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IV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro A ATUAÇÃO DO PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTAÇÃO ESCOLAR (PNAE) NA GARANTIA DA MERENDA ESCOLAR E CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR NO BRASIL ARAÚJO, Francisco Discente em Licenciatura em Geografia, IFCE Campus Crateús, Brasil, SANTOS, Izabelly Discente em Licenciatura em Geografia, IFCE Campus Crateús, Brasil, zabelly.alves.santos08@aluno.ifce.edu.br GOMES, Antonia Professora de Fundamentos da Educação do IFCE Campus Crateús, Brasil, karla.gomes@ifce.edu.br Resumo: O presente artigo, por meio de uma metodologia de pesquisa documental e bibliográfica, tem como finalidade apresentar como o financiamento da merenda escolar brasileira contribui para garantia da segurança alimentar no país, através da implementação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) determinado pela lei 11.947 de 2009. Objetivando, por meio da perspectiva de Josué de Castro, discorrer sobre a insegurança alimentar como uma problemática política, acentuada pela desigual distribuição dos recursos alimentícios, negligência governamental, discrepâncias sociais e, nesta ótica, como a merenda escolar é de suma contribuição para a redução deste entrave social. Este trabalho, também busca enfatizar a importância de políticas públicas para garantia do direito à alimentação, tendo como principal objeto de análise a atuação do PNAE, durante o período pandêmico e o agravamento da insegurança alimentar no Brasil. Por fim, o presente artigo justifica-se pela análise da conjuntura socioespacial brasileira durante a pandemia e como as medidas de fornecimento da merenda escolar adotadas pela lei 11.947, possibilitaram a seguridade alimentar dos estudantes durante a quarentena, o ensino remoto e a crise sanitária no país. Palavras-chave: Segurança Alimentar; Politica Educacional; Merenda Escolar; PNAE; Fome; EL DESEMPEÑO DEL PROGRAMA NACIONAL DE ALIMENTACIÓN ESCOLAR (PNAE) EN LA GARANTÍA DE LA MERIENDA ESCOLAR Y LA CONTRIBUCIÓN A LA SEGURIDAD ALIMENTARIA EN BRASIL Resumen: Este artículo, a través de una metodología de pesquisa documental y bibliográfica, tiene como objetivo presentar cómo la financiación de los almuerzos escolares brasileños contribuye a garantizar la seguridad alimentaria en el país, a través de la implementación del Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) determinado por la Ley. 11.947 de 2009. Pretende, a través de la perspectiva de Josué de Castro, discutir la inseguridad alimentaria 624 IV CBOE Artigo ISBN: 978-85-89082-77-8 DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778IV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro como un problema político, acentuado por la desigual distribución de los recursos alimentarios, la negligencia gubernamental, las discrepancias sociales y cómo la merienda escolar es un gran aporte para reducirla barrera social. Este trabajo también busca enfatizar la importancia de las políticas públicas para garantizar el derecho a la alimentación, teniendo como principal objeto de análisis el desempeño del PNAE, durante el período de pandemia y el empeoramiento de la inseguridad alimentaria en Brasil. Finalmente, este artículo se justifica por el análisis de la situación socio espacial brasileña durante la pandemia y cómo las medidas de alimentación escolar adoptadas por la ley 11.947 posibilitaron la seguridad alimentaria de los estudiantes durante la cuarentena, la enseñanza a distancia y la crisis sanitaria en el país. Palabras Clave: Seguridad alimenticia; Política educativa; Almuerzo escolar; PNAE; Hambre; INTRODUÇÃO Este trabalho tem como tema: A atuação do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) na garantia da merenda escolar e sua contribuição para a segurança alimentar no Brasil. Objetivando analisar a contribuição do PNAE para a garantia da merenda escolar e segurança alimentar no Brasil, também contextualizar a trajetória histórica de legalização e acesso à merenda escolar brasileira, bem como apresentar a relação entre o PNAE, o combate à fome e garantia da segurança alimentar no Brasil e por fim analisar as contribuições do PNAE para as escolas brasileiras durante o período pandêmico. A conjuntura socioespacial brasileira é constituída por desigualdades sociais que condicionam uma distribuição discrepante de recursos basilares para a sobrevivência e qualidade de vida. Entre estes, destaca-se o acesso à alimentação saudável e adequada, recurso inacessível para grande parte da população e agravado durante o período pandêmico. Diante desta realidade, o ambiente escolar torna-se um importante espaço de apoio para a nutrição de crianças e jovens que sofrem pela escassez de alimentos em suas moradias e tem sua alimentação complementada pela merenda da escola. Logo, o presente artigo justifica-se pela análise do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) que através da lei n° 11.947/2009 assegura a alimentação na escola e contribui para garantia da segurança alimentar no Brasil, fundamentando-se na perspectiva de Josué de Castro (1965) acerca da problemática da fome, tendo em vista sua notoriedade nacional e internacional para compreensão deste fenômeno sob ótica social, econômica e política. Diante disso, compreende-se como Segurança Alimentar o acesso permanente e regular à alimentação adequada em valor nutricional e quantidade satisfatória. Sendo esta no Brasil um direito humano previsto constitucionalmente e assegurado pela Lei Orgânica da Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) n°11.346/2006, cuja finalidade é delimitar políticas públicas 625 IV CBOE DOI: www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro de garantia à alimentação apropriada, através de programas de organização, fiscalização e manutenção dos recursos alimentares destinados à população. Além de seu amparo legislativo, segundo Copetti (2020) no Jornal do Comercio, em 2020, representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Federação do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL) afirmam que o país teve um potencial de produção alimentícia capaz de atender 1,6 bilhões de pessoas, tendo um excedente de 1,4 bilhões em relação ao seu total de habitantes. Entretanto, apesar de sua legislação assegurar a alimentação como direito e de sua capacidade produtiva exceder em bilhões a demanda populacional, o Brasil, consoante a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (RBPSSAN), conta com 33,1 milhões de pessoas vivendo em condições de insegurança alimentar, número agravado durante o período pandêmico (RBPSSAN, 2022). Assim, promovendo a reflexão de que a fome é um fenômeno político, impulsionada não pela escassez de alimentos em um território, mas pela má distribuição da produção de alimentos e negligência governamental ao atendimento das necessidades das camadas sociais menos favorecidas. Diante deste cenário, a oferta de refeições gratuitas e de forma regular atua contribuindo para garantia da segurança alimentar no Brasil. Incluindo-se as políticas educacionais que financiam a merenda escolar. Destaca-se entre essas políticas o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), previsto na lei n° 11.947 de 2009 e regido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), cujo objetivo é assegurar a alimentação nutritiva e de qualidade a todos os estudantes da educação básica matriculados na rede pública, filantrópica e em escolas comunitárias. Proporcionando melhores condições ao desenvolvimento da aprendizagem e contribuindo para a segurança nutricional a nível nacional. Logo, este artigo tem como finalidade abordar a problemática da fome como fenômeno político e ressaltar a importância do financiamento da merenda escolar pelo PNAE, para além do atendimento educacional, mas também para a garantia da segurança alimentar e combate à fome no Brasil. METODOLOGIA A metodologia adotada para a realização deste trabalho consiste em uma pesquisa bibliográfica, que pode ser compreendida como: "A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos" (GIL, 2008) sobre a trajetória legal da merenda escolar no Brasil, objetivando uma melhor compreensão da 626 IV CBOE DOI: www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro necessidade e formação desta intervenção. Sendo fundamentada na cronologia escrita pela repórter e autora Mylena Melo, do jornal "O joio e o trigo". Ademais, o levantamento bibliográfico deste trabalho abrangerá a perspectiva de Josué de Castro (1965 2003), autor renomado por seus estudos e obras sobre a problemática da fome. Ao defender que esta é um fenômeno político e, portanto, carece de medidas políticas para ser combatida, sendo uma destas, defendida neste trabalho, a atuação do PNAE. A metodologia também adota a pesquisa documental, que conforme GIL (2008) é a pesquisa que vale-se de materiais que não recebem ainda um tratamento analítico ou que ainda podem ser reelaborados de acordo com os objetos da pesquisa, acerca da lei n° 11.947/2009 que rege o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), assegurado pelo FNDE e previsto pela Constituição Federal de 1988. Objetivando apresentar as principais atribuições e contribuições desta política na garantia da merenda escolar no Brasil e como sua atuação possibilita uma maior democratização do acesso ao direito à alimentação no país. Também, a apresentação e análise da "Orientações para a execução do PNAE Pandemia do Corona vírus (Covid-19)", ofertada pelo FNDE durante o período pandêmico e o agravamento da insegurança alimentar brasileira, buscando discorrer sobre a importância da manutenção desta política na crise sanitária. Por fim, o processo metodológico deste artigo, por meio da pesquisa bibliográfica, abrangerá pesquisas divulgadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN), Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (FARSUL) e Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (RBPSSAN) sobre a discrepante distribuição alimentar no país, frente ao seu excedente de produção e também sobre o aumento da insegurança alimentar nos anos correspondentes à pandemia. A TRAJETORIA LEGAL DE INSTITUIÇÃO DA MERENDA ESCOLAR COMO DIREITO NO BRASIL Os anos 1980 foram marcados pelo fim da ditadura militar e promulgação da nova Constituição Federal em 1988. No que tange à alimentação escolar, esta foi legalmente prevista como direito do estudante e dever do Estado. Ainda nesta década foi proposto o Programa de 1 Link para ter acesso à cartilha "Orientações para a execução do PNAE Pandemia do Coronavírus (Covid-19)" covid-19 627 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro Municipalização da Merenda Escolar (PMME), através de convênios com os municípios, propondo que os alimentos in natura fossem assegurados pelo poder municipal, enquanto os produtos industrializados ficassem sob responsabilidade da Contudo, apenas 184 dos municípios brasileiros aderiram este projeto entre 1986 e 1988. O começo de 1990 foi marcado por negligências governamentais e crises na alimentação, incluindo a escolar. Em sua gestão, o presidente Fernando Collor de Melo interrompeu o PMME, e em 1991 surgiram denúncias sobre desvio de verbas da alimentação, ocasionando a criação da CPI da Fome e a mobilização popular no movimento "Ação da Cidadania contra a Fome, Miséria e pela Vida" em reivindicação pelo atendimento alimentar do país. Ainda nos primeiros anos da década, Collor de Melo sofreu destituição de cargo em 1992, sendo substituído por seu vice Itamar Franco. Em 1993, é criado o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA) que estabelece vínculo entre o governo federal e a sociedade civil, visando assegurar o acesso à alimentação saudável e de qualidade a todos os cidadãos. Neste mesmo ano, o PNAE ainda era gerido de forma centralizada, tendo toda a sua logística sob responsabilidade do órgão gerenciador, desde a seleção dos gêneros alimentícios até sua distribuição para estados e municípios. Apenas no ano seguinte, houve a descentralização dos recursos, por intermédio da lei n° 8.913 de 12 de julho de 1994, estipulando convênios com os municípios e dando autoridade para as suas secretarias de educação no atendimento da merenda escolar, fazendo com que no período de 1994 a 1998, 70% dos municípios brasileiros aderissem esta política descentralizada. Em 1997, o PNAE passa a ser administrado diretamente pelo FNDE e em 1998 esta descentralização foi totalmente consolidada pela medida provisória n°1.784 que instituiu fornecimento de recursos aos municípios, sem uso de convênio, possibilitando maior agilidade neste atendimento. Tal medida contribuiu significativamente para o avanço do PNAE, fazendo com que 70% dos recursos oriundos do governo federal fossem destinados exclusivamente a produtos básicos e atendimento da merenda escolar com respeito aos hábitos alimentares e especialização agrícola de cada município, contribuindo também para a economia e ascensão dos produtos locais. Ademais, instituiu em cada cidade o Conselho Alimentar Escolar (CAE), cuja função é fiscalizar o uso dos recursos repassados e assegurar a qualidade da alimentação escolar (MELO, 2021). A passagem do milênio trouxe significativos avanços para o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Em 2006, houve a exigência de atuação de um nutricionista no 628 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro planejamento da merenda estudantil, visando à elaboração de cardápios com maior valor nutricional. Neste mesmo ano, também ocorreu a criação dos Centros Colaboradores de Alimentação e Nutrição Escolar (CECANES), promovendo parcerias entre o FNDE e instituições Federais de ensino superior, objetivando desenvolver atividades de apoio ao PNAE. Em 2009, o PNAE foi reformulado e ampliado pela lei n° 11.947, cuja elaboração teve participação de integrantes do CONSEA, FNDE, membros do Movimento Pequenos Agricultores (MPA), Movimento Mulheres Camponesas (MMC) e do Fórum brasileiro de Soberania Alimentar e Nutricional (FBSSAM). Nesta atualização, alunos do ensino médio e educação para jovens e adultos (EJA) foram incluídos nos programas de acesso à merenda escolar, promovendo o reajuste no valor médio por refeição, a inclusão dos pequenos agricultores na composição da alimentação escolar, estipulando que 30% dos recursos financeiros repassados pelo FNDE para compra de alimentos, deveriam prover da agricultura familiar, aumentando o poder de compra desta classe e impulsionando a economia, também deu prioridade e assistência a grupos étnicos como indígenas e quilombolas (MELO, 2021). No ano de 2020 e o advento pandêmico, o acesso à alimentação escolar e o regimento do PNAE ficaram comprometidos devido ao fechamento das escolas, fazendo com que se agravasse a insegurança alimentar no Brasil, tendo em vista a importância da merenda para a complementação nutricional de crianças e jovens. Apesar dos recursos do PNAE estarem sendo destinados à merenda, este recurso não estava chegando aos estudantes, fazendo com que em abril daquele ano, o governo federal aprovasse uma resolução que permitisse a distribuição dos alimentos diretamente para as famílias dos alunos (MELO, 2021). Para a primeira tentativa de implementação desta medida adotou-se o uso de um cartão o qual permitia a retirada do dinheiro, entretanto isto impactou os agricultores que vendiam seus produtos ao PNAE, reduzindo sua renda e seu poder de compra. Além dos cartões foram distribuídas cestas básicas, buscando atender aos estudantes que não estavam sendo beneficiados pelo cartão. A partir deste levantamento histórico do acesso legal à merenda escolar no país, pode- se concluir que a escola tem um papel fundamental no combate à fome nacional, fazendo com que o Programa Nacional de Alimentação Escolar seja de suma importância para a consolidação do acesso a este direito, atuando inclusive em períodos de calamidade pública. Deste modo, faz-se mister compreender a atuação e relação do PNAE para a segurança alimentar no Brasil. 629 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro A CONTRIBUIÇÃO DO PNAE PARA A SEGURANÇA ALIMENTAR DIANTE DA DISCREPANTE DISTRIBUIÇÃO DE RECURSOS ALIMENTICIOS NO BRASIL O Brasil destaca-se entre os demais países, como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, sendo referência na exportação de grãos como milho e soja e cuja produção em 2020 atingiu capacidade para alimentar 1,6 bilhões de pessoas, segundo divulgações da Embrapa. Em contraponto, o cenário nacional teve um aumento significativo nos índices de insegurança alimentar, cujos dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (RBPSSAN) evidenciaram um total de 33,1 milhões de pessoas vivendo em condições de inacesso à alimentação regular e adequada, número correspondente a 15, 5% da população brasileira (MONCAU, 2022). Diante desta realidade, pode-se compreender a insegurança alimentar no Brasil a partir da seguinte percepção: É evidente que não bastaria dispor de alimentos em quantidade suficiente e suficientemente diversificados para cobrir as necessidades alimentares da população. O problema da fome não é apenas um problema de produção insuficiente de alimentos. É preciso que a massa desta população disponha de poder de compra para adquirir estes alimentos (CASTRO, 2003, p. 55). Pois, a insegurança alimentar nacional não decorre da escassez de recursos, mas da má distribuição alimentícia em função de diversos fatores políticos, econômicos e sociais, entre os quais cabe-se destacar: A desigualdade social, negligência governamental na implementação de políticas públicas de combate à fome, produção alimentícia veiculada majoritariamente ao setor empresarial em detrimento ao atendimento da saúde pública e mudanças no cenário econômico devido ao período pandêmico. No que tange à segurança alimentar, pode-se defini-la como o acesso regular e permanente à alimentação adequada em valores nutricionais e quantidades satisfatórias, prevista como direito humano pelo artigo 6° da Constituição Federal e regulamentada pela Lei Orgânica da Segurança Alimentar e Nutricional (LOSAN) n°11.346/2006, cuja finalidade é delimitar políticas públicas de garantia à alimentação apropriada, através de programas de organização, fiscalização e manutenção dos recursos alimentares destinados à população. Já a insegurança alimentar, de acordo com a Escala Brasileira de Medida Domiciliar de Insegurança Alimentar (EBIA), abrange três níveis de risco, sendo estes, leve, moderado e grave, no qual 630 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro todos referem-se à carência de alimentação adequada em porções calóricas e nutricionais satisfatórias em diferentes estágios. A insegurança alimentar no Brasil compreende-se ainda na visão de Castro (1984) sobre a fome, ao defender que existem duas diferentes manifestações da fome no organismo, a primeira sendo a privação total de comida e a segunda chamada de fome parcial, caracterizada pela pobreza nutricional dos alimentos ingeridos, ocasionando problemas de saúde que podem levar a óbito. A partir desta análise é possível perceber que os fatores que impulsionam o déficit alimentar no Brasil, fazem deste um fenômeno sociopolítico e, portanto, requer medidas políticas para sua reversão. Embora as ações de cumprimento legislativo e democratização nutricional, ainda sejam exíguas perante os indicadores de inseguridade alimentícia no Brasil, existem programas que se sobressaem na garantia ao direito constitucional de acesso à alimentação, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar. Segundo a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN, 2017), o PNAE é o maior programa de alimentação escolar do mundo. Este objetiva assegurar a alimentação nutritiva e de qualidade a todos os estudantes da educação básica matriculados na rede pública, filantrópica e em escolas comunitárias. Proporcionando, através da merenda escolar, o desenvolvimento físico, mental e psicológico dos estudantes e deste modo contribuindo para a melhor aprendizagem dos mesmos, como determinado pelo Art. 4° de sua constituição legal. Além de proporcionar condições mais favoráveis à atuação pedagógica, o PNAE contribui para uma dieta mais nutritiva, atentando-se para a cultura, hábitos alimentícios, elaboração de cardápios com apoio especializado e aquisição de recursos sustentáveis, mediante o Artigo 12° da lei em questão. Ademais, ao PNAE atribui-se a distribuição da alimentação escolar visando garantir a segurança alimentar e nutricional dos alunos, atentando-se para aqueles em estado de vulnerabilidade social, segundo inciso VI, Art. 2°, tendo em vista que o alimento ofertado na escola é, em muitos casos, a principal refeição do estudante ou aquela com maior valor nutricional ao longo do dia. O Programa, através do inciso II do Art. 2°, também tem como proposta incluir a educação alimentar e nutricional no processo de ensino e aprendizagem, que perpassa pelo currículo escolar, abordando o tema alimentação e nutrição e o desenvolvimento de práticas saudáveis de vida, na perspectiva da segurança alimentar e nutricional. Segundo Castro (1984), um dos maiores desafios do planejamento de soluções adequadas ao problema da alimentação dos povos encontra-se no pouquíssimo conhecimento que se tem do conjunto como uma estrutura complexa que envolve a natureza, o social e o 631 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro econômico. Assim, torna-se necessário instruir os estudantes acerca desta problemática para que assim, tornem-se cidadãos cientes da realidade do país e sejam capazes de reivindicar por melhorias no que tange ao atendimento do direito à alimentação. Deste modo, o Programa que rege o financiamento da merenda escolar, pode ser compreendido como um programa pedagógico de desenvolvimento da educação, uma política pública de acesso à alimentação para as crianças, jovens e adultos que encontram na escola um espaço de apoio às suas necessidades básicas e também um instrumento de conscientização social e formação cidadã. Referente ao orçamento, o programa recebe da União um valor anual correspondente ao total de alunos matriculados na rede básica, segundo o Censo Este recurso é distribuído entre estados e municípios e fiscalizado pelos Conselhos de Alimentação Escolar (CAE), pelo FNDE, pelo Tribunal de Contas da União (TCU) pela Controladoria Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público. Com a distribuição deste insumo, o PNAE atende aos estudantes ofertando diariamente refeições, cujos valores variam conforme a idade prevista em série e o tempo em que o discente permanece na instituição de ensino. A exemplo das unidades escolares de período integral, as quais devem atender 70% das necessidades nutricionais diárias dos estudantes, divididas em no mínimo 3 refeições ao dia, segundo informações da Food and Agriculture Organization Além de todo o atendimento estudantil, esta política pública ainda coopera com a seguridade alimentícia no Brasil, promovendo a distribuição de renda e alavancando o poder de compra do produtor rural, tendo em vista que 30% do orçamento destinado à aquisição de alimentos devem ir diretamente para a agricultura familiar, dando preferência aos agricultores de assentamentos e comunidades indígenas e quilombolas, atendendo ao Artigo 14° da lei 11.947/2009. Permitindo aos alunos o consumo de gêneros alimentícios mais saudáveis e dando possibilidade ao pequeno produtor de atuar em um mercado de domínio do agronegócio. Assim sendo, o PNAE é de suma contribuição para a segurança alimentar no Brasil, ofertando de forma regular e adequada alimentação para toda a rede básica de ensino e através da arrecadação destes gêneros alimentícios e preparo das refeições, impulsionando a economia local e consequentemente a qualidade de vida das pessoas envolvidas neste processo. O PNAE também mostrou-se uma política fundamental no combate à fome durante o período pandêmico 2 O Censo Escolar é o principal instrumento de coleta de informações da educação básica e a mais importante pesquisa estatística educacional brasileira. É coordenado pelo Inep e realizado em regime de colaboração entre as secretarias estaduais e municipais de educação e com a participação de todas as escolas públicas e privadas do país e abrange as diferentes etapas e modalidades da educação básica e profissional. 3 A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), sigla do inglês Food and Agriculture Organization é uma das agências da Organização das Nações Unidas (ONU), que lidera esforços para a erradicação da fome e combate à pobreza. 632 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro em que o país passou por declínio econômico, aumento de desemprego, acentuação da pobreza e da insegurança alimentar, atendendo milhões de estudantes em quarentena com kits de alimentação e assim apaziguando a fome durante a calamidade pública. A ACENTUAÇÃO DA INSEGURANÇA ALIMENTAR NO PERIODO PANDÊMICO E ATUAÇÃO DO PNAE Josué de Castro foi um dos maiores pesquisadores e teóricos sociais do Brasil, cujas obras repercutiram internacionalmente ao abordar de forma crítica e reflexiva a questão da fome, analisando suas causas e seus impactos para a sociedade. Em suas diversas publicações, como A Geografia da Fome (1946) e Geopolítica da Fome (1951), Castro desmistificou a fome como um fenômeno natural de escassez de recursos, apontando-a como resultado de causas políticas e econômicas, provocada por meio da instabilidade social, negação de direitos básicos, concentração fundiária e desigual acesso aos recursos alimentícios que afetam diretamente as classes de maior vulnerabilidade socioeconômica. Suas observações, iniciadas nos manguezais do Recife, ampliam-se e aplicam-se à realidade brasileira, fazendo-se atuais no período vigente e sendo de grande contribuição para a compreensão da insegurança alimentar durante a crise sanitária do Covid-19. O autor analisa a fome em duas percepções, endêmica e epidêmica, na qual a primeira é expressa por estados de inanição ou insuficiência nutricional, ocasionada por agentes políticos e percebida de forma constante. Enquanto a segunda é condicionada por cenários de calamidade pública como guerras, catástrofes ambientais e crises sanitárias, gerando inacessibilidade de recursos basilares para a população. Nesta ótica, a fome epidêmica vivenciada nacionalmente na pandemia, pode ser constatada como um agravamento da fome endêmica gerada pela pobreza, desemprego e fragilidade financeira, já presentes na conjuntura socioespacial brasileira. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), no ano pré-pandêmico de 2019, o número de brasileiros desprovidos de dinheiro para alimentar a si próprios e suas famílias atingia 30%, vindo a subir em 2021 e alcançar 36%. Pesquisas da FGV apontam ainda que a insegurança alimentar nacional sofreu um acréscimo percentual de 22 pontos entre 2019 e 2021. afetando principalmente os 20% mais pobres do Brasil, cuja instabilidade neste período subiu de 53% para 75%. Fazendo com que a média de inacesso alimentar nacional superasse pela primeira vez a média mundial, desde 2006. 633 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro Diante da ameaça viral e confinamento domiciliar, a acentuação da fome epidêmica atingiu também aos estudantes, posto que a merenda escolar é uma importante fonte nutricional, vindo a ser para crianças e jovens em situações de pobreza e extrema pobreza, a principal refeição do dia. Logo, a suspensão das aulas e instauração do ensino remoto representou para milhares de alunos a privação de um recurso essencial para a sua sobrevivência. À vista deste panorama, o Estado buscou alternativas para o fornecimento da merenda escolar nas residências dos estudantes, cumprindo legalmente seu papel com a nutrição estudantil. A partir da Lei 13.987 de 07 de abril de 2020, o governo federal autorizou que os recursos do PNAE fossem distribuídos às famílias dos estudantes para que estes tivessem acesso à alimentação que consumiriam no ambiente escolar. A princípio, o Estado buscou disponibilizar cartões para saques em espécie do valor correspondente à alimentação de cada aluno, porém esta medida comprometia o escoamento de produção da agricultura familiar, ferindo o Artigo 14° do (PNAE) o qual estabelece que 30% da aquisição dos gêneros alimentícios para a merenda escolar, devem ser destinados ao pequeno agricultor. Assim, atendendo as diretrizes do Programa, o poder público promoveu à oferta de kits de alimentação, cuja logística de distribuição ficou sob responsabilidade do poder municipal e foi orientada por uma cartilha elaborada pelo FNDE com o objetivo de instruir a aplicação do PNAE durante a quarentena. Esta cartilha enfatizou o acesso à merenda escolar como direito universal de todo aluno do ensino básico matriculado em rede pública nacional, ressaltando o compromisso do PNAE mesmo diante da suspensão das aulas presenciais. O documento apresentou que os alimentos fornecidos devem ser proporcionais ao consumo de cada aluno, com base em sua faixa etária, necessidade calórica e nutricional, tempo em que o mesmo estaria na instituição de ensino, número de refeições feitas ao dia em modalidade presencial e parecer de um nutricionista, buscando minimizar os impactos da insegurança alimentar na pandemia (BRASIL, 2020). Outrossim, as instruções atentaram-se para o provimento semanal de produtos in natura como frutas, tubérculos e hortaliças cultivados pela agricultura familiar, garantindo aos educandos um cardápio mais saudável e nutritivo e assegurando a renda do produtor rural, através da comercialização de sua mercadoria. Ressaltando a atuação do PNAE para garantia da seguridade alimentícia do aluno e do agricultor. No tocante à entrega das cestas básicas, os municípios receberam autonomia para determinar os meios de distribuição que melhor atendessem aos protocolos de saúde e ao acesso das famílias beneficiadas com o programa, 634 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro respeitando as instruções da Organização Mundial da Saúde (OMS), a vida e segurança das pessoas envolvidas. Por intermédio desta estratégia, a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) constatou que o PNAE contemplou 85% de um total de 1200 municípios analisados. Demonstrando que apesar dos entraves logísticos enfrentados pelas redes municipais no repasse dos kits, redução orçamentária do valor de cada estudante e dificuldade de atendimento às comunidades indígenas e quilombolas, também assistidos com apoio da Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o programa foi capaz de contribuir para a redução da insegurança alimentar durante a crise sanitária no Brasil. Reforçando a notoriedade deste programa de financiamento da merenda escolar para garantia do direito humano à alimentação adequada, previsto constitucionalmente. E enfatizando o papel da política pública para a assistência populacional em períodos de vulnerabilidade sanitária e econômica. Respondendo a Castro na análise da seguinte indagação "[...] Será a calamidade da fome um fenômeno natural, inerente à própria vida, uma contingência irremovível como a morte? Ou será a fome uma praga social criada pelo próprio homem?" (CASTRO, 1965, p. 45). Esta problemática que atinge a sociedade brasileira é a sequela de uma construção histórica marcada por desigualdades sociais, exploração de recursos naturais e humanos em prol do acúmulo de capital de um pequeno grupo elitista e reflexo de um sistema econômico, cuja produção de alimentos é predominantemente destinada ao comércio exterior ao invés do atendimento das necessidades básicas da própria sociedade, sendo a fome e a insegurança alimentar fenômenos de cunho político, demandando, portanto, ações e projetos políticos para que esta seja devidamente superada. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir desta leitura pode-se concluir que o espaço escolar e o financiamento que rege a educação pública cumprem um papel de desenvolvimento humano para além de intelectual e cidadão, mas também fisiológico. Sendo a merenda estudantil, financiada pelo PNAE, uma medida pedagógica de ascensão educacional, uma significativa fonte nutricional e uma garantia do direito alimentar frente aos entraves sociais que obstruem sua concretização na sociedade. Para mais, é possível problematizar a tamanha necessidade do PNAE para assegurar um recurso basilar, como uma crítica à ineficácia do poder público em cumprir devidamente o anseio e direito da população a uma alimentação regular e adequada. Analisando esta realidade, o presente artigo, também buscou elucidar a manifestação da insegurança alimentar no Brasil 635 IV CBOE DOI: 10.5016/cboe.4.9788589082778 www.cboeunesp.com.brIV Congresso Brasileiro de Organização do Espaço XVI Seminário de Pós-Graduação em Geografia 29, 30, 31 de maio e 01 de junho de 2023 IV CBOE XVI SPPGG 2023 Unesp Rio Claro como uma escolha de negligência política em favor do sistema econômico, agroexportador e latifundiário vigentes em território nacional, cuja maior parte da produção alimentícia atende a lucratividade de uma classe dominante e não as carências nutricionais da própria população. Por fim, este trabalho objetivando ressaltar a abrangência multidimensional do financiamento da merenda estudantil e denunciar a negação intencional de nutrimentos, também atentou-se a colaborar com a conscientização a cerca desta problemática e instigar a reivindicação pela melhoria do sistema público de ensino e políticas comprometidas com a causa da alimentação populacional. Agradecimentos A todos os envolvidos direta e indiretamente no desenvolvimento deste trabalho de pesquisa, enriquecendo o nosso processo de aprendizado, em especial à professora Antonia Karla Bezerra Gomes, pelo apoio e orientação para a realização deste artigo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Constituição (1988) Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 2016. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituiçao.html. Acesso em: 25 out. 2022 BRASIL. "Lei 11.346, de 15 de setembro de 2006". 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