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Prévia do material em texto

Leila Lauar Sarmento
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5a edição
Licenciada em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais. 
Professora na rede pública e em escolas particulares de Belo 
Horizonte por 35 anos. Coordenadora em escolas do Ensino 
Fundamental e Médio por 13 anos.
Leila Lauar Sarmento
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© Leila Lauar Sarmento, 2016
Coordenação editorial: Mônica Franco Jacintho, Garagem Editorial
Edição de texto: Henrique Félix, Mônica Franco Jacintho, Regiane de Cássia Thahira
Assistência editorial e preparação: Solange Scattolini
Gerência de design e produção gráfica: Sandra Botelho de Carvalho Homma
Coordenação de produção: Everson de Paula
Suporte administrativo editorial: Maria de Lourdes Rodrigues (coord.)
Coordenação de design e projetos visuais: Marta Cerqueira Leite
Projeto gráfico: Otávio dos Santos
Capa: Otávio dos Santos 
Montagem com fragmentos da Revista Galileu. Disponível em: 
. Acesso em: 28 jan. 2016.
Coordenação de arte: Patricia Costa
Edição de arte: Regine Crema
Editoração eletrônica: Essencial design
Coordenação de revisão: Elaine Cristina del Nero
Revisão: Renato Bacci, Renato da Rocha Carlos, Rita de Cássia Gorgati, 
Simone Garcia
Coordenação de pesquisa iconográfica: Luciano Baneza Gabarron
Pesquisa iconográfica: Cristina Mota e Márcia Sato
Coordenação de bureau: Américo Jesus
Tratamento de imagens: Denise Feitoza Maciel, Marina M. Buzzinaro, 
Rubens M. Rodrigues
Pré-impressão: Alexandre Petreca, Everton L. de Oliveira, Fabio N. Precendo, 
Hélio P. de Souza Filho, Marcio H. Kamoto, Vitória Sousa
Coordenação de produção industrial: Viviane Pavani
Impressão e acabamento:
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Sarmento, Leila Lauar
Oficina de redação / Leila Lauar Sarmento. – 5. ed. – 
São Paulo : Moderna, 2016. 
Obra em 4 v. para alunos de 6o ao 9o ano.
Suplementado pelo livro do professor
Bibliografia
1. Arte de escrever (Ensino fundamental) 
2. Português – Redação (Ensino fundamental) 
3. Textos (Ensino fundamental) I. Título.
16-01024 CDD-372.6
Índices para catálogo sistemático:
1. Português : Redação : Ensino fundamental 372.6
2. Redação : Português : Literatura (Ensino fundamental) 372.6
1 3 5 7 9 10 8 6 4 2
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Todos os direitos reservados
EDITORA MODERNA LTDA.
Rua Padre Adelino, 758 – Belenzinho
São Paulo – SP – Brasil – CEP 03303-904
Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 2602-5510
Fax (0_ _11) 2790-1501
www.moderna.com.br
2016
Impresso no Brasil
ISBN 978-85-16-10258-6 (LA)
ISBN 978-85-16-10259-3 (LP)
Apresentação
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O 
universo da comunicação vem se ampliando com maior dinamismo, nos 
últimos anos, para atender à demanda de seus usuários, nas mais di-
ferentes situações de interatividade. Nele estamos inseridos, exercitando 
nossa linguagem oral e escrita, até mesmo na área digital, por isso necessi-
tamos sempre assimilar novos conhecimentos e expressá-los com objetivi-
dade e competência.
A construção do pensamento — e sua exposição de forma clara e persua-
siva — constitui um dos objetivos mais perseguidos por todo aquele que al-
meja sucesso na vida profissional e, muitas vezes, pessoal. É evidente que 
a interlocução comunicativa permite o entendimento, proporciona o inter-
câmbio de ideias e nos faz refletir e argumentar com maior propriedade em 
defesa de nossos direitos e deveres como cidadãos.
A leitura e a escrita representam, sem dúvida, instrumentos valiosos 
na formação de qualquer pessoa, independentemente da área de atuação. 
Por isso nos preocupamos, nesta 5a edição, em apresentar a você um novo 
material, mais completo e atual, buscando tornar mais atraente e agradá-
vel o acesso ao domínio da expressão escrita e falada. A aprendizagem da 
tipologia e dos gêneros textuais, por exemplo, tornou-se mais abrangen-
te. Foram inseridos conhecimentos sobre semântica, estilística, atividades 
com oralidade e escrita e variações linguísticas. No estudo da textualização, 
privilegiou-se o trabalho com a coesão, a concisão e a coerência textuais. 
Também a intertextualidade e outros tópicos importantes completam o es-
tudo, visando à construção adequada do texto.
Nesta nova edição, ampliamos a exploração dos textos artísticos e visuais. 
No desenvolvimento do conteúdo dos livros do 8o e 9o anos, nós nos concen-
tramos mais no estudo dos recursos da argumentação e textos argumenta-
tivos orais e escritos, por haver maior solicitação desse tipo textual no coti-
diano e em exames.
Esta coleção é acompanhada pela MiniOficina, um caderno de ativida-
des. Os alunos terão a oportunidade tanto de revisar alguns dos conteúdos 
gramaticais abordados no 3o e 4o ciclos do Ensino Fundamental quanto de 
compreender a importância dos diferentes elementos que colaboram para 
a construção da coesão e da coerência em um texto. Além disso, as fichas 
de avaliação vão auxiliar os alunos na revisão das produções propostas em 
Oficina de redação. É com esse intuito que entregamos esta nova coleção. 
Desejamos que você folheie com interesse estas páginas e que elas façam 
florescer uma nova conquista em seus estudos.
A autora
Sumário
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UNIDADE I A narração no texto
 CAPÍTULO 1 Componentes narrativos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
 Linguagem visual: Narciso, de Caravaggio. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
 Leitura: Minhavidaémelhordoqueasua, de Marcela Buscato e Isabella Carrera . . . . . . 12
 Gênero textual: Elementos da narrativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
 A construção textual: Uniformidade de tratamento. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
 Gênero textual: As vozes do narrador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
 CAPÍTULO 2 O narrador conta os fatos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
 Leitura: Na delegacia, de Carlos Drummond de Andrade. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
 Gênero textual: Narrativa de aventura — heróis reais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
 Gênero textual: Monólogo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
 A construção textual: Concisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
 Gênero textual: Relato pessoal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
UNIDADE II O texto jornalístico
 CAPÍTULO 3 Gêneros jornalísticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
 Linguagem visual: O bibliotecário, de Arcimboldo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
 Leitura: Felicidade clandestina, de Clarice Lispector. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74
 Gênero textual: Notícia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
 Gênero textual: Reportagem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88Leia os primeiros parágrafos de um texto narrativo de Luis Fernando Verissimo.
Emergência
É fácil identificar o passageiro de primeira viagem. É o que 
já entra no avião desconfiado. O cumprimento da aeromoça, 
na porta do avião, já é um desafio para a sua compreensão.
— Bom dia... 
— Como assim?
Ele faz questão de sentar num banco de corredor, perto 
da porta. Para ser o primeiro a sair no caso de alguma coisa dar 
errado. Tem dificuldade com o cinto de segurança. Não conse-
gue atá-lo. Confidencia para o passageiro ao seu lado:
— Não encontro o buraquinho. Não tem buraquinho?
Acaba esquecendo a fivela e dando um nó no cinto. 
Comenta, com um falso riso descontraído: “Até aqui, tudo 
bem”. O passageiro ao lado explica que o avião ainda está pa-
rado, mas ele não ouve. A aeromoça vem lhe oferecer um jor-
nal, mas ele recusa.
— Obrigado. Não bebo.
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Quando o avião começa a correr pela pista antes de le-
vantar voo, ele é aquele com os olhos arregalados e a expres-
são de Santa Mãe do Céu! no rosto. Com o avião no ar, dá 
uma espiada pela janela e se arrepende. É a última espiada 
que dará pela janela. 
Mas o pior está por vir. [...]
LUIS FERNANDO VERISSIMO. Crônicas. 
São Paulo: Ática, 1992. v. 7. (Fragmento).
 
 Leia agora estas instruções:
 Imagine como esse passageiro, que tem pavor de avião, 
continuou a sua viagem. Crie um conflito que mude essa 
situação inicial, com a participação dos personagens, ou seja, 
dos outros passageiros e da tripulação.
 Assim como no texto, quem deve relatar os fatos é um 
narrador-observador, que acompanha as ações dos 
personagens sem estar presente na história.
 Faça o desenvolvimento, contando como os personagens 
tentaram solucionar o conflito. Crie o clímax, que é o momento 
de maior tensão, e, finalmente, o desfecho, em que o narrador 
relata a solução do conflito.
 Se possível, empregue uma linguagem bem-humorada como 
a de Verisssimo. Utilize linguagem informal ou coloquial, 
como ele fez.
 Empregue também o discurso direto, criando diálogos entre 
os personagens, e o discurso indireto. Relate as ações dos 
personagens e situe o tempo em que os fatos ocorrem. 
Se quiser, coloque outro título no texto.
 
Ver Ficha de avaliação 4 na MiniOficina.
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CAPÍTULO
O narrador conta 
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Leitura
 Leia a crônica do escritor mineiro Carlos Drummond 
de Andrade (1902-1987).
Na delegacia
— Madame, queira comparecer com urgência ao distrito. Seu filho 
está detido aqui. 
— Como? O senhor ligou errado. Meu filho detido? Meu filho vive há 
seis meses na Bélgica, estudando Física.
— E a senhora só tem esse?
— Bom, tenho também o Caçulinha, de dez anos.
— Pois é o Caçulinha.
— O senhor está brincando comigo. Não acho graça nenhuma. Então 
um menino de dez anos foi parar na Polícia?
— Madame vem aqui e nós explicamos.
A senhora correu ao Distrito, apavorada. Lá estava o Caçulinha, cabe-
ça baixa, silencioso.
— Meu filho, mas você não foi ao colégio? 
Que foi que aconteceu?
Não se mostrou inclinado a responder.
— Que foi que meu filho fez, seu co-
missário? Ele roubou? Ele matou?
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— Estava com um colega fazendo bagunça numa 
casa velha na Rua Soares Cabral. Uma senhora que mora 
em frente telefonou avisando, e nós trouxemos os dois para cá. 
O outro garoto já foi entregue à mãe dele. Mas este diz que não 
quer voltar para casa.
A mãe sentiu uma espada muito fina atravessar-lhe 
o peito.
— Que é isso, meu filho? Você não quer voltar para 
casa?
Continuava mudo.
— Eu disse a ele, madame — continuou o comis-
sário —, que se não voltasse para casa teria de ser entre-
gue ao Juiz de Menores. Ele me perguntou o que é o Juiz de 
Menores. Eu expliquei, ele disse que ia pensar.
— Meu filho, meu filhinho — disse a senhora, com voz 
trêmula —, então você não quer mais ficar com a gente? 
Prefere ser entregue ao Juiz de Menores?
Caçulinha conservava-se na retranca. O policial condu-
ziu a senhora para outra sala. 
— O que esses garotos estavam fazendo é muito peri-
goso. Brincavam de explorar uma casa abandonada, onde à 
noite dormem marginais. Madame compreende, é preciso 
passar um susto nos dois.
A senhora voltou para perto de Caçulinha, transformada:
— Sai daí já, seu vagabundo, e vamos para casa.
O mudo recuperou a fala:
— Eu não posso voltar, mãe.
— Não pode? Espera aí que eu te dou um não-pode.
E levou-o pelo braço, ríspida. Na rua, Caçulinha tentou negociar.
— A senhora me deixa passar na Soares Cabral? Deixando, eu volto direito para 
casa, não faço mais besteira.
— Passar na Soares Cabral, depois desse vexame? Você está louco.
— Eu preciso, mãe. Tenho de pegar uma coisa lá.
— Que coisa?
— Não sei, mas tenho de pegar. Senão me chamam de covarde. Aceitei o de-
safio dos colegas, e se não trouxer um troço da casa velha para eles, fico desmora-
lizado.
— Que troço?
— O pessoal diz que lá dentro tem ferros de torturar escravos, essas coisas de 
antigamente. Eu e o Edgar estávamos procurando, ele mais como testemunha, eu 
como explorador. Mãe, a senhora quer ver seu filho sujo no colégio, quer? Tenho de 
levar nem que seja um pedaço de cano velho, uma fechadura, uma telha.
A mãe estacou para pensar. Seu filho sujo no colégio? Nunca. Mas, e o perigo 
dos marginais? E a polícia? E seu marido? Vá tudo para o inferno. Tomou uma reso-
lução macha e disse para Caçulinha:
— Quer saber de uma coisa? Eu vou com você à Soares Cabral.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. As palavras que ninguém diz. 
Rio de Janeiro: Record, 1999. p. 71-74. 
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 Análise do texto
1 Assim como o texto “Dona Custódia”, de Fernando Sabino, estudado 
no capítulo anterior, a narrativa lida é uma crônica que focaliza um fato 
do cotidiano. Explique se os fatos narrados nesse texto são reais ou 
imaginários e justifique sua resposta.
2 Como se trata de uma crônica, o texto de Drummond apresenta como 
elementos um enredo curto, com poucos personagens, cuja ação 
se desenvolve num determinado ambiente, durante um período de 
tempo limitado. Para comprovar essa afirmação, identifique esses 
elementos no texto.
3 No início da narrativa, a mãe se surpreende com o telefonema do 
delegado e questiona a informação que ele lhe passa. O fato de 
ser um menino de dez anos o possível infrator faz com que a mãe 
desconsidere essa possibilidade. Ainda hoje, você acha que os 
pais teriam a mesma reação da mãe de Caçulinha? Seria possível 
um menino ser detido e mandado para uma delegacia? Troque 
ideias com os colegas e exponha seus argumentos.
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Enredo: O comissário chama à delegacia a mãe de Caçulinha, um garoto de dez anos que foi detido e não que voltar para casa. Com dificuldade, 
depois de sair da delegacia, a mãe descobre o trato do filho com os colegas e decide ajudá-lo. Personagens: Caçulinha, sua mãe e o comissário 
(principais); o amigo Edgar, a mãe dele e a senhora que telefonou à polícia (secundários). Tempo: Caçulinha deveria estar na escola, portanto 
devia ser de dia, e a ação toda deve durar mais ou menos uma hora. Ambiente: A ação principal se dá na delegacia de polícia e termina na rua; 
Caçulinha também relata sua aventura com o amigo Edgar numa casa abandonada.
Resposta pessoal.
Em princípio, são imaginários, pois a crônica pode até ser inspirada por fatos reais, mas é um textode ficção.
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4 Ao chegar à delegacia, a mãe demonstra preocupação com o filho, 
por ele continuar quieto, sem lhe dar atenção. Pode-se dizer que 
a decisão de Caçulinha de não voltar para casa tornou-se mais 
relevante para a mãe do que o delito do filho? Esclareça sua resposta.
5 Observe que tanto Caçulinha como a mãe mudam de comportamento, 
à medida que os fatos se sucedem na narrativa.
a) Explique por que as ações dos protagonistas começam a se 
modificar na sequência dos diálogos.
b) O diálogo entre mãe e filho leva o menino a revelar o verdadeiro 
motivo pelo qual não queria voltar para casa. Comente a decisão 
da mãe de Caçulinha, ao voltar com ele à casa abandonada.
c) O que você acha da conduta de Caçulinha e Edgar em relação ao 
comportamento dos colegas, com os quais tanto se preocupavam?
6 Observe que a história se desenvolve de maneira bem rápida nessa 
narrativa. No texto em estudo, como a linguagem deu maior rapidez 
às ações dos personagens?
Sugestão: Sim, pois a mãe sofreu ao saber da atitude do menino, talvez julgando que ele se sentisse infeliz em casa. Por isso, ela lhe falou “com 
voz trêmula”, esquecendo-se do real motivo de ele estar ali.
A partir da conversa final com o delegado, a mãe percebe que ela deve ser firme com o filho, dada a gravidade da situação. Por isso, ela se 
torna enérgica e, diante dessa atitude, o menino passa a ouvi-la.
Resposta pessoal.
Resposta pessoal.
Usou-se uma linguagem simples, objetiva, com frases curtas e a predominância de diálogos.
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7 O tema de uma narrativa pode variar bastante; a crônica, por exemplo, 
pode ser crítica, lírica ou humorística, entre outras possibilidades. 
Nessa narrativa, quais são os dois fatos que se destacam pelo humor?
8 Em geral, ao produzir um texto, o autor tem um determinado objetivo 
em relação ao leitor. Ele pode ter a intenção de levá-lo a refletir, pensar 
criticamente ou apenas se divertir. Essa narrativa parece ter sido 
escrita com qual intenção?
9 Pode-se observar nessa narrativa o emprego de uma linguagem 
figurada, em que os sentimentos dos personagens são mais evidentes. 
Veja esta passagem, por exemplo. Depois, interprete-a.
“A mãe sentiu uma espada muito fina atravessar-lhe o peito.”
 Em que outro trecho se percebe a linguagem figurada?
10 Como o texto apresenta uma linguagem informal ou coloquial, 
observa-se o emprego de construções utilizadas no cotidiano, 
bem de acordo com a situação e os personagens. Cite exemplos 
do texto.
Primeiro, o fato de um menino de dez anos estar detido numa delegacia, negando-se a falar e a voltar para casa. Segundo, sua mãe aderir 
à brincadeira dele com os colegas, acompanhando-o à casa abandonada no fim da história.
Como o texto é uma narrativa humorística, a crônica pode ter sido escrita com a intenção de divertir o leitor com uma leitura mais leve e curta. 
De todo modo, o desfecho pode levar o leitor a refletir sobre a escola e a maneira adequada de educar os filhos.
Era como se a mãe sentisse uma mágoa ou uma dor repentina no peito, ao saber que o filho não queria voltar para casa.
Resposta pessoal. Sugestão: “— Meu filho, meu filhinho — disse a senhora, com voz trêmula”; “Seu filho sujo no colégio? Nunca. [...] Vá tudo 
para o inferno.”.
Sugestões: “fazendo bagunça”; “— Sai daí já, seu vagabundo”; “— Espera aí que eu te dou um não-pode”; “— Que troço?”; “Vá tudo para o 
inferno”. “uma resolução macha”; “— Quer saber de uma coisa?”.
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11 Agora releia algumas dessas passagens e interprete 
o sentido que elas expressam.
a) “Caçulinha conservava-se na retranca.”
b) “Madame compreende, é preciso passar um susto 
nos dois.”
c) “Mãe, a senhora quer ver seu filho sujo no colégio, 
quer?”
12 O narrador de uma história pode desenvolver o relato dos fatos 
em 1a ou em 3a pessoa.
a) Nesse texto, em que pessoa são narrados os fatos? Justifique sua 
resposta.
b) Qual é o tipo de narrador dessa crônica? Esclareça sua resposta.
13 No texto, o autor evita a repetição de certas palavras, substituindo-as 
por outras equivalentes. Por exemplo, o protagonista também é 
tratado como “Caçulinha”, “menino”, “meu filho”, “ele” e “garoto”. 
Identifique, na narrativa, outras situações em que mais de um termo 
é empregado para fazer referência a um mesmo personagem.
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O menino não definia o que de fato queria fazer, ficava calado.
Seria necessário deixar os meninos com medo, apavorados, para que não 
repetissem o malfeito.
O menino poderia ser motivo de piadas ou de humilhação no colégio, 
pois os colegas o julgariam medroso.
Em 3a pessoa: “A senhora correu ao Distrito, apavorada.”.
Narrador-observador, porque ele não participa dos fatos, apenas os relata de fora da cena.
Sugestões: Madame, senhora, a mãe (mãe do menino); senhor, comissário, policial (o delegado); os dois, os garotos, eu e o Edgar 
(os dois colegas).
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As aventuras de João Pão
João Pão apavorou-se quando começou a ouvir a sirene do carro da polícia. 
Não, de jeito nenhum! Eles não podiam chegar antes dele! E, correndo de um jeito 
meio desesperado, desequilibrado e aos tombos, conseguiu, finalmente, chegar ao 
esconderijo antes dos policiais. Os outros o olharam espantados.
— A polícia! Estão vindo. O Manga tá com eles... Vamos pular no rio... É a única 
saída, eles já estão ali em cima, na Marginal. Ouçam! É a sirene do carro deles...
Ouviram a sirene e correram atrás de João Pão. Atiraram-se na água e nada-
ram até a outra margem. De lá, exaustos, viam os carros da polícia e vários homens 
descendo o barranco, chegando ao local onde tinham estado. Permaneceram um 
pouco ali, vasculhando o local, depois foram embora.
Naquela mesma noite, apesar de aliviados por terem escapado, os meninos 
permaneciam tensos e ninguém falou com João Pão. Apenas Amelinha chegou jun-
to dele, que estava sentado bem distante do grupo, jogou sobre o seu colo um pe-
daço de pão e afastou-se rapidamente.
Na manhã seguinte, antes de se afastar dali, o grupo se colocou em torno dele 
e todos ficaram assim algum tempo, muito sérios e calados. João Pão sentiu medo e 
falou baixo, meio gaguejando, olhando para Ditão, que era o único que o encarava:
— Foi difícil demais pra mim ver o cara morrendo... a gente fazendo ele morrer. 
Não tinha visto nem feito isso antes. Mas, juro, da próxima vez, podem acreditar, 
acho que aprendi...
— Ou é ele ou é nós! A guerra ainda não acabou, João Pão!
João Pão olhou firme nos olhos de Ditão, que tinha falado aquilo de modo 
duro e seco. E sentiu-se um pouco melhor, protegido e mais seguro, apoiado na-
quele olhar, no qual imaginou ver ainda algum companheirismo. Depois examinou 
a expressão dos índios e de Amelinha, os seus amigos. Estavam tensos e tristes. Mas 
nenhum o encarou. Os demais tinham os olhos frios e as faces contraídas.
— É! Depois eu vi, por isso que eu voltei correndo pra avisar.
— Então, cara, se não chegasse a tempo, era nós... Como chegou a tempo, volta 
a ser ele. A gente não tem pressa. É que agora chegou num ponto que a gente não 
tem mais nada pra fazer... Só isso, mais nada, ou é ele ou é nós.
Gênero textual
Narrativa de aventura — heróis reais
No texto a seguir, você vai conhecer João Pão, um menino que, aos sete anos, 
fugiu do Juizado de Menores e foi viver nas ruas em companhia de um velho 
mendigo. Este lhe ensinou a sempre levar um pedaço de pão debaixo da camiseta 
paradar sorte — daí seu apelido.
Com nove anos, após a morte do mendigo, João Pão entrou para o bando de 
Ditão. Tornou-se então amigo de Manga-Rosa. Um dia, o bando decidiu organizar 
um grande roubo com outra turma, mas Manga Rosa avisou a polícia. Ao descobrir 
a traição, João Pão voltou para avisar o bando da chegada dos policiais. 
O trecho que você vai ler começa nesse ponto, que seria o clímax do conflito.
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— Eu queria pedir desculpa...
— Tu não é culpado de nada. 
Ninguém aqui é culpado de nada. 
Só o Manga. Por isso vai morrer. 
Sobre tu, a gente já decidiu. A gente 
te curtiu, João Pão, mas não dá pra 
confiar em ti ainda. Tu tem uma coisa 
errada, uma coisa meio babaca e muito 
perigosa, não só pra ti, mas também para 
quem tiver junto, tá ligado? Por isso a gen-
te decidiu te botar pra fora do grupo. Segue 
teu caminho, te vira, cara. [...]
E foram indo embora, subindo o barran-
co em direção à Avenida Marginal. João Pão 
sentiu vontade de ir atrás deles, mas se conteve. 
Quem sabe Ditão tinha razão. Talvez não fosse 
mesmo a rua o seu lugar. Mas para onde ir e o que 
fazer? Ficou olhando o grupo se afastando. Enfiou 
dentro da camisa o pedaço de pão que ganhara. 
Então, os viu chegar no alto da encosta do rio. Antes 
de sumir lá em cima, todos se voltaram, ergueram os 
braços e lhe fizeram um demorado gesto de adeus.
A despedida dos amigos, agitando os braços para 
ele lá no alto da encosta, tendo ao fundo o recorte dos 
edifícios da cidade, ficou gravada na memória de João 
Pão. Era só fechar os olhos que “via” tudo direitinho, como 
se fosse uma foto.
Aos poucos ele foi percebendo que o adeus dos amigos 
significava o fim de algo muito importante em sua vida. Tinha 
sobrevivido a todas as durezas e violências, mas sabia ser im-
possível, agora, continuar a se submeter a tudo isso sem perder 
para sempre a possibilidade de sentir de novo amizades como a 
do Velho, a de Manga-Rosa e a de Celeste.
Mas por que esse sentimento era tão importante e tão necessá-
rio assim para ele? João Pão sabia muito bem que um menor abandona-
do, para poder sobreviver, não pode pretender sentir essas coisas.
Subiu a encosta e encarou a cidade. Depois de algum tempo passou 
a andar ligeiro, com passos firmes, como se tivesse uma direção a seguir e 
algo para fazer. Sentia-se bem, de coração leve, e a fome, que ficou mais forte 
naquele momento, o fez perceber-se mais vivo.
Em verdade, João Pão estava era se sentindo mais livre, mais ele mesmo. E sorriu 
concluindo isso. Precisava, agora, aprender o que se faz com a liberdade conquista-
da. E apressou o passo, como se isso o levasse mais rápido a descobrir a utilidade de 
ser livre.
ROBERTO FREIRE. Moleques de rua: aventuras de João Pão, um menor abandonado. 
São Paulo: Moderna, 2003. p. 127-131. (Fragmento).
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1 No texto em estudo, Manga-Rosa sempre foi tido como dedo-duro pelos 
colegas, exceto por João, que o defendia das acusações. No início do 
texto, qual dado nos permite constatar que Manga-Rosa havia mesmo 
delatado os colegas à polícia?
 Em sua opinião, por que Manga-Rosa teria denunciado o grupo? 
2 Ao descobrir que Manga havia mesmo denunciado os colegas, 
João voltou para alertá-los. O que se pode deduzir dos sentimentos 
de João Pão pelo grupo?
 O que poderia ter impedido João de voltar? Copie no caderno 
a única opção incorreta.
 ( ) Vergonha por ter a princípio defendido o traidor.
 ( ) Medo da reação dos colegas.
 ( ) Desejo de vingar-se de Ditão por acusar Manga injustamente.
3 Releia este trecho.
“Naquela mesma noite, apesar de aliviados por terem escapado, 
os meninos permaneciam tensos e ninguém falou com João Pão.”
a) Explique por que eles estavam tensos e não falavam com João.
Estavam tensos por tudo o que tinha acontecido naquele dia: a morte dos menores do outro bando, a delação feita por Manga-Rosa, 
a fuga da polícia. E não falavam com João porque ele havia, a princípio, defendido o traidor.
Segundo João Pão, Manga-Rosa estava com os policiais (“O Manga tá com eles...”).
Resposta pessoal. Sugestão: Talvez ele não gostasse de Ditão e soubesse que João Pão não estaria com os outros meninos, durante a 
batida da polícia. Ou talvez procurasse obter alguma vantagem dos policiais em troca da delação. 
João Pão tinha grande estima pelos companheiros de rua e temia pela sorte deles.
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b) O próprio João estava sentado bem longe do grupo. 
Em sua opinião, por que ele teria preferido se 
afastar?
c) Apenas Amelinha aproximou-se de João e jogou um 
pedaço de pão sobre o seu colo. Interprete o gesto 
da menina.
4 No dia seguinte, os meninos têm uma tensa reunião com 
João. O primeiro a falar é ele, que confessa: “Foi difícil 
demais pra mim ver o cara morrendo...”.
a) Por que era difícil para João Pão ver alguém morrer?
b) Explique esta fala de João: “Mas, juro, da próxima vez, podem 
acreditar, acho que aprendi...”. Na verdade, João parecia convicto 
do que dizia? Por quê?
5 A certa altura do diálogo, Ditão exclama: “Ou é ele ou é nós! 
A guerra ainda não acabou, João Pão!”.
a) Localize no texto o momento em que Ditão repete a frase 
destacada e explique quem é o “ele” a que o rapaz se refere.
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Resposta pessoal.
Resposta pessoal. Sugestão: Ela quis demonstrar que não estava tão brava com ele 
quanto o resto do grupo.
Porque ele não tinha presenciado ou praticado um assassinato antes: “Não tinha visto nem feito isso antes.”.
João quis dizer que, da próxima vez, não tentaria salvar alguém condenado à morte pelo grupo. Contudo, não parecia convicto disso, 
pois falou “acho que aprendi”.
Ditão repete a frase três parágrafos adiante: “Só isso, mais nada, ou é ele ou é nós”. O “ele” em questão é Manga-Rosa.
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b) Explique esta fala de Ditão: “Então, cara, se não chegasse a tempo, 
era nós... Como chegou a tempo, volta a ser ele.”.
6 Apesar das palavras duras de Ditão, João Pão sente-se 
protegido e seguro ao encarar o olhar do colega, 
no qual ainda imagina ver algum companheirismo.
a) A partir dessa passagem do texto, o que 
podemos concluir sobre o papel da amizade na 
vida de João Pão?
b) Por que os outros meninos e meninas não 
encaravam João Pão?
7 Por que Ditão diz que João Pão “não é culpado de nada”?
a) No fim do diálogo, Ditão explica por que João não poderia 
permanecer no grupo. Como o líder justifica essa decisão?
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Se João não chegasse a tempo de avisar os meninos, os policiais, acompanhados de Manga-Rosa, iriam matá-los ou prendê-los. 
Como João chegou a tempo, quem passa a estar em risco é Manga-Rosa, que Ditão quer ver morto.
João Pão tinha necessidade de afeto, companheirismo e amizade. Contudo, na visão 
de Ditão e dos outros meninos, essas relações e sentimentos eram incompatíveis com 
a vida nas ruas.
Eles já sabiam que ele seria expulso do grupo; isso já estava decidido entre eles.
Ditão sabe que João não foi cúmplice de Manga-Rosa na traição do grupo. João apenas acreditou na inocência do amigo.
Segundo eles ainda não podiam confiar totalmente em João Pão, que, para um menino de rua, ainda se deixava levar muito pelas emoções.
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b) Explique o que Ditão quis dizer com estas palavras: “Tu tem uma 
coisa errada,uma coisa meio babaca e muito perigosa, não só para 
ti, mas também para quem tiver junto”.
8 Ao se desvincular do grupo, João Pão fica meio perdido, sem rumo, 
mas logo se sente melhor. A seu ver, por que João Pão sentiu-se livre, 
ao deixar o grupo?
9 Que linguagem é empregada pelos personagens: formal ou informal? 
Por quê?
Narrativa de aventura
A narrativa de aventura apresenta a mesma estrutura de outros 
tipos de narrativa: situação inicial, conflito, desenvolvimento, clímax e 
desfecho. Os personagens, no entanto, nem sempre desempenham pa-
péis semelhantes, dependendo da natureza da narrativa, isto é, se ela 
aborda situações reais ou situações fictícias.
Portanto:
Narrativa de aventura é um gênero textual que aborda situa-
ções fictícias, nas quais os personagens enfrentam obstáculos e 
perigos para alcançar seus objetivos. Apresenta as mesmas carac-
terísticas estruturais de outros gêneros narrativos: situação inicial, 
conflito, clímax e desfecho.
Para estudar em casa
João Pão era um menino muito sensível, que tinha sentimentos profundos; por isso, a amizade era tão importante para ele. 
Isso preocupava Ditão, pois ele achava que isso poderia interferir em suas decisões e pôr em risco o grupo.
Resposta pessoal. Sugestão: No grupo, ele obedecia a regras com as quais nem sempre concordava. Além disso, havia passado a se conhecer 
melhor, e isso lhe dava uma sensação de liberdade.
A linguagem informal, pois os personagens são jovens e íntimos: “O Manga tá com eles”; “— Então, cara, se não chegasse a tempo, era nós...”. 
Oficina de produção
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1a proposta — Produção de uma narrativa de aventura com base 
em texto literário
A seguir, será apresentado um trecho do conto Contos de suspense, 
do escritor H. G. Wells (1866-1946). Nessa história, os personagens estão 
em uma floresta em busca de um tesouro e estão dispostos a enfrentar 
todos os perigos. Leia o trecho em que eles estão em um barco, tentando 
decifrar um mapa.
O tesouro na floresta
A canoa agora se aproximava da terra. A baía descortinava-se diante deles e, nos 
recifes, uma passagem interrompia a espuma branca da arrebentação, assinalando o 
ponto onde um riacho desaguava no mar. Numa colina distante, o curso do rio era 
revelado, encosta abaixo, pelo verde mais espesso e profundo da mata virgem. Neste 
local, a floresta chegava perto da praia. Muito longe, difusas e quase com textura de 
nuvens, erguiam-se as montanhas, como ondas que subitamente tivessem se solidifi-
cado. O mar estava calmo, exceto por uma ondulação quase imperceptível. O céu era 
luminoso.
O homem com o remo entalhado deteve-se.
— Devia estar em algum lugar por aqui — disse. Ele recolheu o remo para bordo 
e esticou os braços diante de si.
O outro homem estivera na parte dianteira da canoa, examinando o litoral com 
atenção. Tinha sobre o joelho um pedaço de papel amarelo.
— Venha aqui dar uma olhada nisto, Evans — disse.
Ambos falavam em voz baixa, e seus lábios estavam duros e secos.
O homem chamado Evans percorreu o barco, balançando junto com o mar, e 
aproximou-se até poder olhar por cima do ombro do companheiro.
O papel tinha a aparência de um mapa grosseiro. De tanto ser dobrado estava 
amarrotado, tão gasto que se rasgava nas dobras, e o outro homem o segurava de 
modo a manter juntos os fragmentos onde eles se separavam. Mal se podia distinguir, 
desenhado a lápis em torno quase apagados, o contorno da baía. [...]
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Leia as orientações a seguir para produzir uma narrativa de aventura 
baseada nos fatos apresentados e em outros que você pode inventar.
 Imagine como os personagens foram parar nesse barco e como 
conseguiram o misterioso mapa.
 Descreva detalhadamente a floresta e os personagens. 
 Conte o que acontece depois do ponto em que o texto é 
interrompido. Procure esclarecer o que são as inscrições no mapa. 
Imagine novos personagens.
 Crie um clímax emocionante para a narrativa. 
 Elabore um desfecho original, mas coerente com o resto 
da narrativa.
 Empregue o discurso direto e o discurso indireto nos diálogos de 
todos os personagens. Narre a história na 3a pessoa, como ocorre 
no texto lido, ou seja, por meio de um narrador-observador. 
Utilize a linguagem formal ou padrão e escolha um título 
sugestivo para o texto.
 
Ver Ficha de avaliação 5 na MiniOficina.
— Esquisito — disse Evans, depois de uma pausa. — Que são 
essas marquinhas aqui? Parecem o desenho de uma casa, ou algo as-
sim, mas não faço a mínima ideia do que esse monte de risquinhos 
apontando para todos os lados significa. E que escrita é essa?
— Chinês — respondeu o homem com o mapa.
[...]
— Agora é sua vez de remar, Hooker — disse.
Seu companheiro dobrou o mapa em silêncio, guardou-o no 
bolso, passou com cuidado por Evans e começou a remar.
[...]
H. G. Wells. Contos de suspense: histórias para congelar seu sangue. 
Org. e trad.: Rosana Rios, Martha Argel. São Paulo: 
Farol Literário, 2014. p. 69-70. (Fragmento).
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2a proposta — Produção de uma narrativa de aventura a partir 
de texto jornalístico
Leia o texto a seguir, que faz parte de uma reportagem publicada sobre 
a surpreendente descoberta de água líquida na superfície do planeta Marte. 
O fato ocorreu recentemente e foi comemorado com euforia pelos cientistas.
O chamado de Marte
A descoberta de água líquida na superfície do Planeta Vermelho 
dá novo impulso aos projetos de missões tripuladas para explorar 
nosso vizinho mais fascinante
É verão em Marte. A temperatura 
é de 23 graus Celsius negativos. 
Do alto das encostas, riachos 
com cerca de 5 metros de 
largura e 300 metros de 
comprimento descem pla-
ci damente até atingirem 
cânions profundos. Vistos 
da órbita, esses canais 
são mais escuros do que 
a superfície avermelhada. 
Até a semana passada, 
era impossível dizer exata-
mente o que acontecia ali. 
Não mais. Cientistas da Nasa, 
a agência espacial americana, 
finalmente desvendaram o mis-
tério: trata-se de água líquida mistu-
rada a sais. Esse achado raro — especial-
mente por estar na superfície — deve dar 
novo fôlego aos projetos de missões tripuladas para exploração do territó-
rio marciano.
“Marte não é o planeta seco e árido que pensávamos ser no passa-
do”, afirmou Jim Green, diretor de ciências planetárias da Nasa. Ainda 
não está claro se o líquido vem do subsolo ou se é resultado da absorção 
de umidade atmosférica pelo perclorato, um dos sais identificados pela 
sonda Mars Reconnaissance Orbiter. É por causa dessa mistura salgada 
que a água não congela, mesmo no frio ambiente marciano. Sua existên-
cia na superfície representa uma descoberta fascinante por abrir novas 
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Leia as informações seguintes para produzir seu texto.
 Um dos muitos objetivos dos estudos e explorações sobre o 
Planeta Vermelho consiste no envio de seres humanos a Marte. 
Segundo revelações de cientistas envolvidos nessa tarefa, 
os perigos da viagem ainda não estão inteiramente estabelecidos. 
O tempo de ida seria de cerca de seis a oito meses, e é possível 
que os astronautas se exponham a doses altíssimas de radiação 
solar. Portanto, há riscos para a vida dos tripulantes.
 Mesmo assim, você se candidataria a uma viagem a Marte? 
Embora ainda não se possa realizar essa proeza, escreva uma 
narrativa, contando como você teria feito essa viagem aoPlaneta 
Vermelho, mesmo que fosse como um robô criado para uma 
missão especial.
 Imagine como você teria de se preparar para a façanha de 
explorar outras partes da superfície do planeta, talvez junto 
com outro colega. Em seguida, conte como seria a partida e a 
chegada a Marte. 
 Imagine um conflito para a sua narrativa: o mau funcionamento 
de um equipamento importante, o encontro com alienígenas, etc. 
Elabore um clímax emocionante. 
 Crie um desfecho inesperado que tenha humor ou não.
 Empregue os verbos e pronomes em 1a pessoa, como narrador-
-personagem, e utilize a linguagem formal. Crie um título 
sugestivo para o texto. 
 
Ver Ficha de avaliação 6 na MiniOficina.
possibilidades de vida extraterrestre, ainda que em simples formas unice-
lulares, e por inserir no contexto da exploração tripulada uma riquíssima 
fonte de recursos [...].
Por enquanto, as previsões mais otimistas da Nasa são de enviar os pri-
meiros seres humanos ao Planeta Vermelho até 2040. Embora as condições 
técnicas para isso existam, os desafios ainda são imensos. Estima-se que 
uma missão desse tipo custaria entre US$ 150 e US$ 300 bilhões.
[...]
LUCAS BESSEL. IstoÉ, 7 out. 2015, ano 38, n. 2392, p. 78. (Fragmento).
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Gênero textual
Monólogo
 Leia o trecho de um monólogo.
ANIBAL MACHADO. A morte da porta-estandarte, Tati, a garota e outras histórias. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1974. p. 70-73. (Fragmento).
O ascensorista
[...] 
Não sei por quê, amanheci hoje com predisposição para a melancolia. Comecei ser-
vindo com certa indiferença, sem atentar bem no que fazia. Mais parecendo uma sombra 
conduzindo sombras. Será que a minha sina é ficar subindo e descendo gente até o fim 
da vida? E esse prédio? Daqui a cem, duzentos anos, que será dele? Terá aquela mesma 
velhinha se repetindo à janela? E que espécie de gente, que paixões, que negócios entre 
suas paredes? Homens e mulheres de sempre, fazendo a mesma coisa, com outras caras, 
outros nomes?...
Perguntas bestas... O que me dá vertigem é o estado d’alma que as 
inspira. E que espero não se repita.
Estive fazendo os cálculos: com mais de oito anos de servi-
ço, já passei cerca de vinte mil horas encurralado neste túnel. 
É duro! Sobretudo no verão, com um ventilador que só fun-
ciona quando quer. O passarinho na gaiola tem, pelo menos, 
a paisagem para contemplar. E nós? O que nos distrai mes-
mo são os passageiros de alguns segundos. Trazem no rosto 
os reflexos do mundo lá fora. Por incrível que pareça, esses 
passageiros aumentam o espaço da cabina. Sobem e descem 
com a marca de suas paixões, só faltam dizer o que fizeram, 
o que vão fazer. Quando os homens não falam nem gesticu-
lam (há um minuto de silêncio quando usam o elevador), a 
alma deles parece que aflui mais depressa à flor da pele. 
[...]
Esses homens que entram diariamente no edifício têm 
em geral o ar grave e angustiado. Será tão importante assim 
o que os preocupa? E por mais sério que seja o motivo, não 
estará em desproporção com a cara fechada com que 
se apresentam? 
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1 No monólogo, quem conta os fatos é um narrador-personagem ou 
narrador-observador? Esclareça sua resposta.
2 O personagem do texto, o ascensorista, faz diversas perguntas 
enquanto fala. Com quem ele conversa?
3 Chama-se monólogo a narrativa em que uma só pessoa fala consigo 
mesma ou com alguém (ou algo) que não pode lhe responder. 
Nesse texto, por que a profissão do personagem leva ao uso do monólogo?
4 O breve trecho mostra um pouco da rotina de um ascensorista 
em seu cotidiano. Que pensamentos deixam o personagem 
preocupado?
5 De acordo com o texto, o personagem nem sempre sente 
melancolia, apesar de seu trabalho meio solitário.
a) Em sua opinião, naquele dia, o que teria levado o 
ascensorista a refletir sobre sua vida?
b) Com base no texto, explique por que o ascensorista 
começa a falar sobre os passageiros.
Narrador-personagem, porque ele participa dos fatos e os relata em 1a pessoa: “Não sei por quê, amanheci hoje”.
No elevador, ele convive pouquíssimo tempo com pessoas estranhas que entram e saem, geralmente sem oportunidade para um diálogo. Além 
disso, sua função o obriga a permanecer parado e isolado por longo tempo.
O longo tempo de serviço como ascensorista, o futuro e o isolamento, que é aliviado apenas pelo breve contato com os passageiros a quem ele 
observa.
Resposta pessoal.
Ele fala consigo mesmo, ou seja, o personagem conversa com seus próprios botões.
Ele começa a pensar sobre os passageiros por serem eles a única “paisagem” que ele 
pode observar.
Oficina de produção
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6 O ascensorista se compara a um passarinho na gaiola, julgando o 
pássaro com maior sorte. Explique este trecho: “Por incrível que 
pareça, esses passageiros aumentam o espaço da cabina”.
Monólogo
No teatro e na literatura, o monólogo é a fala solitária de um perso-
nagem, ou seja, o momento em que ele fala consigo mesmo ou com al-
guém (ou algo) que não lhe responderá.
Ou, em outras palavras:
Monólogo é o gênero textual em que o personagem extravasa 
de maneira razoavelmente ordenada seus pensamentos e emoções, 
sem se dirigir necessariamente a um ouvinte específico.
Para estudar em casa
 Leia as orientações a seguir e escolha uma das duas propostas.
1a proposta — Produção de monólogo: pensando em algo ou em alguém
 Escreva um monólogo em que o personagem esteja meditando 
sobre uma viagem realizada ou que deseja realizar, 
ou lembrando-se de uma pessoa de quem gosta muito.
 Empregue a 1a pessoa, como narrador-personagem. Comece o 
texto com o personagem conversando consigo mesmo.
 O personagem pode manifestar suas opiniões sobre fatos e 
sobre a possível interferência de outras pessoas, além de falar 
de suas esperanças, dúvidas, medos e preocupações.
 Escolha um título para o texto. Troque-o com um colega e 
observe as sugestões, para alterar o que julgar conveniente. 
 
Ver Ficha de avaliação 7 na MiniOficina.
O ascensorista sente-se menos prisioneiro quando há pessoas no elevador. Elas lhe fazem companhia e lhe dão a oportunidade de imaginar a 
vida de cada uma delas.
Oficina
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Concisão
A construção textual
Quando um texto diz muito com poucas palavras, dizemos que ele apresenta 
a qualidade da concisão ou síntese das ideias.
A escolha das palavras é fundamental para a concisão. Outro cuidado necessário 
é evitar a repetição de informações, o que também compromete a compreensão das 
ideias. Portanto, é importante sempre reler o texto depois de escrevê-lo. 
Vamos conhecer algumas técnicas para deixar os textos mais concisos. 
2a proposta — Produção de monólogo: pensando em mim
 Muitas vezes, durante o dia ou à noite, principalmente quando 
ficamos sozinhos, costumamos conversar com nós mesmos. 
Estamos, na verdade, criando um monólogo. Vamos aproveitar 
um desses momentos de reflexão interior e escrever nossos 
pensamentos? Coloque um bom título em seu monólogo. 
 
Ver Ficha de avaliação 8 na MiniOficina.
1 Certas construções linguísticas podem ser reduzidas, 
simplificando a comunicação. Substitua as locuções adverbiais a 
seguir por advérbios equivalentes. Leia este modelo.
As pessoas nem sempre usam o celular com discrição.
As pessoas nem sempre usam o celular discretamente.
a) O médico receitou estes remédios por prevenção.
b) O projeto do grupo de novatos foiaprovado sem restrição.
c) Na rua, manifestantes reivindicavam mudanças com veemência.
d) O morador tomou uma atitude sem pensar nas consequências.
O médico receitou estes remédios preventivamente.
O projeto do grupo de novatos foi aprovado irrestritamente.
Na rua, manifestantes reivindicavam mudanças veementemente.
O morador tomou uma atitude inconsequente.
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2 Reúna as frases, reduzindo-as a um único período. Observe o 
exemplo:
— Meu filho, não fique o tempo todo no computador — dizia o 
pai. O filho tentava ouvi-lo.
— Meu filho, não fique o tempo todo no computador — dizia o 
pai, a quem o filho tentava ouvir. 
a) Luísa! Você precisa ir à festa de aniversário do Vítor. 
Ele convidou uma banda para tocar durante toda a noite.
b) Meu caro, não comente este caso agora com o gerente. 
Devemos falar com ele depois.
c) Rafael, você precisa ser menos impulsivo ao usar suas 
palavras! Elas ofendem as pessoas.
d) Chefe, fiz a reserva de seu voo a Recife. Nessa cidade, 
haverá um encontro de cardiologistas amanhã.
e) Amigos! A situação atual está difícil para aquele grupo. 
Precisamos ajudar essas pessoas.
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Sugestão: Luísa, vá à festa de aniversário do Vítor, que convidou uma banda para tocar durante toda a noite.
Sugestão: Meu caro, não comente este caso agora com o gerente, com quem devemos falar depois.
Sugestão: Rafael, você precisa ser menos impulsivo ao usar suas palavras, pois elas ofendem 
as pessoas.
Sugestão: Chefe, fiz a reserva de seu voo a Recife, onde haverá um encontro de cardiologistas amanhã.
Sugestão: Amigos, a situação atual está difícil para aquele grupo, a quem (ou aos quais) precisamos ajudar.
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3 A repetição da palavra que pode tornar a linguagem pesada. 
Transforme as frases a seguir, reduzindo o emprego do que. 
Veja o modelo.
A vitória que o time conquistou animou a torcida, que vibrou 
com o resultado.
A vitória conquistada pelo time animou a torcida, que vibrou 
com o resultado.
a) As pessoas que gostam de viajar no feriado enfrentam grandes 
congestionamentos, que aumentam com o movimento das 
estradas.
b) As novas tecnologias que atraem o interesse dos jovens, 
que se deixam dominar pelo avanço delas, muitas vezes 
os isolam do convívio humano.
c) O Brasil precisa de uma estrutura portuária que 
facilite a exportação de nossos produtos, que 
ficam retidos por falta de recursos para escoá-los.
d) As medidas do governo que visam à 
economia da água, que constitui um dos 
grandes problemas do planeta, ainda são 
insuficientes.
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As pessoas que gostam de viajar no feriado enfrentam grandes congestionamentos, aumentando o movimento das estradas.
Sugestão: As novas tecnologias atraem e dominam os jovens, isolando-os do convívio humano.
Sugestão: O Brasil precisa de portos eficientes para a exportação de 
nossos produtos.
Sugestão: As medidas do governo para economizar água ainda são insuficientes.
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Gênero textual
Relato pessoal
 Leia o relato de um pedreiro que conseguiu prosperar na luta 
por seus ideais.
Tudo começou em 1991, quando eu, 
minha mulher e meus filhos come-
çamos a fazer sorvete em casa, como 
uma brincadeira. Fazíamos o sorvete 
na raça. Íamos testando a quantidade 
de fruta e de açúcar e provando, até 
ficar bom. Com o tempo, fomos aper-
feiçoando nossa receita. Os amigos e 
vizinhos acabaram gostando também. 
Eu trabalhava como pedreiro. Resolvi 
vender os sorvetes na praia, em São 
Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, 
para complementar a renda. Comprei 
um carrinho de sorvete parcelado, e 
um amigo passou a vender os picolés 
na praia para mim. O sorvete começou 
a fazer sucesso. O carrinho ia cheio e 
voltava vazio.
Quando percebi que o negócio 
poderia dar certo, passei a tomar mais 
cuidado com a produção, até então fei-
ta na cozinha de casa. Passei a selecio-
nar as frutas e a testar várias vezes a re-
ceita, até encontrar o ponto ideal. Essa 
parte de acertar o ponto do sorvete foi 
bem difícil. Anotava tudo com preci-
são, para fazer igual da próxima vez.
A procura pelo sorvete só foi au-
mentando. Minha família e eu pas-
sávamos a noite toda na cozinha, fa-
zendo picolé para vender na praia no 
dia seguinte. Comecei a estudar sobre 
sorvete, a frequentar feiras para me in-
formar como poderia profissionalizar 
o negócio. Numa feira em São Paulo, 
conheci seu Ademar, um instrutor de 
sorveteiros. Ele me ajudou muito. Me 
ensinou a comprar os produtos certos, 
me passou informações sobre o merca-
do, sobre como eu poderia fazer meu 
negócio crescer.
Fiz empréstimo para comprar as 
máquinas e o material necessário. O 
problema de vender sorvete na praia é 
que você depende do clima. Logo no 
começo, teve um ano em que choveu 
durante três feriados seguidos. Pensei 
em desistir. Não é fácil ter de contar 
“Era pedreiro e virei empresário”
José Lopes começou a vender sorvete para complementar a renda. 
Hoje, fabrica 70 mil picolés por dia
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com a boa vontade do tempo para 
um negócio. Tive vários momentos de 
desânimo. Mas os clientes sempre in-
centivavam. Diziam que nosso sorvete 
estava melhor que o da concorrência, 
que não deveríamos parar.
Em 1996, comprei uma marca, que 
já existia. Não tive um lucro grande nos 
primeiros dez anos do negócio. Tudo o 
que ganhávamos era usado para inves-
tir mais e para pagar os empréstimos. 
Foram dez anos de muito trabalho e 
quase nenhum lazer. Em 2002, quando 
a marca já era mais conhecida, veio a 
proposta de transformá-la em franquia. 
Hoje, produzimos 70 mil picolés e 4 mil 
litros de sorvete de massa por dia. Nossa 
meta é triplicar essa produção em 2013. 
Ainda assim, não daremos conta de 
atender à demanda que temos.
1 O relato pessoal apresenta características do texto narrativo: ele 
trata de acontecimentos, que se desenrolam em tempo e espaço 
determinados. A diferença é que eles são apresentados por quem 
os viveu: não são ficção.
a) Quem é o autor do relato pessoal em estudo e quem são as demais 
pessoas mencionadas no relato?
b) Em que lugares ocorrem os fatos relatados nesse depoimento?
2 O relato pessoal muitas vezes apresenta “provas” daquilo que o 
autor afirma (datas, lugares, nomes, etc.). Identifique no texto alguma 
passagem em que isso ocorre.
 No texto, em que tempo e pessoa verbal estão os verbos? 
Justifique sua resposta.
Em depoimento a Natália Spinacé. Época, 11 fev. 2013, n. 768, p. 86. Adaptado.
O autor é José Lopes, ex-pedreiro e atual empresário, que apresentou seu relato pessoal à jornalista Natália Spinacé. Os outros participantes 
dos acontecimentos são: a esposa dele e os filhos; seu Ademar, o instrutor de sorveteiros; um amigo que passou a vender picolés para José; 
vizinhos e amigos que provaram e aprovaram as primeiras experiências com os sorvetes; os clientes, que incentivaram a continuidade do 
negócio.
Na cidade de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, e numa feira na cidade de São Paulo.
Trechos: “Tudo começou em 1991”; “Resolvi vender os sorvetes na praia, em São Sebastião, no litoral Norte de São Paulo”; “Em 1996, comprei a 
marca Rochinha, que já existia.”.
No passado, pois o autor do relato pessoal conta, na 1a pessoa, fatos já ocorridos com ele e a família. Somente no final do texto, ele situa o 
relato no presente e no futuro: “Hoje, produzimos 70 mil picolés”; “não daremos contade atender à demanda”.
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3 A partir do 1o parágrafo, o protagonista conta como os 
fatos foram mudando sua vida e a da família.
a) Explique por que ele diz que a ideia de fazer sorvete 
era só uma “brincadeira” no início.
b) De acordo com o autor, ele e a família faziam os sorvetes “na raça”. 
O que ele quis dizer com essa expressão?
4 Observe que a participação de várias pessoas foi importante 
para que José desenvolvesse a prática e seu negócio mais tarde. 
Quem contribuiu para tornar o sonho de José realidade? 
Justifique sua resposta.
5 De acordo com o relato, o ex-pedreiro começou aos poucos a acreditar 
que poderia avançar em seus propósitos. Como o texto sugere que o 
autor realizou seus sonhos mantendo sempre equilíbrio nas decisões?
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A família, pois ela se envolveu com a tarefa de produzir um sorvete de qualidade, trabalhando à noite mesmo sem ter muito recurso para fazer 
ainda um bom produto. Um amigo, que passou a vender os picolés na praia, num carrinho comprado por José Lopes. E seu Ademar, que lhe 
ensinou o caminho para ser um empresário competente.
No início, ele permaneceu na profissão de pedreiro, enquanto vendia sorvete na praia, e depois contou com a ajuda de um amigo. A boa 
aceitação do produto levou-o a melhorar e a aumentar o empreendimento, mas, primeiro, o ex-pedreiro se preparou e estudou sobre o assunto.
Como ele era pedreiro, ou seja, já tinha uma profissão que lhe permitia sustentar a família, 
talvez não houvesse interesse dele em ganhar a vida de outra forma. Por isso, no começo, 
fazer sorvete era apenas um passatempo.
Nas experiências iniciais, o sorvete era produzido sem nenhuma técnica ou método específico de preparo. Eram apenas tentativas ou testes 
que resultaram em receitas.
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6 Nem tudo correu de forma tranquila nos negócios do depoente; 
um dos desafios enfrentados foi o clima, que dificultou as vendas 
de sorvete na praia. Nos momentos em que ele pensou em desistir, 
os clientes o estimularam a continuar. O que os fatos relatados 
no último parágrafo comprovam?
7 Apesar da situação muitas vezes adversa, o ex-pedreiro e sua 
família acreditaram que o estudo e o trabalho poderiam modificar 
suas vidas. O que foi mais importante e decisivo para que eles 
atingissem seus sonhos? Você vê nessa história uma lição de vida? 
Troque ideias com os colegas e responda.
Relato pessoal
O relato pessoal é um gênero textual oral ou escrito em que são 
relatadas experiências que já foram ou estão sendo vividas pelo autor. Os 
sonhos e os objetivos ainda não alcançados também podem fazer parte 
do texto. 
O relato pode ser registrado por escrito diretamente pelo autor ou 
transmitido oralmente por ele, em forma de depoimento para outra pes-
soa, que então poderá transcrevê-lo, para depois apresentá-lo ao público.
Resumindo:
Relato pessoal ou relato de experiência vivida é um gênero 
textual por meio do qual alguém conta fatos de sua vida com o obje-
tivo de registrar experiências que sirvam como testemunho, apren-
dizado ou fonte de inspiração para outras pessoas.
Para estudar em casa
Comprovam que o empresário e a família se uniram e trabalharam bastante durante alguns anos. E investiram cada vez mais nos negócios, 
fazendo empréstimos e acertando suas dívidas, até a primeira proposta de franquia acontecer. E, finalmente, veio o sucesso.
Resposta pessoal.
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1a proposta — Produção de relato pessoal
 Elabore um relato pessoal para ser arquivado em um site que servirá 
como fonte histórica.
 Pense em algum episódio que tenha sido importante para você: 
um encontro com um ídolo, uma viagem com seus pais 
ou amigos, uma competição esportiva de que você participou, etc.
 No início do texto, em 1a pessoa, apresente-se como o autor do relato. 
Descreva suas características físicas, seu modo de ser e de agir. Se for 
pertinente, escreva também sobre sua família, pais e irmãos, como 
convivem, de que mais gostam, como aproveitam as horas de lazer.
 Relate, em seguida, aquele episódio especial e marcante. 
Conte com detalhes o acontecimento que você viveu: onde, quando 
e com quem estava, quais foram as causas e as consequências do 
fato e por que foi especial. Registre também o que sentiu e pensou.
 Use a linguagem informal, mais adequada ao contexto em que será 
feito o relato. Os verbos devem ficar no passado. Procure colocar um 
título interessante no texto.
 Observe se há trechos descritivos que apresentam as características 
das pessoas, dos lugares, dos objetivos, etc. Veja também se seus 
sentimentos estão claros no texto. 
 
Ver Ficha de avaliação 9 na MiniOficina.
2a proposta — Produção de relato pessoal sobre um fato marcante 
Jornais e revistas costumam publicar relatos de pessoas que passaram 
por situações limite, como enchentes, incêndios, assaltos ou sequestros. 
Você também já leu sobre um episódio desse tipo ou algum outro semelhante? 
Relate o acontecimento de que se lembrar como se você o houvesse vivido. 
Imagine que seu relato será publicado em uma grande revista semanal.
 Siga estas instruções:
 Dê detalhes da situação vivida, para que seu relato fique 
intenso e emocionante. Se preciso, pesquise o que costuma 
ocorrer em situações semelhantes.
 Relate os fatos em 1a pessoa, situando-os no tempo e no 
espaço. Use os verbos no passado. Lembre-se de colocar um 
título sugestivo e seu nome no cabeçalho do relato.
 
Ver Ficha de avaliação 10 na MiniOficina.
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Oficina de projetos
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Criação de painéis e de livro “Contando histórias”
Você escreveu vários textos de vários gêneros nesta unidade. Contou histórias de aventura e 
produziu monólogos e relatos pessoais, além de outros trabalhos. Você vai reunir suas produções 
e selecionar suas preferidas para participar desta oficina.
Seleção do material
 Reúnam-se em grupo e organizem os tra-
balhos por gênero textual: juntem todas as 
narrativas de aventura, em seguida os mo-
nólogos e os relatos pessoais.
 Depois, separem os textos em dois conjuntos: 
os que podem ser lidos rapidamente e os que 
exigem leitura mais cuidadosa. No primeiro 
conjunto podem ficar, por exemplo, os monó-
logos e os relatos pessoais. No segundo con-
junto, as narrativas de aventura. Os textos do 
primeiro conjunto serão expostos em painéis. 
Já os do segundo conjunto serão organizados 
num livro.
 Depois de separado o material, escolham 
o melhor de cada gênero. Cada membro do 
grupo deve ter pelo menos uma produção 
sua selecionada. Revisem cada texto e vejam 
se algo pode ser melhorado. Se necessário, 
passem os trabalhos a limpo ou incluam ilus-
trações. Coloquem o nome dos autores dos 
textos e o ano cursado.
Montagem de painéis
 Organizem painéis em folha de cartolina e co-
lem os textos do primeiro conjunto, junto com 
as produções dos outros grupos. Decorem 
os painéis e escolham um título criativo para 
eles. Combinem com o professor o melhor 
lugar para expor esses textos.
 Em conjunto com os outros grupos, façam uma 
faixa com letras grandes para colocar em cima 
dos painéis. Os dizeres da faixa podem ser es-
tes: “O narrador sou eu: produções do 7o ano”.
Edição do livro
 Agora, peguem os textos do segundo conjun-
to e os coloque com os dos outros grupos para 
montar um livro.
 Organizem os textos e não se esqueçam 
de colocar onome de cada autor. Depois de 
numerar as páginas, montem o sumário com 
o título dos textos, o nome dos autores e o 
número das páginas. Façam esse trabalho 
no computador, de preferência na sala de 
informática da escola.
 Para a capa, escolham uma ilustração que 
pode ser feita por vocês ou pesquisada na 
internet. Nesse segundo caso, coloquem os 
créditos da ilustração. Sob a orientação do 
professor, encadernem o livro da classe e 
escolham um título para ele; por exemplo, 
“Contando histórias”.
Apresentação do livro
 Combinem com o professor o dia da apresen-
tação do livro, que deve ser feita, de preferên-
cia, no mesmo local onde o outro conjunto de 
textos estiver exposto. Façam convites para 
entregar a professores e funcionários da 
escola, a alunos de outras séries e também a 
seus pais, familiares e amigos. 
 Preparem-se para falar sobre o conteúdo e 
a produção dos textos, como também sobre 
a organização do livro e da exposição de pai-
néis. Terminada a apresentação, conversem 
com o professor sobre a possibilidade de tirar 
cópias do livro da classe, para que cada aluno 
fique com um exemplar.
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Sala de leitura
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Pela janela
Quando, lá pelo fim do primeiro semestre, a caminho da rua, 
Marina emparelhou comigo e, sem olhar nem mudar o passo, 
me entregou o papelzinho dobrado — como se ela fosse 
uma combatente da Resistência Francesa e adivinhasse em mim um 
simpatizante, talvez interessado em comparecer à próxima reunião 
clandestina —, descobri que a amava e que era correspondido. 
[...]
Passei os quarenta minutos na perua com a mão fechada, o bilhete 
amassado ali dentro, as conversas, risos e gritos das outras crianças 
entrando por um ouvido e saindo pelo outro, meu coração parecendo 
um lambari na ponta do anzol: as sístoles regidas pela glória de me saber 
correspondido, as diástoles pelo pânico de ser descoberto.
Mas que havia de tão terrível para ser descoberto? O que havia de 
vergonhoso, afinal, no amor? Eu não sabia. Talvez uma ligação íntima 
com um indivíduo do sexo oposto significasse traição ao grupo de 
meninos, uma atitude muito pouco máscula, como se eu estivesse 
desistindo do futebol para brincar de bonecas ou pular amarelinha. 
Talvez a traição não fosse de gênero, mas etária: namorar era coisa de 
adultos ou adolescentes e, portanto, trazer aquele nó no peito revelaria 
uma pretensão ridícula. Não saber o que eu temia me deixava mais temeroso, de forma que 
só quando me vi em casa, sozinho, no fundo do quintal, tomei coragem e abri o bilhete.
Desenhado a lápis, no alto do pequeno retângulo, um avião. Do meio do avião se abria 
uma porta e, por ali, jorravam flores, pintadas à canetinha. Lá embaixo, de braços abertos 
e sorrindo, um menino recebia a chuva colorida. Ao lado: “Antônio, você é muito legal. 
Assinado: Marina”.
Tarde da noite, depois de muitos esboços e com uma lanterna sob o lençol para não 
acordar minhas irmãs, consegui acabar a resposta. Ocupando quase toda a superfície de 
uma folha de papel sulfite, fiz um circo, com listras azuis, vermelhas e brancas no toldo. No 
alto, o letreiro: “Grande Circo Marina”. Embaixo, à direita, uma flechinha e a indicação: “Abra”.
Na outra página, grampeada à primeira, fiz o interior da tenda. Em cima de um 
tamborete, no meio do picadeiro, uma bailarina. Em seu collant: “Marina”. Em torno dela, 
um mágico, dois palhaços, um leão, uma foca e um elefante bradavam em balões de HQ: 
“Marina!”. De ponta-cabeça, em pleno ar, trapezistas gritavam: “Marinaaaaa!”. Na plateia, o 
público segurava cartazes: “Viva a Marina!”, “Eu Marina!”, “Vai, Marina!”. Num canto da 
arquibancada, fiz um garoto sentado: um aviãozinho numa mão, uma flor na outra e, para 
não haver chance de equívoco, uma flecha indicando: “Eu”. Em cima dele, um balão: “Marina, 
você também é legal. Assinado: Antônio”. Fui dormir em êxtase.
Acordei em pânico. Disse à minha mãe que não me sentia bem, estava enjoado, talvez 
com febre ou gripe ou dor de barriga. Quer dizer: estava enjoado E com febre E gripe E dor 
Sístoles: 
movimentos 
de contração 
do coração, 
especialmente 
dos ventrículos, 
que ejetam o 
sangue para a 
aorta e a artéria 
pulmonar.
Diástoles: 
movimentos 
de dilatação 
do coração, 
que se seguem 
às sístoles, 
caracterizados 
por relaxamento 
muscular e 
enchimento 
de sangue dos 
ventrículos.
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Marina emparelhou comigo e, sem olhar nem mudar o passo, 
me entregou o papelzinho dobrado — como se ela fosse 
uma combatente da Resistência Francesa e adivinhasse em mim um
simpatizante, talvez interessado em comparecer à próxima reunião 
clandestina —, descobri que a amava e que era correspondido. 
[...]
Passei os quarenta minutos na perua com a mão fechada, o bilhete
amassado ali dentro, as conversas, risos e gritos das outras crianças
entrando por um ouvido e saindo pelo outro, meu coração parecendo 
um lambari na ponta do anzol: as sístoles regidas pela glória de me saber 
correspondido, as diástoles pelo pânico de ser descoberto.
Mas que havia de tão terrível para ser descoberto? O que havia de
vergonhoso, afinal, no amor? Eu não sabia. Talvez uma ligação íntima
com um indivíduo do sexo oposto significasse traição ao grupo de
meninos, uma atitude muito pouco máscula, como se eu estivesse 
desistindo do futebol para brincar de bonecas ou pular amarelinha.
Talvez a traição não fosse de gênero, mas etária: namorar era coisa de
adultos ou adolescentes e, portanto, trazer aquele nó no peito revelaria
uma pretensão ridícula. Não saber o que eu temia me deixava mais temeroso, de forma que 
só quando me vi em casa, sozinho, no fundo do quintal, tomei coragem e abri o bilhete.
Desenhado a lápis, no alto do pequeno retângulo, um avião. Do meio do avião se abria 
uma porta e, por ali, jorravam flores, pintadas à canetinha. Lá embaixo, de braços abertos 
e sorrindo, um menino recebia a chuva colorida. Ao lado: “Antônio, você é muito legal.
Assinado: Marina”.
Tarde da noite, depois de muitos esboços e com uma lanterna sob o lençol para não
acordar minhas irmãs, consegui acabar a resposta. Ocupando quase toda a superfície de
uma folha de papel sulfite, fiz um circo, com listras azuis, vermelhas e brancas no toldo. No 
alto, o letreiro: “Grande Circo Marina”. Embaixo, à direita, uma flechinha e a indicação: “Abra”.
Na outra página, grampeada à primeira, fiz o interior da tenda. Em cima de um 
tamborete, no meio do picadeiro, uma bailarina. Em seu collant: “Marina”. Em torno dela,
um mágico, dois palhaços, um leão, uma foca e um elefante bradavam em balões de HQ: 
“Marina!”. De ponta-cabeça, em pleno ar, trapezistas gritavam: “Marinaaaaa!”. NNaa ppllatteeiiaa, ooo
público segurava cartazes: “Viva a Marina!”, “Eu Marina!”, “Vai, Marina!”. Numm cantooo dddaa 
arquibancada, fiz um garoto sentado: um aviãozinho numa mããoo,, uummaa ffflor na outra eeeee,,,,,, pparrrraaaa 
não haver chance de equívoco, uma flecha indicando: “Eu”. Em cciimmaa ddeelleee,, um bbaaalããoo: “MMMMaaaaarriina, 
você também é legal. Assinado: Antônio”. Fui dormir em êxtase.
Acordei em pânico. Disse à minha mãe que não me seennttiaa bbbbbbbbbeeeeeeeeemmmmmmmmmmmmmm,,,,, eeeeeeessssssttttttttttaaaaaaaaaaaavvvvaa ennjjjoooaaaadddooo,,, tttalvveezz
com febre ou gripe ou dor de barriga. Quer dizer: estava eeeennnnjjooaadddooo EEEEE ccccooooommmm fffeeebbrreeeee EEE gggrippppppeeeeeeeee EEEEEEEE ddddoooorrr 
Sístoles:
movimentos
de contração 
do coração,
especialmente
dos ventrículos, 
que ejetam o 
sangue para a 
aorta e a artéria
pulmonar.
Diástoles:
movimentos
de dilatação
do coração,
que se seguem 
às sístoles, 
caracterizados
por relaxamento 
muscular e
enchimento 
de sangue dos
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de barriga. Que tal se eu não fosse pra escola? Ela tomou minha temperatura, olhou no fundo dos 
meus olhos e, com um sorriso indeciso entre o cúmplice e o acusatório, me mandou para o banho.
Passei a manhã aflito, andando pela casa, secando as mãos suadas na calça de moletom. No almoço, 
só mexendo a comida de um lado pro outro no prato, fiquei imaginando pequenos eventos que, com 
uma boa vontade dos deuses, me impediriam de ir à escola. E se a perua quebrasse a caminho de casa? 
E se, melhor, ela se envolvesse num acidente, um acidente grave, pegasse fogo? Duvido que teria aula 
se a perua explodisse. [...]
Entrei na classe e a Marina já estava em seu lugar, próximo à porta, ao lado da Titina. Não 
tive coragem de encará-la — bastariam nossas pupilas se cruzarem, eu temia, para que fossemos 
desmascarados —, mas reparei, de soslaio, que ela interrompia o papão com a amiga e me seguia com 
os olhos, abrindo um sorriso apreensivo e esperançoso. Continuei andando até o outro lado da sala, 
sentei no fundo e, ao longo do dia, fiz de tudo para não me virar para a porta [...].
Por mais duas aulas, mantive o pescoço firme e os olhos apontados para a frente, como um cavalo 
em parada militar, até que o sinal da saída tocou. A Marina se levantou para ir embora e, de pé, lá do 
outro lado da classe, me encarou por uns bons quinze segundos — uma eternidade durante a qual 
permaneci abaixado, simulando alguma dificuldade para guardar as pastas na mochila. Quando ela 
finalmente saiu da classe, contei até cinquenta, e só então saí também.
[...]
Nesse estado deplorável eu entraria na Kombi, chegaria em casa, pediria 
à minha mãe para me trocar de escola, não fosse uma mão me puxando 
pela camiseta, quase rasgando a gola em meu pescoço. Virei e dei de cara 
com a Titina: “A Marina tá te esperando atrás do brinquedão”. Era uma 
ordem — e eu obedeci.
Cheguei ofegante. Olhei em volta: só havia nós dois. Não 
dissemos nada, pus a mochila no banco, abri, entreguei a carta, 
vi os olhos da Marina emergirem do fundo do pântano e serem 
inundados pelo sol, saí correndo. [...]
Na manhã seguinte, outra vez, ensaiei o golpe do “não 
estou me sentindo bem”, mas se já não funcionara na 
véspera, agora reincidente, é que não iria colar. Na perua 
tentava me acalmar: eu já havia feito a minha parte, 
respondendo o bilhete, certo? [...]
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Sala de leitura
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Como na véspera, quando cheguei, a Marina já estava em seu lugar, 
ali na frente. Ela me sorriu, fiz que não era comigo [...].
A professora pediu que formássemos grupos de quatro. Com medo 
de que a Marina me chamasse e, na frente de outras duas pessoas, 
tocasse no assunto proibido, me associei correndo aos meninos mais 
próximos, juntamos a mesa e o trabalho começou. [...]
Ao ver que os alunos mais previdentes ou afobados já iam 
guardando o material em suas mochilas e que a aula se aproximava do 
fim, fui tomado por uma súbita tranquilidade: o pior havia passado, a 
cada dia estaríamos mais longe dos bilhetes, menores seriam as chances 
de que algo desse errado, em breve eu poderia voltar à minha rotina de 
admirador secreto, de observador distante — então a Titina se levantou.
Enquanto caminhava em nossa direção, torci para que fosse apenas 
entregar os exercícios à professora, mas ela passou diretamente pelo 
meio da classe e seguiu caminhando. Concentrei-me nos cubinhos, nas 
barrinhas, no cubão, disse alguma coisa sobre a resposta da questão 
três, sugeri que refizéssemos a conta, como se o trabalho fosse um 
buraco no qual eu pudesse enfiar a cabeça, fugindo da Titina e do que 
ela pretendesse comigo.
Infelizmente, minha estratégia saiu pela culatra: vendo-me tão 
entretido no exercício, em vez de entregar em mãos o bilhete que 
trazia, largou-o em cima da minha mesa e saiu andando. Meus olhos 
alcançaram o pequeno retângulo de papel junto com os dos meus 
colegas, e, percebendo a curiosidade em seus rostos, fiz a primeira 
coisa que me passou pela cabeça — ou melhor, que não me passou: 
num reflexo dos mais irrefletidos, arremessei o bilhete pela janela. Os 
três deram um salto e se debruçaram sobre o beiral, já alardeando aos 
quatro ventos: “A Titina mandou uma cartinha pro Antônio! O Antônio 
jogou a cartinha fora!”. Num pulo, meti meu corpo entre eles, antes que 
o resto da classe chegasse para assistir a minha desgraça — e ali estava 
ela, sobre o telhado da cantina, a um metro de nós. Para meu azar, ou 
talvez por castigo dos deuses, o papelzinho caíra meio aberto: do lado 
de fora, quarenta olhos famintos conseguiam ler:
De: Marina
Para: Antônio
Dentro, do lado direito, exposta à visitação pública:
Quer namorar comigo:
( ) Sim
( ) Não 
( ) Talvez
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Todos gritavam e gargalhavam, mas eu não era capaz de ouvir nada, só via as 
goelas escancaradas, os dentes, as línguas e os dedos apontando ora pra mim, ora pra 
Marina. Na frente, a professora batia o apagador na lousa, gesticulava aflita, e eu lia 
“Silêncio! Silêncio!”, em seus lábios. Lá do outro lado, a Titina me encarava com ódio 
e a Marina chorava. [...]
O sinal tocou. A Titina recolheu o material da amiga, pegou-a pela mão e saíram 
apressadas pelo corredor. [...]
Naquela noite, tive pela primeira vez um sonho que se repetiu até o fim da 
infância, me seguiu pela adolescência e ainda hoje, volta a me visitar. Eu acordo, saio 
de casa, pego a perua, desço na escola, cruzo o pátio, subo a escada, entro na classe, 
paro diante de meus colegas e fico ali, em pé, pelo que parece ser muito, muito tempo, 
todos me olhando em silêncio e eu esperando o momento em que se darão conta do 
que, surpreendentemente, demoram tanto a perceber: que eu estou nu; nu, de botas.
ANTONIO PRATA. In: VÁRIOS AUTORES. Tempos de escola: contos, crônicas e memórias. 
São Paulo: Boa Companhia, 2015. p. 127-135. (Fragmento).
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 CAPÍTULO 3 
Gêneros jornalísticos, 70
 CAPÍTULO 4 
Gêneros jornalísticos, 97
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Linguagem visual
 Observe com atenção a imagem a seguir e leia alguns 
dados sobre o autor.
GIUSEPPE ARCIMBOLDO. 
O bibliotecário. c. 1566. 
Óleo sobre tela, 97 x 71 cm.
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O autor e a obra
Giuseppe Arcimboldo nasceu em Milão, na Itália, muito provavel-
mente em 1527, e faleceu na mesma cidade, em 1593. Iniciou seu apren-
dizado de pintor com o pai. Em 1562, passou a servir nas cortes imperiais 
de Viena e, mais tarde, nas de Praga, onde permaneceu longos anos.
Os governantes de Praga eram vistos como simpatizantes do exóti-
co e, por isso, a obra de Arcimboldo encontrou ali solo fértil para flores-
cer. Após a morte do artista, o interesse por sua obra diminuiu, chegando 
quase ao esquecimento, talvez pela estranheza que podem causar suas 
imagens. Apenasa partir do século XX sua arte foi resgatada, recebendo 
a atenção e o valor que merece.
GIUSEPPE ARCIMBOLDO. Autorretrato. 
1575. Caneta e lápis azul sobre 
papel, 23 x 15,7 cm.
 Estudo do tema 
1 Arcimboldo ficou famoso por pintar “cabeças compostas”, isto é, 
retratos de pessoas formados por flores, frutos, vegetais, livros, vasos, 
pratos e outros objetos.
a) Explique por que o artista escolheu livros para formar a figura 
do bibliotecário.
b) Arcimboldo também foi encarregado de retratar outros profissionais 
da corte. De acordo com o raciocínio utilizado nessa tela, diga como 
você acha que poderia retratar:
 um jardineiro; 
 um cozinheiro;
 um juiz. 
2 Observe o grande volume vermelho inclinado, à esquerda, e o livro 
branco que aparece na parte mais baixa do quadro. O que eles 
parecem formar?
 O que os marcadores de texto que saem do livro branco e do bege, 
logo acima dele, representam?
Parecem formar o braço direito do bibliotecário, dobrado num ângulo de quase 90 graus.
Representam os dedos da mão direita do personagem.
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Os livros estão relacionados ao cotidiano desse profissional, que tem como uma de suas funções organizar e catalogar as obras.
Resposta pessoal. Sugestão: com rastelos, regadores, flores, pás, etc.
Resposta pessoal. Sugestão: com panelas, conchas, escumadeiras, alimentos diversos, etc.
Resposta pessoal. Sugestão: com livros de Direito, um martelo, papéis, etc.
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3 Observe bem o retrato apresentado.
a) Agora explique como o artista representou: 
 os olhos; 
 os bigodes e a barba; 
 a orelha;
 o cabelo. 
b) Como os objetos usados para representar essas partes do corpo 
se relacionam ao cotidiano do bibliotecário?
4 O que se vê atrás da figura do bibliotecário?
 Em sua opinião, que efeito esse objeto provoca?
5 A postura em que o bibliotecário foi retratado sugere:
( ) altivez ( ) timidez ( ) preguiça ( ) indiferença
 Levando em conta a alternativa que você assinalou, comente esta 
frase, escrita por críticos de arte: “O aspecto grave do personagem, 
bem de acordo com sua profissão, torna-se, quando o vemos em 
detalhes, de irresistível comicidade”.
Com lupas.
Com tufos de pelos, como os da extremidade de um espanador.
Com um fitilho (marcador de página) vermelho. 
Com um livro de páginas abertas.
As lupas podem ser usadas para ver detalhes em livros e outros documentos. O espanador (ou outro objeto com pelos na ponta) pode ser 
usado para tirar poeira dos livros. O fitilho serve para marcar as páginas dos livros.
Uma cortina escura, toda drapeada.
Resposta pessoal. Sugestão: A cortina ajuda a dar uma patética imponência à figura do bibliotecário, por parecer uma capa, mas também 
pode provocar estranheza, pois dá a impressão de ele estar se escondendo ou cobrindo-se com ela.
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Resposta pessoal. Sugestão: Essa tela deixa evidente a irreverência da arte de Arcimboldo, que não hesitava em brincar com personagens 
sisudos, em geral concentrados em seus pensamentos.
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6 O bibliotecário é, segundo os críticos, uma caricatura de Wolfgang 
Lazius (1514-1565), um intelectual que cuidava das coleções de 
arte da corte do imperador Maximiliano II. Wolfgang e Arcimboldo 
trabalhavam na mesma corte. Você acha que, com essa pintura, 
Arcimboldo prestou uma homenagem ao colega?
7 Observe o quadro com atenção e descreva os livros utilizados 
na composição desse trabalho.
 Esses livros são parecidos com os que você costuma ler?
8 Johannes Gutenberg (c. 1395-1468) inventou a imprensa 
de tipos móveis por volta de 1450, o que permitiu produzir 
livros mais rapidamente. Observe a data da pintura de 
Arcimboldo e marque a alternativa mais adequada.
a) Na época em que foi feita a tela, os livros ainda eram objetos:
( ) comuns ( ) raros ( ) baratos
b) No tempo de Arcimboldo, os bibliotecários eram conhecidos como 
“guardiões de livros”. Levando em conta a alternativa que você 
marcou no item anterior, explique por que eles tinham esse título.
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Resposta pessoal. Sugestão: Não, pois a tela parece zombar da imponência intelectual do bibliotecário, transformando-o numa criatura estanque, 
sem vida e sem ideias próprias.
Parecem livros de coleções, bem encadernados, quase todos de capas duras e claras. Na frente e nas lombadas dessas capas, há desenhos 
em dourado. Alguns livros parecem estar lacrados com uma fita, outros têm vários marcadores de páginas.
Resposta pessoal. 
Os livros eram objetos ainda relativamente raros e caros. A função do bibliotecário era mais propriamente guardá-los do que facilitar 
o acesso a eles.
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Leitura
 Leia a narrativa de Clarice Lispector (1920-1977), uma das grandes 
escritoras de nossa literatura. Observe como a autora consegue nos 
passar, com profundidade, as características físicas e psicológicas de 
seus personagens.
Felicidade clandestina
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arrui-
vados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como 
se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas 
possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono 
de livraria. 
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo 
menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do 
pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas 
pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como 
“data natalícia” e “saudade”. 
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando 
balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoa-
velmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma 
ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a 
que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura 
chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As Reinações de Narizinho, 
de Monteiro Lobato. 
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, co-
mendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu 
passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. 
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não 
vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. 
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num so-
brado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus 
olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse 
no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança 
de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu 
modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a pro-
messa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida 
inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e 
não caí nenhuma vez. 
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria 
era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um 
sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava 
em seu poder, que eu voltasse noCAPÍTULO 4 Gêneros jornalísticos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
 Leitura: A dança, de Voltaire. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97
 Gênero textual: Crônica literária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .103
 A construção textual: Textualização — Coesão referencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112
 Gênero textual: Entrevista. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 117
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UNIDADE III Tipologias e gêneros
 CAPÍTULO 5 A argumentação em textos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .134
 Linguagem visual: Cartuns de Mauricio Rett. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134
 Leitura: Os usos e abusos da internet, de Rosely Sayão. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 138
 Gênero textual: Crônica argumentativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 144
 Gênero textual: Texto de campanha comunitária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151
 CAPÍTULO 6 Tipologia narrativa e descritiva . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157
 Leitura: Em busca de um sonho, de Walcyr Carrasco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 157
 Gênero textual: A objetividade e a subjetividade na narrativa e no relato. . . . . . . . . . 162
 Gênero textual: Modos de descrever. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 174
UNIDADE IV Criação poética e humor
 CAPÍTULO 7 A poesia no contexto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192
 Linguagem visual: Moço com colete vermelho, de Paul Cézanne . . . . . . . . . . . . . . . . . . 192
 Leitura: O adolescente, de Mario Quintana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 195
 Gênero textual: Poema, prosa e poesia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .198
 Gênero textual: Verso, estrofe, ritmo e rima . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .204
 A construção textual: Sentidos da linguagem — Personificação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 212
 CAPÍTULO 8 A linguagem do humor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 218
 Leitura: O homem que queria eliminar a memória, de Ignácio de Loyola Brandão. . . 218
 Gênero textual: Crônica humorística . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 223
 Gênero textual: História em quadrinhos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 232
 Bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .248
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A narração 
no texto
 CAPÍTULO 1 
Componentes narrativos, 8
 CAPÍTULO 2 
O narrador conta os fatos, 36
BROWN. Eu vou dividir 
com você. Óleo sobre 
tela, 63,5 x 50,7 cm.
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CAPÍTULO
Componentes 
narrativos
8
 Observe atentamente os quadros a seguir.
Linguagem visual
MICHELANGELO MERISI 
CARAVAGGIO. Narciso. 
1594-1596. 
Óleo sobre tela, 
110 x 92 cm.
O autor e a obra
O pintor italiano Michelangelo Merisi, dito Caravaggio (1571-
-1610), nasceu em Milão. Trabalhou para pessoas influentes e logo 
alcançou sucesso. A maior parte das obras do artista refere-se a te-
mas religiosos. Caravaggio é considerado o primeiro grande autor do 
barroco italiano. 
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MICHELANGELO MERISI CARAVAGGIO. 
Autorretrato. Óleo sobre tela, 
52,5 x 44 cm.
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 Estudo do tema
1 As imagens que retratam o personagem mitológico Narciso 
representam apenas dois dos vários trabalhos existentes sobre o tema. 
Pesquise e apresente as principais características de Narciso, assim 
como informações importantes sobre seu nascimento. 
2 De acordo com a mitologia, que fatos relevantes da vida de Narciso 
o tornaram um personagem famoso?
JOHN WILLIAM WATERHOUSE. 
Eco e Narciso. 1903. 
Óleo sobre tela, 
109,2 x 189,2 cm.
O autor e a obra
O pintor inglês John William Waterhouse (1849-1917) é conside-
rado um artista neoclássico. Retratou vários personagens da mitologia 
greco-romana e da lenda do Rei Artur. A obra Eco e Narciso foi usada como 
ilustração de um famoso poema do escritor latino Ovídio.
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John William Waterhouse.
Sugestão: Narciso era extremamente belo e orgulhoso. Segundo a lenda, o deus do rio Cefiso e a ninfa Liríope eram seus pais e teriam 
procurado um adivinho para saber sobre o futuro do filho. A previsão dizia que Narciso viveria muito tempo, desde que nunca visse o 
próprio rosto.
Narciso era um jovem belo que despertava paixão nas mulheres, porém rejeitava todas elas, inclusive a ninfa Eco, que o amava 
incondicionalmente. Sentindo-se desprezadas, elas decidiram vingar-se do rapaz, e a deusa Afrodite atendeu ao pedido, condenando Narciso 
a apaixonar-se por si mesmo, ao olhar seu reflexo na lagoa de Eco. Ali ele permaneceu, mirando-se na água até morrer. Afrodite o transformou 
em uma flor branca que chamou de narciso.
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3 Observe agora a imagem de Narciso no quadro de Caravaggio.
a) De acordo com essa obra, como se pode descrever a figura 
do personagem?
b) Como você definiria a expressão de Narciso olhando o reflexo 
do próprio rosto?
4 A origem do mito de Narciso é bem antiga. Ovídio escreveu sobre ele 
em As metamorfoses, obra poética com cerca de 250 narrativas em doze 
mil versos compostos em latim, publicada há mais de dois mil anos.
a) Observe que a imagem produzida por Waterhouse sobre o mesmo 
tema apresenta características próprias. Compare as diferenças 
físicas e de vestuário entre os Narcisos representados nas duas 
obras. 
b) Quais aspectos da expressão e da postura do jovem Narciso, 
na pintura de Waterhouse, são diferentes em relação ao quadro 
de Caravaggio?
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Trata-se da imagem de um adolescente belo, com cabelos lisos, escuros e cheios. Narciso usa uma calça aparentemente curta e uma 
camisa de mangas bufantes e compridas, talvez de seda, com desenhos nas costas. Reclinado à beira de um lago, ele se apoia com 
as mãos espalmadas no chão, enquanto mira sua imagem refletida na água. O jovem aparenta ser forte e ter traços bem definidos, 
apesar de estar de perfil.
Ele parece inteiramente embevecido com o que vê, ou seja, com a bela visão de seu semblante, que parece tranquilo. Aparentemente, 
Narciso age como se estivessedia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no 
decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração 
batendo. 
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E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, 
enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar 
que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às 
vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente 
que eu sofra. 
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes 
ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de 
modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as 
olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. 
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silen-
ciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda 
e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve 
uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora 
achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe 
boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este 
livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! 
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser 
a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: 
a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura 
em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, final-
mente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar 
o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto 
tempo quiser”. Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo 
que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode 
ter a ousadia de querer. 
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi 
o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não 
saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segura-
va o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. 
Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. 
Meu peito estava quente, meu coração pensativo. 
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, 
só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas 
linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei 
ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde 
guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as 
mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a fe-
licidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece 
que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho 
e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. 
Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro 
aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. 
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com 
o seu amante. 
CLARICE LISPECTOR. In: WALNICE NOGUEIRA GALVÃO (Sel.). Os melhores contos. 
São Paulo: Global, 1996. p. 44-46.
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 Análise do texto 
1 A narrativa lida é um conto; normalmente, os textos desse gênero 
costumam ser um pouco mais extensos que uma crônica.
a) Apesar do predomínio da técnica narrativa, o texto contém trechos 
descritivos. Que função desempenham esses trechos?
b) Explique por que o narrador inicia o conto com a descrição 
de uma das meninas.
c) O fato de o pai dessa menina ser o dono de uma livraria é importante 
no conto? Esclareça sua resposta.
d) A história se passa em um determinado tempo e lugar. 
Identifique esses elementos.
e) Quem conta os fatos e em que pessoa? 
2 Como se trata de um texto narrativo, o conto lido apresenta 
uma estrutura bem definida.
a) No começo há uma situação inicial, que introduz a história de forma 
direta. Identifique essa situação.
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A função desses trechos é caracterizar em detalhes os traços físicos e psicológicos dos personagens, para o leitor compreender melhor a 
personalidade de cada um. 
A menina descrita teria um papel muito importante na experiência vivida pela protagonista e narradora do conto. Ao descrever as 
características dela, a intenção da narradora foi a de fazer com que o comportamento da menina viesse a ser entendido com maior clareza, 
no desenrolar dos acontecimentos.
Resposta pessoal. Sugestão: Sim, pois os acontecimentos se desenvolvem principalmente a partir desse fato. Ou seja, o egoísmo de uma 
das meninas, que não gostava de livros, e o amor da outra por eles constituem o conflito principal do conto.
A história se passa na cidade do Recife. A época não é determinada, mas os fatos 
narrados parecem durar muitos dias.
O conto é narrado em 1a pessoa pela menina que sonha ler As Reinações de Narizinho.
A narradora é uma menina que gosta de ler e estuda com uma menina que é filha de um dono de livraria.
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b) O que faz com que essa situação se modifique, instaurando-se o 
conflito? Por que ele ocorre?
3 A partir do surgimento do conflito, novos fatos ocorrem, dando origem 
a outros elementos narrativos.
a) Em resumo, como se desenvolve a história, segundo os 
acontecimentos narrados?
b) Após várias tentativas de conseguir o empréstimo do livro, sem 
nunca desanimar, a menina leitora finalmente tem uma surpresa. 
Que fato altera o rumo da história e constitui o clímax da narrativa? 
c) Após esse fato, estabelece-se uma nova situação, que representa o 
desfecho da história. Como o narrador relata os fatos conclusivos do texto?
4 Clarice Lispector tinha um modo muito particular de se expressar. 
Nesse texto, ela leva o leitor a conhecer os sentimentos mais profundos 
de seus personagens. Como são caracterizados os sentimentos das 
meninas que protagonizam a história?
5 Em determinadas passagens, o texto emprega a linguagem poética.
a) Explique o que a narradora quis dizer quando se referiu ao livro com 
estas palavras: “Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se 
ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o.”.
Sugestão: A simples possibilidade de ter em mãos aquele livro cheio de histórias que a levariam a imaginar tantas coisas encantava a 
menina. Por isso, ela o personifica, como se fosse um ser animado, um companheiro que faria parte de sua vida.
A menina que não lia era vingativa e egoísta, não valorizava o que tinha, nutria sentimentos negativos pelas colegas e, por isso, tratava mal todas 
elas, especialmente a que amava os livros. Já a menina que sentia prazer pela leitura suportava com paciência e esperança as maldades da outra. 
Portanto, as duas apresentavam sentimentos opostos.
A menina fica com o livro emprestado por tempo indeterminado, por decisão da mãe da colega, e tem a oportunidade de se deleitar com a 
leitura da obra.
A mãe da dona do livro passa a interferir na história, quando descobre a atitude mesquinha da filha.
A dona de As Reinações de Narizinho passa a torturar a colega, adiando sempre o empréstimo do livro.
O fato de a filha do dono da livraria informar que possuía As Reinações de Narizinho, livro que ela promete emprestar à menina apaixonada 
por leitura. A promessa, porém, acaba não sendo cumprida.
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b) Também neste outro trecho se percebe a emoçãoque envolvia a 
jovem leitora: “Até o dia seguinte eu me transformei na própria 
esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar 
suave, as ondas me levavam e me traziam.”. Interprete o sentimento 
da menina à espera do livro.
6 Em sua opinião, por que a menina cujo pai era dono de livraria não 
presenteava as colegas com livros nos aniversários? 
a) Segundo a narradora, a filha do livreiro tinha uma implicância 
especial com ela. Explique por quê.
b) A atitude vingativa da colega foi se intensificando com o tempo. 
Explique por quê.
7 Que sentido apresenta a expressão destacada em negrito nesta 
passagem do texto: “Como casualmente, informou-me que possuía 
As Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.”? 
8 O amor que a narradora devotava aos livros torna-se evidente 
quando ela começa a sonhar com o livro que lhe seria 
emprestado.
a) Em sua opinião, o que representavam os livros 
para ela?
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Sua felicidade já era tão grande que ela se sentia num mundo de sonho, vagando suavemente e deixando-se levar ao sabor da leitura do 
livro.
Resposta pessoal. Sugestão: Talvez porque os livros não tivessem muito valor para ela. Ou, então, porque ela sabia que as colegas sonhavam 
com a possibilidade de ganhar um livro de presente, mas não queria lhes dar essa alegria, por invejar a beleza das meninas.
Resposta pessoal. Sugestão: Além de ser considerada bonita como as demais colegas, a narradora amava os livros. Tudo isso irritava a filha 
do livreiro, que usava os livros como trunfo para torturar, humilhar e fazer sofrer a menina loura.
A filha do livreiro começou a planejar certas situações cruéis, pois ela não queria limitar os castigos já impostos à colega.
A expressão indica que a narradora reconhecera na fala da colega o fingimento, a intenção de iludir e de exercer sobre ela uma “tortura chinesa”.
Resposta pessoal.
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b) Os sucessivos adiamentos no empréstimo do livro não desanimaram 
a narradora, que conservava sua esperança. Como se explica essa 
atitude perseverante por parte dela?
9 As frequentes visitas à casa da colega, em busca do livro tão cobiçado, 
despertaram a atenção da mãe da garota que, ainda surpresa com 
a atitude da filha, tomou suas decisões.
a) Qual foi a consequência da tortura executada tão lentamente, após 
tantas recusas?
b) Com base no comportamento da mãe, o que se pode dizer sobre 
o relacionamento dela com a filha?
10 Com o livro nas mãos, a menina logo esqueceu a dor da espera 
e o longo tempo de humilhações.
a) Explique as reações da menina quando finalmente pôde manusear o livro.
b) De acordo com a narradora, a felicidade seria sempre clandestina 
para ela. Por quê?
A dona do livro teve de emprestá-lo por tempo indeterminado, por ordem da mãe que, finalmente, intercedeu pela colega da filha.
É possível perceber que a mãe não era conivente com as atitudes da filha, que procurava corrigi-la.
A princípio, ela o segurou com as duas mãos e o carregou apertado contra o peito, andando bem devagar. Depois, inventou situações 
diferentes, divertindo-se com o livro, retardando o momento de completa felicidade ao lê-lo e antegozando o prazer da leitura.
Resposta pessoal. Sugestão: talvez porque ela achasse que a felicidade não lhe pertencia realmente, que precisaria sempre ser conquistada 
com muita paciência e esforço.
Como ela própria diz: “o amor pelo mundo me esperava”. Portanto, não importava quantas vezes ela teria de voltar à casa da colega. 
Um dia, ela teria o livro, e essa certeza lhe bastava.
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Gênero textual
Notícia
Você já produziu gêneros que contam fatos fictícios ou reais. Vamos estudar 
agora outro gênero textual que, além de se basear em fatos reais, deve apresentar 
os fatos de maneira impessoal e objetiva: a notícia.
MENINO ARRASTADO POR ENCHENTE 
VOLTA PARA CASA
Garoto de 9 anos reencontrou família após sumir em 
correnteza de forte chuva de quinta-feira em Nova Iguaçu (RJ); 
criança se agarrou a galhos
Um menino de 9 anos conside-
rado desaparecido desde a tarde de 
quinta-feira, durante a chuva que 
atingiu a Baixada Fluminense, reen-
controu os pais. Daniel de Souza 
contou que foi arrastado pela cor-
renteza após ser empurrado por 
outros meninos em um córrego, em 
Nova Iguaçu.
Daniel voltou para casa an-
teontem e, ontem, disse que con-
seguiu se segurar na vegetação à 
margem do rio. Ele foi arrastado 
por 1,7 km. Mesmo sem saber na-
dar, afirmou ter passado por uma 
galeria sob a Via Dutra. “Pensei que 
fosse morrer”, disse. Daniel contou 
que, no bairro Rosa dos Ventos, 
conseguiu se agarrar à escada de 
uma ponte.
De lá, pegou um ônibus para 
Santa Eugênia, a 4,5 km, perto de 
onde a mãe trabalha. Na rua, en-
controu um amigo e acabou dor-
mindo na casa dele. Segundo o pai, 
Anderson de Souza, a mãe do cole-
ga tentou avisar que Daniel estava 
lá, mas as linhas estavam ocupadas. 
“Ele falou para o amigo que a gente 
tinha deixado ele dormir lá”, afir-
mou o pai.
No dia seguinte, os pais foram 
avisados e buscaram o filho. Na 
quinta-feira, quando o rio transbor-
dou, Daniel havia saído para com-
prar pão. Seu pai não entende por 
que o menino foi empurrado. “Meu 
filho é tranquilo.”
Ontem à tarde, o garoto foi le-
vado pela mãe, Ivete Silva de Souza, 
ao Hospital Albert Schweitzer, em 
Realengo, no Rio, para ser vacinado. 
[…]
FELIPE WERNECK. O Estado de S. Paulo, 6 jan. 2013, p. C4. Cidades/Metrópole. (Fragmento).
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Baixada Fluminense, 2013.
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1 Como é possível deduzir que os fatos narrados são verdadeiros 
e não inventados por um escritor de ficção?
2 Na notícia, quem conta os fatos?
a) Essa pessoa revela seus sentimentos e emoções a respeito 
dos fatos? Esclareça sua resposta.
b) Observe em que pessoa foi elaborada a notícia e explique por que 
foi feita a escolha dessa pessoa.
c) Como vimos, a notícia foi publicada num jornal. Em quais outros 
veículos de comunicação encontramos notícias? Elas sempre 
são escritas? 
3 As notícias apresentam, em geral, uma organização própria 
na apresentação dos fatos. Primeiramente, há um título principal 
ou manchete e, às vezes, um título auxiliar.
a) Na notícia em estudo, identifique o título principal e o título auxiliar.
Título principal: “Menino arrastado por enchente volta para casa”. Título auxiliar: “Garoto de 9 anos reencontrou família após sumir em 
correnteza de forte chuva de quinta-feira em Nova Iguaçu (RJ); criança se agarrou a galhos”. 
Há notícias em sites, revistas, TVs, rádios, etc. Portanto, elas também podem ser faladas.
A notícia é apresentada em 3a pessoa para tornar o texto objetivo e impessoal.
Professor: Ressaltar que nenhum texto é inteiramente objetivo, nem os jornalísticos, visto que o redator sempre deixa a sua marca na seleção 
e apresentação das informações. O mesmo fato pode ser noticiado de modo bem diverso por jornalistas e meios de comunicação diferentes. 
O repórter Felipe Werneck.
Em primeiro lugar, pela fonte, já que o texto foi publicado em um jornal (O Estado de S. Paulo). Em segundo lugar, pelas informações precisas, 
como o nome do menino que foi carregado pela correnteza (Daniel de Souza), o nome de seus pais (Anderson de Souza e Ivete Silva de Souza), a 
data e o local do ocorrido (tarde de quinta-feira, em Nova Iguaçu-RJ).
Não. O relato é objetivo e direto. 
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b) Se você lesse apenas o títuloprincipal, saberia dizer do que trata 
a notícia? Com base nessa reflexão, explique qual é a função 
do título auxiliar.
c) Observe que o título principal é bem mais curto e está escrito 
em letras maiores. Nesse caso, qual seria sua função?
4 O elemento mais característico da notícia é o lide (do inglês 
lead, que significa “guia”). O lide, que normalmente ocupa 
o 1o parágrafo, traz as principais informações do fato: o que 
aconteceu, quando, onde e com quem. Identifique essas 
informações na notícia em estudo. De acordo com o lide:
a) O que aconteceu com o garoto que é o centro 
da notícia?
b) Em que momento ou quando esse fato ocorreu?
c) Em que lugar ou onde os acontecimentos se passaram?
d) Quem são as pessoas envolvidas nos acontecimentos? 
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Não é possível identificar completamente o conteúdo da notícia apenas pelo título principal. Portanto, a função do título auxiliar é esclarecer 
a informação apresentada no principal.
O que se deseja é atrair a atenção do leitor para o tema central da notícia. Por isso, o título principal apresenta menos palavras, 
para proporcionar uma leitura mais rápida, provocando maior impacto.
O menino de 9 anos, Daniel de Souza, foi levado pela correnteza de um córrego 
durante uma forte chuva.
Em uma tarde de quinta-feira de chuva forte, no dia 3 de janeiro de 2013, pois a notícia foi publicada no jornal de domingo, dia 6 de janeiro.
Os fatos aconteceram na Baixada Fluminense, num córrego da cidade de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro.
Além do menino Daniel de Souza, os pais dele Anderson de Souza e Ivete Silva de Souza, os meninos que estavam com Daniel na hora do 
acidente, o amigo que o acolheu ao encontrá-lo na rua e a mãe desse colega.
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5 O lide pode também responder a outras duas questões – como e por 
que ocorreu o fato – ou elas podem ser respondidas ao longo da notícia.
a) Neste caso, nos parágrafos seguintes ao lide, pode-se saber como 
o acidente ocorreu. Conte como foi.
b) De acordo com a notícia, por que esses fatos ocorreram?
6 Após o lide, as notícias apresentam geralmente mais alguns parágrafos, 
que trazem detalhes e explicações sobre os fatos. Essa parte se chama 
corpo da notícia. Em resumo, quais são as informações contidas no 
corpo da notícia lida?
7 Como vimos, a notícia apresenta fatos reais, que ocorrem no 
cotidiano; portanto, o jornalista se preocupa em ser objetivo e preciso 
ao escrever.
a) Pode-se dizer que a linguagem empregada nesse tipo de texto 
é formal ou informal? Explique a razão dessa escolha. 
b) Há casos em que a notícia é relatada em linguagem informal. 
Em que situações isso pode ocorrer?
Daniel foi comprar pão e chovia forte. O córrego transbordou, devido ao temporal, e o menino, que passava próximo, foi empurrado 
e levado pela correnteza. Ele se salvou, ao agarrar-se à vegetação à beira do rio e depois à escada de uma ponte, pela qual conseguiu sair 
da água.
Daniel contou aos pais que alguns meninos o empurraram no córrego, e a correnteza o arrastou para longe.
Segundo a notícia, o menino foi levado pelas águas do rio por 1,7 km e passou por uma galeria sob a Via Dutra. Mesmo com medo, ele se agarrou 
à escada de uma ponte, pela qual saiu da água. Pegou um ônibus que passava próximo ao trabalho da mãe. Por sorte, encontrou na rua um 
colega que o levou para dormir na casa dele, onde os pais foram encontrá-lo no dia seguinte. Por iniciativa da mãe, Daniel foi tomar vacina 
em um hospital após o susto. 
Formal, pois a notícia é publicada, em geral, em jornal de grande circulação, voltado para um público amplo. A linguagem formal confere 
credibilidade e seriedade à fonte.
Se forem publicadas em um veículo mais descontraído.
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Notícia
A narrativa jornalística caracteriza-se como uma narrativa técnica, 
não literária. Às vezes, o jornalista explora tanto a linguagem objetiva 
como a subjetiva em seu texto. Todavia, a notícia é uma narrativa impar-
cial por excelência, que visa relatar fatos de interesse do público e, para 
isso, deve usar linguagem clara, concisa e direta.
Publicada em jornais ou revistas, ou apresentada em programas de 
rádio ou televisão, a notícia precisa ser verídica, atual, com dados ob-
jetivos, evitando exageros. Os fatos devem ser apresentados de forma 
imparcial e narrados sempre em 3a pessoa. De todo modo, é bom lem-
brar que, por mais objetivo que pretenda ser, qualquer texto sempre 
expressa uma opinião, um posicionamento ou um ponto de vista de seu 
autor.
Na notícia estudada, observa-se a apresentação de dados precisos, 
por meio de uma linguagem objetiva e formal, que segue a variedade pa-
drão. O jornalista procura informar ao leitor a realidade dos fatos, sem fa-
zer observações pessoais, e emprega a 3a pessoa.
A notícia apresenta quatro partes principais: a manchete ou título 
principal, o título auxiliar, o lide (do inglês lead ), que corresponde a 
todo o 1o parágrafo, e o corpo ou texto da notícia, que vai do 2o parágrafo 
até o fim.
Essas partes podem ser encontradas na maioria das notícias, e cada 
uma cumpre uma função específica. Para começar, a manchete busca 
atrair a atenção do leitor e anunciar, em poucas palavras, o conteúdo do 
texto. O verbo quase sempre aparece no presente, e os artigos são dis-
pensados. Da mesma maneira, adjetivos e advérbios, sempre que possí-
vel, devem ser evitados.
O título auxiliar deve complementar o principal, acrescentando-
-lhe informações. O 1o parágrafo, geralmente o lide, deve responder às 
perguntas básicas do jornalismo: o que, quem, quando, onde, como e 
por quê.
O corpo ou texto da matéria procede ao desenvolvimento mais 
amplo e detalhado dos fatos, fornecendo informações verídicas, atuais 
e relevantes.
Concluindo:
Notícia é um gênero textual jornalístico, predominantemente 
narrativo, cujo objetivo é informar o leitor sobre fatos atuais, com 
objetividade, concisão e precisão. Quase sempre é veiculada em jor-
nais, revistas, sites e nos noticiários diários da televisão e do rádio.
Para estudar em casa
Oficina de produção
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1a proposta — Produção de notícia com base em outra
 Leia com atenção a notícia a seguir.
BUSCA POR MACACOS ROUBADOS NA FRANÇA 
GERA AÇÃO NO TWITTER
O roubo em um zoo francês 
de sete micos-leões-dourados e dez 
saguis-prateados que nasceram em 
programa de reprodução a partir de 
macacos emprestados pelo Brasil ge-
rou uma mobilização na internet.
A hashtag #Rendezlessinges 
(“devolvam os macacos”, em francês) 
esteve no topo do ranking francês do 
Twitter. Em cerca de sete horas, mais 
de 3.300 tuítes com essa hashtag fo-
ram compartilhados para ajudar a 
investigação policial.
Os animais sumiram no fim de 
semana do zoológico Beauval, em 
Saint-Aignan-sur-Cher, cerca de 200 km 
ao sul de Paris.
“São macacos extremamente 
raros, frágeis, e que fazem parte de 
programas internacionais de repro-
dução. Como é muito difícil alimen-
tá-los, eles não podem ser mantidos 
em casa”, afirmou o diretor do zooló-
gico, Rodolphe Delord.
As circunstâncias do crime ainda 
não foram esclarecidas, apesar de ha-
ver câmeras de segurança, sistemas de 
alarme e patrulhas por todo o zoo.
O zoo acredita que os macacos 
estejam com traficantes que alimen-
tam o mercado negro de animais 
exóticos.
O tráfico de espécies protegi-
das é o terceiro maior do mundo, 
atrás apenas do de armas e de dro-
gas, segundo a associação francesa 
30 Millions d’Amis (30 Milhões de 
Amigos), que luta pela proteção de 
animais.
 Agora siga estas instruções:
 Forme duplacom um colega e comentem o assunto da notícia. 
Observem como o texto foi produzido. Anotem qual foi o fato 
abordado na notícia; em que pessoa ela foi escrita; qual a 
variedade linguística empregada; se a notícia é objetiva e 
impessoal, isto é, se o jornalista se limitou a contar os fatos, 
sem interferir com ideias ou opiniões pessoais.
Folha de S.Paulo, 13 maio 2015, p. A10. Mundo.
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 Em seguida, verifiquem se a notícia apresenta as três partes 
convencionais – título ou manchete, lide (“guia”) e corpo – e se 
elas respondem a estas perguntas: o que ocorreu, com quem 
(ou com o quê), quando, onde, como e por quê.
 Agora, com base na leitura sobre o roubo dos animais e 
nas anotações feitas, vocês vão escrever outra notícia: 
o resgate dos animais roubados. Primeiramente, 
resumam o roubo e contem a busca empreendida 
para encontrar os animais. Vejam antes as 
orientações iniciais para a produção da 
notícia, ou seja, verifiquem as partes que a 
compõem e suas características.
 Comentem a participação surpreendente 
de internautas, da imprensa, de 
entidades governamentais, associações, 
ONGs de proteção aos animais e 
também do público em geral na caça 
aos traficantes de animais em extinção. 
Acrescentem detalhes e informações no 
corpo da notícia sobre os fatos ocorridos 
durante essa busca. Noticiem o resgate 
dos sete micos-leões-dourados e dos dez 
saguis-prateados. Contem como foram 
encontrados, as condições de saúde 
deles, quem eram os traficantes, como 
foi o roubo, a punição dos culpados e a 
recuperação dos animais.
 
Ver Ficha de avaliação 11 na MiniOficina.
2a proposta — Produção de notícias para um jornal mural
Você e a turma vão compor um jornal mural, isto é, um jornal que, em 
vez de ser impresso em folhas dobradas, é exposto numa parede. Para isso, 
vão se reunir em duplas e preparar algumas notícias, conforme instruções de 
uma das propostas a seguir.
A. Produção de notícia sobre um fato atual
 Escrevam uma notícia sobre um fato recente ocorrido no Brasil: 
por exemplo, problemas no trânsito de uma grande cidade, 
desmatamento na Amazônia, casos de violência urbana, 
apresentação de algum grupo musical famoso, um novo aparelho 
tecnológico, um acontecimento esportivo, etc.
omo e por quê.
e o roubo dos animais e 
escrever outra notícia:
Primeiramente,
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Professor: Se a turma for muito grande, recomenda-se organizar trios 
em vez de duplas. Nas aulas em que a atividade for desenvolvida, 
é importante levar alguns exemplares de jornais para a sala, de modo 
que os alunos possam conhecer sua organização e ter mais exemplos 
de notícias.
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 Depois de escolher o fato, pesquisem em jornais, revistas e 
na internet para reunir o máximo de informações a respeito 
dele. Lembrem que o objetivo não é copiar trechos de textos já 
publicados, mas criar uma notícia nova, recontando o fato com as 
palavras de vocês.
 Planejem a notícia: definam qual será o título principal e se vai 
haver título auxiliar. Depois, listem as informações que devem 
constar do lide: o que ocorreu, quando, onde e com quem. 
Vocês podem informar por que e como o fato ocorreu no próprio 
lide ou nos parágrafos seguintes.
 Feito o planejamento, comecem a redação, articulando 
as informações listadas. Empreguem a linguagem formal. 
Sejam objetivos, claros e impessoais, ou seja, não emitam 
opiniões sobre o fato. Usem verbos e pronomes na 3a pessoa. 
Lembrem-se de que os dados, nomes de pessoas, locais e 
fatos devem ser reais e precisos.
B. Produção de notícia sobre a classe ou a escola
 Escrevam uma notícia sobre algum fato ocorrido na classe 
ou na escola. Primeiro, definam o fato a ser noticiado, que 
precisa ter relevância. Em seguida, reúnam o máximo de 
informações possíveis a respeito dele. Colham depoimentos 
de colegas, professores ou funcionários que tenham 
testemunhado o fato ou tenham algo a dizer sobre ele. 
Anotem as respostas sem alterar as palavras que cada 
um disse.
 Depois, redijam o título principal, o auxiliar (se houver) 
e o lide, seguindo as instruções da proposta anterior. 
Se não tiverem certeza sobre alguma das informações, 
deixem claro que estão apenas formulando uma hipótese. 
Por exemplo: “Acredita-se que a jogadora Paula tenha 
ficado gripada e, por isso, não tenha podido participar da 
final do campeonato escolar”. Sejam responsáveis com as 
informações: não revelem nada que seja constrangedor 
para os envolvidos e lembrem que o objetivo da notícia é 
relatar fatos, não exprimir opiniões sobre eles. 
 
Ver Ficha de avaliação 12 na MiniOficina.
Com os colegas e sob a orientação do professor, montem o jornal mural, 
usando um fundo de cartolina ou outro tipo de papel bem resistente. Sobre esse 
fundo, afixem as notícias com fita adesiva ou tachinhas. Escolham um nome para 
o jornal mural e escrevam-no com letras grandes, no alto.
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Gênero textual
Reportagem
A reportagem pode ser considerada uma espécie de notícia ampliada, 
pois apresenta fatos de forma mais abrangente. Leia o texto a seguir, que aborda o 
problema do uso do celular ao volante, em especial entre os jovens.
59% DOS JOVENS DIRIGEM TECLANDO CELULAR
Pesquisa do Ibope em 5 capitais mostra que 8 em 10 motoristas 
reconhecem que hábito é arriscado, mas boa parte não 
faz nada para mudar
Se digitar, não dirija. O alerta não vem 
em embalagens de celular, propagandas de 
operadoras nem foi abraçado por autorida-
des. Mas pesquisa feita com 350 jovens de 
18 a 24 anos em cinco capitais brasileiras 
mostra que 59% deles escrevem na direção. 
São torpedos, posts no Facebook, conver-
sas em chats.
O levantamento – obtido com ex-
clusividade pelo Estado – foi feito pelo 
Ibope em novembro em São Paulo, Rio, 
Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife. 
Perguntados se acham o hábito arriscado, 
80% disseram que sim e um em cada três 
reconheceu que não faz nada para mudar 
(veja gráficos).
DIREÇÃO MULTITAREFA
 Pesquisa com 350 jovens entre 18 e 24 anos, feita em São Paulo, Rio, Belo 
Horizonte, Porto Alegre e Recife, em novembro de 2011, identificou que 59% 
deles digitam e dirigem ao mesmo tempo e 89% já andaram com alguém com 
mesmo hábito.
Fonte: Ibope/ Porto Seguro.
41%
20%
39%
Muitas 
vezes
Algumas 
vezes
Nunca
32%
48%
20%
Sim e 
tenta evitar
Sim, mas 
não faz nada
Não
46% 43%
11%
Muitas 
vezes Algumas 
vezes
Nunca
12%
50%
38%
Sim e 
reclama
Sim, mas 
não faz 
nadaNão
Dirige e tecla Acha arriscado Já andou com Acha arriscado
quem dirige e tecla
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1 A reportagem, em geral, aborda um tema mais específico como 
no texto lido.
a) Apesar de ser comparada à notícia, a reportagem desenvolve 
mais informações e detalhes sobre os fatos ou acontecimentos. 
Qual é o fato principal abordado na reportagem em estudo?
b) Qual é o objetivo da reportagem ao expor essa questão?
Especialistas se mostraram preocu-
pados com o resultado da pesquisa, enco-
mendada pela seguradora Porto Seguro. 
“É como se o indivíduo dirigisse de olhos 
fechados e, quando precisa reagir (frear ou 
desviar), não dá tempo”, diz o perito em 
acidentes Sérgio Ejzemberg. Para ele, ape-
sar de o país não ter dados sobre colisões 
causadas por manuseio do celular, “certa-
mente elas estão ocorrendo e as pessoas, 
morrendo”.“É pior do que dirigir alcooli-
zado, porque os olhos não estão na pista.”
Segundo o órgão americano de segu-
rança no trânsito, o NHT-SA, ao teclar um 
simples “ok”, o motorista aumenta em 23,6% 
a chance de sofrer um acidente. E, apesar de 
não ser uma exclusividade nacional, a pou-
ca preocupação do brasileiro com atitudes 
preventivas é apontada pelo consultor em 
Engenharia Urbana Luiz Célio Bottura como 
parte do problema. “Ele não dá bola, acha 
que não vai acontecer nada”, diz. “Só que o 
seguro não paga o conserto se constata al-
guma irregularidade, como o uso do celular.”
E são justamente as seguradoras que 
mais têm alertado para a questão. “Sábado 
(ontem), iniciamos uma ação educativa na 
TV paga. Neste mês, faremos na aberta, em 
rádio e redes sociais. A peça mostra um 
condutor com os olhos tapados por cinco 
segundos (tempo de pegar o celular e te-
clar)”, diz a gerente de marketing da Porto 
Seguro, Tanyze Maconato.
Em abril, a BB Mapfre já tinha lança-
do campanha em TV aberta e paga, mídia 
impressa, redes sociais e cinemas. No filme, 
um smartphone se aproxima do rosto de 
uma mulher – até se chocar e se estilhaçar 
contra ele.
Advertência. “Acredito que vá chegar 
o tempo em que as empresas (de telefonia 
móvel) vão veicular advertências, como 
as de cigarro e bebida fazem”, diz Paulo 
Rossi, superintendente de marketing da 
BB Mapfre. A opinião é compartilhada por 
Ejzemberg e Bottura.
A Claro é a única operadora que já 
desenvolve ações – em fevereiro, lançou 
a ação Basta uma Letra em lojas próprias. 
Assinada pela Ogilvy Brasil, mostra uma 
vaca no fim de uma longa estrada. A Vivo 
informou que “incentiva os usuários a res-
peitar a legislação”, a Oi disse não ter cam-
panha e a Tim não quis se manifestar.
DENIZE GUEDES. O Estado de S. Paulo, 8 jul. 2012, p. C1. Cidades.
O texto aborda um problema que vem se agravando nos últimos anos: o fato de muitos jovens dirigirem enquanto digitam mensagens 
no celular.
Levar o leitor a refletir e opinar sobre essa situação, que envolve a segurança de todos.
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2 A reportagem apresenta geralmente os mesmos elementos da notícia: 
título principal ou manchete, título auxiliar ou olho, lide e corpo.
a) Na reportagem lida, identifique o título principal e o auxiliar.
b) Escreva outro título principal e um título auxiliar baseando-se nas 
ideias desenvolvidas na reportagem.
3 O 1o parágrafo, que traz quase sempre um resumo da notícia, 
chama-se lide. Em geral, é redigido de forma expositiva, com a 
apresentação simples e objetiva dos fatos.
a) Quais são as informações registradas no 1o parágrafo ou lide 
da reportagem?
b) Observe que a frase inicial do texto se origina 
de um slogan conhecido: “Se beber, não dirija”. 
Pode-se dizer que há uma crítica nesse 
parágrafo? Esclareça sua resposta.
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Título principal: “59% dos jovens dirigem teclando celular”. Título auxiliar: “Pesquisa do Ibope em 5 capitais mostra que 8 em 10 motoristas 
reconhecem que hábito é arriscado, mas boa parte não faz nada para mudar”.
Resposta pessoal. Sugestão “Jovens motoristas teclam o celular ao volante” (título principal); “Motoristas não se esforçam para mudar, 
embora a maioria saiba os riscos dessa prática, diz pesquisa do Ibope”.
O texto comenta a inexistência de medidas ou campanhas que deveriam alertar os motoristas jovens a não utilizar o celular enquanto 
dirigem. Também expõe o resultado de uma pesquisa realizada em cinco estados brasileiros, que confirma o uso de celular por 59% dos 
jovens ao dirigirem. 
Sim, pois a frase remete a campanhas produzidas com o objetivo de 
reduzir ou eliminar outro problema social grave: o hábito de dirigir antes de 
beber. E a repórter afirma que, no caso do uso de celular ao volante, não 
há alerta nem preocupação das autoridades em lidar com o problema.
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4 A partir do 2o parágrafo, no desenvolvimento ou corpo da reportagem, 
são apresentados a causa e o efeito dos fatos abordados. Que fato, 
exposto nesse mesmo parágrafo, levou a jornalista 
a publicar a reportagem?
5 Do 3o ao 8o parágrafo, são expostas as consequências da comprovação 
de um fato que passou a inquietar especialistas em acidentes 
e empresas de celulares.
a) No 3o e 4o parágrafos, que comentários foram feitos por profissionais 
e órgãos preocupados com o problema?
b) Explique por que, de acordo com o 5o parágrafo, as seguradoras se 
destacam na divulgação dos riscos de dirigir e teclar o celular ao 
mesmo tempo.
6 Como vimos, no 6o parágrafo, o resultado da pesquisa provocou a 
reação de uma determinada seguradora. Seus membros decidiram 
organizar campanhas como alerta aos motoristas desatentos.
a) Em sua opinião, os motoristas têm reduzido o acesso ao celular 
quando dirigem? Se necessário, pesquise sobre o assunto antes de 
responder. Depois, discuta o problema com os colegas.
A obtenção, com exclusividade, de uma pesquisa realizada pelo Ibope, em algumas capitais do Brasil, sobre a utilização do celular por 
jovens ao volante.
No 3o parágrafo, a consciência da gravidade das informações contidas na pesquisa fez um dos especialistas concluir que um motorista que 
tecla enquanto dirige é equivalente a um motorista que dirige com os olhos fechados. No 4o parágrafo, o órgão americano de segurança 
no trânsito expõe a grande possibilidade de risco de acidente enquanto um consultor daqui destaca a negligência do brasileiro em relação 
a esse problema.
Apesar de não pagarem o conserto de carros acidentados pelo uso do celular, as seguradoras talvez queiram evitar polêmicas com seus 
clientes, que cada vez mais lhes trazem esse problema. Além disso, para as seguradoras, em princípio, quanto menos ocorrências para 
administrar elas tiverem, melhor.
Resposta pessoal.
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b) Como jovem e possivelmente como um futuro motorista, o que 
você pensa sobre quem dirige teclando o celular? Exponha seus 
argumentos.
7 Nos dois últimos parágrafos, a repórter expõe o 
comportamento das operadoras de telefonia celular 
diante dessa questão.
a) De acordo com o texto, essas operadoras logo vão 
fazer campanhas a fim de divulgar advertências 
aos clientes para evitar o uso do celular ao volante. 
Escreva uma advertência para os jovens que 
poderia ser utilizada em uma dessas campanhas.
b) Comente a ação divulgada por uma operadora mencionada no texto. 
O que essa campanha quis transmitir ao público-alvo?
8 Uma das características da reportagem é a apresentação de informações 
colhidas em diversas fontes e o uso de tabelas e gráficos, como se 
observa no texto lido.
a) Nesse caso, qual foi a principal fonte consultada pela jornalista 
para produzir a reportagem?
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Resposta pessoal.
Resposta pessoal.
Segundo as informações, a campanha mostra que o teclar de apenas uma letra é tempo suficiente para que ocorra um acidente logo adiante. 
Uma pesquisa encomendada por uma seguradora a uma empresa de pesquisa, que entrevistou 350 jovens, em cinco capitais brasileiras, 
em 2011.
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b) Além das informações registradas, a autora da reportagem 
apresentou opiniões de especialistas sobre o assunto. Quem a 
repórter consultou?
c) Quais foram os responsáveis pelo marketing das seguradoras 
entrevistados pela repórter?
d) Explique por que é importante consultar diversas fontes antes de 
escrever uma reportagem.
9 Observe que a produção da reportagemapresenta algumas 
características similares às da notícia.
a) Por exemplo, qual é a variedade linguística empregada pela 
jornalista nessa reportagem? Por quê?
b) Qual é o tempo verbal predominante nessa reportagem, e como se 
explica esse emprego?
O perito em acidentes Sérgio Ejzemberg e o consultor em Engenharia Urbana Luiz Célio Bottura.
A gerente de marketing Tanyze Maconato, e o superintendente de marketing Paulo Rossi.
Dessa forma, é possível obter diferentes pontos de vista, a fim de informar e orientar o leitor, contribuindo para a formação de opinião e, 
consequentemente, para uma mudança de comportamento.
A variedade padrão da língua, porque essa é a variedade que confere mais credibilidade ao jornalista e ao veículo que publica 
a reportagem.
O presente do Indicativo, pois os fatos discutidos são, em geral, atuais, como ocorre no texto em estudo.
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Reportagem
A reportagem é um texto jornalístico e, como a notícia, pode ser 
veiculada em revistas ou jornais, impressos ou on-line. Esse gênero textual 
enfoca um assunto ou fato atual de forma abrangente. Por isso, apresen-
ta mais detalhes que a notícia e é, geralmente, um texto mais longo.
O assunto da reportagem pode ser apresentado de forma exposi-
tiva (narração clara e objetiva do fato), interpretativa (relacionando 
fatos de momentos diferentes) ou opinativa (visando modificar o ponto 
de vista do leitor).
É comum identificar na reportagem os mesmos elementos da notí-
cia: após a manchete ou título principal, há um título auxiliar para 
atrair o interesse do leitor; em seguida, geralmente no 1o parágrafo, apre-
senta-se o lide, que resume os elementos principais do texto e depois 
vem o corpo da reportagem em que o assunto é desenvolvido.
Portanto, podemos concluir que:
Reportagem é um gênero textual da esfera jornalística que 
apresenta informações amplas e detalhadas sobre um assunto da 
atualidade. Costuma trazer estatísticas, pesquisas e depoimentos 
de especialistas, além de mapas, gráficos, fotos e outros recursos 
visuais que complementam o texto.
Para estudar em casa
c) Esse também é o tempo verbal mais utilizado nas notícias? Por quê?
10 O assunto da reportagem pode ser mostrado de forma expositiva 
(relato simples e objetivo dos fatos), interpretativa (estabelecimento 
de conexões com acontecimentos passados ou com fatos relacionados) 
ou opinativa (tentativa de convencimento do leitor a uma opinião). 
De que forma a reportagem em estudo foi apresentada ao público 
leitor? Justifique sua resposta.
De forma expositiva, pois a repórter expõe os fatos, sem se preocupar em analisá-los ou emitir opiniões próprias sobre os acontecimentos 
relatados.
Não. Nas notícias, predominam os verbos no passado, porque esse gênero de texto narra fundamentalmente um fato que ocorreu 
há pouco tempo.
Oficina de produção
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1a proposta — Produção de reportagem a partir de uma notícia
Em dupla, você vai escrever uma reportagem que fará parte de um 
telejornal na “Oficina de projetos” desta unidade. Primeiro, leia a notícia a seguir. 
Ela narra o resultado de uma pesquisa sobre a reciclagem de latas de alumínio.
 Agora siga estas orientações:
 Sua dupla vai preparar uma reportagem sobre reciclagem. 
Além de latas de alumínio, vocês vão pesquisar em livros, jornais 
e revistas ou na internet sobre a reciclagem de outros produtos. 
Se quiserem, peçam sugestões ao professor de Ciências.
 Organizem todas as informações obtidas, inclusive as da notícia 
lida, e definam o conteúdo de cada parte da reportagem. 
Escrevam o título principal e o título auxiliar (ou olho). 
Depois façam o lide, expondo comentários genéricos sobre 
o assunto, ou lançando uma pergunta chamativa ao leitor. 
RAFAEL MORAES MOURA. O Estado de S. Paulo, 28 out. 2011, p. A22. Vida.
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PAÍS SEGUE LÍDER EM RECICLAGEM 
DE LATA DE ALUMÍNIO
Campeão mundial no reaprovei-
tamento de latas de alumínio, o Brasil 
chegou no ano passado ao índice de 
97,6% de reciclagem nesse segmento, 
patamar um pouco inferior ao de 2009, 
que foi de 98,2%.
Desde 2001, o País mantém a li-
derança desse processo, à frente de 
Japão (92,6%), Argentina (91,1%) e EUA 
(58,1%). Em 2010, o País reciclou 239,1 mil 
toneladas das 245 mil toneladas co-
mercializadas, segundo números divul-
gados ontem pela Associação Brasileira 
do Alumínio (Abal) e Associação Bra-
sileira dos fabricantes de Latas de Alta 
Reciclabilidade (Abralatas). De acordo 
com as associações, a reciclagem das 
latinhas movimentou R$ 1,8 bilhão no 
ano passado.
Para o setor, a ligeira queda no de-
sempenho deste ano deve-se ao fato de 
o índice de 2009 ter sido “turbinado” 
pela crise financeira. Em 2008, houve 
redução do valor do alumínio, levan-
do catadores e a indústria de sucata a 
guardar o estoque reciclado esperando 
a recuperação do preço. “O índice de 
2009 foi inflado. Agora, ele continuou 
na curva ascendente de antes”, disse o 
diretor executivo da Abralatas, Renault 
Castro. O índice de reciclagem de 2008 
ficou em 91,5%.
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 No corpo do texto, apresentem e expliquem com suas palavras 
as informações coletadas. Incluam trechos de depoimentos, 
de entrevistas feitas ou de textos lidos (sempre entre aspas), 
bem como tabelas, gráficos, mapas ou imagens sobre o 
assunto. Façam uma conclusão coerente com a orientação da 
reportagem (expositiva, interpretativa ou opinativa). 
 Empreguem a variedade padrão da língua, a 3a pessoa e uma 
linguagem impessoal, objetiva e clara. 
 
Ver Ficha de avaliação 13 na MiniOficina.
2a proposta — Produção de reportagem com base em tema
Reúna-se com seu grupo e escrevam uma reportagem sobre um dos 
assuntos sugeridos a seguir ou sobre outro da escolha de vocês.
Violência urbana: causas e consequências.
O consumismo na adolescência.
O futuro da água no planeta Terra.
Mudanças climáticas e qualidade de vida.
Desigualdade social no Brasil.
 Sigam estas instruções:
 Escolham o assunto e pesquisem sobre ele em livros, revistas, 
jornais e na internet. Depois, entrevistem pessoas que 
apresentem pontos de vista diferentes a respeito do tema.
 Troquem ideias sobre o material obtido e organizem o conteúdo 
de cada parte da reportagem. Criem um título principal e um 
título auxiliar que sintetize um trecho importante do texto. 
A estrutura da reportagem é bastante variável. Se quiserem, 
façam o lide no 1o parágrafo com as principais ideias a serem 
desenvolvidas. Se não, usem esse parágrafo inicial para 
focalizar um detalhe do assunto discutido. Depois, desenvolvam 
o corpo da reportagem nos demais parágrafos, apresentando os 
fatos de forma expositiva, interpretativa ou opinativa.
 Apresentem também o ponto de vista do grupo e dos 
entrevistados sobre o assunto. Acrescentem, se necessário, 
gráficos, citações, fotos, mapas, tabelas e boxes informativos.
 Empreguem a variedade padrão da língua, a 3a pessoa e uma 
linguagem clara, objetiva e impessoal. Quanto ao aspecto visual do 
texto, a apresentação pode ser em colunas, como nos jornais e revistas. 
 
Ver Ficha de avaliação 14 na MiniOficina.
CAPÍTULO
Gêneros 
jornalísticos
97
Leitura
 Você vai ler uma narrativa do escritor francês Voltaire 
(1694-1778). O estilo crítico e satírico foi uma forte 
característica de sua obra, na qual foram registradas 
denúncias sociais contra os poderosos de sua época.
A dança
Sétoc precisava fazer uma viagem de negócios à ilha de Serendib; mas, estando 
no primeiro mês de seu casamento, que, como se sabe, é a lua de mel, não podia 
deixarsua mulher, nem sequer pensar que pudesse fazê-lo um dia: ele pediu a seu 
amigo Zadig que fizesse a viagem em seu lugar.
— Pobre de mim! — lamentava-se Zadig. — Será preciso que eu aumente ainda 
mais a distância que há entre mim e minha bela Astarteia? Mas eu tenho de servir 
aos meus benfeitores.
Disse, chorou e partiu.
Não precisou passar muito tempo em Serendib para ser visto como um homem 
extraordinário. Tornou-se o árbitro de todas as disputas entre os negociantes, o amigo 
dos sábios, o conselheiro daquele pequeno número de pessoas que querem conse-
lhos. O rei quis vê-lo e ouvi-lo. Percebeu logo todo o valor de Zadig; confiou em sua 
sabedoria e fê-lo seu amigo. A familiaridade e a estima do rei assustaram Zadig. Dia e 
noite ele pensava nos infortúnios que lhe tinham causado as atenções que recebera de 
Moabdar. “O rei gosta de mim”, pensava ele. “Não estarei perdido?” Contudo, não se 
podia furtar às amabilidades de Sua Majestade: porque, verdade seja dita, Nabussan, 
rei de Serendib, filho de Nussanab, filho de Nabassun, filho de Sanbusná, era um dos 
melhores príncipes da Ásia e, quando se falava com ele, era difícil não amá-lo.
Esse bom príncipe era sempre louvado, enganado e roubado; era como se hou-
vesse uma disputa para ver quem mais lhe pilhava os tesouros. O recebedor-geral da 
ilha de Serendib era o primeiro a fazer isso, sendo fielmente seguido pelos outros. O 
rei sabia disso: várias vezes já mudara o recebedor; mas não pudera mudar o modo 
já estabelecido de dividir as rendas do rei em duas partes desiguais, ficando sempre 
a menor para Sua Majestade e a maior para seus administradores.
O rei Nabussan confiou seu problema ao sábio Zadig. 
— Vós, que conheceis tantas e tão belas coisas, por acaso não saberíeis me di-
zer como encontrar um tesoureiro que não me roube? — perguntou ele.
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— Certamente. Conheço uma forma infalível de encontrar um homem que 
tenha as mãos limpas — respondeu Zadig.
O rei, encantado, abraçando-o, perguntou-lhe o que devia fazer para con-
seguir isso.
— Basta — disse Zadig — mandar que dancem todos aqueles que se can-
didatarem ao cargo de tesoureiro. Aquele que dançar com mais leveza será com 
toda certeza o homem mais honesto.
— Estais a zombar de mim — disse o rei. — Eis uma maneira muito estra-
nha de escolher alguém para cuidar de minha fortuna. Ora! Quereis dizer que 
quem fizer o melhor entrechat será o tesoureiro mais íntegro e mais capaz? — 
perguntou o rei.
— Eu não vos disse que será o mais capaz — retorquiu Zadig. — Mas vos 
asseguro que, sem sombra de dúvida, será o homem mais honesto.
Zadig falava com tanta segurança que o rei supôs que ele tivesse algum 
dom sobrenatural para conhecer administradores de finanças.
— Não gosto de coisas sobrenaturais — disse Zadig. — Sempre me de-
sagradaram pessoas e livros ligados a milagres e prodígios; se Vossa Majestade 
permitir que eu faça a prova que proponho, haverá de se convencer de que meu 
segredo é a coisa mais simples e sem mistérios.
Nabussan, rei de Serendib, espantou-se muito mais em ouvir que o segredo 
era simples do que se lho tivessem apresentado como um milagre.
— Pois bem — disse ele. — Podeis fazer como vos aprouver.
— Deixai que o faça — disse Zadig. — Vossa Majestade haverá de ganhar 
muito mais do que imagina.
No mesmo dia, Zadig fez publicar, em nome do rei, que todos os que as-
pirassem ao cargo de recebedor-geral de Sua Graciosa Majestade Nabussan, fi-
lho de Nussanab, fossem, em trajes de seda leve, na primeira noite da lua do 
crocodilo, à antecâmara do rei. Lá compareceram sessenta e quatro pessoas. 
Trouxeram-se violinos para a sala contígua; estava tudo pronto para 
o baile; mas a porta do salão estava fechada e, para entrar 
lá, era preciso passar por uma pequena galeria, bastante 
escura. Um porteiro ficou encarregado de acompa-
nhar cada candidato a essa passagem, onde eram 
deixados alguns instantes a sós. O rei, que já estava 
bem avisado, expusera todos os seus tesouros na 
galeria. Quando todos os candidatos haviam 
chegado ao salão, Sua Majestade ordenou que 
dançassem. Jamais se dançou de forma tão 
pesada e tão desajeitada. Todos mantinham a 
cabeça baixa, as costas curvadas, as mãos co-
ladas ao corpo.
— Que gatunos! — dizia baixinho Zadig. 
Apenas um entre eles dançava com leveza, 
a cabeça levantada, o olhar seguro, os bra-
ços estendidos, o corpo ereto, os jarretes 
firmes. — Ah, que homem honesto! Que 
homem bom! — disse Zadig.
Entrechat: passo 
de dança, em 
francês.
Íntegro: digno, 
honesto.
Aprouver: 
agradar, 
satisfazer.
Contígua: 
próxima, vizinha.
Ereto: erguido, 
elegante.
Jarretes: partes 
posteriores dos 
joelhos.
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O rei abraçou aquele bom dançarino, nomeou-o tesoureiro e todos os ou-
tros foram acusados e punidos com toda justiça: porque todos eles, no momen-
to em que se encontravam sozinhos no corredor, haviam enchido os bolsos e 
mal conseguiam andar. O rei se tomou de desgosto pela natureza humana, pelo 
fato de haver sessenta e três gatunos entre os sessenta e quatro dançarinos. 
A galeria escura foi chamada Corredor da Tentação. Se o caso se tivesse dado na 
Pérsia, esses sessenta e três senhores teriam sido empalados; em outros países, 
eles seriam submetidos a um processo cujo custo se elevaria ao triplo do valor 
roubado, que não haveria de voltar aos cofres do soberano; em um outro reino, 
eles teriam provado sua completa inocência fazendo com que o dançarino mais 
lépido caísse em desgraça; em Serendib, foram condenados apenas a aumentar 
o tesouro público, porque Nabussan era muito complacente.
Era também muito reconhecido; ele deu a Zadig uma soma em dinheiro 
muito maior do que jamais um tesoureiro foi capaz de roubar ao rei, seu senhor. 
Zadig o usou para enviar mensageiros à Babilônia, que deviam se informar sobre 
o destino de Astarteia. A voz lhe tremeu ao dar essa ordem, o sangue refluiu ao 
coração, os olhos se turvaram, sua alma por pouco não o abandonou. O mensa-
geiro partiu, Zadig viu-o embarcar; ele voltou para o palácio do rei sem enxergar 
ninguém, como se estivesse em seu quarto, pronunciando a palavra “amor”.
— Ah! O amor — disse o rei. — É justamente disso que se trata. Vós adi-
vinhais o meu tormento. Sois um grande homem! Espero que me ensineis a co-
nhecer uma mulher de suma virtude, como me fizestes encontrar um tesoureiro 
desinteressado.
Zadig, caindo em si, prometeu ajudá-lo no amor como o fizera nas finanças, 
embora isso lhe parecesse uma coisa ainda mais difícil.
VOLTAIRE. In: MARISA LAJOLO (Sel.). Histórias sobre Ética. Tradução de 
Luciano Vieira Machado. São Paulo: Ática, 2000. p. 51-55. (Fragmento).
Empalados: 
espetados.
Lépido: ligeiro, 
ágil.
Complacente: 
bondoso, 
benevolente.
 Análise do texto
1 Como se pode observar, a história desenvolve como tema a ética, 
ou seja, os princípios de conduta do ser humano.
a) De acordo com a narrativa, o que seria um comportamento ético? 
Dê um exemplo para que sua explicação fique mais clara.
b) Ao abordar o conceito de ética em “A dança”, qual é o exemplo 
apresentado pelo autor?
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De acordo com o texto, um comportamento ético seria aquele que não prejudicasse ninguém, que fosse honesto e leal.
A ética é exemplificada por meio da atitude honesta do candidato que veio a se tornar tesoureiro.
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2 Segundo o texto, o personagem Sétoc deveria fazer uma viagem de 
negócios à ilha de Serendib, mas pediu ao amigo que o substituísse.
a) Ao fazer esse pedido, Sétoc agiu de formaética? Esclareça 
sua resposta.
b) Como Zadig demonstrou ser uma pessoa digna de confiança ao 
acatar o pedido do amigo?
3 Já no início do texto, o narrador descreve Zadig como um homem 
dedicado e sábio, o que se confirmou em sua viagem a Serendib.
a) E quanto ao rei de Serendib, Nabussan? Como você poderia defini-lo, 
já que ele era amado por quase todos?
b) Releia esta frase do texto: “Esse bom príncipe era sempre louvado, 
enganado e roubado; era como se houvesse uma disputa para ver 
quem mais lhe pilhava os tesouros”. O que o narrador quis dizer 
nesse trecho, ao empregar uma linguagem irônica?
4 Zadig logo conquistou a todos e tornou-se amigo e confidente do rei 
Nabussan.
a) No começo, o próprio Zadig se espantava em ser tão prestigiado pelo 
rei. Explique por que Zadig teve receios diante de tanto interesse 
e atenção de Nabussan por ele.
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Resposta pessoal. Sugestão: Não, pois, ainda que Zadig estivesse na mesma situação de Sétoc, isto é, apaixonado, este não teve 
escrúpulos em lhe pedir algo que ele mesmo, Sétoc, não era capaz de fazer.
Mesmo insatisfeito com a viagem que o afastaria da mulher amada, Zadig procurou cumprir as obrigações 
com seus benfeitores.
Ele era um homem bom, amável e extremamente compreensivo. Parecia ser muito sensível e, talvez por isso, fosse bastante tolerante 
e liberal no exercício de seu cargo. 
Segundo ele, Nabussan não tinha atitudes firmes e se deixava roubar. Na verdade, ele era apenas um rei bondoso, a quem ninguém 
respeitava. A sequência de adjetivos (“louvado, enganado e roubado”) faz parte da construção dessa ironia, pois o primeiro é uma 
virtude e os dois seguintes têm sentido negativo. A afirmação de que parecia haver uma disputa para ver quem mais roubava o rei 
também é irônica.
Talvez porque Zadig já tivesse passado por uma experiência semelhante, quando fora obrigado a permanecer longe de sua amada, 
ajudando outra pessoa por muito tempo.
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b) Com base no texto, como se pode explicar o prestígio tão rápido 
de Zadig junto ao rei?
5 De acordo com a narrativa, o rei Nabussan se acostumara 
com a pilhagem constante dos súditos e pouco fazia para modificar 
essa situação.
a) Por que o rei, mesmo ciente das falcatruas, continuava conivente 
com os fatos?
b) Como se pode caracterizar a sociedade de Serendib, já que o próprio 
rei parecia admirado com a conduta de Zadig?
6 Decidido a ajudar o rei a descobrir se havia algum súdito honesto 
o bastante para ser o tesoureiro do reino, Zadig traçou um plano.
a) A reação inicial do rei ao ouvir a proposta de Zadig não foi de 
aprovação. Explique por quê.
b) Mesmo assim, Nabussan permitiu que Zadig desse continuidade 
ao estratagema para identificar candidatos honestos. Relate como 
Zadig deu início ao plano.
Resposta pessoal. Sugestão: É possível que a maioria das pessoas não agisse de forma honesta e desinteressada ou com inteligência como 
Zadig, que queria apenas ajudar os outros — o que devia ser pouco comum no reino.
Resposta pessoal. Sugestão: Possivelmente por não confiar em ninguém, não ter o apoio de um amigo como Zadig ou ser um rei 
sem iniciativa.
Resposta pessoal. Sugestão: É possível que nesse lugar quase não houvesse indivíduos honestos, com as qualidades de Zadig. 
Por isso, o rei se surpreendeu tanto com ele e confiou no visitante.
O rei não podia imaginar que uma simples dança seria suficiente para diferenciar os candidatos bons dos maus.
Zadig convocou todos os candidatos a tesoureiro do rei a comparecerem à antecâmara de Nabussan, com roupas leves, 
em determinada noite.
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7 Aos poucos, Zadig conseguiu levar adiante um plano simples e 
inteligente. Com que objetivo a porta do salão de festa ficou fechada? 
O que aconteceu por causa disso?
 Explique por que Zadig estava tão seguro de que podia ter sucesso 
com seu plano.
8 Após a dança, concluiu-se que havia sessenta e três ladrões e apenas 
um súdito honesto. 
a) Explique por que o rei se entristeceu diante dessa constatação.
b) Segundo o texto, em outros países esses ladrões poderiam ter 
tratamento diferente. Você concorda com a punição que Nabussan 
aplicou aos súditos desonestos? Esclareça sua resposta.
9 Terminada a missão de ajudar Nabussan, Zadig logo se lembrou da 
amada, tão distante dele. Que atitude de Zadig demonstrou que seus 
sentimentos eram sinceros?
O objetivo era fazer com que os sessenta e quatro súditos que passaram pela galeria escura onde estavam os bens do rei se sentissem 
tentados a aproveitar a situação de isolamento para roubar preciosidades. Por causa disso, quase todos estavam com os bolsos cheios 
e pesados quando começaram a dançar no salão. Somente um deles, o honesto, dançava com desenvoltura.
Ele acreditava que os cidadãos corruptos e gananciosos não perderiam a oportunidade de roubar alguns objetos da galeria, ou seja, 
não resistiriam a mais essa chance de lesar o rei. 
Ele não imaginava que houvesse tantos ladrões em seu reino. De fato, a desonestidade era quase uma regra em Serendib.
Resposta pessoal.
Zadig gastou todo o dinheiro recebido do rei, que era muito, para ter notícias do paradeiro de Astarteia. 
E emocionou-se ao pensar nela.
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 O rei pediu a Zadig que o a ajudasse a encontrar uma boa mulher 
para casar. Comente a opinião de Zadig, ao considerar o novo 
pedido do rei uma tarefa mais difícil do que desmascarar ladrões.
10 Como vimos, Voltaire abordou o tema da honestidade nessa narrativa. 
Explique por que essa virtude deve ser cultivada por cada um de nós.
 Portanto, que qualidades devem possuir aqueles que são escolhidos 
pelo povo para cuidar dos interesses dos cidadãos? Converse com os 
colegas e exponha suas ideias.
Gênero textual
Crônica literária
Você já leu algumas crônicas nesta obra, como “Dona Custódia” e “Na delegacia”. 
A crônica é um gênero textual que focaliza flagrantes da vida, de forma poética, 
crítica ou bem-humorada. Leia agora uma crônica de Mario Quintana.
Coisas & pessoas
Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas. Tia Tula, que 
achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: “Vem pra dentro, menino, 
olha o mormaço!” Mas eu ouvia o mormaço com M maiúsculo. Mormaço, 
para mim, era um velho que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, 
quando leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo com estes 
olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de preto, brandindo um guar-
da-chuva, com um gogó protuberante que se abaixa e levanta no excitamento 
da perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns 
trinta anos, quando me fui, com um grupo de colegas, a ver o lançamento da 
pedra fundamental da ponte Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, 
Clamor: protesto, 
gritaria, revolta.
Gogó: 
protuberância 
cartilaginosa 
na altura da 
garganta que é 
mais marcada nos 
homens; pomo de 
adão.
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com os presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que fomos 
alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os 
demais jornalistas do Brasil e Argentina. Era como um alojamento de quartel, 
com breve espaço entre as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo 
com os alegres incômodos e duvidosos encantos de uma coletividade demo-
crática. Pois lápelas tantas da noite, como eu pressentisse, em meu entredor-
mir, um vulto junto à minha cama, sentei-me estremunhado e olhei atônito 
para um tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e chapéu 
descido sobre os olhos. Diante da minha muda interrogação, ele resolveu ex-
plicar-se com a devida calma:
— Pois é! Não vê que eu sou o sereno...
E eis que, por um milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei que se tra-
tasse do sereno noturno em pessoa. Coisas do sono? Além disso, o vulto aque-
le, penumbroso e todo em linhas descendentes, ajudava a ilusão. Mas por que 
desculpar-me? Quase imediatamente compreendi que o “sereno” era um vigia 
noturno, uma espécie de anjo da guarda crioulo e municipal. 
Por que desculpar-me, se os poetas criaram os deuses e semideuses para 
personificar as coisas, visíveis e invisíveis... E o sereno da Fronteira deve andar 
mesmo de chapéu desabado, bigode, pala e pé no chão... sim, ele estava mes-
mo de pés descalços, decerto para não nos perturbar o sono mais ou menos 
inocente.
MARIO QUINTANA. In: JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS (Sel.). 
As cem melhores crônicas brasileiras. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 204.
Presidentes 
Justo e Getúlio: 
referência aos 
presidentes 
Augustín Justo 
(1876-1943), 
da Argentina, e 
Getúlio Vargas 
(1882-1954), 
do Brasil. Os dois 
inauguraram, 
em 1947, a 
ponte citada no 
texto, que une 
a cidade gaúcha 
Uruguaiana à 
cidade argentina 
Paso de los Libres.
Estremunhado: 
sonolento, 
desorientado.
Chiru: caboclo 
ou índio de pele 
morena.
Pala: parte 
inferior do chapéu.
Penumbroso: 
envolto na 
penumbra, mal 
iluminado.
1 A inspiração para uma crônica pode vir de várias fontes: da vida do 
próprio cronista, de fatos que ele observa ou mesmo do noticiário.
a) Nessa crônica, que aspecto da vida do narrador serviu de ponto 
de partida para o desenvolvimento do texto?
b) Qual é o tipo de narrador da crônica? Justifique sua resposta.
2 A crônica pode ter como objetivo fazer o leitor refletir de forma crítica 
sobre o tema abordado ou apenas entreter e divertir o leitor.
a) Nesse texto, qual pode ter sido a intenção do cronista ao produzir 
a narrativa? Esclareça sua resposta.
O hábito que ele tinha de personificar as coisas como se elas fossem seres humanos reais.
Trata-se de um narrador-personagem, que conta fatos ocorridos na vida dele. É, portanto, um narrador que participa da história. 
Os verbos e pronomes estão na 1ª pessoa: “Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas.”; “Mas eu ouvia o 
mormaço com M maiúsculo.”.
Resposta pessoal. Sugestão: Essa é uma crônica predominantemente poética, em que o narrador personifica coisas como o sereno, 
o mormaço ou o clamor público. Ele brinca com formas e sensações.
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b) De que forma foi construído o humor na crônica em estudo? 
3 A crônica é um gênero textual que pode apresentar uma linguagem 
mais subjetiva, pessoal e preocupada com a forma, quando então 
se identifica mais com a literatura, ou uma linguagem objetiva e 
impessoal, mais próxima do jornalismo.
a) Na crônica de Quintana, qual é o tipo de linguagem empregada? 
Justifique sua resposta.
b) Pode-se dizer que, no texto, predomina a linguagem formal 
ou a informal? Por quê?
c) Em certos trechos da crônica, observa-se também a presença 
da ironia. Identifique alguma passagem em que se usou esse recurso. 
4 Segundo o narrador, sua tendência de personificar as coisas começou 
na infância. Explique por que, quando a tia gritava a palavra mormaço, 
ele a imaginava com M maiúsculo e julgava a figura um ser do mal.
5 Segundo o texto, o narrador continua a dar vazão às suas fantasias, 
mesmo quando adulto. De acordo com a narrativa, qual seria a 
profissão exercida por ele? Justifique sua resposta.
Jornalista, segundo esta passagem: “[...] fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse a Prefeitura, com os demais jornalistas 
do Brasil e Argentina”.
A partir de comparações entre o mormaço, o clamor público e o sereno e a personificação desses elementos. 
A linguagem subjetiva, pessoal, elaborada, com descrições em que se observa a criação de figuras imaginárias. Portanto, a crônica em 
estudo apresenta características mais literárias.
A linguagem informal, pois há palavras e expressões coloquiais, vindas da oralidade: “Vem pra dentro, menino”; “com um gogó 
protuberante”; “estava devidamente grandezinho”; “olhei atônito para um tipo de chiru”.
Nestes trechos, por exemplo: “E já estava devidamente grandezinho, pois devia contar uns trinta anos”; “tudo com os alegres incômodos e 
duvidosos encantos de uma coletividade democrática”.
Ele imaginava o mormaço como uma pessoa real que, por consequência, deveria ter nome próprio: Mormaço. E seria uma figura negativa talvez 
pelo modo como a tia se referia a ele, como algo perigoso de que o menino devia se proteger.
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6 Na crônica, a expressão “clamor público” é empregada no 
sentido denotativo. Explique o que significa ser perseguido pelo 
clamor público.
 Por que o narrador interpreta a expressão “clamor público” 
no sentido figurado, personificando-a?
7 A palavra sereno, quando usada como adjetivo, significa “tranquilo”. 
Na crônica, porém, ela é usada como substantivo e apresenta outro 
significado. Identifique-o. 
8 Releia este trecho: “Além disso, o vulto aquele, penumbroso e todo 
em linhas descendentes, ajudava a ilusão”.
a) Explique o que você entende por “linhas descendentes”, de acordo 
com o emprego no texto.
b) Nesse caso, por que o narrador descreve o vulto avistado 
no alojamento como se tivesse “linhas descendentes”?
9 Em determinado momento, o narrador se questiona se deveria 
desculpar-se ou não por sua tendência em ver pessoas onde 
havia coisas.
a) Que fato diferente ocorreu que o fez pensar por um instante 
em desculpar-se?
No texto, refere-se ao fato de alguém ter, possivelmente, cometido algum delito ou falta, e as pessoas exigirem que se faça justiça, 
antes mesmo do julgamento.
Para ele, trata-se de uma pessoa que persegue alguém e, por isso, deve ser temida. Nesse caso, o narrador imagina os fatos de acordo 
com seu mundo interior e não segundo a realidade concreta.
Sereno é uma leve precipitação noturna de vapor atmosférico, também conhecida por “orvalho” ou “relento”. No Rio Grande do Sul, contudo, 
o termo também tem o significado de “vigia, guarda-noturno”. É esse o significado atribuído à palavra no contexto da narrativa.
Significa que são traços direcionados de cima para baixo.
Segundo a descrição, o homem tinha “bigodes caídos, pala pendente e chapéu descido sobre os olhos”, ou seja, tudo nele apontava 
para baixo.
Ao personificar o sereno noturno, o narrador percebeu que se tratava de uma pessoa de verdade, isto é, um vigia noturno.
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b) Explique por que ele chegou à conclusão de que não precisaria 
desculpar-se.
10 Em geral, o desfecho da crônica é inesperado ou surpreendente. 
Na crônica lida, a que conclusão o narrador chega no último parágrafo?
Crônica 
A crônica é uma narrativa condensada que focaliza um flagrante 
pitoresco da vida, com ampla variedade temática. Normalmente veicula-
da em jornais, revistas, blogs ou sites, a crônica está na fronteira entre 
o texto literário e o jornalístico. Sua linguagem costuma ser subjetiva e 
coloquial, e sua ação, rápida e sintética. Seus personagens, se compara-
dos com os do conto, têm menor densidade e características psicológicas 
mais superficiais. Embora predominem as sequências narrativas, a crôni-
ca tambémpode apresentar trechos dissertativos.
Esteja voltada para o âmbito jornalístico ou apresente caráter lite-
rário, como no caso do texto de Mario Quintana, a crônica costuma sur-
preender pelo desprendimento com que são tratados os fatos, em ge-
ral relacionados ao cotidiano e a temas atuais. Entre nossos melhores 
cronistas, temos: Luis Fernando Verissimo, Fernando Sabino, Lourenço 
Diaféria, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos, Carlos Drummond de 
Andrade, Cecília Meireles e muitos outros.
Crônica é um gênero textual em que se apresentam fatos do co-
tidiano com o objetivo de levar o leitor a refletir ou se entreter. Em 
geral, o texto da crônica é curto e leve, com poucos personagens e 
linguagem informal, às vezes poética. Na crônica, pode predominar 
a narração ou a argumentação.
Para estudar em casa
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Ele se lembrou de que é normal os poetas usarem a imaginação e terem o hábito de “personificar as coisas”; por isso, se julgou no direito 
de fazê-lo também. Além do mais, a palavra sereno, no Rio Grande do Sul, também pode designar uma pessoa, mais especificamente 
um guarda-noturno.
Ele chega à conclusão de que é legítimo imaginar, criar.
Oficina de produção
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Escolha uma das propostas a seguir para a produção de uma crônica 
literária. Depois de prontos os trabalhos, vocês podem afixá-los num mural, 
para que todos os colegas tenham a oportunidade de ler os textos e trocar 
ideias sobre eles.
1a proposta — Produção de crônica literária com base em outra
A crônica a seguir faz parte de uma pequena publicação desse gênero, 
organizada pela revista Época. Com o título “Por que adoro morar aqui”, 
os textos foram escritos por pessoas conhecidas no mundo literário e artístico 
e relatam as belezas de alguns bairros brasileiros que estão entre os mais 
cobiçados do país. 
Leia uma dessas crônicas literárias, produzida por um artista plástico 
nascido em São Paulo, que escolheu a região do Parque do Ibirapuera como 
tema de sua produção.
Um parque feito de árvores e ideias
Um parque deve se aproximar, 
pela natureza e arte, da vida. E 
ser capaz de distrair as pessoas nas 
horas de lazer e reflexão, fazendo-as 
sentir seu valor e sua própria exis-
tência na cidade. Na adolescência, 
pedalava pelas ruas dos bairros no 
entorno do Parque do Ibirapuera. 
Passeava pelas alamedas e em vol-
ta do lago, esperando o sol se pôr. 
Saudava a chegada da noite no hori-
zonte urbano.
Quando passei a me interessar 
por arte, frequentava as exposições 
nos edifícios da Bienal e do Museu 
de Arte Moderna. Certa vez, ao 
trabalhar na montagem da Bienal 
Internacional de Arte, aproveitei 
para percorrer o parque à noite, na 
escuridão, escondido da seguran-
ça. Foi no Ibirapuera — entre as 
exposições e a natureza — que tive 
o desejo de intervir na vida urbana 
e realizar obras no espaço público. 
Tempos depois, urdi um plano de in-
vadir o lago do Ibirapuera num bote 
salva-vidas. Visitei o lago do parque 
ao amanhecer, diversas vezes, quan-
do as brumas ainda diluíam a vista 
dos grandes eucaliptos, fazendo-me 
recordar uma pintura romântica. 
Faltou fôlego para pôr em prática a 
ação que, imagino, terminaria com o 
resgate dos bombeiros e minha pri-
são. Em 2010, instalei no parque a 
obra Nau, uma escultura em forma 
de barquinho de papel com 6 metros 
de comprimento. Era um convite ao 
visitante para uma navegação poéti-
ca pelo parque.
Em maio, pretendo construir 
no Ibirapuera o maior labirinto de 
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Primeiro, leia o resumo das ideias essenciais referentes à crônica 
publicada para entender melhor o conteúdo e o desenvolvimento do texto:
 Observe como o autor destaca a importância do Parque do 
Ibirapuera em sua vida. No 1o parágrafo, ele chega a personificar 
o local, ao falar de sua participação na vida das pessoas. E relata 
a convivência que mantém com o lugar desde a adolescência.
 No 2o parágrafo, o autor se lembra da influência do lugar em 
sua carreira como artista plástico, mencionando as exposições 
de arte que frequentou nos edifícios da Bienal e do Museu 
de Arte Moderna, situados na área do parque. Nesse mesmo 
parágrafo, ele compara o amanhecer no parque a uma 
“pintura romântica”, descrevendo a escultura que criou e 
expôs nesse lugar.
 No 3o parágrafo, o narrador descreve o projeto de mais uma 
de suas obras no parque, chamada Labirinto e feita de lixo 
reciclável. No 4o parágrafo, ele conclui que o Ibirapuera oferece 
uma série de ideias para quem deseja incorporar a poesia e a 
arte em seu cotidiano.
EDUARDO SRUR. Época, 9 abr. 2012, p. 95.E S É 9 b 2012 95
lixo reciclável do mundo. Oitenta 
toneladas de resíduos sólidos se-
rão distribuídas geometricamente 
numa área de 700 metros quadra-
dos. A ideia da exposição é tornar 
o espectador parte integrante da 
obra, colocando-o frente a frente 
com o lixo. O Labirinto terá duas 
portas de acesso e espelhos em seu 
interior para potencializar o efeito 
desorientador nas pessoas dentro 
dos corredores.
A região do Ibirapuera é assim: 
um espaço rico em possibilidades, um 
laboratório de intervenções artísticas 
e um estímulo para quem gosta de 
testar os limites da imaginação.
Eduardo Srur é paulistano, 
artista plástico e fã da região do 
Parque do Ibirapuera.
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Parque do Ibirapuera, 2013.
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 Agora siga estas instruções:
 Escreva uma crônica com base no tema da crônica apresentada: 
por que adoro morar aqui. Como você viu, o cronista se inspirou 
em fatos relacionados à vida pessoal e ao cotidiano na cidade de 
São Paulo, em especial no Parque do Ibirapuera.
 Você vai relatar fatos que vivenciou na cidade onde mora ou 
já morou. Desenvolva também descrições desse local, crie 
comparações e empregue linguagem subjetiva ou figurada.
 Escreva sua crônica com poesia e sensibilidade, desenvolvendo 
uma narrativa curta e leve, como a do artista plástico, com o 
objetivo de fazer com que o leitor reflita sobre as vantagens de se 
viver em um local que se ama. Escreva o texto em 1a pessoa, como 
narrador-personagem. Empregue a linguagem coloquial.
 Faça a introdução da crônica, apresentando os fatos essenciais 
sobre o lugar e seu cotidiano.
 Desenvolva o texto, descrevendo em detalhes o que julgar 
importante. Empregue também a linguagem subjetiva com 
comparações e imagens poéticas.
 Na conclusão, crie um desfecho original. Se quiser, utilize 
o mesmo título da publicação, “Por que adoro morar aqui”, 
ou outro mais adequado à crônica produzida.
 
Ver Ficha de avaliação 15 na MiniOficina.
2a proposta — Desenvolvimento de crônica literária
Leia o início de uma crônica e depois dê continuidade ao texto.
Um dia como outro qualquer
Uma última repassada na rotina, antes de sair para o trabalho. Até en-
tão, tudo correra bem. Como já havia combinado com a mulher fazia tempo, 
rezaram juntos, na hora em que os filhos saíram para a escola. Providência 
elementar, em que já deviam ter pensado desde o primeiro assalto que o me-
nino sofrera, dos seis que já contava em seu currículo — todos, felizmente, 
bobagens sem violências maiores, em que só levaram o dinheiro da mesada, 
os tênis, o blusão, o walkman e o relógio. Já a menina fora assaltada apenas 
uma vez, mas nunca é demais prevenir. Então a coisa era simples: pessoas 
de fé agora tinham como norma rezar na hora em que os filhos saíam, para 
pedir proteção, e na hora em que voltavam, para agradecer. Funcionava, 
funcionava, Deus é grande.
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ódhipnotizado por sua própria imagem.
Na obra de Caravaggio, Narciso é um adolescente vestido como um fidalgo, com roupas da época em que o quadro foi pintado. Já na tela 
de Waterhouse, Narciso é um rapaz adulto, mais corpulento e de aparência mais simples. Veste-se no estilo grego antigo, somente com 
uma faixa de pano sobre o corpo quase nu, e tem uma coroa de folhas na cabeça.
Waterhouse retratou o personagem com uma expressão ansiosa e mesmo preocupada, enquanto 
observa seu belo rosto refletido na água. E Narciso não está agachado, mas deitado sobre rochas 
à beira do lago.
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5 Em geral, os quadros de William Waterhouse são telas grandes que 
retratam cenas da vida cotidiana e da mitologia grega. Nesse trabalho, 
de que modo se percebe essa preferência do artista por produções 
maiores?
6 Na imagem de Narciso pintado por Caravaggio, observa-se o emprego 
de uma das características do estilo barroco: o contraste entre o claro 
e o escuro. Que efeito esse recurso produz no quadro de Caravaggio, 
quando comparado ao trabalho de Waterhouse?
7 Segundo o mito, a beleza de Narciso despertou muitas paixões entre 
moças e até ninfas. Porém, a indiferença e o desprezo do rapaz 
revoltaram todas elas, que decidiram se vingar dele.
a) Você concorda com a punição recebida por Narciso? Converse com 
os colegas e exponha suas opiniões.
b) A seu ver, esse mito ganhou força por algum motivo especial? 
Troque ideias com a turma e justifique sua resposta.
Resposta pessoal. 
Resposta pessoal. 
Na obra em estudo, o autor explorou um cenário com vários detalhes e dois personagens para compor a cena à beira de um lago. O ambiente 
retratado mostra inúmeras rochas ao centro; à frente, há uma parte bem pequena do lago, e, ao fundo, veem-se árvores. À esquerda, a ninfa 
Eco está sentada ao lado de uma árvore, observando Narciso, à direita, deitado bem próximo dela, mas com a água entre os dois.
O contraste entre luz e sombra cria uma atmosfera de mistério e uma sensação de estranheza diante do desconhecido; por isso, a obra 
apresenta uma certa ambiguidade. Já na imagem produzida por Waterhouse, o cenário apresenta beleza e luminosidade. Os personagens e 
todos os detalhes que compõem a obra estão visíveis e transmitem serenidade, exceto pela expressão um pouco tensa de Narciso.
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Leitura
 Você analisou duas obras inspiradas em uma famosa figura da 
mitologia clássica, Narciso, personagem tão deslumbrado pela própria 
beleza que, por castigo dos deuses, acabou se apaixonando por si 
mesmo. Leia agora um texto atual que também explora a relação das 
pessoas com a própria imagem.
Minhavidaémelhordoqueasua
A ostentação — material e de felicidade — virou uma praga virtual. 
Quem aguenta tanto exibicionismo?
Quem nunca postou no Instagram, a 
rede social de imagens, uma foto da 
praia ou da piscina para cutucar os co-
legas confinados sob a luz fluorescente 
do escritório? Quem nunca atualizou sua 
localização no Facebook para mostrar o 
endereço do restaurante badalado? Um 
exame de consciência, que nem precisa 
ser minucioso, revelará que, sim, muitos 
de nós já incorremos em um (ou dois, 
ou três...) ataque de exibicionismo vir-
tual. Mesmo quem passa incólume pela 
tentação conhece (um ou vários) ami-
gos que não resistem em exibir a última 
viagem, a noite divertidíssima ao lado 
dos amigos, o filho mais encantador do 
mundo, as flores enviadas pelo melhor 
dos maridos. A ostentação — material e 
de felicidade — virou uma praga virtual.
O comportamento já ganhou até 
apelido. Quem se autopromove é cha-
mado de bragger, uma palavra de origem 
inglesa que significa algo como “fanfar-
rão” […]. E não adianta se gabar e tascar 
a hashtag #bragger. A admissão da culpa 
não é desculpa, nem protege contra o 
ressentimento: uma pesquisa feita por 
um site de compras do Reino Unido su-
gere que a principal razão para usuários 
de redes sociais excluírem alguém de sua 
lista de amigos é o exibicionismo. Quase 
70% dos 820 entrevistados disseram ter 
encerrado uma amizade virtual por dor 
de cotovelo.
A mania de se gabar virtualmente 
é tão ostensiva que já despertou a aten-
ção da ciência. Começam a aparecer os 
resultados de uma série de estudos des-
tinados a entender por que as redes so-
ciais podem despertar nossos piores sen-
timentos — de soberba a inveja — e os 
efeitos de remoê-los em velocidade 4G. 
Pesquisadores da Universidade 
Humboldt, em Berlim, entrevistaram 
357 universitários e descobriram que o 
principal sentimento despertado pela 
vida virtual é a inveja. Quase 30% rela-
taram nutrir esse sentimento ao ver, no 
Facebook, posts sobre atividades de lazer 
dos amigos e indícios de sucesso de qual-
quer espécie (acadêmico, profissional, se-
xual). Mesmo os exibidos sentem inveja. 
Cerca de  20% afirmaram chatear-se por 
sentir que sua própria ostentação não é 
notada suficientemente pelos amigos.
A percepção de ser ignorado cria 
um círculo vicioso: confrontados com a 
soberba alheia, os usuários das redes so-
ciais podem adotar atitudes de autopro-
moção ainda mais intensas, suscitando 
inveja e, consequentemente, mais exibi-
cionismo. “Há muitas semelhanças entre 
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os usuários de uma rede social: amigos em co-
mum, mesma formação e origem cultural”, diz 
Hanna Krasnova, uma das autoras da pesquisa. 
“Os estudos sugerem que as pessoas tendem a 
invejar gente parecida com elas.”
O psicólogo americano Ethan Kross, da 
Universidade de Michigan, conseguiu medir as 
consequências desse círculo de ciúme virtual. 
Ele acompanhou por duas semanas usuários do 
Facebook e percebeu que, quanto mais tempo 
passavam conectados, mais insatisfeitos com a 
própria vida diziam se sentir. [...] 
O advogado Cássio Mosse, de 28 anos, diz 
cruzar frequentemente com amigos com voca-
ção para bragger. Há aqueles que fazem questão 
de contar para todo mundo onde estão naque-
le momento (#partiuacademia, #bomdiapraia). 
Outros chegam a cruzar o limite entre realidade 
e ficção na tentativa de impressionar. Mosse diz 
que um conhecido tirava fotos com roupas que 
não comprara, dentro do provador das lojas, para 
posar de bem-vestido. Ele diz que avisa os amigos 
cujo exibicionismo passa dos limites do que ele 
considera tolerável. Mas precisa ser um comen-
tário sutil, para o amigo não se ofender. “Um de-
les publicava muitas fotos de comida, e eu disse, 
brincando, que pararia de ver porque não queria 
ficar com fome”, diz Mosse. Ele excluiu de sua lista 
conhecidos que abusam das postagens para cau-
sar inveja. “No fundo, a pessoa quer mostrar para 
o mundo quem ela gostaria de ser”, diz Mosse.
[...] 
Em meio a tantas manifestações de exi-
bicionismo e inveja, pesquisadores se pergun-
tam se as redes sociais são apenas um reflexo 
— concentrado — de nossos piores instintos 
e se amplificam características desabonadoras 
de nosso caráter. Em defesa das redes sociais, 
é preciso enfatizar que a tendência para se ga-
bar não apareceu com a tecnologia.  Com ou 
sem internet, estima-se que o objetivo de 40% 
de nossas falas diárias é fornecer informações 
para os outros sobre nós mesmos e expressar 
nossas opiniões sobre o mundo. [...] 
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O TURISTA EM 
TEMPO INTEGRAL
Posta o ano inteiro 
fotos das férias (deste 
e de outros anos). 
Parece viver viajando.
O BALADEIRO 
VIDA LOUCA
Quase dá para 
escutar o “Uhuuuu!!!”, 
pelas fotos de bebidas 
e pistas de dança.
O BEM RELACIONADO 
DE OCASIÃO
Descobriu naquela hora 
quem é o “famoso” que 
aparece na foto. Mas não 
deixa passar.
A MÃE ORGULHOSAig
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Quanto a ele, conseguira andar no calçadão e mais uma vez voltara 
ileso, embora o cachorrão o tivesse preocupado novamente. Não sabia por 
quê, mas tinha a impressão de que era um dos resultados das cruzas de 
pitbull, rottweiler, fila e dobermann que um vizinho de quarteirão 
vinha fazendo há vários anos, sem muito método, 
 é verdade, mas com o objetivo sadio de desenvol-
ver uma raça de guarda que reunisse todas as ap-
tidões necessárias para a função. 
[…]
JOÃO UBALDO RIBEIRO. Contos e crônicas para ler na escola. 
Rio de Janeiro: Objetiva, 2010. p. 133-134. (Fragmento).
 Pense no enredo da crônica. Lembre-se de que esse gênero 
de texto é uma narrativa condensada, com poucos fatos e 
personagens e um desfecho inesperado.
 Você pode inserir diálogos entre os personagens, e a linguagem 
utilizada neles pode ser mais informal. Se quiser, use comparações 
e imagens nas descrições. 
 Sua crônica deve ter como objetivo fazer o leitor refletir sobre o 
tema abordado ou apenas diverti-lo. Escolha um título sugestivo 
e, depois, troque seu texto com um colega.
 Observe que, neste caso, a narração precisa ser feita em 3a pessoa 
(narrador-observador), para ficar de acordo com os parágrafos 
iniciais (“rezaram juntos, na hora em que os filhos saíram 
para a escola”).
 Você observou que o narrador introduz a crônica e começa a 
desenvolvê-la, contando fatos relacionados à violência nas ruas, 
de forma humorística e crítica. Continue esse desenvolvimento 
narrando outros fatos com humor, mas acrescente também lirismo 
ou subjetividade à linguagem do texto.
 Se quiser, crie outros personagens que devem surgir à medida 
que novas histórias vão sendo relatadas, envolvendo o mesmo 
tema — a violência urbana. Narre suas consequências na vida 
dos cidadãos e conte como a rotina, não só da família mencionada 
na crônica, mas também de grande parte das pessoas, precisou 
mudar. Você pode narrar fatos reais ou fictícios, mas com leveza 
e certa ironia. Portanto, explore a linguagem subjetiva em certos 
trechos da narrativa.
 
Ver Ficha de avaliação 16 na MiniOficina.
uira andar no calçadão e mais uma vez voltara 
o tivesse preocupado novamente. Não sabia por 
de que era um dos resultados das cruzas de 
bermann que um vizinho de quarteirão 
os, sem muito método, 
tivo sadio de desenvol-
e reunisse todas as ap-
nção. 
ônicas para ler na escola. 
p. 133-134. (Fragmento).
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Textualização — Coesão referencial
A construção textual
Assim como a coerência, que você já conhece, a coesão é um dos recursos 
que garantem a unidade de sentido entre as partes de um texto. Leia o artigo de 
opinião a seguir e observe como a autora consegue construir frases e parágrafos 
bem encadeados, com ideias claras e coesas.
ADOLESCÊNCIA EM FAMÍLIA
A vida dos pais com filhos na adoles-
cência pode ser bem difícil. Tenho ouvido 
relatos e pedidos de ajuda quase desespe-
rados de muitos deles por motivos diversos, 
mas que, quando cotejados, apontam para 
um eixo importante: a falta de compromis-
so dos filhos com a família.
Alguns jovens saem de casa no final de 
semana e não dizem aonde vão, com quem 
vão e quando voltam, apesar dos apelos dos 
pais que apresentam muitos argumentos, in-
clusive o da segurança. Nada os comove: vão e 
voltam quando bem entendem e nem sequer 
se incomodam com a preocupação dos pais.
Continuam desfrutando de todas as 
benesses da família, como se nada tivesse 
acontecido.
Outros adolescentes “pegam” dinheiro 
dos pais sem pedir e, quando são questio-
nados, negam que tenham feito isso e con-
tinuam a agir normalmente em casa.
Há também os que exageram na bebi-
da alcoólica, chegam em casa alterados e 
são advertidos, aconselhados, orientados, 
punidos, mas não se sensibilizam e repetem, 
todo final de semana, essa atitude.
[...] 
A forma de levar os estudos também 
se transforma em um grande problema. 
E não se trata de o filho ser ou se tornar 
bom aluno no conceito da escola. Não, o 
caso é mais sério. Os jovens simplesmente 
agem como se frequentar a escola e seguir 
em frente com o estudo — algumas vezes 
bem, muitas outras mantendo a média e 
outras sem aprender quase nada — não 
fossem responsabilidade deles. Faltam 
muito, esquecem as tarefas e as datas das 
provas, e não se envergonham de seu com-
portamento.
Vamos reconhecer: passar pela adoles-
cência, no mundo contemporâneo, não é fá-
cil para os filhos. Eles sentem toda a pressão 
social em relação à aparência, para que sejam 
felizes, para que sejam apreciados por mui-
tos de seus pares e para que estejam sempre 
conectados com o mundo virtual. [...] 
Também é importante lembrar que, 
nessa etapa da vida, as descobertas, as 
transgressões, a adesão a grupos ou tribos 
e a busca da popularidade a qualquer cus-
to são quase inevitáveis. Por isso, sempre 
se devem esperar turbulências quando os 
filhos são adolescentes.
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1 O texto em estudo é diferente das narrativas que você já leu. Observe 
que a autora expõe opiniões pessoais sobre o relacionamento entre 
adolescentes e seus familiares. Trata-se, portanto, de um texto 
argumentativo.
a) Explique como a autora introduz o assunto que será abordado a 
partir do 2o parágrafo.
b) Qual é a ideia principal ou tese exposta na introdução 
(1o parágrafo) e defendida ao longo do texto?
2 Do 2o parágrafo ao 11o, ocorre o desenvolvimento das ideias da autora, 
que apresenta argumentos pessoais sobre o assunto.
a) Observe que, do 2o ao 6o parágrafo, a psicóloga expõe, de forma 
crítica, o comportamento de certos adolescentes que preocupam os 
pais. Que comentários ela desenvolve sobre a atitude desses jovens?
Mas uma coisa bem diferente é dar-se 
conta de que o filho não percebe que per-
tencer a uma família exige compromissos: 
com os outros integrantes, com seu papel 
no grupo, com a vida em comum. Ensinar 
ao filho esse ponto vital começa quando 
ele ainda é pequeno. Todos os filhos po-
dem aprender a ter responsabilidade para 
preservar e honrar o seu lugar no grupo 
familiar.
Essas responsabilidades podem ser, en-
tre outras: práticas, como colaborar com as 
tarefas domésticas; morais, no sentido da 
consciência dos deveres para com todos do 
grupo; afetivas, que apontam como priorida-
de não prejudicar emocionalmente os inte-
grantes da família.
Na adolescência, os filhos podem ne-
gar todo esse aprendizado. Aí, é preciso sus-
tentar os ensinamentos a todo o custo.
Senhores pais: é preciso bancar, mes-
mo no conflito e com alto custo emocional, 
esse período de vida dos filhos. É pelo bem 
deles. 
ROSELY SAYÃO. Folha de S.Paulo, 17 mar. 2015, p. C2. Cotidiano. (Fragmento).
Segundo a autora há pais que enfrentam problemas com os filhos adolescentes e a procuram, julgando-se incapazes de lidar 
com a situação.
Na opinião da autora, existe uma questão central em que se concentram os problemas na educação dos adolescentes: a falta de 
compromisso dos filhos com a família.
Ela critica os adolescentes que: saem de casa sem informar nada e não se preocupam com a família; gastam dinheiro sem pedir 
autorização aos pais; às vezes, extrapolam na bebida e não aceitam reprovações; não têm responsabilidade nos estudos.
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b) Nos dois parágrafos seguintes, a autora passa a apresentar outro 
lado da questão. No 7o e 8o parágrafos, o que ela comenta a respeito 
das dificuldades sofridas pelos adolescentes?c) Apesar de apresentar as dificuldades vividas pelos adolescentes, 
a autora insiste na ideia inicial de que é preciso transmitir 
responsabilidades aos filhos desde pequenos. De acordo com ela, 
como os pais devem agir em benefício dos filhos?
3 No último parágrafo, a autora apresenta a conclusão, dirigindo-se 
aos pais como se estivesse dialogando com eles. Explique por que ela 
utiliza esse recurso.
 De acordo com a conclusão, a autora apresenta uma sugestão ou 
uma solução para as questões expostas no texto? Esclareça sua 
resposta.
4 Você pôde observar que as frases e os parágrafos que compõem o 
texto estão encadeados de forma coerente, em uma sequência lógica. 
O emprego adequado dos elementos de coesão contribui também para 
a construção de um texto objetivo e conciso. Por exemplo, no 1o e 2o 
parágrafos, que palavras ou formas nominais retomam as palavras 
pais e filhos, evitando a repetição no texto?
Na visão dela, os jovens enfrentam muitos problemas próprios da faixa etária e são muito pressionados pela família e pela sociedade 
em relação à aparência, à busca da felicidade, à preocupação em ser aceitos pelos outros, à conexão com o mundo virtual, entre outras 
cobranças.
Ensinando-os a ajudar nos serviços da casa e a se preocupar com a família, protegendo e evitando prejudicar emocionalmente seus 
integrantes. Cabe aos pais reforçar esses compromissos durante a adolescência dos filhos.
Ela faz uma advertência aos pais ao chamar a atenção deles para as argumentações finais. É como se ela os chamasse para a 
responsabilidade de serem pais.
Uma solução, pois ela se mostra categórica ao alertar os pais para o desafio a ser enfrentado. A autora afirma que é necessário que os 
pais superem possíveis dificuldades, ao delegar responsabilidades aos filhos, pois isso é imprescindível para a felicidade dos jovens.
A forma nominal deles (dos pais) retoma a palavra pais, no 1o parágrafo. Já no 2o parágrafo, tanto o substantivo jovens como o pronome 
pessoal os (“Nada os comove”) referem-se ao substantivo filhos, que está no 1o parágrafo.
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5 Por meio dos recursos de coesão referencial, pode-se retomar uma 
palavra, um período ou até mesmo um parágrafo do texto. 
a) No 4o parágrafo, o pronome demonstrativo isso retoma que 
passagem do texto, sintetizando-a?
b) No 5o parágrafo, há também um pronome demonstrativo que 
estabelece o mesmo tipo de coesão, retomando um trecho anterior. 
Identifique esse pronome e o trecho a que ele se refere.
6 Leia os trechos a seguir e identifique, no texto, os elementos, frases 
ou parágrafos que os termos destacados retomam, estabelecendo a 
coesão referencial.
a) “e outras sem aprender quase nada — não fossem responsabilidades 
deles” (6o parágrafo).
b) “começa quando ele ainda é pequeno” (9o parágrafo).
c) “Essas responsabilidades podem ser, entre outras” (10o parágrafo).
7 No texto, há palavras ou expressões equivalentes a outras 
mencionadas antes ou depois. Por exemplo, a expressão “nessa 
etapa da vida” (8o parágrafo) refere-se à palavra adolescência 
(7o parágrafo). Identifique, no 9o e 10o parágrafos, expressões que 
podem substituir, pelo sentido, a palavra família. W
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Ele se refere ao trecho anterior: “Outros adolescentes ‘pegam’ dinheiro dos pais sem pedir e, quando são questionados, 
negam que tenham feito isso”.
O pronome essa. A expressão “essa atitude” refere-se a todo o conteúdo do 5o parágrafo.
O pronome pessoal eles (na contração deles) retoma o substantivo jovens, que está no início da frase.
O pronome pessoal ele retoma o substantivo filho, que está no início da frase.
O pronome demonstrativo essas, que compõe a expressão “essas responsabilidades”, refere-se a todo o parágrafo 
anterior, ao 9o parágrafo, e também remete à lista de responsabilidades enumeradas em seguida.
As expressões: “os outros integrantes”, “todos do grupo”, “grupo familiar”, “os integrantes da família”.
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8 No 9o parágrafo, a autora argumenta: “Ensinar ao filho esse ponto vital 
começa quando ele ainda é pequeno”. A que “ponto vital” ela se 
refere ao retomar um trecho desse parágrafo e estabelecer coesão 
entre as ideias?
9 Também no 11o parágrafo ocorre o emprego da coesão com o pronome 
demonstrativo esse. Observe: “Na adolescência, os filhos podem 
negar todo esse aprendizado”. Qual seria o aprendizado a que se faz 
referência no texto?
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Coesão referencial 
A redação de um bom texto depende da perfeita articulação das 
ideias, o que se consegue por meio do encadeamento semântico (rela-
tivo ao significado, ao sentido das frases) e do encadeamento sintáti-
co (relativo aos mecanismos que unem orações). Com esses dois elemen-
tos, consegue-se a coesão, isto é, a conexão entre as partes do discurso.
Portanto, um texto é produzido, em parte, por meio da organiza-
ção de palavras que se unem adequadamente umas às outras. Assim, os 
termos vão formando uma oração e as orações vão constituir períodos. 
Essa união ou ligação entre os elementos de um texto deve apresentar 
um sentido lógico, coerente; para isso, é necessário observar as relações 
semânticas ou de sentido existentes entre eles. Na verdade, há uma rela-
ção de dependência entre os termos e as orações, que se estabelece pela 
coordenação ou subordinação das ideias.
No artigo “Adolescência em família”, vimos a coesão referencial 
ou remissiva, em que um termo do texto faz referência a outro. Nesse 
caso, as mesmas ideias ou parte delas são substituídas por sinônimos ou 
expressões equivalentes, que remetem a elementos já mencionados ou 
que serão citados em seguida no texto. Conclui-se, portanto, que: 
Coesão referencial ou remissiva é a conexão estabelecida 
entre os elementos textuais (palavras, períodos e parágrafos) por 
meio de sinônimos ou expressões equivalentes que retomam ter-
mos anteriores ou se referem a termos que ainda serão menciona-
dos no texto.
Para estudar em casa
O ponto vital seria fazer o filho entender “que pertencer a uma família exige compromissos”.
Essa expressão retoma o parágrafo anterior (10o parágrafo), referindo-se aos ensinamentos práticos, morais e afetivos expostos antes 
pela autora.
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Gênero textual
Entrevista
O texto que você vai ler a seguir é uma entrevista. Esse gênero textual 
apresenta ao menos dois participantes: o entrevistado e o entrevistador. Em geral, 
ela é realizada oralmente e, depois, transposta para o papel. Muitas entrevistas 
são usadas como base para a construção de reportagens.
“Sempre lidamos com o 
excesso de informação”
O escritor diz que a sensação de estarmos diante 
de uma enxurrada de informações novas é permanente 
na evolução humana
O escritor americano James Gleick não pode ser acusado de falta de ambi-
ção. Há sete anos, ele decidiu escrever um livro sobre a história da informação 
e sua influência sobre a humanidade — da invenção da escrita cuneiforme aos 
programas de computador que tornaram possível a era digital. O resultado de sua 
extensa pesquisa está em A informação: uma história, uma teoria, uma enxurrada 
(Companhia das Letras, 528 páginas, R$ 59,50). No livro, Gleick analisa a impor-
tância das inovações que revolucionaram a relação do homem com a informação 
e afirma que, apesar dos avanços, ainda somos incapazes de processar e inter-
pretar todos os dados que produzimos. “Esse é um desafio constante”, diz. “Hoje, 
somos participantes ativos de um processo que consiste em filtrar a informação 
útil da inútil e ajudar os outrosa fazer o mesmo.”
ÉPOCA — Como o senhor definiria 
informação?
James Gleick — Não gosto de 
definições curtas. Mesmo que fosse 
divertido ter uma resposta fácil, a 
informação é um assunto rodeado por 
muitas visões diferentes. Esse é o ponto 
de meu livro. De certa maneira, há uma 
definição científica de informação. É 
algo que você pode medir em termos 
de bits, a unidade fundamental de in-
formação. O bit, você absorve ou não. 
Nesse sentido, a informação é sempre 
uma surpresa. Cada bit de informação 
é algo que você não sabia antes. Mas 
não precisamos dessa definição para 
suprir todos os propósitos. Em nosso 
tempo, nos importamos com a infor-
mação que tem significado, o conhe-
cimento. Nem sempre informação e 
conhecimento são a mesma coisa.
ÉPOCA — A abundância de infor-
mações garante sabedoria e conhe-
cimento?
Gleick — Não. Informação não é 
conhecimento, e conhecimento não é 
sabedoria. Qualquer um que estuda a 
história da teoria da informação sabe 
disso. Esse é o paradoxo que meu livro 
aborda. Sabemos que temos acesso a 
mais informação do que em qualquer 
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outro momento da história humana. 
Temos a habilidade de encontrar qualquer 
resposta factual, simplesmente ao digitar 
uma pergunta na internet. Mas ninguém 
acredita ser mais inteligente por isso.
ÉPOCA — Os computadores e os 
smartphones mudaram o comporta-
mento humano?
Gleick — Sim. É algo que temos de 
ter em mente enquanto vivemos nossa 
vida e gastamos nosso tempo. Não vejo 
isso como algo assustador. Quando a 
calculadora eletrônica foi inventada, 
muitos reclamaram que os filhos não 
aprenderiam matemática e que a pró-
xima geração de físicos estava fadada a 
não existir. Hoje, as pessoas reclamam 
que não se lembram mais de números 
de telefones, endereços e fatos. Há al-
guma verdade nisso. Antes, as pessoas 
memorizavam grandes quantidades de 
informação, e isso não acontece mais. Se 
querem dizer que isso é uma perda para 
a humanidade, não argumentarei contra. 
Mas há benefícios, apesar de isso mudar 
nossa visão do que somos. A internet é 
uma prótese nossa, faz parte da gente. 
Quando repassamos alguma tarefa a 
uma tecnologia nova, ganhamos tempo 
para lidar com atividades criativas.
ÉPOCA — Muita gente grava vídeos 
e imagens de quase toda a sua vida. 
Aparelhos novos, como o Google 
Glass (tela conectada à internet, pen-
durada no canto do olho), tornaram 
isso ainda mais fácil. Registrar esse 
tipo de informação é relevante?
Gleick — Não quero insultar 
ninguém que faça isso, mas não faz 
sentido algum. O problema é encontrar 
tempo para viver o presente, em vez de 
ficarmos obcecados com o que vivemos 
no passado. Antes, as pessoas guardavam 
jornais. Claro que é importante nos 
lembrarmos do que fizemos e sentimos 
em determinados momentos. Mas, até 
certo ponto, é saudável deixar as coisas 
de lado. Agora que é fácil se lembrar de 
tudo, teremos de reaprender a habilidade 
de esquecer.
ÉPOCA — Quais foram as revoluções 
de informação mais importantes na 
história humana?
Gleick — De certa maneira, essa é a 
história de meu livro. Ele é sobre os mé-
todos, hábitos e tecnologias da humani-
dade para lidar com informação. Tudo 
começou com a invenção do alfabeto 
pictográfico e, em seguida, da escrita em 
termos de números e símbolos alfabéti-
cos, na forma de palavras. Outra revolu-
ção enorme foi a prensa de Gutenberg, 
que transformou o mundo mais do que 
pensamos. Sem ela, simplesmente não 
haveria revolução científica nem a difu-
são do protestantismo na Europa. Outras 
invenções importantes, cada uma a seu 
tempo, foram o telégrafo, o telefone, o 
computador e a internet.
ÉPOCA — Em que período histórico a 
humanidade testemunhou seu maior 
salto de informação?
Gleick — A resposta fácil seria 
dizer que estamos no meio dela, com 
bilhões ao redor do mundo continua-
mente interconectados. É uma expe-
riência nova na história humana, e so-
mente estamos começando a entender 
aonde chegaremos com ela. Sei que 
vivemos um período como nunca vis-
to anteriormente, mas tudo faz parte 
de um processo contínuo de aprendi-
zado. Há 150 anos, quando o telégrafo 
surgiu, muitos afirmaram que aquela 
tecnologia aniquilaria o tempo e o es-
paço e criaria uma comunidade global, 
assim como a internet agora. Por isso, é 
importante que, mesmo maravilhados 
com o que acontece hoje no mundo, 
saibamos que nossos ancestrais também 
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ficaram atônitos com as tecnologias 
que surgiram em sua época.
ÉPOCA — O volume de dados digi-
tais hoje no mundo é estratosféri-
co. Estamos próximos de conseguir 
processar e interpretar todas essas 
informações?
Gleick — Não, estamos bem 
longe. E não há problema nisso. Pelo 
contrário, vejo isso como algo que 
estamos continuamente tentando 
processar. Não acredito que devemos 
procurar uma resposta mágica, na 
forma de algum superalgoritmo que 
finalmente nos colocará no comando 
de toda informação de que precisamos. 
Atualmente, somos participantes de 
um processo que consiste em filtrar 
a informação útil da inútil e ajudar 
os outros a fazer o mesmo. Esse é um 
desafio constante, não um problema a 
resolver de uma vez por todas.
ÉPOCA — Há muita expectativa 
em relação à computação quântica. 
Ela pode solucionar o problema da 
interpretação dos dados digitais?
Gleick — Não. E não estou di-
zendo que a física quântica não seja 
importante, até porque tenho certeza 
de que ela ainda proporcionará grandes 
descobertas. Ninguém está numa po-
sição para dizer de que ramo da ciência 
virá a próxima descoberta importante. 
Ainda há coisas importantes a descobrir 
na física quântica, em genética, nas várias 
ramificações da ciência da informação, 
e teremos grandes surpresas em todas. 
É difícil saber em qual.
ÉPOCA — O que há de novo no con-
ceito de big data?
Gleick — Big data é uma pala vra 
da moda, uma maneira de falar que te-
mos acesso a quantidades enormes de 
informação não filtrada em vários do-
mínios. Entre seus exemplos estão os 
milhões de mensagens que aparecem 
todos os dias no Twitter e os genomas 
sequenciados em vários laboratórios 
pelo mundo, compilados e colecio-
nados em vários supercomputadores. 
As pessoas veem o big data como um 
desafio, porque todo mundo acredita 
que existam versões da verdade em 
meio a esse amontoado de dados, e in-
vestigam que meios poderíamos usar 
para manipulá-los. Isso tudo é verda-
de. Mas, novamente, vejo isso como 
um processo contínuo com que sem-
pre nos envolvemos. A humanidade 
sempre lidou, de certa forma, com o 
excesso de informação, num volume 
difícil para qualquer indivíduo absor-
ver. Agora, há mais ainda.
ÉPOCA — Como podemos enfrentar 
esse desafio?
Gleick — Estamos fazendo isso 
todos os dias, enquanto julgamos a 
importância do que lemos ou quando 
aprendemos a ser céticos, nos tornan-
do consumidores de informação mais 
sofisticados. Conscientemente ou não, 
já usamos filtros para avaliar a infor-
mação. Esse filtro pode ser uma ferra-
menta de busca na internet, como o 
Google. Pode ser também as pessoas 
que seguimos no Twitter, blogueiros, 
editores de jornais ou curadores de 
museus. Essas pessoas têm julgamen-
tos criativos em que nós, como consu-
midores de informação, aprendemos a 
confiar. Não há resposta óbvia. Temos 
de tomar nossas próprias decisões. 
FELIPE PONTES. Época, 10 jun. 2013, n. 785, p. 87-88.
Big data: softwares ou 
ferramentas de inteligência 
artificial que analisam grandes 
quantidades de informações. 
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1 A entrevista é um texto informativocujo objetivo é transmitir 
ao leitor as ideias do entrevistado.
a) No texto em estudo, identifique a pessoa entrevistada 
e o entrevistador.
b) Explique como o conteúdo da entrevista foi organizado 
na página.
2 Observe que o título da entrevista, destacado em letras maiores, 
é uma fala do próprio entrevistado.
a) Tendo em vista as ideias expostas no texto, explique por que essa 
fala foi escolhida como título.
b) Logo abaixo do título, há o título auxiliar, uma espécie de subtítulo. 
Qual é a função dele nesse caso?
c) Após o olho, há uma apresentação. Que função ela cumpre 
na estrutura do texto e qual é seu conteúdo?
3 A entrevista apresenta logo depois da introdução a sequência 
de perguntas e respostas.
a) Releia a primeira pergunta feita ao escritor e explique por que 
ele afirma que “a informação é um assunto rodeado por muitas 
visões diferentes”. 
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O entrevistado é o escritor americano James Gleick, autor de um livro sobre a história da 
informação e sua influência sobre a humanidade — A informação: uma história, uma teoria, uma 
enxurrada. O entrevistador é Felipe Pontes, jornalista da revista Época.
Por meio de perguntas e respostas; o repórter fez uma espécie de questionário que foi respondido pelo entrevistado.
Resposta pessoal. Sugestão: Trata-se de uma frase de impacto, capaz de atrair a atenção do leitor, pois aparentemente o excesso de 
informação é um problema atual. Além disso, a frase remete imediatamente a uma das questões mais importantes expostas na entrevista.
Apresentar de forma resumida a ideia principal exposta na entrevista.
Ela expõe informações sobre o entrevistado, como seus dados pessoais e profissionais. Quanto ao conteúdo, há informações sobre a obra 
do escritor e opiniões pessoais dele sobre o excesso de informação em nossa época e a necessidade de selecionar o que nos é útil.
Apesar de existir uma definição científica e mensurável para informação, cada indivíduo pode absorver ou não as informações que recebe. 
Nesse sentido, “a informação é sempre uma surpresa”.
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b) Segundo James Gleick, hoje visamos à informação que transmite 
conhecimento, mas informação nem sempre é conhecimento. 
O que ele quis dizer?
4 O escritor comenta que vivemos um momento da história humana em 
que temos acesso a uma quantidade excessiva de informações.
a) De acordo com ele, o computador e os smartphones alteraram nosso 
modo de vida. De que forma isso vem ocorrendo?
b) O autor argumenta que muitas invenções trouxeram benefícios 
inegáveis à humanidade, mesmo modificando certos costumes. 
Qual é sua opinião sobre esse argumento?
c) No final da terceira resposta, o autor faz um comentário interessante 
em defesa das invenções tecnológicas. Como podemos interpretar 
esse trecho?
5 Na entrevista, geralmente as perguntas são mais curtas, e as respostas, 
mais extensas. Explique por quê.
a) De acordo com o texto, o que afirma James Gleick sobre algumas 
pessoas que têm o hábito de gravar grande parte de sua vida?
A informação precisa conter significado, deve nos transmitir algo novo e útil que possamos absorver como conhecimento.
O uso desses aparelhos tem ocupado boa parte do tempo das pessoas. Como o autor diz no texto: “a internet é uma prótese nossa, faz 
parte da gente”. Por isso, deixamos de ter a necessidade de memorizar grandes quantidades de informação. Por outro lado, temos mais 
tempo disponível para nos dedicar a atividades criativas.
Resposta pessoal. Sugestão: As descobertas e invenções quase sempre proporcionaram evolução e crescimento humano, como afirma 
o escritor, mas é necessário que saibamos utilizá-las com inteligência.
Segundo ele, se usarmos aparelhos modernos para nos substituir em trabalhos técnicos, vamos ter mais tempo para utilizar nossa 
inteligência criativa.
O entrevistador deve ser direto, conciso e objetivo em suas perguntas. Por outro lado, o entrevistado deve poder desenvolver bem as respostas, 
expondo-as com a maior clareza possível.
Ele critica esse comportamento e explica que é preciso viver o presente, sem perder tempo com lembranças do passado.
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b) Em uma das respostas, o autor comenta as principais descobertas 
e invenções na área de informação. Em sua opinião, entre as 
invenções mencionadas, quais representaram maior avanço? 
Esclareça sua resposta.
6 James Gleick afirma que o momento atual representa um período 
de grande desenvolvimento na informação.
a) De que forma ele compara a invenção do telégrafo à da internet?
b) Explique por que o escritor enfatiza que, mesmo vivendo em uma 
época de grande avanço da informação, devemos prosseguir em 
nossa busca de conhecimento.
7 Uma das preocupações dos internautas se refere ao excesso de 
informações produzidas no cotidiano. Qual é o parecer de James Gleick 
sobre a possibilidade de que usuários processem e interpretem todas 
as informações disponíveis?
8 Apesar das dificuldades, ele é otimista em relação a novas descobertas 
em diferentes áreas de estudo. Por que o uso do chamado big data foi 
questionado por ele?
Resposta pessoal.
Na época em que cada descoberta surgiu, acreditou-se que poderia ocorrer uma globalização do mundo, em razão da grande 
quantidade de pessoas interligadas.
Como nós, outras gerações no passado também produziram grandes invenções tecnológicas e se surpreenderam com os avanços obtidos, 
mas continuaram suas pesquisas e foram muito além. Segundo o entrevistado, “tudo faz parte de um processo contínuo de aprendizado”.
Ele julga essa possibilidade bem distante ainda hoje e considera mais recomendável filtrar as informações úteis das inúteis.
O big data é uma ferramenta de inteligência artificial que analisa grandes quantidades de dados, estabelecendo relações entre eles. Ainda não é 
possível saber até que ponto essas análises representam algo real ou apenas uma versão questionável da realidade.
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9 Na resposta final, o escritor expõe alguns recursos que podemos utilizar 
para filtrar informações. Em alguns casos, ele menciona ações que já 
praticamos na busca pela fonte mais correta. Que “filtros” seriam esses?
10 O entrevistador deve pesquisar o tema da entrevista e elaborar 
perguntas com antecedência, mas também pode fazer perguntas de 
improviso, com base nas respostas dadas pelo entrevistado.
a) Entre as perguntas de Felipe Pontes, quais parecem ter sido 
elaboradas com antecedência e quais parecem ter sido feitas na 
hora, conforme as respostas dadas por James Gleick?
b) Observe as perguntas supostamente feitas de improviso. O que elas 
revelam sobre o modo como o jornalista se preparou para entrevistar 
o especialista?
c) Explique o emprego da variedade padrão da língua nessa entrevista.
Entrevista
A entrevista é um texto informativo, cujo objetivo é fazer com que o 
leitor conheça melhor as opiniões e ideias do entrevistado, que deve ser 
uma pessoa relevante para o público-alvo. As perguntas do entrevistador 
devem ser imparciais; ele pode levantar questões polêmicas, mas sempre 
com tato, para que o entrevistado se sinta à vontade e as respostas sejam 
espontâneas.
Para estudar em casa
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A escolha da leitura mais adequada, a busca por informações mais confiáveis ou uma fonte de pesquisa séria. Segundo ele, serve como filtro 
também a seleção de pessoas que acompanhamos na internet ou de órgãos bem conceituados na área da informação.
Resposta pessoal. Sugestão: A segunda, a terceira, a sexta e a décima perguntas parecem ter sido feitas de improviso,pois remetem 
diretamente a informações mencionadas nas respostas anteriores de Gleick. As demais parecem ter sido elaboradas com antecedência.
Elas revelam que o entrevistador fez uma pesquisa intensa e se inteirou profundamente do assunto, pois estava apto a rebater e discutir 
informações dadas por Gleick.
O assunto abordado é sério, e a entrevista foi publicada numa revista de grande circulação, para um público leitor amplo. Por isso, o 
texto exige o uso do registro formal.
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Para obter uma boa entrevista, o entrevistador deve pesquisar an-
tes a respeito do entrevistado e do tema a ser abordado. Em seguida, 
baseado nessa pesquisa, deve preparar o roteiro, elaborando perguntas 
específicas.
O texto da entrevista apresenta, em geral, os seguintes elementos:
 Manchete ou título — que deve provocar o interesse do leitor e 
pode ser, por exemplo, uma frase marcante do entrevistado.
 Apresentação — na qual se fala do entrevistado e de sua autori-
dade ou relevância no assunto em questão (por exemplo, sua ex-
periência profissional, sua vivência de determinada situação) e 
também na qual se apresentam os pontos principais da entrevista.
 Perguntas e respostas — que constituem o texto da entrevista 
propriamente dita, em que o nome do entrevistador (ou do órgão 
de imprensa para o qual trabalha) e o do entrevistado aparecem 
antes da fala de cada um.
Há, no entanto, entrevistas que não seguem inteiramente esse ro-
teiro. Algumas apresentam apenas perguntas e respostas breves, num 
estilo pingue-pongue. Outras podem trazer uma apresentação mais 
detalhada, com informações como local, data e duração da entrevista. 
Outras, ainda, em vez de apresentar perguntas e respostas trazem as fa-
las do entrevistado entre aspas, entremeadas ao texto do entrevistador 
ou transcritas como discurso indireto.
Antes da transcrição final, costuma-se fazer uma seleção dos me-
lhores trechos da entrevista, adaptando o discurso oral à língua escrita. 
Não se deve, porém, alterar o estilo da fala do entrevistado; devem ser 
efetuadas apenas pequenas mudanças necessárias à harmonia e à cor-
reção do trabalho. 
De acordo com Judith Chambliss Hoffnagel, 
[...] a entrevista é um gênero primordialmente oral. Nas várias listas 
de gêneros de entrevista, a maioria refere a interações orais (entrevis-
ta com médico, entrevista para conseguir emprego, entrevista coletiva, 
etc.), e mesmo com respeito à entrevista jornalística, pensamos primeiro 
nas entrevistas ao vivo dos programas de televisão e rádio. Quando pu-
blicada em jornais e revistas, na maioria das vezes, a entrevista foi feita 
oralmente e depois transcrita para publicação. A escrita, porém, é apre-
sentada na forma de um diálogo, ou seja, é marcada a troca de turnos 
entre os participantes. [...]
JUDITH CHAMBLISS HOFFNAGEL. In: MARIA AUXILIADORA BEZERRA E OUTROS. 
Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2002. (Fragmento).
Entrevista é um gênero textual cuja finalidade é obter opiniões 
de uma pessoa a respeito de um assunto e divulgar informações so-
bre sua vida pessoal ou profissional.
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Oficina de produção
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Produção de entrevistas
Sob a coordenação do professor, a classe vai se dividir em duplas. Vocês 
vão produzir entrevistas que, mais tarde, serão reunidas em um só volume 
e enviadas à biblioteca da escola. Elas ficarão à disposição para servir de 
material de pesquisa e também como fonte de informação para a realização de 
debates sobre os temas “A internet nos suga como uma esponja” e “O clima em 
mutação”.
1a proposta — Produção de entrevista a respeito do excesso 
 de informação
A entrevista com James Gleick foi publicada em 2013. Novos fatos sobre 
o excesso de informação certamente surgiram ao longo do tempo. Vocês vão 
entrevistar um professor ou aluno de Informática ou de Ciência da Computação 
a respeito desse tema. Pode ser alguém que trabalhe na escola onde vocês 
estudam ou não. 
O objetivo da entrevista será descobrir a opinião desse professor ou 
aluno sobre o tema e, eventualmente, fatos ou pontos de vista não abordados 
na entrevista de Gleick. Antes de iniciar os procedimentos para a entrevista, 
pesquise sobre o assunto. Para este trabalho é importante um gravador. 
2a proposta — Produção de entrevista a respeito das 
 mudanças climáticas
Entreviste um estudante ou professor de Geografia ou Ciências para 
conhecer as opiniões dele sobre quais serão as consequências das mudanças 
climáticas para a humanidade em um futuro bem próximo.
Procedimentos para as entrevistas
1a etapa
 A escolha do entrevistado e o agendamento da entrevista: sob a 
orientação do professor, você e seu colega vão escolher o entrevistado 
e marcar com ele um dia e horário para a entrevista. Busquem 
informações a respeito da pessoa escolhida, pois vocês precisarão 
apresentá-la ao registrar a entrevista. Procurem dados como nome 
completo, idade, local em que a pessoa trabalha, função 
que desempenha, onde estudou, textos que já tenha publicado.
 A preparação do questionário: com seu colega, elabore cinco 
questões a respeito do tema escolhido. As questões precisarão 
ser diretas e curtas. Lembrem-se sempre do objetivo da 
entrevista.
Professor: Hoje 
em dia, com a 
popularização da 
tecnologia, não 
é raro encontrar, 
mesmo em 
comunidades 
carentes, celulares 
ou tocadores 
de MP3 que 
gravam voz. Ainda 
assim, se for de 
fato impossível 
um gravador, 
sugerimos que 
a atividade seja 
adaptada para o 
uso de anotações.
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2a etapa
 A entrevista: no dia e horário marcados, compareça com seu colega 
ao local da entrevista com um gravador. Não se esqueça de verificar 
se as pilhas ou baterias estão novas, de levar o questionário e de 
testar o equipamento antes de começar a gravar. Ao longo da 
entrevista, as respostas poderão levar a novas perguntas que não 
estão no questionário. Façam essas perguntas: o importante é não 
sair da entrevista com dúvidas.
3a etapa
 A transcrição da gravação: você e seu colega vão transcrever para 
o papel toda a entrevista. Nessa etapa, nada deverá ser cortado ou 
omitido. Organizem-se bem, pois essa tarefa poderá ser bastante 
demorada.
4a etapa
 A edição da entrevista: você e seu 
colega devem revisar o texto transcrito. 
Todo o texto precisa estar de acordo 
com a variedade padrão, pois ele vai 
servir de referência aos colegas que o 
consultarem na biblioteca. Eliminem 
as repetições, cortando palavras 
desnecessárias (por serem apenas 
repetições) ou substituindo-as por 
sinônimos. Tirem também as pausas e 
aquelas expressões típicas da oralidade, 
como “Ah”, “É”, etc. Se o autor usar 
gírias, embora o texto seja formal, vocês 
poderão mantê-las, desde que possam 
ser compreendidas pelo leitor.
5a etapa
 A finalização: por fim, organizem o 
trabalho, escolhendo um bom título 
para ele e escrevendo um olho que 
atraia o interesse do leitor para a 
entrevista. Façam a introdução, com 
informações a respeito do entrevistado, 
antes de apresentar as questões.
Ver Ficha de avaliação 17 na MiniOficina.
rito. 
 
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ade,
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ocês 
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Oficina.
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Oficina de projetos
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Produção de um telejornal com notícias 
sobre o Brasil e o mundo
O telejornal é uma combinação de texto e imagem. Resulta de um intenso trabalho de pes-
quisaque precisa ser apresentado em tempo reduzido. Dele participa uma grande equipe de pro-
fissionais, coordenados por um editor-chefe. A atuação dos apresentadores é importante, pois 
eles devem passar credibilidade e segurança.
 No início do telejornal são lidas as chamadas, 
um resumo do que será visto no programa. As 
notícias podem ter o formato de uma nota 
simples (texto lido no estúdio, sem repor-
tagem externa) ou de uma nota coberta 
(com imagens externas). Podem, ainda, ser 
apresentadas de maneira mais completa, 
numa reportagem — formato que combina 
texto, imagens externas e entrevistas.
 Assista a alguns telejornais e observe como 
eles são apresentados — os tipos de notícia, o 
conteúdo e a sequência de cada uma. Registre 
por escrito tudo o que você observou, pois 
essas anotações serão úteis na atividade a 
seguir.
 Você já produziu notícias, reportagens, 
crônicas e entrevistas; portanto, conhece 
a estrutura e o tipo de linguagem empregada 
nesses gêneros textuais. Agora vai produzir 
textos jornalísticos para um telejornal so-
bre o Brasil e o mundo.
 Forme um grupo de quatro colegas, leia 
jornais e revistas recentes e veja noticiários 
na televisão que focalizem fatos sociais, po-
líticos, econômicos, históricos, científicos, 
esportivos, etc.
 Discuta com os colegas o conteúdo das notí-
cias que vocês vão produzir e troque ideias 
com outras pessoas que possam ajudá-los. 
Vocês também podem aproveitar parte dos 
textos que elaboraram nas seções “Oficina 
de produção” sobre notícia, reportagem e 
entrevista. No fim, anote com o grupo o que 
decidiram.
 O grupo deve se reunir e redigir, com base 
nessas anotações, oito notícias curtas, que 
possam ser apresentadas em dois minutos 
cada uma, no máximo. Lembre-se de empre-
gar a variedade padrão da língua e de redigir 
o texto em 3a pessoa. As notícias devem 
responder às perguntas: quem, o quê, como, 
quando, onde e por quê.
 Os textos devem ser divididos para que, em 
casa, cada componente do grupo leia o(s) 
que lhe couber(em), várias vezes e em voz 
alta. Refaça o que for necessário e organize 
os textos a serem apresentados. 
 Ensaie a apresentação, lendo de maneira cla-
ra, em voz alta e firme. Dê expressividade às 
palavras e lembre-se de manter boa postura.
 Antes da apresentação definitiva, troque os 
textos com outro grupo. Façam sugestões, se 
as notícias não estiverem de acordo com as 
orientações. Os grupos devem trocar nova-
mente os textos e reescrever o que acharem 
conveniente.
 As apresentações serão combinadas com o 
professor. Se o grupo quiser, um pequeno 
intervalo musical e um cenário podem ser 
preparados. Criem um nome para o telejornal.
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Sala de leitura
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Grande Edgar
Já deve ter acontecido com você.
— Não está se lembrando de mim?
Você não está se lembrando dele. Procura, freneticamente, em todas as fichas ar-
mazenadas na memória o rosto dele e o nome correspondente, e não encontra. E não há 
tempo para procurar no arquivo desativado. Ele está ali, na sua frente, sorrindo, os olhos 
iluminados, antecipando sua resposta. Lembra ou não lembra?
Neste ponto, você tem uma escolha. Há três caminhos a seguir.
Um, curto, grosso e sincero.
— Não.
Você não está se lembrando dele e não tem por que esconder isso. O “Não” seco pode 
até insinuar uma reprimenda à pergunta. Não se faz uma pergunta assim, potencialmente 
embaraçosa, a ninguém, meu caro. Pelo menos entre pessoas educadas. Você deveria ter 
vergonha. Passe bem. Não me lembro de você e mesmo que lembrasse não diria. Passe 
bem. Outro caminho, menos honesto mas igualmente razoável, é o da dissimulação.
— Não me diga. Você é o... o...
“Não me diga”, no caso, quer dizer “Me diga, me diga”. Você conta com a piedade dele e 
sabe que cedo ou tarde ele se identificará, para acabar com sua agonia. Ou você pode dizer 
algo como:
— Desculpe, deve ser a velhice, mas...
Este também é um apelo à piedade. Significa “não tortura um pobre desmemoriado, 
diga logo quem você é!”. É uma maneira simpática de você dizer que não tem a menor ideia 
de quem ele é, mas que isso não se deve à insignificância dele e sim a uma deficiência de 
neurônios sua.
E há um terceiro caminho. O menos racional e recomendável. O que leva à tragédia e 
à ruína. E o que, naturalmente, você escolhe.
— Claro que estou me lembrando de você!
Você não quer magoá-lo, é isso! Há provas estatísticas de que o desejo de não magoar 
os outros está na origem da maioria dos desastres sociais, mas você não quer que ele pense 
que passou pela sua vida sem deixar um vestígio sequer. E, mesmo depois de dizer a frase, 
não há como recuar. Você pulou no abismo. Seja o que Deus quiser. Você ainda arremata:
— Há quanto tempo!
Agora tudo dependerá da reação dele. Se for um calhorda, ele o desafiará.
— Então me diga quem sou.
Neste caso você não tem outra saída senão simular um ataque cardíaco e esperar, fal-
samente desacordado, que a ambulância venha salvá-lo. Mas ele pode ser misericordioso e 
dizer apenas:
— Pois é.
Ou:
— Bota tempo nisso.
Você ganhou tempo para pesquisar melhor a memória. Quem será esse cara, meu 
Deus? Enquanto resgata caixotes com fichas antigas no meio da poeira e das teias de aranha 
do fundo do cérebro, o mantém à distância com frases neutras como jabs verbais.
— Como cê tem passado?
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— Bem, bem.
— Parece mentira.
— Puxa.
(Um colega da escola. Do serviço militar. Será um parente? 
Quem é esse cara, meu Deus?)
Ele está falando:
— Pensei que você não fosse me reconhecer...
— O que é isso?!
— Não, porque a gente às vezes se decepciona com as pessoas.
— E eu ia esquecer de você? Logo você?
— As pessoas mudam. Sei lá.
— Que ideia. (é o Ademar! Não, o Ademar já morreu. Você foi ao enterro dele. O... o... 
como era o nome dele? Tinha uma perna mecânica. Rezende! Mas como saber se ele tem 
uma perna mecânica? Você pode chutá-lo amigavelmente. E se chutar a perna boa? Chuta 
as duas. “Que bom encontrar você!” e paf, chuta uma perna. “Que saudade!” e paf, chuta a 
outra. Quem é esse cara?)
— É incrível como a gente perde contato.
— É mesmo.
Uma tentativa. É um lance arriscado, mas nesses momentos deve-se ser audacioso.
— Cê tem visto alguém da velha turma?
— Só o Pontes.
— Velho Pontes! (Pontes. Você conhece algum Pontes? Pelo menos agora tem 
um nome com o qual trabalhar. Uma segunda ficha para localizar no sótão. Pontes, 
Pontes...)
— Lembra do Croarê?
— Claro!
— Esse eu também encontro, às vezes, no tiro ao alvo.
— Velho Croarê. (Croarê. Tiro ao alvo. Você não conhece nenhum Croarê 
e nunca fez tiro ao alvo. É inútil. As pistas não estão ajudando. Você decide 
esquecer toda cautela e partir para um lance decisivo. Um lance de 
desespero. O último, antes de apelar para o enfarte.)
— Rezende...
— Quem?
Não é ele. Pelo menos isto está esclarecido.
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Sala de leituraSala de leitura
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— Não tinha um Rezende na turma?
— Não me lembro.
— Devo estar confundindo.
Silêncio. Você sente que está prestes a ser desmascarado.
Ele fala:
— Sabe que a Ritinha casou?
— Não!
— Casou.
— Com quem?
— Acho que você não conheceu. O Bituca. (Você abando-
nou todos os escrúpulos. Ao diabo com a cautela. Já que o vexame 
é inevitável, que ele seja total, arrasador. Você está tomado por 
uma espécie de euforia terminal. De delírio do abismo. Como que 
não conhece o Bituca?)
— Claro que conheci! Velho Bituca...
— Pois casaram...
É a sua chance. É a sua saída. Você passa ao ataque.
— E não avisou nada?!
— Bem...
— Não. Espera um pouquinho. Todas essasacontecendo, a Ritinha 
casando com o Bituca, O Croarê dando tiro, e ninguém me avisa nada?
— É que a gente perdeu contato e...
— Mas meu nome está na lista, meu querido. Era só dar um telefo-
nema. Mandar um convite.
— É…
— E você acha que eu ainda não vou reconhecer você. Vocês é que se 
esqueceram de mim.
131
— Desculpe, Edgar. É que...
— Não desculpo, não. Você tem razão. As pessoas mudam. 
(Edgar. Ele chamou você de Edgar. Você não se chama Edgar. Ele 
confundiu você com outro. Ele também não tem a mínima ideia de 
quem você é. O melhor é acabar logo com isso. Aproveitar que ele 
está na defensiva. Olhar o relógio e fazer cara de “Já?!”.)
— Tenho que ir. Olha, foi bom ver você, viu?
— Certo, Edgar. E desculpe, hein?
— O que é isso? Precisamos nos ver mais seguido.
— Isso.
— Reunir a velha turma.
— Certo.
— E olha, quando falar com a Ritinha e o Manuca...
— Bituca.
— E o Bituca, diz que eu mandei um beijo. Tchau, hein?
— Tchau, Edgar!
Ao se afastar, você ainda ouve, satisfeito, ele dizer “Grande Edgar”. 
Mas jura que é a última vez que fará isso. Na próxima vez que alguém 
lhe perguntar “Você está me reconhecendo?” não dirá nem não. Sairá 
correndo.
LUIS FERNANDO VERISSIMO. As mentiras que os homens contam. 
Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 13.
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Tipologias 
e gêneros
 CAPÍTULO 5 
A argumentação em textos, 134
 CAPÍTULO 6 
Tipologia narrativa e descritiva, 157
KARL WITKOWSKI. 
Em que mão está? 
1889. Óleo sobre tela, 
66,2 x 50,9 cm.
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CAPÍTULO
A argumentação 
em textos
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Linguagem visual
 Observe atentamente os cartuns a seguir.
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 Estudo do tema
1 As imagens que abrem o capítulo são cartuns, gênero de texto 
humorístico. Diferentemente da charge, que focaliza um fato específico 
e recente, o cartum se refere a situações universais, que podem ocorrer 
com qualquer pessoa, em diversos lugares. 
a) No primeiro cartum, observe o personagem da esquerda e explique 
quem ele simboliza.
b) Que recursos gráficos o cartunista utiliza para expressar a influência 
que o computador exerce sobre o personagem?
Cartuns de 
Mauricio Rett.
O autor e a obra
Mauricio Rett nasceu em São José dos Campos, São Paulo, em 1973, e já aos 5 anos desenhava 
histórias em quadrinhos. Formado em Publicidade e Propaganda, cria cartuns que retratam seu coti-
diano. Entre suas maiores influências estão Laerte, Ziraldo, Mauricio de Sousa, Matt Groening, criador 
da série animada Os Simpsons, e Mort Walker, criador do Recruta Zero. Entre suas publicações, desta-
cam-se as coletâneas Tiras de Letra pra Valer! (2004) e Tiras de Letra Todo Dia (2006).
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Um jovem que digita de forma entusiasmada.
O desenho dos olhos arregalados e fixos do jovem, preso ao computador, em completa concentração, enquanto suas mãos ágeis 
trabalham, e por meio do sorriso.
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2 Acompanhe as setas que orientam a leitura do primeiro cartum.
a) Como se pode interpretar a direção que elas indicam?
b) Com que objetivo o jovem utiliza o robô em sua atividade?
3 O trabalho do jovem é realizado a distância, e ele acompanha atento 
todo o movimento do robô.
a) Em geral, como são construídos os castelos de cartas? Por quê?
b) Em sua opinião, essa atividade continua a ter o mesmo significado 
quando feita pelo computador? Justifique sua resposta.
4 Ao criar esse texto, o cartunista teve uma intenção ou objetivo.
a) Após observar atentamente a imagem, como você interpreta 
essa intenção?
b) Que benefícios a tecnologia trouxe ao ser humano?
As setas indicam que o jovem comanda um robô pelo computador, via satélite.
Para montar um castelo de cartas.
Essa atividade costuma ser feita manualmente, e não por meio de um computador e de um satélite. Trata-se de algo simples, que exige 
apenas equilíbrio e firmeza nas mãos.
Resposta pessoal. Sugestão: Não, pois o objetivo da brincadeira é testar a capacidade de equilíbrio e atenção da pessoa.
O autor faz uma crítica às pessoas que usam o computador para tudo, até mesmo em atividades que seriam mais prazerosas se realizadas 
concretamente ou de modo compartilhado. O jovem retratado no cartum prefere criar a distância um simples castelo de cartas a fazê-lo 
com as mãos.
Resposta pessoal. Sugestão: em quase todas as atividades, a tecnologia beneficiou e melhorou a vida do ser humano, e ainda vai 
produzir grandes mudanças no mundo, mas é necessário que a humanidade saiba usufruir os avanços tecnológicos com inteligência.
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5 No segundo cartum, o autor trabalha o mesmo tema, mas de modo 
diferente.
a) Como ele representou a influência da tecnologia no cotidiano?
b) Nos dois cartuns, os internautas representados revelam 
características diferentes entre si. Identifique essas diferenças.
c) Qual pode ter sido a intenção do autor ao criar o segundo cartum?
6 Observe a reação dos pais no segundo cartum e descreva o que 
acontece na cena.
 Como o cartunista conseguiu produzir humor com o texto?
7 Compare a criatividade do cartunista nos dois textos, nos quais aborda 
um problema atual vivido por pessoas de diferentes faixas etárias. 
Explique se o objetivo dele foi produzir humor, levar o leitor a refletir 
sobre o assunto ou apenas criticar o comportamento de certos usuários 
da internet.
Ele tomou como foco o problema enfrentado por muitos pais atualmente quando os filhos passam a ser usuários compulsivos 
do computador.
No primeiro cartum, o internauta é um jovem obcecado, especialista em computador, que se diverte com os recursos oferecidos pela 
tecnologia. No segundo, o internauta é apenas um menino que mora com os pais, um pequeno usuário atraído pelas salas de bate-papo 
da internet.
Ele pode ter pretendido destacar a crescente influência da internet no cotidiano das crianças, alertando os pais para esse fato e para a 
necessidade de agir com equilíbrio e prudência.
Os pais do menino teriam entrado no quarto dele, preocupados com o excesso de tempo que o filho dispendia no uso do computador. 
A mãe faz um comentário com cuidado, enquanto o menino retruca, nervoso.
Pela resposta do menino, que se incrimina ao utilizar formas de expressão e sinais próprios da internet para negar a própria 
compulsão.
Ele explorou todas essas possibilidades, divertindo o leitor e fazendo-o avaliar o problema a partir das críticas apresentadas.
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Leitura
 Nos capítulos anteriores, você leu e analisou vários textos narrativos 
e expositivos. O artigo de opinião que você vai ler a seguir é de 
tipologia argumentativa: nele, a autora desenvolve argumentos a 
respeito de um determinado tema. Observe que se trata do mesmo 
tema trabalhado nos cartuns de Mauricio Rett.
OS USOS E ABUSOS DA INTERNET
Crianças e jovens são os usuários da internet que mais sabem lidar com 
essa tecnologia, mas não podem prescindir da ação educativa
Crianças já na fase final da infância e adolescentes estão sendo devo-
rados pela sedutora internet. É um tal de falar com amigos, conhecidos 
e desconhecidos, entrar em salas de bate-papo e lá ficar por horas a fio, 
escrever e ler os blogs pessoais, fazerparte de comunidades virtuais para 
mostrar o tamanho de sua popularidade, passar horas em competições de 
habilidade em determinados jogos e assim por diante. Se os pais deixarem, 
eles podem passar a maior parte do tempo nessa atividade. Em época de 
férias, em que eles estão livres da maioria dos compromissos, é bom refletir 
a respeito dessa questão. 
Claro que usar a internet não é prejudicial, principalmente para essa geração 
que já nasceu num mundo conectado pelas redes virtuais — plugado, como eles 
costumam dizer. Crianças e jovens são os usuários de computadores e da inter-
net que mais sabem lidar com essa tecnologia e que, portanto, mais podem tirar 
proveito dela. Da mesma maneira que em qualquer outra esfera da vida deles, 
entretanto, não podem prescindir da ação educativa e da tutela dos pais no uso e 
no abuso que fazem desse recurso. Eles ainda não têm autonomia também para 
isso, mesmo que pareçam entender mais do que os pais sobre o assunto. 
Uma das coisas que os pais precisam ensinar aos filhos a respeito desse 
tema — nunca é demais lembrar que ensinar não se restringe a passar uma in-
formação e esperar que eles a coloquem em prática na vida — é que a internet 
constitui-se num espaço público.
São poucos os adultos que se dão conta de que, para crianças e jovens que 
começam a aprender que há uma fronteira entre o convívio social e a intimidade, 
que iniciam o aprendizado da diferenciação das atitudes adequadas ao espaço 
privado daquelas próprias do espaço público, é imprescindível localizar a internet 
como um espaço de convivência coletiva. Sem esse ensinamento, eles ficam vul-
neráveis em muitos aspectos, principalmente em relação à exposição pessoal.
Há um fator complicador nessa questão. Muitas crianças e jovens têm seu 
próprio computador, que, em geral, fica no quarto. Os pais de classe média, 
no anseio de proporcionar o maior conforto possível aos filhos, equipam seus 
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quartos como se fossem uma casa dentro da casa. Lá eles têm aparelho de 
som, de TV, computador. Além de um conforto individualista, eles ganharam, 
dessa forma, o total controle sobre como, quando e quanto usam esses seus 
pertences. 
O problema é que, no conforto de seus quartos, eles se sentem protegidos 
pela casa — a fortaleza da privacidade —, agem como se estivessem no espaço 
privado, no qual estão fisicamente, e se esquecem de que há uns poucos fios que 
os lançam no espaço público, ainda que no modo virtual. E, no espaço público, 
eles estão sob o olhar atento do outro e, portanto, sujeitos a julgamentos. Sem 
a presença firme e educativa dos pais, eles não conseguirão distinguir essa com-
plexa situação, a não ser pagando contas que lhes sairão bem caras. 
Outra responsabilidade dos pais é determinar o tempo que os filhos ficam 
em frente ao computador e como o usam. Uma conhecida contou-me que a 
filha, de nove anos, convida as amigas para ir à sua casa e lá elas ficam o tempo 
todo em frente ao computador, sem conversar entre si. Como crianças e jovens 
ainda não sabem administrar seus quereres e tampouco dividir seu tempo em 
várias atividades, eles precisam dos pais para um decisivo “agora chega!”.
Esse limite de tempo de uso é que dará à criança ou ao jovem a opor-
tunidade de descobrir outras atividades de seu interesse ou mesmo buscar 
relações pessoais diretas e não apenas mediadas pela rede, que lhes permite 
ser tudo ou quase tudo sem grandes esforços. [...]
ROSELY SAYÃO. Folha de S.Paulo, 22 dez. 2005. (Fragmento).
Prescindir: abrir mão, dispensar.
Imprescindível: absolutamente 
necessário.
 Análise do texto
Assim como o texto “Adolescência em família”, apresentado no 
capítulo anterior, o texto em estudo é um artigo de opinião. Os textos 
desse gênero se caracterizam pela apresentação de um ponto de vista 
sobre determinado assunto. Quanto à tipologia textual, o artigo de opinião 
é um texto argumentativo, assim como a crônica argumentativa, a carta de 
leitor e outros gêneros que você vai conhecer aos poucos. 
1 Observe que, além de defender um ponto de vista, a autora expõe 
várias informações sobre o tema (ou assunto).
a) Identifique qual é o tema exposto por ela nesse texto.
b) Qual é o ponto de vista defendido pela autora a respeito desse tema?
 O tema abordado é a relação dos jovens com a internet.
Ela argumenta que os pais têm o dever de limitar o tempo dos filhos como usuários da internet e verificar o que fazem durante 
esse período.
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2 No artigo de opinião, predomina a argumentação. 
a) Os textos argumentativos podem apresentar três partes: 
introdução, desenvolvimento e conclusão. Quais são as principais 
questões expostas na introdução do texto em estudo (1o parágrafo)?
b) Ainda no 1o parágrafo, quais informações a autora apresenta para 
exemplificar o fascínio que a internet exerce sobre os jovens?
c) O 1o parágrafo também nos permite saber qual tese ou opinião 
a autora vai defender? Esclareça sua resposta.
3 Para fazer o leitor aceitar suas ideias, a autora apresenta novos 
argumentos no desenvolvimento do texto, que vai do 2o ao 
7o parágrafo.
a) Quem são os leitores que ela tenta convencer?
b) No 2o parágrafo, que argumento aparentemente contrário às opiniões 
iniciais a autora apresenta?
A questão principal é que crianças e adolescentes sofrem uma grande influência da internet nos dias de hoje, gastando muitas 
horas diante do computador. Por isso, é necessária a atenção dos pais sobre a questão.
Ela menciona as diversas maneiras pelas quais a internet atrai os jovens: salas de bate-papo, jogos, comunidades virtuais, blogs, etc. 
Segundo o texto, especialmente nas férias, as atividades no computador podem ocupar todo o tempo dos jovens, fazendo-os perder 
a noção de limite.
Resposta pessoal. Sugestão: Sim, por meio de alguns índices, podemos perceber que a autora vai defender limites ao uso da internet. 
Exemplos: o título do artigo, trechos como “estão sendo devorados”, “ficar por horas a fio”, “passar horas” e a frase “Se os pais deixarem, 
eles podem passar a maior parte do tempo nessa atividade.”
Os pais, como também os professores e as demais pessoas comprometidas com a educação dos jovens.
Ela afirma que devemos, sim, deixar os jovens usar a internet, pois eles a conhecem melhor do que ninguém e podem tirar proveito 
de seus recursos.
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4 Com o objetivo de defender uma ideia, às vezes é preciso 
introduzir ideias contrárias a ela: a esse recurso dá-se o nome de 
contra-argumentação. As conjunções adversativas — mas, contudo, 
todavia, entretanto — introduzem uma ideia contrária à anteriormente 
exposta. Identifique a conjunção adversativa do 2o parágrafo e qual 
ideia ela está introduzindo.
5 Quem argumenta não apenas apresenta diferentes opiniões sobre um 
assunto, como também manifesta clara preferência por uma delas. 
Qual das alternativas a seguir melhor sintetiza a opinião central 
defendida no texto em estudo?
( ) Os pais devem proibir os filhos de usar a internet com frequência.
( ) Os pais não devem instalar computadores no quarto dos filhos.
( ) Os pais devem estabelecer limites ao uso da internet pelos filhos.
6 Releia estas duas ideias apresentadas pela 
autora, no 2o parágrafo, com o objetivo de 
reforçar suas opiniões.
 I. Os jovens sabem utilizar a internet melhor 
que os adultos e podem se beneficiar 
com isso.
 II. Se não forem bem orientados, os jovens 
podem ficar reféns da internet e usá-la de 
forma negativa.
 Qual dessas duas ideias é a mais 
importante para a argumentação da 
autora?
7 Releia estafrase encontrada no 2o parágrafo:
 
“Eles ainda não têm autonomia também para isso”.
 Como se pode interpretar a frase, tendo em vista a palavra 
destacada?
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A conjunção é entretanto. Ela introduz a ideia de que, embora saibam lidar com a internet, os jovens precisam de orientação para não usá-la 
de maneira inadequada.
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A ideia ou argumento do item II, pois é ela que confirma a principal opinião da autora: a de que os jovens precisam da orientação dos adultos 
ao lidar com a internet.
Não é só para usar a internet que os jovens ainda não têm autonomia. Eles também não têm autonomia para sair sozinhos, 
cuidar do próprio dinheiro, evitar a exposição pessoal, etc.
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8 Observe que os argumentos do 3o e 4o parágrafos estão relacionados.
a) Qual argumento a autora apresenta no 3o parágrafo?
b) De que forma ela dá continuidade a esse argumento no 4o parágrafo?
9 No 5o parágrafo, a autora lembra que há um “fator complicador” 
na questão: o fato de muitos jovens terem computador no quarto.
a) Por que ela chama isso de um “conforto individualista”?
b) Segundo o texto, quais são as consequências dessa independência 
no uso da internet?
10 Uma das questões mais discutidas em relação à internet é o tempo 
que os jovens passam em frente ao computador. No 7o parágrafo, 
quais argumentos a autora apresenta sobre isso?
11 A conclusão dos textos argumentativos pode ser construída de dois 
modos: por meio de uma síntese, quando se resumem as ideias gerais, 
ou por meio de uma proposta, em que se apresentam sugestões para 
a solução do problema.
a) No texto em estudo, como foi feita a conclusão? Justifique sua 
resposta.
Os pais devem ensinar aos filhos que a internet não é um espaço privado, mas público.
Ela esclarece que os jovens não sabem ainda diferenciar o que podem realizar quando estão num espaço público ou coletivo, como a 
internet, e quando estão num espaço privado. Por isso, os pais devem alertá-los para que eles preservem sua intimidade e não se exponham.
Os jovens que contam com essa regalia não são incentivados a compartilhar seus pertences com a família. Além disso, tendem a se isolar 
no quarto, com total controle do uso de seus equipamentos.
Os jovens não percebem que ficam vulneráveis no espaço coletivo da internet, porque se sentem protegidos fisicamente no quarto; por 
isso, podem viver, no espaço público virtual, situações complicadas, frustrantes e até mesmo perigosas.
Os pais devem limitar esse tempo e ensinar como usar a internet, principalmente quanto ao conteúdo, porque os filhos, em geral, 
não têm maturidade para organizar suas obrigações e escolher o que lhes é mais adequado.
A autora empregou a síntese, ao retomar a ideia de que os pais devem impor limites aos filhos no uso da internet.
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b) Na conclusão, que argumentos arrematam de forma convincente 
as ideias expostas no texto?
12 O ideal, no desenvolvimento de um texto argumentativo, é que ele 
apresente progressão — isto é, os argumentos não devem se repetir 
e sim ir-se somando, de maneira que o raciocínio caminhe naturalmente 
para uma conclusão. Em sua opinião, o texto lido apresenta 
progressão? Por quê?
13 O texto lido foi publicado num jornal de grande circulação.
a) Que variedade linguística foi empregada? Ela está adequada 
à situação de comunicação?
b) Quais são o tempo e o modo verbais mais usados? Justifique sua 
resposta.
c) Em que pessoa estão os verbos e pronomes?
d) A autora adota uma postura pessoal ou impessoal na argumentação? 
Esclareça sua resposta.
Ao limitar o uso da internet, os pais estarão ajudando os filhos a ter mais tempo para outras atividades também importantes, 
como o convívio social.
Sim, porque a cada parágrafo a autora analisa um aspecto diferente do problema e vai reforçando a ideia de que a liberdade ilimitada 
diante da internet é perigosa. Isso conduz à conclusão, em que ela resume e retoma essa ideia.
A variedade padrão. Sim, ela está adequada à situação comunicativa, pois o assunto e a abordagem são sérios e o público leitor é adulto.
O presente do Indicativo: “Uma das coisas que os pais precisam ensinar aos filhos [...] é que a internet constitui-se num espaço público.”.
Na 3a pessoa: “Muitas crianças e jovens têm seu próprio computador”. 
A autora adota uma postura impessoal e objetiva, pois analisa a questão de maneira ampla, distanciada, em vez de mencionar fatos 
particulares e falar, por exemplo, do tempo que os filhos dela passam em frente à tela.
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Gênero textual
Crônica argumentativa
 Leia, a seguir, a crônica de Martha Medeiros. 
Do outro lado do balcão
Estava pegando sol na piscina de um hotel quando reparei que uma menina de 
uns sete anos estava atenta ao garçom que atendia os hóspedes. Quando ele se afas-
tou, uma lampadinha de desenho animado se acendeu sobre a cabeça da pequena: 
ela tirou de dentro da sua mochila um pedaço de papel e um lápis e perguntou para 
os pais o que eles gostariam de almoçar. O pai “escolheu” um prato, a mãe outro. A 
menina, muito profissional, foi adiante. “E para beber?” Pedidos anotados, ela sumiu 
por trás de uns arbustos e voltou mais tarde com as refeições imaginárias, orgulhosa 
do seu serviço.
Lembrei que quando eu tinha a idade dela, eu adorava fingir que era uma se-
cretária. Trancava a porta do quarto e passava a tarde na máquina de escrever, dati-
lografando memorandos, fazendo listas, organizando fichas, enquanto fumava um 
lápis atrás do outro, neurótica com tanto trabalho. Também sonhei muito em ser 
aeromoça. E perdi a conta das vezes em que brinquei de ser balconista. Eu e mi-
nhas amigas pegávamos uns produtos na cozinha e criávamos um supermercado 
no quintal: eu queria ser a moça do caixa, lógico. Passava “as com-
pras” pela esteira, registrava produto por produto, empacotava e 
entregava pro freguês, sem descuidar de dar o troco certo em 
moeda de mentirinha.
Será que as crianças de hoje brincam de ser empresá-
rias, industriais, presidentes, enfim, de ser patrões? Creio 
que poucas. Essa ambição se desenvolve mais tarde, 
quando começam a ser catequizadas pela importância 
de ganhar dinheiro, de ter poder, de se instalar no andar 
de cima da escala hierárquica. Antes de come-
çar a se deixar influenciar pela ansiedade capi-
talista e pelo afã de fazer parte de uma elite, 
o que se quer mesmo é fazer parte da massa, 
é servir. Criança não é boba: sabe muito bem 
qual é o lado que se diverte mais.
Sei que há muita garota que sonha em ser 
modelo e meninos que sonham em ser jogado-
res de futebol, visando a celebridade e a fortuna 
que essas profissões podem oferecer. Já nascem 
equivocadinhos. Essa menina da piscina me fez 
lembrar que também há muita criança que, antes 
de entrar na fissura por “ser alguém”, ainda brinca 
de ser cabeleireira, de ser frentista, de ser moto-
rista de táxi, profissões que lhes parecem mais ale-
gres. Brincam de médico também, não me esqueci. C
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Ser empregado é melhor? Nós, que atravessamos a fronteira 
que separa a infância da maturidade, não temos dúvida de que 
o melhor é ser dono do próprio nariz e que é preciso estu-
dar bastante para alcançar um patamar de vida que nos 
ofereça independência. Mas também sabemos que o 
poder e o dinheiro nos confinam numa espécie de 
prisão. Ficamos reféns de certas regras, de certas 
convenções, de certas necessidades que nem são 
tão necessárias assim, mas que foram inventadas 
para não nos permitir voltar atrás e dizer: “can-
sei, não quero mais brincar”.
A alegriaem servir, mais do que em ser ser-
vido, dura pouco, porém mesmo que essa ino-
cência não sobreviva muito tempo, é reconfor-
tante saber que pelo menos na fase inicial da vida 
acreditamos num mundo mais acolhedor, ainda 
não intoxicado pela diferença entre os que 
mandam e os que obedecem.
1o de março de 2009. MARTHA MEDEIROS. 
Feliz por nada. Porto Alegre: L&PM, 2011. p. 42-44.
1 “Do outro lado do balcão” também é um texto argumentativo, como 
os artigos de opinião já estudados. Trata-se, porém, de uma crônica 
argumentativa.
a) Qual parece ter sido a intenção da autora ao produzir a crônica?
b) Que ponto de vista é defendido na crônica?
2 Assim como outras crônicas, as argumentativas geralmente se 
baseiam em acontecimentos do noticiário ou do cotidiano. Por isso, 
muitas vezes pode-se identificar no texto a tipologia narrativa, 
além da argumentativa.
a) Que acontecimento narrado na crônica permite o desenvolvimento 
de argumentos?
Discutir as ideias de ambição e hierarquia em nossa sociedade para defender um ponto de vista a respeito da questão, 
por meio de argumentos.
De acordo com o texto, quando crianças, divertimo-nos imitando profissionais como secretárias, aeromoças ou garçons, pois são 
profissões em que servimos as pessoas. Com o tempo, influenciados pela ideia de ter que ganhar mais para ter mais, passamos a 
sonhar com posições de comando.
A narradora estava na beira de uma piscina de hotel quando viu uma menina brincando de garçonete.
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b) A crônica foi iniciada com uma narrativa e só depois foi apresentada 
a argumentação. Se a argumentação tivesse sido apresentada logo 
no início, o efeito seria o mesmo? Por quê?
3 No 2o parágrafo, a narradora revela que, quando criança, brincava de 
ser secretária, aeromoça e caixa de supermercado.
a) De acordo com as ideias do texto, o que essas profissões têm em 
comum com aquela mencionada no 1o parágrafo?
b) A menção de que sonhava com essas profissões quando criança é 
um dos argumentos da narradora para defender seu ponto de vista. 
Explique por quê.
4 O 3o parágrafo inicia-se com uma pergunta retórica, isto é, uma 
pergunta formulada sem o objetivo de obter resposta do interlocutor. 
Nesse caso, a própria narradora responde à sua pergunta.
a) Essa pergunta e sua resposta reforçam a argumentação apresentada 
no texto. Por quê?
b) Segundo o texto, por quais razões as crianças dificilmente brincam 
de ser empresárias, industriais ou presidentes?
Resposta pessoal. Sugestão: Provavelmente não, porque começar com uma narrativa atrai mais o interesse do leitor. Esse recurso deixa 
o texto mais leve, portanto mais adequado ao contexto (publicação em revista dominical). Além disso, a narrativa apresentada tem a 
função de preparar e exemplificar a argumentação que se segue.
Em todas elas, os profissionais servem os outros; não são patrões nem chefes, e sim empregados, subordinados.
Ela quer comprovar que as crianças geralmente não são muito ambiciosas na hora de brincar de profissões. 
Elas acham ótimo servir os outros, divertem-se com isso e valorizam a liberdade.
A narradora diz acreditar que poucas crianças brincam de “patrões”, confirmando, portanto, que a maioria brinca de ser empregado. 
Elas ainda não estão doutrinadas por uma cultura que valoriza o dinheiro e o poder. Elas acham melhor servir e fazer parte da massa, 
divertindo-se mais e tendo maior liberdade. Professor: considerar também que a experiência imediata das crianças não é com o lado 
profissional de seus pais, mas com as tarefas do dia a dia, com aquilo que ela presencia, como o trabalho de garçons e balconistas.
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5 No 4o parágrafo, a autora apresenta um contra-argumento, isto é, 
uma ideia que contradiz aquelas que ela vem apresentando. Os autores 
lançam mão de contra-argumentos para antecipar possíveis opiniões 
do leitor contrárias à tese que está sendo defendida para assim poder 
refutá-las de antemão.
a) No trecho “Sei que há muita garota que sonha em ser modelo 
e meninos que sonham em ser jogadores de futebol, visando a 
celebridade e a fortuna que essas profissões podem oferecer. 
Já nascem equivocadinhos.”, qual é o contra-argumento apresentado?
b) Ainda no 4o parágrafo, a narradora refuta o contra-argumento que 
apresentou e reforça o ponto de vista que vem defendendo. 
Explique como isso foi feito.
c) No contexto em que a expressão é mencionada, “brincar de médico” 
seria também sonhar com uma profissão valorizada socialmente? 
Justifique sua resposta.
6 Segundo a autora, as ambições mudam quando chegamos à idade 
adulta. Por que, de acordo com ela, ter poder e dinheiro é bom, mas nos 
confina numa “espécie de prisão”?
 Em sua opinião, quais seriam as “necessidades que nem são tão 
necessárias assim” às quais a autora se refere? Explique e dê 
exemplos.
O contra-argumento é que há crianças que já nascem interessadas em ter profissões como modelo ou jogador de futebol.
Ela minimiza a importância de existirem crianças com sonhos mais ambiciosos, dizendo que há muita criança que sonha com “profissões que 
lhes parecem mais alegres”. Afirma que as crianças que nascem já sonhando com profissões de maior prestígio estão “equivocadinhas”.
Não. A autora está se referindo a brincadeiras íntimas entre crianças, conhecidas na linguagem coloquial como “brincar de médico”. 
O aluno deve perceber que isso não tem nada a ver com o fato de uma criança brincar de ser médico mesmo.
Resposta pessoal. Sugestão: Por exemplo, ter um carro do ano, um celular do último tipo, frequentar lugares da moda. 
Muitas vezes, quem tem uma certa posição na sociedade acaba preferindo se submeter a determinadas convenções e lutar para manter o 
padrão de vida que conquistou, tornando-se, portanto, “refém” da própria prosperidade.
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7 No último parágrafo, a cronista resume seu ponto de vista sobre 
o assunto discutido.
a) Explique, com suas palavras, a conclusão à qual a autora chega.
b) Em sua opinião, se nossa sociedade fosse mais igualitária e, 
por exemplo, a distância entre os rendimentos de um caixa 
e de um dono de supermercado fosse menor, a argumentação 
da cronista seria a mesma? Por quê?
8 Imagine uma sociedade que não fosse dividida entre os que mandam 
e os que obedecem. Como ela seria?
9 A linguagem empregada na crônica é formal ou informal? 
Dê exemplos que justifiquem sua resposta.
a) Em que pessoa do discurso foi elaborada a crônica? 
b) Que efeito é produzido por essa escolha?
Ela se mostra resignada com o fato de adultos terem altas ambições profissionais e financeiras, mas considera reconfortante saber que, 
na infância, temos pretensões mais modestas e “acreditamos num mundo mais acolhedor”.
Resposta pessoal. 
Resposta pessoal. 
A linguagem da crônica é informal. Exemplos: “Estava pegando sol na piscina”, “empacotava e entregava pro freguês”, “Já nascem 
equivocadinhos”, “na fissura por ‘ser alguém’”, “ser dono do próprio nariz”, etc.
O texto foi escrito na 1a pessoa do singular.
Escrito na 1a pessoa, o texto ganha um tom mais pessoal, subjetivo, que aproxima o narrador do leitor.
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A crônica argumentativa
Os textos em que predomina a argumentação são aqueles produzi-
dos com a intenção de convencer o interlocutor da validade das opiniões 
apresentadas. O autor expõe suas ideias e, ao mesmo tempo, critica o 
que foi exposto por meio de opiniões pessoais ou de outros tipos de ar-
gumentos.DEMAIS
Faz questão de contar 
todas as gracinhas. 
Até as que só têm 
graça para a mãe.
A ÚNICA BEM-AMADA
Só ela tem o parceiro 
mais especial. Porque 
momentos a dois são 
mesmo para divulgar.
O EXIBIDO HUMILDE
Ele (acha que) 
disfarça ao dar dicas 
do próprio sucesso. 
Não engana ninguém.
O GOURMET 
DE APARÊNCIAS
Por que ir a um 
restaurante se 
ninguém souber? 
É clique no prato.
O(A) LINDO(A) DEMAIS 
PARA NÃO MOSTRAR
Acha que o dia de 
cabelo bom desculpa 
um autorretrato (selfie). 
Quem nunca, não é?
Os tipos cheios de si
O difícil é encontrar quem
nunca cruzou com (ou se
passou por) um desses on-line
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Ainda não existem dados que pos-
sam confirmar se alguém se torna mais 
vaidoso por se expor excessivamente na 
internet. Talvez tenhamos a sensação de 
que as pessoas estão mais exibicionistas 
somente porque as redes sociais torna-
ram a ostentação mais visível. Dois pes-
quisadores da Universidade da Georgia, 
nos Estados Unidos, chegaram a essa 
conclusão. Eles pediram a 130 usuários 
do Facebook que respondessem a um 
questionário para avaliar tendências nar-
cisistas, caracterizadas pela necessidade 
de suscitar admiração alheia e exagerar 
na percepção de sua própria importân-
cia. Depois, avaliaram o conteúdo pu-
blicado pelos voluntários na rede social. 
Descobriram que as pessoas com maior 
tendência ao narcisismo eram as que mais 
publicavam conteúdo para se promover, 
como fotos em que aparecem atraentes 
ou sensuais e frases fazendo propaganda 
delas mesmas. “Isso não quer dizer que 
todo mundo que está nas redes sociais 
é narcisista”, afirma o psicólogo Keith 
Campbell, um dos autores da pesquisa. 
“Apenas que os narcisistas usam esses si-
tes em seu benefício.” Nada muito dife-
rente do que fariam ao vivo. Na internet, 
o alcance da autopromoção é maior. E da 
irritação que ela causa também.
As redes sociais são mais que uma 
plataforma de autopromoção e uma fon-
te de inveja. Amizades nascem, se reno-
vam e se aprofundam ali. Conhecimento 
é disseminado de uma forma sem pre-
cedentes. Indignações sociais e políticas, 
assim como manifestações culturais, 
ganham corpo e se materializam. Assim 
como a alegria, o amor, a solidariedade. 
Da mesma forma que a vaidade, a inve-
ja e a irritação. Não há como fugir disso 
numa plataforma baseada nas relações 
humanas. A saída é manter o humor. Rir 
da falta de desconfiômetro alheio. Da 
nossa dor de cotovelo. E vice-versa. 
 Análise do texto
1 O texto lido constitui parte de uma reportagem. Nele, as jornalistas 
desenvolvem ideias relacionadas ao modo como algumas pessoas 
convivem em sociedade.
a) Segundo estudos recentes, que mudanças vêm ocorrendo no 
comportamento de certos usuários das redes sociais?
b) No 1o parágrafo, de que forma se tem a confirmação de que esse fato 
é uma realidade no cotidiano das pessoas?
MARCELA BUSCATO; ISABELLA CARRERA. Época, 13 fev. 2014, p. 80-82. (Fragmento). 
Muitos internautas sentem uma necessidade compulsiva de ostentar seus momentos de felicidade nas redes, em especial para 
os amigos.
A introdução revela que atividades de lazer ou momentos especiais da vida de certas pessoas passaram a ser amplamente expostos 
em redes sociais. A exibição de fotos pessoais tornou-se um passatempo e, por fim, uma compulsão virtual.
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c) De acordo com esse parágrafo, como as autoras se posicionam 
em relação a tal comportamento?
2 Como a mania de exibição foi contagiando os usuários, logo 
surgiram consequências envolvendo esses chamados “fanfarrões”.
a) Além de alguns terem perdido amigos virtuais, estudos 
científicos concluíram que a maioria só consegue despertar 
inveja nos outros. Explique por quê.
b) O texto informa que diversos estudos indicam que as redes sociais 
potencializaram sentimentos como a soberba e a inveja. Você acha 
que isso de fato ocorre? Esclareça seu ponto de vista, trocando 
ideias com os colegas.
3 Tendo em vista os relatos de pesquisadores, é interessante observar 
que mesmo aqueles que vivem se gabando nas redes sociais acabam 
por sentir inveja de quem parece ser bem mais feliz.
a) Explique o que essas pessoas exibicionistas querem obter com tal 
comportamento.
b) Outro fator mencionado explica que é comum os amigos virtuais 
terem aptidões e gostos similares. Por que, mesmo assim, 
ainda pode ocorrer um “ciúme virtual” entre eles?
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Elas afirmam que muitos de nós também já partilhamos momentos de felicidade com amigos e parentes, enviando-lhes fotos. Ou, pelo 
menos, conhecemos pessoas que têm esse hábito. Mas elas concluem que esse costume se disseminou, e que hoje há uma exposição 
virtual exacerbada. 
Esse sentimento é compreensível, pois as pessoas desejariam estar no lugar do exibicionista: 
frequentando uma bela praia, comendo num bom restaurante ou viajando de 1a classe, por exemplo.
Resposta pessoal. 
É possível que a intenção delas seja conquistar a atenção e a aceitação do grupo. Por isso, sentem inveja de quem as supera, até quando 
os outros atraem mais inveja do que elas próprias.
Como são mais próximos, eles se conhecem melhor e querem muitas vezes o que o outro também deseja. Dessa forma, surge o ciúme, 
quando um deles conquista o objeto almejado por ambos.
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4 Observe que a reportagem apresenta pesquisas e depoimentos 
de estudiosos e de pessoas relacionadas ao assunto abordado. 
Com que objetivo as autoras entrevistaram vários pesquisadores 
no desenvolvimento da reportagem?
5 Entre os exibicionistas virtuais, existem os que ultrapassam os limites 
da realidade e criam situações inusitadas.
a) Que fato narrado no texto se encaixa nesse tipo de comportamento 
fantasioso, visando a uma maior exibição nas redes sociais?
b) Você conhece alguém que se exibe em redes sociais e aprecia 
postar fotos quando está, por exemplo, em um show ou em uma 
festa com amigos? E você, por acaso, também já teve alguma 
atitude exibicionista nas redes sociais? Converse com os colegas 
a respeito do assunto.
6 A palavra narcisismo é derivada de Narciso e simboliza o estado de quem 
admira excessivamente a si mesmo, ou seja, age como o personagem 
Narciso. Explique por que as pessoas que costumam preocupar-se 
excessivamente em ostentar bens e estilo de vida nas redes sociais 
podem ser consideradas narcisistas.
7 Há pesquisadores que consideram as redes sociais um espaço onde 
sentimentos negativos podem prosperar e, por isso, questionam sua 
utilidade. Essa visão é rejeitada por muitos, inclusive pelas autoras, 
que se colocam a favor da tecnologia. Qual é sua opinião sobre os 
argumentos expostos por elas?
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Com a finalidade de apresentar fatos e dados confiáveis durante a exposição das ideias sobre o assunto. Dessa forma, o leitor fica mais bem 
informado e pode ampliar seu conhecimento sobre o tema.
O caso de um usuário virtual que experimentava roupas em provadores de lojas, tirava fotos e colocava-as na 
internet, para depois se gabar com os amigos, como se as roupas fossem dele.
Resposta pessoal.
Porque elas se comportam como Narciso, agindo em função do próprio benefício e da exaltação da própria figura.
Resposta pessoal. Sugestão: De fato, sempre existiu ostentação entre as pessoas, independentemente da existência ou não da internet. E a 
função maior das redes sociais não é exibir pessoas, mas estabelecer comunicação entre elas, informar e debater opiniões. 
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iroArgumentar, mais do que apresentar um tema, é posicionar-se cri-
ticamente diante dele. Quem argumenta não apenas explica as diferen-
tes correntes de opinião sobre o assunto em questão, como manifesta 
clara preferência por uma delas. Tenta convencer o interlocutor de que 
seu posicionamento — ou seja, sua tese — é o mais correto.
A crônica argumentativa pode ser organizada em introdução, de-
senvolvimento e conclusão. Em geral, a argumentação tem como 
ponto de partida um fato do cotidiano, assim como você viu na crônica de 
Martha Medeiros. A partir dele, o narrador faz uma reflexão, conduzindo 
o leitor à conclusão que deseja. 
Elaborada em linguagem formal, a crônica argumentativa circula em 
jornais, revistas e também em compilações de crônicas. Ela faz parte da 
esfera jornalística e também da literária. Em geral, é escrita na 1a pessoa 
do singular.
Crônica argumentativa é um gênero textual que apresenta 
o ponto de vista do cronista, com base em situações do cotidiano. 
O cronista expõe argumentos para fundamentar suas opiniões.
Quanto à estrutura, a crônica argumentativa pode apresentar três 
partes:
 Introdução — em que se apresentam o assunto e, muitas vezes, 
a tese ou ideia principal que será defendida ao longo do texto.
 Desenvolvimento — em que se mencionam e articulam os argu-
mentos que fundamentam a tese.
 Conclusão — que resume o que foi dito e pode apresentar uma 
solução para o problema abordado ou indicar caminhos para no-
vas discussões.
Para estudar em casa
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Oficina de produção
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A seguir, você tem duas opções sobre temas diferentes para 
desenvolver crônicas argumentativas. Escolha uma delas.
1a proposta — Produção de crônica argumentativa com base em notícia
Leia a notícia a seguir que trata do trabalho infantil. 
Campanha mostra como é amargo 
o trabalho infantil
São Paulo — A organização InSpirit lançou, em parceria com a 
agência portuguesa BAR, uma campanha contra o trabalho infantil 
nos campos de cacau na Costa do Marfim.
O filme mostra várias pessoas provando uma suposta nova bebi-
da num centro comercial em Lisboa.
“Criamos uma marca de chocolate quente fictícia: o Cacau Inspirit, 
que é ultra-amargo. Absolutamente intragável”, explicou João Gomes, 
um dos criativos da BAR.
Quando bebem o líquido, as pessoas têm uma reação negativa, já 
que a bebida é propositadamente amarga.
O objetivo do filme é mostrar como é “amarga” a vida dos jovens 
que cultivam o fruto do chocolate e, assim, angariar 15 mil euros para 
a construção de cinco escolas em Marandallah.
Uma quantidade significativa das crianças na Costa do Marfim 
não vai à escola porque trabalha nas plantações de cacau.
Para comunicar essa realidade, a BAR criou um conceito de cam-
panha baseado na mensagem “O que para você é doce para as crianças 
da Costa do Marfim é amargo”.
Realizada em parceria com a produtora Krypton, a campanha re-
correu à utilização de câmeras ocultas. Após as filmagens, todos os 
participantes foram informados sobre a estratégia e os objetivos da 
campanha.
Exame.com, 28 mar. 2014. Disponível em: . Acesso em: 2 fev. 2016.
 Agora siga estas instruções:
 Reflita sobre essa notícia e então escreva uma crônica 
argumentativa, apresentando seu ponto de vista sobre os fatos 
nela mencionados ou sobre o impacto que essa notícia teve 
sobre você. Se possível, assista ao vídeo mencionado no texto, 
acessando-o pelo link indicado na referência ao final.
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 Pense na organização dos parágrafos, em qual será a tese ou ideia 
central; faça também a seleção dos argumentos e defina como ficará a 
conclusão. Lembre-se de que seus argumentos devem reforçar a tese, 
de forma convincente. Mas atenção: como vai elaborar uma crônica 
argumentativa e não um artigo de opinião, você não precisa ser um 
especialista em trabalho infantil. O importante é que você consiga 
compartilhar com o leitor as reflexões despertadas pela notícia.
 Lembre-se de que os verbos e pronomes podem ficar na 
1a pessoa; empregue a variedade padrão formal da língua; 
use os verbos predominantemente no presente do Indicativo. 
 
Ver Ficha de avaliação 18 na MiniOficina.
2a proposta — Produção de crônica argumentativa com base em reportagem
Selecione uma reportagem de jornal e, com base nela, escreva uma 
crônica argumentativa. Siga os passos apresentados na proposta anterior. 
Ver Ficha de avaliação 19 na MiniOficina.
Gênero textual
Texto de campanha comunitária
 Leia o texto de uma campanha comunitária.
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152
1 A campanha de vacinação contra a raiva acontece todos os anos. 
a) Por que o texto em estudo é apresentado em vários pontos 
da cidade?
b) Quem foram os responsáveis pela divulgação dessa campanha 
comunitária?
2 No centro do anúncio, aparece uma frase em letras grandes.
a) Que frase é essa?
b) Essa frase poderia ser compreendida de duas formas diferentes. 
Quais poderiam ser os significados?
c) Por que teria sido escolhida uma frase com duplo sentido 
nesse caso?
Para ajudar as pessoas a se lembrarem de vacinar seus animais de estimação.
A Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISAO), o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Prefeitura de São Paulo.
“Vai deixar seu amigo morrer de raiva?”
Espera-se que os alunos percebam que a frase tanto pode ser compreendida como “Você vai deixar seu amigo ficar furioso?” quanto 
como “Você vai deixar seu amigo morrer de raiva (doença)?”. Amigo pode ser uma pessoa (no primeiro caso) ou um animal de estimação 
(no segundo caso).
Provavelmente para chamar a atenção do leitor.
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Texto de campanha comunitária
As campanhas comunitárias são iniciativas da sociedade civil (às ve-
zes em parceria com o setor público) para promover atitudes que melho-
rem a convivência em sociedade. A fim de divulgar suas ideias e angariar 
o apoio da população, os coordenadores das campanhas em geral usam 
cartazes, outdoors, folhetos ou anúncios em jornais, revistas, etc. Os tex-
tos têm caráter persuasivo, como os anúncios publicitários, e, muitas 
vezes, instrucional, pois instruem o público sobre como participar da 
campanha.
Campanha comunitária é uma situação comunicativa em que 
são usados textos como cartazes, outdoors e anúncios, com o obje-
tivo de persuadir e também instruir o público a tomar determinadas 
atitudes de interesse coletivo. 
Para estudar em casa
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d) Que recursos gráficos são usados para indicar qual é a 
interpretação esperada?
3 O texto de um anúncio procura persuadir o leitor a aceitar uma ideia, 
a comprar um produto ou um serviço. No anúncio em análise, qual foi 
a estratégia empregada para persuadir o leitor a vacinar o animal 
de estimação?
A pata do cachorro dentro da letra o de “amigo” e a ilustração de um cão e de um gato.
A estratégia foi valorizar a amizade entre o dono e o animal de estimação, com apelo para o senso de compaixão e de responsabilidade do leitor.
Oficina de produção
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1a proposta — Produção de texto para uma campanha 
 em defesa do meio ambiente 
Leia o texto a seguir.
Dia Internacional da Biodiversidade
Dia 22 de maio foi a dataescolhida pela ONU (Organização 
das Nações Unidas) para comemorar o Dia Internacional da 
Biodiversidade.
O objetivo do Dia Internacional da Biodiversidade é au-
mentar a conscientização da população mundial para a im-
portância da diversidade biológica e para a necessidade da 
proteção da biodiversidade em todo o mundo.
Origem do Dia Internacional da Biodiversidade
O Dia Internacional da Biodiversidade foi criado pe-
las Nações Unidas em 1992, no dia 22 de maio. Nesse dia 
foi aprovado o texto final da Convenção da Diversidade 
Biológica (Convention on Biological Diversity).
Dia Internacional da Biodiversidade 2013
O tema escolhido para o Dia Internacional da 
Biodiversidade no ano de 2013 é “A Água e a Biodiversidade”. 
O tema em 2013 foi escolhido para coincidir com o Ano 
Internacional da Cooperação pela Água, proclamado pelas 
Nações Unidas. A água é um bem essencial para a saúde e 
o bem-estar dos seres humanos e é também importante na 
preservação do ambiente.
Disponível em: . Acesso em: 4 fev. 2016.
 Siga as orientações:
 Com base nas informações desse texto, você e seu grupo 
vão elaborar um cartaz para divulgar a ideia da defesa da 
biodiversidade. Vocês podem ter a conservação da água como 
foco ou escolher outros temas – por exemplo, a preservação de 
florestas e de animais como a tartaruga e a onça.
 Você e seu grupo vão criar um título, um slogan e um logotipo 
para a campanha que escolheram fazer.
 Como o texto é argumentativo e persuasivo, pensem em 
argumentos para convencer o público e usem o modo 
Imperativo. Para atrair a atenção do leitor e incentivá-lo 
a participar da campanha, tratem-no por “você”.
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 Em seguida, criem um texto para a campanha comunitária. 
Imaginem que, assim como o exemplo apresentado, o texto será 
veiculado em jornal ou revista de grande circulação. Empreguem, 
portanto, a variedade padrão da língua.
 Se quiserem, além do logotipo, acrescentem outras imagens de 
apoio ao texto verbal. Exponham em que consiste a campanha 
e qual é sua finalidade. Não se esqueçam de mencionar quem 
são os organizadores da campanha.
 Com a ajuda do professor, selecionem dois dos trabalhos 
realizados pela classe e exponham-no na escola.
 
Ver Ficha de avaliação 20 na MiniOficina.
2a proposta — Produção de texto para campanha 
 comunitária de arrecadação de alimentos 
 Você e seu grupo vão criar um título, um slogan e um logotipo 
para uma campanha de arrecadação e distribuição de alimentos.
 Pensem primeiro em quem seriam os beneficiários da campanha 
e como a ajuda chegaria até eles. Discutam e anotem as ideias 
do grupo.
 Em seguida, criem um texto para a campanha comunitária. 
Imaginem que, assim como o exemplo que vocês leram 
(“Respeito é a melhor distância entre esses dois pontos”), 
seu texto será veiculado num jornal ou numa revista de grande 
circulação. Empreguem, portanto, a variedade padrão da língua.
 Como o texto é argumentativo e persuasivo, vocês devem pensar 
em argumentos para convencer o público. Para atrair a atenção 
do leitor e incentivá-lo a participar da campanha, usem o modo 
Imperativo e o pronome de tratamento você.
 Se quiserem, além do logotipo acrescentem outras imagens 
de apoio ao texto verbal.
 Exponham, no texto, em que consiste a campanha e qual é sua 
finalidade; coloquem as informações necessárias para que o 
público saiba como participar.
 Não se esqueçam de mencionar também quem são os 
organizadores da campanha (os alunos do 7o ano da sua escola, 
por exemplo).
 
Ver Ficha de avaliação 21 na MiniOficina.
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3a proposta — Produção de texto para campanha 
 comunitária com base em tema 
 Reúna-se em grupo e crie o texto de uma campanha comunitária 
sobre um dos temas a seguir:
doação de material escolar para crianças carentes;
barateamento dos custos de uma vacina importante;
doação de animais como gatos, cachorros e outros;
defesa dos direitos dos portadores de necessidades 
especiais.
 Definam o tema, o slogan, o nome e o público-alvo da campanha, 
bem como os beneficiários da iniciativa (caso haja um grupo 
específico). Uma vez definidos esses elementos, criem um 
texto para divulgar a campanha. Imaginem que esse texto será 
publicado num jornal ou revista à sua escolha.
 Empreguem uma linguagem clara, objetiva e persuasiva, 
com argumentos convincentes, e usem o modo Imperativo. 
A variedade linguística deve estar de acordo com o público 
a ser atingido.
 Preparem os argumentos, exponham a finalidade da campanha, 
as ideias e informações sobre o assunto, o resultado que se 
espera e o modo de participar.
 Coloquem o nome dos organizadores da campanha. Se quiserem, 
criem uma empresa ou entidade fictícia para ser a organizadora. 
Usem imagens.
 
Ver Ficha de avaliação 22 na MiniOficina.
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CAPÍTULO
Tipologia narrativa 
e descritiva
157
Leitura
 Leia trecho de um relato pessoal feito pelo 
consagrado escritor Walcyr Carrasco, autor de 
novelas e minisséries de sucesso na televisão. 
Em busca de um sonho
[...] Mamãe montara um pequeno bazar em Marília, cidade do interior de 
São Paulo onde vivíamos. Típica lojinha com um pouco de tudo. Rendas, elásti-
cos, grampos, cadernos, lápis, canetas e muitos, muitos brinquedos!
O bazar ficava na frente de nossa casa. Morávamos nos fundos, usando 
uma entrada lateral. Casa modesta. Aliás, modestíssima. Havia uma cozinha que 
também fazia as vezes de sala, com um chão de cimento vermelho. A única mesa 
da casa amontoava-se entre um velho fogão elétrico e um sofá caindo aos peda-
ços. Dividia o quarto com meu irmão mais velho. Dormíamos em um beliche. Eu 
embaixo, por ser o menor. De noite, ouvia os movimentos do meu irmão. Morria 
de medo que ele caísse em cima de mim! O que parecia bem possível, dado o 
estado do beliche. Bamba! O quarto do casal ficava do outro lado da cozinha. 
Na cama, uma bela colcha verde com motivos orientais, em tecido brilhante. 
Para mim, era a coisa mais linda do mundo! O banheiro ficava fora de casa, logo 
depois do tanque de lavar roupa. Em dias de tempestade, tínhamos que usar o 
guarda-chuva para escovar os dentes, fazer xixi, tomar banho. O corredor lateral, 
de cimento, estava repleto de latas velhas e vasos de barros com plantas — nos-
so pequeno jardim. Da cozinha, havia uma porta que se comunicava diretamen-
te com o bazar. No mesmo corpo da construção, ao lado do bazar, mas sem 
ligação com a casa, havia uma sapataria e uma bicicletaria. Ao lado, um casarão 
onde vivia a família de um médico. Jardim na frente, varanda envidraçada e um 
batalhão de empregadas de uniforme azul quadriculado.
Embora minha mãe fosse dona do bazar, eu ganhava poucos brinquedos. 
Minha família era de classe média baixa. Papai trabalhava na estrada de ferro. A 
renda da loja contribuía para as despesas da casa. Hoje em dia, seríamos consi-
derados pobres. Nos anos 50, era possível viver com dignidade, apesar da renda 
escassa. Os carrinhos, os jogos, tudo o que havia de mais lindo ficava exposto 
na vitrine. Nem mesmo podia abrir as caixas. Ou mexer nos brinquedos, porque 
deviam continuar com a aparência de novos. 
158
Tinha um amigo, o Zé Hélio, filho da dona do bar da esquina. Muitas vezes, 
ficávamos olhando os brinquedos, nas prateleiras.
— No Natal, vou pedir aquele — dizia Zé Hélio, apontando algum.
— Ah, eu prefiro o outro — eu continuava.
O fato é que a maior parte do tempo sentia falta da minha mãe. Trocaria a pre-
sença dela por qualquer maravilha exposta na vitrine.
Queria que estivesse em casa, fazendo bolos, cuidando de mim. Sendocomo 
as mães de meus amigos! Mesmo menino, percebia a diferença. Nossa casa não era 
tão arrumada. As paredes não tinham quadros, fotos, nem móveis enfeitados com 
bichinhos de porcelana. Mamãe vivia ocupada no balcão.
Uma vez fui à casa de um amigo. Sua mãe nos ofereceu um lanche. Sanduíche de 
pepino com maionese! Bolo de chocolate! Tive, confesso, inveja! A comida em casa 
era apressada, prática, sem imaginação. Quando o movimento rareava, nos finais das 
manhãs e no meio das tardes, mamãe abria a porta de ligação entre a loja e a cozinha. 
Eu ficava no balcão, para avisar se entrasse algu-
ma freguesa. Rapidamente, ela aprontava 
o almoço ou o jantar. Arroz, feijão, ovo 
frito. Se não chegava cliente, os ovos 
eram moles, gostosos, feitos com 
cuidado. Se vinha alguém, ficavam 
duros, com a clara enegrecida. 
Costumava esquecer a comida 
no fogo. Arroz queimado era um 
prato frequente. Até hoje gosto 
de raspar a panela para devorar 
o fundinho queimado. Enquanto 
ela atendia a freguesa, eu ficava 
encarregado de avisar se estava 
saindo fumaça pela tampa da 
panela. Os bifes costumavam ser 
esturricados, encharcados em 
óleo fervente. Às vezes, de noite, 
ela fazia um bolo. Quando eu pe-
dia com insistência. Depois de um 
dia inteiro em pé atrás do balcão, 
costumava estar cansada. [...]
WALCYR CARRASCO. Em busca de um sonho. São Paulo: Moderna, 2006. p. 9-12. (Fragmento). 
 Análise do texto
1 No livro autobiográfico do qual foi extraído esse fragmento, o autor 
conta sua vida e como se tornou escritor. 
a) Quais aspectos de sua infância ele destaca no trecho apresentado?
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As dificuldades enfrentadas por sua família.
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b) Explique por que os fatos relatados podem ser considerados reais.
2 O autor conta fatos que caracterizam a época e o lugar onde passou 
a infância. Que aspectos são diferentes do que acontece na infância 
das crianças atualmente? E do que acontece em uma cidade grande?
3 Embora a mãe do autor fosse a dona do bazar, ele tinha pouco acesso 
aos brinquedos à venda. 
a) De acordo com o texto, o filho era compreensivo e entendia essa 
situação? Por quê?
b) O autor se sentia infeliz por não poder mexer nos brinquedos? 
Justifique sua resposta.
4 O texto em estudo apresenta partes descritivas. 
a) Identifique um trecho descritivo dentro desse relato.
b) Como esse é um relato pessoal, gênero usado quando alguém deseja 
partilhar experiências, em que pessoa ele foi escrito? Comprove com 
uma passagem do texto.
Trata-se de um relato pessoal não ficcional: o fragmento faz parte de uma autobiografia. Uma das características desse gênero textual 
é o relato de fatos reais. 
Resposta pessoal.
Sim, ele parecia ser obediente, pois não mexia nas caixas nem nos brinquedos expostos.
Resposta pessoal. Sugestão: Não, pois o que mais lhe fazia falta era a presença da mãe, cuja permanência em casa seria, segundo ele, 
mais importante que qualquer brinquedo exposto na vitrine do bazar. 
Resposta pessoal. Sugestão: “A única mesa da casa amontoava-se entre um velho fogão elétrico e um sofá caindo aos pedaços”; 
“Na cama, uma bela colcha verde com motivos orientais, em tecido brilhante”.
Resposta pessoal. O relato é feito na 1a pessoa do singular. Exemplo: “Dividia o quarto com meu irmão mais velho”.
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5 Releia este trecho:
 
“Minha família era de classe média baixa. Papai trabalhava na estrada 
de ferro. A renda da loja contribuía para as despesas da casa. Hoje em dia, 
seríamos considerados pobres”.
 Você concorda que nos dias atuais a família do autor seria 
considerada pobre? Por quê?
6 O autor recorda vários fatos relacionados em especial à mãe.
a) Que comentários no texto comprovam sua admiração e amor pela 
figura materna? De que ele se queixa?
b) O autor percebia o contraste entre sua realidade e a dos amigos. 
De que ele tinha inveja?
7 Segundo o autor, se não estivesse tão ocupada, a mãe daria ao filho 
o que ele invejava nos amigos.
a) Que passagem do texto nos permite comprovar isso?
Resposta pessoal. Professor: Ajudar os alunos a perceber que hoje é muito mais comum haver aparelhos de televisão, telefones celulares, 
carros e outros bens nas casas de pessoas que vivem com baixa renda do que na década de 1950, quando o autor era criança. Era mais 
caro, de certa forma, viver com o conforto de uma família de classe média hoje.
Ele não sentia tanto a falta de brinquedos em sua infância, mas lamentava a ausência da mãe em casa, pois ela trabalhava muito para ajudar 
a sustentá-los. Pode ser citado como comentário: “O fato é que a maior parte do tempo sentia falta da minha mãe. Trocaria a presença dela 
por qualquer maravilha exposta na vitrine”.
Ele tinha inveja dos cuidados maternos que os amigos recebiam de suas mães, sempre presentes em casa e preparando guloseimas para 
eles, sem a correria do trabalho.
“Se não chegava cliente, os ovos eram moles, gostosos, feitos com cuidado.”
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b) Como você acha que a mãe se sentia diante dessa situação? 
Será que ela tinha a mesma visão que o filho?
8 Reescreva as frases a seguir, substituindo as construções destacadas, 
mas sem modificar o sentido das frases.
a) “Havia uma cozinha que também fazia as vezes de sala.”
b) “A única mesa da casa amontoava-se entre um velho fogão elétrico 
e um sofá caindo aos pedaços.”
c) “A comida em casa era apressada, prática, sem imaginação.”
9 Releia estas frases e observe os trechos destacados.
 
“Morria de medo que ele caísse em cima de mim!”
 
“um batalhão de empregadas de uniforme azul.”
 Nesses trechos, o autor usou o exagero para tornar o relato 
mais expressivo. Esse recurso estilístico chama-se hipérbole. 
Existem vários casos de hipérbole na linguagem cotidiana, 
como “estourou de tanto rir” ou “lindo de morrer”. Escreva frases 
com outros exemplos de hipérbole.
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Resposta pessoal. 
Sugestão: Havia uma cozinha que também servia de sala.
Sugestão: A única mesa da casa amontoava-se entre um velho fogão elétrico e um sofá que se desmanchava / todo escangalhado / 
em frangalhos.
Sugestão: A comida em casa era apressada, prática, comum / rotineira / sem criatividade.
Resposta pessoal. Sugestões: Falei duzentas vezes a mesma coisa. A recepcionista me deixou horas esperando. Estou morrendo de fome! 
Bebeu litros d’água.
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Gênero textual
A objetividade e a subjetividade na narrativa e no relato
A narração é a apresentação de fatos que ocorrem em certo tempo e lugar 
(ou espaço), com determinados personagens, cuja ação é contada por um 
narrador (narrador-personagem ou narrador-observador). Além disso, o narrador 
pode contar os fatos de forma mais objetiva ou mais subjetiva, de acordo com seu 
grau de envolvimento com os fatos. O relato de experiência vivida também pode ser 
mais objetivo ou mais subjetivo, dependendo da intenção com que é feito. 
A objetividade
Muitas vezes, em uma notícia ou reportagem, encontramos trechos narrativos. 
Nesses casos, em geral, eles são marcados pela objetividade, pois a intenção do 
jornalista é informar o que ocorreu e não revelar suas impressões sobre o ocorrido. 
Veja a seguir o trecho que introduz uma reportagem que fala sobre como as 
pessoas criam teorias para explicar acontecimentos que parecem fugir ao controle 
da ciência.
Texto 1
Tsunamis artificiais
Placas tectônicas ou teste nuclear submarino?
Em 2004, um terremotosob o mar, ao largo da ilha de Sumatra, na Indonésia, desen-
cadeou o que ficou conhecido como Grande Tsunami do Oceano Índico, que causou mais 
de 200 mil mortes, em 12 países. De acordo com a Agência Espacial Americana (Nasa), 
o fenômeno mudou a posição do Polo Norte em centímetros e encurtou a duração 
do dia em 2,6 microssegundos. 
Embora cientistas digam que a catástrofe foi provocada pelo movimento das 
placas tectônicas, uma teoria popular no mundo islâmico afirma que ela foi cau-
sada por um teste nuclear indiano no fundo do mar, realizado com apoio dos EUA 
e Israel, para dizimar populações muçulmanas. A energia liberada pelo terremoto 
foi de 475 megatons, cerca de 8 vezes superior à da mais poderosa arma nuclear já 
detonada. 
As especulações foram alimentadas por documentos secretos da época da 
Segunda Guerra Mundial, liberados nos anos 90 pelo governo da Nova Zelândia, 
mostrando que, entre 1944 e 1945, cientistas americanos e neozelandeses fizeram 
testes para determinar se o uso de bombas para provocar ondas gigantes poderia 
ser útil contra o Japão. A técnica envolvia explosivos convencionais e foi considerada 
promissora, mas foi superada pelas bombas atômicas contra o Japão. Os documen-
tos do Projeto Seal podem ser encontrados online. 
Galileu, jul. 2013, p. 45.
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Observe que, nesse texto jornalístico, o jornalista apenas tem conhecimento 
dos fatos e os narra, de fora da cena. Por isso ele usa uma linguagem objetiva, 
ao contar a polêmica que envolve a catástrofe causada pelo terremoto conhecido 
como “tsunami”, ocorrido em 2004, na ilha de Sumatra, na Indonésia.
Segundo o jornalista, os cientistas consideram essa tragédia um fenômeno 
natural, ocorrido em função do movimento das placas tectônicas. Porém, grupos 
islâmicos explicam o fato como consequência de uma experiência realizada por 
países interessados em se defender do Japão, em um possível conflito.
A narração é feita em 3a pessoa: “A energia liberada pelo terremoto foi de 475 
megatons...”, “Embora cientistas digam que...”. Outra característica desse tipo de 
narrativa é o emprego de dados precisos e reais: “[...] conhecido como Grande 
Tsunami do Oceano Índico, que causou mais de 20 mil mortes, em 12 países. 
Nesse caso, os acontecimentos são apresentados de forma mais impessoal e 
direta, pois o jornalista evita se envolver com os fatos relatados.
No texto em estudo, por exemplo, apesar de haver um impasse em torno do 
assunto abordado, não há a interferência do narrador, pois ele não expõe opiniões 
pessoais e também evita se posicionar diante dos fatos, não revelando suas emoções, 
ao narrar a catástrofe. Portanto, o texto é uma narração objetiva, em 3a pessoa.
A seguir, leia um relato objetivo em 1a pessoa, sobre o mesmo tema, 
referindo-se, porém, ao tsunami ocorrido no Japão, em 11 de março de 2011. 
Toru estava trabalhando numa fábrica perto da costa. Aproveitou o intervalo após 
o primeiro tremor para correr para seu carro. Como suspeitou que um tsunami iria 
ocorrer, gritou a outras pessoas para que também fugissem.
Texto 2
Histórias de sobreviventes do tsunami no Japão
[...] 
“Primeiro, tentei ir para minha casa, que ficava num lugar alto, mas logo fiquei 
preso num congestionamento”, explicou Toru. “Ouvi no rádio do carro que o tsu-
nami já tinha atingido uma cidade vizinha. Abri a janela do carro para que pudesse 
sair caso ele chegasse aonde eu estava. Logo uma parede enorme de água escura 
com mais de 2 metros de altura veio rapidamente em minha direção. Os carros que 
estavam na minha frente foram arremessados contra o meu, e fomos arrastados por 
uma boa distância.
“Consegui sair pela janela com muito esforço, mas daí fui levado pela correnteza 
suja e malcheirosa. Fui parar numa oficina mecânica, onde me segurei numa escada e 
subi para o segundo andar. Foi muito difícil, mas consegui tirar três pessoas da água. 
Apesar do frio causado pela neve que caía naquela noite e do nível da água que não pa-
rava de subir, algumas pessoas sobreviveram. Mas infelizmente não conseguimos salvar 
outras que gritavam por ajuda.” 
[...]
Disponível em: . 
 Acesso em: 12 jan. 2016. (Fragmento).
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Observe que Toru conta os fatos em 1a pessoa: “tentei ir para minha casa”, 
“fiquei preso”. E os descreve também: “Logo uma parede enorme de água escura 
com mais de 2 metros de altura veio rapidamente em minha direção”.
Ele também usa adjetivos e advérbios, como “suja e malcheirosa”, “muito difícil” 
e “infelizmente”, o que é uma marca típica de subjetividade. Entretanto, apesar 
disso, o texto é objetivo, em sua maior parte. Toru se concentra mais em narrar 
suas ações e reações, tentando se salvar e aos outros, e em descrever a destruição 
causada pelo tsunami do que em revelar seus sentimentos diante da tragédia: 
“Os carros que estavam na minha frente foram arremessados contra o meu, 
e fomos arrastados por uma boa distância”; “Fui parar numa oficina mecânica, 
onde me segurei numa escada e subi para o segundo andar”; “[…] mas consegui 
tirar três pessoas da água. Apesar do frio causado pela neve que caía naquela 
noite e do nível da água que não parava de subir, algumas pessoas sobreviveram”.
A subjetividade
Ao produzir uma narração subjetiva, o narrador mostra-se sensível 
ao que acontece. Leia a seguir um exemplo desse tipo de narrativa.
Texto 3
Angústia
[...]
O sino da igrejinha bate a primeira pancada das ave-marias.
Não, não é o sino da igreja, é o relógio da sala de jantar. Oito e meia. Preciso 
vestir-me depressa, chegar à repartição às nove horas. Apronto-me, calço as 
meias pelo avesso e saio correndo. Paro sobressaltado, tenho a impressão de que 
me faltam peças do vestuário. Assaltam-me dúvidas idiotas. Estarei à porta de 
casa ou já terei chegado à repartição? Em que ponto do trajeto me acho? Não 
tenho consciência dos movimentos, sinto-me leve. Ignoro quanto tempo fico 
assim. Provavelmente um segundo, mas um segundo que parece eternidade. Está 
claro que todo o desarranjo é interior. Por fora devo ser um cidadão como os 
outros, um diminuto cidadão que vai para o trabalho maçador, um Luís da Silva 
qualquer. Mexo-me, atravesso a rua a grandes pernadas.
Tenho contudo a impressão de que os transeuntes me olham espantados 
por eu estar imóvel.
Imóvel. Camilo Pereira da Silva também estava imóvel, debaixo da 
terra. D. Conceição vinha oferecer-me comida. As meninas dela, d. Maria e 
Teresa, tentavam consolar-me. Retraía-me como um animal acuado, fechava 
os ouvidos às consolações, cerrava os olhos, apalpava a cabeça e sentia a 
dureza de ossos, dava estalos com os dedos e ouvia o som de ossos.
— Obrigado, muito obrigado.
Não precisava de nada. Os ossos de Camilo Pereira da Silva desconjun-
tavam-se na podridão da cova, e a alma já não me fazia medo. Era uma alma 
que envelhecia e estava fora da terra, provavelmente no purgatório. Quitéria 
rezava alto na cozinha:
— Ofereço este padre-nosso e esta ave-maria às almas do purgatório.
Maçador: 
aquele ou aquilo 
que causa 
aborrecimento.
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Era lá que devia estacionar uma parte de meu pai, curando uns restos de 
pecados. Leves pecados. Apenas muita preguiça. Por isso eu aguentava fome e 
ouvia as lamentações de Quitéria.
Para que banda ficaria o purgatório? Seu Antônio Justino não sabia. Nem eu. 
Sabia onde ficavam o Rio de Janeiro, SãoPaulo, Minas, lugares que me atraíam, 
que atraem a minha raça vagabunda e queimada pela seca. Resolvi desertar para 
uma dessas terras distantes. Abandonei a vila, com uma trouxa debaixo do braço 
e os livros da escola. — “Adeus, d. Conceição. Muito obrigado pela comida com 
que me matou a fome. Adeus, Joaquim Sabiá, d. Maria, Teresa. Adeus, Quitéria, 
Rosenda, cabo José da Luz.” E comecei a andar lentamente pelo caminho estrei-
to, afastando-me da vila adormecida.
Começo a andar depressa, receando encontrar o ponto encerrado. Tolice. 
Provavelmente tudo aquilo se passou num segundo. Tenho a impressão de que 
uma objetiva me pegou, num instantâneo. Ficarei assim, com a perna erguida, a 
pasta debaixo do braço, o chapéu embicado.
Luís da Silva, a caminho da repartição, lesando, pensando em defuntos.
[...]
GRACILIANO RAMOS. Angústia. 67. ed. Rio de Janeiro: Record, 2012. p. 25-27. (Fragmento).
Lesando: no 
sentido em que 
aparece no texto, 
caminhando à toa.
Nesse trecho do romance, o narrador se mostra envolvido 
emocionalmente com os acontecimentos: no curto espaço de tempo em que 
se arruma e caminha em direção ao trabalho, o narrador revela suas emoções, 
seu desconforto com a morte do pai, suas impressões sobre o passado e até sua 
preocupação de que não vá chegar a tempo de bater o ponto. 
Nem sempre, porém, a narração subjetiva é feita em 1a pessoa. Às vezes, 
o texto narrativo está na 3a pessoa e temos uma narração subjetiva. Nesse caso, 
veja como a narração se desenvolve, lendo um trecho do romance O guarani, 
de José de Alencar.
Texto 4
Peri
Peri lançava-se como um raio, e antes que tivessem tempo de contê-lo, 
passava entre uma nuvem de flechas, chegava à beira da esplanada, e com um tiro 
de sua clavina abatia o Aimoré que assustara sua senhora, antes que ele tivesse 
tempo de soltar um segundo grito.
Cecília, aflita e doente, recusava tomar o alimento que sua mãe 
ou sua prima lhe traziam.
Peri correndo mil perigos, arriscando-se a despedaçar-se nas pontas 
dos rochedos e a ser crivado pelas flechas dos selvagens, ganhava 
a floresta, e daí a uma hora voltava trazendo um fruto 
delicado, um favo de mel envolto em flores, uma caça 
esquisita, que sua senhora tocava com os lábios para 
assim pagar ao menos tanto amor e tanta dedicação.
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As loucuras do índio chegaram a ponto que Cecília foi obrigada a proibir-lhe 
que saísse de junto dela, e a guardá-lo à vista com receio de que não se fizesse matar 
a todo o momento. 
[...]
Do mesmo lado em que estava Cecília, mas num outro canto da sala, via-se 
Isabel sentada de encontro à ombreira da janela; enfiava um olhar ardente, cheio de 
ansiedade e de susto, por uma pequena fresta, que ela entreabrira a furto. 
O raio de luz que filtrava por esta aberta da janela servia de mira aos índios, 
que faziam chover setas sobre setas naquela direção; mas Isabel, alheia de si, nem se 
importava com o perigo que corria.
Ela olhava Álvaro, que, no alto da escada com a maior parte dos aventureiros 
fiéis, fazia a guarda noturna; o moço passeava pela esplanada ao abrigo de uma 
ligeira paliçada. Cada seta que passava por sua cabeça, cada movimento que fa-
zia, causava em Isabel uma aflição imensa; sentia não poder estar junto dele para 
ampará-lo, e receber a morte que lhe fosse destinada. 
D. Lauriana, sentada em um dos degraus do oratório, rezava; a boa senhora era 
uma das pessoas que mais coragem e mais calma mostravam no transe horrível em 
que se achava a família; animada pela sua fé religiosa e pelo sangue nobre que girava 
nas suas veias, ela se tinha conservado digna de seu marido.
JOSÉ DE ALENCAR. O guarani. Rio de Janeiro: Ediouro, s.d. p. 137. (Fragmento).
 A narração desenvolve-se em 3a pessoa, mas a linguagem é subjetiva 
(“Peri lançava-se como um raio”). O narrador não conta de forma fria e impessoal 
as reações do índio Peri, ao salvar a vida de Cecília, sua senhora e amiga. 
Ele emite opiniões pessoais sobre a coragem e agilidade do índio: “passava entre 
uma nuvem de flechas”, “correndo mil perigos, arriscando-se a despedaçar-se 
nas pontas dos rochedos e a ser crivado pelas flechas dos selvagens”; 
“As loucuras do índio”. E chega mesmo a revelar sua opinião a respeito dos fatos: 
“no transe horrível em que se achava a família”.
1 Leia os trechos a seguir e identifique o tipo de narrador ou o foco narrativo; 
em seguida, comente se a narração é objetiva ou subjetiva.
Domingo
Naquele dia o menino descobriu que água de represa é mais fria quanto mais 
funda. Nadou na água morna de sol mas, quando parou, sentiu nos pés água gelada — 
e o medo tocou lá embaixo na espinha, subiu pelas costelas enquanto ele se deixava 
afundar na escuridão. Então bracejou depressa pra cima, pra cima: tirar a cabeça da 
água, depois da escuridão gelada, já é quase como estar em terra, como sentar na cama 
depois do pesadelo.
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Saíram de manhãzinha, o pai com a sacola e o menino com as varas. Primeira vez 
ia pescar, na mesma represa onde o pai e a mãe pescavam antes de casar. Ela contou 
que ficava quieta no barranco esperando a mordida dos lambaris — e pescava mais 
que o pai, sempre mudando de lugar e de isca. Naquele tempo ele não tinha muita 
paciência, que a gente só tem mesmo depois de ter filhos — ela contou suspirando e 
passando manteiga nos pães.
[...]
DOMINGOS PELLEGRINI. Tempo de menino. São Paulo: Ática, 1992. p. 37. (Fragmento).
Texto B
O ascensorista
[...]
Quantas vezes tenho notado o ar de constrangimento e repugnância dessas pes-
soas que descem de seus automóveis de luxo e são obrigadas a viajar alguns segundos 
perto do mais sujo maltrapilho ou do pior inimigo!... O elevador é o único transporte 
gratuito e igualitário da cidade. Acho isso extraordinário.
[...]
O coqueirinho que plantei no terraço cresceu que é uma beleza. Meu maior de-
sejo agora é colocar umas bananeiras. Acho que vou tentar. Já não aguento mais com 
tanto cimento.
[...]
ANIBAL MACHADO. A morte da porta-estandarte, Tati, a garota e outras histórias. 
Rio de Janeiro: José Olympio, 1974. p. 71, 73. (Fragmento).
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Narrador-observador, em 3a pessoa, narração subjetiva (“e o medo tocou lá embaixo na espinha, subiu pelas costelas enquanto 
ele se deixava afundar na escuridão”).
Narrador-personagem, em 1a pessoa, narração subjetiva (“Quantas vezes tenho notado o ar de constrangimento e repugnância”; 
“Acho isso extraordinário”; “Já não aguento mais com tanto cimento”).
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O álbum de figurinhas
Falar de aventura de detetive para um menino da idade e da saúde de Edmundo 
é uma ideia sedutora.
E seu Tomé merecia ser ajudado; numa época em que as fábricas de brinquedo e 
os comerciantes só andam inventando brinquedo sem graça, o seu Tomé tinha criado 
um concurso bom de verdade. Dava prêmios caros, como esse jogo de onze camisas, 
as figurinhas eram impressas em papel de primeira e os álbuns eram caprichados: três 
páginas para cada time; uma para colar as figurinhas dos onze jogadores, mais a do 
técnico, e duas com informações sobre a vida do clube e a dos jogadores, quantos gols 
marcara, quantas jogara no estrangeiro, quantas jogara na seleção, qual a maior emo-
ção, a maior tristeza, e coisinhas assim que a gente lê gostoso.
[...]
JOÃO CARLOS MARINHO. O gênio do crime. São Paulo: Global, 1995. p. 18. (Fragmento).
Empresário aos 10 anos, Jack cria rede 
de bancas de limonada nos EUA
Dois verões atrás, JackBonneau, quando tinha 8 anos, 
criou uma banca de limonada para ganhar dinheiro. Em vez 
de montá-la em uma esquina de seu bairro em Broomfield, 
no Colorado (EUA), ele e o pai, Steve, decidiram vender 
copos de limonada em uma feirinha local de produtos 
naturais.
A estratégia foi um sucesso. “Faturei cerca de US$ 2.000, 
e meu lucro foi de US$ 900”, disse Jack, acrescentando que 
a experiência o havia tornado mais confiante na escola. 
Ele também curtiu a sua “alfabetização financeira”, termo 
que usa para designar “adição e subtração, lucro e prejuí-
zo, subtrair despesas da receita, aprender sobre margens 
de lucro, e todas essas coisas”.
Na primavera do ano seguinte, os Bonneau criaram o 
nome Jack’s Stands e desenvolveram um plano de expan-
são. Criaram um site, novas bancas, e começaram a vender 
limonada em três outras feiras de produtos naturais.
Usaram dinheiro do Young Americans Bank, de 
Denver, cuja especialidade são empréstimos a crianças.
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Narrador-observador, em 3a pessoa, narração subjetiva (“Falar de aventura de detetive para um menino [...] é uma ideia 
sedutora.”; E seu Tomé merecia ser ajudado”, “coisinhas assim que a gente lê gostoso”).
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Os Bonneau também montaram uma equipe de vendas. Outras crianças ávidas 
por ganhar um dinheirinho se ofereceram para turnos de trabalho em suas bancas.
Jack ficou empolgado com a oportunidade de ensinar a outras crianças o que ha-
via aprendido. As crianças, com idades de 7 aos 11 anos, saíam da experiência levando 
as gorjetas e uma participação no lucro, em geral de entre US$ 30 e US$ 50.
[...]
Disponível em: . Acesso em: 8 mar. 2016. (Fragmento).
2 O texto a seguir é um trecho de um romance escrito com base 
em O diário de Anne Frank. A autora imagina como seria o 
personagem por quem Anne Frank se apaixona. Leia. 
13 de julho de 1942 — Peter van Pels: 
Amsterdam, Zuider-Amstellaan
Vou correndo pela rua; é muito cedo e o sol tenta transpor a névoa. Meus passos 
ecoam. Meus pensamentos correm em disparada: Não vou para o esconderijo. Não vou 
para o esconderijo — muito menos com os Frank!
Não sei aonde ir; só sei que não estou disposto a isso. Não estou disposto a ficar 
enfurnado em um apartamento minúsculo com duas garotas (especialmente Anne 
Frank) e Mutti e o sr. Frank! O fato de papai ter negócios com eles não nos obriga a 
gostar deles! Prefiro tentar a sorte na rua.
Piso na calçada. Atrás de mim, ouço o ronco de um motor. Sei imediatamente do 
que se trata. Nós todos conhecemos esse barulho: é um veículo militar.
Diminuo o passo, mantenho-me na sombra. Ainda é toque de recolher para os 
judeus, não que eu tenha cara de judeu.
Estou quase chegando.
À casa de Liese.
“Liese.”
Murmuro o nome dela. Imagino seu rosto, os olhos azuis e o cabelo escuro, macio. 
Imagino o que vai fazer quando lhe disser que estou fugindo. Pode ser que me agarre; 
pode ser que se deite na relva comigo. Pode ser...
Preciso me concentrar. Preciso transpor o muro e entrar no quintal dela.
Tomo impulso e tento pular. É alto. Não consigo.
O ruído do motor se aproxima.
Apoio o pé esquerdo no muro e agarro o cume dele com a mão direita, guiada 
pelo medo — e dessa vez consigo. 
Caio na grama. Ofegante, apalpo o chão à procura de uma pedra, de um galho, de 
qualquer coisa que eu possa jogar na janela para acordá-la.
Narrador-observador, em 3a pessoa, narração objetiva (“Dois verões atrás, Jack Bonneau, quando tinha 8 anos, criou uma banca 
de limonada para ganhar dinheiro.”).
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Mas algo me detém. Escuto. As árvores estão em silêncio. Nenhum ruído. Quer di-
zer que o motor parou. Fico totalmente imóvel. Será que me viram? Será que estão pro-
curando entre as árvores, escutando, esperando que eu me denuncie: que faça barulho?
Uma pancada rompe o silêncio, punhos esmurram a porta, gritos.
“Abram! Abram!”
Estou no quintal, imobilizado. Vejo as luzes se acenderem. Vejo o rosto de Liese 
aparecer brevemente à janela quando ela fecha a cortina — então desaparece. Observo 
quando toda a família surge atrás da janela iluminada da sala. Estão de pijama. Gesticulam, 
argumentam, mas no fim pegam as malas, vestem o casaco e se vão — com Liese.
Sei que andam convocando garotas adolescentes. Sei que é por isso que vamos 
nos esconder, porque Margot Frank foi convocada. Mas nunca imaginei que fosse 
acontecer com Liese.
Tento correr ao seu encontro, mas minhas pernas não se mexem, minha mão ain-
da segura uma pedra do muro. Não sei quanto tempo demoro para me mover outra 
vez; pulo o muro e corro até a esquina, mas sei que é tarde demais. O furgão já está em 
movimento. Eu o vejo virar e se afastar velozmente.
Levando Liese.
Começo a correr. Corro muito, mas o veículo já vai longe.
Liese!
Liese!
O furgão segue adiante, desaparece. Continuo correndo até cair de joelhos. Tarde 
demais.
Tarde demais.
Ela se foi.
SHARON DOGAR. O anexo. São Paulo: Cia. das Letras, 2011. p. 17-18. (Fragmento).
 Observe que esse trecho apresenta um narrador-personagem 
(em 1a pessoa), e a narração é subjetiva. Reescreva o trecho, 
tornando o narrador um observador e passando o texto para a 
3a pessoa. 
Peter van Pels vai correndo pela rua; é muito cedo e o sol tenta transpor a névoa. Seus passos ecoam. Seus pensamentos correm 
em disparada: Pensa que não vai para o esconderijo. Não vai para o esconderijo — muito menos com os Frank!
Não sabe aonde ir; só sabe que não está disposto a isso. Não está disposto a ficar enfurnado em um apartamento minúsculo com 
duas garotas (especialmente Anne Frank) e Mutti e o sr. Frank! O fato de o pai ter negócios com eles não o obriga a gostar deles! 
Prefere tentar a sorte na rua.
Pisa na calçada. Atrás de si, ouve o ronco de um motor. Sabe imediatamente do que se trata. Todos conhecem esse barulho: é um 
veículo militar.
Diminui o passo, mantém-se na sombra. Ainda é toque de recolher para os judeus, não que ele tenha cara de judeu.
Está quase chegando.
À casa de Liese.
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“Liese.”
Murmura o nome dela. Imagina seu rosto, os olhos azuis e o cabelo escuro, macio. Imagina o que vai fazer quando lhe disser que 
está fugindo. Pode ser que o agarre; pode ser que se deite na relva com ele. Pode ser...
Precisa se concentrar. Precisa transpor o muro e entrar no quintal dela.
Toma impulso e tenta pular. É alto. Não consegue.
O ruído do motor se aproxima.
Apoia o pé esquerdo no muro e agarra o cume dele com a mão direita, guiada pelo medo — e dessa vez consegue. 
Cai na grama. Ofegante, apalpa o chão à procura de uma pedra, de um galho, de qualquer coisa que ele possa jogar na janela para 
acordá-la.
Mas algo o detém. Escuta. As árvores estão em silêncio. Nenhum ruído. Quer dizer que o motor parou. Fica totalmente imóvel. Será 
que o viram? Será que estão procurando entre as árvores, escutando, esperando que ele se denuncie: que faça barulho?
Uma pancada rompe o silêncio, punhos esmurram a porta, gritos.
“Abram! Abram!”
Está no quintal, imobilizado. Vê as luzes se acenderem. Vê o rosto de Liese aparecer brevemente à janela quando ela fecha a 
cortina — então desaparece. Observa quando toda a família surge atrás da janela iluminada da sala. Estão de pijama. Gesticulam, 
argumentam, mas no fim pegam as malas, vestem o casaco e se vão — com Liese.
Sabe que andam convocando garotas adolescentes. Sabe que é por isso que vão se esconder, porque Margot Frank foi convocada. 
Mas nunca imaginou que fosseacontecer com Liese.
Tenta correr ao seu encontro, mas suas pernas não se mexem, sua mão ainda segura uma pedra do muro. Não sabe quanto tempo 
demora para se mover outra vez; pula o muro e corre até a esquina, mas sabe que é tarde demais. O furgão já está em movimento. 
Ele o vê virar e se afastar velozmente.
Levando Liese.
Começa a correr. Corre muito, mas o veículo já vai longe.
Liese!
Liese!
O furgão segue adiante, desaparece. Continua correndo até cair de joelhos. Tarde demais.
Tarde demais.
Ela se foi.
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3 Leia o trecho de uma narrativa objetiva com o narrador em 
3a pessoa. Dê continuidade à crônica, narrando novos fatos.
A estrada e o pânico
Ela tem 25 anos, é formada em arquitetura, casada e, de modo geral, considera-
-se uma pessoa sadia. Há duas semanas vinha dirigindo sozinha pela freeway quando 
de repente começou a se sentir tonta, nauseada, as mãos formigando. Suava muito e 
tinha dificuldade de respirar. Não conseguiu mais dirigir; estacionou o carro e, pelo 
celular, chamou um médico. Este veio e fez um diagnóstico que está se tornando cada 
vez mais comum, afetando milhões de pessoas.
Doença do pânico.
[...]
MOACYR SCLIAR. A face oculta: inusitadas e reveladoras histórias da medicina. 
Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2010. p. 217.
4 No trecho a seguir, o narrador conta os fatos em 1a pessoa. Leia-o 
e dê continuidade à história em uma narração subjetiva.
Nossa longa viagem para a pátria dos filósofos começou em Arendal, uma antiga 
cidade portuária no Sul da Noruega. Atravessamos a distância de Kristiansand até 
Hirtshals a bordo do Bolero, e não há muito a contar sobre a viagem pela Dinamarca e 
pela Alemanha. Tirando Legoland e o gigantesco porto de Hamburgo, tudo o que vi-
mos foram rodovias e pequenas propriedades rurais. Somente quando chegamos aos 
Alpes é que as coisas realmente começaram a acontecer.
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Desde que voltara a terra firme, depois de muitos anos no mar, ele se interessava, 
por exemplo, por robôs. Até aí nada de extraordinário; em se tratando de meu pai, po-
rém, a coisa não parava por aí. É que ele estava plenamente convencido de que um dia 
a ciência conseguiria produzir seres artificiais. Não esses robôs idiotas de metal, que 
ficam acendendo luzinhas verdes e vermelhas e falam com uma vozinha oca. Não, meu 
pai acreditava que um dia a ciência ainda iria produzir gente mesmo, seres pensantes 
como nós, só que artificiais. E tem mais: no fundo ele já achava que todas as pessoas 
eram artificiais.
“Somos bonecos vivos”, ele costumava dizer [...]. Em Legoland, eu o surpreendi 
pensativo diante dos enormes bonecos feitos de peças de Lego. Perguntei-lhe, então, 
se estava pensando em mamãe.
— Imagine se de repente tudo isso ganhasse vida, Hans-Thomas — disse ele. 
— Imagine se, de uma hora para outra, todos esses bonecos saíssem andando no meio 
dessas casinhas de plástico. O que nós faríamos?
— Você está louco — limitei-me a dizer, pois tinha certeza de que os outros pais 
que visitavam Legoland com seus filhos não diziam essas besteiras.
Decidi pedir-lhe um sorvete. Sabia que o melhor momento para lhe pedir alguma 
coisa era quando ele começava a externar suas ideias malucas. Acho que ele tinha a 
consciência um pouco pesada por estar sempre me amolando com esses assuntos; e 
quando meu pai está com a consciência pesada, sua tendência é ser mão-aberta. Já ia 
abrindo a boca para pedir o sorvete quando ele disse:
— No fundo somos todos figuras de Lego, só que vivas.
Meu sorvete estava garantido: meu pai finalmente começara a filosofar.
JOSTEIN GAARDER. O dia do Curinga. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. (Fragmento).
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Gênero textual
Modos de descrever
Descrição objetiva em 3a pessoa
Já sabemos que o texto narrativo enfatiza as ações, e o texto descritivo 
destaca as características dos objetos ou seres. Por isso, neste último, há um maior 
emprego de adjetivos e comparações.
Assim como na narração e no relato, também se pode descrever algo ou alguém 
de modo objetivo ou subjetivo. Leia este trecho de uma descrição objetiva, 
que se desenvolve em 3a pessoa.
Cataratas do Iguaçu, Brasil — em Foz do Iguaçu
As Cataratas do Iguaçu são uma das mais belas paisagens do mundo, visitadas por 
mais de um milhão de turistas todos os anos. São 275 saltos por onde escoam em torno 
de um trilhão de litros de água por segundo. Independente do clima da época, essa co-
lossal obra da natureza desperta diversas sensações em quem a contempla. O passeio 
começa no centro de recepção aos visitantes no Parque Nacional do Iguaçu em Foz do 
Iguaçu, onde os turistas podem adquirir alguns souvenirs em lojas especializadas, e tam-
bém poderão ver e até interagir com algum dos painéis distribuídos pelo local. Como 
é o caso do painel que emite o som de diversos tipos de pássaros da nossa fauna. Logo 
após, os turistas embarcam em um moderno ônibus panorâmico, double-deck, com ca-
pacidade para 72 passageiros sentados, que se desloca para o interior do parque, onde 
o passageiro vai contemplando a fauna e a flora até as Cataratas. Conforme o ônibus se 
aproxima, o som das quedas das cataratas vai surgindo. 
Disponível em: . Acesso em: 12 jan. 2016.
Observe que as descrições aparecem inseridas em determinados trechos do 
texto, como é comum ocorrer. Note que, ao fazer uma descrição, não precisamos 
nem devemos mencionar todas as características do ser retratado, mas somente 
as mais significativas. Essa seleção de atributos é feita pelo observador, de acordo 
com as impressões que quer transmitir. Por isso, todas as descrições têm certa 
dose de subjetividade.
No trecho lido, o observador não aparece explicitamente, pois o lugar 
(as Cataratas do Iguaçu) é descrito de modo objetivo, com adjetivação comedida e 
precisa (belas paisagens, colossal obra, moderno ônibus). Em vez de expor suas 
impressões pessoais sobre as Cataratas, o observador menciona dados concretos: 
por exemplo, em vez de dizer que “São 275 saltos que compõem um cenário 
mágico, com um volume d’água espantoso”, ele diz que “São 275 saltos por onde 
escoam em torno de um trilhão de litros de água por segundo”.
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Descrição subjetiva em 1a pessoa
Olhos de ressaca
[...]
— [...] Deixe ver os olhos, Capitu.
Tinha-me lembrado a definição que José Dias dera 
deles, “olhos de cigana oblíqua e dissimulada”. Eu não 
sabia o que era oblíqua, mas dissimulada sabia, e que-
ria ver se podiam chamar assim. Capitu deixou-se fi-
tar e examinar. Só me perguntava o que era, se nunca 
os vira; eu nada achei extraordinário; a cor e a doçura 
eram minhas conhecidas. A demora da contemplação 
creio que lhe deu outra ideia do meu intento; imaginou 
que era um pretexto para mirá-los mais de perto, com 
os meus olhos longos, constantes, enfiados neles, e a 
isto atribuo que entrassem a ficar crescidos, crescidos e 
sombrios, com tal expressão que...
Retórica dos namorados, dá-me uma comparação 
exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de 
Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra 
da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos 
de ressaca? Vá, de ressaca. É o queme dá ideia daquela feição 
nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que 
arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. 
Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos bra-
ços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, 
a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, 
puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? [...]
MACHADO DE ASSIS. Dom Casmurro. São Paulo: Saraiva, 2006. p. 83. 
(Clássicos Saraiva). (Fragmento).
Retórica: arte 
da palavra, de 
bem argumentar; 
oratória.
Cava: oca, funda.
Nesse texto, pode-se observar que há um narrador-protagonista, que 
se envolve nos fatos e aparece explicitamente como observador: “eu nada 
achei extraordinário”; “É o que me dá ideia daquela feição nova.”; “Para não ser 
arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas”; “ameaçando envolver-me, 
puxar-me e tragar-me”. 
O texto é narrado em 1a pessoa, o que aumenta o grau de subjetividade 
das descrições. No fragmento lido, o narrador-personagem Bentinho descreve 
os olhos de Capitu: “crescidos e sombrios, com tal expressão que...”; “Olhos de 
ressaca?”; “Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que 
arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.”; 
“mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, 
cava e escura”.
Já o personagem José Dias percebe outras características nos olhos da jovem: 
“ ‘olhos de cigana oblíqua e dissimulada’ ”. Há, portanto, duas visões diferentes, 
pessoais, em relação aos aspectos físicos e psicológicos de Capitu, acentuando 
o caráter subjetivo das descrições.
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Tipos de descrição
Vejamos agora quais são os tipos de texto descritivo. 
Descrição de pessoa
Leia o seguinte fragmento.
Na fazenda
[...] 
Eugênio era filho do capitão Francisco Antunes, fazendeiro de medianas 
posses, mas homem considerado no lugar e pessoa de importância. Fazendeiro 
trabalhador, bom e extremoso pai de família, liso e sincero em seus negócios, 
partidista firme e cidadão sempre pronto para os ônus públicos, nada lhe faltava 
para gozar da maior consideração e respeito entre os seus conterrâneos.
Antunes tinha terras de sobejo para a pouca escravatura que possuía, e por-
tanto dava morada em sua fazenda a diversos agregados [...] sem lhe pagarem 
contribuição alguma, nem em serviço nem em dinheiro [...].
Entre esses agregados contava-se a senhora Umbelina [...]. Umbelina vivia de 
sua pequena bitácula à beira da estrada. [...]
Era ela uma matrona gorda e corada, de rosto sempre afável e prazenteiro; 
sua asseada e garrida casinha, alvejando entre o verdor das balsas e campinas 
que a circundavam, era uma confirmação palpitante do rifão, que diz: — “não há 
traste que não se pareça com seu dono”. [...]
Umbelina fora casada com um alferes de cavalaria, que havia morrido nas 
guerras do Rio Grande do Sul, deixando sua mulher e Margarida, sua única filhi-
nha, ainda no berço, no estado da mais completa indigência... Antunes e sua mu-
lher, que tinham antigas relações de amizade com o falecido alferes, e que eram 
padrinhos da menina, deram a mão à pobre e desvalida viúva, e a estabeleceram 
em suas terras. [...]
BERNARDO GUIMARÃES. O seminarista. 
São Paulo: Moderna, 1990. p. 5. (Fragmento).
Observe que o autor retrata diversas pessoas no texto. Eugênio é o filho 
de Francisco Antunes, capitão e fazendeiro descrito como “trabalhador, bom e 
extremoso pai de família, liso e sincero em seus negócios”, cidadão honesto e 
respeitado por todos, além de altruísta e caridoso (“sem lhe pagarem contribuição 
alguma, nem em serviço nem em dinheiro”). 
Note que Antunes só é descrito por meio de características psicológicas, 
que determinam seu modo de ser e seu comportamento. Já a senhora Umbelina 
tem o caráter descrito por meio de suas características físicas (“uma matrona 
gorda e corada, de rosto sempre afável e prazenteiro”). Em ambos os casos, o 
estado social e econômico dos personagens ajuda a compor a descrição. 
Ficamos sabendo, por exemplo, que Francisco Antunes era homem “de medianas 
posses”, que tinha “terras de sobejo” e era casado, com filhos (“pai de família”, 
“Antunes e sua mulher”). Da senhora Umbelina, sabemos que é viúva, mãe da 
jovem Margarida, agregada da fazenda e dona de uma pequena venda.
Extremoso: 
dedicado, capaz 
de chegar a 
extremos por 
alguém. 
De sobejo: de 
sobra.
Bitácula: 
pequena venda.
Garrida: graciosa, 
enfeitada.
Balsas: matas 
fechadas.
Rifão: adágio, 
provérbio. 
Traste: móvel 
ou utensílio 
doméstico de 
pouco valor.
Alferes: patente 
de oficial abaixo 
de tenente.
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Todos esses atributos, juntos, criam um retrato vivo dos personagens, 
enriquecendo a narrativa da qual eles participam.
Para fazer a caracterização, o texto lança mão de adjetivos (“bom e 
extremoso”), locuções adjetivas (“relações de amizade”), orações adjetivas 
(“que a circundavam”) e comparações. O caráter de Umbelina, por exemplo, 
é definido por uma comparação com sua casa (“não há traste que não se pareça 
com seu dono”): ambos eram asseados, vistosos, alegres. 
Descrição de ambiente
Leia o trecho a seguir.
Lesbos: 
referência à ilha 
de Lesbos, na 
Grécia, palco 
de histórias da 
mitologia grega. 
Debuxavam: 
delineavam.
Convivas: 
convidados.
A sala
[...] 
Anunciada a ceia, atravessamos o jardim para ir à sala do serviço.
Não posso deixar de fazer-lhe uma breve descrição dessa parte da casa, que 
ocupava a ala direita do edifício, formando uma espécie de pavilhão. [...]
Entremos, já que as portas se abrem de par em par, cerrando-se logo depois 
de nossa passagem. A sala não é grande, mas espaçosa; cobre as paredes um pa-
pel aveludado de sombrio escarlate, sobre o qual destacam entre espelhos duas 
ordens de quadros representando os mistérios de Lesbos. Deve fazer ideia da 
energia e aparente vitalidade com que as linhas e colorido dos contornos se de-
buxavam no fundo rubro, ao trêmulo da claridade deslumbrante do gás.
A mesa oval, preparada para oito convivas, estava colocada no centro sobre 
um estrado, que tinha o espaço necessário para o serviço dos criados; o resto 
do soalho desaparecia sob um felpudo e macio tapete que acolchoava o 
rodapé e também os bordos do estrado. Os aparadores de mármore co-
bertos de flores, frutos e gelados, e os bufetes carregados de iguarias 
e vinhos, eram suspensos à parede. [...]
O texto apresenta a descrição de um ambiente fechado: uma sala luxuosa e 
envolvente. O autor retrata em detalhes o tamanho da sala, a iluminação, a cor 
predominante, a disposição e o formato dos móveis e outros ornamentos.
Observe que tal descrição apela aos sentidos da visão (“sombrio escarlate”, 
“fundo rubro”, “claridade deslumbrante”) e do tato (“papel aveludado”, “macio 
tapete”). De fato, as descrições de ambiente costumam misturar as impressões 
percebidas pelos diferentes sentidos: o aroma de um ambiente — um quarto 
perfumado, por exemplo — ou os ruídos que se ouvem nele ajudam a definir a 
atmosfera do lugar e “transportar” o leitor para dentro dela. Como no trecho 
transcrito, em que os objetos enumerados atraem a atenção do leitor: 
“Os aparadores de mármore cobertos de flores, frutos e gelados, e os bufetes 
carregados de iguarias e vinhos”.
JOSÉ DE ALENCAR. Lucíola. Moderna: São Paulo, 2002. p. 38. (Fragmento).
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Tipos de descrição
O texto descritivo apresenta dois elementos essenciais: um tema 
central, que pode ser um ser vivo, um objeto, um ambiente, etc., e um 
observador, de cujo ponto de vista dependerá a descrição.
Embora haja textos puramente descritivos, na maioria das vezes as 
descrições estão inseridas em outros tipos de texto, como narrações, ex-
posições ou argumentações. Nesse caso, elas servem para dar verossi-
milhança ao texto, ou seja, para reforçar sua lógica interna: por exemplo, 
se um conto de terror começa com a descrição de um ambiente lúgubre, 
escuro, e de personagens estranhos, misteriosos, o leitor fica envolvido 
por essa atmosfera e mais inclinado a aceitar o enredo.
Um texto pode apresentar descrição de pessoa, ambiente ou objeto.
Para estudar em casa
Descrição de objeto
Observe a descrição de uma pequena joia.
A joia
[...] Ao sair vi um adereço de azeviche muito simplesmente lavrado, 
e por isso mesmo ainda mais lindo na sua simplicidade. Tênue filete de 
ouro embutido bordava a face polida e negra da pedra. Há certos obje-
tos que um homem dá à mulher por um egoístico instinto do belo, só 
para ver o efeito que produzem nela. Lembrei-me que Lúcia era alva, 
e que essa joia devia tomar novo realce com o brilho de sua cútis 
branca e acetinada. Não resisti; comprei o adereço, e tão barato, 
que hesitei se devia oferecê-lo. 
[...]
JOSÉ DE ALENCAR. Lucíola. Rio de Janeiro: 
Ediouro, 1999. (Fragmento).
Nessa breve descrição, o narrador fala sobre o material de que é feita a joia 
(“de azeviche”, substância mineral, variedade de carvão fóssil), seu formato 
delicado (“tênue filete de ouro embutido”) e sua cor (“bordava a face polida e negra 
da pedra”). Comenta ainda a utilidade da joia (“para ver o efeito que produzem”) 
e seu preço (“e tão barato”).
Esses são os aspectos principais que devem ser observados na descrição de 
um objeto. É possível também acrescentar outros detalhes: tamanho, peso, cheiro, 
paladar, sonoridade, sensação tátil que provoca, etc.
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Oficina de produção
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1a proposta — Continuação de uma notícia com descrição de ambientes
Leia esta notícia em que é relatada a catástrofe que o furacão Katrina 
causou na cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos, em 2005. 
Furacão Katrina devasta Nova Orleans
 Em 29 de agosto de 2005, o furacão Katrina — de categoria 5 — provoca 
devastação na área de Nova Orleans, no estado da Luisiana, nos EUA. Apesar de 
ser apenas o terceiro mais poderoso da série de furacões da temporada de 2005, 
Katrina foi o pior desastre natural da história dos EUA. Após breve permanência 
na costa da Flórida, ainda como categoria 1, o Katrina ganhou força antes de inva-
dir o Golfo do México, em 29 de agosto. Além da devastação provocada na área 
de Nova Orleans, o furacão causou danos no litoral do Mississípi e do Alabama, 
bem como em outras partes da Luisiana.
O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, ordenou uma evacuação obrigató-
ria da cidade ainda em 28 de agosto, quando o Katrina atingiu a categoria 5 e o 
serviço de meteorologia previu uma intensa destruição em toda a região. Cerca 
de 150 mil pessoas que não tinham recursos para deixar a área, ou que não qui-
seram, foram obrigadas a permanecer em casa. A tormenta trouxe ventos per-
sistentes de 250 quilômetros por hora, que cortaram as linhas de transmissão 
e destruíram casas. O Katrina provocou recordes de ondas de tempestades em 
toda a costa do Mississípi. As ondas do mar passaram pelos diques que prote-
giam Nova Orleans, situada a cerca de 2 metros abaixo do nível do mar, do Lago 
Pontchartrain ao rio Mississípi. Com o rompimento do dique, 80% da cidade 
ficaram inundados até o teto das casas. 
[...]
Disponível em: Acesso em: 12 jan. 2016. (Fragmento).
 Observe que o texto apresenta também alguns trechos descritivos: 
“uma intensa destruição em toda a região”; “Katrina provocou recordes 
de ondas de tempestades”; “As ondas do mar passaram pelos diques que 
protegiam Nova Orleans, situada a cerca de 2 metros abaixo do nível d 
o mar”; “80% da cidade ficaram inundados até o teto das casas”. 
Escolha uma das opções a seguir e desenvolva-a, de acordo com 
as orientações apresentadas.
A. Imagine que você tenha sido um dos jornalistas contratados para cobrir o fato. 
Seu texto vai integrar uma reportagem sobre o desastre. Portanto, deve ser 
impessoal, usar a 3a pessoa e fazer uma descrição objetiva da destruição.
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B. Imagine-se como uma das pessoas que tiveram sua residência atingida pelo 
furacão. Passado o susto, você é convidado a dar um depoimento, descrevendo 
como era sua casa antes da tragédia e como ficou depois. Seu depoimento será 
usado em uma campanha em prol de medidas preventivas mais eficazes contra 
catástrofes. Logicamente, sua descrição será subjetiva. 
 Siga estas orientações:
 Pesquise sobre o Katrina em jornais, revistas e na internet. Se possível, 
encontre mais imagens para deixar sua descrição bem realista.
 Conforme a opção escolhida, observe o emprego dos verbos e dos 
pronomes na 3a ou na 1a pessoa e sua postura de observador diante 
das cenas (com ou sem envolvimento emocional).
 
Ver Ficha de avaliação 23 na MiniOficina.
2a proposta — Continuação de texto narrativo com descrição 
 subjetiva de ambientes e pessoas
Você tem a seguir os parágrafos iniciais de dois textos. Desenvolva um 
deles em uma narrativa com descrições. Verifique antes o foco narrativo e se 
a narração se desenvolve de forma objetiva ou subjetiva.
Texto 1
Onde estão as borboletas azuis?
O dia de hoje está uma maravilha e, aqui de minha casa, eu olho para a lagoa 
que tem as águas luminosas pelo sol de maio que há pouco nascera. É uma manhã 
de glória como dizem os poetas, e para gozá-la, saio a passear.
Nada nesta cidade se parece mais com um recanto de romance que esta lagoa 
mansa, sem rumores de ondas, quieta, sem arrogâncias de águas raivosas.
[...]
JOSÉ LINS DO REGO. O melhor da crônica brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 2003. p. 46.
Texto 2
O almoço
[...] 
Ouviu-se descer a escada um passo rápido, e não tardou que Helena aparecesse à por-
ta da sala de jantar. Estácio estava então encostado à janela que ficava em frente da porta e 
dava para a extensa varanda, donde se viam os fundos da chácara. Olhou para a tia como 
esperando que ela os apresentasse um ao outro. Helena detivera-se ao vê-lo.
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— Menina, disse D. Úrsula com o tom mais doce que tinha 
na voz, este é meu sobrinho Estácio, seu irmão.
— Ah! disse Helena, sorrindo e caminhando para ele.
Estácio dera igualmente alguns passos.
— Espero merecer sua afeição, disse ela depois de 
curta pausa. Peço desculpas da demora; estavam à mi-
nha espera, creio eu...
— Íamos para a mesa agora mesmo, interrompeu 
D. Úrsula, como protestando contra a ideia de que 
ela os fizesse esperar.
Estácio procurou corrigir a rudez da tia.
— Tínhamos ouvido o seu passo na escada, 
disse ele. Sentemo-nos, que o almoço esfria. 
[...]
MACHADO DE ASSIS. Helena. Rio de Janeiro: Ediouro, 2002. p. 26. (Fragmento).
Ver Ficha de avaliação 24 na MiniOficina.
3a proposta — Descrição de pessoa ou ambiente 
Escolha uma das opções a seguir e desenvolva a descrição proposta.
 A. Leia o fragmento seguinte.
O gerente
Perguntou-lhePilatos. 
Que é a verdade?
São João, XVIII, 38
Era um homem que comia dedos de senhoras; não de se-
nhoritas. Eis pelo menos o que se dizia dele, por aquela épo-
ca. Mas, apresentemo-lo antes. Viera do Norte, morava em 
Laranjeiras, chegara a gerente de banco. Distinguia-se pela 
correção de maneiras e pelo corte a um tempo simples e 
elegante da roupa. Ou melhor, não se distinguia, pois o ho-
mem bem vestido e de maneiras discretas passa mais ou 
menos despercebido nos dias que correm, entre moças e 
rapazes americanizados, de gestos soltos, roupas vistosas. 
As pessoas mais velhas certamente o prezavam por isso, e 
recebiam-no com simpatia especial; porém, mesmo entre 
essas pessoas penetrara já a moda das meias curtas, cha-
madas soquetes, a que Samuel jamais aderiu, e dos paletós 
esportivos, soltos como camisolas, para ir ao bar ou pas-
sear na praia, e que Samuel nunca chegaria a vestir. [...]
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE. Contos de aprendiz. Rio de Janeiro: 
Record, 2000. p. 74. (Fragmento).
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Nem sempre os personagens descritos são perfeitos ou ideais. 
O gerente descrito no texto, por exemplo, parece um pouco antiquado, 
deslocado em seu ambiente, além de, aparentemente, ter um hábito 
muito estranho. Você também vai descrever alguém que, por determinada 
característica, destoe do grupo social em que vive. Pode ser algum conhecido 
ou um personagem criado por sua imaginação. 
 Siga estas instruções: 
 Seu texto pode ser puramente descritivo ou estar inserido 
numa narração — uma crônica literária, por exemplo.
 Descreva as características físicas e psicológicas do 
personagem, seu jeito de ser e de agir. Coloque título no texto.
 Empregue comparações e adjetivos, mas sem exagero. 
Selecione apenas os traços mais significativos do personagem.
B. No texto a seguir, Erico Verissimo descreve um rancho que pertencia à 
família de Ana Terra. Leia o trecho.
O rancho dos Terra
Professor: Oriente 
os alunos para que 
evitem apresentar 
estereótipos ou 
preconceitos na 
descrição da pessoa 
escolhida.
[...] 
O rancho não era grande. Constava duma só peça quadrada com repartições de 
pano grosseiro. A maior das divisões era a em que se achavam todos agora. Ali fa-
ziam as refeições e ficavam nas noites frias antes de irem para a cama: era ao mesmo 
tempo refeitório e cozinha, e a um canto dela estava o fogão de pedra e uma talha 
com água potável. O mobiliário era simples e rústico: uma mesa de pinho sem verniz, 
algumas cadeiras de assento e respaldo de couro, uma arca também de couro, com 
fechos de ferro, um armário meio desmantelado e, sobre um estrado, a velha roca de 
D. Henriqueta. Numa das outras repartições ficava a cama do casal, sobre a qual, na 
parede, pendia um crucifixo de madeira negra, com um Cristo de nariz carcomido; ao 
pé da cama ficava um mosquete carregado, sempre pronto para o que desse e viesse. 
Na divisão seguinte estavam os catres de Antônio e Horácio; e no “quarto” de Ana mal 
cabia uma cama de pernas de tesoura, debaixo da qual se via o velho baú de lata, onde 
a moça guardava suas roupas. 
[...]
ERICO VERISSIMO. Ana Terra. Rio de Janeiro: Globo, 1987. p. 31. (Fragmento).
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 Siga as instruções:
 Faça o desenvolvimento e a conclusão da descrição 
desse rancho. Descreva as características dos “quartos” 
dos personagens: Antônio, Horácio e Ana, irmã deles. 
Descreva também outro cômodo da casa. 
 Descreva como era a iluminação do ambiente, as cores da 
sala e dos quartos, e acrescente detalhes sobre os objetos e 
a localização do rancho, explorando de forma mais detalhada 
o que não aparece no fragmento. Lembre-se de usar 
comparações e adjetivos. 
 
Ver Ficha de avaliação 25 na MiniOficina.
4a proposta — Descrição de objeto 
Escolha uma das opções a seguir e descreva o objeto apresentado.
A. Leia a descrição de um sofá.
O sofá estampado
É pequeno, tem só dois lugares. E fica perto da 
janela. Pro sol não desbotar o estampado, a Dona da 
casa fez uma cortina branca, fininha e toda franzida; 
no fim de atravessar tanto pano, a luz entra cansada na 
sala, clareando tudo de leve.
É só passar pelo sofá que a Dona da casa começa: 
ajeita um almofadão, estica a ponta do tapete, arruma a 
cortina na janela, anda pra trás pra ver o efeito, e aí suspi-
ra contente “é uma graça!”.
E é. O sofá estampado é uma graça. Gorducho. 
Braço redondo. Fazenda bem esticada. Mais pra 
baixo que pra alto. Mas o melhor de tudo — lon-
ge, nem se discute — é o estampado que ele tem: 
amarelo bem clarinho, todo salpicado de flor; ora 
é violeta, ora é margarida, e lá uma vez que outra 
também tem um monsenhor.
O resto todo da sala foi arrumado pra com-
binar com o sofá: poltrona verde-musgo, tapete 
marrom, espelho redondo pra botar na parede 
branca um pouco do estampado, e mais isso e 
mais aquilo, e mais a Dalva também. Porque o sofá 
estampado não é só ele e pronto: é ele, e a Dalva.
[...]
LYGIA BOJUNGA. O sofá estampado. Rio de Janeiro: José Olympio, 2001. p. 9. (Fragmento).
peeeeeerto daa 
DDDDooona dda 
fffrrraaanziiddaa;;;; 
nnnnnsssada na 
aaaaa começçççççça: 
ee,, aarruuma aaa 
oo,,, eeeee aaaaaaaíí suspppppppppppi-
oorduchhooo.. 
aiissss praaaaaaaaaa 
—— lllloon-
ee ttteem: 
rr;; oora 
uuuuuutttttra 
oommmmmmmmmmm-
eetttee 
rreeeeeeddde 
sssso ee 
oo ssofá 
lllvvvvaaaa.
dedededeededde JJana eiroo: Jooséssss OOlylympio, 202020001. p. 999999. (F(Fraraagmgmgmmeneneneeeeeneeeeeee tototototototoooototoooootootootttt ).).).).))
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 Siga estas instruções:
 Dê continuidade ao texto, descrevendo as características 
dos outros objetos da sala, que devem combinar com o estilo 
do sofá.
 Descreva o tamanho, o formato, as cores, o material e a 
aparência, por exemplo, das poltronas, do tapete, dos objetos 
de decoração e o estilo do espelho.
 Se quiser, imagine quem é a Dalva e descreva-a.
 Escolha um outro título para o texto. 
B. Certo dia, o pintor holandês Van Gogh comprou um par de botas 
de cocheiro, velhas, porém limpas, em um mercado de rua. 
Depois de usá-las em um passeio e de sujá-las na lama, ele decidiu 
retratá-las em um quadro. Observe-as.
VINCENT VAN GOGH. Um par de botas. 1886. 
Óleo sobre tela, 37,5 x 45 cm.
 Agora descreva esse par de botas em dois momentos: 
quando Van Gogh as adquiriu e após seu passeio.
 Se quiser, construa uma narrativa relatando o momento em que 
Van Gogh compra as botas, os lugares que ele percorre com 
elas nos pés e o período durante o qual pinta o quadro. 
Mostre a transformação que as botas foram sofrendo.
 
Ver Ficha de avaliação 26 na MiniOficina.
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Oficina de projetos
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Autores em ação 
Nesta unidade, você leu, estudou e produziu vários textos narrativos e 
descritivos. Agora você vai criar uma narração e uma descrição com temas a sua 
escolha. Depois, vai selecionar os outros textos que já produziu e foram guardados 
em sua pasta ou portfólio, reunindo tudo para a montagem de um livro.
Monte seu próprio livro e organize depois, junto com os colegas, uma exposição 
e uma apresentação com os livros de toda a classe.
Montagem do livro
 Entre os textos produzidos por você, 
escolha aqueles de qued
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8 Na vida real, de acordo com o texto, quais seriam hoje os 
comportamentos narcisistas mais frequentes e até mesmo banalizados 
nas redes sociais?
9 Segundo o texto, as redes sociais talvez tenham incentivado as pessoas 
a serem mais narcisistas ou vaidosas, pois facilitaram o exibicionismo.
a) Nem sempre, porém, as pessoas vaidosas são necessariamente 
narcisistas, pois o cuidado com a aparência é normal. Para você qual 
é o limite entre a preocupação saudável com o corpo e a própria 
imagem e a atitude narcisista?
b) Que tipo de irritação a internet causa nos usuários, em relação ao 
exibicionismo? Justifique sua resposta com uma citação retirada do texto.
10 No último parágrafo da reportagem, isto é, na conclusão, as jornalistas 
defendem o papel das redes sociais na vida das pessoas.
a) De acordo com os argumentos expostos, as autoras apresentam uma 
série de aspectos positivos que explicam a importância das redes 
sociais no mundo. O que elas pretendem provocar no leitor, 
ao mostrar o outro lado da internet?
b) Explique como se pode interpretar estas frases finais do texto: 
“A saída é manter o humor. Rir da falta de desconfiômetro alheio. 
Da nossa dor de cotovelo. E vice-versa”. Situe-as no contexto.
Resposta pessoal. Sugestão: por exemplo, a enorme divulgação de fotos de pessoas extremamente produzidas, tentando passar uma 
imagem irreal de si mesmas, por se considerarem belas. Ou a ostentação de bens materiais que alguns possuem, como carros caros, 
lanchas, mansões ou apartamentos luxuosos.
Resposta pessoal.
A exibição excessiva e a autopromoção de certas pessoas na internet não são muito diferentes do que elas fariam ao vivo. No entanto: 
“Na internet, o alcance da autopromoção é maior. E da irritação que ela causa também.”.
A intenção é fazer o leitor refletir não só sobre o exibicionismo e os sentimentos pouco saudáveis que essa atitude provoca, 
como a inveja, soberba ou vaidade, mas também levá-lo a perceber como a internet contribui para melhorar a vida de todos nós, 
oferecendo-nos a oportunidade de novas amizades, de novos conhecimentos e de manifestações culturais, sociais e políticas.
As autoras sugerem que o melhor é se divertir com o exibicionismo de certos internautas e com a inveja que essa atitude venha a provocar 
em cada um de nós.
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Gênero textual
Elementos da narrativa
 Leia este texto narrativo do escritor mineiro Fernando Sabino. 
Dona Custódia
Ar de empregada ela não tinha: era uma velha mirrada, muito bem arran-
jadinha, mangas compridas, cabelos em bandó num vago ar de camafeu — e 
usava mesmo um, fechando-lhe o vestido ao pescoço. Mas via-se que era hu-
milde — atendera ao anúncio publicado no jornal porque satisfazia às especi-
ficações, conforme ela própria fez questão de dizer: sabia cozinhar, arrumar a 
casa e servir com eficiência a senhor só. 
O senhor só fê-la entrar, meio ressabiado. Não era propriamente o que 
esperava, mas tanto melhor: a velhinha podia muito bem dar conta do recado, 
por que não? e além do mais impunha dentro de casa certo ar de discrição e 
respeito, propício ao seu trabalho de escritor. Chamava-se Custódia.
Dona Custódia foi logo botando ordem na casa: varreu a sala, arrumou 
o quarto, limpou a cozinha, preparou o jantar. Deslizava como uma sombra 
para lá, para cá — em pouco sobejavam provas de sua eficiência doméstica. 
Ao fim de alguns dias ele se acostumou à sua silenciosa iniciativa (fazia de vez 
em quando uns quitutes) e se deu por satisfeito: chegou mesmo a pensar em 
aumentar-lhe o ordenado, sob a feliz impressão de que se tratava de uma em-
pregada de categoria.
De tanta categoria que no dia do aniversário do pai, em que almoçaria 
fora, ele aproveitou-se para dispensar também o jantar, só para lhe proporcio-
nar o dia inteiro de folga. Dona Custódia ficou muito satisfeitinha, disse que 
assim sendo iria também passar o dia com uns parentes lá no Rio Comprido.
Mas às quatro horas da tarde ele precisou de dar um pulo ao apartamen-
to para apanhar qualquer coisa que não vem à história. A história se restringe 
à impressão estranha que teve, então, ao abrir a porta e entrar na sala: julgou 
mesmo ter errado de andar e invadido casa alheia. Porque aconteceu que deu 
com os móveis da sala dispostos de maneira diferente, tudo muito arranjadi-
nho e limpo, mas cheio de enfeites mimosos: paninho de renda no consolo, 
toalha bordada na mesa, dois bibelôs sobre a cristaleira — e em lugar da gra-
vura impressionista na parede, que se via? Um velho de bigodes o espiava para 
além do tempo, dentro da moldura oval. Nem pôde examinar direito tudo 
isso, porque, espalhadas pela sala, muito formalizadas e de chapéu, oito ou dez 
senhoras tomavam chá! Só então reconheceu entre elas Dona Custódia, que 
antes proseava muito à vontade mas ao vê-lo se calou, estatelada. Estupefato, 
ele ficou parado sem saber o que fazer e já ia dando o fora quando sua empre-
gada se recompôs do susto e acorreu, pressurosa:
— Entre, não faça cerimônia! — puxou-o pelo braço, voltando-se para as 
demais velhinhas: — Este é o moço que eu falava, a quem alugo um quarto.
Foi apresentado a uma por uma: viúva do desembargador Fulano de Tal; 
senhora Assim-Assim; senhora Assim-Assado; viúva de Beltrano, aquele escri-
Mirrada: miúda, 
franzina.
Bandó: tipo de 
penteado em que 
o cabelo é dividido 
ao meio e esticado 
para os lados da 
cabeça.
Camafeu: peça 
de pedra fina 
talhada em relevo.
Sobejavam: 
sobravam.
Consolo: 
mesa estreita 
encostada à 
parede para 
suporte de 
enfeites.
Bibelôs: enfeites.
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tor da Academia! Depois de estender a mão a todas elas, sentou-se na ponta de uma 
cadeira, sem saber o que dizer. Dona Custódia veio em sua salvação. 
— Aceita um chazinho?
— Não, muito obrigado. Eu...
— Deixa de cerimônia. Olha aqui, experimenta uma brevidade, que o senhor 
gosta tanto. Eu mesma fiz.
Que ela mesmo fizera ele sabia — não haveria também de pretender que ele é 
que cozinhava. Que diabo ela fizera de seu quadro? E os livros, seus cachimbos, o nu 
de Modigliani junto à porta substituído por uma aquarelinha...
— A senhora vai me dar licença, Dona Custódia.
Foi ao quarto — tudo sobre a cama, nas cadeiras, na cômoda. Apanhou o tal 
objeto que buscava e voltou à sala:
— Muito prazer, muito prazer — despediu-se, balançando a cabeça e cami-
nhando de costas como um chinês. Ganhou a porta e saiu.
Quando regressou, tarde da noite, encontrou como por encanto o apartamen-
to restituído à arrumação original, que o fazia seu. O velho bigodudo desaparecera, 
o paninho de renda, tudo — e os objetos familiares haviam retornado ao lugar.
— A senhora...
Dona Custódia o aguardava, ereta como uma estátua, plantada no meio da 
sala. Ao vê-lo, abriu os braços dramaticamente, falou apenas:
— Eu sou a pobreza envergonhada!
Não precisou dizer mais nada: ao olhá-la, ele reconheceu logo que era ela: a 
própria Pobreza Envergonhada. E a tal certeza nem seria preciso acrescentar-se as 
explicações, a aflição, as lágrimas com que a pobre se desculpava, envergonhadíssi-
ma: perdera o marido, passava necessidade, não tinha outro remédio — escondida 
das amigas se fizera empregada doméstica! E aquela tinha sido a sua oportunidade 
de reaparecer para elas, justificar o sumiço... Ele balançava a cabeça, concordando: 
não se afligisse, estava tudo bem. Concordava mesmo que de vez em quando, ele 
não estando em casa, evidentemente, voltasse a recebê-las como na véspera, para 
um chazinho.
O que passou a acontecer dali por diante, sem mais incidentes. 
E às vezes se acaso regressava mais cedo detinha-se na sala para 
bater um papo com as velhinhas,mais gostou, 
releia-os e, se for necessário, passe-os 
a limpo num papel adequado. Faça o 
mesmo com os textos produzidos nes-
ta oficina (lembre que o tema é livre).
 Depois de pronta a versão final dos 
textos, organize as folhas já numera-
das e coloque-as dentro de uma capa 
de cartolina colorida. 
 Crie um sumário, colocando o título 
de cada texto e a página em que se 
encontra no livro. Use o sumário deste 
livro como modelo.
 Na capa, escreva o título do livro, com 
uma letra bonita, o nome do autor e 
sua série. Se quiser, ilustre a capa.
 Grampeie, na lateral, a capa de carto-
lina com os textos organizados.
Exposição
 Junto com os colegas, escreva convites 
para a exposição ou convide pessoal-
mente colegas de outras classes, pro-
fessores, funcionários, pais e amigos. 
Coloquem em destaque o nome do 
projeto: “Autores em ação”. Façam 
cartazes ilustrados e coloquem neles 
partes de textos que vocês produzi-
ram. Em cima, escrevam também o 
título: “Autores em ação”. 
 Se possível, exponham os livros na 
biblioteca da escola ou então na sala 
de aula. Juntem as mesas ou carteiras 
e espalhem os livros. Um grupo de 
alunos deve se preparar para receber 
os convidados e explicar que tipos 
de texto foram reunidos nos livros, e 
como foi organizado o trabalho.
Apresentação
 Alguns alunos podem contar uma das 
narrativas ou, ainda, montar um jogral 
com um dos textos selecionados.
 Lembrem-se de treinar bem a fala, a 
postura, a expressão facial, a dicção e 
os gestos. Ensaiem os textos com os 
colegas. Um deles pode ser o apresen-
tador. Se quiserem, leiam os textos, 
mas seria mais interessante contar 
as histórias, com bastante ênfase na 
interpretação.
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Sala de leitura
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O problema
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onfesso que a essas palavras todo meu corpo estremeceu. Havia um frêmito na 
voz do médico que indicava que ele próprio estava profundamente 
comovido com o que nos contava. Holmes inclinou-se para 
frente na sua agitação, e seus olhos tinham aquele brilho duro e seco 
que sempre emitiam, quando estava agudamente interessado. 
— Você viu essas pegadas?
— Tão claramente como o estou vendo agora.
— E nada disse?
— De que adiantava?
— Como é que nenhuma pessoa as viu?
— As marcas estavam a uns vinte metros do corpo, e ninguém 
lhes deu atenção. Acho que também não as teria notado, se não conhe-
cesse a lenda.
— Há muitos cães pastores na charneca?
— Sem dúvida, mas não era um cão pastor.
— Você diz que era grande?
— Enorme.[...]
— Agora me diga, Dr. Mortimer, e isto é muito im-
portante, as marcas que você viu estavam no caminho? 
Não estavam na grama?
— Não se viam marcas na grama.
— Estavam no lado do caminho que dá para o por-
tão da charneca?
— Sim, estavam na beira do caminho no mesmo 
lado do portão da charneca.
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O problema
onfesso que a essas palavras todo meu corpo estremeceu. Havia um frêmito na 
voz do médico que indicava que ele próprio estava profundamente
comovido com o que nos contava. Holmes inclinou-se para 
frente na sua agitação, e seus olhos tinham aquele brilho duro e seco 
que sempre emitiam, quando estava agudamente interessado.
— Você viu essas pegadas?
— Tão claramente como o estou vendo agora.
— E nada disse?
— De que adiantava?
— Como é que nenhuma pessoa as viu?
— As marcas estavam a uns vinte metros do corpo, e ninguém 
lhes deu atenção. Acho que também não as teria notado, se não conhe-
cesse a lenda.
— Há muitos cães pastores na charneca?
— Sem dúvida, mas não era um cão pastor.
— Você diz que era grande?
— Enorme.[...]
— Agora me diga, Dr. Mortimer, e isto é muito im-
portante, as marcas que você viu estavam no caminho? 
Não estavam na grama?
— Não se viam marcas na grama.
— Estavam no lado do caminho que dá para o por-rr
tão da charneca?
— Sim, estavam na beira do caminho no mesmo
lado do portão da charneca.
Charneca: pântano.
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— Muito interessante. Outro ponto: a cancela estava fechada?
— Fechada com cadeado. [...]
— E que marcas você viu perto do portão da charneca?
— Nenhuma em particular.
— Meu Deus! Ninguém examinou? [...]
Sherlock Holmes bateu a mão no joelho com um gesto de impaciência.
— Ah, se eu tivesse estado no local! — gritou. — É evidentemente um caso 
de extraordinário interesse, que apresentava imensas oportunidades para o perito 
científico. Esse caminho de cascalho em que eu poderia ter lido tantas informa-
ções já foi a essa altura borrado pela chuva e desfigurado pelos tamancos dos 
camponeses curiosos. Oh, Dr. Mortimer, e pensar que não me chamou! Você real-
mente nos deve explicações.
— Não podia chamá-lo, Sr. Holmes, sem revelar esses fatos ao mundo, e já lhe 
dei as razões pelas quais não queria revelá-los. Além disso, além disso...
— Por que hesita?
— Há uma área em que o mais inteligente e mais experiente dos detetives 
nada pode fazer.
— Você quer me dizer que o caso é sobrenatural?
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—————— MMMMMMMMMMMuuuuiiiittttoooooo iiiiiinnnnnntttttttteeeeeerrrrreeeeeeeeessssssssssssssssssssssaaaaaaaaaannnnnntttttttteeeeeeeeeeeeee..... OOOOOOOOOOOOOOOOuuuuuuuuuuuuttttttrrrrrroooooa quem já se ia afeiçoando.
Não tão velhinhas que um dia não surgisse uma viúva 
bem mais conservada, a quem acabou também se afeiçoan-
do, mas de maneira especial. Até que Dona Custódia soube, 
descobriu tudo, ficou escandalizada! Não admitia que uma 
amiga fizesse aquilo com seu hóspede. E despediu-se, foi-
-se embora para nunca mais.
Brevidade: 
espécie de bolinho 
leve, quebradiço e 
farinhento.
FERNANDO SABINO. O homem nu. Rio de Janeiro: 
Record, 1960. p. 77-80.
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1 Você já aprendeu que a narração é um dos tipos textuais básicos mais 
comumente utilizados em nosso cotidiano. Em geral, os elementos 
dos textos narrativos são: enredo, ação, personagens, tempo, espaço 
e narrador. 
a) Qual é o enredo da narrativa em estudo e os personagens 
que a compõem?
b) As ações e os fatos que constituem o enredo da história são reais 
ou fictícios? Esclareça sua resposta.
2 Em geral, as narrativas apresentam o tempo e o espaço em que 
os fatos acontecem. Como esses elementos estão definidos 
no texto?
3 As ações desenvolvidas na narrativa podem apresentar protagonistas 
(personagens que desempenham o papel principal da história), 
antagonistas (personagens que representam os adversários) 
e personagens secundários. Identifique esses personagens, caso haja, 
no texto em estudo.
O enredo desenvolve a história de um senhor só que publica um anúncio no jornal, à procura de uma empregada. Como candidata, aparece 
Dona Custódia, uma senhora bem qualificada que, a princípio, mostra-se muito eficiente, mas, depois, lhe causa uma grande surpresa: 
na ausência do patrão, recebe amigas no apartamento dele, às escondidas, fazendo-se passar pela dona da casa e dizendo que ele é um 
inquilino a quem ela aluga um quarto. Passado o susto, o senhor se habitua com a situação, até o dia em que se interessa por uma das 
amigas de Dona Custódia, e ela, escandalizada, demite-se.
Tudo leva a crer que são fictícios, pois não há, no texto, menção a registros ou dados verídicos nos quais o narrador tenha se baseado 
para contar a história.
Não há um tempo determinado, a não ser por índices de costumes e de linguagem: a época em que se passa a história parece ser a década 
de 1950, e a ação transcorre possivelmente durante alguns meses. Já o espaço em que se desenvolve a ação é o apartamento de um 
escritor, provavelmente numa cidade grande. Há apenas a menção a um bairro ou município próximo, de nome Rio Comprido.
Dona Custódia e o escritor são os personagens protagonistas em torno dos quais os fatos principais acontecem. Os personagens secundários 
são as amigas de dona Custódia. Portanto, não há um personagem antagonista, embora exista um conflito entre os dois protagonistas.
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4 Na situação inicial do enredo, em geral são apresentados os personagens 
e definidos o tempo e o espaço da narrativa. Em seguida, um fato 
altera esse equilíbrio, gerando um conflito.
a) Qual é o conflito que modifica a narrativa em estudo?
b) Apesar da tensão gerada pelo conflito, o escritor e Dona Custódia 
tentam se entender. No desenvolvimento dos fatos, como os 
personagens conseguem acomodar a situação?
c) Embora reconciliados, os personagens acabam por viver um 
momento de grande tensão na narrativa, também conhecido por 
clímax. Em que momento ocorre o clímax no texto em estudo? 
d) Após o clímax, ocorre o desfecho ou a conclusão dos fatos, 
com a solução do conflito. Como a história se resolve no final?
5 As ações representam tudo o que os personagens fazem, 
inclusive suas falas e pensamentos. No texto narrativo, as ações 
são relatadas por um narrador, que pode ser um narrador- 
-personagem (aquele que, além de contar a história, participa dos 
fatos) ou um narrador-observador (aquele que não participa dos 
fatos, apenas os relata). Que tipo de narrador conta a história que 
você leu? Esclareça sua resposta com base no texto.
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Ao voltar inesperadamente ao apartamento, o escritor descobre que Dona Custódia, sua empregada de confiança, utilizava o local como 
se fosse a proprietária, aproveitando a ausência do patrão para receber as amigas.
Dona Custódia se desculpa, emocionada, explicando sua conduta ao escritor. Ele a perdoa, sensibilizado pela atual condição de vida 
da mulher, e ainda permite a ela que continue a receber a visita das amigas.
O clímax acontece quando Dona Custódia toma conhecimento de que o patrão estava gostando de uma de suas amigas.
Dona Custódia fica inconformada, indignada com a atitude da amiga e, imediatamente, deixa o emprego.
Trata-se de um narrador-observador, que narra os fatos de fora da cena, pois não participa da história: 
“Ar de empregada ela não tinha”; “O senhor só fê-la entrar, meio ressabiado.”.
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6 É comum que trechos descritivos estejam inseridos num texto 
narrativo, como se observa no texto em questão. Por exemplo, 
a construção dos personagens implica a apresentação de suas 
características físicas e psicológicas.
a) Que características físicas Dona Custódia apresenta, segundo 
a descrição presente na narrativa? Explique com suas palavras.
b) Ao longo do texto, é possível identificar as características 
psicológicas de Dona Custódia. Quais são elas?
7 Além da caracterização de Dona Custódia, o texto apresenta 
a descrição de um ambiente ou lugar, no 5o parágrafo.
a) Como se caracteriza o ambiente que o dono do apartamento 
encontra, ao voltar para casa?
b) “Um velho de bigodes o espiava para além do tempo, dentro da 
moldura oval.” Quem seria essa figura mencionada pelo narrador?
8 O texto é uma narrativa literária com trechos descritivos. 
a) Que tipo de variedade linguística foi empregado? 
Justifique sua resposta.
b) A história tem um desfecho divertido e surpreendente. Por quê?
Ela era uma senhora franzina, bem-arrumada, que usava mangas compridas, cabelos presos e vestido com a gola fechada por um 
camafeu.
Ela agia com discrição e respeito, e era eficiente no trabalho. Mais tarde, se descobre que ela era também orgulhosa e preocupada com 
as aparências, dizendo-se “a própria Pobreza Envergonhada”.
Os móveis estão fora do lugar habitual e há enfeites diferentes, que não lhe pertenciam. Além disso, a gravura da parede havia sido 
trocada por um retrato de família.
Possivelmente o falecido marido de Dona Custódia.
A variedade padrão da língua: “O senhor só fê-la entrar”.
O comportamento inusitado da protagonista e o fato de ela mesma acreditar na mentira que inventou fazem com que, no final, 
Dona Custódia passe a considerar o patrão seu hóspede e se escandalize ao saber que ele tinha um caso com uma das amigas 
que a visitavam.
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Elementos da narrativa
Narração é o relato de acontecimentos reais ou fictícios, com a 
participação de personagens cuja ação é contada por um narrador. Os 
personagens podem ser protagonistas (principais), antagonistas (adver-
sários), ou coadjuvantes (secundários).
Os elementos da narração são: o enredo (ações e fatos relata-
dos); os personagens que desenvolvem as ações; o tempo, que corres-
ponde à duração dessas ações; o lugar ou espaço em que as ações ocor-
rem; a ação que representa o que as personagens fazem; e o narrador.
Narrador é aquele que conta os fatos sob um determinado ponto de 
vista. Quando ele participa dos acontecimentos como personagem, rece-
be o nome de narrador-personagem; nesse caso, a história é narrada 
na 1a pessoa.
Narrador-observadoré aquele que apenas relata os fatos e 
não participa das ações, permanecendo fora das cenas. Mesmo assim, 
em certos casos, esse tipo de narrador conhece todas as ações e 
pensamentos dos personagens. O narrador-observador narra a história 
empregando verbos e pronomes na 3a pessoa.
Enredo é o conjunto de fatos ligados entre si que fundamentam a 
ação de um texto narrativo.
Personagem é uma entidade literária criada para participar das 
ações de um texto narrativo. Pode ser uma pessoa e também um animal, 
um sentimento ou um objeto personificado.
Espaço é o lugar onde a ação da narrativa ocorre. O tempo na nar-
rativa corresponde à duração da ação. Chama-se ação tudo aquilo que os 
personagens fazem na narrativa, incluindo suas falas ou pensamentos.
O enredo pode ser organizado de formas diferentes, sendo a mais 
comum a que segue: 
 situação inicial: apresentação dos personagens, do tempo e do 
espaço;
 estabelecimento de um conflito: um acontecimento modifica 
a situação inicial, fazendo surgir um conflito;
 desenvolvimento: os personagens buscam a solução do conflito;
 clímax: a narrativa chega a seu ponto de maior tensão;
 desfecho: o conflito é solucionado.
Para estudar em casa
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Oficina de produção
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1a proposta — Desenvolvimento de uma narrativa
Leia os parágrafos iniciais de um romance de Carlos Eduardo Novaes, 
escritor carioca que conquistou sucesso entre adultos e jovens, por explorar 
o humor e a crítica social em suas obras.
O roubo do tênis
Julinho chegou da aula de jiu-jítsu, subiu direto à cobertura do apartamento du-
plex e parou a uma curta distância dos pais, sentados à mesinha junto à piscina ilumi-
nada. A noite abafada convidara o pai a um mergulho após a jornada de trabalho, a que 
se seguia uma refeição ligeira na companhia da mãe. O garoto vestia a roupa de todos 
os dias — boné com aba para trás, camisetão, mochila, calças folgadas —, mas um ob-
servador atento logo perceberia que lhe faltava algo: os calçados.
Vera não o via desde o café da manhã e perguntou, roendo uma asa de frango, 
como fora seu dia. “Quase normal”, respondeu o garoto, usando de uma fina ironia que 
passou despercebida.
— Quer comer alguma coisa, filho?
— Tô sem fome, mãe. Matei um sanduba na rua.
Alberto, enrolado num roupão branco, afastou os dentes da coxinha segura entre 
as mãos e repreendeu-o:
— Não seria mais adequado dizer “comi um sanduíche”?
— Tô sem apetite, mãe — repetiu. — Ingeri um sanduíche na via urbana.
 Julinho provocava o pai, que mal desviou o olhar do prato à sua chegada. A pro-
vocação dissimulada era uma das táticas preferidas de guerrilha familiar no confronto 
não declarado com Alberto, em constante desacordo sobre sua forma de viver e pensar 
o mundo.
O garoto permanecia ali, imóvel, expondo-se como um manequim de vitrine e 
nem Vera nem Alberto percebiam seus pés descalços. Entre dentadas e comentários 
tão triviais quanto o repasto a mãe anunciou uma surpresa, mas antes que pudesse 
dizê-la o filho agitou os dedos do pé acenando para sua desatenção.
— Você está sem sapatos, filho! Que houve?
Julinho esboçou um sorriso sarcástico, agradecendo enfim pela observação, fixou 
o polegar esquerdo na palma da mão direita e girou os dedos no clássico gesto que 
significa “roubo”. Vera pulou da cadeira:
— Meu Deus! Você foi assaltado!
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— De novo? — reagiu o pai largando o osso e chupando os dedos.
— Foi agora? Como? Onde? Fala! Diz! 
— O pivete me abordou ali na ciclovia da Lagoa e com uma faca nas mãos 
mandou que eu tirasse o tênis.
— Tênis? Aquele tênis que eu trouxe dos Estados Unidos mês passado? — 
assombrou-se o pai. — Que custou uma fortuna...?
O garoto concordou com a cabeça, sem dizer palavra, sem alargar os gestos, 
represando emoção. Era o terceiro assalto que sofria e, para quem acabara de ver 
o brilho de uma lâmina espetando-lhe as costelas, demonstrava uma tranquili-
dade irritante. Talvez por entender que os assaltos são parte da rotina da vida. 
Talvez por desconhecer o preço de um tênis Platinum, de série limitada.
Vera correu-lhe as mãos pelo rosto, meio carinho, meio inspeção:
— Você se machucou?
— Por que não deu um golpe no moleque? — interveio o pai.
— Como você diz um absurdo desses, Alberto?
— É pra isso que ele aprendeu jiu-jítsu!
— O ladrão estava armado. Você não ouviu?
— Então ele devia ter corrido!
— Podia ser pior.
— Um galalau desses, maior que eu, o pivete não iria alcançá-lo.
— Numa situação dessas é melhor obedecer sem reagir.
[…]
CARLOS EDUARDO NOVAES. O imperador da Ursa Maior. São Paulo: 
Ática, 2000. p. 9-11. (Fragmento).
 Leia agora estas orientações:
 Dê continuidade à narrativa. Conte como ocorreu a discussão entre 
os pais de Julinho. Imagine o nervosismo do pai, que decide reaver 
o tênis.
 A situação inicial da história se estabelece quando Julinho 
chega ao apartamento onde mora e encontra os pais, 
tranquilos, sentados perto da piscina. Logo depois, eles ficam 
sabendo sobre o roubo do tênis, e instala-se o conflito na 
narrativa: o pai quer tomar providências para reaver o tênis.
 Agora você vai prosseguir com o desenvolvimento da 
narrativa, produzindo o clímax, que é o momento de maior 
tensão, e finalmente o desfecho, em que o narrador relata a 
solução do conflito.
 Dê sequência aos fatos, relatando como, quando e onde as 
ações se desenvolvem. Continue empregando os verbos e 
pronomes na 3a pessoa, ou seja, narre a história sem participar 
das cenas, apenas como narrador-observador.
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 Empregue uma linguagem informal como o autor e, se quiser, 
crie algumas passagens humorísticas. Evite repetições, use 
frases curtas e a ordem direta, para maior clareza da narrativa.
 Empregue também o discurso direto, criando diálogos entre os 
personagens, e o discurso indireto, para tornar a narrativa mais 
dinâmica. Se quiser, coloque outro título no texto. 
 
Ver Ficha de avaliação 1 na MiniOficina.
2a proposta — Produção de uma narrativa a partir de uma nota jornalística
Leia este texto que relata um fato curioso.
Óvni quase se choca com 
avião na Escócia
Noventa metros evitaram uma tragédia nos 
céus da Escócia — a colisão de um avião de passageiros 
com “algo muito estranho e luminoso, de um prateado de irritar 
os olhos”. A colisão, segundo autoridades da aeronáutica da Grã-Bretanha, 
seria com “um objeto voador não identificado (óvni)”. O relatório do caso, di-
vulgado na semana passada, foi elaborado pela organização inglesa que avalia 
a segurança aérea (UK Airpronx Board). “O risco de colisão foi de grau máxi-
mo. O mais incrível é que o radar do avião, um Airbus A320, nada detectou.”
IstoÉ, 8 maio 2013, n. 2268, p. 24.
 Redija uma narrativa com base nas informações contidas no 
texto lido e acrescente outros dados. Apresente a situação 
inicial, contando os fatos que ocorreram antes do incidente: 
de onde o avião saiu, em que data isso aconteceu e como foi a 
viagem até surgir o óvni mencionado no texto.
 Pense no que poderia ter ocorrido nesse momento em que 
o conflito se instala e relate a reação dos passageiros e da 
tripulação. Imagine o clímax dessa situação e conte os fatos 
relacionados a esse instante de extrema tensão. Crie um 
desfecho diferente para a história, se quiser.
 Empregue a linguagem formal, de acordo com o texto 
jornalístico, e utilize a 3a pessoa, como narrador-observador. 
Escolha um título para a narrativa.
 
Ver Ficha de avaliação 2 na MiniOficina.
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Uniformidade de tratamento
A construção textual
 Leia os primeiros parágrafos de um artigo de opinião, em que o autor 
analisa o comportamento do adolescente.
São os hormônios que falam por ele
O “não” que o jovem diz aos adultos é muitas vezes 
mera reação química
Uma das principais características aparentes da adolescência é que é nessa 
fase que o garoto começa a dizer “não”. Mais do que isso. O “não” é a sua 
resposta pronta a todas as perguntas. “Quer tomar banho?” “Não.” “Vista um 
agasalho porque está frio.” “Não.” “Vá fazer o dever de casa.” “Não.” É necessário 
pensar um pouco sobre o significado desse “não”. Não... se trata apenas de uma 
resposta recorrente. É mais do que isso. 
O “não” organiza o mundo interno de um adolescente. O cérebro de um 
rapaz nessa fase é como um exército repentinamente surpreendido pelo ataque 
de um inimigo — no caso, os pais com suas ordens. Apanhados distraídos no 
acampamento, os soldados desse batalhão precisam de um tempo para se pre-
parar para o combate. 
O “não” faz com que eles ganhem tempo para essa preparação. Defendido 
e organizado, o comandante desse exército — seu filho — poderá até tomar ba-
nho, vestir o agasalho ou fazer o dever de casa. Mas ele fará isso porque ELE quer. 
Afinal, o adolescente não é mais uma criança que apenas obedece a ordens. Ele 
está na fase de questionar, entender e aceitar apenas o que julgar justo ou coerente. 
Mesmo que sua percepção do que seja “justiça” pareça completamente amalucada.
[...]
1 A adolescência é um período de muitos questionamentos.
a) Segundo o texto, por que o adolescente sempre se opõe a tudo o que 
lhe é dito?
b) Como se explica que o adolescente, às vezes, acate as ordens dos pais?
IÇAMI TIBA. Veja jovens. São Paulo: Abril, set. 2001. (Fragmento).
Essa seria uma maneira de ele se dar um tempo para pensar melhor sobre cada assunto, enquanto desvenda as frequentes “investidas” 
dos adultos.
Caso lhe interesse a proposta feita pelos pais, o adolescente a analisa e toma suas próprias decisões, que podem coincidir com 
o que os pais desejam.
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c) De acordo com o texto, essa atitude de independência do jovem 
é normal?
2 Em situações informais, especialmente na oralidade, costuma-se 
misturar a 2a e a 3a pessoa do discurso. Observe.
 Se você me ajudar na lição de Geografia, eu te pago um sorvete.
 3a pessoa 2a pessoa
 (pronome de tratamento)
Anda logo, que você já está atrasado!
 2a pessoa 3a pessoa
 (pronome de tratamento)
Contudo, em situações mais formais, deve-se observar 
a uniformidade de tratamento, ou seja, usar os verbos e pronomes 
na mesma pessoa. Observe.
“‘Quer tomar banho?’ ‘Não’. ‘Vista um agasalho porque está 
frio.’ ‘Não’. ‘Vá fazer o dever de casa.’” 
a) Em que pessoa gramatical essas formas do Imperativo estão 
conjugadas? Se necessário, consulte uma gramática.
b) As falas com verbos destacados pertencem, no texto, a pais de 
filhos adolescentes. No caderno, escreva uma possível frase dita 
por um desses pais a seu filho; use o pronome adequado à pessoa 
gramatical identificada: tu ou você.
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Sim, pois o adolescente já é praticamente um adulto, precisa fazer suas opções e assumi-las.
Todas estão na 3a pessoa do singular.
Resposta pessoal. Sugestão: “Filho, você já tomou seu banho?”.
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LUIS FERNANDO VERISSIMO. O nariz e outras crônicas. São Paulo: Ática, 1994. 
p. 28-29. (Coleção Para Gostar de Ler, v. 14). (Fragmento).
c) Em sua opinião, os pais realmente usam essas formas do Imperativo 
quando se dirigem a seus filhos? Por quê? Por que elas foram usadas 
no texto?
Gênero textual
As vozes do narrador
Narrador-personagem
 Leia a narrativa a seguir.
Santinho
[…]
Eu era um aluno “bem-comportado”. Era um vagabundo, não aprendia nada, 
vivia distraído. Mas comportamento, 10. Por isso até hoje faço verdadeiras faxinas 
na memória, procurando embaixo de tudo e em todos os nichos a razão 
de ter sido, um dia, castigado pela Dona Ilka. Alguma eu devo ter feito, 
mas não consigo lembrar o quê. O fato é que fui posto de castigo. Que 
consistia em ficar de pé num canto da sala de aula, com a cara virada 
para a parede. (Isto tudo, já dá para ver, foi mais ou menos lá pela 
Idade Média). Mas o que eu nunca esqueci foi a Dona Ilka ter me 
chamado de “santinho do pau oco”. 
Ser bem-comportado em aula não era uma decisão minha 
nem era nada de que me orgulhasse. Era só o meu temperamento. 
Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa con-
duta era uma simulação. Eu era um falso. Um santo falsifica-
do! Depois disso, pelo resto da vida, não foram poucas 
as vezes em que um passarinho imaginário 
com perfil de professo-
ra pousou no meu om-
bro e me chamou de 
fingido. Os santinhos 
do pau oco passam a 
vida se questionando.
[...] 
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A primeira parte da resposta é pessoal. Sugestão: Os pais não usam essas formas, pelo menos não as duas últimas, porque o mais 
natural na maior parte do Brasil é dizer “veste” e “vai”, em vez de “vista” e “vá”. No texto, foi usada a 3a pessoa do singular porque se 
trata de uma situação mais formal (publicação de artigo de opinião numa revista semanal).
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1 Releia este trecho da narrativa.
“Eu era um aluno ‘bem-comportado’. Era um 
vagabundo, não aprendia nada, vivia distraído.”
a) Em que pessoa estão as formas verbais e o pronome destacado?
b) O narrador participa dos fatos que relata ou fica de fora das ações?
2 Toda narrativa apresenta personagens, que vivem os acontecimentos 
da história.
a) Nesse texto, quem são os personagens? Justifique sua resposta.
b) Pode-se dizer que há um narrador-personagem, ou seja, que narra 
e faz parte da história? Por quê?
3 Outros dois elementos importantes da narrativa são o espaço 
e o tempo em que a história acontece. Em que local e tempo 
ocorrem os fatos?
4 Qual é o enredo ou os fatos narrados?
Na 1a pessoa do singular.
Ele participa dos fatos.
Um ex-aluno, que se recorda de sua vida estudantil, e uma de suas professoras, Dona Ilka: “Eu era um aluno ‘bem-comportado’”; 
“Mas a frase terrível da Dona Ilka sugeria que a minha boa conduta era uma simulação.”.
Sim, pois o narrador vive os fatos como personagem. 
O personagem lembra-se de certos acontecimentos vividos em sala de aula quando ele era criança ou jovem.
O narrador revive seu passado como estudante desinteressado, mas com bom comportamento. Como foi um aluno disciplinado, ele nunca 
compreendeu o fato de uma de suas professoras, Dona Ilka, tê-lo castigado e chamado de “santinho do pau oco”, ou seja, dissimulado. 
Esse fato o marcou para sempre.
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Narrador-observador
 Agora leia um trecho de uma crônica e verifique de quem é a voz que 
conta os fatos.
Carnaval na praia
Poucas amizades resistem a um Carnaval passado na praia. 
Foi o caso. Eram dois casais, tão íntimos que um era padrinho do 
outro. O engenheiro e o publicitário jogavam bola desde crian-
ças. A mulher do primeiro, historiadora, falava todos os dias no 
telefone com a do segundo, ceramista. Alugaram juntos uma casa 
numa ensolarada praia do litoral paulista. Foram ao supermerca-
do, encheram os carros de cerveja, macarrão e picanha. O publi-
citário tinha o mapa, e resolveram sair juntos. No último instante, 
a surpresa.
— É minha primapsicóloga — explicou a ceramista. — 
Convidei, tudo bem?
A psicóloga sorriu, amigável. O engenheiro pensou: “E o su-
permercado? Ela devia dividir”. Não teve coragem de tocar no 
assunto. Ninguém tocou. A estrada foi o martírio habitual dos 
feriados. A custo, na noite fechada, encontraram a casa. A chave 
não funcionou. Enquanto o marido entrava pelo vitrô da 
cozinha, a historiadora suspirou.
— Isto aqui é um paraíso.
— Tem borrachudo — constatou a psicóloga. — Trouxe 
repelente?
Nos olhos da historiadora, um cintilar de terror: claro que não. Nesse instante, 
o engenheiro abriu a porta pelo lado de dentro. Entraram, animados. A primeira 
reação foi semelhante à dos convidados do castelo do conde Drácula — uma per-
plexidade total com o odor de mofo. O publicitário sorriu:
— É que o sujeito que me alugou é amigo de um amigo meu e só aluga para 
gente conhecida. Senão deixa fechada.
 [...]
WALCYR CARRASCO. O golpe do aniversariante e outras crônicas. São Paulo: Ática, 2002. p. 30. 
(Coleção Para Gostar de Ler, v. 20). (Fragmento).
1 Numa narrativa, são os personagens que participam das ações 
da história.
a) Identifique os personagens do trecho lido.
b) Observe que os personagens são identificados pela profissão 
que exercem e não pelos nomes. Por quê?
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Os dois casais amigos (um engenheiro e uma historiadora, um publicitário e uma ceramista) e uma psicóloga, prima da ceramista.
Talvez a intenção do narrador seja apresentá-los como tipos humanos convencionais, vistos sob uma ótica universalista e não individual. 
Professor: Caso queira aprofundar-se no estudo do personagem, sugerimos a leitura de Beth Brait, “A personagem é a câmera”; 
“Apresentação da personagem por ela mesma”; “A personagem é testemunha”. In: BRAIT, Beth. A personagem. São Paulo: Ática, 1985. 
p. 60-66. (Série Princípios, 3).
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2 A história se passa em determinado tempo e lugar, onde se realizam 
as ações dos personagens.
a) Quando ocorreram os fatos e em que lugar?
b) Qual é a variedade linguística empregada no texto? Justifique sua 
resposta.
3 Como se pode observar, há um narrador que conta a história.
a) No texto, o narrador participa dos fatos como personagem? 
Esclareça sua resposta.
b) Trata-se, portanto, de um narrador-personagem ou de um 
narrador-observador?
c) Nesse caso, em que pessoa são empregados os verbos e os pronomes? 
Dê exemplos.
4 Lembre-se de que uma narrativa é composta de personagens, ação, 
tempo, espaço e narrador. Ao juntar esses elementos, o autor cria 
o enredo. Nesse trecho narrativo, qual é o enredo da história?
Durante a época do carnaval, numa viagem de São Paulo (muito provavelmente) para uma casa de praia no litoral paulista. 
Professor: Caso queira aprofundar-se no estudo do espaço, sugerimos a leitura de Antônio Dimas, “Espaço e ambientação”. 
In: DIMAS, Antônio. Espaço e romance. São Paulo: Ática, 1985. p. 19-22. (Série Princípios, 23).
A variedade padrão da língua: “Nos olhos da historiadora, um cintilar de terror”.
Não, ele apenas conta os acontecimentos, de fora da cena.
Narrador-observador.
Os verbos e os pronomes estão na 3a pessoa: “Eram dois casais, tão íntimos que um era padrinho do outro.”; “Ela devia dividir”. 
Professor: Caso queira aprofundar-se no estudo do narrador, sugerimos a leitura de Beth Brait, “Recursos de construção”; 
“O narrador é uma câmera”; “A câmera finge registros e constrói as personagens”. In: BRAIT, Beth. A personagem. São Paulo: 
Ática, 1985. p. 52-60. (Série Princípios, 3). 
Um narrador-observador conta a história das desavenças entre dois casais muito amigos durante um Carnaval numa casa de praia. 
Depois de todos os preparativos para a viagem, junta-se, de surpresa, a eles uma psicóloga, prima de uma das esposas, fato esse que gera um 
desequilíbrio no grupo. O enredo pode-se resumir à primeira frase do texto: “Poucas amizades resistem a um Carnaval passado na praia.”. 
Professor: Caso queira aprofundar-se no estudo do enredo, sugerimos a leitura de Samira Nahid de Mesquita, “O enredo enquanto estruturação 
da narrativa”. In: NAHID DE MESQUITA, Samira. O enredo. São Paulo: Ática, 1986. p. 20-32. (Série Princípios, 36).
Oficina de produção
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1a proposta — Produção de narrativa com narrador-personagem
Leia o trecho de uma obra de Walcyr Carrasco, em que ele relata 
 um de seus sonhos, antes de se tornar um grande escritor.
Subindo ao palco
Tenho a impressão de que todo mundo, em certa época da vida, deseja ser 
ator. Eu já participara de vários grupos amadores. Ambicionava me tornar um pro-
fissional. Parecia uma boa perspectiva ser ator. Muitos colegas de classe ganha-
vam carros dos pais ao fazer dezoito anos. Viajavam. Vestiam roupas caras. Eu 
me sentia mal por ser tão pobre. Nunca poder acompanhar os amigos nas 
lanchonetes, nas casas noturnas, a menos que eles pagassem a minha parte. 
Uma das garotas do colégio havia entrado para a televisão. Um contra-
to dos bons! Soube que atores famosos podiam ganhar muito, em pouco 
tempo. Fui me inscrever num teste de uma companhia de teatro.
Era uma companhia italiana que pretendia se fixar no país. O espetáculo 
seria Os gigantes da montanha, de Luigi Pirandello. Subi ao palco. Fiz os exercí-
cios pedidos. Não passei. Entretanto, fiquei como primeiro substituto para o caso 
de alguém desistir. Durante dois meses, eu ia diariamente falar com o diretor. 
[...] 
WALCYR CARRASCO. Em busca de um sonho. São Paulo: Moderna, 2006. p. 66-67. (Fragmento).
Foco narrativo
Existem dois tipos de foco narrativo, de acordo com a ótica do narra-
dor, isto é, sua posição diante dos fatos. A história pode ser narrada em 
1a pessoa (eu, nós), por um narrador-personagem, que participa dos 
fatos, ou em 3a (ele, ela, eles ou elas), por um narrador-observador, 
que não participa dos acontecimentos e observa tudo de fora da trama, 
testemunhando todas as ações e, às vezes, até mesmo pensamentos e 
estados de espírito dos personagens. 
Portanto, pode-se concluir que:
Narrador-personagem é aquele que conta a história e também 
é um dos personagens. Ele se situa nos acontecimentos e fala de si, 
empregando verbos e pronomes na 1a pessoa.
Narrador-observador é aquele que observa os acontecimentos 
de fora, ou seja, conta as ações dos personagens sem participar de-
las, empregando formas verbais e pronomes na 3a pessoa.
Para estudar em casa
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 Siga estas instruções:
 Observe que, no texto, o narrador em 1a pessoa revive sua 
juventude, quando passou dificuldades, ao contrário de alguns 
colegas cujas famílias eram abastadas. Talvez por isso ele tenha 
desejado tornar-se um profissional do teatro, na esperança 
de melhorar seu padrão de vida, mas foi reprovado 
nos exercícios e teve de esperar uma nova oportunidade.
 Mude o rumo da história de vida do escritor. Escreva uma 
narrativa em que ele decide investir mais em sua carreira de 
ator e, depois de algum tempo, o sucesso acontece. Conte em 
detalhes como tudo começou, quem participou dessa história 
de luta, quais foram as dificuldades e como ele conquistou 
seu sonho.
 Imagine, portanto, a situação inicial, quando surge o grande 
sonho e a vontade de realizá-lo. Em seguida, crie o conflito, 
o desenvolvimento, o clímax e o desfecho.
 Não se esqueça de que as formas verbais e os pronomes devem 
estar na 1a pessoa, pois os fatos são narrados por um narrador- 
-personagem, isto é, que participa da história.
 
Ver Ficha de avaliação 3 na MiniOficina.
2a proposta — Produção de narrativa com narrador-observador

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