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O termo Neurociência surgiu recentemente, em 1970, mas os estudos do cérebro humano são de muitos anos atrás, datam desde a filosofia grega, antes de Cristo. Isso se deve ao fato de que esse é o órgão mais complexo do corpo humano, constituído por milhares de células. Os filósofos da Grécia desenvolveram teorias sobre o cérebro através de simples observações, já os romanos iniciaram seus estudos dissecando animais. No século XVIII, levado pelo Iluminismo, surgiram os estudos mais aprofundados do sistema nervoso. A teoria da evolução de Charles Darwin também contribuiu significativamente para o entendimento da estrutura e funcionamento cerebrais. Mas foi o surgimento de tecnologias como o Raio X e a tomografia computadorizada que otimizaram as pesquisas na área e inauguraram efetivamente a Neurociência. Atualmente, a cibernética também tem oferecido contribuições para essa disciplina, principalmente por meio da neurociência computacional. O seu principal objetivo é compreender e imitar o funcionamento do sistema nervoso para o desenvolvimento de máquinas que auxiliem o ser humano em diversos campos. Neurociência Afetiva Amígdala . Diversas linhas de pesquisa têm estabelecido que a amígdala, estrutura localizada dentro do nosso lobo temporal, como uma das mais importantes regiões cerebrais para as emoções. A amígdala tem um papel chave no processamento emocional e de sinais sociais das emoções (particularmente para o medo), e no condicionamento emocional e consolidação de memórias emocionais. Estudos de neuroimagem têm associado a ativação da amigdala à detecção emocional e de estímulos biologicamente relevantes. Ela ajuda a guiar a atenção do organismo para estímulos com relevância emocional. Em humanos, lesões na amigdala podem levar a prejuízos no processamento de rostos e sinais sociais. Estudos mais recentes indicam que o processamento de expressões faciais emocionais, especialmente o medo, foi particularmente prejudicado em humanos com lesões amigdalares. A ativação amigdalar a estímulos com conteúdo emocional acontece mesmo para aqueles estímulos apresentados por tempo insuficiente para serem registrados pela consciência. Ainda, a ativação da amígdala para o medo não é apenas para expressões faciais, isso também ocorre com vocalizações emocionais de medo. No entanto, o processamento emocional da amígdala é suscetível ao controle top-down de reações emocionais. Córtex Pré-Frontal (CPF) Diferentes regiões do CPF estão envolvidas em funções como planejamento, tomada de decisão, controle inibitório e atenção. Estudos de metanálise evidenciaram que essas mesmas regiões são ativadas com a exposição de conteúdo emocional. Tais regiões são frequentemente associadas ao controle de impulsos emocionais, podendo inibir a ativação da amigdala e outras estruturas a estímulos emocionalmente relevantes. Alguns pesquisadores sugerem que o CPF ventromedial exerce uma função interoceptiva que seria determinante para a percepção emocional e tomada de decisão. O córtex orbitofrontal seria determinante para percepção de conteúdo emocional, independentemente da valência o estímulo, e para o controle de impulsos, sendo fundamental para o controle top-down das reações emocionais. Córtex Cingulado Anterior (CCA) O CCA desempenha um papel chave no monitoramento e avaliação emocional. Ele integra informações autonômicas, emocionais e atencionais, com intuito de regular os estados emocionais e selecionar a resposta mais adequada e as prioridades. Ou seja, os neurocientistas contemporâneos veem o CCA como um ponto de integração de informações viscerais, atencionais e emocionais, que está crucialmente envolvido na regulação afetiva e de outras formas de controle top-down. Além disso, alguns autores têm sugerido que o CCA é um componente determinante para a experiência emocional consciente e para a representação central da estimulação autonômica. Ele monitora conflitos entre o estado funcional do organismo e qualquer nova informação que tem potencial de consequências afetivas. Ainda, o CCA pode ser subdividido em: Dorsal, com uma função mais cognitiva; e Rostral/Ventral, com função mais afetiva. A subdivisão afetiva é frequentemente ativada com a apresentação de estímulos emocionais.