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CUIDADOS FARMACÊUTICOS EM PATOLOGIA 
DOS SISTEMAS LINFÁTICO, DERMATOLÓGICO, 
LOCOMOTOR E ÓSSEO 
1 
 
 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA .................................................................................. 2 
INTRODUÇÃO ......................................................................................... 3 
LEGISLAÇÃO .......................................................................................... 7 
METABOLISMO LIPÍDICO ...................................................................... 9 
METABOLISMO DAS LIPOPROTEÍNAS .............................................. 10 
ATEROSCLEROSE ............................................................................... 12 
CLASSIFICAÇÃO DAS DISLIPIDEMIAS ............................................... 12 
ATIVIDADE FÍSICA ............................................................................... 14 
TRATAMENTOS NÃO FARMACOLÓGICOS ........................................ 14 
FITOTERAPIA ....................................................................................... 16 
CONSULTA FARMACÊUTICA .............................................................. 19 
COLETA DE DADOS ............................................................................. 20 
TRATAMENTO COM PRÁTICAS INTEGRATIVAS E 
COMPLEMENTARES (PICS) ........................................................................... 25 
ALERGIAS E REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS (RAMS) ... 25 
ANÁLISE SITUACIONAL ....................................................................... 26 
DOENÇAS DERMATOLÓGICAS .......................................................... 27 
ACNE ..................................................................................................... 27 
APARELHO LOCOMOTOR ................................................................... 32 
REFERÊNCIAS ..................................................................................... 46 
 
 
 
 
 
2 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho 
de um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de 
cursos de Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma 
entidade capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na 
sua formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos 
científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, 
transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de 
publicações e/ou outras normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e 
cultura, de forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de 
construir uma base profissional e ética, primando sempre pela inovação 
tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa 
forma, conquistar o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta 
de cursos de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
No começo do século XX, a produção de medicamentos ocorria de forma 
artesanal em pequenas indústrias e boticas, porém muitos desses 
medicamentos não tinham eficácia comprovada por meio de estudos científicos 
e seus valores terapêuticos estavam envolvidos com a crença no potencial 
curativo e a percepção de cada usuário (PERINI & ACÚRCIO, 2001). 
Entre as décadas de 1930 e 1940, com a descoberta dos antibióticos e 
antimicrobianos houve grande desenvolvimento científico e industrial. Nessa 
etapa, maior conhecimento foi adquirido o que permitiu a descoberta de muitos 
dos medicamentos que ainda hoje estão no mercado (HEPLER, 1987; PERINI & 
ACÚRCIO, 2001). 
As farmácias, com a industrialização, tornaram-se aliadas das indústrias 
e o farmacêutico acabou perdendo seu espaço, pois já não havia necessidade 
de um profissional que manipulasse o medicamento na farmácia. Além disso, a 
venda desses produtos não exigia um profissional com conhecimento técnico. 
Na década de 60, no Brasil, o profissional começa a aperfeiçoar-se em 
especificidades como as análises clínicas, toxicológicas e bromatológicas, 
distanciando-se do paciente (SANTOS, 1993). 
Com a tragédia da talidomida em 1960, o desenvolvimento e uso de 
medicamentos passa a ter critérios de exigência maiores. Na década de 60, 
farmacêuticos dos Estados Unidos insatisfeitos com o modelo até então 
implantado, criam a Farmácia Clínica. Esta posteriormente, focando as 
atividades no paciente e não no medicamento, derivatiza-se levando a criação 
da Atenção Farmacêutico. 
No Brasil, as discussões sobre Farmácia Clínica e Atenção Farmacêutica 
somente ocorrem na década de 1990, e o farmacêutico começa a retomar sua 
vocação assistencial. Contudo, a formação do profissional continuava focada em 
uma das três áreas: análises clínicas, indústria ou alimentos (BISSON, 2007). 
4 
 
 
A Atenção Farmacêutica começa a ser discutida somente por volta de 
2002 quando é estabelecido o Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica 
(OPAS, 2002). 
A Atenção Farmacêutica surge então como um ramo da Assistência 
Farmacêutica, onde o profissional busca a melhora da qualidade de vida dos 
pacientes por meio de uma prática centrada nesse indivíduo e cuidados que 
devem ser tomados em relação aos medicamentos. 
Esses cuidados abrangem desde a seleção do medicamento até a 
orientação sobre o mesmo, passando pela escolha da posologia correta, via de 
administração utilizada e o acompanhamento farmacoterapêutico (CIPOLLE et 
al., 2004; BISSON, 2007). 
É através da Atenção Farmacêutica que o profissional se responsabiliza 
por diminuir as taxas de mortalidade e morbidade relacionadas aos 
medicamentos (CIPOLLE et al., 2000). 
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) define a Atenção 
Farmacêutica como “[...] modelo de prática farmacêutica, desenvolvida 
no contexto da Assistência Farmacêutica. Compreende atitudes, 
valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e 
corresponsabilidades na prevenção de doenças, promoção e 
recuperação da saúde, de forma integrada à equipe de saúde. 
É a interação direta do farmacêutico com o usuário, visando uma 
farmacoterapia racional e a obtenção de resultados definidos e mensuráveis, 
voltados para a melhoria da qualidade de vida. Esta interação também deve 
envolver as concepções dos seus sujeitos, respeitadas as suas especificidades 
biopsicossociais, sob a óptica da integralidade das ações de saúde” (OPAS, 
2002). 
A farmácia é um foco importante onde deve ser realizada a Atenção 
Farmacêutica por ser o primeiro lugar de escolha do paciente para resolução dos 
seus problemas de saúde designados por situações agudas e sintomas ligeiros 
e o principal onde se pode assegurar o uso correto e seguro do medicamento. 
O processo de Indicação Farmacêutica é definido como: “[...] ato 
profissional pelo qual o farmacêutico responsabiliza-se pela seleção de um 
5 
 
 
medicamento que não necessita receita médica com objetivo de aliviar ou 
resolver um problema de saúde a pedido do paciente ou seu encaminhamento 
ao médico quando o referido problema necessite de sua atenção” (DADER et al., 
2008). Durante a indicação é que o profissional tem a oportunidade de garantir 
o uso racional dos medicamentos, prevenir outras 9 doenças e promover a 
educação em saúde. 
Quando bem realizada, a Indicação Farmacêutica leva à automedicação 
responsável, diminuindo assim os custos para o sistema de saúde e usuários, 
levando à otimização dos recursos do governo, à independência do usuário de 
atuar sobre sua própria saúde e o seu conforto por não ter a necessidade de ir a 
um serviço de saúde para tratar de um sintoma menor (OFP, 2006; ABIMIP).e biomecânicos que estão na sua origem. Por 
outro lado, a reabilitação deve ser instituída numa fase precoce, impedindo o 
entorpecimento e atrofia musculoesquelética. 
Medidas de fisioterapia que abranjam a termoterapia, a eletroterapia, a 
cinesioterapia ou a hidroterapia podem trazer benefícios na recuperação. 
São raros os casos de DMO que obrigam a tratamento cirúrgico, embora 
muitos doentes tenham de recorrer a antidepressivos ou analgésicos para aliviar 
44 
 
 
a dor crônica, muito frequente neste tipo de distúrbios, ou ainda em pacientes 
com quadros agudos relacionados com a postura, como os torcicolos ou as 
lombalgias. 
Os anti-inflamatórios não hormonais, assim como os corticosteroides 
sistêmicos, podem também revelar-se úteis no tratamento de tendinites e 
bursites ou nas doenças localizadas nas bolsas sinoviais e baínhas tendíneas. 
A farmacoterapêutica está também presente no tratamento de doenças 
musculoesqueléticas não relacionadas com o local de trabalho. O paracetamol é 
a primeira escolha na patologia articular degenerativa e na lesão de tecidos 
moles. 
Os salicilatos foram utilizados durante muitos anos no combate da dor e 
inflamação na artrite e febre reumática, embora, mais recentemente, tenham 
sido substituídos pelos anti-inflamatórios não esteroides (AINES’s), com menor 
agressividade gástrica, mas de custos mais elevados. 
Para a artrite reumatoide existem outros fármacos capazes de retardar ou 
impedir a sua progressão. 
São exemplos, o metotrexato e os sais de ouro, ou ainda os 
imunossupressores e antipalúdicos. Para as crises agudas de gota o mais 
indicado é a colquicina, a probenecida e, como inibidor da biossíntese do ácido 
úrico, o alopurinol. 
 
Os relaxantes musculares, como o baclofeno, o diazepam e o midazolam, 
podem ser benéficos neste tipo de afecções, embora a terapêutica só tenha 
sucesso se for combinada com medidas não farmacológicas, como a perda de 
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/metotrexato/informacao-geral
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/probenecida/informacao-geral
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/alopurinol/informacao-geral
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/baclofeno/informacao-geral
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/diazepam/informacao-geral
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/midazolam/informacao-geral
45 
 
 
peso, uma dieta correta e exercício físico, não descartando, em alguns casos, o 
recurso a procedimentos psicoterápicos, ortopédicos e cirúrgicos com o intuito 
de reabilitar funções e corrigir deformações. 
No tratamento da osteoartrose, mais conhecida por artrite ou artrose, os 
avanços têm sido significativos, substituindo os habituais anti-inflamatórios 
pela glucosamina. Esta substância não age apenas na zona de inflamação, 
combatendo a dor, como também restaura parte da cartilagem perdida. 
As calcitoninas têm um campo de aplicação muito vasto. Vai desde as 
hipercalcémias, hiperparatiroidismo, doença de Paget até à osteoporose. Nesta 
última situação, o raloxifeno tem sido eficaz como substituto do estrogênio. 
Por outro lado, as últimas descobertas a nível da cirurgia ortopédica têm 
permitido a implantação de próteses cada vez mais avançadas, eficazes e 
funcionais, aumentando a qualidade de vida de doentes que sofrem de artrose 
ou outro traumatismo ósseo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/glucosamina/informacao-geral
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/raloxifeno/informacao-geral
46 
 
 
REFERÊNCIAS 
A DROSSMAN, D. Rome III: The new criteria. Chinese Journal of Digestive 
Diseases, v.7, p.181-185, 2006 
ABIMIP - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE MEDICAMENTOS 
ISENTOS DE PRESCRIÇÃO. Conheça o MIP. São Paulo, SP. 
AGA - AMERICAN GASTROENTEROLOGICAL ASSOCIATION. American 
Gastroenterological Association Medical Position Statement: Guidelines on 
Constipation. Gastroenterology, v.119, p.1761–1778, 2000. 
AHLERS, S.J.; VAN GULIK, L.; VAN DER VEEN, A.M.; ET AL.Comparison of 
different pain scoring systems in critically ill patients in a general ICU. Critical 
Care, v.12, n.1, fev. 2008. 
AL HAMARNEH, Y.N.; ROSENTHAL, M.; MCELNAY, J.C.; et al.Pharmacists’ 
perceptions of their practice: a comparison between Alberta and Northern Ireland. 
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47 
 
 
ANCP - ACADEMIA NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS. Manual de 
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ANDRADE, M.A.; SILVA, M.V.S.; MENDONÇA, S.; et al. Assistência 
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ANVISA - AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Bula do 
Peptobismol. Disponível em: Acesso em: 
20 de jul. 2012. 
ANVISA - AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Bula Strepsils®. 
2010. Disponível em: Acesso em: 21 de ago. 2012.De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) 15% 
a 20% dos orçamentos dos hospitais são gastos para lidar com as 
complicações causadas pelo mau uso de medicamentos. (ANVISA, 
2005). Esse dado mostra um dos motivos pelo qual é fundamental que 
o profissional saiba analisar as queixas do paciente e recomendar o 
medicamento mais adequado ao seu estado fisiopatológico e às suas 
preferências (OFP, 2006). 
Outro dado divulgado pela ANVISA é que em países desenvolvidos 
15% dos gastos em saúde correspondem a medicamentos, já nos em 
desenvolvimento, como o Brasil, esse porcentual é de 25% a 70%, 
devido à automedicação incorreta e a consequente ineficácia do 
tratamento, fazendo com que o sistema de saúde tenha mais gastos 
para tratar o problema inicial (BRASIL, 2005). Um estudo comparativo 
feito entre a Irlanda do Norte e a cidade de Alberta no Canadá 
demonstrou que os serviços farmacêuticos prestados nas farmácias 
comunitárias da Irlanda no Norte são mais focados no paciente do que 
no medicamento em relação ao Canadá, isso ocorre pelo fato de que 
na Irlanda os serviços oferecidos para cessação do fumo e 
monitoramento de doenças menores são remunerados (AL 
HAMARNEH et al, 2012). 
Outro estudo também realizado na Irlanda do Norte, com 1000 pessoas, 
mostrou que mais de 60% dos entrevistados buscaria preferencialmente dicas 
de um farmacêutico do que de um médico quando a condição não necessitasse 
6 
 
 
uma consulta, demonstrando que a credibilidade dos farmacêuticos também é 
maior em países desenvolvidos (WAZAIFY et al, 2005). 
Diante desse quadro, o farmacêutico do Brasil vê a necessidade de 
aperfeiçoar seu conhecimento sobre o processo de Indicação farmacêutica, 
objetivando assim ter um maior reconhecimento e confiança da população e de 
outros profissionais da saúde e principalmente contribuir diretamente para a 
melhora do bem-estar do povo. 
Um estudo realizado em farmácias da Holanda que tinha como objetivo 
detectar problemas relacionados aos medicamentos (PRM) por meio de 
entrevistas realizadas com os pacientes observou que 28% dos PRM estavam 
relacionados à seleção do medicamento, 26% ao tratamento inadequado ou 
inapropriado e 23% à necessidade de monitoramento pelo farmacêutico. 
Problemas que podem ser solucionados por meio de uma Indicação 
farmacêutica bem conduzida (KWINT et al., 2012). 
Outro estudo realizado na Alemanha, publicado em 2011, que tinha como 
alvo a detecção de problemas relacionados aos medicamentos isentos de 
prescrição em farmácias comunitárias, identificou que os problemas mais 
prevalentes eram a automedicação inapropriada na maioria das vezes por 
analgésicos, a solicitação inapropriada de medicamentos e o uso prolongado dos 
mesmos. 
Foi relatado que 70% dos MIP requeridos eram para dor, desordens da 
pele, do trato gastrointestinal e do respiratório. As classes de medicamentos 
mais envolvidos com suspeita de abuso ou uso prolongado do medicamento 
foram os analgésicos, laxativos e os descongestionantes nasais que não se 
enquadram na categoria dos MIPs no Brasil (EICKHOFF et al., 2012). Parmentier 
et al. (2004), realizou um estudo em uma comunidade de refugiados no sul de 
Londres sobre o tratamento de sintomas menores e obteve resultados parecidos. 
Os sintomas que predominaram foram, em ordem, as infecções do trato 
respiratório superior, dores de cabeça, dores musculoesqueléticas, alergias, 
indigestão, inflamação na garganta, sintomas nasais, constipação, tosse, 
diarreia e outros. 
7 
 
 
Os medicamentos mais indicados para essas enfermidades foram o 
paracetamol, a pseudoefedrina que não é MIP no Brasil, ibuprofeno e a aspirina 
(PARMENTIER et al., 2004). 
Confirmando os dados obtidos pelos estudos citados acima, The World 
SelfMedication Industry (WSMI) publicou uma revisão mundial de 
pesquisas feitas com consumidores realizadas ao longo de 10 anos 
sobre automedicação. Esse estudo demonstra que pessoas de todo 
mundo apresentam os mesmos problemas comuns de saúde e a 
frequência também é aproximadamente a mesma. 
As doenças mais apresentadas pela população são resfriados, dores de 
cabeça, problemas digestivos e dores (WSMI, 2006). Em razão do cenário 
exibido, serão apresentados nesse trabalho como o farmacêutico deve proceder 
em caso de relatos de constipação, diarreia, infecções fúngicas da pele, resfriado 
e dor. 
 
 
 
LEGISLAÇÃO 
No Brasil a menção aos medicamentos isentos de prescrição (MIP) foi 
feita pela primeira vez na Lei nº 5.991, de 17 de dezembro de 1973, que dispõe 
sobre o controle sanitário de medicamentos. Esses medicamentos podiam ser 
comercializados em estabelecimentos hoteleiros e similares para atendimento 
exclusivo de seus usuários. 
Foi somente em 2003 que a ANVISA publicou a RDC nº 138, de 29 de 
maio de 2003 que dispõe sobre o enquadramento na categoria de venda de 
medicamentos, onde foi apresentado a Lista de Grupos e Indicações 
Terapêuticas Especificadas (GITE). O desenvolvimento do GITE baseou-se em 
critérios como índice terapêutico, toxicidade, legislações internacionais e a lista 
de medicamentos essenciais (RENAME), todo medicamento que se enquadra 
dentro do GITE é considerado um MIP (BRASIL, 2003). 
8 
 
 
A RDC nº 138, de 29 de maio de 2003 relata também que os 
medicamentos cujos grupos terapêuticos e indicações terapêuticas não estão 
expostos no GITE, não são isentos de prescrição médica. Da mesma forma, 
associações medicamentosas, cujo grupo terapêutico e indicação terapêutica de 
pelo menos um dos princípios ativos contidos não estiverem presentes no GITE, 
só poderão ser vendidos sob prescrição médica. Já a venda de medicamentos 
novos sempre exigirá a prescrição médica. 
Contudo, a reavaliação do enquadramento na categoria de venda 
ocorrerá no momento de sua renovação, seguindo os dados da 
farmacovigilância. Porém, se esses medicamentos já estiverem sendo 
comercializados nos Estados Unidos da América ou na Europa pelo período 
mínimo de 5 anos, desde que aprovados pelos seus respectivos órgãos de 
Vigilância Sanitária, com grupos terapêuticos e indicações terapêutica presentes 
no GITE, comprovante de enquadramento na categoria de venda isenta de 
prescrição no país onde o produto é vendido e com apresentação de dados de 
farmacovigilância poderão requerer o enquadramento na categoria dos 
medicamento isentos prescrição, a qualquer hora, desde o momento do registro 
(BRASIL, 2003). 
A Resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) nº 357, de 20 de 
abril de 2001, aprova o regulamento técnico das Boas Práticas de Farmácia. 
Essa resolução expõe que o farmacêutico tem responsabilidade sobre a 
automedicação responsável e para que isso seja realizado, ele deve fomentar 
informação e educação sanitária ao paciente ou consumidor e desenvolver 
ações na dispensação e seleção dos MIPs. Em vista disso, devem ser avaliadas 
as necessidades do paciente por meio de análise dos sintomas e das condições 
individuais com o objetivo de escolher o medicamento e o aconselhamento 
adequado para cada indivíduo (BRASIL, 2001). 
 
 
9 
 
 
METABOLISMO LIPÍDICO 
Os lipídeos, por serem insolúveis em meio aquoso, são transportados no 
nosso organismo por meio das lipoproteínas, que são macromoléculas 
compostas por lipídeos e proteínas (chamadas de apolipoproteínas ou 
apoproteínas). 
As apolipoproteínas promovem a estabilidade estrutural para as 
lipoproteínas e exercem diversas funções no seu metabolismo, como a formação 
intracelular das partículas lipoproteicas e atuação como cofatores enzimáticos 
ou ligantes a receptores de membrana (HARDMAN; LIMBIRD, 2003; XAVIER et 
al., 2013; LONGO et al., 2015). 
Os lipídeos considerados mais relevantes são fosfolipídeos, colesterol e 
TG (HARDMAN; LIMBIRD, 2003; GODOY- -MATOS, 2005). 
O colesterol é o precursor de hormônios esteroidais, ácidos biliares e 
vitamina D e, assim como os fosfolipídeos,são constituintes das membranas 
celulares. Dentro das células, o colesterol pode ser sintetizado por meio de 
algumas reações enzimáticas, sendo a 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima. 
A redutase (HMG-CoA redutase) o passo limitante da biossíntese; um 
outro passo-chave é aquele promovido pela enzima esqualeno-sintase 
(DEVARENNE; GHOSH; CHAPPELL, 2002; FALUDI et al., 2017). 
Os TG são formados a partir de três ácidos graxos (AG) ligados a uma 
molécula de glicerol e constituem uma das formas de armazenamento energético 
mais importantes no organismo (FALUDI et al., 2017), já que os AG que liberam 
podem ser processados por meio da β-oxidação, gerando grande quantidade de 
energia para tecidos como fígado e músculo esquelético. Esse processo 
metabólico é resultado da ativação de fatores de transcrição que possibilitam a 
síntese das proteínas importantes nesse processo. 
Além de serem absorvidos pela alimentação, os TG podem ser 
sintetizados em tecidos como fígado e tecido adiposo pela diacilglicerol 
aciltransferase (DGAT1) (OBRELI NETO; BALDONI; GUIDONI, 2013). 
Os AG são classificados em saturados, mono ou poli-insaturados, de 
acordo com o número de ligações duplas nas suas cadeias de carbono. 
10 
 
 
A nossa alimentação é fonte de diversos AG, como pode ser visto nos 
exemplos a seguir (FALUDI et al., 2017): 
• Saturados: láurico, mirístico, palmítico e esteárico (que variam de 12 a 18 
átomos de carbono); 
• Monoinsaturados: ácido oleico, que contém 18 átomos de carbono; 
• Poli-insaturados: ômega-3 – eicosapentaenoico (EPA), docosahexaenoico 
(DHA) e linolênico – ou ômega-6 – linoleico, de acordo com a presença da 
primeira dupla ligação entre os carbonos, a partir do grupo hidroxila. 
METABOLISMO DAS LIPOPROTEÍNAS 
Os TG provenientes da dieta são hidrolisados pela ação de lipases 
intestinais e liberam AG livres, que são emulsificados pelos sais biliares, 
formando micelas que apresentam maior mobilidade pelos enterócitos (LONGO 
et al., 2015). 
A absorção intestinal do colesterol é realizada pela proteína Niemann-Pick 
C1-like (NPC1-L1), um transportador de colesterol localizado na superfície dos 
enterócitos, que o disponibiliza para o meio intracelular. 
A maior parte do colesterol livre é esterificado para depósito pela ação da 
acetil-CoA-colesteril acetiltransferase (ACAT2) (JIA; BETTERS; YU, 2011; 
FALUDI et al., 2017). 
Os AG livres, colesterol livre e seus ésteres são então compactados com 
a apolipoproteína B 48 (apoB48), formando a lipoproteína conhecida como 
quilomícron, lipoproteína de menor densidade que, em sua maior parte, é 
constituída por componentes lipídicos. 
Os quilomícrons são secretados pelo sistema linfático e, posteriormente, 
enviados para a circulação sanguínea por meio dos ductos torácicos. Agora 
circulando no organismo, os quilomícrons são hidrolisados pela lipase 
lipoproteica (LLP), localizada especialmente na superfície de células musculares 
e do tecido adiposo, liberando colesterol e AG livres, que são absorvidos por 
essas células ou transportados pela albumina sérica para o fígado. 
11 
 
 
O quilomícron é gradativamente hidrolisado e diminui de tamanho até ser 
absorvido pelo fígado e utilizado para a síntese de VLDL (HARDMAN; LIMBIRD, 
2003; LONGO et al., 2015; FALUDI et al., 2017). 
As VLDL são produzidas no fígado, ricas em TG, e a principal 
apolipoproteína é a apoB100. 
Sua produção requer a ação da proteína de transferência de TG 
microssomal (microssomal triglyceride transfer protein – MTP), que insere os TG 
nas apoB, formando as VLDL. Estas partículas circulam pelo organismo e 
também sofrem ação da LLP, sendo gradativamente depletadas de TG. 
As VLDL remanescentes, que podem receber o nome de lipoproteínas de 
densidade intermediária (intermediate density lipoprotein – IDL), são 
rapidamente capturadas pelo fígado (HARDMAN; LIMBIRD, 2003; LONGO et al., 
2015; FALUDI et al., 2017). As IDL podem continuar sob ação da LLP e ser 
absorvidas pelo fígado ou sofrer ação da lipase hepática, dando origem às LDL 
(HAVEL; KANE; KASHYAP, 1973; SBC, 1994). 
As LDL são compostas por apoB100, uma pequena parcela de TG e 
grande quantidade de colesterol. Essas lipoproteínas podem ser capturadas 
pelas células hepáticas ou pelos receptores de LDL (LDL-r), considerados um 
dos principais responsáveis pelo nível de colesterol no sangue (FALUDI et al., 
2017). 
A modulação da atividade do LDL-r é realizada pela pró-proteína 
convertase subtilisina/kexina tipo (PCSK9), que induz a degradação do LDL-r, 
resultando em menor número de receptores e aumento dos níveis plasmáticos 
de LDL (FERREIRA; FONSECA; MANGUEIRA, 2012; FALUDI et al., 2017). 
Existe uma lipoproteína (a) (Lp(a)) que se assemelha às LDL em 
composição lipídica e 16 Farmácia Estabelecimento de Saúde - Outubro de 2017 
proteica, mas difere por conter a apoA ligada à apoB (FALUDI et al., 2017). Sua 
função é desconhecida, porém há indícios de que ela está ligada à formação e 
desenvolvimento de placa aterosclerótica (XAVIER et al., 2013). 
As HDL são formadas no fígado, intestino e circulação, e as 
apolipoproteínas que as compõem são as apoA-I e apoA-II. A apoA-I é a principal 
12 
 
 
apolipoproteína das HDL, que rapidamente se agrega aos fosfolipídeos e 
colesterol livre presentes em seu sítio de síntese, e então recruta mais colesterol 
livre da membrana plasmática das células ou de outras lipoproteínas (FALUDI et 
al., 2017). A apoA-I é cofator da lecitina-colesterol aciltransferase (LCAT), 
enzima capaz de esterificar o colesterol livre nas HDL (FALUDI et al., 2017). 
A lipoproteína, dessa forma, ganha estabilidade e pode transportar 
colesterol para o fígado (esse processo é chamado de transporte reverso de 
colesterol). As HDL, por meio da ação da proteína de transferência de colesterol 
esterificado (CETP), são capazes, ainda, de trocar lipídeos com lipoproteínas 
contendo apoB, como as LDL (LONGO et al., 2015). 
 
 
ATEROSCLEROSE 
Aterosclerose (aterotrombose), que podem se deslocar pela circulação, 
causando embolia. As placas estáveis, por outro lado, são ricas em colágeno, 
com menores proporções do núcleo lipídico e componente celular (LONGO et 
al., 2015; FALUDI et al., 2017). 
Além do potencial trombótico após a ruptura, a aterosclerose pode levar 
a oclusão do vaso, danificando o funcionamento do organismo (dependendo do 
tecido em que o vaso se encontra), e aneurisma, já que a placa localizada na 
íntima faz pressão sobre a túnica média, atrofiando-a (LONGO et al., 2015; 
FALUDI et al., 2017). 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS DISLIPIDEMIAS 
As dislipidemias podem ser classificadas de várias maneiras, porém, 
destacaremos as que são mais utilizadas atualmente. 
 
Classificação Etiológica 
13 
 
 
Primária 
Quando a dislipidemia possui origem genética. Pode haver aumento na 
síntese de lipoproteína pelo fígado e estimulação de sua ação, além de redução 
da síntese de LLP ou mutação no seu gene, o que diminui sua atividade 
enzimática, consequentemente elevando VLDL e TG. O acúmulo das LDL no 
plasma resulta em hipercolesterolemia. 
Dislipidemias secundárias a doenças e estilo de vida inadequado, que 
normalmente está associada à hipercolesterolemia poligênica. Nessa deficiência 
metabólica, ocorre uma interação entre vários fatores genéticos e ambientais 
que determinam a concentração de LDL no plasma (MARQUES, 2013). 
 
Secundária 
Quando é decorrente de estilo de vida inadequado, medicamentos ou 
condições mórbidas, conforme demonstram os quadros 1 e 2 (SANTOS, 2016; 
FALUDI et al., 2017) 
 
Classificação Laboratorial 
As dislipidemias podem ser classificadas em quatro tipos, de acordo com 
a fração lipídica alterada (FALUDI et al., 2017): 
• Hipercolesterolemia isolada: aumento isolado do LDL-c (≥ 160 mg/dL); 
• Hipertrigliceridemia isolada: aumento isolado dos TG (≥ 150 mg/dL com jejum 
ou ≥ 175 mg/dL semjejum); 
• Hiperlipidemia mista: aumento do LDL-c (≥ 160 mg/dL) e dos TG (≥ 150 mg/dL 
com jejum ou ≥ 175 mg/dL sem jejum). 
• HDL-c baixo: redução do HDL-c isolado (homenstontura, diarreia, 
cólica intestinal, cefaleia e gastralgia. 
A utilização de alho tópico pode produzir dermatites de contato (PANIZZA; 
VEIGA; ALMEIDA, 2012); 
• Contraindicações: gestantes, lactantes, menores de 3 anos, indivíduos com 
gastrite, úlcera gástrica, hipotensão e hipoglicemia. Não utilizar em casos de 
hemorragia (PANIZZA, 2010); 
• Interações: anticoagulantes, hemostáticos, anti-inflamatórios não esteroidais, 
corticoides, glicosídeos cardiotônicos, antiplaquetários, hipoglicemiantes, 
expectorantes e antirretrovirais (SCHULTZ; TYLER; HANSEL, 2002; PANIZZA, 
2010). 
A fitoterapia oferece ainda uma variedade de plantas medicinais que 
possuem ação hipocolesterolêmica, embora em diferentes graus de evidência e 
vários casos baseados na tradicionalidade de uso. 
Doses, marcadores, riscos e demais informações complementares variam 
de espécie para espécie, devendo ser consultadas individualmente para 
obtenção completa dos dados terapêuticos de cada uma. 
As espécies ricas em componentes fitoquímicos amargos, como 
abacateiro, genciana e carqueja, por seus efeitos colerético-colagogo elevam a 
eliminação dos sais biliares, que apresentam colesterol em sua composição. 
19 
 
 
Dessa forma, contribuem com a redução dos níveis de colesterol. Assim como a 
alcachofra, apresentada anteriormente, são contraindicadas em pacientes com 
cálculos biliares (SCHULTZ; TYLER; HANSEL, 2002). 
Outro grupo de plantas de interesse nessa área são as ricas em 
polissacarídeos do tipo poliurônicos, gomas, mucilagens e pectinas (por 
exemplo, psilium, fibra de maracujá, guar e farinha de aveia), que, por sua ação 
de intumescência, interferem na absorção de nutrientes, inclusive gorduras em 
geral. 
São utilizados em doses expressivas, necessitam de administração com 
água em abundância, podem causar flatulência no início do tratamento e 
reduzem a absorção de diversos nutrientes (como proteínas e vitaminas) e 
medicamentos, portanto, devem ser administrados em horários diferentes (WEI 
et al., 2009). 
 
 
CONSULTA FARMACÊUTICA 
• Acompanhamento do paciente 
• Acolhimento Coleta de dados 
• Análise situacional 
• Elaboração do plano de cuidado 
Durante a consulta, o farmacêutico deverá seguir diversas etapas. 
Portanto, com o intuito de estruturar o atendimento farmacêutico, é apresentado 
a seguir (Figura 1) um roteiro para a consulta farmacêutica (CORRER; OTUKI, 
2011; BRASIL, 2014c). 
20 
 
 
 
 
COLETA DE DADOS 
Durante a maioria das consultas, o paciente inicia seu relato focando em 
seus problemas de saúde, levando o farmacêutico a coletar as informações 
sobre a história clínica e de medicação antes de coletar os dados do perfil do 
paciente (CORRER; OTUKI, 2013; BRASIL, 2014c). 
Entretanto, como a consulta é dinâmica, é possível coletar os dados em 
qualquer ordem, de acordo com o surgimento das informações, e voltar para 
itens já coletados para complementar informações relatadas pelo paciente em 
outros momentos da consulta. O importante é que todos os dados sobre o perfil 
do paciente, a história clínica e de medicação sejam coletados e analisados e as 
necessidades do paciente atendidas (CORRER; OTUKI, 2013; BRASIL, 2014c). 
Quando a consulta é agendada, é recomendável solicitar que o paciente leve os 
medicamentos, receitas médicas e os últimos exames (CORRER; OTUKI, 2011). 
A coleta de dados é feita por meio de uma: 
• Caracterização do paciente (identificação do paciente) 
• Outras informações referentes ao paciente (história familiar e social) 
21 
 
 
• Natureza e descrição dos problemas de saúde 
• Situações médicas relevantes (história médica pregressa) 
• Uso de medicamentos (farmacoterapria atual) 
• Lembrança sobre o uso de medicamentos (medicação pregressa) 
• Tratamento com Práticas Integrativas e Complementares (PICs) 
• Alergias e Reações Adversas a Medicamentos (RAMs) 
 
Caracterização do paciente (identificação do paciente): O farmacêutico 
deve identificar aspectos básicos do paciente, como nome, data de nascimento, 
idade, gênero, peso, altura, se possui limitações, escolaridade, ocupação, 
telefone e endereço (CORRER; OTUKI, 2013; BRASIL, 2014c). 
Outras informações referentes ao paciente (história familiar e social): É 
importante que o farmacêutico conheça a história social do paciente (consumo 
de bebidas alcoólicas, tabagismo, uso de drogas ilícitas, hábitos de higiene e 
prática de atividade física), sua rotina e hábitos alimentares (se está fazendo 
alguma dieta específica, se possui restrições alimentares por recomendação 
22 
 
 
profissional, se faz algum exagero e como é o consumo de água) (BRASIL, 
2014c). Além disso, o farmacêutico deve verificar os problemas médicos 
principais de parentes de primeiro grau do paciente, como hipertensão, diabetes, 
hipercolesterolemia, doenças coronarianas, câncer, osteoporose, alcoolismo e 
transtornos mentais. Em relação aos parentes falecidos, recomenda- -se 
levantar dados referentes à idade e causa do óbito (CORRER; OTUKI, 2013). 
Natureza e descrição dos problemas de saúde: Conhecer detalhadamente 
os problemas de saúde que o paciente apresenta e reunir informações sobre o 
estado clínico atual de cada um deles é um passo fundamental durante a 
entrevista clínica. Dessa forma, para cada doença já diagnosticada, o 
farmacêutico deve registrar no prontuário os resultados dos exames clínico-
laboratoriais e os parâmetros fisiológicos e bioquímico, quando houver, além dos 
sinais e sintomas do paciente e o estado clínico atual (BRASIL, 2014c). 
Situações médicas relevantes (história médica pregressa): É importante 
verificar também ocorrências médicas que não obrigatoriamente estejam 
relacionadas aos problemas atuais do paciente (hospitalizações, procedimentos 
cirúrgicos, acidentes, lesões, entre outras) (CORRER; OTUKI, 2013). 
Uso de medicamentos (farmacoterapia atual): O farmacêutico deve saber 
se o paciente está utilizando algum medicamento (prescrito e/ou por 
automedicação), uma vez que ele pode ser a própria causa da queixa relatada 
(o sintoma apresentado pode ser decorrência do medicamento utilizado) e/ou 
representar contraindicação ao uso de certos medicamentos. É necessário 
também que o farmacêutico conheça a rotina de medicação do paciente, seu 
padrão de utilização dos medicamentos, sua experiência de medicação e sua 
motivação em cumprir o tratamento (CORRER; OTUKI, 2013; BRASIL, 2014c). 
Dessa forma, por meio de perguntas abertas que permitam ao paciente 
explicar com suas próprias palavras, o farmacêutico deve levantar, de modo 
detalhado, informações sobre medicamentos em uso, incluindo (BRASIL, 
2014c): 
• Nome; 
• Concentração; 
23 
 
 
• Indicação (verificar se o paciente conhece a indicação); 
• Via de administração; 
• Dose; 
• Frequência; 
• Horários de uso; 
• Utilização concomitante a alimentos; 
• Posologia utilizada; 
• Duração do tratamento; 
• Origem da prescrição, no caso de medicamentos prescritos; 
• Percepção do paciente sobre os efeitos/ funcionamento (se o paciente acha 
que o medicamento tem funcionado bem ou não); 
• Dificuldades na utilização. 
O farmacêutico deve questionar sobre o uso de polivitamínicos, vacinas, 
cremes, pomadas e adesivos, pois muitos pacientes não consideram estes 
produtos como medicamentos (BRASIL, 2014c). Em relação à experiência de 
medicação, o farmacêutico deve observar as atitudes, desejos, expectativas, 
receios, entendimento e o comportamento do paciente com relação aos 
medicamentos (CORRER; OTUKI, 2013; BRASIL, 2014c). Quanto à adesão ao 
tratamento, o farmacêutico deve adotar uma abordagem centrada no paciente e 
não julgá-lo ou culpá-lo por utilizar os medicamentos de forma diferente do que 
foi prescrito (CORRER; OTUKI, 2013; BRASIL, 2014c). Alguns fatores que 
podem influenciar a adesão ao tratamento estão citados na Figura 4. 
24 
 
 
 
Lembrança sobreo uso de medicamentos (medicação pregressa): O 
farmacêutico deve verificar com o paciente se ele utilizou algum medicamento 
no passado para o problema de saúde atual e de qual forma ele foi utilizado. 
Ainda é importante questionar o paciente sobre o uso de medicamentos para 
problemas pregressos relevantes, focando em medicamentos que obtiveram 
sucesso para casos específicos ou que produziram poucos efeitos ou efeitos 
adversos (CORRER; OTUKI, 2013). 
Recomenda-se reunir informações sobre o nome do medicamento, data e 
período de uso, dose, frequência, resultados obtidos e informações sobre o 
prescritor, quando houver (CORRER; OTUKI, 2013). Esses dados serão de 
grande valia para auxiliar o farmacêutico sobre como proceder, uma vez que é 
possível estimar a gravidade do problema (problemas já tratados com um 
medicamento aparentemente adequado apontam indícios de maior gravidade e 
indicam a necessidade de encaminhamento a outro profissional) (CORRER; 
OTUKI, 2013). 
 
 
25 
 
 
TRATAMENTO COM PRÁTICAS INTEGRATIVAS E 
COMPLEMENTARES (PICS) 
O campo das PICs contempla sistemas médicos complexos e recursos 
terapêuticos, que buscam estimular os mecanismos naturais de prevenção de 
agravos e recuperação da saúde, por meio de tecnologias eficazes e seguras. 
São eles: medicina tradicional chinesa-acupuntura, homeopatia, plantas 
medicinais e ftoterapia e termalismo social/crenoterapia (tratamento com águas 
minerais) (BRASIL, 2006). 
Nesse contexto, durante a entrevista clínica, o farmacêutico deve estar 
atento também às questões relacionadas ao tratamento com PICs, verificando 
qual é a prática envolvida, para qual finalidade está sendo utilizada, com qual 
frequência, bem como o modo de preparo e utilização, caso se aplique. Cabe 
destacar que os fitoterápicos industrializados ou as formulações caseiras, por 
possuírem substâncias que podem interferir na ação terapêutica, devem ser 
documentados da mesma forma e no mesmo local que os outros medicamentos 
(CORRER; OTUKI, 2013; BRASIL, 2014c). 
 
 
ALERGIAS E REAÇÕES ADVERSAS A MEDICAMENTOS 
(RAMS) 
Além dos itens citados anteriormente, existem algumas situações que o 
farmacêutico deve observar antes de tomar a decisão sobre como proceder, 
como, por exemplo, o histórico de alergia do paciente (a medicamentos ou 
alimentos) e se ele apresentou RAMs, o que pode contraindicar o uso de 
determinados medicamentos. O farmacêutico deve questionar ao paciente se 
algum medicamento que ele utiliza ocasiona algum incômodo e se ele sente ou 
sentiu, nos últimos meses, algum dos sintomas mais comuns que podem ser 
causados por medicamentos, como dor de cabeça, tontura, problema 
gastrintestinal, dor muscular, entre outros (BRASIL, 2014c). Caso o paciente 
afirme sentir ou ter sentido algum dos sintomas, o farmacêutico deve efetuar uma 
anamnese sobre a história desse problema de saúde (BRASIL, 2014c). 2.3 
26 
 
 
 
 
ANÁLISE SITUACIONAL 
Nessa etapa, o farmacêutico deverá analisar os problemas de saúde do 
paciente e os medicamentos utilizados, procurando identificar os resultados 
negativos, manifestados ou suspeitos, associados à medicação (HERNÁNDEZ; 
CASTRO; DÁDER, 2007; CORRER; OTUKI, 2013). Os Resultados Negativos à 
Medicação (RNMs) são resultados na saúde do paciente não adequados ao 
objetivo da farmacoterapia e associados ao uso ou à falha no uso de 
medicamentos (COMITÉ DE CONSENSO, 2007, tradução nossa). Ou seja, os 
RNMs são problemas de saúde ou alterações não desejadas no estado de saúde 
do paciente atribuíveis ao uso (ou desuso) dos medicamentos (HERNÁNDEZ; 
CASTRO; DÁDER, 2007). Os RNMs são organizados em seis categorias, 
conforme a Figura 5. 
 
 
27 
 
 
DOENÇAS DERMATOLÓGICAS 
A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano, atingindo até 16% do 
peso corporal. É constituída por epiderme (porção epitelial), derme (porção 
conjuntiva), hipoderme (tecido subcutâneo) e anexos cutâneos (pelos, glândulas 
sudoríparas e glândulas sebáceas). Dentre suas funções incluem-se proteção, 
uma vez que evita perda de água e eletrólitos, bem como a entrada de micro-
organismos; termorregulação; sensorial (recebe os estímulos de dor, calor, frio); 
excreção de substâncias; formação de vitamina D3 e respostas imunológicas 
aos alérgenos (DELUCIA et al., 2007; CORRÊA, 2012; GREENE; HARRIS, 
2012). No entanto, apesar de a pele ser um órgão resistente e com grande 
capacidade de proteção, podem ocorrer lesões inflamatórias, como, por 
exemplo, as dermatites ou eczemas e acnes. 
Desta forma, a atuação do farmacêutico é essencial para auxiliar 
pacientes com problemas dermatológicos, promovendo o uso racional de 
medicamentos e otimizando a farmacoterapia, com o propósito de melhorar a 
qualidade de vida do paciente. Além disso, de acordo com a Res. CFF nº 586/13, 
o farmacêutico pode realizar a prescrição de medicamentos cuja dispensação 
não exija prescrição médica, a qual deve ser realizada com base nas 
necessidades de saúde do paciente, nas melhores evidências científicas, em 
princípios éticos e em conformidade com as políticas de saúde vigentes 
(CORRÊA, 2012; GREENE; HARRIS, 2012; KRINSKY et al., 2012; BRASIL, 
2013b). 
 
 
ACNE 
Definição 
Doença de pele bastante frequente, decorrente de um processo 
inflamatório na unidade pilossebácea, formada por glândulas sebáceas e o canal 
no qual se forma o pelo. Pode aparecer em todas as idades e ambos os sexos, 
porém sua maior incidência e gravidade acontecem na adolescência (FINKEL; 
PRAY, 2007; SBCD, s.d.). 
28 
 
 
ATENÇÃO! Serão abordadas neste fascículo apenas as formas mais 
brandas da acne (estágio I), que podem ser tratadas com produtos que não 
exigem prescrição médica e tratamentos não farmacológicos, pois os estágios 
mais graves da acne (estágios II, III e IV) podem produzir cicatrizes permanentes 
e necessitam de medicamentos cuja dispensação exige prescrição médica. 
Recomenda-se que os pacientes com acne grau II, III e IV sejam encaminhados 
ao médico. 
 
Epidemiologia e etiologia 
Praticamente todos os adolescentes, independentemente do sexo, sofrem 
com o aparecimento da acne, que normalmente se inicia na puberdade, devido 
às alterações hormonais. Aparece mais cedo nas mulheres, porém é mais 
frequente e intensa nos homens (BRENNER et al., 2006; FINKEL; PRAY, 2007; 
SCHMITT; MASUDA; MIOT, 2009). Em adolescentes e adultos jovens, é mais 
comum no sexo masculino, devido à ação dos hormônios androgênicos, já em 
adultos (acima de 25 anos) é mais comum nas mulheres. Pessoas de pele clara 
têm maior probabilidade de sofrer com as formas moderadas e graves da acne 
do que as demais (BRENNER et al., 2006; FINKEL; PRAY, 2007; COSTA; LAGE; 
MOISÉS, 2010). 
Considerada uma dermatose crônica específica do folículo pilossebáceo, 
pode sofrer interferência de alguns fatores: clima quente e úmido, genética, 
hormônios, alimentação, faixa etária, estresse, aumento da produção sebácea. 
 
Sinais e sintomas 
Normalmente os sintomas da acne são de baixa ou pequena intensidade, 
porém, as manifestações variam de acordo com o organismo de cada pessoa, 
conforme as definições abaixo (FINKEL; PRAY, 2007; SBCD, s.d.): 
• Grau 1: somente comedões, sem lesões inflamatórias. No máximo 10 lesões 
na face. Sem lesões no peito ou nas costas e sem cicatrizes; 
29 
 
 
• Grau 2: comedões e pápulas. Entre 10 e 25 lesões na face e no peito ou nas 
costas. Apenas cicatrizes suaves; 
• Grau 3: comedões, pápulas e pústulas. Mais que 25 lesões. As cicatrizes são 
normalmente moderadas; 
• Grau 4: há também a presença de nódulos ou cistos com cicatrizes extensas. 
Como a acne normalmente se manifesta nas costas, peito, braços e, 
principalmente, na face, que são locais que normalmente ficam expostos, deve-
se considerar o grau de sofrimento psicossocial do paciente, que pode chegar a 
quadros de depressão, fobia social e até ao suicídio (BRENNER etal., 2006). 
 
Tratamento 
Como a acne é um processo fisiológico, não é possível preveni-la. 
Entretanto, é possível diminuir sua gravidade (PASCHOAL; ISMAEL, 2010). O 
tratamento para a acne envolve uma série de opções (tratamento à base de 
cuidados gerais, tópico, sistêmico e complementares) que variam de acordo com 
o grau da doença, embora todas as opções apresentem resultados em longo 
prazo (TALARICO FILHO; HASSUN, 2001). Dependendo da gravidade, o 
paciente poderá associar as modalidades de tratamento para tentar um controle 
mais rápido das lesões. Os objetivos do tratamento da acne envolvem: 
a) Prevenção ou tratamento das lesões; 
b) Redução do desconforto físico causado pelas lesões; 
c) Melhora da aparência do paciente. 
d) Queratinização folicular, inflamação dérmica com aumento do crescimento de 
Propionibacter acnes e efeitos adversos de alguns medicamentos (STEINER; 
BEDIN; MELO, 2003; COSTA et al., 2007; GREENE; HARRIS, 2012). 
O processo tem início com a descamação intensa das células do epitélio 
(hiperqueratose), que se desprendem, acumulam e afunilam o lúmem dos 
folículos pilossebáceos, aumentando a produção de sebo, normalmente em 
áreas onde os folículos são maiores e mais numerosos (face, tórax e dorso). 
30 
 
 
A combinação de sebo, pelo e bactérias obstrui a abertura do folículo, 
formando um microcomedão (cravo branco), lesão primária da acne (VAZ, 2003; 
FINKEL; PRAY, 2007). 
O crescimento do microcomedão evolui para um comedão fechado 
(pequeno nódulo que fica um pouco abaixo da superfície da pele). 
O aumento do material acumulado faz com que a unidade porosa 
pilossebácea se abra, formando um comedão aberto não inflamado (cravo de 
cabeça preta) (FINKEL; PRAY, 2007). 
A produção excessiva de sebo, principalmente na puberdade, estimula o 
crescimento de bactérias Propionibacter acnes, normalmente presentes, 
agravando o quadro para os estágios mais graves, conforme resumo abaixo, 
mas que não serão tratados neste fascículo (FINKEL; PRAY, 2007): 
• Grau 2: formação de pápulas (ruptura folicular na derme superficial, como 
resultado da inflamação da unidade pilossebácea – lesão vermelha, elevada); 
• Grau 3: surgimento das pústulas (ruptura folicular nas camadas mais 
superficiais da pele, permitindo que o material purulento se torne visível no centro 
da lesão); 
• Grau 4: quando a inflamação é suficientemente grave e ocorre a ruptura nas 
camadas mais profundas da derme, um cisto de acne doloroso pode 
desenvolver-se, geralmente resultando em mudança de pigmentação na pele. 
 
Tratamento não farmacológico 
O farmacêutico poderá atuar prescrevendo tratamentos não 
farmacológicos para alívio dos sintomas da acne não inflamatória (grau 1) 
(TALARICO FILHO; HASSUN, 2001; BRENNER et al., 2006; FINKEL; PRAY, 
2007): 
• Abrasivos: evitar a utilização de esfoliantes e esponjas; 
• Bloqueador solar: pode auxiliar como fator preventivo; 
31 
 
 
• Dieta: embora os estudos não tenham chegado a um consenso sobre a 
influência da alimentação na piora do quadro, recomenda-se a ingestão de 
alimentos frescos e naturais, com baixo índice glicêmico; Recomenda-se que o 
paciente seja encaminhado ao nutricionista, profissional responsável pela 
orientação nutricional, para a escolha do melhor plano alimentar. 
• Estresse emocional: alguns estudos relacionam situações de estresse 
emocional com a piora do quadro (por exemplo, adolescentes em período de 
prova e avaliação normalmente têm quadro agravado); 
• Excesso de oleosidade e umidade: evitar o uso de produtos oleosos 
(cosméticos, loções, produtos de bronzeamento etc.) e ambientes úmidos; 
• Exposição solar: evitar a exposição solar prolongada, pois pode agravar a 
irritação da acne; 
• Limpeza do rosto: recomenda-se lavar o rosto de 2 a 3 vezes ao dia, com 
produtos adequados ao tipo de pele, como sabonetes em barra, sabonetes 
líquidos, géis ou loções; 
• Manipulação das lesões: não remover as lesões com as mãos (espremer 
cravos e espinhas). Se houver necessidade de remover os comedões, deve-se 
procurar profissional habilitado; 
• Vestuário e acessórios: evitar roupas que não permitam a ventilação da pele 
(nos casos em que a acne apareça na região dos braços, peito e costas). Evitar 
também equipamentos e acessórios que causem atrito. 
É importante ressaltar que, nos casos mais graves, o paciente deve ser 
encaminhado a um profissional habilitado. 
 
Tratamento farmacológico 
Estão elencados a seguir os principais princípios ativos que compõem os 
produtos cuja dispensação não exija prescrição médica, tanto de formulações 
tópicas quanto orais, que o farmacêutico poderá prescrever aos seus pacientes, 
quando estes se apresentarem com o estágio I da acne. 
32 
 
 
Homeopático (CAIRO, 1991; VIJNOVSKY, 2015) 
• Carbo animalis 
• Hepar sulfur 
• Silicea 
 
 
APARELHO LOCOMOTOR 
O aparelho locomotor é constituído pelos sistemas ósseo, articular e 
muscular. Estes três conjuntos de órgãos unem-se à volta do objetivo comum de 
proporcionar movimento. 
O aparelho locomotor não é independente nem autônomo por interagir 
com vários sistemas, como, por exemplo, o sistema nervoso, de que depende, 
para controlo do movimento motor. 
Todo o aparelho é formado por estruturas cuja função é sustentar e 
produzir o movimento do corpo, dando origem ao sistema musculoesquelético. 
O elemento passivo do sistema é formado pelos ossos, cartilagens e 
ligamentos articulares, enquanto os músculos, ao ligarem-se aos ossos e ao 
contraírem-se, são responsáveis pelo movimento e deslocação corporal, para 
além de manterem unidas as peças ósseas em posições específicas. 
O conjunto de cartilagens e ossos é denominado esqueleto humano. Este 
é formado por mais de 200 ossos no adulto, variando com o seu tamanho e 
forma, sendo alguns longos, como o úmero ou o fémur, outros planos e lisos, 
como o das costelas, ou ainda curtos e com dimensões semelhantes, como os 
do carpo e do tarso, havendo também ossos irregulares, como os das vértebras. 
As funções do sistema esquelético abrangem o suporte e proteção de 
órgãos internos vitais, como o coração, pulmões ou cérebro, para além do 
armazenamento de minerais e produção de células sanguíneas, através da 
medula óssea. Deste sistema faz também parte a coluna vertebral, composta por 
vértebras alternadas com discos vertebrais, que permite dar flexibilidade ao 
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tronco. A estrutura mais complexa do esqueleto é o crânio, na qual se inclui o 
neurocrânio, que protege o encéfalo. 
Apesar da sua solidez, os ossos são também relativamente flexíveis, 
encontrando-se em constante renovação. 
A infância e adolescência correspondem a períodos de crescimento e 
mineralização. 
Em idades mais avançadas, os ossos tornam-se mais frágeis e as fraturas 
ósseas são mais frequentes devido ao processo de desmineralização e 
destruição de tecido ósseo. Por isso se aconselha o exercício físico nestas duas 
etapas da vida, dado contribuir para um desenvolvimento equilibrado 
dos ossos no adolescente e para uma maior robustez óssea no idoso, 
prevenindo fraturas. 
Para impedir maior desgaste, a superfície do osso, na zona de articulação 
com outro, deve ser lisa para o reduzir e daí ser revestida com cartilagens. Trata-
se de um tecido liso, resistente e protetor, que funciona como amortecedor de 
choques, reduzindo também o atrito. 
Do sistema locomotor fazem também parte as articulações, tecidos que 
permitem a ligação entre dois ou mais ossos e podem variar segundo o seu grau 
de movimento ou a sua estrutura. 
Nesta última, as articulações podem ser fibrosas (ossos unidos por tecido 
conjuntivo fibroso), cartilaginosas (unidos por cartilagem) ou sinoviais (possui um 
espaço entre os ossos). 
A produção de sinóvia nas articulações diminui progressivamente com a 
idade, emergindo o envelhecimento articular que pode ser influenciado porfatores genéticos ou devido ao desgaste natural. 
Em relação ao eixo do movimento, as articulações podem classificar-se 
em fortes e imóveis, conhecidas por sinartroses e mais flexíveis. Por isso 
possibilitam os movimentos, nomeadamente a anfiartrose e a diartrose. 
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As articulações situadas entre os ossos planos do crânio correspondem 
ao primeiro tipo, enquanto do segundo tipo fazem parte as articulações pubianas 
e as intervertebrais com movimento limitado. 
Finalmente, no terceiro tipo pode incluir-se uma outra classificação que 
divide as articulações em três, de acordo com o eixo em que é realizado o 
movimento: monoaxial, quando a mobilidade é realizada à volta de um eixo, 
apenas permitindo movimentos de flexão e de extensão, como no caso da 
articulação do cotovelo; biaxiais, quando realizam, para além dos movimentos 
do subtipo anterior, outros como a adução e a abdução tão características dos 
movimentos do punho; por último, as articulações que permitem uma maior 
amplitude de movimento, como no caso dos ombros com rotação interna e 
externa ou ainda dos movimentos dos membros inferiores, que permitem a 
locomoção para trás, frente e lados, correspondendo a articulações do tipo 
triaxial ou poliaxial. 
 
O puzzle não ficaria completo sem abordar o sistema muscular que 
determina a movimentação dos membros, vísceras e órgãos internos, através da 
peculiar propriedade de contração e distensão das células. Quando um músculo 
se contrai o oposto relaxa, originando movimento ou ampliando a sua 
intensidade. 
O corpo humano possui mais de 600 músculos unidos na sua maior parte 
aos ossos através dos tendões, embora muitos outros não estejam ligados à 
estrutura óssea e possuam funções específicas, como a língua, o coração ou os 
músculos do aparelho digestivo. 
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Para além da capacidade dos músculos produzirem movimento, pode 
ainda destacar-se o seu contributo como estimulantes dos vasos sanguíneos, 
assim como para a estabilidade articular e manutenção da postura através das 
terminações nervosas existentes no tecido muscular. Por outro lado, os 
músculos fornecem informação sobre o estado fisiológico do corpo e são 
considerados biotransformadores ao participarem na conversão de energia 
química em mecânica. 
O músculo é o órgão de maior adaptabilidade, pois consegue modificar o 
seu conteúdo e a sua forma em frações de segundo. Quando não é utilizado 
pode rapidamente atrofiar, diminuindo o seu tamanho e força, mas o processo é 
reversível e, com exercício adequado, pode voltar à sua dimensão original. 
Distúrbios do aparelho locomotor 
Embora os vários elementos do sistema musculoesquelético possam 
mostrar bom desempenho, a sua frequente utilização provoca desgaste, lesões 
ou inflamações que podem originar dor crônica e incapacidade física. 
As lesões podem variar desde as mais superficiais, como as entorses ou 
contusões, até às simples distensões musculares que ocorrem sobretudo na 
região lombar e nas coxas. 
O seu grau traumático pode ser mais elevado quando atinge as 
articulações ou os ossos, como nas luxações ou fraturas. 
Nesta última patologia, a gravidade depende da fratura ser fechada 
(quando não há rompimento da pele), ou aberta quando fica exposta ao meio 
externo, com risco de contaminação. 
Embora dolorosas e até geradoras de futuras complicações, na sua maior 
parte, estas lesões curam-se por completo, ao contrário do que ocorre nas 
inflamações articulares e dos tendões, provocando as conhecidas artrites e 
tendinites. 
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Na primeira situação, o processo inflamatório pode ser generalizado – 
uma característica típica da artrite reumatoide – tornando-se crônico e 
persistente. É considerada uma doença autoimune, que se caracteriza pela 
inflamação da cápsula sinovial das articulações, podendo ocasionar, para além 
de dores intensas, rigidez e deformidades progressivas, responsáveis pela 
incapacidade funcional. 
A artrite reumatoide não deve ser confundida com o reumatismo. Esta 
última perturbação corresponde a um conjunto de doenças que, em dado 
momento, provocam dor ou incapacidade, não apenas nas articulações, mas 
também nos músculos, tendões e ossos. A inflamação pode atingir tecidos 
conjuntivos de outros órgãos, como os rins, pulmões e pele. A sua causa não é 
ainda bem conhecida, embora se especule sobre a sua relação com a imunidade 
ou o sistema de defesa que passa a agredir o próprio organismo. Com a 
denominação de doença reumática incluem-se ainda outras perturbações, como 
a artrose, a gota, a tendinite provocada por esforços repetitivos, 
a bursite associada a desportos como o tênis ou a natação, a dor ciática, que 
atinge o nervo mais longo do corpo e cuja dor persistente se inicia na região 
lombar, passando pelas nádegas e atingindo a parte inferior de uma ou de ambas 
as pernas. 
O impedimento permanente dos movimentos, assim como a degeneração 
prematura das articulações, pode originar as chamadas artroses, com uma 
incidência maior nas mulheres, sobretudo a partir dos 45 ou 50 anos. Pelo 
contrário, a artrite gotosa, que além de febre também provoca limitação de 
movimentos, atinge mais o grupo masculino. 
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Em causa está uma reação inflamatória aos cristais de urato, que se 
depositam nas articulações devido a distúrbios do metabolismo do ácido úrico, 
sendo as regiões mais afetadas os tornozelos, joelhos, cotovelos e dedos do pé. 
Outra doença do foro reumático é a espondilite anquilosante. Consiste 
na inflamação das juntas da coluna e grandes articulações como as dos quadris 
e ombros. De origem desconhecida, a doença por enquanto não tem cura, 
embora se aconselhe uma terapia de exercícios, assim como o recurso a 
analgésicos, anti-inflamatórios e relaxantes musculares para alívio das dores. 
Lombalgias e hérnias discais também podem ser incluídas no grupo de 
doenças reumáticas, para as quais influem fatores genéticos e antropológicos, 
obesidade, fumo, atividades repetitivas, traumas, sedentarismo ou maus hábitos 
posturais. 
Um caso particular que também pode ser incluído nas doenças 
reumáticas, embora não afete as articulações, é a fibromialgia. Trata-se de uma 
síndrome clínica, caracterizada por um conjunto de sintomas, sem que seja 
identificada uma origem única para todos eles. 
A sua principal característica é uma dor generalizada, que ataca 
principalmente os músculos, combinada com a falta de sono repousante, 
estados depressivos e fadiga crônica. 
Há ainda outros transtornos que podem afetar diretamente os ossos e o 
próprio esqueleto humano, como a escoliose (desvio da coluna vertebral para a 
esquerda ou direita), a hiperlordose, associada a curvaturas lombares e 
cervicais anormais da coluna, ou ainda a cifose, mais conhecida 
por corcundez, que provoca um aumento da concavidade anterior da coluna. 
Em geral, estes distúrbios relacionam-se com más posturas ou a prática de 
determinadas atividades. 
 
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Os desequilíbrios hormonais podem também afetar os ossos e 
articulações, como ocorre na osteoporose, cuja característica principal é a 
diminuição da massa óssea decorrente da desmineralização dos ossos. 
À medida que os ossos perdem densidade, tornam-se também mais 
frágeis e propensos a fraturas. 
Contudo, a doença pode ser diagnosticada antes de se verificar fratura, 
recorrendo a exames que meçam a densidade óssea, sendo o mais adequado a 
absorciometria de raios X de energia dupla, um processo rápido, indolor e sem 
riscos para a saúde. 
Na osteoporose, mais importante que o tratamento é a sua prevenção, 
de forma a manter ou aumentar a densidade óssea. 
Neste sentido é conveniente ingerir doses adequadas 
de cálcio, suplementos de vitamina D, assim como realizar uma correta prática 
de exercícios físicos, privilegiando os que implicam o suporte do peso corporal, 
designadamente andar ou subir escadas. 
Para tratamento desta patologia,há quem recorra à THS (terapia 
hormonal de substituição), embora a sua utilização se mantenha controversa. 
Recentemente surgiram no mercado alternativas com medicamentos 
baseados no raloxifeno que, embora menos eficazes contra a osteoporose que 
o estrogenio, implicam menos risco para a saúde. 
Os bifosfonatos, nos quais se incluem o alendronato sódico ou as 
calcitoninas, são também aconselhados, sobretudo no caso de doentes 
com osteoporose pós-menopáusica. 
As fraturas resultantes da osteoporose também devem ser tratadas, 
sendo a mais grave a que ocorre na anca, implicando a sua substituição total ou 
parcial. Podem também surgir fraturas nos pulsos, em que a aplicação de gesso 
é suficiente, ou ainda afetar as vértebras, situação que obriga à utilização de 
coletes ortopédicos, para além do recurso a analgésicos e à fisioterapia, para 
alívio das dores. 
https://www.indice.eu/pt/medicamentos/DCI/raloxifeno/informacao-geral
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À semelhança da osteoporose, o raquitismo decorre da carência de 
vitamina D, o que impossibilita a absorção do cálcio e do fósforo, provocando, 
em situações mais graves, deformações nas pernas (formato em arco) e ossos 
quebradiços. A doença, mais frequente em países em desenvolvimento, pode 
ser revertida através de suplementos na dieta e adequada exposição solar, 
embora demore alguns meses ou anos até as deformidades desaparecerem. 
 
Outros transtornos do aparelho locomotor relacionados com causas 
genéticas são a espina bífida, caracterizada por uma deficiência no 
desenvolvimento da medula espinal e da coluna vertebral, ocasionando paralisia 
e anomalias sensitivas nas extremidades inferiores; amiotrofia espinal, que 
também provoca paralisia, sendo muito grave quando se revela nos primeiros 
meses de vida; paralisia cerebral, causada por uma lesão do cérebro antes, 
durante ou após o nascimento e que interfere com o desenvolvimento do sistema 
nervoso, afetando não apenas a motricidade, como também o tónus muscular, o 
movimento e a postura; doença de Paget do osso, perturbação crónica do 
esqueleto consistindo no crescimento anormal de certas regiões do osso, sendo 
que essa hiperatividade das células ósseas também pode ser causada por uma 
infecção viral, que despoleta a doença desde que haja predisposição 
genética; distrofia muscular, doença que afeta o tecido muscular e que provoca 
desde a perda gradual da mobilidade até incapacidade severa e morte, como 
na distrofia muscular de Duchenne cuja esperança de vida não vai além dos 
20 anos. 
Com sequelas também muito graves a nível dos ossos, é a osteogénese 
imperfeita ou doença de Lobstein que se caracteriza pela deficiência de 
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colágeno ou incapacidade de sintetizar essa proteína, 
provocando ossos anormalmente quebradiços. Muitas das crianças que nascem 
já com fraturas múltiplas e crânio mole, ou não conseguem sobreviver ou são 
afetadas por lesões cerebrais posteriores. 
De referir ainda a acondroplasia, normalmente conhecida por nanismo, 
cuja incidência é de 1 para cada 15 mil recém-nascidos. A acondroplasia pode 
criar dificuldades de diagnóstico pois desde o início algumas crianças nascem 
com o comprimento normal, embora na fase adulta não venham a ultrapassar 
1,40 m de altura. 
No lado oposto surge a acromegalia, uma doença hormonal causada 
pelo excesso de secreção da hormona de crescimento, podendo também derivar 
de tumor na glândula pituitária. Para esta doença, em que os indivíduos podem 
atingir estaturas próximas dos 2,75 metros, há tratamento para reduzir a 
produção daquela hormona através de medicamentos, ou extirpando o tumor. 
Estas anomalias genéticas podem ser despistadas e prevenidas. A 
condição é que os progenitores procurem aconselhamento genético com o 
objetivo de avaliar futuras gestações em que este tipo de doenças não se 
manifeste. 
No entanto, há lesões a nível da medula espinal que tanto podem ser 
genéticas como causadas por doenças ou traumatismos, em fases posteriores 
ao nascimento. Desencadeiam situações de tetraplegia ou paraplegia, conforme 
afetem os quatro membros ou apenas os membros inferiores. 
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Por último, cabe ainda destacar o papel que desempenham os tumores 
do aparelho locomotor. Segundo a Organização Mundial da Saúde, existem pelo 
menos 90 tipos de neoplasias de partes moles e mais de 50 ósseas, embora 
cerca de metade corresponda a situações benignas. 
A terapia no caso dos tumores ósseos malignos poderá envolver cirurgia, 
combinada ou não com tratamentos de radioterapia ou quimioterapia. As opções 
devem ser avaliadas pelo médico e pelo paciente de acordo com a idade, a 
evolução e agressividade do tumor e a região afetada. A eficácia do diagnóstico 
e do tratamento utilizado desde o início influencia a possibilidade de cura. 
No pior dos casos, os tumores podem ser metastáticos ao propagarem-
se ao osso a partir de um ponto de origem, que pode ser o pulmão, a mama, 
a próstata, rim ou qualquer outro órgão. Nesta situação está-se na presença de 
um tumor secundário. O sinal de alarme habitual é dor intensa ou ocorrência de 
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fratura no ponto em que o tumor debilitou o osso e que possibilita a detecção e 
localização do tumor original através de biópsia. Os tumores podem também ser 
primários ou com origem no próprio osso, enfraquecendo-o e partindo-o, mesmo 
com diminuta sobrecarga ou pressão. 
O sarcoma de Ewing, o condrossarcoma, o fibrossarcoma ou 
o sarcoma osteogénico – sendo este último o cancro de osso mais frequente e 
agressivo –, são tumores que correspondem ao grupo primário. Este tipo de 
tumor afeta sobretudo as crianças enquanto o metastático é mais frequente na 
fase adulta. De referir ainda os tumores não cancerosos, nos quais se podem 
incluir os osteocondromas, os condromas benignos, os condroblastomas, 
os fibromas condromixóides e os tumores de células gigantes. 
 
Terapêutica passa pela prevenção 
Se bem que muitas das doenças que afetam o sistema 
musculoesquelético sejam de origem genética ou surjam associadas a 
processos degenerativos, há outras que podem ser prevenidas, sendo de efeito 
reversível. 
As lesões mais ligeiras, que afetam os músculos, ligamentos ou tendões, 
podem ser tratadas apenas com o recurso a compressas mornas ou frias, 
imobilização com talas e ligaduras, muito repouso e, em algumas ocasiões, o 
uso de analgésicos e anti-inflamatórios, sempre que sejam atingidas várias 
articulações. 
Contudo, há outras doenças que envolvem o aparelho locomotor, para as 
quais mais vale seguir o ditado popular de "prevenir antes que lamentar", pois as 
consequências podem ser muito graves e comprometer o desempenho físico e 
a qualidade de vida. 
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Manter uma boa saúde e ossos fortes deve ser essencial, através do 
consumo de alimentos ricos em cálcio, como os lacticínios e as 
verduras. Exposição solar e exercício físico adequados, em particular nas 
mulheres com predisposição para fragilidade óssea, deve ser outra das 
prioridades para quem pretenda evitar as sequelas no futuro. 
Cuidados com a postura e o levantamento de pesos, assim como 
evitar desportos arriscados ou, pelo menos, praticá-los só com muito treino e 
prudência é conveniente, por forma a evitar traumatismos e lesões graves e 
irreversíveis. Por outro lado, deve criar-se, tanto no local de trabalho como em 
casa, no carro ou no exterior, um ambiente seguro de modo a reduzir a incidência 
de acidentes, quedas ou queimaduras. 
No local de trabalho a utilização de acessórios e equipamentos de 
proteção nas profissões de risco ou de desgaste deve ser norma obrigatória, 
apesar de ainda se verificar alguma negligência nesta área. 
Porém, tem havido avanços em relação aos Distúrbios 
Musculoesqueléticos Ocupacionais (DMO), seja através de abordagens mais 
holísticas e multidisciplinares nas terapêuticas, como também na sua prevenção, 
corrigindo os fatores ergonómicos

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