Prévia do material em texto
FACULDADE MULTIVIX – ES GUILHERME SOARES DE CASTRO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE DIREITO Guilherme Soares de Castro Orientadora Laura Pimenta Krause CARIACICA-ES 2020 GUILHERME SOARES DE CASTRO TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE DIREITO Analise sobre Ação direta de inconstitucionalidade. Lei 13.467/2017, dita “Reforma Trabalhista”. Assistência judiciária gratuita. Alterações dos arts. 790-B, caput e § 4o, 791-A, § 4o, e 844, § 2o, da Consolidação das Leis do Trabalho. Violação do acesso à justiça (art. 5o, caput, XXXV e LXXIV, da Constituição da República. Trabalho de Aluno em Regime Didático Excepcional apresentado pelo acadêmico Guilherme Soares de Castro como exigência do curso de graduação 10º período em Direito da Faculdade Multivix como requisito para aprovação No Curso de Graduação de DIREITO sob a orientação da professora Laura Pimenta Krause CARIACICA-ES 2020 4 Sumário Introdução ................................................................................................................................... 5 1 HISTÓRIA DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA ................................................ 5 2 DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 5766 ..................................... 8 3 INCONSTITUCIONALIDADE NO PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS PERICIAIS .. 10 4 INCOSNTITUCIONALIDADE NO PAGAMENTO DE CUSTAS PROCESSUAIS PARA BENEFICIARIOS DA JUSTIÇA GRATUITA ........................................................................ 13 5 GARANTIA INERENTE AO MÍNIMO EXISTENCIAL .................................................... 15 6 Referencia Bibliográficas ...................................................................................................... 17 5 INTRODUÇÃO O presente artigo pretende abordar os fundamentos da Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Procuradoria Geral da República na pessoa do Dr. Rodrigo Janot Monteiro de Barros. Tal Ação de Inconstitucionalidade possui com objeto a impugnação de trechos da Lei 13.467 de 13 de julho de 2017, popularmente conhecida como “Reforma Trabalhista”, a qual alterou o Decreto Lei nº 5.462 de 1º de maio de 1943 e as Leis nº 6.019 de 03 de janeiro de 1974, 8.036 de 11 de maio de 1990, e 8.212 de 24 de julho de 1991, com a finalidade de adequação da legislação as novas relações de trabalho na sociedade brasileira. Os principais pontos contestados da Ação Direta de Inconstitucionalidade destacam-se as alterações do Decreto Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, destacados: Art. 790-B. A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, ainda que beneficiária da justiça gratuita. § 4o Somente no caso em que o beneficiário da justiça gratuita não tenha obtido em juízo créditos capazes de suportar a despesa referida no caput, ainda que em outro processo, a União responderá pelo encargo.” (grifo nosso) Art. 791-A. Ao advogado, ainda que atue em causa própria, serão devidos honorários de sucumbência, fixados entre o mínimo de 5% ([...]) e o máximo de 15% ([...]) sobre o valor que resultar da liquidação da sentença, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. (grifo nosso) § 4o Vencido o beneficiário da justiça gratuita, desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário. (grifo nosso) Art. 844. .............................................................................................................................................. § 2o Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável.” (grifo nosso) HISTÓRIA DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA O termo “assistência judiciária” deve ter sua compreensão ampla na medida da necessidade de fornecer ao pobre ou aquele que não tem condições de arcar com a demanda financeira de uma ação judicial possibilidade de assistência jurisdicional plena na defesa dos seus direitos, onde, neste bojo assistencial devem compelir a isenção de custas, também, o patrocínio profissional gratuito. 6 Como percebe-se no processo de desenvolvimento social brasileiro o reconhecimento de direitos que venham a beneficiar as classes mais pobres denotam de um processo lento, quando não esquecidos, para que possam ser positivados em nosso ordenamento jurídico e aplicados pelos operadores do direito, sejam advogados ou magistrados. Neste prisma, verifica-se que os primeiros passos tímidos na concessão de assistência judiciária no Brasil datam de 1603, mesmo antes da república, o império através das Ordenações Filipinas, Afonsinas e Manuelinas que regiam o solo brasileiro pela imposição colonialista de Portugal, discorrem sobre assistência para réus no âmbito criminal, contudo tais direitos assistenciais foram ampliados a partir de 1841. Em que pese, no ano seguinte, ou seja, 1842, mesmo com o alcance muito limitado, foi promulgada lei dispondo sobre as custas do processo civil, o qual isentou o litigante pobre de pagar o dizimo de chancellerias. Ao passo histórico que tivemos a proclamação da República brasileira, afloram principalmente, pelos ideais contidos neste conceito de governo, um olhar as classes mais pobres e seu acesso a justiça, então pelo Decreto lei nº 1.030 de 14 de novembro de 1890 valida em todo território nacional, nos termos: “fica o Ministro (de Justiça) autorizado a organizar uma comissão de patrocínio gratuito dos pobres no crime e no cível”, desta forma pela primeira vez uma norma governamental visível aos olhos da sociedade. Cabe destacar que em 1897 foi criado no Rio de Janeiro o primeiro serviço de assistência jurídica de natureza pública por intermédio do Decreto Lei nº 2.457 de 08 de fevereiro, o que devido ao apoio da Ordem dos Advogados passou a ser um espelho para possível implantação dos demais estados. Com o passar do tempo, agora em 1930, o fato que passou a dar maior força para assistência judiciária foi a criação institucional da Ordem dos Advogados, pois nas palavras do Dr. Rui de Azevedo Sodré “ Com a criação da Ordem dos Advogados , passou ela a ser o órgão de seleção, defesa e disciplina da classe dos advogados em toda a republica, tornando-a obrigatória a inscrição do advogados em seu quadro”. Isto posto, a relação dos advogados com os ditames regulatórios expedido pela Ordem passou a ser de cunho obrigatório, assim, solidificando a necessidade da assistência judicial entre seus membros, como podemos observar pelo art. 91 do regulamento: “A assistência judiciária, no Distrito Federal, nos Estados, e nos Territórios fica sob a jurisdição exclusiva da Ordem” 7 Neste viés, vejamos a visão do Professor e advogado americano Peter Messitte1 sobre o tema: “Reconhecido como um dever de cada advogado “aceitar e exercer, com desvêlo, os encargos cometidos pela Ordem, pela Assistência Judiciária ou pelos Juizes competentes”.Assim, o patrocínio gratuito deixou de ser uma recomendação branda ao advogado, tornando-se uma obrigação firme a ser cumprida sob pena de multa. Além disso, o fortalecimento da classe advocatícia perante o resto do país garantia a propagação de qualquer idéia que fôsse considerada pela classe. Assistência Judiciária logo se tomou uma dessas idéias.” Todavia, até o momento, abordagem foi contextualiza na positivação da assistência judiciária no Brasil por decretos leis, faltando ainda, que essa garantia fosse expressa em nossos textos constitucionais, à medida que a discussão começou a ganhar força entre as classes, finalmente na promulgação da Constituição de 1934, tivemos pela primeira vez o reconhecimento deste direito no art. 113, nº 32, o qual citamos: “A União e os Estados concederão aos necessitados assistência judiciária, criando para êsse efeito, órgãos especiais e assegurando a isenção de emolumentos, custas, taxas e sêlos. Certamente o principio firmado constitucionalmente elevou o espírito do nosso direito pátrio, a fim de concretizar um regime de garantias e direitos essenciais à vida política e social da população, principalmente na concessão, em tese, de assistência judicial igualitária. Percebe-se que após positivado pela Constituição de 1934, passou a ser instrumento permanente nas demais Constituições como podemos observar em 1946 que garantiu o direito nas seguintes palavras: “O poder público, na forma que a lei estabelecer, concederá assistência judiciária aos necessitados”. Mesmo com advento do período de Estado de exceção imposto pelo Regime militar em 1964, a assistência judiciária, na teoria, manteve-se firme como orientação na Constituição de 1967, contido no art. 150, § 32: “Será concedida assistência Judiciária aos necessitados, na forma da lei.” Nesta breve contextualização história, chegamos a Constituição de 1988, inclusive, com fundamentos que trazem um estado democrático de direto com inspirações em garantias individuais com natureza de cláusulas pétreas, entre elas a assistência judiciária explicita no art. 5º, sendo, inc. XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou 1 Assistência judiciária"' no Brasil: uma pequena história Peter Messitte, Pg. 135 8 ameaça ao direito; inc. LXXIV – o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. Logo, todo o processo para positivação e concretização da assistência judiciária para aquele, intitulado como “pobre” nos termos legais pudesse ter acesso ao Estado, o qual mantém o monopólio jurisdicional, foi lento e de um custo irreparável a todos que foram sujeitos a arbitragens impostas por aqueles poderes que não temiam o sistema jurídico, justamente por ter a compreensão do seu acesso restrito as classes consideradas inferiores para obtenção de justiça. DA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 5766 Conforme traçado na Petição Inicial que visa a decretação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade das alterações através da lei 13.467/2017 dos artigos 790-B caput e § 4º, 791-A § 4º e 844 caput e § 4º da CLT, a qual violam gravemente o art. 5º nos incisos XXXV e LXXIV no âmbito da assistência judiciária gratuita, denotam verdadeiros cerceamento a valores fundamentais da República Federativa do Brasil expostos no art. 3º nos termos concretizar a construção de uma sociedade livre, justa e solidaria, garantia do desenvolvimento nacional e a erradicação da pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais. Neste mister, verifica-se o detrimento de direitos constitucionais obtidos a tanto custo pela sociedade meramente por interesses legislativos, em tese, buscando a redução das demandas judiciais de caráter trabalhista, para isso, violando o acesso a justiça de uma classe historicamente exposta a arbitrariedade patronal e supressão dos seus direitos existências. Com as alterações dos artigos 790-B caput e § 4º, 791 – A §4º, visam a possibilidade do uso de créditos trabalhistas auferidos em qualquer processo, pelo demandante beneficiário da justiça gratuita a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais da parte sucumbente ou ainda em ter que suportar as despesas e as obrigações decorrentes de sua sucumbência processual, medidas a delimitam o acesso a concretização dos direitos fundamentais de ter sua pretensão analisada pelo Poder Judiciário, pois impõe o caráter da duvida e risco ao pobre de ter que arcar com valores os quais poderão colocar-lhe em situação pior, após possíveis supressões dos direitos trabalhistas que foi vítima. 9 Ademais, ao observarmos o artigo 844 § 2º que orienta a responsabilização ao pagamento de custas processuais nas hipóteses de ausência do reclamante por motivo legalmente justificados, isto é, requisitos genéricos a causar o temor por parte do reclamante em razão de imprecisão dos acontecimentos da própria vida cotidiana, até porque, diversos fatos poderão acometer o individuo na simples locomoção da sua residência até uma Vara Trabalhista no dia da audiência. Destacamos o entendimento do jurista português José Joaquim Gomes Canotilho “direito de acesso aos tribunais já foi considerado como concretização do princípio estruturante do estado de direito.”, a fim de ser imprudente a criação parâmetros legais obstaculizam as propensas demandas judiciais. Ainda, devemos entender que tais garantias são reconhecidas por diversos tratados que a República Federativa do Brasil é signatário, desta forma não resta dúvidas quanto a seus valores na estrutura de um Estado de direito citamos, in verbis: Declaração Universal dos Direitos do Homem de 10 de dezembro de 1948: “Artigo 8. Todo homem tem direito a receber, dos tribunais nacionais competentes, remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei. Artigo 10. Todo o homem tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra si.” Pacto Internacional Sobre Direito Civis e Políticos de 19 de dezembro de 1966: “Artigo 14. 1. Todas as pessoas são iguais perante os tribunais e as cortes de justiça. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida publicamente e com devidas garantias por um tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido por lei, na apuração de qualquer acusação de caráter penal formulada contra ela ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil. Convenção Americana sobre Direito Humanos (Pacto de São José de Costa Rica) de 22 de novembro de 1969: Artigo 8 , item 1 - Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. Notório os dispositivos garantidores expressos nos tratados reconhecidos pelo ordenamento jurídico brasileiro, guardam plena congruência aos ditames constitucionais atuais e buscam acesso irrestrito e da inafastabilidade da jurisdição na assistência dos mais necessitados. 10 Contudo, a reforma trabalhista, especificamente nos artigos supracitados, estão na contramão deste acesso irrestrito na garantia ampla e igualitária do acesso a justiça, à medida que o trabalhador economicamente desfavorecido deverá colocar-se em risco na pretensão dos seus direitos, caso necessário uma demanda trabalhista, quando a sua sombra há condições estabelecidas em lei,mesmo reconhecido como beneficiário da justiça gratuita, tenha que arcar com todos os custos decorrente de uma ação judicial. Acresça-se que o Direito do Trabalho é inerente a proteção do trabalhador, em razão da sua reconhecida hipossuficiência e vulnerabilidade na relação trabalhista, diante sua capacidade econômica frente ao empregador. Destaca-se que a imposição legal na criação de obstáculos a dificultar é temerário ao acesso do beneficio da justiça gratuita, cria um abismo ainda maior no desequilíbrio das paridades de armas processuais, pois tais normas violam, garantias constitucionais do Principio da Isonomia, da ampla defesa e da inafastabilidade de jurisdição, cláusulas que tratam iguais como iguais e os desiguais na medida das suas desigualdades, fundamentos relevantes e um Estado democrático de direito. Concluímos com os fundamentos do Professor Fredie Didier Júnior e Rafael Oliveira2 “justiça gratuita, ou benefício da gratuidade, ou ainda gratuidade judiciária, consiste na dispensa da parte do adiantamento de todas as despesas, judiciais ou não, diretamente vinculadas ao processo, bem assim na dispensa do pagamento dos honorários do advogado. Assistência judiciária é o patrocínio gratuito da causa por advogado público ou particular” INCONSTITUCIONALIDADE NO PAGAMENTO DOS HONORÁRIOS PERICIAIS De acordo com o artigo 790-B, mesmo com a obtenção do beneficio da justiça gratuita, no caso de sucumbência, o juiz poderá responsabilizar o reclamante ao pagamento da pericia, contudo no § 4º a União responderá nas situações que comprovadamente o beneficiário não tenha obtido em juízo créditos capazes de suportar a despesa referida no Caput. 2 DIDIER, Fredie; OLIVEIRA, Rafael. Benefício da Justiça Gratuita. Aspectos Processuais da Lei de Assistência Judiciária (Lei Federal no 1060/50). 2. ed. Salvador: JusPodivm, 2005, p. 6-7 11 Flagrantemente o artigo cria o temor aquele que tem a pretensão de expor ao monopólio jurisdicional do Estado sua questão de direito, haja vista, o não reconhecimento da supressão ora apontada acarretará ainda mais prejuízos a sua capacidade econômica, já fragilizada. Vejamos, então um claro exemplo da possibilidade de voltar-se contra o reclamante beneficiário da justiça gratuita, a cobrança de valores periciais na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) expõe em seu artigo 195, Caput: “A caracterização e a classificação da insalubridade e da periculosidade, segundo as normas do Ministério do Trabalho, far-se-ão através de pericia (...)” Ainda no § 2º: “Argüida em juízo insalubridade ou periculosidade, seja por empregado, seja por sindicato em favor de grupo de associados, o juiz designará perito habilitado (...)” É inegável, vista a legislação trabalhista que não é uma opção das partes a designação de pericia para os casos que envolvem pretensão de insalubridade ou periculosidade, é imposto, quer dizer, na ótica do reclamante “pobre” que já viu suas condições de saúde expostas na relação laboral, poderá ter o dissabor, caso não for constato as alegadas condições sanitárias, o eminente risco em ter diretamente seu patrimônio afetado, no mais tendo que superar este obstáculo legal. Face à critica apresentada, no cotidiano das Varas Trabalhistas a interpretação do art. 790-B, § 4º da CLT vem sendo tratado na proteção do reclamante e em congruência com os valores constitucionais sobre o tema, assim dispomos alguns julgados recentes: A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. 1. ENQUADRAMENTO SINDICAL. O Regional asseverou que a reclamada tem como atividades a produção de ovos e de pintos de um dia, a criação de frangos para corte, a fabricação de alimentos para animais , a criação de outros galináceos, entre outras, razão pela qual as normas dispostas nas CCTs apresentadas com a inicial não se aplicam ao caso, pois firmadas pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação. Diante do contexto delineado pela Corte a quo, não se verifica violação literal dos arts. 511, § 1º, e 581, § 2º, da CLT. 2. INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. Verifica-se que o recurso, no tema, não está adequadamente fundamentado, a teor do art. 896 da CLT, pois não é indicada ofensa a dispositivo de lei e/ou da Constituição Federal, contrariedade a súmula desta Corte ou a súmula vinculante do STF, e tampouco divergência jurisprudencial. Agravo de instrumento conhecido e não provido . 3. HONORÁRIOS PERICIAIS. JUSTIÇA GRATUITA. O presente agravo de instrumento merece provimento, com consequente processamento do recurso de revista, haja vista que a reclamante logrou demonstrar possível contrariedade à Súmula nº 457 desta Corte. Agravo de instrumento conhecido e provido. B) RECURSO DE REVISTA. HONORÁRIOS PERICIAIS. JUSTIÇA GRATUITA. Constitui fato incontroverso nos autos que a reclamante é beneficiária da justiça gratuita, razão pela qual não pode ser compelida ao pagamento dos honorários periciais, consoante expressa dicção do art. 790- 12 B da CLT e da diretriz perfilhada pela Súmula nº 457 desta Corte Superior. Recurso de revista conhecido e provido. (TST - ARR: 4733720165090749, Relator: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 28/11/2018, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 30/11/2018) RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.015/2014 - ADICIONAL DE INSALUBRIDADE - LIXO URBANO - LIMPEZA DE BANHEIRO PÚBLICO - FORNECIMENTO DE EPIs O Eg. TRT consignou a higienização de instalações sanitárias de uso público pela Reclamante com o fornecimento regular de EPIs capazes de elidir os agentes insalubres. Diante dessas premissas, imutáveis à luz da Súmula nº 126 do TST, não há como divisar contrariedade à Súmula n o 448, II, desta Corte. HONORÁRIOS PERICIAIS - BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA Na forma dos arts. 3º, V, da Lei nº 1.050/60 e 790-B da CLT e da Súmula nº 457, do TST, a União é a responsável pelo pagamento dos honorários periciais quando a parte sucumbente no objeto da perícia for beneficiária da justiça gratuita . O êxito em parte das pretensões deduzidas em juízo não afasta a isenção concedida. Recurso de Revista parcialmente conhecido e provido. (TST - RR: 219320165090242, Relator: Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, Data de Julgamento: 21/03/2018, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 23/03/2018) I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DO RECLAMANTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. DOENÇA OCUPACIONAL. LOMBALGIA. CONCLUSÃO ALCANÇADA COM BASE EM PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO DE PROVA TESTEMUNHAL E DE COMPLEMENTAÇÃO DA PROVA PERICIAL (NÃO CONFIGURADA VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS INDICADOS) . DOENÇA OCUPACIONAL. LOMBALGIA. CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE CAUSA OU CONCAUSA VERIFICADA EM LAUDO PERICIAL (SÚMULA 126 DO TST). INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. LOMBALGIA. CONFIGURAÇÃO. AUSÊNCIA DE CAUSA OU CONCAUSA VERIFICADA EM LAUDO PERICIAL (SÚMULA 126 DO TST). HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS (IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS DA INICIAL. PEDIDO PREJUDICADO). Não merece ser provido agravo de instrumento que visa a liberar recurso de revista que não preenche os pressupostos contidos no art. 896 da CLT. Agravo de instrumento não provido. II - RECURSO DE REVISTA DA RECLAMADA . HONORÁRIOS PERICIAIS ANTECIPADOS PELA RECLAMADA. AUTOR BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. RESPONSABILIDADE DA UNIÃO PELA RESTITUIÇÃO. Consoante dispõe a Súmula 457 do TST, a União é responsável pelo pagamento dos honorários de perito quando a parte sucumbente no objeto da perícia for beneficiária da Justiça Gratuita, observado o procedimento disposto na Resolução 66/2010 do Conselho Superior da Justiça do Trabalho - CSJT. Dessa forma, sendo a empresa vencedora na pretensão objeto da perícia e tendo adiantado o pagamento dos honorários, tal valor devem ser ressarcidos pela UNIÃO. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. (TST - ARR: 888005520125170011, Relator: Delaíde Miranda Arantes,Data de Julgamento: 02/05/2018, 2ª Turma, Data de Publicação: DEJT 11/05/2018) Em virtude da visão protetiva por parte dos Tribunais nos casos de sucumbência processual a parte do reclamante, a manutenção do dispositivo do artigo 790-B da CLT, tem sido um alento as classes mais pobres, possibilitando demandarem suas questões ao Poder Judiciário. Diante da analise, não pode-se propiciar tal prerrogativa ao magistrado, frize-se, ante ao inciso LXXIV do art. 5º da CF (“o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos”) visto que não pode haver uma opção, mas 13 um dever se comprovada o estado de necessidade daquele que busca assistência judiciária gratuita. Importante consignar que ao analisarmos o artigo 791-A da CLT, espreita sobre os mesmo termos do artigo 790-B, alterado pelo fato de tratarem de honorários advocatícios sucumbências, podendo ser fixados entre 5% a 15% do valor que resultar da liquidação da sentença do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, ponto fulcral do artigo fica exposto no seu § 4º quando o beneficiário da justiça gratuita, não havendo créditos suficientes capazes de suportar as despesas, as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade, podendo ser executadas em até 02 anos após o transito em julgado, ao tempo que o credor demonstrar que não existe a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade. Interessante consignar a visão do Dr. Rodrigo Janot sobre a questão: Nessas disposições reside a colisão com o art. 5o, LXXIV, da Constituição, ao impor a beneficiários de justiça gratuita pagamento de despesas processuais de sucumbência, até com empenho de créditos auferidos no mesmo ou em outro processo trabalhista, sem que esteja afastada a condição de pobreza que justificou o benefício. Concessão de justiça gratuita implica reconhecimento de que o beneficiário não dispõe de recursos para pagar custas e despesas processuais sem prejuízo de seu sustento e de sua família(...) Essa premissa se ancora nas garantias constitucionais de acesso à jurisdição e do mínimo material necessário à proteção da dignidade humana (CR, arts. 1o, III, e 5o, LXXIV). Por conseguinte, créditos trabalhistas auferidos por quem ostente tal condição não se sujeitam a pagamento de custas e despesas processuais, salvo se comprovada perda da condição. A norma desconsidera a condição econômica que determinou concessão da justiça gratuita e subtrai do beneficiário, para pagar despesas processuais, recursos econômicos indispensáveis à sua subsistência e à de sua família, em violação à garantia fundamental de gratuidade judiciária (CR, art. 5o, LXXIV). INCONSTITUCIONALIDADE NO PAGAMENTO CUSTAS PROCESSUAIS PARA BENEFICIARIOS DA JUSTIÇA GRATUITA Neste ponto, colocamos a analisar a violação a garantia de gratuidade judiciária sobre o aspecto do artigo 844, § 2º que dispõe: Art. 844. O não-comparecimento do reclamante à audiência importa o arquivamento da reclamação, e o não comparecimento do reclamado importa revelia, além de confissão quanto à matéria de fato. [...] § 2o Na hipótese de ausência do reclamante, este será condenado ao pagamento das custas calculadas na forma do art. 789 desta Consolidação, ainda que beneficiário da justiça gratuita, 14 salvo se comprovar, no prazo de quinze dias, que a ausência ocorreu por motivo legalmente justificável. Novamente, observa-se por parte do legislador o completo desprezo pelo trabalhador, com insuficiência de recursos, pleiteia junto a juízo competente a assistência jurídica gratuita, com base no disposto constitucional do art. 5º, LXXIV, à medida que afronta os direitos fundamentais e tratados que o Estado brasileiro é signatário. Em verdade, na tramitação legislativa do projeto lei 6.787/2016, qual deu origem aos artigos ora inconstitucionais justifica que a intenção é “desistimular a litigância descompromissada”3 utilizando-se do pagamento de custas processuais como instrumento punitivo ao comportamento negligente do reclamante. Vale ressaltar que a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) já dispunha de artigos que pudessem aplicar sanções, como impedimento temporário do direito de demandar a Justiça do Trabalho no período de 06 meses quando por duas vezes seguidas o reclamante desse causa ao arquivamento. O Art. 844, § 3º da CLT , não apenas imposição ao beneficiário da justiça gratuita o pagamento da custas processuais de forma momentânea, já que, considerando a falta de medidas recursais contra a cobrança, constitui obstáculo definitivo para um novo acesso do cidadão à Justiça do Trabalho, isto é, não tendo recursos para o pagamento das custas, por questões econômicas, veda-se qualquer condição de obtenção de direitos previsto no artigo 5º, inciso XXXV. Como se pode depreender destacamos as palavras do Dr. Rodrigo Janot : O novo § 2o (especialmente quando combinado com o § 3o) do art. 844 da CLT padece de vício de proporcionalidade e de isonomia, por impor restrição desmedida a direitos fundamentais, a pretexto de obter finalidade passível de alcance por vias processuais menos restritivas. As normas violam o direito a jurisdição em sua essência, como instrumento de tutela de direitos econômicos básicos do ser humano trabalhador, indispensáveis à sua sobrevivência e à da família, inclusive como pressuposto para exercício das liberdades civis e políticas. No que concerne as garantias de pleno e irrestrito acesso ao Poder judiciário a quem quer que seja, e principalmente em atenção as classes menos favorecidas, ressalta-se a importante citação da Dra. Cármen Lúcia Antunes Rocha4: 3 PLC 6.787, de 2016, p. 74. Sem destaque no original. 4 ROCHA, Cármen Lúcia Antunes. O direito constitucional à jurisdição. In: TEIXEIRA, Sálvio Figueiredo (coord.). As garantias do cidadão na justiça. São Paulo: Saraiva, 1993. p. 42-43. 15 O direito à jurisdição é a primeira das garantias constitucionais dos direitos fundamentais, como anteriormente frisado. Jurisdição é direito-garantia sem o qual nenhum dos direitos, reconhecidos e declarados ou constituídos pela Lei Magna ou outro documento legal, tem exercício assegurado e lesão ou ameaça desfeita eficazmente. Primeiramente, o direito à jurisdição é a garantia fundamental das liberdades constitucionais. Sem o controle jurisdicional, todos os agravos às liberdades permanecem no limbo político e jurídico das impunidades. Todas as manifestações da liberdade, todas as formas de seu exercício asseguradas de nada valem sem o respectivo controle jurisdicional. A liberdade sem a garantia do pleno exercício do direito à jurisdição é falaciosa, não beneficia o indivíduo, pois não passa de ilusão de direito, o que sempre gera o acomodamento estéril e a desesperança na resistência justa e necessária. Não é por acaso que os regimes políticos antidemocráticos iniciam suas artes e manhas políticas pela subtração ou pelo tolhimento do direito à jurisdição. É que sem este direito plenamente assegurado e exercitável o espaço para as estripulias dos ditadores é mais vasto e o descontrole de seus comportamentos confere-lhes a segurança de que eles se vêem necessitados de continuar no poder. O direito à jurisdição, ao garantir todo os direitos, especialmente aqueles considerados fundamentais, confere segurança jurídica mais eficaz ao indivíduo e ao cidadão, gerando, paralelamente, a permanente preocupação dos eventuais titulares dos cargos públicos com a sociedade e com os limites legais a que se encontram sujeitos. (grifo nosso) Logo, as garantias outrora conquistadas, tendo hoje sua positivação plena conceitual em nosso ordenamento jurídico não podem ser alvos de esvaziamentos ou na criaçãode barreiras que busquem restringir ou dificultar seu acesso a aqueles que mais precisam, normalmente, os que são objetos da arbitrariedade dos sistemas trabalhistas e econômicos vigentes na sociedade. Ao passo, não deve-se considerar “normal” qualquer retroatividade como exposto no artigo 844, § 3º a fim que os riscos de exclusão da demanda jurisdicional. GARANTIA INERENTE AO MÍNIMO EXISTENCIAL Como se infere o universo aplicado da Justiça do Trabalho, traz em si características protetivas aos hipossuficientes, carecedores de recursos e com baixo índice salarial que envolvidos em uma demanda processual teriam um impacto relevante no seu sustento existencial essencial, sendo este de caráter único e de fácil identificação como destinatários do Direito a Gratuidade Judiciária no direito do trabalho. Os direitos fundamentais visam justamente a proteção dos menos afortunados os quais devem ter sua preservada irrestrita a uma existência humana digna, saudável e autônoma, por 16 isso que a garantia ao acesso a justiça é peça essencial ao sustento material deste individuo, proveitoso demonstramos este entendimento nas palavras da Dr. Maria Elisa Villas Boas5: “ainda que não haja consenso acerca da noção de mínimo existencial, alguns elementos são inafastáveis do conceito, como “vida, saúde, identidade, alimentação regular, vestuário básico, moradia, nível basal de educação, direitos trabalhistas essenciais à não escravização, bem como o acesso à justiça apto a garantir isso” Neste ínterim, os objetos dos processos trabalhistas são as compensações de supressão de direito experimentados por pessoas no fornecimento da mão de obra, tempo, saúde em detrimento de cumprir o contrato trabalhista de caráter alimentar entabulado com outrem, que tiveram por algum momento, esta corrente completamente despedaçada vista a ilegitimidade da ação daquele o qual confiou todo seu empenho e esforço, nesta lógica, paira o mínimo existencial e o núcleo da Dignidade da Pessoa Humana. No entendimento do Ministro do Supremo Tribunal Federal Luíz Roberto Barroso: “Como “valor intrínseco”, a dignidade requer o reconhecimento de que cada indivíduo é um fim em si mesmo, nos termos do amplamente divulgado imperativo categórico kantiano: “age de modo a utilizar a humanidade, seja em relação à tua própria pessoa ou qualquer outra, sempre e todo o tempo como um fim, e nunca meramente como um meio”. Impede-se, de um lado, a funcionalização do indivíduo e, de outro, afirma-se o valor de cada ser humano independentemente de suas escolhas, situação pessoal ou origem“ Com foco da Dignidade da Pessoa Humana o Estado deve garantir a existência mínima de proteção individual, considerado da integralidade deste individuo no desenvolvimento coletivo, para que ao ponto de sua atuação social, não tenha esvaziado suas necessidades naturais e obtenha o desenvolvimento desejado e protegido por um conjunto de leis que reforcem estes termos, reforcem a fraternidade, e insistentemente reforcem a igualdade entre seus membros. CONCLUSÃO Diante exposto, pode-se verificar a pertinência da Ação Direita de Inconstitucionalidade movida em 25/08/2017 pela Procuradoria Geral da República com o objetivo de impugnar alterações promovidas pela Lei 13.467/2017 (Reforma Trabalhista), 5 VILLAS-BÔAS, Maria Elisa. A atuação da jurisprudência pátria na materialização de um mínimo existencial. In: Revista do Programa de Pós-graduação em Direito da Universidade Federal da Bahia, Salvador, n. 15, p. 70, jul./dez. 2007. 17 mais especificamente os artigos 790-B, § 4º , 791-A Caput e § 4º e 844, § 2º no que tange aos beneficiários da assistência jurídica gratuita. Constata-se que direito conquista ao longo e difícil histórico da sociedade brasileira, através dos novos dispositivos da CLT confrontam diretamente preceitos da Constituição de 1988 das garantias fundamentais positivados no Artigo 5º, inc. XXXV e LXXIV. Cabe ressaltar que o Estado democrático de Direito, conceitualmente, tem o dever de manter a todas as portas do Poder Judiciário abertas, principalmente quando estiver em questão direitos trabalhistas de cidadãos em estado de vulnerabilidade social. Com os olhos na preservação destas garantias que a Procuradoria Geral da República trouxe as fundamentações necessárias para que os dispositivos aprovados pelo corpo legislativo, suprimisse de forma velada as pretensões judiciais, impondo medidas de risco ao pagamento de despesas sucumbências ou custas processuais nos casos de insucesso de suas demandas, claramente cria um obstáculo as postulações sobre uma justificativa “desestimular a litigância descompromissada”, motivos estes que não guardam eficácia necessária para contrapor as normas constitucionais. Ademais, todo direito conquistado que esteja no rol dos Direitos Fundamentais do artigo 5º da CF, devem ser mantidos com o rigor aos possíveis entraves produzidos pelo legislador visando seu detrimento entre eles, o acesso irrestrito e garantia da gratuidade jurisdicional no Poder Judiciário a qualquer cidadão, enfatize-se aos hipossuficientes e vulneráveis sociais. Referencias bibliográficas Ação direta de inconstitucionalidade. Lei 13.467/2017, dita “Reforma Trabalhista”. Assistência judiciária gratuita. Alterações dos arts. 790-B, caput e § 4o, 791-A, § 4o, e 844, § 2o, da Consolidação das Leis do Trabalho. Violação do acesso à justiça (art. 5o, caput, XXXV e LXXIV, da Constituição da República. No 213.047/2017-AsJ Const/SAJ/PGR Site UFMG. Disponível em: https://www.direito.ufmg.br/revista/index.php/revista/article/viewFile/707/663 18 Site PLANALTO. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao37.htm Site PLANALTO. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao46.htm Site PLANALTO. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao67.htm Site PLANALTO. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm