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Processo de Conhecimento
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 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
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Sumário 
Sumário ................................................................................................................................................... 3 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ...................................................................................................................... 5 
1. PETIÇÃO INICIAL .......................................................................................................................................... 5 
1.1. Funções da petição inicial: .................................................................................................................... 5 
1.2. Requisitos da petição inicial: ................................................................................................................ 5 
1.3. Causa de Pedir e Pedido ....................................................................................................................... 6 
1.4. Posturas do Juiz diante da Petição Inicial ............................................................................................. 9 
2. AUDIÊNCIA DE MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO .............................................................................................. 11 
3. RESPOSTA DO RÉU ..................................................................................................................................... 12 
3.1. Contestação: ....................................................................................................................................... 12 
3.2. Reconvenção ...................................................................................................................................... 14 
4. REVELIA ...................................................................................................................................................... 15 
4.1. Conceito .............................................................................................................................................. 15 
4.2. Efeitos ................................................................................................................................................. 15 
4.3. Revelia da Fazenda Pública ................................................................................................................. 16 
5. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES CONFORME O ESTADO DO PROCESSO .................................................... 16 
5.1. Julgamento conforme o Estado do processo ..................................................................................... 17 
5.2. Saneamento e organização do processo ............................................................................................ 17 
6. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO ............................................................................................. 18 
7. PROVAS ...................................................................................................................................................... 19 
7.1. Conceito .............................................................................................................................................. 19 
7.2. Exclusão do objeto de prova .............................................................................................................. 20 
7.3. Ônus da Prova ..................................................................................................................................... 20 
7.4. Prova ilegal e prova ilícita ................................................................................................................... 22 
7.5. Provas atípicas .................................................................................................................................... 22 
7.6. Ação probatória autônoma ................................................................................................................ 23 
7.7. Provas em espécie .............................................................................................................................. 24 
7.8. Inspeção judicial ................................................................................................................................. 28 
 
 
 
 
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 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
TEMA DO DIA 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Processo de conhecimento. 
 
1. PETIÇÃO INICIAL 
 
 A forma de materializar o interesse em buscar a tutela jurisdicional é a petição inicial, conceituada 
pela melhor doutrina como peça escrita no vernáculo e assinada por patrono devidamente constituído em 
que o autor formula demanda que virá a ser apreciada pelo juiz, na busca de um provimento final que lhe 
conceda a tutela jurisdicional pretendida. 
 
1.1. Funções da petição inicial: 
 
● Instaura o processo; 
● Indica os limites objetivos e subjetivos da sentença; 
● Permite a verificação de eventual litispendência, coisa julgada ou conexão; 
● Fornece elementos para a fixação de competência; 
● Indica ao juiz a ausência de alguma das condições da ação; 
 
1.2. Requisitos da petição inicial: 
 
Art. 319. A petição inicial indicará: 
I - o juízo a que é dirigida; 
II - os nomes, os prenomes, o estado civil, a existência de união estável, a profissão, 
o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da 
Pessoa Jurídica, o endereço eletrônico, o domicílio e a residência do autor e do réu; 
III - o fato e os fundamentos jurídicos do pedido; 
IV - o pedido com as suas especificações; 
V - o valor da causa; 
 
Alguns reflexos da atribuição do valor da causa: 
 
● Determinação de competência do juízo segundo as leis de organização judiciária; 
● Recolhimento de taxa judiciária; 
● Fixação do valor para fins de aplicação de multas; 
● Fixação do depósito prévio na ação rescisória; 
● Nos inventários e partilhas o valor da causa influi sobre a adoção do rito procedimental. 
 
VI - as provas com que o autor pretende demonstrar a verdade dos fatos alegados; 
VII - a opção do autor pela realização ou não de audiência de conciliação ou de 
mediação. 
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Processo de Conhecimento 
 
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Também o art. 106, I, do CPC indica outro requisito estrutural essencial para a regularidade da petição 
inicial, quando o advogado postular em causa prórpria. 
 
Art. 106. Quando postular em causa própria, incumbe ao advogado: 
I - declarar, na petição inicial ou na contestação, o endereço, seu número de inscrição na Ordem 
dos Advogados do Brasil e o nome da sociedade de advogados da qual participa, para o 
recebimento de intimações; 
 
O art. 320 do CPC determina que a petição inicial será instruída com os documentos indispensáveis à 
propositura da demanda. A ausência de tais documentos enseja a possibilidade de emenda da petição inicial, 
considerando-se que o vício gerado pela não juntada de tais documentos é sanável. 
 
 O art. 321 do CPC dispõe acerca da emenda à petição inicial: 
 
Art. 321. O juiz, ao verificar que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 319 e 320 
ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, 
determinará que o autor, no prazo de 15 (quinze) dias, a emende ou a complete, indicando com 
precisão o que deve ser corrigido ou completado. 
Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial. 
 
1.3. Causa de Pedir e Pedido 
 
1.3.1. Causa de pedir 
 
Na lição de Alexandre Freitas Câmara (2017, p. 208): “Além dos fatos que fundamentam a pretensão, a 
petição inicial deve deduzir, também, seus fundamentos jurídicos. Estes não integram a causa de pedir, mas 
ainda assimprecisam ser descritos na petição inicial. É que incumbe ao demandante indicar, na sua petição 
inicial, o raciocínio jurídico desenvolvido para afirmar que, dos fatos narrados, chegou à conclusão por ele 
apresentada. Tais fundamentos jurídicos não vinculam o juiz (ao contrário da causa de pedir, a que o juiz fica 
vinculado e só com base nela poderá proferir sentença de mérito), que pode trazer outros fundamentos 
jurídicos para a causa (iura novit curia, máxima que indica que o juiz conhece o Direito e, por isso, não fica 
vinculado aos fundamentos jurídicos deduzidos pelas partes), os quais deverão, porém, ser submetidos ao 
contraditório substancial e efetivo para que possam ser invocados na fundamentação da decisão (art. 10).” 
 
A causa de pedir é composta pelos fundamentos de fato, que formam a causa de pedir remota, e pelos 
fundamentos de direito, que formam a causa de pedir próxima, e que dão origem ao pedido formulado 
perante o juízo. 
 
É importante ressaltar que a causa de pedir também pode ser classificada em ativa, que é o fato 
constitutivo do direito do autor, e passiva, que é o fato que impulsiona o interesse de agir. 
 
Fundamento jurídico: é o motivo que justifica a existência da ação e integra a causa de pedir. 
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Fundamento legal: são as normas legais que fundamentam o direito material discutido em juízo, e que 
não são requisitos da petição inicial. 
 
Teoria sobre a Causa de Pedir 
Teoria da Substanciação da Causa de Pedir: a causa de pedir é formada pelo conjunto dos fatos e dos 
fundamentos jurídicos. É a teoria adotada pelo CPC. 
 
1.3.2. Pedido 
 
Pedido é a providência que a parte requer do judiciário, formado por dois objetos: um imediato, que é 
a tutela jurisdicional pretendida pelo demandante, tendo por destinatário o Poder Judiciário, e outro mediato, 
que é o bem jurídico que será protegido pela tutela jurisdicional, tendo por destinatário o réu. 
 
Alexandre Freitas Câmara (2017, p. 210) afirma que: “A interpretação do pedido exige uma consideração 
especial. É que muitas vezes se vê, na prática forense, considerar-se que o pedido deveria ser interpretado 
apenas a partir de uma frase que, formulada ao final da petição inicial, é indicada pelo demandante como 
sendo seu pedido. É que, com muita frequência, o demandante – através de seu advogado – escreve, ao fim 
da petição inicial, algo como o seguinte: “é a presente para pedir a condenação do réu ao cumprimento da 
obrigação X”, ou “através da presente pede-se a anulação do contrato Y”. Impende, porém, ter claro que o 
pedido não pode ser interpretado a partir de uma única frase, mas levando-se em conta “o conjunto da 
postulação” (art. 322, § 2º).” 
 
“Ademais, deve-se levar em conta, na interpretação do pedido, o princípio da boa-fé (arts. 5o e 322, § 
2o). É que, com a dedução de uma demanda em juízo, o autor gera – no órgão jurisdicional e no demandado 
– expectativas que devem ser levadas em consideração no momento da interpretação do pedido. Assim, por 
exemplo, se o autor passou toda a inicial a descrever um vício de consentimento de um contrato, gera-se, 
tanto para o demandado como para o órgão jurisdicional, a legítima expectativa de que aquela será uma 
demanda de anulação do negócio jurídico. Pode ocorrer, porém, de o autor escrever, em seu texto, que 
pretende a rescisão do contrato. O princípio da boa-fé, porém, exige que tal pedido seja interpretado como a 
manifestação de uma pretensão de anulação (e não de rescisão) do negócio. Além disso, na interpretação do 
pedido deve-se levar em consideração a vontade da parte, incidindo na hipótese o disposto no art. 112 do CC 
(FPPC, enunciado 285).” (CÂMARA, 2017, p. 211). 
 
Características do pedido 
 
● Pedido Certo: é o pedido expresso, em contraposição ao implícito. 
 
Exceções à certeza do pedido: consideram-se incluídos no objeto do processo os juros legais, a 
correção monetária e as verbas de sucumbência (art. 322, §1º, do CPC). 
 
Também se consideram incluídas no objeto do processo, independentemente de pedido expresso, as 
prestações sucessivas que resultem da obrigação cujo cumprimento se postula (art. 323 do CPC). 
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● Pedido Determinado: delimitado em relação à qualidade e à quantidade do bem jurídico pretendido, 
contrapondo-se ao pedido genérico. 
 
Exceções à determinação do pedido (art. 324 do CPC): 
 
I- nas ações universais, se o autor não puder individuar os bens demandados; 
II- quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato; 
III- quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser 
praticado pelo réu. 
 
Cumulação de pedidos 
 
Requisitos para a Cumulação de Pedidos: 
 
I- Compatibilidade (dispensada para pedidos subsidiários e alternativos). 
II- A competência do juízo para o conhecimento de todos. 
III- A adequação do procedimento adotado. 
 
OBSERVAÇÃO: Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento, será admitida a 
cumulação se o autor empregar o procedimento comum, sem prejuízo do emprego das técnicas processuais 
diferenciadas previstas nos procedimentos especiais a que se sujeitam um ou mais pedidos cumulados, que 
não forem incompatíveis com as disposições sobre o procedimento comum. 
 
Espécies de cumulação de pedidos 
 
I- Cumulação Própria: são formulados vários pedidos, que devem ser acolhidos simultaneamente, podendo 
ser simples ou sucessiva. 
 
a) Cumulação Própria Simples: os pedidos não têm entre si relação de precedência lógica, podendo ser 
analisados de forma independente. 
b) Cumulação Própria Sucessiva: há vínculo de precedência lógica entre os pedidos, de modo que o 
acolhimento de um pressupõe o acolhimento do anterior, em razão da prejudicialidade ou da 
preliminariedade. 
 
II- Cumulação Imprópria: são formulados vários pedidos, de modo que apenas um poderá ser atendido, 
podendo ser subsidiária ou alternativa. 
 
a) Cumulação Imprópria Subsidiária ou Eventual: o juiz só poderá acolher o pedido posterior caso o 
anterior tenha sido rejeitado. 
b) Cumulação Imprópria Alternativa: o juiz só poderá acolher um dos pedidos, rejeitando os demais. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
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1.4. Posturas do Juiz diante da Petição Inicial 
 
1.4.1. Emenda da petição inicial 
 
Segundo o STJ, a emenda consiste em um direito do autor, não podendo o juiz indeferir a petição inicial 
antes de oportunizar a emenda ao autor, se for possível ao caso concreto. 
 
Segundo o art. 321 do NCPC, o juiz concederá o prazo de 15 dias ao autor para que emende ou complete 
a inicial, mas pode o juiz ampliá-lo quando entender que o prazo é exíguo para cumprimento. 
 
A decisão do juiz que determina a emenda da petição inicial deve ser, como de resto toda e qualquer 
decisão judicial, devidamente motivada. Significa dizer que o juiz deve indicar precisamente qual o vício que 
entende presente na petição inicial, justificando seu entendimento. A omissão em indicar qual o vício da 
petição inicial deve ser afastada com a interposição de embargos de declaração. 
 
O art. 1.015 do NCPC não prevê entre as decisões interlocutórias recorríveis por agravo de instrumento 
o pronunciamento que determina a emenda da petição inicial. 
 
Doutrina e jurisprudência entendem pela possibilidade de emendas sucessivas, sendo o limite apreciado 
no caso concreto. 
 
Se o juiz determinar a emenda e a parte autora ficar inerte, resta o indeferimento da inicial. 
 
1.4.2. Indeferimento da petição inicial 
 
Ocorre nas hipóteses em que o juiz se depara com vícios insanáveis na petição inicial, se o autor não 
tiver conseguido sanar eventuais irregularidades, conforme previsto no art. 330: 
 
Art. 330. A petição inicial será indeferida quando: 
I - for inepta; 
II - a parte for manifestamente ilegítima; 
III - o autor carecer de interesse processual; 
IV- não atendidas as prescrições dos arts. 106 e 321. 
 
O § 1º do art. 330 do CPC, dispõe acerca das hipóteses em que a petição inicial será inepta: 
Art. 330 (...) §1º Considera-se inepta a petição inicial quando: 
I - lhe faltar pedido ou causa de pedir; 
II - o pedido for indeterminado, ressalvadas as hipóteses legais em que se permite o pedido 
genérico; 
III - da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; 
IV - contiver pedidos incompatíveis entre si. 
 
O art. 331 do CPC prevê a retratação: 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
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Art. 331 - Acaso indeferida a petição inicial, o autor pode apelar, facultado ao juiz 
retratar-se no prazo de 05 (cinco) dias. 
 
● Se não houver retratação, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso. 
● Sendo a sentença reformada pelo Tribunal, o prazo para a contestação começará a partir do retorno 
dos autos; 
● Se não for interposta a apelação, o réu será intimado tão somente do trânsito em julgado da sentença. 
 
Hipóteses de indeferimento da inicial: 
 
● Inépcia da inicial (art. 330, § 1º, CPC): 
1. Falta de pedido ou causa de pedir; 
2. Pedido indeterminado, salvo as hipóteses legais em que se permite o pedido genérico; 
3. Da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão; 
4. Contiver pedidos incompatíveis entre si. 
● Ilegitimidade da parte (manifesta); 
● Falta de interesse de agir; 
● Ausência de emenda da petição inicial. 
 
1.4.3. Julgamento de improcedência liminar 
 
É a possibilidade de julgamento de improcedência do pedido do autor antes da citação do réu (inaudita 
altera partes), nas hipóteses do art. 332, NCPC: 
 
Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da 
citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar: 
I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de 
Justiça; 
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de 
Justiça em julgamento de recursos repetitivos; 
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou 
de assunção de competência; 
IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local. 
§ 1º O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, 
desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. 
 
O objetivo do dispositivo legal é o encerramento de demandas repetitivas. A economia processual e a 
celeridade do processo são os fundamentos principais que levaram o legislador a prever esse instituto 
processual. 
 
Requisitos: 
 
● Só é cabível em causas que dispensem a fase instrutória; 
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● Havendo enunciado de súmula, acórdão proferido em julgamento de recursos repetitivos e 
entendimento firmado em IRDR ou de IAC. 
 
Se interposta apelação, o juiz poderá retratar-se em 05 (cinco) dias. 
 
Não havendo retratação da sentença, a apelação recebida pelo juízo de primeiro grau deverá ser 
encaminhada ao Tribunal de segundo grau competente para o seu julgamento. Antes disso, o réu deve ser 
citado para responder ao recurso. A doutrina majoritária entende que essa resposta do réu tem natureza de 
contestação, devendo o réu alegar em sua defesa todas as matérias que alegaria se tivesse sido regularmente 
citado. 
 
2. AUDIÊNCIA DE MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO 
 
Recebida a petição inicial, se não for causa de improcedência liminar do pedido, o juiz designará 
audiência de conciliação ou mediação, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo o réu ser citado 
com antecedência mínima de 20 (vinte) dias (sob pena de violação ao princípio do contraditório e consequente 
nulidade). 
 
A regra, portanto, é a citação e no mesmo ato a intimação do réu para comparecer à audiência de 
conciliação ou de mediação. 
 
O art. 334, §2º, do NCPC, prevê que poderá haver mais de uma sessão de conciliação e mediação, desde 
que necessária para a composição das partes, num período máximo de 02 (dois) meses, embora esse prazo 
possa ser extrapolado pela vontade das partes. 
 
O autor será intimado na pessoa do seu advogado acerca da realização da audiência. O fato de o autor 
ter manifestado na petição inicial que não deseja a realização da audiência não é suficiente para que ela não 
seja realizada, pois dependerá de manifestação no mesmo sentido pelo réu. No entanto, se ambas as partes 
manifestarem, expressamente, desinteresse, o juiz dispensará a realização da audiência. Para o réu, o 
desinteresse deve ser indicado em petição, apresentada com 10 (dez) dias de antecedência. 
 
Segundo o art. 334, § 4º, I, do CPC, o juiz dispensará a realização da audiência quando ambas as partes 
manifestarem, expressamente, desinteresse na composição consensual. Essa declaração de desinteresse na 
realização da audiência não depende de qualquer justificativa, bastante a vontade das partes, ainda que 
imotivada, para que a audiência não se realize. 
 
Se o direito material não admitir autocomposição, não será realizada audiência de conciliação e 
mediação. 
 
Se existirem litisconsórcios, todos devem manifestar o desinteresse na realização da audiência. 
 
O art. 165 do CPC prevê que os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, 
responsáveis pela realização de sessões e audiências de conciliação e de mediação. 
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O art. 334, § 8º, do CPC prevê que a ausência injustificada do autor ou réu na audiência é ato 
atentatório à dignidade da justiça, passível de sanção processual, representada por multa de até 2% do valor 
da causa ou da vantagem econômica pretendida, tendo como credor a União ou o Estado. 
STJ : A decisão que aplica a multa do art. 334, §8º, do CPC, à parte que deixa de comparecer à audiência 
de conciliação, sem apresentar justificativa adequada, não pode ser impugnada por agravo de instrumento, 
não se inserindo na hipótese prevista no art. 1.015, II, do CPC. Tal decisão poderá, no futuro, ser objeto de 
recurso de apelação, na forma do art. 1.009, §1º, do CPC. (STJ. 3ª Turma. REsp 1762957-MG, Rel. Min. Paulo 
de Tarso Sanseverino, julgado em 10/03/2020). 
 
As partes devem estar acompanhadas por seus advogados ou defensores públicos. 
 
A audiência de mediação ou de conciliação, ao menos em regra, será realizada por conciliador ou mediador 
vinculado ao centro judiciário de solução consensual de conflitos, que naturalmente não está investido na jurisdição. Dessa 
forma, deverá se limitar a reduzir a termo a autocomposição e encaminhar os autos para o JUIZO do processo, a quem 
caberá homologar a autocomposição por meio de sentença de mérito, nos termos do art. 487, III, "b", do Novo CPC. 
 
3. RESPOSTA DO RÉU 
 
Lembrar que o NCPC acabou com a exceção de incompetência e suspeição em peças apartadas. Agora, 
eventual alegação de incompetência, suspeição, impedimento, impugnação ao valor da causa, por exemplo, 
deve ser formulada em contestação, via de regra. 
 
3.1. Contestação: 
 
É a resposta defensiva do réu, representando a forma processual pela qual o réu se insurge contra a pretensão do 
autor. O prazo de contestação é de 15 dias, sendo o termo inicial definido conforme art. 335 do CPC. 
 
3.1.2. Defesas Processuais (indiretas): 
 
 Não dizem respeito propriamente ao direito material alegado pelo autor, mas à regularidade formal do processo. 
Podem ser dilatórias (não provocam o fim do processo) e peremptórias (acolhidas, extinguem o processo sem resolução do 
mérito). 
 
a) Defesas dilatórias: 
 
● Inexistência ou nulidade de citação; 
● Incompetência do juízo: Lembrar que com o NCPC, a alegação de incompetência relativa passa a ser 
preliminar de contestação, e não mais em exceção. 
● Da decisão que acolhe ou rejeita a alegação de incompetência do réu, tanto absoluta quanto relativa, 
pelo texto do CPC, não cabe agravo de instrumento, por não estar previsto no rol do art. 1.015,do 
NCPC. Assim, a recorribilidade deveria ser feita por alegação em apelação ou contrarrazões à apelação. 
● Todavia, o STJ sedimentou o entendimento que: "É cabível o agravo de instrumento previsto no art. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
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1.015 do CPC/2015 na hipótese em que se discute a competência do juízo em que tramita o processo. 
Isso porque a correta fixação da competência jurisdicional é medida que se impõe desde logo, sob 
pena de ser infrutífero o exame tardio da questão controvertida. "Conexão e continência: O efeito 
principal, acaso reconhecida, será a reunião de processos com ações não conexas, perante o juízo 
prevento. 
● Conexão e continência: O efeito principal, acaso reconhecida, será a reunião de processos com ações 
não conexas, perante o juízo prevento. 
 
No caso da continência, a defesa apresentada pelo réu poderá ter natureza peremptória, porque nem 
sempre o reconhecimento da continência levará á reunião dos processos. Conforme art. 57 do NCPC, quando 
houver continência e a ação continente tiver sido proposta anteriormente, o processo relativo à ação contida 
será extinto por sentença, sem resolução de mérito; caso contrário, as ações serão necessariamente reunidas. 
 
b) Defesas peremptórias: 
 
● Inépcia da petição inicial; 
● Perempção: Quando o autor da causa dá extinção do processo, por três vezes, à extinção do processo, 
não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, embora possa alegar em defesa o 
seu direito. 
● Litispendência; 
● Coisa julgada; 
● Convenção de arbitragem; 
● Carência da ação por falta de interesse de agir e ilegitimidade. 
 
c) Defesas dilatórias potencialmente peremptórias: 
 
● Incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; 
● Falta de caução ou outra prestação que a lei exige como preliminar: Nos casos em que a lei exige a 
prestação de caução, cabe ao autor comprovar o cumprimento do requisito. Caso não cumpra, o juiz 
deve determinar que o autor emende a petição inicial no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de 
indeferimento da petição inicial. 
● Incorreção no valor da causa; 
● Carência da ação por ilegitimidade da parte: Incumbe ao réu indicar o sujeito passivo da relação 
jurídica discutida sempre que tiver conhecimento, sob pena de arcar com as despesas processuais e 
de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da falta de indicação. 
 
Enunciado 42 do II FPPC: O art. 339 do NCPC aplica-se mesmo a procedimentos 
especiais que não admitem intervenção de terceiros e aos juizados especiais cíveis; 
 
Enunciado 44 do II FPPC: A responsabilidade do art. 339 é subjetiva. 
O prazo para o autor aceitar a indicação correta da parte é de 15 dias, destinado à 
manifestação sobre a contestação ou sobre essa alegação de ilegitimidade do réu. 
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● Indevida concessão do benefício da gratuidade da Justiça. 
 
STJ decidiu recentemente que o acolhimento da impugnação do valor da causa em momento posterior 
à decisão que julgou o mérito da causa principal não gera nulidade do processo. (AgInt no REsp 1667308/SP) 
 
d) Defesas de mérito: 
 
É a impugnação do conteúdo jurídico da pretensão autoral. Pode ser: 
 
● Defesa de mérito direta: O réu enfrente frontalmente os fatos e fundamentos jurídicos narrados pelo 
autor na petição inicial, para demonstrar que os fatos não ocorreram ou as consequências jurídicas 
não ocorreram ou que as consequências jurídicas pretendidas pelo autor não são as mais adequadas 
ao caso concreto. 
● Defesa de mérito indireta: Nessa espécie, o réu, sem negar as afirmações lançadas pelo autor na 
petição inicial, alega fato novo que tenha natureza impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do 
autor. 
 
3.1.3. Princípios que regem a contestação: 
 
● Impugnação específica dos fatos: Segundo o art. 341, do NCPC, serão presumidos verdadeiros os fatos 
que não sejam impugnados especificamente pelo réu em sua contestação. É o ônus do réu em rebater 
pontualmente os fatos narrados pelo autor com os quais discorda, sob pena de preclusão. 
 
O ônus da impugnação específica NÃO se aplica ao advogado dativo, curador especial e defensor 
público, que podem elaborar contestação com base em negativa geral. 
 
● Eventualidade: O réu deve expor todas as matérias de defesa de forma cumulada e alternativa na 
contestação. No entanto, há algumas matérias que podem ser alegadas após a contestação (art. 342, 
NCPC): 
1. Matérias relativas a direito ou fato superveniente; 
2. Matérias que o juiz pode reconhecer de ofício; 
3. Matérias que por expressa previsão legal podem ser alegadas a qualquer momento e grau de 
jurisdição. 
 
3.2. Reconvenção 
 
 É o exercício do direito de ação do réu dentro do processo em que primitivamente o autor originário 
tenha exercido o seu direito de ação. Com a reconvenção, há a ampliação objetiva ulterior do processo, que 
passa a contar com duas ações: a originária e a reconvencional. Não se trata da pluralidade de processos, pois 
o processo continua sendo um só, mas com o pedido feito pelo réu, passa o processo a contar com mais uma 
ação, de natureza reconvencional. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
15 
a) Natureza: Como a reconvenção tem natureza de ação, devem estar presentes as condições da ação. 
b) Diminuição subjetiva na reconvenção: A doutrina admite a diminuição subjetiva na reconvenção. Logo, 
existindo litisconsórcio na ação originária, o mesmo litisconsórcio não será necessariamente formado na 
reconvenção, admitindo-se que somente um dos autores da ação originária figure como réu na reconvenção, 
por exemplo. 
 
c) Pressupostos processuais específicos da reconvenção: 
● Litispendência: É imprescindível que exista demanda originária para haver a reconvenção; 
● Competência: O juízo da ação originária é absolutamente competente para a ação reconvencional; 
● Conexão com a ação originária ou com os fundamentos da defesa. 
 
d) Procedimento: Pelo NCPC, a reconvenção deve ser apresentada na própria contestação. Segundo o 
Enunciado 45, do FPPC, não há necessidade de utilizar o nome “reconvenção”, mas o réu deve manifestar, 
inequivocamente, o pedido de tutela jurisdicional qualitativa ou quantitativamente maior do que a simples 
improcedência da demanda inicial. 
 
Se o réu não contestar, pode apresentar reconvenção de forma autônoma. 
 
Apresentada a reconvenção, ela passa a ser autônoma em relação à ação originária, e se a ação 
originária for extinta sem resolução de mérito, tal extinção NÃO afetará a reconvenção, que prosseguirá 
normalmente. E se a reconvenção for extinta, a ação ordinária também prossegue normalmente. 
 
Não sendo o caso de indeferimento liminar da reconvenção, o autor/ reconvindo será intimado, na 
pessoa do seu advogado, para responder ao processo em 15 (quinze) dias. 
 
É cabível reconvenção de reconvenção, embora parcela da doutrina entende que o seu cabimento está 
condicionado às hipóteses de reconvenção com fundamento na conexão com os fundamentos de defesa. 
 
4. REVELIA 
 
4.1. Conceito 
 
 É estado de fato gerado pela ausência jurídica de contestação (art. 344, CPC). A ausência deve ser 
necessariamente jurídica porque ocorre revelia mesmo nos casos em que o réu apresenta contestação, em 
algumas hipóteses, a exemplo do protocolo de contestação intempestiva: a contestação existirá, mas 
juridicamente não produzirá efeitos. 
 O réu revel pode intervir no processo em qualquer fase, recebendo o processo no estado em que se 
encontrar. 
 O réu revel poderá produzir provas, contrapostas às alegações do autor, desde que se faça representar 
nos autos a tempo de praticar os atos processuais indispensáveis a essa produção. 
 
4.2. Efeitos 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
16 
a) Os fatos alegados pelo autor são reputados verdadeiros (EFEITO MATERIAL): Essa presunção é 
relativa, pois pode ser afastada no caso concreto,nas hipóteses do art. 345, do NCPC: 
 
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: 
I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; 
II - o litígio versar sobre direitos indisponíveis; 
III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere 
indispensável à prova do ato; 
IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem 
em contradição com prova constante dos autos. 
 
● Desnecessidade de intimação do réu revel (EFEITO FORMAL): Para que não ocorra a intimação do réu 
revel, é indispensável que não esteja representado por patrono nos autos. Assim, se eventualmente 
foi protocolada a contestação intempestiva, o patrono deve ser intimado. 
b) Julgamento antecipado do mérito (art. 355, II, CPC) : 
Art. 355. O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com 
resolução de mérito, quando: 
I - não houver necessidade de produção de outras provas; 
II - o réu for revel, ocorrer o efeito previsto no art. 344 e não houver requerimento 
de prova, na forma do art. 349 . 
 
Conforme leciona Alexandre Freitas Câmara (2017, p. 229): “Nos casos em que a revelia (...) gere a 
presunção de veracidade, o autor fica livre de seu ônus probatório, já que – por força do disposto no art. 374, 
IV – não dependem de prova os fatos em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. 
Pode, porém, ocorrer de o revel ingressar no processo ainda em tempo de provocar a instauração de uma fase 
de instrução probatória (art. 346, parágrafo único). Pois neste caso, sobre o réu revel que tardiamente 
comparece ao processo incidirá o ônus da contraprova, sendo por isso admissível que ele produza provas 
destinadas a afastar a presunção que beneficia o demandante. Deverá, então, o juiz permitir que o revel que 
tenha comparecido produza provas que se contraponham às alegações do autor (art. 349).” 
 
4.3. Revelia da Fazenda Pública 
 
O art. 345, do CPC prevê hipóteses em que a revelia não produzirá seu efeito material, dentre elas, a de 
o litígio versar sobre direitos indisponíveis (art. 345, II, do CPC). Como é cediço, a Administração Pública tem 
por principal escopo a defesa do interesse público, que é indisponível. Além disso, os atos administrativos 
gozam de presunção relativa de legitimidade. Portanto, via de regra, o efeito material da revelia não terá 
incidência em face da Fazenda Pública. 
 
5. PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES CONFORME O ESTADO DO PROCESSO 
 
Segundo o art. 347 do Novo CPC, findo o prazo para a contestação, o juiz tomará, conforme o caso, as providências 
preliminares previstas em lei. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
17 
NÃO constituem fase obrigatória do procedimento, dependendo as circunstâncias do caso concreto. 
 
Se o réu for revel: 
 
● Sendo presumidos verdadeiros os fatos alegados pelo autor: julgamento antecipado do 
mérito; 
● NÃO sendo presumidos verdadeiros os fatos alegados pelo autor: Aplica-se o art. 348, do CPC, 
com determinação do autor para especificar as provas a serem produzidas. 
 
Se o réu apresenta contestação e alega as matérias do art. 337, o Juiz determinará a oitiva do autor para 
apresentar réplica. 
 
5.1. Julgamento conforme o Estado do processo 
 
Ultrapassada a fase das providências preliminares, abre-se a fase do julgamento conforme o Estado do 
processo, ocasião em que pode haver algumas situações: 
 
● Extinção do processo sem resolução do mérito: O juiz, ao perceber a inutilidade da continuação do 
processo, em razão de vício insanável, deve determinar a extinção do processo sem resolução do 
mérito. 
● Extinção do processo com resolução do mérito, fundada no art. 487, II e III, do NCPC. 
● Julgamento antecipado do mérito: É a possibilidade de julgamento do processo, quando for 
desnecessária a produção de provas ou quando o réu for revel e não houver requerimento para a 
produção de provas (art. 355, NCPC). 
● Julgamento antecipado parcial do mérito: 
 
Art. 356. O juiz decidirá parcialmente o mérito quando um ou mais dos pedidos 
formulados ou parcela deles: 
I - mostrar-se incontroverso; 
II - estiver em condições de imediato julgamento, nos termos do art. 355. 
 
5.2. Saneamento e organização do processo 
 
Art. 357. Não ocorrendo nenhuma das hipóteses deste Capítulo, deverá o juiz, em 
decisão de saneamento e de organização do processo: 
I - resolver as questões processuais pendentes, se houver; 
II - delimitar as questões de fato sobre as quais recairá a atividade probatória, 
especificando os meios de prova admitidos; 
(AS PARTES PODEM APRESENTAR AO JUIZ, PARA HOMOLOGAÇÃO, DELIMITAÇÃO 
CONSENSUAL DAS QUESTÕES DE FATO E DE DIREITO, A QUAL, SE HOMOLOGADA, 
VINCULA AS PARTES E O JUIZ) 
III - definir a distribuição do ônus da prova, observado o art. 373; 
IV - delimitar as questões de direito relevantes para a decisão do mérito; 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
18 
(AS PARTES PODEM APRESENTAR AO JUIZ, PARA HOMOLOGAÇÃO, DELIMITAÇÃO 
CONSENSUAL DAS QUESTÕES DE FATO E DE DIREITO, A QUAL, SE HOMOLOGADA, 
VINCULA AS PARTES E O JUIZ) 
V - designar, se necessário, audiência de instrução e julgamento. 
 
O número de testemunhas arroladas NÃO pode ser superior a 10 (dez), sendo 03 (três), no máximo, para a 
prova de cada fato. 
 
Realizado o saneamento, as partes têm o direito de pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes, no prazo 
comum de 5 (cinco) dias, findo o qual a decisão se torna estável. 
 
 
No concurso do TJ AM (2019), o tema foi cobrado da seguinte forma: 
 No que concerne às providências preliminares e de saneamento, à reconvenção e a processos de 
execução, julgue o item subsecutivo. 
 
Caso o saneamento do feito seja realizado em audiência designada para esse fim, as partes terão o 
prazo de cinco dias úteis para pedir esclarecimentos ou solicitar ajustes quanto ao decidido pelo 
magistrado sobre a organização do processo. 
 
O item foi considerado ERRADO. 
 
6. AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO 
 
É ato processual complexo, no qual várias atividades são praticadas pelo juiz, serventuário das partes, 
partes, membros do Ministério Público. São realizadas atividades preparatórias, conciliadoras, saneadoras, 
instrutórias, de discussão da causa e decisórias. Trata-se de sessão pública. No exercício do poder de polícia, 
poderá o juiz limitar o número de pessoas e determinar a retirada daquelas que se portarem de forma 
inconveniente. 
 
Na audiência de instrução e julgamento, deve-se observar a seguinte ordem: 
 
● Abertura; 
● Pregão; 
● Tentativa de conciliação (autocomposição); 
● Fixação dos pontos controvertidos; 
● Esclarecimento dos peritos e assistentes técnicos; 
● Depoimento pessoal; 
● Oitiva de testemunhas; 
● Debates orais; 
● Prolação de sentença. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
19 
Segundo o art. 365, NCPC, a audiência é una e contínua, mas pode ser cindida de forma excepcional, 
desde que haja ausência do perito ou de testemunha, ou que haja concordância das partes. Outrossim, a 
audiência pode ser adiada pela vontade das partes. 
Interrompida a audiência, não se designará uma nova, apenas de prosseguirá em data próxima à 
audiência interrompida. O art. 362 prevê as hipóteses de adiamento da audiência. 
Como todo ato processual, em regra é público, havendo, entretanto, publicidade mitigada (limitada às 
partes e patronos) nos casos de que trata o art. 189 do CPC. 
 
7. PROVAS 
 
7.1. Conceito 
 
Não há consenso na doutrina sobre a conceituação de prova. 
 
“Prova é todo elemento trazido ao processo para contribuir com a formação do convencimento do juiz 
a respeito da veracidade das alegações concernentes aos fatos da causa” (CÂMARA, 2017, p. 240). 
 
“Pode-se afirmar que a prova é a alma do processo de conhecimento. É que só através das provas o juiz 
poderá reconstruir os fatos da causa e, com isso, produzir uma decisão que – construída através da 
participação em contraditóriode todos os atores do processo – seja a correta para o caso deduzido. É através 
da atividade de produção e valoração da prova, portanto, que o processo de conhecimento poderá 
adequadamente produzir os resultados que dele são esperados.” (CÂMARA, 2017, p. 241). 
 
Sentidos de prova: Segundo Alexandre Freitas Câmara, o termo “prova” pode ser empregado nos 
sentidos subjetivo e objetivo: 
 
I- Do ponto de vista subjetivo, a prova é o convencimento de alguém a respeito da veracidade de 
uma alegação. É neste sentido que se pode, então, dizer que em um determinado processo existe 
prova de que o pagamento aconteceu. Quem diz isso está, na verdade, a afirmar que se 
convenceu de que o pagamento foi feito. 
II- De outro lado, em seu sentido objetivo, prova é qualquer elemento trazido ao processo para 
tentar demonstrar que uma afirmação é verdadeira. 
 
Objeto de prova: a prova tem por objeto demonstrar a veracidade de alegações sobre fatos que sejam 
controvertidos ou relevantes. 
 
Conforme leciona Alexandre Freitas Câmara (2017, p. 241): “A alegação que constitui objeto da prova 
deve ser a alegação de um fato. Alegações sobre o direito (como a afirmação de que certa lei está em vigor, 
ou de que determinado ato normativo é inconstitucional) não são objeto de atividade probatória. Há, porém, 
uma exceção. Nos termos do art. 376, ‘[a] parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou 
consuetudinário provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar’.” 
 
As provas podem ser: 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
20 
 
I.Direta: Destinada a comprovar a alegação de fato que se procura demonstrar como verdadeira; 
II.Indireta: Destinada a demonstrar as alegações de fato ou circunstanciais. São conhecidas como 
indícios; 
III.Pessoal: Decorre de declaração feita por uma pessoa; 
IV.Real: Constituída por meio de objetos e coisas; 
V.Testemunhal: toda prova produzida sob a forma oral; 
VI.Documental: toda afirmação de um fato escrita ou gravada, como um contrato ou uma fotografia; 
VII.Material: qualquer outra forma material, que, não sendo testemunhal nem documental, 
comprove um fato, como a perícia e a inspeção judicial. 
VIII.Causal: produzida dentro do próprio processo, como ocorre com o depoimento pessoal e a 
perícia; 
IX.Pré-constituída: formada fora do processo, geralmente antes mesmo da instauração da 
demanda, como ocorre com a prova documental. 
 
7.2. Exclusão do objeto de prova 
 
Segundo o art. 374, do NCPC, não dependem de prova os fatos: 
 
● Impertinentes e irrelevantes à solução da demanda; 
● Notórios: 
o O fato não precisa ser de conhecimento do juiz; 
o O fato não precisa ter sido testemunhado; 
o A notoriedade pode ser objeto de prova, se existir dúvida do juiz sobre essa característica do 
fato. 
● Confessados 
● Alegações de fato não controvertidas 
● Questões de fato em cujo favor milite presunção legal de existência ou veracidade. 
 
7.3. Ônus da Prova 
 
É regra de julgamento para hipóteses em que, ao final da demanda, persistirem fatos controvertidos 
não devidamente comprovados durante a instrução probatória. É ônus imperfeito. A doutrina subdivide em: 
 
● Ônus subjetivo da Prova - Analisa a perspectiva de quem é o responsável pela 
produção da prova; 
● Ônus objetivo da Prova - É regra de julgamento a ser aplicada pelo juiz no 
momento de proferir a sentença, no caso de a prova se mostrar inexistente ou insuficiente. 
 
Princípio da comunhão da Prova - Uma vez sendo a prova produzida, ela passa a ser do processo, e não 
de quem a produziu. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
21 
7.3.1. Regras de distribuição do ônus da prova 
 
Art. 373. O ônus da prova incumbe: 
I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 
II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito 
do autor. 
 
a) Distribuição dinâmica do ônus da Prova - O NCPC prevê o sistema de distribuição dinâmica do ônus da 
prova, ao prever ser possível ao juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, conforme art. 333, §1º, CPC: 
 
§ 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à 
impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput 
ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir 
o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso 
em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi 
atribuído. 
 
b) Inversão do ônus da Prova - Existem três espécies de inversão do ônus da prova: 
 
● Convencional: Decorre de acordo de vontade das partes, antes ou durante o processo, e possui as 
seguintes limitações: 
1. Quando recair sobre direito indisponível da parte; 
2. Tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. 
● Legal: Aplicável diante da alegação de fato negativo indeterminado (prova diabólica), não exigindo o 
preenchimento dos requisitos da inversão convencional; 
● Judicial: Quando o juiz determina a inversão do ônus da prova. 
 
STJ: 
 
● Entende que, sendo o ônus da prova uma regra de instrução, sua inversão deve preceder a 
fase probatória, sendo realizada de preferência no saneamento do processo ou, quando 
excepcionalmente realizada após esse momento procedimental, deverá ser reaberta a instrução para 
a parte que recebe o ônus da prova caso pretenda produzir provas. 
● A inversão do ônus da prova NÃO acarreta a inversão das custas processuais. 
 
c) Produção de prova de ofício: O art. 370, ‘’caput’’, do NCPC permite que o juiz determine, de ofício, a 
realização de provas necessárias ao julgamento do mérito. 
 
7.3.2. Prova Emprestada: 
 
É a utilização de prova já produzida em outro processo. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
22 
STJ: Admite o empréstimo de prova mesmo diante da diferença das partes no processo de origem e de 
destino da prova, afirmando que é essencial o respeito ao contraditório e não a identidade subjetiva das duas 
demandas. 
 
É possível o empréstimo entre processos em trâmite em diferentes Justiças, entre provas colhidas no 
processo criminal para o cível, por exemplo. 
 
7.4. Prova ilegal e prova ilícita 
 
A prova ilegal é toda prova produzida com ofensa à norma legal, podendo ser dividida em: 
 
● Prova ilegítima: Quando violar a norma de direito processual, verificável no momento da produção da 
prova no processo. Refere-se à admissibilidade dos meios de prova; 
● Prova ilícita: Quando violar norma de direito substancial, verificável no momento da colheita da prova. 
 
Provas ilícitas: O art. 5º, LVI, da CF/88 prevê que são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por 
meios ilícitos. Correntes: 
● Restritiva: Não se admitem prova ilícitas ou provas produzidas que sejam o desdobramento de provas 
ilícitas, adotando a teoria dos frutos podres da árvore envenenada (provas ilícitas por derivação). Para 
a prova ilícita por derivação não ser admitida, deverá observar: 
o A contaminação só atinge as provas que tenham efetivamente derivado da prova 
ilícita; 
o A prova deve ser admitida sempre que se demonstre que seria possível obtê-la por 
meios lícitos; 
o O vício pode ser convalidado por acontecimento posterior, como a confissão 
espontânea da parte. 
● Liberal: A parte que produz prova ilícita deve responder pela ilicitude do ato, mas tal circunstância não 
pode sacrificar a boa qualidade da prestação jurisdicional. Essa corrente é minoritária. 
● Intermediária: É a corrente da doutrina majoritária, adotada no NCPC, e entende ser possível utilizar 
a prova ilícita, desde que preenchidas as seguintes condições: 
o Gravidade do caso; 
o Espécie da relação jurídica controvertida; 
o Dificuldade de demonstrar a veracidade de forma lícita; 
o Prevalência do direito protegido com a utilização da prova ilícita comparada com o 
direito violado; 
o Imprescritibilidade da prova na formação do convencimentojudicial. 
 
7.5. Provas atípicas 
 
Os meios de prova previstos no NCPC são exemplificativos, sendo admitidas as provas atípicas, a 
exemplo: 
 
a) Prova emprestada; 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
23 
b) Constatações realizadas pelo oficial de justiça; 
c) Inquirição de testemunhas técnicas; 
d) Declaração escrita de terceiros. 
 
7.6. Ação probatória autônoma 
 
A ação de produção antecipada de provas, prevista no CPC/73, perdeu a sua natureza cautelar, 
tornando-se uma ação probatória autônoma, pela qual se produz uma prova antes do processo principal sem 
a necessidade de ser comprovado o periculum in mora. 
 
a) Cabimento: Quando houver fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a 
verificação de certos fatos na pendência de ação: 
 
Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que: 
I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a 
verificação de certos fatos na pendência da ação; 
II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição ou outro 
meio adequado de solução de conflito; 
III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o ajuizamento de ação. 
 
b) Competência: Segundo o art. 381, §2º, NCPC, é do Juízo do foro onde esta deva ser produzida ou o foro de 
domicílio do réu. 
 
A produção antecipada de provas NÃO previne a competência do Juízo para a ação que venha a ser 
proposta. 
 
c) Procedimento: 
 
Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a 
necessidade de antecipação da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os 
quais a prova há de recair. 
§ 1º O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de 
interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente 
caráter contencioso. 
§ 2º O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem 
sobre as respectivas consequências jurídicas. 
§ 3º Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo 
procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção 
conjunta acarretar excessiva demora. 
§ 4º Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão 
que indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
24 
7.7. Provas em espécie 
 
7.7.1. Ata notarial: 
 
É prova híbrida, pois tem uma forma documental, que será uma ata lavrada pelo tabelião, mas seu 
conteúdo é de prova testemunhal, já que o teor da ata será as impressões do tabelião a respeito do fato que 
presenciou. 
 
É cabível sempre que for possível ao tabelião atestar a existência ou modo de ser, independente da 
natureza ou espécie de natureza jurídica de direito material derivada de tais fatos. 
 
7.7.2. Depoimento pessoal 
 
É o testemunho das partes em juízo sempre que requerido expressamente pela parte contrária ou juiz. 
 
Tanto autor quanto réu podem prestar depoimento pessoal, assim como terceiros intervenientes na 
demanda. 
O assistente simples, por não ser parte na demanda, mas mera parte no processo, não presta 
depoimento pessoal, sendo ouvido como testemunha. 
 
Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e advertida da pena de confissão, 
não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor, será aplicada a pena de confissão. 
 
7.7.3. Confissão 
 
Ocorre quando a parte admite a verdade de um fato contrário ao seu interesse e favorável ao 
adversário. 
 
Para a confissão ser eficaz, deve preencher os seguintes requisitos: 
 
● O confitente deve ter capacidade plena; 
● Inexigibilidade de forma especial para a validade do ato jurídico; 
● Disponibilidade do direito relativo ao fato confessado, não se admitindo confissão de fatos 
que digam respeito a direitos indisponíveis. 
 
Espécies de confissão: 
 
● Confissão judicial: Realizada pela própria parte ou representante com poderes para confessar; 
● Confissão provocada: Resulta do depoimento pessoal; 
● Confissão espontânea: Realizada fora do depoimento pessoal, podendo ser oral ou escrita; 
● Confissão extrajudicial: Realizada fora do processo. 
 
Indivisibilidade da confissão: 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
25 
 
Art. 395. A confissão é, em regra, indivisível, não podendo a parte que a quiser 
invocar como prova aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for 
desfavorável, porém cindir-se-á quando o confitente a ela aduzir fatos novos, 
capazes de constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção. 
 
7.7.4. Exibição de documento ou coisa: 
 
É meio de prova para a parte provar alegação de fato por meio de coisa ou documento que não esteja 
em seu poder. 
 
Art. 396. O juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou coisa que se encontre 
em seu poder. 
 Art. 397. O pedido formulado pela parte conterá: 
I - a individuação, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa; 
I - a descrição, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa, ou das 
categorias de documentos ou de coisas buscados; (Redação dada pela Lei nº 
14.195, de 2021) 
II - a finalidade da prova, indicando os fatos que se relacionam com o documento ou 
com a coisa; 
II - a finalidade da prova, com indicação dos fatos que se relacionam com o 
documento ou com a coisa, ou com suas categorias; (Redação dada pela Lei nº 
14.195, de 2021) 
III - as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento 
ou a coisa existe e se acha em poder da parte contrária. 
III - as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento 
ou a coisa existe, ainda que a referência seja a categoria de documentos ou de coisas, 
e se acha em poder da parte contrária. (Redação dada pela Lei nº 14.195, de 2021) 
 
O pedido deve conter: 
 
● Descrição do documento ou da coisa, ou das categorias de documentos ou de coisas 
buscados; 
● Finalidade da prova; 
● Circunstância em que se funda o requerente para afirmar que o documento ou coisa 
existe, ainda que a referência seja a categoria de documentos ou de coisas, e se acha em poder 
da parte contrária. 
 
Recusa da exibição: Possível nas seguintes hipóteses: 
 
● Se concernente a negócios da própria vida da família; 
● Sua apresentação puder violar dever de honra; 
● Sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
26 
parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação penal; 
● Sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou profissão, 
devam guardar segredo; 
● Subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz, 
justifiquem a recusa da exibição; 
● Houver disposição legal que justifique a recusa da exibição. 
 
Hipóteses em que não pode haver recusa: 
 
● O requerido não efetuar a exibição nem fizer nenhuma declaração no prazo do art. 398; 
● A recusa for havida por ilegítima. 
 
7.7.5. Prova documental 
 
Pelo conceito amplo de documento, é qualquer coisa capaz de representar um fato, não havendo 
necessidade de a coisa ser materializada em papel ou conter informações escritas. 
 
A prova documental deve ser produzida pelo autor na instrução da petição inicial e pelo réu na instrução 
da contestação. No entanto, é possível juntar documentos a qualquer tempo: 
 
● Para provar fatos supervenientes; 
● Para contrapor prova documental produzida nos autos. 
 
Produzida a prova documental, a parte contrária será intimada para se manifestar no prazo de 15 dias, 
cabendo ao réu falar em contestação sobre os documentos juntados pelo autor com a petição inicial, e ao 
autor falar em réplica sobre os documentos juntados com a contestação. 
 
ARGUIÇÃO DE FALSIDADE DOCUMENTAL 
 
Uma vez arguida a falsidade documental, será resolvida como questão incidental,SALVO se a 
parte requerer que o juiz decida como questão principal. O objeto pode ser tanto documento público 
quanto particular. 
A falsidade deve ser suscitada na contestação, em réplica ou no prazo de 15 dias, contado da 
intimação da juntada aos autos do documento. 
Arguida a falsidade, a parte contrária será intimada para se manifestar em 15 dias. 
Após esse prazo, será realizada prova pericial, que só será dispensada se a parte que apresentou 
o documento concordar em retirá-lo. 
 
7.7.6. Prova testemunhal 
 
É a declaração de terceiro em juízo que de alguma forma tenha presenciado os fatos discutidos na 
demanda. Podem ser: 
● Testemunhas presenciais: Testemunhas que presenciaram o fato; 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
 
 
Processo de Conhecimento 
 
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● Testemunhas de referência: Não presenciaram o fato, mas tomaram conhecimento por meio de 
informações de alguém que supostamente o fez. 
Via de regra, é cabível a prova testemunhal, mas pode ser indeferida a inquirição de testemunhas: 
● Se os fatos já estão provados por documentos ou confissão da parte; 
● Que só por documento ou exame pericial puderem ser provados. 
 
Incapazes de testemunhar: 
 
● Interdito por enfermidade ou deficiência mental; 
● O que, acometido por enfermidade ou retardamento mental, ao tempo em que ocorreram os 
fatos, não podia discerni-los, ou, ao tempo em que deve depor, não está habilitado a transmitir as 
percepções; 
● O que tiver menos de 16 (dezesseis) anos; 
● O cego e o surdo, quando a ciência do fato depender dos sentidos que lhes faltam. 
 
Impedidos de testemunhar: 
 
● Cônjuge, o companheiro, o ascendente e o descendente em qualquer grau e o colateral, até o terceiro 
grau, de alguma das partes, por consanguinidade ou afinidade, salvo se o exigir o interesse público ou, 
tratando-se de causa relativa ao estado da pessoa, não se puder obter de outro modo a prova que o 
juiz repute necessária ao julgamento do mérito; 
● Quem é parte na causa; 
● Quem intervém em nome de uma parte, como o tutor, o representante legal da pessoa jurídica, o juiz, 
o advogado e outros que assistam ou tenham assistido as partes. 
 
Suspeitos de testemunhar: 
 
● Inimigo da parte ou o seu amigo íntimo; 
● Quem tiver interesse no litígio. 
 
Número de testemunhas: 
 
O NCPC prevê que cada parte pode oferecer até 10 (dez) testemunhas e, quando oferecida mais de 03 
(três) para provar o mesmo fato, poderá o juiz dispensar o testemunho. No entanto, o STJ já decidiu que o juiz 
poderá ouvir um número maior de testemunhas, se necessário. 
 
7.7.7. Prova pericial 
 
Objetiva esclarecer fatos que exijam conhecimento técnico específico para a sua exata compreensão. E 
possui as seguintes espécies: 
 
● Exame: Perícia que tem como objeto bens móveis, pessoas, coisas e semoventes, como obra de arte, 
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documentos, livros, etc; 
● Vistoria: Perícia que tem por objeto bem imóveis; 
● Avaliação: Perícia que tem por objeto a aferição do valor de determinado bem, direito ou obrigação; 
● Arbitramento: Embora não conste no NCPC expressamente, consiste numa estimativa do valor do 
serviço ou indenização. 
 
Cabimento: Quando a prova do fato depender do auxílio de um expert. Assim, a perícia poderá ser indeferida 
ou dispensada quando: 
● A prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico; 
● For desnecessária em vista de outras provas produzidas; 
● A verificação for impraticável. 
● As partes, na inicial e na contestação, apresentarem, sobre as questões de fato, pareceres técnicos ou 
documentos elucidativos que considerar suficientes. 
 
Procedimento: 
● Indicação do perito: O juiz deve escolher o perito. No entanto, podem as partes escolher o perito de 
comum acordo, indicando-o por requerimento, desde que as partes sejam plenamente capazes e a 
causa possa ser resolvida por autocomposição. Nomeado o perito, será fixado o prazo para a entrega 
do laudo. 
● Intimação das partes para apresentar quesitos, indicar assistente técnico e alegar eventual 
impedimento ou suspeição do perito. 
● Ciente da nomeação, o perito deverá, em 05 (cinco) dias, apresentar a proposta de honorários, 
currículo e indicar seu contato profissional para onde serão dirigidas as intimações. 
● Intimação das partes para se manifestar sobre a proposta de honorários, no prazo de 05 (cinco) dias 
e manifestação do juiz sobre o valor dos honorários; 
● Realização da prova pericial; 
● Entrega do laudo – Deve conter: 
◦ Exposição do objeto da perícia; 
◦ Análise técnica ou científica realizada pelo perito; 
◦ Indicação do método utilizado; 
◦ Resposta conclusiva a todos os quesitos. 
● Intimação das partes para se manifestar sobre o laudo do perito no prazo comum de 15 (quinze) 
dias. 
 
Perícia complexa: Abrange mais de uma área de conhecimento. Nesse caso, o juiz pode nomear mais de um 
perito, e a parte indicar mais de um assistente técnico. 
 
7.8. Inspeção judicial 
 
Prova produzida diretamente pelo juiz, quando inspeciona coisas, pessoas e lugares sem qualquer 
intermediário entre a fonte de prova e o juiz. Podem ser objeto de inspeção judicial: 
 
● Bens móveis, imóveis e semoventes; 
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● Partes e terceiros. 
 
Pode ser determinada de ofício ou a requerimento das partes. 
 
 
REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil. 
Alexandre Freitas Câmara. O Novo Processo Civil Brasileiro.

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