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O caso João Hélio ocorreu no dia 7 de fevereiro de 2007. Foi um crime chocante que impactou o país. João Hélio, de seis anos, foi brutalmente arrastado por sete quilômetros pelas ruas do Rio de Janeiro, após bandidos roubarem o carro de sua mãe enquanto ele ainda estava preso ao cinto de segurança. Essa tragédia teve início quando os criminosos abordaram a mãe de João, que estava com ele e sua irmã mais velha no carro. Os criminosos expulsaram a mãe e a irmã do veículo, mas João ficou preso ao cinto, e os bandidos arrancaram o carro sem notar ou se importar com a presença da criança. João foi arrastado por vários bairros, em um percurso que terminou de forma trágica. A quadrilha era composta por cinco indivíduos: Carlos Eduardo, Ezequiel, Diego, Thiago e Carlos Roberto. Eles haviam se reunido com o propósito de roubar um carro e depená-lo, vendendo suas peças. Carlos Eduardo era o piloto do carro e foi um dos primeiros a ser identificado. A investigação mostrou que ele retornou ao Morro da Congonha, onde tentou usar um álibi, dizendo que não havia saído do local. No entanto, conseguimos quebrar esse álibi com o depoimento de uma testemunha, que confirmou que ele saiu e voltou depois de cometer o crime. Marginais muitas vezes estão preparados para mentir, mas as provas foram decisivas. Durante a investigação, identificamos todos os membros da quadrilha em 48 horas e, em 72 horas, todos estavam presos. Em quinze dias, o inquérito foi relatado e entregue à Justiça, com a confissão de Ezequiel e Diego. Carlos Eduardo e Tiago também foram reconhecidos, embora inicialmente tentassem negar participação no crime. O grupo agia com frieza e desprezo pela vida, fato que ficou evidente não apenas pelo crime cometido, mas também pelo comportamento dos criminosos durante o processo de investigação. A tarefa de lidar com o corpo de João Hélio foi especialmente difícil. Um corpo arrastado por sete quilômetros fica extremamente danificado, e a cena foi chocante para todos os envolvidos. Era possível ver pessoas cobertas pelo sangue da criança enquanto tentavam ajudar. Foi um momento de muita indignação e choque. A dor de lidar com o sofrimento da família e o peso da responsabilidade de buscar justiça eram imensos. Eu mesmo, sendo avô, senti uma conexão imediata com a dor da família, especialmente porque meu neto se parecia muito com João Hélio. Quando fomos até a casa da mãe de João Hélio, Rosa Cristina, para colher o depoimento, foi uma das tarefas mais difíceis da minha vida. Ninguém queria ser o primeiro a entrar na casa. Quando finalmente entrei, pedi desculpas a ela. Disse que 99% da esperança era de trazer seu filho de volta, mas, como não podíamos fazer isso, estávamos ali para fazer 1%, que era garantir que o crime não ficasse impune. Ela estava completamente dopada, e o depoimento foi interrompido várias vezes por causa da emoção. O momento foi extremamente doloroso para todos. Esse crime não impactou apenas a polícia e a família, mas também toda a sociedade. Durante as investigações, as ruas ficaram paralisadas. Fizemos medições ao longo do trajeto de Osvaldo Cruz até Cascadura, e ninguém buzinou, ninguém reclamou. As pessoas estavam em choque, respeitando o momento. A cada lugar onde passávamos, éramos aplaudidos. Nunca vi nada parecido na minha carreira. As pessoas choravam na delegacia, e até os promotores e juízes que lidaram com o caso se emocionaram. Isso foi algo que marcou todos os profissionais envolvidos. No entanto, também havia a fúria da população. A delegacia recebeu diversas ameaças, e tivemos que lidar com um ambiente de extrema tensão. As pessoas queriam justiça, e muitos queriam fazer justiça com as próprias mãos. Recebíamos ligações ameaçando explodir a delegacia, e a situação era perigosa. Mesmo assim, conseguimos conduzir a investigação e garantir a segurança de todos. Em relação às sentenças, Carlos Eduardo foi condenado a 44 anos e 3 meses de prisão, Diego a 43 anos, e Tiago e Carlos Roberto a 39 anos. Ezequiel, o mais jovem, recebeu uma pena mais leve, de três anos. Apesar disso, ele foi o mais frio e cruel do grupo. Foi ele quem deu a ordem para arrancar o carro, mesmo sabendo que João estava preso no cinto. Se ele não tivesse dado essa ordem, o carro não teria saído do lugar, e o crime não teria ocorrido da forma brutal como aconteceu. Ele era um psicopata, frio e calculista. Esses indivíduos demonstraram um total desprezo pela vida. Ezequiel saiu da prisão e voltou a delinquir, sendo preso novamente por outros crimes. Diego também continuou no caminho do crime, participando de sequestros e sendo condenado a mais oito anos de prisão. Carlos Eduardo já tinha antecedentes e também continuou a praticar crimes. Até hoje, nenhum deles mostrou sinais de arrependimento ou ressocialização. Esse caso foi um divisor de águas na relação entre a polícia e a imprensa. Conseguimos manter um nível de ética e respeito no tratamento das informações, e a imprensa respeitou o sofrimento da família, não divulgando detalhes desnecessários sobre o estado do corpo da criança. Isso foi algo positivo em meio a tanta dor. João Hélio era uma criança inteligente, muito próxima de sua família; seus pais e sua irmã gostavam de brincar com ele e com outras crianças. Ele era apenas uma criança em início de vida, vindo de um lar amoroso, onde sua mãe também costumava rezar. Infelizmente, sua história tomou um rumo trágico que causou a tristeza de todos nós. No dia do crime, a mãe de João Hélio, Dona Cristina, e sua irmã estavam na frente do carro, enquanto ele estava no banco de trás. Elas saíram de um centro espírita localizado na Rua João Vicente, em Bento Ribeiro, com destino à residência da família em Cascadura. Durante o trajeto, Dona Cristina começou a ser seguida por um grupo de criminosos: Carlos Eduardo, o motorista; Carlos Roberto, Diego e o menor, Ezequiel. Eles a seguiram até encontrarem um ponto mais apropriado para a abordagem. A região onde isso aconteceu tinha um histórico de roubos de veículos e assaltos a transeuntes, mas não era uma área extremamente perigosa. Quando chegaram à Rua João Vicente, esquina com a Henrique de Melo (Osvaldo Cruz), o carro foi interceptado pelos criminosos. Diego, armado, começou a bater no vidro do carro. Enquanto isso, Ezequiel entrou pelo lado do carona e Carlos Eduardo foi para o lado do motorista. Dona Cristina saiu do carro com a filha e tentou resgatar João Hélio. Durante a confusão, o garoto ficou preso pelo cinto de segurança. Ela gritou que ele estava preso, mas foi empurrada pelos criminosos, que a ignoraram e seguiram com o plano. João Hélio, desesperado, foi arrastado, pendurado pelo cinto. Um motociclista que presenciou a cena gritou e iniciou uma perseguição, mas ao entrar na Rua João Vicente, o corpo do menino, ainda pendurado, bateu em um quebra-mola. O sangue espirrou na moto do rapaz. Inicialmente, ele pensou que fosse um acidente e começou a buzinar e piscar os faróis, alertando os motoristas que passavam. Quando ele notou algo estranho e se aproximou, Carlos Eduardo, o motorista, respondeu que era apenas "um buraco de Judas". Os criminosos tentaram arrastar o corpo de João Hélio, fazendo zigue-zague com o veículo e jogando-o contra postes, mas não conseguiram. Após cerca de sete quilômetros, e em aproximadamente dez minutos, os criminosos pararam o carro, estacionaram com cuidado e deixaram o corpo de João Hélio, que ainda estava pendurado, antes de fugirem tranquilamente, como se nada tivesse acontecido. O caso começou a ser tratado na 30ª DP, passando pela 29ª e 28ª DP. Dona Cristina, mãe de João Hélio, foi à 28ª DP. Minha irmã, que morava na área, foi uma das primeiras a ver o corpo do garoto, o que me chocou ainda mais, pois cresci ali e conhecia bem o local. Com o avanço das investigações, conseguimos identificar rapidamente os suspeitos, incluindo Diego, que morava a quinhentos metros do local onde o corpo foi encontrado. A tragédia do caso de João Hélio ficou marcada na minha memória. Embora tenha lidado com muitos casos em meustrinta e dois anos de polícia, este me impactou profundamente. Todos os policiais envolvidos estavam dedicados a resolver o caso. Após algumas horas de trabalho intenso, obtivemos várias pistas e, em menos de 48 horas, o pai de Diego apareceu na delegacia, confirmando que seu filho estava envolvido. Ele estava preocupado com a violência da comunidade contra sua família, que estava sendo apedrejada. Essa preocupação levou a uma série de eventos que culminaram na prisão dos suspeitos. A investigação tornou-se um esforço conjunto, envolvendo policiais de várias delegacias e até mesmo da polícia militar. Havia uma determinação coletiva em solucionar o caso o mais rápido possível, e todos estavam dispostos a sacrificar seu tempo e energia para garantir que a justiça fosse feita. Este caso deixou uma marca em todos nós. A dor pela perda de uma criança tão inocente nos uniu na busca pela verdade e pela justiça. O impacto desse crime é algo que não pode ser esquecido, e continuamos a lutar para que casos como esse não se repitam. O comandante do nono batalhão também estava presente, mas não me recordo de seu nome. Nesse local, um orelhão em Madureira foi fundamental para localizar o menor, Ezequiel. Diego e Tiago abandonaram o corpo de João Hélio e deixaram o carro com Rosa Cristina, sua mãe. Dentro do carro havia apenas uma nota de cinco euros, que, para mim, simboliza o preço da vida de João Hélio. Após deixarem o corpo, Diego e Ezequiel foram para Madureira, na Rua Maria Freitas, conhecida por suas barracas. Eles trocaram os cinco euros por dez reais e consumiram dois cachorros-quentes e duas latas de refrigerante, o que, na minha visão, representa o preço da vida de João Hélio, que teve um fim tão brutal. Inicialmente, não tínhamos provas contra Tiago, que não confessou. À medida que as investigações avançaram, ele acabou se comprometendo. O táxi usado pelos cinco envolvidos — Carlos, Carlos Eduardo, Ezequiel, Tiago e Carlos Roberto — era do pai de Carlos Alberto, que o utilizava diariamente para trabalhar e foi chamado por eles para participar do roubo, já que haviam participado de outros assaltos em Madureira. Os dois foram os primeiros a serem presos e levados à delegacia, onde começamos a investigação. Fui à delegacia tratar de outro assunto com o doutor Hércules e, ao saber do caso, disse que um dos rapazes estava mentindo. Não lembro se era Carlos Eduardo ou outro, mas um deles estava na delegacia alegando envolvimento com um táxi, tentando encobrir a verdade. Informei ao doutor Hércules que tinha certeza de que isso era uma tentativa de engano. Carlos Eduardo foi encontrado no Morro da Congonha, uma comunidade em Madureira. Eles foram até lá para pegar Carlos Eduardo e realizar o roubo. Quando ele percebeu que tudo havia dado errado, voltou ao morro para criar um álibe. No entanto, conseguimos quebrar essa versão. Ele alegou que não havia saído do morro, mas conseguimos pegar o depoimento da namorada dele, que confirmou que ele havia saído e voltado em um período curto. Os marginais são treinados para enganar, mas a verdade sempre aparece. Um corpo arrastado por sete quilômetros fica extremamente danificado. Aquela cena foi chocante para todos os envolvidos. Aqueles que visualizaram o corpo, como Aldo, encontraram uma cena difícil de lidar. Precisamos ser muito profissionais para não deixar que isso nos afete e prejudique nosso trabalho. Acompanhei quase tudo. Esse tipo de ocorrência nos machuca muito. Sou casado e meu netinho se parecia muito com João Hélio, e em casa foi uma choradeira só, pois todos o achavam parecido com meu neto. No início, tive dificuldade em desenvolver meu trabalho; a voz estava presa. Nós, profissionais da polícia, sabemos que geralmente, quando uma quadrilha aborda um carro e percebe que há uma criança, costuma abortar a ação criminosa. Porém, nesse caso, não foi assim; eles continuaram mesmo vendo que o garoto estava preso ao cinto. Poderiam ter parado e jogado João Hélio para fora, como já aconteceu em outros casos, mas não. Eles prosseguiram e tentaram se livrar do corpo. Os motoristas que passavam pelo local e testemunharam a cena ficaram respingados de sangue do garoto, o que foi um momento extremamente chocante. As pessoas se aproximavam, cheias de sangue. É algo que foge a todo entendimento. Quando os envolvidos foram para o presídio, em questão de três ou quatro dias, voltaram todos marcados, não porque tenham sido agredidos, mas porque os próprios marginais do presídio não aceitaram aquela conduta. Mesmo no mundo do crime, há um certo respeito, e os marginais também têm família e filhos. Cabe a mim, então, a difícil tarefa de colher o depoimento daquela mãe. O cunhado dela, Gelson, marcou um encontro conosco. Fomos até a residência dela, e ao chegarmos, era fora da delegacia. Fizemos questão de estabelecer uma relação de intimidade, pois ninguém queria entrar primeiro. Então, eu me ofereci para entrar. Minhas primeiras palavras foram de pedido de desculpas, pois eu dizia que noventa e nove por cento da dor era dela. Contudo, não podíamos trazer de volta a vida do filho dela, e viemos para garantir que o um por cento que restava não ficasse impune. Estávamos lá eu, doutor Hércules, doutor Capotes, doutor Palácio e o promotor doutor Márcio. Era como se todos estivessem em um estado de choque. Quando sentei para abrir o notebook e preparar as perguntas para a declaração, não consegui ter coragem de olhar para ela. Rosa Cristina estava sentada à minha esquerda no sofá, parecendo dopada. Pedi água e a empregada da casa me levou até a cozinha. Fiquei sentado, suspirando para me recompor e tentar iniciar a declaração, mas naquele momento, não conseguia pensar em como fazer as perguntas que realmente precisávamos. O depoimento foi interrompido várias vezes e foi muito difícil de realizar. Esse foi o depoimento mais difícil da minha vida. O grupo não invadiu a delegacia, mas a situação foi tão intensa que não houve segurança suficiente. Pessoas influentes na época não tomaram providências por causa da imprensa presente, incluindo defensores públicos que tentavam proteger os autores. A revolta foi imensa, e muitos se dirigiam a nós. Não podíamos deixar que isso acontecesse, então conseguimos organizar um engarrafamento geral naquela área. Nunca vi algo parecido. Ninguém reclamava, ninguém buzinava, todos ficaram parados. À medida que avançávamos em direção à perícia, a equipe da polícia era aplaudida. Fizemos o percurso de Osvaldo Cruz a Cascadura, um trajeto longo de sete quilômetros, parando e fazendo medições, e ninguém buzinou durante o percurso. Fechamos o trânsito por completo, e isso foi um fenômeno que repercutiu muito. As pessoas saíam de seus carros e aplaudiam a polícia. Deixamos uma marca indelével em todos os profissionais envolvidos, não apenas entre os policiais, mas também entre repórteres e outras pessoas. Muitas delas choravam na delegacia. Fui chamado pelo Judiciário, onde a juíza também chorou ao conversar sobre o caso, assim como os promotores. Esse caso marcou muitos e foi um divisor de águas nas relações entre a polícia e a imprensa. Convoquei os repórteres e disse: "Olha, vocês não terão acesso aos laudos. O garoto está assim, assim, assim. E vocês não vão divulgar isso." Isso gerou um respeito mútuo, principalmente da imprensa em relação à vítima. Agradeço a todos os profissionais que trabalharam nesse caso; nunca havia visto algo semelhante. A fúria dos populares foi impressionante. Quando os envolvidos — Carlos Alberto, Carlos Eduardo, Tiago, Ezequiel e Diego — eram trazidos para diligências, a raiva era tanta que temíamos pelo pior. Recebíamos ligações ameaçando explodir a delegacia ou jogar granadas. Precisávamos de proteção não apenas para nós, mas também para eles e para os profissionais de imprensa. A delegacia ficou cercada e interrompeu suas atividades devido a esse caso. Tudo ficou parado; praticamente não atendíamos ninguém. A demanda era apenas esse caso. Todos os envolvidos foram identificados em um prazo de quarenta e oito horas,e o inquérito foi relatado com todas as técnicas em quinze dias, entregue à Justiça. Diego, Ezequiel, Tiago e Carlos Eduardo confessaram a participação na abordagem, mas Carlos Eduardo negou. Conseguimos provar tecnicamente, por meio de testemunhas e reconhecimento, que ele estava no local e foi o piloto do carro. A versão deles era de que estavam apenas "depenando" o carro; estavam roubando para conseguir dinheiro com as peças. A juíza elaborou uma sentença que considero muito bem feita, sem necessidade de retoques: Carlos Eduardo foi condenado a quarenta e quatro anos e três meses; Diego a quarenta e três anos; Tiago e Carlos Roberto pegaram trinta e nove anos; e Ezequiel, três anos. Na época, Tiago tinha uma família estruturada, enquanto Carlos Roberto parecia ingênuo. Acredito na recuperação de Tiago e Carlos Roberto, pois tive contato com eles várias vezes; não tinham o perfil de marginais. Por outro lado, Diego, Ezequiel e Carlos Eduardo eram atrevidos e perigosos, demonstrando desprezo total pela vida; eram frios e calculistas. A primeira pessoa que realmente precisa se resgatar e se ressocializar deve querer isso. Acredito na capacidade de arrependimento do ser humano e que nunca é tarde para mudar. Contudo, até o presente momento, vejo dificuldades na recuperação desses indivíduos. Não tinha acesso aos autos, mas comecei a fazer levantamentos. Fui ao local onde o corpo foi deixado e, através de amigos de infância, descobri que eles tinham um histórico de roubar e ameaçar pessoas, dizendo: "Você sabe quem sou eu? Se me denunciar, eu volto para te matar." Para se ter uma ideia, dois deles me conheciam e, durante uma acareação na delegacia, tentaram intimidar, dizendo que não eram filhos de pai assustado. Os quatro continuam presos. Recorremos, e até onde sei, na primeira e segunda instância, a sentença foi mantida em sua totalidade. No STJ, não sei como será o desfecho. No momento, estamos praticando a verdadeira justiça. Tiago e Carlos Roberto, que eram conhecidos, não souberam do paradeiro de Ezequiel. Este último foi preso novamente em flagrante em Iguaba ou São Pedro da Aldeia e reincidiu em diversos crimes. Diego respondia a um processo na vara criminal de Bangu e foi condenado a mais oito anos; também participou de um sequestro falso por telefone. Carlos Eduardo tinha antecedentes, mas não me recordo se estava com algum benefício. Um nome que nunca esquecerei é Ezequiel, pois, em minha opinião, foi o pior de todos. Se ele não tivesse mandado arrancar com o carro e colidido, é possível que o crime não tivesse ocorrido. Ele era o mais frio do grupo. Embora eu não seja médico, pela experiência na polícia, posso dizer que ele apresentava características de psicopatia. Tinha um olhar ameaçador e era calculista. Acredito que ele era um dos mais perigosos. Cumpriu três anos e recebeu um benefício do juiz de primeira instância, mas essa regalia foi cassada pela quarta câmara criminal. Depois de sair, foi preso novamente na Região dos Lagos. Quero acreditar que, por ser menor, ele não tinha maturidade para compreender a gravidade do que estava fazendo. Com o tempo e a idade, as pessoas se tornam mais conscientes de suas responsabilidades e aprendem a distinguir o que é certo e o que é errado. Se ele fosse um reincidente, ficaria mais difícil acreditar que não soubesse o que estava fazendo. Se essa fosse a primeira vez dele e ele não tivesse feito nada depois, talvez pudesse se regenerar. Contudo, a falta de orientação quando criança pode levá-lo a acreditar que o que deseja é tomar o que quer, em vez de trabalhar para conseguir. A mãe de João Hélio, Rosa Cristina, é formada em Ciências Contábeis, e o pai, Welson Weetz, é formado em Administração de Empresas. Eles tinham uma vida tranquila até que esse evento descontrolou tudo. Hoje, creio que estão, mais ou menos, sob controle. O pai de João Hélio é uma pessoa relativamente calma e religiosa. Graças a Deus, ele encontrou forças para comparecer a todos os processos, mantendo-se sereno e fornecendo informações à imprensa, advogados e delegados. Perdas dessa magnitude só podem ser superadas com proteção divina. Pessoalmente, não sei se conseguiria suportar uma situação assim. Que Deus traga conforto ao coração deles. Infelizmente, não podemos fazer justiça com nossas próprias mãos; dependemos da justiça dos homens, mas isso é difícil. Acredito que a família de João Hélio ficou praticamente arrasada, assim como as nossas que lidaram com esse caso. Essa experiência deixará uma marca eterna em nós. É uma ferida que nunca cicatriza completamente; com o tempo, a dor ameniza, mas esquecer é impossível. Assim, é uma família que viverá eternamente em luto pelo que aconteceu.