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Actualização Curricular de História

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Paulo Sego

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História
5ª classe
ACTUALIZAÇÃO CURRICULAR
Mensagem
H
istó
ria
5
ª classe
Mensagem
ACTUALIZAÇÃO CURRICULAR
História
5.ª Classe
FICHA TÉCNICA
Título
História – 5.ª Classe 
(Actualização Curricular)
Autores
Pedro Nsiangengo (coordenador) 
Rebeca Santana
Rebeca Helena 
Bento Kianzowa 
Vita Couveia
Revisão
Rebeca Santana
Valéria de Gouveia Leite
Bento Kianzowa 
Mensagem
Edição
Mensagem
Rua 1.º Congresso do MPLA, 36 
Luanda
Tel.: 222 370 990
Fax.: 222 371 020
endereço electrónico: livrariamen-
sagembsnet.co.ao
Impressão e acabamentos
Damer - Gráfi cas S. A.
Ano de impressão
2018
Tiragem
Revisto e aprovado pelo
Insti tuto Nacional de Investi gação 
e Desenvolvimento da Educação 
(INIDE) – Ministério da Educação
2018 – 1.° EDIÇÃO 
REVISTA E ACTUALIZADA
Direitos Reservados
EDITORIAL
Estimados Alunos, Professores, Gestores da Educação e Parceiros 
Sociais
A educação é um fenómeno social complexo e dinâmico, presente em to-
das as eras da civilização humana. É efectivada nas sociedades pela par-
ticipação e colaboração de todos os agentes e agências de socialização. 
Como resultado, os membros das sociedades são preparados de forma 
integral para garantir a continuidade e o desenvolvimento da civilização 
humana, tendo em atenção os diferentes contextos sociais, económicos, 
políticos, culturais e históricos.
Actualmente, a educação escolar é praticamente uma obrigação dos Es-
tados que consiste na promoção de políticas que assegurem o ensino, 
particularmente para o nível obrigatório e gratuito. No caso particular de 
Angola, a promoção de políticas que assegurem o ensino obrigatório gra-
tuito é uma tarefa fundamental atribuída ao Estado Angolano (art. 21° g) 
da CRA 1). Esta tarefa está consubstanciada na criação de condições que 
garantam um ensino de qualidade, mediante o cumprimento dos princí-
pios gerais de Educação. À luz deste princípio constitucional, na Lei de 
Bases do Sistema da Educação e Ensino, a educação é entendida como 
um processo planificado e sistematizado de ensino e aprendizagem, visa 
a preparação integral do indivíduo para as exigências da vida individual 
e colectiva (art. 2, n.° 1, da Lei n° 17/16 de 7 de Outubro). O cumprimen-
to dessa finalidade requer, da parte do Executivo e dos seus parceiros, 
acções concretas de intervenção educativa, também enquadradas nas 
agendas globais 2030 das Nações Unidas e 2063 da União Africana.
Para a concretização destes pressupostos sociais e humanistas, o Minis-
tério da Educação levou a cabo a revisão curricular efectivada mediante 
correcção e actualização dos planos curriculares, programas curriculares, 
manuais escolares, documentos de avaliação das aprendizagens e ou-
tros, das quais resultou a produção dos presentes materiais curriculares. 
Este acto é de suma importância, pois é recomendado pelas Ciências 
da Educação e pelas práticas pedagógicas que os materiais curriculares 
tenham um período de vigência, findo o qual deverão ser corrigidos ou 
substituídos. Desta maneira, os materiais colocados ao serviço da edu-
cação e do ensino, acompanham e adequam-se à evolução das socieda-
des, dos conhecimentos científicos, técnicos e tecnológicos.
1 CRA: Constituição da República de Angola
Neste sentido, os novos materiais curriculares ora apresentados, são do-
cumentos indispensáveis para a organização e gestão do processo de 
ensino-aprendizagem, esperando que estejam em conformidade com os 
tempos, os espaços e as lógicas dos quotidianos escolares, as neces-
sidades sociais e educativas, os contextos e a diversidade cultural da 
sociedade angolana.
A sua correcta utilização pode diligenciar novas dinâmicas e experiên-
cias, capazes de promover aprendizagens significativas porque activas, 
inclusivas e de qualidade, destacando a formação dos cidadãos que re-
flictam sobre a realidade dos seus tempos e espaços de vida, para agir 
positivamente com relação ao desenvolvimento sustentável das suas lo-
calidades, das regiões e do país no geral. Com efeito, foram melhorados 
os anteriores materiais curriculares em vigor desde 2004, isto é, ao nível 
dos objectivos educacionais, dos conteúdos programáticos, dos aspectos 
metodológicos, pedagógicos e da avaliação ao serviço da aprendizagem 
dos alunos. 
Com a apresentação dos materiais curriculares actualizados para o trié-
nio 2019-2021enquanto se trabalha na adequação curricular da qual se 
espera a produção de novos currículos, reafirmamos a importância da 
educação escolar na vida como elemento preponderante no desenvolvi-
mento sustentável. Em decorrência deste facto, endereçamos aos alunos, 
ilustres Docentes e Gestores da Educação envolvidos e comprometidos 
com a educação, votos de bom desempenho académico e profissional, 
respectivamente. Esperamos que tenham a plena consciência da vossa 
responsabilidade na utilização destes materiais curriculares.
Para o efeito, solicitamos veementemente a colaboração das famílias, mí-
dias, sociedade em geral, apresentados na condição de parceiros sociais 
na materialização das políticas educativas do Estado Angolano, esperan-
do maior envolvimento no acompanhamento, avaliação e contribuições 
de várias naturezas para garantir a oferta de materiais curriculares con-
sentâneos com as práticas universais e assegurar a melhoria da qualida-
de do processo de ensino-aprendizagem.
Desejamos sucessos e êxitos a todos, na missão de educar Angola.
Maria Cândida Pereira Teixeira
Ministra da Educação
ADVERTÊNCIA
O Manual de História 5.a Classe que agora se coloca nas mãos dos nossos alunos 
e professores está relacionado com a implementação da Reforma Curricular. Esta 
constitui uma inovação do próprio sistema: isto é programas, manuais escola-
res, guias metodológicos, cadernos de actividades, sistema de avaliação, etc. Em 
resumo, implica uma rectificação de grande parte dos materiais e documentos 
pedagógicos segundo as linhas mestras traçadas e a implementar.
Tendo em vista atingir os objectivos definidos pelo novo sistema de ensino do 
nosso país, concretamente no que concerne à disciplina de História - relativa-
mente à qual fomos chamados a participar na elaboração dos materiais pedagó-
gicos -, continuamos assim o projecto de reformulação dos manuais de acordo 
com os programas das diferentes classes, desde as iniciais até às terminais.
Porém, como sabemos, para a elaboração de um manual escolar consistente e 
bem reflectido não é suficiente um ano - por vezes, esse prazo pode prolongar-se 
por vários anos.
Frente às necessidades que a Reforma impõe no nosso país, apresentamos um 
novo Manual de História 5.a Classe. No que respeita à metodologia adoptada 
para elaboração deste Manual, procedeu-se à recolha e análise de diferentes 
textos ao nosso alcance.
Como é obvio, esforçámo-nos por elaborar um Manual didáctico de acordo com 
os objectivos educacionais, por um lado, e as características etárias e psicológi-
cas dos alunos angolanos deste nível, por outro lado. Isto justifica a selecção dos 
temas essenciais devido à necessidade de aprofundar o conteúdo do programa e 
permitir aos alunos uma boa compreensão dos factos históricos.
Tentámos redigir um livro pedagogicamente actualizado, com um estilo afável e 
acessível, dotado de ilustrações agradáveis não só para os alunos da 5.a classe 
como também para qualquer estudioso e amante da história.
O manual está dividido em 8 temas, de acordo com o novo programa. Por sua vez, 
cada um dos temas divide-se em subtemas. As figuras são numeradas em função 
de cada tema, como habitual. Assim, por exemplo, da mesma forma como temos 
a figura 5 do tema 1, teremos também a figura 5 do tema 5.
O tema 8 proporciona uma panorâmica actualizada sobre a Angola de hoje.
Finalmente, colocámos ao longo de todos os temas pequenos exercícios de ava-
liação formativa que, ao nosso entender, poderão ajudar o aluno a conseguir 
uma melhor compreensão e assimilação dos conteúdos.
Os autores
ACTUALIZAÇÃO CURRICULAR
História
5.ª Classe
ÍNDICE
 
TEMA 1. O TEMPO 14de Ambuíla;
• a sul, o planalto do Bié;
• a leste, a região de Kassanje;
• a sudoeste, a região de Kissama.
• a oeste, o oceano Atlântico.
 VÊ SE SABES ...
1. Por quem e quando foi fundado o Reino do Kongo?
2. Qual foi a capital do Reino do Kongo?
3. Localiza o Reino do Kongo num mapa de África.
4. Quais foram as actividades principais do povo conguense?
5. Qual foi a moeda utilizada no Reino do Kongo?
6. Como foi organizado o Reino do Kongo?
7. Quando se deu o declínio do Reino do Kongo?
?
Fig.24 Mapa do Reino do Ndongo.
65
4.3. Os primeiros reinos
 SABIAS QUE ...
• Os povos Mbundu viviam a sul do Kongo e a oeste do Império 
Luba/Lunda.
• O Reino do Ndongo formou-se entre os anos de 1300 e 1400, 
depois do Reino do Kongo, e o seu fundador foi Ngola Mbandi, 
ou Ngola Inene.
• A primeira capital do Reino do Ndongo foi Ngoleme, que de-
pois do incêndio de 1564 foi transferida para Kabassa (Mban-
za-a-Kabassa), situada perto do actual Dondo, na província do 
Cuanza Norte.
O Reino do Ndongo estendeu-se muito nos tempos de Ngola-a-Kiluanje. 
O litoral de Benguela era governado por um dos seus fi lhos.
O Reino de Ngola, ou Ndongo, pagava tributo ao Reino do Kongo até 
cerca de 1563.
A agricultura e o artesanato
As actividades principais do Reino do Ndongo eram a agricultura e o 
artesanato. Cultivavam-se o feijão, o milho, o inhame e a banana, entre 
outros produtos. 
O trabalho principal era 
feito pelas mulheres. 
Eram elas que trabalha-
vam a terra, plantavam, 
semeavam e colhiam os 
produtos. Os homens de-
dicavam-se sobretudo à 
caça, à pesca, ao artesa-
nato e à metalurgia.
Os artesãos fabricavam 
armas, cerâmica e outros 
utensílios necessários à 
vida das comunidades. 
Fig. 25 Mulheres realizando trabalhos agrícolas.
66
As colheitas eram abundantes no 
Reino do Ndongo e realizavam-se 
mercados para venda ou troca dos 
excedentes da produção com os 
reinos vizinhos. A moeda que cir-
culava neste reino era o sal-gema, 
chamado njimbo, que era trazido 
das minas da Quissama.
O crescimento deste reino esteve 
intimamente ligado ao início das ac-
tividades económicas dos Europeus 
e à abertura do comércio atlântico 
de escravos. 
A organização do Reino do Ndongo
A organização do Reino do Ndongo era muito semelhante à do Reino 
do Kongo, mas a propriedade comunitária tinha mais força no Reino do 
Ndongo do que no Reino do Kongo.
O Reino do Ndongo foi conquistado defi nitivamente em 1683 pelos Por-
tugueses.
Fig.26 Moeda: sal-gema.
 VÊ SE SABES ...
• Por quem e quando foi fundado o Reino do Ndongo?
• Localiza num mapa de Angola o Reino do Ndongo.
• Quais foram as capitais do Reino do Ndongo?
• Como se chama a moeda que foi usada no 
Reino do Ndongo?
?
4.3. Os primeiros reinos
67
68
69
TEMA 5.
ANGOLA NA ERA DO TRÁFICO
DE ESCRAVOS
ESTRUTURA DO TEMA
 5.1. A expansão marítima portuguesa 
 5.1.1. A chegada dos Portugueses ao Reino do Kongo 
 5.1.2. As primeiras relações entre Portugueses e Africanos
 (Kongo e Ndongo) 
 5.1.3. O início do tráfico de escavros e as suas 
 consequências 
 5.2. A expansão progressiva dos Portugueses ao longo da costa 
 5.2.1. A fundação da capitania 
70
TEMA 5. ANGOLA NA ERA DO TRÁFICO ESCRAVOS
A procura de mais terras para a agricultura e de mais ouro e prata 
para gerar riquezas levou os Europeus a virem a África por mar pro-
curar esses produtos. Foi o início da expansão marítima europeia.
Fig. 1 Mapa do mundo com as principais rotas comerciais do período entre 1600-1700.
Fig. 2 Os Europeus chegavam a África em busca de produtos valiosos.
71
5.1. A expansão marítima portuguesa
Fig. 3 O porto de Lisboa nos anos de 1500.
 SABIAS QUE ...
• Os Portugueses decidiram navegar pelo oceano Atlântico 
à procura de produtos preciosos, em direcção à índia.
• A falta de metais preciosos (ouro e prata) para cunhar 
moeda prejudicava o comércio, e alguns reinos europeus 
desejavam o ouro existente em África.
Depois da crise demográfi ca e económico-social que assolou a Europa e 
Portugal em particular entre 1300 e 1400, as relações comerciais com o 
Oriente passaram a benefi ciar em grande parte os comerciantes árabes, 
que transportavam muitos produtos orientais, tais como especiarias (pi-
menta, canela, noz-moscada e cravinho).
Ao mesmo tempo, as grandes rotas comerciais dominadas pelos merca-
dores italianos entre a Europa, Ásia e África do Norte foram impedidas 
com o avanço dos Turcos, que obtiveram um forte domínio na região.
Essa situação obrigou a Europa a encontrar uma solução de modo a obter 
os produtos orientais mais baratos na sua origem.
72
O desenvolvimento das novas técnicas náuticas conhecidas através 
dos árabes facilitaram a descoberta de soluções para a expansão maríti-
ma portuguesa, em particular, e a europeia em geral.
Assim, Portugal, depois de ter adquirido conhecimentos sobre as técnicas 
e instrumentos náuticos, lançou-se à expansão, começando por contor-
nar a costa africana atlântica com a intenção de chegar até à índia, local 
onde eram adquiridas as mercadorias de alto valor comercial.
Destas viagens resultaram os primeiros contactos dos antigos povos do 
actual território angolano com os Portugueses.
5.1.1. A chegada dos Portugueses ao Reino do Kongo
5.1. A expansão marítima portuguesa
 SABIAS QUE ...
• O capitão Diogo Cão foi o chefe dos marinheiros portugue-
ses que chegaram pela primeira vez ao Reino do Kongo.
• Os primeiros contactos entre os Portugueses e Kongue-
ses foram de natureza comercial e de boa amizade.
• O rei que recebeu os primeiros portugueses foi Nzinga 
Nkuwu.
Os primeiros contactos entre 
os portugueses e o Reino do 
Kongo, que constitui uma das 
partes do actual território de 
Angola, tiveram lugar em 1482, 
quando Diogo Cão chegou à 
foz do rio Zaire ou Congo.
Fig. 4 Padrão de Diogo Cão, no Soyo.
73
Em 1484, durante o reinado de Nzinga Nkuwu, houve notícia em Mbanza
Kongo de que homens brancos tinham desembarcado e entrado em con-
tacto com os habitantes da província do Soyo e com o próprio mani Soyo.
O Rei Nzinga Nkuwu acabou por receber mais tarde os primeiros portu-
gueses e com eles estabeleceu relações de amizade.
5.1. A expansão marítima portuguesa
Fig. 5 Ilustração representando o primeiro contacto entre os Portugueses e o Reino do Kongo.
A partir desse encontro, sucederam-se trocas de ofertas entre os repre-
sentantes do rei de Portugal e o rei do Kongo, bem como trocas de em-
baixadas entre si. Procedeu-se também ao baptismo dos membros da 
família real e de alguns manis pela Igreja Católica.
Em 1489, foi enviada a Lisboa a primeira embaixada konguense.
Contudo, as relações mais intensas entre Portugal e o Reino do Kongo 
iniciaram-se em 1507, ano em que subiu ao poder o rei Mvemba Nzinga 
(Dom Afonso I).
74
5.1.2. As primeiras relações entre Portugueses e Africanos
 (Kongo e Ndongo)
As primeiras relações entre os Portugueses e os Africanos foram relações 
de amizade, baseadas nas trocas comerciais.
5.1.3. O início do tráfi co de escravos e as suas consequências
5.1. A expansão marítima portuguesa
 SABIAS QUE ...
• O tráfi co de escravos iniciou quando os escravos da Ilha 
de Luanda e do Porto de Mpinda começaram a ser expor-
tados para São Tomé.
• A mão-de-obra necessária para o cultivo da cana-de-açú-
car foi na sua maioria extraída no antigo Reino do Kongo.
• Foi a partir do povoamento da Ilha de São Tomé que os 
portugueses conseguiram manter contactos permanentes 
com a costa africana.
No território que constitui hoje Angola existia a escravatura. Muitos dos 
grandes trabalhos públicos ou domésticos eram executados por escra-
vos. Esses escravos, em geral provenientesdas guerras internas ou vio-
lação de leis, eram membros da comunidade. No entanto, com a chegada 
dos Portugueses, o tratamento dos escravos tomou outras dimensões.
Sobretudo depois da descoberta do continente americano, os Portugue-
ses e outros europeus (Holandeses, Franceses, Espanhóis, Ingleses).
Fig. 6 Gravura do interior de um barco negreiro, no qual eram transportados os escravos para a América.
75
precisavam de mão-de-obra para trabalhar nas minas e nas grandes 
plantações que tinham na América. Os povos índios locais da América 
não aguentavam esses trabalhos - uns morriam e outros fugiam.
Nestas circunstâncias, os trafi cantes recorreram aos escravos africanos, 
mais expedientes na agricultura das regiões quentes. Foi assim o início 
do comércio triangular (podes ver o esquema na página seguinte).
5.1. A expansão marítima portuguesa
Fig.7
Escravos
africanos
trabalhando
num engenho
de açúcar
nas Antilhas
Francesas, em
meados dos
anos de 1600.
Fig.8
Mapa de 1640,
mostrando a
capitania de
Pemambuco
(Brasil) e os
escravos de
uma plantação
de açúcar.
Os Portugueses possuíam uma grande colónia na América do Sul (o 
Brasil), onde se cultivava a cana-de-açúcar, e decidiram transportar os 
Angolanos capturados através das guerras de “kuata-kuata”, especial-
mente dos reinos do Kongo, Ndongo e de outras regiões do actual ter-
ritório angolano.
76
5.1. A expansão marítima portuguesa
Fig. 9 Mapa mostrando como se desenrolava o comércio triangular entre a África, a América e a 
Europa.
 ESCLARECER
• “Guerras de Kuata-Kuata” eram guerras em que alguns 
escravos eram apanhados por grupos de portugueses ar-
mados, que assaltavam de surpresa as aldeias, por vezes 
com a ajuda de alguns chefes africanos.
• “Comércio triangular” era o comércio efectuado entre os 
três continentes: África, América e Europa.
77
As consequências do tráfi co de escravos
O tráfi co de escravos em Angola teve consequências desastrosas, de
entre as quais devemos destacar algumas:
• Consequências políticas
 1. Enfraquecimento dos reinos e perda da autoridade dos chefes 
 tradicionais africanos.
 2. Desorganização das sociedades africanas.
 3. Debilidade dos exércitos nos diferentes reinos
• Consequências económicas
 1. Enfraquecimento da economia, provocado por guerras internas
 2. Regressão das forças produtivas
• Consequências sociais
 1. Diminuição da população produtora e reprodutora
 2. Enfraquecimento do artesanato e de outras expressões artísticas
 3. Debilidade cultural
5.1. A expansão marítima portuguesa
 ESCLARECER
1. O que provocou a expansão marítima dos Europeus para os 
outros continentes, particularmente para África?
2. Quando se deram os primeiros contactos entre os Portugueses 
e o Reino do Kongo?
3. Como se chamavam os governadores das províncias do Reino 
do Kongo?
4. Cita algumas consequências do tráfi co de escravos.
5. Explica os seguintes conceitos:
 • guerra de “kuata-kuata”
 • “comércio triangular”
?
78
Depois de se terem instalado em Luanda, os Portugueses começaram com 
as preparações da guerra que viriam a prosseguir com o processo de pe-
netração para o interior.De seguida, Paulo Dias de Novais iniciou a guerra.
Na primeira batalha, o exército de Ngola Kiluanji derrotou os Portugue-
ses, mas os Portugueses acabaram por vencer.
A pilhagem e o saque prosse-
guiram nas vizinhanças da capi-
tania, obrigando os respectivos 
sobas a entregar como tributo 
um certo número de escravos, 
panos de ráfi a, sal e víveres.
A colónia de Angola desenvol-
veu-se graças às guerras que 
se faziam com os Estados do 
interior, onde os Portugueses 
recolhiam produtos comerciais, 
como ouro, marfi m e escravos. 
5.2. A expansão progressiva dos portuguesa ao longo da costa
 SABIAS QUE ...
• A colónia de Angola foi criada depois de ter sido fundada a 
capitania de Luanda em 1575, por Paulo Dias de Novais.
• Na colónia iniciou-se imediatamente a construção de um 
forte, e em 1578 começaram a chegar a Luanda reforços 
de homens e munições.
Fig. 10 Uma gravura da cidade de Luanda nos anos de 1600.
Fig. 10 Caravana de escravos
79
5.2. A expansão progressiva dos portuguesa ao longo da costa
Durante este período, a actividade principal dos Portugueses foi a cap-
tura dos escravos. Com o passar dos anos, os reinos do Kongo e do 
Ndongo acabaram por ser destruídos, enquanto o comércio português de 
escravos era continuamente alimentado por uma sucessão de acordos 
de paz seguidos de novas agressões. Para o transporte desses escravos 
utilizavam-se muitas rotas - uma delas era o rio Kwanza.
A baía de Luanda funcionava como principal porto de recepção de navios que 
transportavam mercadorias, e a cidade de Luanda era habitada por cerca de 
400 famílias portuguesas e um maior número de população africana.
À medida que a conquista ia avançando ao longo do rio Kwanza, os Por-
tugueses foram construindo fortes em Calumbo, Muxima, Massanga-
no, Cambambe, Ambaca e 
Mpungu-a-Ndongo.
Fig. 12 Navios de mercadorias na baía de Luanda, em 1656.
Fig. 13 A progressão militar portuguesa 
ao longo do rio Cuanza, em direcção ao 
Planalto Central (1579-1671).
80
81
TEMA 6.
A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO
ESTRUTURA DO TEMA
 6.1. As campanhas de ocupação efectiva 
 6.2. A resistência à ocupação colonial 
 6.2.1. A defesa do território contra a invasão do Sul de Angola 
 6.2.2. A administração colonial 
 6.2.3. A economia colonial 
 6.3. Manisfestações contra as medidas da administração colonial 
82
TEMA 6. A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO
6.1. As campanhas de ocupação efectiva
A ocupação do território em 1575 não foi fácil, pois o povo do Ndongo 
sempre resistiu à presença e à ocupação estrangeira. Quando, em 1565, 
Paulo Dias de Novais foi libertado pelo rei Ngola Kilwanje e regressou a 
Portugal, propôs ao rei de Portugal o uso da força para a colonização do 
reino do Ndongo.
Em consequência desta decisão, foram enviados para Angola cerca de 
400 soldados e 100 famílias portuguesas.
O avanço para o interior intensifi cou-se através de confl itos armados que 
culminaram com a ocupação portuguesa ao longo da costa marítima e ao 
longo do rio Kwanza.
A capitania de Luanda estava protegida por um forte. As relações entre 
a população africana e os habitantes da capitania variavam da simples 
troca de produtos e escravos, aos assaltos e confl itos armados.
À medida que os Portugueses iam conquistando terras, foram construin-
do diversos fortes, tanto ao longo do curso do rio Kwanza - Calumbo,
Muxima, Massangano, Cambambe, Ambaca e Mpungo-a-Ndongo -, 
como em direcção ao Planalto Central - Hanha e Caconda.
Foi através desses fortes que os portugueses criaram uma linha ofensiva
e defensiva para as guerras de kuata-kuata e para o tráfi co de escravos.
Portanto, o poder colonial exercia-se a partir dos presídios e dos fortes, 
mas de uma forma instável, conforme os avanços e recuos da resistência.
 SABIAS QUE ...
• A falta de sucesso no estabelecimento de relações pacífi cas 
entre os povos africanos e os portugueses levou o rei de Portu-
gal a criar um sistema de capitanias que entrou em vigor com a 
fundação da capitania de Luanda em 1575.
• A partir de 1575, os portugueses, comandados por Paulo Dias 
de Novais, iniciaram a conquista e a ocupação do reino do 
Ndongo.
• Durante a ocupação os portugueses construiram fortes para se 
abrigarem.
83
6.1. As campanhas de ocupação efectiva
No século XVII, as fronteiras da coló-
nia eram as seguintes:
• a norte, o rio Dande;
• a leste, o rio Lucala, que fazia a de-
limitação com o Reino de Matamba;
• e a sul, o rio Kwanza.
Contudo, depois de 1617, os Portu-
gueses tentaram dominar a popula-
ção africana a sul do rio Kwanza a 
partir de Benguela-a-Nova até Ca-
conda, onde em 1769 construíram o 
primeiro forte.
Apósdessa data, a pressão sobre os ovos do planalto intensifi cou-se de-
vido à fi xação de pombeiros e de forças militares em alguns presídios 
e aldeias criados por interesse da estratégia colonial. 
Entre 1845 e 1848, os Portugueses já tinham fi xado as fronteiras dos ter-
ritórios que estavam sob o seu controlo:
• a norte, até ao rio Mbridje, este limite estava ofi cialmente fi xado pelos 
Portugueses, embora algumas baías, como as de Ambriz e Ambrizete, e 
a zona dos Dembos ainda não estivessem ocupadas pelas autoridades 
portuguesas.
• a sul, o limite estava próximo do Tômbua (ex-Porto Alexandre).
• as fronteiras do Reino de Benguela iam desde o Planalto Central até 
onde começava o estado de Kassanje e aos confi ns do Reino de Humbe.
 SABIAS QUE ...
• Os pombeiros eram negociantes europeus (portugueses) que 
atravessavam regiões do interior para negociarem com os indí-
genas (africanos).
• Presídio era um lugar de socorro e de defesa onde se abriga-
vam as forças militares coloniais.
Fig. 1 Mapa francês mostrando as fronteiras da colónia de 
Angola por volta de 1754
84
A partir dos anos de 1800, a extensão da colónia foi aumentando e ane-
xando o Reino da Matamba e o presídio do Duque de Bragança.
Além das agressões militares, os Portugueses aproveitavam-se das cri-
ses de sucessão dos reinos, auxiliando um dos grandes pretendentes ao
trono. Os Portugueses sabiam que o candidato ajudado, uma vez no tro-
no, reconheceria a ajuda recebida ao protectorado dos Portugueses. As-
sim, iam alargando as fronteiras da colónia de Angola. 
No entanto, a ocupação efectiva do território que hoje constitui a Repú-
blica de Angola só foi terminada pelos Portugueses em 1917, com a con-
quista do Reino do Kwanyama.
6.2. A resistência à ocupação colonial
Até ao início dos anos de 1900, Portugal não tinha conseguido ainda ocu-
par efectivamente algumas regiões de Angola, em virtude da resistência 
que as sociedades tradicionais ofereciam aos colonialistas.
Esta resistência caracterizou-se principalmente sob o ponto de vista cul-
tural e guerreiro.
Quanto à resistência cultural, esta verifi cou-se porque os Africanos não 
quiseram aceitar a religião cristã, a religião adoptada pelos colonialistas. 
Um bom exemplo de tal facto foi a Revolta da Casa dos Ídolos, no Reino 
do Kongo. 
Vejamos alguns exemplos mais detalhados: o Kongo foi o primeiro reino 
com o qual os Portugueses estabeleceram contactos. A partir daí, come-
çaram a surgir confl itos que foram aumentando gradualmente devido aos
abusos dos Portugueses.
Da resistência armada, temos os exemplos de Ngola Kiluanje, Bula Ma-
tadi, Njinga Mbandi, Ekuikui II, Mutu-ya-Kevela, Mandume e tantos 
outros que pegaram em armas para lutarem contra os Portugueses para 
que os seus territórios ocupados por estrangeiros fossem libertos.
Assim, surgiram várias revoltas para a expulsão dos trafi cantes portugue-
ses, sendo a mais violenta a referida Revolta da Casa dos Ídolos. Esta 
revolta teve como causa a proibição do culto animista, devido à qual 
6.1. As campanhas de ocupação efectiva
85
tinham sido queimados todos os objectos relacionados com o culto dos 
antepassados. A revolta foi dominada com a ajuda dos Portugueses.
Além de intervirem na religião, os portugueses também procuravam in-
terferir na sucessão dos monarcas, pois destituíam uns para colocarem 
outros a quem pudessem impor as suas ordens.
A resistência que os portugueses encontraram na tentativa de conquistar 
o Ndongo parece ter sido a esperada. A razão principal foi porque comba-
tiam contra um poder estabelecido pelo Ngola e os seus chefes locais, re-
forçados por vezes pela aliança com alguns grupos, como os Imbangala.
Na margem sul do Kwanza, os Imbangala eram muito numerosos, e chefes 
como Cafuxe difi cultavam seriamente as comunicações ao longo do rio. 
Foi em Angoleme-ia-Kitambo que os portugueses enfrentaram um exér-
cito de coligação de vários povos - Umbundu, Imbangala e Bakongo - 
chefi ados por Ngola Kiluanji. Através desta coligação, Ngola Kiluanji e os
seus aliados conseguiram limitar as posições portuguesas aos fortes de 
Muxima, Massangano e Luanda.
As revoltas mais conhecidas foram as dos sobados da Quissama e a dos 
Dembos, que protegiam grupos de escravos fugidos, as do Ndongo, as da 
Matamba, as do Kongo, as da Quissama (coligação de 1590-1600 e coli-
gação de 1625-1656), as dos Cuvales e as do Planalto Central de Angola.
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 2 Ilustração sobre a Revolta da Casa dos Ídolos.
86
6.2.1. A defesa do território contra a invasão do Sul de Angola
No início dos anos de 1900, os colonialistas portugueses e alemães dis-
putavam o Sul de Angola, pois nessa altura eram verdadeiros rivais. As 
principais razões desta disputa eram o território e o gado, que constituíam
grandes fontes de riqueza dos povos do Sul de Angola. Os Alemães nun-
ca tinham perdido a esperança de conquistar os territórios da parte sul de
Angola. Com a eclosão da I Guerra Mundial (1914), os Alemães vende-
ram armas aos Kwanyamas.
Aproveitando essa rivalidade, Mandume, 
rei dos Kwanyamas, garantiu aos Ale-
mães que as suas armas serviriam para
lutar contra os Portugueses.
Temendo que os Alemães ocupassem 
o território, os Portugueses capturaram 
Ondjiva de surpresa, antes que a defesa
estivesse totalmente preparada. Mandu-
me começou então a percorrer o território
Ambo, tentando unir todas as tribos para 
a luta.
Os Kwanyamas, grandes guerrilheiros 
muito bem organizados e comandados 
por um chefe corajoso, venceram os 
Portugueses numa série de batalhas.
Devido às vitórias dos Kwanyamas, os colonialistas tiveram de mandar vir 
reforços. Desesperados, os Portugueses utilizaram a traição, corrompen-
do alguns elementos Kwanyamas.
Dessa forma, os Kwanyamas foram vencidos nas batalhas de Môngua 
e de Mufi lo. Perante esta situação, e devido ao grande poder militar do 
inimigo, assim como à traição de alguns sobas, Mandume acabou por 
se suicidar em 1917, preferindo a morte a ter de sujeitar-se a viver sob a 
dominação estrangeira.
Foi a partir da morte deste rei que os Portugueses conseguiram ocupar o
reino defi nitivamente.
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 3 Fotografi a de Mandulme, herói 
da resístêncía à ocupação colooial.
87
6.2.2. A administração colonial
A instalação do sistema de dominação colonial
o sistema colonial português foi concebido em Angola com o objectivo de
fornecer à Europa matérias-primas a baixo preço em troca das merca-
dorias que a Europa manufacturava.
Com o passar do tempo, os capitalistas da Europa e dos EUA verifi caram
que empregando o seu capital nas colónias obteriam muito mais lucros 
do que investindo nos seus próprios países, por causa da mão-de-obra
barata local.
Enquanto se desenvolvia a produção capitalista operava-se a passagem
do capitalismo para o imperialismo. Esta passagem, aumentou o interes-
se dos países europeus na ocupação das colónias em África.
A partir de 1876, alguns paí-
ses da Europa e da América, 
tais como a Alemanha, os 
EUA e outros, começaram a 
instalar colónias em África. 
Este facto deu origem à par-
tilha do continente africano, 
com a realização da Confe-
rência de Berlim (1884-85).
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 4 Mapa inglês mostrando as 
fronteiras das colónias africanas por
volta de 1895.
A partir desta data, Angola fi cou sob o jugo colonial português até 11 de 
Novembro de 1975, altura em que foi proclamada a independência.
88
Os órgãos da administração colonial
As formas de administração colonial em África variavam de potência para
potência. Em Angola, os Portugueses utilizaram a administração direc-
ta. Isto signifi ca que, através dessa administração, os territórios eram go-
vernados directamente pelo aparelho de Estado estrangeiro, ou seja, era 
a Metrópole colonial a instalar os seus representantes administrativos na 
colónia, aos quais fi cava sujeita a população.
Por esse motivo as antigas leis que governavam as comunidadese os 
chefes tradicionais não tinham qualquer valor e só eram utilizadas segun-
do a conveniência do aparelho da administração colonial.
Em Angola, o representante da autoridade administrativa portuguesa na 
colónia chamava-se capitão ou governador. Contudo, ele era em pri-
meiro lugar um chefe militar, e tinha como função conquistar, saquear e 
receber os tributos extorquidos à população.
A princípio, as leis em vigor na colónia 
dependiam do governo de Portugal. 
Mais tarde, as instruções gerais eram 
entregues ao governador no início do 
mandato através de um regime ordena-
do pelo governo de Portugal.
Havia também um Conselho do Go-
verno, de que faziam parte os milita-
res, comerciantes, funcionários, mis-
sionários e moradores mais infl uentes 
da cidade, que eram designados para 
aconselhar o governador.
 
Havia ainda outros responsáveis que 
organizavam os tribunais e que contro-
lavam o trafi co de escravos e os impos-
tos destinados aos cofres da adminis-
tração colonial.
Conforme as necessidades, os governadores foram elaborando novas 
leis relativas ao comércio, aos impostos, à justiça e às heranças.
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 5 Norton de Matos,
Govemador-Geral da Província de An-
gola entre 1912 e 1915.
89
A abolição do tráfi co de escravos em Angola
O trafi co de escravos praticado pelos europeus desde o século XV seria 
condenado mais tarde por alguns homens. Na Inglaterra, o despertar de 
várias correntes religiosas, como o Metodismo e outras, levou à conde-
nação da escravatura. A atitude dessas correntes religiosas infl uenciou a 
opinião internacional para se pôr fi m ao tráfi co de escravos e à escravatura.
Os factores económicos estiveram na base das razões que provocaram 
o término da escravatura. A Inglaterra foi o primeiro país europeu a inventar 
máquinas para a fabricação de produtos. Com essas máquinas começou 
a produzir mais e tinha um excedente de produtos. Então começou a 
procurar mercados regulares e seguros para poder escoar esses produtos .
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 6 Pintura de Philip James
de Loutherbourg datada de 1801,
retratando as fábricas de
Coalbrookdale, cidade inglesa
considerada o berço da
Revolução Industrial.
 SABIAS QUE ...
• Em 1834, a Inglaterra dava liberdade a todos os escravos do 
seu império.
• No passado, os angolanos eram enviados para a ilha de São-
Tomé para trabalharem nas roças de café e cacau, como con-
tratados.
Assim, lentamente, foram criados órgãos de administração que permitiam 
ao governador e aos colonos assegurar os seus interesses e intensifi car 
a opressão e exploração africanas.
6.2.3. A economia colonial 
90
O aperfeiçoamento das máquinas usadas nas
industrias exigia cada vez mais matérias pri-
mas, sendo as suas fontes as colónias afri-
canas, utilizando desta forma a mão-de-obra 
livre em vez de escravos. As colónias fi caram 
muito prejudicadas com tal situação por cau-
sa da abertura de novas minas de ferro, de 
cobre, de ouro, de diamante e outras. Tudo 
isto exigia mão-de-obra barata, e quanto mais 
barata fosse maiores seriam os lucros.
A partir de 1772 a Inglaterra proibia a escrava-
tura no seu território. Trinta e cinco anos mais 
tarde, proibia também o tráfi co de escravos 
nas suas colónias.
Pouco a pouco, a abolição da escravatura foi-se alargando a todos os 
países europeus que possuíam colónias. Mas todos eles permitiram aos
governadores das colónias e aos colonos assegurarem os seus intereses
e intensifi carem a exploração da população africana, substituindo a es-
cravatura pelo trabalho forçado sob forma de contrato.
A principio, Portugal tinha-se recusado a abolir o trafi co de escravos e a
escravatura nas suas colónias, mas devido às pressões da Inglaterra foi
obrigado a decretar a abolição da escravatura nas suas colónias em 1836.
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 7 Uma máquina de fi ar usa-
da pelas fábricas Inglesas.
Fig. 8 Plantação de cana-de-açúcar em Angola, nos anos de 1900.
91
O trabalho forçado e o contrato
Já vimos que devido ao avanço da tecnologia e à abertura de novos mer-
cados, as indústrias europeias precisavam cada vez mais de matérias
-primas, cuja fonte eram as colónias.
As colónias foram profundamente afectadas por esta situação, em virtude
da abertura de novas minas de cobre, diamantes, ferro, ouro e outras. 
Para tal, os colonialistas empregaram a força - e esta utilizada de forma 
directa ou indirecta:
 • Directa - através de prisões, a fi m de obrigar os povos 
 colonizados a trabalhar nas minas, nas plantações de 
 cana-de-açúcar, de café, sisal e algodão.
 • Indirecta - por meio de pagamento de impostos.
Como os africanos não tinham dinheiro, eram obrigados a vender a sua 
força de trabalho. 
Este “modelo de exploração” era, no fundo, o mesmo que a escravatura.
Os africanos eram obrigados a trabalhar cada vez mais para os Europeus
e cada vez menos para si próprios. Deste modo a Europa e a América 
enriqueceram e a África empobreceu.
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 9 Um grupo de trabalhadores forçados na ilha de S. Tomé.
92
O sistema colonial apoiava-se cada vez mais na ideia de que os africanos
eram incapazes de se governarem a si próprios, e empregaram também a
“ideia da inferioridade da raça” para melhor subjugarem e dominarem os
africanos.
Este período de reforço da exploração colonial foi caracterizado por uma
longa preparação e ensaios.
Os colonialistas prepararam tudo para que se começassem a instalar nas
regiões que dominavam as suas empresas (exploração directa). Para isso
era necessário encontrar uma mão-de-obra que assegurasse o trabalho
na agricultura e nas indústrias.
Para assegurarem a estabilidade nas regiões colonizadas e tornarem a 
mão-de-obra mais obediente, os colonialistas tiveram de dominar com-
pletamente os povos africanos. Uma das práticas utilizadas foi desfazer a
unidade de cada povo, provocando a sua dispersão em alguns lugares .
Como a escravatura, principal fonte de mão-de-obra barata, tinha sido 
abolida foi inicialmente substituída pelo “trabalho correctivo”, isto é, tra-
balho forçado por castigo.
Foi criada uma taxa, ou imposto de trabalho, que servia para dar dinheiro 
ao governo colonial, difi cultando cada vez mais a vida dos camponeses e
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 10 A Fábrica de Tabacos Ultramarina, construída nos primeiros anos de 1900, em Luanda.
93
dos homens livres, que desta forma eram 
obrigados a assalariar-se. Por vezes essa 
taxa era paga com produtos: algodão, café 
e outros.
O trabalho de contrato era um trabalho 
temporário e muito mal pago. Mais tarde, 
o angolar foi substituido pelo escudo.
Depois da implantação do governo fascista
em Portugal (1926), o angolar, foi substituí-
do em Angola pelo escudo, fazendo com 
que os salários sofressem o chamado des-
conto de valorização.
Devido à mão-de-obra barata começam a aparecer as grandes fazendas, ou 
plantações, de algodão, cana-de-açúcar, café e sisal, assim como as em-
presas de exploração mineira. Isto mostra como os produtos de grande 
rendimento estavam nas mãos das grandes companhias coloniais e 
não nas mãos dos africanos, servindo para alimentar não a mão-de-obra, 
mas a exportação. Para o escoamento desses produtos, foi necessário 
começar a abrir várias vias de comunicação.
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 11 Nota de angolar e moeda de 
escudo de Angola 
Fig. 12 Operários africanos trabalhando na construção do caminho-de-ferro de Benguela.
94
6.2. A resistência à ocupação colonial
A utilização das máquinas começa a propagar-se, aparecendo também 
algumas fábricas. As grandes fazendas capitalistas espalham-se por todo
o território e constroem-se estradas. Para reforçar essa transformação, 
as grandes companhias inglesas, belgas e outras, iniciam a construção 
dos principais caminhos-de-ferro.
Analisando a acção dos colonialistas, podemos concluir o seguinte:
• O seu objectivo principal era consolidar o domíniosobre os povos afri-
canos e integrar esses povos nas estruturas coloniais.
• A razão da integração dos povos africanos nas estruturas coloniais 
tinha como fi nalidade a perda da sua unidade política, onde ainda 
existia, e quebrar a sua capacidade de resistência ao domínio e explo-
ração coloniais.
A exploração dos recursos e as companhias nonopollstas 
Portugal, embora fosse um país colonizador, era também uma dependên-
cia da Inglaterra. Por esse motivo, a economia tinha características de um 
país subdesenvolvido. Não possuindo meios para desenvolver a sua 
indústria, Portugal permitiu que o capital fi nanceiro de outras potências 
fosse investido em Angola.
Fig. 13 Mina da Diamang na Lunda.
95
6.2. A resistência à ocupação colonial
Fig. 14 Transporte de minérios no Lobito
A exploração do homem estava bem patente nas empresas, fábricas, mi-
nas, caminhos-de-ferro, enfi m, em todos os sectores de produção.
Deste modo, as grandes companhias estrangeiras, sob a forma de 
monopólios, como a Cotonang, a Diamang, o Caminho-de-Ferro de 
Benguela, a Cabinda Gulf Oil e outras, desenvolveram bastante a sua 
actividade, e a produção de matérias-primas como algodão, o café, os 
diamantes, o ferro, o cobre, o manganês ou o petróleo assegurava enor-
mes lucros, sobretudo devido à utilização de mão-de-obra quase gratuita, 
da qual o Estado colonial Português recebia uma percentagem.
Angola tornou-se uma fonte de matérias-primas baratas para os países 
imperialistas, e foi esta a época de maior exploração das riquezas de An-
gola e do seu próprio povo. 
Revoltas contra as medidas da administração colonial 
(impostos, expropriação de terras e trabalho forçado) 
Além das coligações, os povos angolanos e africanos procuraram resistir 
contra a ocupação e a dominação estrangeira de todas as formas: através 
de revoltas, lutas, fugas de escravos, incêndios e assaltos de postos 
comerciais. No entanto, apesar de tudo, viram-se obrigados a estar su-
jeitos à dominação e exploração colonial portuguesa.
96
6.3. Manifestações contra as medidas da administração colonial
Quais foram as razões do insucesso da resistência?
A razão principal foi sobretudo a falta de unidade, que deu origem à di-
visão das forças de resistência e, consequentemente, à dominação total
dos povos destes reinos e das sociedades tradicionais, que ficaram sob o
jugo e a exploração estrangeira. Porém, as experiências dos seus ante-
passados e de outros povos permitiram-lhes o emprego de novas tácticas
que conduziram à libertação da sua terra do jugo colonial.
Observa o esquema abaixo:
Datas Revoltas Chefes Objectivos
1901-1902 Ovimbundo Mutu-ya-Kevela Contra o trabalho forçado
1908 Dembos Kazuangongo Contra o trabalho forçado
1913 Bakongo Tulante Buta Contra a exportação de contratados
para S. Tomé
 1917-24 Amboim Contra a expropriação de terras, os
impostos e o trabalho forçado
 1925 Ambriz Contra a captura clandestina de escravos, os 
impostos e o trabalho forçado
1940-48 Cubal Contra a expropriação de gado e outras
formas de exploração
Outra das razões do insucesso da resistência foi a utilização de armas de
fogo pelos colonialistas durante a guerra. Isto teve como consequência a
vitória dos Portugueses contra os movimentos de resistência, em geral 
fracamente armados.
A terceira razão foi a ambição pelo poder. Alguns dirigentes africanos, de-
sejosos de manter o poder, não se importaram de servir de intermediários
das intrigas fomentadas pelos Portugueses, uma vez que estes os ajuda-
riam a manter-se ou a conquistar o trono.
97
6.3. Manifestações contra as medidas da administração colonial
VÊ SE SABES ...
1. Menciona alguns dos fortes construídos pelos colonialis-
tas portugueses depois de se terem fi xado no território 
angolano.
2. Qual era o papel desses fortes?
3. Como era chamado o representante da autoridade admi-
nistrativa portuguesa na colónia.
4. O que entendes por trabalho forçado?
5. Quem foi Mandume?
?
98
99
TEMA 7.
A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL
ESTRUTURA DO TEMA
 7.1. O desenvolvimento do nacionalismo 
 7.1.1. O nacionalismo angolano 
 7.2. As primeiras organizações nacionalistas e, mais tarde,
 movimentos de libertação 
 7.3. A luta de libertação nacional 
100
TEMA 7. A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL
Perante a insistência do regime colonial em não querer libertar o povo 
angolano, os nacionalistas viram-se obrigados a organizarem-se em 
movimentos reivindicativos, primeiro de forma clandestina e, mais tar-
de, de luta armada contra o colonialismo português.
Fig. 1 Fotografi a de um grupo de guerrilheiros angolanos na mata.
Fig. 2 Uma sessão de esclarecimento
nas zonas libertadas.
Fig. 3 Destacamento Bomboko
Fig.4 Uma picada cortada durante os ata-
ques da UPA em 15 de Março de 1961.
101
7.1 O desenvolvimento do nacionalismo
7.1.1. O Nacionalismo angolano
As associações culturais
Como sabes, Angola era no passado um conjunto de nações, isto é, um 
território constituído por vários povos livres: os do Kongo, do Ndongo, da
Matamba, da Lunda, e outros. 
As primeiras manifestações da tomada de consciência da necessidade de
lutar pela liberdade (nacionalismo) datam de 1575 data em que Ngola 
Kiluanje travou a campanha de ocupação conduzida pelo português Pau-
lo Dias de Novais na colónia de Angola. No entanto, são numerosas as 
manifestações do nacionalismo na história de Angola.
Desde essa data até a Proclamação da Independência em 1975, as 
lutas sucederam-se umas atrás das outras, tornando-se cada vez mais 
perfeitas - pois os Angolanos foram ganhando experiência na luta contra 
o invasor (no Norte, no Planalto Central e no Leste e Sul de Angola).
Ekuikui II, do Bailundo tentou criar bases económicas para assegurar a 
independência do seu povo. Mandume soube explorar as contradições 
entre as potências coloniais e proceder a uma mobilização popular sem 
igual. O povo Umbi aprendeu, por exemplo, a conhecer as mentiras do 
colonialista e soube vencer a fraqueza dos seus dirigentes acabando por 
impôr no reino uma política claramente anti-colonialista. Por outro lado, 
Mutu ya Kevela, do Bailundo, Tulante Buta e Mbianda Ngunga, estes 
dois do Kongo, foram também chefes que promoveram uma grande rno-
bilização popular e souberam combater todas as formas de opressão das
massas, mesmo quando elas eram disfarçadas.
 SABIAS QUE ...
• As raízes do nacionalismo manifestam-se nas lutas dos povos 
colonizados em defesa de tudo que lhe é próprio (religião, cul-
tura, língua e outros) contra o colonizador ou opressor.
• A história do mundo conhece várias manifestações do naciona-
lismo, tais como o nacionalismo africano, o nacionalismo Zam-
biano ou o nacionalismo congolês, entre muitos outros, mas 
este ano vamos estudar o nacionalismo angolano.
102
As relações entre exploradores e explorados também se foram transfor-
mando ao longo do tempo: os exploradores eram cada vez mais ganan-
ciosos, e a situação dos explorados piorava sempre.
Por esse motivo, podemos compreender o nacionalismo angolano como a 
consequência fi nal de todas as transformações e experiências acumuladas 
durante várias etapas de tomada de consciência do povo de Angola.
O Nacionalismo angolano também encontra as suas origens em algumas
camadas da burguesia angolana dos fi ns dos anos de 1800.
A criação de associações em Angola durante esse período deu origem, 
em 1929, ao movimento de reivindicação popular que veio a ser chamado
Liga Nacional Africana e ao Grémio Africano, mais tarde transformado 
em Associação dos Naturais de Angola.
Estas associações permitiram aos angolanos mais conscientes desen-
volver um trabalho de organização e consciencialização das massas. 
Contudo, nem sempre havia muita unidade nas organizações.
As associações eram dirigidas por elementos da burguesia africana, 
enquanto os elementos representantes das massas constituíam apenas 
uma parte dos indivíduos inscritos.7.1 O desenvolvimento do nacionalismo
103
A partir dos anos de 1950 começaram a surgir as primeiras organizações
nacionalistas angolanas, tais como o Partido de Luta Unida por Ango-
la (PLUA, em 1953) e a União das Populações do Norte de Angola 
(UPNA, em 1954, e transformada na União das Populações de Angola, 
UPA, em 1958), que eram movimentos com ideais independentistas.
7.2. As primeiras organizações nacionalistas, 
 e mais tarde movimentos de libertação
Fig. 5 Holden Roberto (de casaco claro) e outros dirigentes da UPA, em 1961.
As medidas da administração colonial eram muito duras e severas (im-
postos, trabalhos forçados, contratos, etc.) e obrigavam alguns angolanos 
a abandonar o território nacional para se fixarem nos países vizinhos: 
Congo Belga (actual República Democrática do Congo), Congo Fran-
cês (actual República do Congo-Brazzaville), e a Zâmbia.
A UPA exercia as suas acções clandestinas no Congo Belga, mas tanto 
os Belgas como os Portugueses realizavam acções de “caça ao homem”
para impedir as actividades armadas.
Luanda era um dos locais mais propícios para o nascimento de organi-
zações nacionalistas, pois era o centro das atenções administrativas das
medidas coloniais.
104
O governo colonial português sofreu um grave golpe com o surgimento 
das primeiras organizações nacionalistas em Angola. Por essa razão, a 
Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), a polícia política dos 
colonialistas, desencadeou acções de perseguição aos nacionalistas - 
entre outros, Viriato da Cruz e lIídio Machado.
Nos fi nais dos anos de 1950, as organizações nacionalistas, tais como o
Partido de Luta Unida por Angola (PLUA), o Movimento pela Indepen-
dência de Angola (MIA), o Movimento para a Independência Nacional 
de Angola (MINA), fundem-se e formam o Movimento Popular de Li-
bertação de Angola (MPLA).
O Manifesto.
O primeiro marco da história do MPLA, data do seu nascimento, é assi-
nalado a 10 de Dezembro de 1956, altura em que foi tornado público o 
chamado “Manifesto”.
O Manifesto é um denso documento dactilografado em oito páginas, da 
autoria dos fundadores do MPLA, como Mário Pinto 
de Andrade, Viriato da Cruz, Ilídio Machado, António 
Jacinto e Mário Jacinto de Oliveira, entre outros.
7.2. As primeiras organizações nacionalistas, 
 e mais tarde movimentos de libertação
Fig. 6 Dr. Agostinho Neto, numa fotografi a de arquivo da PIOE, a polícia
política portuguesa na época colonial.
Fig. 7 Mário Pinto
de Andrade
105
Antecedentes
As manifestações de descontentamento contra o regime colonial portu-
guês agudizaram-se a partir de 1960. Na altura, muitos países de África 
ascenderam à independência, incluindo os países vizinhos de Angola: o 
Congo-Kinshasa, o Congo-Brazzaville e a Zâmbia. A independência 
dos países vizinhos despertou nos nacionalistas angolanos o sentimento 
de liberdade de um povo ainda sob o domínio colonial português.
Assim, o ano de 1961 constituiu um marco na história do nosso país, 
tendo sido despoletados vários acontecimentos que culminaram com a 
independência nacional. Entre esses acontecimentos, destacam-se o 
Massacre da Baixa de Kassanje, a Revolta de 4 de Fevereiro e o Le-
vantamento de 15 de Março.
Baixa de Kassanje
Um dos eventos fundamentais que antecedeu o início da luta de liberta-
ção foi o da Baixa de Kassanje. Tratou-se de um levantamento popular 
7.3. A luta armada de libertação nacional
Fig.8 Os líderes dos três principais Movimentos de Libertação Nacional de Angola (da esquerda 
para a direita): Agostinho Neto (MPLA), Holden Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA).
 SABIAS QUE ...
• A prática demonstrou que as greves, as reivindicações e as ma-
nifestações culturais não iriam mudar a atitude do colonialismo.
• Os dirigentes e militantes dos movimentos de libertação com-
preenderam que o colonialismo não cairia sem a luta armada.
106
rigoroso que teve lugar no dia 4 de Janeiro de 1961 contra as medíocres 
condições de vida dos trabalhadores da região algodoeira da Baixa de 
Kassanje. Essa contestação ao sistema colonial foi duramente reprimida 
pelas autoridades coloniais. Houve destruição e mortes nunca vistas. A 
reacção do regime colonial fi cou conhecida como Massacre da Baixa de 
Kassanje - um evento que foi considerado como a mais expressiva mani-
festação do nacionalismo angolano dos tempos modernos.
4 de Fevereiro de 1961
As manifestações nacionalistas iniciadas na Baixa de Kassanje assumi-
ram uma dimensão nacional e internacional.
Assim, no dia 4 de Fevereiro de 1961, jovens e trabalhadores da capital 
lançaram um ataque às cadeias para libertar os detidos políticos que se 
encontravam na prisão de São Paulo em Luanda.
O 4 de Fevereiro já não teve o carácter do 4 de Janeiro, pois foi fruto da 
aturada conspiração e organização política e militar orientada pelo Movi-
mento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
7.3. A luta armada de libertação nacional
Fig. 9 Fotografi a do 4 de Fevereiro de 1961 .
107
Os nacionalistas, para iniciarem a luta de libertação nacional contra a 
opressão colonial, tiveram a colaboração e a participação de várias per-
sonalidades. Entre elas destaca-se o cónego Manuel das Neves, além de 
outros combatentes que posteriormente seriam identifi cados com uma ou 
outra formação política.
Considera-se o 4 de Fevereiro de 1961 como sendo a data do início 
da Luta Armada de Libertação Nacional.
Holden Roberto, líder da UPA (União dos Povos de Angola), dirigiu as 
suas acções a partir da República Democrática do Congo, onde se tinha
estabelecido.
No dia 15 de Março de 1961, no Norte de Angola, a UPA ataca as fazen-
das dos colonos. Este movimento político desenvolveu também as suas 
acções de guerrilha com maior agressividade no Norte do País.
7.3. A luta armada de libertação nacional
A organização das primeiras unidades de guerrilha após o 4 de Feverei-
ro e o 15 de Março de 1961, assim como o alastramento das revoltas 
nas áreas rurais do norte do País, fi zeram com que muitos patriotas aban-
donassem as cidades e concentrassem as suas actividades nas matas 
a norte da capital, enquanto outros se viram forçados a refugiar-se nos 
Fig. 10 Fotografi a de uma acção de membros da UPA contra as fazendas dos 
colonos do Norte do país, em 15 de Março de 1961 .
108
países vizinhos, em especial no então Congo-Leopoldville, onde desde 
tempos mais remotos existia já uma comunidade angolana considerável.
Nos primeiros tempos, constituíam-se grupos de guerrilheiros que ataca-
vam em certos períodos as cidades e depois regressavam aos matos. O
apoio popular teve um papel muito importante durante a guerrilha, visto 
que nas suas deslocações, os grupos de combatentes eram acolhidos e
alimentados nas aldeias por onde passavam.
Nas regiões sob controlo dos guer-
rilheíros, e sempre que havia con-
dições, estabeleciam-se postos 
sanitários e escolas. As mulheres, 
homens idosos e crianças cultiva-
vam a terra para se alimentarem e 
para alimentarem também os guer-
rilheiros que davam o seu sangue, 
isto é, as suas vidas, pela inde-
pendência da Pátria. Também se 
realizavam actividades culturais e 
recreativas que animavam os guer-
rilheiros a prosseguir o combate.
Os tempos de simples contestação ao sistema colonial pertenciam ao 
passado: a fase era agora de luta armada - a única linguagem que o sis-
tema colonial poderia entender.
É neste contexto que Tomás Ferreira, coadjuvado por vários jovens che-
gados a Leopoldville, entre eles o destacado José Mendes de Carvalho
(Hoji-ya-Henda), iniciam clandestinamente a formação de um pequeno 
grupo com o objectivo de darem continuidade à luta armada iniciada a 4 
de Fevereiro. O MPLA envia grupos de militantes para Marrocos, Argé-
lia, Ghana e Checoslováquia, onde receberam formação militar. No seu 
regresso, o MPLA opta pela constituição da orqanlzação militar que se 
designou como Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA).
Ao mesmo tempo, a União dos Povos de Angola (UPA),transformada mais
tarde na FrenteNacional de Libertação de Angola (FNLA), tinha formado 
a partir do Congo-Kinshasa um exército denominado Exército de Liberta-
ção Nacional de Angola (ELNA), que instalou o seu quartel-general em 
Fig. 11 Mulheres trabalhando numa aldeia, 
nos anos de 1960.
7.3. A luta armada de libertação nacional
109
Kinkuzu, na República Democrá-
tica do Congo.
No ano de 1966, um grupo de dis-
sidentes da FNLA encabeçados 
por Jonas Malheiro Savimbi, for-
maram no interior de Angola um 
novo movimento de libertação na-
cional, denominado União para a 
Independência Total de Angola 
(UNITA), com o seu braço armado
- as Forças Armadas de Liberta-
ção de Angola (FALA).Fig. 12 Holden Roberto.
7.3. A luta armada de libertação nacional
A repressão colonial
Em resposta às actividades clandestinas das organizações políticas 
MINA, MIA, PLUA e UPA e às revoltas de 1961, as autoridades colo-
niais reforçaram o poder policial e a segurança interna, iniciando-se deste 
modo um período de repressão que conduziu à detenção, julgamento e 
deportação de grande número dos mais infl uentes nacionalistas.
De entre estes, destaca-se a fi gura do
médico António Agostinho Neto. Pre-
so e deportado por duas vezes e eleito 
à presidência de honra do MPLA, per-
maneceu nesta situação até meados 
de 1962, ano em que assume a presi-
dência do Movimento. 
Insere-se tambem neste confron-
to aquele que fi cou conhecido como 
“Processo dos 50”, tornado célebre 
quer pelo número de patriotas nele en-
volvido quer pelo carácter de atrope-
lamento das mais elementares regras 
de justiça que caracterizam a repres-
são colonial.
Fig.13 Fotografi a dos envolvidos no 
“Processo dos 50”.
110
Entretanto, Holden Roberto que era o líder da UPA, estava a dirigir as 
suas acções a partir da República Democrática do Congo, onde já se 
tinha estabelecido antes do início da Luta Armada de Libertação.
O 25 de Abril de 1974
A guerra que alastrava nas antigas colónias portuguesas, designadamen-
te em Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, levava a que 
morressem muitos militares portugueses nessas colónias.
Por outro lado, a guerra provocava muitas despesas, isto é, muitos gastos
de dinheiro. Além disso, a guerra criava um mal-estar geral em Portugal, 
cujos fi lhos morriam em Angola e cuja economia estava a suportar os es-
forços de guerra, criando sérias difi culdades ao povo.
Porém, o regime fascista português, além de oprimir os povos das coló-
nias, também oprimia o próprio povo português e perseguia os mais pro-
gressistas, ou seja, os que não apoiavam o regime colonial. Estes eram
enviados para as colónias para sustentar a guerra.
Este clima de guerra e de intensifi cação dos serviços secretos do regime
português de Salazar e Caetano (a PIDE/DGS) aumentou o descontenta-
mento do povo português, que culminou com o golpe de Estado (tomada
do poder) militar em 25 de Abril de 1974.
7.3. A luta armada de libertação nacional
Fig. 14 Fotografi a do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, em Lisboa.
111
O 11 de Novembro de 1975
Após o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, em Portugal, foram re-
conhecidos os três movimentos de libertação, que lutaram pela indepen-
dência de Angola, o MPLA, a FNLA e a UNITA. Esses movimentos come-
çaram a fazer campanhas de sensibilização, preparando o povo para a 
independência.
No entanto, surgiram divergências entre os três movimentos, e o nosso 
país viu-se envolvido numa guerra longa e desgastante. 
Apesar da guerra, a independência de Angola foi proclamada às zero ho-
ras do dia 11 de Novembro de 1975 pelo presidente do MPLA, o cama-
rada António Agostinho Neto, que passou a ser o primeiro Presidente 
da República Popular de Angola.
Para que fosse possível tão importante marco, muitos sacrifícios tiveram 
que ser consentidos por milhares de fi lhos de Angola, que de Cabinda ao
Cunene e do Leste ao mar souberam interpretar os anseios mais profun-
dos e legítimos de todo um povo na luta pela dignidade e reconquista da 
sua identidade cultural e política.
7.3. A luta armada de libertação nacional
Fig. 15 Os líderes dos principais movimentos de libertação de Angola na altura da 
 assinatura dos acordos de Alvor, em 1975.
112
Por isso, a luta de todo o povo angolano foi coroada por essa vitória de 
elevado signifi cado histórico, obtida a 11 de Novembro de 1975 com o 
hastear da Bandeira Nacional no actual Largo da Independência, em 
Luanda, perante a emoção e alegria de milhares de homens, mulheres 
e crianças e o respeito e admiração das forças democráticas de todo 
o mundo.
7.3. A luta armada de libertação nacional
Agostinho Neto, o primeiro Presidente da nova República, morreu em 
10 de Setembro de 1979, ano em que foi substituído por José Eduardo 
dos Santos, que se tornou assim o segundo Presidente da República de 
Angola.
Fig. 16 A Bandeira Nacional a ser hasteada no 
Largo da Independência. em 1975.
Fig. 17 Dr. António Agostinho Neto, o primeiro 
Presidente da República de Angola.
113
7.3. A luta armada de libertação nacional
VÊ SE SABES ...
1. Cita uma das várias manifestações do nacionalismo na 
história de Angola
2. Quais foram os principais movimentos de libertação de 
Angola?
3. O que entendes por “Processo dos 50”?
4. Localiza geografi camente a Baixa de Kassanje.
5. Em algumas linhas, descreve a importância das seguin-
tes datas históricas do nosso País:
 • 4 de Fevereiro de 1961;
 • 15 de Março de 1961.
6. Como descreves os acontecimentos ocorridos em 25 de 
Abril de 1974?
?
114Monumento ao Dr. António Agostinho Neto, na Praça da Independência - Luanda
115
TEMA 8.
AS CONQUISTA DA
INDEPENDÊNCIA
ESTRUTURA DO TEMA
 8.1. O País 
 8.1.1. O território 
 8.1.2. O governo 
 8.1.3. Os símbolos 
 
 8.2. Cultura e desporto 
 8.3. Economia 
 8.3.1. Agropecuária 
 8.3.2. Indústria 
 8.3.3. Outros sectores da economia 
 
116
8.1. O País
8.1.1. O território
Situada geografi camente num imenso território de África, Angola faz 
fronteira a norte com a República Democrática do Congo (R.D.C.)e 
a República do Congo-Brazzaville; a nordeste com a República De-
mocrática do Congo; a leste com a República da Zâmbia; a sul com a 
República da Namíbia; e a oeste com o oceano Atlântico.
TEMA 8. AS CONQUISTAS DA INDEPENDÊNCIA
• SABIAS QUE ...
• Angola é um país africano situado na África Central.
• Angola tornou-se um país independente a 11 de Novembro de 
1975.
• O primeiro Presidente de Angola foi o Dr. António Agostinho Neto.
Fig. 1 Mapa de Angola e os seus limites.
117
Angola possui uma superfície de 1 246 700 km2. A extensão da sua fron-
teira terrestre é de 2500 km, e a linha costeira com o oceano Atlântico é 
de 1600 km. O território está dividido administrativamente em 18 provín-
cias, que são:
• a norte: Bengo, Cabinda, Cuanza-Norte, Luanda, Malanje, Uíge e Zaire;
• a nordeste: Lunda Norte e Lunda Sul;
• ao centro: Benguela, Bié, Cuanza-Sul e Huambo;
• a leste: Moxico e Cuando Cubango;
a sul: Cunene, Huila e Namibe.
8.1. O País
Fig.2 Divisão administrativa de Angola.
118
8.1.2. O governo
Proclamada a independência, era necessário preparar uma Constituição. 
A Constituição determina as normas e as Leis que conduzem o Estado. O 
Estado Angolano é constituido pelo seguintes poderes e orgãos:
Poder legislativo - Exercido pela Assembleia Nacional
Poder executivo - Exercido pelo Governo, designado Executivo
Poder judicial - Exercido pelos tribunaisO Executivo tem 3 Ministros de Estado e 28 Ministérios:
• Ministro de Estado do Desenvolvimento Economico e Social;
• Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presi-
dente da República;
• Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da 
República.
1 Ministério da Defesa Nacional
2 Ministério do Interior
3 Ministério das Relações Exteriores
4 Ministério da Justiça e Direitos Humanos
5 Ministério das Finanças
6 Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado
7 Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social
• SABIAS QUE ...
• Os Angolanos lutaram durante 14 anos para conseguir a 
independência, derrubando o governo colonial português.
• A independência de Angola foi proclamada pelo Dr. An-
tónio Agostinho Neto a 11 de Novembro de 1975, no 
Largo da Independência, em Luanda.
8.1. O País
119
8.1. O País
8 Ministério da Agricultura e Florestas
9 Ministério da Indústria
10 Ministério da Energia e Águas
11 Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos
12 Ministério dos Transportes
13 Ministério da Construção e Obras Públicas
14 Ministério das Pescas e do Mar
15 Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação
16 Ministério do Ordenamento do Território e Habitação
17 Ministério da Economia e Planeamento
18 Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação
19 Ministério da Educação
20 Ministério da Saúde
21 Ministério da Hotelaria e Turismo
22 Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher
23 Ministério da Cultura
24 Ministério da Juventude e Desportos
24 Ministério da Comunicação Social
26 Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria
27 Ministério do Comércio
28 Ministério do Ambiente
120
8.1.3. Os símbolos
Os Símbolos do país são: a bandeira, a insígnia, o hino nacional e a moeda.
A moeda nacional é o Kwanza.
8.1. O País
A bandeira nacional tem duas cores dispostas em duas faixas horizon-
tais. A faixa superior é de cor vermelho-rubro e a inferior de cor preta. 
Estas cores representam:
• vermelho-rubro: o sangue derramado pelos Angolanos durante a 
opressão colonial, a luta de libertação nacional e a defesa da Pátria.
• preto: o continente africano.
No centro da bandeira nacional fi gura uma composição constituída pelos
seguintes elementos:
• uma secção de uma roda dentada: símbolo dos trabalhadores e da 
produção industrial;
• uma catana: símbolo dos camponeses, da produção agrícola e da 
luta armada;
• uma estrela: símbolo da solidariedade internacional.
A roda dentada, a catana e a estrela presentes na bandeira nacional são
de cor amarela, representando as riquezas do país.
Fig. 3 A bandeira nacional.
121
8.1. O País
A insígnia da República de Angola é formada por uma secção de uma 
roda dentada e por uma ramagem de milho, café e algodão, repre-
sentando, respectivamente, os trabalhadores e a produção industrial, os 
camponeses e a produção agrícola.
Na base do conjunto podem ver-se um livro aberto, símbolo da educa-
ção e cultura, e o sol nascente, signifi cando o novo país.
Ao centro estão colocadas uma catana e uma enxada cruzadas, simboli-
zando o trabalho e o início da luta armada. No cimo fi gura uma estrela, 
símbolo da solidariedade internacional e do progresso. Na parte infe-
rior do emblema encontra-se uma faixa dourada com os dizeres “Repú-
blica de Angola”.
Fig. 4 Insígnia da República de Angola.
122
8.1. O País
O Hino Nacional de Angola tem o título de “Angola Avante”.
Angola Avante
1 - Oh Pátria, nunca mais esqueceremos
 Os heróis do 4 de Fevereiro
 Oh Pátria, nós saudamos os teus fi lhos
 Tombados pela nossa independência.
 Honramos o passado e a nossa história,
 Construímos no trabalho o homem novo,
 Honramos o passado e a nossa história,
 Construímos no trabalho o homem novo,
 Angola, avante
 Revolução, pelo poder popular
 Pátria unida, liberdade,
 Um só povo, uma nação
2 - Levantemos nossas vozes libertadas
 Para glória dos povos africanos.
 Marchemos, combatentes angolanos,
 Solidários com os povos oprimidos.
 OrgoIhosos lutaremos pela paz
 Com as forças progressistas do mundo.
 
 Orgulhosos lutaremos pela paz
 Com as forças progressistas do mundo.
 Angola, avante
 Revolução, pelo poder popular
 Pátria unida, liberdade,
 Um só povo, uma só nação.
 Angola, avante
 Revolução, pelo poder popular
 Pátria unida, liberdade,
 Um só povo, uma só nação.
ESCREVER
Escreve e canta o Hino Nacional de Angola
123
8.1. O País
VÊ SE SABES ...
Defi ne os seguintes conceitos:
• Bandeira, insígnia, hino
• Pais, território, governo
VÊ SE SABES ...
• Angola é um país muito fértil desde tempos antigos.
• As tradições culturais são muito variadas em Angola.
• Na época anterior à independência, Angola conquistou os 
1.°, 2.º e 3.° lugares nas culturas de café, algodão e ex-
tracção de diamantes.
O valor patriótico de cada cidadão passa também por reconhecer
os símbolos do seu país.
?
?
124
A moeda nacional de Angola chama-se Kwanza, que é o nome do maior 
rio que nasce e desagua em Angola. A abreviatura do Kwanza é Kz. Exis-
tem notas e moedas com diversos valores faciais:1 Kz, 5 Kz, 10 Kz, 50 
Kz, 100 Kz, 200 Kz, 500 Kz, 1000 Kz, 2000 Kz e 5000 Kz.
8.1. O País
Moeda de 1 Kwanza (Frente e verso).
Nota de 5 Kwanzas (frente e verso).
Nota de 10 Kwanzas (frente e verso).
Nota de 50 Kwanzas (frente e verso).
Moeda de 5 Kwanzas (frente e verso).
Moeda de 10 Kwanzas (frente e verso).
Moeda de 20 Kwanzas (frente e verso).
Moeda de 50 Kwanzas (frente e verso).
Moeda de 100 Kwanzas (frente e verso).
125
8.1. O País
Nota de 100 Kwanzas (frente e verso).
Nota de 100 Kwanzas (frente e verso).
Nota de 2000 Kwanzas (frente e verso).
Nota de 200 Kwanzas (frente e verso).
Nota de 1000 Kwanzas (frente e verso).
Nota de 5000 Kwanzas (frente e verso).
126
8.2. Cultura e desporto
A conquista da independência permitiu que 
os Angolanos divulgassem os seus valores 
culturais através da participação em even-
tos regionais, continentais e mundiais. A li-
berdade nas manifestações culturais é um 
elemento de identificação de cada angolano 
e mostra os diferentes hábitos, costumes 
e crenças.
Em Angola os padrões culturais são diversi-
ficados, mas existe um elemento comum na
maioria da população que comprova uma 
mesma origem cultural. 
A riqueza e os diferentes valores da cultura 
angolana conduziram nas últimas décadas 
a notáveis alcances culturais e desportivos.
A dança, representada em várias formas de 
manifestação, como a cabetula, a massem-
ba, a kazukuta e outras, levou à distinção de
um dos valorosos grupos angolanos a nível
internacional, os Kilandukilu, que granjea-
ram qualificações meritórias em numerosos 
concursos culturais.
Fig. 13 o pensador, símbolo 
 da cultura angolana.
Fig. 14 Uma exibição do grupo Kilandukilu.
127
8.2. Cultura e desporto
Na área da literatura, os escritores angolanos tam-
bém foram agraciados com diversos prémios inter-
nacionais que distinguiram as suas obras, desta-
cando-se Agostinho Neto com o seu livro Sagrada 
Esperança.
A língua portuguesa que hoje constitui a comuni-
cação ofi cial dos Angolanos é uma herança do co-
lonialismo português, embora os Angolanos tenham 
as suas próprias línguas nacionais: na zona norte 
encontramos uma área onde se falam as línguas fi o-
te, kikongo e kimbundu; no nordeste, falam-se o 
côkwe e o nganguela; e no sul, o umbundo, o kimbundu, o kwanyama 
e o nyanka.
Fig. 15 Capa do livro
Sagrada Esperança, 
de Agostinho Neto.
O prato típico dos angolanos no Norte, Este e Sul é o funge, que pode ser
de fuba de bombó ou de milho.
128
8.2. Cultura e desporto
No domínio desportivo, os Angolanos participaram em competições afri-
canas e mundiais, levando os símbolos do nosso País para além-fron-
teiras através das vitórias obtidas. Foi assim que Angola se tornou nove 
vezes campeã africana de basquetebol masculino e feminino e campeã 
africana de andebol.
No atletismo paralímpico, Angola liderou as competiçõesmundiais em 
2005 com José Sayovo. No entanto, a maior alegria dos Angolanos foi, 
também nesse mesmo ano, o apuramento para o Campeonato Mundial 
de Futebol de 2006, que se realizou na Alemanha. 
O êxito de todas estas 
conquistas está ligado 
à unidade de todos os 
Angolanos e ao respei-
to pelas suas diferen-
ças.
Fog. 16 Imagens da actuação da selecção angolana de Basketebol.
Fig. 17 Treino dos Palancas
Negras antes do jogo com o
Zimbabwe, em 2006.
129
8.3. Economia
Antes da independência, Angola era uma importante produtora de ma-
térias-primas. Nas províncias de Cabinda, Zaire e Luanda extraía-se o 
“minério preto” - o petróleo; em Malanje e Lunda, diamantes; no Huam-
bo, Cuanza-Norte e Huíla extraíam-se ferro, cobre, manganês, fosfatos 
e mármores, e ainda águas minero-medicinais. Todos estes produtos 
destinavam-se ao desenvolvimento das indústrias estrangeiras.
Nas províncias de Cabinda, Uíge, Zaire, Bengo, Moxico, Cuanza-Norte, 
Cuando-Cubango e Bié desenvolviam-se as explorações florestais.
8.3.1. Agropecuária
Angola é um país com muitas oportunidades na agricultura e na pecuária.
Quase todo o território possui terras fertilizadas pelas chuvas, e os rios 
abundantes permitem uma agricultura saudável. Em todas as províncias 
desenvolve-se actividade agrícola, e em algumas actividade pecuária. 
Na época colonial, a exploração agrícola estava ligada a produção de café, 
tabaco, algodão, sisal e palmares. A pesca e a pecuária também eram fon-
tes de lucros para a economia colonial. O processo da venda em nada 
Fig. 18 Fotografia de uma das indústrias mineiras de diamantes de Angola.
130
benefi ciava o desenvolvimento económico da colónia de Angola, mas sim
de Portugal, país colonizador.
Após a proclamação da independência, o governo de Angola priorizou o
sector da agricultura e pecuária como actividade básica para a manu-
tenção da segurança alimentar da população, mas devido ao período de 
longa instabilidade pela qual o pais passou, a agricultura teve muito pou-
co desenvolvimento. A partir de 2002, com a conquista da paz, o sector 
agrícola voltou a desenvolver-se bastante.
As populações continuam a praticar a sua agricultura, valorizando os co-
nhecimentos dos seus antepassados.
O Ministério da Agricultura e Florestas tem feito muitos esforços na 
preparação de terras para alargar as áreas de cultivo, fornecendo equipa-
mentos agrícolas como, enxadas, catanas, charruas e assistência técnica 
e semetes aos camponeses e demais produtores agrícolas.
Hoje encontram-se cooperativas agrícolas em quase todas as províncias
de Angola. Elas revestem-se de grande importância no campo económico
e social. Constituem uma forma de organização, reúnem pessoas, esti-
mulam o trabalho comum e procuram formas de resolver os problemas 
que afectam uma determinada comunidade.
8.3. Economia
Fig. 19 Cultura de café em Angola
131
8.3. Economia
Fig. 20 Uma lavra tradicional Fig. 21 Modema agricultura mecanizada.
Angola é um país de clima tropical e apresenta um grande potencial de 
produção de gado. Em várias regiões do nosso país, sobretudo na parte 
sul, muitos dos habitantes têm como actividade principal a criação de 
gado bovino, mas noutras regiões também se faz a criação do gado capri-
no e suíno. Outra actividade desenvolvida em Angola é a criação de aves.
A população camponesa continua a fazer a criação tradicional para sua 
auto-subsistência. Em algumas províncias também fazem a produção lei-
teira no seio familiar.
Hoje, os cuidados da pecuária merecem maior atenção com o emprego 
de novas tecnologias. Existem áreas controladas pelo Ministério da Agri-
cultura e Florestas que trabalham na produção de carne e leite para o 
consumo da população. Essas áreas localizam-se em algumas províncias 
do nosso país, como é o caso da província do Cuanza-Sul.
Fig. 22 Criação pecuária na província de Benguela.
132
8.3. Economia
8.3.2. Indústria
A colónia de Angola tinha uma indústria débil, embora existissem alguns 
centros industriais em Luanda (Viana), Benguela (Lobito), Huambo e 
Lubango nas áreas da agro-pecuária, bebidas e materiais de construção.
Indústria extractiva
Actualmente, nas províncias das Lundas Norte e Sul, Malange e Bié ex-
ploram-se os diamantes. Na Huila e no Namibe, o granito preto e cin-
zento, mármore e outras rochas de embelezamento. Em Cabinda, Luan-
da e Zaire explora-se o petróleo. Também existem algumas pedreiras 
em Luanda,Bengo, Benguela, Cabinda e Huila. Todas estas indústrias 
contribuem para o desenvolvimento do país.
Fig. 23 Uma plataforma de exploração petrolífera.
Indústria transformadora
Durante a guerra civil que assolou o país, muitas indústrias decaíram.
O pais vivia apenas de exportações de matérias-primas.
Com a conquista da paz, Angola tem conhecido um notável desenvolvi-
mento industrial em todos os ramos:
133
• indústria alimentar;
• indústria têxtil e de confecções;
• indústria de bebidas;
• indústria de tabaco;
• indústria química;
• indústria de mobiliário metálico e 
em madeira;
• indústria de materiais de cons-
trução e de instrumentos de trabalho 
agrícola;
• indústria de montagem de meios 
de transporte;
• indústria de construção civil e 
naval
8.3.3. Outros sectores da economia
Para garantir o fornecimento de energia às indústrias, o governo colonial 
mandou construir centrais hidroeléctricas (Cambambe, Biópio, Lomaum, 
Mabubas, Luachimo, Matala) e algumas centrais termoeléctricas.
A abertura de vias de comunicação destinava-se a assegurar o escoa-
mento dos produtos, tendo sido desenvolvida uma rede de estradas, ca-
minhos-de-ferro e portos marítimos.
A obtenção de moeda estrangeira era um dos principais objectivos da 
actividade económica colonial, por isso foram abertos bancos nas princi-
pais cidades.
Depois da independência, devido o decorrer da guerra civil, muitas acti-
vidades económicas decairam. A agricultura mecanizada desapareceu 
e a de subsistência fi cou reduzida. As vias de comunicação terrestre (ro-
doviárias, urbanas e ferroviárias) foram interrompidas e o comércio fi cou 
extremamente debilitado.
Nos últimos anos, com o fi m da guerra civil, a política do Governo tem 
estado ligada a projectos de desenvolvimento económico, como a 
8.3. Economia
Fig.24 Fábrica da Cimangola, uma empresa de-
dicada à produção de cimento.
134
indústria, entre outros. A indústria dos minérios tem-se desenvolvido 
cada vez mais. No domínio das indústrias extractivas têm-se descoberto 
e explorado mais poços minerais. 
Fig.27 Sede da Sonangol.
Fig. 28 Avião das Linhas Aéreas de Angola.
Fig.26 Banco de Desenvolvimento de Angola.
Devido ao êxodo da população para as cidades, o Governo tem ampliado 
os serviços de comunicação, com a abertura de novas vias de comunica-
ção e o aumento da frota de transportadores de pessoas e mercadorias.
Com a conquista da paz a 4 de Abril de 2004, o país encetou um ambicio-
so programa de infra-estruturação do país em todos os dominós da vida 
económica e social, potenciando assim o desenvolvimento da economia 
o bem estar social e sua inserção económica regional. 
8.3. Economia
135
V ANGOLA HOJE
Localização geográfi ca: África Austral
Área: 1 246 700 km 2
População: 25 000 000 habitantes
Capital: Luanda
Língua ofi cial: Portuguesa
Religião: Várias
VÊ SE SABES
Com a ajuda do teu professor (a), defi ne os seguintes 
conceitos:
• País, território, governo.
Fig. 29 Vista aérea da moderna cidade de Luanda.
Fig. 30 A Marginal de Luanda.
8.3. Economia
136
137
GLOSSÁRIO
BIBLIOGRAFIA
138
Angariador
 Recrutador; pessoa que adquire algo.
Bandeira
 Emblema que serve de distintivo a uma nação.
Bantu
 Plural de “muntu”, que significa “homem”.
Causa
 Motivo, razão, origem.
Colónia
 Território ocupado e povoado por uma nação, situado geralmente
 noutro continente.
Colonização
 Estabelecer colónias; dominar ou subjugar outro povo.
Comércio triangular
 Comércio marítimo que se fazia entre os três continentes: África,
 América e Europa, assim designadopor tomar num mapa a forma 
 de um triângulo.
Conferência
 Reunião organizada para se tratar de assuntos particulares ou
 públicos.
Consequência
 Resultado natural, provável ou forçoso de um facto; efeito.
Cultura
 Conjunto de costumes e tradições de um povo.
Desenvolvimento
 Acto ou efeito de desenvolver; progresso; cultura intelectual.
Desporto
 Exercício fisico regulado por normas mais ou menos definidas, 
 praticado individualmente ou em grupo.
GLOSSÁRIO
139
Divisão Administrativa
 Repartição de administração de um governo.
Escravatura
 Comércio de escravos; escravidão.
Escravo
 Pessoa que está sob a dependência absoluta de um senhor, 
 servo, cativo.
Expansão
 Acto ou efeito de se expandir, alargamento, difusão.
Forte
 Obra de fortificação; fortaleza; castelo.
Golpe de Estado
 Acto de força pelo qual um governo é derrubado e substituído.
Governo
 Acto ou efeito de governar; poder executivo, administração, 
 regime.
Hino Nacional
 Canto de louvor a uma pátria.
Independência
 Liberdade; autonomia.
Insígnia
 Sinal distintivo de dignidade de função ou de nobreza, emblema,
 medalha.
Instalação
 Estabelecer-se, alojar-se, ir morar para. •
Instituição
 Estabelecimento de utilidade pública; organização, fundação.
140
Invasão
 Acto ou efeito de invadir; ocupar por meio de força; 
 entrar hostilmente.
Libertação Nacional
 Tornar livre um determinado território; autonomizar.
Manifesto
 Declaração pública em que se expõem os motivos que levaram à
 prática de certos actos que interessam a uma colectividade.
MIA
 Movimento pela Independência de Angola (1957).
Migração
 Deslocação de um grupo ou grande multidão de um país 
 para outro.
MINA
 Movimento para a Independência Nacional de Angola (1953).
 
Nação 
 Conjunto de indivíduos unidos por uma consciência 
 histórica, linguística e cultural comum.
Nacionalismo
 Patriotismo; doutrina política que faz da nação um absoluto.
Nobreza
 Fidalguia herdada ou doada pelo soberano; classe dos nobres.
Ocupação
 Acta ou efeito de ocupar, posse.
Opressão cultural
 Oprimir os hábitos e costumes que contribuem para a herança 
 social de um determinado povo, de uma comunidade.
141
País
 Território, Estado, Nação.
Penetração
 Chegar ao interior, entrar, introduzir-se, ter ingerência.
PLUA
 Partido de Luta Unida de Angola (1956).
Pombeiro
 Aquele que atravessa os sertões negociando com os nativos.
Pré-colonial
 Anterior à colonização.
Presídio
 Guarnição de uma praça de guerra; prisão militar, reclusão 
 de criminosos.
Racismo
 Doutrina que afirma a superioridade de determinadas raças e
 assenta na alegada superioridade e direito de dominar ou 
 suprimir as outras.
Reino
 Estado que tem um rei como soberano.
Repressão
 Suster a acção; violentar, oprimir, castigar.
Resistência
 Força com que um povo reage contra a acção do outro; reacção,
 oposição, defesa.
Revolta
 Rebelião contra a autoridade estabelecida; sublevação; 
 insurreição; levantamento; motim; sentimento de indignação.
142
Símbolo
 Sinal representativo; emblema; imagem ou objecto material que
 representa uma realidade visível.
Sistema político
 Forma de um governo.
Território
 Grande extensão de terra; área correspondente a uma 
 determinada jurisdição.
Tráfico
 Troca de mercadorias, comércio, negócio.
Tumbu
 Conjunto de aldeias (sanzalas).
Verme
 Animal invertebrado, mole, geralmente formado por anéis e 
 semelhante a uma minhoca.
143
AFRONTAMENTOS - História de Angola, Porto Educação, s/d.
AGUIAM, BALTAZAR DE - A Revolta do Bailundo e os Conselhos de
Guerra de Benguela, Lisboa, Imprensa Lucas, 1903.
ANDRADE, ALFREDO DE - A Questão da Borracha em Angola, Sobre as
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ANGOLA/INIDE-MED - Iniciação à História - 4.a classe.
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MADEIRA, CARLA MARINA - Educação Moral e Cívica - 7.a classe,
Manual do Adulto, 1.° Ciclo do Ensino Secundário, INIDE, 2005,
p.157. •
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144
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MINADER - Boletim Informativo da Direcção Nacional de Agricultura,
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MINADER - Boletim Informativo da Direcção Nacional de Agricultura,
Pecuária e Florestas, ano I, n.º 3, Abr.-Set. 2007.
MINADER - Boletim Informativo da Direcção Nacional de Agricultura,
Pecuária e Florestas, ano II, n.º 4, Jun. 2008.
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UNESCO - Lugares de Memória da Escravatura, Lisboa, CEAlFLUL, p. 92.
ZERQUERA, JULlÁN -Iniciação à Geografia - 4.a classe, 2003 .1.1. O correr do tempo 14
 1.2. História e as vida das gerações 16
 1.3. Como contamos o tempo 17
 1.4. Aspectos comparativos da vida da geração do aluno e 
 seus ascendentes mais próximos 18
 1.4.1. A geração do aluno 18 
 1.4.2. A geração dos pais 19 
 1.4.3. A geração dos avós 20
 1.4.4. A geração dos bisavós 23
TEMA 2. A VIDA NO PASSADO E NO PRESENTE 25
 2.1. A habitação 26
 2.2. A alimentação 18
 2.3. O vestuário 30
 2.4. As comunicações 32
 2.5. Os transportes 33
ÍNDICE
ÍNDICE
TEMA 3. ASPESCTOS HISTÓRICOS DA NOSSA LOCALIDADE 37
 3.1. Os monumentos e sítios 38
 3.2. O museu e o arquivo 41
 3.3. As vias de comunicação 42
 3.4. Aspectos culturas da localidade 45
 3.4.1. Origem da população e do nome da localidade 45 
 3.4.2. As lendas e tradições, as principais línguas, 
 as actividades 47
 TEMA 4. ANGOLA HÁ MUITOS, MUITOS ANOS 51
 4.1. Os primeros habitantes do actual territorio angolano 52
 • Os Pigmeus
 • Os Khoissan
 • Os Vátuas e Kuisses
 4.1.1. Pricinpais aspectos da vida dos Khoissan 53
 4.1.2. Manifestações artísticas 53
 
 4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuas 54
 4.2.1. Migrações 54
 4.2.2. Grupos etno-linguísticos bantu 55
 4.3. Os promeiros reinos 59
 4.3.1. Reino do Kongo 59
 4.3.2. Reino do Ndongo 64
 
ÍNDICE
TEMA 5. ANGOLA NA ERA DO TRÁFICO DE ESCRAVOS 69
 5.1. A expansão marítima portuguesa 71
 5.1.1. A chegada dos Portugueses ao Reino do Kongo 72
 5.1.2. As primeiras relações entre Portugueses e Africanos
 (Kongo e Ndongo) 74
 5.1.3. O início do tráfico de escavros e as suas 
 consequências 74
 5.2. A expansão progressiva dos Portugueses ao longo da costa 78
TEMA 6. A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO 81
 6.1. As campanhas de ocupação efectiva 82
 6.2. A resistência à ocupação colonial 84
 6.2.1. A defesa do território contra a invasão do Sul
 de Angola 86
 6.2.2. A administração colonial 87 
 6.2.3. A economia colonial 89 
 6.3. Manisfestações contra as medidas da administração colonial 96
ÍNDICE
TEMA 7. A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL 99
 7.1. O desenvolvimento do nacionalismo 100
 7.1.1. O nacionalismo angolano 101
 7.2. As primeiras organizações nacionalistas, e mais tarde
 movimento de libertação 103
 7.3. A luta armada de libertação nacional 104
 TEMA 8. AS CONQUISTAS DA INDEPEDÊNCIA 115
 8.1. O País 116
 8.1.1. O território 116
 8.1.2. O governo 118
 8.1.3. Os símbolos 120
 8.2. Cultura e desporto 126
 8.3. Economia 129
 8.3.1. Agropecuária 129
 8.3.2. Indústria 132
 8.3.4. Outros sectores da economia 133
 
GLOSSÁRIO 100
BIBLIOGRAFIA 108
ÍNDICE
13
TEMA 1.
O TEMPO
ESTRUTURA DO TEMA
 1.1. O correr do tempo 
 1.2. A História e a vida das gerações 
 1.3. Como contamos o tempo 
 1.4. Aspectos comparativos da vida da geração do aluno e 
 seus ascendentes mais próximos 
 1.4.1. A geração do aluno 
 1.4.2. A geração dos pais 
 1.4.3. A geração dos avós 
 1.4.4. A geração dos bisavós 
14
TEMA 1. O TEMPO
Cada dia que passa, notamos muitas modifi cações nas pessoas, nas coi-
sas e na própria natureza. Por exemplo, quando tu nasceste eras um 
bébé, mas agora estás grande. O mesmo acontece com o teu irmãozinho: 
a cada dia que passa, está mais bonitinho, mais espertinho e deixou de 
ser o “bebezinho” que chorava quando tinha fome ou sede, ou quando es-
tava molhado. Poderíamos dar-te muito mais exemplos. Todos eles com-
provariam que as pessoas, as coisas e a natureza modifi cam-se à medida 
que o tempo vai passando.
Fig. 1 O Largo da Independência no passado. Fig. 2 O Largo da Independência hoje.
ESCLARECER
O que é o tempo?
O tempo é meio indefi nido e homogéneo no qual se desenrolam 
os acontecimentos sucessivos.
1.1. O correr do tempo
Sabes, portanto, que os dias, os meses e os anos passam, e que durante 
esse tempo crescemos e tornamo-nos adultos, os adultos envelhecem e 
assim sucessivamente.
Por isso, com o correr do tempo tudo muda, tudo se modifi ca. Por exemplo, 
em Luanda, no lugar onde podes ver hoje o Largo da Independência, es-
tava o aeroporto de Angola há muitos anos atrás. Com o passar do tempo, 
foram construídos naquela zona várias edifícios públicos, como escolas, 
Ministérios (o da Agricultura, o dos Antigo Combatentes, o da Educação, o 
da Cultura, o da Juventude e Desportos e o das Relações Exteriores), as 
sedes da Rádio Nacional e da T.P.A. e o quartel dos bombeiros.
15
Fig. 3 Um mais velho 
contando a história de Luanda 
1. 1. O correr do tempo
Porquê é que esse lugar se chama Largo da Independência? 
As pessoas chamam essa zona de Largo da Independência, porque foi 
o local onde foi proclamada a independência de Angola na voz do Dr. 
Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola, às zero horas do dia 11 
de Novembro de 1975. Desde então, a cidade de Luanda foi crescendo, 
e nessa zona nasceu o bairro Maculusso.
E porque chamam a esse bairro de Maculusso?
Um jornal “Diário de Angola” fala-nos como era a cidade de Luanda nos 
anos 1950. Nesse tempo, na cidade de Luanda já viviam muitos colonos 
portugueses. Eles já tinham construído muitas ruas e avenidas, arma-
zéns, dois hospitais, casas, o porto e o caminho-de-ferro.
VÊSE SABES...
1. Porque chamam a esse lugar Largo da Independência?
2. Porque chamam a esse bairro de Maculusso? 
3. Como podemos saber como era o bairro Maculusso há alguns anos 
atrás?
4. Na tua localidade conheces algum lugar que passou por várias modifi -
cações? Conta-nos.
?
Quando vim morar em Luanda com os meus pais em 1926, eu tinha 5 anos. 
Vivíamos nas barrocas da Maianga. Em 1926 não havia ainda ruas feitas, 
havia alguns caminhos por onde as pessoas passavam e algumas ruas co-
meçaram a fazer-se. As casas eram todas de zinco e de madeira. 
O bairro que hoje se chama Maculusso, era um antigo cemitério dos afri-
canos (angolanos), que os portugueses partiram e construíram o bairro 
Maculusso. 
Nessa altura não havia carros - o único transporte eram as carroças e as 
tipóias. Eram os angolanos que puxavam as carroças onde andavam os co-
lonos portugueses. Os carros só apareceram mais tarde.
Na parte Central e Norte da cidade de Luanda só havia barrocas e lavras, 
mas a população era ainda muito escassa. Vi nascer aos poucos a cidade. 
Luanda cresceu muito entre 1945 e 1950. Muitas zonas, bairros (como os 
bairros da Ingombota e Maculusso) que hoje têm prédios, hospitais, esco-
las, ruas e avenidas, nasceram a partir de zonas que nào eram habitadas ou 
onde habitavam poucas pessoas e havia poucas construções.
16
1.2. A história e a vida das gerações
Todos nós temos uma história que pode ser conhecida e contada. Muitas 
pessoas viveram factos que hoje te podem contar. Os nossos pais, assim 
como todos os nossos familiares mais velhos do que nós, podem contarnos 
como era a vida anos atrás, no tempo colonial. Nesse tempo ainda não 
tinhas nascido. Era um tempo em que as crianças angolanas não tinham 
quase direitos nenhuns: não havia ainda muitas escolas, hospitais e esses 
serviços, não eram acessíveis à maior parte das crianças angolanas. 
No tempo colonial, as pessoas começavam a trabalhar enquanto mesmo 
crianças. A vida nesse tempo era muito difícil. Mas a tua geração é uma 
geração muito recente, é formada por todas as crianças da tua idade, umas 
mais novas outras mais velhas, mais um ano, menos um ano.
Mas o que é uma geração? Uma geração é um período de 25 anos.
As crianças de uma geração brincam e vestem-se da mesma maneira, fre-
quentam a escola ao mesmo tempo. Formam a geração mais nova, porque 
pouco tempo decorreu desde que nasceram. Por isso, cada um de vós tem 
uma história ainda pequena, que facilmente poderá recordar observando, 
por exemplo, os brinquedos que já não utiliza, a roupa que já não veste, as 
fotografi as que tirou quando era mais pequeno e quaisquer outros objectos 
usados anteriormente.
Na fi gura à tua direita podes ver uma senhora muito idosa, com muitas 
rugas e o cabelo branco. Estas são as marcas do tempo que já viveu. Ela 
nasceu antes de ti, dos teus pais, e até dos teus avós. Pode dizer-se que 
pertence à geração dos teus bisavós. Mas a essa senhora muito velha da 
fotografi a, desde que nasceu até agora, aconteceram muitas coisas. Ela 
mesma passou por várias modifi cações. Como ela já viveu muitos anos, 
sabe muito sobre o tempo passado. Por isso, poderá contar-te muitas 
coisas interessantes sobre a sua vida, a dos teus país e até a dos teus 
avós. Esta é a tua história. Fig. 4 Uma senhora 
muito idosa.
Tal como a história da senhora muito velhinha da fotografi a os aconteci-
mentos do nosso País também se sucederam no tempo. 
Muitas pessoas gostariam de conhecer o passado muito distante, de há 
centenas ou milhares de anos, ao longo dos quais se foi desenvolvendo 
o progresso que hoje permite aos seres humanos viverem melhor e mais 
confortavelmente.
17
Durante muitos séculos, o dia, as fases da lua e a repartição das estações 
do ano forneceram ao ser humano referências para a contagem do tempo 
e situar neste alguns dos factos que ocorriam.
Mas como podemos saber isso?
Para podermos situar os factos no tempo, isto é, sabermos quando 
aconteceram, precisamos de medir o tempo.
Como contamos o tempo
Antigamente, os homens contavam o tempo de várias maneiras: obser-
vando o regresso das chuvas, a presença diária do sol, a regularidade 
das fases da lua. Todas estas observações permitiam medir o tempo e 
dividir o ano em períodos.
O dia, as fases da lua e a repartição das estações do ano permitiram du-
rante muitos séculos situar no tempo alguns dos factos que aconteciam. 
Nestas sociedades antigas, cada pessoa calculava o tempo da sua famí-
lia a partir de si próprio. Este cálculo era fácil para a geração dos seus 
pais, mas para a geração dos seus avós já era mais difícil.
Todas estas contagens e medições do tempo têm o seu valor, e algumas 
ainda são utilizadas nos nossos dias em algumas sociedades.
Porém, como esses processos são pouco rigorosos, a maior parte dos 
povos têm como ponto de referência o nascimento de Jesus Cristo (os 
Árabes têm como ponto de referência a fuga de Maomé de Meca para 
Medina em, 622 d.C.). A partir daí, datamos os acontecimentos dizendo 
se ocorreram antes de Cristo ou depois de Cristo, e há quantos anos ou 
há quantos séculos.
1.3. Como contamos o tempo
18
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração 
 do aluno e seus ascendentes mais próximos
1.4.1. A geração do aluno
Dentro da linhagem de ascendentes e de 
descendentes de uma pessoa, uma geração 
é o conjunto de pessoas da mesma época, 
com, mais ou menos, a mesma idade. Por 
isso podemos falar, por exemplo, da gera-
ção dos fi lhos, dos pais ou dos avós.
A tua geração é a mais recente, e é compos-
ta por todas as crianças aproximadamente 
da tua idade, umas um pouco mais velhas 
ou mais novas que outras.
Se vives numa cidade, podes ob-
servar que circulam automóveis 
e autocarros a todo o instante. O 
trânsito é muito intenso, e em al-
guns cruzamentos é regulado por sinais luminosos automáticos, que são 
os semáforos. Para irem à escola, as crianças são acompanhadas pelos 
pais ou por pessoas mais velhas (irmãos, primos), para poderem atraves-
sar as ruas com segurança.
Algumas pessoas vivem em prédios, alguns com muitos andares. A maior 
parte das pessoas têm televisores a preto e branco ou a cores, e acompa-
nham os acontecimentos que se passam tanto no país como no mundo.
A maior parte das pessoas são funcionários públicos, e outros trabalham 
nas fábricas e empresas do Estado ou particulares.
Mas se vives numa aldeia ou numa vila podes observar que existe uma 
grande diferença entre elas e as grandes cidades. O movimento nas es-
tradas, caso a aldeia ou a vila esteja situada perto de uma, não é tão 
intenso. Passam automóveis, camiões, motorizadas e bicicletas. Por todo 
lado as pessoas escutam as notícias, a música e os relatos de futebol em 
rádios de pilhas.
A maior parte das pessoas trabalha da agricultura, algumas com a ajuda 
de tractores ou charruas puxadas por bois, e na criação de gado.
Fig. 5 Crianças da tua geração
19
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração 
 do aluno e seus ascendentes mais próximos
Quando os teus pais nasceram, há mais ou 
menos quarenta anos, a vida era diferente.
Na maior parte das cidades do nosso país 
não havia sinais luminosos, não se viam 
muitos autocarros, havia muito poucos au-
tomóveis que não eram tão luxuosos, boni-
tos e rápidos como os de hoje. Os prédios 
eram poucos, e a maior parte deles tinha 
poucos andares.
A agricultura não era tão mecanizada, quer 
dizer, não se utilizavam máquinas nem 
tractores. Não havia televisão, os aviões 
eram de hélice, e as locomotivas dos com-
boios funcionavam a carvão ou a lenha. 
Na época dos teus pais, quando chegava a idade de ir à escola, eram 
poucas as crianças angolanas que conseguiam ir à escola aprender a ler 
e escrever.
Nas cidades e nas vilas, as escolas eram principalmente para os fi lhos 
dos colonos. Poucos angolanos frequentavam essas escolas. Para eles, 
havia escolas para os indígenas.
No tempo colonial, muitos angolanos que conseguiam ir à escola estuda-
ram nas escolas missionárias. Os colonialistassó ensinavam a história de 
Portugal e a geografi a de Portugal, mas nós sabíamos que éramos an-
golanos, embora a nossa história e a nossa geografi a fossem ignoradas.
Fig. 6 A baía de Luanda nos anos de 1970.
Fig. 7 Uma escola missionária no Chibuto. Fig.8 Trabalho nas minas de diamantes 
(Lunda Norte).
1.4.2. A geração dos pais
20
Na era dos teus avós, as populações 
deslocavam-se geralmente a pé. Os 
comboios eram raríssimos. O avião 
era um meio de transporte também 
raro e muito caro.
Os nossos avós e bisavós eram obri-
gados a trabalhar pelos colonialistas 
nas fazendas de café, de sisal e de 
algodão. Ninguém podia recusar o tra-
balho nas plantações. Chamava-se tra-
balho forçado. A vida tornou-se muito 
difícil e havia muito sofrimento. 
1.4.3. A geração dos avós
Há cinquenta ou sessenta anos atrás, no tempo dos teus avós, a forma de 
viver era ainda mais diferente da actual. 
 Fig. 9 Fotografi a da geração dos avós.
 Fig. 9 Uma plantação de algodão.
O tempo dos teus avós, as estradas eram 
estreitas e de terra batida, e as pontes fei-
tas de troncos de árvores e de madeira. Foi 
por elas que circularam os primeiros auto-
móveis, muito vagarosos e de modelos que 
hoje nos fariam rir.
O governo colonial mandava recrutar homens e mulheres para trabalharem na cons-
trução de estradas, edifícios, pontes, linhas férreas e nas culturas obrigatórias (algodão, 
sisal e outras). Caso as pessoas se recusassem, vinham os cipaios para os prender e 
castigá-los. Do pouco dinheiro que ganhavam, ainda descontavam o pagamento do
imposto e a caderneta indígena.
Muitas pessoas perdiam os braços nas máquinas de algodão e de sisal. Regava-se o sisal, 
batia-se na máquina e puxava-se. Se não se puxasse com força e rapidez o sisal, o braço 
entrava com ele e cortava-se. Todo esse trabalho era feito com muita violência, pois era 
vigiado por um capataz que batia muito. As pessoas estavam cansadas destas coisas. 
Muita gente fugia para os países vizinhos: para República Democrático do Congo, ex-
Congo Leopoldville, República do Congo, ex-Congo Brazzaville, para a Zâmbia, en-
tãoRodésia do Norte, Zimbabwe, ex-Rodésia do Sul e Namibia, ex- Sudoeste Africano.
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração 
 do aluno e seus ascendentes mais próximos
21
Nas aldeias, os colonialistas mandavam prender todas as pessoas que se 
recusavam ao trabalho forçado. Se fugissem, quando fossem apanhados, 
batiam-lhes e metiam-os na prisão.
Fig. 11 Uma fábrica de sacaria.
Fig. 12 Caderneta indígena 
da era colonial.
Fig. 13 Companhia de cipaios da administra-
ção colonial portuguesa.
Os colonialistas pagavam aos trabalhadores 50 
angolares por mês. Trabalhava-se desde as seis 
da manhã até ao meio-dia, parava-se duas horas 
e continuava-se a trabalhar até às seis da tarde. 
Muitas vezes, toda a família, fi lhos e pais, traba-
lhava na mesma companhia. Mas às vezes ia só 
o pai, e os fi lhos e a mulher fi cavam para traba-
lhar nas lavras, onde pouco podiam fazer. O pou-
co que eles produziam só dava para comer.
Na década de 1940, no tempo das colheitas, 
o administrador mandava sacos vazios aos 
cipaios, que os entregavam de casa em casa. 
Os c;jpaios exigiam a quantidade que cada fa-
mília devia dar. Depois o cipaio levava todo o 
milho, feijão ou jinguba que produziam.
50 angolares equivale actualmente a 
50 Kwanzas.
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração 
 do aluno e seus ascendentes mais próximos
22
A situação dos trabalhadores 
africanos era igual em todas as 
outras colónias portuguesas. 
Nas cidades e nas povoações, 
muitos angolanos trabalhavam 
como criados nas casas dos co-
lonos e dos administradores por-
tugueses: eram chamados ser-
ventes.
Durante o tempo colonial, muitos 
angolanos foram obrigados a dei-
xar o país e ir para terras longín-
quas. Isto acontecia aos angola-
nos que cometiam delitos ou que 
se recusavam a pagar impostos.
Para quem trabalhava nas fábricas, a vida era também muito difícil. Os 
operários angolanos recebiam salários mais baixos do que os operários 
portugueses, mesmo quando faziam as mesmas tarefas.
Observa o quadro seguinte, retirado do livro Leitura por Moçambique, es-
crito por Eduardo Mondlane e publicado em 1969:
Fig. 14 Casa de fazendeiro, numa fazenda de co-
lonos em Angola
Fig. 15 Trabalhadores forçados em São Tomé
Muitos dos angolanos que eram presos 
pelos colonialistas eram enviados para 
as Ilhas de São Tomé e Príncipe ou, 
dentro do território, para Cabinda, para 
trabalhar nas plantações de cacau, de 
café e em serrações de madeira. Alguns 
deles, depois de cumprir a pena, volta-
vam à sua origem, mas muitos outros 
não regressavam nunca mais.
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração 
 do aluno e seus ascendentes mais próximos
Operários Salário por dia
Branco sem qualifi cação 100 000 angolares
Mestiço sem qualifi cação 70 angolares
Africano sem qualifi cação 5 angolares
23
1.4.4. A geração dos bisavós
Os teus bisavós viveram há mais ou me-
nos setenta ou oitenta anos. A forma de 
viver deles era totalmente diferente da 
dos teus avós e dos teus pais.
Na época dos teus bisavós, Angola já 
era uma colónia de Portugal. Tinha sido 
ocupada por estrangeiros há muitos 
anos atrás. Os mais velhos lembram-se 
de como os colonialistas portugueses os 
maltratavam. Contam que quando eram 
pequenos, eles e as outras crianças co-
meçavam a trabalhar muito cedo para 
ajudarem os pais no campo e tomar conta do gado e noutras tarefas.
Os angolanos viviam em aldeias (sanzalas) no campo, muito isoladas, e 
eram obrigados a trabalhar para os colonialistas sem receber nada em 
troca. Os colonialistas maltratavam muito os angolanos. Naquela época, 
os angolanos não tinham direito de ter escolas para aprender nem hospi-
tais para se tratarem quando estavam doentes. A vida era extremamente 
dura e difícil.
Foi a partir da geração dos teus bisavós que nasceu verdadeiramente o 
mundo moderno. As descobertas feitas nesta época, tais como a força a 
vapor, o gás para iluminação das casas e das ruas, a invenção do cinema 
e da fotografi a (há dois séculos atrás), revolucionaram o mundo. 
Com o tempo tudo foi melhorando, e muito do conforto com que vivemos 
hoje deve-se a todas as maravilhas que a inteligência dos seres humanos 
foi criando ao longo dos tempos.
Fig. 16 Imagem do tempo dos bisavós.
VÊ SE SABES...
1. Quem tinha ocupado Angola há muitos anos atrás?
2. Nessa época Angola já era um país soberano?
3. Os angolanos já viviam então nas grandes cidades?
4. Eles tinham direito a escolas e hospitais?
?
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração 
 do aluno e seus ascendentes mais próximos
24
25
TEMA 2.
A VIDA NO PASSADO E
NO PRESENTE
ESTRUTURA DO TEMA
 2.1. A habitação 
 2.2. A alimentação 
 2.3. O vestuário 
 2.4. As comunicações 
 2.5. Os transportes 
26
2.1. Habitação
Como podes observar nas gravuras acima, existem vários tipos de habi-
tação no nosso país, e os materiais utilizados na sua construção variam
segundo a região e as condições existentes.
Desde os tempos mais remotos, o homem teve sempre a necessidade de 
procurar abrigo para se esconder dos perigos, do vento, da chuva, dos 
animais ferozes e para descansar.
As primeiras habitações do homem foram 
as grutas, as cavernas, os abrigos cava-
dos nas rochas e os troncos de árvores 
escavados. Havia até quem passasse as 
noites empoleirado nas árvores para se 
proteger dos animais ferozes e dormir. 
Depois, começaram a ser construídas 
cabanas de troncos de árvores e folhas. 
Com o tempo, estes abrigos foram me-
lhorados, tornando-se mais perfeitos e 
confortáveis. Os materiais de construção 
utilizados também passaram a ser mais 
resistentes. 
Observa as gravuras seguintes:
TEMA 2. A VIDA NO PASSADO E NO PRESENTE
TIPO DE HABITAÇÃO NO NOSSO PAÍS
Fig. 1 Casas feitas de paus e cobertas de 
capim
Fig. 2 Casa de pau-a-pique
Fig. 3 Cavernas: As primeiras habita-
ções humanas.
27Repara que não foi só a tua aldeia, bairro ou casa que sofreu alterações, 
mas também outras localidades se modifi caram no decorrer dos anos. 
Pequenas vilas tornaram-se grandes cidades, outras tornaram-se gran-
des centros industriais. Hoje, nas cidades do nosso país (como Luanda, 
Benguela, Huambo, Huíla e muitas outras) encontramos grandes prédios 
e vivendas confortáveis. Nas zonas rurais ainda existem casas de adobe, 
pau-a-pique e capim.
Nas fi guras seguintes, podes ver como uma cidade pode mudar muito 
com o passar do tempo.
2.1. A habitação
Fig. 4 Casas de madeira
Fig.7 A cidade de Luanda no século XIX.
Fig. 5 Casas de blocos e tijolos
Fig.8 Nova vista da cidade de Luanda.
Fig. 6 Casas de betão e aço
VÊ SE SABES...
1. Vives na mesma localidade e na mesma casa onde nasceste?
2. Que materiais foram utilizados na construção da tua casa?
3. Além desses materiais existem outros na tua localidade?
4. Que modifi cações se verifi caram na tua localidade nestes
 últimos anos?
?
28
Como vês, no dia-a-dia verifi cam-se modifi cações no meio em que vive-
mos. Os homens procuram melhorar cada vez mais as suas condições 
de vida através do trabalho.
Hoje nós estamos rodeados de algum conforto graças às maravilhas que 
a inteligência dos homens foi criando ao longo dos anos.
2.2. A alimentação
Nos primeiros tempos da existência do homem, ele não produzia alimen-
tação para a sua sobrevivência. Vivia da recolecção, da caça e da pes-
ca, isto é, alimentava-se de frutos silvestres e de carne crua. Os primeiros 
humanos eram nómadas, isto é, andavam de lugar em lugar à procura 
de alimentos e de melhores condições de vida. Mais tarde tornaram-se 
sedentários, começaram a viver em grupos, criando uma melhor organi-
zação através da divisão social do trabalho.
Para caçarem ou para se defenderem dos animais ferozes, os homens 
criaram instrumentos que os ajudavam nas suas tarefas.
Os primeiros instrumentos fabricados pelo homem eram de pedra, de 
osso ou de madeira. Os objectos de pedra e de osso estavam munidos 
de um cabo de madeira, preso por fi bras vegetais ou peles de animais . 
Os primeiros homens não conheciam o fogo nem a sua utilidade. Com o 
passar do tempo descobriram o fogo e passaram a utilizá-lo para prepa-
rar os alimentos, que até aí eram comidos crus. Com o fogo, afugentavam 
também as feras, aqueciam e iluminavam as cavernas e as grutas, e en-
dureciam as pontas de paus para caçar e escavar o solo. O fogo, inicial-
2.1. A habitação
Fig.9 Exemplos dos primeiros tipos de instrumentos fabricados pelo homem. 
29
2.2. A alimentação
mente produzido pela fricção de duas pedras, era conservado com muito 
cuidado para que não se apagasse, pois era muito difícil obtê-lo. Muitas 
vezes havia guerras entre tribos ou povos para a obtenção do fogo, pois 
foi uma das maiores descobertas dos homens.
 A descoberta do fogo e a utilização de 
metais, principalmente do ferro, trouxeram 
profundas mudanças à vida do homem. Os 
homens aprenderam a transformar o miné-
rio em instrumentos para o trabalho (foices, 
enxadas, etc.) e para a guerra (arcos, fl e-
chas, lanças, etc.).
Estes instrumentos permitiram trabalhar 
melhor a terra e obter mais produções. O 
aumento da produção levou também ao 
aumento da população e, consequente-
mente, à procura de novas terras para satis-
fazer as necessidades cada vez mais cres-
centes da população.
Esta situação acabou por provocar grandes 
deslocações de populações, que par-
tiam em busca de lugares mais estáveis e 
com melhores condições de vida. Foi o que 
aconteceu com os povos Bantu, que estu-
daremos mais adiante.
Fig. 11 Instrumentos em metal
usados pelos homens primitivos.
Fig. 11 A utilização do fogo numa caverna
Fig. 12 Agricultura primitiva.
30
Desde tempos muito remotos, o homem começou a utilizar vestuário para 
cobrir o seu corpo. No entanto, o vestuário dos primeiros seres humanos 
era muito rudimentar. Usavam folhas de árvores, peles de animais selva-
gens e cascas de árvores fibrosas, simplesmente para cobrirem as partes 
essenciais do corpo, deixando o resto a descoberto.
2.3. O vestuário
Com a passagem do tempo, o homem começou a vestir-se de manei-
ra diferente, mas ainda hoje podemos encontrar em algumas regiões do 
nosso país pessoas que se vestem de maneira tradicional e outras de 
maneira europeia.
Fig. 13 Vestuário primitivo de peles de animais.
Fig. 15 Trajes de dança tradicional do sul
Fig. 14 Saia de fibras vegetais
Fig. 16 Traje de origem europeia.
31
Desde os primeiros tempos da sua existência, o homem sempre sentiu a 
necessidade de comunicar com os outros. Mas, nem sempre teve a grande 
diversidade de meios de comunicação que hoje estão ao nosso alcance.
No início, e de uma forma natural, só transmitiam mensagens a curta dis-
tância através de gestos e de linguagem. 
Por isso, o homem sempre se preocu-
pou com os problemas de comunica-
ção a longa distância. Numa primeira 
fase, a transmissão de mensagens a 
longa distância era feita através de 
batimentos de tambores, instrumentos 
de sopro, sinais de fumo, reflexos de 
espelhos e tochas acesas em lugares 
elevados. Só mais tarde apareceram 
os telégrafos e os telefones. Alguns 
dos meios de comunicação mais an-
tigos ainda hoje se usam em muitos 
países de África, da Ásia e da América 
Latina. 
Um outro meio utilizado pelo homem para o envio de mensagens foram 
os mensageiros (homens de recados), que transmitiam notícias, ordens 
e recados deslocando-se a pé, a camelo ou cavalo. Depois da invenção 
da escrita, os homens passaram a utilizá-Ia para o envio de mensagens, 
o que veio melhorar muito as possibilidades de comunicação entre os 
povos.
Actualmente temos meios mais rápidos, mais exactos e sofisticados que 
permitem emitir e receber mensagens num curto espaço de tempo. Os 
meios de comunicação hoje mais utilizados:
2.4. As comunicações
Fig. 18 Escrita egípcia.
Fig. 17 Tambor usado como meio comuni-
cação entre diferentes aldeias.
Fig. 19 Tipografia antiga
32
Actualmente temos meios mais rápidos, mais exactos e sofisticados que
permitem emitir e receber mensagens num curto espaço de tempo.
Os meios de comunicação hoje mais utilizados:
• Para transmitir a palavra escrita:
2.4. As comunicações
Fig. 20 E-mail.
Fig. 23 Telefone.
Fig. 26 Internet.
Fig. 21 Correio.
Fig. 24 Rádio.
Fig. 27 Televisão.
Fig. 22 Jornal.
Fig. 25 Telégrafo/Telex.
Fig. 28 Cinema.
• Para transmitir o som:
• Para transmitir imagens e som:
33
Depois da domesticação dos animais, o homem começou a utilizar a força
do boi, do burro, do cavalo ou do camelo para transportar produtos e pes-
soas. Assim surgiu a “zorra”. 
Com o passar do tempo, o homem foi melhorando os sistemas de trans-
portes. Em certas regiões, as pessoas começaram a colocar cargas sobre 
pranchas de madeira e troncos de árvores. Dessa forma, a deslocação de 
produtos era mais rápida.
Foi assim que surgiu a in-
venção da roda, quando 
se fez a ligação de dois 
pedaços circulares de ma-
deira através de um eixo. 
Depois da invenção da 
roda, surgiram os carros 
puxados por bois, burros 
ou cavalos. 
Os transportes terrestres
O homem sempre teve necessidade de se deslocar de um sítio para ou-
tro de uma forma cada vez mais rápida e transportando cargas cada vez 
mais pesadas. Tudo isso se tornou mais fácil a partir do momento em que 
fez duas descobertas importantes: a domesticação dos animais e a roda.
Antes destas descobertas, o homem tinha de se deslocar a pé, trans-
portando as suas cargas à cabeça, às costas ou aos ombros. Os chefes 
eram transportados em tipóias, carregados por escravos ou carregadores 
forçados a realizar esse trabalho.
2.5. Os transportes
Fig. 29 Transporte de cargas
Fig. 31 Um antogo carro puxado por cavalo
Fig. 30 Transporte dos chefes
34
Mais tarde, aplicou-se uma máquina a vapor ao carro e apareceram os pri-
meiros comboios rolando sobre carris de ferro. Em Angola, o primeiro com-
boio surgiu há cerca de 90 anos.
Finalmente, a invençãodo motor de explosão permitiu o fabrico de automó-
veis, camiões, tractores, etc. Os comboios também evoluíram, surgindo as 
locomotivas a óleos pesados e as locomotivas eléctricas.
Fig.32 Um comboio antigo. Fig. 33 Tractor e automóvel. Fig.34 Comboios eléctricos.
Fig.36 Jangada
Fig.35 Piroga ou canoa.
2.5. Os Transportes
Como acabámos de ver, os transportes terrestres têm melhorado à medida 
que as sociedades evoluem e têm necessidade de resolver os problemas 
que surgem, quer para a deslocação de pessoas quer para o escoamento 
de produtos.
Os transportes aquáticos
Certamente, um dia o homem primitivo deve ter 
reparado que a corrente das águas dos rios arras-
tavam troncos de árvores. Isto trouxe-lhe a ideia 
de utilizar um desses troncos para se deslocar rio 
abaixo. Assim nasceu a ideia de obter o primeiro 
meio de transporte aquático. Para obter mais es-
tabilidade, ligou vários troncos e construiu a jan-
gada. Depois escavou um tronco mais grosso e 
introduziu-se na cavidade. Foi a primeira piroga, 
movida por meio de paus ou remos compridos. 
No nosso país, ainda hoje se atravessam os rios 
e os lagos com estes transportes. Com o passar 
do tempo, o homem foi construindo barcos a 
remo e depois à vela. 
35
Fig.37 Um veleiro do fi nal dos anos 1800. Fig.38 Um moderno barco de passageiros.
Fig.39 Dirigível.
Fig. 40 Um avião de passageiros.
Fig. 41 Nave espacial americana
O tamanho e feitio dos barcos foram-se modifi cando, a fi m de poderem 
transportar confortavelmente grande quantidade de pessoas e mercado-
rias. Nos nossos dias, regra geral, existem navios com motores a óleos 
pesados que são mais rápidos e económicos.
Os transportes aéreos
Ao observar as aves voando de um lado para outro, 
o homem também criou o desejo de voar bem alto. 
Assim inventou o primeiro aparelho voador, que se 
chamou “dirigível” (uma espécie de balão grande). 
Para o dirigível levantar voo era preciso aquecer os 
gases no seu interior. Isto há quase um século.
Mais tarde, aperfeiçoando as tecnologias, inventou 
o avião e o helicóptero. Graças a uma série de 
outras invenções que permitiram aumentar a rapi-
dez, o conforto e a segurança, já há aviões que são 
capazes de se deslocar verticalmente e outros que 
transportam centenas de passageiros a velocidades 
supersónicas, cruzando os ares sobre continentes e 
oceanos.
Como consequência do desenvolvimento da avia-
ção, o homem dos nossos dias já vai à lua a bordo 
de naves espaciais.
Assim, com a descoberta das novas tecnologias, o 
sonho do homem de ir sempre cada vez mais longe 
tornou-se uma realidade.
2.5. Os transportes
36
37
TEMA 3.
ASPECTOS HISTÓRICOS DA
NOSSA LOCALIDADE
ESTRUTURA DO TEMA
 3.1. Os monumentos e sítios 
 3.2. O museu e o arquivo 
 3.3. As vias de comunicação 
 3.4. Aspectos culturas da localidade 
 3.4.1. Origem da população e do nome da localidade 
 3.4.2. As lendas e tradições, as principais línguas, 
 as actividades 
38
TEMA 3. ASPECTOS HISTÓRICOS DA NOSSA LOCALIDADE
3.1. Monumentos e sítios
Quem viaja no nosso país, de Ca-
binda ao Cunene ou do mar ao les-
te, encontrará certamente grandes 
construções, umas completas e ou-
tras parcialmente destruídas, mui-
to antigas e que retratam factos da 
nossa história. A todos estes ves-
tígios ou restos de obras deixados 
pelos nossos antepassados, quando 
reconhecidos, chamam-se monu-
mentos históricos. Cada um destes 
monumentos ensina-nos um pouco 
da nossa história.
Os monumentos são obras muito an-
tigas feitas pelos homens - por exem-
plo, as igrejas, os antigos palácios, as 
antigas fortalezas, estátuas, túmulos, 
muros, etc. Tanto podem estar em 
bom estado como em ruínas. 
No nosso país há muitos monu-
mentos históricos. Por exemplo, em 
Mbanza Kongo, na província do Zai-
re, encontram-se as ruínas da Igreja 
de São Salvador do Kongo, construí-
da em 1501, assim como o cemitério 
dos antigos reis do Kongo. 
Nessa mesma província, pode assi-
nalar-se também o padrão do Soyo, 
colocado na foz do rio Zaire pelo na-
vegador português Diogo Cão.
Em Luanda, no Huambo e em Ben-
guela encontram-se muitos monu-
mentos. Estes são mais recentes em
relação aos citados na província do 
Fig. 1 Ruínas da Igreja de São Salvador do 
 Kongo, em Mbanza Kongo.
Fig. 2 A Igreja de Nossa Senhora dos
 Remédios, Luanda.
Fig. 3 O Palácio de Ferro, em Luanda.
39
3.1. Monumentos e sítios
Zaire e estão, em geral, completos. 
Como monumentos mais antigos de 
Luanda, destacam-se a Igreja de 
Nossa Senhora da Nazaré, a Igreja 
do Carmo, a Igreja de Nossa Senho-
ra dos Remédios, o Palácio de Dona 
Ana Joaquina, o Palácio de Ferro, 
construído por Eiffel, e as prisões co-
loniais portuguesas.
Além dos edifícios, as estátuas cons-
tituem monumentos históricos mais 
recentes, como a Estátua das He-
roínas, em Luanda, representando 
Deolinda Rodrigues, Lucrécia Paím e 
Irene Cohen, que morreram durante 
a Luta de Libertação Nacional (1961-
1975).
Em Luanda, foi recentemente erguida 
a estátua do primeiro Presidente de 
Angola, Dr. António Agostinho Neto. 
É uma estátua gigantesca que se en-
contra no antigo Largo 1º de Maio, 
hoje Praça da Independência, local 
onde foi proclamada a independência 
de Angola a 11 de Novembrode 1975. 
Em todas as províncias de Angola 
existem edifícios, ruínas, estátuas, 
bustos e cemitérios que são monu-
mentos históricos.
Em Cabinda encontram-se a Igreja 
de Lândana e outros monumentos 
importantes.
No Huambo há várias estátuas que 
retratam o passado recente, entre 
elas a estátua de Norton de Matos, 
Fig. 4 Estátua das Heroínas Angolanas, em 
Luanda.
Fig. 5 Estátua do Dr, António Agostinho Neto,
em Luanda.
Fig. 6 A Igreja de Lândana, em Cabínda.
40
antigo Governador Geral da Provín-
cia de Angola e fundador da cidade de 
Nova Lisboa,actual cidade do Huambo.
Em Benguela encontram-se monu-
mentos como o Forte da Catumbela 
e o Edifício Antigo de Benguela, en-
tre outros.
No Cuanza-Sul encontra-se o For-
te do Ouicombo, e no Município da 
Quibala destacam-se túmulos de 
pedra muito antigos, chamados Túmulos da Quibala. Em Angola, além 
dos monumentos também abundam sítios históricos - locais onde se 
desenrolaram factos ou acontecimentos históricos. 
Por exemplo, a Colina da Ulunga, na Província do Uíge, foi onde se travou 
a Batalha de Ambuíla em 1665, entre os Portugueses e o Rei do Kongo. 
Em Kifangondo, Município de Cacuaco, Província de Luanda, foi o local
onde se travou a batalha entre o MPLA e a FNLA enquanto se proclamava
a Independência a 11 de Novembro de 1975.
3.1. Monumentos e sítios
Fig. 7 Estátua do Dr. Agostinho Neto
 no Huambo.
Fig. 8 O Forte da Catumbela.
Fig. 11 Os Túmulos da Quibala.
Fig. 9 O Forte do Quicombo.
Fig. 12 Monumento da Batalha de 
Quifangondo.
Fig. 10 A Batalha de Ambuíla.
41
Em algumas cidades e vilas do nosso país existem museus e arquivos.
Nos museus conservam-se objec-
tos autênticos, classifi cados e ver-
dadeiros que nos permitem conhe-
cer aspectos da vida do passado 
de Angola, tais como fotografi as, 
jóias, moedas, armas, utensílios 
domésticos ou agrícolas, móveis, 
peças de vestuário, objectos de 
cerâmica, máscaras, ferramentas,
etc.
Nos arquivos guardam-se docu-
mentos escritos que retratam a 
história do nosso passado, como 
mapas, livros antigos e modernos, 
testamentos, escrituras, revistas e 
jornais. Em Angola temos o Arqui-
vo Histórico Nacional em Luanda e
o Arquivo Provincial de Benguela.
3.2. O museu e o arquivo
Fig. 13 O Museu da Escravatura, em Luanda.
VÊ SE SABES...
Na localidade onde vives existe algum museu, arquivo ou monu-
mento histórico?
Já o visitaste? O que viste?
Caso não saibas, pergunta a quem te possa informar: o teu
professor ou outra pessoa mais velha.
?
42
3.3. As vias de comunicaçãoAs vias de comunicação sempre foram importantes na vida dos seres 
humanos. Os primeiros homens começaram por se deslocar a pé, percor-
rendo atalhos (picadas) à procura de alimentos para a sua sobrevivência. 
Ao caminhar tinham uma orientação que os levava de uma área para a 
outra. Foi assim que com a frequência da utilização de alguns atalhos se 
foram abrindo as vias de comunicação.
Ainda hoje se encontram mui-
tos atalhos ou picadas há 
muito usados pelas popula-
ções das aldeias (sanzalas) 
para se deslocarem de um lo-
cal para outro para irem às la-
vras, à caça, ao rio, etc.
Como a deslocação de um 
local para o outro foi sempre 
uma necessidade que o ho-
mem teve desde tempos re-
motos, isso levou o homem a 
abrir as vias de comunicação 
nos lugares onde circulava em 
benefício do seu bem-estar.
Além das vias de comunicação 
terrestres, o homem também 
utilizou as vias de comunica-
ção aquáticas. Fabricavam 
canoas ou pirogas e jangadas 
com troncos de árvores que 
navegavam nos rios e lagoas. 
Não se utilizavam as vias aé-
reas, porque naquela época o 
avião era muito raro e caro.
Após a ocupação de Angola pelos portugueses, estes começaram a abrir 
estradas, que no princípio eram de terra batida. Mais tarde, as estradas 
começaram a ser asfaltadas, trabalho esse que era realizado pelos nos-
sos antepassados, que desbravavam as matas e carregavam as pedras.
Fig. 14 Um atalho, ou picada.
Fig. 15 Pescador com piroga no rio Kuanza.
43
No período colonial existia um organismo responsável pela construção 
das estradas de Angola. Chamava-se Junta Autónoma das Estradas de 
Angola (JAEA), criada em 1960. Neste organismo trabalhavam muitos 
angolanos como contratados.
Depois da independência, os angolanos continuaram a utilizar todos es-
ses espaços terrestres, fl uviais, marítimos e aéreos como vias de comu-
nicação.
Durante o confl ito armado, as vias terrestres fi caram muito destruídas. 
Para melhorar as ligações 
entre as províncias, municí-
pios e comunas, o Governo
de Angola criou em No-
vembro de 1990 o Institu-
to Nacional das Estradas 
de Angola (INEA). O INEA 
participa na reconstrução e 
desenvolvimento nacional 
do país e desempenha um 
importante papel na cons-
trução das vias de comuni-
cação terrestres.
Actualmente, o Instituto das Estradas de Angola tem sob seu controlo a 
rede das estradas de todo o país. Uma das apostas do Instituto é a me-
lhoria da qualidade dos serviços da construção das estradas.
3.3. As vias de comunicação
Fig. 16 Uma modema estrada asfaltada em Angola.
Fig. 17 Construção de novas estradas
44
As vias de comunicação existentes em Angola ligam o nosso país aos 
países vizinhos: a República Democrática do Congo, a República do 
Congo-Brazzaville, a República da Zâmbia e a República da Namíbia. 
Deste modo, podemos estar ligados com outros países por via terres-
tre. Para outros países, também podemos usar as vias aéreas e marí-
timas para lá chegarmos.
Em qualquer parte do mundo, as vias de co-
municação sempre tiveram uma grande im-
portância no desenvolvimento do país e de 
uma determinada região. A sua instalação 
faz surgir centros urbanos, centros indus-
triais e agrícolas, permitindo a ligação dos 
diferentes pontos do país. Facilita a deslo-
cação das populações e o escoamento dos 
produtos agrícolas e outros. 
Nas vias de comunicação terrestre que mais 
contribuem para o desenvolvimento de um 
país encontramos as estradas e os caminhos-de-ferro. Em Angola desta-
cam-se o caminho-de-ferro de Luanda a Malange e o caminho-de-ferro de 
Benguela, que liga Angola à Zâmbia.
Fig. 18 Rios e suas
margens; espaço fl uvial.
Fig. 21 Interligação dos núcleos de
maior densidade entre si e o exterior.
Fig. 19 O Oceano Atlântico;
 espaço marítimo.
Fig. 20 Os céus;
 espaço aéreo.
Fig. 22 O Caminho-de-Ferro
 de Benguela.
3.3. As vias de comunicação
45
3.4.1. Origem da população e do nome da localidade
Existe muita diversidade cultural no nosso país. Cada região ou localida-
de de Angola possui um conjunto de tradições, formas de agir e de pen-
sar típico do seu povo, que se foram acumulando ao longo dos tempos e 
transmitidos de geração em geração.
Estas tradições têm a sua origem nos antepassados e estão ligadas às 
diversas actividades culturais de cada localidade. 
A cidade de Benguela é grande e tem muita população. A mesma situa-
ção verifica-se noutras cidades de Angola, como o Huambo, Saurimo, 
Luanda, Cabinda, etc. Cada localidade é habitada por pessoas. Tanto 
as localidades como as pessoas têm nomes próprios. Por exemplo, a 
localidade de Camabatela é habitada por muitos com o nome Mangoxi, 
enquanto o Bailundo tem muitos Epalanga, e encontramos no Namibe 
com frequência o nome Ananás. Podemos prolongar os nomes das loca-
lidades, bem como dos seus habitantes.
3.4. Aspectos culturais da localidade
Fig. 23 Placa de sinalização rodoviária
Porém, os nomes próprios (nomes das localidades, dos rios, das flores-
tas, das montanhas, dos sítios históricos e até das pessoas) têm um sig-
nificado por vezes difícil de explicar.
É importante conhecer as causas que deram origem à população e ao 
nome de uma determinada localidade. O mesmo pode acontecer com um 
bairro ou uma aldeia.
46
Com a fuga das populações durante o período da guerra no nosso país, 
as pessoas refugiaram-se em Luanda e foram formando bairros com no-
mes das suas províncias de origem. O mesmo aconteceu na era colonial. 
Os portugueses que para aqui vinham davam nomes das suas localida-
des de origem aos locais onde se instalavam.
Apresentamos seguidamente um pequeno texto que relata uma situação
real que aconteceu na região norte de Angola.
MAMAROSA é o nome de uma fazenda situada próximo de uma aldeia na província 
do Zaire. Foi fundada nos anos 50 pela família de colonos A. da Graça, que lá viveu até 
à proclamação da Independência de Angola em 11 de Novembro de 1975. A partir dessa 
data, o senhor A. da Graça desapareceu da região.
Todos acreditavam que ele teria morrido durante o período turbulento que se seguiu à 
independência do país. Era uma ilusão.
Vinte anos se passaram. Em 1995, na cidade de Aveiro, Portugal, encontrou-se um pré-
dio com as escritas: “Prédio MAMAROSA”. Este nome fez-nos lembrar não só a fazenda 
com o mesmo nome em Angola, como também o nome do senhor Amadeu da Graça, 
o suposto desaparecido. Encarregou-se alguém para procurar a localidade chamada de 
MAMAROSA em Portugal e Amadeu da Graça.
Passados três dias essa pessoa encontrou a freguesia de Mamarosa, e por sorte também 
encontrou o senhor Amadeu da Graça, antigo dono da fazenda em Angola, ainda vivo.
Três dias depois o senhor Amadeu convidou essas pessoas para a casa dele e explicou-lhes 
a origem do nome de Mamarosa de Angola, que, na verdade, não era de uma SEREIA 
como o povo contava, mas o nome da freguesia portuguesa de onde tinham vindo os 
fundadores dessa fazenda em Angola.
Fonte: P Nsiangengo
Este exemplo concreto e verdadeiro mostra que os nomes próprios têm 
vida, nascem, crescem e podem morrer se não se cuidar deles. Os no-
mes próprios transmitem-se de geração em geração. Eles são dados por 
várias razões: origem do fundador, por motivos de um acontecimento, um
antepassado ou mesmo uma moda.
Os nomes das pessoas, tais como Nzinga, Mabiala, Jamba, Epalanga, 
Kassinda, Caterça, Futi, Malamba, Lweje, Flora ou Coelho têm os seus 
3.4. Aspectos culturais da localidade
47
respectivos signifi cados. Os nomes de sítios ou lugares também têm a 
sua explicação e o seu signifi cado. Conversa com os mais velhos para te 
explicarem o signifi cado desses nomes.
3.4. Aspectos culturais da localidade
VÊ SE SABES...
Agora tenta contar os aspectos culturais da tua localidade orien-
tando-te pelas frases propostas pelos autores. Não te esqueças de 
organizar as matérias com o apoio do teu professor e de pessoas 
mais velhas e de propor a publicação do teu trabalho na tua escola.
1. O signifi cado e origem do teu nome.
2. O nome da tua localidade ea origem da sua população.
3. O nome de quatro localidades vizinhas e as suas respectivas 
 histórias.
4. A história das montanhas, grutas e pedras à volta da tua 
 localidade.
5. A história dos rios, lagoas e fl orestas da tua localidade.
SABIAS QUE...
• As lendas também podem ser entendidas como fábulas e contos.
• As lendas são verdadeiros museus, monumentos e ilustrações
 vivas.
• Podem ser narradas ou contadas, e geralmente tetminam com
 uma lição moralizadora e educativa.
• Existem em todas as famílias.
?
3.4.2. As lendas e tradições, as principais línguas, as actividades 
As principais manifestações culturais do nosso país variam de região para 
região e de povo para povo. Elas retratam a maneira de viver de um povo, 
a forma como enfrenta os seus problemas do dia-a-dia e como os resolve.
As lendas e tradições
As lendas e as tradições de um povo constituem a sua sabedoria popu-
lar, que os mais velhos têm sabido transmitir às novas gerações.
48
3.4. Aspectos culturais da localidade
Fig. 24 Pescadores. Fig. 25 Criador de gado.
Em Angola, um mais velho é considerado uma biblioteca porque conser-
va conhecimentos de tudo aquilo que os seus antepassados conheceram 
e transmitiram. Estas bibliotecas populares e activas circulam pelas al-
deias e chegam a todos.
A tradição oral foi sempre uma grande riqueza cultural. É uma cultura 
verdadeira que abrange todos os aspectos da vida dos angolanos. As 
lendas africanas têm uma grande importância cultural.
As principais línguas 
As línguas são o meio de comunicação particular utilizado por cada povo 
de África. Em Angola existem várias línguas que identifi cam a origem de 
cada um dos seus povos. A utilização da língua através da palavra é tam-
bém o meio que os africanos usam para compor a sua história. É através 
da palavra que as tradições dos nossos antepassados são transmitidas 
de geração em geração.
As actividades
Já reparaste que cada região tem a sua importância cultural? Isto obser-
va-se através das suas actividades diárias.
Em Angola desenvolvem-se várias actividades que podem ser agríco-
las, pastorícias, pesqueiras, artesanais, artísticas e outras. Todas 
elas são importantes para a sobrevivência das populações das diversas 
localidades.
49
3.4. Aspectos culturais da localidade
Fig.28 Cestaria artesanal de Luanda.
Fig.26 Festa tradicional.
Fig. 29 Estatuetas de madeira.
Fig. 27 Uma dança Mumuíla.
É comum encontrar-se numa região, sobretudo nas aldeias, adultos que 
praticam actividades de pesca ou pastorícia que enquanto crianças her-
daram dos seus pais. Outras actividades que retratam os hábitos e cos-
tumes dos povos de uma determinada localidade são as manifestações 
culturais. Estas podem ser festas e danças tradicionais que retratam a 
cultura de um povo.
Algumas festas que ainda são conservadas e acontecem em quase todo 
o nosso território nacional são as festas da circuncisão, da puberdade, do 
casamento e outras. Uma das festas que também é celebrada em todo o 
país é o Carnaval.
Em certas regiões, ainda hoje se continuam a fazer utensílios a partir de 
modelos antigos, como esteiras, panelas e pratos de barro, pentes, es-
tatuetas de madeira, instrumentos de ferro, máscaras e outros objectos 
artesanais.
Todas essas actividades representam algo ligado ao nosso povo e cons-
tituem um conjunto de actividades e tradições transmitidas ao longo das
gerações.
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51
TEMA 4.
ANGOLA HÁ MUITOS, MUITOS ANOS
ESTRUTURA DO TEMA
 4.1. Os primeiros habitantes do actual território angolano 
 • Os Pigmeus
 • Os Khoissan
 • Os Vátuas e Kuisses
 
 4.1.1. Principais acpectos da vida dos Khoissan
 4.1.2. Manifestação artísticas 
 4.2. A chegada dos Bantu a e oucupação dos territórios actuais 
 4.2.1. Migrações 
 4.2.2. Grupos etno-linguísticos bantu 
 
 4.3. Os primeiros reinos 
 4.3.1. Reino do Kongo 
 4.3.2. Reino do Ndongo 
52
TEMA 4. ANGOLA HÁ MUITOS, MUITOS ANOS
4.1. Os primeiros habitantes do actual
 território angolano
• Os Pigmeus
• Os Khoissan
• Os Vátuas e Kuisses
SABIAS QUE...
• A população angolana de hoje forma um 
 só povo e uma só nação, mas isto não foi 
 sempre assim.
• Houve um tempo em que o território 
 angolano actual era habitado por vários 
 povos que muitas vezes eram inimigos 
 uns dos outros.
• Algumas partes do actual território Norte e Nordeste de Angola 
 (Cabinda, Zaire, Uíge e Lunda-Norte) foram habitadas por 
 Pigmeus.
ESCLARECER...
Os Khoissan apresentam as seguintes 
características:
• pele castanha avermelhada ou amarela;
• molares salientes;
• olhos oblíquos;
• nariz chato;
• cabelo grau pimenta
• estrutura média de 1,52 m.
Os Khoissan são um povo de raça negra, 
não bantu.
Fig. 1 Mulher pigmeu 
angolana
Fig.2 Um Khoissan
(Bosquiman).
O povo mais antigo que habitou o território angolano há milhares de anos, 
foi o dos Khoissan. Estes, viveram sempre em tribos sob a forma de co-
munidade primitiva na zona de savana.
53
4.1. Os primeiros habitante do actual território angolano
Os outros povos mais antigos foram os 
Vátuas (Kwepes e Kuissis), que falam 
uma língua do grupo Khoissan.
Hoje, os Khoissan encontram-se na 
Província do Namibe, no Sul de Angola
e fazem parte do actual povo angolano.
4.1.1. Principais aspectos da vida
dos Khoissan
Os Khoissan viveram sempre em tribos, 
sob a forma de comunidade primitiva. 
O seu ambiente natural era a região da 
savana, própria à sua subsistência.
Os Khoissan sobrevivem recorrendo à 
caça e à recolecção, sendo conhecidos 
como grandes caçadores. Muitas vezes 
vendiam carne aos seus vizinhos, em 
troca de outros alimentos e de utensí-
lios. As suas armas eram pequenos ar-
cos de fl echas envenenadas.
4.1.2. Manifestações artísticas
Em termos de arte, os Khoissan fa-
zem pinturas e esculturas na rocha, 
nas quais retratam cenários de guerra, 
caça, dança e cerimónias religiosas.
Fig.3 Mapa de Angola, destacando-se a 
verde a província do Namibe.
Fig. 4 Khoissan com arco e fl echa.
Fig. 5 Pinturas rupestres do 
Tshitundo Ulu.
 VÊ SE SABES...
1. Cita os nomes dos primeiros
 habitantes do território
 angolano.
2. Qual foi o primeiro povo que
 ocupou o territórlo angolano?
3. Em que província podemos
 encontrar os Khoissan?
?
54
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais
4.2.1. Migrações
 SABIAS QUE...
• As migrações são grandes deslocações realizadas por povos in-
teiros de um lugar para o outro, à procura de melhores condições 
de vida.
• As migrações podem ter como causas alterações climaticas 
(desertifi cação de uma região), lutas internas, fome, procura de 
melhores condições de vida, etc. Os povos Bantu começaram 
a emigrar para o actual território de Angola antes de 1200, e as 
últimas migrações ocorreram nos anos de 1800.
Fig. 6 Mapa de África com o percurso migratório dos povos Bantu.
55
4.2.2. Grupos etno-línguisticos bantu
As populações de origem bantu formaram em Angola nove etnias, ou 
povos, que são: Bakongo, Nganguela, Nyaneka-Humbe, Herero, Lunda-
-Kioko (Côkwe) , Ovambo, Ambundo, Umbundu e Xindonga. Cada um 
destes povos possui a sua própria língua. É por esse motivo que são 
chamados grupos etno-linguísticos. Todos eles já possuíam técnicas de 
trabalho com o ferro e praticavam a agricultura.
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais
Fig. 7 As migrações bantu em Angola.
56
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais
Fig. 8 Deslocações do grupo Bakongo.
Fig. 10 Deslocações dos grupos dos 
Nyanekas e dos Hereros.
Fig. 9 Deslocações do grupo Ngangela.
A partir dos anos de 1200, o grupoBakongo atravessou o rio Zaire (ou rio 
Congo) e instalou-se na sua margem 
esquerda. Caminhando para sul, este 
povo foi-se fi xando em áreas já antes 
ocupadas pelos Ambundo.
A partir dos anos de 1400 ou do iní-
cio dos anos de 1500, os Nyanekas (ou 
Vanyanekas) povos de pastores, entra-
ram pelo Sul de Angola, atravessaram o 
Cunene e instalaram-se no planalto da 
Huila. Nesses anos entraram também 
os Hereros.
A partir dos anos de 1300, alguns 
homens do grupo Nganguela des-
locaram-se para oeste e atravessa-
ram o Alto Zambeze até ao Cunene.
57
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais
Fig. 11 Deslocações do grupo Lunda.
Fig. 13 Deslocações do grupo dos 
Côkwe,depois de abandonarem a Lunda.
Fig. 12 Deslocações do grupo dos Ovambos.
Entre 1500 e 1600 começaram a chegar 
à região da Lunda povos caçadores, os 
Côkwe (ou Tchokwe), vindos do pla-
nalto de Luba.
Nesses mesmos anos, os Côkwe aban-
donaram o Katanga, atravessaram o rio 
Cassai e vieram instalar-se na Lunda, 
no Nordeste angolano. Mas os Lundas 
vieram cobrar impostos ao povo re-
cém-chegado, e os Côkwe voltaram a 
emigrar, principalmente para o sul.
Entre 1700 e 1800, entraram no território 
angolano os Ovambos (ou Ambos). Este 
povo deixou o seu território no Baixo-
Cuango e veio instalar-se entre o rio Al-
to-Cubango e o rio Cunene. Os Ovambos 
eram grandes mestres a trabalhar o ferro.
58
Fig. 14 Deslocações do grupo dos Kwan-
gali, ou Kuangares.
Finalmente, entre 1800 e 1900, apa-
rece o último povo que veio insta-
lar-se em Angola - os Ovo Kwan-
gali (ou Kuangares).
Cada uma das etnias referidas falava a sua língua materna, como 
o Kimbundu, o Kikongo, o Nganguela, o Côkwe, o Cuanhama ou o 
Oshiwambo.
 VÊ SE SABES ...
• O que entendes por migração?
• Quando se iniciaram as migrações Bantu?
• Localiza no mapa da página 54 o local de onde saiu o povo Bantu.
• Precisamente, de onde veio o povo Bantu?
• Escreve verdadeiro (V) ou Falso (F) nas seguintes afi rmações:
 a) Os Kwepes, Vatuas e Khoisan são povos Bantu.
 b) Os Bakongo, Nganguela, Côkwe e Umbundo 
 são povos Bantu.
 c) Os Zulu, Azande e Nilotico Berbere são povos Bantu.
?
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais
59
À medida que ocorriam as migrações 
cada um desses povos bantu que 
vieram ocupar uma porção do actual 
território de Angola organizou-se até 
formar inportantes reinos
Os principais reinos formados antes 
da ocupação europeia foram o Rei-
no do Kongo, o Reino do Ndon-
go, o Reino de Kassanje, o Reino 
de Matamba, o Reino da Lunda, o 
Reino do Bailundo, e o Reino de 
Kwanyama.
Este ano vamos estudar o Reino do 
Kongo, e o Reino do Ndongo
Fig. 15 Mapa dos primeiros reinos de Angola
Fig. 15 Mapa do Reino do Kongo
 SABIAS QUE...
• O primeiros Estado bantu formado na costa ocidental de África foi o 
Reino do Kongo
• Este reino foi fundado no periodo entre 1200 e 1300 por Ntinu Wene 
Wa Kongo (Nimi-a-Lukeni)
• O Reino do Kongo tinha como capital Mbanza-Kongo
4.3.1. O Reino do Kongo
O Reino do Kongo era muito grande 
e tinha como limites:
• a norte, o rio Ogoué no Gabão;
• a sul, o rio Cuanza;
• a leste, o rio Cuango, afl uente do 
Zaire;
• a oeste, era banhado pelo ocea-
no Atlântico
4.3. Os primeiros reinos
60
O Reino do Kongo era poderoso e bem organizado. Tinha uma economia
muito desenvolvida. Praticavam-se a agricultura, o artesanato, a caça, os
trabalhos de ferro e a exploração de minas.
A agricultura e o artesanato
O antigo povo do Kongo cultivava massango, feijão, massambala, banana, 
inhame e outros produtos. O trabalho principal era feito pelas mulheres. Os 
artesãos fabricavam armas, cerâmica e outros utensílios. Formavam pe-
quenas indústrias derivadas da caça, da pesca e do artesanato (escultura).
4.3. Os primeiros reinos
O comércio
Nos mercados locais do rio Zaire e da costa do oceano trocavam-se os 
principais produtos: sal, ferro, tecidos de ráfi a, peles e produtos alimenta-
res. Este tipo de comércio era conhecido por permuta. Mais tarde, a troca
de produtos era feita com a principal moeda: o nzimbu. 
O nzimbu eram conchas apanhadas 
ou colhidas na Ilha de Luanda e depois 
escolhidas. Eram de vários tamanhos: 
grandes, médias e pequenas, tendo 
cada uma o seu valor. Era com nzim-
bu que se pagavam todas as despesas 
administrativas correntes do Reino do 
Kongo, dos soldados e dos funcioná-
rios, entre outras. A Ilha de Luanda era 
o “banco” do rei do Kongo, e a sua 
exploração pertencia-lhe. Fazia-se 
Fig. 17 Uma mulher a cultivar. Fig. 18 Trabalhadores de ferro.
Fig. 19 Moeda nzimbu.
61
também comércio por terra e eram frequentes as trocas com os reinos 
vizinhos. 
As classes sociais
Os habitantes do Reino do Kongo 
formavam a sociedade Kongue-
sa, constituída por duas grandes 
classes: a nobreza e o povo. Por 
vezes, estas classes eram inimi-
gas uma da outra.
O povo vivia em comunidades 
aldeãs (sanzalas) e defendia a 
propriedade das terras, dos rios, 
dos palmares e das fl orestas.
Dentro da nobreza destacavam- 
-se duas camadas: uma formada 
pela família real e funcionários 
de Estado, e outra pelos chefes 
tradicionais das populações 
mbundu, dominadas pela pri-
meira (chefes da terra e chefes 
religiosos).
Era o chefe da aldeia que distri-
buía a cada família as terras para
o cultivo.
O povo era obrigado a pagar um 
tributo sobre as colheitas, reco- 
Ihido pelos funcionários reais (Mani). Os homens podiam ser recrutados 
pelos Mani para trabalhos colectivos, tais como a abertura de caminhos, 
construção de residências de nobres ou combate nos exércitos.
Os escravos, pouco numerosos, eram usados sobretudo nos serviços 
domésticos das famílias nobres, no transporte de mercadorias, na forma-
ção de guardas pessoais da aristocracia e na produção agrícola.
4.3. Os primeiros reinos
Fig.20 Cerimónia tradicional Konguesa.
Fig. 21 Ilustração de um aristocrata Konguesa.
62
No Reino do Kongo, como noutros reinos da África Negra, o escravo era 
considerado como pessoa e não como objecto, podendo ocupar por ve-
zes funções importantes na família, na aldeia ou na sociedade.
 ESCLARECER ...
• O rei do Kongo tinha poder absoluto: podia declarar a guerra 
e castigar as pessoas.
• Os aristocratas, chamados Mani, eram os chefes da admi-
nistração das províncias e dos distritos do Reino do Kongo.
• Eram os Manis que ocupavam os lugares de comando militar, 
administrativo e religioso, o que lhes dava grande riqueza.
• Os Manis também cobravam impostos, recrutavam gentes 
para o exército, para os trabalhos da comunidade e do rei. 
Eram ainda os juízes da região, presidindo à justiça.
A organização do Reino do Kongo
O Reino do Kongo estava dividido em seis províncias.
• Mpemba era a província onde se encontrava a capital do reino, Mban-
za Kongo, e residia o rei.
O Reino do Kongo foi um dos mais organizados da África Austral, e por 
sinal o primeiro reino africano que enviou um representante a Roma como 
embaixador - o fi lho de Mvemba Nzinga.
• As outras províncias do Reino do Kongo eram Soyo, Mbata, Mbamba, 
Nsundi e Mpangu, que eram governaâas pelos seus próprios Manis. 
Cada uma destas províncias estava dividida em unidades administra-
tivas, chamadas de vata - aldeia.
Além dessas seis províncias, havia reinos vizinhos tributários que paga-
vam impostos ao rei do Kongo. Os principais eram Ngola e Matamba, a 
sul, e os reinos de Loango, Ngoyo e Kakongo, a norte.
4.3. Os primeiros reinos
63
4.3. Os primeiros reinos
Fig.22 Mapa mostrando a divisão administrativa do Reino do Kongo.
Fig. 23 Gravura retratando a
Batalha de Ambuíla.
A decadência do Reino do 
Kongo começou depois da 
Batalha de Ambuíla, em 1665, 
altura em que o rei do Kongo, 
Vita-a-Nkanga (Mani Mulaza), 
conhecido por Dom Antônio I, 
foi vencido pelos Portugueses, 
já no período colonial.
64
4.3. Os primeiros reinos
4.3.2. O Reino do Ndongo
O Reino do Ndongo tinha como limites:
• a norte, o rio Dande e as terras

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