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LUKÁCS, György. Arte e sociedade: escritos estéticos 1932-1967. Organização, introdução e tradução de Carlos Nelson Coutinho e José Paulo Netto. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009. O livro "Arte e Sociedade: Escritos Estéticos (1932-1967)", de György Lukács, reúne reflexões sobre estética, teoria literária e crítica, elaboradas ao longo de meio século. Ele apresenta as ideias maduras do filósofo no contexto do marxismo, buscando superar reducionismos e estabelecer uma teoria estética sistemática. Fichamento “Neste desenvolvimento, a estética é o grau inferior de manifestação do "Espírito Absoluto; ou seja, o grau da intuição.” P.54 Comment by Nathalia Mendes: Ele explica como Hegel enxerga a arte como uma expressão do espírito absoluto, que reflete as contradições de uma época histórica. “[...] é exatamente neste campo que devemos distinguir com clareza o autêntico marxismo (a verdadeira visão dialética do mundo) da sua vulgarização deformadora, que - no terreno em que nos colocamos - comprometeu da maneira mais perniciosa o marxismo aos olhos de um vasto círculo de pessoas.” P.89 - Comment by Nathalia Mendes: Lukács discute como Marx e Engels não desenvolveram uma estética orgânica, mas produziram reflexões fragmentadas e consistentes com sua teoria da história. Ele enfatiza a centralidade do realismo, entendido não como estilo, mas como abordagem dialética da realidade. “Não há um único motivo da estética fascista que não proceda, direta ou indiretamente, de Nietzsche; não vale a pena enumerá-los aqui, a começar pela doutrina do mito e pelo antirrealismo.” P.121 Comment by Nathalia Mendes: Lukács identifica Nietzsche como um precursor do fascismo devido à sua apologia do irracionalismo e sua visão aristocrática da sociedade. Critica a "destruição metodológica" das tradições clássicas promovida por Nietzsche, que transforma o legado histórico em um mito da decadência . “Talvez se possa dizer que estes exemplos são exageros fantásticos do método criador da sátira. (E veremos que, efetivamente, a sátira exagera sua figuração no sentido do fantástico, do grotesco e até mesmo, por vezes, do fantasmagórico.” P.172 “Os traços típicos do romance aparecem somente depois que ele se tornou a forma de expressão da sociedade burguesa. Por outro lado, é no romance que todas as contradições específicas desta sociedade são figuradas do modo mais típico e adequado. Ao contrário das outras formas artísticas (por exemplo, o drama), que a literatura burguesa assimila e remodela em função de seus próprios objetivos, as formas narrativas da literatura antiga sofreram no romance modificações tão profundas que, neste caso, pode-se falar de uma forma artística substancialmente nova.” P.193 “O romance como o gênero literário que, na época burguesa, corresponde à epopeia. O romance, por um lado, tem as características estéticas gerais da grande narrativa épica; e, por outro, sofre as modificações trazidas pela época burguesa, o que assegura sua originalidade.” P.195 “[...] ele constrói sua teoria do romance precisamente com base na contraposição entre o caráter poético do mundo antigo e o caráter prosaico da civilização moderna, ou seja, da sociedade burguesa.” P.196 Comment by Nathalia Mendes: Hegel “Na prática, essa ligação se reduz ao fato de que todo romance de grande significação tende à epopeia, ainda que de modo contraditório e paradoxal - e é precisamente nesta tendência jamais alcançada que ele adquire sua grandeza poética. Em segundo lugar, o significado da teoria burguesa clássica do romance reside na tomada de consciência da diferença histórica entre a epopeia antiga e o romance, e, portanto, na compreensão do romance como um gênero artístico tipicamente novo.” P.198 “Quanto mais o romance se transforma numa figuração da sociedade burguesa, numa crítica e autocrítica criativa desta sociedade, tanto mais claramente se manifesta nele o desespero suscitado no artista pelas contradições, para ele insolúveis, de sua própria sociedade.” P.215 “na lírica o processo do reflexo, a característica subjetiva de "espelho do mundo" [...] adquire uma função qualitativamente diversa em comparação com a épica e o drama.” P.245 Comment by Nathalia Mendes: Lukács afirma que, no marxismo, a lírica também reflete a realidade objetiva, contrariando a ideia de que seria apenas uma autorrepresentação subjetiva. A subjetividade na lírica, ao contrário da épica e do drama, adquire uma função qualitativamente diferente: a lírica aparece como "espelho do mundo", mas ativa e passivamente ao mesmo tempo. Esta dualidade evidencia que o processo criativo lírico não elimina a conexão com a realidade objetiva “Hegel procurara conceber a tragédia como uma manifestação objetiva do processo histórico-social e fazer da sua forma artística a expressão deste conteúdo ideal.” P.249 Comment by Nathalia Mendes: Lukács discute como Hegel interpreta a tragédia na Antiguidade clássica e no mundo moderno. Para Hegel, a tragédia expressa as contradições internas do desenvolvimento histórico-social. A abordagem materialista da tragédia no marxismo é destacada como superação das distorções idealistas. A tragédia é vista não como uma expressão de pessimismo, mas como a luta entre o velho e o novo, trazendo à tona conflitos revolucionários em momentos de crise histórica Para Refletir Dialética entre tradição e inovação: Lukács defende que a arte contemporânea deve dialogar com a herança cultural, rejeitando tanto o vanguardismo absoluto quanto a negação do passado. Centralidade do realismo: A abordagem do realismo como método contrapõe-se ao formalismo e ao naturalismo, reforçando o papel ativo da subjetividade criadora. Impacto histórico-político: As concessões feitas por Lukács ao stalinismo levantam questões sobre a relação entre liberdade intelectual e coerção política. Teoria do reflexo: Embora controversa, sua concepção rejeita a ideia de arte como mera cópia da realidade, enfatizando a mediação criativa. A busca pelo novo pode ser vista como uma subversão da tradição, ou há um espaço para uma nova forma de síntese que resgata e transforma o passado? A teoria do reflexo de Lukács, que rejeita a arte como mera cópia da realidade, oferece um modelo mais criativo para entender a relação entre arte e realidade? Como podemos aplicar esse conceito na análise de obras literárias ou artísticas que buscam refletir a sociedade de uma maneira mais crítica? Qual é o papel da "mediação criativa" na produção artística? Ao enfatizar a mediação criativa, Lukács propõe uma visão da arte como um processo ativo, não apenas reativo.