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Capítulo 4
SUSTENTABILIDADE E JUSTIÇA CLIMÁTICA: 
UMA ANÁLISE TRANSNACIONAL
Amanda Ferst1
Márcio Ricardo Staen2
1 Introdução
O presente artigo objetiva tratar da justiça climática e sua relação 
com a sustentabilidade, bem como, em âmbito transnacional, 
expor as responsabilidades estatais através do denominado Estado 
Sustentável. Justica-se a temática pela repercussão e importância da 
problemática, isto é, a proporção global da crise climática e a relevância da 
Sustentabilidade para o alcance do que chamaremos de Justiça climática.
Inicialmente é abordada a obra de Mary Robinson3, Justiça 
Climática4, que relata histórias concretas de comunidades inteiras sofrendo 
diretamente com a crise climática global de que, incontestavelmente, não 
são os principais responsáveis. São trazidas histórias como a dos cidadãos 
1 Mestranda em Direito pelo Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu da Atitus Educação, 
na Linha de Pesquisa Fundamentos Jurídico-Políticos da Democracia. Membro do Grupo 
de Pesquisa Direitos Fundamentais, Democracia e Desigualdades, vinculado ao CNPq. 
Bacharel em Direito pela Faculdade Meridional - IMED. Especialista em Direito Animal 
pela UNINTE. Pós-graduanda em Direito Ambiental, Direito de Família e Sucessões pela 
UNINTER. Advogada. E-mail: amandaferstps88@hotmail.com. Currículo Lattes: http://
lattes.cnpq.br/1826972058451011.
2 Doutor em Direito Público Comparado pela Università degli Studi di Perugia (Itália). Doutor 
e Mestre em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI. Estágio de 
Pós-Doutorado em Direito Transnacional – Università degli Studi di Perugia (CAPES/PDE). 
Professor nos cursos de Mestrado e Doutorado em Ciência Jurídica – Universidade do Vale 
do Itajaí e de Mestrado em Direito – Atitus Educação. Professor visitante no Dipartimento 
di Giurisprudenza da Università degli Studi di Perugia (Itália). Doutor Honoris Causa pela 
Universidad Antonio Guillermo Urello (Peru). Professor Honorário da Faculdade de Direito e 
Ciências Sociais da Universidad Inca Garcilaso de la Vega (Peru). Advogado (OAB/SC). Email: 
marcio.staen@gmail.com 
3 Ex-Presidente da Irlanda e enviada especial da ONU para mudança climática. Advogada, 
Doutora pela Universidade Nova de Liboa e pela Universidade de Florença, Robinson 
recebeu inúmeros prêmios por seu trabalho diplomático, entre eles a Medalha Presidencial da 
Liberdade, em 2009. 
4 ROBINSON, Mary. Justiça climática: Esperança, resiliência e a luta por um futuro 
sustentável. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2021. p. 15-184.
76 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
de Kiribati, pequena nação situada em arquipélago, e o medo de serem 
engolidos pelo oceano até o nal do século.
Em cogência com o abordado, traz-se as premissas propedêuticas 
da Sustentabilidade social, já que, tais sociedades atingidas carecem 
justamente de uma solução sustentável para às crises existentes. Em 
concordância doutrinal, autores são referenciados no que tange à alusão da 
pluridimensionalidade da Sustentabilidade e a correlação entre suas esferas 
temáticas.
Ainda, subsidiariamente, é tratado do modelo de Estado 
Sustentável, suas premissas e responsabilidades em geral e, especicamente 
para a pesquisa, sua responsabilidade social. Discute-se o papel do Estado 
e sua base de formação, visando a Sustentabilidade e a garantia dos direitos 
fundamentais como prioridades (acima do viés econômico enfocado 
hodiernamente).
Conforme Robinson arma, ao citar os efeitos drásticos da mudança 
climática, ca perceptível que os direitos humanos estão ameaçados, assim 
como as demandas sobre os impactos gerados em populações inteiras; 
problemas de saúde devido à poluição, insegurança alimentar advinda 
das secas, instabilidade de alojamento, inundações e o desaparecimento 
de culturas e tradições por êxodo migratório forçado; são apenas alguns 
exemplos das ameaças à vida em sociedade.
Metodologicamente a abordagem fenomenológica-hermenêutica 
foi utilizada por tratar-se de denições teóricas e objetos de estudo a partir 
do seu “como”, do seu “modo”, caracterizadas a partir de sua inserção 
contextual global. Quanto ao método de procedimento permeia-se o 
monográco em razão de se tratar de uma apreciação pontual e espaço-
temporalmente denida. Findando, empregou-se como técnica de 
pesquisa a documentação indireta, atendo-se à exploração bibliográca e 
documental.
2 A Justiça Climática
Com a obra Justiça Climática sendo recentemente traduzida para 
sua versão brasileira, Mary Robinson, ex-Presidente da Irlanda, narra a 
trajetória das mudanças climáticas sob óticas normalmente anuviadas. 
Com relatos ricamente detalhados e de maneira crítica, expõe o que de 
fato, conceitua a denominada (in)justiça climática.
Enquanto a temperatura do planeta continua a aquecer e a 
Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito 77
poluição aumenta, os que vivem em regiões de baixa renda das cidades vão 
inevitavelmente sofrer mais, ela explica. Isso porque, os pobres não têm 
condições econômicas que lhes permitam resistir, ou até mesmo fugir, dos 
acasos climáticos e suas consequências. 
Além do viés da desigualdade pela pobreza econômica, a obra 
aborda de maneira profunda a injustiça quanto a comunidades, em sua 
maioria isoladas ou nômades, que estão perdendo seu sustento, sua cultura 
e mdus perandi ancestral. Aldeias e assentamentos de pessoas que vem 
assistindo na primeira leira o desaparecimento de rios e lagos; o degelo 
que faz com que comunidades5 inteiras da costa do Alasca tenham que 
deixar suas casas; a falta de pasto para os rebanhos de povos nômades6 que, 
em seu sofrimento, são forçados a abandonar o estilo de vida e migrarem 
para as cidades. A narração de Robinson não deixa dúvidas: mais do que 
nunca, precisamos mergulhar a fundo e enxergar além da ponta do iceberg.
Segundo o Greenpeace7, cerca de 3 bilhões de pessoas no mundo 
vivem em lugares vulneráveis à crise climática; mais de 2 milhões de pessoas 
morreram nos últimos 50 anos por consequência de eventos extremos e 
desastres naturais inuenciados pelas mudanças climáticas. No entanto, 
apenas 10 países, incluindo o Brasil, representam, juntos, quase 70% das 
emissões globais de gases do efeito estufa8 – os principais agravantes da 
crise climática.
A justiça climática tem por objetivo demostrar o quanto 
a crise climática impacta grupos e pessoas de maneira divergente. 
Conceitualmente, o termo tem signicados e interpretações abrangentes, 
mas, em sua essência está o reconhecimento de que os mais impactados 
pelas mudanças climáticas tendem a não ser os maiores responsáveis por 
causá-las. É cristalino que a crise hodierna não é apenas um problema 
ambiental: ela interage com sistemas sociais, destacando privilégios e 
injustiças, e afeta pessoas de diferentes classes, raças, gêneros, localidades e 
gerações de forma desigual9.
5 Robinson traz o contexto histórico versus hodierno do povo Yupik, que por mais de 2 mil anos 
viveram da caça e pesca nas regiões das selvas geladas da costa oeste do Alasca, mas que, com a 
crise climática e o degelo, migram cada vez mais para o interior do país.
6 Há mais de 250 mil nômades da comunidade Fulani-Wodaabe que tem como base econômica 
a vida pastoril, cruzando fronteiras de países africanos com seu gado para conseguir água que, 
hodiernamente encontra-se cada vez mais escassa.
7 Organização não governamental ambiental com sede em Amsterdam, e com escritórios 
espalhados em mais de 55 países.
8 GREENPEACE. Justiça Climática. Disponível em: https://www.greenpeace.org/brasil/
informe-se/justica-climatica/. Acesso em: 4 set. 2023.
9 UM SÓ PLANETA. Justiça climática é tema de novo anuário de sustentabilidade do Um 
78 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
Fato desconhecido por muitos, quando árvores morrem, são 
derrubadas, queimadas ou se decompõem, o carbono armazenado por elas 
é liberado de volta na atmosfera,contribuindo para o aumento de gases 
do efeito estufa. Daí rma-se a importância de manter as orestas virgens 
vivas como preceito fundamental, não somente porque elas reduzem a 
quantidade de carbono no ar, mas porque também são grandes reservatórios 
de carbono em si10.
No que tange à dados, Robinson ainda relata que nos últimos 
quarenta anos, mais de 1 bilhão de acres de oresta tropical em todo 
o mundo foram cortados por madeireiras, mineradoras e atividades 
exploratórias; e que, esse ritmo de desmatamento é tão vasto que constitui 
a segunda maior causa de aquecimento global.
Em desespero silencioso encontram-se os cidadãos e habitantes da 
República de Kiribati. Localizado no Pacíco, entre o Havaí e a Austrália, o 
pequeno país é composto de 33 atóis de corais e ilhas de recife, tendo pouco 
mais de 100 mil habitantes. A causa da angústia dessa nação são as previsões 
trazidas pela crise climática, apontando que, nesse ritmo hodierno, com o 
derretimento do gelo – causado pelo aumento da temperatura do planeta 
-, aumentará o nível do mar de maneira a submergir todas as suas ilhas.
Além do explícito medo de ser engolido pelo mar, o país ainda 
enfrenta consequências econômicas e sociais advindas da questão ambiental. 
Robinson conta que os altos níveis de desenvolvimento da população e 
migração para a capital exacerbaram a vulnerabilidade dos atóis, enquanto 
a pobreza, uma superpopulação e os problemas sanitários começaram a 
esgotar os recursos hídricos já escassos da ilha11.
Como medida preventiva emergencial, o ex-presidente de Kiribati, 
Anote Tong, em seu mandato, realizou a compra de 6 mil acres de terra 
reorestada em Vanua Levu, ilha do arquipélago de Fiji. A estratégia 
de Tong serviu incidentalmente de alerta à comunidade internacional 
sobre o volume das águas e o futuro de arquipélagos e países-ilha; o que, 
metaforicamente, emerge à superfície a questão transnacional da jurisdição 
político-jurídica nessas terras adquiridas como plano B, merecendo um 
Só Planeta. Disponível em: https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2022/07/13/
justica-climatica-e-tema-de-novo-anuario-de-sustentabilidade-do-um-so-planeta.ghtml. 
Acesso em: 23 jul. 2022.
10 ROBINSON, Mary. Justiça climática: Esperança, resiliência e a luta por um futuro 
sustentável. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2021. p. 15-184.
11 ROBINSON, Mary. Justiça climática: Esperança, resiliência e a luta por um futuro 
sustentável. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2021. p. 15-184.
Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito 79
artigo próprio para justo aprofundamento de estudo.
No que tange à desigualdade – exacerbada pela crise climática – em 
sociedades como a da nação Kiribati, o que causa maior aborrecimento é a 
injustiça causada aos sujeitos. Isto porque, populações como estas não são 
as principais responsáveis pela crise climática, mas, no entanto, são as que 
mais sofrem com ela. Isso é (In)justiça Climática.
De maneira clara, Veiga12, discorrendo sobre tratados internacionais 
pautados nos compromissos com a Sustentabilidade, aponta que, do ponto 
de vista ético, as responsabilidades nacionais deveriam ser proporcionais às 
emissões decorrentes do consumo da população de cada país, combinadas 
às suas diferentes capacidades de inovação tecnológica para a transição a 
uma economia de baixo carbono. Aqui elucida-se que, no tangente à países 
signatários de hipotético acordo, a ideia de ‘‘cada um fazer uma parte’’, de 
maneira geral não seria eticamente ecaz, isso porque não estaria sendo 
observada a proporcionalidade dos danos causados por cada respectivo país 
versus sua responsabilidade de atuação na remediação.
Fora do âmbito hipotético, a proporcionalidade já foi – e ainda 
é – empregada em convenções e acordos internacionais, porém carece de 
aperfeiçoamento. Conforme discorrido por Veiga13, o terceiro artigo da 
Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, assinada 
na Rio-9214, propôs o princípio das responsabilidades comuns, porém 
diferenciadas, que alocou o peso das responsabilidades para os países 
pioneiros na Revolução Industrial, em sua maioria europeus. Deve-se frisar 
que o maior causador do ‘‘problema da camada de ozônio’’ são os Estados 
Unidos, que desviaram de tais responsabilidades de maneira esquiva. 
Posteriormente, em Copenhagen 200915, Estados Unidos e China 
– outro país escorregadio das amarras signatárias – conseguiram manter 
12 VEIGA, J. E. D. A desgovernança mundial da Sustentabilidade. 1. ed. São Paulo: 34, 2013.
13 VEIGA, J. E. D. A desgovernança mundial da Sustentabilidade. 1. ed. São Paulo: 34, 2013.
14 A Conferência Rio-92 foi a primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento. Realizada no Rio de Janeiro em 1992, a Conferência teve desdobramentos 
importantes dos pontos de vista cientíco, diplomático, político e na área ambiental, além de 
ceder espaço a debates e contribuições para o modelo de desenvolvimento ambientalmente 
sustentável. Disponível em: https://www.politize.com.br/eco-92/. Acesso em: 21 jul. 2022. 
15 A Conferência de Copenhague marcou o ápice de um processo de dois anos de negociações 
sobre um novo acordo climático, iniciado no Plano de Ação de Bali em 2007. A COP15 / 
MOP5 reuniu um público sem precedentes na história das Conferências, contando com a 
presença de cerca de 115 líderes mundiais e mais de 40.000 pessoas representando governos, 
organizações não governamentais, imprensa, entre outros. Disponível em: https://cetesb.
sp.gov.br/proclima/conferencia-das-partes-cop/cop-15-mop-5-copenhague-dinamarca-
dezembro-de-2009/. Acesso em: 21 jul. 2022.
80 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
seu status qu atendo-se a um jogo diplomático que ndou com a aparente 
culpa da China no taxado fracasso da Conferência.
Robinson, que esteve presente e participou ativamente na discussão 
e estruturação do Acordo de Paris, em 2015, relata que, depois de duas 
semanas intensas de negociação, a assinatura do Acordo não foi apenas 
uma virada histórica na corrida para prevenir as consequências desastrosas 
de um planeta superaquecido, mas também signicou uma inequívoca 
conrmação dos princípios da justiça climática16. A autora conta que 
os arquitetos do acordo reconheceram no texto a importância da justiça 
climática, comprometendo-se com os direitos humanos e a igualdade 
de gênero, bem como, estabelecendo um sistema de scalização dos 
avanços em nível nacional e – nalmente –, convenceram os países ricos a 
nanciarem ações de intervenção climática em países mais pobres.
Nota-se, porém, que mesmo tendo-se acordado em nanciamentos 
para gestão da crise climática em países vulneráveis, não foi mencionada 
a disparidade catastróca de “contribuição” para a problemática climática 
entre as potências mundiais da revolução industrial e os demais países, 
muito menos citada a responsabilidade proporcional dos respectivos 
produtores de poluentes.
No entanto, a COP2617, ocorrida em novembro de 2021, galgou 
com sucesso os campos dessa discussão, trazendo-a de volta à mesa. A 
discussão sobre “quem contribui mais” para a degradação climática foi um 
dos tópicos mais frequentes da conferência ambiental global. O acordo 
implica a responsabilidade nanceira de países ricos a arcar nanceiramente 
com as consequências do aumento das temperaturas, já que, de acordo 
com dados do Global Carbon Project18, 23 países desenvolvidos – que 
correspondem a apenas 12% da população global – são responsáveis por 
metade de todas as emissões de CO2 desde 185019. Destes, o ranking de 
2021 traz como maiores poluentes os Estados Unidos, seguidos pela rápida 
ascensão da China e da Índia. 
16 ROBINSON, Mary. Justiça climática: Esperança, resiliência e a luta por um futuro 
sustentável. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2021. p. 15-184.
17 Conferência do Clima da ONU realizada em Glasgow, Escócia, em 2021. OECO. COP 26– 
Entenda os principais termos da Conferência do Clima da ONU. Disponível em: https://
oeco.org.br/noticias/cop26-entenda-os-principais-termos-da-conferencia-do-clima-da-onu/. 
Acesso em: 22 jul. 2022. 
18 GLOBAL CARBON ATLAS. CO2 Emissions. Disponível em: http://www.globalcarbonatlas.
org/en/CO2-emissions. Acesso em: 22 jul. 2022.
19 PODER 360. Saiba quais países são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/saiba-quais-paises-sao-os-
principais-responsaveis-pelas-mudancas-climaticas/. Acesso em: 22 jul. 2022.
Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito 81
Em defesa, os Estados Unidos e a União Europeia alegaram que o 
mundo nunca será capaz de minimizar os danos do aquecimento global se 
nações em rápida industrialização – como é o caso da Índia – não façam 
mais para reduzir suas emissões. Ocorre, porém, conforme alegado pelos 
representantes indianos, que há muito mais pessoas na Índia do que nas 
duas regiões (EUA e UE) juntas, de forma que as emissões por habitante 
na Índia seriam inferiores ao registrado nos respectivos territórios. Ainda 
assim, em notável predisposição, Nova Délhi elencou como meta zerar 
as emissões líquidas de carbono até 2070 e pediu ajuda nanceira para 
substituir o carvão por uma energia mais limpa20.
Para Veiga, deve-se supor que, tanto quanto a estabilidade e 
a paz globais, uma governança efetiva da sustentabilidade dependerá 
essencialmente da relação em que essa nova grande potência mantiver 
com os Estados Unidos21. Isso porque, obviamente, questões globais como 
proliferação nuclear, mudanças climáticas e segurança energética possuem 
forte risco econômico, exigindo uma intensa cooperação global.
Disso, deve-se notar que ainda há muita resistência dos países ricos e 
desenvolvidos em aceitar sua respectiva cota de responsabilidade sustentável; 
tais potencias temem em responder ao apelo e arcar com um mecanismo 
de nanciamento para perdas e danos e, incidentalmente abrir espaço para 
outras reivindicações de responsabilidade. Em medida exemplar, apenas 
o governo da Escócia se dispôs a pagar US$ 2,7 milhões para vítimas de 
desastres climáticos, o que, espera-se, seja apenas o começo22.
Ao mesmo tempo, judicialização das questões climáticas no Brasil 
ganha força e acolhida e demonstra que o acesso à justiça climática não pode 
ser apenas um compromisso retórico de governo, mas deve integrar uma 
pauta axiológica que encontra respaldo em diversos direitos fundamentais, 
inclusive das futuras gerações
20 PODER 360. Saiba quais países são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/saiba-quais-paises-sao-os-
principais-responsaveis-pelas-mudancas-climaticas/. Acesso em: 22 jul. 2022.
21 VEIGA, J. E. D. A desgovernança mundial da Sustentabilidade. 1. ed. São Paulo: 34, 2013.
22 PODER 360. Saiba quais países são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/saiba-quais-paises-sao-os-
principais-responsaveis-pelas-mudancas-climaticas/. Acesso em: 22 jul. 2022.
82 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
3 A sustentabilidade social na justiça climática
Leonardo Bo23 traz a Sustentabilidade como um conjunto de 
processos e ações que se destinam a manter a vitalidade e a integridade da 
Terra, bem como a preservação de seus ecossistemas, o atendimento das 
necessidades intergeracionais, a expansão e a realização das potencialidades 
da civilização humana em suas várias expressões. Freitas24 vai além, rmando 
logo na introdução de sua obra que a Sustentabilidade merece ser acolhida 
como princípio constitucional com alcance de longo prazo; que determina 
promover o desenvolvimento propício ao bem-estar pluridimensional25, 
com reconhecimento da titularidade de direitos fundamentais das gerações 
presentes e futuras.
Ambos os autores, em conversação uida entre suas obras 
propedêuticas do estudo da Sustentabilidade, concordam indubitavelmente 
acerca da responsabilidade intergeracional como ponto nevrálgico, assim 
como a busca pela preservação do planeta Terra e seus recursos naturais. 
No entanto, enquanto Bo discorre sobre como chegamos até aqui e a 
culpa humana na iminente catástrofe climática global, Freitas aborda os 
termos e a doutrina formal do estudo da Sustentabilidade.
Citando Freitas, a sustentabilidade não é considerada um tema 
efêmero ou de ocasião, mas a prova viva da emergência de racionalidade 
dialógica, interdisciplinar, colaborativa, aberta e prospectiva de 
consequências diretas e indiretas26. Na visão interdisciplinar, remete-se à 
pluridimensionalidade mencionada alhures abrangendo as áreas social, 
econômica, ética, ambiental e jurídico-política, ramicando-se de maneira 
a buscar um modus operandi sustentável em sua totalidade. 
O princípio da Sustentabilidade independe de regulamentação 
legal; é o princípio constitucional que determina, direta e indiretamente, 
a responsabilidade do Estado e da sociedade pela concretização solidária 
do desenvolvimento material e imaterial, socialmente inclusivo, durável e 
equânime, ético e eciente, inovador e, principalmente, ambientalmente 
limpo, o intuito de assegurar – de modo preventivo e precavido – o direito 
23 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
24 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: Direito ao futuro. 4. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2019. 
p. 15-346.
25 Por pluridimensional entendem-se os âmbitos social, econômico, ético, ambiental e jurídico-
político.
26 FREITAS, Juarez. Sustentabilidade: Direito ao futuro. 4. ed. Belo Horizonte: Fórum, 2019. 
p. 15-346.
Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito 83
ao bem-estar intergeracional. Incide de maneira vinculante em todas 
as províncias de sistema jurídico-político, com capacidade biológica e 
institucional de promover o multifacetado reequilíbrio necessário27.
Aqui, traz-se novamente Mary Robinson à cena: há a necessidade 
de preocupação e planejamento Estatal de como lidar com os diretamente 
afetados pela (in)justiça climática. 
Conceitualmente, McKenzie explica que a Sustentabilidades Social 
ocorre quando os processos formais e informais, sistemas, estruturas e 
relacionamentos suportam ativamente a capacidade atual e das gerações 
futuras de criar comunidades saudáveis e viáveis. O autor ainda frisa que 
comunidades socialmente sustentáveis são equitativas, variadas, conectadas 
e democráticas, além de promoverem uma boa qualidade de vida28.
Adentra-se no que Dias e Aquino nos trazem acerca da 
Sustentabilidade Social, que a percepção da faceta social da Sustentabilidade 
é exposta como braço umbilical das ideias econômicas e ambientais, de 
maneira que a visão da Sustentabilidade exclusivamente focada no meio 
ambiente deixava descoberto aspectos relevantes, motivando assim a 
sua expansão para abranger a complexidade contemporânea29. Há mais 
em sustentabilidade – e em desenvolvimento sustentável – do que o viés 
econômico e ambiental; há o modo de integração e contexto social que 
necessita de saúde e equilíbrio para estabilizar-se sustentavelmente e – 
quiçá – desenvolver-se.
Brilhantemente, Dias e Aquino dissertam que a Sustentabilidade 
social somente assegura a sua homeostase entre as macro e microestruturas 
sociais na medida em que se reconhece a importância da dimensão relacional 
entre humanos e não humanos. Trata-se de uma perspectiva includente de 
todas as vidas30. Certamente, os atingidos pela crise climática estão entre 
‘‘todas as vidas’’. Faz-se necessária solidariedade, empatia e, principalmente, 
responsabilidade ética para com eles.
27 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
28 MCKENZIE, Stephen. Social sustainability: towards some denitions. Hawke Research 
Institute. Working Paper Series,n. 27. Magill: South Australia, 2004.
29 DIAS, Felipe da Veiga; AQUINO, Sérgio Ricardo Fernandes de. SUSTENTABILIDADE 
SOCIAL: REFLEXÕES EM BUSCA DE UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA. Revista 
Jurídica (FURB), [S.l.], v. 23, n. 50, p. e7334, ago. 2019. ISSN 1982-4858. Disponível em: 
. Acesso em: 22 jul. 2022.
30 DIAS, Felipe da Veiga; AQUINO, Sérgio Ricardo Fernandes de. SUSTENTABILIDADE 
SOCIAL: REFLEXÕES EM BUSCA DE UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA. Revista 
Jurídica (FURB), [S.l.], v. 23, n. 50, p. e7334, ago. 2019. ISSN 1982-4858. Disponível em: 
. Acesso em: 22 jul. 2022.
84 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
Possuímos um destino comum, conforme dito por Bo. 
Tão importante quanto a interdependência global, é a relevância da 
responsabilidade universal, o que signica a importância de tomar em 
alta consideração as consequências benécas ou malécas de nossos atos, 
nossas políticas e das intervenções que fazemos no meio ambiente31. Deste, 
resta aludir o dito por Bosselman32 no que conceitua a expressão ‘‘meio 
ambiente’’ referindo-se a todo o espectro de atividades humanas, incluindo 
impactos ecológicos diretos, empreendimentos econômicos, interações 
sociais e políticas públicas. O autor arma que, dependendo de como, 
restrita ou amplamente, o meio ambiente é legalmente denido, teremos 
a determinação do escopo e do caráter integrativo do direito ambiental.
Imprescindível na temática é aludir à teoria do tripé sustentável 
de Canotilho. Segundo a teoria, a sustentabilidade em sentido amplo 
procura captar aquilo que a doutrina atual designa por “três pilares da 
sustentabilidade”: (i) pilar I – a sustentabilidade ecológica; (ii) pilar 
II – a sustentabilidade económica; (iii) pilar III – a sustentabilidade 
social. Aponta que, neste sentido, a sustentabilidade perla-se como um 
“conceito federador” que, progressivamente, vem denindo as condições e 
pressupostos jurídicos do contexto da evolução sustentável33.
Ademais, da Sustentabilidade em sua dimensão social, Freitas 
disserta que reclama o incremento da justiça intergeracional, uma 
governança includente e engajamento na causa do desenvolvimento que 
perdure e permita à sociedade sobreviver a longo prazo – e no pleno respeito 
aos demais seres vivos34. O autor vai além e arma que de nada adianta 
idolatrar a eciência se esta conspirar pela ausência de compromisso com a 
ecácia multidimensional.
Conforme a narrativa do autor, a Sustentabilidade é multidimensional 
porque o bem-estar é multidimensional. Para consolidá-la é indispensável 
cuidar da esfera ambiental, sem ofender a social, a econômica, a ética e a 
jurídico-política. A partir disso, é visível a prerrogativa de que para crises 
31 PODER 360. Saiba quais países são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/saiba-quais-paises-sao-os-
principais-responsaveis-pelas-mudancas-climaticas/. Acesso em: 22 jul. 2022.
32 BOSSELMANN, Klaus. O princípio da sustentabilidade: transformando direito e 
governança. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015
33 CANOTILHO, José Joaquim Gomes. O Princípio da sustentabilidade como Princípio 
estruturante do Direito Constitucional. Tékhne – Revista de Estudos Politécnicos. n. 13, p. 
07-18, 2010.
34 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito 85
sistêmicas, são necessárias soluções sistêmicas35.
4 O Estado sustentável
Em ‘‘A desgovernança mundial da Sustentabilidade’’, Veiga 
expõe que os 3 pilares problemáticos a serem discutidos abertamente 
e reestruturados são as desigualdades, as tendências de mudança e, por 
m, a arquitetura organizacional em si36. Em outras palavras, precisamos 
nos adaptar e fazer as mudanças – e concessões – necessárias, de maneira 
organizada e ecaz, norteados pelo princípio da Sustentabilidade e na 
solidariedade intergeracional. Para isso, precisamos que o Estado ande 
conosco para frente, fomentando políticas de combate à desigualdade, 
fazendo balizamento e controle de poluentes, além de salvaguardar a 
natureza e fazer prevalecer os direitos fundamentais.
A criação de um modo sustentável de vida é o grande propósito, 
argumenta Bo37, a concepção de sustentabilidade não pode ser reducionista 
e aplicar-se apenas ao crescimento e desenvolvimento, conforme modelo 
hodierno. Deve cobrir todos os territórios da realidade, abrangendo aos 
sujeitos individuais, às comunidades, à cultura, à política, à indústria, às 
cidades e, principalmente, ao Planeta Terra e seus ecossistemas. Com isso 
em mente, o autor completa que o modo sustentável deve ser implementado 
e visto em todos os níveis: local, regional, nacional e global. Para isso, deve-
se aludir às responsabilidades estatais.
 O paradigma do Estado Sustentável oferece chance ímpar 
à responsabilidade intergeracional do Estado, nas suas múltiplas 
dimensões, isto é, responsabilização ética, jurídico-política, ambiental, 
social e econômica38. Conceitualmente, um Estado Sustentável vitaliza 
a participação engajada e instaura conança intertemporal nas esferas 
públicas e privadas, bem como, é um Estado que fornece qualidade nos 
serviços essenciais, priorizando princípios e direitos fundamentais. 
Freitas vai além e ainda aponta: O Estado Sustentável é o Estado 
35 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
36 VEIGA, J. E. D. A desgovernança mundial da Sustentabilidade. 1. ed. São Paulo: 34, 2013.
37 PODER 360. Saiba quais países são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/saiba-quais-paises-sao-os-
principais-responsaveis-pelas-mudancas-climaticas/. Acesso em: 22 jul. 2022.
38 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
86 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
que controla e scaliza, sem perpetuar o triunfo opressivo dos métodos de 
comando e controle; é o Estado que transaciona sem abrir mão do genuíno 
interesse universalizável; é, por m, o Estado permeável à governança global, 
participa ativamente dos eventos, reuniões e discussões para resolução da 
problemática crise climática global.
Nesse modelo paradigmático, rma-se a responsabilidade objetiva 
sustentável do Estado, vinculando-a não somente a ações, mas as 
consequências de sua inércia.
Freitas dispõe taxativamente que se congura lesiva a omissão 
inconstitucional que nasce do descumprimento do dever de formular e 
implementar as políticas da sustentabilidade39 e que, ao Poder Público 
incumbe acatar medidas tidas como prioridade pela Constituição, isto é, 
ter discricionariedade ético-sustentável. Ademais, o autor arma que resta 
congurado o nexo de causalidade entre a inércia inconstitucional e o 
evento danoso na circunstância da desídia estatal quanto às providências 
acautelatórias, por exemplo, na remoção de pessoas que vivem em áreas de 
risco, bem como na omissão injusticável de scalização ambiental.
Peter Haberle40 dispôs recentemente que é tempo de considerar 
a sustentabilidade como elemento estrutural típico do Estado que hoje 
designamos Estado Constitucional. A armação recebe respaldado 
de Canotilho41, que corrobora rearmando que a sustentabilidade se 
congura como uma dimensão autocompreensiva de uma constituição 
que leve a sério a salvaguarda da comunidade política em que se insere. 
O autor português abre o leque de princípios estruturantes do Estado 
Constitucional – democracia, liberdade, juridicidade, igualdade –, 
apontando o princípio da sustentabilidade como um princípio aberto 
carecido de concretização conformadora e que não transporta soluções 
prontas, vivendo de ponderações e de decisõesproblemáticas.
De acordo com Canotilho, é possível recortar, desde logo, o 
imperativo categórico que está na génese do princípio da sustentabilidade e 
da evolução sustentável. Aponta que os humanos devem organizar os seus 
comportamentos e ações de forma a não viverem às custas da natureza, de 
39 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
40 Cfr. PETER HÄBERLE, “Nachhaltigkeit und Gemeineuropäisches Verfassungsrecht”, in 
WOLFGANG KAHL (org.), achhaltigkeit als Verbundbegri, Tübingen, 2008, p. 200.
41 PODER 360. Saiba quais países são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/saiba-quais-paises-sao-os-
principais-responsaveis-pelas-mudancas-climaticas/. Acesso em: 22 jul. 2022.
Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito 87
outros seres humanos, de outras nações e, conforme visto alhures, de outras 
gerações. O autor ainda explica que, em termos mais jurídico-políticos, dir-
se-á que o princípio da sustentabilidade transporta três dimensões básicas: 
(1) a sustentabilidade interestatal, impondo a equidade entre países pobres 
e países ricos; (2) a sustentabilidade geracional que aponta para a equidade 
entre diferentes grupos etários da mesma geração; e (3), a sustentabilidade 
intergeracional42.
Outrossim, há de se frisar a importância do princípio constitucional 
da prevenção43 – sobressaindo-se ao da precaução -, vinculado ao Direito 
Administrativo e ao Direito Ambiental, que determina a observância 
diligente, eciente e ecaz, de impedir o nexo causal de danos perfeitamente 
previsíveis, sob pena de responsabilização objetiva do Estado44. 
O ponto nevrálgico no cerne do Estado Sustentável é que não se 
admite a omissão do Estado. A inércia nociva passa a ser vista como causa 
jurídica do evento danoso. Em suma, nos moldes do princípio da prevenção, 
antevê-se, com segurança, o resultado negativo e, correspondentemente, 
nos limites de atribuições, surge a obrigação do Estado tomar medidas 
interruptivas da rede causal, de modo a tentar evitar o dano45. Alude-se 
ainda, que, no princípio da prevenção, cabe ao Estado o ônus de produzir 
prova de excludente do nexo de causalidade intertemporal.
No que tange à política sustentável, Freitas arma que deve incentivar 
a crescente descarbonização, postular uma democracia descentralizada 
– distribuída, limpa e digital -, em paralelo com o bom governo, numa 
categórica rejeição à plutocracia e ao coronelismo46. O Estado Sustentável 
ecaz e bem governado não deve ser suscetível a falácias omissivas, nem 
tráco de inuências ou ao Patrimonialismo; tampouco deve ater-se ao 
mercenarismo como em uma ‘‘democracia patrocinada’’47. Deve-se seguir 
uma política sustentável sob primazias insosmáveis que salvaguardem os 
42 PODER 360. Saiba quais países são os principais responsáveis pelas mudanças climáticas. 
Disponível em: https://www.poder360.com.br/internacional/saiba-quais-paises-sao-os-
principais-responsaveis-pelas-mudancas-climaticas/. Acesso em: 22 jul. 2022.
43 O princípio da prevenção baseia-se na alta e intensa probabilidade de dano e, a atribuição e 
possibilidade de o Poder Público evitar o dano social, econômico ou ambiental.
44 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
45 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
46 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
47 Termo utilizado por Freitas para remeter a ideia do cidadão sendo visto como mero objeto, um 
sujeito votante, um voto.
88 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
direitos fundamentais intergeracionais e trabalhem para resolução da crise 
climática.
Dito isso, é seguro presumir que o Estado Sustentável é o modelo 
desejável, mas que ainda carece de abordagem balizada no que diz respeito 
a priorizar a Sustentabilidade acima do crescimento econômico, conforme 
buscado hodiernamente.
A sustentabilidade social só pode ser alcançada com a inserção da 
equidade e de uma visão eticamente orientada48. Nascimento expressa que 
a noção da Sustentabilidade social denota a impossibilidade de manter 
uma sociedade fundada no consumo irrestrito, na pobreza e desigualdade; 
por isso a necessidade imperativa de abordar com maiores holofotes o 
papel do Estado.
De tal maneira, em cogência com o referenciado por Robinson 
no que tange as consequências da injustiça climática, consegue-se erguer 
uma ponte ligando a responsabilidade Estatal com os sujeitos afetados pela 
crise climática, iluminando de maneira clara e ecaz o vínculo estabelecido 
da necessidade expressa de ação por parte de todos os seres humanos 
como sujeitos causadores da crise, mas também, em especíco, dos países 
proporcionalmente responsáveis pela exacerbação da mesma. 
Findando, é possível concluir de mesmo modo a responsabilidade 
emergente de implementação do modelo de Estado Sustentável ecaz, 
buscando galgar resultados na remediação e tratamento para recuperação 
do Planeta Terra e seus inquilinos.
5 Considerações finais
A partir da pesquisa exposta, entende-se que a sustentabilidade 
não é considerada um tema efêmero ou de ocasião, mas a prova viva da 
emergência de racionalidade dialógica, interdisciplinar, colaborativa, aberta 
e prospectiva de consequências diretas e indiretas49. Nas palavras de Freitas, 
o desenvolvimento sustentável experimenta sensível reconguração para 
se tornar eticamente consistente. Todo e qualquer desenvolvimento que 
se mostra, a longo prazo, negador da dignidade dos seres vivos em geral, 
mesmo que pague dividendos imediatos, será tido como insustentável.
48 NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. Trajetória da sustentabilidade: do ambiental ao social, 
do social ao econômico. Estudos avançados, 26 (74), 2012. p. 51 – 64.
49 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito 89
Posto isso, cumpriu-se o objetivo geral de estudo, armando que 
a justiça climática carece e merece maior enfoque – ademais exploração 
acadêmica – para ns de melhor entender o papel da Sustentabilidade Social 
em balizar os efeitos da crise climáticas e de suas respectivas consequências 
em esfera local, regional, nacional e global.
A metodologia se mostrou ecaz ao conciliar doutrina com os casos 
concretos trazidos à tona, além de demonstrar a trajetória da discussão 
do tema justiça climática em âmbito transnacional, apontando o contexto 
de responsabilização ética e social dos países mais poluidores. Os autores 
utilizados muito enriqueceram o texto da pesquisa, acrescentando maior 
credibilidade acadêmica e respaldo de conhecimento doutrinário.
Por m, resta comprovado o ideal de modelo de Estado Sustentável 
apresentado como uma das melhores ferramentas a serem empregadas na 
resolução dos muitos problemas trazidos pela hodierna crise climática global, 
em conjunto com a adoção de um novo estilo de governança colaborativa 
global50, digital e em rede, com segurança energética, reprogramação do 
plexo normativo regulatório, além, é claro, da conscientização universal e 
busca por um modo de vida sustentável. 
Citando Robinson pela última vez, será necessário começar a lançar 
sementes de solidariedade humana e compaixão. A ameaça existencial da 
mudança climática deixou claro como nunca a nossa interconexão, a nossa 
dependência mútua51. Nenhum país poderá avançar sozinho, e a questão 
é grave demais para deixar exclusivamente nas mãos de políticos; deve-se 
cobrar os governos para que mantenham seus compromissos signatários e 
incentivar iniciativas sustentáveis em todos os âmbitos e esferas, começando 
por nossas próprias casa.
Referências
BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed.Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. p. 13-190.
BOSSELMANN, Klaus. O princípio da sustentabilidade: 
transformando direito e governança. São Paulo: Revista dos Tribunais, 
50 BOFF, Leonardo. Sustentabilidade: O que é - O que não é. 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016. 
p. 13-190.
51 ROBINSON, Mary. Justiça climática: Esperança, resiliência e a luta por um futuro 
sustentável. 1. ed. Rio de Janeiro, RJ: Civilização Brasileira, 2021. p. 15-184.
90 Anuário do Programa de Pós-Graduação Stricto SenSu em Direito
2015.
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como Princípio estruturante do Direito Constitucional. Tékhne – 
Revista de Estudos Politécnicos. n. 13, p. 07-18, 2010.
Cfr. PETER HÄBERLE, “Nachhaltigkeit und Gemeineuropäisches 
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