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UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
Curso de Farmácia
Relatório das Atividades Desenvolvidas Durante o
Estágio Supervisionado in loco 4 do curso de Farmácia
 Daiane Assunção Rodrigues
ANANINDEUA-PA
2024
UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA
Curso de Farmácia
NOME: Daiane Assunção Rodrigues
MATRÍCULA: 04121520
ÁREA DO ESTÁGIO: Fitoterapia
PERÍODO: 06/08 a 18/12/2024
CARGA HORÁRIA: 50h
ANANINDEUA-PA
2024
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO........................................................................................................................4
2 DENVOLVIMENTO................................................................................................................6
3 CASO CLINICO.......................................................................................................................9
4 CONLUSÃO............................................................................................................................10
5 REFERÊNCIAS.......................................................................................................................11
1 INTRODUÇÃO
A fitoterapia é uma prática terapêutica que utiliza plantas medicinais em sua forma natural ou em preparações derivadas, como chás, tinturas e extratos, para promover efeitos terapêuticos no tratamento de diversas condições de saúde. Diferente dos medicamentos convencionais, que isolam princípios ativos específicos, a fitoterapia busca aproveitar a sinergia entre os componentes da planta para proporcionar benefícios ao organismo. O uso de plantas medicinais é um saber tradicional, que integra a cultura de diferentes povos e tem sido difundido ao longo de gerações (Brasil, 2016; Feitosa et al., 2016; Brasil, 2020). 
No Brasil, a prática da fitoterapia é regulamentada por políticas públicas e legislações que visam garantir seu uso seguro e racional. A Portaria nº 971, de 03 de maio de 2006, instituiu a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC), que incorpora a fitoterapia ao Sistema Único de Saúde (SUS) como uma prática complementar. Já o decreto nº 5.813, de 22 de junho de 2006, estabeleceu a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF), que reforça a importância da fitoterapia como uma prática terapêutica legítima e regulamentada. Em 2008, foi instituído o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, com o objetivo de garantir o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promover a biodiversidade brasileira e valorizar os conhecimentos tradicionais (Brasil, 2016; Brasil, 2020).
Além das políticas de saúde, a Resolução nº 586/2013 do Conselho Federal de Farmácia (CFF) regulamenta a prescrição farmacêutica, permitindo que o farmacêutico prescreva medicamentos e outros produtos com finalidade terapêutica, incluindo plantas medicinais e fitoterápicos que não exigem prescrição médica. A Resolução nº 585/2013, também do CFF, estabelece as atribuições clínicas do farmacêutico, autorizando sua atuação em atenção farmacêutica na fitoterapia, desde que realizada em ambientes adequados e seguindo normas específicas de documentação e registro (Conselho Federal de Farmácia, 2016). 
Nessa conjuntura, o farmacêutico, como um dos profissionais habilitados para atuar na fitoterapia, deve garantir a segurança e eficácia do uso de plantas medicinais e fitoterápicos. Isso exige um conhecimento aprofundado das propriedades terapêuticas, dosagem, formas de administração, contraindicações e possíveis interações medicamentosas das plantas indicadas. Além disso, o profissional deve respeitar os saberes populares e tradicionais, promovendo a integração entre o conhecimento técnico-científico e a sabedoria popular para oferecer um cuidado de saúde mais abrangente e eficaz (Cipolle & Strand, 2004).
A atuação do farmacêutico na fitoterapia é ampla e envolve identificar situações em que a fitoterapia é indicada, selecionar a melhor intervenção para o paciente, documentar todas as ações e assegurar que a prescrição siga as regulamentações vigentes. A prescrição deve ser realizada em idioma oficial, de forma legível e sem rasuras, incluindo o nome botânico e popular da planta, a parte utilizada, a forma farmacêutica, a dosagem e as instruções de uso (Marques et al., 2019; Scremin et al., 2016). 
O uso inadequado de fitoterápicos pode resultar em efeitos adversos e toxicidade. Portanto, é fundamental que o farmacêutico oriente corretamente sobre o preparo e a administração dos fitoterápicos, considerando situações especiais como gestantes, lactantes, crianças e idosos. Para esses grupos, a utilização de plantas medicinais deve ser cautelosa devido a possíveis alterações no metabolismo e à falta de estudos de segurança. Além disso, deve-se evitar a utilização de tinturas e extratos fluidos alcoólicos para crianças, gestantes e indivíduos com dependência química (Leal & Tellis, 2016). 
O farmacêutico deve estar ciente das contraindicações e riscos de interação entre fitoterápicos e outros medicamentos, especialmente em pacientes com doenças crônicas, como insuficiência renal e hepática. Dessa forma, a atenção farmacêutica em fitoterapia deve ser baseada em evidências científicas e conhecimento técnico, sempre buscando a promoção do uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos para garantir a segurança e eficácia do tratamento (Brandão, 2011; Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas, 2020). Nesse sentido, objetiva-se destacar a regulamentação e importância do uso racional da fitoterapia no Brasil, enfatizando a atuação do farmacêutico e os cuidados na prescrição de plantas medicinais e fitoterápicos.
2 DESENVOLVIMENTO
06 de Agosto - Introdução e Apresentação da Matéria:
· Apresentação geral do curso e introdução ao tema da fitoterapia.
13 de Agosto - Tema: Introdução, Histórico e Conceitos da Fitoterapia:
· Conteúdo abordado:
· Histórico da fitoterapia e sua inclusão nas políticas de saúde.
· Reconhecimento da fitoterapia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1976.
· Publicações da OMS (1991 e 2002) sobre guias de segurança e eficácia das plantas medicinais.
· Criação e implementação da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF) no Brasil.
Nessa aula foi aprendido que a fitoterapia é uma prática terapêutica fundamentada no uso de plantas medicinais para prevenir, tratar e aliviar doenças, sendo uma alternativa integrada à medicina moderna. Foi abordado o histórico dessa prática, que teve reconhecimento da OMS a partir de 1976 e, no Brasil, foi formalizada no SUS com a criação da PNPIC e PNPMF em 2006. Além disso, discutiu-se a legislação vigente e os conceitos-chave, como planta medicinal, droga vegetal, derivados vegetais e fitoterápicos, bem como a importância de garantir a segurança e eficácia no uso dessas terapias para o bem-estar da população.
20 de Agosto - Tema: Legislação, Plantas Medicinais e Aplicações:
· Conteúdo abordado:
· Principais legislações no Brasil para fitoterápicos:
· Portaria 971/2006: Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no SUS.
· Decreto 5.813/2006: Aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (PNPMF).
· Portaria 886/2010: Institui as Farmácias Vivas no SUS.
· RDCs relacionadas a boas práticas de manipulação de plantas medicinais: RDC 67/2007 e RDC 87/2008: Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais.
Na aula, foram abordadas as legislações que regulam o uso, comercialização e controle de plantas medicinais e fitoterápicos no Brasil, além da função do farmacêutico na prescrição e manipulação desses produtos. Destacaram-se a Lei 5991/73, que disciplina o comércio de plantas medicinais e define a dispensação como responsabilidade de farmácias e ervanarias; e as RDCs 67/2007 e 87/2008,que estabelecem as Boas Práticas de Manipulação Magistrais e Oficinais, exigindo controle de qualidade das matérias-primas vegetais. 
Também foram discutidas as diretrizes para a notificação de drogas vegetais (RDC 10/2010) e para o registro de Medicamentos Fitoterápicos e Produtos Tradicionais Fitoterápicos (RDC 26/2014), que os distinguem com base em critérios de segurança e eficácia. Por fim, a aula enfatizou que o farmacêutico, conforme a Resolução CFF 586/2013, pode prescrever medicamentos fitoterápicos e outros produtos terapêuticos, promovendo um uso mais seguro e orientado das terapias à base de plantas medicinais.
27 de Agosto - Tema: Atenção farmacêutica na Fitoterapia:
· Conteúdo abordado:
· Resolução CFF 586/2013: Competência do farmacêutico na prescrição de medicamentos fitoterápicos.
· Inclusão de plantas medicinais e drogas vegetais na prática farmacêutica.
Nesta aula, foi discutida a atenção farmacêutica na fitoterapia, abordando aspectos como automedicação, custo dos fitoterápicos e a demora nos resultados, além da importância da acessibilidade e dos efeitos colaterais na adesão ao tratamento. Foi destacado o papel das regulamentações que orientam a atuação do farmacêutico, incluindo as Resoluções/CFF nº 585 e nº 586, bem como a Lei nº 13.021. O farmacêutico deve estar preparado para prescrever fitoterápicos, conhecendo suas indicações, formas de administração e interações. Também foram abordadas as situações em que o farmacêutico pode intervir, enfatizando a importância de um plano de cuidado que inclua intervenções não-farmacológicas, como mudanças no estilo de vida.
03 de Setembro - Formação de grupo e construção de casos clínicos sobre fitoterápicos. 
10 de Setembro - Foi realizada a apresentação dos casos clínicos pelos grupos que foram formados anteriormente.
17 de Setembro - Continuação da apresentação dos casos clínicos, incluindo o caso clínico pertencente ao meu grupo (caso Fátima - 54 anos). A vivência do caso clínico de Fátima ilustra como a fitoterapia pode gerar melhorias significativas na qualidade do sono, por meio da ingestão do chá de maracujá. Além disso, indicando para a paciente a realização de atividade física.
24 de Setembro - Orientações acerca do relatório.
3 CASO CLÍNICO
· Nome: Ana Júlia 
· Sexo : Feminino 
· Idade: 25 anos 
· Ocupação : Estudante, está no 10° período de faculdade.
· Queixa: Dificuldade para iniciar e manter o sono a cerca de duas semanas,relatando noites mal dormidas e sono fragmentado.
Não apresenta diagnóstico de doenças crônicas.
Não pratica atividade físicas.
· Rotina: Ana acorda cedo todos os dias,vai para a faculdade pela manhã e de tarde ela faz estágio, ao longo do dia consome 3-4 xícaras de café e dorme por volta das 23:00.
· Plano fitoterápico : Sugerir algum fitoterápico ansiolítico ou sedativo leve, como, passiflora ou camomila, podendo ser na forma de cápsula ou chá.
· Chá : Infusão utilizando 1 colher de sopa da droga vegetal em 150 ml de água, uma vez ao dia, de preferência à noite.
· Plano não farmacológico: Sugerir que a paciente pratique algum exercício físico, como também reduzir a quantidade de café consumida, pois, no café tem a presença de cafeína que é um estimulante do sistema nervoso central,ou seja, pode causar ansiedade e insônia.
4 CONCLUSÃO
Sendo assim, foi possível concluir que a fitoterapia é uma prática terapêutica valiosa, fundamentada no uso de plantas medicinais, que pode ser integrada ao tratamento de diversas condições de saúde. A atuação do farmacêutico é essencial nesse processo, pois ele não apenas prescreve fitoterápicos, mas também orienta sobre seu uso seguro e eficaz, respeitando as regulamentações vigentes. Particularmente, fica entendido que a integração de plantas medicinais ao tratamento de condições de saúde não só enriquece a prática farmacêutica, mas também oferece alternativas aos pacientes que buscam tratamentos complementares. Nesse sentido, futuramente, como farmacêutica poderei atuar de maneira holística no cuidado à saúde. 
Além disso, a combinação de intervenções farmacológicas e não-farmacológicas, como a promoção de hábitos saudáveis, contribui para uma abordagem mais holística e eficaz no cuidado do paciente. A experiência do caso clínico de Ana Júlia exemplifica como a fitoterapia, aliada a mudanças no estilo de vida, pode proporcionar melhorias significativas na qualidade de vida dos indivíduos, refletindo a importância da integração do conhecimento técnico e das práticas tradicionais na saúde.
5 REFERÊNCIAS
Brandão, A. Fitoterapia, com certeza. Pharmacia Brasileira. 2011; 81(1): 22-28. Disponível em: https://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/131/022a028_fitoterapia.pdf . Acesso em: 1 out. 2024.
Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2016. 1–114 p. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/sctie/daf/pnpmf/publicacoes/memento-fitoterapico-da-farmacopeia-brasileira/view. Acesso em: 2 out. 2024.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência Tecnologia Inovação e Insumos em saúde. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais - RENAME 2020 no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 2020. 217 p. Disponível em:https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/relacao_medicamentos_rename_2020.pdf Acesso em: 1 out. 2024.
Cipolle, R. J., Strand, L. M. Pharmaceutical care practice: The clinician’s guide. 2a ed. New York: McGraw-Hill Medical; 2004. 394 p. Disponível em: https://accesspharmacy.mhmedical.com/book.aspx?bookID=491. Acesso em: 05 out. 2024.
Feitosa, M. H. A., Soares, L. L., Borges, G. A., Andrade, M. M., Costa, S. de M. Inserção do Conteúdo Fitoterapia em Cursos da Área de Saúde. Rev Bras Educ Med. 2016; 40(2):197–203. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/Rmbg6DyCvzvC85yLrqnX3bS/abstract/?lang=pt. Acesso em: 05 out. 2024.
Leal, L., Tellis, C. Farmacovigilância De Plantas Medicinais E Fitoterápicos No Brasil: Uma Breve Revisão. Rev Fitos. 2016; 9(4):261–4. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/far-2142 . Acesso em: 2 out. 2024.
Marques, P. A., Moriya, M. M., Maria, V., Antunes, D. S. Prescrição farmacêutica de medicamentos fitoterápicos. 2019; 1:1–9. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/331878792_Prescricao_farmaceutica_de_medicamentos_fitoterapicos .. Acesso em: 05 out. 2024.
Conselho Federal de Farmácia. Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço conceitual. Brasília; 2016. 200 p. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/Profar_Arcabouco_TELA_FINAL.pdf Acesso em: 3out. 2024.
Scremin, F. M., Michels, H. C., Debiase, J. Z., Fabro, P. R. Indicação Farmacêutica De Fitoterápicos: Uma Análise Dos Conceitos Legais Em Relação À Prática Profissional. Rev Ciência Cid. 2016; 2(1):57–73. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbpm/a/ZBKcPvMgQ4LTN8KRbsdGxjj/ Acesso em: 3 out. 2024.
Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas - Sinitox. Disponível em: https://sinitox.icict.fiocruz.br/dados-nacionais. Acesso em: 3 out. 2024.
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