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VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DE TUBERCULOSE Plano do curso TÍTULO DO MÓDULO: VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA DE TUBERCULOSE CARGA HORÁRIA: 10 Horas PÚBLICO ALVO: Profissionais de saúde, com foco em médicos e enfermeiros. EMENTA: Introdução à vigilância da tuberculose. Características da Infecção por tuberculose. Tipos diagnósticos. Exames: Bacteriológicos e Laboratoriais. Tratamento. Medidas de prevenção e controle. Vigilância Epidemiológica. Definições de caso. Notificação. Critérios para seleção de casos para ações de controle. Busca ativa de casos. Ações de promoção de saúde. OBJETIVOS GERAIS • Capacitar profissionais da saúde sobre epidemiologia e vigilância da tuberculose; • Capacitar profissionais de saúde sobre a Política Nacional de Vigilância e Saúde da tuberculose, apresentando o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública; • Capacitar os profissionais da saúde para utilizar sistemas específicos de informação da tuberculose SITE-TB, IL-TB); • Capacitar os profissionais da saúde acerca das definições de casos utilizadas na vigilância da tuberculose; • Capacitar os profissionais da saúde acerca das condutas e medidas de controle da tuberculose. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • Compreender as características da tuberculose, incluindo sua descrição, o agente etiológico responsável, o modo de transmissão da doença, o período de incubação, as manifestações clínicas apresentadas pelos pacientes afetados, as diferentes opções de diagnóstico disponíveis e, por fim, as medidas de prevenção e controle necessárias para o enfrentamento da tuberculose; • Reconhecer quais são as ações de vigilância para tuberculose (GVS); • Identificar os objetivos da vigilância dos casos de tuberculose; • Reconhecer as definições de casos utilizadas na vigilância da tuberculose; • Compreender e aplicar os critérios de confirmação da tuberculose; • Identificar os métodos de realização de busca ativa de casos; • Identificar os métodos de busca de novos casos (óbitos/contatos); • Diferenciar casos TB, Site-TB e IL-TB (estudo de caso); • Diferenciar o funcionamento do fluxo de notificação Site-TB e IL-TB; • Conhecer e preencher as Fichas de Notificação da tuberculose Site-TB e IL-TB no (Sinan); • Buscar as Fichas Site-TB e IL-TB e os documentos instrutivos de preenchimento delas; • Citar as principais inconsistências de preenchimento da ficha que impactam na qualidade da vigilância da TB. CONTEÚDO • Apresentação • Unidade 1: Tuberculose • Unidade 2: Vigilância epidemiológica da tuberculose • Fechamento • Referências bibliográficas METODOLOGIA Este módulo está sendo ofertado na modalidade de educação mediada por tecnologia, autoinstrucional, sendo desenvolvido de forma interativa, por meio da utilização de elementos visuais, auditivos e avaliações. RECURSOS Serão utilizados textos no formato de PDF, vídeos, ilustrações, infográficos, entre outros recursos. AVALIAÇÃO A avaliação é contínua, realizada por meio de questionários pré e pós-teste compostos por questões de múltipla escolha, para reflexão do conteúdo estudado e para identificar seu aprendizado. Será também oferecido, ao final do módulo, um questionário de autoavaliação sobre o desenvolvimento do curso e a contribuição para sua prática. CONTEUDISTAS • Bruna Cremona Furtado Cordeiro Marinho Carlini • Kleydson Bonfim Andrade Alves REVISORES TÉCNICO-CIENTÍFICOS • Ana Luisa Nepomuceno Silva • Daniele Maria Pelissari • Denise Arakaki-Sanchez • Fernanda Dockhorn Costa • José Nildo de Barros Silva • Nicole Menezes de Souza Índice Apresentação..........................................................................................05 Unidade 1: Tuberculose...........................................................................15 Unidade 2: Vigilância epidemiológica da tuberculose................................81 Fechamento..........................................................................................148 Referências bibliográficas......................................................................150 Seja bem-vindo e bem-vinda ao Curso de Vigilância Epidemiológica de Tuberculose. Ao longo deste módulo, iremos explorar a definição de tuberculose e seus principais tipos, causas e sintomas como base para compreensão das ações preventivas e as opções de tratamento disponíveis. Além disso, abordaremos o Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública e a estrutura da Vigilância Epidemiológica relacionada a essa doença. Daremos ênfase à compreensão dos critérios para a definição de casos e aos sistemas de informação específicos para a tuberculose, entre eles o Sistema de Informação de Tratamentos Especiais de Tuberculose (Site- TB), ao processo de notificação e investigação de casos e às estratégias para seu controle. Apresentação Este material tem como objetivo capacitar os profissionais de saúde nos seguintes tópicos: Epidemiologia e Vigilância da Tuberculose. Utilização de Sistemas Específicos de Informação da Tuberculose (Site-TB, IL- TB). Definições de Casos na Vigilância da Tuberculose. Condutas e Medidas de Controle da Tuberculose. Bons estudos! A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada principalmente pela bactéria Mycobacterium tuberculosis. Ela tem a capacidade de afetar predominantemente os pulmões, porém pode atingir outros órgãos do corpo, como ossos, rins, cérebro e meninges. O acometimento pulmonar é a forma mais comum da tuberculose e os sintomas predominantes incluem comprometimento do estado geral, tosse persistente (seca ou com produção de secreção), febre no período vespertino, sudorese noturna, perda de apetite e emagrecimento. Há manifestações clínicas que ocorrem de forma específicas para adultos e crianças. A tuberculose pulmonar, entre adultos jovens e adolescentes, apresenta como principal sintoma a tosse. Ao ocorrer a tosse com duração de três semanas ou mais, acompanhada ou não de outros sinais e sintomas sugestivos de tuberculose, tais como febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e cansaço, a pessoa deve ser investigada para a tuberculose por meio de exames bacteriológicos. É importante ressaltar que a ausculta pulmonar pode apresentar diminuição do murmúrio vesicular, sopro anfórico ou mesmo condição normal. Pessoas em bom estado geral e sem perda do apetite também podem ter tuberculose pulmonar (BRASIL, 2023). Entre crianças com idade inferior a dez anos, a manifestação clínica mais comum da tuberculose pulmonar é a febre, de apresentação moderada, com duração maior que quinze dias e frequentemente vespertina. Também são manifestações nessa faixa etária a irritabilidade, tosse, inapetência, perda de peso e sudorese noturna, às vezes profusas. A hemoptise é rara. Na suspeita de tuberculose, deve-se procurar a tríade clássica: redução do apetite, perda de peso e tosse crônica (BRASIL, 2023). A transmissão da tuberculose ocorre de pessoa para pessoa através da inalação de aerossóis liberados durante a tosse, fala ou espirro de um doente com TB pulmonar ou laríngea. Essas partículas podem manter-se em suspensão no ar por várias horas, tornando a doença altamente contagiosa. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. Considerando a realidade da tuberculose e seu potencial de morbimortalidade, é importante enfatizar a necessidade de estabelecer medidas integradas de vigilância, prevenção e controle, uma vez que a tuberculose continua sendo uma Além da imunização, dado que a tuberculose está intrinsecamente ligada às condições de vida e outros fatores determinantes de vulnerabilidade social, é de extrema importância reconhecer as estratégias de prevenção que abarquem o acesso a condições sanitárias mais adequadas e aos serviços de saúde para oferecer orientação, acompanhamento e tratamento apropriado. Figura 1. Criança vacinadaSeis dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) apresentaram coeficientes de incidência de TB acima de 100 casos por 100.000 habitantes (CGAPSI/DASI/SESAI, 2018). O percentual de cura dos casos novos de TB na população indígena foi de 80,0% em 2016 (SES/MS/SINAN, 2018). Caracterização da população e especificidades quanto à atenção à saúde A população indígena do Brasil enfrenta desafios significativos devido a transformações sociais rápidas e complexas. Muitos povos indígenas têm buscado formas de preservar suas culturas e garantir uma melhor qualidade de vida para as futuras gerações diante dessas mudanças (FUNAI, 2015). Essas transformações podem incluir o contato com a sociedade não indígena, o acesso a novas tecnologias e a necessidade de conciliar tradições culturais com demandas contemporâneas. A SESAI é a única instituição que consegue alcançar todas as comunidades indígenas no Brasil, independentemente de estarem localizadas próximas a grandes centros urbanos, em áreas remotas ou entre povos isolados e de recente contato. Atividades programáticas recomendadas �. Busca ativa de SR: Realização da busca ativa de Sintomático Respiratório (SR) em toda a população indígena de forma contínua e integrada às ações de saúde realizadas pelas Equipes Multidisciplinares da Saúde Indígena (EMSI) nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) e pela Rede de Atenção à Saúde (RAS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Definição de SR como todo indígena com tosse, independentemente da duração da tosse, com avaliação clínica e realização de exames de diagnóstico laboratorial, incluindo baciloscopia do escarro e/ou Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB), com a adição de cultura e teste de sensibilidade. Não basear o diagnóstico da TB pulmonar na população indígena na radiografia de tórax, devido à maior ocorrência de infecção por micobactérias não tuberculosas (MNT) e/ou fungos, que podem apresentar alterações radiológicas semelhantes. �. Tratamento da Tuberculose: Para aqueles que residem em áreas indígenas e têm TB sensível, o tratamento preferencial deve ser realizado pela Equipe Multidisciplinar da Saúde Indígena (EMSI) na aldeia de residência ou pelos serviços de Atenção Básica nos municípios. O tratamento da TB resistente e da coinfecção TB-HIV deve ser compartilhado entre as EMSI e os serviços de referência da rede de atenção à saúde. Sempre que possível, deve-se permitir a permanência do indígena em sua aldeia de residência durante o tratamento. Para indígenas domiciliados nas áreas urbanas, o tratamento da TB sensível, resistente ou coinfecção TB-HIV seguirá os fluxos e rotinas da população geral. O Tratamento Diretamente Observado (TDO) é recomendado para todos os indígenas diagnosticados com TB, devido aos resultados superiores obtidos com essa estratégia. �. Avaliação de contatos entre indígenas: A avaliação de contatos de um caso de TB considera todos os habitantes de um domicílio como contatos, e em alguns casos, essa definição pode se estender para outros núcleos familiares que mantenham intensa interação com o paciente de tuberculose (BRASIL, 2017d). Para os contatos identificados, são recomendadas as mesmas atividades de avaliação e acompanhamento da população geral. �. Organização da rede de atenção à saúde dos povos indígenas: A organização da rede de atenção à saúde dos povos indígenas no Brasil envolve a atuação de 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), que são responsáveis pela operacionalização do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) e pela articulação com as demais esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS) para ações relacionadas à Rede de Atenção à Saúde. Nas áreas indígenas, a atenção à saúde é prestada por EMSI, que geralmente são compostas por profissionais médicos, enfermeiros, odontólogos, técnicos em enfermagem, técnicos em saúde bucal, agentes indígenas de saúde e agentes indígenas de saneamento. Essas equipes atuam principalmente no primeiro nível de Atenção Primária à Saúde (APS), que ocorre nas aldeias e comunidades indígenas. Quando necessário, os pacientes podem ser referenciados para a sede do Polo Base (PB) ou para serviços complementares na rede municipal, regional ou estadual. Nessas situações, o referenciado é acolhido em uma Casa de Saúde Indígena (Casai), que presta assistência desde a chegada do paciente na sede do município até seu retorno à aldeia. Nas áreas urbanas, a atenção à saúde dos povos indígenas é realizada pelos municípios e estados por meio do SUS. Nas terras indígenas localizadas nessas áreas urbanas, a atenção à saúde é provida pelo SasiSUS, que é um componente do SUS e está sob a responsabilidade direta do Ministério da Saúde (Brasil, 2002). Pro�ssionais de saúde – A transmissão da tuberculose nos ambientes de saúde é um risco frequente para os profissionais de saúde. Isso ocorre devido a diversos fatores, incluindo as condições do ambiente de trabalho, as circunstâncias em que as atividades são realizadas, o grau e tipo de exposição ao agente biológico durante o exercício profissional (BRASIL, 2001a). Quanto maior a inadequação desses fatores, maior será a chance de contato, contágio ou transmissão. A magnitude do risco varia de acordo com a configuração do ambiente, grupo ocupacional, prevalência de TB na comunidade e eficácia das medidas de controle de infecção da tuberculose no ambiente de saúde. A transmissão do M. tuberculosis nos ambientes de saúde está associada principalmente ao contato próximo com pacientes com tuberculose durante procedimentos que geram aerossóis. Isso inclui atividades como broncoscopia, intubação endotraqueal, sucção de vias aéreas, irrigação de abscessos pulmonares, indução de escarro e procedimentos que podem induzir a tosse dos pacientes. Caracterização da população Estudos estimam que as categorias ocupacionais com maior risco de infecção em comparação à população geral são (MENZIES et al., 1995; SEPKOWITZ, 1995; SILVA; CUNHA; KRITSKI, 2002): equipe de enfermagem (3 a 20 vezes); patologistas clínicos (6 a 11 vezes); técnicos de laboratório de bacteriologia (2 a 9 vezes); tisiopneumologistas (6 vezes); estudantes de Medicina/Enfermagem/Fisioterapia (4 a 8 vezes). Atividades programáticas recomendadas De acordo com a OMS, é fundamental que cada serviço de saúde, especialmente aqueles que atendem pacientes com tuberculose, tenha um plano de controle de infecção da tuberculose como parte integrante do programa geral de controle de infecções da instituição. Esse plano deve ser elaborado levando em consideração a presença e o trânsito de pessoas com suspeita ou doença confirmada de tuberculose em suas instalações. Diagnóstico da tuberculose em profissionais de saúde O diagnóstico da tuberculose em profissionais de saúde segue diretrizes semelhantes ao diagnóstico em outros indivíduos. Profissionais de saúde que apresentam sinais e/ou sintomas compatíveis com tuberculose devem buscar assistência médica e ser submetidos a exames laboratoriais e radiografia de tórax, conforme preconizado para a população em geral. Recomenda-se que profissionais de saúde com tuberculose pulmonar ou laríngea em tratamento permaneçam afastados de suas atividades laborais até que o diagnóstico de tuberculose seja excluído ou até que seja considerado não infectante. Os trabalhadores de saúde com tuberculose devem ser autorizados a retornar ao trabalho quando atenderem aos seguintes critérios: Tiverem dois resultados negativos de baciloscopia coletados a cada 24 horas de intervalo, após 15 dias de tratamento. Isso significa que, após iniciar o tratamento, eles devem ser submetidos a dois exames de baciloscopia consecutivos, com um intervalo de 24 horas entre eles, e ambos devem dar resultado negativo para a presença do bacilo da tuberculose. Responderem ao tratamento antituberculose com melhora clínica e bacteriológica. A melhora clínica significa que os sintomas da tuberculose estão melhorando, e a melhorabacteriológica se refere à redução ou eliminação da presença do bacilo da tuberculose pela baciloscopia. Organização da rede de atenção A Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde dos(as) Trabalhadores(as) (RENAST) é formada por todos os serviços de saúde, tendo a atenção básica como ordenadora do cuidado e os Centros de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) como centros especializados para matriciamento da RAS e por identificar, no seu território, o sistema de referência e contrarreferência, construindo o percurso para que o trabalhador possa ser acolhido, diagnosticado, tratado e acompanhado quando do seu adoecimento em função das atividades laborais. É responsabilidade da RENAST assegurar o atendimento ao profissional da saúde com tuberculose, relacionada ao trabalho, em tempo oportuno e com cuidados adequados às suas necessidades. Avaliação da ILTB em profissionais da área de saúde A investigação da ILTB com a PT deve ser realizada nos exames admissionais, de retorno ao trabalho e de mudança de riscos ocupacionais, além de periodicamente (anual), tal como descrito nos fluxogramas a seguir: Usuários de álcool e outras drogas – O uso excessivo de álcool pode ter efeitos negativos significativos sobre o sistema imunológico e aumentar o risco de infecções, incluindo a tuberculose (TB), quer seja pelo efeito tóxico direto sobre o sistema imune (SIMET; SISSON, 2015; SZABO, 1997), ou pelos efeitos indiretos relacionados à deficiência de macro e micronutrientes, ou ainda pela presença de outras condições clínicas, tais como transtornos mentais que podem favorecer a manifestação do M. tuberculosis. Estudos realizados nos Estados Unidos mostraram uma associação entre o uso de álcool e um aumento significativo na incidência de tuberculose, há relatos de aumento da incidência de 9 a 55 vezes maior de TB entre usuários de álcool (LÖNNROTH et al., 2008). Além disso, o uso de álcool também foi associado a um curso desfavorável da doença, o que significa que os pacientes que consomem álcool podem ter um prognóstico pior após a infecção (REHM et al., 2009; SINHA et al., 2017). O uso de álcool esteve associado ao abandono do tratamento no Rio de Janeiro (NATAL et al., 1999). A revisão sistemática mencionada, identificou um risco substancial de TB em pessoas que bebem mais de 40 g de álcool por dia ou que têm um uso nocivo de álcool (LÖNNROTH et al., 2008). Caracterização da população Dados nacionais mostram que 16% dos casos novos de TB referiam uso de álcool. Desses, 88%eram do sexo masculino e 66% da raça/cor negra. O percentual de cura da doença entre os casos novos confirmados por critério laboratorial que referiram uso de álcool foi de 65% e o abandono de 17%, enquanto na população geral os resultados são de 75% e 11%, respectivamente (SES/MS/SINAN, 2018). Atividades programáticas recomendadas Melhorar a detecção de tuberculose em pessoas que consomem bebidas alcoólicas: busca ativa de sintomáticos respiratórios (SR) entre usuários de álcool e outras drogas. Essa abordagem é eficaz na redução do tempo para o diagnóstico da tuberculose, o que é fundamental para iniciar o tratamento oportuno; identificar e implementar a busca ativa de SR em locais que atendem sistematicamente pessoas com transtornos relacionados ao uso de álcool e drogas (WHO, 2013a). Melhorar a abordagem sobre o uso de álcool em serviços que atendem tuberculose: fundamental que serviços de saúde que trabalham com tuberculose incluam em sua rotina a avaliação do consumo de álcool e adotem uma atitude acolhedora que permita aos indivíduos a manifestação de seus anseios, medos e dificuldades frente ao diagnóstico da tuberculose; uma vez identificada a dependência ou a presença de transtornos relacionados ao uso do álcool, a equipe ou o profissional de saúde devem construir um plano de cuidados que inclua o indivíduo e sua rede de apoio, considerando a realidade em que ele está inserido; é preciso conhecer os equipamentos disponíveis, em especial os Centros de Apoio Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS-AD), para estabelecer fluxos de referência e contrarreferência que auxiliem a pessoa no enfrentamento dos dois agravos. Melhorar a adesão ao tratamento: a avaliação do consumo de álcool deve ser realizada em todas as consultas, com o objetivo de identificar possíveis barreiras para adesão ao tratamento, observar a necessidade de intervenção de outras disciplinas, bem como monitorar a presença de efeitos adversos, em especial a hepatotoxicidade; ressalta-se a relevância do Tratamento Diretamente Observado; redução de danos: o profissional de saúde deve ser capaz de trabalhar com orientações individualizadas para o uso de álcool durante o tratamento da tuberculose e estabelecer um plano terapêutico que monitore, em especial, a função hepática com maior frequência. Organização da rede de atenção É fundamental que os gestores locais compreendam o percurso terapêutico dos usuários, bem como a rede de atenção necessária para atender às suas demandas. Nesse contexto, o Ministério da Saúde preconiza uma abordagem integral para usuários de álcool e outras drogas, que deve abranger todos os níveis de atenção à saúde. Isso inclui uma ênfase nos cuidados oferecidos por meio de serviços extra-hospitalares, como os Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS-AD), que desempenham um papel central nessa assistência. Além disso, é importante integrar essas ações aos Programas de Saúde da Família, Programas de Agentes Comunitários de Saúde, Programas de Redução de Danos e à Rede Básica de Saúde. É preciso também identificar unidades de saúde capacitadas para lidar com casos mais complexos, como os centros de referência para tuberculose e unidades de emergência, sejam elas gerais ou psiquiátricas. Esse enfoque é especialmente relevante para situações que envolvem intoxicação ou abstinência graves, bem como outros transtornos clínicos e psiquiátricos agudos. Essas unidades desempenham um papel fundamental no manejo adequado do tratamento da tuberculose, garantindo uma abordagem eficaz e abrangente para essa população. Pessoas com Diabetes Mellitus – Vários estudos mostram uma relação direta entre o diabetes e o desenvolvimento da tuberculose (JEON; MURRAY, 2008). Essa associação entre tuberculose e diabetes pode levar a complicações significativas. Indivíduos com diabetes são mais suscetíveis à infecção por Mycobacterium tuberculosis, o agente causador da tuberculose. Além disso, o diabetes pode prejudicar o tratamento da tuberculose, reduzindo a eficácia do tratamento e aumentando o risco de recaídas (WHO, 2011). Caracterização da população Avaliando a série histórica de TB de 2009 a 2017, observa-se um aumento constante no percentual de pessoas com TB que também apresentam diabetes mellitus (DM). Esse aumento foi de 5,5% para 7,7% durante esse período, refletindo um incremento médio anual de 3,9%. Embora as Regiões Norte e Nordeste do Brasil apresentem uma menor proporção de diabetes na população geral, essas regiões têm a maior prevalência de tuberculose associada ao diabetes, atingindo 9,2%. Em contrapartida, a Região Centro-Oeste apresentou a menor proporção de casos de TB associados ao diabetes, com 6,3%. Os pacientes com tuberculose e diabetes são predominantemente do sexo masculino, representando 62,3% dos casos. Além disso, a faixa etária mais afetada é a de 50 a 69 anos, abrangendo 52,2% dos casos. Essa distribuição por faixa etária é semelhante à encontrada na Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) para pessoas com diabetes, sugerindo uma sobreposição das duas condições nesse grupo etário. Atividades programáticas preconizadas O objetivo central é reduzir a incidência de tuberculose (TB) e diabetes mellitus (DM) nas populações afetadas por ambos os agravos. Para alcançar esse objetivo, é fundamental que os programas de saúde locais, especialmente aqueles em áreas com alta prevalência de TB, adotem as seguintes estratégias: estabelecermecanismos de colaboração entre os programas de DM e TB; melhorar a detecção e o manejo clínico da TB em pessoas com diabetes; melhorar a detecção e o manejo do diabetes em pessoas com TB. Tabagistas – A relação entre o tabagismo e a tuberculose (TB) foi identificada há muito tempo, datando pelo menos desde 1918, como documentado por Webb em seu estudo. Além disso, uma revisão sistemática conduzida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra a Tuberculose e Doenças Pulmonares (The Union) confirmou a associação entre o desenvolvimento da TB e a exposição ativa ou passiva ao tabaco. Um aspecto importante a ser destacado é que a presença de tosse em pessoas que fumam com frequência é, muitas vezes, erroneamente atribuída apenas ao uso do cigarro, o que pode levar a atrasos no diagnóstico da TB (MAURYA; VIJAYAN; SHAH, 2002). Caracterização da população Os dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, conduzida pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revelaram que 15% da população eram usuários de produtos do tabaco. Essa prevalência foi distribuída de forma diferente entre áreas urbanas e rurais, com 17,4% dos usuários na área rural e 14 ,6% na área urbana. Além disso, observou-se uma diferença significativa entre os gêneros, com uma maior prevalência entre os homens (19,2%) em comparação com as mulheres (11,2%). Outro fator relevante foi o nível de educação, no qual as pessoas que eram analfabetas ou tinham apenas o ensino fundamental incompleto tinham uma maior proporção de usuários de tabaco. Além disso, a faixa etária de 40 a 59 anos apresentou a maior proporção de usuários, com 19,4%. Atividades programáticas preconizadas A colaboração entre os programas de controle da TB e do tabagismo, em todos os níveis, pode ser verdadeiramente benéfica e gerar resultados positivos com impacto na saúde pública. A consulta de tuberculose deve incluir orientações sobre os efeitos nocivos do tabaco, sobre a saúde geral e, em particular, sobre a saúde da pessoa com tuberculose. Muitos pacientes podem até parar de fumar quando adoecem ou durante o tratamento, porém, quando se sentem melhores, retornam ao uso do tabaco. Os profissionais de saúde devem fornecer informações claras, específicas e consistentes, de que o consumo de qualquer tipo de cigarro ou produto derivado do tabaco é prejudicial tanto durante o tratamento da TB quanto em todo o curso da vida (NG, N. et al.; 2007). A abordagem para cessação do tabagismo baseada no modelo cognitivo comportamental parte do princípio de que o ato de fumar é um comportamento aprendido, desencadeado e perpetuado por determinadas situações e emoções, que leva à dependência. O tratamento tem por objetivo a aprendizagem de um novo comportamento e o desenvolvimento de estratégias para enfrentamento dessas situações, visando não só à cessação do tabagismo, mas também à prevenção de recaídas. Em casos específicos, podem ser utilizados medicamentos que servem de apoio a essa abordagem (BRASIL, 2001b; MEIRELLES; GONÇALVES, 2006). O profissional de saúde deve orientar a pessoa com tuberculose e tabagista sobre: aconselhar o paciente a parar de fumar de forma enfática, porém sem agressividade, mantendo uma atmosfera de respeito e confiança; Medidas de controle de infecção por aerossóis em serviços de saúde A transmissão da tuberculose ocorre principalmente por via respiratória, envolvendo a eliminação de aerossóis, contendo o agente causador da doença. Esses aerossóis são produzidos quando um indivíduo com tuberculose ativa, seja ela pulmonar ou laríngea, tosse, fala ou espirra. A transmissão acontece quando outra pessoa suscetível inala esses aerossóis, introduzindo assim as bactérias no seu sistema respiratório. Alguns fatores aumentam a probabilidade para a tuberculose: quanto mais intensa e frequente for a tosse de um paciente com tuberculose ativa, maior será a produção de aerossóis; os benefícios que ele alcançará ao parar de fumar, em especial no tratamento da tuberculose; ainda que fume uma pequena quantidade de cigarros, pode piorar a doença e levar à morte; informar que parar de fumar sempre vale a pena, em qualquer momento da sua vida; - informar sobre o tabagismo passivo, e entender que a fumaça de seu cigarro pode causar doenças e mortes em parentes e amigos, que convivem com ele em casa ou no trabalho. Atualmente, todas as Secretarias Estaduais de Saúde, incluindo o DF, possuem Programas de Controle do Tabagismo que descentralizam as ações para os municípios. As recomendações técnicas para o tratamento do tabagismo foram publicadas pela Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, portaria nº 761/SAS/MS de 22/06/2016 do DOU. Os familiares ou contatos tabagistas dos pacientes com TB devem ser também orientados a parar de fumar ou evitar o uso do tabaco na presença da pessoa com TB e devem ser encaminhados para tratamento da dependência da nicotina para as unidades de saúde da rede SUS. quanto mais tempo uma pessoa com tuberculose ativa permanecer em um ambiente compartilhado, maior será o risco de exposição dos outros presentes; quanto menor a ventilação, desse ambiente, maior a concentração de aerossóis no ar; As medidas para a prevenção e controle da tuberculose em ambientes de saúde compreendem três campos de atuação: medidas administrativas; controle ambiental; proteção respiratória (individual). Medidas administrativas As medidas gerenciais são cruciais e altamente eficazes na prevenção da transmissão da tuberculose. Essas medidas envolvem o monitoramento do percurso do sintomático respiratório (SR) e o tempo que ele passa em diferentes áreas da unidade de saúde. O objetivo é agilizar seu atendimento, reduzindo a exposição do ambiente aos bacilos da tuberculose. Dentro dessas estratégias gerenciais, é essencial destacar a importância do fluxo de atendimento e da capacitação da equipe de saúde. A seguir, você encontrará as etapas recomendadas para a gestão de casos de tuberculose em ambientes de saúde: Fonte: Adaptado de WHO, 1999. Medidas de controle ambiental (engenharia) As medidas de controle ambiental têm o objetivo de organizar o espaço nas unidades de saúde, criando um ambiente com menor risco de transmissão da tuberculose. Essas medidas podem incluir: adaptação do mobiliário e espaços de atendimento: isso pode envolver reformas ou a construção de espaços adequados para garantir o isolamento adequado de pacientes com tuberculose. ambientes arejados e bem ventilados: é essencial que os espaços de atendimento sejam bem ventilados, preferencialmente com acesso à ventilação natural. Se possível, considere áreas externas para atendimento. cômodos abertos e arejados para coleta de escarro: para minimizar o risco de contaminação durante a coleta de escarro, é importante que os locais destinados a esse procedimento sejam abertos e bem ventilados. proporcionar ventilação adequada: é ṕreciso garantir que todos os ambientes da instituição tenham ventilação adequada, seja por meio de ventilação natural ou mecânica. locais de isolamento respiratório: definição de áreas específicas de isolamento respiratório em unidades hospitalares, setores de emergência e unidades de terapia intensiva. Essas áreas devem ter uma taxa mínima de renovação do ar de seis trocas por hora e pressão negativa para evitar a disseminação de bacilos. Quadro 7. Etapas preconizadas para a busca ativa de SR em instituições. descarga de ar exaurido: o ar exaurido das áreas de isolamento deve ser direcionado para o exterior da unidade, afastado de outros pacientes, profissionais de saúde e sistemas de captação de ar. filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air): a utilização de filtros HEPA para eliminar os bacilos suspensos no ar, isso permite que o ar seja descarregado em ambientes onde circulam pessoas com segurança. Medidas de proteção respiratória (individual) O uso de máscaras durante o atendimento de sintomáticos respiratórios(SR) ou pacientes com tuberculose é de extrema importância e deve ser realizado com critério. Aqui estão algumas orientações: ә. Orientação para pacientes e familiares: —é fundamental que os pacientes e seus familiares sejam orientados sobre o uso adequado de máscaras durante todo o atendimento. �. Tipo de máscaras recomendadas: para diferentes situações, recomenda-se o uso de máscaras específicas, como máscaras tipo PFF2 (padrão brasileiro e da União Europeia) ou N95 (padrão dos Estados Unidos). profissionais de saúde em serviços que atendem a uma grande quantidade de pacientes bacilíferos no início do tratamento e pacientes com resistência medicamentosa devem usar máscaras tipo PFF2 (padrão brasileiro e da União Europeia) ou N95 (padrão dos Estados Unidos). profissionais de saúde ou visitantes (acompanhantes) ao entrarem em áreas de alto risco de transmissão, como quartos de isolamento respiratório, serviços de referência de SR, pacientes bacilíferos e portadores de TB com suspeita e/ou confirmação de resistência aos fármacos antiTB. profissionais de saúde que atendam a doentes referenciados bacilíferos ou potencialmente bacilíferos em serviços ambulatoriais. profissionais de laboratório ou aqueles que, em ambientes fechados, realizam procedimentos que promovam a formação de partículas infectantes, como escarro induzido, broncoscopias e nebulizações em geral. profissionais que fazem o transporte de doentes bacilíferos ou suspeitos de TB pulmonar em ambulâncias. profissionais e agentes comunitários que realizam visitas domiciliares à pessoa com TB ou observam a tomada dos medicamentos antiTB. Algumas considerações sobre o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI): é importante destacar que o uso de máscaras PFF2 ou N95 pelos pro�ssionais de saúde tem pouca utilidade quando ocorre somente durante a presença do paciente, uma vez que os bacilos da tuberculose podem permanecer no ambiente por um período que varia de 5 a 12 horas. Portanto, o uso contínuo da máscara, especialmente em áreas de alto risco de transmissão, é fundamental para a proteção dos pro�ssionais de saúde. o uso de máscaras cirúrgicas é recomendado para pacientes com tuberculose pulmonar ou sintomáticos respiratórios (SR) em situação de potencial risco de transmissão. A máscara PFF2 não é recomendada para SR ou pacientes bacilíferos. Isso ajuda a conter a propagação de aerossóis no ambiente e Aqui estão outras estratégias cruciais para a prevenção da tuberculose em ambientes de saúde: Figura 13. Precauções para aerossóis. protege outras pessoas de possíveis exposições. as máscaras devem ser perfeitamente adaptadas ao rosto do usuário para garantir uma vedação adequada. Além disso, as máscaras podem ser reutilizadas desde que estejam íntegras e secas. É importante seguir as diretrizes especí�cas de reutilização e descarte de EPI estabelecidas pelas autoridades de saúde. Fonte: BRASIL, s/d. Para obter informações mais detalhadas e aprofundar seu conhecimento sobre o tema da prevenção da tuberculose em ambientes de saúde, recomendo acessar o Guia de Vigilância em Saúde e o material sobre o Controle de Infecção por Mycobacterium tuberculosis em ambientes de saúde do Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde CLIQUE AQUI! Controle de Infecção por Mycobacterium tuberculosis em ambientes de saúde CLIQUE AQUI! https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_v2_6ed.pdf https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/2023/controle-de-infeccao-por-m-tuberculosis-em-ambientes-de-saude-_-eletronico_leve.pdf/view https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_v2_6ed.pdf https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/2023/controle-de-infeccao-por-m-tuberculosis-em-ambientes-de-saude-_-eletronico_leve.pdf/view Encerramos a primeira unidade dedicada à tuberculose, na qual você teve a oportunidade de adquirir conhecimentos sobre as manifestações clínicas da doença, os diversos métodos de diagnóstico bacteriológico e laboratorial, bem como compreendeu a importância dos fatores essenciais no tratamento da tuberculose, juntamente com as medidas cruciais de prevenção e controle. Para recapitular o conteúdo abordado até o momento, ouça o podcast. Na próxima unidade, você terá a oportunidade de aprender sobre o papel fundamental da vigilância epidemiológica no controle da tuberculose e como abordar diferentes situações relacionadas à doença. 02:00 https://articulateusercontent.com/rise/courses/FZCyY4nltly2uNxQaD7lsXWmlXpJEG7A/transcoded-2B-4GT6Y2Kmi8Y4w-HAE_10_PodcastTurberculose%2520ENCERRAMENTO.mp3 https://articulateusercontent.com/rise/courses/FZCyY4nltly2uNxQaD7lsXWmlXpJEG7A/transcoded-2B-4GT6Y2Kmi8Y4w-HAE_10_PodcastTurberculose%2520ENCERRAMENTO.mp3 Nesta unidade, vamos explorar a importância da vigilância epidemiológica da tuberculose, focando em seus objetivos, critérios de investigação e o histórico de sua implementação no Brasil. Além disso, entenderemos as ações necessárias para produzir informações essenciais que ajudarão na elaboração de medidas eficazes de controle da doença, incluindo a definição e notificação de casos. O objetivo desta unidade é levar o estudante a: reconhecer quais são as ações de vigilância para tuberculose; identificar os objetivos da vigilância dos casos de tuberculose; reconhecer as definições de casos utilizadas na vigilância da tuberculose; compreender e aplicar os critérios de confirmação da tuberculose; Unidade 2: Vigilância epidemiológica da tuberculose identificar os métodos de realização de busca ativa de casos. identificar os métodos de busca de novos casos (óbitos/contatos); diferenciar casos TB, Site-TB e IL-TB (estudo de caso); diferenciar o funcionamento do fluxo de notificação Site-TB e IL-TB; conhecer e preencher as Fichas de Notificação da tuberculose Site-TB e IL-TB no Sinan; buscar as Fichas Site-TB e IL-TB e os documentos instrutivos de preenchimento delas; citar as principais inconsistências de preenchimento da ficha que impactam na qualidade da vigilância da tuberculose. Para compreender a importância da implementação da vigilância epidemiológica no controle e prevenção da tuberculose no Brasil, convidamos você a assistir ao vídeo que preparamos para esta unidade. É importante destacar que, ao longo dos anos, a vigilância epidemiológica da tuberculose tem se consolidado como uma importante ferramenta de monitoramento da situação da doença no país. Isso permite a identificação de tendências e a definição de estratégias de prevenção e controle mais efetivas. O Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (2023 p. 578) aponta que "a vigilância epidemiológica da tuberculose tem por objetivo: reduzir a morbimortalidade por TB https://player.vimeo.com/video/915517044 https://player.vimeo.com/video/915517044 Certamente, as informações geradas pela vigilância epidemiológica da tuberculose são cruciais para o controle da doença e para a implementação de estratégias eficazes no âmbito do SUS. Agora, vamos dar início ao entendimento das ações de vigilância da tuberculose, começando pela compreensão dos critérios para a definição e notificação de casos. Definições de caso e notificação Definição de caso A definição de caso desempenha um papel fundamental na identificação precisa e consistente de casos de uma determinada doença ou agravo. Assistir ao vídeo a seguir ajudará a compreender a importância da definição e notificação de casos de tuberculose. sensível ou resistente aos medicamentos utilizados no tratamento, conhecer a magnitude da doença, sua distribuição, tendência e os fatores associados, fornecendo subsídios para as ações de controle." Critérios para de�nição de caso de tuberculose A definição de caso de tuberculose envolve três categorias principais: caso suspeito de tuberculose pulmonar, caso confirmado e caso descartado. Caso suspeito detuberculose pulmonar O sintomático respiratório (SR) é uma pessoa que apresenta tosse com duração de três semanas ou mais, independentemente de outros sinais ou sintomas sugestivos de tuberculose. No entanto, para determinados grupos de maior risco, como pessoas privadas de liberdade, profissionais de saúde, pessoas vivendo com HIV (PVHA), pessoas em situação de rua e indígenas, qualquer duração da tosse deve ser considerada como critério para identificação como SR. Além da tosse persistente, outros sinais e sintomas sugestivos de tuberculose que devem ser levados em consideração incluem febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento inexplicado e perda de apetite. Vale ressaltar que, se a doença https://player.vimeo.com/video/915517247 https://player.vimeo.com/video/915517247 estiver localizada em uma parte do corpo além dos pulmões (tuberculose extrapulmonar), os sintomas podem variar dependendo da área afetada. Caso con�rmado O diagnóstico de tuberculose pode ser confirmado com base em critérios laboratoriais e clínicos. Critério laboratorial: todo caso que, independentemente da forma clínica, apresenta pelo menos uma amostra positiva de baciloscopia, de TRM-TB ou de cultura para TB. Critério clínico: todo caso suspeito que não atendeu ao critério de confirmação laboratorial, mas apresentou resultados de exames de imagem ou histológicos sugestivos para TB. A confirmação de casos de TB pelo critério clínico, sem a oferta de exames para o diagnóstico laboratorial, indica uma falha na oferta de serviços de saúde já incorporados ao SUS. Caso descartado É todo caso que não atende aos critérios de confirmação anteriormente descritos, principalmente quando há diagnóstico de outra doença. As situações não previstas nos critérios anteriores devem ser tratadas individualmente. Os casos seguem um roteiro para seu registro. Acompanhe na imagem a seguir. Um caso de tuberculose é considerado descartado quando não atende aos critérios de confirmação laboratorial ou clínica descritos anteriormente, especialmente quando é diagnosticada outra doença que explique os sintomas apresentados. Casos que não se enquadram nos critérios anteriores devem ser avaliados individualmente. O processo de registro de casos de tuberculose segue um roteiro específico, que deve ser seguido para garantir a notificação adequada da doença. Os detalhes sobre o roteiro de registro de casos podem ser conferidos a seguir. Figura 14. Instrumentos de registro utilizados na investigação epidemiológica da tuberculose. Fonte: Adaptado de Brasil, 2019b. Noti�cação de casos de tuberculose A notificação de casos no Sinan é um passo fundamental no processo de vigilância epidemiológica da doença. Seu principal objetivo é identificar os casos de tuberculose para subsidiar as ações de prevenção e controle da doença. A noti�cação de casos de tuberculose se aplica apenas aos casos con�rmados da doença, seja por critério laboratorial ou clínico. As Fichas de Notificação são instrumentos padronizados essenciais para a coleta de dados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Elas fornecem um formato estruturado para registrar informações detalhadas sobre casos confirmados de tuberculose e outros agravos à saúde. Acompanhe a seguir como acessar a Ficha de Notificação da tuberculose no Sinan: Todas as chas de noti cação estão disponíveis no Portal Sinan! http://www.portalsinan.saude.gov.br/doencas-e- agravo Introdução: Siga o passo a passo para acessar as fichas de notificação da tuberculose no SINAN http://www.portalsinan.saude.gov.br/doencas-e-agravos Acesse o SINAN Acesse o site: http://www.portalsinan.saude.gov.br/doencas-e-agravos. Na página do SINAN, vá até a seção Doenças e Agravos e siga a lista em ordem alfabética até encontrar Tuberculose. Passo 1 http://www.portalsinan.saude.gov.br/doencas-e-agravos Acesse a Ficha de Noti�cação/Investigação Passo 2 Para acessar a Ficha de Notificação/ Investigação de tuberculose do SINAN, clique: http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/ documentos/Agravos/Tuberculose/Tuberculose_v5.pdf Para acessar as Instruções de preenchimento da Ficha de Notificação/Investigação de Tuberculose, clique: http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/ documentos/Agravos/Tuberculose/ InstrutivodePreenchimento.pdf http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Tuberculose/Tuberculose_v5.pdf http://www.portalsinan.saude.gov.br/images/documentos/Agravos/Tuberculose/InstrutivodePreenchimento.pdf Definições da Notificação Os casos de tuberculose são classificados de acordo com os tipos de entrada, que são os seguintes: Caso novo: refere-se a um caso de TB ativa em uma pessoa que nunca utilizou medicamentos para o tratamento da tuberculose ou que os utilizou por menos de 30 dias. É importante verificar junto à pessoa com tuberculose e seus familiares se não houve tratamento prévio para tuberculose por 30 dias ou mais. Recidiva: é um caso de TB ativa que foi tratado anteriormente e recebeu alta por cura comprovada ou por ter completado o tratamento. Reingresso após interrupção do tratamento: refere-se a um caso de TB ativa que foi tratado anteriormente por mais de 30 dias, mas que deixou de tomar o medicamento por 30 dias consecutivos ou mais. Não sabe: esse tipo de caso diz respeito a uma pessoa com TB ativa cuja história prévia é desconhecida. Deve ser registrado apenas quando todas as possibilidades de investigação da história anterior da pessoa com tuberculose foram esgotadas. Transferência: refere-se a uma pessoa com tuberculose que compareceu a uma unidade de saúde para dar continuidade ao tratamento iniciado em outra unidade, desde que não tenha havido interrupção do uso do medicamento por 30 dias consecutivos ou mais. Pós-óbito: trata-se de um caso de TB que nunca foi registrado no Sinan e foi descoberto após a morte da pessoa, durante uma investigação epidemiológica. Isso pode ocorrer, por exemplo, por meio de busca ativa em prontuários médicos e relacionamento entre bases de dados, como o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e o Sinan. Casos que tiveram o diagnóstico de tuberculose antes do óbito, independentemente do início do tratamento, não são considerados pós-óbito. Observações importantes A recidiva e o reingresso após a interrupção do tratamento são considerados casos de retratamento. As de�nições de tipo de entrada “transferência” e “não sabe” são operacionais e utilizadas para efeitos de registro no Sinan. A de�nição de tipo de entrada pós-óbito representa a não detecção oportuna de pessoas com TB no território. A Ficha de Noti�cação/Investigação da TB preenchida pela unidade noti�cante deverá ser encaminhada ao primeiro nível informatizado para ser incluída no Sinan. A partir de então, a base de dados sobre TB é formada, possibilitando a realização da análise situacional. Dessa forma, é importante o preenchimento correto e completo da �cha, evitando campos em branco ou preenchidos como “ignorado”. Para �nalizar: a noti�cação é feita apenas para casos con�rmados de tuberculose, com base nos critérios laboratorial e clínico. as �chas e noti�cações devem ser encaminhadas para os serviços de vigilância epidemiológica. a vigilância epidemiológica analisa as �chas antes de digitá-las, veri�cando a completude e consistência dos dados, e solicita ao serviço noti�cador o envio dos dados faltantes e/ou inconsistentes. Investigação epidemiológica É fundamental que todo caso suspeito de tuberculose seja acompanhado até que ocorra a confirmação do diagnóstico, com base nos critérios laboratoriais e clínicos. Além disso, é importante que todo caso confirmado permaneça sob monitoramento até que se conclua o tratamento, garantindo o adequado acompanhamento e controle da doença. A investigação epidemiológica da tuberculose envolve diferentes estratégias, incluindo: a busca ativa de sintomáticos respiratórios(SRs); o acompanhamento e encerramento de casos confirmados; a investigação de contatos, a vigilância da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB); a vigilância dos tratamentos especiais; a investigação de óbitos relacionados à tuberculose. Busca ativa de SR A busca ativa é uma importante atividade de saúde pública que visa identificar pessoas com tosse persistente, que têm maior probabilidade de estar com tuberculose pulmonar ou laríngea. Geralmente, essa busca ativa é uma oportunidade para realizar o exame diagnóstico em pessoas com tosse prolongada, contribuindo para um diagnóstico precoce da tuberculose. Todo o processo de investigação deve ser noti�cado. Na população em geral, considera-se sintomático respiratório (SR) a pessoa com tosse por mais de três semanas. Essa busca ativa é fundamental para interromper a cadeia de transmissão da tuberculose, pois permite encontrar precocemente os SRs e identificar casos de tuberculose para iniciar o tratamento. A maioria dos casos de tuberculose é da forma pulmonar, e cerca de 72% deles são confirmados por meio de exames laboratoriais. Para SR, são realizados exames de baciloscopia direta de escarro ou o Teste Rápido Molecular para TB (TRM-TB). Em populações de maior risco, como pessoas com sintomas sugestivos de tuberculose, também pode ser incluído o raio-x de tórax como parte do rastreamento. Para fins operacionais, utiliza-se como parâmetro nacional que aproximadamente 1% da população geral pode ser SR, embora esse número possa variar em diferentes localidades e grupos populacionais. Essa abordagem ajuda a identificar precocemente casos de tuberculose, o que é crucial para o controle da doença. Recomenda-se que todos os serviços de saúde da Rede de Atenção à Saúde realizem avaliações regulares em pessoas com sintomas de síndrome respiratória. Essa abordagem visa identificar essas pessoas e avaliá-las clinicamente e por meio de exames laboratoriais para o diagnóstico da tuberculose de maneira rápida e oportuna, possibilitando o início imediato do tratamento. Estratégias de busca ativa As estratégias de busca ativa para identificar casos de tuberculose incluem: 1. Em serviços de saúde: realizar rastreio em todos os serviços de saúde; perguntar à população-alvo sobre a presença e duração da tosse; orientar os Sintomáticos Respiratórios (SRs) identificados sobre a coleta do exame de escarro; coletar duas amostras de escarro: uma no momento da identificação e outra no dia seguinte (para baciloscopia) ou coletar uma amostra de escarro no momento da identificação (para TRM-TB - Teste Rápido Molecular para TB) ; ou registrar todas as atividades no instrumento padronizado, como o livro do SR (Anexo X); estabelecer fluxo adequado para o atendimento dos casos positivos e negativos à baciloscopia ou TRM-TB; avaliar regularmente os indicadores sugeridos, como a proporção de SRs examinados, a proporção de baciloscopias ou TRM-TB positivos e a proporção da meta alcançada. 2. Em contextos específicos: Quadro 8. Estratégia de busca ativa do SR nas diferentes populações. nome; Fonte: BRASIL, 2019b. As pessoas com sintoma respiratório devem ser inscritas no livro de registro do SR, que possui campos de preenchimento para dados relacionados ao indivíduo e resultados dos exames de escarro para diagnóstico. Alguns dos campos para preenchimento são: O registro das pessoas com sintoma respiratório é uma parte fundamental da busca ativa por casos de tuberculose. Os campos de preenchimento no livro de registro do SR incluem informações importantes, como: idade; sexo; endereço. As atividades de busca ativa devem ser avaliadas rotineiramente por meio de indicadores, que incluem: o número de pessoas com sintoma respiratório identificados; a proporção de pessoas com sintoma respiratório examinados entre os identificados; a proporção de casos confirmados. Acompanhamento e encerramento de caso con�rmado Acompanhamento A vigilância epidemiológica da tuberculose inclui o roteiro de acompanhamento dos casos confirmados. O acompanhamento é um processo essencial para garantir que os pacientes recebam o tratamento apropriado e sejam monitorados continuamente ao longo do tempo. Isso ajuda a reduzir os riscos de desenvolvimento de formas mais graves da doença e a prevenir a transmissão da tuberculose. Após o diagnóstico con�rmado, é essencial que a pessoa com tuberculose seja acompanhada de forma contínua e cuidadosa até que o tratamento seja concluído com sucesso. Para o acompanhamento, recomendam-se algumas ações. O Boletim de Acompanhamento é um documento que reúne informações cruciais sobre o acompanhamento do caso, incluindo os resultados de exames laboratoriais, Utilizar o Livro de Registro de Pessoa com Tuberculose e Acompanhamento do Tratamento. Utilizar, mensalmente, o Boletim de Acompanhamento gerado pelo Sinan, o qual é enviado às unidades de saúde para ser preenchido durante todo o período de tratamento. Todas as informações devem ser inseridas no Sinan. o tipo de tratamento, a administração de terapia antirretroviral, a investigação de contatos e o status de encerramento do caso. Os resultados de exames registrados como em andamento na ficha de notificação/investigação devem ser inseridos no Boletim de Acompanhamento e, posteriormente, atualizados no Sinan. Introdução Siga o passo a passo do acesso à ficha de acompanhamento da tuberculose. 1 Acesse o site: http://www.portalsinan.saude.gov.br/doencas-e-agravos. Na página do Sinan, vá para a seção "Doenças e Agravos". Navegue pela lista de doenças e agravos em ordem alfabética até encontrar a entrada "Tuberculose". Step 1 http://www.portalsinan.saude.gov.br/doencas-e-agravos 2 Após encontrar a entrada "Tuberculose", role a página para baixo até encontrar o link ou a seção relacionada à ficha de acompanhamento da tuberculose. Clique no link para acessar a ficha de acompanhamento. Certifique-se de preencher todas as informações necessárias e atualizar os dados conforme indicado, pelo menos mensalmente, para manter os registros atualizados. Isso é importante para o acompanhamento adequado dos casos de tuberculose. Step 2 Resumo É importante ressaltar que esse procedimento de acompanhamento deve ser realizado de forma contínua até o encerramento do caso. Confira, no infográfico abaixo, as particularidades do processo de transferência de casos de tuberculose. Figura 15. Transferências de caso de tuberculose. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. Encerramento dos casos Recomenda-se que os casos de TB em tratamento com o esquema básico (com duração de seis meses) sejam encerrados em até nove meses, e que os casos de TB meningoencefálica (com duração de 12 meses) sejam encerrados no Sinan em até 15 meses (BRASIL, 2023). Os critérios para definir o encerramento dos casos incluem: cura ou tratamento completo: é quando uma pessoa com TB apresenta duas baciloscopias negativas, sendo uma em qualquer mês de acompanhamento e outra ao final do tratamento (quinto ou sexto mês). Para os casos que necessitam de tratamento prolongado, serão considerados os dois últimos meses. A alta por cura também pode ser concedida a pessoas que completaram o tratamento sem evidência de falência e receberam alta com base em critérios clínicos e radiológicos, quando não foi possível realizar exames de baciloscopia. interrupção do tratamento: é quando uma pessoa com TB fez uso de medicamentos por 30 dias ou mais e interrompeu o tratamento por 30 dias consecutivos ou mais. Interrupção primária do tratamento: se refere a um indivíduo que fez uso de medicamento por menos de 30 dias e o interrompeu por 30 dias consecutivos ou mais, ou quando o indivíduo diagnosticado não inicia o tratamento. óbito por TB: se refere a casos em que a causa básica do óbito está relacionada à TB, a qual deve estar de acordo com as informações contidas no SIM (códigos A15 ao A19; J65; K93.0; M49.0;M90.0; N74.0; N74.1; O98.0; P37.0 da 10a Classificação Internacional de Doenças – CID-10) (Brasil, 2017). óbito por outras causas: se refere a casos em que a tuberculose não foi a causa básica do óbito, mas a doença estava presente como causa associada. As causas de morte devem estar em conformidade com as informações registradas no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). transferência: se refere ao caso em que o paciente é encaminhado para outro serviço de saúde. Esse processo de transferência deve ser devidamente documentado e incluir informações sobre o diagnóstico e o tratamento que foram realizados até o momento da transferência. mudança de diagnóstico: se aplica quando há uma alteração no diagnóstico, e fica esclarecido que o paciente não estava sofrendo de TB. mudança de esquema: ocorre quando a pessoa com TB precisa adotar regimes terapêuticos diferentes do esquema básico devido a intolerância ou toxicidade medicamentosa. tuberculose drogarresistente (TB DR): é quando há confirmação, por meio de Teste de Sensibilidade (TS) ou TRM-TB, de resistência a qualquer um dos medicamentos usados no tratamento da tuberculose. Isso ocorre independentemente do esquema de tratamento a ser utilizado, com exceção dos casos de monorresistência ao etambutol, pirazinamida ou estreptomicina, nos quais o uso do esquema básico é mantido. falência: deve ser registrada nas seguintes situações: persistência da baciloscopia de escarro positiva ao final do tratamento; doentes que no início do tratamento apresentavam baciloscopia fortemente positiva (++ ou +++) e mantiveram essa situação até o quarto mês; baciloscopia positiva inicial seguida de negativação e de novos resultados positivos por dois meses consecutivos, a partir do quarto mês de tratamento. Acompanhamento pós-cura Recomenda-se realizar o acompanhamento de pacientes com tuberculose resistente por um período mínimo de dois anos após a cura, podendo estender-se até cinco anos, com o propósito de identificar eventuais recorrências de forma precoce. Nesse contexto, é imperativo que as entidades responsáveis pela gestão dos Programas de Controle da Tuberculose em âmbito nacional, estadual e municipal, assim como os laboratórios e os prestadores de serviços envolvidos no atendimento desses casos, tenham acesso e utilizem o Sistema de Informação de Tratamentos Especiais para Tuberculose (Site-TB). Essa colaboração é fundamental para fortalecer a vigilância epidemiológica relacionada aos pacientes em tratamento especial para tuberculose. Investigação/avaliação de contatos A investigação e avaliação de contatos é uma medida fundamental no controle da tuberculose, uma vez que cada caso não tratado adequadamente pode representar um risco de transmissão do bacilo para outras pessoas. É importante identificar e acompanhar todas as pessoas que tiveram contato com um paciente de tuberculose, pois elas podem estar em risco de infecção. Segundo Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose: “Contato é toda pessoa que foi exposta ao caso índice ou caso fonte, no momento da descoberta do caso de tuberculose. Esse convívio pode ocorrer em casa, em ambientes de trabalho, em instituições de longa permanência, em escolas, dentre outros. A quantificação da exposição de risco é variável. A avaliação do risco de infecção deve ser individualizada, considerando-se a forma da doença do caso fonte, o ambiente e o tempo de exposição." (Brasil 2019b, p. 214) Assistir ao vídeo recomendado pode ser uma maneira eficaz de compreender melhor os fatores que fazem parte da investigação e avaliação de contatos no contexto da infecção. https://player.vimeo.com/video/915517345 https://player.vimeo.com/video/915517345 Vigilância da infecção latente pelo M. tuberculosis (ILTB) Os casos de ILTB são considerados aqueles em que as pessoas estão infectadas pelo M. tuberculosis que não apresentam TB ativa. Nesses casos, há maior risco de adoecimento nos primeiros dois anos após a primo-infecção, mas o período de latência pode se estender por muitos anos e mesmo décadas. Não há indicação de investigação indiscriminada de ILTB na população em geral, sendo indicada somente em populações que potencialmente se beneficiarão do tratamento. Quando a prova tuberculínica (PT) reativa isoladamente, indica apenas a presença de infecção e não é suficiente para o diagnóstico da tuberculose doença. Os ensaios de liberação do interferon-gama (Interferon-Gamma Release Assays – IGRA) tem diversas vantagens sobre a PT: não é influenciado pela vacinação prévia com BCG e é menos influenciado por infecção prévia por MNT (elevada especificidade diagnóstica). Se positivo, ILTB presente. Além dos contatos dos casos de TB pulmonar e/ou laríngea, três outras populações merecem especial atenção durante o rastreamento para a identificação da ILTB: pessoas vivendo com HIV (PVHA), crianças menores de dez anos e profissionais de saúde (BRASIL, 2022). A vigilância da ILTB tem por objetivos (BRASIL, 2023 c): Conhecer o perfil clínico e sociodemográfico das pessoas—tratadas para ILTB. Descrever, monitorar e avaliar os indicadores operacionais e epidemiológicos das— pessoas tratadas para ILTB nas unidades da Federação (UFs). Subsidiar o planejamento e a ampliação das ações de detecção e tratamento da— ILTB. Ao identificar uma pessoa com ILTB que realizará o tratamento, deve-se proceder à notificação por meio da Ficha de Notificação das pessoas em tratamento da ILTB, padronizada pelo Ministério da Saúde, cujos dados serão inseridos no IL-TB. A notificação dos casos de pessoas em tratamento para ILTB estrutura-se em três documentos: Reduzir o número de casos da doença ativa e, consequentemente, interromper a cadeia de transmissão. 1 Ficha de notificação das pessoas em tratamento para ILTB:—utilizada como instrumento para notificação da pessoa que—iniciar o tratamento da ILTB. Sistema de informação para notificação das pessoas em tratamento da ILTB (IL-TB): sistema online para registro de todas as pessoas em tratamento para— infecção latente no Brasil. Permite gerar dados para o cálculo de indicadores para o monitoramento e avaliação das ações de vigilância da ILTB. 2 Livro de investigação e acompanhamento de pessoas em tratamento da ILTB: material suplementar facultativo para a operacionalização da vigilância da ILTB nos estados e municípios. Nele é possível registrar o acompanhamento das 3 IMPORTANTE Noti�ca-se apenas a pessoa com a ILTB que iniciará o tratamento. pessoas em tratamento da ILTB e a avaliação dos contatos identificados das pessoas com TB. As Fichas de Notificação são instrumentos padronizados essenciais para a coleta de dados no Sistema de Informação. Para os casos identificados, deve-se proceder a notificação das pessoas em tratamento da ILTB preferencialmente por via digital. O Sistema de informação para notificação das pessoas em tratamento da ILTB (IL-TB) permite o acompanhamento dos casos notificados em tempo real e possibilita o cálculo automático dos indicadores preconizados para o monitoramento da vigilância e a exportação da base de dados para análises mais específicas. O acesso ao sistema é permitido aos profissionais dos serviços de saúde responsáveis pelo acompanhamento das pessoas em tratamento para a ILTB e pelos profissionais dos Programas de Controle da Tuberculose ou órgão equivalente na estrutura local de gestão. Contudo, o acesso poderá ser concedido aos serviços que prestam cuidado às PVHA, especialmente os SAEs, visando a integralidade do cuidado na Rede de Atenção à Saúde. Uma importante funcionalidade do Sistema de Informação da IL-TB são as etiquetas sinalizadoras para o monitoramento dos casos. Para acessar a Ficha de Noti�cação das pessoas em tratamento da ILTB, clique: http://sitetb.saude.gov.br/download_iltb.html Nesse mesmo link é possível acessar as Instruções para o preenchimento da Ficha de Noti�cação das pessoas emtratamento da ILTB. http://sitetb.saude.gov.br/download_iltb.html Elas são uma ferramenta desenvolvida para facilitar a rotina da gestão dos serviços de saúde, em todas as esferas de gestão. O monitoramento das etiquetas deve ser responsabilidade compartilhada entre a unidade de tratamento que registrou o caso no sistema e os serviços de vigilância municipal, regional, estadual e federal. Cabe a todas as esferas de gestão responsáveis por determinado caso monitorar a resolução da pendência apontada pela etiqueta, solicitando, à unidade de saúde referente, as ações corretivas que se fizerem necessárias. São apresentadas nas cores verde e vermelha. Etiqueta verde: indica um alerta. Algumas informações da notificação merecem atenção especial dos profissionais de saúde. Etiqueta vermelha: indica um erro de notificação e/ou um erro na indicação do tratamento. O caso precisa ser revisitado para que a informação seja corrigida. Vale ressaltar que a qualidade da informação é imprescindível para o sucesso do monitoramento dos casos e para a instituição de políticas públicas de controle. Para mais informações sobre a vigilância da ILTB, consulte o Protocolo de vigilância da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis no Brasil (BRASIL, 2022c). Protocolo de Vigilância da Infecção Latente pelo Mycobacterium tuberculosis no Brasil CLIQUE AQUI! Vigilância dos tratamentos especiais Pessoas em tratamentos especiais de TB são aquelas que requerem esquemas terapêuticos diferentes do esquema básico de tratamento. Isso pode ser devido a comorbidades médicas, ocorrência de reações adversas aos medicamentos ou resistência a algum medicamento utilizado no tratamento padrão da TB. É fundamental que todas as pessoas em tratamento especial para TB sejam acompanhadas em unidades de referência especializadas no tratamento dessa doença. As referências secundárias são indicadas para tratar indivíduos com TB que apresentam complicações de saúde complexas e comorbidades. Por outro lado, as referências terciárias são indicadas para tratar casos de TB multirresistente (TB DR), nos quais há resistência a múltiplos medicamentos. Todos esses casos devem ser obrigatoriamente notificados e registrados no Sinan, que é o sistema oficial para o registro das doenças de notificação compulsória no país. Além disso, eles também devem ser notificados no Site-TB, um sistema https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/2022/af_protocolo_vigilancia_iltb_2ed_9jun22_ok_web.pdf/view https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/publicacoes/2022/af_protocolo_vigilancia_iltb_2ed_9jun22_ok_web.pdf/view online complementar ao Sinan, projetado especificamente para notificar, acompanhar e registrar casos de TB que requerem tratamento especial. Site-TB – Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da TB É o Sistema de Informação utilizado para a notificação e acompanhamento dos casos de TB com indicação de tratamentos especiais (reações adversas, toxicidade, resistências ou comorbidades que impossibilitem o uso do Esquema Básico). Figura 16. Site-TB – Sistema de Informação de Tratamentos Especiais da TB. Fonte: SITETB, 2023. Além disso, o sistema também possibilita a notificação e acompanhamento de casos de micobacterioses não tuberculosas (MNT). Para um cuidado adequado, esses casos devem ser direcionados a unidades de referência secundária e terciária, onde podem receber tratamento especializado e acompanhamento personalizado. Acesse o Site-TB Esse Sistema de Informação destina-se à noti�cação e ao acompanhamento dos casos de TB que têm indicação de tratamentos especiais. Os casos devem ser atendidos e acompanhados por unidades de referência secundária e terciária, e o acesso ao site requer disponibilidade de login e senha pelo gestor. CLIQUE AQUI A utilização adequada dos sistemas de informação (Sinan e Site-TB) e a gestão eficiente dos casos de tuberculose são fundamentais para estabelecer critérios claros de classificação, notificação e encerramento de casos em cada sistema, bem como para gerenciar os fluxos entre eles. Para uma compreensão e organização mais precisas, apresentamos, a seguir, os critérios de classificação de casos destinados à inclusão no Site-TB, levando em consideração as informações fornecidas: TB com esquema especial: qualquer caso de TB sensível ou sem comprovação laboratorial de resistência que esteja sob tratamento com um esquema diferente do esquema básico, com exceção dos casos de pacientes com HIV em uso de rifabutina como parte do tratamento; TB DR: qualquer caso de TB com resistência aos fármacos identificada por meio de testes de sensibilidade (TS) ou pelo Teste Rápido Molecular para TB (TRM-TB), independentemente do esquema de tratamento utilizado. Entretanto, os casos de monorresistência ao etambutol, à pirazinamida ou à estreptomicina que continuam usando o esquema básico devem permanecer no Sinan; MNT: casos com identificação de MNT por meio de métodos laboratoriais, como cultura de micobactéria com identificação de espécie ou por biologia http://sitetb.saude.gov.br/ http://sitetb.saude.gov.br/ molecular, que são considerados diagnósticos diferenciais da TB; A notificação dos casos elencados como tratamentos especiais obedecem ao seguinte fluxo: casos de TB que iniciaram tratamento com o esquema básico e necessitaram utilizar algum esquema especial de tratamento deverão ser encerrados no Sinan como “mudança de esquema”, “falência” ou “TB DR”, de acordo com as suas especificidades, e notificados no Site-TB; casos de TB que iniciaram tratamento com esquema especial, seja por comorbidades ou resistência, devem ser notificados no Sinan, encerrados como mudança de esquema ou TB DR e notificados no Site-TB; casos de micobactéria não tuberculosa (MNT) não devem ser notificados no Sinan. No entanto, se isso ocorrer, eles devem ser encerrados como “mudança de diagnóstico” no Sinan antes de serem notificados no Site-TB; casos com monorresistência à isoniazida ou à rifampicina deverão ser encerrados no Sinan como TB DR e, posteriormente, notificados no Site-TB, independentemente do esquema de tratamento a ser utilizado; casos com diagnóstico de resistência à rifampicina pelo TRM-TB devem ser encerrados no Sinan como TB DR e notificados no Site-TB, independentemente do esquema de tratamento utilizado, e mesmo antes da confirmação do tipo de resistência pelo TS; toda pessoa com diagnóstico inicial de TB DR primária deve ser notificada no Sinan, para, em seguida, ser notificada no Site-TB. Há casos notificados no Sinan que não devem ser notificados no Site-TB: casos de coinfecção TB-HIV em que a rifampicina for substituída pela rifabutina não devem ser notificados no Site-TB, pois não são considerados tratamentos especiais; casos com alguma complicação durante o tratamento com o esquema básico, que farão a reintrodução do esquema droga a droga. Esses casos só deverão ser notificados no Site-TB após a definição do esquema especial definitivo; casos com monorresistência à estreptomicina, ao etambutol ou à pirazinamida, que mantenham o uso do esquema básico. Em todas as situações anteriores, o acompanhamento deve ser feito no Sinan até seu encerramento; casos encerrados no Site-TB como cura ou tratamento completo que apresentarem recidiva deverão ser notificados e encerrados novamente no Sinan, mesmo que iniciem o tratamento com esquema especial e precisem ser renotificados no Site-TB; casos encerrados no Site-TB como interrupção do tratamento deverão ser renotificados e encerrados no Sinan para posterior notificação no Site-TB; casos notificados no Site-TB com o diagnóstico de resistência à rifampicina pelo TRM-TB e, posteriormente, classificados como TB sensível pelo TS, e cujo reinício do esquema básico seja decidido pelo médico assistente, devem ser encerrados no Site-TB como mudança de esquema. No Sinan, o caso encerrado como TB DR deve ser reaberto para dar continuidadeao tratamento com esquema básico. Caso o médico assistente mantenha o esquema especial em tratamento, continuar o seguimento no Site-TB até seu encerramento. A seguir, apresentamos os tipos de casos sujeitos a notificação no Site-TB. Fonte: Adaptado de BRASIL , 2019b. Quadro 9. Tipos de entrada das notificações de casos de TB com indicação de esquema especial e tuberculose drogarresistente no Site-TB. Quadro 10. Classificação da TB DR de acordo com o padrão de resistência. Fonte: Adaptado de BRASIL, 2019b. Para obter informações adicionais sobre a notificação da tuberculose em situações de resistência ao tratamento, você pode consultar o Guia de Vigilância em Saúde (BRASIL, 2023). https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ guia_vigilanci a_saude_v2_6ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_v2_6ed.pdf Importante O Sinan é o Sistema de Informação o�cial do país para a noti�cação de casos de tuberculose. A noti�cação deve abranger apenas os casos con�rmados de TB, seja com base em critérios laboratoriais ou clínicos. Além disso, é fundamental observar que casos encerrados no Site-TB que necessitem ser renoti�cados no Site-TB, independentemente do motivo, devem passar pelo processo de noti�cação inicial no Sinan, seguido pelo encerramento nesse sistema, e, em seguida, serem noti�cados novamente no Site-TB de acordo com os procedimentos estabelecidos. Outras estratégias para a vigilância da tuberculose A TB, devido à sua natureza multifatorial e multideterminada, requer atenção especial em diferentes estágios de sua progressão e em populações e ambientes com maior vulnerabilidade ao seu desenvolvimento. Algumas das estratégias de vigilância de destaque incluem: visita domiciliar e busca de faltosos; vigilância em ambiente hospitalar; vigilância em outras instituições; vigilância laboratorial; vigilância entre populações mais vulneráveis para o adoecimento por tuberculose. Visita domiciliar e busca de faltosos A visita domiciliar desempenha um papel importante na vigilância epidemiológica de doenças respiratórias como a tuberculose. Envolve a visita de profissionais de saúde às residências de pessoas em risco de contrair a doença ou já diagnosticadas com ela, com o propósito de identificar casos suspeitos e confirmados de doenças contagiosas em uma determinada comunidade. No caso da tuberculose, a visita domiciliar é fundamental para monitorar a adesão ao tratamento, assegurando que os pacientes estejam seguindo corretamente o regime de tratamento prescrito. Além disso, representa uma oportunidade valiosa para a detecção precoce de novos casos de tuberculose em pessoas que possam estar infectadas, mas ainda não tenham recebido um diagnóstico formal. Também é importante para identificar os contatos e investigar ILTB. A busca ativa de pacientes faltosos é outra estratégia fundamental na vigilância epidemiológica. Ela consiste em localizar pessoas que abandonaram o tratamento ou deixaram de comparecer às consultas médicas. Essa abordagem é crucial para assegurar que os pacientes completem o tratamento de forma adequada e evitem o desenvolvimento de resistência aos medicamentos. A visita domiciliar e a busca ativa de pacientes faltosos são estratégias complementares que desempenham um papel fundamental na prevenção e no controle de doenças contagiosas. Ao realizar visitas às residências das pessoas e garantir a adesão ao tratamento, é possível reduzir a incidência da doença e proteger a saúde da população. É crucial que os profissionais de saúde sejam devidamente treinados e equipados para executar essas tarefas com segurança e eficácia. Se você é um profissional de saúde, é essencial lembrar da importância da visita domiciliar e da busca ativa de faltosos na vigilância epidemiológica de doenças. Além disso, é necessário focar na conscientização sobre a doença, de modo que as pessoas infectadas sigam as orientações médicas e estejam sempre disponíveis para receber as visitas domiciliares dos profissionais de saúde. Vigilância em ambiente hospitalar Em ambiente hospitalar, a detecção precoce de casos de tuberculose desempenha um papel fundamental, permitindo a implementação imediata e adequada de medidas de controle de infecção hospitalar causada pelo Mycobacterium tuberculosis. Além disso, o tratamento e a notificação dos casos identificados são ações essenciais para assegurar a segurança tanto dos pacientes quanto dos profissionais de saúde. Os casos de tuberculose detectados em hospitais apresentam um maior risco de desfechos desfavoráveis. Isso ocorre devido à gravidade da doença e ao risco de interrupção do tratamento após a alta hospitalar. Portanto, a identi�cação e o tratamento precoce são absolutamente essenciais para garantir o sucesso do tratamento e prevenir a disseminação da doença. Figura 17. Profissional de saúde. Fonte: STOCKSMARTSTART. Avatares médicos profissionais isolados no fundo branco. Ilustração em vetor de ícones de pessoas de profissionais de medicina e equipe médica. Shutterstock, Inc, 2023. Disponível em: https://www.shutterstock.com/image-vector/professional-doctor-avatars-isolated- on-white-613984136. Acesso em: 05 dez. 2023. Portanto, a capacitação das equipes hospitalares desempenha um papel fundamental na busca ativa de casos de TB dentro da unidade hospitalar e no manejo adequado dos pacientes diagnosticados. É essencial que os profissionais de saúde estejam devidamente https://www.shutterstock.com/image-vector/professional-doctor-avatars-isolated- on-white-613984136 treinados para identificar precocemente os casos, garantir que o tratamento seja iniciado prontamente e que haja um acompanhamento adequado após a alta hospitalar. Para garantir um manejo eficaz dos casos de tuberculose detectados em hospitais, é crucial estabelecer um fluxo de referência e contrarreferência organizado entre o hospital e os demais serviços da rede de saúde. Esse fluxo permite a comunicação eficiente entre as equipes médicas, os serviços de saúde e os responsáveis pela vigilância epidemiológica local. Na ocasião da alta hospitalar, é fundamental garantir a continuidade do tratamento para os pacientes com tuberculose. Para isso, os profissionais de saúde do hospital têm a responsabilidade de realizar o sumário de alta para exemplificar o itinerário após alta hospitalar e agendar uma consulta na unidade de saúde onde a pessoa continuará o tratamento. É crucial informar o paciente sobre o endereço do serviço e a data da consulta marcada. Adicionalmente, todos os dados relevantes para a continuidade do tratamento devem ser fornecidos ao paciente com tuberculose. Além disso, essas informações devem ser comunicadas à unidade de saúde de destino para garantir que a transição seja suave e que o acompanhamento do tratamento seja realizado de forma eficaz. O uso de instrumentos padronizados para transferência é essencial para manter o fluxo de informações entre unidades e serviços eficiente. A farmácia hospitalar desempenha um papel crucial, ajudando a evitar a subnotificação de casos de tuberculose, conferindo as retiradas de medicamentos com as notificações efetuadas evitando a subnotificação de casos. Vigilância em outras instituições A vigilância da tuberculose em instituições de longa permanência, como presídios, albergues, asilos e outros locais, deve ser organizada de maneira a garantir a busca periódica de casos, a investigação diagnóstica, o exame de contatos quando houver casos confirmados laboratorialmente e a realização do Tratamento Diretamente Observado (TDO). Figura 18. Medicamentos. Fonte: STUDIO T. Health checkup icon set. Medical care service symbol collection. Vector illustration. Shutterstock, Inc, 2023. Disponível em: https://www.shutterstock.com/image-vector/health-checkup-icon-set-medical- care-2221673931. Acesso em: 05 dez. 2023. O Tratamento Diretamente Observado (TDO) é umaestratégia fundamental no tratamento da tuberculose, envolvendo a administração supervisionada dos medicamentos por profissionais de saúde. https://www.shutterstock.com/image-vector/health-checkup-icon-set-medical-care-2221673931 Essa abordagem assegura a adesão ao tratamento, reduz o risco de resistência aos medicamentos e possibilita o monitoramento da evolução da intervenção, garantindo um tratamento eficaz da tuberculose. Vigilância entre populações mais vulneráveis para o adoecimento por tuberculose Certas populações são consideradas prioritárias no controle da tuberculose devido ao seu maior risco de infecção e adoecimento, incluindo pessoas vivendo com HIV, pessoas privadas de liberdade, profissionais de saúde, indivíduos em situação de rua, povos indígenas e contatos de casos de tuberculose resistente a medicamentos (TB DR). Pessoa Privada de Liberdade (PPL) A investigação da tuberculose em todos os ingressos do sistema prisional é uma diretriz importante para o controle da doença, conforme as orientações do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça e Segurança Pública de 2018 e do Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil de 2019 (BRASIL, 2018b; BRASIL, 2019b). Para acessar as recomendações e estratégias de busca no contexto do sistema prisional, clique nos títulos fornecidos abaixo: Passiva – É fundamental que toda Pessoa Privada de Liberdade (PPL) que busque atendimento de saúde, seja diretamente junto às equipes de saúde prisional ou por meio dos profissionais de segurança, com sintomas sugestivos da doença, especialmente tosse, seja submetida ao rastreamento diagnóstico. Não está indicada a realização da prova tuberculínica (PT) para contatos em ambiente prisional devido à alta probabilidade de ocorrência de reinfecções em curto espaço de tempo, o que torna duvidosa a indicação de tratamento da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB). No entanto, para os contatos coinfectados com HIV, desde que descartada a tuberculose ativa, deve-se realizar o tratamento da ILTB. Ativa – O rastreamento deve ocorrer no ingresso da PPL na unidade prisional (UP), entre seus contatos e por meio de campanhas de rastreamento em massa, preferencialmente duas vezes ao ano. Contatos – Em UP com celas coletivas ou naquelas onde há permanência de grande número de PPLs em espaços comuns, todas as PPLs de uma mesma cela ou galeria devem ser consideradas como contatos, o que, na prática, pode implicar na realização de busca ativa sistemática em toda a UP. Os contatos familiares das PPLs com tuberculose devem ser orientados a procurar um serviço de saúde fora da prisão para avaliação e rastreamento adequados, quando necessário. Clique nos títulos abaixo para obter informações detalhadas sobre como esse procedimento deve ser realizado: Ingresso – A avaliação para tuberculose em pessoas privadas de liberdade (PPL) deve ser realizada no prazo máximo de sete dias após o ingresso na unidade prisional, inclusive nos casos de transferência. É fundamental associar a essa atividade de triagem estratégias de informação, educação e comunicação acerca da tuberculose e do HIV. Rastreamento em massa – É uma ação sistemática que abrange todas as pessoas privadas de liberdade (PPLs) em uma determinada unidade prisional (UP) em intervalos regulares e em um curto período de tempo. Seu objetivo é identificar PPLs com sintomas respiratórios (SR) e realizar exames diagnósticos da tuberculose. A investigação é conduzida com base em uma lista nominal por cela, fornecida pela administração da UP. Recomenda-se repetir o procedimento periodicamente, ao menos uma vez por ano, e idealmente duas vezes ao ano. Na busca ativa no momento do ingresso ou no rastreamento em massa, podem ser adotados dois métodos sistemáticos para identificar indivíduos com maior probabilidade de tuberculose (TB): realizar entrevista individual sobre a presença de tosse ou infecção pelo HIV ou história de tratamento anterior para TB; e submeter todas as PPLs ao exame radiológico de tórax, independentemente da existência de sintomas, para identificar os indivíduos que apresentam qualquer tipo de anormalidade radiológica (pulmonar, pleural ou mediastinal), sugestiva ou não de tuberculose. Pessoas que apresentarem tosse persistente ou anormalidades em exames— radiológicos compatíveis com TB devem ser submetidas a exames laboratoriais, que— incluem TRM-TB ou baciloscopia, cultura e TS. Além disso, sempre que possível, o— rastreamento radiológico deve ser priorizado como parte integral desse processo. O isolamento respiratório no sistema prisional é necessário para casos identificados no momento do ingresso na prisão, por pelo menos quinze dias após o início do tratamento da tuberculose, bem como para pacientes suspeitos ou confirmados de resistência a medicamentos antituberculosos e em situações de falência de tratamento. Todos os casos de tuberculose identificados em PPL devem ser devidamente notificados no Sinan, indicando sua origem prisional. A gestão dos casos de tuberculose deve ser estruturada de forma organizada em cada unidade prisional (UP) e também no nível da coordenação de saúde do sistema penitenciário de cada estado. Essa organização deve permitir: a localização das pessoas com tuberculose na própria UP e por ocasião de transferências entre UPs, a fim de garantir a continuidade do tratamento; o monitoramento da detecção, do acompanhamento e da avaliação do tratamento; a provisão de medicamentos para o conjunto do sistema penitenciário e para cada UP; a identificação das UPs com maiores incidências de tuberculose, nas quais as ações de controle devem ser reforçadas; a organização do fluxo dos boletins de acompanhamento do Sinan para envio aos municípios; fluxo de amostra para diagnóstico laboratorial da TB em PPL como estruturação necessária. Quando ocorrerem transferências de pessoas privadas de liberdade (PPLs) entre Unidades Prisionais (UPs), é fundamental que a unidade de origem seja responsável por informar à unidade de destino todos os dados relevantes referentes ao diagnóstico e tratamento da pessoa. Nos casos de liberdade de uma Pessoa Privada de Liberdade (PPL) que está em tratamento para tuberculose, é responsabilidade da UP de origem informar à vigilância epidemiológica ou As informações sobre o desempenho das Unidades Prisionais (UPs) na detecção e desfecho do tratamento devem ser usadas em reuniões com profissionais de saúde das UPs e como base para estabelecer indicadores, metas e estratégias de melhoria. População em situação de rua Na população em situação de rua, a abordagem e o acolhimento desempenham um papel fundamental na prestação de cuidados de saúde. As estratégias para o controle da tuberculose nesse grupo devem ser desenvolvidas em colaboração entre diferentes setores, incluindo saúde, assistência social e sociedade civil (BRASIL, 2012b; VARANDA; ADORNO, 2004). A busca ativa de pessoas em situação de rua com tuberculose deve ser coordenada entre os setores de saúde e assistência social. Diante desse contexto, é importante considerar as seguintes recomendações: toda pessoa em situação de rua que apresente tosse, independentemente do tempo, deve ser examinada; sempre que possível, solicitar e coletar, no primeiro contato, material para baciloscopia ou TRM-TB, cultura e TS; o TDO está indicado para toda a população em situação de rua e pode ser realizado na Unidade de Saúde, in loco e nos equipamentos sociais, pelos profissionais de saúde dos Consultórios na Rua, da Estratégia de Saúde da Família (ESF) ou das Unidades Básicas de Saúde (UBS). ao programa de tuberculose local sobre a situação. O TDO (Tratamento Diretamente Observado) pode ser conduzido por outros profissionais ou pessoas que tenham vínculo com a pessoa em tratamento e com os serviços de saúde, desde que estejam devidamente supervisionados por um profissionalpela BCG. das principais doenças infecciosas em todo o mundo e impõe impactos substanciais na saúde pública. A vigilância da tuberculose desempenha um papel fundamental ao: A notificação dos casos confirmados de tuberculose é obrigatória e representa uma das principais estratégias para o monitoramento da doença no país. Para entender melhor as características gerais, o histórico e a relevância da vigilância da tuberculose, assista ao vídeo a seguir. Ele fornecerá informações monitorar a incidência da doença; investigar os contatos e populações mais vulneráveis para o adoecimento por tuberculose; implementar medidas de prevenção e controle adequadas. Nesse contexto, a integração dos componentes da vigilância epidemiológica e da busca ativa dos casos, aliada ao diagnóstico precoce e ao acesso ampliado, cuidado e tratamento oportunos, emerge como uma estratégia crucial na gestão da saúde e na obtenção de resultados efetivos no controle da tuberculose. detalhadas sobre esse importante aspecto da saúde pública relacionado à prevenção e controle da tuberculose. O enfrentamento à tuberculose ainda é um desafio para muitos países, especialmente pela sua relação com os condicionantes da vulnerabilidade social e econômica que afetam de forma desigual muitas regiões do mundo, inclusive o Brasil. Em que pese os avanços, o enfrentamento desse importante agravo exige a qualificação e a continuidade de ações de atenção, controle e vigilância, estruturadas de forma articulada e capazes de responder às necessidades sanitárias do país, considerando as relacionadas às populações mais vulneráveis e suas condições de saúde e vida. Abertura da Unidade https://player.vimeo.com/video/915516950 https://player.vimeo.com/video/915516950 Fonte: BRASIL, 2021b. Dessa forma, em 2017, tendo por objetivo fortalecer as respostas em âmbito nacional, institui-se um documento norteador para o enfrentamento à tuberculose: o Plano Nacional pelo fim da Tuberculose como problema de saúde pública (BRASIL, 2021b), reconhecendo as estratégias internacionais e os desafios expressos nos perfis de Figura 2. Plano Nacional pelo fim da Tuberculose como problema de saúde pública. morbimortalidade no país. O Plano foi atualizado em 2021, reforçando sua importância a partir das seguintes metas: Figura 3. Metas Plano Nacional pelo fim da Tuberculose como problema de saúde pública. Fonte: BRASIL, 2021a. O Plano Nacional pelo fim da Tuberculose como problema de saúde pública se estrutura a partir de três pilares, fundamentais para o controle da tuberculose no país. São eles: Fonte: BRASIL, 2021b. Quadro 1. Estratégias para operacionalização do Plano Nacional pelo fim da Tuberculose como problema de saúde pública. Na próxima unidade, convidamos você a se aprofundar nos conhecimentos sobre a tuberculose como forma de fundamentar a importância das estratégias da Vigilância Epidemiológica desse agravo. Para conhecer o Plano Nacional pelo �m da Tuberculose como problema de saúde pública, acesse: https://www.gov.br/saude/pt- br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/tuberculose/plano-nacional- pelo-�m-da-tuberculose-como-problema-de-saude-publica_- estrategias-para-2021-2925.pdf/view https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/tuberculose/plano-nacional-pelo-fim-da-tuberculose-como-problema-de-saude-publica_-estrategias-para-2021-2925.pdf/view Esta unidade abordará as principais características sobre a tuberculose, suas manifestações clínicas, os métodos diagnósticos disponíveis e o diagnóstico diferencial, as formas de tratamento e as medidas de prevenção e controle da doença. Você entenderá como a tuberculose pode se manifestar em diferentes partes do corpo e como é feito o diagnóstico por meio de exames laboratoriais, testes de imagem e outros métodos diagnósticos disponíveis. Também destacaremos a importância da testagem e do diagnóstico precoce dessa doença, além de informar sobre o tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e as estratégias adotadas pelo Ministério da Saúde (MS) para reduzir a carga da tuberculose no país. Unidade 1: Tuberculose O objetivo desta unidade é levar o estudante a: Compreender as características da tuberculose, incluindo sua descrição, o agente etiológico responsável, o modo de transmissão da doença, o período de incubação, as manifestações clínicas apresentadas pelos pacientes afetados, as diferentes opções de diagnóstico disponíveis e, por fim, as medidas de prevenção e controle necessárias para o enfrentamento da tuberculose. A tuberculose é uma doença infecciosa de grande relevância sanitária nacional e internacional. É importante reconhecer seus sintomas, seu potencial de transmissão e os fatores sociais e determinantes que a envolvem. Esse entendimento é fundamental para a implementação de ações de prevenção, tratamento, vigilância e controle que sejam eficazes e capazes de melhorar tanto a situação clínica dos afetados quanto a realidade epidemiológica dessa enfermidade. Para obter mais informações sobre os tópicos que serão abordados em relação a esse tema, recomenda-se ouvir o podcast! Agente etiológico O agente etiológico pode ser descrito como um microorganismo com a capacidade de causar uma infecção ou doença. 01:48 https://articulateusercontent.com/rise/courses/FZCyY4nltly2uNxQaD7lsXWmlXpJEG7A/transcoded-AMT4rKLGkezmaotL-HAE_10_PodcastTurberculose%2520INTRODU%25C3%2587%25C3%2583O.mp3 https://articulateusercontent.com/rise/courses/FZCyY4nltly2uNxQaD7lsXWmlXpJEG7A/transcoded-AMT4rKLGkezmaotL-HAE_10_PodcastTurberculose%2520INTRODU%25C3%2587%25C3%2583O.mp3 https://articulateusercontent.com/rise/courses/FZCyY4nltly2uNxQaD7lsXWmlXpJEG7A/transcoded-AMT4rKLGkezmaotL-HAE_10_PodcastTurberculose%2520INTRODU%25C3%2587%25C3%2583O.mp3 Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. É possível identificar diferentes subespécies da bactéria Mycobacterium tuberculosis que também estão relacionadas à tuberculose, embora tenham uma menor relevância do ponto de vista da saúde pública. Essas subespécies incluem M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae (BRASIL, 2021c). É fundamental conhecer o agente etiológico de uma doença para que haja diagnóstico e tratamento adequados, além de ser essencial para a implementação e�caz de medidas de prevenção e controle da doença. Figura 4. Agente etiológico. a forma de transmissão da doença; as manifestações clínicas da doença; o tratamento mais adequado; as medidas preventivas para evitar a disseminação da doença. Modo de transmissão A tuberculose é uma doença transmitida pelo ar, ou seja, ocorre quando uma pessoa inala partículas de aerossol que contêm bacilos da tuberculose. Essas partículas são liberadas no ar quando indivíduos com tuberculose pulmonar ou laríngea ativa e não tratada tossem, espirram ou falam. Ressalta-se que as pessoas em tratamento permanecem um período ainda infectantes. Por meio do agente etiológico, podemos compreender: Fonte: USENKO A. Tuberculosis disease concept. Vector flat healthcare illustration. People silhouette with lung infect other by tb isolated on white background. Design element for health care, education, pulmonology. Shutterstock, Inc, 2023. Disponível em: https://www.shutterstock.com/image-vector/tuberculosis-disease- concept-vector-flat-healthcare-2268835455. Acesso em: 05 dez. 2023. Figura 5. Conceito de doença tuberculose. https://www.shutterstock.com/image-vector/tuberculosis-disease-concept-vector-%EF%AC%82at-healthcare-2268835455 Os aerossóis podem permanecer suspensos no ar por longos períodos. Quando inalados, essas partículas podem alcançar os alvéolos, onde os bacilos da tuberculose se reproduzem, resultando na chamada primo-infecção. Essa infecção tem o potencial de evoluir para a forma ativa da doença ao longo do tempo. A primo-infecção pode evoluir para doença ou involuir para infecção latente. Períodode saúde em uma base semanal. Em circunstâncias especiais, os profissionais da assistência social podem colaborar com o TDO devido ao vínculo preexistente que têm com a pessoa em situação de rua. Recursos digitais como vídeo ou imagem síncronos e assíncronos, chamada de voz, ou mensagem de texto que contenha confirmação autorreferida da pessoa com TB sobre a tomada do medicamento, podem também ser considerados como estratégia para o TDO. Para mais informações acesse a Nota Informativa nº 20/2023 CGTM/Dathi/SVSA/MS, disponível em: https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/notas- informativas/2023/sei_ms-0037162163-nota-informativa-20.pdf/view. É importante considerar outras recomendações para melhorar ainda mais o cuidado e o controle da tuberculose em pessoas em situação de rua, incluindo: Familiarização dos profissionais, envolvidos no atendimento às pessoas em situação de rua, com estratégias de redução de danos e evitem impor a abstinência do consumo de álcool e outras drogas como condição para acesso ao tratamento da tuberculose. Em vez disso, deve-se avaliar com profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) e da equipe multiprofissional o acompanhamento de tais comorbidades, quando presentes. Estabelecimento de fluxos integrados na rede para a busca de faltosos ou casos de interrupção do tratamento, envolvendo todos os parceiros atuantes no https://www.gov.br/aids/pt-br/central-de-conteudo/notas-informativas/2023/sei_ms-0037162163-nota-informativa-20.pdf/view território. Isso inclui a cooperação com a vigilância em saúde das regiões, profissionais dos Consultórios na Rua, Unidades Básicas de Saúde (UBS) locais, albergues, equipes de abordagem social, outros serviços sociais e de saúde. Fornecimento de testes para HIV, hepatites virais e sífilis. Em geral, o tratamento da ILTB não é considerado uma ação prioritária, a menos que o SR seja uma criança ou viva com HIV e aids (PVHA). A ausência de documentação não deve ser uma barreira para o acesso aos serviços de saúde e para o registro no Cartão Nacional de Saúde, conforme estabelecido na Portaria nº 940, de 28 de abril de 2011. Regulamenta o Sistema Cartão Nacional de Saúde (Sistema Cartão), no Capítulo III, do Cadastro Nacional de Usuários do SUS: Art. 23. Durante o processo de cadastramento, o atendente solicitará o endereço do domicílio permanente do usuário, independentemente do município em que esteja no momento do cadastramento do atendimento. § 1º Não estão incluídos na exigência disposta no caput os ciganos nômades e os moradores de rua (BRASIL, 2011). População indígena Para obter êxito nas ações de vigilância e controle da tuberculose em áreas indígenas, é fundamental que as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) elaborem estratégias adaptadas às realidades locais, levando em conta as particularidades geográficas e culturais de cada comunidade étnica. Figura 19. Criança indígena. Fonte: BRASTOCK. young Indian from the Pataxo tribe of southern Bahia. Indian child looking to the right. Focus on the face. Shutterstock, Inc, 2023. Disponível em: https://www.shutterstock.com/image-photo/young-indian-pataxo-tribe-southern- bahia-1940396311. Acesso em: 05 dez. 2023. https://www.shutterstock.com/image-photo/young-indian-pataxo-tribe-southern- bahia-1940396311 A busca ativa por pessoas com sintomas respiratórios deve ser conduzida em toda a população indígena, de maneira constante e integrada às iniciativas de saúde realizadas pelas Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena (EMSI) nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), em colaboração com a Rede de Atenção à Saúde (RAS) do Sistema Único de Saúde (SUS). Consulte o infográfico abaixo para entender o processo de notificação de casos de tuberculose na população indígena. Figura 20. Notificação para a população indígena. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. Para pessoas vivendo com o HIV (PVHA), a busca ativa da tuberculose é realizada por meio do monitoramento de quatro sinais e sintomas da doença: tosse, febre, perda de peso e sudorese noturna. Esse procedimento é aplicado em todas as consultas de PVHA nos serviços de saúde, mesmo que sejam conscientes de que esses sintomas não são exclusivos dessa condição de saúde. A detecção de qualquer um desses sintomas deve acionar uma investigação específica para tuberculose, que pode variar dependendo da apresentação clínica suspeita da doença. Nesse sentido, é importante notar que quanto maior for o grau de imunossupressão, maior a probabilidade de manifestações atípicas e disseminadas da tuberculose. Sendo assim, como parte da estratégia de prevenção da tuberculose entre PVHA, podemos destacar: Identificação precoce dos sintomas de TB com seu diagnóstico e instituição do tratamento oportunamente; Realização da prova tuberculínica ou IGRA anual (conforme suas indicações); Acesso oportuno ao tratamento da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis; Tratamento da ILTB para PVHA. Pessoas vivendo com HIV O tratamento da ILTB em pessoas vivendo com HIV e aids segue as mesmas recomendações estabelecidas para a população em geral e pode ser administrado na atenção primária ou em serviços especializados no tratamento do HIV. Os casos de ILTB em PVHA que iniciaram o tratamento devem ser notificados no sistema de informação de ILTB (IL-TB). A avaliação dos contatos de PVHA com tuberculose é recomendada para todas as formas clínicas da doença. Ressalta-se que o tratamento da ILTB em PVHA a ser prescrito deve estar de acordo com as possíveis interações medicamentosas com a TARV. De forma semelhante ao que ocorre com as crianças, é importante notar que a pessoa vivendo com HIV (PVHA) com tuberculose pode não ser o caso-fonte, e a avaliação de contatos possibilitaria identificar outras pessoas com a doença. Caso o diagnóstico da tuberculose em PVHA tenha sido realizado em um serviço especializado, recomenda-se que seja conduzida a avaliação de contatos por uma O início imediato da TARV nas PVHA é também uma estratégia de prevenção da TB, uma vez que a terapia diminui a incidência de TB nessa população, devendo ser instituída sem demora (BRASIL, 2023). unidade de atenção primária. Além disso, é essencial que a unidade especializada estabeleça comunicação com a unidade de atenção primária para estabelecer um fluxo de informações eficiente, permitindo o acolhimento e a avaliação adequada dos contatos. Essa colaboração entre unidades de saúde é fundamental para garantir o cuidado integral e o controle da tuberculose em PVHA. Tratamento preventivo da tuberculose em PVHA Desde outubro de 2020, o Sistema de Monitoramento Clínico das pessoas vivendo com HIV e aids (SIMC) disponibiliza um módulo para monitoramento do tratamento preventivo nas PVHA com contagem de Linfócito T-CD4+ menor ou igual a 350 cél./mm³. Assim, as equipes de saúde conseguem identificar pessoas que tem indicação do tratamento preventivo, mas que não foram notificadas no Sistema de Informação para notificação das pessoas em tratamento de ILTB (IL-TB), ofertando o tratamento preventivo. Quem pode acessar? O acesso ao SIMC (https://simc.aids.gov.br/login) está disponível para profissionais das coordenações estaduais e municipais de TB e de HIV e aids e dos Serviço de Assistência Especializada (SAE) que atendem PVHA em todo o Brasil, e que compartilham responsabilidades na assistência e no monitoramento clínico- epidemiológico. Todas as PVHA com linfócitos T-CD4+ menor ou igual a 350 cél./mm³ possuem recomendação para iniciar o tratamento preventivo da tuberculose. Não há necessidade de realização de prova tuberculínica (PT) ou IGRA; no entanto, deve-se excluir a hipótese diagnóstica de tuberculose ativa (Nota Informativa nº 11/2018 - DCCI/SVS/MS). https://simc.aids.gov.br/login Para os serviços de TB, solicitar por email (simc@aids.gov.br) Com as seguintes informações: nome completo, CPF, e-mail, cargo/função e justificativapara o acesso ao módulo do GAP do tratamento da ILTB. Pro�ssionais de saúde Profissionais de saúde que apresentarem sinais ou sintomas compatíveis com a tuberculose devem passar pelos mesmos exames laboratoriais e radiografia de tórax recomendados para a população em geral. Figura 21. Profissional de saúde. Fonte: Brasil, 2021. Até que o diagnóstico de tuberculose seja descartado ou até que o caso seja considerado não contagioso, é recomendável que o profissional de saúde com suspeita ou com confirmação de tuberculose pulmonar ou laríngea permaneça afastado de suas atividades laborais. O retorno ao trabalho dos trabalhadores de saúde com tuberculose deve ser autorizado quando: 1. Apresentarem dois resultados negativos de baciloscopia, coletados em dias diferentes, com um intervalo mínimo de 24 horas, após pelo menos quinze dias de tratamento; e �. Demonstrarem resposta positiva ao tratamento da tuberculose com melhora clínica e bacteriológica. É importante ressaltar que a investigação da infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis em profissionais de saúde deve ser realizada nos exames admissionais e periódicos, geralmente realizados anualmente ou conforme necessário, por meio da prova tuberculínica (PT). Profissionais de outras categorias que desempenham funções em instituições com risco aumentado de transmissão de tuberculose, como no sistema prisional, também devem passar por exames admissionais e periódicos para investigar a presença de infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis. No infográfico a seguir, você encontrará mais informações sobre casos de tuberculose em profissionais da área de saúde. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. Coleta e análise de dados clínicos e epidemiológicos Os dados coletados devem ser registrados, consolidados e analisados pela unidade de saúde, bem como pelos níveis municipal, estadual e federal do sistema de saúde. Os casos de tuberculose notificados e registrados no Sinan contribuem para a formação de um banco de dados que pode ser exportado no formato de arquivo de banco de dados (database file). Os dados coletados no Site-TB e no IL-TB são exportados no formato .xls (Excel) e podem ser analisados utilizando ferramentas disponíveis para os usuários desses dois sistemas. A partir desses dados, torna-se possível analisar indicadores operacionais e epidemiológicos essenciais para entender o perfil epidemiológico da tuberculose e da ILTB no país. Além disso, esses dados são valiosos para o monitoramento e Figura 22. Tuberculose em profissionais da saúde. avaliação das ações de controle da tuberculose, auxiliando na tomada de decisões e no aprimoramento das estratégias de combate à doença. Investigação de óbitos A tuberculose (TB) é uma doença de notificação compulsória, o que significa que todos os casos de TB devem ser obrigatoriamente notificados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Um paciente que venha a óbito sem que haja uma notificação prévia no Sinan é considerado um caso desconhecido para o Programa de Controle da Tuberculose. Isso levanta a presunção de que seus contatos também não foram examinados. O óbito nesse contexto é considerado um evento sentinela e é classificado como evitável. A meta estabelecida pelo Brasil para o ano de 2030 é reduzir o coeficiente de mortalidade por tuberculose para menos de 1 óbito a cada 100 mil habitantes. Os principais objetivos da vigilância em óbitos em que a tuberculose é mencionada como causa de morte incluem: Para que as informações sejam verdadeiramente úteis, é absolutamente essencial realizar regularmente análises de qualidade das bases de dados regularmente. Isso envolve veri�car a completude, consistência, detecção de duplicações e a vinculação de registros. identificar as condições individuais e de acesso aos serviços de saúde dos pacientes com tuberculose que evoluíram a óbito; identificar e examinar os contatos de casos de tuberculose que evoluíram a óbito e não foram avaliados pelos serviços de saúde; analisar e corrigir (quanti-qualitativamente) as informações do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Sistema de Informações de Tratamentos Especiais da Tuberculose (Site-TB) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM); propor medidas que possam reduzir o número de mortes por tuberculose. Critérios para inclusão do óbito com menção de tuberculose para investigação Todo óbito com menção de tuberculose, em qualquer parte do atestado de óbito, independentemente de o paciente estar ou não notificado no Sinan ou no Site-TB deve ser investigado. (BRASIL, 2023). A investigação deve ser realizada para elucidar as razões de ocorrência do óbito, com vistas a sugerir estratégias de melhoria do serviço prestado ao paciente com tuberculose. A vigilância em óbitos com menção da tuberculose deve ser conduzida em todas as unidades federadas do Brasil, por intermédio dos programas estaduais e municipais de controle da tuberculose. 1. Óbitos registrados no SIM com quaisquer menções dos seguintes CID-10: A15 ao A19 (tuberculose); J65 (pneumoconiose associada com tuberculose); O98.0 (tuberculose complicando a gravidez, o parto e o puerpério; P37.0 (tuberculose congênita). 2. Casos de tuberculose noti�cados no Sinan ou Site-TB e que apresentaram o registro da categoria óbito (por tuberculose ou outras causas) no desfecho do caso: Deve-se dar prioridade à investigação de óbitos com menção de tuberculose quando o paciente não foi notificado no Sinan. Fontes de informação para investigação do óbito com menção de tuberculose: Os métodos de investigação incluem a utilização de várias fontes de informação, tais como o Sistema de Informação de Agravos de Noti�cação (Sinan), o Sistema de Informação de Tratamentos Especiais para Tuberculose (Site- TB), prontuários médicos, registros de laboratórios, dados do Gerenciador de Ambiente Laboratorial (GAL), Instituto Médico Legal (IML), Serviço de Veri�cação de Óbito A equipe responsável pela gestão do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) manterá uma rotina de compartilhamento dos registros de óbitos que contenham qualquer menção de tuberculose com a equipe do Programa de Controle da Tuberculose. Isso será feito com o devido cuidado para preservar a privacidade e a confidencialidade das informações. Após a identificação de um óbito com menção de tuberculose no SIM, será realizada uma busca no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e no Sistema de Informação de Tratamentos Especiais para Tuberculose (Site-TB) para verificar se o indivíduo já foi notificado anteriormente e, se for o caso, atualizar os dados existentes. Instrumentos para investigação do óbito com menção de tuberculose A Ficha de investigação do óbito tem como objetivo direcionar e sistematizar a coleta de dados sobre óbitos relacionados à tuberculose, reunindo as variáveis necessárias de forma organizada. Existem dois tipos de fichas: (SVO), entrevistas com familiares e outras fontes relevantes. No Sinan e no Site-TB, é importante identi�car todos os casos de tuberculose com os desfechos de noti�cação "óbito por tuberculose" ou "óbito por outras causas". Uso em ambiente hospitalar e em serviços de urgência e emergência. Recomenda-se que o Programa de Controle da Tuberculose do município onde ocorreu o óbito estabeleça articulação com o Núcleo Hospitalar de Epidemiologia (NHE) ou com a Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), encaminhando, rotineiramente, a listagem dos óbitos com menção de tuberculose para que essa equipe resgate as informações do prontuário da pessoa falecida. Uso em outros estabelecimentos de saúde e familiares. Estimula-se o trabalho em parceria com a equipe de atenção básica pela qual o paciente era atendido ou da área de abrangência do caso. Familiares e/ou cuidadores da pessoa falecida podem contribuir com a investigação.Protocolo para vigilância do óbito com menção de tuberculose nas causas de morte Encerramos a segunda unidade de estudos! Durante esta unidade, você adquiriu conhecimento sobre os princípios essenciais da vigilância epidemiológica da tuberculose. Compreendeu a relevância da notificação de casos da doença, as etapas de investigação, o acompanhamento e o encerramento desses casos, bem como os diferentes tipos de vigilância de acordo com as características da população. Além disso, você teve a oportunidade de familiarizar-se com o fluxo de notificações e as medidas de prevenção e controle relacionadas a esse problema de saúde pública. Para obter informações adicionais sobre o Protocolo de Vigilância do Óbito com Menção de tuberculose nas Causas de Morte, você pode acessar o link a seguir. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_vigilancia_obito_mencao_tuberculose.pdf Chegamos ao final do módulo sobre tuberculose. Nesta jornada, você teve a oportunidade de aprender sobre as características da infecção por tuberculose, suas manifestações clínicas, os métodos de diagnóstico, incluindo exames bacteriológicos e laboratoriais para sua detecção. Você também explorou as opções de tratamento e estratégias para melhorar a adesão aos cuidados médicos. Além disso, compreendeu a importância da vigilância epidemiológica da tuberculose, a notificação de casos e o acompanhamento adequado desta doença. Revisar os principais pontos apresentados no módulo. Fechamento Confira no mapa mental um resumo do conteúdo que você estudou até o momento! Figura 23. Resumo do conteúdo. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. Até a próxima! BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – 7. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009. 816 p. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Xpert® MTB/RIF no diagnóstico da tuberculose pulmonar. Boletim brasileiro de avaliação de tecnologias em saúde, Brasília, ano 6, n. 16, set. 2011. 14 p. 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O risco mais elevado de desenvolver a doença ocorre nos primeiros dois anos após a primo-infecção, embora o período de latência possa se estender por muitos anos, até décadas. No entanto, uma vez infectada, a pessoa pode adoecer em qualquer momento de sua vida. Período de transmissibilidade Durante a fase bacilífera das pessoas com a forma ativa da tuberculose (pulmonar ou laríngea) é que ocorre a transmissão da doença. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. Alguns pontos relacionados à transmissão da tuberculose podem ser destacados (BRASIL, 2019b): Figura 6. Baciloscopia de escarro. Transmissão enquanto houver baciloscopia positiva: a transmissão da tuberculose continua a ser uma preocupação enquanto os resultados da baciloscopia de controle forem positivos. Isso indica a presença de bacilos infecciosos que podem ser disseminados para outras pessoas. Limitada dispersão em objetos: bacilos depositados em roupas, lençóis, copos e outros objetos têm uma capacidade limitada em se dispersarem em forma de aerossóis e, por isso, desempenham um papel menos significativo na transmissão da doença. Redução da transmissão com tratamento adequado: o início de um tratamento adequado gradualmente reduz a capacidade de transmissão da tuberculose. Após aproximadamente 15 dias de tratamento, a transmissão deve estar significativamente reduzida. No entanto, para garantir o controle da doença, é necessário que a baciloscopia seja negativa. Impacto das condições ambientais: além da virulência do bacilo, a transmissibilidade da tuberculose está relacionada às condições ambientais. Locais bem arejados e expostos à luz solar direta tendem a diminuir o risco de transmissão da doença, devido à sensibilidade do bacilo à luz solar, além de que a circulação do ar ajuda a dispersar as partículas infectantes. Suscetibilidade e vulnerabilidade Suscetibilidade é a disposição para contrair enfermidades e é caracterizada pela ausência de anticorpos para agentes infecciosos, sendo um fenômeno universal. Por outro lado, vulnerabilidade está relacionada a uma interseção complexa de fatores biológicos, sociais, políticos e culturais que impactam o processo saúde- doença de indivíduos e comunidades. No contexto da tuberculose, a suscetibilidade à infecção é praticamente universal. No entanto, para a maioria dos casos, após a primo-infecção, os bacilos permanecem em estado de latência, não progredindo para a doença ativa. Essa condição é conhecida como infecção latente pelo M. tuberculosis (ILTB), que pode ser identificada, na maioria das vezes, por meio da prova tuberculínica (PT) ou pelo teste de liberação de interferon-gama (IGRA) (BRASIL, 2022b). Fonte: STUDIO P. Pneumology Consultation Concept. Black male general practitioner examining coughing female patient in modern clinic, using stethoscope, listening lungs from the back. Medicine And Healthcare Shutterstock, Inc, 2023. Disponível em: https://www.shutterstock.com/image-photo/pneumology- consultation-concept-black-male-general-2126208773. Acesso em: 05 dez. 2023. O adoecimento pode ocorrer devido à reativação dos bacilos latentes, conhecida como infecção pós primaria ou secundaria, ou como resultado de uma nova infecção. O desenvolvimento da tuberculose ativa depende de uma interação complexa entre fatores relacionados ao patógeno, ao ambiente, ao tempo de exposição à fonte infecciosa e às condições imunológicas do hospedeiro, incluindo fatores como idade e situações que possam causar imunossupressão (BRASIL, 2021b). A tuberculose é uma doença in�uenciada por fatores biológicos, como a virulência do patógeno e a resposta imunológica do Figura 7. Avaliação pelo profissional de saúde. https://www.shutterstock.com/image-photo/pneumology-consultation-concept-black-male-general-2126208773 As desigualdades sociais e as condições precárias de vida não apenas contribuem para o aumento do número de casos de tuberculose, mas também para a maior mortalidade relacionada à doença, apesar da disponibilidade de tratamento pelo SUS. Os determinantes sociais da vulnerabilidade impactam significativamente no acesso aos serviços de saúde, no diagnóstico precoce, na continuidade do tratamento e representam os principais desafios para o controle da doença, mais até do que os determinantes biológicos. hospedeiro. Entretanto, não se limita a essas condições. Em grande medida, a maior incidência da doença está intrinsecamente relacionada às condições de vulnerabilidade social que prevalecem em muitas regiões do Brasil e do mundo. A tuberculose, devido à sua natureza multifatorial e multideterminada, demanda atenção especial em determinados momentos da sua história natural, bem como em ambientes e populações em situação de maior vulnerabilidade para seu desenvolvimento. Isso inclui: população privada de liberdade (PPL); Para obter informações mais detalhadas e aprofundadas sobre o tema, recomenda- se consultar o Guia de Vigilância em Saúde. Lá, você encontrará informações adicionais e recursos que podem enriquecer seu entendimento sobre a tuberculose e suas estratégias de prevenção e controle. Guia de Vigilância em Saúde. CLIQUE AQUI Manifestações clínicas e complicações da tuberculose Agora, vamos examinar mais de perto as manifestações clínicas e as possíveis complicações associadas à tuberculose pulmonar e extrapulmonar. população em situação de rua (PSR); população indígena; pessoas com HIV e aids; pro�ssionais de saúde. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_v2_6ed.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_vigilancia_saude_v2_6ed.pdf Manifestações clínicas A apresentação pulmonar bacilífera da tuberculose é a mais comum e a mais preocupante para a saúde pública, pois é responsável por manter a cadeia de transmissão. Ela se manifesta por sinais e sintomas que envolvem, dentre outros, a tosse prolongada, conforme descrito no guia de referência (BRASIL, 2019b). O Sintomático Respiratório (SR) é a pessoa, na população geral, que apresenta tosse por ≥ 3 semanas. Em populações com maior risco de adoecimento (PPL, PSR, população indígena e PVHAs), considera-se tosse a qualquer tempo. No entanto, a doença pode afetar diferentes órgãos, resultando em manifestações clínicas específicas que variam de acordo com o órgão acometido, a idade e o estado imunológico do indivíduo. Essa forma de apresentação da tuberculose é conhecida como tuberculose extrapulmonar (BRASIL, 2021b). Tuberculose Pulmonar A principal manifestação clínica da tuberculose pulmonar em adultos é a tosse persistente seca ou produtiva. Ela pode estar acompanhada de outros sinais e sintomas sugestivos da doença, como: febre vespertina; sudorese noturna; emagrecimento; cansaço. As manifestações da tuberculose pulmonar estão associadas ao tipo de apresentação da doença, que pode ser primária, pós-primária (ou secundária) e miliar. A seguir, vamos explorar as principais características de cada uma delas. Figura 8. Principais características da tuberculose pulmonar primária, pós-primária e miliar. Primária Se dá logo após o primeiro contato do indivíduo com o bacilo. É mais comum em crianças. As manifestações clínicas são insidiosas: irritação, febre baixa, sudorese noturna e perda de apetite. Nem sempre a tosse está presente nessa fase da doença. O exame físico pode ser inexpressivo. Pós-primária ou secundária Pode ocorrer em qualqueridade, mas é mais comum no adolescente e no adulto jovem. Tem como característica principal a tosse seca ou produtiva. A expectoração pode ser purulenta ou mucoide, com ou sem sangue. Presença de febre vespertina (≤ 38,5 ºC), sem calafrios, sudorese noturna, anorexia. O exame físico apresenta fácies de doença crônica e emagrecimento, bom estado geral e, na ausculta pulmonar, pode apresentar diminuição do murmúrio vesicular, sopro anfórico ou mesmo normal. MIliar Aspecto radiológico pulmonar específico: pode ocorrer na forma primária e na forma secundária da TB. É considerada a forma grave da doença, mais comum em pacientes imunocomprometidos. A apresentação clínica pode ser aguda ou subaguda. Ocorrência mais frequente em crianças e adultos jovens. Presença de febre, astenia (fraqueza), emagrecimento e tosse ocorrem em 80% dos casos. Os achados do exame físico podem incluir hepatomegalia (em cerca de 35% dos casos), alterações do sistema nervoso central (em aproximadamente 30% dos casos) e, embora menos comuns, também podem ocorrer alterações cutâneas, como lesões do tipo eritemato- máculo-pápulo-vesiculosas. Fonte: Brasil, 2011. Tuberculose Extrapulmonar A tuberculose extrapulmonar pode se manifestar de diversas formas, apresentando manifestações sistêmicas ou isoladas, dependendo do órgão acometido. Alguns dos tipos mais frequentes de tuberculose extrapulmonar incluem: Tuberculose pleural ou empiema pleural tuberculoso; Tuberculose ganglionar periférica; Tuberculose meningoencefálica; Tuberculose pericárdica; Tuberculose óssea; Tuberculose renal; Tuberculose ocular; Tuberculose peritoneal. Abaixo, estão listadas as manifestações clínicas nos principais casos de tuberculose extrapulmonar: TB pleural – É a forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas não infectadas pelo HIV, afetando principalmente os jovens. Importante A tuberculose extrapulmonar é mais comum em situações de imunocomprometimento grave, como em pessoas vivendo com aids, onde o sistema imunológico está enfraquecido. Manifestações clínicas: dor torácica do tipo pleurítica; tríade astenia + emagrecimento + anorexia, ocorre em 70% dos pacientes; febre com tosse seca, em 60% dos pacientes; dispneia nos casos mais arrastados. O líquido pleural apresenta exsudato, predomínio de linfócitos, baixo rendimento tanto da pesquisa de BAAR (PARA TUBERCULOSE (TRM-TB) 2 Atenção: uma baciloscopia negativa sozinha não é capaz de descartar TB ativa, devido à sua sensibilidade. Quadro 2. Leitura e interpretação dos resultados da baciloscopia. O Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB) é uma técnica de amplificação de ácidos nucleicos utilizada para detecção do DNA do complexo M. tuberculosis e triagem de cepas resistentes ao tratamento com rifampicina. Essa técnica utiliza a reação em cadeia da polimerase em tempo real (RT_PCR), e é indicada para o diagnóstico de tuberculose pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes. Uma das apresentações desse teste é conhecida como GeneXpert® e está disponível no SUS. Sua utilização deve seguir algoritmos estabelecidos para orientar o diagnóstico da tuberculose. Existem três algoritmos disponíveis para o uso do TRM- TB. Veja a seguir. Figura 9. Algoritmos para uso de TRM-TB. Fonte: BRASIL 2022a. A sensibilidade do Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB) em amostras de escarro de adultos é de cerca de 90%, o que é superior à baciloscopia. No entanto, em crianças, a sensibilidade é de aproximadamente 66%. É importante destacar que o TRM-TB também é capaz de detectar a resistência à rifampicina com uma sensibilidade de 95%. O Teste Rápido Molecular para Tuberculose (TRM-TB) tem várias indicações: O diagnóstico de casos novos de TB pulmonar e extrapulmonar (amostras recomendadas); A triagem de resistência à rifampicina nos casos de retratamento, falência ao tratamento da TB ou suspeita de resistência. Observação: O TRM-TB não detecta MNT e, para o acompanhamento do tratamento da TB, deve-se realizar baciloscopia. TRM-TB pode detectar bacilos mortos ou inviáveis e não deve ser utilizado para diagnóstico nos casos de retratamento (reingresso após interrupção do tratamento e recidivas). Nesses casos, o diagnóstico deve ser feito com baciloscopia de escarro e cultura para micobactérias, seguida do teste de sensibilidade antimicrobiano (TS) para verificação de resistência aos fármacos, e o TRM-TB poderá ser utilizado apenas para triagem da resistência à rifampicina (Brasil, 2019b). É importante que a baciloscopia e/ou TRM-TB mais a cultura sejam realizadas na mesma amostra de escarro. Caso o volume seja insuficiente, pode-se solicitar nova coleta para garantir a cascata de diagnóstico laboratorial da tuberculose. Amostras de crianças também podem passar pelo processo de análise com o TRM-TB. No entanto, é fundamental ter em mente que um resultado negativo não elimina a possibilidade de a criança estar com a doença. Amostras recomendadas para realização do TRM-TB em casos de TB Amostras Pulmonares: escarro; escarro induzido; lavado broncoalveolar; lavado gástrico. Amostras Extrapulmonares: líquido cefalorraquidiano; linfonodos (punção ou macerado); maceração de tecidos; líquido sinovial; líquido peritoneal; líquido pericárdico; líquido Pleural; urina. É importante destacar que a sensibilidade do TRM-TB em amostras de crianças é geralmente mais baixa do que em amostras pulmonares de adultos. Portanto, se um resultado for negativo, isso não deve excluir a suspeita de tuberculose, e a investigação deve ser mantida com base na suspeita clínica. Os resultados do TRM-TB podem ser consultados na tabela a seguir para orientar o diagnóstico e o tratamento adequados. Quadro 4. Interpretação dos resultados do TRM-TB. Fonte: BRASIL, 2022a. Observações: Considerações sobre o Resultado TRAÇOS no TRM-TB CULTURA PARA MICOBACTÉRIA Esse é o método padrão-ouro para o diagnóstico da tuberculose. A cultura de micobactérias é um método altamente sensível e específico no diagnóstico da tuberculose. Em amostras de material respiratório, ela possui uma sensibilidade de aproximadamente 80% e uma especificidade superior à 99% (BRASIL, 2022b). Nos casos de tuberculose pulmonar com baciloscopia negativa, a cultura de escarro pode aumentar em até 30% o diagnóstico bacteriológico da doença, tornando-a valiosa para confirmar casos suspeitos. No entanto, em casos de suspeita de tuberculose extrapulmonar, existem algumas considerações a serem feitas. Na tuberculose pleural, a cultura de micobactérias detectados “traços” em resultado: pouquíssimos bacilos na amostra; resistência à rifampicina: não é avaliada, pouca quantidade de DNA na amostra, o que fornece resultado “indeterminado” para resistência; em pessoas vivendo com o HIV e aids, em crianças menores de 10 anos e nos casos de suspeita de TB extrapulmonar: o resultado “traços” é considerado su�ciente para iniciar o tratamento da TB. As amostras paucibacilares (com pouca bactéria) nesses grupos, incidem no alto risco dessas populações desenvolverem casos graves de TB; para as demais populações: resultado “traços” é considerado inconclusivo. É recomendada coleta de outras amostras para TRM-TB ou a realização de outros métodos para a con�rmação do diagnóstico. apresenta um baixo rendimento, com menos de 15% de positividade. Em contraste, no empiema tuberculoso, a cultura tem um rendimento elevado. A identificação da espécie micobacteriana é realizada por meio de métodos bioquímicos e fenotípicos ou por técnicas moleculares, dependendo da disponibilidade e dos recursos laboratoriais. O tempo necessário para detectar o crescimento bacteriano varia de acordo com o meio de cultura. Em meios sólidos, pode levar de 14 a 30 dias até oito semanas, enquanto em meios líquidos, o resultado pode ser obtido em 5 a 12 dias quando positivo e até 42 dias quando negativo. É importante estar ciente das recomendações do Ministério da Saúde em relação à realização de culturas para micobactérias, pois elas podem variar dependendo da situação clínica e epidemiológica. • Todo caso com diagnóstico de TB por meio de TRM-TB deverá realizar cultura e TS independentemente de apresentar ou não resistência à rifampicina. • Todo caso com suspeita de TB com TRM-TB negativo, com persistência do quadro clínico, deverá realizar cultura e TS. Os exames complementares desempenham um papel fundamental no diagnóstico da tuberculose, e dois dos principais são o exame radiológico (RX tórax) e o exame histopatológico. O exame radiológico, conhecido como RX tórax, é a escolha principal na avaliação inicial e no acompanhamento da tuberculose pulmonar. Ele tem vários objetivos essenciais, como a exclusão de outras doenças pulmonares associadas, a avaliação da extensão do acometimento pulmonar e o monitoramento radiológico durante o tratamento. Já a tomografia de tórax também pode ser utilizada, sendo mais sensível para identificar alterações anatômicas dos órgãos ou tecidos comprometidos. Ela é indicada na suspeita de tuberculose pulmonar quando o raio-x é normal, além de ser útil para diferenciar a tuberculose de outras doenças torácicas, especialmente em pacientes imunossuprimidos. O diagnóstico da doença será realizado por meio da baciloscopia, sendo duas amostras de escarro, com cultura a ser realizada independentemente do resultado da baciloscopia para todos os casos com suspeita de TB. A cultura deve ser realizada em apenas uma das amostras coletadas. A tabela a seguir apresenta os achados radiológicos comuns e sua classificação, fornecendo uma referência útil para o diagnóstico e acompanhamento da tuberculose pulmonar. Quadro 5. Classificação dos achados radiológicos da tuberculose pulmonar descritas na notificação. Fonte: BRASIL, 2019b. A seguir, apresentamos as principais alterações sugestivas de tuberculose ativa que podem ser identificadas por meio da tomografia de tórax. Quadro 6. Alterações sugestivas de tuberculose ativa ou sequela de tuberculose em tomografia computadorizada de tórax. Fonte: BRASIL, 2019b. Outra forma de diagnóstico é o histopatológico. Esse método é empregado na investigação das formas pulmonares e extrapulmonares. Sendo utilizados fragmentos dos tecidos acometidos pelo M. tuberculosis.Nesse tipo de diagnóstico, os principais achados incluem: 1. Lesão histopatológica típica na tuberculose pulmonar: essa lesão é caracterizada pela presença de granuloma com necrose caseosa. 2. Granulomas não necróticos: em alguns casos, especialmente em pacientes com sistema imunológico enfraquecido, os granulomas podem não apresentar necrose. Essa situação ocorre quando a reação inflamatória não é completa. Podem ser identificadas doenças granulomatosas pulmonares e sistêmicas que cursam com granulomas não necróticos: silicose (causada pela exposição à sílica), certas infecções fúngicas (micoses) e a sarcoidose, que é uma doença autoimune. A realização de uma biópsia pleural, quando indicada, pode revelar a presença de granulomas em uma porcentagem significativa de casos de tuberculose pleural (50 - 97%). Além disso, as culturas de amostras obtidas por biópsia pleural podem ser positivas em uma proporção considerável de pacientes (40 - 80%). Além disso, é importante destacar que as micobactérias não tuberculosas (MNTs) podem manifestar quadros clínicos que se assemelham aos da tuberculose, sendo necessário realizar culturas com identificação específica da espécie para um diagnóstico diferencial preciso. Para realizar um diagnóstico diferencial adequado, é fundamental considerar as seguintes situações em que as micobactérias não tuberculosas (MNTs) podem ser uma possibilidade: Sempre que houver imagens radiológicas pulmonares que mostrem cavidades com paredes finas. Nos casos em que não houver melhora clínica mesmo após o uso adequado do esquema básico para o tratamento da tuberculose, desde que tenha sido excluída a possibilidade de tuberculose resistente. Quando a baciloscopia de escarro continuar positiva após o segundo mês de tratamento, desde que tenha sido afastada a possibilidade de tuberculose resistente. Em situações de retratamento, quando a baciloscopia for positiva e o teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) for negativo. Para obter informações mais detalhadas sobre o diagnóstico da tuberculose, incluindo os métodos e algoritmos utilizados no Brasil, recomenda-se consultar o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil CLIQUE AQUI https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_recomendacoes_controle_tuberculose_brasil_2_ed.pdf Medidas de prevenção e controle da tuberculose Para efetivamente controlar a tuberculose, é essencial implementar uma série de ações programáticas, que envolvem a imunização, o diagnóstico precoce de casos suspeitos, o tratamento adequado e tratar os casos de ILTB com risco de adoecimento. A seguir, apresentam-se as principais estratégias adotadas para o controle dessa doença no Brasil. Imunização com BCG A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) tem sido utilizada desde a década de 1920 e é especialmente eficaz na prevenção das formas graves da tuberculose, como a TB miliar e meníngea em crianças. Essa vacina é composta por uma cepa viva e atenuada do Bacilo de Calmette-Guérin. No entanto, é importante ressaltar que a BCG não oferece proteção contra o desenvolvimento da doença em indivíduos já infectados pelo M. tuberculosis, nem previne a reativação endógena ou a reinfecção exógena. Indicações A vacina BCG está indicada prioritariamente para os seguintes grupos: crianças de 0 a 4 anos, 11 meses e 29 dias de idade; recém-nascidos com peso igual ou superior a 2 kg, que devem ser vacinados o mais precocemente possível, de preferência na maternidade, logo após o nascimento; crianças expostas ao HIV: administrar ao nascer ou o mais precocemente possível; até 4 anos, 11 meses e 29 dias que chegam ao serviço ainda não vacinadas. Podem ser vacinadas se forem assintomáticas e não apresentarem sinais de imunossupressão; a partir dos 5 anos, vivendo com HIV, a vacina BCG não é indicada, mesmo que sejam assintomáticas e não apresentem sinais de imunossupressão. É importante destacar que a revacinação com a BCG não é indicada, mesmo na ausência de cicatriz vacinal (vide exceção no box abaixo). Por outro lado, a BCG é contraindicada nos seguintes casos: crianças com neoplasias malignas; crianças em tratamento com corticosteroides em dose elevada (Prednisona 2 mg/kg/dia, para crianças até 10 kg de peso ou de 20 mg/dia, ou mais, para indivíduos acima de 10 kg de peso) por período superior a duas semanas; crianças em uso de outras terapias imunossupressoras. A vacinação com BCG deve ser adiada mediante alguns critérios, que incluem: recém-nascidos que são contatos de indivíduos bacilíferos com tuberculose: a vacinação deve ser realizada após o tratamento da tuberculose ou da quimioprofilaxia primária. até três meses após o uso de imunossupressores ou corticosteroides em dose elevada; A partir dos cinco anos de idade, nenhuma pessoa deve ser vacinada com BCG (mesmo pro�ssionais de saúde e/ou grupos com maior vulnerabilidade), com exceção das pessoas que são contatos de casos de hanseníase. recém-nascidos com menos de 2 Kg de peso, devendo ser adiada até que atinjam esse peso; casos de hospitalização com comprometimento do estado geral: até a resolução do quadro clínico. O esquema vacinal da BCG envolve a administração intradérmica, na inserção inferior do músculo deltoide direito, e pode ser administrado simultaneamente com as demais vacinas do calendário nacional. Evolução da lesão vacinal A evolução da lesão vacinal ocorre da seguinte forma: Após 3-4 semanas: desenvolvimento de um nódulo local. Entre 4-5 semanas: o nódulo evolui para uma pústula que, em seguida, evolui para uma úlcera (ferida aberta) de 4 a 10 mm de diâmetro. Entre 6-12 semanas: formação de uma crosta (ferida com casca em processo de cicatrização). É importante observar que em pessoas previamente sensibilizadas com o Mycobacterium tuberculosis, a evolução pode ser mais rápida, resultando em cicatrizes maiores. Além disso, o aparecimento de um aumento nos gânglios É importante registrar a presença de cicatriz vacinal ou a palpação de um nódulo no músculo deltoide direito (na ausência de cicatriz) no cartão de vacinação. linfáticos axilares não supurados pode ocorrer, mas geralmente desaparece espontaneamente (BRASIL, 2019a). Identi�cação de Infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis (ILTB) Pessoas infectadas pelo M. tuberculosis que não apresentam tuberculose ativa são identificadas como portadoras de ILTB. O tratamento da ILTB é uma estratégia crucial para prevenir o desenvolvimento da doença em grupos de maior risco, como pessoas que tiveram contato com casos de tuberculose, aquelas vivendo com HIV e outros indivíduos com imunidade comprometida. A decisão de iniciar o tratamento para ILTB depende do resultado da PT (Prova Tuberculínica) ou do IGRA (Ensaio de Liberação de Interferon-Gama), da idade do paciente, da probabilidade de ter ILTB e do risco de desenvolver a tuberculose ativa. Às vezes, trata-se a ILTB sem a PT ou a IGRA. Detecção de casos de tuberculose Os casos de tuberculose pulmonar representam grandes desafios para a saúde, devido ao seu potencial de causar morbimortalidade e ao papel fundamental que Observação importante: em cerca de 10% dos vacinados, não ocorre a formação da cicatriz pós-vacinal ou pode haver uma reação discreta (WHO, 2018). Nesses casos, não é recomendada a revacinação, uma vez que essas pessoas são consideradas imunizadas normalmente. A formação da cicatriz não é o único indicativo de proteção conferida pela vacina BCG. desempenham na cadeia de transmissão da doença. Portanto, garantir o acesso aos serviços de saúde, bem como o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, são medidas essenciais para o controle da tuberculose. As principais ações para o controle da tuberculose incluem: realizar o diagnóstico e o tratamento corretos e imediatos dos casos de TB pulmonar; identificar precocemente os pacientes doentes e iniciaro tratamento adequado para interromper a cadeia de transmissão da doença; realizar a busca ativa de sintomáticos respiratórios, ou seja, procurar ativamente por pessoas que apresentem sintomas respiratórios sugestivos de tuberculose; realizar busca passiva de casos, ou seja, atender prontamente aos indivíduos que procuram os serviços de saúde com sintomas respiratórios. Estratégias que podem melhorar a adesão ao tratamento A adesão ao tratamento é uma das ações fundamentais para melhorar os resultados clínicos e epidemiológicos da tuberculose. Essa adesão está relacionada a diversas características demográficas, sociais e ao estilo de vida das pessoas, bem como à forma como elas lidam com o diagnóstico, percebem a doença e enfrentam os desafios do tratamento. Portanto, é necessário considerar uma abordagem que leve em conta esses condicionantes, promovendo o acolhimento, o estabelecimento de vínculo e a implementação de estratégias diversificadas e dialogadas entre os usuários e os profissionais de saúde, a fim de garantir a continuidade do tratamento. Dentre as estratégias que podem melhorar a adesão ao tratamento da tuberculose, destacam-se: acolhimento; Tratamento Diretamente Observado (TDO); Projeto Terapêutico Singular (PTS); atitude da equipe; organização do serviço. A adesão ao tratamento da tuberculose é fundamental desde o início e ao longo do seguimento terapêutico. Existem várias abordagens que podem ser empregadas para garantir a adesão dos pacientes, incluindo o Tratamento Diretamente Observado (TDO), a identificação e busca ativa de pacientes que faltam às consultas e a reintegração ao tratamento. É importante destacar que a não adesão ao tratamento da tuberculose tem várias consequências significativas, tanto para o paciente quanto para a comunidade em geral: diminui possibilidade de cura; mantém a cadeia de transmissão; aumenta o risco de resistência aos medicamentos; aumenta o risco de óbitos por tuberculose. Portanto, estratégias que visam melhorar a adesão ao tratamento da tuberculose são essenciais. Além das mencionadas, o acolhimento e as ações de proteção social desempenham um papel importante ao abordar as necessidades do paciente de maneira integral, considerando fatores sociais, emocionais e econômicos que podem afetar a adesão. Figura 10. Abordagem humanizada. Fonte: Elaborado pelo autor, 2023. É essencial que as orientações oferecidas aos pacientes contemplem as características clínicas da doença e do tratamento que eles receberão. Além disso, é crucial informar sobre as potenciais consequências do uso irregular dos medicamentos e fornecer orientações detalhadas sobre eventuais efeitos adversos que possam surgir durante o tratamento. Ações de proteção social A oferta de proteção social à pessoa com tuberculose é uma ação importante que pode influenciar positivamente tanto na adesão quanto no desfecho do tratamento. Acolhimento Para obter informações mais detalhadas sobre a atuação do Sistema Único de Assistência Social (Suas) em articulação com o SUS no enfrentamento da tuberculose, é possível consultar a Instrução Operacional Conjunta nº 1, que fornecerá diretrizes e orientações específicas sobre essa colaboração essencial para o controle da doença. Instrução Operacional Conjunta nº 1 Deve-se implementar estratégias de integração entre a Rede de Atenção à Saúde e a Rede Socioassistencial para garantir que as pessoas com tuberculose tenham acesso aos programas sociais do governo federal (por meio do Cadastro Único) ou a benefícios disponíveis localmente, além de acesso aos serviços socioassistenciais de Proteção Básica e de Proteção Social Especial. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-operacional-conjunta-n-1-de-26-de-setembro-de-2019-218824329 Guia Orientador: Promoção da Proteção Social para as Pessoas Acometidas pela Tuberculose Populações especiais O controle eficaz da tuberculose demanda a compreensão de condicionantes sociais que aumentam a vulnerabilidade ao adoecimento. Existem populações específicas que enfrentam um risco maior de contrair a doença, incluindo: A seguir, conheça mais sobre a relação da TB com cada um desses grupos. pessoas vivendo com HIV (PVHA); pessoas privadas de liberdade (PPL); população em situação de rua (PSR); população indígena; profissionais de saúde; usuários de álcool e outras drogas; pessoas com Diabetes Mellitus; tabagistas. https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/tuberculose/guia-orientador-promocao-da-protecao-social-para-as-pessoas-acometidas-pela-tuberculose.pdf/view https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/tuberculose/guia-orientador-promocao-da-protecao-social-para-as-pessoas-acometidas-pela-tuberculose.pdf/view Pessoas vivendo com HIV (PVHAs) – Esse grupo enfrenta um risco significativamente maior de desenvolver tuberculose ativa devido à imunossupressão causada pelo HIV. A tuberculose é uma das principais causas de morte em PVHAs e representa uma das principais doenças oportunistas associadas ao HIV. Atividades programáticas recomendadas PVHAs devem ser sistematicamente testadas e tratadas para infecção latente pelo M. tuberculosis, independentemente do cenário epidemiológico em que estão inseridas; contagem de LT-CD4+ for igual ou superior a 350 cels/mm³: é recomendado realizar a prova tuberculínica ou o teste IGRA anualmente e iniciar o tratamento da ILTB quando indicado; contagem de LT-CD4+ for inferior a 350 cels/mm3, principalmente no momento do diagnóstico da infecção pelo HIV e para contatos de casos bacilíferos: o tratamento da ILTB é indicado independentemente dos resultados da prova tuberculínica ou do teste IGRA, desde que a tuberculose ativa seja descartada; busca ativa de TB em PVHAs: inclui o rastreamento de sinais/sintomas em todas as visitas das PVHAs aos serviços de saúde (tosse, febre, emagrecimento ou sudorese noturna). busca ativa da infecção pelo HIV em todas as pessoas com tuberculose e seus contatos: deve-se oferecer a testagem do HIV a todas as pessoas com a TB confirmada por exames bacteriológicos (baciloscopia, TRM-TB ou cultura) ou definida por critério clínico, e aos contatos de casos de TB. Além disso, os contatos de casos de tuberculose também devem ser testados para o HIV. O teste rápido para o HIV é o método de eleição para essa triagem. tratamento da Infecção Latente pelo M. tuberculosis (ILTB) em PVHAs: segue as mesmas recomendações definidas para a população geral. Prevenção da Tuberculose em PVHAs A OMS (2020) intensifica os esforços e indica diretrizes para expandir o acesso ao tratamento preventivo da TB, especialmente entre as PVHAs. Entre as recomendações, podem ser citadas: rastreio da TB, controle de infecção, prevenção e cuidados com HIV; acesso à saúde universal, cuidados, proteção social e redução da pobreza; monitorar o progresso e definir uma meta global para alcançar 90% de cobertura de TPT entre as PVHAs. Tratamento da Tuberculose em PVHAs É altamente recomendado que o tratamento da tuberculose em pessoas vivendo com HIV (PVHAs) seja conduzido em uma única unidade de saúde, proporcionando uma assistência integral pela mesma equipe de saúde. Essa abordagem permite um melhor gerenciamento das interações medicamentosas e dos eventos adversos associados a ambos os tratamentos. Além disso, evita a necessidade de deslocamento entre diferentes serviços de saúde reduz significativamente a probabilidade de abandono do tratamento. O tratamento da tuberculose em PVHAs segue o mesmo padrão estabelecido para a população em geral, garantindo a uniformidade e a eficácia do protocolo terapêutico. Início da TARV em diagnóstico simultâneo HIV/TB O tratamento para tuberculose deverá ser instituído imediatamente e o tratamento ARV deve ser instituído simultaneamente ou em até uma semana para PVHAs sem evidência de meningite tuberculosa (BRASIL, 2023). Pessoas privadas de liberdade (PPLs) – Representaum grave problema de saúde, com uma incidência consideravelmente maior de formas resistentes e multirresistentes da doença. Estatísticas indicam que a taxa de incidência da tuberculose na população carcerária é aproximadamente 28 vezes superior à da população em geral (BRASIL, 2016). Esses dados sugerem que a TB entre os presos está predominantemente associada à transmissão intrainstitucional massiva, que está relacionada às condições precárias de confinamento na maioria das prisões brasileiras (BRASIL, 2019a). Muitos casos de tuberculose ocorrem em celas mal ventiladas e com acesso limitado à luz solar, o que propicia o surgimento e a propagação da doença. Atividades programáticas recomendadas É essencial que as equipes de saúde tenham autonomia na definição das atividades e cuidados necessários para as PPLs e que preservem o sigilo em relação ao diagnóstico, respeitando os preceitos éticos das práticas profissionais de saúde. 1. Detecção de casos A identificação e o tratamento precoce dos casos de tuberculose são de extrema importância. Recomenda-se o seguinte: busca passiva: a partir da demanda espontânea (PPLs procura o serviço de saúde), a equipe de saúde investiga a TB; busca ativa de sintomático respiratório: deve ser realizada no momento do ingresso, entre os contatos e rastreamento de massa (“campanha”) idealmente duas vezes ao ano. Para aumentar a detecção de casos nessa população de alta prevalência, o ponto de corte para a duração da tosse a ser considerada na busca ativa de sintomáticos respiratórios é qualquer duração (BRASIL, 2019a). Ou seja, se uma pessoa apresentar tosse, independentemente de quanto tempo ela esteja tossindo, é necessário proceder à investigação diagnóstica para tuberculose. Existem dois métodos que podem ser utilizados para selecionar sistematicamente, no momento da entrada na prisão ou entre a população já encarcerada (rastreamento em massa), aqueles com maior probabilidade de ter TB: entrevistar individualmente todas as PPLs sobre a presença de tosse e/ou infecção pelo HIV, ou histórico de tratamento anterior para TB. Em caso de tosse, proceder à realização de exame bacteriológico de escarro. Na ausência de tosse, é importante orientar as PVHIV e/ou aquelas com histórico prévio de tuberculose sobre os riscos no ambiente confinado e os sintomas da TB; realizar exames radiológicos de tórax em todas as PPLs, independentemente da presença de sintomas, para identificar aquelas com quaisquer anormalidades radiológicas (pulmonares, pleurais ou mediastinais), sugestivas ou não de tuberculose. Pessoas com exames radiológicos que apresentem imagens sugestivas de tuberculose devem ser submetidas a testes de diagnóstico (TRM-TB ou baciloscopia, cultura e teste tuberculínico). 2. Busca Ativa em contatos A busca ativa em contatos no sistema prisional a partir de uma PPLs com tuberculose pulmonar ou laríngea tem como objetivos: identificar outras pessoas com tuberculose ativa, através da busca por sintomáticos respiratórios; identificar pessoas infectadas pelo HIV. Recomenda-se realizar testes de diagnóstico para tuberculose em todos os contatos que apresentem tosse, independentemente de sua duração. Sempre que possível, a radiografia de tórax deve ser realizada. Para os contatos que forem identificados como infectados pelo HIV, desde que seja descartada a presença de tuberculose ativa, deve-se iniciar o tratamento da ILTB. Não é indicada a realização da prova tuberculínica para contatos em ambiente prisional, porque devido à alta probabilidade de reinfecções em curtos espaços de tempo, a indicação de tratamento da infecção latente é questionável. 3. Diagnóstico da tuberculose pulmonar O TRM-TB (Teste Rápido Molecular para Tuberculose) é o teste diagnóstico preferido para todas as PPLs com sintomas sugestivos de tuberculose pulmonar. Ele possui alta precisão, especialmente para confirmar casos com baciloscopia negativa (STEINGART et al., 2014), e é útil para a detecção rápida da resistência à rifampicina. Para os sintomáticos respiratórios identificados, além da baciloscopia ou TRM-TB, a cultura e o teste de sensibilidade (TS) devem ser sempre realizados. Isso é particularmente importante em populações com maior vulnerabilidade, onde existe uma frequência elevada de formas multirresistentes da tuberculose na população carcerária. No caso de casos suspeitos de tuberculose com histórico de tratamento anterior, mesmo que o TRM-TB esteja disponível, a baciloscopia deve ser realizada para identificar bacilos viáveis, além da cultura com TS. Aqueles que apresentarem baciloscopia negativa, TRM-TB positivo e/ou resistência à rifampicina devem ser encaminhados para uma referência secundária para avaliação por um especialista. 4. Diagnóstico da coinfecção TB-HIV Testagem para o HIV, preferencialmente o teste rápido (TR), deve ser oferecida a todas as PPLs com diagnóstico de tuberculose, qualquer que seja a sua apresentação (pulmonar ou extrapulmonar). Tratamento da tuberculose deve ser priorizado e o início rápido da TARV deve ser instituído em 7 ou até 14 dias após o início do tratamento da TB. 5. Tratamento da TB no sistema penitenciário Pode ter início antes ou durante o encarceramento e pode ser encerrado durante ou após o livramento. Tratamento de TB nas PPLs deve ser conduzido sob o regime de Tratamento Diretamente Observado (TDO) deve ser realizado exclusivamente por profissionais de saúde capacitados para esse fim. Esse tratamento deve incluir consultas mensais, a verificação regular do peso do paciente, o que pode indicar a necessidade de ajuste nas doses dos medicamentos, e a realização de baciloscopias de controle. As frequentes transferências de PPLs entre as unidades prisionais podem representar um desafio significativo para a continuidade do tratamento da tuberculose. Para superar esse desafio, é fundamental que haja uma comunicação efetiva entre as unidades prisionais, e o prontuário de saúde do paciente deve acompanhá-lo durante as transferências para garantir a continuidade do tratamento e a manutenção de registros precisos sobre o seu estado de saúde. 6. Continuidade do tratamento após o livramento Desde o início do seu tratamento, o paciente privado de liberdade deve ter em seu poder o documento de encaminhamento para continuidade do tratamento em unidade de saúde extramuros, informando a data de início e o esquema de tratamento. Organizações da sociedade civil que mantêm contato com pacientes privados de liberdade durante o período de encarceramento podem desempenhar um papel importante, facilitando a referência desses pacientes para as estruturas de saúde extramuros após o livramento. A unidade prisional (UP) deve comunicar o livramento do paciente à vigilância epidemiológica do município. 7. Medidas para reduzir a transmissão do M. tuberculosis no contexto carcerário No contexto carcerário, em que a transmissão do M. tuberculosis pode ser mais prevalente devido às condições de confinamento, são necessárias medidas rigorosas para reduzir a disseminação da tuberculose. Algumas dessas medidas incluem: Identificação precoce e tratamento oportuno. Consideração das medidas de biossegurança relacionadas à ventilação e à iluminação natural na construção de novos presídios e na reforma dos atuais. Os espaços destinados aos serviços de saúde no interior dos presídios devem atender às normas vigentes do Ministério da Saúde. O isolamento respiratório deve ser implementado em casos específicos, como: casos identificados no momento do ingresso na prisão: isolar por um período de 15 dias após o início do tratamento antiTB; casos suspeitos ou confirmados de resistência à TB; quando ocorre a falência de tratamento. 8. Vigilância epidemiológica, monitoramento e avaliação A vigilância epidemiológica, o monitoramento e a avaliação são componentes essenciais no controle da tuberculose em ambientes prisionais. Algumas diretrizes incluem: Todos os casos de TB identificados devem ser notificadosatravés da ficha do Sistema Nacional de Agravos de Notificação (SINAN), mencionando a origem prisional do caso. Quando ocorrerem transferências de detentos entre unidades prisionais (UPs), a unidade de origem deve ser responsável por informar à unidade de destino todos os dados referentes ao diagnóstico e tratamento da TB. População em situação de rua (PSR) – As evidências destacam a preocupante situação da tuberculose entre pessoas em situação de rua e aquelas sem residência fixa. Alguns dados revelam a gravidade dessa situação: ә—. Elevadas taxas de incidência e abandono do tratamento: estudos isolados e depoimentos de profissionais de saúde indicam que a tuberculose é um problema significativo nessa população, com altas taxas de novos casos e descontinuação do tratamento. �. Cidade de São Paulo em 2013: utilizando o sistema de notificação TBweb e a variável "sem residência fixa", foi possível calcular um coeficiente de incidência de 2.138 casos por 100 mil habitantes para tuberculose nessa população. Comparando esse número com a média nacional de 38 casos por 100 mil habitantes, fica evidente que a incidência é 56 vezes maior entre as pessoas em situação de rua. �. Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) em 2008: o MDS identificou pessoas vivendo em logradouros públicos ou pernoitando em instituições como albergues, abrigos, casas de passagem, casas de apoio e igrejas. Esse dado destaca a presença significativa de pessoas sem residência fixa em diversos contextos urbanos. Atividades programáticas recomendadas: Estabelecer vínculos: o primeiro passo para a inclusão das PSRs na rede SUS é estabelecer um vínculo sólido entre os profissionais de saúde e essas pessoas. Busca ativa: os profissionais de saúde devem considerar qualquer duração da tosse ao realizar a busca ativa de sintomáticos respiratórios entre as PSRs. Coleta de amostras: é importante orientar sobre a coleta de duas amostras de escarro em dias consecutivos e oferecer a flexibilidade de fazer a coleta no momento da entrevista ou posteriormente na unidade de saúde. Exames iniciais: no primeiro contato, solicitar ou realizar exames como a baciloscopia ou TRM-TB, cultura de escarro com teste de sensibilidade e radiografias de tórax para otimizar o diagnóstico. Testagem para infecções sexualmente transmissíveis (IST): a população de PSRs está em maior risco para HIV, hepatites virais e sífilis, portanto, é fundamental oferecer testagem e orientação sobre essas DSTs. Tratamento Diretamente Observado (TDO): recomenda-se o TDO para todas as PSRs e pode ser realizado em unidades de saúde, no local de atendimento ou em equipamentos sociais por profissionais de saúde dos Consultórios na Rua, da Estratégia de Saúde da Família (ESF) e/ou das Unidades Básicas de Saúde (UBS). O TDO pode ser realizado por outros profissionais/pessoas com vínculo com usuário e com os serviços de saúde, desde que supervisionado pelo profissional da saúde semanalmente. Abstinência não deve ser imposta: profissionais de saúde não devem exigir abstinência do consumo de álcool e outras drogas como condição para acesso ao tratamento da tuberculose. Em vez disso, devem avaliar essas comorbidades em conjunto com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Tratamento da infecção latente: o tratamento da infecção latente não é prioridade, a menos que a PSR seja uma criança ou esteja vivendo com HIV. 1. Adesão ao tratamento Importante atividade para melhorar a adesão ao tratamento é a elaboração do Projeto Terapêutico Singular (PTS)/ Saúde, conjuntamente com o Plano Individual de Acompanhamento (PIA)/ Assistência Social. Identificar possíveis incentivos: restaurantes comunitários, cestas básicas e outras estratégias de segurança alimentar, inserção nos benefícios sociais e transporte público gratuito, visando a aumentar a adesão ao tratamento e evitar o abandono. A falta de documentação não se constitui como barreira de acesso aos serviços de saúde e de cadastramento do Cartão Nacional de Saúde, conforme consta na portaria nº 940, 28 de abril de 2011, que Regulamenta o Sistema Cartão Nacional de Saúde (Sistema Cartão), capítulo III, do Cadastro Nacional de Usuários do SUS. 2. Busca de pessoas que perderam o seguimento Deve-se estabelecer fluxos da rede integrada para a busca de pessoas que perderam o seguimento, envolvendo todos os parceiros envolvidos no território: vigilância em saúde das regiões, profissionais do Consultório na Rua, da UBS do território, albergues, serviços de abordagem, outros serviços sociais e da saúde. 3. Organização da Rede de Atenção Integrada às pessoas em situação de rua com tuberculose Estabelecer uma linha de cuidados: é fundamental criar uma linha de cuidados específica para as PSRs com tuberculose, com rotinas e cronogramas de ações pactuados entre profissionais de saúde e da assistência social. Isso facilita a identificação precoce dos casos e o encaminhamento adequado para o tratamento. Incluir serviços de urgência e emergência: muitas vezes, os serviços de urgência e emergência são a porta de entrada no sistema de saúde para as PSRs. É importante garantir que esses serviços estejam preparados para identificar casos suspeitos de tuberculose e encaminhá-los para avaliação e tratamento. Organizar o fluxo de envio de amostras: para agilizar o diagnóstico, é necessário estabelecer um fluxo eficiente de envio de amostras de escarro para laboratórios. Também é importante identificar as amostras dessa população para garantir a entrega rápida dos resultados. Articular com a gestão municipal de assistência social: a parceria com a gestão municipal de assistência social é essencial para a inclusão das PSRs em albergues ou outras formas de acolhimento durante o tratamento da tuberculose. Isso pode envolver a pactuação de vagas e o apoio social necessário. Identificar alternativas de acolhimento: quando não houver vagas disponíveis em albergues ou em casos de recusa em permanecer albergado, é importante identificar alternativas, como casas de apoio ou casas de acolhida. A internação por vulnerabilidade social em hospitais de longa permanência também pode ser uma opção. Promover o empoderamento e inclusão social: durante todo o processo de cuidado, é fundamental promover o empoderamento das PSRs e estimular o sentimento de pertencimento a uma comunidade e o exercício da cidadania, assegurando condições que permitam resguardar e desenvolver suas potencialidades humanas e sociais (BRASIL, 2012b). População indígena – A Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI), regulamentada pelo Decreto nº 3.156/1999 e regulamentada pela Portaria de Consolidação nº 2/2017, é uma importante iniciativa do governo brasileiro para garantir o acesso à saúde diferenciada e integral aos povos indígenas, levando em consideração suas particularidades étnicas, culturais e epidemiológicas. Essa política é coordenada pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde e está alinhada com os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). A SESAI desempenha um papel crucial na gestão do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) em todo o território nacional. Sua missão principal é proteger, promover e recuperar a saúde dos povos indígenas, considerando as características de cada um dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) do país. Em relação à tuberculose (TB) em populações indígenas, alguns dados relevantes foram apresentados: Em 2022, do total de casos novos de TB notificados no SINAN, 2,1% era de indígenas. A maioria dos casos de TB entre os indígenas estava distribuída da seguinte forma: 67,1% em áreas rurais, 22,7% em áreas urbanas e 0,3% em áreas periurbanas (SES/MS/SINAN, 2018). O coeficiente de incidência de TB na população indígena residente em territórios indígenas foi de 62,8 casos por 100.000 habitantes, enquanto na população geral foi de 35,0 casos por 100.000 habitantes.