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PROCESSO SAÚDE-DOENÇA
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
Entender os conceitos de doença e de saúde e assim como se dá o processo
saúde-doença.
Correlacionar o processo saúde-doença com a epidemiologia.
Entender o processo saúde-doença e seus conceitos relacionados com sua
epidemiologia.
A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de
aprendizagem:
 
1 CONTEXTUALIZAÇÃO
Durante muito tempo, ao longo da história da humanidade, diversas doenças
dizimaram milhares de pessoas, causando a devastação de várias cidades. Nesse
sentido, muitas dessas doenças foram fatais, como grandes epidemias retratadas
durante a Idade Média.
Epidemias: doenças que se disseminam de forma inesperada e rápida,
atingindo um grande número de indivíduos simultaneamente
 
(ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003).
De acordo com relatos, é de conhecimento cada vez maior essa relação antiga
entre as diferentes doenças e o homem. Em 2010, por exemplo, pesquisadores do
Egito, da Alemanha e da Itália anunciaram que o jovem faraó Tutancâmon teria,
em 1324 a.C., aos 19 anos de idade, tido uma infecção grave de malária (FOLHA DE
SÃO PAULO, 2010).
A conclusão foi obtida através de uma pesquisa detalhada realizada na múmia do
jovem faraó (Figura 1) que incluiu a análise de seu DNA (ácido desoxirribonucléico),
sendo que esta análise possibilitou aos pesquisadores veri�carem a presença de
genes do Plasmodium falciparum, protozoário que é o agente biológico causador
da malária na África (FOLHA DE SÃO PAULO, 2010).
Agente biológico: são todos os tipos de vírus, bactérias, fungos e parasitas.
Este relato, de acordo com os pesquisadores, constitui na mais antiga evidência
genética numa múmia com datação precisa (FOLHA DE SÃO PAULO, 2010).  Dessa
forma, podemos concluir que convivemos com agentes biológicos há mais de 2000
anos. A forma como conduzimos estudos sobre a área da saúde está cada vez mais
so�sticada e especí�ca, aprimorando conhecimentos sobre diferentes doenças e
permitindo ações de saúde mais efetivas e e�cazes contra elas.
FIGURA 1 − DETALHE DO MINISSARCÓFAGO USADO PARA ABRIGAR AS
VÍSCERAS DO FARAÓ TUTANCÂMON
 
FONTE: . Acesso em: 28 jun. 2020.
Na verdade, toda vez que se pensa em relações, a palavra evolução vem à tona,
junto ao célebre princípio formulado de que se não for à luz da evolução nada na
biologia terá sentido (SANT’ANNA et al., 2004). Pode se observar, então, uma
evolução, em que se pode constatar um processo dinâmico entre saúde e doença,
junto às transformações enormes e signi�cativas que as sociedades sofreram e,
assim, os conceitos de saúde e de doença foram se modi�cando também.
Mas, a�nal, o que é doença? Como ela se manifesta? Quais aspectos importantes
são necessários para isso? O que é saúde? Quais conceitos são importantes
conhecer para compreender melhor tanto a saúde quanto a doença? Quais
medidas de promoção à saúde, prevenção e controle podem ou devem ser
tomadas para a melhoria da saúde da população como um todo? Muitas questões
levantadas já podem ser respondidas através de avanços das ciências da saúde,
principalmente ciências básicas da área de Saúde Pública, como é o caso da
epidemiologia, que, diferentemente da clínica, estuda o processo saúde e doença
em nível populacional, fornecendo, assim, ferramentas para o estudo de
informações de saúde de uma determinada população.
De acordo com a epidemiologia, temos ainda vários conceitos importantes
relacionados ao estudo e à distribuição de fatores de risco, de proteção ou de
determinantes, que se caracterizam por in�uenciar ou não no desenvolvimento de
 
diferentes doenças ou agravos à saúde. Dessa forma, a epidemiologia se baseia
num raciocínio causal entre os diferentes fatores e as doenças, havendo ou não
associação entre eles.
Através dos estudos epidemiológicos, pode-se determinar quais são os grupos de
risco para determinada doença e, assim, permitir que sejam adotadas Medidas de
Promoção, Prevenção e Controle das doenças nesses grupos, bem como na
população como um todo.
Outro aspecto importante do uso da epidemiologia na Saúde Pública, de um modo
geral, é ser instrumento para a tomada de decisões em Políticas Públicas
relacionadas à saúde de uma determinada população. Dessa maneira, pode-se
citar, por exemplo, o acompanhamento diário pela Vigilância Epidemiológica da
pandemia do novo coronavírus; muitos estados brasileiros têm tomado a decisão
de manter os já conhecidos e identi�cados grupos de risco para o
desenvolvimento da doença em casa, como idosos, pacientes com comorbidades,
como doenças cardiovasculares e diabetes, e pacientes imunodeprimidos. Dessa
forma, diminui-se a possibilidade de contágio entre esses indivíduos,
principalmente porque são os mais vulneráveis ao desenvolvimento da forma mais
grave da doença por terem o sistema imunológico mais comprometido.
Pandemia: tipo de epidemia que é caracterizada pela ocorrência em larga
distribuição espacial, atingindo vários países ao mesmo tempo.
Atualmente, a epidemiologia é a principal ciência de informações sobre dados de
saúde e doença de uma determinada população em uma casa, bairro, cidade,
estado, país e mundo.
2 INTRODUÇÃO
A epidemiologia é considerada o eixo da Saúde Pública, ou seja, a peça-chave no
estudo das informações de saúde (ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003). Sobre aspectos
relacionados à Epidemiologia, podemos destacar o fato deste estudo:
 
proporcionar bases sólidas para a adoção de medidas de promoção,
prevenção e controle das doenças;
fornecer pistas para o efetivo diagnóstico de doenças infecciosas ou não
infecciosas;
veri�car a consistência de hipóteses de causalidades entre diversos fatores
e doenças, ou seja, identi�car se diferentes fatores (de risco, de proteção ou
determinantes da doença) estão associados efetivamente com as doenças ou
não;
estudar a distribuição da morbidade (doença) e mortalidade, objetivando
traçar o per�l do processo saúde-doença nas populações;
realizar testes da e�cácia e inocuidade de vacinas;
desenvolver a Vigilância Epidemiológica;
analisar fatores determinantes das doenças, como socioeconômicos e
ambientais.
Essas funções permitem que a epidemiologia tenha um papel fundamental na
Saúde Pública, sendo muito útil às tomadas de decisões das autoridades de saúde.
Já é comprovado que os estudos epidemiológicos contribuíram muito para o
aperfeiçoamento da saúde e dos conceitos relativos às diferentes doenças.
3 DEFINIÇÃO DE DOENÇA
A letra da música “O Pulso”, do grupo musical Titãs, apresentada a seguir, foi
composta na década de 1980, no entanto, sua temática é extremamente atual. A
música constata o quanto diferentes doenças assolaram e assolam nossas vidas,
in�uenciando a história humana e a modi�cando ao longo dos tempos.
Analise a música do grupo Titãs chamada “O Pulso”, com composição de
Arnaldo Antunes, Toni Belloto e Marcelo Fromer.
Para ouví-la acesse ao link: https://www.youtube.com/watch?
v=PH3kNbvjN9E
O Pulso
 
O pulso ainda pulsa
O pulso ainda pulsa
Peste bubônica, câncer, pneumonia
Raiva, rubéola, tuberculose e anemia
Rancor, cisticercose, caxumba, difteria
Encefalite, faringite, gripe e leucemia
E o pulso ainda pulsa (pulso)
(Pulso)
O pulso ainda pulsa (pulso)
(Pulso)
Hepatite, escarlatina, estupidez, paralisia
Toxoplasmose, sarampo, esquizofrenia
Úlcera, trombose, coqueluche, hipocondria
Sí�lis, ciúmes, asma, cleptomania
E o corpo ainda é pouco
O corpo ainda é pouco
Assim
Reumatismo, raquitismo, cistite, disritmia
Hérnia, pediculose, tétano, hipocrisia
Brucelose, febre tifoide, arteriosclerose, miopia
Catapora, culpa, cárie, cãibra, lepra, afasia
O pulso ainda pulsa
E o corpo ainda é pouco
 
Ainda pulsa
Ainda é pouco
[...]
FONTE: . Acesso em: 28 jun. 2020.
Antes de falarmos sobre as diferentes doenças, é necessáriocompreender o
conceito dessa palavra. Doença vem do latim dolentia, padecimento, e é de�nida
como uma condição anormal do organismo que interfere em suas funções
corporais, estando associada a sintomas especí�cos.
A doença também pode ser de�nida como um desajustamento ou falha nos
mecanismos de adaptação do organismo ou uma ausência de reação aos
estímulos. O processo conduz a uma perturbação da estrutura ou da função de
um órgão, de um sistema ou de todo o organismo e das funções vitais
(ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003).
Temos ainda o conceito de doença quando geralmente tem causas conhecidas,
sinais e sintomas especí�cos bem característicos delas. É fato que há uma
complexidade inerente à de�nição de doença, visto que ela se apresenta de várias
formas como sendo apenas um determinado agravo à saúde, como alguma
sequela devido a um acidente ou às chamadas síndromes.
As síndromes podem ser classi�cadas como uma condição que ainda não tem
causa bem de�nida ou, ainda, por provocarem um conjunto de sinais e sintomas
que ocorrem ao mesmo tempo de causas variadas, assemelhando-se a uma ou
várias doenças. Apresentam-se aqui alguns exemplos de síndromes bem
conhecidas como Síndrome de Down e Síndrome de Turner.
Apesar da AIDS ter o nome de Síndrome de Imunode�ciência Adquirida,
ela não é considerada uma síndrome propriamente dita, pois ela possui
 
Doenças infecciosas: causadas por um agente biológico ou etiológico, como
vírus, bactérias, fungos ou parasitas.
Doenças não infecciosas: a priori, não são causadas por agentes biológicos ou
agentes etiológicos.
sinais e sintomas especí�cos e causa bem de�nida.
Existem vários tipos de doenças e seus diferentes conceitos, neste Livro Didático
serão apresentados e discutidos alguns considerados importantes no ponto de
vista epidemiológico. Na perspectiva do mecanismo etiológico, ou seja, causador
de determinada doença, as doenças podem ser classi�cadas em dois tipos
(ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003):
4 DOENÇAS INFECCIOSAS
A doença infecciosa é sempre resultado de interações entre o hospedeiro (local
que se desenvolve o agente biológico), o agente biológico ou infeccioso (por
exemplo, determinada bactéria) e do meio ambiente (por exemplo, água
contaminada) (GORDIS, 2017).
Hospedeiro: homem ou outro animal vivo que ofereça, em condições
naturais, subsistência ou alojamento a um agente infeccioso (ROUQUAYROL;
ALMEIDA, 2003).
Dessa forma, temos algumas possibilidades de agentes biológicos, etiológicos ou
infecciosos, que são todos referentes ao mesmo conceito, ou seja, podem ser
responsáveis por causar uma doença infecciosa. Os agentes biológicos conhecidos
são:
 
1)   Vírus (Figura 2).
 
o vírus do sarampo;
vírus de um resfriado comum (Rinovírus);
vírus da gripe (In�uenza);
vírus da dengue;
vírus do zika;
vírus do ebola.
2)   Bactérias (Figura 3).
3)   Fungos (Figura 4).
4)   Parasitas (Figura 5).
Os vírus são os únicos seres vivos que não possuem células, sendo considerados
seres intracelulares obrigatórios, ou seja, necessitam entrar em células dos
diferentes hospedeiros para se desenvolverem. Alguns autores nem os
consideram seres vivos por não possuírem células, mas há autores que os
defendem como seres vivos devido à capacidade intrínseca de multiplicar seu
material genético. São seres microscópicos e medem menos que 0,2 µm e são,
basicamente, formados por uma cápsula protéica e material genético, podendo ser
DNA (ácido desexirribonucléico), RNA (ácido ribonucléico) ou os dois juntos.
Temos vários tipos de vírus com importância na Medicina e na Saúde Pública por
causarem doenças bem conhecidas, como o vírus HIV, causador da AIDS (Síndrome
de Imunode�ciência Adquirida), ou o novo coronavírus, surgido recentemente na
história da humanidade e que é causador da COVID-19.
Veja, a seguir, a sugestão de cinco �lmes para fazer uma re�exão sobre a
COVID-19: https://atarde.uol.com.br/cinema/noticias/2125155-con�ra-5-
�lmes-que-vao-te-fazer-re�etir-sobre-a-pandemia-do-coronavirus
Temos ainda inúmeros vírus causadores de doenças, tais como:
 
Mycobacterium tuberculosis (causador da tuberculose).
Mycobacterium leprae (causador da hanseníase).
Clostridium tetani (causadora do tétano).
Vibrio cholerae (causador do cólera).
FIGURA 2 − VÍRUS CAUSADOR DE DOENÇA INFECCIOSA: SARAMPO
FONTE: . Acesso em: 28 jun. 2020
Já as bactérias são organismos unicelulares (apresentam uma única célula) e
microscópicos, ou seja, medindo cerca de 0,2 µm a 1,5 µm. Além disso, são seres
procariontes, ou seja, não possuem membrana nuclear envolvendo seu material
genético.
Temos bactérias que são bené�cas ao meio ambiente, como as responsáveis pela
decomposição de nutrientes e algumas que vivem no interior de nossos intestinos,
a chamada �ora intestinal, que auxilia na digestão de alimentos. No entanto,
daremos destaque às bactérias causadoras de doenças, as quais têm importância
para o processo saúde-doença, tais como:
FIGURA 3 − BACTÉRIA CAUSADORA DE UMA DOENÇA INFECCIOSA
 
Micoses: infecções causadas por fungos que atingem a pele, as unhas e o
cabelo.
Frieiras: caracterizadas pelo surgimento de bolhas e rachaduras na pele.
Candidíase: infecção que ocorre geralmente na área genital, causando
coceira, secreção e in�amação no local atingido.
Histoplasmose: infecção que afeta os pulmões causando in�amações.
FONTE: . Acesso em: 28 jun. 2020
Os fungos são seres vivos eucariontes, ou seja, possuem membrana nuclear e
podem, ainda, ser uni ou pluricelulares. Especialistas apontam que existem cerca
de 1,5 milhões de espécies de fungos no mundo, havendo tanto aqueles utilizados
para a culinária, como alguns cogumelos, como os que são considerados
importantes para a saúde, pois causam conhecidas doenças, tais como:
FIGURA 4 − EXEMPLO DE UM FUNGO CAUSADOR DE DOENÇA INFECCIOSA
 
FONTE: . Acesso em: 28 jun. 2020.
Os parasitas são organismos que vivem na superfície ou no interior de outro
organismo (o hospedeiro) para poder se nutrir do metabolismo com o intuito de
não levá-lo a óbito e, assim, viver às custas do hospedeiro, como muitos parasitas
que interagem com os seres humanos. Dessa forma, o parasita é bene�ciado e o
hospedeiro é prejudicado.
FIGURA 5 −  EXEMPLO DE PARASITA CAUSADOR DE DOENÇA INFECCIOSA
 
Carrapatos.
Piolhos.
Amebas.
Lombrigas.
Giardia.
Tênia.
Esquistossomo.
FONTE: . Acesso em: 28 jun. 2020
Existem inúmeros parasitas, mas aqui citaremos alguns com importância para a
saúde, tais como:
Os agentes biológicos apresentados, quando infectam, nem sempre interagem
diretamente com o hospedeiro, sendo importante a interação com o meio
ambiente também, formando a chamada tríade epidemiológica (Figura 6).
FIGURA 6 − TRÍADE EPIDEMIOLÓGICA MOSTRANDO A INTERAÇÃO DO AGENTE
BIOLÓGICO COM O HOSPEDEIRO E A POSSÍVEL NECESSIDADE DA INTERAÇÃO
COM O MEIO AMBIENTE
 
FONTE: A autora
A Tríade Epidemiológica leva em consideração o meio ambiente, que pode ser
fatores físicos, como temperatura, umidade, altitude; e os fatores sociais, como
aglomeração no domicílio, acesso à alimentação, água tratada, poluição do ar,
entre outros.
No entanto, para que essa interação resulte em doença, o hospedeiro deverá
ainda ser suscetível, característica esta que, por sua vez, é resultante de uma série
de fatores que incluem desde fatores genéticos até características nutricionais e
imunológicas do hospedeiro (GORDIS, 2017).
De acordo com a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS, 2010a), em 1983, a
doença infecciosa foi de�nida como a doença que se manifesta clinicamente no
homem ou em animais, resultante de uma infecção, ou seja, penetração e
desenvolvimento ou multiplicação de um agente infeccioso no organismo de um
indivíduo ou um animal. Por sua vez, agente infeccioso ou agente etiológico vivo é
aquelemicrorganismo capaz de produzir infecção ou doença infecciosa.
No entanto, a infecção não é sinônimo de doença, pois pode ocorrer infecção sem
que haja o desenvolvimento de doença (ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003). Um bom
exemplo dessa condição é o que acontece no caso da infecção com o
Mycobacterium tuberculosis, em que aproximadamente 90% dos casos infectados
não desenvolvem a doença, ou seja, apenas 10% dos indivíduos infectados com o
Mycobacterium tuberculosis desenvolverão a tuberculose pulmonar (PAULA,
2008).
 
Dessa forma, �ca claro que as interações entre diferentes agentes biológicos,
hospedeiros e meio ambiente são resultadas das relações coevolutivas
estabelecidas e reestabelecidas entre eles ao longo do tempo, considerando assim
diversas gerações e levando em conta a hereditariedade também. Para melhor
entendimento dessa coevolução será apresentado um breve histórico das doenças
infecciosas com alguns conceitos importantes derivados da epidemiologia.
5 BREVE HISTÓRICO DAS DOENÇAS INFECCIOSAS
As doenças infecciosas acompanham o homem desde o início de sua história, mas
provavelmente ele passou a ser reservatório natural de microrganismos e
parasitas, ou seja, passou a permitir que os agentes infecciosos vivessem e se
multiplicassem em seus organismos, de forma que possibilitasse a sua
transferência a um hospedeiro suscetível, quando começou a viver em grupos,
formando aglomerados populacionais. Essa condição permitiu que os agentes
infecciosos se mantivessem em circulação contínua, sendo transmitidos de pessoa
para pessoa (SATCHER, 1995; WALDMAN, 2001).
A ampla disseminação das doenças infecciosas foi possível com o crescimento da
população humana e o desenvolvimento de diferentes civilizações (SATCHER, 1995;
WALDMAN, 2001). Desde então, existem vários relatos ao longo da história da
humanidade que revelaram a importância das doenças infecciosas na vida
humana, promovendo impactos não só na economia, como também em sua
estrutura demográ�ca (WALDMAN, 2000).
Existem muitos exemplos de epidemias que foram signi�cativas na história
humana, mas aqui serão apresentadas algumas que merecem destaque. É possível
citar as pestes apresentadas na Bíblia e durante a Idade Média, a gripe espanhola,
em 1918, e, mais recentemente, a pandemia da AIDS e do novo coranavírus,
doenças infecciosas que têm aparecido e reaparecido de forma a desa�ar a Saúde
Pública e a comunidade cientí�ca por todo o globo (ROUQUAYROL; ALMEIDA,
2003).
Essas epidemias foram tão signi�cativas ao longo da história humana que muitas
delas foram retratadas em obras de arte bem conhecidas e, assim, puderam ser
perpetuadas para não nos esquecermos desses eventos tão aterrorizantes e
devastadores. Além disso, muitos desses quadros retratam o quanto as epidemias
 
eram vistas como castigo dos deuses raivosos, isto devido ao ser humano não ter
agido de forma adequada de acordo com preceitos religiosos das épocas
retratadas.
Durante a Idade Média, a Igreja Católica perseguiu muitas minorias religiosas,
como judeus, os quais foram levadas à Fogueira da Santa Inquisição devido à
acusação de que eram responsáveis pela Peste (BUSHEY; GINDER; O'SULLIVAN,
2000). Nesse momento, então, a Igreja tinha o controle das epidemias ou
pandemias e a ciência em si teve pouca intervenção. A Figura 7 retrata a Peste
Negra como martírio para os seres humanos da época.
FIGURA 7 − PESTE NEGRA RETRATADA EM 1349 NA BÉLGICA POR ARTISTA
DESCONHECIDO
 
FONTE: . Acesso em: 28
jun. 2020.
A Peste Bubônica, a forma mais conhecida da chamada Peste Negra, é sempre
mostrada junto a sua imponência em devastar as cidades (Figura 8), uma vez que
durante o século XIV, entre o período de 1347 a 1350, essa doença foi uma
pandemia, responsável por dizimar cerca de 1/3 da população europeia da época,
 
ou seja, aproximadamente 25-75 milhões de pessoas (BUSHEY; GINDER;
O'SULLIVAN, 2000).
FIGURA 8 − PESTE NEGRA RETRATADA DEVASTANDO AS CIDADES PELO
ARTISTA FLEMISH EM 1562
FONTE: . Acesso em: 28 jun.
2020
A Peste Negra atingiu não só o continente europeu, mas também a China e o
Oriente Médio, bem como outras regiões do mundo (BUSHEY; GINDER;
O'SULLIVAN, 2000). A Peste Bubônica, responsável por tantas mortes na Idade
Média, era causada pela bactéria Yersinia pestis, transmitida para os seres
humanos através de pulgas presentes em ratos (BUSHEY; GINDER; O'SULLIVAN,
2000). Dessa forma, as condições insalubres de higiene da época, como a falta de
saneamento básico, foram determinantes para o desenvolvimento da doença.
Os primeiros sintomas dessa doença eram dor de cabeça, náuseas, vômito e dores
nas juntas, sendo que dentro de quatro dias após o desenvolvimento da Peste
Negra o indivíduo falecia (BUSHEY; GINDER; O'SULLIVAN, 2000). Atualmente, a
Peste Negra não se encontra totalmente erradicada, ou seja, a Yersinia pestis
 
ainda persiste em algumas regiões do mundo, havendo, por exemplo, em 1994,
uma epidemia em Surat, Índia. Vários casos anuais, também, são relatados nos
EUA, principalmente no Sudoeste do país, onde a doença é endêmica em esquilos
e pode ser transmitida ao ser humano através das pulgas. No entanto, nos dias de
hoje, existem antibióticos capazes de controlarem a Peste Negra, evitando a
evolução ao óbito.
Outras doenças infecciosas que se destacavam até o século XIX, além da Peste
Negra, eram a tuberculose, a sí�lis e a cólera, bem como a diarreia e a varíola, que
foram epidemias responsáveis por elevadas proporções de óbitos, mesmo em
países desenvolvidos (WALDMAN, 2001).
A Figura 9, a seguir, apresenta uma pintura famosa do pintor norueguês Edvard
Munch, na qual ele retratada a sua própria angústia diante da morte de sua irmã
Sophie, vítima de tuberculose.
FIGURA 9 − EDVARD MUNCH: MORTE NA ENFERMARIA
FONTE: . Acesso
em: 28 jun. 2020
A varíola foi classi�cada como uma das doenças mais devastadoras da história da
humanidade, segundo a OMS (WALDMAN, 2010).  Essa doença foi a causa de
 
inúmeras epidemias, atingindo e levando ao óbito populações inteiras, como
diversas tribos indígenas brasileiras (WALDMAN, 2010). Ainda no século XVIII, a
varíola foi responsável pela morte de um recém-nascido para cada dez (1/10) na
Suécia e na França e de um a cada sete (1/7) na Rússia. A letalidade, ou seja, o
número de óbitos por indivíduos doentes, era tão elevado que era uma prática
comum dar nome apenas às crianças que sobrevivessem à varíola (WALDMAN,
2010).
A varíola é causada após a infecção pelo vírus Orthopoxvírus variolae, mas o
aparecimento dos primeiros sintomas clínicos da varíola ocorre, em média, após
17 dias da infecção (WALDMAN, 2010). Dessa forma, podemos dizer que o período
de incubação da varíola é de 17 dias.
Período de incubação: período que vai desde o momento da infecção
propriamente dita até o aparecimento dos primeiros sintomas
(ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003).
Como principais sintomas da varíola podemos destacar: febre alta, mal-estar, dor
de cabeça, dor nas costas e abatimento. A varíola se apresentava de forma mais
violenta quando a febre baixava e surgiam erupções avermelhadas por todo o
corpo do paciente (WALDMAN, 2010). Com o tempo, tais erupções evoluíam para
as chamadas pústulas (pequenas bolhas repletas de pus) que provocavam coceira
intensa e muita dor (WALDMAN, 2010). Nesse estágio, o paciente poderia
apresentar cegueira decorrente da doença (WALDMAN, 2010).
Até aquele momento não se existia tratamento e�caz contra a varíola, mas o que
já se sabia na época é que os pacientes que contraíssem a forma mais violenta da
doença (varíola major) evoluíam para o óbito, enquanto que aqueles que
contraíssem a forma minor tendiam a sobreviver, mas com grande chance de
apresentar alguma sequela, como cegueira (WALDMAN, 2010).
Atualmente,a varíola é considerada uma doença erradicada, ou seja, extinta, após
a aplicação da vacina em massa por alguns anos e por todo o globo (WALDMAN,
 
ampliação do saneamento básico;
melhoria nas condições de nutrição;
melhoria na área segurança do trabalho da população;
desenvolvimento da ciência com maior conhecimento dos agentes
infecciosos e suas diferentes etiologias;
desenvolvimento de novas vacinas e drogas e�cazes.
2010). Por outro lado, existe a ameaça real do uso do vírus Orthopoxvírus variolae
como arma biológica, preocupando os governos de diferentes países (WALDMAN,
2010).
No século XX, conhecido pelo século de signi�cativas e rápidas transformações,
ocorreram diversas mudanças. Entre essas mudanças podemos destacar:
Todos esses aspectos contribuíram para uma diminuição signi�cativa da
mortalidade infantil e elevação da expectativa de vida que, por conseguinte,
proporcionaram o aumento do envelhecimento da população e a modi�cação na
estrutura demográ�ca da população, conhecida como transição demográ�ca.
Além disso, as transformações ocorridas no século XX proporcionaram uma
diminuição nas taxas de morbimortalidade pelas doenças infecciosas e, por sua
vez, uma elevação da importância relativa das taxas de morbimortalidade por
doenças crônico-degenerativas e neoplasias (cânceres), que são doenças não
infecciosas, sendo essa mudança signi�cativa nesses padrões. Tais modi�cações
são conhecidas como transição epidemiológica (WALDMAN, 2001).
A partir desse novo contexto, muitos pesquisadores e cientistas renomados
passaram a acreditar na chamada teoria da transição epidemiológica, ou seja, que
as doenças infecciosas estavam praticamente eliminadas e poderiam até
desaparecer do cenário mundial, sendo totalmente erradicadas, principalmente
quando os países atingissem níveis mais elevados de desenvolvimento econômico
e social. Essa teoria estava muito focada na ideia de que as doenças infecciosas
estavam relacionadas quase que exclusivamente com a pobreza (TAYLOR; KARIM,
2004; WALDMAN, 2001). Além disso, os cientistas que defendiam a teoria de
transição epidemiológica subestimaram bastante a capacidade de adaptação dos
diferentes microrganismos às mudanças do meio ambiente, incluindo as melhorias
da medicina e de procedimentos em saúde em geral.
 
febre;
tosse seca;
cansaço;
coriza.
dores e desconforto;
dor de garganta;
diarreia;
conjuntivite;
dor de cabeça;
perda do paladar ou olfato;
erupção cutânea na pele ou descoloração dos dedos das mãos e dos pés.
di�culdade de respirar ou falta de ar;
dor ou pressão no peito;
Apesar disso, não se pode dizer que as doenças infecciosas sumiram do mapa.
Entre 1918 e 1919, uma pandemia de in�uenza, mais conhecida como Gripe
Espanhola, atingiu aproximadamente 50% da população mundial, sendo
responsável pela morte de mais de 25 milhões de pessoas por todo o globo.
Atualmente, um grande exemplo disso é o surgimento do novo coronavírus,
surgido em dezembro de 2019, na China, que se espalhou por inúmeros países da
Europa, América, África, Ásia e Oceania, atingindo todos os continentes e sendo
considerado, rapidamente, uma pandemia.
A transmissão é via aérea e pode ocorrer quando o indivíduo contaminado com a
COVID-19 fala (através de gotículas da saliva), tosse ou espirra, bem como poderá
ocorrer através de um aperto de mão ou ao �car em contato próximo com outro
indivíduo. A contaminação poderá ocorrer através do toque em superfícies
contaminadas, como teclados de computador, celular, maçaneta, brinquedos,
entre outros. Como sintomas mais comuns da COVID-19 podemos destacar:
Os sintomas menos comuns são:
Os sintomas mais graves são:
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perda de fala ou movimento;
pneumonia;
síndrome respiratória aguda grave;
insu�ciência renal.
A maioria dos indivíduos infectados são assintomáticos ou apresentam os
sintomas de leves a moderados da doença e, assim, não precisam ser
hospitalizados.
proteger com máscaras nariz e boca quando for sair de casa;
lavar as mãos com frequência até o punho com água e sabão por
pelo menos 20 segundos e/ou higienizar com álcool 70%;
higienizar com frequência superfícies muito utilizadas com
possibilidade de contaminação, como celulares, brinquedos, teclados
etc.;
manter ambientes limpos e bem ventilados;
evitar abraços, beijos e apertos de mão;
evitar sair de casa;
evitar aglomerações;
evitar tocar no nariz, boca e olhos;
não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, toalhas,
pratos e copos;
manter distância segura entre os indivíduos (de dois metros ou
mais);
identi�car os sintomas;
As prevenções contra o coronavírus são principalmente:
 
se tiver sintomas graves, procure imediatamente o médico;
no Brasil, ligue antes para o número 136 para que seja possível uma
breve avaliação dos sintomas e se será necessário encaminhar para
uma Unidade de Saúde.
O número de casos da doença, bem como o de óbitos, vem aumentando
signi�cativamente a cada dia por todo o mundo desde que foi identi�cado na
China, em dezembro de 2019. A rápida propagação desse vírus vem sendo uma
preocupação mundial. No dia 31 de janeiro de 2020, cinco países da Europa já
haviam identi�cado casos da doença.
Leia a notícia a seguir sobre a doença causada pelo novo coronavírus:
https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2020/01/30/novo-coronavirus-
e-emergencia-de-saude-internacional-declara-oms.ghtml
A propagação do vírus foi tão rápida que, em 28 de fevereiro de 2020, o novo
coronavírus já estava espalhado por cinco continentes, afetando inclusive a
economia mundial com baixa nas principais bolsas econômicas.
De início, no Brasil, um grupo de 58 brasileiros que estavam em Wuhan (o
epicentro da doença), na China, foram resgatados e �caram em quarentena na
Base Aérea de Anápolis, Goiás (VEJA, 2020). Esses brasileiros �caram 14 dias
isolados, considerando o período de incubação médio da doença, e só foram
liberados após três exames resultarem negativo para o vírus.
Leia na íntegra a notícia sobre a quarentena dos brasileiros em Anápolis
devido ao novo coronavírus: https://veja.abril.com.br/brasil/brasileiros-que-
 
vieram-da-china-deixam-quarentena-em-anapolis/
No �nal de maio de 2020, tem-se a marca mundial de 5.400.608 de casos
con�rmados de COVID-19, 2.165.782 de casos recuperados da doença e 344.760
óbitos. No Brasil, dados atualizados mostram um signi�cativo aumento desde
janeiro de 2020 para �nal de maio de 2020, com 365.213 de casos con�rmados,
149.911 de casos recuperados e 22.746 óbitos (OPAS, 2020).
Site da OPAS com informações atualizadas do novo coronavírus:
https://www.paho.org/bra/index.php?
option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875
O site do Ministério da Saúde apresenta informações importantes sobre o
novo coronavírus: https://www.saude.gov.br/
Convidamos você a fazer uma re�exão sobre os termos relacionados à
epidemiologia que foram usados no estudo das doenças infecciosas, tais
como: agente biológico, tríade epidemiológica, hospedeiro, período de
incubação, entre outros. Vale ressaltar que essas terminologias são
especí�cas às doenças infecciosas. Veri�que se você encontrou algum outro
termo não mencionado.
ATIVIDADES DE ESTUDO
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Responder
sarampo;
dengue;
tuberculose pulmonar;
zika.
1 De acordo com o que foi apresentado sobre a COVID-19, a OMS declarou
que essa doença deve ser considerada estado de Emergência de Saúde
Pública, desde 30 de janeiro de 2020, ou seja, o mais alto nível de alerta da
Organização, conforme previsto no Regulamento Sanitário Internacional.
Considerando conceitos já apresentados até aqui sobre a Epidemiologia, para
você, o que signi�ca, na prática da área de saúde, essas declarações da OMS
para o mundo inteiro?
No cenário nacional, mais especi�camente, outras doenças também se
apresentam em grande destaque atualmente, tais como:
No Brasil, os casos de sarampo voltaram a surgir com grande impacto, causando
morte em crianças devido, principalmente,à falta de vacinação, que é de
responsabilidade dos responsáveis. Atualmente, o zika vírus tem sido considerado
uma pandemia, por ter se espalhado de maneira rápida e constante pelo globo. No
Sul do Brasil, principalmente no Paraná, os casos de dengue têm aumentado muito
devido essencialmente à falta de cuidado em higienizar os criadouros das larvas do
 
mosquito, que levam o vírus que causa a dengue para os diferentes lugares. Dessa
forma, aumentaram também os casos de óbito por dengue.
Você sabia que os cientistas acreditam que o vírus responsável pela a
gripe espanhola esteja relacionado com o vírus H1N1 da gripe suína?
Você sabia que doenças como a tuberculose pulmonar ainda atingem
signi�cativamente regiões de pobreza e de superlotação (grandes centros
urbanos), como Nova York, nos EUA, e São Paulo, no Brasil?
Para entender um pouco mais sobre a propagação das doenças,
indicamos que você, acadêmico, assista ao �lme Epidemia, com direção de
Wolfgang Petersen, lançado em 1995.
Leia as indicações do site Agência de Notícias da AIDS sobre �lmes que
tratam acerca da HIV: https://agenciaaids.com.br/noticia/12-�lmes-sobre-hiv-
e-aids-para-abrir-a-mente/
Após a apresentação e a discussão de diferentes doenças infecciosas, serão
mostradas, a seguir, as doenças não infecciosas e seus mais signi�cativos
exemplos de elevadas taxas e aumentos nos números de óbitos.
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drogas ilícitas;
álcool;
tabagismo;
dieta alimentar;
fatores genéticos;
radiação;
poluição do ar;
temperatura;
estresse;
viver em ambientes fechados, como presídios e casas de repouso;
estilo de vida;
hipertensão;
raça;
6 DOENÇAS NÃO INFECCIOSAS
As doenças não infecciosas ou não transmissíveis vêm crescendo no cenário
internacional e nacional; destacando-se a transição epidemiológica, já
apresentada.
As doenças não infecciosas não necessitam necessariamente de um agente
infeccioso para se desenvolverem. Nesse sentido, existem estudos cientí�cos que
sugerem a participação do agente biológico de algum modo nas doenças não
transmissíveis também. Temos como exemplo o vírus HPV, que tem que estar
presente para ocorrer o câncer de colo de útero.
Entre essas doenças destacam-se as associadas ao coração, diabetes, doenças
psicossociais, como a depressão, e neoplasias (cânceres).
As doenças não infecciosas são muito mais comuns nos adultos, sendo
principalmente afetadas por fatores de risco, como:
 
 
sexo;
higiene;
saneamento básico.
Nesse sentido, temos, por exemplo, o nível de colesterol elevado como fator de
risco para as doenças associadas ao coração. Para melhor entendimento do
cenário de evolução das doenças não infecciosas, será comentado sobre as
principais.
6.1 DOENÇAS CARDIOVASCULARES
As doenças cardiovasculares são um grupo de doenças do coração e dos vasos
sanguíneos. Segundo a OPAS (2017), as doenças cardiovasculares são a principal
causa de óbito no mundo atualmente. Estima-se que 17,7 milhões de pessoas
morreram por doenças cardiovasculares em 2015, por exemplo, o que
representou cerca de 31% de todos os óbitos em nível global. Desses óbitos,
estima-se que 7,4 milhões ocorreram devido às doenças cardiovasculares e 6,7
milhões devido a acidentes vasculares cerebrais (AVCs).
Entre a população com alto risco de ter essas doenças, temos aqueles que
possuem um ou mais fatores de risco, como hipertensão, diabetes, cigarro, álcool,
sedentarismo, dietas inadequadas, sobrepeso, obesidade, glicemia elevada e
fatores hereditários, no entanto, pode-se citar também fatores socioeconômicos,
como a pobreza. Esse último fator de risco pode ser constatado com a informação
de que mais de três quartos de óbitos por doenças cardiovasculares ocorreram em
países de média ou baixa renda, isto, pois, diferentemente dos indivíduos que
vivem em países de alta renda, países de média ou baixa renda muitas vezes não
têm o benefício de programas integrados de promoção à saúde, prevenção e
controle dessas doenças. Além disso, os acessos aos serviços de saúde tendem a
ser mais precários.
Através de estudos epidemiológicos, foi possível constatar medidas de prevenção
dessas doenças bem acessíveis à população, como não fumar, ter dietas
alimentares saudáveis, fazer exercícios físicos regulares, evitar o uso de álcool e de
drogas ilícitas. Desse modo, as Políticas Públicas de Saúde devem motivar as
pessoas a adotarem e manterem comportamentos saudáveis.
6.2 DIABETES
 
Poliúria (urinar a toda hora).
Polidipsia (excessiva sensação de sede).
Cansaço e falta de energia.
Perda de peso.
Polifagia ou hiperfagia (fome frequente).
Visão embaraçada.
Cicatrização lenta.
Infecções frequentes.
Obesidade.
Sobrepeso.
Glicemia elevada.
Fatores hereditários.
Inatividade física.
Dieta alimentar pouco saudável.
Diabetes é uma doença caracterizada pela não produção de insulina ou baixa
produção dela pelo pâncreas do indivíduo. A insulina é um hormônio que regula a
glicose no sangue. Dessa forma, a hiperglicemia, ou seja, o aumento de açúcar no
sangue, é o efeito mais comum do diabetes. Os principais sintomas do diabetes
são:
Segundo a OPAS (2010b), o diabetes é considerado uma doença crônica de maior
impacto nos gastos de saúde, com o gasto de cerca de 12% do total de recursos
em saúde no mundo todo. Quando mal controlado, o diabetes traz complicações
muito graves ao indivíduo, como cegueira e amputação de membros.
Alguns dados têm apontado para um número total de casos de diabetes cada vez
maior, sendo que o Brasil se apresenta na oitava posição mundial em quantidade
de pessoas com essa doença.
O diabetes é a causa de cerca de 5% de todos os óbitos globais por ano e, por isso,
a importância de se entender e estudar essa doença cada vez mais. Entre os
fatores de risco para essa doença se encontram:
 
Etnicidade.
Hipertensão.
Idade maior que 60 anos.
Excesso de trabalho.
Pressão no trabalho.
Acúmulo no trabalho.
Insegurança na permanência no trabalho.
Ambiente de trabalho extremamente competitivo.
Estilo de vida do trabalhador.
Fatores genéticos do trabalhador.
6.3 DOENÇAS PSICOSSOCIAIS
As doenças psicossociais ou ocupacionais (doenças associadas ao ambiente de
trabalho) são aquelas que se desenvolvem a partir da in�uência do contexto social
e que afetam diretamente o psicológico do indivíduo, re�etindo no funcionamento
do seu organismo biológico.
Essas doenças têm sido apresentadas com um lugar expressivo entre as principais
causas de afastamento do trabalho por todo o mundo, com ascensão de seus
dados de morbidade e de mortalidade. No Brasil, dados levantados pela OPAS
(2016) apontam que cerca de 14% dos benefícios anuais de saúde utilizados
ocorrem por causa dessas doenças, como o auxílio-doença do INSS (Instituto
Nacional do Seguro Social).
Estudos cientí�cos atuais têm apontado que o principal fator de risco para o
desenvolvimento das doenças psicossociais é o stress no trabalho. No entanto,
podemos destacar outros fatores, como:
Esses fatores demonstram que o maior número dessas doenças no cenário
mundial consistem em desa�os desencadeados pelo avanço industrial,
globalização, desenvolvimento tecnológico, entre outros.
Segundo a OPAS (2016), para se ter medidas mais de efetivas de prevenção e
controle dessas doenças, a política de trabalho apropriada deve ser baseada nos
 
Cobrir todas as exposições perigosas dentro do ambiente de trabalho.
Aplicar normas de bom comportamento, atenção e responsabilidade.
Incluir abordagens que impeçam comportamentos antiéticos, agindo sobre
eles, caso ocorram.
Promover a responsabilidade e a prestação de contas de todos no local de
trabalho.
tristeza profunda;
fadiga;
falta de energia;
sonolência excessiva;
insônia;
seguintes princípios éticos:
Um aspecto importante a ser ressaltado e que constitui um grande desa�o para a
Saúde Pública, tanto no diagnóstico quanto no tratamento, é o preconceito que
muitas pessoas têm em lidar com essas doenças psicossociais, até mesmo defalar
sobre elas, tanto os próprios pacientes, como os familiares, os amigos e a
sociedade.
Um bom exemplo dessas doenças é o esgotamento mental e físico proporcionado
pela Síndrome de Burnot, que pode ainda levar à alteração no comportamento da
pessoa, tornando-a mais agressiva e ansiosa. Outros exemplos bem conhecidos
dessas doenças são a depressão e a síndrome do pânico.
Como essas doenças apresentadas têm cada vez mais números de casos, e até
mesmo de óbitos, como o acontecimento de suicídios, será feita uma breve
explanação delas a seguir.
6.3.1 Depressão
A depressão é uma doença considerada grave por ser caracterizada por alterações
no humor do indivíduo. Temos dois tipos conhecidos, de acordo com a OPAS
(2018): transtorno depressivo recorrente e transtorno afetivo bipolar. No caso do
transtorno depressivo recorrente, os principais sintomas são:
 
sensação de autodesvalorização;
sentimento de culpa;
falta de apetite;
redução do interesse sexual;
ansiedade.
Já o transtorno afetivo bipolar é caracterizado por alternância de episódios de
depressão propriamente dita e de mania, separados por períodos de humor
normal. Os episódios de mania são marcados por humor exaltado ou irritado,
excesso de atividades, pressão de fala, autoestima in�ada, insônia, bem como a
aceleração de pensamento.
De acordo com a OPAS (2018), a depressão atinge cerca de 300 milhões de
pessoas, de todas as idades, pelo mundo. Com relação aos óbitos por depressão,
788 mil pessoas se suicidaram no mundo em 2015 (G1, 2017). No Brasil, cerca de
5,8% da população foram diagnosticadas com essa doença.
Leia a seguir uma notícia sobre a depressão:
https://g1.globo.com/bemestar/noticia/depressao-cresce-no-mundo-
segundo-oms-brasil-tem-maior-prevalencia-da-america-latina.ghtml
Ela é a principal causa de incapacidade do indivíduo pelo mundo, podendo causar
um grande sofrimento ao indivíduo e disfunção no trabalho, na escola, no núcleo
familiar ou, até mesmo, no ato de fazer atividades domésticas simples.
A depressão é resultado de uma complexa interação de fatores sociais,
psicológicos e biológicos. Como medidas de controle, indica-se sessões de
psicoterapia frequentes e, em casos moderados ou mais graves, o uso de
medicamentos. Além disso, atividade física e uma alimentação saudável
contribuem para o tratamento adequado dessa doença.
 
palpitações de aceleramento cardíaco;
suores intensos;
calafrios ou ondas de calor;
tremores;
formigamentos;
sensação de falta de ar ou as�xia;
náuseas;
dores ou desconforto no peito ou no tórax;
tonturas e vertigens.
medo de perder o controle;
medo de enlouquecer;
medo de morrer;
sentimento de estar em perigo;
sensação de bloqueio mental;
desrealização e despersonalização das pessoas e coisas;
angústia;
sensação de transtorno de ansiedade generalizada;
Para mais informações sobre depressão acesse:
https://saude.gov.br/saude-de-a-z/depressao
6.3.2 Síndrome do pânico
A síndrome do pânico é um tipo de transtorno de ansiedade caracterizado por
crises inesperadas de medo, insegurança e desespero, aparentemente sem
qualquer risco real. Essas crises provocam sintomas físicos e psicológicos. Entre os
sintomas físicos temos:
Os sintomas psicológicos mais comuns são:
 
medo de ter outro episódio.
Estima-se que 280 milhões de pessoas no mundo sofrem com essa doença. No
Brasil, são cerca de 6 milhões de casos (PORTAL EXPANSÃO, 2017).
Para mais informações a respeito da síndrome do pânico acesse:
https://zenklub.com.br/sindrome-do-panico/.
Acadêmico, foram apresentadas algumas das doenças psicossociais que são muito
expressivas no mundo, tanto em número de casos quanto de óbitos. No entanto,
temos muitas outras que têm surgido no cenário mundial.
6.4 NEOPLASIAS
A neoplasia, mais popularmente conhecida como câncer, é o nome dado a um
conjunto de mais de 100 doenças. Existem tipos de câncer para cada órgão do
corpo, como pulmonar, faríngeo, de bexiga, de cabeça, entre outros. Essas
doenças têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem
diferentes tecidos e órgãos, podendo se tornar tumores malignos, se espalhando
por outras áreas do corpo através de metástase. Nesse sentido, há também os
tumores benignos, que são como uma massa de células que crescem em uma
velocidade mais lenta que os malignos.
Os fatores de risco para essas doenças são multifatoriais, desde fatores
hereditários (genéticos) até o estilo de vida, como o hábito de fumar e a dieta
alimentar irregular.
ATIVIDADES DE ESTUDO
1 Analise as sentenças a seguir e classi�que V para as sentenças verdadeiras
e F para as falsas:
 
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A) V – F – V.
B) V – V – V.
C) F – F – V.
D) F – V – F.
Responder
(   ) Segundo a OPAS, as doenças cardiovasculares são a principal causa de
óbito no mundo atualmente.
(   ) O diabetes é caracterizado pela não produção de endor�na.
(   ) As neoplasias constituem cerca de mais de 100 doenças.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
7 DEFINIÇÃO DE SAÚDE
Atualmente, a saúde se apresenta como um conceito mais complexo, não sendo
apenas a ausência de doença e sim uma situação de completo bem-estar físico,
mental e social. Para tanto, são acoplados não só conceitos da área de saúde, mas
da área de exatas, como a estatística, e da área de humanas, como história,
sociologia, entre outras. No entanto, até chegar a esse conceito, a saúde passou a
ser estudada e tratada de forma mais ampla com o tempo, sendo estudada
através da ciência como um todo. Entre esses estudos temos a epidemiologia com
seu papel fundamental, uma peça-chave, visto que ela estuda o processo saúde-
doença em nível populacional.
O conceito de saúde tornou-se muito mais complexo ao acoplar o conceito de
qualidade de vida em sua de�nição. Se formos pensar sobre a história natural da
doença, é possível analisar que no estado inicial de saúde há uma interação do
organismo sadio com agentes infecciosos ou fatores de risco (um fator que
aumenta a possibilidade de ocorrer determinada doença) que poderão perturbar a
normalidade ou contribuir para a mudança do estado sadio para a doença
propriamente dita (ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003). 
 
As primeiras inter-relações sucedem as primeiras perturbações leves, que podem
ser detectadas ao analisar as prevenções, como é o caso do câncer de mama, que
através de seu exame periódico pode ser detectado o tumor e já se iniciar o
tratamento, aumentando a chance de cura.
O estágio inicial é seguido de outros até chegar na doença em estado avançado.
Nesse estágio, as alterações da morfologia são geralmente irreversíveis, podendo
evoluir para a invalidez total ou até para o óbito (ROUQUAYROL; ALMEIDA, 2003).
8 EPIDEMIOLOGIA E AS DOENÇAS
A epidemiologia, como já abordado, é de grande valia para o estudo do processo
saúde-doença em nível populacional, e até agora já aprendemos diversos
conceitos ligados a ela. No entanto, no decorrer deste Livro Didático, você
aprenderá outros conceitos importantes.
A epidemiologia básica está muito associada a um pensamento causal, ou seja,
que existem fatores, como os de risco, que auxiliam para desencadear
determinada doença. Além disso, ela faz parte de uma disciplina de Saúde Pública
e, com isso, preocupa-se com o desenvolvimento de estratégias para as ações
voltadas à promoção e proteção da saúde da comunidade em geral.
Para uma de�nição mais precisa, podemos destacar o estudo da frequência, da
distribuição e dos determinantes dos estados ou dos eventos relacionados à saúde
em especí�cas populações, bem como a aplicação desses estudos no controle dos
problemas de saúde (GORDIS, 2017).
Estudo: signi�ca, para a epidemiologia, a vigilância epidemiológica, a
observação, a elaboração e o teste de hipóteses e diferentes estudos
epidemiológicos.
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Identi�cação, quanti�cação e caracterização de danos relacionados à saúde
de determinada população.
Identi�cação de fatores de risco para determinada doença ou agravo à
saúde.Ampliação da informação sobre a história natural de determinada doença
ou agravo à saúde (curso da doença desde o início até a sua resolução na
ausência de intervenção).
Estimativa da validade e con�abilidade de procedimentos de diagnóstico e
intervenção.
Avaliação da e�cácia/efetividade de um procedimento terapêutico ou
pro�lático (prevenção).
Avaliação do impacto potencial da eliminação de um fator de risco. Por
exemplo, a eliminação do tabagismo como medida de prevenção para o
desenvolvimento de tuberculose pulmonar (WALDMAN, 2010) ou câncer de
pulmão.
Frequência e distribuição: signi�cam a análise dos dados obtidos segundo
características de tempo, espaço e classe dos indivíduos afetados.
Estados ou eventos relacionados à saúde: incluem doenças, causas de
óbito, comportamento, como o uso de tabaco, adesão a condutas
preventivas e ao uso de serviços de saúde.
Entre as principais aplicações da epidemiologia podemos destacar:
A epidemiologia também apresenta uma série aplicações nos serviços de saúde.
Uma delas seria as repostas rápidas às diferentes epidemias que assolaram ou
assolam o mundo, como é o recente caso do novo coronavírus. Isto porque, ao
identi�car, por exemplo, comportamentos de risco, �ca mais fácil agir na
prevenção da doença.
 
Outro item importante também é o monitoramento contínuo dos indicadores de
saúde, como mostra na Figura 10. Dessa forma, a análise da situação de saúde e
de indicadores demográ�cos permite elaborar diagnósticos das condições de vida
de uma comunidade, servindo de subsídios para o estabelecimento de Políticas
Públicas no setor de saúde e, assim, no caso do Brasil, para o Sistema Único de
Saúde (SUS).
 
A avaliação epidemiológica dos Serviços de Saúde geralmente leva em conta o
acesso de determinada população aos serviços, bem como a cobertura oferecida,
por exemplo, a proporção de crianças vacinadas.
FIGURA 10 − A EPIDEMIOLOGIA APLICADA A SERVIÇOS DE SAÚDE
FONTE: Adaptado de Waldman (2001)
Em síntese, a Epidemiologia pode ser entendida como fundamentada em dois
propósitos:
I- A doença humana não ocorre aleatoriamente na população.
II- A doença humana tem fatores causais, prognósticos e preventivos que podem
ser identi�cados por meio de investigações sistemáticas de diferentes populações
e subgrupos de populações em diferentes pontos no tempo e/ou no espaço.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
 
Apresentação  Capítulo 2
Conteúdo escrito por:
Neste capítulo, vimos um pouco sobre a importância da epidemiologia e seus
diferentes conceitos que se aplicam para o desenvolvimento de doenças
infecciosas e não infecciosas.
Devido ao aumento dos casos das doenças se manifestando como epidemias, deu-
se ênfase nas doenças infecciosas, apresentando breve histórico de sua
importância através dos tempos, até chegar o que temos atualmente. No entanto,
as doenças não infecciosas também desempenham um papel importante no
conceito saúde-doença, aumentando suas taxas cada vez mais.
Todos os direitos reservados © 2020 Patricia Ferreira de Paula
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https://livrodigital.uniasselvi.com.br/pos/epid_e_processo_saude_doenca/index.html

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