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0 1 SUMÁRIO 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA REGULAMENTAÇÃO LEGAL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO ...........................................................................................................................................................................3 1.1. ASPECTOS DA “NOVA” LEI DE DROGAS ........................................................................................................3 2. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS ......................................................................................................................................5 2.1. NORMA PENAL EM BRANCO ............................................................................................................................5 2.1.1. TIPOS DE NORMA PENAL EM BRANCO ..................................................................................................6 2.1.1.1. Norma penal em branco homogênea .......................................................................................................................... 6 2.1.1.2. Norma penal em branco heterogênea ......................................................................................................................... 7 2.1.2. ESPÉCIE DE NORMA PENAL EM BRANCO APLICADA NA LEI DE DROGAS ......................................7 2.2. RESSALVAS À PROIBIÇÃO DE DROGAS ........................................................................................................8 2.3. SUJEITOS DO CRIME: ATIVO E PASSIVO .....................................................................................................10 2.4. EXPROPRIAÇÃO DE PROPRIEDADES RURAIS E URBANAS.....................................................................10 2.5. CRIMES DE PERIGO ABSTRATO ....................................................................................................................11 3. DOS CRIMES E DAS PENAS ....................................................................................................................................11 3.1. PORTE DE DROGAS PARA O CONSUMO PESSOAL ....................................................................................11 3.1.1. FIGURA EQUIPARADA .............................................................................................................................13 3.1.2. PUNIÇÕES ..................................................................................................................................................14 3.1.3. REINCIDÊNCIA ..........................................................................................................................................16 3.1.4. COMPETÊNCIA .........................................................................................................................................18 3.1.5. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA ..........................................................................................................19 3.1.5.1. Porte de Droga para Consumo Pessoal x Princípio da Insignificância..................................................................... 20 3.1.6. HABEAS CORPUS ......................................................................................................................................20 3.1.7. CRITÉRIOS PARA DETERMINAÇÃO DO CONSUMO ............................................................................20 3.1.8. PRESCRIÇÃO PENAL ................................................................................................................................21 3.2. TRÁFICO DE DROGAS ......................................................................................................................................21 3.2.1. CLASSIFICAÇÃO .......................................................................................................................................30 3.2.2. MODALIDADES PERMANENTES .............................................................................................................30 3.2.3. EQUIPARAÇÃO AO CRIME HEDIONDO ................................................................................................32 3.2.4. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA .................................................................................................32 3.2.5. PROGRESSÃO DE REGIME ......................................................................................................................33 3.2.6. SUBSTITUIÇÃO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITO .................34 3.3. INDUÇÃO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO USO ..........................................................................................34 3.4. USO COMPARTILHADO ...................................................................................................................................35 3.5. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA (TRÁFICO PRIVILEGIADO) ..............................................................36 3.5.1. REQUISITOS CUMULATIVOS PARA TRÁFICO PRIVILEGIADO ..........................................................37 3.5.2. SÚMULA VINCULANTE 59 .......................................................................................................................41 2 3.6. MAQUINÁRIO DO TRÁFICO ............................................................................................................................41 3.7. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO ....................................................................................................................42 3.8. FINANCIAMENTO AO TRÁFICO .....................................................................................................................45 3.9. INFORMANTE COLABORADOR .....................................................................................................................45 3.10. PRESCREVER OU MINISTRAR DROGAS (CULPOSAMENTE) ...................................................................46 3.11. CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE: APÓS O CONSUMO DE DROGAS ...........................46 3.12. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA ..................................................................................................................47 4. COLABORAÇÃO PREMIADA .................................................................................................................................50 5. FIXAÇÃO DA PENA BASE E DA MULTA .............................................................................................................52 5.1. A PENA BASE .....................................................................................................................................................52 5.2. FIXAÇÃO DA MULTA .......................................................................................................................................52 6. VEDAÇÃO DOS INSTITUTOS E LIVRAMENTO CONDICIONAL ..................................................................53 7. ININPUTABILIDADE E SEMI-IMPUTABILIDADE ............................................................................................54 8. APREENSÃO DE DROGAS (ART. 50) .....................................................................................................................55 8.1. PLANTAÇÕES ILÍCITAS ...................................................................................................................................55 8.2. DROGAS COM FLAGRANTE ............................................................................................................................56 8.3. DROGAS SEM FLAGRANTE.............................................................................................................................56 8.4. APREENSÃO E PERÍCIA DA SUBSTÂNCIA ...................................................................................................56entorpecente de droga, não precisa ser o tóxico, desde que seja idônea a preparação do dispositivo. A observação deste inciso vai para a importação de semente de maconha, esta não configura crime de tráfico. No julgado de 11 de setembro de 2018, Gilmar Mendes afirma que: “...a matéria-prima ou insumo devem ter condições e qualidades químicas para, mediante transformação ou adição, por exemplo, produzirem a droga ilícita, o que não é o caso das sementes da planta Cannabis sativa, que não possuem a substância psicoativa (THC) ”. STF, 2º turma HC 144161 SP, Rel. Min. Gilmar Mendes (info 915). Em resumo, quando não tiver THC, não haverá crime de tráfico. 26 Outro ponto em destaque é acerca da importação de pequenas quantidades de sementes de maconha. No STJ este tema era objeto de controvérsia entre a 5ª turma e a 6ª Turma, visto que a 5ª Turma entendia que era típica a conduta de importação clandestina de sementes de Cannabis sativa configura o tipo penal descrito no art. 33, §1º, I, da Lei 11.343/2006, não sendo possível aplicar o princípio da insignificância (REsp 1723739/SP). Enquanto que a 6º turma entendia que NÃO, tratando-se de pequena quantidade de sementes e inexistindo expressa previsão normativa que criminaliza entre as condutas do art. 28 da lei de Drogas, a importação de pequena quantidade de matéria prima ou insumo destinado à preparação de droga para consumo pessoal, forçoso reconhecer a atipicidade do fato (REsp 1616707/CE). Todavia, atualmente o tema se encontra pacificado no Superior Tribunal de Justiça: “É atípica a conduta de importar pequena quantidade de sementes de maconha”. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.624.564-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/10/2020 (Info 683). Portanto, o entendimento majoritário na jurisprudência, tanto do STJ quanto do STF, é de que não configura o crime de tráfico a importação da semente da Cannabis sativa. II - semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de drogas; Para caracterização desse crime, pouco importa o princípio ativo, diferente da semente abordada no inciso anterior, na medida em que a Lei de Drogas só exige que elas sejam destinadas a preparação da droga. Portanto, a planta não precisa do princípio ativo. Enquanto a semente, tanto o STF quanto o STJ entendem que necessita do princípio ativo. Nesse sentido, leciona Renato Brasileiro (pág. 1287, 2023, Manual de Legislação Criminal Especial) “para a caracterização da conduta delituosa do art. 33,§ 1°, II, pouco importa se as plantas já apresentam o princípio ativo, na medida em que a Lei de Drogas exige apenas que tais plantas sejam destinadas à preparação de drogas. Afinal, o que é semeado, cultivado ou colhido não é a droga em si, mas sim a planta da qual esta droga será posteriormente extraída”. O plantio e a aquisição das sementes da Cannabis sativa, para fins medicinais, não configuram conduta criminosa, independente da regulamentação da ANVISA A ausência de regulamentação administrativa persiste e não tem previsão para solução breve, uma vez que a ANVISA considera que a competência para regular o cultivo de plantas sujeitas a controle especial seria do Ministério da Saúde e este considera que a competência seria da ANVISA. Logo, é necessário superar eventuais óbices administrativos e cíveis, privilegiando- se, dessa forma, o acesso à saúde, por todos os meios possíveis, ainda que pela concessão de salvo-conduto mediante habeas corpus. A questão aqui discutida não pode ser objeto da sanção penal, porque se trata do exercício de um Direito Fundamental, constitucionalmente, garantido, isto é, o Direito à Saúde, e a atuação proativa do STJ justifica-se juridicamente. 27 STJ. 3ª Seção. AgRg no HC 783.717-PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Rel. para acórdão Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 13/9/2023 (Info 794). Sobre o tema, o entendimento da Quinta Turma passou a corroborar o da Sexta Turma desta Corte proferido no Recurso Especial 1.972.092-SP. Então, ambas as turmas passaram a entender que o plantio e a aquisição das sementes da Cannabis sativa, para fins medicinais, não se trata de conduta criminosa, independente da regulamentação da ANVISA. Após o precedente paradigma da Sexta Turma, formou-se a jurisprudência, segundo a qual, "uma vez que o uso pleiteado do óleo da Cannabis sativa, mediante fabrico artesanal, se dará para fins exclusivamente terapêuticos, com base em receituário e laudo subscrito por profissional médico especializado, chancelado pela ANVISA na oportunidade em que autorizou os pacientes a importarem o medicamento feito à base de canabidiol - a revelar que reconheceu a necessidade que têm no seu uso -, não há dúvidas de que deve ser obstada a iminente repressão criminal sobre a conduta praticada pelos pacientes/recorridos" (REsp 1.972.092/SP, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 30/6/2022). A Quinta Turma passou a entender que "a ausência de regulamentação administrativa persiste e não tem previsão para solução breve, uma vez que a ANVISA considera que a competência para regular o cultivo de plantas sujeitas a controle especial seria do Ministério da Saúde e este considera que a competência seria da ANVISA", e é inevitável evoluir na análise do tema na seara penal, com o objetivo de superar eventuais óbices administrativos e cíveis, privilegiando-se, dessa forma, o acesso à saúde, por todos os meios possíveis, ainda que pela concessão de salvo-conduto. Então, o referido órgão colegiado entendeu que a matéria diz respeito ao direito fundamental à saúde, constante do art. 196 da Constituição da República, sendo que o direito penal deve objetivar a repressão ao tráfico. No caso, o conjunto probatório em análise aponta que o uso medicinal do óleo extraído da planta Cannabis sativa encontra-se suficientemente demonstrado pela documentação médica, pois foram anexados Laudo Médico e receituários médicos, os quais indicam o uso do óleo medicinal (CBD Usa Hemp 6000mg full spectrum e Óleo CBD/THC 10%). Dessa forma, a questão, aqui tratada, não pode ser objeto da sanção penal, porque se trata do exercício de um Direito Fundamental, constitucionalmente, garantido, isto é, o Direito à Saúde, e a atuação proativa da Quinta e da Sexta Turma do STJ justifica-se juridicamente, pois "vislumbra-se que 'ativismo judicial' é um exercício pró-ativo dos órgãos da função judicial do Poder Público, não apenas de fazer cumprir a lei em seu significado exclusivamente formal, mas é uma atividade perspicaz na 28 interpretação de princípios constitucionais abstratos tais como a dignidade da pessoa humana, igualdade, liberdade, dentre outros. III - utiliza local ou bem de qualquer natureza de que tem a propriedade, posse, administração, guarda ou vigilância, ou consente que outrem dele se utilize, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, para o tráfico ilícito de drogas. Essa propriedade não necessariamente precisa estar sob posse do agente, pode apenas estar sob administração ou vigilância. Terá também de ser a propriedade cedida para fins de tráfico e não de consumo pessoal. Ressalta-se que, sendo o imóvel para fins de associação, sem as figuras do tráfico não á crime tipificado neste inciso, ou seja, se o imóvel é usado para reuniões de traficantes, mas lá dentro não existe nenhuma das condutas do tráfico, este crime não existirá. Assim, no caso do inc. III, o agente empresta o carro, a casa para o tráfico de drogas. Esse local pode ser imóvel (terreno, casa, apartamento) ou móvel (carro, avião). O crime é doloso, ou seja, somente estará caracterizado quando o proprietário/possuidor do local conhece a natureza da substância. Na sequência,temos uma novidade acrescida pelo Pacote Anticrime. IV - vende ou entrega drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou regulamentar, a agente policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019). Trata-se de novidade trazida pelo Pacote Anticrime (PAC): agente disfarçado. Até o advento do PAC, a conduta do agente se disfarçar para poder comprar a droga não poderia acontecer porque configuraria um crime impossível, agora quem vender ou entregar ainda que por agente disfarçado a droga, vai responder por crime de tráfico. Lembrando que não pode faltar elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistentes, uma câmera que a polícia civil já tinha filmado e então o policial disfarçado vai e comprova, por exemplo. Observação¹: Presente o elemento da conduta criminal preexistente, a venda ou a entrega ao agente policial disfarçado ensejará o flagrante nos termos do art. 33, §1º, IV da Lei 11.343/06. Observação²: Ausente o elemento de conduta criminal preexistente, mas o criminoso prontamente entrega a droga pedida pelo policial disfarçado, só será viável o flagrante nas modalidades de “ter em depósito, transportar, trazer consigo ou guardar” e a tipificação ficará no art. 33 caput, da Lei 11.343/06. Observação³: Ausente o elemento da conduta criminal preexistente, e o agente policial disfarçado solicita a droga ao traficante e este vai buscá-la em outra localidade, a prisão em flagrante será http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art10 29 considerada, inevitavelmente, ilegal, nos termos da Súmula 145 do STF. Tendo em vista que não trazia consigo, não guardava, etc. o policial provoca ele a ir a outro lugar. Súmula 145-STF: Não há crime, quando a preparação do flagrante pela polícia torna impossível a sua consumação. Nessa linha, corroborando ao exposto, William Garcez e Davi André Costa e Silva 13(2020): Diante desse novo cenário jurídico, entendemos que, em outras palavras, a lei deixa claro que a venda e entrega de droga a agente policial disfarçado não configuram o flagrante preparado, desde que presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. Repare-se que a lei traz um elemento normativo condicionador, o qual funciona como um requisito para a configuração típica. O flagrante só será válido quando presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. Se, diversamente, não houver prova de conduta criminal preexistente e o policial disfarçado receber a droga do traficante, a prisão em flagrante se dará com base no art. 33, caput, da Lei 11.343/06, e somente nos verbos configuradores de crime permanente (ter em depósito, transportar, trazer consigo ou guardar) se presentes no cenário fático. Assim, três situações podem ocorrer: a) Presente o elemento da conduta criminal preexistente, a venda ou a entrega ao agente policial disfarçado ensejará o flagrante nos termos do art. 33, §1°, IV, da Lei 11.343/06; b) Ausente o elemento de conduta criminal preexistente, mas o criminoso prontamente entrega a droga pedida pelo policial disfarçado, só será viável o flagrante nas modalidades de ter em depósito, transportar, trazer consigo ou guardar e a tipificação ficará no art. 33, caput, da Lei 11.343/06; c) Ausente o elemento de conduta criminal preexistente, o agente policial disfarçado solicita droga ao traficante e este vai buscá- la em outra localidade, a prisão em flagrante será considerada, inevitavelmente, ilegal, nos termos da Súmula 145 do STF. Ainda nesse sentido, o enunciado 7 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ afirma: Não fica caracterizado o crime do inc. IV do § 1º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, incluído pela Lei Anticrime, quando o policial disfarçado provoca, induz, estimula ou incita alguém a vender ou a entregar drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à sua preparação (flagrante preparado), sob pena de violação do art. 17 do Código Penal e da Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal. Observação4: a figura do agente disfarçado não deve ser confundida com o agente infiltrado (aquele que se infiltra, por exemplo, dentro de uma organização criminosa. De igual modo, também não deve ser confundido com o agente provocador (aquele que leva o agente a praticar a infração penal). Dessa forma, vejamos as diferenças: a) Agente disfarçado: inicialmente, cumpre destacarmos que nesse caso, não precisa de autorização judicial. Trata-se da situação em que o policial se passa por comprador ou mero adquirente. (Presente na lei de drogas e no estatuto do desarmamento). b) Agente provocador: aquele que instiga alguém a prática de delito sem que a pessoa tenha esse propósito. Caracteriza a figura do Crime impossível. (Teoria da armadilha). 13 https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/04/08/figura-policial-disfarcado-e-mitigacao-flagrante-preparado/ https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/04/08/figura-policial-disfarcado-e-mitigacao-flagrante-preparado/ 30 c) Agente infiltrado: previsto na Lei n.° 12.850/13 (organização criminosa) necessita de autorização judicial. 3.2.1. CLASSIFICAÇÃO É crime próprio no verbo prescrever (médico, odontólogo, etc.) e crime comum nos demais verbos, sendo um crime formal doloso (consciência e vontade), comissivo (cuja conduta é uma ação), de perigo abstrato (sujeito passivo é a coletividade), tipo misto alternativo (se praticada mais condutas no mesmo contexto fático será punido por apenas um crime), não cabendo princípio da insignificância. 3.2.2. MODALIDADES PERMANENTES • Expor a venda: Enquanto estiver exposto está acontecendo o crime; • Ter em depósito: Enquanto mantiver em depósito está acontecendo o crime; • Transportar: Enquanto estiver transportando está acontecendo o crime • Trazer consigo: Enquanto estiver trazendo consigo está acontecendo o crime; • Guardar: Enquanto estiver guardando está acontecendo o crime. Possibilitando, portanto, a prisão em flagrante, pois é necessária a condição do crime estar acontecendo. Candidato, quando que é autorizada a quebra da inviolabilidade domiciliar para fins de flagrante de leis de drogas? A principal situação é que deverá se saber a probable cause, que seriam as circunstâncias que permitam uma pessoa razoável (homem médio) acreditar, ou ao menos suspeitar, COM ELEMENTOS CONCRETOS, que um crime está sendo cometido no interior da residência. Conforme entendimento do STJ (entendimento válido para os certames), a mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso sem mandado judicial ou consentimento do morador. Exemplo: A polícia percebe uma aglomeração de pessoas em local conhecido pelo tráfico, um indivíduo nota a presença policial e corre para sua casa, a autoridade portando o segue e adentra sua residência, encontrando drogas, dinheiro e balança de precisão, este fato NÃO configuraria justa causa, tendo em vista que a mera intuição da fuga não autoriza a entrada na residência. Nesse sentido, vejamos o Informativo do STJ. 31 O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de flagrante delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que sinalizem a ocorrência de crime no interior da residência. A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora pudesse autorizar abordagem policial, em via pública, para averiguação, não configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento e sem determinação judicial. STJ. 6ª Turma. REsp 1574681-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017 (Info 606).Cuidado! O encontro fortuito de prova é aplicável para lei de drogas. Exemplo: Um mandado que autoriza a entrada na residência para busca de arma de fogo, adentrando o local é encontrado drogas, mesmo o mandado não mencionando drogas, como a autoridade policial estava autorizada a adentrar e encontra as drogas, esta foi encontrada de forma fortuita. No entanto, se um mandado autoriza a entrada no domicílio para apreensão de uma ave que está no quintal, a autoridade policial entra e sai vasculhando todas as áreas atrás de outras coisas para incriminar o indivíduo e ache drogas, neste caso não haverá encontro fortuito, tendo em vista que foi além do que permitia o mandado. Observação¹: A propriedade da droga é irrelevante (para consumar-se, não é necessário que a droga seja do agente). Logo o agente que guarda em sua residência em nome de terceiro, pratica o delito de tráfico. Até porque ter em depósito e guardar são condutas englobadas também pelo tipo penal. Observação²: Adquirir mesmo que para outra pessoa, configura o delito de tráfico. Observação³: A conduta de negociar a aquisição de droga por telefone é o suficiente para a configuração do delito de tráfico, consumado na modalidade adquirir, mesmo que haja intervenção policial e a consequente apreensão da droga, fazendo com que ela não chegue até o agente. (STF HC 71.853 RJ). Vejamos: Consumação do crime de tráfico de drogas na modalidade adquirir pelo simples fato de a droga ter sido negociada por telefone Consumação do crime de tráfico de drogas na modalidade adquirir pelo simples fato de a droga ter sido negociada por telefone. A conduta consistente em negociar por telefone a aquisição de droga e também disponibilizar o veículo que seria utilizado para o transporte do entorpecente configura o crime de tráfico de drogas em sua forma consumada (e não tentada), ainda que a polícia, com base em indícios obtidos por interceptações telefônicas, tenha efetivado a apreensão do material entorpecente antes que o investigado efetivamente o recebesse. Para que configure a conduta de "adquirir", prevista no art. 33 da Lei nº 11.343/2006, não é necessária a tradição do entorpecente e o pagamento do preço, bastando que tenha havido o ajuste. Assim, não é indispensável que a droga tenha sido entregue ao comprador e o dinheiro pago ao vendedor, bastando que tenha havido a combinação da venda. STJ. 6ª Turma. HC 212.528-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 1º/9/2015 (Info 569). https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d72fbbccd9fe64c3a14f85d225a046f4?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d72fbbccd9fe64c3a14f85d225a046f4?categoria=11&subcategoria=123 32 Observação: Para Habib (2019, p.684), o agente que tem em depósito ou que guarda diversas espécies de drogas cometerá um único crime. Ex: um armazenamento com maconha e cocaína. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2016 Banca: CESPE Órgão: PC-PE Prova: Delegado de Polícia. Segundo o STJ, configura crime consumado de tráfico de drogas a conduta consistente em negociar, por telefone, a aquisição de entorpecente e disponibilizar veículo para o seu transporte, ainda que o agente não receba a mercadoria, em decorrência de apreensão do material pela polícia, com o auxílio de interceptação telefônica. Gabarito CERTO. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: PC-RO Prova: Delegado de Polícia Policiais militares receberam uma ligação telefônica anônima, a qual informava a ocorrência de tráfico de drogas em uma residência onde estariam sendo vendidos entorpecentes mediante “disque-droga”. Considerando essa situação hipotética, assinale a opção correta conforme o entendimento do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A. A mera intuição dos policiais acerca de eventual traficância praticada pelo morador da casa configura, por si só, justa causa para autorizar o ingresso no domicílio, sem o consentimento do morador e sem uma determinação judicial. B. Os policiais podem ingressar na residência, sem ordem judicial ou autorização do morador, desde que estejam amparados em fundadas razões, devidamente justificadas pelas circunstâncias do caso concreto, as quais indiquem que a situação que se passa no interior da casa configure flagrante delito. C. Nesse caso, os agentes públicos não podem invadir a referida casa durante a noite. D. Se a casa funcionar como boca de fumo, os policiais somente poderão invadir a casa, sem o consentimento do morador, entre 6h e 18h. E. Acontecimentos como a ocorrência de denúncia anônima da prática de tráfico de drogas e uma possível fuga do morador da casa ao avistar a polícia configuram, sozinhos, fundadas razões para autorizar o ingresso policial no referido domicílio, sem o consentimento do morador ou sem uma determinação judicial. Gab. B. 3.2.3. EQUIPARAÇÃO AO CRIME HEDIONDO O tráfico de drogas não é crime hediondo, mas sim equiparado a este. Tal equiparação foi feita pela Constituição Federal (Art. 5º, XLIII) e pela própria Lei dos crimes hediondos (Lei 8.07290, art. 2º, caput). 3.2.4. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA Inicialmente, cumpre recordarmos que o tráfico de drogas é um crime equiparado ao hediondo. Assim, todo o regramento aplicável aos crimes hediondo, também se aplicará ao tráfico, todas os consectários. 33 Nessa esteira, a lei de crimes hediondos no art. 2º, § 1º, em sua redação original previa o regime integralmente fechado, o qual foi declarado inconstitucional pelo STF em virtude de violação ao princípio da individualização da pena. Posteriormente, a lei regulamentando o tema, estipulou o regime inicialmente fechado, o STF reconheceu que, de igual modo ao regime integralmente fechado, tal previsão era inconstitucional pois continuava violando o princípio da individualização da pena, uma vez que os sentenciados iniciariam todos, obrigatoriamente, ao cumprimento da pena em regime fechado, não havendo individualização. Dessa forma, o entendimento atual, após a declaração de inconstitucionalidade do regime integralmente fechado, bem como, do regime inicialmente fechado, é de que os condenados pelos crimes previstos na Lei de Drogas (condenados por crimes hediondos ou equiparados, inclusive o tráfico) podem iniciar o cumprimento da pena em regime semiaberto ou regime aberto. 3.2.5. PROGRESSÃO DE REGIME Antes da Lei 11.464/2007 era utilizado o cumprimento de 1/6 da pena privativa de liberdade para obtenção de progressão no regime. Após essa Lei, passou a vigorar o cumprimento de 2/5 da pena se o réu for primário, e cumprimento de 3/5 da pena se reincidente (reincidência genérica). Súmula 471-STJ: Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados cometidos antes da vigência da Lei n. 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no art. 112 da Lei n. 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) para a progressão de regime prisional. Contudo, tivemos mais uma alteração no regramento do tempo de cumprimento da pena para fins de progressão de regime, a alteração foi ocasionada pelo pacote anticrime. A mudança encontra amparo normativo no art. 122 da LEP e foi alterado pelo advento do PAC – Pacote Anticrime. Desse modo, temos uma nova realidade quanto aos parâmetros objetivos dos requisitos para fins de progressão de regime. Vamos ESQUEMATIZAR? % de cumprimento Crimes hediondos OU EQUIPARADOS 40% Crime hediondo ou equiparado (primário) 50% a) Crime hediondo ou equiparado, com resultado MORTE (primário); b) Comando individual ou coletivo de Orcrim para a prática de crimes hediondos ou equiparados; c) Constituição de milicia privada. 60% Reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado. 70% Reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado MORTE. 34 Observação: Como no crime de tráfico não tem resultado morteem seu tipo penal, atente-se às porcentagens de 40%, 60% e, no caso, 50% se o indivíduo comete o tráfico em comando, individual ou coletivo de organização criminosa estruturada para prática de crime hediondo ou equiparado. 3.2.6. SUBSTITUIÇÃO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITO Após o julgamento da ordem de HC n° 82.959/SP pelo STF, a jurisprudência passou a admitir a substituição de pena privativa de liberdade por pena restritiva de direito nos crimes hediondos e equiparados, uma vez que o único óbice que existia (regime integralmente fechado) não existe mais, em razão de sua declaração de inconstitucionalidade. Portanto, é plenamente possível a substituição da pena privativa de liberdade por uma pena restritiva de direitos caso preenchido os devidos requisitos, mesmo no tráfico que é um crime equiparado a hediondo. Em concurso de Delegado de Polícia de Pernambuco (2016), foi apontada como CORRETA a seguinte afirmação: “No crime de tráfico de entorpecentes, é cabível a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, bem como a fixação do regime aberto, quando preenchidos os requisitos legais”. Gabarito CERTO. 3.3. INDUÇÃO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO USO Inicialmente cumpre destacar que o Art. 33 § 2º da Lei 11.343/2006 NÃO É EQUIPARADO A CRIME HEDIONDO POR NÃO SER considerado TRÁFICO. § 2º Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga: Pena - detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa de 100 (cem) a 300 (trezentos) dias-multa. Induzir significa criar na vítima a ideia de usar a droga. Diferentemente de Instigar que significa alimentar/reforçar essa ideia. Enquanto auxiliar consiste na prestação de qualquer ajuda material prestada à vítima para que ela use a droga. Cuidado! Trata-se de um crime material tendo em vista que se consumará apenas com o efetivo uso da droga por terceiro, e não com a simples conduta de induzir, instigar ou auxiliar. Nesse sentido, declina Renato Brasileiro (pág. 1313, 2024)14 “cuida-se, portanto, de crime de natureza material, o que significa dizer que a reunião de todos os elementos de sua definição legal e 14 Manual de Legislação Criminal Especial - Volume Único / Renato Brasileiro de Lima - 12.ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora JusPodivm, 2024. 35 consequente consumação do delito (CP, art. 14, I) somente estarão aperfeiçoados com a ocorrência do resultado, a saber, o uso da droga por terceiro” (grifo nosso). Candidato, se induzir, instigar ou auxiliar é crime previsto no § 2º do art. 33, a marcha da maconha se enquadra neste artigo? Não. O STF na ADI 4274 se pronunciou afirmando que “as manifestações públicas realizadas, nas quais se pleiteia a liberação do uso de drogas, NÃO configura esse delito, em razão da garantia constitucional do direito de manifestação do pensamento, do direito de expressão, do direito de acesso À informação e do direito de reunião”. Os Ministérios Públicos locais argumentavam que a marcha da maconha estaria induzindo ou instigando ao uso da maconha. A questão chegou ao Supremo Tribunal Federal – o STF decidiu de forma emblemática, por 11 a 0, que a marcha da maconha não é crime de induzimento ou instigação ao uso da maconha. ADI n. 4.274. O STF diz que pode ser que na marcha da maconha existam pessoas praticando o crime do §2o do art. 33, mas a marcha da maconha em si não constitui esse crime. O objetivo da marcha da maconha é questionar a criminalização do usuário, defendendo a legalização da maconha. Não há o objetivo de induzir e instigar as pessoas a usar a droga. A democracia pressupõe que os cidadãos possam questionar as leis, o que não os desobriga de obedecer as leis. A marcha da maconha consiste no exercício democrático da liberdade de expressão. 3.4. USO COMPARTILHADO § 3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa, sem prejuízo das penas previstas no art. 28. Atente para o fato de que no § 2º tínhamos dois sujeitos necessários, quem induz, instiga ou auxilia e quem usa, enquanto que o primeiro não necessariamente precisa usar. Neste § 3º é fundamental que os dois juntos consumam. Esse verbo oferecer e a expressão sem objetivo de lucro, se diferem também do crime de tráfico no tocante a esta expressão final do § 3º “PARA JUNTOS CONSUMIREM”, ficando claro, portanto, a principal diferença do art. 33, caput e do art. 33 § 2º. Corroborando, Victor Eduardo Rios Gonçalves e José Paulo Baltazar Junior (2016):15 O presente dispositivo tem por finalidade punir quem tem uma pequena porção de droga e a oferece, por exemplo, a um amigo ou à namorada, para consumo conjunto. Para a configuração dessa figura mais brandamente apenada, são exigidos os seguintes requisitos: a) que a oferta da droga seja eventual; 15 Gonçalves, Victor Eduardo Rios. Legislação penal especial / Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Junior; coordenador Pedro Lenza. – 2. ed. – São Paulo : Saraiva, 2016. – (Coleção esquematizado®) 1. Direito penal - Legislação - Brasil I. Baltazar Junior, José Paulo. II. Título. III. Série. CDU-343.3/.7(81)(094.56). 36 b) que seja gratuita; c) que o destinatário seja pessoa do relacionamento de quem a oferece; d) que a droga seja para consumo conjunto. Candidato, se o indivíduo oferece droga a pessoa de seu relacionamento para juntos consumirem, sem objetivo de lucro, mas essa pessoa tem a capacidade mental reduzida, desprovida da capacidade de se entender a situação do uso de drogas se enquadraria em qual tipo penal? A doutrina entende neste caso que o indivíduo seria enquadrado no crime de tráfico Art. 33, caput. Tendo em vista que neste caso específico, como a pessoa não tem a capacidade de entender o uso de drogas, o especial fim de agir é muito mais abrasivo, a questão de juntos consumirem vira praticamente uma imposição. Candidato, se o indivíduo oferece droga a duas ou mais pessoas, ele responde por um único crime? Excelência, a doutrina entende que o indivíduo responderá por mais de um crime, a depender do número de pessoas que ofereceu a substância entorpecente, em concurso material, formal ou em continuidade delitiva a depender do caso concreto (HABIB, 2019). 3.5. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA (TRÁFICO PRIVILEGIADO) § 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos , desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. (Vide Resolução nº 5, de 2012). Essa vedação à conversão em penas restritivas de direito já foi considerada inconstitucional, o STF entende que é possível a conversão da pena restritiva de liberdade por pena restritiva de direitos mesmo em caso de crimes hediondos ou equiparados. Note que este artigo traz a possibilidade de redução de 1/6 a 2/3 pelo fato do agente ser primário e não se dedicar a atividades criminosas, e não integrar organização criminosa, a doutrina e jurisprudência denominam a presente situação como tráfico privilegiado. No tocante ao tráfico privilegiado, importante destacarmos o entendimento do STF sobre essa modalidade não ser equiparada a crime hediondo. Vejamos: Tráfico privilegiado não é hediondo (cancelamento da Súmula 512-STJ) 16 16 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Tráfico privilegiado não é hediondo (cancelamento da Súmula 512-STJ). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 21/06/2020. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2012/Congresso/RSF-05-2012.htm37 O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831). O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. STJ. 3ª Seção. Pet 11796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo) (Info 595). O que dizia a Súmula 512-STJ: "A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas." Pacote anticrime Em 2019, foi editada a Lei nº 13.964/2019, que acrescentou o § 5º ao art. 112 da LEP positivando o entendimento acima exposto: Art. 112 (...) § 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. Lembre-se que a aplicação desse tráfico privilegiado (a redução de 1/ a 2/3) só é aplicável por entendimento majoritário aos delitos do art. 33, caput e § 1º. 3.5.1. REQUISITOS CUMULATIVOS PARA TRÁFICO PRIVILEGIADO a) Primariedade do agente: Não pode ter sentença condenatória transitado em julgado, respondido por outros crimes. b) Bons antecedentes: Passagens e demais condições que devem contar para o réu. c) Não se dedicar a pratica de atividades criminosas: Não ter a sua vida voltada para crimes. d) Não integrar organização criminosa: Se esse infrator responder pela Lei 12.850/13 ele automaticamente estará excluído do tráfico privilegiado. Candidato, se o indivíduo responde no art. 33 e não na Lei 12.850, mas no art. 35 (associação para o tráfico), o requisito de não participar de organização criminosa seria ainda considerado e faria jus ao tráfico privilegiado? Sim. Embora até pouco tempo a doutrina e a jurisprudência era pacifica no sentido de que se respondeu na Lei 12.850 ou no art. 35 da Lei de drogas, o tráfico privilegiado seria afastado. Mas o STF entendeu que: “ a previsão da redução de uma pena contida no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/06 tem como fundamento distinguir o traficante costumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como do que se aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria sobrevivência e/ou de sua família. Assim, para legitimar a não aplicação do redutor, é essencial a fundamentação corroborada em elementos capazes de afastar um dos requisitos legais, sob a pena de desrespeito ao princípio da individualização da pena e de fundamentação das decisões judiciais. Desse modo, a habitualidade e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados, não valendo a simples presunção. Não havendo prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução da pena. ” 38 Em resumo, deve-se analisar o fato concreto. Exemplo. Caso em que o indivíduo traficante costumaz conhecido pela polícia vende suas drogas todos os dias, mas para embalar fazia com que sua esposa o ajudasse. Observe que tem uma estabilidade e permanência, os dois sendo enquadrados no art. 33 e no art. 35 (associação de duas ou mais pessoas). Acontece que a defesa da esposa invocou a aplicação do § 4º do art. 33, afirmando que era réu primária, com bons antecedentes e não fazia parte de organização criminosa, o juiz de 1ºgrau não aceitou e assim por diante, até chegar no STF que se pronunciou afirmando que pode acontecer de haver uma associação a uma pessoa, mas não ao tráfico, nesse caso ela era submetida as vontades do seu esposo, e então foi aplicada a causa de diminuição de pena do art. 33§ 4º. STF 2º Turma. HC 154694. AgR/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/02/2020 (Info 965). Candidato, a “mula” (pessoa paga apenas para o transporte) integra a associação criminosa? Não. Embora sempre tenha se entendido que a mula integrava toda a cadeia de traficância, sendo essencial para os fins do tráfico, portanto, enquadrada na associação, hoje o STF e STJ entendem que a pessoa que transporta drogas ilícitas, conhecida como mula, nem sempre integra a organização criminosa. De acordo com recente decisão da 5º Turma do Superior Tribunal de Justiça. Por unanimidade, o colegiado mudou o entendimento de que prevalecia entre os seus integrantes, para entender que é possível reconhecer o tráfico privilegiado ao agente que transporta as drogas. É possível sim reconhecer o tráfico privilegiado para a mula, principalmente pela permanecia de integrar a organização, tendo em vista que por vezes são pessoas aleatórias, que praticam o crime esporadicamente, ocasional. O simples fato de o indivíduo ter sido preso levando uma grande quantidade de droga para terceiros não é motivo para se afastar o tráfico privilegiado; isso porque a condição de mula não é argumento, por si só, para afastar o privilégio A quantidade e a natureza da droga apreendida podem servir de fundamento para a majoração da pena-base ou para a modulação da fração da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, desde que não tenham sido utilizadas na primeira fase da dosimetria. O fundamento de que o agente transportava grande quantidade de droga a serviço de terceiros não se presta a sustentar o afastamento do tráfico privilegiado, uma vez que evidencia apenas a condição de “mula” e não de dedicação a atividades criminosas. A condição de “mula”, por si só, não tem o condão de impedir o reconhecimento do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da LD). STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 842.630-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 18/12/2023 (Info 16 – Edição Extraordinária). 39 Observação: Inquéritos policiais e/ou ações penais em curso não podem ser utilizados para afastar a aplicação do privilégio. Esse tema já foi objeto de divergência entre o STF e o STJ, porém já foi pacificado, vejamos: Não é possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da LD pelo simples fato de o acusado ser investigado em inquérito ou réu em outra ação penal que ainda não transitou em julgado. Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação ao art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). Não cabe afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) com base em condenações não alcançadas pela preclusão maior (coisa julgada). STF. 1ª Turma. HC 166385/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, 14/4/2020 (Info 973). STF. 2ª Turma. RE 1.283.996 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 11/11/2020. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 676.516/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 19/10/2021. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1936058/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, 14/09/2021. Candidato, é possível que a redução da pena prevista no tráfico privilegiado (1/6 a 2/3) fique em patamar inferior ao previsto na lei, qual seja, 1/6? Sim. Recentemente o STJ considerou legítimo modular a fração da minorante do tráfico de drogas, em virtude do fato de o réu ter praticado o delito estando sob monitoramento eletrônico devido a outro processo, pois denota descaso com a Justiça. Nos termos do art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, o agente poderá ser beneficiado com a redução de 1/6 (um sexto) a 2/3 (dois terços) da pena, desde que seja primário e portador de bons antecedentes e não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. Assim, o referido benefício tem como destinatárioo pequeno traficante, ou seja, aquele que inicia sua vida no comércio ilícito de entorpecentes muitas das vezes até para viabilizar seu próprio consumo, e não os que, comprovadamente, fazem do crime seu meio habitual de vida. No caso, o juízo singular modulou a causa de diminuição de pena para 1/3 em razão de o sentenciado estar "de tornozeleira eletrônica no momento em que executava a prática delitiva, demonstrando maior intensidade no dolo de sua conduta". Com efeito, nos termos do entendimento desta Corte, “o fato de [ele] ter praticado o delito estando sob monitoramento eletrônico devido à prisão em outro processo é fundamento idôneo para modular a fração do benefício legal, pois denota descaso com a Justiça” (AgRg no REsp n. 2.044.306/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, DJe de 1/9/2023). 40 A prática do crime sob monitoramento eletrônico é fundamento idôneo para modular a fração da minorante do tráfico, pois denota descaso com a Justiça. Caso adaptado: João foi preso em flagrante delito praticando tráfico de drogas. O detalhe importante é que, no momento da prisão, João estava usando tornozeleira eletrônica. Isso porque ele estava respondendo outro processo criminal e, como medida cautelar diversa da prisão, lhe foi imposto o monitoramento eletrônico. A defesa havia pedido que fosse reconhecido o privilégio do § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006. O juiz concedeu o benefício. No entanto, ao calcular o percentual de redução da pena, fixou a redução em 1/3 sob o argumento de que o réu, no momento da prática do crime, estava sob monitoramento eletrônico. O STJ considerou legítima a fundamentação do magistrado. O fato de o réu ter praticado o delito estando sob monitoramento eletrônico devido a outro processo é fundamento idôneo para modular a fração do benefício legal, pois revela descaso com a Justiça. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no HC 850.653-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 20/5/2024 (Info 816). Candidato, a prática anterior de atos infracionais pode ser utilizada para afastar a causa de diminuição do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas? Excelência, atualmente temos uma divergência no STF sobre essa questão. A 1ª Turma entende que é possível. Por outro lado, a segunda turma entende que não é possível a utilização de atos infracionais para afastar o privilégio no crime de tráfico. Já para o STJ, é possível utilizar o histórico de ato infracional para afastar a minorante do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06. Vejamos o resumo dos julgados sobre este tema: O histórico infracional é suficiente para afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006? O histórico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante do art. 33, § 4.º, da Lei nº 11.343/2006, por meio de fundamentação idônea que aponte a existência de circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pretéritos, devidamente documentados nos autos, bem como a razoável proximidade temporal com o crime em apuração. STJ. EREsp 1916596-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, Terceira Seção, julgado em 08/09/2021 (Info 712). Atualmente, há divergência no STF: Para a 1ª Turma do STF: SIM. É possível a utilização da prática de atos infracionais para afastar a causa de diminuição, quando se pretendeu a aplicação do redutor de pena do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. Isso não significa que foram considerados, como crimes, os atos infracionais praticados. Significa, apenas, que o contexto fático pode comprovar que o requisito de não dedicação a atividades criminosas não foi preenchido. Isto porque, tudo indica que a intenção do legislador, ao inserir a redação foi distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como daquele que se aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria sobrevivência e/ou de sua família. STF. 1ª Turma. HC 192147, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/02/2021. Para a 2ª Turma do STF: NÃO. 41 A prática anterior de atos infracionais pelo paciente não configura fundamentação idônea a afastar a minorante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. Constata-se que a prática de atos infracionais não é suficiente para afastar a minorante, visto que adolescente não comete crime nem lhe é imputada pena. Nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas aplicadas são socioeducativas e objetivam a proteção do adolescente que cometeu infração. Assim, a menção a atos infracionais praticados pelo paciente não configura fundamentação idônea para afastar a minorante. STF. 2ª Turma. HC 191992, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 08/04/2021. 3.5.2. SÚMULA VINCULANTE 59 Súmula vinculante 59: É impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos quando reconhecida a figura do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) e ausentes vetores negativos na primeira fase da dosimetria (art. 59 do CP), observados os requisitos do art. 33, § 2º, ‘c’, e do art. 44, ambos do Código Penal. 3.6. MAQUINÁRIO DO TRÁFICO Conforme leciona, Victor Eduardo Rios Gonçalves e José Paulo Baltazar Junior (2016):18 as condutas típicas (do art. 34) são semelhantes às do art. 33, caput: Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente. Entretanto, são elas relacionadas a máquinas ou objetos em geral destinados à fabricação, preparação, produção ou transformação de substância entorpecente. Vejamos: Art. 34. Fabricar, adquirir, utilizar, transportar, oferecer, vender, distribuir, entregar a qualquer título, possuir, guardar ou fornecer, ainda que gratuitamente, maquinário, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à fabricação, preparação, produção ou transformação de drogas, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 1.200 (mil e duzentos) a 2.000 (dois mil) dias-multa. Para que o crime seja caracterizado, deve haver uma prova da destinação ilícita, pois tais objetos podem ser utilizados em condutas lícitas. É necessário, portanto, provar que este objeto é usado no processo criativo de drogas. A consumação está no momento em que realizada a conduta independentemente da possível fabricação da droga e admite-se tentativa. Ressalta-se ainda que se o instrumento for para consumo, como lâminas que separam cocaína, ou papel para embalar a maconha não será enquadrado neste artigo, mas sim no Art. 28 da Lei de Drogas. 18 Gonçalves, Victor Eduardo Rios. Legislação penal especial / Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Junior; coordenador Pedro Lenza. – 2. ed. – São Paulo : Saraiva, 2016. – (Coleção esquematizado®) 1. Direito penal - Legislação - Brasil I. Baltazar Junior, José Paulo. II. Título. III. Série. CDU-343.3/.7(81)(094.56). 42 Nesse sentido, o entendimento do STJ: “Não é possível que o agente responda pela prática do crime do art. 34 da Lei 11.343/2006 quando a posse dos instrumentos configura ato preparatório destinado ao consumo pessoal de entorpecente”. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça. Julgue o seguinte item à luz da Lei n.º 11.343/2006. A posse de maquinário, aparelho ou instrumento de fabricação de drogas destinadas ao consumo pessoal é conduta penalmente típica, embora não equiparada a crime hediondo. Gab. ERRADO. Caso o crime de objeto/maquinário seja praticado no mesmo contexto dos crimes do caput do artigo 33, com base no princípio da consunção, na modalidade de crime progressivo, o artigo 33, caput absorve o crimedo artigo 34. Tal entendimento foi fixado pelo STF: Lei de drogas e princípio da consunção A Segunda Turma conheceu parcialmente e, nessa extensão, concedeu, em parte, a ordem em “habeas corpus”, para restabelecer a sentença imposta ao paciente pelo juízo singular, com o decotamento da confissão espontânea fixado em 2º grau. Na espécie, ele fora condenado pela prática de tráfico de drogas e associação para o tráfico (Lei 11.343/2006, artigos 33 e 35). O tribunal local, ao apreciar as apelações da acusação e da defesa, reduzira a pena referente ao tráfico, mas condenara o réu com relação aos delitos dos artigos 33, § 1º, I; e 34 da Lei 11.343/2006. No “habeas”, sustentava-se a existência de irregularidades quanto às transcrições de escutas telefônicas colhidas em investigação; a ilegalidade quanto à pena-base; a ocorrência do princípio da consunção, considerados os delitos de tráfico e dos artigos 33, § 1º, I; e 34 da Lei 11.343/2006; a inexistência do crime de associação para o tráfico; a ilegalidade quanto à incidência da agravante do art. 62, I, do CP; e a ocorrência de tráfico privilegiado. A Turma assinalou não haver nulidade quanto às transcrições de interceptações telefônicas, que teriam sido devidamente disponibilizadas, sem que a defesa, entretanto, houvesse solicitado a transcrição total ou parcial ao longo da instrução. Ademais, entendeu que, dadas as circunstâncias do caso concreto, seria possível a aplicação do princípio da consunção, que se consubstanciaria pela absorção dos delitos tipificados nos artigos 33, § 1º, I, e 34 da Lei 11.343/2006, pelo delito previsto no art. 33, “caput”, do mesmo diploma legal. Ambos os preceitos buscariam proteger a saúde pública e tipificariam condutas que — no mesmo contexto fático, evidenciassem o intento de traficância do agente e a utilização dos aparelhos e insumos para essa mesma finalidade — poderiam ser consideradas meros atos preparatórios do delito de tráfico previsto no art. 33, “caput”, da Lei 11.343/2006. Quanto às demais alegações, não haveria vícios aptos a redimensionar a pena. STF. 2ª Turma. HC 109708/SP, rel. Min. Teori Zavascki, 23.6.2015. (Info 791) 3.7. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei: 43 Pena - reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e pagamento de 700 (setecentos) a 1.200 (mil e duzentos) dias-multa. Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a prática reiterada do crime definido no art. 36 desta Lei. É um crime plurissubjetivo ou de concurso necessário (legislador exige no mínimo duas pessoas para prática do delito, nesse número computa-se os inimputáveis), e tem como requisitos a: permanência (não existe associação para tráfico eventual): a estabilidade (exige-se um animus associativo, continuo, se a associação se formar para a prática de um ou outro ato isolado de tráfico tem-se apenas uma coautoria no delito de tráfico de drogas). Vamos RELEMBRAR: Associação para o tráfico Organização criminosa Associação criminosa Duas ou mais pessoas Quatro ou mais pessoas Três ou mais pessoas O STJ reafirma o entendimento de ser imprescindível o dolo de se associar, não cabendo que seja ocasional, tendo que ter estabilidade e permanência não admitindo tentativa. Trata-se de um crime formal, onde sua consumação independe da prática dos delitos para quais os agentes se associaram, embora caso sejam praticados tais delitos os agentes responderão por associação e pelo crime de tráfico praticado em concurso material. Candidato, a participação de menor pode ser considerada para configurar o crime de associação para o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de aumento do art. 40, VI, da Lei 11.343/06? Sim, a aplicação da causa de aumento de pena da Lei de drogas ao crime de associação para o tráfico de drogas é cabível em caso de crianças e adolescentes, segundo o STJ, 6º Turma, HC 250.455-RJ, Rel. Min. Nefi. Cordeiro, julgado em 17/02/2015 (Info 576). Candidato, o fato de o flagrante de tráfico de drogas ter ocorrido em comunidade apontada como local dominado por facção criminosa permite presumir que o réu era associado à referida facção? De acordo com o STJ, não. Vejamos: O fato de o flagrante de tráfico de drogas ter ocorrido em comunidade apontada como local dominado por facção criminosa, por si só, não permite presumir que o réu era associado à referida facção. Caso concreto: Alexandre e Gilson foram presos em flagrante em uma operação policial na Comunidade Nova Holanda, região que, segundo a polícia, é dominada pelo “Comando Vermelho”. Os dois foram presos em flagrante porque os policiais os encontraram com cocaína e petrechos para endolação. Alexandre e Gilson foram condenados por tráfico de drogas e também por associação para o tráfico (art. 35 da LD). O argumento para eles terem sido condenados por associação foi o fato de que é notória a existência de uma facção criminosa 44 naquela comunidade e que não seria possível que os acusados estivessem ali sem prévia associação com os demais integrantes dessa facção. O STJ não concordou com o argumento e absolveu os réus pelo delito do art. 35 da LD. O fato de o flagrante do delito de tráfico de drogas ter ocorrido em comunidade apontada como local dominado por facção criminosa, por si só, não permite presumir que os réus eram associados (de forma estável e permanente) à referida facção, sob pena de se validar a adoção de uma seleção criminalizante norteada pelo critério espacial e de se inverter o ônus probatório, atribuindo prova diabólica de fato negativo à defesa. STJ. 6ª Turma. HC 739951-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/08/2022 (Info 753). Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2024 Banca: Instituto Consulplan Órgão: MPE-SC Prova: Instituto Consulplan - 2024 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto - P1 - Fase Matutina Considerando os entendimentos modernos das doutrinas e dos Tribunais Superiores, bem como as jurisprudências que norteiam o direito penal brasileiro, julgue o item a seguir. Bentinho, tendo sido flagrado com 20 gramas de maconha que se destinava a venda em uma favela dominada por uma organização criminosa, ou seja, em território sob o domínio de uma facção de traficantes, não pode, mesmo sendo primário e de bons antecedentes, ser beneficiado pela causa de diminuição do parágrafo 4ª do Art. 33, da Lei nº 11.343/2006, o chamado tráfico privilegiado, pois, presume-se, em razão do território, que o agente integra a organização criminosa. Gabarito ERRADO. Ressalta-se que o crime de associação para tráfico além de ser plurissubjetivo também pode ser plurilocal. O fato de haver integrantes em várias cidades não é empecilho para configuração do crime de associação para o tráfico. Tal entendimento restou firmado pela 6ª turma do STJ (REsp 1845496/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 03/11/2020). Candidato, o crime de associação para o tráfico é equiparado aos crimes hediondos? Excelência, o STJ firmou o entendimento de que o crime de associação para o tráfico não é equiparado a hediondo, já que não está abrangido pelos ditames da lei 8.072/90 (AgRg no HC 499.706/SP, Rel. Ministro ANTONIO SALDANHA PALHEIRO, SEXTA TURMA, julgado em 18/06/2019). Vamos RELEMBRAR: CRIME HEDIONDO? Associação Criminosa NÃO Associação Criminosa para a prática de Crimes Hediondos ou Equiparados NÃO Associação para o Tráfico NÃO Orcrim NÃO Orcrim para prática de Crimes Hediondos ou Equiparados SIM Associação para Genocídio SIM 45 3.8. FINANCIAMENTO AO TRÁFICO Art. 36. Financiar ou custear a prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei: Pena - reclusão, de8 (oito) a 20 (vinte) anos, e pagamento de 1.500 (mil e quinhentos) a 4.000 (quatro mil) dias-multa. Esta conduta abrange qualquer espécie de ajuda financeira, ressalta-se que o financiador terá de ser habitual, segundo entendimento majoritário. A tentativa não é admitida. O Legislador buscou criminalizar autonomamente a conduta de financiar o tráfico, que seria uma espécie de participação no tráfico de drogas. Nesse sentido, tal diferenciação expressa uma exceção a teoria monista do concurso de pessoas, visto que não há identidade de infração penal praticada pelo traficante (art. 33) e pelo financiador dessa traficância (art. 36), ou seja, quem somente custeia ou financia o tráfico não é coautor nem partícipe do tráfico (HABIB, 2019). Atenta-se que o autofinanciamento, o indivíduo que além de praticar, financia sua própria traficância através de uma empresa por exemplo, a maioria da doutrina entende que é um post factum impunível, ou seja, um crime posterior que não será punido. Portanto não responderia pelo art. 33, mas sim pelo art. 36. Por outro lado, a jurisprudência entende que o indivíduo irá responder pelo crime de tráfico art. 33, com causa de aumento de pena do art. 40 VIII segundo o STJ. 3.9. INFORMANTE COLABORADOR Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 desta Lei: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 (trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa. Não basta a colaboração para o tráfico, a Lei exige que o informante colaborador trabalhe com um grupo, organização ou associação voltada para o tráfico. O informante não pode integrar o grupo, porque senão ele entrará para dentro da organização, grupo ou associação. O famoso caso do “pipa” ou “aviãozinho”, acontece muito em favelas, de pessoas que sequer trabalham para o tráfico avisarem a presença da polícia na comunidade. Lembrando que este não fala para apenas um traficante, terá de ser para no mínimo duas pessoas envolvidas na traficância, para caracterizar o grupo, associação ou organização. Cuidado, se o indivíduo trabalha para a traficância com a função de avisar, este não será enquadrado no art. 37, tendo em vista que já integra o grupo, associação ou organização. 46 3.10. PRESCREVER OU MINISTRAR DROGAS (CULPOSAMENTE) Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-multa. Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da categoria profissional a que pertença o agente. Único crime culposo da Lei de drogas: Cuidado que prescrever também é conduta descrita no art. 33. Cumpre destacar que temos três condutas diferentes para a conduta do artigo 38: a) Prescrever ou ministrar droga sem que dela necessite: Exemplo. Quer emagrecer e prescreve anfetamina. b) Prescrever ou ministrar droga em doses excessiva: Exemplo. Quer emagrecer e prescreve anfetamina superdosada. c) Prescrever ou ministrar droga necessária, mas em desacordo com determinação legal: Exemplo. Quer emagrecer e prescreve maconha. Observação: Caso haja dolo na conduta de prescrever ou ministrar, configura-se o crime de tráfico de drogas (art. 33). 3.11. CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE: APÓS O CONSUMO DE DROGAS Art. 39. Conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, além da apreensão do veículo, cassação da habilitação respectiva ou proibição de obtê-la, pelo mesmo prazo da pena privativa de liberdade aplicada, e pagamento de 200 (duzentos) a 400 (quatrocentos) dias-multa. Parágrafo único. As penas de prisão e multa, aplicadas cumulativamente com as demais, serão de 4 (quatro) a 6 (seis) anos e de 400 (quatrocentos) a 600 (seiscentos) dias-multa, se o veículo referido no caput deste artigo for de transporte coletivo de passageiros. Único crime de perigo concreto da Lei de Drogas: “expondo a dano potencial a incolumidade de outrem”. É necessário que em razão do consumo de droga, o agente conduza a aeronave ou embarcação de forma anormal. Vale destacar que se tratando de veículo automotor a conduta se enquadra no art. 306 da Lei 9.503/97 CTB (não precisa demonstrar o dano potencial, perigo abstrato). 47 No que tange ao delito em estudo, explica Victor Eduardo Rios Gonçalves e José Paulo Baltazar Junior (2016):19 O presente tipo penal, que tutela a segurança no espaço aéreo e aquático, pune a condução perigosa de aeronave ou embarcação decorrente da utilização de substância entorpecente. Para a configuração do delito, é necessário que, em razão do consumo da droga, o agente conduza a aeronave ou embarcação de forma anormal, expondo a perigo a incolumidade de outrem. Não é necessário, entretanto, que se prove que pessoa determinada foi exposta a uma situação de risco, bastando a prova de que houve condução irregular da aeronave ou embarcação. Estas, aliás, podem ser de qualquer categoria ou tamanho (exemplos: avião a jato, monomotor, turboélice, lancha, jet-ski, veleiro, navio). Tratando-se de condução de veículo automotor em via pública (automóvel, motocicleta, caminhão etc.), sob o efeito de entorpecente, a conduta se enquadra no crime do art. 306 da Lei n. 9.503/97 (Código de Trânsito Brasileiro — CTB), cujas penas são as mesmas. 3.12. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se: I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito; Aqui fala-se acerca da internacionalidade, em que haja uma comprovação que transpôs as fronteiras do Brasil, sendo necessário que a droga também seja proibida no outro país (dupla ilicitude), embora que não seja necessário que transponha de fato as fronteiras, caso esteja em um aeroporto por exemplo já configura o dolo internacional. Exemplo de dupla ilicitude, o lança perfume na argentina não é substância ilícita, se adentrar o Brasil não se aplica o art. 40, I, no entanto se aplica o tráfico, não gera atipicidade do tipo. Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006) configura-se com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de fronteiras. Destaca-se a questão da competência para o julgamento de importação de drogas por via postal, visto que houve o cancelamento da súmula 528 do STJ, a qual postula: Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. (CANCELADA) Conforme o entendimento da 3ª Seção do STJ, na hipótese de importação da droga via correio cumulada com o conhecimento do destinatário por meio do endereço aposto na correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a competência no Juízo do local de destino da droga, em favor da facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do 19 Gonçalves, Victor Eduardo Rios. Legislação penal especial / Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Junior; coordenador Pedro Lenza. – 2. ed. – São Paulo : Saraiva, 2016. – (Coleção esquematizado®) 1. Direito penal - Legislação - Brasil I. Baltazar Junior, José Paulo. II. Título. III. Série. CDU-343.3/.7(81)(094.56). 48 processo (STJ. 3ª Seção. CC 177882-PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 26/05/2021 (Info 698). Observação: em 25/02/2022, após o julgamentoacima, o STJ decidiu cancelar formalmente a Súmula 528. Na ocasião, o relator argumentou que, após a aprovação da súmula, em 2015, várias decisões do STJ adotaram entendimento em sentido contrário, e "mais prático". Mencionou ainda o julgado acima, no qual se flexibilizou o enunciado sumular para estabelecer a competência do juízo do local de destino do entorpecente, proporcionando maior eficiência na colheita de provas e o exercício da defesa de forma mais ampla. E se a droga for remetida via postal, mas não constar o endereço do destinatário? Essa hipótese é improvável, pois toda correspondência remetida já deve ter, necessariamente, o endereço do destinatário. Portanto, a Súmula 528 do STJ está formalmente cancelada. Resumindo, a competência de julgamento será a do local de destino da droga. II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância; Entenda que não é ser funcionário público, para que incida a causa de aumento é necessário o agente prevalecer-se da função. III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em transportes públicos; Aqui qualquer das condutas do art. 33 se for realizado próximo a estes locais será causa de aumento de pena. Candidato, e se o tráfico foi realizado nas dependências ou nas proximidades de uma igreja? Prevalece o entendimento da 6ª Turma do STJ, expresso em seu informativo 671, visto que o “tráfico de drogas cometido em local próximo a igrejas não foi contemplado pelo legislador no rol das majorantes previstas no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006, não podendo, portanto, ser utilizado com esse fim tendo em vista que no Direito Penal incriminador não se admite a analogia in malam partem. Caso o legislador quisesse punir de forma mais gravosa também o fato de o agente cometer o delito nas dependências ou nas imediações de igreja, teria feito expressamente, assim como fez em relação aos demais locais.” STJ. 6ª Turma. HC 528851-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/05/2020) (Info 671). 49 Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: MPE-RJ Prova: VUNESP - 2024 - MPE-RJ - Promotor de Justiça Substituto. Tendo em conta a Lei de Drogas, assinale a alternativa correta. A. Se o agente, além de traficar substância entorpecente, também financiar a prática do tráfico, será punido pelos crimes de tráfico de entorpecentes (art. 33, da Lei no 11.343/2006) e financiar ou custear a prática de tráfico (art. 36, da Lei no 11.346/2006), em concurso material. B. O crime de conduzir embarcação ou aeronave após o consumo de droga (art. 39, da Lei no 11.343/2006) é de perigo abstrato. C. A colaboração eventual, como informante, com associação criminosa destinada à prática de crime, caracteriza o crime de associação para o tráfico (art. 35, da Lei no 11.343/2006). D. O médico que prescreve substância especificada como droga, capaz de causar dependência, pelo órgão competente, propositadamente, em paciente que dela não precisa, pratica o crime de prescrever ou ministrar droga (art. 38, da Lei no 11.343/2006) E. Ao tráfico de entorpecentes praticado no âmbito de Igreja, pelo princípio da reserva legal, não incide a causa de aumento prevista no art. 40, inciso III, da Lei no 11.343/2006 (que estabelece a majorante em razão do local em que praticado o crime). Gabarito E. Outro importante entendimento a se levar para provas é do informativo 659 do STJ, o qual trata da causa de aumento de pena se a infração estiver sido cometida nas dependências ou nas imediações de estabelecimento prisionais. Questionava-se, no caso concreto, a possibilidade de aplicar a referida causa de aumento de pena na situação do réu comandar o tráfico de entorpecentes de dentro do presídio, por meio do uso de celular, dando ordens para seus comparsas fora do presídio. Restou-se firmado o entendimento de que é possível aplicar a causa de aumento nessa situação, uma vez que não é necessário que a droga passe por dentro do presídio para que incida a majorante prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006. Esse dispositivo não faz a exigência de que as drogas efetivamente passem por dentro dos locais que se busca dar maior proteção, mas apenas que o cometimento dos crimes tenha ocorrido em seu interior. STJ. 5ª Turma. HC 440.888-MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/10/2019 (Info 659). Ainda sobre a causa de aumento do inciso III do artigo 40, há dois entendimentos jurisprudenciais em relação a traficância nas imediações de escolas e instituições de ensino que devem ser levados para a prova. O primeiro é a desnecessidade de provar que visava atingir os frequentadores da escola ou instituição de ensino, bastando que ocorresse em suas imediações diante da exposição de pessoas ao risco inerente à atividade criminosa da narcotraficância. Outro posicionamento é o expresso no informativo 622 do STJ, o qual afirma: “Não incide a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, se a prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário em que não facilite a prática criminosa e a 50 disseminação de drogas em área de maior aglomeração de pessoas.” (STJ. 6ª Turma. REsp 1.719.792-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018) (Info 622). No tocante ao transporte público, somente se aplica a causa de aumento se o ato de traficância ocorrer no interior do transporte público. Se o traficante não estiver praticando a traficância, ou seja, estiver apenas portando a droga dentro do transporte público, não será aplicado este aumento de pena, assim entende o STJ. IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva; V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal; Destaca-se a situação do tráfico interestadual (entre estados), no qual a Súmula 587 do STJ determina que para incidência da causa de aumento de pena NÃO se exige que a droga efetivamente transponha a fronteira entre os Estados da Federação ou entre o Estado e o DF. Basta que haja prova do dolo do agente de praticar tráfico interestadual. O STF na súmula 522, traz ainda que a competência para processo e julgamento nesses casos é da Justiça Estadual. VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação; Destaca-se que, caso o agente envolva menores na prática de qualquer dos crimes do artigo 33 a 37 da lei ou vise atingi-los pela prática desses crimes, essa causa de aumento deverá ser aplicada. Porém, conforme o STJ (informativo 595), para não causar bis in idem e em obediência ao princípio da especialidade, não haverá o concurso de crimes entre tráfico majorado com o crime de corrupção de menores do artigo 244-B do ECA, aplicando-se somente a pena do crime da lei de tráfico aumentada pela majorante em questão. VII - o agente financiar ou custear a prática do crime. Caso do autofinanciamento tratado anteriormente. 4. COLABORAÇÃO PREMIADA Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida deum terço a dois terços. Presentes em vários crimes, este instrumento também se encontra na Lei de drogas. Neste caso terá que identificar o coautor, partícipe “e” (ou seja, requisito cumulativo) a recuperação total ou 51 parcial do produto do crime. Lembrando que acusado ou indiciado pode fazer a colaboração. Portanto são quatro os requisitos da colaboração premiada na Lei de Drogas: 1. Investigação Policial ou Processo Criminal instaurados 2. Identificação dos demais coautores ou partícipes do delito 3. Recuperação total ou parcial do produto do crime 4. Voluntariedade da ação. Candidato, os requisitos legais previstos no art. 41 da Lei de Drogas são alternativos ou cumulativos? A Lei de Drogas prevê uma causa de diminuição de pena para o caso de colaboração premiada do réu: Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co- autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços. Os requisitos legais previstos nesse artigo são alternativos ou cumulativos? O STJ está dividido: 5ª Turma: são cumulativos. 6ª Turma: são alternativos. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que a concessão do benefício da delação previsto no art. 41 da Lei n. 11.343/06 (causa de diminuição de pena) depende do preenchimento cumulativo dos requisitos nele descritos, quais sejam, a identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e a recuperação total ou parcial do produto do delito. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 2.032.118/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/8/2023. Os requisitos legais previstos no art. 41 da Lei nº 11.343/2006, que trata da causa de diminuição da pena por colaboração premiada, são alternativos e não cumulativos. STJ. 6ª Turma. HC 663.265-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/9/2023 (Info 789). Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2024 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: PC-PE Prova: CESPE / CEBRASPE - 2024 - PC-PE - Delegado de Polícia Assinale a opção correta de acordo com a Lei n.º 11.343/2006 (Lei de Drogas). A.O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços. B. É possível a concessão de indulto à pena imposta por condenação relativa ao crime de associação para a prática de tráfico ilícito de entorpecentes. 52 C. Ao agente que pratica o delito de tráfico ilícito de entorpecentes e, em razão da dependência, era, ao tempo da ação, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, deve ser imposta uma causa de diminuição de pena, de metade a dois terços. D. Verificando-se a conduta de posse de entorpecentes, o autor do fato será preso em flagrante, devendo ser encaminhado, em até 24 horas, para a autoridade judicial, a fim de que seja submetido à audiência de custódia. E. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará, em até 24 horas, comunicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao Ministério Público, em no máximo 48 horas. Gabarito A. 5. FIXAÇÃO DA PENA BASE E DA MULTA 5.1. A PENA BASE Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta social do agente. O presente dispositivo trata dos elementos a serem considerados na primeira fase da dosimetria, ou seja, trata-se de circunstâncias preponderantes que devem ser consideradas na fixação da pena-base. Isso não significa que o artigo 59 do Código Penal deve ser afastado na dosimetria da pena, mas que as circunstâncias da natureza e da quantidade da substância ou do produto, a personalidade e a conduta do agente devem ter um maior peso em relação aos elementos do artigo 59 do Código Penal. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2018 Banca: UEG Órgão: PC-GO Prova: Delegado de Polícia. O juiz, na fixação das penas previstas na Lei n. 11.343, considerará, com preponderância sobre o previsto no artigo 59, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade e: A. os motivos do agente B. a culpabilidade do agente C. os antecedentes do agente D. a conduta social do agente E. a condição financeira do agente. Gab. D. 5.2. FIXAÇÃO DA MULTA Art. 43. Na fixação da multa a que se referem os arts. 33 a 39 desta Lei, o juiz, atendendo ao que dispõe o art. 42 desta Lei, determinará o número de dias-multa, atribuindo a cada um, segundo as condições econômicas dos acusados, valor não inferior a um trinta avos nem superior a 5 (cinco) vezes o maior salário-mínimo. Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão impostas sempre cumulativamente, podem ser aumentadas até o décuplo se, em virtude da situação econômica do acusado, considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas no máximo. 53 O critério adotado pela legislação para fixar a pena de multa foi o critério bifásico, ou seja, primeiro fixa-se o número de dias-multa e posteriormente determina-se o valor de cada dia-multa. A Lei de Drogas estabelece nos preceitos secundários dos tipos os limites mínimos e máximos de dias multas. Os limites do valor do de um dia multa é de no mínimo um trinta avos de maior salário- mínimo e de no máximo cinco vezes o valor do maior salário mínimo, devendo-se considerar as condições econômicas dos acusados para determinar esse quantum. O parágrafo único determina que em caso de concursos de crimes, as penas de multas serão sempre somadas. Esse dispositivo ainda permite que o juiz aumente até o décuplo em razão da situação econômica do acusado, caso o magistrado entenda que, mesmo se aplicada ao máximo do caput, ainda assim será ineficaz. 6. VEDAÇÃO DOS INSTITUTOS E LIVRAMENTO CONDICIONAL Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis (inconstitucional), graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos (inconstitucional). Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional após o cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico. A fiança é vedada pela CF/88, CP e Lei de crimes hediondos 8.072/90, bem como Lei 11.343/06 que também prevê a impossibilidade de arbitramento de fiança nos crimes de tráfico de drogas. A vedação apriorística e genérica da concessão do instituto da suspenção condicional da execução da pena (sursis da pena) no delito do tráfico de drogas, viola o princípio constitucional da individualização da pena, uma vez que a sua concessão depende de cada caso concreto, sendo também inconstitucional. Portanto é cabível a concessão da sursis da pena ao condenado por tráfico de drogas. A vedação de liberdade provisória também é considerada uma vedação inconstitucional pelos Tribunais Superiores, uma vez que não pode existir prisão provisória ex lege, ou seja, prisão provisória meramente da lei, sem fundamentação e motivação com base nos artigos 312 do Código de Processo Penal. A previsão de prisão provisória ex lege viola os princípios da presunção de inocência, do devido processo legal, do contraditório e ampla defesa. Dessa forma o STF decidiu no HC 132.615 em 2016 (informativo 838). Outro instituto que foi vedado pelo legislador na Lei de Drogas foi a conversão das penas privativas de liberdade em penas restritivas de direitos. O8.5. QUADRO RESUMO ............................................................................................................................................57 9. LAUDO PRELIMINAR ..............................................................................................................................................58 10. LAUDO TOXICOLÓGICO DEFINITIVO ...............................................................................................................59 11. INQUÉRITO POLICIAL (ART. 51 E SEGUINTES). .............................................................................................59 11.1. DA APREENSÃO E DESTINAÇÃO DE BENS DO ACUSADO .......................................................................61 12. DE OLHO NA SÚMULA ............................................................................................................................................68 13. INFORMATIVOS ........................................................................................................................................................69 14. JURISPRUDÊNCIA EM TESES ................................................................................................................................95 15. JÁ CAIU CESPE ........................................................................................................................................................102 16. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? ................................................................................................................................104 17. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .....................................................................................................................112 3 LEI DE DROGAS Lei nº 11.343/2006 ATUALIZADO em 04/07/20241. 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA REGULAMENTAÇÃO LEGAL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO Atualmente, encontra-se vigente no Ordenamento Jurídico Brasileiro regulamentando o tráfico de drogas, bem como, o tratamento para o usuário, a Lei n.º 11.343/2006. A Lei é do final de 2006 e revogou expressamente a lei de drogas antiga (Lei n. 6.368/1976 e 10.409/2002). Para tratar do tema de Drogas, antes da edição da Lei nº 11.343 de 2006, tínhamos duas legislações distintas, uma que tratava do regramento quanto aos crimes (tipificação das condutas) e outra sobre o procedimento (lei penal e lei procedimental). No atual cenário, toda a matéria envolvendo drogas, seja a parte penal ou a parte investigatória, bem como, procedimental estão previstas na Lei nº 11.343/2006. Em resumo: • A legislação que trata sobre o regramento das drogas é a Lei nº 11.343/2006. • Atualmente, todo tratamento da matéria encontra-se prevista na Lei nº 11.343/2006, a qual revogou expressamente as Leis nº 6.368/76 e 10.409/2002. 1.1. ASPECTOS DA “NOVA” LEI DE DROGAS • Criação do SISNAD – Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas. • Substituição da expressão substâncias entorpecentes por drogas. 1 Revisto, atualizado e editado em 04/07/2024. O manual caseiro é constantemente atualizado e aperfeiçoado. Caso o aluno identifique algum ponto que demande atualização, entre em contato através do nosso e-mail: equipemanualcaseiro@outlook.com. Nossa Equipe encontra-se à disposição para juntos sempre melhorarmos o material. Leis sobre Drogas: Lei n. 6.368/1976 Lei n. 10.409/2002 Lei n. 11.343/2006 mailto:equipemanualcaseiro@outlook.com 4 • Tratamento mais rigoroso ao traficante e mais “benéfico” ao usuário. A nova lei confere um tratamento mais rigoroso ao traficante e um tratamento mais brando ao usuário, isto porque a Lei de drogas antiga permitia a prisão do usuário, o qual tinha pena prevista de até 3 (três) anos. Em sentido oposto, com a atual lei de drogas, o usuário não pode mais ser preso. A descaracterização do usuário é um grande benefício trazido pela nova Lei (Art. 28, Lei nº 11.343/2006). Na atual legislação não há mais previsão de pena privativa de liberdade para o usuário. E quais são as penas aplicadas ao usuário? Nos termos do art. 28, temos as seguintes: Penas para o Usuário (Art. 28, Lei nº 11.343/2006) I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Em caso de descumprimento dessas penas, o juiz aplicará medidas coercitivas para garantia do cumprimento, e quais são elas? ADMOESTAÇÃO VERBAL e MULTA. Nesse sentido, dispõe o art. 28 § 6º, da Lei n.º 11.343/2006 “para garantia do cumprimento das medidas educativas a que se refere o caput, nos incisos I, II e III, a que injustificadamente se recuse o agente, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a: I - admoestação verbal; II – multa). Vejamos: Destaca-se ainda que, não cabe a prisão cautelar para o usuário, isso porque não permite sequer de modo definitivo ao término da demanda processual. Não é possível a prisão em flagrante quando estivermos diante da conduta prevista ao teor do art. 28 (porte para consumo), é cabível a captura, mas não a lavratura do APF. Nesse sentido, leciona Gabriel Habib (pág. 567, 2024, Leis Penais Especiais): No caso da prática deste delito, de acordo com o art. 48, §2°, não será imposta ao acusado a prisão em flagrante, devendo ser lavrado termo circunstanciado e o autor do fato deve ser encaminhado imediatamente ao Juizado Especial Criminal ou assumir o compromisso de a ele comparecer. Contudo, deve-se atentar que a prisão que se proíbe é a lavratura do auto de prisão em flagrante e o recolhimento ao cárcere. A prisão captura pode ocorrer normalmente. Descumprimento Admoestação Verbal Multa 5 Por outro lado, para o traficante, todavia, o tratamento foi recrudescido – a pena mínima, por exemplo, foi aumentada. O tratamento dado ao traficante na nova Lei de Drogas era tão rigoroso que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade de algumas afirmações, as quais tinham por base a vedação em abstrato de determinados benefícios. Corroborando ao exposto, preleciona Roque; Távora e Alencar3: Dentre inúmeros pontos marcantes que podem ser apontados, no que se refere às distinções entre a atual Lei de Drogas e a legislação revogada, devemos enaltecer a substancial distinção levada a efeito, no que pertine ao tratamento conferido a usuários e traficantes. Na Lei nº 6.368/76, o crime de tráfico estava previsto no art. 12, e previa uma pena de “reclusão, de 3 (três) a 15 (quinze) anos, e pagamento de 50 (cinquenta) a 360 (trezentos e sessenta) dias- multa”. Por sua vez, a conduta do usuário estava contida no art. 16, cuja pena era de “detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de (vinte) a 50 (cinquenta) dias-multa”. Na atual legislação, o crime do traficante está previsto no art. 33, cuja pena prevista é de “reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias- multa”. Por sua vez, o crime do usuário tem previsão no art. 28, e não há previsão para pena privativa de liberdade. De fato, para o usuário, a Lei nº 11.343/06 previu as seguintes penas: a) advertência sobre os efeitos das drogas; b) prestação de serviços à comunidade; c) medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 2. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS A Lei de Drogas continua sendo muito alterada ao longo dos anos pelo fato de conter crimes comuns na sociedade, gerando bastante demanda processual e muita jurisprudência, proporcionando diversas alterações legislativas com novas conceituações em nosso Ordenamento Jurídico. O objeto material do crime é a pessoa ou coisa sobre a qual recai a conduta criminosa. No caso da Lei de Drogas, o objeto material é a droga. Nessa perspectiva, proclama o art. 1º, parágrafo único da Lei nº 11.343/2006. Nesse sentido, iniciamos a nossa contextualizaçãoSTF se posicionou sobre essa vedação e declarou inconstitucional, pois viola do princípio da individualização da pena. Portando, é possível a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos se cumpridos os requisitos legais. 54 Em relação ao Livramento Condicional, estabelece o requisito objetivo de cumprimento de 2/3 da pena para que seja concedido, sendo vedada ao reincidente específico. Importante ressaltar que o PAC alterou o artigo 112 da Lei de execução penal e vedou o livramento condicional em caso de crimes hediondos ou equiparados com resultado morte. Embora os o tráfico de drogas seja crime equiparado a hediondo, essa disposição do PAC não veda a concessão de livramento condicional a quem pratica tráfico de drogas, visto que condiciona a vedação ao resultado morte do crime hediondo ou equiparado, o que não ocorre em nenhum dos crimes da lei de drogas. Embora o indulto seja insuscetível, a um julgado que concedeu um indulto humanitário (aquele concedido pelo Presidente em caso de miserabilidade, o indivíduo que está em estado terminal) a um condenado por tráfico de drogas. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça. Julgue o seguinte item à luz da Lei n.º 11.343/2006. No caso de condenação pelo crime de associação para o tráfico, o livramento condicional depende do cumprimento de dois terços da pena, sendo vedada sua concessão ao reincidente específico. Gab. CERTO. Justificativa: O crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei 11.343/2006, não é hediondo nem equiparado. No entanto, mesmo assim, o prazo para se obter o livramento condicional é de 2/3 porque este requisito é exigido pelo parágrafo único do art. 44 da Lei de Drogas. Dessa forma, aplica-se ao crime do art. 35 da LD o requisito objetivo de 2/3 não por força do art. 83, V, do CP, mas sim em razão do art. 44, parágrafo único, da LD. Vale ressaltar que, no caso do crime de associação para o tráfico, o art. 44, parágrafo único, da LD prevalece em detrimento da regra do art. 83, V, do CP em virtude de ser dispositivo específico para os crimes relacionados com drogas (critério da especialidade), além de ser norma posterior (critério cronológico). STJ. 5ª Turma. HC 311656-RJ, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 25/8/2015 (Info 568). 7. ININPUTABILIDADE E SEMI-IMPUTABILIDADE Art. 45. É isento de pena o agente que, em razão da dependência, ou sob o efeito, proveniente de caso fortuito ou força maior, de droga, era, ao tempo da ação ou da omissão, qualquer que tenha sido a infração penal praticada, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Parágrafo único. Quando absolver o agente, reconhecendo, por força pericial, que este apresentava, à época do fato previsto neste artigo, as condições referidas no caput deste artigo, poderá determinar o juiz, na sentença, o seu encaminhamento para tratamento médico adequado. Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por força das circunstâncias previstas no art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 55 Esses dispositivos tratam da inimputabilidade (art. 45) e da semi-imputabilidade (art.46). Sendo a primeira uma causa de excludente de culpabilidade (absolvição imprópria) e a segunda uma causa de diminuição de pena. Nesse contexto, não basta que o agente seja dependente químico, deve haver prova de que ele não possuía ao tempo da conduta, condições de entender o caráter ilícito ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Atente-se também que para aplicar tais institutos, nos casos em que o agente está sob efeito de drogas, o uso deve ter sido proveniente de caso fortuito ou força maior, por exemplo, o agente consumir droga sem saber, induzido a erro. A diferença entre a inimputabilidade e a semi-imputabilidade na lei de drogas reside na extensão de da incapacidade de entender o caráter ilícito da conduta ou de se autodeterminar de acordo com esse entendimento. Para ser considerado inimputável, é necessário que o agente seja inteiramente incapaz de se autodeterminar, e para ser considerado semi-imputável, é necessário que o agente não tenha plena capacidade de se autodeterminar. INIMPUTABILIDADE SEMI-IMPUTABILIDADE Inteiramente incapaz Não possuía a plena capacidade Consequência: ISENÇÃO DE PENA. Consequência: REDUÇÃO DE PENA. Absolvição sumária imprópria. Incidência de causa de redução de pena de 1/3 a 2/3. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: TJ-GO Prova: FGV - 2023 - TJ-GO - Juiz Substituto. Ilário é flagrado por policiais quando trazia consigo, para venda, 100 gramas de cocaína, acondicionados em 141 microtubos plásticos. Por tal fato, ele é processado criminalmente. No curso do processo, restam provadas a materialidade delitiva e sua autoria na pessoa de Ilário, vindo aos autos perícia médico-legal, atestando que, ao tempo dos fatos, o réu, dependente químico, estava sob efeito de substância psicoativa ilegal e, por conta disso, não possuía capacidade plena de autodeterminação. Diante do caso narrado, deverá o juiz: A. condenar o réu nas penas do crime de tráfico de drogas; B. absolver o réu, reconhecendo sua inimputabilidade, com imposição de medida de segurança; C. absolver o réu, reconhecendo sua semi-imputabilidade, com imposição de medida de segurança; D. condenar o réu pelo crime de tráfico de drogas, mas, reconhecendo sua semi-imputabilidade, reduzir as penas aplicadas; E. condenar o réu pelo crime de tráfico de drogas, mas, reconhecendo sua inimputabilidade, reduzir as penas aplicadas ou substituí-las por medida de segurança. Gabarito D. 8. APREENSÃO DE DROGAS (ART. 50) 8.1. PLANTAÇÕES ILÍCITAS 56 Serão imediatamente destruídas pelo Delegado de Polícia, sem necessidade de autorização judicial e sem necessidade de conter presença do MP. Antes de fazer a destruição o Delegado deverá recolher parte da plantação para ser submetida a perícia, que irá confirmar ou não de que trata de plantio ilícito. 8.2. DROGAS COM FLAGRANTE Haverá a apreensão de drogas e a prisão em flagrante das pessoas responsáveis, a substância encontrada deverá ser submetida a perícia para confirmação por meio de laudo de constatação realizado por perito oficial ou na ausência dele, por pessoa idônea. De posse do laudo e dos depoimentos, das testemunhas e do flagranteado, a autoridade policial comunicará a prisão ao juiz competente remetendo-lhe cópia do auto lavrado. Após receber o auto de prisão em flagrante o juiz deverá, no prazo de 10 dias, verificar se o laudo de constatação está de forma regular e em caso positivo, determinará a destruição das drogas, guardando ainda amostra necessária para laudo definitivo. Por fim a destruição da droga será feita pelo delegado de polícia no prazo de 15 dias na presença do MP e da autoridade sanitária. 8.3. DROGAS SEM FLAGRANTE A substância encontrada, em uma situação não flagrancial, deverá ser submetida à perícia elaborando-se laudo de constatação provisório. A droga deverá ser destruída, por incineração, no prazo máximo de 30 dias, contados da data de apreensão, guardando-se amostra necessária à realização do laudo definitivo. Lembrando que essa destruição deverá ser feita pelo Delegado de polícia, sem que haja necessidade de autorização judicial, na presença do ministério Público e da autoridade sanitária. 8.4. APREENSÃO E PERÍCIA DA SUBSTÂNCIA Candidato, é possível a comprovação da materialidade do crime de tráfico de drogas sem a apreensão e perícia da substância entorpecente? Excelência, a resposta é negativa. O entendimentodo STJ, é no sentido de que a apreensão e perícia da substância entorpecente é imprescindível para a comprovação da materialidade do crime de tráfico de drogas. A apreensão e perícia de drogas se revelam imprescindíveis para a condenação do acusado pela prática do crime de tráfico de drogas. Na ausência de apreensão de substâncias entorpecentes, os 57 demais elementos de prova, por si sós, ainda que em conjunto, não se prestam à comprovação da materialidade delitiva. A apreensão e perícia da substância entorpecente é imprescindível para a comprovação da materialidade do crime de tráfico de drogas Caso hipotético: A polícia investigava há alguns meses João, Pedro e Tiago, suspeitos de praticarem tráfico de drogas na região. Havia, inclusive, o depoimento de pessoas que afirmaram que adquiram drogas com o grupo.Com base nesses elementos informativos, a polícia requereu a interceptação telefônica dos suspeitos, o que foi deferido.Foram então captadas conversas que indicavam a existência de negociações de drogas entre os membros do grupo, com detalhes sobre venda, compra e oferta de substâncias ilícitas a terceiros.O juiz também autorizou a realização de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Apesar disso, não foram encontradas drogas no local.Com base nos depoimentos dos compradores e nas conversas telefônicas, o Ministério Público estadual denunciou João, Pedro e Tiago por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006).Em resposta à acusação, dentre outros argumentos, os réus alegaram não haver provas da materialidade dos crimes, pois não foram apreendidas quaisquer substâncias entorpecentes com os acusados e, por consequência, não havia laudo de constatação nem exame químico-toxicológico nos autos. O STJ concordou com os argumentos dos acusados. A apreensão e perícia de drogas se revelam imprescindíveis para a condenação do acusado pela prática do crime de tráfico de drogas. Na ausência de apreensão de substâncias entorpecentes, os demais elementos de prova, por si sós, ainda que em conjunto, não se prestam à comprovação da materialidade delitiva. STJ. 3ª Seção. HC 686.312/MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, relator para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/4/2023. STJ. 5ª Turma.REsp 2.107.251-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/2/2024 (Info 801). 8.5. QUADRO RESUMO DESTRUIÇÃO DE DROGAS PLANTAÇÃO ilícita de drogas Drogas apreendidas em FLAGRANTE Drogas apreendidas SEM FLAGRANTE Deve ser imediatamente destruída Deve ser destruída no prazo de 15 dias, contados da determinação judicial para sua destruição. (o juiz tem até 10 DIAS para determinar a destruição) Deve ser destruída no prazo de 30 dias, contados da data de apreensão da droga Pelo DELEGADO de Polícia Pelo DELEGADO de polícia na presença do MP e da autoridade sanitária Pelo DELEGADO de polícia NÃO precisa de autorização judicial PRECISA de autorização judicial NÃO precisa de autorização judicial Deve ser recolhida quantidade suficiente para exame pericial Guarda-se amostra necessária para o laudo definitivo Guarda-se amostra necessária para o laudo definitivo 58 9. LAUDO PRELIMINAR Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz competente, remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) horas. § 1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. § 2º O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1º deste artigo não ficará impedido de participar da elaboração do laudo definitivo. Este Laudo Preliminar é necessário para que seja feita a lavratura do flagrante e demonstre a materialidade do delito. O STJ entende que este laudo tem natureza jurídica de condição de procedibilidade, ou seja, a denúncia não poderá ser oferecida e nem recebida sem este laudo preliminar, sob pena de falta de justa causa para a ação penal (RHC 65.205/RN, julgado em 12/04/2016) Ressalta-se que não há impedimento algum para que o perito que participou da elaboração do laudo preliminar também elabore o laudo definitivo. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2023 Banca: MPE-RS Órgão: MPE-RS Prova: MPE-RS - 2023 - MPE-RS - Promotor de Justiça. Assinale a alternativa correta. A. Conforme matéria sumulada no Superior Tribunal de Justiça, a incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes exige apenas o reconhecimento da posse ou propriedade da droga apreendida. B. A Lei de Drogas número no 11.343, de 26 de agosto de 2006 trata, essencialmente, de delitos dolosos, não prevendo tipo penal culposo. C. Conforme matéria sumulada pelo Superior Tribunal de Justiça, para a incidência da majorante prevista no artigo 40, inciso V, da Lei no 11.343, de 26 de agosto de 2006 (Artigo 40. As penas previstas nos arts 33 a 37 desta Lei são aumentas de um sexto a dois terços, se: [...] Inciso V: caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal), é necessária a efetiva transposição de fronteiras entre os Estados da Federação, não se exigindo, no entanto, que a droga chegue ao seu destino final. D. De acordo com a Lei no 11.343, de 26 de agosto de 2006, o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, para efeito da lavratura do flagrante, pode ser firmado, na falta do perito oficial, por qualquer pessoa idônea, sendo que o perito subscritor do laudo de constatação não ficará impedido de participar da elaboração do laudo definitivo. E. Não é causa de aumento de pena para os crimes previstos no artigo 33 a 37 da Lei no 11.343, de 26 de agosto de 2006, a infração penal ter sido cometida nas dependências ou imediações de unidades militares. Gabarito D. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2020 Banca: CESPE Órgão: PC-SE Prova: Delegado de Polícia. A respeito de tóxicos e entorpecentes, julgue o item que se segue. 59 O laudo preliminar, requisito para lavratura do auto de prisão em flagrante de crimes relacionados ao tráfico de drogas, deverá ser assinado por, pelo menos, um perito oficial. Gab. ERRADO. Justificativa: De acordo com o § 1º, do art. 50, o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, será firmado por perito oficial OU, na falta deste, por pessoa idônea. 10. LAUDO TOXICOLÓGICO DEFINITIVO Candidato, a assinatura do laudo toxicológico definitivo por perito criminal é imprescindível para a comprovação da materialidade do delito de tráfico de drogas? Excelência, a simples falta de assinatura do perito encarregado pela lavratura do laudo toxicológico definitivo constitui mera irregularidade e não tem o condão de anular a prova pericial na hipótese de existirem outros elementos que comprovem a sua autenticidade, notadamente quando o expert estiver devidamente identificado e for constatada a existência de substância ilícita. STJ. 3ª Seção.REsp 2.048.422-MG, REsp 2.048.645-MG e REsp 2.048.440-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgados em 22/11/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1206) (Info 796). 11. INQUÉRITO POLICIAL (ART. 51 E SEGUINTES). O prazo para conclusão de inquérito policial no caso do tráfico com indiciado preso é de 30 dias, enquanto que solto, 90 dias. Havendo possibilidade de duplicação do prazo em caso de pedido justificado do Delegado. Esta duplicação será cabível mesmo em se tratando do investigado preso. PRAZOS PARA CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL Previsão Legal Preso Solto CPP (Regra Geral) 10 dias, prorrogáveis por até 15 #PAC Obs.: Suspenso pelo STF 30 dias (prorrogáveis) PolíciaFederal 15 dias + (15) 30 dias Crimes contra a Economia Popular 10 dias 10 dias Lei de Drogas 30 dias + (30) 90 dias + (90) Inquérito Militar 20 dias 40 dias + (20) *Fonte: Tabela extraída da Legislação Bizurada @deltacaveira10 Outro ponto importante é quanto ao Relatório Final, findo o prazo para termino do IP, o Delegado elaborará relatório final, com todas as circunstâncias do fato, à classificação do delito, quantidade e natureza da substância ou do produto apreendido, o local e as condições em que se desenvolveu a ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a qualificação e os antecedentes do agente. 60 Destaca-se que a infiltração do agente de polícia com o fim de verificar o funcionamento da atividade de tráfico de drogas, com objetivo de obter o maior número de elementos e informações possíveis que possam servir de base para a investigação policial. Na infiltração necessita-se de autorização judicial. Vale ressaltar que o agente precisa concordar com a infiltração e terá de ser um meio extraordinário para obtenção de provas. O prazo para essa infiltração de agentes é uma analogia do art. 10 da Lei 12.850/13 será de 6 meses e prorrogável, por até 720 dias. Quanto as infiltrações virtuais do artigo 190-A ECA estabelece 90 dias, renováveis por até 720 dias. Cuidado com Ligth Cover (infiltração que dura até 6 meses) e Deep Cover (infiltração que dura mais de 6 meses). INFILTRAÇÃO DE AGENTES Lei de Drogas (art. 53, I) Lei de Organizações Criminosas (arts. 10 a 14) ECA (arts. 190-A a 190-E) Lei de Lavagem de Dinheiro (art. 1º, § 6º) #PAC • Crimes: Tráfico de drogas • Crimes: Organizações criminosas • Crimes: ECA: arts. 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C e 241-D; CP: arts. 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B • Crimes: Lavagem de dinheiro • Não prevê prazo máximo • Normal: Prazo: 6 meses (podendo ser sucessivamente prorrogada) • Virtual: Prazo: 6 meses (podendo ser prorrogada até o limite de 720 dias) • Prazo: 90 dias (sendo permitidas renovações, mas o prazo total da infiltração não poderá exceder 720 dias) • Não prevê prazo máximo • Não disciplina procedimento a ser adotado • Só poderá ser adotada se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis (ultima ratio) • Só poderá ser adotada se a prova não puder ser produzida por outros meios disponíveis (ultima ratio) • Não disciplina procedimento a ser adotado – • É cabível a infração policial virtual (incluído pelo #PAC) • A infiltração de agentes ocorre apenas na internet – *Fonte: Tabela extraída da Legislação Bizurada @deltacaveira10 (com adaptações do site Dizer o Direito). A ação controlada conhecida como flagrante retardado, a autoridade policial deixa de efetuar a intervenção policial no momento em que o autor do delito já está em flagrante da prática, para intervir no momento mais eficaz do ponto de vista de formação de provas e fornecimento de informações, com finalidade de identificar e responsabilizar o maior número de integrantes de operações de tráfico e distribuição. Também será necessária autorização judicial. Dentro da ação controlada temos a modalidade de entrega vigiada suja, aquela que o objeto ilícito está presente em toda a situação de vigilância. Enquanto que a entrega vigiada limpa é aquela que, em um caso hipotético a polícia consegue substituir o objeto ilícito por outro lícito, o objeto foi limpo antes da possível entrega. 61 AÇÃO CONTROLADA – NECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL Lei de Organizações Criminosas NÃO - apenas prévia comunicação (art. 8º, § 1º) Lei de Drogas SIM (art. 53, II) Lei de Lavagem de Dinheiro SIM (art. 4º-B) *Fonte: Tabela extraída da Legislação Bizurada @deltacaveira10 No tocante a Parte Processual, após a denúncia o juiz irá conceder a oportunidade de uma Defesa preliminar do réu, sendo uma característica da lei de drogas, a partir disso o juiz irá receber ou não a denúncia, recebendo irá citar o réu para apresentar sua resposta a acusação, onde irá se defender de fato a uma acusação formal. Posteriormente será intimado para uma audiência de instrução e ouvido. Atenção!! O Interrogatório na Lei de drogas é o primeiro ato de instrução na audiência de instrução e julgamento. Já o art. 400 do Código de Processo Penal diz que o interrogatório é o último ato de instrução processual. Ocorre que o STF e o STJ pacificaram-se no sentido de que deve ser dada preferência ao critério mais benéfico ao réu, aplicando assim, o artigo 400 do CP, de forma que, mesmo que a Lei de drogas seja lei especial e preveja procedimento especifico, o interrogatório deve ser o último ato da instrução processual. O Laudo definitivo confirmando que a substância era droga deve estar nos autos até o momento imediatamente anterior ao da sentença, ou seja, até a audiência de instrução e julgamento. A sua ausência deve implicar absolvição do réu por falta de provas! 11.1. DA APREENSÃO E DESTINAÇÃO DE BENS DO ACUSADO A Lei nº 13.840/2019 alterou a Lei de drogas para tratar sobre o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, além disso para definir as condições de atenção aos usuários ou dependentes de drogas e tratar do financiamento das políticas sobre drogas e estabelecer outras providências. Dentre essas providências, a referida lei promoveu mudanças no art. 60 que trata sobre medidas assecuratórias em processos envolvendo os crimes da Lei de Drogas. Nesse sentido, explica o professor Márcio André20 (Dizer o Direito): “Medidas assecuratórias (em sentido estrito) são medidas cautelares de natureza patrimonial que têm como objetivo garantir que o acusado não se desfaça de seu patrimônio e, assim, se for definitivamente condenado, possa arcar com os efeitos secundários extrapenais genéricos da condenação, previstos no art. 91 do CP (indenização quanto aos danos causados pelo crime e perda em 20 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Breves comentários à Lei 13.840/2019, que promoveu alterações na Lei de Drogas. Disponível em: . 62 favor da União dos instrumentos, produtos e proveitos do delito). As medidas assecuratórias são o sequestro, o arresto e a hipoteca legal”. Absorvidos esses conceitos, o professor Márcio elencou as três mudanças mais importantes sobre medidas assecuratórias: 1. o magistrado não pode mais determinar a concessão das medidas assecuratórias de ofício; 2. foi inserida a previsão expressa de que o assistente de acusação pode requerer ao juízo a concessão de medidas assecuratórias; 3. o art. 60 possuías dois parágrafos trazendo regras de procedimento para essas medidas, tendo revogado esses dispositivos e remetido a regulamentação para o CPP. Neste contexto, vale ressaltar que diante da publicação da Lei nº 13.840/2019, foi editada a Medida Provisória nº 885/2019, alterando a Lei de Drogas e inserindo o art. 60-A tratando sobre a aplicação das medidas assecuratórias quando se tratarem de moeda estrangeira, títulos, valores mobiliários ou cheques emitidos como ordem de pagamento. Existe polêmica sobre a constitucionalidade desta MP, porque ela trata sobre direito penal e processual penal, matérias que não podem ser veiculadas por meio de medida provisória, conforme estabelece o art. 62, § 1º, I, “b”, da CF/88. Prezado candidato, muita atenção aqui! ATUALIZAÇÃO LEGISLATIVA! Destaca-se que, recentemente, a Lei de Drogas foi alterada novamente pela Lei nº 14.322/2022, para excluir a possibilidade de restituição ao lesado do veículo usado para transporte de droga ilícita e para permitir a alienação ou o uso público do veículo independentemente da habitualidade da prática criminosa, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. A referida vedação e permissão foram inseridas nos §5ºe §6º do art. 60. Vejamos: Art. 60. [...] § 5º Decretadas quaisquer das medidas previstas no caput deste artigo, o juiz facultará ao acusado que, no prazo de 5 (cinco) dias, apresente provas, ou requeira a produção delas, acerca da origem lícita do bem ou do valor objeto da decisão, exceto no caso de veículo apreendido em transporte de droga ilícita. (Incluído pela Lei nº 14.322, de 2022) § 6º Provada a origem lícita do bem ou do valor, o juiz decidirá por sua liberação, exceto no caso de veículo apreendido em transporte de droga ilícita, cuja destinação observará o disposto nos arts. 61 e 62 desta Lei, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. (Incluído pela Lei nº 14.322, de 2022) Nesse ponto, para melhor compreensão do tema, vejamos as alterações mais recentes do artigo 60 da Lei de Drogas de forma sintetizada no quadro a seguir. Compare as redações: 63 LEI DE DROGAS (LEI 11.343/2006) Antes da Lei nº 13.840/2019 Depois da Lei nº 13.840/2019 Lei nº 14.322/2022 (atualmente) Art. 60. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade de polícia judiciária, ouvido o Ministério Público, havendo indícios suficientes, poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação penal, a apreensão e outras medidas assecuratórias relacionadas aos bens móveis e imóveis ou valores consistentes em produtos dos crimes previstos nesta Lei, ou que constituam proveito auferido com sua prática, procedendo-se na forma dos arts. 125 a 144 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal. Art. 60. O juiz, a requerimento do Ministério Público ou do assistente de acusação, ou mediante representação da autoridade de polícia judiciária, poderá decretar, no curso do inquérito ou da ação penal, a apreensão e outras medidas assecuratórias nos casos em que haja suspeita de que os bens, direitos ou valores sejam produto do crime ou constituam proveito dos crimes previstos nesta Lei, procedendo-se na forma dos arts. 125 e seguintes do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal. Não foi alterado. Continua a mesma redação. § 1º Decretadas quaisquer das medidas previstas neste artigo, o juiz facultará ao acusado que, no prazo de 5 (cinco) dias, apresente ou requeira a produção de provas acerca da origem lícita do produto, bem ou valor objeto da decisão. Revogado – § 2º Provada a origem lícita do produto, bem ou valor, o juiz decidirá pela sua liberação. Revogado – § 3º Nenhum pedido de restituição será conhecido sem o comparecimento pessoal do acusado, podendo o juiz determinar a prática de atos necessários à conservação de bens, direitos ou valores. § 3º Na hipótese do art. 366 do Decreto- Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo Penal, o juiz poderá determinar a prática de atos necessários à conservação dos bens, direitos ou valores. Não foi alterado. Continua a mesma redação. § 4º A ordem de apreensão ou seqüestro de bens, direitos ou valores poderá ser suspensa pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata possa comprometer as investigações. § 4º A ordem de apreensão ou sequestro de bens, direitos ou valores poderá ser suspensa pelo juiz, ouvido o Ministério Público, quando a sua execução imediata puder comprometer as investigações. (Redação dada pela Lei nº 13.840, de 2019) Não foi alterado. Continua a mesma redação. – – § 5º Decretadas quaisquer das medidas previstas no caput deste artigo, o juiz facultará ao acusado que, no prazo de 5 (cinco) dias, apresente provas, ou requeira a produção delas, acerca da origem lícita do bem ou do valor objeto da decisão, exceto no caso de veículo apreendido em transporte de droga ilícita. (Incluído pela Lei nº 14.322, de 2022) – – § 6º Provada a origem lícita do bem ou do valor, o juiz decidirá por sua liberação, exceto no caso de veículo apreendido em transporte de droga ilícita, cuja destinação observará o disposto nos arts. 61 e 62 desta Lei, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé. (Incluído pela Lei nº 14.322, de 2022) 64 *Fonte: tabela extraída do site Dizer o Direito (com adaptações). Superados os apontamentos iniciais sobre as medidas assecuratórias, é importante entender qual será a destinação dos veículos apreendidos e como é o procedimento disposto nos arts. 61 e 62 da Lei nº 11.343/2006. Tais artigos tratam sobre a apreensão e utilização dos bens apreendidos, e também sofreram alterações pela Lei nº 13.840/2019 e Lei nº 14.322/2022. Vejamos: Art. 61. A apreensão de veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte e dos maquinários, utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza utilizados para a prática, habitual ou não, dos crimes definidos nesta Lei será imediatamente comunicada pela autoridade de polícia judiciária responsável pela investigação ao juízo competente. (Redação dada pela Lei nº 14.322, de 2022) § 1º O juiz, no prazo de 30 (trinta) dias contado da comunicação de que trata o caput , determinará a alienação dos bens apreendidos, excetuadas as armas, que serão recolhidas na forma da legislação específica. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019) § 2º A alienação será realizada em autos apartados, dos quais constará a exposição sucinta do nexo de instrumentalidade entre o delito e os bens apreendidos, a descrição e especificação dos objetos, as informações sobre quem os tiver sob custódia e o local em que se encontrem. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019) § 3º O juiz determinará a avaliação dos bens apreendidos, que será realizada por oficial de justiça, no prazo de 5 (cinco) dias a contar da autuação, ou, caso sejam necessários conhecimentos especializados, por avaliador nomeado pelo juiz, em prazo não superior a 10 (dez) dias. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019) § 5º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019) § 6º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.886, de 2019) § 7º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.886, de 2019) § 8º (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.886, de 2019) § 4º Feita a avaliação, o juiz intimará o órgão gestor do Funad, o Ministério Público e o interessado para se manifestarem no prazo de 5 (cinco) dias e, dirimidas eventuais divergências, homologará o valor atribuído aos bens. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019) § 9º O Ministério Público deve fiscalizar o cumprimento da regra estipulada no § 1º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 10. Aplica-se a todos os tipos de bens confiscados a regra estabelecida no § 1º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 11. Os bens móveis e imóveis devem ser vendidos por meio de hasta pública, preferencialmente por meio eletrônico, assegurada a venda pelo maior lance, por preço não inferior a 50% (cinquenta por cento) do valor da avaliação judicial. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 12. O juiz ordenará às secretarias de fazenda e aos órgãos de registro e controle que efetuem as averbações necessárias, tão logo tenha conhecimento da apreensão. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 13. Na alienação de veículos, embarcações ou aeronaves, a autoridade de trânsito ou o órgão congênere competente para o registro, bem como as secretarias de fazenda, devem proceder à regularização dos bens no prazo de 30 (trinta) dias, ficando o arrematante isento do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores, sem prejuízo de execução fiscal em relação ao antigo proprietário. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 14. Eventuais multas, encargos ou tributos pendentes de pagamento não podem ser cobrados do arrematante ou do órgão público alienante como condição para regularização dos bens. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 15. Na hipótesede que trata o § 13 deste artigo, a autoridade de trânsito ou o órgão congênere competente para o registro poderá emitir novos identificadores dos bens. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) 65 Art. 62. Comprovado o interesse público na utilização de quaisquer dos bens de que trata o art. 61, os órgãos de polícia judiciária, militar e rodoviária poderão deles fazer uso, sob sua responsabilidade e com o objetivo de sua conservação, mediante autorização judicial, ouvido o Ministério Público e garantida a prévia avaliação dos respectivos bens. (Redação dada pela Lei nº 13.840, de 2019) § 1º-A. O juízo deve cientificar o órgão gestor do Funad para que, em 10 (dez) dias, avalie a existência do interesse público mencionado no caput deste artigo e indique o órgão que deve receber o bem. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 1º-B. Têm prioridade, para os fins do § 1º-A deste artigo, os órgãos de segurança pública que participaram das ações de investigação ou repressão ao crime que deu causa à medida. (Incluído pela Lei nº 13.886, de 2019) § 2º A autorização judicial de uso de bens deverá conter a descrição do bem e a respectiva avaliação e indicar o órgão responsável por sua utilização. (Redação dada pela Lei nº 13.840, de 2019) § 3º O órgão responsável pela utilização do bem deverá enviar ao juiz periodicamente, ou a qualquer momento quando por este solicitado, informações sobre seu estado de conservação. (Redação dada pela Lei nº 13.840, de 2019) § 4º Quando a autorização judicial recair sobre veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à autoridade ou ao órgão de registro e controle a expedição de certificado provisório de registro e licenciamento em favor do órgão ao qual tenha deferido o uso ou custódia, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores à decisão de utilização do bem até o trânsito em julgado da decisão que decretar o seu perdimento em favor da União. (Redação dada pela Lei nº 13.840, de 2019) § 5º Na hipótese de levantamento, se houver indicação de que os bens utilizados na forma deste artigo sofreram depreciação superior àquela esperada em razão do transcurso do tempo e do uso, poderá o interessado requerer nova avaliação judicial. (Redação dada pela Lei nº 13.840, de 2019) § 6º Constatada a depreciação de que trata o § 5º, o ente federado ou a entidade que utilizou o bem indenizará o detentor ou proprietário dos bens. (Redação dada pela Lei nº 13.840, de 2019) Nos termos da reforma promovida pelas referidas leis no âmbito das medidas cautelares, é possível concluir que, uma vez preenchidos os requisitos previstos nos artigos retromencionados, o sequestro/apreensão de bens produto ou proveito dos crimes definidos nesta Lei e sua posterior utilização provisória pelas forças de segurança se revela uma alternativa eficaz, adequada e útil. Dessa forma, promove-se a constrição patrimonial que fomenta o tráfico, possibilitando eventual indenização da vítima e coibindo o enriquecimento ilícito com a atividade criminosa. Além disso, na medida em que, enquanto o bem estiver sob custódia do órgão de segurança, se tem garantida a manutenção do bem, evitando sua deterioração ou depreciação, até que seja declarado seu perdimento, ou a depender do caso, que se promova sua alienação antecipada. Por fim, beneficia o Poder Público, ao passo que permite aos órgãos de segurança se utilizarem dos bens no cumprimento de suas finalidades previstas em lei, gerando apenas as despesas necessárias para a manutenção do bem constrito. Nessa esteira, vamos complementar com explicação do professor Márcio André (#MomentoDizeroDireito): O que pode ser apreendido? 66 Segundo a nova redação do art. 61 da Lei nº 11.343/2006, poderão ser apreendidos: • veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte; • maquinários • utensílios • instrumentos e • objetos de qualquer natureza utilizados para a prática dos crimes Juiz deverá ser imediatamente comunicado Em caso de apreensão de qualquer desses bens, o Delegado de Polícia deverá, imediatamente, comunicar o fato ao juízo competente. Alienação antecipada O juiz, no prazo de 30 dias contado da comunicação feita pelo Delegado, determinará a alienação dos bens apreendidos. Obs.: as armas que forem apreendidas não serão alienadas, mas sim recolhidas na forma da legislação específica. O que é a alienação antecipada de bens? A alienação antecipada é - a venda, - por meio de leilão, - antes do trânsito em julgado da ação penal, - dos bens que foram objeto de apreensão ou de medidas assecuratórias Autos apartados A alienação será realizada em autos apartados. Deverá haver a exposição sucinta do nexo de instrumentalidade entre o delito e os bens apreendidos, a descrição e especificação dos objetos, as informações sobre quem os tiver sob custódia e o local em que se encontrem. Avaliação dos bens O juiz determinará a avaliação dos bens apreendidos, que será realizada por oficial de justiça, no prazo de 5 dias a contar da autuação, ou, caso sejam necessários conhecimentos especializados, por avaliador nomeado pelo juiz, em prazo não superior a 10 dias. Feita a avaliação, o juiz intimará o órgão gestor do Funad, o Ministério Público e o interessado para se manifestarem no prazo de 5 (cinco) dias e, dirimidas eventuais divergências, homologará o valor atribuído aos bens. É possível a utilização dos bens apreendidos? SIM. 67 Art. 62. Comprovado o interesse público na utilização de quaisquer dos bens de que trata o art. 61, os órgãos de polícia judiciária, militar e rodoviária poderão deles fazer uso, sob sua responsabilidade e com o objetivo de sua conservação, mediante autorização judicial, ouvido o Ministério Público e garantida a prévia avaliação dos respectivos bens. (Redação dada pela Lei nº 13.840/2019) Relatórios sobre o estado de conservação do bem O órgão responsável pela utilização do bem deverá enviar ao juiz periodicamente, ou a qualquer momento quando por este solicitado, informações sobre seu estado de conservação. Se a autorização recaiu sobre veículos, embarcações ou aeronaves Quando a autorização judicial recair sobre veículos, embarcações ou aeronaves, o juiz ordenará à autoridade ou ao órgão de registro e controle a expedição de certificado provisório de registro e licenciamento em favor do órgão ao qual tenha deferido o uso ou custódia, ficando este livre do pagamento de multas, encargos e tributos anteriores à decisão de utilização do bem até o trânsito em julgado da decisão que decretar o seu perdimento em favor da União. Depreciação muito grande Se ocorrer o levantamento (ou seja, o proprietário conseguiu recuperar o bem) e ficar constatado que o bem sofreu uma depreciação superior àquela esperada em razão do transcurso do tempo e do uso, neste caso o interessado poderá requerer que seja feita uma nova avaliação judicial. Constatado que realmente houve uma depreciação muito grande, isto é, acima daquela esperada pela utilização normal da coisa, então, neste caso, o ente federado ou a entidade que utilizou o bem indenizará o detentor ou proprietário dos bens. Sentença decidirá sobre perdimento ou liberação dos bens O art. 63 afirma que o juiz deverá decidir sobre os bens e valores que foram apreendidos. Este dispositivo também sofreu mudanças com a Lei nº 13.840/2019. Art. 63. Ao proferir a sentença, o juiz decidirá sobre: I - o perdimento do produto, bem, direito ou valor apreendido ou objeto de medidas assecuratórias; e II - o levantamento dos valores depositados em conta remunerada e a liberação dos bens utilizados nos termos do art. 62. Obs.: na hipótese do inciso II, decorridos 360 dias do trânsito em julgado e do conhecimento da sentença pelo interessado, os bens apreendidos, osque tenham sido objeto de medidas assecuratórias ou os valores depositados que não forem reclamados serão revertidos ao Funad. § 1º Os bens, direitos ou valores apreendidos em decorrência dos crimes tipificados nesta Lei ou objeto de medidas assecuratórias, após decretado seu perdimento em favor da União, serão revertidos diretamente ao Funad. § 2º O juiz remeterá ao órgão gestor do Funad relação dos bens, direitos e valores declarados perdidos, indicando o local em que se encontram e a entidade ou o órgão em cujo poder estejam, para os fins de sua destinação nos termos da legislação vigente. Pedido de Restituição 68 Quando o investigado/acusado tem seus bens apreendidos por ordem judicial, ele tem a possibilidade de obtê-los de volta mesmo antes do resultado final do processo formulando um pedido de restituição dirigido ao juiz. Neste pedido de restituição, o interessado deverá provar que o bem, direito ou valor que foi tornado indisponível possui origem lícita. Além disso, o interessado que formula o pleito de restituição deverá comparecer pessoalmente em juízo, sob pena do pedido não ser nem conhecido (não ter seu mérito analisado). Desse modo, se determinado réu encontra-se foragido e, por intermédio de advogado, formula pedido de restituição de seus bens apreendidos, o juiz nem irá examinar esse pleito, a não ser que o acusado compareça pessoalmente em juízo. Enquanto o réu não comparecer pessoalmente para solicitar a restituição de seus bens, direitos e valores, o juízo deverá determinar a prática de atos para conservá-los. Fonte: CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Breves comentários à Lei 13.840/2019, que promoveu alterações na Lei de Drogas. Disponível em: (com adaptações). 12. DE OLHO NA SÚMULA Súmula vinculante 59: É impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos quando reconhecida a figura do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) e ausentes vetores negativos na primeira fase da dosimetria (art. 59 do CP), observados os requisitos do art. 33, § 2º, ‘c’, e do art. 44, ambos do Código Penal. Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006) configura-se com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de fronteiras. Súmula 587-STJ: Para a incidência da majorante prevista no artigo 40, V, da Lei 11.343/06, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras entre estados da federação, sendo suficiente a demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual. Súmula 501-STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/06, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei 6.368/76, sendo vedada a combinação de leis. Súmula 512-STJ: A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas. CANCELADA. https://www.dizerodireito.com.br/2019/06/breves-comentarios-lei-138402019-que.html?m=1 69 Obs.: Pacote anticrime – em 2019, foi editada a Lei nº 13.964/2019, que acrescentou o § 5º ao art. 112 da LEP positivando o entendimento acima exposto: Art. 112 (...) § 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. 13. INFORMATIVOS A prática do crime sob monitoramento eletrônico é fundamento idôneo para modular a fração da minorante do tráfico, pois denota descaso com a Justiça Caso adaptado: João foi preso em flagrante delito praticando tráfico de drogas. O detalhe importante é que, no momento da prisão, João estava usando tornozeleira eletrônica. Isso porque ele estava respondendo outro processo criminal e, como medida cautelar diversa da prisão, lhe foi imposto o monitoramento eletrônico. A defesa havia pedido que fosse reconhecido o privilégio do § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006. O juiz concedeu o benefício. No entanto, ao calcular o percentual de redução da pena, fixou a redução em 1/6 (menor percentual) sob o argumento de que o réu, no momento da prática do crime, estava sob monitoramento eletrônico. O STJ considerou legítima a fundamentação do magistrado. O fato de o réu ter praticado o delito estando sob monitoramento eletrônico devido a outro processo é fundamento idôneo para modular a fração do benefício legal, pois revela descaso com a Justiça. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no HC 850.653-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 20/5/2024 (Info 816). Suspeito correu para dentro da casa quando percebeu a viatura; os policiais o perseguiram e entraram na residência mesmo sem autorização; viram então o suspeito jogar droga por cima do muro; para o STJ, o ingresso na casa foi ilícito Caso concreto: policiais militares faziam patrulhamento de rotina quando notaram João, que estava parado na frente de um imóvel em localidade conhecida como ponto de venda de drogas. Ao avistar a viatura policial, João rapidamente correu para dentro da casa. Os policiais foram atrás do suspeito e ingressaram, mesmo sem autorização, na residência. Quando já estavam no interior da casa, os policiais viram João arremessar por cima do muro, um saco plástico que foi imediatamente localizado e apreendido. Neste saco havia cocaína. O STJ entendeu que a prova obtida com a invasão de domicílio foi ilícita. Isso porque não havia elementos concretos para indicar que estaria havendo comércio de drogas. Além disso, não foram realizadas investigações prévias para se confirmar eventual suspeita. Por fim, não houve consentimento do morador para o ingresso na casa. Como obiter dictum, a despeito de não ser exatamente o caso dos autos, o Relator ainda citou que a permissão para ingresso no domicílio, proferida em clima de estresse policial, não deve ser considerada espontânea, a menos que tenha sido por escrito e testemunhada, ou documentada em vídeo. STJ. 6ª Turma. REsp 2.114.277-SP, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 9/4/2024 (Info 807). Obs: para complementar seus estudos, é importante ler os comentários à decisão do STF no qual se consignou o seguinte: 70 Não há ilegalidade na ação de policiais militares que — amparada em fundadas razões sobre a existência de flagrante do crime de tráfico de drogas na modalidade 'ter em depósito' — ingressam, sem mandado judicial, no domicílio daquele que corre, em atitude suspeita, para o interior de sua residência ao notar a aproximação da viatura policial. STF. Plenário. HC 169.788/SP, Rel. Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 04/03/2024 (Info 1126). A apreensão e perícia da substância entorpecente é imprescindível para a comprovação da materialidade do crime de tráfico de drogas Caso hipotético: A polícia investigava há alguns meses João, Pedro e Tiago, suspeitos de praticarem tráfico de drogas na região. Havia, inclusive, o depoimento de pessoas que afirmaram que adquiram drogas com o grupo. Com base nesses elementos informativos, a polícia requereu a interceptação telefônica dos suspeitos, o que foi deferido. Foram então captadas conversas que indicavam a existência de negociações de drogas entre os membros do grupo, com detalhes sobre venda, compra e oferta de substâncias ilícitas a terceiros. O juiz também autorizou a realização de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Apesar disso, não foram encontradas drogas no local.Com base nos depoimentos dos compradores e nas conversas telefônicas, o Ministério Público estadual denunciou João, Pedro e Tiago por tráfico de drogas(art. 33 da Lei nº 11.343/2006).Em resposta à acusação, dentre outros argumentos, os réus alegaram não haver provas da materialidade dos crimes, pois não foram apreendidas quaisquer substâncias entorpecentes com os acusados e, por consequência, não havia laudo de constatação nem exame químico-toxicológico nos autos. O STJ concordou com os argumentos dos acusados. A apreensão e perícia de drogas se revelam imprescindíveis para a condenação do acusado pela prática do crime de tráfico de drogas. Na ausência de apreensão de substâncias entorpecentes, os demais elementos de prova, por si sós, ainda que em conjunto, não se prestam à comprovação da materialidade delitiva. STJ. 3ª Seção. HC 686.312/MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, relator para acórdão Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/4/2023. STJ. 5ª Turma.REsp 2.107.251-MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 20/2/2024 (Info 801). O simples fato de o indivíduo ter sido preso levando uma grande quantidade de droga para terceiros não é motivo para se afastar o tráfico privilegiado; isso porque a condição de mula não é argumento, por si só, para afastar o privilégio A quantidade e a natureza da droga apreendida podem servir de fundamento para a majoração da pena- base ou para a modulação da fração da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, desde que não tenham sido utilizadas na primeira fase da dosimetria. O fundamento de que o agente transportava grande quantidade de droga a serviço de terceiros não se presta a sustentar o afastamento do tráfico privilegiado, uma vez que evidencia apenas a condição de “mula” e não de dedicação a atividades criminosas. A condição de “mula”, por si só, não tem o condão de impedir o reconhecimento do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da LD). STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 842.630-SC, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 18/12/2023 (Info 16 – Edição Extraordinária). A assinatura do laudo toxicológico definitivo por perito criminal é imprescindível para a comprovação da materialidade do delito de tráfico de drogas? A simples falta de assinatura do perito encarregado pela lavratura do laudo toxicológico definitivo constitui mera irregularidade e não tem o condão de anular a prova pericial na hipótese de existirem outros elementos que comprovem a sua autenticidade, notadamente quando o expert estiver devidamente identificado e for constatada a existência de substância ilícita. 71 STJ. 3ª Seção.REsp 2.048.422-MG, REsp 2.048.645-MG e REsp 2.048.440-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgados em 22/11/2023 (Recurso Repetitivo – Tema 1206) (Info 796). Súmula vinculante 59: É impositiva a fixação do regime aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos quando reconhecida a figura do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) e ausentes vetores negativos na primeira fase da dosimetria (art. 59 do CP), observados os requisitos do art. 33, § 2º, ‘c’, e do art. 44, ambos do Código Penal. STF. Plenário. PSV 139/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/10/2023 (Info 1113). O plantio e a aquisição das sementes da Cannabis sativa, para fins medicinais, não configuram conduta criminosa, independente da regulamentação da ANVISA A ausência de regulamentação administrativa persiste e não tem previsão para solução breve, uma vez que a ANVISA considera que a competência para regular o cultivo de plantas sujeitas a controle especial seria do Ministério da Saúde e este considera que a competência seria da ANVISA. Logo, é necessário superar eventuais óbices administrativos e cíveis, privilegiando-se, dessa forma, o acesso à saúde, por todos os meios possíveis, ainda que pela concessão de salvo-conduto mediante habeas corpus. A questão aqui discutida não pode ser objeto da sanção penal, porque se trata do exercício de um Direito Fundamental, constitucionalmente, garantido, isto é, o Direito à Saúde, e a atuação proativa do STJ justifica-se juridicamente. STJ. 3ª Seção. AgRg no HC 783.717-PR, Rel. Min. Messod Azulay Neto, Rel. para acórdão Min. Jesuíno Rissato (Desembargador convocado do TJDFT), julgado em 13/9/2023 (Info 794). Os requisitos legais previstos no art. 41 da Lei de Drogas são alternativos ou cumulativos? A Lei de Drogas prevê uma causa de diminuição de pena para o caso de colaboração premiada do réu: Art. 41. O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida de um terço a dois terços. Os requisitos legais previstos nesse artigo são alternativos ou cumulativos? O STJ está dividido: 5ª Turma: são cumulativos. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que a concessão do benefício da delação previsto no art. 41 da Lei n. 11.343/06 (causa de diminuição de pena) depende do preenchimento cumulativo dos requisitos nele descritos, quais sejam, a identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e a recuperação total ou parcial do produto do delito. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 2.032.118/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 28/8/2023. 6ª Turma: são alternativos. Os requisitos legais previstos no art. 41 da Lei nº 11.343/2006, que trata da causa de diminuição da pena por colaboração premiada, são alternativos e não cumulativos. STJ. 6ª Turma. HC 663.265-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/9/2023 (Info 789). A apreensão de pequenas quantidades de droga junto com o ácido bórico não implica, necessariamente, a conduta de tráfico de drogas (art. 33 da LD) No caso analisado, o réu foi condenado como incurso no art. 33, § 1º, I, da Lei nº 11.343/2006 porque portava, em via pública, 0,32 g de crack e 164,80 g de ácido bórico. A posse de ácido bórico, por si só, é um indiferente penal, haja vista que é largamente utilizado para fins lícitos, como tratamentos de saúde, desinsetização, adubamento etc. 72 Não se está a ignorar que o ácido bórico seja utilizado, também, para os fins de preparação de drogas ilícitas. Ocorre que, nesses casos, a condenação deve se pautar em outros elementos que apontem, de modo inequívoco, para a traficância, como a apreensão de consideráveis quantidades de droga, balanças de precisão, embalagens plásticas, somas de dinheiro etc. Segundo pesquisas, vários usuários de crack fazem uso do chamado “pó virado”, consistente na mistura de crack ao ácido bórico para os fins de consumo pela via nasal. A preparação do “pó virado” é feita pelos próprios usuários, em grupos e de forma compartilhada, a fim de obter efeito mais duradouro e, consequentemente, menores níveis de fissura e paranoia decorrentes do uso da droga. Diante desses achados, é preciso cuidado redobrado ao avaliar se a conduta de portar drogas e ácido bórico deve ser tipificada como tráfico de drogas ou posse de drogas para uso pessoal. Logo, a apreensão de pequenas quantidades de droga junto com o ácido bórico não implica, necessariamente, a conduta tipificada no art. 33 da Lei nº 11.343/2006. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2.271.420-MG, Rel. Min. Messod Azulay Neto, julgado em 27/6/2023 (Info 13 – Edição Extraordinária). O simples fato de o cão farejador ter sinalizado que haveria drogas na residência não é suficiente para se autorizar o ingresso na casa do suspeito. A mera sinalização do cão de faro, seguida de abordagem a suposto usuário saindo do local, desacompanhada de qualquer outra diligência investigativa ou outro elemento concreto indicando a necessidade de imediata ação policial, não justifica a dispensa do mandado judicial para o ingresso em domicílio. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 729.836-MS, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/4/2023 (Info 774). O intensoenvolvimento com o tráfico de drogas constitui fundamento idôneo para valorar negativamente a conduta social do agente na primeira fase da dosimetria da pena no crime de homicídio qualificado. No caso concreto, na 1ª fase da dosimetria, o magistrado considerou negativa a conduta social do condenado, consignando que ele é uma pessoa envolvida com o tráfico. O juiz afirmou que o acusado atuava sob ordens diretas do tráfico de drogas da região, encontrando-se em alto nível de inserção criminosa e que se trata de pessoa temida na comunidade, possuindo laços estreitos com uma rede de pessoas dedicadas à prática criminosa. O STJ considerou que essa majoração foi plenamente justificada, considerando que essa circunstância reflete o temor causado pelo agente. A conduta social é uma avaliação de natureza comportamental, pertinente ao relacionamento do agente no trabalho, na vizinhança, perante familiares ou amigos, não havendo uma delimitação mínima do campo de análise, podendo ser pequena como no núcleo familiar ou mais ampla como a comunidade em que o indivíduo mora. O fato de o condenado estar envolvido com o tráfico de drogas denota sua periculosidade, destemor às instituições constituídas, e também demonstra sua propensão para violar as regras sociais. STJ. 5ª Turma. HC 807.513-ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 11/4/2023 (Info 770). A mera solicitação do preso, sem a efetiva entrega do entorpecente ao destinatário no estabelecimento prisional, configura ato preparatório, o que impede a sua condenação por tráfico de drogas. Caso hipotético: Tiago cumpre pena em um presídio. Ele pediu que Natália, sua namorada, levasse maconha para ele na próxima visita. Natália adquiriu a droga e levou até o presídio. Ocorre que, durante o procedimento de revista de visitantes, os agentes encontraram o entorpecente. Natália praticou tráfico de drogas e Tiago fato atípico. 73 A interceptação da droga pelos agentes penitenciários antes de ser entregue ao destinatário, recolhido em estabelecimento prisional, impede a ocorrência da conduta típica do art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006 na modalidade “adquirir”, que viria, em tese, a ser por esse praticada. A conduta de apenas solicitar que a droga seja levada para o interior do estabelecimento prisional pode configurar, no máximo, ato preparatório e, portanto, impunível. Não se trata de ato executório do delito, seja na conduta de “adquirir”, seja nas demais modalidades previstas no tipo. Evidencia-se, portanto, a atipicidade da conduta. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.999.604-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, j. em 20/3/2023 (Info 770) A equiparação do tráfico de drogas a delitos hediondos decorre da previsão constitucional contida no art. 5º, XLIII, da Constituição Federal. A Lei nº 13.964/2019, ao promover alterações na Lei de Execução Penal, apenas afastou o caráter hediondo ou equiparado do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.1343/2006), nada dispondo sobre os demais dispositivos da Lei de Drogas. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 754913-MG, Rel. Ministro Jorge Mussi, julgado em 6/12/2022 (Info 760). É possível que o Poder Judiciário conceda autorização para que a pessoa faça o cultivo de maconha com objetivos medicinais. É cabível a concessão de salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis Sativa para fins exclusivamente terapêuticos, com base em receituário e laudo subscrito por profissional médico especializado, e chancelado pela Anvisa. STJ. 6ª Turma. RHC 147.169, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/06/2022. STJ. 6ª Turma. REsp 1.972.092, Rel. Min. Rogerio Schietti, julgado em 14/06/2022 (Info 742). As condutas de plantar maconha para fins medicinais e importar sementes para o plantio não preenchem a tipicidade material, motivo pelo qual se faz possível a expedição de salvo-conduto, desde que comprovada a necessidade médica do tratamento. STJ. 5ª Turma.HC 779289/DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/11/2022 (Info 758). Grande quantidade de drogas, multiplicidade de agentes, divisão de tarefas, forma de transporte do entorpecente e distância entre a origem e o destino são elementos que permitem afastar o tráfico privilegiado. A elevada quantidade de drogas apreendidas, a multiplicidade de agentes envolvidos na trama criminosa - que perpassa pela contratação e pela proposta de pagamento -, a forma de transporte da substância entorpecente, a distância entre os estados da federação e a nítida divisão de tarefas entre os membros do grupo descaracterizam a condição de pequeno traficante - ou traficante ocasional - impedindo o reconhecimento do benefício do tráfico privilegiado. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 2115857-MS, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Rel. Acd. Ministro Jorge Mussi, julgado em 25/10/2022 (Info Especial 10); STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1769697-MS, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 16/3/2021. A apreensão de petrechos para a traficância, a depender das circunstâncias do caso concreto, pode afastar a causa de diminuição de pena do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da LD). Caso adaptado: o agente foi preso em flagrante delito e com ele foram encontrados, além de entorpecentes, balança de precisão, colher, peneira, todos com resquícios de cocaína e 66 frasconetes. 74 O juiz condenou o réu e negou o benefício do art. 33, § 4º sob o argumento de que havia a apreensão desses petrechos, utilizados comumente para o tráfico de drogas, indicam que o réu se dedicava às atividades criminosas. Assim, não preencheu um dos requisitos para a obtenção do benefício. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 773113-SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2022 (Info 752). A revogação do § 2º do art. 2º da Lei 8.072/90 pela Lei 13.964/2019 não tem o condão de retirar do tráfico de drogas sua caracterização como delito equiparado a hediondo, pois essa equiparação foi feita diretamente pela Constituição. As alterações providas pelo Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019) apenas afastaram o caráter hediondo ou equiparado do tráfico privilegiado, previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, nada dispondo sobre os demais dispositivos da Lei de Drogas. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 748033-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 27/09/2022 (Info 754). A ocultação de drogas na região pélvica, por si só, não constitui fundamento idôneo para negativar a culpabilidade. Caso concreto: mulher tentou ingressar no presídio com droga escondida em sua região pélvica. Juiz não pode utilizar essa circunstância para aumentar a pena-base na primeira fase da dosimetria sob o argumento de que a culpabilidade seria intensa. Isso porque o modus operandi escolhido pela mulher é uma das formas mais comuns utilizadas para o ingresso de entorpecentes em estabelecimentos prisionais, não demonstrando um maior grau de reprovabilidade da conduta. Tanto que, como é de conhecimento notório, é realizada a revista íntima nos visitantes, antes do seu ingresso nas instalações em que se encontram os detentos. STJ. 6ª Turma. REsp 1923803-AC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 13/9/2022 (Info Especial 10). Inquéritos e ações penais em curso não servem para impedir o reconhecimento do tráfico privilegiado. É vedada a utilização de inquéritos e/ou ações penais em curso para impedir a aplicação do art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. REsp 1977027-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 10/08/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1139) (Info 745). Esse é também o entendimento do STF que, no entanto, menciona, em quase todas as suas ementas, a expressão “por si só”, indicando que tais elementos podem ser avaliados em conjunto com o restante das provas: A jurisprudência deste Supremo Tribunal Federal é no sentido de que a existência de inquéritos ou ações penais em andamento não é, por si só, fundamentoidôneo para afastamento da minorante do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006. STF. 1ª Turma. RHC 205080 AgR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 04/10/2021. STF. 2ª Turma. HC 206143 AgR, Relator p/ Acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/12/2021. O fato de o flagrante de tráfico de drogas ter ocorrido em comunidade apontada como local dominado por facção criminosa, por si só, não permite presumir que o réu era associado à referida facção. Caso concreto: Alexandre e Gilson foram presos em flagrante em uma operação policial na Comunidade Nova Holanda, região que, segundo a polícia, é dominada pelo “Comando Vermelho”. Os dois foram presos em flagrante porque os policiais os encontraram com cocaína e petrechos para endolação. Alexandre e Gilson foram condenados por tráfico de drogas e também por associação para o tráfico (art. 35 da LD). O argumento para eles terem sido condenados por associação foi o fato de 75 que é notória a existência de uma facção criminosa naquela comunidade e que não seria possível que os acusados estivessem ali sem prévia associação com os demais integrantes dessa facção. O STJ não concordou com o argumento e absolveu os réus pelo delito do art. 35 da LD. O fato de o flagrante do delito de tráfico de drogas ter ocorrido em comunidade apontada como local dominado por facção criminosa, por si só, não permite presumir que os réus eram associados (de forma estável e permanente) à referida facção, sob pena de se validar a adoção de uma seleção criminalizante norteada pelo critério espacial e de se inverter o ônus probatório, atribuindo prova diabólica de fato negativo à defesa. STJ. 6ª Turma. HC 739951-RJ, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 09/08/2022 (Info 753). Não incide a causa de aumento de pena do art. 40, III, da LD se o crime foi praticado nas proximidades de escola fechada em razão da COVID-19. A razão de ser da causa especial de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei n. 11.343/2006 é a de punir, com maior rigor, aquele que, nas imediações ou nas dependências dos locais a que se refere o dispositivo, dada a maior aglomeração de pessoas, tem como mais ágil e facilitada a prática do tráfico de drogas (aqui incluído quaisquer dos núcleos previstos no art. 33 da Lei n. 11.343/2006), justamente porque, em localidades como tais, é mais fácil ao traficante passar despercebido à fiscalização policial, além de ser maior o grau de vulnerabilidade das pessoas reunidas em determinados lugares. Na espécie, não ficou evidenciado nenhum benefício advindo ao réu com a prática do delito nas proximidades ou nas imediações de estabelecimento de ensino – o ilícito foi perpetrado em momento em que as escolas estavam fechadas por conta das medidas restritivas de combate à COVID-19 – e se também não houve uma maximização do risco exposto àqueles que frequentam a escola (alunos, pais, professores, funcionários em geral), deve, excepcionalmente, em razão das peculiaridades do caso concreto, ser afastada a incidência da referida majorante. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 728.750, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/05/2022. A semi-imputabilidade (art. 46 da LD), por si só, não afasta o tráfico de drogas e o seu caráter hediondo, tal como a forma privilegiada do § 4º do art. 33. O art. 46 da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006) estabelece o seguinte: Art. 46. As penas podem ser reduzidas de um terço a dois terços se, por força das circunstâncias previstas no art. 45 desta Lei, o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Esse dispositivo prevê uma causa especial de diminuição de pena aplicada quando o juiz entender que o réu não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Trata-se de hipótese da semi- imputabilidade. No caso, a defesa requereu que fosse excluída a natureza hedionda do delito de tráfico de drogas, sob o argumento de que, por se tratar o paciente de semi-imputável, seria similar ao crime de tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006). O STJ não concordou. Não há previsão legal de que a semi-imputabilidade, por si só, afaste o caráter hediondo do tráfico de drogas, tal como ocorre com a forma privilegiada do § 4º do art. 33. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 716210-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 10/05/2022 (Info 737). 76 É possível utilizar a quantidade e natureza da droga apreendida para a modulação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da LD? É possível a valoração da quantidade e natureza da droga apreendida, tanto para a fixação da pena-base quanto para a modulação da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, neste último caso ainda que sejam os únicos elementos aferidos, desde que não tenham sidos considerados na primeira fase do cálculo da pena. STJ. 3ª Seção. HC 725534-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 27/04/2022 (Info 734). Demonstradas pela instância de origem a estabilidade e permanência do crime de associação para o tráfico de drogas, inviável o revolvimento probatório em sede de habeas corpus visando a modificação do julgado. No caso, as instâncias ordinárias demonstraram a presença da materialidade e da autoria do delito de associação para o tráfico, com a demonstração da concreta estabilidade e permanência da associação criminosa, tendo em vista, em especial, a prova oral colhida contida nos autos e as conversas extraídas do aparelho celular apreendido, evidenciando que a prática do crime de tráfico de drogas não era eventual, pelo contrário, representava atividade organizada, estável e em função da qual todos os corréus estavam vinculados subjetivamente. A revisão da conclusão alcançada pelo Tribunal de origem, de sorte a confirmar-se a versão defensiva de que não há comprovação da associação estável a outros corréus para o tráfico de entorpecentes, somente poderia ser feita por meio do exame aprofundado da prova, providência inadmissível na via do habeas corpus. STJ. 5ª Turma. HC 721055-SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/03/2022 (Info 730). A condenação pelo art. 28 da Lei 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) não configura reincidência. Viola o princípio da proporcionalidade a consideração de condenação anterior pelo delito do art. 28 da Lei nº 11.343/2006, “porte de droga para consumo pessoal”, para fins de reincidência. STF. 2ª Turma. RHC 178512 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 22/3/2022 (Info 1048). Não é possível que o agente responda pela prática do crime do art. 34 da Lei 11.343/2006 quando a posse dos instrumentos configura ato preparatório destinado ao consumo pessoal de entorpecente. Para que se configure a lesão ao bem jurídico tutelado pelo art. 34 da Lei nº 11.343/2006, a ação de possuir maquinário e/ou objetos deve ter o especial fim de fabricar, preparar, produzir ou transformar drogas, visando ao tráfico. Assim, ainda que o crime previsto no art. 34 da Lei nº 11.343/2006 possa subsistir de forma autônoma, não é possível que o agente responda pela prática do referido delito quando a posse dos instrumentos se configura como ato preparatório destinado ao consumo pessoal de entorpecente. As condutas previstas no art. 28 da Lei de Drogas recebem tratamento legislativo mais brando, razão pela qual não há respaldo legal para punir com maior rigor as ações que antecedem o próprio consumo pessoal do entorpecente. STJ. 6ª Turma. RHC 135617-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/09/2021 (Info 709). O histórico infracional é suficiente para afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006? 77 O histórico de ato infracional pode ser consideradopara afastar a minorante do art. 33, § 4.º, da Lei nº 11.343/2006, por meio de fundamentação idônea que aponte a existência de circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pretéritos, devidamente documentados nos autos, bem como a razoável proximidade temporal com o crime em apuração. STJ. 3ª Turma. EREsp 1916596-SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz, julgado em 08/09/2021 (Info 712). O STF possui a mesma posição? Para o STF, a existência de atos infracionais pode servir para afastar o benefício do § 4º do art. 33 da LD? 1ª Turma do STF: SIM. RHC 190434 AgR, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23/08/2021. 2ª Turma do STF: NÃO. STF. 2ª Turma. HC 202574 AgR, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17/08/2021. Incide a causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006 em caso de tráfico de drogas cometido nas dependências ou nas imediações de igreja? Incide a causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei 11.343/2006 em caso de tráfico de drogas cometido nas dependências ou nas imediações de igreja? 1ª corrente: NÃO O tráfico de drogas cometido em local próximo a igrejas não foi contemplado pelo legislador no rol das majorantes previstas no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006, não podendo, portanto, ser utilizado com esse fim tendo em vista que no Direito Penal incriminador não se admite a analogia in malam partem. Caso o legislador quisesse punir de forma mais gravosa também o fato de o agente cometer o delito nas dependências ou nas imediações de igreja, teria feito expressamente, assim como fez em relação aos demais locais. STJ. 6ª Turma. HC 528851-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 2ª corrente: SIM Justificada a incidência da causa de aumento prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, uma vez consta nos autos a existência de igreja evangélica a aproximadamente 23 metros de distância do local onde a traficância era realizada. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 668934/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/06/2021. Obs: prevalece a 1ª corrente. Na verdade, se formos analisar o caso concreto envolvendo o AgRg no HC 668934/MG, iremos constar que, além de uma igreja evangélica, o local também funcionava como entidade social, de modo que se amoldava no inciso III por esse outro motivo. Compete ao Juízo Federal do endereço do destinatário da droga, importada via Correio, processar e julgar o crime de tráfico internacional. No caso de importação da droga via correio, se o destinatário for conhecido porque consta seu endereço na correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a competência no Juízo do local de destino da droga, em favor da facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo. Importação da droga via postal (Correios) configura tráfico transnacional de drogas (art. 33 c/c art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006). A competência para julgar esse delito será do local onde a droga foi apreendida ou do local de destino da droga? • Entendimento anterior do STJ: local de apreensão da droga Essa posição estava manifestada na Súmula 528 do STJ, aprovada em 13/05/2015: 78 Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. • Entendimento atual do STJ: local de destino da droga. Na hipótese de importação da droga via correio cumulada com o conhecimento do destinatário por meio do endereço aposto na correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a competência no Juízo do local de destino da droga, em favor da facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo. STJ. 3ª Seção. CC 177882-PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 26/05/2021 (Info 698). Obs: em 25/02/2022, após o julgamento acima, o STJ decidiu cancelar formalmente a Súmula 528. Portanto, a Súmula 528 do STJ está formalmente cancelada. A prática anterior de atos infracionais pode ser utilizada para afastar a causa de diminuição do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas? Atualmente, temos uma divergência no STF. Para a 1ª Turma do STF: SIM. É possível a utilização da prática de atos infracionais para afastar a causa de diminuição, quando se pretendeu a aplicação do redutor de pena do do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. Isso não significa que foram considerados, como crimes, os atos infracionais praticados. Significa, apenas, que o contexto fático pode comprovar que o requisito de não dedicação a atividades criminosas não foi preenchido. Isto porque, tudo indica que a intenção do legislador, ao inserir a redação foi distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como daquele que se aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria sobrevivência e/ou de sua família. STF. 1ª Turma. HC 192147, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/02/2021. Para a 2ª Turma do STF: NÃO. A prática anterior de atos infracionais pelo paciente não configura fundamentação idônea a afastar a minorante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. Constata-se que a prática de atos infracionais não é suficiente para afastar a minorante, visto que adolescente não comete crime nem lhe é imputada pena. Nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas aplicadas são socioeducativas e objetivam a proteção do adolescente que cometeu infração. Assim, a menção a atos infracionais praticados pelo paciente não configura fundamentação idônea para afastar a minorante. STF. 2ª Turma. HC 191992, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 08/04/2021. Para o STJ: SIM. O histórico de ato infracional pode ser considerado para afastar a minorante do art. 33, § 4.º, da Lei n. 11.343/2006, por meio de fundamentação idônea que aponte a existência de circunstâncias excepcionais, nas quais se verifique a gravidade de atos pretéritos, devidamente documentados nos autos, bem como a razoável proximidade temporal com o crime em apuração. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.916.596, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Rel. p/ acórdão Min. Laurita Vaz, julgado em 08/09/2021 (Info 712) Incide a causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006 em caso de tráfico de drogas cometido nas dependências ou nas imediações de igreja? 1ª corrente: NÃO 79 O tráfico de drogas cometido em local próximo a igrejas não foi contemplado pelo legislador no rol das majorantes previstas no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006, não podendo, portanto, ser utilizado com esse fim tendo em vista que no Direito Penal incriminador não se admite a analogia in malam partem. Caso o legislador quisesse punir de forma mais gravosa também o fato de o agente cometer o delito nas dependências ou nas imediações de igreja, teria feito expressamente, assim como fez em relação aos demais locais. STJ. 6ª Turma. HC 528851-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/05/2020 (Info 671). 2ª corrente: SIM Justificada a incidência da causa de aumento prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, uma vez consta nos autos a existência de igreja evangélica a aproximadamente 23 metros de distância do local onde a traficância era realizada. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 668934/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/06/2021. Obs: prevalece a 1ª corrente. Na verdade, se formos analisar o caso concreto envolvendo o AgRg no HC 668934/MG, iremos constar que, além de uma igreja evangélica, o local também funcionava como entidade social, de modo que se amoldava no inciso III por esse outro motivo. Compete ao Juízo Federal do endereço do destinatário da droga, importada via Correio, processar e julgar oda legislação questionando: se o objeto material da lei de drogas é a droga, qual a compreensão legal do termo drogas? 2.1. NORMA PENAL EM BRANCO Candidato, o que se entende por droga? A Lei de Drogas não trouxe o conceito de seu tipo penal “Droga”, referindo-se, portanto, a uma norma penal em branco, aquela que o preceito primário vem incompleto, precisando de uma complementação. Especificamente, é uma NORMA PENAL EM BRANCO HETEROGÊNEA, uma vez que o complemento está previsto em ato normativo do Poder Executivo Federal. Nessa esteira, a Lei n. 11.343/06 traz apenas em seu artigo 1º parágrafo único: 3 Legislação Criminal para Concursos. 5ª edição, revista, atualizada e ampliada. Editora Juspodivm. 2020. 6 Parágrafo único. Para fins desta Lei, consideram-se como drogas as substâncias ou os produtos capazes de causar dependência, assim especificados em lei ou relacionados em listas atualizadas periodicamente pelo Poder Executivo da União. E então, como saberemos o que é droga para fins de tipificação dos crimes previstos na Lei n. 11.343/2006? Para suprir essa ausência a definição de drogas para fins penais, a Portaria 344/98 da Secretária de Vigilância Sanitária – ANVISA, do Ministério da Saúde dispôs: Art. 1º Para os efeitos deste Regulamento Técnico e para a sua adequada aplicação, são adotadas as seguintes definições: (...) Droga - Substância ou matéria-prima que tenha finalidade medicamentosa ou sanitária. Nessa portaria são trazidos ainda em seu anexo, mais de 400 substâncias consideradas como substância entorpecente. Atente para o fato do termo droga não se referir apenas a maconha, cocaína, heroína, etc. Corroborando ao exposto, Roque; Távora e Alencar 4: Atualmente, o rol de substâncias prescritas encontra-se na portaria SVS/MS nº 344, de 12 de maio de 1998, que “aprova o Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial”. A propósito, o art. 66 da Lei de Drogas, em comento, estabelece que: “para fins do disposto no parágrafo único do art. 1º desta Lei, até que seja atualizada a terminologia da lista mencionada no preceito, denominam-se drogas substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e outras sob controle especial, da Portaria SVS/MS no 344, de 12 de maio de 1998”. Uma vez identificado que se trata de uma norma penal em branco, aproveitamos para reforçarmos a sua definição. 2.1.1. TIPOS DE NORMA PENAL EM BRANCO A norma penal em branco subdivide-se em: norma penal em branco homogênea, norma penal em branco heterogênea. 2.1.1.1. Norma penal em branco homogênea A sanção vincula-se a um tipo que precisa ser complementado por uma mesma lei ou por outra lei – originadas da mesma instância legislativas. Poderá ser de duas espécies, homovitelinas ou heterovitelinas. Quando a complementação está contida na mesma lei, estamos diante de uma norma em branco homogênea homovitelina. Por outro lado, se o complemento está previsto em outra lei, contudo, de mesma instância legislativa, estamos diante de uma norma penal em branco homogênea heterovitelina. 4 Legislação Criminal para Concursos. 5ª edição, revista, atualizada e ampliada. Editora Juspodivm. 2020. 7 Em resumo: a) Complementação está contida na mesma lei (homovitelinas); remissão interna: remetem a outros dispositivos contidos na mesma lei. Código Penal com Código Penal. b) Complementação está contido em outra lei, mas de mesma instância legislativa (heterovitelinas) – remissão externa. Remetem a outra lei formal, mas de mesma instância legislativa. Lei que remete a outra Lei, Portaria que remete a outra Portaria, Decreto que remete a outro Decreto. 2.1.1.2. Norma penal em branco heterogênea Norma penal em sentido estrito e norma penal própria são algumas das nomenclaturas utilizadas para designar o que chamamos aqui de norma penal em branco heterogênea. De modo geral, a heterogeneidade desse tipo de norma penal em branco se manifesta na medida em que a complementação do tipo penal é oriunda de um uma fonte que não o mesmo legislador. Isto é, a norma penal em branco heterogênea é aquela complementada por uma determinação da Administração pública, ou de outra instância legislativa. Exemplo: Lei n° 11.343/2006 (Lei de Drogas). Art. 66. Para fins do disposto no parágrafo único do art. 1° desta Lei, até que seja atualizada a terminologia da lista mencionada no preceito, denominam-se drogas substâncias entorpecentes, psicotrópicas, precursoras e outras sob controle especial, da Portaria SVS/MS no 344, de 12 de maio de 1998. (Fixa as substâncias entorpecentes ou que determinam dependência física ou psíquica). 2.1.2. ESPÉCIE DE NORMA PENAL EM BRANCO APLICADA NA LEI DE DROGAS Candidato, os crimes da Lei de Drogas estão previstos em qual espécie de norma penal em branco? Excelência, os crimes da Lei de Drogas conforme se pode extrair da redação do parágrafo único do art. 1º da Lei nº 11.343/2006, tanto podem vim a serem complementados por uma lei (e nesse caso, seria classificado nessa hipótese como uma norma penal em branco homogênea) como também por ato administrativo (e nesse caso a norma penal em branco é heterogênea), inobstante essa dupla possibilidade, atualmente em nosso ordenamento jurídico os crimes previstos na lei de drogas estão contidos em norma penal em branco heterogênea, pois a norma que complementa a legislação vem descrita em ato administrativo da União. Assim, contemplamos que quem define conduta criminosa é a Lei, mas o complemento é dado pela Portaria da Anvisa (vai definir qual substância é droga) – a ANVISA é uma agência do Poder Executivo da União. 8 Dessa forma, por ser a fonte de complemento uma portaria, fala-se que a lei é uma norma penal em branco heterogênea. Na Lei de Drogas, a norma penal em branco é heterogênea, isto porque o complemento é dado por ato infralegal – Portaria da ANVISA. Vamos ESQUEMATIZAR? Normal Penal em Branco Heterogênea Homogênea Quando o complemento estiver definido em ato infralegal. Quando o complemento estiver definido em lei. (Divide-se em homóloga – mesma lei - ou heteróloga – lei distinta). 2.2. RESSALVAS À PROIBIÇÃO DE DROGAS O art. 2º da Lei 11.3434/06 segue afirmando: Art. 2º Ficam proibidas, em todo o território nacional, as drogas, bem como o plantio, a cultura, a colheita e a exploração de vegetais e substratos dos quais possam ser extraídas ou produzidas drogas, ressalvada a hipótese de autorização legal ou regulamentar, bem como o que estabelece a Convenção de Viena, das Nações Unidas, sobre Substâncias Psicotrópicas, de 1971, a respeito de plantas de uso estritamente ritualístico-religioso. Uma primeira ressalva à proibição, fica a cargo do caput deste artigo, fazendo menção a Convenção de Viena que trata da utilização de substrato de drogas para fins religiosos (caso em que será necessário autorização judicial). Vejamos: Parágrafo único. Pode a União autorizar o plantio, a cultura e a colheita dos vegetais referidos no caput deste artigo, exclusivamente para fins medicinais ou científicos, em local e prazo predeterminados, mediante fiscalização, respeitadas as ressalvas supramencionadas. Mais duas ressalvas são feitas em casos de autorização para fins medicinais ou científicos, como trata o parágrafo único acima. Portanto, a proibição, exploração, plantio ou cultivo de drogas possuem três exceções: A religiosa, a científica e medicinal. Vejamos as ressalvas: Nesse sentido: Fins religiosos Fins medicinais Fins cientifícos 9 É possível que o Poder Judiciário conceda autorização para que a pessoa faça o cultivo de maconha com objetivos medicinais. É cabível a concessão de salvo-conduto para o plantio e o transporte de Cannabis Sativa para fins exclusivamente terapêuticos, com base em receituário e laudo subscrito por profissionalcrime de tráfico internacional. No caso de importação da droga via correio, se o destinatário for conhecido porque consta seu endereço na correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a competência no Juízo do local de destino da droga, em favor da facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo. Importação da droga via postal (Correios) configura tráfico transnacional de drogas (art. 33 c/c art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006). A competência para julgar esse delito será do local onde a droga foi apreendida ou do local de destino da droga? Entendimento anterior do STJ: local de apreensão da droga Essa posição estava manifestada na Súmula 528 do STJ, aprovada em 13/05/2015: Súmula 528-STJ: Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. Entendimento atual do STJ: local de destino da droga. Na hipótese de importação da droga via correio cumulada com o conhecimento do destinatário por meio do endereço aposto na correspondência, a Súmula 528/STJ deve ser flexibilizada para se fixar a competência no Juízo do local de destino da droga, em favor da facilitação da fase investigativa, da busca da verdade e da duração razoável do processo. STJ. 3ª Seção. CC 177882-PR, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 26/05/2021 (Info 698). A prática anterior de atos infracionais pode ser utilizada para afastar a causa de diminuição do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas? Atualmente, temos uma divergência no STF. Para a 1ª Turma do STF: SIM. É possível a utilização da prática de atos infracionais para afastar a causa de diminuição, quando se pretendeu a aplicação do redutor de pena do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. 80 Isso não significa que foram considerados, como crimes, os atos infracionais praticados. Significa, apenas, que o contexto fático pode comprovar que o requisito de não dedicação a atividades criminosas não foi preenchido. Isto porque, tudo indica que a intenção do legislador, ao inserir a redação foi distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como daquele que se aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria sobrevivência e/ou de sua família. (STF. 1ª Turma. HC 192147, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 24/02/2021) Para a 2ª Turma do STF: NÃO. A prática anterior de atos infracionais pelo paciente não configura fundamentação idônea a afastar a minorante do § 4º do art. 33 da Lei 11.343/2006. Constata-se que a prática de atos infracionais não é suficiente para afastar a minorante, visto que adolescente não comete crime nem lhe é imputada pena. Nos termos do Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas aplicadas são socioeducativas e objetivam a proteção do adolescente que cometeu infração. Assim, a menção a atos infracionais praticados pelo paciente não configura fundamentação idônea para afastar a minorante. (STF. 2ª Turma. HC 191992, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 08/04/2021.) A concessão de autorização para o cultivo de maconha depende de critérios técnicos cujo estudo refoge à competência do juízo criminal, que não pode se imiscuir em temas cuja análise incumbe à ANVISA. É incabível salvo-conduto para o cultivo da cannabis visando a extração do óleo medicinal, ainda que na quantidade necessária para o controle da epilepsia, posto que a autorização fica a cargo da análise do caso concreto pela ANVISA. (STJ. 5ª Turma. RHC 123402-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 23/03/2021 (Info 690). A quantidade de drogas, por si só, não é fator determinante para concluir se era para consumo pessoal. Nos termos do art. 28, § 2º, da Lei n. 11.343/2006, não é apenas a quantidade de drogas que constitui fator determinante para a conclusão de que a substância se destinava a consumo pessoal, mas também o local e as condições em que se desenvolveu a ação, as circunstâncias sociais e pessoais, bem como a conduta e os antecedentes do agente. (STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1740201/AM, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/11/2020) O crime de associação para o tráfico é plurissubjetivo e pode ser plurilocal. O crime de associação para o tráfico é de natureza permanente. Não é empecilho para o reconhecimento do crime único o fato de que, mesmo que as tratativas para o comércio ilícito, entre os associados e o líder da associação, tenham ocorrido em datas variadas, mas dentro de um período de 2 (dois) meses (no caso concreto), é possível o reconhecimento de houve um único crime de associação para o tráfico. De igual modo, o fato haver integrantes da associação em diversas cidades da mesma região, não impede que se configure crime único. O crime de associação para o tráfico é necessariamente plurissubjetivo e pode ser plurilocal, não sendo impeditivo para a sua consumação o fato de que os seus agentes estejam em localidades diferentes. Não é incomum, inclusive, que os membros da mesma associação estejam em cidades ou estados diversos ou até mesmo em países diferentes. STJ. 6ª Turma. REsp 1845496/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 03/11/2020. Atipicidade da importação de pequena quantidade de sementes de maconha. É atípica a conduta de importar pequena quantidade de sementes de maconha. 81 STJ. 3ª Seção. EREsp 1624564-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/10/2020 (Info 683). STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915). A condenação por tráfico pode ocorrer mesmo que não haja a apreensão da droga? Existem diversos julgados que afirmam que a condenação não pode ocorrer se não houve a apreensão da droga: É imprescindível a apreensão da droga para que a materialidade delitiva, quanto ao crime de tráfico de drogas, possa ser aferida, ao menos, por laudo preliminar. (STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1655529/ES, Rel. Min. Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 06/10/2020.) Hipótese em que o édito condenatório pelo delito do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 está amparado apenas em testemunhos orais e informações extraídas de interceptações telefônicas. Não houve a apreensão da droga e, obviamente, inexiste o laudo de exame toxicológico, único elemento hábil a comprovar a materialidade do delito de tráfico de drogas, razão pela qual impõe-se a absolvição do paciente e demais corréus. (STJ. 5ª Turma. HC 605.603/ES, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 23/03/2021.) Vale ressaltar, no entanto, que também são encontrados inúmeros outros acórdãos em sentido contrário, ou seja, afirmando que outras provas podem suprir a falta de apreensão: A ausência de apreensão da droga não torna a conduta atípica se existirem outros elementos de prova aptos a comprovarem o crime de tráfico. STJ. 6ª Turma. HC 131455-MT, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 2/8/2012. A materialidade do crime de tráfico de entorpecentes pode ser atestada por outros meios idôneos existentes nos autos quando não houve apreensão da droga e não foi possível realizar o exame pericial, especialmente se encontrado entorpecentes com outros corréus ou integrantes da organização criminosa. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1116262/GO, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 06/11/2018. A ausência de apreensão da droga não torna a conduta atípica se existirem outros elementos de prova aptos a comprovarem o crime de tráfico. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1662300/RN, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 16/06/2020. Esta Corte já se manifestou no sentido de que a ausência de apreensão da droga não torna a conduta atípica se existirem outras provas capazes de comprovarem o crime, como no caso, as interceptações telefônicas e os depoimentos das testemunhas. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 1471280/SC, Rel. Min. Joel IlanPaciornik, julgado em 26/05/2020. Enunciado 7 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ. Não fica caracterizado o crime do inc. IV do § 1º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, incluído pela Lei Anticrime, quando o policial disfarçado provoca, induz, estimula ou incita alguém a vender ou a entregar drogas ou matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à sua preparação (flagrante preparado), sob pena de violação do art. 17 do Código Penal e da Súmula 145 do Supremo Tribunal Federal. Enunciado 2 da I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ. Para a aplicação do art. 40, inc. VI, da Lei n. 11.343/2006, é necessária a prova de que a criança ou adolescente atua ou é utilizada, de qualquer forma, para a prática do crime, ou figura como vítima, não sendo a mera presença da criança ou adolescente no contexto delitivo causa suficiente para a incidência da majorante 82 O autor da conduta do art. 28 da LD deve ser encaminhado diretamente ao juiz, que irá lavrar o termo circunstanciado e fará a requisição dos exames e perícias; somente se não houver juiz é que tais providências serão tomadas pela autoridade policial; essa previsão é constitucional. O STF, interpretando os §§ 2º e 3º do art. 48 da Lei nº 11.343/2006, afirmou que o autor do crime previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006 deve ser encaminhado imediatamente ao juiz e o próprio magistrado irá lavrar o termo circunstanciado e requisitar os exames e perícias necessários. Se não houver disponibilidade do juízo competente, deve o autor ser encaminhado à autoridade policial, que então adotará essas providências (termo circunstanciado e requisição). Não há qualquer inconstitucionalidade nessa previsão. Isso porque a lavratura de termo circunstanciado e a requisição de exames e perícias não são atividades de investigação. Considerando-se que o termo circunstanciado não é procedimento investigativo, mas sim uma mera peça informativa com descrição detalhada do fato e as declarações do condutor do flagrante e do autor do fato, deve-se reconhecer que a possibilidade de sua lavratura pela autoridade judicial (magistrado) não ofende os §§ 1º e 4º do art. 144 da Constituição, nem interfere na imparcialidade do julgador. As normas dos §§ 2º e 3º do art. 48 da Lei nº 11.343/2006 foram editadas em benefício do usuário de drogas, visando afastá-lo do ambiente policial, quando possível, e evitar que seja indevidamente detido pela autoridade policial. STF. Plenário. ADI 3807, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 29/06/2020) (Info 986 – clipping). Transportar folhas de coca: crime do art. 33, § 1º, I, da Lei nº 11.343/2006. A conduta de transportar folhas de coca melhor se amolda, em tese e para a definição de competência, ao tipo descrito no § 1º, I, do art. 33 da Lei nº 11.343/2006, que criminaliza o transporte de matéria- prima destinada à preparação de drogas. Caso concreto: o agente foi preso com 4,4 kg de folhas de coca, adquiridas na Bolívia, tendo a substância sido encontrada no estepe do veículo. As folhas seriam transportadas até Uberlândia/MG para rituais de mascar, fazer infusão de chá e até mesmo bolo, rituais esses associados à prática religiosa indígena de Instituto ao qual pertenceria o acusado. A folha de coca não é considerada droga; porém pode ser classificada como matéria-prima ou insumo para sua fabricação. STJ. 3ª Seção. CC 172464-MS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/06/2020) (Info 673. É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas pelo simples fato de o acusado ser investigado em inquérito policial ou réu em outra ação penal que ainda não transitou em julgado? 5ª Turma STJ: SIM. É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006. STJ. 5ª Turma. AgRg no AgRg no AREsp 1912440/MT, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 21/09/2021. STF, 5ª Turma (recentemente) e 6ª Turma do STJ: NÃO. Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação ao art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). 83 Não cabe afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) com base em condenações não alcançadas pela preclusão maior (coisa julgada). STF. 1ª Turma. HC 173806/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/2/2020 (Info 967). STF. 1ª Turma. HC 166385/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 14/4/2020 (Info 973). STF. 2ª Turma. HC 144309 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/11/2018. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1936058/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/09/2021. STJ. 5ª Turma. HC 616.133/RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 28/09/2021. O cometimento do crime do art. 28 da Lei de Drogas deve receber o mesmo tratamento que a contravenção penal, para fins de revogação facultativa da suspensão condicional do processo. A suspensão será obrigatoriamente revogada se, no curso do prazo o beneficiário vier a ser processado por outro crime (art. 89, § 3º da Lei nº 9.099/95). Trata-se de causa de revogação obrigatória. Por outro lado, a suspensão poderá ser revogada pelo juiz se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção (art. 89, § 4º). Trata-se de causa de revogação facultativa. O processamento do réu pela prática da conduta descrita no art. 28 da Lei de Drogas no curso do período de prova deve ser considerado como causa de revogação FACULTATIVA da suspensão condicional do processo. A contravenção penal tem efeitos primários mais deletérios que o crime do art. 28 da Lei de Drogas. Assim, mostra-se desproporcional que o mero processamento do réu pela prática do crime previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006 torne obrigatória a revogação da suspensão condicional do processo, enquanto o processamento por contravenção penal ocasione a revogação facultativa. STJ. 5ª Turma. REsp 1795962-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 10/03/2020) (Info 668). Para fins do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas, milita em favor do réu a presunção de que ele é primário, possui bons antecedentes e não se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa; o ônus de provar o contrário é do Ministério Público. A previsão da redução de pena contida no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 tem como fundamento distinguir o traficante contumaz e profissional daquele iniciante na vida criminosa, bem como do que se aventura na vida da traficância por motivos que, por vezes, confundem-se com a sua própria sobrevivência e/ou de sua família. Assim, para legitimar a não aplicação do redutor é essencial a fundamentação corroborada em elementos capazes de afastar um dos requisitos legais, sob pena de desrespeito ao princípio da individualização da pena e de fundamentação das decisões judiciais. Desse modo, a habitualidade e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados, não valendo a simples presunção. Não havendo prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução de pena. Em outras palavras, militará em favor do réu a presunção de que é primário e de bons antecedentes e de que não se dedica a atividades criminosas nem integra organização criminosa. O ônus de provar o contrário é do Ministério Público. Assim, o STF considerou preenchidas as condições da aplicação da redução de pena, por se estar diante de ré primária, com bons antecedentes e sem indicação de pertencimento a organização criminosa. STF. 2ª Turma. HC 154694 AgR/SP, rel. orig. Min. Edson Fachin,red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/2/2020 (Info 965). É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas pelo simples fato de o acusado ser investigado em inquérito policial ou réu em outra ação penal que ainda não transitou em julgado? 84 É possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas com base no fato de o acusado ser investigado em inquérito policial ou ser réu em outra ação penal que ainda não transitou em julgado? • STJ: SIM. É possível a utilização de inquéritos policiais e/ou ações penais em curso para formação da convicção de que o réu se dedica a atividades criminosas, de modo a afastar o benefício legal previsto no art. 33, § 4º, da Lei n.º 11.343/2006. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.431.091-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 14/12/2016 (Info 596). STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 539.666/RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 05/03/2020. • STF: NÃO. Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação ao art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). STF. 1ª Turma. HC 173806/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/2/2020 (Info 967). STF. 2ª Turma. HC 144309 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 19/11/2018. A reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 é a específica. O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas para consumo pessoal. Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Em regra, as penas dos incisos II e III só podem ser aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses. O § 4º prevê que: “em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.” A reincidência de que trata o § 4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já condenado definitivamente por roubo, pratica o crime do art. 28, ele não se enquadra no § 4º. Isso porque se trata de reincidente genérico. O § 4º ao falar de reincidente, está se referindo ao crime do caput do art. 28. STJ. 6ª Turma. REsp 1.771.304-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662). A habitualidade no crime e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados pela acusação, não sendo possível que o benefício do tráfico privilegiado (art. 33, § 4º) seja afastado por simples presunção. A Lei de Drogas prevê, em seu art. 33, § 4º, a figura do “traficante privilegiado”, também chamada de “traficância menor” ou “traficância eventual”: § 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. A habitualidade no crime e o pertencimento a organizações criminosas deverão ser comprovados pela acusação, não sendo possível que o benefício seja afastado por simples presunção. Assim, se não houver prova nesse sentido, o condenado fará jus à redução da pena. A quantidade e a natureza são circunstâncias que, apesar de configurarem elementos determinantes na definição do quanto haverá de diminuição, não são elementos que, por si sós, possam indicar o envolvimento com o crime organizado ou a dedicação a atividades criminosas. Vale ressaltar, por fim, que é possível a aplicação deste benefício mesmo para condenados por tráfico transnacional de drogas. 85 STF. 2ª Turma. HC 152001 AgR/MT, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 29/10/2019 (Info 958). Não é possível a fixação de regime de cumprimento de pena fechado ou semiaberto para crime de tráfico privilegiado de drogas sem a devida justificação. Não é possível a fixação de regime de cumprimento de pena fechado ou semiaberto para crime de tráfico privilegiado de drogas sem a devida justificação. Não se admite a fixação automática do regime fechado ou semiaberto pelo simples fato de ser tráfico de drogas. Não se admite, portanto, que o regime semiaberto tenha sido fixado utilizando-se como único fundamento o fato de ser crime de tráfico, não obstante se tratar de tráfico privilegiado e ser o réu primário, com bons antecedentes. A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 1ª Turma. HC 163231/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 25/6/2019 (Info 945). Não é necessário que a droga passe por dentro do presídio para que incida a majorante prevista no art. 40, III, da Lei 11.343/2006. João, de dentro da unidade prisional onde cumpre pena, liderava uma organização criminosa. Com o uso de telefone celular, ele organizava a dinâmica do grupo e comandava o tráfico de drogas, dando ordens para seus comparsas que, de fora do presídio, executavam a comercialização do entorpecente. João foi condenado por tráfico de drogas (art. 33 da Lei nº 11.343/2006). Neste caso, ele deverá ter a sua pena aumentada com base no art. 40, III? SIM. Se o agente comanda o tráfico de drogas de dentro do presídio, deverá incidir a causa de aumento de pena do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006, mesmo que os efeitos destes atos tenham se manifestado a quilômetros de distância. Não é necessário que a droga passe por dentro do presídio para que incida a majorante prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006. Esse dispositivo não faz a exigência de que as drogas efetivamente passem por dentro dos locais que se busca dar maior proteção, mas apenas que o cometimento dos crimes tenha ocorrido em seu interior. STJ. 5ª Turma. HC 440.888-MS, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 15/10/2019 (Info 659). O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O porte de droga para consumo próprio foi somente despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não descriminalizado. Obs: despenalizar é a medida que tem por objetivo afastar a pena como tradicionalmente conhecemos, em especial a privativa de liberdade. Descriminalizar significa deixar de considerar uma conduta como crime. Mesmo sendo crime, o STJ entende que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO configura reincidência. Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de prisão simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de reincidência, considerando que este delito é punido apenas com “advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e “medida educativa”, ou, seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer possibilidade de conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento. 86 Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade do art. 28 da LD está sendo fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453.437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 04/10/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 21/08/2018 (Info 632). Atipicidade da importação de pequena quantidade de sementes de maconha. Não configura crime a importação de pequena quantidade de sementes de maconha. STF.2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915). Não incide a causa de aumento de pena do art. 40, III, da LD se o crime foi praticado em dia e horário no qual a escola estava fechada e não havia pessoas lá. A prática do delito de tráfico de drogas nas proximidades de estabelecimentos de ensino (art0. 40, III, da Lei 11.343/06) enseja a aplicação da majorante, sendo desnecessária a prova de que o ilícito visava atingir os frequentadores desse local. Para a incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006 é desnecessária a efetiva comprovação de que a mercancia tinha por objetivo atingir os estudantes, sendo suficiente que a prática ilícita tenha ocorrido em locais próximos, ou seja, nas imediações de tais estabelecimentos, diante da exposição de pessoas ao risco inerente à atividade criminosa da narcotraficância. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1558551/MG, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 12/09/2017. STJ. 6ª Turma. HC 359.088/SP. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 04/10/2016. Não incide a causa de aumento de pena prevista no art. 40, inciso III, da Lei nº 11.343/2006, se a prática de narcotraficância ocorrer em dia e horário em que não facilite a prática criminosa e a disseminação de drogas em área de maior aglomeração de pessoas. Ex: se o tráfico de drogas é praticado no domingo de madrugada, dia e horário em que o estabelecimento de ensino não estava funcionando, não deve incidir a majorante. STJ. 6ª Turma. REsp 1.719.792-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 13/03/2018 (Info 622). Decisão que reconhece detração penal analógica virtual não serve para fins de reincidência . É inviável o reconhecimento de reincidência com base em único processo anterior em desfavor do réu, no qual - após desclassificar o delito de tráfico para porte de substância entorpecente para consumo próprio - o juízo extinguiu a punibilidade por considerar que o tempo da prisão provisória seria mais que suficiente para compensar eventual condenação. Situação concreta: João foi preso em flagrante por tráfico de drogas (art. 33 da LD). Após 6 meses preso cautelarmente, ele foi julgado. O juiz proferiu sentença desclassificando o delito de tráfico para o art. 28 da LD. Na própria sentença, o magistrado declarou a extinção da punibilidade do réu alegando que o art. 28 não prevê pena privativa de liberdade e que o condenado já ficou 6 meses preso. Logo, na visão do juiz, deve ser aplicada a detração penal analógica virtual, pois qualquer pena que seria aplicável ao caso em tela estaria fatalmente cumprida, nem havendo justa causa ou interesse processual para o prosseguimento do feito. Essa sentença não vale para fins de reincidência. Isso significa que, se João cometer um segundo delito, esse primeiro processo não poderá ser considerado para caracterização de reincidência. STJ. 6ª Turma. HC 390.038-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 06/02/2018 (Info 619). O interrogatório, na Lei de Drogas, é o último ato da instrução. O art. 400 do CPP prevê que o interrogatório deverá ser realizado como último ato da instrução criminal. Essa regra deve ser aplicada: • nos processos penais militares; 87 • nos processos penais eleitorais e • em todos os procedimentos penais regidos por legislação especial (ex: lei de drogas). Essa tese acima exposta (interrogatório como último ato da instrução em todos os procedimentos penais) só se tornou obrigatória a partir da data de publicação da ata de julgamento do HC 127900/AM pelo STF, ou seja, do dia 11/03/2016 em diante. Os interrogatórios realizados nos processos penais militares, eleitorais e da lei de drogas até o dia 10/03/2016 são válidos mesmo que tenham sido efetivados como o primeiro ato da instrução. STF. Plenário. HC 127900/AM, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 3/3/2016 (Info 816). STJ. 6ª Turma. HC 397382-SC, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 3/8/2017 (Info 609). Mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso sem mandado judicial ou consentimento do morador. O ingresso regular da polícia no domicílio, sem autorização judicial, em caso de flagrante delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que sinalizem a ocorrência de crime no interior da residência. A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora pudesse autorizar abordagem policial em via pública para averiguação, não configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento e sem determinação judicial. STJ. 6ª Turma. REsp 1.574.681-RS, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 20/4/2017 (Info 606). É possível aplicar o § 4º do art. 33 da LD às “mulas”. O fato de o agente transportar droga, por si só, não é suficiente para afirmar que ele integre a organização criminosa. A simples condição de “mula” não induz automaticamente à conclusão de que o agente integre organização criminosa, sendo imprescindível, para tanto, prova inequívoca do seu envolvimento estável e permanente com o grupo criminoso. Portanto, a exclusão da causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 somente se justifica quando indicados expressamente os fatos concretos que comprovem que a “mula” integra a organização criminosa. STF. 1ª Turma. HC 124107, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 04/11/2014. STF. 2ª Turma. HC 131795, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 03/05/2016. STJ. 5ª Turma. HC 387.077- SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 6/4/2017 (Info 602). A grande quantidade de droga, isoladamente, não constitui fundamento idôneo para afastar a causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º da LD. Se o réu é primário e possui bons antecedentes, o juiz pode, mesmo assim, negar o benefício do art. 33, § 4º da LD argumentando que a quantidade de drogas encontrada com ele foi muito elevada? O tema é polêmico. 1ª Turma do STF: encontramos precedentes afirmando que a grande quantidade de droga pode ser utilizada como circunstância para afastar o benefício. Nesse sentido: não é crível que o réu, surpreendido com mais de 500 kg de maconha, não esteja integrado, de alguma forma, a organização criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, da Lei de Drogas (HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em18/10/2016. Info 844). 2ª Turma do STF: a quantidade de drogas encontrada não constitui, isoladamente, fundamento idôneo para negar o benefício da redução da pena previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006(RHC 138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017. Info 866). STF. 2ª Turma. RHC 138715/MS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 23/5/2017 (Info 866). 88 Obs: o tema acima não deveria ser cobrado em uma prova objetiva, mas caso seja perguntado, penso que a 2ª corrente é majoritária. O confisco de bens apreendidos em decorrência do tráfico pode ocorrer ainda que o bem não fosse utilizado de forma habitual e mesmo que ele não tenha sido alterado. É possível o confisco de todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de se perquirir a habitualidade, reiteração do uso do bem para tal finalidade, a sua modificação para dificultar a descoberta do local do acondicionamento da droga ou qualquer outro requisito além daqueles previstos expressamente no art. 243, parágrafo único, da Constituição Federal. STF. Plenário. RE 638491/PR, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/5/2017 (repercussão geral) (Info 865). Se o réu, não reincidente, for condenado a pena superior a 4 anos e que não exceda a 8 anos, e se as circunstâncias judiciais forem favoráveis, o juiz deverá fixar o regime semiaberto. O condenado não reincidente, cuja penaseja superior a 4 anos e não exceda a 8 anos, tem o direito de cumprir a pena corporal em regime semiaberto (art. 33, § 2°, b, do CP), caso as circunstâncias judiciais do art. 59 lhe forem favoráveis. Obs: não importa que a condenação tenha sido por tráfico de drogas. A imposição de regime de cumprimento de pena mais gravoso deve ser fundamentada, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima (art. 33, § 3°, do CP) A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 2ª Turma. HC 140441/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 28/3/2017 (Info 859). Ocorrendo o tráfico de drogas nas imediações de presídio, incidirá a causa de aumento do art. 40, III, da LD, não importando quem seja o comprador. Se o agente vende a droga nas imediações de um presídio, mas o comprador não era um dos detentos nem qualquer pessoa que estava frequentando o presídio, ainda assim deverá incidir a causa de aumento do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006? SIM. A aplicação da causa de aumento prevista no art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006 se justifica quando constatada a comercialização de drogas nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais, sendo irrelevante se o agente infrator visa ou não aos frequentadores daquele local. Assim, se o tráfico de drogas ocorrer nas imediações de um estabelecimento prisional, incidirá a causa de aumento, não importando quem seja o comprador do entorpecente. STF. 2ª Turma. HC 138944/SC, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 21/3/2017 (Info 858). É possível aplicar o § 4º do art. 33 da lei de drogas às “mulas”. Segundo o entendimento que prevalece no STF é possível aplicar o § 4º do art. 33 da LD às “mulas”. STF. 1ª Turma. RHC 118008/SP, rel. Min. Rosa Weber, julgado em 24/9/2013 (Info 721). STF. 1ª Turma. HC 124107/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/11/2014 (Info 766). STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 606.431/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 01/06/2017. A grande quantidade de droga, isoladamente, não constitui fundamento idôneo para afastar a causa de diminuição de pena do art. 33, § 4º da LD. Se o réu é primário e possui bons antecedentes, o juiz pode, mesmo assim, negar o benefício do art. 33, § 4º da LD argumentando que a quantidade de drogas encontrada com ele foi muito elevada? O tema é polêmico. 1ª Turma do STF: encontramos precedentes afirmando que a grande quantidade de droga pode ser utilizada como circunstância para afastar o benefício. Nesse sentido: não é crível que o réu, surpreendido com mais de 500 kg de maconha, não esteja integrado, de alguma forma, a organização criminosa, circunstância que justifica o afastamento da causa de diminuição prevista no art. 33, §4º, da https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/87ba276ebbe553ec05d2f5b37c20125f?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/87ba276ebbe553ec05d2f5b37c20125f?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/cf63547fadc1aa6e897a62291e0cb124?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/cf63547fadc1aa6e897a62291e0cb124?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/85267d349a5e647ff0a9edcb5ffd1e02?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/85267d349a5e647ff0a9edcb5ffd1e02?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/87ec2f451208df97228105657edb717f?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/b645e524a1512ce68947d3b9c948aa46?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/b645e524a1512ce68947d3b9c948aa46?categoria=11&subcategoria=123 89 Lei de Drogas (HC 130981/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 18/10/2016. Info 844). 2ª Turma do STF: a quantidade de drogas encontrada não constitui, isoladamente, fundamento idôneo para negar o benefício da redução da pena previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (HC 138138/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/11/2016. Info 849). STF. 2ª Turma. HC 138138/SP, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/11/2016 (Info 849). Regime inicial para condenado não reincidente a pena de até 4 anos com circunstâncias judiciais favoráveis. Se o réu, não reincidente, for condenado, por tráfico de drogas, a pena de até 4 anos, e se as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP forem positivas (favoráveis), o juiz deverá fixar o regime aberto e deverá conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, preenchidos os requisitos do art. 44 do CP. A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 1ª Turma. HC 129714/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 11/10/2016 (Info 843). STF. 1ª Turma. HC 130411/SP, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 12/4/2016 (Info 821). STF. 2ª Turma. HC 133028/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 12/4/2016 (Info 821). Tráfico privilegiado não é hediondo (cancelamento da Súmula 512-STJ). O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831). O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. STJ. 3ª Seção. Pet 11.796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo) (Info 595). O que dizia a Súmula 512-STJ: "A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas." Tráfico privilegiado (art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo. O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/06/2016 (Info 831). Regime inicial para condenado não reincidente a pena de até 4 anos com circunstâncias judiciais favoráveis. Se o réu, não reincidente, for condenado, por tráfico de drogas, a pena de até 4 anos, e se as circunstâncias judiciais do art. 59 do CP forem positivas (favoráveis), o juiz deverá fixar o regime aberto e deverá conceder a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, preenchidos os requisitos do art. 44 do CP. A gravidade em abstrato do crime não constitui motivação idônea para justificar a fixação do regime mais gravoso. STF. 1ª Turma. HC 130411/SP, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 12/4/2016 (Info 821). Regime inicial para condenado não reincidente a pena de até 4 anos com circunstâncias judiciais negativas (influência da natureza e quantidade da droga). É legítima a fixação de regime inicial semiaberto, tendo em conta a quantidade e a natureza do entorpecente, na hipótese em que ao condenado por tráfico de entorpecentes tenha sido aplicada pena inferior a 4 anos de reclusão. A valoração negativa da quantidade e da natureza da droga representa fator suficiente para a fixação de regime inicial mais gravoso. STF. 2ª Turma. HC 133308/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 29/3/2016 (Info 819). Pureza da droga é irrelevante na dosimetria da pena. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a9ad5f2808f68eea468621a04c49efe1?categoria=11&subcategoria=123https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a9ad5f2808f68eea468621a04c49efe1?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/aee1bc7fa5da061b752d0efddbd16495?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f60bb6bb4c96d4df93c51bd69dcc15a0?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4462bf0ddbe0d0da40e1e828ebebeb11?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/4462bf0ddbe0d0da40e1e828ebebeb11?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c7af0926b294e47e52e46cfebe173f20?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c7af0926b294e47e52e46cfebe173f20?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/71a58e8cb75904f24cde464161c3e766?categoria=11&subcategoria=123 90 O grau de pureza da droga é irrelevante para fins de dosimetria da pena. De acordo com a Lei nº 11.343/2006, preponderam apenas a natureza e a quantidade da droga apreendida para o cálculo da dosimetria da pena. STF. 2ª Turma. HC 132909/SP, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 15/3/2016 (Info 818). Agente que pratica delitos da Lei de Drogas envolvendo criança ou adolescente responde também por corrupção de menores? • Caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não esteja previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu responderá pelo crime da Lei de Drogas e também pelo delito do art. 244-B do ECA (corrupção de menores). • Caso o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos seja o art. 33, 34, 35, 36 ou 37 da Lei nº 11.343/2006: ele responderá apenas pelo crime da Lei de Drogas com a causa de aumento de pena do art. 40, VI. Não será punido pelo art. 244-B do ECA para evitar bis in idem. Na hipótese de o delito praticado pelo agente e pelo menor de 18 anos não estar previsto nos arts. 33 a 37 da Lei de Drogas, o réu poderá ser condenado pelo crime de corrupção de menores, porém, se a conduta estiver tipificada em um desses artigos (33 a 37), não será possível a condenação por aquele delito, mas apenas a majoração da sua pena com base no art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006. STJ. 6ª Turma. REsp 1.622.781-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 22/11/2016 (Info 595). Só poderá incidir a interestadualidade se ficar demonstrado que a intenção do agente era pulverizar a droga em mais de um Estado-membro. Se o agente importa a droga com objetivo de vendê-la em determinado Estado da Federação, mas, para chegar até o seu destino, ele tem que passar por outros Estados, incidirá, neste caso, apenas a causa de aumento da transnacionalidade (art. 40, I), não devendo ser aplicada a majorante da interestadualidade (art. 40, V) se a intenção do agente não era a de comercializar o entorpecente em mais de um Estado da Federação. As causas especiais de aumento da pena relativas à transnacionalidade e à interestadualidade do delito, previstas, respectivamente, nos incisos I e V do art. 40 da Lei de Drogas, até podem ser aplicadas simultaneamente, desde que demonstrada que a intenção do acusado que importou a substância era a de pulverizar a droga em mais de um Estado do território nacional. Se isso não ficar provado, incide apenas a transnacionalidade. Assim, é inadmissível a aplicação simultânea das causas de aumento da transnacionalidade (art. 40, I) e da interestadualidade (art. 40, V) quando não ficar comprovada a intenção do importador da droga de difundi-la em mais de um Estado-membro. O fato de o agente, por motivos de ordem geográfica, ter que passar por mais de um Estado para chegar ao seu destino final não é suficiente para caracterizar a interestadualidade. STJ. 6ª Turma. HC 214.942-MT, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 16/6/2016 (Info 586). Tráfico cometido nas dependências de estabelecimento prisional e bis in idem. A circunstância de o crime ter sido cometido nas dependências de estabelecimento prisional não pode ser utilizada como fator negativo para fundamentar uma pequena redução da pena na aplicação da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 e, ao mesmo tempo, ser empregada para aumentar a pena como majorante do inciso III do art. 40. Utilizar duas vezes essa circunstância configura indevido bis in idem. Desse modo, neste caso, esta circunstância deverá ser utilizada apenas como causa de aumento do art. 40, III, não sendo valorada negativamente na análise do § 4º do art. 33. STJ. 5ª Turma. HC 313.677-RS, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 21/6/2016 (Info 586). O fato de o réu ter ocupação lícita não significa que terá direito, necessariamente, à minorante do § 4º do art. 33 da LD. Ainda que o réu comprove o exercício de atividade profissional lícita, se, de forma concomitante, ele se dedicava a atividades criminosas, não terá direito à causa especial de diminuição de pena prevista https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/56a8da1d3bcb2e9b334a778be5b1d781?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/56a8da1d3bcb2e9b334a778be5b1d781?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/7a6a74cbe87bc60030a4bd041dd47b78?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/7a6a74cbe87bc60030a4bd041dd47b78?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a2cc63e065705fe938a4dda49092966f?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/83e8ef518174e1eb6be4a0778d050c9d?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/83e8ef518174e1eb6be4a0778d050c9d?categoria=11&subcategoria=123 91 no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas). O tráfico de drogas praticado por intermédio de adolescente que, em troca da mercancia, recebia comissão, evidencia (demonstra) que o acusado se dedicava a atividades criminosas, circunstância apta a afastar a incidência da causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006. STJ. 6ª Turma. REsp 1.380.741- MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/4/2016 (Info 582). Presença de canabinoides na substância é suficiente para ser classificada como maconha, ainda que não haja THC. Classifica-se como "droga", para fins da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), a substância apreendida que possua "canabinoides" (característica da espécie vegetal Cannabis sativa), ainda que naquela não haja tetrahidrocanabinol (THC). STJ. 6ª Turma. REsp 1.444.537-RS,Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 12/4/2016 (Info 582). Causa de aumento do inciso V do art. 40 não exige a efetiva transposição da fronteira. O art. 40, V, da Lei de Drogas prevê que a pena do tráfico e de outros delitos deverá ser aumentada se ficar "caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito Federal". Para que incida essa causa de aumento não se exige a efetiva transposição da fronteira interestadual pelo agente, sendo suficiente a comprovação de que a substância tinha como destino localidade em outro Estado da Federação. Ex: João pegou um ônibus em Campo Grande (MS) com destino a São Paulo (SP); algumas horas depois, antes que o ônibus cruzasse a fronteira entre os dois Estados, houve uma blitz da polícia no interior do coletivo, tendo sido encontrados 10kg de cocaína na mochila de João, que confessou que iria levá-la para um traficante de São Paulo. STF. 1ª Turma. HC 122791/MS, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 17/11/2015 (Info 808). Aplicação da causa de aumento de pena do art. 40, VI a mais de umcrime e em patamar acima do mínimo. Pedro convidou Lucas (15 anos) para auxiliá-lo, de forma estável e permanente, na prática do tráfico de drogas. Como contrapartida, prometeu "pagar" pelo serviço dando 100g de cocaína por semana para que ele consumisse. Foram presos quando estavam vendendo droga. Pedro foi denunciado por tráfico de drogas (art. 33) e associação para o tráfico (art. 35), com a causa de aumento do art. 40, VI. Em uma situação assemelhada a esta, o STJ concluiu que: I — A causa de aumento de pena do art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006 pode ser aplicada tanto para agravar o crime de tráfico de drogas (art. 33) quanto para agravar o de associação para o tráfico (art. 35) praticados no mesmo contexto. Não há bis in idem porque são delitos diversos e totalmente autônomos, com motivação e finalidades distintas. II — O fato de o agente ter envolvido um menor na prática do tráfico e, ainda, tê-lo retribuído com drogas, para incentivá-lo à traficância ou ao consumo e dependência, justifica a aplicação, em patamar superior ao mínimo, da causa de aumento de pena do art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006, ainda que haja fixação de pena-base no mínimo legal. A aplicação da causa de aumento em patamar acima do mínimo é plenamente válida, desde que fundamentada na gravidade concreta do delito. STJ. 6ª Turma. HC 250.455-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015 (Info 576). Aplicação de causa de aumento de pena do inciso VI ao crime de associação para o tráfico de drogas com criança ou adolescente. A participação do menor pode ser considerada para configurar o crime de associação para o tráfico (art. 35) e, ao mesmo tempo, para agravar a pena como causa de aumento do art. 40, VI, da Lei nº 11.343/2006. Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei: Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se: VI — sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0ebcc77dc72360d0eb8e9504c78d38bd?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/0ebcc77dc72360d0eb8e9504c78d38bd?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a14ac55a4f27472c5d894ec1c3c743d2?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/69d658d0b2859e32cd4dc3b970c8496c?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/69d658d0b2859e32cd4dc3b970c8496c?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/52947e0ade57a09e4a1386d08f17b656?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/52947e0ade57a09e4a1386d08f17b656?categoria=11&subcategoria=123 92 capacidade de entendimento e determinação. STJ. 6ª Turma. HC 250.455-RJ, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 17/12/2015 (Info 576). Hipótese de inocorrência de ação controlada. Ação controlada é uma técnica especial de investigação por meio da qual a autoridade policial ou administrativa (ex: Receita Federal, corregedorias), mesmo percebendo que existem indícios da prática de um ato ilícito em curso, retarda (atrasa, adia, posterga) a intervenção neste crime para um momento posterior, com o objetivo de conseguir coletar mais provas, descobrir coautores e partícipes da empreitada criminosa, recuperar o produto ou proveito da infração ou resgatar, com segurança, eventuais vítimas. Imagine que a Polícia recebeu informações de que determinado indivíduo estaria praticando tráfico de drogas. A partir daí, passou a vigiá-lo, seguindo seu carro, tirando fotografias e verificando onde ele morava. Em uma dessas oportunidades, houve certeza de que ele estava praticando crime e foi realizada a sua prisão em flagrante. A defesa do réu alegou que a Polícia realizou "ação controlada" e que, pelo fato de não ter havido autorização judicial prévia, ela teria sido ilegal, o que contaminaria toda prova colhida. A tese da defesa foi aceita pelo STJ? NÃO. A investigação policial que tem como única finalidade obter informações mais concretas acerca de conduta e de paradeiro de determinado traficante, sem pretensão de identificar outros suspeitos, não configura a ação controlada do art. 53, II, da Lei nº 11.343/2006, sendo dispensável a autorização judicial para a sua realização. STJ. 6ª Turma. RHC 60.251-SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 17/9/2015 (Info 570). Consumação do crime de tráfico de drogas na modalidade adquirir pelo simples fato de a droga ter sido negociada por telefone. A conduta consistente em negociar por telefone a aquisição de droga e também disponibilizar o veículo que seria utilizado para o transporte do entorpecente configura o crime de tráfico de drogas em sua forma consumada (e não tentada), ainda que a polícia, com base em indícios obtidos por interceptações telefônicas, tenha efetivado a apreensão do material entorpecente antes que o investigado efetivamente o recebesse. Para que configure a conduta de "adquirir", prevista no art. 33 da Lei nº 11.343/2006, não é necessária a tradição do entorpecente e o pagamento do preço, bastando que tenha havido o ajuste. Assim, não é indispensável que a droga tenha sido entregue ao comprador e o dinheiro pago ao vendedor, bastando que tenha havido a combinação da venda. STJ. 6ª Turma. HC 212.528-SC, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 1º/9/2015 (Info 569). Livramento condicional no caso de associação para o tráfico (art. 35). O art. 83 do CP prevê que o condenado por crime hediondo ou equiparado que não for reincidente específico poderá obter livramento condicional após cumprir 2/3 da pena. Os condenados por crimes não hediondos ou equiparados terão direito ao benefício se cumprirem mais de 1/3 da pena (não sendo reincidentes em crimes dolosos) ou se cumprirem mais de 1/2 da pena (se forem reincidentes em crimes dolosos). O crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei 11.343/2006, não é hediondo nem equiparado. No entanto, mesmo assim, o prazo para se obter o livramento condicional é de 2/3 porque este requisito é exigido pelo parágrafo único do art. 44 da Lei de Drogas. Dessa forma, aplica-se ao crime do art. 35 da LD o requisito objetivo de 2/3 não por força do art. 83, V, do CP, mas sim em razão do art. 44, parágrafo único, da LD. Vale ressaltar que, no caso do crime de associação para o tráfico, o art. 44, parágrafo único, da LD prevalece em detrimento da regra do art. 83, V, do CP em virtude de ser dispositivo específico para os crimes relacionados com drogas (critério da especialidade), além de ser norma posterior (critério cronológico). Uma última observação: se o réu estiver cumprindo pena pela prática do crime de associação para o tráfico (art. 35), o requisito objetivo para que ele possa obter progressão de regime será de 1/6 da pena (quantidade de tempo exigida para os "crimes comuns"). Os condenados por crimes hediondos ou equiparados só têm direito de progredir depois de cumpridos 2/5 (se primário) ou 3/5 (se reincidente). https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/fc528592c3858f90196fbfacc814f235?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d72fbbccd9fe64c3a14f85d225a046f4?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d72fbbccd9fe64c3a14f85d225a046f4?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f3173935ed8ac4bf073c1bcd63171f8a?categoria=11&subcategoria=123 93 STJ. 5ª Turma. HC 311.656-RJ,Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 25/8/2015 (Info 568). Utilização da natureza e quantidade da droga na dosimetria na pena. A natureza e a quantidade da droga NÃO podem ser utilizadas para aumentar a pena-base do réu e também para afastar o tráfico privilegiado (art. 33, § 4º) ou para, reconhecendo-se o direito ao benefício, conceder ao réu uma menor redução de pena. Haveria, nesse caso, bis in idem. As circunstâncias da natureza e da quantidade da droga apreendida devem ser levadas em consideração apenas em uma das fases do cálculo da pena, sob pena de bis in idem. STJ. 5ª Turma. HC 329.744/MS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 19/11/2015. STF. Plenário. ARE 666334 RG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 03/04/2014 (repercussão geral). Quantidade e natureza da droga e parâmetros para o tráfico privilegiado. A quantidade e a natureza da droga podem fundamentar o indeferimento do benefício previsto no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, desde que não implique bis in idem. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 580.590/RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/03/2015. Droga transportada em transporte público e causa de aumento do art. 40 da Lei 11.343/2006. O art. 40, III, da Lei de Drogas prevê como causa de aumento de pena o fato de a infração ser cometida em transportes públicos. Se o agente leva a droga em transporte público, mas não a comercializa dentro do meio de transporte, incidirá essa majorante? NÃO. A majorante do art. 40, II, da Lei 11.343/2006 somente deve ser aplicada nos casos em que ficar demonstrada a comercialização efetiva da droga em seu interior. É a posição majoritária no STF e STJ. STF. 1ª Turma. HC 122258-MS, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 19/08/2014. STF. 2ª Turma. HC 120624/MS, Red. p/ o acórdão, Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 3/6/2014 (Info 749). STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.295.786-MS, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 18/6/2014 (Info 543). STJ. 6ª Turma. REsp 1443214-MS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 22/09/2014. Condenação pelo art. 28 da LD gera reincidência. A condenação por porte de drogas para consumo próprio (art. 28 da Lei 11.343/2006) transitada em julgado gera reincidência. Isso porque a referida conduta foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada (abolitio criminis). STJ. 6ª Turma. HC 275.126-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/9/2014 (Info 549). Diminuição no caso de semi-imputabilidade. O art. 46 da Lei de Drogas prevê hipótese de semi-imputabilidade do réu. Assim, a pena aplicada pode ser reduzida de 1/3 a 2/3 se o agente não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. Se o juiz for aplicar a causa de diminuição em seu grau mínimo (1/3), ele deverá fundamentar a decisão, expondo algum dado, em concreto, que justifique a adoção dessa fração. STJ. 5ª Turma. HC 167.376- SP, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 23/9/2014 (Info 547). Substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.. O fato de o tráfico de drogas ser praticado com o intuito de introduzir substâncias ilícitas em estabelecimento prisional não impede, por si só, a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, devendo essa circunstância ser ponderada com os requisitos necessários para a concessão do benefício. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1.359.941-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 4/2/2014 (Info 536). https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e9fd7c2c6623306db59b6aef5c0d5cac?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/9c19a2aa1d84e04b0bd4bc888792bd1e?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/faafda66202d234463057972460c04f5?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/dca5672ff3444c7e997aa9a2c4eb2094?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/962e56a8a0b0420d87272a682bfd1e53?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/297fa7777981f402dbba17e9f29e292d?categoria=11&subcategoria=123 94 Financiamento do tráfico e assemelhados (art. 36). O réu não tem o dever de demonstrar que a droga encontrada consigo seria utilizada apenas para consumo próprio. Cabe à acusação comprovar os elementos do tipo penal, ou seja, que a droga apreendida era destinada ao tráfico. Ao Estado-acusador incumbe demonstrar a configuração do tráfico, que não ocorre pelo simples fato dos réus terem comprado e estarem na posse de entorpecente. Em suma, se a pessoa é encontrada com drogas, cabe ao Ministério Público comprovar que o entorpecente era destinado ao tráfico. Não fazendo esta prova, prevalece a versão do réu de que a droga era para consumo próprio. STF. 1ª Turma. HC 107448/MG, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 18.6.2013 (Info 711). Financiamento do tráfico e assemelhados (art. 36). Se o agente financia ou custeia o tráfico, mas não pratica nenhum verbo do art. 33: responderá apenas pelo art. 36 da Lei de Drogas. Se o agente, além de financiar ou custear o tráfico, também pratica algum verbo do art. 33: responderá apenas pelo art. 33 c/c o art. 40, VII da Lei de Drogas (não será condenado pelo art. 36). STJ. 6ª Turma. REsp 1.290.296-PR, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 17/12/2013 (Info 534). Houve abolitio criminis quanto ao art. 18, III, primeira parte, da Lei 6.368/76. Com o advento da Lei nº 11.343/2006, que revogou expressamente a Lei n.º 6.368/1976, não foi mantida a previsão de majorante pelo concurso eventual para a prática dos delitos da Lei de Tóxicos, devendo ser reconhecida a abolitio criminis no tocante ao inciso III do art. 18 da vetusta Lei nº 6.368/76. STJ. 6ª Turma. HC 202.760-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/11/2013 (Info 532). Tráfico de maquinário (art. 34). Em dois precedentes de 2013, o STJ discutiu se o art. 34 da Lei de Drogas era ou não absorvido pelo art. 33. Foram expostas duas conclusões: I — A prática do crime previsto no art. 33, caput, da Lei de Drogas absorve o delito capitulado no art. 34 da mesma lei, desde que não fique caracterizada a existência de contextos autônomos e coexistentes aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta. Assim, responderá apenas pelo crime do art. 33 (sem concurso com o art. 34), o agente que, além de preparar para venda certa quantidade de drogas ilícitas em sua residência, mantiver, no mesmo local, uma balança de precisão e um alicate de unha utilizados na preparação das substâncias. Isso porque, na situação em análise, não há autonomia necessária a embasar a condenação em ambos os tipos penais simultaneamente, sob pena de “bis in idem”. STJ. 5ª Turma. REsp 1.196.334-PR, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 19/9/2013 (Info 531). II — Responderá pelo crime de tráfico de drogas (art. 33) em concurso com o art. 34 o agente que, além de ter em depósito certa quantidade de drogas ilícitas em sua residência para fins de mercancia, possuir, no mesmo local e em grande escala, objetos, maquinário e utensílios que constituam laboratório utilizado para a produção, preparo, fabricação e transformação de drogas ilícitas em grandes quantidades. Não se pode aplicar o princípio da consunção porque nesse caso existe autonomia de condutas e os objetos encontrados não seriam meios necessários nem constituíam fase normal de execução daquele delito de tráfico de drogas, possuindo lesividade autônoma para violar o bem jurídico. STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 303.213-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 8/10/2013 (Info 531). A conduta prevista no art. 12, § 2º, II da Lei 6.368/76continua sendo crime na atual Lei de Drogas. A conduta prevista no inciso III do § 2º do art. 12 da Lei nº 6.368/1976 continua sendo típica na vigência da Lei nº 11.343/2006, estando ela espalhada em mais de um artigo da nova lei. Desse modo, https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a368b0de8b91cfb3f91892fbf1ebd4b2?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/9597353e41e6957b5e7aa79214fcb256?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c559da2ba967eb820766939a658022c8?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/495dabfd0ca768a3c3abd672079f48b6?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/495dabfd0ca768a3c3abd672079f48b6?categoria=11&subcategoria=123 95 não houve abolitio criminis quanto à conduta do art. 12, § 2º, III, da Lei nº 6.368/76. STJ. 6ª Turma. HC 163.545-RJ, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 25/6/2013 (Info 527). Informante do tráfico (art. 37). É possível que alguém seja condenado pelo art. 35 e, ao mesmo tempo, pelo art. 37, da Lei de Drogas em concurso material, sob o argumento de que o réu era associado ao grupo criminoso e que, além disso, atuava também como “olheiro”? NÃO. Segundo decidiu o STJ, nesse caso, ele deverá responder apenas pelo crime do art. 35 (sem concurso material com o art. 37). Considerar que o informante possa ser punido duplamente (pela associação e pela colaboração com a própria associação da qual faça parte), contraria o princípio da subsidiariedade e revela indevido bis in idem, punindo-se, de forma extremamente severa, aquele que exerce função que não pode ser entendida como a mais relevante na divisão de tarefas do mundo do tráfico. STJ. 5ª Turma. HC 224.849-RJ, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 11/6/2013 (Info 527). O juiz pode negar a aplicação do § 4º usando como argumento o fato de o réu, além do delito de tráfico (art. 33), ter praticado também o crime de associação para o tráfico (art. 35). É inaplicável a causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 na hipótese em que o réu tenha sido condenado, na mesma ocasião, por tráfico e pela associação de que trata o art. 35 do mesmo diploma legal. A aplicação da referida causa de diminuição de pena pressupõe que o agente não se dedique às atividades criminosas. Desse modo, verifica-se que a redução é logicamente incompatível com a habitualidade e permanência exigidas para a configuração do delito de associação (art. 35), cujo reconhecimento evidencia a conduta do agente voltada para o crime e envolvimento permanente com o tráfico. STJ. 6ª Turma. REsp 1.199.671-MG, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 26/2/2013 (Info 517). 14. JURISPRUDÊNCIA EM TESES EDIÇÃO N. 131: COMPILADO: LEI DE DROGAS 1) É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/2006, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis. (Súmula n. 501/STJ) 2) A inobservância do art. 55 da Lei n. 11.343/2006, que determina o recebimento da denúncia após a apresentação da defesa prévia, constitui nulidade relativa quando forem demonstrados os prejuízos suportados pela defesa. 3) O laudo pericial definitivo atestando a ilicitude da droga afasta eventuais irregularidades do laudo preliminar realizado na fase de investigação. 4) A falta da assinatura do perito criminal no laudo toxicológico é mera irregularidade que não tem o condão de anular o referido exame. 5) O princípio da insignificância não se aplica aos delitos do art. 33, caput, e do art. 28 da Lei de Drogas, pois tratam-se de crimes de perigo abstrato ou presumido. Polêmica. Quanto ao art. 28: • STJ: não é possível aplicar o princípio da insignificância. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f18a6d1cde4b205199de8729a6637b42?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/309fee4e541e51de2e41f21bebb342aa?categoria=11&subcategoria=123 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/309fee4e541e51de2e41f21bebb342aa?categoria=11&subcategoria=123 96 • STF: possui precedentes admitindo a insignificância: HC 110475, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/02/2012. Quanto ao art. 33: A grande maioria dos julgados afirma que não se aplica ao tráfico de drogas, visto se tratar de crime de perigo abstrato ou presumido, sendo, portanto, irrelevante a quantidade de droga apreendida. Vale ressaltar, no entanto, que a 2ª turma do STF reconheceu, recentemente, a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância ao tráfico de drogas para absolver mulher flagrada com 1 grama de maconha (STF. 2ª Turma. HC 127573/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/11/2019). 6) A conduta de porte de substância entorpecente para consumo próprio, prevista no art. 28 da Lei n. 11.343/2006, foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada, não havendo, portanto, abolitio criminis. 7) As contravenções penais, puníveis com pena de prisão simples, não geram reincidência, mostrando-se, portanto, desproporcional que condenações anteriores pelo delito do art. 28 da Lei n. 11.343/2006 configurem reincidência, uma vez que não são puníveis com pena privativa de liberdade. 8) O crime de uso de entorpecente para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/2006, é de menor potencial ofensivo, o que determina a competência do Juizado Especial estadual, já que ele não está previsto em tratado internacional e o art. 70 da Lei n. 11.343/2006 não o inclui dentre os que devem ser julgados pela justiça federal. 9) A conduta prevista no art. 28 da Lei n. 11.343/2006 admite tanto a transação penal quanto a suspensão condicional do processo. 10) A posse de substância entorpecente para uso próprio configura crime doloso e quando cometido no interior do estabelecimento prisional constitui falta grave, nos termos do art. 52 da Lei de Execução Penal - LEP(Lei n. 7.210/1984). 11) É imprescindível a confecção do laudo toxicológico para comprovar a materialidade da infração disciplinar e a natureza da substância encontrada com o apenado no interior de estabelecimento prisional. 12) A comprovação da materialidade do delito de posse de drogas para uso próprio (art. 28 da Lei n. 11.343/2006) exige a elaboração de laudo de constatação da substância entorpecente que evidencie a natureza e a quantidade da substância apreendida. 13) O tráfico de drogas é crime de ação múltipla e a prática de um dos verbos contidos no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 é suficiente para a consumação do delito. 14) O laudo de constatação preliminar de substância entorpecente constitui condição de procedibilidade para apuração do crime de tráfico de drogas. 15) Para a configuração do delito de tráfico de drogas previsto no caput do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, é desnecessária a aferição do grau de pureza da substância apreendida. 16) Não se reconhece a existência de bis in idem na aplicação da causa de aumento de pena pela transnacionalidade (art. 40, inciso I, da Lei n. 11.343/2006), em razão do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 prever as condutas de "importar" e "exportar", pois trata-se de tipo penal de ação 97 múltipla, e o simples fato de o agente "trazer consigo" a droga já conduz à configuração da tipicidade formal do crime de tráfico. 17) O agente que atua diretamente na traficância e que também financia ou custeia a aquisição de drogas deve responder pelo crime previsto no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006 coma incidência da causa de aumento de pena prevista no art. 40, VII, da Lei n. 11.343/2006, afastando-se, por conseguinte, a conduta autônoma prevista no art. 36 da referida legislação. 18) É possível a aplicação do princípio da consunção entre os crimes previstos no § 1º do art. 33 e/ou no art. 34 pelo tipificado no caput do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, desde que não caracterizada a existência de contextos autônomos e coexistentes, aptos a vulnerar o bem jurídico tutelado de forma distinta. 19) Quando o agente no exercício irregular da medicina prescreve substância caracterizada como droga, resta configurado, em tese, o delito do art. 282 do Código Penal, em concurso formal com o art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006. 20) O § 3º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006 traz tipo específico para aquele que fornece gratuitamente substância entorpecente a pessoa de seu relacionamento para juntos a consumirem e, por se tratar de norma penal mais benéfica, deve ser aplicado retroativamente. 21) O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo. (Tese revisada sob o rito do art. 1.036 do CPC/2015 - Tema 600) 22) A causa de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas só pode ser aplicada se todos os requisitos, cumulativamente, estiverem presentes. 23) É inviável a aplicação da causa especial de diminuição de pena prevista no § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006 quando há condenação simultânea do agente nos crimes de tráfico de drogas e de associação para o tráfico, por evidenciar a sua dedicação a atividades criminosas ou a sua participação em organização criminosa. (MP-SP Promotor de Justiça 2023) - A condenação simultânea nos crimes de tráfico e deassociação para o tráfico afasta a incidência da causa especial de diminuição de penas do art. 33, § 4°, da Lei n° 11.343/06 (tráfico privilegiado) (Certo) 24) A condição de "mula" do tráfico, por si só, não afasta a possibilidade de aplicação da minorante do § 4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, uma vez que a figura de transportador da droga não induz, automaticamente, à conclusão de que o agente integre de forma estável e permanente, organização criminosa. 25) Diante da ausência de parâmetros legais, é possível que a fração de redução da causa de diminuição de pena estabelecida no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 seja modulada em razão da qualidade e da quantidade de droga apreendida, além das demais circunstâncias do delito. 26) Para a caracterização do crime de associação para o tráfico de drogas (art. 35 da Lei n. 11.343/2006) é imprescindível o dolo de se associar com estabilidade e permanência. 27) Para a configuração do crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei n. 11.343/2006, é irrelevante apreensão de drogas na posse direta do agente. 98 28) O crime de associação para o tráfico de entorpecentes (art. 35 da Lei n. 11. 343/2006) não figura no rol taxativo de crimes hediondos ou de delitos a eles equiparados. 29) Em se tratando de condenado pelo delito previsto no art. 14 da Lei n. 6. 368/1976, deve-se observar as reprimendas mínima e máxima estabelecidas pelo art. 8º da Lei n. 8.072/1990 (3 a 6 anos de reclusão), por ser norma penal mais benéfica ao réu, impondo-se, inclusive, se for o caso, a exclusão da pena de multa. 30) O crime de financiar ou custear o tráfico ilícito de drogas (art. 36 da Lei n. 11.343/2006) é delito autônomo aplicável ao agente que não tem participação direta na execução do tráfico, limitando-se a fornecer os recursos necessários para subsidiar as infrações a que se referem os art. 33, caput e § 1º, e art. 34 da Lei de Drogas. 31) O crime de colaboração com o tráfico, art. 37 da Lei n. 11.343/2006, é um tipo penal subsidiário em relação aos delitos dos arts. 33 e 35 da referida lei e tem como destinatário o agente que colabora como informante de forma esporádica, eventual, sem vínculo efetivo, para o êxito da atividade de grupo de associação ou de organização criminosa destinados à prática de qualquer dos delitos previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 da Lei de Drogas. 32) A Lei n. 11.343/2006 manteve as condutas descritas no art. 12, § 2º, inciso III, da Lei n. 6.368/1976, razão pela qual não há que se falar em abolitio criminis. 33) A Lei n. 11.343/2006 aboliu a majorante da associação eventual para o tráfico prevista no art. 18, III, primeira parte, da Lei n. 6.368/1976. 34) A incidência da majorante da segunda parte do inciso III do art. 18 da Lei n. 6. 368/1976 - "visar [o crime] a menores de 21 (vinte e um) anos" -, segue contemplada no art. 40, inciso VI, da nova Lei de Drogas - "sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente" -, não restando configurada a abolitio criminis. 35) O art. 40 da Lei n. 11.343/2006 conferiu tratamento mais favorável às causas especiais de aumento de pena, devendo ser aplicado retroativamente aos delitos cometidos sob a égide da Lei n. 6.368/1976. 36) Não acarreta bis in idem a incidência simultânea das majorantes previstas no art. 40 da Lei n. 11.343/2006 aos crimes de tráfico de drogas e de associação para fins de tráfico, porquanto são delitos autônomos, cujas penas devem ser calculadas e fixadas separadamente. 37) Para a incidência das majorantes previstas no art. 40, I e V, da Lei n. 11. 343/2006, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras, sendo suficiente, respectivamente, a prova de destinação internacional das drogas ou a demonstração inequívoca da intenção derealizar o tráfico interestadual. 38) É cabível a aplicação cumulativa das causas de aumento relativas à transnacionalidade e à interestadualidade do delito, previstas nos incisos I e V do art. 40 da Lei de Drogas, quando evidenciado que a droga proveniente do exterior se destina a mais de um estado da Federação, sendo o intuito dos agentes distribuir o entorpecente estrangeiro por mais de uma localidade do país. 39) O rol previsto no inciso III do art. 40 da Lei de Drogas não deve ser encarado como taxativo, pois o objetivo da referida lei é proteger espaços que promovam a aglomeração depessoas, circunstância que facilita a ação criminosa. Penso que a tese está superada: 99 A prática de crime de tráfico de drogas em praça pública, por si só, não atrai a incidência da majorante prevista no art. 40, III, da Lei 11.343/06, porquanto não prevista em lei, sendo vedado o uso da analogia in malam partem (STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1495549/SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/02/2020). O tráfico de drogas cometido em local próximo a igrejas não foi contemplado pelo legislador no rol das majorantes previstas no inciso III do art. 40 da Lei nº 11.343/2006, não podendo, portanto, ser utilizado com esse fim tendo em vista que no Direito Penal incriminador não se admite a analogia in malam partem (STJ. 6ª Turma. HC 528.851-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 05/05/2020). 40) A causa de aumento de pena prevista no inciso III do art. 40 da Lei de Drogas possui natureza objetiva e se aplica em função do lugar do cometimento do delito, sendo despicienda a comprovação efetiva do tráfico nos locais e nas imediações mencionados no inciso ou que o crime visava a atingir seus frequentadores. 41) A incidência da majorante prevista no art. 40, inciso III, da Lei n. 11.343/2006 deve ser excepcionalmente afastada na hipótese de não existir nenhuma indicação de que houve o aproveitamento da aglomeração de pessoas ou a exposição dos frequentadores do local para a disseminação de drogas, verificando-se, caso a caso, as condições de dia, local e horário da prática do delito. 42) Para a caracterização da causa de aumento de pena do art. 40, III, da Lei n. 11. 343/2006, émédico especializado, e chancelado pela Anvisa. STJ. 6ª Turma. RHC 147.169, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/06/2022. STJ. 6ª Turma. REsp 1.972.092, Rel. Min. Rogerio Schietti, julgado em 14/06/2022 (Info 742). As condutas de plantar maconha para fins medicinais e importar sementes para o plantio não preenchem a tipicidade material, motivo pelo qual se faz possível a expedição de salvo- conduto, desde que comprovada a necessidade médica do tratamento. STJ. 5ª Turma. HC 779289/DF, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 22/11/2022 (Info 758). Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: PC-RJ Prova: PC-RJ - Delegado de Polícia. Soraia possui doença neurológica para a qual existe indicação terapêutica do uso de canabidiol. A fim de controlar os sintomas da doença, ela importou medicamentos à base de canabidiol, amparada em decisão judicial, embora sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Como os medicamentos são caros, Soraia requereu, judicialmente, autorização para plantio de Cannabis sativa e consectária extração do óleo necessário ao tratamento. O magistrado, ao se pronunciar, negou a liminar pleiteada, sustentando que a autorização para plantio só poderia ser concedida pela ANVISA. Irresignada, Soraia viajou ao exterior, para a aquisição de algumas poucas sementes de Cannabis, com as quais pretendia iniciar o cultivo clandestino para utilização própria. Ao retornar ao Brasil, o carro de Soraia foi parado em uma blitz, tendo os policiais encontrado as sementes em seu poder. Para se defender, Soraia decidiu demonstrar o propósito terapêutico de sua iniciativa, levando os policiais espontaneamente à sua casa, onde estavam cópias de prontuários, receitas e atestados médicos. Lá os policiais encontraram diversos utensílios destinados ao cultivo das plantas psicotrópicas, além de frascos do medicamento outrora adquirido mediante decisão judicial autorizativa. A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta. A. Soraia praticou comportamento penalmente típico, mas estava amparada pelo estado de necessidade. B. A manutenção dos utensílios para cultivo de drogas destinadas a consumo pessoal é crime autônomo expressamente previsto na Lei n.º 11.343/2006. C. A aquisição dos medicamentos, a importação das sementes e a posse dos utensílios mencionados não constituem infrações penais previstas na Lei n.º 11.343/2006. D. A aquisição dos medicamentos à base de canabidiol foi criminosa, já que foi realizada sem autorização da ANVISA. E. A importação de sementes de Cannabis sativa constitui crime previsto na Lei n.º 11.343/2006, salvo se for autorizada, pois as sementes são matéria-prima para a produção de drogas. Gab. C. 10 2.3. SUJEITOS DO CRIME: ATIVO E PASSIVO Em regra geral, os crimes da lei de drogas são crimes comuns ou gerais, que significa que podem ser praticados por quaisquer pessoas, não exigem qualidade especial do agente. Contudo, temos uma exceção prevista ao teor do art. 38 da Lei nº 11.343/2006, que é classificado como crime próprio ou especial (exige qualidade especial do agente), trata-se do crime de prescrição ou ministração culposa de drogas. Vejamos: Prescrição ou Ministração Culposa de Drogas Art. 38. Prescrever ou ministrar, culposamente, drogas, sem que delas necessite o paciente, ou fazê-lo em doses excessivas ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e pagamento de 50 (cinqüenta) a 200 (duzentos) dias-multa. Parágrafo único. O juiz comunicará a condenação ao Conselho Federal da categoria profissional a que pertença o agente. Trata-se de crime próprio, pois se exige a qualidade especial do agente de “médico, dentista, farmacêutico ou profissional de enfermagem”. Apenas profissional da saúde é quem pode prescrever. Nesse sentido, leciona Renato Brasileiro (pág. 1340, 2024, Manual de Legislação Criminal Especial): É sabido que, em regra, os crimes são punidos exclusivamente a título de dolo. Este princípio da excepcionalidade do crime culposo consta expressamente do art. 18, parágrafo único, do Código Penal: “salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente” Portanto, somente será possível a punição de determinada conduta a título culposo se houver ressalva expressa no texto da Lei. E é exatamente Isso o que ocorre no art. 38 da Lei n° 11.343/06. Ao contrário das demais condutas delituosas constantes da Lei de Drogas, punidas apenas a título doloso, a redação do tipo penal em questão deixa transparecer que esta será punida exclusivamente se praticada culposamente, já que o próprio tipo penal faz referência expressa à prescrição ou ministração culposa de drogas. Portanto, na hipótese de prescrição ou ministração dolosa de drogas, deverá o agente ser processado pelo crime do art. 33, caput, que também faz uso dos verbos prescrever e ministrar. No tocante ao sujeito passivo, é a coletividade. Os crimes da lei de drogas são classificados como crimes vagos. Entende-se por crime vago aquele que tem como sujeito passivo um ente destituído de personalidade jurídica. 2.4. EXPROPRIAÇÃO DE PROPRIEDADES RURAIS E URBANAS A Constituição Federal determina, no artigo 243, a expropriação de propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas ilegais de plantas psicotrópicas, sem qualquer indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. 11 Nesse contexto, o § 4º do artigo 32 da Lei de Drogas reproduziu tal disposição, deixando para legislação infralegal a regulamentação do procedimento de expropriação. Vejamos: Artigo 32, § 4º As glebas cultivadas com plantações ilícitas serão expropriadas, conforme o disposto no art. 243 da Constituição Federal, de acordo com a legislação em vigor. Candidato, caso seja descoberta uma plantação ilícita de plantas psicotrópicas que cubra uma fração de uma determinada propriedade, qual deverá ser a área que a ser expropriada? A área destinada a plantação ou todo o imóvel? Excelência, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado em sede de Recurso Extraordinário5, que toda propriedade deverá ser expropriada, e não somente a parte destinada a plantação de plantas psicotrópicas, não havendo violação do princípio da proporcionalidade. 2.5. CRIMES DE PERIGO ABSTRATO Os crimes previstos na lei de drogas são crimes de perigo abstrato. A prática da conduta prevista em lei acarreta a presunção absoluta de perigo ao bem jurídico, não cabendo prova em contrário. Não obstante a regra, temos uma exceção. Trata-se do tipo penal do art. 39 da lei em comento. No crime do art. 39 da Lei de Drogas, há um crime de perigo concreto: não basta conduzir a embarcação sob o efeito da droga, é necessário que haja efetivamente a exposição da incolumidade de outrem a um perigo concreto, real, efetivo.6 Os crimes de perigo abstrato são aqueles em que não são exigidos a colocação do bem jurídico em risco real e concreto tampouco a lesão do mesmo. Apenas retratam uma conduta que em si, sem apontar resultado específico como elemento expresso do injusto. Então para ser configurado tipo penal incriminador basta comportamento comissivo ou omissivo previsto no tipo penal7. 3. DOS CRIMES E DAS PENAS 3.1. PORTE DE DROGAS PARA O CONSUMO PESSOAL Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: 5 STF. RE 543974. Disponível em . Acessado em 18/10/2021 6 Art. 39. Conduzir embarcação ounecessária a efetiva oferta ou a comercialização da droga no interior de veículo público, não bastando, para a sua incidência, o fato de o agente ter se utilizado dele como meio de locomoção e de transporte da substância ilícita. 43) A aplicação das majorantes previstas no art. 40 da Lei de Drogas exige motivação concreta, quando estabelecida acima da fração mínima, não sendo suficiente a mera indicação do número de causas de aumento. 44) Para fins de fixação da pena, não há necessidade de se aferir o grau de pureza da substância apreendida uma vez que o art. 42 da Lei de Drogas estabelece como critérios "a natureza e a quantidade da substância". 45) A natureza e a quantidade da droga não podem ser utilizadas simultaneamente para justificar o aumento da pena-base e para afastar a redução prevista no §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, sob pena de caracterizar bis in idem. 46) A utilização concomitante da quantidade de droga apreendida para elevar a pena-base e para afastar a incidência da minorante prevista no § 4º do art. 33 da Lei de Drogas, por demonstrar que o acusado se dedica a atividades criminosas ou integra organização criminosa, não configura bis in idem, tratando-se de hipótese diversa da Repercussão Geral - Tema 712/STF. Particularmente, penso que essa tese está superada ou que a sua redação não espelha o correto entendimento do STJ sobre o assunto. Inicialmente, é necessário explicar que o STF fixou a seguinte tese em repercussão geral: As circunstâncias da natureza e da quantidade da droga apreendida devem ser levadas em consideração apenas em uma das fases do cálculo da pena, sob pena de bis in idem. STF. Plenário. ARE 666334 RG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 03/04/2014 (Repercussão Geral – Tema 712). O STJ tem decidido que: 100 A utilização concomitante da natureza e da quantidade da droga apreendida na primeira e na terceira fases da dosimetria, nesta última para descaracterizar o tráfico privilegiado ou modular a fração de diminuição de pena, configura bis in idem, expressamente rechaçado no julgamento do Recurso Extraordinário n. 666.334/AM, submetido ao regime de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (Tese de Repercussão Geral n. 712). A utilização supletiva desses elementos para afastamento do tráfico privilegiado somente pode ocorrer quando esse vetor seja conjugado com outras circunstâncias do caso concreto que, unidas, caracterizem a dedicação do agente à atividade criminosa ou à integração a organização criminosa (STJ. 3ª Seção. REsp 1887511/SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 09/06/2021). STJ. 3ª Seção. REsp 1887511/SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, julgado em 09/06/2021. Vale ressaltar que o juiz pode utilizar a natureza e quantidade para aumentar a pena-base e também para afastar o benefício do art. 33, § 4º da Lei de Drogas na terceira fase da dosimetria, desde que aliadas à outras circunstâncias do delito que evidenciem a dedicação à atividade criminosa. Neste caso, não haverá bis in idem: Na dosimetria, não apenas a natureza e a quantidade da droga apreendida foi utilizada para afastar a minorante do privilégio, mas também o modus operandi como um todo - tudo o que denota a dedicação a atividades criminosas. Não se olvide que o paciente já foi antes representado por ato infracional análogo ao tráfico de drogas. Tal entendimento se coaduna ao julgado no RE n. 666.334/AM, em sede de repercussão geral (Tese n. 712). STJ. 5ª Turma. HC 681.625/SP, Rel. Min. Jesuíno Rissato (Des. Conv. do TJDFT), julgado em 07/12/2021. 47) Reconhecida a inconstitucionalidade da vedação prevista na parte final do §4º do art. 33 da Lei de Drogas, inexiste óbice à substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos aos condenados pelo crime de tráfico de drogas, desde que preenchidos os requisitos do art. 44 do Código Penal. 48) A utilização da reincidência como agravante genérica é circunstância que afasta a causa especial de diminuição da pena do crime de tráfico, e não caracteriza bis in idem. 49) Reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 2º da Lei n. 8.072/1990, é possível a fixação de regime prisional diferente do fechado para o início do cumprimento de pena imposta ao condenado por tráfico de drogas, devendo o magistrado observar as regras previstas no Código Penal para a fixação do regime prisional. 50) O juiz pode fixar regime inicial mais gravoso do que aquele relacionado unicamente com o quantum da pena ao considerar a natureza ou a quantidade da droga. 51) Configura ofensa ao princípio da proteção integral a aplicação de medida desemiliberdade ao adolescente pela prática de ato infracional análogo ao crime previsto no art. 28 da Lei n. 11.343/2006. 52) O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente. (Súmula n. 492/STJ) 53) A despeito de não ser considerado hediondo, o crime de associação para o tráfico, no que se refere à concessão do livramento condicional, deve, em razão do princípio da especialidade, observar a regra estabelecida pelo art. 44, parágrafo único, da Lei n. 11.343/2006: cumprimento de 2/3 (dois terços) da pena e vedação do benefício ao reincidente específico. 54) É possível a concessão de liberdade provisória nos crimes de tráfico ilícito deentorpecentes. 101 55) É vedada a concessão de indulto aos condenados por crime hediondo ou por crime a ele equiparado, entre os quais se insere o delito de tráfico previsto no art. 33, caput e § 1º da Lein. 11.343/2006, afastando-se a referida vedação na hipótese de aplicação da causa dediminuição prevista no art. 33, § 4º, da mesma Lei, uma vez que a figura do tráfico privilegiado é desprovida de natureza hedionda. 56) O requisito objetivo necessário para a progressão de regime prisional aos condenados em crime de tráfico ilícito de entorpecentes (delito equiparado a hediondo), praticados antes do advento da Lei n. 11.464/2007, deve ser o previsto no art. 112 da Lei de Execução Penal(Lein. 7.210/1984), qual seja, 1/6 (um sexto); posteriormente, passou-se a exigir o cumprimento de 2/5 da pena pelo réu primário e 3/5 pelo reincidente. A Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) revogou o § 2º do art. 2º da Lei nº 8.072/90 (que previa as frações de 2/5 e 3/5). Com isso, a progressão de regime no caso de crimes hediondos passou a ser disciplinada exclusivamente pelo art. 112 da LEP, que foi alterado e prevê novos períodos como requisito objetivo. Veja o dispositivo da Lei de Crimes Hediondos que foi revogado: Art. 2º (...) § 2º A progressão de regime, no caso dos condenados pelos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado for primário e de 3/5 (três quintos), se reincidente, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do art. 112 da Lei nº 7.210 de 11 de julho de 1984(Lei de Execução Penal). Veja agora o que diz a LEP a respeito da progressão de regime dos crimes hediondos, com redação dada pela Lei nº 13.964/2019: Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos: (...) V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, se for primário; VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for: a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, se for primário, vedado o livramento condicional; b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou c) condenado pela prática do crime de constituição de milíciaprivada; VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de crime hediondo ou equiparado; VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional. 57) Compete ao juiz federal do local da apreensão da droga remetida do exterior pela via postal processar e julgar o crime de tráfico internacional. (Súmula n. 528/STJ) A Súmula 528 do STJ foi cancelada em 23/02/2022. 58) A expropriação de bens em favor da União, decorrente da prática de crime de tráfico ilícito de entorpecentes, constitui efeito automático da sentença penal condenatória. 59) Não viola o princípio da dignidade da pessoa humana a revista íntima realizada conforme as normas administrativas que disciplinam a atividade fiscalizatória, quando houver fundada suspeita de que o visitante esteja transportando drogas ou outros itens proibidos para o interior do estabelecimento prisional. 102 Fonte: Dizer o Direito. 15. JÁ CAIU CESPE 1. Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-SC Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto (fase matutina). Julgue o seguinte item à luz da Lei n.º 11.343/2006. A posse de maquinário, aparelho ou instrumento de fabricação de drogas destinadas ao consumo pessoal é conduta penalmente típica, embora não equiparada a crime hediondo. Gabarito ERRADO. Não é possível que o agente responda pela prática do crime do art. 34 da Lei 11.343/2006 quando a posse dos instrumentos configura ato preparatório destinado ao consumo pessoal de entorpecente. Para que se configure a lesão ao bem jurídico tutelado pelo art. 34 da Lei nº 11.343/2006, a ação de possuir maquinário e/ou objetos deve ter o especial fim de fabricar, preparar, produzir ou transformar drogas, visando ao tráfico. Assim, ainda que o crime previsto no art. 34 da Lei nº 11.343/2006 possa subsistir de forma autônoma, não é possível que o agente responda pela prática do referido delito quando a posse dos instrumentos se configura como ato preparatório destinado ao consumo pessoal de entorpecente. As condutas previstas no art. 28 da Lei de Drogas recebem tratamento legislativo mais brando, razão pela qual não há respaldo legal para punir com maior rigor as ações que antecedem o próprio consumo pessoal do entorpecente. STJ. 6ª Turma. RHC 135617-PR, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/09/2021 (Info 709). 2. Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-SC Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto (fase matutina) Julgue o seguinte item à luz da Lei n.º 11.343/2006. No caso de condenação pelo crime de associação para o tráfico, o livramento condicional depende do cumprimento de dois terços da pena, sendo vedada sua concessão ao reincidente específico. Gabarito CERTO. Art. 44. Parágrafo único. Nos crimes previstos no caput deste artigo, dar-se-á o livramento condicional após o cumprimento de dois terços da pena, vedada sua concessão ao reincidente específico. 3. Ano: 2023 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: MPE-SC Prova: CESPE / CEBRASPE - 2023 - MPE-SC - Promotor de Justiça Substituto (fase matutina). Julgue o seguinte item à luz da Lei n.º 11.343/2006. A duplicação do prazo máximo das penas de prestação de serviços à comunidade e comparecimento a programa ou curso educativo ao condenado pelo crime de porte de drogas para consumo pessoal depende de reincidência específica. Gabarito CERTO. A reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 é a específica O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas para consumo pessoal. Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Em regra, as penas dos incisos II e III só podem ser aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses. O § 4º prevê que: “em caso de reincidência, as 103 penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.” A reincidência de que trata o § 4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já condenado definitivamente por roubo, pratica o crime do art. 28, ele não se enquadra no § 4º. Isso porque se trata de reincidente genérico. O § 4º ao falar de reincidente, está se referindo ao crime do caput do art. 28. STJ. 6ª Turma. REsp 1771304-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662). 4. Ano: 2022 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: DPE-RS Prova: CESPE / CEBRASPE - 2022 - DPE-RS - Defensor Público. Pedro foi preso em flagrante delito portando cinco quilos de maconha em sua mochila. Em seu interrogatório, negou a traficância, mas admitiu a posse da droga, afirmando que ela não lhe pertencia e que apenas a estava levando para guardá-la, em troca de recompensa financeira. Pedro, que não possuía antecedentes criminais, foi condenado por tráfico ilícito de entorpecentes. Considerando essa situação hipotética, julgue o item seguinte. A grande quantidade de maconha apreendida com Pedro não poderá ensejar, simultaneamente, o aumento da sua pena-base e a negação do benefício de redução da pena estabelecido no § 4.º do art. 33 da Lei n.º 11.343/2006. Gabarito CERTO. Jurisprudência em Teses do STJ. EDIÇÃO N. 131: COMPILADO: LEI DE DROGAS45) A natureza e a quantidade da droga não podem ser utilizadas simultaneamente para justificar o aumento da pena- base e para afastar a redução prevista no §4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006, sob pena de caracterizar bis in idem. 5. No que concerne a apreensão, arrecadação e destinação de bens em procedimentos criminais, tendo em vista a Lei n.º 11.343/2006 e suas alterações, julgue o item a seguir. No caso de apreensão de veículos, maquinários e armas utilizados para a prática dos crimes previstos na referida lei, estes bens serão alienados de pronto pelo juiz criminal competente. Gabarito ERRADO. Art. 61. § 1º O juiz, no prazo de 30 (trinta) dias contado da comunicação de que trata o caput , determinará a alienação dos bens apreendidos, excetuadas as armas, que serão recolhidas na forma da legislação específica. (Incluído pela Lei nº 13.840, de 2019). 6. As penas de alguns crimes previstos na referida lei serão aumentadas de um sexto a dois terços em caso de transnacionalidade do delito e de prática de crime por agente que se prevaleça de função pública. Gabarito CERTPO. Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois terços, se: I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito; II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância; 7. É típica a conduta de importar pequena quantidade de sementes de maconha. Gabarito ERRADO. “É atípica a conduta de importar pequena quantidade de sementes de maconha”. STJ. 3ª Seção. EREsp 1.624.564-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/10/2020 (Info 683). 8. Para aplicação da majorante atinente à internacionalidade do tráfico de drogas, é necessário que a droga transportada atravesse a fronteira nacional. 104 Gabarito ERRADO. Tese nº 37, da Jurisprudência em Teses nº da referida Corte: "37) Para a incidência das majorantes previstas no art. 40, I e V, da Lei n. 11.343/2006, é desnecessária a efetiva transposição de fronteiras, sendo suficiente, respectivamente, a prova de destinação internacional das drogas oua demonstração inequívoca da intenção de realizar o tráfico interestadual". 9. Inquéritos policiais e ações penais em andamento podem ser utilizados como fundamentação para o não reconhecimento do tráfico de drogas privilegiado previsto na Lei de Drogas. Gabarito ERRADO. Não é possível que o juiz negue o benefício do § 4º do art. 33 da LD pelo simples fato de o acusado ser investigado em inquérito ou réu em outra ação penal que ainda não transitou em julgado. Não se pode negar a aplicação da causa de diminuição pelo tráfico privilegiado, prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, com fundamento no fato de o réu responder a inquéritos policiais ou processos criminais em andamento, mesmo que estejam em fase recursal, sob pena de violação ao art. 5º, LIV (princípio da presunção de não culpabilidade). Não cabe afastar a causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas) com base em condenações não alcançadas pela preclusão maior (coisa julgada). STF. 1ª Turma. HC 166385/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, 14/4/2020 (Info 973). STF. 2ª Turma. RE 1.283.996 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, 11/11/2020. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 676.516/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, 19/10/2021. STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 1936058/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, 14/09/2021. 10. O delito de tráfico, na sua forma privilegiada, é equiparado a crime hediondo. O chamado "tráfico privilegiado", previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), não deve ser considerado crime equiparado a hediondo. STF. Plenário. HC 118533/MS, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 23/6/2016 (Info 831). O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006) não é crime equiparado a hediondo e, por conseguinte, deve ser cancelado o Enunciado 512 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. STJ. 3ª Seção. Pet 11796-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 23/11/2016 (recurso repetitivo) (Info 595). O que dizia a Súmula 512-STJ: "A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de drogas." Pacote anticrime Em 2019, foi editada a Lei nº 13.964/2019, que acrescentou o § 5º ao art. 112 da LEP positivando o entendimento acima exposto: Art. 112 (...) § 5º Não se considera hediondo ou equiparado, para os fins deste artigo, o crime de tráfico de drogas previsto no § 4º do art. 33 da Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006. 16. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? 1. (Ano: 2022 Banca: Instituto AOCP Órgão: PC-GO Prova: Delegado de Polícia). Com base na Lei nº 11.343/2006 (Lei de Drogas), informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta. ( ) As plantações ilícitas devem ser imediatamente destruídas pelo delegado de polícia através de incineração, que recolherá quantidade suficiente para exame pericial, de tudo lavrando auto de levantamento das condições encontradas, com a delimitação do local, asseguradas as medidas necessárias para a preservação da prova. 105 ( ) Nos termos da Lei nº 11.343/2006, para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. ( ) Não será imposta prisão em flagrante a quem trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários. A. F – F – V. B. V – F – V. C. V – V – V. D. V – V – F. E. F – V – V. 2. (Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: PC-ES Prova: Delegado de Polícia). Após investigação de local em que, supostamente, se armazenavam, organizavam e vendiam drogas de forma contínua, foi expedido e cumprido mandado de busca e apreensão, a partir do qual a autoridade policial encontrou, dentro de uma residência, dez indivíduos portando uma quantidade elevada de drogas, bem como três balanças de precisão, que serviam para o preparo de drogas ilícitas. Nessa situação hipotética, conforme o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, se os referidos indivíduos forem indiciados, eles deverão responder por A. tráfico de drogas e associação para o tráfico. B. tráfico de drogas em concurso, com posse de maquinário para preparação de droga, e associação para o tráfico. C. associação para o tráfico em concurso, com posse de maquinário para preparação de droga. D. tráfico de drogas e posse de maquinário para preparação de droga. E. tráfico de drogas somente. 3. (Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: Delegado de Polícia). Nos termos da Lei n° 11.343/2006 (Lei Antidrogas), é correto afirmar que A. para garantia do cumprimento da medida educativa de prestação de serviço à comunidade, havendo recusa injustificada, poderá o juiz submetê-lo, sucessivamente a admoestação verbal e multa. B. o tratamento do usuário ou dependente de drogas deverá ser ordenado em uma rede de atenção à saúde, incluindo excepcionalmente formas de internação a ser realizada exclusivamente em hospitais. C. fica instituída a Semana Nacional de Políticas sobre Drogas, comemorada anualmente, na quarta semana de setembro. D. quem adquirir ou guardar para consumo pessoal drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido à pena de detenção. E. o tratamento do usuário ou dependente de drogas deverá ser ordenado em uma rede de atenção à saúde que contempla, como exceção, a modalidade de internação involuntária, apenas por determinação judicial. 4. (Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: PC-PB Prova: Delegado de Polícia). Assinale a opção correta acerca do entendimento dos tribunais superiores em relação ao crime de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes. 106 A. A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes não exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, bastando a mera admissão da posse ou propriedade para uso próprio. B. A importação de pequena quantidade de sementes da planta conhecida como maconha é atípica. C. Não se admite a substituição das penas privativas de liberdade por restritivas de direitos nas condenações por tráfico de drogas. D. A existência de ações penais em curso e registros de atos infracionais serve para impedir o reconhecimento do tráfico privilegiado. E. O crime de tráfico de drogas é equiparado a hediondo, ainda que em sua forma privilegiada. 5. (Ano: 2022 Banca: Instituto AOCP Órgão: MPE-MS Prova: Promotor de Justiça). Em relação à Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), assinale a alternativa INCORRETA. A. Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. B. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos na Lei de Drogas, são permitidos, além dos previstos em lei, mediante autorização judicial e ouvido o Ministério Público, procedimentos investigatórios como a infiltração policial e a não-atuação policial. C. Em relação aos crimes previstos na Lei de Drogas, o inquérito policial será concluído no prazo de 30 (trinta) dias, se o indiciado estiver preso, e de 60 (sessenta) dias, quando solto, o que não impede que esses prazos possam ser duplicados pelo juiz, ouvido o Ministério Público, mediante pedido justificado da autoridade de polícia judiciária. D. O artigo 57 da Lei de Drogas coloca como primeiro ato da audiência de instrução e julgamentoo interrogatório do acusado, regra que foi superada pelo entendimento já pacificado do STF e STJ. Sob pena de nulidade, o interrogatório deve ocorrer após a oitiva das testemunhas, prevalecendo a regra do artigo 400 do Código de Processo Penal. E. De acordo com entendimento consagrado pelo STF, o excesso de prazo na instrução criminal não resulta de uma simples operação aritmética. O excesso pode ser justificado pela complexidade do processo, atos procrastinatórios da defesa ou o número de réus envolvidos. 6. (Ano: 2022 Banca: Instituto AOCP Órgão: MPE-MS Prova: Promotor de Justiça). Aponte, dentre os seguintes entendimentos sobre matéria penal, qual está em conformidade com o expressado pelo STF. A. O acórdão condenatório sempre interrompe a prescrição, exceto quando confirmatório da sentença de 1º grau, seja mantendo, reduzindo ou aumentando a pena anteriormente imposta. B. O previsto no inciso III, artigo 40 da Lei nº 11.343/2006, relativamente ao transporte público no tráfico, está caraterizado ao se utilizar linha interestadual de ônibus para o transporte de droga para outro estado. C. A reiteração criminosa indicadora de delinquência habitual ou profissional não é suficiente para descaracterizar o crime continuado. D. A decisão que, com base em certidão de óbito falsa, julga extinta a punibilidade do réu gera coisa julgada em sentido estrito e não pode ser revogada. E. No tráfico de drogas, a falta de laudo pericial da droga não conduz, necessariamente, à inexistência de prova da materialidade de crime que deixa vestígios, a qual pode ser demonstrada, em casos excepcionais, por outros elementos probatórios constantes dos autos da ação penal. 107 7. (Ano: 2022 Banca: FCC Órgão: DPE-MT Prova: Defensor Público). A Lei de Drogas estabelece A. idêntico tratamento ao reincidente específico por tráfico de drogas no cumprimento da pena. B. causas de aumento da sanção e minorantes, mas não prevê causa de isenção de pena. C. critérios puramente objetivos para aferir a figura do usuário de drogas. D. hipótese de isenção de pena, para qualquer delito, desde que satisfeitos os requisitos legais. E. tão somente figuras típicas dolosas, admitindo-se em certas hipóteses o conatus. 8. (Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: TJ-PE Prova: Juiz Substituto). José foi condenado à pena de 05 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado, pela prática do crime de tráfico de drogas (Art. 33 da Lei nº 11.343/2006). O acusado foi apreendido em flagrante com 147 quilos de maconha (Cannabis sativa) e, embora não fosse reincidente, José possuía em sua folha de antecedentes criminais anotações referentes a quatro inquéritos policiais e cinco ações penais em curso. Diante do caso apresentado e da hipótese de diminuição de pena prevista no Art. 33, §4º, da Lei nº 11.343/2006, é correto afirmar que: A. embora não seja possível a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para majorar a pena-base com fundamento em maus antecedentes, é possível sua utilização para o afastamento da causa de diminuição, com fundamento na “dedicação a atividades criminosas”; B. diante da elevada quantidade de drogas apreendidas com José, deve ser afastada a minorante, já que somente pessoa envolvida habitualmente com a traficância teria acesso a esse montante de entorpecente; C. é possível a valoração da quantidade da droga apreendida com José, tanto para fixação da pena-base quanto para a modulação da causa de diminuição referida, neste último caso ainda que sejam os únicos elementos aferidos, desde que não tenham sido considerados na primeira fase do cálculo da pena; D. a aplicação da referida minorante constitui direito subjetivo do acusado, não sendo possível obstar sua aplicação com base em considerações subjetivas do juiz. Portanto, em que pese a quantidade de drogas apreendidas, a causa de diminuição só poderia ser afastada em caso de reincidência de José; E. é vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso seja para agravar a pena-base, seja para afastar a aplicação da causa de diminuição referida, seja para aferir a periculosidade do agente para fins de fundamentar eventual prisão cautelar, sob pena de ferir a presunção de inocência. 9. (Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: Juiz Substituto). Sandro foi denunciado pela prática, em tese, dos crimes de tráfico de drogas e de direção de veículo sem habilitação, e, após regular tramitação do processo, condenado como incurso no Art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006, c/c o Art. 309 da Lei nº 9.503/1997, na forma do Art. 69 do Código Penal. O juiz, ao proceder à dosimetria, verifica que restou provado que Sandro possuía outras condenações anteriores, transitadas em julgado, por tráfico de drogas, bem como no processo sob sua responsabilidade, havia confessado espontaneamente. Sob essa perspectiva, é correto afirmar que: A. a reincidência, excetuada a específica, deve ser compensada integralmente com a atenuante da confissão; B. a reincidência, excetuada a específica, deve ser compensada integralmente com a atenuante da confissão, desde que espontânea; C. a multirreincidência deve ser compensada integramente com a atenuante da confissão e desde que espontânea; D. apenas nos casos de multirreincidência deve ser reconhecida a preponderância da reincidência, admitindo-se a compensação proporcional com a confissão; 108 E. a reincidência, específica ou não, deve ser reconhecida como circunstância preponderante, não se admitindo a compensação com a atenuante da confissão. 10. (Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: MPE-SE Prova: Promotor de Justiça Substituto). Indivíduo primário, mas comprovadamente envolvido com atividade criminosa, foi preso e condenado pela prática de tráfico de drogas, tendo o juiz decidido por uma pena de sete anos. Nesse caso, A. o juiz deve, obrigatoriamente, impor o regime semiaberto para início de cumprimento da pena. B. pode o juiz fixar o regime inicial de cumprimento de pena, com fundamento na natureza ou na quantidade da droga. C. a sentença deve ser reformada, por não ter sido aplicada a causa de redução de pena prevista no § 4.º do artigo 33 da Lei n.º 11.343/2006, em razão da primariedade e dos bons antecedentes do condenado. D. é vedada, em razão da natureza do crime, a concessão de indulto e de anistia, permitindo-se, entretanto, a outorga da graça. E. o juiz pode substituir a pena privativa de liberdade por uma restritiva de direitos. 11. (Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: TJ-MA Prova: Juiz Substituto). No crime tipificado no artigo 33 da Lei n.º 11.343/2006, o fato de o agente admitir que possuía a droga no momento da apreensão pela polícia, sem, contudo, confessar que a droga era para eventual prática de tráfico de drogas, A. constitui atenuante penal. B. não constitui nenhuma circunstância que altere a pena. C. constitui causa de diminuição de pena. D. constitui agravante penal. E. constitui outro tipo penal. 12. (Ano: 2021. Banca: FGV. Órgão: TJ-PR. Prova: Juiz Substituto) A autoridade policial de delegacia especializada no combate ao tráfico de drogas, após apurar, em escuta telefônica autorizada, que uma certa quantidade de drogas seria introduzida no presídio, por ordem de Antônio, agente penitenciário, obteve do juízo competente mandado de busca e apreensão, tendo como alvo a residência de Maria, mulher do preso João. Durante a diligência foram apreendidos dois tabletes de um quilo de Cannabis sativa e uma pistola Glock 45, com numeração suprimida, devidamente municiada, guardada dentro do seu armário de roupas. Maria admitiu a posse da droga e da arma, bem como o fato de a droga ter sido adquirida a mando de Antônio, que forneceu a quantia necessária para sua aquisição e garantiria sua entrada no presídio. Nesse caso, a tipicidade adequada é: A. Maria – tráfico de drogas, com a majorantedo emprego de arma de fogo; Antônio – tráfico de drogas, com as majorantes de praticar o crime prevalecendo-se de função pública e com o emprego de arma de fogo; B. Maria – tráfico de drogas e posse de arma de fogo com numeração suprimida; Antônio – tráfico de drogas, com a majorante de praticar o crime prevalecendo-se de função pública; C. Maria – tráfico de drogas e posse de arma de fogo com numeração suprimida; Antônio – tráfico de drogas, com as majorantes de praticar o crime prevalecendo-se de função pública e de custear a prática criminosa D. Maria – tráfico de drogas e posse de arma de fogo com numeração suprimida; Antônio – tráfico de drogas, com as majorantes de praticar o crime prevalecendo-se de função pública e de custear a prática criminosa, e posse de arma de fogo com numeração suprimida; 109 E. Maria – tráfico de drogas, com as majorantes de o crime ter sido cometido nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais e com o emprego de arma de fogo; Antônio – tráfico de drogas, com as majorantes de praticar o crime prevalecendo-se de função pública, de o crime ter sido cometido nas dependências ou imediações de estabelecimentos prisionais e com o emprego de arma de fogo, e de custear a prática criminosa. 13. (Ano: 2021. Banca: FCC. Órgão: DPE-GO. Prova: Defensor Público.) No crime de tráfico ilícito de entorpecentes, A. é cabível a aplicação de causa de diminuição de pena pela colaboração voluntária na identificação de coautores e na recuperação do produto do crime. B. a natureza e quantidade da substância ou do produto não podem ser valoradas negativamente na aplicação da pena por configurar bis in idem. C. o valor da pena de multa previsto em lei é adequado à condição econômica da maior parte das pessoas condenadas por esse crime no Brasil, de modo a atacar o crime organizado de forma eficiente e preventiva D. é vedada a substituição da pena privativa de liberdade por penas restritivas de direitos em razão do princípio da proporcionalidade. E. a participação daquele que meramente custeia a prática do crime é circunstância atenuante da pena. 14. (Ano: 2021. Banca IDECAN. Órgão: PC-CE. Prova: Inspetor de Polícia). O dependente químico severo, comprovado por laudo pericial, que, para poder comprar substância entorpecente a fim de satisfazer seu vício, pratica conduta descrita em tipo penal de furto, poderá arguir em sua defesa excludente de A. ilicitude pela inexigibilidade de conduta diversa. B. tipicidade pela ausência de dolo. C. culpabilidade pela coação moral irresistível. D. culpabilidade pela inimputabilidade. E. ilicitude pelo estado de necessidade. 15. (Ano: 2021. Banca: Instituto AOCP. Órgão: PC-PA. Prova: Escrivão de Polícia) No que concerne à Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), assinale a alternativa correta. a) Prescrevem em dois anos a imposição e a execução das penas no tocante ao crime de porte de drogas para consumo pessoal. b) A pena de prestação de serviços à comunidade, no caso de porte de drogas para consumo pessoal, será aplicada pelo prazo máximo de seis meses. c) Em caso de reincidência no crime de porte de drogas para consumo pessoal, a pena de prestação de serviços à comunidade poderá ser aplicada pelo prazo máximo de um ano. d) A internação involuntária, nos casos de tratamento do usuário de drogas, perdurará apenas pelo tempo necessário à desintoxicação, no prazo máximo de cento e vinte dias, tendo seu término determinado pelo médico responsável. e) O inquérito policial será concluído no prazo de trinta dias, se o indiciado estiver preso, e de sessenta dias, quando solto. 16. (Ano: 2021. Banca: FGV. Órgão: PC-RN. Prova: Delegado de Polícia Civil Substituto). Após receber informação de que uma grande quantidade de droga estaria chegando a certa comunidade, a polícia civil planejou uma operação objetivando a apreensão do material entorpecente e a prisão de vários traficantes. Joaquim, policial civil lotado na delegacia em que a operação era planejada, 110 no momento de sua execução, ciente de que o líder do tráfico do local era um antigo colega de infância, acende, escondido, fogos de artifício que ficavam na comunidade para acionamento em diligências policiais. Em razão do aviso, a diligência tem resultado negativo, ninguém sendo preso e não sendo apreendida qualquer droga. O comportamento de Joaquim foi descoberto, devendo ele responder pelo(s) seguinte(s) crime(s) previsto(s)na Lei nº 11.343/2006: A. associação para o tráfico, apenas; B. tráfico de drogas, apenas; C. colaboração ou informante do tráfico, apenas; D. associação para o tráfico e colaboração ou informante do tráfico, em concurso material; E. tráfico de drogas e associação para o tráfico, em concurso material. 17. (Ano: 2021. Banca: FGV. Órgão: PC-RN. Prova: Delegado de Polícia Civil Substituto). Maria, 61 anos, primária e de bons antecedentes, é responsável pela criação de três netos com idades entre 10 e 16 anos. Em dificuldade financeira, aceita proposta de um vizinho para levar 1 kg de maconha da cidade de Natal, onde reside, para Mossoró, no mesmo Estado, recebendo um salário- mínimo pelo serviço. Maria, porém, foi flagrada por policiais militares em abordagem de rotina quando transportava a droga em uma bolsa que estava no maleiro do ônibus intermunicipal por ela utilizado, admitindo a empreitada criminosa. Diante desse quadro fático, o comportamento de Maria configura, de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, crime de: A. tráfico majorado pela infração ter sido praticada no interior de transporte público, não fazendo jus à forma privilegiada; B. tráfico majorado pela infração ter sido praticada no interior de transporte público, reconhecida a forma privilegiada; C. tráfico privilegiado sem causa de aumento, admitindo a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos; D. tráfico privilegiado sem causa de aumento, não podendo a pena privativa de liberdade ser substituída por restritiva de direitos por ter natureza assemelhada aos crimes hediondos; E. tráfico majorado em razão da intermunicipalidade do transporte, não sendo aplicável a causa de diminuição de pena decorrente do tráfico privilegiado. 18. (Ano: 2021. Banca: MPDFT. Órgão: MPDFT. Prova: Promotor de Justiça Adjunto). Com relação aos aspectos penais da Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), assinale a assertiva CORRETA: a) Configura a causa de aumento de pena de ter sido a infração realizada nas dependências ou imediações de estabelecimento prisionais, a conduta de indivíduo preso no sistema carcerário movimentar volume de entorpecentes e realizar negociações de tráfico por telefone, mesmo que nenhuma droga tenha entrado dentro do presídio b) A reincidência para aplicação qualificada da posse para consumo pessoal de drogas não precisa ser específica. c) A venda de drogas a agente policial disfarçado, mesmo que presentes elementos probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente, é considerada crime impossível. d) A conduta de exercer ilegalmente a medicina absorve o tráfico na modalidade prescrição de droga. e) Aplica-se a causa de aumento de pena do art. 40, III, da Lei nº 11.343/2006, quando o tráfico de drogas ocorre nas dependências ou nas imediações de igreja 19. (Ano: 2021. Banca: CESPE. Órgão: Polícia Federal. Prova: Delegado de Polícia Federal) A partir dessa situação hipotética, julgue o próximo item 111 A substância apreendida deve ser submetida à perícia para a elaboração do laudo de constatação provisório da natureza e da quantidade da droga, análise que deve ser realizada por perito, o qual, por sua vez, ficará impedido de elaborar o laudo definitivo. 20. (Ano: 2021. Banca: CESPE. Órgão: Polícia Federal. Prova: Delegado de Polícia Federal). Com relação aos crimes previstos em legislação especial, julgueo item a seguir. A importação de sementes de maconha em pequena quantidade é considerada conduta atípica. GABARITO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 C A A B C E D C D B 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 B C A D A C C A Errado Certo Sugerimos a leitura dos dispositivos abaixo da Lei de Drogas pois foram fundamento de respostas das questões já cobradas no concurso de Delegado. Ver art. 28, § 3 § 4 da Lei 11.343/2006; Ver art. 42 da Lei 11.343/2006; Ver art. 50 § 4 da Lei 11.343/2006; Ver art. 50 § 1 da Lei 11.343/2006; Ver art. 51 da Lei 11.343/2006; Ver art. 53, II da Lei 11.343/2006; Ver art. 40, IV da Lei 11.343/2006; Ver súmula 522 do STF; Ver súmula 607 do STJ; Ver art. 33 § 4 da Lei 11.343/2006; Ver art. 41 da Lei 11.343/2006; Ver art. 32 da Lei 11.343/2006; Ver art. 30 da Lei 11.343/2006; Ver art. 38 da Lei 11.343/2006; Ver art. 28 da Lei 11.343/2006; Ver art. 51 da Lei 11.343/2006 – prazo para conclusão do IP no âmbito da Lei de Drogas. Ver art. 40, I ao VII da Lei 11.343/2006 – causas de aumento do tráfico. Ver art. 33, § 3 da Lei 11.343/2006. Ver Súmula 607-STJ: A majorante do tráfico transnacional de drogas (art. 40, I, da Lei nº 11.343/2006) configura-se com a prova da destinação internacional das drogas, ainda que não consumada a transposição de fronteiras. Ver Súmula 501-STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/06, desde que o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu do que o advindo da aplicação da Lei 6.368/76, sendo vedada a combinação de leis. 112 17. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Manual de Legislação Criminal Especial - Volume Único / Renato Brasileiro de Lima - 12.ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora JusPodivm, 2024. Os informativos mencionados neste material foram extraídos do site do Dizer o Direito. Disponível em Acesso em 04.07.2024. As questões incluídas neste material foram retiradas da plataforma do Qconcursos. Disponível em Acesso em 20.10.2021. Informativos. Disponível em . Acesso em 20.10.2021. Crimes de perigo abstrato. Disponível em Acesso em 18.06.2020. CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Breves comentários à Lei 13.840/2019, que promoveu alterações na Lei de Drogas. Disponível em: . Acesso em: 30.08.2022 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. O crime de estupro é tipo misto alternativo. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 19/06/2020. Lei n. 11.343/2006 disponível em . Acesso em: 20.10.2021 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso sem mandado judicial ou consentimento do morador. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 19/06/2020. Gonçalves, Victor Eduardo Rios. Legislação penal especial / Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Junior; coordenador Pedro Lenza. – 2. ed. – São Paulo : Saraiva, 2016. – (Coleção esquematizado®) 1. Direito penal - Legislação - Brasil I. Baltazar Junior, José Paulo. II. Título. III. Série. CDU-343.3/.7(81)(094.56). Disponível em Acesso em: 21/06/2020. Fábio Roque Araújo, Nestor Távora e Rosmar Rodrigues Alencar. Legislação Criminal para Concursos. 5ª edição, revista, atualizada e ampliada. Editora Juspodivm. 2020. HABIB, Gabriel. Leis Penais Especiais. 11ª edição, revista, atualizada e ampliada. Editora JusPodvim. 2019. http://www.dizerodireito.com.br/ http://www.qconcursos.com.br/ https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar?categoria=18&subcategoria=184&assunto=633 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/listar?categoria=18&subcategoria=184&assunto=633 https://jus.com.br/artigos/73188/crime-de-perigo-abstrato https://www.dizerodireito.com.br/2019/06/breves-comentarios-lei-138402019-que.html?m=1 https://www.dizerodireito.com.br/2019/06/breves-comentarios-lei-138402019-que.html?m=1 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/411ae1bf081d1674ca6091f8c59a266f https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/411ae1bf081d1674ca6091f8c59a266f http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11343.htm https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/037a595e6f4f0576a9efe43154d71c18 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/037a595e6f4f0576a9efe43154d71c18 https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/04/08/figura-policial-disfarcado-e-mitigacao-flagrante-preparado/ https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2020/04/08/figura-policial-disfarcado-e-mitigacao-flagrante-preparado/ 1. CONTEXTUALIZAÇÃO DA REGULAMENTAÇÃO LEGAL NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO 1.1. ASPECTOS DA “NOVA” LEI DE DROGAS 2. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS 2.1. NORMA PENAL EM BRANCO 2.1.1. TIPOS DE NORMA PENAL EM BRANCO 1.1.1.1. 2.1.1.1. Norma penal em branco homogênea 2.1.1.2. Norma penal em branco heterogênea 2.1.2. ESPÉCIE DE NORMA PENAL EM BRANCO APLICADA NA LEI DE DROGAS 2.2. RESSALVAS À PROIBIÇÃO DE DROGAS 1.1. 2.3. SUJEITOS DO CRIME: ATIVO E PASSIVO 2.4. EXPROPRIAÇÃO DE PROPRIEDADES RURAIS E URBANAS 2.5. CRIMES DE PERIGO ABSTRATO 3. DOS CRIMES E DAS PENAS 3.1. PORTE DE DROGAS PARA O CONSUMO PESSOAL 3.1.1. FIGURA EQUIPARADA 3.1.2. PUNIÇÕES 1.1.1. 3.1.3. REINCIDÊNCIA 3.1.4. COMPETÊNCIA 1.1.1. 3.1.5. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA 3.1.5.1. Porte de Droga para Consumo Pessoal x Princípio da Insignificância 3.1.6. HABEAS CORPUS 3.1.7. CRITÉRIOS PARA DETERMINAÇÃO DO CONSUMO 3.1.8. PRESCRIÇÃO PENAL 1.1. 1.1. 3.2. TRÁFICO DE DROGAS 3.2.1. CLASSIFICAÇÃO 3.2.2. MODALIDADES PERMANENTES 1.1.1. 1.1.1. 1.1.1. 3.2.3. EQUIPARAÇÃO AO CRIME HEDIONDO 3.2.4. REGIME DE CUMPRIMENTO DE PENA 3.2.5. PROGRESSÃO DE REGIME 3.2.6. SUBSTITUIÇÃO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITO 1.1. 1.1. 3.3. INDUÇÃO, INSTIGAÇÃO OU AUXÍLIO AO USO 3.4. USO COMPARTILHADO 3.5. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA (TRÁFICO PRIVILEGIADO) 3.5.1. REQUISITOS CUMULATIVOS PARA TRÁFICO PRIVILEGIADO 3.5.2. SÚMULA VINCULANTE 59 3.6. MAQUINÁRIO DO TRÁFICO 3.7. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO 1.1. 3.8. FINANCIAMENTO AO TRÁFICO 3.9. INFORMANTE COLABORADOR 3.10. PRESCREVER OU MINISTRAR DROGAS (CULPOSAMENTE) 3.11. CONDUÇÃO DE EMBARCAÇÃO OU AERONAVE: APÓS O CONSUMO DE DROGAS 3.12. CAUSAS DE AUMENTO DE PENA 4. COLABORAÇÃO PREMIADA 5. FIXAÇÃO DA PENA BASE E DA MULTA 5.1. A PENA BASE 1.1. 1.1. 1.1. 5.2. FIXAÇÃO DA MULTA 1. 6. VEDAÇÃO DOS INSTITUTOS E LIVRAMENTO CONDICIONAL 7. ININPUTABILIDADE E SEMI-IMPUTABILIDADE 8. APREENSÃO DE DROGAS (ART. 50) 8.1. PLANTAÇÕES ILÍCITAS 1.1. 8.2. DROGAS COM FLAGRANTE 1.1. 8.3. DROGAS SEM FLAGRANTE 1.1. 8.4. APREENSÃO E PERÍCIA DA SUBSTÂNCIA 8.5. QUADRO RESUMO 1. 9. LAUDO PRELIMINAR 10. LAUDO TOXICOLÓGICO DEFINITIVO 11. INQUÉRITO POLICIAL (ART. 51 E SEGUINTES). 11.1. DA APREENSÃO E DESTINAÇÃO DE BENS DO ACUSADO 12. DE OLHO NA SÚMULA 13. INFORMATIVOS 14. JURISPRUDÊNCIA EM TESES 15. JÁ CAIU CESPE 16. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? 17. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASaeronave após o consumo de drogas, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem: (...) 7 https://jus.com.br/artigos/73188/crime-de-perigo-abstrato https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/4130696/recurso-extraordinario-re-543974-mg https://stf.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/4130696/recurso-extraordinario-re-543974-mg https://jus.com.br/artigos/73188/crime-de-perigo-abstrato 12 O sujeito ativo do delito do art. 28 é qualquer pessoa, não exige qualidade especial do agente, que significa que se trata de crime comum. Conforme já destacamos acima, os crimes da lei de drogas, em regra, são crimes comuns, com ressalva do crime previsto ao teor do art. 38 da Lei de Drogas. No tocante ao sujeito passivo, o direto/imediato ou eventual é a coletividade, já o indireto/mediato ou constante é o Estado. O bem jurídico que se pretende tutelar, in casu, é a saúde pública. Trata-se de crime contra a saúde pública. O objeto material, por sua vez, é a pessoa ou coisa sobre qual a pessoa ou coisa. No delito do art. 28, da Lei 11.343, o objeto material é a droga. Quais são as condutas criminalizadas pelo art. 28? Trata-se de tipo penal misto alternativo8, contemplando cinco verbos, se consumando com a realização de qualquer dos verbos. • Adquirir; • Guardar; • Trazer Consigo; • Ter em depósito; • Transportar. Vamos ESQUEMATIZAR? ADQUIRIR GUARDAR TER EM DEPÓSITO TRANSPORTAR TRAZER CONSIGO “Adquirir”: traduz a ideia de obter, conseguir. Trata-se da obtenção da posse ou propriedade da droga, seja a título oneroso ou gratuito. Nesta modalidade de conduta, o crime é instantâneo, isto é, ocorre a consumação de forma imediata, com a simples aquisição da droga. “Guardar”: traduz a ideia de acondicionar, conservar, ocultar, proteger, tomar conta, ter sob vigilância, em geral de forma clandestina. Nesta modalidade de conduta, o crime é permanente, isto é, a ação do agente se protrai no tempo. “Ter” (em depósito): traduz a ideia de manter armazenado, conservar em determinado local. No geral, também há a ideia de clandestinidade, ocultação, muito embora não seja imprescindível, pois o depósito pode, em certos casos, ser exposto ao público. Nesta modalidade de conduta, o crime é permanente. “Transportar”: traduz a ideia de deslocar a droga, levando-a de um local para outro. Para a caracterização do crime, pouco importa qual é a forma de transporte da droga. Contudo, em geral, diferencia-se da quinta conduta (“trazer consigo”) pelo fato de que, nessa última, a droga é conduzida junto ao corpo do agente, ao passo que, no transporte, ela está, por exemplo, acondicionada no veículo automotor. Nesta modalidade de conduta, o crime é permanente. “Trazer” consigo: traduz a ideia de transportar a droga junto ao corpo, ou em compartimento que é carregado pelo próprio agente (ex.: bolsa, mochila, etc.). Nesta modalidade de conduta, o crime é permanente. Os conceitos acima foram extraídos da obra Legislação Criminal para Concursos (2020). Editora Juspodivm. 8 Nas lições do prof. Márcio Cavalcante (Dizer o Direito), o tipo penal misto alternativo é aquele em que o legislador descreveu duas ou mais condutas (verbos). Se o sujeito praticar mais de um verbo, no mesmo contexto fático e contra o mesmo objeto material, responderá por um único crime, não havendo concurso de crimes nesse caso. 13 Candidato, é possível pensar em tentativa em relação a esses crimes? É muito difícil falar em tentativa nesses casos; em tese, é admissível, mas é difícil pensar em uma situação prática de tentativa. A doutrina ressalta que é possível tentar adquirir a droga. A dificuldade da tentativa decorre do fato de que mesmo que praticado na forma tentada, é provável que já seja consumada em um dos outros verbos do tipo. A Lei não menciona o verbo usar, mas menciona verbos que teoricamente incidem na prévia prática do consumo. O uso de drogas, portanto, por si só não é conduta típica, mas é considerado o especial fim de agir das condutas mencionadas no dispositivo Corroborando ao exposto, Roque; Távora e Alencar 9: O art. 28 da Lei de Drogas trata das condutas a serem praticadas pelo usuário. A primeira anotação que devemos fazer é, justamente, no sentido de que a Lei não criminaliza o consumo em si, mas sim condutas relacionadas à pretensão de consumir a droga. Basta perceber que dentre os núcleos do tipo não se encontra o verbo “consumir”. De todo modo, inconcebível que o usuário consiga fazer uso da droga sem que realize pelo menos um dos núcleos do tipo – “adquirir”, “guardar”, “ter” (em depósito), “transportar” ou “trazer” consigo. Nesse sentido, a conduta de adquirir droga para que outra pessoa consuma configura tráfico de drogas (art. 33), em razão da ausência do especial fim de agir (consumo pessoal). Candidato, porque a conduta descrita no art. 28 é considerada crime, tendo em vista que somos regidos pelo princípio da alteridade? O princípio da alteridade basicamente significa dizer que aquele indivíduo que causa lesão a si próprio, esta lesão não será punida. No entanto, o sujeito passivo da Lei de drogas é a saúde pública, desta forma, não interessa apenas o usuário de drogas, o interesse principal é de que a saúde pública seja preservada, caso contrário, a coletividade é diretamente prejudicada com situações de marginalidade, problemas de overdose, problemas com a sobrecarga do sistema de saúde. 3.1.1. FIGURA EQUIPARADA Art. 28, § 1º Às mesmas medidas submete-se quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colher plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica. Este parágrafo traz as condutas equiparadas ao crime do caput, semear cultivar ou colher. E quais são as condutas? • Semeia; • Cultiva; • Colhe. 9 Legislação Criminal para Concursos. 5ª edição, revista, atualizada e ampliada. Editora Juspodivm. 2020. 14 ... plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica. O dispositivo refere-se ao local em que o agente planta uma pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica para seu consumo pessoal (Exemplo: plantar um pé de maconha em um vaso na varanda do apartamento). Observação1: A plantação deve ser com a finalidade específica de consumo pessoal; Observação2: A prática de alguma das condutas já caracteriza o delito, pois trata-se de tipo penal misto alternativo. Observação3: Deve ser planta destinada a pequena quantidade. A lei expressamente tratou “pequena quantidade”. 3.1.2. PUNIÇÕES Na atual lei de drogas, o usuário não pode mais ser preso. A descaracterização do usuário é um grande benefício trazido pela nova Lei (art. 28, Lei nº 11.343/2006). Não há mais incidência para o usuário pena privativa de liberdade. E quais são as penas aplicadas ao usuário? Com relação a punição o Art. 28 disciplina em seus incisos que: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. O STF se manifestou acerca da tese da “descriminalização” deste artigo, e para a Corte há uma despenalização, o legislador manteve a natureza da infração, continua sendo uma infração penal. Tornando-se um crime de ínfimo menor potencial ofensivo. Penas NÃO privativas de liberdade: advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviço à comunidade e medida educativa de comparecimento à programa ou curso educativo, preferencialmente sobre questões de drogas. Quanto ao prazo, este será de 5 meses se for primário e 10 meses se for reincidente, no caso da reincidência o STJse pronunciou no RESP 1.771.304-ES (informativo 662 STJ), e entendeu que se tratava de uma reincidência especifica no uso de drogas. Vejamos: 15 A reincidência de que trata o § 4º do art. 28 da Lei nº 11.343/2006 é a específica O art. 28 da Lei nº 11.343/2006 prevê o crime de porte de drogas para consumo pessoal. Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será submetido às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Em regra, as penas dos incisos II e III só podem ser aplicadas pelo prazo máximo de 5 meses. O § 4º prevê que: “em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 (dez) meses.” A reincidência de que trata o § 4º é a reincidência específica. Assim, se um indivíduo já condenado definitivamente por roubo, pratica o crime do art. 28, ele não se enquadra no § 4º. Isso porque se trata de reincidente genérico. O § 4º ao falar de reincidente, está se referindo ao crime do caput do art. 28. STJ. 6ª Turma. REsp 1771304-ES, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 10/12/2019 (Info 662). Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça. Julgue o seguinte item à luz da Lei n.º 11.343/2006. A duplicação do prazo máximo das penas de prestação de serviços à comunidade e comparecimento a programa ou curso educativo ao condenado pelo crime de porte de drogas para consumo pessoal depende de reincidência específica. Gabarito CERTO. Vale ressaltar que de acordo com o Art. 27, é possível aplicar cumulativamente duas ou três penas: Art. 27. As penas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo, ouvidos o Ministério Público e o defensor. Candidato, condução coercitiva após o descumprimento de um Termo Circunstanciado, para comparecimento ao juiz e aplicação de uma advertência, por exemplo, é permitida no porte de drogas para consumo pessoal? Sim. No entanto vale lembrar que na lei de abuso de autoridade e em julgados do STF, o entendimento é de que não se pode conduzir o réu coercitivamente para presença do juiz com fins de interrogatório, baseado no princípio da presunção de inocência, e não o princípio de não fazer prova contra si mesmo. No caso do portador de drogas para uso pessoal, não há o princípio da presunção de inocência tendo em vista que já está condenado a uma pena de advertência. Portanto de acordo com o Enunciado do FONAJE (Fórum Nacional dos Juizados Especiais), em caso de ausência injustificada do usuário de drogas à audiência de aplicação de pena de advertência, ele poderá ser conduzido coercitivamente. A prestação de serviços preferencialmente será na prevenção do consumo ou recuperação de usuários e dependentes de drogas, possuindo duas características: a não substitutividade e não conversibilidade. Essa pena é autônoma, não substitui nenhuma outra pena, como a pena restritiva de direito substitui a pena restritiva de liberdade, bem como uma vez descumprida a pena imposta, esta 16 não será convertida em prisão. Sendo assim essas as principais diferenças com as penas restritivas de direitos, a não substitutividade e a não conversibilidade. Em caso de descumprimento, o juiz aplicará medidas coercitivas, e quais são elas? ADMOESTAÇÃO VERBAL E MULTA. Cuidado! Muita atenção aqui, a admoestação verbal e a multa não são penas do Art. 28! São medidas coercitivas com intuito de coagir as devidas penas: advertência, prestação de serviço à comunidade e frequência em curso educativo, na hipótese de descumprimento. Candidato, pode-se de imediato aplicar a multa em caso de descumprimento de prestação de serviço ou frequência em curso educativo? Não. O entendimento pacífico é de que essas medidas coercitivas (admoestação verbal, multa) para garantia do cumprimento das penas do art. 28 são sucessivas. Dessa forma, primeiro deve-se admoestar e depois aplicar a multa, não pode ser simultaneamente. Candidato, imagine que o usuário foi admoestado, posteriormente aplicado a multa coercitiva e mesmo assim não surte efeito no tocante ao cumprimento da pena, chegando ao falecimento deste indivíduo, a multa anteriormente arbitrada pode ser cobrada corrigida dos herdeiros? Sim. Não se utiliza aqui o princípio da intranscendência da pena, tendo em vista que tanto a admoestação verbal como essa multa NÃO SÃO PENAS, são efeitos extrapenais para efeito de coerção ao cumprimento das penas. Portanto, os herdeiros responderão na medida do espólio deixado pelo de cujus todas as multas que foram arbitradas (a Lei não define até quantas podem ser aplicadas). Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: PC-RR Prova: Delegado de Polícia Civil. Para quem transporta, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, a Lei nº 11.343/2006 – Lei Antidrogas prevê a pena de A. advertência sobre os efeitos das drogas. B. prisão simples. C. detenção. D. reclusão. E. perda de bens e valores. Gabarito A. 3.1.3. REINCIDÊNCIA O Art. 28 gerava reincidência para outros crimes, contudo houve uma mudança de entendimento do STJ tendo em vista que, se na lei de contravenções penais que possui uma pena de prisão simples não gera reincidência, não tem lógica um crime como o do art. 28 que tem uma pena apenas de “advertência”, “prestação de serviços” e “medida educativa” gerar reincidência. Lembrando que a lei de contravenções penais informa que se houver uma contravenção penal e a prática de um crime posterior essa contravenção não gera reincidência, apenas caso seja uma contravenção e outra 17 contravenção, neste caso gera reincidência, bem como na prática de um crime e uma contravenção posterior irá gerar reincidência Nesse sentido, o STJ entende: A condenação pelo art. 28 da Lei 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO configura reincidência. O porte de droga para consumo próprio, previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006, possui natureza jurídica de crime. O porte de droga para consumo próprio foi somente despenalizado pela Lei nº 11.343/2006, mas não descriminalizado. Obs.: despenalizar é a medida que tem por objetivo afastar a pena como tradicionalmente conhecemos, em especial a privativa de liberdade. Descriminalizar significa deixar de considerar uma conduta como crime. Mesmo sendo crime, o STJ entende que a condenação anterior pelo art. 28 da Lei nº 11.343/2006 (porte de droga para uso próprio) NÃO configura reincidência. Argumento principal: se a contravenção penal, que é punível com pena de prisão simples, não configura reincidência, mostra-se desproporcional utilizar o art. 28 da LD para fins de reincidência, considerando que este delito é punido apenas com “advertência”, “prestação de serviços à comunidade” e “medida educativa”, ou, seja, sanções menos graves e nas quais não há qualquer possibilidade de conversão em pena privativa de liberdade pelo descumprimento. Há de se considerar, ainda, que a própria constitucionalidade do art. 28 da LD está sendo fortemente questionada. STJ. 5ª Turma. HC 453437/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, 04/10/2018. STJ. 5ª Turma. AgRg-AREsp 1.366.654/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 13/12/2018. STJ. 6ª Turma. REsp 1672654/SP, Rel. Min. Mª Thereza de A. Moura, 21/08/2018 (Info 632). Candidato, o processamento do réu pela prática da conduta descrita no art. 28 da Lei de Drogas no curso do período de prova deve ser considerado como causa de revogação obrigatória da suspensão condicionaldo processo? Excelência, conforme a lei 9.099/95, a revogação da suspensão condicional do processo será obrigatória se, no curso do processo, o beneficiário vier a ser processado por outro crime. Por outro lado, se o beneficiário vier a ser processado, no curso do período de prova, por uma contravenção, a revogação do Sursis Processual será facultativa. O STJ entende o processamento pela prática do crime descrito no artigo 28 da Lei de drogas no curso do período de prova deve ser considerado como causa de revogação facultativa, uma vez que a contravenção penal tem efeitos penais mais brandos do que a conduta descrita no referido dispositivo, sendo desproporcional a diferença de tratamento. Corroborando com o entendimento, vejamos o informativo 668 do STJ: O cometimento do crime do art. 28 da Lei de Drogas deve receber o mesmo tratamento que a contravenção penal, para fins de revogação facultativa da suspensão condicional do processo. A suspensão será obrigatoriamente revogada se, no curso do prazo o beneficiário vier a ser processado por outro crime (art. 89, § 3º da Lei nº 9.099/95). Trata-se de causa de revogação obrigatória. 18 Por outro lado, a suspensão poderá ser revogada pelo juiz se o acusado vier a ser processado, no curso do prazo, por contravenção (art. 89, § 4º). Trata-se de causa de revogação facultativa. O processamento do réu pela prática da conduta descrita no art. 28 da Lei de Drogas no curso do período de prova deve ser considerado como causa de revogação FACULTATIVA da suspensão condicional do processo. A contravenção penal tem efeitos primários mais deletérios que o crime do art. 28 da Lei de Drogas. Assim, mostra-se desproporcional que o mero processamento do réu pela prática do crime previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006 torne obrigatória a revogação da suspensão condicional do processo, enquanto o processamento por contravenção penal ocasione a revogação facultativa. STJ. 5ª Turma. REsp 1795962-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, 10/03/2020 (Info 668). 3.1.4. COMPETÊNCIA Como já citado anteriormente, o crime previsto no Art. 28 da Lei 11.343/06 é um crime de ínfimo potencial ofensivo, portanto a competência para julgar é do Juizado Especial Criminal, na Justiça Estadual. O processo e julgamento do crime do art. 28 segue o procedimento sumaríssimo. É crime de competência do Juizado Especial Criminal. Corroborando ao exposto, Victor Eduardo Rios Gonçalves e José Paulo Baltazar Junior (2016):10 O procedimento em relação a qualquer das condutas previstas no art. 28, salvo se houver concurso com crime mais grave, é aquele descrito nos arts. 60 e seguintes da Lei n. 9.099/95, sendo, assim, de competência do Juizado Especial Criminal. Dessa forma, a quem for flagrado na prática de infração penal dessa natureza não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juizado competente, ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando a autoridade policial as requisições dos exames e perícias necessários. Concluída a lavratura do termo circunstanciado, o agente será submetido a exame de corpo de delito se o requerer, ou se a autoridade policial entender conveniente, e, em seguida, será liberado. No que tange à lavratura do Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), o STF, em uma ação que discutia a inconstitucionalidade dos parágrafos 2º e 3º do art. 48 da Lei 11.343/0611, firmou entendimento de que cabe ao MAGISTRADO lavrar o TCO no crime de porte ou posse de droga para uso pessoal, tipificado no art. 28 da Lei 11.343/06 e, somente na sua ausência, poderá fazê-lo a autoridade policial. O STF entendeu que a lavratura de termo circunstanciado e a requisição de exames 10 Gonçalves, Victor Eduardo Rios. Legislação penal especial / Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Junior; coordenador Pedro Lenza. – 2. ed. – São Paulo : Saraiva, 2016. – (Coleção esquematizado®) 1. Direito penal - Legislação - Brasil I. Baltazar Junior, José Paulo. II. Título. III. Série. CDU-343.3/.7(81)(094.56). 11 Lei 11.343/06, Art. 48. O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste Título rege-se pelo disposto neste Capítulo, aplicando-se, subsidiariamente, as disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal. (...) § 2º Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e perícias necessários. § 3º Se ausente a autoridade judicial, as providências previstas no § 2º deste artigo serão tomadas de imediato pela autoridade policial, no local em que se encontrar, vedada a detenção do agente. (...) 19 e perícias não são atividades de investigação. STF. Plenário. ADI 3807, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 29/06/2020 (Info 986 – clipping). Como #JÁCAIU esse assunto em prova de concursos? Ano: 2022 Banca: CESPE Órgão: PC-RJ Prova: Delegado de Polícia Considerando o disposto na Lei n.º 11.343/2006 (Lei de Drogas), assinale a opção correta. A. Tratando-se da conduta prevista no art. 28 dessa lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente, que lavrará o termo circunstanciado e providenciará as requisições dos exames e perícias necessárias; se ausente o juiz, as providências deverão ser tomadas de imediato pela autoridade policial, no local em que se encontrar, vedada a detenção do agente. B. A audiência de instrução e julgamento será realizada dentro dos sessenta dias seguintes ao recebimento da denúncia, salvo se determinada a realização de avaliação para atestar dependência de drogas, quando a referida audiência se realizará em noventa dias. C. Prescrevem em dois anos a imposição e a execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto no art. 107 e seguintes do Código Penal e, quando houver concurso material com outro delito específico previsto nessa lei, deverão ser observados os ditames do art. 109 do Código Penal. D. Nos crimes previstos nessa lei, o indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e com o processo criminal na identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e na recuperação total ou parcial do produto do crime, terá, no caso de condenação, pena reduzida de um sexto a dois terços. E. No que se refere ao crime previsto no art. 33, caput dessa lei, recebidos em juízo os autos do inquérito policial, dar-se-á vista ao Ministério Público para que este, no prazo de cinco dias, ofereça denúncia e arrole até cinco testemunhas, requerendo as demais provas que entender pertinentes. Gabarito A. 3.1.5. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA É majoritário o posicionamento de que o princípio da insignificância não é aplicado ao Art. 28, tendo em vista que já é em sua essência um crime de ínfimo potencial ofensivo, baixa ofensividade, possui um teor de insignificância. Muito embora exista jurisprudência permitindo sua aplicação de forma excepcional (STF admitiu em um caso excepcional). Nesse sentido, vejamos o Informativo do STJ. Não se aplica o princípio da insignificância para a posse/porte de droga. Não se aplica o princípio da insignificância para o crime de posse/porte de droga para consumo pessoal (art. 28 da Lei nº 11.343/2006). Para a jurisprudência, não é possível afastar a tipicidade material do porte de substância entorpecente para consumo próprio com base no princípio da insignificância, ainda que ínfima a quantidade de droga apreendida. STJ. 6ª Turma. RHC 35.920-DF, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/5/2014 (Info 541). 20 3.1.5.1.Porte de Droga para Consumo Pessoal x Princípio da Insignificância Candidato, se a pessoa for encontrada com alguns poucos gramas de droga para consumo próprio, é possível aplicar o princípio da insignificância? →STJ: não é possível aplicar o princípio da insignificância A jurisprudência de ambas as turmas do STJ firmou entendimento de que o crime de posse de drogas para consumo pessoal (art. 28 da Lei n° 11-343/06) é de perigo presumido ou abstrato e a pequena quantidade de droga faz parte da própria essência do delito em questão, não lhe sendo aplicável o princípio da insignificância (STJ. 6• Turma. RHC 35-920-DF, Rei. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 2o/5f2014.lnfo 541) . →STF: possui um precedente isolado, da 1ª Turma, aplicando o princípio: HC 110475, Rei. Min. Dias Toffoli, julgado em 14/02/2012. Obs.: se esse tema for cobrado em prova, você deverá responder que NÃO é possível a aplicação do princípio, uma vez que o referido precedente da 1ª Turma do STF não formou jurisprudência. Assim: STF STJ Em regra, não admite. Admitiu de forma excepcional. Não admite. STF: “Ao aplicar o princípio da insignificância, a 1ª Turma concedeu habeas corpus para trancar procedimento penal instaurado contra o réu e invalidar todos os atos processuais, desde a denúncia até a condenação, por ausência de tipicidade material da conduta imputada. No caso, o paciente fora condenado, com fulcro no art. 28, caput, da Lei 11.343/2006, à pena de 3 meses e 15 dias de prestação de serviços à comunidade por portar 0,6 g de maconha” (HC 110.475/SC, rel. Min. Dias Toffoli, 1ª Turma, j. 14.02.2012, noticiado no Informativo 655). STJ: “Não é possível afastar a tipicidade material do porte de substância entorpecente para consumo próprio com base no princípio da insignificância, ainda que ínfima a quantidade de droga apreendida” (RHC 35.920/DF, rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, 6ª Turma, j. 20.05.2014, noticiado no Informativo 541). 3.1.6. HABEAS CORPUS Não é possível a impetração de habeas corpus em face da conduta delitiva do art. 28, posto que esse crime não oferece nenhum risco ou ameaça à liberdade de locomoção, tendo em vista que a pena não é privativa de liberdade. 3.1.7. CRITÉRIOS PARA DETERMINAÇÃO DO CONSUMO 21 Na continuidade do artigo, temos parágrafo 2º: Art. 28 § 2º Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente. O juiz, portanto, irá verificar a quantidade de droga, as circunstâncias de forma geral, a condição financeira do usuário e seus antecedentes por exemplo. Nesse sentido, o STF reafirmou o entendimento de que a quantidade de drogas, por si só, não é fator determinante para concluir se era para consumo pessoal. Vejamos: Nos termos do art. 28, § 2º, da Lei n. 11.343/2006, não é apenas a quantidade de drogas que constitui fator determinante para a conclusão de que a substância se destinava a consumo pessoal, mas também o local e as condições em que se desenvolveu a ação, as circunstâncias sociais e pessoais, bem como a conduta e os antecedentes do agente. STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 1740201/AM, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 17/11/2020 3.1.8. PRESCRIÇÃO PENAL Art. 30. Prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal. Dispõe o art. 30, da Lei 11.343 que prescrevem em 2 (dois) anos a imposição e a execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal. Para o delito do art. 28, da Lei nº 11.343/2006 a prescrição é de 2 anos. Esse prazo é aplicável tanto à prescrição da pretensão punitiva como também à prescrição da pretensão executória. Prescrevem, portanto, a prescrição a pretensão punitiva, bem como a prescrição da pretensão executória. Uma das menores prescrições existentes no nosso ordenamento jurídico. Todas as regras dos arts. 107 e seguintes serão aplicadas ao crime do art. 28. Exemplo: Um indivíduo de 19 anos foi preso usando drogas, a prescrição desse crime será de 1 ano, vide art. 115. CP; Art. 115. São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença, maior de 70 (setenta) anos. 3.2. TRÁFICO DE DROGAS Na lei de drogas o termo tráfico de drogas do crime é dado pela doutrina, não existe na legislação propriamente o crime de “tráfico de drogas”. Observação: Cumpre destacar de imediato, que os crimes previstos nos Arts. 33 caput e § 1º, Art. 34, Art. 36 e Art. 37 constituem o chamado TRÁFICO DE DROGAS. 22 Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão de 5 (cinco) a 15 (quinze) anos e pagamento de 500 (quinhentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa. O art. 33, caput, contempla 18 núcleos. Trata-se de tipo misto alternativo, também denominado de crime de ação múltipla ou de conteúdo variado. Se o agente praticar duas ou mais condutas contra o mesmo objeto material (mesma droga), ele responderá por um único crime. Contudo, se as condutas forem praticadas contra drogas diversas, estará caracterizado o concurso de crimes. E quais são as condutas criminalizadas? • Importar; • Exportar; • Remeter; • Preparar; • Produzir; • Fabricar; • Adquirir; • Vender; • Expor à venda; • Oferecer; • Ter em depósito; • Transportar; • Trazer consigo; • Guardar; • Prescrever; • Ministrar; • Entregar a consumo ou • Fornecer drogas Sobre a definição de cada conduta, descreve Victor Eduardo Rios Gonçalves e José Paulo Baltazar Junior (2016):12 Importar consiste em fazer entrar o entorpecente no País, por via aérea, marítima ou por terra. O crime pode ser praticado até pelo correio. O delito consuma-se no momento em que a droga entra no território nacional. Pelo princípio da especialidade, aplica-se a Lei de Drogas, e não o art. 334 do Código Penal (contrabando ou descaminho), delito que, dessa forma, só pune a importação de outros produtos proibidos. 12 Gonçalves, Victor Eduardo Rios. Legislação penal especial / Victor Eduardo Rios Gonçalves, José Paulo Baltazar Junior; coordenador Pedro Lenza. – 2. ed. – São Paulo : Saraiva, 2016. – (Coleção esquematizado®) 1. Direito penal - Legislação - Brasil I. Baltazar Junior, José Paulo. II. Título. III. Série. CDU-343.3/.7(81)(094.56). 23 Exportar é enviar o entorpecente para outro país por qualquer dos meios mencionados. Remeter é deslocar a droga de um local para outro do território nacional. Preparar consiste em combinar substâncias não entorpecentes, formando uma tóxica pronta para o uso. Produzir é criar. É a preparação com capacidade criativa, ou seja, que não consista apenas em misturar outras substâncias. Fabricação é a produção por meio industrial. Adquirir é comprar, obter a propriedade, a título oneroso ou gratuito. Só configura o crime de tráfico se a pessoa adquire com intenção de, posteriormente, entregar a consumo de outrem. Quem compra droga para uso próprio incide na conduta prevista no art. 28 — porte de droga para consumo próprio, que possui pena muito mais branda. Vender é alienar mediante contraprestação em dinheiro ou outro valor econômico. Expor à venda consiste em exibir a mercadoria aos interessados na aquisição. Oferecer significa abordar eventuais compradorese fazê-los saber que possui a droga para venda. O significado das condutas “guardar” e “ter em depósito” é objeto de controvérsia na doutrina. Com efeito, Nélson Hungria entende que “ter em depósito” é reter a droga que lhe pertence, enquanto “guardar” é reter a droga pertencente a terceiro. É esse também o entendimento de Fernando Capez. Para Vicente Greco Filho, ambas as condutas implicam retenção da substância entorpecente, mas a figura “ter em depósito” sugere provisoriedade e possibilidade de deslocamento rápido da droga de um local para outro, enquanto “guardar” tem um sentido, pura e simplesmente, de ocultação. Transportar significa conduzir de um local para outro em um meio de transporte e, assim, difere da conduta “remeter” porque, nesta, não há utilização de meio de transporte viário. Enviar droga por correio, portanto, constitui “remessa”, exceto se for entre dois países, quando consistirá em “importação” ou “exportação”. Por outro lado, o motorista de um caminhão que leva a droga de Campo Grande para São Paulo está “transportando” a mercadoria entorpecente. Trazer consigo é conduzir pessoalmente a droga. É, provavelmente, a conduta mais comum, porque se configura quando o agente, por exemplo, traz o entorpecente em seu bolso ou bolsa. Prescrever, evidentemente, é sinônimo de receitar. Por essa razão, a doutrina costuma mencionar que se trata de crime próprio, pois só médicos e dentistas podem receitar medicamentos. Lembre-se de que há substâncias entorpecentes que podem ser vendidas em farmácias, desde que haja prescrição médica. Porém, se o médico, intencionalmente, prescreve o entorpecente, apenas para facilitar o acesso à droga, responde por tráfico. O crime consuma-se no momento em que a receita é entregue ao destinatário. Se alguém, que não é médico ou dentista, falsifica uma receita e consegue comprar a droga, responde por tráfico na modalidade “adquirir” com intuito de venda posterior. A prescrição culposa de entorpecente (em dose maior que a necessária ou em hipótese em que não é recomendável o seu emprego) caracteriza crime específico, previsto no art. 38 da Lei de Drogas. Ministrar é aplicar, inocular, introduzir a substância entorpecente no organismo da vítima — quer via oral, quer injetável. Exemplo: um farmacêutico injeta drogas em determinada pessoa sem existir prescrição médica para tanto. Fornecer é sinônimo de proporcionar. O fornecimento pressupõe intenção de entrega continuada do tóxico ao comprador e, por tal razão, difere das condutas “vender” ou simplesmente “entregar”. O fornecimento e a entrega, ainda que gratuitos, tipificam o crime. 24 Se o indivíduo pratica alguma dessas condutas descritas pelos verbos supracitados, mesmo que gratuitamente incorre neste crime, ou seja, não é necessário para a configuração do delito que tenha relação financeira. No tocante aos sujeitos do crime, trata-se de crime comum ou geral: pode ser praticado por qualquer pessoa. A maior parte das condutas previstas no tipo penal do art. 33 da Lei de Drogas são caracterizadas como crime comum, ou seja, não exigem qualidade especial do agente. Todavia, no tocante as condutas prescrever e ministrar é crime próprio. É considerada crime próprio porque só quem pode prescrever é profissional da área de saúde. Por outro lado, referente a conduta ministrar (aplicar a droga) existe divergência, pois parte dos defensores argumentam que a aplicação (ministrar) pode ser feita por qualquer pessoa. O tipo penal do art. 33 da Lei de Drogas possui um elemento normativo que merece a nossa atenção, qual seja, “sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar”. Desse modo, para a configuração do delito em comento é necessário que a conduta seja praticada sem autorização ou ainda em desacordo com determinação legal ou regulamentar. O tráfico só restará configurado se a conduta for praticada sem autorização legal. Candidato, é possível o comércio lícito de drogas? É possível sim excelência, pois só existe o crime se a conduta é realizada “sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar”. Exemplo: venda de remédio com receita controlada, pois contém o princípio ativo de alguma droga. Candidato, a mera solicitação do preso, sem a efetiva entrega do entorpecente ao destinatário no estabelecimento prisional, configura tráfico de drogas? A mera solicitação do preso, sem a efetiva entrega do entorpecente ao destinatário no estabelecimento prisional, configura ato preparatório, o que impede a sua condenação por tráfico de drogas. A controvérsia consiste em saber se a interceptação da droga por agentes penitenciários antes de ser entregue ao seu destinatário, recolhido em estabelecimento prisional, impede a sua condenação pela prática do delito do art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006, na modalidade “adquirir”, que viria, em tese, a ser por esse praticada. No caso, o custodiado não praticou conduta alguma que possa configurar o início do iter criminis do delito descrito no art. 33 da Lei n. 11.343/2006, porquanto limitou-se a solicitar à sua companheira (corré) a entrega da droga no interior do presídio em que se encontrava recolhido. Ambas as Turmas de Direito Penal desta Corte têm decidido que a mera solicitação, sem a efetiva entrega do entorpecente ao destinatário no estabelecimento prisional, configura, no máximo, 25 ato preparatório e, sendo assim, impunível. Logo, é de rigor a absolvição do acusado, em razão da atipicidade de sua conduta, notadamente porque não comprovada a propriedade da droga. Nesse sentido, “a tão só ação imputada de, em tese, solicitar que fossem levadas drogas para o interior do estabelecimento prisional, entorpecentes esses cuja propriedade não se conseguiu comprovar, poderia configurar, no máximo, ato preparatório e, portanto, impunível, mas não ato executório do delito, seja na conduta de "adquirir", a qual se entendeu subsumir a ação, seja nas demais modalidades previstas no tipo. Evidencia-se, portanto, a atipicidade da conduta” (AgRg no REsp 1.937.949/MG, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 27/8/2021). A mera solicitação do preso, sem a efetiva entrega do entorpecente ao destinatário no estabelecimento prisional, configura ato preparatório, o que impede a sua condenação por tráfico de drogas. Caso hipotético: Tiago cumpre pena em um presídio. Ele pediu que Natália, sua namorada, levasse maconha para ele na próxima visita. Natália adquiriu a droga e levou até o presídio. Ocorre que, durante o procedimento de revista de visitantes, os agentes encontraram o entorpecente. Natália praticou tráfico de drogas e Tiago fato atípico. A interceptação da droga pelos agentes penitenciários antes de ser entregue ao destinatário, recolhido em estabelecimento prisional, impede a ocorrência da conduta típica do art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006 na modalidade “adquirir”, que viria, em tese, a ser por esse praticada. A conduta de apenas solicitar que a droga seja levada para o interior do estabelecimento prisional pode configurar, no máximo, ato preparatório e, portanto, impunível. Não se trata de ato executório do delito, seja na conduta de “adquirir”, seja nas demais modalidades previstas no tipo. Evidencia-se, portanto, a atipicidade da conduta. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.999.604-MG, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 20/3/2023 (Info 770). O parágrafo 1º traz mais verbos com todas as condutas equiparadas: § 1º Nas mesmas penas incorre quem: I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece, fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo ou produto químico destinado à preparação de drogas; Essa substância é qualquer que seja extraída de