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MECÂNICA DOS SOLOS E GEOTECNIA U – 2 Mecânica dos Solos e Geotecnia. Formação dos Solos Prof. Dr. Guillermo Ruperto Martín Cortés 1 U – 2 – Geologia de Engenharia. Formação dos Solos Objetivos de Aprendizagem 1. Classificar os solos quanto a sua formação, uso e ocupação. 2. Estudar a formação geral e específica dos diferentes tipos de solo. 3. Entender o impacto que a formação do solo pode ter na mecânica dos solos. COMPETÊNCIAS: VIII - PENSAMENTO VOLTADO AS CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS 2 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos Solo é o resultado da decomposição das rochas, que, ao sofrer intemperismo, adquirem maior porosidade e, como decorrência, há penetração de ar e água, o que cria condições propícias para desenvolver formas vegetais e animais. 3 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos A decomposição é decorrente de agentes físicos e químicos. Variações de temperatura provocam trincas, nas quais penetra a água, atacando quimicamente os minerais. O congelamento da água nas trincas, entre outros fatores, exerce elevadas tensões, do que decorre maior fragmentação dos blocos. Fauna e flora favorecem o ataque químico, pela de hidratação, hidrólise, oxidação, lixiviação, troca de cátions, carbonatação, etc. 4 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos O conjunto destes processos, que são muito mais atuantes em climas quentes do que em climas frios, leva à formação dos solos que, em consequência, são misturas de partículas pequenas que se diferenciam pelo tamanho e pela composição química. A maior ou menor concentração de cada tipo de partícula num solo depende da composição química da rocha que lhe deu origem que como visto podem ser Ígneas, Metamórficas e Sedimentares. 5 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos Os Ambientes de Intemperismo a considerar são, o Tropical (úmido e quente); o Temperado; o Glacial entre outros. Pela composição as rochas ígneas podem ser: Ácida: SiO2 >65%, félsicas ou claras: granito, granodiorito e outras; Intermediária: 52 à 65% de SiO2 : Sienito, diorito e outras. Básica: SiO2 de 45 à 52%, máficas ou escuras: gabro, diabásio, e outras. Ultrabásicas: SiO2o que permite algumas inferências relacionadas à fertilidade. 22 Interpretação de combinações de eutrofia, distrofia e alicidade em uma mesma classe de solo em condições de umidade diferentes. 23 Interpretação de combinações de eutrofia, distrofia e alicidade em uma mesma classe de solo em condições de umidade diferentes. 24 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Gênese dos solos: Fatores de Formação dos solos: material de origem; clima; organismos; relevo e tempo; Processos pedogenéticos: Adição, Remoção, Translocação; Transformação; Tipos de Formação dos Solos: Latolização, Podzolização; Halomorfismos e Hidromorfismos. 25 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos 1 - CLIMA 2 - MATERIAL DE ORIGEM 3 - ORGANISMOS 4 - RELEVO E 5 – TEMPO. 26 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos Fatores: - Ativos: clima, organismos - Passivos: matéria original; relevo e tempo. Processos gerais: - Ganhos e perdas, - Translocação e transformação de matéria e energia. 27 SOLOS ZONEADOS PELO CLIMA NO GLOBO TERRESTRE 28 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. MATÉRIA ORIGINAL 29 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos EVOLUÇÃO DA HUMIFICAÇÃO CLIMA FRIO - POUCA ATIVIDADE BIOLÓGICA; - LENTA DECOMPOSIÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA (MOR); - GRANDE PRODUÇÃO DE ÁCIDOS HIDROSSOLÚVEIS (ÁCIDOS COMPLEXANTES) CLIMAS QUENTES E ÚMIDOS - ALTA ATIVIDADE BIOLÓGICA - RÁPIDA DECOMPOSIÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA (MULL); - MATÉRIA ORGÂNICA POUCO ÁCIDA SE INCORPORA AO SOLO. 30 31 CLIMA FRIO CLIMA QUENTE 32 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. BIOLOGIA ESCALA MACROSCÓPICA ATIVIDADE BIOLÓGICA PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. BIOLOGIA DECOMPOSIÇÃO DA MATÉRIA ORGÂNICA 33 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. RELEVO 34 SOLO BEM DRENADO SOLO MAL DRENADO 35 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. RELEVO Vista do topo da Cordilheira dos Andes 36 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. TEMPO Pedogênese precisa tempo 37 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. MORFOLOGIA DO SOLO 38 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Morfologia do solo: Perfil do solo: Horizontes principais, transicionais e intermediários e camadas; Designação e características dos horizontes: espessura e arranjo dos horizontes, transição entre os horizontes; Principais Características Morfológicas: Cor, textura, estrutura, consistência, serosidade, cimentação, nódulos e concreções minerais, presença de carbonatos, sulfetos e manganês, coesão – Importância Agronômica das Características Morfológicas. 39 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. Morfologia do Solo Horizonte do solo: Seção de constituição mineral ou orgânica, aproximadamente paralela à superfície do terreno, formada por processos pedogenéticos. Por conseguinte, os horizontes de um mesmo perfil guardam relações genéticas entre si. 40 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Fatores de formação dos solos. Morfologia do Solo Camada do solo: Seção de constituição mineral ou orgânica, aproximadamente paralela à superfície do terreno, não resultante ou pouco influenciada pela atuação de processos pedogenéticos. Por conseguinte, as camadas de um mesmo perfil não guardam relações genéticas entre si. - Diferenciam-se por disparidade de propriedades. 41 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Física do solo: Textura; Porosidade; Densidade Aparente e Real; Água no solo – Importância engenheira (seja construtiva, seja agronômica) das propriedades físicas. 42 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos A nomenclatura dos horizontes Horizonte A é o solo propriamente dito, capaz de abrigar vida mais ou menos intensa. A0 a parte do horizonte A que contém restos vegetais, os quais conservam ainda a sua estrutura visível a olho nu. A1 camada do horizonte A contendo matéria orgânica humificada que perdeu a sua estrutura original. A2 camada praticamente não contém mais matéria orgânica visível a olho nu. A3 a matéria orgânica não é mais observada. 43 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Horizonte B é um horizonte mais denso, mais argiloso, com maior poder de retenção d'água, menos poroso. Isto é no geral consequência do processo de iluviação, em virtude do qual o horizonte B recebe partículas do horizonte A e às vezes, também do horizonte C, quando, por falta de drenagem, as águas sobem, nas épocas chuvosas. O início do horizonte B geralmente marca o limite da profundidade do solo disponível às plantas. Este horizonte pode também receber os índices 1, 2, 3, etc., quando nele se notam camadas de permeabilidade ou estrutura diferente. 44 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Horizonte C é o que conserva a estrutura visível da rocha-mater. É, talvez, mais rocha decomposta do que solo propriamente dito. Encontram-se também solos, cujo horizonte superficial é o B. Geralmente, pastagens velhas ou encostas de morros severamente maltratadas pela erosão, das quais o horizonte A foi completamente varrido pelas águas. 45 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Horizonte G, é aquele no qual se observam as oscilações do lençol d'água freático de acordo com a época do ano ou com o regime das chuvas, acarretando o revezamento da predominância no solo ora das reações de oxidação, ora das de redução. 46 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Quando não existe o horizonte impermeável ou pouco permeável B, e abaixo da capa mais ou menos humosa do solo encontramos um horizonte que guarda a estrutura da rocha, mas contendo raízes das plantas, estamos em presença de um horizonte A-C. 47 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos Os vários horizontes de um perfil de solo podem se revezar de todas as maneiras, conforme o tipo de solo, a situação topográfica ou o tipo de utilização. Podemos ter, assim, um horizonte A abaixo do B, mas não é possível que abaixo de C encontremos A ou B, porque tal horizonte C não terá a estrutura da rocha-mater, não obstante a aparência. 48 49 PRINCIPAIS SOLOS DO BRASIL. Delimitação esquemática dos principais solos brasileiros. Adaptado de: ATLAS NACIONAL DO BRASIL (2000) Sobrenomes de Solos. Algumas Definições Húmicos: solos escuros, ricos em matéria orgânica (também chamada de húmus) principalmente o nitrogênio. -O húmus age ligando os minerais do solo como um cimento, modificando a porosidade e, portanto, aumentando a capacidade de retenção de água. Háplicos: solos que não encaixam em nenhuma das classificações previstas para os solos (tiomórficos, rendzicos, etc). 50 Sobrenomes de Solos. Algumas Definições Plínticos: Que são abundantes em PLINTITA, s. m. min. Argila ferruginosa de cor vermelha tijolo. Rêndzicos: Solos cuja camada superficial é escura e rica em matéria orgânica, altos teores de nutrientes com alta fertilidade natural, assente sobre camada de mineral rico em CaCO3. Antigamente se denominava Rendzina, um dos solos mais férteis conhecidos. Possibilidade de ocorrerem deficiências de micronutrientes devido ao efeito alcalino (pH alto). Risco de erosão grande onde o relevo é mais movimentado. 51 Sobrenomes de Solos. Algumas Definições Ebânicos: solos de cores escuras, quase pretas, pelo descenso de matéria orgânica da superfície até camadas mais profundas. Altamente férteis, mas em algumas áreas podem apresentar limitações de profundidade até a rocha, restrição de drenagem prejudicando a mecanização. Plástico e pegajoso interfereno preparo do solo. Apropriados para pastagem, arroz irrigado, trigo, feijão e soja. Ocorrem em maiores extensões no clima subtropical do Sul do Brasil. 52 Sobrenomes de Solos. Algumas Definições Tiomórficos: solos formados em condições de abundância de enxofre e seus derivados e devem apresentar dentro dos 100 cm iniciais do perfil horizonte sulfúrico e/ou materiais sulfídricos (compostos de enxofre oxidáveis como a pirita), ou ainda presença de sulfato solúvel em água (0,05% ou mais). 53 CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS 1 - ARGISSOLOS 2 – CAMBISSOLOS 3 - CHERNOSSOLOS 4 - ESPODOSSOLOS 5 - GLEISSOLOS 6 – LATOSSOLOS 7 – LUVISSOLOS 8 - NEOSSOLOS 9 - NITOSSOLOS 10 - ORGANOSSOLOS 11 - PLANOSSOLOS 12 - PLINTOSSOLOS 13 - VERTISSOLOS 54 1 – ARGISSOLOS Solos medianamente profundos a profundos, moderadamente drenados, com horizonte B textural (horizonte diagnostico que caracteriza a classe de solo), de cores vermelhas a amarelas e textura argilosa, abaixo de um horizonte A ou E de cores mais claras e textura arenosa ou média, com baixos teores de matéria orgânica. Argissolos constituem 26,84% dos solos brasileiros, só atrás dos Latossolos. Sua principal característica é o gradiente textural e a nítida separação entre horizontes quanto à cor, estrutura e textura. Quanto a drenagem variam de moderado a bem drenado, com textura muito variável, predominando textura média na superfície e argilosa em subsuperfície. 55 1 – ARGISSOLOS Muito susceptíveis à erosão quando o gradiente textural é acentuado (textura arenosa/média), principalmente quando há presença de cascalhos e relevo com fortes declives (caso indicado apenas para uso em pastagem, reflorestamento ou área de preservação) já que sua fertilidade química é predominantemente baixa. Quando na forma de textura média/argilosa e argilosa são indicados à utilização agrícola pois possuem elevada capacidade de água disponível e boa reserva de minerais. Assim como os latossolos apresentam grande acidez, mas se diferem por apresentar teores de Fe2O3. 56 1 – ARGISSOLOS 57 1 – ARGISSOLOS 58 Principais ocorrências dos Argissolos. 59 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 2 - CAMBISSOLOS Solos pouco desenvolvidos, que ainda apresentam características do material originário (rocha) evidenciado pela presença de minerais primários. São definidos pela presença de horizonte diagnóstico B incipiente (pouco desenvolvimento estrutural) apresentando baixa (distróficos) ou alta (eutróficos) saturação por bases, baixa a alta atividade da argila, segundo critérios do SiBCS (Embrapa, 2006). Variam de solos pouco profundos a profundos, sendo normalmente de baixa permeabilidade. 60 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. Cambissolos. Variam de solos pouco profundos a profundos, sendo normalmente de baixa permeabilidade. São identificados em diversos ambientes, estando normalmente associados a áreas de relevos muito movimentados (ondulados a montanhosos) podendo, no entanto, ocorrer em áreas planas (baixadas) fora da influência do lençol freático. 61 62 63 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 3 – CHERNOSSOLOS 12/09/2022 Tipo de solo mineral, caracterizado pela cor escura, argila de alta atividade e alta saturação de bases. Está entre as classes de solos mais férteis e agricultáveis, de desenvolvimento não muito avançado, originários de rochas ricas em Ca e Mg e presença de minerais esmectíticos que conferem alta atividade da argila e eventual acumulação de carbonato de cálcio, promovendo reação aproximadamente neutra ou moderadamente ácidos a fortemente alcalinos, com enriquecimento em matéria orgânica. 64 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 3 – CHERNOSSOLOS (Continuação) Ocorrem em várias regiões do Brasil, mas têm concentração expressiva na região da Campanha Gaúcha (Ebânicos), onde são utilizados como pasto e lavouras. No restante do Brasil ocorrem relativamente dispersos (Argilúvicos), ou em pequenas concentrações no Mato Grosso do Sul (Serra da Bodoquena) e Rio Grande do Norte (Rêndzicos). 65 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 3 – Chernossolos (continuação) 66 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 3 – CHERNOSSOLOS (Continuação) 67 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 4 – ESPODOSSOLOS Conhecidos antigamente por podzol (cinza vegetal), nome derivado do russo que significa “sob cinzas”. Solos minerais, predominantemente arenosos, com evidências de transporte de material coloidal no perfil na forma de complexos organometálicos que, no Estado de São Paulo, são formados em sedimentos marinhos nas baixadas litorâneas. Por serem arenosos, com lençol freático raso ou pouco profundo, além de apresentarem baixa fertilidade, os Espodossolos não são indicados para utilização agrícola. 68 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 4 – ESPODOSSOLOS (Continuação) São em geral muito pobres no tocante a nutrientes minerais e têm textura arenosa predominantemente. São verificados distribuídos esparsamente ao longo da costa leste brasileira e têm sua mais expressiva ocorrência na região Amazônica (Amazonas e Roraima) e no Pantanal Matogrossense. Quando muito, são utilizados para o pastoreio extensivo de gado bovino. 69 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 4 – ESPODOSSOLOS (Continuação). 70 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 4 – ESPODOSSOLOS (Continuação) 71 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 5 – GLEISSOLOS São solos característicos de áreas alagadas ou sujeitas a alagamento (margens de rios, ilhas, grandes planícies, etc.). Apresentam cores acinzentadas, azuladas ou esverdeadas, dentro de 50cm da superfície. Podem ser de alta ou baixa fertilidade natural e têm nas condições de má drenagem a sua maior limitação de uso. Ocorrem em praticamente todas as regiões brasileiras, ocupando principalmente as planícies de inundação de rios e córregos. 72 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 73 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 6 – LATOSSOLOS Solos em avançado estágio de intemperização, muito evoluídos, como resultado de enérgicas transformações no material constitutivo. Os solos são virtualmente destituídos de minerais primários ou secundários menos resistentes ao intemperismo, e têm capacidade de troca de cátions da fração argila baixa, sem correção para carbono, comportando variações desde solos predominantemente cauliníticos, até solos oxídicos. 74 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. Distribuem-se por amplas superfícies no Território Nacional, ocorrendo em praticamente todas as regiões, diferenciando-se entre si principalmente pela coloração e teores de óxidos de ferro, que determinaram a sua separação em quatro classes distintas ao nível de subordem no Sistema brasileiro de classificação de solos (1999). 75 76 Latossolos PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 7 – LUVISSOLOS Solos de profundidade mediana, com cores desde vermelhas a acinzentadas, horizonte B textural abaixo de horizonte A fraco, moderado ou horizonte E, argila de atividade alta e alta saturação por bases. Geralmente apresentam razoável diferenciação entre os horizontes superficiais e os subsuperficiais. As argilas condicionam certo fendilhamento em alguns perfis nos períodos secos. São moderadamente ácidos a ligeiramente alcalinos, com baixos teores dealumínio extraível e presença expressiva de argilominerais tipo 2:1 (Montmorilonitas). 77 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 7 – LUVISSOLOS (Continuação) Distribuem-se por boa parte do território brasileiro, com maior expressividade em regiões como o semiárido nordestino (antigos Bruno Não-Cálcicos) Região Sul (antigos Podzólicos Bruno Acinzentados eutróficos) e mesmo na região Amazônica, Estado do Acre (antigos Podzólicos Vermelho-Amarelos e Vermelho-Escuros eutróficos com argila de atividade alta). Na Região Sul são utilizados como lavouras de grãos e pastagens, na região Amazônica apenas com pastagens plantadas, enquanto no semiárido a pecuária extensiva é a principal utilização. 78 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 8 - NEOSSOLOS Solos constituídos por material mineral, ou por material orgânico pouco espesso, que não apresentam alterações expressivas em relação ao material originário devido à baixa intensidade de atuação dos processos pedogenéticos, seja em razão de características inerentes ao próprio material de origem, como maior resistência ao intemperismo ou composição químico-mineralógica, ou por influência dos demais fatores de formação (clima, relevo ou tempo), que podem impedir ou limitar a evolução dos solos. 79 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. Boa parte dos Neossolos ocorre em praticamente todas as regiões do País, embora sem constituir representatividade espacial expressiva, ou seja, ocorrem de forma dispersa em ambientes específicos, como é o caso das planícies à margem de rios e córregos (Neossolos Flúvicos) e nos relevos muito acidentados de morrarias e serras (Neossolos Litólicos). Os Neossolos Quartzarênicos, muito expressivos no Brasil, são comuns na região litorânea e em alguns estados do Nordeste, ocupam também grandes concentrações em alguns estados do Centro-Oeste e Norte, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Tocantins. 80 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. Os Neossolos Regolíticos, por sua vez, são encontrados em alguns pontos da região serrana do Sudeste, e têm maiores concentrações nas zonas do semiárido Nordestino e no Mato Grosso do Sul. 81 81 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 9 - Nitossolos Solos constituídos por material mineral, com horizonte B nítico, textura argilosa ou muito argilosa (teores de argila maiores que 350g/kg de solo a partir do horizonte A), estrutura em blocos subangulares ou angulares, ou prismática, de grau moderado ou forte, com cerosidade expressiva nas superfícies dos agregados. 82 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. Os Nitossolos Vermelhos (Terras Roxas Estruturadas e Terras Roxas Estruturadas Similares) têm ocorrência em praticamente todo o País, sendo muito expressivos em terras da bacia platina que se estende desde o Rio Grande do Sul a Goiás (região sudoeste), além de terras no norte de Goiás, norte do Tocantins, sul do Maranhão, e algumas ocorrências no Mato Grosso (Juína e Salto do Céu) e Pará (Oriximiná, Alenquer e Altamira), entre outras. Os Brunos (Terras Brunas Estruturadas e Terras Brunas Estruturadas Similares), por sua vez, são mais restritos às regiões altas do sul do País com pequena ocorrência também na região de Poços de Caldas - MG. 83 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 84 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 10 - Organossolos Constituem solos pouco evoluídos, constituídos por material orgânico proveniente de acumulação de restos vegetais em grau variado de decomposição, em ambientes mal a muito mal drenados ou úmidos de altitude elevada, que ficam saturados com água por poucos dias no período chuvoso. Têm coloração preta, cinzenta muito escura ou marrom e apresentam elevados teores de carbono orgânico. Quando não drenados artificialmente, apresentam-se saturados com água pela maior parte do tempo e têm ocorrência em regiões baixas ou alagadas, geralmente planícies de inundação de rios e córregos e áreas deprimidas. 85 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. Há registros de ocorrência destes solos em áreas pequenas no Estado de São Paulo, em áreas ribeirinhas do rio Ribeira do Iguape, no vale do Paraíba estendendo-se até a altura de Resende no Estado do Rio de Janeiro, na zona cacaueira e extremo sul baiano, em áreas ribeirinhas ao longo dos rios Iguaçu e Paraná no Estado do Paraná, nas zonas litorâneas dos estados do Sul e Sudeste, além de presença significativa em planícies de córregos nos planaltos do Brasil Central. 86 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 87 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 11 – Planossolos Compreendem solos minerais, imperfeitamente ou mal drenados, com horizonte superficial ou subsuperficial eluvial, de textura mais leve que contrasta abruptamente com o horizonte B imediatamente subjacente, adensado e geralmente com acentuada concentração de argila, com permeabilidade lenta ou muito lenta, constituindo por vezes um horizonte “pã”, que é responsável pela detenção do lençol d’água sobreposto (suspenso), de existência periódica e presença variável durante o ano. Podem apresentar qualquer tipo de horizonte A, horizonte E, nem sempre horizonte E álbico, seguidos de horizonte B plânico, tendo sequência de horizontes A, AB, ou A, E (álbico ou não) ou Eg, seguidos de Bt, Btg, Btm ou Btmg. 88 89 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 12 - Plintossolos Caracterizam-se principalmente pela presença expressiva de concreções de ferro ou cangas (plintitização ou petroplintita). Os Plintossolos Argilúvicos e Háplicos que apresentam drenagem restrita, têm como característica diagnóstica a presença do horizonte plíntico que é identificado principalmente por cores mosqueadas ou variegadas, compostas de tons desde vermelhos a acinzentados. Ocorrem nas Regiões Norte, Nordeste (Piauí e Maranhão) e Centro-Oeste, mais especificamente, Ilha de Marajó, Baixada Maranhense, Sul do Piauí, Médio Amazonas, Vale do Paranã (Goiás/Tocantins), Pantanal Mato-grossense e Planícies do Araguaia e Guaporé. 90 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 12 – Plintossolos (Continuação) Manejo agrícola muito delicado, necessita do controle de sua dinâmica hídrica interna, já que pode ter como consequência o endurecimento da plintita. Entretanto, na Região Centro-Oeste, imensos projetos de cultivo de grãos (principalmente arroz) estão instalados sobre os mesmos, com uso de irrigação/drenagem. 91 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. Os Plintossolos Pétricos (Solos Concrecionários ou Concrecionários Lateríticos), geralmente de melhor drenagem, caracterizam-se pela presença no perfil dos horizontes diagnósticos concrecionário e/ou litoplíntico. Ocorrem nos planaltos das Regiões Centro-Oeste e Norte (Tocantins-Goiás-Mato Grosso) e alguns platôs da Amazônia. São usados apenas para pastoreio extensivo quando sob vegetação campestre ou de Campo Cerrado, ou com pasto plantado com espécies forrageiras rústicas. 92 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 93 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. 13 – Vertissolos Solos minerais, com horizonte vértico, cores de escuras a amareladas, acinzentadas ou avermelhadas, profundos e pouco profundos. Geralmente com fendas consequência da expansão e contração do material argiloso, superfícies defricção (slickensides) e estrutura fortemente desenvolvida do tipo prismática. Apresentam sequência de horizontes do tipo A-Cv ou A-Biv-C e, neste último caso, sem atender aos requisitos dos solos da classe dos Chernossolos e ausência de contato lítico, ou horizonte petrocálcico dentro dos primeiros 30 cm de profundidade, e de qualquer tipo de horizonte B diagnóstico acima do horizonte vértico. Solos férteis, ocorrem em clima e relevo que dificultam a remoção dos cátions básicos do solo, no Semiárido Nordestino, no Pantanal Mato-grossense, na Campanha Gaúcha e no Recôncavo Baiano. 94 PEDOLOGIA. Processos de formação de solos. Processos morfológicos. Classificação dos Solos. VERTISSOLO HIDROMÓRFICO Órtico típico. Pantanal Mato-grossense. Poconé - MT. Eduardo Guimarães Couto 19/09/2022 95 image1.jpeg image2.png image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.emf image13.png image14.png image15.png image16.jpeg image17.png image18.jpeg image19.jpeg image20.png image21.png image22.png image23.png image24.emf image25.png image26.png image27.png image28.png image29.png image30.png image31.png image32.png image33.png image34.png image35.emf image36.png image37.png image38.png image39.png image40.png image41.png image42.png image43.png image44.png