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ANESTESIA GERAL INALATÓRIA Introdução Vantagens Desvantagens Definição “A anestesia geral inalatória é obtida por meio de absorção de um princípio ativo pela via respiratória, passando para a corrente circulatória e atingindo o sistema nervoso central (SNC), promovendo a anestesia geral (inconsciência ou hipnose, analgesia e relaxamento muscular e proteção neurovegetativa)” Flavio MASSONE. • 150 anos de história. • Menos de 20 usados na história da Medicina Veterinária. • Menos de dez têm algum histórico na rotina anestesiologia veterinária. • Quatro ou cinco estão em uso clínico corrente. Durante o século XIX: • Éter • Clorofórmio • Ciclopropano • Etileno • Tricloroetileno • Metoxiflurano - Substituídos por fármacos mais seguros; Na década de 1950: • Síntese do halotano (halogenados). • Óxido nitroso (N2O): agente adjuvante ainda utilizado em anestesiologia veterinária. • Controle da profundidade anestésica • Baixas taxas de metabolização • Eliminados pela via respiratória. • A necessidade de ventilação mecânica auxilia a ventilação e a oxigenação adequada do paciente. • Consequentemente, diminuindo a morbidade e a mortalidade durante o procedimento anestésico. • Necessidade de aquisição de equipamentos específicos. • Alterações cardiovasculares. Características físico-químicas Pressão de vapor Ponto de ebulição • A estrutura química do anestésico inalatório é responsável por sua ação e segurança na administração. • Determinam a apresentação física do agente (gás ou líquido) • Estabilidade a luz ou calor • Solubilidade em borracha, metal ou ao absorvedor de CO2. • Influencia ainda no tipo de equipamento. • Todos de uso corrente são compostos orgânicos. • Pesquisa de síntese de agentes mais potentes, mais seguros e estáveis baseou-se na halogenação, ou seja, na adição de fluoreto, cloreto ou bromo. Vaporização ou evaporação: ▪ As moléculas de compostos líquidos estão em constante movimento e as mais superficiais do líquido ganham velocidade suficiente para se desprenderem da superfície líquida e entrar em fase de vapor. ▪ Sob temperatura constante, há tendência ao equilíbrio entre as duas fases (líquida e gasosa) da substância. ▪ A pressão (mmHg) que as moléculas de vapor exercem quando o equilíbrio se estabelece, constitui-se na pressão de vapor e se refere à capacidade de um anestésico líquido se vaporizar. ▪ Sob condições de temperatura e pressão atmosférica constantes, quanto maior a pressão de vapor de um anestésico volátil, maior é sua capacidade de vaporização e, consequentemente, maior concentração anestésica poderá ser alcançada em relação ao fluxo diluente. ▪ A temperatura ambiente influencia de maneira importante na vaporização e são diretamente proporcionais. • Definição: Ponto em que a pressão de vapor do líquido é igual à pressão atmosférica. • Estabelece-se como referência a pressão atmosférica ao nível do mar (760 mmHg). • Quanto menor o ponto de ebulição de um anestésico, mais facilidade em se transformar em vapor nas condições de sala cirúrgica. • Assim, ponto de ebulição abaixo da temperatura ambiente exigirá condições especiais para a sua utilização clínica. • (Ex., o desfluorano possui ponto de ebulição igual a 23°C). Concentração alveolar mínima MECANISMO DE AÇÃO • Indice de um anestésico, a 1 atmosfera, que produz imobilidade em 50% dos animais submetidos a estímulos dolorosos. • Idade, gestação, hipo ou hipertensão e alteração extrema do pH do líquido cefalorraquidiano alteram os valores de CAM. • Para utilização em anestesia cirúrgica trabalha-se com, no mínimo, a ED95 que corresponde, de maneira genérica, a 1,2 a 1,4 CAM. • Planos mais profundos de anestesia podem ser obtidos com valores de 2 CAM ou mais. • Agem por meio de depressão de vários locais do SNC. • Não há um mecanismo de ação único. • Mecanismos de ação mais estudados: • Nos receptores gabaérgicos: os canais de Cl– dos receptores GABA possuem locais moduladores para diversos fármacos anestésicos, incluindo os anestésicos inalatórios que, por sua vez, também modulam a captação e a síntese présináptica do GABA. • Canais de cálcio: pelo menos três classes de canais cálcio voltagem-dependentes estão ligadas à ação dos anestésicos inalatórios. • Esses agentes deprimem os receptores de canais de cálcio do tipo T que, por sua vez, são os responsáveis pelo controle da permeabilidade das membranas pós-sinápticas dos neurônios cerebrais. • Os anestésicos inalatórios também agem nos Receptores N-metil-Daspartato (NMDA). • Receptores muscarínicos centrais: ora agem causando depressão, ora estímulo, de maneira dependente da dose. • Os receptores nicotínicos neuronais (nAch) têm sua conformação estabilizada pelos anestésicos inalatórios. • Deprimem significativamente os canais de sódio voltagemdependentes. FARMACOCINÉTICA • Captação dos pulmões para o sangue, a distribuição no organismo e eventual eliminação pelos pulmões ou outras vias. • As moléculas de anestésico inalatório se movimentam dos meios em que estão exercendo pressão parcial maior para aqueles em pressão parcial menor, até que o equilíbrio se estabeleça. No estado de anestesia geral, as pressões parciais nos diferentes meios estão todas em equilíbrio, como a seguir: Na fase de indução anestésica há deslocamento entre os diferentes meios de cima para baixo, invertendo-se o sentido na fase de recuperação anestésica, com a interrupção da vaporização. A alteração do plano anestésico está diretamente relacionada à pressão parcial alveolar do anestésico inalatório e alguns fatores podem influenciá-la: • O aumento da captação alveolar: por aumento da concentração inspirada ou aumento da ventilação • Diminuição da taxa de remoção do anestésico do alvéolo: por redução da solubilidade do anestésico, redução do debito cardíaco, redução do gradiente anestésico venoso – alveolar. FARMACOCINÉTICA A alteração do plano anestésico está diretamente relacionada à pressão parcial alveolar do anestésico inalatório e alguns fatores podem influenciá-la: • O aumento da captação alveolar: por aumento da concentração inspirada ou aumento da ventilação • Diminuição da taxa de remoção do anestésico do alvéolo: por redução da solubilidade do anestésico, redução do debito cardíaco, redução do gradiente anestésico venoso – alveolar. Eliminação • A recuperação da anestesia inalatória resulta da eliminação desse agente do SNC. Isso ocorre com a redução da pressão alveolar do anestésico que leva à redução da pressão parcial arterial e no SNC. • Além desses mecanismos, a perda percutânea, a difusão intertecidual e o metabolismo também influenciam. Biotransformação • Os anestésicos inalatórios não são quimicamente inertes e, em graus variados e dependentes do agente, podem ser primariamente metabolizados no fígado e, em menor grau, nos pulmões, rins e trato intestinal. PRINCIPAIS ANESTÉSICOS UTILIZADOS EM MEDICINA VETERINÁRIA Óxido nitroso: Não halogenados • Não provoca inconsciência e imobilidade. • Utilizado somente como adjuvante da anestesia geral. Reduz a concentração do anestésico inalatório para manutenção do plano anestésico. • Alterações fisiológicas: Elevação da pressão arterial. Aumento da frequência cardíaca. Aumento do débito cardíaco. Aumento da frequência respiratória. Aumento da pressão intracraniana (PIC). Diminui o fluxo renal. Halotano Halogenados • Primeiro halogenado a ser utilizado clinicamente (1950). • Muitos efeitos indesejados, principalmente cardiovasculares. • Redução da pressão arterial • Redução do débito cardíaco de maneira dose-dependente • Depressão da resposta reflexa à hipotensão. • Frequência cardíaca tende a se manter inalterada.• Eleva a frequência respiratória. • Redução do fluxo sanguíneo hepático e renal. • Vasodilatação cerebral • Aumento da pressão intracraniana. • Entre os halogenados é o que leva a maior incidência de hipertermia maligna (HM). Enflurano • Líquido claro, de odor discreto e agradável. • Velocidade de indução e de recuperação médias. • Pode causar depressão do miocárdio. • Reduz o débito cardíaco e a pressão arterial. • Redução da frequência respiratória. • Aumento da PaCO2. • Pode desencadear convulsões, contraindicado em pacientes com histórico convulsivo anterior. • Reduz a taxa de filtração glomerular e o fluxo sanguíneo hepático. Isoflurano • Isômero do enflurano. • Forte odor. • Não precisa de conservantes químicos. • É o mais indicado para a utilização em pacientes de risco por ser o que produz menores alterações fisiológicas. • Potência mediana e indução anestésica rápida. • Os efeitos cardiovasculares são mínimos. • Depressão respiratória mais significativa que o halotano. • Elevação da PaCO2. • Efeitos sobre a pressão intracraniana e sobre os fluxos hepático e renal são bastante moderados. Sevoflurano • Não tem odor forte. • Agente inalatório mais indicado para a indução por meio de máscara facial. • No cão alguns autores têm relatado a ocorrência de hipotensão e taquicardia. • Poucos efeitos cardiovasculares. • Depressão respiratória. • Aumenta o fluxo sanguíneo cerebral e a pressão intracraniana. • Não produz convulsão. • Não altera o fluxo sanguíneo hepático. • Ligeira redução do fluxo sanguíneo renal. • A recuperação anestésica é rápida • Pode desencadear a síndrome de hipertermia maligna. Desflurano • Exige que seu uso seja feito em vaporizador específico. • Alto custo do equipamento. • Planos anestésicos são facilmente modificados pela alteração da concentração anestésica (menor coeficiente de solubilidade). • A indução da anestesia por máscara não recomendada: irritante às mucosas das vias respiratórias superiores. • Reduz da frequência cardíaca, do débito cardíaco e hipotensão. • Depressão respiratória. • Não provoca convulsões. • Não produz lesão renal ou hepática. EFEITOS TÓXICOS E CONTROLE DA POLUIÇÃO AMBIENTAL • A ocorrência de hepatite e necrose centrolobular pode estar relacionada ao uso do halotano. • Há estudos que relatam a ocorrência mais alta de abortos em profissionais de centro cirúrgico (volantes, enfermeiras, anestesiologistas) em virtude da exposição crônica ao halotano. • Malformação fetal nos filhos desses profissionais, tanto homens quanto mulheres. • A concentração máxima de anestésico inalatório aceitável em salas cirúrgicas é de 20 a 25 ppm para o N2O e 2 ppm para o halotano. Medidas preventivas: • instalação de sistemas antipoluição • Reduzir utilização de indução anestésica por máscara facial • Escolha de sonda traqueal de tamanho adequado • Interrupção da vaporização antes da desconexão do paciente.