Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1
	PRINCÍPIOS DO DIREITO EMPRESARIAL
1. Princípio da liberdade de iniciativa
· Descrito dentro do artigo 170, caput, da CR/88, tal princípio pode ser visto como direito fundamental à livre produção e circulação de bens e serviços, bem como o respeito dos demais participantes a essa liberdade. A liberdade de iniciativa, pela importância que possui, é a base da ordem econômica do Brasil, ao lado da valorização do trabalho;
· Em rápidas linhas, a livre iniciativa permite ao empresário ingressar no mercado para exercer atividade econômica, considerando ainda a permanência do mesmo nesse meio;
· Contudo, em nome da proteção de minorias e para fazer frente a abusos, esse é talvez o princípio mais afetado pelo Estado, em sua atuação. A intervenção estatal na ordem econômica ocorre sempre que o Estado se vale de medidas capazes de modificar, diminuindo ou impondo condições na iniciativa privada;
· Tal intervenção ocorre com a finalidade de proporcionar bem-estar social às pessoas, bem como desenvolver a economia do país, sempre observando os direitos e garantias individuais assegurados constitucionalmente.
2. Princípio da liberdade de competição
· O presente princípio é uma manifestação direta do princípio da liberdade de competição. Trata-se da possibilidade de os empresários e sociedades empresárias atuarem no mercado e disporem livremente de preços, serviços e mercadorias;
· Assim como o princípio da livre iniciativa, o Estado atua e age para coibir que os agentes econômicos formem monopólios, oligopólios, de modo a viciar o mercado e não permitir a competição;
· O objetivo fundamental da intervenção estatal parte da ideia de assegurar uma estrutura e um comportamento concorrencial dos vários mercados, pressuposto necessário de que o mercado livre irá escolher os melhores e mais capazes nos seus respectivos setores;
· A concorrência é assim encarada como o melhor processo de fazer circular e orientar livremente a mais completa informação econômica, quer ao nível do consumidor, quer ao nível de produtores, assim esclarecendo as respectivas preferências. É por isso que a sua defesa é um objetivo de política econômica.
3. Princípio da função social da empresa
· Sem dúvida nenhuma, o princípio da função social é o mais antigo e o mais presente nas diversas Constituições do Brasil. Diante disso, era previsível que a atual Constituição de 1988 e o Código Civil de 2002 fossem manter o atual princípio no ordenamento jurídico;
· Entretanto, trata-se de princípio de difícil conceituação. Na doutrina, deve-se entender função social da empresa como o respeito aos direitos e interesses que se situam ao lado da atividade empresarial, bem como interesses dos envolvidos nesta atividade, aqui chamados de stakeholders (acionistas, empregados, prestadores de serviço, terceirizados, comunidade em geral);
· Portanto, o conceito de função social da empresa engloba a ideia de que esta não deve visar somente o lucro, mas também preocupar-se com os reflexos que suas decisões têm perante a sociedade, seja de forma geral, incorporando ao bem privado uma utilização voltada para a coletividade; ou de forma específica, trazendo realização social ao empresário e para todos aqueles que colaboraram para alcançar tal fim.
4. Princípio da liberdade de associação
· Nunca é demais lembrar que o Direito Empresarial é um ramo do Direito Privado, que possui um regime jurídico voltado para disciplinar a atividade econômica (atividade empresarial) e seus agentes econômicos (empresários individuais ou sociedades empresárias);
· Diante disso, há a necessidade de se mencionar que o atual ordenamento jurídico, pautado na Constituição, reconhece que o Brasil está inserido na ordem econômica capitalista, ao prever a livre iniciativa como pilar da ordem econômica (artigo 170, caput, CR/88), além de princípios institucionais, como a propriedade privada (artigo 170, II, CR/88) e a livre concorrência (artigo 170, IV, CR/88);
· Partindo de todas essas premissas mencionadas, há necessidade de mensurar que para a liberdade de mercado, há necessidade de liberdade de associação. Tal princípio prega a proteção do livre mercado e dos agentes econômicos, de modo que qualquer um deles possa fazer as trocas voluntárias, movimentando o mercado;
· Lado outro, o princípio da livre associação possui dois campos: (1) positivo (todo e qualquer cidadão pode se associar livremente), (2) negativo (direito de não se associar e de não ficar como associado mais);
· Por fim, como imposição estatal, não se pode ter associações para fins ilícitos e nem as associações de caráter paramilitar, de modo a atentar contra este valor constitucional.
5. Princípio da autonomia patrimonial da pessoa jurídica
· O presente princípio preconiza que há uma separação, uma distinção entre as pessoas naturais e a pessoa jurídica que é formada para atuação dentro do mercado, com patrimônio diferentes e responsabilizações próprias de cada campo;
· Esse princípio pode ser compreendido pelas ilustres palavras do professor Fábio Ulhoa Coelho quando, peremptoriamente, aduz que “quanto à titularidade processual, a personalização da sociedade empresária importa definição de sua legitimidade para demandar e ser demandada em juízo nos processos relacionados às suas obrigações, a parte legítima para mover ou responder é a própria pessoa jurídica da sociedade, e não os seus sócios”
· Pelo que se nota da configuração deste princípio, pode-se afirmar que ele é retirado diretamente da função social da empresa, da livre iniciativa e da autonomia privada;
· A base jurídica de tal princípio está na limitação das perdas (não deve ultrapassar os investimentos que foram feitos), essencialidade de limitação dentro da ótica capitalista, prever os custos da atividade econômica, de modo a saber qual será o preço pago pelo consumidor final;
· Contudo, assim como todo princípio, não há aquele tido como absoluto, de aplicação que não comporte exceções ou até mesmo afastamentos em situações de abusos. Com a autonomia patrimonial da pessoa jurídica, este quadro não é diferente. Da sua flexibilização, nasce o princípio da subsidiariedade dos sócios pelas obrigações sociais;
· O Princípio da Subsidiariedade da Responsabilidade dos Sócios pelas Obrigações Sociais deriva do Princípio da Autonomia Patrimonial, citado anteriormente, no qual só autoriza a execução dos bens dos sócios, para o adimplemento de dívida da sociedade, depois de executados os bens do patrimônio desta;
· Como exceções, que precisam ser esporádicas, que precisam ser tratadas como casos raros, observa-se a incidência da desconsideração da personalidade jurídica (artigo 50 do Código Civil de 2002), por exemplo;
· Entretanto, tal princípio, muitas vezes, é mal aplicado dentro do ordenamento jurídico brasileiro, seja para atender interesses de grupos mais fortes (bancos, financeiras, entre outros), seja pela falta de conhecimento profundo sobre a necessidade de manter a autonomia privada da pessoa jurídica, quando esta age dentro do meio social;
· A proteção e devida aplicação dos princípios da autonomia patrimonial e da responsabilidade subsidiária dos sócios representa o fortalecimento e a manutenção da fonte produtora, que representa a garantia de todos os credores e de toda a sociedade;
· Sem a presença da empresa não há como garantir uma sociedade livre, justa e solidária, nos termos preconizados no artigo 3º da Constituição Federal, afinal a população não terá empregos, desencadeando um efeito dominó, pelo qual não haverá como garantir respectivamente os outros objetivos dos incisos seguintes;
· Comprovando, aqui, que a função social da empresa é muito mais ampla do que se imagina, o que se repete nos direitos sociais previstos no artigo 6º, do mesmo diploma legal supracitado, devendo, pois serem garantidos os limites impostos pelo princípio da autonomia patrimonial.
6. Princípio majoritário e a proteção do sócio minoritário
· O princípio majoritário pode ser associado com a democracia dentro das sociedades empresárias. Em rápidas linhas,o presente princípio se justifica pelo direito de todos os sócios participarem das votações. Contudo, como não é possível atingir a unanimidade, deve-se, em princípio, adotar como válida a votação feita pelos sócios majoritários;
· Em razão dos potenciais abusos que tal formulação do direito pode ocasionar em desfavor da própria sociedade empresária e dos minoritários, a lei estabelece algumas exceções para determinadas deliberações sociais, punições severas quanto ao abuso do poder do voto, proibição do voto em hipóteses de conflito de interesses, além de inúmeros direitos em prol dos minoritários, restando consagrado, portanto, o princípio de proteção ao minoritário;
· A Proteção dos Sócios Minoritários resguarda a sua posição em face à sociedade empresária, isto é, por meio de instrumentos disponibilizados aos minoritários, como os direitos de fiscalização e de recesso, há uma limitação ao Princípio Majoritário, impedindo que o majoritário acabe se apropriando de ganhos que devem ser repartidos entre todos os sócios;
· Este princípio da proteção ao sócio minoritário requer a compreensão de que o sócio minoritário é aquele que não tem poder de mandar em sócios ou na empresa, é aquele que por si só não determina os rumos empresariais.
7. Princípio da cartularidade e da literalidade
· Primeiramente, como forma de definir e alocar este princípio, Vivante ensina que título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado;
· Da definição de título de crédito, podem ser retirados três princípio básicos para o direito cambiário: cartularidade, literalidade e autonomia. Neste tópico, serão vistos a cartularidade e a literalidade;
· Pelo princípio da cartularidade, título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito literal e autônomo nele mencionado. A posse do título e sua exibição pelo credor ao devedor são indispensáveis para se exercer o direito nele previsto;
· Pelo princípio da literalidade, uma vez apresentado o documento, é indispensável que o título subscreva todos os direitos nele conferidos, ou seja, vale o que está escrito, pois o que não está escrito no título não está no mundo jurídico.
8. Princípio da autonomia das obrigações cambiais
· O princípio da autonomia determina que quando um título descrever mais de uma obrigação, a irregularidade, invalidade ou ineficácia de uma ou mais obrigações não prejudicará as demais, o que significa que uma obrigação não fica a depender de outra para ter validade;
· Desse princípio decorrem outros dois, que são diretamente retirados da leitura do princípio da obrigação: (1) abstração e (2) inoponibilidade das exceções aos terceiros de boa-fé.
	Princípio da abstração
	Princípio da inoponibilidade das exceções aos terceiros de boa-fé
	Quando o título de crédito, como instrumento de circulação de crédito, passa a circular no mercado, deixa de ser relevante a causa que lhe deu origem. 
Quando o título é transferido ao terceiro de boa-fé, a relação de causalidade entre a motivação para a sua criação e o próprio título torna-se irrelevante
	Credor e devedor não podem alegar, um contra o outro, matéria que não esteja diretamente relacionada à existência do título, exceto quando terceiro agir de má-fé.
Isto é, somente os aspectos objetivos referentes ao título de crédito podem ser alegados. Sendo assim, não pode o devedor se “escusar de cumprir uma obrigação assumida alegando ao portador suas relações com qualquer obrigado anterior
9. Princípio da autonomia da vontade
· A autonomia da vontade consiste no poder atribuído pelo ordenamento jurídico ao indivíduo na criação, modificação e extinção de relações jurídicas, surtindo efeitos sobretudo no âmbito da propriedade e de sua disposição, e tendo como seu principal instrumento de exercício o negócio jurídico, que inclui o contrato;
· Teoria Contratual Clássica: séculos XVIII e XIX, onde o contrato era o instrumento jurídico possível pra regularizar a circulação e a geração de riquezas no meio social, se possíveis questionamentos por parte dos operadores jurídicos (este trazia a justiça da obrigação a ser cumprida), cabendo ao Estado a mínima intervenção (somente necessárias para fins de administração da justiça, dirimir disputas, garantir a defesa das fronteiras);
· Teoria Contratual Contemporânea: em meados do século XX, com desigualdades econômicas e sociais, o contrato se volta para a geração do bem comum e a satisfação da necessidade da coletividade. Inaugura-se aqui a fase do dirigismo contratual (intervenção estatal no âmbito dos contratos celebrados, com fins de controlar os abusos cometidos pelo excesso da autonomia da vontade);
· Na Teoria Contratual Contemporânea, os princípios da autonomia da vontade e da obrigatoriedade do contrato passam a ter aplicação reduzida, devendo ser compatibilizados e interpretados segundo os princípios da boa-fé objetiva, da função social do contrato e do equilíbrio real entre as partes.
10. Princípio da plena vinculação aos contratos
· O presente princípio pode ser reduzido aos termos do brocardo pacta sunt servanda (os pactos nasceram para serem cumpridos). Em um primeiro momento, há de se trazer segurança jurídica para todos os adeptos do regime capitalista;
· Explicação da obrigatoriedade dos contratos, embora não se afaste em muito desse entendimento, assenta em preocupação que ultrapassa as raias do interesse particular para atender a um anseio de segurança que é de ordem geral. Pois o problema deve ser encarado não sob o ângulo individual, mas sob o social;
· Contudo, o princípio da plena vinculação dos contratos está perdendo espaço para outros princípios, como a teoria da imprevisão (cláusula rebus sic stantibus) e o preceito da função social do contrato (esses serão analisados em tópicos separados);
· Assim, a plena vinculação das partes contratantes é um princípio que deve ser fortemente prestigiado não só para fazer valer as obrigações contratadas, mas principalmente visando a um interesse comum de toda a sociedade;
· De fato, o que se almeja é demonstrar que o princípio de vinculação das partes contratantes transcende ao interesse individual dessas. Não se trata tão somente de fazer valer a lei entre as partes.
11. Princípio da imprevisão contratual
· A Teoria da Imprevisão pode ser definida com a vertente moderna da chamada cláusula rebus sic stantibus. Esta cláusula, por sua vez, pode ser entendida como "estando as coisas assim" ou "enquanto as coisas estão assim". Em termos contratuais, significa dizer que o contrato será cumprido rebus sic stantibus (estando as coisas como estão);
· A imprevisão consiste, assim, no desequilíbrio das prestações sucessivas ou diferidas, em consequência de acontecimentos ulteriores à formação do contrato, independentemente da vontade das partes, de tal forma extraordinários e anormais que impossível se tornava prevê-los razoável e antecedentemente;
· São acontecimentos supervenientes que alteram profundamente a economia do contrato, por tal forma perturbando o seu equilíbrio, como inicialmente estava fixado, que se torna certo que as partes jamais contratariam se pudessem ter podido antes antever esses fatos;
· Se, em tais circunstâncias, o contrato fosse mantido, redundaria num enriquecimento anormal, em benefício do credor, determinando um empobrecimento da mesma natureza, em relação ao devedor. Consequentemente, a imprevisão tende a alterar ou excluir a força obrigatória dos contratos.
12. Princípio da função social do contrato
· Por este princípio, entende-se que a função social do contrato deve ser compreendida sob a premissa de que o contrato não pode trazer onerosidade excessiva, desproporção e injustiça social, bem como, não pode violar interesses individuais que abranjam a proteção da dignidade humana;
· O princípio da função social do contrato analisa se a relação contratual estabelecida entre as partes infere-se no contexto social, e não somente no contexto privado, pois o contrato apresenta consequências relativas, também, à sociedade;· A violação do princípio da função social do contrato ocorre nas hipóteses em que o pacto venha a prejudicar os interesses sociais, ou até mesmo o de terceiros que não tenham relação direta com o contrato estabelecido entre as partes;
· Flávio Tartuce afirma que a função social do contrato é uma norma geral de ordem pública, conforme previsão do art. 2.035, parágrafo único, do próprio Código Civil, através da qual o contrato necessariamente deve ser interpretado de acordo com o contexto do todo social, não devendo trazer desproporções entre as partes e muito menos desembocar em injustiças sociais. Os contratos também não podem extrapolar os interesses metaindividuais ou aqueles que se relacionam com a dignidade humana;
· Para Rodolfo Pamplona e Pablo Stolze Gagliano, o princípio da função social do contrato é uma norma geral de ordem pública, prevista expressamente no ordenamento jurídico nacional, que vincula a obrigatoriedade e necessidade do contrato ser interpretado de acordo com o contexto que se insere na sociedade;
· Portanto, a função social dos contratos, reconhecida como norma geral de ordem pública, não admite convenção particular contrária à função social, e qualquer cláusula nesse sentido deve ser afastada no momento da interpretação contratual.
13. Princípio da proteção do contratante economicamente mais fraco nas relações contratuais assimétricas
· Preliminarmente, para se entender o presente princípio, deve-se distinguir a existência de contratos do Direito do Consumidor, contratos do Direito Civil e contratos do Direito Empresarial.
	Contratos do Direito do Consumidor
	Contratos do Direito Civil
	Contratos do Direito Empresarial
	Há uma relação de consumo estabelecida, definidos no Código de Defesa do Consumidor (CDC).
	As partes não são nem consumidoras e nem empresários (são os contratos residuais).
	Aqui uma parte é empresária (individual ou sociedade) e a outra parte é empresária (individual ou sociedade) ou não caracterizado como consumidor.
· Neste contexto, verifica-se que os contratos empresariais têm, e devem ter, princípios próprios (embora similares aos princípios relativos aos contratos civis e dos consumidores), os quais, justamente, distinguem o tratamento jurídico a eles conferido daqueles confiados aos contratos civis e do consumidor;
· Para a existência deste princípio, parte-se da ideia de que há desigualdade dentro do próprio campo empresarial, já que sabidamente há empresários e sociedades empresárias de diversos tamanhos e faturamentos, trazendo desigualdade entre os participantes;
· Neste sentido, o princípio sob análise visa resguardar o empresário ou a sociedade empresária dos reflexos indevidos decorrentes de sua dependência econômica em relação à outra parte, também empresário ou sociedade empresária, não se aplicando na presença de empresários ou sociedades empresárias iguais, assim entendidas aqueles com recursos bastantes para negociarem, de modo devidamente informado, sobre a exata extensão dos direitos e obrigações em contratação;
· Dentro do contexto dos contratos empresárias, tem-se que o princípio sob apreço confere proteção aos interesses metaindividuais da igualdade, da concorrência e, finalmente, da justiça.
14. Princípio do reconhecimento dos usos e costumes
· Como será melhor detalhado no estudo das fontes, o Direito Empresarial é marcado pela velocidade rápida das negociações, pela facilitação dos procedimentos, bem como pela informalidade;
· Por conta da velocidade das negociações, é de se esperar que não haja formalidades exageradas, que não existam meios de atravancar os contratos celebrados, já que o dinheiro, o capital e os recursos circulam de um lado ao outro do mundo em segundos;
· Diante disso, é muito importante ter em mente que os usos e costumes dos negócios empresariais surgem neste contexto de dinamismo, trazendo a habitualidade de atos e a costumeira forma de se negociar;
· A força das práticas de mercado na regulação das relações empresariais advém de dois fatores: de um lado a necessidade de redução de custos de transação, do outro a manutenção de um grau de segurança jurídica aceitável;
· Os usos e costumes, por terem origem em práticas que se disseminaram espontaneamente, podem oferecer uma solução mais tendente à paz social e à acomodação dos interesses conflitantes do que uma lei, por exemplo, concebida em um momento ou local distante do conflito.
15. Princípio da inerência ao risco
· Em rápidas linhas, apenas para contextualizar o presente princípio, o Direito Empresarial nasceu para acomodar as relações entre as pessoas, com vistas na circulação de bens, mercadorias e serviços;
· Em que pese os pontos de evolução, já vistos em momento oportuno, o risco do negócio sempre esteve presente dentro do Direito Empresarial. Afinal de contas, não há certeza alguma de qual empreendimento dará certo ou não;
· Além disso, mesmo que o empresário (individual ou sociedade) atue de forma correta, de forma idônea, os riscos podem ocorrer, seja pela mudança de mentalidade da sociedade, seja pelo surgimentos de novas tecnologias, seja pela inovação da competição. Todos esses e demais outros fatores podem fazer que o risco seja incrementado;
· Sob este primado impossível ignorar um aspecto da realidade da prática empresarial que no caso se consubstancia no risco, configurado na possibilidade de prejuízos daquele que exerce atividade empresarial;
· Toda atividade empresarial, desde os primórdios de seu surgimento até o atual estágio de evolução, pautou a atuação de seus agentes pela tentativa de suplantar ou minimizar os riscos inerentes à atividade econômica como forma de tentar maximizar o proveito objetivado por este agente com a atividade que escolheu desempenhar;
· Numa simbiose risco e resultado (lucro) convivem na dinâmica da realidade da atividade empresarial, tendo em vista que o empresário, sujeita-se a diversos fatores externos, tais como mudanças tecnológicas, concorrência, economia, política entre tantos outros, estando as empresas sujeitas a riscos e incertezas no desenvolvimento de suas atividades tornando necessário àquelas a adoção de técnicas que forneçam informações, com a menor subjetividade possível, da ocorrência daqueles fatores sobre os resultados;
· Enfim, justamente por não ter o empresário o controle sob diversos fatores eventuais que podem afetar as relações nas quais se integra por força do exercício da empresa, a inerência do risco diferencia sua atuação das dos demais agentes do mercado, constituindo-se como pressuposto inerente de suas relações interpessoais.
16. Princípio do impacto social da empresa
· Como decorrência do já mensurado princípio do risco, nasce o princípio do impacto social da empresa, que se sujeita a diversas crises (retração considerável nos negócios desenvolvidos pela sociedade empresária);
· Diante desse quadro, há que se considerar a crise como forte impactador da atividade econômica empresarial, de modo a colocar em risco toda a produção até então desenvolvida;
· A superação da crise da empresa deve resultar de uma “solução de mercado”, ou seja, pessoas devem se dispor a investir na empresa porque a vêem como uma oportunidade de ganhar dinheiro, do contrário será melhor a falência.
17. Princípio da transparência nas medidas de prevenção e solução da crise
· A transparência é o mecanismo que permite ao empresário (individual ou em sociedade) dispor sobre a situação da atividade desempenhada, de modo a prever riscos e crises desnecessárias;
· A transparência, ao lado da governança corporativa (gestão profissional) e na prestação de contas confiável (chamada de accountabillity), forma o tripé no qual nenhum empresário de sucesso pode fugir;
· O presente princípio é muito aplicado dentro do direito falimentar (falência e recuperação judicial), sendo tido ainda como especial e de leitura implícita (interpretação do sistema trazido pela Lei 11.101/2005);
· O processo de falência e a recuperação judicial geram custos que serão suportados pelos credores da empresa em crisee do empresário devedor. Dessa forma, a transparência nos processos falimentares é fundamental para que os credores acompanhem as decisões adotadas e os prejuízos que inevitavelmente suportará. Além disso, a transparência nesses processos deve convencer os credores de que não tiveram nenhum prejuízo além do necessário e inevitável para que os objetivos da falência ou da recuperação judicial sejam conquistados;
· Esse princípio também deve ser conciliado com a preservação das informações estratégicas da empresa em crise, de modo a manter a competitividade, já que a atividade econômica que o empresário falido explorava pode frutificar se transferida a uma pessoa mais competente. Assim, é necessário a cautela na preservação da competitividade da empresa nos processos de falência e recuperação judicial.
18. Princípio do tratamento paritário dos credores
· O princípio da paridade ou par condicio creditorum, que pretende assegurar perfeita igualdade entre os credores da mesma classe, é a base lógica do processo falimentar e o seu principal princípio. Através dele que se baliza a proteção ao crédito empresarial;
· A falência por mais que seja um processo de execução coletivo movido em face do empresário ou sociedade empresária insolvente, por ser a melhor forma de equacionar os débitos do devedor, ao tratar igualmente os credores, possibilita que o prejuízo do crédito em caso de falência não seja absoluto;
· O tratamento paritário dos credores entende que já que o empresário falido não possuirá recursos suficientes para honrar a totalidade de suas obrigações, a atitude mais justa e racional a ser tomada é a de satisfazer os credores mais necessitados antes dos demais;
· Além disso, uma vez que sendo insuficientes os recursos disponíveis para o pagamento da totalidade dos direitos dos credores titulares de crédito de mesma natureza, a divisão proporcional ao valor destes será procedida;
· Portanto, entende-se que o princípio da paridade entre credores deve ser rigorosamente respeitado por todos os operadores do direito, pois com ele se equaliza se forma justa os possíveis recebimentos de créditos numa falência fazendo que o interesse indireto econômico que é o crédito seja mais uma vez protegido
19. Princípio da preservação da empresa
· O princípio da preservação da empresa protege o núcleo da atividade econômica e, portanto, da fonte produtora de serviços ou mercadorias, da sociedade empresária, refletindo diretamente em seu objeto social e direcionando-a, sempre, na busca do lucro;
· A finalidade desse princípio é a proteção da atividade econômica, o empreendimento. O valor que embasa este princípio é a solução de diversos conflitos de interesses, resolvendo, por exemplo, um conflito societário de modo a manter a atividade empresarial, evitando prejudicar os interesses dos consumidores, trabalhadores, do fisco etc;
· O princípio da preservação da empresa reconhece que, em torno do funcionamento regular e desenvolvimento de cada empresa, não gravitam apenas os interesses individuais dos empresários e empreendedores, mas também os metaindividuais de trabalhadores, consumidores e outras pessoas; são estes últimos interesses que devem ser considerados e protegidos, na aplicação de qualquer norma de direito comercial.

Mais conteúdos dessa disciplina