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ANÁLISE E GESTÃO DE RISCOS 1. Introdução No cenário atual de degradação dos princípios e valores tradicionais de respeito às leis e as autoridades constituídas, da quase inexistência de educação moral e cívica no seio social, a decisão de estar atento em tudo que acontece a nossa volta é quase que uma obrigação, em especial àqueles que exercem cargos ou funções de relevância social as quais suas ações, omissões ou decisões impactam de maneira tão significativa que podem alterar os destinos de pessoas gerando mudanças radicais em suas vidas. Contudo, estar atendo a tudo que ocorre de nada adianta se a pessoa não tiver capacidade de compreender o cenário, interpretar os comportamentos humanos, tomar as decisões e agir de maneira adequada e compatível, de preferência, preventivamente. Desta maneira, necessário se faz que as pessoas criem consciência situacional para que possam por meio da percepção identificar os riscos antes que se torne um evento ou incidente. Resumidamente, o mais importante é que as pessoas consigam vislumbrar as vulnerabilidades a sua volta, e agir no sentido de neutralizá-las, ou ao menos minimizá-las. Os julgamentos sobre riscos são produzidos com base nas percepções. Essas percepções irão sempre variar devido às diferenças de valores, necessidades, suposições, conceitos e preocupações das partes envolvidas. Como os seus pontos de vista podem ter um impacto significativo sobre as decisões tomadas, convém que as percepções das partes interessadas sejam identificadas, registradas e levadas em consideração no processo de tomada de decisão. Para melhor compreensão do assunto, alguns conceitos internacionais relacionados ao tema “Análise e Gestão de Riscos” são importantes de se conhecer, bem como, tê-los consolidados na mente para realização de estudos, discussões e construção de planos de segurança e procedimentos operacionais futuros. 2. Conceitos e definições da NORMA ABNT NBR ISO 31000:2009 2.1 Risco - efeito da incerteza nos objetivos. 2.2 Gestão de riscos - atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização no que se refere a riscos. 2.3 Estrutura da gestão de riscos - conjunto de componentes que fornecem os fundamentos e os arranjos organizacionais para a concepção, implementação, monitoramento, análise crítica e 2.4 Política de gestão de riscos - declaração das intenções e diretrizes gerais de uma organização relacionadas à gestão de riscos. 2.5 Atitude perante o risco - abordagem da organização para avaliar e eventualmente buscar, reter, assumir ou afastar-se do risco. 2.6 Plano de gestão de riscos - esquema dentro da estrutura da gestão de riscos, que especifica a abordagem, os componentes de gestão e os recursos a serem aplicados para gerenciar riscos, sendo que os componentes de gestão tipicamente incluem procedimentos, práticas, atribuição de responsabilidades, sequência e cronologia das atividades. 2.7 Proprietário do risco - pessoa ou entidade com a responsabilidade e a autoridade para gerenciar um risco. 2.8 Processo de gestão de riscos - aplicação sistemática de políticas, procedimentos e práticas de gestão para as atividades de comunicação, consulta, estabelecimento do contexto, e na identificação, análise, avaliação, tratamento, monitoramento e análise crítica dos riscos. 2.9 Estabelecimento do contexto - definição dos parâmetros externos e internos a serem levados em consideração ao gerenciar riscos, e estabelecimento do escopo e dos critérios de risco para a política de gestão de riscos. 2.10 Contexto externo - ambiente externo no qual a organização busca atingir seus objetivos. NOTA - O contexto externo pode incluir: o ambiente cultural, social, político, legal, regulatório, financeiro, tecnológico, econômico, natural e competitivo, seja internacional, nacional, regional ou local; os fatores–chave e as tendências que tenham impacto sobre os objetivos da organização; e as relações com partes interessadas externas e suas percepções e valores. 2.11 Contexto interno - ambiente interno no qual a organização busca atingir seus objetivos. NOTA - O contexto interno pode incluir: governança, estrutura organizacional, funções e responsabilidades; políticas, objetivos e estratégias implementadas para atingi-los; capacidades compreendidas em termos de recursos e conhecimento (por exemplo, capital, tempo, pessoas, processos, sistemas e tecnologias); sistemas de informação, fluxos de informação e processos de tomada de decisão (tanto formais como informais); relações com partes interessadas internas, e suas percepções e valores; cultura da organização; normas, diretrizes e modelos adotados pela organização; e forma e extensão das relações contratuais. 2.12 Comunicação e consulta - processos contínuos e iterativos que uma organização conduz para fornecer, compartilhar ou obter informações e se envolver no diálogo com as partes interessadas e outros, com relação a gerenciar riscos. NOTA 1 - As informações podem referir-se à existência, natureza, forma, probabilidade, significância, avaliação, aceitabilidade, tratamento ou outros aspectos da gestão de riscos. NOTA 2 - A consulta é um processo bidirecional de comunicação sistematizada entre uma organização e suas partes interessadas ou outros, antes de tomar uma decisão ou direcionar uma questão específica. A consulta é: um processo que impacta uma decisão através da influência ao invés do poder; e uma entrada para o processo de tomada de decisão, e não uma tomada de decisão em conjunto. 2.13 Parte interessada - pessoa ou organização que pode afetar, ser afetada, ou perceber–se afetada por uma decisão ou atividade. NOTA - Um tomador de decisão pode ser uma parte interessada. 2.14 Processo de avaliação de riscos - processo global de identificação de riscos, análise de riscos e avaliação de riscos. 2.15 Identificação de riscos - processo de busca, reconhecimento e descrição de riscos. NOTA 1 - A identificação de riscos envolve a identificação das fontes de risco, eventos suas causas e suas consequências potenciais. NOTA 2 - A identificação de riscos pode envolver dados históricos, análises teóricas, opiniões de pessoas informadas e especialistas, e as necessidades das partes interessadas. 2.16 Fonte de risco - elemento que, individualmente ou combinado, tem o potencial intrínseco para dar origem ao risco. NOTA - Uma fonte de risco pode ser tangível ou intangível. 2.17 Evento - ocorrência ou mudança em um conjunto específico de circunstâncias NOTA 1 - Um evento pode consistir em uma ou mais ocorrências e pode ter várias causas. NOTA 2 - Um evento pode consistir em alguma coisa não acontecer. NOTA 3 - Um evento pode algumas vezes ser referido como um "incidente" ou um "acidente". NOTA 4 - Um evento sem consequências também pode ser referido como um "quase acidente", ou um "incidente" ou "por um triz". 2.18 Consequência - resultado de um evento que afeta os objetivos. NOTA 1 - Um evento pode levar a uma série de consequências. NOTA 2 - Uma consequência pode ser certa ou incerta e pode ter efeitos positivos ou negativos sobre os objetivos. NOTA 3 - As consequências podem ser expressas qualitativa ou quantitativamente. NOTA 4 - As consequências iniciais podem desencadear reações em cadeia 2.19 Probabilidade (likelihood) - chance de algo acontecer. NOTA 1 - Na terminologia de gestão de riscos, a palavra ”probabilidade" é utilizada para referir-se à chance de algo acontecer, não importando se definida, medida ou determinada objetiva ou subjetivamente, qualitativa ou quantitativamente, ou se descrita utilizando-se termos gerais ou matemáticos (tal como probabilidade ou frequência durante um determinado período de tempo). NOTA 2 - O termo em Inglês "likelihood" não tem um equivalente direto em algumas línguas; em vez disso, o equivalente do termo "probability" é freqüentemente utilizado. Entretanto, em Inglês, "probability" é muitas vezes interpretado estritamente como uma expressão matemática. Portanto, na terminologia de gestão de riscos, ”likelihood" é utilizado com a mesma ampla interpretaçãode que o termo "probability" tem em muitos outros idiomas além do inglês. 2.20 Perfil de risco - descrição de um conjunto qualquer de riscos. NOTA - O conjunto de riscos pode conter riscos que dizem respeito a toda a organização, parte da organização, ou referente ao qual tiver sido definido. 2.21 Análise de riscos - processo de compreender a natureza do risco e determinar o nível de risco. NOTA 1 - A análise de riscos fornece a base para a avaliação de riscos e para as decisões sobre o tratamento de riscos. NOTA 2 - A análise de riscos inclui a estimativa de riscos. 2.22 Critérios de risco - termos de referência contra os quais a significância de um risco é avaliada. NOTA 1 - Os critérios de risco são baseados nos objetivos organizacionais e no contexto externo e contexto interno. NOTA 2 - Os critérios de risco podem ser derivados de normas, leis, políticas e outros requisitos. 2.23 Nível de risco - magnitude de um risco ou combinação de riscos, expressa em termos da combinação das consequências e de suas probabilidades. 2.24 Avaliação de riscos - processo de comparar os resultados da análise de riscos com os critérios de risco para determinar se o risco e/ou sua magnitude é aceitável ou tolerável. NOTA - avaliação de riscos auxilia na decisão sobre o tratamento de riscos. 2.25 Tratamento de riscos - processo para modificar o risco. NOTA 1 - O tratamento de risco pode envolver: a ação de evitar o risco pela decisão de não iniciar ou descontinuar a atividade que dá origem ao risco; assumir ou aumentar o risco, a fim de buscar uma oportunidade; a remoção da fonte de risco; a alteração da probabilidade; a alteração das consequências; o compartilhamento do risco com outra parte ou partes (incluindo contratos e financiamento do risco); e a retenção do risco por uma escolha consciente. NOTA 2 - Os tratamentos de riscos relativos às consequências negativas são muitas vezes referidos como "mitigação de riscos", "eliminação de riscos", "prevenção de riscos" e "redução de riscos". NOTA 3 - O tratamento de riscos pode criar novos riscos ou modificar riscos existentes. 2.26 Controle - medida que está modificando o risco. NOTA 1 - Os controles incluem qualquer processo, política, dispositivo, prática ou outras ações que modificam o risco. NOTA 2 - Os controles nem sempre conseguem exercer o efeito de modificação pretendido ou presumido. 2.27 Risco residual - risco remanescente após o tratamento do risco. NOTA 1 - O risco residual pode conter riscos não identificados. NOTA 2 - O risco residual também pode ser conhecido como "risco retido". 2.28 Monitoramento - verificação, supervisão, observação crítica ou identificação da situação, executadas de forma contínua, a fim de identificar mudanças no nível de desempenho requerido ou esperado. NOTA - O monitoramento pode ser aplicado à estrutura da gestão de riscos, ao processo de gestão de riscos, ao risco ou ao controle. 2.29 Análise crítica - atividade realizada para determinar a adequação, suficiência e eficácia do assunto em questão para atingir os objetivos estabelecidos. NOTA - A análise crítica pode ser aplicada à estrutura da gestão de riscos, ao processo de gestão de riscos, ao risco ou ao controle. 3 Princípios da Análise e Gestão de Riscos Para a gestão de riscos ser eficaz, convém que uma organização, em todos os níveis, atenda aos princípios abaixo descritos. a) A gestão de riscos cria e protege valor. A gestão de riscos contribui para a realização demonstrável dos objetivos e para a melhoria do desempenho referente, por exemplo, à segurança e saúde das pessoas, à segurança, à conformidade legal e regulatória, à aceitação pública, à proteção do meio ambiente, à qualidade do produto, ao gerenciamento de projetos, à eficiência nas operações, à governança e à reputação. b) A gestão de riscos é parte integrante de todos os processos organizacionais. A gestão de riscos não é uma atividade autônoma separada das principais atividades e processos da organização. A gestão de riscos faz parte das responsabilidades da administração e é parte integrante de todos os processos organizacionais, incluindo o planejamento estratégico e todos os processos de gestão de projetos e gestão de mudanças. c) A gestão de riscos é parte da tomada de decisões. A gestão de riscos auxilia os tomadores de decisão a fazer escolhas conscientes, priorizar ações e distinguir entre formas alternativas de ação. d) A gestão de riscos aborda explicitamente a incerteza. A gestão de riscos explicitamente leva em consideração a incerteza, a natureza dessa incerteza, e como ela pode ser tratada. e) A gestão de riscos é sistemática, estruturada e oportuna. Uma abordagem sistemática, oportuna e estruturada para a gestão de riscos contribui para a eficiência e para os resultados consistentes, comparáveis e confiáveis. f) A gestão de riscos baseia-se nas melhores informações disponíveis. As entradas para o processo de gerenciar riscos são baseadas em fontes de informação, tais como dados históricos, experiências, retroalimentação das partes interessadas, observações, previsões, e opiniões de especialistas. Entretanto, convém que os tomadores de decisão se informem e levem em consideração quaisquer limitações dos dados ou modelagem utilizados, ou a possibilidade de divergências entre especialistas. g) A gestão de riscos é feita sob medida. A gestão de riscos está alinhada com o contexto interno e externo da organização e com o perfil do risco. h) A gestão de riscos considera fatores humanos e culturais. A gestão de riscos reconhece as capacidades, percepções e intenções do pessoal interno e externo que podem facilitar ou dificultar a realização dos objetivos da organização. i) A gestão de riscos é transparente e inclusiva. O envolvimento apropriado e oportuno de partes interessadas e, em particular, dos tomadores de decisão em todos os níveis da organização assegura que a gestão de riscos permaneça pertinente e atualizada. O envolvimento também permite que as partes interessadas sejam devidamente representadas e terem suas opiniões levadas em consideração na determinação dos critérios de risco. j) A gestão de riscos é dinâmica, iterativa e capaz de reagir a mudanças. A gestão de riscos continuamente percebe e reage às mudanças. Na medida em que acontecem eventos externos e internos, o contexto e o conhecimento modificam-se, o monitoramento e a análise crítica de riscos são realizados, novos riscos surgem, alguns se modificam e outros desaparecem. k) A gestão de riscos facilita a melhoria contínua da organização. Convém que as organizações desenvolvam e implementem estratégias para melhorar a sua maturidade na gestão de riscos juntamente com todos os demais aspectos da sua organização. “SOBREVIVÊNCIA URBANA E AUTOPRESERVAÇÃO DA VIDA” Os conceitos atuais de sobrevivência urbana, autodefesa ou autopreservação da vida perpassam antes de tudo por uma correta análise criminal, geral e local, ou seja, entender porque determinado tipo de crime acontece em determinado tipo de local e, suas circunstâncias. No contexto nacional algumas taxas e índices saltam aos olhos, onforme apontam respectivamente o Anuário de Segurança Pública 2018 e o Atlas da Violência 2019: a) http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/03/Anuario-Brasileiro-de-Seguran%C3%A7a-P%C3%BAblica-2018.pdf; b) http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/06/Atlas-da-Violencia-2019_05jun_vers%C3%A3o-coletiva.pdf; No contexto do Estado de Mato Grosso temos uma realidade bem próxima à apontada pelos indicativos nacionais, porém com ênfase aos crimes violentos comuns temos: a) Roubo: (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) (fonte: SROP – PM/PJC MT, 2018) Uma vez demonstrado qual tipo de crime que ocorre em determinado local e em determinadohorário, principalmente os crimes violentos, fica fácil entender que o infrator que vai cometer o delito, prepara esse crime, em geral, todo crime violento conta com uma determinada sequência de momentos, divididos em duas fases: 1ª FASE – AÇÃO PREPARATÓRIA 1) Pré-eleição do alvo: essa fase pode levar meses, dias ou apenas alguns segundos. É a fase em que o criminoso irá escolher a vítima (modelo ideal): Estudo PJC RJ 2016 (1-penteado/2-roupa/3-manhã/4-2% armados/5-não objetos longos/6-medo identificação/7-gritar); 2) Identificação do alvo: o alvo foi escolhido. Geralmente o mais fraco, mais distraído ou com base no que o criminoso procura; 3) Vigilância: período que o criminoso avalia toda a situação antes do ataque (abordagem); 4) Planejamento: o criminoso já tem tudo o que precisa, agora ele planeja como será o ataque (dia, hora, local, forma de abordagem, arma...) 2ª FASE – AÇÃO OFENSIVA 5) Ataque: inicia no momento em que o criminoso faz a abordagem. Nessa fase já não há como fazer prevenção. 6) Conquista: momento no qual o criminoso sente estar no domínio da situação. 7) Captura: momento em que o ato de desejo se inicia até ser consumado (subtração de bens, abuso sexual, ameaça, agressão, etc) (Ponta “A” para Ponto “B”) 8) Fuga e evasão: momento em que o criminoso decide por sair do local que praticou o ato criminoso levando ou não a vítima para chegar ao local de refúgio visando se homiziar da polícia. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE - Estudos científicos baseados em casos concretos apontam que temos menos que 5% de chance de sucesso nas ações de interrupção. (Caso Bob Rogers). Importante frisar que mesmo que o infrator não siga rigorosamente os passos acima descritos, ele vai fazer algo muito próximo desse “roteiro” e somente observando os princípios básicos da autodefesa ou autopreservação da vida que podemos minimizar as chances de sermos vítimas do crime violento comum. Dave Grossman, Coronel aposentado das Forças Especiais do Exército Americano (U.S. Army) escreveu duas brilhantes obras sobre os confrontos armados e consequentemente sobre o ato de matar, respectivamente “On Combat” e “On killing”. Em ambas a obras ele destaca que inúmeros estudos científicos demonstraram que a fobia universal humana é a morte, ou seja, um ato violento extremo que pode levar alguém à morte é o maior medo que um ser humano pode ter em seu íntimo. Para não sermos vítimas de um crime violento comum, a grande saída é possuirmos o que o policial federal Humberto Wendling, em seu livro “Autodefesa contra o crime e a violência” muito bem chama de “flexibilidade mental”, ou seja, por mais que saibamos que a fobia universal humana é o medo da morte, temos que ser flexíveis o suficiente para incluir o uso da força física como uma alternativa para ficamos vivos diante desta fobia universal humana. Para isso obrigatoriamente devemos estar preparados física e mentalmente, mas acima de tudo temos que ter a disposição necessária para usa-la. Uma vez explicitado tal conceito fica nítido entendermos que por ser a fobia universal humana, poucas pessoas estão realmente preparadas e dispostas para enfrentar com força física tal fobia, simplesmente por ser uma prioridade ou não na vida da grande maioria das pessoas. Por isso que outros estudos apontam que 95% do nosso tempo e esforços devem estar voltados para procedimentos preventivos, ou seja, para evitarmos o ataque, a abordagem de um criminoso, pois uma vez iniciado o ato violento por parte do infrator, entramos no estágio da sobrevivência urbana, aonde temos somente 5% de chance de sairmos vivos e, o fator determinante para que essa mínima chance dê certo chama-se treinamento, a rigor em três áreas completamente distintas mas que se complementam: treinamento mental, treinamento físico e treinamento psicomotor. Se nossas chances são 95% maiores de nos livramos da fobia universal humana, a morte, apenas trabalhando aspectos preventivos, é o que devemos de fato fazer, mas alguns conceitos simples devem ser abordados para se tornar claro o que são esses procedimentos preventivos. O professor e psicólogo americano Albert Mehrabian comprovou através de décadas de estudos que os humanos comunicam: 7% através de palavras escritas; 38 % através da voz; 55% através de comunicação não verbal; Esses apontamentos são importantes à medida que o criminoso, muito antes de verbalizar com uma vítima, muito antes de dar “a voz de roubo” vai “demostrar com seu corpo” quais são suas intenções delitivas, mas para isso a vítima precisa obrigatoriamente observar, ou seja, estar alerta e ver, antes que isso de fato ocorra. Parece um conceito muito simples, mas não é, uma vez que vivemos na geração pós-moderna, onde o fluxo de informações que recebemos é muito grande e o nosso cérebro realmente não consegue processar tudo que recebe. Por isso George Miller, pesquisador americano, que em 1956 usou pela primeira vez o termo “memória de curto prazo”, explica que à grosso modo armazenamos 07 itens distintos na memória e quando mais um é adicionado, outro obrigatoriamente sairia. Posteriormente Nelson Cowan, outro pesquisador, mostrou em que em adultos são 04 blocos de informações que podemos processar, assim obrigatoriamente usamos ou descartamos esses blocos e, se usamos essa informação vai para a chamada “memória de longo prazo”, se não usamos ela é descartada. Sabendo então que somos diuturnamente bombardeados por uma carga de informação muito além daquela que de fato conseguimos processar, para termos sucesso dentro daqueles 95% de procedimentos preventivos, precisamos priorizar algumas coisas, a primeira de fato é saber que a comunicação predominante é a não verbal, para isso eu preciso ver, observar aquilo que acontece ao meu redor, mas se fizermos isso de maneira errada, vamos sobrecarregar o nosso sistema nervoso e ainda sim não daremos conta do recado. Pensando nisso e baseado em sua experiência de vida, outro militar americano aposentado, Coronel Fuzileiro Naval Jonh Dean “Jeff” Cooper (USMC), afirmava que a primeira ferramenta para se vencer um confronto armado não eram as armas de fogo ou as artes marciais, mas sim o estado da mente preparado para o combate, o chamado “combat mindset”, tendo assim desenvolvido o Código de Cores de Cooper: Tal código mostra que nosso estado de atenção ou alerta deve mudar de acordo com a situação vivida e, isso está diretamente associado ao que podemos/devemos fazer. Atualmente renomadas escolas militares e policiais adotam esse Código para treinar e doutrinar seus operadores. Basicamente estaremos no Branco dentro de nossas casas ou locais de trabalho (lembrem-se que em Cuiabá 66% dos Roubos ocorrem em Via pública, 13% no Comércio em geral e 12% em Residências) que são locais que naturalmente estamos protegidos, seja por uma segurança orgânica, sistemas eletrônicos, barreiras físicas ou uma equipe de proteção propriamente dita. Passaremos para o Amarelo no momento em que saímos desses locais protegidos, pois tenho que me manter parcialmente relaxado para que a tensão no tome conta do meu corpo e assim eu receba mais informação do que posso processar. Tal estado deve ser mantido de maneira fácil, preciso dele para longos períodos de atenção no ambiente em que eu estiver inserido. Já o Laranja é um alerta específico, onde algo chamou minha atenção naquele local em que eu já estava, dessa forma cria-se uma atenção direcionada especificamente para isso. E no Vermelho obrigatoriamente temos uma resposta programada, de lutar ou fugir, a depender se você é uma “Ovelha ou um Cão pastor, porque o Lobo já chegou”. Uma importante ferramenta que também pode nos ajudar a trabalharmos com procedimentos preventivos e, para interpretar melhor o Código de Cores de Cooper é o Ciclo O.O.D.A, desenvolvido pelo piloto da aviação de caça da Força Aérea Americana aposentado, Coronel Jonh Boyd. O ciclo por ele desenvolvido é um modelo que proporciona uma tomada rápida de decisão, sendo ela eficaz e proativa, baseada em 04 pontos: a) Observação: do ambiente,estar no ambiente e verificar aquilo que te favorece, trazendo para a realidade da fobia universal humana que é o medo da morte, no nosso caso, através de um crime violento comum, recomenda-se a observação: a.1) Ambiente: em si e o que ele te favorece (abrigos, cobertas, saídas...); a.2) Oponente, adversário, agressor, infrator da lei: está armado? Está sozinho? Está sob efeito de drogas? a.4) Terceiros em cena: seus familiares, amigos, pedestres. Nesse primeiro ponto então, devemos lembrar que sempre em um cenário adverso de violência teremos esses três elementos, mais você o sujeito ativo da prevenção, teremos sempre 04 elementos em cena. b) Orientação: é o segundo passo após o levantamento de dados que fizemos na observação, via de regra começamos a direcionar nosso comportamento, buscando linhas de base e anomalias comportamentais, como sujeito dominador/submisso, sujeitos confortáveis/desconfortáveis, ou sujeitos interessados/desinteressados, em determinado tipo de ambiente ou tarefa que estiver sendo realizada; c) Decisão: momento em que tomo a decisão de agir, ou seja, uma atitude pró ativa de se fazer algo e não de esperar que algo ocorra; d) Ação: uma vez passado pelos três estágios anteriores, aonde as informações vitais foram coletadas através da observação, elas foram processadas através da orientação, direcionado o pensamento para uma linha de ação no estágio da decisão, agora é a hora de colocar aquela ação pensada e planejada em prática. O Ciclo O.O.D.A hoje é usado em diversos ramos do saber, seja policial, militar, empresarial e tantos outros e, algumas escolas modernas traduziram o ciclo O.O.D.A para o V.I.D.A, onde tal acrônimo é mais fácil de ser decorado: ver, identificar, decidir e agir, mas o seu conteúdo é o mesmo. Dito a respeito dos tipos criminais e suas incidências, falamos da fobia universal humana e que as chances são maiores em 95% se trabalharmos com procedimentos preventivos, que podemos identificar e usar através do Código de Cores de Cooper e do Ciclo O.O.D.A, passamos agora a discorrer sobre o cerne da nossa sobrevivência urbana, através da “Teoria do Passo à Frente”. A “Teoria do Passo à Frente” foi desenvolvida pelo Tenente Coronel de Operações Especiais, Marcos Eduardo T. Paccola, da Polícia Militar do Mato Grosso, para ser de fácil entendimento, pois preconiza que o cidadão de bem, deve estar sempre um “passo à frente” do seu potencial criminoso. A teoria é dividia basicamente em 03 estágios, que são: a) Ação: ter a iniciativa, ser proativo para evitar sermos vítimas de um crime violento comum, ou seja, o ideal é estarmos “um passo à frente” ou mais, com relação ao nosso opositor e, trabalharmos dentro daqueles mesmos 95% de tempo e esforço gastos na prevenção. Exemplo 1: você observa uma pessoa suspeita vindo em sua direção, te encarando, mantendo os olhos fixos em você por algum motivo. Trabalhando com o Código de Cores de Cooper junto com o Ciclo OODA, neste momento a AÇÃO da “Teoria do Passo à Frente” lhe diria para atravessar a rua e aumentar a distância com relação a esse suspeito e não confrontá-lo verbalmente ou através da força física, ou seja, uma antecipação de conduta para de fato se evitar o que o FBI chama de “encontros violentos”. Cabe aqui uma breve explicação sobre o estudo desses “encontros violentos” que o FBI (polícia federal americana) fez durante 30 anos de ocorrências policiais, onde houve o resultado morte ou do lado policial, ou do lado criminoso. O “Violent Encounters Report Cover”, relatório feito pelo FBI em 2006 trouxe estatísticas incríveis a respeito do confronto armado nos EUA, que se olharmos com atenção, pode ser um “manual” para aumentarmos as chances de sairmos vivos de tais confrontos: a) Efetuar o primeiro disparo aumenta em 60% as chances de vencer o confronto; b) Acertar o primeiro disparo aumenta em 80% as chances de vencer o confronto; c) Grande maioria dos confrontos dura 3 segundos; d) Grande maioria dos confrontos acontece em até 3 metros de distância; e) Necessários efetuar 3 disparos para que um tenha poder de lesão; f) São disparados pelo menos 6 tiros para que 1 acerte no seu opositor; Esses apontamentos são importantes, pois nos mostram estatísticas de confrontos armados em que de fato houve o resultado morte e, desses estudos as academias policiais passaram a adotar (de maneira simplificada) que todo confronto armado passa pela “Regra do 3.3.3”: o confronto armado ocorre geralmente em médio de 3 metros de distância, duram em média 3 segundos e, pelo menos 3 disparos deverão ser efetuados para que 1 tenha poder de efetiva neutralização. Essa regra é muito importante e se encaixa perfeitamente com a “Teoria do Passo à Frente”, pois quando falamos da Ação, partimos do pressuposto de sermos proativos no sentido de prevenirmos aquele “encontro violento”. b) Reação: uma vez que a antecipação, que a prevenção falhou e nos encontramos dentro de um crime violento comum em andamento, ou como vítima ou como terceiros na cena, primeira coisa a se lembrar é que as chances de êxito são de apenas 5 %, ou seja, estamos, portanto, “um passo atrás” do criminoso e precisamos dar um jeito de sair disso, preferencialmente sem os “encontros violentos”, ou seja, sem de fato haver confrontação. Para isso, diante da sua falha de prevenção, podemos escolher três tipos de reação: b.1) Reação Passiva ou Submissa: aquela que você como vítima de um crime violento comum aceita fazer tudo que o criminoso deseja, tudo que ele quer ou tudo que ele manda, ficando assim o controle do resultado nas mãos do criminoso. b.2) Reação Errante: você como vítima ou terceiro em cena de um crime violento comum, perde o controle mental e consequentemente o controle psicomotor, fazendo algo totalmente impróprio: (fonte: jornal da manhã/PE) b.3) Submissão Ativa ou Controlada: é a reação ideal, pois você como vítima ou como terceiro em cena, no momento em que ocorre o delito, faz o Ciclo OODA e busca uma “janela de oportunidade” para a reação, seja ela com uso de força física ou não. O conceito de “janela de oportunidade” é de fácil entendimento se comparamos de fato à uma janela, que se abre e se fecha de acordo com a oportunidade, seja essa oportunidade provocada de maneira inteligente por você, vítima, ou oportunidade esta dada pelo criminoso. No caso desse tipo de reação, a submissão ativa, estou “um passo atrás do criminoso” pois falhei na prevenção e agora me encontro naqueles míseros 5% de chances de ficar vivo, diante disso importante lembramos da comunicação não verbal vista anteriormente. Seu corpo vai “falar”, ele vai dar sinais para o criminoso da sua real intenção e, a Teoria nos mostra que se nos abaixarmos abaixo da linha dos olhos do criminoso e ao mesmo tempo mostramos as palmas das mãos abertas para ele, estaremos passando uma mensagem para o infrator de que somos inofensivos e não iremos confronta-lo, mas na verdade essa é uma posição favorável para ocultarmos uma arma de fogo ou outro objeto que portemos para nossa defesa pessoal, assim como uma posição básica de defesa de nossos principais órgãos, isso é a chamada posição de ocultação. c) Não Ação: estado de incapacidade total e absoluta da mente, o que alguns autores chamaram de “medo paralisante”, pois a pessoa envolvida nesse cenário basicamente partiu do pressuposto de que “isso nunca vai acontecer comigo” e a primeira coisa que ela pensa quando começa é “isso não pode estar acontecendo”, ou seja, estado de negação total da mente e consequentemente negação psicomotora e física, sendo que seu corpo não vai responder aos seus comandos, pois ele entrou no modo de “sobrevivência”. image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image1.png image2.png