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Conteudista: Prof. Dr. Edgar Silva Gomes
Revisão Textual: Prof.ª Esp. Márcia Ota
 
Objetivo da Unidade:
Estudar o papel da “Grande Imprensa” para o fim da democracia do período pré-
ditatorial, a grande imprensa como mantenedora da ideologia no período
ditatorial, a política econômica que sustentou a ditadura, a repressão e o aporte
empresarial para sua instalação e manutenção.
˭ Contextualização
˭ Material Teórico
˭ Material Complementar
˭ Referências
A Ditadura Brasileira: Governando para as
Elites
As Elites no Brasil não estarão satisfeitas com qualquer tentativa de regular a mídia, “Grande
Imprensa”, dominada por políticos de inúmeros partidos, (isto é inconstitucional, mas as
manipulações não deixam que se regulamente a constituição porque fere interesses do grande
capital nacional e internacional), ou de situações que não as favoreçam plenamente no jogo
político-econômico como, por exemplo, com a criação das PNPS, que levou ao veto o Decreto
presidencial que instituía canais para a participação popular nas decisões políticas através do
Dec. 8.243/2014 Política Nacional de Participação Social (PNPS). 
Assim como no Golpe de 1964, fica bastante fácil contextualizar a insatisfação do
“NeoNeoLiberal” e da tentativa de manipulação da vontade democrática da população. Como
historiadores, devemos estar atentos aos traquejos da política e do grande capital que manipula
a opinião pública por meio de embustes na Mídia. 
Refletindo o passado através de ações do presente, eu, como pesquisador, costumo dizer que “A
política não é inocente” e desde o invento de Gutenberg a leitura se tornou um hábito muito
mais corriqueiro e não monopolizado pela elite; mas como “todos” nós sabemos, a Mídia no
Brasil é dominada por um grupo restrito de milionários, que também influenciam na política. 
Portanto, vou fazer um acréscimo ao meu bordão, “A política não é inocente: e a mídia nas mãos
da elite manipula e aliena quem não procura meios alternativos à “Grande Imprensa” para se
informar”. 
Diante desse contexto, vimos nesta Unidade: A Ditadura Brasileira: Governando para as Elites!
A mídia teve uma grande influência na instalação da “Ditadura Empresarial Civil Militar no
Brasil”. 
1 / 4
˭ Contextualização
Sendo assim, para nossa contextualização, não basta dizer que a mídia que caracterizo de forma
geral como “Grande Imprensa”, continua tendo suas preferências partidárias, escondida atrás
de uma suposta imparcialidade da Imprensa. Vamos contextualizar estes argumentos com os
artigos publicados atualmente.
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ACESSE
Leitura 
Revolução Russa de 1917 
https://www.sohistoria.com.br/ef2/revolucaorussa/
Introdução: Andando Sobre a Corda Bamba
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˭ Material Teórico
- COMPARATO, 2014
“Em todo o curso da História do Brasil, a organização do poder apresentou uma
estrutura dualista, englobando, de um lado, os agentes estatais e, de outro, os
potentados privados, ou seja, os grandes proprietários e empresários. Enquanto os
primeiros se apresentaram oficialmente como titulares do poder político e
administrativo, os segundos, graças ao seu poderio econômico, não deixaram de
exercer sobre aqueles uma influência determinante. Essa organização do poder
político, a bem dizer, é própria da civilização capitalista. “O capitalismo”, como
bem advertiu Fernand Braudel, “só triunfa quando se identifica com o Estado,
quando é o Estado” (...) Entre os dois grupos dominantes acima nomeados (...)
estabeleceu-se aquela dialética da ambiguidade (...). Cada um desses grupos de
poder sempre busca, antes de tudo, realizar o seu próprio interesse, e não o bem
comum do povo. Mas, salvo conflitos episódicos, mantêm-se associados, em
situação de mútua dependência (...). Aliás, a generalizada prática da corrupção dos
agentes públicos, herdada de Portugal, marcou toda a nossa história, havendo
chamado a atenção de notáveis viajantes estrangeiros no século XIX.”
As Reformas de Base propostas pelo governo de João Goulart foram demais para o equilíbrio
“psicológico” e o status quo da elite brasileira, o homem realmente estava passando dos limites
toleráveis para manter-se no cargo de presidente, e não se manteve. Onde já se viu propor
reforma agrária, econômica, política, universitária, entre outras? É quase uma regra política no
país não “desobedecer” os Capitalistas e os detentores do poder da “Grande Imprensa”.
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ACESSE
Leitura 
Reformas de Base 
No governo de Jango (1961-1964) sob a denominação de “reformas de
base” estavam reunidas iniciativas que visavam alterações bancárias,
fiscais, urbanas, administrativas, agrárias e universitárias. Para
completar, almejava-se oferecer o direito de voto para analfabetos e às
patentes subalternas das forças armadas. As medidas causariam uma
participação maior do Estado em questões econômicas, regulando o
investimento estrangeiro no país. Entre as mudanças pretendidas pelo
projeto de reforma apresentado, estava em primeiro lugar, liderando
os debates sobre o processo, a reforma agrária. O objetivo era reduzir
os combates por terras e possibilitar que milhares de trabalhadores
tivessem acesso às terras. 
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/reformas-de-base/
Naquele contexto, ainda, havia a Guerra Fria e como sempre os Estados Unidos estava “se
intrometendo” nos assuntos políticos e econômicos de outros países, desta feita com maior
ênfase na América Latina, não havia interesse da elite brasileira em apoiar um projeto que
favoreceria, principalmente, as classes média e média baixa da sociedade. 
Desde quando, no Brasil, houve apoio dos detentores do poder econômico para que pudesse
ocorrer uma mobilidade social, de fato? Aliás, parece que a mobilidade social em toda a história
do Brasil é/foi um palavrão na boca dos governantes que não podem ferir os preceitos da cartilha
neoliberal. 
Leitura 
O que é Mobilidade Social? 
A mobilidade social é um conceito estudado pela sociologia, que indica
a possibilidade de um indivíduo subir em nível de classe social. Alguns
autores afirmam que uma sociedade estratificada é aquela onde não se
verifica a mobilidade social. Em uma sociedade estruturada dessa
forma, um determinado indivíduo mantém a sua classe social
independentemente das circunstâncias. Mobilidade social significa o
fenômeno em que um indivíduo (ou um grupo) que pertence à
determinada posição social transita para outra, de acordo com o
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/reformas-de-base/
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ACESSE
O desenho do delicado momento político não é tão simples de se fazer. Jango tentou não
desagradar os americanos com a política de compra de grandes empresas americanas que
estavam operando em nichos de interesse do Estado. 
Havia, contudo, a obrigatoriedade dessas empresas reinvestirem no país em empresas
nacionais, ou seja, existiria uma nacionalização de empresas como a “American and Foreign
Power Company”, com valor estimado em 100 milhões de dólares, isso favorecia os interesses
americanos, haja vista que em alguns estados brasileiros houve expropriação dos bens da
AMFORP.
Os Estados Unidos pareciam satisfeitos, só pareciam! O anticomunismo visto como uma ameaça
iminente afastou qualquer acordo civilizado entre o governo de Jango e os líderes americanos. O
ministro da economia San Tiago pretendia acalmar os ânimos dos nacionalistas e trazer para
seu lado a “esquerda positiva”. Mas, com esse movimento político, o ministro da economia
municiou extremistas da direita e da esquerda, insatisfeitos com a “ambiguidade” de Jango.
sistema de estratificação social. Existem dois tipos de mobilidade
social: horizontal e vertical. 
“Brizola liderava o ataque por parte da extrema esquerda, acusando San Tiago de se
ter metido numa “liquidação”. Usando uma linguagem violenta, o cunhado do
Presidente advertiu de que a consumação do acordo com a AMFORP constituiria
http://www.significados.com.br/mobilidade-social/
Jango não resistiu à campanha de difamação da “Imprensa Hegemônica”.
- SKIDMORE, 1969
Importante! 
A Frente Progressista de Apoio às Reformas de Base, organizada por
iniciativa do ex-ministro da Fazenda San Tiago Dantas, a partir de
outubro de 1963, era integrada por políticos moderados do PTB e de
outros partidos de centro-esquerda e do Partido Comunista Brasileiro,
visando impedir o movimento conspiratório dos grupos de direita
contra o governo. O próprio San Tiago Dantas denominou o grupo que
dela participou de “esquerda positiva”. 
um rompimento irrevogável com a esquerda radical. Nesse mesmo tempo, Carlos
Lacerda, já agora atento ao potencial político existente no sentimento fortemente
nacionalista com relação ao problema, atacou partindo da direita. Criticou o plano
de compra da companhia telefônica de propriedade estrangeira no Estado da
Guanabara, alegando que seu equipamento (classificado “ferro Velho”) estava
obsoleto e enormemente superavaliado (...) San Tiago estava agora sendo vítima da
situação política ambígua, evidenciada pelas eleições ao Congresso de outubro de
1962.”
A Ditadura “da” Imprensa
Para aplacar a ousadia de Jango e seu projeto “comunista”, entrou em cena uma poderosa
campanha de desqualificação de seu governo, e como na atualidade, a imprensa passou a atacar
qualquer ato do presidente, distorcendo e amplificando os fatos, aliados à imprensa hegemônica
estavam capitalistas nacionais e estrangeiros, com o reforço da política americana para a
América Latina, ou seja, uma união de poderosas forças, parafraseando o ex-presidente Jânio
Quadros, as “forças ocultas”, que só eram ocultas da população que não tinha como nos dias
atuais outras fontes de informação. 
Então, o presidente foi bombardeado pelos interesses da elite que demonizavam uma
administração, que por mais defeitos que tivesse, ainda assim, de certa forma, pensou no bem
estar do sempre esquecido homem do campo e nos excluídos do poder. Mas, como sempre, a
imprensa estava atrelada a um partido político que defendia seus interesses, a UDN, e aos
militares pró-EUA. 
- SKIDMORE, 1969
“Em princípio de 1962, estes líderes anti-Jango começaram a conspirar para
derrubar o presidente. Entre os militares eram representados, por exemplo, pelo
antigo Ministro da Guerra Denys e pelo antigo ministro da Marinha, Heck, assim
como generais tais como Cordeiro de Farias e Nelson Melo. Seu principal chefe
civil era Júlio de Mesquita Filho, proprietário do influente jornal O Estado de São
Paulo. Em 1961, estes conspiradores já trocavam ideias quanto à natureza do
regime “discricionário” que seria necessário implantar após derrubar Jango. Os
radicais anti-Jango tinham uma conhecida reserva de doutrinas antidemocráticas
às quais recorrerem. Como haviam alegado em 1950 e em 1955, pretendiam que
não se podia confiar no eleitorado brasileiro.”
As articulações anticomunistas e defensoras do capitalismo estavam com os dois pés atrás
desde a eleição de JK, um getulista que, no final das contas, conseguiu manter-se no cargo,
afagando os interesses do capital interno e externo. As tentativas de Golpe não foram uma
novidade nos primeiros meses de 1964, mas a fúria da imprensa hegemônica contra o governo,
talvez, tenha sido uma das mais virulentas de nossa história. Veremos, a seguir, nas manchetes
dos jornais da época, uma amostra desse apoio da imprensa ao Golpe que, desde março de 1964,
incentivava o pavor ao comunismo. 
Figura 1 
Fonte: Reprodução
Figura 2 
Fonte: Reprodução
Após a instalação do Golpe, outro mecanismo de alienação foi utilizado pela Ditadura para
desqualificar os adversários do ideário liberal e promover o governo Militar aliado ao capitalismo
interno e externo, o aliado da vez foi o Sistema Globo de Comunicações,  
Mesmo após o início da redemocratização do país na década de 1980, o Sistema Globo de
Comunicações continuou a alimentar o “bom mocismo” da Ditadura Civil-Empresarial-Militar
no Brasil.
Durante a ditadura, era fácil encontrar ataques aos adversários do regime como, por exemplo,
aos poucos bispos católicos que se opuseram aos militares, em seu artigo intitulado “Canto do
Galo” Roberto Marinho criticou um cartaz de Cristo identificado com os opositores do regime,
publicado na quaresma de 1972 no jornal “O São Paulo” órgão oficioso da arquidiocese de São
Paulo, sempre no intuito de “catequizar” a oposição, Marinho escreveu: 
- COMPARATO, 2014
“[que fez] a propaganda ideológica do regime autoritário, com a constante
denúncia do perigo comunista e a difusão sistemática, embora sempre encoberta,
dos méritos do sistema capitalista. Os chefes militares decidiram, para tanto, fixar
sua escolha no Sistema Globo de Comunicações. Em 1969, ele possuía três
emissoras (...) Quatro anos depois, em 1973, já contava com nada menos do que
onze. A dominação empresarial do sistema de comunicações de massa continuou a
subsistir, uma vez encerrado o regime autoritário, e persiste até hoje. A
Constituição Federal de 1988 dispõe, em seu art. 220, § 5º, que “os meios de
comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio
ou oligopólio” (...) mais de um quarto de século depois de promulgada a
Constituição em vigor – esse dispositivo constitucional (...) permanece ineficaz
por falta de regulamentação legal.”
Foram constantes os ataques de Marinho aos opositores do neoliberalismo. Mesmo após a
abertura democrática, o todo poderoso dono das Organizações Globo ainda desferia golpes
contra o “comunismo”, no ano de 1989. 
D. Paulo escreveu uma carta a Fidel Castro pelo aniversário dos 30 anos da Revolução cubana, a
missiva foi publicada em um jornal cubano e Marinho ferrenho anticomunista se pronunciou
através do artigo “Adesão ao Ateísmo” para atacar o Cardeal de São Paulo:
D. Paulo Evaristo Arns escreveu uma carta a Fidel Castro, publicada pela imprensa oficial de
Cuba, que representa eloquente demonstração das contradições a que se expõe a chamada Igreja
progressista. 
Em 1968, Marinho escreveu sobre D. Helder, um dos bispos mais perseguidos pelo regime
ditatorial das Organizações Globo, o arcebispo de Olinda-Recife, ainda no início de sua luta
contra a Ditadura e, portanto, recebeu “conselhos” de comportamento de seu “amigo”
Marinho.
- MARINHO, 2015
“No transcurso da semana da Paixão, que hoje se inicia, possa repetir-se com os
autores do cartaz de O São Paulo o que ocorreu com aquele apóstolo que também
renegou o Mestre, até o momento em que ouviu o sinal previsto.”
“Embora não concordando com a fórmula por ele elaborada para a solução do
problema das favelas, fui eu que o levei ao presidente Café Filho, junto a quem iria
pleitear, com êxito, os meios para a realização do seu projeto (...) Várias vezes
divergimos, discutimos, sobre os seus pronunciamentos públicos. Chegávamos
Como estamos vendo, durante e após a ditadura, as Organizações Globo não perderam a
oportunidade de desqualificar os opositores do neoliberalismo. Uma mostra dessa afirmativa
pode ser dada através do editorial do Jornal O Globo, publicado em sete de outubro de 1984, sob o
título “Julgamento da Revolução”, no qual Roberto Marinho expôs seu vínculo com o Golpe: 
- MARINHO, 1968
- MARINHO, 1984
invariavelmente a um acordo, que nascia da procura de uma formulação mais
apropriada, inspirados tanto ele quanto nós pelos mesmos propósitos de servir à
comunidade. (...) Nossa amizade cresceu a tal ponto que D. Hélder é o padrinho do
meu último filho (...) Mesmo após sua transferência para Recife e Olinda, tanto
confiava nessa amizade que me ofereci ao presidente Castello Branco para visitar
D. Hélder e tentar desfazer a atmosfera de incompreensão que se desenvolvia entre
o arcebispo e as autoridades militares regionais, missão que o grande chefe do
governo da revolução preferiu desempenhar pessoalmente (...) Parece-me – e
anseio que esta minha palavra ecoe como um apelo na grande alma de padre Hélder
– que lhe tem faltado, nestes
dias, o senso de medida, que só engrandeceria sua
nobre missão, sem em nada diminuir-lhe a atualidade.”
“Participamos da Revolução de 1964 identificados com os anseios nacionais de
preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização
ideológica, greves, desordem social e corrupção generalizada.”
Essa defesa da Ditadura, em tempos de “democracia”, contava com uma boa dose de interesse
em manter o status quo que as Organizações Globo e outros impérios midiáticos no Brasil
conseguiram amealhar nos anos de Ditadura.
Além disso, a Constituição de 1988 pretendia regulamentar o acesso à concessão de radiodifusão
no país, como bem salientou Comparato, até os dias de hoje, essa parte da constituição carece de
regulamentação.
O sociólogo Carlos Eduardo Martins atribui ao fato, anteriormente mencionado, o controle
hegemônico da elite conservadora no processo de democratização do país, que formaram seus
impérios midiáticos construídos nos anos de chumbo.
Outro império midiático que se favoreceu dessa falta de regulamentação foi o Grupo Silvio
Santos, que passava em seus programas dominicais na década de 1980 a famosa “Semana do
Presidente”, onde uma equipe fazia um resumo dos atos dos ditadores, sempre enaltecendo os
feitos semanais do presidente/ditador.
Martins continua com sua observação dizendo que:
- MARTINS, 2014
“(...) vinculou-se à construção do império midiático e ao monopólio das
telecomunicações representado pela Rede Globo, criada oficialmente em 1965 e
beneficiada pela associação “ilegal” com o capital estrangeiro por meio do grupo
Time-Life.”
Evidente que desta “farra do boi” não poderia ficar de fora antigas famílias herdeiras das velhas
oligarquias do país. Sendo assim, vários políticos de diversos partidos se associaram aos grupos
que estavam “dando certo” e trataram de se associar a eles.
- MARTINS, 2014
- MARTINS, 2014
“Os laços da ditadura se estenderam a outros grupos de comunicação como é o
caso da família Abravanel, produzindo uma concentração privada do espaço
midiático nacional muito superior à concentração fundiária.”
“Diversos políticos conservadores e reacionários se tornaram proprietários de
retransmissoras locais de impérios midiáticos, sendo os casos mais notórios os
que envolveram dois ex-presidentes da República, das famílias Sarney e Arnon de
Mello, e o ministro das telecomunicações do governo Sarney, todos vinculados à
Rede Globo. Em 2008, 271 políticos eram sócios dos grandes grupos midiáticos do
país – que concentravam 61,3% dos veículos de comunicação – entre estes 20
senadores e 47 deputados federais. 58 pertenciam ao DEM, 48 ao PMDB, 43 ao
PSDB, 23 ao PP, 16 ao PTB e 14 ao PPS, representando 74,8% das concessões a
políticos. Tal situação contraria o inciso 5º do artigo 220 da constituição brasileira
de 1988 que determina que os meios de comunicação não podem ser direta ou
indiretamente objeto de monopólio. A ausência de regulamentação do artigo e a
promiscuidade de interesses entre os oligopólios midiáticos e certos partidos
políticos mantém esta situação de violação constitucional cuja estrutura foi
plantada na ditadura.”
Hoje, sabemos que o golpe, o qual a elite chamava/chama de Revolução não contava com o apoio
popular que os golpistas se arrogavam ter. Então, se não procurarmos informações em veículos
alternativos à mídia hegemônica, corremos o sério risco de sermos manipulados na segunda
década do século XXI.
Os meios de comunicação hegemônicos, apesar do mea-culpa que fizeram nas
“comemorações” do Golpe de 64 como, por exemplo, o jornal “Folha de São Paulo” e as
Organizações Globo, através de artigo publicado no jornal “O Globo” continuam manipulando.
Assim, estamos longe de contar com a imparcialidade da “Grande Mídia” que insiste em
defender as causas neoliberais das elites brasileiras, pesquisas que só foram reveladas anos após
a instalação da Ditadura confirmam o apoio popular a Jango. Mesmo assim, como observamos
nas imagens dos jornais “Última Hora” e “Jornal do Brasil” – imperava/impera a manipulação.
Dessa forma, vejamos as pesquisas de março de 1964:
- MARTINS, 2014
“Pesquisas do Ibope realizadas entre os dias 20 de março e 30 de março de 1964
mostraram o forte apoio popular a Jango. 49,8% da população pretendia votar em
Jango nas próximas eleições presidenciais, contra 41,2%. 15% consideravam o seu
governo ótimo, 30% bom e apenas 16% o consideravam mal ou péssimo. O dado é
ainda mais relevante porque a pesquisa foi realizada principalmente no estado de
São Paulo, onde Jango havia perdido a eleição de 1960 para Milton Campos, a
pedido da Federação do Comércio de São Paulo.”
A imagem que todos temos do período da Ditadura Civil-Empresarial-Militar no Brasil é a da
censura ferrenha aos meios de comunicação! Sim, houve mesmo uma forte censura aos meios
de comunicação, mas não foi na mesma proporção e nem para todos os veículos de
comunicação no Brasil. 
Ao apoiar o Golpe, a imprensa hegemônica tinha em mente tirar o “comunista” Jango e colocar
um político Liberal no posto de presidente da República para servir os interesses dessa elite,
como na derrubada da Monarquia pelos militares, haveria um curto período de transição e logo
após, o governo do país seria entregue nas mãos das oligarquias, ou seja, reviver o bom e velho
status quo oligárquico, porém a elite calculou mal seu oportunismo.
- COMPARATO, 2014
“Na gênese do golpe de Estado de 1964, encontramos a profunda cisão lavrada
entre os dois grupos que sempre compuseram a oligarquia brasileira: os agentes
políticos e a classe dos grandes proprietários e empresários (...) A principal razão
para tanto foi o agravamento do confronto político entre esquerda e direita no
mundo todo, no contexto da Guerra Fria e, em especial, na América Latina, com a
Revolução Cubana. Era natural, nessas circunstâncias, que os grandes
proprietários e empresários, nacionais e estrangeiros, temessem pelo seu futuro
em nosso país e se voltassem, agora decididamente, para o lado das Forças
Armadas, a fim de que estas depusessem os governantes em exercício,
substituindo-os por outros, associados aos potentados privados, segundo a velha
herança histórica. (...) O que o empresariado não levou em conta, todavia, era o fato
de que a corporação militar amargurava, desde a proclamação da República, uma
série de tentativas mal sucedidas para livrar-se da subordinação ao poder civil.
Não seria justamente naquele momento, quando chamadas a salvar o grande
empresariado do perigo esquerdista, que as Forças Armadas iriam depor os
governantes em exercício e voltar em seguida à caserna.”
A Folha de São Paulo que havia lançado ataques a Jango desde outubro de 1963 por causa do
episódio da tentativa do presidente decretar estado de sítio, acusando-o de Golpe, passou a
incentivar o Golpe contra Jango no início de 1964, como nos relata Dias:
 O editorial escolhido por Dias para ilustrar seu comentário é o seguinte:
- DIAS, 2014
- FOLHA DE SÃO PAULO, 1964 apud DIAS, 2014
“Neste editorial, é possível verificar a mudança de posição do jornal. No episódio
do pedido de Estado de Sítio, em 1963, o jornal convocou os deputados para evitar
um “golpe” do presidente e agora convocava as Forças Armadas para dar o Golpe
de Estado.”
“O comício de ontem, se não foi um comício de pré-ditadura, terá sido um comício
de lançamento de um espúrio movimento de reeleição do próprio Sr. João Goulart.
Resta saber se as Forças Armadas, peça fundamental para qualquer mudança deste
tipo, preferirão ficar com o Sr. João Goulart, traindo a Constituição, a pátria e as
instituições. Por sua tradição, elas não haverão de permitir essa burla.”
Importante destacar que, mesmo contra a opinião pública, as elites, a mídia e a direita
impuseram o Golpe.
Ao serem contrariados, alguns grupos midiáticos que apoiaram o Golpe passaram da defesa ao
ataque. Com isso, os ditadores no poder foram impondo decretos de “cala-boca” aos opositores
de última hora
como, por exemplo, parte da imprensa hegemônica, além dos opositores
habituais: os sindicatos, as uniões estudantis, os partidos de esquerda, os trabalhadores rurais
que tiveram abortada a reforma agrária que estava nas Reformas de Base do governo Jango. 
Para a mídia hegemônica, foi uma traição dos ditadores que haviam recebido todas as honras e
glórias da “Grande Imprensa” que os elevara aos altares por “nos” salvar do comunismo.
- DIAS, 2014
“Seria importante retomar e reforçar dois pontos. Em primeiro lugar, cruzar a
discussão sobre a imprensa e as pesquisas de opinião. Ficou claro que existiu uma
contribuição da Folha de S. Paulo – e de grande parte da grande imprensa – na
desestabilização de Goulart, por meio das críticas ao governo, muitas vezes
infundadas. No entanto, parece que isso não foi suficiente para tornar a opinião
pública, em São Paulo, contrária ao governo Goulart e, sobretudo, às suas
propostas de Reformas de Base.”
Figura 3 
Fonte: Reprodução
AI-5 o Golpe dentro do Golpe...
As críticas ao regime começaram cedo, mas alguns veículos de comunicação continuaram
firmes, sempre ao lado dos Ditadores, como foi o caso da Rede Globo. Finalizando este bloco de
ditadura e mídia, destaco o comentário de Montuori sobre um dos produtos Globais que mais
serviram a propaganda ideológica da ditadura, o Jornal Nacional: 
Para Lins da Silva, uma análise com espírito crítico era capaz de perceber algumas técnicas
através das quais o Jornal Nacional passava à população uma imagem altamente positiva do
regime e negativa das oposições. 
Conforme lembra Simões, no Jornal nacional, a estratégia era transparente e implicava começar
o bloco noticioso relatando algum sucesso isolado da Arena. 
Já em relação aos opositores, mesmo quando o regime começou a enfraquecer e a Globo pode
dar os passos para conquistar sua autonomia, a visão ainda era áspera em relação à greve dos
metalúrgicos do ABC paulista, em 1978, pelo noticiário simboliza claramente tal postura.
Simões  destaca que a cobertura foi fraca, desqualificando a importância do evento, e
mostrando-se favorável ao patronato.
A censura endureceu com o Ato Institucional n. 5, dele não escapou nenhum “inimigo” do
regime ditatorial e nele estava incluso todo veículo de comunicação que ousasse noticiar de
maneira crítica os atos dos altos mandatários da nação. Digo que a ditadura endureceu porque
desde o dia nove de abril de 1964, o Ato Institucional n. 1 cassou e calou opositores, a
constituição foi suspensa por seis meses e com ela, todos os direitos dos cidadãos.
O AI-5 foi o mais truculento ato do regime militar. Esse ato reiterava alguns artigos de atos
institucionais anteriores e, em seus novos artigos, ampliava desmesuradamente o autoritarismo
do supremo mandatário da nação e dos seus principais assessores que com ele compunham o
quadro de detentores do poder, o qual era absoluto e ficava evidente na leitura dos artigos do
ato. 
Além disso, se o regime apertou o “cinto” foi porque a insatisfação com os ditadores era latente
na sociedade, o ex-chefe do SNI e futuro presidente João Batista Figueiredo, no dia 13 de janeiro
de 1969, escreveu uma carta a Heitor Ferreira, secretário do futuro presidente Geisel.
Os erros da Revolução foram se acumulando e agora só restou ao governo partir para a
ignorância.
Figura 4 – O ministro da Justiça, Gama e Silva (à esquerda),
e o locutor Alberto Curi anunciaram o AI-5 no salão
principal do Palácio Laranjeiras 
Fonte: Reprodução
O AI-5 foi acompanhado de expurgos e tirou de cena várias personalidades da vida pública, como
políticos de esquerda, professores universitários, sindicalistas e líderes estudantis. 
Quanto os intelectuais cassados, podemos citar: Florestan Fernandes, Octávio Ianni, Caio Prado
Junior, entre tantos outros. 
Importante notar que a censura estendeu-se à parte da imprensa aliada que tentava espernear
com as sanções impostas a ela pelo regime. Por isso, volto a frisar que a imprensa, a qual se
manteve acrítica e submissa ao regime contou com o apoio dos militares, os aliados mediam
milimetricamente as palavras, criticavam a oposição e enalteciam qualquer feito dos ditadores e
seus aliados. Desse modo, sob o controle dos militares, a mídia ficou proibida de fazer qualquer
menção aos movimentos operários e ou estudantil.
A Reunião 
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ACESSE
Ato Institucional Nº 5, de 13 de Dezembro de 1968 
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ACESSE
O Estado e a lei são os militares, durante um longo período que se estendeu. Pelo menos de 1968
a 1977, a perseguição foi intensificada, a morte do jornalista Vladmir Herzog foi um marco da
perseguição do regime aos membros da mídia que combatiam a Ditadura.
Leitura
https://www1.folha.uol.com.br/folha/treinamento/hotsites/ai5/reuniao/index.html
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/AIT/ait-05-68.htm
Foi montada toda uma farsa de suicídio para justificativa de sua morte, Vlado, como era
conhecido se apresentou voluntariamente ao DOI-CODI, após ser convocado para dar
explicações sobre sua ligação com o PCB. Além disso, era diretor de jornalismo da TV Cultura e
ficou preso com os também jornalistas: George Benigno Jatahy Duque Estrada e Rodolfo
Oswaldo Konder.
Herzog foi torturado até a morte no DOI-CODI no II Exército em São Paulo, sendo um dos muitos
assassinados pela Ditadura Civil-Empresarial-Militar no Brasil. Enforcamentos e
atropelamentos foram alguns dos disfarces para encobrir os assassinatos praticados pelo
regime. Sendo assim, tortura e censura caminhavam de mãos dadas, eram ferramentas de poder
dos ditadores. 
O MDB, partido de “oposição” ao governo, tentou intimar o ministro Alfredo Buzaid para falar
sobre a censura, mas a ARENA, partido governista bloqueou a ação dos opositores, a censura não
era algo camuflado. Então, em 1973, foi publicada a seguinte autorização de censura no Diário
Oficial: 
- BENJAMIN, 2013
“Na ditadura militar brasileira, a tortura foi uma política de Estado. Por isso, havia
responsáveis maiores do que seus executores diretos. Ainda assim é inaceitável
considerar que estes últimos apenas cumpriam ordens. Que ninguém se iluda, pela
própria natureza da tortura, militares ou policiais que a praticassem a contragosto
não seriam obrigados a fazê-lo (...) foi cortado o contato dos presos políticos com
os soldados no serviço militar. Ficaram apenas os “profissionais”. E surgiram as
“casas da morte” – centros clandestinos de prisão, martírio e assassinato de
presos. Muitos dos que estavam marcados para morrer iam diretamente para lá.”
Ministério da Justiça – PR 5.005/73 – Exposição de motivos n. GM-229-B de 20 de junho de
1973. Diante do exposto, neste processo, pelo senhor ministro da justiça: 
Um dos “inimigos” prediletos do regime foi D. Paulo Evaristo Arns, cardeal de São Paulo e seu
par na hierarquia católica, D. Eugenio Sales, Cardeal do Rio de Janeiro, “acreditava na
preservação do relacionamento tradicional entre a Igreja e o estado como forma de resolver os
desacordos. Especialmente em uma ditadura, refletia, canais confidenciais funcionavam
melhor”, enquanto que D. Paulo e D. Helder, desde 1970 deixaram de lado os rodeios e partiram
para o ataque aos militares, denunciando as torturas no Brasil e no Exterior.
Diante dessa situação, o jornalista Roberto Marinho, como já vimos anteriormente, não perdeu
oportunidade para expô-los às criticas em seu jornal. Segundo Serbin, D. Eugênio não deixou de
defender os torturados, mas o fez de forma a não desagradar publicamente os ditadores, com
quem manteve uma relação cordial. 
- BRASIL, 1973
I. Ratifico o despacho exarado em 30 de março de 1971, na exposição de
motivos n. 165-B, de 29 de março daquele ano, no qual adotei, em defesa da
Revolução, com fundamento no artigo 9° do Ato Institucional n. 5, as medidas
previstas no artigo 155, parágrafo 2°, letra E, da Emenda constitucional n. 1;
II. Tendo a decisão proferida no mandato de segurança
impetrado pela editora
Enubia Limitada afirmando não existir, nos autos, prova de imposição de
censura por ato do presidente da República, reitero a autorização ao Ministério
da Justiça para que, através do Departamento de Polícia Federal, estabeleça a
censura quanto ao periódico Opinião. Brasília, 20 de junho de 1973. 
Estudantes em Movimento: Breve Relato 
Para a UNE, o novo regime foi um problema desde a primeira hora da tomada do poder pelos
militares em 1964. Numa noite de infortúnio para os estudantes engajados na luta comunista,
em 30 de março de 1964, a sede da instituição na praia do Flamengo n. 132 foi invadida e
metralhada; era a célula mais combativa da esquerda estudantil que se concentrava no Rio de
Janeiro. 
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ACESSE
Poucos anos depois, em 1967, o importante militante de esquerda, Cid Benjamin, na ocasião um
calouro universitário, nos conta que seu envolvimento com a política foi se estreitando ao
ingressar no curso superior da Escola de Engenharia e apesar de pertencer a uma família
politizada de centro-esquerda, seu pai, Ney, coronel formado em engenharia química pelo IME,
admirador de Miguel Arraes e Jango, sua mãe uma mulher progressista, Iramaya era professora
e química. Nesse ano, Cid foi recrutado para a Dissidência Comunista da Guanabara.
Leitura 
História da UNE 
Para saber mais sobre o movimento estudantil no Brasil, acesse a
seguir.
https://www.une.org.br/2011/09/historia-da-une/
No ano de 1968, Cid Benjamin passou a integrar a diretoria da UME (União Metropolitana de
Estudantes), “como o Rio era o maior centro de agitação estudantil do período, ela chegava a ter
mais importância que a UNE”.
Os principais líderes dos estudantes na época foram: Vladimir Palmeira, que presidiu a UME e
Luís Travassos. A UNE, “a diretoria da UME era composta por Vladimir e quatro vice-
presidentes: Franklin Martins. Eu, Belvedere (os três da DI-GB) e Clênia Teixeira (da Polop)”.
Vadimir Palmeira Milita na Luta Popular desde Jovem 
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Luís Travassos 
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As organizações estudantis organizavam passeatas e manifestações contra os ditadores. Em
1968, houve um congresso clandestino em Ibiúna com aproximadamente mil estudantes. Era
Leitura
http://www.vladimirpalmeira.com.br/biografia.html
https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/luis-travassos/
muito estudante para uma cidadezinha do interior! Por isso, seria impossível que não se
levantasse suspeita sobre o evento.
Dito e feito! Os militares que não tiravam os olhos de cima da movimentação estudantil pelo país
apareceram e acabaram com o congresso, levando-os todos presos, mas, aos poucos, os
estudantes foram sendo libertados, com exceção dos líderes do movimento estudantil, entre
eles estavam: Vladimir Travassos, Franklin Martins, José Dirceu entre outros. Segundo
Benjamin, 
Com a entrada em vigor do AI-5, os estudantes de esquerda passaram à clandestinidade, mas
desde o incidente do dia 30 de março de 1964 na sede da UNE no Rio de Janeiro e depois com a
seguida edição de Atos Institucionais todo cuidado era pouco. Afinal, o regime via inimigos em
todos os cantos. 
- BENJAMIN, 2013
“A tentativa de realização de um congresso clandestino reunindo mil delegados
conhecidos de antemão pela polícia, por terem sido eleitos em assembleias nas
universidades, foi uma loucura. Era impossível que a reunião não fosse descoberta
(...) É preciso lembrar que o AI-5 (...) que tornou a repressão escancarada, só teria
lugar dois meses depois. A responsabilidade pela decisão de fazer um congresso
clandestino com mil delegados costuma ser jogada nos ombros da UEE de São
Paulo, comandada por José Dirceu e encarregada da organização do encontro. Mas
é injustiça. Ela não teria sido posta em prática se não tivesse sido respaldada pela
diretoria da UNE. ”
Com isso, mesmo antes do AI-5, “pela conjuntura (...) devido às dificuldades crescentes de um
trabalho aberto (...) já estávamos tomados por uma espécie de apego à clandestinidade, meio que
picados pela mosca da luta armada e da guerrilha”.
Para Benjamin, as manifestações populares que se desenvolveram durante o primeiro semestre
de 1968 como, por exemplo, no dia 26 de junho, houve a passeata dos “Cem Mil” entre outras
mobilizações que pressionaram os militares por uma abertura democrática, o “prêmio” pela
ousadia dos estudantes e da população foi a edição do AI-5.
No segundo semestre, as manifestações foram mais brandas, até porque com as férias escolares
de julho, o ímpeto inicial deu vez a certa desmobilização dos protestos contra o arrocho das
liberdades civis que já eram restritas antes do fatídico AI-5, que ao contrário dos outros atos,
não teve previsão para acabar, e duraram dez anos, até outubro de 1978. Com isso,
O movimento estudantil é um bom exemplo de como a repressão da ditadura levou os
movimentos de esquerda a radicalizarem suas ações contra os poderes constituídos que aliavam
os ditadores e a elite do mesmo lado da mesa, em defesa de interesses que não eram os mesmos
das classes média e média baixa do país.
- BENJAMIN, 2013
“A combinação do esgotamento dos movimentos de rua, com o aumento da
repressão e a mudança do quadro político geral, com a decretação do AI-5, pôs fim
às passeatas e manifestações. E ajudou a radicalizar uma minoria de militantes,
que acabaram aderindo à guerrilha, que começou a ser vista, por muitos, como a
única forma de resistência possível à ditadura (...) Che Guevara afirmou, certa vez
que, enquanto houvessem expectativas da população na disputa democrática numa
sociedade, as condições para a guerrilha não estariam dadas.”
E o que Conta é o Tamanho da Conta...
Enquanto a censura perseguiu os inimigos do regime, muitas vezes amparado pela mídia
hegemônica, o governo militar começou uma arrancada em direção ao progresso do país. 
Esse país do futuro retomou o desenvolvimento que havia arrefecido no governo de João Goulart
e foi empastelado pela oposição. Mesmo sob a mordaça e com uma propaganda que vendia mais
do que entregava, os capitalistas nacionais e estrangeiros estavam eufóricos, a repressão para
manter a ordem, não os incomodava, pois raramente os filhos da alta burguesia caíam nas
garras dos ditadores. 
Afinal é com uma mão que se lava a outra e enquanto o desenvolvimentismo militar deu certo
tudo foi um grande mar de rosas, porém, veremos que nem tudo foram flores, nem para a elite e,
muito menos, para a população apeada do poder. 
Segundo Paul Singer, o golpe militar ocorreu num contexto, em que a intervenção do Estado na
economia não era uma heresia. Então, economistas do CEPAL (Comissão Econômica Para a
América Latina e o Caribe) como Celso Furtado tiveram que deixar o país, “o esperado confronto
armado não aconteceu. Contrariando as expectativas de quem apoiava a democracia, os militares
comprometidos a defendê-la aderiram o golpe”. 
Mas os militares assumiram a teoria desenvolvimentista dos cepalinos, “o papel ativo do Estado
na economia para promover o desenvolvimento industrial ainda era aceito. Só muito mais tarde,
nos anos 1980, é que viria a ofensiva neoliberal”, o comando da economia brasileira em época de
ditadura foi assumido por Delfim Netto, “um notório desenvolvimentista, partidário do
planejamento e próximo do keynesianismo”. 
Segundo Fausto, “As Forças Armadas, nesse contexto, deviam ter um papel permanente e ativo,
tendo por objetivo derrotar o inimigo, garantindo a segurança e o desenvolvimento da nação”. 
No início da década de 1970, a luta armada praticamente desapareceu do cenário brasileiro. No
primeiro governo militar, o foco foi combater a inflação e estabilizar a economia. Esse foi o foco
no governo de Castelo Branco (1964-1967). 
Além disso, uma das medidas para garantir a produção e estabilizar os preços foi a intervenção
do ditador nos sindicatos, proibindo as greves. Assim, as tentativas
de paralisação foram
reprimidas pela ditadura. Importante ressaltar que, naquele contexto, o tabelamento de preços e
a fixação dos salários eram comuns. 
No final da década de 1960, o cenário inflacionário já estava melhor que em seu início. Em 1965,
a taxa de inflação esteve na casa de 71,42%, caindo para 54,78% em 1966 e para 34,14% no ano
de 1967. A taxa de crescimento do país passou de 2,4% em 1965 subindo para 6,7% em 1966 e
voltando a cair em 1967 para 4,2%.
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Leitura 
Doutrina Keynesiana 
Conjunto de ideias que propunham a intervenção estatal na vida
econômica com o objetivo de conduzir a um regime de pleno emprego.
As teorias de John Maynard Keynes tiveram enorme influência na
renovação das teorias clássicas e na reformulação da política de livre
mercado. Acreditava que a economia seguiria o caminho do pleno
emprego, sendo o desemprego uma situação temporária que
desapareceria graças às forças do mercado. Na década de 1970 o
keynesianismo sofreu severas críticas por parte de uma nova doutrina
econômica: o monetarismo.
ACESSE
Durante a ditadura, houve uma política de favorecimento das grandes empresas nacionais,
estatais e estrangeiras e a fusão bancária foi bastante estimulada pelo regime. Empresas
receberam estímulos fiscais e abundância de crédito para garantir a competitividade dos
produtos produzidos no Brasil em escala mundial. O objetivo foi estimular o crescimento das
indústrias de alumínio, petroquímica e siderurgia, “o poder público patrocinava a formação de
conglomerados com participação de capitais nacionais, estrangeiros e de sociedades de
economia mista”. 
O problema dessa política de incentivos do governo federal foi que só as grandes empresas se
beneficiaram desta política, “a promoção aberta da concentração do capital era justificada pela
necessidade de incorporar à economia brasileira avanços tecnológicos, o que só as grandes
empresas seriam capazes de realizar” . 
No início da década de 1970, começou o processo de Globalização com a livre movimentação de
mercadorias e o afrouxamento do controle da circulação de capitais pelo Estado.
Consequentemente, países ricos começaram a explorar a mão de obra barata em países pobres,
instalando filiais, onde o lucro seria maior e com a certeza do poder enviar os lucros para a
matriz no país de origem. 
O regime militar procurou atrair para o Brasil grandes empresas americanas, europeias e
japonesas, garantindo, assim, a circulação no país de uma moeda forte, a transferência de
tecnologia e a possibilidade das empresas brasileiras distribuir seus produtos em mercados
antes fechados para os produtos nacionais. 
Estudos realizados para o Ipea, por Fernando Fajnzylber, economista chileno demonstraram
que de 1960 a 1969, “o crescimento das exportações industriais brasileiras foi de 654% nos
setores predominantemente nacionais e de 1.650% nos setores predominantemente
https://brasilescola.uol.com.br/historiag/doutrina-keynesiana.htm
internacionais”. Essa diferença ocorreu devido às melhores condições de penetração das
indústrias estrangeiras em outros mercados com produtos manufaturados. 
Entre os anos de 1969-1973, houve um elevado crescimento da economia brasileira com uma
baixa inflacionária. Esse período ficou conhecido como “Milagre Econômico Brasileiro” ou,
simplesmente, como “Milagre Brasileiro”. A média anual do crescimento do PIB batia a casa dos
11% e seu pico foi no ano de 1973 com aproximadamente 13%, enquanto que a inflação média
anual se estabilizou na casa dos 18%, alta para os dias de hoje, na segunda década do século XXI,
mas razoável para os que vivenciaram uma taxa inflacionaria anual que batia a casa dos 70%. 
Delfim Neto estava à frente do planejamento com uma equipe que se beneficiou com a
abundância de recursos. Os empréstimos internacionais também foram vultosos, o objetivo era
manter a economia aquecida alavancada pelo crescimento e baixa inflação. 
Diante desse contexto, no país, instalaram-se diversas empresas estrangeiras. E, tendo em vista
aproveitar o mercado em expansão, a indústria automobilística injetou bastante capital para
fabricação de carros médios para o brasileiro, entre elas estavam: General Motors, Ford e
Chrysler. 
Com isso, as importações brasileiras de bens de consumo cresceram, assim como as
exportações de produtos industrializados no país. Toda essa euforia foi estimulada pela
abundância de crédito e isenções de tributos por parte dos ditadores. Na agricultora, houve uma
forte expansão da exportação de soja. 
As exportações brasileiras se diversificaram tanto que o carro chefe de nossas exportações, o
café, que entre as décadas de 1940 e 1960 batia a casa dos 50% em volume exportado, passou a
representar na década de 1970 apenas 15%. O governo passou a arrecadar mais tributos, o que
colaborou para diminuir o déficit público e puxar a inflação para baixo. Delfim Netto chamou sua
política econômica de “Capitalista Associada”, o estado intervinha na economia não deixando
que “a mão do mercado” agisse livremente.
A política econômica dos ditadores estava dando certo, mas era muito dependente do mercado
externo e dos empréstimos realizados com instituições financeiras internacionais para
continuar injetando crédito e incentivos no mercado nacional. 
O país também era extremamente dependente da importação de petróleo, qualquer variação para
cima desse produto colocava em estado de alerta o governo que mantinha a economia
funcionando quase que de forma artificial, pois o Estado era a fonte principal dos recursos para
aquecer a economia, injetando incentivos e crédito. 
Outra fragilidade do plano econômico era que, apesar do PIB estar acima dos dois dígitos, a
renda não era distribuída de forma equitativa entre a população. Então, os maiores beneficiados
com os recursos provindos dos cofres do governo continuavam sendo os membros da elite. 
Essa política privilegiou o fortalecimento dos grandes capitalistas e deixou à míngua a maior
parte da população brasileira, os salários estavam baixos demais na segunda metade da década
de 1970. 
Apesar da expansão de empregos, o salário baixo não dava condições de haver uma mobilidade
social maior no país. Não é necessário nem dizer que os programas sociais do governo dos
ditadores foram pífios: educação, saúde e moradia para pessoas de baixa renda foram bastante
negligenciadas nesse período. 
A “lua-de-mel” entre empresários e ditadores estava chegando ao fim e isso não estava
acontecendo por causa do endurecimento do regime e das perseguições, a causa empresarial
não foi humanitária. 
O fim deveu-se justamente quando o “milagre econômico” estava patinando, e como ressaltou
Comparato, no Brasil, políticos e empresários se completam, mas em alguns momentos da
história, quando o empresariado deixa de ser privilegiado pelo sistema de governo, o “caldo
entorna”.
“A crise da dívida externa a partir do fim dos anos 1970 estrangulou este projeto de
modernização, deixando incompleto o setor industrial, particularmente o
segmento de produção de bens de capital e iniciou o processo de financeirização da
A pressão do empresariado para a distensão do regime se deu no governo do ditador Geisel.
Assim, a economia cambaleante, a constante exposição das atrocidades do regime à opinião
pública, com o fim da censura aos órgãos de imprensa que passaram a denunciar os casos de
mortos e desaparecidos vitimados pela ditadura, colocou os ditadores contra a parede. 
Nesse contexto, os militares queriam alguma garantia de que seus crimes não seriam julgados,
que toda atrocidade praticada pelos ditadores e seus colaboradores seriam “esquecidas”.
Desse modo, o arranjo se deu com a concessão da Lei de Anistia N° 6.683 de 28 de Agosto de
1979, nela foram incluídos aos atos de terrorismo de Estado e contou com o apoio dos
empresários que colaboraram com a Ditadura Civil-Empresarial-Militar brasileira.
- MARTINS, 2014
economia brasileira com
a formação de uma dívida interna crescente, destinada
primeiramente a transferir os dólares dos exportadores para pagamentos dos juros
e amortizações, mas que ganhou dinâmica própria, baixando drasticamente as
taxas de crescimento econômico e de investimento, elevando ainda a pobreza em
níveis absolutos e relativos nas décadas de 1980 e 1990. A economia brasileira
apenas apresentaria taxas de crescimento mais expressivas com o boom das
commodities iniciado em 2003, em função da projeção da China na economia
mundial.”
“Essa solução contava com o apoio decidido do grande empresariado, quando mais
não fosse porque alguns de seus líderes, como assinalado anteriormente, foram
coautores dos crimes de terrorismo de Estado, havendo financiado a operação do
sistema repressivo. Por sugestão dos políticos colaboradores do regime, os chefes
A lei de Anistia foi apresentada e aprovada no governo do ditador, João Baptista de Oliveira
Figueiredo. O regime fez uma distensão lenta e “segura” para não comprometer com as
atrocidades do regime mais do que já estavam comprometidos membros do governo militar,
seus colaboradores e uma parcela do empresariado envolvido desde a consecução do Golpe na
década de 1960 até seus desdobramentos mais sórdidos no início da década de 1970, com
torturas e mortes. 
Empresários como Mesquita, dono do jornal O Estado de São Paulo, e a FIESP já estavam
abandonando o barco há alguns anos. A FIESP já, na metade da década de 1970, incomodava-se
com o “peso” do Estado na economia. 
Dessa forma, os ditadores foram perdendo o apoio da elite que eles ajudaram capitalizar durante
os anos de ditadura. Com isso, em mais um atrito de interesses, a aliança entre políticos e
empresários se diluiu no ar!
- COMPARATO, 2014
militares decidiram afinal embarcar no movimento já iniciado de anistia aos
presos e exilados políticos, de modo a estendê-la aos autores de crimes de
terrorismo de Estado.”
Figura 5 
Fonte: Reprodução
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
  Leitura  
Luiz Antonio Dias: o Papel da Folha e do Estadão no Golpe de
64 
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Sobre Informações Não Confiáveis
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3 / 4
˭ Material Complementar
https://www.viomundo.com.br/denuncias/luiz-antonio-dias-o-papel-da-folha-e-do-estadao-no-golpe.html
https://anidabar.wordpress.com/2014/03/23/sobre-informacoes-nao-confiaveis/
APOIO editorial ao golpe de 64 foi um erro. O Globo, agosto de 2013. Disponível em:
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Acesso em 12/04/2023.
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4 / 4
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