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Enfrentamento às manifestações de 
violências
Apresentação
Os espaços que se formam nas sociedades, em decorrência do mundo capitalista, são comumente 
identificados como locais em que emergem os mais variados tipos de violência que colocam em 
risco a ordem social, favorecem a marginalização dos seus habitantes e negligenciam direitos 
humanos fundamentais. A legislação brasileira tem buscado enfrentar as situações de violação de 
direitos que surgem na sociedade por meio de políticas públicas e de legislações específicas. Como 
manifestação da questão social, a violência assume uma multiplicidade de manifestações.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai analisar o fenômeno da violência, compreendendo-o 
como expressão da questão social. Vai também identificar as políticas públicas para o 
enfrentamento dessas situações.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir o fenômeno da violência e as transformações societárias no Brasil. •
Reconhecer as políticas públicas e a legislação brasileira de enfrentamento às diversas 
manifestações de violência. 
•
Identificar a violência como manifestação da questão social.•
Desafio
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que os profissionais da saúde e da educação 
têm o dever de comunicar os casos envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra 
crianças e adolescentes.
Diante disso, coloque-se no papel de assistente social de uma Unidade Básica de Saúde e considere 
a seguinte situação:
Mediante o exposto e considerando a importância da notificação e da responsabilidade por parte 
da equipe de saúde, seu Desafio é elaborar uma proposta para sensibilizar a referida equipe sobre a 
importância da notificação e da conduta de cada profissional.
Infográfico
O Brasil vivencia manifestações de violência de diversas formas, e muitas delas têm aumentado ao 
longo dos anos, segundo dados do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA), no Atlas da Violência. 
Entre os fatores que contribuem para a violência no país, pode-se citar a desigualdade social, as leis 
e o sistema judiciário falhos, o uso de drogas, o desemprego, entre outros.
A seguir, no Infográfico, veja alguns dados que evidenciam essa realidade no país.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/99d1a1ae-4d74-49ba-8647-edf8c06465a4/3becfa20-564b-445a-9a82-bb6ec7c3e1ff.png
Conteúdo do livro
A sociedade atual tem vivenciado cada vez mais situações de violações de direitos, que são 
resultado das desigualdades produzidas ao longo dos anos, consequências da contradição existente 
entre capital e trabalho. Aos poucos, o Brasil foi se adequando para responder às demandas 
trazidas por esse complexo fenômeno, estruturando-se por meio de legislações e políticas públicas.
No capítulo Enfrentamento às manifestações de violências, da obra Serviço Social no Poder 
Judiciário, você vai estudar o fenômeno da violência e as transformações societárias no Brasil, bem 
como as políticas públicas e a legislação brasileira de enfrentamento às diversas manifestações de 
violência. Ainda, verá sobre a relação entre a violência e a questão social.
Boa leitura.
SERVIÇO SOCIAL 
NO PODER 
JUDICIÁRIO
Daniella Tech Doreto
Enfrentamento às 
manifestações de violência
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Definir o fenômeno da violência e as transformações societárias no 
Brasil.
  Reconhecer as políticas públicas e a legislação brasileira de enfrenta-
mento às diversas manifestações de violência.
  Identificar a violência enquanto manifestação da Questão Social.
Introdução
Situações de violência são muito frequentes na sociedade contemporâ-
nea. Considera-se que elas resultam das desigualdades decorrentes da 
relação entre capital e trabalho e das contradições do próprio sistema 
capitalista. Nesse contexto, o Brasil foi se estruturando ao longo dos 
anos para atender às demandas cotidianas relacionadas com a violência. 
No entanto, os esforços ainda são insuficientes e as políticas existentes 
carecem de aplicabilidade prática.
Neste capítulo, você vai estudar o fenômeno da violência e conhecer 
as políticas públicas para o seu enfrentamento no Brasil. Além disso, você 
vai ver por que a violência deve ser compreendida enquanto expressão 
da Questão Social.
As transformações societárias e a violência
Para refl etir sobre o fenômeno da violência, você deve considerar um contexto 
amplo, ultrapassando as discussões sobre possíveis causas e efeitos e até 
mesmo as estatísticas. É essencial considerar a violência brasileira a partir 
da organização e da constituição social do País. Afi nal, a violência é um 
fenômeno social que esteve presente no Brasil desde o processo de coloniza-
ção. Ela perpassa o extermínio de indígenas, o racismo (instituído durante o 
período da escravidão) e a condição de inferioridade atribuída às mulheres. 
No século XIX, por exemplo, a violência se manifestou por meio de revoltas e 
rebeliões como a Balaiada, a Cabanagem, a Sabinada e a Guerra dos Farrapos 
(ANDRADE, 2018).
Na República Velha, período marcado pela industrialização e pela urbani-
zação, ganha força o poder dos coronéis, que o utilizam especialmente contra 
as populações do campo, aumentando a pobreza e a desigualdade social, o 
que acaba intensificando a violência nos centros urbanos. A violência também 
aparece no governo de Getúlio Vargas e, posteriormente, no período da Dita-
dura Militar (1964 a 1985), “[...] marcado pela potencialização e legitimação 
da violência do Estado (perseguições e prisões políticas, fim das liberdades 
individuais, cassação de mandatos, tortura, exílio, fim de partidos políticos) 
[...]”, bem como pela resistência por meio da luta armada (ANDRADE, 2018, 
documento on-line). Mais adiante, no período próximo à promulgação da 
Constituição Federal de 1988, a violência não aparece legitimada pelo Estado, 
mas como consequência do neoliberalismo e das privatizações, que geram 
protestos e repressão violenta por parte da polícia (ANDRADE, 2018).
Assim, refletir sobre as transformações societárias e a questão da violência 
implica pensar sobre o modo como a sociedade foi se alterando ao longo dos 
anos, especialmente a partir do modelo capitalista e neoliberal. Rosa (2018) 
pontua que aproximadamente desde o século XX o mundo tem vivenciado 
mudanças intensas em setores econômicos, tecnológicos e da própria vida 
social, o que produz modificações nas relações sociais, políticas e culturais. 
Ainda segundo o autor, as sociedades contemporâneas são fundamentadas:
[...] no modelo capitalista de produção e reprodução social cada vez mais 
globalizada, [de modo que] os países em desenvolvimento vêm apresentando 
um conjunto de contradições que comprometem a consolidação dos avanços 
conquistados na área dos direitos sociais e de cidadania [...] (ROSA, 2018, p. 13). 
Além disso, a globalização da economia transforma alguns centros urbanos 
em exportadores de capital enquanto surgem novos centros de reprodução do 
capital a nível mundial (MARICATO, 2015).
Segundo Maricato (2015), as condições vivenciadas por parte da população 
nesses centros urbanos agravam as desigualdades sociais ao mesmo tempo em 
que se apresentam como novas oportunidades e também como “espaços de 
negação da vida”. Com isso, evidencia-se um mundo repleto de contradições: 
embora haja oportunidades de realização social, dadas as possibilidades 
Enfrentamento às manifestações de violência2
de trabalho, não existem políticas sociais direcionadas ao planejamento e à 
organização do espaço urbano. Em outras palavras, a globalização do capital 
intensifica a desigualdade entre os povos e amplia as formas de violação de 
direitos, que se agravam com o aumento da exploração e da expropriação do 
trabalho no mundo capitalista.
Rosa (2018) destaca aindaque o capitalismo carrega em si a ideia de que 
os homens devem ser livres para vender a sua força de trabalho a qualquer 
um que esteja interessado em comprá-la. Na visão do autor, 
[...] numa relação de assalariamento estabelecido na ‘livre’ troca entre o capital 
e o trabalho, muitas vezes o valor da força de trabalho pago mal dá para suprir 
as necessidades básicas da vida social. Entretanto, essa relação desigual se 
configura como natural [...] (ROSA, 2018, p. 28). 
O autor destaca ainda que, na perspectiva crítica, essa relação não é justa, 
uma vez que há exploração direta do trabalhador.
Na maioria das sociedades (escravista, industrial, capitalista atual e outras que foram 
se desenvolvendo ao longo do tempo), a situação do trabalho sempre envolveu 
contradições que favoreciam a exploração, o aumento de desigualdades e o surgimento 
de várias formas de violação de direitos.
Os espaços que se formam nas sociedades capitalistas são comumente 
identificados como locais em que emergem os mais variados tipos de violên-
cia, que colocam em risco a ordem social, favorecem a marginalização dos 
habitantes e negligenciam direitos humanos fundamentais (ROSA, 2018). 
Considere o seguinte:
As violências ou a violência podem ser definidas como fenômeno histórico 
e socialmente construído. Resultam do uso da força e da coerção do homem 
a outrem, podem gerar agravos à saúde, danos físicos, morais, psicológicos 
e materiais às vítimas, bem como originar alienação ideológica e cultural 
de uma nação. Além disso, apreendemos que as causas das violências são 
complexas, multifatoriais e provenientes de relações desiguais de dominação 
e/ou submissão em sociedades capitalistas (ROSA, 2018, p. 14).
3Enfrentamento às manifestações de violência
A Organização Mundial da Saúde (KRUG, E. G. et al., 2002, documento 
on-line) considera violência o “[...] uso intencional de força física ou poder, 
ameaçados ou reais, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra um grupo 
ou comunidade, que resultem ou tenham grande probabilidade de resultar em 
ferimento, morte, dano psicológico, mal desenvolvimento ou privação [...]”. 
Modena (2016, p. 9) acrescenta que o termo “violência” tem origem no latim 
e designa o ato de “[...] violar outrem ou de se violar [...]”. A autora assinala 
ainda que o termo está relacionado a algo que foge do habitual, ligado ao uso 
da força e a comportamentos que resultem em danos físicos como ferimen-
tos, tortura, morte, humilhações, ofensas. Ela conclui que atos violentos são 
contrários à liberdade (MODENA, 2016).
Ainda de acordo com a OMS (KRUG, E. G. et al., 2002), a violência pode 
ser agrupada em três categorias:
  violência dirigida contra si próprio (autoinfligida);
  violência interpessoal (violência intrafamiliar ou doméstica, entre parcei-
ros íntimos ou membros de uma mesma família, e violência comunitária, 
que ocorre no ambiente social em geral, entre conhecidos ou não);
  violência coletiva (atos violentos praticados a nível macrossocial, político 
e econômico).
Em relação à natureza, os atos violentos podem ser classificados como 
abuso físico, psicológico ou social, incluindo abandono, negligência e ausência 
de cuidados.
A violência é um dos grandes desafios enfrentados na sociedade atual. 
Ela tem se agravado com o passar do tempo, considerando o aumento em 
termos numéricos (incidência de casos de violência), a multiplicidade de tipos 
(violência urbana, doméstica, contra mulheres, idosos, crianças, feminicídios, 
LGBT fobias, entre outros), a multicausalidade, as características dos agres-
sores e das vítimas e os custos ao sistema. Lidar com questões relacionadas à 
violência é, portanto, um desafio, uma vez que as ações existentes ainda não 
são plenamente eficientes a ponto de eliminar os casos de violência no País. 
Nesse contexto, é necessário capacitar profissionais de serviços públicos em 
geral para o atendimento desses casos, bem como desenvolver programas de 
proteção às vítimas e adotar estratégias que garantam a segurança de toda a 
população (ROSA, 2018).
Enfrentamento às manifestações de violência4
Situações de violência sempre existiram na sociedade brasileira, sendo manifestadas 
de diversas maneiras. Diretamente relacionada à conjuntura capitalista, a violência 
se expressa como resultado das contradições existentes na relação entre capital e 
trabalho. Além disso, está ligada à exploração da mão de obra e a situações em que 
há uso da força, do poder e da coerção para obtenção de algo. Modena (2016) destaca 
que há a violência objetiva, resultante do modo de produção capitalista, e também a 
subjetiva e simbólica, resultado da sociabilidade humana em suas relações de classe.
As políticas públicas e a legislação brasileira
A violência tem adquirido maior visibilidade nas últimas décadas, processo 
que vem acompanhado de um reconhecimento dos direitos da população, o 
que aconteceu especialmente após a promulgação da Constituição Federal de 
1988 (MARTINS; CERQUEIRA; MATOS, 2015). Assim, o enfrentamento 
das situações de violência se estruturou no País por meio do desenvolvimento 
de políticas públicas e legislações específi cas.
Um tipo de violência que tem se tornado muito comum no Brasil e que tem 
adquirido muita importância do ponto de vista social e político é a violência 
cometida contra a mulher. Esse tipo de violência vem atingido índices cada 
vez mais altos, por isso mobiliza grupos de pessoas que, por meio de muito 
esforço e luta coletiva, buscam assegurar a proteção e os direitos das mulheres. 
Algumas conquistas efetivaram-se por meio das políticas públicas após muita 
luta e resistência. Em 2006, houve a aprovação da Lei Maria da Penha (Lei nº 
11.340/2006), que estabeleceu medidas para prevenir e tentar coibir situações 
de violência doméstica contra mulheres em todos os contextos e expressões 
(PONTES; DAMASCENO, 2017).
Em 2019, foram realizadas mudanças na Lei Maria da Penha, de forma a faci-
litar a aplicação de medidas protetivas para as mulheres e os seus filhos. Contudo, 
apesar de haver políticas públicas destinadas às mulheres vítimas de violência, na 
prática, ainda há problemas para a efetivação da referida lei. Afinal, a violência 
doméstica, em especial contra a mulher, é um assunto bastante complexo para 
as vítimas. Além disso, os serviços disponíveis ou são insuficientes para atender 
às demandas, ou não estão preparados para oferecer o respaldo necessário. De 
qualquer forma, a Lei Maria da Penha não deixa de ser um importante avanço na 
área, apesar de ainda faltar muito para que ela seja de fato efetiva.
5Enfrentamento às manifestações de violência
Além das políticas direcionadas às mulheres, o Brasil possui uma legislação 
abrangente no que se refere à garantia dos direitos dos idosos. A proteção a 
essa população é assegurada pelo Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), que 
define, entre outros aspectos, que “Nenhum idoso será objeto de qualquer 
tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo 
atentado aos seus direitos, por ação ou omissão, será punido na forma da lei 
[...]” (BRASIL, 2003, documento on-line).
Em seu art. 19, § 1º, o Estatuto do Idoso afirma o seguinte: “[...] considera-se 
violência contra o idoso qualquer ação ou omissão praticada em local público 
ou privado que lhe cause morte, dano ou sofrimento físico ou psicológico [...]” 
(BRASIL, 2003, documento on-line). Além de estabelecer o direito à proteção 
do idoso, o Estatuto estabelece a punição àqueles que praticarem crimes contra 
os idosos, assim como estabelece os órgãos aos quais atos violentos podem 
ser denunciados: autoridade policial, Ministério Público, Conselho Municipal 
do Idoso, Conselho Estadual e Conselho Nacional do Idoso.
A violência contra crianças e adolescentes também foi alvo de política 
pública específica, tendo sido detalhada no Estatuto da Criança e do Ado-
lescente (ECA, Lei nº 8.069/1990). Em seu art. 5º, o ECA prevê que “[...] 
nenhuma criança ou adolescenteserá objeto de qualquer forma de negligência, 
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma 
da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais 
[...]” (BRASIL, 1990, documento on-line).
Além dos segmentos citados, outros grupos minoritários têm lutado para 
conquistar espaço no universo das políticas públicas, especialmente no que 
se refere a assegurar direitos e criminalizar condutas desfavoráveis. É o caso 
da população LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e travestis), que 
recentemente conseguiu que crimes de racismo sejam considerados agressões, 
oficializando a criminalização da LGBTfobia.
Outro elemento a ser destacado é a violência presente no cotidiano das 
ruas, que exige do Estado medidas efetivas e o compromisso com a transfor-
mação social, a fim de conter a criminalidade e a violência. Minayo (2014, 
p. 250), ao analisara situação da violência no País, aponta que, “[...] de todas 
as suas expressões, os fenômenos mais preocupantes hoje no Brasil são o 
elevadíssimo número de homicídios e a violência difusa que alimenta e é ali-
mentada por um imaginário de medo e insegurança [...]”. Considere o seguinte:
Embora o perfil das mortes violentas no Brasil, sobretudo dos homicídios, siga a 
tendência mundial, como se verá a seguir, ceifando sobretudo os jovens do sexo 
masculino, aqui as vítimas preferenciais são os pobres, de baixa escolaridade, 
com pouca ou nenhuma qualificação profissional, moradores das periferias, 
Enfrentamento às manifestações de violência6
sendo, em sua maioria, negros e pardos. Esses homicídios, no seu conjunto, não 
formam uma totalidade homogênea, no entanto os resultados das investigações 
no país reafirmam fortemente essa tipificação. As pesquisas mostram também 
que eles estão basicamente relacionados a conflitos com a polícia, desavenças 
entre grupos de narcotraficantes ou gangues organizadas, desentendimentos 
interpessoais e familiares, abuso de álcool e outras drogas, nas cidades e nas 
regiões de fronteira e de conflitos agrários no campo (MINAYO, 2014, p. 253).
A violência nas cidades brasileiras aponta para a necessidade de políticas 
públicas direcionadas a essa situação, articuladas entre os governos federal, 
municipal e estadual, uma vez que a violência e a segurança pública não são 
responsabilidade de apenas um ente federado. Nessa perspectiva, a Política 
Nacional de Segurança Pública estabelece princípios e diretrizes que conduzem 
a segurança pública a ser estabelecida no País nos três níveis de governo; ela 
tem como finalidades a preservação da vida e a manutenção da ordem pública. 
Essa e as outras políticas que você viu constituem formas de enfrentamento 
às mais diversas manifestações de violência presentes na sociedade brasileira.
Você deve ter em mente que a violência não atinge somente os segmentos citados, mas 
envolve toda a população, especialmente os grupos minoritários. Existem importantes 
estratégias governamentais que buscam minimizar os índices de violência no País, 
entretanto ainda há muito que avançar. O controle dessas situações envolve políticas 
articuladas e integradas, recursos investidos de forma adequada e trabalho preventivo 
na base da sociedade. Também é importante que a população não deixe de atentar à 
frequência com que a violência acomete a sociedade brasileira, a fim de que medidas 
efetivas sejam cobradas dos setores responsáveis.
A violência enquanto manifestação 
da Questão Social
A fi m de compreender a relação entre violência e Questão Social, você deve 
considerar alguns aspectos importantes sobre esta última. A Questão Social é 
uma categoria que representa a contradição existente entre capital e trabalho, 
base do modo capitalista de produção. Nessa perspectiva, a Questão Social 
representa:
7Enfrentamento às manifestações de violência
O conjunto das expressões das desigualdades da sociedade capitalista ma-
dura, que têm uma raiz comum: a produção social é cada vez mais coletiva, 
o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a apropriação dos 
seus frutos se mantém privada, monopolizada por uma parte da sociedade 
(IAMAMOTO, 1998, p. 27).
Como você pode notar, a Questão Social expressa as contradições da 
sociedade capitalista. Tais contradições evidenciam que: 
[...] a sociabilidade capitalista moderna, que é marcada pelas relações de 
dominação política e apropriação econômica, faz germinar desigualdades 
sociais, que se intensificam cada vez mais à medida que esta sociedade pro-
gride, gerando, por sua vez, diversas expressões de violência [...]
A sociedade se estrutura nas relações de acumulação econômica e de poder, 
nas contradições entre grupos e classes dominantes e dominados bem como 
por poderes de sexo, gênero, etnias, simbólicos, culturais, institucionais, 
profissionais e efetivos. A relação de poder, assim, é complexa, por envolver 
tanto o contexto social mais geral como as relações particulares que devem 
ser tecidas junto, numa perspectiva histórica e dinâmica. É um processo 
diversificado em suas manifestações: familiares, individuais, coletivas, no 
campo e na cidade, entre os diferentes grupos e segmentos, e atinge tanto o 
corpo como a psique das pessoas. [...] A conflitualidade é fundante da existên-
cia social, na esfera da dinâmica social e familiar, e mesmo da existência do 
sujeito dividido entre o desejo e as normas sociais de proibição da realização 
do desejo (FALEIROS, 2007, p. 27 apud LIMA; OLIVEIRA; NUNES, 2017, 
documento on-line).
A Questão Social se expressa de muitas formas: violência, desemprego, 
fome, miséria, etc. (LIMA; OLIVEIRA; NUNES, 2017). A violência é uma 
importante forma de manifestação e encontra-se, como você viu, diretamente 
ligada ao sistema capitalista e ao acesso que as pessoas possuem aos bens 
que produzem. Nessa perspectiva, Baierl (2004, p.52) assinala que “[...] as 
desigualdades sociais, a pobreza, o meio familiar e intrafamiliar e cultural 
colocam os espoliados, os desempregados mais vulneráveis, ao envolvi-
mento com o mundo da criminalidade [...]”. A autora destaca ainda que esse 
processo se acentua pois no geral o Estado não tem conseguido cumprir as 
demandas apresentadas pela população mais vulnerável. Ela exemplifica 
com o tráfico de drogas:
Enfrentamento às manifestações de violência8
[ele] ocupa, de alguma forma, os espaços deixados pela ausência de políticas 
sociais públicas no campo da assistência social, educação, saúde, habitação, 
empregabilidade, segurança e lazer. Nessa direção, gera empregos no campo 
da ilegalidade, admitindo muitas crianças e adolescentes para as mais variadas 
funções no mundo do tráfico. Assume o papel de garantir a “ordem e a seguran-
ça” nos lugares por ele ocupados, apresentando características de uma parte do 
mercado de trabalho “ilegal e ilícito”, mas tolerado (BAIERL, 2004, p. 136).
Devido a toda essa situação, não se pode ter uma visão simplista da reali-
dade. A violência é um elemento inserido em uma totalidade que a determina. 
A desigualdade social e a falta de acesso a direitos básicos (como alimentação, 
trabalho e renda) e a serviços sociais são alguns dos fatores que favorecem o 
desenvolvimento da violência em suas várias manifestações. Assim, a violência 
relaciona-se diretamente com as condições de vida de boa parte da sociedade 
brasileira, sendo reflexo das condições em que os sujeitos vivem. Além disso, 
a violência se caracteriza como uma forma de poder e dominação, daí as 
situações de violência ligadas a gênero, raça e etnia, cultura, etc.
Violações de direitos, portanto, são comumente associadas às mais variadas 
manifestações da Questão Social. A sua ocorrência não se justifica por tal 
associação, mas esta favorece a compreensão do aumento dos índices e do 
modo como a sociedade em geral tem sofrido com a intensidade da violência. 
As manifestações de violência afetam os indivíduos gerando insegurança e 
influenciando, muitas vezes, a sua rotina diária. Pessoas com medode sofre-
rem violência nas ruas vivem presas entre muros. E há também aquelas com 
receio de sofrer violação por parte de familiares próximos. Enfim, a violência 
perpassa todo o cotidiano da vida humana na atualidade.
Enquanto manifestação da Questão Social, a violência exige que as ações 
e políticas voltadas para o seu enfrentamento sejam efetivas, articuladas 
e integradas, envolvendo áreas como educação, assistência social, saúde, 
habitação e outras. Além disso, exige que os direitos básicos e o acesso a 
serviços essenciais sejam assegurados. No enfrentamento da violência, o 
Serviço Social pode contribuir com respostas eficazes e qualificadas, auxi-
liando na resolução de situações cotidianas. Além disso, o assistente social 
pode favorecer a participação popular em conselhos de direitos e espaços de 
mobilização da sociedade. Por fim, pode trabalhar para inserir essa temática 
entre as demandas que exigem atenção governamental.
9Enfrentamento às manifestações de violência
ANDRADE, R. F. M. A história da violência no Brasil. Revista Senso, mar. 2018. Disponível 
em: https://revistasenso.com.br/2018/03/22/historia-da-violencia-no-brasil/. Acesso 
em: 13 ago. 2019.
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BRASIL. Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência 
doméstica e familiar contra a mulher, nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição 
Federal, da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra 
as Mulheres e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência 
contra a Mulher; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar 
contra a Mulher; altera o Código de Processo Penal, o Código Penal e a Lei de Execução 
Penal; e dá outras providências. Brasília, DF, 2006. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11340.htm. Acesso em: 13 ago. 2019.
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Brasília, n. 13, 2015.
Enfrentamento às manifestações de violência10
MINAYO, M. C. S. Violência e educação: impactos e tendências. Revista Pedagógica, 
n.15, v. 31, 2014. Disponível em: https://bell.unochapeco.edu.br/revistas/index.php/
pedagogica/article/view/2338. Acesso em: 13 ago. 2019.
MODENA, M. R. Conceitos e formas de violência. Caixas do Sul: EDUCS, 2016.
PONTES, D.; DAMASCENO, P. As políticas públicas para mulheres no Brasil: avanços, 
conquistas e desafios contemporâneos. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL FAZENDO 
GÊNERO, 11., 2017, Florianópolis. Anais [...]. Florianópolis: [s. n.], 2017.
ROSA, J. F. S. Violência urbana na cidade da Praia/Cabo Verde. 2018. Dissertação (Mestrado 
em Serviço Social, Direitos Sociais e Movimentos Sociais) – Programa de Pós-Graduação 
em Serviço Social, Departamento de Serviço Social, Centro de Ciências Sociais Aplicadas, 
Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2018.
11Enfrentamento às manifestações de violência
Dica do professor
A violência se apresenta na sociedade de forma multifacetada e tem muitas variações. A Lei Maria 
da Penha (Lei n.o 11.340, de 7 de agosto de 2006) tem como finalidade criar mecanismos para 
coibir a violação dos direitos das mulheres, estabelecendo os tipos de violência que mais aparecem 
na sociedade.
Sendo assim, nesta Dica do Professor, aproveite para conhecer os principais tipos de violência 
contra a mulher de acordo com a referida Lei.
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Audiodescrição da Dica do Professor:
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Exercícios
1) A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002) considera violência como “uso intencional de 
força física ou poder, ameaçados ou reais, contra si mesmo, contra outra pessoa ou contra 
um grupo ou comunidade, que resultem ou tenham grande probabilidade de resultar em 
ferimento, morte, dano psicológico, desenvolvimento prejudicado ou privação".
Nesse contexto, e de acordo com a OMS, quais são as três categorias relacionadas à 
violência?
A) Violência dirigida contra si próprio, violência interpessoal e violência coletiva.
B) Violência autodirigida, violência coletiva e violência estrutural.
C) Violência autodirigida, violência física e violência interpessoal.
D) Violência dirigida contra si próprio, violência interpessoal e violência assistida.
E) Violência social, violência estrutural e violência doméstica.
2) A violência tem adquirido maior visibilidade nos últimos tempos, ao mesmo tempo que se 
registrou no Brasil o maior reconhecimento dos direitos da população.
Nesse cenário, como se estruturou o enfrentamento das situações de violência no país?
A) Por meio da mobilização popular contra atos violentos.
B) Por meio do desenvolvimento de políticas públicas e legislações específicas.
C) Por meio de ações comunitárias e coletivas.
D) Por meio de lutas e enfrentamentos políticos.
E) Por meio de coação e uso da força bruta. 
Iamamoto (1999, p. 27) define questão social como “o conjunto das expressões das 
desigualdades da sociedade capitalista madura, que tem uma raiz comum: a produção social 
é cada vez mais coletiva, o trabalho torna-se mais amplamente social, enquanto a 
apropriação dos seus frutos se mantém privada, monopolizada por uma parte da sociedade”.
3) 
Diante disso, das alternativas a seguir, qual corresponde a uma das manifestações da 
questão social?
A) Pleno emprego.
B) Saúde e educação universal.
C) Violência.
D) Alimentação adequada.
E) Trabalho e renda acessíveis a todos.
4) As transformações societárias e a questão da violência conduzem a reflexões sobre a forma 
como a sociedade foi se transformando ao longo dos anos, especialmente a partir do modelo 
capitalista e neoliberal. Para alguns autores, nas sociedades capitalistas, há a formação de 
"espaços".
Nesse contexto, o que esses "espaços" trazem para a sociedade?
A) Favorecem o desenvolvimento da ordem e da justiça social.
B) Proporcionam o crescimento da população sem distinção de classe social.
C) Proporcionam o crescimento de espaços organizados que favorecem a ordem social.
D) Estimulam o livre comércio, base da sociedade capitalista.
E) Colocam em risco a ordem social, favorecendo a marginalização de seus habitantese 
negligenciando direitos humanos fundamentais.
5) As condições de vida da população em centros urbanos exportadores de capital agravam as 
desigualdades sociais. 
Com base nessa afirmativa, qual a contradição observada nesses espaços?
A) A difícil luta pela vida.
B) A exportação de mercadorias e a escassez dos produtos no país.
C) A proposta de realização de políticas públicas e a pouca efetividade delas.
D) O surgimento de espaços de novas oportunidades de trabalho e também de espaços de 
negação da vida. 
E) A universalidade de direitos conquistados pelo acesso ao trabalho.
Na prática
O Serviço Social atua diretamente com a temática da violência em vários espaços sócio-
ocupacionais, resguardada às especificidades de cada área. Na área da saúde, por exemplo, o 
assistente social lida com a violência em várias de suas manifestações, exigindo desde abordagens 
mais simples até mais complexas.
Na Prática, veja um exemplo de atuação do assistente social nesses casos.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Mulher em situação de violência: limites da assistência
Neste artigo, as autoras fazem uma análise sobre as limitações existentes no cotidiano profissional 
de equipes de saúde da família no atendimento a mulheres vítimas de violência. Confira.
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Vivência de situação de violência contra idosos
O seguinte artigo, resultado de uma pesquisa com idosos, buscou identificar a vivência de situação 
de violência contra o idoso em seus diversos tipos e descrever o perfil sociodemográfico desses 
idosos.
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Subnotificação de maus-tratos em crianças e adolescentes na 
Atenção Básica e análise de fatores associados
Este estudo analisou os fatores associados à subnotificação de maus-tratos ocorridos em crianças e 
adolescentes a partir da visão de profissionais que trabalhavam na Atenção Básica em municípios 
cearenses. Confira os resultados.
https://www.redalyc.org/pdf/630/63033062028.pdf
https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/932
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https://www.scielosp.org/article/sdeb/2014.v38n103/794-804/

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