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ACT 
 simplificada 
 
 
Uma cartilha fácil de ler sobre a Terapia 
de Aceitação e Compromisso 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RUSS HARRIS, MD 
 
 
 
1 
 
 
 
 
 
Dedicatória 
 
 
Ao meu irmão Genghis: por todo seu amor, apoio, inspiração e encorajamento durante anos; 
por me empurrar quando eu necessitava ser empurrado, por servir como âncora quando eu 
necessitava de estabilidade, por me mostrar o caminho quando eu estava perdido; e por tra-
zer tanta luz, tanto amor e tanto riso para a minha vida. 
2 
 
 
ÍNDICE 
 
INTRODUÇÃO .................................................................................. 4 
CAPÍTULO 1 - A ACT de Forma Resumida ................................ 8 
CAPÍTULO 2 - Empacado, Não Inutilizado .............................. 20 
CAPÍTULO 3 - A Casa da ACT ..................................................... 33 
CAPÍTULO 4 - Tornando-se Vivencial ....................................... 47 
CAPÍTULO 5 - Começando a ACT ............................................... 56 
CAPÍTULO 6 - Desesperança o Quê??!! ...................................... 84 
CAPÍTULO 7 – Observe seu Pensamento................................... 97 
CAPÍTULO 8 – Abrindo-se .......................................................... 129 
CAPÍTULO 9 – Esteja Aqui Agora ............................................. 148 
CAPÍTULO 10 – Consciência Pura ............................................. 163 
CAPÍTULO 11 – Saiba o Que Importa ...................................... 177 
CAPÍTULO 12 – Faça o Que For Necessário ............................ 193 
CAPÍTULO 13 – Desempacando ................................................ 209 
CAPÍTULO 14 – Eu e Você ........................................................... 215 
CAPÍTULO 15 – A Jornada do Terapeuta ................................. 220 
3 
 
Prefácio 
A terapia de aceitação e compromisso (ACT) é estranhamente contraintuitiva. A mente luta 
contra ela. Até mesmo terapeutas experientes na ACT e clientes que obtiveram sucesso com ela, 
conseguem se conectar com o trabalho, avançar e, então, algumas semanas mais tarde subita-
mente descobrem que a vitalidade desta conexão se esvaiu porque eles a reformularam mental-
mente para algo mais "normal", mas também muito menos útil. 
A ACT não tem nada a ver com treinar o modo normal da mente. Ela é sobre sair da mente e 
entrar na vida. A mente não gosta deste tipo de plano. 
Este fenômeno explica parcialmente porque a ACT é uma nova terapia para a maioria dos 
clínicos, apesar de ela ter sido desenvolvida há quase trinta anos atrás. 
Nós deliberadamente passamos um longo período desenvolvendo o processo e a teoria subja-
centes na esperança de que estes serviriam como um guia quando perdêssemos o rumo. Con-
seguimos expressar, em uma linguagem comportamental precisa, o que queremos dizer por 
"mente". Conseguimos pesquisar, em experimentos comportamentais precisos, de que forma 
a desfusão alterou o impacto da cognição ou como a aceitação mudou o papel da emoção. 
Esta estratégia ajudou, de fato, a manter o trabalho focado, mas ela atrasou enormemente apre-
sentações meticulosas deste trabalho. (O primeiro livro sobre a ACT foi concluído somente há 
dez anos, quase vinte anos depois que a ACT começou.) Ela também fez com que os primeiros 
textos sobre a ACT fossem muito complexos. Clientes tiveram dificuldade de mudar de um 
modo baseado em resolução de problemas para um modo de apreciação baseado em mindful-
ness. A teoria subjacente explica por que e o que fazer em relação a isto – e nós estávamos 
prontos com essas explicações científicas detalhadas (e esquisitas) mesmo que durante algumas 
épocas elas parecessem ilegíveis para aqueles não versados em análise do comportamento. 
Felizmente, o coração da obra conseguiu se fazer visível para alguns pelo menos. Clínicos e 
escritores criativos, incluindo o autor deste belíssimo novo livro, começaram a encontrar ma-
neiras mais simples e mais claras de ajudar outros a se conectarem com o trabalho. O advento 
de livros de autoajuda da ACT acelerou este processo ainda mais à medida que alguns escrito-
res foram aprendendo a escrever de uma forma tal que as pessoas conseguissem compreender. 
Atualmente a literatura referente à ACT é vasta, com dezenas de livros e centenas de artigos. 
Os clínicos necessitam um espaço para explorar este território. Minha previsão é que eles aca-
baram de encontrá-lo. 
Russ Harris é brilhante em sua habilidade em reconhecer pelo cheiro complexidades desneces-
sárias e apresentar ideias clínicas complexas de modo acessível. ACT Simplificada é ACT. In-
questionavelmente. Cada uma das páginas do livro é de fácil compreensão. Russ dedicou anos a 
compreender a obra profundamente (inclusive a esquisita teoria científica subjacente dos qua-
dros relacionais) e aprender a aplicá-la e ampliá-la com integridade. Neste livro, ele utilizou seu 
talento para formular uma apresentação e formulação claras da ACT; ele também fez uso de sua 
criatividade clínica para apresentar novos métodos e novas maneiras para se chegar ao coração 
dessas questões com os clientes. 
Isto é uma combinação grandiosa e uma contribuição significativa. Especialmente se você for 
um novato em relação ao tema, este livro irá lhe proporcionar um trabalho de mestre ao lhe 
desvendar o modelo da ACT para que você possa explorá-lo. Ele é exatamente o que seu títu-
lo afirma: ACT Simplificada. 
 − Steven C. Hayes, Ph. D. 
 Universidade de Nevada 
4 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Sobre o que estamos falando? 
 
Vida se soletra e.s.t.o.r.v.o. – Albert Ellis 
A vida é difícil – M. Scott Peck 
A vida é sofrimento – Buda 
Merda acontece – Anônimo 
 
POR QUE, POR QUE, POR QUÊ? 
Por que é tão difícil ser feliz? Por que a vida é tão difícil? Por que os seres humanos sofrem 
tanto? E o que podemos fazer a respeito de uma forma realista? A Terapia de Aceitação e Com-
promisso (ACT1) tem algumas respostas profundas e transformadoras para estas questões. Este 
livro pretende tomar a complexa teoria e prática da ACT e torná-la acessível e agradável. Se, 
como eu, você tem uma estante cheia de livros acadêmicos em sua maioria inacabados, você vai 
apreciar o fato de que a ACT é envolvente e divertida. Eu optei deliberadamente por manter o 
jargão técnico reduzido a um mínimo absoluto e usar, sempre que possível, a linguagem cotidi-
ana. Espero tornar a ACT acessível ao maior número possível de profissionais da área da saúde 
mental, desde técnicos, conselheiros e enfermeiros a psicólogos e psiquiatras, enfim, a todos os 
profissionais envolvidos de alguma forma na área da saúde mental. 
ENTÃO, O QUE VEM A SER A ACT? 
Oficialmente dizemos ACT tal como na palavra em inglês "act" (que pode ser traduzida como 
"aja") e não como as iniciais A-C-T. Há uma boa razão para isso. Em seu núcleo, a ACT é 
uma terapia comportamental: ela é sobre agir, sobre entrar em ação. Mas não qualquer agir, 
qualquer ação. Em primeiro lugar, a ACT é sobre ação baseada em valores. Há um grande 
componente existencial neste modelo: Quais são os valores que você quer que representem 
sua vida? O que é verdadeiramente importante no fundo do seu coração? Como e em relação a 
quê você quer ser lembrado em seu funeral? A ACT coloca você em contato com o que real-
mente importa no grande quadro: os anseios mais profundos de seu coração em relação a 
quem você quer ser e o que quer fazer durante seu breve tempo neste planeta. Você então po-
de usar estes valores centrais para guiar, motivar e inspirar mudanças no modo como age e se 
comporta. Em segundo lugar, a ACT é sobre ação consciente: uma ação que você empreende 
conscientemente com atenção plena – aberto a sua experiência e completamente engajado no 
que estiver fazendo. 
A ACT recebe seu nome de uma de suas mensagens centrais: aceite (accept) o que está fora de 
seu controle pessoal e se comprometa (commit) a realizar aquela açãoInfelizmente, quanto mais importância damos à esquiva da ansiedade, mais desenvolvemos an-
siedade em relação a nossa ansiedade. É um círculo vicioso, que se encontra no centro de qual-
quer transtorno de ansiedade. (Afinal de contas, qual é o núcleo de um ataque de pânico, se não 
ansiedade em relação à ansiedade?) Um corpo volumoso de pesquisa mostra que esquiva expe-
riencial mais elevada está associada com transtornos de ansiedade, preocupação excessiva, de-
pressão, desempenho laboral mais pobre, níveis mais elevados de abuso de substância, qualida-
de de vida mais baixa, conduta sexual de alto risco, transtorno da personalidade borderline, 
maior severidade de TEPT, incapacitação de longo prazo e níveis mais elevados de psicopato-
logia global (Hayes, Masuda, Bissett, Luoma & Guerrero, 2004). De fato, ela é indiscutivelmen-
te o maior fator individual na psicopatologia. 
Assim, agora você pode ver uma das razões pelas quais a ACT não foca na redução de sinto-
mas: fazer isso é semelhante a reforçar a esquiva experiencial, o próprio processo que alimenta 
a maioria dos problemas clínicos. Outra razão é que tentativas de reduzir sintomas pode parado-
xalmente aumentá-los. Por exemplo, pesquisas mostram que a repressão de pensamentos inde-
sejáveis pode levar a um efeito rebote: um aumento tanto na intensidade quanto na frequência 
de pensamentos indesejáveis (Wenzlaff & Wegner, 2000). Outros estudos mostram que tentar 
reprimir um estado de humor pode na verdade intensificá-lo em um loop de autoamplificação 
(Feldner, Zvolensky, Eifert, & Spira, 2003; Wegner, Erber & Zanakos, 1993). 
Um dos componentes centrais da maioria dos protocolos da ACT envolve colocar o cliente em 
contato com os custos e a futilidade da esquiva experiencial. Isto é feito com o objetivo de mi-
nar a agenda de controle (isto é, a agenda de tentar controlar nossos pensamentos e sentimentos) 
e criar espaço para uma agenda alternativa: aceitação. Entretanto, embora queiramos facilitar 
uma vida com atenção plena e baseada em valores, não queremos nos transformar em... 
"Fascistas da Atenção Plena" 
Não somos "fascistas da atenção plena" na ACT; não insistimos que as pessoas tenham que 
estar sempre no momento presente, sempre desfundidas, sempre aceitando. Isto não seria so-
mente ridículo, mas também autodestrutivo. Somos todos esquivadores experienciais em algum 
grau. E todos nos fundimos com nossos pensamentos às vezes. E a esquiva experiencial e a fu-
são cognitiva em si e por si mesmas não são inerentemente "más" ou "patológicas"; somente 
miramos nelas quando elas se tornam obstáculos para uma vida rica, plena e com sentido. 
Em outras palavras, tudo gira em torno da funcionalidade ou aplicabilidade. Se tomamos uma 
aspirina de tempos em tempos para nos livrarmos de uma dor de cabeça, isto é esquiva experi-
encial, mas é provável que seja funcional – ou seja, que melhore nossa qualidade de vida a lon-
26 
 
go prazo. Se tomamos um copo de vinho tinto à noite com o objetivo primário de nos vermos 
livres de tensão e estresse, isto também é esquiva experiencial – mas a não ser que tenhamos 
certas condições médicas, provavelmente não será danoso, tóxico, nem uma distorção de nossa 
vida. Pelo contrário, isto fará bem para nosso coração. No entanto, se tomarmos duas garrafas 
inteiras todas as noites, obviamente isto será uma história diferente. 
O mesmo é verdadeiro para a fusão. Há certos contextos – embora poucos e distantes entre si – 
onde a fusão de fato ajuda a melhorar a vida, tais como quando nos permitimos "nos perder" em 
um romance ou em um filme. E há outros contextos onde nos fundimos com nossos pensamen-
tos e, embora não melhorem nossa vida, geralmente também não são problemáticos – por 
exemplo, quando ficamos devaneando enquanto estamos numa fila de supermercado. Mas fa-
lando em termos gerais, estamos melhores quando nos desfundimos de nossos pensamentos 
pelo menos um pouco. (Para clarificar isto, relembre o Exercício das Mãos como Pensamentos 
que você fez anteriormente. Mesmo uma pequena brecha entre seu rosto e suas mãos permite 
que muito mais informação sobre o mundo chegue a você). 
Um Ponto Muito Importante sobre Aceitação versus Controle 
Na ACT não defendemos a aceitação de todos os pensamentos e sentimentos em qualquer cir-
cunstância. Isto seria não apenas rígido, mas também totalmente desnecessário. A ACT defende 
a aceitação em duas circunstâncias: 
1. Quando o controle de pensamentos e sentimentos é limitado ou impossível. 
2. Quando o controle de pensamentos e sentimentos é possível, mas os métodos usados re-
duzem a qualidade de vida. 
Se o controle é possível e contribui para uma vida baseada em valores, então "vá nessa". Por fa-
vor, lembre-se deste ponto. Ele é muitas vezes esquecido ou mal compreendido por praticantes 
novatos da ACT, e relembrá-lo irá lhe poupar de um bocado de confusão. 
OS SEIS PROCESSOS PATOLÓGICOS CENTRAIS 
 A fusão cognitiva e a esquiva experiencial em conjunto dão origem aos seis processos patológi-
cos, tal como mostrado na figura 2.1 abaixo. (Você pode pensar nos mesmos como o "verso" dos 
seis processos terapêuticos centrais.) À medida que eu for conduzindo você através de cada um 
dos processos, vou usar a depressão clínica para exemplificar. 
Fusão 
Conforme descrito acima, fusão significa emaranhamento com nossos pensamentos de modo 
que eles dominem nossa percepção consciente e tenham uma grande influência sobre nosso 
comportamento. Clientes deprimidos se fundem com todo tipo de pensamentos ineficazes e 
contraproducentes: Sou mau, eu não mereço algo melhor, eu não consigo mudar, eu sempre 
fui desse jeito, a vida é uma merda, tudo é muito difícil, a terapia não vai funcionar, isto nun-
ca vai melhorar, eu não consigo sair da cama quando eu me sinto assim, estou muito cansado 
para fazer alguma coisa. Eles muitas vezes se fundem com memórias dolorosas envolvendo 
coisas como rejeição, desapontamento, fracasso ou abuso. (Fusão extrema com uma memória 
– em tal extensão que isto parece estar acontecendo aqui e agora – é geralmente referida como 
um flashback.) Na depressão clínica, a fusão se manifesta muitas vezes como preocupação, 
ruminação, tentativas de descobrir "por que eu sou assim" ou comentários negativos contí-
nuos: "Esta festa é uma merda. Eu preferiria estar na cama. Qual é o sentido de estar aqui? 
Todos estão se divertindo. Ninguém realmente me quer aqui." 
27 
 
 
 
Esquiva experiencial 
Tal como mencionei anteriormente, esquiva experiencial significa livrar-se de, evitar ou esca-
par de experiências privadas indesejáveis tais como pensamentos, sentimentos e memórias. 
Isto é o oposto da aceitação (que é uma abreviação para "aceitação experiencial"). Como 
exemplo, vamos dar uma olhada na esquiva experiencial na depressão. Seus clientes deprimi-
dos comumente tentam duramente evitar ou livrar-se de emoções dolorosas tais como ansie-
dade, tristeza, fadiga, raiva, culpa, solidão, letargia, e assim por diante. Por exemplo, eles 
muitas vezes se afastam de socializar-se com o objetivo de evitar pensamentos e sentimentos 
desconfortáveis. Isto pode não ser perceptível à primeira vista, então vamos refletir sobre isso. 
À medida que um compromisso social vai chegando cada vez mais perto, é provável que eles 
se fundam com todo tipo de pensamentos tais como eu sou chato, eu sou um peso, eu não 
tenho nada para dizer, eu não vou gostar, estou cansado demais, não vale o incômodo, bem 
como memórias de eventos sociais anteriores que foram insatisfatórios. Ao mesmo tempo, 
seus sentimentos de ansiedade aumentam e eles muitas vezes relatam uma sensação de "pa-
vor" antecipatório. No entanto, no momento em que cancelam o compromisso, ocorre um 
Domínio do Passado e do 
Futuro Conceitual; 
Autoconhecimento Limitado 
Esquiva 
Experiencial 
Carência de Cla-
reza e Contato 
com Valores 
Fusão 
Cognitiva Ação 
DisfuncionalInflexibilidade 
Psicológica 
Apego ao Eu 
Conceitual 
Figura 2.1 – Um modelo de Psicopatologia da ACT 
28 
 
alívio instantâneo: todos aqueles pensamentos e sentimentos desprazerosos instantaneamente 
desaparecem. Mesmo que este alívio não dure por muito tempo, ele é muito reforçador, o que 
aumenta a chance de um retraimento social futuro. 
Fusão e esquiva geralmente andam de mãos dadas. Por exemplo, clientes depressivos muitas ve-
zes tentam tenazmente empurrar para longe os mesmos pensamentos e memórias com os quais 
continuam a se fundir – por exemplo, pensamentos dolorosos tais como Eu não tenho valor ou 
Ninguém gosta de mim, ou memórias desprazerosas de rejeição, desapontamento e fracasso. Eles 
podem tentar de tudo desde drogas, álcool, cigarros, assistir TV a dormir em excesso, em tentati-
vas vãs de evitar esses pensamentos dolorosos. 
Predominância do Passado e Futuro Conceitual e Autoconhe-
cimento Limitado 
A fusão e a esquiva rapidamente levam a uma perda do contato com a experiência do aqui-e-
agora. Todos nós ficamos facilmente enredados em um passado e um futuro conceituais: vi-
vemos com memórias dolorosas e ruminamos sobre o porquê de as coisas terem acontecido 
daquela forma; fantasiamos sobre o futuro, nos preocupamos com coisas que ainda não acon-
teceram, e colocamos o foco em todas as coisas que temos de fazer a seguir. E neste processo, 
perdemos a vida no aqui e agora. 
Estar em contato com o momento presente inclui o mundo ao nosso redor e dentro de nós. Se 
perdemos contato com nosso mundo psicológico interior – se estamos sem contato com nos-
sos pensamentos e sentimentos – então carecemos de autoconhecimento. E sem autoconheci-
mento, é muito mais difícil de mudar nosso comportamento de maneiras adaptativas. 
Clientes deprimidos comumente gastam uma grande quantidade de tempo fundidos com um 
passado conceitual: ruminando sobre eventos passados dolorosos, que muitas vezes tem a ver 
com rejeição, perda e fracasso. Eles também se fundem com um futuro conceitual: preocu-
pam-se sobre todas as “coisas ruins” que podem estar à nossa espera. 
Falta de Clareza de Valores/Contato 
À medida que nosso comportamento se torna mais e mais impulsionado pela fusão com pen-
samentos que pouco ajudam, ou tentativas de evitar experiências privadas desprazerosas, mui-
tas vezes acabamos perdendo, negligenciando ou esquecendo nossos valores. Se não temos 
clareza acerca de nossos valores ou se não estamos em contato psicológico com eles, então 
não poderemos usá-los como um guia eficaz para nossas ações. Clientes deprimidos muitas 
vezes perdem contato com seus valores no que diz respeito a conectar-se e contribuir com 
outros, ser produtivo, fomentar a saúde e o bem-estar, divertir-se, ou engajar-se em atividades 
desafiadoras tais como esportes, trabalho e hobbies. 
Nosso propósito na ACT é colocar o comportamento de forma crescente sobre a influência de 
valores em lugar de fusão ou da esquiva. (Nota: Mesmo no caso de valores, devemos mantê-
los de forma leve em vez de nos fundirmos com eles.) Considere as diferenças entre ir ao tra-
balho sob estas três condições: 
1. Motivado principalmente pela fusão com pensamentos autolimitadores tais como "Eu 
tenho de fazer este trabalho. É a única coisa que sou capaz de fazer". 
2. Motivado principalmente pela esquiva: ir ao trabalho para evitar "sentir-se como um fra-
cassado" ou para livrar-se de sentimentos de ansiedade relacionados à tensão em casa. 
3. Motivado principalmente por valores: fazer este trabalho guiado por valores acerca de 
29 
 
contribuição, autodesenvolvimento, ser ativo, ou conectar-se com outros. 
Qual destas formas de motivação provavelmente irá trazer o maior senso de vitalidade, senti-
do e propósito? 
Ação Inviável 
Uma ação inviável significa padrões de comportamento que nos afastam de um viver atento e 
baseado em valores, padrões de comportamento que não funcionam para tornar nossas vidas 
mais ricas e mais plenas, mas que, ao invés disso, nos fazem empacar ou aumentar nossas 
lutas. Isto inclui ações que são impulsivas, reativas ou automáticas em oposição a serem de 
atenção plena, deliberadas, com propósito, e inação ou procrastinação onde é necessária uma 
ação eficaz para melhorar a qualidade de vida. Exemplos comuns de ações inviáveis na de-
pressão incluem o uso excessivo de drogas ou álcool, afastamento da vida social, ser fisica-
mente inativo, parar previamente com atividades agradáveis e divertidas, evitar trabalhar, 
dormir ou assistir TV excessivamente, tentar suicídio, procrastinação excessiva em tarefas 
importantes, e a lista continua. 
Apego ao Eu Conceitual 
Todos nós temos uma história sobre quem somos. Esta história é complexa e tem muitos ní-
veis. Ela inclui alguns fatos objetivos tais como nosso nome, sexo, background cultural, esta-
do civil, ocupação, e assim por diante. Também inclui descrições e avaliações dos papéis que 
desempenhamos, as relações que temos, o que gostamos e o que não gostamos, sonhos e aspi-
rações. Se mantivermos essa história de forma leve, ela pode nos dar um senso de eu que aju-
de a definir quem somos e o que queremos na vida. No entanto, se nos fundimos com a histó-
ria – se começarmos a pensar que somos a história – isso rapidamente irá criar todo tipo de 
problemas. A maioria dos livros-texto da ACT se refere a esta história como eu conceitual ou 
eu-como-conteúdo. Eu prefiro o termo autodescrição, uma expressão cunhada pela psicóloga 
Patty Bach, porque é essencialmente isso que ela é: um modo de nos descrevermos. E quando 
nos fundimos com nossa autodescrição, parece que nós somos essa descrição, que todos aque-
les pensamentos são a própria essência do que nós somos: eu-como-descrição. 
Note que até mesmo a fusão com uma autodescrição muito positiva provavelmente poderá ser 
problemática. Por exemplo, qual poderia ser o perigo de nos fundirmos com a descrição "Eu 
sou forte e independente"? Ela indubitavelmente me trará uma autoestima elevada, mas o que 
acontecerá se eu realmente necessitar de ajuda e estiver tão fundido com minha autodescrição 
positiva que não me permita mais pedir ajuda ou aceitá-la? E qual seria o perigo potencial de 
me fundir com "Eu sou um motorista brilhante; eu consigo dirigir de forma excelente mesmo 
que esteja bêbado"? Novamente, isto me confere uma autoestima muito positiva mas pode me 
levar facilmente a um acidente. 
Na depressão, os clientes geralmente se fundem com uma autodescrição muito "negativa": 
"Eu sou (mau/sem valor/sem esperança/indigno de amor/burro/feio/gordo/incompetente/fra-
cassado/desagradável/chato)", e assim por diante. No entanto, podemos encontrar também 
elementos "positivos" na mesma – por exemplo, "Eu sou uma pessoa forte, eu não deveria 
estar reagindo desta forma", ou "Eu sou uma pessoa boa; por que isso está acontecendo comi-
go? " ou ainda "Eu não preciso de nenhuma ajuda. Eu consigo resolver isso sozinho." 
Sobreposição entre os Processos Patológicos 
Você notará que existe uma considerável sobreposição entre esses processos patológicos; da 
mesma forma como na flexibilidade psicológica, eles estão todos interconectados. Por exem-
30 
 
plo, se seu cliente fica ruminando sobre "Por que sou um fracasso tão grande?" você poderia 
classificar isto como fusão ou autodescrição. E se ele passar a noite andando pra cima e pra 
baixo ruminando ao invés de fazer algo que melhore sua vida, você poderia classificar isto 
como ação disfuncional. E se ele estiver perdido em seus pensamentos enquanto está com sua 
mulher e seus filhos, então ele não somente está perdendo contato com o momento presente, 
mas provavelmente também terá perdido contato com seus valores sobre se conectar e se en-
volver com os outros. A ruminação também poderia servir como esquiva experiencial se ele 
estiver fazendo isso primariamente para evitar pensar sobre ou lidar com problemas doloro-
sos, ou para se distrair desensações em seu corpo. 
PARA QUEM SERVE A ACT? 
A ACT foi estudada cientificamente e tem se mostrado efetiva para uma ampla variedade de 
condições incluindo ansiedade, depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, fobia social, trans-
torno de ansiedade generalizada, esquizofrenia, transtorno da personalidade borderline, estresse 
laboral, dor crônica, uso de drogas, ajustamento psicológico ao câncer, epilepsia, controle de 
peso, parar de fumar e autogestão da diabetes (Bach & Hayes, 2002; Bond & Bunce, 2000; 
Brown et al., 2008; Branstetter, Wilson, Hildebrandt & Mutch, 2004; Dahl, Wilson, & Nilsson, 
2004; Dalrymple & Herbert, 2007; Gaudiano & Herbert, 2006.; Gifford et al., 2004; Gratz & 
Gunderson, 2006; Gregg, Callaghan, Hayes, & Glenn-Lawson, 2007; Hayes, Masuda, Bissett, 
Luoma, & Guerrero, 2004; Hayes, Bissett, et al., 2004; Tapper et al., 2009; Lundgren, Dahl, 
Yardi, & Melin, 2008; Ossman & Wilson, 2006; Twohig, Hayes, & Masuda, 2006; Zettle, 
2003). Quando os terapeutas me perguntam "Para que a ACT é apropriada?" minha resposta é 
"Você consegue pensar em alguém para quem a ACT não é apropriada?" Quem não se benefi-
ciaria em ser psicologicamente mais presente, mais em contato com seus valores, mais capaz de 
criar espaço para a inevitável dor da vida, mais capaz de se desfundir de seus pensamentos e 
memórias disfuncionais, mais capaz de agir de forma eficaz diante do desconforto emocional, 
mais capaz de se engajar completamente no que estiver fazendo, e mais capaz de apreciar cada 
momento de sua vida, não importa que estiver sentindo? Flexibilidade psicológica traz todos 
esses benefícios, e outros mais. Por isso a ACT parece relevante para praticamente todo mundo. 
(É claro, se os seres humanos têm déficits significativos em sua habilidade de usar a lingua-
gem, como algumas pessoas com autismo, lesão cerebral adquirida, ou outras deficiências, 
então a ACT poderá ser de uso limitado. No entanto, a RFT (relational frame theory ou teoria 
das molduras relacionais tem todo tipo de aplicações úteis para estas populações). 
Para ajudá-lo a começar a pensar em termos deste modelo, vou encerrar este capítulo com um 
exercício de conceptualização de caso. Gostaria que você selecionasse um de seus clientes e 
procurasse exemplos dos seis processos patológicos centrais delineados neste capítulo. Para 
ajudá-lo com esta tarefa, por favor use o formulário Avaliando a Inflexibilidade Psicológica: 
Seis Processos Centrais. (Você irá encontrá-lo no final deste capítulo. Você também poderá 
fazer o download do mesmo – em inglês – em www.actmindfully.com.au.) Se você ficar pre-
so em alguns dos títulos, não se preocupe; simplesmente vá para o item seguinte. Tenha em 
mente que existe um monte de sobreposição entre esses processos; assim, se você estiver em 
dúvida sobre se "Isto é fusão ou esquiva?" a resposta provavelmente será sim – e neste caso 
inclua-a sob ambos os títulos. Este exercício é apenas para fazê-lo começar. Mais adiante nes-
te livro, iremos enfocar a conceptualização de caso mais detalhadamente. Por enquanto, faça 
uma tentativa e veja como você se sai. 
Melhor ainda, aplique este exercício a uns dois ou três clientes porque (como em praticamente 
tudo) com a prática vai ficando mais fácil. 
E melhor ainda: se você realmente quiser botar sua cabeça para funcionar com esta aborda-
http://www.actmindfully.com.au/
31 
 
gem da psicopatologia humana, selecione dois ou três transtornos do DSM-IV e identifique a 
fusão, a esquiva e a ação inviável ocorrendo: Com que tipo de conteúdo mental os pacientes 
estão se fundindo (em termos de preocupação, ruminação, autoimagem, crenças autoderrotis-
tas e atitudes)? Que sentimentos, impulsos, sensações, pensamentos e memórias os pacientes 
relutam em ter ou ativamente tentam evitar? Que ações inviáveis os pacientes tipicamente 
adotam? Com que valores centrais eles perdem contato? 
E finalmente, execute este exercício em você mesmo. Se você quer aprender a ACT, a melhor 
pessoa para praticar é com você mesmo. Assim dedique algum tempo a isto seriamente: iden-
tifique com o que você se funde, o que você evita, com que valores você perdeu contato, e que 
ações inviáveis você costuma tomar. Quanto mais você aplicar este modelo a seus próprios 
problemas e observar como ele funciona em sua vida, mais experiência você terá para se valer 
no consultório. 
32 
 
AVALIAÇÃO DA INFLEXIBILIDADE PSICOLÓGICA: 
SEIS PROCESSOS CENTRAIS 
 
1. Predomínio do passado ou do futuro conceitual; autoconhecimento limitado: Quanto 
tempo o seu/sua cliente gasta detendo-se no passado ou fantasiando/preocupando-se 
com o futuro? Com que elementos do passado ou do futuro ele fica obcecado? Em que 
medida ele/ela está desconectado dos seus pensamentos, sentimentos e ações ou não 
tem consciência dos mesmos? 
 
 
 
2. Fusão: Com que tipo de conteúdo cognitivo inútil o seu paciente está se fundindo – regras 
rígidas, crenças autolimitantes, críticas e julgamentos, justificações, ter razão, ideias de 
desesperança e inutilidade, ou outros? 
 
 
 
3. Esquiva vivencial: Que experiências privadas (pensamentos, sentimentos, memórias, etc.) 
o seu/sua cliente está evitando? Como ele/ela está fazendo isso? Quão difusa é a evitação 
vivencial em sua vida? 
 
 
 
4. Apego ao eu conceitual: Qual é o "eu conceitual" de seu cliente? Por exemplo, ele/ela se 
vê como inutilizado/estragado/indigno de amor/fraco/burro, etc., ou ele/ela se vê como for-
te/superior/bem-sucedido? Quão fundido/a ele/ela está com esta autoimagem? Ele/ela se de-
fine em termos de seu corpo, ou traço de caráter, ou de uma determinada função, ocupação 
ou diagnóstico? 
 
 
 
5. Falta de clareza dos valores ou falta de contato com valores: Em relação a que valo-
res centrais o/a cliente não tem clareza ou negligencia ou age de modo inconsistente? (Por 
exemplo, valores comumente negligenciados incluem conexão, cuidados, contribuição, au-
tenticidade, abertura, autocuidado, autocompaixão, amorosidade, carinho, viver no presente.) 
 
 
 
6. Ação disfuncional: Quais ações impulsivas, evitativas ou autoderrotistas seu/sua cliente 
tem adotado? Ele/ela falha em persistir quando uma ação persistente é necessária? Ou con-
tinua de forma inapropriada quando uma ação é ineficaz? Que pessoas, lugares, situações 
ou atividades ele/ela está evitando ou se afastando? 
33 
 
CAPÍTULO 3 
 
A Casa da ACT 
 
POR QUE VOCÊ DEMOROU TANTO, ACT? 
Por que demorou tanto para que a ACT se tornasse popular, dado que já em 1986 havia ensaios 
clínicos randomizados mostrando que ela era equivalente e até mesmo superior à terapia cogniti-
vo-comportamental tradicional (TCC) para o tratamento da depressão? Steven Hayes, o criador da 
ACT, responde esta questão desta forma: 
“Se a ACT tivesse se popularizado há vinte anos atrás, ela não teria resistido a uma análise rigoro-
sa. O modelo não estava bem desenvolvido e seus fundamentos eram fracos. Estávamos dispostos 
a dispender anos em filosofia, teoria básica, mensurações, e teoria aplicada antes de publicarmos a 
abordagem em forma de livro (1999). Mas exatamente por termos esperado e trabalhado nos fun-
damentos, agora, quando as pessoas vão “descascando” as camadas que a envolvem, elas conse-
guem se dar conta do quanto foi feito nas bases da obra." (Hayes, 2008 a.) 
Como resultado de todo este trabalho de base, a ACT é agora como o último andar de uma casa 
de três andares. No andar logo abaixo, encontraremos a teoria das molduras relacionais (RFT – 
Relational Frame Theory), que é uma teoria comportamental da linguagem e cognição humanas. 
Depois, no andar térreo, encontraremos a análise comportamental aplicada (ABA – Applied 
Behavioral Analysis), um modelo poderoso para a predição e influência do comportamento, que 
tem tido um impacto enorme sobre praticamente todos os ramos da psicologia moderna. E o ter-
reno sobre a qual a casa toda repousa é uma filosofia denominada contextualismofuncional (FC – 
Functional Contextualism). 
Enquanto o restante do livro está focado principalmente na ACT, neste capítulo iremos dar 
uma olhada na análise comportamental (ABA), na teoria das molduras relacionais (RFT) e no 
contextualismo funcional (FC). Eu não vou conseguir fazer justiça a qualquer um destes tópi-
cos em um capítulo tão curto, e por isso vou apenas lhe dar alguns "gostinhos", na esperança 
de que isso irá abrir o seu apetite e estimulá-lo a explorar posteriormente estes temas de uma 
forma mais profunda. (Eu espero que os puristas que forem ler este livro me perdoem a lin-
guagem "mais solta" que uso aqui.) 
Antes que você continue a ler, cabe lembrar que a ACT é como dirigir seu carro, enquanto 
que a teoria das molduras relacionais (RFT), a análise comportamental (ABA) e o contextua-
lismo funcional (FC) representam como o motor de seu carro funciona. Você consegue dirigir 
seu carro mesmo sem saber praticamente nada sobre o seu motor – assim, há muitos bons te-
rapeutas ACT que sabem pouco ou nada sobre RFT, ABA e FC. No entanto, se você sabe 
algo sobre como o motor funciona, estará melhor equipado e preparado case seu carro sofra 
uma pane. Por isso, não é de surpreender o fato de que muitos terapeutas ACT relatam que se 
tornaram mais eficazes à medida que foram aprendendo mais sobre RFT, ABA e FC. Por isso, 
embora o material apresentado neste capítulo não seja essencial para a prática da ACT, tenho 
a esperança de que ele estimule você a explorar para além dele. (Uma palavra de advertência: 
há um monte de jargões neste capítulo. Por favor, não permita que isso o leve a postergar ou 
abandonar o estudo. Você não terá de lembrar de tudo e, depois desse capítulo, o restante do 
livro é virtualmente livre de jargões.) 
34 
 
CONTEXTUALISMO FUNCIONAL 
Vamos começar de baixo para cima, com o contextualismo funcional – a filosofia que subjaz 
à ABA, RFT e ACT. Gostaria que você imaginasse uma cadeira que tem quatro pernas. Ima-
gine que algo aconteceu com esta cadeira de forma que, no momento em que alguém senta 
nela, uma das pernas cai. Você descreveria esta cadeira como “quebrada”, “defeituosa” ou 
“danificada”? Você a chamaria de “cadeira disfuncional” ou até mesmo de “cadeira desadap-
tativa”? Fiz esta pergunta para centenas de terapeutas, e eles sempre responderam sim para 
pelo menos uma das descrições acima. O problema é que esta resposta instintiva – “Sim, tem 
algo de errado, defeituoso ou falho com esta cadeira” – deixa de levar em consideração o pa-
pel sumamente importante do contexto. Assim, convido você agora a pensar lateralmente: 
pense em pelo três ou quatro contextos nos quais podemos dizer que essa cadeira funciona de 
forma muito eficaz para servir a nossos propósitos. 
* * * 
Você conseguiu pensar em algo? Eis aqui alguns nos quais eu pensei: 
 Fazer uma brincadeira 
 Criar uma mostra de arte de móveis quebrados 
 Encontrar adereços para uma apresentação de palhaços ou um show de comédia 
 Demonstrar falhas de projeto numa disciplina sobre fabricação de móveis 
 Melhorar o equilíbrio, a coordenação e a força muscular (ou seja, tentar sentar-se sem que 
a perna se desprenda da cadeira). 
 Tentar se machucar no trabalho para conseguir uma indenização. 
Em todos estes contextos, esta cadeira funciona de modo muito efetivo para servir aos nossos 
propósitos. Este exemplo ilustra como o contextualismo funcional recebe o seu nome: ele 
observa como as coisas funcionam em contextos específicos. Do ponto de vista do contextua-
lismo funcional, nenhum pensamento, sentimento ou memória é inerentemente problemático, 
disfuncional ou patológico: em vez disso, tudo depende do contexto. Em um contexto que 
inclua fusão cognitiva e esquiva experiencial, nossos pensamentos, sentimentos e memórias 
muitas vezes funcionam de uma forma que é tóxica e prejudicial, e que desfigura nossa vida. 
No entanto, em um contexto que inclui desfusão e aceitação (ou seja, mindfulness) estes 
mesmos pensamentos, sentimentos e memórias funcionam de forma muito diferente: eles têm 
muito menos impacto e influência sobre nós. Eles ainda podem ser dolorosos, mas já não são 
mais tóxicos e prejudiciais, nem conseguem desfigurar nossa vida; e, o que é ainda mais im-
portante, não conseguem nos impedir de viver uma vida baseada em valores. 
A maioria dos modelos psicológicos é baseada em uma filosofia chamada "mecanicismo". Os 
modelos mecanicistas tratam a mente como se fosse uma máquina feita de muitas partes sepa-
radas. Pensamentos e sentimentos "problemáticos" são vistos como partes defeituosas da má-
quina, ou como erros na estrutura da máquina. O objetivo nestes modelos é consertar, substi-
tuir ou remover estas partes defeituosas, de modo que a máquina possa funcionar normalmen-
te. Os modelos mecanicistas de psicologia partem do pressuposto de que existem coisas como 
pensamentos, sentimentos e memórias inerentemente "disfuncionais", "desadaptativos" ou 
"patológicos". Em outras palavras, há memórias, pensamentos, sentimentos, emoções, impul-
sos, esquemas, narrativas, estados de ego, crenças centrais, etc., que são fundamentalmente 
problemáticos, disfuncionais ou patológicos, e que, de forma análoga à "cadeira defeituosa", 
necessitam ser consertados ou removidos. 
35 
 
O mecanicismo tem sido a filosofia da ciência mais bem-sucedida na maioria dos campos 
científicos; por isso, não é surpreendente que a maioria dos modelos em psicologia estejam 
baseados em alguma forma de filosofia mecanicista. E não há nada de "errado", "ruim", "infe-
rior" ou "primitivo" com o mecanicismo. Estou meramente enfatizando que o contextualismo 
funcional é uma abordagem radicalmente diferente daquelas da corrente predominante, levan-
do naturalmente a uma diferente maneira de fazer terapia. 
Produtos Danificados? 
Nossos clientes muitas vezes vêm para a terapia com ideias mecanicistas. Eles acreditam que 
são defeituosos, danificados ou lesados, e que necessitam ser consertados. Algumas vezes 
chegam até mesmo a se referirem a si próprios como "produtos ou mercadorias danificados". 
Muitas vezes acreditam que carecem de componentes importantes – tais como "confiança" ou 
"autoestima". Ou creem que têm partes defeituosas que necessitam ser removidas – tais como 
sentimentos de ansiedade, pensamentos negativos ou memórias dolorosas. A maioria dos mo-
delos mecanicistas facilmente reforça estas noções, através de dois processos: 
1) Eles usam palavras que sugerem que temos componentes defeituosos ou danificados 
em nossas mentes – por exemplo, termos como "disfuncional", "desadaptativo", “irra-
cional” ou “negativo”. 
2) Eles fazem uso de uma ampla variedade de ferramentas e técnicas projetadas para di-
retamente reduzir, substituir ou remover esses pensamentos e sentimentos indesejáveis 
(normalmente com base na pressuposição de que isto é um passo essencial para me-
lhorar a qualidade de vida). 
Na ACT, nossa atitude é bem diferente. Não nos propomos reduzir ou eliminar "sintomas"; 
em vez disso, nosso objetivo é fundamentalmente transformar a relação do cliente com seus 
pensamentos e sentimentos, de forma que não mais os perceba como "sintomas". Afinal, no 
instante em que rotulamos um pensamento ou sentimento como um "sintoma", isto implica 
que ele é "ruim", "prejudicial", "anormal", e por isso é algo de que precisamos nos livrar para 
sermos normais e saudáveis. Esta atitude facilmente nos induz a uma luta com nossos pensa-
mentos e sentimentos – uma luta que muitas vezes tem consequências desastrosas. 
Suponha que existe uma planta que você julga como "feia" e que está crescendo bem no centro 
do jardim defronte a sua casa. E suponha também que não há nenhuma forma de você se livrar 
dela sem destruir completamente seu jardim. (Você deve estar pensando: "Mas têm de haver 
uma maneira de se livrar dessa planta." Se isto estiver ocorrendo, volte e por apenas um minuto 
permita-sedar um salto hipotético: imagine, para o propósito deste exercício, que você realmen-
te não consegue se livrar desta planta sem destruir seu jardim). Agora, se você ver essa planta 
como uma "erva daninha", o que provavelmente irá acontecer em sua relação com ela? Existem 
boas possibilidades de que você não irá gostar dela e nem irá querer que ela permaneça ali. Pro-
vavelmente você irá ficar chateado ou irritado com ela. Você poderá facilmente desperdiçar um 
monte de tempo pensando sobre quão melhor o seu jardim ficaria sem essa planta. Você poderá 
até mesmo hesitar em deixar as pessoas entrarem em seu jardim com medo de que o julguem 
por conta dessa planta. Talvez você até mesmo pode começar a sair pelos fundos de sua casa 
para não ter que olhar para essa "erva daninha horrorosa". Em outras palavras, essa "erva dani-
nha horrorosa" tornou-se UMA COISA MUITO IMPORTANTE EM SUA VIDA – tanto as-
sim, que ela agora tem um impacto significativo sobre seu comportamento. 
Mas o que aconteceria se em vez de olhar para a planta como uma "erva daninha horrorosa", você 
a visse apenas com um fato desafortunado da vida: uma parte natural do meio ambiente nativo, 
um exemplo comum da flora nativa americana? Ela continua a ser a mesma planta, na mesma 
36 
 
localização, mas agora sua relação com ela mudou fundamentalmente. Você já não necessita mais 
lutar com ela e não precisa mais ficar perturbado ou envergonhado dela, nem desperdiçar tanto 
tempo pensando nela. Agora você pode, sem hesitação, deixar as pessoas entrar em seu jardim 
bem como sair de sua casa pela porta da frente. A planta em si mesma não mudou, mas você não 
faz mais dela UMA COISA MUITO IMPORTANTE EM SUA VIDA. Ela agora tem bem menos 
impacto ou influência sobre você. 
A atenção plena nos permite fazer uma mudança de atitude similar em relação a todos aqueles 
pensamentos, sentimentos, sensações e memórias que tão prontamente costumamos julgar como 
"problemáticos"; permite-nos escolher o tipo de relação que queremos ter com os mesmos. Me-
diante a mudança de um contexto de fusão e esquiva para um de desfusão e aceitação (ou seja, 
de atenção plena), alteramos a função destes pensamentos e sentimentos, de modo que tenham 
bem menos impacto e influência sobre nós. Em um contexto de atenção plena eles deixam de 
ser "sintomas" ou "problemas ou "coisas que nos impedem de viver uma vida rica e plena"; eles 
são nada mais e nada menos do que pensamentos, sentimentos, sensações, memórias, etc. 
Em certo sentido, a atenção plena é a ferramenta máxima de reenquadramento: ela move todos 
estes pensamentos e sentimentos do antigo enquadramento de "sintomas anormais patológicos 
que são obstáculos para uma vida rica e significativa" para o novo enquadramento de "experi-
ências humanas normais que são parte natural de uma vida rica e significativa". 
Qual é o Objetivo do Contextualismo Funcional? 
O objetivo do contextualismo funcional é predizer e influenciar o comportamento, acurada e 
efetivamente, usando princípios com suporte empírico. E qual é o propósito de predizer e in-
fluenciar o comportamento? Na ACT, o propósito é especificamente ajudar os seres humanos 
a criar vidas ricas, plenas e com sentido; possibilitar um viver consciente e baseado em valo-
res. Desta forma, a ACT ensina as pessoas a aumentarem a consciência de seu próprio com-
portamento (tanto público quanto privado), e notar como ele funciona no contexto de sua vi-
da: ele melhora a qualidade de sua vida, ou a diminui? Você deve estar lembrado de que na 
ACT nos referimos a este conceito como "funcionalidade". 
Vamos considerar a palavra "função" por um momento. Trata-se de um termo técnico (não é 
um termo que se utiliza com clientes) que você encontrará na maioria dos livros-texto da 
ACT. Quando perguntamos "Qual é a função deste comportamento?" queremos dizer "Que 
efeitos tem este comportamento? Quais são as consequências?" Em outras palavras, estamos 
perguntando "A que propósito este comportamento serve? O que ele objetiva alcançar?" 
Para tornar isto mais claro, imagine cinco pessoas diferentes, em cinco situações diferentes, 
cada uma delas fazendo cortes ao longo de seu antebraço com uma faca afiada. Agora veja se 
você consegue encontrar cinco funções possíveis para este comportamento. 
* * * 
Eis algumas possibilidades: 
 Conseguir atenção 
 Autopunição 
 Liberar tensão 
 Distração de emoções dolorosas 
 Criar arte corporal 
 Tentar sentir algo se você está "totalmente entorpecido" 
 Tentar ser admitido em um hospital 
37 
 
Note que em todos esses cenários a forma do comportamento é a mesma – cortar-se no próprio 
braço – mas a função do comportamento (o propósito ao qual ele serve) é diferente. 
Agora vamos supor que seu parceiro está perdido em seus pensamentos, e seu propósito é conse-
guir a atenção dele; pense em cinco diferentes formas de comportamento que podem ajudá-lo a 
alcançar este propósito. 
* * * 
Aqui vão algumas ideias: 
 Acenar para ele 
 Gritar "Alô, tem alguém aí dentro?" 
 Derramar um copo de água sobre sua cabeça 
 Bater com força em algum móvel 
 Dizer "Querido, posso ter sua atenção por um momento, por favor?" 
Neste exemplo, você pode ver que muitas formas diferentes de comportamento têm todas a mes-
ma função: elas têm como propósito conseguir atenção. No contextualismo funcional estamos 
interessados na função de um comportamento em vez de na sua forma. Mas note que somente 
podemos conhecer a função de um comportamento se conhecermos o contexto no qual ele ocorre. 
Se alguém levanta o seu braço bem alto no ar, a que propósito isto se destina? Será que ele está 
em uma sala de conferência, fazendo uma pergunta? Está apontando para um avião no céu? Ou 
talvez tentando chamar um táxi? Sem conhecermos o contexto, não conseguiremos saber a função 
do comportamento – e vice-versa. E isto levanta uma outra questão: o que entendemos por "com-
portamento"? 
"BEHAVIORISMO": UMA PALAVRA MAL-COMPREENDIDA 
Quando eu descobri a ACT pela primeira vez, não conseguia acreditar que este modelo era 
proveniente do behaviorismo. Eu pensava que os behavioristas tratavam os seres humanos 
como robôs ou ratos; que eles não tinham nenhum interesse em pensamentos e sentimentos e 
os consideravam não importantes ou irrelevantes. Rapaz, como eu estava errado! Logo desco-
bri que há várias diferentes escolas de behaviorismo, e algumas delas têm ideias que contradi-
zem diretamente elementos essenciais da ACT e da RFT. A ACT provém de um ramo conhe-
cido como "behaviorismo radical". Mas não permita que o nome lhe engane. Behavioristas 
radicais recebem o seu nome devido a sua visão radical de comportamento: eles consideram 
comportamento tudo o que um organismo faz. Sim, você leu corretamente: tudo o que um 
organismo faz é comportamento. Assim, para um behaviorista radical, processos tais como 
pensar, sentir, e recordar são todos considerados como sendo formas de comportamento – e 
todos são considerados muito importantes. 
Os behavioristas radicais falam de dois grandes reinos ou domínios do comportamento. Um 
domínio é o comportamento "público" – ou seja, o comportamento que pode ser diretamente 
observado por outros (desde que estejam presentes para testemunhá-lo). Assim, se víssemos 
um vídeo de você, tudo o que pudéssemos ver você fazendo ou ouvir você dizendo seria com-
portamento público. Na linguagem cotidiana, referimo-nos a este comportamento público 
como "ações". O outro domínio é o comportamento "privado" – ou seja, o comportamento que 
somente pode ser diretamente observado pela pessoa que o faz: pensar, sentir, relembrar, fan-
tasiar, preocupar-se, degustar, cheirar, etc. Os behavioristas radicais se interessam muito por 
ambos estes reinos ou domínios do comportamento. 
38 
 
O behaviorismo tem exercido um profundo impacto sobre a psicologia clínica. Através de 
estudos científicos rigorosos, os behavioristasdescobriram um amplo espectro de métodos 
poderosos para influenciar de forma confiável e efetiva o comportamento humano (tanto pú-
blico quanto privado): métodos que incluem exposição, reforço, modelação, extinção, e con-
dicionamento clássico e operante. Muitos modelos de terapia foram extremamente influencia-
dos por estas ideias – embora muitas não o reconheçam, ou mesmo se deem conta disso. De 
fato, é difícil imaginar um terapeuta ou treinador eficaz que não utilize pelo menos alguns 
desses princípios básicos, uma vez que os mesmos se têm se provado muito eficazes para faci-
litar a mudança de comportamento. 
Muitas dessas ideias tiveram também uma influência enorme na vida diária. Por exemplo, em 
programas de liderança empresarial, gerentes são aconselhados a notar seus colegas "fazendo 
algo corretamente" e elogiá-los de forma sincera por isto. Da mesma forma, em programas de 
educação de pais, estes são aconselhados a ativamente notar quando seus filhos estão se com-
portando bem, e recompensá-los por isto de alguma forma. Este conselho sadio é baseado no 
poderoso princípio comportamental do reforço positivo. 
As Três Ondas do Behaviorismo 
Houve três "ondas" de terapias comportamentais (ou behavioristas) no último século. A "pri-
meira onda", que alcançou seu pico de popularidade nos anos cinquenta e sessenta, focou-se 
primariamente na mudança comportamental ostensiva e utilizou técnicas vinculadas aos princí-
pios dos condicionamentos clássico e operante. (Muitos praticantes nesta primeira onda não 
atribuíram muita importância aos pensamentos e sentimentos. Infelizmente isto levou a que 
todos os behavioristas, indistintamente, fossem tachados de tratar os seres humanos como ratos 
ou robôs.) A "segunda onda" do behaviorismo, que emergiu nos anos setenta, inclui interven-
ções cognitivas como estratégias chave na mudança comportamental. Em particular, a "segunda 
onda" colocou uma ênfase maior em desafiar ou combater pensamentos irracionais, disfuncio-
nais, negativos ou errôneos, substituindo-os por pensamentos mais racionais, funcionais, positi-
vos ou realistas. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) finalmente veio a dominar esta 
"segunda onda", seguida de perto pela terapia racional-emotivo-comportamental (TREC). 
A ACT é uma das assim chamadas terapias comportamentais de "terceira onda" – juntamente 
com a terapia comportamental dialética (DBT), a terapia cognitiva baseada em mindfulness 
(MBCT), a terapia analítico-funcional (FAP), e várias outras – todas as quais colocam uma 
ênfase maior na aceitação e na atenção plena (mindfulness). E agora que terminamos o passeio 
histórico, vamos explorar o andar térreo da mansão da ACT: a análise comportamental apli-
cada (ABA). 
ABA: ANÁLISE COMPORTAMENTAL APLICADA 
 A análise comportamental é uma poderosa tecnologia para predizer e influenciar o compor-
tamento, baseado na teoria da aprendizagem e princípios comportamentais básicos. Neste ca-
pítulo apenas daremos uma olhada breve em uma das mais poderosas ferramentas da análise 
comportamental: a "análise comportamental funcional". O que isto significa é que iremos dar 
uma olhada no comportamento, e analisar a função do mesmo. Em outras palavras, nós nos 
fazemos a seguinte pergunta: "A serviço de que propósito está este comportamento?". Existe 
uma fórmula simples, conhecida como ABC, para nos ajudar a fazer isto: Antecedente – 
Comportamento (Behavior) – Consequência. 
O A representa os antecedentes: "O que acontece antes do comportamento e que desempenha 
um papel maior em influenciar o mesmo?" Ou, dizendo de outra forma: "Este comportamento 
39 
 
ocorre na presença de quê?" Os antecedentes podem incluir pensamentos, sentimentos, memó-
rias ou outras experiências privadas, além de estados físicos como doenças, fome ou fadiga, 
bem como fatores ambientais tais como a disponibilidade de drogas ou álcool. O B representa o 
comportamento (behavior) – especificamente, o comportamento que estamos analisando. O C 
representa as consequências do comportamento: "Que efeitos este comportamento tem sobre o 
eu, os outros, ou sobre o ambiente? O que acontece como resultado deste comportamento?" 
Quando conhecemos o A e o C, podemos então determinar a função do comportamento (ou 
seja, o efeito dele ou o propósito dele). Eis um exemplo simples de uma análise ABC: 
Antecedentes: sentimentos de ansiedade e tristeza, pensamento tais como "Sou um fracassado" 
e "a vida é uma droga", fatores ambientais incluindo a TV, a geladeira cheia de cerveja, e estar 
sozinho. 
Comportamento: assiste TV e bebe grandes quantidades de cerveja até adormecer, intoxicado 
Consequências: a) curto prazo: alívio de pensamentos e sentimentos dolorosos b) longo prazo: 
prejudica a saúde física, aumenta a dor emocional 
Na ACT, frequentemente solicitamos a nossos clientes que façam uma análise ABC do compor-
tamento problemático como um primeiro passo rumo à mudança do mesmo. Não usamos ter-
mos técnicos, no entanto. Eis um exemplo de como uma análise de comportamento funcional 
seria na prática: 
Terapeuta: Então, você está em casa, sozinho, sentindo-se muito mal, e sua mente começa 
a dizer para você "Sou um fracassado" (Antecedentes). E o que acontece então? 
Cliente: O que você quer dizer? 
Terapeuta: Bem, suponha que nós seguimos você com uma equipe de vídeo e gravamos 
tudo o que você fez. O que eu veria neste vídeo que me faria saber que você foi 
fisgado pela história do "Sou um fracassado"? 
Cliente: Hmmm. Eu acho que... bem... acho que você me veria andando para cima e 
para baixo um pouco, ou talvez jogado no sofá (Comportamento). 
Terapeuta: E depois? 
Cliente: Hmm. Bem, depois você iria me ver indo até a geladeira e pegar uma cerveja 
(Comportamento). 
Terapeuta: E depois disso? 
Cliente: Então eu tomaria a cerveja (Comportamento). 
Terapeuta: E aí? 
Cliente: E aí eu continuaria a beber até desmaiar no sofá (Consequência) 
Terapeuta: E isso faz você se livrar de todos aqueles pensamentos e sentimentos dolorosos? 
Cliente: Sim, mas só enquanto estou bêbado. 
Terapeuta: Ok, então ficar bêbado faz você se sentir melhor por algum tempo (Consequên-
cia – curto prazo). Como você se sente na manhã seguinte? 
Cliente: Uma bosta! (Consequência – longo prazo) 
Terapeuta: Ressaca? 
Cliente: Ohhh sim! Uma bem forte. 
Terapeuta: E aqueles pensamentos – "Sou um fracassado", "A vida é uma bosta", e outros 
40 
 
do mesmo naipe – eles voltam? 
Cliente: Oh sim. E voltam até piores do que antes. (Consequência – longo prazo) 
Terapeuta: Não é interessante? Você se sente péssimo, sua mente o chama de fracassado 
(Antecedentes) e você decide ficar bêbado (Comportamento). E no curto prazo 
isto dá a você um pouco de alívio daqueles pensamentos e sentimentos dolorosos 
(Consequências – curto prazo). Mas a longo prazo, na verdade você acaba se 
sentindo pior do que antes (Consequências – longo prazo). 
No exemplo acima, a análise ABC mostra claramente a função do comportamento: proporcio-
nar alívio dos pensamentos e sentimentos dolorosos. Ou, usando a terminologia da ACT, a ação 
de beber deste cliente é motivada por esquiva experiencial. 
Conhecer o ABC de um comportamento nos dá bastante material sobre o qual trabalhar. Assim, 
no que se refere ao exemplo acima, poderíamos trabalhar sobre como responder de forma dife-
rente aos pensamentos e sentimentos antecedentes, usando desfusão e aceitação. Poderíamos 
também remover um antecedente ambiental: por exemplo, poderíamos nos certificar de que não 
houvesse cerveja na casa. Alternativamente, poderíamos também focar nas consequências. Por 
exemplo, poderíamos apresentar ao cliente a noção de funcionalidade: "A curto prazo, ficar 
bêbado faz você se sentir um pouco melhor, mas a longo prazo, ajuda você a aprimorar e enri-
quecer sua vida? Será que conduz a sua vida na direção que você quer? 
Poderíamos, então, explorar e clarificar os valores do cliente, e levá-loa propor mais algumas 
atividades consistentes com seus valores para fazer em suas noites, em vez de beber até esque-
cer da vida como, por exemplo, assistir a uma aula noturna ou jogar tênis. Espera-se que os va-
lores do cliente possam agora se tornar antecedentes para um comportamento novo e mais efi-
caz – ou seja, um comportamento que tem mais consequências que contribuem para a melhoria 
da qualidade de vida do que comportamento antigo. Em termos ideais, o cliente será então re-
compensado pelas consequências positivas deste seu novo comportamento, e isto irá aumentar a 
chance de que ele volte a adotar estes comportamentos mais vezes no futuro (ou seja, reforça-
mento positivo). 
À medida que você for lendo as transcrições de extratos de sessões de terapia neste livro, você 
verá que existe uma grande dose de análise comportamental sendo realizada. Isto é mais eviden-
te quando começamos a falar sobre funcionalidade. Claro, existe mais análise comportamental 
do que isto, mas infelizmente não teremos tempo para isso; temos que avançar para o próximo 
andar. 
RFT: TEORIA DAS MOLDURAS RELACIONAIS 
 Minha sogra é natural do sul da Itália e ela cultiva frutas e legumes incríveis. Lembro-me 
ainda da primeira vez em que ela me deu um limão que ela havia cultivado: enorme, brilhante, 
de cor amarelo-dourado, como o sol. E um delicioso aroma muito picante. À medida que eu 
deslizava gentilmente meus dedos sobre a superfície do mesmo, eu podia sentir cada pequena 
covinha na superfície. Então peguei o limão, cortei-o ao meio, ergui-o, abri a minha boca e 
espremi o suco de limão fresco bem sobre a ponta de minha língua. 
Enquanto você lia o parágrafo anterior, o que você notou em termos psicológicos? Será que 
você "viu" um limão, ou sentiu o "cheiro", o "toque" ou o "sabor" dele? A sua boca salivou 
um pouco? Diga a palavra "limão" para si mesmo e observe o que aparece psicologicamente, 
na forma de imagens, cheiros, sabores, memórias, emoções e palavras. Por favor, faça-o ago-
ra, antes de continuar a leitura. 
O que você observou? Cheiros? Sabores? Textura da casca? Cores? Limonada? Torta de li-
41 
 
mão? Bolo de limão? Limoeiros? Memórias, sentimentos ou pensamentos sobre limões? Um 
limão inteiro ou um limão fatiado? Na RFT nos referimos a todas essas experiências privadas 
como "eventos". Assim, quando falamos sobre um "evento", estamos nos referindo a qualquer 
experiência privada que um ser humano pode ter: um pensamento, um sentimento, uma me-
mória, ou qualquer coisa que você pode ouvir, tocar, saborear ou cheirar. Dessa forma, cada 
vez que você vê, ouve ou pensa a palavra "limão", isto é um evento. E quando você sente a 
fragrância de um limão, ou mastiga e sente o sabor de um limão, isto são eventos. No exercí-
cio acima, você descobriu que a palavra "limão" está relacionada a muitos eventos diferentes, 
tais como sabores, cheiros, sensações, memórias, pensamentos e imagens. 
Limões, Limões, Limões 
Agora vamos tentar algo diferente: diga a palavra "limão" em voz alta, tão rapidamente quanto 
possível, por trinta segundos. (Observação: Você tem de fazer isso em voz alta ou não irá funci-
onar. Se você está lendo isso em um avião, vá até o banheiro e faça como recomendado, antes 
de continuar a leitura.) Enquanto o fizer, observe o que acontece. 
* * * 
Para a maioria de nós, no prazo de trinta segundos de repetição, a palavra perde todo o seu sig-
nificado. Em vez disso, torna-se um som estranho: lem-ão. Ao mesmo tempo, todas as imagens, 
gostos, cheiros, pensamentos e memórias que estavam previamente relacionadas com este som, 
desaparecem. (Este exercício é conhecido como Repetição de Titchener, em homenagem ao 
psicólogo que observou este efeito: Titchener, E. B., 1916). 
Quando você ainda era um bebê ou uma criança pequena, nas primeiras vezes em que ouviu o 
som lem-ão ele era mais ou menos parecido com o da sua experiência neste último exercício. 
Nesse ponto em sua vida, lem-ão não tinha qualquer significado para você; era simplesmente 
um som que você podia ouvir e você não conseguia ainda relacionar esse som com outros even-
tos tais como o sabor, o cheiro, a textura, a forma ou a cor dessa fruta. 
Bem, o que aconteceu a você de lá para cá? Há muitos anos lem-ão era apenas um ruído. Mas 
agora você relaciona o som lem-ão a muitos outros eventos; ele se tornou parte de uma vasta 
rede relacional que inclui não apenas os aromas, sabores, texturas e cores de limões, mas tam-
bém pensamentos, imagens, sentimentos e memórias sobre limonadas, tortas de limão, bolos de 
limão, limoeiros, limões inteiros, limões fatiados, limões de plástico e assim por diante. Como 
você aprendeu a fazer isso? A RFT fornece as respostas. 
Aprendendo Linguagem 
Desde o momento em que você nasce, as pessoas com as quais você convive começam a ensi-
ná-lo a usar a linguagem deles. Inicialmente, eles fazem isto falando com você, o que faz com 
que você se familiarize com os sons de sua linguagem. Depois, à medida que você vai crescen-
do, eles o encorajam a fazer sons semelhantes por si próprio. Inicialmente estes sons se relacio-
nam com o mundo fora de você, como, por exemplo, "mamãe" e "papai" e "mamá". Entretanto, 
você rapidamente aprende a relacionar estes sons com o mundo dentro de você: com sabores, 
cheiros, sentimentos, sensações e desejos (por exemplo, "fome", "sede", "gostoso", "caca", "do-
dói", "quer", "não quer", "sim", "não). 
E não são apenas os sons que eles encorajam você a imitar, mas também gestos e expressões 
faciais – por exemplo, enrugar seu rosto quando algo tem gosto de "caca", ou bater palmas para 
mostrar sua aprovação a algo. Ao mesmo tempo, através do uso de livros, desenhos e fotografi-
as, eles lhe ensinam como relacionar imagens com sua experiência: ou seja, eles ensinam você a 
42 
 
relacionar uma fotografia ou desenho de um cachorro com um cachorro real, ou uma fotografia 
de uma criança chorando com seus próprios sentimentos de tristeza. 
É claro que muitos animais são capazes de relacionar eventos desta maneira. Por exemplo, al-
gumas espécies de macacos conseguem fazer mais de vinte gritos de alerta diferentes: ou seja, 
diferentes sons relacionados com formas específicas de perigo, de águias aos leopardos e ao 
fogo. Da mesma forma, você pode facilmente ensinar o seu cão que o som "passeio" refere-se a 
ir para uma caminhada, ou o som "dindins" relaciona-se com o jantar sendo servido. Mas quan-
do a criança chega na idade de 14 a 16 meses, a linguagem humana começa a se diferenciar 
fundamentalmente da linguagem de todos os outros animais. Como assim? Porque os seres hu-
manos aprendem a fazer algo chamado de "relações derivadas". Eu percebo que não parece algo 
muito excitante, mas peço a você que mantenha a leitura de qualquer maneira. No final do capí-
tulo, você verá como isso é clinicamente relevante. 
Relações Derivadas: O Que Isso Realmente Significa? 
Estou prestes a lhe ensinar dois fatos absolutamente fascinantes. 
Fato 1: A palavra em francês para limão é "citron". 
Fato 2: A palavra em finlandês para "citron" é "sitruuna". 
Agora eu lhe ensinei diretamente duas relações simples: 1) limão  citron; 2) citron  sitruuna. 
A partir destas duas relações treinadas diretamente, você consegue agora derivar mais quatro 
relações sem qualquer treinamento adicional da minha parte. Não aceite minha palavra, verifi-
que por si mesmo; responda a estas quatro questões: 
Qual é a palavra em finlandês para limão? 
Qual é a palavra em francês para sitruuna? 
Qual é a palavra em português para sitruuna? 
Qual é a palavra em português para citron? 
Percebe? Eu apenas lhe ensinei diretamente duas relações, mas você derivou quatro adicionais. 
Agora você provavelmente deve estar pensando "E daí? Qual é o problema?" 
E isso não é surpreendente, porque a nossa capacidade de derivar essas relações parece tão ridi-
culamente fácil, que tomamos isto como certo. Porexemplo, se eu lhe disser que um canguru é 
maior do que um wombat, você imediatamente irá derivar que um wombat é menor do que um 
canguru. Se eu te disser que Max é meu filho, você instantaneamente irá derivar que eu sou o 
pai de Max. Derivar estas relações parece tão natural e espontâneo que fica difícil imaginar que 
poderia ser de outra forma. Entretanto, você possui esta habilidade somente porque quando você 
era uma criança pequena, os seres humanos do seu grupo social lhe deram muitos e muitos trei-
namentos em como fazer isso. (Se você tivesse sido criado por lobos tal como Mogli no Livro 
da Selva, ou por macacos como Tarzan, então você jamais teria desenvolvido a capacidade de 
fazer isto, e você teria crescido, pelos padrões humanos, como alguém com deficiência mental 
grave.) 
Eis um exemplo de como este treinamento acontece. Vamos supor que Joãozinho tem um ano 
de idade, e por isso ele ainda não aprendeu a derivar relações. Um dia, sua mãe lhe mostra uma 
gravura com três criaturas mágicas: uma sereia, um dragão e um grifo. Joãozinho nunca viu 
nenhum desses animais antes. Sua mãe aponta para o grifo e diz: "Isso é um grifo. Você conse-
gue dizer "grifo"? 
Joãozinho diz "grifo". 
43 
 
Sua mãe então diz: "menino inteligente". Ela acabou de treinar diretamente uma relação: gravu-
ra de um grifo  o som "grifo". Depois a sua mãe diz: "Mostre-me o grifo". 
 Neste ponto de sua vida, só há uma chance em três de que Joãozinho vai apontar para o grifo; 
ele tem a mesma probabilidade de apontar para o dragão ou a sereia. Se por acaso ele acerta, a 
mãe diz, "Menino inteligente. Isso é um grifo." Se ele erra, ela diz:" Não. Este é o grifo". De 
qualquer forma, ela está treinando diretamente uma segunda relação: o som "grifo"  a imagem 
de um grifo. 
A mãe em seguida passa a fazer o mesmo com o dragão. Primeiro: "Isso é um 'dragão'. Você 
consegue dizer 'dragão'? Menino inteligente. " Depois ela diz: "Agora me mostre o dragão." 
Finalmente, ela diz: "É isso mesmo. Menino inteligente" ou "Não, esse aqui é o dragão." 
Então, aqui novamente a mãe dele treina diretamente duas relações: 
1) gravura de um dragão  o som "dragão"; 
2) o som "dragão"  gravura de um dragão. 
Até aqui, parece algo bem monótono – mas em breve esta situação irá mudar dramaticamente. 
Dentro de dois a quatro meses a mãe de Joãozinho já não precisará dar a ele todo esse treina-
mento direto nas relações. Veja bem, uma vez que as crianças humanas alcançam catorze a de-
zesseis meses de idade (partindo do pressuposto que elas tiveram uma educação humana nor-
mal, com muita prática de relacionar eventos desta maneira), eles começam a derivar relações 
espontaneamente. Por exemplo, suponha que a mãe mostra a seu Joãozinho de dezesseis meses 
de idade uma imagem com três animais exóticos que ele nunca viu antes: um tatu, um porco-
espinho, e um porco da terra. A mãe dele aponta para o porco da terra, e diz: "Isso é um 'porco 
da terra'. Você consegue dizer 'porco da terra'? " 
Joãozinho diz: "Porco da terra". Sua mãe diz então: "Menino inteligente. Agora me mostre o 
'porco da terra'." 
Joãozinho irá agora apontar para o porco da terra com 100% de exatidão, e não para os outros 
dois animais. Sua mãe o treinou diretamente que a gravura de um porco da terra se relaciona 
com o som "porco da terra" (gravura de um porco da terra  o som "porco da terra") e Joãozi-
nho então espontaneamente derivou que o som se relaciona com a gravura (o som "porco da 
terra"  gravura de um porco da terra). 
A habilidade de derivar relações espontaneamente separa os seres humanos de todos os outros 
animais. Não-humanos não conseguem aprender a derivar relações espontaneamente nesta for-
ma – nem mesmo com treinamento intensivo. Sim, nem mesmo aqueles inteligentes chimpan-
zés "treinados em linguagem" conseguem fazê-lo. (Dugdale and Lowe, 2000). 
"Sim, sim, sim," ouço você dizer enquanto educadamente tenta abafar um grande bocejo, "então 
os humanos podem derivar relações e outros animais não podem. E daí? O que há de tão especi-
al nisso?" Boa pergunta. 
O que há de tão especial nisso? 
Sua capacidade de derivar relações lhe permite expandir o seu conhecimento rápida e dramati-
camente. Entre os catorze e dezesseis meses de idade, a derivação de relações está limitada a 
reversões simples, como no exemplo do porco da terra (ou seja, da aprendizagem direta de A => 
B a criança deriva B => A). Mas quando a criança se encontra na faixa que vai dos 22 aos 27 
meses, ela aprende a combinar estas relações derivadas (Lipkens, Hayes, e Hayes, 1993) e as 
consequências são dramáticas. Para ilustrar isso, aqui está mais um fato reluzente para você: 
Fato 3: "Limone" é a palavra em italiano para limão. 
44 
 
Armado com esta nova relação (limone  limão), você agora pode responder todo tipo de per-
guntas, tais como: Qual é a palavra em italiano para "sitruuna"? 
Qual é a palavra em italiano para "citron"? 
Qual é a palavra em finlandês para "limone"? 
Qual é a palavra em francês para "limone"? 
E assim por diante. Note que de forma direta só lhe ensinei três relações até agora: 1) limão  
citron, 2) citron  sitruuna, e 3) limone  limão. No entanto, a partir destas três relações dire-
tamente treinados, você consegue, através da combinação de suas relações derivadas, gerar im-
pressionantes nove novas relações sem qualquer outro treinamento adicional. Portanto, esta 
habilidade lhe permite gerar rapidamente vastas redes relacionais. 
Para enfatizar ainda mais este ponto, suponha que eu lhe ensine outra relação: 
1) uma goiaba é mais cara que um limão. 
A quantidade de novas relações que você pode derivar agora (quando você combina esta com 
as três anteriores nas quais eu lhe treinei diretamente) é agora de dezesseis! Vou lhe dar ape-
nas alguns exemplos: 1) uma goiaba é mais cara que uma sitruuna, 2) uma goiaba é mais cara 
que um limone, 3) um citron é mais barato que uma goiaba, 4) uma sitruuna é mais barata que 
uma goiaba. 
Você deve ter notado uma fórmula aqui. Aprender diretamente 3 relações permite derivar 9 
novas relações; aprender diretamente 4 relações, permite derivar 16 novas. Se o número de rela-
ções que você aprende diretamente é X, o número que você pode derivar é X ao quadrado. En-
tão, se você aprender diretamente cem novas relações, então você pode derivar dez mil de ou-
tras novas. E se você aprender diretamente mil novas relações, então você pode tirar um milhão 
de outras novas! 
Esta habilidade de derivar relações e expandi-las numa vasta rede relacional é vitalmente im-
portante para a linguagem e cognição humanas. Ela nos permite gerar um número infinito de 
novos pensamentos bem como aprender sobre todo tipo de coisas sem a necessidade de expe-
riência direta das mesmas. Mas há uma peça a mais deste quebra-cabeça ainda por vir, conhe-
cida como – vejam só – a "transformação das funções de estímulo". Sim, eu sei que soa como 
se fosse algo de Star Trek, mas na verdade não é tão complexa quanto parece. "Estímulo" 
significa simplesmente qualquer coisa a que um organismo responde. E quando falamos sobre 
as "funções" de um estímulo, queremos dizer "os efeitos que este estímulo tem sobre o orga-
nismo que responde a ele". 
Então vamos supor que você morda um limão. (Você já deve estar se cansando de limões.) As 
funções de estímulo desse limão (ou seja, os efeitos que limão tem em você) incluem o gosto 
e o cheiro que você sente, a saliva que sua boca produz, os movimentos de sua língua e den-
tes, e o pensamentos e sentimentos que aparecem. Costumamos usar somente a palavra "fun-
ções", em vez da expressão completa "funções de estímulo". Então onde é que entra a parte 
que se refere à "transformação"? 
Transformação de funções 
Diga a palavra "zubuma" para si mesmo, e note o efeito que isto tem sobre você. Não muito, 
eu apostaria - exceto, talvez, o de estimular alguma curiosidade ou diversão. O fato é que vocêprovavelmente não sabe que uma zubuma é uma fruta tropical rara. A zubuma tem aparência 
e gosto muito parecido com um limão, exceto que é cerca de três vezes maior. Agora imagine 
o seguinte cenário tão vividamente quanto você pode: você pega uma zubuma, corta-a ao 
45 
 
meio, abre a boca, e espreme todo o suco daquela zubuma diretamente sobre a sua língua. 
Imagine sua boca se enchendo com todo aquele suco de zubuma fresco. E você continua es-
premendo e espremendo aquela zubuma, até que sua boca esteja literalmente transbordando. 
* * * 
O que aconteceu quando você leu aquelas últimas poucas linhas? Existe uma boa chance de que 
você tenha salivado ou tenha sentido um formigamento na língua, ou ainda que tenha sentido 
um picante sabor cítrico em sua boca. Desta forma a palavra "zubuma" começou a ter alguns 
efeitos sobre você semelhantes àqueles que um limão real iria produzir. 
Este processo é conhecido como uma "transformação de funções". Por quê? Porque as funções 
da palavra "zubuma" (ou seja, os efeitos que ela tem sobre você) se transformaram (mudaram). 
A palavra "zubuma" tem agora algumas das funções de um limão real (ou seja, ela afeta você 
até certo ponto como faria um limão real). 
A propósito, não existe tal coisa como uma zubuma; inventei a palavra para os propósitos deste 
exercício. E, como resultado da leitura deste capítulo, você aumentou o número de eventos na 
vasta rede relacional ligada à palavra "limão"; especificamente, você adicionou em "citron", 
"sitruuna", "limone" e "zubuma". E todas estas novas palavras terão agora algumas das funções 
de um verdadeiro limão. 
Juntando Tudo 
Este comportamento humano único de: a) derivar relações entre eventos, b) agrupá-las em 
vastas redes relacionais, e c) transferir funções entre os eventos relacionados, é conhecido na 
RFT como "enquadramento relacional". A RFT propõe que o enquadramento relacional é a 
base da linguagem e cognição humanas. 
E qual é a relevância clínica de tudo isso? Da mesma forma que eu posso relacionar a palavra 
"limão" a um pedaço de fruta, também posso relacionar as palavras "nojento", "inútil" a mim 
mesmo. E no momento em que faço isto, algumas das funções de "nojento" e "inútil" serão 
transferidas para mim. 
Vamos pegar um outro exemplo. As palavras "minha vida" fazem parte de uma rede relacional 
gigantesca. Elas estão relacionadas com um número incontável de eventos, incluindo todos os 
tipos de pensamentos, sentimentos e memórias sobre tudo, desde o meu trabalho e minha vida 
social até a minha saúde e minha família. Agora suponha que eu relacione as palavras "horrível" 
e "inútil" com as palavras "minha vida". Quando faço isso, algumas das funções de "horrível" e 
"inútil" serão transferidas transversalmente. Essas funções serão transferidas não só para as pa-
lavras "minha vida", mas também para todos os eventos dentro dessa vasta rede relacional. En-
tão, agora, tudo na minha vida parece horrível e sem sentido. Você, sem dúvida, já notou esse 
tipo de enquadramento relacional em seus clientes deprimidos. 
Na linguagem cotidiana, nos referimos ao enquadramento relacional como "pensar", "cogni-
ção", "linguagem humana" ou "a mente". O enquadramento relacional nos dá uma enorme van-
tagem como uma espécie. Ele nos permite analisar, conversar, planejar, imaginar, comparar, 
inventar, resolver problemas, e assim por diante. No entanto, como discutimos anteriormente, a 
nossa mente é uma faca de dois gumes. Uma vez que tenhamos adquirido a habilidade do en-
quadramento relacional, é como se ele assumisse uma vida própria – e à medida que envelhe-
cemos, vivemos cada vez mais dentro do mundo da linguagem e nos afastamos do mundo da 
experiência direta. E é aqui, é claro, onde ACT vem para nos socorrer. 
 
46 
 
Fim do passeio 
Estamos agora de volta no andar superior da casa da ACT. Se consegui aguçar o seu apetite por 
mais conhecimento, recomendo que você leia The ABCs Of Human Behavior: Behavioral 
Principles For The Practicing Clinician escrito por Jonas Ramnero e Niklas Törneke. Trata-se 
de um livro excelente que leva você passo a passo, de forma simples e clara, através dos deta-
lhes da FC, da ABA e da RFT, amarrando-os todos juntos com ACT através de numerosos 
exemplos clínicos e transcrições comentadas de terapia. Há também um tutorial online gratuito 
sobre RFT, disponível em: www.contextualpsychology.org 
Espero que este passeio não tenha deixado você exausto. Se deixou, porque não descansar um 
pouco? Você merece. Afinal de contas, você acaba de ter sido fortemente bombardeado por 
um grande número de termos técnicos, muitos dos quais podem ser novos para você. E isso 
não é realmente o que você espera de um livro chamado "ACT Simplificada". Por isso, a cer-
teza: o restante do livro faz jus ao seu título. Então, vamos nos ver no próximo capítulo, de-
pois de ter descansado! 
 
 
 
 
 
http://www.contextualpsychology.org/
47 
 
CAPÍTULO 4 
 
Tornando-se Vivencial 
 
MENOS CONVERSA, MAIS AÇÃO: A ACT COMO UMA TE-
RAPIA VIVENCIAL 
A ACT é uma terapia muito ativa. Conduzimos os clientes através de um amplo espectro de exer-
cícios vivenciais, com intervalos de duração que vão de dez segundos até meia hora. Agora, se 
você já é bem versado em terapia vivencial, pode levar isso na esportiva. Entretanto, para muitos 
praticantes, a ideia de conduzir este tipo de exercícios não somente é desafiadora, mas também 
assustadora. Por isso, neste capítulo, iremos dar uma olhada em como ambientar clientes com a 
natureza vivencial da ACT, e como desenvolver sua habilidade para conduzir estes exercícios. 
A Prova do Pudim 
Existe um antigo ditado que diz que “a prova do pudim está em comê-lo”. Você pode falar o 
quanto quiser, tentando descrever o pudim que você quer que eu experimente, mas até eu não 
colocá-lo em minha boca, não terei como saber qual é o sabor dele. Uma das armadilhas com que 
nos defrontamos quando estamos começando a usar a ACT é tentar descrever ou explicar proces-
sos da ACT em vez de realmente praticá-los. Se não tivermos cuidado, podemos facilmente nos 
atolar em conversas prolixas e desperdiçar muito tempo em discussões intelectuais em vez de 
fazer algo que é prático ou útil. 
Por causa disso, é melhor passar por um processo vivencialmente e então falar sobre ele mais 
tarde, em vez de fazer o contrário. E se você escolher explicar um exercício antecipadamente, 
então faça isso de preferência através de uma metáfora; vou lhe dar muitos exemplos à medida 
que avançarmos. 
Uma Rápida Observação sobre a Relação Terapêutica 
Ao longo deste livro, você irá se deparar com muitas técnicas, metáforas, planilhas, estratégias e 
outras intervenções. Nenhuma destas será efetiva se você não tiver uma boa relação com seu cli-
ente. Na ACT, nosso objetivo é estarmos totalmente presentes com nossos clientes: abertos, au-
tênticos, plenamente atentos, compassivos, respeitosos, e em contato com nossos valores funda-
mentais. Em outras palavras, objetivamos viver e respirar a ACT nós mesmos, e passá-la aos cli-
entes com coração e alma em vez de fria e mecanicamente como se estivéssemos usando um kit 
de ferramentas imaginário. 
Kelly Wilson, um dos pioneiros da ACT, coloca isso de forma muito simples. Ele nos aconselha a 
ver nossos clientes como se fossem um por do sol e não um problema de matemática. E ele nos 
lembra que não fazemos intervenções para os clientes – fazemos intervenções com os clientes. 
Como parte dessa postura respeitosa para com os nossos clientes, repetidamente solicitamos a sua 
permissão para iniciar e/ou continuar com exercícios vivenciais. Podemos, por exemplo dizer o 
seguinte: “Estava me lembrando de que existe um exercício que acredito que poderia ser muito 
útil em lhe ajudar a lidar com essa questão. Você estaria disposto a tentá-lo? ” 
Da mesma forma, no meio de algum exercício em que nosso cliente estiver entrando em contato 
com emoções fortes,você pode perguntar-lhe o seguinte: “Estou apenas verificando - está bem 
pra você se continuarmos com isso? Não quero que você se sinta de alguma forma coagido. Po-
48 
 
demos parar a qualquer momento, se você quiser. ” 
E se eventualmente nos apercebermos que passamos muito tempo discutindo processos da 
ACT em vez de realmente fazê-los, podemos dizer: “Acabo de me dar conta de algo. Já con-
versamos um monte nesta sessão, mas não praticamos muito. É óbvio que você não vai con-
seguir aprender a tocar guitarra só falando sobre isso; você tem de segurá-la e dedilhar as cor-
das. O que você acha de pararmos de falar por alguns instantes e fazermos um pouco de exer-
cício relacionado a este assunto? ” 
Relevância e Fundamentação 
Queremos que nossas metáforas e exercícios sejam diretamente relevantes em relação às 
questões com que estamos lidando na sessão em vez de aplicarmos algum exercício tão so-
mente por que gostamos dele, porque está fresco em nossa memória ou porque funcionou 
bem com algum cliente anterior. Para exercícios mais longos, muitas vezes é útil providenciar 
uma fundamentação. Por exemplo: 
Terapeuta: Então, em resumo, parece que você gosta de gastar um monte de tempo preso 
em todos estes pensamentos de preocupação, e isto está tornando você extre-
mamente infeliz. 
Cliente: Sim. Eu sei que é burrice, mas não consigo evitar. Esta é a forma que eu sou. 
Na minha família somos todos muito preocupados. Minha mãe é a pior. 
Terapeuta: E se você pudesse aprender uma nova habilidade de modo que quando estes 
pensamentos de preocupação aparecem na sua cabeça, você pudesse deixá-los 
ir e vir – como se fossem apenas carros, passando do lado de fora de sua casa – 
em vez de ficar preso neles. Será que isto seria algo que te interessaria? 
Cliente: Eu entendo o que você está dizendo, mas (rindo) eu realmente não penso que 
eu seja capaz de fazer isso. 
Terapeuta: Bem, será que você poderia dar uma chance para esta habilidade, e ver como 
ela funciona? É um exercício bem simples — você pode realizá-lo com os 
olhos abertos ou fechados, o que for da sua preferência. 
Cliente: Eu posso tentar, eu acho. 
Estabelecendo uma Estrutura 
Na primeira sessão, geralmente dizemos para o cliente algo parecido com isso: “Uma das coi-
sas que torna a ACT diferente de muitas outras terapias é que durante as sessões costumamos 
passar bastante tempo praticando habilidades, tais como aprender novas maneiras de lidar 
com pensamentos e sentimentos difíceis mais efetivamente. E não se consegue aprender estas 
habilidades apenas falando sobre elas — temos de praticá-las realmente. Assim, muitas vezes, 
se estiver bem para você assim, eu vou te pedir durante a sessão para fazer alguns exercícios 
simples. Isto está bem para você? 
(Observação: Nem todos os clientes irão responder sim; alguns irão querer saber mais sobre 
estes exercícios. Vamos ver como lidar com isso no próximo capítulo.) 
Geralmente na primeira ou segunda sessão, realizaremos com nosso cliente pelo menos um 
exercício de atenção plena que dure cinco minutos ou um pouco mais. Até que os clientes 
saibam o que podem esperar, geralmente costumo introduzir todos os exercícios com um bre-
ve discurso, parecido com este: “Este exercício vai levar [duração estimada]. Você pode fazê-
lo com os olhos abertos ou fechados, o que for da sua preferência. Não há necessidade de falar 
49 
 
comigo durante o exercício, mas você pode falar comigo se você quiser, e pode me interrom-
per sempre que quiser.” 
Assim que a gente tiver feito alguns exercícios de atenção plena, podemos dizer “ Se estiver 
bem para você, eu gostaria de iniciar cada uma de nossas sessões com um breve exercício de 
atenção plena, bem parecido com este que acabamos de fazer. Você concorda com isso?” Se o 
seu cliente concordar — como a maioria fará — você agora terá uma maneira amorosa de abrir 
cada uma das sessões e que irá levar você e seu cliente para dentro do espaço da atenção plena. 
É claro, se você não quiser estruturar suas sessões desta forma, isto não é de forma alguma es-
sencial; é meramente uma sugestão, não uma ordem. E, é claro, alguns clientes irão odiar esta 
ideia. Portanto, se o seu cliente não estiver interessado, qualquer coisa que faça, não o pressio-
ne. Lembre-se: se nos dermos conta de que estamos pressionando, persuadindo, coagindo, con-
vencendo, debatendo ou discutindo com nossos clientes, então não estamos praticando ACT. 
Flexibilidade, Criatividade e Espontaneidade 
Quando estiver conduzindo exercícios, seja flexível. Dependendo da necessidade, você pode 
torná-los mais longos ou mais curtos. Mude as palavras para adequá-las ao seu próprio estilo, 
e adapte-as ao cliente com que está lidando. Sinta-se livre para interromper qualquer exercício 
em qualquer ponto para verificar com o cliente e perguntar-lhe como está se saindo. Use tam-
bém sua criatividade para incorporar pensamentos, sentimentos, comentários ou metáforas 
que seu cliente tenha feito nesta ou em sessões anteriores. 
Melhorando a Prática 
 À medida que for trabalhando com este livro, não fique somente na leitura dos exercícios. 
Recomendo fortemente que você os leia em voz alta e faça de conta que está, de fato, traba-
lhando com um cliente. Talvez isto pareça estranho para você, mas é um modo simples e efe-
tivo de construir suas habilidade e confiança. Quando você ensaia consigo mesmo, isto lhe 
prepara para o ambiente de terapia: suas palavras irão fluir mais suavemente, e você terá que 
exercer menos esforço consciente. (Melhor ainda, encontre um colega com quem praticar.) 
Eu costumava praticar textos de atenção plena gravando-os em um gravador (e com o avanço 
da tecnologia, com um gravador de MP3). Então os reproduzia e os analisava. Depois traba-
lhava sobre os trechos que não estavam bons até que eu soubesse o que estava fazendo. Isto 
significava que quando eu estivesse lendo de um texto na sessão, este texto se tornava apenas 
um guia em torno do qual eu improvisava e não algo que eu tinha que seguir de forma rígida 
palavra por palavra. Isto permite uma flexibilidade e uma espontaneidade que torna o texto 
vivo e não algo que soe empolado, desajeitado e não natural. 
O mesmo é verdadeiro para as muitas metáforas que a ACT utiliza. Algumas pessoas são con-
tadoras natas de histórias. Elas ouvem uma metáfora uma vez, a recontam à sua própria ma-
neira e o resultado é maravilhoso. Elas têm muita sorte. A maioria de nós não é tão talentosa. 
Nós necessitamos de prática. Sugiro que você tente contar uma metáfora em voz alta algumas 
vezes. Então, uma vez que você tenha internalizado a mesma, tente contá-la para alguém. 
Como regra geral, exercícios de atenção plena são melhor transmitidos em um ritmo lento, deli-
berado e com uma voz calma e tranquila. Geralmente é melhor ir devagar demais do que rápido 
demais. Em muitos dos roteiros neste livro, tenho indicado pausas de cinco, dez, quinze ou vinte 
segundos, mas estas são apenas orientações rudimentares; por isso, por favor, não tente se ater às 
mesmas rigidamente mas procure encontrar seu próprio ritmo natural. Para a maioria das pesso-
as, uma respiração profunda, inspirando e exalando, demora cerca de dez segundos. Gravei al-
guns CDs e MP3 que você pode utilizar como orientação, se assim o desejar (veja o apêndice 2). 
50 
 
Se você desejar ler a partir de um roteiro durante a sessão, pode ser uma boa ideia dizer ao 
cliente algo como "Existe um exercício através do qual eu realmente gostaria de conduzir vo-
cê, mas eu ainda não o memorizei completamente, por isso pergunto se você se incomodaria 
se eu o lesse utilizando este livro?" Entretanto, tome o cuidado de não ler o texto palavra por 
palavra tal como está escrito pois isto pode soar empolado e antinatural; tente improvisar a 
partir do mesmo. 
Finalmente, lembre-se de ser você mesmo. Quero encorajá-lo a alterar as palavras e expres-
sões em cada(take action) que enrique-
 
1 ACT são as iniciais de Acceptance and Commitment Therapy – Terapia de Aceitação e Compromisso 
5 
 
ce sua vida. A finalidade da ACT é ajudá-lo a criar uma vida rica, plena e cheia de sentido, ao 
mesmo tempo em que aceita a dor que a vida inevitavelmente traz. A ACT faz isso ao nos 
 ensinar habilidades psicológicas para manejar pensamentos e sentimentos dolorosos 
de forma efetiva, de uma maneira tal que eles tenham muito menos impacto e influên-
cia – essas habilidades são conhecidas como habilidades de atenção plena (mindful-
ness skills); e 
 ajudando-nos a tornar claro o que é verdadeiramente importante e tem sentido para 
nós – ou seja, a tornar claros nossos valores – e a usar este conhecimento para nos gui-
ar, inspirar e motivar para definir objetivos e a adotar as ações que enriquecem nossa 
vida. 
A ACT está assentada sobre uma teoria subjacente da linguagem e cognição humanas deno-
minada Teoria dos Quadros Relacionais (relational frame theory - RFT), uma teoria que atu-
almente conta com mais de cento e cinquenta artigos publicados e revisados por pares que dão 
suporte a seus princípios. Não iremos abordar a RFT neste livro porque ela é extremamente 
técnica e nos exigiria uma boa quantidade de dedicação para entendê-la, enquanto que a fina-
lidade deste livro é introduzi-lo na ACT, simplificar seus conceitos principais e ajudá-lo a 
começar a usá-la rapidamente. 
A boa notícia é que você pode se tornar um/a terapeuta da ACT eficiente mesmo sem saber 
qualquer coisa sobre a RFT. Se a ACT fosse como dirigir um carro, a RFT seria como saber 
como seu motor funciona: você pode ser um excelente motorista mesmo sem saber absoluta-
mente nada sobre mecânica de carros. (Tendo dito isso, é importante que você saiba que mui-
tos terapeutas da ACT afirmam que entender a RFT os ajudou a melhorar sua efetividade clí-
nica. Assim, se você tiver interesse, o apêndice 2 irá lhe dizer aonde se dirigir para obter mais 
informações sobre a RFT.) 
A QUEM SE DESTINA ESTE LIVRO 
Este livro destina-se primariamente a novatos na ACT que querem uma introdução rápida e 
simples ao modelo. Ele também será útil para praticantes mais experientes que querem um 
curso de reciclagem: uma cartilha sobre ACT, se você preferir. Ele foi projetado para com-
plementar outros livros-texto sobre ACT que oferecem mais teoria ou discussões mais pro-
fundas dos processos da ACT e sua aplicação clínica. Irei mencionar alguns desses livros-
texto à medida que avançarmos e outros na seção de recursos (apêndice 2) no final. 
COMO USAR ESTE LIVRO 
Se você é completamente novo na ACT, recomendo fortemente que leia completamente este 
livro do começo ao fim antes de começar a usar qualquer coisa dele. Isto se deve ao fato de 
que os seis processos nucleares da ACT são todos interdependentes, e assim, a menos que 
você tenha uma boa compreensão do modelo completo e o modo como esses diferentes com-
ponentes se entrelaçam, poderá ficar confuso e seguir na direção errada. 
Além disso, a mera leitura não é suficiente; você também necessitará praticar ativamente os exer-
cícios à medida que for avançando. Afinal de contas, ninguém consegue aprender a dirigir mera-
mente lendo sobre como dirigir; é preciso entrar em um carro, colocar as mãos no volante e levá-
lo para dar uma volta. Quando você estiver pronto para começar a ACT com seus clientes, você 
poderá usar este livro para guiá-lo livremente, ou poderá preferir usar os livros-texto da ACT ba-
seados em protocolos que irão lhe orientar e treinar detalhadamente, sessão por sessão. 
Primeiramente, nos capítulos 1 a 3, vamos nos mover através de uma visão geral do modelo e 
6 
 
da teoria subjacente ao mesmo. A seguir, nos capítulos 4 e 5, vamos abordar os elementos bási-
cos sobre como começar, incluindo como praticar terapia experiencial, obter consentimento 
livre e esclarecido, e estruturar as sessões subsequentes. Nos capítulos 6 ao 12, vamos ir passo a 
passo através dos seis processos nucleares da ACT e aprender como aplicá-los a um espectro 
mais amplo de questões clínicas. A ênfase em cada capítulo terá como base a simplicidade e a 
praticidade, de modo que você possa começar a usar esta abordagem imediatamente. (Por favor, 
não esqueça: novatos devem ler o livro inteiro, do começo ao fim, antes de começar a aplicá-lo). 
Na última seção do livro, nos capítulos 13 ao 15, iremos abordar um amplo espectro de tópi-
cos importantes, incluindo armadilhas comuns para os terapeutas, superação de barreiras à 
mudança, melhoria das relações cliente-terapeuta, dançar ao redor dos seis processos centrais, 
incorporar a ACT na vida cotidiana, misturar e combinar a ACT com outros modelos, e para 
onde se dirigir depois em sua jornada como terapeuta da ACT. A partir do capítulo 5 você 
encontrará caixas de texto contendo uma "dica prática": 
 
 
 
 
 
SEU PAPEL EM TUDO ISSO 
Recentemente ouvi um ditado grandioso: "Seja você mesmo: todas as outras pessoas já foram 
ocupadas". Seu papel ao aprender e praticar a ACT é ser você mesmo. Desperdicei uma gran-
de quantidade de tempo e esforço no meu trabalho inicial com a ACT tentando praticá-la pa-
lavra por palavra tal como descrita nos livros-texto. E então, depois que vi Steve Hayes e Kel-
ly Wilson – dois dos fundadores da ACT – em ação, eu tentei arduamente copiar seus estilos 
originais e únicos de fazer terapia. Mas isto não funcionou muito bem para mim. Tudo melho-
rou quando me permiti ser eu mesmo e desenvolvi meu próprio estilo e minha própria manei-
ra de falar, uma maneira que me pareceu natural e talhada para os clientes com os quais traba-
lho. Tenho certeza de você chegará à mesma conclusão. 
Assim, à medida que for avançando através deste livro, use sua criatividade. Sinta-se livre 
para adaptar, modificar e reinventar as ferramentas e técnicas apresentadas nestas páginas 
(desde que você se mantenha fiel ao modelo da ACT) adaptando-as a seu próprio estilo pes-
soal. Onde quer que eu apresente metáforas, roteiros, planilhas ou exercícios, mude as pala-
vras para que se adaptem a sua maneira de falar. E se você tiver metáforas melhores ou dife-
rentes que o levam a alcançar os mesmos fins, então, por favor, use as suas em vez daquelas 
apresentadas neste livro. Há muito espaço para a criatividade e a inovação dentro do modelo 
da ACT; assim, por favor, aproveite as vantagens disso. 
COMEÇANDO 
Poucas pessoas chegam à ACT e mergulham de cabeça. Você, como a maioria, talvez comece 
por mergulhar apenas um dedo do pé na água. Em seguida, você pode colocar um pé inteiro. 
Depois um joelho. Depois uma perna inteira. Agora você se encontra nessa estranha posição 
com uma perna dentro da água e a outra fora. E geralmente você vai permanecer assim por 
algum tempo, meio dentro, meio fora, ainda sem uma certeza se a ACT é para você. Final-
mente, algum dia, você mergulha. E quando você faz isso, descobre que a água é quente, aco-
lhedora e revigorante; você se sente liberado, flutuante e cheio de recursos; e você quer passar 
Dica Prática: Nestas seções, você encontrará dicas práticas para 
ajudá-lo em sua prática clínica e alertá-lo sobre armadilhas co-
muns a evitar. 
7 
 
bem mais tempo nela. Uma vez que isso aconteça, geralmente não há mais como voltar ao seu 
modo antigo de trabalhar. (Assim, se isto ainda não aconteceu com você, tenho esperança de 
que irá acontecer quando terminar o livro). 
Uma das razões para essa incerteza inicial sobre a ACT é que ela desafia a sabedoria conven-
cional e subverte as grandes regras de grande parte da psicologia ocidental. Por exemplo, a 
maioria dos modelos de terapia são extremamente focados na redução de sintomas. Elas par-
tem do pressuposto de que os clientes necessitam reduzir os sintomas antes que consigam 
viver uma vida melhor. A ACT assume uma postura radicalmente diferente. A ACT presume 
que (a)exercício e metáfora contidos neste livro e adaptá-los a seu próprio estilo, sua 
própria maneira de falar e também aos da clientela com a qual você trabalhar. 
O EXERCÍCIO DO HEXAFLEX 
Vamos agora dar uma olhada no exercício do Hexaflex, que cobre todos os elementos do he-
xaflex (veja no capítulo 1) de uma só vez. Costumo utilizá-lo em todos os meus workshops, 
palestras e aulas, no início das sessões de grupo e como um breve "curso de reciclagem" em 
sessões mais adiantadas com meus clientes individuais. Tal como está descrito aqui, ele leva 
de dez a quinze minutos, dependendo de quão rápido você fala e quão longas forem as suas 
pausas. Por favor, pratique-o algumas vezes antes de continuar com a leitura do livro porque 
(a) ele lhe ajudará a entender o modelo, e (b) lhe dará uma base para muitos dos exercícios 
que veremos depois. 
 
 
 
 
Agora, por favor, leia o exercício em voz alta. Leia-o em uma voz lenta, calma, estável, fazendo 
de conta que você está fazendo isso com um cliente. 
SEÇÃO 1 
Terapeuta: Sente-se de forma ereta, deixe seus ombros caírem e gentilmente pressione 
seus pés contra o chão... obtendo uma sensação do piso abaixo de você... você 
fixar seus olhos em algum ponto da sala, ou fechá-los, o que você preferir. 
 Agora, por um momento, note como você está sentado. (Pausa de 5 segundos) E 
note sua respiração. (Pausa de 5 segundos) Note o que você pode ver. (Pausa de 
5 segundos) Note o que você pode ouvir. (Pausa de 5 segundos) Note o que vo-
cê consegue sentir contra sua pele. (Pausa de 5 segundos) Note aromas ou odo-
res que você consegue sentir em suas narinas. (Pausa de 5 segundos) Note o que 
você está sentindo. (Pausa de 5 segundos) Note o que você está pensando. (Pau-
sa de 5 segundos) Note o que você está fazendo. (Pausa de 5 segundos) 
SEÇÃO 2 
Terapeuta: Há uma parte dentro de você que consegue notar tudo o que você vê, ouve, toca, 
saboreia, cheira, pensa e sente. (Pausa de 5 segundos) Não temos uma palavra 
para essa parte de você em nossa linguagem cotidiana. Vou chamar essa parte de 
você de "eu observador", mas você não precisa necessariamente chamá-la assim. 
Você pode chamá-la como achar melhor. (Pausa de 5 segundos) 
Este exercício, usado em sua forma completa, é longo demais para alguns cli-
entes. Mas você pode facilmente utilizar versões abreviadas ou "pedaços" do 
mesmo. Numerei as diferentes seções do exercício de forma a podermos dis-
secá-lo e voltar a nos referir a ele em capítulos futuros. 
51 
 
 
 A vida é como um show em um palco. E nesse palco estão todos os seus pen-
samentos e sentimentos, e tudo o que você pode ver, ouvir, tocar, saborear e 
cheirar. O eu observador é aquela parte de você que pode tomar distância e 
olhar esse show no palco: pode focar em qualquer parte do mesmo, ou dar um 
passo atrás e ver tudo ao mesmo tempo. (Pausa de 5 segundos) 
SEÇÃO 3 
Terapeuta: Agora, por um momento, reflita porque você veio aqui hoje. Existe algo com 
que você se importa, algo que é importante no fundo de seu coração que moti-
vou você a vir aqui... É sobre melhorar sua vida? ... Crescimento pessoal? .... 
Aprender novas habilidades? .... Construir relações melhores? .... Seria sobre 
melhorar as coisas em seu trabalho, ou com sua família, ou seus amigos? .... Ou 
talvez se relacione com a sua saúde: nutrir seu corpo ou melhorar seu bem-estar? 
.... Faça uma busca, bem no fundo de seu coração, para clarificar quais são os 
valores que trouxeram você aqui hoje. (Pausa de 15 segundos.) 
SEÇÃO 4 
Terapeuta: E agora, por um momento, reflita sobre como você chegou até aqui hoje. Você 
não chegou até aqui por mágica. Você está aqui devido a ação comprometida. 
Você teve de agendar esse compromisso. Teve de reagendar outras coisas. Te-
ve de investir tempo e esforço para chegar aqui. E existe a possibilidade de que 
vir para cá hoje tenha feito emergir alguns pensamentos e sentimentos que são 
desconfortáveis para você. E, ainda assim... você está aqui. (Pausa de 10 se-
gundos.) Reconheça que exatamente agora, neste momento, você está agindo. 
Você está sentado aqui numa cadeira, fazendo um exercício que provavelmente 
parece um pouco estranho ou incomum ... e você provavelmente está tendo to-
do tipo de pensamentos zunindo em sua cabeça ... e todo tipo de sentimentos 
passando por seu corpo. (Pausa de 5 segundos.) E existe um monte de coisas 
que você poderia estar fazendo agora que são muito mais divertidas do que is-
so que estamos fazendo, e ainda assim, você está aqui, agindo para melhorar e 
enriquecer a sua vida. (Pausa de 10 segundos.) 
SEÇÃO 5 
Terapeuta: E agora, nas próximas respirações, gostaria que você focasse em esvaziar seus 
pulmões: empurre todo ar para fora dos pulmões até que não reste mais ne-
nhum ar dentro dos mesmos, e então gentilmente permita que eles se encham 
sozinhos. (Pausa de 5 segundos.) Observe atentamente a sua respiração – note 
como ela flui para dentro e para fora. Preste atenção como se você fosse um ci-
entista curioso que nunca se deparou com a respiração antes. (Pausa de 10 se-
gundos.) Observe como quando seus pulmões estão vazios, eles automatica-
mente voltam a se encher, por conta própria, sem qualquer auxílio de sua parte. 
(Pausa de 5 segundos.) Você até pode fazer uma inspiração profunda se quiser, 
mas note que isso na verdade não é necessário: a respiração acontece sozinha. 
(Pausa de 10 segundos.) Agora convido você para um desafio: pelos próximos 
dois minutos, mantenha sua atenção focada em sua respiração, observando 
como ela flui para dentro e para fora. (Pausa de 10 segundos.) 
52 
 
SEÇÃO 6 
Terapeuta: Provavelmente você vai achar isso difícil de fazer porque sua mente é uma talen-
tosa contadora de histórias. Ela vai contar para você todo o tipo de histórias para 
roubar a sua atenção e afastar você do que está fazendo. (Pausa de 5 segundos.) 
Veja se consegue deixar esses pensamentos ir e vir, como se fossem apenas car-
ros passando – apenas carros passando do lado de fora de sua casa – e mantenha 
sua atenção focada na respiração. (Pausa de 10 segundos.) Note sua respiração 
entrando e saindo. (Pausa de 10 segundos.) Observe seu abdômen se expandin-
do e se contraindo. (Pausa de 10 segundos.) Observe como seu peito sobe e des-
ce. (Pausa de 10 segundos.) Permita que a conversa de sua mente se distancie 
como se fosse um rádio tocando ao longe. Não tente desligar o rádio; isso não é 
possível – nem mesmo mestres Zen conseguem fazer isso. Apenas deixe-o to-
cando no fundo, e mantenha sua atenção na respiração. (Pausa de 10 segundos.) 
 De vez em quando sua mente vai conseguir distrair você: ela vai te fisgar com 
alguma boa história e você vai se distrair e se esquecer de sua respiração. Isto é 
normal e natural, e vai acontecer repetidas vezes. No momento em que você se 
aperceber de que isto aconteceu, note por um momento qual foi o anzol que 
fisgou você, e então gentilmente volte a focar a atenção em sua respiração. 
(Pausa de 10 segundos.) 
 De novo e de novo, você vai se perder em seus pensamentos. É normal e natural. 
Acontece com todo mundo. Assim que perceber isso, gentilmente tome consci-
ência disso e volte a prestar atenção em sua respiração. (Pausa de 10 segundos.) 
SEÇÃO 7 
Terapeuta: À medida que continuamos com este exercício, os sentimentos e as sensações 
em seu corpo irão mudar. Podem aparecer sentimentos agradáveis – tais como 
relaxamento, calma, tranquilidade – e também podem aparecer sentimentos de-
sagradáveis – como, por exemplo, tédio, frustração, ansiedade, ou dor nas cos-
tas. Veja se você consegue permitir estes sentimentos ou sensações a serem 
exatamente como são neste momento. (Pausa de 10 segundos.) Não tente con-
trolá-los, apenas permita que sejam como são – independentemente se são 
agradáveis ou desagradáveis – e mantenha sua atenção em sua respiração. 
(Pausa de 10 segundos.) Repetidamente você irá se perder em seus pensamen-tos. Assim que se der conta disso, reconheça isso e volte a focar sua atenção 
em sua respiração. (Pausa de 10 segundos.) Isto não é uma técnica de relaxa-
mento. Você não está tentando relaxar. O objetivo é deixar que seus sentimen-
tos e sensações sejam como são, a se permitir sentir o que quer que seja, sem 
lutar contra eles. Se você notar um sentimento difícil, silenciosamente diga a si 
mesmo Aqui temos um sentimento de frustração ou Eis aí um sentimento de 
tédio. Tome conhecimento de que ele está lá, e mantenha sua atenção na respi-
ração. (Pausa de 20 segundos.) 
SEÇÃO 8 
Terapeuta: A vida é semelhante a show em um palco. E neste palco estão os seus pensa-
mentos e sentimentos, tudo o que você pode ver, ouvir, tocar, saborear e chei-
rar. Neste exercício, você diminuiu as luzes no palco e focou um holofote em 
sua respiração. E agora é hora de aumentar a intensidade das demais luzes. Es-
53 
 
ta respiração que você está observando acontece em um corpo; então, agora, 
vamos focar as luzes em seu corpo: sente-se de forma ereta em sua cadeira, e 
observe seus braços, suas pernas, sua nuca, seu peito, e seu abdômen. (Pausa 
de 5 segundos.) E seu corpo se encontra dentro de uma sala, e assim vamos 
aumentar a luz na sala em torno de você. Olhe ao seu redor e observe o que 
você consegue ver e ouvir, sentir o cheiro, o sabor e sentir com seu tato. (Pau-
sa de 10 segundos.) Observe o que está sentindo. (Pausa de 20 segundos.) E 
observe o que está pensando. (Pausa de 5 segundos.) Note que há uma parte 
em você que pode observar tudo: o que você vê, ouve, toca, saboreia, cheira, 
pensa, sente, ou faz em qualquer momento. 
 E isto conclui o exercício. Se quiser, pode se espreguiçar e esticar seu corpo, e 
depois vamos falar sobre o que fizemos. 
Analisando separadamente 
 Vamos analisar agora o Exercício do Hexaflex, seção por seção. Por favor, volte e releia cada 
seção do exercício em voz alta antes de ler a explicação abaixo. 
SEÇÃO 1: ESTEJA AQUI AGORA 
 A seção 1 cobre o contato com o momento presente. Esta seção consiste na instrução básica 
que está no núcleo de todos os exercícios de atenção plena: “Observe X”. “X” pode ser qualquer 
coisa que está aqui, exatamente agora, neste momento. Pode ser sua respiração, os sons no am-
biente, a tensão em seu corpo, os pensamentos em sua cabeça, o gosto em sua boca, a visão de 
sua janela, e assim por diante. Alternativas comuns para a palavra “observe” podem ser “preste 
atenção a”, “traga sua consciência para”, “foque em”, ou “note”. Observe que as pausas neste 
ponto são breves – apenas cinco segundos. Mais adiante no exercício, elas aumentam. Você 
pode facilmente adaptar esta seção e transformá-la em um breve exercício de atenção plena, 
apropriado para qualquer sessão como uma técnica para centramento ou “aterramento”. 
SEÇÃO 2: CONSCIÊNCIA PURA 
 A seção 2 cobre o eu-como-contexto. Aqui nos referimos a ele como o “eu observador”: 
aquela parte de você que faz toda a observação. Desenvolvi a Metáfora do Show em um Palco 
especificamente para facilitar o entendimento do eu-como-contexto mas como veremos mais 
tarde, você também pode usá-la para melhorar qualquer outro processo de atenção plena: acei-
tação, desfusão ou contato com o momento presente. 
O EU PENSADOR E O EU OBSERVADOR 
Terapeuta: Uma das coisas que é importante em nosso trabalho aqui é reconhecer que há 
duas partes muito distintas de nossa mente. Existe uma parte com a qual todos 
estamos familiarizados – aquela parte que pensa, imagina, lembra, analisa, pla-
neja, fantasia, etc. Vamos chamar essa parte de “eu pensador”. Mas há uma ou-
Antes de conduzir o cliente através dessa seção, é uma boa ideia fornecer uma 
breve explicação sobre as duas partes da mente – o eu pensador e o eu obser-
vador – pois assim o termo “eu observador” não as pegará de surpresa. O tex-
to seguinte exemplifica isso. 
54 
 
tra parte da mente sobre a qual virtualmente nunca se fala – na verdade não 
temos nem mesmo uma palavra para a mesma em nossa linguagem comum do 
dia-a-dia. É a parte da mente que não pensa, não consegue pensar – ela apenas 
nota ou observa. Ela nota o que você está pensando, sentindo, fazendo, vendo, 
ouvindo, saboreando, etc. As palavras mais próximas que temos para ela em 
nossa linguagem cotidiana são “consciência”, “atenção” ou “foco”. Na ACT, 
geralmente a chamamos de “eu observador” porque ela não pensa – ela mera-
mente observa. Para dar um exemplo, você já se deparou com um pôr do sol 
magnífico e por um momento seu eu pensador ficou quieto. Não havia pensa-
mentos – você ficou apenas observando silenciosamente este maravilhoso pôr 
do sol. Isto é seu eu observador em ação – notando silenciosamente. Mas o si-
lêncio não dura muito. Em segundos, o eu pensador se manifesta: “Ó, mas que 
cores mais lindas. Eu queria ter uma câmera aqui comigo. Isto me lembra de 
minha viagem para o Havaí.” E então, à medida que você começa a ficar mais 
enredado em seus pensamentos, você começa a se desconectar do pôr do sol. 
SEÇÃO 3: SAIBA O QUE IMPORTA 
 A seção 3 aborda valores: o que é suficientemente importante para este cliente para que ele 
tenha se incomodado em vir para falar com você? (Mesmo que ele tenha vindo por determina-
ção da Justiça sob pena de prisão, ele não era obrigado a vir: ele veio porque estar livre é um 
valor para ele.) Preferencialmente individualizamos esta seção para mencionar especificamen-
te valores centrais já identificados – por exemplo, “Tem a ver com ser uma mãe melhor para 
seus filhos?” 
SEÇÃO 4: FAÇA O QUE FOR NECESSÁRIO 
 A seção 4 aborda a ação comprometida: realizar a ação necessária para viver conforme seus 
valores mesmo quando é difícil e doloroso. Aqui reconhecemos e validamos que o cliente se 
comprometeu com a ação mesmo que isto lhe tenha trazido desconforto. Esta é uma mensa-
gem que iremos reforçar através de toda terapia: as ações que realizamos para tornar nossas 
vidas significativas muitas vezes geram dor. Às vezes nos sentimos bem como resultado das 
mesmas, outras vezes não. A pergunta que a vida faz repetidamente para cada um de nós é 
esta: “Estou disposto a criar um espaço para estes sentimentos a fim de fazer o que é impor-
tante para mim?” 
SEÇÃO 5: ESTEJA AQUI AGORA (DE NOVO) 
 Aqui estamos de volta para a instrução básica da atenção plena: “observe X”. No presente 
caso, “X” são as sensações da respiração. As seções 5 e 6 juntas constituem um exercício rá-
pido e simples de respiração atenta e consciente que você pode usar em qualquer sessão. 
SEÇÃO 6: PRESTE ATENÇÃO EM SEU PENSAMENTO 
 A seção 6 aborda a desfusão: colocar um pouco de distância entre você e seus pensamentos 
de modo que você possa deixá-los ir e vir sem ficar enredado nos mesmos. Usamos três dife-
rentes metáforas aqui para facilitar a desfusão: (1) a noção da mente como um contador de 
histórias e os pensamentos como histórias; (2) tratar seus pensamentos como se fossem carros 
que estão passando; e (3) tratar sua mente como se fosse um rádio tocando no fundo. Estas 
metáforas, tanto isolada quanto conjuntamente, podem ser adicionadas a qualquer exercício de 
atenção plena que você venha a realizar. 
55 
 
Enfatizamos também de novo e de novo que é “normal e natural” a pessoa repetidamente ficar 
à deriva em seus pensamentos (ou seja, fundida com eles). Isto é importante porque muitos 
clientes (assim como muitos terapeutas) têm um traço perfeccionista, e poderão ficar desapon-
tados se tiverem a expectativa de conseguir manter um foco total. De fato, muitos clientes (e 
terapeutas) ficam chocados com o quão difícil é permanecer focado por mais do que alguns 
segundos. 
SEÇÃO 7: ABRA-SE 
 A seção 7 aborda a aceitação: abrir-se e criar espaço para experiências privadas dolorosas. 
(Nota: Aceitação é abreviatura de “aceitação experiencial”, o oposto de esquiva experiencial.) 
Aqui introduzimos a noção de permitir que seus sentimentos e sensaçõessejam como são sem 
tentar mudá-los e se livrar deles. Quando silenciosamente nomeamos e reconhecemos um 
sentimento doloroso, isto muitas vezes facilita a aceitação e por isso é uma técnica simples e 
útil para inserir nesta seção. E podemos também passá-la para o cliente como uma técnica 
para ser praticada entre as sessões. 
Você também deve ter notado que enfatizamos que isto não é uma técnica de relaxamento. 
Isto é importante porque muitos clientes irão achar esta experiência relaxante, e podem consi-
derar como se este fosse o propósito do exercício, quando, na verdade, isto é apenas um efeito 
colateral benéfico. 
SEÇÃO 8: JUNTANDO TUDO 
 A seção 8 junta o exercício com a Metáfora do Show em um Palco para facilitar o contato 
com o momento presente e brevemente revisita o eu-como-contexto. 
Prática, Prática, Prática 
Agora, antes de continuar a ler, recomendo enfaticamente que você volte e leia todas as trans-
crições neste capítulo – mas desta vez leia as palavras em voz alta, como se você as estivesse 
de fato falando para o cliente. Isto é especialmente importante o Exercício do Hexaflex. Peço 
que faça isto porque somente através da prática é que conseguirá dominar este modelo. Então 
por que esperar até que estiver trabalhando com seus clientes? Comece agora mesmo! 
56 
 
CAPÍTULO 5 
 
Começando a ACT 
 
A PRIMEIRA SESSÃO 
Os terapeutas chegam até a ACT de uma vasta gama de “backgrounds” e por isso muitas vezes 
tem ideias muito diferentes sobre a primeira sessão. Por exemplo, muitos terapeutas gostam de 
fazer uma “sessão introdutória” ou uma “ sessão pré-tratamento” antes da primeira sessão “ativa”. 
Isto pode envolver alguns ou todos dos seguintes itens: obtenção de uma história detalhada, pre-
enchimento de formulários de avaliação, condução de avaliações especiais tais como exame do 
estado mental, obtenção do informe consentido, e/ou assinatura de um contrato terapêutico. 
Alguns dos livros textos da ACT ativamente recomendam uma sessão de pré-tratamento, e outros 
o assumem implicitamente. Entretanto, praticantes com um “background” em terapia breve mui-
tas vezes preferem não fazer uma sessão de pré-tratamento; ao invés disso, eles se lançam ativa-
mente na terapia já no primeiro encontro. Há prós e contras em ambas as abordagens, e este livro 
não é o lugar para discuti-las; provavelmente você já tem sua própria abordagem, e se ela está 
funcionando, não há necessidade de mudá-la. Por uma questão de clareza, neste livro vou me refe-
rir à sessão I como o primeiro encontro entre terapeuta e cliente (ou seja, não há sessão pré-
tratamento). Se você não costuma trabalhar dessa maneira, acrescente uma sessão pré-tratamento 
ou “alongue” a primeira sessão em duas. 
Na sessão 1, de preferência, objetivamos 
 estabelecer vínculo 
 fazer a anamnese 
 obter um consentimento livre e esclarecido 
 acordar os objetivos iniciais do tratamento; e 
 acordar o número de sessões. 
Além disso, se o tempo permitir, também poderemos 
 fazer um breve exercício experiencial, e 
 atribuir algum “tema de casa” simples. 
Com clientes com elevado grau de funcionamento ou com aqueles que têm um problema muito 
específico, pode-se muitas vezes completar todos os itens acima em uma sessão. Entretanto, com 
clientes com um funcionamento mais baixo ou aqueles com problemas múltiplos e histórias de 
vida mais complexas, isto poderá facilmente se estender para duas sessões, especialmente se qui-
sermos que o cliente preencha uma bateria de formulários de avaliação. 
Tenha também em mente que se se seu cliente tem uma longa história de trauma ou experiências 
recorrentes de abuso ou traição em relações íntimas, poderão ocorrer problemas significativos no 
que se refere à confiança. Caso isto ocorra, você pode querer usar duas ou três sessões fazendo 
sobretudo a anamnese e construindo o relacionamento — indo devagar e dedicando tempo para 
gradualmente estabelecer uma relação de confiança. 
Estabelecer Vínculo 
Todos os modelos de terapia dão importância à relação terapêutica; na ACT, isso é especialmente 
57 
 
verdade. A maioria dos livros-texto pedem aos leitores que apliquem a ACT a si próprios. Por que? 
Porque a ACT é muito mais efetiva quando nós, os praticantes, realmente a incorporamos na sala 
de terapia. Quando estamos plenamente presentes com nossos clientes, abertos a todo e qualquer 
conteúdo emocional que emerja, desfundidos de nossos próprios julgamentos, e em contato com 
nossos valores centrais no que se refere a conexão, compaixão e contribuição, então iremos natu-
ralmente facilitar uma relação calorosa, aberta e autêntica. De fato, quando damos nossa atenção 
completa a outro ser humano com abertura, compaixão e curiosidade, isto é terapêutico por si só. 
A posição da ACT é a de que como terapeutas estamos no mesmo barco que nossos clientes: am-
bos ficamos rapidamente enredados em nossas mentes, perdemos contato com o presente, e nos 
envolvemos em batalhas fúteis com nossos próprios pensamentos e sentimentos; repetidamente 
perdemos contato com nossos valores centrais e agimos de maneiras autoderrotistas; e ambos 
iremos encontrar lutas muito semelhantes em nossas vidas, incluindo desapontamento, rejeição, 
fracasso, traição, perda, solidão, doença, lesão, sofrimento, ressentimento, ansiedade, insegurança 
e morte. Tudo isto é parte da experiência humana. Assim, dado que cliente e terapeuta são com-
panheiros de viagem na mesma jornada humana, ambos podem aprender muito um do outro. 
Na ACT, uma relação terapêutica compassiva, aberta e respeitosa é de extrema importância. Sem 
isso, muitas de nossas ferramentas, técnicas, estratégias e intervenções irão falhar, produzir efeitos 
negativos ou se mostrar como insensíveis ou invalidantes. Em especial, necessitamos estar alerta 
em relação a qualquer vestígio de demonstrações de superioridade em nós; isto seria inconsistente 
com a posição da ACT de que o terapeuta e o cliente são iguais. A Metáfora das Duas Montanhas 
(Hayes, Strosahl, & Wilson, 1999) transmite de forma efetiva esta posição, e geralmente costumo 
compartilhar a mesma com os clientes mais ou menos na metade da primeira sessão. 
A METÁFORA DAS DUAS MONTANHAS 
Terapeuta: Você sabe, muitas pessoas vem para a terapia acreditando que o terapeuta é alguma 
espécie de ser iluminado, que ele resolveu todos os seus problemas, tem tudo ajusta-
do — mas, na verdade, não é assim. Parece-se mais com você escalando uma mon-
tanha lá adiante e eu escalando minha montanha aqui. E daqui onde estou, consigo 
ver coisas em sua montanha que você não consegue ver — como, por exemplo, que 
há uma avalanche prestes a acontecer, ou que existe um caminho alternativo que vo-
cê poderia tomar, ou que você não está usando sua picareta de forma efetiva. 
Mas eu odiaria que você pensasse que eu cheguei no topo de minha montanha, que 
estou recostado, descansando. Na verdade, eu ainda continuo a escalar, ainda conti-
nuo cometendo erros, e ainda estou aprendendo com eles. Basicamente, somos to-
dos iguais. Estamos todos escalando nossa montanha até o dia em que morremos. 
Mas aqui está a coisa: você pode ficar cada vez melhor em escalar e também cada 
vez melhor em apreciar a jornada. E é disso que trata o trabalho que fazemos aqui. 
Fazer a anamnese 
Juntar a história de um cliente pode levar desde alguns poucos minutos até uma hora, dependendo 
da situação. Por exemplo, o excelente livro ACT in Practice (Bach & Moran, 2008) recomenda que 
se utilize uma sessão completa para levantar um histórico detalhado e conceituar cuidadosamente 
os problemas do cliente. Por outro lado, a ACT está sendo utilizada de forma crescente em ambien-
tes de cuidados primários onde o terapeuta poderá dispor de apenas duas ou três sessões de quinze 
a trinta minutos cada, e isto obviamente torna necessário um histórico breve (Robinson, 2008). 
Assim, mais uma vez, a mensagem é esta: adapte a ACT a suaprópria maneira de trabalhar, a seu 
próprio estilo, e a sua própria clientela. Como parte do levantamento do histórico, você pode utili-
58 
 
zar qualquer instrumento de avaliação padronizado que você goste. Apenas uma palavra de alerta: 
muitos instrumentos populares de avaliação medem mudanças através do número ou severidade 
dos sintomas (ou seja, alterações na forma do sintoma) mas falham em medir mudanças no im-
pacto psicológico ou na influência dos sintomas (ou seja, alterações na função do sintoma). En-
tretanto, na ACT, nosso interesse está em mudar a função do sintoma em vez da forma do sin-
toma. Embora não haja necessidade absoluta do uso de instrumentos de avaliação específicos da 
ACT, tais como o AAQ (Acceptance and Action Questionnaire), eles podem ser muito úteis. 
Não vou discutir estes instrumentos neste livro, mas você pode fazer o download de uma ampla 
variedade deles em www.contextualpsychology.org/act-specific_measures. 
Antes de avançarmos para as porcas e parafusos da anamnese, dê uma olhada na figura 5.1 abai-
xo. Esta figura sintetiza a essência da maioria das questões clínicas a partir da perspectiva da 
ACT. 
 
Esta figura nos lembra que o resultado que queremos da ACT é uma vida atenta e baseada em 
valores. Em outras palavras, queremos reduzir a luta e o sofrimento (através da desfusão e da acei-
tação) e criar uma vida rica, plena e significativa (através de ação atenta e orientada por valores). 
Quando fazemos uma anamnese, nossos clientes geralmente acham mais fácil descrever seu so-
frimento e suas lutas do que descrever o que seria uma vida rica, plena e significativa. Entretanto, 
necessitamos saber ambos os conjuntos de informação. Felizmente existem muitos tipos de ins-
trumentos e técnicas para ajudar as pessoas a clarificar seus valores, como veremos mais tarde. 
A CONCEITUAÇÃO DE CASO: DUAS QUESTÕES CHAVE 
No que diz respeito ao problema de qualquer cliente, queremos encontrar as respostas de duas 
questões chave: 
1. Para que direção baseada em valores o cliente quer se mover? 
2. O que está se interpondo no caminho do cliente? 
Estas duas questões nos permitem conceituar rapidamente toda e qualquer questão do ponto 
http://www.contextualpsychology.org/act-specific_measures
59 
 
da perspectiva da ACT. Vamos dar uma olhada nelas mais detalhadamente. 
Para que direção baseada em valores o cliente quer se mover? Aqui buscamos clarificar 
valores: como o/a cliente quer crescer e se desenvolver? Que fortalezas pessoais ou qualida-
des ele quer cultivar? Como ela quer se comportar? Como ele quer tratar a si mesmo? Que 
tipo de relacionamentos ela quer construir? Como ele quer tratar os outros nestes relaciona-
mentos? O que ele quer que sua vida represente? O que ele almeja representar e defender 
diante de crises e situações desafiadoras? Que áreas da vida são mais importantes para ela? 
Que objetivos congruentes com valores ele tem atualmente? 
Uma vez que possamos responder a questão “Para que direção baseada em valores o cliente 
quer se mover?” podemos usar este conhecimento para definir objetivos baseados em valores, 
e guiar, inspirar e manter uma ação continuada baseada em valores. E se não conseguimos 
responder esta questão, isto nos diz que temos de fazer um trabalho de clarificação de valores. 
O que está se interpondo no caminho do cliente? Esta pergunta é sobre as três principais 
barreiras ao viver atento e com base em valores: fusão, esquiva, e ação disfuncional. Podemos 
dividi-la em três questões menores: 
1. Com que pensamentos inúteis o cliente está se fundindo? 
2. Que experiências privadas – pensamentos, sentimentos, memórias, impulsos, e assim 
por diante – o cliente está tentando evitar ou se ver livre? 
3. O que o cliente está fazendo que limita ou piora sua vida a longo prazo? 
Em termos mais simples: 
 Com o que o cliente está fundido? 
 Que experiências privadas ele está evitando? 
 Que ações disfuncionais ele está praticando? 
Estas três questões revelam a essência de qualquer problema clínico: fusão, esquiva experien-
cial, e ações disfuncionais. (Um lembrete rápido: “disfuncional” significa que não funciona 
para tornar a vida rica, plena e significativa a longo prazo, interferindo com um viver que seja 
vital e baseado em valores. Quando uma ação é fortemente influenciada pela fusão e pela es-
quiva, provavelmente será disfuncional.) 
UM ROTEIRO BÁSICO PARA FAZER A ANAMNESE 
Para muitos de nós, fazer uma anamnese não é um processo claro, ordenado e linear (e é im-
portante lembrar que não necessitamos reunir todas as informações em apenas uma sessão; 
sempre podemos ampliar o histórico mais tarde, à medida que se fizer necessário). Pessoal-
mente, para tornar esse processo mais rápido e fácil, peço para meus clientes para preenche-
rem algumas planilhas antes da primeira sessão. (Eu envio os formulários pelo correio ou por 
e-mail, ou peço ao cliente para que chegue vinte minutos antes e os complete na sala de espe-
ra.) Eu dou a eles os formulários de Dissecando o Problema ou então o Tiro ao Alvo ou a 
Bússola da Vida. Você irá encontrar estas planilhas no final deste capítulo. Por favor, dê uma 
rápida olhada neles agora e então volte para este ponto. Se almejamos avaliar valores em dife-
rentes áreas da vida de forma mais ampla, o formulário mais rápido e fácil é o Tiro ao Alvo, 
que divide a vida em quatro domínios ou áreas: trabalho/educação, saúde/desenvolvimento 
pessoal, relacionamentos e lazer. Um pouco mais complexo, mas ainda fácil de usar é o for-
mulário Bússola da Vida, que divide a vida em dez áreas ou domínios. Talvez você goste de 
experimentar com ambos e ver qual delas funciona melhor em sua prática. Pessoalmente uso 
60 
 
inicialmente o Tiro ao Alvo com clientes que têm um funcionamento inferior, e a Bússola da 
Vida com clientes de funcionamento mais elevado. O formulário Dissecando o Problema 
desmembra a "luta e sofrimento" do cliente em seus componentes chave: fusão, esquiva, e 
ação disfuncional. Peço a meus clientes que completem esses formulários da melhor forma 
que podem e os tragam-nos junto para a primeira sessão. Explico a eles que mesmo que es-
crevam somente algumas poucas palavras, este é um bom começo. Você pode preencher estes 
formulários durante a sessão ou dá-los ao cliente como "tema de casa" para completar após a 
sessão. 
Agora vamos para o histórico propriamente dito. O que segue é um roteiro bem básico para 
tomar um histórico. Cada uma das seções numeradas pode ser abordada em alguns poucos 
minutos ou explorada mais profundamente num espaço maior de tempo, dependendo de suas 
necessidades. Não há necessidade de perguntar todas as questões em cada sessão. (Nota: a 
expressão "pensamentos e sentimentos" é uma abreviação de "pensamentos, memórias, ima-
gens, sensações, desejos e impulsos"). Você pode fazer o download (em inglês) de uma ver-
são simplificada em www.actmindfully.com.au. Leia o roteiro agora, e depois explore-o mais 
detalhadamente. 
 
HISTÓRICO: UM ROTEIRO BÁSICO 
1. A Queixa Apresentada 
1. Qual é a conceptualização do cliente do (I) problema principal e (2) de como 
ele se desenvolveu? 
2. De acordo com seu cliente, como a queixa que ele apresenta interfere na sua 
vida? O que ela o impede de fazer ou de ser? 
3. Perguntas para identificar pensamentos e sentimentos problemáticos: Quais 
são os sentimentos ou emoções mais difíceis que aparecem para você e que 
estão ligados a essa questão? Quando sua mente quer fazer você ficar ansi-
oso em relação a isso, quais são as coisas mais assustadoras, desagradá-
veis ou dolorosas que ela diz para você? Você se pega ocupado com esta 
questão ou se preocupando com ela? Se você pudesse ouvir sua mente nes-
tes momentos, o que você ouviria? A sua mente fica lhe agredindo em rela-
ção a isso? Se sim, quais são os julgamentos mais desagradáveis que ela faz 
sobre você? 
4. Perguntas para identificar ações disfuncionais:O que acontece quando você 
se vê preso dentro de todos estes pensamentos e sentimentos dolorosos? O 
que você faz de diferente nestes momentos ou, em outras palavras, como 
seu comportamento muda? Se eu estivesse lhe observando em uma câmera 
de vídeo durante estes momentos em que você fica preso nestes pensamen-
tos e sentimentos, o que eu veria você fazendo ou ouviria você dizendo? 
5. Perguntas para identificar esquiva experiencial e ações disfuncionais: O que 
você tentou fazer para se ver livre desses pensamentos e sentimentos dolo-
rosos? Existe algo que você faz que faz com que se sinta preso e atolado, ou 
que faz com a situação piore? Existe algo que você faz que impacta negati-
vamente a sua saúde, ou fere seus relacionamentos, ou então que faz com 
que se sinta pior? Há algo que você faz que desperdiça seu tempo, sua ener-
gia ou seu dinheiro? Há algo que você faz que lhe proporciona um pouco de 
alívio a curto prazo mas faz com que o problema piore a longo prazo? 
 
http://www.actmindfully.com.au/
61 
 
2. Avaliação Inicial de Valores 
Você pode fazer ao cliente algumas (ou todas) das seguintes perguntas. Além disso 
(ou como uma alternativa), você pode pedir ao cliente para preencher um instru-
mento simples de avaliação tal como o Tiro ao Alvo ou a Bússola da Vida. (Você 
encontrará estes formulários no final deste capítulo.) 
1. Se você pudesse agitar uma varinha mágica de modo que todos esses pen-
samentos e sentimentos problemáticos não tivessem mais nenhum impacto 
em você, o que você começaria a fazer, ou faria mais vezes? O que você pa-
raria de fazer, ou faria menos? Como você mudaria seu comportamento em 
relação a seus amigos, parceiro/a, filhos, pais, parentes, colegas de trabalho, 
etc.? Como você agiria diferentemente em casa, no trabalho, no lazer? 
2. Você sente às vezes um senso de propósito, significado, vitalidade ou reali-
zação – ainda que seja só por um breve instante? Quando está fazendo o 
quê? O quê, quando, onde, como e com quem? 
3. Se, no processo de lidar com uma questão difícil ou dolorosa, você pudesse 
desenvolver algumas fortalezas pessoais bem como qualidades e habilidades 
que ajudariam você de alguma forma a se tornar uma “pessoa melhor”, ou a 
“crescer como ser humano”, ou a “fazer diferença na vida dos outros”, quais 
seriam essas fortalezas, qualidades ou habilidades? 
4. O que você está fazendo em sua vida atualmente que não é coerente com a 
pessoa que, no fundo de seu coração, você realmente quer ser? O que você 
gostaria de fazer de forma diferente? 
5. Se o trabalho que estamos fazendo aqui pudesse ter um impacto positivo so-
bre os relacionamentos mais importantes em sua vida, que relacionamentos 
melhorariam? E como? Como você gostaria de ser nestes relacionamentos 
se você pudesse ser o você ideal? 
6. Para clientes em crise ou em situações de vida extremamente dolorosas: O 
que você quer fazer com sua vida em vista disso? Se em algum momento do 
futuro você tiver de olhar para trás para a maneira como você lidou com essa 
situação agora, o que você então gostaria de dizer sobre a maneira em que 
você o fez? O que você gostaria de dizer sobre como você cresceu ou se de-
senvolveu como resultado disso? 
7. Para clientes suicidas: O que impediu você de se matar? 
8. Para clientes relutantes ou que vieram de forma coercitiva ou por determina-
ção judicial: Por um momento vamos esquecer da pessoa que mandou você 
aqui e prestar atenção no tem nisso para você. Se houver algo útil que você 
possa extrair de nossas sessões de forma que não seja apenas estorvo, es-
tresse, incômodo, ou uma perda de seu tempo; se houvesse uma maneira de 
este tempo poder ajudar você a melhorar sua vida e torná-la melhor de algu-
ma forma, que área de sua vida você gostaria de melhorar? E de que formas 
você gostaria de melhorá-la? O que importa para você nesta área de sua vi-
da? 
3. O Contexto de Vida Atual, História Familiar, História Social, Outras Ferramen-
tas de Avaliação 
O contexto de vida atual inclui saúde, medicações, trabalho, finanças, relaciona-
mentos, família, cultura, etc. Convém também procurar pelos fatores que reforçam o 
problema – por exemplo, ganhos secundários. A história familiar e a história social 
62 
 
incluem relacionamentos significativos do passado e do presente, e como os clien-
tes percebem o impacto que eles tiveram em sua história. Outras ferramentas de 
avaliação dependem de sua prática e de sua clientela. Talvez você prefira fazer isso 
de forma mais breve no início e juntar mais dados se necessário em sessões futu-
ras. 
4. Inflexibilidade Psicológica 
1. Dominância do passado ou futuro conceituais; autoconhecimento limitado: 
Quando tempo o seu paciente gasta vivendo no passado ou se preocupando 
com o futuro ou fantasiando sobre ele? Quão facilmente ele perde contato 
com o presente (ou seja, o quanto ele é distraído)? Quão difícil é para ele 
“saber” o que está pensando ou sentindo? 
2. Fusão: Com que tipo de conteúdo cognitivo inútil o seu cliente está se fundin-
do – regras rígidas, crenças autolimitantes, dar razões, ter razão, ideias de 
desesperança, de não ter valor, etc.? 
3. Esquiva experiencial: Que experiências privadas (pensamentos, sentimentos, 
memórias, etc.) o seu cliente está evitando – e como ele está fazendo isso? 
Quão difusa é a esquiva experiencial na vida de seu cliente? 
4. Apego ao eu conceitual: Qual é o “eu conceitual” de seu cliente? Por exem-
plo, ele se vê a si mesmo como inutilizado/danificado/indigno de amor/fraco/ 
burro, etc., ou ele se vê como alguém forte/superior/bem-sucedido? O quanto 
ele está fundido com sua autoimagem? 
5. Falta de clareza ou contato com valores: Sobre quais valores centrais o clien-
te não tem clareza? Que valores centrais ele está negligenciando? Em rela-
ção a que valores centrais ele está agindo de forma incoerente (por exemplo, 
conexão, cuidado, contribuição, autocuidado, autocompaixão, amar ou nutrir 
os outros)? 
6. Ação disfuncional: Que ações autoderrotistas o cliente está fazendo? Faltam-
lhe as habilidades necessárias para mudar? Ele falha em persistir quando a 
ação perseverante é necessária, ou ele continua de forma inapropriada quan-
do tal ação é ineficaz? Que pessoas, lugares, situações e atividades ele está 
evitando ou se afastando das mesmas? 
5. Fatores Motivacionais 
Avalie fatores positivos – por exemplo, objetivos, sonhos, desejos, visões e valores. 
Também avalie fatores negativos: barreiras internas para a mudança (ou seja, fusão 
e esquiva) e barreiras externas para a mudança (por exemplo, situação financeira 
ou social). 
6. Flexibilidade psicológica e Pontos Fortes do Cliente 
Avalie áreas da vida na qual o cliente já exibe flexibilidade psicológica através da 
desfusão, aceitação, eu-como-contexto, contato com o momento presente, conexão 
com valores e ação comprometida. Identifique também fortalezas pessoais e habili-
dades de vida úteis que o seu cliente já possui que podem ser utilizadas na terapia. 
ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE FAZER A ANAMNESE 
Observações sobre a seção 1: A Queixa Apresentada. Nesta seção, você também poderá in-
cluir uma questão como esta: o que você espera obter com a terapia? A resposta geralmente irá 
lhe dizer muitas coisas sobre a agenda de controle emocional do cliente. Possivelmente também 
irá lhe dizer como ele quer se sentir (feliz, mais confiante, com mais autoestima, etc.) ou de 
63 
 
quais sentimentos ele quer se ver livre (ansiedade, depressão, memórias ruins, etc.). 
As perguntas em 1b são muito úteis: Como esta questão interfere com sua vida? O que ela 
impede você de fazer ou ser? As respostas dos clientes geralmente se enquadram em três ca-
tegorias; a questão é problemática porque: 
1. “Eu não aguento mais me sentir assim.” Esta resposta aponta para a agenda de 
esquiva experiencial. Você pode dar seguimento perguntando sobre quais pen-
samentos/sentimentos/memórias são as mais difíceis de sentir, ou as mais inde-
sejáveis, ou quais têm o maiorimpacto. 
2. "Eu apenas quero ser normal." Esta resposta aponta para a fusão com o eu 
conceitual. O cliente possivelmente está fundido com " Eu sou anormal/ estra-
nho/fraco [ou outros]." Você pode dar seguimento perguntando: "Então, o que 
sua mente diz sobre o que esse problema significa para você?" 
3. "Isso me impede de ser ou fazer X, Y, Z." Esta resposta muitas vezes aponta pa-
ra valores e objetivos. Você pode dar seguimento solicitando mais informação 
sobre X, Y e Z. 
Observações sobre a seção 2: Avaliação Inicial de Valores. Incluí muitas questões nesta 
seção para dar a você uma variedade de opções para eliciar valores. Não há necessidade de 
fazer todas estas perguntas para cada cliente; você deve escolher as que são mais relevantes 
ou provavelmente mais úteis para cada cliente. (Se você receber respostas como "Eu não sei" 
para cada questão que você fizer, e seu cliente não quer ou não sabe preencher os formulários 
Tiro ao Alvo ou Bússola da Vida, isto é informação útil; isto é uma indicação de que você 
está lidando com um cliente que está no ápice do espectro da esquiva experiencial, e você 
provavelmente terá de ajudá-lo a desenvolver habilidades de desfusão e aceitação antes que 
possa chegar nos valores em profundidade.) O Tiro ao Alvo é uma ferramenta de avaliação 
mais simples do que a Bússola da Vida e é uma escolha inicial melhor se você suspeitar de 
que seu cliente tem esquiva experiencial elevada. 
Observações sobre a seção 3: O Contexto de Vida Atual, História Familiar, História So-
cial, Outras Ferramentas de Avaliação. O contexto de vida inclui saúde, medicações, traba-
lho, finanças, relações, família, cultura, etc. Procure também por fatores que reforçam o pro-
blema – por exemplo, receber atenção, manipular outros, obter benefícios por incapacitação, 
evitar medo de rejeição/intimidade/fracasso, adesão a crenças culturais, etc. Identifique estes 
fatores o quanto antes pois eles provavelmente irão gerar barreiras para o avanço da terapia. 
Mantenha seus olhos e ouvidos abertos para "ganhos secundários". Por exemplo, quando o pai 
somente ajuda a mãe com suas três crianças pequenas quando ela está acamada sentindo-se 
"deprimida demais para fazer algo", então este ganho secundário pode ser uma barreira para a 
recuperação da mãe. 
A história familiar e a história social também incluem relações significativas do passado e do 
presente, e como o cliente percebe como foi impactado por esta história. Aqui estamos olhan-
do para o contexto mais amplo da vida do cliente tal como é hoje, bem como para eventos 
chave do passado que moldaram o comportamento atual do cliente e contribuíram para pen-
samentos, sentimentos, memórias problemáticas, etc. que aparecem na sua vida atualmente. 
Em particular, note fatores sociais e financeiros que desempenham um papel nos problemas 
atuais do cliente. 
Pessoalmente tendo a passar bem rapidamente por estes aspectos com a maioria dos meus 
clientes pois sei que posso coletar mais informações quando se fizer necessário. Entretanto, 
64 
 
como tudo na ACT, você pode modificar isso de acordo com as suas preferências e necessi-
dades. Assim, se você quiser fazer uma conceituação mais profunda sobre como o comporta-
mento atual foi moldado pela experiência passada, então aconselho você a demorar mais para 
explorar a história passada do cliente. 
Observações sobre a seção 4: Inflexibilidade Psicológica. Esta seção é bem autoexplicativa: 
estamos à procura de processos patológicos centrais nos quais iremos mirar depois com aten-
ção plena e ações baseadas em valores. 
Observações sobre a seção 5: Fatores Motivacionais. A esta altura você já deverá ter junta-
do muitas dessas informações através das seções 1, 2 e 3. É claro, com alguns clientes você 
inicialmente terá poucas respostas úteis para estas questões sobre valores e objetivos. Mas isto 
está bem: isto apenas diz a você que este cliente provavelmente necessita ser trabalhado para 
desenvolver habilidades de desfusão e aceitação antes que se possa trabalhar valores com ele. 
O próprio fato de este cliente ter procurado terapia aponta na direção de valores. Por exemplo, 
em um caso extremo como de um cliente que recebeu uma sentença em que tem como opções 
fazer terapia ou ir para a prisão, o próprio fato de ele ter vindo ver você aponta para valores 
relacionados a liberdade. (Você também pode usar o acrônimo FEAR para identificar obstácu-
los à mudança: para maiores detalhes veja o capítulo 12.) 
 Observações sobre a seção 6: Flexibilidade Psicológica e Pontos Fortes do Cliente. Ava-
lie as áreas de vida nas quais o cliente já exibe flexibilidade psicológica através de desfusão, 
aceitação, um sentido de eu-como-contexto, contato com o momento presente, conexão com 
valores e adoção de ação comprometida. Isto é uma parte extremamente importante da anam-
nese. Se imaginamos a flexibilidade psicológica numa escala de 0 a 100, provavelmente não 
haveria nenhum cliente que pontuasse zero. Vamos descobrir então quais elementos da flexi-
bilidade psicológica ele já está usando, em que contextos, e com que resultados. Talvez você 
queira fazer-lhe perguntas diretas, como as seguintes: 
 Você alguma vez percebeu que é capaz de se desligar de seus pensamentos ou não le-
vá-los tão a sério? Você já percebeu sua mente lhe criticando, mas você não se dei-
xando influenciar por isso? 
 Você já se deu conta de que consegue tolerar seus sentimentos mesmo quando são 
muito desagradáveis? 
 Você já teve uma percepção de ser capaz de “dar um passo atrás” e apenas observar 
pensamentos e sentimentos dolorosos em vez de lutar contra eles? 
 Você tem alguma prática espiritual, religiosa ou meditativa? (Você pode perguntar es-
pecificamente sobre yoga, tai chi, artes marciais, meditação, prece, etc.) 
 Quando você se sente conectada com a vida, consigo mesmo ou com mundo? Quando 
você tem sensações de significado, propósito e vitalidade? Fazendo que tipo de ativi-
dades? Aonde? Quando? Com quem? Quando você tem uma sensação de que está fa-
zendo o máximo em sua vida, ou contribuindo para algo importante, ou se conectando 
com algo que “puxa você para fora de si mesmo”? 
 Quando você se “puxa” e faz o que precisa fazer independente de como está se sentindo? 
 Quando você está plenamente presente – ou seja, consciente e engajado no que está 
fazendo em vez de estar “perdido em sua cabeça”? Fazendo que tipo de atividades? 
Com quem? Aonde? E quando? 
65 
 
Obter um Consentimento Livre e Esclarecido 
O consentimento livre e esclarecido inclui alguma argumentação sobre: 
 o modelo da ACT: o que é a ACT e o que isso envolve; 
 a importância dos exercícios vivenciais e da prática de habilidades; e 
 possíveis experiências adversas. 
Para passar da anamnese para o consentimento livre e esclarecido, você pode dizer algo como 
“Existe bastante coisa que eu poderia lhe perguntar sobre isso, mas você já me forneceu material 
suficiente para começarmos. O que eu gostaria de fazer neste ponto é falar-lhe um pouco sobre a 
linha terapêutica que eu utilizo, o que ela envolve, possível duração da mesma, e basicamente me 
certificar de que é a abordagem apropriada para você. Pode ser? 
O MODELO DA ACT: O QUE É A ACT E O QUE ELA ENVOLVE 
Em seguida você pode providenciar um resumo sumário da abordagem ACT, conforme está 
detalhado a seguir. (Sugiro que você pegue este roteiro e o reescreva ou modifique usando 
suas próprias palavras, e então pratique até que fique na ponta da língua de forma que você 
consiga resumir rapidamente a ACT para colegas, profissionais de saúde, amigos, parentes e 
pessoas que você encontra em almoços ou jantares.) 
Terapeuta: Você conhece alguma coisa sobre o modelo de terapia com que eu trabalho? 
Cliente: Não. 
Terapeuta: Bem, trata-se de uma terapia embasada cientificamente que tem um nome um 
pouco incomum. Chama-se terapia de aceitação e compromisso mas costu-
mamoschamá-la de ACT (que é a sigla em inglês de Acceptance and 
Commitment Therapy). Ela recebe o seu nome de uma de suas mensagens 
centrais: aceite o que está fora de seu controle pessoal e comprometa-se a 
adotar ações que melhorem sua vida. A meta da ACT é basicamente muito 
simples: ajudar você a criar uma vida rica, plena e significativa ao mesmo 
tempo em que administra de forma efetiva a dor e o estresse que vem junto. 
A ACT nos ajuda a alcançar isso de duas maneiras. Primeiro, ela nos ajuda a 
desenvolver habilidades psicológicas para lidar com nossos pensamentos e 
sentimentos dolorosos mais efetivamente de formas que eles tenham menos 
impacto e influência sobre nós. Chamamos estas habilidades de “habilidades 
de atenção plena (ou mindfulness). Segundo, a ACT nos ajuda a clarificar o 
que é realmente importante e significativo para nós – o que chamamos de 
nossos “valores” – e então usamos este conhecimento para nos guiar, inspi-
rar, e motivar quando fazemos mudanças em nossa vida. 
Observe a frase em itálico: lidar com nossos pensamentos e sentimentos dolorosos mais efeti-
vamente de formas que eles tenham menos impacto e influência sobre nós. Esta redação é 
muito importante. A ACT não tem nada a ver com reduzir, evitar, eliminar ou controlar estes 
pensamentos e sentimentos – ela tem a ver com reduzir seu impacto e influência sobre o com-
portamento (com vistas a facilitar o viver com base em valores). 
 
66 
 
 
A IMPORTÂNCIA DOS EXERCÍCIOS VIVENCIAIS E DA PRÁTICA DE 
HABILIDADES 
Depois do roteiro acima você pode dizer algo assim: 
Terapeuta: Conforme mencionei antes, a ACT é um modelo embasado cientificamente. Ela 
tem provado ser efetiva com um amplo espectro de problemas, desde depressão, 
ansiedade, estresse laboral a drogadição e esquizofrenia. É um modelo de terapia 
muito ativo. Durante as sessões não apenas falamos; na verdade, praticamos tam-
bém habilidades psicológicas de modo que você possa aprender a como lidar com 
aqueles pensamentos e sentimentos difíceis de forma mais efetiva. E como qual-
quer habilidade, quanto mais você praticar, melhor você ficará. Assim, o que fa-
zemos durante estas sessões será útil, mas o que realmente vai fazer a diferença é 
praticar estas novas habilidades entre uma sessão e outra, ou seja, fora das sessões. 
Afinal de contas, se você quiser aprender a tocar guitarra, você não esperaria se 
tornar um grande guitarrista com apenas algumas poucas aulas – você esperaria ter 
de praticar para chegar a isso. 
Quando os clientes querem mais detalhes. Neste ponto, alguns clientes poderão solicitar mais 
detalhes sobre o que está envolvido. Se isto ocorrer, você pode dizer algo como o que segue (ajus-
tando sua resposta para responder de forma mais específica a pergunta do cliente): 
Terapeuta: Bem, o que fazemos pode variar enormemente de uma sessão para outra. Em 
algumas sessões vamos focar em como ajudar você a deixar ir pensamentos, 
memórias ou preocupações dolorosas, ou a se libertar de crenças autolimitan-
tes. Às vezes iremos olhar para novas formas de lidar com sentimentos fortes 
como medo, raiva, tristeza ou culpa. Outras vezes iremos focar em entrar em 
contato com o que é mais importante para você, estabelecer objetivos, ou 
elaborar um plano de ação efetivo. Ou seja, o que iremos fazer poderá variar 
muito dependendo de qual é o problema, de como você está conseguindo li-
dar com ele e do que você considerou útil. 
Um pequeno número de clientes talvez peça mais informações nesse ponto sobre que tipo de habi-
lidades eles irão aprender ou que exercícios irão fazer. Se isso ocorrer, você poderia responder com 
algo assim: 
Terapeuta: Penso que é legal que você esteja impaciente para saber mais, mas tentar des-
crever exatamente o que fazemos na ACT é mais ou menos como tentar des-
crever como é esquiar, mergulhar ou andar de cavalo: você pode falar sobre 
isso extensivamente, mas você nunca saberá de fato como são até que come-
ce a praticá-los. Da mesma forma, não vou conseguir transmitir em palavras 
o que a ACT realmente é. Mas o que pretendo fazer daqui a pouco é conduzir 
Dica Prática: Você não precisa necessariamente usar as palavras mindfulness ou 
“atenção plena”. Isto está bem para a maioria dos clientes, mas algumas associ-
am estas palavras com hipnose, religião, ou o movimento New Age. Assim, em 
vez de usar essas palavras, você falar sobre “habilidades psicológicas” ou “no-
vas maneiras de lidar com seus pensamentos e sentimentos”; você pode tam-
bém usar expressões alternativas como “observar”, “notar”, “abrir-se”, “cen-
trar-se”, “estar presente”, “focar”, “prestar atenção”, etc. 
67 
 
você em um exercício curto para lhe dar um gosto do que está envolvido. Ca-
so não sobre tempo hoje, então vamos deixar para a próxima sessão. Isto está 
bem para você? 
(Outra possibilidade seria conduzir o cliente através da Metáfora da ACT Resumida que está no 
capítulo 1. Entretanto, antes que faça isso, há algumas coisas a serem consideradas. Primeiro, 
a metáfora é apropriada para este cliente neste ponto da terapia? Estou tendo a cautela neces-
sária ao utilizá-la com pacientes com baixo funcionamento ou com aqueles que suspeito se-
rem extremamente evitativos experiencialmente porque eles podem interpretar mal a mesma, 
criticá-la, ou insistir que não funcionará com eles? Em contraste, pacientes com funcionamen-
to mais elevado tipicamente começam a gostar de fazê-lo. Segundo, você está com tempo 
suficiente nesta sessão? Você deve reservar alguns minutos para executar este exercício e se 
assegurar de que terá pelo menos outros cinco minutos para abordar perguntas e preocupações 
do cliente. E, por último, mas não menos importante, não defendo o uso dessa metáfora como 
parte do consentimento livre e esclarecido enquanto você não tiver um pouco mais de prática 
na ACT e uma compreensão mais acurada do modelo de modo que possa abordar qualquer 
dúvida ou preocupação que vierem a surgir em maneira efetiva e consistente com a ACT.) 
Quando o cliente tem dúvidas. Vamos supor que seu cliente diga: “Acho que isto não vai 
funcionar pra mim”. Pensamentos como este são perfeitamente naturais, e somente são pro-
blemáticos se o cliente se funde com eles. Se isto ocorrer, você tem em suas mãos uma opor-
tunidade perfeita para estabelecer um contexto de aceitação e desfusão. Por exemplo, você 
pode dizer: “Este é um pensamento perfeitamente natural. Muitas pessoas sentem dúvidas no 
começo. E o fato é que não existe nenhum tratamento que possa garantir que vai funcionar 
com todas as pessoas. Então eu não posso prometer que isto vai funcionar com você. Eu pos-
so te dizer que funcionou com muitas outras pessoas, e eu posso puxar todos os estudos e arti-
gos de pesquisa que foram publicados, mas mesmo isto não vai garantir que vai funcionar 
para você. Entretanto, existe uma coisa que eu posso garantir: se pararmos com a sessão toda 
vez que você tiver o pensamento Isto não vai funcionar, então eu posso garantir com absoluta 
certeza de que NÃO chegaremos a lugar algum. Então, mesmo que você tenha o pensamento 
de que isto não vai funcionar, você está disposto a fazer uma tentativa mesmo assim?”. 
Observe que não estamos desafiando o pensamento do cliente. Em vez disso, estamos vali-
dando o mesmo como natural e normal. E estamos estabelecendo um contexto onde (a) é ok 
para o cliente ter esse pensamento (aceitação), e (b) o pensamento é apenas um pensamento e 
não controla as ações do cliente (desfusão). 
POSSÍVEIS EXPERIÊNCIAS ADVERSAS 
Depois passamos a discutir possíveis consequências adversas da terapia. Gosto de usar a metá-
fora da montanha russa: “Se quisermos aprender novas habilidades para lidar com pensamentos 
e sentimentos dolorosos, vamos ter que trazer à tona alguns desses pensamentos e sentimentos 
durante a sessão de modo que você algo com que praticar. Isto significa que de vez em quando 
a terapia pode ficar umpouco parecida com andar de montanha russa. Mas eis minha garantia: 
Vou estar na montanha russa com você no carrinho a seu lado.” Se você sabe que seu cliente é 
uma pessoa com esquiva experiencial muito elevada ou tem a tendência de largar a terapia, en-
tão pode ser útil dizer algo do tipo: “Você pode de vez em quando vir a sentir um forte impulso 
de parar com a terapia. Isto é completamente natural e normal, e se isto vier a ocorrer, então 
quase sempre vai ser quando você estiver se defrontando com uma questão muito importante – 
geralmente algo que pode ter um impacto enorme em sua vida. Então, sempre que você come-
çar a se sentir assim, espero que esteja disposto a compartilhar isso comigo de formas que a 
gente possa trabalhar sobre esses sentimentos durante nossas sessões.”. 
68 
 
Acordo em Relação aos Objetivos de Tratamento 
Conseguir um acordo sobre aos objetivos e formular um plano de tratamento pode não vir de 
forma natural para você, mas é importante; de outra forma, como você saberia que rumo se-
guir em suas sessões? É claro que enquanto vocês elaboraram o consentimento livre e esclare-
cido, vocês já combinaram alguns objetivos básicos do tratamento: que durante as sessões o 
cliente aprenderia habilidades de atenção plena, clarificaria valores, e utilizaria valores para 
guiar a mudança comportamental, e entre uma sessão e outra, praticaria e aplicaria estas novas 
habilidades. Para alguns clientes isto pode ser tão aproximadamente detalhado quanto se con-
segue numa primeira sessão. 
Se o seu cliente preencheu o formulário Tiro ao Alvo ou o Bússola da Vida, você pode per-
guntar para ele: “Se você tivesse que escolher apenas uma dessas áreas da vida para começar 
a trabalhar sobre a mesma, qual delas vocês escolheria? Como você gostaria de melhorá-la?” 
Com um pouco de sorte, isto vai lhes dar alguns objetivos úteis e baseados em valores para 
utilizarem como objetivos do tratamento. Entretanto, alguns clientes no começo irão lhe for-
necer “objetivos emocionais”, “objetivos de pessoa morta” ou “objetivos de insight”. Vamos 
agora dar uma rápida olhada em cada um dos mesmos. 
OBJETIVOS EMOCIONAIS 
“Eu só quero ser feliz”, “não quero ficar deprimido”, “quero parar de me sentir ansioso”, 
“quero me sentir autoconfiante”, “quero ter uma autoestima mais elevada”, “quero seguir em 
frente”, “quero me sentir mais calmo”, “quero parar de me preocupar”. Na ACT chamamos 
isto de “objetivos emocionais” porque em cada caso o objetivo é ter controle sobre como nos 
sentimos: livrar-se de pensamentos e sentimentos “ruins” e substituí-los por “bons”. 
Se concordamos com estes objetivos, estaremos reforçando a esquiva experiencial, um pro-
cesso patológico central e que é o oposto da atenção plena. Entretanto, se dissermos isto ao 
nosso cliente sem rodeios, isto provavelmente vai ser contraproducente. Então é melhor dizer 
algo do tipo: “Ok. Você me permite dizer isso dessa forma? Existem pensamentos e sentimen-
tos dolorosos com os quais você tem estado lutando, e um dos objetivos da terapia é aprender 
novas maneiras de lidar com eles.” 
Tendo dito tudo isso, existem algumas poucas circunstâncias especiais nas quais é melhor ser 
muito claro e específico de que nosso objetivo é exatamente não eliminar pensamentos e sen-
timentos indesejáveis. Por exemplo, suponha que você tem um cliente com TEPT que lhe diz: 
“Eu apenas quero me livrar dessas memórias”. Uma resposta útil para isto poderia incluir a 
Metáfora do Filme de Terror. 
A METÁFORA DO FILME DE TERROR 
Terapeuta: Como você sabe, existem alguns poucos modelos cientificamente comprovados 
para tratar TEPT – são chamados tratamentos “empiricamente comprovados” – 
mas nenhum deles utiliza a eliminação de memórias ruins. O que todos eles fa-
zem é ajudar a pessoa a responder às suas memórias de forma diferente, de 
forma que elas tenham menos impacto e influência sobre ela. Vou usar uma 
analogia para você entender melhor: quando essas memórias emergem, é como 
assistir um filme de terror tarde da noite, sozinho, numa casa velha, e comple-
tamente no escuro. Agora suponha que este mesmo filme de terror está passan-
do, mas desta vez a TV está num canto da sala, é dia claro, a luz do sol está en-
trando pela janela, sua casa está cheia de amigos e familiares, e vocês estão in-
69 
 
teragindo – conversando, rindo, comendo, se divertindo. O filme é exatamente 
o mesmo – está passando na TV no canto da sala – mas está exercendo muito 
menos efeito em você. As habilidades de atenção plena irão capacitar você a 
fazer este tipo de coisa. Não conheço nenhuma maneira de deletar permanen-
temente estas memórias, mas você pode mudar a relação que tem com elas de 
modo a poder continuar a viver sua vida e fazer aquelas coisas que você real-
mente quer fazer. 
OBJETIVOS DE PESSOA MORTA 
Muitas vezes os objetivos de seus clientes serão parar de sentir ou de agir de determinada ma-
neira – por exemplo, “Quero parar de usar drogas”, “Quero parar de gritar com meus filhos”, 
“Não quero mais ter ataques de pânico”, “Não quero mais me sentir deprimido”. Na ACT, 
estes tipos de objetivos são chamados de “objetivos de pessoa morta” (Lindsley, 1968). Um 
objetivo de pessoa morta é toda e qualquer coisa que um cadáver consegue fazer melhor do 
que um ser humano vivo. Por exemplo, um cadáver nunca vai usar drogas, nunca vai gritar 
com as crianças, nunca vai ter um ataque de pânico e nunca vai se sentir deprimido. 
Na ACT queremos estabelecer “objetivos de pessoas vivas” – coisas que um ser humano vivo 
pode fazer melhor do que um cadáver. Para mudar de um objetivo de pessoa morta para um 
objetivo de pessoa viva, você pode fazer perguntas simples como estas: 
 “Vamos supor que isso aconteça. Então o que você faria de forma diferente? Que tipo 
de coisa você faria ou faria mais vezes? E como você agiria de forma diferente com 
seus amigos e sua família? 
 “Se você não usasse drogas, o que você estaria fazendo em vez disso? 
 “Se você não gritasse com seus filhos, como você interagiria com eles? 
 Se você não tivesse ataques de pânico ou não se sentisse deprimido, o que você faria dife-
rente em sua vida? 
Duas perguntas úteis para transformar objetivos emocionais e objetivos de pessoa morta em 
objetivos congruentes com valores são a pergunta da varinha mágica e a pergunta do docu-
mentário de sete dias. Vamos dar uma rápida olhada nas mesmas agora. 
A pergunta da varinha mágica. Esta é uma pergunta muito boa para enxergar através da 
agenda emocional. Note a expressão “não são mais um problema para você”; isto é muito 
diferente do que dizer “todos desapareceram”. 
Terapeuta: Vamos supor que eu tenho uma varinha mágica. Eu agito essa varinha e todos 
os pensamentos e sentimentos com os quais você tem estado lutando não são 
mais um problema para você. O que você faria de forma diferente se isso acon-
tecesse? Que coisas você começaria a fazer ou faria mais vezes? Como você 
agiria de forma diferente com outras pessoas? O que você faria diferentemente 
no trabalho, em casa, nos fins de semana? 
A pergunta do documentário de sete dias. Esta é uma pergunta muito boa para ajudar o 
cliente a se tornar mais específico sobre as mudanças que ele quer fazer em sua vida. 
Terapeuta: Vamos supor que nós te seguimos com uma equipe de filmagem por uma se-
mana, filmando tudo o que você fez e editamos este material na forma de um 
documentário. E vamos supor também que fizemos a mesma coisa em algum 
ponto do futuro, depois de termos terminado o trabalho que estamos fazendo 
70 
 
na terapia. O que iríamos ver ou ouvir no novo vídeo que indicaria que a tera-
pia foi útil? O que iríamos ver ou ouvir você dizendo? O que notaríamos de 
diferente na maneira em que você interage com outras pessoas ou na maneira 
em que você gasta seu tempo? 
OBJETIVOS DE INSIGHT 
“Quero entender por que sou assim”, “Preciso descobrir por que continuo fazendo isso”,“Quero descobrir quem realmente sou”. Objetivos de tratamento como estes costumam levar 
facilmente para a “paralisia da análise” – para uma sessão após outra de discussões intelec-
tuais/teóricas/conceituais e reflexões sem fim sobre o passado em vez de sobre o desenvol-
vimento de novas habilidades para viver com atenção plena e com base em valores. 
Como sempre acontece na ACT, os clientes irão desenvolver uma grande quantidade de 
compreensão e de insight sobre seu próprio comportamento, pensamentos, sentimentos, per-
sonalidade e identidade. Eles geralmente terão percepções poderosas sobre quem são, como 
suas mentes funcionam, o que realmente querem na vida, como o passado os influenciou, e 
por que fazem as coisas que fazem. Mas na ACT desenvolvemos estes insights através do 
trabalho vivencial, e não através de longas discussões analíticas. Além disso, este insight 
não é um fim em si mesmo: é simplesmente algo que acontece na jornada rumo ao desejado 
resultado de uma vida com atenção plena e baseada em valores. 
Para ir para um objetivo de tratamento mais útil, digo: “Como parte do trabalho que fazemos jun-
tos, você certamente receberá muito mais insight sobre quem você é, e sobre o que você realmente 
quer na vida. Tudo isto já é uma situação estabelecida; acontece como parte do processo na ACT. 
Quando pergunto o que você quer da terapia, o que quero dizer é, uma vez que você tem o insight 
e a compreensão, o que você quer fazer de forma diferente? Se você tivesse esse conhecimento, o 
que você faria que você não está fazendo agora? Como você se comportaria de modo diferente? O 
que outras pessoas notariam de diferente em você? 
OBJETIVOS DE TRATAMENTO: ALGUNS EXEMPLOS 
Eis alguns exemplos de objetivos de tratamento, resumidos pelo terapeuta. 
Objetivos de Tratamento para Depressão. Em resposta a pergunta da varinha mágica, 
este cliente respondeu que o que faria de forma diferente seria voltar para o trabalho, come-
çar a se exercitar novamente, e gastar mais tempo com seus amigos e família. 
Terapeuta: Então poderíamos dizer isso dessa forma: Parece que o que você entende por 
depressão é, em parte, que você está preso em uma grande quantidade de pen-
samentos desprazerosos – autojulgamentos negativos, uma sensação de de de-
samparo e desesperança, e pensamentos e memórias sobre eventos dolorosos 
do passado. Uma outra parte disso é que você está lutando com alguns senti-
mentos realmente dolorosos, incluindo culpa, tristeza, ansiedade e cansaço fí-
sico. E a terceira parte disso é que você está fazendo coisas que tornam sua vi-
da pior, tais como gastar muito tempo ficando na cama, isolar-se socialmente, 
ficar em casa, não fazer exercício, evitar o trabalho, etc. Podemos, quem sabe, 
alterar os objetivos à medida que avançarmos, mas por enquanto será que po-
demos chegar a um acordo de que o que estamos objetivando é (a) aprender 
novas habilidades para lidar com todos esses pensamentos e sentimentos difí-
ceis, e (b) ajudar você a voltar a fazer coisas que tinham importância para vo-
cê, tais como socializar, trabalhar, exercitar-se, e, em termos gerais, fazer coi-
sas que tragam satisfação para você? Você concorda com isso? 
71 
 
Observe como o terapeuta divide a questão em três elementos: (1) ficar preso em pensamen-
tos, (2) lutar com sentimentos, e (3) ações disfuncionais. Isto é intencional. Podemos sutil-
mente estabelecer as bases para dois insights chave: 
1. Nossos pensamentos e sentimentos não são o problema central; o que cria 
nossos problemas é ficarmos enredados nos mesmos (fusão) e lutarmos con-
tra eles (esquiva). 
2. Nossos pensamentos e sentimentos não controlam nossas ações. 
Este segundo insight chave muitas vezes pega os terapeutas de surpresa, então vamos tomar 
um momento para explorá-lo. Nossos pensamentos e sentimentos certamente influenciam 
nossas ações, mas eles não controlam nossas ações. Nosso comportamento em qualquer 
momento está sob a influência de múltiplas correntes de estímulos, provenientes tanto do 
mundo dentro de nossa pele quanto do mundo externo, fora de nós. Volte por um instante 
para a Metáfora do Show no Palco: nossas ações são influenciadas por tudo que há no palco 
– tudo que podemos ver, ouvir, cheirar, tocar, sentir ao tato, e pensar. 
Então, quando é que os pensamentos e sentimentos têm uma maior influência sobre nossas 
ações? Você adivinhou: em um contexto de fusão e esquiva. Entretanto, em um contexto de 
desfusão e aceitação (ou seja, de atenção plena), estes mesmos pensamentos e sentimentos 
têm muito menos influência sobre nosso comportamento, o que nos libera para agir com 
base em nossos valores. Isto significa que quanto maior for a nossa flexibilidade psicológi-
ca, maior será também a nossa capacidade para escolher as ações que tomamos independen-
temente dos pensamentos e sentimentos que estamos tendo. Com isto em mente, queremos 
repetidamente traçar uma diferença entre (a) os pensamentos e sentimentos do cliente, e (b) 
as ações do cliente quando estes pensamentos e sentimentos emergem. Em última análise, 
queremos quebrar a ilusão que os primeiros (os pensamentos) controlam estes últimos (os 
sentimentos e as ações do cliente). (Esta abordagem provavelmente só será bem-sucedida 
quando a fizermos de forma experiencial, não didática.) 
Objetivos de Tratamento para adição ao álcool. Este cliente queria parar de beber porque 
(a) sua mulher estava ameaçando deixá-lo, e (b) num checkup médico recente seu fígado 
estava em condições ruins. Em resposta à pergunta da varinha mágica, ele queria ser um 
"marido melhor" e "consertar" seu fígado. 
Terapeuta: Resumindo, quando você tentou parar de beber no passado, isto nunca durou 
muito porque você tinha fissuras muito fortes ou você tinha sentimentos de an-
siedade e depressão e então você voltava a beber para fazê-los ir embora. As-
sim, nossos objetivos aqui na terapia são (a) aprender algumas habilidades no-
vas de modo que você possa lidar com essas fissuras e esses sentimentos de 
uma forma mais efetiva, (b) construir uma relação melhor com sua esposa, e 
(c) começar a cuidar de seu fígado e torná-lo tão saudável quanto possível. 
Confere? 
Observe como o terapeuta se moveu de um objetivo de pessoa morta – parar de beber – para 
vários objetivos de pessoas vivas. 
Dica Prática: Alguns clientes têm tantas questões a resolver que eles não sabem 
por onde começar, ou se sentem sufocados. Nestes casos, os formulários do Tiro 
ao Alvo ou da Bússola de Vida são muito úteis. Você pode dizer ao cliente: "Esco-
lha um desses domínios e vamos começar por ali. O que você faria de forma di-
ferente nesta área de sua vida?" 
72 
 
Objetivos de tratamento genéricos. Às vezes, apesar dos seus melhores esforços, seu cli-
ente será incapaz ou não estará disposto a lhe fornecer qualquer objetivo específico orienta-
do por valores. Ele pode continuar respondendo "Não sei", "Nada me importa" ou "Só quero 
parar de me sentir assim", ou "Apenas quero me sentir feliz". Nestes casos, não force nada; 
apenas aceite que por agora seus objetivos de tratamento serão vagos e genéricos. A seguir 
apresento duas alternativas que você poderia utilizar nestes casos. 
Terapeuta: Então, que tal se concordássemos com o seguinte? O trabalho que faremos aqui 
será baseado em duas coisas. Primeiro, aprender novas maneiras de lidar com 
seus pensamentos e sentimentos de forma mais efetiva de modo que não pos-
sam mais impedir você de viver a vida que você quer viver. Segundo, embora 
agora você não tenha nenhuma ideia sobre o que você quer e se sinta como se 
nada importasse, vamos fazer disto um lugar onde você pode descobrir o que 
importa para você e que tipo de vida você quer ter. E uma vez que tivermos 
descoberto isso, vamos começar a fazer isso acontecer. 
Terapeuta: Então, por enquanto, vamos apenas dizer que o trabalho que faremos aqui será 
sobre dar a você uma vida que te empolga, uma vidaque você sente que é dig-
na de ser vivida. Neste momento, você ainda não sabe como seria essa vida, 
mas isso está bem. Vamos descobrir isso à medida que formos avançando. As-
sim, uma das metas de nosso trabalho aqui será descobrir o que é importante 
para você e que tipo de vida você quer viver. E uma outra meta será aprender 
maneiras melhores de lidar com a dor que a vida está te trazendo atualmente. E 
ambas as metas em última instância servem a um só propósito: criar uma vida 
rica e significativa. 
 
Acordo em relação ao Número de Sessões 
Quantas sessões de ACT um cliente necessita? Bem, quanto mede um pedaço de corda? Já vi 
coisas incríveis acontecerem com apenas uma sessão de ACT e também já tive clientes com 
os quais trabalhei em base regular por três ou quatro anos! Como uma regra geral, quanto 
maiores forem os problemas dos clientes em número, duração, severidade e impacto em sua 
qualidade de vida, mais longa será a duração da terapia. Entretanto, isto não tem que ser 
necessariamente assim. A ACT pode ser aplicada em muitos formatos diferentes, incluindo 
os seguintes: 
 Terapia de longo prazo: por exemplo, um protocolo de ACT para Transtorno de Per-
sonalidade Borderline prevê quarenta sessões em grupo, cada uma com duas horas de 
duração (Brann, Gopold, Guymer, Morton, & Snowdon, 2007). 
 Terapia Breve: por exemplo, um protocolo popular da ACT para transtornos de ansi-
edade é baseado em doze sessões de uma hora (Eyfert & Forsyth, 2005) e um estudo 
Dica Prática: Observe em todos estes exemplos como o terapeuta utiliza ter-
mos e expressões como "lidar com" a dor em vez de "controlar", "reduzir" ou 
"eliminar". A atenção plena não é um caminho para controlar, reduzir ou elimi-
nar pensamentos e sentimentos; é uma maneira de "lidar com eles gentilmente" 
ou "acolhê-los compassivamente" ou "segurá-los com leveza". Outros termos 
que você pode usar incluem "retirar-se da batalha", "parar com a luta" ou "mu-
dar sua relação" com seus pensamentos e sentimentos. 
73 
 
publicado de ACT para estresse crônico e dor é baseado em um protocolo de oito ho-
ras (Dahl et al., 2004) 
 Terapia Muito Breve: por exemplo um estudo publicado sobre ACT para esquizofre-
nia crônica consiste em apenas três ou quatro sessões de uma hora. Esta intervenção 
muito breve levou a uma redução de 50 por cento nas taxas de readmissão hospitalar. 
(Obviamente, com estas intervenções de ACT muito breves, não é como se o cliente abra-
çasse total e plenamente a vida consciente, baseada em valores e nunca mais tivesse pro-
blemas. Trata-se mais de fornecer os elementos centrais da ACT – estar presente, abrir-se, 
fazer o que importa – de uma forma rápida e com benefícios significativos. O cliente então 
se torna seu próprio terapeuta ACT, e todos os tipos de problemas e desafios que a vida lhe 
trouxer irão lhe oferecer oportunidades para desenvolver suas habilidades.) 
 Alguns livros-texto de ACT sugerem que se faça um acordo para doze sessões inicialmente, 
mas não há nada mágico sobre esse número, assim você pode ajustá-lo de acordo com sua 
clientela. Por exemplo, na Austrália, o país em que eu moro e pratico, não há a mesma aber-
tura para a terapia que existe nos Estados Unidos, e por isso costumo combinar apenas seis 
sessões inicialmente. 
Neste ponto, dizemos ao cliente que a terapia não é uma jornada suave, mas envolve altos e 
baixos. Por exemplo, você pode dizer: "Uma coisa que devo mencionar é que a terapia nem 
sempre progride sem problemas. Às vezes você dá um grande salto para frente; e às vezes 
você dá um grande passo para trás. Então, porque pode ser um pouco para cima e para bai-
xo, eu me pergunto se você se comprometeria com seis sessões inicialmente – e no final 
desse período vamos avaliar como a terapia está indo e verificar se você precisa de mais 
sessões. E vai ser você quem vai tomar essa decisão, não eu. Você vai avaliar se estamos 
fazendo progressos ou não. Agora, obviamente, algumas pessoas não precisam de todas as 
seis sessões, e outras acabam precisando de mais do que isso. Neste ponto, é difícil para 
mim prever quantas sessões você irá necessitar, então pergunto se você estaria disposto a 
comprometer-se inicialmente com seis sessões?" 
Faça um Breve Exercício Vivencial 
Quando o tempo permite, gosto de fazer um breve exercício vivencial durante a primeira ses-
são. Qualquer exercício de atenção plena será suficiente – de preferência um que dure cerca 
de cinco minutos. Por exemplo, você pode fazer uma parte do Exercício do Hexaflex (ver ca-
pítulo 4), ou exercícios como Soltando a Âncora ou Dez Respirações Conscientes (ver capítu-
lo 9). Então, uma vez que você tiver feito este exercício na primeira sessão, você pode pedir 
permissão para iniciar cada sessão com um exercício semelhante. 
Dê uma Tarefa de Casa 
Peça a seus clientes que façam um pouco de tarefa de casa entre esta sessão e a próxima. Isso 
reforça a noção de que o ACT envolve trabalho ativo tanto na sessão quanto entre as sessões. 
Por exemplo, se você conduziu seu cliente através de um simples exercício de atenção plena, 
então, para a tarefa de casa, você poderia pedir que ele pratique uma vez por dia. Alternativa-
mente, você pode pedir-lhe para manter um diário ou preencher um formulário, como aqueles 
no estão no final deste capítulo. 
 
 
74 
 
Dica Prática: Muitas pessoas não gostam do som da expressão "lição de casa". 
Ela carrega todo tipo de conotações negativas. Eu prefiro o termo "prática" ou 
"experiência". Por exemplo, você pode dizer: "Você estaria disposto a praticar 
algo entre agora e a próxima sessão?" Ou "Você estaria disposto a experimentar 
isso e ver o que acontece? ". 
 
 
 
 
 
Formulários 
Este livro contém muitos formulários para clientes. Muitas vezes, eles são úteis porque atuam 
como um lembrete da sessão, aumentam as chances de seu cliente concluir as tarefas, e forne-
cem bons materiais para a próxima sessão. (Mas eles não são essenciais e você certamente 
pode fazer ACT de forma efetiva sem usar formulários, se você preferir não usá-los.) 
No final da primeira sessão, se você não obteve muita informação sobre valores, e não conse-
guiu que o cliente preenchesse um formulário (Bussola de Vida ou Alvo), então você poderia 
pedir-lhe que o fizesse como lição de casa. Por exemplo, você pode dizer: "Já falamos muito 
sobre seus problemas hoje – os pensamentos e sentimentos com os quais você luta e as coisas 
que você faz que pioram a sua vida – mas não falamos muito sobre o tipo de vida que você 
quer viver, ou seja, sobre o que realmente interessa a você no quadro maior. Então, estou pen-
sando, se entre esta e próxima sessão, você estaria disposto a preencher este formulário, que 
pede que você pense nessas coisas?" Outros formulários que você pode fornecer são o Diário 
de Vitalidade versus Sofrimento ou o Formulário Problemas e Valores. Você pode explicar 
que esses formulários ajudam a reunir mais informações para orientar a terapia. (Os formulá-
rios estão no final deste capítulo, ou podem ser baixadas gratuitamente (em inglês) a partir de 
www.actmindfully.com.au ). 
Alternativas para os Formulários 
Alguns clientes – e alguns terapeutas – não gostam de usar planilhas e formulários. Isso não é 
muito surpreendente. Tente preencher alguns você mesmo, especialmente aqueles que neces-
sitam ser preenchidos/completados em base diária, e você logo verá o quão desafiador isso 
pode ser. Se os clientes se opuserem fortemente ao preenchimento de formulários, ou se você, 
como um terapeuta, não gosta de usá-los, então não precisa usá-los. Eles são simplesmente 
auxiliares da ACT, mas não são essenciais. 
Então, ao invés de lhe dar um formulário, você poderia pedir ao seu cliente simplesmente ob-
servar durante a semana seguinte (a) o que ele faz que drena ou restringe sua vida, e (b) o que 
ele faz que enriquece e expande sua vida. 
Alternativamente, você poderia pedir ao seuqualidade de vida depende primordialmente de ação consciente e baseada em valores, 
e (b) isto é possível independentemente de quantos sintomas você apresenta – com a ressalva 
de que você responda aos seus sintomas com consciência plena (mindfulness). 
Dizendo isso de outra maneira, o resultado almejado na ACT é uma vida com consciência 
plena, congruente com valores, e não redução de sintomas. Assim, embora a ACT geralmente 
reduza os sintomas, isto não se constitui num objetivo. (A propósito, geralmente se usa a ex-
pressão "viver com base em valores"). 
Assim, na ACT, quando ensinamos habilidades de atenção plena a nossos clientes, o objetivo 
não é reduzir seus sintomas, mas fundamentalmente mudar as relações que eles têm com seus 
sintomas de modo que estes não mais os impeçam de viver uma vida com base em seus valo-
res. O fato de que seus sintomas se reduzam é considerado como um "bônus" em vez de o 
ponto principal da terapia. 
É claro que não dizemos para nossos clientes "Nós não vamos tentar reduzir seus sintomas!" Por 
que não? Porque (a) isto criaria todo tipo de barreiras terapêuticas desnecessárias, e (b) nós sabe-
mos que a redução de sintomas é altamente provável. (Embora nunca almejemos por ela, em pra-
ticamente todos os testes e estudos realizados sobre a ACT, ocorre uma significativa redução de 
sintomas – apesar de que às vezes ela ocorra mais lentamente que em outros modelos.) 
Para quem vem para a ACT proveniente de modelos que são focados em reduzir sintomas, isto 
representa verdadeiramente uma mudança maciça de paradigma. Felizmente a maioria das pes-
soas – tanto terapeutas quanto clientes – consideram isso como sendo libertador. Entretanto, 
devido ao fato de a ACT ser tão diferente da maioria das demais abordagens psicológicas, mui-
tos praticantes sentem-se estranhos, ansiosos, vulneráveis, confusos ou inadequados no começo. 
Foi o que aconteceu comigo. (E às vezes ainda acontece!) As boas notícias são que a ACT dará 
a você os meios para lidar de forma efetiva com esses sentimentos perfeitamente naturais. E 
quanto mais você praticar a ACT em você mesmo para enriquecer e melhorar sua própria vida e 
resolver suas próprias questões dolorosas, mais eficaz você vai se tornar em aplicá-la com os 
seus clientes. (Isto serve como bônus?) Assim, chega de preâmbulo: vamos começar. 
 
 
 
8 
 
CAPÍTULO 1 
 
A ACT de forma resumida 
 
O QUE É UMA "MENTE"? 
Isso é muito difícil. Eu não consigo fazer isso. Por que isso não está funcionando? Tudo pare-
cia tão fácil quando eu li o livro-texto. Queria que um terapeuta de verdade estivesse aqui para 
me dizer o que fazer. Talvez eu não seja talhado para esse tipo de trabalho. Sou tão burro. Tal-
vez eu devesse encaminhar este cliente para alguém que realmente sabe o que tem que ser feito. 
A sua mente às vezes lhe diz coisas como essas? A minha certamente faz isso. E assim também o 
faz a mente de todo e qualquer terapeuta que conheço. Agora reserve um momento para refletir 
sobre que outras coisas inúteis ou contraproducentes sua mente faz. Por exemplo, ela costuma 
compará-lo duramente com outros, ou criticar seus esforços, ou lhe dizer que você não vai conse-
guir fazer as coisas que quer fazer? Será que constantemente ela traz à tona memórias desprazero-
sas do seu passado? Ela encontra falhas em sua vida tal como esta é atualmente e idealiza e inven-
ta vidas aonde você seria sempre muito mais feliz? Ela costuma arrastar você para dentro de cená-
rios assustadores sobre o futuro e alertá-lo sobre todas as coisas que podem dar errado? Se é as-
sim, parece que você tem uma mente humana normal. Como você pode ver, na ACT partimos do 
pressuposto de que os processos psicológicos normais de uma mente humana normal rapidamente 
se tornam destrutivos, e mais cedo ou mais tarde, acabam por criar sofrimento psicológico para 
todos nós. E a ACT especula que a raiz desse sofrimento é a própria linguagem humana. 
A Linguagem e a Mente 
A linguagem humana é um sistema altamente complexo de símbolos que inclui palavras, ima-
gens, sons, expressões faciais e gestos físicos. Os seres humanos usam a linguagem em duas 
áreas: pública e privada. O uso público da linguagem inclui falar, conversar, fazer mímica, gesti-
cular, escrever, pintar, esculpir, cantar, dançar, atuar, e assim por diante. O uso privado da lin-
guagem inclui pensar, imaginar, devanear, planejar, visualizar, analisar, preocupar-se, fantasiar, e 
assim por diante. (Um termo comumente usado para o uso privado da linguagem é cognição). 
É claro que a mente não é uma "coisa" ou um "objeto". Usamos a palavra mente para descre-
ver um conjunto incrivelmente complexo de processos cognitivos interativos, tais como anali-
sar, comparar, avaliar, planejar, relembrar, visualizar, e assim por diante. E todos esses pro-
cessos complexos dependem do sofisticado sistema de símbolos que chamamos linguagem 
humana. Desta forma na ACT, quando usamos a palavra "mente", nós a usamos como uma 
metáfora para "linguagem humana". 
Sua Mente Não é Sua Amiga – ou Sua Inimiga 
A ACT considera a mente como uma espada de duplo fio. Ela é muito útil para todo tipo de 
propósitos, mas se não aprendemos a manuseá-la apropriadamente, ela irá nos ferir. Em seu 
lado positivo, a linguagem nos ajuda a elaborar mapas e modelos do mundo, predizer e plane-
jar o futuro, compartilhar conhecimentos, aprender com o passado, imaginar coisas que nunca 
existiram e depois criá-las, desenvolver regras para guiar nosso comportamento de forma efi-
caz e nos ajudar a desenvolver e prosperar como comunidade, comunicar-nos com pessoas 
que estão distantes, e aprender com pessoas que já não estão mais vivas. 
9 
 
O lado obscuro da linguagem está no fato de a usarmos para mentir, manipular, e enganar; 
para espalhar calúnia, injúria, ignorância; para incitar ódio, preconceito e violência; para fa-
bricar armas de destruição em massa e indústrias de poluição em massa; para nos obcecar e 
"reviver" eventos dolorosos do passado; para nos assustar, imaginando um futuro desagradá-
vel; para comparar, julgar, criticar e condenar tanto a nós mesmos como os demais; e para 
criar regras para nós mesmos que muitas vezes podem restringir ou limitar nossa vida ou se-
rem destrutivas. Pelo fato de a linguagem ser ao mesmo tempo uma benção e uma maldição, 
muitas vezes dizemos na ACT que "Sua mente não é sua amiga – e também não é sua inimi-
ga". Agora, como já sabemos o que é uma "mente", vamos nos voltar para uma questão muito 
importante. 
QUAL É O PROPÓSITO DA ACT? 
O objetivo da ACT, em termos simples, é criar uma vida rica, plena, e cheia de sentido ao 
mesmo tempo em que aceitamos a dor que inevitavelmente vem junto com ela. Mais adiante 
neste capítulo iremos dar uma olhada em uma definição mais técnica da ACT, mas primeiro 
considere esta questão: por que a vida inevitavelmente envolve dor? 
É claro que existem muitas, muitas razões. Todos nós vivenciamos frustração, despontamen-
to, rejeição, perda e fracasso. Todos nós passamos por doenças, lesões e envelhecimento. To-
dos nós nos defrontamos com a nossa própria morte e a de nossos entes queridos. Ainda por 
cima, muitos sentimentos humanos básicos – sentimentos normais que todos e cada um de nós 
irá vivenciar repetidamente no decorrer de nossas vidas – são inerentemente dolorosos: medo, 
tristeza, culpa, raiva, choque e desgosto, para citar apenas alguns. 
E como se tudo isso não fosse suficiente, cada um de nós tem uma mente que pode evocar a 
dor a qualquer momento. Graças à linguagem humana, aonde quer que vamos, qualquer coisa 
que façamos, nós podemos experienciar a dor instantaneamente. A qualquer momento pode-
mos reviver uma memória dolorosa ou nos perder em previsões assustadoras do futuro. Ou 
podemos ser apanhados em comparações desfavoráveis ("O emprego dela é melhor que o 
meu") ou autojulgamentos negativos ("Estou gordo demais", "Não sou suficientemente inteli-cliente para pensar um pouco mais sobre seus 
valores ou então praticar uma técnica simples de atenção plena, como a respiração consciente, 
por exemplo. Você pode até pedir a ele para observar e notar alguns dos pensamentos mais 
angustiantes que ele tem, e perceber o que acontece quando ele fica preso neles. 
Lição de Casa para Você 
Se você é um pouco parecido comigo, você talvez tenha a tendência a ler livros didáticos e 
esperar que tudo "se encaixe" para que você possa replicar isso no consultório. Como se fosse 
possível! Não há outro caminho: você não vai aprende ACT simplesmente lendo um livro. 
Por isso, a partir de agora, no final de cada capítulo, você vai encontrar a seção de lição de 
casa. Se você fizer esses exercícios, eles o ajudarão a aprender a ACT de uma maneira que 
http://www.actmindfully.com.au/
75 
 
ultrapassa a mera leitura. E porque você é a melhor pessoa para praticar, muitos desses exer-
cícios pedem que você trabalhe em seus próprios problemas. 
Então, aqui estão algumas coisas que eu recomendo: 
1. Leia em voz alta e parafraseie todas as falas do terapeuta nas transcrições acima – es-
pecialmente sobre o consentimento informado – para se acostumar a falar a linguagem 
da ACT. 
2. Faça algumas conceituações de casos rápidos. Escolha dois clientes e escreva respos-
tas breves para estas quatro perguntas: Qual é a direção de valor para o qual o cliente 
deseja se mover? Com o que ele está fundido? O que ele está evitando? De que forma 
não funcional ele está agindo? 
3. Pratique resumindo os objetivos do tratamento. Escolha dois clientes e imagine como 
você resumiria os objetivos do tratamento, usando as sugestões dadas neste capítulo. 
À medida que você faz esses exercícios e todos os outros apresentados neste livro, por favor, 
conceda-se permissão para fazê-los mal. Você está aprendendo um novo modelo de terapia, 
então permita-se ser um iniciante, um novato, um aprendiz. Os iniciantes cometem erros (e os 
especialistas também). Errar é uma parte essencial do processo de aprendizagem. E se a sua 
mente começa a espancar você, então tome nota do que ela diz, para que você possa trabalhar 
com esses pensamentos no capítulo 7. 
SESSÕES SUBSEQUENTES 
Uma das decisões mais difíceis para os novos profissionais de ACT é esta: após a sessão 1, 
aonde eu começo no hexaflex? Não existe uma resposta "correta" para esta questão. Em reali-
dade não existe um ponto de partida "certo" ou "errado", pois todos os seis processos princi-
pais estão interligados e sobrepostos. (Se você é novo na ACT, essa interconectividade talvez 
não fique clara até que você termine de ler este livro.) Na verdade, à medida que você se fa-
miliarizar com a ACT, você normalmente se encontrará lidando com a maioria ou com todos 
os pontos do hexaflex na maioria ou em todas as sessões. À medida que você faz isso, alguns 
processos serão explícitos, ou seja, você se concentrará diretamente neles na sessão – enquan-
to os outros permanecem implícitos – isto é, presentes, mas "em segundo plano". 
Em termos de sessões subsequentes, os protocolos tradicionais da ACT seguem uma sequên-
cia específica: 
1. Desfusão e aceitação 
2. Contato com o momento presente 
3. Eu-como-contexto 
4. Valores e ações comprometidas 
Uma sequência bem menos comum, mas que eu recomendo para couching, trabalho com ca-
sais, clientes em terapia por determinação judicial, ou clientes sem motivação, é esta: 
1. Valores e ações comprometidas 
2. Desfusão e aceitação 
3. Contato com o momento presente 
4. Eu-como-contexto 
Há também um componente opcional da ACT chamado desesperança criativa, que significa 
entrar em contato com os custos e a inutilidade da esquiva experiencial. A desesperança cria-
76 
 
tiva só é essencial se e quando os clientes estão tão intimamente apegados à agenda de contro-
le emocional que não estão abertos à atenção plena e à aceitação. Você pode utilizar a deses-
perança criativa em qualquer ponto na terapia onde ela se tornar necessária -– no entanto, os 
protocolos tradicionais da ACT começam com ela para estabelecer as bases para a aceitação. 
Como eu sou um tipo de cara tradicional (você notou meu eu conceitual aí?), nos próximos 
sete capítulos, eu vou levá-lo através da sequência tradicional, começando com a desesperan-
ça criativa. No entanto, tenha em mente que não há divisões precisas entre os diferentes com-
ponentes do modelo: quando falamos sobre a "sequência de componentes", é uma maneira 
conveniente de descrever a ênfase principal em cada uma dessas sessões. Por exemplo, é difí-
cil imaginar uma sessão centrada exclusivamente na aceitação sem um elemento de valores ou 
uma sessão focada puramente em valores sem alguma desfusão. 
Lembre-se também que, uma vez que você sabe o que está fazendo, você pode "dançar" em 
torno do hexaflex em qualquer sequência que possa ser clinicamente eficaz. Por exemplo, se 
você tem um cliente que se dissocia facilmente, você pode começar uma terapia ativa traba-
lhando o contato com o momento presente, ensinando-lhe exercícios de atenção plena simples 
para que se "aterre" e se centre. 
Que Fazemos em Cada Sessão 
Lembre-se de que o objetivo da ACT é cultivar a flexibilidade psicológica: a capacidade de 
ser plenamente consciente e aberto à sua experiência enquanto age com base em seus valores 
– ou, dito de forma mais simples, a capacidade de "estar presente, abrir-se e fazer o que im-
porta." O resultado que procuramos é a vida consciente, baseada em valores, o que significa 
fazer o que é significativo enquanto se abraça cada momento da vida. 
Como ilustra a figura 5.2 (abaixo), nossa meta é ajudar os clientes a se mover de ações desa-
tentas, fundidas, evitativas e ineficazes – que levam ao sofrimento – para ações conscientes, 
baseadas em valores, feitas de boa vontade e efetivas - que levam à vitalidade. E quando usa-
mos o termo vitalidade na ACT, não estamos nos referindo a um sentimento ou a uma emo-
ção; queremos dizer uma sensação de estar plenamente vivo e abraçar cada momento, mesmo 
quando este é doloroso. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em cada sessão, buscamos aumentar a flexibilidade psicológica, ou seja, ajudar o cliente a se 
mover da esquerda (sofrimento) para a direita (vitalidade). O comportamento que leva o clien-
te da esquerda para a direita é "viável" – e o comportamento que a leva na direção oposta é 
"inviável". Tanto faz se a sessão tem quinze minutos de duração ou uma hora de duração, 
pretendemos fazer uma mudança ou uma substituição em qualquer uma ou em todas as di-
mensões neste diagrama: 
77 
 
 Onde o comportamento inviável é insensato ou desatento (isto é, feito impulsivamente 
ou no piloto automático), podemos trabalhar com a atenção plena: ajudar o cliente a se 
tornar plenamente consciente e envolvido no que ele está fazendo. 
 Onde o comportamento inviável e fortemente influenciado pela fusão com crenças 
inúteis, podemos trabalhar tanto na desfusão das crenças quanto na clarificação de va-
lores como fonte alternativa de motivação. 
 Onde o comportamento inviável é fortemente influenciado pela esquiva de experiên-
cias privadas indesejadas, podemos trabalhar na disposição de ter essas experiências 
privadas. 
 Onde o comportamento inviável é devido à ineficácia, ou seja, devido a déficits de ha-
bilidades ou falha em usar habilidades apropriadas, podemos trabalhar na construção e 
aplicação das habilidades necessárias. 
Que Intervenções Usamos 
Qualquer intervenção que ajude o cliente a se mover da esquerda para a direita na figura aci-
ma é útil. Por mais minúsculo que seja o movimento, se o cliente se mover na direção da "vi-
abilidade", a intervenção pode ser dita "efetiva". Claro que isso nem sempre é um processo 
linear suave. Muitas vezes, seus clientes ficam presos ou "retrocedem", e podem começar a se 
mover na direção oposta. Sua meta será então ajudar o cliente, de forma compassiva e sem 
julgamento,a tomar consciência dos custos de fazer isso e ajudá-lo a recolocar as coisas nos 
eixos e a voltar "ao bom caminho" o mais rápido possível. 
Estruturando Suas Sessões 
Aqui está uma boa estrutura geral para suas sessões: 
1. Exercício de atenção plena 
2. Revisão da sessão anterior 
3. Principais intervenções 
4. Tarefa de casa 
Vamos dar uma rápida olhada em cada um desses agora. 
Exercício de atenção plena. Muitas vezes é útil iniciar cada sessão com um breve exercício 
de atenção plena, como a respiração consciente. (Isso não é essencial, mas muitas vezes pode 
ser útil!) 
Revisão da sessão anterior. Faça uma revisão da sessão anterior, incluindo o conteúdo-chave 
que foi trabalhado, exercícios praticados e quaisquer pensamentos ou reações que o cliente 
tenha tido desde então. Se o seu cliente fez sua tarefa de casa, o que aconteceu e que diferença 
fez? E se não, quais foram os obstáculos que o impediram de fazê-la? 
Em sessões posteriores, quando o trabalho com valores já tiver sido feito, pergunte especifi-
camente sobre a vida com base em valores. Por exemplo, "Então, como você fez esta semana 
para viver os seus valores?" ou "Como você têm agido com base em seus valores?" 
Principais intervenções. Se você estiver seguindo um protocolo, você terá uma boa ideia 
antecipadamente sobre que deseja abordar e trabalhar na sessão. É importante, no entanto, ser 
flexível – responder ao que está acontecendo na sessão. Esteja disposto a abandonar tudo o 
que você havia planejado, se necessário. (Você sempre pode voltar a isso em uma sessão pos-
78 
 
terior.) Se você não estiver seguindo um protocolo, você pode retomar de onde parou na ses-
são anterior ou trabalhar sobre um novo problema que tenha acabado de surgir. 
Tarefa de casa. É importante enfatizar repetidamente aos clientes que o que fazem entre ses-
sões é o que realmente vai fazer toda a diferença em suas vidas. As habilidades de atenção 
plena exigem prática. A ação baseada em valores requer esforço. Você precisa combinar de 
forma colaborativa, antes do final de cada sessão, o que o cliente irá praticar, fazer ou experi-
mentar entre sessões. (Mas seja cuidadoso - não fique muito insistente ou use valores coerci-
tivamente.) 
RESUMO 
Para resumir, as tarefas principais para uma primeira sessão são construir vínculo, obter o 
consentimento informado e fazer uma avaliação básica. Ao avaliar os problemas atuais, pro-
cure por fusão, esquiva e ação inviável. E ao avaliar os resultados desejados da terapia, procu-
re valores e metas congruentes com valores. E basicamente é isso; essa é a principal informa-
ção que você precisa para ajudar seu cliente a se mover do sofrimento para a vitalidade. 
Claro, não é tão fácil quanto parece em um resumo de quatro frases. Fazer ACT efetivamente 
exige prática – e muita prática. E o fato é que há um monte de informações neste capítulo, e 
maioria dos leitores não vai absorver tudo isso de primeira. Então, sugiro fortemente que, as-
sim que você terminar o livro, volte e leia este capítulo novamente. E garanto que tudo irá 
parecer muito mais simples então. 
Os formulários para clientes mencionados neste capítulo são apresentados abaixo: 
 O Alvo 
 Dissecando o Problema 
 Bússola de Vida 
 Formulário de Problemas e Valores 
 Diário de Vitalidade versus Sofrimento 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
79 
 
O ALVO 
 
SEUS VALORES: O que você quer fazer com o seu tempo neste planeta? Que tipo de pessoa quer 
ser? Quais são as forças ou qualidades pessoais que você deseja desenvolver? Escreva algumas pa-
lavras abaixo de cada título abaixo. 
 
I. Trabalho / Educação: inclui trabalho, carreira, educação, desenvolvimento de habilidades 
 
 
2. Relacionamentos: inclui o seu parceiro, filhos, pais, parentes, amigos, colegas de trabalho. 
 
 
3. Crescimento Pessoal / Saúde: pode incluir religião, espiritualidade, criatividade, habilidades de 
vida, meditação, yoga, natureza; exercício, nutrição e / ou abordagem de fatores de risco para a 
saúde. 
 
 
4. Lazer: como você joga, relaxa ou se diverte; atividades de descanso, recreação, diversão e criati-
vidade. 
 
 
O ALVO: faça um X em cada área da placa de dardo, para representar onde você se encontra hoje. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 
 
DISSECANDO O PROBLEMA 
 
Este formulário é para ajudar a coletar informações sobre a natureza do principal desafio, problema ou difi-
culdade que você enfrenta. Primeiro, sintetize, em 1 ou 2 frases, qual a principal questão ou problema: 
 
 
 
Agora, descreva, em 1 ou 2 frases, como isso afeta sua vida e o que isso impede de fazer ou ser: 
 
 
 
 
Independentemente de qual seja seu problema - seja uma doença física, um relacionamento difícil, uma situ-
ação no trabalho, uma crise financeira, uma questão de desempenho, a perda de um ente querido, uma le-
são grave ou um transtorno clínico como a depressão - quando dissecamos o problema, geralmente encon-
tramos quatro elementos importantes que contribuem significativamente para o problema. Estes são repre-
sentados nas caixas abaixo. Escreva o máximo possível em cada caixa, sobre os pensamentos, sentimentos e 
ações que contribuem ou agravam o desafio, problema ou problema que você enfrenta. 
 
Emaranhamento com Pensamentos 
Que lembranças, preocupações, medos, autocríticas ou outros 
pensamentos inúteis você se debruça ou se sente "envolvido" 
em relação a essa questão? Quais pensamentos você permite 
mantê-lo de volta ou empurrá-lo ou derrubá-lo? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ações que drenam sua Vida: 
O que você está fazendo atualmente que torna sua vida pior a 
longo prazo: mantém você preso; desperdiça seu tempo ou 
dinheiro; drena sua energia; restringe a sua vida, impacta nega-
tivamente a sua saúde, trabalho ou relacionamentos; mantém 
ou agrava os problemas que você está lidando? 
 
 
 
Luta com sentimentos 
Contra que emoções, sentimentos, impulsos, impulsos ou sensa-
ções (associados a esta questão) você luta, ou evita, suprime, 
tenta se livrar ou luta de outra forma? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Esquiva em situações desafiadoras: 
Que situações, atividades, pessoas ou lugares você está evitando 
ou se afastando? Do que você desistiu, se afastou ou abando-
nou? O que você continua adiando para depois? 
81 
 
BÚSSOLA DE VIDA 
Na parte principal de cada caixa grande, escreva algumas palavras-chave sobre o que é importante 
ou significativo para você nesta área da vida: que tipo de pessoa você quer ser? Que tipo de fortale-
zas e qualidades pessoais você quer cultivar? O que você quer que a sua vida represente? O que 
você quer fazer? Como você quer se comportar em termos ideais? 
 
(Se uma caixa parece irrelevante para você, tudo bem, basta deixá-lo em branco. Se você ficar "pre-
so" em uma caixa, então pule a mesma, e volte a ela mais tarde. E tudo bem se as mesmas palavras 
aparecerem em várias ou em todas as caixas: Isso ajuda você a identificar valores fundamentais que 
perpassam muitas áreas de sua vida.) 
 
Depois de ter feito isso para todas as caixas, repasse todas elas e no quadrado pequeno superior 
dentro de cada caixa, marque uma escala de 0 a 10 de quão importante esses valores são para você, 
neste momento da sua vida: 0 = sem importância, 10 = extremamente importante. (Tudo bem se 
vários quadrados tiverem o mesmo resultado.) Finalmente, no quadrado pequeno inferior dentro de 
cada caixa, marque uma escala de 0 a 10 de como efetivamente você está vivendo por esses valores 
agora. 0 = nada 10 = vivendo por eles completamente (Novamente, tudo bem se vários quadrados 
tiverem a mesma pontuação). 
 
Finalmente, dê uma boa olhada no que escreveu. O que isso diz sobre: a) O que é importante em 
sua vida? b) O que você está atualmente negligenciando? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
82 
 
PROBLEMAS E VALORES 
A Terapia de Aceitação e Compromisso visa reduzir o sofrimento e enriquecer a vida, conforme 
mostrado no diagrama abaixo. Para ajudar neste processo,existem quatro tipos de informações 
(representadas pelas quatro colunas abaixo) que são particularmente importantes. Entre agora e a 
próxima sessão, veja o que você pode escrever ou adicionar a cada coluna. 
 
LUTA E SOFRIMENTO VIDA RICA E PLENA DE SENTIDO 
Pensamentos e senti-
mentos problemáticos: 
Em que memórias, preo-
cupações, medos, autocrí-
ticas ou outros pensa-
mentos você está "pre-
so"? Contra quais emo-
ções, sentimentos, impul-
sos ou sensações você 
luta? 
Ações problemáticas: 
O que você está fazendo 
que torna sua vida pior ao 
longo prazo – isso man-
tém você empacado; 
desperdiça seu tempo ou 
dinheiro; drena sua ener-
gia; afeta negativamente 
sua saúde ou seus relaci-
onamentos; ou leva você 
a "desperdiçar" a vida. 
Valores: 
O que importa para você 
no "grande quadro"? O 
que você quer que sua 
vida represente? Quais 
qualidades pessoais e 
pontos fortes você quer 
desenvolver? Como você 
deseja enriquecer ou me-
lhorar seus relacionamen-
tos? Como você gostaria 
de "crescer" ou se desen-
volver através do enfren-
tamento das suas ques-
tões ou problema (s)? 
 
Objetivos e Ações: 
O que você está fazendo 
atualmente que melhora 
sua vida no longo prazo? O 
que você quer começar a 
fazer ou fazer mais vezes? 
Que metas de enriqueci-
mento de vida você quer 
alcançar? Quais ações de 
melhoria de vida você 
quer praticar? Quais habi-
lidades de melhoria de 
vida você gostaria de de-
senvolver? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
83 
 
DIÁRIO - VITALIDADE versus SOFRIMENTO 
Entre esta sessão e a próxima, mantenha um registro do que você faz 
quando surgem pensamentos e sentimentos dolorosos, e note se essas 
ações levam a uma maior vitalidade ou a um aumento do sofrimento. 
 
 
Pensamentos e sentimentos 
dolorosos, ímpetos, 
sensações e/ou memórias que 
apareceram hoje 
 
As coisas que eu fiz quando esses 
pensamentos e sentimentos apare-
ceram - que levaram à VITALIDADE 
(ou seja, enriqueceram minha vida, 
ou melhoraram minha saúde, bem-
estar ou relacionamentos no longo 
prazo) 
 
As coisas que eu fiz quando esses 
pensamentos e sentimentos apare-
ceram e que levaram ao SOFRI-
MENTO (ou seja, restringiram ou 
pioraram minha vida, drenaram 
minha saúde e bem-estar, ou pre-
judicaram meus relacionamentos a 
longo prazo) 
 
 
84 
 
CAPÍTULO 6 
 
Desesperança o Quê??!! 
 
A DESESPERANÇA CRIATIVA DE FORMA RESUMIDA 
Em Linguagem Simples: Desesperança criativa significa abrir-se completamente à realidade de 
que tentar exageradamente controlar como nos sentimos obstrui o caminho rumo a uma vida rica 
e plena. 
Objetivo: Aumentar a consciência da agenda de controle emocional; vivenciar que ela não funci-
ona e descobrir porque isso é assim. 
Sinônimo: Confrontando a agenda. 
Método: Olhe para o que o cliente fez para tentar controlar como ele se sente, examine se isto 
melhorou ou piorou a vida dele, e o coloque em contato com a não funcionalidade de suas ações. 
Isto cria a abertura necessária para um modo alternativo de lidar com pensamentos e sentimentos. 
Quando usar: Quando o cliente está fortemente apegado a uma agenda de controle emocional. 
Em muitos protocolos da ACT, é um precursor para o restante do trabalho. 
CONFRONTANDO A AGENDA 
Desesperança criativa (que não é um termo que utilizamos com os clientes) ou DC, também é 
conhecido como “confrontando a agenda”, que é um resumo da expressão “confrontando a agen-
da de controle emocional”. A agenda de controle emocional baseia-se na seguinte ideia: quanto 
mais você consegue controlar como você se sente, melhor será a sua vida. Durante qualquer ses-
são necessitamos, às vezes, confrontar a agenda de controle de nosso cliente. 
O Que Queremos Dizer com “Controle” 
Quando nossos clientes buscam terapia, eles na verdade querem se sentir melhor. E isto não é 
surpreendente. Todo mundo gosta de se sentir bem. Ninguém gosta de se sentir mal. Então é bem 
natural que tentamos para valer evitar ou nos livrar de pensamentos e sentimentos “ruins” ou “ne-
gativos”. Esta é a agenda de controle emocional. 
Nossa cultura reforça fortemente esta agenda com a noção popular que felicidade é o mesmo que 
sentir-se bem. Se você “compra” esta noção, então irá investir um monte de tempo e energia em 
estratégias de controle emocional – ou seja, irá tentar reduzir os sentimentos “ruins” e aumentar os 
“bons”. (Na ACT evitamos a palavra “felicidade” devido a ser um termo muito “carregado”. Mas 
se fôssemos defini-la diríamos que “felicidade significa viver uma vida rica, plena e significativa 
na qual você está disposto a sentir o espectro completo das emoções humanas”. Isto é muito dife-
rente de Felicidade = Sentir-se Bem. De fato, muitas vezes dizemos para nossos clientes “Não se 
trata de sentir-se bem; trata-se de sentir o que você sente sem tenha que lutar” ou “Não se trata de 
sentir-se bem; trata-se de sentir-se vivo.”) 
Uma estratégia de controle é então qualquer coisa que fazemos para tentar nos livrar de pensa-
mentos e sentimentos “ruins”: é ação motivada primariamente por esquiva experiencial. Estraté-
gias de controle podem incluir qualquer coisa desde exercício, prece e meditação a álcool, heroína 
e tentativas de suicídio. No trabalho de desesperança criativa, pedimos ao cliente que olhe de for-
ma aberta e sem julgamentos para todas as estratégias de controle que ele está usando. Mas não 
85 
 
julgamos estas estratégias como boas ou más, certas ou erradas, positivas ou negativas; nosso 
propósito é pura e simplesmente ver como estas estratégias estão funcionando em termos de criar 
uma vida melhor. 
Será Que a ACT Mira em Todas as Estratégias de Controle? 
Em uma palavra: não! Lembre-se de que o modelo se apoia completamente no conceito de funci-
onalidade: este comportamento está funcionando para melhorar a qualidade de vida? Então, se 
estratégias de controle estão funcionando para enriquecer e melhorar a vida, faz sentido continuar 
a praticá-las! Entretanto, a realidade é que a maioria, se não todos, os seres humanos confiam ex-
cessivamente em estratégias de controle; e quando as mesmas são usadas excessiva ou inapropri-
adamente, nossa qualidade de vida sofre. 
Vamos pegar, por exemplo, o comer chocolate. Quando comemos um pedaço de chocolate de 
boa qualidade, nos sentimos bem (desde que gostemos de chocolate, é claro). Se usamos esta 
simples estratégia de controle de forma moderada, ela enriquece nossas vida, ou seja, ela fun-
ciona. Mas se o fazemos excessivamente, ela poderá começar a ter custos para a nossa saúde, 
além de ocasionar ganho de peso. 
Exercitar-se é um outro exemplo. Quando praticamos exercícios, geralmente nos sentimos 
melhor (geralmente, depois do exercício). E a prática de exercícios também melhora nossa 
qualidade de vida. Deste modo, como estratégia de controle, a prática de exercícios geralmen-
te funciona. Mas quando ela se torna excessiva – como no caso de uma cliente anoréxica que 
gasta três horas na academia todos os dias para manter seu corpo em estado de magreza ex-
cessiva – então até mesmo algo positivo como exercitar-se pode ter um custo. 
Além disso, a ACT postula que até mesmo atividades que costumam melhorar a qualidade de 
vida (tais como exercícios, oração, meditação, alimentação sadia) serão mais satisfatórias e 
recompensadoras se forem motivadas por valores (tais como a busca de uma vida sadia e a 
construção de relacionamentos valiosos) em vez de por esquiva experiencial. 
Por exemplo, você costuma se alimentar principalmente para se livrar de sensações “ruins” 
tais como tédio, estresse ou ansiedade? Tem sido uma experiência profundamente satisfató-
ria? Compare com ocasiões em que alimentar-se foi motivado por valores que giravam em 
torno de saborear sua comida, ou compartilhar momentos com amigos, ou testar uma nova 
receita. Qual delas foi mais recompensadora? 
De modo similar, se você pratica caridade motivadopor valores relacionados a compartilhar, 
dar, e contribuir para a comunidade, possivelmente achará isto mais recompensador do que se 
for motivado pela tentativa de esquivar-se de sentimentos de culpa ou de inutilidade. 
Por isso objetivamos ajudar nossos clientes a agir guiados pelos seus valores em vez de pela 
esquiva experiencial: queremos que eles se movam conscientemente em direção ao que é sig-
nificativo para eles em vez de simplesmente fugirem do que é indesejado. 
Vamos tentar enfatizar este ponto ainda mais. Imagine que você pratica exercícios motivado 
principalmente por valores tais como cuidar da saúde e manter boa condição física, ou orar 
motivado por valores relacionados a conectar-se com Deus. Não iríamos classificar estes atos 
como estratégias de controle porque seu objetivo primário não é controlar como você se sen-
te. Apenas os chamaríamos de estratégias de controle se seu propósito principal fosse livrar-se 
de pensamentos e sentimentos indesejados. 
A desesperança criativa é uma intervenção baseada em funcionalidade. Pedimos ao cliente 
para dar uma olhada boa, longa, honesta e atenta ao que ele está fazendo para evitar ou se 
livrar de pensamentos e sentimentos indesejados, e observar o que isto está lhe custando. Que-
86 
 
remos que ele se conecte com a realidade de que o que ele está fazendo muitas vezes funciona 
a curto prazo para fazê-lo se sentir melhor, mas que isto não funciona a longo prazo para tor-
nar sua vida mais rica, plena e significativa. 
Será Que a Desesperança Criativa é Necessária Para Todos? 
Novamente a resposta é não. Nosso propósito é afrouxar o apego do cliente à agenda de controle 
emocional (ou seja, tentar ficar livre de pensamentos e sentimentos “ruins”). Esperamos com isso 
ajudá-lo a se abrir para uma agenda alternativa de aceitação e disposição. Entretanto, se ele estiver 
altamente motivado para a mudança e não estiver profundamente apegado a uma agenda de con-
trole emocional, ou se ele estiver familiarizado com mindfulness ou ACT e aberto à abordagem, 
então não há necessidade para a utilização da DC, e podemos pular o uso da mesma. Contudo, 
podemos ainda fazer uso de alguns dos exercícios e metáforas que tradicionalmente são usados 
imediatamente após a DC, especialmente aqueles sobre a ilusão de controle. 
Quanto tempo leva? 
As intervenções de Desesperança Criativa variam amplamente em duração. No protocolo de 
amostra para a depressão de Zettle (Zettle, 2007), dura 20 minutos. No protocolo de Walser para 
TEPT, ela dura uma ou duas sessões. (Walser & Westrup, 2007). Podemos também utilizar a DC 
muito rapidamente, no espaço de apenas alguns minutos (Strosahl, 2005). 
De forma ideal iremos “titular” a intervenção para se ajustar às questões de nosso cliente. Um 
cliente com funcionamento elevado e com bastante autoconsciência e abertura a novas ideias é 
uma história muito diferente do que um cliente com uma história de vida de abuso de substâncias 
que se agarra desesperadamente à agenda de controle. O último provavelmente irá necessitar uma 
intervenção utilizando DC muito mais longa do que o primeiro. 
TRÊS QUESTÕES SIMPLES 
As intervenções de Desesperança Criativa são elaboradas em torno de três questões simples: 
1. O que você já tentou? 
2. Como isto funcionou? 
3. Qual foi o custo disso? 
Primeiro perguntamos: “O que você tentou fazer para se livrar desses pensamentos e senti-
mentos difíceis?” Pedimos ao cliente para nos contar sobre toda e qualquer estratégia de con-
trole que ele tenha usado. 
Em seguida perguntamos "Como isso tem funcionado a longo prazo?" Perguntamos ao cliente 
para avaliar se no longo prazo isto realmente funcionou: Isto reduziu a sua dor? Tornou sua 
vida mais rica? 
Finalmente perguntamos "Qual foi o custo para você por ter ter confiado excessivamente nestes 
métodos?" Perguntamos ao cliente que observe os custos (quando esses métodos são usados ex-
cessiva ou inapropriadamente) em termos de saúde, bem-estar, relações, trabalho, lazer, energia, 
dinheiro e tempo desperdiçado. 
Ligando os Pontos (Join The D.O.T.S) 
A folha de exercícios Ligue os Pontos apresentada a seguir simplifica a Desesperança Criati-
va. Ela é auto-explanatória. Você pode preenche-la com o cliente durante a sessão, estimulan-
87 
 
do-o e dando feedback. Ou você pode desenhá-la num quadro branco (especialmente útil para 
grupos). Ou então você pode simplesmente falar com o cliente sobre os tópicos sem usar a 
folha de exercícios. 
LIGUE OS PONTOS ( JOIN THE D.O.T.S) 
 
Quais são os principais pensamentos e sentimentos que são problemáticos para você? Es-
creva estes abaixo em sob "Corpo" e "Mente". Em seguida, escreva tudo o que você já ten-
tou para se livrar, evitar, suprimir, escapar ou se distrair desses pensamentos ou sentimen-
tos. Finalmente, considere os resultados a longo prazo. 
 
CORPO MENTE 
 Sentimentos, sensações, ímpetos Pensamentos, memórias, crenças, preocupações 
 
D - Distração: como você tentou se distrair desses pensamentos e sentimentos (por exem-
plo, TV, compras, etc.)? 
 
 
 
O – Opting out (Autoexclusão): muitas vezes nos autoexcluímos (saímos, nos esquivamos ou 
nos afastamos) de pessoas, lugares, atividades e situações quando não gostamos dos pen-
samentos e sentimentos que eles trazem para nós. Quais são algumas das coisas que você 
exclui ou situações em que se autoexclui? 
 
 
 
T –Thinking strategies (Estratégias de pensamento): como você tentou pensar em sua saída 
para fora dos problemas? Sublinhe ou circule qualquer uma das seguinte possibilidades e 
acrescente qualquer outro não listado: 
Culpando os outros ou mundo, preocupando-se, revivendo o passado, fantasiando, pensan-
do positivo, afirmações positivas, resolvendo problemas, planejando, se autocriticando, ana-
lisando, tentando encontrar um sentido, fazendo de conta de que têm um sentido neles, 
debatendo consigo mesmo, negando-se, se autoagredindo, etc. Ruminando pensamentos do 
tipo "E se?", "Se apenas ...", "Por que eu?", "Não é justo!", ou outros semelhantes? 
 
 
S - Substâncias, Automutilação, Outras estratégias: que substâncias você tentou ingerir (in-
cluindo alimentos e medicação prescritos)? Alguma vez você já tentou atividades de auto-
mutilação, como tentativas de suicídio ou correr riscos de forma imprudente? Outras estra-
tégia como, por exemplo, dormir excessivamente? 
 
 
Essas estratégias ajudaram você a se livrar de seus pensamentos e sentimentos dolorosos a 
longo prazo e definitivamente? 
 
 
Quando você usou essas estratégias de forma excessiva, rígida ou inadequada, o que isso lhe 
custou em termos de saúde, vitalidade, energia, relacionamentos, trabalho, lazer, dinheiro, 
oportunidades perdidas, tempo desperdiçado? 
88 
 
Alternativamente, você pode usar apenas o acrônimo DOTS como uma ajuda de memória para 
você. Como a maioria dos clientes não consegue descartar uma lista de estratégias de controle, 
você geralmente precisa induzi-las. DOTS ajuda você a lembrar as estratégias mais comuns usa-
das, a saber: 
D – Distração 
O – Opting out (Autoexclusão) 
T – Thinking - Estratégias de Pensamento) 
S – Substâncias, Automutilações, Outras estratégias 
Há uma sobreposição considerável entre esses elementos: comer "porcariazitos" e beber vinho 
pode estar sob distração ou substâncias. Sob "outras estratégias", você pode colocar qualquer coi-
sa desde dormir o dia inteiro a ficar socando a parede, fazer yoga ou terapia. Com esta sigla em 
sua mente, você pode continuar perguntando ao cliente: "Você já tentou fazer isso?" Certifique-se 
de perguntar sobre as terapias anteriores tentadas. 
Como uma alternativa para o Ligue os Pontos (Join the DOTS), você pode preferir o formulário 
Soluções Tentadas e Seus Efeitos de Longo Prazo (adaptado de Hayes et al., 1999). 
 
SOLUÇÕES TENTADAS E SEUS EFEITOS A LONGO PRAZOO que você fez para evitar 
ou livrar-se de pensamen-
tos, sentimentos, memó-
rias, emoções ou sensa-
ções problemáticos? Liste 
tudo em que você conse-
gue pensar, independen-
temente de ter sido opci-
onal ou não. 
 
a. Os seus pensamen-
tos e sentimentos 
desapareceram? 
b. Eles retornaram no 
longo prazo? 
c. Eles pioraram? 
 
Isso trouxe você 
mais perto de uma 
vida rica, plena e 
significativa? 
 
O que isso lhe custou em 
termos de tempo, ener-
gia ou dinheiro desperdi-
çados; ou em efeitos 
negativos sobre sua saú-
de, bem-estar, trabalho, 
lazer e relacionamentos? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
89 
 
Pergunta 1: O que você tentou? 
Aqui, o terapeuta ajuda o cliente a identificar estratégias de controle, usando o acrônimo 
DOTS (Ligando os Pontos). 
Terapeuta: Resumindo, quando você tentou parar de beber no passado, isto nunca durou 
muito, você tinha fissuras muito fortes ou você tinha sentimentos de ansiedade 
e depressão e então você voltava a beber para fazê-los ir embora. Assim, nos-
sos objetivos aqui na terapia são (a) aprender algumas habilidades novas de 
modo que você possa lidar com essas fissuras e esses sentimentos de uma for-
ma mais efetiva, (b) construir uma relação melhor com sua esposa, e (c) come-
çar a cuidar de seu fígado e torná-lo tão saudável quanto possível. Confere? 
Cliente: Para ser honesto, eu na verdade não consigo pensar em nada. 
Terapeuta: Bem, deixe-me ajudá-lo aqui. Uma das coisas mais comuns que as pessoas 
fazem é tentar distrair-se para tirar esses pensamentos e sentimentos da cabeça. 
Que tipo de coisas você faz para distrair-se de como você está se sentindo? 
Cliente: Vejo TV. Escuto música. Fumo maconha. 
Terapeuta: Computador? 
Cliente: Sim, computador, navegar na Internet, muito tempo no YouTube assistindo 
bobagem. 
Terapeuta: E o que mais? 
Cliente: (fica quieto, meneia a cabeça) 
Terapeuta: Bem, outra coisa que as pessoas costumam fazer é começar a se esquivar de 
coisas que fazem emergir sentimentos dolorosos. Há pessoas, lugares, situa-
ções ou atividades das quais você se afastou ou está mantendo distância? 
O terapeuta continua desta maneira, trabalhando pontos do acrônimo DOTS. Uma vez con-
cluída esta primeira questão, passa para a questão seguinte. 
Pergunta 2: Como isto funcionou? 
Agora nosso objetivo é validar que o cliente investiu muito tempo e esforço na agenda de 
controle – e que claramente isto não funcionou. 
Terapeuta: Então você colocou muito tempo e esforço para tentar livrar-se desses pensa-
mentos e sentimentos. Ninguém pode chamá-lo de preguiçoso. E a maioria 
dessas estratégias que você utilizou são coisas que todos comumente fazemos. 
Todos nós tentamos evitar situações desconfortáveis, ingerimos substâncias ou 
usamos todo tipo de maneiras diferentes para nos distrair. E, a curto prazo, es-
sas coisas muitas vezes nos fazem sentir melhor por um tempo. Mas deixe-me 
lhe perguntar isso: a longo prazo, essas coisas ajudaram você a se livrar de seus 
pensamentos e sentimentos dolorosos de forma tal que estes nunca mais volta-
ram? 
Cliente: (hesita) Não. É por isso que estou aqui. 
Terapeuta: Certo. Você veio aqui para tentar livrar-se deles de uma vez por todas. 
Cliente: Sim. Odeio me sentir assim. 
90 
 
Terapeuta: Ok, então posso adicionar isso à lista – ficar pensando sobre o quanto você 
odeia esses sentimentos? 
Cliente: Bem, você não faria o mesmo? 
Terapeuta: Bem, realmente não conheço ninguém que goste de sentimentos dolorosos. A 
questão que nos interessa aqui é esta: qual a melhor forma de lidar com eles? 
Os esforços que você fez para se livrar desses sentimentos levaram você na di-
reção de uma vida rica, plena e significativa, ou eles o levaram na direção da 
luta e do sofrimento? 
Pergunta 3: O que isto lhe custou? 
Passamos agora a perguntar quais foram os custos disso e, muitas vezes, temos que induzir 
nosso cliente a pensar em diferentes áreas da vida: saúde, bem-estar, relacionamentos, traba-
lho, dinheiro, tempo desperdiçado, oportunidades perdidas e assim por diante . Você pode 
fazer isso através apenas através da conversa, mas se estiver disposto a fazer algo mais ousa-
do, pode fazer isso usando a metáfora física interativa de Empurrando Prancheta. Nota: a me-
táfora da prancheta é muito eficaz, mas nunca faça uso dela com pessoas que têm problemas 
no pescoço, ombros ou braços, e sempre tenha cuidado para não empurrar com muita força! 
EMPURRANDO A PRANCHETA: UMA METÁFORA INTERATIVA 
Terapeuta: Posso me levantar e demonstrar algo para você? (Cliente concorda com um 
meneio da cabeça. O terapeuta pega uma prancheta, levanta-se e caminha pa-
ra o cliente.) Você não tem problemas no ombro ou no pescoço? (Cliente faz 
um gesto com a cabeça indicando que não.) Bom, porque eu quero que você 
imagine que esta prancheta representa todos aqueles pensamentos e sentimen-
tos dolorosos dos quais você tem tentado se livrar por tanto tempo, e eu quero 
que você coloque suas duas mãos contra essa parte plana e pressione contra, 
tentando se livrar dela. Não empurre tão forte que me derrube, mas empurre 
firmemente. (O cliente empurra, o terapeuta empurra de volta). É isso aí, con-
tinue empurrando. Você odeia essas coisas. Você quer que elas vão embora. (À 
medida que o cliente tenta empurrar a prancheta para longe, o terapeuta em-
purra de volta. Quanto mais fortemente o cliente empurra, mais o terapeuta se 
inclina e empurra de volta.) Observe quanto esforço e energia isso requer – 
tentando fazê-los desaparecer. (O terapeuta diminui a força com que empurra, 
mas mantém uma contração suave mas suficiente para manter a prancheta 
suspensa no ar, descansando entre as mãos do cliente e as mãos do terapeuta .) 
Então, aqui está você, tentando muito afastar todos esses pensamentos e senti-
mentos dolorosos. Você tentou distrair-se com TV, música, computadores, li-
vros, evitando amigos e familiares, ficando em casa sozinho, evitando o traba-
lho, agredindo-se, analisando por que você é assim, dizendo a si mesmo que a 
vida é uma merda, fumando maconha, bebendo cerveja, socando a parede, cor-
rendo, lendo livros de autoajuda – e a lista continua. Você tem feito isso du-
rante anos: empurrando e empurrando e empurrando. E esses pensamentos e 
sentimentos dolorosos foram para algum outro lugar? Certamente, você está 
mantendo-os à distância de um braço, mas qual é o custo disso pra você? Co-
mo você sente isso em seus ombros? (O terapeuta empurra com um pouco 
mais de força) Nós só estamos fazendo isso por um minuto ou dois, mas você 
está fazendo isso por mais de vinte anos. Isso é cansativo, não é? 
91 
 
Cliente: Sim, estou cansado. 
Terapeuta: (aliviando a pressão) Ok, bem, vou diminuir a pressão aqui, mas você estaria 
disposto a se manter pressionando suavemente por uns instantes mais? (O cli-
ente pressiona suavemente contra a prancheta.) Agora eu quero que você ob-
serve – enquanto você está fazendo isso – se eu pedisse pra você fazer seu tra-
balho de forma eficaz ou interagir com seus amigos, ou fazer o jantar, você 
conseguiria fazer isso? 
Cliente: Não, de jeito nenhum. 
Terapeuta: E como é tentar conversar comigo enquanto você está fazendo isso? 
Cliente: Irritante. 
Terapeuta: Irritante. Frustrante. Cansativo. Certo? E você se sente um pouco fechado ou 
desconectado do mundo ao seu redor? 
Cliente: Sim. 
Terapeuta: Então tentar afastar todos esses sentimentos consome muito esforço e energia. 
Agora, deixe-me pegar a prancheta de volta por um momento. (O terapeuta 
pega a prancheta de volta e senta-se.) Então, é isso que você tem estado fa-
zendo por muito, muito tempo – tentando se livrar desses pensamentos e sen-
timentos. E mesmo assim, eles ainda estão aparecendo, ainda empurrando você 
para lá e para cá, ainda tendo um impacto sobre sua vida. 
Cliente: Sim, eu sei disso. Então como faço para me livrar deles? 
Terapeuta: Bem, vamos chegar a isso já, já. Masprimeiro vamos dar uma olhada no que 
custou a você tentar tão duramente se livrar dessas coisas. Qual foi o custo dis-
so em termos de saúde, relacionamentos, dinheiro, perda de tempo? (O tera-
peuta agora ajuda o cliente a se dar conta dos diferentes custos de suas estra-
tégias de controle.) 
Terapeuta: Então, tentar se livrar de todas essas coisas (segura a prancheta nas bordas e 
empurra para fora na frente do paciente tão longe quanto ele consegue esti-
car) não é apenas cansativo, não somente tem um custo elevado, mas nem 
mesmo funciona. Esses pensamentos e sentimentos continuam aparecendo! E 
cada vez que você me pergunta como se livrar disso, você está me pedindo pa-
ra ajudá-lo a fazer mais disso. Você realmente quer continuar fazendo isso 
mesmo sabendo que não funciona? 
Cliente: Não. Mas não entendo o que você me diz. Minha única opção é aguentar isso? 
Terapeuta: De forma alguma. Aguentar isso seria mais do mesmo. É como se você ainda 
estivesse tentando empurrar para longe, mas você está tão cansado que para de 
empurrar com tanta força. Aguentar seria como fazer isso. (O terapeuta nova-
mente empurra a prancheta para a frente dela, mas desta vez seus braços es-
tão meio dobrados em vez de totalmente estendidos.) Ainda é cansativo, ainda 
tem custos para você, ainda está se interpondo no caminho da sua vida. 
Cliente: Mas o que posso fazer então? 
Terapeuta: Boa pergunta. Já vou chegar lá. Por ora, vamos apenas reconhecer que você já 
tentou resolver isso com todas as suas forças. Você com certeza não foi pre-
guiçoso. E você também não foi burro; a maioria das coisas que você tentou 
são estratégias de senso comum que quase todo mundo usa. E algumas delas, 
92 
 
Dica Prática: Para que este trabalho seja eficaz, precisamos chegar ao cliente a 
partir de um espaço de compaixão, de igualdade e de respeito. Nossa meta é 
validar a experiência do cliente – ele está se esforçando muito, mas o que ele es-
tá fazendo não está funcionando. Se chegarmos a ele a partir de um espaço de 
individualismo ou de arrogância, se formos críticos ou viermos com julgamen-
tos, se adotarmos o papel do especialista que tem "todas as respostas", então 
nosso cliente se sentirá irritado, diminuído ou menosprezado. 
como, por exemplo as técnicas de distração que você usou, são frequentemente 
recomendados por médicos e psicólogos. E, ainda assim, não parece estar fun-
cionando. Você está tentando duramente, mas isto não está gerando o efeito 
que você deseja. 
 
 
 
 
 
 
 
POR FAVOR, DIGA-ME O QUE TENHO QUE FAZER 
Em algum ponto próximo do final da DC, seu cliente provavelmente vai lhe dizer algo do 
tipo: "Você está querendo me dizer que tenho que simplesmente aguentar isso?". Como na 
transcrição acima, responderíamos: "Aguentar isso, tolerar isso, desistir ou se resignar a isso 
será fazer apenas mais do mesmo. Seu objetivo continua sendo se livrar desses pensamentos 
e sentimentos – apenas está se esforçando menos para isso. Mas continua sendo cansativo, 
ainda está drenando sua saúde e sua vitalidade." Seu cliente possivelmente irá lhe pedir uma 
solução: "Então, o que devo fazer?" 
Neste ponto, você terá de avaliar e decidir se o cliente realmente se deu conta de que a 
agenda de controle não funciona. Em caso positivo, você pode ir direto para um trabalho 
ativo sobre o hexaflex, normalmente começando com desfusão e aceitação. (No capítulo 8, 
veremos como você pode utilizar novamente a metáfora da prancheta e usá-la para ilustrar o 
mover-se da esquiva rumo a aceitação.) Normalmente, neste momento você passaria para a 
etapa de identificar que o controle é o problema, não a solução, e depois abordaria dois 
componentes psicoeducacionais: normalização do controle e ilusão do controle. 
Eis um exemplo de como isto poderia acontecer: 
Cliente: E o que eu faço então? 
Terapeuta: Boa pergunta. Você já sabe que vamos aprender aqui algumas habilidades no-
vas relacionadas a como lidar com pensamentos e sentimentos. Mas como essa 
abordagem é muito diferente de tudo o que você tentou, de tudo o que a nossa 
sociedade nos diz, de quase tudo o que se costuma ler sobre psicologia, prova-
velmente seria contraproducente se pulássemos nela diretamente. Então, se vo-
cê estiver disposto a aguentar comigo um pouco mais, o que eu gostaria de fa-
zer é estabelecer antes uma pequena base para o que virá depois. Talvez você 
possa pensar sobre isso dessa maneira ... (O terapeuta agora usa uma metáfora 
de sua escolha para transmitir que o controle é o problema.) 
O Controle é o Problema, Não a Solução 
Nesta fase, usamos uma metáfora para aumentar a percepção de nossos clientes de que as 
estratégias de controle emocional são em grande parte responsáveis por seus problemas; 
que, enquanto eles estiverem focados em tentar controlar como eles se sentem, eles estarão 
93 
 
Dica Prática: É eficaz – e divertido – representar essa metáfora com o cliente, 
usando um cinto ou uma corda. (O terapeuta deve fazer o papel do monstro e 
segurar uma extremidade do cinto com firmeza, enquanto o cliente puxa na ou-
tra extremidade.) 
presos em um círculo vicioso de sofrimento crescente. Duas metáforas populares são o Ca-
bo de Guerra com um Monstro e Escapando da Areia Movediça (Hayes et al., 1999). 
METÁFORA DA LUTA NA AREIA MOVEDIÇA 
Terapeuta: Você se lembra desses filmes antigos onde o cara mau cai em uma poça de 
areia movediça, e quanto mais ele luta, mais rápido ela o suga? Na areia move-
diça, a pior coisa que você pode fazer é lutar. A maneira de sobreviver é deitar 
para trás, espalhar seus braços e pernas e flutuar na superfície. Isso é muito 
complicado, porque todo instinto em seu corpo lhe diz para lutar, mas se você 
fizer o que lhe é sugerido natural e instintivamente, você se afogará. E veja, 
deitar e flutuar é psicologicamente complicado – não vem naturalmente – mas 
exige muito menos esforço físico do que lutar ". 
METÁFORA DO CABO DE GUERRA 
Terapeuta: Imagine que você está em um cabo de guerra com um enorme monstro de ansi-
edade. (Altere o nome do monstro para se adequar à questão, por exemplo, o 
monstro da depressão.) Você segurando uma extremidade da corda e o mons-
tro a outra extremidade. E entre vocês há um enorme poço sem fundo. E você 
está puxando para trás o máximo que pode, mas o monstro continua a puxar 
você cada vez mais para perto do poço. Qual é a melhor coisa a fazer nessa si-
tuação? 
Cliente: Puxar com mais força. 
Terapeuta: Bem, isso é o que vem naturalmente à nossa mente, mas quanto mais você es-
tiver puxando, mais fortemente o monstro puxa. Você está preso. O que você 
precisa fazer? 
Cliente: Soltar a corda? 
Terapeuta: Isso mesmo. Quando você solta a corda, o monstro ainda está lá, mas agora 
você não está mais preso em uma luta com ele. Agora você pode fazer algo 
mais útil. 
 
 
 
 
OUTRAS METÁFORAS 
Existem inúmeras outras metáforas que você poderia usar. Basicamente você pode usar 
qualquer coisa que transmita esta mensagem: quanto mais você faz o que vem naturalmente 
e instintivamente nesta situação problemática, pior a situação. Exemplos bem conhecidos 
incluem pisar nos freios quando o carro derrapa, nadando contra a correnteza, tentando es-
cavar uma saída para fora de um buraco e coçar uma erupção cutânea desagradável. 
SERÁ O FIM DA SESSÃO? 
Em protocolos mais tradicionais, você pode terminar a sessão neste ponto e, como tarefa de 
casa, pedir ao cliente que note (a) todas as diferentes maneiras pelas quais ele tenta evitar ou 
94 
 
se livrar de sentimentos indesejados, (b) como isso funciona e (c) o quanto isto custa. Claro, 
como com qualquer coisa no ACT, você não precisa fazer isso da maneira tradicional, en-
tão, se você tiver tempo na sessão, você pode preferir ir direto para os próximos dois com-
ponentes: a normalidade do controle e a ilusão de controle. (E mesmo se você pular comple-
tamente a DC, esses componentes geralmente são muitasvezes úteis para serem utilizados 
em sessões posteriores). 
A Normalidade do Controle 
Nesta parte da DC abordamos por que o controle ocorre naturalmente. 
Terapeuta: Eu odiaria que você tivesse a impressão errada aqui — que estou criticando você de 
alguma maneira pelo que você tem feito. Se assim for, peço sinceras desculpas por-
que a verdade é que estamos todos no mesmo barco. A maioria das coisas na sua lista 
são coisas que eu também faço às vezes, que quase todos fazem. Todos somos pegos 
na mesma agenda. Vivemos em uma sociedade que quer se sentir bem: todos gostam 
de se sentir bem, ninguém gosta de se sentir mal. Então, nos esforçamos para nos li-
vrar de sentimentos desagradáveis. E todos continuamos fazendo isso — fazendo tu-
do o que podemos fazer para nos esquivar de ou eliminar pensamentos e sentimentos 
desagradáveis — mesmo que isto não funcione a longo prazo e muitas vezes acabe-
mos tendo o sofrimento como resultado. E há pelo menos quatro razões pelas quais 
fazemos isso. Um, porque todos nós caímos na "armadilha da felicidade", acredita-
mos no mito de que os seres humanos são naturalmente felizes, e que devemos estar 
nos sentindo bem a maior parte do tempo. Dois, porque as coisas que fazemos para 
controlar nossos sentimentos muitas vezes funcionam muito bem a curto prazo. Três, 
porque acreditamos que esses métodos funcionam para outras pessoas. E quatro — e 
esta é a única razão que está acima e além de todas as outras: é a maneira como nossa 
mente evoluiu para resolver problemas. (Neste ponto, o terapeuta pode fazer uso da 
Metáfora da Máquina de Solução de Problemas do capítulo 1). 
A Ilusão de Controle 
Nesse parte, tentaremos quebrar o mito ou a ilusão de que os seres humanos podem controlar co-
mo eles se sentem. Você pode expor isso dizendo algo assim: " Então, estamos todos andando por 
aí, tentando controlar como nos sentimos, e isso simplesmente não funciona. Não é que não temos 
nenhum controle, mas temos muito menos do que gostaríamos de ter. E o que eu gostaria de fazer 
agora, se isso estiver bem para você, é conduzi-lo através de alguns pequenos exercícios para que 
você possa verificar isso por si mesmo e ver quanto controle você realmente possui." Você pode, 
então, conduzir o cliente através de qualquer ou todos os seguintes exercícios, em qualquer com-
binação ou ordem. (Exceto pelos dois primeiros, todos eles vêm de Hayes et al., 1999.) 
APAGAR UMA MEMÓRIA 
Terapeuta: Por alguns instantes, tente lembrar-se de como você chegou aqui hoje. Lem-
brou? Ok, agora apague essa memória. Livre dela completamente. (Pausa) 
Como você fez isso? " 
ADORMECER A PERNA 
Terapeuta: Agora faça a sua perna esquerda ficar completamente adormecida ou entorpe-
cida. Tão entorpecida que eu poderia cortá-la com uma serra e você não sentis-
se nada. (Pausa) Conseguiu?" 
95 
 
NÃO PENSAR EM ... 
Terapeuta: Neste próximo exercício, você não deve pensar sobre o que eu digo. Nem 
mesmo por um microssegundo. Não pense em ... sorvete. Não pense no seu sa-
bor favorito. Não pense em como ele derrete na sua boca em um dia bem quen-
te no verão. (Pausa) Como você está se saindo?" 
A METÁFORA DO POLÍGRAFO (DETECTOR DE MENTIRAS) 
Terapeuta: Imagine que sou um cientista meio louco e sequestrei você para fazer uma ex-
periência. E eu liguei você em um polígrafo ou detector de mentiras supersen-
sível. Esta máquina consegue detectar o menor traço de ansiedade em seu cor-
po. Você não consegue enganá-la. Ao menor sinal de ansiedade o alarme irá 
soar. E nesta experiência que estou prestes a fazer com você, você não pode 
sentir nenhuma ansiedade. E se você sentir, então vou puxar essa alavanca, o 
que irá eletrocutá-lo. (Pausa.) O que será que iria acontecer?" 
Cliente: Eu seria eletrocutado. 
Terapeuta: Correto. Mesmo quando sua vida depende disso, você não consegue controlar a 
ansiedade. 
APAIXONANDO-SE 
Terapeuta: Vamos supor que eu lhe ofereça um bilhão de dólares — um bilhão — se você 
conseguir fazer o que vou lhe pedir. Vou trazer alguém para este quarto — al-
guém que você não conhece — e se você conseguir se apaixonar perdidamente 
por essa pessoa, então eu vou lhe dar o dinheiro. Você conseguiria fazer isso? " 
Cliente: Se fosse o Brad Pitt, eu conseguiria. 
Terapeuta: É um homem mais velho, em um cadeira de rodas, e que não tomou banho por 
três meses. 
Cliente: Acho que não conseguiria. 
Terapeuta: Nem mesmo por um bilhão de dólares? 
Cliente: Eu poderia tentar. 
Terapeuta: Claro. Você poderia fazer uma encenação. Poderia abraçá-lo e beijá-lo e dizer: 
"Eu te amo, eu te amo". Você tem controle sobre suas ações, mas será que con-
seguiria controlar seus sentimentos? 
Cliente: Não, não conseguiria. 
Desesperança Criativa Breve 
Como já mencionei anteriormente, não precisamos fazer DC com todos os clientes. Com os clien-
tes com alto desempenho, motivados e que não estão excessivamente apegados ao controle, po-
demos ignorá-la ou utilizar uma versão mais breve. Na versão breve, perguntamos: "Então, todos 
esses sentimentos dolorosos estão emergindo. O que você tentou fazer para se livrar deles?" Em 
seguida, evocamos algumas das principais estratégias de controle. Então, dizemos: "Tudo bem, 
parece que você tentou algumas coisas para se livrar desses pensamentos e sentimentos, mas isso 
não está funcionando muito bem. Que tal se tentássemos algo diferente?" 
E se inicialmente adotamos essa abordagem e mais tarde verificarmos que nosso cliente está mui-
96 
 
to mais apegado à agenda de controle do que havíamos avaliado, não há problema; podemos sim-
plesmente voltar à DC e fazer uma intervenção mais ampla. 
TAREFA DE CASA E A PRÓXIMA SESSÃO 
Neste momento, espera-se que seu cliente esteja curiosa em relação alternativa que você está 
oferecendo a ela. Ela pode até perguntar novamente: "Então, o que eu tenho que fazer?" Se 
você ainda tiver tempo nesta sessão, pode passar para a próxima fase. Caso contrário, expli-
que que você irá continuar próxima sessão. Tradicionalmente, após a trabalhar com desespe-
rança criativa e nomear o controle como o problema, você iniciaria a abordagem dos proces-
sos de desfusão e aceitação. 
Como mencionei anteriormente, como tarefa de casa você poderia pedir ao cliente que note e ob-
serve todas as diferentes maneiras pelas quais ele tenta evitar ou se livrar de sentimentos indeseja-
dos, e como isso funciona e o que isso custa. Qualquer uma das planilhas acima — Junte os Pon-
tos ou Soluções Tentadas e seus Efeitos a Longo Prazo — pode facilitar isso. 
Alternativamente, e dependendo da metáfora que você usou, você pode perguntar a seu cliente 
para que observe quando ela está "fazendo um cabo de guerra" ou "lutando na areia movediça" e 
quando, se alguma vez, ele para de puxar a corda ou de lutar. 
Melhor ainda, se ela estiver disposta, peça-lhe para manter um diário: Quando acontece a luta? O 
que a desencadeia? Quais são as consequências da mesma? 
E se você começou esta sessão com um exercício simples de atenção plena, você também pode 
pedir ao seu cliente para praticá-lo em base diária. 
TAREFA DE CASA PARA VOCÊ 
■ Selecione alguns pensamentos e sentimentos com os quais você tem estado lutando e 
complete as planilhas com seus próprios problemas. 
■ Leia todos os exercícios e metáforas em voz alta, como se estivesse conduzindo um 
cliente através dos mesmos. 
■ Reflita sobre os casos dos clientes que está atendendo atualmente. Você tem cliente 
clientes que estão presos à agenda de controle? Visualize-se aplicando a DC com es-
tes clientes. 
RESUMO 
A Desesperança Criativa é um componente opcional da ACT que usamos quando um cliente 
parece excessivamente apegado à agenda de controle emocional. Basicamente, queremos que 
o cliente dê uma boa e sincera olhada em como a agenda de controle está funcionando: ela 
está o levando rumo a uma vida rica, plena e significativa, ou o está levando rumo à luta e ao 
sofrimento? Podemosfazer isso mediante uma intervenção mais extensa, utilizando uma ses-
são inteira, ou com uma intervenção breve de apenas alguns minutos. A DC se resume a fazer 
três perguntas simples: O que você tentou? Como funcionou? O que custou? 
Lembre-se que ao trabalharmos com a Desesperança Criativa, seja de forma breve ou longa, 
não tentamos convencer o cliente de que algo não funciona. Em última instância, cabe a ele 
julgar por si mesmo, com base em sua própria experiência, se o controle está ou não enrique-
cendo sua vida. 
97 
 
CAPÍTULO 7 
 
Observe Seu Pensamento 
 
A DESFUSÃO DE FORMA RESUMIDA 
Em Linguagem Simples: Fusão significa ficar preso em nossos pensamentos e permitir que eles 
dominem nosso comportamento. Desfusão significa separar-se ou distanciar de nossos pensamen-
tos, permitindo que que venham e vão em vez de sermos apanhados neles. Em outras palavras, 
desfusão significa 
 Olhar para seus pensamentos em vez de olhar a partir de seus pensamentos 
 Observar seus pensamentos em vez de ficar preso nos pensamentos; e 
 Deixar seus pensamentos ir e vir em vez de agarrar-se a eles 
Sinônimos: Desliteralização (este termo raramente é atualizado atualmente) 
Objetivo: Ver a real natureza dos pensamentos: eles não são nada mais e nada menos do que pa-
lavras e imagens; e responder aos pensamentos em termos de funcionalidade em vez de literalida-
de (ou seja, em termos de quão úteis eles são em vez de quão verdadeiros eles são). 
Método: Notar o processo de pensar; aprender experiencialmente que nossos pensamentos não 
controlam nossas ações. 
Quando usar: Quando os pensamentos funcionam como obstáculos para o viver baseado em 
valores. 
COMO ALCANÇAR A DESFUSÃO 
Facilitamos a desfusão através de cada sessão na ACT. Em algumas sessões, a desfusão é o foco 
central, e formalmente conduzimos nossos clientes através de uma variedade de metáforas e exer-
cícios experienciais para ajuda-los a desenvolver habilidades de desfusão. Grande parte deste ca-
pítulo irá focar neste tipo de intervenções. Entretanto, também costumamos facilitar a desfusão 
informalmente em cada sessão, mesmo quando a sessão é predominantemente focada em algum 
outro processo central tal como a clarificação de valores. Fazemos isto em três formas principais: 
1. Pedimos aos clientes que observem seus pensamentos: 
 "Então, o que a sua mente está lhe dizendo agora?" 
 "E o que o seu eu pensador tem a lhe dizer sobre isso?" 
 "Você consegue observar o que você está pensando nesse momento?" 
 "Observe o que sua mente está fazendo". 
2. Pedimos aos clientes que olhem para a funcionalidade de seus pensamentos: 
 "Então, este pensamento é um pensamento útil? Se você ficar firmemente agarrado 
a ele, será que ele vai te ajudar a lidar com a situação de forma efetiva?" 
98 
 
 "Se você deixar que este pensamento te diga o que fazer, será que isto vai levar 
você para uma vida rica, plena e significativa, ou a ficar estagnado e sofrendo?" 
 "Se pararmos a sessão só porque a sua mente está lhe dizendo Isto não vai funcio-
nar ou Eu não consigo fazer isso, será que isto vai ajudar você a mudar sua vida 
ou será que isto irá manter você preso e estagnado ?" 
3. Pedimos aos clientes que observem quando estão fundidos com seus pensamentos e quan-
do estão desfundidos dos mesmos: 
 "Neste momento, quanto você está preso neste momento?" 
 "Você conseguiu observar como sua mente te "pegou" naquele momento?" 
Se quisermos fazer da desfusão o foco principal de uma sessão, podemos fazer isso de múltiplas 
maneiras. Por exemplo, se começamos a terapia identificando valores e estabelecendo metas es-
pecíficas, então poderíamos fazer perguntas do tipo: "Então, o que está em seu caminho e fazendo 
com que você não consiga agir?" "O que está impedindo você de agir com base em seus valores 
ou ser a pessoa que você quer ser e de construir as relações que são importantes para você?" "O 
que sua mente está lhe dizendo que te paralisa e faz com que sua vida seja difícil?" 
Alternativamente, se descobrirmos na primeira sessão que toda e qualquer tentativa de clarificar 
valores acaba por ser bloqueada, então a desfusão é uma boa escolha para o primeiro passo na 
terapia (quando o cliente tiver desenvolvido boas habilidades de desfusão e de aceitação, podemos 
retornar ao trabalho sobre valores e objetivos). 
Quando suspeitamos ou sabemos que nosso cliente está profundamente apegado à agenda de con-
trole, uma outra boa opção é fazer o trabalho de desesperança criativa antes de focarmos ativa-
mente na desfusão. Neste caso, após a intervenção de desesperança criativa, podemos dizer algo 
do tipo: " Você provavelmente deve estar se perguntando se o tentar livrar-se desses pensamentos 
não funciona, qual é a alternativa?" 
 Identificando a Fusão 
Quando levantamos uma história, procuramos por fusão em seis áreas-chave: regras, razões, jul-
gamentos, passado, futuro e o self. Vamos dar uma rápida olhada em cada uma dessas áreas agora. 
Regras. Que tipo de regras rígidas o cliente tem sobre sua vida, seu trabalho, seus relacionamen-
tos, e assim por diante? Em especial, procure por regras sobre como alguém tem que se sentir 
antes que possa agir. Procure por palavras-chave tais como deveria, preciso, tenho que, certo, 
errado, não posso, e expressões-chave como não deveria ter que; se sinto X, então não posso 
fazer Y; se faço A, então você deveria fazer B. Estas palavras e expressões nos alertam sobre idei-
as rígidas sobre como a vida deveria funcionar ou sobre o que é necessário antes que a mudança 
possa ocorrer. Estas regras normalmente criam muito sofrimento se o cliente se funde com elas. 
Seguem alguns exemplos comuns: "Eu não deveria estar me sentindo assim", "Não posso ir para a 
festa se estiver me sentindo ansiosa", "Se não consigo fazer isso de uma forma perfeita, não tem 
sentido tentar", "Isto não deveria ser tão difícil", "Meus filhos deveria fazer o que lhes digo para 
fazer", e "Pessoas normais não se sentem assim". 
Razões: Que razões o cliente fornece para você sobre o porquê da mudança ser impossível, inde-
sejável ou impraticável? Os seres humanos são muito bons em apresentar razões sobre porque 
elas não podem ou não deveriam mudar: "Estou ocupado/cansado/ansioso/deprimido demais", 
"Posso fracassar", "Eu não deveria ter que...", "É difícil demais", "É genético", "Todos na minha 
família são alcoólatras", "É um desequilíbrio químico", "Eu vou me machucar", "Eu sempre fui 
99 
 
assim", "Não consigo lidar com essa solidão", "Vai dar tudo errado", "Vou fazer isso quando eu 
tiver mais tempo/energia/dinheiro", e assim por diante. Se nós ou nossos clientes nos fundimos 
com esses pensamentos, eles muitos vezes podem nos impedir de fazer mudanças. 
Julgamentos. Os seres humanos julgam. E muitos dos julgamentos que fazemos são úteis e im-
portantes: Essa pessoa é confiável ou não é confiável? Esse carro vale o preço que estão pedindo? 
Essa fruta está madura ou não? Infelizmente, no entanto, muitos de nossos julgamentos são inú-
teis. É claro, se não nos aferramos a nossos julgamentos, eles não representam um problema. Mas 
se nos fundimos com estes julgamentos – "Sou mau", "Você é mesquinho", "A ansiedade é terrí-
vel", "Sou muito gordo", "Ser rejeitado é insuportável", "Ele é muito egoísta", "A vida é uma 
merda", "Os homens são mentirosos" – nós rapidamente vamos terminar lutando e sofrendo. Com 
que tipo de pensamento crítico ou avaliativo seu cliente está se fundindo? 
Passado. Como seu cliente está se fundindo com o passado? Ruminando sobre antigas feri-
das, fracassos, erros, oportunidades perdidas? Revivendo os "velhos bons tempos" antes que a 
vida se tornou ruim? Tendo "flashbacks"? (Um "flashback" costuma indicar fusão extrema 
com a memória.) 
Futuro. Como seu cliente está se fundindo com o futuro? Se preocupando? Fantasiando sobre 
uma vida melhor? Constantemente preso pensando sobre as coisas que ele teráde fazer mais 
tarde? 
Self. Com que tipo de autodescrição seu cliente está se fundindo? Eis algumas das mais comuns: 
"Sou fraco/inútil/indigno de amor", "Não preciso de ajuda", "Não sou ninguém sem meu traba-
lho", "Não consigo lidar com as coisas", "Não suporto pessoas idiotas", "Estou certo e eles estão 
errados". Ele está se fundindo com seu diagnóstico ou sua imagem corporal ("sou bipolar", "sou 
gordo")? Ou talvez com sua função profissional ou seu papel na família? 
Evidentemente, poderíamos descrever muitas diferentes categorias de pensamento – pensamento 
preto e branco, catastrofização, hipergeneralização, etc. – mas os seis tipos acima descritos nos 
permitem manter uma descrição simples. (Vamos olhar a fusão com o passado e o futuro mais 
detalhadamente no capítulo 9, a fusão com a autodescrição no capítulo 10, e a fusão com o dar 
razões no capítulo 13. 
"Montando o cenário" para a desfusão 
Para "montar o cenário" para a desfusão, costumo inicialmente recapitular alguns dos pensamen-
tos ou memórias dolorosos nos quais o(a) paciente ficou enredado(a) ou tem estado lutando con-
tra, e compassivamente reconheço quão difícil isto tem sido para ele(ela) e quanta dor e sofrimen-
to ele(ela) tem vivenciado. Então digo algo do tipo: "Como você sabe, um de nossos objetivos 
neste trabalho é desenvolver habilidades psicológicas que vão ajudar você a lidar com sua mente 
de forma mais efetiva quando ela começa a fazer coisas que te impedem de viver uma vida plena. 
E é nisso que eu gostaria de focar hoje. Isso está bem para você?" 
Neste ponto, é útil fazer alguma psicoeducação sobre a natureza da mente. Geralmente começo 
com uma breve discussão sobre as duas partes da mente: o eu pensador e o eu observador, tal co-
mo descritos no capítulo 4. Depois de concluir, dito algo do tipo: "Pois bem, no trabalho que fa-
zemos aqui, todo vez que eu usar a palavra "mente", estou falando sobre o "eu pensador" – aquela 
parte de você que fica falando dentro de sua cabeça, nunca se cala, e sempre tem algo para dizer. 
Você consegue observar ele falando agora?" O cliente geralmente diz que sim e então eu pergun-
to: "Então, o que sua mente está lhe dizendo?" Qualquer que seja a resposta, eu digo: "Você per-
cebe o que quero dizer. Ela está sempre dizendo algo. Às vezes é útil imaginar que somos quatro 
aqui nesta sala: tem você e eu, e sua mente e minha mente. Minha mente fica tagarelando para 
100 
 
mim e a sua para você. O que realmente é importante aqui é que acontece entre você e eu em vez 
do que nossas mentes têm a dizer." 
Em seguida, normalmente fazemos um pouco de psicoeducação sobre como nossas mentes evolu-
íram para pensar negativamente, tal como na transcrição abaixo. Isto monta o cenário para inter-
venções ativas de desfusão. 
 
 
 
 
 
COMO NOSSAS MENTES EVOLUÍRAM PARA PENSAR NEGATIVAMENTE 
Terapeuta: Você me contou alguns de seus pensamento dolorosos ou inúteis que atrapalham 
você ou tornam sua vida mais difícil. Estou disposto a apostar que apenas arra-
nhamos a superfície – porque se sua mente for parecida com a minha, então ela 
não tem nenhuma deficiência de pensamentos negativos. Existe na verdade uma 
boa razão para isso e eu vou tomar alguns minutos para explicar isso. Isso está 
bem para você? (Espera a resposta do cliente?) Veja, a mente humana evolui pa-
ra pensar negativamente. Nossos primitivos ancestrais viviam num mundo de pe-
rigo constante – animais grandes com dentes enormes se escondiam e espreita-
vam em cada canto. Então, naquela época, sua mente tinha que estar constante-
mente em alerta contra o perigo, antecipando qualquer coisa que pudesse feri-los 
de alguma forma: "Tome cuidado. Pode ter um urso naquela caverna. Pode ter um 
lobo no meio daqueles arbustos. Aquele pessoa lá longe é um amigo ou um ini-
migo?" Se você fosse um homem das cavernas e sua mente não fizesse bem esse 
trabalho, você logo estaria morto. E isso é o que herdamos de nossos ancestrais: 
nossa mente moderna é basicamente uma máquina que tem a finalidade de evitar 
que sejamos mortos. Ela está constantemente tentando nos alertar sobre qualquer 
coisa que pode dar errado: "Você vai engordar", "Você vai se dar mal no exame", 
"Ele pode rejeitar você". Isto é normal. A mente de todo mundo faz isso. Nossa 
mente evoluiu para pensar negativamente. Ela apenas está tentando fazer sua tare-
fa número um, que é a de nos proteger e manter vivos. 
Não há nenhuma necessidade absoluta de usar a fala acima (ou qualquer dos outros exercícios ou 
metáforas neste livro) mas ela faz uma boa introdução para a aprendizagem das habilidades de 
desfusão. O próximo passo é recapitular alguns dos pensamentos problemáticos do paciente, tornar 
claro o que custa quando ele fica enredada nestes pensamento ou empurrados para lá e para cá por 
eles, e então convidá-lo para aprender um novo modo para lidar com eles. A transcrição que segue 
ilustra apenas um modo entre muitos em que você pode fazer isso; quando você ler outros livros 
sobre ACT, você descobrirá muitos outros métodos. 
Introduzindo a Desfusão: Parte 1 
O cliente nesta transcrição é uma quiropraxista de 24 anos. Estamos aos quinze minutos da segun-
da sessão, depois (1) de breve exercício de atenção plena com respiração (veja o capítulo 9), (2) 
uma breve revisão da sessão anterior, e (3) uma rápida discussão sobre as duas partes da mente e 
sobre como a mente evoluiu para pensar negativamente. 
Muitos terapeutas ACT somente introduzem o eu observador somente mais 
tarde na terapia, na sequência dos trabalhos sobre desfusão e aceitação, mas 
alguns terapeutas preferem introduzi-lo desde o início. Eu prefiro a última 
abordagem, mas se você preferir a primeira, então simplesmente pule a intro-
dução do eu observador nesta etapa e introduza-o mais tarde na terapia. 
101 
 
Terapeuta: Então, uma das coisas que identificamos na semana passada, uma grande parte 
do problema, é que você costuma ter um monte de pensamentos sobre ser sem 
valor ou inútil. 
Cliente: Sim, eu sinto como se fosse um desperdício de espaço. Eu nem mesmo sei 
porque você está desperdiçando seu tempo. 
Terapeuta: E eu noto que enquanto você diz isto, você parece estar desmoronando – quase 
como se estivesse se afundando na cadeira. Estou tendo uma percepção de que 
aqueles pensamentos realmente puxam você para baixo. (O cliente concorda.) 
Isto deve doer muito. (O cliente assente novamente, e seus olhos se enchem de 
lágrimas.) O que você está sentindo neste momento? 
Cliente (meneando a cabeça) É muito bobo. 
Terapeuta O que é muito bobo? 
Cliente: Eu sou. Isto é. (limpando os olhos) Eu não acho que você possa me ajudar. 
Terapeuta: Bem, este é um pensamento perfeitamente natural para se ter. Muitas pessoas 
têm pensamentos como este, especialmente no início da terapia. E o fato é que 
eu realmente não posso garantir que isto vai te ajudar. Mas eu posso garantir 
que vou fazer o meu melhor para ajudar você a criar uma vida melhor. Então, 
que tal darmos uma chance à terapia, mesmo que você tenha o pensamento de 
que não há solução para seu problema, e ver o que acontece? 
Cliente: Pode ser. 
Terapeuta: Ok. Bem, nós combinamos na última sessão que uma de suas metas aqui seria 
aprender novas maneiras de lidar com pensamentos e sentimentos difíceis. Isto 
continua sendo importante para você? 
Cliente: Sim. 
 
 
 
 
Terapeuta: Ok. (Ele pega um cartão branco.) Bem, o que eu gostaria de fazer agora, se 
isto estiver bem para você, é anotar alguns dos seus pensamentos neste cartão 
para termos algo com que trabalhar. Pode ser? 
Cliente: Pode ser. 
Terapeuta: Obrigado. Então, quando sua mente está te dando uma surra, ficando fixada 
sobre o que está errado com você e com sua vida – se eu pudesse entrar em sua 
cabeça e ouvir o que ela está falando ou dizendo pra você, o que eu ouviria? 
Cliente: Ah, humm. Coisas realmente negativas, tipo "você é burro, você é preguiçoso, 
ninguémgosta de você". 
Terapeuta: Ok. Deixe-me anotar isso. (Ele começa a escrever os pensamentos no cartão.) 
Sua mente lhe diz "Eu sou burro ... eu sou preguiçoso ... ninguém gosta de 
mim". O que mais? 
Cliente: Não sei. 
Terapeuta: Bem, você mencionou "bobo" e "desperdício de espaço" hoje, e "sem valor" e 
"inútil" na semana passada. A sua mente costuma chamar você disso com fre-
quência? 
Neste ponto, o terapeuta pode seguir com qualquer intervenção de desfusão 
que ele prefira. 
102 
 
Cliente: Sim. 
Terapeuta: (escreve no cartão) Ok. Então sua mente diz pra você "Sou bobo ... sou sem 
valor...sou inútil ... sou um desperdício de espaço". O que mais? 
Cliente: (rindo) Isso não é suficiente? 
Terapeuta: Sim, é – mas eu estava me perguntando se sua mente não lhe conta coisas re-
almente tenebrosas ou assustadoras sobre o futuro? Você sabe, quando ela re-
almente quer que você se sinta sem esperanças, quais são as coisas mais assus-
tadoras que ela diz pra você? 
Cliente: Ahá. Ela diz que sou um fu**do, que não há futuro para mim. A vida é fu**da 
e aí você morre. 
Terapeuta: Certo, então sua mente gosta de praguejar. Vamos anotar isso. "Eu sou um 
fu**do... Não tenho futuro ... A vida é fu**da e aí você morre". 
Desembrulhando tudo isso: Parte 1 
Antes de continuar este capítulo, releia a transcrição acima e identifique as várias formas em 
que o terapeuta vai sutilmente estabelecendo um contexto de desfusão, incluindo normaliza-
ção e permissão de pensamentos, tratando a mente como se fosse uma "entidade", escutando a 
mente, anotando os pensamentos, e descrevendo os pensamentos como "histórias". Vamos dar 
uma rápida olhada em cada um desses pontos. 
NORMALIZANDO E PERMITINDO PENSAMENTOS 
Observe como o terapeuta responde à afirmação do paciente "Eu penso que você não conse-
gue me ajudar" dizendo "Bem, este é um pensamento perfeitamente natural". Facilitamos a 
desfusão sempre que descrevemos um pensamento como normal, natural, típico, ou comum, e 
não fazemos nenhuma tentativa de julgá-lo, desafiá-lo, ou nos livrar dele. 
TRATANDO A MENTE COMO UMA "ENTIDADE" 
A desfusão envolve separar-nos de nossos pensamentos; por isso muitas vezes consideramos 
útil na ACT falar sobre a mente, brincando ou metaforicamente, como se fosse uma entidade 
separada. Por exemplo, podemos fazer perguntas como "O que sua mente lhe diz sobre isso?" 
ou "Quem está falando agora – você ou sua mente?" Na transcrição acima, o terapeuta tam-
bém fala sobre a mente "surrando você", "chamando você de nomes", e também observa que 
ela "gosta de praguejar". 
OUVINDO A MENTE 
Muitas técnicas de desfusão envolvem observar ou brincar com as propriedades auditivas dos 
pensamentos. Aqui o terapeuta fala sobre "ouvir a mente", "escutar o que ela está dizendo" e 
"escutar como soa o que ela está dizendo". 
ESCREVER OS PENSAMENTOS 
Uma das maneiras mais simples de separar-se dos pensamentos é escrevê-los. Isto ajuda você 
a dar um passo atrás e ver os pensamentos pelo que eles são: sequências de palavras. O tera-
peuta pode fazer as anotações e então passá-las para o cliente, ou o próprio cliente pode anotar 
os pensamentos. 
103 
 
OS PENSAMENTOS COMO HISTÓRIAS 
Na ACT muitas vezes falamos sobre os pensamentos como "histórias". Isto encaixa muito 
bem com metáforas sobre a mente como uma contadora de histórias (mais sobre isso abaixo) 
e ficando absorvida ou perdida na história. O terapeuta pergunta especificamente sobre quais-
quer "histórias tenebrosas ou assustadoras" sobre o futuro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Agora, antes de ler a parte 2, quero encorajá-lo a voltar ao capítulo 1 e reler a Metáfora da 
ACT Sintetizada. Na transcrição a seguir, o terapeuta adapta as seções 1 e 3 desta metáfora. 
Introduzindo a Desfusão: Parte 2 
A transcrição abaixo continua imediatamente a partir de onde a parte 1 parou. 
Terapeuta: (Entregando o cartão para o cliente) Então, este é o tipo de coisas que sua 
mente diz para você quando está surrando você? 
Cliente: (Olhando para o cartão) Sim. 
Terapeuta: Vou pedir a você que faça algumas coisas com este cartão. Eles podem parecer 
um pouco estranhas, mas acho que você vai aprender várias coisas com elas. 
Pode ser? 
Cliente: Que tipo de coisas? 
Terapeuta: Bem, primeiro eu gostaria que você segurasse o cartão com força, com ambas 
as mãos, e segure-a na frente do seu rosto assim, de modo que você não possa 
me ver, e tudo o que você pode ver são esses pensamentos no cartão. (O cliente 
segura o cartão na frente de seu rosto.) Isso mesmo –segure o cartão tão perto 
de maneira que quase encoste em seu nariz. (O cliente faz isso.) Agora, como é 
tentar conversar comigo enquanto você está preso nesses pensamentos? 
 
 
Cliente: Bem difícil. 
Terapeuta: Você se sente conectado comigo? 
Cliente: Eu consigo ouvir você bem. 
Terapeuta: Certo, mas consegue identificar as expressões em meu rosto? Consegue real-
mente perceber o que estou fazendo? Se eu estivesse fazendo malabarismos ou 
mímica, você seria capaz de ver o que estou fazendo? 
Cliente: Acho que não. 
Terapeuta: E qual é sua visão da sala enquanto está totalmente tomado por estes pensa-
mentos? 
Dica Prática: Se estiver em um estado de humor triste, o cliente pode fazer ob-
jeções ao termo "histórias". Se isto acontecer, peça desculpas e explique: "Não 
tive a intenção de ofender você. O que eu quis dizer com o termo "história" é 
que se trata de um monte de palavras que transmitem informação. Se o termo 
incomoda você, não terei problemas em chamar estas palavras de "pensamen-
tos", crenças", ou "cognições". 
O terapeuta está agora fazendo a seção I da Metáfora da ACT Sintetizada. 
104 
 
Cliente: (sorrindo ironicamente) Que sala? 
Terapeuta: Observe o que está acontecendo aqui. A sua mente está lhe contando todas 
estas histórias desagradáveis, e quanto mais absorto nelas você fica, mais opor-
tunidades você perde. Você está por assim dizer excluído do mundo ao seu re-
dor; você está excluído de tudo com exceção desses pensamentos. 
Cliente: Sim, é assim que parece. 
Terapeuta: Observe, também, que enquanto está agarrado a estas coisas, fica difícil fazer 
qualquer coisa que enriqueça sua vida. Confira por você mesmo: segure o car-
tão tão firmemente com ambas as mãos de forma que eu não possa tirá-lo de 
você. (O cliente faz isso.) Se eu pedisse para você agora, enquanto está segu-
rando este cartão, para fazer uma prova ou ir para um entrevista, ou abraçar al-
guém que você ama, andar de bicicleta, envolver-se com seus amigos ou sua 
família, ou ter um conversa profunda e significativa com um amigo, você seria 
capaz de fazê-lo? 
Cliente: Eu poderia fazer uma tentativa. 
Terapeuta: Ok, você poderia tentar. E estar todo enrolado nestes pensamentos iria facilitar 
ou dificultar fazer isso? 
Cliente: Sim, seria bem difícil. 
Terapeuta: Certo. Então quando sua mente fisga você com esses pensamentos, você fica 
não apenas excluído do mundo ao seu redor e desconectado das demais pesso-
as, mas também fica muito mais difícil fazer coisas que fazem sua vida funcio-
nar. 
Cliente: (Acenando positivamente com a cabeça). Entendi o ponto. 
Terapeuta: Bem, então vamos tentar algo diferente agora. Posso pegar o cartão de volta? 
(Cliente devolve o cartão.) Tudo bem se eu colocar este cartão no seu colo? 
(Cliente concorda e o terapeuta coloca o cartão no colo do cliente.) Você con-
segue deixá-lo ali por um momento? 
 
 
Terapeuta: E como é isso comparado com ter o cartão bem na frente de seu rosto? Você se 
sente mais conectado comigo? Mais envolvido com o mundo ao seu redor? 
Cliente: Sim. 
Terapeuta: Agora observe que estes pensamentos não foram embora. Eles ainda estão 
aqui. E se você quisesse, ainda poderia ficar absorto neles. Confira por você 
mesmo. Olhe para o cartão e dê toda sua atenção a ele. (Cliente olha para o 
cartão que está em seu colo.) Observe como à medida que começa a ficar ab-
sorto nesses pensamentos,gente", e assim por diante). 
Graças à linguagem humana, podemos sentir dor até mesmo nos dias mais felizes de nossa vida. 
Por exemplo, suponha que é o dia do casamento de Susan, e que todos os seus amigos e familia-
res estão reunidos para celebrar sua nova união. Ela está muito feliz. Mas então ela tem o pensa-
mento Queria que meu pai estivesse aqui – e ela se lembra de que ele se suicidou quando ela 
tinha apenas 16 anos de idade. Agora, em um dos dias mais felizes de sua vida, ela está sofrendo. 
Estamos todos no mesmo barco da Susan. Não importa quão boa seja nossa qualidade de vida, 
não importa quão privilegiada seja a nossa situação, basta lembrar de um momento quando 
algo de ruim aconteceu, imaginar algo de ruim que pode acontecer no futuro, julgar-nos com 
dureza, ou comparar nossa vida com a vida de alguém que pareça estar melhor, e instantane-
amente estaremos sofrendo. 
Assim, graças à sofisticação da mente, mesmo a mais privilegiada das vidas humanas inevita-
velmente irá envolver uma significativa parcela de dor. Infelizmente, seres humanos comuns 
normalmente lidam com sua dor de forma ineficaz. Com muita frequência, quando vivencia-
mos pensamentos, sentimentos e sensações dolorosas, respondemos de maneiras que são con-
traproducentes ou autodestrutivas a longo prazo. Por causa disso, um dos principais elementos 
da ACT é ensinar as pessoas a lidar com a dor de forma mais eficaz através do uso da habili-
dade de atenção plena. 
10 
 
O QUE É MINDFULNESS? 
"Mindfulness" (ou atenção plena) é um conceito antigo, encontrado em um amplo espectro de 
tradições espirituais e religiosas, incluindo o budismo, taoísmo, hinduísmo, judaísmo, isla-
mismo e o cristianismo. A psicologia ocidental começou a reconhecer os muitos benefícios de 
se desenvolver habilidades de atenção plena. Se você for ler alguns livros sobre o tema, você 
irá encontrar "mindfulness" definida em uma variedade de diferentes maneiras, mas todas elas 
basicamente se resumem a isto: 
Mindfulness significa prestar atenção com flexibilidade, abertura e curiosidade. 
Esta definição simples nos diz três coisas importantes. Primeiro, mindfulness é um processo 
de consciência, não um processo de pensamento. Ele envolve trazer consciência ou prestar 
atenção a sua experiência neste momento em oposição a ficar "preso" em seus pensamentos. 
Segundo, mindfulness envolve um tipo particular de atitude: uma atitude de abertura e curio-
sidade. Mesmo que sua experiência neste momento seja difícil, dolorosa ou desprazerosa, 
você pode estar aberto a ela e curioso em relação a ela em vez de fugir dela ou lutar contra 
ela. Terceiro, mindfulness envolve flexibilidade da atenção: a habilidade de conscientemente 
dirigir, ampliar ou focar sua atenção em diferentes aspectos da sua experiência. 
Podemos usar a atenção plena para "despertar", conectar-nos com nós mesmos, e apreciar a 
plenitude de cada momento da vida. Podemos usá-la para melhorar nosso autoconhecimento – 
para aprender mais sobre como sentimos, pensamos e reagimos. Podemos usá-la para nos co-
nectar profunda e intimamente com as pessoas que são importantes para nós, inclusive nós 
mesmos. E podemos usá-la para conscientemente influenciar nosso próprio comportamento e 
aumentar nossa gama de respostas em relação ao mundo em que vivemos. É a arte de viver 
conscientemente – uma maneira profunda de melhorar a resiliência psicológica e incrementar 
a satisfação com a vida. 
É claro que há muito mais na ACT do que só mindfulness. Ela também é sobre viver com base em 
valores: agir, em uma base contínua, guiado por e alinhado com valores centrais. De fato, ensina-
mos habilidades de atenção plena na ACT com o propósito expresso de facilitar a ação baseada 
em valores: ajudar as pessoas a viver a partir de seus valores. Em outras palavras, o resultado que 
almejamos na ACT é o viver com base em valores e com atenção plena. Isto irá se tornar mais 
claro na próxima seção, onde vamos dar uma olhada nos seis processos centrais da ACT. 
OS SEIS PROCESSOS TERAPÊUTICOS CENTRAIS DA ACT 
Os seis processos terapêuticos centrais na ACT são estar em contato com o momento presen-
te, desfusão, aceitação, eu-como-contexto, valores e ação com compromisso. Antes de nos 
determos em cada um, dê uma olhada no diagrama na figura 1.1, que é carinhosamente co-
nhecido como o "hexaflex" da ACT. (Este diagrama difere da versão padrão que você encon-
trará na maioria dos livros-texto da ACT na medida em que debaixo de cada termo técnico eu 
escrevi uma pequena frase de efeito para ajudá-lo a se lembrar o que este significa.) 
Vamos dar uma olhada agora em cada um dos seis processos centrais da ACT. 
Contato com o Momento Presente (Esteja Aqui Agora) 
Contato com o momento presente significa estar psicologicamente presente: conscientemente 
conectar-se com e se engajar em qualquer coisa que esteja acontecendo neste momento. Para 
os seres humanos é muito difícil manter-se presente. Tal como outros seres humanos, sabe-
mos quão fácil é ficar enredado em nossos pensamentos e perder contato com o mundo ao 
11 
 
nosso redor. Podemos gastar um monte de tempo absortos em nossos pensamentos sobre o 
passado e o futuro. Ou em vez de estarmos plenamente conscientes de nossa experiência, po-
demos operar no piloto automático, meramente "atravessando o que vier pela frente". Entrar 
em contato com o momento presente significa flexivelmente trazer nossa consciência, ou para 
o mundo físico ao nosso redor ou para o mundo psicológico em nosso interior, ou para ambos 
simultaneamente. Significa também prestar atenção à nossa experiência aqui-e-agora ao invés 
de ficar à deriva em nossos pensamentos ou operar em "piloto automático". 
 
Desfusão (Observe o que você pensa) 
Desfusão significa aprender a "dar um passo para trás" e separar-se ou desapegar-se de seus 
pensamentos, imagens e memórias (o termo completo é "desfusão cognitiva" mas normalmen-
te nós costumamos falar apenas "desfusão"). Ao invés de ficarmos presos em nossos pensa-
mentos ou ser jogados para lá e para cá por eles, deixamos que circulem livremente como se 
fossem carros passando do lado de fora de nossa casa. Damos um passo atrás e notamos nosso 
pensamento em vez de nos perdermos nele. Vemos nossos pensamentos pelo que eles são ― 
nada mais e nada menos do que palavras e imagens. Nós os mantemos de forma leve em vez 
de nos agarrarmos a eles com força. 
CONTATO COM O 
MOMENTO PRESENTE 
Esteja Aqui Agora 
ACEITAÇÃO 
Abra-se 
VALORES 
Saiba O Que Importa 
DESFUSÃO 
Cuide O Que Pensa 
AÇÃO 
COMPROMETIDA 
Faça O Que For 
Preciso 
EU-COMO-CONTEXTO 
Percepção Pura 
FLEXIBILIDADE 
PSICOLÓGICA 
Esteja presente, 
 abra-se e faça o que 
importa 
 
Figura 1.1 – O Hexaflex (hexágono da flexibilidade) da ACT 
12 
 
Aceitação (Abra-se) 
Aceitação significa abrir-se e criar espaço para sentimentos, sensações, compulsões e emo-
ções que sejam dolorosos. Paramos de lutar com eles, damos a eles algum espaço para respi-
rar e permitimos que sejam como são. Em vez de combatê-los, abrimo-nos a eles e permiti-
mos que sejam. (Nota: Isto não significa gostar deles ou querê-los. Significa apenas criar es-
paço para eles!) 
Eu-Como-Contexto (Percepção Pura) 
Na linguagem cotidiana, falamos sobre a "mente" sem nos apercebermos de que há dois ele-
mentos distintos nela: o eu pensador e o eu observador. Todos estamos bem familiarizados 
com o eu pensador: aquela parte de nós que está sempre pensando – gerando pensamentos, 
crenças, memórias, julgamentos, fantasias, planos, e assim por diante. Mas a maioria das pes-
soas não está familiarizada com o eu observador: aquele aspecto de nós que está consciente de 
qualquer coisa que estejamos pensando, sentindo, ou fazendo a qualquer momento. Outro 
termo para ele é "percepção pura". O termo técnico na ACT é eu-como-contexto. Por exem-
plo, à medida que você passa pela vida, seu corpo muda, seus pensamentos mudam,você se desconecta de mim – e perde contato com o 
mundo ao seu redor. (Cliente faz gesto de concordância.) Agora volte a olhar 
para mim. (Cliente olha para o terapeuta.) E observe a sala em que você está. 
(Cliente olha para a sala.) E agora, o que você prefere: ser sugado para dentro 
dos seus pensamentos lá embaixo ou estar aqui fora no mundo e interagindo 
comigo? 
Cliente: (Sorrindo) Eu prefiro este último. 
O terapeuta está agora fazendo a seção III da Metáfora da ACT Sintetizada. 
105 
 
Terapeuta: Eu também. 
Cliente: Mas continuo com vontade de olhar para eles. 
Terapeuta: Claro que continua. Nossas mentes nos treinam para acreditarmos que tudo que 
dizem pra nós é muito importante e que temos de prestar atenção nelas. Mas na 
verdade nada do que está escrito naquele cartão é novo, não é? Você já teve es-
tes pensamentos centenas ou até milhares de vezes. 
Cliente: Talvez trilhões de vezes. 
Terapeuta: Observe que você têm uma escolha. Você pode tanto olhar pra baixo, para o 
cartão, e ficar absorto no material contido nele, em todos estes pensamentos 
que você já teve zilhões de vezes, como pode também deixá-lo ali e se envol-
ver com o mundo. A escolha é sua. Qual você escolhe? 
Cliente: Hmm ... (Ela parece insegura; olha para o cartão.) 
Terapeuta: (De forma calorosa e bem humorada) Oh, eu perdi você. (Cliente olha nova-
mente para o terapeuta.) Ah, você está de volta. Veja com que facilidade estes 
pensamentos conseguem fisgar e prender você. 
Cliente: Sim, eu sei. Isto acontece o tempo todo. 
Terapeuta: Sim – para você, para mim, e para todo mundo neste planeta. É a isso que es-
tamos nos opondo. É isso que as mentes fazem. Elas fisgam você. Mas observe 
como é diferente quando você consegue se soltar desses anzóis da mente. Ob-
serve o que aconteceria se eu lhe pedisse para fazer um exame, ou ir para uma 
entrevista, ou abraçar alguém que você ama – agora você conseguiria fazer isto 
muito mais facilmente. E agora você também pode estar na sala e apreciar essa 
mobília fantástica e esta decoração maravilhosa elaborada pela IKEA. E se eu 
começar a fazer malabarismos ou um show de mímica, você vai ser capaz de 
ver isso. 
Cliente: Isso soa realmente muito bem, mas eu ..... eu não sei se vou conseguir fazer 
isso. 
Terapeuta: Bem, só existe um caminho para descobrir isso, e ele consiste em fazer uma 
tentativa. Temos um nome chique para este processo. Nós o chamamos de 
"desfusão". E o que eu gostaria de fazer caso você esteja disposta a isso, é con-
duzir você através de duas técnicas bem simples de desfusão e ver o que acon-
tece. Você estaria disposta a isso? A dar uma chance a isso? 
Cliente: Pode ser. 
Desembrulhando tudo isso: Parte 2 
Quando escrevemos pensamentos em um cartão e depois transformamos o cartão em uma 
metáfora física, isto por si só é uma técnica de desfusão: o cliente vai provavelmente começar 
a se desfundir um pouco dos pensamentos que estiverem escritos no cartão. 
Há também um pouco de psicoeducação aqui: a metáfora ilustra a diferença entre fusão e des-
fusão, e mostra como a fusão dificulta e atrapalha qualquer ação efetiva. Também fica desta-
cada a conexão que existe entre desfusão e estar em contato com o momento presente: a des-
fusão habilita o paciente a entrar em contato e a se envolver mais conscientemente com o te-
rapeuta e com o ambiente enquanto a fusão interfere nisso. 
No final da transcrição, o terapeuta pergunta "Você estaria disposta a fazer isso?" e a cliente 
106 
 
responde "Pode ser". O terapeuta pode agora conduzir a cliente através de qualquer técnica de 
desfusão que ele preferir. Como regra geral, é melhor começar com algumas técnicas rápidas 
e fáceis em vez de técnicas mais longas ou técnicas que exijam mais reflexão. 
Mas vamos supor que a cliente não esteja tão disposta assim a fazer uma tentativa. Vamos 
supor que ela não queira deixar os pensamentos ficarem ali – ela quer mesmo é se livrar deles. 
Ou que ela diga que sim, mas seu tom de voz e sua linguagem corporal sugiram que ela real-
mente não está interessada na ideia. O que poderíamos fazer neste caso? 
Você entendeu. Em ambos os casos, iremos confrontar a agenda: conduzi-la através de tudo 
que ela já tentou para se livrar desses pensamentos, avaliar quão bem isso funcionou, e olhar 
para o que isto custa. Então vamos voltar e perguntar algo do tipo: "Levando em conta que 
você tem estado tentando por anos livrar-se desses pensamentos, e que claramente isto não 
tem funcionado, você estaria disposta a tentar uma abordagem diferente?" 
Por favor, mantenha em mente que não precisa fazer uso da técnica de escrever pensamentos 
em um cartão (descrita acima). Eu a utilizei tão somente como um exemplo pois a considero 
muito efetiva. No entanto, poderíamos também passar pelo processo apenas conversando. 
Primeiro perguntaríamos a nossa cliente para que identifique os pensamentos com os quais ela 
se funde. Em seguida verificaríamos o que acontece quando ela é capturada por esses pensa-
mentos. Finalmente lhe perguntaríamos de que forma sua vida seria diferente se estes pensa-
mentos perdessem o seu impacto, e se poderia deixar que viessem e se fossem sem ser captu-
rada ou fisgada por eles. 
A DESFUSÃO NA LINGUAGEM COTIDIANA 
Na transcrição acima, o terapeuta utiliza a termo "desfusão". No entanto, se você por alguma 
razão preferir não utilizar este termo técnico, existem muitas maneiras de falar sobre desfusão 
na linguagem cotidiana. Para transmitir o conceito de fusão, você pode falar sobre " morder o 
anzol e ser fisgado" pelos pensamentos, ficar emaranhado ou preso em seus pensamentos, ou 
se perder nos mesmos e ser varrido por eles. Você também pode falar sobre se agarrar com 
força a seus pensamentos, recusando-se a deixá-los ir embora, morar em seus pensamentos, 
ficar absorto neles, ou aceitar e acolher seus pensamentos como se fossem completamente 
verdadeiros. Você também pode falar de lutar com seus pensamentos, ficar atolado neles, ou 
permitir que eles o empurrem pra lá e pra cá. E lista continua. Todas estas formas metafóricas 
de falar transmitem o mesmo tema: nossos pensamentos tem um grande impacto sobre nós, e 
nós investimos um monte de tempo, energia e esforço em responder a eles. 
Para transmitir o conceito de desfusão você pode falar sobre notar pensamentos, observar 
pensamentos, dar um passo atrás e olhar para seus pensamentos; ou deixar os pensamentos 
virem e irem, segurá-los de forma leve, ou afrouxar sua aderência a eles, desenredar-se, largar 
a história, etc. Todas estas formas transmitem a ideia de separar-se de seus pensamentos e 
permitir que estes façam o que fazem e sejam o que são em vez de investir seu tempo, energia 
e esforço em responder a eles. 
O BUFÊ DA DESFUSÃO 
Uma vez que você tiver permissão do cliente para fazer um exercício vivencial, existe um 
bufê de opções disponíveis para você. No entanto, à medida que você continuar a leitura, há 
duas coisas que você precisa manter em mente: 
1. A desfusão não é uma técnica. Existem mais de cem técnicas de desfusão descritas nos 
livros textos de ACT e em artigos, e dezenas de outras que nunca foram escritas. Mas 
lembre-se: a desfusão é um processo e não uma técnica. Todas estas diferentes técnicas 
107 
 
existem para ajudar a aprender o processo. 
2. Tenha muito cuidado com a invalidação. Quando trabalhamos com a desfusão, necessita-
mos estar em contato com nossa compaixão e nosso respeito pelo cliente, e nos assegurar 
de não adotar uma postura de superioridade em relação a ele. Quando um cliente compar-
tilha pensamentos dolorosos conosco, existe um risco potencial em referir-se aos mesmos 
como "histórias" ou fazer alguma das inúmeras técnicas de desfusão (tais como dizer os 
pensamentos com vozes bobas ou cantá-las. Mais adiante falaremos mais sobre isso.) Se 
fizermos este trabalho sem o devido cuidado, ele pode parecer invalidante, indiferente, 
banalizante,ou humilhante. 
Por isso é importante que nos unamos ao paciente de forma compassiva: nos conectamos com 
seu sofrimento, e validamos toda a dor que ele sofreu. Adotando uma postura de compaixão, 
igualdade e respeito, formamos uma aliança com o cliente. Trabalhamos juntos como uma 
equipe para encontrar uma nova maneira de responder a esses pensamentos e desenvolver uma 
nova atitude que permita uma vida mais consciente e baseada em valores. Quando trabalhamos 
com essa atitude, o risco de invalidar um cliente é baixo. Mas sem essa atitude, o risco é alto - 
especialmente com as técnicas não convencionais, estranhas ou excêntricas. Brincadeiras de 
caráter compassivo e respeitoso é a qualidade que almejamos em todas essas interações. 
Um Sabor da Desfusão 
Agora vou levar você através de várias técnicas de desfusão como se você fosse um cliente, 
para que você possa ter um gostinho delas. Pegue uma folha de papel e anote dois ou três pen-
samentos negativos com que sua mente de tempos em tempos lhe incomoda ou ameaça. Você 
precisará deles para trabalhar durante os exercícios. (Se você precisar de alguma ajuda com 
algumas, considere fazer estas perguntas: O que sua mente diz sobre seu corpo quando você 
se vê nu (ou nua) no espelho? O que sua mente lhe conta sobre suas habilidades como tera-
peuta quando você acabou de ter uma sessão realmente desafiadora onde nada deu certo? O 
que sua mente lhe diz quando realmente quer botar você "pra baixo" e lhe dizer que você não 
é bom o suficiente?) 
Conseguiu fazer? Agora, escolha o pensamento que mais lhe incomoda e use-o para trabalhar 
nos exercícios que apresentaremos a seguir. (No início de cada exercício, peço que você se 
funda com seu pensamento por dez segundos. Geralmente, você não precisará pedir isso a 
seus clientes para fazer isso, pois eles já estarão fundidos!) 
OS PENSAMENTOS COMO HISTÓRIAS 
 Coloque seu autojulgamento negativo em uma frase bem curta — no formato "Eu sou 
X". Por exemplo: Eu sou um fracassado ou Eu não sou inteligente o suficiente. 
 Agora funda-se com esse pensamento por dez segundos. Ou seja, fique preso neste 
pensamento e acredite nele tanto quanto possível. 
 Agora, de forma silenciosa, repita o pensamento mas com esta expressão antes dele: 
"Estou tendo o pensamento de que ... Por exemplo: Estou tendo o pensamento de que 
sou um fracassado. 
 Agora repita-o mais uma vez mas desta vez adicione a expressão "Noto que estou ten-
do o pensamento de que..." Por exemplo: Noto que estou tendo o pensamento de que 
sou um fracassado. 
O que aconteceu? Você conseguiu notar uma sensação de separação ou de distanciamento do 
pensamento? Caso não tenha conseguido, faça o exercício novamente mas com um pensa-
108 
 
mento diferente. Este é um exercício simples e agradável (adaptado de Hayes et al., 1999), 
que costuma dar uma experiência de desfusão a quase todos os que praticam. 
Em uma sessão de terapia, você pode seguir como abaixo: 
Terapeuta: Então, o que aconteceu com o pensamento? 
Cliente: Meio que perdeu um pouco do seu poder de machucar. 
Terapeuta: Você teve algum senso de separação ou distanciamento dele? 
Cliente: Sim Ele meio que bateu em retirada. 
Terapeuta: Você poderia me mostrar com suas mãos e seus braços para onde o pensamen-
to parecia se mover? 
Cliente: Para fora daqui. (O cliente estica os braços na frente do peito dele.) 
Terapeuta: Então, isso é uma parte do que entendemos por desfusão: você começa a se 
separar de seus pensamentos e a dar-lhes algum espaço para se movimentarem. 
Você poderia continuar também de outras maneiras. Por exemplo, você poderia perguntar ao 
cliente: "Eu me pergunto se você estaria disposto a tentar falar dessa maneira em nossas ses-
sões. Suponha que você tenha algum tipo de pensamento angustiante, doloroso ou inútil como 
Isto é muito difícil. Quando você tem um pensamento como esse, você poderia me dizer: "Es-
tou tendo o pensamento que isso é muito difícil?" 
Uma vez que esta combinação tenha sido estabelecida, você pode voltar a ela repetidas vezes 
e brincar com ela como uma breve intervenção. Aqui estão dois exemplos: 
Cliente: Eu não aguento isso. 
Terapeuta: Então você está pensando que você não pode lidar com isso. 
Terapeuta: Você poderia dizer isso novamente, mas desta vez, colocando a expressão "Eu 
estou pensando que ..." 
Cliente: Eu estou pensando que sou um idiota estúpido. 
Terapeuta: Você notou alguma diferença? 
Cliente: Sim, não me incomodou tanto na segunda vez. 
Claro, você pode usar essa técnica com sentimentos e impulsos também: "Estou com um sen-
timento de ansiedade" ou "Estou com vontade de fugir". 
CANTAR E USAR VOZES ESTRANHAS OU ENGRAÇADAS 
Para estes dois exercícios (retirados de Hayes et al., 1999), use o mesmo autojulgamento ne-
gativo que você usou acima, ou tente um novo caso o antigo tenha perdido seu impacto: 
 Coloque seu autojulgamento negativo em uma sentença curta — no formato "Eu sou 
X" — e funda-se com ele por dez segundos. 
 Agora, dentro de sua cabeça, silenciosamente cante o pensamento utilizando a melodia 
de "Parabéns pra Você". 
 Agora, dentro de sua cabeça, ouça a voz de um personagem de desenho animado, per-
sonagem de filme ou comentarista esportivo, falando o pensamento. 
O que aconteceu desta vez? Você notou uma sensação de separação ou de distanciamento do 
pensamento? Caso não tenha notado, faça o exercício novamente mas utilizando um pensa-
mento diferente. 
109 
 
Variações sobre o tema incluem cantar os pensamentos em voz alta, pronunciá-los em voz 
alta, ou dizê-los em de forma exageradamente lenta (por exemplo, Eeeeeuuuuuu ssssooooo-
ouuuuuuu bbbuuuurrrroooo "). Tenha em mente que, no contexto certo, técnicas como essas 
podem ser muito poderosas mas, no contexto errado, elas podem ser invalidantes ou até mes-
mo humilhantes. Por exemplo, você provavelmente não pediria a um cliente com um câncer 
terminal para cantar seus pensamentos sobre a morte ao ritmo de "Parabéns pra Você". 
 
 
 
 
 
 
 
A REPETIÇÃO DE TITCHENER 
Este exercício (Titchener, 1916) envolve três passos: 
1. Escolha um substantivo simples, como "limão". Diga-o em voz alta uma vez ou duas ve-
zes e observe o que aparece psicologicamente — que pensamentos, imagens, cheiros, 
gostos ou lembranças vêm à mente. 
2. Agora repita a palavra muitas vezes, em voz alta e o mais rápido possível, por trinta se-
gundos — até que se torne apenas um som sem sentido. Por favor, tente isso agora com 
a palavra "limão" (ou alguma outra palavra de sua preferência) antes de continuar a ler. 
Você deve fazer isso em voz alta para que seja eficaz. 
3. Agora, repita o exercício com uma palavra que evoque julgamento — uma palavra que 
você tende a usar quando se julga severamente, por exemplo, "ruim", "gordo", "idiota", 
"egoísta", "perdedor". "incompetente" — ou uma expressão de duas palavras, como 
"mãe ruim". 
Por favor, tente isso agora e observe o que acontece. A maioria das pessoas acha que a palavra 
ou expressão se torna sem sentido dentro de cerca de trinta segundos. Então, conseguimos vê-
la pelo que realmente é: um som estranho, uma vibração, um movimento da boca e da língua. 
Mas quando essa mesma palavra ou expressão aparece em nossa cabeça e nós nos fundimos 
com ela, isso tem um grande impacto em nós. 
TELA DE COMPUTADOR 
Este exercício (Harris, 2006) é particularmente útil para pessoas que são boas em visualizar. 
Você também pode convertê-lo em um exercício escrito, usando folhas de papel e canetas de 
cores diferentes: 
 Funda-se com o seu autojulgamento negativo por dez segundos. 
 Agora imagine uma tela de computador e veja que seu pensamento está escrito nessa 
tela como um texto simples escrito em fonte preta. 
 Agora, em sua mente, brinque com a cor. Veja o texto escrito em verde, depois em 
azul e depois em amarelo. 
Dica Prática: Com essas técnicas de desilusão, seu cliente muitas vezes vai esboçarum sorriso ou rir. Não estamos almejando especificamente esse resultado, mas, 
quando isso acontece, normalmente é um sinal de que houve uma desfusão signi-
ficativa, e geralmente é útil destacar isso para o cliente: "Você está sorrindo. O que 
está acontecendo? Este é um pensamento negativo realmente desagradável, não é? 
O que te levou a sorrir?" No entanto, se seu cliente começar a julgar asperamente o 
pensamento — "Ele parece tão bobo" ou "É um pensamento estúpido, não é?" — , 
então queremos desfundir esses julgamentos também. 
Por exemplo, podemos dizer: “Bem, o importante é notar que é apenas um monte de pala-
vras. Nós não precisamos julgar. Vamos apenas ver o que é: um monte de palavras que 
entraram na sua cabeça.” 
 
110 
 
 Agora, na sua imaginação, brinque com a fonte. Veja-o escrito em itálico, depois em 
gráficos elegantes e, em seguida, em uma dessas fontes grandes e divertidas que cos-
tumamos ver nos livros infantis. 
 Agora, coloque o texto de volta como texto em preto, e desta vez brinque com o for-
mato. Junte as palavras. Depois, deixe-as bem separadas. Em seguida, coloque-as na 
tela verticalmente. 
 Agora, retorne mais uma vez ao texto preto, e desta vez, em sua mente, anime as pala-
vras como os personagens da Vila Sésamo. Faça as palavras saltarem para cima e para 
baixo, ou contorcer-se como uma lagarta, ou girar em círculo. 
 Novamente volte ao texto em preto, e desta vez imagine uma bola de karaokê pulando 
de palavra em palavra. (E se você gosta, ao mesmo tempo, ouça "Parabéns pra Você"). 
Técnicas "Meditativas" 
Você notará que neste livro eu falo sobre habilidades de atenção plena, e não de meditação de 
atenção plena. Isso deve ao fato de que, do ponto de vista da ACT, a meditação formal é apenas 
uma das formas de aprender as habilidades básicas de desfusão, aceitação e contato com o mo-
mento presente. Se os clientes quiserem praticar meditação ou outras práticas formais de atenção 
plena, tais como yoga ou tai chi, isso é ótimo — quando se trata de aprender novas habilidades, 
quanto mais se pratica, melhor — mas definitivamente não é algo que esperamos ou pedimos. 
Dito isto, algumas técnicas de desfusão, como as duas que se seguem — Folhas na Corrente-
za (Hayes et al., 1999) e Observe seu Pensamento — trazem ao praticante uma sensação me-
ditativa. Nesses exercícios, observamos nossos pensamentos com abertura e curiosidade, — 
observamos eles indo e vindo sem reagir a eles — sem julgá-los, sem nos agarrar a eles ou 
querer afastá-los. 
FOLHAS NA CORRENTEZA 
1. Encontre uma posição confortável e feche os olhos ou fixe os olhos em um ponto, o que 
preferir. 
2. Imagine que você está sentado ao lado de um riacho que flui suavemente e que há fo-
lhas fluindo na superfície do riacho. Imagine como quiser, é a sua imaginação. (Pausa 
de 10 segundos) 
3. Agora, pelos próximos minutos, tome cada pensamento que surge em sua cabeça, colo-
que-o sobre uma folha, e deixe que ele flutue com a correnteza. Faça isso independen-
temente de os pensamentos serem positivos ou negativos, agradáveis ou dolorosos. 
Mesmo que sejam os pensamentos mais maravilhosos, coloque-os sobre a folha e deixe-
os flutuar. (Pausa de 10 segundos) 
4. Se seus pensamentos pararem, apenas observe a correnteza. Mais cedo ou mais tarde, 
seus pensamentos começarão de novo. (Pausa de 20 segundos) 
5. Permita que a correnteza flua em seu próprio ritmo. Não a acelere. Você não está ten-
tando limpar as folhas — você está permitindo que elas venham e se vão em seu próprio 
momento. (Pausa de 20 segundos) 
6. Se sua mente diz Isso é estúpido ou Eu não consigo fazer isso, coloque esses pensamen-
tos sobre uma folha. (Pausa de 20 segundos) 
7. Se uma folha ficar presa, deixe que fique assim. Não force a flutuar. (Pausa de 20 se-
gundos) 
111 
 
8. Se surgir um sentimento difícil, como tédio ou impaciência, simplesmente reconheça isso. 
Diga a si mesmo: "Aqui está um sentimento de tédio" ou "Aqui está um sentimento de im-
paciência". Em seguida, coloque essas palavras sobre uma folha e deixe a folha fluir. 
9. De tempos em tempos, seus pensamentos vão fisgar você e você perderá a noção do 
exercício. Isso é normal e natural e vai continuar acontecendo. Assim que você perceber 
que isso aconteceu, apenas reconheça isso e comece o exercício novamente. 
Após a instrução 9, continue o exercício por mais alguns minutos, periodicamente pontuando 
o silêncio com este lembrete: "Seus pensamentos vão fisga-lo repetidas vezes. Isso é normal. 
Assim que você perceber que foi fisgado, comece o exercício novamente desde o começo. " 
Posteriormente, faça perguntas ao cliente sobre exercício: Que tipo de pensamentos fisgaram 
você? Como foi deixar os pensamentos irem e virem sem ficar preso a eles? Foi difícil aban-
donar algum pensamento em particular? (Os clientes muitas vezes querem manter os pensa-
mentos positivos, mas isso anula o propósito do exercício — o objetivo é aprender como dei-
xar os pensamentos irem e virem.) Quais sentimentos apareceram? Foi útil tomar conheci-
mento do sentimento (como na instrução 8)? (Esta é uma técnica de aceitação.) 
O cliente acelerou o fluxo da correnteza, tentando limpar os pensamentos ou se livrar deles? 
Se assim for, ele provavelmente está transformando o exercício em uma técnica de controle, 
tentando se livrar dos pensamentos. Este não é o objetivo. O objetivo é observar o "fluxo de 
pensamentos" natural, permitindo que eles venham e saiam em seu próprio tempo. É por isso 
que incluí a instrução 5 no exercício. 
Você pode terminar o exercício com uma instrução simples como esta: "E agora, finalize o 
exercício ... sente-se em sua cadeira ... e abra os olhos. Olhe ao redor na sala ... e observe o 
que você pode ver e ouvir ... e se alongue. Bem-vindo de volta! " 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBSERVE SEUS PENSAMENTOS 
1. Eu convido você agora a sentar-se ereto e deixar seus ombros caírem. Suavemente em-
purre seus pés no chão e tenha uma noção do chão abaixo de você. Você pode manter 
os seus olhos fechados ou olhar para baixo. 
2. Agora, apenas pare por um momento e observe como você está sentado. (Pausa de 5 se-
gundos.) Observe como você está respirando. (Pausa de 5 segundos.) E nas próximas 
poucas respirações, realmente observe a respiração — estude-a — note que ela flui para 
dentro e para fora. (Pausa de 10 segundos.) Observe-a como se você fosse um cientista 
curioso que nunca tinha observado a respiração antes. (Pausa de 10 segundos.) 
Dica Prática: Algumas pessoas acham a visualização muito difícil. Eu sou um de-
les. Por isso, uma boa ideia, no início de qualquer exercício que exija o uso da 
imaginação, é dizer: “Pessoas diferentes imaginam de maneiras diferentes. Algu-
mas veem imagens muito vivas como em uma tela de TV. Outras pessoas imagi-
nam com palavras, sons, sentimentos ou ideias. Qualquer que seja a forma como 
você imagina ou visualiza algo, ela está bem." 
Para o exercício das Folhas na Correnteza, eu sempre ofereço a alternativa de ima-
ginar uma “escuridão em movimento” ou uma “faixa preta em movimento” — 
apenas uma sensação de algo escuro e expansivo que simplesmente continua se 
movendo suavemente. Você coloca seus pensamentos na escuridão em movimen-
to e não nas folhas. 
 
112 
 
3. Agora mude sua atenção da sua respiração para seus pensamentos, e veja se você pode 
notar seus pensamentos: Onde estão seus pensamentos? Onde eles parecem estar loca-
lizados no espaço? (Pausa de 10 segundos.) Se seus pensamentos são como uma voz, 
onde esta voz está localizada? Ela está no centro da sua cabeça ou em um dos lados? 
(Pausa 10 segundos.) 
4. Observe a forma dos seus pensamentos: eles são mais como imagens, ou como palavras 
ou sons? (Pausa de 10 segundos.) 
5. Seus pensamentos estão se movendo ou estão imóveis? Se estão se movendo, a que ve-
locidade e em qual direção? Se estão imóveis, onde eles estão suspensos ou pairando? 
6. O que estáacima e abaixo dos seus pensamentos? Há alguma lacuna entre eles? 
7. Nos próximos minutos, observe seus pensamentos indo e vindo como se você fosse um 
cientista curioso que nunca tenha encontrado algo assim antes. 
8. De tempos em tempos, você será fisgado pelos seus pensamentos e perderá o controle 
do exercício. Isso é normal e natural e vai continuar acontecendo. Assim que você per-
ceber que isso aconteceu, reconheça isso de forma gentil, e então comece o exercício 
novamente. 
Você poderia continuar com isso por vários minutos, com lembretes periódicos da última ins-
trução — ou se você quiser apenas fazer um exercício rápido, você pode acabar nesse ponto, 
como sugerido no último exercício. Analise o exercício depois, como com Folhas na Corren-
teza. 
Realçando a Desfusão: Metáforas sobre "Deixar Ir" 
A desfusão está implícita em qualquer exercício ou prática de atenção plena: quanto mais en-
tramos no mundo da experiência direta, mais deixamos para trás o mundo da linguagem. No 
entanto, como você verá nos próximos três capítulos, alguns exercícios de atenção plena são 
mais voltados para a aceitação, para o contato com o momento presente ou com o eu observa-
dor. Podemos acentuar a desfusão em qualquer exercício de atenção plena adicionando uma 
metáfora ou duas sobre "deixar ir". Seguem, a seguir, alguns exemplos. 
Deixe seus pensamentos ir e vir como 
 carros passando do lado de fora de sua casa 
 nuvens flutuando pelo céu 
 pessoas caminhando do outro lado da rua 
 malas em uma esteira 
 bolhas subindo à superfície de uma lagoa 
 ondas lavando suavemente na praia 
 pássaros voando pelo céu 
 trens que entram e saem da estação, ou 
 folhas soprando suavemente ao vento. 
Equívocos comuns do cliente 
Os clientes geralmente têm concepções errôneas sobre a desfusão (assim como muitos novos 
terapeutas). Eles podem pensar que o objetivo da desfusão é livrar-se de pensamentos, ima-
gens ou lembranças dolorosas ou reduzir os sentimentos dolorosos associados a eles. Mas não 
é. Por favor lembre-se: 
113 
 
 O objetivo da desfusão NÃO é se sentir melhor ou se livrar de pensamentos indesejá-
veis. 
 O objetivo da desfusão É reduzir a influência de processos cognitivos inúteis sobre o 
comportamento e facilitar a presença psicológica e o engajamento na experiência. 
 Em outras palavras, o objetivo da desfusão é possibilitar uma vida consciente e basea-
da em valores. 
Os clientes frequentemente descobrem que, quando se desfundem de um pensamento doloro-
so, ele desaparece, ou se sentem melhor, ou ambos. Quando isso acontece, o terapeuta precisa 
esclarecer que (1) isso é apenas um bônus, não o objetivo principal, e (2) nem sempre vai 
acontecer, então não espere por isso. Se o terapeuta não fizer isso, os clientes começarão a 
usar a desfusão para tentar controlar seus pensamentos e sentimentos. E então, é claro, a des-
fusão não funciona mais como uma técnica de atenção plena, mas como uma técnica de con-
trole. E então é apenas uma questão de tempo até que o cliente se frustre ou se desaponte. 
Aqui estão dois exemplos de como o terapeuta pode lidar com isso: 
Cliente: Isso foi ótimo. O pensamento foi embora. 
Terapeuta: Bem, às vezes isso acontece e às vezes não. Às vezes, um pensamento apenas 
fica por perto. Nosso objetivo não é tentar fazer com que ele desapareça — 
nosso objetivo é pararmos de ficar presos nele, criar algum espaço para ele, 
permitir que ele esteja ali sem lutar — de modo que, se e quando, ele ficar por 
ali por um tempo, ele não vai impedir você de fazer o que importa e de se en-
volver plenamente em sua vida. 
* * * 
Cliente: Isso é bom. Eu me sinto menos ansiosa agora. 
Terapeuta: Sim, bem, isso acontece muitas vezes com a desfusão, mas certamente nem 
sempre. A desfusão não é uma maneira mágica de controlar seus sentimentos. 
O objetivo é se desenredar de seus pensamentos para que você possa estar ple-
namente no momento presente e fazer as coisas que considera importantes. En-
tão, se você se sentir melhor, com certeza aproveite isso. Mas por favor, consi-
dere isso um bônus, não o objetivo principal. Se você começar a usar essas 
técnicas para controlar como você se sente, garanto que logo logo você vai fi-
car desapontada. 
Se sua cliente parecer decepcionada ou surpresa quando você disser isso, significa que ela 
entendeu mal o propósito da desfusão. Nesse caso, você precisará recapitular isso e talvez seja 
necessário visitar (ou revisitar) a desesperança criativa. Uma maneira de fazer uma recapitula-
ção rápida é "repetir" a METÁFORA DA ACT SINTETIZADA, do capítulo 1, ou a metáfora AS 
MÃOS COMO PENSAMENTOS, do capítulo 2. 
NÃO ESTÁ FUNCIONANDO 
Às vezes você não percebe que seu cliente perdeu o ponto de desfusão. Tudo bem, ele logo 
voltará e lhe contará. Ele vai dizer algo como "não está funcionando!" Nesse caso, pergunta-
mos: "O que você quer dizer com 'não está funcionando'?" Então ele diz: "Bem, eu tentei to-
das essas técnicas de desfusão, mas eu ainda me sento muito ansioso". E eis, pronto! Aqui 
temos a agenda de controle. Podemos agora recapitular o propósito da desfusão e esclarecer 
que ela não é uma ferramenta para controlarmos nossos sentimentos. O fato é que nossas 
emoções podem ou não mudar quando nos desfundimos dos pensamentos dolorosos. (Se isso 
lhe parece estranho, tenha em mente que é um mito que nossos pensamentos criam nossas 
emoções. Nossas emoções estão sob múltiplas fontes de influência a qualquer momento, e 
114 
 
nossos pensamentos são apenas uma influência entre muitas, e desfundir-nos deles poderá ter 
pouco ou nenhum impacto em nosso estado emocional.) 
MAS É VERDADE! 
De tempos em tempos, um cliente irá resistir ou criticar uma técnica de desfusão, alegando 
que o pensamento é verdadeiro. Geralmente é mais fácil responder este tipo de contestação 
em termos de funcionalidade: "A questão é que, na ACT, não estamos muito interessados em 
saber se seus pensamentos são verdadeiros ou falsos, mas se são úteis. Se você mantiver esse 
pensamento firmemente, será que isso vai ajudar você a viver a vida que você quer viver? 
Fazer isso vai ajudar você a alcançar seus objetivos, melhorar seus relacionamentos ou agir 
como a pessoa que deseja ser? " 
Abaixo segue um exemplo de uma sessão de terapia: 
Cliente: Mas é verdade. Eu sou uma mãe ruim. 
Terapeuta: Bem, uma coisa que eu nunca pretendo fazer aqui é debater com você sobre o 
que é verdadeiro e o que é falso. O que nos interessa é se este pensamento é 
útil. Quando você fica fisgado por esse tipo de pensamento, isso ajuda você a 
ser o tipo de mãe que gostaria de ser? 
Cliente: Às vezes isto me obriga a agir. 
Terapeuta: Às vezes sim. Mas na maioria das vezes isso apenas puxa você para baixo, não é? 
Cliente: Sim. 
Terapeuta: E uma vez que você foi arrastado para as profundezas, é quando você vai estar 
mais propenso a negligenciar as crianças, certo? Então, na maioria das vezes, 
ficar preso nesse pensamento não ajuda você a ser a mãe que você quer ser. 
Cliente: Não. 
Terapeuta: Suponha que você esteja no meio do mar, seu barco emborcou e você está se-
gurando firmemente uma mala pesada. Você não quer deixá-la ir porque ela es-
tá cheia de pertences preciosos. Mas ela está arrastando você para baixo, pu-
xando você para baixo da água. O que você faria? 
Cliente: Soltaria a mala. 
Terapeuta: Certo. E uma vez que você soltar a mala, você pode usar sua energia para fazer 
algo útil, como nadar em direção à costa. Então, que tal fazer o mesmo com a 
história da "mãe má"? Independentemente de ela ser verdadeira ou falsa, dei-
xe-a de lado para que você possa usar sua energia em ser o tipo de mãe que 
você realmente quer ser. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesse ponto, o terapeuta pode optar por mudar de rumo e explorar um pouco 
os valores: descobrir que tipo de mãe a cliente gostaria de ser. 
A Metáfora da Mala no Mar, como dada na transcriçãoacima, é útil tanto para 
a fusão quanto para a aceitação. 
115 
 
Quando a Desfusão Apresenta Efeitos Negativos 
De vez em quando pode acontecer que ao usar uma técnica de desfusão com um cliente ocorra 
o efeito oposto ao que você pretendia: seu cliente ficará ainda mais fundido do que antes. Fe-
lizmente isso não irá acontecer com frequência, mas se e quando acontecer, não é realmente 
um problema. Basta transformá-lo em uma oportunidade para ajudar seu cliente a discriminar 
entre fusão e desfusão - por exemplo: 
Terapeuta: Ah, me desculpe. Isso não saiu do jeito que eu esperava. Normalmente, esse 
exercício ajuda as pessoas a darem um passo atrás e se distanciarem de seus 
pensamentos, mas, nesse caso, parece ter tido o efeito oposto. Então, dado que 
isso aconteceu, vamos aprender com isso. Observe como você está ainda mais 
fundido com esse pensamento do que antes. Observe o impacto que está ele 
tendo em você. Isto é o que queremos dizer quando falamos em "fusão". 
Então, após analisar o ocorrido e conversar com o cliente sobre isso, você pode sugerir um 
exercício de desfusão diferente. 
Mais Técnicas 
Atualmente, existem mais de cem técnicas de desfusão documentadas em livros didáticos e 
livros de autoajuda da ACT, e muitas outras que nunca foram escritas. E há muitas oportuni-
dades para você ou seus clientes modificarem técnicas antigas ou criarem novas. Você pode 
fazer qualquer coisa que coloque o pensamento em um novo contexto, onde você possa vê-lo 
pelo que ele realmente é: nada mais e nada menos do que palavras ou imagens; nada com que 
você precise lutar, se apegar ou fugir. 
Por exemplo, você pode visualizar o pensamento como uma legenda em um cartão de felicita-
ções, escrito em glacê em um bolo de aniversário ou aparecendo dentro do balão de um per-
sonagem de quadrinhos. Ou você pode imaginar o pensamento vindo de um rádio, ou ouvi-lo 
na voz de um conhecido político ou comentarista esportivo. Ou você pode se imaginar dan-
çando com o pensamento, andando de mãos dadas com ele pela rua, ou fazê-lo saltar para 
cima e para baixo como se estivesse picando uma bola. Você pode desenhar ou pintar o pen-
samento, escrevê-lo em cores diferentes ou esculpir em argila. Você pode visualizá-lo na ca-
miseta de um atleta, imaginá-lo como uma mensagem de texto no celular ou vê-lo como um 
pop-up no seu computador. Você pode cantá-lo em diferentes estilos musicais (por exemplo, 
ópera, jazz, rock, etc.), dizê-lo com um sotaque estrangeiro escandaloso, ou ter um boneco 
dizendo isso em voz alta. As opções são infinitas. Então, antes de continuar lendo, veja se 
você consegue pensar em algumas técnicas próprias. E divirta-se com isso. (Quantas vezes 
você já leu algo assim em um livro-texto?) 
Mais Metáforas 
Você também pode usar todos os tipos de metáforas para ajudar com a desfusão. Uma das 
mais úteis é comparar a mente a "um mestre contador de histórias", porque isso se encaixa 
muito bem quando nos referimos aos pensamentos como "histórias". 
A METÁFORA DO MESTRE CONTADOR DE HISTÓRIAS 
Terapeuta: Nossa mente é como o maior contador de histórias do mundo. Ela nunca se 
cala. Sempre tem uma história para contar e adivinha o que ela quer mais do 
que qualquer outra coisa? 
Cliente: (encolhe os ombros e sacode a cabeça) 
116 
 
Terapeuta: Ela quer o que qualquer bom contador de histórias quer. Ela quer que a gente 
escute. Quer toda a nossa atenção. E ela vai dizer o que puder para chamar 
nossa atenção. Mesmo que seja doloroso ou desagradável ou assustador. E al-
gumas das histórias que ela nos conta são verdadeiras. Essas nós chamamos de 
"fatos". Mas a maioria das histórias que ela nos conta não podem realmente ser 
chamadas de "fatos". Elas são mais como opiniões, crenças, ideias, atitudes, 
suposições, julgamentos, previsões e assim por diante. São histórias sobre co-
mo vemos o mundo, sobre o que queremos fazer e o que achamos que é certo e 
errado ou justo e injusto, e assim segue. E uma das coisas que queremos fazer 
aqui na terapia é aprender como reconhecer quando uma história é útil e quan-
do não é. Então, se você está disposto, podemos fazer um exercício agora. Pe-
ço que feche os seus olhos e fique em silêncio por cerca de trinta segundos e 
apenas ouça a história que sua mente está lhe contando agora. 
OUTRAS METÁFORAS 
Você também pode comparar a mente com 
 uma máquina de gerar palavras: ela produz um fluxo interminável de palavras; 
 uma rádio: a Rádio Desgraça e Melancolia gosta de transmitir muita tristeza sobre o 
passado, muita desgraça sobre o futuro e muita insatisfação com o presente; 
 um pirralho mimado: ela faz todos os tipos de exigências e faz birra se não consegue o 
que quer; 
 uma máquina de produzir justificações: produz uma lista interminável de justificações 
pelas quais você não pode ou não deve mudar; 
 um ditador fascista: ela constantemente lhe ordena e lhe diz o que você pode e não po-
de fazer; ou 
 uma fábrica de julgamentos: ela passa o dia todo fazendo julgamentos. 
E assim por diante. Uma vez que você usou essas metáforas com um cliente — e partindo do 
pressuposto que o cliente as adotou — você pode voltar a elas repetidas vezes em sessões 
subsequentes e utilizá-las como intervenções breves de desfusão. Por exemplo, em resposta a 
um cliente que traz todo um fluxo de autojulgamentos negativos, você pode dizer: "Lá vem a 
fábrica de julgamentos novamente; ela está realmente muito ativa hoje". Ou em resposta a um 
cliente que fica dizendo: "Eu deveria fazer X, tenho que fazer Y!" você pode dizer: "Uau! Pa-
rece que aquele pequeno ditador fascista dentro de sua cabeça está realmente estabelecendo a 
lei hoje". 
Você provavelmente já conhece algumas metáforas para a mente: por exemplo, o "tagarela" e 
o "crítico interior" são ambos de uso comum. Antes de continuar lendo, por que não reservar 
alguns momentos para ver se você pode criar uma ou duas metáforas de sua própria autoria. 
Não Esqueça O Cliente 
Quando eu era novo na ACT, havia momentos em que eu ficava tão envolvido em brincar 
com todas essas maravilhosas novas técnicas de desfusão que eu esquecia o ser humano na 
minha frente. Então, precisamos nos lembrar: fazemos técnicas com clientes, não em clientes. 
E a ACT não é sobre o fornecimento de técnicas: é sobre construir uma vida baseada em valo-
res e com vitalidade. 
Portanto, uma conexão atenta e sintonizada com o cliente é essencial em todo esse trabalho. 
117 
 
Precisamos estar atentos aos nossos clientes, respeitosos em relação a onde eles se encontram 
e abertos às suas respostas. E se ficarmos tão envolvidos em fornecer técnicas que negligenci-
amos o relacionamento, então, assim que notarmos isso, devemos nos desculpar: "Uau! Sinto 
muito. Acabei de me dar conta o que tenho feito aqui. Fiquei tão enredado em meu próprio 
entusiasmo, que acabei perdendo o contato com você. Podemos parar por um momento e vol-
tar um pouco, para onde estávamos antes de eu começar a bombardear você com todas essas 
coisas? " 
Esse tipo de interações não apenas nos ajudam a criar um relacionamento confiante e aberto; 
eles também nos permitem modelar a autoconsciência e a autoaceitação. E eles demonstram 
que estamos no mesmo barco que nossos clientes: que nós também podemos ser fisgados em 
nossas cabeças e perder o contato com o momento presente — e podemos nos trazer de volta 
ao presente e agir efetivamente! 
PSICOEDUCAÇÃO 
Muitos protocolos da ACT incluem quantidades significativas de psicoeducação. Sempre que 
possível, isso é feito através de exercícios ou metáforas experienciais, em vez de didaticamen-
te. As metáforas são particularmente úteis para o ensino porque (a) elas transmitem muita 
informação em um curto espaço de tempo; (b) os clientes tendem a aceitá-los porque são tru-
ísmos; e (c) os clientes tendem a lembrar-se deles. 
Dois componentes psicoeducacionais comumente ligados à desfusão foramabordados no úl-
timo capítulo: "a ilusão de controle" e "a normalidade do controle". Dois outros componentes 
frequentemente usados são "a normalidade do pensamento negativo" e "a ilusão de que os 
pensamentos controlam as ações" 
A Normalidade do Pensamento Negativo 
Considerar o pensamento negativo como algo normal geralmente facilita a aceitação e a des-
fusão. Os clientes se tornam mais dispostos a ter seus pensamentos e tentam menos se livrar 
deles. Como bônus, os clientes muitas vezes sentem uma sensação de alívio ao saber que são 
"normais". Estamos enviando a eles uma mensagem poderosa: "Sua mente não é disfuncional; 
está apenas fazendo o que todas as mentes fazem. Nossas mentes evoluíram para julgar, com-
parar e prever o pior. Sua mente está apenas fazendo o seu trabalho." A transcrição que se 
segue, sobre a inevitabilidade da comparação, também pode ser útil para uma intervenção de 
desesperança criativa. Descrevemos abaixo como podemos transmitir isso aos clientes, exceto 
que na vida real faríamos uma pausa de vez em quando para fazer um checagem com o clien-
te: "Isso soa um pouco como a sua mente 
A INEVITABILIDADE DA COMPARAÇÃO 
Terapeuta: Já falamos um pouco sobre como nossa mente evoluiu para pensar negativa-
mente, mas tem mais coisas sobre isso. Em tempos pré-históricos, algo absolu-
tamente essencial para a sobrevivência de alguém era pertencer a um grupo. Se 
o grupo expulsasse essa pessoa, não demoraria muito para que os lobos a devo-
rassem. Então, como a mente agiria para impedir que isso acontecesse? Ela a 
levava se comparar a todos os membros da tribo: "Estou me encaixando? Estou 
fazendo a coisa certa? Estou fazendo isso bem o suficiente? Estou fazendo al-
guma coisa que poderia me levar a ser expulsa do grupo?" Como resultado, 
nossa mente moderna sempre nos compara aos outros. Mas agora, não há ape-
nas um pequeno grupo ou tribo. Agora podemos nos comparar a todos no pla-
118 
 
neta — aos ricos, famosos e lindos astros de cinema, aos melhores atletas, até 
aos super-heróis fictícios. E não precisamos procurar muito para encontrar al-
guém que seja "melhor" que nós de alguma forma — mais rico, mais alto, mais 
velho, mais jovem, mais cabelo, melhor pele, mais status, roupas mais estilo-
sas, carro maior e assim por diante. Como resultado de tudo isso, estamos to-
dos andando com alguma versão da história "Eu não sou bom/boa o suficien-
te". Para a maioria de nós, isto começa na infância; para algumas poucas pes-
soas, só começa na adolescência. E este é o segredo mais bem guardado do 
planeta. Todo mundo tem várias versões dessa história — "Eu sou muito velho 
/ gordo / estúpido / chato / falso / desagradável / preguiçoso / incompetente, 
blá-blá-blá" ou "Eu não sou esperto o suficiente / rico o suficiente / magro o 
suficiente, e assim por diante." Todos nós temos essa história, mas quase nin-
guém fala sobre isso. 
A Ilusão De Que Nossos Pensamentos Controlam Nossas Ações 
Uma das principais percepções que queremos que nossos clientes compreendam de forma 
vivencial é a de que nossos pensamentos não controlam nossas ações. Os pensamentos têm 
muita influência sobre nossas ações quando nos fundimos com eles; mas eles têm muito me-
nos influência quando nos desfundimos deles. Uma vez que os clientes entendam isso, isso 
nos permite fazer intervenções breves como estas: 
Cliente: Eu acho que não vou conseguir fazer isso. 
Terapeuta: Será que você consegue ter esse pensamento e ainda assim fazê-lo? 
 
* * * 
 Cliente: Eu já sei que isto vai acabar mal. 
Terapeuta: Bem, é isso que sua mente vai lhe dizer. Você pode deixar sua mente lhe dizer 
isso e ainda assim continuar com isso? 
As transcrições que se seguem destacam uma visão mais realista da relação entre pensamen-
tos, sentimentos e ações. Eles estão escritos como podemos comunicá-los aos nossos clientes. 
SE NOSSOS PENSAMENTOS E SENTIMENTOS CONTROLASSEM NOSSAS AÇÕES 
Terapeuta: Se nossos pensamentos e sentimentos realmente controlassem nossas ações, 
onde estaríamos? Pense em todos os pensamentos e sentimentos raivosos, res-
sentidos e vingativos que você já teve. Lembre-se de todas aquelas coisas de-
sagradáveis que você pensou em dizer ou fazer com as pessoas com as quais 
estava zangada. Imagine se esses pensamentos e sentimentos tivessem contro-
lado suas ações — se você tivesse realmente feito todas essas coisas. Onde es-
taríamos todos se nossos pensamentos e sentimentos controlassem nossas 
ações? (Espere que a cliente responda. Ela provavelmente vai dizer "na pri-
são", "no hospital" ou "morta". Se ela não fizer isso, você pode fornecer essas 
respostas para ela.) 
VOCÊ JÁ TEVE PENSAMENTOS E SENTIMENTOS QUE VOCÊ NÃO SEGUIU 
Terapeuta: Você já teve pensamentos e sentimentos que você não seguiu? Por exemplo, 
você já pensou "eu não consigo fazer isso", mas você foi em frente e fez mes-
119 
 
mo assim? (Depois dessa e de cada pergunta subsequente, tente extrair as res-
postas do cliente.) Você já teve pensamentos sobre gritar com alguém, termi-
nar a relação com seu parceiro, pedir demissão de seu emprego, mas não agiu 
com base neles? Você já se sentiu zangada, mas agiu com calma? Você já se 
sentiu assustada, mas agiu com confiança? Você já se sentiu triste, mas agiu 
como se estivesse feliz? Você já se sentiu querendo fugir de uma situação 
constrangedora ou estressante, mas ficou? O que isso mostra para você? Seus 
pensamentos e sentimentos realmente controlam suas ações, ou você tem al-
guma escolha sobre como você age? 
NÃO CONSIGO LEVANTAR MEU BRAÇO 
Terapeuta: Eu gostaria que você repetisse silenciosamente para si mesma Eu não consigo 
levantar meu braço. Diga isso mentalmente repetidas vezes e enquanto você 
diz isso, levante seu braço. (Espere até que o cliente levante o braço. Geral-
mente haverá uma pausa de um segundo ou dois.) Então você consegue levan-
tar o braço, mesmo quando sua mente lhe diz que você não pode. Você notou 
se em algum momento hesitou? Estamos tão acostumados a acreditar no que 
nossas mentes nos dizem, que por um momento você realmente pode ter acre-
ditado. Agora repita para si mesmo: "Eu tenho que me levantar" e, enquanto 
diz isso, permaneça sentado. 
SUMÁRIO DE TÉCNICAS DE DESFUSÃO 
O diagrama abaixo (veja a figura 7.1) INCLUI muitas técnicas comuns de desfusão (mas nem 
mesmo perto todas elas). A caixa na parte inferior é intitulada "As Clássicas", porque todas 
vêm do primeiro livro do ACT já escrito, Terapia de Aceitação e Compromisso: Uma Abor-
dagem Experimental à Mudança de Comportamento (Hayes et al., 1999), e representam al-
gumas das mais antigas técnicas de ACT em uso. A maioria das caixas é autoexplicativa, mas 
eu gostaria de abordar rapidamente em algumas delas. 
Resolução de Problemas 
Um cliente muitas vezes se sentirá muito culpado se tiver pensamentos sobre se matar, ou 
desejar morrer, ou deixar seu parceiro, ou fugir de seus filhos. Esses são pensamentos comuns 
que muitas pessoas têm quando estão sob estresse, e podemos normalizá-los, validá-los e re-
formulá-los, indicando: "Esta é apenas a solução de problemas da sua mente. Foi isso que ela 
evoluiu para fazer". A desfusão acontece quando o cliente consegue reconhecer o pensamento 
como meramente um produto automático daquela incrível "máquina de solução de problemas" 
que chamamos de mente. (Você pode vincular isso à Metáfora da Máquina para Resolução de 
Problemas no capítulo 2) 
Funcionalidade/Pragmatismo 
As questões nessas caixas analisam a função dos pensamentos em oposição ao conteúdo. To-
dos eles fazem a mesma pergunta: como funciona para você, em termos de viver uma vida 
rica e plena, se você se fundir com um pensamento - isto é, se você permitir que ele tenha uma 
grande influência sobre suas ações? Isso claramente evita a questão de se os pensamentos são 
verdadeiros ou falsos. Abaixo estão algumas perguntas mais úteis para os clientes se pergun-
tarem.120 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 7.1 – Sumário de Técnicas de Desfusão 
Questões Úteis para Pensamentos Inúteis 
 Este pensamento é útil ou vantajoso de alguma forma? 
 Esta é uma história antiga? Eu já ouvi ela antes? 
 O que eu ganharia por aceitar essa história? 
 Isso poderia ser útil, ou minha mente está apenas balbuciando? 
 Esse pensamento me ajuda a agir de forma efetiva? 
 Se eu deixar esse pensamento guiar minhas ações, em que direção isso vai me levar? 
Rumo a uma vida pela baseada em valores, ou a uma vida de luta e sofrimento? 
 Esse pensamento me ajuda a ser quem eu quero ser? 
121 
 
Insight/Ganhos Secundários 
As questões nessas caixas também focam a função dos pensamentos. O cliente desenvolve 
insight sobre como seu comportamento muda quando ele se funde com pensamentos e se tor-
na consciente dos custos e benefícios quando permite que isso aconteça. Esse foco nos pen-
samentos também evita a questão do verdadeiro/falso. 
O Eu Observador 
Embora nos capítulos anteriores já tenhamos falado várias vezes sobre o eu-como-contexto 
(comumente conhecido como "eu observador"), não o abordaremos em profundidade até o 
capítulo 10. Eu só quero mencionar aqui que, uma vez que tivermos apresentado o eu obser-
vador e percorrido alguns dos exercícios breves do capítulo 10, teremos uma maneira de faci-
litar instantaneamente a desfusão: "Você consegue olhar para esse pensamento a partir da 
perspectiva do eu observador?" "Dê um passo para trás e veja se você pode olhar para os seus 
pensamentos do ponto de vista do seu eu observador", "Observe, esta é a sua mente em pleno 
voo — ela quer desesperadamente que você se envolva com o que ela está dizendo a você", 
Veja se você consegue entrar no espaço psicológico do seu eu observador e, a partir desse 
espaço, perceber o que seus pensamentos estão fazendo. " Ou o mais simples de todos: "Va-
mos olhar para esse pensamento a partir do eu observador". 
Mantendo a Desfusão Simples 
Como vimos, existem muitos tipos de técnicas de desfusão e certamente você pode se divertir 
inventando as suas próprias e/ou ajudando seus clientes a fazerem isso. No entanto, existem mui-
tas ocasiões em que, por um motivo ou outro, eu prefiro manter tudo muito simples. Então, aqui 
estão algumas das mais simples intervenções de desfusão que eu conheço: 
"Observe o que sua mente está dizendo agora." Esta simples frase — ou sua versão mais curta, 
"Note este pensamento" — geralmente gera desfusão imediatamente. Ela imediatamente faz com 
que seu cliente passe a observar seus pensamentos em vez de ser fisgado por eles. Claro, isso 
talvez não dê a ele um grande grau de desfusão, mas rapidamente cria um pequeno distanciamen-
to de seus pensamentos. Isso pode ser aumentado adicionando-se outras técnicas breves de des-
fusão. Por exemplo, você pode fazer perguntas como estas: "Esse é um pensamento útil?" 
"Quantos anos tem essa história?" "O que aconteceria se você se permitisse ficar envolvido nis-
so? Seria um bom uso do seu tempo e energia?" Alternativamente, você pode ir para respostas 
em que o cliente observe a forma (veja abaixo). 
Observe a forma. Você pode pedir ao seu cliente para perceber a forma do pensamento: "Ele é 
feito de palavras, sons ou de imagens? Você o vê, ou o escuta ou você apenas o sente?" Você 
pode optar por focar no som: "Como é esse pensamento na sua cabeça? É a sua própria voz ou a 
de outra pessoa? A voz é alta ou suave? Que emoção você consegue ouvir nessa voz?" Você 
também pode se concentrar em localização e movimento: "Feche os olhos por um momento e 
observe onde esse pensamento parece estar: Ele está na sua frente, acima de você, atrás de você, 
dentro da sua cabeça ou dentro do seu corpo? Ele está se movendo ou está parado? Se ele está se 
movendo, em que direção e a que velocidade está se movendo? 
A Metáfora das Mãos como Pensamentos. Você encontra este pequeno exercício no capítulo 
2. Trata-se de uma metáfora bem simples para fusão e desfusão que você pode utilizar para a 
ajudar os clientes a averiguar o quão fundidos eles estão, como na descrição a seguir: 
Cliente: Eu não mereço algo melhor. 
122 
 
Terapeuta: Então sua mente está lhe dizendo que você não merece algo melhor. Neste mo-
mento, o quanto você foi fisgado por este pensamento? Você está assim (segura 
as mãos sobre os olhos) ou assim (descansa as mãos no colo), ou algo intermedi-
ário? 
"Este é um pensamento interessante". Isto é o que eu digo quando não sei o que dizer. Quan-
do um cliente diz algo que me confunde, provoca uma forte reação, ou deixa minha mente agita-
da tentando descobrir como responder, acho que esta pequena frase me impede de ficar preso no 
conteúdo. É uma frase simples que lembra tanto a mim quanto a cliente que, não importa o que 
ela tenha acabado de dizer, estamos lidando com um pensamento. Ela nos convida a parar e olhar 
para o pensamento em vez de pular direto para o conteúdo do pensamento. Muitas vezes faço 
uma longa pausa depois de fazer esta afirmação, o que me permite concentrar-me para poder 
responder de forma eficaz e consciente. 
Agradeça sua Mente. Incentive seu cliente a agradecer sua mente por sua contribuição (Hayes 
et al., 1999). Você pode dizer: "Sempre que sua mente diz algo para você, não importa o quão 
desagradável ou assustador possa parecer, veja se você pode simplesmente responder, "obrigado 
mente!" Faça isso com um senso de humor e uma apreciação da incrível capacidade da sua men-
te para fisgar sua atenção com qualquer meio à sua disposição". 
Frases curtas. Quando seu cliente expressa um pensamento particularmente negativo, crítico ou 
inútil, você pode dizer "Legal!" com um tipo de abertura indiferente e humorística. Ou você pode 
usar outras palavras como "amável", "bonito" ou "muito criativo". Uma vez que o cliente "ob-
tém" o conceito, propósito e experiência de desfusão — e desde que exista um bom relaciona-
mento terapêutico para que não haja chance de o cliente se sentir invalidado ou depreciado — 
então você pode dizer essas palavras em resposta a uma ampla variedade de críticas, julgamen-
tos, pensamentos catastróficos ou outras "histórias desagradáveis". Acompanhado por uma ex-
pressão ou careta compassiva, dizendo "Ai!" também pode funcionar bem. 
Introduzindo a Desfusão: Parte 3 
A terceira e última parte desta transcrição começa mais ou menos 20 minutos depois do final da 
parte 2. Durante este período, o terapeuta conduziu a cliente através de várias técnicas breves de 
desfusão, pedindo a ela para trabalhar com alguns dos pensamentos que ela escreveu no cartão. 
Assim que ela conseguiu discriminar experimentalmente a fusão e a desfusão, ele explicou a mes-
ma didaticamente tal como sugerido no Sumário Simples de Fusão versus Desfusão do capítulo 2 
(página 21). Durante todo esse tempo, a cliente tinha o cartão no colo, como uma metáfora contí-
nua de desfusão e aceitação. Ocasionalmente, ela olhava para o cartão e o terapeuta perguntava: 
"Você foi fisgada?" Quando a cliente voltava a olhar para ele, o terapeuta fazia um comentário 
despreocupado como: "Ah. Você está de volta novamente". 
Agora, na parte 3, o terapeuta amarra toda a sessão com outra técnica de desfusão chamada Nome-
ando a História (Harris, 2007), que também serve perfeitamente como lição de casa. 
Terapeuta: Bem, vamos voltar para todos esses pensamentos que você escreveu no seu 
cartão. Vou lhe perguntar algo que talvez soe meio estranho. 
Cliente: Já estou ficando acostumada com isso. 
Terapeuta: Vamos supor que a gente pega todos esses pensamentos, bem como todos os 
sentimentos e memórias dolorosos que os acompanham, e os colocamos todos 
em um documentário (ou uma biografia) sobre sua vida. Vamos supor também 
que você dê ao filme (ou livro) um título curto — a história de algo, por exem-
plo, a história de "não sou boa" ou a história de "a vida é péssima". Então,co-
123 
 
mo você chamaria a história? E por favor, certifique-se de que o título reco-
nhece e honra o quanto você sofreu, - não escolha um título que banalize ou 
faça pouco caso do seu sofrimento. 
Cliente: Hmm. Poderia ser a história da "Jane inútil". 
Terapeuta: Ok. E você está segura de que este título reconhece o seu sofrimento e não o 
banaliza? 
Cliente: Sim. 
Terapeuta: Ok. Pode me dar o seu cartão por um momento? (A cliente entrega o cartão.) 
Vou escrever este título aqui atrás (O terapeuta vira o cartão e escreve: AHÁ! 
AQUI ESTÁ ELA DE NOVO! A HISTÓRIA DA "JANE INÚTIL"!) Ok, ago-
ra aqui está o que eu gostaria que você fizesse, se você quiser. Primeiro, peço 
que você leia todos esses pensamentos negativos desse lado. Em seguida, vire 
o cartão e leia o que está escrito no verso e observe o que acontece. 
Cliente: Você quer que eu leia em voz alta? 
Terapeuta: Não. Leia apenas mentalmente. E, honestamente, não sei o que vai acontecer. 
Você está disposta a fazer isso como um experimento? 
Cliente: Pode ser. (O terapeuta passa o cartão para a cliente. Ela silenciosamente lê 
todos os pensamentos negativos, com uma careta no rosto. Então ela vira o 
cartão e lê a declaração no verso. Então ela sorri.) 
Terapeuta: Você está sorrindo. Por quê? 
Cliente: É divertido, eu acho. É como você disse. Eu posso ver isso como uma história. 
É isso que é. É a história da "Jane inútil". 
Terapeuta: E você está presa nesta história? 
Cliente: Não. É como se ela estivesse no cartão. 
Terapeuta: Então, deixe-me perguntar o seguinte: Está tudo bem em ter essa história? Vo-
cê tem espaço para ela? 
Cliente: Sim, quando ela é assim. 
Terapeuta: Quando você está desfundida dela? 
Cliente: Sim. 
Terapeuta: Bem, é isso que estamos almejando. Você não pode se livrar da história — não 
sem uma grande cirurgia no cérebro —, mas você pode aprender a mantê-la de 
forma mais leve. 
Cliente: Bem, eu consigo fazer isso aqui. Mas eu não sei se vou conseguir lá fora. 
Terapeuta: Fico feliz que você tenha dito isso. Porque a desfusão é uma habilidade e pre-
cisa de prática. Como eu disse a você na última sessão, se você quer se tornar 
um bom guitarrista, você precisa praticar entre suas aulas de violão. Então, se 
você quer ficar melhor em fazer isso, você estaria disposta a praticar algumas 
coisas entre esta sessão e a próxima? 
Cliente: O que você gostaria que eu praticasse? 
Terapeuta: Bem, a primeira coisa é praticar nomear a história. Durante a próxima semana, 
sempre que aparecer um pensamento, um sentimento ou uma lembrança que 
esteja ligada a essa história, no momento em que você o perceber, eu gostaria 
124 
 
que você dissesse para si mesmo: "Ahá! A história da "Jane Inútil" ou algo pa-
recido. Você precisa fazer só isso. Apenas nomear a história. Às vezes, a histó-
ria vai fisgar você antes que você perceba. Isso é normal. A gente já espera is-
so. Assim que você perceber que isso aconteceu, diga a si mesmo: "Oh. Acabei 
de morder o anzol da história da "Jane Inútil". Você acha que pode fazer isso? 
Cliente: Sim. Eu vou me dar uma chance. 
Terapeuta: Tem mais uma coisa. E ela pode parecer um pouco estranha, então, por favor, 
sinta-se à vontade para dizer não, se você não quiser fazer isso. 
Cliente: Ok. 
Terapeuta: Ótimo. Bem, o que eu gostaria que você fizesse é levar esse cartão em sua bol-
sa durante a próxima semana e retirá-lo pelo menos quatro ou cinco vezes por 
dia. Leia todos esses pensamentos negativos e, em seguida, vire o cartão e leia 
o que está escrito no verso. 
Cliente: Espero que ninguém reviste a minha bolsa. 
Terapeuta: (Ri) Você está disposta a fazer isso? Não tem problema se você não quiser. 
Tem um monte de outras coisas que eu posso sugerir. 
Cliente: Não. Está bem assim. 
Terapeuta: Ótimo. 
Desembrulhando tudo isso: Parte 3 
Antes de encerrarmos este tópico, temos ainda algumas coisas a considerar: 
1. Nem sempre as coisas correm assim tão bem. Essa cliente aceitou a desfusão pronta-
mente. Alguns podem achar isso difícil ou errar o alvo. Outros podem voltar à agenda de 
controle. Se ocorrer este último, sua melhor aposta é voltar para a desesperança criativa. 
2. O terapeuta poderia ter usado qualquer outro tipo de técnicas de desfusão nesta sessão. 
Não há nada de essencial em escrever pensamentos em um cartão ou nomear a história. 
No entanto, como você provavelmente adivinhou, o terapeuta em questão sou eu — e 
esse combo duplo é meu favorito pessoal. Eu particularmente gosto de usar um cartão 
de índice porque (a) ele fornece uma ótima metáfora física para trabalhar em sessão, — 
(b) quando seu cliente o leva para casa, o cartão vai lembrá-lo da sessão e manter em 
sua memória o dever de casa, — (c) levar o cartão em uma bolsa ou carteira é uma me-
táfora contínua para a desfusão e aceitação, — e (d) você pode escrever várias técnicas 
de desfusão no verso do cartão, se quiser, para movimentar a memória do cliente. 
3. Suponha que a cliente esteja relutante em levar o cartão. Suponha que ela diga: "Não, 
eu não quero fazer isso". Isso indicaria tanto fusão quanto esquiva experiencial. Nesse 
caso, você não deve tentar coagi-la. Em vez disso, coloque o cartão em seu arquivo e 
guarde-o para trabalhar novamente com ele na próxima sessão. 
FUSÃO VERSUS CREDIBILIDADE 
Fusão não é o mesmo que credibilidade. Você pode se fundir com um pensamento em que 
não acredita, e pode se desfundir de um pensamento em que acredita. Alguns anos atrás eu dei 
um worshop e uma das participantes — vamos chamá-la de Naomi — veio até mim no café 
da manhã e me disse que ela tinha um tumor cerebral maligno. O tumor era intratável e Na-
omi tinha apenas alguns meses de vida. Ela estava participando do workshop por motivos 
125 
 
pessoais: para aprender a lidar com o medo e chegar a um acordo com a morte iminente. Na-
omi disse que era difícil manter o foco no workshop. Ela continuava pensando em morrer: 
perder seus entes queridos, o tumor se espalhando por seu cérebro, a inevitável deterioração 
para a paralisia e o coma, depois a morte. 
Se você tem uma doença terminal, certamente há um momento e um lugar em que é útil pen-
sar sobre morte: se você estiver escrevendo um testamento, planejando um funeral, fazendo 
planos de cuidados médicos ou compartilhando seus medos com um ente querido. Mas se 
você estiver participando de um workshop para crescimento pessoal, não é útil estar tão fun-
dido com seus pensamentos sobre a morte a ponto de perder o workshop. Então, depois de 
ouvir com compaixão, conversei com Naomi sobre nomear a história, e ela escolheu esse títu-
lo: a história da "morte assustadora". 
Sugeri a ela que praticasse a nomeação da história da "morte assustadora" durante todo o 
workshop. Na metade do segundo dia, ela havia se afastado significativamente daqueles pen-
samentos sobre a morte e o morrer. Eles não tinham mudado em nada a credibilidade da histó-
ria, mas agora ela podia deixá-los ir e vir sem ser fisgada por eles. 
Quando nos desfundimos dos pensamentos, eles geralmente reduzem a credibilidade — mas, 
do ponto de vista da ACT, isso não é tão importante. Afinal, acreditar em um pensamento 
significa simplesmente tomá-lo como verdade. Na ACT, não estamos interessados em saber 
se um pensamento é verdadeiro ou falso, mas se ele pode nos ajudar a viver uma vida baseada 
em valores. 
TEMA DE CASA E A SESSÃO SEGUINTE 
O tema de casa é essencial. A desfusão, como qualquer habilidade, requer prática. Nem todos 
os clientes irão fazer o tema de casa, é claro, mas devemos, pelo menos, pedir para eles. O 
tema de casa pode envolver uma técnica rápida para praticar de forma intermitente ao longo 
do dia, como, por exemplo, Nomeando a História. Alternativamente, se você tiver conduzido 
o cliente através de Folhas na Correnteza ou um exercício de respiração consciente, você 
poderia pedir a ele para praticar isso todos os dias. Você pode gravar esses exercíciosenquan-
to os realiza em uma sessão, depois gravá-los em um CD e entregá-los a seus clientes para 
ajudar em sua prática em casa. A maioria dos clientes acha isso muito útil. (Atualmente, tenho 
CDs pré-gravados que dou a todos os meus clientes na primeira sessão. Os CDs são chamados 
de Mindfulness Skills Volume 1 e Mindfulness Skills Volume 2) 
Outro tipo de lição de casa envolve pedir aos clientes que preencham uma folha de trabalho 
como Mordendo o Anzol, que você encontrará no final deste capítulo. 
Para uma lição de casa mais informal, você pode dizer algo como abaixo: 
Terapeuta: Entre agora e a próxima sessão, gostaria de saber se você estaria disposto a 
praticar algumas coisas. Primeiro, gostaria que você aprendesse mais sobre 
como sua mente prende e envolve você. Em que situações isso acontece? Que 
tipo de coisas ela lhe diz? E assim que você perceber que ficou fisgado, apenas 
reconheça: "Ahá! Fui fisgado novamente". Em segundo lugar, gostaria que vo-
cê "brincasse" com uma dessas técnicas de desfusão que abordamos. (Selecio-
ne uma ou peça ao cliente para escolher uma.) Então, sempre que estiver se 
sentindo cansado, estressado, ansioso ou o que for, identifique o pensamento 
"quente" — aquele que mais o queimar — e tente se desfundir dele. Em tercei-
ro lugar, gostaria que você notasse todas as vezes que sua mente tentou fisga-
lo, mas você não mordeu a isca — você deixou a mente fazer as coisas que ela 
faz, mas você não ficou preso nela. 
126 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A primeira coisa a fazer na próxima sessão — de preferência depois de uma breve conversa e 
um exercício de atenção plena — é revisar o tema de casa e ver o que aconteceu. Talvez seja 
necessário trabalhar um pouco mais o processo da desfusão ou, se o cliente tiver recaído na 
agenda de controle, talvez precisemos utilizar a desesperança criativa. Se ele está progredindo 
(isto é, se ele está achando mais fácil se desfundir de pensamentos inúteis), nós tradicional-
mente passamos para a aceitação e contato com o momento presente — mas podemos passar 
também para qualquer outro dos cinco processos restantes do hexaflex. 
É claro que não vamos cobrir a fusão inteiramente em uma ou duas sessões e depois nunca 
mais mencioná-la. Como falamos no início deste capítulo, em cada sessão, ajudamos nossos 
clientes a se livrarem de cognições inúteis com intervenções simples como estas: "Observe o 
que sua mente está lhe dizendo. É uma história antiga ou nova?" ou "Então, se você deixar 
que esse pensamento dite o que você faz, isso levar você para a vitalidade ou para o sofrimen-
to? 
TEMA DE CASA PARA VOCÊ 
A desfusão termina aqui? Não, de forma alguma. Nós voltaremos a abordá-la à medida que 
formos avançando neste livro. Mas, antes de continuar a ler, vamos falar um pouco para tare-
fas de casa para você para este capítulo. Seguem algumas sugestões: 
1. Teste todas as técnicas em si mesmo. Você é a pessoa mais indicada em quem aplicá-las. 
2. Leia todos os exercícios, metáforas e componentes psicológicos educacionais em voz 
alta, como se as estivesse aplicando com um cliente. 
3. Analise os casos de dois ou três clientes e identifique os principais pensamentos com 
os quais eles estão se fundindo. Procure especialmente a fusão com o passado, o futu-
ro, o eu, as regras, as razões e os julgamentos. Então, avalie quais técnicas de desfu-
são você poderia tentar com elas. 
E se você não conseguir fazer nada disso, identifique o que está impedindo você, em termos 
de fusão, esquiva experiencial e ação ineficaz. Com quais pensamentos você está se fundin-
do? (Por exemplo, "Eu não posso me incomodar" ou "Eu faço isso depois" ou "Eu não preci-
so fazer essas coisas, ler este capítulo é suficiente".) Quais sentimentos você está evitando — 
relutância, impaciência, apatia, ansiedade? Que ações ineficazes você está adotando — pro-
crastinando, se distraindo, lendo superficialmente? 
Dica Prática: Você pode fazer do tema de casa uma experiência do tipo ganha-
ganha. Primeiro, quando você introduz o tema de casa para seu cliente, pode di-
zer: "Faça isso como uma experiência para ver o que acontece" ou "Faça isso para 
aprender mais sobre como sua mente funciona" ou "Faça isso para descobrir mais 
sobre você e como você funciona". Em segundo lugar, diga algo como: “Vamos 
fazer disso uma proposta ganha-ganha. Espero que você siga em frente porque, 
como eu disse anteriormente, a prática é importante. No entanto, se você não fizer 
isso, eu gostaria que você notasse o que impediu você de fazê-lo. Em que pensa-
mentos você ficou enredado, com quais sentimentos você entrou em luta ou que 
tipo de coisas você fez que se tornaram obstáculos" 
Durante a próxima sessão, se o cliente não tiver conseguido fazer o tema de casa, 
você pode abordar essas barreiras tal como sugerido no capítulo 13. 
 
127 
 
SUMÁRIO 
A capacidade de pensar é muito, muito útil, mas quanto maior o grau de fusão com nossos 
pensamentos, mais inflexível se torna o nosso comportamento. Facilitamos a desfusão em 
todas as sessões da ACT, pedindo repetidamente aos clientes que percebam o que estão pen-
sando, discriminem e diferenciem a fusão da desfusão e analisem seus pensamentos em ter-
mos de funcionalidade. E nunca precisamos debater se um pensamento é verdadeiro ou falso 
— tudo o que precisamos fazer é algo como: "Se você se apegar firmemente a esse pensamen-
to, ele o ajudará a viver a vida que você quer viver?" 
 
 
 
 
 
 
 
 
MORDENDO O ANZOL 
Na ACT, falamos coloquialmente em ser “fisgado pela sua mente” ou “fisgado 
pelos pensamentos”. Com isso, queremos dizer que você pode ficar enredado em 
seus pensamentos de tal forma que estes venham a exercer uma forte influência 
sobre suas ações. Em que situações sua mente consegue fisgá-lo? Que tipo de coi-
sas ela diz para prender você? Como você consegue se desprender? 
 
128 
 
CAPÍTULO 8 
 
Abrindo-se 
A ACEITAÇÃO DE FORMA RESUMIDA 
Em Linguagem Simples: Aceitação significa permitir que seus pensamentos e sentimentos sejam 
como são, independentemente de serem prazerosos ou dolorosos; abrir-se e criar espaço para eles; 
deixar de lutar contra eles; deixá-los ir e vir como naturalmente fazem. 
Objetivo: Permitir-nos ter experiências privadas dolorosas se e quando fazer isso nos permite agir 
de acordo com nossos valores. 
ALGUMAS PALAVRAS SOBRE ACEITAÇÃO 
Os clientes muitas vezes não entendem o que é aceitação; comumente pensam que significa 
resignação, tolerância, "cerrar os dentes e aguentar", ou até mesmo gostar. Por isso, no início 
da terapia é melhor evitar a palavra. Outro termo que podemos usar é "expansão"; ele se ajus-
ta muito bem com a explicação metafórica sobre abrir-se, criar espaço. A seguir apresentamos 
algumas outras expressões que também podem ser utilizadas: 
 Permita que estejam ali 
 Abra-se e crie um espaço para eles 
 Expanda-se em torno deles 
 De permissão para que o que já é possa ser 
 Deixe de lutar com eles 
 Pare de brigar com eles 
 Faça as pazes com eles 
 Dê espaço para eles 
 Seja suave com eles 
 Deixe que sejam 
 Respire para dentro deles 
 Pare de desperdiçar sua energia tentando afastá-los 
Um Lembrete Rápido 
Peço desculpas por continuar insistindo nisso, mas é muito importante, e muitos praticantes 
novatos têm uma ideia errada: pela terceira (e última) vez, nós não somos fascistas da atenção 
plena na ACT. Não defendemos a aceitação de todo e qualquer pensamento e sentimento. 
Somos a favor da aceitação se e quando ela nos possibilita agir com base em nossos valores. 
"Aceitação" é a forma curta para "aceitação experiencial". Refere-se a aceitar ativamente nos-
sas experiências privadas: pensamentos, sentimentos, memórias, etc. Não tem nada a ver com 
aceitar passivamente nossa situação de vida. A ACT defende que tomemos medidas para me-
lhorar nossa situação de vida tanto quanto possível: aceitação e compromisso. Por exemplo, 
sevocê estivesse numa relação abusiva, nós proporíamos que você abrisse espaço para todos 
os pensamentos e sentimentos dolorosos que aparecessem (ao invés de fazer coisas autoderro-
tistas tais como beber, fumar, comer excessivamente, ruminar, preocupar-se, etc.) – e simulta-
neamente agisse com base em seus valores para melhorar seu relacionamento ou o deixasse. 
129 
 
CONSEGUINDO A ACEITAÇÃO 
Em muitos protocolos, e no livro-texto original da ACT (de 1999), a "aceitação/boa vontade 
para" vem depois da "desesperança criativa/confrontando a agenda". Se é de lá que você vem, 
poderia fazer uma transição suave para a mesma tipo assim: "Ok, se tentar controlar o que 
você sente que não funciona muito bem, então qual é a alternativa?" A metáfora do Empur-
rando a Prancheta se presta muito bem para esta transição. 
Terapeuta: Vamos fazer uma rápida recapitulação. (O terapeuta recapitula rapidamente a 
Metáfora da Prancheta e faz com que o cliente a empurre mais uma vez.) Então 
você está empurrando, empurrando e empurrando, e isto está consumindo todo 
o seu tempo e toda a sua energia. Seus ombros estão cansados e você está en-
curralado, e não consegue fazer nada útil, tal como dirigir um carro ou preparar 
um jantar ou abraçar alguém que ama enquanto faz isso. Agora (empurra a 
prancheta para longe), deixe-a apenas ficar ali no seu colo (O terapeuta colo-
ca a prancheta gentilmente no colo do cliente) Agora, como você está sentindo 
isso? O esforço não é muito menor? 
Cliente: Bem ... sim. É bem menos esforço. Mas isso ainda está lá. 
Terapeuta: Com certeza. Não só isso ainda está lá, mas está ainda mais perto de você do 
que antes. Mas observe a diferença: agora você é livre para fazer as coisas que 
fazem sua vida funcionar. Você pode abraçar alguém que ama, pode cozinhar 
ou dirigir um carro. Isso não está mais drenando sua energia, cansando, pren-
dendo, ou limitando você. Não é mais fácil que isso? (O terapeuta faz de conta 
que está empurrando a prancheta para longe.) Agora, suponha que você 
aprendeu como fazer isso com seus sentimentos, em vez de lutar com eles ou 
organizar sua vida tentando evitá-los. Como você acha que isso pode benefici-
ar você? 
Para conduzir o cliente para Aceitação a partir da Desfusão, você poderia dizer: "Até agora 
estivemos olhando para pensamentos dolorosos, mas e os sentimentos?" ou "Sua mente está 
lhe dizendo que esse sentimento é insuportável. Que tal verificar isso e ver se é esse o caso?" 
A partir de Valores: "Então, quando você fala sobre esses valores, quais sentimentos apare-
cem para você?" 
A partir da Ação Comprometida: "Quais sentimentos provavelmente irão se manifestar para 
você quando você realizar essa ação?" ou "Então, quando você pensa em fazer isso, o que 
você sente?" ou "De que sentimentos você precisará abrir espaço para fazer isso?" 
Do Eu-como-Contexto: "Então, da perspectiva do eu observador, vamos agora dar uma olhada 
em alguns desses sentimentos com os quais você tem lutado." 
Um de nossos desafios é tornar a aceitação aceitável para nossos clientes. Quanto mais viven-
cialmente esquivos forem nossos clientes, mais relutantes eles serão em aceitar experiências 
privadas desagradáveis. Então, precisamos ir mais devagar e de maneira mais gentil. Geral-
mente precisamos trabalhar mais com a desesperança criativa, e podemos ter que voltar a ela 
várias vezes. 
O trabalho com valores também é muito importante aqui. Precisamos estabelecer uma ligação 
clara entre aceitação e vitalidade — que aceitar essa dor está a serviço de algo importante, 
significativo e vital. A pergunta da varinha mágica costuma ser muito útil: "Se eu acenasse 
com uma varinha mágica e conseguisse fazer com que esses sentimentos não mais a impedis-
sem de nenhuma maneira, o que você faria de diferente em sua vida?" Uma vez que sabemos 
130 
 
a resposta, podemos dizer: "Ok. Então, se isso é o que você quer fazer com sua vida, vamos 
tornar isso possível. Eu não tenho uma varinha mágica, mas podemos aprender algumas habi-
lidades para que esses sentimentos não mais atrapalhem você." 
Claro que também precisamos manter esse trabalho seguro. Queremos ter em mente que não 
fazemos sermões nem coagimos nossos clientes — sempre pedimos permissão, sempre lhes 
damos uma opção e os informamos de que podem interromper o que estamos fazendo a qual-
quer momento. 
A CAIXA DE FERRAMENTOS DA ACEITAÇÃO 
Como acontece com todos os seis principais processos do ACT, aqui também há uma grande 
variedade de técnicas disponíveis você utilizar. Algumas demoram apenas alguns segundos e 
outras demoram quinze ou vinte minutos. Então, dado que estou prestes a abrir um kit de fer-
ramentas totalmente novo, sinto a necessidade de lhe dar um lembrete gentil (desculpe): a 
aceitação é um processo, não uma técnica. As ferramentas e técnicas são usadas para aprender 
o processo. 
Aceitação de Emoções 
Agora vamos começar com um longo exercício de atenção plena, que é construído a partir de 
oito técnicas diferentes: observe, respire, expanda, permita, objetive, normalize, mostre auto-
compaixão e expanda a consciência. Depois, vou desembrulhá-lo. Como de costume, gostaria 
que você lesse o mesmo em voz alta como se estivesse falando com um cliente. (No entanto, 
reconheço que você pode não querer fazer isso se estiver em uma biblioteca!) As reticências 
indicam breves pausas de um a três segundos. (Observe também: com meus clientes e ao lon-
go deste livro, eu uso as palavras "sentimentos" e "emoções" como sinônimos). 
OBSERVE 
Terapeuta: Convido você a sentar-se ereto em sua cadeira, com as costas retas e os pés 
apoiados no chão. A maioria das pessoas acha que elas se sentem mais alertas e 
acordadas sentadas assim, então confira e veja se esse é o seu caso. Feche os 
olhos ou fixe-os em qualquer ponto, o que você preferir. Tome algumas respira-
ções lentas e profundas e realmente observe a respiração entrando e saindo de 
seus pulmões. (Pausa de 10 segundos). Agora, rapidamente faça um escanea-
mento de seu corpo da cabeça aos pés, começando em seu couro cabeludo e des-
cendo. Observe as sensações que você está sentindo em sua cabeça ... garganta 
... pescoço ... ombros ... peito ... abdômen ... braços ... mãos ... pernas ... e pés. 
Agora, aumente sua atenção sobre parte do corpo em que você está sentindo essa 
sensação mais intensamente. E observe a sensação de perto como se você fosse 
um cientista curioso que nunca tenha encontrado ou visto algo assim antes. 
(Pausa de 5 segundos.) Observe a sensação com cuidado ... Deixe seus pensa-
mentos virem e irem como se fossem carros que passam, e mantenha sua aten-
ção na sensação ... Observe onde ela começa e onde ela termina ... Aprenda tanto 
sobre isso quanto você pode ... Se você desenhasse um contorno em torno dela, 
que forma ela teria? ... Ela está na superfície do corpo ou dentro de você, ou am-
bos? ... Até onde ela vai dentro de você? ... Onde ela é mais intensa? ... Onde ela 
é mais fraca? (Pausa 5 segundos.) Se você se perder em seus pensamentos, as-
sim que se der conta disso, volte e concentre-se novamente na sensação ... Ob-
serve-a com curiosidade ... Como ela se diferencia no centro em relação às ex-
131 
 
tremidades? Existe alguma pulsação ou vibração dentro dela? ... Ela é leve ou é 
pesada? ... Ela se move ou está parada? ... Qual é a sua temperatura? ... Há pon-
tos quentes ou pontos frios? ... Observe os diferentes elementos dentro dela ... 
Observe que não há apenas uma sensação — há sensações dentro de sensações 
... Observe as diferentes camadas de sensações. (Pausa de 5 segundos) 
RESPIRE 
Terapeuta: Enquanto você está observando esta sensação, respire para "dentro" dela .... 
Imagine sua respiração fluindo para dentro e em torno desse sentimento... Res-
pire para dentro... 
EXPANDA 
Terapeuta: E quando você está inspirando, é como se, de alguma forma mágica, todo esse 
espaço se abrisse dentro deseus sen-
timentos mudam, seus papeis mudam, mas o "você" que é capaz de notar ou observar todas 
estas coisas nunca muda. É o mesmo "você" que tem estado lá durante toda sua vida. Com 
clientes, geralmente nos referimos a ele como "o eu observador" em vez de usar o termo téc-
nico "eu-como-contexto". 
Valores (Saiba O Que Importa) 
Nas profundezas de seu coração, o que você quer fazer com sua vida? O que você quer que 
ela represente? O que você quer fazer com o seu breve tempo sobre este planeta? O que é im-
portante para você no quadro global? Valores são qualidades desejadas de ação contínua. Em 
outras palavras, elas descrevem como queremos atuar em uma base contínua. Tornar claros os 
valores é um passo essencial na criação de uma vida plena de sentido. Na ACT, muitas vezes 
nos referimos aos valores como "direções de vida escolhidas". Comumente comparamos os 
valores a uma bússola porque eles nos dão direção e guiam nossa jornada contínua. 
Ação Comprometida (Faça O Que For Preciso) 
Ação comprometida significa agir de modo eficaz, guiado por nossos valores. É muito bom 
conhecer nossos valores, mas é tão somente através de ações continuadas congruentes com 
valores que a vida se torna rica, plena e cheia de sentido. Em outras palavras, não teremos 
uma jornada se simplesmente ficarmos olhando para a bússola; nossa jornada somente acon-
tece quando movemos nossos braços e nossas pernas em uma direção escolhida. Ação guiada 
por valores dá origem a uma ampla gama de pensamentos e sentimentos, tanto agradáveis 
quanto desagradáveis, e tanto prazerosos quanto desprazerosos. Portanto ação comprometida 
significa "fazer o que é preciso" para viver nossa vida tendo como base nossos valores mesmo 
que isto gere dor e desconforto. Toda e qualquer intervenção comportamental – como estabe-
lecer objetivos, exposição, ativação comportamental, treinamento de habilidades – pode ser 
usada nesta parte do modelo. E qualquer habilidade que amplifica e enriquece a vida – de ne-
gociação a manejo do tempo, de assertividade a solução de problemas, de autoacalmar-se a 
lidar com a crise – podem ser ensinados dentro dessa seção do hexágono da flexibilidade 
(desde que ela esteja a serviço de uma vida baseada em valores e não a serviço da esquiva 
experiencial, sobre a qual falaremos no capítulo 2). 
13 
 
Flexibilidade Psicológica: Um Diamante com Seis Faces 
Lembre-se que os seis processos centrais da ACT não são processos separados. Embora fale-
mos deles desta forma com um propósito pragmático – para ajudar terapeutas e clientes a 
aprender e a aplicar o modelo da ACT – é mais útil pensar neles como as seis faces de um 
único diamante. E o próprio diamante é a flexibilidade psicológica. 
Flexibilidade psicológica é a habilidade de ser/estar no presente momento com completa cons-
ciência e abertura a nossa experiência, e de agir guiado por nossos valores. Falando em termos 
técnicos, o alvo primário da ACT é elevar a flexibilidade psicológica. Quanto maior for nossa 
habilidade de ser plenamente consciente, de estar aberto a nossa experiência e de agir conforme 
nossos valores, tanto maior será nossa qualidade de vida porque conseguiremos responder mui-
to mais eficazmente aos problemas e desafios que a vida inevitavelmente traz. Além do mais, 
quando nos engajamos completamente em nossa vida e permitimos que nossos valores nos gui-
em, desenvolvemos um senso de sentido e propósito, e vivenciamos um senso de vitalidade. 
Usamos a palavra "vitalidade" com muita frequência na ACT, e é importante reconhecer que 
vitalidade não é um sentimento; é um senso de estar completamente vivo e abraçando o aqui e 
agora, não importando como possamos nos estar sentindo neste momento. Podemos experienci-
ar vitalidade em nosso leito de morte ou durante um momento de extremo pesar porque "há vida 
tanto num momento de dor quanto num momento de alegria" (Strosahl, 2002, p.43). 
O TRIFLEX DA ACT 
Os seis processos centrais podem ser "aglomerados" em três unidades funcionais, tal como na 
figura 1.2 abaixo. Tanto a desfusão quanto a aceitação referem-se a separar-se de pensamentos e 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
sentimentos, vendo-os pelo que estes realmente são, criando espaço para os mesmos, e permi-
tindo que venham e vão por sua própria vontade. Em outras palavras: "Abrindo-se". 
Tanto o eu-como-contexto (ou seja, o eu observador) como contatar o momento presente en-
Figura 1.2 – O Triflex da ACT 
14 
 
volvem entrar em contato com aspectos verbais e não-verbais de sua experiência aqui-e-agora. 
Em outras palavras: "Estar presente". 
Valores e ação com compromisso envolvem o uso eficaz da linguagem para facilitar ações 
que melhorem a vida. Em outras palavras: "Faça o que é importante". 
Assim, flexibilidade psicológica é a habilidade de "estar presente, abrir-se, e fazer o que importa". 
O ACRÔNIMO DA ACT 
Existe um acrônimo bem simples que resume o modelo completo, e que muitas vezes é útil para 
ser compartilhado com clientes. Este acrônimo é – surpresa, surpresa – ACT: 
A = Aceite seus pensamentos e sentimentos, e esteja presente 
C = EsColha uma direção com base em valores (Choose a valued direction) 
T = Tome uma atitude 
(E com esta observação, devo mencionar que neste livro vou usar a expressão "pensamentos e 
sentimentos" como uma forma de taquigrafia. Por "pensamentos" quero me referir a todas as for-
mas de cognições, incluindo memórias e imagens, e o termo "sentimentos" inclui emoções, sensa-
ções e impulsos). 
A METÁFORA DA ACT SINTETIZADA 
A transcrição a seguir descreve uma metáfora física que eu elaborei originalmente para resumir de 
forma rápida o modelo da ACT para os clientes. (Muitos livros-texto da ACT são cautelosos em 
relação a explicar o modelo didaticamente para clientes: o perigo se encontra no fato de que po-
demos ficar atolados em explicações prolixas, ou o cliente pode intelectualizar o modelo. No en-
tanto, existem situações nas quais é útil explicar metaforicamente – em oposição a didaticamente 
– o modelo, e pode-se adaptar a Metáfora da ACT Sintetizada de muitas formas. De fato, à medi-
da que você for lendo o livro, você irá observar como podemos usar e modificar partes da mesma 
para propósitos múltiplos, especialmente trabalhar com desfusão e aceitação. A transcrição que 
segue foi retirada da parte final da primeira sessão com um cliente, e faz parte de um consenti-
mento livre e esclarecido. (Para obter uma percepção melhor sobre como esse exercício é feito, 
você pode assistir um vídeo gratuito no YouTube em www.actmindfully.com.au). Ele está divi-
dido em cinco seções, que eu numerei para referência futura. 
SEÇÃO 1 
Terapeuta: É difícil de explicar o que é a ACT simplesmente descrevendo-a, e isso prova-
velmente não faria muito sentido, mesmo que eu tentasse. Será que eu poderia 
mostrar para você do que ela trata através do uso de uma metáfora? 
Cliente: Pode ser. 
Terapeuta: Ótimo. (O terapeuta apanha uma prancheta ou livro grande de capa dura e 
mostra para o cliente.) Eu vou pedir a você para imaginar que esta prancheta 
representa todos os pensamentos, sentimentos e memórias difíceis com que 
você tem andado lutando por tanto tempo. Eu gostaria que você o segurasse e o 
prendesse tão firmemente quanto conseguir, de modo que eu não possa puxá-lo 
para longe de você. (Cliente segura a prancheta ou livro firmemente.) Agora 
eu gostaria que você a segurasse na frente de seu rosto de maneira tal que não 
consiga mais me ver – e o trouxesse tão próximo de você de modo que quase 
esteja tocando o seu nariz. (O cliente segura a prancheta diretamente na frente 
http://www.actmindfully.com.au/
15 
 
de sua face, bloqueando sua visão tanto do terapeuta quanto do espaço em re-
dor.) 
Terapeuta: Agora me diga: como é tentar manter uma conversa comigo enquanto você 
está preso em seus pensamentos e sentimentos? 
Cliente: Muito difícil. 
Terapeuta: Você se sentevocê... Você se abre em torno dessa sensação... Dê es-
paço para ela... Expanda-se ao redor dessa sensação... Veja se você descobre um 
sentido para a mesma... respirando para dentro dela e abrindo-se em torno dela... 
PERMITA 
Terapeuta: E veja se você consegue permitir que esse sentimento apenas esteja lá. Você 
não precisa gostar dele ou querê-lo ... Apenas permita ele estar ali ... Apenas 
deixe que ele esteja ... Observe, respire para dentro dele, abra-se em torno dele 
e permita que ele seja como é. (Pausa de 10 segundos.) Você talvez sinta um 
forte desejo de lutar com ele ou de afastá-lo. Se sim, apenas reconheça que o 
desejo está presente sem agir sobre ele. E continue observando a sensação. 
(Pausa de 5 segundos.) Não tente se livrar dela nem tente mudá-la. Se ela mu-
dar por si só, tudo bem. Se ela não mudar, tudo bem também. Mudá-la ou se 
livrar dela não é seu objetivo. Seu objetivo é simplesmente permitir, deixá-la 
ser como ela é. (Pausa de 5 segundos) 
TRANSFORME-A EM UM OBJETO 
Terapeuta: Imagine que essa sensação é um objeto ... Como um objeto, que forma ela 
tem? ... Este objeto é líquido, sólido ou gasoso? ... Ele está se movendo ou está 
parado? ... De que cor ele é? ... Transparente ou opaco? ... Se você pudesse to-
car a superfície dele, como ele seria? ... Molhado ou seco? ... Áspero ou suave? 
... Quente ou frio? ... Suave ou duro? (Pausa de 10 segundos.) Observe este 
objeto com curiosidade, respire para dentro dele e abra-se em torno dele ... Vo-
cê não precisa gostar dele ou querê-lo. Apenas permita que ele seja ... e note 
que você é maior do que esse objeto, ... não importa quão grande ele seja, ele 
nunca poderá ficar maior que você. (Pausa de 10 segundos) 
NORMALIZE 
Terapeuta: Essa sensação ou sentimento está lhe falando de alguma informação valiosa ... 
Ela está lhe dizendo que você é um ser humano normal com um coração ... está 
lhe dizendo que você se importa ... que há coisas na sua vida que são importan-
tes para você ... E isso é o que os humanos sentem quando há uma lacuna entre 
o que queremos e o que temos ... Quanto maior a lacuna, maior o sentimento. 
(Pausa de 5 segundos) 
132 
 
MOSTRE AUTOCOMPAIXÃO 
Terapeuta: Pegue uma das suas mãos e coloque-a na parte de seu corpo onde você sente o 
sentimento ... imagine que esta é uma mão que cura ... a mão de uma pessoa 
amorosa, de seu pai ou de sua mãe, de um amigo/a, de uma enfermeira... e sin-
ta o calor fluindo da sua mão para o seu corpo ... não para se livrar do senti-
mento, mas para abrir espaço para ele ... para suavizá-lo e relaxar as áreas em 
torno dele. (Pausa de 10 segundos.) Segure-o com cuidado, como se fosse um 
bebê chorando ou um filhote assustado. (Pausa de 10 segundos.) Agora deixe a 
sua mão descansar, e mais uma vez, respire para dentro do sentimento e ex-
panda-se ao redor dele. (Pausa de 10 segundos.) 
EXPANDA A CONSCIÊNCIA 
Terapeuta: A vida é como um show em um palco ... e nesse palco estão todos os seus pen-
samentos, todos os seus sentimentos, e tudo o que você pode ver, ouvir, tocar, 
provar e cheirar ... e, durante os últimos minutos, nós diminuímos as luzes no 
palco, e direcionamos a luz de um holofote sobre este sentimento ... e agora é 
hora de acender o resto das luzes ... Então acenda novamente as luzes do seu 
corpo ... observe seus braços, suas pernas, sua cabeça, seu pescoço ... e obser-
ve que você está no controle de seus braços e pernas, independentemente do 
que você está sentindo ... Basta movê-los um pouco para verificar isso por si 
mesmo ... e agora alongue-se, e observe-se alongando .. Acenda as luzes da sa-
la ao seu redor ... Abra seus olhos, olhe ao redor e observe o que você pode ver 
... e observe o que você pode ouvir ... e observe que não há apenas um senti-
mento aqui ... há um sentimento dentro de um corpo, dentro de um quarto, den-
tro de um mundo cheio de oportunidades ... e, bem vindo de volta! 
 
 
 
 
 
Você pode misturar e combinar essas oito técnicas — observar, respirar, expandir, permitir, 
objetivar, normalizar, mostrar autocompaixão, expandir a consciência — da maneira que de-
sejar. Você pode aumentá-los ou diminui-los, usar qualquer um deles sozinho ou em qualquer 
número de combinações. No roteiro acima, nos concentramos em apenas uma sensação — a 
mais intensa. Muitas vezes isso é suficiente para que a aceitação "se espalhe" por todo o cor-
po. Mas às vezes pode haver outras sensações fortes em diferentes partes do corpo; nesse ca-
so, podemos repetir o procedimento com cada uma delas. 
À medida que levamos o cliente através desse exercício, uma de duas coisas vai acontecer: ou 
os sentimentos dele mudarão — ou não. Não importa qualquer que seja a maneira. O objetivo 
não é mudar ou reduzir sentimentos, mas aceitá-los — permitir que eles estejam lá sem luta. 
Por quê? Porque quando não estamos investindo muito tempo, energia e esforço na tentativa 
de controlar a maneira como nos sentimos, podemos usar os mesmos em ações baseadas em 
nossos valores. 
Nossos clientes geralmente acham que, quando aceitam uma emoção ou uma sensação dolo-
rosa, esta diminui significativamente ou até mesmo desaparece. Quando isso acontece, preci-
Dica Prática: Mantenha seus próprios olhos abertos ao fazer qualquer exercício de 
atenção plena e observe atentamente o cliente. Fique atento a sinais de aflição ou de 
cochilos e intervenha conforme necessário. Quando você faz esses exercícios mais 
longos com clientes, é uma boa ideia fazer verificações com perguntas simples co-
mo "Como você está? Você está bem para continuar com isso?" 
 
133 
 
samos esclarecer que (1) isso é um bônus, não o objetivo, e (2) nem sempre irá acontecer; 
então, não devem esperar por isso. Poderíamos dizer: "Eis a realidade. Quando aceitamos nos-
sos sentimentos, eles podem ou não diminuir em intensidade. Não temos como prever isso. 
Mas podemos prever isso: quando tentamos controlar ou evitar nossos sentimentos, é muito 
provável que eles irão aumentar em intensidade e nos causar mais angústia". 
Se não abordarmos explicitamente esse problema, então, tal como ocorre com a desfusão, 
nossos clientes começarão a usar técnicas de aceitação para tentar controlar seus sentimentos. 
E, claro, isso vai sair pela culatra em breve. O cliente ficará desapontado e voltará e reclama-
rá: "Isto não está funcionando". Respondemos a isso tal como o fizemos com problemas se-
melhantes em torno da desfusão (consulte o Capítulo 7, p. 113, NÃO ESTÁ FUNCIONANDO!). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Desembrulhando a ACEITAÇÃO DE EMOÇÕES 
SEÇÃO 1: OBSERVE 
Para aceitar um sentimento ou sensação, devemos primeiro notá-lo. (É aqui que o contato com 
o momento presente se sobrepõe à aceitação.) A metáfora de "observar como um cientista 
curioso" ajuda a estimular a abertura e a curiosidade em relação ao sentimento: aproximação, 
em vez de esquiva. Simplesmente observar ou perceber um sentimento com curiosidade mui-
tas vezes leva à aceitação — e, em caso negativo, é pelo menos um passo na direção certa. 
 A Versão de Dez Segundos 
Terapeuta: Observe esse sentimento. Observe onde está. Observe onde ele é mais intenso. 
SEÇÃO 2: RESPIRE 
Muitos clientes — mas nem todos — descobrem que respirar para "dentro" de um sentimento 
ou sensação permite-lhes abrir espaço para o mesmo. Uma respiração lenta, diafragmática, 
parece particularmente útil para muitas pessoas. 
 A Versão de Dez Segundos 
Terapeuta: Observe esse sentimento e gentilmente respire para "dentro" dele. 
SEÇÃO 3: EXPANDA 
Falar metaforicamente sobre abrir espaço, criar espaço, abrir-se, ou expandir-se geralmente 
costuma ser útil. 
Dica Prática: Suponha que seu cliente relate algo como "O sentimento foi embora" 
ou "Eu mal posso sentir ele agora" ou "Sinto-me muito melhor agora". Se você sor-
rir e disser: "Que ótimo!", então você acabou de reforçar o agenda de controle, e as 
chances são de que o cliente agora tente transformar issoconectado comigo, comprometido comigo? Você consegue ler 
as expressões em meu rosto? Se eu estivesse cantando e dançando agora, você 
seria capaz de ver isso? 
Cliente: (rindo) Não. 
Terapeuta: E como parece ser sua vista da sala enquanto você está preso por este material? 
Cliente: Eu não consigo ver nada a não ser a prancheta. 
Terapeuta: Assim, enquanto você está completamente absorvido nesta coisa, você está per-
dendo um monte de outras coisas. Você está desconectado do mundo ao seu re-
dor, e você está desconectado de mim. Observe, também, que enquanto você está 
segurando firmemente esta coisa, você não consegue fazer as coisas que fazem 
sua vida funcionar. Verifique por si mesmo – segure a prancheta tão firmemente 
quanto consegue. (O cliente segura com mais firmeza.) Agora se eu te pedisse pa-
ra fazer um carinho em um bebê, ou abraçar a pessoa que você ama, ou dirigir um 
carro, ou cozinhar uma refeição, ou digitar em um computador enquanto você 
continua a segurar isto com firmeza, será que você conseguiria fazê-lo? 
Cliente: Não. 
Terapeuta: Ou seja, enquanto você está preso nesta coisa, você não apenas perde contato 
com o mundo ao seu redor e se desconecta de suas relações, mas você também 
se torna incapaz de fazer as coisas que fazem sua vida funcionar. 
Cliente: (assentindo) Concordo. 
SEÇÃO 2 
Terapeuta: Tem algum problema pra você se eu puxar minha cadeira de modo que eu fi-
que sentado ao seu lado? Existe mais uma coisa que quero demonstrar aqui. 
Cliente: Pode ser. 
Terapeuta: (Empurra sua cadeira para o lado da cadeira do cliente) Pode me alcançar a 
prancheta por um momento? (Terapeuta pega a prancheta de volta.) Só che-
cando – você não problemas no pescoço ou nos ombros? 
Cliente: Não. 
Terapeuta: Certo. Estou só checando porque isto que vamos fazer envolve um pouco de 
esforço físico. Eu quero que você coloque as palmas de suas mãos em um dos 
lados da prancheta, enquanto eu vou colocar as minhas no outro lado, e quero 
que você empurre a prancheta para longe de você. Empurre com firmeza, mas 
não tão forte a ponto de me derrubar. (À medida que o cliente tenta empurrar a 
prancheta para longe de si, o terapeuta empurra de volta. Quanto mais forte o 
cliente empurra, tanto mais o terapeuta se inclina na direção dele.) Continue a 
empurrar. Você detesta esse negócio, certo? Você detesta esses pensamentos e 
sentimentos. Por isso, empurre o mais forte que conseguir – tente fazê-los ir em-
bora. (O terapeuta mantém a oposição de modo que o cliente continue a empur-
16 
 
rar enquanto o terapeuta empurra de volta.) Aí está você, tentando duramente 
empurrar para longe todos esses pensamentos e sentimentos dolorosos. Você 
tem feito isso por anos, e será que eles estão indo embora? Certo, você está man-
tendo-os a um braço de distância, mas qual é o custo disso para você? Como vo-
cê sente os seus ombros? 
Cliente: (rindo) Na verdade, nem tão mal assim. É um bom exercício. 
Terapeuta: (empurrando com mais força) Certo, isso está bom no momento, estamos ten-
tando por alguns segundos, mas como você estaria se sentindo se fizéssemos 
isto por um dia inteiro? 
Cliente: Eu estaria bem cansado. 
Terapeuta: (ainda empurrando a prancheta pra frente e pra trás com o cliente) E se eu te 
pedisse agora para digitar algo em um computador, ou dirigir um carro, ou fa-
zer carinho num bebê, ou abraçar alguém que você ama enquanto está fazendo 
isso, você iria conseguir fazê-lo? 
Cliente: Não. 
Terapeuta: E como é tentar manter uma conversa comigo enquanto você está fazendo isso? 
Cliente: Muito perturbador. 
Terapeuta: Você se sente um pouco fechado ou isolado? 
Cliente: Sim. 
SEÇÃO 3 
O terapeuta agora para de resistir. Ele alivia a pressão e pega a prancheta de volta. 
Terapeuta: Ok, agora vamos tentar uma outra coisa. Tudo bem se eu colocar a prancheta 
no seu colo, e a deixarmos ali? (Cliente concorda. O terapeuta coloca a pran-
cheta no colo do cliente.) Não há bem menos esforço agora? E como estão 
seus ombros agora? 
Cliente: Bem melhores. 
O terapeuta coloca sua cadeia de volta para trás. 
Terapeuta: Observe que agora você está livre para investir sua energia em fazer algo cons-
trutivo. Se eu te pedisse agora para cozinhar uma refeição, tocar piano, fazer 
carinho num bebê, ou dar um abraço em alguém que você ama – agora você 
poderia fazê-lo, certo? 
Cliente (rindo) Sim. 
Terapeuta: E como é tentar manter uma conversa comigo agora em oposição a fazer isso? 
(faz de conta que está empurrando a prancheta para longe) ou isto (faz de conta 
que está segurando a prancheta na frente do seu rosto)? 
Cliente: Mais fácil. 
Terapeuta: Você se sente em contato comigo? Consegue ler minha face agora? 
Cliente: Sim. 
Terapeuta: Observe, também, que agora você tem uma visão clara da sala ao seu redor. 
Você pode ter acesso a tudo. Se eu começasse a cantar e dançar, você seria ca-
paz de ver isso. 
17 
 
Cliente (sorri) Sim. (Ele aponta para a prancheta.) Mas ela ainda está aqui. Eu não a 
quero mais. 
SEÇÃO 4 
Terapeuta: Realmente. Ela ainda está aí. E, é claro, você não a quer; quem iria querer to-
dos esses pensamentos e sentimentos dolorosos? Mas observe, agora este ma-
terial está tendo muito menos impacto sobre você. Tenho certeza de que no 
mundo ideal você gostaria de fazer isto. (O terapeuta simula estar jogando a 
prancheta no chão.) Mas aí está a coisa: você tem tentado fazer isso por anos. 
Vamos fazer uma breve recapitulação. Você tentou drogas, álcool, livros de 
autoajuda, terapia, retirar-se do mundo, ficar deitado na cama, evitar situações 
desafiadoras, autoagredir-se, culpar seus pais, distrair-se, remoer o passado, 
tentar entender porque você é assim, manter-se ocupado, fazer cursos de auto-
desenvolvimento, e um monte de outras coisas mais, eu aposto. Então ninguém 
pode chamar você de preguiçoso! Você com certeza gastou um monte de tem-
po, esforço e dinheiro tentando se livrar desses pensamentos e sentimentos. E 
ainda assim, após todo esse esforço, eles ainda continuam aparecendo. Eles 
ainda estão aqui hoje. (O terapeuta aponta para a prancheta no colo do clien-
te.) Algumas dessas coisas que você faz conseguem manter esses pensamentos 
e sentimentos afastados por um breve período, mas logo eles voltam de novo, 
não é mesmo? E não é fato de que agora eles estão maiores e mais pesados do 
que estavam a alguns anos, quando você começou a brigar com eles? Agora há 
mais pensamentos, sentimentos e memórias dolorosos do que havia a cinco 
anos, certo? 
Cliente: Sim, é verdade. 
Terapeuta: Assim, mesmo que isso seja o que cada instinto em seu corpo lhe diz para fazer 
(simula jogar a prancheta no chão), esta estratégia claramente não está tendo os 
efeitos que você gostaria que ela tivesse. Na verdade, ela está fazendo as coisas 
ficarem piores. E não vamos querer fazer mais do que não funciona, certo? 
Cliente: É, eu acho que não. 
SEÇÃO 5 
Terapeuta: E agora chegamos a aquilo a que a ACT se refere. Você vai aprender algumas 
habilidades, chamadas habilidade de atenção alerta (ou habilidades de mindful-
ness) que vão capacitar você a lidar com pensamentos e sentimentos dolorosos 
de um modo muito mais eficaz – de um modo tal que eles tenham muito menos 
impacto e influência sobre você. Assim, ao invés de fazer isto (pega a prancheta 
e a segura na frente de seu rosto) ou isto (simula estar empurrando a prancheta 
para longe de si), você pode fazer isso (larga a prancheta no colo e para de se-
gurá-la). Observe que isto não somente permite que você se mantenha conecta-
do com o mundo ao seu redor e de se engajar naquilo que está fazendo, mas 
também libera você para agir de forma eficaz. Quando você não está mais bri-
gando com seus pensamentos e sentimentos, absorvido neles, ou preso a eles, 
você é livre. (O terapeuta abre os braços em um gesto de liberdade). E agora 
você vai poder gastar sua energia fazendo as coisas que melhoram sua qualidadede vida – como, por exemplo, abraçar pessoas, andar de bicicleta ou tocar guitar-
ra. (O terapeuta simula estas atividades). Como isso soa para você? 
18 
 
Obviamente nem sempre as coisas acontecem de uma forma tão suave – e quando na terapia 
alguma vez as coisas transcorrem tão suavemente como nos livros-texto? – mas esperamos 
que esta metáfora possa lhe dar uma noção do que a ACT busca: criar uma vida rica e plena 
de sentido ao mesmo tempo em que aceitamos a dor que vem junto com ela. Também demons-
tra que ensinamos as habilidades de atenção plena não como se fossem um caminho para a ilu-
minação, mas tão somente com o objetivo de facilitar a ação eficaz. (Infelizmente não temos 
espaço aqui para descrever as maneiras como os clientes às vezes se opõem a esta metáfora e 
como podemos responder de forma eficaz a estas objeções. Entretanto você pode fazer o down-
load de uma descrição destas objeções e as repostas para as mesmas no seguinte endereço eletrô-
nico: www.actmindfully.com.au. 
Dissecando a Metáfora 
A ACT especula que há dois processos psicológicos nucleares – "fusão cognitiva" e "esquiva ex-
periencial" – que são responsáveis pela maior parte do sofrimento psicológico. A Seção 1 da 
transcrição é uma metáfora para a fusão cognitiva: ser fisgado pelos nossos pensamentos, ficar 
preso neles ou aderir a eles rigidamente. 
A Seção 2 é uma metáfora para a esquiva experiencial: a luta contínua para evitar, suprimir ou se 
livrar de pensamentos, sentimentos e memórias não desejados e de outras "experiências privadas". 
(Por experiência privada entendemos qualquer experiência que você tenha e sobre a qual nin-
guém mais consegue saber algo a não ser que você conte para eles: emoções, sensações, memó-
rias, pensamentos, e assim por diante). Nota: Você não deve transformar este exercício em um 
teste de força ou uma competição para ver que empurra mais forte. Se você suspeitar que seu cli-
ente está empurrando a prancheta de uma forma agressiva, então antecipe-se a ele. Diga: "Quando 
eu te pedir para empurrar, não empurre com força demais. Não tente me derrubar, apenas empurre 
suavemente!" Modifique também sua pressão contrária; após alguns instantes você poderá dimi-
nuir sua pressão e deixar a prancheta descansando no ar, delicadamente imprensada entre as suas 
mãos e as mãos do cliente. 
A Seção 3 é uma metáfora para a aceitação, a desfusão e o estar em contato com o momento pre-
sente. Em vez de usarmos o termo "aceitação" muitas vezes falamos sobre "abandonar a luta", 
"sentar-se com o sentimento", "permitir que algo seja", "criar espaço para algo", "disposição para 
ter algo". Como você pode perceber, esses termos se encaixam muito bem na metáfora física de 
deixar a prancheta deitada no colo do cliente. Em vez do termo "desfusão", muitas vezes falamos 
sobre "deixar ir", "recuar", "distanciar-se", "separar-se", "desembaraçar-se", ou "soltar a história" 
– e, novamente, à medida que o cliente se separa da prancheta e a deixa de lado, a metáfora se 
ajusta bem com estas maneiras de se expressar. 
A Secção 4 destaca a ineficácia e os custos da esquiva experiencial; na ACT nos referimos a este 
processo como desesperança criativa ou confrontar o plano. Por que usamos nomes tão estra-
nhos? Porque estamos tentando criar um senso de desesperança em relação ao hábito do cliente de 
controlar seus pensamentos e sentimentos. Isto abre caminho para um plano alternativo de atenção 
plena e aceitação, que é exatamente o oposto do controle. 
Finalmente, a Seção 5 destaca a conexão entre atenção plena, valores e ação comprometida. Apre-
sentar a ACT inteira em uma Metáfora Sintetizada como um exercício geralmente não leva mais 
do que cinco minutos. 
 
http://www.actmindfully.com.au/
19 
 
E o que vem a seguir? 
No próximo capítulo vamos dar uma olhada mais detalhada na fusão cognitiva e na esquiva expe-
riencial e ver como elas conduzem rapidamente aos seis processos patológicos que são o "outro 
lado da moeda" dos seis processos terapêuticos centrais. Mas antes de continuar a ler, por que não 
tentar aplicar o Exercício da ACT Sintetizada em um amigo ou colega para verificar se você con-
segue apresentar de forma resumida sobre o que a ACT objetiva? Recomendo que, antes de mais 
nada, você faça um ensaio da mesma em voz alta várias vezes: percorra cada passo com um clien-
te imaginário, como se você fosse um ator ensaiando uma peça. Depois tente de verdade. 
Suspeito que talvez você esteja relutante em fazer isto; você pode pensar que é bobo, pouco im-
portante, ou que não faz seu estilo. Entretanto, mesmo que você nunca venha a fazer isso com um 
cliente real, aplicar toda a metáfora desta forma pode se mostrar uma valiosa experiência de 
aprendizagem. Não apenas vai lhe possibilitar a se apropriar do modelo, mas também irá lhe aju-
dar se você em algum momento quiser explicá-lo para amigos tenham curiosidade acerca do 
mesmo, colegas, parentes, ou convidados em seu próximo jantar. Assim, embora você possa se 
sentir relutante, por que não dar-lhe uma chance? Você poderá ficar agradavelmente surpreso com 
os resultados. 
20 
 
CAPÍTULO 2 
Empacado, Não Inutilizado 
 
ONDE HÁ DOR, HÁ VIDA 
O modelo da ACT é inerentemente otimista. A ACT parte do pressuposto de que mesmo no meio 
de muita dor e sofrimento existe a oportunidade de encontrar sentido, propósito e vitalidade. Po-
demos encontrar exemplos inspiradores disto em livros como Em Busca de Sentido de Viktor 
Frankl (1959), que relata as experiências de Frankl como prisioneiro do campo de concentração 
de Auschwitz, ou Longo Caminho para a Liberdade, a autobiografia de Nelson Mandela. Na 
ACT não objetivamos meramente reduzir o sofrimento humano; também temos como meta ajudar 
as pessoas a aprender e a crescer como resultado de seu sofrimento, e a usar sua dor como um 
trampolim para a criação de vidas mais ricas e plenas de sentido. Esta atitude otimista fica eviden-
te no ditado da ACT: "Nossos clientes não estão inutilizados, eles estão apenas empacados". E o 
que é que leva indivíduos comuns a ficarem tão empacados de modo que acabem se deprimindo, 
viciando em drogas, se isolando, fóbicos ou com tendências suicidas? Isto acontece devido a dois 
processos normais da mente humana normal: fusão cognitiva e esquiva experiencial. 
FUSÃO COGNITIVA 
Por que usamos o termo "fusão"? Bem, pense em duas placas de metal que estão fundidas. Se 
você não pudesse usar o termo "fundidas", como você as descreveria? Soldadas? Misturadas? 
Coladas? Juntadas? Anexadas? Presas? Todos estes termos apontam para a mesma ideia: sem 
separação. Em um estado de fusão cognitiva, nós somos inseparáveis de nossos pensamentos: 
estamos soldados a eles, colados a eles, tão presos neles que não estamos nem mesmo conscien-
tes que estamos pensando. Desta forma, desfusão significa nos separarmos, desapegarmos, ou 
tomar distância de nossos pensamentos: dar um passo atrás e vê-los pelo que eles realmente são: 
nada mais ou nada menos do que palavras e imagens. 
Fusão cognitiva significa, basicamente, que nossos pensamentos dominam nosso comportamento. 
Assim, na ACT podemos falar com os clientes sobre "serem empurrados pra lá e pra cá por seus 
pensamentos" ou "permitir que os pensamentos lhes digam o que fazer". Às vezes nos referimos 
aos pensamentos como intimidadores ou os comparamos a um ditador fascista. Podemos também 
perguntar-lhes "O que acontece quando você permite que o pensamento conduza sua vida?" Da 
mesma forma, quando nossos pensamentos dominam a nossa atenção, muitas vezes nos referimos 
a isso como ficar "enganchado", "enredado", "preso" ou "levado" por eles. (Um lembrete rápido: 
quando usamos os termos "pensar", "pensamentos", "cognição" e "mente" na ACT, nós os utiliza-
mos como metáforas para "linguagem humana", que inclui crenças, pressuposições, pensamentos, 
atitudes, memórias, imagens, palavras, gestos, fantasias, e alguns aspectos dasemoções). 
Os seres humanos vivem em dois mundos diferentes. Ao nascer, vivemos tão somente no 
"mundo da experiência direta", o mundo tal como o conhecemos diretamente através dos cinco 
sentidos: o mundo que podemos ver, ouvir, tocar, sentir e cheirar. Mas à medida que vamos 
ficando mais velhos, aprendemos a pensar e, à medida que nossa habilidade aumenta, começa-
mos a gastar mais e mais tempo no segundo mundo, o "mundo da linguagem". Fusão significa 
que estamos empacados no mundo da linguagem: estamos tão perdidos no meio de todas aque-
las palavras e imagens que cruzam nossa cabeça que perdemos contato com o mundo da experi-
ência direta. A atenção plena (mindfulness) é como uma nave que nos transporta do mundo da 
linguagem para o mundo da experiência direta. 
21 
 
As Mãos Como Uma Metáfora Do Pensamento 
Imagine por um instante que suas mãos são seus pensamentos. Quando você chegar no final deste 
parágrafo, eu gostaria que você largasse o livro e juntasse suas mãos, com as palmas abertas, como 
se elas fossem as páginas de um livro aberto. Então, devagar, mas firmemente, levante suas mãos 
em direção ao seu rosto. Continue até que elas cubram seus olhos. Agora, por alguns segundos, 
olhe para o mundo ao seu redor através das aberturas no meio de seus dedos e observe o quanto 
isto afeta sua visão do mundo. Por favor, faça este exercício agora, antes de continuar a leitura. 
* * * 
Como seria se tivesse que viver todo o dia com suas mãos cobrindo seus olhos desta maneira? 
O quanto isto limitaria você? O quanto você iria perder? O quanto isso iria reduzir sua habilida-
de de responder ao mundo ao seu redor? Isto é como a fusão: ficamos tão emaranhados em nos-
sos pensamentos que perdemos contato com muitos aspectos de nossa experiência aqui-e-agora, 
e nossos pensamentos acabam por ter uma influência tão grande sobre nosso comportamento 
que nossa habilidade para agir de modo eficaz é reduzida de forma significativa. 
Agora, novamente, quando chegar no fim desse parágrafo, gostaria que você cobrisse os seus 
olhos com suas mãos, mas desta vez, vá afastando-os de seu rosto bem, bem devagar. À medida 
que a distância entre suas mãos e seu rosto vai aumentando, observe quão mais fácil fica conec-
tar-se com o mundo ao redor. Por favor, faça isto antes de continuar a leitura. 
* * * 
O que você acaba de fazer é semelhante à desfusão. Não é muito mais fácil agir eficazmente 
sem as mãos cobrindo seu rosto? Quanto mais informações você consegue absorver? E quão 
mais conectado com o mundo exterior você está? 
Esta metáfora (Harris, 2009), que você pode usar com seus clientes para explicar a fusão e a 
desfusão, demonstra o propósito da desfusão: engajar-se de forma completa em sua experiência 
e facilitar a ação eficaz. As pessoas muitas vezes se sentem melhor quando elas se desfundem 
de pensamentos e memórias dolorosos, mas na ACT consideramos isto como um bônus ou sub-
produto; não é nossa intenção nem nosso objetivo. (Lembre-se que não estamos tentando redu-
zir ou eliminar nossos sintomas. Estamos fundamentalmente tentando transformar nossa relação 
com os pensamentos e sentimentos dolorosos de modo que deixemos de percebê-los como "sin-
tomas".) Assim, a desfusão não é uma ferramenta inteligente para controlar sentimentos: é uma 
maneira de nos tornarmos presentes e agir de forma eficaz. Queremos que isto fique bem claro 
para nossos clientes, porque se eles começarem a usar as técnicas de desfusão para tentar con-
trolar seus sentimentos, eles logo irão ficar desapontados. 
Facilitamos a desfusão através de exercícios vivenciais. Se tentarmos explicá-la conceitualmen-
te antes de realizá-la vivencialmente, provavelmente iremos ficar atolados em todo tipo de dis-
cussões intelectuais estéreis. 
Fusão versus Desfusão: Um Sumário Simples 
Em um estado de fusão, um pensamento pode parecer 
 a verdade absoluta; 
 uma ordem que você tem que obedecer ou uma regra que você tem que seguir; 
 uma ameaça da qual você tem que se livrar o quanto antes; 
 algo que está acontecendo aqui e agora embora seja algo sobre o passado ou o futuro; 
22 
 
 algo muito importante que exige toda sua atenção; 
 algo que você não vai deixar ir embora mesmo que piore sua vida. 
Em um estado de desfusão, você consegue ver um pensamento pelo que ele é: nada mais e nada 
menos do que um monte de palavras ou imagens "dentro de sua cabeça". Em um estado de des-
fusão, você reconhece que um pensamento 
 pode ser verdadeiro ou não; 
 definitivamente não é uma ordem que você tem que obedecer ou uma regra que você 
tem que seguir; 
 definitivamente não é uma ameaça para você; 
 não é algo que está acontecendo no mundo físico – são tão somente palavras ou ima-
gens em sua cabeça; 
 pode ser importante ou não – você tem a opção de quanto quer prestar atenção nele; 
 pode ser autorizado a vir e a ir embora por si próprio sem nenhuma necessidade de 
você se agarrar a ele ou de mandá-lo embora. 
Funcionalidade 
Todo o modelo da ACT repousa sobre um conceito chave: "funcionalidade"2. Por favor, grave 
esta palavra – funcionalidade – em seu córtex cerebral, porque ela está no coração de cada in-
tervenção que fazemos. Para determinar a funcionalidade, fazemos a seguinte pergunta: "Aquilo 
que você está fazendo está funcionando para tornar sua vida rica, plena e com sentido?" Se a 
resposta é sim, então dizemos que tem "funcionalidade", e, portanto, não há necessidade de mu-
dá-lo. Se a resposta é não, então dizemos que isto não tem "funcionalidade", e neste caso pode-
mos considerar alternativas que funcionam melhor. 
Assim, na ACT não nos focamos em verificar se um pensamento é verdadeiro ou falso, mas sim 
se ele tem funcionalidade. Em outras palavras, queremos saber se um pensamento ajuda um 
cliente a ir rumo a uma vida mais rica, completa e com mais sentido. Para determinar isto, po-
demos fazer perguntas como estas: "Se você deixar que este pensamento guie seu comporta-
mento, isto vai ajudá-lo a criar uma vida mais rica, com mais plenitude e mais sentido? Se você 
se agarrar firmemente a este pensamento, isto vai lhe ajudar a ser a pessoa que você quer ser e 
fazer as coisas que você quer fazer?" 
A seguir temos uma transcrição que exemplifica esta abordagem: 
Cliente: Mas isto é verdadeiro. Eu de fato sou gorda. Olhe pra mim. (Ela agarra dois 
grandes "pneus" de gordura em torno de seu abdômen e os aperta para enfati-
zar seu ponto.) 
Terapeuta: Uma coisa posso lhe garantir: nesta sala nós nunca vamos discutir sobre o que é 
verdadeiro ou falso. Estamos interessados no que é útil ou que vai nos ajudar a 
viver uma vida melhor. Assim, quando sua mente começa a lhe dizer "eu sou 
gorda", o que acontece quando você fica presa nestes pensamentos? 
Cliente: Sinto nojo de mim mesma. 
Terapeuta: E o que acontece depois? 
 
2 NT: No original foi usada a palavra workability que não possui um equivalente exato em português. 
Pode ser traduzida como "funcionalidade", "aplicabilidade", "viabilidade" ou "exequibilidade". 
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Cliente: Então eu fico deprimida. 
Terapeuta: E se eu estivesse vendo um vídeo de você, o que eu veria você fazer quando está 
deprimida e enojada de si mesma? 
Cliente: Eu provavelmente estaria sentada na frente da TV e tomando sorvete. 
Terapeuta: Então, ficar presa no pensamento "Eu sou gorda" não parece muito útil, parece? 
Cliente: Não, mas é verdadeiro! 
Terapeuta: Bem, vou dizer isto de novo: nesta abordagem estamos interessados não em sa-
ber se um pensamento é verdadeiro ou falso, mas se ele é útil. Quando este pen-
samento aparece em sua cabeça, será que ajuda ficar preso nele? Isto motiva vo-
cê a se exercitar, a comer de forma adequada, ou usar seu tempo para fazer as 
coisas que tornam sua vida rica e recompensadora? 
Cliente: Não. 
Terapeuta: E o que você acha de fazermos algo aqui que possa fazera diferença? E se você 
pudesse aprender uma habilidade para que na próxima vez em que sua mente 
começar a lhe contar a história do "Eu sou gorda" você não tivesse mais que fi-
car absorvida ou presa nessa história? 
Quando usamos a estrutura básica da "funcionalidade", nunca necessitamos julgar o comporta-
mento de um cliente como "bom" ou "mau", "certo" ou "errado"; em vez disso podemos pergun-
tar, sem julgamentos e de forma compassiva: "Isso está funcionando para proporcionar a você a 
vida que você quer?" Da mesma forma, nunca necessitamos julgar os pensamentos como irracio-
nais ou disfuncionais, ou entrar em discussões sobre se são verdadeiros ou falsos. Em vez disso, 
podemos simplesmente perguntar: "Agarrar-se tão firmemente a esses pensamentos ajuda você a 
viver a vida que você verdadeiramente deseja?" ou " Ficar preso nestes pensamentos ajuda você a 
fazer as coisas que você quer fazer?" ou ainda "Se você deixar que estes pensamentos fiquem lhe 
empurrando pra lá e pra cá, isto vai lhe ajudar a ser a pessoa que você quer ser?" 
Observe que na transcrição acima, o terapeuta não faz nenhuma tentativa para mudar o conteú-
do dos pensamentos. Na ACT, o conteúdo de um pensamento não é considerado problemático; 
é somente a fusão com o pensamento que cria o problema. Em muitos livros-texto de psicologia 
podemos encontrar esta citação de William Shakespeare: "Não há nada bom ou nada mau, mas 
o pensamento o faz assim." A postura da ACT seria fundamentalmente diferente: "Pensar não 
torna nada bom ou mau. Mas se você se fundir com seu pensamento, isto pode criar problemas". 
ESQUIVA EXPERIENCIAL 
Esquiva experiencial (ou vivencial) significa tentar evitar, livrar-se de, reprimir, ou escapar de 
"experiências privadas" indesejáveis. (Conforme mencionei anteriormente, a ACT utiliza a ex-
pressão experiência privada para se referir a qualquer experiência que você tem e que ninguém 
mais conhece a não ser que você conte a eles: por exemplo, pensamentos, sentimentos, imagens, 
impulsos e sensações.) A esquiva experiencial é algo que vem naturalmente para todos os seres 
humanos. Por quê? Bem, eis como descrevemos isso para os clientes... 
A Máquina de Resolver Problemas: Uma Metáfora Clássica da ACT 
Terapeuta: Se você tivesse que escolher uma habilidade da mente humana que nos tornou capa-
zes de sermos tão engenhosos de forma que não apenas mudamos a face do planeta, mas fomos 
capazes de viajar para fora dele, esta teria de ser nossa capacidade para solucionar problemas. A 
essência da solução de problemas é esta: Um problema significa algo indesejável. E uma solu-
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ção significa evitá-lo ou livrar-se dele. No mundo físico, resolver ou solucionar problemas ge-
ralmente funciona muito bem. Um lobo do lado de fora de sua casa? Livre-se dele: jogue pedras 
ou lanças nele, ou atire nele. Neve, chuva, granizo? Bem, você não consegue se livrar dessas 
coisas, mas você pode evitá-las abrigando-se numa caverna, construindo um abrigo, ou usando 
roupas de proteção. Solo seco, árido? Você pode se livrar dele usando a irrigação e a fertiliza-
ção, ou você pode evitá-lo mudando-se para um local melhor. 
Assim, nossa mente é como uma máquina de resolver problemas, e ela é muito boa em sua fun-
ção. E visto que solucionar problemas funciona tão bem no mundo material, é perfeitamente 
natural que nossa mente tente fazer a mesma coisa com o mundo interior: o mundo dos pensa-
mentos, sentimentos, memórias, sensações e impulsos. Infelizmente, muitas vezes quando ten-
tamos evitar ou nos livrar de pensamentos ou sentimentos indesejáveis, isto não funciona – ou, 
se funciona, acabamos criando uma dose extra de dor para nós mesmos neste processo. 
Como a Esquiva Experiencial Aumenta o Sofrimento 
Vamos voltar à Máquina de Resolver Problemas em capítulos posteriores. Por enquanto, vamos 
considerar como a esquiva experiencial aumenta o sofrimento. Adições nos fornecem um 
exemplo óbvio. Muitas adições começam com uma tentativa de evitar ou de se livrar de pensa-
mentos e sentimentos indesejáveis como tédio, solidão, ansiedade, culpa, raiva, tristeza, e assim 
por diante. A curto prazo, jogar, drogas, álcool e cigarros muitas vezes vão ajudar as pessoas a 
evitar e se livrar desses sentimentos temporariamente, mas a longo prazo o resultado disso será 
uma grande quantidade de dor e sofrimento. 
Quanto mais tempo e energia gastamos tentando evitar ou nos livrar de experiências privadas 
indesejáveis, mais provavelmente iremos sofrer psicologicamente a longo prazo. Os transtornos 
de ansiedade nos fornecem um bom exemplo. Um transtorno de ansiedade não consiste na pre-
sença de ansiedade. Afinal de contas, ansiedade é uma emoção humana normal que todos vi-
venciamos. No centro de qualquer transtorno de ansiedade encontra-se a esquiva experiencial: 
uma vida dominada por intensas tentativas de evitar ou se livrar da ansiedade. Por exemplo, 
suponha que eu me sinta ansioso em situações sociais e, para evitar esses sentimentos de ansie-
dade, eu me afaste do convívio social. Agora eu tenho "fobia social". O benefício de curto prazo 
é óbvio – eu consigo evitar alguns pensamentos e sentimentos ansiosos – mas o custo a longo 
prazo é elevado: eu me isolo e minha vida se torna "menor". 
Alternativamente eu posso tentar reduzir minha ansiedade desempenhando o papel do "bom 
ouvinte". Eu me torno muito empático e carinhoso em relação aos outros, e em interações soci-
ais eu descubro muita informação sobre os pensamentos, sentimentos e desejos dos outros, mas 
revelo pouco ou nada a meu respeito. Isto vai me ajudar a curto prazo a reduzir meu medo de 
ser julgado ou rejeitado, mas a longo prazo significará que minhas relações carecem de intimi-
dade, abertura e autenticidade. 
Agora suponha que eu tome Valium, ou algum outro benzodiazepínico, para reduzir minha an-
siedade. Novamente, o benefício a curto prazo é óbvio: menos ansiedade. Mas a longo prazo os 
custos de depender de benzodiazepínicos, antidepressivos, maconha ou álcool para reduzir mi-
nha ansiedade poderá incluir (a) dependência psicológica de medicação, (b) possível adição 
física, (c) outros efeitos colaterais físicos e emocionais, (d) custos financeiros, e (e) fracasso em 
aprender respostas mais eficazes para a ansiedade, o que acaba por manter ou exacerbar o pro-
blema. Uma outra maneira em que eu poderia responder à ansiedade social seria cerrar meus 
dentes e me relacionar socialmente apesar de minha ansiedade – ou seja, tolerar os sentimentos 
apesar de estar agoniado por causa deles. A partir da perspectiva da ACT, isto também seria 
esquiva experiencial. Por que? Porque, embora eu não esteja evitando a situação, eu ainda estou 
lutando com meus sentimentos e desesperadamente desejando que eles sumam. Isto é tolerân-
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cia, não aceitação. Se eu verdadeiramente aceito meus sentimentos, então mesmo que eles pos-
sam ser muito desprazerosos e desconfortáveis, eu não estou agoniado por causa deles. 
Para entender a diferença entre tolerância e aceitação considere o seguinte: Você gostaria que as 
pessoas que você ama tolerassem você enquanto está presente, desejando que você vá embora 
logo e frequentemente checando para ver se você já foi embora? Ou você preferiria que eles 
aceitassem você de uma maneira completa e total tal como você é, com todas as suas falhas e 
pontos fracos, e estarem dispostos a ter você por perto durante o tempo que você quiser ficar? 
O custo de tolerar minha ansiedade (ou seja, cerrar meus dentes e suportá-la) é que ela exige 
uma imensa quantidade de esforço e energia e torna difícil permanecer completamente engajado 
em qualquer tipo de interação social. Como consequência, acabo perdendo muito do prazer e da 
realização que comumente acompanha a interação social. E isto por sua vez aumenta minha 
ansiedade sobre eventos sociais futuros porque "Eu não vou gostar disso" ou "Eu vou me sentir 
horrível" ou então "É esforço demais".

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