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INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS CÂMPUS GOIÂNIA DEPARTAMENTO ACADÊMICO DA ÁREA III CURSO DE ENGENHARIA CIVIL GABRIEL CAMILO VIEIRA MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS PINTURAS: ESTUDO DE CASO NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS – CAMPUS GOIÂNIA Goiânia, GO 2021 Gabriel Camilo Vieira MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS PINTURAS: ESTUDO DE CASO NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS – CAMPUS GOIÂNIA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Engenharia Civil do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás, Campus Goiânia, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil. Orientador: Prof. Me. Glydson Ribeiro Antonelli Goiânia, GO 2021 Ficha catalográfica elaborada pelo Bibliotecário Alisson de Sousa Belthodo Santos CRB1/ 2.266 Biblioteca Professor Jorge Félix de Souza, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Câmpus Goiânia. V658m Vieira, Gabriel Camilo. Manifestações patológicas nas pinturas: estudo de caso no Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia / Gabriel Camilo Vieira. – Goiânia: Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, 2021. 77 f. : il. Orientador: Prof. Me. Glydson Ribeiro Antonelli. TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) – Curso de Bacharelado em Engenharia Civil, Coordenação do Curso de Engenharia Civil, Departamento das Áreas Acadêmicas III, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás. 1. Manifestações patológicas – pintura – Instituto Federal de Goiás – Câmpus Goiânia. 2. Construção civil – tintas. I. Antonelli, Glydson Ribeiro (orientador). II. Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás. III. Título. CDD 690 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO SISTEMA INTEGRADO DE BIBLIOTECAS TERMO DE AUTORIZAÇÃO PARA DISPONIBILIZAÇÃO NO REPOSITÓRIO DIGITAL DO IFG - ReDi IFG Com base no disposto na Lei Federal nº 9.610/98, AUTORIZO o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, a disponibilizar gratuitamente o documento no Repositório Digital (ReDi IFG), sem ressarcimento de direitos autorais, conforme permissão assinada abaixo, em formato digital para fins de leitura, download e impressão, a título de divulgação da produção técnico-científica no IFG. Identificação da Produção Técnico-Científica [ ] Tese [ ] Artigo Científico [ ] Dissertação [ ] Capítulo de Livro [ ] Monografia – Especialização [ ] Livro [X] TCC - Graduação [ ] Trabalho Apresentado em Evento [ ] Produto Técnico e Educacional - Tipo: ___________________________________ Nome Completo do Autor: Gabriel Camilo Vieira Matrícula: 20151011050330 Título do Trabalho: Manifestações patológicas nas pinturas: estudo de caso no Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia Autorização - Marque uma das opções 1. (X) Autorizo disponibilizar meu trabalho no Repositório Digital do IFG (acesso aberto); 2. ( ) Autorizo disponibilizar meu trabalho no Repositório Digital do IFG somente após a data ___/___/_____ (Embargo); 3. ( ) Não autorizo disponibilizar meu trabalho no Repositório Digital do IFG (acesso restrito). Ao indicar a opção 2 ou 3, marque a justificativa: ( ) O documento está sujeito a registro de patente. ( ) O documento pode vir a ser publicado como livro, capítulo de livro ou artigo. ( ) Outra justificativa: ________________________________________________ DECLARAÇÃO DE DISTRIBUIÇÃO NÃO-EXCLUSIVA O/A referido/a autor/a declara que: i. o documento é seu trabalho original, detém os direitos autorais da produção técnico- científica e não infringe os direitos de qualquer outra pessoa ou entidade; ii. obteve autorização de quaisquer materiais inclusos no documento do qual não detém os direitos de autor/a, para conceder ao Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás os direitos requeridos e que este material cujos direitos autorais são de terceiros, estão claramente identificados e reconhecidos no texto ou conteúdo do documento entregue; iii. cumpriu quaisquer obrigações exigidas por contrato ou acordo, caso o documento entregue seja baseado em trabalho financiado ou apoiado por outra instituição que não o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás. Goiânia, 18 de março de 2021. _____________________________________________________________ Assinatura do Autor e/ou Detentor dos Direitos Autorais Gabriel Camilo Vieira MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS PINTURAS: ESTUDO DE CASO NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS – CAMPUS GOIÂNIA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Curso de Engenharia Civil do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás, Campus Goiânia, como parte dos requisitos necessários para a obtenção do título de Bacharel em Engenharia Civil. Aprovado em 18 de março de 2021: Glydson Ribeiro Antonelli, Me. (IFG) (Orientador) (Assinado eletronicamente) Giovane Batalione, Me. (IFG) (Assinado eletronicamente) Valdeir Francisco de Paula, Dr. (IFG) (Assinado eletronicamente) Goiânia, GO 2021 AGRADECIMENTOS A Deus por ter me dado força e sabedoria para a realização de todos os meus objetivos. Aos meus pais pelo amor incondicional, apoio e incentivo proporcionados ao longo da minha vida. A minha namorada por estar comigo durante todos os momentos difíceis da graduação. Ao Professor Me. Glydson Ribeiro Antonelli pelas orientações que foram fundamentais no desenvolvimento deste trabalho. A todas as pessoas que, de alguma forma, contribuíram para a realização deste trabalho. RESUMO MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS PINTURAS: ESTUDO DE CASO NO INSTITUTO FEDERAL DE GOIÁS – CAMPUS GOIÂNIA AUTOR: Gabriel Camilo Vieira ORIENTADOR: Glydson Ribeiro Antonelli O Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia (IFG – Campus Goiânia) é uma edificação que faz parte da história da cidade de Goiânia, possuindo mais de 75 anos. Dessa maneira, devido à temporalidade desta construção, é comum observar vários pontos em que sua pintura se encontra comprometida. A pintura na construção civil tem um papel fundamental, que além de apenas garantir o embelezamento da construção, permite também a proteção do substrato. Assim sendo, foram realizadas pesquisas bibliográficas a respeito das tintas e das principais patologias que podem afetar o revestimento, objetivando uma melhor compreensão da atual situação em que se encontra o IFG – Campus Goiânia. Portanto, este trabalho baseou-se no método proposto por Lichtenstein (1986) com a finalidade de buscar informações importantes sobre cada patologia identificada, realizar um diagnóstico e propor medidas de intervenção. Ao desenvolver o presente estudo, foi possível perceber que grande parte dos problemas encontrados nas pinturas foram causados pela ação da água e pela falta de preparação adequada da superfície. Palavras-chave: Pintura. Manifestações patológicas. Diagnóstico. Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia.de umidade antes de iniciar o processo de pintura ou repintura. Figura 10 – Eflorescência na pintura Fonte: Marques (2013) 39 2.4.8.5 Enrugamento O enrugamento caracteriza-se pela formação de rugas e ondulações na película da tinta sobre o substrato durante o processo de secagem ou seja, quando a mesma ainda se encontra úmida (POLITO, 2006). A Figura 09 ilustra a patologia. De acordo com Neto (2007, apud TINTAS SUVINIL, 2006), essa patologia pode ocorrer quando a pintura é executada em superfície de aplicação com uma temperatura bastante elevada (acima de 50ºC), podendo também ocorrer devido à aplicação excessiva de tinta no substrato, resultando em uma camada bastante espessa. Outras causas dessa anomalia estão relacionadas à aplicação da tinta em superfícies com sujidades ou pela presença de umidade excessiva (POLITO, 2006). A Figura 11 ilustra o processo de enrugamento da pintura. Figura 11 – Enrugamento da pintura Fonte: Site da Guide Engenharia2 2.4.8.6 Saponificação A saponificação é uma patologia caracterizada pela transformação da resina da tinta em uma espécie de sabão solúvel (Figura 12), dando à superfície pintada um aspecto pegajoso. A ocorrência de tal anomalia se deve à aplicação de tintas à base de óleo em superfícies com alto de teor de alcalinidade, como os substratos de argamassa ou cal natural, sem que antes tenha sido feito um preparo adequado da superfície com fundo selador. A alcalinidade desses substratos, quando exposta a umidade, reagem com a resina da tinta formando uma espécie de sabão (CUNHA, 2011; MARQUES, 2013). 2 Disponível em: . Acesso em 23 de setembro de 2020. 40 Figura 12 – Deterioração da pintura por saponificação Fonte: Polito (2006) 2.4.8.7 Descoloração ou desbotamento Caracteriza-se essa patologia pela perda dos pigmentos da película da tinta, observando-se o clareamento da cor original da pintura devido à ações de agentes climáticos ou pelo envelhecimento da mesma (Figura 13). A incidência de raios solares nas pinturas pode ocasionar a deterioração dos pigmentos, podendo levar à perda das propriedades das resinas, tornando-as quebradiças. (CHAVES, 2009; CUNHA, 2011). Polito (2006) elenca outras causas que podem promover tal patologia, dentre as quais a aplicação de tintas indicadas para superfícies internas, em superfícies externas; utilização de tintas de baixa qualidade; utilização de cores como amarelo, vermelho e azul em ambientes com grande incidência de raios solares. Figura 13 – Descoloração da pintura Fonte: Marques (2013) 41 2.4.8.8 Mofo, bolor ou fungos Segundo Neto (2007), essa patologia é caracterizada pelo surgimento de manchas escuras (Figura 14) em decorrência da ação de agentes biológicos em ambientes propícios a sua proliferação. Geralmente, esses ambientes possuem características como umidade excessiva, má ventilação e baixa incidência de raios solares. Substratos com características porosas possuem uma grande capacidade de absorção e retenção de água, que permanecerá em seu interior caso o ambiente tenha baixa incidência solar. Como consequência haverá o surgimento de manchas na superfície da pintura e uma possível proliferação de microrganismos que podem decompor tanto o elemento construtivo, quanto o substrato e a pintura (CUNHA, 2011). Figura 14 – Manchas de mofo ou bolor Fonte: Site da Ebenezer Construções e Pinturas3 2.4.8.9 Manchas amareladas De um modo geral, as manchas amareladas nas pinturas são patologias provenientes de gordura, fumaça ou até mesmo poluição, conforme ilustração indicada na Figura 15. As tintas esmaltes, por exemplo, caracterizam-se por possuir baixa resistência quando expostas à fumaças que contém nicotina, como as provenientes do cigarro. Em ambientes com pouca ventilação, a pintura torna-se mais suscetível à manifestação dessa patologia (NETO, 2007). 3 Disponível em: . Acesso em 24 de setembro de 2020. 42 Figura 15 – Manchas amareladas na pintura Fonte: Site do Grupo Argalit4 2.4.8.10 Desagregação da pintura Segundo Neto (2007), conforme citado por TINTAS SUVINIL (2005) e TINTAS EUCATEX (2005), tal manifestação patológica é ocasionada devido à aplicação da tinta em substratos fracos, ou que não tiveram sua cura realizada de forma adequada. Como consequência, haverá o destacamento da pintura (Figura 16) que se esfarela da superfície em que foi executada, juntamente com partes do reboco. O autor recomenda a aplicação da pintura 30 dias após a execução do substrato, tempo o suficiente para a cura do reboco. Figura 16 – Desagregação da pintura Fonte: Neto (2007) 4 Disponível em: . Acesso em 24 de setembro de 2020. 43 2.5 MÉTODO DE LICHTENSTEIN Lichtenstein (1986) divide seu método, basicamente, em três partes distintas: levantamento de subsídios, diagnóstico e definição de conduta. 2.5.1 Levantamento de subsídios Para Lichtenstein (1986), o levantamento de subsídios consiste na coleta e organização do máximo de informações sobre as patologias recorrentes da edificação a ser analisada através da vistoria do local, levantamento da história da edificação e o resultado de análises complementares. De acordo com as especificações do autor deve-se ter o contato físico com a edificação, por meio de visitas técnicas, para a coleta de informações detalhadas das patologias existentes e, para a sua consecução, alguns passos devem servir de parâmetro, tais como: Estabelecer a magnitude da manifestação patológica; Estabelecer o alcance da vistoria; Utilizar equipamentos e os sentidos humanos para identificação das anomalias; Registrar os resultados através de inspeções visuais (fotografias) e anotações. A partir dessas observações e registros, ainda nesta fase, deve ser feita a anamnese, que consiste na busca de informações sobre a história da edificação, através da análise de documentos, tais como projetos e relatórios. 2.5.2 Diagnóstico Segundo Lichtenstein (1986), as patologias são caracterizadas pelas diversas relações de causa e efeito que estabelecem um determinado problema, sendo o propósito do diagnóstico o conhecimento do motivo, ou motivos, e entendê-lo(s) a partir das informações obtidas, para que dessa forma seja possível estabelecer conclusões lógicas a respeito desse problema. 2.5.3 Definição de conduta A definição de conduta pressupõe a formulação dos meios para a resolução do problema e, até mesmo, se esses meios são de fato eficazes e capazes de justificar a 44 intervenção em termos de efetividade. Assim sendo, deve-se estabelecer o levantamento do prognóstico da situação para análise de uma possível evolução do problema e hipóteses para intervenção, caso essa venha a ocorrer. Portanto, o objetivo da conduta diagnóstica é elencar as medidas a serem tomadas para resolução do problema, englobando os materiais, mão de obra, equipamentos e os possíveis resultados do desempenho final. Para a fase de levantamento é necessário que o profissional tenha conhecimento das técnicas de intervenção, lance mão de sua imaginação criadora e considere, de forma excepcional, os três parâmetros básicos relacionados às alternativas de intervenção: nível de incerteza sobre os efeitos, relação custo/benefício e a disponibilidade de tecnologia para execução dos serviços. Lichtenstein (1986) propõe a utilização de um fluxograma (Figura 17)para a resolução das manifestações patológicas. 45 Figura 17 – Fluxograma de atuação para a resolução das manifestações patológicas Fonte: Adaptado, Lichtenstein (1986) 46 3 METODOLOGIA 3.1 OBJETO DE ESTUDO O objeto de estudo do presente trabalho diz respeito ao prédio do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás - IFG - Campus Goiânia, localizado entre as ruas 75, 66, 79 e 62 no Setor Central, como indicado de forma panorâmica pela Figura 18. Figura 18 – Localização do objeto de estudo Fonte: Google Earth A pesquisa consistiu na realização de vistorias nos blocos 100, 200, 300, 400, 500 e no corredor principal do campus, sinalizados pela Figura 19, com a finalidade de, a partir de inspeções visuais, promover a coleta de dados das manifestações patológicas nas pinturas dos elementos constituintes do Instituto, bem como propor medidas de intervenção e reparos. 47 Figura 19 – Planta baixa do pavimento térreo do IFG - Campus Goiânia Fonte: Adaptado, Gerência de Apoio Administrativo e Manutenção do IFG – Campus Goiânia 3.2 PROCEDIMENTO REALIZADO Para a realização deste trabalho foi adotado o método proposto por Lichtenstein (1986), dessa maneira, o trabalho foi dividido em três etapas: levantamento de subsídios, diagnóstico e definição de conduta. A primeira etapa do trabalho consistiu no levantamento de subsídios e busca de informações a respeito do edifício. Para sua realização, primeiramente, foram efetuadas visitas técnicas ao IFG – Campus Goiânia nos meses de dezembro de 2020 e janeiro de 2021, sendo a inspeção visual o elemento fundamental para a identificação das patologias na pintura existentes na área de estudo. Por meio da inspeção visual foram realizados registros fotográficos dessas patologias. Ainda nesta etapa, recorreu-se a Gerência de Apoio Administrativo e Manutenção (GAAM) do IFG – Campus Goiânia com o propósito de buscar informações a respeito da história da edificação, além de projetos complementares como auxílio ao desenvolvimento deste trabalho. 48 Durante as visitas técnicas foram utilizadas fichas de vistoria (Figura 20), como instrumento auxiliar de registro, objetivando a organização; a identificação das áreas vistoriadas e a coleta de informações consideradas relevantes para a consecução do presente estudo. Figura 20 – Ficha de vistoria Ficha de vistoria Data: Nome da edificação: Numeração do bloco em estudo: Manifestação patológica identificada: Numeração da fotografia: Causas prováveis da manifestação patológica identificada: Observações: Fonte: Autoria própria Uma vez obtidas as informações, foi possível dar continuidade ao trabalho dando início à segunda etapa, que consistiu no estabelecimento do diagnóstico das manifestações patológicas identificadas. Esta etapa consistiu na análise, por meio de embasamentos teóricos, dos problemas encontrados nas pinturas do objeto de estudo, bem como na formulação de conclusões sobre as possíveis causas e origens de cada patologia identificada, permitindo, dessa forma, o seu estudo particularizado. Finalizada a etapa de diagnóstico, iniciou-se a terceira e última, que consistiu na definição de conduta, através da qual, por meio de revisão bibliográfica, buscou-se informações para o tratamento dos problemas detectados, com as especificações do passo a passo a ser seguido para a realização dos reparos de cada manifestação patológica identificada. A Figura 21 apresenta o fluxograma das etapas do trabalho realizado. 49 Figura 21 – Fluxograma da metodologia Fonte: Autoria própria 50 4 RESULTADOS E ANÁLISE DE DADOS Neste capítulo abordou-se os resultados obtidos através das visitas técnicas, inspeções realizadas no Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia, apresentando-se as patologias encontradas nas pinturas, suas correspondentes localizações e as prováveis intervenções, com o objetivo de reparar as manifestações patológicas identificadas. Cabe ressaltar as limitações encontradas durante as visitas técnicas, dentre elas a impossibilidade de acesso a toda extensão do campus devido à pandemia da COVID-19, uma vez que as salas de aula encontravam-se trancadas, não sendo possível, da mesma forma, o acesso ao telhado dos blocos para que fosse realizado o registro da atual situação do mesmo. Tais informações, diga-se de passagem, seriam importantes para a formulação de hipóteses sobre as origens de determinadas patologias porventura identificadas. Também torna-se digno de nota salientar a necessidade de ter-se recorrido à Gerência de Apoio Administrativo e Manutenção (GAAM) do Campus, com a finalidade de obter-se informações constantes em documentos e fichas de manutenção, inclusive, sobre o tempo decorrido desde a última pintura. Ressalte-se que não há existência de tais registros. 4.1 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NA PINTURA IDENTIFICADAS NO CAMPUS 4.1.1 Fissuras Ao serem realizadas as inspeções na edificação do IFG – Campus Goiânia, foram identificadas várias fissuras no revestimento de pintura dos blocos 100, 200, 300, 400 e 500 conforme indicados, respectivamente, pelas Figuras 22, 23, 24, 25 e 26. 51 Figura 22 – Fissura vertical na pintura do corredor do bloco 100 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Figura 23 – Fissuras inclinadas na pintura do corredor do bloco 200 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria 52 Figura 24 – Fissuras mapeadas no corredor do bloco 300 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria Figura 25 – Fissura horizontal e vertical no corredor do bloco 400 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria 53 Figura 26 – Fissura vertical e descascamento no corredor do bloco 500 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria As fissuras na pintura das Figuras 22, 25 e 26, de modo geral, costumam ser causadas devido à retração da argamassa do substrato, excesso de areia no traço da argamassa, rápida secagem da argamassa e movimentações térmicas dos elementos construtivos, podendo ser agravadas devido à exposição aos raios solares, como é o caso das imagens ilustrativas acima, uma vez que todas elas estão localizadas nos corredores do campus, estando, permanentemente, expostas às intempéries, conforme a Figura 27. 54 Figura 27 – Corredor do bloco 200 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria A atenta observação das Figuras 23 e 26 permite que se perceba a sobreposição de camadas de tintas, concluindo-se que não houve a preparação da superfície de aplicação de forma adequada, dessa forma, tornando-a mais suscetível à formação de fissuras no revestimento de pintura. Neto et al (2003) afirma que deve-se evitar repinturas frequentes pois, quanto mais espessa a camada de tinta, mais propensa à fissuração e lascamento. Durante a visita técnica ao Campus, pôde-se observar e verificar, através do tato, que a tinta identificada nas alvenarias dos corredores possui um aspecto liso, pressupondo que a tinta utilizada seja à base de óleo. As tintas a óleo, quando aplicadas em superfícies externas, podem oxidar com o passar do tempo e, consequentemente, a película da tinta pode se tornar quebradiça causando trincas e fissuras (POLITO, 2006). Após recorrer a Gerência de Apoio Administrativo e Manutenção (GAAM) do campus, obteve-se a informação de que o substrato utilizado nos Blocos 300, 400 e 500 foi à base de reboco tradicional, composto por um material denominado saibro. Segundo Carasek 55 (2007) o saibro é um material constituído por argilominerais, adicionado à argamassa, visando garantir uma maior plasticidade, com um custo reduzido. A autora ainda explicitaque o excesso de partículas finas de argila, encontradas no saibro, leva ao aumento do consumo de água para garantir uma melhor trabalhabilidade e, consequentemente, a saída dessa água pode causar a retração da argamassa, ocorrendo a fissuração mapeada do revestimento, como já ilustrado pela Figura 24. Cunha (2011) estabelece uma forma de tratamento para as fissuras causadas pela movimentação da estrutura, bem como pela variação de temperatura, sugerindo a utilização de materiais que possuam alta elasticidade. A autora propõe algumas etapas para o reparo: Com a utilização de uma espátula, retirar as partes soltas de tinta por toda a extensão da fissura; Eliminar toda a sujidade (pó e poeira); Aplicar um fundo preparador, e aguardar no mínimo 48 horas para melhor eficiência do produto; Aplicar uma demão de tinta elástica; Colocar sobre a primeira demão de tinta elástica uma tela de poliéster ou fibra de vidro; E, por fim, aplicar duas demãos de tinta com propriedades elásticas. Casotti (2007) reforça que para tratamento de fissuras causadas devido à retração da argamassa, também pode-se utilizar a pintura elástica, aplicando quatro demãos de tinta à base de resina acrílica, reforçando com tela de náilon, se necessário. 4.1.2 Descascamento da pintura Durante a visita técnica foram identificadas, por meio de inspeção visual, descascamentos da pintura que se manifestaram por diversas causas. Primeiramente, ao serem analisados os descascamentos encontrados nos pilares do corredor principal do Campus (Figura 28), notou-se que a pintura fora aplicada sobre uma superfície pulverulenta (Figura 29), fazendo com que a película da tinta perdesse sua aderência ao substrato, ocorrendo, daí, o descascamento da mesma. 56 Figura 28 – Corredor principal do Campus Fonte: Autoria própria Figura 29 – Descascamento da pintura do pilar do corredor principal Fonte: Autoria própria 57 Em um segundo momento constataram-se alguns descascamentos da pintura nos blocos 100, 200, 300 e 400 (Figuras 30 a 34) que podem ter sido ocasionados devido à falta de preparo adequado da superfície de aplicação, uma vez que, nas imagens, é possível notar, com clareza, que a pintura mais recente foi executada sobre uma outra camada de tinta antiga, ocorrendo a perda de aderência da película da tinta à superfície. Figura 30 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 100 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Figura 31 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 200 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria 58 Figura 32 – Descascamento da pintura na alvenaria do bloco 200 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Figura 33 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 300 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria 59 Figura 34 – Descascamento da pintura no bloco 400 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Em um terceiro momento constatou-se a ocorrência de descascamentos, que podem ter sido ocasionados devido à presença de umidade, conforme apresentado na Figura 35, o qual se trata da manifestação patológica observada no teto do corredor do bloco 200 (pavimento superior), que pode ter sua origem derivada de uma possível falta de manutenção do telhado, tornando-o propício à infiltração de águas pluviais. Na escadaria do bloco 500 (Figura 36), também notou-se o descascamento da pintura, juntamente com manchas de bolor no substrato, devido à presença de umidade, pois se trata de uma área aberta, exposta à intempéries, como infiltração de água em épocas chuvosas. Cabe ressaltar também, que há a presença de várias repinturas, ou seja, várias camadas de tintas sobrepostas, o que pode ter contribuído para o processo de descascamento ainda mais rápido. Também foi identificado no bloco 400 (pavimento inferior), o descascamento da pintura (Figura 37) que pode ter sido ocasionado devido à umidade excessiva, podendo ter origem devido à falta de manutenção da tubulação, identificada na imagem (destacada em vermelho), uma vez que, na parte superior, foi identificada a presença de um ralo para drenar a água da limpeza dos corredores e da chuva. 60 Figura 35 – Descascamento da pintura no teto do corredor do bloco 200 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria Figura 36 – Descascamento da pintura e manchas de bolor na escadaria do bloco 500 Fonte: Autoria própria 61 Figura 37 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 400 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Antes que se inicie os reparos para esta anomalia, faz-se necessário identificar e solucionar a origem do problema, evitando-se, assim, sua frequente recidiva. Nos casos de umidade recomenda-se impermeabilizar todo o local e fazer a manutenção dos elementos constituintes como telhas, calhas e tubulações. Para que seja corrigido o problema proposto, Neto (2007) recomenda que os seguintes passos sejam seguidos: Raspar ou escovar a superfície de aplicação até a remoção total das partes soltas ou mal aderidas; Limpar toda a superfície, retirando todo o pó; Aplicar uma demão de fundo preparador de paredes; Aplicar a tinta de acabamento de acordo com as recomendações do fabricante. 4.1.3 Bolhas na pintura As bolhas nas pinturas são patologias bastante comuns e geralmente são ocasionadas devido à presença de umidade no substrato. Essas manifestações patológicas são de fácil visualização, podendo ser identificadas nos blocos 300, 400 e 500 do campus (Figuras 62 38 a 42). Figura 38 – Bolhas na pintura no bloco 300 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Figura 39 – Bolhas na pintura no bloco 300 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria 63 Figura 40 – Bolhas na pintura no bloco 400 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Figura 41 – Bolhas na pintura no bloco 400 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria 64 Figura 42 – Bolhas na pintura no bloco 500 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Pressupondo-se que a tinta utilizada seja à base de óleo, as quais possuem baixa resistência à álcalis quando aplicadas em superfícies úmidas, tornam estas superfícies propicias à formação de bolhas, em função da perda da adesão entre a película da tinta e a superfície. Essa umidade pode ser provocada por capilaridade e infiltração da água, decorrente de chuvas ou limpeza dos corredores do campus, bem como devido à falta de impermeabilização dos elementos construtivos. As bolhas também podem surgir quando uma nova camada de tinta umedece a película de tinta anterior, causando sua expansão (CUNHA, 2011). Silva (2019) ressalta que antes de iniciar o processo de reparo é necessário que o foco de umidade seja eliminado. A autora também sugere algumas etapas para realizar a correção desta patologia: Realizar a remoção de todas as bolhas e as partes mal aderidas da pintura, e da massa corrida, utilizando espátulas de aço, escovas e lixa; Realizar a limpeza de toda a superfície, retirando todo o pó; Aplicar uma demão do fundo preparador de parede à base de água, para tonar o substrato coeso o suficiente para a aderência dos revestimentos; Efetuar o nivelamento da superfície com massa corrida e, após a secagem, finalizar com três demãos de tinta. 65 4.1.4 Mofo, bolor ou fungos Na fachada principal do campus, observaram-se algumas manchas de bolor, próximas ao solo, ilustrada pela Figura 43. Desta maneira, presume-se que a referida área esteja exposta à umidade excessiva, podendo ser provinda pelo escoamento da água pluvial pela tubulação no piso e do solo, por capilaridade, tornando a pintura suscetível às manifestações de manchas de mofo ou bolor. Figura 43 – Manchas de bolor na fachada principal (bloco 100) Fonte: Autoria própria Ainda, na fachada principal,observou-se outro ponto que continha manchas de bolor, localizada na pintura da laje de cobertura da entrada dos alunos (Figura 44). Neste caso, a umidade que deu origem a esta patologia pode ter sido originada pelo acúmulo de água da chuva, na parte superior da laje de cobertura, devido a problemas de drenagem ocasionados pela inexistência de drenos e esta patologia também pode ter sido desenvolvida devido a problemas de impermeabilização na laje. 66 Figura 44 – Manchas de bolor na pintura da laje da entrada dos alunos Fonte: Autoria própria No corredor principal do Campus, observaram-se manchas de bolor no teto do corredor principal, próximo ao pilar (Figura 45), ocasionada devido à exposição à umidade e problemas com a impermeabilização. A análise da situação, permite pressupor que esta umidade possa ser proveniente do acúmulo de água na região do parapeito, devido à falta de caimento e drenos (Figura 46). Figura 45 – Manchas de bolor no teto do corredor principal Fonte: Autoria própria 67 Figura 46 – Peitoril localizado no corredor principal Fonte: Autoria própria Ainda, no teto do mesmo corredor, identificou-se outro ponto que continha manchas de bolor (Figura 47), uma vez que esta parte se encontra exposta à umidade e à baixa incidência de raios solares, tornando-a um ambiente propício a proliferação de microorganismos e, consequentemente, facilitando a manifestação desta patologia. A umidade, neste caso, pode ser provinda de infiltrações em decorrência do acúmulo de água na calha lateral e falta ou deficiência da impermeabilização (Figura 48). Figura 47 – Manchas de bolor ou fungos no teto do corredor principal Fonte: Autoria própria 68 Figura 48 – Calha lateral da laje do corredor principal Fonte: Autoria própria No pavimento superior do bloco 100 também constatou-se a presença de manchas de bolor (Figura 49), que podem ter sido ocasionadas devido à presença de umidade, em épocas chuvosas, a partir de problemas no telhado, como telhas quebradas ou deslocadas. Figura 49 – Mancha de bolor no teto do corredor do bloco 100 (pavimento superior) Fonte: Autoria própria 69 Para iniciar o reparo desta manifestação patológica, faz-se necessário eliminar todo o foco de umidade, evitando-se, assim, que a mesma volte a manifestar-se ao longo do tempo. Neto (2007, apud TINTAS SUVINIL, 2005), recomenda a utilização de escova ou um pano para a lavagem e remoção das manchas de bolor com a solução de hipoclorito de sódio, com 4% a 6% de cloro ativo e, em seguida, enxaguar com água limpa e aguardar a secagem para que se prossiga com a repintura. O autor ressalta a importância da utilização de tintas que contenham agentes fungicidas, com a finalidade de eliminarem-se os microorganismos causadores de bolor, bem como a aplicação de produtos para nivelamento da superfície, tornando-a livre de imperfeições, locais onde os microorganismos possam proliferar. 4.1.5 Desagregação da pintura Foram registradas algumas manifestações patológicas no pavimento térreo, nos blocos 300, 400 e 500 do campus (Figura 50 a 53), em decorrência da desagregação do substrato e, consequentemente, com descascamento da pintura. Figura 50 – Desagregação do substrato e da pintura no bloco 300 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria 70 Figura 51 – Desagregação do substrato e mancha de bolor no bloco 400 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Figura 52 – Desagregação do substrato e da pintura no bloco 400 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria 71 Figura 53 – Desagregação da pintura no bloco 500 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Como já explanado no item 4.1.1, o substrato dos Blocos em estudo contém, em sua composição, um material denominado saibro. Carasek (2007) afirma que este material pode levar à ocorrência da desagregação da argamassa e, consequentemente, descascamento da pintura, pois as partículas de argila presente no saibro podem prejudicar a adesão entre a pasta aglomerante e a areia, reduzindo a coesão interna da argamassa. Essa manifestação patológica também pode ser causada em decorrência da ação da água, já que é possível perceber mancha de bolor no substrato, indicado pela Figura 51. A umidade que atinge o substrato, tornando-o menos eficiente e propício às patologias, pode ser provinda do solo, por capilaridade, devido a problemas de impermeabilização. Santos (2019) propõe alguns procedimentos para remediar este tipo de manifestação patológica: Primeiramente, deve-se eliminar todo o foco de umidade; Em seguida, escovar e raspar todas as parte soltas de tinta e reboco e, caso necessário, refazer parte do revestimento argamassado, nivelar e aguardar no mínimo 30 dias para a cura do substrato; Realizar a limpeza de toda a superfície, retirando todo o pó; Aplicar uma demão de fundo preparador de parede; Lixar e limpar toda a superfície; E, por fim, aplicar duas a três demãos de tinta 72 4.1.6 Enrugamento da pintura Foi observado no bloco 200 sinais de enrugamento (Figura 54), cuja causa provável, pode ter sido ocasionada devido à aplicação da tinta em um substrato que, naquele momento, apresentava uma temperatura elevada. Outras possibilidades que poderiam justificar tais ocorrências seriam a aplicação excessiva de tinta na superfície, ou aplicação da segunda demão de tinta com a primeira ainda úmida, resultando em uma camada bastante espessa, podendo ter sua origem ainda na fase de execução. Figura 54 – Enrugamento da pintura no bloco 200 (pavimento inferior) Fonte: Autoria própria Neto (2007) ressalta que para prevenir este tipo de patologia o ideal seria aplicar as demãos de tinta em camadas finas. O autor também define procedimentos para o reparo: Remover toda a tinta, que contenha enrugamento, com auxílio de espátula, escova de aço e um removedor apropriado; Limpar toda a superficie utilizando solvente; Aguardar a secagem do solvente; Aplicar a tinta em camadas finas. 73 5 CONCLUSÃO O desenvolvimento do presente estudo teve como premissa central a identificação e a análise das manifestações patológicas nas pinturas do IFG - Campus Goiânia - visto que, em função de sua temporalidade, inúmeros pontos de compometimento em sua pintura foram observados e registrados, servindo como instrumental para posterior diagnóstico e possibilidades de intervenção corretiva. Nesse sentido, para uma melhor compreensão do tema, em um primeiro momento foram realizadas pesquisas bibliográficas a respeito das tintas e das principais manifestaçoes patológicas que afetam a pintura e, posterirormente, adotou-se como princípios definidores de conduta, para a consecução dos objetivos previamente estabelecidos, o método proposto por Lichenstein. Tendo como ponto de partida para o diagnóstico das patologias encontradas na pintura do campus IFG, optou-se por realizar, através de inspeção visual, vistorias que permitissem o registro de informações, consideradas imprescindíveis e norteadoras para o estabelecimento de condutas de intervencões futuras, bem como a análise da atual situação de danos nas pinturas dos Blocos 100, 200, 300, 500 e, ao longo do corredor principal, os quais poderiam comprometer sua vida útil. A utilização das fichas de vistoria, durante as visitas técnicas, foram de extrema relevância para melhor organização deste trabalho. Constatou-se que, a partir das vistorias realizadas, grande parte das manifestações patológicas identificadas, podem ter tido sua etiologia motivadas pela ação da água das chuvas, por meio de infiltrações, bem como, por capilaridade, através do solo. A ausência de preparação adequada do substrato foi preponderante para a ocorrência de tais patologias. Observou-se a presença de repinturas nas áreas vistoriadas,fato que pressupõe a despreocupação em remover a camada de tinta previamente existente, antes que fosse iniciada a aplicação de uma nova demão. A inexistência de um plano de manutenção e de projetos de impermeabilização podem ter contribuído, de forma decisiva, para a degradação da pintura. As informações obtidas, pelo rastreamento do histórico da edificação, permitiram a constatação de que o substrato das alvenarias, dos blocos em estudo, continha em sua composição o saibro, fato preponderante para a redução da eficiência da pintura, contribuindo, dessa forma, para o surgimento de novas patologias. A impossibilidade de acesso aos projetos da edificação aliados a inexistência de fichas de intervençao restaurativa ao longo do tempo, foram elementos obstaculizadores na busca por informações que pudessem contribuir para o estabelecimento de uma base mais sólida no estabelecimento da origem e das causas predisponentes para as patologias 74 encontradas, o que resultou em um diagnóstico com menor precisão. Dessa forma, a fim de que se evite que as patologias diagnosticadas possam evoluir, a ponto de danificar totalmente o revestimento da edificação, faz-se necessária a realização de manutenções periódicas, a fim de que se possa mantê-la em um estado de conservação de excelência, estabelecendo-se, assim, a pintura como parte essencial nos projetos de construção. Para trabalhos futuros sugere-se que: sejam desenvolvidos projetos de pintura para os blocos do IFG – Campus Goiânia; dê-se continuidade à presente pesquisa, por meio da realização, inspeção e identificação das manifestações patológicas nas pinturas dos demais blocos e do ginásio do IFG – Campus Goiânia; 75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS FABRICANTES DE TINTAS E VERNIZES – ABRAFATI. (Guia técnico ambiental tintas e vernizes série P+L). São Paulo: Governo do estado de São Paulo e Secretaria do Meio Ambiente, 2006. ASSOCIAÇÃO BRASILIERA DE NORMAS TÉCNICAS, – ABNT. NBR 13245. Execução de pinturas em edificações não industriais – Preparação de superfície. Rio de Janeiro, RJ: ABNT, 2011. ______. NBR 5674. Manutenção de edificações. Rio de Janeiro, 2012. ______. NBR 15575-1. Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais. Rio de Janeiro, 2013. ANGHINETTI, Izabel C. B. Tinta, Suas Propriedades e Aplicações Imobiliárias. Monografia (Especialização em Construção Civil) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2012. CARASEK, H. Argamassas. In: Materiais de Construção Civil e Princípios de Ciência e Engenharia de Materiais. São Paulo: IBRACON, 2010. CARASEK, H. Patologia das argamassas de revestimento. In: Isaia, G.C. (Org.). Materiais de Construção e Princípios de Ciência e Engenharia de Materiais. São Paulo: IBRACON, 2007, v. 1, p. 1-11. CASOTTI, Denis E. Causas e Recuperação de Fissuras em Alvenaria. 2007. 80f. TCC (Graduação em Engenharia Civil) – Universidade de São Francisco, USF, Itatiba, 2007. CHAVES, A.M.V.A. Patologia e Reabilitação de Revestimentos de Fachadas. 2009. 176 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Escola de Engenharia, Universidade do Minho, Braga, 2009. CREMONINI, R.A. Incidência de manifestações patológicas em unidades escolares na região de Porto Alegre: recomendações para projeto, execução e manutenção. Porto Alegre, 1988. Dissertação (Mestrado) – CPGEC / Universidade Federal do Rio Grande do Sul. CUNHA, Andreza de Oliveira. O Estudo da Tinta/Textura como Revestimento Externo em Substrato de Argamassa. Monografia (Especialização em Construção Civil) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011. FAZENDA, J. M. R. Tintas: ciência e tecnologia. 4. ed. São Paulo: Blucher; 2009. 1124p. GNECCO, C., MARIANO, R.; FERNANDES, F. Tratamento de Superfície e Pintura. (Manual de construção em aço - GERDAU). Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Siderurgia Centro Brasileiro da Construção Civil, 2003. 76 GOIÁS. Decreto nº 4.943, de 31 de agosto de 1998. Dispõe sobre o tombamento dos bens móveis e imóveis que especifica. Gabinete Civil da Governadoria. Superintendência de Legislação. Disponível em: decreto-4943. Acesso em: 08 de set. 2020. GONZAGA, Ederval Mendonça. Estudo de patologias nas pinturas decorrentes da infiltração de águas. Monografia (Especialização em Construção Civil) – Escola de Engenharia, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2011. HELENE, P. R. L. Manual prático para reparo e reforço de estruturas de concreto. 2º ed. São Paulo: Editora Pini, 1992. INSTITUTO BRASILEIRO DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS DE ENGENHARIA – IBAPE. Norma de Inspeção Predial Nacional. São Paulo, 2012. ISO 4618:2006, Paints and varnishes –Terms and definitions. ISO, first edition, October 2006. LICHTENSTEIN, N. B. Patologia das construções: procedimento para diagnóstico e recuperação. Boletim Técnico n.6. São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 1986. MARQUES, F. P. M. 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Painting in civil construction has a fundamental role, which goes beyond just guaranteeing the beautification of the construction, also guaranteeing the protection of the substrate. In this way, bibliographic researches were carried out regarding the paints and the main pathologies that can affect the coating, to better understand the current situation in which the IFG - Campus Goiânia finds itself. Therefore, this work was based on the method proposed by Lichtenstein (1986) to seek important information about each identified pathology, make a diagnosis and propose intervention measures. When developing the present study, it was possible to notice that most of the problems found in the paintings were caused by the action of water and the lack of adequate surface preparation. Keywords: Painting. Pathological manifestations. Diagnosis. Federal Institute of Goiás – Campus Goiânia. LISTA DE FIGURAS Figura 01 – Mancha de bolor e descascamento da pintura na alvenaria da fachada principal . 15 Figura 02 – Descascamento da pintura na laje de cobertura da entrada dos alunos ................ 16 Figura 03 – Componentes básicos das tintas ......................................................................... 19 Figura 04 – Pigmentos ........................................................................................................ 20 Figura 05 – Homogeneização da tinta................................................................................... 31 Figura 06 – Origem das patologias com relação às etapas do processo de construção ........... 35 Figura 07 – Bolhas na pintura .............................................................................................. 36 Figura 08 – Descascamento da pintura ................................................................................. 37 Figura 09 – Fissuras no revestimento de pintura ................................................................... 38 Figura 10 – Eflorescência na pintura .................................................................................... 38 Figura 11 – Enrugamento da pintura .................................................................................... 39 Figura 12 – Deterioração da pintura por saponificação ......................................................... 40 Figura 13 – Descoloração da pintura .................................................................................... 40 Figura 14 – Manchas de mofo ou bolor ................................................................................ 41 Figura 15 – Manchas amareladas na pintura ......................................................................... 42 Figura 16 – Desagregação da pintura .................................................................................... 42 Figura 17 – Fluxograma de atuação para a resolução das manifestações patológicas ............ 45 Figura 18 – Localização do objeto de estudo ........................................................................ 46 Figura 19 – Planta baixa do pavimento térreo do IFG - Campus Goiânia .............................. 47 Figura 20 – Ficha de vistoria ................................................................................................ 48 Figura 21 – Fluxograma da metodologia .............................................................................. 49 Figura 22 – Fissura vertical na pintura do corredor do bloco 100 (pavimento inferior).......... 51 Figura 23 – Fissuras inclinadas na pintura do corredor do bloco 200 (pavimento superior) ... 51 Figura 24 – Fissuras mapeadas no corredor do bloco 300 (pavimento superior) .................... 52 Figura 25 – Fissura horizontal e vertical no corredor do bloco 400 (pavimento superior) ...... 52 Figura 26 – Fissura vertical e descascamento no corredor do bloco 500 (pavimento superior) ............................................................................................................................................ 53 Figura 27 – Corredor do bloco 200 (pavimento superior) ..................................................... 54 Figura 28 – Corredor principal do Campus ........................................................................... 56 Figura 29 – Descascamento da pintura do pilar do corredor principal ................................... 56 Figura 30 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 100 (pavimento inferior) ......... 57 Figura 31 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 200 (pavimento superior) ........ 57 Figura 32 – Descascamento da pintura na alvenaria do bloco 200 (pavimento inferior) ........ 58 Figura 33 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 300 (pavimento inferior) ......... 58 Figura 34 – Descascamento da pintura no bloco 400 (pavimento inferior) ............................ 59 Figura 35 – Descascamento da pintura no teto do corredor do bloco 200 (pavimento superior) ............................................................................................................................................ 60 Figura 36 – Descascamento da pintura e manchas de bolor na escadaria do bloco 500 .......... 60 Figura 37 – Descascamento da pintura no corredor do bloco 400 (pavimento inferior) ......... 61 Figura 38 – Bolhas na pintura no bloco 300 (pavimento inferior) ......................................... 62 Figura 39 – Bolhas na pintura no bloco 300 (pavimento inferior) ......................................... 62 Figura 40 – Bolhas na pintura no bloco 400 (pavimento inferior) ......................................... 63 Figura 41 – Bolhas na pintura no bloco 400 (pavimento inferior) ......................................... 63 Figura 42 – Bolhas na pintura no bloco 500 (pavimento inferior) ......................................... 64 Figura 43 – Manchas de bolor na fachada principal (bloco 100) ........................................... 65 Figura 44 – Manchas de bolor na pintura da laje da entrada dos alunos ................................ 66 Figura 45 – Manchas de bolor no teto do corredor principal ................................................. 66 Figura 46 – Peitoril localizado no corredor principal ............................................................ 67 Figura 47 – Manchas de bolor ou fungos no teto do corredor principal ................................. 67 Figura 48 – Calha lateral da laje do corredor principal.......................................................... 68 Figura 49 – Mancha de bolor no teto do corredor do bloco 100 (pavimento superior) ........... 68 Figura 50 – Desagregação do substrato e da pintura no bloco 300 (pavimento inferior) ........ 69 Figura 51 – Desagregação do substrato e mancha de bolor no bloco 400 (pavimento inferior) ............................................................................................................................................ 70 Figura 52 – Desagregação do substrato e da pintura no bloco 400 (pavimento inferior) ........ 70 Figura 53 – Desagregação da pintura no bloco 500 (pavimento inferior) .............................. 71 Figura 54 – Enrugamento da pintura no bloco 200 (pavimento inferior) ............................... 72 LISTA DE TABELAS Tabela 01 – Principais tipos de aditivos e suasfunções ........................................................ 21 Tabela 02 – Aspecto do acabamento da pintura em função do PVC ...................................... 22 Tabela 03 – Propriedades das superfícies ............................................................................ 28 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas GAAM Gerência de Apoio Administrativo e Manutenção IBAPE Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia IFG Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional NBR Norma Técnica PVA Acetato de Polivinila PVC Pigment Volume Content TCC Trabalho de Conclusão de Curso UV Radiação Ultravioleta °C Graus Celsius SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 14 1.1 OBJETIVOS .......................................................................................................... 14 1.1.1 Objetivo geral ....................................................................................................... 14 1.1.2 Objetivos específicos ............................................................................................. 14 1.2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................... 15 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ............................................................................. 16 2.1 BREVE HISTÓRICO DA PINTURA .................................................................... 16 2.2 TINTAS ................................................................................................................. 18 2.2.1 Composição das tintas .......................................................................................... 18 2.2.2 Características das tintas ..................................................................................... 21 2.2.3 Principais tipos de tintas ...................................................................................... 22 2.2.3.1 Tinta látex acrílica ................................................................................................. 22 2.2.3.2 Tinta texturizada acrílica ....................................................................................... 23 2.2.3.3 Tinta látex vinílica .................................................................................................. 24 2.2.3.4 Esmalte sintético alquídico ..................................................................................... 24 2.2.3.5 Tinta a óleo ............................................................................................................ 25 2.2.3.6 Tinta à base de silicone .......................................................................................... 25 2.2.3.7 Cal hidratada para pintura .................................................................................... 26 2.2.3.8 Verniz sintético alquídico ....................................................................................... 26 2.3 TECNOLOGIAS DE APLICAÇÃO DAS TINTAS ............................................... 27 2.3.1 Propriedades das superfícies ................................................................................ 27 2.3.2 Preparação de superfícies a serem pintadas ........................................................ 28 2.3.3 Condições ambientais para aplicação das tintas ................................................. 30 2.3.4 Execução da pintura ............................................................................................. 30 2.4 PATOLOGIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS GENERALIDADES ............. 32 2.4.1 Vida útil ................................................................................................................ 32 2.4.2 Durabilidade ......................................................................................................... 32 2.4.3 Desempenho .......................................................................................................... 33 2.4.4 Manutenção .......................................................................................................... 33 2.4.5 Inspeção ................................................................................................................ 33 2.4.6 Origens das manifestações patológicas ................................................................ 34 2.4.7 Causas das manifestações patológicas ................................................................. 35 2.4.8 Principais manifestações patológicas nas pinturas.............................................. 36 2.4.8.1 Bolhas .................................................................................................................... 36 2.4.8.2 Descascamento ou destacamento ............................................................................ 36 2.4.8.3 Fissuras ................................................................................................................. 37 2.4.8.4 Eflorescência.......................................................................................................... 38 2.4.8.5 Enrugamento .......................................................................................................... 39 2.4.8.6 Saponificação ......................................................................................................... 39 2.4.8.7 Descoloração ou desbotamento .............................................................................. 40 2.4.8.8 Mofo, bolor ou fungos ............................................................................................ 41 2.4.8.9 Manchas amareladas ............................................................................................. 41 2.4.8.10 Desagregação da pintura ....................................................................................... 42 2.5 MÉTODO DE LICHTENSTEIN ............................................................................ 43 2.5.1 Levantamento de subsídios .................................................................................. 43 2.5.2 Diagnóstico ........................................................................................................... 43 2.5.3 Definição de conduta ............................................................................................ 43 3 METODOLOGIA ................................................................................................ 46 3.1 OBJETO DE ESTUDO .......................................................................................... 46 3.2 PROCEDIMENTO REALIZADO .......................................................................... 47 4 RESULTADOS E ANÁLISE DE DADOS ........................................................... 50 4.1 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NA PINTURA IDENTIFICADAS NO CAMPUS ............................................................................................................................ 50 4.1.1 Fissuras ................................................................................................................. 50 4.1.2 Descascamento da pintura ................................................................................... 55 4.1.3 Bolhas na pintura ................................................................................................. 61 4.1.4 Mofo, bolor ou fungos .......................................................................................... 65 4.1.5 Desagregação da pintura ...................................................................................... 69 4.1.6 Enrugamento dapintura ...................................................................................... 72 5 CONCLUSÃO ...................................................................................................... 73 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 75 14 1 INTRODUÇÃO A pintura tem um papel fundamental na construção civil. Além de garantir o embelezamento dos ambientes interno e externo de uma obra, ela também garante a proteção do local em que foi sobreposta pois, uma vez que a tinta seja aplicada em uma superfície, forma-se uma película que se adere ao substrato, sendo esta a primeira camada de proteção, tornando-se mais suscetível às manifestações patológicas. A patologia é a área da engenharia responsável pelo estudo das anomalias na construção civil, o qual é feito a partir de informações coletadas ou análises da manifestação patológica através da sua origem, causas, sintomas, mecanismos de ocorrência e consequências (CREMONINI, 1988). Portanto, a patologia nas pinturas está relacionada à deterioração da mesma e à perda de sua eficiência, prejudicando tanto os aspectos estéticos quanto os estruturais da edificação, causando assim a necessidade de sucessivas reformas e reparos que, por sua vez, exigem cada vez mais gastos. Segundo Marques (2013), as patologias provocadas nas pinturas podem ser provenientes de agentes externos, utilização de materiais inadequados e erros de aplicação. Dessa forma, é necessário que sejam realizadas manutenções e inspeções periódicas, com a finalidade de evitar o comprometimento do revestimento e, consequentemente, a diminuição de sua vida útil. Sendo assim, deve-se ter uma maior preocupação com o objeto de estudo - Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia (IFG), pois trata-se de uma edificação com mais de 75 anos, sendo parte integrante da história da cidade de Goiânia. Desse modo, será apresentado neste trabalho um estudo sobre as patologias nas pinturas do IFG – Campus Goiânia - adotando medidas de manutenção e técnicas de reparos. 1.1 OBJETIVOS 1.1.1 Objetivo geral O objetivo geral deste trabalho é identificar as patologias nas pinturas do Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia (IFG) e propor técnicas de reparos da pintura. 1.1.2 Objetivos específicos Os objetivos específicos deste trabalho são: 15 Realizar um estudo bibliográfico acerca da pintura e das principais patologias recorrentes; Identificar as manifestações patológicas nas pinturas do Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia; Propor técnicas de reparos para cada patologia da pintura identificada. 1.2 JUSTIFICATIVA A pintura é bastante utilizada na construção civil como revestimento para proteção e para efeitos estéticos da edificação. Contudo, as manifestações patológicas afetam a sua eficiência, causando, assim, sucessivas reformas e reparos que, por sua vez, demandam cada vez mais gastos e resíduos e que, se não solucionadas, passam a comprometer toda a linha de benefícios esperados. A escolha da edificação do Instituto Federal de Goiás – Campus Goiânia (IFG), como tema central deste trabalho de pesquisa, tem como premissa básica a temporalidade desta construção, onde podem ser observados, com facilidade, pela ação do tempo, vários locais do referido Campus com comprometimento de sua pintura, como indicados nas Figuras 01 e 02. Figura 01 – Mancha de bolor e descascamento da pintura na alvenaria da fachada principal Fonte: Autoria própria 16 Figura 02 – Descascamento da pintura na laje de cobertura da entrada dos alunos Fonte: Autoria própria O local de estudo está amparado pelo Decreto nº 4.943/1998, o qual faz do Instituto um dos 24 bens imóveis culturais de Goiânia, havendo tombamento do perímetro da área apenas da quadra 118; entre as ruas 75, 66, 79 e 62, no setor Central e, dentro do próprio local, com o tombamento do pórtico, bloco 100, bloco 200 e do Teatro do IFG. Essas áreas de tombamento estão protegidas de toda e qualquer modificação e manutenção que não estejam de acordo e amparadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o qual tombou o IFG, em 2003, como parte da memória arquitetônica de Goiânia. Portanto, este trabalho tem como finalidade precípua estabelecer caminhos críticos viáveis para a melhoria estética da pintura do campus, dentro dos parâmetros legais vigentes e obedecidas as normas da legalidade e suas exceções, conforme definidos pelo decreto de tombamento, mantendo o palco histórico em boas condições estruturais, bem como servindo de referência como base para intervenções corretivas necessárias à recuperação de áreas de pintura degradadas e solução dos problemas identificados, mantendo a edificação em bom estado de conservação e operacionalidade. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 BREVE HISTÓRICO DA PINTURA De acordo com Fazenda (2009), a pintura existe no mundo desde os primórdios da humanidade. Na era pré-histórica os seres humanos utilizavam-se da pintura para o ato de comunicação e estabelecer rituais de caça. Para que pudessem executá-la os nossos ancestrais 17 baseavam-se em técnicas simples no preparo das cores com o auxílio dos próprios dedos, manuseando materiais tais como óxidos de ferro naturais, ocre vermelho, cal, carvão e terra verde para extrair o pigmento. Com o surgimento de novas civilizações e dos avanços nas áreas de conhecimento técnico, a pintura desenvolveu-se trazendo consigo novas concepções e métodos de trabalho, tornando seus resultados bastante significativos no desenrolar de sua história. Os egípcios faziam o uso da pintura para efeitos estéticos e decorativos, sendo pioneiros no desenvolvimento de pigmentos sintéticos, resultado do conjunto de materiais como óxido de cálcio, alumina, sílica, resíduos de soda e óxidos de cobre. Para o processamento de todos esses pigmentos os egípcios usavam como ligantes componentes como a goma arábica, clara e gema de ovos, gelatina e cera de abelha. Além disso, também contribuíram para o surgimento de um pigmento orgânico formado pela mistura de uma planta da própria região e gesso natural (FAZENDA, 2009). Gonzaga (2011) ressalta que no Período Clássico os gregos e os romanos utilizavam-se de materiais similares aos dos egípcios na confecção de pigmentos e ligantes, porém acabaram por desenvolver, através de seus conhecimentos, outros tipos de pigmentos acrescentando novos materiais como o chumbo branco, zarcão, óxido amarelo de chumbo, verdete e ossos escuros. Nesta época, também era comum a utilização de pigmentos orgânicos a base de plantas, argila e mel e a aplicação de piche nos navios com o propósito de vedar (FAZENDA, 2009). Segundo Polito (2006) as civilizações que surgiram no Oriente também trouxeram novidades acerca da pintura, porém assim como os outros povos já citados, o foco ainda era voltado aos efeitos estéticos e decorativos, secundarizando os aspectos relativos à proteção. Os japoneses e chineses desenvolveram suas cores utilizando-se da azurita, carbonato básico de cobre, malaquita, zarcão, azul ultramarino, entre outros pigmentos adquiridos através de plantas da própria região (GONZAGA, 2011 apud ABRAFATI, 2005). As pinturas passaram a apresentar uma excelente durabilidade a partir das técnicas desenvolvidas pelos índios americanos, que extraiam o pigmento preto, oriundo do carvão vegetal, para aplicarem em suas canoas. Para a pintura corporal utilizavam-se de uma outra qualidade de carvão. A cor branca era obtida por meio da diatomita, elemento encontrado no fundo de lagos ou em ossos de animais silvestres. Os ligantes utilizados por esses povos eram provenientes de ovos de salmão e óleos de peixes (FAZENDA, 2009). Segundo Fazenda (2009), muitas informações a respeito de tintas e vernizesforam encontradas em manuscritos confeccionados durante a Europa Medieval, onde os autores 18 sugeriam a utilização de óleos para vernizes, uso de cera e cola como ligante para revestimentos, e a preparação de um verniz óleo-resinoso. Posteriormente, vários artistas renascentistas começaram a fabricar suas próprias tintas e a registrarem a forma de preparação das mesmas em manuscritos. Foi durante a Revolução Industrial que a pintura registrou seu maior desenvolvimento. Nessa fase, surgiram as primeiras descrições técnicas da indústria de tintas e vernizes, sendo o copal e âmbar as resinas mais utilizadas. As primeiras indústrias nesse ramo foram fundadas na Inglaterra, França, Alemanha e Áustria (FAZENDA, 2009). De acordo com Polito (2006), o Século XX tornou-se o marco no desenvolvimento da indústria das tintas, com o surgimento de novos conhecimentos e tecnologias que contribuíram significativamente para melhor eficiência dos produtos a serem fabricados. Essas tecnologias garantiram uma tinta com melhor durabilidade e com diversos tipos de pigmentos. Aos aspectos decorativos foram agregados à pintura os de proteção e conservação. 2.2 TINTAS Segundo ABRAFATI (2006), a tinta é uma mistura de componentes sólidos (que forma a película aderente ao substrato), voláteis (água ou solventes orgânicos) e aditivos (garante propriedades importantes ao produto). Portanto, é a combinação desses elementos que irão definir as propriedades e características da tinta, bem como sua resistência, aplicação e valor. A pintura está relacionada diretamente com a proteção e embelezamento dos ambientes. Dessa maneira, a tinta é um conjunto de elementos que quando aplicada ao substrato, após sua secagem, garante um acabamento estético capaz de impedir ações de agentes causadores de patologias, como a umidade, poluição atmosférica, vento, entre outros. (CUNHA, 2011). 2.2.1 Composição das tintas De modo geral, a tinta é composta por quatro tipos de matérias-primas: resinas, pigmentos, solventes e aditivos, conforme ilustra a Figura 03. 19 Figura 03 – Componentes básicos das tintas Fonte: Adaptado, Polito (2010) A resina, classificada como veículo sólido não volátil, é o ligante das partículas de pigmento que forma uma película denominada de filme. Essa matéria-prima é responsável pelas características da tinta, pois é através dela que se determina a aderência, brilho, secagem, resistência, adesão e flexibilidade do produto. As resinas mais utilizadas na fabricação das tintas são: alquídicas, epóxi, poliuretânicas, acrílicas, poliéster, vinílicas e nitrocelulose (ABRAFATI, 2006; UEMOTO, 2002). Por outro lado, o solvente trata-se de uma substância líquida com baixo ponto de ebulição, sendo considerado um produto volátil. Esse produto tem como função dissolver outros materiais, como por exemplo a resina, sem alterar suas propriedades químicas, além de proporcionar uma viscosidade adequada à tinta. Por se tratar de uma substância volátil, após a aplicação da tinta o solvente evapora deixando uma película de pigmentos (filme) estruturada com resina sobre o substrato (POLITO, 2006). Para Polito (2006), os pigmentos são substâncias insolúveis não voláteis, em formato de um pó fino, cuja finalidade precípua é de garantir cores e poder de cobertura às tintas (Figura 04). Dentre os existentes, o principal pigmento trata-se do dióxido de titânio devido ao seu elevado índice de refração, tendo como propriedade agregar à tinta um alto poder de cobertura, alvura e durabilidade, face ao seu alto poder de reflexão da luz (UEMOTO, 2002). Fazenda (2009) divide os pigmentos em orgânicos e inorgânicos: Os pigmentos orgânicos são substâncias corantes insolúveis, com alto poder de tingimento, porém apresentando uma baixa durabilidade quando expostos aos raios solares, ocorrendo o desbotamento de sua cor. Em razão disso, esses pigmentos devem ser aplicados na parte interna de uma edificação. Tais pigmentos também não devem ser aplicados em superfícies metálicas, uma vez não possuírem características 20 anticorrosivas. São considerados pigmentos orgânicos: o vermelho toluidina, o vermelho paraclorado, os monoazóicos, laranja de dinitroanilina, entre outros. Os pigmentos inorgânicos, ao contrário dos orgânicos, apresentam uma maior resistência quando expostos aos raios solares, uma vez que tal característica se deve ao fato de possuírem uma estrutura química bastante estável, além de poderem apresentar propriedades anticorrosivas. São considerados pigmentos inorgânicos todos os pigmentos brancos, cargas (pigmento inerte, cuja função é proporcionar volume à tinta) e alguns pigmentos coloridos. Alguns exemplos desse tipo de pigmento são: o dióxido de titânio, óxido de ferro, cromatos de chumbo, cromatos de zinco, óxido de zinco, óxido de cromo, fosfato de zinco, entre outros. Figura 04 – Pigmentos Fonte: Site da Wikipédia1 Por fim, os aditivos são produtos químicos adicionados às tintas, em baixas concentrações, com a finalidade de proporcionar novas características ou melhorar suas propriedades. Portanto, esses aditivos, dependendo da sua categoria e de sua aplicação com a dosagem correta, podem aumentar a proteção anticorrosiva, atuar como bloqueadores de raio UV, como catalisadores de reações, na melhoria de nivelamento, como dispersantes e umectantes de pigmentos e cargas, entre outros (ABRAFATI, 2006). De acordo com a Tabela 01, são apresentados os principais tipos de aditivos utilizados na fabricação das tintas e suas funções. 1 Disponível em: . Acesso em 08 de setembro de 2020. 21 Tabela 01 – Principais tipos de aditivos e suas funções Aditivo Função Fotoiniciadores Formação de radicais livres quando submetidos à ação da radiação UV iniciando a cura das tintas de cura por UV. Secantes Catalisadores da secagem oxidativa de resinas alquídicas e óleos vegetais polimerizados. Agentes reológicos Modificam a reologia das tintas (aquosas e sintéticas) modificação esta necessária para se conseguir nivelamento, diminuição do escorrimento, etc. Inibidores de corrosão Conferem propriedades anti-corrosivas ao revestimento. Dispersantes Melhoram a dispersão dos pigmentos na tinta. Umectante Nos sistemas aquosos aumentam a molhabilidade de cargas e pigmentos, facilitando a sua dispersão. Bactericidas Evitam a degradação do filme da tinta devida à ação de bactérias, fungos e algas. Coalescentes Facilitam a formação de um filme contínuo na secagem de tintas base água unindo as partículas do látex. Fonte: Adaptado, ABRAFATI (2006) 2.2.2 Características das tintas Uemoto (2002) ressalta a importância dos conhecimentos sobre a composição e proporção dos componentes na formulação da tinta para estabelecer suas características e propriedades. O principal parâmetro utilizado no estudo da composição de uma tinta é a relação pigmento e resina, caracterizado pela sigla PVC (Pigment Volume Content). Esse parâmetro é calculado através da seguinte fórmula: 𝑃𝑉𝐶 = 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑝𝑖𝑔𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑝𝑖𝑔𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜 + 𝑣𝑜𝑙𝑢𝑚𝑒 𝑑𝑒 𝑣𝑒í𝑐𝑢𝑙𝑜 𝑠ó𝑙𝑖𝑑𝑜 × 100 (01) O PVC corresponde à relação, em volume percentual, do pigmento sobre o volume total de sólidos do filme seco. Esse parâmetro tem uma grande influência nas questões de permeabilidade e porosidade das tintas que são utilizadas com objetivo de garantir a proteção do substrato (UEMOTO, 2002). 22 Tabela 02 – Aspecto do acabamento da pintura em função do PVC Tipo de acabamento PVC (%) Alto brilho 10 a 15 Semibrilho 15 a 30 Acetinado 30 a 35 Fosco 35 a 45 Fonte: Uemoto (2010) A partir da análise da fórmula 01 e das informações contidas na Tabela 02, infere- se que paraque se obtenha uma tinta com um acabamento brilhoso, o volume de veículo sólido tem de ser aumentado, proporcionando uma porcentagem de PVC relativamente baixa. Para a obtenção de uma tinta fosca, é indicada a diminuição da quantidade de volume de veículo sólido, resultando em uma porcentagem de PVC relativamente alta. Dessa forma, faz-se necessário conhecer as características das tintas quanto ao seu aspecto de acabamento, uma vez que cada uma delas apresenta particularidades específicas e próprias, bem como de locais adequados para sua aplicação. As tintas mais foscas possuem uma menor resistência mecânica, menor resistência às intempéries, menor lavabilidade, disfarçando com mais eficiência os defeitos e proporcionando uma melhor cobertura. Já as tintas com alto brilho realçam as ondulações e defeitos, possuem maior resistência às intempéries, uma maior lavabilidade e menor cobertura (POLITO, 2010). 2.2.3 Principais tipos de tintas O Mercado disponibiliza uma grande variedade de tintas e isso se deve à melhoria contínua dos diversos materiais que fazem parte da composição dessas formulações. Sabe-se que cada tinta possui uma composição diferente uma das outras, funções específicas e locais adequados para serem aplicadas. Em função dessas especificações e aplicabilidades, listam-se algumas das principais tintas utilizadas na construção civil, bem como suas composições, usos e características técnicas. 2.2.3.1 Tinta látex acrílica A tinta látex acrílica é uma tinta formulada à base de água e de dispersão de copolímeros acrílicos, contendo pigmentos como o dióxido de titânio, assim como podendo conter outros pigmentos coloridos ou cargas com a finalidade de aumentar o seu volume, além 23 de conter aditivos para a melhoraria de sua qualidade. (UEMOTO,2002). Segundo Uemoto (2002), a tinta látex acrílica não possui muitas restrições em relação a sua aplicação, podendo ser aplicada sobre superfícies tanto internas como externas, de alvenarias à base de cimento, cal, concreto, bloco de concreto, gesso, cimento amianto e cerâmica não vitrificada. Seu acabamento pode proporcionar um aspecto fosco aveludado ou semibrilho. Suas principais características são: Por se tratar de uma tinta isenta de solventes orgânicos, seu teor de produtos orgânicos voláteis liberados é extremamente baixo, dessa forma é considerada uma tinta com baixa toxidade; Fácil aplicação e rápida secagem; Apresenta uma alta durabilidade, em razão de possuir uma alta resistência de aderência, resistência à umidade e à alcalinidade; Apresenta películas porosas e permeáveis; Possui uma vida útil de aproximadamente 5 anos, em ambientes de baixa agressividade. 2.2.3.2 Tinta texturizada acrílica A tinta texturizada acrílica apresenta quase a mesma formulação da tinta látex acrílica, contendo base de dispersão de copolímeros acrílicos, pigmentos como o dióxido de titânio, além de outros pigmentos coloridos, aditivos, porém o que a diferencia é a utilização de cargas especiais para obter o efeito texturizado e de hidrorrepelentes na sua composição (UEMOTO, 2002). Uemoto (2002) recomenda a aplicação dessa tinta sobre superfícies internas e externas de alvenarias à base de cimento, cal, concreto e blocos de concreto. O acabamento dessa tinta proporciona um aspecto texturizado. Suas principais características são: Isentas de solventes orgânicos, sendo considerada uma tinta com baixa toxidade. Sua formulação é quase idêntica à tinta látex acrílica; É uma tinta diluível em água, de secagem rápida; Possui capacidade de reparar imperfeições, pois trata-se de uma tinta com alta consistência; Alta resistência às intempéries e à alcalinidade; Apresentam películas porosas e permeáveis; Necessidade de aplicação de uma única demão. 24 2.2.3.3 Tinta látex vinílica A tinta látex vinílica, também conhecida como tinta PVA (acetato de polivinila), é formulada à base de água e de dispersão de polímeros vinilícos e contém pigmentos como o dióxido de titânio, cargas e aditivos. Recomenda-se a aplicação dessa tinta sobre superfícies internas e externas de alvenarias à base de cimento, cal, concreto, bloco de concreto, gesso, cimento amianto e cerâmica não vitrificada (UEMOTO, 2002). Seu acabamento pode ter um aspecto fosco aveludado ou semibrilho e suas principais características são: Produto isento de solventes orgânicos, apresentando baixa toxicidade; Fácil aplicação e secagem rápida; Menor durabilidade, apresentando uma menor resistência de aderência e menor resistência à umidade quando comparadas às tintas acrílicas; Apresentam películas porosas e permeáveis; Possui uma vida útil de aproximadamente 3 anos em ambientes de baixa agressividade. Anghinetti (2012) complementa que a tinta PVA possui um ótimo acabamento e desempenho em repinturas, bem como um grande rendimento. 2.2.3.4 Esmalte sintético alquídico O esmalte sintético alquídico é formulado com materiais à base de resina alquídica, através do processo de síntese de óleos secativos. Fazem parte de sua composição pigmentos orgânicos e inorgânicos, cargas minerais, aditivos, secantes organométalicos e solventes hidrocarbonetos alifáticos (UEMOTO, 2002). Uemoto (2002) recomenda a aplicação desse esmalte sobre superfícies metálicas, madeira e alvenarias. Seu acabamento pode apresentar um aspecto fosco, brilhante ou acetinado. Suas principais características são: Apresenta um alto teor de produtos orgânicos voláteis, sendo considerado um produto tóxico; Apresenta uma baixa resistência à alcalinidade, à umidade excessiva, a produtos químicos e às intempéries; Secagem lenta; Apresenta películas menos porosas e permeáveis; 25 Possui vida útil superior a 5 anos para acabamento brilhoso ou acetinado, e inferior a 5 anos para acabamento fosco em ambientes de baixa agressividade. 2.2.3.5 Tinta a óleo A tinta a óleo constitui o sistema alquídico. É formulada a partir de óleos secativos, pigmentos orgânicos e inorgânicos, cargas minerais, aditivos, secantes organométalicos e solventes hidrocarbonetos alifáticos (UEMOTO, 2002). Uemoto (2002) recomenda a aplicação dessa, tinta à base de óleo, sobre superfícies metálicas, madeira e alvenaria. Após sua aplicação garante uma acabamento com aspecto de alto brilho. Suas principais características são: Alto teor de produtos orgânicos voláteis, sendo considerado um produto tóxico; Secagem lenta; Menor durabilidade quando comparada ao esmalte sintético alquídico; Apresenta uma baixa resistência à alcalinidade, à umidade excessiva, a produtos químicos e às intempéries; Apresenta películas menos porosas e permeáveis; 2.2.3.6 Tinta à base de silicone As tintas à base de silicone tem sua formulação composta por produtos organossilícicos como siliconatos e siloxanos. Sua aplicação é indicada em superfícies de baixa e elevada porosidade como blocos cerâmicos, pedras naturais e concreto aparente (CUNHA, 2011). Segundo Anghinetti (2012) suas principais características são: Quanto mais porosa superfície de aplicação, maior será a durabilidade da tinta; Repele a água sem formação de filme, porém não vedam poros; Baixa resistência química e possui alta permeabilidade; Alta resistência à temperaturas elevadas (até 600 ºC); Quando aplicadas sobre a superfície formam uma camada invisível, sem alterar o aspecto original da mesma. 26 2.2.3.7 Cal hidratada para pintura Esse produto é composto por cal hidratada, pigmentos opacificantes ou coloridos, cargas minerais, sais higroscópicos e produtos impermeabilizantes. A cal hidratada, para pintura, deve ser aplicada em superfícies porosas como alvenarias de concreto e blocos de concreto. Deve-se evitar sua aplicação em superfícies lisas como alvenaria de blocos cerâmicos e pintadas.Um diferencial é que este produto pode ser aplicado em superfícies úmidas (UEMOTO, 2002). Suas principais características são: Isenta de produtos orgânicos voláteis, apresentando baixa toxidade; Não possui muitas cores devido a sua alcalinidade; Sua camada é permeável ao vapor de água e a gases; Baixa resistência a ácidos; Alta resistência à alcalinidade e à água; Alto poder de cobertura quando seca, e baixo poder quando úmida. A Anghinetti (2012) afirma que este tipo de tinta, por ter características porosas, evita a formação de bolhas e descascamento, além de ser constituída de material alcalino que, por sua vez, impede a proliferação de fungos. As tintas à base de cal também apresentam ótimo custo benefício. 2.2.3.8 Verniz sintético alquídico O verniz sintético alquídico possui sua composição semelhante a do esmalte sintético alquídico, tendo sua formulação à base de resina alquídica através do processo de síntese de óleos secativos. Também fazem parte de sua composição pigmentos orgânicos e inorgânicos, cargas minerais e sintéticas, aditivos, secantes organométalicos e solventes hidrocarbonetos alifáticos (UEMOTO, 2002). Ainda, segundo Uemoto (2002), sua aplicação é recomendada em superfícies de madeira. Uma vez aplicadas podem proporcionar um acabamento com aspecto fosco e brilhante. Suas principais características são: A película forma-se por oxidação quando exposta ao ambiente; É altamente tóxico, por apresentar produtos orgânicos voláteis; Secagem lenta; A película não protege a madeira contra a ação de raios solares; 27 O acabamento brilhante é mais eficaz em relação à proteção aos agentes patológicos do ambiente. 2.3 TECNOLOGIAS DE APLICAÇÃO DAS TINTAS 2.3.1 Propriedades das superfícies As superfícies apresentam propriedades que podem afetar diretamente o resultado final de uma pintura. Portanto, a fim de garantir uma melhor eficiência, é de suma importância conhecê-las antes que seja iniciado o processo de aplicação da tinta ao substrato. Fazenda (2009) enumera as principais propriedades contidas nos substratos, com ênfase na: Permeabilidade: é uma propriedade que permite a passagem de gases e líquidos através das superfícies, resultando em diversas combinações químicas que podem danificar tanto o substrato quanto a pintura após sua aplicação; Porosidade: é uma propriedade baseada no volume de espaços vazios em relação ao volume total do substrato. Quanto maior o volume de espaços vazios, maior será a capacidade de absorção de líquidos e, como consequência, a possibilidade de desenvolver e abrigar fungos; Resistência às radiações energéticas: é uma propriedade dos materiais que compõem o substrato; os quais possuem resistência, o suficiente, para não sofrerem deterioração quando expostos às radiações solares; Plasticidade: é uma propriedade dos materiais que acabam por sofrer deformação devido à ação de forças externas. Salienta-se que os mesmos continuam deformados, sem provocar fissuras, após a retiradas dessas forças; Fragilidade: é uma propriedade pela qual um material se deteriora devido à ação de forças externas, sem sofrer deformação; Reatividade química: é uma propriedade pela qual o material que compõe a superfície pode reagir com substâncias químicas do ambiente, alterando a composição desse material. Na Tabela 03 são apresentadas as principais superfícies em relação às propriedades listadas acima. 28 Tabela 03 – Propriedades das superfícies Propriedades Superfícies Alvenaria Madeira Metais Porosidade Alta Alta Nula Permeabilidade Alta Alta Nula Reatividade química Média Baixa Muito alta para metais ferrosos Resistência à radiações solares Alta Baixa Alta Fonte: Adaptado, Polito (2006) 2.3.2 Preparação de superfícies a serem pintadas De acordo com Uemoto (2002), os defeitos nas pinturas geralmente são provocados não só pela qualidade do produto; mas também por diversos fatores tais como: a presença de umidade e baixa resistência mecânica do substrato, especificação incorreta do fabricante da tinta e, até mesmo, a preparação inadequada do substrato. Essas patologias, na maioria das vezes, manifestam-se na interface da película com o substrato. A norma NBR 13.245 (ABNT, 2011) enfatiza que para que se obtenha uma pintura de qualidade em alvenarias, evitando-se problemas recorrentes, é de suma importância que o substrato seja preparado de forma adequada. Em alvenarias executadas com plaquetas de gesso; gesso corrido ou blocos de concreto em sua composição, inicialmente, recomenda-se que tais alvenarias sejam lixadas e, em seguida, que seja efetuada uma limpeza com a remoção de todo o pó acumulado sobre a superfície. Quando necessário deve-se aplicar fundo preparador de paredes, de acordo com as recomendações do fabricante. Ressalta-se a importância de outras condições: Em alvenarias que tiveram seu acabamento executado recentemente, antes que seja iniciado o processo de preparação da superfície, deve-se aguardar a cura e a secagem do mesmo por, no mínimo, trinta dias. Posteriormente, a superfície deverá ser toda lixada e, em seguida, efetuada uma limpeza, removendo todo o pó acumulado sobre a superfície. Por fim, deve-se aplicar um selador adequado à alvenaria; Em alvenarias cujo acabamento apresente baixa eficiência ou deterioração, deve-se primeiramente, lixá-las e, em seguida, efetuar sua limpeza removendo todo o pó e as partes soltas da superfície. Por fim, aplicar um fundo preparador de paredes; Para a alvenarias, que em sua composição contenha substrato cerâmico com alta 29 porosidade, antes da aplicação da tinta, deve-se promover sua lavagem com água e detergente neutro, aguardando sua devida secagem; Em casos nos quais as superfícies das alvenarias não se encontrem em bom estado, apresentando manifestações patológicas, recomenda-se para correção do substrato os seguintes procedimentos: Superfícies que apresentem imperfeições: deverão ser totalmente lixadas e, em seguida, limpas com a remoção de todo o pó acumulado. Por fim, deve ser processada a correção com massa niveladora; Superfícies que apresentem mofo: a limpeza deve ser efetuada com a utilização de água e água sanitária, aguardando-se, no mínimo, seis horas após sua limpeza. Por fim enxaguar e esperar sua secagem; Superfícies que apresentem brilho: devem ser lixadas e, em seguida, com auxílio de um pano umedecido, efetuada a limpeza com a remoção de todo o pó acumulado. Deve-se aguardar a sua completa secagem; Superfícies que apresentem sinais de gordura ou graxa: inicialmente, deve-se efetuar a limpeza utilizando-se água e detergente neutro. Após a sua realização, deve-se enxaguar e esperar secar; Superfícies que apresentem problemas de umidade: primeiramente deve-se identificar a origem do problema e, posteriormente, tratar de maneira adequada. Recomenda-se a ajuda de um profissional da área. Para a preparação de superfícies de madeira, a norma NBR 13.245 (ABNT, 2011) recomenda que a superfície esteja totalmente limpa e seca para que se inicie o processo. Em seguida, deve-se lixar toda a madeira com o objetivo de retirar todas as farpas. Com auxílio de um pano umedecido com solvente deve ser efetuada a limpeza, com a remoção de todo o pó. Por fim, deve ser feito um tratamento químico adequado, caso a madeira esteja velha. Em superfícies que apresentem algum acabamento deve-se lixar ou aplicar removedor de pintura, limpando-se a superfície com um pano umedecido com solvente. Para o tratamento adequado de superfícies metálicas, sem acabamento, a Norma NBR 13.245 recomenda que toda a superfície seja lixada. Em caso de oxidação, deve-se lixar a ponto de removê-la e, em seguida, efetuar a limpeza removendo-se todo o pó com auxílio de um pano umedecido com solvente. Em situaçõesnas quais a superfície seja composta por um metal ferroso, deve-se aplicar um fundo anticorrosivo. As superfícies metálicas com acabamento deverão ser lixadas, até que todo o 30 brilho tenha sido eliminado. Recomenda-se, em casos específicos, a aplicação de removedor de pintura. Em seguida, deve ser efetuada a limpeza, removendo-se todo o pó com auxílio de um pano umedecido com solvente. 2.3.3 Condições ambientais para aplicação das tintas A norma NBR 13.245 (ABNT, 2011) recomenda iniciar o processo de pintura em temperaturas variando de 10ºC a 40ºC. Elevadas temperaturas podem provocar consequências como a redução da durabilidade da pintura, devido à rápida secagem da tinta. Por outro lado, as baixas temperaturas podem dificultar a aplicação da tinta, como também aumentar o tempo de secagem da mesma, fazendo com que a pintura fique sujeita à adesão de partículas do ambiente (POLITO, 2006). Outro cuidado que se deve ter antes de iniciar a pintura em superfícies internas, é verificar se o clima está em condições que permitam manter as esquadrias do ambiente interno abertas, objetivando uma melhor iluminação natural e ventilação. Para superfícies externas, o recomendado é verificar que o ambiente esteja em perfeitas condições, sem a formação de ventos fortes, chuvas, neblinas, entre outros (UEMOTO, 2002). 2.3.4 Execução da pintura A execução da pintura compreende cinco etapas, a saber: abertura de embalagens, homogeneização da tinta, diluição, misturas e aplicação. Durante o processo de abertura das embalagens deve-se promover a verificação, através de inspeções visuais, se a tinta não apresenta nenhuma desconformidade; como por exemplo: odor, corrosão na superfície, coagulação, sedimentação ou empedramento. Caso apresente, deverão ser trocadas (UEMOTO, 2002). Segundo GERDAU, conforme citados por GNECCO, MARIANO e FERNADES (2003), é de extrema importância que a homogeneização das tintas seja feita antes da execução da pintura, evitando-se, assim, futuros problemas. Devem ser mantidas em boas condições de uso, uma vez serem formadas por substâncias que podem sedimentar-se, formando duas fases: umas parte superior líquida, e uma inferior sólida ao fundo (pigmentos). A homogeneização pode ser feita através de agitação manual ou mecânica. A parte líquida superior deve ser despejada em um outro recipiente limpo, permanecendo a parte 31 sólida no recipiente original. Em seguida, misturá-las, com auxílio de uma espátula, com movimentos de baixo para cima. Por fim, retornar a composição líquida para o recipiente original e continuar agitando até ficarem totalmente homogeneizadas, conforme a Figura 05 (UEMOTO,2002). Figura 05 – Homogeneização da tinta Fonte: Gerdau (2003) Segundo Uemoto (2002), caso seja necessário diluir a tinta, primeiramente deve- se consultar, na embalagem, a recomendação de proporção do fabricante. Geralmente essa diluição é feita com água ou solvente. Para tintas com base em solventes o recomendado é adicionar aguarrás para o processo de diluição. Produtos, de diferentes marcas comerciais, devem ser consultados antes de iniciar o processo de mistura, respeitando-se as indicações do fabricante (NETO, 2007). A aplicação das tintas pode ser realizada com auxílio de algumas ferramentas, como, por exemplo, um pincel ou rolo. Gerdau (2003) recomenda as seguintes técnicas: O pincel deve ser mergulhado na tinta cerca de 2/3 de suas cerdas, e o excesso deve ser retirado pressionando-o contra a embalagem do produto. As pinceladas iniciais devem ser curtas, de modo a espalhar a tinta de forma uniforme em todo o substrato, até cobrir as irregularidades. Para garantir o alisamento e o nivelamento das camadas faz-se necessário utilizar longas pinceladas transversais sobre as camadas iniciais. Para melhor execução e facilidade de deslizamento deve-se utilizar o pincel com uma pequena inclinação. A molhagem do rolo deve ser feita em uma bandeja rasa com rampa, cuja finalidade é retirar os excessos. Para garantir uma espessura uniforme, o profissional deve controlar a pressão do rolo à superfície. Para evitar desperdícios e escorrimento o profissional deve saber a quantidade correta de tinta a ser manuseada. Para uniformizar a espessura da tinta deve-se alternar o sentido de movimento do rolo. Em 32 superfícies mais rugosas recomenda-se que o rolo deva ser passado em várias direções, fazendo com que, dessa forma, a tinta penetre através das irregularidades. 2.4 PATOLOGIA NA CONSTRUÇÃO CIVIL E SUAS GENERALIDADES 2.4.1 Vida útil A partir da análise da norma NBR 15575-1 (ABNT, 2013) deve-se entender que ‘Vida útil’ é o prazo no qual uma construção e/ou os seus sistemas são projetados atendendo as suas funcionalidades, levando-se em consideração a periodicidade e as manutenções efetuadas de forma correta e de acordo com as especificações contidas no Manual de Uso, Operação e Manutenção. Destaca-se que o prazo de garantia legal e certificada não é o mesmo que vida útil. Diante do exposto, deve-se considerar que todos os cuidados voltados à construção de uma edificação devem ser observados, criteriosa e detalhadamente, para que a vida útil e o desempenho da construção não sejam prejudicados, sendo mais eficiente e menos onerosa a intervenção quando localizadas anomalias em sua fase inicial. (TUTIKIAN; PACHECO, 2013). Tal fato está diretamente ligado à manutenção preventiva periódica que é fornecida na edificação e, consequentemente, prorrogando a vida útil da estrutura. Segundo a ABNT NBR 5674:2012 a manutenção periódica torna-se essencial para a funcionalidade da edificação em termos de conservação ou recuperação, contribuindo para que sejam preservadas a estrutura física e a segurança dos usuários. 2.4.2 Durabilidade De acordo com a NBR 15575-1, durabilidade é a capacidade da edificação ou de seus sistemas de desempenhar suas funções, ao longo do tempo e sob condições de uso e manutenção especificadas no manual de uso, operação e manutenção. Em função dessa premissa, Silva (2014) afirma que um produto perde a sua durabilidade a partir do momento que deixa de cumprir suas funcionalidades de forma correta e segura devido a sua degradação ou obsolescência funcional. 33 2.4.3 Desempenho De acordo com a norma NBR 15575-1, desempenho é a maneira pela qual a edificação e seus sistemas se comportam durante o uso para atender as necessidades de seus usuários. Segundo Cremonini (1988), para que se estabeleça corretamente o desempenho de uma edificação, devem ser consideradas as necessidades e as exigências dos usuários e as condições de exposição, entendendo-se como usuários aqueles que têm contato direto com o edifício e os que estão no entorno da edificação. 2.4.4 Manutenção Segundo Souza e Ripper (2009), são as ações necessárias para manter o prolongamento da vida útil da estrutura, garantindo a satisfação em seu desempenho, no decorrer do tempo, com uma relação custo benefício compensadora. A conservação ou a recuperação da funcionalidade do edifício e de seus sistemas deve ser entendida como um conjunto de atividades efetuadas na vida total da obra, para que assim atenda às necessidades e segurança dos usuários. (ABNT NBR 15575-1:2013). Deduz-se, a partir do exposto, que a manutenibilidade torna-se fator decisivo na manutenção, uma vez que, de acordo com a NBR 15575-1 (2013), é o grau de facilidade de um sistema, elemento ou componente de ser mantido ou recolocado no estado no qual possa executar suas funções requeridas, sob condições de uso especificadas, quando a manutenção é executada sob condições determinadas, procedimentos e meios prescritos. 2.4.5 Inspeção Segundo a norma NBR 15575-1 (2013), denomina-se ‘inspeção’ a análise técnica, através de metodologia específica, das condições de uso e de manutenção preventivae corretiva da edificação. Sendo este elemento indispensável para a garantia da durabilidade da construção, tornam-se necessários os registros de danos e anomalias para avaliação da estrutura. O período de tempo para inspeções está na dependência da idade, significância e na fragilidade da estrutura. A vulnerabilidade de partes da estrutura ou anomalias comuns compõe a base mínima de observação em uma correta inspeção de manutenção estrutural. (SOUZA; 34 RIPPER, 2009). 2.4.6 Origens das manifestações patológicas As manifestações patológicas podem ser classificadas de acordo com sua origem. Segundo a Norma de Inspeção Predial Nacional desenvolvida pelo Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (IBAPE, 2012) as anomalias provocadas nas edificações podem ser de origem endógena, exógena, natural e funcional. Neste contexto, define-se como anomalias endógenas aquelas originadas da própria edificação, seja através da falta de projetos, problemas com materiais ou de execução; as anomalias exógenas são aquelas originadas devido a fatores externos à edificação, geralmente são provocadas por terceiros; as anomalias naturais são aquelas originadas devido aos fenômenos da natureza, como chuva, vento, radiação solar, entre outros; e, por fim, as anomalias funcionais originadas em função do envelhecimento da edificação e perda de sua vida útil. Diante do exposto e em relação às manifestações patológicas endógenas, Cremonini (1988) afirma que as patologias com origem no projeto ocorrem pela falta de especificações dos materiais, projeto deficiente em detalhes, ou, até mesmo, pela falta do mesmo. O autor reitera que as patologias originadas através da execução ocorrem devido à falta de mão de obra qualificada, escassez de conhecimentos técnicos para a correta execução dos serviços e pela ausência de uma fiscalização adequada. Especificamente em relação aos materiais, as manifestações patológicas observadas dizem respeito a sua baixa qualidade, seu preparo inadequado e não consoante às orientações do fabricante. Devem ser consideradas ainda as patologias originadas a partir do uso da edificação, nas quais o usuário pode contribuir para o agravamento dos defeitos em função do uso incorreto de seus elementos, bem como sobrecarga e falta de manutenção. As origens das patologias, em uma edificação, ocorrem principalmente nas fases de projeto (40%) e execução (28%), conforme indicados na figura 06. 35 Figura 06 – Origem das patologias com relação às etapas do processo de construção Fonte:Adaptado, Helene (1992) 2.4.7 Causas das manifestações patológicas Para Lichtenstein (1986), são inúmeras as causas que podem afetar, de forma negativa, os elementos de uma edificação. Em geral são provocadas não só por um agente agressivo, mas também pela ação de um conjunto de agentes aos quais o edifício não é capaz de se adaptar e, como consequência, poderá ocorrer a perda de seu desempenho. O autor ainda explicita que as causas devido ao ataque de agentes físicos, biológicos e químicos são responsáveis por provocarem alterações nos materiais de uma construção, sendo classificadas como causas eficientes. Por outro lado, as causas classificadas como predisponentes são referentes à falta de conservação e manutenção, bem como pela idade do edifício. Como causas químicas, entendem-se as patologias ocasionadas devido às ações da água no substrato, gases e chuvas ácidas; como causas biológicas aquelas ocasionadas devido às ações de fungos, bactérias, insetos e vegetação. As causas mecânicas, por sua vez, são as ocasionadas por choques e impactos, assim como por acidentes imprevisíveis tais como explosões, abalos sísmicos e inundações. Por fim, as causas físicas, cujas patologias estão relacionadas à elevação de temperatura, ventos e exposição a raios solares, provocando desgastes superficiais e fissuras no revestimento (SOUZA; RIPPER, 2009). Projeto 40% Execução 28% Materiais 18% Uso 10% Planejamento 4% 36 2.4.8 Principais manifestações patológicas nas pinturas 2.4.8.1 Bolhas As bolhas ou empolamentos nas pinturas são resultantes da perda localizada de adesão entre a película da tinta e o substrato, com o consequente levantamento do filme da superfície. Essa manifestação patológica deve-se à aplicação de tintas à base de óleo, uma vez que essas tintas possuem baixa resistência à álcalis, em superfícies úmidas; também podem ocorrer devido à exposição da película da tinta à umidade após sua aplicação e secagem (POLITO, 2006). De acordo com Neto (2007, apud TINTAS MAGGICOR, 2005), “a incidência dessas patologias se deve à aplicação de massa corrida PVA em ambientes inadequados, por se tratar de um produto que deve ser aplicado em superfícies internas, e quando aplicados em superfícies externas podem ocasionar o aparecimento de bolhas”. Outras causas recorrentes são a aplicação da tinta em um intervalo de tempo reduzido entre as demãos e a aplicação em temperaturas elevadas (CHAVES, 2009). A Fig.07 ilustra as características macroscópicas das bolhas na pintura. Figura 07 – Bolhas na pintura Fonte: Polito (2006) 2.4.8.2 Descascamento ou destacamento Segundo Marques (2013), essa manifestação patológica ocorre pela perda de aderência da película de tinta à superfície do substrato. Sua incidência pode ser ocasionada por diversos fatores, dos quais se elenca: Presença excessiva de umidade no substrato em decorrência de infiltrações; 37 Rápida secagem da tinta, ocasionando a diminuição da aderência à superfície do substrato; Superfície de aplicação sem preparo, apresentando sujeiras como gordura e poeira; Aplicação de repintura sem o preparo prévio da superfície, aplicando uma nova demão de tinta sobre uma camada antiga; Aplicação da tinta em um intervalo de tempo reduzido entre as demãos. De acordo com Neto (2007, apud TINTAS MAGGICOR, 2005), as pinturas aplicadas em superfícies pulverulentas como de caiação, gesso, substratos contendo partes soltas, ou em superfícies de concreto no qual sua cura não foi feita corretamente, são grandes as chances de ocorrer o descascamento, conforme ilustrado na Figura 08. Figura 08 – Descascamento da pintura Fonte: Neto (2007) 2.4.8.3 Fissuras As fissuras na pintura (Figura 09) são patologias que, se não solucionadas, podem levar ao desenvolvimento de outras anomalias, uma vez que permitem a penetração de água e de outros agentes agressivos no interior do revestimento, ocasionando bolhas, descascamentos, manchas e diminuindo a sua durabilidade. Essas fissuras podem ser causadas devido ao excesso de cimento no traço da argamassa, movimentações, retração da argamassa, secagem rápida da argamassa e, até mesmo, por excesso de desempenamento. (CUNHA, 2011). Segundo Neto (2007), as fissuras podem se manifestar em formatos geométricos, mapeados, horizontais, verticais ou inclinadas. O autor ainda complementa que as fissuras na 38 pintura se devem à execução de uma camada de reboco muito grossa ou quando a argamassa não teve tempo o suficiente na hidratação da cal. Figura 09 – Fissuras no revestimento de pintura Fonte: Neto (2007) 2.4.8.4 Eflorescência As eflorescências são patologias que se manifestam quando a tinta é aplicada sobre o reboco úmido, tendo como causa a movimentação da água no substrato, arrastando sais presentes na argamassa ou no concreto para a superfície pintada. Através da evaporação da água, esses sais se alojam na superfície da pintura formando manchas esbranquiçadas, como indica a Figura 10 (NETO, 2007). Segundo Marques (2013), a presença de hidróxido de cálcio no substrato, quando arrastado pela água para a superfície, reage com o dióxido de carbono presente no ar ocorrendo a manifestação dessa patologia. O autor recomenda a eliminação da fonte