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FRUTICULTURA SUBTROPICAL 
E TEMPERADA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Francelize Chiarotti 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Conhecer as características gerais que classificam as frutíferas como 
subtropicais proporciona ao profissional referências para tomadas de decisão, 
independentemente da região de atuação, uma vez poderá avaliar quais 
tecnologias e manejos poderão ser realizados e/ou adaptados para a frutífera 
em questão. 
A seguir, vamos entender a importância da fruticultura subtropical e de 
que forma podemos desenvolvê-la de forma assertiva, por meio de tomadas de 
decisão iniciais que serão cruciais para o planejamento e o sucesso da produção. 
Há uma grande variedade de frutíferas para as diferentes classificações 
segundo o clima. Por exemplo, no clima subtropical, citros, goiaba, abacate, 
caqui, jabuticaba, figo e lichia. 
TEMA 1 – FRUTÍFERAS DE CLIMA SUBTROPICAL 
As frutíferas de clima subtropical apresentam como características gerais: 
nem sempre apresentarem hábito caducifólio; mais de um surto de crescimento; 
menor resistência a baixas temperaturas; pouca necessidade de frio no período 
de inverno; necessidade de temperatura média anual de 15 a 22 °C. Exemplos: 
cítricas, abacateiro, caqui, jabuticaba, goiaba, figo e lichia. 
A seguir, vamos descrever características e manejos gerais de algumas 
frutíferas de clima subtropical que apresentam representatividade no setor em 
nível nacional. 
1.1 Caqui 
A cultura do caqui (Diospyros kaki) (Figura 1) tem importância em nível 
nacional, uma vez que é uma frutífera que se adapta bem a diferentes regiões. 
Apesar de seu principal destino ser o mercado in natura, em algumas regiões a 
industrialização vem ganhando espaço, com o preparo de caqui, passa ou 
desidratado, que pode ser comercializado por até 14 meses, além de possível 
elaboração de vinagre (Monteiro, 2022). 
 
 
 
3 
Figura 1 – Caqui 
 
Crédito: 360VP/Adobestock. 
No estado do Paraná, na Estação de Pesquisa em Agroecologia (CPRA) 
do IDR-PR, em Pinhais, são feitos experimentos há 15 anos, utilizando os 
secadores de plantas medicinais para o preparo do caqui desidratado (Figura 2). 
Essa atividade vem sendo desenvolvida como alternativa para a diversificação 
do produto, que mantém suas qualidades de cor e sabor, como o damasco seco, 
garantindo ainda aumento do tempo de prateleira, o que é muito atrativo para os 
produtores, já que podem comercializar por mais tempo, além de poder utilizar, 
por exemplo, frutos com manchas de antracnose, pois essas são retiradas e o 
restante do fruto pode ser utilizado sem qualquer risco para a saúde do 
consumidor (Monteiro, 2022). 
Figura 2 – Caqui desidratado 
 
Crédito: KURGU128/Adobestock. 
 
 
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As plantas entram em produção no terceiro ano. Quando o processo é 
bem conduzido e manejado, podem produzir de 100 a 150kg de frutos por planta 
por ano. A produção do caqui se concentra nos meses de fevereiro a julho. Abril 
e maio são os meses de pico. Quando a cultivar é do tipo taninoso e variável, é 
necessário passar pela destanizarão para que possa chegar ao consumidor final 
(Lopes et al., 2014). 
1.2 Jabuticaba 
Tipicamente brasileira, a jabuticaba (Figura 3) é nativa da Mata Atlântica 
e se adapta muito bem em diversas regiões. Portanto, pode ser cultivada em 
todo o país. 
Figura 3 – Jabuticabeira 
 
Crédito: ChaoShu Li/Stocksy/Adobestock. 
Essa frutífera pertence à família das mirtáceas, sendo classificada 
botanicamente como Myrciaria cauliflora. Apresenta algumas sinonímias, como 
Myrthus cauliflora, Eugenia cauliflora e vários nomes populares, dentre eles: 
jabuticaba, jabuticabeira, jaboticaba, jabuticabeira-preta, jabuticabeira-rajada, 
jabuticabeira-rósea e jabuticabeira vermelho-branca. É a frutífera mais cultivada 
em pomares domésticos em todo o país (Siqueira, 2016). 
Seu fruto é muito conhecido pela característica da casca de cor negra e 
brilhante, que cresce no tronco e nos ramos das plantas. Também é muito 
saborosa, e seu principal consumo é in natura. Pode ainda ser processado e 
consumido como doces, geleias, compotas, licores etc. Por ser uma planta muito 
bonita, pode também ser utilizada com objetivo ornamental. A sua madeira é 
 
 
5 
moderadamente pesada, compacta, elástica, dura e de longa durabilidade 
quando bem cuidada. Logo, é utilizada na fabricação de tábuas, móveis, 
construção civil e para lenha. Apresenta propriedades adstringentes e o 
cozimento das cascas é utilizado como chá para diarreias, disenterias também 
para gargarejos contra inflamações crônicas das amídalas (Souza et al., 2022). 
É conhecida pelos índios tupis por Iapoti’kaba, que significa “fruta em 
botão”, há mais de quatro séculos. Sua exploração comercial ocorre 
principalmente nos estados de Goiás, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e 
Espírito Santo. O estado de Goiás se destaca como maior produtor nacional de 
jabuticabas, sendo o município de Hidrolândia o maior representante (Souza et 
al., 2022). 
De acordo com dados levantados em 2022, a cultura da jabuticaba 
ocupava uma área de 104 hectares no estado do Paraná, resultando em uma 
produção total de 1,3 mil toneladas da fruta. O valor bruto de produção alcançou 
R$ 4,4 milhões. No ranking de 36 frutas pesquisadas, a jabuticaba ocupou a 26ª 
posição em termos de produção. As regiões de Cascavel, Curitiba e Francisco 
Beltrão são as principais produtoras de jabuticaba no Paraná. O município de 
Adrianópolis, na região metropolitana de Curitiba, liderou a produção, seguido 
por outras 87 cidades. Em 2022, segundo as Centrais de Abastecimento do 
Paraná (Ceasas/PR), foram comercializadas um total de 70,8 mil toneladas de 
jabuticaba, com uma movimentação financeira de R$ 386,3 mil (Souza et al., 
2022). 
 
1.3 Figo 
A figueira (Ficus carica) (Figura 4) é uma das espécies cultivadas mais 
antigas. Sua evolução do estado selvagem para o doméstico remonta aos 
primórdios da civilização. Pertence à família das Moraceas. O gênero Ficus 
abrange cerca de 1000 espécies, sendo a maioria apenas para a jardinagem 
(Medeiros, 2002). 
No Brasil, sua introdução ocorreu na primeira expedição colonizadora de 
Martim Afonso de Souza, em 1532. No fim do século XX, imigrantes italianos que 
vieram para cá trouxeram diversas variedades de figueira (Medeiros, 2002). 
 
 
 
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Figura 4 – Figueira 
 
Crédito: vikakurylo8/Adobestock. 
1.4 Lichia 
A lichieira (Litchi chinensis) (Figura 5) é originária da região sul da China 
e foi introduzida no Brasil em 1810. É cultivada principalmente na região 
Sudeste, no Brasil, pois foi onde melhor se adaptou, mas também está 
distribuída em várias outras regiões do país. 
Figura 5 – Lichieira 
 
Crédito: Kate Mayer/Adobestock. 
É conhecida por lichia, uma drupa com formato ovalado ou arredondado 
com uma casca coriácea de cor vermelha que envolve a semente e a polpa ou 
arilo. É rica em vitamina C, potássio, cálcio, fósforo e ferro e proteína. Apesar do 
aumento na demanda pelo consumidor, ainda há pouco investimento em 
tecnologias associadas com manejo, técnicas de colheita e pós-colheita. Apesar 
do grande potencial como alternativa de diversificação de renda para os 
 
 
7 
produtores, do alto valor do produto e do aumento na demanda por frutas 
exóticas no mercado nacional, ainda são incipientes as informações e 
tecnologias associadas a manejos de campo, técnicas de colheita e pós-colheita 
(Santos et al., 2021). 
TEMA 2 – MANEJOS CULTURAIS 
No geral, os preparos de solo para as diferentes frutíferas englobam 
limpeza da área, subsolagem, gradagem, abertura de sulcos ou berços, correção 
de pH e adubação, de acordo com análise do solo e da frutífera a ser implantada. 
Para as frutíferas de clima temperado, as podas utilizadas são a de 
formação e de limpeza e/ou manutenção, com alguma poda de produção, além 
de desbrotas e desfolhas para melhorar a aeraçãoentre ramos e aumentar a 
incidência de luz solar, o que vai afetar diretamente a qualidade final do fruto. 
Além disso, cada cultura poderá demandar manejos específicos. Dessa forma, 
é de suma importância averiguar o que há de mais atualizado no 
desenvolvimento de tecnologias para a cultura escolhida. 
2.1 Caqui 
O caqui é uma baga com formato e tamanho variável, desde forma 
arredondada até quadrangular, globosa e achatada, de acordo com a cultivar. 
Os frutos podem atingir 500 g, porém, a média fica entre 250 e 350 g. Alguns 
caquizeiros podem realizar partenocarpia, enquanto os polinizados poderão 
conter até 8 sementes (Monteiro, 2022). 
Dentre as características do fruto, a presença de tanino, que varia entre 
as cultivares, culmina na seguinte classificação (Monteiro, 2022): 
• Caquis taninosos: com polpa amarela e sempre taninoso, precisam 
passar pelo processo de destanização para que possa ser consumido. 
Como exemplos de cultivares, temos Kakimel, Taubaté, Coração de boi e 
Pomelo. 
• Caqui doces: polpa amarela e sempre doces, sem adstringência, 
independentemente de ter sementes. São conhecidos também como 
caqui duros, por causa da polpa firme. Como exemplos, temos Fuyu, 
Fuyuhana e Jirô. 
 
 
8 
• Caquis variáveis: a polpa pode ser escura (café ou chocolate) e não 
adstringente quando há sementes, ou polpa amarela e taninosa quando 
não apresentam sementes. Exemplos de cultivares: Rama-Forte, Giombo 
e Kioto. 
Como ocorre com outras cultivares, para a implantação do pomar é muito 
importante estar atendo às características ideais para o desenvolvimento das 
plantas. Local com ótima exposição solar e abrigado de ventos fortes, sem 
tolerância para solos ácidos; plantio entre junho e julho ou dezembro e janeiro; 
atenção a cultivares que precisam de polinização cruzada (Monteiro, 2022). 
Apesar de seu desenvolvimento “lento”, as plantas, nas regiões Sul e 
Sudeste, irão iniciar a frutificação a partir do 3º ano de idade, e em sequência a 
produção vai aumentando progressivamente, até alcançar 10-15 anos de idade, 
quando ocorre teoricamente a estabilização da produção. Um pomar adulto pode 
alcançar 15 t/ha a 35 t/ha (Monteiro, 2022). 
As podas utilizadas no caquizeiro são: poda de formação, manutenção e 
produção. A poda de formação é realizada de forma a deixar a planta com 3 ou 
4 ramos para formar o formato de taça; a poda de manutenção elimina ramos 
doentes e em excessos (Figura 6); e a poda de produção é feita quando as 
plantas já estão prontas para a fase produtiva, com retirada do excesso de 
ramos, mantendo os mais vigorosos. Além disso, são feitas desbrotas, retirando 
ramos ladrões e excessos. Quando necessário, pode-se realizar cianamida 
hidrogenada a 1% e óleo mineral a 2% para indução de brotações (Monteiro, 
2022). 
Figura 6 – Poda de manutenção, retirada de ramos doentes e/ou quebrados 
 
Crédito: carbondale/Adobestock. 
 
 
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Dentre as cultivares, temos as que exigem menor acúmulo de horas de 
frio (até 200 horas, mas vão bem até 100 horas, como a Taubaté, Rama-forte e 
Giombo) e as de maior exigência (até 600 horas, mas vão bem com 300 horas, 
como a Fuyu, Jirô, Kakimel e Kioto) (Monteiro, 2022). 
Em relação ao espaçamento para a taninosa Sibugaki, de polpa cor 
amarela e taninosa (variedades Taubaté, Pomelo, Rubi e Kakimel), utiliza-se 8 x 
7 m, 7 m x 7 m, 7 x 6 m. Para a Amagaki, doce de polpa sempre não taninosa e 
polpa amarela (variedades Fuyu, Jiro e Fuyuhana), e para a variável, polpa 
taninosa e cor amarela (sem semente), não taninosa, parcial ou totalmente (com 
semente a polpa vai apresentar cor mais escura), variedade Rama forte, Giombo, 
Kaoru e Kioto, utilizando espaçamento de 7 m x 6 m, 6 m x 6 m, 6 m x 5 m 
(Monteiro, 2022). 
Para o preparo do solo e a adubação, é essencial realizar amostragem e 
análise de solo, para que possa ser realizada a correção com recomendação 
correta para que o solo esteja apto a receber e nutrir as plantas (Monteiro, 2022). 
2.2 Jabuticaba 
Apesar de ser uma planta subtropical, também é adaptada ao clima 
tropical e ainda tolera geadas não intensas. Tem ótimo desenvolvimento em 
solos férteis, profundos e com excelente suprimento de água durante todo o ano, 
principalmente nas fases de floração e frutificação (Siqueira, 2016). 
Geralmente, floresce duas vezes ao ano, nos meses de julho e agosto e 
novembro e dezembro, com amadurecimento dos frutos nos meses de agosto e 
setembro e janeiro e fevereiro, respectivamente (Siqueira, 2016). 
Em relação à propagação, a planta pode ser obtida pelo plantio da 
semente, porém a primeira produção depende de várias condições, podendo 
acontecer após 8 a 12 anos do plantio. Por essa razão, opta-se por realizar 
propagação vegetativa, como mergulhia, estaquia e enxertia. Para tanto, utiliza-
se na enxertia a garfagem de topo em fenda cheia, que garante em torno de 75% 
de pegamento, antecipando o período produtivo para 3º ou 4º ano do plantio a 
campo (Siqueira, 2016). 
Quanto ao tipo de solo, a jabuticabeira prefere solos sílico-argilosos, ricos 
em matéria orgânica, profundos, com boa drenagem e pH de 6,5 a 7. O plantio 
deve ser feito sempre em épocas de início de chuvas e em altitudes menores de 
600 m. 
 
 
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Temperatura ideal na faixa de 18 a 35 °C. A planta não gosta de 
temperaturas mais baixas que 12 °C, nem geadas fortes, pois esses fatores 
retardam o seu desenvolvimento. O espaçamento utilizado é de 6 a 7 metros 
entre plantas e 8 a 10 metros entre linhas (Siqueira, 2016). 
2.3 Figo 
Apesar da aparência, o figo não é um fruto e sim um sicônio, ou seja, uma 
infrutescência, na qual as flores ou frutos individuais crescem justapostos. Os 
verdadeiros frutos das figueiras são os aquênios, que são formados pelo 
desenvolvimento dos ovários (Medeiros, 2002). 
De acordo com clima, cultivar e sistema de cultivo, a figueira pode produzir 
mais de uma vez no ano. No Brasil, a cultivar mais produzida é a Roxo de 
Valinhos, também conhecida como Browm Turkey, San Piero e Negro largo. 
Essa cultivar é explorada apenas com os figos produzidos nos ramos do ano, 
por meio de podas drásticas (Medeiros, 2002). 
Existem quatro tipos pomológicos de Ficus carica: Caprifigo e Smirna, que 
necessitam de polinização para desenvolver os frutos; e os tipos Comum e São 
Pedro Branco, em que a fixação e o desenvolvimento dos frutos ocorrem 
partenocarpicamente, sendo a maior parte das cultivares produzidas, inclusive a 
cultivar Roxo de Valinhos. Portanto, não é necessário polinização (Medeiros, 
2002). 
A figueira tolera temperaturas de 25ºC a 42ºC, sendo que temperaturas 
de 40ºC, durante o período de amadurecimento dos frutos, antecipam a 
maturação, com alteração na consistência da casca do fruto. 
A poda de formação é essencial para dar formato e equilíbrio à planta, 
que deve ficar em formato de taça. A poda de frutificação ou produção deve ser 
realizada de forma a evitar geadas tardias, sendo geralmente realizada no mês 
de agosto, deixando 2 a 3 gemas, de onde sairão os ramos do ano de produção 
(Caetano, 2012). 
A colheita vai variar de acordo com as condições climáticas, mas 
geralmente ocorre 4 a 5 meses após a poda de frutificação. Quando o objetivo 
de produção é figo de mesa, o produtor pode realizar um desponte nos meses 
de janeiro e fevereiro, e colher os figos verdes para a indústria a partir das novas 
brotações que irão se formar (Medeiros, 2002). 
 
 
11 
Apesar de possuir grande capacidade de adaptação aos mais diversos 
tipos de solo, a figueira reage a falta de água no solo soltando suas folhas, o que 
ocasiona perda de frutos e dos que permanecem na planta e perda da qualidade 
dos frutos. Desta forma, solos com boa capacidade de retenção de água, bem 
drenados e profundos são os ideais (Medeiros, 2002). 
Para o plantio, deve-se realizar análise de solo e as correções de pH para 
6,0 e adubações necessárias.Os berços devem ter dimensões de 0,5 x 0,5 x 0,5 
m. Os espaçamentos indicados são de 3,0 x 1,5 m (2.222 plantas/ha), 2,5 x 2,5 
m (1.600 plantas/ha) ou 3,0 x 2,0 m (1.666 plantas/ha), sendo o último o mais 
utilizado (Caetano 2012). 
A cultivar Roxo de Valinhos é do tipo comum, de grande valor econômico, 
caracterizando-se por rusticidade, vigor e produtividade. É a que melhor se 
adaptou ao sistema de poda drástica. Os figos desta cultivar, quando maduros, 
são de coloração roxo-violácea escura, alcançando cerca de 7,5 cm de 
comprimento, pesando, normalmente, entre 60 e 90 gramas. São considerados 
grandes, periformes, alongados, com pedúnculo curto. A polpa é de coloração 
róseo avermelhada apresentando cavidade central. A cultivar Pingo de Mel é 
vigorosa e produtiva, os frutos são de tamanho pequeno a médio, piriformes, 
com pedúnculo médio, ostíolo de tamanho médio e fechado, coloração amarelo-
esverdeada, polpa de coloração âmbar e sem cavidade, e o sabor é doce. Tem 
menor importância econômica no Brasil (Caetano 2012). 
Em anos favoráveis, pode-se obter produções médias de 13,5 kg/planta 
de figos verdes, com variações de 11,6 kg a 16,3 kg por planta com cinco anos. 
As produções de figos maduros variaram de 19,45 kg a 31,25 kg por planta, com 
média de 23,1 kg. Considerando-se um pomar com 700 plantas por hectare, as 
produções médias de figos verdes aproximam-se de 9,5 t por hectare, e a de 
figos maduros ultrapassam 16 t por hectare (Caetano 2012). 
2.4 Lichia 
É uma frutífera que exige climas quente e úmido para se desenvolver e 
clima frio e seco no inverno para seu florescimento. Pode atingir 15 m de altura. 
Em cultivos comerciais, a produtividade média pode chegar a 300kg/planta/ano 
(Martins et al., 2001). 
Sua propagação via semente não é recomendada, uma vez que as 
sementes perdem o poder germinativo muito rápido e a produção dos frutos inicia 
 
 
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em torno de dez anos após o plantio, além da desuniformidade das plantas e da 
alta variabilidade genética no pomar. Portanto, a propagação vegetativa é a mais 
utilizada por enxertia. A produção tem início entre o 3º e 5º ano após a 
implantação das mudas (Martins et al., 2001). 
Para os manejos iniciais de solo, é primordial realizar análise física e 
química. As adubações devem ser realizadas conforme os resultados da análise 
e as recomendações para a cultura. Recomenda-se elevar a saturação de bases 
a 70% (Martins et al., 2001). 
O plantio pode ser realizado durante o ano todo. No entanto, como 
acontece com as outras frutíferas, o ideal é que seja feito em épocas de início 
de estação chuvosa, com berços de 60 x 60 x 60 cm previamente adubados, 
mantendo a irrigação, se necessário, até o pegamento da muda. O espaçamento 
recomendado entre plantas é de 12 x 12 m. As mudas utilizadas para a formação 
do pomar devem atender os critérios de qualidade e fitossanidade, sendo 
preferencialmente adquiridas de viveiros licenciados (Martins et al., 2001). 
Para o florescimento, o ideal são temperaturas de 16 a 22ºC. Para o 
crescimento do fruto, temperaturas entre 24 e 28ºC, com precipitação regular, 
elevada insolação e umidade relativa (Martins et al., 2001). 
Na poda de formação, é essencial manter uma haste principal de até 50 
cm do solo, deixando 3-4 ramos fortes, espaçados, que serão os ramos 
principais. As podas de manutenção são de suma importância para a lichieira, 
de forma a permitir a entrada de luz na parte interna da planta e mantê-la arejada, 
sendo indicadas duas podas durante o ciclo produtivo, entre os meses de 
setembro a janeiro, poda de produção ou frutificação. Na época da colheita, 
juntamente com o cacho, retira-se uma parte do ramo de cerca de 20 cm, o que 
irá auxiliar em aumento da brotação de ramos, que poderão produzir na próxima 
safra (Martins et al., 2001). 
Cultivares: Bengal (maturação precoce, moderado vigor, frutos 
cordiforme, 21 g, cor vermelho brilhante, polpa de boa qualidade), Brewster 
(maturação mais precoce que a Bengal, planta vigorosa e ereta, frutos elípticos, 
23 g, cor vermelho brilhante, polpa de qualidade aceitável, sabor ácido, exceto 
se bem madura), Mauritius (maturação precoce, muito vigorosa, copa aberta e 
sensível a ventos, frutos ovoides e cordiformes, 24 g, vermelhos mas um pouco 
escuro quando maduros, polpa de qualidade aceitável, muito produtiva, porém o 
fruto tem que ser colhido bem maduro), Sweet Cliff (mais comum na China, onde 
 
 
13 
é conhecida como Wai Chee, 17 g , ovalado e vermelho intenso, polpa é sucosa 
e doce, maturação tardia, folíolos pequenos, ovalados e ondulados, pouco vigor 
e frutificação regular), Groff (corresponde a variedade chinesa Souey Tung, fruto 
pequeno, 14 g, cordiforme e vermelho escuro, semente praticamente não existe, 
polpa doce e de excelente qualidade, vigor médio e apresenta frutificação 
irregular) e Americana (produção uniforme por toda árvore, sem formação de 
cachos o que dificulta a colheita e diminui a produção, com casca menos rugosa, 
sabor mais adocicado e um caroço bem pequeno, o que a torna mais agradável) 
(Martins et al., 2001). 
Rendimento médio de 45 kg/planta de frutos aos sete anos, 70 kg/planta aos 12 
anos e cerca de 150 kg/planta aos 20 anos. Como ocorre alternância de 
produção, os rendimentos em nível mundial raramente ultrapassam 5 a 10 t/ha 
(Martins et al., 2001). 
TEMA 3 – DOENÇAS 
3.1 Caqui 
Dentre as doenças que causam prejuízos significativos, estão: 
cercosporiose (Cercospora Kaki), antracnose (Colletotrichum horii), mofo 
cinzento (Botrytis cinerea), pestalozia (Pestalotiopsis spp.), queima-dos-fios 
(Cerotobasidium sp.) e galha da coroa (Agrobacterium tumefaciens). A 
cercosporiose e a antracnose são as mais importantes (Tecchio et al., 2019). 
A cercosporiose é causada por um fungo e pela condição ambiental de 
elevada umidade relativa e temperaturas amenas, sendo disseminada pelo vento 
e pela água. As cultivares mais resistentes são Taubaté e Trakoukaki, enquanto 
a Rama Forte e o Guiombo são moderadamente suscetíveis e o Fuyu é 
suscetível. Como controle, recomenda-se tratamento de inverno, com aplicação 
de calda sulfocálcica em proporção 1:9, apresentando eficiência na diminuição 
das estruturas de resistência do fungo. Também há outros produtos que sejam 
liberados para a cultura na região que está sendo produzida. Por exemplo, os 
principais ingredientes ativos/produtos para o controle da estrobilurina + triazol, 
ou triazol (Tecchio et al., 2019). 
 A antracnose também é causada por um fungo que se desenvolve em 
condições de alta umidade relativa e temperaturas entre 10 e 36 °C. Pode ser 
disseminada por insetos e água, e afeta folhas, ramos e frutos, com danos como 
 
 
14 
desfolha, podridão, queda dos frutos e perda do produto comercial. Nos frutos 
afetados, ocorre maturação precoce, rachaduras, amolecimento da polpa e 
queda acentuada. Como controle, estão medidas preventivas como tratamento 
de inverno com calda sulfocálcica no período de dormência; eliminação de restos 
culturais; podar ramos secos, fracos e doentes, para garantir melhor arejamento 
e insolação das árvores; realização de poda verde em dezembro/janeiro; uso de 
calda bordalesa durante o desenvolvimento dos frutos; desinfestação das 
ferramentas; catação dos frutos com sintomas da doença; implantação do pomar 
em locais de maior altitude, evitando baixadas úmidas (Tecchio et al., 2019). 
A variedade Giombo é muito suscetível à doença, sendo praticamente 
extinta no Paraná, enquanto a Rama Forte e Fuyu são pouco suscetíveis. 
Atualmente, existem alguns produtos registrados no Ministério da Agricultura, 
Pecuária e Abastecimento (Mapa), sendo os princípios ativos utilizados para 
controle de oxicloreto de cobre e sulfato de cobre (Tecchio et al., 2019). 
3.2 Jabuticaba 
Os problemas fitossanitários são esporádicos, sendo as doenças mais 
importantes a podridão de raízes (Rosellinia sp.),com ocorrência em pomares 
mais velhos (no entanto, não há tratamento efetivo para esta doença, levando à 
morte), e a ferrugem (Puccinia psidii), considerada a principal doença da cultura. 
A ferrugem ataca as folhas, as flores, os frutos e os ramos da 
jabuticabeira. Pode ser identificada quando são verificadas manchas circulares 
necrosadas, além de uma espécie de pó com coloração amarela bem forte. 
Ocorre em épocas quentes e chuvosas, atacando os frutos. O controle é feito 
por meio de pulverizações com defensivos cúpricos, além de arejamento do 
pomar através de plantios com maiores espaçamentos e podas de ramos para 
permitir maior iluminação das plantas (Siqueira, 2016). 
3.3 Figo 
Ferrugem da figueira (Cerotelium fici), é a principal doença da figueira. As 
folhas atacadas amarelecem e caem prematuramente, enfraquecendo a planta. 
Ocorre redução do tamanho dos frutos e da produção. O controle pode ser 
realizado de modo preventivo, com fungicidas cúpricos e calda bordalesa, e em 
situações mais críticas com produtos sistêmicos, como tebuconazole e 
 
 
15 
azoxistrobina. Importante respeitar o intervalo entre aplicações e dosagem, pois 
o uso inadequado do produto pode causar fitotoxidez a figueira. Os sintomas 
iniciais de fitotoxidez são manchas cloróticas nas folhas, que podem resultar em 
enfezamento das plantas, que paralisam o desenvolvimento e não mais se 
recuperam (Medeiros, 2002). 
A antracnose (Colletotrichum gloeosporioides) afeta principalmente as 
folhas e os frutos da figueira. Nas folhas, ocorrem lesões necróticas, de forma 
irregular, que podem tomar grande parte do limbo foliar. Nos frutos, surgem 
manchas circulares e deprimidas, levando ao apodrecimento do fruto. Os 
produtos usados no controle da ferrugem controlam a antracnose de forma 
indireta (Medeiros, 2002). 
Os fitonematoides que parasitam a figueira no Brasil e no mundo, as 
espécies do gênero Meloidogyne, conhecidas como nematoides das 
galhas, são as que podem causar os maiores prejuízos. Os sintomas 
reflexos do parasitismo do sistema radicular são plantas raquíticas, 
com ramos finos e com redução da produção a cada safra. A correta 
diagnose é possível com a visualização do sistema radicular, que, no 
caso do gênero Meloidogyne, deverá apresentar raízes com muitas 
galhas e necrosadas. A disseminação de nematoides é feita por meio 
de solo contaminado, muda infestada, implementos agrícolas e 
enxurrada. Entre as medidas de controle, a prevenção é a mais 
eficiente, uma vez que inexistem genótipos resistentes disponíveis, e 
no Brasil, a utilização de nematicidas para o controle de nematoides na 
cultura da figueira, seja em pomares afetados, seja para a erradicação 
em mudas, é proibida pela falta de produtos registrados para este fim 
no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além 
de serem medidas onerosas e pouco eficientes. Diante disso deve-se 
utilizar mudas produzidas através do enraizamento em substrato 
artificial das estacas dos ramos e evitar o plantio em solos arenosos, 
que permitem a disseminação mais rápida do nematoide, e com 
histórico de cultivo de espécies suscetíveis, como quiabo e alface. Em 
pomares contaminados, o manejo diferenciado com fertilizações 
constantes e adição de matéria orgânica pode prolongar a vida 
produtiva das plantas parasitadas; entretanto, gradativamente, o 
pomar entra em declínio (Medeiros, 2002). 
3.4 Lichia 
Apesar de praticamente não enfrentar problemas com doenças, ainda 
assim existem alguns patógenos que podem causar danos na cultura da Lichia, 
como (Martins et al., 2001): 
• Mancha de algas (Cephaleuros virescens): manchas nas folhas, de 
aparência circular e de coloração verde acinzentada e proeminentes; 
folhas secam, partem-se e caem. Controle por pulverização com cúpricos. 
 
 
16 
• Antracnose (Colletotrichum gloeosporiodes): incide em folhas e frutos, 
com lesões irregulares e morte do tecido. Plantas estressadas por pragas 
podem apresentar suscetibilidade maior à incidência da doença. Controle 
realizado com base no executado em outras frutíferas. 
• Seca (Diplodia, Leptosphaeria, Phomopsis spp.): os ramos mostram sinal 
de declínio e morrem. É mais comum em plantas que tiveram danos por 
frio ou outros fatores climáticos, ou em plantas com baixo vigor. Controle 
por meio de poda dos ramos que manifestam a doença, cerca de 20 cm 
abaixo da região que mostra sintomas. 
• Podridão da raiz (Armillaria tabescens): instala-se no sistema radicular, 
impedindo o transporte de água e nutrientes para a copa e ocasionando 
a morte da planta. Na parte aérea, nota-se o declínio de toda ela ou de 
alguns ramos. Controle cultural, evitando o plantio em áreas recém-
desmatadas ou em áreas em que a doença já foi observada. 
TEMA 4 – PRAGAS 
4.1 Caqui 
As pragas que ocorrem na cultura do caqui são: lagarta-dos-frutos 
(Hypocala andremona), tripes (Heliothrips haemorrhoidalis), cochonilhas 
(Pseudococcus spp.), ácaro rajado (Tetranychus urticae) e mosca-das-frutas 
(Anastrepha spp e Ceratitis capitata). 
• Lagarta-dos-frutos: ataque em frutos jovens e pequenos, causando lesão 
na casca entre a junção do fruto com o cálice. Surge uma cicatriz anelar 
na casca, que pode ser entrada de fungos. A cultivar Fuyu apresenta uma 
cavidade na qual pode abrigar a lagarta. 
• Tripes: por ser de tamanho muito pequeno, consegue se abrigar 
facilmente no cálice dos frutos. Raspa a epiderme para se alimentar, 
formando uma mancha prateada que pode depreciar os frutos. O controle 
deve ser realizado durante o florescimento e início da frutificação. 
• Cochonilhas: sugam os frutos para se alimentar. Como consequência, 
ocorre a formação de uma mancha escura, depreciando o fruto e 
impedindo a exportação. Na cultivar Fuyu, é necessário realizar inspeções 
rigorosas. 
 
 
17 
• Ácaros: pode causar queda prematura dos frutos. A cultivar Fuyu é muito 
sensível a essa praga. 
• Mosca-das-frutas: Ceratitis capitata (Figura 7) e Anastrepha spp., praga 
secundária. Quando colhidos no ponto certo de maturação, dificilmente 
são atacados. Os frutos atacados normalmente são os maduros, e já não 
apresentam valor comercial. 
Por haver poucos produtos registrados para a cultura do caquizeiro, 
técnicas alternativas, como ensacamento dos frutos, monitoramento e uso de 
armadilhas (Figuras 8 e 9), são essenciais para a produção. Como ingredientes 
ativos liberados, temos o neonicotinoide + éter difenílico para mosca-das-frutas 
e o cetoenol para o ácaro rajado. Dentre as técnicas alternativas, há o 
ensacamento dos frutos (Tecchio et al., 2019). 
Figura 7 – Mosca das frutas (Ceratitis capitata) 
 
Crédito: Danut Vieru/Adobestock. 
Figura 8 – Exemplo de armadilha de monitoramento e controle massal de mosca 
das frutas 
 
Crédito: Laura Primo/Adobestock. 
 
 
18 
Figura 9 – Exemplo de armadilha de monitoramento e controle massal de mosca 
das frutas feita com garrafa PET 
 
Crédito: Laura Primo/Adobestock. 
4.2 Jabuticaba 
Não há pragas, ou seja, não há relatos de insetos que causem danos em 
nível econômico com notoriedade suficiente para que sejam considerados 
pragas. 
Dessa forma, é de extrema importância alertar aos produtores que 
qualquer mudança, observação de sinais ou sintomas percebidos em campo 
devem ser relatados a técnicos, agrônomos e institutos de pesquisa logo no 
início, para que haja tempo de iniciar estudos e encontrar manejos antes que a 
situação se torne um grave problema. 
4.3 Figo 
Uma das pragas é a broca-da-figueira (Azochis gripusalis), cujo adulto é 
uma mariposa. A fêmea faz a postura dos ovos sobre os ramos ou na base do 
pecíolo das folhas. As lagartas, à medida que se desenvolvem, broqueiam a 
parte lenhosa dos ramos da planta. As folhas e os frutos situados acima do ponto 
onde se encontra a broca murcham e seca. O controle cultural é feito com a poda 
e a queima dos ramos atacados e a destruição das larvas no interiordas galerias 
com um pedaço de arame. O uso de armadilhas luminosas com lâmpadas 
 
 
19 
florescentes também é um método utilizado. Inseticidas (defensivo agrícola) 
podem ser usados em caso de ataques severos da praga (Caetano, 2012). 
Já as coleobrocas (Coleobogaster cyanitarsis, Buprestidae e Marshallius 
bonelli) fazem galerias nos ramos mais grossos e no tronco da figueira. O 
controle deve ser preventivo, com inspeções periódicas do pomar. A destruição 
das larvas no interior das galerias com um pedaço de arame e o pincelamento 
ou pulverização do tronco após a poda de inverno com inseticida (defensivo 
agrícola) são medidas de controle. O pincelamento do tronco com pasta 
bordalesa também é importante, por conta do efeito cicatrizante das lesões 
(Caetano, 2012). 
Na pulga-da-figueira (Epitrix spp.), o adulto é um pequeno besouro de 
coloração marrom-escura, que mede de 1,5 a 2,0 mm de comprimento e 
apresenta um par de pernas do tipo saltatória, o que o faz saltar com facilidade 
quando perturbado – daí o nome de pulga. O prejuízo da praga deve-se ao 
ataque às brotações das gemas no viveiro de produção de mudas ou aos brotos 
surgidos após as podas. Os brotos atacados secam, prejudicando a formação 
de mudas ou de novos ramos produtivos. O controle deve ser feito quando do 
surgimento da praga com aplicação de inseticida (defensivo agrícola), a cada 
sete dias (Caetano, 2012). 
Mosca do figo (Zaprionus indianus) é uma praga muito importante na 
produção de figos de mesa (maduros). A mosca coloca os ovos no ostíolo. 
Bactérias e leveduras trazidas pelos adultos desenvolvem-se no fruto para a 
alimentação das larvas, provocando sua decomposição no sentido do ostíolo 
para o interior do fruto, tornando-o impróprio para consumo. A retirada de frutos 
em estado avançado de maturação do pomar é o principal método de manejo 
para reduzir a população da praga (Caetano, 2012). 
4.4 Lichia 
No caso da lichia, temos: 
O ácaro da lichia ou ácaro da erinose (Aceria litchii) é a principal praga 
que acomete a cultura. Este ácaro ataca as folhas da lichia, 
provocando enrugamento, bolhas e uma espécie de veludo de 
coloração marrom na face abaxial. Pode acatar as inflorescências e os 
frutos, prejudicando a qualidade dos frutos e produtividade. O controle 
deste ácaro pode ser realizado com a preservação de inimigos naturais 
como as espécies de ácaros predadores Phytoseius intermedius e 
Amblyseius herbicolus, por meio da manutenção da cobertura vegetal 
nas entrelinhas, com o ouso de plantas aromáticas que atraem 
 
 
20 
predadores e parasitoides. O controle químico pode ser realizado, 
porém no Brasil há apenas um produto formulado comercial registrado 
para a cultura da lichia no Ministério da Agriculta, Pecuária e 
Abastecimento (MAPA). (Santos, 2021) 
TEMA 5 – COLHEITA E PÓS-COLHEITA 
Para determinar o ponto de colheita, deve-se levar em consideração a 
distância e a que mercado se destina a fruta. Considera-se de maneira 
generalizada que os frutos devam ser colhidos mais imaturos quanto mais 
distante estiver o mercado consumidor, mas, de preferência, após atingir a 
maturidade fisiológica. Por sua vez, é a comercialização o canal que em seus 
vários níveis levará o produto até o consumidor, produto que terá o seu valor 
baseado no estado em que se encontrar, em relação ao aspecto e à qualidade. 
É devido às condições precárias de colheita, transporte e embalagens que a 
produção nacional sofre pesadas perdas. 
5.1 Caqui 
A maturação geralmente ocorre nos meses de fevereiro a maio, sendo 
este o período de maior oferta no mercado. A colheita vai variar também em 
função das condições climáticas, das variedades implantadas e dos tratos 
culturais empregados. Em regiões mais quentes, como o Submédio do Vale São 
Francisco a safra é mais precoce, e em regiões mais frias será mais tardia 
(Monteiro, 2022). 
A colheita é determinada de acordo com a coloração da casca, no geral, 
a partir do momento que a fruta perde a cor verde e começa a ter a tonalidade 
amarelo avermelhada que vai se acentuando de acordo com o estádio de 
maturação (Figura 10) (Monteiro, 2022). 
 
 
 
21 
Figura 10 – Caqui no ponto de colheita 
 
Crédito: Leckerstudio/Adobestock. 
No geral, as variedades do grupo doce e variável são colhidas com a 
coloração amarelo-esverdeada, já o grupo taninoso apresenta coloração 
vermelho-alaranjada (Monteiro, 2022). 
A mudança de cor está relacionada à degradação da clorofila (cor verde) 
e ao aumento do conteúdo de pigmentos carotenoides, como a-criptoxantina, 
zeaxantina e licopeno, variando variar de acordo com as variedades. 
Algumas variedades precisam passar pelo processo de destanização para 
que o consumidor possa consumir os frutos. Para tanto, podem ser utilizadas as 
seguintes técnicas: estufas ou câmaras de maturação; uso de acetileno (liberado 
a partir do carbureto de cálcio em contato com a água); monóxido de carbono 
(queima de serragem e o vapor de álcool ou etileno); e temperatura controlada 
e mantida entre 20 °C e 24 °C, por 4 ou 5 dias (Monteiro, 2022). 
5.3 Jabuticaba 
A jabuticaba ainda é considerada uma fruta de pomares, porém, sua 
comercialização vem crescendo a cada ano. Sua produção está concentrada nos 
meses de agosto a novembro, com destaque para o mês de setembro. Por ser 
altamente perecível, apresenta um período curto de comercialização. Dessa 
forma, vem aumentando o potencial de fabricação de licores e geleias (Suguino, 
2012). 
De acordo com a variedade, o ponto de maturação para a colheita varia, 
mas em geral é quando estão macias, porém firmes (Figura 11). A produtividade 
 
 
22 
depende dos manejos adotados, considerando os tratos culturais e o controle de 
doenças (Siqueira, 2016). 
Figura 11 – Jabuticabeira com frutos verdes e maduros para colheita 
 
Crédito: Elis Cora/Adobestock. 
5.4 Figo 
Os frutos da figueira podem ser colhidos tanto com finalidade de indústria, 
figos em calda e geleias, ou in natura. 
Quando o destino é conserva, os figos devem ser colhidos verdes, no 
ponto de vez (Figura 12), quando perdem a consistência firme e adquirem a 
coloração arroxeada. 
Figura 12 – Figos no ponto de vez 
 
 
 
23 
Crédito: brillianata/Adobestock. 
Já quando o destino é in natura (Figura 13), ou macerados para o fabrico 
de figada, devem ser colhidos completamente maduros, principalmente quando 
amadurecem em períodos chuvosos ou úmidos, pois são facilmente 
deterioráveis. Nesse estado de maturação, o figo fica totalmente inchado, 
começando a perder consistência, ao mesmo tempo em que há acentuação da 
coloração verde-amarelado para as cultivares brancas e roxo-bronzeado para as 
roxas (Caetano, 2012). 
Figura 13 – Figo maduros para consumo “in natura” 
 
Crédito: tammanoon/Adobestock. 
Quando amadurecem na árvore, os figos são de qualidade superior aos 
colhidos no ponto de maturação comercial. No entanto, há um problema ao 
aguardar a maturação completa na planta, pois os frutos acabam sendo 
atacados por pássaros (Figura 14). Para tanto, é necessário ensacar os frutos, 
utilizando fitas com alto brilho penduradas para espantar (Caetano, 2012). 
Figura 14 – Fruto atacado por pássaros 
 
Crédito: kobkik/Adobestock. 
 
 
24 
No primeiro ano, já se pode esperar produção, com uma expectativa de 
1200 a 1300 kg/ha. Com o passar dos anos, a produção vai aumentando, 
podendo alcançar 10t/ha de figos verdes e 20t/ha de figos maduros (Caetano, 
2012). 
Para a colheita, recomenda-se que o produtor utilize camisas de manga 
longas e luvas apropriadas para evitar irritações e queimaduras na pele 
ocasionadas pelo contato com as folhas e com o látex da figueira (Caetano, 
2012). 
Por serem muito sensíveis e perecíveis, o ideal é que, quando forem 
colhidos, os figos sejam enviados no mesmo dia para o mercado. O horário da 
manhã é o mais indicado para o momento da colheita, evitando-se desidrataçãoe tomando cuidados para evitar quedas e pancadas. As embalagens para 
depositar os frutos devem ser, de preferência, cestas ou caixas acolchoadas com 
palha, espuma ou algo similar (Caetano, 2012). 
O transporte e o armazenamento (se possível, do figo maduro) devem ser 
feitos com refrigeração a 0-4 °C e 85-90% de umidade relativa. Dessa forma, o 
figo pode ser armazenado por até 10 dias, mas deve ser comercializado um dia 
depois de ser colocado nas prateleiras para venda ao consumidor final. Já os 
figos verdes são comercializados em caixas plásticas ou de madeira, ou ainda 
em sacos. Normalmente, não se usa refrigeração, porém os figos ficam 
conservados por mais tempo quando armazenados em temperatura baixa 
(Caetano, 2012). 
 
 
5.5 Lichia 
A lichia é um fruto não climatérico, então, a colheita no momento correto 
é de extrema importância para garantir a qualidade final. 
A colheita deve ser realizada quando o fruto está totalmente maduro 
(Figura 15), 3 a 5 meses após o florescimento. Por ser feita de forma manual, é 
importante que as ferramentas estejam higienizadas e afiadas para fazer os 
cortes (Martins et al., 2001). 
 
 
 
25 
Figura 15 – Frutos maduros de lichia 
 
Crédito: ardanz/Adobestock. 
A produtividade pode atingir de 150 a 200 kg/planta, entretanto, no Brasil 
a média anual está entre 40 e 50 kg/planta (Martins et al., 2001). 
Após a colheita, os frutos devem ser acondicionados em embalagens 
plásticas e cobertos com membranas semipermeáveis para reduzir a 
desidratação. As caixas podem ser de papelão e com peso máximo de 0,5kg 
(Martins et al., 2001). 
Para reduzir o escurecimento dos frutos, no pós-colheita realiza-se 
imersão em ácido ascórbico, cítrico e lecitina, em ambiente a 28°C, por 20 
minutos. 
A vida pós-colheita em temperatura ambiente é de 3 dias. Em 
armazenamento refrigerado, pode durar até 5 semanas. A vida de prateleira com 
uso de embalagens plásticas a 25 ºC é de 7 dias. Caso a temperatura abaixe 
para 5 ºC, esse tempo aumenta para 4 ou 5 semanas (Martins et al., 2001). 
FINALIZANDO 
 Dada a importância dessas frutíferas, cabe ao profissional da área da 
fruticultura qualificar-se em termos de implantação, manejo e comercialização 
dos frutos obtidos do cultivo. 
Importante ressaltar que os pomares devem ser formados a partir de 
variedades bem definidas, portadoras de características agronômicas e 
tecnológicas adequadas à finalidade a que se destinam. 
 
 
 
 
26 
REFERÊNCIAS 
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. Acesso em: 26 jun. 2024. 
LOPES, P. R. C. et al. Cultivo do Caquizeiro no Vale do São Francisco. Circular 
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Acesso em: 26 jun. 2024. 
MARTINS, A. B. G. et al. Lichieira (Litchi chinensis Sonn). Jaboticabal: 
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MEDEIROS, A. R. M. Figueira (Ficus carica l.) do Plantio ao Processamento 
Caseiro. Circular Técnica Emprapa, n. 35, dez. 2002. Disponível em: 
 
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MONTEIRO, R. Caqui desidratado é alternativa para produtor aumentar ganho 
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Fruticultura, 15 fev. 2022. Disponível em: 
. Acesso em: 26 jun. 2024. 
SANTOS, K. P. et al. Cultivo de lichia. Revista Agronomia Brasileira, v. 5, 2021. 
Disponível em: 
. Acesso em: 26 jun. 2024. 
SIQUEIRA, D. L. Como acabar com o fungo da jabuticabeira. Portal 
Agropecuário, 2016. Disponível em: 
. Acesso em: 26 jun. 2024. 
SOUZA, A. B. et al. Importância Social e Econômica da Jabuticaba para o 
município de Hidrolândia. Emater-GO, 2022. Disponível em: 
 
 
27 
. Acesso em: 26 jun. 2024. 
SUGUINO, B. et al. A cultura da jabuticabeira. Pesquisa & Tecnologia, v. 9, n. 
1, jan.-jun. 2012. 
TECCHIO, M. A. et al. Pragas e doenças: ameaça ao caquizeiro. Revista 
Campo e Negócios, maio 2019. Disponível em: 
. Acesso em: 26 jun. 2024.

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