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Na psicanálise, emergências, perdas e o luto são temas profundamente explorados devido ao impacto significativo que têm na psique humana. Emergências na psicanálise podem ocorrer quando o paciente enfrenta crises intensas que requerem intervenção imediata para proteger sua segurança física ou psicológica. Embora a psicanálise seja geralmente um processo de longo prazo focado na exploração profunda do inconsciente, situações emergenciais exigem uma abordagem mais direta e imediata por parte do analista. Essas emergências podem incluir crises de suicídio, surtos psicóticos, abuso físico ou emocional iminente, entre outras situações de extrema angústia. Nessas circunstâncias, o papel do analista pode envolver encaminhar o paciente para atendimento médico urgente, como uma consulta com um psiquiatra, ou tomar medidas para garantir a segurança imediata do paciente, como entrar em contato com familiares ou serviços de emergência. É importante notar que emergências na psicanálise representam uma interrupção temporária no processo analítico tradicional, focado na construção de insights e na resolução de conflitos inconscientes. No entanto, lidar eficazmente com crises emergenciais pode, por sua vez, fortalecer a aliança terapêutica e permitir um retorno mais estável ao trabalho analítico de longo prazo uma vez que a crise imediata seja gerenciada. Além disso, as emergências destacam a importância da formação contínua dos analistas em questões de ética e intervenção clínica, para garantir que estejam preparados para lidar com uma variedade de situações complexas que possam surgir durante o tratamento psicanalítico. Quando se trata de perdas, a psicanálise considera que a experiência de perder algo ou alguém querido vai além do evento objetivo. Ela engloba um processo psicológico profundo que envolve não apenas a separação física, mas também a TÓPICOS ESPECIAIS: EMERGÊNCIAS, PERDAS E LUTO necessidade de elaboração emocional e de reconstrução do significado de si mesmo e do mundo. Freud, por exemplo, descreveu o luto como um processo onde o ego sofre uma modificação profunda, enfrentando a tarefa de se desligar do objeto amado e reorganizar suas energias emocionais. O luto, nesse sentido, é visto como um trabalho psicológico árduo, onde o indivíduo precisa lidar não só com a dor da perda, mas também com os conflitos internos que essa perda pode reavivar. Processar a ausência de algo ou alguém que era significativo implica em revisitar memórias, reavaliar relacionamentos e integrar essa nova realidade à própria identidade emocional. A psicanálise não apenas reconhece a complexidade desses processos, mas também oferece um espaço terapêutico para explorá-los profundamente. Através da escuta ativa, interpretação simbólica e apoio emocional, o trabalho analítico pode ajudar indivíduos a navegar pelas fases do luto e emergências psicológicas, promovendo a cura emocional e o crescimento pessoal. Em resumo, emergências, perdas e o luto são temas cruciais na psicanálise por desafiarem a estrutura psíquica do indivíduo e exigirem processos profundos de adaptação e transformação emocional. A abordagem psicanalítica oferece um quadro teórico e prático para compreender e manejar essas experiências, ajudando indivíduos a reconstruir um senso de continuidade emocional e encontrar novos significados em suas vidas. POSTULAÇÃO DA PSICANÁLISE SOBRE O LUTO No luto patológico o vazio e o empobrecimento egóico se fazem presentes no melancólico pela impossibilidade de se perceber o que foi perdido de fato, talvez por essa perda vir imbuída de natureza mais ideal. A melancolia resulta dos lutos mal elaborados, e o que se percebe é uma culpa intensa e identificação com o objeto morto, passando a pessoa a viver também como um morto. Diante desse contexto, o enlutado prefere se juntar ao objeto perdido a permanecer separado dele, como no caso dos suicidas. Convém salientar que o grupo familiar sofre influências não apenas da mãe, pai e irmãos e de suas inter-relações, mas também das outras pessoas como avós, amigos, babás que estão em contato direto com os mesmos. Assim, todas as mudanças que possam acontecer são resultados de uma interação entre fatores inconscientes e conscientes presentes na família, pois esta é considerada como um campo dinâmico cujos membros têm um papel ativo entre si e na estruturação do grupo como um todo. É fato que a pessoa enlutada carrega consigo aspectos provenientes de sua história de vida e o modo de perceber e compreender a realidade nunca está dissociada de seu mundo interno. A visão ampliada do processo de luto foi estudada pela autora, ao estabelecer uma estreita ligação entre o início do desenvolvimento infantil, especificamente, a posição depressiva com os fenômenos do luto e da melancolia. Acredita-se que essa posição é superada no primeiro ano da criança e reativada no adulto sempre quando é confrontado com uma perda. O trabalho de luto O trabalho do luto, segundo a psicanálise, envolve a elaboração das emoções e dos conflitos internos que surgem a partir de nossas perdas objetais. Esse processo pode ser muito difícil e doloroso, mas é fundamental para que possamos seguir em frente e retomar nossas vidas. Alguns mecanismos de defesa podem surgir durante o luto, tais como a negação, a raiva e a depressão. Embora esses mecanismos de defesa não sigam uma ordem linear, podendo ocorrer de forma intercalada, a negação da realidade é, muitas vezes, uma reação inicial ao luto. Pode ser difícil aceitar a perda, e a mente pode negar temporariamente a realidade, em um esforço de autopreservação. Esse mecanismo proporciona uma pausa, permitindo-nos processar a informação da perda gradualmente. A raiva é uma emoção poderosa que pode emergir durante o luto. É comum sentir raiva em relação à perda, à injustiça da situação ou até mesmo em relação à própria pessoa que partiu. Essa expressão de raiva, muitas vezes, serve como uma válvula de escape para o sofrimento acumulado. A depressão, no luto, é uma resposta emocional à perda. Sentimentos de tristeza profunda, desânimo e isolamento são comuns, mas, apesar disso, este é um estágio crucial para começarmos a confrontar a magnitude da perda. Reconhecer e compreender esses mecanismos de defesa é importante tanto para quem enfrenta o processo de luto quanto para quem oferece ajuda nessa travessia, pois permite a construção de uma base mais sólida para o processo de superação. Também os rituais fúnebres, quando perdemos entes queridos, ajudam nesse processo de superação, pois proporcionam um espaço coletivo para a expressão da dor. Reunir familiares e amigos no funeral cria um ambiente que valida e compartilha o peso emocional da perda. O ato de chorar, compartilhar histórias e abraçar, no contexto ritualístico, oferece conforto e conexão. Nesse mesmo viés, o Dia de Finados, marcado por homenagens e lembranças, também oferece um momento único para explorar a experiência do luto. Enquanto a psicanálise oferece um espaço para uma jornada interna de busca por compreensão profunda das camadas emocionais que permeiam o luto, a celebração do Dia de Finados também pode ser vista como uma jornada interna, uma oportunidade para elaborar as emoções e os conflitos que surgem a partir da perda. Freud lança luz sobre a melancolia, diferenciando-a do afeto normal do luto. Trata- se de uma época histórica em que a perda não é mais um fato social que paralisa, mobilizando os viventes de maneira coletiva. Consequência disso, como já dito acima, é que o luto deixa de ser um acontecimento social, com rituais de elaboração de morte coletivos, o que lhe retira certa possibilidade de elaboração. A morte passa a ser marcada pelo pudor e pelo silêncio e ao enlutado, com seu sofrimento, é dado o lugar de uma patologia. Nesse contexto, Freud, então, propõe de saída pensar o luto como um afeto normal e não patológico, e opera uma virada nas concepções vigentes até o momento.Apesar dessa contribuição, Allouch não considera que Freud tenha escrito uma versão psicanalítica do luto, mas quis, a partir do luto, dedicar-se à melancolia, como explicita o título do manuscrito. Assim, o ensaio é marcado por paradoxos e obscuridade. De saída, Freud considera o trabalho de luto um processo que deve ser concebido como absolutamente normal, e não considerado como condição patológica, como seria o caso da melancolia, porque pode ser superado após certo tempo. Ele descreve o luto como uma reação afetiva frente à perda de um ente querido. O trabalho de luto atravessa, por meio do teste de realidade, a necessidade de constatar que o objeto amado não existe mais, exigindo que a libido seja retirada de suas ligações com dito objeto. Aos poucos, esse trabalho é realizado, requerendo grande dispêndio de tempo e de energia. A contrapartida desse processo recai, porém, no movimento oposto: a tentativa psíquica de fazer perdurar, de alguma forma, a existência do objeto perdido. Para isso, cada lembrança e expectativa à qual a libido está vinculada é evocada e hiperinvestida, ao mesmo tempo que ocorre uma exigência de trabalho de desligamento de cada uma delas. Essa exigência encontra, contudo, uma barreira, uma vez que as pessoas nunca abandonam de bom grado uma posição libidinal, nem mesmo quando um substituto já emerge na realidade. Essa oposição pode ser tão intensa que dá lugar ao desvio da realidade e a um apego ao objeto por intermédio de uma fantasia intensa, ou mesmo de uma psicose alucinatória carregada de desejo. O luto pode, assim, apresentar um caráter profundo ao manifestar-se como um estado de espírito penoso com a perda de interesse no mundo externo e da capacidade de adotar um novo objeto de amor, ou com o afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja ligada ao objeto perdido. Dessa forma, a inibição e a perda de interesse do mundo externo decorrem do próprio trabalho de luto em que o eu se encontra absorvido. Das proposições sobre o luto descritas por Freud, Allouch comenta que elas parecem ter um enredo simples: "era uma vez um objeto investido libidinalmente. Atingido pela morte, esse objeto adquire o estatuto de objeto perdido na realidade. Cabe, então, ao eu liberar sua libido desse objeto perdido". Entretanto, um caráter problemático das formulações freudianas acerca do luto: a prova ou teste de realidade e a substituição do objeto como solução para o luto. Primeiramente, Allouch questiona "a prova" de realidade. Será que é evidente que a realidade pode mostrar que o objeto amado não existe mais? Basta recorrer à experiência do enlutado que, quando se defronta com algo ou alguém que porta traços semelhantes ao objeto perdido, se vê diante "da abertura repentina e inesperada dessa possibilidade de reencontro, de um iminente abraço. Mas ele estaria vivo então!". Assim, o morto, do ponto de vista da realidade, longe de ser inexistente, é nomeado como um desaparecido. É esse o dado que a realidade tem para oferecer, ou seja, o morto como um desaparecido é sempre alguém que pode vir a reaparecer. Dessa forma, não é propriamente uma prova de realidade que estaria posta no luto, uma vez que "a verdadeira prova de realidade, o que a torna assim tão assustadora e rica na experiência é quando percebemos que ela não permite nenhuma prova." Assim, para falar em "prova" da realidade seria preciso que ela fosse conclusiva e o que a experiência demonstra é que isso não acontece. Quando recebemos a notícia de que alguém morreu, frequentemente, advém a frase "não é verdade!". Então, trata- se menos da realidade e mais da verdade. Esse grito de "não é verdade" tem o alcance de marca inaugural que introduz o sujeito em seu estatuto de enlutado porque indica que a realidade é justamente aquilo de que o próprio sujeito não pode fazer provas, mas que emerge um questionamento. Após o teste de realidade, que, como vimos, é falho, há o retraimento dos investimentos objetais e o superinvestimento no objeto perdido, dando origem à psicose alucinatória do desejo. Esse é outro ponto que Allouch questiona. Sobre o fato de Freud chamar de psicose esse processo, o autor adverte que não se trata de uma entidade clínica, mas sim do desligamento da realidade. Com relação ao caráter alucinatório do desejo, retoma os escritos sobre a interpretação do sonho, em que Freud defende que o sonho é uma realização alucinatória do desejo, e para tanto, dedica-se a explorar mais uma vez o estatuto do objeto. Luto e Melancolia distingue três modos de existência do objeto perdido. Ou bem ele se desvia da realidade e mantém o objeto por meio de uma psicose alucinatória de desejo; ou bem ele respeita a realidade e segue o luto normal ou abre caminho para uma depressão; ou, ainda, dá origem à melancolia. A conclusão do autor, no que se refere à psicose alucinatória do desejo, é que investigar a relação de objeto nessa perspectiva implica conceber um ponto de mimese na relação com o objeto suscetível de trazer a satisfação, de permitir o cumprimento do desejo. Em outras palavras, a percepção da imagem do objeto vale pelo objeto. Essa relação mimética do objeto é ineliminável em Freud. Ora, se o objeto está perdido, seu reencontro, condição para obtenção de satisfação, só pode ser aquele de suas marcas perceptivas, as quais são repositórios vindos de experiências anteriores de satisfação. A psicose alucinatória do desejo seria capaz de encontrar, por sua operação específica, essa re-presentação do objeto, denunciando, mais uma vez, a inconsistência da prova de realidade. Por fim, o último ponto explorado por Allouch é sobre a substituição dos objetos como "traço essencial da versão freudiana do luto". Se houver luto, o enlutado passará da experiência de desaparecimento de um ser querido ao reconhecimento de sua inexistência, tal como Freud demonstrou. No entanto, essa inexistência não pode estar no começo do luto. Se for admitida, ocorre ao final. A versão freudiana do luto não se limita a outorgar uma existência ao objeto perdido, ela vai indicar quando essa existência chega a seu termo, ou seja, quando o objeto substitutivo pode ganhar consistência. A solução é encontrada por Freud, então, quando um novo objeto, tão precioso quanto o anterior, se apresenta. A perspectiva da substituição orienta o percurso do luto. Para o autor, enquanto Freud coloca o caráter de substituível ao objeto perdido como a solução do luto, a experiência demonstra que "se perco um pai, uma mãe, uma mulher, um homem, um filho, um amigo, vou (...) poder substituí-lo?", isto é, o questionamento de Allouch explicita justamente o caráter insubstituível do objeto. Para Freud, o psiquismo pode ser tanto o lugar onde o objeto pode não estar perdido, onde ele vem a "existir", pelo tempo do luto considerado normal ou ainda indefinidamente no luto patológico, quanto o lugar onde o objeto pode ser reconhecido como perdido. Não se trata de uma perda seca do objeto, há nisso um romantismo, na visão de Allouch. O caráter decisivo do objeto substituto é que ele se mostra como a resolução do luto, de modo que somente o investimento de tal objeto indica que o luto está cumprido. Enquanto isso não acontece, o objeto existe no psíquico; "quando o for, o objeto re-existe na realidade". Na opinião do autor, a tese da substituição do objeto "é o cúmulo da versão romântica do luto, pois, apesar da morte, para além da morte e, logo, na morte, ela promete a qualquer um a felicidade de um novo encontro com seu objeto". Consideramos interessante esta leitura que Allouch faz da noção de luto, pois vemos o quanto para ele o luto traz em si só algo do irremediável da perda, o que apontaria para uma visão mais trágica do luto. Luto: colaboração da psicanálise na elaboração da perda Entender como se dá o processo do luto na vida de um indivíduo tem um importante papel quando o assunto é o que pode acontecer caso o enlutado não tenha estrutura forte o bastantepara lidar com a carga que a perda de algo que ele julga importante pode trazer para a sua vida. A psicanálise tem um importante papel nesse auxílio, que é o de ajudar o sujeito a encontrar meios para conseguir entender o que se passa e porque vivenciar todas as fases desse processo é natural e tão importante. É de conhecimento público que o luto é a tristeza que toma conta do indivíduo quando este perde um ente querido para a morte. O que muitos não sabem é que esse mesmo estado de espírito invade não só nessas situações e sim em qualquer condição de perda, mesmo que seja um status, um bem material ou qualquer objeto que tenha um valor sentimental na vida do indivíduo. Quando envolve sentimento, a aceitação da perda fica mais difícil, levando o sujeito a um estado de luto, onde ele mergulha em profunda tristeza por várias semanas e até meses, sendo muitas vezes confundido com alguma patologia, onde segundo Freud, uma mesma situação pode produzir no sujeito melancolia ao invés de luto, levantando a hipótese de que essas pessoas possuem uma disposição patológica. O luto se trata de um processo inevitável. Existem aqueles que conseguem adiá- lo, mas em algum momento ele aparecerá. Alguns conseguem lidar com ele de maneira natural, já outros precisam contar com a ajuda de profissionais para conseguir seguir em frente. Não se trata de algo que deixe escolha, se o sujeito não passar por esse processo ele ficará preso em algum estágio dele, muitas vezes sem perceber, pois, os sintomas de uma perda não elaborada, se parecem muito com outras patologias. O sentimento de vazio interior sentido na melancolia é muito parecido com o vazio que fica quando é perdido algo importante. Perda e morte: vulnerabilidade do homem perante a morte Sabe-se que a morte é algo inevitável, ainda assim, o homem lida com a sua própria existência como se ele e as pessoas que são importantes na sua vida fossem imortais. Quando é para falar sobre esse assunto, uma pessoa de bom senso tomará muito cuidado ao dirigir a palavra a quem já está próximo a morrer. O que não acontece com uma criança, pois ela não vê problema algum em se referir sobre tal assunto, com qualquer pessoa que seja, até mesmo com aquelas que ela mais ama. A morte integra o desenvolvimento humano desde o seu conhecimento. Já nos primeiros meses de vida, a criança se percebe sozinha e sem amparo. Incapaz de viver sem os cuidados maternos. Esses momentos são breves, pois logo aparecerá alguém para suprir as suas necessidades. O estado de luto Quando se fala em perda, é comum a ideia de morte, e acaba deixando passar despercebido que a perda em si vai muito além da morte. Quando se perde um objeto importante, um status, uma qualidade de vida, a saúde, etc. A reação da pessoa perante a perda de algo que tenha um certo nível de importância na sua vida, denomina-se estado de luto. A reação à perda de alguém que se ama e o luto profundo representa a mesma situação emocional, com a mesma falta de interesse por tudo ao seu redor, o afastamento de toda e qualquer atividade que não esteja relacionada ao objeto perdido, impossibilitando qualquer chance de adotar um novo objeto de amor. Essa insistência em se manter preso ao objeto, é chamada de devoção ao luto, atua de tal forma que não deixa abrir espaço para outros propósitos ou a novas experiências. Acredita-se que o ser humano vive em constante aprendizado sobre os seus sentimentos e desejos, isso faz com que sejam construídos ideais e nessa construção, são depositadas cargas pesadas de expectativas, que na maioria das vezes não podem ser alcançadas. O que não é entendido pelo ser humano é que tudo que é colocado sob a responsabilidade do ser humano, torna-se falho, e essa é uma verdade muitas vezes negada. É preciso aprender a ver a totalidade das coisas, para que o próprio modo de entender as adversidades não seja visto como absoluto. Sofrer faz parte da existência humana, mais que isso, o sofrimento é responsável por posicionar o indivíduo no sentido da vida. Não é algo prazeroso e nem fácil, dói e muito! Porém não é possível escapar dele, quer queira ou não, sofrer é inevitável. Fala-se de pessoas que passaram a vida inteira sem ter estado doente, mas jamais sem ter sofrido. Não se trata de uma questão de aceitá-lo ou não, pois ele se impõe e não tem como fugir dele. Se um único homem disser que foi poupado do sofrimento, o máximo que se pode pensar é que ele não soube sofrer. O que é péssimo para ele, pois senão sentido no momento exato, o sofrimento vem posteriormente, sem pedir licença e sem dar explicação. A pulsão de morte é a pulsão por excelência, sendo assim a incógnita da pulsão de morte está no centro da formação do psiquismo. Desde os tempos de Freud que a psicanálise entende o psiquismo como energia representacional, ou seja, uma série de ideais representados e afetivamente organizados de dentro para fora. Numa segunda teoria pulsional, é criada uma oposição para a pulsão de morte, que é a pulsão de vida, ficando assim então definido que tudo que é tentativa de organização e representação significa pulsão de vida e tudo que é rompimento e traumático a organização do psiquismo é entendido como pulsão de morte. Lembrando que a pulsão de morte nunca se manifesta sozinha, está sempre agindo em conjunto com a pulsão de vida. Além de entender o que são as pulsões de morte e vida, é preciso saber o que leva o indivíduo a sofrer tanto pelo seu objeto de desejo. No primeiro ano de vida, por volta dos quatro ou cinco meses, ocorre uma considerável mudança na relação do bebê com o objeto, o que era parcial passa a ser total. Isso muda a posição do ego, onde ela consegue se identificar com o seu objeto, sendo assim, se antes as ansiedades do bebê eram do tipo paranoicas e envolviam a presença do seu ego, nesse momento ele passa a ter uma série de sentimentos mais complexos ambivalentes e ansiedades depressivas sobre a condição do seu objeto. A partir daí ele começa a sentir medo de perder o objeto amado e culpa pelas vezes que agrediu o objeto, tentando reparar o mau com amor. O luto em seu processo normal, redireciona a libido, anteriormente depositada no objeto de amor perdido, para outro objeto. Esse processo envolve uma simbolização e uma elaboração da perda, para que possa encontrar novos caminhos para o seu desejo. Estágios do processo de luto O primeiro estágio do luto refere-se à negação, quando o sujeito certifica se da perda, é muito comum ele negar a si mesmo a realidade, tentando encontrar uma explicação que não o leve a ser obrigado a passar por aquilo. Pode-se ver isso claramente, quando um paciente recebe a notícia de que tem uma doença incurável e que tem poucos dias de vida. Ele irá na maioria dos casos, buscar uma segunda opinião de um médico diferente, acreditando que o anterior esteja equivocado e nesse caminhar, fará novos exames, a fim de que o resultado seja diferente dos apresentados anteriormente. Enquanto o sujeito permanece em negação, uma série de complicações estarão vindo a seu encontro, tais como o isolamento das pessoas e das suas atividades cotidianas. Ela é uma maneira que o sujeito encontra de reprimir o que já está sendo compreendido pelo inconsciente e tenta impedir que isso chegue à superfície. No segundo estágio o sujeito cairá em si e perceberá que aquilo realmente está acontecendo com ele, com isso passando para o segundo estágio, a raiva, um sentimento de revolta e de ressentimento. Onde surgirão questionamentos do tipo: “Porque eu?”. Esse estágio se torna difícil, principalmente para aqueles que convivem diariamente ao lado do enlutado, pois essa pessoa terá esses sentimentos voltados para tudo ao seu redor, raiva por não ter acontecido com alguém que ele julga ser pior que ele ao invés dele, raiva de si mesmo por não ter conseguido prever tal acontecimento, raiva por não estar sabendo lidar com aquela situação atual e principalmente raiva por ninguém conseguirajudá-lo. A raiva aparece como resultado da intolerância a frustrações do decorrer da vida, dificultando que o sujeito aceite que tal perda só pertence a ele, levando-o a terceirizar culpados, até que sua estrutura emocional esteja pronta para elaborar e dar novo significado ao momento em que ele se encontra. O terceiro estágio é um pouco mais curto que os demais, porém não menos importante nesse processo. Após passar pela primeira fase, onde não era possível aceitar e sentir raiva de Deus e o mundo, por terem permitido que tal tragédia lhe acontecesse, nesse estágio a busca será por algo que adie ou desfaça o mal. Como se não restasse uma alternativa, senão apelar para as forças divinas, não que isso já não tenha sido feito anteriormente no momento da ira, a diferença é que agora a calma tomará conta da situação. É aqui que se caso não exista, será construído um vínculo maior com o lado espiritual do sujeito, promessas serão feitas a forças divinas, na tentativa de receber uma graça, em troca de uma oferta que ele julga importante. É o mesmo que acontece com uma criança, quando faz birra, esperneia, briga e quando vê que não adianta, muda de tática e decide pedir por favor. No quarto estágio, as forças já se esvaíram, o sujeito se encontra sem saída, completamente esgotado. Perde todas as esperanças e se retira para o seu mundo interno e sente todas as dores que a perda provoca. Aqui serão lembrados todos os momentos que tal objeto proporcionou e tudo aquilo que contribuiu para a perda do mesmo, tudo com um grau de importância maior, aquilo que parecida ser insignificante, ganha uma proporção máxima. O sentimento de impotência aumenta gradativamente levando o sujeito a um estado de melancolia que pode durar dias, semana, meses e em muitos casos é preciso procurar ajuda para conseguir se libertar, correndo o risco de permanecer preso nesse estágio. E por último o quinto estágio, onde o sujeito finalmente aceita o ocorrido, para de lutar contra a ordem dos fatos e entende que o melhor a fazer é renovar as forças para que sejam investidas na superação da perda. Ele parará de negar a realidade, aceita que precisa enfrentar e seguir em frente de acordo com as suas limitações e possibilidades. É a partir daqui que ele se verá livre outra vez para partir em busca de um novo objeto de amor, para substituir o espaço que foi ocupado anteriormente. Luto normal ou patológico Em algumas pessoas, as mesmas influências produzem melancolia em vez de luto; por conseguinte, suspeitamos de que essas pessoas possuem uma disposição patológica. Por isso apesar de sofrido o luto é um processo necessário e saudável para a manutenção da saúde mental. Um processo de luto mal elaborado, pode desencadear uma série de patologias e se manifestar de inúmeras formas, tais como melancolia ou estagnação do desenvolvimento. Infelizmente, alguns profissionais não têm o preparo necessário para lidar com uma situação de luto mal elaborado, ignorando por completo qualquer um dos estágios, afim de acelerar a melhora do paciente reduzindo o prazo que o próprio emocional do enlutado estipula. Assim sendo, deixam passar despercebidas situações em que o paciente está estagnado em uma das etapas do processo, diagnosticando uma série de patologias sem conseguir identificar o real motivo pelo qual o paciente se encontra em sofrimento. A superação de uma perda está diretamente ligada a maneira que o sujeito enfrenta os acontecimentos a sua volta, isso vai depender da sua personalidade, do momento em que se encontra na vida e o grau de importância que esse objeto tem na sua existência. Incluem ainda questões de tolerância a frustrações e as experiências com perdas anteriores. Para que seja possível um diagnóstico, o analista precisa investigar as inconstâncias e irregularidades percebidas no quadro apresentado pelo paciente, só assim ele poderá perceber qual a psicopatologia principal. A fim de diferenciar o luto normal do luto patológico, é necessário levar em consideração questões como a singularidade do paciente, a complexidade e soma de reações emocionais envolvidas, apenas depois disso, é que o analista terá condições para iniciar um processo de tratamento focado na individualidade do paciente. Dessa forma o tratamento precisa estar voltado para a situação em que o sujeito se encontra, e o luto terá que ser entendido pelo que ele é, um processo natural e não uma dualidade entre o luto e a patologia. A psicanálise entra para auxiliar o indivíduo na identificação da sua situação seja ela patológica ou um luto mal elaborado, onde conduzirá com uma escuta flutuante e empírica, permitindo ao paciente que ele dê vazão ao seu sentimento, oferecendo o suporte necessário para que ele consiga elaborar essa perda de maneira que possa dar sequência na sua rotina. A compreensão dos processos de luto como saudável e complicado, tem grande influência da psicanálise, fazendo com que ela seja uma das mais importantes abordagens utilizadas nesse tratamento. A diferenciação entre o luto normal e o patológico facilitou muito a forma de conduzir o tratamento, aumentando consideravelmente as chances de recuperação dos pacientes. Apesar disso, a semelhança do luto normal com outros quadros como a depressão, dificulta o trabalho dos psicólogos e psiquiatras. Em muitos casos, deixam de lado a importância do diagnóstico e acabam optando pelo uso desenfreado de medicamentos. A compreensão do luto nas diferentes faixas etárias do desenvolvimento humano Infância Em decorrência do tabu em frente a morte o adulto tende a postura de negação em falar sobre o tema com a criança e afasta-la, emparelhando a palavra morte com protagonista idosos. Entretanto, esta negação e esta "conspiração do silêncio em relação ao binômio criança - morte são atitudes nefastas na medida em que poderão bloquear o desenvolvimento da criança. Esta não é ajudada pelas tentativas de protegê-la contra a morte, ao contrário, quando se tenta defendê-la, seu crescimento é prejudicado. O conceito de morte por ser complexo e abstrato, requer um nível de desenvolvimento cognitivo e compreensão dos conceitos de tempo e causalidade. De modo que a conceitualização da morte na criança varie de acordo com o seu nível de desenvolvimento global. Estudos com o objetivo de investigar como as crianças elaboram o conceito de morte resgatam como base a teoria do desenvolvimento de Jean Piaget. Em suas pesquisas faz uso do paralelo com os estágios de desenvolvimento de Piaget com as três dimensões fundamentais do conceito de morte: • Estágio pré-operacional (de 2 a 7 anos): no qual a criança ainda não adquiriu as dimensões de irreversibilidade, universalidade e não funcionalidade. Nesta idade a criança ainda tem pensamentos egocêntricos, possuindo uma incapacidade de pensamentos através de consequências de uma ação e entender noções lógicas. Desta forma, percebem a morte como algo imediato e a separação com a morte é feita pelo fechamento dos olhos. • Estágio das operações concretas (7 a 11 anos): compreendem a morte como irreversível e universal, mas ainda são incapazes de estabelecer generalização. Correlacionam a morte com idades avançadas, e percebem as disfunções de forma mais óbvia como: o morto não pode comer ou falar. • Estágio das operações concretas (a partir de 11 anos) na qual, a criança já é capaz de compreender a morte em suas três dimensões fundamentais, conseguem pensar de uma forma abstrata sobre ela e fornecer explicações lógico-categóricas e de causalidade, reconhecendo a morte como parte da vida. Adolescência Na visão do progresso fisiológico, Papalia e Olds esclarecem adolescência como um ápice que se inicia por volta dos 12 anos, quando se começa a puberdade, e, perto dos 20 anos, finda. Além das consideráveis modificações físicas, se percebe a busca por independência, o que causa uma fase acentuada, caracterizada por uma conjuntura discordante e ansiogênica, que teráatuação significativa nos aspectos como o indivíduo irá encarar os desafios vindouros. Domingos e Maluf acreditam que a perda ocasionada pelo óbito da pessoa próxima, por vezes, ocasiona uma desorientação intensa na vida dos pubescentes. Nas primeiras fases da adolescência, a aquisição da individualidade pode evocar a percepção de si mesmo como alguém solitário, resultando no sentimento de vulnerabilidade diante da morte, tanto própria quanto de alguém significativo. Também contribui para esse sentimento, o resultado das tarefas de desenvolvimento que se impõem na adolescência, tais como a superação emocional, domínio, intimidade e ambivalência em relação aos pais. Dessa maneira, a morte de um colega ou de um amigo íntimo, durante a adolescência, pode ser tão desestruturante quanto à perda dos pais durante esse período. Isso ocorre pelo fato das amizades ocuparem um lugar importante na vida do adolescente, podendo até suprir necessidades de ordem social e emocional negligenciadas pela família. Ressalta-se que perdas de pessoas próximas, e com quem o adolescente se identifique, têm a força de o alertar sobre sua própria vulnerabilidade e mortalidade, na medida em que sua fantasia de imortalidade é questionada, especialmente se essas perdas são repentinas, como em casos de suicídio e homicídio. Ao acompanhar as dificuldades na elaboração do luto na adolescência em função das particularidades dessa etapa, propõe que este indissociável entrelaçamento entre luto e identificação, iniciado desde a cesura do nascimento terá continuidade e efeitos na constituição do aparelho psíquico, a partir do trânsito pela vivência adolescente. No período pós-perda, são experienciadas uma sequência de elaboração do luto no qual acontecem fenômenos de defrontamento de perdas significativas e de elaboração da dor derivada destas. O tempo de vivência do luto costuma ser caracterizado por várias transformações. Além de ter que lidar com a dor da perda, o adolescente passa por rupturas, descaracterizando sua condição de filho e favorecido para situá-lo no campo da orfandade. O adolescente desenvolve defesas específicas para aliviar seu peso emocional, em consequência à configuração subjetiva nesse período de crescimento, as quais não são necessariamente patológicas quando intrínsecas a esse período, mas podem adquirir este caráter quando o adolescente se vê impedido de elaborar angústias e fantasias inerentes ao momento ou em decorrência de experiências de natureza traumática. No entanto, à semelhança do que acontece na sociedade, a família não tem desempenhado satisfatoriamente o papel de fonte de suporte para o adolescente enlutado. O que também pode ser considerado em relação à escola, particularmente aos professores, que podem ser surpreendidos por situações de morte e luto com as quais não estão preparados para lidar junto aos alunos, nem prática e nem emocionalmente. Nos estudos de Peruzzo, referentes à expressão e a elaboração do luto por adolescentes e adultos jovens através da internet, foi possível constatar que a Internet possui um papel demasiadamente importante na elaboração do luto pelos jovens, embora cada pessoa viva seus contextos de forma particular. Adultez A fase jovem-adulta ocorre por volta dos 20 anos, com o final da adolescência essa etapa é o ápice do desenvolvimento físico e cognitivo. As expectativas prescritas para essa etapa giram em torno de definições profissionais, da conquista da autonomia e de relacionamentos mais estáveis, no que tange à sexualidade e à constituição da família. Acerca da fase da vida adulta, observou-se a relação entre a aproximação afetiva com o objeto/ pessoa perdida e a intensidade do luto, ou seja, quanto maior o grau de importância, maior a dor da perda. Ressaltou-se a importância de expressar os sentimentos envolvidos na vivência do luto, para que haja a abertura à novas possibilidades de vida. A fase jovem-adulta é marcada pela busca da autonomia, responsabilidade e exigência interna e externa. Essas exigências são um fator determinante da fase adulta, trazendo implicações na forma com que o luto é vivenciado. Ou seja, na adultez, o luto pode trazer à tona sentimentos de autorrecriminação e culpa. Nessa etapa, encontramos a possibilidade da perder os pais, onde morre também parte da infância e adolescência. Depara-se também com a probabilidade de perder filhos, onde morre a ideia de um futuro previsto junto àquele ente querido, o sonho de vê-lo ser um profissional, pai dos netos, a pessoa que o acompanharia até o fim de nossa vida. Nesse período de pós-perda, são vivenciados processos de elaboração do luto, no qual ocorrem fenômenos de enfrentamento de perdas significativas e de elaboração da dor. O período de vivência do luto costuma ser caracterizado por diversas mudanças. Essas mudanças não são somente pela sua perda, mas pelas experiências adquiridas pelos seus processos e padrões de vidas, suas emoções internas e pelos seus relacionamentos com outras pessoas. Velhice Na velhice, última etapa do desenvolvimento, a elaboração do luto pode não acontecer de maneira adequada, pois, apesar desta ser vista como uma fase de sabedoria, o que indicaria uma vivência mais adaptada ao enlutamento, a pessoa idosa, por já sofrer de exclusão social e estigmas, muitas vezes não tem seu sentimento validado e é negado de passar pelo tempo natural do luto, acarretando num sofrimento que, em diversos casos, se manifesta de maneira somática. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define a população idosa como sendo aquela composta por pessoas com 60 anos de idade ou mais. A sociedade ocidental não oferece um lugar de destaque para essa população, fazendo com que os idosos precisem lidar com mais perdas do envelhecimento do que ganhos da maturidade. Assim, seus lutos podem decorrer de perdas nos âmbitos social, financeiro, fisiológico e simbólico. Em situação de perda de um ente querido, o idoso deve ser acompanhado e deve-lhe ser permitido tempo para reorganizar-se emocionalmente. Na fase inicial do luto ele pode ter necessidade de ajuda para atividades básicas do cotidiano, já que “a máscara usada no funeral não pode mais ser mantida e é necessário que algum parente ou amigo próximo assuma muitos dos papéis e responsabilidades do enlutado, deixando-o livre para vivenciar o luto”. Na etapa da terceira idade, a devoção religiosa, a fé ou as crenças, fortalecem a aceitação da morte, já que esses são recursos usados para amenizar a solidão e o sofrimento da perda. Idosos com maior dificuldade de elaboração da morte são aqueles que não conseguem estabelecer um relacionamento bom com as pessoas ao redor de sua vida, o que sugere uma reflexão sobre a avaliação dos afetos e sua importância no devir. DISCUSSÃO Observou-se que a temática morte e o luto são fenômenos inerentes ao ser humano. O luto é um processo inevitável. A perda de alguém gera no ser humano vários sentimentos. A morte é um evento que provoca sofrimento e diversas alterações, como: psicológicas, fisiológicas, comportamentais bem como alterações no contexto social em que o enlutado está inserido. Neste sentido, o luto é vivenciado de forma singular. Cabe destacar que qualquer perda afeta a todos de forma direta ou indiretamente. Com isso, implica do sujeito a expressão da dor, reconhecendo, ajustamento de novos vínculos diante da perda. O luto normal é uma resposta saudável a um fator estressante que é a perda significativa de um ente querido. No que tange as diferentes etapas do desenvolvimento humano chegou-se à conclusão de que a infância é um período do desenvolvimento humano em que muitas vezes é negada a explicação acerca da morte, o que pode acarretar em grandes danos para a elaboração do luto pela criança. Esta, independentemente da idade em que se encontra, necessita do cuidado das pessoas mais próximas, para que se sinta protegida e, assim, possa construir uma relação terapêutica que viseo melhor enfrentamento do luto. Na adolescência, a capacidade cognitiva é semelhante à do adulto, possibilitando a compreensão dos aspectos de irreversibilidade, não funcionalidade e universalidade da morte, tornando-a um evento mais real. O adolescente, comumente, encontra-se em uma de suas melhores condições físicas e cognitivas, ocupando-se em seu universo de descobertas sobre si mesmo e sobre o mundo, rumo à construção de uma identidade pessoal. Diante das fases do desenvolvimento humano, na vida adulta, o indivíduo pode passar por crises, como a chamada “crise da meia-idade”, caracterizada por um período em que vai se conscientizando da inevitabilidade da própria finitude, à medida que reconhece novas limitações físicas e riscos à sua saúde e vivencia perdas e importantes mudanças nos principais papéis até então desempenhados. Este autor afirma que os adultos começam a fazer um balanço de suas vidas até aquele momento, e a morte deixa de ser tão distante. Observa-se que é frequente a concepção de que o medo da morte é mais presente entre os idosos. todavia, o que parece mais assustá-los são as incertezas relacionadas ao período que antecede a morte, como as dúvidas quanto ao local em que irão residir no futuro, ou mesmo quem vai cuidar deles, se adoecerem. Diante disso, percebe-se que cada etapa do desenvolvimento parece apresentar peculiaridades quanto à percepção e ao modo de lidar com a morte, bem como alguns elementos comuns que devem ser identificados e compreendidos. Visto que, as dificuldades observadas para abordar a questão da morte mostram que ela precisa ser reconduzida ao seu lugar originário, qual seja, o interior da existência humana. Os estudos dessa natureza possa contribuir para a diminuição do silêncio que cerca o assunto, propiciando, assim, abertura para novas possibilidades de viver e de significar a vida. Os impactos do luto ocorrem em todas as etapas do desenvolvimento humano. Cada fase possui suas singularidades, mas todas mantém o mesmo padrão de necessidade voltada à importância de uma rede de apoio pela qual a pessoa possa expor os sentimentos oriundos do luto, como negação, raiva e tristeza. Observou-se que a intensidade do processo de luto não está associada a alguma etapa específica do desenvolvimento humano, mas sim ao grau de intimidade e importância do objeto perdido. Vale ressaltar a necessidade de produção científica a respeito do tema, bem como uma variação das abordagens da psicologia mostrando outras possibilidades de olhares. Superação do processo de luto A cura do luto, primeiramente é preciso que seja compreendido todo sistema e toda colocação das fases vivida pela pessoa, esta que precisam ser vividas de forma pessoal, individual e sem pular etapas. A psicanálise, entende que o luto, tem duração de aproximadamente 1 ano, este que pode ser um pouco menos ou um pouco mais, varia muito de cada evolução e cada analisando com sua forma de lidar com a tal perda, inclusive algo que influencia, são suas crenças, sua criação, e até mesmo o fato da perda de convívio com um alguém, mas sempre ter contato, de uma forma diferente, isso dificulta muito o processo de compreensão e aceitação. O luto, primeiro precisa ser compreendido e aceito, para que possa ser direcionado a cura, fazendo com que o analisando olhe para o seu eu interior e entenda tudo que ali está acontecendo. Sem pressa, sem desespero, e com calma para melhor resultado. Muitas vezes a cura, não vem apenas em aceitar a luto, e sim em se colocar em uma nova etapa da vida. Como exemplo, quando falamos em perda materna, perda da mãe, o analisando, além de perder a figura materna, perde sua referência como filho, pois se perde mãe, muitos têm a compreensão que não se é mais filho, mas que na verdade isso é um fator psicológico, e que o analisando continua sendo filho, mas de uma forma diferente, forma esta em que a presença materna não está mais viva fisicamente, mas está viva nas memórias, nas saudades, na história de vida. Considerações finais A maneira que cada um tem de encarar as casualidades do decorrer da vida, influenciam diretamente na forma que ele vai lidar com uma perda. Nos casos em que é produzida a melancolia em vez do estado do luto, não significa que o luto não esteja ali, e sim que o sujeito ficou preso em alguma parte do processo. Numa sociedade completamente voltada para o imediatismo, é muito comum ouvir pessoas dizendo que não tem tempo para perder sofrendo, o que elas não sabem, é que, a negação também faz parte do processo de luto. Quando algo muito ruim e inesperado acontece, é como se a psique ficasse num estado de choque até que consiga dar significado ao ocorrido, apesar de ser um processo rápido, é nesse momento que a questão vai confrontar com tudo que individuo já vivenciou. A curto prazo, é mais fácil fingir que nada está acontecendo e simplesmente ignorar a situação, porém com o passar do tempo isso não é possível, pois se torna uma situação insustentável. A psicanálise é uma parceira insubstituível na ajuda da elaboração desse processo, pois é uma das poucas que ainda prioriza ouvir o paciente e deixá-lo, mostrar as suas emoções, possibilitando assim, ir além do que é trazido na queixa inicial, pois em muitos casos o que é trazido, é apenas sombra do que realmente está causando a aflição. Uma busca profunda é essencial, não só para o que está acontecendo no presente, mas também para casos mal compreendidos do passado e os que ainda virão no futuro. Lidar com a perda nunca será fácil, pelo contrário, até que o indivíduo se depare com ela não se sabe a intensidade da dor que ela pode causar. A humanidade luta desde o início dos tempos para conquistar coisas, isso faz com que a ideia de perder o que foi construído, acarrete uma série de fatores, acumulados com o passar da vida. O sofrimento do ser humano começa a partir do momento em que ele foi gerado, pois depende da mãe para se formar e depois de nascer precisa lutar para crescer e é obrigado a ser independente. Nesse curto período já aprende que perder é ruim, sem sequer saber o que tal coisa significa. Mas isso mostra que perder faz parte da evolução. Sendo assim, esse sentimento faz parte da vida e é essencial para o crescimento físico e mental do ser humano. Aprender a lidar com essa e outras frustrações nem sempre é algo fácil, mas não é impossível. Quando a mente tem dificuldade para trabalhar sozinha, uma saída possível é pedir ajuda e se ajudar.