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Rev. Latino-Am. Enfermagem
2021;29:e3479
DOI: 10.1590/1518-8345.4722.3479
www.eerp.usp.br/rlae
1 Hospital Nossa Senhora da Conceição, Centro de Terapia
Intensiva, Porto Alegre, RS, Brasil.
2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Escola de
Enfermagem, Porto Alegre, RS, Brasil.
3 Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Emergência, Porto
Alegre, RS, Brasil.
Desempenho de escores na predição de desfechos clínicos em pacientes
admitidos a partir de emergência
Luana Matuella Figueira da Silva1
https://orcid.org/0000-0003-2620-9382
Luciano Passamini Diogo2
https://orcid.org/0000-0001-6304-2767
Letícia Becker Vieira3
https://orcid.org/0000-0001-5850-7814
Fabiano Da Costa Michielin3
https://orcid.org/0000-0003-1731-0008
Michelle Dornelles Santarem2
https://orcid.org/0000-0002-7046-7007
Maria Luiza Paz Machado2
https://orcid.org/0000-0002-2213-7871
Objetivo: avaliar o desempenho dos escores quickSOFA e
6tQGURPH�GD�5HVSRVWD�,QÀDPDWyULD�6LVWrPLFD�FRPR�IDWRUHV�
preditores de desfechos clínicos em pacientes admitidos em
um serviço de emergência. Método: coorte retrospectiva,
envolvendo pacientes adultos clínicos admitidos em serviço de
emergência. A análise da curva ROC foi realizada para a avaliação
GRV�tQGLFHV�SURJQyVWLFRV�HQWUH�HVFRUHV�H�GHVIHFKRV�GH�LQWHUHVVH��
Análise multivariável utilizou regressão de Poisson com variância
robusta avaliando a relação entre as variáveis com plausibilidade
ELROyJLFD�H�RV�GHVIHFKRV��Resultados: foram selecionados
122 pacientes, 58,2% desenvolveram sepse. Destes 44,3%
tiveram quick62)$����SRQWRV������GHVHQYROYHUDP�VHSVH��
55,6% choque séptico e 38,9% morreram. Na avaliação de
6tQGURPH�GD�5HVSRVWD�,QÀDPDWyULD�6LVWrPLFD�������REWLYHUDP�
resultados >2 pontos, destes 66,3% desenvolveram sepse, 40%
choque séptico e 29,5% morreram. O quick62)$����DSUHVHQWRX�
PDLRU�HVSHFL¿FLGDGH�SDUD�GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH�HP�����GRV�
FDVRV��SDUD�FKRTXH�VpSWLFR�����H�SDUD�PRUWDOLGDGH������Mi�R�
segundo escore mostrou melhores resultados para sensibilidade
FRP�GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH�GH��������FKRTXH�VpSWLFR�������H�
yELWR��������Conclusão: o quickSOFA demonstrou pela sua
praticidade que pode ser utilizado clinicamente dentro dos
serviços de emergência trazendo aplicabilidade clínica a partir
GD�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�GH�SDFLHQWHV�SDUD�R�UHFRQKHFLPHQWR�
precoce de desfechos desfavoráveis.
Descritores: Sepse; Choque Séptico; Síndrome da Resposta
,QÀDPDWyULD�6LVWrPLFD��6HUYLoRV�0pGLFRV�GH�(PHUJrQFLD��
Escores de Disfunção Orgânica; Enfermagem.
Artigo Original
Como citar este artigo
6LOYD�/0)��'LRJR�/3��9LHLUD�/%��0LFKLHOLQ�)&��6DQWDUHP�0'��0DFKDGR�0/3� Performance of scores in the
prediction of clinical outcomes in patients admitted from the emergency service. Rev. Latino-Am. Enfermagem.
��������H������>$FFHVV�
diamês ano
]; Available in:
URL
��'2,��KWWS���G[�GRL�RUJ����������������������������
https://orcid.org/0000-0003-2620-9382
https://orcid.org/0000-0001-6304-2767
https://orcid.org/0000-0001-5850-7814
https://orcid.org/0000-0003-1731-0008
https://orcid.org/0000-0002-7046-7007
https://orcid.org/0000-0002-2213-7871
www.eerp.usp.br/rlae
2 Rev. Latino-Am. Enfermagem 2021;29:e3479.
Introdução
$R�ORQJR�GRV�DQRV��DV�GH¿QLo}HV�H�GHVFREHUWDV�
sobre a sepse foram expandindo, sendo que em 1991
foi determinado o conceito para sepse e introduzido o
XVR�GR�FULWpULR�6,56��6tQGURPH�GD�UHVSRVWD�LQÀDPDWyULD�
sistêmica) em que se avaliam quatro critérios: taquicardia,
taquipnéia febre ou hipotermia e leucocitose ou
leucopenia(1).
$WXDOPHQWH��D�VHSVH�p�GH¿QLGD�SHOD�SUHVHQoD�GH�
disfunção orgânica ameaçadora à vida, secundária a
uma resposta desregulada do organismo à infecção e é
FRQVLGHUDGD�XPD�GRHQoD�JUDYH�H�GH�SURJQyVWLFR�UHVHUYDGR�
se não tratada precocemente. A disfunção orgânica é
diagnosticada pela variação de dois pontos ou mais no
escore Sequential Organ Failure Assessment (SOFA). Já o
choque séptico é determinado como sepse acompanhada
SRU�SURIXQGDV�DQRUPDOLGDGHV�FLUFXODWyULDV��FHOXODUHV�
H�PHWDEyOLFDV�FDSD]HV�GH�DXPHQWDU�D�PRUWDOLGDGH�
substancialmente comparada à sepse isolada e pode ser
LGHQWL¿FDGR�QRV�SDFLHQWHV�TXH�UHTXHUHP�YDVRSUHVVRU�SDUD�
manter uma pressão arterial e o nível de lactato sérico
estáveis na falta de hipovolemia(2).
A sepse é considerada, mundialmente, um problema
de saúde pública uma vez que apresenta altas taxas de
morbidade e mortalidade. Conforme estudos no Centro de
Tratamento Intensivo (CTI), o Brasil chega a apresentar
taxas de mais de 200.000 mortes por ano de usuários
que receberam tratamento(3).
Além disso, impacta substancialmente nos custos
à saúde. Um estudo brasileiro realizado com pacientes
adultos sépticos admitidos em centro de terapia intensiva
de hospital público descreveu que a mediana do custo
WRWDO�GR�WUDWDPHQWR�GD�VHSVH�IRL�GH�86��������PLO�GyODUHV��
VHQGR�R�YDORU�GLiULR�SRU�SDFLHQWH�GH�86������GyODUHV(4).
9DOH�UHVVDOWDU�WDPEpP��TXH�D�TXDOLGDGH�GH�YLGD�H�
a função cognitiva dos sobreviventes de sepse podem
¿FDU�SHUPDQHQWHPHQWH�FRPSURPHWLGDV(5). As principais
LQWHUYHQo}HV�SDUD�PHOKRUDU�RV�UHVXOWDGRV�QHVWD�SRSXODomR�
de pacientes doentes incluem o reconhecimento e o
início precoce de terapia adequada, principalmente com
DQWLELyWLFRV�GH�DPSOR�HVSHFWUR�H�ÀXLGRWHUDSLD�����.
3DUD�IDFLOLWDU�D�LGHQWL¿FDomR�GH�SDFLHQWHV�FRP�LQIHFomR�
e com maior probabilidade de desfechos desfavoráveis,
utiliza-se o escore denominado quickSOFA (qSOFA) o qual
é uma ferramenta de rápida aplicabilidade, que pode ser
utilizada à beira do leito do paciente e serve como um
³DOHUWD �́�VHQGR�HOH�SRVLWLYR�SDUD�SRVVtYHO�GLDJQyVWLFR�GH�
sepse, quando apresentar dois ou mais critérios (pontos)
de avaliação do paciente(2). Estudo previamente realizado
menciona que aproximadamente 50% dos pacientes com
sepse grave recebem o primeiro atendimento em serviços
de emergências(8).
Frente a esta magnitude, ferramentas de fácil
aplicabilidade na abordagem inicial do paciente passam
D�VHU�XP�IDFLOLWDGRU�QD�LGHQWL¿FDomR�GH�GRHQoDV�FRPR�
a sepse, sendo o qSOFA e o SIRS alternativas viáveis
SDUD�HVWH�REMHWLYR(2). De encontro a isto, a equipe
PXOWLSUR¿VVLRQDO�GHYH�SULRUL]DU�XP�GLDJQyVWLFR�SUHFRFH�
que possa adequar o tempo necessário para o início do
WUDWDPHQWR�SUHFRQL]DGR��0XLWDV�YH]HV�HVWH�SULPHLUR�
FRQWDWR�FRP�R�GLDJQyVWLFR�DFDED�VHQGR�QRV�VHUYLoRV�GH�
emergência. Sabe-se que a superlotação destes setores,
diante da busca aumentada de usuários com sinais e
sintomas relacionados à sepse, contribui e traz à tona a
QHFHVVLGDGH�GH�LGHQWL¿FDU�SUHGLWRUHV�FRP�FHOHULGDGH�GH�
doenças de alta mortalidade, como esta, além de outros
desfechos clínicos.
0HVPR�FRP�D�EXVFD�DXPHQWDGD�GH�SDFLHQWHV�
sépticos aos serviços de emergência, ainda são incipientes
RV�HVWXGRV�HVSHFt¿FRV�GH�HQIHUPDJHP�SXEOLFDGRV�HP�
SODWDIRUPDV�FLHQWt¿FDV�UHFRQKHFLGDV��SULQFLSDOPHQWH�QR�
que tange ao reconhecimento precoce da sepse por parte
GRV�HQIHUPHLURV��GHVGH�D�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR��1mR�IRUDP�
encontrados estudos relacionando a aplicabilidade de
HVFRUHV�HVSHFt¿FRV�SDUD�PRQLWRUDPHQWR�H�SUHGLomR�GH�
GHVIHFKRV�FOtQLFRV�FRPR�D�SUySULD�VHSVH��FKRTXH�VpSWLFR�
e mortalidade intra-hospitalar.
Com esta demanda, surgiu por parte dos
pesquisadores a seguinte questão norteadora: “Qual
o desempenho dos escores quickSOFA e Síndrome da
5HVSRVWD�,QÀDPDWyULD�6LVWrPLFD��6,56��FRPR�SUHGLWRUHV�
de desfechos clínicos em pacientes admitidos a partir de
um serviço de emergência?”
6HQGR�DVVLP��R�REMHWLYR�SULQFLSDO�GHVWH�HVWXGR�IRL�
avaliar o desempenho dos escores quickSOFA e SIRS
como preditores de desfechos clínicos em pacientes
admitidos a partir de serviço de emergência de um
hospital Universitário do Sul do Brasil.
3RU�PHLR�GHVWH�HVWXGR��SUHWHQGH�VH�TXDOL¿FDU�D�
DVVLVWrQFLD�DRV�XVXiULRV��LGHQWL¿FDQGR�GH�IRUPD�SUHFRFH�
preditores de desfechos clínicos desfavoráveis como a
sepse, choque séptico e mortalidade intra-hospitalar
DWUDYpV�GD�XWLOL]DomR�GHVWHV�HVFRUHV��GHVGH�D�FODVVL¿FDomR�de risco nestes serviços. A incorporação de resultados
GHVWD�SHVTXLVD�SRGHUi�EHQH¿FLDU�D�SUiWLFD�DVVLVWHQFLDO�
e gerencial neste cenário, contribuindo ativamente para
R�DSHUIHLoRDPHQWR�GH�SURFHVVRV��SURWRFRORV�H�ÀX[RV�GH�
trabalho, principalmente no que tange à prevenção de
mortalidade.
Método
2�UHODWR�PHWRGROyJLFR�GHVWH�HVWXGR�IRL�UHDOL]DGR�
conforme as diretrizes do Strengthening the Reporting
of Observational Studies in Epidemiology (STROBE)(9).
www.eerp.usp.br/rlae
3Silva LMF, Diogo LP, Vieira LB, Michielin FC, Santarem MD, Machado MLP.
Desenho e contexto do estudo
&RRUWH�UHWURVSHFWLYD��UHDOL]DGD�HQWUH����GH�MDQHLUR�
GH������H����GH�PDLR�GH�������QR�6HUYLoR�GH�(PHUJrQFLD�
(SE) de um Hospital Público Universitário do Sul do Brasil.
Participantes
Foram incluídos 122 pacientes conforme os critérios
de elegibilidade: a) Inclusão: pacientes a partir de 18 anos,
atendidos e hospitalizados no SE, que foram acolhidos
H�FODVVL¿FDGRV�SHOR�R�HQIHUPHLUR�QD�VDOD�GH�WULDJHP�H�
DWULEXtGRV�MXQWDPHQWH�FRP�D�FODVVL¿FDomR�D�QRWD�GD�
aplicação do escore qSOFA na chegada do paciente ao
serviço b) Exclusão: pacientes sem escore qSOFA preenchido
SHOR�SUR¿VVLRQDO�HQIHUPHLUR�HP�QHQKXP�PRPHQWR�GH�VXD�
FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�H�SURQWXiULRV�HOHWU{QLFRV�FRP�GDGRV�
faltantes para pontuar o escore SIRS.
Fontes de dados/medidas
$V�LQIRUPDo}HV�GRV�VXMHLWRV�SHVTXLVDGRV�IRUDP�
obtidas a partir da base de dados assistencial do hospital,
gerada através de banco de dados disponibilizado em
SODQLOKDV�QR�SURJUDPD�06�([FHO®. Neste banco, foram
disponibilizados dados de pacientes admitidos no SE no
SHUtRGR�GH�HVWXGR��$SyV�D�GLVSRQLELOL]DomR�GD�SODQLOKD��RV�
SURQWXiULRV�IRUDP�HVFROKLGRV�GH�IRUPD�DOHDWyULD�DWUDYpV�GH�
IHUUDPHQWD�GH�VRUWHLR�GHQWUR�GR�SUySULR�software utilizado
SDUD�DQiOLVH�HVWDWtVWLFD��RQGH�IRUDP�GH¿QLGRV�RV�SDFLHQWHV�
incluídos na amostra durante o período do estudo. Os
dados foram obtidos exclusivamente através de revisão
GH�SURQWXiULRV�HOHWU{QLFRV��2V�SDFLHQWHV�IRUDP�GLYLGLGRV�
HP�GRLV�JUXSRV��3DFLHQWHV�&20�VHSVH�H�6(0�VHSVH��9DOH�
UHVVDOWDU�TXH�DSyV�D�REWHQomR�GRV�GDGRV�RV�PHVPRV�
foram conferidos e digitados no programa Excel® por dois
digitadores diferentes (pesquisador principal e assistente
de pesquisa), sendo estes posteriormente comparados
para o controle de possíveis erros de digitação.
Variáveis e Desfechos
$V�YDULiYHLV�IRUDP�FODVVL¿FDGDV�HP�WUrV�JUXSRV��
VRFLRGHPRJUi¿FDV��UHIHUHQWHV�j�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�H�
variáveis clínicas relacionadas à internação hospitalar.
A Instituição onde o estudo foi realizado utiliza como
VLVWHPD�GH�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�R�6LVWHPD�GH�7ULDJHP�
GH�0DQFKHVWHU��670��QR�VHUYLoR�GH�HPHUJrQFLD��2�670�
REMHWLYD�LGHQWL¿FDU�D�TXHL[D�SULQFLSDO�GR�XVXiULR��VHOHFLRQDU�
XP�ÀX[RJUDPD�HVSHFt¿FR��RULHQWDGR�SRU�GLVFULPLQDGRUHV�
que determinam a prioridade de atendimento. O indivíduo
SRGH�VHU�FODVVL¿FDGR�HP�FLQFR�GLIHUHQWHV�QtYHLV�GH�
SULRULGDGH�����(PHUJrQFLD�����0XLWR�8UJHQWH�����8UJHQWH��
4: Pouco Urgente; e 5: Não Urgente. Cada nível de
SULRULGDGH�SRVVXL�VXD�FRU�HVSHFt¿FD�H�R�WHPSR�SUHFRQL]DGR�
de atendimento inicial(10)��$V�YDULiYHLV�TXH�¿]HUDP�SDUWH�
GR�EDQFR�GDGRV�UHIHUHQWHV�j�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�GRV�
SDFLHQWHV�IRUDP��ÀX[RJUDPD�XWLOL]DGR��GLVFULPLQDGRU�
escolhido, prioridade do atendimento atribuída, sinais
vitais e o resultado do qSOFA registrado pelo enfermeiro
QR�PRPHQWR�GD�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�
3DUD�DWLQJLU�RV�REMHWLYRV�GR�HVWXGR��IRL�XWLOL]DGR�
o valor dos seguintes escores: qSOFA, SIRS e Índice
de Comorbidade de Charlson (ICC). O escore qSOFA é
UHJLVWUDGR�GH�IRUPD�FRQMXQWD�FRP�R�670�QD�FODVVL¿FDomR�
GH�ULVFR�SHORV�HQIHUPHLURV��Mi�R�6,56�H�R�,&&�QmR�VmR�
UHDOL]DGRV�REULJDWRULDPHQWH�QD�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR��
o primeiro deles por não conter todas as variáveis
necessárias para sua obtenção, como por exemplo,
alguns resultados de exames laboratoriais e o outro por
QmR�SRGHU�UHWDUGDU�D�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�QD�EXVFD�GH�
comorbidades prévias do paciente. Portanto, vale ressaltar
TXH�DV�LQIRUPDo}HV�SDUD�FiOFXOR�GRV�PHVPRV�IRUDP�
H[WUDtGDV�H[FOXVLYDPHQWH�GH�SURQWXiULRV�HOHWU{QLFRV�GRV�
participantes da pesquisa. Estes cálculos foram realizados
por pesquisadores treinados para a obtenção dos escores
e foram obtidos da seguinte forma:
No campo onde foi realizado o estudo, existe uma
linha de cuidado a pacientes sépticos, onde a aplicação do
escore qSOFA é realizada no atendimento e na avaliação
LQLFLDO�SRU�HQIHUPHLURV�QD�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR��FRPR�SDUWH�
GR�SURWRFROR�GHVWD�LQM~ULD��DOpP�GD�DSOLFDomR�GR�670��
O escore qSOFA é considerado positivo para
SRVVtYHO�GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH��TXDQGR�DSUHVHQWDU�GRLV�
ou mais critérios (pontos) de avaliação do paciente:
IUHTXrQFLD�UHVSLUDWyULD�LJXDO�RX�PDLRU�TXH����PRYLPHQWRV�
UHVSLUDWyULRV�SRU�PLQXWR��PUSP���DOWHUDomR�GR�QtYHO�GH�
FRQVFLrQFLD��YHUL¿FDGD�DWUDYpV�GD�DSOLFDomR�GD�(VFDOD�GH�
&RPD�GH�*ODVJRZ������RX�SUHVVmR�VLVWyOLFD�PHQRU�RX�
igual a 100 mmHg(2).
Na ocorrência de anormalidade deste escore, o
sistema sinaliza este paciente de cor diferente dos
demais (lilás), no intuito de sinalizar à equipe médica a
necessidade da realização precoce de atendimento médico
DR�SDFLHQWH�FRP�SURYiYHO�GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH��VLQDOL]DGR�
DWUDYpV�GHVWH�HVFRUH�SHOR�HQIHUPHLUR�GD�FODVVL¿FDomR�
GH�ULVFR��9DOH�UHVVDOWDU�TXH�WRGRV�RV�HQIHUPHLURV�TXH�
UHDOL]DP�D�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�QR�6HUYLoR�GH�(PHUJrQFLD�
IRUDP�FDSDFLWDGRV�SHOR�*UXSR�%UDVLOHLUR�GH�&ODVVL¿FDomR�
GH�5LVFR��*%&5��SDUD�D�DSOLFDomR�GR�670��QR�LQWXLWR�GH�
GH¿QLU�D�SULRULGDGH�GH�DWHQGLPHQWR�GRV�SDFLHQWHV�TXH�
procuram o serviço de emergência de forma acurada.
$OpP�GLVWR��HVWHV�HQIHUPHLURV�FODVVL¿FDGRUHV�UHFHEHUDP�
WUHLQDPHQWR�HVSHFt¿FR�SDUD�DSOLFDU�R�HVFRUH�T62)$�HP�
todos os pacientes com sintomatologia para sepse.
Para a obtenção da pontuação da SIRS, que é
GH¿QLGD�SHOD�SUHVHQoD�GH�QR�PtQLPR�GRLV�GRV�VLQDLV��
são eles: temperatura central > 38,3ºC ou 20 rpm, ou PaCO2������PP+J�H�OHXFyFLWRV�WRWDLV�!�
12.000/mm³; ou 10% de
IRUPDV�MRYHQV��GHVYLR�j�HVTXHUGD�(1)��IRUDP�YHUL¿FDGRV�RV�
H[DPHV�ODERUDWRULDLV�DSyV�VDtUHP�RV�SULPHLURV�UHVXOWDGRV��
D�¿P�GH�SRQWXDU�DGHTXDGDPHQWH�HVWH�HVFRUH��(VWHV�
H[DPHV�IRUDP�FRQVXOWDGRV�QR�SURQWXiULR�HOHWU{QLFR�GRV�
SDFLHQWHV�VHOHFLRQDGRV�MXQWR�DR�UHJLVWUR�GRV�VLQDLV�YLWDLV�
GD�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR��FRPR�IRUPD�GH�FRPSOHWDU�D�
pontuação do escore.
(�SRU�¿P��SDUD�REWHU�R�,&&��TXH�p�XPD�IHUUDPHQWD�
XWLOL]DGD�SDUD�YHUL¿FDU�D�SUHGLomR�GH�PRUWDOLGDGH�LQWUD�
hospitalar, foi utilizada a Calculadora online�0'&DOF®
que analisa a idade e a lista de comorbidades prévias
UHJLVWUDGDV�QR�SURQWXiULR�HOHWU{QLFR�GH�FDGD�SDUWLFLSDQWH�
GR�HVWXGR��(VWD�FDOFXODGRUD�VHJXH�DV�PRGL¿FDo}HV�SDUD�D�
avaliação do índice atualizado prevendo 16 comorbidades
TXH�JHUDP�GLIHUHQWHV�SRQWXDo}HV��VHQGR�R�UHVXOWDGR�
estabelecido pela soma de todas, associadas à idade
do paciente. Quanto maior esta pontuação menor a
HVWLPDWLYD�GH�YLGD�GR�VXMHLWR�QRV�SUy[LPRV����DQRV(11).
O ICC teve o valor de sua pontuação categorizado em
�����VHP�ULVFR��H�!����FRP�ULVFR���FRP�R�SURSyVLWR�GH�
FODVVL¿FDU�R�ULVFR�GRV�SDFLHQWHV�HP�UHODomR�j�SUHVHQoD�GH�
comorbidades para o desfecho mortalidade.
O desfecho principal do presente estudo foi
GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH�H�RV�GHVIHFKRV�VHFXQGiULRV�IRUDP�
FKRTXH�VpSWLFR�H�D�RFRUUrQFLD�GH�yELWR�SRU�VHSVH�GXUDQWH�
a permanência intra-hospitalar do paciente, registrados
HP�SURQWXiULR��FRQ¿UPDGRV�DWUDYpV�GH�UHYLVmR�GR�VXPiULR�
GH�DOWD�KRVSLWDODU�RX�yELWR��$�WD[D�GH�PRUWDOLGDGH�IRL�
PHQVXUDGD�GHVGH�D�DGPLVVmR�KRVSLWDODU�DWp�R�yELWR�
Tamanho amostral
O cálculo amostral foi realizado em duas etapas: uma
SDUD�R�REMHWLYR�SULQFLSDO�GR�HVWXGR��T62)$�H�6,56�vs.
6HSVH�H�FKRTXH�VpSWLFR��H�RXWUR�SDUD�R�REMHWLYR�VHFXQGiULR�
(qSOFA e SIRS vs��0RUWDOLGDGH���3DUD�D�SULPHLUD�HWDSD��o mesmo foi realizado no programa R/ R Studio® versão
3.5.3, através do pacote pROC e função power.roc.test.
Considerando a prevalência de sepse de 30% em
estudos brasileiros e internacionais(12-13), poder de 95% e
QtYHO�GH�VLJQL¿FkQFLD�GH�����XP�WDPDQKR�GH�DPRVWUD�GH�
���SDFLHQWHV�p�VX¿FLHQWH�SDUD�GHWHFWDU�FRPR�VLJQL¿FDWLYD�
XPD�iUHD�VRE�D�FXUYD�52&�GH�����FRQVLGHUDQGR�R�T62)$�
FRPR�SUHGLWRU�GH�GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH�H�XP�WHVWH�
clinicamente útil para ser utilizado em SE para essa
LGHQWL¿FDomR�SUHFRFH��
Já para a segunda etapa (qSOFA vs��0RUWDOLGDGH���R�
cálculo amostral foi realizado com o programa WinPEPI,
versão 11.43. Considerando poder de 80%, nível de
VLJQL¿FkQFLD�GH�����H�RV�VHJXLQWHV�GDGRV(13)��������
de pacientes com escore qSOFA menor que 2, 3,3% de
mortalidade em pacientes com escore qSOFA menor que 2
e 23,9% de mortalidade em pacientes com escore qSOFA
maior ou igual a 2, chegou-se ao tamanho de amostra
WRWDO�GH�����VXMHLWRV��'HVWD�IRUPD��EXVFDQGR�VH�UHVSRQGHU�
os dois desfechos propostos, será utilizado o tamanho
DPRVWUDO�GH�PDLRU�Q~PHUR�GH�VXMHLWRV�
Variáveis quantitativas
As variáveis contínuas foram descritas a partir
das suas médias e desvios-padrão e as variáveis
FDWHJyULFDV�PHGLDQWH�IUHTXrQFLDV�H�SURSRUo}HV��$V�
variáveis qualitativas, como sexo, foram comparadas
através dos testes de qui-quadrado e exato de Fisher e
as variáveis contínuas com Test-T de Student�H�0DQQ�
Whitney (conforme normalidade da variável). Os testes
HVWDWtVWLFRV�IRUDP�GH¿QLGRV�DSyV�D�UHDOL]DomR�GR�WHVWH�GH�
Kolmogorov-Smirnov�SDUD�YHUL¿FDomR�GD�QRUPDOLGDGH�GRV�
dados numéricos. A comparação das características entre
RV�JUXSRV���H����&20�VHSVH�H�6(0�VHSVH��IRL�UHDOL]DGD�
Métodos estatísticos
Os dados coletados foram organizados e compilados
no software Excel e posteriormente submetidos ao
programa de estatística Statistical Package for the Social
Sciences (SPSS) versão 18.0 e programa estatístico R
versão 3.5.2. Foi realizada análise multivariável através
do método de Regressão de Poisson com variância robusta
de maneira a estimar o efeito dos fatores preditores
em relação à ocorrência dos desfechos estudados. As
DVVRFLDo}HV�FRP�YDORU�3��������IRUDP�FRQVLGHUDGDV�
VLJQL¿FDWLYDV��)RL�UHDOL]DGD�D�DQiOLVH�GD�FXUYD�52&�DWUDYpV�
da estimativa da area under the curve (AUC) de maneira a
estimar a acurácia dos escores (qSOFA e SIRS) em relação
aos desfechos (sepse, choque séptico e mortalidade).
&RQVLGHUDQGR�RV�SRQWRV�GH�FRUWH�GH¿QLGRV�SHORV�DXWRUHV��
IRUDP�YHUL¿FDGRV�WHVWHV�GLDJQyVWLFRV�FRPR��VHQVLELOLGDGH��
HVSHFL¿FLGDGH��2V�LQWHUYDORV�GH�FRQ¿DQoD�IRUDP�FDOFXODGRV�
FRQVLGHUDQGR�R�QtYHO�GH�FRQ¿DQoD�GH�����
Aspectos éticos
A pesquisa foi submetida e aprovada pelo Comitê de
eWLFD�H�3HVTXLVD�GD�,QVWLWXLomR�VRE�R�Q~PHUR������������
&HUWL¿FDGR�GH�$SUHVHQWDomR�SDUD�$SUHFLDomR�eWLFD��&$$(��
���������������������H�SDUHFHU�Q~PHUR����������������
e está em conformidade com a Resolução 466/2012 do
Conselho Nacional de Saúde.
Resultados
Os resultados foram divididos em duas etapas:
QD�SULPHLUD��IRL�UHDOL]DGD�D�DYDOLDomR�GR�SHU¿O�VyFLR�
HSLGHPLROyJLFR�GRV�SDFLHQWHV�VpSWLFRV�H�QmR�VpSWLFRV�
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5Silva LMF, Diogo LP, Vieira LB, Michielin FC, Santarem MD, Machado MLP.
do estudo e na segunda foram realizadas as análises
univariadas e multivariadas dos demais dados do banco.
)RUDP�LQFOXtGRV�����VXMHLWRV�SDUD�R�HVWXGR��GHVVHV�
�����������GHVHQYROYHUDP�VHSVH�������������HUDP�GR�
VH[R�PDVFXOLQR�������������HUDP�EUDQFRV��FRP�PpGLD�GH�
idade ± desvio padrão (DP) de 62 ± 18,43 anos, tendo
como idade mínima 18 anos e máxima de 95 anos. Cerca
GH������������VXMHLWRV�GD�DPRVWUD�SRVVXtDP����JUDX�
completo. A mediana de tempo de permanência hospitalar
dos pacientes com sepse foi de 8 (4-14) dias, sendo o
máximo de dias internados 144 dias e o mínimo 1 dia. A
média da pontuação do Índice de Charlson foi de 4,46 ±
������VHQGR�TXH�������GRV�SDFLHQWHV�VpSWLFRV�REWLYHUDP�
pontuação > 3 nesse índice. O índice de mortalidade
da amostra foi de 23,8% (n=29), sendo que destes 25
(86,2%) desenvolveram sepse conforme descrito na
Tabela 1.
2�VtWLR�GH�LQIHFomR�PDLV�SUHYDOHQWH�IRL�R�UHVSLUDWyULR��
com 32,8% dos casos, seguido pelo sítio urinário, com
18%. A sepse foi mais prevalente em pacientes da amostra
FRP�GLDJQyVWLFR�GH�LQIHFomR�FRP�P~OWLSORV�VtWLRV�FRP�
������VHJXLGR�SHOR�IRFR�GH�SDUHGH�DEGRPLQDO�FRP��������
A prevalência de choque séptico foi maior em pacientes
com infecção de parede abdominal sendo de 69,2%
seguido do foco cutâneo com 62,5%. O maior índice de
mortalidade se deu no sítio da parede abdominal com
53,8% seguido do trato gastrointestinal (TGIN) com 50%.
4XDQWR�j�SRQWXDomR�GR�T62)$��������GRV�SDFLHQWHV�
obtiveram qSOFA 3 53 74,6 (62,9-84,2) 43 84,3 (71,4-93,0)
Óbitos 25 35,2 (24,2-47,5) 4 7,8 (2,2-18,9)
*N = Número de casos; †,&� �,QWHUYDOR�GH�FRQ¿DQoD��‡S� �1tYHO�GH�VLJQL¿FkQFLD� §DP = Desvio padrão; ||Teste t de Student para amostras independentes;
¶7HVWH�GH�TXL�TXDGUDGR�GH�3HDUVRQ��
7HVWH�0DQQ�:KLWQH\
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6 Rev. Latino-Am. Enfermagem 2021;29:e3479.
Dos três critérios avaliados pelo qSOFA o que obteve
PDLRU�Q~PHUR�GH�DOWHUDo}HV�IRL�D�IUHTXrQFLD�UHVSLUDWyULD�
PDLRU�TXH����PUSP����������Mi�D�SUHVHQoD�GH�VHSVH��
choque séptico e morte foram mais prevalentes em pacientes
com alteração do nível de consciência na Escala de Coma
GH�*ODVJRZ�FRP��������������H�������UHVSHFWLYDPHQWH��
4XDQWR�DR�HVFRUH�GH�SRQWXDomR�GR�6,56���������
dos pacientes obtiveram o SIRS > 2, destes 66,3%
desenvolveram sepse, 40% dos pacientes da amostra
HYROXtUDP�SDUD�FKRTXH�VpSWLFR�H�������YLHUDP�D�yELWR��
A maior probabilidade do desenvolvimento de choque
VpSWLFR�IRL�SRU�IRFR�GH�SDUHGH�DEGRPLQDO��55�������,&95%=
1,66 - 15,44; p1,35 -
������S���������55���������,&95%=1,32 - 2,41; p2(14). Já o
nosso estudo quando comparado às performances deste
HVFRUHV�SDUD�SURJQyVWLFR�GH�VHSVH�H�yELWR�QmR�REWHYH�
diferença estatística(15).
3DUHFLGR�FRP�RXWUDV�DQiOLVHV�R�T62)$����H�6,56�
!��IRUDP�UHODFLRQDGRV�FRP�PDLRU�Q~PHUR�GH�yELWRV�HP�
relação aos pacientes que tiveram estes escores menor
que dois(16). Além disso, também houve maior sensibilidade
para predição de mortalidade para o escore SIRS, porém
Mi�D�HVSHFL¿FLGDGH�VH�DSUHVHQWRX�PDLRU�QR�T62)$�DVVLP�
FRPR�Mi�PRVWUDGR�HP�SHVTXLVDV�DQWHULRUHV(16).
Assim como em outros estudos publicados, o sítio de
LQIHFomR�PDLV�FRPXP�IRL�R�UHVSLUDWyULR��VHJXLGR�SHOR�VtWLR�
urinário���������3RUpP��TXDQGR�UHODFLRQDGR�DR�yELWR��QRVVD�
pesquisa demonstrou que os sítios de foco de parede
abdominal e foco trato gastrointestinal obtiveram maior
chance de mortalidade.
É preciso ressaltar que há poucos estudos brasileiros
sobre sepse e quase nenhum publicado no Sul do país,
VHQGR�HVFDVVR�R�FRQKHFLPHQWR�GR�SHU¿O�GHVVD�SRSXODomR�H�
FDUDFWHUtVWLFDV�FOtQLFDV�GHVWD�GRHQoD�QR�%UDVLO��2�SHU¿O�GR�
paciente internado na emergência por suspeita de sepse,
na maioria dos achados em outros estudos, descreve
resultados parecidos com a presente pesquisa: idade
PpGLD�HQWUH�RV�������DQRV��FRP�SRXFD�GLIHUHQoD�HQWUH�
o sexo destes pacientes (63% masculinos) e presença
de comorbidades prévias (que demonstramos através
GR�,&&���DOpP�GH�XP�WHPSR�GH�LQWHUQDomR�SUy[LPR�
de 10 dias(15,18-19). Sendo assim, podemos caracterizar
HVWD�DPRVWUD�FRPR�XPD�SRSXODomR�TXH�Mi�p�LGRVD��FRP�
comorbidade prévias e que não possui grande distinção
quanto ao sexo. Importante demonstrar que, quando
comparado aos pacientes que não desenvolveram sepse,
o paciente séptico possui maiores taxas de mortalidade.
A área sob a curva ROC (AUC) resume bem a acurácia
global de um teste, visto que resume a sensibilidade
H�D�HVSHFL¿FLGDGH��$�iUHD�YDULD�GH�����SDUD�XP�WHVWH�
inútil a 1,0 para um teste perfeito. Testes sem poder de
discriminação apresentam uma área de 0,5, enquanto que
YDORUHV�DFLPD�GH�����LQGLFDP�WHVWH�H[FHOHQWH��H���������mostram que o teste é clinicamente útil(20). A AUC é a
PHGLGD�GH�SHUIRUPDQFH�JHUDO�GH�XP�WHVWH�GLDJQyVWLFR��H�
deve ser interpretada como o valor médio de sensibilidade
para todos os possíveis valores de especificidade.
Considerando que a AUC é a medida do desempenho geral
GH�XP�WHVWH�GLDJQyVWLFR��D�SHUIRUPDQFH�GH�GRLV�WHVWHV�
diferentes pode ser comparada por meio da comparação
GH�VXDV�$8&V��&RPR�Mi�PHQFLRQDGR�DQWHULRUPHQWH��
quanto maior a AUC, melhor o teste para ser aplicado
no contexto em que se refere. Aparentemente, o qSOFA
serviu como um escore prático e com bons resultados
para o uso na emergência, sendo um teste clinicamente
útil conforme resultados de área sob a curva (AUC) ROC.
Devido à necessidade de uma avaliação inicial rápida no
acolhimento do paciente em serviços de emergência, o
SIRS se mostrou um escore menos efetivo para o uso
na emergência, além disso, ele não se mostrou um teste
útil conforme resultados de área sob a curva ROC (AUC)
SDUD�R�GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH�
1HVWH�HVWXGR��D�IRUoD�GD�DFXUiFLD�SURJQyVWLFD�GR�
qSOFA e do SIRS para mortalidade intra-hospitalar foi
FRQ¿UPDGD�FRP�XPD�$8&�GH�������,&95%= 0,63 -0,83) e
������,&95% �������������UHVSHFWLYDPHQWH��FRPSDUDQGR�VH�
a outros autores que demonstraram valores aproximados
ao nosso�������. Não foram encontrados dados na literatura
que mencionassem a respeito da área sob a curva ROC
�$8&��YHUL¿FDQGR�D�IRUoD�GD�DFXUiFLD�SURJQyVWLFD�GR�
qSOFA e SIRS para sepse e choque séptico a partir de
FODVVL¿FDo}HV�GH�ULVFR��
Contudo, a discussão sobre qual seria a melhor
ferramenta ainda é trazida em grande escala. Quase
todos os artigos escolhidos para discutir a nossa pesquisa
trazem a comparação entre o qSOFA e outras ferramentas
FRPR�6,56��62)$�H�R�(VFRUH�GH�$OHUWD�3UHFRFH�>0RGL¿HG�
Early Warning Scores��0(:6�@��+i�GLYHUJrQFLD�TXDQWR�j�
ferramenta mais adequada para ser utilizada no serviço
de emergência, alguns estudos discutem que o qSOFA é
muito restrito e desta forma acaba não sendo capaz de
captar todos os pacientes sépticos, sendo melhor o uso do
SIRS(18,21-22). Contudo, existem pesquisas que abordam a
facilidade da ferramenta qSOFA como um detector precoce
por ser de simples aplicabilidade e não necessitar de
exames laboratoriais para ser realizada(12,23). Outros estudos
discutem a combinação dos dois escores, SIRS e qSOFA,
FRPR�PpWRGR�SDUD�PHOKRUDU�R�SURJQyVWLFR�H�GHWHFomR�GH�
pacientes que buscam o hospital por infecção, mas não
DSOLFDGR�SRU�HQIHUPHLURV�QD�FODVVL¿FDomR�GH�ULVFR�HP�
pacientes admitidos a partir de serviços de emergência(24).
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9Silva LMF, Diogo LP, Vieira LB, Michielin FC, Santarem MD, Machado MLP.
Ainda, existem alguns artigos que trazem pontos positivos e
negativos de cada ferramenta, não chegando a um consenso
sobre qual deveria ser utilizada(13,16).
É necessário mencionar que o qSOFA não foi
GHVHQYROYLGR�FRP�R�SURSyVLWR�GH�GLDJQRVWLFDU�D�VHSVH�
H�VLP�FRPR�XPD�IHUUDPHQWD�GH�DOHUWD�SDUD�TXH�VHMD�
realizada uma avaliação precoce no paciente que procura
o serviço de emergência e apresenta possíveis sinais
de infecção com risco de deterioração precoce de seu
estado clínico. Porém, por ser um escore recentemente
GHVFREHUWR��LQYHVWLJDo}HV�VREUH�VXDV�SRWHQFLDOLGDGHV�
devem ser realizadas de forma a determinar o melhor
uso dessa ferramenta na avaliação clínica inicial destes
pacientes. Com este intuito, este estudo demonstrou que
D�UHDOL]DomR�GR�PHVPR�SHOD�HQIHUPHLUD�QD�FODVVL¿FDomR�GH�
ULVFR�p�FRPSOHWDPHQWH�YLiYHO�SDUD�D�LGHQWL¿FDomR�SUHFRFH�
de pacientes possivelmente sépticos.
A não comparação com outros escores existentes,
FRPR�0(:6��SDUD�DQDOLVDU�RXWUDV�SRVVLELOLGDGHV�H�VXDV�
SHUIRUPDQFHV�QD�HPHUJrQFLD�FRP�R�REMHWLYR�GH�LGHQWL¿FDU�
precocemente o paciente na linha de frente de atendimento
pode ser considerada como limitação do estudo.
Conclusão
Neste estudo de coorte retrospectiva, encontramos
TXH�R�T62)$����DSUHVHQWRX�XPD�PDLRU�HVSHFL¿FLGDGH�SDUD�
GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH��DVVLP�FRPR�PHOKRU�HVSHFL¿FLGDGH�
SDUD�FKRTXH�VpSWLFR�H�HVSHFL¿FLGDGH�SDUD�PRUWDOLGDGH��
Mi�R�6,56�PRVWURX�PHOKRUHV�UHVXOWDGRV�HVWDWtVWLFRV�SDUD�
VHQVLELOLGDGH�QR�GLDJQyVWLFR�GH�VHSVH��FKRTXH�VpSWLFR�H�
yELWR�KRVSLWDODU��$OpP�GLVVR��FRQVHJXLPRV�FDUDFWHUL]DU�D�
amostra como uma população idosa, com comorbidades
prévias e que não possui grande distinção quanto ao sexo.
Ressaltamos ainda que o qSOFA serviu como um melhor
escore pela sua praticidade e bons resultados para o uso
clínico na emergência, pois resultou em maior acurácia
SURJQyVWLFD�SDUD�D�PRUWDOLGDGH�LQWUD�KRVSLWDODU��SRUpP�
advertimos a necessidade de novos estudos prospectivos
TXH�DEUDQMDP�RXWUDV�IHUUDPHQWDV�GH�IRUPD�D�LGHQWL¿FDU�
qual seria a mais acurada e com melhor desempenho e
aplicabilidade clínica neste cenário.
Agradecimentos
$JUDGHFHPRV�D�9DQLD�1DRPL�+LUDNDWD�TXH�FRQWULEXLX�
com a análise estatística do trabalho.
Referências
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���=KDQJ�.��0DR�;��)DQJ�4��-LQ�© 2021 Revista Latino-Americana de Enfermagem
Este é um artigo de acesso aberto distribuído sob os termos da
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Esta licença permite que outros distribuam, remixem, adaptem e
FULHP�D�SDUWLU�GR�VHX�WUDEDOKR��PHVPR�SDUD�¿QV�FRPHUFLDLV��GHVGH�
que lhe atribuam o devido crédito pela criação original. É a licença
PDLV�ÀH[tYHO�GH�WRGDV�DV�OLFHQoDV�GLVSRQtYHLV��e�UHFRPHQGDGD�SDUD�
maximizar a disseminação e uso dos materiais licenciados.
Autor correspondente:
/XDQD�0DWXHOOD�)LJXHLUD�GD�6LOYD
E-mail: luanamatuella@gmail.com
https://orcid.org/0000-0003-2620-9382
Editora Associada:
Evelin Capellari Cárnio
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����$YDLODEOH�IURP��KWWS���ZZZ�QMPRQOLQH�QO�JHWSGI�
SKS"LG ����
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doi: https://doi.org/10.1038/s41598-020-64314-8
Contribuição dos autores:
Concepção e desenho da pesquisa: /XDQD�0DWXHOOD�
)LJXHLUD�GD�6LOYD��/HWtFLD�%HFNHU�9LHLUD��0LFKHOOH�'RUQHOOHV�
6DQWDUHP��0DULD�/XL]D�3D]�0DFKDGR��Obtenção de
dados: /XDQD�0DWXHOOD�)LJXHLUD�GD�6LOYD��Análise e
interpretação dos dados: /XDQD�0DWXHOOD�)LJXHLUD�
GD�6LOYD��/XFLDQR�3DVVDPLQL�'LRJR��0LFKHOOH�'RUQHOOHV�
6DQWDUHP��0DULD�/XL]D�3D]�0DFKDGR��Análise estatística:
/XFLDQR�3DVVDPLQL�'LRJR��0LFKHOOH�'RUQHOOHV�6DQWDUHP��
Obtenção de financiamento: Fabiano Da Costa
0LFKLHOLQ��Redação do manuscrito: /XDQD�0DWXHOOD�
)LJXHLUD�GD�6LOYD��0LFKHOOH�'RUQHOOHV�6DQWDUHP��Revisão
crítica do manuscrito quanto ao conteúdo intelectual
importante: /XDQD�0DWXHOOD�)LJXHLUD�GD�6LOYD��/XFLDQR�
3DVVDPLQL�'LRJR��/HWtFLD�%HFNHU�9LHLUD��)DELDQR�'D�&RVWD�
0LFKLHOLQ��0LFKHOOH�'RUQHOOHV�6DQWDUHP��0DULD�/XL]D�3D]�
0DFKDGR�
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&RQÀLWR�GH�LQWHUHVVH��RV�DXWRUHV�GHFODUDUDP�TXH�
QmR�Ki�FRQÀLWR�GH�LQWHUHVVH�
https://orcid.org/0000-0003-2620-9382