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A América Latina e o Giro Decolonial 
O giro decolonial é um movimento teórico e política que busca questionar e romper com os 
paradigmas impostos pelo colonialismo e pelo eurocentrismo, que continuam a moldar as 
estruturas de poder, saber e ser no mundo contemporâneo. 
Diferente do pós-colonialismo, o giro decolonial busca uma resistência teórica e prática contra 
as lógicas da modernidade/colonialidade. Ele enfatiza a necessidade de descolonizar o saber, o 
poder e o ser. 
Valorização das epistemologias do Sul, que inclui saberes ancestrais, comunitários e 
contextuais. 
Epistemologias do Sul = refere-se a um conjunto de saberes e práticas produzidos em 
contextos históricos e culturais marcados pela opressão colonial. Reconhece que o 
conhecimento legítimo não exclusivo do ocidente e valoriza saberes indígenas, africanos, 
asiáticos e latino-americanos. 
Grupo Modernidade/Colonialidade (M/C) 
Formado por intelectuais latino-americanos como Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Enrique 
Dussel, o grupo critica o eurocentrismo na produção de conhecimento e propõe novas 
epistemologias baseadas nas experiências do Sul Global. 
A ideia central do grupo é que a modernidade não pode ser separada da colonialidade. A 
modernidade, muitas vezes celebrada como progresso, está intrinsecamente associada à 
violência e exploração colonial. 
Para Mignolo e Dussel, o projeto moderno é sustentado pela subjugação de povos e pela 
imposição de hierarquias raciais, culturais e epistemológicas. 
Colonialidade do Poder, do Saber e do Ser 
Do poder: descreve a forma como o colonialismo organizou as relações de poder 
globais, impondo uma hierarquia racial e econômica. 
Desenvolvido por Aníbal e utilizado pelo grupo. Exprie uma constatação de que as 
relações de colonialidade nas esferas econômicas e políticas não findaram com a 
destruição do colonialismo. Possui uma dupla pretensão, sendo ¹ a continuidade das 
formas coloniais de dominação após o fim das administrações coloniais, produzidas 
pelas culturas coloniais e pelas estruturas do sistema-mundo capitalista 
moderno/colonial. E ² possui uma capacidade explicativa que atualiza e contemporiza 
processos que supostamente teriam sido apagados, assimilados ou superados pela 
modernodade. 
Ex.: Controle da economia; controle da autorida; controle da natureza e dos recursos 
naturais; controle do gênero e da sexualidade; controle da subjetividade e do 
conhecimento. 
Do saber: analisa como o conhecimento eurocêntrico foi universalizado, 
marginalizando os saberes locais e indígenas. 
Está ligada à critica do eurocentrismo na produção e validação do conhecimento. Esse 
conceito é central para compreender como o colonialismo não apenas dominou 
territórios e corpos, mas também impôs uma hierarquia epistemológica que 
desvalorizou ou apagou outros modos de saber. 
Ex.: exclui saberes locais e traducionais; desqualifica outras cosmologias e práticas 
culturais “primitivas” ou “não científicas”; sustenta a dominação global ao justificar a 
subordinação dos povos colonizados como “atrasados” ou “não civilizados”. 
Do ser: refere-se à desumanização das populações colonizadas e à imposição de 
modos de vida que negam sua existência plena 
Pós-colonialismo 
É um campo teórico que emerge como crítica às consequências do colonialismo, com foco nas 
continuidades de opressão mesmo após a independência política das colônias. 
Vindo de basicamente dois entendimentos, primeiro diz respeito ao tempo histórico posterior 
aos processos de descolonização do chamado “terceiro mundo”, a partir da metade do século 
XX. Refere-se à independência, libertação e emancipação das sociedades exploradas pelo 
imperialismo e neocolonialismo. 
A outra utilização do termo se refere a um conjunto de contribuições teóricas oriundas 
principalmente dos estudos literários e culturais, que ganharam evidência em 1980 em 
algumas universidades dos EUA e Inglaterra. 
Decolonialidade 
A decolonialidade parece como o terceiro elemento da modernidade/colonialidade. A 
colonialidade refere-se a uma perspectiva crítica que busca superar as continuidades do 
colonialismo, ou seja, as formas como a colonialidade persiste nas estruturas sociais, culturais, 
epistemológicas e políticas mesmo após o fim formal do colonialismo. 
Propõe desnaturalizar as hierarquias de poder, saber e ser impostas pela lógica da 
modernidade/colonialidade. Está intimamente logado ao Grupo Modernidade/Colonialidade 
(M/C). 
Propõe a descolonização do saber, desafiando a hegemonia do conhecimento eurocêntrico. 
Enfatiza o reconhecimento e a valorização das epistemologias do Sul, que incluem saberes de 
regiões marginalizadas pela ciência moderna ocidental. 
Defende a descolonização do ser, abordando como a colonialidade afeta as subjetividades e 
impõe modos de existência subordinados. 
Pós-colonialismo x Decolonialidade 
Embora ambos critiquem o colonialismo, o pós-colonialismo foca na análise literária e cultural 
e muitas vezes utiliza ferramentas teóricas eurocêntricas. Já a decolonialidade enfatiza a 
ruptura epistêmica com o eurocentrismo e propõe a construção de alternativas a partir das 
experiências históricas e culturais das populações colonizadas. 
Geopolítica do Conhecimento 
Revela como o conhecimento foi historicamente produzido e validado a partir de um ponto de 
vista eurocêntrico. Essa perspectiva exclui e marginaliza outros modos de saber, apresentando 
o conhecimento ocidental como universal, enquanto desvaloriza epistemologias indígenas, 
africanas e latono-americanas. 
Grupos de Estudos Subalternos 
Criando em 1980 no Sul da Ásia, o grupo focou na reinterpretação da história colonial a partir 
das perspectivas de grupos subalternos, frequentemente ignorados pelos relatos históricos 
convencionais. O grupo define subalternos como aqueles excluídos das estruturas de poder e 
narrativa dominante.

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