm, 2024.
320 p.
Inclui Bibliografia.
ISBN: 978-85-442-4702-0.
1. Criminologia e Medicina Legal. 1. Pureza, Diego. II. Título.
CDD 341.59
Bibliotecária responsável:
Ana Carolina Ribeiro Mois - CRB7 - RJ 007348/0
Todos os direitos desta edição reservados a Edições JusPODIVM.
É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio 
ou processo, sem a expressa autorização do autor e das Edições JusPODIVM. A violação dos 
direitos autorais caracteriza crime descrito na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções 
civis cabíveis.
3.a ed., 2° tir.: dez./2023; 3° tir.: jan./2024; 4.a tir.: abr./2024.
AGRADECIMENTOS
Toda honra e toda glória sejam dadas a Jesus Cristo! Agradeço 
a Deus por me permitir concluir esta obra com a finalidade de 
ajudar o maior número de pessoas agregando na realização do 
sonho de muitos: a aprovação em concurso público.
Dedico esta obra para a minha amada esposa, Anne Caroline, 
que, com a sua doçura, amor e paciência me deu total apoio na 
realização desta obra, sendo-lhe furtada os momentos de compa­
nhia em prol da construção deste trabalho.
Dedico, também, à minha filha Luiza, que chegou a este mundo 
para alegrar ainda mais as nossas vidas e me inspirar a querer ser 
uma pessoa melhor a cada dia.
Dedico ao meu caçulinha, Daniel, que completou de amor e 
alegria as nossas vidas e aumentou a minha inspiração para conti­
nuar na apaixonante jornada da docência.
Aos meus pais, por não terem medido esforços em minha 
educação e no incentivo aos estudos.
Ao meu amigo, sócio, referência profissional e de bom humor, 
Rafael Thomas Schinner, gênio responsável pela drástica mudança 
da minha percepção em enxergar o mundo das ciências.
E dedico com enorme destaque aos meus milhares de alunos 
que me inspiraram de modo desafiador a construir esta obra, de 
forma totalmente organizada e simplificada, não só para auxiliá-los 
na preparação para concursos públicos, mas também para facilitar 
a compreensão da fascinante ciência da Criminologia.
APRESENTAÇAO
A obra que você tem em suas mãos foi produzida com o 
máximo de zelo e foi fruto de experiência de anos de docência na 
seara da Criminologia, especialmente em palestras, cursos prepa­
ratórios para concursos públicos e publicações de ensaios e artigos.
Mesmo assim, cumpre frisar que não há a pretensão de esgotar 
os temas ora aqui trabalhados, especialmente em poucas linhas.
O objetivo foi reunir o maior acervo de assuntos afetos à 
Criminologia - você certamente perceberá que os principais 
temas estão inseridos nesta obra —, especialmente servindo de 
suporte teórico e prático para àqueles que almejam aprovação 
em concurso público que exige o conhecimento dessa fascinante 
ciência penal (concursos para delegado de polícia e outros cargos 
da polícia judiciária, Ministério Público, Defensorias Públicas, 
Magistratura, etc.).
Além disso, servirá também como manual de pesquisa e 
consulta. Se a finalidade do leitor é compreender a Criminologia 
enquanto ciência e todos os temas que a permeiam, a linguagem 
descomplicada desta obra facilitará a absorção de cada assunto.
Esperamos, com toda a sinceridade, que esta obra seja realmente 
útil para você!
Vamos juntos!
PREFACIO
É um grande prazer e enorme honra poder prefaciar a obra 
do professor Diego Pureza, com quem tive o privilégio de ter 
trabalhado, anos atrás, enfrentando a prática forense. A época, o 
autor, ainda um estagiário, já se destacava pelo incansável interesse 
em estudar, pela capacidade retórica rara para idade, pela postura 
e honestidade intelectuais e pela curiosidade aguçada em encon­
trar soluções para dilemas jurídicos e filosóficos. Não havia uma 
pergunta sequer que o autor deixava sem resposta.
Anos à frente, qual não foi minha alegria ao saber que o autor 
seria, novamente, meu colega Conselheiro Editorial e Coordenador 
Pedagógico no Burke Instituto Conservador!
Com didática impressionante, textos precisos, escritos em 
linguagem operacional e clara, o professor Diego Pureza aborda 
uma extensa gama de temas e disciplinas da Criminologia e traz 
à baila uma pletora de correntes e teorias que auxiliarão o estu­
dante e o profissional da área a enfrentar concursos e também os 
problemas que a praxe forense apresenta diuturnamente.
Não se deixem, leitores, impressionar pelo modesto título 
“Manual de Criminologia” com diversas páginas dedicadas a ques­
tões de concursos públicos. Este livro, que ora está em suas mãos, 
é de serventia, inclusive, a experts na área, eis que se trata, sim, de 
um excelente manual, de rápido acesso e visualização, porém, mais 
importante, de uma arrebatadora fonte de pesquisa, por conta das 
vastas e precisas citações de livros, textos e artigos.
O que é mais interessante, todavia, não é propriamente a 
serventia do livro para um ou outro grupo. Isto é, de fato, algo 
notável, mas há nele algo mais especial, algo ligado à ampliação 
da capacidade intelectual do leitor, pois é um dos poucos livros, 
na atualidade, que ousa abordar teorias contramajoritárias como 
10 MANUAL DE CRIMINOLOGIA ■ Diego Pureza
plausíveis e corretas e, mais além, que ousa apontar os desacertos 
das atuais dominantes teorias criminológicas, todas ligadas, de 
forma mais ou menos direta, à Escola Crítica e ao pensamento 
marxista de uma forma geral.
Isto ocorre, por exemplo, quando o autor sugere ao leitor 
que tenha precaução com o que já leu e aprendeu a respeito de 
Lombroso, autor ridicularizado pela criminologia moderna, porém 
cuja obra, praticamente toda ostracizada, começa, vagarosamente, 
a reviver, sobremaneira após o árduo alcance do consenso científico 
de que a psicopatia, essencial ou astênica, é geneticamente herdada1 
e, mais ainda, de que existem sinais anatômicos que a revelam2.
1. Sobre o tema, vide, de Fontaine N., e Viding E., Genetics of personality disorder. (2008). O 
artigo Psychopathic personality traits: heritability and geneticoverlap with internalizing 
and externalizing psychopathology, publicado no Psychological Medicine Journal da 
Cambridge University Press, destaca-se pela completude e análise de dados (volume 35, 
issue 5, de 5.1.2005). Para uma leitura mais profunda acerca do fenômeno da psicopatia 
em si, Patrick CJ. Psychopathy and externalizing: genetics and brain function. Invited 
address. Conference on 'Developmental and Neuroscience Perspectives on Psychopathy'; 
The Pyle Center, Madison, Wl. 2003.
2. Vide Association of monoamine oxidase-A genetic variants and amygdala morphology 
in violent offenders with antisocial personality disorder and high psychopathic traits, 
artigo de Nathan J. Kolla, Raihaan Patel, Jeffrey H. Meyer e M. Mallar Chakravarty, 
Publicado na Scientific Reports, em 29.8.2017. Vide Gregory, S. et al. 'The Antisocial 
Brain: Psychopathy Matters - a structural MRI investigation of antisocial male offen­
ders', Archives of General Psychiatry - a JAMA NetWork publication (7th May 2012). 
Vide Yang Y., Raine A., Narr K.L., et al. (2009). Localization of deformations within 
the amygdala in individuais with psychopathy. Archives of General Psychiatry, 66, 
986-994.
Em verdade, desde o final do século XIX e início do século XX, 
já se sugeria a origem genotípica da psicopatia, tal como propu­
sera Dr. Henry Maudsley, em seu Responsibility in Mental Disease 
(Nova Iorque, D. Aplenton and Company, 1874). Os psiquiatras 
de matiz marxista, entretanto, muito bem souberam trabalhar a 
já disseminada ideia do homem bom rousseauneano e passaram a 
defender, sem qualquer lastro empírico, que os homens, nascidos 
bons, desviavam-se em seu caráter graças às injustiças perpetradas 
pela sociedade burguesa, nascendo, daí, o termo sociopatia, ainda 
PREFÁCIO 11 í
hoje desavisadamente por muitos utilizado3. E é por conta deste 
velho ranço que ainda há quem defenda que a culpa por certo crime 
ter acontecido é dasde 
ciência empírica, busca alcançar conclusões compatíveis com 
a realidade.
Por fim, muito cuidado para não enxergar a Criminologia 
como uma mera acumuladora de dados ou estatísticas sobre o 
delito. Mais do que isso, a Criminologia visa avaliar e interpretar 
o crime em sintonia com a realidade. As informações não são 
neutras (são parciais), mas não há como negar que contribuem 
para a compreensão do crime enquanto fenômeno social.
MÉTODOS DA CRIMINOLOGIA
A Escola Positivista foi responsável por introduzir a fase cientí­
fica da criminologia (tema que será devidamente aprofundado em 
capítulo próprio), generalizando a aplicação do método empírico 
(experimental) na análise do fenômeno criminal.
Conforme já estudado em linhas anteriores, por meio do 
empirismo se analisa cada caso concreto em que ocorreu algum 
delito, objetivando extrair as causas do crime. Com as conclusões 
das respectivas análises, busca-se chegar em conclusões a serem 
aplicadas em casos semelhantes para evitar novos crimes (método 
indutivo).
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
No estudo do fenômeno criminal, a Criminologia também se 
vale de métodos biológicos, se ocupando em analisar aspectos 
orgânicos da pessoa do criminoso (exemplos: diagnósticos de 
doenças mentais e outros fatores de predisposição à criminalidade) 
e analisa o comportamento individual da vítima.
A análise de fatores sociais também é fundamental (métodos 
sociológicos), objetivando diagnosticar padrões, valores predo­
minantes em determinados grupos sociais (exemplo: grupos 
sociais que rebem o condenado em processo de ressocialização; 
grupos que estigmatizam criminosos; grupos indiferentes etc., e 
como cada reação pode influenciar ou desestimular a prática de 
novos crimes).
A partir daí, podemos afirmar que a Criminologia se utiliza 
dos métodos empírico/experimental e indutivo, valendo-se de 
métodos biológico e sociológico.
Métodos da Criminologia
Experimental/ 
Empírico Indutivo Biológico Sociológico
Analisa o uni­
verso do ser, 
baseando-se na 
análise de casos 
concretos e na 
experiência.
Trabalhando com 
casos concretos, 
parte de caracte­
rísticas específi­
cas para, só após, 
fixar conclusões 
gerais. Primeiro 
se conhece a 
realidade para 
depois explicá-la.
Análise de fato­
res orgânicos e 
individuais do ser 
humano.
Analisa fatores 
sociais, tais como 
costumes, rea­
ções coletivas, 
cultuais, opinião 
pública etc.
Importante:
Cuidado para não confundir o método indutivo com o chamado 
método dedutivo. 0 método indutivo analisa casos específicos para 
depois chegar a uma conclusão. O método dedutivo toma o caminho 
exatamente oposto, partido de uma premissa maior (ideia geral por 
meio da dedução), para após aplicá-la aos casos concretos. Perceba 
que o método dedutivo corre enorme risco de falhar, já que parte 
de idéias para a aplicação prática, sem o compromisso de se asse­
gurar que tais premissas maiores correspondam à realidade.
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES 45
OBJETOS DA CRIMINOLOGIA
Atualmente, o estudo da Criminologia apoia-se em quatro 
elementos essenciais (4 objetos): o delito, o delinquente, a vítima 
e o controle social.
A seguir, estudaremos cada um dos objetos destacando as 
características de maior relevância.
1. Delito/Crime
O crime/delito é um fenômeno presente nas sociedades (não há 
crime em vida isolada, afastada do corpo social) e revela múltiplas 
facetas, sendo, antes de tudo, um problema social.
A Definição de crime para a Criminologia é muito diferente 
comparada à definição apresentada pelo Direito Penal.
Sob a ótica da Criminologia, o crime deve preencher os 
seguintes elementos constitutivos:
a) Repetição do fato criminoso perante à sociedade (fatos 
isolados não se atribuem o caráter de crime);
b) Produção de sofrimento efetivo à vítima e à sociedade 
(caráter aflitivo);
c) Práticas reiteradas do crime de maneira distribuída no 
território nacional (não se tratando de um problema mera­
mente local);
d) Conclusão consensual acerca de sua etiologia (estudo da 
origem e causa do crime) e das técnicas de intervenção 
para seu enfrentamento eficaz.
Sendo assim, podemos afirmar que sob a ótica da Crimino­
logia, crime é um fenômeno social com múltiplas faces, a exigir 
uma abordagem ampla que não pode dispensar de outros ramos 
do saber para a sua devida e apurada compreensão.
46 ; MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
2. Delinquente/Criminoso
A definição de delinquente varia conforme a ótica de cada 
escola. Vejamos as principais:
- Escola Clássica: o criminoso é equiparado à figura bíblica 
do pecador, pois utilizou seu livre-arbítrio para praticar o mal. 
Poderia e deveria ter escolhido o bem, mas decidiu pelo caminho 
criminoso/pecaminoso.
- Escola Positivista Antropológica: o delinquente passa a ser 
visto como um ser atávico, consequência de suas anomalias pato­
lógicas (análise biológica) ou de frutos negativos alheios (estudos 
sociais), que de um modo geral já nascia criminoso (hereditarie­
dade).
- Escola Correcionalista: conhecida como uma espécie de 
proteção dos criminosos, leciona que a pena deve possuir função 
meramente terapêutica, pedagógica e piedosa, isso porque enxer­
gava o criminoso como alguém que necessitava de ajuda, incapa­
citado de autocontrole, inferior aos demais cidadãos, débil.
- Filosofia Marxista: originada da filosofia do alemão Karl 
Marx, define o criminoso como vítima da sociedade e do sistema 
capitalista, criando uma espécie de determinismo econômico e 
social. Apesar de Marx não ter se dedicado em suas obras às questões 
criminais, sua filosofia foi importada para a criminologia especial­
mente por meio da Teoria Crítica/Radical/Nova Criminologia.
VISÃO ATUAL: “a visão atual do criminoso é de um ser 
normal, isto é, não é o pecador dos clássicos, não é o animal 
selvagem dos positivistas, não é o coitado dos correcionalistas e nem 
a vítima da filosofia marxista. Trata-se de homem real do nosso 
tempo, que se submete às leis e pode não as cumprir por razões 
que nem sempre são compreendidas por seus pares”2.
2. SUMARIVA, Paulo. Criminologia - teoria e prática. Niterói: Editora Impetus. 5? Edição 
- 2018, p. 8.
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES í 47
3. Vítima
Vítima é a pessoa, física ou jurídica, que sofreu, direta ou 
indiretamente, os efeitos da ação danosa do delinquente.
Os estudos, características, teorias e conceito de vítima na 
Criminologia são muito mais amplos que a vítima estudada pelo 
Direito Penal. O tema será devidamente aprofundado quando do 
estudo da “Vitimologia” em capítulo próprio.
4. Controle Social
Toda convivência mínima em sociedade precisa de mecanismos 
e de instrumentos que assegurem a harmonia de seus membros. 
Busca-se a prevalência dos padrões de comportamento sociais 
dominantes.
Nesse sentido, podemos destacar o conceito do professor Paulo 
Sumariva que define controle social como “o conjunto de instituições, 
estratégias e sanções sociais que pretendem promover a submissão dos 
indivíduos aos modelos e normas de convivência social”.3
A sociedade possui dois sistemas de controle: Controle/Agentes 
Informais e Controle/Agentes Formais. Vejamos cada um:
4.1. Controle/Agentes sociais Informais
São constituídos por aqueles indivíduos ou grupos responsá­
veis pela formação da base humana fundamental, caráter pessoal 
do indivíduo (sociedade civil), possuindo finalidade preventiva e 
educacional.
Podemos citar como exemplos: família, escola, igreja, profissão, 
círculo de amizades, a opinião pública etc.
Sua importância se dá pelo fato de que tais agentes atuam na 
vida do indivíduo desde a infância, razão pela qual são “doutri­
3. Obra citada, pg. 10.
48 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
nados” num determinado comportamento que atuará de maneira 
positiva ao serem mais ou menos aceitos na sociedade.
4.2. Controle/Agentes sociais Formais
Trata-se da chamada ultima ratio (última razão/trincheira do 
Estadono controle social), de modo a intervir sempre que os meca­
nismos de controle informal falharem na prevenção da criminalidade.
Em síntese, como o próprio nome já sugere (formal), são 
compostos por órgãos e instrumentos constituídos pelo Estado.
São exemplos: Polícias, Poder Judiciário, Ministério Público e 
a Administração Pública, conjunto de agentes denominados como 
Sistema da Justiça ou Justiça Criminal.
O Controle Social formal é classificado por seleções / instâncias:
Primeira Seleção / instância / primário: Apresenta-se com o 
início da persecução penal, visando esclarecer a autoria, materia­
lidade e circunstâncias do crime. Caracteriza-se pela atuação da 
Polícia Judiciária (Polícia Civil e Federal).
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Já foi cobrado nos concursos da PC/SP, para os cargos de Escrivão 
e Investigador, o fato de que a Polícia Civil é polícia judiciária inte­
grante do controle social formal (justamente por este motivo, o 
objeto de estudo da criminologia que melhor representa a atuação 
da polícia judiciária é o controle social).
Segunda Seleção / instância / secundário: Caracteriza-se 
pela atuação do Ministério Público, com a oferta da denúncia em 
face do delinquente.
Terceira Seleção / instância / terciário: Com a tramitação do 
processo judicial (recebimento da peça acusatória até a condenação 
definitiva), caracteriza-se com a participação do Poder Judiciário.
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES 49
► Cuidado:
Algumas bancas de concursos, seguindo parte da doutrina, ainda 
incluem na 3^ seleção de controle formal as Forças Armadas e a 
Administração Penitenciária.
FINALIDADES (FUNÇÕES) DA CRIMINOLOGIA
A Criminologia tem como finalidade compreender e prevenir 
o delito, intervir na pessoa do delinquente, e valorar os diferentes 
modelos de respostas à criminalidade de vários ramos do conheci­
mento, constituindo núcleo do saber apoiado em bases científicas.
Os autores modernos, copiosamente, escrevem que a “função 
linear da Criminologia é informar a sociedade e os poderes públicos 
sobre o crime, o criminoso, a vítima e o controle social, reunindo 
um núcleo de conhecimentos seguros que permita compreender 
cientificamente o problema criminal, preveni-lo e intervir com 
eficácia e de modo positivo no homem criminoso”4.
Ou seja, indica-se um diagnóstico qualificado e conjuntural 
sobre o crime.
Em síntese:
Funções da Criminologia
Explicação científica do 
fenômeno criminal Prevenção do Crime Intervenção no homem 
delinquente
Conjugando os resulta­
dos de diversos ramos 
do saber, a Criminologia 
visa compreender cien­
tificamente o fenômeno 
criminal.
Valorando diferentes 
modelos de respostas 
ao crime, entre modelos 
formais e informais, so­
ciológicos, psicológicos 
e biológicos.
Por meio de medidas 
ressocializadoras, pre­
ventivas e repressivas 
contra o crime, de modo 
eficiente.
4. Obra citada, p. 12.
50 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
GABARITO
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1 2 3
A C D
7 8 9
E D B
4 5 6
C E E
10 11 12
B C E
CAPÍTULO 3
ETAPAS EVOLUTIVAS DA 
CRIMINOLOGIA E ESCOLAS 
CRIMINOLÓGICAS
Leia as questões abaixo antes de estudar o capítulo
1. (PC/SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) A obra Dos Delitos e Das 
Penas de 1764 foi escrita por:
a) Adolphe Quetelet.
b) Francesco Carrara.
c) Giovanni Carmignani.
d) Cesare Bonesana.
e) Cesare Lombroso.
2. (PC/SP - PAPILOSCOPISTA - VUNESP - 2013) Pode-se afirmar que estão 
entre os princípios fundamentais da escola clássica da criminologia:
a) o crime, na escola clássica, é um ente jurídico, não é uma ação, mas 
sim uma infração; a punibilidade deve ser baseada no livre-arbítrio; 
adota-se o método e raciocínio lógico-dedutivo.
b) a pena, que é um instrumento de defesa social; a escola clássica, 
que se utiliza do método indutivo-experimental; os objetos de 
estudo da ciência penal, que são o crime, o criminoso, a pena e 
o processo.
c) o crime é visto como um fenômeno social e individual na escola 
clássica; a pena tem caráter aflitivo, cuja finalidade é a defesa social.
d) o direito penal, que é uma obra humana; a responsabilidade social 
que decorre do determinismo social; o delito, que é um fenômeno 
natural e social.
e) a distinção entre imputáveis e inimputáveis existente na escola clássica; 
a responsabilidade moral baseada no determinismo (quem não tiver 
a capacidade de se levar pelos motivos deverá receber uma medida 
de segurança).
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
3. (PC/SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) Médico legista, psiquiatra 
e antropólogo brasileiro, considerado o Lombroso dos Trópicos. A per­
sonalidade mencionada refere-se a:
a) Luís da Câmara Cascudo.
b) Raimundo Nina Rodrigues.
c) Mário de Andrade.
d) Oswaldo Cruz.
e) Fernando Ortiz.
4. (PC/SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) Assinale a alternativa correta 
em relação a Enrico Ferri:
a) Foi filósofo, sustentou que a criminologia é fruto da disparidade social; 
portanto, riqueza e pobreza estão ligadas ao crime.
b) Foi escritor, criou a teoria da escola clássica da criminologia; utilizou 
o método lógico dedutível.
c) Publicou o livro O Homem Delinquente em 1876, descrevendo o 
determinismo biológico como fonte da personalidade criminosa.
d) Foi jurista, afirmou que o crime estava no homem e que se revelava 
como degeneração deste.
e) Foi autor da obra Sociologia Criminal; para ele a criminalidade deriva 
de fenômenos antropológicos, físicos e sociais.
5. (PC/SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) A distinção entre imputáveis 
e inimputáveis, a responsabilidade moral baseada no determinismo, o 
crime como fenômeno social e individual e a pena com caráter aflitivo, 
cuja finalidade é a defesa social, são características da:
a) Terza Scuola Italiana.
b) Escola Moderna Alemã.
c) Escola Positiva.
d) Escola Clássica.
e) Escola Tradicional.
6. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2013) Julgue o item a seguir, 
relacionados aos modelos teóricos da criminologia.
O positivismo criminológico caracteriza-se, entre outros aspectos, pela 
negação do livre arbítrio, pela crença no determinismo e pela adoção do 
método empírico-indutivo, ou indutivo-experimental, também apresen­
tado como indutivo-quantitativo, embasado na observação dos fatos e 
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS fs3 |
dos dados, independentemente do conteúdo antropológico, psicológico 
ou sociológico, como também a neutralidade axiológica da ciência.
( ) CERTO ( ) ERRADO
7. (FUNDATEC - PC/RS - Delegado de Polícia - 2018) A Criminologia é 
definida tradicionalmente como a ciência que estuda de forma empírica 
o delito, o delinquente, a vítima e os mecanismos de controle social. Os 
autores que fundaram a Criminologia (Positivista) são:
a) Cesare Lombroso, Enrico Ferri e Raffaele Garofalo.
b) Franz Von Liszt, Edmund Mezger e Marquês de Beccaria.
c) Marquês de Beccaria, Cesare Lombroso e Michel Foucault.
d) Cesare Lombroso, Enrico Ferri e Michel Foucault.
e) Enrico Ferri, Michel Foucault e Nina Rodrigues.
8. (NUCEPE - PC/PI - Delegado de Polícia - 2018) Marque a alternativa 
CORRETA, no que diz respeito à classificação do criminoso, segundo 
Lombroso.
a) Criminoso louco: é o tipo de criminoso que tem instinto para a prática 
de delitos, é uma espécie de selvagem para a sociedade.
b) Criminoso nato: é aquele tipo de criminoso malvado, perverso, que 
deve sobreviver em manicômios.
c) Criminoso por paixão: aquele que utiliza de violência para resolver 
problemas passionais, geralmente é nervoso, irritado e leviano.
d) Criminoso por paixão: este aponta uma tendência hereditária, possui 
hábitos criminosos influenciados pela ocasião.
e) Criminoso louco: é o criminoso sórdido com deficiência do senso 
moral e com hábitos criminosos influenciados pela situação.
9. (VUNESP - PC/SP - Técnico de Laboratório) A expressão "Criminologia" 
foi empregada pela primeira vez por
a) Adolphe Quetelet e divulgada internacionalmente por CesareBone- 
sana, em sua obra intitulada Dos delitos e das penas.
b) Cesare Lombroso e divulgada internacionalmente por Raffaele Garo­
falo, em sua obra intitulada Criminologia.
c) Paul Topinard e divulgada internacionalmente por Cesare Bonesana, 
em sua obra intitulada Dos delitos e das penas.
d) Cesare Lombroso e divulgada internacionalmente por Adolphe Que­
telet, em sua obra intitulada O homem médio.
e) Paul Topinard e divulgada internacionalmente por Raffaele Garofalo, 
em sua obra intitulada Criminologia.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
10. (VUNESP - PC/SP - Auxiliar de Necropsia)_____________é considerado
pai da criminologia, por ter utilizado o método empírico em suas pes­
quisas, revolucionando e inovando os estudos da criminalidade. Assinale 
a alternativa que preenche corretamente a lacuna.
a) Adolphe Quetelet
b) Cesare Bonesana
c) Emile Durkheim
d) Enrico Ferri
e) Cesare Lombroso
11. (NUCEPE - PC/PI - Delegado de Polícia - 2018) Acerca da História da 
Criminologia, marque a alternativa CORRETA:
a) Desde a Antiguidade, o Direito Penal, em concreto, passou a ser 
compilado em Códigos e âmbitos jurídicos, tal qual como nos dias 
de hoje, entretanto, algumas vezes eram imprecisos.
b) O Código de Hamurabi (Babilônia) possuía dispositivos, punindo furtos, 
roubos, mas não considerava crime, a corrupção praticada por altos 
funcionários públicos.
c) Durante a Antiguidade, o crime era considerado pecado, somente 
na Idade Média, é que a dignidade da pessoa humana passou a ser 
considerada, e as punições deixaram de ser cruéis.
d) Em sua obra "A Política", Aristóteles, ressaltou que a miséria causa 
rebelião e delito. Para o referido filósofo, os delitos mais graves eram 
os cometidos para possuir o voluptuário, o supérfluo.
e) Da Antiguidade à Modernidade, o furto famélico (roubar para comer) 
nunca foi considerado crime.
VAMOS AO TEMA!
Analisar a evolução histórica da Criminologia não é tarefa fácil, 
haja vista a riqueza de detalhes. Para facilitar a compreensão, anali­
saremos cada período histórico, contextualizando-o com a respectiva 
Escola ou pensamento filosófico dominante em cada fase.
PERÍODO DA ANTIGUIDADE
A história da criminologia costuma a ser estruturada por meio 
de períodos ou fases distintas. Partindo-se desta premissa, o período
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS ^55 > 
da antiguidade é marcado pelos grandes pensadores (filósofos) que 
opinavam e forneciam diversos conceitos sobre assuntos relacionados 
ao estudo criminológico, como os delitos e as respectivas sanções.
Importante destacar que, diante da ausência de métodos 
técnicos, tal período está inserido na fase pré-científica da Crimi­
nologia, sendo assim, não era reconhecido como ciência.
A fase ficou limitada em pensamentos e discussões filosóficas. 
Para fins de concursos públicos, importa apenas resumirmos as 
idéias dos principais pensadores desse período:
1. Protágoras (485-415 a.C)
Compreendia a pena como meio de evitar a prática de novas 
infrações pelo exemplo que deveria dar a todos os membros de um 
corpo social (caráter dissuasório da pena). Além disso, o mencionado 
filósofo repudiou a aplicação da pena com finalidade de mero castigo, 
pois defendia o fato de que o era impossível apagar o erro já praticado 
pelo criminoso, motivo pelo qual a finalidade da pena deveria seguir a 
ideia de evitar novos crimes. Logo, defendia a prevenção geral e especial 
negativa como finalidades da pena (tais finalidades serão aprofundadas 
quando do estudo das finalidades da pena, em aula própria).
2. Sócrates (470-399 a.C)
Entendia que o homem só é livre ao superar os próprios instintos 
de paixões. Não superando tais instintos, o homem seria escravo das 
próprias vontades animais. Destaca a importância da ressocialização, 
na medida em que pregava a necessidade de ensinar os delinquentes 
a não reiterar a conduta delitiva. Daí, podemos afirmar que Sócrates 
defendia a pena com caráter de prevenção especial negativa e positiva.
3. Platão (427-347 a.C)
Platão se preocupou em entender a origem do crime (etiologia 
criminal). Sustentava que a ganância, a cobiça ou cupidez geravam 
a criminalidade (fatores de ordem econômica).
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
4. Aristóteles (388-322 a.C)
Seguia a mesma linha de pensamento de Platão. Imputava a 
fatores econômicos a causa do fenômeno criminal, porém seguia 
além, entendendo que os desejos humanos poderiam ultrapassar 
a razão. Segundo Aristóteles, os delitos mais graves não eram 
cometidos por motivos de alcançar o necessário para a própria 
subsistência, mas sim para alcançar bens e valores patrimoniais 
supérfluos, muito além do mínimo para a própria subsistência.
Conclusão: esta fase/período é responsável pelos estudos e 
premissas éticas do delito e sua punição, com destaque para as 
causas e finalidades da pena.
Podemos, por derradeiro, destacar as seguintes características 
da antiguidade sob a ótica da Criminologia:
- O estudo do crime e da delinquência não gozaram de 
mínima sistematização;
- Foram ventiladas diversas explicações apontando o sobrena­
tural como causas da criminalidade (crime como pecado);
- Sendo assim, o criminoso era visto como um ser diabólico, 
pecador.
IDADE MÉDIA
No período da Idade Média, vigorava no continente europeu 
o feudalismo, e o cristianismo era a ideologia religiosa dominante. 
Marcado por discussões de visões opostas: fé e razão, tal período 
também se encontra na fase pré-científica da Criminologia.
Dois pensadores se destacam na idade média:
1. São Tomás de Aquino (1226-1274)
Foi o precursor da Justiça Distributiva: “dar a cada um o que 
é seu segundo certa igualdade”. São Tomás de Aquino sustentava 
Cap. 3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS 57 '
que a pobreza desencadeava o roubo, e defendia o furto famélico 
como hipótese de estado de necessidade.
2. Santo Agostinho (354 a 430 d.C.)
Perceba que Santo Agostinho nasceu e se destacou antes do início 
da idade média, porém é considerado um grande influente pensador 
da era medieval (além de ser o primeiro grande filósofo cristão). 
Santo Agostinho compreendia a pena de Talião (“olho por olho, 
dente por dente”) como uma injustiça, pois para ele a pena deveria 
ter a finalidade de defesa social (afastar o criminoso do convívio 
com os cidadãos ordeiros), buscar a ressocialização do delinquente, 
evitando a prática de novos crimes. Defendia, também, que a pena 
não poderia perder o caráter intimidativo (até por representar forma 
de prevenção da criminalidade - prevenção geral negativa).
IDADEMODERNA-FASESPRÉ-CIENTÍFICAECIENTÍFICA
A Criminologia dita moderna se divide em duas fases: pré- 
-científica e fase científica.
Traçaremos em linhas gerais sobre cada uma delas como forma 
de introduzi-lo aos temas mais importantes e cobrados em concursos 
públicos desta aula. Servirá para situar o leitor sobre os pontos impor­
tantes de cada fase, de modo a deixar claro que a fase pré-científica 
carecia de métodos e instrumentos capazes de apresentar resultados 
seguros, ou seja, abusava de critérios subjetivos, enquanto que a fase 
científica passou a buscar apoio em métodos científicos (apesar de 
contarem também com métodos cujos resultados não são absolutos, 
de certeza insofismável, impregnadas de certo subjetivismo).
1. Fase pré-científica
Abrange as chamadas pseudociências e a Criminologia Clás­
sica (esta última, diante da enorme importância em concursos, será 
tratada em capítulo próprio).
58 j MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
As pseudociências são totalmente desprovidas de qualquer 
cunho científico. Buscavam explicar o fenômeno criminológico 
por meio de crenças religiosas, ou por meio de diversas deduções 
baseadas na aparência física ou malformação do crânio e desen­
volvimento insuficiente da mente. Daí destacam-se a frenologia, 
demonologia e fisionomia.
Frenologia: com origem grega, significa o estudo da mente 
(fren=mente; logos=estud6), foi desenvolvidapelo suíço Joseph 
Lavater e posteriormente difundida pelo médico austríaco Franz 
Joseph Gall.
Gall foi o responsável pela criação da chamada Teoria das 
Localizações Cerebrais. Gall realizou diversos estudos visando 
identificar a localização física das funções anímicas cerebrais. Em 
seguida, passou a buscar em criminosos deformidades ou malfor­
mação na angulação do crânio. Segundo Gall, o sujeito que apre­
sentasse “defeitos” físicos no cérebro apresentaria também, mais 
cedo ou mais tarde, propensão ao crime, já que esse fato acarretaria 
em problemas na mente.
Demonologia: pseudociência dedicada ao estudo dos demô­
nios. De alguma forma nunca revelada, os adeptos da demonologia 
chegaram a concluir pela existência de 7 milhões de demônios 
espalhados pelo mundo que estariam influenciando as pessoas a 
praticarem crimes. A partir daí a demonologia trabalha com duas 
hipóteses explicativas da criminalidade:
- Possessão: hipótese em que o criminoso praticaria delitos 
endemoniado, ou seja, o agente do delito estaria possesso 
de algum diabo;
— Tentação: apesar de estar livre de possessão demoníaca, 
o criminoso praticaria crimes após ceder a tentação de 
espíritos malignos.
A demonologia esteve presente em boa parte da idade média 
e, apesar de enxergar a possessão demoníaca como uma condição 
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS [59
equiparada a doenças mentais, ofertava tratamentos cruéis aos 
criminosos (afastando-se dos tratamentos ofertados aos doentes 
mentais), ao exemplo de terem queimado milhares de criminosos 
ainda vivos (acreditavam que o fogo era a cura contra demônios).
Fisionomia: Essa pseudociência associa a aparência do 
criminoso como determinante para a explicação do fenô­
meno criminal. A ideia é que a aparência física revelaria 
conexão entre o físico e o psíquico, entre o externo e 
o interno: quando mais feio o indivíduo, maior seria a 
propensão à criminalidade.
Muito cuidado! Não confunda a Fisionomia com os 
estudos de Cesare Lombroso — conforme estudaremos 
quando da análise da Escola Positivista. As conclusões de 
Lombroso, apesar de aparentemente se assemelhar coma 
Fisionomia, foi dotada de critérios científicos, além de 
outras diferenças que exploraremos em capítulo próprio.
Ademais, como forma de exemplificar a importância da Fisio­
nomia para a Justiça Criminal à época, vale apontar o chamado 
Edito de Valério em hipóteses de dúvidas quanto à autoria do 
crime: “quando se tem dúvida entre dois presumidos culpados, 
condena-se o mais feio”.
2. Fase científica
Nesta fase, destaca-se a Escola Positivista (diante da enorme 
importância em concursos, será tratada em capítulo próprio), que, 
em síntese, passa a enxergar o criminoso como o principal objeto 
merecedor de estudos (biológicos, psicológicos e sociológicos), afas­
tando a ideia de análise do crime, por considerá-lo mera abstração 
jurídica.
Porém, posteriormente, ainda compreendido na fase cientí­
fica, surge a autointitulada Criminologia Moderna, passando a 
investigar 4 objetos (conforme estudamos na aula anterior): crime, 
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
criminoso, vítima e o controle social. A partir daqui, supera-se a 
criminologia tradicional, que buscava analisar exclusivamente o 
criminoso, na expectativa de encontrar doenças mentais ou quais­
quer outras anomalias como fatores criminógenos (determinantes 
para a prática de crimes).
Com isso, passou-se a estudar fatores psicológicos e sociológicos 
(além de fatores biológicos, que não foram abandonados), como 
causas principais ou secundárias do fenômeno criminal. E justa­
mente nesse período em que surgem diversas teorias sociológicas 
e as disputas entre as chamadas Teorias do Consenso e Teorias do 
Conflito (tema para aula própria).
Resumidamente:
Fase 
Histórica Teorias e Escolas Modelos teóricos
Fase pré- 
científica
Antiguidade
Idade média
Frenologia, Fisionomia e Demo- 
nologia Pseudociências
Escola Clássica Criminologia Clássica
Fase 
científica
Escola Positivista Criminologia Positivista
Teorias do Consenso
Criminologia moderna
Teorias do Conflito
SURGIMENTO DA CRIMINOLOGIA NO BRASIL
No Brasil, a Criminologia começou a ganhar contorno iniciais 
no final do Século XIX. João Vieira de Araújo (1944) é consi­
derado pela doutrina o responsável por trazer as idéias de Cesare 
Lombroso para o Brasil.
Todavia, o nome mais destacado e cobrado em concursos é o 
nome de Raimundo Nina Rodrigues, considerado o fundador 
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS [61
da Antropologia Criminal no Brasil, era médico legista, antropó­
logo e psiquiatra. Publicou a obra Mestiçagem, Degenerescência e 
Crime (1899). Em síntese, Nina Rodrigues defendia a existência 
de diferenças intelectuais e cognitivas ente raças. Aduzia que 
negros, mestiços brasileiros e índios formavam um bloco de seres 
inferiores mental e fisicamente. Apesar das idéias flagrantemente 
preconceituosas, as idéias de Nina Rodrigues gozaram de muito 
prestígio à época, especialmente considerando o contexto histórico 
em que o país vivia.
Por ter nascido no Maranhão, bem como por ter sido um 
grande defensor das idéias do médico italiano Cesare Lombroso, 
Raimundo Nina Rodrigues era conhecido como “Lombroso 
dos Trópicos” (acredite: isso já foi cobrado em concursos 
públicos).
ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS
A partir de agora adentraremos no tema mais importante e 
cobrado em concursos públicos desta aula. Trabalharemos todas 
as escolas que tiveram grande relevância da Criminologia.
Ademais, duas se destacam não só diante do número elevado 
em termos de cobranças em concursos, mas também diante do 
legado que deixaram (muitas escolas que surgiram posteriormente 
limitaram-se em traçar variações destas grandes escolas): estamos 
falando da Escola Clássica e da Escola Positivista, merecedoras 
de capítulos próprias para trabalharmos com a maior riqueza de 
detalhes possível.
1. Escola Clássica / Retribucionista (Século XVIII)
De fato, não houve escola autointitulada de clássica. A expressão 
“clássica” foi empregada pejorativamente por Enrico Ferri (defensor 
da Escola Positivista), com o intuito de passar a ideia de que 
a Escola Retribucionista (nome original) defendia idéias ultra­
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
passadas, retrógradas. Todavia, visando facilitar a compreensão, 
adotaremos daqui em diante a expressão Escola Clássica, por ser 
comumente utilizada em concursos públicos.
A Escola Clássica, fortemente influenciada pelo Iluminismo 
(movimento filosófico), foi desenvolvida no século XVIII contra- 
pondo-se ao regime absolutista que vigorava à época.
Lutou pela imposição de limites ao poder punitivo estatal, 
como expressão de garantias e direitos individuais de todo cidadão.
Centralizou os estudos sobre o crime, por meio do método 
dedutivo (ou lógico-abstrato), segundo a qual parte de um 
princípio geral, presumindo por consequências lógicas, para poste­
riormente ser aplicado aos casos concretos (ideia geral por meio 
da dedução).
Importante destacar que a Escola Clássica parte de duas 
premissas (teorias):
- Jusnaturalismo (Direito natural, de Grócio): direitos que 
decorrem da natureza humana. São direitos que independem de 
reconhecimento do Estado justamente por serem inerentes à natu­
reza eterna e imutável do ser humano;
- Contratualismo (Utilitarismo ou Teoria do Contrato Social, 
do iluminista Jean-Jacques Rousseau): em síntese, parte da ideia 
de que o Estado tem origem a partir de um grande pacto firmado 
entre os cidadãos. Segundo Rousseau, neste “pacto” os homens 
decidem por ceder parcela de seus direitos e de sua liberdade em 
prol da segurança de toda a coletividade.
Para fins de concursos públicos, é de extrema importância apontar 
os princípios fundamentais da Escola Clássica:
a) A punição do criminoso é baseada em seu livre-arbítrio: consi­
derando que o indivíduo é um ser dotado de livre arbítrio, ao 
escolher praticar o mal ao invés do bem deveráser responsabi­
lizado por suas escolhas;
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS 63
b) Baseando-se nos valores do lluminismo, não considera o crime 
como uma ação, mas sim como um ente jurídico (ficção jurídica);
c) Por meio dos estudos de seu principal expoente (Cesare Bonesana, 
o Marquês de Beccaria), insurge-se em oposição as torturas e 
violações aos direitos fundamentais praticados pelo antigo Estado 
absolutista;
d) Considerando o fato de que o Direito Penal tem a finalidade 
de proteção de bens jurídicos, defendem a pena como o meio 
(instrumento) desta proteção;
e) A pena deve possuir caráter retributivo diante da culpa moral do 
criminoso. Assim, visando prevenir o delito, a pena deve ser certa, 
aplicada com celeridade, ser severa (visando castigar o criminoso 
e intimidar os demais), para que seja capaz de alcançar a ordem 
social. É justamente por conta do caráter retributivo da pena 
que a Escola Clássica é também chamada de Retribucionista;
f) A pena deve ser proporcional ao crime praticado, deve ser certa, 
conhecida e justa.
Partindo da ideia de que o criminoso deve ser responsabilizado 
conforme sua culpa moral e livre-arbítrio, vale acrescentar o fato de 
que duas teorias contemporâneas se alicerçaram nos pensamentos 
da Escola Clássica:
- Teoria da Escolha Racional (Teoria de Escolha ou Teoria 
da Ação Racional): cunhada por Clark e Cornish, destaca que 
a conduta do criminoso surge a partir de uma decisão racional. 
Segundo esta teoria, o criminoso, ao ponderar os benefícios que 
poderá alcançar com a prática criminosa em detrimento dos riscos 
incorridos, acaba por escolher o crime quando a primeira opção 
(ganhos) supera a segunda (riscos).
— Teoria das Atividades Rotineiras: idealizada por Felson 
e L. E. Cohen, também considera o crime como fruto de uma 
escolha racional do criminoso entre custos e benefícios, todavia, 
por ter sofrido forte influência da Escola de Chicago, considera que 
fatores externos podem influenciar o indivíduo a praticar crimes, 
criando, portanto, um ambiente propício à criminalidade. Consi­
64 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
dera especialmente 3 fatores como motivadores ao criminoso: (a) 
criminoso motivado; (b) vítima ou alvo apropriado; e, (c) ausência 
de vigilância.
Por fim, importante destacar os principais nomes que defen­
diam a Escola Clássica:
Cesare Bonesana (também conhecido como Marquês de Beccaria), 
Francesco Carrara, Giovanni Carmignani, Jean Domenico Romagnosi, 
Jeremias Bentham, Franz Joseph Gall e Anselmo Von Feuberbach.
Diante da importância de alguns dos mencionados nomes, bem 
como diante a incidência em concursos públicos de temas especí­
ficos, teceremos breves linhas a seguir sobre os principais nomes.
Para acesso ao vídeo, 
utilize o QR Code ao 
lado.
1.1. Cesare Bonesana (Marquês de Beccaria)
Foi o principal expoente da Escola Clássica.
Principal obra: Dos Delitos e Das Penas ("dei delitti e dele pene"), 
de 1764 - apresentando uma nova forma de pensar o sistema 
punitivo, a obra tem grandes impactos até os dias atuais.
Apesar da sua forma de abordagem nitidamente filosófica, a 
obra se volta contra os excessos punitivos, marca dos regimes abso- 
lutistas, pretendendo humanizar a resposta do Estado à infração 
Penal.
Destacam-se como grandes idéias de Cesare Bonesana:
a) Fez surgir o chamado movimento humanitário em 
relação ao Direito de punir estatal. Beccaria mostrou-
Cap. 3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS 65 |
-se sempre contrário às penas de caráter cruel e princi­
palmente a desigualdade das penas determinadas pelas 
classes sociais entre os delinquentes (quanto mais pobre 
mais cruel seria a pena/se rico, a pena era benevolente);
b) Beccaria foi um contratualista, igualitário, liberal e indi­
vidualista. Abusava do critério de dedução, formulando 
princípios “a priori”, e deduzindo depois;
c) Sendo o expoente da Escola Clássica, Beccaria inspirou-se 
na filosofia de Montesquieu, Hume e Rosseau, baseando 
seu pensamento nos princípios do contrato social, do 
direito natural e do utilitarismo;
d) Defendia que a pena deveria ser aplicada somente por um 
juiz togado, despido de qualquer juízo de valor (não havia 
margem para o juiz interpretar a lei, devendo se limitar 
em aplicá-la);
e) Defendia os princípios da imparcialidade do julgador, da 
publicidade dos processos, da proporcionalidade das penas 
e repudiava acusações secretas;
f) Defendia o amplo acesso ao conhecimento das leis.
1.2. Francesco Carrara
Jurista italiano, foi fortemente influenciado pelas lições de 
Beccaria.
Responsável por atribuir a concepção de delito como ente 
jurídico, segundo a qual o crime não pode ser considerado como 
mero fato, mas uma relação de contrariedade entre a conduta 
humana e a lei, sendo constituído por duas forças:
— Força Física: mero movimento corpóreo e o dano efetivo 
causado pelo delito;
— Força Moral: vontade consciente e livre do criminoso.
66 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Ponto importante e divergente da Escola Clássica é o fato de 
que Carrara não defendia a ideia de que a pena deveria servir 
como retribuição pelo mal causado pelo criminoso, mas sim 
como o meio necessário que visa eliminar uma ameaça contra 
a sociedade.
1.3. Síntese da Escola Clássica
Abaixo, tabela que resume as principais características da Escola 
Clássica (e mais cobradas em concursos públicos):
Escola Clássica
Principais 
expoentes
Cesare Bonesana (Marquês de Beccaria), Francesco Car­
rara, Giovanni Carmignani, Jean Domenico Romagnosi, 
Jeremias Bentham, Franz Joseph Gall e Anselmo Von 
Feuberbach.
Crime Ente jurídico
Pena Pena Retributiva com base na culpa moral do indivíduo, 
visando a restauração da ordem social
Método Lógico-dedutivo
Responsabilidade 
do criminoso
Baseada na culpa moral e no livre-arbítrio
2. Escola Positivista (Século XIX)
Também chamada de Escola Positiva ou Criminologia Posi­
tivista, surgiu no início do século XIX no continente europeu, 
influenciadas pelos iluministas e fisiocratas do século anterior.
Teve como principais expoentes e defensores os italianos Cesare 
Lombroso, Enrico Ferri e Rafaelle Garofalo (diante da enorme 
importância de cada um deles, os estudaremos em tópicos próprios).
A Escola Positivista surge em completa contraposição à Escola 
Clássica, rechaçando as suas principais idéias, a começar pelo 
método:
Cap. 3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS f 67
A Criminologia Positivista utiliza o método empírico e indutivo 
(experimental): trabalha com casos concretos, partindo de caracte­
rísticas específicas para, só após, fixar conclusões gerais. Primeiro 
se conhece a realidade para depois explicá-la.
Importante: este é o legado mais importante da Escola Positivista, 
tendo em vista que a criminologia moderna se vale deste método 
até os dias atuais.
Vale destacar que para os positivistas o crime passa a ser visto 
como um fato natural, decorrente da vida em sociedade. Contra­
riando a Escola Clássica (defensora do indeterminismo, a Escola 
Positivista passa a defender o determinismo e, com isso, enxerga 
o criminoso como um ser anormal, desprovido de livre-arbítrio, 
sob os prismas biológico e psicológico).
Partindo deste pensamento, a pena passa a ter função preven­
tiva (não mais de castigo), sendo um instrumento de defesa social.
E justamente nesta fase que a Criminologia começa a ser consi­
derada como ciência (início da fase científica). Nesse sentido, vale 
a pena apresentarmos algumas ressalvas:
Antes da criação da expressão "positivismo", defendida por seus 
expoentes (Lombroso, Ferri e Garofalo), em 1827 a criminologia já 
contava com estudos de cunho científico por meio da publicação 
dos primeiros dados estatísticos pela França. Os dados estatísticos, 
à época, chamaram a atenção de diversos pesquisadores, desta­
cando-se entre todos o nome do belga Adolphe Quetelet. Quete- 
let ficou famoso especialmente por sistematizar dadosestatísticos 
sobre crimes e criminosos. Resultado de seus estudos, Quetelet 
publicou a obra Física social, em 1835, desenvolvendo três impor­
tantes preceitos:
a) O crime é um fenômeno social;
b) Baseando-se em estatísticas, concluiu: os crimes são praticados 
ano a ano com enorme precisão;
c) Há condicionantes de práticas criminosas que merecem destaque, 
tais como o analfabetismo, a miséria, clima, etc.
68 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Quetelet formulou a chamada Teoria das Leis Térmicas, segundo 
a qual as estações climáticas eram fatores determinantes para a 
prática de determinados crimes: crimes patrimoniais seriam prati­
cados com maior intensidade no inverno; no verão haveria maior 
incidência de crimes contra a pessoa e na primavera os crimes 
até então denominados "contra os costumes" (contra a dignidade 
sexual) - para o outono não detectou categoria específica de crimes. 
Mesmo sendo entusiasta de estatísticas, Quetelet mantinha certa 
cautela, especialmente após perceber a quantidade de crimes não 
registrados (cifra negra).
Apesar da raiz científica do positivismo residir nesses estudos 
e dados estatísticos, a organização de seus princípios e aclamação 
ocorreu apenas no final do século XIX, começando com os estudos 
de Lombroso.
► Cuidado: ainda assim, para a maioria da doutrina, o marco cien­
tífico da criminologia começa com Cesare Lombroso.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Esse tema foi cobrado por diversas vezes na fase oral do concurso da 
PC/SP, em 2019, cara o cargo de Escrivão de Polícia. O examinador 
questionava o seguinte: "Quando se deu um cunho científico aos 
estudos da criminologia? Cite alguns criadores desse período".
Comentários:
Em fase oral, é importante frisar que, segundo maioria da dou­
trina, o cunho científico da criminologia se deu com o surgimento 
da Escola Positivista, encabeçada por Cesare Lombroso e seguido 
por Enrico Ferri e Rafaelle Garofallo. Todavia, visando enriquecer 
sua resposta, não deixe de mencionar que para parcela minoritá­
ria da doutrina o marco científico da criminologia surge com os 
primeiros estudos de Adolphe Quetelet, conforme observações 
acima.
A Escola Positivista possuiu três fases distintas, uma para cada 
um de seus grandes expoentes, a saber:
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS
Para acesso ao vídeo, 
utilize o QR Code ao 
lado.
Fases da Criminologia Positivista
Antropológica Sociológica Jurídica
Cesare Lombroso Enrico Ferri Rafaelle Garofalo
Tinha como objeto prin­
cipal de estudo aspec­
tos físicos do criminoso
Passa a buscar resul­
tados de outros ramos 
do saber, e, com isso, 
adota quatro vertentes 
de combate ao crime: 
meios reparatórios, pre­
ventivos, repressivos e 
excludentes
Introduziu as idéias 
positivistas no orde­
namento jurídico, por 
meio de leis e entendi­
mentos
Considerando a incidência em concursos públicos sobre os 
defensores do positivismo, vale destacar as principais contribuições 
de cada um em tópicos apartados.
2.1. Cesare Lombroso
Foi o principal expoente da Escola Positivista, lhe rendendo até 
mesmo o título de pai da Criminologia, segundo a maioria da 
doutrina.
Principal obra: O Homem Delinquente, de 1876 - dando início a 
ciência criminológica por meio da observação, levantamento de 
dados, análises e conclusões.
Lombroso foi o responsável por cunhar o método indutivo- 
-experimental na Criminologia, em contraposição aos ensina­
mentos da Escola Clássica.
Valendo-se do método empírico, apesar de não ter formulado 
nenhuma teoria, Lombroso foi responsável por estruturar e orga­
nizar diversos estudos criminológicos até então dispersos.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Como médico legista, realizou mais de 400 autópsias de crimi­
nosos e mais de 6.000 análises de delinquentes vivos e, ao final, 
trouxe contornos científicos para a teoria do criminoso nato 
(apesar de a expressão ter sido criada por Ferri).
Examinando o crânio de um criminoso multirreincidente, bem 
como outras características físicas, Lombroso encontra uma série de 
anomalias, e, daí, avista desta estranha característica do crânio do 
criminoso examinado, pensava ter resolvido o problema da origem 
do comportamento criminoso. Ou seja, partia do pressuposto de 
que o delinquente já nascia delinquente diante de algumas malfor­
mações diagnosticáveis por meio de exames externos.
O problema é que ao considerar que com tais anomalias o 
criminoso mais cedo ou mais tarde escolhería o crime (criminoso 
nato), aceita-se a aplicação da pena antes mesmo da prática do 
crime - inclusive penas de morte e de caráter perpétuo.
Eis as premissas básicas de sua teoria: atavismo (herdava as caracte­
rísticas de criminoso de seus ancestrais), degeneração epilética e delin­
quente nato. Lombroso ainda destaca características físicas: “fronte 
filgidia, crânio assimétrico, cara larga e chata, grandes maçãs 
no rosto, lábios finos, canhotismo (na maioria dos casos), barba 
rala, olhar errante ou duro, etc.”, além de concluir que algumas 
tatuagens e até mesmo o alcoolismo eram comuns aos dementes. 
Abaixo, ilustrações lombrosianas famosas de exemplos de criminosos:
Desenhos dos tipos 
lombrosianos, apud H. V. 
de Carvalho
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS pi
► Cuidado:
É errado afirmar que Lombroso defendia apenas a existência do cri­
minoso nato. Muitos se limitam em fazer tal afirmação equivocada, 
ignorando que Lombroso apresentou classificação de criminosos 
(apesar de a teoria do criminoso nato ter ganhado destaque muito 
maior comparado com as demais classificações apresentadas por 
Lombroso). Segundo Lombroso, o criminoso se divide em 4 espécies: 
nato, louco, de ocasião e por paixão - tema que estudaremos em 
capítulo próprio.
2.2. Enrico Ferri
Discípulo e genro de Cesare Lombroso, Enrico Ferri foi escritor, 
político e criminólogo.
Principal obra: Sociologia Criminal, de 1914 - apontava os fato­
res antropológicos, sociais e físicos como as causas do delito.
Ferri foi além dos estudos e conclusões de Lombroso (que 
focava nos aspectos antropológicos do delinquente), defendendo a 
tese de que a delinquência decorria também de fatores sociais e 
físicos (além dos fatores antropológicos). Sendo assim, segundo 
Ferri, são causas do crime:
- Causas Antropológicas: organismo individual, psique, 
idade, raça, sexo, etc.
— Causas Físicas: estações do ano, temperatura, etc.
— Causas Sociais: religião, família, trabalho, círculo de 
amizade, opinião pública, densidade demográfica, etc.
Como o maior crítico do livre-arbítrio da Escola Clássica, 
defendia o afastamento da responsabilidade moral do criminoso, 
para a adoção da responsabilidade social.
Também defendia a aplicação da pena como instrumento de 
defesa da sociedade - o criminoso deve ser afastado do convívio 
social.
72 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Classificou os criminosos em natos, habituais, loucos, de 
ocasião e por paixão.
Importante: Enrico Ferri foi o idealizador da chamada Lei da Satu­
ração Criminal, apresentando a seguinte associação:
"Da mesma forma que um líquido em determinada temperatura 
dilua em parte, assim também ocorre com o fenômeno criminal, 
pois em determinadas condições sociais seriam produzidos deter­
minados delitos".
2.3. Raffaele Garófalo
Garófalo foi jurista e Ministro da Corte de Apelação da cidade 
de Nápoles-Itália. Diante de sua formação jurídica, apresentava 
visão mais técnica da criminologia, firmando a sistematização no 
ordenamento jurídico dos ideais da Escola Positivista.
Principal obra: Criminologia, de 1885 - apesar da expressão "cri­
minologia" ter sido empregada pela primeira vez por Paul Topinard, 
ganha força e relevância por meio de Garófalo, motivo pelo qual 
é lembrado e considerado o criador da expressão "criminologia".
Também negando o livre-arbítrio, Garófalo afirmava que o 
delito estava sempre na pessoa do delinquente, manifestando-se 
com a revelação ou descoberta da naturezado indivíduo, pouco 
importando a causa ou as circunstâncias desta revelação.
Para Garófalo, os criminosos classificam-se em: assassino, 
energético (ou violento) e ladrão (ou neurastênico).
Importante: Especialmente por sustentar que havia o criminoso 
nato, defendia que também haveria de existir o delito desta mesma 
natureza. Portanto, Garófalo acreditava na existência de duas espé­
cies de delitos: delitos legais e delitos naturais:
a) Delitos Legais: só eram praticados em determinados locais ou 
regiões específicas, pois não ofendiam o senso de moralidade 
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS 73
comum (exemplo: delitos tributários, comumente praticados em 
grandes metrópoles).
b) Delitos Naturais: lesavam o sentimento de altruísmo ou de pie­
dade, inerentes à própria condição humana, sendo praticados 
comumente em qualquer localidade (exemplos: delitos contra a 
vida como o homicídio, aborto, etc.).
2.4. Síntese da Escola Positivista
Abaixo, tabela que resume as principais características da Escola 
Positivista:
Escola Positivista
Principais 
expoentes
Cesare Lombroso, Enrico Ferri e Rafaele Garofalo. No 
Brasil, Raimundo Nina Rodrigues, Tobias Barreto, Vi­
veiros de Castro, Moniz Sodré, Cândido Mota, Filinto 
Bastos, Evaristo de Morais, Roberto Lyra
Crime Fenômeno natural e social
Pena Instrumento de defesa social com finalidade de pre­
venção geral
Método Indutivo-experimental
Responsabilidade 
do criminoso Baseada no determinismo (negava o livre-arbítrio)
3. Resumo das distinções entre a Escola Clássica e a Escola 
Positivista
Antes de analisarmos as demais escolas (as chamadas escolas 
intermediarias ou ecléticas, já que se limitaram em criar variações 
ou conciliações das duas escolas mais importantes estudadas em 
linhas anteriores), vale destacarmos resumidamente as principais 
diferenças entre as já estudadas Escola Clássica e Escola Posi­
tivista:
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Escola Clássica Escola Positivista
Crimes
, , ■
É um ente jurídico, pois 
consiste na violação de um 
direito.
Decorre de fatores naturais 
e sociais.
Delinquente
É um ser livre que pratica 
o delito por escolha moral, 
alheia a fatores externos 
(livre-arbítrio).
Não é dotado de livre- 
-arbítrio; é um ser anormal 
sob as óticas biológica e 
psíquica.
Pena
É forma de prevenção de 
novos crimes.
Funda-se na defesa social; 
deve ser indeterminada 
(base: periculosidade).
Principais 
nomes
Cesare Bonesana (Marquês 
de Beccaria), Francesco Car- 
rara e Giovani Carmignani.
Cesare Lombroso, Enrico 
Ferri e Rafaelle Garófalo.
Observação
Se funda nos ensinamentos 
de Cesare Beccaria (Dos de­
litos e das Penas); foi uma 
reação ao absolutismo.
É uma doutrina determi­
nista, tendo introduzido a 
ideia do "criminoso nato".
4. Escola Sociológica do Direito
A Escola Sociológica Jurídica (ou do Direito) parte da premissa 
de que o direito é um fenômeno social - decorre inevitavelmente 
do convívio do cidadão em sociedade.
Sendo assim, negam que o Direito tenha origem em Deus, 
na razão, no Estado ou mesmo da consciência humana, aduzindo 
que a origem do Direito decorre especificamente das inter-relaçóes 
sociais. A partir desta ideia, leis e regras jurídico-normativas servem 
apenas para disciplinar o comportamento do indivíduo no grupo 
social em que convive, ditando as necessidades e conveniências 
da sociedade.
Cite-se as principais características da Escola Sociológica do 
Direito:
O homem é um ser social, não podendo viver isoladamente;
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS 15
Sendo o homem forçado a conviver em sociedade, recebe 
desta as normas (Direito) para disciplina e organização da 
vida em coletividade.
Defensores:
Herbert Spencer, Émile Durkheim, Léon Duguit e Nordi Greco.
5. Escola de Lyon
Também chamada de Escola Antropossocial ou Criminal- 
-sociológica, a Escola de Lyon tem força por meio dos estudos de 
seu maior expoente, Alexandre Lacassagne, fortemente influen­
ciado pela Escola do químico Pasteur.
Segundo Lacassagne, o delinquente já apresenta predisposição 
ao crime (patologia, estado mórbido, etc.). Faz clara distinção 
entre o delinquente e o não delinquente, sendo que o primeiro 
seria portador de anomalias físicas e psíquicas, enquanto que o 
segundo seria um ser dotado de normalidade.
O autor culpa a sociedade como a responsável pela crimi­
nalidade. Isso porque o meio social seria responsável por criar o 
ambiente adequado, propício (ou não) à criminalidade.
E o autor da famosa frase: “as sociedades têm os criminosos 
que merecem”.
A partir desse raciocínio, Lacassagne apresenta famosa compa­
ração ilustrativa entre o criminoso e o micróbio:
Micróbio ou Vírus Delinquente
Caracterís­
ticas Organismos vivos capazes 
que causarem danos a outros 
seres vivos. Porém, quando 
isolados, são inofensivos.
Pessoa com anomalias físicas 
ou psíquicas predisposta à 
delinquir. Porém, quando não 
provocado, não manifesta o 
potencial criminoso.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Ou seja:
Micróbio ou Vírus Delinquente
Ambiente Quando ingressa em outro 
corpo (hospedeiro), poderá 
causar desde danos ou sinto­
mas leves até a morte.
Quando inserido em uma 
sociedade caótica, desorga­
nizada e corrompida, o resul­
tado será a eclosão do poten­
cial criminoso do delinquente.
Delinquência = predisposição pessoal + meio social
Porém, muito cuidado! A Escola de Lyon não preconiza que 
o sujeito nasce delinquente, mas sim coloca toda a culpa na 
sociedade. Em completa oposição aos ensinos de Lombroso e aos 
ideais da Escola Positivista, a Escola de Lyon aduz que o sujeito 
se torna criminoso por influência da sociedade (repita-se: nasce 
apenas predisposto - com “anomalias” - sendo transformado em 
criminoso após o contato e convívio com o ambiente propício).
Defensores:
Alexandre Lacassagne (1843-1924), Aubry, Martin Y. Locard, Bour- 
net Y. Chassinand, Coutagne, Massanet, Manouvrier, Letorneau e 
Topinard.
6. Terza Scuola Italiana
Originada no século XX, a Terceira Escola Italiana é o melhor 
exemplo de escola que tentou conciliar os ensinamentos das extre­
madas Escolas Clássica e Positivista.
A título de exemplo, citamos as idéias de um de seus expoentes, 
Bernardino Alimena, defensor da ideia de que o Direito Penal não 
poderia ser absorvido pela Sociologia (contrariando os positivistas, 
especialmente Enrico Ferri) e, ao mesmo tempo, se servia de outros 
ramos do saber desvinculados do Direito, como a Estatística, Psico­
Cap. 3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS \11 !
logia e Antropologia, visando aprimorar o estudo técnico-jurídico 
da criminalidade.
Abaixo, os principais postulados da Terza Scuola Italiana'.
O Direito Penal deve ser uma ciência autônoma e indepen­
dente, não se submetendo a nenhum outro ramo do saber;
Rejeita a ideia de tipos penais antropológicos, da fatalidade 
do crime (aproximada do Direito Penal do Autor), defen­
dendo o determinismo (causalidade do delito);
Considerando que fatores sociais podem influenciar na 
prática de crimes, defendem que o Estado deve prover a 
manutenção e reformas sociais;
A pena deve ter finalidade de defesa social e, ao mesmo 
tempo, caráter aflitivo (dissuasão);
Apresenta distinção entre imputáveis e inimputáveis;
Como fundamento da pena, apresenta mais uma evidência 
de conciliação entre a Escola Clássica e a Escola Positivista: 
responsabilidade moral do criminoso (livre-arbítrio, dos 
Clássicos) baseada no determinismo (dos Positivistas);
Assim, crime passa a ser considerado um fenômeno indi­
vidual e social;
Apresenta distinção entre a aplicação de métodos: método 
empírico e indutivo-experimental para outras ciências e 
método lógico-dedutivo para as disciplinas normativas 
(Direito).
Defensores:
Bernadino Alimena, Giuseppe Impallomeni e Manuel Carnevale
7. Escola Correcionalista
Teve origem na Alemanha com Cárlos Davis Augusto Rõder 
(publicação da obra Comentatio na poenamalun esse debeat, em 
78 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
1839), por influência do filósofo panteísta Karl Christian Frie- 
drich Krause. Mesmo assim, não teve tanta força na Alemanha, 
encontrando maior aceitação na Espanha a partir da tradução da 
respectiva obra por Francisco Giner de los Rios.
O Correcionalismo defendia o desenvolvimento da piedade 
e do altruísmo na aplicação do Direito Penal. Eis as principais 
idéias desta escola:
- Enxergava o delinquente como um ser portador de pato­
logia de desvio social: não propriamente como alguém que herdou 
de seus ancestrais a carga genética “propensa à criminalidade”, mas 
alguém dotado do que chamaram de patologia de “desvio social” 
(a hereditariedade e o ambiente seriam fatores não determinantes, 
mas meras causas de menor influência);
- Pena como o remédio social: ao enxergar o crime como 
a doença impregnada na sociedade, a pena seria o instrumento 
(remédio) para combatê-lo. Sendo assim, afastando o caráter puni­
tivo, o direito de punir deixa de ser encarado como um direito 
subjetivo estatal e passa a ser visto como um poder-dever do Estado. 
O problema é que com tal visão, a pena passa a ser incerta e inde­
terminada, podendo perdurar enquanto a “patologia” permanecer 
no delinquente, apenas com a ressalva de que deverá ser constan­
temente revisada e readaptada conforme o progresso ou regresso 
do condenado;
- Juiz passa a ser visto como um “médico social”: sendo o 
responsável por aplicar o remédio (pena), o magistrado passa a ser 
considerado, à luz desta escola, como o médico social. Com isso, 
surge a necessidade de o médico ter o domínio de ciências sociais 
como a psicologia, antropologia, sociologia jurídica, etc., ou que 
seja auxiliado por profissionais das respectivas áreas. O problema 
é que havia, inclusive, a possibilidade de aplicação de pena sobre 
o suposto criminoso mesmo diante da prática de condutas não 
tipificadas criminalmente, já que bastaria o diagnóstico de pato­
logia de desvio social.
Cap. 3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS p9 |
Defensores:
Alemanha: Cárlos Davis Augusto Rõder. Na Espanha: Pedro Dorado 
Monteiro, Concepción Arenal, Giner de los Rios, Romero Gíron, 
Alfredo Cálderon, Luís Silvela, Félix de Aramburu y Zuloaga, Rafael 
Salillas e Luís Jiménez de Asúa.
8. Escola de Política Criminal
Franz von Liszt, por meio de sua aula inaugural em Marburgo 
(A ideia de fim no Direito Penal), posteriormente chamada de 
Programa de Marburgo, apresenta uma perspectiva sociológica 
para a escola alemã.
Também é conhecida por Escola Sociológica Alemã, Escola 
de Marburgo, Escola Moderna e Nova Escola.
Em contraposição à Escola Positivista, também negava a criação 
de tipos antropológicos de criminosos, defendendo a preponde­
rância de fatores sociais na ocorrência de delitos.
Eis os postulados da Escola de Política Criminal:
- Ampliação da conceituação das Ciências Penais: Crimino­
logia passa a ser a ciência de explicação das causas do crime e a Peno- 
logia passa a ser a ciência de explicação das causas e efeitos da pena;
- Aplicação do método indutivo-experimental para a crimi­
nologia;
— Distinção entre imputáveis e inimputáveis: defendem a 
substituição do livre-arbítrio (da Escola Clássica) pela noção de 
normalidade. Assim, com base na culpabilidade, aplica-se pena 
para os “normais” e medida de segurança à periculosidade para 
os “perigosos” ou “anormais”;
- Enxerga o crime como fenômeno humano-social e como 
fato jurídico;
— Função finalística da pena: afasta a retribuição da pena 
cunhada pela Escola Clássica, passando a defender a aplicação de 
A MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
pena justa e necessária para a proteção da sociedade e manutenção 
da ordem jurídica. Com isso, busca-se a prevenção especial da 
pena, seja por meio do que denominaram adaptação artificial 
(transformação do delinquente em cidadão útil à sociedade), seja 
por meio da inocuização (afastamento do criminoso da sociedade, 
por meio da prisão).
Defensores:
Franz von Liszt, Adolphe Prins e Von Hummel
9. Movimento Psicossociológico
Idealizado pelo sociólogo francês Gabriel Tarde (1843-1904), 
opondo-se ao determinismo biológico e social defendido pela 
Escola Positivista e às teses antropológicas de Cesare Lombroso, 
sustentava a preponderância dos fatores sociais sobre os fatores 
físicos e biológicos na criminalidade.
Em síntese, para Tarde, aspectos de ordem biológica ou física 
até poderiam influenciar na prática de crimes, mas nada seria tão 
decisivo comparado às influências do corpo social.
Em sua obra As leis da imitação (1890), formulou a lei da 
imitação ou da integração social, segundo a qual o “crime, 
como todo comportamento social, seria inventado, repetido, confli- 
tado e adaptado”. Nesse sentido, o criminoso, como uma espécie 
de profissional, a partir de um processo de aprendizagem, 
imitaria, consciente ou inconscientemente, o comportamento 
criminoso.
Gabriel Tarde é responsável pela frase: “todo mundo é culpável, 
exceto o criminoso”, apresentando a ideia do delinquente como um 
receptor passivo dos impulsos delitivos.
Esse movimento influenciou a teoria da associação diferen­
cial (Edwin Sutherland - 1883-1950).
Cap.3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS (81 ■
Defensor:
Gabriel Tarde
10. Escola Técnico-Jurídica
Tem origem em 1905 como forma de reação à Escola Positivista 
e tem como principais postulados:
- Autossufíciência da Criminologia: a Criminologia não 
deveria se misturar com nenhuma outra ciência (sociologia, filo­
sofia, psicologia, antropologia, etc.), por ser autossuficiente na 
missão de explicar a criminalidade. Defendem que a Criminologia 
possui autoridade e até mesmo exclusividade para apontar soluções 
para o problema da criminalidade;
- O Direito Penal deve se limitar ao direito positivo em 
vigor;
- Crime como relação jurídica: o delito passa a ser visto como 
uma relação jurídica, de cunho social e individual;
- Finalidade da pena de prevenção geral e especial: a apli­
cação da pena passa a ser encarada como consequência lógica e 
reação ao crime, com finalidade de prevenção geral (incutindo 
na sociedade a segurança jurídica e o receio da pena) e especial 
(dissuadindo e ressocializando o criminoso);
— Previsão de aplicação de medida de segurança aos inim- 
putáveis;
— Resgate do livre-arbítrio: retomaram a defesa da ideia de 
uma responsabilidade moral de delinquente.
Defensores:
Arturo Rocco, Manzini, Massari, Datiala, Cicala e Conti
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
11. Nova Defesa Social
As idéias surgiram durante o Iluminismo. Porém, no movi­
mento de política criminal denominado de Defesa Social foram 
cunhadas após a Segunda Guerra Mundial com a luta e esforços 
de Adolphe Prins e Fillipo Gramatica.
Em 1954, recebeu novo nome de Nova Defesa Social, cujos 
fundamentos estão inseridos no livro de Marc Ancel, denominado 
La Defense Sociale Nouvelle.
Sobre a Nova Defesa Social, podemos destacar os seguintes 
postulados:
- Defendiam a abolição do Direito Penal: defendiam que 
um direito punitivo não era necessário, rechaçando a concepção 
de um sistema penal repressivo, merecendo sua substituição por 
outros mecanismos de controle social;
- Pedagogia da Responsabilidade: o criminoso deve ser 
educado e não punido;
- Substituição de penas em crimes para medidas indivi­
dualizadas: entendiam que o mais eficiente seria afastar as penas 
previstas abstratamente para cada delito, aplicando medidas para 
cada criminoso conforme suas particularidades, já que o principal, 
segundo esta escola, não seria castigar o delinquente e sim proteger 
a sociedade. Tratando de cada criminoso individualmente, haveria 
a neutralização de sua periculosidade de forma humanitária, prote­
gendo, por conseguinte, a sociedade;
- Adoção exclusiva de sistema preventivo e (re) educativo: 
com mecanismos de prevenção, bem como medidas de ressociali- 
zação, seria possível, ao final do cumprimento,viabilizar o convívio 
do condenado com a sociedade.
Defensores:
Adolphe Prins, Fillipo Gramatica e Marc Ancel
Cap. 3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS 83
12. Movimento "Lei e Ordem"
O alemão Ralf Dahrendorf (1929-2009) liderou o Movimento 
“Law and Order”, apresentando a ideia de Direito Penal Máximo, 
segundo a qual deve haver um aumento da criação das normas 
incriminadoras e a intensificação do rigor das penas, como meio 
de combater eficientemente a criminalidade.
Resgata-se a ideia de pena como castigo da Escola Clássica e 
sustenta que os crimes mais graves devem ser punidos com sanções 
severas, especialmente os crimes violentos que passam a merecer 
penas privativas de liberdade em estabelecimentos penitenciários 
de segurança máxima.
Chegam a conclusão de que a tolerância a pequenas infrações 
podem ensejar a prática de crimes cada vez mais graves, diante da 
certeza da impunidade e da recompensa percebida pela criminalidade.
Parcela da doutrina entende se tratar de reflexo do chamado direito 
penal do inimigo, por enxergar o criminoso como inimigo do Estado.
Esse movimento teve enorme aceitação nos EUA (em especial, 
na década de 70) e influenciou a criação da Política de Tolerância 
Zero (posteriormente na Teoria das Janelas Quebradas), em Nova 
Iorque (1991) pelo prefeito Rudolph Giuliani.
No Brasil, influenciou a criação da Lei dos Crimes Hediondos 
(Lei n° 8.072/90) que visa ofertar tratamento mais rigoroso aos 
chamados crimes mais graves (conforme o STF, crimes de máximo 
potencial ofensivo).
Defensor:
Ralf Dahrendorf
13. Afinal, quando surgiu a criminologia?
Muito cuidado com a indagação acima, especialmente diante de 
uma prova em concurso público. Isso porque não há um consenso 
quanto à origem da Criminologia.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Qualquer pergunta nesse sentido deverá estar munida de 
elementos específicos em sua indagação, de modo a questionar 
sobre a origem de algum aspecto relevante para a história da 
Criminologia.
Nesse sentido, abaixo apontaremos os principais marcos histó­
ricos relacionados com o estudo da Criminologia:
a) O termo “Criminologia”: foi utilizado pela primeira 
vez pelo antropólogo francês, Paul Topinard, em 1879, 
todavia, o termo só foi difundido internacionalmente 
por meio da publicação da obra Criminologia, de 1885, 
por Rafaelle Garofalo em sua obra Criminologia, 
de 1885;
b) Marco científico da Criminologia: prevalece, segundo 
a maioria, ter surgido a partir dos estudos de Cesare 
Lombroso (para alguns, surgiu antes com os estudos 
estatísticos de Adolphe Quetelet). Vale destacar que, para a 
maioria da doutrina, Cesare Lombroso é considerado o pai 
da Criminologia, especialmente pelo fato de ter empregado 
o método empírico em suas pesquisas;
c) Criminologia como estudo de fenômenos sociais: para 
os adeptos da corrente que defendem uma criminologia 
resumida nos estudos de fenômenos sociais, sua origem 
se dá com os trabalhos de Adolphe Quetelet;
d) Criminologia abrangendo a política-criminal: segundo 
aqueles que entendem que Criminologia absorve a polí­
tica-criminal, sua origem ocorre com Cesare Bonesana 
(Marquês de Beccaria);
e) Criminologia no Brasil: tem origem com os estudos de 
João Vieira de Araújo, no final do século XIX, ganhando 
relevância, posteriormente, com os estudos de Raimundo 
Nina Rodrigues.
Cap. 3 • ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS | 85
GABARITO
1 2 3 4 5 6
D A B E A CERTO
7 8 9 10 11
A C E E D
CAPÍTULO 4
TEORIAS SOCIOLÓGICAS 
EXPLICATIVAS DA 
CRIMINALIDADE
Leia as questões abaixo antes de estudar o capítulo
1. (PC-SP - INVESTIGADOR DE POLÍCIA - VUNESP - 2022) É considerada 
uma teoria de consenso, desenvolvida pelo sociólogo americano Edwin 
Sutherland (1883-1950), inspirado em Gabriel Tarde. Afirma que o com­
portamento do criminoso é aprendido, nunca herdado, criado ou desen­
volvido pelo sujeito ativo. Assinale a alternativa que indica corretamente 
a qual teoria sociológica do crime corresponde o enunciado
a) Teoria crítica.
b) Teoria ecológica.
c) Subcultura delinquente.
d) Associação diferencial.
e) Anomia.
2. (PC-SP - INVESTIGADOR DE POLÍCIA - VUNESP - 2022) É uma das mais 
importantes teorias de conflito. Surgida nos anos 1960, nos Estados Uni­
dos, seus principais expoentes foram Erving Goffman e Howard Becker. 
Assinale a alternativa que indica corretamente a qual teoria sociológica 
do crime corresponde o enunciado
a) Criminologia Radical.
b) Teoria ambientalista.
c) Labelling approach.
d) Teoria anomia crítica.
e) Subculturas delinquentes.
3. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA - VUNESP - 2022) A teoria sociológica 
da criminalidade denominada "Tolerância Zero" defende a ideia de que 
a) sua meta principal é a atribuição de punições a executivos do alto 
escalão da sociedade, políticos e empresários, independentemente da 
culpa individual do infrator ou da situação peculiar que se encontre.
88 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
b) a redução dos índices criminais dar-se-á por mínima intervenção, com 
máximas garantias.
c) a repressão à desordem e a pequenos delitos produzirá, a médio 
prazo, diminuição dos índices criminais de maior impacto social, tais 
como crimes violentos contra a vida e dignidade sexual.
d) as ações policiais devem ser complacentes com os pequenos delitos, 
tais como pichações e perturbações de sossego.
e) as decisões por parte das autoridades policiais, diante de um ilícito, 
devem ser tomadas com base na discricionariedade, conveniência e 
oportunidade.
4. (PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - INSTITUTO ACESSO - 2019) A Crimi­
nologia Crítica contempla uma concepção conflitual da sociedade e do 
Direito. Logo, para a criminologia crítica, o conflito social
a) se produz entre as pautas normativas dos diversos grupos sociais, 
cujas valorações são discrepantes.
b) é funcional porque assegura a mudança social e contribui para a 
integração e conservação da ordem e do sistema.
c) é um conflito de classe sendo que o sistema legal é um mero instru­
mento da classe dominante para oprimir a classe trabalhadora.
d) representa a própria estrutura e dinâmica da mudança social, sendo 
o crime produto normal das tensões sociais.
e) expressa uma realidade patológica inerente a ordem social.
5. (PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - INSTITUTO ACESSO - 2019) Leia o 
texto a seguir e responda ao que é solicitado.
"Os irmãos Batista, controladores da JBS, tiveram vantagem indevida 
de quase R$73 milhões com a venda de ações da companhia antes 
da divulgação do acordo de delação premiada que veio a público em 
17/05/2017, conforme as conclusões do inquérito da Comissão de Valores 
Mobiliários (CVM). O caso analisa eventual uso de informação privilegiada 
e manipulação de mercado por Joesley e Wesley Batista, e quebra do 
dever de lealdade, abuso de poder e manipulação de preços pela FB 
Participações". (Jornal Valor Econômico, 13/08/2018):
Com relação à criminalidade denominada de colarinho branco, pode-se 
afirmar que a teoria da associação diferencial
a) sustenta como causa da criminalidade de colarinho branco a proposi­
ção de que o criminoso de hoje era a criança problemática de ontem.
b) entende que o delito é derivado de anomalias no indivíduo podendo 
ocorrer em qualquer classe social.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 89
c) sustenta que o crime está concentrado na classe baixa, sendo asso­
ciado estatisticamente com a pobreza.
d) sustenta que a aprendizagem dos valores criminais pode acontecer 
em qualquer cultura ou classe social.
e) enfatiza os fatores sociopáticos e psicopáticos como origem do crime 
da criminalidade de colarinho branco.
6. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2018) É considerada como teoria de 
consenso, criada pelo sociólogo Albert Cohen. Segundo Cohen, esta teoria 
se caracteriza por três fatores: não utilitarismo da ação; malícia da conduta 
e negativismo. Trata-se da seguinte teoria sociológica da criminalidade: 
a) escola de Chicago.b) associação diferencial.
c) labelling approach.
d) subcultura delinquente.
e) teoria crítica.
7. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2018) É correto afirmar que Edwin 
H. Sutherland desenvolveu a teoria da:
a) labelling approach.
b) associação diferencial.
c) crítica e autocrítica.
d) escola de Chicago.
e) subcultura delinquente.
8. (PC-SP - ESCRIVÃO - VUNESP - 2018) Com relação às teorias sociológicas 
da criminalidade, é correto afirmar que:
a) a teoria do autocontrole sustenta que as falhas ou negligências na 
educação em casa, familiar não são causas preponderantes do crime.
b) a teoria da anomia vê o delito como um fenômeno normal da socie­
dade e não como algo necessariamente ruim.
c) a teoria da associação diferencial foi a primeira a refutar a existência 
dos crimes de colarinho branco.
d) a teoria da anomia estabelece que a conduta criminal é algo que se 
aprende.
e) a teoria da associação diferencial defende que os indivíduos adquirem 
(ou não) a capacidade de controle da impulsividade e imediatismo 
(autocontrole) por meio da socialização familiar.
90 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
9. (PC-SP - PAPILOSCOPISTA - VUNESP - 2018) A teoria__________ consi­
dera que o crime é um fenômeno natural da vida em sociedade; todavia, 
sua ocorrência deve ser tolerada, mediante estabelecimento de limites 
razoáveis, sob pena de subverter a ordem pública, os valores cultuados 
pela sociedade e o sistema normativo vigente.
a) behaviorista.
b) da subcultura delinquente.
c) do etiquetamento ou labelling approach.
d) da associação diferencial.
e) da anomia.
10. (PC-SP - AGENTE POLICIAL - VUNESP - 2018) Os conceitos básicos de 
"desorganização social" e de "áreas de delinquência" são desenvolvidos 
e relacionados com o fenômeno criminal de modo preponderante, por 
meio da teoria sociológica da criminalidade, denominada como: 
a) Labeling approach ou "etiquetamento".
b) Anomia.
c) Escola de Chicago.
d) Associação Diferencial.
e) Subcultura Delinquente
11. (PC-SP - ESCRIVÃO - VUNESP - 2013) São teorias do consenso as 
teorias:
a) da desorganização social; da identificação diferencial; da criminologia 
crítica.
b) do etiquetamento; da associação diferencial; do conflito cultural.
c) da criminologia crítica; da subcultura; do estrutural-funcionalismo.
d) da criminologia radical; da associação diferencial; da identificação 
diferencial.
e) da desorganização social; da neutralização; da associação diferencial.
12. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2013) São teorias do conflito as 
teorias:
a) das áreas criminais, da identificação diferencial e da criminologia 
crítica.
b) da desorganização social, da neutralização e das áreas criminais.
c) do conflito cultural, do etiquetamento e da associação diferencial.
d) da associação diferencial, da subcultura e do estrutural-funcionalismo. 
e) da criminologia crítica, da rotulação e da criminologia radical.
Cap.4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE
13. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2013) A corrente de pensamento 
criminológico que aponta, como técnica utilizada pelo criminoso para 
sua autojustificação, um procedimento racional em que atribui a culpa 
pelos seus atos antissociais aos agentes públicos encarregados de sua 
punição (policiais, membros do ministério público, magistrados), os quais 
seriam corruptos, parciais e inescrupulosos, é denominada teoria:
a) do estrutural-funcionalismo.
b) da criminologia crítica.
c) da neutralização.
d) do conflito cultural.
e) da criminologia radical.
14. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2013) A Teoria do Etiquetamento 
ou do labelling approach inspirou no Direito Penal Brasileiro a instituição: 
a) da Lei de Segurança Nacional.
b) do Código Penal Militar.
c) da Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais.
d) da Teoria do Direito Penal do Inimigo.
e) da Lei dos Crimes Hediondos.
15. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2018) Julgue o item a seguir, 
relativos a modelos teóricos da criminologia.
De acordo com a teoria da anomia, o crime se origina da impossibilidade 
social do indivíduo de atingir suas metas pessoais, o que o faz negar a norma 
imposta e criar suas próprias regras, conforme o seu próprio interesse.
( ) CERTO ( ) ERRADO
16. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2018) Julgue o item a seguir, 
relativos a modelos teóricos da criminologia.
Para a teoria da reação social, o delinquente é fruto de uma construção 
social, e a causa dos delitos é a própria lei; segundo essa teoria, o próprio 
sistema e sua reação às condutas desviantes, por meio do exercício de 
controle social, definem o que se entende por criminalidade.
( ) CERTO ( ) ERRADO
17. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2018) Julgue o item a seguir, 
relativos a modelos teóricos da criminologia.
Conforme a teoria ecológica, crime é um fenômeno natural e o criminoso 
é um delinquente nato possuidor de uma série de estigmas comporta- 
mentais potencializados pela desorganização social.
( ) CERTO ( ) ERRADO
92 ! MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
18. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2013) Julgue o item a seguir, 
relacionados aos modelos teóricos da criminologia.
As idéias sociológicas que fundamentam as construções teóricas de 
Merton e Parsons obedecem ao modelo da denominada sociologia do 
conflito.
( ) CERTO ( ) ERRADO
19. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2013) Julgue o item a seguir, 
relacionados aos modelos teóricos da criminologia.
A teoria funcionalista da anomia e da criminalidade, introduzida por 
Emile Durkheim no século XIX, contrapunha à ideia da propensão ao 
crime como patologia a noção da normalidade do desvio como fenô­
meno social, podendo ser situada no contexto da guinada sociológica 
da criminologia, em que se origina uma concepção alternativa às teorias 
de orientação biológica e caracterológica do delinquente.
( ) CERTO ( ) ERRADO
20. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2013) O surgimento das teorias 
sociológicas em criminologia marca o fim da pesquisa etiológica, própria 
da escola ou do modelo positivista.
( ) CERTO ( ) ERRADO
21. (PC-PE - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2016) Acerca dos modelos 
teóricos explicativos do crime, oriundos das teorias específicas que, na 
evolução da história, buscaram entender o comportamento humano 
propulsor do crime, assinale a opção correta:
a) O modelo positivista analisa os fatores criminológicos sob a concepção 
do delinquente como indivíduo racional e livre, que opta pelo crime 
em virtude de decisão baseada em critérios subjetivos.
b) objeto de estudo da criminologia é a culpabilidade, considerada em 
sentido amplo; já o direito penal se importa com a periculosidade na 
pesquisa etiológica do crime.
c) A criminologia clássica atribui o comportamento criminal a fatores 
biológicos, psicológicos e sociais como determinantes desse compor­
tamento, com paradigma etiológico na análise causal-explicativa do 
delito.
d) Entre os modelos teóricos explicativos da criminologia, o conceito defi- 
nitorial de delito afirma que, segundo a teoria do labeling approach, 
o delito carece de consistência material, sendo um processo de rea­
ção social, arbitrário e discriminatório de seleção do comportamento 
desviado.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 93 I
e) O modelo teórico de opção racional estuda a conduta criminosa a 
partir das causas que impulsionaram a decisão delitiva, com ênfase 
na observância da relevância causai etiológica do delito.
22. (PC-MA - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2018) João nutria grande 
desejo por sua colega de turma, Esteia, mas não era correspondido. Esse 
desejo transformou-se em ódio e fez que João planejasse o estupro e o 
homicídio da colega. Para isso, ele passou a observar a rotina de Esteia, 
que trabalhava durante o dia e estudava com João à noite. Determinado 
dia, após a aula, em uma rua escura no caminho de Esteia para casa, 
João realizou seus intentos criminosos, certo de que ficaria impune, mas 
acabou sendo descoberto e preso.
Conforme a criminologia crítica, o crimeinjustiças sociais, e não do agente criminoso, 
sendo este o nascedouro da acintosa tese de coculpabilidade da 
sociedade civil.
3. Esta premissa está evidenciada em Sociopathic Society: A People's Sociology of the 
United States, de Charles Derber, Routledge, 2016, p. 10-11.
Isto ocorre, também, quando o autor convida o leitor a conhecer 
as escolas criminológicas clássica e positivista sem a odiosa chave 
de leitura marxista, presente na maioria das obras e artigos, e, 
ainda, quando o autor sugere ao leitor que, em verdade, o que há, 
na alta modernidade, é um embate entre diversas escolas (Lyon, 
Sociológica, Positivista, Terceira Escola Italiana, Correicionalista, 
Escola da Política Criminal, Movimento Psicossociológico, dentre 
outras) contra uma só: a Escola Clássica. O que se percebe é, isso 
sim, um conjunto de escolas, todas de viés sociológico Comtiano e 
Durkheimniano, surgidas há cerca de século e meio, que tenta, com 
apoio de praticamente toda a crítica acadêmica, vencer os milênios 
que antecederam a formatação da doutrina clássica, caracterizada 
por ser uma doutrina da constatação, e não de socioconstrução 
ou de engenharia social. Esta guerra, visivelmente assimétrica, 
pretende destruir o senso comum de que a responsabilidade por se 
dar início e fim à conduta criminosa é, volitiva e intelectualmente, 
um processo individual, uma decisão de um ser autodeterminável 
e tomada, essencialmente, por ele sozinho.
Este predicado aqui ressaltado é abertamente lembrado pelo 
autor quando, mais adiante, fala da Teoria da Anomia, da Teoria 
do Conflito e mesmo da Teoria Crítica.
O capítulo sobre vitimologia está mais completo e cientifi­
camente preciso do que a maioria dos manuais de Criminologia 
disponíveis em bibliotecas ou à venda no mercado, sendo espe­
cialmente útil aos que labutam com espécies de crimes em que é 
comum a revitimização, como nos Juizados de Violência Domés­
12 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
tica e Familiar contra a Mulher, ou aos que, em procedimentos 
investigatórios, precisam lançar suspeita de processos vitimológicos 
extraordinários, como os de periculosidade vitimai, de vítimas 
falsas ou de vítimas provocadoras. Após a leitura deste capítulo, 
a compreensão dos fenômenos de culpa exclusiva da vítima - que 
pertence à teoria geral do Direito, e não só ao Direito Penal - e 
de vítima simuladora será, certamente, facilitada.
O mesmo pode ser dito sobre o capítulo a respeito das funções 
da pena, que, além de ultrapassar, em abrangência e profundi­
dade, praticamente todos os manuais de Direito Penal existentes 
no mercado, aborda, com honestidade intelectual e sem qualquer 
amarra ideológica ou politicamente correta, as diferentes escolas 
e teorias.
A obra em apreço é especial em praticamente todos os aspectos: 
didática, horizontalidade de temas, escrita, objetividade, profundi­
dade dos principais assuntos, clareza, independência intelectual e 
comprometimento real com o aprendizado do estudante.
Enfim, a hora é chegada. O leitor que se prepare para a enxur­
rada de conhecimento que receberá ao virar as próximas páginas, 
com a confiança de que está em excelentes mãos. Bons estudos!
Rafael Thomas Schinner
Promotor de Justiça - MP/RJ
SUMARIO
CAPÍTULO 1
DIFERENÇAS ENTRE DIREITO PENAL, CRIMINOLOGIA E 
POLÍTICA CRIMINAL............................................................................... 25
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 29
GABARITO....................................................................................................... 32
CAPÍTULO 2
CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E 
FINALIDADES DA CRIMINOLOGIA.................................................. 33
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 37
CONCEITO DE CRIMINOLOGIA........................................................... 38
1. Criminologia Geral........................................................................... 40
2. Criminologia Clínica (Microcriminologia)................................... 40
CIENTIFICIDADE........................................................................................ 43
MÉTODOS DA CRIMINOLOGIA............................................................ 43
OBJETOS DA CRIMINOLOGIA................................................................ 45
1. Delito/Crime.................................................................................... 45
2. Delinquente/Criminoso................................................................... 46
3. Vítima................................................................................................ 47
4. Controle Social................................................................................. 47
4.1. Controle/Agentes sociais Informais........................................ 47
4.2. Controle/Agentes sociais Formais.......................................... 48
FINALIDADES (FUNÇÕES) DA CRIMINOLOGIA............................. 49
GABARITO....................................................................................................... 50
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
CAPÍTULO 3
ETAPAS EVOLUTIVAS DA CRIMINOLOGIA E ESCOLAS 
CRIMINOLÓGICAS................................................................................... 51
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 54
PERÍODO DA ANTIGUIDADE................................................................. 54
1. Protágoras (485-415 a.C)............................................................... 55
2. Sócrates (470-399 a.C).................................................................... 55
3. Platão (427-347 a.C)........................................................................ 55
4. Aristóteles (388-322 a.C)................................................................. 56
IDADE MÉDIA............................................................................................... 56
1. São Tomás de Aquino (1226-1274)............................................... 56
2. Santo Agostinho (354 a 430 d.C.)................................................. 57
IDADE MODERNA - FASES PRÉ-CIENTÍFICA E CIENTÍFICA..... 57
1. Fase pré-científica............................................................................. 57
2. Fase científica................................................................................... 59
SURGIMENTO DA CRIMINOLOGIA NO BRASIL............................. 60
ESCOLAS CRIMINOLÓGICAS.................................................................. 61
1. Escola Clássica / Retribucionista (Século XVIII).......................... 61
1.1. Cesare Bonesana (Marquês de Beccaria)............................... 64
1.2. Francesco Garrara.................................................................... 65
1.3. Síntese da Escola Clássica....................................................... 66
2. Escola Positivista (Século XIX)....................................................... 66
2.1. Cesare Lombroso..................................................................... 69
2.2. Enrico Ferri.............................................................................. 71
2.3. Raffaele Garófalo..................................................................... 72
2.4. Síntese da Escola Positivista................................................... 73
3. Resumo das distinções entre a Escola Clássica e a Escola Positi­
vista............................................................................................. 73
4. Escola Sociológica do Direito......................................................... 74
5. Escola de Lyon.................................................................................. 75
6. Terza Scuola Italiana........................................................................ 76
SUMÁRIO í 15
7. Escola Correcionalista.......................................................................praticado contra Esteia, descrito 
no texto ACIMA, pode ser explicado.
a) por traumas de infância desenvolvidos por João, o que tornou difícil 
a sua relação com as mulheres.
b) pela pouca iluminação da rua que Esteia elegeu para voltar para casa 
depois da aula.
c) pelo comportamento imprudente de Esteia, que, no período noturno, 
andava sozinha em rua mal iluminada.
d) pela existência de alguma característica inata de João, que fatalmente 
o levaria a cometer os crimes de estupro e homicídio.
e) por multifatores, como uma cultura misógina que desvaloriza as 
mulheres e que legitima a sua punição quando não forem atendidos 
os interesses e os desejos masculinos.
23. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO FEDERAL - ÁREA 3 - CESPE - 2015)
Em relação aos preceitos da criminologia contemporânea e a aspectos 
relevantes sobre a justiça criminal, o sistema penal e a estrutura social, 
julgue o item que se segue.
Segundo o princípio da parcialidade positiva do juiz, diferenças sociais, 
culturais, econômicas, étnicas, raciais e de outras naturezas devem ser 
reconhecidas pelo julgador para que este possa chegar a decisões ver­
dadeiramente justas no âmbito criminal.
( )CERTO ( ) ERRADO
VAMOS AO TEMA!
Dentro da perspectiva macro criminológica, temos diversas 
teorias que visam explicar, justificar ou criticar o crime. Muitas 
L94.! MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
se baseiam em critérios científicos, valendo-se de outros ramos do 
saber como a medicina, antropologia, estatística etc., enquanto que 
outras apresentam forte carga ideológica.
Em todo caso, é sem dúvida o tema mais cobrado em concursos 
públicos na atualidade merecendo análise retida sobre cada teoria.
A doutrina apresenta classificação que divide as teorias crimi­
nológicas em teorias de nível individual e teorias sociológicas 
(macrossociológicas).
A seguir, analisaremos cada um desses grupos para, em seguida, 
enfrentarmos o estudo de cada teoria em espécie.
TEORIAS DE NÍVEL INDIVIDUAL
As teorias de nível individual procuram apontar explica­
ções sobre as causas individuais do fenômeno criminal, ou 
seja, analisa o próprio criminoso visando diagnosticar quais os 
fatores que são determinantes para a prática de delitos. Podem 
ser divididas em:
a) Biológicas: buscam explicar o fenômeno criminal a partir 
de fatores orgânicos (biologia do criminoso); e
b) Psicológicas — explicação do comportamento criminoso 
através do mundo anímico, dos processos psíquicos ou nas 
vivências subconscientes do criminoso, bem como nos seus 
processos de aprendizagem e socialização.
1. Teorias biológicas (bioantropológicas)
Trabalham com a ideia de que a prática do delito está associada 
a fatores congênitos do indivíduo, ou melhor, ao próprio organismo 
do criminoso.
O delinquente seria um ser biologicamente distinto dos demais 
cidadãos.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 95
Logo, são teorias que visam localizar e identificar em alguma 
parte ou no funcionamento do organismo do delinquente o fator 
diferencial que explica a conduta delitiva (tais como deformidades, 
doenças mentais, tumores, atavismo etc.), enquanto consequência 
patológica ou disfuncional
2. Teorias psicológicas
Procuram explicar as causas do fenômeno criminal a partir do 
estado anímico do criminoso (geralmente resultados da vivência 
do subconsciente ou mesmo nos processos de aprendizagem e 
socialização do indivíduo).
As teorias psicológicas podem ser da espécie psicodinâmica, 
hipóteses em que se conclui que houve falha no processo de apren­
dizagem ao longo da vida.
Investiga-se quais os motivos da maioria das pessoas não 
praticar crimes. Como visto, trata-se de uma espécie do gênero 
teorias psicológicas.
TEORIAS DE NÍVEL SOCIOLÓGICO (MACROSSOCIOLÓ- 
GICAS OU SOCIOLOGIA CRIMINAL)
Partindo da premissa de que o crime é um fenômeno social, as 
teorias sociológicas buscam explicar a criminalidade na perspectiva 
etiológica (causas do crime) ou interacionistas (reação social).
Ademais, a maioria das teorias que analisaremos em capítulo 
próprio pertencem a esse grupo, apontando como fatores determi­
nantes da delinquência a sociedade.
Variando de teoria para teoria, a sociedade seria a culpada ou 
responsável em parte pela criminalidade, seja por proporcionar 
aos indivíduos potencialmente criminosos o ambiente propício, 
seja por criar o criminoso em processos de estigmatizações, 
preconceitos etc.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
O pensamento criminológico contemporâneo recebe fortes 
influências de dois grandes movimentos: as teorias do consenso 
e teorias do conflito.
1. Teorias do Conflito ou de Cunho Argumentativo
As teorias do conflito (de esquerda, ligadas à movimentos 
revolucionários) recebem forte influência da filosofia marxista, 
tendo como característica o entendimento de que a convivência 
harmônica em sociedade decorre de imposição, por meio da força e 
da coerção, havendo uma relação entre dominantes e dominados 
(adaptação da ideia de luta de classes cunhada por Karl Marx).
Para os adeptos das teorias do conflito, não existiría volunta- 
riedade por parte do indivíduo ao buscar a pacificação social. A 
pacificação seria fruto de imposição.
Há, todavia, algumas teorias do conflito (em especial, as teorias 
mais recentes) que afastam a ideia de luta de classes, argumentando 
que a violação da ordem derivaria mais do comportamento dos 
indivíduos, bandos ou grupos do que propriamente de um substrato 
político-ideológico.
Postulados das teorias do conflito: toda a sociedade está sujeita 
a mudanças contínuas, sendo que cada indivíduo poderá cooperar 
para a sua dissolução.
Com esse entendimento, algumas teorias do conflito chegam a 
enxergar o criminoso como uma espécie de "agente revolucionário 
ou de transformação social" (considerados por alguns como sendo 
os sucessores dos "proletariados" de Marx) - algumas teorias che­
gam a demonstrar até certo apreço pela figura do delinquente.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE p97
São exemplos de teoria do conflito:
Labelling approach (Etiquetamento, Rotulação, Interacionismo 
simbólico ou da Reação Social) e Teoria Crítica (Radical, Mar­
xista, Nova Criminologia).
Em síntese:
2. Teorias do Consenso, funcionalistas ou da integração
Para as teorias do consenso, os objetivos da sociedade só 
podem ser atingidos quando há concordância por todos sobre as 
regras de convivência. Estão ligadas a movimentos de direita e ao 
conservadorismo.
Os sistemas sociais dependeríam da voluntariedade tanto dos 
cidadãos, quanto das instituições, ao dividirem valores seme­
lhantes.
Tomemos a título de ilustração a ideia de uma máquina que 
funciona (representando os anseios sociais). Cada peça ou engre­
nagem representaria cada indivíduo ou instituição. Na medida em 
que todos cooperam no mesmo sentido e com os mesmos valores, 
a máquina funcionará normalmente.
A partir do momento em que uma peça ou engrenagem passa 
a apresentar falhas (cometimento de crime), o problema deverá 
ser detectado de maneira específica, retirado para restaurar o 
funcionamento da máquina (representando a ideia do cárcere), 
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
corrigido (ressocialização) para, só após, realocar a peça na máquina 
(sociedade).
Perceba que a ideia é que a sociedade se baseia no consenso 
entre seus integrantes (daí o nome). Aliás, explicando os nomes 
para facilitar, podemos concluir que:
- Para o bom funcionamento, toda a sociedade deve se encon­
trar integrada (Integração);
- A estrutura da sociedade se baseia no consenso entre os 
cidadãos sobre os diversos valores dominantes (consenso);
- Cada um é responsável pela função que lhe é conferida, de modo 
a contribuir para a manutenção do corpo social (Funcionalismo).
Importante mencionar que, apesar das teorias do consenso 
trabalharem com maior enfoque sobre o criminoso, não negam que 
fatores externos podem influenciar a prática de crimes (a exemplo 
de ambientes hostis, sociedades corrompidasetc.).
Postulados das teorias do consenso: a sociedade é composta dos 
seguintes elementos:
- Perenes: há valores que são eternos, valores que servem para 
alicerçar a sociedade independentemente do momento;
- Integrados: os membros da sociedade devem estar em harmonia 
constante para o bom funcionamento;
- Funcionais: cada cidadão (ou instituição) é responsável por exercer 
alguma função que seja útil em prol da coletividade;
- Estáveis: noção de que mudanças devem acontecer de maneira 
natural e sem pressa (rechaçando a ideia de revoluções imediatistas).
São exemplos de teoria do consenso:
Escola de Chicago; Teoria da Associação Diferencial; Teoria da 
Anomia; Teoria da Desorganização Social, Teoria da Neutralização 
e Teoria da Subcultura Delinquente.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 99
Em síntese:
1. Escola de Chicago (1920-1940)
A Escola de Chicago é a grande propulsora da sociologia 
americana moderna, iniciando nas décadas de 1920 e 1930, 
por meio dos estudos da “Sociologia das grandes cidades” 
apresentado pelo Departamento de Sociologia da Universi­
dade de Chicago, diante do crescimento da criminalidade na 
mencionada cidade.
Com a revolução industrial houve o crescimento dos centros 
urbanos e, ao mesmo tempo, crescimento da criminalidade.
Com isso, a Escola de Chicago voltou sua atenção para os 
estudos dos meios urbanos, chegando à conclusão de que o meio 
ambiente influenciava a conduta criminosa. Logo, concluíram 
também que o crescimento da população nas cidades represen­
tava um crescimento na criminalidade.
A ideia é que as pessoas acabavam, mais cedo ou mais tarde, 
sendo contaminadas pelo meio social em que conviviam, por 
meio do convívio com semelhantes que apresentavam comporta­
mentos criminosos. Com a convivência, passavam a enxergar todo 
aquele ambiente criminoso com naturalidade e, consequentemente, 
passava também a delinquir.
100 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Logo, é correto concluir que à luz da Escola de Chicago a cidade 
era responsável por produzir a criminalidade. Considerando o 
fato de existir regiões na cidade de Chicago que proporcionavam 
também ambientes mais calmos e pacíficos, reforçou-se a ideia de 
que o ambiente de convivência poderia contribuir para o cresci­
mento ou diminuição da delinquência.
Podemos destacar como características da Escola de Chicago:
- Valia-se do método empírico: trabalhava com a observação 
dos fatos concretos;
- Apresentava finalidade pragmática: tentava explicar as causas 
do delito de maneira específica e segura, voltada para os problemas 
de Chicago à época;
- Utilizava Inquéritos Sociais {social surveys): bairros e cidades 
eram investigadas por meio de índices de criminalidade como meio 
para se enxergar o real grau de delinquência localizada.
A importância da Escola de Chicago para a sociologia é inegável, 
sendo responsável, inclusive, por influenciar no surgimento de outras 
teorias a saber: Teoria da Desorganização Social (Ecológica), Teoria 
Espacial, Teoria das Janelas Quebradas e Teoria/Política de Tolerância 
Zero. Estudaremos cada uma a seguir em tópicos próprios.
1.1. Teoria da Desorganização Social (Teoria Ecológica)
A Teoria da Desorganização Social (também chamada de Teoria 
Ecológica) surge em 1915 e conclui que o progresso e a expansão da 
sociedade acarretam no crescimento da criminalidade nos grandes 
centros urbanos.
Tem como principal obra The City: Suggestion for the Investi- 
gation of Human Bahavior in the City Environment, dos autores 
Robert Park e Ernest Burguess.
A ideia básica gira em torno principalmente do enfraqueci­
mento dos meios de controle social informal, desordem social 
e falta de integração. Com a expansão dos centros urbanos, 
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 101
surge inevitavelmente, segundo esta teoria, desorganização social 
e degradação dos grupos informais de controle social, tais como a 
família, círculo de amizades etc.
Com o enfraquecimento de tais grupos, haverá também a 
diminuição (ou até a perda) de valores positivos como a amizade 
(comumente presente em regiões mais pacatas e afastadas), o 
civismo, companheirismo, dentre outros, até chegarmos à uma 
sociedade desorganizada. A desorganização social, por sua vez, 
será criminógena (causadora da delinquência).
1.2. Teoria Espacial Defensável
Formulada em 1940, apresenta como um possível mecanismo 
de prevenção da criminalidade a reestruturação arquitetônica e 
urbanística das grandes cidades.
A ideia básica é de que casas e prédios podem ser reestruturados 
de modo a garantir a segurança de seus habitantes e usuários e, ao 
mesmo tempo, oferecer riscos aos criminosos.
Teve como expoente o arquiteto Oscar Newman, por meio da 
obra Defensible Space, ao qual apresentou uma série de modelos 
de construção adequados e capazes de prevenir as pessoas contra 
a criminalidade.
Em síntese, o modelo ideal de construção, segundo Newman, 
seria a estrutura arquitetônica que permite maior vigilância por 
seus habitantes e usuários e, ao mesmo tempo, que apresente 
mecanismos de autodefesa por meio de barreiras reais (capazes de 
ferir o criminoso) e simbólicas (gerando efeitos de desestimulo e 
dissuasão no criminoso).
1.3. Teoria das Janelas Quebradas (The Broken Windows
Theory)
Originada nos Estados Unidos, a Teoria das Janelas Quebradas 
foi cunhada pelos criminologistas da Universidade de Harvard,
102 ■ MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
James Wilson e George Kelling (obra: The Police andNeiborghood 
Safety - “A Polícia e a Segurança da Vizinhança”, publicada na 
revista Atlantic Monthly em 1982), apresentando um vínculo 
peculiar entre desordem/descaso e delinquência.
Para entender a conclusão é necessário conhecer as pesquisas 
empíricas que inspiraram a teoria ora estudada:
Experimento realizado em 1969 por Philip Zimbardo, psicólogo da 
Universidade de Stanford:
Para o experimento, foram utilizados dois locais, um bairro de classe 
pobre (Bronx, Nova Iorque) e outro considerado de alto padrão 
(Paio, Alto, Califórnia).
Em ambos, colocaram um veículo com a tampa do motor aberta. Em 
pouco tempo, o veículo foi completamente depredado no Bronx por 
vândalos, enquanto que em Paio Alto o veículo permaneceu intacto.
Antes que alguns concluíssem de maneira limitada e precipitada 
que a criminalidade estava vinculada apenas à classe social de cada 
região, Zimbardo quebrou uma das janelas do veículo até então 
preservado que havia estacionado em Paio Alto. Com isso, poucas 
horas após a janela ter sido quebrada, o veículo foi completamente 
destruído por pessoas que por ali passavam.
A conclusão foi de que, com o exemplo de que algo está abando­
nado, haverá o recado subliminar de ausência de vigilância, de aban­
dono, gerando, por conseguinte, a sensação de impunidade. Nesse 
sentido, pessoas que só não praticam crimes por receio da punição 
passam a não mais enxergar obstáculos para praticarem suas vontades.
Com isso, o que a Teoria das Janelas Quebradas apresenta para 
a segurança pública é a ideia de que a tolerância de delitos menores 
(aplicando, por exemplo, medidas alternativas ao invés de pena), 
acaba por estimular os criminosos a praticarem delitos cada vez 
mais graves e violentos.
Logo, é de extrema importância aplicar punição com rigor 
sobre qualquer delito, independentemente da gravidade, como 
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 103
forma de desestimular a delinquência na prática de crimes mais 
graves (caráter preventivo e dissuasório da pena).
Também se evitaria que determinados bairros até então consi­
derados perigosos se tornassem verdadeiras zonas de concentração 
da delinquência.
Por fim, destaca-se que a teoria das janelas quebradas inspirou 
a Política de Tolerância Zero, a seguir estudada.
1.4. Teoria/Política de Tolerância Zero
Fruto de inspiração da teoria das janelas quebradas, a teoria da 
tolerância zero foi implementada pelo ex-Prefeito de Nova Iorque,Rudolph Giuliani, também decorrente do chamado movimento 
de Lei e Ordem (Law and Order), se tratando de uma filosofia 
jurídico-política baseada em medidas criminais sem qualquer 
discricionariedade por parte das forças policiais (limitavam-se em 
aplicar a lei igualmente para todos os que praticassem as mesmas 
condutas), cujo sistema de justiça criminal apresentava punições 
iguais a todos aqueles que cometessem os mesmos crimes, inde­
pendentemente do grau de culpa do indivíduo.
Perceba que tal política aplicava de maneira estrita a filosofia 
da teoria das janelas quebradas, com penas firmas para todos 
os crimes, até mesmo aqueles considerados mais leves, sem 
possibilidade de penas alternativas (a punição era certa sobre os 
criminosos).
A finalidade era incutir no pensamento comum a ideia de que 
as leis e regras de convivência deveriam ser respeitadas (mesmo 
que por meio da intimidação na aplicação das penas), propor­
cionando, a médio ou a longo prazo, ambientes seguros para a 
população, bem como reconquistando a confiança no Estado 
por parte de todos.
Obviamente, ao incutir na população o hábito de respeitar 
a legalidade, a política de tolerância zero também alcançaria a 
redução nos índices de criminalidade.
104 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
1.5. Teoria dos Testículos Despedaçados, Quebrados ou 
Esmagados (Breaking Balis Teory)
Também inspirada na teoria das janelas quebradas, aplica 
entendimento semelhante, porém não com o enfoque sobre as 
penas (como ocorre com a política de tolerância zero), mas com 
destaque para a atuação das forças policiais.
Segundo essa teoria, a atuação policial deve ser firme, com rigor, 
inflexível, até mesmo contra crimes considerados leves ou de menor 
potencial ofensivo pois, aos policiais pressionarem os criminosos 
com firmeza, farão com que estes últimos fujam.
O criminoso, se sentindo intimidado pela polícia, se afastaria 
por perceber que não teria “vida fácil” em seus intentos criminosos.
A crítica que essa teoria sofre por parte da doutrina recai sobre 
o fato de que não é capaz de eliminar ou diminuir a criminalidade, 
mas de apenas realocá-la. A criminalidade apenas seria deslocada 
para regiões com atuação menos efetiva das forças policiais.
2. Teoria da Associação Diferencial, Aprendizagem ou 
Social Learning
Baseada no pensamento de Edwin Sutherland (1883-1950), 
inspirado, por sua vez, nos ensinamentos do sociólogo e jurista 
francês, Gabriel Tarde, trabalha o pensamento segundo o qual o 
crime não consiste apenas em uma inadaptação de pessoas perten­
centes as classes menos favorecidas (não está vinculado apenas 
à pobreza), vez que não é praticado com exclusividade por seus 
integrantes (ricos também praticam crimes).
Defende que comportamento humano tem origem social, e o 
homem, ao aprender a conduta desviada, associa-se com referência 
nela. Sendo o cidadão estimulado a aprender e repetir os comporta­
mentos praticados no círculo social ao qual pertence, seria capaz de 
aprender também a praticar crimes, como acontece ao se aprender 
uma profissão. Aprende a criminalidade desde os meios e métodos 
(modus operandi) até os respectivos resultados e “vantagens”.
Cap.4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE ; 105
O indivíduo é convertido em delinquente no momento em que 
os valores predominantes no grupo, do qual faz parte, ensinam o 
delito. Isso pode acontecer especialmente quando os exemplos de 
comportamentos criminosos superam os de boa conduta, a exemplo 
de famílias com membros envolvidos com a criminalidade, círculo 
de amizades desvirtuados etc.
Se aprende o crime assim como se aprende uma boa ação. O 
delito não tem como causa fatores hereditários, mas sim a influência 
do meio. É aprendido mediante a comunicação com outras pessoas.
Para Sutherland, era necessário processo de comunicação pessoal 
direta (convivência ativa) para que o sujeito aprendesse a criminali­
dade com seus pares (divergindo nesse ponto de Gabriel Tarde que 
defendia a ideia de aprendizagem por meio da mera imitação, funcio­
nando o indivíduo como mero receptor passivo de informação).
Importante!
No final da década de 30, Edwin Sutherland cunhou a expressão 
White-collor crime ("Crime de Colarinho Branco"), explicando que 
membros de elites e de classes abastadas também praticavam crimes 
(geralmente, delitos de ordem econômica) por estarem inseridos em 
ambientes cujos membros estavam corrompidos (aprendiam, por 
exemplo, atos de corrupção). Tal teoria trouxe grandes avanços no 
Direito Penal Econômico.
Perceba que nesse sentido houve enorme quebra de paradigma, pois 
até o final da década de 30 os estudiosos da criminologia entendiam 
que a criminalidade ocorria apenas em casses menos favorecidas e 
Sutherland, mesmo ainda muito jovem, rompeu com essa ideia ao 
sustentar e demonstrar por meio de diversos casos concretos (estudos 
de ações civis, já que na época os membros das elites não eram pro­
cessados criminalmente por pressões políticas) que a aprendizagem da 
delinquência poderia acontecer em qualquer classe social e cultural.
2.1. Teoria da Identificação Diferencial
E semelhante a teoria anterior, mas com ela não se confunde. 
Vimos que para a Associação Diferencial, o crime se aprende com 
outras pessoas, por meio de processos de comunicação pessoal.
106 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Já na Identificação Diferencial desenvolvida por Daniel 
Glasser, há a possibilidade de o indivíduo aprender o crime a 
partir da identificação com o criminoso tomados como referência, 
independentemente de aproximação ou convívio pessoal.
Parte da premissa segundo a qual para se aprender algo não 
é necessário a proximidade, bastando a existência de um modelo 
de conduta remoto.
Daí critica-se o estímulo de crimes por parte da mídia que, 
segundo esta teoria, possui o poder de influenciar positiva ou 
negativamente as pessoas.
Tal corrente critica cinemas, novelas, filmes ou qualquer cena 
de exibição que faz apologia, ainda que indiretamente, à prática de 
crimes, geralmente destacando vilões encarnando policiais e agentes 
do Estado corruptos e truculentos e “mocinhos” ou heróis no papel 
de criminosos e traficantes como espécies de “justiceiros sociais”. São 
casos em que há uma relação positiva com personagens delinquentes, 
ao passo que há ao mesmo tempo uma relação negativa sobre os 
personagens que representam agentes de combate ao crime.
2.2. Teoria do Condicionamento Operante
Teoria similar à anterior, surgiu nos anos de 1960, por meio 
dos estudos de Robert Burguess e Ronald Akers (The Differential 
Association Reinforcement Theory of Criminal Behavior — 1966), 
que defendiam a ideia de que a conduta delinquente é fruto das 
experiências passadas do indivíduo, derivando de uma série de 
estímulos contínuos que o indivíduo recebe ao longo da vida.
Segundo os mencionados autores, o processo de aprendizagem 
é otimizado pelo o que chamaram de princípios psicológicos de 
condicionamento operante, podendo serem positivos ou nega­
tivos.
Condutas podem ser reforçadas e estimuladas por meio de prin­
cípios de condicionamento positivos, a exemplo do pai que premia 
o filho com gratificações por praticar boas ações, ou negativos, 
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE ; 107
como em casos de abusos familiares em que filhos são castigados 
por qualquer comportamento (sendo capaz de estimular as vítimas 
a se tornarem criminosas no futuro).
2.3. Teoria do Vampiro
A Teoria do Vampiro é similar às teorias anteriores, porém, 
volta as atenções para casos de vítimas de abusos, estabelecendo 
que vítimas de violência sexual na infância, a título de exemplo, são 
propensas a serem também abusadoras e violentas na vida adulta.
Não raras as vezes, vítimas de abusos acabam se tornando 
abusadoras na vida adulta. Daí a expressão “vampiro”, perso­
nagem folclórico cujo poder é de sugar o sangue de suas vítimas 
e, mantendo-as vivas, terá o poder de transformá-las também em 
vampiros.2.4. Teoria do Reforço Diferencial
Teoria pautada na ideia de que o comportamento criminoso 
está em processo de constante interação com o meio social em 
que se insere, com a incidência de condicionamentos por meio 
de idéias de saciedade e privação.
Com isso, algumas pessoas saciadas por algum anseio respon­
deríam de maneira diversa daquelas não saciadas (privadas de 
algum desejo).
Exemplo: pessoa privada de direitos econômicos (pobre), seria 
propensa a praticar crimes patrimoniais visando saciar as próprias 
vantagens.
Importante destacar que esta teoria também considera outros 
fatores como estimulantes de condutas criminosas, a exemplo de 
fatores bioquímicos e biológicos.
Influenciada pela Escola Clássica, defende como forma de 
prevenir crimes a certeza da punição (a impunidade estimula a 
prática de novos crimes).
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
2.5. Teoria da Neutralização
Cunhada por David Matza e Gresham Sykes ao analisarem a 
delinquência infanto-juvenil, percebem a utilização de técnicas de 
neutralização utilizadas pelo próprio delinquente na expectativa 
de racionalizar e justificar a própria conduta criminosa.
Partindo também da premissa de que o crime é fruto de um 
processo de aprendizagem a partir da interação social, alguns 
criminosos podem apresentar a característica de autojustificação, 
passando a apresentar argumentos que de algum modo justificaria 
seus crimes.
Conforme a doutrina, 5 técnicas de neutralização se destacam:
• Negação da própria responsabilidade: o delinquente 
passa a alegar que a conduta criminosa que praticou foi 
fruto de acidente ou resultado de circunstâncias estra­
nhas à própria vontade. Exemplo: criminoso justifica que 
é violento por ter vivido em um lar desestruturado, ou 
morado em bairro violento (“a culpa não foi minha”);
• Negação da lesão praticada (Negação da ilicitude): o 
criminoso defende a ideia de que sua conduta não passou 
de brincadeira, não causando danos efetivos à vítima. 
Exemplo: furto de uso (“eu achava que minha conduta 
não causaria nenhum mal”);
• Negação da vítima: o criminoso passa a alegar que o 
dano foi uma justa punição à vítima (vítima seria merece­
dora de punição). Exemplo: sujeito pobre que assalta rico 
alegando estar realizando uma espécie de justiça social, 
como o personagem literário Robin Wood (“ele teve o que 
merecia”);
• Condenação dos condenadores: aqui o delinquente passa 
a acusar agentes de sistema de justiça criminal de injustos, 
chamando os policiais de torturadores, o promotor de 
inconsequente, o juiz de inescrupuloso etc. (“todo mundo 
pega no meu pé injustamente”);
Cap.4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 109
• Apelo à lealdade: o criminoso tenta justificar o próprio 
crime em alguma causa ou valor de superioridade ética. 
Exemplo: terrorista que mata dezenas de pessoas sob o 
argumento de que cumpria uma missão divina (“eu não 
fiz isso por mim, mas sim por um bem maior”).
2.6. Teoria da Subcultura Delinquente
Teoria formulada pelo sociólogo norte-americano Albert K. 
Cohen (1918-2014), em especial com a publicação da obra Delin- 
quent Boys (1955), apontando pela existência de uma chamada 
subcultura, correspondendo por uma espécie de cultura inferior 
inserida em outra cultura (esta sim predominante).
Tem origem nos Estados Unidos da América, pois logo após a 
segunda guerra mundial os EUA alcançava expressivo crescimento 
econômico e tecnológico.
A partir daí, houve naturalmente um aumento na erosão da 
divisão de classes sociais, pois, com o crescimento das grandes 
metrópoles, houve naturalmente um afastamento das periferias - 
além do aumento da divisão entre as classes ricas (cada vez mais 
ricas com a revolução industrial) e classes menos favorecidas (cada 
vez mais pobres).
Tal teoria vincula o aumento da criminalidade com o cres­
cimento da população menos favorecida, sem acesso ao que 
seria considerado cultura de qualidade (daí o título).
A chamada subcultura até reconhece a existência e os valores da 
cultura dominante, porém, acaba por colocar em prática os próprios 
valores que, por vezes, acaba por se traduzir na prática de crimes.
Exemplos da subcultura delinquente nos EUA: gangues de delin­
quência juvenil em bairros localizados nas periferias das grandes 
cidades; tribos de pichadores e membros de facções criminosas 
em bairros afastados; a luta dos negros norte-americanos por 
direitos civis nos anos 60, demonstrando a não acessibilidade 
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
por direitos em alguns setores sociais (e, portando, da existência 
de uma subcultura), etc.
Importante:
Segundo Cohen, a Subcultura Delinquente se caracteriza por 3 fatores: 
a) Não utilitarismo: muitos delitos não possuem motivação racional 
(exemplo: alguns jovens furtam roupas que não irão usar);
b) Malícia da conduta: prazer em prejudicar o próximo (exemplo: 
atemorização que gangues fazem em jovens que não as integram);
c) Negativismo da conduta: oposição aos padrões predominantes 
na sociedade (exemplo: pichação de muros como demonstração 
de rebeldia).
Crítica: recai sobre a sua incapacidade de explicar a criminali­
dade como um todo, de maneira genérica, restringindo-se as mani­
festações da delinquência juvenil e em classes menos favorecidas.
2.7. Teoria da Anomia ou Estrutural-funcionaiista
Anomia possui origem grega, significando ausência de lei (a = 
ausência + nomos = lei), servindo para a sociologia criminal para 
apresentar a ideia de que, diante do fracasso dos meios regulares 
de proteção social (descrédito na certeza da punição, por exemplo), 
bem como descrédito das normas e dos valores sociais, será possível 
se atingir um estado de completo abandono das regras de convívio 
social (anarquia), importando na chamada anomia.
Apesar de ser espécie de teoria do consenso, ante seu caráter 
estrutural-funcionaiista, a teoria da anomia possui predicados 
Marxistas, e foi cunhada por Robert King Merton (artigo Social 
Structre and anomie, em American Sociological Review, 1938), inspi­
rado nos ensinamentos de Emile Durkheim.
O termo “anomia” foi cunhado por Emile Durkheim, soció­
logo, antropólogo, cientista político, psicólogo social e filósofo 
francês (1858-1917) que servia para definir o cenário de uma socie­
Cap.4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE ini
dade que não funcionava de forma harmônica. Também utilizava 
o termo para designar grupos ou sociedades no interior delas, que 
sofrem da desorganização e caos ocasionado pela ausência de regras 
de boa conduta admitidas pela maioria, implícita ou explicitamente 
- ou mesmo em razão da instalação de regras que fomentam o 
isolamento e predação ao invés da cooperação.
Posteriormente, nos Estados Unidos da América, fortemente 
influenciado pelos ensinamentos de Durkheim, Robert King 
Merton, sociólogo americano (1910-2003) deu novos contornos à 
expressão “anomia”, sendo o responsável por sistematizar e criar a 
teoria em estudo. Segundo Merton, anomia significa a incapaci­
dade de alcançar os fins culturais. Ocorre quando o insucesso em 
atingir metas culturais, devido à insuficiência dos meios institu­
cionalizados, gera alguma conduta antissocial e desviante. O seu 
pensamento ficou popular em 1949 devido ao seu livro “Estrutura 
Social e Anomia .
Fazendo uma síntese dos mencionados autores, podemos 
explicar a criminalidade por meio de uma ótica sociológica susten­
tando que determinado comportamento pode ser considerado 
criminoso por violar o consciente coletivo (valores comuns da 
sociedade).
Ademais, afastando das idéias da Escola Positivista, a teoria 
da anomia afasta a ideia do crime como anomalia (dispensando 
estudos biológicos), passando a adotar uma concepção puramente 
sociológica).
A partir da perspectiva que se enxerga o fenômeno criminal sob o 
prisma sociológico, a teoria da anomia chega às seguintes conclusões:
- Crime: qualquer comportamento capaz de violar o consciente 
coletivo, ou seja, lesões aos valores preponderantesna sociedade;
- Pena: passa a ser instrumento de defesa do consciente coletivo 
e preservação da sociedade.
Mas como definir o que é, de fato, consciente coletivo? 
Evidentemente, será mais preciso uma análise de cada grupo 
112 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
social, diagnosticando quais os valores preponderantes em cada 
local, porém, a teoria da anomia nos fornece diretrizes mínimas 
para a correta compreensão do fenômeno criminal: é a estru­
tura social responsável por definir os fins e metas culturais 
dominantes, bem como quais os meios institucionalizados 
considerados legítimos.
Fins e metas culturais podem ser definidos como os alvos 
almejados pela maioria dos cidadãos, tais como a riqueza, o 
sucesso, qualidade de vida, status social, estabilidade etc., enquanto 
que os meios institucionalizados considerados legítimos são os 
modelos de condutas consideradas corretas para atingir os fins e 
metas culturais, tais como o trabalho, estudos, esforço pessoal, etc.
A partir da ideia acima, Robert King Merton apresenta 5 
possibilidades de adaptações distintas de um sujeito aos meios 
institucionalizados (alguns legítimos e outros não) visando alcançar 
as metas culturais:
a) Conformidade (comportamento modal): é o modelo de 
adaptação comum (legítimo e não criminoso) em que o sujeito 
aceita as metas culturais elencadas pela sociedade, bem como os 
meios institucionalizados legítimos para alcançá-las.
Exemplo: indivíduo aceita a ideia de que precisa trabalhar 
para alcançar sucesso profissional, ainda que dessa forma precise 
de anos para atingir metas.
b) Inovação: aqui o indivíduo até aceita as metas culturais, 
todavia, rejeita os meios legítimos elencados pela estrutura social, 
passando a praticar condutas desviadas como meio para atingir 
fins e metas culturais.
Exemplo: indivíduo quer riqueza e status social (metas culturais 
dominantes), porém, rejeita a ideia de trabalho e passa a buscar 
tais metas por meio de assaltos a mão armada (meios ilegítimos).
c) Ritualismo: aqui inverte-se os polos do modelo anterior. 
O indivíduo rejeita as metas culturais, porém, por meio de um 
comportamento rotineiro (por hábito) e conformista, permanece 
Cap.4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE f113j
respeitando os meios legitimamente institucionalizados, agindo por 
toda a vida como se tivesse praticando um ritual.
Exemplo: indivíduo não concorda com a ideia de que só se 
consegue sucesso ou status social por meio da riqueza, todavia, 
mesmo assim permanece em sua rotina de trabalho e estudos 
deixando de praticar qualquer conduta delituosa (pratica hábitos 
ritualísticos como o trabalho rotineiro mesmo sem acreditar que 
seu fruto será o sucesso ou que o sucesso seja mesmo importante).
d) Evasão (retraimento ou inocuização): o indivíduo rejeita 
tanto as metas culturais quanto os meios institucionalizados, 
passando a viver à margem da sociedade.
Exemplo: mendigos, andarilhos, alcoólatras e dependentes 
químicos patológicos e crônicos que não buscam metas na vida, 
tampouco trabalham, estudam ou praticam qualquer outro meio 
institucionalizado.
e) Rebelião: revoltado ou por inconformismo, o indivíduo 
rejeita as metas culturais e os meios institucionalizados, passando 
a praticar condutas desviadas na tentativa de mudar o corpo social 
atual (geralmente pela força).
Exemplo: anarquistas, rebeldes sem causa e “revolucionários 
sociais” que tentam mudar o mundo por meios imediatistas e bruscos, 
cuja finalidade é implementar a própria visão ideal de sociedade.
Em síntese:
Modos de 
Adaptação
Meios Culturais 
[status, poder, riqueza, 
qualidade de vida etc.)
Meios 
Institucionalizados 
(escola, trabalho etc.)
Conformidade Aceita Aceita
Inovação Aceita Não aceita
Ritualismo Não aceita Aceita
Evasão/Retrai- 
mento
Renúncia Renúncia
Rebelião Não aceita Não aceita
114| MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
A conclusão é de que com o fracasso na perseguição das 
metas culturais (insucesso, por exemplo), somado a escassez dos 
meios institucionalizados (desemprego, desigualdade social, ensino 
público precário etc.), a sociedade caminhará para um estado 
de anomia, ou seja, estado de desordem com comportamentos 
desviados e estranhos às normas sociais (crimes).
Importante frisar que, segundo essa teoria, a prática de crimes 
em índices mínimos pode ser tolerada por se tratar de um fenô­
meno comum e natural, porém, se alcançado índices elevados e 
alarmantes de criminalidade, estaremos diante de um estado de 
desordem social e de caos, com o risco de subversão dos valores até 
então dominantes somados com a completa descrença no sistema 
normativo de condutas, acarretando no estado de anomia.
3. Teoria do Labelling Approach (Rotulação, Etiqueta- 
mento, Interacionismo simbólico ou da Reação Social)
Teoria cunhada em 1960 por Erving Goffman, Edwin Lemert 
e Howard Becker (autores da Nova Escola de Chicago), inspirados 
pela doutrina de Emile Durkheim, defendem que o crime é 
produto de um processo social formal e informal de interação, 
seleção, discriminação e estigmatização.
Segundo essa teoria, para que um fato seja considerado crimi­
noso é necessário a criação de uma norma penal incriminadora. 
Tal norma seria preparada pelas elites dominantes com a finali­
dade de subjugar outras classes. A ideia básica é de que o processo 
de criminalização primário funcionaria como instrumento de 
proteção dos interesses individuais e egoístas da classe dominante 
(elites políticas e empresariais).
A partir daí duas correntes surgem criando variações da teoria 
do Etiquetamento:
Ia Corrente (radical): defendem a ideia de que o processo de 
Etiquetamento é aplicado por agentes de controle social formal, 
tais como policiais, promotores, juizes, etc.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 115
2a Corrente (ampliativa)'. acreditam que o processe de Etique- 
tamento é exercido por agentes de controle social formal, bem 
como agentes informais, ao exemplo de famílias que apontam 
quem seria desde a tenra idade a “ovelha negra da família”, ou 
em grupos escolares onde desde as fases iniciais grupos de alunos 
excluem ou estigmatizam alguns outros alunos (aluno difícil ou 
marginalizado).
A teoria em estudo aduz que o delito é desprovido de conteúdo, 
sendo resultado de mero processo de estigmatização arbitrário e 
discriminatório seletivo contra grupos inferiores e promovidos para 
a proteção dos interesses das elites.
Perceba a ótica invertida dessa teoria: ao invés de se questionar 
os motivos do indivíduo ter praticado determinado delito, passa-se 
a investigar os motivos pelos quais determinadas pessoas seriam 
estigmatizadas pelo processo de criminalização (não se questiona 
o motivo do sujeito ter estuprado, mas sim o motivo dele ter sido 
etiquetado como estuprador pelo sistema de justiça penal).
Partindo dessa premissa, a pena seria instrumento estatal 
gerador de desigualdades. O criminoso, ao adquirir tal status 
(rótulo), passará a encontrar enormes dificuldades em se ver livre 
da condição de delinquente, por dois motivos:
a) a própria sociedade oferecia resistência em aceitá-lo nova­
mente;
b) sendo massivamente estigmatizado como delinquente, seja 
pela sociedade, seja pela mídia ou mesmo pelo Estado, o indivíduo 
passaria a acreditar nessa ideia, assumindo-se como tal.
Nas palavras de Paulo Sumariva, “para essa teoria, em termos 
gerais, é pela afirmação de que cada um de nós se torna aquilo que 
os outros veem em nós e, de acordo com essa mecânica, a prisão 
cumpre uma função reprodutora”.
Com isso, tal teoria sustenta que a criminalização primária 
produz a “etiqueta” ou “rótulo”, que, por sua vez, produz a crimi­
nalização secundária (reincidência).
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Exemplos de “etiquetas”: atestados de antecedentes, folha 
corrida criminal, divulgação de jornais sensacionalistas etc.).
Inspirações no Brasil: Por conta da ideia de que o cárcere é preju­
dicial, inspirou no Brasil a Leidos Juizados Especiais Criminais (Lei 
ne 9.099/95), com a criação de institutos que evitam o cárcere 
(institutos despenalizadores: composição civil dos danos, transação 
penal e suspensão condicional do processo).
Além disso, inspirou a Reforma Penal de 1984, que alterou a Parte 
Geral do Código Penal, a progressão dos regimes de penas e as 
penas alternativas, numa tendência garantista de não intervenção 
ou de Direito Penal Mínimo.
4. Teoria Crítica, Radical, Marxista ou Nova Criminologia
Responsável por criticar todos os modelos criminológicos - 
inclusive o labelling approach — a teoria crítica possui suas bases 
na filosofia do alemão Karl Marx, inspirador do comunismo 
e do socialismo, resumindo os conflitos sociais à velha luta de 
classes e culpando o sistema capitalista como o responsável por 
todos os males.
A filosofia marxista foi importada para a criminologia por meio 
da sociologia criminal em diversos países.
Na Holanda, teve origem no início do século XX, com o 
trabalho do holandês Bonger. Na Inglaterra, surgiu com os traba­
lhos de lan Taylor, Paul Walton e Jock Young, especialmente 
com a obra The New Criminology: for a social theory of deviance, 
de 1973.
Já na Itália, ganha força com Alessandro Baratta, respon­
sável por fundar a revista La questione criminale (1975) e com a 
publicação da obra Criminologia Crítica e Crítica ao Direito Penal: 
Introdução à Sociologia Jurídico-Penal, de 1882.
Na América Latina apresenta como principais defensores 
Eugênio Raul Zaffaroni e Rosa Del Omo.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 117
Defende que o homem náo teria o livre-arbítrio, ou liberdade 
de escolha quando pratica um determinado delito por encontrar-se 
sujeito a um determinado sistema de produção.
Critica todas as outras teorias e correntes da Criminologia, 
por considerar a criminalidade um problema insolúvel dentro da 
sociedade capitalista.
Parte da ideia de que a divisão de classes no sistema capitalista 
gera desigualdades e violência a ser contida por meio da legislação 
penal. A desigualdade geraria o egoísmo sobre os oprimidos, 
levando-os a delinquir.
Conclui que a norma penal surge como instrumento de controle 
social preconceituoso, por recair apenas sobre a classe trabalhadora 
e menos favorecida, não sendo aplicada da mesma forma às elites.
Ademais, atualmente muitos defensores desta teoria marxista 
passa a enxergar o criminoso como um novo agente revolucionário 
(status anteriormente empregado às classes de proletariados). Justa­
mente por esse motivo, alguns enxergam o criminoso até mesmo 
com certo apresso, por entenderem se tratar de um agente trans­
formador visando preparar uma nova ordem social.
Justamente por não ventilar exceções às causas do crime, 
atribuindo culpa exclusivamente ao capitalismo, é que tal teoria é 
também chamada de radical.
Sendo assim, podemos destacar como características da Teoria Crítica:
• O Direito Penal se ocupa de defender os interesses do grupo social 
dominante;
• Reclama compreensão e até apreço pelo criminoso;
• Critica severamente a criminologia tradicional;
• O capitalismo é a base da criminalidade;
• Propõe reformas estruturais na sociedade para a redução das desi­
gualdades e, consequentemente, da criminalidade.
118 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Importante também apontar as diversas críticas sobre essa 
teoria:
Críticas:
I - Retira do ser humano qualquer possibilidade de auto responsabi­
lidade ao culpar exclusivamente o sistema capitalista, considerando 
o criminoso como uma mera vítima da sociedade e da classe em 
que foi inserida.
II - Não explica os crimes dos mais abastados e não explica o não 
cometimento de crimes por outras pessoas que também vivem em 
classes menos favorecidas.
III - Aponta apenas problemas em países capitalistas, deixando de 
analisar por completo os crimes praticados em países socialistas/ 
comunistas, a exemplo da antiga União Soviética com índices eleva­
dos de criminalidade durante o comunismo, dentre outros exemplos 
como a criminalidade em países como Cuba, Venezuela, Nicarágua, 
dentre outros.
Esta teoria inspirou três tendências da criminologia: neor- 
realismo de esquerda; abolicionismo penal e direito penal 
mínimo.
4.1. Teoria Abolicionista (Liberdade Individual Máxima)
Surge na Escandinávia, na década de 1990, com a criação do 
KRUM (que, traduzida, significa Associação Sueca Nacional para 
a Reforma Penal).
Defendem a abolição do Direito Penal, excluindo, consequente­
mente, a prisão juntamente com todo o sistema de justiça criminal.
Parte da ideia de que o Direito Penal não soluciona conflitos 
- ao contrário, seria fator capaz de criar novos crimes por meio 
de processos de estigmatizações seletivos.
Com isso, a solução viria de instrumentos informais (diálogos, 
tratamentos médicos ou psicológicos, concórdia, solidariedade 
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE í 119
etc.) ou de outras instâncias de controle menos repressivas como 
o Direito Civil e o Direito Administrativo.
Apresentam as seguintes idéias visando solucionar o conflito 
criminal:
a) Anarquismo: defendem o fim do Estado Penal. Sugerem 
que os indivíduos, passando a serem todos de total liberdade (sem 
freios legais impostos pelo Estado) estaria preparado para alcançar 
um estado de fraternidade e solidariedade plena, dispensando o 
sistema punitivo;
b) Marxismo: argumentam que o fim do sistema penal seria 
válido por representar mero instrumento de repressão cujo objetivo 
é ocultar os conflitos sociais;
c) Cristão e liberal: sem o Estado ditando regras e imputaçóes, 
o indivíduo resumiria todos os seus problemas a fatores econômicos 
(assuntos financeiros ocupariam seus próprios conflitos).
Por fim, para muitos a ideia do abolicionismo não passa de 
utopia - ainda assim, extremamente perigosa dada a sua capacidade 
de criar uma sociedade anárquica.
4.2. Teoria Minimalista
Trata-se de uma espécie de “abolicionismo moderado”, apre­
goando que o Direito Penal deve subsistir de maneira mínima, 
sendo aplicado apenas sobre casos extremamente graves.
A pena privativa de liberdade, por exemplo, seria medida 
excepcionalíssima, sendo que o Estado deveria aplicar medidas 
alternativas de repressão (prestação de serviços à comunidade, 
pagamento em cestas básicas, multa etc.).
A título de exemplo, negam a possibilidade de aplicação da 
prisão aos crimes praticados por organizações criminosas e tráfico 
internacional de armas e fogo sob o argumento de que as finalidades 
não seriam alcançadas, quais sejam, a eliminação dos criminosos e 
o afastamento dos instintos delinquentes dos indivíduos.
120 j MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
4.3. Teoria Neorrealista de Esquerda (Antiliberal)
Apesar de ter influências marxistas, caminha em sentido 
diametralmente oposto comparada com o abolicionismo e mini- 
malismo, por defender um Direito Penal rigoroso e maximalista 
(inspirada pela teoria da tolerância zero e janelas quebradas).
Não enxergam apenas a pobreza como fator determinante para 
a prática de crimes, mas também a competitividade, ganância, 
machismo, consumismo, individualismo etc.
Com isso, sobre as demais causas, defendem um Direito 
Penal Máximo (defendem total rigor contra alguém considerado 
machista, homofóbico, ganancioso etc.).
Além disso, defendem o afastamento da discricionariedade 
do Poder Judiciário na aplicação da lei penal, limitando-se em 
aplicar a legislação de maneira fria e objetiva, sem margens para 
interpretações ou juízos de valor.
5. Criminologia Cultural e Mídia
Originada na década de 1990 como herança da crimino­
logia crítica (especialmente das teorias da subcultura e labelling 
approach'), por meio dos estudos de Jeff Ferrei, Clinton Sanders, 
Keith Hayward, Mike Presdee e Jock Young, que, segundo os 
próprios autores, passaram a analisar “o crime e as agências de 
controle como produtos culturais — como construções criativas. 
Como tais, devem ser lidas nos termos dos significadosque 
carregam”.
Em síntese, para a Criminologia Cultural, tanto o crime quanto 
os mecanismos de controle social são frutos da cultura de cada 
região. Daí, surge a necessidade de entender imagens, representa­
ções simbólicas, significados do delito, subculturas conforme os 
valores das culturas dominantes na sociedade.
Apenas entendendo as bases culturais da sociedade será possível 
traçar um diagnóstico seguro sobre o crime.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE J 21 |
Nesse sentido, a Teoria Cultural contemporânea passa também 
a analisar o grande papel da mídia na criminalidade, isso porque 
a mídia exerce fortíssima influência em mudanças culturais.
Por meio de novelas, filmes, documentários dentre outros 
produtos, a mídia é capaz de interferir diretamente na criação e 
modificação de pensamentos em grande escala, alcançando um 
número indeterminado de pessoas em fração de segundos.
6. Teoria "Queer"
A palavra queer possui origem norte-americana e significa lite­
ralmente esquisito, estranho ou excêntrico. A presente teoria surge no 
final dos anos 80 por meio de ativistas e movimentos cujas pautas 
são: “identidade de gênero e heteronormatividade”.
Associa-se com a violência contra homossexuais (crimes com 
motivações homofóbicas).
As chamadas “violências heterosexistas” são classificadas da 
seguinte forma:
a) Violência simbólica: violência que parte de questões cultu­
rais homofóbicas de menosprezo e inferiorização sobre homosse­
xuais;
b) Violência das instituições: seria a homofobia praticada pelo 
próprio Estado, criminalizando ou rotulando como patológicas as 
identidades homossexuais;
c) Violência interpessoal: consiste na violência individual 
propriamente dita de cunho homofóbico, como agressões e insultos 
contra homossexuais.
7. Teoria Feminista
A teoria feminista pauta-se na luta pela igualdade entre homens 
e mulheres.
Os estudos criminológicos em harmonia com o feminismo 
tiveram início na década de 1970 tratando da figura da mulher 
sobre os temas estudados pela Criminologia.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Purezafâ
Posteriormente, os estudos da Criminologia Feminista romperam 
com as idéias tradicionais do positivismo criminológico, especial­
mente por considerar que tal corrente de pensamento ignorava a 
importância da mulher nas esferas de pesquisa.
Em seguida, a Criminologia Feminista fincou suas bases no 
pós-colonialismo, “criticando a universalização da criminologia 
feminista e fazendo uma crítica à falta de representação das diver- 
sidades dentro do próprio gênero feminino, dando espaço para as 
discussões acerca da interseccionalidade”5.
5. SANTOS, Carolina Fernandes dos. Criminologia Feminista. Revista CRIMLAB. Acesso em: em 23 de setembro de 2023.
6. Ob. cit.
Parte do pressuposto de que a sociedade é machista e impõe 
papéis opostos entre homens e mulheres.
A sociedade seria responsável por conceder aos homens funções 
nobres e de prestígio, ao passo que conferiría posições inferiores e 
de pouco valor ou relevância às mulheres.
Sustentam que, além da objetificação da mulher (tornando-a 
vulnerável em contextos privados a exemplo do próprio lar), há 
uma espécie de sexismo institucionalizado, evidenciando violências 
contra a mulher desde a criação de leis até as respectivas e efetivas 
aplicações concretas.
Por fim, “a criminologia feminista não só incluiu as mulheres 
na discussão das teorias criminológicas como, em seu desenvol­
vimento, trouxe a importância de discutir pautas para além das 
questões isoladamente de gênero, reconhecendo os novos e dife­
renciados sujeitos do feminismo”6.
https://www.crimlab.eom/dicionario-criminologico/criminologia-feminista/34%2523:%7E:text
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 123
8. Criminologia Racial
A Criminologia Racial é corrente de pensamento que parte 
de um pressuposto muito importante: afirmam que a maioria das 
escolas criminológicas, direta ou indiretamente, possuem aspectos 
racistas por dois possíveis motivos:
• Por considerarem pessoas negras como criminosas em poten­
cial; ou,
• Por não considerarem questões sobre raça quando tratam 
do tema da criminalização.
A título de exemplo, os defensores da Criminologia Racial 
apontam o marco histórico do surgimento da Criminologia como 
ciência (Século XIX) por meio da Criminologia Positiva (espe­
cialmente com o positivismo de Lombroso), em que negros e 
indígenas faziam parte de um grupo considerado inferior e 
propensos à criminalidade.
Mas não para por aí. Mais do que uma correção histórica, os 
adeptos da Criminologia Racial também buscam influenciar (e, 
consequentemente, criar mecanismos mais justos e sem precon­
ceitos) nas seguintes áreas e temas:
• Seletividade do sistema penal brasileiro;
• Encarceramento em massa de pessoas negras;
• Construção do estereótipo do negro como delinquente em 
potencial.
Em que pese a Criminologia Racial ser fruto da Teoria Crítica, 
em muitos aspectos se aproxima da Teoria do Etiquetamento. Nesse 
sentido, importante apontarmos pontos de contatos entre ambas, 
acrescentando o chamado Direito Penal Subterrâneo7.
7. Direito Penal Subterrâneo, conforme leciona Eugênio Raul Zaffaroni, é exercido pelas 
agências executivas de controle (controle social formal) - portanto, pertencentes ao 
Estado - à margem da lei e de maneira violenta e arbitrária, contando com a participa­
ção ativa ou passiva, em maior ou menor grau, dos demais operadores que compõem 
o sistema penal. Trata-se de violências exercidas por agentes públicos, à margem da 
124: MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Teoria do 
Etiquetamento
Criminologia Racial Direito Penal 
Subterrâneo
As etiquetas de "crime" 
e "criminoso" são so­
cialmente construídas 
a partir de definições 
legais e de ações das 
agências de controle 
social formal. Para 
tanto, leva-se em con­
sideração os valores 
sociais dominantes.
Partindo da ideia de 
que os valores sociais 
dominantes estão im­
pregnados de "racismo 
estrutural", as pessoas 
negras acabam sendo 
etiquetadas como cri­
minosas (especialmente 
por conta da cor da 
pele).
Ao final, não havendo 
legalidade para práticas 
cruéis como a pena de 
morte, tortura, etc., é 
possível que agentes 
públicos, movidos por 
racismo, venham a 
praticar crimes contra 
pessoas negras à mar­
gem da lei.
Em que pese se tratar de fruto da Teoria Crítica, a Criminologia 
Racial critica os expoentes da criminologia marxista pela omissão 
história em nunca tratarem de aspectos raciais. Em síntese, tem 
bases filosóficas marxistas, por também partir da ideia de divisão 
de classes a partir do sistema capitalista, mas se aproxima da Teoria 
do Etiquetamento por concluir que o racismo estrutural é fruto 
da organização da sociedade por elites brancas dominantes (rótulo 
imposto por elites compostas por brancos racistas).
9. Teoria dos Instintos
Trata-se de adaptação da sociologia para a criminologia da 
Teoria Freudiana do Delito por Sentimento de Culpa.
Segundo a teoria dos instintos, o ser humano possui natural­
mente instintos criminosos. Tais instintos são reprimidos (mas 
nunca destruídos) pelo próprio ego ou vaidade, permanecendo 
adormecidos no inconsciente.
Ainda no inconsciente humano, haveria ao mesmo tempo 
um sentimento de culpa e uma tendência a confessar as próprias 
vontades criminosas.
lei e de forma oculta e velada. Dessa forma, na prática, o Sistema Penal Subterrâneo 
acaba por "institucionalizar" a pena de morte, desaparecimentos, torturas, sequestros, 
exploração do jogo, da prostituição, entre outros delitos.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE fl 251
Assim, a partir do momento em que o indivíduo pratica o crime, 
estaria, em verdade, superando o sentimento de culpa e realizando 
concretamente sua tendência à confissãodelituosa.
10. Criminologia Ambiental e teorias correlatas
A chamada criminologia ambiental analisa a criminalidade e o 
processo de vitimização considerando o lugar, espaço e a respec­
tiva interação entre ambos os fatores. Analisa como o ambiente 
proporciona oportunidades para a criminalidade.
Segundo Jacobs (1967) e Newman (1972), são objetos de estudo 
da criminologia ambiental:
- Alvos do crime (processos de vitimização);
— Lugares do crime e suas características.
Perceba que o enfoque não recai sobre a explicação dos motivos 
pelos quais os criminosos são “formados” como tais. A investigação 
recai sobre as circunstâncias que permearam o ato criminoso. A 
preocupação não recai sobre “quem” praticou o crime, mas sim 
em como o delito é praticado.
A partir desta noção, surgem algumas teorias como desdobra­
mentos da criminologia ambiental, valendo estudarmos cada uma 
em tópicos próprios.
10.1 . Teoria das Atividades Rotineiras (routine activies 
theory)
Segundo a teoria das atividades rotineiras, para que o ambiente 
esteja propício para o cometimento de um crime, é necessário a 
convergência de espaço e tempo em, ao menos, três elementos:
- Agressor provável: criminoso motivado por alguma doença, 
ou pela ganância, vontade de lucro fácil, desorganização social etc.;
— Alvo adequado: confunde-se com o objeto do crime, podendo 
ser uma pessoa, local ou objeto. A noção do valor do alvo pelo crimi­
noso pode aumentar ou diminuir o risco da ocorrência do crime;
126 > MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
- Ausência de guardião ou vigilância adequada capaz de 
evitar o delito: trata-se de pessoas, agentes estatais ou instrumentos 
preordenados para a defesa de alguém ou de algo, podendo ser 
formal (polícia, guardas) ou informal (segurança particular, cerca 
elétrica etc.).
10.2 . Teoria da Escolha Racional (rational choice theory)
A ideia da teoria da escolha racional é se colocar no lugar do 
criminoso (hipoteticamente falando) como forma de diagnosticar 
as suas motivações para o crime (“pense como o criminoso”), ou 
seja, volta a atenção para o processo de decisão do delinquente.
A noção de escolha do criminoso - que poderá optar por 
praticar ou não praticar o crime - se baseia na própria noção 
sobre o ambiente em que está inserido no momento da tomada de 
decisão (o criminoso, conforme a própria visão de mundo, avaliará 
a proporção entre riscos e recompensas se escolher o crime).
Parte do pressuposto de que o criminoso é imediatista, anali­
sando as características presentes no momento da decisão, pouco 
se importando com eventual punição.
10.3 . Teoria do Padrão Criminal (crime pattern theory)
A presente teoria volta as atenções para as investigações poli­
ciais. A polícia judiciária, como representação de uma das diversas 
formas de apresentar diagnósticos sobre a criminalidade, costuma 
encontrar padrões sobre a atividade criminosa.
Nesse sentido, podemos mencionar alguns exemplos de padrões 
capazes de fornecer informações úteis em futuras medidas de 
prevenção:
• Espécie de crime: qual o crime praticado;
• Modus operandi: diagnóstico da maneira como criminosos 
praticam determinados crimes;
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE A 27
• Ambiente/espaço/local: determinados crimes podem 
ocorrer com maior frequência em algumas regiões ou 
bairros, a exemplo dos chamados hot spots (locais com 
grande concentração de determinados crimes);
• Pessoas: padrões de delinquência a exemplo de reincidentes 
ou padrões de vítimas com pessoas que costumar sofrer 
com frequência dos mesmos crimes (vítimas de golpes, de 
assaltos, de assédios etc.);
• Tempo: espécies de crimes que costumam ocorrer no mesmo
p eríodo (exemplo: assaltos que costumam ocorrer no período 
noturno de determinado bairro pouco iluminado);
• Eventos: índices criminais que sobem em determinadas 
épocas ou eventos (exemplo: crimes de estupros sendo 
praticados em maior escala no carnaval).
10.4 . Teoria da Oportunidade (crime opportunity)
Possivelmente você já deve ter ouvido ou lido a seguinte frase: 
“a oportunidade faz o ladrão”. É a representação mais simples e 
direta da teoria da oportunidade.
Segundo seus defensores, Clark e Felson (1998), a oportuni­
dade em se praticar determinado delito (juntamente com possíveis 
recompensas), está entre as principais causas da prática de crimes.
Ainda conforme os autores acima, a teoria da oportunidade 
destaca algumas máximas:
• As oportunidades representam um fator muito importante 
na causa de todos os delitos;
• Oportunidades para o crime são precisamente específicas;
• Oportunidades devem ser analisadas em cada caso 
concreto, conforme o tempo e lugar do contexto criminoso;
• Oportunidades dependem de rotinas diárias;
• Um delito pode gerar oportunidades para outros;
I—\
128 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
• A tentação de cada oportunidade pode variar conforme o 
valor de cada produto/objeto do crime;
• Avanços tecnológicos e sociais podem gerar oportunidades 
novas para a criminalidade;
• Conclusão lógica da teoria: a prevenção criminal se traduz 
por meio de reduções das oportunidades e, sendo assim, 
a diminuição brusca das oportunidades acarretará inevi­
tavelmente na queda dos índices de criminalidade.
11. Teoria do Autocontrole (Self-control)
Cunhada por Gottfredson e Hirschi (1990), a teoria do 
autocontrole procura aperfeiçoar a noção de escolha racional da 
Escola Clássica (livre-arbítrio), somada com o aperfeiçoamento do 
determinismo da Escola Positivista.
Entendem que em regra, o que difere um criminoso de um 
não criminoso é justamente o autocontrole que este último possui 
contra os próprios impulsos para a prática de delitos. O criminoso 
seria um ser com baixa resistência contra as vontades criminosas 
que possui.
Considerando o fato de que a maioria dos crimes não exigem 
grandes esforços ou meticulosos planejamentos, apenas seres de 
fraco autocontrole estariam propensos à criminalidade (tal teoria 
considera que crimes praticados por organizações criminosas 
seriam excepcionais).
A teoria sugere que o delinquente seria um sujeito impul­
sivo, perseguidor de gratificações e recompensas imediatistas, 
ostentando a tendência de praticar uma gama ampla de condutas 
desviadas criminosas (furtos, roubos, agressões etc.), e condutas 
desviadas não criminosas (consumo de drogas e álcool).
Problemas com o autocontrole podem ter sido gerados por 
problemas e falta de orientação na infância. Segundo os autores 
desta teoria, “o autocontrole se fixa em uma idade muito prematura
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE fl29
(aos oito ou dez anos), mantendo-se, desde então, relativamente 
constante, ao longo da vida do indivíduo”, concluindo em seguida 
que “uma educação familiar incorreta ou errática ou - em menor 
medida o fracasso escolar - podem determinar o baixo autocon­
trole do indivíduo”.
12. Teoria da Graxa sobre Rodas
Teoria que constitui verdadeira aberração importada da área 
da economia (não pertence ao Direito e não foi introduzida por 
meio de métodos científicos na Criminologia).
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Este tema já foi cobrado no concurso do MP/MG, para o cargo de 
Promotor de Justiça, sendo posteriormente anulada pelo Conselho 
Nacional do Ministério Público sob o argumento de que o tema 
não estava previsto no edital e se tratava de assunto completa­
mente desconhecido pelos tribunais superiores. Ainda assim, consi­
derando a "criatividade" (maldade) das bancas, e a possibilidade de 
ser cobrado novamente com previsão em edital, vale analisarmos 
o que apregoa esta teoria.
A teoria da graxa sobre rodas procura enxergar aspectos posi­
tivos em algumas práticas corruptas e criminosas no âmbito da 
Administração Pública.
A noção seria de que em algumas práticas corruptas determi­
nadas burocracias seriam desrespeitadas e, com isso, a população e 
a economia seriam indiretamente beneficiadas (a máquina estatal 
se movimentaria de maneiramais célere).
Representa a famosa e desagradável frase: “rouba, mas faz”.
Sobre o título, a ideia é que mediante certos atos corruptos o 
indivíduo sujaria as próprias mãos, porém tal ato poderia ser capaz 
de fazer a máquina estatal se movimentar com maior eficiência 
(daí a expressão “graxa sobre rodas”).
130: MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
13. Teoria da Bola de Neve
Teoria que rechaça a ideia defendida pela teoria da graxa sobre 
rodas, afastando qualquer noção positiva em atos de corrupção.
A ideia é que não há nenhum ato ou reflexo que justifique a 
corrupção, merecendo ser tratada como crime, sofrendo os rigores 
da lei penal, em todos os casos.
A expressão “bola de neve” foi escolhida com base na ideia 
de que um ato de corrupção (especialmente os atos não punidos) 
geram outros atos corruptos, ou seja, apresenta a noção de que a 
corrupção funciona como uma espécie de contaminação (crescendo 
na medida em que é praticada sem nenhum combate ou medida 
preventiva), assim como uma bola de neve lançada abaixo (cres­
cendo na medida em que passa por caminho com neve, aderindo-a, 
até encontrar algum obstáculo).
14. Teoria do Delito como Eleição
A presente teoria nada mais é do que uma síntese de alguns 
dos principais valores da Escola Clássica:
Livre-arbítrio: o criminoso é um ser dotado de raciona­
lidade, escolhendo praticar crimes de maneira livre;
Finalidade dissuasória da pena: sendo o criminoso um 
ser dotado de razão, a pena deve ser aplicada com a fina­
lidade de intimidá-lo, por meio do medo (coação psicoló­
gica), desestimulando-o a praticar novos crimes.
Todavia, recebe críticas por não se importar com as bases etioló- 
gicas do crime, deixando de se preocupar com outras causas (internas 
e externas) que podem influenciar o indivíduo na prática de crimes.
15. Teoria das Predisposições Agressivas
Trata-se de teoria que resume alguns dos valores da Escola 
Positivista, contando como principal defensor o médico legista 
italiano Cesare Lombroso, baseando-se no:
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE J 31 i
• Determinismo biológico: o acaso não existe, sendo o 
criminoso fruto de hereditariedade (carga-genética “crimi­
nosa” ou com tendências ao crime diante de fatores orgâ­
nicos) ou patologias;
• Criminoso nato: em razão de características físicas e 
morais visíveis no indivíduo (estigmas degenerativos), era 
possível diagnosticá-lo como criminoso;
• Atavismo: manifestação de características no organismo 
fruto de gerações passadas (“é bandido assim como seu 
avô foi um dia”).
16. Teoria Behaviorista ou do Comportamentalismo
Behaviorismo possui origem inglesa, significando: compor­
tamento, conduta. No início do século XX, influenciado pelo 
pensamento de Descartes, Pavlov, Loeb e Comte, o psicólogo 
norte-americano Johs Broadus Watson (1878-1958) publicou as 
obras Psicologia: como os behavioristas a veem (1913) e Behavior 
(1914) dando origem a presente teoria.
A teoria behaviorista analisa comportamentos de maneira 
funcional e reacional, ou seja, por meio de estímulos e reações.
Comparando o ser humano com qualquer outro animal, a 
teoria apregoa que o indivíduo aprende e se adapta ao ambiente 
em que convive por meio de estímulos e fatores hereditários apre­
sentando certas respostas (perceba que se trata de teoria objetiva e 
empírica, que demanda a análise de cada caso concreto). A partir 
daí, conhecendo-se as respostas será possível também prever o 
estímulo e, com isso, se antecipar para controlar o comportamento 
do indivíduo (por exemplo, prevenindo crimes).
A prevenção da criminalidade seria possível a partir de reforços 
positivos sobre o criminoso, como meios para estimulá-lo a mudar 
de comportamento.
132 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Exemplo: durante a execução penal, diante de comporta­
mentos inadequados a resposta seria a punição, ao passo que diante 
de comportamentos positivos a resposta seria pela concessão de 
recompensas.
17. Teoria do Mimetismo
René Girard, professor emérito da Universidade de Stanford e 
membro da Academia Francesa, é o criador da denominada “Teoria 
do Mimetismo” (originada da palavra “mímica”) e autor de suas 
obras fundamentais.
O ponto central de sua pesquisa é focado na gênese da violência 
presente constantemente nas sociedades humanas. Para Girard essa 
violência tem como uma de suas principais raízes (embora não a 
única) o processo de imitação que torna todo desejo ou paixão 
algo que provém do “outro” de maneira eminentemente social.
Logo, trata-se do aprendizado da criminalidade por meio da 
imitação.
Exemplo: sujeitos que idealizam, se inspiram e passam a imitar 
criminosos.
18. Teoria do Cenário da Bomba-Relógio (Ticking time bomb 
scenario)
Teoria inspirada por romance publicado por Jean Larteguy (Les 
centurions) em 1960, busca demonstrar que há hipóteses em que 
a aplicação da tortura seria admitida (flexibilização de direitos 
e garantias fundamentais de suspeitos) em casos de terrorismo.
A ideia é de que, sendo capturado um terrorista, bem como 
encontrando-se em tempo de desativar uma possível bomba 
programada para matar diversas pessoas, na hipótese de recusa 
do terrorista em colaborar, admitir-se-á a aplicação da tortura 
como meio para se obter respostas no intento de salvar vidas 
inocentes.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE [133
Para os adeptos dessa teoria, o raciocínio é muito simples: diante 
de uma situação de grande perigo iminente, em que há conflito 
entre dois bens jurídicos (vida de diversos inocentes versus inte­
gridade física e psicológica de um terrorista), a vida dos inocentes 
deverá preponderar sobre a saúde do criminoso.
Apesar de tal teoria não ser admitida no Brasil e em diversos 
outros países, importante destacar que até mesmo para seus adeptos 
alguns requisitos deverão ser preenchidos para a correta aplicação 
da medida:
• Casos específicos: é necessário que o ataque terrorista 
ocorra em local certo e determinado, não se admitindo 
tortura em casos genéricos e vagos;
• Ataque iminente: o ato terrorista se concretizará em curto 
prazo, não se admitindo torturas em casos de terrorismo 
já consumado (bomba já explodiu);
• Potencialidade do ataque: o ato terrorista deve colocar 
em risco número expressivo de pessoas;
• Envolvimento direto: os suspeitos torturados devem 
guardar vínculo direto com o ato terrorista;
• Utilitarismo: certeza de que o suspeito possui a infor­
mação devida para evitar o ataque;
• Ausência de opções (inevitabilidade): inexistência de 
qualquer outra opção ou caminho para se obter a infor­
mação necessária;
• Subsidiariedade: todas as tentativas de obtenção da infor­
mação sobre o suspeito foram esgotadas;
• Motivação específica: torturador deve buscar exclusi­
vamente as informações para evitar o ataque, evitando 
excessos e tentativas de punições ou castigos;
• Excepcionalidade: medida deve ser excepcional, não 
se admitido a sua aplicação de maneira rotineira, com 
frequência habitual.
134 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
19. Teoria da Coculpabilidade e o princípio da parcialidade 
positiva do juiz
A teoria da Coculpabilidade, cunhada pelo jurista argentino 
Eugênio Raul Zaffaroni, parte do pressuposto de que, uma vez 
constatado a prática de um crime, chega-se à conclusão de que o 
Estado fracassou.
Não estamos falando do fracasso estatal do ponto de vista de 
medidas preventivas secundárias (rondas policiais, por exemplo) 
ou terciárias (aplicação da pena evitando reincidência), mas sim 
de medidas preventivas primárias (concretização de direitos funda­
mentais tais como a saúde, educação, lazer, moradia, qualidade de 
vida, etc.).
Perceba que tal teoria leva em consideração as desigualdades 
sociais, estigmas e injustiças sobre minorias proporcionadas ou 
toleradas pelo Estado.
Se o Estado não cumpre com as metas elencadas na Consti­
tuição Federal, será também responsável pela conduta do criminoso 
(daí a ideia de coculpabilidade, ou igualmenteculpado).
Nesse sentido, como responsabilizar o Estado? Fazer com que o 
restante da sociedade cumpra em parte a pena seria inconstitucional 
(violação da pessoalidade da pena) e aplicar pena ao Estado (ente 
abstrato) também não faria sentido.
Respondendo a tal indagação, os adeptos dessa teoria nos 
apresentam duas hipóteses distintas:
• Afastamento da punição: em alguns casos é possível que 
a punição do criminoso não corresponda a medida justa. 
Exemplo: casal de andarilhos que moram nas ruas e que 
não tiveram oportunidades de ter uma moradia decidem 
manter relações sexuais em praça pública durante a madru­
gada. São surpreendidos pela polícia e conduzidos até a 
delegacia diante do crime de ato obsceno. Em casos assim, 
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE 135
defensores da teoria da coculpabilidade defendem o afas­
tamento da punição.
• Aplicação de atenuante genérica: há casos em que 
não haverá a possibilidade de afastar a responsabilização 
penal, todavia, será perfeitamente possível a aplicação de 
atenuante genérica na pena do criminoso como forma de 
diminuir a reprovação de sua conduta.
Exemplo: morador de rua, faminto, decide por furtar 
alimentos de mercearia. Nesse caso, responderá pelo 
crime de furto, com a possibilidade de ser beneficiado 
por atenuante genérica prevista no artigo 66 do Código 
Penal.
Como outra forma de compensar desigualdades sociais, imple­
mentar uma justiça chamada humanitária e compensar a sociedade 
da ineficiência estatal, surge o chamado princípio da parcialidade 
do juiz.
A regra, à luz da Constituição Federal de 1988, é pela apli­
cação da lei penal de maneira imparcial pelo julgador, todavia, há 
corrente de pensamento que defende a noção de que não existe 
juiz imparcial.
Sendo o magistrado um ser humano, entendem que todo 
humano é desprovido de neutralidade, possuindo as próprias 
convicções pessoais de cunho ideológico, sociológico, culturais, 
epistemológico, psicológico, éticos, morais e religiosos.
Logo, seria necessário, inicialmente, superar a ideia simbólica 
de imparcialidade do julgador. Todavia, apenas uma espécie de 
parcialidade, para esta corrente, poderá ser admitida. Nesse sentido, 
destacamos ambas as espécies de parcialidade e respectivas formas 
de tratamento:
Parcialidade negativa do juiz: representa a aplicação da 
lei pelo magistrado de maneira tendenciosa, baseando-se 
136 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
em estigmas e fatores pessoais. Geralmente, punindo certos 
indivíduos com maior rigor apenas com base em fatores 
pessoais. Ademais, a presença de parcialidade negativa 
legitima a aplicação de regras processuais (penais e civis) 
de impedimento e suspeição do juiz.
Exemplo: juiz que aplica penas distintas em casos seme­
lhantes, sendo uma pena rigorosa para indivíduo margina­
lizado e pena meramente simbólica para indivíduo elitizado.
• Parcialidade Positiva do juiz: representa a instrumen­
talização da igualdade no processo sobre indivíduos que 
foram desprovidos por toda a vida de alguns direitos funda­
mentais. O juiz agiria, no desempenho de suas funções de 
magistrado, como um agente social passaria a compensar 
diferenças sociais, culturais, raciais, econômicas, éticas 
etc. Essa seria a espécie de parcialidade considerada justa 
e necessária pelos defensores o princípio ora estudado. 
Eis o princípio combatível e que concretiza a teoria da 
coculpabilidade.
Exemplo: juiz que decide por aplicar atenuante genérica 
sobre criminoso que praticou furtos no bairro por reco­
nhecer que o condenado não foi “nasceu privilegiado” ou 
em “berço de ouro”, sendo, ao longo da vida, estigmatizado 
e marginalizado.
Concluindo, conforme o princípio da parcialidade positiva, o 
magistrado deve reconhecer diferenças culturais, sociais, étnicas, 
econômicas, raciais, dentre outras, em decisões judiciais como 
medida de verdadeira justiça.
20. Efeito Lúcifer: Experimento de Milgram e Aprisiona- 
mento de Stanford
Nas décadas de 60 e 70 dois experimentos foram realizados 
objetivando averiguar qual o nível de influência que mandamentos, 
Cap.4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE [137
ambientes e poderes destinados à pessoas poderiam influenciá-las. 
Analisaremos cada um dos experimentos para depois sinalizarmos 
a conclusão em comum de ambos e que já vem sendo cobrado em 
concursos públicos.
O primeiro trata-se do experimento de Milgram, realizado 
em 1962 pelo psicólogo norte-americano Yale Stanley Milgram. 
Os elementos desse experimento envolviam a obediência cega e 
sem questionamentos, bem como atos de violência:
Alguns homens foram separados, sendo que os alvos do experimento 
ocupavam os personagens de professores. Os demais foram dividi­
dos entre supervisores e alunos - nestes dois grupos, os homens 
sabiam que se tratava de um experimente e, portanto, atuavam 
visando a que os "professores" acreditassem na espontaneidade 
de cada detalhe.
Em uma sala ficavam os "professores" e "supervisores" e em outra 
sala ficavam os alunos. Os "professores", assistidos e orientados 
pelos "supervisores" deveríam realizar perguntas aos "alunos" que, 
por sua vez, deveríam responder.
Para cada resposta incorreta os "professores" eram orientados a 
apertarem um botão que acionaria choques sobre o respectivo 
aluno. Em verdade, como os "alunos" também eram atores, erra­
vam de propósito algumas perguntas e, assim que os professores 
acionavam o botão, fingiam reações distintas para darem a entender 
que estavam sofrendo dores com os choques (era tudo fantasioso 
visando enganar os professores).
Muitos professores ficavam desconfortáveis com os sofrimentos 
aparentemente suportados pelos alunos e questionavam os atos 
aos supervisores. Os supervisores, por sua vez, ordenavam que 
continuassem com os choques afirmando que se responsabiliza­
riam por tudo, mesmo sendo os professores a apertarem o botão. 
Muitos professores, mesmo desconfortáveis, continuavam com o 
experimento, alguns, inclusive, chegaram a aumentar a voltagem 
dos choques.
Finalidade inicial: o experimento visava entender até onde pode­
ría ir a obediência de alguém diante da pressão de um superior 
hierárquico para, posteriormente, tentar compreender a base da 
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
obediência de muitos soldados nazistas que obedeciam as ordens 
de superiores para praticarem genocídio e outras atrocidades con­
tra judeus.
O segundo foi denominado como o experimento de Apri- 
sionamento de Stanford, realizado na Universidade de Stan- 
ford em 1971 pelo Departamento de Psicologia, coordenado pelo 
psicólogo Philip Zimbardo que, inspirado pelo experimento de 
Milgram visou dar um passo além com a intenção de identificar 
possíveis consequências psicológicas do ambiente prisional e como 
os papéis que cada um desempenha na sociedade - com ou sem 
ostentação de poder - podem influenciá-las. Vejamos os detalhes 
deste experimento:
Com anúncio prometendo o pagamento de $ 15,00 por dia, 24 
(vinte e quatro) alunos voluntários foram selecionados para parti­
cipar de experimento que duraria duas semanas. Eram alunos sem 
antecedentes criminais e sem qualquer histórico de violência ou 
uso de drogas.
Todo o porão do departamento de psicologia foi modificado visando 
simular uma penitenciária (os voluntários não sabiam que realizariam 
o experimento na própria universidade de Stanford, acreditavam que 
haviam sido levados para uma penitenciária de verdade).
Metade dos voluntariados foram escolhidos aleatoriamente para 
assumirem o papel de carcereiros, enquanto que a outra metade 
dos voluntários foram selecionados, também aleatoriamente, para 
desempenharem o papel de criminosos condenados.
Para dar mais predicados de realismo ao experimento, todos os 
protocolos de prisão foram seguidos. Os voluntários "criminosos" 
foram algemados e levados à delegacia, onde foram fichados e 
transportados, com os olhos vendados, para um suposto presídio 
local - que, conforme explicado em linhas anteriores,77
8. Escola de Política Criminal.............................................................. 79
9. Movimento Psicossociológico......................................................... 80
10. Escola Técnico-Jurídica.................................................................. 81
11. Nova Defesa Social......................................................................... 82
12. Movimento “Lei e Ordem”........................................................... 83
13. Afinal, quando surgiu a criminologia?.......................................... 83
GABARITO....................................................................................................... 85
CAPÍTULO 4
TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA 
CRIMINALIDADE....................................................................................... 87
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 93
TEORIAS DE NÍVEL INDIVIDUAL......................................................... 94
1. Teorias biológicas (bioantropológicas)............................................ 94
2. Teorias psicológicas........................................................................... 95
TEORIAS DE NÍVEL SOCIOLÓGICO (MACROSSOCIOLÓGICAS 
OU SOCIOLOGIA CRIMINAL)................................................................. 95
1. Teorias do Conflito ou de Cunho Argumentativo........................ 96
2. Teorias do Consenso, funcionalistas ou da integração................. 97
TEORIAS CRIMINOLÓGICAS EM ESPÉCIE........................................ 99
1. Escola de Chicago (1920-1940)...................................................... 99
1.1. Teoria da Desorganização Social (Teoria Ecológica)............. 100
1.2. Teoria Espacial Defensável....................................................... 101
1.3. Teoria das Janelas Quebradas (The Broken Windows Theory)... 101
1.4. Teoria/Política de Tolerância Zero......................................... 103
1.5. Teoria dos Testículos Despedaçados, Quebrados ou Esma­
gados (Breaking Balis Teory)................................................ 104
2. Teoria da Associação Diferencial, Aprendizagem ou Social 
Learning........................................................................................... 104
2.1. Teoria da Identificação Diferencial....................................... 105
2.2. Teoria do Condicionamento Operante................................. 106
16 i MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
[... .....1.............................................................. ...........-........... -........................
2.3. Teoria do Vampiro..................................................................
2.4. Teoria do Reforço Diferencial................................................
2.5. Teoria da Neutralização.........................................................
2.6. Teoria da Subcultura Delinquente........................................
2.7. Teoria da Anomia ou Estrutural-foncionalista.....................
3.
4.
5.
6.
7.
Teoria do Labelling Approach (Rotulação, Etiquetamento, In' 
teracionismo simbólico ou da Reação Social)..............................
Teoria Crítica, Radical, Marxista ou Nova Criminologia...........
4.1. Teoria Abolicionista (Liberdade Individual Máxima)........
4.2. Teoria Minimalista................................................................
4.3. Teoria Neorrealista de Esquerda (Antiliberal)....................
Criminologia Cultural e Mídia.....................................................
Teoria “Queer”................................................................................
Teoria Feminista..............................................................................
8. Criminologia Racial.........................................................................
9. Teoria dos Instintos.........................................................................
107
107
108
109
110
114
116
118
119
120
120
121
121
123
124
10. Criminologia Ambiental e teorias correlatas................................ 125
10.1. Teoria das Atividades Rotineiras (routine activies theory)... 125
10.2. Teoria da Escolha Racional (rational choice theory).............. 126
10.3. Teoria do Padrão Criminal (crimepattem theory)................ 126
10.4. Teoria da Oportunidade (crime opportunity)........................ 127
11. Teoria do Autocontrole (Self-control)............................................... 128
12. Teoria da Graxa sobre Rodas......................................................... 129
13. Teoria da Bola de Neve.................................................................. 130
14. Teoria do Delito como Eleição...................................................... 130
15. Teoria das Predisposições Agressivas............................................. 130
16. Teoria Behaviorista ou do Comportamentalismo....................... 131
17. Teoria do Mimetismo.................................................................... 132
18. Teoria do Cenário da Bomba-Relógio (Ticking time bomb sce- 
nario)................................................................................................. 132
SUMÁRIO 17
19. Teoria da Coculpabilidade e o princípio da parcialidade positi­
va do juiz.................................................................................... 134
20. Efeito Lúcifer: Experimento de Milgram e Aprisionamento de 
Stanford...................................................................................... 136
GABARITO....................................................................................................... 140
CAPÍTULO 5
VITIMOLOGIA............................................................................................. 141
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 145
ETAPAS EVOLUTIVAS DO PAPEL DA VÍTIMA NO
DIREITO PENAL........................................................................................... 145
1. Vingança Privada, Protagonismo da Vítima ou Idade de Ouro .. 145
2. Vingança Pública ou Neutralização do Poder da Vítima.............. 146
3. Período Humanista........................................................................... 146
4. Surgimento da Vitimologia, primeiros estudos no Brasil e ten­
dências....................................................................................... 147
CONCEITO DE VITIMOLOGIA............................................................... 149
PROCESSOS DE VITIMIZAÇÂO.............................................................. 151
1. Vitimização Direta............................................................................ 151
1.1. Vitimização Primária.............................................................. 152
1.2. Vitimização Secundária (Sobrevitimização/Revitimização)... 152
1.3. Vitimização Terciária.............................................................. 153
1.4. Vitimização Quaternária......................................................... 153
2. Vitimização Indireta......................................................................... 154
3. Heterovitimização.............................................................................. 154
4. Vitimização Difusa........................................................................... 155
5. Revitimizaçâo, Heterovitimização Secundária e Autovitimiza-
çâo Secundária................................................................................... 155
6. Tendência de “criminalização da vítima”........................................ 156
CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS.............................................................. 156
1. Classificação de Benjamin Mendelsohn........................................ 157
V ítima Ideal/Vítima completamente inocente............................ 157
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Vítima menos culpada do que o delinquente/Vítimase tratava do 
porão do Departamento de Psicologia de Stanford.
Com todos presentes na "penitenciária", os carcereiros receberam 
uniformes idênticos aos utilizados na respectiva profissão, enquanto 
que os presos receberam uniformes brancos, sendo apenas identi­
ficados por números.
Cap. 4 • TEORIAS SOCIOLÓGICAS EXPLICATIVAS DA CRIMINALIDADE (139.... -... -.................... 1.. i
As regras simbólicas foram informadas aos dois grupos com uma 
única limitação: não seria permitida qualquer violência física. No 
restante, cada um teria a liberdade de desempenhar o seu res­
pectivo papel.
Com o início do experimento, o resultado foi desastroso a tal ponto 
que precisou ser interrompido em apenas 6 (seis) dias. Isso porque 
os carcereiros, em pouco tempo, estavam praticando toda a sorte 
de tortura psicológica e humilhação sobre os presos. Chegaram 
a separarem os presos em dois grupos (os piores e os melhores 
presos). De outro lado, alguns dos presos realizaram uma pequena 
rebelião ocasionando a expulsão de um dos membros do experi­
mento, enquanto que a outra parcela dos presos simplesmente se 
sujeitavam de forma passiva às humilhações e pressões excessivas 
praticadas pelos guardas.
Resultado: em pouco tempo foi possível perceber que fatores exter­
nos como a estrutura de poder que um exerce sobre o outro, bem 
como papéis definidos pela sociedade e seus respectivos ambientes, 
podem influenciar o psicológico das pessoas. Pessoas aparentemente 
normais podem ser influenciadas pelo seu entorno, se tornando em 
pouco tempo pessoas agressivas.
Ambos os experimentos produziram enorme impacto na psico­
logia. Fatores externos como possíveis influenciadores do compor­
tamento humano passaram a ser analisados de forma mais séria 
e empírica.
Por fim, surge a expressão Efeito Lúcifer como desdobramento 
das consequências dos Experimento de Milgram e Aprisionamento 
de Stanford, fazendo alusão ao fato de que o ser humano, ao ser 
colocado em ambiente de estresse, com papéis pré-definidos pela 
sociedade, com pressões de poderes sobre subjugados, poderá 
invocar o seu pior lado, ou seja, uma pessoa aparentemente normal, 
inserido nas circunstâncias mencionadas, poderá em pouco tempo 
agir com extrema violência e maldade.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
GABARITO
1 2 3 4 5 6 7
D C C C D D B
9 10 11 12 13 14 15
E c E E C C CERTO
17 18 19 20 21 22 23
ERRADO ERRADO CERTO ERRADO D E CERTO
CAPÍTULO 5
VITIMOLOGIA
Leia as questões abaixo antes de estudar o capítulo
1. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2022) No que se refere à vitimo- 
logia, leva em conta a participação ou provocação da vítima: a) vítimas 
ideais; b) vítimas menos culpadas que os criminosos; c) vítimas tão cul­
padas quanto os criminosos; d) vítimas mais culpadas que os criminosos 
e e) vítimas como únicas culpadas. É correto afirmar que a classificação 
contida no enunciado é atribuída a:
a) Robert Merton.
b) Edwin Lemert.
c) Howard Becker.
d) Israel Drapkin.
e) Benjamin Mendelsohn.
2. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2022) Elaborou a seguinte classi­
ficação: 1- grupo - criminoso - vítima - criminoso (sucessivamente), 
reincidente que é hostilizado no cárcere, vindo a delinquir novamente 
pela repulsa social que encontra fora da cadeia; 2 grupo - criminoso - 
vítima - criminoso (simultaneamente), caso das vítimas de drogas que 
de usuárias passam a ser traficantes; 3 grupo - vítima (imprevisível), 
por exemplo, linchamento, saques e epilepsia, alcoolismo etc. É correto 
afirmar que a classificação contida no enunciado é atribuída a:
9
9
a) Hans Gross.
b) Benjamin Mendelsohn.
c) Kurt Schneider.
d) Hans vos Hentig.
e) Israel Drapkin.
3. (PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - INSTITUTO ACESSO - 2019) A dor 
causada à vítima, ao ter que reviver a cena do crime, ao ter que declarar 
ao juiz o sentimento de humilhação experimentado, quando os advo­
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza142
_ _ L____ .......
gados do acusado culpam a vítima, argumentando que foi ela própria 
que, com sua conduta, provocou o delito. Os traumas que podem ser 
causados pelo exame médico-forense, pelo interrogatório policial ou 
pelo reencontro com o agressor em juízo, e outros, são exemplos da 
chamada vitimização
a) indireta.
b) secundária.
c) primária.
d) terciária.
e) direta.
4. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2018) As vítimas podem ser clas­
sificadas da seguinte maneira: vítima completamente inocente ou vítima 
ideal; vítima de culpabilidade menor ou por ignorância; vítima voluntária 
ou tão culpada quanto o infrator; vítima mais culpada que o infrator e 
vítima unicamente culpada. No estudo da vitimologia, essa classificação 
é atribuída a:
a) Benjamin Mendelsohn.
b) Enrico Ferri.
c) Cesare Bonesana.
d) Cesare Lombroso.
e) Raffaele Garofalo.
5. (PC-SP - ESCRIVÃO - VUNESP - 2018) Com relação às classificações 
de vítimas, apresentadas por Benjamim Mendelsohn, em relação aos 
estudos de vitimologia:
a) vítima resistente é aquela que concorre para a produção do resultado, 
b) vítima ideal é aquela que contribui, de alguma forma, para o resultado 
danoso.
c) vítima como única culpada pode ser exemplificada pelo indivíduo 
embriagado que atravessa avenida movimentada vindo a falecer atro­
pelado.
d) vítima por ignorância é aquela que não tem nenhuma participação 
no evento criminoso.
e) vítima completamente inocente é aquela cuja participação ativa é 
imprescindível para a caracterização do crime.
6. (PC-SP - PAPILOSCOPISTA - VUNESP - 2018) A____________é a autor-
recriminação da vítima pela ocorrência do crime contra si, buscando 
razões que, possivelmente, tornaram-na responsável pelo delito:
Cap. 5 • VITIMOLOGIA :143
a) vitimização terciária.
b) heterovitimização.
c) vitimização primária.
d) vitimização secundária.
e) sobrevitimização.
7. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) O estudo da contribuição 
da vítima na ocorrência de um crime, e a influência dessa participação 
na dosimetria da pena, é denominado:
a) vitimodogmática.
b) perigosidade criminal.
c) infortunística.
d) círculo restaurativo.
e) iter victimae.
8. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) Quando ocorre a falta de 
amparo da família, dos colegas de trabalho e dos amigos, e a própria 
sociedade não acolhe a vítima, incentivando-a a não denunciar o delito 
às autoridades, ocorrendo o que se chama de cifra negra, está-se diante 
da vitimização:
a) caracterizada.
b) secundária.
c) descaracterizada.
d) primária.
e) terciária.
9. (PC-SP - ESCRIVÃO - VUNESP - 2013) Entende-se por sobrevitimização: 
a) a vitimização secundária, a qual consiste em sofrimento causado à 
vítima pelas instâncias formais da justiça criminal.
b) a vitimização secundária, a qual consiste em efeitos decorrentes do 
crime, como, por exemplo, o dano patrimonial, físico e moral sofridos 
pela vítima, como consequência do crime.
c) a vitimização primária, a qual consiste em discriminação oriunda do 
círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão 
do delito.
d) a vitimização primária, a qual consiste em efeitos decorrentes do 
crime, como, por exemplo, o dano patrimonial, físico e moral sofridos 
pela vítima, como consequência do crime.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
e) a vitimização terciária, a qual consiste em discriminação oriunda do 
círculo de relacionamentos familiares e sociais da vítima, em razão 
do delito.
10. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) A autorrecriminação da 
vítima pela ocorrência de um crime, por meio da busca por causas que, 
eventualmente, tornaram-na responsável pelo delito, é denominada: 
a) homovitimização.
b) heterovitimização.
c) vitimização primária.
d) vitimização secundária.
e) vitimização terciária.
11. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) O indivíduo que é lesado 
por um estelionatário, o qual aplica-lhe o clássico golpe do "bilhete 
premiado", é considerado, de acordo com a classificação proposta por 
Mendelsohn, vítima:
a) exclusivamente culpada.
b) inocente.
c) tão culpada quanto o criminoso.
d) menos culpadado que o criminoso.
e) mais culpada do que o criminoso.
12. (PC-SP - AGENTE POLICIAL - VUNESP - 2013) O comportamento inade­
quado da vítima que de certo modo facilita, instiga ou provoca a ação 
de seu verdugo é denominado:
a) vitimização terciária.
b) vitimização secundária.
c) periculosidade vitimai.
d) vitimização primária.
e) vitimologia.
13. (PC-PI - DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL - NUCEPE - 2018) Sobre a Viti­
mologia, assinale a alternativa CORRETA:
a) De acordo com a classificação das vítimas, formulada por Mendelsohn, 
a vítima simuladora é aquela que voluntária ou imprudentemente, 
colabora com o ânimo criminoso do agente.
b) É denominada terciária a vitimização que corresponde aos danos 
causados à vítima em decorrência do crime.
Cap. 5 • VITIMOLOGIA
c) De acordo com a ONU, apenas são consideradas vítimas as pessoas 
que, individual ou coletivamente, tenham sofrido lesões físicas ou 
mentais, por atos ou omissões que representem violações às leis 
penais, incluídas as leis referentes ao abuso criminoso do poder.
d) O surgimento da Vitimologia ocorreu no início do século XVIII, 
com os estudos pioneiros de Hans Von Hentig, seguido por Men- 
delsohn.
e) É denominada secundária a vitimização causada pelas instâncias for­
mais de controle social, no decorrer do processo de registro e apuração 
do crime.
VAMOS AO TEMA!
ETAPAS EVOLUTIVAS 
DO PAPEL DA VÍTIMA NO DIREITO PENAL
No estudo da Vitimologia veremos a Criminologia a partir 
do enfoque da criminalidade, sob a perspectiva da vítima. Nesse 
sentido, é importante invocar os marcos históricos mais impor­
tantes sobre o crime e o direito de punir, todavia, analisando como 
a vítima era tratada e o seu papel no sistema penal.
Conforme analisaremos a seguir, em breves linhas, a vítima já 
ocupou o papel de protagonista, já foi completamente esquecida, 
bem como alcançou papel de merecedora de compaixão e huma­
nismo. Vejamos:
1. Vingança Privada, Protagonismo da Vítima ou Idade de 
Ouro
Período também denominado de Protagonismo da Vítima ou 
Idade de Ouro, foi marcado pela Lei de Talião (“olho por olho, 
dente por dente”), de conotação puramente individualista em que a 
própria vítima ostentava o direito de punir (direito de autotutela).
Sofrendo da conduta do criminoso, a vítima passava a ostentar o 
direito de punir o seu algoz, seja pagando na mesma moeda (exemplo: 
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
subtraindo o patrimônio do criminoso, no caso de furto), seja apli­
cando punições desproporcionais, diante da ausência de controle 
externo quanto ao limite e proporcionalidade na aplicação de sanções.
Em alguns casos, ao exemplo de homicídio consumado, era 
transferido o direito de punir aos familiares da vítima, autorizados, 
portanto, a aplicar a pena de morte sobre o homicida.
2. Vingança Pública ou Neutralização do Poder da Vítima
Com o surgimento do Estado, em especial, na Justiça Criminal, 
o poder de punir foi deslocado da vítima para o Estado. A ideia de 
vingança permaneceu. Porém, como o Estado passou a aplicá-la, 
houve a incidência de princípios norteadores do poder punitivo, 
tais como a imparcialidade no julgamento, despersonalização da 
rivalidade, publicidade etc.
A pena passa a ter também o caráter de prevenção geral, todavia, 
passa também a abandonar a preocupação com a reparação do dano 
suportado pela vítima. Considerando o fato de que, neste período, a 
vítima passou a ser renegada pelo Estado, o período também é conhe­
cido por Neutralização ou Neutralização do Poder da Vítima.
3. Período Humanista
Com estudos da Escola Clássica (vide aula anterior), a preocu­
pação com a vítima passou a ganhar relevância, porém os estudos 
a respeito do papel da vítima no cenário do crime só começaram 
a ganhar corpo e sistematização a partir do momento em que se 
tornou objeto de estudo da Criminologia.
► FIQUE ATENTO!
A Vitimologia é um ramo pertencente à Criminologia (conforme 
já estudado, a vítima é um dos quatro objetos da Criminolo­
gia, ao lado do crime, criminoso e controle social). Todavia, há 
corrente minoritária (não seguida pelas bancas de concursos 
públicos) que defende a Vitimologia como ciência autônoma 
e independente.
Cap. 5 • VITIMOLOGIA 147
A partir do século XX, especialmente com o fim da Segunda 
Guerra Mundial (com o enorme sofrimento dos judeus e de outros 
grupos vulneráveis), a vítima passa a receber importante atenção. 
Sob uma ótica humanitária por parte do Estado, passou a ser 
merecedora de proteção sobre seus direitos e garantias, motivo 
pelo qual tal período é também chamado de Redescobrimento 
da Vítima ou Revalorização do Papel da Vítima.
Podemos destacar os seguintes marcos deste período:
— Criação das Nações Unidas, em 1945;
— Advento da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 
em 1948.
4. Surgimento da Vitimologia, primeiros estudos no Brasil 
e tendências
Logo após a Segunda Guerra Mundial, os estudos sobre a 
vítima ganharam contornos relevantes no estudo da criminalidade.
A origem da Vitimologia é atribuída a Benjamin Mendelsohn, 
considerado o pai da Vitimologia, foi advogado em Jerusalém, que, 
como marcos históricos proferiu famosa conferência na Univer­
sidade de Bucareste, em 1947, denominada “Um Horizonte novo 
na ciência biopsicossocial: a vitimologia”, e, anos depois, publicou a 
obra “La Victimologie, Science Actuaelle” (1957).
Importante salientar que os trabalhos de Hans Von Henting 
também causaram enorme impacto para a Vitimologia, em especial 
com a publicação do livro “The Criminal na his Victim”, em 1948, 
nos Estados Unidos.
► Cuidado!
Para alguns, Hans Von Henting teria sido o verdadeiro pai da Vitimo­
logia, todavia, tal posição não é adotada pelas bancas de concursos 
públicos, em concursos fique com a posição mais segura: o pai da 
Vitimologia foi Benjamin Mendelsohn.
|l48'. MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
No Brasil, por sua vez, com base nos registros oficiais, a Viti- 
mologia surgiu com os estudos traduzidos e transcritos de Paul 
Cornil, entre os anos de 1958 e 1959 (Jornadas Criminológicas 
Holando-Belgas, traduzida e transcrita na Revista da Faculdade de 
Direito da Universidade Estadual do Paraná, anos VI e VII, n° 06 e 
07). Todavia, o primeiro brasileiro a tratar do tema foi Edgard de 
Moura Bittencourt, com a publicação da obra “Vítima”, em 1971.
Com base na atual Criminologia, é perceptível uma tendência 
de inserção da vítima no âmbito da persecução penal. Não há 
propriamente um protagonismo como havia na Era da Vingança 
Privada, todavia, nota-se um papel de maior destaque visando à 
pacificação do conflito criminal que a vitimou.
No Brasil, diante da enorme influência da chamada Justiça Restau- 
rativa, é possível destacar alguns institutos jurídicos que evidenciam a 
participação ativa da vítima no sentido de se buscar o fim da persecução 
penal ante a restauração do conflito, bem como com institutos que 
visam proteger ou compensar o sofrimento suportado pela vítima.
Trata-se de relação jurídica envolvendo a chamada Dupla Penal 
(Criminoso e Vítima).
Nesse sentido, destacamos como exemplos:
- A Lei dos Juizados Especial Criminais (Lei n° 9.099/1995), 
visando estimular a Justiça Consensual (Restaurativa ou Pacifica- 
dora), apresenta a possibilidade de Composição Civil dos Danos 
(autor compensa a vítima por meio de acréscimo patrimonial) e 
Transação Penal (antecipação de penas restritivas de direito em 
troca do cumprimento de algumas condições);
- Lei n° 9.807/1999, criando instrumentos de proteção às 
testemunhas e vítimas;
- Lei n° 11.340/2006 (Lei Maria da Penha) com diversos 
mecanismos de proteção da vítima mulher (medidas protetivas), 
procedimentos céleres e impossibilidade de penas de caráter pura­
mente pecuniário;
Cap. 5 • VITIMOLOGIA
— Lei n° 11.719/2008, responsável por modificar o Código 
de Processo Penal no sentido de obrigar o juiz no momento da 
sentença penal condenatória a fixar valor mínimo de indenização 
visando à reparação dos danos sofridos pela vítima.
Em síntese:O conceito de Vitimologia é, sem dúvida, muito mais amplo 
que o conceito de vítima para o Direito Penal, não se limitando 
ao mero sujeito passivo de uma infração penal.
A título ilustrativo, sabemos que, para o Direito Penal, é neces­
sário que exista infração penal para falarmos em vítima (sujeito 
passivo do crime). Já para a Criminologia, é perfeitamente possível a 
existência de vítima sem que tenha se configurado efetivamente um 
crime (exemplo: diante da subtração de uma caneta podemos afirmar 
que não há crime, em razão do princípio da insignificância que afasta 
a tipicidade material do fato. Todavia, apesar de não configurar crime 
para o Direito Penal, aquele que teve sua caneta surrupiada pode ser 
classificada como vítima segundo a Criminologia).
Vitimologia pode ser definida como o estudo científico respon­
sável por diagnosticar a natureza, extensão e causas da vitimização 
em um conflito criminal, mesmo em casos de não intervenção do 
Direito Penal, analisando também as consequências sobre as pessoas 
envolvidas no conflito, bem como as rações do corpo social, com 
destaque para as forças policiais e para o sistema de justiça criminal.
150 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Perceba que a Vitimologia analisará não só os impactos supor­
tados pela vítima do comportamento criminoso, mas também o 
seu comportamento. Logo, é correto afirmar que a Vitimologia se 
ocupa em analisar:
- O papel da vítima no episódio criminoso;
- Como (modo) a vítima participa do crime;
- Qual a contribuição da vítima para a ocorrência do crime 
(se houver);
- Quais os danos suportados pela vítima (patrimonial, psico­
lógico, moral etc.).
Importa também colacionarmos o conceito de Vitimologia 
apresentado por aquele que é considerado a autoridade paterna, 
Benjamin Mendelsohn:
"Vitimologia é a ciência que se ocupa da vítima e da vitimização, 
cujo objeto é a existência de menos vítimas na sociedade, quando 
esta tiver real interesse nisso".
Benjamin Mendelsohn
Com destaque para o fato de que o estudo da vítima não se 
resume às discussões meramente acadêmicas, apresentando reflexos 
até mesmo no Direito Penal, especialmente a respeito da dosimetria 
da pena.
A título de exemplo, citamos a hipótese de homicídio privilegiado 
(“logo em seguida a injusta provocação da vítima”), servindo o compor­
tamento da vítima, nesta hipótese, como causa de diminuição de pena.
Esse estudo da contribuição da vítima para a caracterização 
do delito, bem como tal influência quando do cálculo da pena é 
chamado de Vitimodogmática.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Nesse sentido, foi cobrado no concurso para lnvestigador/PCSP/2014
- VUNESP, como definição da Vitimodogmática o "estudo da con-
Cap. 5 • VITIMOLOGIA ,s
tribuição da vítima na ocorrência de um crime, e a influência dessa 
participação na dosimetria da pena".
PROCESSOS DE VITIMIZAÇÂO
Tema sempre cobrado em concursos públicos diz respeito aos 
processos de vitimização. Assim como o Direito Penal se importa 
com as etapas percorridas pelo criminoso (iter criminis — caminho/ 
etapas do crime), a Vitimologia se interessa em analisar todo o 
processo pelo qual a vítima percorre ou é direcionada, passando 
por diversas etapas distintas em que é vitimizada.
O conjunto de etapas percorridas pela vítima no processo de 
vitimização chamados de iter victimae.
O processo de vitimização compreende todas as etapas em que 
a vítima de uma infração penal sofre direta e indiretamente do 
evento delituoso, alcançando, inclusive, o sofrimento de terceiros 
vinculados à vítima.
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utilize o QR Code ao 
lado.
A seguir, passaremos a estudar cada etapa desse processo.
1. Vitimização Direta
Vitimização Direta consiste no sofrimento suportado pela 
vítima diretamente atingida por uma conduta criminosa/ ilegal 
ou de seus desdobramentos.
Trata-se de gênero, segundo a qual são espécies: vitimização 
primária, secundária, terciária e quaternária:
152 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
1.1. Vitimização Primária
Decorre de um delito violador de direitos da vítima, podendo 
causar danos de ordem patrimonial, psicológica, físico, moral etc. 
Trata-se do momento/etapa em que a vítima sofre diretamente 
os impactos da conduta do delinquente.
Exemplo: Mulher estuprada por perigoso delinquente.
A prática do crime (em nosso exemplo, o estupro) é o exato 
momento de configuração da vitimização primária.
1.2. Vitimização Secundária (Sobrevitimização/Revitimi- 
zação)
Etapa que decorre do Sistema Criminal de Justiça. Trata-se do 
constrangimento suportado pela vítima diante dos procedimentos 
regulares (ou irregulares) das instâncias formais de controle social 
(polícias, ministério público, poder judiciário etc.).
No caso dos procedimentos regulares das instâncias formais 
de controle, basta qualquer ato em que a vítima seja constrangida 
a relembrar o episódio criminoso que a vitimou.
Exemplo: vítima em audiência (procedimento regular) constran­
gida a relembrar detalhes do crime de estupro em que foi vitimada.
Já na hipótese de procedimentos irregulares, podemos falar em 
abusos, excessos e falta de respeito praticados por agentes públicos 
contra a vítima.
Exemplo: Delegado de polícia que presta péssimo atendimento 
à vítima que acabou de ser estuprada, sugerindo, inclusive, que a 
vítima teria se insinuado ao estuprador, tratando-a como um objeto.
A Vitimização Secundária é também chamada de Sobreviti- 
mização e de Revitimização (esta última, inserida na Lei Maria 
da Penha por meio da Lei n° 13.505/2017).
I
Cap. 5 • VITIMOLOGIA í’”l
1.3. Vitimização Terciária
A Vitimização Terciária decorre da omissão, de toda a falta 
de amparo, ou da humilhação por parte de órgãos estatais e até 
de pessoas e grupos próximos da vítima, como a família, amigos, 
colegas de trabalho, de igreja etc., em ajudá-la.
A falta de amparo ou insinuações descabidas contra a vítima 
poderá fazer com que o fato não seja registrado nos órgãos compe­
tentes (Delegacia ou MP), acarretando naquilo que se conven­
cionou chamar de “Cifra Negra” ou “Cifra Oculta” (crimes que 
não são levados ao conhecimento dos registros oficiais).
Exemplos: após estupro, familiares incentivam a vítima a 
“deixar pra lá”, seja porque acreditam que o culpado não será 
encontrado ou punido, seja por entenderem que a persecução 
penal irá expor ainda mais a vítima; Delegado de Polícia que se 
nega em registrar a ocorrência de um crime por não acreditar na 
vítima; “amigos” que viram as costas para a vítima após o crime, 
momento em que mais carecia de amparo, etc.
1.4. Vitimização Quaternária
A Vitimização Quaternária é caracterizada a partir do medo e 
da insegurança psicológica que alguém pode ter de se tornar vítima 
de crime. Mais do que um mero temor individual, a vitimização 
quaternária se destaca por conta do medo generalizado na socie­
dade diante dos alardes - especialmente midiáticos - da ocorrência 
desenfreada de crimes (por vezes, sem as devidas explicações sobre 
as respectivas causas, motivações, etc.).
Logo, a vitimização quaternária pode ocorrer de duas formas:
— Pessoa que já foi vítima de crime ou é próxima de alguma 
vítima e, por conta do episódio traumático passa a apresentar 
sentimento de insegurança, medo ou temor de se tornar vítima.
Exemplo: pessoa que passa a ter medo de caminhar na rua do 
bairro onde mora diante do medo de ser vítima de roubo.
15secundária e terciária), temos como personagem objeto de análise 
a pessoa que sofre diretamente da conduta do delinquente. Ao 
falarmos de Vitimização Indireta, passamos a olhar as demais 
pessoas relacionadas por meio de algum vínculo de afeto com a 
vítima do crime.
E muito comum que determinados crimes, diante da enorme 
repercussão, traumas psicológicos, dentre outras consequências 
suportadas pela vítima, acabem gerando sofrimento em terceiros 
próximos à vítima (pais, irmãos, cônjuge, filhos etc.).
Exemplo: pais que sofrem inconsolavelmente ao receberem a 
notícia de que sua filha fora vítima de crime de estupro.
3. Heterovitimização
Consiste em um sentimento de culpa, de autorrecriminação, 
suportado pela vítima de um crime, por acreditar que com algum 
comportamento negligente acabou por dar causa à ocorrência 
do crime.
Ou seja, a vítima deixa em segundo plano a responsabilidade 
pessoal do delinquente e passa a se culpar pelo evento criminoso 
sofrido, recriminando-se pelo fato de ter sido vítima.
Cap. 5 • VITIMOLOGIA
Exemplos: vítima de furto se sente culpada por ter deixado a 
porta do carro aberta; vítima de estelionato se sente culpada por 
ter assinado cheques em branco, vítima de assalto se sente culpada 
por ter transitado com roupas caras em bairro considerado perigoso, 
vítima de estupro se sente culpada por ter vestido roupas curtas 
na presença do estuprador, etc.
4. Vitimização Difusa
Esta espécie é comum em crimes que não apresentam vítimas 
certas e determinadas.
Temos crimes em nosso ordenamento jurídico que destacam 
entes coletivos como sujeitos passivos (meio ambiente, relações de 
consumo, economia popular etc.).
Exemplo: prática de propaganda enganosa, crimes ambientais, 
crime de prevaricação etc.
5. Revitimização, Heterovitimização Secundária e Autovi- 
timização Secundária
O professor Paulo Sumariva apresenta interessante classificação 
quanto ao processo de vitimização que merece alguns alertas.
Para o ilustre professor, há o chamado processo de Revitimi­
zação (gênero), que ocorre em situações de desgaste emocional 
suportado pela vítima, tornando-se, por conseguinte, novamente 
vítima. Subdivide-se em:
• Heterovitimização secundária: decorrente da relação com 
outras pessoas ou instituições estranhas ao evento crimi­
noso;
• Autovitimização secundária: a própria vítima se vitimiza 
psicologicamente, recriminando-se pelos fatos, acreditando 
ser também responsável pelo crime (semelhante à hetero­
vitimização).
156 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
► Alerta!
Apesar de interessante tal classificação acima, é importante destacar 
que, segundo a corrente majoritária (sendo, inclusive, a posição 
adotada pelas bancas de concursos públicos), a expressão Revitimi- 
zação tem sido encarada como sinônimo de Vitimização Secundária/ 
Sobrevitimização. Logo, para que o conteúdo acima seja cobrado em 
provas e concursos, é necessário que o examinador faça remissão 
expressa ao trabalho do professor Paulo Sumariva, sob pena da 
questão ser passível de anulação.
6. Tendência de "criminalização da vítima"
Cediço que no dia a dia da justiça criminal, não raras vezes nos 
deparamos com casos em que a linha de “defesa” mais utilizada 
por acusados (quando não a única) é o ataque contra a vítima, 
imputando-lhe a responsabilidade do crime sofrido.
Trata-se de verdadeiro e vexatório artifício utilizado pelo 
acusado durante o processo penal, visando sugerir a ideia de que 
a vítima teria contribuído ou seria a responsável pelo crime.
Exemplo: marido que afirma que a esposa pediu para apanhar 
ou mereceu por comportamentos anteriores; estuprador diz que 
manteve relações sexuais com vítima que o teria seduzido etc.
CLASSIFICAÇÃO DAS VÍTIMAS
A classificação das vítimas foi cunhada por diversos autores, 
cada qual apresentando classificações distintas (apesar de algumas 
serem parecidas e outras se confundirem). E, sem dúvida, um dos 
temas mais cobrados em concursos públicos quando o assunto é 
Vitimologia.
Mesmo considerando que quase a totalidade das questões sobre 
este tema recai sobre a classificação apresentada por Benjamin 
Mendelsohn, apresentaremos todas as classificações que poderão 
ser objetos de indagações em certames.
Cap. 5 • VITIMOLOGIA
1. Classificação de Benjamin Mendelsohn
Mendelsohn apresentou classificação vitimológica conside­
rando, especialmente, a provocação ou participação da vítima 
no crime.
Importante ressaltar que em nosso ordenamento jurídico, a 
depender das peculiaridades do caso concreto, a participação ativa 
da vítima no evento criminoso poderá ser encarada, inclusive, como 
atenuante genérica sobre a pena do delinquente — faremos esse apon­
tamento em cada espécie da classificação de Mendelsohn a seguir.
Eis a classificação vitimológica cunhada por Benjamin Mendel­
sohn:
Vítima Ideal/Vítima completamente inocente
E a vítima sem nenhuma participação no evento criminoso. 
São casos em que o criminoso atinge vítima aleatória. Não há 
provocação ou comportamento negligente por parte da vítima. 
Para facilitar a memorização, podemos tomar emprestado o dito 
popular e afirmar que estamos falando da vítima que “estava no 
lugar errado e na hora errada”.
Exemplos: vítimas de bala perdida; vítimas de terrorismo; 
vítima atropelada por motorista embriagado que a atingiu na 
calçada etc.
Vítima menos culpada do que o delinquente/Vítima por 
ignorância
Mendelsohn fala em vítima com a culpa diminuta comparada 
ao delinquente ao tratar das pessoas vitimadas e que praticaram 
algum comportamento negligente (sem qualquer intenção em se 
expor ao criminoso, mas com descuido) de modo a estimular, ainda 
que indiretamente, o crime do delinquente.
Aqui a vítima contribui de algum modo para o evento crimi­
noso, especialmente ante o descuido em certos lugares ou diante 
de certas pessoas (consideradas perigosas).
158 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Exemplos: vítimas frequentando lugares sabidamente peri­
gosos; vítima expondo objetos de valor, tais como relógios de ouro, 
roupas de marca etc.
Vítima tão culpada quanto o delinquente
Essa espécie costuma causar confusão em muitos. Não se 
engane: a vítima não será responsabilizada criminalmente. A 
expressão “tão culpada quanto”, apesar de sugerir equivalências 
de culpa entre vítima e criminoso, constitui uma referência a atos 
bilaterais criminalmente.
Traduzindo: estamos falando de crimes em que a participação 
da vítima é imprescindível para a consumação. Sem o aceite ou 
a concordância da vítima, o crime alcançará no máximo a forma 
tentada (ato bilateral, entre criminoso e vítima).
► Cuidado: há autores que mencionam que em tais atos exige-se 
a má-fé da vítima para se enquadrar nessa classificação. Ousamos 
discordar. Conforme os exemplos a seguir, você perceberá que basta 
que a vítima ofereça aceite decisivo para a consumação do crime, 
podendo ocorrer em casos de má-fé da vítima ou mesmo em casos 
que a vítima foi induzida ao erro pelo criminoso, ou seja, o mais 
importante é a ração bilateral entre a dupla penal.
Exemplos: Vítimas de estelionato (para a consumação deste 
crime, é fundamental que a vítima, enganada, entregue o bem ao 
criminoso, ou seja, trata-se de ato bilateral dependendo de partici­
pação ativa da própria vítima). Podemos mencionar exemplos de 
vítimas com ou sem má-fé:
• Com má-fé: Caso do bilhete premiado - “Fulano”, com 
bilhete premiado falso, aborda “Beltrano” lhe informando que 
precisa de dinheiro vivo para voltar para casa. Aduz que ganhou na 
loteria, no caso R$10.000,00, mas diante da dificuldade em trocar 
o bilhete pelo prêmio, por questões de conveniência, sugere trocar 
o bilhete pelo valor de R$5.000,00. “Beltrano”, acreditando que 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA 159
levará vantagem sobre a suposta ignorância de “Fulano” (ganância, 
má-fé), aceita e cai no golpe.
• Sem má-fé: Um sujeito, todos os dias, deixa sem carro em 
estacionamento reconhecidamente seguro. Em certo dia, “Fulano”, 
estelionatário de carreira, chegamais cedo e fica de prontidão 
na frente do estacionamento, caracterizado em todos os detalhes 
exatamente como um funcionário daquele local. A vítima cai no 
golpe induzido ao erro e confiando que se tratava de funcionário do 
estacionamento (boa-fé), e entrega as chaves do veículo ao golpista. 
Este, por sua vez, obtém a posse do veículo e empreende fuga.
Perceba que em ambos os casos, a má-fé é irrelevante para que a 
vítima seja considerada tão culpada quanto o criminoso (segundo os 
critérios de Mendelsohn), bastando que seja fundamental a partici­
pação da vítima para a consumação do crime (repita-se: ato bilateral).
Vítima mais culpada que o delinquente/Vítima Provocadora
Trata-se da vítima que fomenta, provoca ou incentiva a prática 
do crime. Apesar de a responsabilidade penal continuar recaindo 
sobre o delinquente, diante da provocação da vítima poderemos 
estar diante de uma causa de diminuição de pena ou atenuante.
O melhor exemplo recai sobre uma das formas de homicídio 
privilegiado (art. 121, §1°, do CP), em que o criminoso pratica o 
delito sob o domínio de violenta emoções, logo seguido de injusta 
provocação da vítima — por expressa previsão legal, estaremos 
diante de uma causa de diminuição de pena.
Exemplo: Caso hipotético já cobrado em concurso público, na 
área de Direito Penal — “Fulano” invade casa mantendo como refém 
3 pessoas, pai, mãe e filha. Durante a ação criminosa, “Fulano” 
estupra a filha na presença dos pais que estavam amarrados. Diante 
dos barulhos, vizinhos chamam a polícia. Com a chegada dos 
policiais, o criminoso se entrega sem oferecer qualquer resistência. 
Após ser algemado, e ao ser conduzido próximo à viatura, “Fulano” 
dirige o olhar para o pai de família e lhe manda um beijo irônico 
|160 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
como forma de provocação. Neste exato momento, o pai, tomado 
de fúria e violenta emoção, puxa a arma de um dos policiais 
distraídos, dispara contra “Fulano” tirando-se a vida.
Neste caso, considerando que a injusta agressão já havia cessado, 
não estaremos diante de legítima defesa. O pai responderá por crime 
de homicídio. E uma clara hipótese em que a vítima (no caso, do 
homicídio), foi mais culpada do que o criminoso diante da provocação.
► Cuidado:
Tal espécie assemelha-se com a chamada Teoria da Periculosidade 
Vitimai (explicaremos em tópico próprio), mas, em síntese, tal teoria 
se verifica se a vítima foi provocadora, instigadora ou desencadea- 
dora do delito. Muitas vezes, a vítima se conduz inconscientemente 
ao crime, fundindo sua conduta com a do agressor. Todavia, apesar 
de apregoar a mesma ideia, não se trata de sinônimo desta espécie 
cunhada por Benjamin Mendelsohn, já que Mendelsohn não foi o 
autor da Teoria da Periculosidade Vitimai (apenas por isso, pois a 
ideia é basicamente a mesma).
Vítima como única culpada/Vítima Simuladora/Vítima 
Agressora/Vítima Imaginária/Pseudovítima
Hipóteses de culpa exclusiva da vítima, portanto, não há crime 
(daí a expressão “pseudovítima”).
Pode ocorrer de duas formas:
- Vítima por culpa exclusivamente própria;
Vítima de uma justa agressão (facilitará com o exemplo a 
seguir).
Exemplos de culpa exclusiva da vítima: vítima de 
suicídio; vítima de roleta-russa; sujeito embriagado que 
atravessa rodovia movimentada, vindo a falecer atropelado. 
Exemplo de vítima de justa agressão: Imagine a hipótese 
em que “A” agride “B”. “B”, diante da injusta agressão, 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA
age em legítima defesa agredindo “A”. Do ponto de vista 
Penal, sabemos que “A” responderá por lesão corporal 
(consumada ou tentada, a depender das peculiaridades do 
caso concreto). Todavia, sob a ótica da Vitimologia, “A” é 
considerado vítima, porém, vítima como única culpada (e 
de uma agressão justa, diante da legítima defesa).
Por fim, Mendelsohn separa toda a classificação acima em três 
grandes grupos, a saber:
• Vítima inocente: aquela que não concorre de nenhuma 
forma para o crime;
• Vítima provocadora: aquela que provoca o crime, seja 
voluntariamente, seja negligente ou imprudentemente;
• Vítima agressora: é a vítima simuladora, pseudovítima, 
imaginária ou suposta vítima, em casos de vítima como 
única culpada.
Em síntese:
Vítima Inocente • Vítima completamente inocente
Vítima 
Provocadora
• Vítima menos culpada do que o delinquente
• Vítima tão culpada quanto o delinquente
• Vítima mais culpada do que o delinquente
Vítima Agressora • Vítima como única culpada
2. Classificação de Hans Von Henting
Para Hans Von Henting, há dois grupos de vítimas:
• Criminoso-vítima: compreendendo, por sua vez, três 
grupos distintos de criminosos-vítimas. Você perceberá 
162 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
que Henting leva em consideração o criminoso como 
vítima, seja do sistema, seja da sociedade;
• Vítima: compreendendo dois grupos de vítimas não crimi­
nosas.
Vejamos:
2.1. Grupos de Criminosos vítimas
Indivíduo Sucessivamente Criminoso-vítima-criminoso
Trata-se do delinquente que, diante da hostilização que pode 
vir a sofrer no cárcere, somado com a repulsa e rejeição que sofre 
da sociedade, volta a delinquir.
E chamado de criminoso sucessivo justamente por cometer 
um crime depois do outro (reincidente), por “não encontrar outra 
alternativa” que não seja delinquir, ante a falta de receptividade 
por parte da sociedade.
Indivíduo Simultaneamente Criminoso-vítima-criminoso
Para Henting, compreende o indivíduo que é vítima e, ao 
mesmo tempo, criminoso, ao exemplo do usuário de drogas (que 
seria vítima da realidade social em que vive) que acaba por assumir 
o papel de traficante (criminoso e vítima ao mesmo tempo, ou 
seja, simultaneamente).
Criminoso-Vítima Imprevisível
Abrange hipóteses em que, de maneira imprevisível, o sujeito 
passa de vítima para criminoso. Como exemplo, podemos mencionar, 
segundo a doutrina, o marido que é injuriado pelo patrão (vítima) 
e, ao chegar em casa furioso, agride a esposa (criminoso); ou o caso 
do sujeito com epilepsia que agride involuntariamente terceiros; 
hipóteses ocasionais como saques, linchamentos etc.
Cap. 5 • VITIMOLOGIA 163
2.2. Grupos de Vítimas
Vítima resistente
E a vítima que se vale da legítima defesa, repelindo injusta 
agressão, atual ou iminente (art. 25 do Código Penal).
São as vítimas que não permanecem em posição de passividade 
perante a conduta agressiva do criminoso.
Vítima coadjuvante ou cooperadora
E aquela que concorre para a produção do resultado, seja 
devido à sua imprudência, negligência ou imperícia, seja por ter 
agido com má-fé.
Em síntese:
Criminoso-vítima
• Indivíduo sucessivamente criminoso-vítima
• Indivíduo simultaneamente criminoso-vítima
• Criminoso-vítima
Vítima
• Vítima Resistente
• Vítima coadjuvante e cooperadora
3. Classificação de Luís Jimenez de Asúa
Para Luís Jimenez de Asúa, as vítimas se classificam da seguinte 
forma:
Vítima indiferente
E aquela que se pode chamar de vítima comum (desconhecida 
dos criminosos). A vítima não teve nenhum vínculo pretérito com 
o criminoso.
E o mesmo raciocínio da vítima ideal de Mendelsohn.
Vítima indefinida ou indeterminada
Aqui a vítima é a coletividade, grupo de pessoas, algo comum 
em determinados crimes, ao exemplo de propagandas enganosas, 
atos de terrorismo etc.
164 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Vítima determinada
Ao contrário das anteriores, aqui a vítima é conhecida do crimi­
noso e, em geral, há vínculo entre ambas, como no caso do pai 
que comete o crime de estupro de vulnerável contra a própria filha.
4. Classificação de Elias Neuman
Vítimas individuais
São as vítimas comuns, ou seja, aquelas resultantes das 
primeiras investigações vitimológicas baseadas na chamada dupla 
penal’, criminoso e vítima. Se subdividem em:
• Sem atitude vitimai: aqui a vítima não concorre de 
nenhuma forma para o crime;
• Com atitude vitimai culposa: a vítima acaba dando causa 
ao crime por negligência, imprudência ou imperícia;
• Com atitude vitima dolosa: a vítima dá causa intencional­
menteao evento, ou seja, por vontade própria, ao exemplo 
de vítimas provocadoras ou vítimas suicidas.
Vítimas familiares
São as vítimas em contexto de violência doméstica e familiar, 
como abusos, maus-tratos, agressões, estupros. Em geral, vítimas 
mulheres, crianças e idosos.
Vítimas coletivas
Certos delitos lesionam ou põem em perigo bens jurídicos 
cujo titular não é pessoa física, mas sim entes coletivos, ficções 
jurídicas, como o Estado, meio ambiente, pessoas jurídicas etc. 
Se subdivide em:
Nação: o corpo social enquanto nação pode ser atingido 
em determinados delitos e situações como revoltas, alta 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA P®5]
traição, guerras contra governos legitimamente eleitos e 
constituídos etc.
• Comunidade social: insere-se aqui as vítimas que formam 
coletividade (grupos formados por pessoas físicas), como 
ocorre em crimes de corrupção (onde os impactos atingem, 
ainda que indiretamente, toda a sociedade), terrorismo, 
tráfico de drogas, crimes ambientais, crimes contra o 
sistema financeiro etc.
• Grupos comunitários atingidos pelo sistema penal: são os 
condenados afetados pelo sistema penitenciário falido ou 
precário, como presos vítimas de abusos, torturas, de celas 
superlotadas etc.
Vítimas da sociedade e do sistema social
Essa modalidade vem se tornando cada vez mais comuns em 
telejornais. São as vítimas de descasos da sociedade ou mesmo de 
órgãos públicos, a exemplo das mortes diárias em corredores de 
hospitais ante a falta de leito (mistanásia), e de assassinatos por 
meio de milícias em comunidades.
5. Classificação de Guglielmo Gulotta
Vítimas falsas
► FIQUE ATENTO!
Esse tema foi questionado na fase oral do concurso da Polícia Civil 
do Estado de São Paulo, para o cargo de Escrivão, em 2019, sur­
preendendo todos, já que a banca Vunesp e a Acadepol, tradicional­
mente, limitavam-se a cobrar assuntos relacionados à classificação 
de Mendelsohn. Eis o questionamento do examinador: "O que é 
vítima falsa? Dê um exemplo". O conteúdo abaixo servirá como 
sugestão para resposta em qualquer fase de concurso público.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza166
Segundo Gulotta, as vítimas falsas se subdividem em imagi­
nárias ou simuladas:
• Imaginárias: são as vítimas que por equívoco acreditam 
terem sido vitimadas por algum crime, ao exemplo da 
patroa que, não encontrando sua joia, suspeita da própria 
empregada vindo a registrar o boletim de ocorrência. 
Posteriormente percebe o equívoco. E fundamental que 
fique claro: nesta espécie não há propriamente má-fé ou a 
intenção de fantasiar a existência do crime. Aqui, a vítima 
realmente se engana quanto à ocorrência do delito;
• Simuladas: ao contrário da hipótese anterior, aqui a suposta 
vítima (em verdade, criminosa) manipula o sistema de 
justiça criminal para prejudicar terceiros, como ocorre 
no delito de denunciação caluniosa, onde o indivíduo dá 
causa à instauração de procedimento oficial de investigação 
contra alguém sabidamente inocente.
Vítimas reais
Podem ser fungíveis ou infungíveis:
• Vítimas reais fungíveis: relacionam-se com o mesmo conceito 
das vítimas completamente inocentes ou ideais de Mendelsohn, 
não existindo qualquer contribuição da vítima para a ocorrência 
do delito. Por sua vez, essa espécie se subdivide em:
Acidentais: é aquela que estava no lugar errado e na hora 
errada, como a vítima que se encontra em agência bancária 
no momento em que organização criminosa adentra para 
efetuar crime de latrocínio;
Indiscriminada: relacionando-se com um grupo mais 
amplo e indeterminado, abrange vítimas inocentes, sem 
vínculo com o criminoso e com menor chances para a 
“sorte”, como no caso de vítimas de terrorismo.
Cap. 5 . VITIMOLOGIA W7
• Vítimas reais infungíveis: são vítimas que, considerando o 
contexto criminal, são insubstituíveis. Você perceberá ao analisar 
as subespécies a seguir que o papel da vítima é determinante para 
a ocorrência dos crimes. Subdividem-se em:
Vítimas imprudentes: é a vítima que não toma a devida 
cautela, ficando a própria sorte contra criminosos opor­
tunistas, como o caso da vítima que estaciona o veículo 
em via pública com vidros abaixados e chave no contato;
Vítimas alternativas: são as vítimas que se colocam deli- 
beradamente em condições de riscos, como no caso de 
participantes de disputas perigosas, duelos etc.;
Vítimas provocadoras: aqui o conceito é equivalente às 
vítimas mais culpadas que o delinquente, de Mendelsohn, 
tratando-se das vítimas que dão causa ao crime após provo­
carem o criminoso;
Vítimas voluntárias: aqui a vítima pede pela ocorrência 
do resultado criminoso, como ocorre em alguns casos de 
eutanásia onde a própria vítima, no ímpeto de se ver livre 
de intenso sofrimento, pede para que terceiros desliguem 
os aparelhos que a mantém viva.
TEORIAS E SÍNDROMES COM ENFOQUE NAS VÍTIMAS
Algumas teorias e síndromes discutem a participação da vítima 
no contexto criminal. Importante apresentar maior destaque 
àquelas com grande incidência em concursos públicos.
Você perceberá que em grande parte são teorias e síndromes 
que analisam o comportamento da vítima (ou supostas vítimas) 
especialmente do ponto de vista psicológico e, algumas, socio­
lógico.
168 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
1. Teoria da Periculosidade Vitimai e as Vítimas Latentes 
(Potenciais)
A Teoria da Periculosidade (ou Perigosidade) Vitimai sugere 
que há pessoas predispostas à condição de vítima diante de 
alguns fatores a saber:
• Pessoas briguentas e encrenqueiras, causadoras de confusão.
Pessoas assim são extremamente propensas a serem viti­
madas em alguma discussão, briga ou confusão;
• Pessoas que provocam certas pessoas entendidas como 
passivas acreditando que não haverá reações;
• Pessoas descuidadas com os próprios pertences, ostentando 
objetos de valor chamativos em localidades sabidamente 
perigosas etc.
Perceba que segundo esta teoria, a vítima é responsável por 
desencadear o crime, fundindo sua conduta com a conduta do 
criminoso.
Todavia, cuidado para não confundir a teoria acima com as 
chamadas vítimas latentes ou potenciais (“potencial de recep­
tividade vitimai”). A ideia da existência de vítimas potenciais 
surge por meio de alguns resultados estatísticos que apontam que 
há certos grupos de indivíduos em situação de fragilidade, 
por características pessoais, de profissão ou personalidade, 
propensas a se tornarem vítimas de crimes.
Neste crime, se enquadram as crianças, adolescentes, pessoas 
marginalizadas, idosos, imigrantes, indígenas etc. Como forma 
de evitar a prática de crimes contra tais personagens, resultados 
de pesquisas sugerem a implementação por parte do Estado de 
programas de prevenção vitimaria, de caráter informativo 
visando conscientizar tais indivíduos como estímulo a se defen­
derem ou a buscarem ajuda.
Ademais, o estudo moderno da Vitimologia, baseado em 
questões de política criminal valorizando a justiça pró vítima, dá 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA 169
ênfase a mecanismos que delegam à vítima certas escolhas para a 
efetivação de justiça, tais como a reparação dos danos, indenização 
dos prejuízos sofridos, direito de escolha na persecução penal em 
alguns crimes.
2. Síndrome da Mulher de Potifar
A escolha pelo nome foi desta síndrome foi importada da 
Bíblia Sagrada, precisamente sobre a passagem constante no Livro 
de Gênesis, capítulo 39, versículos 6 a 20. E importante conhecer, 
ainda que resumidamente, a história de José, pois facilitará na 
compreensão deste estudo. Pra quem não conhece a história, 
teceremos breves comentários a título de síntese:
José foi vendido por seus irmãos como escravo para servir no 
Egito. Ocorre que, com talentos e trabalhos, José foi galgando 
postos avançados naquele país, até se tornar administrador dos bens 
de Potifar (oficial de faraó e capitão da guarda), sendo assim, José 
passou a cuidar dos bens e da casa de Potifar. A bíblia narra que 
José “era atraente e de boa aparência”. Todavia, Potifar era casado 
com uma mulher com comportamentolascivo (popularmente 
conhecida como pessoa assanhada), e em diversas ocasiões convi­
dava José para se deitar com ela. Citem-se os versículos 7, 8 e 9:
“7. E, depois de certo tempo, a mulher do seu senhor começou a 
cobiçá-lo e o convidou: “Venha, deite-se comigo!”
8. Mas ele se recusou e lhe disse: “Meu senhor, não se preocupa com 
coisa alguma de sua casa, e tudo o que tem deixou aos meus cuidados.
9. Ninguém desta casa está acima de mim. Ele nada me negou, a 
não ser a senhora, porque é a mulher dele. Como poderia eu, então, 
cometer algo tão perverso epecar contra Deus!”
Ocorre que em certa ocasião, a mulher de Potifar agarrou 
José e insistiu para que se deitasse com ela, momento em que José 
empreende fuga. Em momento seguinte, percebe ter deixado o 
manto na mão dela. E esse ponto da história que nos interessa. 
A mulher de Potifar, enfurecida por mais uma rejeição, resolve 
170 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
armar contra ele. Os próximos versículos resumem bem o desfecho 
(versículos 13-20):
“1 3. Quando ela viu que, ao fugir, ele tinha deixado o manto em 
sua mão,
14. chamou os empregados e lhes disse: “Vejam, este hebreu nos foi 
trazido para nos insultar! Ele entrou aqui e tentou abusar de mim, 
mas eu gritei.
15. Quando me ouviu gritar por socorro, largou seu manto ao meu 
lado e fugiu da casa”.
16. Ela conservou o manto consigo até que o senhor de José chegasse 
à casa.
17. Então repetiu-lhe a história: “Aquele escravo hebreu que você nos 
trouxe aproximou-se de mim para me insultar.
18. Mas, quando gritei por socorro, ele largou seu manto ao meu 
lado e fugiu”.
19. Quando o seu senhor ouviu o que a sua mulher lhe disse: “Foi 
assim que o seu escravo me tratou”, ficou indignado.
20. Mandou buscar José e lançou-o na prisão em que eram postos os 
prisioneiros do rei. José ficou na prisão”.
A prática forense, em especial no âmbito criminal, nos revela 
que atitudes como a da mulher de Potifar são mais comuns do 
que pode parecer.
E mais comum sua aplicação em crimes contra a dignidade 
sexual. No crime de estupro, por exemplo, diante das peculiari­
dades do respectivo crime, o comum é que seja praticado às escuras, 
longe do olhar de qualquer testemunha, restando, em geral, a 
palavra da vítima contra a palavra do agressor.
Em alguns casos, pode ocorrer de alguém, após rejeição, revista- 
-se de sentimento de vingança e ódio. A acusação falsa por crime 
de estupro (com autolesões, por exemplo) é comumente praticada 
por pessoas com tal índole e finalidade.
São casos, como se percebe, em que a suposta vítima é quem 
deveria estar ocupando o banco dos réus, seja por crime de calúnia, 
ou até mesmo por crime de denunciação caluniosa.
Cap. 5 • VITIMOLOGIA 171
Sendo assim, podemos definir a síndrome da mulher de 
Potifar como o estado psicológico carregado de sentimento de 
vingança e ódio cuja finalidade é imputar a alguém falsamente 
um fato definido como crime, desencadeado por algum ato de 
rejeição ou desafeto.
Em casos tais, as atenções também se voltam para o julgador. 
O juiz deverá ter enorme sensibilidade e cuidado necessários para 
apurar se os fatos relatados pela vítima são verdadeiros, ou seja, 
constatar a verossimilhança de sua palavra, haja vista que, em geral, 
contradiz com a negativa do agente.
A falta de credibilidade da vítima poderá, portanto, conduzir 
à absolvição do acusado, ao passo que a verossimilhança de suas 
palavras será decisiva para um decreto condenatório.
Ocorre que na prática, infelizmente o que se percebe, na melhor 
das hipóteses, são decretos absolutórios por falta de provas (em favor 
do inocente, felizmente), porém, sem a devida responsabilização 
do indivíduo que deu causa a todo transtorno e movimentação do 
sistema de justiça criminal de maneira inútil.
Ressalta-se que, apesar de se tratar de síndrome que direciona 
a atenção para as mulheres, bem como por incidir especialmente 
em casos que envolvam supostamente crimes contra a dignidade 
sexual, é perfeitamente possível que o homem esteja prejudicando 
alguém com as características da Síndrome da Mulher de Potifar 
— ademais, após o advento da Lei n° 12.015/2009, passou a ser 
admitido homem como sujeito passivo de estupro ou de qualquer 
outro delito que lese a dignidade sexual.
3. Síndrome de Estocolmo
A Síndrome de Estocolmo consiste em:
“Um estado psicológico de autopreservação desenvolvido por algumas 
pessoas vitimadas em sequestros ou em qualquer outro crime limitador 
do direito de ir e vir capaz de gerar um ambiente de extremo estresse, 
passando a criar até mesmo laços de afeto e apreço com seu algoz. ”
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Nas infrações penais onde ocorre a privação da liberdade das 
pessoas, a exemplo do sequestro, cárcere privado ou mesmo de 
extorsão mediante sequestro, de longa duração, é comum se esta­
belecer entre os criminosos e vítimas aquilo que se convencionou 
chamar de Síndrome de Estocolmo, dada a situação de crise que 
ocorreu na Suécia, durante um roubo no Banco de Créditos de 
Estocolmo. A seguir, descreveremos o episódio que originou esta 
síndrome, mas você perceberá que se trata de um sentimento 
muitas vezes desenvolvido inconscientemente como forma de auto- 
preservação.
Caso real - Estocolmo, Suécia (1973):
Houve uma tentativa de roubo de um banco que fora frustrada pela 
chegada da polícia à agência. Naquela ocasião, o criminoso tomou 
como reféns três mulheres e um homem. Visando se proteger das 
investidas da polícia, fez com que todos entrassem no caixa-forte da 
agência bancária e exigiu, durante as negociações com a polícia, que 
fosse libertado e levado àquele local outro agente, antigo parceiro 
do crime, que se encontrava na prisão.
A exigência foi atendida e os dois criminosos e os quatro reféns 
ficaram no interior do caixa forte do banco por cinco dias. Ao final 
de todo o período, quando finalmente iriam se entregar, os reféns 
voluntariamente utilizaram os próprios corpos como escudo contra 
a polícia, com o claro objetivo de proteger os dois criminosos.
Os pontos mais curiosos vêm a seguir:
Pouco tempo depois, em entrevista, uma das jovens reféns declarou 
ter simpatia por um dos sequestradores. Pior! Disse que o esperaria 
durante todo o período de cumprimento da pena para que pudes­
sem se casar, causando espanto a toda a população que a assistia, 
fazendo com que todos acreditassem que, naquele local, os dois 
tinham mantido algum tipo de contato sexual.
Conforme relatos oficiais, ao contrário do que a população pensava: 
"Por várias vezes, durante a crise, o suspeito exibira a referida moça, 
com uma arma sob o queixo, aos policiais. Soube-se também que, 
a certa altura, ao desconfiarem que a polícia pretendia jogar gás 
lacrimogêneo no interior do caixa-forte, os suspeitos amarraram os 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA p73
pescoços dos reféns aos puxadores das gavetas de aço ali existen­
tes. Com isso, pretendiam eles responsabilizar a polícia de algum 
eventual enforcamento dos reféns, causado pelo pânico que adviría 
com o lançamento do gás no interior do caixa-forte."
A Síndrome de Estocolmo não acometeu apenas a jovem que deu 
entrevista, mas também todos os demais reféns, isso porque durante 
toda a persecução penal os reféns recusaram-se a testemunhar con­
tra os sequestradores (ao contrário, os defendiam em depoimentos 
perante o público, iniciando até mesmo campanhas para angariar 
fundos suficiente para o custeio de defesa técnica dos criminosos).
A expressão Síndrome de Estocolmo foi criada pelo psicólogo 
clínico Harvey Schossberg, a partir desse evento ocorrido em 
Estocolmo, na Suécia, e tem sido definida como “uma perturbação 
de ordem psicológica, paralela à chamada ‘transferência’, que é o 
termo que a psicologia usa para se referir ao relacionamento que 
se desenvolve entre um paciente e o psiquiatra, e que permite que 
a terapia tenha sucesso.
As pessoas, quando estão vivendo momentos cruciais, costumam 
se apegar a qualquer coisa que lhes indique a saída, e é exatamenteisso que ocorre com os reféns e suspeitos. Por ocasião de um 
evento crítico, tanto uns como os outros estão sob forte tensão 
emocional”. E justamente por isso que os reféns acabam instinti- 
vamente desejando todo o sucesso aos criminosos (como instinto 
de autopreservação, buscam livrar-se sãos e salvos), e até mesmo 
torcendo para o fracasso das investidas policiais.
Especialistas no assunto aduzem que a Síndrome de Estocolmo 
pode levar de 15 a 45 minutos para se manifestar, e sua probabili­
dade cresce conforme o prolongamento do tempo de convivência 
entre os criminosos e as vítimas.
Ressalta-se que na prática tal síndrome na prática atrapalha — e 
muito! — na correta persecução e punição dos culpados, uma vez 
que os meios de provas (testemunhas) acabam sendo fragilizados 
e lançados ao descrédito inevitavelmente.
174 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
4. Síndrome de Londres
A síndrome de Londres apresenta características completa­
mente opostas comparada com a síndrome anterior. Aqui, a vítima 
passa a desenvolver um sentimento de ódio, repulsa, extremo 
desconforto, com a presença do criminoso.
O nome é referência ao episódio criminoso que ocorreu na 
Embaixada Iraniana em Londres, quando 6 terroristas árabes 
iranianos iniciaram uma invasão mantendo como reféns 16 diplo­
matas (com funcionários iranianos), 3 britânicos e 1 libanês por 
5 dias.
Dentre os reféns, um se destacou: Abbas Lavasani, funcionário 
iraniano, pois durante todo o período travava fortes discussões com 
os terroristas, afirmando que jamais seria dedicado ao Aiatolá e que 
estava compromissado com a justiça da revolução islâmica (valores 
contrários aos valores defendidos pelos terroristas).
A tensão era cada vez pior, até que em dado momento, os 
terroristas entenderam que precisavam transmitir o recado às 
autoridades de que as ameaças eram verdadeiras e sérias. A medida 
eleita foi assassinar um dos reféns e a escolha foi óbvia: mataram 
Abbas Lavasani.
Portanto, fácil constatar que na Síndrome de Londres há a 
incidência de um estado psicológico que recai sobre a vítima 
tornando-a cada vez mais agressiva contra o seu algoz. Quase 
que um instinto de ataque, de inconformismo com a situação.
5. Síndrome da Mulher Maltratada
Também chamada de Síndrome da Mulher Espancada ou 
Battered Woman Sydrome, de origem norte-americana, trata-se de 
condição psicológica traumática sofrida pela mulher em decor­
rência do convívio com cônjuge abusador.
Por meio de uma convivência abusiva, a vítima, ao sofrer de 
forma rotineira violência psicológica, física, moral, patrimonial 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA (175|
e/ou sexual por parte de seu cônjuge abusador poderá reagir de 
forma impulsiva ou até mesmo premeditada contra o abusador 
como instinto de autopreservação.
A síndrome tem origem com um caso ocorrido nos EUA. 
No episódio em questão, Jude Norman foi por mais de vinte 
anos espancada e estuprada pelo marido, bem como forçada a se 
prostituir. Chegando ao seu limite, comprou uma arma de fogo e 
executou o cônjuge enquanto este dormia. Em seu julgamento, 
diante de todo o histórico de abusos, alegou a legítima defesa, 
sem sucesso. Com o marido dormindo, entendeu o magis­
trado que naquele momento não havia injusta agressão (apenas 
vingança), motivo pelo qual Jude Normal foi condenada por crime 
de homicídio.
Pouco tempo depois o assunto voltou à tona, porém, com 
desfecho diverso. O caso ocorreu na cidade de Manassas (EUA), 
em 23 de junho de 1993, com o casal Lorena Bobbitt (24 anos) 
e John Wayne Bobbitt (26 anos). Em quatro anos de casados, 
Lorena passava por abusos semelhantes ao de Jude Norman (era 
constantemente espancada e estuprada pelo marido). Segundo 
Lorena, na noite de 23 de junho de 1993, John, após voltar de um 
encontro com um amigo, completamente embriagado, mais uma 
vez estuprou Lorena. Após o ocorrido, Lorena foi até a cozinha, 
pegou a primeira faca que encontrara e, em um ato de desespero 
e de autopreservação, decepou o pênis de John. Ambos foram a 
julgamento, valendo alguns destaques para cada um dos julgados:
- John foi absolvido pelas acusações de violência doméstica e 
familiar. Por meios cirúrgicos, conseguiu restaurar o pênis e no 
ano seguinte foi preso por agredir uma ex-stripper;
- Lorena foi absolvida da acusação de lesão corporal, diver­
samente do que ocorreu com o caso de Jude Norman. A defesa 
invocou a tese da inexigibilidade de comportamento diverso (exclu- 
dente da culpabilidade). A ideia foi de que, diante das agressões 
rotineiras, a vítima não encontrou outra saída que não fosse o 
ataque contra seu algoz. Em hipóteses extremas, o Estado estaria 
176 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
de mãos atadas à exigir um comportamento diverso, motivo pelo 
qual a culpabilidade estaria afastada. Entendeu-se que Lorena, no 
momento de fúria e desespero, estaria acometida de insanidade 
temporária.
A partir do caso acima, tal tese passou a ser cada vez mais 
comumente utilizada em casos de violência doméstica e familiar 
com posterior revide da vítima contra o cônjuge abusador.
A título de ilustração, a tese funcionaria como uma panela de 
pressão (representando a vítima) que, após muito tempo de agressões 
e maus-tratos, alcançaria um patamar de estresse psicológico insu­
portável e partiria para o revide como sintoma de autopreservação 
(panela de pressão explodindo após ultrapassar o limite suportado).
No Brasil, casos como esses seriam perfeitamente aceitos 
com desfechos absolutórios. A depender do caso concreto, sendo 
demonstrada pela vítima dos abusos a situação de pressão insu­
portável como causa para o revide contra o abusador, teremos 
um típico exemplo de inexigibilidade de conduta diversa, com o 
conseguinte afastamento da culpabilidade.
6. Síndrome do Desamparo Aprendido
Também conhecida por Síndrome do Abandono Aprendido, 
originou-se por meio dos estudos de Martin Seligman, pesquisador 
mundialmente reconhecido e um dos mais importantes autores da 
Psicologia Positiva. Seligman, em 1965, na Universidade da Pensil- 
vânia, realizou diversos testes com cachorros visando identificar 
comportamentos criados por meio de estímulos.
Na primeira fase dos estudos, separou os cachorros em três 
grupos com as seguintes características:
- Grupo 1: os cachorros foram presos por uma coleira e, tempo 
depois, liberados;
— Grupo aqui os cachorros recebiam choques, mas tinham 
a possibilidade de parar com o choque ao se deslocarem para o 
outro lado da plataforma em que estavam inseridos;
Cap. 5 • VITIMOLOGIA 177
— Grupo 3: também recebiam choques, porém, nada podiam 
fazer para cessar os ataques.
Abaixo, destacamos ilustração para representar o ambiente em 
que os cachorros dos grupos 2 e 3 foram inseridos, com o detalhe 
de que no grupo 3 as medidas para fugirem dos choques estavam 
desativadas:
Dias depois, ficou fácil perceber que os cachorros de cada grupo 
passaram a apresentar características específicas:
- Grupo 1: continuaram com reações comuns a todos os 
cachorros, respondendo a diversos estímulos;
— Grupo 2: se tornaram cachorros mais espertos, sagazes, 
respondendo a estímulos de forma mais ágeis;
- Grupo 3: o grande destaque está aqui. Os cachorros passaram 
a apresentar comportamentos crônicos de desânimo. Não reagiam 
aos estímulos e se afastavam dos demais cachorros. Perderam a 
capacidade de reação.
Com isso, Seligman, por meio da dedução, chegou a concussão 
de que o sentimento de desamparo poderia ser aprendido, tratando- 
-se de um estado emocional e psicológico em que a vítima, após 
178 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
passar por inúmeras punições sem a possibilidade de reação, acaba 
absorvendo a crença de que não possui forças ou alternativas para 
mudar o cenário em que se encontra.
Seligman entendeu que esse estudo refletia perfeitamente a 
realidade dos seres-humanos, notadamente nos casos em que 
determinadas pessoas se aprofundam em um estado de depressão 
após vivenciarem diversos episódios traumáticos.
Tomandopor base o experimento acima, parte da ciência tem 
enxergado a síndrome do desamparo aprendido em diversos casos 
em que há violência doméstica e familiar de forma rotineira.
A repetição da violência, em muitos casos, faz com que a vítima 
não consiga mais reagir, simplesmente por acreditar não possuir 
forças ou alternativas para fazer cessar com o quadro crônico de 
violência. Esse comportamento explica, inclusive, o motivo pelo 
qual muitas vítimas decidam por não procurar as autoridades após 
cada episódio de violência doméstica e familiar sofrido (passando 
a representar hipóteses de crimes de cifra negra/oculta).
São casos em que a vítima passa até mesmo por processos de 
estigmatização perante a própria sociedade (amigos, familiares, 
colegas de trabalho, conhecidos, etc.), sendo rotulada de “mulher de 
malandro”, por aparentemente insistir em manter o relacionamento 
com o companheiro agressivo. Todavia, por se tratar de um trauma 
psicológico adquirido ao longo do tempo, na percepção da vítima 
a escolha/possibilidade de se ver livre do abusador simplesmente 
não existe.
7. Síndrome da Gaiola de Ouro
Também conhecida como Síndrome da Gaiola Dourada, foi 
inspirada na obra escrita por Clarissa Pínkola, intitulada Mulheres 
que correm com os lobos. Possui semelhanças com a síndrome 
anterior, na medida em que nessa a vítima também vive em um 
relacionamento destrutivo, onde por vezes é humilhada, traída, 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA
agredida e ofendida, porém, há um ponto crucial que as diferencia: 
na síndrome da gaiola de ouro a vítima sabe que possui o poder 
de cessar com o relacionamento abusivo.
Trata-se de condição psicológica em que a vítima reclama do 
relacionamento que possui com alguém, sabe que tem a possi­
bilidade de rompimento, mesmo assim decide pela manutenção 
do estado atual. Funciona como uma prisão em que a vítima é a 
carcereira de si mesma.
Em geral, a decisão de permanecer em um relacionamento 
destrutivo está vinculada à algum benefício secundário. A título de 
exemplo, podemos citar relacionamentos em que a vítima convive 
com ofensas, traições, agressões e decide por manter o relacio­
namento por receber do companheiro estabilidade financeira e 
emocional, moradia, status social, etc.
A longo prazo, a decisão de romper com o relacionamento vai 
se tornando cada vez mais improvável, pois, durante o convívio 
será natural que a vítima passe a acreditar não possuir condições 
de buscar sozinha os “benefícios” que a fazem decidir pela manu­
tenção do relacionamento. Logo, são características psicológicas 
e emocionais da vítima a baixa autoestima, medo, insegurança e 
preguiça.
Daí a ideia de gaiola dourada (eu acrescentaria ainda a ideia de 
que a porta da gaiola está aberta), onde o pássaro (representando a 
vítima), apesar de ter a possibilidade de escapar, acaba por decidir 
se manter “engaiolado” diante do status e da crença de que ali não 
passará por nenhuma necessidade ou vergonha.
180 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
8. Síndrome de Oslo
Consiste em uma reação psicológica em que a vítima passa 
a acreditar ser a responsável pelas agressões suportadas (processo 
de heterovitimização, conforme estudado em tópicos anteriores).
Dessa forma, a reação psicológica, completamente inconsciente 
e subliminar na cabeça da vítima, passa a servir como um meca­
nismo de defesa.
O cérebro, como instinto de autopreservação, passa a infor­
mação fantasiosa de que a vítima possui o controle do comporta­
mento do agressor e, caso mude o próprio comportamento, mudará 
consequentemente a conduta do agressor (perceba que a sensação 
falsa de controle surge com a finalidade da vítima sofrer menos 
das agressões suportadas, diante da crença de que está no controle 
a todo momento).
Tal síndrome pode acometer pessoas de forma individual, bem 
como de forma coletiva (mecanismo de defesa grupai).
Os exemplos mais comuns onde a psicologia consegue diag­
nosticar a síndrome de Oslo são os casos de violência doméstica 
e familiar contra a mulher, bem como sobre crianças em casos de 
abusos físicos.
9. Síndrome de Lima
Síndrome de Lima é a denominação dada para o estado psico­
lógico em que criminosos (geralmente sequestradores) desenvolvem 
sentimentos positivos em relação as suas vítimas (admiração, 
simpatia, afeto, cumplicidade, etc.). Em outras palavras, é a situação 
inversa que ocorre com a Síndrome de Estocolmo8.
8. Conforme estudado em tópico próprio acima, na Síndrome de Estocolmo é a vítima 
que passa a desenvolver sentimentos positivos por seu algoz.
A origem da denominação da síndrome em estudo reside em 
um episódio de sequestro ocorrido no ano de 1996, na cidade de 
Cap. 5 • VITIMOLOGIA p81
Lima, capital do Peru. O grupo criminoso Movimento Revolucio­
nário Túpac Amaru (MRTA) sequestrou centenas de pessoas na 
embaixada japonesa em Lima. O objetivo dos sequestradores era 
auferir expressiva quantia em dinheiro como condição do resgate, 
já que as vítimas eram pessoas de alto poder aquisitivo e prestígio 
(políticos, militares de alta patente, diplomatas, etc.).
Porém o fato é que em poucos dias de sequestro, os sequestra­
dores decidiram libertar todos os reféns, um a um, apenas movidos 
por sentimentos de simpatia e vínculos positivos gerados a eles.
Na prática, é extremamente raro nos depararmos com algum 
caso de crime em que a Síndrome de Lima se manifeste em relação 
aos criminosos, mas ainda assim é possível destacarmos alguns 
sinais característicos da síndrome sobre os criminosos:
J Criminosos evitando machucar as vítimas;
J Gestos que demonstram amabilidade em relação às vítimas;
J Preocupação com o bem-estar dos sequestrados;
J Concessão por parte dos criminosos de algumas regalias e 
liberdades às vítimas (chegando, inclusive em alguns casos, 
a libertá-las).
A Psicologia, tentando entender as causas e explicações desta 
síndrome, aponta algumas possíveis hipóteses que podem desen­
cadear sentimentos positivos em um criminoso para com a vítima:
“- Caso a pessoa forme parte de um grupo que comete o sequestro, essa 
pessoa pode não concordar com a realização do mesmo eformar parte 
dele, tendo cedido ã pressão dos pares e ã pertença do grupo. Também 
pode não concordar com a forma ou método usado no sequestro.
- Epossível que o sequestrador atue devido a uma situação de neces­
sidade extrema como uma situação econômica muito grave,
- O agressor pode ter premeditado que não quer machucar as vítimas, 
estas simplesmente são um método para conseguir algo, são um instru­
mento para conseguir um fim.
182 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
- Eprovável que o sequestrador acabe desenvolvendo sentimentos de 
culpa e questione os seus próprios atos. Como forma de se redimir, 
preocupa-se pelo bem-estar da vítima.
- Epossível que a pessoa que realiza o sequestro acredite que não vai 
sair do lugar com vida ou pense que não é capaz de manter a vítima 
retida durante muito mais tempo, pelo decide libertá-la.
- E possível que o sequestrador não tenha realizado anteriormente 
nenhum outro ato delitivo e tenha uma grande capacidade empática. 
- Epossível que a pessoa sequestre a sua vítima devido a sentimentos 
prévios de atração ou amor. E por isso que, uma vez em cativeiro, 
ela cuida do sue bem-estar, já que o sequestrador alberga sentimentos 
em relação à vítima e tenta seduzi-la e agradá-la? ”
10. Síndrome de Barbie
A Síndrome de Barbie parte do pressuposto de que a mulher 
é “coisifícada” pela sociedade.
Não se trata de fazer um paralelo com a vaidade e cuidados 
pessoais da mulher. A Síndrome de Barbie trabalha a ideia de que 
muitas mulheres, desde a infância, são condicionadas pela socie­
dade a se conformarem com o papel de objeto de direitos (e não 
como sujeito de direitos).
Muitas crianças meninas são influenciadas por meio de 
brinquedos (bonecas9 10, cozinhas, panelas, vassouras) e brinca­
deiras (cuidar de bebês de brinquedo, brincar de lavar a louça, 
objetos) a estarem sempre servindo alguém ou cuidando de algo,em muitos não desenvolvendo a noção de que possui direitos e 
liberdades de escolha.
9. Revista de Psicologia Clínica. Equipe Editorial: . Acesso em 20 de 
dezembro de 2022.
10. Daí a alusão ao nome da síndrome em referência à boneca Barbie, conhecida por con­
tar com diversas linhas de produção como "Barbie mamãe", "Barbie família", "Barbie 
grávida", "Barbie cozinheira", "Barbie faxineira", dentre outras.
https://br.psicologia-online.com/sin-drome-de-lima-sintomas-causas-e-tratamento-195.html%2523anchor_2
Cap. 5 • VITIMOLOGIA [í83
A noção de coisificação da mulher estudada por esta síndrome, 
na prática pode funcionar como um verdadeiro obstáculo na 
apuração de crimes sexuais e abusos. Por vezes, muitas mulheres 
que sofrem abusos acabam deixando de pedir socorro às autoridades 
por não se sentirem verdadeiras vítimas. Estão condicionadas a 
acreditarem que merecem determinadas violências diante do seu 
papel de objeto de alguém, o que acaba, por conseguinte, gerando 
crimes de cifra negra.
A Síndrome de Barbie também visa identificar e combater possí­
veis práticas geradores de vitimização secundária, notadamente nos 
casos em que autoridades que deveríam aparar vítimas (delegados, 
promotores de justiça, juizes, etc.) acabam por humilhá-las ainda 
mais.
A título de exemplo, imagine a hipótese de um delegado de 
polícia, ao receber uma vítima de estupro ou de qualquer outra 
forma de abuso, passa a questioná-la, em tom de desconfiança, dos 
motivos de estar utilizando roupas curtas, ou se se insinuou para 
o seu algoz, ou se provocou o marido agressor. Enfim, questiona­
mentos que na prática funcionam como acusações preconceituosas 
e precitadas no afã de afastar a vítima da delegacia (evitando, por 
meio de prevaricação velada, mais trabalho). Casos como esse de 
vitimização secundária reforçam a noção de “coisificação” da mulher.
11. Síndrome de Otelo
O tema trata do ciúme patológico capaz de motivar crimes 
violentos a exemplo do homicídio.
A expressão “síndrome de Otelo” foi cunhada em 1955 pelos 
neuropsiquiatras Kenneth Dewhurst e John Todd, na obra “Manual 
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais”.
Otelo foi personagem de uma das obras mais famosas do 
renomado poeta inglês William Shakespeare: “Otelo, o Mouro de 
Veneza”, de 1603. A obra trata de um triângulo amoroso cercado
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
de ciúme, paixão e assassinato. Na estória, Otelo é atormentado 
pela ideia de que sua esposa, Desdêmona, o trai. Em síntese, 
Otelo termina por assassinar sua esposa movido por um ciúme 
extremamente intenso.
Os mencionados autores classificam a síndrome de Otelo como 
“Transtorno Delirante Paranoico do tipo ciumento”, caracterizada 
por falsas crenças (delírios não bizarros) que persistem por, ao 
menos, um mês, afastando outros sintomas da esquizofrenia.
O famoso psicanalista austríaco, Sigmund Freud classificou o 
ciúme em três categorias distintas, cada uma com diferente grau 
de intensidade capaz de acarretar patologias:
• competitivo (ou normal);
• projetado;
• delirante (é nesta categoria que se enquadra a síndrome de 
Otelo).
Na prática, os delírios suportados pela pessoa ciumenta deli­
rante são sutis, o que acaba por disfarçar a patologia. Segundo 
Dewhurst e Todd:
“Os delírios tendem a ser não bizarros e a envolver situações que pode­
ríam acontecer, tais como ser seguido, envenenado, infectado, amado 
a distância ou enganado pelo cônjuge ou amante. Em contraste com 
a esquizofrenia, o transtorno delirante é relativamente incomum. O 
seu início ocorre quase sempre na metade ou no final da vida adulta. 
O funcionamento psicossocial não é tão prejudicado, como no caso 
da esquizofrenia, e os prejuízos surgem, em geral, diretamente da 
crença delirante”.
Abordando o tema, a jornalista Juliana Sonsin11 destaca um 
caso real de diagnóstico da síndrome de Otelo:
11. Telativa. A Síndrome de Otelo: a doença do ciúmes excessivo. Acesso: em 23 de setembro de 
2023.
_https://www.telavita.com.br/blog/sindrome-de-otelo/%2523O_que_e_ciumes_
Cap. 5 • VITIMOLOGIA
fl85 j
“O ciúme possessivo e patológico virou notícia no mundo todo em 
2013 quando a história da britânica Debbi Wood se tornou pública: 
ela submetia seu marido a testes a um detector de mentiras toda vez 
que ele chegava em casa. Diagnosticada com Síndrome de Otelo, ela 
contou que proibia o marido de assistir a qualquer tipo de programa 
contenha mulheres e sempre checava os e-mails e redes sociais diversas 
vezes ao dia à procura de uma possível traição”.
Em entrevista à BBC, o psiquiatra Walter Ghendin afirma 
que a pessoa com a síndrome de Otelo “fica obcecada com a 
ideia de traição e infidelidade e tenta fazer de tudo para buscar 
provas que mostrem que ela está certa [...] quando se chega ao 
homicídio é porque existe outro tipo de personalidade patológica, 
que se desenvolve a partir de uma paranóia ou em um ciúme 
delirante”. O especialista mencionado ainda afirma que o ciúme 
pode ser fomentado por terceiros: “As pessoas ciumentas podem 
ser influenciadas pelas opiniões de outras pessoas - ou pelos meios 
de comunicação”.
Podemos destacar como sintomas do transtorno delirante em 
estudo: a desconfiança, raiva, irritação, impulsividade, suspeita de 
infidelidade sem provas, incapacidade de controlar o ciúme, justi­
ficação das suspeitas com explicações infindáveis, intepretação de 
situações do cotidiano de forma distorcida, frentes interrogatórios 
e investigações sobre a pessoa de que sente ciúme, inibição da 
privacidade da pessoa amada, dentre outros.
Por fim, evitando-se que o ciúme extremado e doentio possa 
gerar drásticas consequências (homicídio, violências diversas, etc.), 
vale destacar que a doença possui tratamento, em geral por meio 
da psicoterapia e, em casos mais graves, por meio de tratamento 
medicamentoso.
OUTROS TIPOS DE VÍTIMAS
Além de todos os temas tratados neste capítulo, destacando 
inúmeras classificações, espécies, tipos, teorias e síndromes envol­
186 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
vendo vítimas, vale destacar outros tipos de vítimas trabalhados 
pela doutrina e que já foram cobrados em diversos concursos 
públicos nos últimos anos (com destaque para a fase oral):
• Vítima nata: desde a tenra idade apresenta caracterís­
ticas de predisposição para ser vítima. Em síntese, toma 
atitudes (consciente ou não) provocadoras de conflitos 
(temperamento de agressividade, personalidade difícil e 
quase sempre insuportável. Os exemplos de vítimas natas 
são, atualmente, criticados pela doutrina, especialmente 
por seu conteúdo preconceituoso (pessoas prepotentes ou 
imprudentes, a exemplo das que ostentam objetos de valor 
pelas ruas; mulheres com roupas curtas e muito justas 
passeando pelas ruas a noite; homossexuais, dentre outros).
• Vítima acidental: é a vítima de si mesma, por força de 
inobservância de algum dever de cuidado, agindo com 
negligência ou imprudência.
• Vítima indefesa: é a vítima negligenciada de ajuda estatal, 
ou seja, a vítima desamparada pelos mecanismos do Estado. 
Exemplo: vítimas de violência institucional, de corrupção 
e abusos de autoridade.
• Vítima imune: é a vítima com menor risco de sofrer da ação
de criminosos, seja por ser famosa, seja por ocupar algum 
cargo, função ou posto de prestígio, na medida em que os 
criminosos acabam por temer a repercussão de eventual 
delito praticado sobre a respectiva vítima. São exemplos de 
vítimas imunes: personalidades famosas, políticos, grandes 
líderes espirituais e religiosos, jornalistas, etc.
• Vítima inconformada (ou atuante): é a vítima que busca a 
todo custo justiça nos limites da lei, comunicando o crime 
às autoridades competentes, trabalhando para a punição dos 
delinquentes e visando indenização pelos danos suportados. 
E a vítima inconformada, que estuda, realiza pesquisas,por 
ignorância.......................................................................................... 157
V ítima tão culpada quanto o delinquente................................... 158
V ítima mais culpada que o delinquente/Vítima Provocadora... 159
Vítima como única culpada/Vítima Simuladora/Vítima 
Agressora/Vítima Imaginária/Pseudovítima.................................... 160
2. Classificação de Hans Von Henting.............................................. 161
2.1. Grupos de Criminosos vítimas.............................................. 162
Indivíduo Sucessivamente Criminoso-vítima-criminoso ... 162
Indivíduo Simultaneamente Criminoso-vítima-crimi­
noso ........................................................................................ 162
Criminoso-Vítima Imprevisível......................................... 162
2.2. Grupos de Vítimas................................................................. 163
Vítima resistente.................................................................. 163
Vítima coadjuvante ou cooperadora................................. 163
3. Classificação de Luís Jimenez de Asúa........................................... 163
Vítima indiferente................................................................ 163
Vítima indefinida ou indeterminada............................... 163
Vítima determinada............................................................ 164
4. Classificação de Elias Neuman....................................................... 164
Vítimas individuais.............................................................. 164
Vítimas familiares................................................................ 164
Vítimas coletivas.................................................................. 164
Vítimas da sociedade e do sistema social........................ 165
5. Classificação de Guglielmo Gulotta.............................................. 165
Vítimas falsas........................................................................ 165
Vítimas reais......................................................................... 166
TEORIAS E SÍNDROMES COM ENFOQUE NAS VÍTIMAS............ 167
1. Teoria da Periculosidade Vitimai e as Vítimas Latentes (Poten­
ciais)............................................................................................ 168
2. Síndrome da Mulher de Potifar....................................................... 169
3. Síndrome de Estocolmo.................................................................. 171
SUMÁRIO í 19
4. Síndrome de Londres........................................................................ 174
5. Síndrome da Mulher Maltratada..................................................... 174
6. Síndrome do Desamparo Aprendido.............................................. 176
7. Síndrome da Gaiola de Ouro.......................................................... 178
8. Síndrome de Oslo............................................................................. 180
9. Síndrome de Lima............................................................................ 180
10. Síndrome de Barbie........................................................................ 182
11. Síndrome de Otelo......................................................................... 183
OUTROS TIPOS DE VÍTIMAS.................................................................. 185
GABARITO....................................................................................................... 187
CAPÍTULO 6
CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO... 189
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 196
1. Prevenção Primária........................................................................... 197
2. Prevenção Secundária....................................................................... 198
3. Prevenção Terciária........................................................................... 199
4. Prevenção Situacional....................................................................... 201
MODELOS DE REAÇÃO AO DELITO................................................... 202
1. Modelo Clássico, Retributivo ou Dissuasório............................... 202
2. Modelo Ressocializador................................................................... 204
3. Modelo Integrador, Restaurador, Consensual de Justiça Penal, 
Justiça Negociada, Consensual de Justiça Penal ou Justiça Res- 
taurativa..................................................................................... 204
TEORIAS LEGITIMADORAS DA PENA................................................. 206
1. Teorias Absolutas ou Retributivas.................................................. 207
2. Teorias Relativas, preventivas ou utilitaristas................................. 209
2.1. Prevenção Geral....................................................................... 209
Prevenção Geral Negativa................................................... 209
Prevenção Geral Positiva..................................................... 210
2.2. Prevenção Especial................................................................... 210
20 í MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Prevenção Especial Negativa.............................................. 210
Prevenção Especial Positiva................................................ 211
3. Teoria Mista, Eclética, unificadora ou unitária............................. 212
PROCESSOS DE CRIMINALIZAÇÂO.................................................... 213
1. Criminalização Primária................................................................... 213
2. Criminalização Secundária............................................................... 213
CRIMINALIDADE MODERNA, DE MASSA E ORGANIZADA....... 214
1. Criminalidade de massa................................................................... 215
2. Criminalidade organizada................................................................ 216
2.1. Aspectos criminológicos do crime organizado..................... 216
3. Como estes assuntos se conectam?................................................. 217
TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO............................................................. 218
1. Técnicas de investigação sociológica............................................... 218
1.1. Perfilamento criminal............................................................. 220
2. Testes de personalidade projetivos................................................... 221
3. Testes de personalidade prospectivos.............................................. 223
4. Testes de inteligência........................................................................ 225
CIFRAS/CORES CRIMINAIS E ESTATÍSTICA CRIMINAL............... 229
1. Cifra negra (cifra oculta).................................................................. 230
2. Cifra dourada (crimes de colarinho branco).................................. 231
3. Cifra cinza......................................................................................... 232
4. Cifra amarela..................................................................................... 233
5. Cifra verde......................................................................................... 233
6. Cifra azul (Crimes de colarinho azul)............................................. 234
7. Cifra rosa............................................................................................ 234
8. Cifra branca....................................................................................... 234
9. Cifra vermelha................................................................................... 235
GABARITO...................................................................................................... 236
SUMÁRIO ; 21
CAPÍTULO 7 
CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMINOSOS................................................. 237
VAMOS AO TEMA!.......................................................................................Cap. 5 • VITIMOLOGIA 187j
contrata advogado, organiza movimentos, e faz de tudo 
para que os responsáveis pelo crime sofram as necessárias 
consequências impostas pelas leis.
• Vítima ilhada (ou omissa): é a vítima que vive isolada do 
restante da sociedade, negando apelo às autoridades compe­
tentes. Vive afastada das relações sociais e não confia no 
Estado, motivos pelos quais deixa de agir mesmo quando 
vem a ser vítima de crimes.
• Vítima da Política Social: é a vítima atingida indireta­
mente pelo Estado, ou seja, que sofre pelas negligências 
do Poder Público. Segundo Guaracy Moreira Filho, “essa 
vítima aparece quando o Poder Público se organiza contra 
o povo, fenômeno denominado crime branco: inversão de 
prioridades no Governo, corrupção, ausência de políticas 
públicas voltadas para o indivíduo. Os exemplos mais 
comuns de vítima da política social seriam as crianças 
desnutridas, as pessoas analfabetas, as vítimas da seca, os 
presos em cárceres superlotados, a população sem assis­
tência médica, as vítimas de enchentes, desabamentos, 
blecautes” .12
12. FILHO, Guaracy Moreira. Vitimologia: o papel da vítima na gênese do delito. 2 ed. São 
Paulo: Editora Jurídica Brasileira, 2004.
GABARITO
1 2 3 4 5 6 7
E D B A C B A
8 9 10 11 12 13
E A B C C E
CAPÍTULO 6
CRIMINOLOGIA NO ESTADO
DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Leia as questões abaixo antes de estudar o capítulo
1. (PC-SP - INVESTIGADOR DE POLÍCIA - VUNESP - 2022) Destina-se a 
setores da sociedade que podem vir a padecer do problema criminal e 
não ao indivíduo, manifestando-se a curto e médio prazo de maneira 
seletiva, ligando-se à ação policial, programas de apoio, controle da 
comunicação etc. É correto afirmar que o enunciado refere-se à pre­
venção:
a) secundária e terciária.
b) secundária.
c) primária e secundária.
d) primária.
e) terciária.
2. (PC-SP - INVESTIGADOR DE POLÍCIA - VUNESP - 2022) Direciona-se a 
atingir a consciência de todos, incutindo a necessidade de respeito aos 
valores mais importantes da comunidade e, por conseguinte, à ordem 
jurídica. É correto afirmar que o enunciado refere-se à prevenção: 
a) geral positiva ou integradora.
b) geral negativa.
c) por intimidação.
d) especial negativa.
e) especial positiva.
3. (PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - INSTITUTO ACESSO - 2019) Uma 
informação confiável e contrastada sobre a criminalidade real que existe 
em uma sociedade é imprescindível, tanto para formular um diagnóstico 
científico, como para desenhar os oportunos programas de prevenção. 
Assinale a alternativa correta.
a) A criminalidade real corresponde à totalidade de delitos perpetrados 
pelos delinquentes. A criminalidade revelada corresponde à quanti­
dade de delitos que chegou ao conhecimento do Estado. A cifra negra 
190 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
corresponde à ausência de registro de práticas antissociais do poder 
político e econômico.
b) A criminalidade real corresponde à quantidade de delitos que chegou 
ao conhecimento do Estado. A criminalidade revelada corresponde à 
totalidade de delitos perpetrados pelos delinquentes. A cifra negra 
corresponde à ausência de registro de práticas antissociais do poder 
político e econômico.
c) A criminalidade real corresponde à quantidade de delitos que chegou 
ao conhecimento do Estado. A criminalidade revelada corresponde à 
totalidade de delitos perpetrados pelos delinquentes. A cifra negra 
corresponde à quantidade de delitos não comunicados ou não eluci­
dados dos crimes de rua.
d) A criminalidade real corresponde à quantidade de delitos que chegou 
ao conhecimento do Estado. A criminalidade revelada corresponde à 
totalidade de delitos perpetrados pelos delinquentes. A cifra negra 
corresponde à violência policial, cujos índices não são levados ao 
conhecimento das corregedorias.
e) A criminalidade real corresponde à totalidade de delitos perpetrados 
pelos delinquentes. A criminalidade revelada corresponde à quan­
tidade de delitos que chegou ao conhecimento do Estado. A cifra 
negra corresponde à quantidade de delitos não comunicados ou não 
elucidados dos crimes de rua.
4. (PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - INSTITUTO ACESSO - 2019) No Estado 
Democrático de Direito a prevenção criminal é integrante da agenda 
federativa passando por vários setores do Poder Público, não se res­
tringindo à Segurança Pública e ao Judiciário. Com relação à prevenção 
criminal, assinale a afirmativa correta:
a) A prevenção primária se orienta aos grupos que ostentam maior risco 
de protagonizar o problema criminal, se relacionando com a política 
legislativa penal e com a ação policial.
b) A prevenção secundária corresponde a estratégias de política cultural, 
econômica e social, atuando, por exemplo, na garantia da educação, 
saúde, trabalho e bem-estar social.
c) A prevenção terciária se orienta aos grupos que ostentam maior risco 
de protagonizar o problema criminal, se relacionando com a política 
legislativa penal e com a ação policial.
d) A prevenção secundária tem como destinatário o condenado, se 
orientando a evitar a reincidência da população presa por meio de 
programas reabilitadores e ressocializadores.
e) A prevenção primária corresponde a estratégias de política cultural, 
econômica e social, atuando, por exemplo, na garantia da educação, 
saúde, trabalho e bem-estar social.
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 191
5. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2018) É correto afirmar que os 
programas de apoio, de controle de meios de comunicação, de ordenação 
urbana estão inseridos como medidas de prevenção: 
a) secundária.
b) primária.
c) imediata.
d) terciária.
e) controlada.
6. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2018) É correto afirmar que a 
liberdade assistida e a prestação de serviços comunitários pelos crimi­
nosos estão inseridas como medidas de prevenção:
a) primária.
b) imediata.
c) controlada.
d) secundária.
e) terciária.
7. (PC-SP - AGENTE DE TELECOMUNICAÇÕES - VUNESP - 2018) É correto 
afirmar que as medidas voltadas à população carcerária, com caráter 
punitivo e com desiderato na recuperação do recluso para evitar, por 
meio da ressocialização, sua reincidência:
a) são relevantes para a criminologia, impactando na diminuição dos 
indicadores criminais, entretanto não podem ser consideradas como 
medidas de prevenção.
b) são relevantes para a criminologia e integram a prevenção terciária, 
visando à recuperação do criminoso.
c) integram a prevenção primária, atacando a raiz do conflito e visando 
à recuperação do criminoso, diminuindo-se os indicadores criminais.
d) são relevantes para a vitimologia, atacando a raiz do conflito e visando 
à recuperação do criminoso, entretanto não podem ser consideradas 
como medidas de prevenção.
e) são relevantes para a criminologia, atacando a raiz do conflito e visando 
à recuperação do criminoso, entretanto não podem ser consideradas 
como medidas de prevenção.
8. (PC-SP - AGENTE POLICIAL - VUNESP - 2018) Assinale a alternativa 
correta sobre o atual estágio de desenvolvimento dos estudos crimino- 
lógicos, em relação ao conceito de prevenção da infração penal e ao 
respeito ao Estado Democrático de Direito:
a) Medidas destinadas a priorizar atendimento policial a determinados 
tipos de crimes ou vítimas em decorrência da gravidade ou vulnera-
I
192 i MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
___ J.................................. ... ................................... ................................................. .............................
bilidade não devem ser adotadas sob pena de violação à igualdade 
de todos perante a lei.
b) Não há evidências ou estudos que demonstrem que investimentos 
tecnológicos nas polícias contribuem para a redução dos crimes.
c) Campanhas de orientação às vítimas de crimes sexuais com o objetivo 
de que denunciem os agressores acabam por aumentar a vulnerabi­
lidade das vítimas.
d) Não há evidências ou estudos que demonstrem que o aumento do 
número de esclarecimento de crimes e prisões contribuiu para a 
redução doscrimes.
e) As mortes decorrentes de oposição à intervenção policial não devem 
ser equiparadas aos homicídios dolosos em geral para fins crimino- 
lógicos, em virtude de relacionarem-se a condicionantes criminais 
diversas.
9. (PC-SP - AGENTE POLICIAL - VUNESP - 2013) Entende(m)-se por pre­
venção primária:
a) as ações policiais dirigidas aos indivíduos vulneráveis.
b) as políticas públicas dirigidas aos grupos de risco.
c) aquela dirigida exclusivamente ao preso, em busca de sua reinserção 
familiar e/ou social.
d) o trabalho de conscientização social, o qual atua no fenômeno criminal, 
em sua etiologia.
e) aquela que age em momento posterior ao crime ou na iminência de 
seu acontecimento.
10. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) O modelo de resposta ao 
delito que foca na punição do criminoso, proporcional ao dano causado, 
mediante um Estado atuante e intimidatório, denomina-se: 
a) padrão consensual.
b) modelo ressocializador.
c) modelo segregador.
d) padrão associativo.
e) modelo dissuasório.
11. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2013) O legislador brasileiro, ao 
dispor sobre as funções da reprimenda pela prática de infração penal 
no artigo 59 do Código Penal - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos 
antecedentes, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias 
e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, 
estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e 
prevenção do crime... -, adotou a teoria da:
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 193
a) função reeducativa da pena.
b) função de prevenção especial da pena.
c) função de prevenção geral da pena.
d) função retributiva da pena.
e) função mista ou unificadora da pena.
12. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2013) No que se refere à pre­
venção da infração penal, julgue o próximo item.
As modalidades preventivas nas quais se inserem os programas de poli­
ciamento orientado à solução de problemas e de policiamento comu­
nitário, assim como outros programas de aproximação entre polícia e 
comunidade, podem ser incluídas na categoria de prevenção primária.
( ) CERTO ( ) ERRADO
13. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2013) No que se refere à pre­
venção da infração penal, julgue o próximo item.
Na terminologia criminológica, criminalização primária equivale à cha­
mada prevenção primária.
( ) CERTO ( ) ERRADO
14. (PF - DELEGADO DE POLÍCIA - CESPE - 2013) Ações como controle dos 
meios de comunicação e ordenação urbana, orientadas a determinados 
grupos ou subgrupos sociais, estão inseridas no âmbito da chamada 
prevenção secundária do delito.
( ) CERTO ( ) ERRADO
15. (PC-GO - DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL - CESPE - 2017) Em busca do 
melhor sistema de enfrentamento à criminalidade, a criminologia estuda 
os diversos modelos de reação ao delito. A respeito desses modelos, 
assinale a opção correta.
a) De acordo com o modelo clássico de reação ao crime, os envolvidos 
devem resolver o conflito entre si, ainda que haja necessidade de 
inobservância das regras técnicas estatais de resolução da criminali­
dade, flexibilizando-se leis para se chegar ao consenso.
b) Conforme o modelo ressocializador de reação ao delito, a existência 
de leis que recrudescem o sistema penal faz que se previna a reinci­
dência, uma vez que o infrator racional irá sopesar o castigo com o 
eventual proveito obtido.
c) Para a criminologia, as medidas despenalizadoras, com o viés repara- 
dor à vítima, condizem com o modelo integrador de reação ao delito, 
de modo a inserir os interessados como protagonistas na solução do 
conflito.
194 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
d) A fim de facilitar o retorno do infrator à sociedade, por meio de ins­
trumentos de reabilitação aptos a retirar o caráter aflitivo da pena, o 
modelo dissuasório de reação ao crime propõe uma inserção positiva 
do apenado no seio social.
e) O modelo integrador de reação ao delito visa prevenir a criminali­
dade, conferindo especial relevância ao ius puniendi estatal, ao justo, 
rápido e necessário castigo ao criminoso, como forma de intimidação 
e prevenção do crime na sociedade.
16. (PC-MA - DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL - CESPE - 2018) A criminologia 
considera que o papel da vítima varia de acordo com o modelo de 
reação da sociedade ao crime. No modelo:
a) clássico, a vítima é a responsável direta pela punição do criminoso, 
sendo figura protagonista no processo penal.
b) ressocializador, busca-se o resgate da vítima, de modo a reintegrá-la 
na sociedade.
c) retribucionista, o objetivo restringe-se ao ressarcimento do dano pelo 
criminoso à vítima.
d) da justiça integradora, a vítima é tida como julgadora do criminoso.
e) restaurativo, o foco é a participação dos envolvidos no conflito 
em atividades de reconciliação, nas quais a vítima tem um papel 
central.
17. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Julgue o item a 
seguir, referentes às teorias da finalidade da pena.
A teoria utilitarista da prevenção especial positiva da pena está direcio­
nada para a coletividade, no sentido de que a imposição e a execução 
da pena são úteis, respectivamente, para intimidar e neutralizar os 
criminosos.
( ) CERTO ( ) ERRADO
18. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Julgue o item a 
seguir, referentes às teorias da finalidade da pena.
A função preventiva especial, em razão do caráter abstrato da previsão 
legal dos delitos e das penas, enfoca o delito e não o infrator indivi­
dualmente.
( ) CERTO ( ) ERRADO
19. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Julgue o item a 
seguir, referentes às teorias da finalidade da pena.
Cap.6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 195
A teoria justificacionista relativa pode ser de caráter geral ou especial 
e considera a pena como meio para a realização do fim utilitário da 
prevenção de futuros delitos.
( ) CERTO ( ) ERRADO
20. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Julgue o item a 
seguir, referentes às teorias da finalidade da pena.
A teoria justificacionista absoluta concebe a pena como uma finali­
dade em si mesma, por caracterizar a pena pelo seu intrínseco valor 
axiológico.
( ) CERTO ( ) ERRADO
21. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Em relação aos 
preceitos da criminologia contemporânea e a aspectos relevantes sobre 
a justiça criminal, o sistema penal e a estrutura social, julgue o item 
que se segue.
A justiça criminal, além de aplicar as leis e delimitar o direito, busca dar 
cumprimento ao decreto condenatório e assegurar a devida proteção 
aos direitos e garantias fundamentais dos presos.
( ) CERTO ( ) ERRADO
22. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Em relação aos 
preceitos da criminologia contemporânea e a aspectos relevantes sobre 
a justiça criminal, o sistema penal e a estrutura social, julgue o item 
que se segue.
O castigo como reprimenda penal por meio do confronto entre o Estado 
e o infrator de maneira polarizada caracteriza o modelo criminológico 
contemporâneo.
( ) CERTO ( ) ERRADO
23. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Em relação aos 
preceitos da criminologia contemporânea e a aspectos relevantes sobre 
a justiça criminal, o sistema penal e a estrutura social, julgue o item 
que se segue.
Entre outros, a reparação do dano é um dos objetivos da criminologia 
contemporânea.
( ) CERTO ( ) ERRADO
24. (DEPEN - AGENTE PENITENCIÁRIO - CESPE - 2015) Em relação aos 
preceitos da criminologia contemporânea e a aspectos relevantes sobre 
a justiça criminal, o sistema penal e a estrutura social, julgue o item 
que se segue.
196 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Na criminologia contemporânea, não se consideram os protagonistas do 
crime — vítima, infrator e comunidade — nem o desenvolvimento de 
técnicas de intervenção e controle, pois essas matérias devem ser objeto 
de políticas públicas de segurança pública e não da ciência criminológica.
( ) CERTO ( ) ERRADO
VAMOS AO TEMA!
SISTEMAS DE PREVENÇÃO DO DELITO NO ESTADO 
DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Prevenção Criminal consiste no conjunto deações (públicas 
ou privadas), destinadas a impedir a prática de crimes, afetando 
direta ou indiretamente o delito, seja por meio de políticas 
sociais (indiretamente), seja por meio de políticas criminais 
(diretamente) responsabilizando o criminoso com sanções 
penais adequadas.
Ao longo da história, diversos sistemas que visavam evitar ou 
combater a criminalidade foram sendo desenhados, alguns com 
mais, outros com menos sucesso nesse intento. O mais importante 
é destacar a função da prevenção criminal fundada em um Estado 
Democrático de Direito.
Na vigência de um Estado Democrático de Direito, a crimino­
logia e a política criminal possuem como norte a orientação preven- 
cionista (afastando ao máximo o caráter punitivista), vez que o 
interesse se volta a prevenir o crime e não em propriamente puni-lo.
Além disso, as atuais políticas públicas preventivas de Segu­
rança Pública devem priorizar a prevenção de crimes de maneira 
integralizada com todos os entes federativos (art. 144, da CF).
Nesse sentido, nos interessa para fins de concurso o estudo 
da chamada dimensão clássica dos sistemas preventivos da crimi­
nalidade. Será importante perceber que essa classificação utiliza 
diversos critérios, tais como:
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO (l97
• Grau de relevância etiológica de programas de prevenção 
ao delito;
• Destinatários dos programas preventivos (quem são os 
protagonistas);
• Instrumentos e mecanismos utilizados na prevenção da 
criminalidade;
• Qual o âmbito e finalidades almejadas.
A partir daí, podemos classificar os sistemas de prevenção em 
Prevenção Primária, Secundária e Terciária, cuja compatibili­
dade os torna complementares. Estudaremos cada um em tópicos 
apartados a seguir:
1. Prevenção Primária
E considerado por muitos como a prevenção genuína, por 
excelência, já que se propõe atuar sobre as causas do delito.
E importante destacar que fatores externos ao criminoso podem 
influenciar ou criar o ambiente propício para a criminalidade. Não 
como fatores decisivos, mas é inegável a influência de tais fatores.
Estamos falando de diversos valores que em um Estado Demo­
crático de Direito representam direitos e garantias fundamentais 
de todo cidadão (que, na prática, sabemos que apenas parcela 
minoritária acaba por receber do Estado boa parte do provimento 
desses direitos), tais como o direito à vida, a educação, ao lazer, 
saúde, segurança, trabalho, moradia etc.
E justamente por esse motivo que é correto afirmarmos que a 
prevenção primária incide sobre as causas do delito, pois a sua 
finalidade é a concretização de direitos fundamentais de todos.
A ideia é que quanto menor for a desigualdade social, mais 
eficiente será a prevenção da criminalidade.
Com isso, podemos destacar como principais características 
das Prevenção Primária:
198 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
• Tem como destinatário toda a população: demandando 
investimentos de alto custo e exigindo paciência para a 
percepção dos resultados positivos;
• São responsáveis pela concretização os administradores 
públicos: Presidente da República, Governadores e Prefeitos 
são exemplos de responsáveis incumbidos pela concreti­
zação da Prevenção Primária, devendo incidir sobre as 
raízes do problema;
• Visa garantir a concretização de direitos fundamentais 
como forma de diminuir a desigualdade social;
• Exige o protagonismo do Estado, com exceção do Sistema 
Criminal de Justiça;
• Trata-se de instrumento preventivo de médio a longo 
prazo.
Exemplo: a concretização de ensino público de qualidade e 
garantia de vagas no mercado do trabalho podem reduzir dras­
ticamente que o cidadão seja cooptado para a criminalidade, 
especialmente por ter alcançado conhecimento e ter acesso ao 
mercado de trabalho.
2. Prevenção Secundária
E a forma de prevenção mais presente nas ações estatais, espe­
cialmente pelas forças de segurança pública.
Caracteriza-se pela incidência na iminência do crime ou em 
momento logo posterior, conduzindo a atenção e forças para o 
momento e local em que o crime é praticado.
Importante destacar que o foco da Prevenção Secundária recai 
sobre setores sociais que mais podem sofrer com a criminalidade, 
e não sobre o criminoso propriamente dito, relacionando-se com 
ações policiais, programas de apoio e controle das comunica­
ções, dentre outros instrumentos seletivos de curto a médio prazo.
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 199
Vale destacar as principais características da Prevenção Secun­
dária:
• Possui como foco regiões e grupos sociais considerados 
vulneráveis e com maior probabilidade para a crimi­
nalidade;
• Se traduz em prevenção e combate à criminalidade: 
a mera presença de uma viatura policial poderá ter a 
força de inibir a prática de crimes e, em se tratando da 
prática de crimes, as forças policiais poderão combatê-los 
evitando um mal maior - a partir desta noção, conclui-se 
que o aumento do efetivo policial, reaparelhamento das 
polícias, políticas públicas dirigidas a grupos de risco ou 
vulneráveis (alcoólatras, usuários de drogas, vítimas de 
violência doméstica e familiar, dentre outros), são exemplos 
de fortalecimento de políticas de Prevenção Secundária;
• Visa prevenir a prática de crimes em sua iminência ou 
diante de sua prática;
• Exige protagonismo do Estado, especialmente com 
enfoque nas forças de segurança pública e Sistema de 
Justiça Criminal;
• Trata-se de instrumento de curto a médio prazo.
Exemplos: circulação de viaturas policiais em bairros consi­
derados perigosos; utilização de meios de comunicação 
(rádios, TV etc.), para informar a população sobre regiões 
e horários com forte incidência de crimes violentos etc.
3. Prevenção Terciária
A Prevenção Terciária se instrumentaliza na fase de Execução 
da Pena sobre o condenado, ostentando caráter punitivo e 
ressocializador, cuja finalidade é evitar a prática de novos 
crimes (busca evitar a reincidência).
200 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Assim como a Prevenção Secundária, a presente modalidade 
trabalha diretamente com mecanismos do Direito Penal e da 
Política Criminal.
Já parte do fracasso do Estado, pois pressupõe que alguém já 
tenha praticado crime (Estado fracassou na prevenção) e que seja 
condenado definitivamente. A partir daí, conforme destacado, 
tratar-se-á de mera prevenção de reincidências, se revelando, na 
prática, extremamente ineficiente.
► Cuidado!
A aplicação da Prevenção Terciária não se resume ao cumprimento 
da pena privativa de liberdade, motivo pelo qual a conceituamos 
acima de modo amplo, incidindo sobre toda a fase de execução da 
pena. Com isso, falamos em Prevenção Terciária diante da aplicação 
de qualquer mecanismo estatal a título de pena ou de medida resso- 
cializadora, que visa, direta ou indiretamente, conduzir o condenado 
futuramente ao convívio social, ou seja, aplicação de pena privativa 
de liberdade ou penas restritivas de direito (penas alternativas).
Exemplos: condenado que cumpre pena privativa de liberdade 
(reclusão); condenado que cumpre o pagamento de prestação de 
serviços comunitários e pagamento de cestas básicas como pena 
alternativa etc.
Em síntese:
Prevenção 
Primária
• Incide sobre as causas do problema (desigualdade so­
cial e concretização de direitos fundamentais);
• Destinatários: toda a população;
• Protagonista: todo o aparelho estatal, com exceção da 
Justiça Penal;
• Prevenção de médio a longo prazo.
Prevenção 
Secundária
• Incide sobre setores mais vulneráveis à criminalidade;
• Protagonistas: Estado, com ênfase em órgãos de segu­
rança pública (policiamento) e meios de comunicação;
• Prevenção de curto a médio prazo.
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 201
Prevenção 
Terciária
Incide sobre detentos e condenados a penas alternativas;
Visa evitar a reincidência, já que pressupõe a condena­
ção definitiva de crime.
4. Prevenção Situacional
A Prevenção Situacional é um modelo teórico cunhado em 
1979por L. E. Cohen e M. Felson a partir da compreensão da 
seletividade do delito. Parte do pressuposto de que o crime é uma 
escolha do delinquente, uma decisão tomada após reflexões e 
cálculos dos riscos e benefícios possíveis.
Em outras palavras, esta teoria enxerga o criminoso como um 
sujeito oportunista que pratica o delito após análise da relação 
custo-benefício de suas intenções ilícitas.
Os adeptos desta teoria rechaçam a criminologia tradicional, 
isso porque a etiologia tradicional de prevenção busca entender 
o crime a partir de suas causas (determinismo), enquanto para 
a Prevenção Situacional o crime é enxergado como uma escolha 
puramente racional e instrumental.
Essa relação custo-benefício considera a conjugação de três 
elementos:
• Criminoso ou ofensor motivado (vontade de praticar 
crime);
• Alvo alcançável (vítima e/ou bem jurídico expostos);
• Ausência de vigilância (inexistência de fatores de inibição 
de crimes, a exemplo de falta de policiamento ou câmeras 
de monitoramento).
Dessa forma, para L. E. Cohen e M. Felson, a prática de crimes 
pode ser evitada com a implementação de mudanças nos padrões 
de atividades cotidianas das pessoas. O objetivo será atacar ao 
menos um dos elementos acima, reduzindo, na medida do possível, 
as oportunidades e vantagens de se praticar delitos.
202 ■ MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
São, portanto, exemplos de medidas de prevenção de crimes 
para a Prevenção Situacional: aumento do policiamento nas ruas; 
fortalecimento das relações de controle social informal (coesão 
social das comunidades, estreitamento dos laços comunitários, 
etc.); educação e difusão da informação sobre a importância da 
aplicação da lei, dentre outros.
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MODELOS DE REAÇÃO AO DELITO
Uma das maiores preocupações do nosso atual Estado Demo­
crático de Direito está concentrada na forma de reação ao crime.
Sendo assim, o programa adotado para controlar a crimi­
nalidade (Política Criminal) deve conter medidas oportunas e 
pertinentes, capazes de alcançar a composição do conflito social.
Em síntese, a prática de um delito provoca inevitavelmente 
impactos na sociedade. A sociedade, por sua vez, representada pelo 
Estado, apresentará reações ao delito (respostas podendo visar à 
punição, prevenção ou restauração do conflito).
Nesse sentido, três modelos de reação ao delito disputam 
atenção: Modelo Dissuasório, Modelo Ressocializador e 
Modelos Restaurador (Justiça Restaurativa). Vejamos:
1. Modelo Clássico, Retributivo ou Dissuasório
Fruto da Escola Clássica, possui como base a punição do delin­
quente que, por sua vez, deve ser intimidatória e proporcional ao 
dano causado. Paga-se o mal causado pelo criminoso com o mal 
da punição estatal (retribuição).
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 203
A ideia é que com a retribuição, a pena passaria a ostentar caráter 
dissuasório, intimidando psicologicamente os demais membros 
da sociedade a não delinquirem com base no medo pelo castigo.
São protagonistas desse modelo: o Estado e o delinquente 
(a sociedade e a vítima são alocadas em posições secundárias, por 
vezes esquecidas).
Cumpre destacar que o Modelo Retributivo não se preo­
cupa com a ressocialização do delinquente ou mesmo com a 
possibilidade de reparação dos danos suportados pela vítima, 
limitando-se no caráter punitivo.
► FIQUE ATENÇÃO!
Apesar de aparentemente severo, as sanções penais, em tal modelo, 
são aplicadas somente aos imputáveis13 e semi-imputáveis14, sendo 
que os inimputáveis15 são submetidos a tratamento psiquiátrico.
13. Sujeitos providos de capacidade de entendimento e autodeterminação, passíveis, 
portanto de responsabilização penal.
14. Sujeitos providos de parte da capacidade de entendimento e autodeterminação, 
podendo ser condenados criminalmente. Todavia, a depender do grau de capacidade, 
o julgador poderá substituir a pena privativa de liberdade por medida de segurança. 
Além disso, importante destacar que na Criminologia os semi-imputáveis são também 
chamados de criminosos fronteiriços, justamente por possuírem capacidade de enten­
dimento e autodeterminação na fronteira entre a lucidez e a insanidade.
15. Sujeitos completamente desprovidos de qualquer capacidade de entendimento e 
autodeterminação.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Nesse sentido, foi cobrado no concurso para lnvestigador/PCSP/2014 
- VUNESP, como alternativa correta, a afirmativa de que o modelo 
dissuasório é o "modelo de resposta ao delito que foca na punição 
do criminoso, proporcional ao dano causado, mediante um Estado 
atuante e intimidatório".
204: MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
2. Modelo Ressocializador
Modelo que segue em caminho diametralmente oposto ao ante­
rior, apresenta a pena com caráter utilitário, visando à reinserção 
social do condenado (prevenção especial positiva), afastando o 
caráter retributivo-castigador da pena.
Justamente por intervir positivamente na pessoa do delin­
quente, é considerado pela doutrina como o modelo humanista 
de reação ao delito.
Segundo o presente modelo, a participação da sociedade no 
processo de ressocialização é fundamental, especialmente visando 
afastar estigmas e preconceitos (que, para alguns, é fator crimi- 
nógeno).
3. Modelo Integrador, Restaurador, Consensual de Justiça 
Penal, Justiça Negociada, Consensual de Justiça Penal 
ou Justiça Restaurativa
Para a correta compreensão da Justiça Restaurativa (muito 
cobrada em concursos públicos, especialmente por se tratar de 
atual tendência de política-criminal), é necessário estabelecer suas 
premissas básicas:
• Apresenta novos protagonistas do conflito criminal: 
Vítima e Delinquente (“Dupla Penal”). Acredita-se que 
como a solução virá das partes legítimas, as chances de 
pacificação social seriam elevadas;
• Visa restabelecer o status quo ante do conflito criminal 
por meio de acordo, assistência à vítima e reparação do 
dano: parte da ideia de que, ao submeter os “protagonistas” 
a um acordo capaz de reparar os impactos da conduta 
criminosa sobre a vítima, ambas as partes conseguiríam 
retornar simbolicamente a momento anterior ao crime 
(momento em que o delinquente ainda não praticada o 
Cap.6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 205
delito e a vítima ainda não fora atingida). Logo, se alcan­
çaria o restabelecimento da ordem e da paz social.
• A reparação do dano gera a sua restauração.
Perceba que segundo o modelo ora estudado, o Estado “abriria 
mão de seu protagonismo”16 no conflito criminal, passando a atuar 
como mero coadjuvante (conciliador) intermediando acordos 
entre àqueles que seriam os legítimos protagonistas (vítima e 
criminoso).
16. Forçando ignorar o fato de que o Direito de Punir é um poder-dever do Estado.
Para falarmos em justiça consensual, é necessário o preenchi­
mento dos seguintes requisitos (para a configuração efetiva da 
chamada Justiça Criminal Negociada):
a) Reparação do dano à vítima (compensação ou assis­
tência);
b) Assunção da culpa pelo delinquente (de maneira confi­
dencial e voluntária);
c) Presença de um facilitador (mediador judicial).
► Importante!
A doutrina diverge em relação ao alcance da Justiça Restaurativa 
diante da natureza e gravidade do crime e da primariedade do 
delinquente:
is Corrente: Defendem a ampla possibilidade de conciliação e media­
ção do conflito criminal, mesmo para os crimes mais graves e para 
o delinquente multirreincidente (posicionamento minoritário).
2ã Corrente: Restringem o alcance da incidência da Justiça Restaura­
tiva aos autores primários e a infrações penais de menor gravidade, 
afastando sua aplicação em relação a delitos mais graves como 
homicídio, latrocínio etc. (posicionamento majoritário).
206 • MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Ademais, para a autointitulada criminologia moderna, a 
tendência da atual política-criminal brasileira é a substituição de 
pendas privativas de liberdade por penas alternativas, movimentoeste denominado de descarcerização.
Por fim, considerando se tratar de tema já cobrado em provas e 
concursos, vale a pena destacar que o modelo de Justiça Restaurativa 
gerou reflexos de aplicação no Brasil. Como exemplos, destacamos:
1) Mecanismos despenalizadores previstos na Lei n° 9.099/95 
(Juizado Especial Criminal), tais como a composição civil 
dos danos e a transação penal;
2) Resoluções 1999/26, 2000/14 e 2002/12 da ONU, com 
recomendações para o desenvolvimento da justiça restau­
rativa nos Estados membros;
3) Resolução 118/2014 do Conselho Nacional do Ministério 
Público (Política Nacional de Incentivo à Autocomposição 
no âmbito do Ministério Público);
4) Delação premiada prevista no artigo 16, parágrafo único, 
da Lei 8.137/1990 (crimes tributários);
5) Núcleos Especiais Criminais pela PC-SP (“NECRIM’s”)> 
dentre outros.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Essa tendência e exemplos práticos não raras vezes são também 
objetos de cobrança em concursos públicos. Nesse sentido, foi 
cobrado no concurso para lnvestigador/PCSP/2014 - VUNESP, como 
alternativa correta, que a "reparação dos danos e a indenização dos 
prejuízos à vítima são vistas pela doutrina como uma importante 
tendência político-criminal observada na Lei n.9 9.099/95".
TEORIAS LEGITIMADORAS DA PENA
Apesar de não ser o único instrumento de controle e combate 
à criminalidade, a pena é peça fundamental do direito na medida 
Cap.6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 207
em que a norma penal desatrelada da ideia de sanção não apresenta 
utilidade prática a justificar sua própria existência.
Sendo o principal instrumento de resposta estatal contra a 
criminalidade, o importante sobre este tema é investigar e entender 
qual a finalidade da pena. O que se busca ao penalizar um crimi­
noso? Vingança? Castigo? Ressocialização? Terapia? A resposta de 
tais indagações dependerá da teoria adotada.
Para fins de concurso público, importa analisarmos as teorias 
Absolutas, Relativas e Unificadoras, e, ao final, frisarmos qual 
a teoria adotada por nosso Código Penal.
1. Teorias Absolutas ou Retributivas
Fruto da Escola Clássica e fortemente influenciada pelas filo­
sofias de Kant e Hegel, as Teorias Retributivas buscam retribuir 
o mal causado pelo delinquente com base em sua culpa moral.
Parte do pressuposto de que, uma vez que o sujeito utilizou 
o livre-arbítrio para praticar o mal, deverá receber, também, o 
mal como resposta estatal. A pena passa a se justificar como quia 
peccatum est (“pune-se porque pecou”).
A essência desse pensamento encontra-se na vingança, na 
retribuição do mal causado pelo delito que antes era promovida 
pela vítima ou familiares desta (Era da Vingança Privada), e agora 
passa a ser exercida pelo Estado.
Utilizamos o plural para nos referirmos às “Teorias Absolutas” 
pois são compostas/divididas em três teorias/vertentes, a saber:
a) Teoria da Retribuição Divina (defensores: Stahl e 
Bekker): o Estado pune o pecado do criminoso se apre­
sentando como um representante da divindade.
b) Teoria da Retribuição Moral (defensor: Kant): a pena 
é imperativo moral de justiça, punindo o criminoso que 
escolheu o mal com pena igualmente maléfica. O valor de 
justiça é a Lei de Talião: “olho por olho, dente por dente”.
208 i MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
c) Teoria da Retribuição Jurídica (defensor: Hegel e 
Pessina): considerando que o crime é uma violência contra 
o Direito, a pena como punição seria a resposta violenta 
contra tal comportamento, justificando-se como exigência 
da razão. Ademais, considerando que o criminoso escolhe 
racionalmente praticar crimes, a possibilidade de receber 
pena já prevista em lei já estaria compreendida na esfera 
de escolha do criminoso.
Em síntese:
Por fim, é importante frisar que a retribuição é personalíssima. 
Em outras palavras, a pena não pode ser cumprida por terceiros, 
devendo recair exclusivamente sobre o condenado responsável pelo 
cometimento do crime.
Nesse sentido, vale destacar que a Constituição Federal Brasi­
leira de 1988 apresenta reflexos das teorias retributivas (assim como 
o Código Penal Brasileiro, conforme destacaremos adiante), como 
medida de justiça na correta aplicação da pena. Cite-se:
Cap.6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 209
Art. 5o, inciso XLV, da CF/1988:
“Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obri­
gação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, 
nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, 
até o limite do valor do patrimônio transferido”.
2. Teorias Relativas, preventivas ou utilitaristas
As Teorias Relativas abandonam a punição do delinquente, 
ostentando finalidade puramente preventiva, por questões de 
utilidade social.
Considerando que os criminosos, mais cedo ou mais tarde, 
voltarão ao convívio social, a pena deverá funcionar como instru­
mento de prevenção de novos delitos, passando um claro recado 
à sociedade para não cometerem crimes, bem como ao próprio 
criminoso para não reincidir.
A Prevenção pode ser geral e especial, sendo que ambas se 
subdividem em positivas e negativas:
2.1. Prevenção Geral
Chamamos de geral a prevenção que é destinada a todos os 
membros da sociedade.
A finalidade é que, a partir da aplicação da pena sobre o crimi­
noso, seja apresentado dois claros recados para os demais cidadãos:
1) não pratiquem crimes; e
2) o Estado está trabalhando pela manutenção da ordem.
A prevenção geral se subdivide em negativa e positiva:
Prevenção Geral Negativa
Falamos em negativa pois o recado para os demais membros 
da sociedade é para NAO delinquirem.
210j MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Com isso, a pena precisa ostentar característica intimidatória, 
na busca de desestimular os cidadãos a praticarem crimes.
Não há a preocupação em educar o cidadão com base em 
valores morais, limitando-se em desestimulá-lo por meio do medo, 
intimidação, demonstração de que o crime não compensará diante 
da pena sendo aplicada à um semelhante que delinquiu.
Prevenção Geral Positiva
Considerando o fato de que o Estado, em regra, detém o mono­
pólio do poder de punir, bem como é o responsável por garantir 
a segurança e ordem social, a pena passa a servir também como o 
meio de manutenção dessa ordem.
Logo, a pena deverá ser aplicada visando o reestabelecimento 
da credibilidade estatal - já que o Estado fracassou em prevenir o 
crime, deverá reconquistar a confiança do corpo social ao aplicar 
a pena sobre o transgressor.
2.2. Prevenção Especial
Chamamos de especial (ou individual) a prevenção que é 
destinada à pessoa do delinquente condenado em definitivo.
Mesmo servindo a pena como instrumento de defesa social 
para esta corrente de pensamento, a sanção penal também deverá 
ostentar caráter pedagógico sobre o condenado buscando evitar 
futuros novos delitos.
Também se subdivide em Negativa e Positiva:
Prevenção Especial Negativa
Falamos em negativa pois o recado para o condenado é para 
NAO reincidir.
Sendo privado de sua liberdade e de outros valores importantes 
como a privacidade, intimidade etc., a pena se mostrará incômoda 
ao condenado. A ideia é que o condenado reflita e perceba que o 
crime - ainda que egoisticamente - não compensa.
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO [211
Com isso, podemos concluir que a Prevenção Especial Negativa 
visa evitar e reincidência.
Prevenção Especial Positiva
Cediço que mais cedo ou mais tarde o condenado alcançará 
a liberdade e retornará ao convívio social. Voltando a sociedade, 
apenas a ideia de não delinquir mais é insuficiente, pois será 
necessário retomar (ou criar) laços afetivos, ocupações lícitas como 
o trabalho etc.
Daí surge a prevenção especial positiva com a ideia de ressocia- 
lização do condenado, visando torná-lo apto ao convívio social. 
A ideia da ressocialização é reforçada especialmente com o correto 
cumprimento da Prevenção Geral Positiva, já que o corpo social 
cumpre importantepapel no processo de ressocialização, recebendo 
os ressocializandos sem preconceitos e estigmas.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Nesse sentido foi cobrado no concurso para Agente Penitenciário/ 
DEPEN/2015 - CESPE, como assertiva errada, a afirmação de que 
a "teoria utilitarista da prevenção geral negativa age para garantir 
a segurança social, com a concepção de que a reintegração social 
é medida necessária para impedir ou, ao menos, diminuir a reinci­
dência criminosa dos condenados à pena privativa de liberdade". 
Perceba como temos questões criando verdadeira confusão (emba­
ralhando) as subespécies de Prevenção Geral e Especial, destacando 
que o tema merece maior segurança e fixação do conteúdo de 
maneira organizada.
A Prevenção Geral Negativa possui o condão de desestimular os 
cidadãos a praticarem crimes ao aplicar pena sobre um criminoso 
(a ideia é desestimular os demais por meio da certeza da punição, 
ideia de que o crime não compensa), todavia, o enunciado descreve 
características da Prevenção Geral Positiva (credibilidade no Estado) 
e Prevenção Especial Negativa (evitar a reincidência).
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Em síntese:
Teorias Relativas ou Utilitaristas
Prevenção Geral (sobre a Sociedade) Prevenção Especial (sobre o Conde­
nado)
Negativa Positiva Negativa Positiva
Caráter intimi- 
datória da pena 
buscando deses­
timular a prática 
de crimes pela 
sociedade.
A pena deve ser 
aplicada para 
restabelecer a 
credibilidade dos 
destinatários da 
norma.
Busca evitar que 
o delinquente 
cometa novos 
crimes (evita-se a 
reincidência).
Busca a ressocia­
lização do conde­
nado, que, após 
cumprir a pena, 
deverá estar apto 
ao pleno convívio 
social.
3. Teoria Mista, Eclética, unificadora ou unitária
Trata-se da unificação das duas teorias anteriormente estu­
dadas.
Busca, a um só tempo, que a pena seja capaz de retribuir ao 
condenado o mal por ele praticado (retribuição), sem prejuízo de 
desestimular a prática de novos ilícitos penais (prevenção).
Há, em verdade, tríplice finalidade:
1) Retribuição (das Teorias Absolutas ou Retribucionistas);
2) Prevenção (das Teorias Relativas ou Utilitaristas, em espe­
cial a prevenção geral negativa e positiva, e prevenção 
especial negativa); e
3) Ressocialização (das Teorias Relativas ou Utilitaristas, em 
especial a prevenção especial positiva).
E a teoria adotada pelo Código Penal Brasileiro, conforme 
previsto em seu artigo 59, o qual dispõe: “Art. 59-0 juiz, aten­
dendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à perso­
nalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências 
do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, 
conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção 
do crime”.
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO (213
Dessa forma, busca-se a aplicação de pena justa, proporcional ao 
delito praticado, e, ao mesmo tempo, o restabelecimento da ordem 
social evitando novos crimes pelos demais cidadãos e evitando a 
reincidência pelo condenado.
PROCESSOS DE CRIMINALIZAÇÃO
O processo de criminalização corresponde ao conjunto de 
etapas de seleção penal visando a identificar e rotular abstratamente 
as condutas que merecem reprovação penal e, em atos seguintes, 
aplicar concretamente sanções penais sobre os sujeitos que prati­
carem condutas correspondentes às figuras penais típicas.
Os processos de criminalização de desenvolvem em duas etapas 
distintas:
1. Criminalização Primária
Representa o processo legislativo até a sanção presidencial ao 
rotular como crimes certas condutas.
Em síntese, trata-se da criação de uma norma penal incrimi- 
nadora.
No Brasil, ao menos em regra, compete privativamente à União 
legislar sobre Direito Penal (art. 22, inciso I, da CF/88), recaindo 
sobre o Congresso Nacional a tarefa de eleger quais condutas 
antissociais merecem reprovação penal.
Logo, Criminalização Primária refere-se à criação do Direito 
Penal Objetivo.
Agentes de Criminalização Primária: Poder Legislativo (Congresso 
Nacional) e Poder Executivo da União (Presidente da República).
2. Criminalização Secundária
De nada adiantaria leis penais sem a efetiva aplicação. A 
Criminalização Secundária refere-se de maneira ampla ao exercício 
|214j MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
do poder punitivo estatal, manifestando-se de maneira concreta 
(prática) a partir do momento em que alguém pratica crime.
Em outras palavras, trata-se da aplicação prática do Direito 
Penal Objetivo (concretização do processo de criminalização 
primária).
A título de exemplo, podemos analisar toda a persecução penal 
como reflexos da criminalização secundária. Um sujeito, ao praticar 
determinado crime já previsto em lei (resultado da criminalização 
primária), passa a ser investigado pela polícia judiciária, poste­
riormente denunciado pelo Ministério Público e, por último, 
condenado pelo Poder Judiciário e submetido coercitivamente ao 
cumprimento da pena. Todas essas etapas destacadas constituem 
representações concretas do processo de criminalização secundária.
Importante destacar que o sistema de justiça penal náo se 
limita a mera aplicação das leis, mas também (e especialmente) 
na concretização e proteção dos direitos e garantias funda­
mentais do preso.
Agentes de criminalização secundária: Delegados de polícia, Pro­
motores de Justiça, Advogados, Juizes, Agentes Penitenciários etc.
CRIMINALIDADE MODERNA, DE MASSA E ORGANIZADA
Sem sombra de dúvida, os avanços tecnológicos - em especial, 
a tecnologia da informação — apresentam inúmeras melhorias para 
a sociedade, mas uma inovação merece destaque em nosso estudo: 
o surgimento do ambiente virtual (chamado de ciberespaço).
Com o ambiente virtual, inúmeras ferramentas e facilidades 
terminam por ajudar em aspectos do trabalho, entretenimento, 
relacionamento pessoal, etc., porém, é inegável também que surge 
um novo campo fértil para a prática de novos crimes. O usuário 
de ambientes virtuais é uma vítima em potencial.
/
í215Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
Outro fator que também devemos levar em consideração é a 
mídia, outro instrumento da modernidade e que causa enorme 
influência na sociedade. A mídia é capaz de projetar na população 
uma consciência, uma cultura, uma forma de agir e de pensar.
O delito sempre se apresentou como objeto fascinante e midiá- 
tico. Dessa forma, explorar o crime como notícia representa muito 
lucro e audiência para diversos canais, e a divulgação massiva de 
delitos para a população gera, consequentemente, temor para o 
cidadão de bem e aprendizagem para criminosos em potencial.
Assim surge a chamada criminalidade moderna, versando 
sobre os delitos praticados em ambientes virtuais, bem como os 
delitos fomentados pela divulgação e apelo desenfreado da mídia.
Por outro lado, a doutrina também aponta pela existência de 
outros dois gêneros de delitos: a chamada criminalidade de massa 
de um lado, e de outro a chamada criminalidade organizada. 
Vamos diferenciá-las:
1. Criminalidade de massa
Compreende infrações penais provocadas, na maioria dos casos, 
em circunstâncias de oportunidade. Atinge bens jurídicos indivi­
duais e específicos, tais como a vida, o patrimônio, a dignidade 
sexual, etc.
Segundo leciona Cezar Roberto Bitencourt (1995, p. 123/124):
“Criminalidade de massa compreende assaltos, invasões de aparta­
mentos, estelionatos, roubos e outros tipos de violência contra os mais 
fracos e oprimidos. Esta criminalidade afeta diretamente a toda a 
coletividade, quer como vítimas reais, quer como vítimas potenciais. 
Os efeitos desta forma de criminalidade são violentos e imediatos: não 
são apenas econômicos ou físicos, mas atingem o equilíbrio emocional 
da população e geram uma sensação de insegurança. A definição 
conhecida de criminalidade organizada é extremamente abrangente 
e vaga, e ao invés de definir um objeto, aponta uma direção. ”
216 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego PurezaEm síntese, perceba que a criminalidade de massa traduz o 
conceito dos crimes de colarinho azul, reportando aos delitos 
cometidos por indivíduos desfavorecidos social, intelectual e econo­
micamente.
2. Criminalidade organizada
Possui característica preponderantemente difusa, ou seja, sem 
vítimas individualizadas (certas e determináveis), já que os danos 
não se restringem a uma ou mais vítimas específicas, atingindo a 
coletividade como um todo.
O conceito jurídico de organização criminosa (Lei n° 12.850/2013, 
art. Io, §1°), apresenta os seguintes requisitos: associação de pessoas; 
divisão de tarefas; objetivo econômico; prática de infrações consi­
deradas graves. Essas características estão presentes na maioria dos 
conceitos existentes de organização criminosas.
O grande desafio do Estado versa sobre as investigações e como 
identificar os membros das organizações criminosas. Na prática, a 
criminalidade organizada se reinventa, fere de forma intensa bens 
jurídicos difusos e coletivos, e só depois, com bastante atraso o 
Estado entende o modus operandi e como evitar outros possíveis 
delitos, posteriormente, a criminalidade organizada se reinventa e 
cria novos meios para continuarem delinquindo.
2.1. Aspectos criminológicos do crime organizado
Na esfera penal são conhecidas duas espécies de criminalidade 
organizada, com claros reflexos para os estudos da Criminologia: 
a criminalidade organizada a do tipo mafiosa e a do tipo empre­
sarial. Vejamos:
• Do tipo mafiosa: a atividade criminosa se vale do uso da 
violência e da intimidação, com estrutura hierarquizada, 
distribuição de tarefas e planejamento de lucros, contando 
com clientela e impondo a lei do silêncio. Seus integrantes 
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO |217
vão desde os agentes do Estado até os executores dos 
delitos; as vítimas são difusas, e o controle social encontra 
sério óbice na corrupção governamental. Exemplos: Cosa 
Nostra, Camorra, Ndrangheta e Stida, na Itália; Yakuza, 
no Japão; Tríade, na China; e Cartel de Cali, na Colômbia
• Do tipo empresarial: não possui apadrinhados, tampouco 
rituais de iniciação; possui estrutura empresarial que visa 
somente o lucro econômico de seus sócios. Trata-se de 
uma empresa voltada para a atividade delitiva. Busca o 
anonimato e não abre mão da intimidação ou violência. 
Seus membros delinquentes são empresários, comerciantes, 
políticos, hackers etc. As vítimas também são difusas, mas, 
quando individualizadas, muitas vezes sequer sabem que 
sofreram os efeitos de um crime. Aqui ganha importância 
a discussão doutrinária do direito penal do cidadão em 
face do direito penal do inimigo.
O Estado deve ampliar ações sociais capazes de prover as 
necessidades da população (saúde, educação, trabalho, segurança 
etc.), pois a criminalidade organizada ocupa espaços e coopta os 
indivíduos abandonados por ele, mediante um projeto de médio 
prazo, alterando a legislação criminal, fortalecendo o sistema de 
persecução penal, entre outras medidas.
3. Como estes assuntos se conectam?
Com o poder de influência da mídia (criminalidade moderna), 
temos as seguintes consequências:
• Aumento dos crimes virtuais, incluindo crimes de massa 
(furtos, estelionatos, etc.);
• Maior temor e insegurança por parte da sociedade;
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza218... 1
• Aumento do cometimento de crimes por meio da crimi­
nalidade organizada e diminuição dos índices de resolução 
de crimes desta natureza;
• Estímulos para que novos crimes ocorram (de massa ou 
criminalidade organizada), diante do recado de que os 
benefícios do crime superam os riscos.
TÉCNICAS DE INVESTIGAÇÃO
A análise de um crime exige a utilização de técnicas de investi­
gação por vezes interdisciplinares (característica da própria Crimi­
nologia), e a forma como as técnicas são aplicadas dependerá muito 
dos objetos investigados, suas origens, personagens envolvidos, 
dentre diversos outros fatores conforme as peculiaridades do caso 
concreto.
Considerando os métodos empírico e indutivo da criminologia, 
bem como considerando ser o crime um fenômeno social, no tema 
estudado destacam-se as técnicas de investigação sociológica, 
tema que passaremos a aprofundar:
1. Técnicas de investigação sociológica
As técnicas de investigação sociológica classificam-se da 
seguinte forma:
• Investigação extensiva: são técnicas que se caracterizam pela 
massiva utilização de técnicas quantitativas, ou seja, visam 
a medição de fenômenos criminais por meio de, por exemplo, 
estatísticas. Dessa forma, permitem o conhecimento da 
extensão de acontecimentos ou fenômenos delitivos;
• Investigação intensiva: abrange as técnicas qualitativas de 
investigação e pesquisa, permitindo o aprofundamento de 
informações preponderantemente sobre pessoas envolvidas 
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 219
em conflitos criminais (criminosos, vítimas, testemunhas, 
presidiários, etc.) sob diversos ângulos e pontos de vista, 
em especial sob a perspectiva de interação em que a pessoa 
objeto da investigação está inserida;
• Transversais e Longitudinais: As técnicas transversais 
caracterizam-se pela análise de dados a partir de um recorte 
específico do objeto investigado, sem interação, valendo-se 
apenas da observação (exemplo: análise de um crime prati­
cado em determinado local e período). Já as técnicas longi­
tudinais são muito mais abrangentes, buscando diversas 
medições e em diversos momentos, podendo perdurar por 
semanas, meses, anos (exemplo: constante acompanha­
mento dos números de violência doméstica e familiar em 
determinado município);
• Prognóstico criminológico: é a técnica mais frágil de inves­
tigação, na medida em que, a partir da reunião e estudo de 
certas informações, estatísticas e dados, chega-se a probabi­
lidade de reincidência ou novos crimes a partir da dedução;
• Investigaçâo-açâo: são técnicas que exigem a participação 
direta de cientistas, estudiosos, experts e personagens de 
investigação (estatísticos, criminólogos, delegados, investi­
gadores de polícia, juizes, promotores, etc.) visando resul­
tados que se aproximam ao máximo da verdade real dos 
fatos. Exemplo da técnica em estudo é a chamada recognição 
visuográfica de local de crime cunhada por Marco Antonio 
Desgualdo em 1994. Detalhando melhor a técnica, em 
especial nos cenários de crimes contra a vida com autoria 
desconhecida, Desgualdo aduz que:
“A regognição é a semente da futura investigação, depois de forma­
lizada, levando-se em consideração seu dinamismo e praticidade. 
Traz em seu bojo desde o local, hora, dia do fato e da semana como 
também condições climáticas então existentes, além de acrescentar 
subsídios coletados junto às testemunhas e pessoas que tenham ciência 
dos acontecimentos. Traz ainda à colação minuciosa observação sobre 
220 i MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
o cadáver, identidade, possíveis hábitos, características comporta- 
mentais sustentadas pela vitimologia, além de croqui descritivo, 
resguardados os preceitos estabelecidos no art. 6o, I, do Código de 
Processo Penal.17”
17. DESGUALDO, Marco Antonio. Crimes contra a vida: recognição visuográfica e a lógica 
na investigação. São Paulo: Acadepol, 1999.
1.1. Perfilamento criminal
Também denominado de perfil criminal ou criminalprofiling, 
estamos diante de uma técnica de investigação policial cujo 
objetivo é construir, de forma hipotética ou virtual, o perfil de 
um criminoso não identificado - e que possivelmente pode ter 
praticado outros delitos - considerando aspectos de ordem psico­
lógica, social, tipológica, física, geográfica, sociológica, biológica, 
antropológica e a área em que atua.
Conjugando informações dos diversos ramos do saber acima 
destacados com a dinâmica e características do crime praticado 
busca-se viabilizar a compreensão do criminoso e do crime, espe­
cialmente a partir da sincronização entre comportamento e perso­
nalidade do delinquente.
Perceba que, em síntese, temosno perfilamento criminal a 
reunião entre os métodos e resultados de diversas ciências (psico­
logia, sociologia, física, antropologia, etc.) sobre o comportamento 
humano com as competências e experiências dos investigadores 
policiais de campo.
Em síntese, reunindo as informações do crime praticado à luz 
de diversos ramos do saber, o investigador projetará, por meio da 
dedução e/ou indução, uma rigorosa imagem biopsicossocial do 
indivíduo que passará a constar nos autos do inquérito policial.
Logo, a conclusão é de que o objetivo do perfilamento criminal 
é fortalecer a investigação policial lastreada nas ciências criminais 
auxiliares e ciências humanas. Por conseguinte, por vezes é possível 
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO j2211
também identificar delitos análogos que possuam as mesmas 
características e, a partir daí, expedir orientações criminológicas.
Naturalmente, o criminal profiling acaba sendo mais útil para a 
investigação de crimes com violência e aparentemente sem solução, 
na medida em que os casos com autoria certa acabam em grande 
parte dispensando os resultados do perfilamento criminal.
Por meio da técnica de investigação em estudo, as cinco 
perguntas abaixo devem ser respondidas:
I. Quem praticou o delito?
II. Quando praticou o delito?
III. Como foi executado o delito?
IV. Qual a motivação da conduta delitiva?
V. Onde foi praticado o delito?
► Importante!
A doutrina tem reconhecido o perfilamento criminal como técnica 
de investigação policial profissional. Dessa forma, é encarada como 
uma arte (e não como ciência) tendo como método a lógica dedutiva 
(e não teorias macrossociológicas).
2. Testes de personalidade projetivos
Para entendermos a definição e características dos testes de 
personalidade projetivos precisamos considerar os seguintes pres­
supostos:
• Testes criminológicos constituem técnicas de investigação 
capazes de destacarem as características pessoais do inves­
tigado (por meio de padrões ou tipos anteriormente esta­
belecidos);
222 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
• Tais testes são colocados em prática por meio de estímulos 
já planejados, com o objetivo de detalhar o perfil psicoló­
gico, bem como a capacitação pessoal de cometimento ou 
recaída no delito;
• Nas palavras de Nestor Sampaio Penteado Filho, “a reali­
zação de testes e exames criminológicos e, consequente­
mente, de prognósticos de futuras condutas criminosas 
e/ou perigosas, com certo grau de certeza ou ao menos 
de confiabilidade, depende muito das circunstâncias do 
cometimento delitivo, da natureza do teste e da capacitação 
profissional dos responsáveis pelos testes” .18
18. FILHO, Nestor Sampaio Penteado. Manual esquemático de criminologia. São Paulo: 
Saraiva, 8^ edição, 2018, p. 55.
19. FARIAS JUNIOR, João. Manual de criminologia. Curitiba: Juruá, 4® edição, 2000.
Nesse sentido, valendo-se das lições de João Farias Junior, testes 
projetivos “são aqueles que procuram medir a personalidade através 
do uso de quadros, figuras, jogos, relatos etc., que imprimem estí­
mulos no examinado, que provocam, consequentemente, reações 
das quais resultam as respostas que servirão de base para a inter­
pretação dos resultados desejados”19.
Como exemplos podemos destacas:
Teste de Rorschach
72
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 223
Interpretação de manchas de vários formatos:
Teste PMK — Ps ico diagnóstico Miocinético da Periculosi­
dade Delinquencial
Estímulos musculares e postura mental, permitindo avaliar: 
Tônus vital, agressividade, reação vivencial, emotividade, dimensão 
tensional e predomínio tensional.
Teste do Desenho
Árvore, casa, pessoa etc., que, associados a um questionário, 
dão o perfil do autor.
3. Testes de personalidade prospectivos
Os testes prospectivos resumem-se na utilização de técnica 
com a finalidade de explorar, em detalhes, as intenções atuais 
(presentes) e posteriores (futuras), identificando (extraindo 
respostas) do paciente:
224] MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
• Suas crenças e potencialidades positivas ou negativas;
• As barreiras que o paciente encontra para realizar atos bons;
• Qual o estilo de vida que leva e que pretende levar no futuro;
• Quais as pessoas que quer em suas relações;
• Por que é delinquente;
• Por que sofre e faz outras pessoas sofrerem;
• Com quem gostaria de parecer-se;
• Que causa de morte gostaria de ter;
• Se julga a atividade criminosa igual à outra atividade ilícita;
• Se tem ressentimento com respeito ao futuro;
• De tudo o que lhe pode acontecer o que é que julga mais 
provável;
• Da vida que lhe resta espera melhores ou piores dias;
• Se tem ou não medo da pena, do castigo;
• Se o castigo, a prisão é um risco inerente a sua atividade;
• Até que ponto vai a sua insensibilidade ou sensibilidade 
moral.
Os testes são muito profundos e dependem massivamente da 
habilidade do examinador responsável e da sinceridade do exami­
nando.
Ante a fragilidade do teste, bem como considerando a necessi­
dade de extrair a máxima sinceridade do examinado, é importante 
destacar ao paciente que o objetivo do teste é diagnosticar em 
detalhes sua personalidade, sendo que o resultado permanecerá em 
total sigilo, e que os possíveis benefícios dependerão da honestidade 
das respostas.
Conforme as lições de João Farias Junior, “o testador deve ser 
calmo, fraterno e usar um gravador, para que possa analisar com 
precisão as respostas, as pausas, as reticências, o tom, a acentuação 
Cap.6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 225
prosódica e, enfim, todo o contexto da sequência de respostas... e 
reações do examinando”20.
20. Obra citada.
21. Dicio: . Acesso em 01 de novembro de 2021.
4. Testes de inteligência
Tarefa das mais difíceis é conceituar “inteligência”, na medida 
em que não é possível ter total clareza do conteúdo do objeto 
analisado (nível de inteligência da pessoa examinada).
Especialmente considerando que a inteligência é função psíquica 
de enorme complexidade, não temos um conceito universal de 
inteligência. Logo, cada país, conforme os respectivos métodos 
de medição adotados, acaba adotando a própria definição de 
inteligência.
Segundo o dicionário, inteligência é definida como:
Faculdade de conhecer, de compreender; intelecto: a inteligência 
distingue o homem do animal. Conhecimento profundo em; destreza, 
habilidade: ter inteligência para os negócios; cumprir com inteligência 
uma missão. Habilidade para entender e solucionar adversidades ou 
problemas, adaptando-se a circunstâncias novas. Função psíquica 
que contribuí para uma pessoa consiga entender o mundo, as coisas 
e situações, a essência dos fatos21.
A Criminologia, socorrendo-se da Psicologia, busca medir a 
inteligência por meio do chamado quociente de inteligência (QI). 
Com os resultados do QI, a finalidade é identificar qual a idade 
mental do examinado.
A definição de idade mental foi cunhada por Alfredo Binet e 
Theodore Simon, em 1905, determinando a maneira de demostrar 
diferentes níveis ou graus de inteligência.
Já a expressão “QI” foi proposta por William Stern, em 1912, 
visando representar o nível mental do examinado, bem como 
https://www.dicio.com.br/inteligencia/
226’ MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
incluiu as expressões “idade mental” e “idade cronológica”. A 
fórmula de William Stern era a seguinte: dividir a idade mental 
pela idade cronológica do examinado.
Dessa forma, a título de exemplo, uma criança com idade 
cronológica de 10 anos e nível mental de 9 anos teria o seguinte 
resultado: QI = 0,9 (9 dividido por 10).
Em acréscimo, Lewis Madison Terman, em 1916, sugeriu 
multiplicar o QI por 100 com o objetivo de afastar a parte decimal. 
Assim sendo, teremos a seguinte fórmula: QI = 100 x (idade 
mental / idade cronológica). No exemplo anteriormente destacado, 
a criança examinada teria o QI de 90.
Em síntese:
QI = Idade mental x 100 
Idade cronológica
Quanto a idadecronológica não temos grandes dificuldades, 
sendo o tempo vivido pela pessoa, analisada em anos, meses, 
semanas ou dias (nesse caso, consideramos apenas os anos vividos). 
O problema é analisar a idade mental. Para definir se o examinado 
é tido por normal, a caracterização da idade mental considera o nível 
intelectual de crianças (níveis inferiores) e adultos (níveis de norma­
lidade), havendo, inclusive, pessoas cujo índice de intelectualidade 
pode estar muito acima do de uma pessoa encarada por normal.
Com base no pressuposto acima, é importante ressalvar que 
a idade mental em uma criança normal é equivalente à respec­
tiva idade cronológica, porém o nível mental atinge um ponto 
de “saturação” em torno dos 15 anos, instante em que a capaci­
dade intelectual fica praticamente estagnada. Contudo, há pessoas 
cujos níveis de inteligência extrapolam muito os níveis daqueles 
indivíduos tidos por normais (são os chamados superdotados), da 
mesma forma que há indivíduos cujos níveis estão abaixo da média 
(hipodotados).
Cap.6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 1227^
Para atingir um nível correto, os cientistas e pesquisadores têm 
elaborado os mais variados testes objetivando extrair todas as habi­
lidades do indivíduo examinando. A título de exemplo, podemos 
ser citados os seguintes testes de medição do QI:
• Teste de informação (questionário de conhecimentos gerais);
• Teste de compreensão geral (escolha de uma dentre várias 
respostas);
• Teste de raciocínio aritmético (questões matemáticas; 
leva-se em conta o grau de estudo do examinando);
• Teste de memória para números (nível de controle mental 
e atenção);
• Teste de semelhança (palavras que se relacionam umas 
com as outras);
• Teste do arranjo de figuras (gravuras que, colocadas em 
dada ordem, contam uma pequena história);
• Teste de completar figuras (completa-se uma figura, onde 
falta uma peça, oferecendo ao examinando peças diferentes 
para que ele a escolha; exemplo: relógio sem ponteiro);
• Teste de desenho de cubos (indicação da sequência de 
composição das partes de um cubo);
• Teste de números e símbolos (associação de símbolos deter­
minados em razão de uma velocidade);
• Teste de arranjo de objeto (três ou quatro peças decom­
postas, cabendo ao examinando recompô-las);
• Teste de vocabulário (definição de coisas, pessoas e animais 
visando verificar o raciocínio e os recursos verbais).
Após finalizados e coletados os resultados dos testes, o exami­
nador será capaz de delimitar a idade mental do examinado. 
Importante destacar que, com a finalidade de padronizar os testes, 
a idade mental só é analisada até os 15 anos.
228 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Para a Criminologia, o teste do QI é extremamente impor­
tante e útil para o diagnóstico de estados anormais e doentios do 
desenvolvimento mental, podendo se relacionar com a consciência 
do injusto e refletindo diretamente na análise da culpabilidade do 
agente.
Com base na inteligência, portanto, o indivíduo pode ser 
classificado em:
• Hipofrênico (oligofrenias);
• Normal;
• Hiperfrênico (genial ou superior).
Cite-se a tabela de QI detalhada por Farias Junior:
Estado 
mental
QI Evolução 
mental
Evolução social
Hipofrenia Abaixo de 
90
Abaixo de 
12 anos
---------- -
1 - Idiota Abaixo de 
20
Abaixo de 3 
anos
Incapacidade de cuidar-se e de 
bastar-se a si mesmo
2 - Imbecil Entre 20 
e 50
Entre 3 e 7 
anos
Incapacidade de prover a sua 
subsistência em condições nor­
mais
3 - Débil 
mental
Entre 50 
e 90
Entre 7 e 12 
anos
Incapacidade de lutar pela vida 
em igualdade de condições com 
pessoas normais
Normal Entre 90 e 
120
Entre 12 e 
18 anos
Capacidade de prover à vida 
e de manter relacionamento 
normal
Hiperfrenia Acima 120 Acima de 18 
anos
Excepcional capacidade de assi­
milação
1 - QI super Entre 120 
e 140
Entre 17 e 
22 anos
Impaciência e irritação
2 - QI genial Acima de 
140
Acima de 22 
anos
Rapidez de assimilação, que o 
torna desajustado ou inadap- 
tado
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO j229
Muitas expressões se tornaram, ao longo do tempo, pejorativas, 
a exemplo de oligofrênicos, idiotas, imbecis, débeis mentais (e até 
a expressão mais recente “retardados mentais”).
CIFRAS/CORES CRIMINAIS E ESTATÍSTICA CRIMINAL
Com o início do marco científico da Criminologia (século 
XIX), passa-se a utilizar da estatística criminal como fonte de dados 
visando alcançar visão mais precisa sobre as causas do fenômeno 
criminal.
Importa destacar que as estatísticas não são fontes absolutas, já 
que diversos crimes não chegam nem ao menos ao conhecimento de 
autoridades públicas, todavia, não há como negar sua importância, 
pois, com base em números, é possível se chegar a diagnósticos 
específicos sobre a criminalidade em determinadas regiões.
A partir dos números, estudiosos da criminologia chegam a conclu­
sões das causas do crime e passam a sugerir medidas de prevenção.
Diante da imprecisão dos números, destaca-se a seguinte clas­
sificação em relação aos resultados estatístico-criminais:
Criminalidade real: refere-se ao número de crimes efeti­
vamente praticados (registrados ou não) em tempo e espaço 
determinados;
Criminalidade Registrada (aparente ou revelada): 
limita-se aos delitos que efetivamente chegam ao conhe­
cimento do Estado (registros em delegacias, Ministério 
Público etc.);
Criminalidade oculta (cifra negra): são os crimes que 
não chegam ao conhecimento dos órgãos estatais, ou seja, 
trata-se da diferença entre a criminalidade real e a efetiva­
mente registrada. Aprofundaremos esta espécie em tópico 
próprio.
j23o'i MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Como forma de organizar diversas situações e crimes identi­
ficados pela estatística criminal, a doutrina apresenta um rol de 
cifras/cores, tema sempre cobrado em concursos públicos e, em 
geral, desconhecido pela maioria.
A seguir, passaremos a analisar cada espécie:
1. Cifra negra (cifra oculta)
É também chamada de Zona Escura, Dark Number, Ciffre 
Noir ou Criminalidade oculta. Conforme já destacado, trata-se 
da diferença entre a criminalidade real e a efetivamente registrada.
Em outras palavras, são os crimes que não chegam ao conhe­
cimento das autoridades públicas. Isso pode acontecer por diversos 
motivos, valendo mencionar alguns exemplos:
• Crimes contra a honra: ao exemplo de discussões entre 
parentes ou vizinhos em que há comumente ofensas (crime 
de injúria) e que não chegam ao conhecimento da polícia 
por se tratar de algo pouco relevante e costumeiro para os 
personagens do conflito;
• Crimes contra a dignidade sexual: pela própria natureza 
dos crimes contra a dignidade sexual, ao exemplo do 
estupro, muitas vítimas constrangidas e envergonhadas 
preferem não contar a ninguém sobre o fato que a 
vitimou;
• Crimes de “colarinho branco”: crimes praticados pela elite 
empresarial ou por parte da casta política dificilmente se 
tornam conhecidos. Muitos não chegam nem ao menos a 
serem investigados.
► Atenção!
Os crimes de cifra oculta, a qual é gênero, podem ser conjugados 
com outras cifras. É perfeitamente possível, por exemplo, a prática 
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 231 |
do crime de corrupção por um político ou por um empresário 
(cifra dourada) e que não chega a ser registrado, tampouco chega 
ao conhecimento das autoridades públicas (cifra negra). Logo, 
para fins de concurso público, é importante observar sobre qual 
detalhe o examinador concentrará o enfoque. Nesse sentido, 
podem ser espécies de cifra negra as cifras dourada, amarela, 
verde e rosa.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Nesse sentido, foi cobrado no concurso para Médico Legista/ 
PCSP/2014 - VUNESP, como alternativa correta, que a expressão 
"cifra negra" corresponde ao número de "crimes ocorridos e não 
reportados à autoridade".
2. Cifra dourada (crimes de colarinho branco)
Representa a criminalidade praticada pela elite e os crimes de 
“colarinho branco”(White-collar crimes), definida como práticas 
antissociais impunes do poder político e econômico (a nível 
nacional e internacional), em prejuízo da coletividade e dos cida­
dãos e em proveito das oligarquias econômico-financeiras. E espécie 
de cifra negra e, portanto, busca investigar casos que não chegam 
ao conhecimento das autoridades formalmente.
Parte da doutrina limita esta espécie apenas aos casos em que 
o fato não chega ao conhecimento das autoridades (crimes de cola­
rinho branco impunes e desconhecidos), todavia, prevalece que tal 
espécie se refere à todos os crimes praticados por membros de elites 
econômico-financeiras, ao exemplo de casos como o “Mensalão” 
(Ação Penal 470) e “Operação Lava-Jato” com a constatação de 
diversos crimes de colarinho branco e que foram efetivamente 
registrados.
Ademais, a corrente majoritária se baseia nos ensinamentos 
apresentados por Edwin Sutherland (criador da expressão “crimes 
de colarinho branco”).
I23à MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
Exemplos: Crime de lavagem de capitais (Lei 9.613/98); crimes 
contra o Sistema Financeiro Nacional (Lei 7.492/86), crimes contra 
a ordem tributária, contra a ordem econômica e relações de 
consumo (Lei 8.137/90) etc.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Nesse sentido, foi cobrado no concurso para lnvestigador/PCSP/2014 
- VUNESP, como alternativa correta, que a expressão "cifra dourada" 
designa "as infrações penais praticadas pela elite, não reveladas ou 
apuradas; trata-se de um subtipo da "cifra negra", a exemplo do 
crime de sonegação fiscal".
3. Cifra cinza
Frutos de ocorrências que até sáo registradas, porém não se 
chega ao processo ou ação penal por serem solucionadas na 
própria Delegacia de Polícia, seja por existir a possibilidade de 
conciliação das partes, evitando assim uma futura denúncia, processo 
ou condenação elucidando ou solucionando o fato, seja por desis­
tência da própria vítima em não querer mais fazer a representação 
do B.O. registrado por alguma razão não chegando aos tribunais.
Temos alguns exemplos em nosso ordenamento jurídico:
Exemplos: retratação da vítima retirando a representação em 
crimes de ação penal pública condicionada (art. 5o, § 4o, c/c art. 
24, ambos do Código de Processo Penal); hipóteses de perdão 
do ofendido, renúncia ou perempção nos crimes de ação penal 
privada; aplicação de medias despenalizadores previstas na Lei 
9.099/1995 como a Composição Civil dos Danos, Transação Penal 
ou Suspensão Condicional do Processo etc.
Podemos citar também como exemplo, porém com ressalvas, 
casos relacionados à violência doméstica e familiar contra a mulher, 
pois, atualmente, em crimes perseguidos mediante ação penal 
pública condicionada à representação da vítima, a retratação só é 
permitida quando realizada em audiência especialmente designada 
para tanto, perante o juiz, antes do recebimento da denúncia e 
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 233
ouvido o Ministério Público. Após a conjugação de todos os requi­
sitos, teremos a extinção da punibilidade do agressor e estaremos 
diante de um crime de cifra cinza (crime foi registrado, todavia, 
finalizado antes do início da ação penal).
4. Cifra amarela
Relacionam-se com crimes de abusos ou violências praticadas 
por funcionários públicos contra particulares e que, diante do 
sentimento de intimidação, não chegam ao conhecimento das 
autoridades formalmente.
Parte da doutrina também limita tal modalidade à uma subes- 
pécie de cifra negra, defendendo a ideia de que cifra amarela seria a 
etiqueta dos crimes praticados apenas por policiais e não registrados 
pelas vítimas por temor ou medo de represálias, todavia, ousamos 
discordar nos posicionando ao lado da corrente dominante: rela­
cionam-se de maneira ampla com abusos e violências praticadas por 
qualquer funcionário público contra particulares, sendo registradas 
ou não (apenas nesta última hipótese seria também subespécie de 
cifra negra).
Exemplo: funcionário público que determina a prisão de 
particular abusando da própria autoridade (famosa “carteirada”).
5. Cifra verde
Consiste nos crimes que não chegam ao conhecimento policial 
e que a vítima direta dos impactos dos respectivos delitos é o meio 
ambiente.
Exemplos: maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, 
domesticados, pichações de paredes, monumentos históricos, 
prédios públicos; poluição em níveis excessivos etc.
São fatos que representam grandes dificuldades de se identificar 
a autoria delitiva por não se encontrar mais o criminoso no local dos 
fatos, estando assim isento da punição (pena) pelo crime praticado.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
6. Cifra azul (Crimes de colarinho azul)
Trata-se do oposto dos crimes de cifra dourada. Crimes de 
cifra azul (ou blue colar crime) são aqueles praticados pelos mais 
pobres, pertencentes às classes menos favorecidas economicamente.
Tem origem na revolução industrial, nos EUA, em que os 
operários utilizavam uniformes característicos, que os distinguiam 
dos patrões (utilizavam macacões com colarinho azul). Eram traba­
lhadores que pertenciam às classes econômicas inferiores.
Tal expressão já foi, inclusive, utilizada pelo Supremo Tribunal 
Federal, valendo citar o respectivo trecho proferido no caso da Ação 
Penal 470 (“Mensalão”), pelo Ministro Luiz Fux:
“O desafio na seara dos crimes do colarinho branco é alcançar a 
plena efetividade da tutela pena dos bens jurídicos não individuais. 
Tendo em conta que se trata de delitos cometidos sem violência, 
incruentos, não atraem para si a mesma repulsa social dos crimes 
do colarinho azul”.
Exemplos: a doutrina menciona diversos crimes contra o patri­
mônio praticado pelos mais pobres, como furto, roubo, estelionato, 
dano ao patrimônio etc.
7. Cifra rosa
Relacionam-se com os crimes de motivação/conteúdo homofó- 
bico, que não chegam ao conhecimento das autoridades.
Decorrem de violência contra homossexuais por serem homos­
sexuais (esse vínculo motivacional é imprescindível).
Exemplo: ofensas e lesões contra homossexual imbuído de 
preconceito.
8. Cifra branca
Relacionam-se com os crimes efetivamente solucionados, abran­
gendo todas as etapas regulares e necessárias da persecução penal.
Cap. 6 • CRIMINOLOGIA NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO 235
Não necessariamente ligada à condenação do réu. O fato de 
alguém ser absolvido por meio de sentença definitiva também é 
exemplo de cifra branca, então perceba que a ideia é ligada à solução 
definitiva dos casos concretos.
Exemplo: O sujeito é investigado, denunciado, processado, 
condenado em primeira instância, mantida a condenação até última 
instância e, após, cumprida toda a pena; ou no caso do sujeito 
que é até processado, mas, ao final, absolvido mediante decisão 
transitada em julgado.
9. Cifra vermelha
A doutrina europeia, especialmente a espanhola, apresenta a 
chamada cifra vermelha (cuello rojo) e que já vem sendo cobrada 
em concursos públicos no Brasil (a questão já foi apresentada na 
fase oral do concurso da Polícia Civil do Estado de São Paulo para 
os cargos de Investigador e Escrivão em 2019).
Crimes de cifra vermelha relacionam-se aos homicídios prati­
cados pelos chamados serial killers (assassinos em série). São os 
criminosos - geralmente psicopatas - que matam vítimas, e cujo 
modus operandi funciona como uma verdadeira assinatura do 
criminoso, sempre matando com as mesmas características, armas, 
modo de execução, etc., visando a deixar a própria marca.
O psicólogo e pesquisador Javier Sanz Sierra apresenta inte­
ressante estudo a partir de 27 casos reais examinados, todos 
sendo crimes de colarinho branco. Aduz que os crimes de “cola­
rinho vermelho” são subespécies dos delitos de colarinho branco, 
geralmente em hipóteses de fraudes descobertas. A constatação 
foi de que em muitos casos de fraudes em que os criminosos são 
descobertos, alguns, apresentando características de psicopatia, 
decidem por assassinar as pessoas que os descobriram, para 
esconderem239
CLASSIFICAÇÃO DE HILÁRIO VEIGA DE CARVALHO.................. 239
1. Biocriminosos puros (pseudocriminosos)..................................... 239
2. Biocriminosos preponderantes........................................................ 240
3. Biomesocriminosos........................................................................... 240
4. Mesocriminosos preponderantes.................................................... 240
5. Mesocriminosos puros..................................................................... 241
CLASSIFICAÇÃO DE ODON RAMOS MARANHÃO......................... 241
1. Criminoso ocasional........................................................................ 241
2. Criminoso sintomático.................................................................... 241
3. Criminoso caracterológico.............................................................. 241
CLASSIFICAÇÃO DE GUIDO ARTURO PALOMBA........................... 242
1. Criminosos impetuosos.................................................................. 242
2. Criminosos ocasionais..................................................................... 242
3. Criminosos habituais....................................................................... 242
4. Criminosos fronteiriços................................................................... 243
5. Criminosos loucos........................................................................... 243
CLASSIFICAÇÃO DE CESARE LOMBROSO........................................ 243
1. Criminoso nato................................................................................ 244
2. Criminoso louco............................................................................... 244
3. Criminoso de ocasião.......................... 244
4. Criminoso por paixão...................................................................... 244
CLASSIFICAÇÃO DE ENRICO FERRI..................................................... 244
1. Criminoso nato................................................................................ 245
2. Criminoso louco............................................................................... 245
3. Criminoso ocasional........................................................................ 245
4. Criminoso habitual........................................................................... 245
5. Criminoso passional........................................................................ 245
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
CLASSIFICAÇÃO DE RAFAELE GARÓFALO........................................ 245
1. Criminoso assassino......................................................................... 246
2. Criminoso energético ou violento................................................... 246
3. Criminoso ladrão ou neurastênico................................................. 246
GABARITO...................................................................................................... 246
CAPÍTULO 8
FATORES SOCIAIS DA CRIMINALIDADE........................................ 247
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 249
GABARITO...................................................................................................... 254
CAPÍTULO 9
TEMAS CONTROVERTIDOS E ESPECIAIS DA 
CRIMINOLOGIA, DIREITO PENAL E DA POLÍTICA
CRIMINAL..................................................................................................... 255
VAMOS AO TEMA!....................................................................................... 259
CÁRCERE E MARGINALIDADE SOCIAL - REALIDADE DO
SISTEMA PENITENCIÁRIO BRASILEIRO E A
MANIPULAÇÃO DOS NÚMEROS........................................................... 260
1. Corrente abolicionista - defensores do desencarceramento........ 261
2. Corrente do Garantismo Integral - defensores da prisão como 
medida necessária..................................................................... 263
SISTEMA PENAL E REPRODUÇÃO DA REALIDADE SOCIAL....... 267
MÍDIA E CRIMINALIDADE...................................................................... 268
1. Mídia como instrumento de estigmatizaçâo................................. 269
2. Mídia como instrumento de defesa, propaganda ou beatifica­
ção de criminosos..................................................................... 270
3. Conclusão......................................................................................... 271
JORNALISMO E O EFEITO ESPELHO DA REALIDADE (TEORIA 
DO ESPELHO)............................................................................................... 271
1. Jornalismo como agência de transformação social....................... 272
2. Incredulidade e desconfiança sobre o jornalismo parcial.............. 273
3. Conclusão......................................................................................... 274
SUMÁRIO í 23
DIREITO PENAL DE EMERGÊNCIA, DIREITO PENAL 
SIMBÓLICO E DIREITO PENAL PROMOCIONAL............................ 274
DIREITO PENAL DO AUTOR E DIREITO PENAL DO FATO......... 276
DIREITO PENAL DO INIMIGO.............................................................. 277
DIREITO PENAL DO AMIGO OU AMICISMO JURÍDICO-PENAL... 280
TEORIA DO GARANTISMO PENAL....................................................... 282
1. Garantismo Hiperbólico Monocular.............................................. 283
DIREITO PENAL SUBTERRÂNEO E DIREITO PENAL 
PARALELO....................................................................................................... 284
VELOCIDADES DO DIREITO PENAL................................................... 285
BULLYINGE CYBERBULLYING..................................................................... 287
ASSÉDIO MORAL......................................................................................... 289
STALKING E CYBERSTALKING....................................................................... 290
SERIAL KILLER.............................................................................................. 291
PARAFILIA....................................................................................................... 292
SÍNDROME DE PETER PAN E O COMPLEXO DE WENDY NA
CRIMINOLOGIA.......................................................................................... 293
CRIMINOLOGIA NA AMÉRICA LATINA E A CRIMINOLOGIA 
DA LIBERTAÇÃO.......................................................................................... 295
POLÍTICA CRIMINAL ATUARIAL........................................................... 298
TEORIAS PSICANALÍTICAS DA CRIMINALIDADE E DA
SOCIEDADE PUNITIVA............................................................................. 302
1. Teorias Psicanalíticas do crime........................................................ 304
2. Teorias Psicanalíticas da sociedade punitiva................................... 307
DROGAS: ASPECTOS CRIMINOLÓGICOS E DE POLÍTICA 
CRIMINAL....................................................................................................... 308
1. Aspectos criminológicos das drogas................................................ 309
2. Política Criminal de Drogas............................................................ 312
GABARITO....................................................................................................... 315
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................ 317
CAPÍTULO 1
DIFERENÇAS ENTRE DIREITO 
PENAL, CRIMINOLOGIAE 
POLÍTICA CRIMINAL
Leia as questões abaixo antes de estudar o capítulo
1. (PCSP - Escrivão - 2022) Para García-Pablos de Molina, são os três pilares 
do sistema das ciências criminais, em relação de interdependência:
a) a Psiquiatria Forense, a Sociologia e a Política Criminal.
b) a Criminologia, a Política Criminal e o Direito Penal.
c) a Psiquiatria Forense, a Política Criminal e a Criminologia.
d) a Sociologia,as fraudes. Tratam as vítimas como meros obstá­
culos a serem retirados do caminho para o sucesso financeiro 
na empreitada criminosa.
236j MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Exemplos: psicopata que tem como meta matar apenas 
pessoas ruivas; outro exemplo citado pela doutrina espanhola 
é o caso de corrupto poderoso (cifra dourada) que passa a 
assassinar as testemunhas de seus crimes e possíveis delatores 
apenas para garantir a própria impunidade e manter o status e 
prestígio social.
► Como esse assunto foi cobrado em concurso?
Em 2019, foi cobrado no concurso para Investigador e Escrivão/PCSP 
- VUNESP, na fase oral, a definição e exemplos de crimes de cifra 
vermelha. À época, este assunto não era encontrado em nenhuma 
obra brasileira, pois era tema trabalhado na Espanha, tendo sido 
introduzido no Brasil por nós, por meio de vídeo-aula em canal no 
YouTube, sendo dias após cobrado na fase oral da PCSP em 2019. 
Logo, é assunto que deverá chamar a atenção das bancas nos pró­
ximos concursos públicos.
Para acesso ao vídeo, 
utilize o QR Code ao 
lado.
GABARITO
1 2 3 4 5 6 •j 8
B A E E A E B E
9 10 11 12 13 14 15 16
D E E ERRADO ERRADO ERRADO C E
17 18 19 20 21 22 23 24
ERRADO ERRADO CERTO CERTO CERTO ERRADO CERTO ERRADO
CAPÍTULO 7
CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMINOSOS
Leia as questões abaixo antes de estudar o capítulo
1. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) Do ponto de vista crimino- 
lógico, o criminoso fronteiriço é aquele que é considerado:
a) inimputável pela lei penal, pois seu estado psicológico situa-se na 
zona limítrofe entre a higidez e a insanidade mental.
b) semi-imputável pela lei penal, também conhecido doutrinariamente 
por idiota.
c) imputável pela lei penal, tendo sua conduta caracterizada pelo trans­
porte de produtos controlados, tais como armas de fogo e drogas 
ilícitas, do exterior para o Brasil ou vice-versa.
d) inimputável pela lei penal, também conhecido doutrinariamente por 
oligofrênico.
e) semi-imputável pela lei penal, pois seu estado psicológico situa-se na 
zona limítrofe entre a higidez e a insanidade mental.
2. (PC-SP - PERITO CRIMINAL - VUNESP - 2008) Trata-se do autor da 
teoria do "delinquente nato", formulada após a realização de centenas 
de autópsias em delinquentes mortos e milhares de exames em delin­
quentes presos:
a) Pinei.
b) Ferri.
c) Lombroso.
d) Garófalo.
e) Bentham.
3. (PC-PI - Delegado de Polícia - NUCEPE - 2018) Trata-se do autor da 
teoria do "delinquente nato", formulada após a realização de centenas 
de autópsias em delinquentes mortos e milhares de exames em delin­
quentes presos:
a) Pinei.
b) Ferri.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
c) Lombroso.
d) Garófalo.
e) Bentham.
4. (MP-SC - PROMOTOR DE JUSTIÇA - 2008) Estão corretas:
I. O Código de Hamurabi, concebido na Babilônia entre 2067 a 2025 
a.C. e na atualidade pertencente ao acervo no museu do Louvre, em 
Paris, não continha disposições penais em sua composição;
II . Segundo a "lei térmica da criminalidade", de Quetelet, fatores físicos, 
climáticos e geográficos podem influenciar no comportamento crimi­
noso;
II I. Entende-se por "cifra negra" da criminalidade o conjunto de crimes 
cuja violência produz elevada repercussão social;
IV . Seguidor da antropologia criminal, Lombroso entendia que havia um 
tipo de humano irresistivelmente levado ao crime, por sua própria 
constituição, de um verdadeiro criminoso nato;
V. Em sua obra Dos Delitos e das Penas, escrita por volta de 1756, 
Cesare Bonesana - o Marquês de Beccaria - defendeu uma legis­
lação penal rigorosa, aprovando a prática da tortura e da pena de 
morte;
a) Apenas I, III e V estão corretas;
b) Apenas II e IV estão corretas;
c) Apenas IV e V estão corretas;
d) Apenas II e III estão corretas;
e) Apenas III, IV e V estão corretas;
5. (PC-PI - Delegado de Polícia - NUCEPE - 2018) Marque a alternativa 
CORRETA, no que diz respeito à classificação do criminoso, segundo 
Lombroso:
a) Criminoso louco: é o tipo de criminoso que tem instinto para a prática 
de delitos, é uma espécie de selvagem para a sociedade.
b) Criminoso nato: é aquele tipo de criminoso malvado, perverso, que 
deve sobreviver em manicômios.
c) Criminoso por paixão: aquele que utiliza de violência para resolver 
problemas passionais, geralmente é nervoso, irritado e leviano.
d) Criminoso por paixão: este aponta uma tendência hereditária, possui 
hábitos criminosos influenciados pela ocasião.
e) Criminoso louco: é o criminoso sórdido com deficiência do senso 
moral e com hábitos criminosos influenciados pela situação.
Cap.7 • CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMINOSOS 239
VAMOS AO TEMA!
Sabemos que a principal finalidade da autointitulada crimi­
nologia moderna é a ressocialização do criminoso e prevenção da 
criminalidade.
Para perseguirmos ambas as finalidades se faz necessário um 
diagnóstico preciso do crime e da pessoa do criminoso. Em relação 
ao criminoso, é importante entender qual ou quais as motivações 
para a prática do crime, quais os fatores que o influenciaram (se 
foram determinantes ou influenciadores indiretos).
A partir disso, diversos autores se ocuparam da missão de inves­
tigar e classificação de maneira organizada a pessoa do criminoso. A 
seguir, passaremos a estudar as classificações de maior repercussão 
na criminologia e seus respectivos autores.
CLASSIFICAÇÃO DE HILÁRIO VEIGA DE CARVALHO
Hilário Veiga de Carvalho leva em consideração, especialmente, 
fatores biológicos e mesológicos (relação entre o ser humano e o 
meio em que vive), visando identificar a etiologia criminal. Eis as 
espécies de criminosos cunhadas pelo mencionado autor:
1. Biocriminosos puros (pseudocriminosos)
Considerando apenas fatores biológicos, são os indivíduos que 
apresentam espécies de “doenças” determinantes para a prática de 
crimes. Necessitam de tratamento médico psiquiátrico em mani­
cômio judiciário.
Hilário entende que esses personagens não são criminosos 
(daí a expressão “pseudocriminoso”), equiparando-os aos inim- 
putáveis.
Exemplos: epiléticos ou psicopatas, que diante de crises são 
capazes de matar de maneiras cruéis.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
2. Biocriminosos preponderantes
Representam a delinquência de difícil correção.
São criminosos que apresentam fatores orgânicos e valores 
absorvidos do ambiente de convivência. Sozinhos, não são capazes 
de desencadear o crime (o indivíduo tem predisposição à prática 
de crimes). E necessário a incidência de algum fator de estímulo 
externo para que o criminoso escolha praticar crime. Como diz o 
dito popular: “a ocasião faz o ladrão”.
Exemplo: indivíduo que cresceu em bairro perigoso na peri­
feria e que circula por bairro de alto padrão econômico. Decide 
furtar no momento em que vê a janela de um carro estacionado 
aberta.
3. Biomesocriminosos
Espécie parecida com a anterior, porém, nessa não se sabe qual 
fator é preponderante para o crime (biológicos e mesológicas).
Até os exemplos são parecidos, porém, a principal característica 
dessa espécie é que o criminoso é recuperável (de possível correção). 
Além disso, a reincidência é ocasional.
Exemplo: filho pede um carro ao pai, recebendo um “não” 
como resposta. Dias depois, o filho pratica latrocínio, matando a 
vítima e subtraindo o veículo.
4. Mesocriminosos preponderantes
Segundo Hilário, são os criminosos de caráter e personalidade 
frágeis, facilmente corrompíveis. A correção, nessa espécie, é espe­
rada, sendo a reincidência de excepcional ocorrência. Em poucas 
palavras, é o chamado “Maria vai com as outras”.
Exemplo: sujeito que, sendo pressionado pelos colegas, e teme­
roso em perder as amizades e “cair no conceito” de todos, topa 
em praticar furtos.
Cap.7 • CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMINOSOS (241
5. Mesocriminosos puros
Não são propriamente criminosos, mas, sim, vítimas das 
circunstâncias exteriores. O indivíduo pratica condutas aceitas no 
meio social em que convive, mas, ao praticar o mesmo comporta­
mento em sociedade diversa, termina por ser repreendido.
Exemplo: sujeitoo Direito Penal e a Psiquiatria Forense.
2. (MPDFT - Procurador - 2002) Assinale a opção incorreta.
a) A ideia de bem jurídico funciona como importante critério limitador 
na formação do tipo penal, orientando a elaboração das leis penais.
b) A política criminal é responsável pela seleção dos bens (ou direitos) 
que devem ser tutelados jurídica e penalmente, escolhendo o caminho 
para efetivar tal tutela.
c) Todos os bens juridicamente protegidos foram postos sob a tutela 
específica do direito penal.
d) A criminologia tem como objetivo o estudo das causas do crime, as 
medidas recomendadas para tentar evitá-lo, a pessoa do delinquente 
e os caminhos para sua recuperação.
3. (TJ/CE - Juiz - 2018) A respeito da política criminal, da criminologia, 
da aplicação da lei penal e das funções da pena, julgue os itens subse­
quentes.
I. Criminologia é a ciência que estuda o crime como fenômeno social e 
o criminoso como agente do ato ilícito, não se restringindo à análise 
da norma penal e seus efeitos, mas observando principalmente as 
causas que levam à delinquência, com o fim de possibilitar o aper­
feiçoamento dogmático do sistema penal.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
II. A política criminal constitui a sistematização de estratégias, táticas e 
meios de controle social da criminalidade, com o propósito de sugerir 
e orientar reformas na legislação positivada.
III. O direito penal positivado no ordenamento penal brasileiro corrobora 
a teoria absoluta, porquanto consagra a ideia do caráter retributivo 
da sanção penal.
IV. Considera-se o lugar da prática do crime aquele onde tenha ocorrido 
a ação ou omissão, e não onde se tenha produzido o seu resultado.
Estão certos apenas os itens
a) I e II.
b) I e IV.
c) II e III.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV
4. (VUNESP - PC/BA - Delegado de Polícia - 2018) Assinale a alternativa que 
indica a correta relação da Criminologia com a Política Criminal, Direito 
Penal ou com o Sistema de Justiça Criminal:
a) O Direito Penal é condicionante e moldura da criminologia, visto 
que esta tem por objeto o estudo do crime e, assim, parte em suas 
diversas correntes e teorias, das definições criminais dogmáticas e 
legais postas pelo Direito Penal, e a elas se circunscreve.
b) A Criminologia, especialmente em sua vertente crítica, tem como 
incumbência a explicação e justificação do Sistema de Justiça Criminal 
que tem por finalidade a implementação do Direito Penal e conse­
quente prevenção criminal.
c) A Política Criminal é uma disciplina que estuda estratégias estatais para 
atuação preventiva sobre a criminalidade, e que tem como uma das 
principais finalidades o estabelecimento de uma ponte eficaz entre a 
criminologia, enquanto ciência empírica, e o direito penal, enquanto 
ciência axiológica.
d) A Política Criminal é condicionante e moldura da criminologia, visto 
que esta tem por objeto o estudo do crime e, assim, parte em suas 
diversas correntes e teorias, das definições criminais dogmáticas e 
legais postas pela Política Criminal, e a elas se circunscreve.
e) As teorias criminológicas da integração ou do consenso apontam o 
sistema de justiça criminal como fator que pode aprofundar a crimi­
nalidade, deslocando o problema criminológico do plano da ação para 
o da reação.
Cap.1 • DIFERENÇAS ENTRE DIREITO PENAL, CRIMINOLOGIA E POLÍTICA CRIMINAL 27
5. (VUNESP - PC/SP - Desenhista Técnico Pericial) A criminologia é con­
ceituada como uma ciência
a) jurídica (baseada nos estudos dos crimes e nas leis) e monodisciplinar. 
b) empírica (baseada na observação e na experiência) e interdisciplinar. 
c) social (baseada somente nos estudos do comportamento social do 
criminoso) e unidisciplinar.
d) exata (baseada nas estatísticas da criminalidade) e multidisciplinar.
e) humana (baseada na observação do criminoso e da vítima e unidis­
ciplinar.
6. (INSTITUTO AOCP - PC/ES - Delegado de Polícia - 2019) A Criminologia 
adquiriu autonomia e status de ciência quando o positivismo generali­
zou o emprego de seu método. Nesse sentido, é correto afirmar que a 
criminologia é uma ciência.
a) do "dever ser"; logo, utiliza-se do método abstrato, formal e dedutivo, 
baseado em deduções lógicas e da opinião tradicional.
b) empírica e teorética; logo, utiliza-se do método indutivo e empírico, 
baseado em deduções lógicas e opinativas tradicionais.
c) do "ser"; logo, serve-se do método indutivo e empírico, baseado na 
análise e observação da realidade.
d) do "dever ser"; logo, utiliza-se do método indutivo e empírico, baseado 
na análise e observação da realidade.
e) do "ser"; logo, serve-se do método abstrato, formal e dedutivo, 
baseado em deduções lógicas e da opinião tradicional.
7. (VUNESP - PC/SP - Delegado de Polícia - 2014) Assinale a alterna­
tiva que completa, correta e respectivamente, a frase: A Criminologia 
 ; o Direito Penal___________.
a) não é considerada uma ciência, por tratar do "dever ser" ... é uma 
ciência empírica e interdisciplinar, fática do "ser"
b) é uma ciência normativa e multidisciplinar, do "dever ser" ... é uma 
ciência empírica e fática, do "ser"
c) não é considerada uma ciência, por tratar do "ser" ... é uma ciência 
jurídica, pois encara o delito como um fenômeno real, do "dever ser"
d) é uma ciência empírica e interdisciplinar, fática do "ser" ... é uma 
ciência jurídica, cultural e normativa, do "dever ser"
e) é considerada uma ciência jurídica, por tratar o delito como um 
conceito formal, normativo, do "dever ser" ... não é considerado uma 
ciência, pois encara o delito como um fenômeno social, do "ser"
28 í MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
8. (VUNESP - PC/SP - Médico Legista) A autonomia da Criminologia frente 
ao Direito Penal
a) é almejada pelos estudiosos da primeira, mas negada pelos estudiosos 
do segundo.
b) não se concretiza, uma vez que a primeira não é considerada ciência, 
ao contrário do segundo.
c) comprova-se, por exemplo, pelo caráter crítico que a primeira desen­
volve em relação ao segundo.
d) não se vislumbra na prática, uma vez que todos os conceitos da 
primeira são emprestados do segundo.
e) não se efetiva, uma vez que ambos têm o mesmo objeto e são 
concretizados pelo mesmo método de estudo, qual seja, o empí­
rico.
9. (VUNESP - PC/SP - Agente de Polícia) É correto afirmar que a Crimi­
nologia
a) é uma ciência do dever-ser.
b) não é uma ciência interdisciplinar.
c) não é uma ciência multidisciplinar.
d) é uma ciência normativa.
e) é uma ciência empírica.
10. (VUNESP - PC/SP - Papiloscopista de Polícia) Contemporaneamente, a 
criminologia é conceituada como
a) uma ciência empírica e social que estuda o criminoso, a pena e o 
controle social.
b) uma ciência empírica e multidisciplinar que estuda as formas como 
os crimes são cometidos.
c) uma ciência empírica e interdisciplinar que estuda o crime, o criminoso, 
a vítima e o controle social.
d) uma ciência jurídica e interdisciplinar que estuda as formas como os 
crimes são cometidos.
e) uma ciência jurídica e multidisciplinar que estuda o crime, o criminoso, 
a pena e a vítima.
11. (FCC - TRT 15 Região) Sobre a criminologia é INCORRETO afirmar:9
a) estuda crimes socialmente relevantes, tendo interesse em estudar 
homicídios dolosos e roubos.
b) moderna tem como meta erradicar as causas do crime, pois desta 
forma também se estará eliminando os seus efeitos
Cap. 1 • DIFERENÇAS ENTRE DIREITO PENAL, CRIMINOLOGIA E POLÍTICA CRIMINAL í 29
c) tem como um dos objetivos orientar a política criminal na prevenção 
especial e direta dos crimes socialmente relevantes
d) é uma ciência que trata do delito, do delinquente e da pena
e) é um conjunto de conhecimentos que estuda o fenômeno e as cau­
sas da criminalidade, a personalidade do delinquente e sua conduta 
delituosa, incluindo também a maneira de ressocializá-lo
VAMOS AO TEMA!
As ciências penais não se limitam apenas ao estudo do Direito 
Penal, abrangendo também outras ciências penais, como a própria 
Criminologia e a Política Criminal, valendo apontar objetivamenteas respectivas diferenças entre cada uma.
O Direito Penal é a ciência penal responsável por analisar os 
fatos humanos considerados indesejados, definir quais fatos devem 
ser rotulados como crimes ou contravenção penal, anunciando pena.
Possui como missão a proteção de bens jurídicos indispensáveis 
à sociedade, bens estes consagrados pela Constituição Federal, 
servindo a Carta Maior como verdadeiro mandado constitucional 
de criminalização ao Direito Penal (determinação ao Direito Penal 
para criminalizar comportamentos violadores dos respectivos bens 
jurídicos).
E uma ciência jurídico-normativa, ou seja, ocupa-se do crime 
como uma norma. Além disso, é ciência do dever ser, anunciando 
predeterminaçóes e modelos de comportamentos considerados ideais.
Exemplo: é crime a subtração de coisa alheia móvel mediante 
violência ou grave ameaça (art. 157 do Código Penal).
A Criminologia, por sua vez, conforme aprofundaremos no 
capítulo seguinte, trata-se de uma ciência empírica que estuda o 
crime, o criminoso, a vítima e o comportamento da sociedade de 
maneira causal-explicativa. Em outras palavras, analisa o fenômeno 
criminal como um fato, observado as características dos casos 
concretos.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
É ciência do ser, na medida em que visa, por meio de análises e 
investigações de casos concretos, realizar um diagnóstico da reali­
dade e das causas da criminalidade (etiologia criminal, também 
chamado de criminogênese).
Exemplo: quais fatores contribuem para o crime de roubo 
(analisa, inclusive, a incidência do crime em determinados bairros 
considerados violentos e quais os fatores contribuem para a sua 
ocorrência).
Além de estudar o crime como um fato proveniente do convívio 
em sociedade, estuda também os impactos e as influências das 
normais penais quando aplicadas sobre o delinquente (análise 
prática dos efeitos do Direito Penal sobre a sociedade).
Por fim, a Política criminal possui caráter teleológico, buscando 
apresentar e aplicar estratégias políticas e meios de controle da crimi­
nalidade na sociedade. Ocupa-se do crime como valor.
Trata-se da sistematização de estratégias, meios e táticas de 
controle social da criminalidade, objetivando sugerir e nortear o 
aperfeiçoamento da legislação penal vigente, bem como prevenir 
a delinquência. Além disso, é ciência que se concretiza como o 
vínculo entre a Criminologia e o Direito Penal.
Exemplo: por meio de políticas públicas, desenvolvem-se 
estudos para diminuir a ocorrência de crime de roubo (como 
aumentar o efetivo do policiamento; iluminação nas ruas; etc.).
Cap. 1 • DIFERENÇAS ENTRE DIREITO PENAL, CRIMINOLOGIA E POLÍTICA CRIMINAL \ 31
Ciências Penais
Direito Penal Criminologia Política Criminai
Finalidade
Analisando fatos 
humanos indese- 
jados, define quais 
devem ser rotula­
dos como infrações 
penais, anunciando 
as respectivas 
sanções, visando à 
proteção de bens 
jurídicos.
Ciência do dever 
ser, jurídica e nor­
mativa.
Ciência empírica 
que estuda o crime, 
a pessoa do crimi­
noso, da vítima e o 
comportamento da 
sociedade.
Ciência do ser e 
empírica.
Trabalha as estra­
tégias e meios de 
controle social da 
criminalidade, bem 
como visa sugerir 
o aperfeiçoamento 
constante da legis­
lação penal vigente.
Constitui a ponte 
entre a Crimino­
logia e o Direito 
Penal.
Objeto 0 crime enquanto 
norma.
0 crime enquanto 
fato.
0 crime enquanto 
valor.
Exemplo
0 Direito Penal 
define o crime de 
homicídio e comina 
a respectiva sanção 
penal (pena).
A Criminologia es­
tuda o fenômeno do 
homicídio, o agente 
homicida, a vítima e 
o comportamento 
da sociedade.
A Política Criminal 
estuda formas de 
diminuir o homi­
cídio.
Perceba que cada ciência penal explanada na tabela anterior, 
é autônoma e independente. Uma não deve jamais ser encarada 
como sub-ramo da outra.
E importante destacar que os resultados obtidos por uma delas 
poderão (e deverão) servir de base para orientar as outras, trazendo 
a ideia de que tais ciências criminais se comunicam.
Assim sendo, considerando que a Criminologia analisa casos 
concretos por meio do empirismo, será possível produzir resultados 
seguros sobre as causas do crime. Esses resultados poderão servir 
de norte para a Política Criminal pensar e aplicar instrumentos 
e mecanismos de políticas públicas, visando prevenir a prática de 
novos delitos. E, também, podem servir de fonte de informação para 
orientar o Direito Penal sobre eventual necessidade de criação de 
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
causa de aumento/diminuição, atenuante/agravante, qualificadora/ 
privilegiadora, ou mesmo a criação de crimes (ou revogação), como 
medidas capazes de reduzir comportamentos desviados e antissociais.
GABARITO
11
B
1 2 3 4 5
B C A C B
6 7 8 9 10
C D C E c
CAPÍTULO 2
CONCEITO, CIENTIFICIDADE, 
MÉTODOS, OBJETOS E
FINALIDADES DA CRIMINOLOGIA
Leia as questões abaixo antes de estudar o capítulo
1. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2022) A respeito da criminologia, 
é correto afirmar que:
a) trata-se de ciência do "ser", empírica, que possui por objeto o crime, 
o criminoso, a vítima e o controle social.
b) possui como objeto a sociedade, a criminalidade e o criminoso, exer­
cendo direta influência no controle social.
c) trata-se de uma ciência empírica, do "dever-ser", na medida em que 
seu objeto é visível no mundo dos valores.
d) é uma ciência empírica, interdisciplinar, que estuda o crime, o crimi­
noso e a vítima, tendo sido conceituada pela primeira vez por Afrânio 
Peixoto.
e) atualmente é compreendida como uma ciência que se preocupa com 
o estudo exclusivo do crime e dos criminosos.
2. (PC-ES - DELEGADO DE POLÍCIA - INSTITUTO ACESSO - 2019) A moderna 
criminologia se dedica, também, ao estudo do controle social do delito, 
tendo este objeto representado um giro metodológico de grande impor­
tância. Assinale a alternativa correta:
a) a família, a escola, a opinião pública, por exemplo, são instituições 
encarregadas de exercer o controle social primário.
b) a polícia, o Judiciário, a administração penitenciária, por exemplo, são 
instituições encarregadas de exercer o controle social informal.
c) a polícia, o Judiciário, a administração penitenciária, por exemplo, são 
instituições encarregadas de exercer o controle social formal.
d) a família, a escola, a opinião pública, por exemplo, são instituições 
encarregadas de exercer o controle social terciário.
e) a família, a escola, a opinião pública, por exemplo, são instituições 
encarregadas de exercer o controle social secundário.
MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
3. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2018) A Criminologia é a ciência:
a) teorética que tem por objeto o estudo das ciências penais e proces­
suais penais e seus reflexos no controle social, propondo soluções 
para redução da criminalidade.
b) teorética alicerçada na análise dos antecedentes sociais da criminali­
dade e dos criminosos, que estuda exclusivamente o crime, propondo 
soluções para redução da criminalidade.
c) empírica e teorética, alicerçada no estudo das ciências penais e pro­
cessuais penais e seus reflexos no controle da criminalidade, tendo 
por objeto a redução da criminalidade.
d) empírica (baseada na observação e na experiência) e interdisciplinar 
que tem por objeto de análise o crime, a personalidade do autor do 
comportamento delitivo, a vítima e o controle social das condutas 
criminosas.
e) conceituai e abstrata, que se dedica ao estudo das armas de fogo e 
suas munições; das armas brancas e demais armas impróprias, obje­
tivando o controle social e a redução da criminalidade.
4. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2018) É correto afirmar que atual­
mente o objeto da criminologia está dividido em quatro vertentes, a 
saber:
a) vítima, criminoso, polícia e controle social.
b) polícia, ministério público, poder judiciário e controle social.
c) crime, criminoso, vítima e controle social.
d) polícia, ministério público, poder judiciário e sistema prisional.
e) forçasde segurança, criminoso, vítima, controle social.
5. (PC-SP - ESCRIVÃO - VUNESP - 2018) Assinale a alternativa correta em 
relação ao conceito, método, objeto ou finalidade da Criminologia.
a) Por ser uma categoria jurídica, o crime não é objeto de estudo da 
Criminologia, que se ocupa de seus efeitos.
b) A finalidade precípua da Criminologia é fundamentar a tipificação 
criminal das condutas e as respectivas penas.
c) Criminologia é uma ciência auxiliar do Direito Penal e a ele se cir­
cunscreve, visto ocupar-se das consequências dele decorrentes.
d) A vítima, primeiro objeto a ser estudado pela Criminologia, deixou 
de ser interesse dessa ciência a partir do surgimento da vitimologia.
e) Uma das finalidades da Criminologia, no seu atual estágio de desenvol­
vimento, é questionar a própria existência de alguns tipos de crimes.
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES p5
6. (PC-SP - ESCRIVÃO - VUNESP - 2018) O objeto de estudo da Crimino­
logia que mais traduz a função exercida pela polícia judiciária é 
a) a vítima.
b) o criminoso.
c) o autor do fato.
d) o crime.
e) o controle social.
7. (PC-SP - AGENTE DE TELECOMUNICAÇÕES - VUNESP - 2018) É correto 
afirmar que o controle social formal é representado, entre outras, pelas 
seguintes instâncias:
a) Família, Escola e Ministério Público.
b) Igreja, Família e Opinião Pública.
c) Escola, Igreja e Polícia.
d) Forças Armadas, Polícia e Escola.
e) Polícia, Forças Armadas e Ministério Público.
8. (PC-SP - INVESTIGADOR - VUNESP - 2014) A ciência que estuda a 
criminogênese é chamada de
a) ciência política.
b) ciência pública.
c) sociologia individual.
d) etiologia criminal.
e) ciência jurídica.
9. (PC-PE - DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL - CESPE - 2016) A criminologia 
moderna
a) é uma ciência normativa, essencialmente profilática, que visa oferecer 
estratégias para minimizar os fatores estimulantes da criminalidade 
e que se preocupa com a repressão social contra o delito por meio 
de regras coibitivas, cuja transgressão implica sanções.
b) ocupa-se com a pesquisa científica do fenômeno criminal — suas 
causas, características, sua prevenção e o controle de sua incidência 
—, sendo uma ciência causal-explicativa do delito como fenômeno 
social e individual.
c) ocupa-se, como ciência causal-explicativa-normativa, em estudar o 
homem delinquente em seu aspecto antropológico, estabelece coman­
dos legais de repressão à criminalidade e despreza, na análise empírica, 
o meio social como fatores criminógeno.
36 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
d) é uma ciência empírica e normativa que fundamenta a investigação 
de um delito, de um delinquente, de uma vítima e do controle social 
a partir de fatos abstratos apreendidos mediante o método indutivo 
de observação.
e) possui como objeto de estudo a diversidade patológica e a disfun- 
cionalidade do comportamento criminal do indivíduo delinquente e 
produz fundamentos epistemológicos e ideológicos como forma segura 
de definição jurídico-formal do crime e da pena.
10. (PC-GO - DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL - CESPE - 2017) Com relação 
ao objeto, às funções, às características e aos métodos da criminologia, 
assinale a opção correta.
a) A criminologia caracteriza-se por ser uma ciência normativa e unidis- 
ciplinar.
b) O direito penal estabelece condutas vedadas, sob a cominação abstrata 
de uma pena; a criminologia, por sua vez, busca observar cada conduta 
de infração da lei penal como fenômeno humano, biopsicossocial.
c) A criminologia é disciplina que alimenta o direito penal, mas dele não 
depende.
d) Para que a vítima seja considerada como tal pela criminologia, é 
necessário que ela não tenha qualquer tipo de responsabilidade em 
relação ao crime.
e) Os objetos da criminologia incluem: o delinquente, a vítima, o Poder 
Judiciário e o controle social.
11. (PC-MG - DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL - FUMARC - 2018) "Cabe definir 
a Criminologia como ciência empírica e interdisciplinar, que se ocupa do 
estudo do crime, da pessoa do infrator, da vítima e do controle social 
do comportamento delitivo, e que trata de subministrar uma informação 
válida, contrastada, sobre a gênese, dinâmica e variáveis principais do 
crime - contemplado este como problema individual e como problema 
social -, assim como sobre os programas de prevenção eficaz do mesmo 
e técnicas de intervenção positiva no homem delinquente e nos diversos 
modelos ou sistemas de resposta ao delito". Esta apresentação ao conceito 
de Criminologia apresenta, desde logo, algumas das características funda­
mentais do seu método (empirismo e interdisciplinaridade), antecipando 
o objeto (análise do delito, do delinquente, da vítima e do controle 
social) e suas funções (explicar e prevenir o crime e intervir na pessoa 
do infrator e avaliar os diferentes modelos de resposta ao crime).
MOLINA, Antônio G.P.; GOMES, Luiz F.; Criminologia. 6. ed. reform., atual, 
e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 32.
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES ^37 |
Sobre o método, o objeto e as funções da criminologia, considera-se:
I. A luta das escolas (positivismo versus classicismo) pode ser traduzida 
como um enfrentamento entre adeptos de métodos distintos; de um 
lado, os partidários do método abstrato, formal e dedutivo (os clássi­
cos) e, de outro, os que propugnavam o método empírico e indutivo 
(os positivistas).
II. Uma das características que mais se destaca na moderna Criminologia 
é a progressiva ampliação e problematização do seu objeto.
III. A criminologia, como ciência, não pode trazer um saber absoluto e 
definitivo sobre o problema criminal, senão um saber relativo, limi­
tado, provisional a respeito dele, pois, com o tempo e o progresso, 
as teorias se superam.
Estão CORRETAS as assertivas indicadas em:
a) I e II, apenas.
b) I e III, apenas.
c) I, II e III.
d) II e III, apenas.
12. (PC-CE - DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL - VUNESP - 2015) Os objetos de 
estudo da moderna criminologia estão divididos em
a) três vertentes: justiça criminal, delinquente e vítima.
b) três vertentes: política criminal, delito e delinquente.
c) três vertentes: política criminal, delinquente e pena.
d) quatro vertentes: delito, delinquente, justiça criminal e pena.
e) quatro vertentes: delito, delinquente, vítima e controle social.
VAMOS AO TEMA!
Eis um tema extremamente presente em todos os concursos 
públicos em que a Criminologia é cobrada no edital. Não é incomum 
encontrar duas, três ou até mais questões sobre tudo o que trabalha­
remos neste capítulo na mesma prova de concurso público.
A expressão Criminologia possui origem etimológica do latim 
crimino (crime) e do grego logos (estudo), ou seja, estudo do crime. 
Para facilitar a compreensão e sistematização do assunto, destrin- 
charemos cada elemento do conceito de criminologia nos tópicos 
seguintes.
38 MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
CONCEITO DE CRIMINOLOGIA
Criminologia pode ser definida como ciência autônoma, 
empírica e interdisciplinar, que se preocupa em estudar, por 
meio de métodos biológicos e sociológicos, o crime/delito, o 
criminoso/delinquente, a vítima e o controle social, com escopo 
de controle e prevenção da criminalidade, tratando do crime 
como problema social.
Este conceito é muito cobrado em concursos públicos, mere­
cendo explicações detalhadas das expressões em destaque acima, 
bem como afastando falsas definições da criminologia frequen­
temente lançadas em alternativas erradas como armadilhas em 
questões. Vejamos cada elemento:
Ciência autônoma: a Criminologia é entendida como ciência 
autônoma e independente, por possuir função, métodos e objetos 
próprios. Logo, é incorreto afirmar que a Criminologia é um 
ramo, sub-ramo, “braço”, complemento ou extensão de outro 
ramo do saber (exemplo: a criminologia não é um “braço do 
Direito Penal);
Empirismo: trata-se de todo conhecimento proveniente da 
experiência, captado pelo mundo externo, físico, por meio dos 
sentidos. A Criminologia visa chegar àsconclusões seguras por 
meio de casos concretos, reais, de crimes, observado os detalhes do 
ocorrido, tais como o local do crime, comportamento da vítima, 
motivações e comportamento do criminoso, reação da sociedade 
etc. Após a observação dos fatos (empirismo ou método experi­
mental) é que a Criminologia chega a uma conclusão;
Interdisciplinaridade: apesar de se tratar de ciência autô­
noma, a Criminologia reúne e leva em consideração os resul­
tados de outros ramos do saber, tais como a sociologia, biologia, 
psicologia, medicina legal etc. Ademais, importante diferenciar 
interdisciplinaridade de multidisciplinaridade. A interdisciplinari­
dade (característica da Criminologia) é mais profunda, reunindo 
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES 39
conhecimento de outros ramos do saber que convergem entre si, 
chegando a conclusões harmônicas, uniformes. Por outro lado, 
a multidisciplinaridade (não é característica da Criminologia) é 
mais esparsa, na medida em que apresenta diversas conclusões 
de vários ramos do saber, cada qual chegando em resultados de 
mondo independente, ou seja, cada qual apresentando sua visão 
de determinando ponto de vista sem a preocupação de considerar 
as demais visões.
Além disso, quando se busca a origem do crime, a Criminologia 
se vale da chamada Etiologia Criminal: ciência que estuda as 
origens e causas do crime, também chamada de Criminogênese 
(Gênese = origem + crime).
► Como esse assunto é cobrado em concurso?
Estamos diante de um dos temas mais cobrados em concursos públi­
cos. Bancas como Vunesp, Cespe/Cebraspe, dentre outras cobram o 
conceito de Criminologia, bem como tentam induzir os candidatos 
ao erro inserindo nas alternativas incorretas características que 
não pertencem à Criminologia. Por esse motivo, é fundamental 
apontarmos também as características que não se relacionam com 
a Criminologia.
Sendo assim, uma vez definida a Criminologia, visando afastar 
qualquer dúvida e evitar “armadilhas” em concursos públicos, 
podemos destacar o que a Criminologia nâo é:
— Não é teorética: não se limita ao mundo das idéias, mas 
possui aplicação prática;
— Não é normativa: a ciência que prescreve regras (define 
crimes) e sanções é o Direito Penal. Conforme já tratamos, a 
Criminologia é ciência empírica;
- Não é ciência do “dever ser”: O Direito Penal é um 
bom exemplo de ciência do “dever ser”, preocupando-se em 
prescrever condutas para que as pessoas não as pratiquem. Já 
a Criminologia, por analisar os fatos por meio dos sentidos, 
40 . MANUAL DE CRIMINOLOGIA • DiegoPureza
busca identificar a realidade em si, ou seja, a Criminologia é 
uma ciência do “ser”;
- Não é uma ciência exata: em se tratando do ramo do 
saber operado por seres-humanos, analisando fatos e outros seres- 
-humanos, a Criminologia é uma ciência humana, passível de erro, 
sem conclusões de caráter insofismável, ao contrário das ciências 
exatas.
Para finalizar este primeiro tópico, cumpre destacar que a 
Criminologia moderna se subdivide em dois ramos:
1. Criminologia Geral
Consiste na comparação, sistematização e classificação dos 
resultados no âmbito das demais ciências criminais acerca dos 
seus objetos.
Em outras palavras, todos os resultados e conclusões teóricas 
da criminologia são classificados como Criminologia Geral.
2. Criminologia Clínica (Microcriminologia)
Trata-se da aplicação concreta dos conhecimentos teóricos 
(Criminologia Geral) para o tratamento dos criminosos, estudando 
a pessoa do criminoso em busca de sua ressocialização.
Como já afirmamos, a criminologia não se limita a teoria 
(teorética), possuindo aplicação prática. Tal aplicação prática é 
chamada de Criminologia Clínica (também chamada de Micro­
criminologia).
Aprofundando na Criminologia Clínica, conforme leciona 
Alvino Augusto de Sá:
“A Criminologia Clínica é a ciência que, valendo-se dos conceitos, 
princípios e métodos de investigação médico-psicológico (e sócio fami­
liares), ocupa-se do indivíduo condenado, para nele investigar a 
dinâmica de sua perspectiva de desdobramentos futuros (prognóstico) 
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES f41
para, assim, propor estratégias de intervenção, com vista à superação 
ou contenção de uma possível tendência criminal e a evitar a rein­
cidência (tratamento)”1.
1. Disponível em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/44231/criminologia- 
-clinica . Data de acesso: 04 de setembro de 2023.
Perceba que a Criminologia Clínica se vale do criminoso- 
-condenado enquanto objeto de estudo. O objetivo é analisá-lo, 
verificando suas motivações para o crime, ambiente em que vive, 
pessoas próximas, e outros fatores sociológicos e psicológicos que 
o influenciaram para o crime, visando, posteriormente, propor 
estratégias de ressocialização sobre o condenado, especialmente 
com a finalidade de evitar reincidência.
Mas não é só, pois, segundo Nestor Sampaio:
“A criminologia clínica traça estratégias de intervenção, voltando- 
se também para os diretores e agentes de segurança penitenciários, 
visando envolvê-los num trabalho conjunto com os técnicos, assim 
como envolver todos os demais serviços do presídio e, de forma espe­
cial, a família do detento. Ademais, sua aplicação levará em conta 
as respostas às estratégias de intervenção propostas, valendo-se, não 
só de avaliações técnicas, mas também das observações dos outros 
profissionais, incluindo aí os agentes de segurança penitenciários, 
observações essas que serão tecnicamente colhidas e interpretadas 
pelo corpo técnico”.
Em que pese o termo “Criminologia Clínica” soar como uma 
espécie de "ambiente de recuperação de pessoas doentes”, não é este 
o real sentido que envolve o verdadeiro significado da expressão, 
mas sim a ideia de desacordo com a sociedade, como uma forma 
de “contaminação”, que, uma vez não tratada, pode resultar em 
prejuízos para a sociedade, vindo a "contaminar” muitas outras 
pessoas.
https://conteudojuridico.com.br/consulta/Artigos/44231/criminologia--clinica
42 ! MANUAL DE CRIMINOLOGIA • Diego Pureza
Importante destacarmos o maior ponto de contato entre a 
Criminologia Clínica e o Direito Penal. A Criminologia Clínica 
tem enorme importância para o Direito Penal, em especial na fase 
de execução da pena.
Em relação à execução da pena, a Criminologia Clínica tem 
como principais objetivos:
• individualizar cada preso;
• propor avanços e sugestões de alterações legislativas (a 
exemplo de sugerir novas penas alternativas aos indivíduos 
que cometem algum crime, evitando o cárcere sempre que 
possível).
Por fim, como forma de apontar a evolução dos conceitos e 
ferramentas da Criminologia Clínica moderna, vale a pena apon­
tarmos em quadro comparativo as suas diferenças em relação à 
Antropologia Clínica (muito utilizada na Criminologia Positiva, 
especialmente por Lombroso) e Criminologia Clínica Tradicional:
Antropologia 
Clínica
Criminologia 
Clínica Tradicional
Criminologia 
Clínica Moderna
Enfoque Raça Indivíduo Indivíduo, seu 
meio e contexto
Causa Atavismos e taras Personalidade
(estado perigoso)
Multifatores inter­
nos e externos
Pressuposto Predeterminismo 
racial
Predeterminismo 
individual
Reconhece a 
delinquência 
contínua e não 
delinquência
Finalidade Segurança social 
e cura
Tratamento Reabilitação e 
reintegração social
Cap. 2 • CONCEITO, CIENTIFICIDADE, MÉTODOS, OBJETOS E FINALIDADES p*3 j
CIENTIFICIDADE
A Criminologia possui status de ciência autônoma, especial­
mente por contar com função, métodos e objetos próprios. A cien- 
tificidade garante à Criminologia o condão de fornecer informações 
dotadas de confiabilidade e validade sobre o crime.
Ainda assim, cumpre destacar novamente que em se tratando 
de uma ciência eminentemente humana (e não exata), a Crimi­
nologia não possui a força de apresentar resultados e conclusões 
absolutas, de certeza inquestionável. Apresenta informações 
fragmentadas, parciais, provisórias. Todavia, por se tratar

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