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INTRODUÇÃO A Taenia solium (T. solium) e a Taenia saginata (T. saginata) são duas espécies de helminto que causam a teníase humana, sendo o homem, seu único hospedeiro definitivo. São popularmente conhecidas como “solitárias” porque geralmente observa-se apenas um parasito em cada hospedeiro, podendo ser encontrado, no entanto, em imunossuprimidos, pessoas albergando mais de um parasito em seu intestino. A T. solium tem como hospedeiro intermediário o suíno enquanto que a T. saginata tem como hospedeiro intermediário o bovino. São hermafroditas e parasitas do intestino delgado, onde se fixam através de suas estruturas de fixação. O verme adulto pode chegar a medir até 10 metros (mais de mil proglotes) e viver até 10 anos. Apresenta o escólex (cabeça), o colo (pescoço) e o estróbilo (corpo), constituído por segmentos (proglotes). O escólex é o órgão de fixação do helminto. Apresenta 4 ventosas e a T.solium tem ainda uma outra estrutura de fixação, o rostro, contendo 2 fileiras de acúleos (pequenas estruturas em forma de foice, constituídas por escleroproteínas). O colo é responsável pelo crescimento do corpo e portanto é uma região rica em células com grande atividade reprodutiva. As primeiras proglotes logo após o colo são jovens, seguindo-se as maduras e finalmente as gravídicas, que ao serem eliminadas pelo parasito, vão contaminar o meio externo. Nas proglotes jovens pode-se observar o início do desenvolvimento dos órgãos genitais masculinos e posteriormente dos femininos. As proglotes maduras possuem esses órgãos desenvolvidos e prontos para a fecundação que se dá entre a mesma ou entre proglotes diferentes. As proglotes gravídicas possuem características peculiares para cada espécie, permitindo o diagnóstico diferencial. Nelas o sistema reprodutor masculino sofreu regressão e o feminino permaneceu como útero repleto de ovos. Na Taenia saginata suas ramificações uterinas são numerosas e tem terminações dicotômicas, enquanto na Taenia solium são poucas as ramificações e tem aspecto dendrítico. Não possuem tubo digestivo. A absorção dos alimentos é feita por difusão através do tegumento em estruturas denominadas microtríquias, aproveitando o material ingerido pelo hospedeiro e já parcialmente digerido. Os ovos medem cerca de 30 μ e são constituídos por casca protetora ou membrana radiada (embrióforo) e oncosfera (embrião hexacanto com 3 pares de acúleos). As formas lavárias dessas tênias são conhecidas popularmente como canjiquinha ou pedra. O Cysticercus bovis (C. bovis) é a larva da T.saginata e o Cysticercus cellulosae (C. cellulosae), a larva da Taenia solium. Os cisticercos são constituídos por uma vesícula membranosa contendo no seu interior um líquido e o escólex. As teníases são freqüentes em regiões onde as pessoas têm o hábito de ingerir carne crua ou mal cozida. I. Filo Arthropoda Parasitam a superfície do corpo (infestação). Apresentam patas articuladas e exoesqueleto quitinoso. Têm tubo digestivo anterior, médio e posterior. Na sua maioria, são ovíparos com fecundação interna. Sofrem ecdises ou mudas, eliminando uma exúvia ao trocarem de exoesqueleto. II. Classe Cestoda São hermafroditas, com corpo segmentado e dividido em escólex (para fixação) e estróbilo (corpo que é dividido em proglotes). Não apresentam sistema digestivo. São heteróxenos, com as formas adultas localizando-se no trato digestivo do hospedeiro definitivo. III. Ordem Cyclophyllidea Apresentam quatro ventosas globosas no escólex. Ocorre apólise: desprendimento das proglotes grávidas. • TIPOS LARVARES 1 – CISTICERCO: No interior da vesícula semitranslúcida, apresenta um escólex invaginado. Pode haver rostelo, com ganchos ou não. O hospedeiro intermediário desse tipo larvar é vertebrado. 2 – ESTROBILOCERCO: Tem vesícula semitranslúcida que apresenta um escólex evaginado. Possui um pescoço longo e pseudossegmentado. O hospedeiro intermediário desse tipo larvar é vertebrado. 3 – CENURO: No interior da vesícula, apresenta vários escólices invaginantes. O hospedeiro intermediário desse tipo larvar é vertebrado. 4 – CISTICERCOIDE: Tem vesícula rígida com escólex invaginado. O hospedeiro intermediário desse tipo larvar é invertebrado. 5 – CISTO HIDÁTICO: No interior da vesícula cística, apresenta um líquido com vesículas filhas com escólex ou escólices soltos. A esse conjunto se dá o nome de areia hidátide. O hospedeiro intermediário desse tipo larvar é vertebrado. IV. Família Taeniidae • GÊNERO Taenia Parasitos com número variável de proglotes. Todas as espécies têm rostelo com ganchos, exceto T. saginata. As proglotes maduras são mais largas do que altas; as proglotes grávidas são mais altas do que largas. • CICLO EVOLUTIVO As proglotes gravídicas cheias de ovos (30 a 80 mil por proglote) são eliminadas para o meio externo, onde vão se romper, ou podem romper-se ao atravessarem o esfíncter anal e os ovos serem eliminados com as fezes. Um hospedeiro intermediário próprio (suíno para Taenia solium e bovino para Taenia saginata), ingere os ovos que, no estômago sofrem a ação de enzimas que vão atuar sobre o embrióforo. Chegando ao intestino delgado e em presença do suco gástrico alcalino, perdem a casca, liberando a oncosfera (embrião hexacanto). Esse embrião, com ajuda de seus 3 pares de acúleos, atravessa a parede intestinal caindo na corrente circulatória e são arrastados à circulação hepática. Chegam ao coração e são enviados para todo o organismo, indo encistar-se de preferência nos músculos de maior movimentação e com maior oxigenação de seus hospedeiros intermediários (mastigadores, língua, coração e diafragma). Perdem os acúleos e começam a crescer até atingirem cerca de 10 a 12 mm de diâmetro, permanecendo viáveis por vários meses. • EPIDEMIOLOGIA O homem adquire a teníase ao ingerir a carne bovina ou suína contendo esses cistos (C. bovis – Taenia saginata e C. cellulosae – Taenia solium), crua ou mal cozida. O cisto ao chegar ao duodeno, estimulado pela bile, liberta o escólex, que adere à mucosa e começa a desenvolver-se, originando a Taenia adulta. Cerca de três meses após a ingestão da larva, o parasito adulto começa a eliminar as proglotes. As proglotes da T. saginata tem maior atividade locomotora e são liberadas de forma ativa geralmente isoladas nos intervalos das defecações. As proglotes da T. solium desprendem-se unidas (3 a 6) e são expulsas durante ou após a evacuação. • PATOGENIA E SINTOMATOLOGIA A patogenia e a sintomatologia das teníases são pouco significativas. Como vivem muito tempo parasitando o homem, competem com ele pelos suplementos nutricionais e devido às substâncias excretadas, podem causar fenômenos tóxicos alérgicos. No entanto, podem ser assintomáticas. As manifestações mais comuns relatadas são cefaléia, dor abdominal, em alguns casos inapetência e em outros fome intensa, além de diarréia ou constipação. Também são relatados fenômenos menos importantes, como fadiga, sensação de mal estar, irritação e insônia. • IMPORTÂNCIA MÉDICO-VETERINÁRIA T. solium e T. saginata causam teníase, normalmente assintomática, mas podem aparecer distúrbios digestivos em infecções maciças. Há presença de proglotes nas fezes e roupas (no caso de T. saginata, ativas). Outra doença relacionada a essas duas espécies é a cisticercose: nos suínos ou bovinos infectados, os sinais clínicos são inaparentes, havendo o prejuízo econômico devido ao descarte da carcaça quando há presença de muitos cisticercos. Na infecção por T. solium, se o homem ingerir os ovos acidentalmente, pode se tornar o próprio hospedeiro intermediário (chamado de hospedeiro terminal). Nesse caso, a forma larvar encaminha-se de preferência para os olhos e para o cérebro, podendo levar a alterações patológicas, como cegueira e transtornos neurológicos (neurocisticercoseou cisticercose ocular). A ingestão acidental dos ovos é possível por autoinfecção externa, contato com as próprias mãos contaminadas) e heteroinfecção (ingestão de alimentos contaminados pelas mãos de outras pessoas). Às vezes, há autoinfecção interna, quando as proglotes se rompem e os ovos caem na corrente sanguínea. A teníase causada por T. hydatigena é normalmente assintomática, com presença de proglotes nas fezes. Cysticercus tenuicollis é vulgarmente conhecido como “bolha- d’água”. O diagnóstico da infecção é feito apenas por necropsia, levando ao descarte das vísceras acometidas. Pode haver hepatite cisticercosa pela presença da larva na serosa do órgão. T. taeniformis provoca teníase normalmente assintomática, com presença de proglotes nas fezes dos felinos. A forma larvar pode determinar achados clínicos e patológicos no fígado de roedores. MARTINS, I.V.F. Parasitologia veterinária, 2ª ed. Vitória, ES, 2019, 320p MACEDO, H.V. Apostila de Parasitologia Humana Parte II Helmintos, 2010