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NUTRIÇÃO E SAÚDE COLETIVA: POLÍTICAS PÚBLICAS EM NUTRIÇÃO AULA 4 Prof.ª Edilceia Domingues do Amaral Ravazzani 2 CONVERSA INICIAL Anteriormente, estudamos sobre a construção da Política de Alimentação e Nutrição no Brasil. Além disso, identificamos os fatores que foram e são utilizados para que as ações de promoção e proteção da saúde sejam implementadas e monitoradas de forma a possibilitar que a saúde e qualidade de vida das pessoas seja impactada positivamente. Para tanto, programas a ações voltados à alimentação e nutrição vêm sendo conduzidos pela política. Nesta aula, temos como principais objetivos: • Elencar os programas e ações propostos para população; • Compreender a operacionalização das ações; • Descrever os principais resultados obtidos pela aplicação dessas ações. TEMA 1 – TRAJETÓRIA DOS PROGRAMAS DE ALIMENTAÇÃO E NUTRIÇÃO NO BRASIL Os primeiros programas de alimentação e nutrição estruturados no Brasil foram implementados na década de 1930, uma vez que a fome entrou na agenda política. Porém, nesse período, a fome foi associada ao desconhecimento da população sobre a importância de uma alimentação adequada. Somente na década de 1970 a renda foi relacionada à fome, assim o binômio alimentação- renda ganhou espaço no discurso de combate à fome (Haack et al., 2018). Os primeiros programas implementados no período de 1930 a 1970 exibiam um caráter considerado assistencialista, uma vez que alguns apresentavam a proposta da distribuição de alimentos a uma parcela da população em situação de vulnerabilidade (Quadro 1). Quadro 1 – Programas relevantes estruturados na área de alimentação no período de 1930 a 1970 Programas Programas de Prevenção e Combate a Carências Nutricionais Específicas; Programa de Suplementação Alimentar (PSA); Programa Nacional de Incentivo ao Aleitamento Materno (PNIAM); Programa Nacional do Leite para Crianças Carentes (PNLCC); Programa de Nutrição em Saúde (PNS); 3 Programa de Complementação Alimentar (PCA); Programa de Abastecimento de Alimentos Básicos em Áreas de Baixa Renda (PROAB); Programa de Racionalização da Produção de Alimentos Básicos (PROCAB); Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Fonte: Haack et al., 2018. Foi criado, em 1990, o Sistema Nacional de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN) com a proposta de detectar, descrever e analisar os problemas alimentares e nutricionais. Por meio dele, a agenda de programas e ações de alimentação e nutrição foram reestruturadas. Alguns programas permaneceram, mas sofreram alterações técnicas ou até mesmo de gestão. A publicação da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), publicada em 1999, buscou estabelecer programas e ações que superassem as lacunas do modelo assistencial com maior alinhamento, das propostas, com o cenário epidemiológico complexo encontrado no Brasil (Carvalho et al., 2011; Jaime et al., 2018). Assim, as estratégias de ação da Política Nacional de Alimentação e Nutrição estão organizadas nas seguintes áreas e têm a atenção básica como ordenadora dessas ações (Brasil, 2013): • Vigilância Alimentar e Nutricional; • Prevenção e Controle de Agravos Nutricionais; • Promoção da Saúde e da Alimentação Adequada e Saudável; • Programa Bolsa Família; • Pesquisa, Inovação e Conhecimento. A seguir, vamos estudar cada área e suas propostas de ação, e dedicaremos os próximos conteúdos à área de Promoção da Saúde e da Alimentação Adequada e Saudável em busca da melhoria da saúde da população e dos territórios. TEMA 2 – VIGILÂNCIA ALIMENTAR E NUTRICIONAL Como vimos anteriormente, o acesso à alimentação é um direito, haja vista que o direito à alimentação e nutrição adequadas permite melhor qualidade de vida e cidadania, conforme proposta da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN). A avaliação contínua do perfil alimentar e nutricional e 4 levantamento dos fatores determinantes dos agravos, no contexto da nutrição, é parte integrante da estratégia de vigilância alimentar e nutricional (Recine; Vasconcellos, 2011). A PNAN recomenda, aos serviços de saúde, que o consumo alimentar e os dados antropométricos dos indivíduos em todos os ciclos da vida, crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes sejam coletados e avaliados de forma sistemática. Além da coleta de dados nos serviços de saúde, outras fontes de informação, como inquéritos e pesquisas disponíveis no Sistema Único de Saúde – SUS – podem ainda ser utilizadas para se exercer a vigilância alimentar e nutricional (Pimentel et al., 2013). Os dados obtidos formarão um conjunto de indicadores de saúde e nutrição que permitem orientar a formulação de programas e ações de atenção nutricional. A PNAN, aprovada em 1999, de acordo com seus propósitos e uma de suas diretrizes, a qual estabelece a necessidade da realização da vigilância alimentar e nutricional, sustenta, juntamente com a medida provisória que cria o programa Bolsa Família, a necessidade da implementação de uma estrutura que se responsabilize por essa atividade. A estrutura, então, é formada pela Vigilância Alimentar e Nutricional – VAN, que tem por objetivo dar subsídio ao planejamento da atenção nutricional e das ações de promoção da saúde e da alimentação adequada e saudável, ainda na regulação dos alimentos de forma a dar subsídio aos setores da saúde no diagnóstico dos agravos alimentares. A VAN integra o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN, o qual consolida os dados obtidos pela VAN. Os principais indicadores utilizados são: Peso/Idade (P/I), Altura/Idade (A/I), Peso/Altura (P/A), tipos de aleitamento materno, ganho de peso gestacional e estado nutricional da gestante e marcadores de consumo alimentar. Os dados de todos os municípios são assim controlados pelos gestores de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde. O SISVAN é, desse modo, o principal mecanismo que permite a análise das informações de forma sistematizada da situação alimentar e nutricional do país, de forma a gerar o feedback entre a informação, a ação e a análise dos resultados obtidos. Além das ações de Vigilância Alimentar e Nutricional, que buscam determinar e acompanhar o perfil antropométrico e alimentar da população, a PNAN tem um papel relevante no controle e prevenção das deficiências de 5 micronutrientes, com foco na anemia ferropriva, hipovitaminose A e deficiência de iodo. Nesse contexto, vale ressaltar a importância da intersetorialidade, destacando a ação conjunta da PNAN e Vigilância Sanitária na regulamentação da rotulagem nutricional dos alimentos, na restrição da publicidade de alimentos não saudáveis e regulamentação da quantidade máxima de sal nos alimentos industrializados, assim como no controle do teor de ferro e ácido fólico nas farinhas de trigo e milho e iodo no sal de cozinha (Carvalho et al., 2011). Assim, podemos destacar que a PNAN utiliza, para implementação da vigilância alimentar e nutricional, o Sistema informatizado de Vigilância Alimentar e Nutricional, os inquéritos populacionais periódicos, a análise e cruzamento de informações coletadas pelos sistemas de informação de saúde, chamadas nutricionais e acesso à produção científica. TEMA 3 – PREVENÇÃO E CONTROLE DE AGRAVOS NUTRICIONAIS A desnutrição recuou consideravelmente no Brasil, porém ainda persistem grupos vulneráveis a ela e aos distúrbios de micronutrientes. Assim, a PNAN estabeleceu estratégias para prevenir e controlar os agravos relacionados à nutrição. Encontramos prevalência elevada de deficiência de micronutrientes. Nesse cenário, ganham destaque a anemia ferropriva, distúrbios de iodo, hipovitaminose A e de Tiamina. A melhoria do acesso à saúde e à renda não impactaram impedindo o avanço dos indicadores relacionados a esses distúrbios.3.1 Anemia ferropriva A anemia ferropriva é prevalente em nosso país. Esse tipo de anemia atinge principalmente crianças e gestantes e está associada a diferentes causas, conforme mostra a Tabela 1. Tabela 1 – Fatores determinantes da anemia Ciclo da vida Fatores Gestação Alimentação inadequada; Não uso de suplementos de ferro; Complicações nutricionais; Parasitoses. 6 Parto e nascimento Ausência de aleitamento materno na primeira hora de vida; Parasitoses. Primeiros seis meses de vida Ausência de aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de vida; Introdução precoce de alimentos e outros leites; Parasitoses. A partir de 6 meses Alimentação complementar inadequada; Baixa ingestão de ferro heme; Não uso de suplementação de ferro profilático; Elevada necessidade de ferro; Parasitoses. Fonte: Ministério da Saúde, 2017. Como é possível observar, diversos são os fatores, mas passíveis de controle. A PNAN promove algumas ações no intuito de promover a redução de sua prevalência, tais como estímulo à alimentação adequada e saudável e orientação para a diversificação de dieta por meio da distribuição de suplementos na atenção básica, da estratégia da fortificação das farinhas de trigo e milho e fortificação dos alimentos em pó, destinados a crianças de 6 a 48 meses, com micronutrientes (vitaminas e minerais). 3.2 Deficiência de Iodo A deficiência de iodo é um dos sérios agravos nutricionais que podem afetar todos os ciclos da vida e leva ao cansaço físico, ao retardo do crescimento, à amenorreia com prejuízo da função reprodutiva. Além disso, pode ocorrer comprometimento cerebral, levando ao cretinismo endêmico, com sérias repercussões no rendimento escolar, aumento da mortalidade perinatal e infantil (Macedo et al., 2012). No combate ao agravo, a PNAN mantém o Programa de Combate aos Distúrbios por Deficiência de Iodo no Brasil, no qual estão contemplados a iodação do sal para consumo humano e o monitoramento e fiscalização das 7 indústrias, para garantia da adição do iodo na dosagem correta no produto pela indústria. A iodação do sal foi a primeira estratégia utilizada para prevenir o então bócio endêmico e, atualmente, a deficiência de iodo na população. Assim, a estratégia segue as recomendações da Organização Mundial da Saúde e especialistas no assunto. O programa tem apresentado bons resultados, especialmente no controle do bócio endêmico em todo país. 3.3 Deficiência de Vitamina A e B1 A Hipovitaminose A é preocupante pela sua prevalência em especial em crianças e por suas consequências, como imunossupressão, cegueira e distúrbio cognitivo. A cegueira provocada pela deficiência de vitamina A, que pode atingir crianças em idade escolar, é evitável, sendo assim, a política de forma oficial instituiu o Programa Nacional de Suplementação de Vitamina A – PNSVA, com a proposta de controlar a deficiência dessa vitamina e reduzir a morbidade pela deficiência, especialmente nas crianças. A suplementação de megadoses de vitamina A em regiões de maior prevalência, com a manutenção de suplementação profilática, são parte do conjunto de estratégias de prevenção aliadas a orientações de estímulo ao aleitamento materno exclusivo pelo período de seis meses e à diversificação da alimentação (Vaz et al., 2017). 3.4 Beribéri O beribéri, doença desenvolvida pela deficiência de vitamina B1 ou tiamina, pode acometer alguns grupos específico da população. Além de indivíduos em graves situações de insegurança alimentar, indivíduos dependentes do álcool, gestantes, crianças e pessoas que exercem atividade física extenuante são aqueles que podem estar mais predispostos ao agravo. Mais prevalente em adultos jovens do sexo masculino, a doença pode levar ao adoecimento e óbito em pouco tempo. Dada sua gravidade, a política desenvolveu um Guia de Consulta para Vigilância Epidemiológica, Assistência e Atenção Nutricional dos Casos de Beribéri, com o objetivo de propor a adoção das medidas de detecção, prevenção e controle da doença em tempo de evitar seu agravamento e um desfecho desfavorável (Brasil, 2013). É importante destacar que a suplementação de vitaminas e minerais, em especial na infância, é fator imprescindível para garantir o crescimento e 8 desenvolvimento adequados e prevenir agravos que possam estar sendo desencadeados de forma secundária às carências nutricionais. TEMA 4 – PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA E A PESQUISA, INOVAÇÃO E CONHECIMENTO NO ÂMBITO DA PNAN O Programa Bolsa Família, conduzido pelo Ministério da Cidadania, é um programa de transferência direta de renda que atende famílias em situação de pobreza e extrema pobreza. O programa apresenta vínculo transversal com o Ministério da Saúde, Ministério da Educação e Assistência social devido às condicionalidades, ou seja, compromissos que os beneficiários do programa precisam cumprir no âmbito da saúde, educação e assistência social. As condicionalidades têm o intuito de garantir a oferta de ações básicas aos beneficiários, de forma a promover a melhoria da qualidade de vida das famílias. Como pudemos observar, o Programa Bolsa Família não é uma estratégia exclusiva da PNAN, porém as condicionalidades estabelecidas pelo programa exigem o acompanhamento sistemático dos compromissos relacionados à saúde. O acompanhamento do perfil de saúde dos beneficiários do Bolsa Família é de responsabilidade da Atenção Básica, a qual deve manter os dados de saúde e colocar em prática as ações da Política Nacional de Alimentação e Nutrição – PNAN, de forma a contribuir para o sucesso do programa e auxiliar os beneficiários ao lado dos outros ministérios parceiros. A pesquisa, inovação e conhecimento, outra estratégia da PNAN, contempla incentivos a centros colaboradores como Instituições de ensino superior por meio dos Centros Colaboradores de Alimentação e Nutrição do Escolar – CECANE e Rede Nutri, uma rede digital de informações em alimentação e nutrição, centros estes que visam ao desenvolvimento do conhecimento e geram pesquisas de inovação e tecnologia no campo da alimentação e nutrição. A política salienta a importância de apoiar as pesquisas que permitam o diagnóstico da situação alimentar e nutricional, bem como a avaliação dos programas e ações propostas pela PNAN. As áreas temáticas consideradas prioritárias relacionadas às diretrizes da política são as seguintes: • Atenção Nutricional; 9 • Necessidades alimentares especiais; • Avaliação do estado nutricional e das práticas alimentares; • Prevenção e controle de deficiência de micronutrientes; • Promoção da alimentação adequada e saudável; • Gestão e controle social; • Qualificação da força de trabalho; • Controle e regulação dos alimentos. As áreas temáticas buscam a melhoria de seus processos de trabalho e o subsídio do planejamento, monitoramento e avaliação dos programas e ações implementados (Brasil, 2017a). O investimento na pesquisa que envolve as Políticas de Alimentação e Nutrição, Segurança Alimentar e Nutricional e Direito Humano à Alimentação Adequada constitui um conjunto de saberes de especial relevância para a saúde coletiva, o qual permite que o planejamento e a gestão em saúde sejam assertivos, possibilitando a proposição de políticas públicas, programas e ações que gerem repercussões sobre a saúde, alimentação e o estado nutricional (Yamaguchi et al., 2016). Alimentação e nutrição é um campo vasto de investigação, e a PNAN, por meio do Ministério da Saúde, tem como compromisso promover linhas de investigação na área, de modo a ampliar a pesquisa científica e o conhecimento em nutrição (Serruya; Vasconcellos, 2008). Pesquisas sobre o perfil nutricional da população, comportamento alimentar, tecnologia de alimentos, controle de qualidade e contaminação, entre outros temas, são fundamentaispara criar condições para uma alimentação saudável e adequada à população. TEMA 5 – RESULTADOS DAS AÇÕES: COMO E QUANTO AVANÇAMOS Os eixos que estudamos nesta aula (vigilância alimentar e nutricional, prevenção e controle de agravos nutricionais, Bolsa Família e pesquisa, inovação e conhecimento) avançaram e geraram resultados (Souza; Santos, 2017). Desde a implementação da Política Nacional de Alimentação e Nutrição – PNAN, em 1999, o Ministério da Saúde já aplicou muitos recursos nas estratégias praticadas, conforme o Quadro 2. 10 Quadro 2 – Principais resultados das ações da PNAN desde sua implantação Resultados relevantes obtidos pela PNAN Qualificação de mais de 86% dos municípios brasileiros para receber o incentivo financeiro de combate às carências nutricionais; Atendimento regular de mais de 563 mil crianças em risco nutricional entre 6 e 23 meses de idade, recebendo suplementos alimentares de alto valor proteico e calórico; Atendimento regular de 281 mil crianças de outras faixas etárias, gestantes e idosos carentes com suplementação alimentar e ações de promoção da alimentação adequada; Distribuição de quatro milhões de megadoses de vitamina A para o atendimento de crianças entre 6 e 59 meses de idade de áreas endêmicas; Distribuição de 673 mil frascos de sulfato ferroso na região Nordeste; Implementação de 15 estudos e pesquisas nutricionais para o mapeamento nacional das carências nutricionais; Fortificação de farinhas de trigo e de milho com ferro, consoante ao Compromisso Social para a Redução da Anemia por Carência de Ferro no Brasil, firmado com a indústria de alimentos. Fonte: Ministério da Saúde, 2017. Apesar de os programas de suplementação de ferro e ácido fólico, vitamina A e o acompanhamento das condicionalidades de saúde do programa Bolsa Família estarem bem estruturados, nosso cenário atual aponta para o aumento da anemia ferropriva, com maiores percentuais na região Norte e Centro-oeste, para crianças, e Nordeste e Sudeste para gestantes, o que pode estar associado às mudanças de hábitos alimentares. Já os inquéritos bioquímicos apontam que a prevalência de Vitamina A se mantém elevada nas regiões Sudeste, Nordeste e Norte. Assim, os casos de anemia ferropriva e hipovitaminose A ainda são preocupantes, e por isso o combate a tais enfermidades se mantém como prioridade na agenda de saúde e nutrição. Vale destacar que o Programa Bolsa Família aponta para melhoria das condições de vida e de saúde das famílias, proporcionando melhor acesso aos serviços de saúde, em especial à Atenção Básica e acesso à educação. Deste 11 modo, houve melhoria da condição alimentar dos beneficiários, em especial do número de refeições, o que certamente contribui para redução do baixo peso ao nascer, assim como da desnutrição (Jaime et al., 2018). Dada as sérias consequências à saúde associadas aos problemas nutricionais, reforçamos o importante aspecto da pesquisa e inovação no âmbito da alimentação e nutrição. Os resultados observados trazem à tona a necessidade do fortalecimento da intersetorialidade, uma vez que esses problemas vêm atrelados às condições sociais e de vida. As interfaces entre esses setores permitir ampliar o conhecimento científico de forma a traduzi-lo em ações e programas de intervenção nutricional de alcance social. Além dos agravos nutricionais, a política reconhece e mantém ações voltadas à Promoção da Saúde e da Alimentação Adequada e Saudável por entender as necessidades alimentares como demanda para a atenção nutricional no SUS. Desta forma, os programas e ações que envolvem esse importante conjunto de proposições da PNAN serão alvo de estudo de conteúdos posteriores. NA PRÁTICA Os agravos nutricionais estão presentes em nossa agenda de saúde, e apesar de a desnutrição ter regredido no país, os distúrbios nutricionais ainda constituem um grave problema de saúde pública atualmente. A anemia e a deficiência de vitamina A são prevalentes, e por isso várias medidas para combater tais problemas estão previstas na Política de Alimentação e Nutrição. Desse modo, a leitura do cenário favorável ao aumento da prevalência é fundamental para que medidas adequadas sejam implementadas, assim como para monitorar se as ações propostas têm sido efetivas e eficazes. Assim, considerando a anemia ferropriva e a Hipovitaminose A: 1. Elenque causas e consequências desses agravos. 2. Aponte os principais impactos para a saúde e educação relacionados a eles. GABARITO 1. Elenque causas e consequências destes agravos: as principais causas associadas a alta prevalência anemia ferropriva e hipovitaminose 12 A, é a baixa ingestão de alimentos fontes de ferro e vitamina A, ausência de aleitamento materno, diarreia, parasitoses e outros problemas relacionadas a absorção dos nutrientes. As consequências da anemia ferropriva e hipovitaminose A mais presentes são cansaço, falta de atenção, inapetência, relacionadas e imunossupressão, cegueira, distúrbio cognitivo, respectivamente. 2. Aponte quais os principais impactos para a saúde e educação, relacionadas a eles: a alta prevalência desses distúrbios nutricionais pode impactar negativamente no rendimento escolar, aumento da morbidade e maiores gastos para o setor público. FINALIZANDO Nosso tema central, nesta aula, foram os programas e ações no âmbito da Política de Alimentação e Nutrição que integram a vigilância alimentar e nutricional, a prevenção e controle de agravos nutricionais, a pesquisa e inovação bem como a integração e papel da política com o Programa Bolsa Família. Além disso, os nossos objetivos, que eram elencar os programas e ações propostas para população; compreender a operacionalização das ações e descrever os principais resultados obtidos pela aplicação dessas ações foram alcançados. Foi possível, também, compreender a importância da intersetorialidade no contexto da PNAN. As ações apontam resultados expressivos, porém a atenção e o cuidado nutricional precisam ser permanentes. 13 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Política Nacional de Alimentação e Nutrição. 1. ed. 1. reimpr. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. BRASIL. Ministério da Saúde. 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