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DIREITO CONSTITUCIONAL
Pontos abordados:
1. Constituição: conceito e classificação; conteúdo da Constituição; normas constitucionais materiais 
e formais; supremacia da Constituição. Estrutura da Constituição. Preâmbulo da Constituição. Ato 
das Disposições Constitucionais Transitórias. Noções gerais, ciclos constitucionais. 
2. A evolução do constitucionalismo brasileiro: Constituições de 1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967, 1969. 
A ditadura militar e os atos institucionais. A Assembleia Constituinte de 1987/88. Constitucionalismo. 
Espécies; Constitucionalismo Social. Constitucionalismo do Futuro. Constitucionalismo 
Transnacional. Transconstitucionalismo. Neoconstitucionalismo. Constitucionalismo liberal e social. 
Constitucionalismo britânico, francês e norte-americano.
3. Interpretação da Constituição: hermenêutica constitucional; critério da interpretação conforme. 
Princípios e regras jurídicas. Ponderação. Modelos e críticas. Mutação Constitucional. 4 Normas 
constitucionais. 4.1 Normas constitucionais de organização, programáticas e definidoras de direitos. 
4.2 Existência, validade, eficácia e efetividade das normas constitucionais. 4.3 Modalidades de 
eficácia da norma constitucional: direta, interpretativa e negativa. 4.4 Interpretação das normas 
constitucionais. 4.5 A técnica da ponderação. 5 Princípios constitucionais. 5.1 Supremacia da 
constituição. 5.2 Presunção de constitucionalidade. 5.3 Unidade da Constituição. 5.4 Interpretação 
conforme a Constituição. 5.5 Razoabilidade e proporcionalidade. 5.6 Efetividade. 6 O princípio da 
dignidade da pessoa humana. 6.1. O mínimo existencial. 6.2. Vedação de retrocesso.
4. Aplicabilidade das normas constitucionais: classificação quanto à eficácia; normas programáticas. 
5. Poder Constituinte: conceito; legitimidade e limites; poder originário e poder derivado; poder 
constituinte estadual.
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QUESTÃO GABARITO
1 B
2 A
3 C
4 ERRADO
5 A
6 D
7 B
8 CERTO; ERRADO; 
CERTO
9 D
10 CERTO; CERTO; 
CERTO
11 E
12 D
13 D
14 C
15 B
16 ERRADO
17 ERRADO
18 CERTO
19 CERTO
20 ERRADO
QUESTÕES DE PROVAS ANTERIORES
QUESTÃO 1
Ano: 2018 Banca: Própria Órgão: MPE-PB – Promotor de Justiça Substituto
Normas constitucionais de eficácia limitada:
GABARITO: “B”.
https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/institutos/dpe-am
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a) não servem como parâmetro de inconstitucionalidade.
ERRADO. 
Vale lembrar que o parâmetro é a norma constitucional supostamente violada na análise de controle 
de constitucionalidade . Nesse contexto, destaca-se que as normas de eficácia limitada produzem efeitos 
que estão presente em todas as normas constitucionais, dentre estes está o “efeito negativo”, na sua 
modalidade eficácia invalidatória, que indica que a norma constitucional poderá ser parâmetro de 
constitucionalidade, funcionando como fundamento de validade para as demais normas jurídicas.
b) implicam a não-recepção da legislação infraconstitucional anterior com elas incompatível.
CERTO. 
Segundo Marcelo Novelino, normas de eficácia limitada só manifesta a plenitude dos efeitos jurídicos 
pretendidos pelo legislador após a emissão de atos normativos previstos por ela, tendo aplicabilidade 
indireta, mediata e reduzida. No entanto, elas possuem “efeito negativo”, na sua modalidade eficácia 
invalidatória, não recepcionando a legislação anterior incompatível e de impedir a edição de normas em 
sentido oposto aos seus comandos.
c) orientam, mas não condicionam a produção do legislador infraconstitucional. 
ERRADO. 
As normas de eficácia limitada orienta e condicionam a produção do legislador, tendo em vista que, 
conforme dito acima, elas possuem o chamado “efeito negativo” na sua modalidade eficácia conformadora, 
consistente na proibição de leis posteriores que se oponham a seus comandos. 
d) são indiferentes à configuração de eventual inconstitucionalidade por omissão.
ERRADO. 
Considerando que as normas de eficácia limitada possuem, também, o chamado “efeito vinculativo”, 
entende-se que a omissão inconstitucional pode ser combatida por meio de mandado de injunção ou 
Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão. 
e) admitem disciplina em sentido diverso do que apontam, por meio de lei complementar. 
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ERRADO. 
Ao contrário do que afirma a assertiva, deve a norma infraconstitucional ser regulado no sentido e 
na finalidade do espírito da norma constitucional.
QUESTÃO 2 
Ano: 2017 Banca: CESPE Órgão: TJCE – Juiz de Direito Substituto
A interpretação conforme a Constituição:
GABARITO: “A”.
a) é um tipo de situação constitucional imperfeita, pois somente atenua a declaração de 
nulidade em caso de inconstitucionalidade.
CORRETO. 
Para Gilmar Mendes, ao fixar como constitucional dada interpretação da norma, a decisão não 
declara a inconstitucionalidade de todas as outras possíveis interpretações da norma (MENDES et. al., 
2008, p. 1252-1253), daí a “situação constitucional imperfeita”.
Segundo o STF, “A interpretação conforme é uma técnica de eliminação de uma interpretação 
desconforme. O saque desse modo especial da interpretação não é feito para conformar um dispositivo 
subconstitucional aos termos da Constituição Positiva. Absolutamente! Ele é feito para descartar aquela 
particularizada interpretação que, incidindo sobre um dado texto normativo de menor hierarquia 
impositiva, torna esse texto desconforme à Constituição. Logo, trata-se de uma técnica de controle de 
constitucionalidade que só pode começar ali onde a interpretação do texto normativo inferior termina.” (STF, 
ADPF 54-QO, 27.04.2005).
Assim, vale destacar que, para o STF, a interpretação conforme pode possui duas naturezas 
jurídicas: (i) norma de hermenêutica (controle concreto de constitucionalidade) e (ii) técnica 
decisória (controle abstrato de constitucionalidade).
TEORIAS SOBRE A NATUREZA JURÍDICA DA “INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO”
PRINCÍPIO INTERPRETATIVO
É apenas um dos instrumentos hermenêuticos disponíveis ao 
intérprete, não estando necessariamente relacionada à atividade de 
controle de constitucionalidade.
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TÉCNICA DECISÓRIA 
DE CONTROLE DE 
CONSTITUCIONALIDADE
É apenas um método de fiscalização da constitucionalidade, não 
método de interpretação, pois busca discernir o sentido necessário 
e possível para adequar o preceito à força conformadora da 
constituição.
PRINCÍPIO INTERPRETATIVO 
E TÉCNICA DE DECISÃO DE 
CONTROLE
Pode ser utilizado tanto para interpretar os atos normativos 
infraconstitucionais em geral quanto para decidir processos em que 
se discute a constitucionalidade de normas.
- Doutrina majoritária no Brasil.
PRINCÍPIO INTERPRETATIVOnorma constitucional, sob 
pena de inconstitucionalidade. 
QUESTÃO 20
O Poder Constituinte Supranacional realiza papel na criação e no desenvolvimento da 
eficácia das normas constitucionais, sem alteração formal de seu texto. No entanto, segundo 
a doutrina, tais normas, resultantes desse processo informal, não estão sujeitas a controle 
de constitucionalidade.
GABARITO: “ERRADO”.
ERRADO. 
Na realidade, o poder constituinte que realiza papel na criação e no desenvolvimento da eficácia 
das normas constitucionais, sem alteração formal de seu texto é chamado de difuso, sendo classificado 
pela doutrina como derivado, juridicamente limitado e condicionado. A manifestação mais recorrente 
desse poder é através das mutações constitucionais. Por conta disso, a doutrina entende que as 
normas criadas informalmente por essa manifestação de poder constituinte estão sujeitas a controle de 
constitucionalidade, pois não se sobrepõem às estabelecidas pelo poder constituinte originário, tampouco 
pelo poder constituinte derivado. Destaca-se, ainda, que o poder constituinte supranacional é o poder que 
cria uma constituição, no qual cada Estado cede uma parcela de sua soberania para que uma constituição 
comunitária seja criada. O titular desse poder não é o povo, mas o cidadão universal.OU TÉCNICA DE DECISÃO, 
A DEPENDER DO TIPO DE 
CONTROLE
É norma de hermenêutica, quando utilizada no controle concreto 
de constitucionalidade; e é técnica decisória, quando empregada no 
controle abstrato de constitucionalidade.
- Posição que parecer ser a atual do STF.
#NÃOCONFUNDIR: Em regra, a interpretação conforme não pode ser confundida com a declaração 
de nulidade sem redução de texto, sendo técnicas totalmente inversas. Assim vejamos:
Interpretação conforme Declaração de nulidade sem redução de texto
Confere um sentindo constitucional e exclui 
os demais
Afasta um sentindo inconstitucional, permitindo 
os demais.
b) é admitida para ajustar o sentido do texto legal com a Constituição, ainda que o 
procedimento resulte em regra nova e distinta do objetivo do legislador.
ERRADO. 
A doutrina aponta no sentido de que, na interpretação conforme, deve o intérprete zelar pela 
manutenção da vontade do legislador, devendo ser afastada a interpretação que resultar em uma 
regulação distinta daquela originariamente almejada pelo legislador. Se o resultado interpretativo conduz 
a uma regra em manifesta dissintonia com os objetivos pretendidos pelo legislador, há que ser afastada 
a interpretação conforme a Constituição, sob pena de transformar o intérprete em ilegítimo legislador 
positivo.
c) é um método cabível mesmo em se tratando de texto normativo inconstitucional que 
apresenta sentido unívoco.
ERRADO. 
A aplicação do princípio só deve ocorrer em face de disposições normativas que comportem 
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múltiplas interpretações. O Supremo Tribunal Federal na ADI 1.344-MC, assentou a “impossibilidade 
[...] de se dar interpretação conforme à Constituição, pois essa técnica só é utilizável quando a norma 
impugnada admite, dentre as várias interpretações possíveis, uma que a compatibilize com a Carta Magna, 
e não quando o sentido da norma é unívoco [...].”
d) é incompatível com a manutenção de atos jurídicos produzidos com base em lei 
inconstitucional.
ERRADO. 
Conforme previsão do art. 27 da Lei 9.868/99, o STF pode modular os efeitos de atos jurídicos 
produzidos com base em lei inconstitucional. Assim vejamos:
Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de 
segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de 
dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a 
partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado.
e) é fixada por decisão do STF, mas não se reveste do efeito vinculante próprio das decisões 
declaratórias de inconstitucionalidade.
ERRADO. 
Conforme previsão do art. 28, Parágrafo único, da Lei 9.868/99, segundo o qual “A declaração de 
constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição 
e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito 
vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e 
municipal”.
QUESTÃO 3
Ano: 2018 Órgão: TJRS – Juiz de Direito Substituto
No ano de 2017, o Ministro Relator Luís Roberto Barroso suscitou, no âmbito do Supremo 
Tribunal Federal, uma questão de ordem na Ação Penal (AP) 937, defendendo a tese de 
que o foro de prerrogativa de função deve ser aplicado somente aos delitos cometidos 
por um deputado federal no exercício do cargo público ou em razão dele. O julgamento se 
encontra suspenso por um pedido de vistas, mas, se prevalecer o entendimento do Ministro 
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Relator, haverá uma mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação 
ao instituto do foro de prerrogativa de função, que ocorrerá independentemente da edição 
de uma Emenda Constitucional. A hermenêutica constitucional denomina esse fenômeno 
de:
GABARITO: “C”.
a) força normativa da Constituição.
ERRADO. 
Trata-se do princípio que defende a interpretação das normas constitucionais de forma a garantir a 
máxima efetividade e permanência da Lei Fundamental.
b) princípio da concordância prática.
ERRADO. 
Trata-se do método em que coordena e combina os bens jurídicos, reduzindo de forma proporcional 
o alcance da norma. O intérprete deve ponderar os valores de modo a otimizar o resultado da interpretação.
c) mutação informal da Constituição. 
CERTO. 
Trata-se do caso descrito acima ao referir “ocorrerá independentemente da edição de uma Emenda 
Constitucional”. A mutação constitucional consiste em processo informal de mudança da Constituição, que 
ocorre quando surgem modificações significativas nos valores sociais ou no quadro empírico subjacente 
ao texto constitucional, que provocam a necessidade de adoção de uma nova leitura da Constituição ou 
de alguns de seus dispositivos. 
d) maximização das normas constitucionais. 
ERRADO. 
Trata-se do método que estabelece que o intérprete deve atribuir à norma constitucional o sentido 
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que lhe dê maior efetividade social. Visa, portanto, a maximizar a norma, a fim de extrair dela todas as 
suas potencialidades. Sua utilização se dá principalmente na aplicação dos direitos fundamentais, embora 
possa ser usado na interpretação de todas as normas constitucionais. É considerado como subprincípio 
da Força Normativa da Constituição, de forma a estimular uma interpretação que torne as normas mais 
densas, fortalecidas e eficazes.
e) interpretação sistêmica.
ERRADO. 
Trata-se de um método tradicional de intepretação em que tem como premissa tratar as normas 
como um conjunto holístico; busca, assim, a “visão do todo” e não em partes fragmentadas.
Vamos revisar esses conceitos? #FOCONATABELA:
PRINCÍPIOS CARACTERÍSTICAS
UNIDADE DA 
CONSTITUIÇÃO
A interpretação deve evitar a contradição entre normas constitucionais, 
que devem ser vistas em sua totalidade e não como normas isoladas. Não 
há hierarquia formal entre normas constitucionais, podendo haver hierarquia 
material (ex: direito à vida). Isso explica a impossibilidade de haver norma 
constitucional originária declarada inconstitucional.
MÁXIMA 
EFETIVIDADE
Deve-se optar pela interpretação que dê maior efetividade e concretude 
à norma, evitando a sua não aplicabilidade. Visa, portanto, a maximizar a 
norma, a fim de extrair dela todas as suas potencialidades.
FORÇA NORMATIVA 
DA CONSTITUIÇÃO
A Constituição, assim como as demais normas do ordenamento, possui 
eficácia e aplicabilidade, devendo ser interpretada da forma que melhor 
assegure a sua aplicação concreta. É uma autêntica norma jurídica e não 
uma mera proclamação política.
CORREÇÃO 
FUNCIONAL, 
JUSTEZA OU 
CONFORMIDADE
É corolário do princípio da separação de poderes. Traduz a ideia de que a 
interpretação das normas constitucionais não pode subverter o esquema 
de organização funcional estabelecido na Constituição.
PRINCÍPIO DO 
EFEITO INTEGRADOR
Esse princípio busca que na interpretação da Constituição seja dada 
preferência às determinações que favoreçam a integração política e social 
e o reforço da unidade política.
HARMONIZAÇÃO 
OU CONCORDÂNCIA 
PRÁTICA
Deve-se evitar o sacrifício total de uma das normas diante de um 
conflito, buscando-se a coexistência delas, através de uma ponderação de 
interesses no caso concreto. É consequência do princípio da unidade da 
Constituição.
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INTERPRETAÇÃO 
CONFORME A 
CONSTITUIÇÃO
Trata-se de técnica interpretativa cujo objetivo é preservar a validade 
das normas, evitando que sejam declaradas inconstitucionais. Ao 
invés de se declarar a norma inconstitucional, o Tribunal busca dar-lhe uma 
interpretação que a conduza à constitucionalidade.A interpretação 
conforme pode ser de dois tipos: com ou sem redução do texto.
a) Interpretação conforme com redução do texto: Nesse caso, a parte 
viciada é considerada inconstitucional, tendo sua eficácia suspensa.
b) Interpretação conforme sem redução do texto:
Nesse caso, exclui-se ou se atribui à norma um sentido, de modo a torná-la 
compatível com a Constituição.
Dimensões a serem consideradas:
Prevalência da constituição
Conservação da norma
Exclusão da interpretação contra legem
Espaço de interpretação
Rejeição ou não aplicação da norma inconstitucional
O interprete não pode atuar como legislador positivo (decisões 
manipulativas)
PRINCÍPIO DA 
PROPORCIONALIDA-
DE 
OU RAZOABILIDADE
Para Karl Larenz, esse princípio consubstancia uma pauta de natureza 
axiológica que emana diretamente das ideias de justiça, equidade, bom 
senso, prudência, moderação, justa medida, proibição do excesso, direito 
justo e valores afins. 
Há a necessidade de preenchimento de 3 elementos:
Necessidade
Adequação
Proporcionalidade em sentido estrito.
QUESTÃO 4
Ano: 2017 Banca: CESPE Órgão: DPU - Defensor Público da União
DPU/2017 O poder constituinte originário e o poder constituinte derivado se submetem 
ao mesmo sistema de limitações jurídicas e políticas, embora os efeitos dessas limitações 
ocorram em momentos distintos.
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GABARITO: “ERRADO”.
A alternativa está errada, pois o poder constituinte originário e o poder constituinte derivado não 
possuem as mesmas limitações. Muito pelo contrário, possuem características antagônicas. Vejamos a 
tabela abaixo:
PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO PODER CONSTITUINTE DERIVADO
Poder político Poder jurídico
Inicial Derivado
Ilimitado Limitado
Incondicionado Condicionado
Autônomo -
Permanente (latente) -
Vale lembrar que o poder constituinte pode ser: originário ou derivado. O originário inaugura 
uma nova ordem jurídica, fazendo surgir a Constituição. O derivado pode ser decorrente, reformador ou 
revisor: a) decorrente: poder para os Estados formularem suas próprias Constituições. Art. 25 da CF/88. 
Obs.: Município não exerce esse poder quando elabora sua Lei Orgânica. b) reformador: poder para 
alterar as normas constitucionais. Se manifesta pelas emendas à constituição. Art. 60 da CF/88. c) revisor: 
previsto no art. 3º do ADCT. Foi instituído para se manifestar 5 anos após a promulgação da Constituição 
Federal. Foram elaboradas 6 emendas de revisão. Esse poder revisor já foi exercido e extinto. 
QUESTÃO 5
Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: TRF3ª Região – Juiz Federal Substituto
Um novo paradigma para o constitucionalismo surgiu entre o final do século XX e o início 
do século XXI. Procura ser uma resposta teórico-prática para a necessidade de se obterem 
eficácia e efetividade para as normas constitucionais, sobretudo as portadoras de direitos 
sociais. Implanta, no Brasil, modelo normativo-axiológico, com adoção expressa de valores e 
opções pela efetivação de políticas públicas com sede constitucional. Muitas destas bastante 
específicas, como os serviços de saúde, educação e assistência social a hipossuficientes. Esse 
paradigma constitucional possui algumas notas típicas, dentre as quais NÃO se encontram:
GABARITO: “A”
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a) Separação conceitual entre o direito constitucional e a moralidade política.
ERRADO. 
Ao contrário do que diz a alternativa, uma das bases teóricas do constitucionalismo apregoa que 
o Direito deve estar intimamente relacionado a valores como ética, moral e justiça, estando superado o 
modelo positivista. Comparece a evolução nas tabelas abaixo:
POSITIVISMO
Direito e moral são coisas distintas.
O direito é aquele criado pelo Estado, independente de qualquer conteúdo de valor.
Por distanciar a moral e o direito acabou por legitimar as atrocidades cometidas pelo regime nazista.
No Brasil, a teoria positivista é utilizada para afirmar que o Poder Constituinte Originário é 
juridicamente ilimitado (não está materialmente limitado por qualquer norma).
Contribuiu para a estabilidade do Direito e supremacia da lei. 
PÓS POSITIVISMO
Marco filosófico do constitucionalismo moderno.
É um aperfeiçoamento do positivismo.
Entende que direito e moral não estão totalmente desvinculados.
Princípios como a dignidade da pessoa humana devem reger a criação e aplicação das normas.
Marco principal: Constituição Alemã de 1949
Os jusnaturalismo e o positivismo na verdade se complementam. Soma-se a estabilidade do 
positivismo com a base moral jusnaturalista.
b) Tendência a integração das diversas esferas da razão prática para solução dos casos 
constitucionais: o direito, a moral e a política.
CERTO. 
Conforme dito acima, o novo paradigma reconhece centralidade dos direitos fundamentais e 
reaproxima o direito, a moral, a ética e a política. É marcado pela ideia de justiça social, equidade e 
emprego de valores morais, despregando-se do positivismo extremado, despido de valor. O Prof. Luís 
Roberto Barroso, de forma bem objetiva, explica que o neoconstitucionalismo identifica um amplo 
conjunto de modificações ocorridas no Estado e no direito constitucional, existindo, basicamente, três 
marcos relevantes:
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#FOCONATABELA #COLANARETINA:
O marco histórico dessas 
mudanças é a formação do 
Estado Constitucional de 
Direito, cuja consolidação 
se deu ao longo das últimas 
décadas do século XX. O Estado 
constitucional de Direito começa 
a se formar no pós-Segunda 
Guerra Mundial, em face do 
reconhecimento da força 
normativa da Constituição. 
A legalidade, a partir daí, 
subordina-se à constituição, 
sendo a validade das normas 
jurídicas dependente de sua 
compatibilidade com as 
normas constitucionais. Há 
uma mudança de paradigmas: 
o Estado Legislativo de 
Direito dá lugar ao Estado 
Constitucional de Direito.
O marco filosófico, por sua 
vez, é o pós-positivismo, 
que reconhece centralidade 
dos direitos fundamentais 
e reaproxima o Direito 
e a Ética. O princípio da 
dignidade da pessoa humana 
ganha relevância; busca-se 
a concretização dos direitos 
fundamentais e a garantia de 
condições mínimas de existência 
aos indivíduos (“mínimo 
existencial”). Há um processo 
de constitucionalização de 
direitos. A Constituição ganha 
forte conteúdo axiológico, 
incorporando valores como os 
de justiça social, moralidade e 
equidade. No pós-positivismo, 
os princípios passam ser 
encarados como verdadeiras 
normas jurídicas (e não 
mais apenas como meios de 
integração do ordenamento!).
O marco teórico do 
neoconstitucionalismo, a seu 
turno, é o conjunto de mudanças 
que incluem a força normativa 
da Constituição, a expansão 
da jurisdição constitucional e 
o desenvolvimento de uma nova 
dogmática da interpretação 
constitucional.
c) Compreensão da constitucionalidade enquanto critério último de validade das normas, 
em termos substantivos e não apenas formais.
CERTO. 
O fenômeno do constitucionalismo moderno traz como premissa a supremacia da Constituição. 
Nesse contexto, toda a ordem jurídica deve ser lida e aprendida sob as lentes da Constituição, de modo 
a realizar os valores nela consagrados. Sob a égide do neoconstitucionalismo, a Constituição assumiu 
posição de centralidade no ordenamento, cujos preceitos são dotados de normatividade e se irradiam 
para os outros ramos do Direito, devendo, inclusive, os Códigos serem interpretados à sua luz. No entanto, 
essa análise deve ser global, tanto no seu aspecto material (relacionado ao conteúdo da Constituição) 
quanto do seu aspecto formal (relacionado ao processo de alteração do texto constitucional). Por isso, 
alternativa está correta.
d) Os direitos constitucionais incorporam uma ordem objetiva de valores. Esses direitos e 
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valores tornam-se onipresentes com “efeito irradiante” sobre os demais ramos do direito.
CERTO. 
Complementando a alternativa anterior, entende-se que uma das bases do constitucionalismo é 
a chamada filtragem constitucional. Isso significa que a interpretação de todos os ramos do direito 
deve ser feito à luz da Constituição, o que torna correto o chamado “efeito irradiante” mencionado na 
alternativa desta questão.
QUESTÕES DO BANCO CICLOS
QUESTÃO 6
Sobre o constitucionalismo, analise as assertivas a seguir expostas:
GABARITO: “D”.
I - O início do constitucionalismo moderno foi fortemente marcado pela presença de 
constituições escritas, a exemplo da Constituição norte-americana de 1787 e a francesa 
de 1791. Tal movimento significou uma contraposição ao absolutismo existente na época, 
marcado pela inexistência de limitações ao poder do rei.
CERTO. 
Os principais exemplos de Constituições do constitucionalismo moderno foram a Constituição 
norte-americana de 1787 e a francesa de 1791. Surgiram de modo escrito e como forma de limitar o poder 
estatal. Vale mencionar, ainda, que foram realizadas, nessa época, sob forte influência iluminista e liberal.
II - O constitucionalismo moderno teve como uma de suas principais características durante 
o seu nascedouro a existência de direitos sociais expressos nas Constituições, tendo em vista 
a ausência de efetivação de tais direitos na realidade social, como moradia, trabalho, saúde, 
educação etc.
ERRADO. 
As constituições com viés liberal surgiram em outro momento histórico e seus principais exemplos 
são a Constituição mexicana de 1917 e a alemã de 1919. O constitucionalismo, em seu nascedouro, foi 
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marcado pela existência de constituições de caráter liberal, com os seguintes valores: individualismo, 
absenteísmo estatal, valorização da propriedade privada e proteção do indivíduo. Assim, sua preocupação 
primordial era de limitação do poder estatal e de garantia dos direitos de primeira dimensão (direitos de 
liberdade: civis e políticos).
III - O neoconstitucionalismo consubstancia uma nova perspectiva em relação ao 
constitucionalismo moderno e possui como marco histórico o pós-segunda guerra mundial, 
eis que representou uma resposta às atrocidades vividas naquele momento. Uma das 
principais características do neoconstitucionalismo é a influência do positivismo, eis que, 
diante das barbáries vividas durante as guerras mundiais, tornou-se essencial o controle do 
poder por meio da legalidade estrita. Assim, não há espaço para moral e ética.
ERRADO. 
O marco filosófico do neoconstitucionalismo é o pós-positivismo, que significa justamente a 
reaproximação entre o direito e a ética. As atrocidades que ocorreram durante a segunda guerra mundial 
foram apoiadas no positivismo, sob a justificativa de que havia legalidade nos atos. Diante disso, a ética e 
a moral voltaram a ser objetivo de discussão no âmbito do Direito. Passou-se a realizar uma leitura moral 
do Direito.
IV - O transconstitucionalismo e a constituição transversal dão-se a partir da formação 
da sociedade moderna multicêntrica, a qual não possui um único eixo de movimento. É 
nessa sociedade multicêntrica que nasce uma racionalidade transversal, a qual permite a 
comunicação entre variados sistemas sociais, por meio de acoplamentos estruturais.
CERTO. 
É justamente nesse contexto de sociedade diversificada, pluralista, multicêntrica, que se passou a 
falar em transconstitucionalismo e constituição transversal. A constituição transversal tem a função de 
unir a diversidade dentro de um mesmo sistema social. O transconstitucionalismo, por seu turno, é o 
fenômeno pelo qual um mesmo tema é discutido, simultaneamente, em foros internos, internacionais e 
supranacionais.
Estão corretas as seguintes assertivas:
a) I, II, III e IV;
b) I, III e IV;
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c) II e III;
d) I e IV. 
QUESTÃO 7
Sobre os métodos de interpretação da Constituição, assinale a alternativa correta:
GABARITO: “B”
a) O método jurídico (hermenêutico clássico) inicia-se pela pré-compreensão do seu 
sentido pelo intérprete. O método hermenêutico-concretizador diferencia-se do método 
tópico-problemático porque, enquanto este pressupõe a primazia do problema sobre a 
norma, aquele se baseia na prevalência do texto constitucional sobre o problema. 
ERRADA. 
O início da alternativa está errado, pois se trata, na verdade, do MÉTODO HERMENÊUTICO-
CONCRETIZADOR e não do método clássico. 
b) No método tópico-problemático há prevalência do problema sobre a norma, ou 
seja, busca-se solucionar determinado problema por meio da interpretação de norma 
constitucional. 
CERTA. 
Sim! A alternativa está certa e traduz com perfeição o método TÓPICO-PROBLEMÁTICO. 
c) No método hermenêutico-concretizador a norma seria o resultado da interpretação do 
texto aliado ao contexto. 
ERRADA. 
Trata-se do MÉTODO NORMATIVO-ESTRUTURANTE. 
d) No método normativo estruturante a interpretação da Constituição deve considerar a 
ordem ou o sistema de valores subjacentes ao texto constitucional. A Constituição deve ser 
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interpretada como um todo, dentro da realidade do Estado. Tanto a Constituição, como o 
Estado, são entendidos como fenômenos culturais ligados a valores, funcionando como 
elementos integradores da comunidade. 
ERRADA. 
Trata-se do MÉTODO INTEGRATIVO OU CIENTÍFICO-ESPIRITUAL. 
e) O método científico espiritual considera que a Constituição é uma lei como qualquer 
outra, devendo ser interpretada usando as regras da Hermenêutica tradicional, ou seja, os 
elementos literais (textual), lógico (sistemático), histórico, teleológico e genético. 
ERRADA. 
Trata-se do MÉTODO JURÍDICO (HERMENÊUTICO CLÁSSICO).
Vamos revisar esses conceitos? #FOCONATABELA:
MÉTODOS CARACTERÍSTICAS
MÉTODO JURÍDICO 
(HERMENÊUTICO 
CLÁSSICO)
Considera que a Constituição é uma lei como qualquer outra, 
devendo ser interpretada usando as regras da Hermenêutica tradicional, 
ou seja, os elementos literais (textual), lógico (sistemático), histórico, 
teleológico e genético.
MÉTODO TÓPICO-
PROBLEMÁTICO
Há prevalência do problema sobre a norma, ou seja, busca-se 
solucionar determinado problema por meio da interpretação de norma 
constitucional.
MÉTODO 
HERMENÊUTICO-
CONCRETIZADOR
Criado por Konrad Hesse, segundo o qual a leitura da Constituição 
inicia-se pela pré-compreensão do seu sentido pelo intérprete. O 
método hermenêutico-concretizador diferencia-se do método tópico-
problemático porque, enquanto este pressupõe a primazia do 
problema sobre a norma, aquele se baseia na prevalência do texto 
constitucional sobre o problema.
MÉTODO INTEGRATIVO 
OU CIENTÍFICO-
ESPIRITUAL
A interpretação da Constituição deve considerar a ordem ou o sistema 
de valores subjacentes ao texto constitucional. A Constituição deve 
ser interpretada como um todo, dentro da realidade do Estado. Tanto 
a Constituição, como o Estado, são entendidos como fenômenos 
culturais ligados a valores, funcionando como elementos integradores da 
comunidade.
MÉTODO NORMATIVO-
ESTRUTURANTE A norma seria o resultado da interpretação do texto aliado ao contexto.
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QUESTÃO 8
Julgue os itens a seguir, relacionados com o Direito Constitucional, suas perspectivas e 
sentidos.
GABARITO: “CERTO; ERRADO; CERTO”.
8.1 Conforme lição de Carl Schmitt, a Constituição, em seu sentido político, busca seu 
fundamento na decisão política fundamental que antecede a elaboração da Constituição, 
aquela sem a qual não se funda ou organiza um estado.
CERTO. 
Assertiva inteiramente de acordo com a doutrina de Carl Schimitt em relação ao sentido político 
da Constituição, que reflete asdecisões políticas anteriores à Constituição, dando origem à mesma e à 
formação do Estado.
8.2 A perspectiva sociológica, derivada dos pensamentos de Hans Kelsen, afirma que a 
Constituição é puro dever-ser, norma pura, não devendo buscar seu fundamento em outros 
ramos da ciência, mas na própria ciência jurídica.
ERRADO. 
Assertiva errada, pois traz como conceito da perspectiva sociológica a definição da perspectiva 
jurídica de Hans Kelsen. A perspectiva sociológica, sob a direção do pensamento de Ferdinand Lassale, 
enxerga a Constituição como a soma de fatores reais de poder que regem determinada nação.
8.3 A Concepção Positiva apresenta a Constituição como um sistema aberto de normas 
jurídicas, constituídas por regras e princípios, com eficácia plena e com a capacidade de 
contribuir para transformação da realidade, buscando condições de vida digna para todas 
as pessoas, respeitando o regramento formal por ela própria instituído e resguardando um 
conteúdo proveniente dos principais valores sociais aceitos.
CERTO. 
Assertiva inteiramente de acordo com a doutrina da concepção positiva da Constituição, pois, de 
acordo com essa moderna corrente, a Constituição apresenta um sistema aberto de normas jurídicas, 
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constituídas por regras e princípios, com eficácia plena e com a capacidade de contribuir para transformação 
da realidade, buscando condições de vida digna para todas as pessoas, respeitando o regramento formal 
por ela própria instituído e resguardando um conteúdo proveniente dos principais valores sociais aceitos.
QUESTÃO 9
Analise as assertivas abaixo:
GABARITO: “D”.
I. A Constituição Brasileira de 1988 pode ser definida como formal, rígida, escrita, promulgada, 
histórica, analítica, orgânica, eclética, principiológica e dirigente.
ERRADO. 
O erro está em afirmar que a Constituição de 1988 é histórica. Isso porque essa classificação é dada 
para aquela norma elaborada de forma esparsa no decorrer do tempo, fruto de um contínuo processo de 
construção e sedimentação do devir histórico (ex., Constituição inglesa). Esta geralmente terá forma não 
escrita. A CF/88, portanto, deve ser definida como dogmática: escrita e sistematizada em um documento 
que traz as ideias dominantes em uma determinada sociedade num determinado período histórico. 
Além disso, a CF é formal (dotada de supralegalidade), rígida (demanda procedimentos especiais para 
sua modificação), escrita (documento único feito de uma vez só), promulgada (dotada de legitimidade 
popular, ainda que por intermédio de seus representantes), analítica/prolixa (elaborada de forma extensa), 
orgânica (documento único, num corpo único, elaborada de uma vez só por um poder competente para 
tal e que contém uma articulação entre suas normas), eclética (traz em seu texto mais de uma ideologia, 
na medida em que pelo seu pluralismo e abertura agrupa mais de um viés ideológico), principiológica 
(predominam os princípios, considerados normas, de alto grau de abstração e generalidade) e dirigente 
(predefine uma pauta de vida para a sociedade e estabelece uma ordem concreta de valores para o 
Estado e sociedade).
II. Karl Löwenstein desenvolveu a Teoria Ontológica da Constituição, a qual defende que a 
constituição não é só seu texto se apresentando, mas aquilo que os detentores de poder 
fazem dela na prática. Nessa linha, classifica as Cartas como Normativas, Nominais ou 
Semânticas.
CERTO. 
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Karl Löwenstein apresenta uma classificação ontológica das constituições, fazendo uma relação entre 
o texto e a realidade social. Dessa forma, propõe a seguinte classificação: a) constituições normativas: 
aquelas em que há uma adequação entre o texto constitucional e a realidade social; b) constituições 
nominais: não há adequação do texto com a realidade social, restando apenas um caráter educacional e 
pedagógico; c) constituições semânticas: aquelas que “traem” o significado de constituição, pois legitimam 
práticas autoritárias de poder, ao invés de limitá-lo. A doutrina é controversa quanto à subsunção da CF/88 
nessa classificação. Pedro Lenza, por exemplo, afirma que a Carta “pretende ser” normativa. Já Bernardo 
Gonçalves não aceita essa pretensão, afirmando que a CF é claramente nominal, já que a realidade não 
condiz com suas determinações.
III. Bloco de constitucionalidade pode ser entendido como conjunto de normas materialmente 
constitucionais, ainda que não façam parte da Constituição formal (por exemplo, costumes 
jurídico-constitucionais, jurisprudência, normas infraconstitucionais materialmente 
constitucionais). Entretanto, no Brasil, o posicionamento do STF é pelo conceito restrito de 
bloco de constitucionalidade, entendendo como tal somente a Constituição formal e suas 
normas constitucionais expressas ou implícitas.
CERTO. 
A Constituição material define o conjunto de normas juridicamente instituidoras de uma sociedade. 
Seu conceito surge a partir da experiência constitucional inglesa, que embora não possua um texto único, 
abrange normas que limitam o poder, organizando e estruturando o Estado, e estabelecem direitos 
e garantias fundamentais. A partir do século XVIII, teve início a “era das Constituições formalizadas”, 
de maneira que a Constituição passou a ser entendida como a ordenação sistemática e racional da 
comunidade em um documento escrito, no qual se fixam os limites do poder político e declaram-se direitos 
e liberdades fundamentais. Dessa forma, a Constituição material acaba sendo abarcada pela formal, o 
que não impede que haja outras fontes de conteúdo com características materialmente constitucionais 
(organização e limitação do Estado + direitos e garantias fundamentais). Nessa linha, o Ministro Celso 
de Mello defende que o significado de bloco de constitucionalidade projeta-se para além da totalidade 
das regras constitucionais meramente escritas e dos princípios contemplados explícita ou implicitamente, 
no corpo da Constituição formal, chegando a compreender normas de caráter infraconstitucional, desde 
que vocacionadas a desenvolver a eficácia dos postulados inscritos na Lei Fundamental, viabilizando a 
concretização da ideia de ordem constitucional global (ADI nº 1.588/DF). Entretanto, esse posicionamento 
não foi seguido pela maioria dos Ministros, posicionando-se o STF pelo conceito restrito de bloco de 
constitucionalidade, o qual pode ser definido como apenas as normas constitucionais expressas ou 
implícitas na Constituição formal. Esse conceito é o utilizado pela Corte para definir o parâmetro para o 
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controle de constitucionalidade.
IV. Para José Afonso da Silva, todas as normas constitucionais são dotadas de aplicabilidade.
CERTO. 
José Afonso da Silva entende que todas as normas constitucionais possuem eficácia jurídica, pois 
no mínimo conterão dois efeitos: a) positivos: revoga tudo do ordenamento anterior que for contrário 
a ela; b) negativos: veda ao legislador ordinário a possibilidade de produzir normas infraconstitucionais 
contrárias a ela. Entretanto, há nessas normas uma escala de aplicabilidade, que autoriza sua classificação 
em normas de eficácia plena (produz todos seus efeitos imediatamente), eficácia contida (podem ter 
seu âmbito de eficácia restringido ou reduzido pelo legislador ordinário) e eficácia limitada (não reúnem 
todos os elementos necessários para a produção de todos os seus efeitos, pois para isso, demandam 
regulamentação). 
Estão corretas:
a) as assertivas I e II;
b) as assertivas I, II e III;
c) as assertivas II e IV;
d) as assertivas II, III e IV;
e) todas as assertivas.
QUESTÃO 10
Julgue as afirmações a seguir:
GABARITO: “CERTO; CERTO; e CERTO”.
a) A teoria da argumentação jurídica está associada ao neoconstitucionalismo e se utiliza-
se dediversos instrumentos para chegar à decisão do caso concreto, como moral, filosofia, 
economia, política, sociologia e teoria da linguagem.
CERTO. 
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Conforme ensina o professor Daniel Sarmento: “O neoconstitucionalismo está associado a diversos 
fenômenos reciprocamente implicados, seja no campo empírico, seja no plano da dogmática jurídica, que 
podem ser assim sintetizados: b) rejeição ao formalismo e recurso mais frequente a métodos ou ‘estilos’ 
mais abertos de raciocínio jurídico: ponderação, tópica, teorias da argumentação etc.”1
b) Segundo o Princípio das Razões Públicas, a fundamentação deve conter razões aceitáveis 
pela ordem jurídica objetiva, independentemente das convicções pessoais de cada um.
CERTO. 
O Princípio Constitucional das Razões Públicas é um princípio hermenêutico que afirma que, no 
mundo plural atual, em que há forte heterogeneidade e que as concepções ideológicas de cada um são 
extremamente antagônicas, no ambiente público e da discussão jurídica, o debate tem de ser pautado 
por razões públicas, ou seja, razões aceitáveis pela ordem jurídica objetiva, independentemente das 
convicções pessoais de cada um.
c) O Princípio do Cosmopolitismo defende o diálogo internacional na interpretação 
constitucional, de maneira a invocar o Direito Internacional dos Direitos Humanos e o Direito 
Comparado na interpretação constitucional.
CERTO. 
Nas palavras de Daniel Sarmento2, “existe uma tendência crescente e positiva de invocação do 
Direito Internacional dos Direitos Humanos e do Direito Comparado na interpretação constitucional. 
Além do Direito Constitucional ter de lidar cada vez mais com fenômenos transnacionais, o interesse e 
a facilidade de acesso ao que ocorre em outros sistemas jurídicos nacionais e internacionais aumentou 
muito. Com isso, ampliou-se a possibilidade real de integração não apenas econômica ou política entre 
os países e organizações internacionais, mas também “discursiva”: não só a normativa internacional, como 
também os argumentos empregados pelas cortes constitucionais e internacionais passam a ser cada vez 
mais considerados nas decisões adotadas na esfera interna em matéria constitucional”.
1 SARMENTO, Daniel. Direito Constitucional. Teoria, história e métodos de trabalho.
2 SARMENTO, Daniel. Direito Constitucional. Teoria, história e métodos de trabalho.
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QUESTÕES INÉDITAS MÚLTIPLA ESCOLHA
QUESTÃO 11
Sobre a classificação das Constituições, assinale a alternativa incorreta:
GABARITO: “E”.
a) A Constituição cesarista é elaborada sem a participação popular, mas posteriormente é 
submetida a consultar popular para referendá-la.
CORRETO. 
A assertiva traz o conceito correto de Constituição Cesarista (classificação quanto à origem).
b) A Constituição gerida decorre de procedimentos que contam com a intervenção ou 
assistência de órgãos de Estados ou organizações diversos daqueles destinados a recebe-
las. 
CORRETO. 
A assertiva traz o conceito correto de Constituição Gerida (classificação quanto à origem).
c) A Constituição semântica é o modelo que visa apenas à estabilização e à conservação de 
estrutura do poder político. 
CORRETO. 
A assertiva traz o conceito correto de Constituição Semântica (classificação quanto à essência).
d) A Constituição heterônoma é imposta de um Estado para ser observada em outro Estado. 
CORRETO. 
A assertiva traz o conceito correto de Constituição Heterônoma (classificação quanto à origem).
e) A Constituição dualista é elaborada com ampla participação popular
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ERRADO. 
A assertiva traz o conceito de Constituição Promulgada, que é originada de órgão constituinte 
composto de representantes do povo e previamente instituído com a finalidade de elaborar uma nova 
Constituição. Ao contrário, a Constituição dual ou Pactuada é aquela elaborada através de um pacto 
realizado entre os detentores do poder político.
#NÃOCUSTALEMBRAR:
Quanto à Origem
Outorgada: imposta pelo detentor do poder.
Promulgada: elaborada com ampla participação popular.
Cesarista (Bonapartista): o soberano edita o texto e, posteriormente, o 
submete a um referendo popular.
Pactuada (dualista): elaborada através de um pacto realizado entre os 
detentores do poder político.
Gerida: A Constituição gerida decorre de procedimentos que 
contam com a intervenção ou assistência de órgãos de Estados ou 
organizações diversos daqueles destinados a recebe-las.
Quanto à essência:
Normativa: Aquela cujas normas dominam o processo político, pois são 
lealmente observadas por todos os interessados;
Nominal: Constituição carente de realidade existencial, pois o processo 
político a ela não se curva ou se adapta adequadamente;
Semântica: Modelo constitucional que visa apenas à estabilização e à 
conservação da estrutura de dominação do poder político. 
QUESTÃO 12
Sobre a evolução do Constitucionalismo Contemporâneo, julgue os itens abaixo:
I. No direito positivo, o Constitucionalismo Social surge com o advento da Constituição 
Mexicana de 1917 e, logo depois, na Constituição alemã de Weimar de 1919. No Brasil, a 
Constituição de 1937 foi fortemente influenciada por tal movimento.
ERRADO. 
Ao contrário do que afirma a assertiva, a Constituição fortemente influenciada pelo Constitucionalismo 
Social é a de 1934. Vejamos as diferenças:
#FOCONATABELA:
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Constituição de 
1934
Promulgada
1. Influência da Constituição Alemã de Weimar.
2. Caráter extremamente nacionalista, com proibição de algumas atividades por 
empresas estrangeiras, nacionalização de empresas e proteção aos direitos do 
trabalhador. 
3. Voto secreto. Possibilidade de voto feminino.
4. Aspectos importantes:
→ Foi extinto o cargo de vice-presidente.
→ Foram impostas restrições à imigração.
→ Criação de MS e da Ação Popular.
→ Manteve o controle de constitucionalidade difuso, mas trouxe algumas 
modificações.
→ Previsão de Decretos-Lei.
→ Estado Unitário.
→ Bicameralismo desigual.
Constituição de 
1937
Outorgada
1. Inspirada na Constituição Polonesa (por isso ficou conhecida como Polaca).
2. O Estado era autoritário, apresentando características ditatoriais fascistas.
3. Eleições voltaram a ser indiretas.
4. Aspectos importantes:
→ Havia a previsão da pena de morte.
→ Havia a possibilidade de censura.
→ Direitos Fundamentais enfraquecidos.
→ Política populista, consolidou a CLT e outros direitos trabalhistas.
→ Não previu o MS e nem a Ação Popular.
II. Uma das manifestações do “neoconstitucionalismo” é a chamada constitucionalização-
inclusão, que consiste no tratamento pela Constituição de temas que antes eram disciplinados 
pela legislação ordinária ou mesmo ignorados, marca frequente das constituições prolixas.
CERTO. 
Na lição de Daniel Sarmento e Cláudio Pereira de Souza Neto, o fenômeno da constitucionalização 
do direito se bifurca em duas vertentes de compreensão, quais sejam, a constitucionalização-inclusão 
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e a constitucionalização releitura. a) A chamada constitucionalização-inclusão consiste no “tratamento 
pela Constituição de temas que antes eram disciplinados pela legislação ordinária ou mesmo ignorados”. 
Exemplo: a tutela constitucional do meio ambiente e do consumidor, algo até então inédito nas Constituições 
pretéritas. Essa inflação de assuntos no texto constitucional, marca das constituições analíticas, faz com 
que qualquer disciplina jurídica, ainda que dotada de autonomia científica, encontre um ponto de 
contato com a Constituição, cuja onipresença foi cunhada pela doutrina de ubiquidade constitucional. b) 
A chamada constitucionalização-releitura traduz“a impregnação de todo o ordenamento pelos valores 
constitucionais”. Neste caso, os institutos, conceitos, princípios e teorias de cada ramo do Direito sofrem 
uma releitura, para, à luz da Constituição, assumir um novo significado. Portanto, a Constituição, que era 
mera coadjuvante, se torna protagonista na interpretação do direito infraconstitucional. Na feliz expressão 
de Paulo Bonavides, “Ontem, os Códigos; hoje, a Constituição”. Outros juristas adotaram uma classificação 
diferenciada para o fenômeno da constitucionalização do Direito.
III. A constitucionalização simbólica, também conhecida como patriotismo constitucional, 
é um fenômeno caracterizado pelo fato de que, na atividade legiferante (atividade de 
elaboração das leis e das Constituições), há o predomínio da função simbólica (funções 
ideológicas, morais e culturais) sobre a função jurídico-instrumental (força normativa), 
apontando para a existência de um déficit de concretização das normas constitucionais, 
resultado justamente da maior importância dada ao simbolismo do que à efetivação da 
norma.
ERRADO.
 A assertiva possui apenas um erro (sim, quase despercebido). A constituição simbólica não é sinônimo 
de patriotismo constitucional. Na realidade, o patriotismo constitucional concebido por Habermas desde a 
década de 80 como forma de reorganização do espírito de unificação alemão, abalado com o término da 
II Grande Guerra, o patriotismo constitucional se opõe ao denominado nacionalismo xenófobo. Significa, 
em apertada síntese, que as pessoas de um determinado país devem estabelecer vínculos entre si não 
apenas em virtude de raça, etnia, religião e outras características que lhes são particulares, mas, sobretudo, 
por meio de uma concepção política universal comum, liberal e democrática, que deve reinar sobre o 
Estado. São essas concepções que devem prevalecer sobre o nacionalismo estritamente ético ou religioso, 
que pode resultar em atrocidades como as experiências pelo nazismo.” Habermas aposta no patriotismo 
constitucional como ideal capaz de unir todos os cidadãos, independentemente de suas nacionalidades, 
antecedentes culturais ou heranças étnicas, imprimindo nos indivíduos uma lealdade constitucional que, 
não podendo ser imposta juridicamente, deve estar internalizada nas motivações e convicções de cada 
um dos cidadãos – o que só é possível quando cada um deles entende o Estado Constitucional enquanto 
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uma realização de sua própria história.
IV. A visão substancialista da Constituição Federal defende uma postura intervencionista do 
Poder Judiciário na sociedade, no sentido de, efetivamente, materializar/concretizar direitos 
explícitos e implícitos na Lei Maior. Essa atitude gera, por consequência, maior intervenção 
nas políticas públicas. Tal ideia está ligada à ativismo judicial e ao neoconstitucionalismo
CERTO. 
A alternativa está correta, pois traz a visão substancialista da Constituição. Vamos relembrar que o 
neoconstitucionalismo está associado a diversos fenômenos reciprocamente implicados, seja no campo 
empírico, seja no plano da dogmática jurídica, que podem ser assim sintetizados: a) reconhecimento da 
força normativa dos princípios jurídicos e valorização da sua importância no processo de aplicação do 
Direito; b) rejeição ao formalismo e recurso mais frequente a métodos ou “estilos” mais abertos de raciocínio 
jurídico: ponderação, tópica, teorias da argumentação etc.; c) constitucionalização do Direito, com a 
irradiação das normas e valores constitucionais, sobretudo os relacionados aos direitos fundamentais, 
para todos os ramos do ordenamento; d) reaproximação entre o Direito e a Moral; e e) judicialização da 
política e das relações sociais, com um significativo deslocamento de poder da esfera do Legislativo e do 
Executivo para o Poder Judiciário.
#OLHAOGANCHO:
O que é Judicialização? Algumas questões de larga repercussão política ou social estão sendo 
decididas por órgãos do Poder Judiciário, e não pelas instâncias políticas tradicionais (Poder Executivo e 
Congresso Nacional).
O que é Ativismo Judicial? o Min. Luís Roberto Barroso afirma que, enquanto a judicialização é 
um fato (uma questão com repercussão política/social que chega no STF para ser julgada), o ativismo é 
uma atitude. A prevalência dos direitos fundamentais exige uma postura contramajoritária mais ativa e 
intervencionista da Justiça Constitucional, sendo o ativismo institucionalmente relevante e adequado.
Está(ão) incorreta(s)?
a) Apenas I e II
b) I, II e III
c) Apenas III
d) Apenas I e III
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e) I, III e IV
GABARITO: “D”.
QUESTÃO 13
Sobre a interpretação da Constituição, assinale a alterativa correta:
GABARITO: “D”.
a) De acordo com o princípio da conformidade funcional, o intérprete pode alterar a 
repartição de funções constitucionalmente estabelecidas pelo constituinte originário.
ERRADO. 
Segundo o princípio da conformidade funcional, também conhecido como princípio da correção 
funcional e da justeza, o órgão encarregado de interpretar a Constituição NÃO pode chegar a uma 
conclusão que subverta o esquema organizatório-funcional estabelecido pelo Constituinte. Assim, este 
órgão não poderia alterar, pela interpretação, as competências estabelecidas pela Constituição para a 
União, por exemplo.
b) Pelo princípio da concordância prática é possível o sacrifício total de um bem 
constitucionalmente protegido em detrimento de outro em situações de aparente conflito.
ERRADO. 
Ao contrário do que afirma a assertiva, o princípio impõe a harmonização dos bens jurídicos em 
caso de conflito entre eles, de modo a EVITAR o sacrifício total de uns em relação aos outros. É 
geralmente usado na solução de problemas referentes à colisão de direitos fundamentais. Assim, apesar 
de a Constituição, por exemplo, garantir a livre manifestação do pensamento (art. 5º, IV, CF/88), este 
direito não é absoluto. Ele encontra limites na proteção à vida privada (art. 5º, X, CF/88), outro direito 
protegido constitucionalmente. Deve-se utilizar o critério da PONDERAÇÃO, já que a subsunção de 
normas é insuficiente para se chegar a uma conclusão. 
c) De acordo com o princípio da máxima efetividade, idealizado por Konrad Hesse, toda 
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norma jurídica precisa de um mínimo de eficácia (ao menos, a eficácia jurídica), sob pena de 
não ser aplicada.
ERRADO. 
Não se trata do princípio da máxima efetividade, mas sim do princípio da força normativa da 
Constituição.
d) Segundo a teoria dos interpretativistas, o Juiz, no caso concreto, não pode, em sua 
atividade hermenêutica, transcender os limites da Constituição, devendo se limitar a analisar 
os preceitos expressos e os preceitos claramente implícitos no texto constitucional.
CERTO. 
A assertiva traz o conceito correto da teoria dos interpretativistas. Há duas correntes doutrinárias 
que se posicionam de maneira diversa com relação à atuação do juiz na interpretação constitucional. De 
um lado, estão os interpretativistas; do outro, os não-interpretativistas. É bastante comum a confusão 
quanto ao que pensam cada uma dessas correntes.
#FOCONATABELA #COLANARETINA #NÃOCONFUNDIR:
Interpretativistas Não interpretativistas
Os interpretativistas consideram que o juiz não 
pode, em sua atividade hermenêutica, transcender 
o que diz a Constituição. Nesse sentido, o juiz 
deverá limitar-se a analisar os preceitos 
expressos e os preceitos claramente implícitos 
no texto constitucional.
Os não-interpretativistas, por sua vez, 
defendem que o juiz deve pautar sua atuação 
em valores substantivos, tais como justiça, 
liberdade e igualdade. O nome dessa corrente 
doutrinária advém do fato de que os resultados 
da atuação judicial não decorrem de uma 
interpretação direta do texto constitucional,mas sim da aplicação de valores substantivos 
à apreciação de um caso concreto. Na ótica 
não-interpretativista, o juiz goza de um nível bem 
superior de autonomia, podendo transcender a 
literalidade da Constituição.
e) Segundo Peter Häberle, abandonou-se o monopólio interpretativo da Constituição, 
devendo imperar a denominada “sociedade aberta dos intérpretes” para que os destinatários 
da interpretação devam ser, além do Poder Judiciário, órgãos estatais e grupos sociais, com 
a exclusão do cidadão de forma isolada.
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ERRADO. 
A assertiva possui apenas um erro na parte final (viu só a importância de ler, atentamente, a assertiva 
até o fim?). Ao contrário do que foi dito, para Häberle, não há exclusão de ninguém na interpretação 
da Constituição. Segundo ele, são intérpretes da Constituição todos aqueles que a vivenciam: os 
cidadãos, os órgãos públicos, a opinião pública e demais grupos sociais. A teoria desenvolvida por 
Häberle é conhecida como a “sociedade aberta dos intérpretes”, que nos mostra que a interpretação 
constitucional é tarefa de todos (e não apenas dos juízes). Para ilustrar bem essa teoria, vale a pena ler 
e refletir um trecho da obra do ilustre jurista: “Uma Constituição que estrutura não apenas o Estado em 
sentido estrito, mas também a própria esfera pública, dispondo sobre organização da própria sociedade e, 
diretamente, sobre setores da vida privada, não pode tratar as forças sociais e privadas como meros objetos. 
Ela deve integrá-las ativamente enquanto sujeitos (…). Limitar a hermenêutica constitucional aos intérpretes 
‘corporativos’ ou autorizados jurídica ou funcionalmente pelo Estado significaria um empobrecimento ou 
um autoengodo”.
QUESTÃO 14
Sobre as normas de eficácia limitada, julgue os itens a seguir:
GABARITO: “C”.
I. Apesar de possuir a chamada aplicabilidade diferida, as normas de eficácia limitada 
possuem a chamada eficácia negativa de revogar as regras preexistentes que sejam contrárias, 
podendo ser utilizadas como parâmetro de controla de constitucionalidade. 
CERTO.
II. Apesar de possuir a chamada aplicabilidade diferida, as normas de eficácia limitada 
possuem a chamada eficácia interpretativa, direcionando a interpretação das demais normas. 
CERTO.
III. Apesar de possuir a chamada aplicabilidade diferida, as normas de eficácia invalidatória, 
pois impedem a recepção de normas infraconstitucionais pré-constitucionais, bem 
como servem de parâmetro para declarar a inconstitucionalidade das normas editadas 
posteriormente.
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CERTO.
Todas as assertivas estão corretas e trazem conceitos importantes referentes às normas de eficácia 
limitada. A doutrina chama essas normas de eficácia relativa dependente de complementação legislativa. 
O STF já decidiu que as normas de eficácia limitada possuem a chamada eficácia negativa de revogar 
as regras preexistentes que sejam contrárias, podendo ser utilizadas como parâmetro de controle de 
constitucionalidade. 
No entanto, é preciso ir além e entender as modalidades de eficácia negativa. Assim a doutrina 
denomina as seguintes:
Eficácia conformadora
Impondo o exercícios das competências dos 
órgãos públicos (legislativas, executivas ou 
jurisdicionais) em conformidade com os fins e os 
objetivos estabelecidos pela norma constitucional.
Eficácia interpretativa Direcionando a interpretação das demais normas
Eficácia invalidatória
Impondo a recepção de normas 
infraconstitucionais pré-constitucionais, bem 
como servem de parâmetro para declarar a 
inconstitucionalidade das normas editadas 
posteriormente
Eficácia Redutora de discricionariedade
Reduzindo a margem de discricionariedade que 
os órgão públicos possuem em relação à matéria 
abordada.
Estão corretas?
a) Apenas I
b) Apenas I e II
c) Todas estão corretas (I, II, III)
d) Apenas II e III
e) Apenas III
QUESTÃO 15
Analise as assertivas sobre a manifestação do Poder Constituinte e escolha a correta:
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GABARITO: “B”.
a) Uma parte da doutrina diferencia o poder constituinte originário do poder constituinte 
revolucionário, afirmando que este último tem como objetivo criar novos Estados com 
transformações radicais de estruturas estatais. 
ERRADO. 
A assertiva confundiu os conceitos de poder constituinte originário e revolucionário. Na realidade, 
o poder constituinte que possui como objetivo criar novos Estados com transformações radicais de 
estruturas estatais é denominado de originário. Em contrapartida, o poder constituinte revolucionário é 
manifestado nos casos em que não se cria um Estado novo.
b) O poder constituinte derivado decorrente divide-se em institucionalizado e reformador, 
sendo, respectivamente, a capacidade de criar ou de modificar o texto constitucional das 
entidades autônomas que compõe a Federação.
CERTO. 
A assertiva está correta e traz o conceito doutrinário de poder constituinte decorrente, assegurando-
se aos Estados-Membros a competência autônoma para se auto-organizarem mediante tipo próprio de 
Constituição subalterna à Constituição Federal (art. 25 da CF).
#OLHAOSUPERGANCHO: O poder constituinte derivado decorrente é perceptível no Distrito 
Federal, mas não nos Municípios, pois a lei orgânica do DF, assim como ocorre com as Constituições 
estaduais, é um documento que só está submetido à Constituição da República. Os Municípios são 
formatados por documentos condicionados simultaneamente à constituição estadual e à Constituição 
Federal, isto é, se sujeitam a uma dupla subordinação, o que tornaria eventual poder decorrente do 
município em um poder de terceiro grau.
c) O poder constituinte derivado reformador possui limites nos princípios constitucionais 
sensíveis, princípios constitucionais estabelecidos e princípios constitucionais extensíveis.
ERRADO. 
As limitações listadas na assertiva estão relacionadas ao poder constituinte derivado decorrente, 
sendo impostas aos Estados-Membros. Vale destacar que os limites do poder constituinte derivado 
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reformador estão previstos no art. 60 da Constituição Federal (emenda constitucional) e art. 3º do ADCT 
(revisão constitucional).
#RECORDARÉVIVER:
Princípios sensíveis/
apontados/enumerados
Princípios extensíveis
Princípios estabelecidos/
organizatórios
A expressão “sensível” remete 
àquilo que é facilmente 
percebido pelos sentidos, claro, 
manifesto, sendo, portanto, 
princípios sensíveis aqueles 
indubitavelmente apontados na 
Constituição, expressos em seu 
texto.
Consubstanciam regras de 
organização da União, cuja 
aplicação se estende aos Estados, 
por força de regra expressa ou 
do princípio da simetria.
Aqueles que limitam, vedam, ou 
proíbem a ação indiscriminada do 
Poder Constituinte Decorrente. 
São determinados diretamente 
aos Estados, ainda que não de 
forma expressa. Podem gerar 
limitações expressas, implícitas 
ou decorrentes.
Encontram-se enumerados 
no art. 34, VII, da CF, podendo 
sua infringência acarretar a 
intervenção federal no Estado. 
São eles: a) forma republicana, 
sistema representativo e regime 
democrático; b) direitos da 
pessoa humana; c) autonomia 
municipal; d) prestação de 
contas da administração pública, 
direta e indireta; e) aplicação 
do mínimo exigido da receita 
resultante de impostos estaduais, 
compreendida a proveniente de 
transferências, na manutenção 
e desenvolvimento do ensino e 
nas ações e serviços públicos de 
saúde.
Ex.: normas relativas à 
organização do Tribunal de 
Contas da União; regras básicas 
atinentes ao processo legislativo 
federal.
Ex.: os Estados não podem dispor 
sobre as matérias que constituem 
competência privativa da União.
d) Os fenômenos das constituições promulgadas são manifestadospelo chamado poder 
constituinte usurpado.
ERRADO. 
A doutrina ensina que o poder constituinte usurpado é manifestado nas chamadas constituições 
outorgadas, pois é aquela fruto de uma ordem constitucional sem a aceitação popular (seja anterior ou 
posterior a sua elaboração). Assim, entende-se que, apesar de possuir valor normativo, a Constituição é 
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defeituosa no seu aspecto político. 
e) O poder constituinte originário é inicial, ilimitado e incondicionado. No entanto, 
segundo a doutrina, a nova Constituição deve respeitar os direitos adquiridos sob a égide da 
Constituição anterior, ainda que esses direitos não sejam salvaguardados pela nova ordem 
jurídica instalada.
ERRADO. 
Há dois erros na assertiva. Primeiramente, vale destacar que o poder constituinte originário, segundo 
a doutrina, não é considerado ilimitado de forma irrestrita. Jorge Miranda identifica três limites: (i) limites 
transcendentes são os que se contrapõe ou se impõe à própria vontade do Estado, tais como imperativos 
do direito natural e de valores superiores, como dignidade da pessoa humana; (ii) limites imanentes 
são impostos ao Poder Constituinte formal e estão relacionados à “configuração do Estado à luz do Poder 
Constituinte material ou à própria identidade do Estado de que cada Constituição representa apenas um 
momento da marcha histórica”. Referem-se a aspectos como a soberania ou a forma de Estado; e (iii) 
limites heterônomos provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos. Dizem respeito 
a princípios, regras ou atos de direito internacional que impõem obrigações ao Estado ou a regras de 
direito interno. No primeiro caso, observa-se a flexibilização do caráter autônomo e ilimitado do Poder 
Constituinte como decorrência, sobretudo, da globalização e da crescente preocupação com a proteção 
dos direitos humano. Ademais, deve-se acrescentar que, ao contrário do que afirma a assertiva, a nova 
Constituição não precisa respeitar os direitos adquiridos sob a égide da Constituição anterior, ainda que 
esses direitos não sejam salvaguardados pela nova ordem jurídica instalada, salvo disposição expressa em 
sentido contrário.
QUESTÕES INÉDITAS CERTO/ERRADO
QUESTÃO 16
A Constituição Brasileira de 1824 foi outorgada e era considerada rígida, estabelecendo, além 
do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário, a centralização monárquica, com a previsão do 
Poder Moderador exercido pelo Imperador.
GABARITO: “ERRADO”.
ERRADO. 
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O único erro da alternativa é considerar a Constituição de 1824 como rígida. Ao contrário do que 
afirma a assertiva, a Constituição Brasileira de 1824 era classificada como semirrígida, pois permitia 
que os dispositivos de constituição material fossem modificados por maioria qualificada, mas admitia a 
alteração de dispositivos da constituição formal mediante os mesmos requisitos necessários à elaboração 
da lei comum.
#NÃOCUSTALEMBRAR:
Quanto à 
Estabilidade
Flexível: é alterada da mesma forma que as leis inferiores.
Semirrígida: uma parte é flexível e outra é rígida.
Rígida: a alteração é mais difícil do que as leis inferiores.
Super-rígidas: uma parte é rígida e outra é imutável (DE ACORDO COM 
ALEXANDRE DE MORAES, A BRASILEIRA É SUPER-RÍGIDA).
Imutáveis: todo o texto é imutável.
QUESTÃO 17
O transconstitucionalismo, trazido, no Brasil, pelo professor Marcelo Neves, traz a ideia de 
entrelaçamentos entre ordens jurídicas constitucionais para a solução de problemas comuns 
e constitui o fato de uma determinada situação concreta poder ser tratada igualmente 
na legislação interna, na legislação internacional e na legislação supranacional, em um 
verdadeiro fenômeno de “globalização do direito constitucional doméstico”, tendo como 
objetivo criar a existência de uma constituição global.
GABARITO: “ERRADO”.
ERRADO. 
Ao contrário do que afirma a assertiva, o transconstitucionalismo não dispõe sobre a existência de 
uma constituição global, em que as constituições nacionais seriam hierarquicamente submetidas a essa 
constituição superior, mas sim sobre a existência de problemas jurídico-constitucionais que perpassam 
às distintas ordens jurídicas, impondo-se um diálogo entre estas ordens jurídicas, possibilitando 
que os problemas que lhes são comuns tenham um tratamento harmonioso e reciprocamente adequado. 
Desse modo, o transconstitucionalismo sugere um debate entre problemas constitucionais internos com 
as disposições de ordens externas à nacional.
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QUESTÃO 18
A teoria da derrotabilidade normativa parte da premissa segundo a qual as normas jurídicas 
se baseiam em raciocínios cujas justificativas podem ser “derrotadas” diante da exteriorização 
de circunstâncias anormais, que não foram consideradas na formulação normativa, podendo 
ser aplicadas tanto para toda espécie normativa, sejam regras, sejam princípios.
GABARITO: “CERTO”.
CERTO. 
Dirley da Cunha Júnior ensina que a derrotabilidade da norma jurídica significa a possibilidade, 
no caso concreto, de uma norma ser afastada ou ter sua aplicação negada, sempre que uma exceção 
relevante se apresente, ainda que a norma tenha preenchido seus requisitos necessários e suficientes para 
que seja válida e aplicável. Muito se discutiu se tal teoria poderia ser aplicada tanto para as regras quanto 
para os princípios. Atualmente, a maioria dos autores considera que, mesmo que as regras tenham 
caráter mais rígido, elas estão sujeitas a essa ‘derrotabilidade’, uma vez que é impossível estabelecer, a 
priori ou em abstrato, toda a lista de exceções que podem ‘derrotar ’ uma regra.
Dessa forma, após a análise do caso concreto, uma norma determinada (podendo ser regra ou 
princípio) mesmo que abstratamente válida do ponto de vista constitucional (plano da validez), poderá 
não ser aplicada da mesma forma que abstrata e inicialmente tenha sido prevista (plano da aplicação).
#EXEMPLIFICACOACH: No Recurso JEF nº 200535007164388 – TJ/GO, discutia-se o direito ao 
recebimento do benefício de prestação continuada (art. 20, §3º, da Lei Orgânica da Assistência Social – 
LOAS3). No caso concreto, foi utilizada a tese da derrotabilidade para afastar a regra geral do §3º (renda 
mensal per capita inferir a ¼ do salário mínimo), sob o fundamento de que a pessoa que buscava o 
amparo assistencial possuía comprovados gastos extraordinários com medicamentos.
QUESTÃO 19
Normas de eficácia contida possuem aplicabilidade imediata e, simultaneamente, uma regra 
de contenção.
GABARITO: “CERTO”.
3 Art. 20. (...) § 3º Considera-se incapaz de prover a manutenção da pessoa com deficiência ou idosa a família cuja renda 
mensal per capita seja inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo. (Redação dada pela Lei nº 12.435, de 2011)
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GABARITO COMENTADO 
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CERTO. 
Segundo José Afonso da Silva, as normas de eficácia contida ou de aplicabilidade imediata possuem 
regulamentação suficiente para a produção de efeitos concretos, mas, ao mesmo tempo, deixou margem 
à atuação restritiva por parte da competência discricionária do Poder Público, o que denominou tal 
restrição de “regras de contenção ou reserva de lei restritiva”. 
#CEREJADOBOLO¹: Geralmente as normas de eficácia contida possuem expressões “na forma da 
lei” ou “nos limites que a lei estabelecer”. Contudo, a ausência de tais expressões não significa 
necessariamente a presença de normas de outro tipo. A definição do tipo de norma depende de 
trabalho interpretativo. 
#CEREJADOBOLO²: A liberdade concedida ao legislador nas chamadas “regras de contenção” 
está limitada ao núcleo essencial dos direitos asseguradas na norma. Assim, o legislador não pode 
restringir, em desrespeito ao princípio da proporcionalidade o alcance da

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