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Sumário 
 
Breve histórico ........................................................................................................................... 3 
Diretrizes curriculares e formação do profissional..................................................................... 4 
Atuação profissional ................................................................................................................... 5 
Atendimento domiciliar .............................................................................................................. 7 
Avaliação fisioterapêutica do paciente idoso ........................................................................... 14 
ENVELHECIMENTO: ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS .................................................. 20 
O IDOSO NA GERIATRIA E NA GERONTOLOGIA .......................................................... 32 
Características da Fisioterapia Gerontológica .......................................................................... 35 
FISIOTERAPIA COMO PREVENÇÃO ................................................................................. 43 
O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO (SUS) E O SUAS ESTRATÉGIAS 
EM SAÚDE .............................................................................................................................. 47 
POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DO IDOSO ................................................................. 50 
FISIOTERAPIA NA SAÚDE DO IDOSO .............................................................................. 53 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 57 
 
 
 
3 
 
Sobre a fisioterapia 
 
 O surgimento da Fisioterapia no Brasil ocorre no final do século XIX. Contudo, 
somente em 1959 é criada a Associação Brasileira de Fisioterapeutas que, juntamente 
com a criação do primeiro curso superior de Fisioterapia em São Paulo e com a 
regulamentação da profissão sob Decreto-Lei 938/69 de 1969, impulsionou o 
desenvolvimento da profissão enquanto atividade de saúde (GAVA, 2004, P.27). 
 
Breve histórico 
 
 Segundo Rebelatto (1999, p.42), as primeiras definições de Fisioterapia 
surgiram “menos como área de estudo e mais como ramo de trabalho”, avançando frente 
a demanda da reabilitação. Contudo, conforme aponta Gava (2004, p.32), “avançava 
sem autonomia sobre os seus tratamentos, sendo estes restritos aos médicos, (...) 
trazendo a herança do auxiliar técnico e do profissional restrito à reabilitação”. Assim, 
avançava sem desenvolver, a princípio, uma observação crítica, uma reflexão, um 
estudo sobre sua prática. 
 Para Nascimento (2006, p.244), “a formação desse profissional atravessada pela 
medicina parece ter dificultado a autonomia e a vinculação do fisioterapeuta com a 
comunidade, transformando-o em um profissional auxiliar, subordinado às regras 
emitidas pelos médicos”. A valorização do saber sobre a técnica, traduzida como 
condições necessárias para a obtenção de resultados na atuação profissional, sempre 
presente na prática da fisioterapia, é também evidenciada nos referenciais teóricos. 
Como bem lembra Bienfait (1997, p.13), “tal postura é vista nos livros acadêmicos que 
se preocupam com cálculos de ângulos precisos, raciocínios teóricos baseados em 
princípios mecânicos que, na maioria das vezes, não levam a algo prático e sim, apenas 
constatações mecânicas”. Essa postura contribuiu significativamente para a 
consolidação da profissão na área da saúde, porém, os raciocínios teóricos mecânicos 
incipientes orientaram uma prática fragmentada. 
Assim, de forma circular, as bibliografias disponíveis influenciavam o estudo da 
prática vinculada ao modelo biomédico. A tudo isso, se soma o desenvolvimento do 
aparato tecnológico e a massificação dos atendimentos e dos tratamentos de fisioterapia. 
Atualmente a Fisioterapia, em seu contexto profissional, busca preencher suas lacunas 
 
4 
 
históricas e ao mesmo tempo propor a atualização de seu conteúdo, solidificado em uma 
base prática, fragmentada e mecanicista, sem grandes reflexões e estudos específicos 
sobre o ser humano e o seu corpo, em sua amplitude nas dimensões biológica, 
psicológica e social. Sabe-se da difícil e trabalhosa tarefa de se criar possibilidades de 
abertura para novos conceitos, novas proposições de abordagem e novas propostas 
práticas. A fisioterapia deve buscar conhecimentos que permitam orientar uma proposta 
de tratamento condizente com a faixa etária e com a realidade de cada paciente, 
evoluindo para compreender o significado do corpo e a dimensão que o movimento tem 
para esse indivíduo, em seu particular e no seu social. 
 
Diretrizes curriculares e formação do profissional 
 
 Em 2002, após 33 anos de profissão no Brasil com base nesse modelo 
biomédico, o Conselho Nacional de Educação, através da Câmara de Educação 
Superior, apresenta as novas diretrizes curriculares propostas para os cursos de 
graduação em Fisioterapia a fim de orientar a organização curricular das Instituições do 
Sistema de Educação Superior do País. O objetivo é formar o egresso/profissional – o 
Fisioterapeuta – com uma visão ampla e global, respeitando os princípios 
éticos/bioético e culturais do indivíduo e da coletividade. 
 As diretrizes curriculares, através do artigo 5°, diz do papel social da 
fisioterapia destacando, o objetivo de dotar o profissional de conhecimentos requeridos 
para o exercício de suas competências e habilidades, contribuindo para a manutenção da 
saúde, bem-estar e qualidade de vida das pessoas, famílias e comunidades, considerando 
suas circunstâncias éticas, políticas, sociais, econômicas, ambientais e ecológicas. Deve 
exercer sua profissão de forma articulada ao contexto social, entendendo-a como uma 
forma de participação e contribuição social. 
 O entendimento do papel social da profissão, como citam Gava (2004) e 
Almeida e Guimarães (2009), contribui para o desenvolvimento de uma postura ética, 
generalista, reflexiva, crítica, humanizada e criativa que devem estar, através da 
formação acadêmica, presentes na prática fisioterapêutica. 
 A tentativa é de balizar os cursos e conferir a eles maior qualidade, sugerindo 
uma formação profissional generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitando o 
profissional a atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com base no rigor científico 
 
5 
 
e intelectual. Logo, fica estabelecido que seja competência do fisioterapeuta mais que 
somente aplicar técnicas, respeitar a integralidade do paciente, como um ser que está no 
mundo e como um corpo que carrega uma identidade. 
Assim, a temática de humanização na fisioterapia, inserida nas diretrizes 
curriculares, se dá através de uma perspectiva de atuação profissional que se preocupa 
em atender o sujeito/paciente e não apenas o membro/patologia. No momento, se faz 
necessário interpretar a sugestão de uma formação generalista, entendendo, a princípio, 
que é necessário abarcar diferentes saberes e associá-los a uma postura crítica e 
reflexiva dа prática fisioterapêutica, para além da técnica, contribui para uma formação 
humanizada. 
Acredita-se necessário rever a prática fisioterápica e as práticas de “tratamento 
em massa”, de cunho tecnicista e tradicional, que aborda o indivíduo de forma 
fragmentada, produzindo pacientes insatisfeitos com o tratamento. Há que se considerar 
o impacto das ações do profissional da fisioterapia, no indivíduo e no grupo social no 
qual está inserido. Essas considerações orientam a uma prática mais humana, 
socializada e completa em sua conduta. É igualmente importante uma contínua 
avaliação e acompanhamento desse indivíduo, estabelecendo também uma preocupação 
com a forma como ele1914. Hoje, o campo da Geriatria compreende a 
prevenção e o manejo das doenças do envelhecimento. (BEAUVOIR, 1990; 
NERI,2005). 
Em 1942, foi criada a American Geriatric Society e, em 1946, a Gerontological 
Society of America e a Division of Maturity and Old Age da American Psychological 
Association. Ambas surgidas em decorrência do aumento no interesse pelo estudo da 
velhice e pelo crescimento no número de idosos nos Estados Unidos. 
De acordo com Netto (2006), em 1961 foi fundada a Sociedade Brasileira de 
Geriatria (SBG), que teve como primeiro presidente Roberto Segadas e, posteriormente, 
em 1968, devido a inclusão de sócios não médicos passou a ser designada Sociedade 
Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). 
Segundo Netto (2006), a gerontologia é a ciência que estuda os idosos, as 
características da velhice enquanto fase final do ciclo de vida e seus determinantes 
biopsicossociais; estuda também o processo de envelhecimento normal e patológico. 
Por todas as vertentes envolvidas e por estudar o idoso em todos os seus aspectos – 
físicos, biológicos, psíquicos e sociais – a Gerontologia deve ser considerada um campo 
de conhecimento multidisciplinar e interdisciplinar. 
De acordo com Neri (2005), embora a gerontologia seja um campo que envolve 
muitas disciplinas, a pesquisa está em torno do eixo formado pela biologia, pela 
psicologia e pelas ciências sociais, com seus modelos, métodos e teorias. Outras 
disciplinas e interdisciplinas, a exemplo da filosofia, da história, da neuropsicologia e da 
biodemografia, contribuem para a descrição e a explicação da dinâmica da velhice e do 
envelhecimento. 
A Gerontologia também mantém interfaces com outras áreas profissionais e de 
conhecimento, dentre as quais se destacam a clínica médica, a psiquiatria, a geriatria, a 
fisioterapia, enfermagem, o serviço social, direito, arquitetura, entre outras, das quais 
 
34 
 
derivam respostas aos problemas individuais e sociais, novas tecnologias, evidências e 
hipóteses para a pesquisa. Por tudo isto, os achados de Neri (2005) corroboram com os 
achados de Netto (2006) quando este diz que a Gerontologia é um campo 
multiprofissional e multidisciplinar. 
Quando determinada área recebe esta influência da gerontologia, ou seja, aborda 
o idoso considerando os seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais, por exemplo, a 
fisioterapia gerontológica, isto denota que, sob o olhar dos aspectos fisioterapêuticos, o 
idoso deve ser abordado em sua totalidade. 
De acordo com Beauvoir (1990), Neri (2005) e Netto (2006), diante deste vasto 
campo de conhecimento, a Gerontologia pode ser dividida em: 
Gerontologia Social: esse termo foi usado pela primeira vez por Clark Tibbits 
em 1954 para descrever a área da gerontologia que se ocupa com os aspectos não 
orgânicos do envelhecimento, com o impacto das condições sociais e socioculturais 
sobre o processo do envelhecimento e das consequências sociais. São assuntos 
importantes nesse campo: atitudes em relação à velhice, práticas e políticas sociais, 
formas de gestão da velhice pelas instituições sociais e pelas organizações 
governamentais e não governamentais, redes de suporte social, entre outros. A 
Gerontologia Social envolve conhecimentos produzidos na Filosofia, nas Ciências da 
Saúde e em ciências como a Antropologia, a Sociologia, a Economia, a Psicologia, o 
Direito, a Demografia, o Urbanismo etc. 
Geriatria: tem por objetivo estudar as doenças do envelhecimento/velhice e ao 
tratamento das mesmas, além dos aspectos curativos e preventivos da atenção à saúde 
do idoso. Guarda relação com disciplinas da área médica, como a neurologia, 
cardiologia, psiquiatria entre outras, além de manter ligação com áreas não médicas 
como a fisioterapia, enfermagem, nutrição, entre outras. 
 Quando determinada área recebe influência da geriatria, ou seja, tem um caráter 
mais voltado ao tratamento de doenças, por exemplo, a fisioterapia geriátrica, demonstra 
que o seu foco de estudo concentra-se nas doenças do envelhecimento e nos métodos e 
técnicas para preveni-las. 
Gerontologia Biomédica: estuda o envelhecimento do ponto de vista molecular 
e celular (biogerontologia), além de pesquisar a prevenção de doenças associadas. Na 
gerontologia biomédica, as pesquisas estão direcionadas para obter respostas sobre 
“como” e “por que” envelhecemos. 
A gerontologia é, portanto, uma ciência que considera o indivíduo idoso como 
 
35 
 
um ser complexo; ser que demanda uma visão holística, ou seja, uma visão que articula 
os aspectos bio-fisiológicos, psicológicos, existenciais, econômicos, culturais e sociais. 
Segundo Camacho (2002), a equipe multidisciplinar que assiste o idoso pode 
aliar os resultados de múltiplas especialidades, cada uma com seus esquemas 
conceituais de análise, instrumentos e técnicas metodológicas de assistência e de 
pesquisa, com uma integração conveniente em relação ao idoso. 
 
 
 
 
 
Características da Fisioterapia Gerontológica 
 
 Diante do que foi exposto sobre a geriatria e a gerontologia, a seguir vamos 
detalhar as áreas de especialização da fisioterapia: 
 Fisioterapia Geriátrica: área que contempla conteúdos voltados ao processo de 
tratamento das doenças e aos métodos e técnicas para preveni-las, sob a ótica dos 
conhecimentos da Fisioterapia. 
 Fisioterapia Gerontológica: área que atua na prevenção e reabilitação do 
idoso, com o objetivo de minimizar as consequências das alterações fisiológicas e 
patológicas do envelhecimento, tendo como base de conhecimento as técnicas e 
métodos aprendidos na Fisioterapia. 
Assim sendo, o enfoque da fisioterapia gerontológica não é apenas o tratamento 
das doenças do envelhecimento e o modo de preveni-las; seu grande diferencial é que a 
abordagem feita ao idoso considera os seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais. 
O fisioterapeuta especialista em gerontologia ou que tenha um conhecimento sobre a 
gerontologia deve incluir, em seu tratamento, uma abordagem diferenciada do paciente; 
um olhar humanizado e integral pautado pelo princípio de quem tem à frente um sujeito 
idoso; uma pessoa que possui uma longa história de vida, ou seja, alguém que apresenta 
– ainda que com grandes variações individuais – particularidades do processo de 
envelhecimento. 
A estas reflexões sobre particularidades do envelhecimento, acrescento Mucida 
(2004; pg. 16), para quem “cada um envelhece de seu próprio modo. Como um quadro, 
a velhice depende das mãos de seu pintor, da escolha das tintas, do desenho a ser 
 
36 
 
delineado por um olhar que escapa [...]”. 
Tratando-se da singularidade, não podemos nos esquecer da definição de Morin, 
cada indivíduo numa sociedade é uma parte de um todo, que é a sociedade, mas esta 
intervém, desde o nascimento, com sua linguagem, suas normas, suas proibições, sua 
cultura, seu saber; [...] O todo está na parte. (Mas) o princípio ‘o todo está na parte’ não 
significa que a parte seja um reflexo puro e simples do todo. Cada parte conserva sua 
singularidade e sua individualidade, mas, de algum modo, contém o todo. (1996:275) 
De acordo com Netto (2006), há que observar alguns aspectos centrais - 
histórico clínico, familiar, social e psicológico do idoso - buscando a integração 
multidisciplinar, além do envolvimento com a família e cuidadores. 
Segundo Karsch (2008), o cuidador principal é aquele que mais conhece o idoso; 
é aquele que sabe das suas resistências, das reações aos medicamentos. É quem conhece 
o sono e a insônia do idoso, seu humor, as coisas que o alegra e entristece. Sem dúvida, 
é ele o melhor e mais eficiente informante sobre o paciente, podendo relatar sobre as 
ocorrências entre uma visita e outra. Ele pode ser um grande parceiro do profissional da 
saúde, seja ele fisioterapeuta, médico, enfermeiro, entre outros profissionais que 
prestam assistência a este idoso. 
O cuidadordeve ser muito bem orientado pelo profissional, já que em caso de 
emergência será ele que cuidará e prestará assistência ao idoso. 
No caso, específico da fisioterapia, a atuação do cuidador é ainda mais 
importante; se o fisioterapeuta explicar alguns exercícios e orientar algumas técnicas 
que o cuidador pode utilizar no paciente, este pode ter uma melhora ainda maior. Isto 
porque o paciente, em alguns casos até necessitaria de atendimento fisioterapêutico 3 a 
4 vezes por semana, mas por dificuldades financeiras que a família apresenta, ou 
questões burocráticas do plano de saúde, não é possível realizar as sessões com esta 
frequência. 
Ainda de acordo com Netto (2006), o fisioterapeuta com especialização em 
gerontologia deve ter um conhecimento amplo; conhecimento necessário tanto para 
atender ao paciente, como para interagir com a equipe de profissionais. Mesmo nos 
casos em que os pacientes não tenham condições de o tratamento ser realizado por 
diversos profissionais, cabe ao fisioterapeuta ter uma abordagem integral do mesmo. 
A fisioterapia gerontológica supõe um atendimento global do paciente; como 
antes mencionado; a seguir, será mais detalhado atendimento que se inicia com uma 
anamnese minuciosa, uma avaliação detalhada e prossegue com plano de tratamento, 
 
37 
 
podendo o fisioterapeuta utilizar os vários recursos oferecidos pela fisioterapia, 
incluindo o treino de equilíbrio e marcha, ganho de força muscular, flexibilidade e 
propriocepção, um programa para prevenção de quedas por meio de orientações e 
adaptação ambiental, além de outras condutas de acordo com as necessidades de cada 
idoso. 
Entretanto, atualmente o que se observa é uma falta de profissionais 
qualificados, o que nos faz refletir sobre a necessidade de uma melhor qualificação 
quando se trata do atendimento ao idoso; contribuindo, igualmente, para que este novo 
campo do saber - a fisioterapia gerontológica - ganhe cada vez mais espaço, com o 
intuito de possibilitar respostas interdisciplinares às novas e variadas demandas surgidas 
com o atual processo de envelhecimento populacional. 
De acordo com Sá (2006), apesar dos avanços significativos, a formação dos 
profissionais que atuam na área da gerontologia carece, até o momento, de um 
referencial que permita explicitar a real inteligibilidade desse processo de formação 
profissional. 
Para Netto e Yuaso (2007), em se tratando desta qualificação profissional 
objetivando propiciar atenção abrangente à saúde do idoso o ideal seria incentivar a 
formação de equipes de profissionais de diferentes disciplinas, que, imbuídos dos 
mesmos princípios e atuando nas suas áreas de conhecimento e prática, pudessem 
interagir com os demais, constituindo assim a essência da interdisciplinaridade/ inter-
profissionalidade. 
Na epígrafe deste capítulo, Paulo Freire afirma que só há vida quando existem 
projetos. De acordo com ALMEIDA (2005; p.107) a essa afirmação, acrescentaríamos 
que os projetos dependem, por sua vez, da plena constituição de sujeitos. Isso porque 
existe uma incompatibilidade radical entre a situação de heteronomia (dependência) e a 
condição de sujeito; condição que implica a reapropriação, pelo homem, dos meios que 
lhe permitam “traçar um caminho pessoal e original na organização de sua vida, meios 
que não se restringem, apenas, à capacidade de reflexão, mas à possibilidade de ter 
esperança e potencializar esta esperança em ação”(apud. Sawaia; 1994:52). 
ALMEIDA acrescenta, ainda, que a: Autonomia e emancipação lastreiam a 
concepção de sujeito [...] (nesta concepção reside uma nova ambiguidade) [...] assumir 
a condição de sujeito não é uma “rua de mão única”, não é algo que dependa 
exclusivamente dos próprios idosos. Por maiores que sejam os esforços, eles serão 
incrivelmente discretos se permanecerem distante das representações que habitam o 
 
38 
 
imaginário construído em torno da velhice. Assim, a emancipação depende, 
fundamentalmente, da desconstrução de um imaginário prenhe de estigmas e 
preconceitos, e pelo reconhecimento social dos que envelhecem e dos que já se situam 
na categoria “idosos”. (2005; p. 108) 
A esta discussão sobre o imaginário social construído em torno da velhice, vale 
ressaltar as considerações de Mercadante (2008). Segundo a autora, o conhecimento da 
existência de um modelo social amplo e geral de velho, presente no imaginário social, 
que se constrói pela contraposição à identidade de jovem, leva-nos a pensar sobre 
questões relativas à construção da identidade do idoso e de como esta mesma identidade 
é sentida e vivida por aqueles indivíduos classificados como velhos. 
De acordo com Mercadante (2008), no modelo social de velho, as qualidades a 
ele atribuídas são estigmatizadoras e contrapostas às atribuídas aos indivíduos jovens. 
Com isto, qualidades como atividade, produtividade, memória, beleza e força são 
características presentes no corpo dos jovens e as qualidades opostas estão presentes no 
corpo dos idosos. 
Para expandir um pouco as reflexões acima, ALMEIDA, escreve que: “[...]nas 
sociedades modernas, a velhice é sinônimo de recusa e banimento. Recusa vestida com 
diferentes roupagens: algumas, bastante evidentes, passam pela segregação e pelo 
isolamento social, pela ruptura dos laços afetivos, familiares e de amizade, pela negação 
do direito de pensar, propor, decidir e fazer; outras, mais sutis, são encontradas, no tom 
protetor, muitas vezes cercado de cinismo, com que lidamos com nossos “velhinhos”. 
(2003; pg. 41) 
ALMEIDA (2003; p. 41) comenta que “o uso, amplamente difundido, da palavra 
‘velho’ no modo diminutivo, surge cercado de ambiguidades”. Um deles é o caráter 
afetivo e carinhoso, em que algumas vezes pode representar a reciprocidade desejada 
nas relações inter-relacionais. Outro significado é quando esta denominação expressa à 
condição de “menoridade”, negando ao velho a possibilidade de ele constituir-se como 
sujeito. 
GOLDFARB (1998) corrobora estas afirmações no momento em que descreve 
que o fato de ser jovem ou ser velho, aparentemente uma questão simples para o 
indivíduo, passa a tornar-se incerto quando as noções de juventude e velhice sofrem 
sérias transformações ao longo dos tempos e acrescenta: Quando temos 5 anos o velho 
tem 30, quando atingimos os 40, o velho não pode ter menos de 70. E quando estamos 
nos 80.........o velho é sempre o outro, como dizia Simone de Beauvoir (1970), que 
 
39 
 
incluía a velhice na categoria dos “irrealizáveis” sartreanos. Irrealizável porque não 
podemos reconhecer a velhice em nós mesmos, só podemos vê-la nos outros, embora 
eles tenham a nossa idade. A dificuldade principal para categorizar a velhice consiste 
em que ela não é unicamente um estado, mas um constante e sempre inacabado 
processo de subjetivação. Assim podemos dizer que na maior parte do tempo não existe 
um “ser velho”, mas um “ser envelhecendo”. (GOLDFARB, 1998, p 10) 
E pode ser exatamente por isto; por envelhecermos a cada dia, que acabamos 
não “percebendo” este envelhecimento; é como se quem envelhecesse fosse sempre o 
outro, como menciona Messy (1992; p. 10) “Somos sempre o velho de alguém”. Para o 
autor o envelhecimento é um processo que se inscreve na temporalidade do indivíduo, 
começando com o nascimento até o fim da vida, sendo efeito de uma sucessão de perdas 
e aquisições. Acrescenta ainda dizendo, envelhecemos como vivemos, nem melhor, nem 
pior. Trata-se de uma questão de equilíbrio entre estas duas noções. (p. 16); Se o 
envelhecimento é o tempo da idade que avança, a velhice é o da idade avançada, 
entenda-se, em direção à morte. (1992; p. 17) 
Corroborando as afirmações acima, encontramos Beauvoir (1990) mencionando 
que na velhice, a decadência e a finitude são características percebidas mais pelos outros 
que convivem com o idoso do que ele próprio. O sujeito, portanto, vê o seu 
envelhecimento,a sua velhice, pelo olhar do outro ou ele se vê velho pela imagem que o 
outro lhe devolve. 
 Na década de 70 Beauvoir já observava que as pessoas tinham dificuldade para 
aceitar e enfrentar as mudanças que ocorriam com o envelhecimento, tendendo a se 
fixarem no antigo eu visando se sentirem imutáveis. O passado para os idosos 
representa o que é conhecido e lhes dá segurança, enquanto o presente e o futuro são 
uma incógnita, tanto em relação à sua posição na sociedade como à sua identidade. 
Mucida (2004) acrescenta que o idoso tende a recordar insistentemente seu 
passado porque nesse tempo ele era sujeito da sua história e, ao recordar e recontar os 
passos vividos, ele tenta atualizar o que já foi. Ainda para a autora, esse movimento do 
idoso no sentido de reconhecer-se como contador de sua história é fundamental para sua 
vida e para se fortalecer ante uma cultura que tende a despojá-lo de sua posição de 
sujeito desejante. 
Independente da idade cronológica, o sujeito que deixa de desejar, de sonhar, de 
ter objetivos de vida, envelhece, pois, a velhice é um estado de espírito, nada tem a ver 
com a idade cronológica. 
 
40 
 
Segundo Mucida (2004), existem velhos de 20 anos e jovens de 90; porém, não 
se pode desconsiderar que o tempo passa e as incidências da “velhice” aos 20 anos e aos 
90 anos são bem diferentes, pois há uma distância entre os projetos que se gostaria de 
realizar e a possibilidade de realização, quando se está em cada fase da vida. Muitos dos 
projetos futuros tornam-se inviáveis a partir de determinada idade. No entanto, se os 
desinvestimentos do sujeito em relação ao mundo externo tornam-se muito 
significativos na vida dele, a velhice tomaria a forma de morte real ou psíquica. 
De acordo com Neri (2001), viver plenamente a maturidade e a velhice 
dependem de ressignificar a finitude, já que a morte faz parte do curso natural da vida. 
A negação desta realidade reflete-se nas maneiras como indivíduos e sociedades 
escondem, evitam e rejeitam a velhice. 
Para ampliar esta discussão, vale destacar Medeiros que se refere à finitude e à 
morte quando define o que é envelhecimento e velhice, colocando de forma sintética e 
brilhante assuntos tão profundos e complexos: O envelhecimento não é um evento com 
data marcada, mas é um processo que se dá durante toda a nossa trajetória. Nascemos 
envelhecemos, e durante toda a nossa vida sempre somos mais jovens e mais velhos que 
alguém. O envelhecimento é um processo e a velhice é uma etapa da vida. Somos 
finitos, portanto morremos, fato que pode ocorrer em qualquer momento de nossa 
existência, e não somente na velhice. (Medeiros; 2008: 189) 
ALMEIDA (2003, apud Bosi; 1973), lembra que a velhice é, ao mesmo tempo 
um destino biológico do indivíduo e uma categoria social, tendo em cada sociedade um 
estatuto contingente. Assim, a sociedade industrial é maléfica para a velhice [....]. A 
sociedade rejeita o velho, não oferece nenhuma sobrevivência à sua obra. Perdendo 
força de trabalho já não é produtor nem reprodutor. (1973:35) 
De acordo com Mucida (2004) a velhice enquanto categoria social não diz nada 
a respeito de cada sujeito. Dizer que uma pessoa tem 60 anos, 70 ou mais, mesmo que 
isso nos dê algumas sugestões sobre os aspectos corporais, fisiológicos ou mesmo 
sociais, não indica como cada sujeito vivencia tais inscrições, de acordo com seus traços 
e sua história. 
Apesar de nossa sociedade inspirar-se nos princípios do respeito e da amizade, 
para Lasch os idosos são vistos como, [...] inúteis, força-os a se aposentar antes de ter 
exaurido sua capacidade para o trabalho e reforça seu senso de superfluidade em todas 
as oportunidades...Ao desvalorizar a experiência e dar muito valor à força física, 
destreza, adaptabilidade e à capacidade de surgir novas ideias, a sociedade define a 
 
41 
 
produtividade em modos que automaticamente excluem os cidadãos mais velhos. (apud. 
ALMEIDA; 2003; p.42) 
Diante de toda esta discussão sobre a estigmatização do idoso na sociedade 
podemos perceber o quanto este assunto é complexo. E quando nos referimos a 
complexidade não podemos nos esquecer das reflexões de Edgar Morin. Em um de seus 
textos, intitulado “Epistemologia da Complexidade”, Morin afirma: Quando dizemos: 
“É complexo, é muito complexo!, com a palavra “complexo” não estamos dando uma 
explicação, mas sim assinalando uma dificuldade para explicar.” Designamos algo que, 
não podemos realmente explicar, vamos chamar de “complexo”. Por isto é que, se existe 
um pensamento complexo, este não será um pensamento capaz de abrir todas as portas, 
mas um pensamento onde estará sempre presente a dificuldade. No fundo, gostaríamos 
de evitar a complexidade, gostaríamos de ter ideias simples, leis simples, fórmulas 
simples, para compreender e explicar o que ocorre ao nosso redor e em nós. Mas, como 
essas fórmulas simples e essas leis simples são cada vez mais insuficientes, estamos 
confrontando com o desafio da complexidade..... Pode-se dizer que há complexidade 
onde quer que se produza um emaranhado de ações, de interações, de 
retroações.(MORIN, 1996, p. 274) 
Em se tratando da complexidade na velhice, retomamos Mercadante (2005) 
quando esta autora afirma que se tentarmos responder a questão sobre o que é a velhice, 
podemos encontrar respostas simples, que definem a velhice como um fenômeno 
biológico, como um processo natural que acontece a todos os seres vivos, e 
encontramos na literatura muitas referências sobre este assunto. 
De acordo com Morin (1996) o ser humano aprende muito bem a separar as 
coisas; afirma que a tendência é separamos um objeto de seu ambiente, isolar um objeto 
em relação ao observador que o observa, acrescenta ainda, que o nosso pensamento é 
disjuntivo e, além disso redutor; enfim, buscamos a explicação de um todo através da 
constituição de suas partes. 
Segundo Mercadante (2005), este pensamento redutor e disjuntivo, ao qual 
Morin (1996) se refere não contribui para analisar de forma ampla e profunda a velhice, 
que se mostra como um fenômeno multifacetado em que ao lado dos fatores biológicos, 
temos também as diversas situações socioculturais e históricas deste mesmo fenômeno. 
Para Mercadante (2005; p. 25), “a diversidade sociocultural indica a existência de uma 
pluralidade de formas de viver a vida pelos assim denominados velhos”. 
Em sua pesquisa sobre o assunto, a autora observou que a análise da diversidade 
 
42 
 
evidencia relações desiguais, formas diferenciadas de comportamento que ocorrem no 
interior dos vários grupos sociais em que há a presença de idosos. A diversidade 
investigada e analisada por Mercadante (2005) revela a heterogeneidade da velhice, 
evidenciando assim uma situação complexa. A complexidade também está presente nos 
estudos realizados pela antropologia, entre as várias sociedades primitivas, em que se 
encontra em um primeiro momento a presença da heterogeneidade. 
Se o envelhecimento é complexo, nada mais natural do que “querer eliminar este 
problema”; como isto não é possível, recorremos às reflexões de Simone de Beauvoir, 
na clássica obra, A Velhice (1990), em que a autora escreve algumas palavras bem 
interessantes que auxiliam na compreensão do “por quê” da velhice ser uma questão tão 
complexa. Para a autora velhice é: É um fenômeno biológico: o organismo do homem 
idoso apresenta certas singularidades. Acarreta consequências psicológicas: 
determinadas condutas, que são consideradas típicas da idade avançada. Tem uma 
dimensão existencial como todas as situações humanas: modifica a relação do homem 
no tempo e, portanto, seu relacionamento com o mundo e com sua história. Por outro 
lado, o homem nunca vive em estado natural: seu estatuto lhe é imposto tanto na 
velhice, como em todas as idades, pela sociedade a que pertence. A complexidade da 
questão é devida à estreita interdependência desses pontosde vista. Sabe-se, hoje em 
dia, que considerar isoladamente os dados fisiológicos e os fatos psicológicos constitui 
uma abstração: eles são interdependentes. O que denominamos vida psíquica de um 
indivíduo só pode ser compreendida à luz de uma situação existencial: também esta, 
portanto, tem repercussões no organismo e vice-versa: o relacionamento com o tempo é 
sentido de maneiras diferentes, segundo esteja o corpo mais ou menos alquebrado. 
Finalmente, a sociedade determina o lugar e o papel do velho levando em conta suas 
idiossincrasias individuais: sua importância, sua experiência, reciprocamente, o 
indivíduo é condicionado pela atitude prática e ideológica da sociedade a seu respeito. 
De modo que uma descrição analítica dos diversos aspectos da velhice não pode ser 
suficiente: cada um deles reage sobre todos os outros e é por ele afetado. É no 
movimento indefinido desta circularidade que temos de apreendê-la. (BEAUVOIR, 
1990, p. 156) 
A partir das reflexões de Beauvoir (1990), podemos compreender um pouco 
mais a respeito da complexidade existente em torno da velhice; temos que entendê-la na 
sua totalidade, não a olhar apenas em uma perspectiva, seja ela biológica ou cultural. 
Para Lopes (2000) a velhice vista apenas do ponto de vista biológico significa 
 
43 
 
reduzir a questão e não a analisar em sua complexidade, o que implica não levar em 
conta aspectos psicológicos, sociais e culturais. 
Sobre a questão da “totalidade”, as afinidades entre Beauvoir (1990) e Morin 
(1996) são grandes. Para Morin, a totalidade é a não verdade. O todo está na parte, que 
está no todo. Podemos enriquecer o conhecimento das partes pelo todo e do todo pelas 
partes, em um mesmo movimento produtor de conhecimento. (Morin, 1996, p. 278) 
 
 Portanto, de acordo com o que foi discutido pelos autores, Mercadante (2005) 
destaca que a perspectiva da complexidade faz compreender que não se tem saída, não 
há como escaparmos da dúvida, da ambiguidade e de que nunca será possível deter todo 
o conhecimento, independente da área em que se esteja. 
 
FISIOTERAPIA COMO PREVENÇÃO 
 
O Termo prevenir tem como significado “Impedir que se execute ou que 
aconteça” (FERREIRA, 2009). 
Segundo Leavell & Clarck (1976), a prevenção é dada a uma ação antecipada, 
baseada em um conhecimento prévio a fim de evitar o surgimento da doença em sua 
incidência e prevalência com o objetivo de controle da transmissão de doenças 
infecciosas e de redução do risco de doenças degenerativas ou outros agravos 
específicos. 
Os conceitos relacionados com a prevenção de doenças não se distinguem 
claramente na prática do setor saúde. As práticas de prevenção de doenças fazem uso do 
conhecimento técnico e científico específico do campo da saúde. As intervenções 
podem ser feitas através de procedimentos médicos, bem como mudanças de estilo de 
vida, informações à comunidade, entre outros (FLORIN & BASHAM, 2000). 
Ao longo das duas ou três últimas décadas conseguiu-se demonstrar que a 
grande maioria dos problemas de saúde pública que afetam a população – relativos não 
somente às doenças transmissíveis como às não transmissíveis – são possivelmente 
previsíveis. Tais evidências são demonstradas através da mortalidade por doenças 
coronarianas, acidentes vasculares encefálicos, câncer de pulmão, boca e fígado 
provenientes do consumo de álcool e fumo, que poderiam ser evitadas tanto em termos 
sociais como econômicos (NICHOLLS, 1998). 
 
44 
 
Cuidados primários dizem respeito aos principais problemas de saúde da 
comunidade, por meio dos quais são proporcionados serviços de proteção, cura e 
reabilitação, conforme as necessidades. 
De acordo com Leavell & Clarck (1976), a prevenção pode ser dividida em três 
partes: 
- A prevenção primária é a realizada no período de pré-patogênese, ou 
seja, antes da doença se instalar. É neste nível que a promoção da saúde aparece 
definida como estratégias para uma saúde de boa qualidade. Um segundo nível da 
prevenção primária seria a proteção específica contra agentes patológicos ou pelo 
estabelecimento de barreiras contra os agentes do meio ambiente, através de vacinas e 
outras formas de profilaxia; 
- A prevenção secundária também apresenta-se em dois níveis: o primeiro, 
diagnóstico e tratamento precoce e o segundo, limitação da invalidez.; 
- A prevenção terciária diz respeito a ações de reabilitação. 
Mudanças de comportamento dependem do conhecimento dos fatores de risco, 
dos modos culturais de comportamento, do apoio de familiares e amigos e da orientação 
de profissionais de saúde (STACHENKO, 1998). 
Portanto, o ponto principal do trabalho preventivo que é, no momento do 
encontro, do usuário com o profissional de saúde, se possa identificar o meio de realizar 
tais ações. 
Esses profissionais de saúde são fonte legítima de informações não somente 
sobre as doenças mais na explanação dos fatores. A melhoria da prestação de serviços 
preventivos exige estratégias múltiplas centradas em todos os participantes do processo 
a afim de um só objeto que é a saúde de todos. 
A fisioterapia como parte importante da chamada “área de saúde” sofreu muitas 
oscilações no decorrer da história, mas suas primeiras definições foram dadas por volta 
da década de cinquenta. Nesse período, a incidência de poliomielite atingia índices 
alarmantes, como consequência, a quantidade de indivíduos portadores de sequelas 
motora e que necessitava de uma reabilitação para a sociedade” era muito grande 
(REBELATTO & BOTOMÉ, 1999). 
O Fisioterapeuta hoje é o profissional de Saúde, com formação acadêmica 
superior, habilitado à construção do diagnóstico dos distúrbios cinéticos funcionais, a 
prescrição das condutas fisioterapêuticas, sua ordenação e indução no paciente, bem 
como, o acompanhamento da evolução do quadro funcional e a sua alta do serviço 
 
45 
 
(CREFITO 3, 2009). 
Na Saúde Coletiva, a fisioterapia tem como atribuição principal a educação, 
prevenção e assistência fisioterapêutica da comunidade no âmbito da atenção primária 
em saúde. Em relação às atribuições específicas na saúde coletiva, incluem-se: 
Programas institucionais, ações básicas de saúde, fisioterapia do trabalho e vigilância 
sanitária (CREFITO 3, 2009; DELIBERATO, 2002). 
O fisioterapeuta que atua na saúde do idoso deve, antes de mais nada, possuir 
uma visão prevencionista, pois muitos problemas de saúde que afetam potencialmente 
os idosos podem ser evitados através de um trabalho preventivo. É necessário o 
conhecimento das alterações biológicas e psicológicas, bem como alguns fenômenos de 
caráter social, para que se possa estruturar e desenvolver programas adequados para esta 
população. Dentre todos os grupos etários, os idosos são aqueles que apresentam o 
maior risco de morbidade e de mortalidade+. Ao atingir a faixa etária de 60 anos, a 
expectativa de vida média é de 14,5 anos para os homens e 18,6 para as mulheres, e 
medidas preventivas podem fazer com que ocorra melhora da qualidade de vida, 
podendo atingir 80 anos de idade ou mais em condições satisfatória (DELIBERATO, 
2002). 
Na saúde preventiva, o fisioterapeuta atua de forma educativa realizando 
palestra, diálogos informativos, participação em campanhas e incentivando aos bons 
hábitos de saúde (como sono, alimentação, lazer, higiene), bem como promovendo 
atividades físicas de cunho preventivo às futuras complicações de saúde. Neste nível de 
prevenção, o fisioterapeuta se manifesta na assistência precoce inviabilizando, na 
maioria das vezes, agravos que possam causar internações hospitalares ou quedas nas 
condições gerais de vida (como infecção respiratória, crises hipertensivas, piora do grau 
de dor, entre outras) bem como perda da qualidade de vida (ALBIERO et. al, 2005). 
Bispo Junior (2010) reafirma que algumas limitações da capacidade funcional 
apresentam maiores probabilidades de surgimento nessapopulação específica, como, 
por exemplo, doenças relacionadas aos aparelhos cardiocirculatório e 
musculoesquelético. 
Doenças de aspectos cerebrovasculares também participam dessas limitações, 
uma vez que, quase sempre deixam sequelas que levam à limitações da locomoção 
humana ou incapacidade física, além de apresentarem altos índices de óbitos. Devido a 
isso e outros aspectos, a saúde da população idosa merece, de fato, uma atenção 
especial, em virtude da longevidade trazer consigo limitações na funcionalidade do 
 
46 
 
aparelho locomotor, restringindo a deambulação e marcha dos idosos. Essa situação 
torna-se digna de ser monitorada, visto que a restrição à mobilização dos idosos ou o 
confinamento no leito apresentam-se como fatores de risco para o desenvolvimento de 
uma série de outras doenças. 
Nesta fase primária de prevenção, são necessárias medidas para impedir o 
aparecimento de condições mórbidas; na prevenção secundária, o importante é se 
preocupar em impedir ou retardar a progressão de um problema já existente e, somando-
se a esses dois tipos, acrescenta-se a prevenção terciária, que procura reduzir o 
desconforto, a incapacidade e a dependência. O mapeamento bem-sucedido de tais 
medidas pode não diminuir necessariamente a mortalidade, assim como a prevenção 
nem sempre contribui para diminuir os gastos públicos, porém se a meta é prevenir ou 
minimizar as doenças e incapacidades que ocorrem com o envelhecimento, quanto mais 
precocemente forem iniciadas, mais rapidamente se chegará ao desejado (CARVALHO 
FILHO & PAPALÉO NETTO, 2006). 
Uma das grandes preocupações especificamente na saúde do idoso está 
relacionada às tendências de queda. 
As quedas podem ser definidas como momentos de desequilíbrios por uma 
insuficiência súbita do controle postural, que envolve problemas biológicos, 
psicológicos ou sociais, estando entre as grandes síndromes geriátricas e sendo 
causadora principal dos acidentes em idoso. Essas quedas levam a graves 
consequências, como fraturas, principalmente, as de quadril, perda da confiança para 
caminhar, medo de cair novamente, ansiedade e depressão, formando, assim, um ciclo 
vicioso, pois a restrição às atividades normais de vida levam à diminuição da força 
muscular, enfraquece os MMII (membros inferiores) e causa, muitas vezes, a 
dependência e isolamento. 
Os objetivos da fisioterapia preventiva, especificamente no caso da prevenção de 
quedas, são eliminar ou, pelo menos, minimizar as causas das quedas, evitar quedas 
futuras, restabelecer a segurança e a auto-estima, evitar o decúbito prolongado, 
promover a reeducação funcional, melhorando a força e o equilíbrio e a promoção de 
orientação como: controle médico regular, lembretes para dias de vacinas específicas 
dos idosos, adequação domiciliar - como retirar tapetes ou fixá-lo, barras de suporte no 
banheiro, entre outras (DELIBERATO, 2002). 
 
 
47 
 
O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE BRASILEIRO (SUS) E O SUAS 
ESTRATÉGIAS EM SAÚDE 
 
No Brasil, foi criado pela Constituição Federal Brasileira em 1988 o Sistema 
Único de Saúde. Antes, a saúde era garantida apenas a alguns brasileiros. O modelo de 
saúde adotado até então dividia três categorias: os que podiam pagar por serviços de 
saúde privados; os que tinham direito à saúde pública por serem segurados pela 
previdência social (trabalhadores com carteira assinada); e os que não possuíam direito 
algum. 
As ações de saúde eram desenvolvidas de maneira fragmentada e sem nenhuma 
integração. A saúde coletiva era considerada um direito de todos e a assistência médica 
hospitalar individualizada direito apenas dos trabalhadores contribuintes do Sistema 
Nacional de Previdência Social. Na época, cabia ao Ministério da Saúde, ao menos 
formalmente, a responsabilidade da formulação das políticas e o desenvolvimento das 
ações coletivas; ao Ministério da Previdência e Assistência Social a realização da 
assistência médica através do INAMPS - Instituto Nacional de Assistência Médica e de 
Previdência Social; ao Ministério da Educação a formação de recursos humanos para 
saúde e a prestação de serviços nos hospitais universitários; ao Ministério do Interior as 
ações de saneamento e ao Ministério do Trabalho cuidar da higiene e segurança do 
trabalho. 
Assim, o SUS foi criado para oferecer atendimento igualitário com objetivo de 
tornar-se um importante mecanismo de prevenção, promoção e reabilitação, de maneira 
a atender as necessidades da população (BRASIL, Ministério da Saúde, 2008). 
A todos os brasileiros é garantido acesso universal aos serviços de saúde, 
cabendo a União, Estados e Municípios o cumprimento deste dispositivo constitucional. 
O SUS é norteado com base nas seguintes diretrizes: descentralização político-
administrativa; atendimento integral priorizando atividades preventivas, sem prejuízo 
dos serviços assistenciais; e a participação social. Neste âmbito, os municípios tornam-
se responsáveis pela execução de serviços de saúde e ações preventivas, ganhando 
destaque na política de saúde pública (PEIXOTO, 2008). 
O Sistema Único de Saúde (SUS) está subdividido em três esferas: atenção 
primária (atenção básica – estratégia saúde da família), atenção secundária (média 
complexidade, exemplo; policlínicas) e atenção terciária (hospitais). 
Essa organização é baseada nos princípios do SUS, que são: 
 
48 
 
- Universalidade: todos os brasileiros têm direito à saúde; 
- Integralidade: a assistência à saúde deve abranger ações de promoção, 
prevenção, cura e reabilitação; 
- Descentralização: as decisões devem estar o mais próximo possível da 
população; 
- Hierarquização: a organização dos serviços de saúde deve ser feita em 
níveis de complexidade; 
- Regionalização: os serviços de saúde devem estar organizados dentro de 
uma área definida; 
- Controle social: a população deve participar do planejamento e das 
decisões dos serviços de saúde. 
 
A atenção está centrada na saúde e não na doença, e o indivíduo é tratado como 
sujeito integrado à família, ao domicílio, à comunidade. Busca-se, assim, um vínculo 
entre as famílias e os profissionais da equipe (BRASIL, 1997). 
Segundo Brasil (2004) preconiza, a atenção básica tem os seguintes objetivos 
específicos: 
- Assistência às demandas espontâneas das principais morbidades do 
território; dentro de uma nova abordagem na qual estão integrados a cura, a prevenção e 
a promoção, o indivíduo e a coletividade, objetivando a autonomia e o apoderamento 
das pessoas e produção e tecnologias adequadas a cultura local, promovendo mudanças 
de comportamento; 
- Atenção integral às morbidades infecto-contagiosas e crônico 
degenerativas; 
- Promover a articulação com outros setores necessários a promoção de 
saúde local; 
- Promover a mobilização das pessoas para a co-gestão e o 
desenvolvimento local; 
- Desenvolver e/ articular a vigilância ambiental, incluindo aí a vigilância 
sanitária; 
- Organizar e gerir o serviço segundo os objetivos gerais da estratégia do 
PSF com qualidade e resolutividade, articulado ao setor secundário. 
 
A Atenção Básica foi gradualmente se fortalecendo, tornando-se o ponto de 
 
49 
 
partida para a estruturação dos sistemas locais de saúde, e a porta de entrada do usuário 
ao sistema de saúde, favorecendo o desenvolvimento de capacitação e qualificação 
profissional, pois através desta pode-se articular a promoção à saúde, prevenção, 
tratamento, reabilitação e acolhimento da população (BRASIL, 2000). 
De acordo com a Portaria nº 648/GM de 28 de março de 2006, a Atenção Básica 
tem como princípios gerais: 
A Atenção Básica caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito 
individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção de 
agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. É 
desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciaise sanitárias democráticas e 
participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios 
bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a 
dinamicidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias 
de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de saúde 
de maior frequência e relevância em seu território. É o contato preferencial dos usuários 
com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da universalidade, da 
acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e continuidade, da 
integralidade, da responsabilização, da humanização, da equidade e da participação 
social (BRASIL, 2006b, p.11). 
A Atenção Básica considera o sujeito em sua singularidade, na complexidade, na 
integralidade e na inserção sócio-cultural e busca a promoção de sua saúde, a prevenção 
e tratamento de doenças e a redução de danos ou de sofrimentos que possam 
comprometer suas possibilidades de viver de modo saudável. 
A Atenção Básica tem como fundamentos: 
I - Possibilitar o acesso universal e contínuo aos serviços de saúde de 
qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada preferencial do sistema 
de saúde, com território descrito de forma a permitir o planejamento e a programação 
descentralizada, e em consonância com o princípio da equidade; 
II - Efetivar a integralidade em seus vários aspectos, a saber: integração de 
ações programáticas e demanda espontânea; articulação das ações de promoção à saúde, 
prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento e reabilitação, trabalho de forma 
interdisciplinar e em equipe, e coordenação do cuidado na rede de serviços; 
 
50 
 
III - Desenvolver relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e 
a população adscrita garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade 
do cuidado; 
IV - Valorizar os profissionais de saúde por meio do estímulo e do 
acompanhamento constante de sua formação e capacitação; 
V - Realizar avaliação e acompanhamento sistemático dos resultados 
alcançados, como parte do processo de planejamento e programação; e 
VI - Estimular a participação popular e o controle social. 
 
O idoso requer dos profissionais de atenção primária um enfoque que englobe a 
prevenção e a detecção precoce dos agravos à saúde. O atendimento a essa parcela da 
população já existe de forma desordenada e fracionada com abordagem centrada na 
doença Propõe-se uma forma de organização das ações em saúde do idoso em que haja: 
a descentralização do atendimento e o fortalecimento das ações em Atenção Primária, 
na qual se solucionam 85% dos problemas de saúde dessa população; a utilização 
racional da rede de serviços já existente, com a implantação da Rede de atendimento e a 
criação dos Núcleos Regionais em Atenção ao Idoso, localizados nas microrregiões, 
podendo também estar localizados em cada município, e dos Centros de referências em 
atenção ao Idoso nas macro regiões do Estado. 
 
POLÍTICA NACIONAL DE SAÚDE DO IDOSO 
 
 A partir da década de 80, a incorporação da visão de promoção da saúde nos 
programas para idosos supõe uma abordagem crítica da prevenção e da educação em 
saúde e pode ser vista como um processo social em curso, complexo, que vem sendo 
estimulado em nível internacional por fóruns e documentos institucionais. As 
experiências de avaliação em promoção da saúde do idoso revelam um campo 
multifacetado com atividades educativas e/ou preventivas (ASSIS; HARTZ; 
VALLA,2004). 
 Considerando o avanço populacional, em 1996 foi realizado o Seminário 
Internacional do Envelhecimento Populacional, em Brasília, em que um grupo de 
especialistas em envelhecimento se reuniu e elaborou um documento chamado 
“Declaração de Brasília sobre envelhecimento”. 
 
51 
 
Ações de programas subsidiados de atenção a saúde, alimentação, habitação e 
outras necessidades sociais foram estimuladas pelo que, o Governo Federal, em 
conjunto com algumas Organizações não-governamentais (ONGs), instituiu uma 
política destinada apenas à terceira idade chamada Política Nacional do Idoso, 
perpetuando a Lei nº8842 de 4 de janeiro de 1994. Tal política sem dúvidas foi um 
avanço significativo para a área gerontológica, firmando compromisso e levantando e 
questões da velhice para o Cenário da agenda pública. 
O Estatuto do Idoso, de iniciativa do Projeto de Lei nº 3.561 de 1997 de autoria 
do então Deputado Federal Paulo Paim, foi fruto da organização e mobilização dos 
aposentados, pensionistas e idosos vinculados à Confederação Brasileira dos 
Aposentados e Pensionistas (COBAP), resultado de uma grande conquista para a 
população idosa e para a sociedade. e sancionado pelo presidente Lula, ampliou em 
muito a resposta do Estado e da sociedade às necessidades dessas pessoas. Trata dos 
mais variados aspectos da sua vida, abrangendo desde direitos fundamentais até o 
estabelecimento de penas para crimes mais comuns cometidos contra as pessoas idosas. 
O Artigo. 3.º da Lei N.º 10.741,De 1.º de Outubro de 2003 diz que: 
 É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público 
assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à 
alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à 
liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária (art.3). 
Em 1999, foi aprovada a Política Nacional de Saúde do Idoso (PNSI), 
substituindo a PNI anteriormente citada. 
Seu conteúdo é notável, principalmente por tratar da preocupação com a 
promoção do envelhecimento saudável, com a manutenção e a melhoria, ao máximo, da 
capacidade funcional dos idosos, da prevenção de doenças, recuperação da saúde dos 
que adoecem e da reabilitação daqueles que venham a ter uma capacidade funcional 
restringida. 
Ao estabelecer tais diretrizes, a política Nacional de Saúde do Idoso rompe o 
paradigma de considerar a saúde como ausência de doença, limitando a abordagem 
ampla que o atendimento à saúde realiza baseado em múltiplos fatores. Essa política 
visa a questão interdisciplinar, como questões sociais, políticas, econômicas e culturais, 
além de considerar a velhice como ciclo vital e não apenas como uma fase de vida. 
 
Na proposta da PNSI, são definidas como diretrizes: 
http://pt.wikipedia.org/wiki/1997
http://pt.wikipedia.org/wiki/1997
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Paim
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Paim
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aposentado
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aposentado
http://pt.wikipedia.org/wiki/Idoso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Idoso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade
 
52 
 
- A promoção do envelhecimento saudável; 
- A manutenção da capacidade funcional; 
- A assistência às necessidades de saúde do idoso; 
- Reabilitação da capacidade funcional comprometida; 
- Capacitação de recursos humanos especializados; 
- O apoio ao desenvolvimento de cuidados informais; 
- O apoio a estudos e pesquisas. 
 
A política reconhece a importância da parceria entre os profissionais de saúde e 
as pessoas que cuidam dos idosos apontando que esta parceria deverá possibilitar a 
sistematização das tarefas a serem realizadas no próprio domicílio, privilegiando-se 
aquelas relacionadas à promoção da saúde, à prevenção de incapacidade e à manutenção 
da capacidade funcional do idoso dependente e do seu cuidador, evitando-se, assim, na 
medida do possível, hospitalizações, asilamento e as outras formas de segregação e 
isolamento. 
Para isso, no dia 1º de outubro de 2003, foi instituído a Lei de nº10.741, que 
dispôs sobre o Estatuto do Idoso e representou um grande avanço na legislação 
brasileira iniciado com a promulgação da Constituição de 1988.Elaborado com intensa participação das entidades de defesa dos interesses das 
pessoas idosas, ampliou em muito a resposta do Estado e da sociedade às suas 
necessidades. 
Em relação as questões da saúde, o artigo 15 da Lei acima referida diz que: É 
assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de 
Saúde - SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e 
contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da 
saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos 
(BRASIL, 2009). 
Essa política vem sendo implementada no Brasil de maneira gradativa: o 
aumento acelerado da população idosa torna cada vez mais fundamental a união de 
esforços para a prática de políticas públicas voltadas a este segmento populacional, 
assim como a conscientização dos seus direitos e espaços a serem conquistados. 
Logo, quanto a mudanças nas políticas públicas para amparar de forma adequada 
o idoso, há necessidade de uma reorientação dos serviços de saúde, pois quanto maior 
for o acesso aos bens e serviços da sociedade, maior será a qualidade de vida no 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Popula%C3%A7%C3%A3o
 
53 
 
processo de envelhecimento, investindo-se principalmente na atenção básica com 
rediscussões de estratégias preventivas e de promoção à saúde. Por outro lado, se 
observa a necessidade de que os profissionais de saúde, principalmente aqueles que 
atuam na rede de atenção básica, recebam treinamento e capacitação continuados para 
se adequarem às necessidades da população idosa. Levando em consideração que o 
ambiente familiar constitui-se uma principal fonte de apoio ao idoso, há que se 
estimular o fortalecimento das relações familiares com o propósito de se minimizarem 
as dificuldades e angústias vivenciadas por ambos, idosos e familiares (MALTA, 2008). 
Sob esta ótica, os serviços de saúde têm papel fundamental na atenção à saúde, 
para que a população idosa possa usufruir a vida com tudo aquilo que construiu. 
 
FISIOTERAPIA NA SAÚDE DO IDOSO 
 
Como processo terapêutico, a fisioterapia, através de recursos próprios e de 
conhecimento, baseando-se nas condições biopsicossociais, busca promover, 
aperfeiçoar ou adaptar os idosos a suas limitações funcionais por meio da terapêutica. 
Visto que os mesmos possuem pluripatologias, a fisioterapia tem espaço garantido no 
atendimento especificado a este público, tanto de modo preventivo, reabilitativo ou 
adaptativo de suas funcionalidades, contribuindo para sua autonomia. O movimento do 
corpo é algo relacionado ao alto conhecimento e suas potencialidades, podendo 
contribuir para a melhora da auto-estima e aumentar a capacidade de auto-cuidado, 
possibilitando novas descobertas e abertura de uma maior participação social, mesmo de 
forma inconsciente (VIEIRA, 2004). 
A falta de atividade física regular tem sido apontada como um comportamento 
nocivo à saúde e como determinante negativo da qualidade de vida dos indivíduos, 
sobretudo, de idosos, em que o sedentarismo pode acelerar o processo de 
envelhecimento. 
De acordo com Vieira (2004), o exercício ativo é fundamental para manutenção 
e melhoria da disposição, da capacidade funcional e do estado biopsicossocial 
impedindo e/ou retardando acima de tudo a progressão da doença aterosclerótica e 
evitando diversas alterações provenientes do envelhecimento. Em níveis psíquicos, 
produz sensação de bem-estar, diminuindo a ansiedade e a depressão, aumentando 
gradualmente a autoconfiança, podendo favorecer uma vida mais dinâmica. No tecido 
 
54 
 
ósseo, aumenta a densidade prevenindo a osteoporose, principalmente do sexo 
feminino, melhora os níveis de tolerância à glicose, reduzindo a necessidade de 
hipoglicemiantes, entre outros inúmeros benefícios. 
A atividade física é capaz de beneficiar pessoas de todos os grupos etários, mas 
ela é especificamente importante para saúde do idoso. 
Quando há prática de exercícios fiscos, o corpo humano normatiza a relação 
entre tensão e comprimento dos músculos, há aumento de suprimento sanguíneo, 
melhora do metabolismo muscular, aumento na deposição de sais de cálcio ao longo das 
linhas de tração e compressão dos ossos envolvidos com a atividade física e aumento na 
capacidade de os ligamentos e tendões se submeterem à força de tensão. Essas 
modificações corporais melhoram a qualidade da contração muscular, a resistência 
óssea e a organização do equilíbrio, postura e marcha (CORAMANO ET AL, 2007). 
Numa visão geral, a fisioterapia aplicada à geriatria dentro de um grupos de 
idosos, facilita sua manutenção, pelo compromisso com os demais membros do grupo, 
apoio social, investimento em novas relações pessoais e diversão e trabalha realizando 
as seguintes atividades: orientação da postura corporal; exercícios de relaxamento, 
alongamento e auxílio ao retorno venoso; caminhadas e atividades físicas moderadas; 
orientação quanto ao posicionamento adequado do mobiliário do lar, banheiros e 
dispositivos auxiliares; atividades lúdicas para incentivar e socializá-los, dentre outras 
(WEINBERG; GOULD, 1996). 
O trabalho de equilíbrio corporal é uma atividade bastante complexa que requer 
informações de vários sistemas sensoriais, integração desses dados pelo sistema 
nervoso, e sistema musculoesquelético adequado para implementar esses comandos do 
sistema nervoso central, no qual o controle postural passa por diversas condições de 
posturas deslocando o centro de massa corporal em relação à base de suporte em que o 
indivíduo necessita de habilidades para sentir seu limite de estabilidade (KONRAD, 
1999). 
Freitas (2006) relata que a instabilidade corporal em idosos acontece porque há 
uma alteração na harmonia entre as informações sensoriais e a ação motora representada 
pela dificuldade que os idosos apresentam em integrar as informações sensoriais, 
identificar as mais relevantes, e selecionar a resposta postural mais adequada para 
manter o corpo mais equilibrado e na posição desejada. 
A flexibilidade é um componente muito instável da capacidade física, razão pela 
qual se recomenda o treinamento frequente. Existem diversos tipos de alongamentos 
 
55 
 
capazes de melhorar a flexibilidade, mas, no idoso, o alongamento lento e a manutenção 
em posição de alongamento durante certo tempo mostra-se o mais adequado. Tais 
exercícios melhoram a circulação muscular, aprimoram a atenção, reduzem a ansiedade, 
diminuindo a fadiga e o estresse, proporcionando uma melhor agilidade, melhora da 
força e potência muscular, reduzindo os efeitos físicos ocasionados pelo processo de 
envelhecimento, melhorando o desempenho físico durante as atividades funcionais e de 
vida diária (FERNANDES, et. al., 2010). 
É possível também citar os exercícios de resistência, os quais se revelam 
promissores como meio para substituir a massa muscular perdida (sarcopenia) ou para 
aumentar o teor dos ossos e substâncias minerais. O idoso pode participar sem nenhum 
perigo do treinamento da resistência e obter um aumento significativo de sua força 
muscular, da tonicidade muscular e da hipertrofia muscular. 
Partindo para as doenças isoladamente e visto anteriormente que os idosos, em 
sua maioria, apresentam pluripatologias, os processos degenerativos são os mais 
incidentes, possuindo várias denominações como: artrite degenerativa, osteartrose, 
artrite deformante. 
Segundo Deliberato (2002), a definição desse processo independe de sua 
sinonímia, concluindo que: É um distúrbio de caráter degenerativo e crônico, que atinge 
a cartilagem articular com eventual crescimento ósseo ao redor e seus sinais e sintomas 
incluem rigidez articular, principalmente matinal e após curtos períodos de repouso, 
podendo ser aliviadapelo movimento suave da articulação; crepitações, inclusive com 
presença de bloqueios articulares e dor extremamente variável, diminuindo com o 
repouso (p.50). 
Os procedimentos adotados pela fisioterapia incluem a interrupção do ciclo de 
degeneração e imobilismo, prevenção de deformidades que representem a causa 
principal da incapacidade funcional, com trabalho de atividade física de pouco impacto, 
cinesioterapia com movimentos ativo livre, exercícios de fortalecimento da musculatura 
corporal, entre outras opções. 
A dor crônica, segundo o autor supracitado, é definida como uma sensação 
desagradável associada a uma resposta emocional que surge em decorrência de uma 
lesão tecidual real ou potencial. Esse evento não pode ser medido como resultante de 
uma extensão ou gravidade de uma lesão, mas está relacionado com a interpretação 
pessoal de cada indivíduo de acordo com as influências psicológicas associadas (como 
depressão, ansiedade, medo, etc.). 
 
56 
 
De acordo Nanda (2002), a American Nursing Diagnosis Association define a 
dor crônica como: Experiência sensorial e emocional desagradável que surge de lesão 
tissular real ou potencial ou descrita em termos de tal lesão com início súbito ou lento, 
de intensidade leve a intensa, constante ou recorrente, sem um termino antecipado ou 
previsível e com duração de maios de seis meses (p.100). 
Aos procedimentos fisioterapêuticos sugeridos que atuam em nível secundário 
ou terciário de prevenção, denotam-se exercícios de amplitude de movimento ativo ou 
ativo assistido, visando a prevenção de complicações musculoesqueléticas associadas, 
alongamentos com objetivos de manter e/ou aumentar a amplitude de movimento 
(ADM), exercícios resistidos, manuais e/ou mecânicos que trabalhem a força muscular, 
trabalho de relaxamento e exercícios respiratórios para diminuir a tensão muscular e a 
ansiedade, entre outras técnicas fisioterapêuticas (DELIBERATO, 2002). 
A prática frequente e sistemática do trabalho fisioterapêutico é grandiosamente 
conhecida como sendo um fator benéfico no processo de envelhecimento, amenizando a 
progressão das doenças crônico degenerativas, melhorando e/ou mantendo a capacidade 
funcional, melhorando a força muscular, a resistência aeróbia, equilíbrio e flexibilidade 
corporal, contribuindo para melhor satisfação pessoal e qualidade de vida do idoso. 
Observe que, mesmo que a maior parte dos idosos (55%) seja composta do sexo 
feminino, as mulheres brasileiras vivem, em média, oito anos a mais que os homens. 
Por isto, muitas idosas responsáveis pelos domicílios (93%) vivem sem o cônjuge, 
mesmo que ainda morem com filhos ou outros parentes. 
 
 
 
 
 
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http://www.venes.com.br/utiliza seu corpo para atuar instintiva e deliberadamente na vida. 
Espera-se que tal diretriz oriente a uma prática sistêmica em relação às queixas, aos 
sinais e aos sintomas, para os quais o indivíduo idoso busca auxílio no tratamento 
fisioterapêutico. 
 
Atuação profissional 
 
No transcorrer da legitimação profissional, através da Lei n° 6.316 de 17 de 
Dezembro de 1975, é criado o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de 
Fisioterapia e Terapia Ocupacional, constituindo, em conjunto, uma autarquia federal 
vinculada ao Ministério do Trabalho. Nessa mesma lei, nos artigos 5, 6 e 7 são 
estabelecidas as competências do conselho federal e dos conselhos regionais, como 
normatizar e exercer o controle ético, científico e social das atividades da Fisioterapia e 
da Terapia Ocupacional, das profissões de Fisioterapeuta e de Terapeuta Ocupacional e 
das empresas prestadoras de tais tipicidades assistenciais ao meio social. 
Assim, seis anos após legitimar a profissão, a criação dos conselhos confere 
 
6 
 
maior controle sobre o exercício profissional, elaborando a proposta de seu regimento e 
funcionando como um Tribunal Superior de Ética Profissional. Define a fisioterapia 
como uma ciência da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais 
intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, 
por traumas e por doenças adquiridas. Fundamenta suas ações em mecanismos 
terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das ciências 
morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da bioquímica, da biofísica, da 
biomecânica, da cinesia, da sinergia funcional, e da cinesia patologia de órgãos e 
sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais. 
Como áreas de atuação profissional estabelece a clínica (ambulatórios, 
consultórios, centros de reabilitação, hospitais e clínicas), a saúde coletiva (ações 
básicas de saúde, fisioterapia do trabalho, programas institucionais e vigilância 
sanitária), a educação (direção e coordenação de cursos, docência em níveis secundário 
e superior, extensão, pesquisa, supervisão técnica e administrativa) e outras (esporte e 
indústria de equipamentos de uso fisioterapêutico). Observa-se a ausência do 
profissional autônomo, sem vínculos, principalmente no contexto da atuação domiciliar. 
Em 2002, é aprovada a Lei n° 10.424, que dispõe sobre as condições para a 
promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento de 
serviços correspondentes e dá outras providências, regulamentando a assistência 
domiciliar no Sistema Único de Saúde. Fica evidente uma priorização do domínio de 
atuação pública. 
A fim de normatizar o exercício profissional, o conselho federal dispõe de 
resoluções para o reconhecimento de determinadas especialidades. São elas: 
Acupuntura, fisioterapia dermatofuncional, fisioterapia esportiva, fisioterapia do 
trabalho, fisioterapia neurofuncional, fisioterapia oncofuncional, fisioterapia 
respiratória, fisioterapia traumato-ortopédica, osteopatia e quiropraxia, fisioterapia em 
saúde coletiva e fisioterapia em saúde da mulher. Contudo, outras especialidades não 
são reconhecidas, mas constituem o universo de atuação profissional, como a 
fisioterapia pediátrica e a fisioterapia geriátrica. 
Segundo Gava (2004, p.37), a criação dos Conselhos deu caráter regulamentador 
e fiscalizador à profissão que começava a ter condições de controlar e quantificar o 
número de profissionais, de cursos e de estabelecimentos que possuíam os serviços de 
fisioterapia. Porém, notam-se lacunas em relação à descrição dos serviços oferecidos 
pela fisioterapia, visto que os conselhos não conseguiram ainda regulamentá-los de 
 
7 
 
forma a atingir todo o contexto profissional. Como citado anteriormente, não há 
reconhecimento da fisioterapia pediátrica nem da fisioterapia geriátrica como 
especialidades. Também não é reconhecida a atuação profissional domiciliar. Muito 
contraditoriamente, o Referencial Nacional dos Honorários Fisioterapêuticos (RNHF) 
inclui a assistência fisioterapêutica domiciliar (capítulo X). O RNHF tem a finalidade de 
estabelecer índices mínimos quantitativos para a adequada assistência fisioterapêutica, 
enquanto instrumento básico para remuneração do trabalho do fisioterapeuta no Sistema 
de Saúde Brasileiro. 
Estas considerações tentam apontar para os conflitos existentes no 
reconhecimento perante o Conselho Federal em relação aos serviços, as áreas de 
atuação e as especialidades em fisioterapia. Desse modo, busca-se refletir sobre a 
atuação profissional autônoma como livre exercício da profissão. Por não possuir 
vínculos profissionais com o setor público ou o setor privado e não havendo a 
regulamentação, por parte do conselho, o fisioterapeuta, profissional de cunho liberal-
autônomo, é marginalizado, mesmo sendo esse domínio de atuação, por muitas vezes, a 
possível iniciação profissional. 
As discussões em congressos recaem sobre o mercado ou nicho comercial 
domiciliar, sobre de que forma é possível potencializar esse atendimento para minimizar 
custos do setor público e privado, sobre como o profissional irá representar a instituição 
perante o cliente e sua família. Raras discussões a respeito de estratégias de abordagem 
e de atendimento, sobre a prática interdisciplinar, sobre propostas de políticas públicas, 
direitos e deveres do idoso, da família e do Estado. A ausência de debates mais 
aprofundados no contexto científico sobre as considerações da prática domiciliar, já 
evidenciados no meio acadêmico, torna-se ainda mais exposta essa lacuna no 
aprendizado gerontológico. 
 
Atendimento domiciliar 
 
As novas configurações demográficas do país imprimem a necessidade de novos 
modelos de assistência na área da saúde. Colodetti et al. (2005, p.5), aponta que “com o 
crescimento da população idosa, a preocupação em relação à capacidade funcional vem 
surgindo como novo destaque para a estimativa da saúde desse segmento etário”. Nesse 
sentido, a assistência domiciliar é vista como um conjunto de ações preventivas, 
 
8 
 
conforme dispõe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Assim, 
acentua-se a preocupação em abordar o atendimento fisioterapêutico domiciliar de 
maneira sistematizada, enquanto área de atuação profissional determinado por 
especificidades distintas das práticas desenvolvidas nas áreas de atuação 
regulamentadas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional 
(COFFITO). 
Na prática, a atuação no campo domiciliar aponta também que muitas pessoas 
demandam este modelo devido a praticidade de ser atendido em casa, complementando 
Alencar (2008, p.12), que considera a assistência em domicilio “uma atividade básica, 
que é realizada em atenção primária à saúde para responder às necessidades de 
assistência das pessoas, que de forma temporária ou permanente estão incapacitadas de 
se deslocar aos serviços de saúde”. Entretanto, esta visão do atendimento domiciliar 
desconsidera pacientes que se utilizam deste serviço não somente como alternativa ao 
atendimento disponibilizado pela saúde suplementar (convênios) e saúde pública (SUS) 
ou por impedimentos, mas por buscar a qualidade do atendimento individualizado. 
Nesta perspectiva, o atendimento domiciliar aponta em direção aos novos 
modelos de prestação de serviço em saúde. Contudo, Almeida (2012, p.9), ressalta que 
“ainda são ilimitados o debate e o investimento político na atenção domiciliar como 
alternativa para os processos de trabalho e no modo de produzir o cuidado, 
caracterizando o caráter substitutivo das práticas em saúde”. Atualmente busca-se a 
organização do serviço domiciliar em diferentes frentes. Mesmo discreta essa 
organização se mostra mais eficientemente organizada por parte de instituições e 
empresas/convênios, do que por parte de profissionais liberais, autônomos.A demanda 
latente nesse campo de atuação vem sendo cada vez mais ampliada, acentuada pelo 
aumento da população idosa no país. 
A área de atuação domiciliar requer do profissional uma articulação dos saberes 
obtidos na formação acadêmica e os obtidos com a prática efetiva, uma vez que se 
desenvolve em ambiente e contexto diferenciados, sujeito a interferências específicas, 
particulares, muito diferente do consultório/clínica ou hospital/instituição. A lógica do 
tempo e do espaço sofre constantes alterações. A lógica de o paciente procurar o 
profissional também é distinta, pois o profissional é quem vai ao encontro do paciente e 
dá o primeiro passo em estabelecer a relação profissional-paciente. Esta nova relação 
interpessoal se desenvolve em um ambiente que não pertence ao profissional, pois se 
trata da residência do paciente. É um ambiente que demanda interação com a família e 
 
9 
 
com os demais (cuidadores e outros prestadores de serviço) que frequentam este espaço 
do paciente. Ademais, trata-se de um espaço não adaptado ao trabalho fisioterapêutico, 
mesclando o espaço-cotidiano da pessoa com o espaço tratamento do paciente. 
Importante ressaltar que todas as particularidades apresentadas no contexto da 
atuação domiciliar demandam estudos próprios, que demandam outros saberes, para 
além do campo da saúde. No contexto acadêmico, mostra relevante ampliar os estudos 
sobre essa área de atuação domiciliar, desenvolvendo referenciais teóricos que orientem 
a prática para a promoção de um atendimento contextualizado, que propicie o 
desenvolvimento motor e o desempenho das capacidades funcionais. Acima de tudo, 
referenciais que auxiliem uma prática profissional que potencialize o desenvolvimento 
do ser humano em tratamento fisioterapêutico domiciliar. 
É preciso refletir, enfrentar e buscar vencer os desafios impostos ao processo da 
formação profissional no que diz respeito à atuação fisioterapêutica domiciliar, em 
especial com idosos. Esta prática, não pensada e não organizada na formação acadêmica 
como um campo específico de atuação, porém descrita nos referenciais de honorários da 
profissão, desenvolve-se marginalizada, muitas vezes apenas como alternativa para 
aprimorar o conhecimento do profissional recém-formado, para pacientes que não têm 
acessibilidade aos locais de tratamento ou como possibilidade de inserção no campo de 
trabalho da rede pública e privada. 
É necessário preencher a lacuna do atendimento domiciliar na grade curricular, 
na formação profissional, na produção e na divulgação deste conhecimento e na 
contextualização desta prática em fisioterapia. A representação do profissional de 
fisioterapia que atua de forma liberal, autônoma é inexpressiva socialmente, refletindo 
na falta de organização dessa prática, reforçando a marginalização desse saber no 
contexto do atendimento domiciliar. Quando esta prática não condiz com o modelo 
ensinado na graduação, constata-se essa marginalização na escassez de referencial 
teórico e na ausência de comprometimento científico com a prática fisioterapêutica, 
evidente na narrativa dos pacientes durante o tratamento, relatando as condutas 
anteriores de outros profissionais da fisioterapia. Entende-se aqui a importância de mais 
estudos e oportunidades de formação profissional sobre o tema fisioterapia domiciliar e 
sobre a contextualização dessa prática profissional. 
Em uma pesquisa de revisão bibliográfica, por meio da base de dados científicos 
SCIELO realizada com a palavra fisioterapia, no ano de 2011, foram encontradas 232 
referências, das quais em nenhum dos títulos dos artigos foram encontrados temas 
 
10 
 
relacionados à fisioterapia no âmbito do profissional liberal/autônomo. Os poucos 
artigos encontrados que faziam uma aproximação ao assunto fisioterapia domiciliar 
diziam respeito ao profissional vinculado a alguma instituição ou empresa. 
 Portes et al. (2011) realizou uma revisão da literatura brasileira sobre a atuação 
do fisioterapeuta na atenção básica à saúde. O autor encontrou nove artigos que 
abordam a atividade domiciliar, relacionadas aos pacientes que apresentam 
impossibilidade de se deslocar até as unidades de saúde. Para uma postura ética e a 
prática do papel social da fisioterapia, na atuação domiciliar, se faz necessário 
compreender as particularidades da abordagem fisioterapêutica nesse contexto. Busca-
se fundamentar a prática profissional da fisioterapia domiciliar sob os preceitos da ética 
e do seu papel social no trabalho direto com o ser humano e com o seu movimento. Essa 
questão faz sentido também em relação ao novo conceito de saúde - um “estado de 
completo bem-estar, físico, mental e social”, elaborado pela Organização Mundial de 
Saúde (OMS), que ressalta a importância das variáveis biológicas, psicológicas e sociais 
enquanto determinantes de saúde. O novo conceito também revela a necessidade de 
adequação do sistema de saúde para as novas realidades apresentadas aos profissionais 
que atuam na área, em diferentes contextos como, por exemplo, o domiciliar. 
Com base nos preceitos éticos e no papel social da profissão considera-se a 
importância de uma leitura mais ampliada da pessoa (aspectos físicos, sociais e 
psicológicos) durante a abordagem, a avaliação e a conduta fisioterapêutica. Entende-se 
aqui que a relação fisioterapeuta-paciente deve se estabelecer como base para o 
desenvolvimento de todo o tratamento proposto. Toda a particularidade da atuação 
domiciliar vem reforçar a importância de uma prática profissional preocupada com o 
paciente e com o mundo que o cerca e, aqui, a fisioterapia domiciliar interage com a 
perspectiva humanizada em sua prática e aproxima-se na interação com outras 
disciplinas. 
 
 
 
 
 
Humanização em Fisioterapia 
 
 Enfatizada nas novas diretrizes curriculares para os cursos de graduação em 
 
11 
 
fisioterapia no Brasil, a humanização, segundo Fortes (2004), refere-se à possibilidade 
de uma transformação cultural da gestão e das práticas desenvolvidas nas instituições de 
saúde, assumindo-se uma postura ética de respeito ao outro, de acolhimento do 
desconhecido, de respeito ao usuário, o mesmo passando a ser entendido como cidadão 
e não apenas como um consumidor de serviços de saúde. Nesse sentido, Sumiya e 
Jeolás (2010, p.49) , acreditam que a humanização na saúde surge como um movimento 
“para sensibilizar o profissional da área biomédica em relação ao distanciamento 
provocado pelo avanço tecnológico sobre o comportamento entre terapeuta e paciente, 
no qual a pessoa se torna objeto de investigação clínica”, e não somente a patologia e 
exames complementares. 
 De acordo com o Programa Nacional de Humanização (PNH) criado em 2003 
para atender as demandas do Sistema Único de Saúde, “a humanização é entendida 
como o processo de transformação das práticas de saúde através da transformação dos 
sujeitos implicados nestas práticas”. Silva e Silveira (2010, p.1537) apontam essa 
transformação como “um grande desafio para a implementação de medidas 
humanizadoras no âmbito assistencial”. O objetivo é transformar os sujeitos 
(profissionais de saúde) para então transformar as práticas em saúde. A transformação 
dos sujeitos se dá, principalmente, através do processo de formação profissional. 
Embora a utilização do termo humanização no campo da saúde não seja recente 
e esteja presente na formação do fisioterapeuta desde 2002, somente alguns poucos 
artigos foram encontrados sobre o tema da humanização na fisioterapia (Silva & 
Silveira, 2010). Cabe aqui citar o estudo de Bernadi e Santos (2010) para ilustrar esta 
questão. Após desenvolverem no segundo semestre de 2007 o modelo do Grupo de 
Trabalho de Humanização (GTH), vinculado aos objetivos de atendimento para usuários 
do SUS, proposto no Programa Nacional de Humanização na Assistência Hospitalar 
(PNHAH), em uma clínica de assistência fisioterapêuticaregional, estes autores 
constataram a constituição de espaços de troca democrática, propiciando encontro dos 
participantes da equipe e um fazer/refazer constantes no processo de trabalho dessa 
instituição. 
Bernadi e Santos (2010) apontam ainda que o processo de humanização do 
trabalho é um dispositivo importante para os serviços de saúde, monitorando os 
resultados e realizando novas adequações necessárias a uma melhoria constante do 
serviço. Nesse caso, a formação humanizada se deu após a formação acadêmica, 
mostrando que é possível proporcionar a formação humanizada ao profissional da saúde 
 
12 
 
em diferentes momentos. Contudo, as dificuldades apresentadas na clínica, anterior à 
intervenção do GTH, de certa forma denunciam a importância de trabalhos de formação 
humanizada na base das formações acadêmicas. 
Assim, uma formação humanizada em fisioterapia deve considerar, 
independentemente do domínio de atuação profissional (público, privado e autônomo), 
a contextualização do tratamento proposto, desenvolvendo conteúdos na terapia que 
ampliem a conduta durante o processo de abordagem, de tratamento e de alta 
fisioterapêutica. Durante e ao finalizar o tratamento, o processo terapêutico deve 
produzir sentido e significado para o profissional e para o paciente em tratamento, sendo 
a relação fisioterapeuta-paciente (a relação humana) a base para o desenvolvimento de 
uma prática profissional condizente com as novas diretrizes e com a realidade do 
paciente, а sua história de vida e аs suas perspectivas em relação ao seu corpo e as suas 
funções reabilitadas. 
Para Santana o cuidado fisioterapêutico, nessa perspectiva de humanização dos 
atendimentos em saúde e de promoção do bem-estar, vem a cada dia ocupando maiores 
espaços e conquistando maior relevância e reconhecimento social. Neste contexto, é 
inegável que o fisioterapeuta pode desempenhar importantes funções na luta pela 
preservação da dignidade da vida humana (SANTANA, 2008, p.31). 
Em qualquer nível de atenção à saúde do paciente, cabe ao fisioterapeuta, com 
preceitos na ética profissional, ater-se à contextualização da abordagem e do tratamento 
proposto. Petri também se aproxima desta concepção: Humanizar a relação com o 
paciente realmente exige que o profissional valorize a afetividade e a sensibilidade 
como elementos necessários ao cuidar. Porém, entende-se que tal relação não supõe um 
ato de caridade, mas um encontro entre sujeitos, pessoas humanas, que podem construir 
uma relação saudável, compartilhando saber e experiência vivida (PETRI, 2006, p.51). 
Dessa forma, faz-se necessário atuar na prática fisioterapêutica com os 
princípios da humanização e da sua relação com a contextualização da prática 
fisioterapêutica, seja ela realizada em qualquer domínio de atuação profissional 
(público, privado e autônomo). É possível observar, através do artigo 6° das Diretrizes 
Curriculares (Resolução n° 4, de 19 de fevereiro de 2002), o esforço do Conselho 
Nacional de Educação em integrar diferentes disciplinas, instituindo nos conteúdos 
essenciais para o curso de graduação em Fisioterapia os conhecimentos das Ciências 
Sociais e Humanas. Destaca-se essa necessidade de interação de diferentes disciplinas, 
áreas e práticas com o intuito de mostrar que para a atuação profissional humanizada, 
 
13 
 
em qualquer domínio de atuação profissional, é imprescindível ao fisioterapeuta 
preparar-se para atender o paciente, estabelecendo diretrizes essenciais para a 
abordagem e o tratamento proposto ao sujeito-cidadão. 
A este respeito, Gava destaca que as atividades integradas, entre as disciplinas 
do curso de Fisioterapia e outros cursos, são de extrema importância para a formação 
humanizada. Portanto um profissional com competências para a atuação 
multiprofissional, interdisciplinar e com consciência político-social levam 
invariavelmente, а qualidade nos atendimentos, tornando-os mais humanizados, 
independentes da área de atuação (GAVA, 2004, p.104). 
A atuação, nesse sentido, reforça o papel social da profissão que, segundo 
Almeida e Guimarães (2009, p.83) “é construído pelos fisioterapeutas por suas práticas, 
que carregam significados relacionados com a forma de compreender a sociedade, com 
sua visão de saúde, com as relações de poder estabelecidas em seu espaço”. Nesse 
sentido, entende-se que a perspectiva humanizada no processo de formação do futuro 
profissional funciona como um intercâmbio entre os indivíduos diretamente envolvidos 
no processo de tratamento – o fisioterapeuta e o paciente e os indiretamente envolvidos 
(outros profissionais, familiares, cuidadores, etc.). 
Portanto, uma formação humanizada pressupõe ao fisioterapeuta uma reflexão 
ética profissional de sua atuação e a responsabilidade com o processo de reabilitação, 
em seus diferentes contextos, estritamente ligado ao seu papel na sociedade. O contexto 
prático da profissão impõe questões fundamentais que podem contribuir para a 
reorientação da conduta profissional. Como parte desse processo de reorientação, em 
seu contexto atual, a fisioterapia busca rever o seu papel profissional e social. 
Assim, cabe ao fisioterapeuta, mais que somente aplicar técnicas, respeitar a 
integralidade do paciente, como um ser que está no mundo e como um corpo que 
carrega uma identidade. Corroborando Martins, o profissional de saúde que desenvolve 
atividade assistencial (médico, enfermeiro, fonoaudiólogo, psicólogo, fisioterapeuta, 
odontólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, assistente social, ortoptista, dentre 
outros), além das ações e procedimentos técnicos ligados à sua área específica, 
estabelece sempre, com as pessoas que atende, relações interpessoais (MARTINS, 2001, 
p.21). 
Seu trabalho depende, portanto, da qualidade técnica e da qualidade interacional. 
Eis a base do trabalho humanizado, em qualquer domínio de atuação profissional 
(público, privado e autônomo): interagir dimensão técnica e dimensão sensível do 
 
14 
 
humano que trata outro humano. Isto fundamenta uma atuação com real significado 
prático, para um maior potencial para promover saúde e melhor qualidade de vida para 
ambos, profissional e paciente. 
 
Avaliação fisioterapêutica do paciente idoso 
 
Em conjunto, a abordagem, a avaliação e a proposta fisioterapêutica formam 
uma tríade que promove suporte ao tratamento fisioterapêutico. A abordagem e a 
avaliação são importantes etapas que antecedem a elaboração de uma proposta, pois, 
possibilitam o acesso a variadas informações sobre o paciente, sobre a patologia e o 
contexto de vida no qual está inserido. Estas informações direcionam para a construção 
de uma proposta de tratamento pautada no diagnóstico médico, no diagnóstico 
fisioterapêutico e também por questões apresentadas pelo paciente, além de dados 
relevantes sobre as diferentes esferas que compõem sua vida. A proposta 
fisioterapêutica, construída com o paciente e para ele, é então colocada em prática 
através da conduta terapêutica – o tratamento, propriamente dito. 
Antes de definir o tratamento a ser realizado, o profissional deve se ater aos 
elementos que o antecedem, corroborando Driusso e Chiarello a fim de determinar os 
tipos de assistência necessários para a população idosa e ajudar a realizar os ajustes para 
o seu tratamento, o fisioterapeuta deve conduzir uma ampla avaliação, tornando 
possível um cuidadoso diagnóstico fisioterapêutico que deve preceder todo tipo de 
decisão fisioterapêutica (DRIUSSO; CHIARELLO, 2007, p.11). 
Esta decisão fisioterapêutica é construída com o paciente desde o primeiro 
contato profissional. 
Driusso e Chiarello (2007, p.23), reforçam ainda que “a escolha do tratamento 
adequado (técnica a ser utilizada), a indicação e a periodicidade devem ser definidas 
pelo diagnóstico fisioterapêutico (anamnese)”. Ou seja, muito antes da proposta de 
tratamento e da conduta práticaem si, o fisioterapeuta deve se preocupar com a 
abordagem e a avaliação, auxiliando a conclusão assertiva no diagnóstico e no 
direcionamento do tratamento fisioterapêutico proposto. De acordo com Izzo (2003, 
p.22), “a programação do tratamento fisioterapêutico deve ser elaborada de acordo com 
as informações obtidas na avaliação, dependendo da necessidade de cada paciente”. 
Esta programação do tratamento diz respeito ao diagnóstico fisioterapêutico e sua 
 
15 
 
proposta de atendimento para alcançar os resultados esperados. 
O termo Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), segundo Costa e Monego (2003), 
começou a ser utilizado pela médica britânica Marjory Warren, no final da década de 
trinta, quando advogou que todo idoso deveria receber este tipo de avaliação. Para estes 
autores, Costa e Monego, Os conceitos básicos e parâmetros utilizados atualmente na 
AGA evoluíram ao longo de setenta anos incorporando elementos do exame clínico 
tradicional, da avaliação realizada por assistentes sociais, da avaliação funcional 
realizada pelos especialistas em reabilitação, da avaliação nutricional e dos métodos de 
avaliação neuropsicológica. (COSTA; MONEGO, 2003, p.1). 
No ano de 1987, a Sociedade Americana de Geriatria (American Geriatrics 
Society) definiu avaliação geriátrica ampla (AGA) – Comprehensive Geriatrics 
Assessment – como “uma avaliação multidisciplinar na qual os múltiplos problemas das 
pessoas idosas são descobertos, descritos e explicados, se possível, e na qual os recursos 
e potencialidades da pessoa são catalogados, necessidades de serviços avaliados e um 
plano de assistência coordenada, desenvolvido para concentrar as intervenções no 
problema das pessoas” (JAGS, 1989, p. 473, tradução livre). Este conceito corrobora o 
ponto de vista do presente estudo, principalmente relacionado às intervenções com foco 
nos problemas das pessoas. Adicionalmente ao padrão propedêutico em fisioterapia, 
uma avaliação abrangente e estruturada possibilita ampliar os recursos para o 
diagnóstico e o acompanhamento do tratamento proposto, além de fornecer parâmetros 
validados para os resultados apresentados. 
No Brasil, como apontam Paixão e Reichenheim (2005, p. 8), “na área da 
avaliação funcional permanece o uso assistemático de instrumentos. Possivelmente, 
pouco existe em termos de adaptação de instrumentos funcionais para o contexto 
brasileiro, fato que exige um aprofundamento”. Assim, cabe destacar a importância do 
profissional de fisioterapia no alinhamento da conduta de abordagem e de avaliação, 
contribuindo para a adaptação e validação de instrumentos utilizados na avaliação da 
capacidade funcional do idoso. 
Camara (2008), Shubert (2006) e Okuma (1997) destacam que o conceito de 
capacidade funcional pode ser definido como a eficiência do idoso em corresponder às 
demandas físicas do cotidiano, que compreende desde as atividades básicas para uma 
vida independente até as ações mais complexas da rotina diária. Assim, evidencia-se a 
preocupação em utilizar instrumentos de abordagem e, sobretudo, de avaliação da 
capacidade funcional, principalmente se destina a avaliar idosos que, conforme ressalta 
 
16 
 
Spirduso, têm uma variedade mais ampla de diferenças individuais na função física do 
que qualquer outra faixa etária. Indivíduos variam desde aqueles que são fisicamente 
incapazes de cuidar de si mesmos, e consequentemente são dependentes de outros, até 
indivíduos que estão em seus 80 anos e ainda correm maratonas (SPIRDUSO, 2005, p. 
400). 
Dessa forma, a importância em avaliar a capacidade funcional do idoso reside na 
possibilidade de predizer incapacidades funcionais que podem repercutir negativamente 
em outras dimensões da vida, afetando a interação dos elementos que garantem a 
manutenção da qualidade de vida dos idosos. Segundo Litvoc e Brito (2004), em relação 
ao que fundamenta a importância da capacidade funcional, pode-se destacar a 
prevalência de idosos com capacidade funcional plenamente preservada, o caráter de 
indicador de evolução negativa e o sofrimento a que o idoso é submetido quando ocorre 
perda de função. 
Tendo em vista a importância da avaliação da capacidade funcional de idosos e a 
fim de colaborar com a prática fisioterapêutica, destaca-se a importância do uso de 
instrumentos de avaliação de capacidade funcional, validados e adaptados para uso no 
Brasil. Paixão e Reichenheim (2005) argumentam que há pouca preocupação em se 
adaptar formalmente instrumentos na dimensão de estado funcional no Brasil e que usar 
um instrumento não adaptado formalmente pode invalidar todo um processo de 
investigação que deve ser o constante processo avaliativo funcional. 
Dentre os instrumentos de avaliação de capacidade funcional, a AGA sugere o 
uso da escala de Barthel; Índice de Katz e MIF para avaliar ABVD (Atividades Básica 
de Vida Diária) e sugere o uso da escala de Lawton; Questionário de Atividades 
Funcionais Pfeffer e o MIF (Medida de Independência Funcional) para avaliar AIVD 
(Atividades Instrumentais de Vida Diária). Dentre os instrumentos validados e 
adaptados para uso no Brasil, espera-se contemplar tanto as escalas de Atividades 
Básica de Vida Diária (ABVD), que avaliam atividades relacionadas às questões de 
sobrevivência: alimentar-se, vestir-se, banhar-se, higiene pessoal, transferir-se de um 
local a outro, citadas por Maciel, 2002; Rebelatto e Morelli, 2004; Perracini e Fló, 2009; 
bem como as Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD), citados pelos mesmos 
autores, que avaliam atividades como, por exemplo, gerir as próprias finanças, utilizar o 
telefone, sair só, fazer compras; Assim como as Atividades Avançadas de Vida Diária 
(AAVD) que avaliam questões relacionadas às atividades sociais, ocupacionais e de 
lazer, citado por Paixão e Reichenheim, 2005; Melo, 2009 e Dias, 2009. Os autores 
 
17 
 
Paixão e Reichenheim (2005), ainda incluem a avaliação do Estado Geral de Saúde e 
Qualidade de Vida ou Medidas de Qualidade de Vida relacionada à Saúde (EGS-
QUAL). 
Assim, entende-se que a avaliação fisioterapêutica do paciente idoso deve 
contemplar uma compreensão de capacidade funcional em, no mínimo, três níveis 
instrumentais de atividades: básico (ABVD), instrumental (AIVD) e avançado (AAVD), 
além de incluir a qualidade de vida relacionada à saúde (EGS-QUAL) do paciente. Os 
dois primeiros grupos de atividades (ABVD e AIVD) são avaliados mediante 
protocolos/instrumentos bastante utilizados por profissionais de saúde, tanto em 
pesquisas como na atuação prático profissional. O último grupo de atividade (AAVD) 
aparece discretamente nas pesquisas e de maneira informal na atuação prático-
profissional. 
Após uma revisão sobre instrumentos de avaliação do estado funcional do idoso, 
o estudo de Paixão e Reichenheim (2005) apontaram que o instrumento da Escala de 
Barthel (1965), embora tenha sido o instrumento mais utilizado e com maior 
validade/confiabilidade para avaliar as Atividades Básicas de Vida Diária (ABVD) este 
instrumento não possui adaptação para o contexto brasileiro e apontam o The Health 
Assessment Questionnaire (HAQ) como o instrumento mais utilizado e com maior 
validade/confiabilidade para avaliar as Atividades Instrumentais de Vida Diária 
(AIVD), contudo, destacam que somente a dimensão incapacidade física ou habilidades 
físicas do questionário foi adaptada para o contexto brasileiro, através dos estudos de 
Ferraz et al (1990). Outros estudos como o de Maciel, 2002; Rebelatto e Morelli, 2004; 
Perracini e Fló, 2009 também citam a Escala de Barthel como uma das mais conhecidas 
e utilizadas na avaliação das ABVDs e a Escala de Lawton e Brody (1969) como uma 
das preferidas para avaliar as AIVDs. Contudo, não aprofundam nas questões 
relacionadas a confiabilidade, a adaptação e a validação desses instrumentos de 
avaliação das capacidades funcionais para o contexto brasileiro. 
AEscala de Atividades Avançadas de Vida Diária, AAVD, ainda não representa 
um instrumento com confiabilidade, adaptação e validação para o contexto brasileiro 
visto que, para o estudo de Paixão e Reichenheim (2005, p.10), “não foram encontrados 
instrumentos estruturados que avaliassem especificamente a subdimensão AAVD”, 
mesmo sendo originalmente desenvolvida por Reuben e Solomon (1989) e referida no 
Brasil em estudos como o de Dias, 2009; Melo, 2009; Aykawa e Neri, 2005 e Pascoal, 
1986. Para avaliar as Medidas de Qualidade de Vida relacionada à Saúde (EGS-QUAL), 
 
18 
 
Paixão e Reichenheim (2005), destacam os estudos de Ciconelli (1997), por realizarem 
a adaptação do instrumento SF-36 para o contexto brasileiro. 
Dessa forma, considerando Avaliação Geriátrica Ampla (AGA) e com base na 
literatura científica sobre a avaliação das capacidades funcionais é necessário ao 
fisioterapeuta ampliar o conhecimento sobre instrumentos validados e adaptados para o 
Brasil. Para Paixão e Reichenheim (2005, p.17), “um 'mapeamento' mais sistemático e 
elaborado de instrumentos de avaliação de idoso servirá de auxílio na tomada de decisão 
(...) e o desenvolvimento do instrumental de aferição relativa ao idoso e à AGA em 
particular, certamente se beneficiará desta perspectiva”. Parte desta premissa para o 
debate a respeito do alinhamento da conduta fisioterapêutica na avaliação de pacientes 
idosos. Spirduso (2005, p. 402) lembra que “existem poucos testes que podem 
discriminar ou detectar o risco de membros desse grupo se moverem da independência 
física para a fragilidade física”. No processo entre a independência física - almejada no 
trabalho da reabilitação, e a fragilidade física - tema central do trabalho preventivo com 
idosos, a prática do fisioterapeuta, no que diz respeito a avaliação do idoso, deve 
corroborar com o conceito de avaliação geriátrica ampla. 
Isso reforça a importância para a fisioterapia em se preocupar com as dimensões 
que afetam a capacidade funcional do paciente, a qual não se resume às ABVD e às 
AIVD, mas também inclui as AAVD, a QV e outras dimensões da vida do paciente. E, 
isso corrobora autores como Maciel (2002), Rebelatto e Morelli (2004), e Perracini e 
Fló (2009) que apontam a importância de uma avaliação geriátrico-gerontológica 
abrangente, multidimensional. O presente estudo propõe, com base nos diferentes 
autores e inspirado no modelo de Avaliação Geriátrica Ampla se ater às questões 
referentes à funcionalidade do paciente e da qualidade dessas funções em interação com 
a saúde mental e o funcionamento social do idoso em tratamento fisioterapêutico. 
Somente avaliar as ABVDs e as AIVDs não traduziria a capacidade funcional do 
paciente idoso em sua totalidade. 
Considera-se importante avaliar, em relação aos parâmetros associados à 
capacidade funcional, não somente as atividades básicas e instrumentais, mas também 
as atividades avançadas do paciente, indo ao encontro de Dias (2009) e Melo (2009), 
corroborando Reuben e Solomon (1989). Estes autores referem que a perda da 
capacidade funcional para AAVD prediz o declínio funcional nas ABVDs e AIVDs. A 
inclusão da atenção às AAVDs se faz de grande importância para uma avaliação mais 
abrangente em fisioterapia, assim como as medidas de qualidade de vida em saúde. 
 
19 
 
A avaliação realizada no contexto do atendimento domiciliar permite ao 
profissional de fisioterapia uma maior na exploração/observação da capacidade 
funcional do paciente e do seu desempenho em diferentes atividades no contexto em 
que vive. Nesse contexto de atendimento, a avaliação ampla é ainda mais importante em 
virtude da inserção do profissional na vida/domicílio do paciente idoso, mediante uma 
nova díade de relação interpessoal que precisa cooperar para a promoção/prevenção de 
saúde. Driusso e Chiarello (2007, p.11) apontam que “infelizmente, a avaliação 
funcional cuidadosa do idoso geralmente é negligenciada”, tanto por questões 
relacionadas ao ambiente de trabalho, ao tempo, à formação acadêmica ou mesmo à 
postura do profissional em relação ao enfrentamento das questões sobre 
envelhecimento. Gazzola (2009, p.28), aponta também alguns aspectos relacionados à 
utilização de instrumentos de capacidade funcional como a falta de tempo e de contexto 
ambiental apropriado para a avaliação do domínio de saúde físico-funcional do idoso. 
O trabalho de reabilitação com idoso, muitas vezes portador de patologias 
crônicas, sem possibilidades de cura, requer um esforço maior por parte do profissional 
para conseguir atender às queixas do paciente e à controlar as condições patológicas, 
principalmente as crônicas, que contribuem para o aumento de perdas funcionais, 
prejudicando sua condição de saúde. Para Mendes as condições de saúde podem ser 
definidas como as circunstâncias na saúde das pessoas que se apresentam de forma mais 
ou menos persistentes e que exigem respostas sociais reativas ou proativas, episódicas 
ou contínuas e fragmentadas ou integradas, dos sistemas de atenção à saúde, dos 
profissionais de saúde e das pessoas usuárias (MENDES, 2012, p.31). 
Logo, é pertinente ao fisioterapeuta fornecer respostas proativas em relação à 
condição de saúde crônica, a qual o paciente idoso, muitas vezes, se encontra. 
É importante considerar uma postura profissional comprometida com a 
promoção da saúde deste paciente Corroborando Mendes, Se, de um lado, as condições 
agudas manifestam-se inequivocamente por eventos agudos, percebidos subjetiva e/ou 
objetivamente, as condições crônicas podem apresentar, em determinados períodos de 
sua história, eventos agudos, também percebidos objetiva ou subjetivamente, muitas 
vezes causados pelo mau manejo dessas condições crônicas. (...) Portanto, os eventos 
agudos são diferentes de condições agudas e é comum que ocorram, também, nas 
condições crônicas. As condições agudas manifestam-se, em geral, por eventos agudos; 
as condições crônicas, também, podem se manifestar, em momentos episódicos e de 
forma exuberante, sob a forma de eventos agudos. (MENDES, 2012, p.33) 
 
20 
 
Desta perspectiva, portanto, é esperado do profissional de fisioterapia, 
principalmente o que trabalha com idosos, a compreensão dos diferentes níveis de 
atenção à saúde física/funcional do paciente. As condições crônicas não significam 
condições sem possibilidades de intervenção fisioterapêutica e, cabe lembrar, que as 
orientações são, dentre os outros recursos disponíveis, necessárias a uma atuação 
profissional pautada em qualidade. 
A preocupação central do fisioterapeuta deve estar focada no paciente e no seu 
contexto de vida e, segundo Gazzola (2009, p.29), “trata da capacidade do idoso em 
locomover-se dentro e fora de casa”. O fisioterapeuta deve observar e realizar uma 
avaliação físico-funcional, relacionadas à aptidão do paciente para realizar diferentes 
atividades, considerando sua funcionalidade em questões relacionadas ao equilíbrio, à 
marcha e à capacidade funcional. 
De certa forma, ainda hoje, a herança do modelo biomédico impregna a conduta 
fisioterapêutica. Cabe destacar o modelo de atendimento adotado nos estágios, 
realizados nas clínicas dos cursos de graduação, que enfatizam o atendimento em grupo, 
com base no volume de atendimento; o modelo adotado por clínicas (de convênio ou 
particulares) que utilizam da mão de obra de estagiários, sem supervisão de um 
profissional, para realização de tratamentos e a excessiva objetividade à avaliação 
funcional, preocupada em demasia com ângulos e medidas, que são importantes 
indicadores, mas que não podem se constituir como um único parâmetro de avaliação. 
 
ENVELHECIMENTO: ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS 
 
De acordo com Veras (2008), a longevidade da população não é um fenômeno 
mundial novo e traz importantes repercussões nos campos social e econômico. Este 
processo, vem se manisfetando de forma distinta entreos diversos países do mundo. 
China, Japão e outros países da Europa, além da América do Norte, convivem, já 
há algum tempo, com um grande contingente de idosos. Na atualidade, entre os 11 
países com as maiores populações de idosos, oito pertencem ao grupo dos chamados 
países em desenvolvimento (GARRIDO & MENEZES, 2002; KALACHE, 1987; 
NETTO, 2002; RAMOS, 1987). 
 Durante as quatro primeiras décadas do século XX, a população brasileira era 
extremamente jovem; o grupo com menos de 15 anos representava entre 42% e 46% da 
 
21 
 
população total; neste período, os idosos representavam tão somente 2,5% da 
população. A partir de 1940, nosso País começou a experimentar o declínio das taxas de 
mortalidade; declínio que se prolonga até a atualidade (CHAIMOWICZ, 1997; NETTO, 
2002). 
 A queda das taxas de mortalidade resultou de razões diversamente situadas: 
urbanização crescente, melhoria nutricional, elevação dos níveis de higiene pessoal e 
melhores condições sanitárias (tanto nos espaços domésticos, como no trabalho), 
desenvolvimento de novas tecnologias diagnósticas, de procedimentos terapêuticos e de 
medicamentos, descoberta de vacinas, dentre outros. De início, o declínio das taxas de 
mortalidade ocorreu entre os portadores de doenças infectocontagiosas; antes, a pessoa 
ou era tratada do quadro clínico agudo ou falecia. Os que sobreviviam estavam sujeitos 
a complicações de caráter crônico degenerativo, como ocorreu na Europa no século 
XIX, no caso da tuberculose. As pessoas que sobreviveram foram as que, de alguma 
forma, se beneficiaram dos avanços ocorridos na área da saúde, seja através de exames 
radiográficos, da vacina BCG e de drogas potentes no combate da incidência e 
prevalência da tuberculose (KALACHE, 1987; VERAS, 1987). 
Paulatinamente, o perfil epidemiológico da população foi se modificando. Ao 
invés de processos agudos que “se resolvem” rapidamente (pela cura ou óbito), as 
doenças crônicas e suas complicações tornaram-se predominantes. 
 A consequência foi o aumento de incapacidades e dependência; aumento que 
levou à maior utilização dos serviços de saúde. É dentre os profissionais que atuam 
nestes serviços que se encontra o fisioterapeuta. Mas foi somente a partir de 1960, com 
o declínio das taxas de fecundidade em algumas regiões mais desenvolvidas do Brasil, 
como Regiões Sudeste e Sul, que teve início o processo de envelhecimento 
populacional. À época, a porcentagem de jovens declinou de 41,9% para 34,7% e a 
proporção de idosos cresceu de 3,1% para 4,8% (CHAIMOWICZ, 1997; PETRINI, 
2003 e RAMOS, 1987). 
Como se sabe, o envelhecimento populacional resulta da articulação entre a 
queda das taxas de fecundidade, a diminuição da mortalidade e o aumento da 
expectativa de vida ao nascer. (PASCHOAL & SALLES & FRANCO, 2006). 
De acordo com o último PNAD (2008; IBGE, 2009) a população com 60 anos 
ou mais de idade representava, no Brasil, 11,1% da população total. Em números 
absolutos, os idosos somavam, em 2008, 21 milhões de pessoas. 
 
 
22 
 
 
 
 
 
 
 
 
Estes dados são apresentados nas figuras que se seguem. 
 
Figura: Brasil: Esperança de Vida ao Nascer 
Fonte: Data Sus/GOV.BR 
 
 
 
 
23 
 
Figura: Esperança de Vida aos 60 anos, por sexo. 
Fonte: Data Sus/GOV.BR 
 
 Figura- Brasil: Evolução das Taxas de Fecundidade 
Fonte: IBGE/ PNADs e Censo 
 
 
 
 
Matéria publicada na Folha OnLine, em 09/10/2009, revela que: O número de 
brasileiros com mais de 80 anos de idade cresceu cerca de 70% entre 1998 e 2008, 
segundo a Síntese dos Indicadores Sociais 2009, feita com base em dados da Pnad 2008 
(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística), o envelhecimento da população fez com que o número de 
brasileiros nesta faixa etária atingisse o número de 3 milhões de pessoas no ano 
passado. Já a população com mais de 60 anos corresponde a cerca de 21 milhões dos 
brasileiros. De 1998 e 2008, a proporção de pessoas nesta faixa etária aumentou de 
8,8% para 11,1%. Rio de Janeiro (14,9%) e Rio Grande do Sul (13,5%) são os Estados 
com maior percentual de idosos. 
Segundo Schwarz (2009), o Brasil pode ser considerado um país de meia-idade; 
conforme dados da ONU, deverá ser nos próximos 40 anos, o país mais envelhecido do 
continente latino-americano, considerando-se a população com mais de 60 anos no 
conjunto da população brasileira. Estima-se que entre 2000 e 2025 será registrado o 
mais rápido aumento na proporção de idosos; a participação destes na população total 
deverá atingir 14,2%. Por volta de 2080, à proporção de jovens e idosos deverá se 
 
24 
 
estabilizar, com respectivamente 20% e 15% do total. Entre 1960 e 2025, o Brasil 
deverá passar da 16ª para a 6ª posição mundial em termos de números absolutos de 
indivíduos com 60 anos ou mais (CHAIMOWICZ, 1997; KALACHE, 1987; e 
RAMOS, 1987). 
Como citado anteriormente, o perfil da população idosa modificou, passando a 
existir um maior número de idosos com algum grau de dependência ou incapacidade na 
realização das atividades diárias. Para que o idoso consiga realizar as atividades diárias 
é necessário que ele passe por uma avaliação conforme a Política Nacional de Saúde da 
Pessoa Idosa (1999) do Ministério da Saúde. 
Tal política preconiza a realização de uma avaliação funcional no idoso, já que 
ela é fundamental e determinará o seu comprometimento funcional. 
Esta avaliação representa uma maneira de medir se uma pessoa é ou não capaz 
de desempenhar as atividades do seu cotidiano. Didaticamente estas atividades podem 
ser subdivididas em: 
Atividades de Vida Diária (AVD): são as atividades relacionadas ao 
autocuidado e que, no caso de limitação de desempenho, requerem a presença de um 
cuidador para auxiliar a pessoa idosa a desempenhá-las. São elas: alimentar-se; banhar-
se; vestir-se; mobilizar-se; deambular; ir ao banheiro; manter controle sobre suas 
necessidades fisiológicas. 
a) Atividades Instrumentais da Vida Diária: (AIVD) são as atividades 
relacionadas à participação do idoso na sociedade e indicam a capacidade com que ele é 
independente dentro da comunidade. São elas: utilizar meios de transporte; manipular 
medicamentos; realizar compras; realizar tarefas domésticas leves e pesadas; utilizar o 
telefone; preparar refeições; cuidar das próprias finanças. 
 Hoje existem vários instrumentos à disposição do profissional para realizar a 
avaliação destas atividades, que podem ser utilizados no momento da avaliação ao 
idoso. 
 Quando se avalia a funcionalidade da pessoa idosa é necessário diferenciar os 
termos “desempenho” e “capacidade funcional”: 
 O “Desempenho” avalia o que o idoso realmente faz no seu dia-a-dia; 
 A “Capacidade Funcional” avalia o potencial que a pessoa idosa tem para 
realizar a atividade, podendo esta ser utilizada ou não. 
 Um exemplo é quando o idoso tem carro, mas não o dirige, pois, a família tem 
medo que ocorra um acidente. Por conta disto, o idoso não desempenha a função de 
 
25 
 
dirigir por impedimento da família, embora possua capacidade funcional para executá-
la. 
Portanto, no contexto do envelhecimento, o conceito de “capacidade funcional” 
é muito importante, sendo definido como o grau de preservação da habilidade em 
executar, de forma autônoma e independente, as atividades de vida diária e as atividades 
instrumentais de vida diária. Em vista disto, este conceito está intimamente ligado à 
manutenção de autonomia e qualidade de vida. (GARRIDO & MENEZES, 2002). 
E em se tratando da questão da autonomia, dois outros conceitos estão 
intimamente relacionados; “independência” e “dependência”. 
A “autonomia” pode ser definida como a capacidade de se autogerir, de ter 
controle sobre si mesmo; ela se expressa na liberdade para agir e tomar decisões; a 
autonomia significa a condição de relacionar-se comas pessoas de modo igualitário, 
permitindo o respeito pelas capacidades do outro. (Cadernos de Atenção Básica, 2006; 
MONTEIRO, 2008) 
Para Monteiro (2008) independência física é o ato de agir com o corpo em todos 
os sentidos, significa ser capaz de realizar as atividades sem ajuda de outra pessoa. Por 
fim, “dependência” significa incapacidade de realizar as atividades cotidianas sem a 
ajuda de outra pessoa. 
 Muitas pessoas mantêm sua autonomia (capacidade de decisão) embora sejam 
dependentes (incapacidade física para executar uma determinada ação). A título de 
exemplificação podemos citar um idoso que apresenta, após um infarto, limitação em 
sua mobilidade, requerendo auxílio para se alimentar (dependência), mas com 
capacidade de decidir o horário da refeição e a comida que prefere comer (autonomia). 
As capacidades de tomar decisões e de se autogerir podem ser comprometidas por 
doenças físicas e/ou mentais ou por restrições econômicas e educacionais. 
(Cadernos de Atenção Básica, 2006). 
Com o aumento no número de idosos (absoluto e relativo) que o Brasil tem e 
espera atingir, envelhecer nos dias de hoje já não constitui um grande desafio. O que 
realmente importa é conferir e garantir, aos idosos de hoje e aos que o serão no futuro, 
melhoria na qualidade de vida. No entanto, a manutenção da autonomia e da 
independência funcional nas atividades da vida diária é tarefa complexa; tarefa que deve 
representar uma significativa conquista social (KALACHE, 1987; PASCHOAL, 2002; e 
PETRINI, 2003). 
Para Ramos (1987) o pressuposto básico é manter a autonomia do idoso pelo 
 
26 
 
maior tempo possível, pois com a perda da autonomia, a sobrecarga para família e para 
o sistema de saúde tende a se tornar insuportável, já que o idoso pode entrar em um 
estado de incapacidade. 
Considerando a valorização da autonomia e da independência funcional, o que 
observamos, na atualidade, é uma mudança de paradigma; começamos a superar o 
paradigma cartesiano-newtoniano – pautado nos princípios da racionalidade, 
objetividade e quantificação como únicos meios de se chegar ao conhecimento - e 
passamos a nos orientar pelo paradigma funcional, que valoriza a funcionalidade do 
indivíduo a partir de uma perspectiva multidimensional. 
A distância que separa os dois paradigmas é grande; o que está em jogo são 
sistemas médicos antigos e opostos: um ocidental, outro oriental. O primeiro, ocidental 
hipocrático, emergiu de uma tradição grega de cura. No âmago da medicina hipocrática, 
as doenças são consideradas fenômenos naturais que podem ser cientificamente 
estudadas e influenciadas por procedimentos terapêuticos e pela conduta ou disciplina 
de vida de cada indivíduo. O segundo - o oriental – em oposição ao pensamento grego, 
os chineses não estavam muito interessados em relações causais, mas nos modelos 
sincrônicos de coisas e eventos, esse pensamento é do tipo correlativo e dinâmico 
(TEIXEIRA, 1996). 
Nesse último, a saúde é estudada como um grande sistema, como um fenômeno 
multidimensional que envolve aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais; todos 
interdependentes e não organizados em uma sequência de passos e medidas isoladas 
para atender cada uma das dimensões apontadas. 
É preciso um novo conceito de saúde; um conceito que a considere como 
equilíbrio dinâmico. Há que se rever o papel do paciente. É preciso mostrar ao indivíduo 
a possibilidade de sua autocura. Um dos enfoques deste novo modelo é a manutenção da 
saúde. Os profissionais de saúde deverão redimensionar suas práticas e relações com 
seus pacientes; a finalidade principal será educar o paciente acerca da natureza e do 
significado da enfermidade e das possibilidades de mudança no estilo de vida que o 
levou à doença. (CAPRA apud TEIXEIRA, 1986). 
Diante da afirmação acima de (CAPRA apud TEIXEIRA, 1986), menciono a 
seguinte citação de Freire (2009): O que realmente importa ao ajudar o homem é ajudá-
lo a ajudar-se; é fazê-lo agente de sua própria recuperação, é colocá-lo numa postura 
consciente diante de seus problemas. 
Para melhor compreender esta mudança no paradigma da saúde é fundamental 
 
27 
 
recorrer ao histórico das Classificações Internacionais de Saúde, formuladas pela 
Organização Mundial de Saúde (OMS). Elas representam modelos consensuais a serem 
incorporados pelos Sistemas de Saúde, gestores e usuários, visando a utilização de uma 
linguagem comum para a descrição de problemas ou intervenções em Saúde (FARIAS, 
e BUCHALLA, 2005). 
Ao estudar a trajetória da “Família de Classificações Internacionais” formuladas 
pela Organização Mundial de Saúde (WHO; Family of International Classifications - 
WHO-FIC), é interessante observar o quanto elas estão evoluindo para um modelo de 
classificação que seja mais abrangente, funcional e que consiga realizar uma avaliação 
biopsicossocial do paciente. 
A “Família de Classificações Internacionais” tem o objetivo de promover a 
seleção apropriada de classificações em vários campos da saúde, em todo o mundo. 
Estas facilitam o levantamento, consolidação, análise, interpretação de dados e a 
formação de bases de dados nacionais consistentes, além de permitirem a comparação 
de informações sobre populações ao longo do tempo entre regiões e países (FARIAS, e 
BUCHALLA, 2005). 
As condições de saúde relacionadas às doenças, transtornos ou lesões são 
classificadas na CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas 
Relacionados à Saúde), fornecendo um modelo baseado na etiologia, anatomia e causas 
externas das lesões. 
Para incorporar mudanças em relação aos avanços médicos, a CID é revisada 
periodicamente. Até hoje já foram feitas dez revisões, na seguinte ordem cronológica: 1ª 
revisão: 1900/1909; 2ª revisão: 1910/1920; 3ª revisão: 1921/1929; 4ª revisão: 
1930/1938; 5ª revisão: 1939/1948; 6ª 1949/1957; 7ª revisão 1958/1967; 8ª revisão 
1968/1978; 9ª revisão 1979/1992; e 10ª revisão 1993. 
A 10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) foi aprovada 
em Genebra no ano de 1989; entrou em vigor quatro anos depois, em primeiro de 
Janeiro de 1993, após a necessária preparação de material de orientação e formação. 
A Classificação Internacional de Doenças (CID) foi projetada com o intuito de: 
• Classificar informações de mortalidade e morbidade para a realização de 
análises estatísticas; 
• Promover análises internacionais comparativas em relação à coleta, 
processamento, classificação e apresentação de estatísticas de morbi-mortalidade; 
 
28 
 
• Permitir a indexação de dados hospitalares em relação a doenças e 
procedimentos cirúrgicos para que os mesmos sejam armazenados e futuramente 
analisados. 
 Consiste em uma lista contendo: 
 Códigos numéricos das doenças em forma tabular; 
 Um índice alfabético para a procura de doenças; 
 Um sistema de classificação para procedimentos cirúrgicos, diagnósticos e 
terapêuticos. 
 Dessa forma, a CID-10 constitui um instrumento útil para as estatísticas de 
saúde, tornando possível monitorar as diferentes causas de morbidade e de mortalidade 
em indivíduos e populações. A necessidade de se conhecer o que acontece com os 
pacientes após o diagnóstico, no decorrer do tempo - principalmente em relação às 
doenças crônicas e aos acidentes, - torna-se cada vez mais importante para a área da 
saúde. Conhecer as causas de morte e as doenças mais frequentes, em época que a 
expectativa de vida aumenta e a tecnologia ajuda a medicina a prolongar a vida humana, 
pode não ser suficiente para o planejamento de ações de saúde (SAMPAIO ET AL, 
2005). 
 Paralelamente ao uso e revisões da CID foram propostos alguns modelos para 
nortear as discussões e pesquisas sobre o tema “incapacidade”; estes modelos refletem a 
mudança de uma abordagem baseada na doença para outra que enfatiza a funcionalidade 
como um componente da saúde. Por“incapacidade” se entende o(s) impacto(s) que as 
condições agudas e crônicas têm nas funções corporais e na habilidade de o indivíduo 
atuar de modo esperado e pessoalmente desejável na sociedade. (SAMPAIO ET AL, 
2005). 
 O primeiro modelo de incapacidade foi desenvolvido por Saad Nagi, na década 
de 1960 (tabela 1). Fundamentado na teoria sociológica, descreve o processo de 
“incapacidade” tendo como ponto central quatro conceitos: “patologia ativa”, 
“disfunção”, “limitação funcional” e “incapacidade”. Nagi estabeleceu uma relação 
linear entre os componentes presentes desde o início da doença até a instalação da 
incapacidade (SAMPAIO ET AL, 2005). 
 
 
 
 
 
29 
 
 
 
 
Tabela - Perspectiva histórica dos principais modelos de função e disfunção 
humana. 
 
Fonte: (SAMPAIO ET AL, 2005) 
 
 Em 1980, uma versão modificada do modelo de Nagi foi proposta pela 
Organização Mundial de Saúde (OMS) com o objetivo de responder às necessidades de 
se conhecer mais sobre as consequências das doenças. A versão - denominada de 
 
30 
 
International Classification of Impairment, Disabilities and Handicaps (ICIDH) – foi 
traduzida para o português como 
Classificação Internacional das Deficiências, Incapacidades e Desvantagens 
(CIDID) (FARIAS, e BUCHALLA, 2005). 
 De acordo com esta classificação, a “impairment” (deficiência) é descrita como 
anormalidades nos órgãos, sistemas e estruturas do corpo; nesta classificação, 
“disability” (incapacidade) é caracterizada como consequência da deficiência do ponto 
de vista do rendimento funcional, ou seja, no desempenho das atividades. Enquanto 
“handicap” (desvantagem) reflete a adaptação do indivíduo ao meio ambiente resultante 
da deficiência e incapacidade. (FARIAS, e BUCHALLA, 2005) 
O modelo da CIDID descreve, como uma sequência linear, as condições 
decorrentes da doença: Doença Deficiência Incapacidade Desvantagem. Ao se analisar 
esta sequência observa-se alguns equívocos. Isto porque esta sequência não pode, na 
prática, ser linear, ou seja, uma doença pode tornar o indivíduo incapaz, não 
necessariamente tendo passado pela etapa da deficiência, como é muitas vezes 
verificado quando o paciente sofre um AVC (acidente vascular cerebral). Outro 
equívoco neste modelo da CIDID é a desconsideração de aspectos sociais, ambientais e 
relacionais do indivíduo. Enfim, o que verificamos é um enfoque negativo; enfoque no 
qual considera o que o indivíduo não está fazendo mais (FARIAS, e BUCHALLA, 
2005). 
 Embora esses modelos tenham contribuído para uma compreensão mais 
abrangente do processo de incapacidade, diversos autores argumentam sobre suas 
limitações em explicar os fenômenos de funcionalidade e de incapacidade humana. 
 Em 2000, após diversas revisões, a ICIDH-2 foi aprovada. A nova versão 
engloba o chamado modelo biopsicossocial, uma síntese das abordagens médica e social 
no processo de incapacidade. As três dimensões descritas previamente na ICIDH foram 
então definidas como: disfunção, limitação de atividade e restrição de participação. 
Esses domínios apresentam a mesma significância e são independentes uns dos outros 
no processo de incapacidade. (SAMPAIO ET AL, 2005). 
No ano de 2001, a OMS finalmente aprovou a International Classification of 
Functioning, Disability and Health (ICF). A versão em língua portuguesa foi traduzida 
pelo Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde para a “Família de 
Classificações Internacionais em Língua Portuguesa” com o título de “Classificação 
Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, CIF”. 
 
31 
 
 Na versão final da OMS, o modelo da CIF, substitui o enfoque negativo da 
deficiência e da incapacidade por uma perspectiva positiva em que a funcionalidade 
engloba todas as funções do corpo e a capacidade do indivíduo de realizar atividades e 
tarefas relevantes da rotina diária, bem como sua participação na sociedade (SAMPAIO 
ET AL, 2005). 
 
FIGURA - Interação entre os componentes da CIF. Adaptação: OMS (2003) 
Fonte: (SAMPAIO ET AL, 2005) 
 
A CIF representa uma mudança de paradigma para se pensar e trabalhar a 
deficiência e a incapacidade (paradigma funcional), como mencionado anteriormente. 
A funcionalidade é usada no aspecto positivo; a incapacidade corresponde ao aspecto 
negativo. A CIF descreve a funcionalidade e a incapacidade relacionadas às condições 
de saúde, identificando o que uma pessoa “pode ou não pode fazer na sua vida diária” 
(FARIAS, e BUCHALLA, 2005). 
 A CIF é baseada, portanto, numa abordagem biopsicossocial que incorpora os 
componentes de saúde nos níveis corporais e sociais. 
 Segundo a OMS, a CID-10 e a CIF são complementares: a informação sobre o 
diagnóstico acrescido da funcionalidade fornece um quadro mais amplo sobre a saúde 
do indivíduo ou populações. 
 Não existe a CIF sem a CID. A CID fala o que o paciente tem, sua doença, mas 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
não como ele vive. Por exemplo: duas pessoas com a mesma doença podem ter 
diferentes níveis de funcionalidade, enquanto duas pessoas com o mesmo nível de 
funcionalidade não têm necessariamente a mesma condição de saúde (FARIAS, e 
BUCHALLA, 2005). 
 No modelo da CIF cada nível age sobre e sofre a ação dos demais, sendo todos 
influenciados pelos fatores ambientais, como já foi mostrado na Figura. A CIF possui 
diversos usos. Pode ser utilizada nos setores da saúde, educação, previdência social, 
medicina do trabalho, estatísticas e políticas públicas; pode, também, servir de modelo 
de atendimento multidisciplinar. Nos dias atuais, a CIF tem sido mais usada no setor de 
Medicina Física e Reabilitação. 
 Uma das vantagens do uso do modelo da CIF é a possibilidade de 
uniformização de conceitos e de uma linguagem padrão que permite a comunicação 
entre pesquisadores, gestores, profissionais de saúde, organizações da sociedade civil e 
usuários em geral. 
Por ser um modelo ainda recente encontram-se alguns desafios para sua 
implantação, tais como: existem poucos estudos sobre a avaliação de seu impacto na 
atenção à saúde; a classificação é recente, complexa e apresenta certo grau de 
dificuldade em sua utilização; sua aplicação requer um tempo muitas vezes maior do 
que a própria consulta (FARIAS, e BUCHALLA, 2005). 
 Por isso tudo, recomenda-se que mais estudos sejam realizados por profissionais 
e pesquisadores de diversas disciplinas e setores da saúde, incluindo a participação de 
membros de organizações da Sociedade Civil. No que tange à autonomia física e à 
capacidade funcional – antes mencionadas - relacionada ao modelo da CIF, a atuação do 
profissional fisioterapeuta é de fundamental importância, principalmente nos dias de 
hoje, em se tratando do novo paradigma, o paradigma funcional. 
 A utilização do modelo de funcionalidade e incapacidade humana possibilita ao 
fisioterapeuta, em suas avaliações e de intervenções, considerar um perfil funcional 
específico para cada indivíduo. Norteado por esse modelo, o profissional pode 
identificar as capacidades e as limitações que envolvem a saúde e desenvolver um plano 
de tratamento centrado no paciente (SAMPAIO ET AL, 2005). 
 
O IDOSO NA GERIATRIA E NA GERONTOLOGIA 
 
 
33 
 
O termo Gerontologia foi usado pela primeira vez em 1903 por Elie 
Metchnicoff, sucessor de Pasteur; é formado pela união das palavras gregas gero (que 
significa velho) e logia (que significa estudo). Na época, Metchnicoff previu que esse 
campo seria de grande importância no século XX, em decorrência do aumento da 
longevidade, provocado pelos avanços da ciência. (NETTO, 2006). 
 Em 1909, o médico Ignatz L. Nascher introduziu na literatura o neologismo 
“Geriatria” para denotar o estudo clínico da velhice, por analogia à Pediatria, que é o 
estudo clínico da infância. Fundou a Sociedade de Geriatria de Nova Iorque em 1912 e 
publicou o livro Geriatrics em

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