Prévia do material em texto
1 Capítulo 2 - DESTILAÇÃO 1- Introdução Na prática a destilação pode se conduzida segundo dois procedimentos principais. O primeiro método baseia-se na produção de vapor a partir de uma mistura líquida em ebulição, esse vapor formado, após condensação, não retorna para o interior da coluna e nesse caso não teremos o refluxo. No segundo procedimento, tem-se o reciclo, refluxo ou retorno de parte do líquido condensado para assegurar o contato íntimo do vapor ascendente com o líquido em qualquer região da coluna. Os dois métodos podem ser desenvolvidos em equipamentos contínuos ou batelada. 2- Destilação Flash Consiste na vaporização definitiva de uma fração de uma mistura líquida de tal forma que, que o vapor encontra-se em equilíbrio com o liquido residual. O vapor produzido e enviado para um condensador, como mostra a figura abaixo. Nomenclatura: a: bomba deslocamento positivo (aumentar pressão da alimentação) b: fornalha de aquecimento do líquido c: válvula redutora de pressão d: coluna de separação de fases e: corrente e vapor que deixa o topo da coluna g: corrente de líquido que deixa o fundo da coluna 2 Porque o reciclo ou refluxo aumenta a pureza no do produto de topo? Fluxo/taxa de TM na interface: , para incrementar o fluxo de TM do componente mais volátil deve-se maximizar o driving force. Isso pode ser feito e, , o que vale dizer vapor pobre no componente mais volátil, proveniente do reboiler. ( )+≡ −* y n e n 1K y y y ↑ * * * n n n n ny , como y = f(x ), aumentando x (liquido), incrementa-se y +↓ n 1y 2.1- Destilação Flash de uma mistura binária: Considerando que 1,0 mol da mistura binária alimenta continuamente o equipamento ilustrado na Figura 1. Definições das variáveis da Figura 1: xF = fração molar do componente mais volátil na alimentação (1,0 mol); yD = fração molar do componente mais volátil no vapor produzido; xB = fração molar do componente mais volátil no líquido residual; f = nº de moles de vapor produzido; (1 - f) = nº de moles de líquido residual. Balanço material, para o componente mais volátil, para uma alimentação é constituída de 1,0 mol e considerando ainda, que toda a alimentação deixa a coluna nas duas correntes de saída: e 3 F BDx fy (1 f)x= + − Na Eq. (1), normalmente são conhecidos os valores de xF e f (ajustando o calor fornecido na fornalha e também a redução de pressão na válvula). As duas frações yD e xB da Eq. (1) são desconhecidas, entretanto sabemos que as correntes efluentes (que saem) do tambor Flash encontram-se em equilíbrio, o que vale dizer (xB,yD) são pontos da CE (curva de equilíbrio do sistema). Reescrevendo genericamente a Eq. (1), teremos: (1) F F x1 fx fy (1 f)x ou y x f f − = + − = − + (2) Na Eq. (2) a relação entre y e x, é uma relação de equilíbrio [ ] e, a fração vaporizada f depende da entalpia do líquido quente à entrada do separador e também da entalpia do vapor que deixa o tambor flash. Para uma dada condição de alimentação, pode-se incrementar f reduzindo a pressão na válvula (c). *y f(x)= A Eq. (2) é a equação de uma linha reta com as seguintes características: inclinação: 1 f f − − para F F F F F x xx x y x x x f f = → = − + + = = ou seja, quando x= xF → y= x. O que vale dizer que a Eq. (2) intercepta a reta y = x em x = xF. A fração vaporizada (f) da Eq. (1) não é ajustada ou fixada diretamente, mas depende da entalpia do líquido quente à entrada do tanque de separação flash (adiabático) e também das entalpias do vapor e líquido que deixam do tambor de separação. 4 A fração vaporizada (f) da Eq. (1) não é ajustada ou fixada diretamente, mas depende da entalpia do líquido quente à entrada do tanque de separação flash (adiabático) e também das entalpias do vapor e líquido que deixam do tambor de separação. ( )F y xH fH 1 f H= + − onde: são entalpias molares da alimentação líquida (feed), vapor e líquido no tambor flash, respectivamente. F y xH ,H e H (3) Exemplo 01: Destilação flash de uma mistura benzeno-tolueno (Parte 1). Uma mistura com 50% (molar) de benzeno e 50% molar de tolueno é submetida a uma destilação flash numa coluna à pressão de 1,0 atm. A curva de ELV é representada na Figura a seguir e a o diagrama da temperatura de ebulição é mostrada na Figura b. Plotar as seguintes quantidades em função da fração vaporizada f: a) a temperatura no interior do separador, b) a composição da corrente líquida que deixa o separador, c) a composição da corrente de vapor que deixa o separador. 5 Dados: Diagrama de ELV e diagrama de ponto de ebulição. Solução: Para cada valor de f, calcula-se a inclinação . Para cada valor da inclinação pode-se plotar várias linhas passando por (xF, xF), como ilustra a figura a. Da intersecção dessas linhas [Eq. (2)], com a curva de equilíbrio para o sistema, obtém-se os valores das composições em equilíbrio xB e yD. A temperatura de operação para cada valor de f, pode ser obtida do diagrama de T vs. x ou y, da figura b. Os valores de xB , yD e T vs. a fração vaporizada (f) podem ser vistos na figura c. figura a figura b 6 fração vaporizada f inclinação Da Eq. (2) fração molar de C6H6 líquido xB vapor yD temperatura °C 0 ∞ 0,5 0,71 92,2 0,2 -4 0,455 0,67 93,7 0,4 -1,5 0,41 0,63 95,0 0,6 -0,67 0,365 0,585 96,5 0,8 -0,25 0,325 0,54 97,7 1,0 0 0,29 0,50 99,0 Volatilidade relativa para uma mistura binária (A + B): Ae Ae AB Be Be y x y x α = (4) figura c (4) 7 Para misturas binárias ideais a volatilidade relativa é igual a razão entre as pressões de vapor dos componentes, quando a Lei de Raoult puder ser aplicada e também quando a volatilidade relativa for considerada constante numa faixa de temperatura. ' A A Ap P x= A Ay p P= ' B B Bp P x= B By p P= ' ' A A A A AB ' 'B B B B y x P P P (T) y x P P P (T) α = = = Nas equações anteriores: pressão parcial do componente no fase vapor (V) pressão total da mistura pressão de vapor do componente puro na fase líquida (L), propriedade que é dependente da temperatura (T) Trabalhando algebricamente a Eq. (4), teremos: (5) (6) (7) p ≡ P ≡ ( )'P T ≡ e e ( ) ( ) ( ) ( ) A A AB A A y x y x ou 1 y 1 x 1 y 1 x α = α = − − − − (8) Rearranjando a Eq. (8), teremos: ( ) ( ) x y y ou x 1 1 x 1 y α = = + α − α − α − (9) Conhecendo-se o valor de α e variando x ( ) tem-se o diagrama de ELV similar ao da figura a. Quanto maior o valor de α, mais fácil é separar a mistura por vaporização. 0 x 1,0≤ ≤ 8 Exemplo 02: Destilação flash de uma mistura benzeno-tolueno (parte 2). Uma mistura equimolar ( 50% molar de benzeno e 50% molar de tolueno) é submetida à destilação num separador que opera à 1,0 atm (abs.) Num esquema similar ao da Figura 1, o líquido que será “flasheado” é aquecido na fornalha de tal forma que 40% da alimentação vaporiza no tanque de separação. Calcular: a) Qual a composição do vapor e do líquido que deixa a câmara/tanque de separação? b) Qual a temperatura do líquido à saída da caldeira/fornalha? Dados de equilíbrio fornecido: Diagrama Temp. vs. Composição para o sistema à 1,0 atm. Solução: Dados: e f = 0,4. Do diagrama, tem-se a temperatura do ponto de bolha (bubble point) do líquido que alimenta a fornalha: . Fx 0,5= =bT 92 ºC Figura 1 9 A corrente de alimentação pressurizada será submetida a um aquecimento na fornalha, posteriormente uma expansão e resfriamento no tambor flash (adiabático). Rigorosamente a solução desse problema envolve um procedimento interativo: Suposição: Temperatura no tanque de separação (pressão atmosférica) TT 95 ºC= Calcular a volatilidade relativa da mistura à essa temperatura: ( ) ( ) ' Benzeno ' Tolueno P 95ºC 2, 45 P 95ºC α = ≅ (Consultar livros de propriedades de líquidos, por exemplo, The Properties of Gases and Liquids (autores: Reid, Prausnitz e Poling) McGraw-Hill Companies, 4th edition (April 1987). Eq. (1):e Eq. (9) para FlashF BDx fy (1 f)x= + − ( ) B D B xy 1 1 x α = + α − Substituindo os dados fornecidos e a Eq. (9) na Eq.(1), teremos: B B B 2,45x0,5 0,4 0,6x 1 1,45x ⎛ ⎞ = +⎜ ⎟+⎝ ⎠ ( ) ( )B B B0,5 0,6x 1 1,45x 0,98x− + =ou (a) Reescrevendo a Eq. (a): (b)2 B B0,87 x 0,855x 0,5 0+ − = B B x 1,395 ?????(sem se (b) ntido físico) Resolvendo a Eq. , temo x 0, 41 s OK !2 = = −⎧ ⎨ ⎩ 10 Do diagrama fornecido: Suposição inicial estava CORRETA OK! a) D B Composição das corrente à saída y 0,632 x do tanque: 0,412 =⎧ ⎨ =⎩ b) Cálculo da temperatura do líquido à saída da fornalha (TF): Dados adicionais: i) ii) calores específicos molares dos componentes (líquido) à pressão constante: para o benzeno calores latente 7360 cal/gmo s molares dos c l para o tolueno om 7960 cal/gmol ponentes λ =⎧ ⎨ λ =⎩ PL PL para o benzeno c 33 cal/molºC para o tolueno c 40 cal/molºC ⎧ =⎪ ⎨ =⎪⎩ Da Eq. (3): . ( )F y xH fH 1 f H= + − 11 Lembrando que ENTALPIA é uma medida RELATIVA, ou de outra forma, deve ser calculada, considerando uma temperatura de referência. Nesse caso, parece interessante escolher, como referência a MENOR temperatura no tambor de separação: que é de (vapor e líquido que deixam a coluna). Qual a vantagem de escolher essa temperatura como referência????. RT 95 C= ° ( ) ( )F PL F R PL FH c T T c T 95= − = − F yH fH= ( ) ( )x PL x R PLH (1 f)c T T (1 f)c 95 95 0= − − = − − = yH ≡ λAssim: (c) Calor específico MÉDIO do líquido à entrada do tambor: ( ) ( )PLc 0,5 33 0,5 40 36,5 cal/molºC= × + × = Latente de vaporização MÉDIO do vapor à saída da coluna: ( ) ( )0,632 7360 0,368 7960 7581 cal/g molλ = × + × = Substituindo os resultados (c), (d) e (e) na Eq. (3), teremos: ( ) ( ) ( )= − =F FH 36,5 T 95 0,4 7581 ou FT 178 ºC= Destilação Contínua com Refluxo (retificação) A Destilação Flash não é eficiente para a separação de componentes com volatilidades menores, uma vez que o condensado de vapor e o líquido residual estarão “longe” de substâncias puras. Pode-se, submeter as correntes efluentes (que saem) do tambor Flash a operações sucessivas de “flashamento” até obter a separação desejada, mais isso é industrialmente ineficiente por razões econômicas. Os métodos atuais, usados em laboratórios e plantas industriais aplicam o princípio de retificação do vapor que será descrito nesta seção. (d) (e) 12 Balanços materiais numa coluna de pratos Balanços materiais para sistemas binários. Balanço material numa planta típica de destilação contínua. (a) Balanço material global: (b) Balanço material global para o componente A: Eliminando a taxa molar B, nas Equações (10) e (11): Eliminando a taxa molar D, nas Equações (10) e (11): F D B= + F BDFx Dx Bx= + F B BD x xD F x x − = − FD BD x xB F x x − = − (10) (11) (12) (13) A taxa molar D (destilado) pode ser obtida, fazendo o balanço material global na superfície de controle envolvendo o condensador e acumulador da figura acima: a aD V L= − A mesma taxa molar D também pode ser obtida, fazendo o balanço topo da coluna ou superfície Control surface I da figura acima: (14) n 1 nD V L+= − (15) 13 As Eqs. (14) e (15) podem ser reescritas para o componente A: a a a a n 1 n 1 n nDDx V y L x V y L x+ += − = − Similarmente, a taxa molar B (produto de fundo) pode ser obtida, fazendo o balanço material global no reboiler e na superfície Control surface II da figura, m m 1b bB L V L V += − = − Aplicando a equação anterior para o componente A, teremos: B m m m 1 m 1b b b bBx L x V y L x V y+ += − = − O subscrito n denota: prato na secção de enriquecimento O subscrito m denota: prato na secção de esgotamento Linhas de Operação. Como a coluna de destilação tem duas secções, então teremos duas linhas de operação: uma na secção de esgotamento e outra na secção de enriquecimento. Consideremos, inicialmente, a secção de retificação e ou enriquecimento, como visto no Capítulo 1 (Equação 7), a linha de operação para essa parte da coluna é: a a a an n 1 n n 1 n 1 V y L xLy x V V+ + + − = + (16) (17) (18) (19) 14 Substituindo da Eq. (16) na equação anterior:a a a a DV y L x Dx− = Dn n 1 n n 1 n 1 DxLy x V V+ + + = + (20) A inclinação da Eq. (20) é a relação entre as taxas molares de líquido e vapor na secção superior da coluna. A Eq. (20) pode ser reescrita, considerando a Eq. (15): Dn n 1 n n n DxLy x L D L D+ = + + + Reescrevendo a Eq. (18), teremos, m 1 m 1 m m BV y L x Bx+ + = − Explicitando ym+1 da equação anterior teremos: (21) (23)m m 1 m B m 1 m 1 L By x x V V+ + + = − Levando a Eq. (17) na equação anterior, teremos: (22) m m 1 m B m m L By x x L B L B+ = − − − (24) Número ideal de estágios: Método de McCabe-Thiele. Quando as linhas de operação (Eqs. 21 e 24) são plotadas no diagrama da curva de ELV do tipo x vs. y, o método de McCabe-Thiele pode ser utilizado para obter o número ideal e estágios para as secções de esgotamento e retificação. 15 Taxas molares constantes nas secções da coluna (Constant molal overflow). Para muitas situações na destilação, as taxas molares de vapor e líquido são aproximadamente constantes nas secções da coluna (esse conceito já foi apresentado no Capítulo 1). A conseqüência desse fato, as linhas de operações são LINEARES. Ln-1 ≈ Ln ≈ La ≡ L e Vn ≈ Vn+1 ≈ Va ≡ V [taxas molares (L e V) no topo da coluna] Lm-1 ≈ Lm ≈ Lb ≡ e Vm ≈ Vm+1 ≈ Vb ≡ [taxas molares ( e ) no fundo da coluna] Razão de refluxo. A análise de desempenho e projeto de colunas e fracionamento fica facilitada com a definição da variável denominada de razão de refluxo. Duas quantidades podem ser definidas, ambas na secção de retificação da coluna: − = = =a D L L V DR D D D e = = +V L LR V L D (25) Neste Capítulo utilizaremos apenas a variável RD. Levando a consideração de taxas molares constantes na coluna na Eq. (21), teremos: + = + = + + + + + D D n 1 n n Dx xL L/Dy x x L D L D L/D 1 L/D 1 ou + = + + + D D n 1 n D D R xy x R 1 R 1 A Eq. (26) é a Linha de Operação da secção de enriquecimento. A Eq. (26) apresenta as seguintes características: (26) Intercepta o eixo y do digrama de ELV: em xn = 0 → o que vale dizer em + D D x R 1 Quando xn = xD → ( ) + + = + = = + + + D DD D n 1 D D D D D x R 1R xy x x R 1 R 1 R 1 L V L V 16 O que vale dizer que a Eq. (26) intercepta a diagonal (linha y=x) do diagrama de ELV no ponto (xD, xD). Importante: A fração molar xD é, usualmente, especificada no projeto e a razão de refluxo RD é a variável operacional que pode ser ajustada ou controlada para fornecer uma determinada quantidade de produto de topo (D) com o menor consumo de vapor no reboiler. Condensador prato de topo (top plate). A construção gráfica proposta por McCabe-Thiele para o prato de topo depende da ação do condensador Construção gráfica do prato de topo: (a) usando condensador total; (b) usando condensador parcial (a) Prato de topo (b) Condensador total (c) Condensador parcial prato de topo (cond. total): triângulo abc prato de topo (cond. parcial): triângulo a’b’c’ condensador parcial: triângulo aba’ 17 Condição térmica do refluxo: Refluxo saturado à TC (temperatura do ponto bolha): V = V1 (Figura 9a) Refluxo à TC “frio” (temperatura abaixo do ponto de bolha): V1 LC Para o refluxo frio, uma determinada quantidade de vapor é condensado (∆L) é adicionada no prato de topo: ( )− ∆ = λ pc 1C C c L c T T L (27) onde, cpc = calor específico do condensado λC = calor latente de vaporização do condensado T1 = temperatura do líquido no prato de topo Para refluxo frio a razão de refluxo real na coluna é: −⎡ ⎤ +⎢ ⎥λ+ ∆ ⎣ ⎦= = = pc 1 C C CC D c (T T L 1 L LLR D D D (28) Refervedor e prato de fundo (“bottom plate”). A ação do fundo da coluna é análoga ao que acontece no topo da coluna. Reescrevendo a LO para secção inferior da coluna, Eq. 23, para fluxos molares constantes, ouseja , denotam as taxas molares nessa parte da coluna, assim: + = − − − B m 1 m BxLy x L B L B (29) A Eq. (29), LO da secção inferior da colina, para fluxos molares constantes, apresenta as seguintes características: L e V 18 Intercepta o eixo y do digrama de ELV: em xm= 0 → o que vale dizer em − − BBx L B Quando xm = xB→ ( ) + − = − = = − − − B m 1 B B B x L BBLy x x x L B L B L B O que vale dizer que a Eq. (29) intercepta a diagonal (linha y=x) do diagrama de ELV no ponto (ym+1≡xB). O diagrama para o prato de fundo e o reboiler pode ser visto na Figura 12 a seguir: ponto com coordenadas (xB, yr) → linha de equilíbrio ponto com coordenadas (xb,yr) → linha de operação O procedimento gráfico para plotar o reboiler e o prato de fundo encontra-se na figura abaixo. reboiler: triângulo cde prato de fundo: triângulo abc 19 Prato de alimentação (“feed plate”): É o prato da coluna onde é feita a alimentação da mistura. As taxas de vapor e líquido saturado modificam, dependendo da condição térmica da alimentação. A figura abaixo ilustra as possibilidades da corrente de alimentação (a) Liquido sub-resfriado (b) Líquido saturado ou na temperatura do ponto de bolha (bubble point) (c) Mistura liquido + vapor (d) Vapor saturado ou na temperatura do ponto de orvalho (dew point) (e) Vapor super aquecido Parâmetro q: O parâmetro q é definido como o número de moles de líquido saturado adicionado na secção de esgotamento resultante a introdução de cada mol de alimentação, assim: − Liquido sub-resfriado, q > 1,0 − Líquido saturado, q = 1,0 − Mistura liquido + vapor, 0de entrada e saída da água é, 25 °C e 40°C, respectivamente, é empregada na condensação total do vapor no topo da coluna. Os pesos moleculares do benzeno tolueno são: 78 e 92, respectivamente. Solução: a) Cálculo das taxas molares de destilado (D) e produto de fundo (B) As concentrações molares das correntes de alimentação, destilado e produto de fundo são: F 40 78x 0, 4440 60 78 92 = = + D 97 78x 0,97497 3 78 92 = = + B 2 78x 0,02352 98 78 92 = = + O peso molecular médio da corrente de alimentação (F) é: ( ) = ≅ + F 100PM 85,8 g/gmol ou kg/kmol 40 60 78 92 ou ( ) = × + × ≅ F PM 78 0,44 92 0,56 85,8 g/gmol O calor latente de vaporização molar médio da alimentação é: λ = × + × =F 0,44 7360 0,56 7960 7696 cal/gmol 27 A taxa molar da corrente de alimentação (F) é: = = 30000 kg / hF 350 kmol / h 85,8 kg/kg mol As correntes efluentes (que saem) da coluna são: F B BD x xD F x x ou − = − − = × = − 0,440 0,0235D 350 153,4 kmol/h 0,974 0,0235 FD BD x xB F x x ou− = − = − = − =B F D 350 153,4 196,6 kmol/h b) Determinação do número ideal de estágios e a posição do prato de alimentação: i) alimentação é constituída de líquido saturado (ou )F bT T= 1º passo: Plotar no diagrama de equilíbrio (y vs. x) as linhas verticais que passam pelas frações molares: F BD x , x e x 2º passo: Plotar a Linha de Alimentação que passa por condição térmica da alimentação → líquido saturado (parâmetro q = 1); inclinação da Linha de Alimentação (vertical)q 1 q − → ∞ − 3º passo: Linha de Operação da secção de enriquecimento passa por e intercepta o eixo y em ( )D Dx ,x D D x 0,974 0,216 R 1 3,5 1 = = + + O procedimento gráfico (McCabe-Thiele) para obter N e a localização do prato de alimentação encontram-se representado na figura a seguir. Número ideal e estágios: N= 11 + refervedor parcial Posição do prato de alimentação: entre o sexto e o sétimo e o estágio numerados a partir do topo. 28 ii) a alimentação é líquido “frio” à 20 °C [calor especifico (cpL)= 0,44 cal/g°C] parâmetro q para líquido sub-resfriado: ( )pL Fbc T T q 1 − = + λ calor latente (mássico) de vaporização da mistura na alimentação: λ = = 7696 cal / gmol 89,7 cal/g 85,8 g/gmol ( )0, 44 cal/ g C 95 20 Cq 1 1,37 89,7 cal/ g ° − ° = + =assim, Linha de Operação (LO) da secção de enriquecimento: D D n 1 n n 1 nD D D R xL Dy x x ou y x V V R 1 R 1+ += + = + + + Obs: Como a razão de refluxo foi mantida constante, então V (vapor saturado na parte superior da coluna não varia. A variação do parâmetro q (condição térmica da alimentação) promove modificações em (vapor na parte inferior da coluna)V 29 Linha de Alimentação (LA): inclinação: ( ) ( ) q 1,37 3,70 1 q 1 1,37 = − = − = − − e intercepta o eixo y: ( ) ( ) Fx 0, 44y 1,19 1 q 1 1,37 = = ≅ − − − LO da secção de esgotamento da coluna: (xB; xB) e intersecção com LA e LO da secção de enriquecimento. O procedimento gráfico (McCabe-Thiele) para obter N e a localização do prato de alimentação encontram-se representado na figura a seguir: Número ideal de estágios: N = 10 + refervedor parcial (arredondando para cima) Posição do prato de alimentação: entre o quinto e o sexto estágio numerados a partir do topo. iii) se a alimentação é constituída de uma mistura (2/3 de vapor e 1/3 de líquido) 1,37 0, 44y 0,55 0,847 1 1,37 1 1,37 = − + = − − Outra forma de localizar LA: ( ) Fp/ x 0, 44; q 1,37 e x 0,55 exemplo) = = = definição do parâmetro q: fração da alimentação que passa a compor o liquido saturado descendente ou seja, ; neste caso: q=1/3. Características da Linha de Alimentação: L L qF= + 30 ( ) ( ) q 1/3 0,5 1 q 1 1/3 = − = − = − − − inclinação ( ) ( ) Fx 0, 44y 0,66 1 q 1 1/3 = = = − − e para x=0 O procedimento gráfico (McCabe-Thiele) para obter N e a localização do prato de alimentação encontram-se representado na figura a seguir. Número ideal e estágios: N= 12 + refervedor parcial (arredondando para cima) Posição do prato de alimentação: entre o sexto e o sétimo estágio a partir do topo. b) Cálculo do consumo de vapor de água no reboiler para os três casos do item a Balanço material no topo da coluna (condensador total): = + = + = + = = × = 1 CV L D ou V L D 3,5D D então V 4,5D 4,5 153,4 690 kmol / h definição do parâmetro q: fração da alimentação que passa a compor o liquido saturado descendente ou seja, ( )sm 31 ( )V V 1 q F ou = + − V V (1 q)F 690 350 (1 q)= − − = − × − Consumo de vapor saturado de água é: s s Vm λ = λ S 939 btu/lbm ou λ = btu lbm/btu939 522 cal/g lbm 1,8g/cal × = [Apêndice 7 (P= 20 lbf/in2 ou 1,36 atm efetiva)] λ = latente molar de vaporização da mistura no fundo da coluna xB=0,0235. Assumido que o líquido que entra no refervedor é praticamente tolueno puro; assim: 7960 cal/g mol. Dessa forma: ( ) ⎡ ⎤⎛ ⎞ ⎡ ⎤= = × − −⎜ ⎟ ⎢ ⎥⎣ ⎦⎝ ⎠ ⎣ ⎦ S 7960 k cal / kmol kmolm V 15,25 690 350 1 q em 522 k ca kg hl/kg h Os resultados encontram-se na tabela a seguir. *Para calcular N analiticamente deve-se empregar a seguinte expressão para volatilidade relativa (benzeno-tolueno): (para x fração molar e benzeno no líquido). (Exercício para casa). Utilizando líquido frio à 20 ºC (q = 1), tem-se o MENOR número ideal de estágios, entretanto o MAIOR consumo de vapor no reboiler (cobertor curto). 2,34 0,27 xα = + 32 n/m nEqui 2,líbrio 34 0,27 x α = +→ Alimentação líquido saturado: q = 1,0 (tarefa p/ casa p/ q = 1,137 e q = 1/3) n 1 nLinha Operação/Enriquecimento 3,5 0,974 y x 4,5 4 5 ,+→ = + FLinha Alimentação vertical por x→ ( ) m 1 m 196,6 0,0235886,9 y x 690 Linha Operação/Esgotamento 6 0 9+→ = − V 690 kmol/ h (p / q 1,0)= = ( )L L F 3,5D F 3,5 153,4 350 886,9 kmoles / h= + = + = + = ( ) n/m n/m n/m n/m n/m y x 1 y = α − α −Eq. (1) Eq. (2) Eq. (3) Eq. (4) Estima-se um valor p/ e com a Eq. (1) determina-se . Com o valor de calcula-se [Eq. (2)] até a convergência. Com calcula- se com as [Eqs. (3) ou (4)]. n/mx n/mα n/mxn/mα n/mx n 1/m 1y + + Alimentação: entre o quinto e sexto prato, numerados a partir do topo. 0,032 0,0235N 11 11 0,5 11,5 0,032 0,015 − = + = + = − Número ideal de estágios: 33 d) consumo de água de refrigeração no condensador total :( )wm Calor latente molar do destilado: (benzeno puro)λ ≅ kcal7360 kmoles ( ) ( ) ×λ = = = − − ° ° w 2 1 pw kmoles k cal690 7360 kgV h kmolesm 338.560 kcal hT T c 1,0 40 25 C kg C Obs: O consumo de água de refrigeração é o mesmo para todos os casos. A taxa molar de vapor saturado na secção superior da coluna depende APENAS da RAZÃO DE REFLUXO e não da condição térmica de alimentação (parâmetro q). Número mínimo de pratos Linha de Operação da secção de enriquecimento: n 1 n DV y L x Dx + = + D D n 1 n D D R x y x R 1 R ou 1+ = + + + A inclinação da LO , aumentando o refluxo até no caso limite de refluxo total o que vale dizer D = 0, o de outra forma, ; conseqüência desse fato na inclinação da linha: (40) (41) D D R R 1+ D LR D = → ∞ L = V ou o que vale dizer:D D R 1 R 1 1 ∞ ≅ ≅ + ∞ + n 1 ny x+ ≅ Essa condição é denominada de Refluxo Total, quando a Linha de Operação da seção de enriquecimento coincide como a linha y=x. Associado ao Refluxo Total tem-se o maior distanciamento possível entre as Linhas de Operação e a curva de ELV, o que vale dizer maior driving force e conseqüentemente o Número Mínimo de Estágios.(Nmin). 34 Relação de equilíbrio para uma mistura binária (A+B), onde o componente A é o + volátil, para volatilidade relativa média constante, temos:ABα ; então ( ) ( ) ( ) ( ) A A A A AB AB B B A A y / x y /x y x y / x 1 y / 1 x 1 y 1 ou x α = = = α − − − − Reescrevendo a relação anterior, Eq. (42), para o estágio/prato n+1, teremos: n 1 n 1 AB n 1 n 1 y x 1 y1 x + + + + = α − − Para a condição de Refluxo Total (D=0 e L=V) ou, a Eq. (41) temos que: n 1 n D L Dy x x V V+ = + (42) (43) n 1 ny x+ = Substituindo a Eq. (44) na Eq. (43), teremos: n n 1 AB n n 1 x x 1 x 1 x + + = α − − No topo da coluna (n=0), se o condensador é total, D 1 AB 1D x x 1 x 1 x = α − − (44) (45) 1 Dy x= (46) Reescrevendo a Eq. (45), para n pratos consecutivos: 1 2 AB 1 2 para n 1 (prato de topo) x x 1 1 x x = α − − = 2 3 AB 2 3 x x 1 para n 2 x 1 x = α − − = (47) 35 3 4 AB 3 4 p xx 1 x ara n 1 x 3 = α − − = n 1 n AB n 1 n para n n -1 (excluindo o refervx x 1 x 1 edor pa cial) x r− − − = = α − Fazendo substituições sucessivas de n= 0 até n (prato de fundo ou plate b), os termos intermediários são cancelados, resultando em: ( )nD n AB nD x x 1 x 1 x = α − − Uma coluna com D = 0 (refluxo TOTAL) n= N = Nmin : (47) (48) ( ) minND b AB D b x x 1 x 1 x = α − − Para inserir a composição do produto de fundo (xB) na Eq, (48), são necessários Nmin estágios + o refervedor parcial (estágios de equilíbrio): (49) ( ) minN 1D B AB BD x x 1 x 1 x += α − − Explicitando Nmim na equação anterior teremos: (50) ( ) ( ) ( ) BD B D min AB x 1 xln x 1 x N 1 ln ⎡ ⎤− ⎢ ⎥−⎣ ⎦= − α (51) A Eq. (51) é denominada de Equação de Fenske e pode ser aplicada para misturas binárias quando → constante. Se então pode-se trabalhar um valor médio de (média geométrica). ABα AB AB(topo) (base);α ≠ α ABα → ( ) 1/2 AB AB ABmedio (topo) (base)α = α × α⎡ ⎤⎣ ⎦ 36 Qualquer refluxo (RD) menor que o TOTAL, o número de estágios necessários para a separação é MAIOR que o número mínimo (Nmin) e o número ideal de estágios (N) aumenta continuamente à medida que o refluxo diminui, ou seja: (diminuição de RD tem como conseqüência um incremento no valor de N) REFLUXO MÍNIMO DN R↑ α ↓ O refluxo que torna valor de N muito grande, ou “infinito”, é denominado e RAZÃO DE REFLUXO MÍNIMO. Nas colunas reais, projetadas para produzir quantidades finitas no topo a base, devem operar com uma razão de refluxo intermediária: min a a min op N N "infinito" L L D D → ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ 1,0 e D, com incremento de x, No fundo da coluna: ( ) ( ) ( ) ( ) * b b * a a a b * * a b y y ln y y N y y ln y y ⎡ ⎤− ⎢ ⎥ ⎢ ⎥−⎢ ⎥⎣ ⎦= ⎡ ⎤−⎢ ⎥ ⎢ ⎥−⎢ ⎥⎣ ⎦ f f Vm D 1 L = > (Kremser para destilação) 44 LO e ELV convergentes, , com o incremento de x, No topo da coluna:t t VmD 1 L =físicas do metanol: Peso molecular 32, temperatura de ebulição (P=1,0 atm) é de 65 ºC. Conceito de volume molar, um mol de qualquer gás ideal nas condições standard (padrão T = 273 K e P = 1,0 atm) ocupa 22,4 litros. Assim equação de gás ideal: ou A constante dos gases ideais é: Densidade mássica do metanol: pV nRT= 1,00 atm 22,4 litros 1,00 mol R 273K× = × × 31,00 atm 22,4 litros 1,00 atm 22,4 mR 1,00 mol 273 K 1,00 kgmol 273 K × × = = × × V 3 3 kg32 1 atm kgmol kgPM P 1,15 R T 1,00 atm 22,4 m m338 K 1,00 kgmol 273 K × × ρ = = = × × × × Figura 27- Valores de da Eq. (62), para pratos perfurados. vK 53 Do Perry (Chemical Engineer´s Handbook, 6th edition, página 3-188). A densidade do metanol é: a 0 ºC e a 25 ºC. Estimativa de à 65 ºC (extrapolação linear MUITO CUIDADO ???), . Lange´s Handbook of Chemistry, 9th edition, p. 1650, fornece a tensão superficial do metanol à 20 e a 100 ºC e , por interpolação linear 65 ºC, . 3 L 810 kg/mρ = 3 L 792 kg/mρ = Lρ 3 L 750 kg/mρ = 19 dina/cmσ = a) cálculo da velocidade do vapor e do diâmetro da coluna: .c cu e D ou . Balanço Material no topo da coluna:D LR 3,5 D = = L 3,5 D= × V L D 4,5 D= + = × Abscissa da Figura 27: 1/2 1/2 2V L L 3,5 D 1,15 3,0410 V 4,5 D 750 −⎛ ⎞ρ × ⎛ ⎞= =⎜ ⎟ ⎜ ⎟ρ × ⎝ ⎠⎝ ⎠ Com o valor da abscissa, na Figura 27, tem- se a ordenada .vK 0,29= 0,2 V v c L V 20K u 0,29 ouρ ⎛ ⎞= =⎜ ⎟ρ − ρ σ⎝ ⎠ 0,2 c 750 1,15 19u 0,29 7,32ft/s 2,23m/s 1,15 20 − ⎛ ⎞= = =⎜ ⎟ ⎝ ⎠ Vazão volumétrica de vapor: V L D 4,5 D= + = × 3 3 kg4,5 5800 mhQ 6,30kgs s3600 1,15 h m × = = × Área disponível para o borbulhamento (bubbling area) do vapor (Ab): c bQ u A= × 54 3 2 b m6,30 sA 2,83 mm2,23 s = = Suposição: Área de borbulhamento é 0,70 (ou 70%) da área da secção transversal da coluna (A), ou seja: 2bA 2,83A 4,04 m 0,7 0,7 = = = Diâmetro da coluna ( )cD ( )2cD A ou 4 π× = b) cálculo da queda de pressão Área unitária do prato com 3 furos: ( ) Htg 60º 3 ou3 1 4 2 = = × 1 3H 3 in 2 4 = × A = área do triângulo eqüilátero lado = ¾ in 21 3 1 1 3 3 3 9A 2 H 3 in 2 4 2 2 4 4 2 64 ⎛ ⎞⎛ ⎞= × × × × = × × =⎜ ⎟⎜ ⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ Área ocupada por parte dos três furos no triângulo:( )1/6 1/6 1/6 1/2+ + = ( ) ( )2 2 f 2d 1/ 41 1 in 2 4 2 4 128 π × π = × π = Porcentagem da área unitária do prato disponível para o escoamento do vapor: ( ) 2 2 inÁrea furos 128% 100 10,089Área coluna 3 in 64 π = × = (abscissa da Figura 26) 1/2 1/2 c 4 A 4 4,04D 2,27 m× ×⎛ ⎞ ⎛ ⎞= = =⎜ ⎟ ⎜ ⎟π π⎝ ⎠ ⎝ ⎠ 55 Leitura da ordenada da Figura 26: oC 0,73= Velocidade do vapor nos furos: Linhas da Figura 26: o 2,23u 22,1 m/ s 0,1008 = = tray tickness 1/8 0,5 hole diameter 1/ 4 = = ( ) ( ) 22 0 V d 2 2 L0 51,0 22,1 1,15uh 51,0 C 0,73 750 71,7 mm me tanol ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ × ×ρ = = =⎜ ⎟ ⎜ ⎟⎜ ⎟ ρ ×⎝ ⎠⎝ ⎠ = Carga ou altura de líquido sobre o prato (igual a altura de vertedouro): w mmh 2 in 25,4 50,8 mm me tanol in = × = Cálculo da altura do líquido sobre o prato : ( )owh 3 L 3 5800 kg/h 3,5q 3,5 D 0, 45 m /min . 750 kg/m 60 min/h × = × = = × Comprimento do vertedouro: c W c c cR L 2 R (D 2 R ) ' nyonde, = fração molar do vapor que deixa o estágio n numa determinada posição = fração molar do vapor que entra no estágio n na mesma posição = fração molar do vapor em equilíbrio com o liquido na mesma posição Uma vez que , então η’voláteis são recuperados de uma mistura líquida em unidades de destilação batelada. Carrega-se a retorta ou refeverdor com a mistura a ser separada, e a energia para necessária para vaporização parcial do líquido é fornecida por um trocador de calor. O vapor que deixa o refervedor encontra-se em equilíbrio, a qualquer instante, como o líquido residual presente no reboiler, mas em função de uma volatilidade relativa “elevada”, o vapor produzido é mais rico no componente mais volátil. As composições do líquido e vapor não permanecem constantes. A destilação batelada requer uma infraestrutura mais simples, entretanto o processo é dependente do tempo, conforme ilustra a Figuras 31 a seguir. Figura 31- Esquema simplificado de uma planta batelada. Modelagem matemática da destilação batelada para uma mistura binária: Definições preliminares: n= número de moles da mistura líquida residual no tanque no instante t; x= fração molar do componente A (+ volátil) na mistura líquida residual no instante t; y= fração molar do componente A no vapor produzido no instante t; nA= número de moles do componente A no líquido no instante t. Características: o Ausência da corrente F o Sem reciclo o Apenas um estágio o Sem a retirada de produto de fundo 63 O número de moles do componente A no instante t qualquer: (67) Diferenciando a Eq. (67), teremos: ou (68) Se uma pequena quantidade de líquido dn é vaporizada então; a variação de número de moles do componente A, na mistura líquida é: (69) Reescrevendo a Eq. (68), considerando a Eq. (69), teremos: (70) Rearranjando a equação anterior: (71) A Eq. (71) pode ser integrada no intervalo entre (frações molares do componente A no início e final) e (nº de moles da mistura líquida no início e final): (72) A Eq. (72) é denominada de equação de Rayleigh. A resolução da equação de Rayleigh fornece número de moles da mistura liquida no tanque em função da fração molar do componente mais volátil no mesmo líquido residual. A função pode ser integrada analiticamente, graficamente ou mesmo numericamente. An xn= ( )Adn d xn ndx xdn= = + A 0 0 0 dn dx dnn x dt dt dt = Verificação (tarefa para casa): (74) 1 1 x 0,20 n tempo( ? t) ? ?= =⎧ ⎨ ⎩ =⎧ ⎪α =⎨ ⎪ = = ⎩ 0 AB 0 n 100 mole início( s 2,5 x 0,5 t 0) ( ) ⎡ ⎤⎛ ⎞⎛ ⎞ ⎛ ⎞ − = + α⎢ ⎥⎜ ⎟⎜ ⎟ ⎜ ⎟α − −⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠⎣ ⎦ 0 0 1 AB 1 AB 1 0 n 1 x 1 xln ln ln n 1 x 1 x 1 1 0 0 n 1 xln ln n m 1 x ⎛ ⎞ = ⎜ ⎟− ⎝ ⎠ (73a) (74a) Coulson & Richardson Henley & Seader 65 2- Exemplo de solução gráfica da integral da Eq. (72), a partir dos dados da curva de ELV. Com dados de equilíbrio na forma y vs. x, pode-se fazer a seguinte aproximação: ( ) 1 0 x 1 0 x n xln n y x ∆ ≅ −∑ (75) A Figura 32 a seguir ilustra o procedimento para a integração gráfica: 1 0 x x x y Áre x a ∆ ≅ −∑ Como alternativa à equação de Rayleigh, uma equação para mistura ideal, considerando a volatilidade relativa, pode ser obtida. Sabe-se que a temperatura do líquido residual aumenta com o tempo de destilação batelada; entretanto assumindo que a razão entre as pressões de vapor não sofre uma variação apreciável, pode-se considerar um valor médio da volatilidade, então: ( )1 0n n exp Área= − 66 (76) Se uma mistura com nA moles de A e nB moles de B, a razão entre , é igual a ; então quando dn moles é vaporizado, a mudança em A é e a mudança em B é . Substituindo esses termos na Eq (76), teremos: ou (77) Integrando a Eq. (77) nos limites: e , teremos: ou (78) A composição média (avg) do destilado é: (79) = αA A AB B B y x y x A Bn n A Bx x A Ay dn dn= B By dn dn= A A A AB B B B dn dn dn n dn dn dn n = = α = α BA AB A B dndn n n OA An n→ OB Bn n→ = α BA AB OA OB nnln ln n n α ⎛ ⎞ = ⎜ ⎟ ⎝ ⎠ AB1/ B A 0B 0A n n n n ( ) ( ) 0 0 1 1 D Davg avg 0 1 n x n xx y n n − = = − Exemplo 1: Uma determinada carga contendo 15% molar n-butano e 85% de n- pentano é submetida a uma operação de destilação numa planta batelada que opera à pressão atmosférica. Na separação, deve-se remover 90% de n-butano. Determinar: (a) a quantidade de n -pentano (menos volátil) removida? (b) a composição do liquido residual após essa remoção? 67 Solução: Base 1,0 mol da mistura no início (t=0) Para a solução desse exercício precisamos de algumas propriedades físicas dos componentes e também fazer algumas suposições ou aproximações. 1ª Suposição: Assumir que o líquido residual ao final da destilação é praticamente n- pentano PURO. Do Apêndice livros de OP2: → =36 °C (temperatura de ebulição do n-pentano puro). Lembrando à 36 °C o n-pentano está em ebulição, o que vale dizer que a pressão de vapor do n-pentano é IGUAL a pressão de operação da destilação: P=1,0 atm. Dessa forma: A pressão de vapor no n-butano à 36 °C → (livros de OP2) Volatilidade “relativa” ao final (n-pentano quase puro): Início da operação de destilação: mistura (15% molar de n-butano e 85% molar de n- pentano) é Tb = 27°C (diagrama de Temperatura de ebulição versus composição) e a volatilidade neste caso é: Dados: , (10% de ) e Da Eq. (78) Cálculo da quantidade de n-pentano removida: moles b BT V BP (36 C) 1,0 atm= V AP (36 C) 3,4 atm= V A AB V B P 3, 4 3, 4 1P α = = = Av A A AB v BB B y P (T) x(T) 3,6 então ) : yP (T x α = = = + α = =AB 3,4 3,6 3,5 2 0An 0,15(butano)= An 0,015= 0An 0Bn 0,85(pentano)= α ⎛ ⎞ = ⎜ ⎟ ⎝ ⎠ AB1/ B A 0B 0A n n n n ( )1/3,5B B n 0,1 n 0,518(0,85) 0, 440 0,85 = ∴ = = OB Bn n 0,85 0, 44 0, 41− = − = 68 Cálculo da composição do líquido residual: A A B n 0,015x 0,033 (ou 3,3%) e x 96,7% n 0, 455 = = = = número de moles de líquido no tanque: A Bn n n 0,015 0,44 0,455= + = + = Destilação batelada em coluna de estágios (retificação) com refluxo Não se consegue elevados níveis de separação numa coluna de destilação batelada operando com apenas um estágio. Em muitos casos, para aumentar o nível de separação na destilação batelada, utiliza-se uma coluna de retificação com estágios e refluxo, como ilustra a Figura 33 a seguir. Figura 33- Destilação batelada com estágios e refluxo. 69 1- Coluna de retificação com taxa refluxo constante Coluna de retificação batelada com refluxo constante requer um equipamento mais simples, entretanto a operação é mais complicada porque o processo é dependente do tempo. Exemplo de coluna de destilação batelada com dois estágios ideais de equilíbrio: A Figura 34 a seguir ilustra a o procedimento gráfico de McCabe-Thiele, para destilação batelada com refluxo com dois estágios (incluindo o refervedor) e refluxo constante. Figura 34- Destilação batelada com dois estágios e refluxo constante. 70 2- Coluna de retificação com composição do destilado constante Para manter a composição do destilado constante, deve-se aumentar gradativamente a razão de refluxo. A Figura 35 a seguir,ilustra a procedimento gráfico de McCabe-Thiele para manter xD constante numa coluna de 4 estágios ideais (incluindo o refervedor). Figura 35-Diagrama de McCabe-Thiele para destilação batelada com refluxo variável. Para determinar a razão de refluxo necessária para manter xD constante para um dado valor de xB, requer um procedimento iterativo (tentativa e erro). 71 Exemplo 2: Destilação diferencial simples. Uma mistura de 100 moles, com 50% molar de de n-pentano e 50% molar de n-heptano, é submetida a destilação batelada à 102,3 kPa até obter 40 moles de destilado. Calcular: a composição média do destilado e a composição do líquido residual? Os dados de equilíbrio são mostrados na tabela a seguir: Solução: Dados: Eq. de Rayleigh: Procedimento gráfico para obtenção da composição do líquido residual 0n 100 moles= 1n 60 moles e = ( )≡ =1 0x x 0,5 Nomenclatura McCabe ( ) 1 1 00 x x 1 0 xx n dx xln n y x y x ∆ = ≅ − −∑∫ ( ) 1 0 x x 0,5 60 xln 0,511 100 y x= ∆ ≅ ≅ − −∑ 0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0.60 0.70 0.80 0.90 1.00 x 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 1.0 y Polynomial Coefficients Degree 0: 0.0101283 Degree 1: 4.74911 Degree 2: -10.1412 Degree 3: 10.1847 Degree 4: -3.8058 Coefficient of Determination (R-squared) Degree 0: 0 Degree 1: 0.764553 Degree 2: 0.962319 Degree 3: 0.994487 Degree 4: 0.999248 ?? 72 ( )D avg 100(0,5) 60(0,277)x 0,835 100 60 − = = − Composição do líquido residual x = 0,277 Composição média do destilado: Exemplo 3: Destilação batelada com estágios e refluxo constante. Uma carga inicial de 100 kmoles, com 20% molar de n-hexano e 80% molar de n-octano, é submetida à destilação numa coluna com três(3) estágios ideais e razão de refluxo constante ( ). Quantos moles da carga inicial devem ser vaporizados ou destilados, para produzir um destilado com composição média de 70% molar de n- hexano? A taxa de vaporização é constante e igual a 10 kmoles/hora. Pressão de operação da coluna é de 1,0 atm. DR 1,0= Solução: Equação de Antoine: [ ]v v 10 i i Blog P A para T Kelvin e P mm Hg T C = − ⎡ ⎤⎣ ⎦+ Solução ideal; Lei de Raoult: v i i iy P x P= Componente mais volátil: n-hexano (A) 1171,176,87601 T 48,74v AP 10 ⎡ ⎤⎛ ⎞−⎢ ⎥⎜ ⎟−⎝ ⎠⎣ ⎦= Componente menos volátil (n-octano) ⎡ ⎤⎛ ⎞ −⎢ ⎥⎜ ⎟+⎝ ⎠⎣ ⎦= 1351,996,91868 T 64v BP 10 73 Pressão parcial de A (solução ideal): e , como v A A Ap x P= v B B Bp x P= A Bp p 1,0 atm+ = v v A A A Bx P (1 x )P 760 mm Hg ou + − = v B A v v A B 1 Px P P − = − Dados: ; ; e (mistura binária e constante) N = 3,0 (incluindo o reboiler); LO: =0n 100 kmoles 0x 0,20= ( ) 0 0 1 1 D avg 0 1 n x n xx 0,70 n n − = = − DR 1,0= AB 6,28 4,5 5,39 2 + α = = ( ) AB AB xy 1 x 1 α = + α − ABα D D D n n n D D R x xy x 0,5x R 1 R 1 2 = + = + + + 1n ?= 1x ?=Dx ?= =D 5 kmoles/h Procedimento de resolução: Iterativo ou tentativa e erro (* estimativa) 1ª estimativa: x1 = 0,128 → Destilação batelada : ( ) 1 1 00 x x 1 0 D Dxx n dx xln n y x x x x ∆ = ≅ ≡ − −∑∫( )= × − =1 0 0,1179n n exp 88,878 ( )D avg 100 0,20 88,878 0,128x 0,775 100 88,878 × − × = = − ? 74 Balanço final: O tempo de 2,224 horas é insuficiente para a concentração molar do destilado atingir 0,70. (Obs: , composição da 1ª bolha de vapor)Dx 0,828= ( )0 1 100 88,878 kmolesn n 2,224 h kmolesD 5 h −− = = 75 2ª estimativa: x = 0,104 ( )1 0n n exp 0,173 84,11= × − = ( )D avg 100 0,20 84,11 0,104x 0,708 100 84,11 × − × = = − ( )−− = =0 1 100 84,11 kmolesn n 3,178 h kmolesD 5 h