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DISCIPLINA: INTRODUÇÃO À LÓGICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
LÓGICA NÃO CLÁSSICA E LÓGICA FUZZY: FUNDAMENTOS, APLICAÇÕES E IMPACTO TECNOLÓGICO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
A lógica fuzzy, proposta por Lotfi A. Zadeh em 1965, é uma abordagem dentro das 
lógicas não clássicas que permite avaliar valores intermediários entre verdadeiro e 
falso. Sua principal contribuição é a modelagem de fenômenos incertos e imprecisos, 
sendo amplamente aplicada em áreas como inteligência artificial, engenharia de 
controle e economia. Ao desafiar os princípios binários da lógica clássica, a lógica 
fuzzy evoluiu como uma ferramenta flexível para lidar com incertezas. Exemplos de 
aplicações práticas incluem o controle de trens, sistemas de reconhecimento de voz, 
gestão de redes elétricas e diagnósticos médicos. Essa lógica destaca-se em relação 
a outras vertentes não clássicas, como a lógica paraconsistente, por suas aplicações 
tecnológicas. O estudo baseou-se em revisão bibliográfica de autores renomados, 
como Zadeh e Mamdani, e explorou conceitos teóricos e aplicações práticas. Foram 
analisadas contribuições de sistemas fuzzy, como os de Takagi-Sugeno, 
complementadas por livros-texto para um panorama abrangente. A lógica fuzzy é 
eficaz para modelar situações complexas, ampliando possibilidades em sistemas de 
interação humano-máquina e processos tecnológicos. No entanto, apresenta desafios 
como critérios para interpretação de resultados. A integração com outras lógicas, 
como em sistemas híbridos, é promissora, especialmente em campos como 
computação quântica e inteligência artificial. Ela consolidou-se como uma ferramenta 
indispensável para lidar com incertezas em sistemas complexos, contribuindo 
significativamente para o avanço da ciência e tecnologia. Seu contínuo 
desenvolvimento promete soluções inovadoras para problemas contemporâneos. 
 
Palavras-chave: Lógica Fuzzy; Lógica Não Clássica; Sistemas Complexos. 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
 
A lógica fuzzy, também conhecida como lógica difusa, surge como uma das 
vertentes mais inovadoras da lógica não clássica, abordando a complexidade de 
sistemas incertos e imprecisos de maneira mais realista do que os modelos 
tradicionais. Diferente da lógica clássica de Aristóteles, que se baseia na dicotomia 
entre verdadeiro e falso, a lógica fuzzy permite a avaliação de valores intermediários, 
sendo particularmente útil na modelagem de situações onde a fronteira entre estados 
é nebulosa. Essa abordagem foi introduzida formalmente por Lotfi A. Zadeh em 1965, 
no contexto de sistemas complexos e controle impreciso, ampliando 
significativamente o escopo de aplicação da lógica matemática (ZADEH, 1965). 
Na contemporaneidade, a lógica fuzzy tem se destacado em áreas como 
inteligência artificial, engenharia de controle, sistemas de decisão e até mesmo na 
economia e biologia, onde a incerteza é uma característica inerente aos fenômenos 
observados. Por exemplo, sistemas baseados em lógica fuzzy são amplamente 
utilizados no controle de aparelhos eletrodomésticos, como máquinas de lavar e 
câmeras digitais, e em sistemas de transporte, como o controle de trens e metrôs 
(ROSS, 2004). 
A importância deste tema reside na sua capacidade de fornecer soluções 
robustas para problemas complexos, substituindo abordagens tradicionais que 
frequentemente falham em capturar nuances de sistemas reais. Além disso, a lógica 
fuzzy tem contribuído para o desenvolvimento de tecnologias que integram melhor a 
interação humano-máquina, como sistemas de reconhecimento de voz e veículos 
autônomos, consolidando-se como uma ferramenta essencial no avanço científico e 
tecnológico. 
Este trabalho tem como objetivo principal explorar os fundamentos teóricos da 
lógica fuzzy e suas aplicações práticas em diferentes campos do conhecimento. A 
partir de uma abordagem teórica e contextualizada, busca-se discutir como a lógica 
fuzzy representa um avanço em relação às abordagens tradicionais e analisar 
exemplos de sua aplicação no mundo real. Além disso, pretende-se destacar os 
desafios e limitações desse modelo lógico, promovendo uma reflexão crítica sobre seu 
papel no futuro da ciência e tecnologia. 
A lógica não clássica emerge como um campo de estudo essencial para 
compreender e modelar fenômenos que desafiam os limites da lógica tradicional. 
Enquanto a lógica clássica, fundada nos princípios aristotélicos, sustenta-se no binário 
verdadeiro-falso, a lógica não clássica expande essa abordagem ao considerar 
sistemas mais complexos e multifacetados (DA COSTA; CHUAQUI, 1988). Esse 
campo inclui teorias como a lógica modal, paraconsistente, intuicionista e fuzzy, cada 
qual com aplicações e fundamentos específicos. 
Uma das contribuições pioneiras à lógica não clássica foi a lógica intuicionista, 
proposta por Brouwer, que rejeita o princípio do terceiro excluído e foca em 
construções matemáticas verificáveis (BROUWER, 1907). Sua abordagem influenciou 
áreas como a computação, especialmente em linguagens de programação funcional 
que adotam o conceito de provas construtivas. Posteriormente, a lógica modal, 
desenvolvida por C. I. Lewis, introduziu a possibilidade de explorar o "necessário" e o 
"possível", sendo amplamente aplicada na filosofia e na inteligência artificial para 
modelar raciocínios sobre estados futuros ou alternativos (LEWIS, 1918). 
A lógica paraconsistente, por sua vez, ganha destaque no cenário moderno 
ao abordar sistemas inconsistentes sem colapsar em contradição universal. Newton 
da Costa foi um dos principais expoentes dessa abordagem, propondo sistemas 
formais que permitem a coexistência de proposições contraditórias (DA COSTA, 
1974). Isso se mostrou particularmente útil em áreas como a análise de sistemas 
jurídicos, onde normas podem apresentar inconsistências sem invalidar o sistema 
como um todo (PRIETO, 1996). 
Dentro desse panorama, a lógica fuzzy, introduzida por Lotfi Zadeh em 1965, 
trouxe uma abordagem inovadora para lidar com incertezas e imprecisões. Essa teoria 
permitiu a modelagem de fenômenos gradativos, utilizando-se de conjuntos fuzzy para 
descrever atributos não binários (ZADEH, 1965). Aplicada em diversas áreas, como 
sistemas de controle, economia e diagnósticos médicos, a lógica fuzzy se destaca 
como uma das mais promissoras dentro do campo da lógica não clássica. Um exemplo 
de sua aplicação pode ser visto no desenvolvimento de sistemas de controle de 
tráfego e na gestão de redes elétricas inteligentes (ROSS, 2004). 
A evolução do campo da lógica não clássica reflete a crescente necessidade 
de compreender sistemas complexos em um mundo interconectado e dinâmico. A 
integração dessas teorias em diferentes domínios do conhecimento evidencia seu 
papel central na ciência contemporânea, oferecendo soluções inovadoras para 
problemas antes considerados intratáveis. Além disso, a interseção entre as diferentes 
abordagens da lógica não clássica aponta para possibilidades futuras no campo da 
computação quântica e da inteligência artificial. 
 
2 HISTÓRIA E ORIGENS 
 
 
A lógica não clássica surge como uma resposta às limitações impostas pela 
lógica clássica, que se baseia nos princípios da identidade, da não contradição e do 
terceiro excluído. Desde o final do século XIX, matemáticos e lógicos buscaram 
alternativas para modelar situações onde esses princípios não se aplicam de forma 
rigorosa. Um dos pioneiros foi George Boole, que desenvolveu a álgebra booleana, 
mas as principais revoluções vieram com Jan Łukasiewicz e suas investigações sobre 
lógicas de três valores no início do século XX (D'OTTAVIANO, 1991). Além disso, os 
trabalhos de Kurt Gödel sobre lógicas infinitamente valoradas marcaram o 
desenvolvimento de uma abordagem mais ampla para lidar com incertezas. 
No entanto, o maior impacto da lógica não clássica ocorreu no contexto da 
inteligência artificial e da automação. Newton da Costa, por exemplo,introduziu a 
lógica paraconsistente, que permite lidar com contradições sem invalidar o sistema, 
destacando-se como uma abordagem revolucionária no campo (DA COSTA, 1974). 
Nesse cenário, a lógica fuzzy, proposta por Zadeh em 1965, consolidou-se como uma 
ferramenta para modelar a incerteza e a vaguidade de forma prática, representando 
um marco importante no desenvolvimento das lógicas não clássicas (ZADEH, 1965). 
 
2.1 Principais Aplicações 
 
 
As aplicações da lógica não clássica abrangem diversas áreas do 
conhecimento, especialmente em cenários que exigem o tratamento de informações 
incertas, contraditórias ou incompletas. No campo da inteligência artificial, por 
exemplo, a lógica paraconsistente tem sido empregada para resolver problemas que 
envolvem contradições nos dados, como sistemas de detecção de falhas e 
diagnóstico médico (DA COSTA; SUBIZA-PÉREZ, 1993). 
A lógica fuzzy, por sua vez, encontra aplicações significativas em sistemas de 
controle automático, como eletrodomésticos, veículos autônomos e sistemas de 
transporte. Segundo Lee e Wang (2001), os sistemas baseados em lógica fuzzy são 
capazes de interpretar entradas linguísticas e tomar decisões adaptativas, o que os 
torna essenciais em ambientes dinâmicos e não estruturados. Outra aplicação 
relevante está no gerenciamento de redes elétricas inteligentes, onde a incerteza na 
previsão de demanda e oferta de energia pode ser tratada eficientemente (ROSS, 
2004). 
No campo da robótica, a lógica não clássica tem permitido avanços 
significativos no desenvolvimento de robôs sociais e sistemas cognitivos, que 
interagem com humanos de maneira mais natural. Esses sistemas utilizam lógicas 
não clássicas para interpretar e responder a comandos ambíguos ou incompletos, 
melhorando a experiência do usuário (LOEB; ROEBUCK, 2010). Ademais, na 
economia, as técnicas fuzzy são amplamente empregadas para modelar incertezas 
em análises de risco e previsões de mercado, proporcionando uma visão mais realista 
dos dados. 
Portanto, a lógica não clássica se destaca como uma abordagem poderosa e 
versátil, contribuindo de maneira significativa para a solução de problemas complexos 
em diversas áreas do conhecimento. 
 
 
3 LÓGICA FUZZY 
 
 
A lógica fuzzy, introduzida por Lotfi Zadeh em 1965, representa uma das 
abordagens mais significativas para lidar com sistemas imprecisos e incertos. 
Diferentemente da lógica clássica, que opera com valores binários (verdadeiro ou 
falso), a lógica fuzzy permite trabalhar com graus de pertinência, oferecendo maior 
flexibilidade na modelagem de fenômenos complexos (ZADEH, 1965). Essa teoria 
baseia-se no conceito de conjuntos fuzzy, nos quais os elementos possuem um grau 
de pertinência representado por valores entre 0 e 1. Essa característica tem permitido 
aplicações inovadoras em diversas áreas da ciência e tecnologia. 
Um marco importante na evolução da lógica fuzzy foi o desenvolvimento de 
sistemas de controle fuzzy, amplamente utilizados na engenharia. Mamdani (1974) 
propôs um sistema de controle fuzzy para regular a operação de um motor a vapor, 
marcando o início da aplicação prática dessa lógica. Posteriormente, Takagi e Sugeno 
(1985) apresentaram um modelo alternativo de sistemas fuzzy, que combina regras 
fuzzy com funções matemáticas, ampliando sua aplicação em sistemas mais 
complexos (TAKAGI; SUGENO, 1985). 
Na atualidade, a lógica fuzzy tem sido amplamente aplicada em áreas como 
inteligência artificial, diagnósticos médicos, economia e sistemas de tomada de 
decisão. Por exemplo, em diagnósticos médicos, sistemas baseados em lógica fuzzy 
permitem lidar com dados incertos e auxiliar profissionais de saúde na identificação 
de doenças, como demonstrado por Tsukamoto (1979), que utilizou métodos fuzzy 
para diagnósticos mais precisos. Além disso, a lógica fuzzy tem sido essencial no 
desenvolvimento de redes elétricas inteligentes e sistemas de transporte eficientes, 
onde é necessário modelar e controlar variáveis complexas (ROSS, 2004). 
Outro campo que se beneficiou amplamente da lógica fuzzy é o controle 
automático. Sistemas como os utilizados em câmeras digitais, que ajustam 
automaticamente a exposição e o foco, e em eletrodomésticos, como máquinas de 
lavar, dependem dessa abordagem para otimizar processos com base em entradas 
imprecisas. Em robótica, a lógica fuzzy tem sido usada para melhorar a interação 
humano-máquina, permitindo respostas mais naturais em ambientes dinâmicos (LEE; 
WANG, 2001). 
A lógica fuzzy também é utilizada no campo da economia, onde pode modelar 
situações de tomada de decisão com incertezas e ambiguidades. Estudos recentes 
exploraram sua aplicação em previsões de mercado e avaliações de risco, destacando 
seu papel na análise de dados complexos. Em um mundo cada vez mais orientado 
por dados, a lógica fuzzy continua a desempenhar um papel fundamental no avanço 
da ciência e tecnologia. 
Em suma, a lógica fuzzy representa uma revolução no campo da lógica e da 
matemática aplicada, proporcionando uma forma eficaz de modelar sistemas que 
desafiam as premissas da lógica clássica. Com aplicações que vão desde sistemas 
de controle até a inteligência artificial, ela continua a evoluir como uma ferramenta 
indispensável no enfrentamento de problemas complexos e incertos. 
Exemplo de lógica Fuzzy: 
O cenário escolhido é a avaliação da idade de uma pessoa em termos 
linguísticos, como "jovem", "meia-idade" e "idosa", permitindo interpretações mais 
suaves e contínuas do que a categorização rígida por faixas etárias. 
Gráficos 1. Funções de Pertinência entre as categorias para a idade. 
 
Fonte: Elaborado pela autora, 2024. 
 
 Jovem (linha azul): Alta pertinência para idades mais jovens, diminuindo 
gradualmente até 30 anos. 
 Meia-idade (linha verde): Aumenta a partir dos 20 anos, atinge um platô entre 
30 e 50 anos e diminui até 60 anos. 
 Idosa (linha vermelha): Começa a aumentar aos 50 anos, com alta pertinência 
após 60 anos. 
 
 
4 METODOLOGIA 
 
 
Este estudo baseia-se em uma revisão bibliográfica, cujo objetivo foi explorar 
as principais teorias e contribuições relacionadas à lógica não clássica e à lógica 
fuzzy, considerando suas aplicações e relevância em diferentes campos do 
conhecimento. Para tanto, foram selecionados artigos científicos, livros e revisões 
publicadas por autores renomados na área, abrangendo um período que vai das 
primeiras formulações até as aplicações contemporâneas. 
A seleção das fontes teve como critérios principais: (1) a relevância do autor 
no campo, como Lotfi Zadeh, criador da teoria dos conjuntos fuzzy, e Newton da 
Costa, expoente da lógica paraconsistente; (2) o impacto das obras no 
desenvolvimento teórico e prático do tema; e (3) a atualidade das aplicações 
apresentadas. Foram priorizados estudos que abordassem de forma abrangente os 
conceitos fundamentais e suas relações com problemas reais, como sistemas de 
controle, inteligência artificial e diagnósticos médicos. 
A revisão foi estruturada em etapas: inicialmente, realizou-se uma leitura 
exploratória para identificar as contribuições centrais em lógica não clássica. 
Posteriormente, foi aprofundada a análise na lógica fuzzy, com foco em aplicações 
práticas descritas em estudos de Mamdani (1974), Takagi e Sugeno (1985) e outros 
autores relevantes. Para garantir uma compreensão ampla, também foram 
considerados livros-texto amplamente referenciados, como os de Ross (2004) e Lee 
e Wang (2001). 
Os resultados dessa abordagem metodológica permitiram mapear os 
principais avanços e desafios do campo, destacando a evolução das teorias e suas 
contribuições para soluções tecnológicas inovadoras. Essa revisão não apenas 
oferece uma perspectiva histórica do desenvolvimento da lógica fuzzy, mas também 
enfatiza sua relevância no cenário científico contemporâneo. 
 
5 DISCUSSÃO 
 
 
A análise das informações apresentadasrevela que as lógicas não clássicas 
surgiram como soluções criativas para desafios que a lógica clássica não conseguia 
abordar. Embora compartilhem o objetivo comum de ampliar as possibilidades de 
raciocínio e modelagem, essas lógicas apresentam características distintas que as 
tornam adequadas para diferentes aplicações. A lógica paraconsistente, por exemplo, 
destaca-se pela capacidade de lidar com contradições sem invalidar todo o sistema, 
o que a torna essencial em contextos como a inteligência artificial e sistemas de 
decisão baseados em dados contraditórios (DA COSTA; SUBIZA-PÉREZ, 1993). Por 
outro lado, a lógica fuzzy é particularmente eficaz em modelar incertezas e 
graduações de verdade, o que explica seu sucesso em aplicações práticas como 
sistemas de controle e análise de riscos (ZADEH, 1965; LEE; WANG, 2001). 
Uma das principais vantagens dessas abordagens é sua capacidade de 
modelar situações do mundo real de forma mais fiel do que a lógica clássica. Enquanto 
esta última se baseia em valores binários (verdadeiro ou falso), as lógicas não 
clássicas oferecem uma gama mais rica de interpretações, permitindo maior 
flexibilidade e precisão. No entanto, essa mesma flexibilidade pode gerar desafios 
teóricos e práticos. Por exemplo, a interpretação de resultados em sistemas fuzzy 
pode ser complexa, exigindo critérios bem definidos para a tomada de decisões 
(ROSS, 2004). Além disso, a lógica paraconsistente enfrenta resistência de alguns 
setores acadêmicos, que questionam sua viabilidade em certos contextos filosóficos 
e matemáticos (D'OTTAVIANO, 1991). 
Outra questão relevante é a interação entre diferentes lógicas não clássicas. 
Embora possam ser vistas como complementares, sua combinação em sistemas 
híbridos requer uma integração cuidadosa. Por exemplo, sistemas que combinam 
lógica fuzzy e paraconsistente podem potencializar suas respectivas vantagens, mas 
também introduzem novos desafios, como a definição de regras de compatibilidade 
entre as abordagens (LOEB; ROEBUCK, 2010). 
Por fim, a discussão sobre lógicas não clássicas também levanta questões 
mais amplas sobre a natureza da verdade e da racionalidade. Em contextos 
filosóficos, a possibilidade de contraditórios coexistirem ou de verdades parciais 
serem aceitas desafia noções tradicionais e exige uma revisão conceitual profunda 
(DA COSTA, 1974). Além disso, a crescente aplicação dessas lógicas em inteligência 
artificial e tecnologias emergentes destaca a necessidade de uma ética bem 
fundamentada para orientar o uso dessas ferramentas. 
Em síntese, as lógicas não clássicas representam uma evolução significativa 
no campo do raciocínio formal, oferecendo soluções inovadoras para problemas 
complexos. No entanto, sua implementação requer uma análise crítica e um equilíbrio 
entre potencial e limitações, além de uma abordagem interdisciplinar para maximizar 
seus benefícios. 
 
6 CONCLUSÃO 
 
 
Este trabalho explorou a rica diversidade das lógicas não clássicas, 
destacando suas origens, aplicações e implicações tanto no campo teórico quanto 
prático. As principais descobertas demonstraram que essas lógicas surgiram para 
superar as limitações da lógica clássica, oferecendo soluções inovadoras para 
problemas que envolvem contradição, incerteza e graduação de valores. As 
contribuições teóricas de figuras como Zadeh (1965) e Da Costa (1974) foram 
fundamentais para estabelecer bases matemáticas e conceituais que sustentam 
essas lógicas. Por sua vez, aplicações práticas em inteligência artificial, sistemas de 
controle e análise de riscos ilustram seu potencial em modelar problemas complexos 
do mundo real. 
Uma das discussões mais significativas foi a relação entre diferentes lógicas 
não clássicas, como a fuzzy e a paraconsistente, que podem ser combinadas para 
criar sistemas mais robustos e flexíveis. Essa interação, no entanto, requer uma 
integração cuidadosa para evitar conflitos e maximizar os benefícios. Além disso, as 
vantagens dessas lógicas são acompanhadas de desafios, como a complexidade de 
interpretação de resultados e as questões éticas emergentes, principalmente em 
aplicações tecnológicas. 
As implicações futuras da lógica não clássica são vastas, tanto na filosofia 
quanto em outras áreas do conhecimento. Em filosofia, essas lógicas desafiam 
noções tradicionais de verdade e racionalidade, promovendo uma revisão profunda 
de conceitos fundamentais. No campo tecnológico, sua utilização em inteligência 
artificial e automação promete avanços significativos, desde que acompanhada de 
uma abordagem ética e interdisciplinar. A integração dessas lógicas em sistemas 
complexos aponta para um futuro em que a modelagem de incertezas e contradições 
será ainda mais refinada, com impactos profundos na ciência, tecnologia e sociedade. 
Em resumo, a lógica não clássica representa um campo dinâmico e em 
expansão, cuja relevância transcende os limites da matemática e filosofia, 
influenciando decisões e soluções em múltiplos domínios do saber. O aprofundamento 
teórico e a ampliação de suas aplicações continuarão a moldar o futuro do 
conhecimento humano, oferecendo caminhos inovadores para compreender e 
transformar a realidade. 
REFERÊNCIAS 
 
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68, p. 422-434, 1907. 
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DA COSTA, N. C. A. Sistemas Formais Inconsistentes. Hucitec, 1974. 
DA COSTA, N. C. A.; CHUAQUI, R. On Suppes' Set Theoretical Predicates. The 
Journal of Symbolic Logic, v. 53, n. 2, p. 273-288, 1988. 
DA COSTA, N. C. A.; SUBIZA-PÉREZ, E. Contradictions, Paraconsistency, and 
Models of Reasoning. International Journal of Approximate Reasoning, v. 9, n. 1, p. 
21-40, 1993. 
D'OTTAVIANO, I. M. Lógica Paraconsistente: Origens e Perspectivas. Revista 
Brasileira de Filosofia, v. 41, n. 164, p. 567-580, 1991. 
LEE, C. C.; WANG, L. X. Fuzzy Logic Systems: Principles and Applications. 
Englewood Cliffs: Prentice Hall, 2001. 
LEWIS, C. I. A Survey of Symbolic Logic. Berkeley: University of California Press, 
1918. 
LOEB, R.; ROEBUCK, D. Applications of Non-Classical Logics in Robotics. Journal of 
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MAMDANI, E. H. Application of fuzzy algorithms for control of simple dynamic plant. 
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PRIETO, L. G. Fundamentos de uma lógica jurídica paraconsistente. Revista 
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ROSS, T. J. Fuzzy Logic with Engineering Applications. 2ª ed. New York: Wiley, 2004. 
TAKAGI, T.; SUGENO, M. Fuzzy identification of systems and its applications to 
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ZADEH, L. A. Fuzzy sets. Information and Control, v. 8, n. 3, p. 338-353, 1965.

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