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Resumo sobre Intertextualidade e Memória da Literatura O livro em questão oferece uma análise abrangente das propostas teóricas sobre a intertextualidade, destacando suas variantes e refletindo sobre a memória da literatura. A autora, Tiphaine Samoyault, argumenta que a intertextualidade é um conceito que reúne propriedades opostas, permitindo uma nova compreensão da relação entre a literatura e o mundo. Em vez de ver a literatura como um campo isolado, a intertextualidade a conecta diretamente com a cultura que a alimenta, promovendo uma poética dos textos em movimento. A autora, que é professora na Universidade de Paris VIII e também romancista e crítica literária, busca desmistificar a noção de intertextualidade, que muitas vezes é vista como imprecisa ou instável. A intertextualidade é apresentada como um fenômeno que desafia as dicotomias tradicionais entre a literatura e o mundo, entre o texto e seu contexto. Samoyault discute a bipartição do conceito, que pode ser visto tanto como um instrumento estilístico que remete a um mosaico de significados e discursos anteriores, quanto como uma noção poética que se limita à retomada de enunciados literários. Essa dualidade reflete a complexidade do discurso literário, que oscila entre definições restritivas e extensivas. A autora menciona que a intertextualidade, embora tenha suas raízes no estruturalismo e nos estudos sobre produção textual, evoluiu para um conceito mais dinâmico que abrange práticas antigas, como citação e pastiche, e teorias modernas do texto. A obra também explora a contribuição de teóricos como Julia Kristeva e Mikhail Bakhtin para a compreensão da intertextualidade. Kristeva introduziu o termo em seus trabalhos, enfatizando a transposição de enunciados anteriores e a ideia de que todo texto é um cruzamento de outros textos. Bakhtin, por sua vez, trouxe à tona a noção de dialogismo, onde a multiplicidade de vozes e a interação entre elas são fundamentais para a construção do significado. A intertextualidade, portanto, não é apenas um fenômeno de citação, mas um campo de diálogo que enriquece a literatura, permitindo que os textos se comuniquem entre si e com o mundo. Além disso, a autora discute a importância da memória na literatura, argumentando que a literatura é uma expressão da lembrança do que foi e do que é. A intertextualidade, nesse sentido, se torna a memória da literatura, inscrevendo-se nos textos por meio de procedimentos de retomadas e reescrituras. Essa capacidade de se constituir como uma biblioteca de referências literárias sugere que a literatura não é um campo isolado, mas um espaço de diálogo contínuo entre textos, autores e leitores. A obra de Samoyault, portanto, não apenas analisa a intertextualidade, mas também propõe uma nova forma de entender a literatura como um fenômeno dinâmico e interconectado. Destaques A intertextualidade é um conceito que conecta a literatura à cultura, promovendo uma poética dos textos em movimento. A noção é dual, funcionando como um instrumento estilístico e uma noção poética, refletindo a complexidade do discurso literário. Teóricos como Julia Kristeva e Mikhail Bakhtin contribuíram significativamente para a compreensão da intertextualidade, enfatizando o diálogo entre textos. A literatura é vista como uma expressão da memória, onde a intertextualidade se torna a memória da literatura, inscrevendo-se nos textos por meio de reescrituras. A obra propõe uma nova forma de entender a literatura como um fenômeno dinâmico e interconectado, desafiando a visão tradicional de isolamento dos textos.