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Conceito e Finalidade da Tutela Provisória 
A tutela provisória é um mecanismo do processo civil brasileiro que visa garantir 
uma proteção judicial rápida e provisória a um direito que esteja em risco 
devido à demora do processo regular. Ela pode ser concedida quando há 
urgência ou evidência de um direito, sendo que essa tutela é temporária até que 
o juiz profira uma decisão final no mérito da ação. Está regulamentada nos arts. 
294 a 311 do CPC. 
Espécies de Tutela Provisória 
De acordo com o art. 294 do CPC, a tutela provisória pode ser de urgência ou da 
evidência: 
1. Tutela de Urgência: Pode ser antecipada ou cautelar, conforme o art. 300 
do CPC. 
o Tutela Antecipada: Visa antecipar os efeitos da decisão de mérito 
quando há prova inequívoca do direito e o perigo da demora 
(periculum in mora), permitindo ao autor alcançar o objeto da 
demanda antes do julgamento final. A concessão de uma tutela 
antecipada depende da probabilidade do direito (fumus boni 
iuris) e do risco de dano irreparável. 
o Tutela Cautelar: Tem como objetivo garantir a eficácia do resultado 
final do processo, assegurando que o direito do autor não seja 
comprometido durante a tramitação. Ela visa preservar a utilidade do 
processo, não satisfazendo diretamente o direito material. 
2. Tutela da Evidência: Prevista no art. 311 do CPC, essa tutela pode ser 
concedida quando o direito do autor estiver bem demonstrado por prova 
documental, ou quando o réu não apresentar contestação, ou quando 
houver tese firmada em jurisprudência, sem necessidade de urgência. 
Não é necessário risco de dano iminente para a sua concessão. 
Antecedente ou Incidental 
A tutela provisória pode ser requerida antecedente ou incidentalmente (art. 294, 
parágrafo único do CPC): 
• Tutela Antecedente: É solicitada antes do início do processo principal, 
com o objetivo de garantir a efetividade da ação antes de seu julgamento. 
Nos casos de tutela de urgência antecipada, o art. 303 do CPC trata dos 
requisitos específicos, como a necessidade de confirmação da medida na 
inicial definitiva. 
Art. 303. Nos casos em que a urgência for contemporânea à propositura da 
ação, a petição inicial pode limitar-se ao requerimento da tutela antecipada e à 
indicação do pedido de tutela final, com a exposição da lide, do direito que se 
busca realizar e do perigo de dano ou do risco ao resultado útil do processo. 
§ 1º Concedida a tutela antecipada a que se refere o caput deste artigo: 
I - o autor deverá aditar a petição inicial, com a complementação de sua 
argumentação, a juntada de novos documentos e a confirmação do pedido de 
tutela final, em 15 (quinze) dias ou em outro prazo maior que o juiz fixar; 
II - o réu será citado e intimado para a audiência de conciliação ou de mediação 
na forma do art. 334 ; 
III - não havendo autocomposição, o prazo para contestação será contado na 
forma do art. 335 
§ 2º Não realizado o aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo, o 
processo será extinto sem resolução do mérito. 
§ 3º O aditamento a que se refere o inciso I do § 1º deste artigo dar-se-á nos 
mesmos autos, sem incidência de novas custas processuais. 
§ 4º Na petição inicial a que se refere o caput deste artigo, o autor terá de indicar 
o valor da causa, que deve levar em consideração o pedido de tutela final. 
§ 5º O autor indicará na petição inicial, ainda, que pretende valer-se do benefício 
previsto no caput deste artigo. 
§ 6º Caso entenda que não há elementos para a concessão de tutela 
antecipada, o órgão jurisdicional determinará a emenda da petição inicial em 
até 5 (cinco) dias, sob pena de ser indeferida e de o processo ser extinto sem 
resolução de mérito. 
• Tutela Incidental: É requerida no curso de um processo já em 
andamento, podendo ser solicitada a qualquer tempo, como previsto no 
art. 295 do CPC. 
Requisitos para Concessão 
De acordo com o art. 300 do CPC, os requisitos principais para a concessão da 
tutela provisória de urgência são: 
1. Fumus boni iuris: Probabilidade do direito. 
2. Periculum in mora: O risco de dano ou de ineficácia do provimento final. 
Além disso, o art. 311 do CPC trata da tutela da evidência, onde a urgência não é 
necessária, sendo concedida em situações como abuso do direito de defesa ou 
atraso manifesto do réu. 
Art. 311. A tutela da evidência será concedida, independentemente da 
demonstração de perigo de dano ou de risco ao resultado útil do processo, 
quando: 
I - ficar caracterizado o abuso do direito de defesa ou o manifesto propósito 
protelatório da parte; 
II - as alegações de fato puderem ser comprovadas apenas documentalmente e 
houver tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em súmula 
vinculante; 
III - se tratar de pedido reipersecutório fundado em prova documental adequada 
do contrato de depósito, caso em que será decretada a ordem de entrega do 
objeto custodiado, sob cominação de multa; 
IV - a petição inicial for instruída com prova documental suficiente dos fatos 
constitutivos do direito do autor, a que o réu não oponha prova capaz de gerar 
dúvida razoável. 
Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o juiz poderá decidir 
liminarmente. 
Provisoriedade e Revogação 
A tutela provisória, como o nome sugere, é temporária e pode ser revogada ou 
modificada a qualquer tempo, conforme art. 296 do CPC, caso as condições que 
fundamentaram a sua concessão se alterem. Essa provisoriedade está atrelada à 
sua natureza de proteção temporária até o julgamento final. 
Distinção entre Tutela Antecipada e Cautelar 
A doutrina faz uma distinção importante entre a tutela antecipada e a tutela 
cautelar: 
• Tutela Antecipada: Visa antecipar os efeitos da sentença, satisfazendo o 
direito do autor. 
• Tutela Cautelar: Tem como objetivo assegurar o resultado útil do 
processo, prevenindo um dano irreparável enquanto o mérito não é 
julgado. 
Competência e Fundamentos 
A competência para apreciar pedidos de tutela provisória segue as regras gerais de 
competência processual, como previsto no art. 299 do CPC. Já a decisão que 
concede ou nega a tutela provisória deve ser sempre fundamentada de acordo com 
os princípios constitucionais, como exige o art. 298 do CPC. 
Possibilidade de uso de cada tipo de tutela provisória 
• Tutela de Urgência Antecipada e Tutela de Urgência Cautelar: Podem ser 
utilizadas tanto antes do processo (na forma de tutela antecedente) quanto 
durante o processo. Seu objetivo é assegurar o direito ou antecipar seus 
efeitos durante o curso da ação, mas deixam de ser aplicáveis após a 
decisão de mérito final. 
• Tutela da Evidência: Somente pode ser utilizada durante o processo 
(após a apresentação de provas iniciais) até antes da sentença. Ela não 
depende da urgência e é concedida quando o direito do autor é evidente, 
seja por prova documental ou pela inércia do réu. 
Requisitos para cada espécie de tutela provisória 
1. Tutela de Urgência 
A tutela de urgência pode ser antecipada ou cautelar, e ambas exigem a presença 
de dois requisitos essenciais, conforme o art. 300 do CPC: 
• Fumus boni iuris (probabilidade do direito): O autor deve demonstrar que há 
elementos que indicam uma alta probabilidade de que ele tenha razão no 
mérito da ação. 
• Periculum in mora (risco de dano ou perigo na demora): Deve haver a 
demonstração de que a demora na prestação jurisdicional poderá causar 
dano grave, de difícil ou impossível reparação. 
a) Tutela de Urgência Antecipada 
• Satisfatividade: Visa antecipar os efeitos da sentença de mérito. A parte 
busca que o direito seja garantido de forma imediata, antes da decisão final. 
• Reversibilidade: A tutela não pode ter efeitos irreversíveis, ou seja, ela 
deve permitir que a situação anterior seja restabelecida caso a decisão final 
seja contrária ao autor (art. 300, §3º do CPC). 
b) Tutela de Urgência Cautelar 
• Instrumentalidade: Visa assegurar o resultado útil do processo. O objetivo 
é garantir a eficácia da decisão final, protegendo odireito contra riscos de 
sua ineficácia. 
• Necessidade de preservação do direito: Busca proteger a parte contra 
algum dano enquanto o processo tramita, sem necessariamente conceder 
o direito material pretendido. 
2. Tutela da Evidência 
Diferentemente da tutela de urgência, a tutela da evidência não requer a 
demonstração de perigo de dano ou urgência. Seus requisitos estão estabelecidos 
no art. 311 do CPC, e ela pode ser concedida quando: 
• Abuso do direito de defesa ou manifesto propósito protelatório do réu 
(art. 311, I do CPC). 
• Prova documental que demonstre fatos incontroversos ou uma tese 
firmada em jurisprudência vinculante (art. 311, II do CPC). 
• Tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou súmula vinculante, 
que fundamente o pedido do autor (art. 311, III do CPC). 
• Pedido reipersecutório (relacionado à posse de bens móveis ou imóveis) 
baseado em prova documental adequada, quando o réu não apresenta uma 
contestação válida (art. 311, IV do CPC). 
Comparação dos Requisitos: 
Tipo de 
Tutela 
Requisitos Detalhes 
Tutela de 
Urgência 
Fumus boni iuris (probabilidade do 
direito) e Periculum in mora (risco de 
dano) 
Depende da urgência e do 
perigo de ineficácia da 
decisão final. 
Tutela 
Antecipada 
Satisfatividade e reversibilidade 
Visa antecipar o direito 
antes da decisão final, 
desde que não seja 
irreversível. 
Tutela 
Cautelar 
Instrumentalidade e necessidade de 
preservação do direito 
Visa garantir que a decisão 
final seja útil, assegurando o 
direito durante o processo. 
Tutela da 
Evidência 
Prova documental ou tese firmada em 
jurisprudência, abuso do direito de 
defesa, ou pedido reipersecutório 
Concedida sem 
necessidade de urgência, 
baseada na evidência clara 
do direito. 
 
A estabilização da tutela provisória de urgência antecipada, prevista no art. 304 
do Código de Processo Civil (CPC), ocorre quando a tutela antecipada é 
concedida em caráter antecedente e o réu não recorre da decisão que a 
concedeu. Se o réu não interpor recurso (ou não apresentar contestação) contra 
essa decisão dentro do prazo legal, a tutela antecipada torna-se estável, e o 
processo não prossegue para uma decisão final de mérito, consolidando a situação 
provisória como definitiva, desde que não seja posteriormente contestada em outra 
ação. 
Condições para a Estabilização 
1. Concessão de tutela antecipada antecedente: A estabilização só ocorre 
nas hipóteses em que a tutela antecipada é concedida antes da 
instauração do processo principal, ou seja, de forma antecedente, 
conforme o art. 303 do CPC. 
2. Ausência de recurso ou contestação pelo réu: A estabilização só ocorrerá 
se o réu não recorrer ou contestar a concessão da tutela dentro do prazo 
legal. Se o réu não toma essas medidas, a decisão inicial passa a produzir 
efeitos definitivos, sem a necessidade de continuidade do processo. 
3. Estabilidade dos efeitos: Conforme o art. 304, §1º do CPC, a tutela 
estabilizada não faz coisa julgada material, ou seja, ela não impede que 
o processo seja reaberto. No entanto, enquanto não for revogada, os 
efeitos da tutela concedida permanecem. 
Características Importantes: 
• Não faz coisa julgada material: A decisão que concede a tutela estabilizada 
pode ser revista em outro processo. Tanto o autor quanto o réu podem, 
posteriormente, ingressar com uma ação para discutir o mérito da questão, 
conforme o art. 304, §2º do CPC. No entanto, enquanto isso não acontecer, 
os efeitos da decisão inicial permanecem. 
• Possibilidade de ação revisional: Se uma das partes desejar contestar a 
decisão estabilizada, pode entrar com uma ação dentro do prazo de 2 anos, 
conforme o art. 304, §5º do CPC. Decorrido esse prazo, a estabilização da 
tutela se consolida definitivamente, sem possibilidade de revisão. 
• Extinção do processo: Caso a tutela seja estabilizada, o processo será 
extinto sem resolução de mérito, conforme art. 304, caput, do CPC, uma 
vez que o objeto da demanda já foi atendido pela tutela antecipada. 
Resumo do Processo de Estabilização: 
1. Pedido de tutela antecipada antecedente → 2. Concessão da tutela pelo 
juiz → 3. O réu não recorre ou não contesta dentro do prazo → 4. A tutela 
se estabiliza → 5. O processo é extinto sem resolução de mérito. 
Exemplo: 
Imagine um caso em que o autor pede uma tutela antecipada para o fornecimento 
de um medicamento. O juiz concede essa tutela em caráter antecedente, e o réu 
(por exemplo, o Estado) não contesta essa decisão dentro do prazo legal. Nesse 
caso, a tutela será estabilizada, e o autor continuará a receber o medicamento sem 
a necessidade de uma sentença final no processo. No entanto, se o réu quiser 
discutir o mérito da questão posteriormente, poderá ingressar com uma ação 
revisional dentro de 2 anos.

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