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Criação, Styling e Produção de Moda: mod. 4 Projetando a Imagem de Moda Pensando uma Imagem de Moda Toda atividade em styling pressupõe uma fase de estudos e pesquisas, sendo que alguns estudos não dependem diretamente de um projeto para que aconteçam. Aliás, como vimos até aqui, um stylist, independentemente de suas demandas profissionais, sempre tem que estar atento aos acontecimentos, quase que de modo permanente. Na verdade, tudo com o que um profissional dessa área tem contado acaba se tornando parte do seu repertório imagético e de uma maneira ou de outra pode se materializar em uma de suas produções em um futuro trabalho. Vimos também que a pesquisa precisa ser fomentada e que os ícones de estilo, o street wear e o conhecimento sobre o vocabulário de moda são essenciais para a construção de uma bagagem de moda que sem dúvida alguma será muito importante no desenvolvimento de um projeto em styling. Para isso, deve-se estar atento aos meios onde é possível obter todas essas informações, sejam plataformas físicas ou virtuais. Para McAssey e Buckley: “Os estudos contextuais são importantes por três razões: em primeiro lugar, para desenvolver sua capacidade de analisar criticamente como as imagens funcionam e para obter o máximo possível a partir de sua própria prática; em segundo, para que você possa saber o que veio antes de você, o que está acontecendo atualmente e como o seu trabalho se enquadra nisso; e, em terceiro lugar, para proporcionar um estímulo visual e intelectual que servirá de combustível para seu trabalho.” - MCASSEY; BUCKLEY, 2013, p. 50 Figura 1 – Buscando inspirações Fonte: Getty Images A inspiração não vem do nada! Ela sempre tem origem a partir da observação e das possíveis conexões entre os elementos observados, mesmo que esses elementos tenham sido vistos em momentos e tempos distintos um do outro. Uma habilidade muito importante para a construção de uma trajetória como stylist e que colabora para que essas combinações aconteçam de maneira interessante durante o estudo, planejamento, produção de um trabalho, é a análise crítica. Por isso, se faz muito significativa a investigação sobre diversos trabalhos realizados nas áreas criativas, principalmente no que diz respeito às imagens de moda, a fim de apurar o olhar sobre elementos como luzes, cores, formas, texturas, pois eles são determinantes na composição das imagens de moda. Isso resultará também em muitos benefícios em relação ao próprio trabalho, já que com o tempo acontecerá o amadurecimento desse olhar de observador do stylist e, consequentemente, isso se tornará parte natural de suas práticas criativa e profissional. Nos estudos contextuais apontados por McAssey e Buckley (2013), que o próprio termo acaba referenciando, a contextualização se faz extremamente necessária. É imprescindível que um projeto de styling seja planejado, levando em consideração possíveis entendimentos e interpretações a partir de signos e elementos culturais, sociais, econômicos ou outros que possam, dentro de determinados contextos, serem lidos de maneira a provocarem um resultado contrário ao esperado. Esse é um dos motivos pelos quais as investigações, estudos e pesquisas desenvolvidas pelo stylist têm que ser desenvolvidas nas mais diversas áreas e através da maior variedade possível de fontes: justamente para que seu entendimento sobre o que ele está usando para compor a imagem de moda e, principalmente, como ele está usando esse objeto ou ideia ao construir a mensagem visual, não ressoe de modo negativo no que será exposto como produto, resultado do serviço solicitado. A Moda e suas Referências Desde o início da nossa conversa vários lugares já foram citados como fonte de inspiração para os stylists. Vimos que são diversas as fontes onde ele pode estudar, pesquisar e conseguir informações visuais ou textuais que possam lhe servir de referências. Mas em se tratando de uma pesquisa que tenha como parâmetro referenciais a moda, podemos falar de quatro meios específicos que estão atrelados, imageticamente, ao universo da própria imagem de moda. Revistas de Moda Cada uma das diversas revistas que fazem parte do mercado de moda possui sua visão sobre o assunto. E essa ótica específica é constantemente traduzida e exibida por cada uma delas através de seus próprios editoriais. Elas são fontes referenciais não só para os estudantes de moda, mas vários stylists profissionais usam constantemente essas publicações para buscarem informação que possam ser traduzidas no desenvolvimento de suas produções, podendo ser encontradas impressas e várias possuem suas versões on-line. Há, também, a possibilidade de conseguir acesso em algumas bibliotecas de escolas ou faculdades de moda. Sejam as revistas mais famosas (como a Vogue) ou as publicações independentes, através delas se tem acesso a informações como: os profissionais envolvidos na produção do ensaio publicado (fotógrafos, maquiadores, cenógrafos, stylists); tendências; estilos editoriais de cada revista; preços dos produtos de moda; novos termos de moda; enfim, uma profusão de informações relevantes para quem oferece o serviço de styling. Deve-se ter o cuidado de não se copiar prontamente o que as revistas mostram, isso não ajudará em nada a quem pesquisa desenvolver as suas próprias metodologias e estilo de trabalho. A ideia, através de uma referência, é poder fazer além de obter informações que possam ser relevantes sobre o assunto que está sendo pesquisado; é poder desenvolver o próprio senso de análise crítica, comparando as informações obtidas em diferentes meios e procurando adaptá- las ao seu modo de fazer. Fotografia É uma das principais referências para o universo do styling, principalmente porque, de modo geral, é através desse tipo de técnica que a própria imagem de moda é exibida, e, assim sendo, é onde se pode observar o resultado técnico desse tipo de composição. Você Sabia? O vestido de noite com um enorme laço branco da grife Dior (Outono/Inverno, 1955) que aparece no ensaio “Dovima With Elephants”, do fotógrafo Richard Avedon (Figura 2), foi elaborado pelo Yves Saint Laurent. É que nessa época o jovem Yves era assistente do Christian Dior em sua Maison Figura 2 – Ensaio “Dovima com elefantes”, vestido de noite da Dior, Cirque d'Hiver, Paris, agosto de 1955. Fonte: MoMA.org Atualmente, a pesquisa fotográfica pode ser feita virtualmente, pois existem diversos sites de busca de imagens, além dos sites de várias publicações da área, desde revistas, como de fotógrafos específicos, sejam eles da área de moda ou não. Existem, também, várias publicações, como revistas que trazem uma diversidade de estilos fotográficos, como também os livros específicos de fotografia, que podem ser encontrados também em bibliotecas universitárias, não só de moda. Aliás, pesquisar sobre fotografias de outros tipos de assuntos, que não seja moda especificamente, ajudará a ampliar o olhar da pessoa que está em busca de novas perspectivas. Ela terá acesso a uma grande diversidade de assuntos que, automaticamente, trará novas percepções sobre as composições de narrativas, de atmosferas, de cores, enfim, de vários elementos que possam estar presentes nas fotografias observadas e que podem ser traduzidas para o universo da pessoa que está fazendo a pesquisa. Arte A arte, de modo geral, sempre foi referencial para moda, principalmente antes do surgimento da fotografia, já que os únicos meios de “divulgação” do que estava sendo usado pela nobreza eram as pinturas, as esculturas, as ilustrações, enfim, as várias expressões artísticas que já se utilizavam da imagem como reprodução do real. Figura 3 – Curioso chapéu em forma de sapato, fruto da parceria entre Elsa Schiaparelli e casaco com aplique em forma de lábio. Schiaparelli – 1937 Fonte: semanticscholar.org Um stylist deve procurar conhecer os principais movimentos artísticos e suas características estilísticas, isso será de grande ajuda no desenvolvimento do seu trabalho, facilitando e promovendo a observação e entendimento das narrativas, cores,texturas e demais elementos apresentados pelas obras estudadas e, consequentemente, o uso desse repertório em suas próprias produções de imagem de moda. Segundo McAssey e Buckley (2013), um exemplo da conexão entre moda e arte pode ser observada na parceria que existiu entre a designer Elsa Schiaparelli e o artista Salvador Dalí. Os famosos vestidos da série inspirada no trabalho do pintor Piet Mondrian, que foram desenvolvidos na década de 1960, pelo estilista francês Yves Saint Laurent, também são um famoso exemplo de interação entre moda e arte. Cinema Como referência imagética de moda a produção da indústria do cinema pode ser fonte quase que inesgotável de inspiração e, como dito por McAssey e Buckley (2013), não é preciso se ater aos trajes que formam os figurinos dessas produções, pois tudo que aparece na tela pode se tornar uma ótima referência para a construção de um trabalho de styling de moda. Figura 4 – Cena do filme 'Os Pássaros', dirigido por Alfred Hitchcock – 1963. Na imagem a atriz americana Tippi Hedren e um grupo de crianças fogem dos corvos que as atacam Fonte: Reprodução Assim como nas revistas de moda, na fotografia e na arte é possível observar e extrair aprendizado sobre elementos observados como as narrativas ou cores, por exemplo. Em um filme isso, de alguma forma, vai além, já que a mesma película cinematográfica pode apresentar perspectivas plurais de abordagem visual. O Stylist pode se inspirar numa cena específica, num cenário, num diálogo, numa ação ou movimento de um dos personagens, enfim, são várias as possibilidades de extração de inspiração. Interpretação do Briefing Podemos perceber que as observações e inspirações de um stylist não dependem exclusivamente da sua contratação ou do vínculo com a execução de um determinado trabalho. Na verdade, o tempo todo ele está atento ao que acontece, independente do momento ser profissional ou de lazer, naturalmente tudo que lhe chega pode ser transmutado em referenciais para o que ele desenvolve. Mas, em se tratando necessariamente de uma demanda profissional, esse olhar investigativo terá como origem o briefing passado pelo cliente, que nada mais é que uma breve explicação e orientação sobre o que se pretende com o projeto – a ideia principal – que, na maioria das vezes, pode ser direta e objetiva (desenvolvimento de styling sobre a cor Pantone do ano no verão) ou ser apresentada como um conceito (desenvolvimento de styling sobre sensações a partir das cores). O briefing é o ponto de partida para todo o desenvolvimento do projeto. Através de sua análise é que irão surgindo não só questionamentos, mas também importantes direcionamentos que ajudarão a validar, a fortificar a ideia central. Esse estudo sobre o briefing dentro de uma linha de desenvolvimento, constitui, ainda, o desenrolar da parte teórica do projeto que se revela ainda um embrião, podendo ter modificações ou apenas conseguir reforço das ideias ali apresentadas. Levando em consideração o projeto laboratorial em criação de imagem, apresentado por Astrid Façanha (FAÇANHA; MESQUITA, 2012), um próximo passo a partir da leitura e interpretação do briefing é a execução de algumas pesquisas, ainda dentro do campo das ideias, seguindo três orientações: o tema, o conceito e a área de atuação; essa tríade é identificada como norteadora das principais ações dentro do processo de desdobramento em busca da realização de uma produção com o objetivo da realização de uma imagem de moda – na verdade, esse esquema de estudo pode ser utilizado, por princípio, em várias áreas criativas. A seguir, vamos nos ater especificamente a cada um desses parâmetros de investigação. Figura 5 – O que essa imagem revela como assunto, tema e conceito? Seria essa mulher uma africana, uma brasileira ou uma francesa? Seria ela estudante, advogada ou professora? Fonte: Getty Images Pesquisando o Tema A temática abordada em um trabalho de styling pode ser qualquer uma, desde que a partir dela se chegue ao assunto-chave, indicado pelo briefing. Isto é, o tema é apenas um recorte dentro de uma ideia geral, muito mais ampla, que seria o assunto a que ele se refere. Mas isso não quer dizer que o tema tenha que ser óbvio como, por exemplo, ao falar de primavera se ter flores como tema; ao se falar de nordeste brasileiro o tema ser o cangaço. Podemos exemplificar um passo a passo da pesquisa, imaginando o seguinte caso: roupas com franja, como assunto central. · Briefing: roupas com franjas; · Tema: anos 1920 (mas poderia ser velho oeste, hippie, rock, anos 1970 ou outro qualquer que não tivesse ligação com padrões estéticos pré-estabelecidos). Pesquisando o Conceito A pesquisa sobre o tema trará à tona uma grande quantidade de material imagético e textual de onde toda a investigação e o estudo conceitual terão origem. Na verdade, a pesquisa conceitual parte dos objetos observados, mas se desdobra através das conexões e relações que surgem a partir desse olhar micro, focado em cada elemento que possa estar ligado ao tema. Seguindo o exemplo anterior, podemos imaginar o seguinte: · Briefing: roupas com franjas; · Tema: anos 1920; · Conceito: movimento (mas poderia ser atmosfera, cor, luxo, dança ou qualquer outro que não necessariamente fosse ligado aos anos 1920, mas que funcionasse como argumento conceitual para o tema e o briefing). Pesquisando a Área Essa é uma fase da pesquisa muito importante, já que, a partir da conexão entre o tema, o conceito e a área na qual o stylist desenvolverá a sua produção é onde geralmente as demandas técnicas vão sendo elaboradas. E o pensamento sobre o possível ou o necessário vai acontecendo, pois, como vimos, cada área do styling naturalmente exige um certo tipo de elaboração. Continuando com a hipótese das franjas, usada como exemplo, vamos imaginar que a área seja a fotografia de moda, certamente a pesquisa seria guiada pela ideia de como capturar o movimento das franjas através dessa técnica. Será que os modelos deveriam estar em ação, tipo numa cama elástica, ou executando uma dança, para acontecer a captação das imagens? Ou, mesmo de modo estático, dependendo da pose do modelo, a ideia de movimento seria alcançada? Mas e se caso a área fosse um desfile, a pesquisa poderia estar voltada para como as franjas se comportariam na passarela com o andar dos modelos (se fossem longas, será que se enroscariam no próprio look ou nas pernas do modelo?). Essas são apenas algumas das questões que podem surgir e, consequentemente, guiar uma pesquisa relacionada à área para a qual será prestado o serviço de styling. · Briefing: roupas com franjas; · Tema: anos 1920; · Conceito: movimento; · Área: fotografia (mas poderia ser desfile; fashion film; styling para show musical, comercial). Planejando uma Imagem de Moda Como podemos constatar através dos estudos até aqui, existem diversas modalidades de styling e, consequentemente, variadas possibilidades de atuação do profissional stylist no mercado. Mas seria impossível podermos exemplificar a ideia de planejamento referente a todas essas modalidades de desenvolvimento. Por isso, a título de um entendimento didático, em um sentido referencial, serão apresentadas algumas orientações e indicações de como se chegar em uma imagem de moda, através do planejamento de um editorial de moda para uma revista. Isso tendo como base uma entrevista feita pela Astrid Façanha ao então editor de moda e stylist Márcio Banfi (FAÇANHA; MESQUITA, 2012). Figura 6 – Reunião criativa sobre um editorial de moda Fonte: Getty Images É importante reforçar que cada projeto de styling pode agregar demandas específicas, isso desde profissionais, serviços, equipamentos ou outro tipo de necessidade. Por isso, a proposta aqui apresentada é a de colaborar com a amostragem de itens básicos de um planejamento nessa área do styling. Planejando em Equipe Dentro de uma revista geralmente existe uma equipe que pensa e organiza a realização de um editorial de moda. Basicamente, ela pode ser formada por: · Editor de moda: define as pautas da revistae gerencia todo o processo do editorial, desde o briefing, escolha da equipe até a edição final das imagens; · Diretor de arte: sugere locações para a produção, contribui com a construção da cartela de cores e cenário; · Stylist: participa do briefing e busca interpretar o conceito através não só da roupa, mas principalmente de como vestir a roupa; · Produtor de moda: é o responsável por ir em busca das peças de roupas, seguindo a pauta de produção; · Assistente de produção: auxilia tanto o stylist como o produtor. Esse tipo de equipe geralmente é a que pensa e constrói a ideia do editorial, mas a partir do momento em que vão surgindo as ordens práticas do planejamento em relação à organização de documentos, fichas, registros, vai acontecendo a contratação de outros profissionais, como o hairstylist – profissional responsável pela beleza (cabelo e maquiagem) dos modelos. Essas demandas acontecem à medida em que as pesquisas, a partir da análise do briefing, vão acontecendo, e desde lá surge a necessidade de registrar esses resultados, que, em grande parte, são documentados de maneiras conhecidas pelas pessoas que estudam, desenvolvem ou trabalham em áreas ligadas aos processos criativos. Sendo alguns deles o painel semântico, que é conhecido também como moodboard ou ambiência – são ajuntamentos de referências visuais, imagens ou amostras físicas. Não necessariamente precisam estar literalmente num painel ou quadro em uma parede, mas o interessante é que a plataforma utilizada como base desse tipo de registro, permita que as imagens ali apresentadas sejam vistas em conjunto e que criem uma atmosfera visual e sentimental – e a cartela de cores. Na verdade, cada profissional acaba desenvolvendo a sua própria maneira de registrar o que pesquisa e, no fim das contas, isso se torna uma metodologia muito pessoal. Isso porque essa parte do processo de desenvolvimento da imagem de moda está diretamente conectada com o desenvolvimento criativo do indivíduo. Mas o importante mesmo é que independente da receita de como se fazer, o stylist possa ter acesso, sempre que preciso, aos dados coletas através dessas pesquisas e estudos. Nessa fase, ainda embrionária, pode haver a colaboração de outros profissionais que ajudarão a pensar e a formatar a ideia geral do editorial, dando dicas importantes dentro de suas áreas de atuação, como é o caso da participação do fotógrafo, por exemplo. Ele pode contribuir e muito com sua perspectiva e conhecimento sobre luz, cor, ângulos e outros elementos que fazem parte de sua técnica. Mas, para além da parte criativa, existe uma super demanda de planejamento, no que podemos chamar de pré-produção. Planejando a Produção Nessa fase, acontece a pré-produção, que se dá como uma preparação para o que acontecerá de fato no dia da feitura das fotos. São muitos assuntos burocráticos, que envolvem, basicamente, o casting, a locação e a produção de moda, como veremos a seguir. Figura 7 – Pré-produção: momento de acionar os contatos profissionais, a fim de cumprir com a pauta proposta para o editorial Fonte: Getty Images O Casting Por ser um elemento muito importante do editorial, o modelo não pode ser escolhido aleatoriamente. E isso não diz respeito apenas ao fato de seu visual se encaixar com a proposta e conceito do trabalho; dependendo do projeto, sua escolha se dará, também, por sua atitude em relação à receptividade ao trabalho. Isso refletirá principalmente na interação entre modelo e fotógrafo: quanto mais o modelo entender a proposta do editorial e se envolver com ela, mais a sua atuação fluirá. Um editorial pode ser pensado, inclusive, a partir do modelo, principalmente quando ele é considerado uma celebridade, por exemplo. Mas na maioria dos casos, os modelos são contratados através das agências especializadas. Geralmente, o stylist envia o briefing para a agência com o perfil desejado, recebe os composites (cartões de apresentação dos modelos) contendo imagens e informações das medidas dos modelos, faz uma pré-seleção e marca uma prova presencial com os que mais têm a ver com o trabalho a ser desenvolvido. Mas também pode acontecer desse casting ser feito por pessoas comuns, encontradas na rua e, nesse caso, há a questão da falta de experiência com essa atividade, podendo influenciar e muito o resultado, a não ser que a proposta do projeto seja mostrar pessoas comuns. A Locação Na verdade, a palavra “locação” é usada para indicar um espaço fora de um estúdio, mas um editorial de moda pode acontecer em ambos os locais. A escolha vai depender muito da proposta do editorial e também do orçamento disponível. Figura 8 – Estťdio de foto e filmagem Fonte: Getty Images Geralmente, um estúdio possui vários tipos de equipamentos e possibilidades técnicas que podem ser controladas, como a luz por exemplo. Na maioria da vezes é um local preparado para receber toda equipe, com camarim, bancada para os profissionais que cuidarão da beleza, enfim, é preciso apenas confirmar o que o estúdio oferece como espaço de uso e equipamentos. O que seria uma questão desvantajosa nesse espaço é referente ao cenário, pois, de maneira geral, os estúdios oferecem espaços vazios, em branco e com a opção de fundo infinito, daí, caso haja a necessidade de algo específico, é preciso construir, produzir; já uma locação nem sempre é um espaço preparado tecnicamente para a realização de fotos, apesar de que hoje existem locações que imitam variados tipos de ambientes, que já são preparados para receberem equipes fotográficas e de filmagem que produzem não só para a área de moda. Mas uma locação pode ser também uma praça, um parque, um construção abandonada, uma praia e, nesses casos, a equipe pode sofrer com imprevistos, principalmente se for a céu aberto, por isso é importante ficar atento a vários detalhes. Segundo McAssey e Buckley (2013), é bom levar em consideração aspectos como: · Confirmação da data das fotos com todos que fazem parte da equipe e com a pessoa responsável pelo local; · Documentos que validem o uso do espaço na data marcada, seja estúdio ou locação, seja por crachás, pulseiras ou algo que valide o acesso da equipe no local; · Área/tamanho do local onde acontecerão a produção das fotos para se certificar que a equipe estará bem acomodada; · Acesso à energia elétrica através de tomadas elétricas para uso dos equipamentos necessários; · Espaço adequado para acomodação das roupas e troca dos looks pelos modelos e, também, acesso a banheiros; · Transporte para a equipe e local para estacionamento, caso seja necessário. A Produção de Moda Ainda segundo McAssey e Buckley (2013, p. 50), “como e onde você fará a produção das roupas dependerá de sua energia, desenvoltura e capacidade de operar com uma rede de contatos”. Quando a equipe é pequena, o próprio stylist é quem faz a produção de moda, entrando em contato com os fornecedores, marcas, lojas ou estilistas e, depois, indo retirar as peças selecionadas. Mas aqui no Brasil, como já vimos, é instituída a profissão de produtor de moda, que é o profissional exclusivo para fazer esse meio de campo entre o stylist e as marcas. Como ele lida diretamente com as peças e tudo relacionado a elas, seja mesmo um produtor de moda ou um stylist, é imprescindível que ele prepare um kit básico com equipamentos e ferramentas que certamente serão usadas na produção, como: tesouras para tecido e papel; fita métrica; alfinetes de vários tipos; agulhas e linhas de diferentes cores; fitas adesivas para proteger a sola dos sapatos; fio de nylon; descosturador; ferro a vapor; vaporizador de mão; tábua de passar mangas portátil; rolos ou escovas tira pelos; cabides; sacos plásticos; bolsas ou malas com rodinhas. Produzindo uma Imagem de Moda A produção propriamente dita acontece antes mesmo do dia das fotos, com o recebimento das peças, acessórios e outros adereços conseguidos pelo produtor de moda. E é aí que o stylist entra em ação: pensando a edição das roupas. De acordo com Márcio Banfi, em entrevista dada à Astrid Façanha, acontece uma revisãosobre o material recebido levando em consideração a pauta definida e, a partir daí, a seleção vai acontecendo pelas peças que, de cara, chamaram mais atenção (FAÇANHA; MESQUITA, 2012). Depois das peças serem separadas em ordem de interesse, individualmente, é que se pensa no look, juntamente com acessórios e calçados. O ideal é vestir o look produzido em alguém ou num manequim e fotografar, pois essa imagem será muito útil no dia das fotos, será uma referência importantíssima. O problema é que nem sempre as peças estão disponíveis com a antecedência necessária para que o stylist e o produtor de moda possam testá-las de fato. Muitas vezes algumas peças são testadas no mesmo dia do editorial. De qualquer modo, sempre que possível, deve-se pensar e editar um número maior de looks do que o combinado para o editorial. Produzindo a Sessão de Fotos É muito importante que todos os profissionais envolvidos num editorial sigam os horários pré- determinados na ficha de ordem do dia, que, de praxe, é repassada a todos um tempo antes do dia das fotos. Isso já ajudará e muito na organização e andamento dos acontecimentos. Figura 9 – Stylist e maquiadora preparando a modelo para sessão de fotos Fonte: Getty Images O ideal é que tenham alguém no local que ajude a organizar o espaço, orientando a chegada de profissionais e equipamentos. Até tudo estar no lugar, equipamentos montados, pode levar um tempo, por isso o stylist pode dar início ao processo com o modelo, levando-o para fazer cabelo e maquiagem com o hairstylist. Já que esse é processo pode ser demorado, o start sempre vem daí. Maquiagem e cabelos prontos, vamos para o primeiro look a ser fotografado. Esse momento é muito importante, pois pode ser o primeiro contato entre modelo e equipe, principalmente o fotógrafo. Por isso, é necessário reforçar o briefing, a atmosfera das fotos com o modelo e deixá- lo bem à vontade. As primeiras imagens feitas servem, na verdade, para ajustes de luz ou de outras questões técnicas junto ao fotógrafo, mas é bom que o stylist fique atento a toda essa movimentação na hora da sessão. É recomendado que ele fique posicionado atrás do fotógrafo para que ambos tenham uma perspectiva parecida, isso fará com que ele possa observar o que está sendo fotografado pelo mesmo ângulo da câmera, e, caso alguma parte do look precise ser modificada ou ajustada, ele poderá atuar de pronto, pois ele é o único responsável e autorizado a mexer ou ajustar as peças no modelo. Inclusive, nem o próprio modelo deve ficar ajustando a peça em si. E esse processo vai se estabelecendo a cada novo look fotografado, sendo que à medida em que as fotos vão sendo realizadas, o fotógrafo pode ir mostrando os resultados obtidos através de um computador e, dependendo da narrativa imagética que está se formando, os últimos looks podem ou não sofrer alterações em suas composições. Pós-produção Existem vários aspectos que podem ser englobados dentro da ideia de uma pós-produção num editorial, como organização de equipamentos, acerto de pagamentos, enfim. Mas aqui vamos nos ater a dois aspectos principais. Seleção das Imagens É uma etapa muito importante de todo o processo, pois aqui é que acontece a seleção das fotos que de fato irão compor o editorial e trarão de fato à tona a tão desejada imagem de moda. De modo geral, o stylist tem uma grande importância nesse processo e deve fazer valer a sua argumentação de escolha diante das imagens obtidas. Ele, sem dúvida alguma, entende mais que ninguém dentro do processo e, principalmente, no resultado, qual é o lugar do volume, das cores, das texturas, apresentados pelos looks e reforçados pelas poses do modelo e trabalho do fotógrafo, na imagem final. Mas é certo que vários outros profissionais também apontarão as suas fotos preferidas na edição, principalmente tratando-se de um editorial para uma revista (como resolvemos aqui exemplificar). Nesse caso específico, após a edição, o editor de fotografia e o editor de arte elaboram a ordem e o posicionamento das fotos nas páginas das revistas, sempre acompanhados pelo editor de moda, que, como vimos, participa de todo o processo desde a gênese da pauta até a edição final, inclusive dando orientações sobre os títulos, textos e legendas. Devolução das Peças Certamente pode haver um editorial de moda em que o modelo esteja sem roupa, mas, em suma, o trabalho de um stylist existe a partir do serviço que ele presta utilizando a roupa como ferramenta. Por isso, é muito importante que exista, por todos aqueles que tenham contato com as peças usadas num editorial, um grande cuidado com as roupas, os acessórios, os adereços, principalmente quando eles são peças emprestadas ou alugadas. Durante a produção, feitura efetiva das fotos, é importante que as peças estejam em um local adequado, em cabides e araras organizadas, tanto para facilitar o trabalho quanto para não prejudicar de alguma forma as peças. É muito comum ouvir histórias de marcas que receberem suas peças de volta com manchas de maquiagem, por exemplo, e isso, na verdade, não deveria acontecer. Aliás, quando a marca é famosa existe um protocolo onde elas são emprestadas sob um cheque caução e, caso aconteça algo com a peça, o produtor se responsabilizará por pagá-la. Mas com as marcas menores, e principalmente com os novos estilistas, ávidos por terem suas peças em uma campanha, um editorial ou sendo usadas por um artista musical num clipe, nem sempre o processo de empréstimo se dá com os devidos cuidados. Algumas produções pagam aluguel e até mesmo compram as peças produzidas, no intuito de montarem acervos próprios. Mas independente disso, cada stylist deve conduzir sua equipe, se for o caso, de modo a cuidar das roupas, desde o recebimento até a devolução. image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image1.jpeg image2.jpeg