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CIÊNCIA E PESQUISA
Aula 1
OS DILEMAS DO
CONHECIMENTO NA
ATUALIDADE
Os dilemas do conhecimento na
atualidade
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Há alguns anos, nem se podia imaginar que você conseguiria ter, em um só
aparelho, suas músicas preferidas, câmera fotográfica, aplicativos que dão
acesso a bancos e um telefone com acesso à internet. Graças à tecnologia,
isso é possível. Será que você se lembra como era a vida antes do
smartphone, do tablete e do Wi-Fi? O progresso da tecnologia sem dúvidas
nos trouxe inúmeros avanços, facilidades e melhorias, mas precisamos
olhar também pelo lado negativo. O desenvolvimento e a ampliação das
mídias sociais, a facilidade de acesso e de compartilhamento de
informações também proporcionou a desinformação e a disseminação de
fake news (notícias falsas).
Para refletirmos sobre conhecimento, informação e desinformação, vamos
pensar na seguinte situação: imagine-se como um pesquisador científico
que foi convidado por um jornal de grande circulação para falar dos efeitos
nocivos que as fakes news podem causar à sociedade como um todo. O
jornal pede que você formule um roteiro com os principais meios para
reconhecer a falsidade de uma notícia. Elenque cinco passos a serem
seguidos pelos leitores que os auxiliarão nessa tarefa. Bons estudos!
Vamos Começar!
Você já deve ter ouvido falar em fake news. Elas são notícias fabricadas que
propagam mentiras a respeito de um assunto em particular ou sobre uma
pessoa, em geral, pública. Elas são extremamente danosas à sociedade e
muitas vezes causam danos irreversíveis, como a queda brusca nas taxas
de vacinação de uma população. Elas podem afetar também a vida
financeira das pessoas, a integridade física e até mesmo o exercício da
cidadania. As fakes news devem ser combatidas com informações
contextualizadas e conhecimento de qualidade; nós sabemos que o
conhecimento científico pode ser muito útil nessa tarefa. Para isso,
precisamos começar compreendendo a diferença entre informação e
conhecimento.
Informação versus conhecimento
Você já deve ter notado que muitas vezes tratamos dados como sinônimo
de informação e informação como sinônimo de conhecimento, mas essas
são associações equivocadas. Na atualidade, temos acesso a um grande
volume de informação apenas com um clique, na maioria das vezes nas
telas dos nossos smartfones. Antigamente, reis e rainhas eram
privilegiados por possuírem uma, duas ou três centenas de livros. Ou, se
olharmos para a Idade Média, o conhecimento em grande parte ficava
restrito àqueles que faziam parte do clero (Aranha; Martins, 2003). Hoje em
dia, qualquer pessoa pode ter facilmente essa quantidade de livros,
principalmente em formatos digitais. Com tanta informação disponível, é
comum nós assimilarmos inteligência com quantidade de informação, mas
essa conexão pode ser bastante enganosa.
Tratar a informação e o conhecimento como sinônimos é uma crença
bastante comum nos nossos tempos. Nós lidamos com dados,
informações e conhecimento diariamente; todavia, muitas vezes os
tomamos como sinônimos, quando cabe saber diferenciá-los. Essas
questões são importantes para pensarmos posteriormente no
desenvolvimento de pesquisas científicas, pois esses três elementos
precisam ser trabalhados para a produção de pesquisas coerentes e
consistentes, embasadas de fato no conhecimento científico.
Dados podem ser definidos como a matéria-prima da informação; eles
representam significados que, isoladamente, não transmitem nenhuma
mensagem ou conhecimento. Eles são as unidades a partir das quais as
informações poderão ser elaboradas (Semidão, 2014). Em uma pesquisa de
opinião sobre a qualidade de um produto, por exemplo, a coleta da opinião
de cada pessoa só poderá produzir alguma informação significativa sobre a
satisfação com o produto depois de ser tratada e agregada às demais. Os
dados isolados não querem dizer nada, não transmitem informação
nenhuma.
As informações, por sua vez, são os dados tratados. A informação é
resultado do processamento dos dados coletados que interessam ao
pesquisador. Ela é o dado inserido em um contexto, dotado de relevância e
propósito (Semidão, 2014). Como ela possui significado, auxilia o processo
de tomadas de decisão. No exemplo anterior, a informação expressaria os
níveis de satisfação das pessoas entrevistadas com o produto, revelando se
a imagem que elas possuem é positiva ou negativa. Frequentemente,
utilizam-se ferramentas estatísticas como indicadores para tratar os dados
e obter alguma informação que antes não poderia ser vista.
O conhecimento está além da informação, porque tem tanto significado
como aplicação. O conhecimento envolve nossa faculdade de abstração, a
qual é capaz de produzir novas ideias a partir das informações que temos
em dado momento. O conhecimento exige que um sujeito seja capaz de
processar as informações, identificando o que é importante nelas e as
direcionando para algum fim. Nesse sentido, a informação é como se fosse
a matéria-prima do conhecimento. O quadro a seguir sintetiza essas
definições para que possamos compreender melhor:
Quadro 1 | Diferença entre dados, informação e conhecimento. Fonte:
elaborado pela autora.
Siga em Frente...
As fake news e o dano real à sociedade
DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO
São elementos
brutos, decorrentes
de observações ou
coletas direcionadas.
Conjunto de fatos
objetivos sobre
eventos.
A menor partícula
que compõe a
informação.
Conjunto de dados
presentes em um
contexto e carregado
de significados.
Conjunto de dados
que reduza a
incerteza ou que
permita que se
chegue ao
conhecimento de
algo.
Uma das partículas
que compõe o
conhecimento.
Decorre da
interpretação e
compreensão dos
dados e das
informações.
Inclui reflexão,
síntese e contexto.
 
 
Nos dias de hoje, o termo fake news tem sido adotado como referência às
notícias que divulgam informações falsas ou manipuladas e que têm
dominado as mídias digitais em escala global. A ciência, embora preserve
sua integridade pelo rigor na aplicação do método científico, não está imune
de seus efeitos. As fake news também podem se perpetuar utilizando de
bases supostamente científicas a fim de convencer o maior número de
pessoas. Sua atuação pode ser vista tanto em reportagens sensacionalistas
sobre assuntos científicos na mídia em geral, que podem ser mal-
intencionadas, quanto por notícias falsas deliberadamente fabricadas.
As fake news podem provocar sequelas permanentes em pessoas e afetar
um país inteiro, por exemplo, quando divulgam supostos efeitos negativos
das vacinas. Esse assunto ganhou relevância com a pandemia da covid-19,
quando notícias totalmente falsas e sem comprovação científica
começaram a circular nas redes sociais e nos aplicativos de trocas de
mensagens, desinformando a população. Algumas podem ser destacadas,
como: “a vacina contra a covid-19 vai modificar o DNA dos seres humanos”,
“a vacina contra a covid-19 tem chip líquido e inteligência artificial para
controle populacional”, “imunizantes contra covid-19 estão relacionados à
transmissão de HIV” “ou vacinas contra covid-19 criam campo magnético
no corpo de quem é imunizado” (Lorenzetti; Verdum, 2021). Todas essas
notícias foram desmentidas, você pode encontrar os fatos checados no site
da Agência Da Hora (Lorenzetti; Verdum, 2021).
Quando lemos tais afirmações, elas soam como absurdas, mas muitas
pessoas acreditaram nessas e em outras mentiras, o que fez com que elas
deixassem de se vacinar contra a covid-19. Não somente isso, essa onda de
desinformação levou também a uma queda expressiva na vacinação infantil
do país. O Brasil, que já foi exemplo mundial de vacinação devido ao
Sistema Único de Saúde (SUS), chegou no ano de 2022 ao menor índice de
vacinação infantil dos últimosAo selecionar um
instrumento de coleta de dados, é importante considerar a validade,
confiabilidade e praticidade do instrumento, bem como a capacidade de
obter as informações possíveis para responder às perguntas de pesquisa.
Vamos analisar o Quadro 1 a seguir para conhecer alguns desses
instrumentos:
Questionários
São formas estruturadas de coleta de dados que
geralmente consistem em uma série de perguntas
pré-determinadas, fechadas ou abertas, que podem
ser administradas em formato físico ou digital.
Entrevistas
Entrevista estruturada: as perguntas são pré-
determinadas e feitas na mesma ordem para todos
os entrevistados. Elas são padronizadas para
garantir consistência nas respostas e facilitar a
comparação entre os entrevistados.
Entrevista não estruturada (aberta): não há um
roteiro fixo de perguntas. O entrevistador tem mais
liberdade para explorar tópicos de interesse e
permitir que o entrevistado responda de forma mais
aberta. Esse tipo de entrevista é mais flexível e
permite uma análise mais aprofundada dos temas
discutidos.
Entrevista semiestruturada: combina elementos de
entrevistas estruturadas e não estruturadas. O
entrevistador segue um roteiro de perguntas
predefinidas, mas também tem a liberdade de
explorar tópicos adicionais que podem surgir
durante uma entrevista. Isso proporciona um
equilíbrio entre a consistência das perguntas
estruturadas e a flexibilidade para abordar temas
mais complexos.
Observações
Observação direta: os pesquisadores observam o
comportamento dos participantes sem intervenção.
Isso pode ser feito de forma participante ou não
participante.
Observação estruturada: os pesquisadores seguem
um protocolo específico e registram o
comportamento observado de acordo com
categorias predefinidas.
Análise de Documentos
Envolve a coleta e análise de documentos relevantes,
como registros oficiais, relatórios, artigos
acadêmicos, jornais, entre outros, que podem
fornecer informações úteis para a pesquisa.
Testes e Avaliações
Psicométricas
Testes de personalidade, inteligência, habilidades e
outros tipos de avaliações psicométricas são usados
 para coleta de dados em pesquisas psicológicas e
educacionais.
Testes e Experimentos
Podem ser usados para coleta de dados em um
ambiente controlado, permitindo a manipulação de
variáveis independentes para observar os efeitos
sobre as variáveis dependentes.
Diário de Campo
Utilizado amplamente na etnografia, é uma
ferramenta na qual os pesquisadores registram
observações, reflexões, notas e eventos relevantes
relacionados ao seu estudo.
Grupos Focais
São sessões de discussão em grupo, geralmente
compostas por participantes que reúnem
características semelhantes, com o objetivo de
explorar atitudes, percepções e experiências em
torno de um tópico específico.
Quadro 1 | Instrumentos e técnicas para coleta de dados. Fonte: elaborado
pela autora.
Vamos Exercitar?
Compreendemos os princípios de uma pesquisa qualitativa, olhamos para
os sujeitos, instrumentos e procedimentos e entendemos as características
da pesquisa exploratória, descritiva e explicativa. Você se lembra da nossa
situação inicial? Um assistente social de uma escola estadual tem notado
que os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas faltas e
têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma pesquisa poderia
ser desenvolvida para levantar os possíveis fatores causadores desses
sintomas?  
Inicialmente, poderia ser realizada uma pesquisa exploratória, buscando
estudos que já tenham sido feitos anteriormente e que relatem possíveis
causas de stress, desânimo, falta de motivação em professores que atuam
na faixa etária da escola em quem ele trabalha. Feito isso, poderia ser
proposta a realização de grupos focais nas horas-atividades dos
professores, de modo que fossem realizadas discussões nas quais os
professores pudessem expor seu ponto de vista a respeito da rotina escolar
e das questões que os têm afligido. Também podem ser realizadas
entrevistas abertas ou semiestruturadas com os professores, com questões
direcionadas a motivação/desmotivação, stress, cansaço, etc.
Saiba Mais
1. É fundamental compreender a diferença entre a realização de uma
pesquisa qualitativa e uma pesquisa quantitativa. A partir disso, é
possível pensar nos sujeitos da pesquisa, nos instrumentos para coleta
de dados e nos procedimentos para sua realização. Assim, leia o
Capítulo 8, “Metodologia qualitativa e quantitativa”, de Marconi e
Lakatos (2022) para se aprofundar no assunto.
MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia
qualitativa e quantitativa. In: MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS,
Eva Maria. Metodologia científica. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. p. 295-
344.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770670/epubcfi/6/32[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4
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2. O uso de diferentes técnicas de coleta e análise de dados, bem como
dos métodos de pesquisa, pode ser um forte aliado no momento da
condução da pesquisa científica. Precisamos compreender que em
alguns momentos esses métodos e técnicas podem não ser
compatíveis entre si, mas em outros eles podem e devem ser utilizados
de forma aliada no desenvolvimento das pesquisas. Isso contribui para
maior riqueza no momento da exploração e para o aprofundamento no
tema estudado. Considerando essas questões, leia o artigo:
“Perspectivas metodológicas na pesquisa sobre o comportamento do
consumidor”, de Tonetto, Brust-Renck e Stein (2013). Os autores
mostram como a pesquisa exploratória, descritiva e experimental
podem ser utilizadas na compreensão do perfil de um consumidor.
 
 
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em
educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo:
Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018.
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
Encerramento da Unidade
CIÊNCIA E PESQUISA
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é
“aprender sobre o conhecimento científico e suas aplicações no mundo real,
evidenciando suas consequências práticas e implicações nas tomadas de
decisão e a partir dessa reflexão, entender as diferentes perspectivas da
pesquisa científica”, você deverá primeiramente compreender algumas
características do conhecimento científico, entender as diferenças entre as
pesquisas qualitativas e quantitativas e a importância da leitura para a
construção das pesquisas acadêmicas.
Embora a ciência leve em consideração um conjunto de procedimentos
teóricos, experimentais e éticos ao longo de sua investigação e construção
de conhecimento, existem diversas ferramentas formais que contribuem
para sua melhor objetividade, evitando as armadilhas da linguagem
corriqueira e a subjetividade interpretativa.
O conhecimento científico é uma forma de conhecimento que se baseia em
evidências empíricas e segue um processo sistemático de investigação,
análise e interpretação. Ele se distingue de outras formas de conhecimento
por sua abordagemobjetiva e verificável, que segue métodos específicos e
rigorosos para a obtenção de resultados confiáveis, sendo fundamental
para o avanço do entendimento humano sobre o mundo. As suas
características, como a falibilidade, a acumulabilidade e a verificabilidade,
também contribuem para que se perceba o porquê é possível confiar nos
conhecimentos produzidos pela ciência.
Nesse contexto, a leitura é imprescindível para a construção de pesquisas
que sejam baseadas em conhecimentos confiáveis. Ela é essencial para
adquirir uma compreensão mais aprofundada e abrangente do assunto em
estudo. Permite que os pesquisadores direcionem seus esforços para áreas
que ainda não foram exploradas ou que possam ser investigadas de
maneira mais aprofundada. É por meio da leitura que os pesquisadores
podem estabelecer uma base teórica sólida para fundamentar suas
pesquisas. Isso ajuda a estruturar o pensamento e a construir um
arcabouço conceitual para a análise dos dados e a interpretação dos
resultados. Em suma, a leitura é um componente essencial do processo de
pesquisa, fornecendo uma base sólida de conhecimento, estimulando o
pensamento crítico e auxiliando na construção de uma pesquisa robusta e
bem fundamentada.
Quando pensamos em diferentes tipos de pesquisas ou diferentes
abordagens metodológicas precisamos ter claro que essas diferenças em
muitos momentos se complementam na realização das pesquisas. A
pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa são dois métodos distintos de
investigação usados no campo científico, cada um com suas próprias
características e aplicabilidades. Ambos os métodos desempenham papéis
importantes na produção de conhecimento científico; a escolha entre eles
depende dos objetivos específicos da pesquisa, das perguntas que se
pretendem responder e das especificidades do estudo. Muitas vezes, os
pesquisadores optam por combinar esses métodos para obter uma
compreensão mais completa e abrangente das informações em análise.
Enquanto uma pesquisa qualitativa ajuda a entender a complexidade e o
contexto por trás de uma especificidade, uma pesquisa quantitativa fornece
números e dados precisos que podem ser analisados estatisticamente. Ao
combinar essas abordagens, os pesquisadores podem obter uma
compreensão mais abrangente e profunda de um tópico específico. Essa
abordagem flexível permite que os pesquisadores adaptem sua
metodologia de acordo com as necessidades da pesquisa. Em resumo, as
pesquisas qualitativas e quantitativas não são mutuamente excludentes.
Pelo contrário, elas podem ser usadas de forma complementar para
fornecer uma visão mais completa e aprofundada de um determinado
assunto.
É Hora de Praticar!
Aliar pesquisa qualitativa e quantitativa é algo interessante na estruturação
da pesquisa e na justificativa/argumentação a respeito dos dados em
questão. Acesse o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE)  e, na parte dos indicadores sociais, procure e analise os dados
referentes à escolarização e ao analfabetismo dos últimos anos.
Depois, busque as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação
(PNE – Lei nº. 13.005/2014). Atente-se especificamente para a “Meta 2 –
Universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população
de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e
cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada,
até o último ano de vigência deste PNE [2024]”; e para a “Meta 9 – Elevar a
taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para
93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o
Reflita
Em tempos de profunda desinformação como os que vivemos, como o
ceticismo pode nos ajudar a construir um conhecimento verificável e
confiável?
Como a leitura acadêmica nos auxilia na produção de pesquisas
científicas?
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
final da vigência deste PNE [2024], erradicar o analfabetismo absoluto e
reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional”
(BRASIL, 2014, [s. p.]).
Após realizar essas duas tarefas, responda aos seguintes questionamentos:
Como a análise dos dados estatísticos referentes ao analfabetismo e à
escolarização podem contribuir para a compreensão das metas propostas
no PNE e a verificação do cumprimento dessas metas? Bons estudos!
 
 
Reflita
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados
também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso
cotidiano. Como você pode trazer esses elementos para enriquecerem os
seus trabalhos acadêmicos e o seu ambiente profissional?
 
Resolução do estudo de caso
Os dados coletados pela Pesquisa Nacional de Amostras por Domício
(PNAD) tem por objetivo mostrar a situação socioeconômica do país por
meio de vários indicadores. Os dados referentes à educação compreendem
informações que abrangem condição de alfabetização, frequência a creche
ou escola, rede e área de ensino, grau de instrução, e gestão da educação,
entre outros aspectos. Por sua vez, o PNE determina diretrizes, metas e
estratégias para a política nacional educacional por um período de 10 anos.
O prazo de vigência do PNE que teve as Metas 2 e 9 apresentadas
anteriormente era de 2014 a 2024, ano previsto para a proposta de um novo
PNE.
Quando se analisam os dados divulgados pelo IBGE referentes à
escolarização de pessoas de 6 a 14 anos que frequentam a escola, percebe-
se que de 2016 (99,2%) até 2022 (99,4%) o percentual ficou praticamente
estagnado. Isso indica que a Meta 2 do PNE provavelmente não foi
cumprida, visto que se pretendia universalizar o ensino fundamental de 9
(nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos.
Em relação ao analfabetismo, o percentual de pessoas analfabetas de 15
anos ou mais em 2016 era de 6,7% da população. Em 2022 esse percentual
caiu para 5,6%. A queda é pequena quando se pensa na Meta 9 do PNE, que
é elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou
mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência do PNE, erradicar o
analfabetismo absoluto. O percentual de 2016 indicou que a meta estava
caminhando para ser concretizada, mas acabou estagnando. Considerando
que os dados de 2022 indicaram 94,4% da população alfabetizada, é
possível que não houve o atingimento da meta em 2024.
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados
também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso
cotidiano. Você pode trazer esses elementos para enriquecer os seus
trabalhos acadêmicos e profissionais.
Dê o play!
Assimile
Vamos analisar o esquema a seguir pensando na relação mútua que existe
entre os procedimentos do método científico, a leitura acadêmica e os
diferentes tipos de pesquisa.
Fonte: elaborada pelo autora.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BRASIL. Plano Nacional de Educação – Lei n° 13.005/2014. Mec.gov, 2014.
Disponível em: https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-
educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014. Acesso em:
12 jan. 2024.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-201430 anos. A queda generalizada se deu em
vacinas contra a hepatite B, o tétano, a difteria, o sarampo, caxumba,
rubéola e contra a paralisia infantil (Westin, 2022).
No ano de 2016, o Brasil recebeu da Organização Pan-Americana da Saúde
(Opas) o certificado de território livre do sarampo. Entretanto, entre 2018 e
2021, os casos voltaram a ser registrados (cerca de 40 mil), com 40 mortes.
Em 2019 o Brasil perdeu o certificado que havia recebido três anos antes. O
sarampo é uma doença grave, não se trata apenas de pequenas manchas
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
https://www.ufsm.br/midias/experimental/agencia-da-hora/2021/11/11/top-5-fake-news-mais-absurdas-sobre-a-vacina
vermelhas que aparecem na pele; ele pode retardar o crescimento e reduzir
a capacidade mental. Outro problema é a falta de investimento
governamental para conscientização da população sobre a importância de
se vacinar e de levar as crianças. De 2017 a 2021, o governo federal reduziu
de R$ 97 milhões para R$ 33 milhões o valor investido na publicidade da
vacinação (Westin, 2022).
A melhor forma de combater as fake news é pela informação, mas não
basta afirmar a autoridade científica, é preciso contribuir no sentido de fazer
as pessoas entenderem o porquê tais afirmações são falsas. É necessário
levar o conhecimento básico científico até elas; além disso, é preciso
incentivar o pensamento científico para que se desenvolva o pensamento
crítico. Para isso, é preciso levar a ciência às pessoas de uma maneira
acessível, de uma maneira que seja compreensível a todas as camadas da
população. A ciência acessível permite que as pessoas conheçam as
características dela e, então, percebam o porquê de ser um conhecimento
confiável.
Uma das características do conhecimento científico é a falibilidade. Isso
significa que todo discurso científico é passível de correção; evita-se, assim,
qualquer tipo de dogmatismo, como a estagnação de uma hipótese
científica e o culto à autoridade. A falibilidade permite que a ciência progrida
com novos dados e evidências, fazendo também com que as teorias sejam
cada vez mais (re)ajustadas à realidade. Com isso, produz-se um
conhecimento diferenciado em comparação com os outros, mais profundo
e verdadeiro.
A ciência também mantém um aspecto de questionabilidade ou ceticismo,
que significa dúvida metodológica. Ela consiste na adoção do ceticismo
científico, que é o princípio segundo o qual todas as hipóteses e teorias
devem ser questionadas de forma metódica, responsável e cientificamente
orientada. Isso significa que a ciência não adota um tipo de ceticismo
conhecido como radical, o qual advoga por um questionamento absoluto,
irresponsável, descontrolado de tudo; este tipo de ceticismo é dogmático. A
questionabilidade promovida na ciência é a que submete alegações e
hipóteses razoáveis à crítica de outros cientistas, promovendo um diálogo
construtivo, sadio e útil para o desenvolvimento da ciência (Corrêa; David,
2020).
O ceticismo científico não deve ser confundido com o negacionismo da
ciência, o qual é a posição que defende a rejeição completa ou parcial do
conhecimento científico. O negacionismo da ciência está atrelado a
posições ideológicas de seus praticantes, entrando em cena quando a
ciência revela um fato em relação ao qual a pessoa está em desacordo por
alguma razão política, religiosa ou cultural. Alguns exemplos de
negacionismo da ciência incluem a negação de efetividade das vacinas, a
rejeição da circunferência da Terra ou a depreciação das consequências das
mudanças climáticas, por exemplo (Corrêa; David, 2020).
Outra característica a ser destacada é a acumulabilidade do conhecimento
científico, que é o que justifica seu aspecto de progresso, justamente
porque exemplos de experimentos malsucedidos são considerados, não
apenas para refletir sobre os desafios metodológicos e epistemológicos da
ciência, mas também para aumentar o rigor necessário para a realização
das pesquisas. Por fim, a verificabilidade da ciência também é importante
de ser destacada, que é a ideia segundo a qual um enunciado, uma hipótese
ou uma teoria deve ser passível de ser colocada à prova, ser verificada.
É possível combater as fake news?
As características citadas anteriormente são importantes para que se possa
pensar a confiabilidade do conhecimento e consequentemente combater as
fake news que, em muitos momentos, têm o intuito de colocar em xeque as
produções e os postulados científicos. Há alguns passos básicos para
identificar se uma notícia é falsa. O primeiro deles é verificar a fonte da
informação, o site em que está sendo divulgado e o autor do conteúdo.
Todavia, muitos sites possuem nomes semelhantes a sites confiáveis,
sendo necessário estar atento à autenticidade daquele endereço.
O segundo passo é verificar a estrutura do texto, pois as fake news
frequentemente apresentam erros de português; eles mostram que o texto
não foi revisado. Também apresentam um teor sensacionalista e muitas
afirmações com explicações rasas e simplórias dos assuntos. O terceiro
passo é verificar a data de publicação. Muitas vezes notícias antigas são
divulgadas como sendo novas. Além disso, é necessário ir além do título e
do subtítulo. Frequentemente, o conteúdo contradiz o que se está dizendo
no título.
O quarto passo é checar as afirmações feitas em outros sites, utilizando
mecanismos de pesquisa como Google, por exemplo. No entanto, lembre-
se: nem sempre as primeiras respostas que aparecem nos mecanismos de
busca são de fato confiáveis; então, é preciso ir além delas. Também é
importante acessar artigos e revistas científicas de referência para uma
determinada área, pois eles divulgam informações especializadas sobre o
assunto em questão. Há ainda diversos blogs e sites que se preocupam em
desmentir as notícias falsas que estão circulando na web, além de agências
de checagem que fazem esse trabalho de monitoramento e correção.
Por fim, cabe frisar que, em se tratando de assuntos complexos, não
existem respostas absolutas. É prudente sempre adotar uma postura
questionadora, compatível com o pensamento científico, a fim de evitar
consumir conteúdos de pessoas que se apresentam como “donos da
verdade” e que pregam conspirações ou pseudociências. Além disso, o não
compartilhamento dessas notícias, mesmo que para criticá-las, é
importante, porque o compartilhamento em si traz engajamento ao
conteúdo e, com frequência, ajuda a disseminá-las.
 
 
Vamos Exercitar?
Você se lembra da nossa situação inicial? Agora que já compreendemos a
diferença entre informação e conhecimento, e o papel das mídias sociais na
atualidade e como elas podem impulsionar a disseminação de fake news, é
hora de elaborar um roteiro para o jornal que o contratou, com alguns
passos que ajudem a reconhecer a falsidade de uma notícia:  
Ir além do título. Muitas vezes os títulos contradizem ou distorcem o
conteúdo publicado.
Verificar a fonte da informação. Existem sites confiáveis em que a
notícia foi publicada?
Verificar a gramática e estrutura lógica do texto. As notícias falsas
frequentemente apresentam erros de português ou mesmo
contradições.
Verificar a data da publicação. Muitas vezes notícias antigas são
republicadas a fim de modificarem alguma circunstância atual. É
comum o uso delas durante as eleições.
Verificar as informações por meio de pesquisas sobre o tema e em
sites que fazem sistematicamente a verificação de notícias falsas,
como agências de checagem de fatos.
Saiba Mais
1. Com tamanha quantidade de informação e desinformação disponível
no nosso cotidiano, você já se questionou de que maneira a ciência é
afetada por essas questões? É certo que, se as ciências são meios de
produção de verdade no mundo, seu objetivo não é produzir verdades
indiscutíveis, mas conhecimentos de procedimentos certificados pelas
instituições, com certeza, eficácia e objetividade.critérios para melhores escolhas (Minayo, 2007).
Por outro lado, do ponto de vista científico, a pesquisa tem um sentido mais
amplo e aprofundado: ela é um procedimento organizado, racional e
sistemático para construir conhecimentos. Isso significa que é necessário
buscar dados e informações a fim de interpretá-los, para que se possa
compreender o objeto de estudo e, então, chegar ao conhecimento
científico. Assim, parte-se do método científico, composto por etapas que
visam chegar a respostas para os problemas e, assim, construir o
conhecimento. O método científico deve ser visto como um conjunto de
procedimentos teóricos, experimentais e, principalmente, éticos, que têm o
objetivo de fornecer a melhor explicação da realidade (Baptista; Campos,
2016).
Mesmo o método científico sendo único e universal, deve ser visto como um
conjunto de procedimentos amplos que mudam conforme o tempo e se
ajustam a cada campo do conhecimento em particular. Existem diversos
tipos de pesquisas científicas que norteiam a ciência, cada qual com sua
importância e aplicação para o estudo de um problema específico. A
pluralidade de investigações permite a extração de um conhecimento mais
amplo sobre a realidade mediante uso de método científico. Por exemplo: o
modo como os biólogos investigam microrganismos não envolve o
emprego das mesmas técnicas de investigação utilizadas pelos sociólogos
para estudar comportamentos sociais ou crises econômicas. Veja a seguir
um esquema que ilustra o método científico:
Figura 1 | Exemplo de etapas do método científico. Fonte: elaborada pela autora.
A pesquisa e a construção do conhecimento científico
A utilização do método científico não deve se restringir a situações
controladas em laboratórios, pois a ciência não se reduz a isso. Ela está
presente também no nosso dia a dia e nos auxilia na análise e percepção da
nossa realidade concreta. A ciência é uma forma de conhecimento que
busca explicar os fenômenos por meio da demonstração, da evidência e da
prova; por isso, ela difere das demais formas de conhecimento. Para tanto,
utiliza o método científico como garantia de que suas conclusões sejam o
mais próximo da verdade possível. Isso pode ser aplicado a qualquer área
do saber e em muitas situações profissionais (Severino, 2013).
Dessa forma, podemos entender que a pesquisa é a forma de construir
conhecimentos científicos. Por meio dela e do método científico, busca-se a
resposta para diferentes situações observadas na realidade objetiva e que
se constituem como um problema. Na tentativa de responder às
indagações, de resolver o problema, é que se constrói o conhecimento que,
orientado pelo método, se constitui no conhecimento cientificamente
aceito.
Siga em Frente...
Leitura para quê?
Você foi uma criança que gostava de ler, ou achava sempre desinteressante
toda vez que um professor pedia para que você fizesse uma leitura mais
longa? Você já havia se questionado o quanto a leitura é importante no
nosso cotidiano? A leitura não é somente uma decodificação de símbolos,
ou aquela que fazemos apenas “passando os olhos” pelo texto. Uma leitura
aprofundada, crítica, reflexiva, nos leva de fato ao entendimento do texto e à
reflexão sobre nossas próprias práticas. Essa leitura é fundamental no
ambiente acadêmico e no nosso ambiente profissional, para que sejamos
sujeitos ativos nesses contextos. É ela que permite a ampliação do nosso
conhecimento e a compreensão da realidade em que estamos inseridos.
A leitura, seja ela de qualquer tipo e com qualquer finalidade (para
informação, para entretenimento), traz inúmeros benefícios a quem a
pratica. Ela enriquece o vocabulário, pois o leitor pode encontrar palavras
que antes não conhecia e precisar buscar seus significados; assim, amplia o
conhecimento da língua. Melhora a redação, já que, a partir do momento em
que se entra em contato com outras formas de escrita, é possível apreender
como articular as palavras de maneira diferente do habitual;
consequentemente, ela desperta a inteligência. Aperfeiçoa a cultura, uma
vez que permite a ampliação da visão de mundo do leitor e da compreensão
de inúmeros aspectos que estejam sendo trabalhados no texto (Chaves,
2012).
O ato de estudar deve ser compreendido como a forma pela qual o indivíduo
enfrenta o desafio de compreender a realidade, conhecendo as
características dos fenômenos que a compõem. A leitura é o exercício da
capacidade de formar nossa própria visão e explicação sobre os problemas
que enfrentamos. Para isso, algumas exigências são feitas ao leitor, para
que essa atividade seja efetivamente um processo de leitura do mundo;
uma delas é o desenvolvimento da capacidade crítica que decorre do
estudo (Luckesi, 1998).
A leitura não é, portanto, uma atividade passiva. Ao contrário, é uma
atividade complexa, que inclusive pode ser constituída por elementos; e
quanto melhor dominados, maior proveito o leitor obterá. Precisamos
recordar que a sociedade atual, em função da simplificação nas maneiras
de veicular as informações, tornou muitos conteúdos de tal forma objetivos
que nem sempre requerem grandes esforços para serem compreendidos.
Outro aspecto também presente é a rapidez com que as informações são
transformadas e substituídas. As informações obtidas dessa forma são
também meios de compreender a realidade.
Entretanto, para que seja possível compreender e se tenha condições de
questionar a qualidade e a forma como isso acontece, são necessárias
leituras mais profundas, que levem ao entendimento das coisas e por meio
de processos nem sempre tão acelerados. Portanto, considerando a
importância do estudo para se obter condições de analisar criticamente a
realidade e desenvolver conhecimentos aprofundados sobre ela, é preciso a
leitura de textos que apresentem um conhecimento aprofundado em
relação ao tema em questão.
A leitura crítica e reflexiva
É comum encontrarmos, no ambiente da Universidade, acadêmicos que não
gostam de ler; contudo, esse domínio tem se mostrado cada vez mais
indispensável nas nossas vidas. Além disso, ler e interpretar os fatos
cotidianos são aspectos relacionados, e aqueles que dominam a leitura
conseguem agir com maior autonomia frente aos desafios do cotidiano.
Precisamos, portanto, ser sujeitos ativos diante dos textos com os quais
nos deparamos, interagir com o texto, superar a mera memorização e
alcançar a compreensão que permite elucidar a realidade.
Para ser um sujeito ativo frente ao texto, é necessário desenvolver uma
capacidade de analisar crítica e reflexivamente o texto estudado, para que
se chegue ao que Marconi e Lakatos (2024) chamam de leitura
interpretativa. Segundo os autores, isso é um processo, um aprendizado que
não se manifestará nas primeiras leituras; contudo, com o exercício e a
persistência, essa capacidade será desenvolvida. Precisamos ter claro que
todo começo é difícil; o processo de leitura e escrita acadêmica requerem
prática e persistência (Baptista; Campos, 2016).
Ler bem é uma condição fundamental para a leitura e para a escrita com
qualidade. Essas questões perpassam também a elaboração de pesquisas
pois não é possível investigar ou escrever sobre um tema/assunto que não
se tem conhecimento. Existem diversos aspectos que estão relacionados
ao processo de leitura e escrita. Pensar nas diferentes fases da leitura é
uma ferramenta útil para nos tornarmos proficientes em diferentes gêneros
textuais. Quando pensamos na leitura no âmbito acadêmico, podemos
elencar quatro etapas específicas:
Quadro 1 | Etapas da leitura acadêmica. Fonte: adaptado de Marconi e
Lakatos (2024, p. 22).
A leitura é essencial para a realização das pesquisas. Assim como no caso
da leitura, fazer pesquisa também é uma questão de treino. É indispensável
a leitura de textos científicos para a elaboração de pesquisas. No começo,
pode parecer uma tarefa quase impossível, pois geralmente esses textos
são escritos em uma linguagem mais objetiva, acompanhadosde dados e
tabelas complicados de serem entendidos. Parece um clichê, mas é a partir
da prática que vamos conseguir driblar esses problemas; com o treino
vamos nos aperfeiçoando e chegamos ao entendimento e escrita
necessários em um ambiente acadêmico e profissional. (Baptista; Campos,
2016).
Leitura de reconhecimento e pré-leitura
Corresponde ao levantamento das fontes
bibliográficas que contenham dados ou
informações que poderão ser aproveitadas.
Leitura seletiva
Implica na seleção do material que será
utilizado em conformidade com as
necessidades do estudo. Ainda não se trata
de uma leitura exaustiva e minuciosa,
apenas para verificar se os dados
apresentados fornecem informações sobre o
assunto que será estudado.
Leitura crítica ou reflexiva
Etapa que corresponde ao estudo dos textos
levando à compreensão da mensagem do
autor. Esse estudo passa por fases: visão
global do texto e análise das partes para
chegar a uma síntese integradora.
Leitura interpretativa
É a fase em que se decide se o texto
estudado tem condições de ser aproveitado
ou não para a situação apresentada. A
interpretação requer ter uma posição própria
a respeito das ideias apresentadas pelo
autor, estabelecer um “diálogo” com o autor,
ler o que está nas entrelinhas.
Assim, buscar transformar o que parece uma obrigação em algo prazeroso
é uma importante estratégia para conseguirmos realizar com maior
facilidade tanto a leitura quanto a escrita e a pesquisa. “Aproveite a chance
de aprender a fazer ciência, mesmo que você não pretenda seguir carreira
como pesquisador. [...] Você pode aprender a se apaixonar também por
pesquisa” (Baptista; Campos, 2016, p. 12).
Vamos Exercitar?
É hora de retomarmos a nossa tarefa inicial. Trabalhamos o conceito de
pesquisa sob a ótica do senso comum e sob a ótica da ciência, e
compreendemos como o método científico nos auxilia na construção do
conhecimento científico. Aprendemos a importância da leitura
contextualizada para a construção do conhecimento e para a realização de
pesquisas. Nós percebemos que essa leitura acadêmica tem algumas
características específicas, algumas etapas que precisam ser observadas
para que ela seja de fato eficaz. Nossa tarefa é identificar essas etapas:  
Pré-leitura: fase inicial, em que se identifica se existem textos
disponíveis sobre o problema de pesquisa.
Leitura seletiva: seleção das informações de interesse para a escrita
da pesquisa.
Leitura crítica ou reflexiva: estudo, reflexão, entendimento do
significado do texto. É a fase da leitura preocupada em entender o que
o autor defende no texto. Busca-se a compreensão dos termos e
conceitos utilizados pelo autor.
Leitura interpretativa: fase em que se procura saber o que o autor
realmente afirma, correlacionar as afirmações do autor com os
problemas para os quais se busca solução.
Lembre-se de que a leitura e a escrita são processos interligados, um não
acontece sem outro. Assim, nesta unidade, você pôde entender que a leitura
acadêmica consequentemente o levará a uma boa escrita.
Saiba Mais
1. A leitura é essencial para o nosso desenvolvimento; ela amplia nossa
visão de mundo sobre o assunto em questão, além de ampliar nosso
vocabulário e melhorar nossa capacidade de escrita. Para se
aprofundar no assunto, leia o texto: “Estratégias de leitura, análise e
interpretação de textos na universidade: da decodificação à leitura
crítica”, de Urbano Cavalcante Filho.
2. Quando se investiga a realidade, é possível recorrer a diferentes meios,
técnicas e estratégias para que se encontrem as respostas esperadas.
Embora o método científico tenha definido um caminho que permite
uma certa semelhança no percurso a ser seguido, cada área do
conhecimento tem suas especificidades na realização das pesquisas e
na construção do conhecimento.
Nós precisamos compreender que o método científico não é restrito à
aplicação em pesquisas experimentais ou laboratoriais; ele pode e
deve ser utilizado para pensarmos e intervirmos na realidade das mais
diversas maneiras. Pensando nisso, para perceber como obras
literárias de ficção também podem ser utilizadas de maneira prática na
nossa realidade e como base para a realização de pesquisas
acadêmicas, leia o artigo: “As várias dimensões na trilogia Jogos
Vorazes: uma aplicação prática para o ensino médio”, de Maria Luzia
Silva Marian e Sandra Aparecida Pires Franco.
 
 
Referências Bibliográficas
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
CHAVES, Marco Antonio. Projeto de pesquisa: guia prático para monografia.
5ª ed. Rio de Janeiro: Wak, 2012.
LUCKESI, Cipriano Carlos; et al. Fazer universidade: uma proposta
metodológica. 10ª ed. São Paulo: Cortez, 1998.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do
trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
http://www.filologia.org.br/xv_cnlf/tomo_2/144.pdf
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
https://www.researchgate.net/publication/301917049_As_Varias_Dimensoes_na_Trilogia_Jogos_Vorazes_Uma_Aplicacao_Pratica_para_o_Ensino_Medio
doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª
ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
Aula 3
PESQUISAS QUANTITATIVAS
Pesquisas quantitativas
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Assim como existem diferentes tipos de conhecimento, existem diferentes
tipos de pesquisas que podem ser realizadas. E assim como não
colocamos os conhecimentos em uma perspectiva de hierarquia, não o
fazemos com as pesquisas. A pesquisa é atividade básica da ciência na sua
indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade
de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja
uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação. Vamos falar
das pesquisas quantitativas, pensar nos seus diferentes tipos e nos
procedimentos para a realização dessas pesquisas.
Imagine a seguinte situação: sua equipe de trabalho está iniciando um
projeto para pesquisar a inserção das mulheres no mercado de trabalho
contemporâneo, com o objetivo de mapear sua situação, suas condições de
vida e de trabalho na cidade de Campinas (SP). A ideia é mapear a situação
atual e poder contribuir com a ampliação de um olhar para as questões de
gênero, pensando em possíveis medidas para diminuir as desigualdades
existentes no mercado de trabalho. 
1. Que tipo de pesquisa poderia ser realizado? 
2. De que maneira os dados poderiam ser coletados? 
3. Como seria possível selecionar uma amostra representativa dessa
população? 
Bons estudos!
Vamos Começar!
Quando pensamos na elaboração de uma pesquisa de cunho científico,
precisamos tomar como base para essa construção um conhecimento que
seja organizado, sistemático, objetivo e que busque relação entre os
fenômenos que estão sendo estudados. Este conhecimento é o científico.
Assim, a ciência segue o método científico na construção de seus
pressupostos e na realização das pesquisas. Da mesma maneira que existe
uma diferenciação entre as ciências naturais e as ciências humanas,
também ocorrem diferenças significativas na maneira de conduzir as
pesquisas científicas, “em decorrência da diversidade de perspectivasepistemológicas que se podem adotar e de enfoques diferenciados que se
podem assumir no trato com os objetos pesquisados e eventuais aspectos
que se queira destacar” (Severino, 2013, p. 103).
A pesquisa quantitativa
As pesquisas de caráter quantitativo trabalham com métodos voltados para
o entendimento objetivo dos fatos, com o universo das representações
numéricas, descrevendo e relacionando os fenômenos. As pesquisas
pautadas no método quantitativo utilizam os fundamentos da matemática e
da estatística para a sua formulação, mas isso não quer dizer que elas não
possam ser realizadas no âmbito das ciências humanas e sociais. Basta
pensarmos nos pressupostos teóricos e metodológicos da teoria Positivista
para compreendermos que a realização de uma pesquisa quantitativa não é
exclusiva das ciências exatas e biológicas (Shishito, 2018).
A realização de toda pesquisa científica implica na determinação de um
objeto de pesquisa. A partir do objeto de pesquisa, elabora-se a pergunta da
pesquisa (o que se pretende saber com aquela pesquisa). Também é
necessário coletar os dados de maneira adequada (Baptista; Campos,
2016). Para analisar esse objeto de pesquisa, o pesquisador precisa de um
método bem delimitado. Um método de pesquisa tem em si a perspectiva
teórica que o define, ou seja, teoria e método revelam a visão de mundo do
pesquisador e o orientam sobre o que fazer diante de um problema de
pesquisa (Shishito, 2018).
Assim, a realização de uma pesquisa tem diferentes camadas e diversos
aspectos que precisam ser atendidos para que ela se encaixe no que se
espera de uma pesquisa de cunho científico. Portanto, as pesquisas
denominadas como quantitativas são as que se fundamentam em padrões
que focam o controle científico e a objetividade no desenvolvimento da
pesquisa. São desenvolvidas a partir de testes ou procedimentos que
permitam a comprovação e a validade dos resultados encontrados
(Baptista; Campos, 2016; Shishito, 2018).
Uma pesquisa quantitativa pode ser realizada de diferentes maneiras;
existem diferentes tipos que podem ser classificados como quantitativos:
pesquisa de levantamento, correlacional e experimental, dentre outras. Cada
tipo de pesquisa conta com sujeitos, instrumentos utilizados para a coleta
dos dados e procedimentos para a realização. Todos esses elementos
precisam estar bem determinados e relacionados de forma coerente para
que o pesquisador consiga executar com êxito a pesquisa, e para que o
leitor chegue ao entendimento do caminho trilhado no desenvolvimento e
compreenda os resultados (Baptista; Campos, 2016).
Siga em Frente...
Tipos de pesquisas quantitativas
Ao elencarmos diferentes tipos de pesquisa, não pretendemos afirmar que
um é melhor ou mais eficiente que o outro; apenas listamos alguns
exemplos para que seja possível a compreensão de como o pesquisador
deve conduzir a pesquisa. Além da perspectiva teórica, que mostra ao leitor
como o pesquisador enxerga o mundo, é necessário também compreender
qual método melhor se adapta àquilo que está sendo pesquisado e, então,
pensar nos sujeitos, instrumentos, coleta de dados etc.
Pesquisa de levantamento ou survey
A maneira como os dados serão coletados e analisados depende do
problema da pesquisa e dos objetivos. De acordo com Baptista e Campos
(2016, p. 106), “alguns autores denominam as pesquisas que apresentam
esse delineamento como pesquisas descritivas”. Os autores ainda
ressaltam que alguns pesquisadores diferenciam o levantamento do survey,
considerando que este último é mais criterioso quanto à amostragem.
Tomaremos levantamento e survey como sinônimos, assim como Baptista e
Campos (2016).
Mas, afinal, o que é uma pesquisa de levantamento/survey?! Você se lembra
das pesquisas de intenção de voto em período eleitoral? E os censos
geográficos realizados pelos governos? No ano de 2022, com dois anos de
atraso, foi realizado o censo demográfico do Brasil, o qual indicou que a
população brasileira chegou a 2.062.512 habitantes, um aumento de 6,5%
em comparação ao censo demográfico realizado em 2010 (IBGE, 2023).
Essas pesquisas são pesquisas de levantamento, que têm seus dados
coletados com amostras (no caso das pesquisas eleitorais) ou com a
população toda (no caso do censo demográfico). As pesquisas de
levantamento, por meio da interrogação direta de seus participantes, obtêm
os dados que vão compor as análises.
As pesquisas de levantamento são as que mais atendem a partidos
políticos, organizações educacionais, comerciais e instituições públicas
e privadas, por identificarem comportamentos e atitudes. Os dados são
informados diretamente pelas próprias pessoas, que respondem a
solicitações do pesquisador, e costumam ser obtidos por meio de um
instrumento de pesquisa, habitualmente um questionário (Baptista;
Campos, 2016, p. 106).
Os levantamentos têm o objetivo de descrever, explicar e/ou relacionar os
fenômenos que são coletados com a amostra por meio das variáveis. A
amostra representa uma parte da população que será estudada, pois, em
muitos casos, seria impossível coletar os dados com toda a população,
devido ao seu tamanho. A amostragem se deve também à redução de
custos e à otimização do tempo para realização da pesquisa. Assim, a
amostra deve representar a população que está sendo estudada: a escolha
dos participantes não deve ser enviesada; ou seja, o pesquisador não deve
interferir nessa escolha (Baptista; Campos, 2016).
Após a obtenção dos resultados, é possível admitir que eles podem ser
ampliados a toda aquela população em questão, visto que são analisados
estatisticamente e é aplicada a eles uma margem de erro. Como exemplo,
podemos pensar no período eleitoral, em que são realizadas muitas
pesquisas de levantamento para verificar a intenção de voto dos eleitores
em relação aos candidatos. A população diz respeito a todos os eleitores; a
amostra é referente às pessoas consultadas; e o método de pesquisa
utilizado é o levantamento (Gil, 2002; Baptista; Campos, 2016).
As variáveis são as informações que serão coletadas para a pesquisa, por
exemplo: idade, gênero, escolaridade, motivação, medir atitudes, quantidade
de água durante a chuva, etc. A determinação dos dados que serão
coletados, dos sujeitos (quantos serão, faixa etária, escolaridade, gênero,
localização geográfica) que participarão da pesquisa ou dos fenômenos
analisados depende do problema da pesquisa e dos objetivos que se
pretende atingir. Por isso, não podemos perder de vista que todos os
elementos da pesquisa estão interligados e precisam conversar entre si.
Os instrumentos utilizados podem ser questionários (por telefone,
pessoalmente, enviados de maneira eletrônica), entrevistas (estruturadas,
semiestruturadas, abertas) ou observação. Nas pesquisas quantitativas, os
questionários são mais adaptáveis, devido à facilidade de utilizar diferentes
perguntas com diferentes possibilidades de respostas para a obtenção das
respostas pretendidas, e à facilidade na aplicação e no envio. Por outro
lado, é possível que haja uma baixa taxa de retorno quando o pesquisador
não está presente no momento da aplicação, quando o prazo para
devolução é muito longo ou ainda quando a presença do pesquisador de
alguma forma intimide o participante (Shishito, 2018).
Por fim, é necessário pensar também nos procedimentos da pesquisa. No
caso de pesquisas com seres humanos, é necessária a assinatura de um
termo de consentimento livre e esclarecido pelos participantes, ou pelos
responsáveis destes, quando forem menores de idade. A amostra e os
instrumentos devem estar selecionados; é preciso acordar previamente dia
e horário com o local da coleta dos dados; também é essencial fornecer a
previsão do tempo que será necessário para a coleta. Ou seja, é necessário
pensar no cenário de realização da coleta dos dados para que ela aconteça
da maneira mais eficiente possível.
Pesquisa experimental
Quando se trata de uma pesquisa experimental, é bastantea partir de
variáveis. Elas representam um conjunto de características
independentes de uma população, as quais tenham relevância e/ou
importância à pesquisa proposta; por exemplo: gênero e idade. As
variáveis correspondem a características que apresentam variações. O
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresenta dados
que abrangem população, trabalho, educação, saúde, habitação,
rendimento, despesa e consumo, etc. Para se aprofundar a respeito
desses dados, utilize o site IBGE e procure dados referentes à região
que você reside e busque fazer uma comparação com os índices
nacionais.
 
 
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v22n2/a10v22n2
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Censo
Demográfico 2022: população e domicílios, primeiros resultados. Rio de
Janeiro, 2023. Disponível em:
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf. Acesso em:
25 out. 2023.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do
trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de
doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 9ª
ed. São Paulo: Atlas, 2024.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em
educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo:
Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São Paulo:
Cortez, 2013.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018.
SILVA, Airton Marques da. Metodologia da pesquisa. 2ª ed. Fortaleza:
EDUECE, 2015.
Aula 4
PESQUISAS QUALITATIVAS
Pesquisas qualitativas
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102011.pdf
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
A contemporaneidade é sem dúvida um fenômeno ímpar na construção da
nossa história. Conseguimos vivenciar inúmeros avanços que acontecem
de uma forma muito rápida como o tecnológico, mas também olhamos para
questões que caminham a passos muito lentos, como a transformação da
estrutura desigual da nossa sociedade. Fato é que essas transformações,
sejam positivas ou negativas, têm impacto direto nas nossas vidas e
principalmente na nossa saúde mental. Inúmeros estudos são realizados
nesse sentido, a fim de identificar possíveis razões para o adoecimento da
população em diversos setores.
Pensando nisso, vamos trabalhar a partir do olhar da pesquisa qualitativa
para pensar em uma situação hipotética, mas que acontece em muitos
ambientes de trabalho. Imagine um assistente social de uma escola
municipal que atende alunos do 6º ano do ensino fundamental até o 3º ano
do ensino médio. O trabalho dele é predominantemente com os alunos, mas
ele tem notado que os professores têm apresentado alto nível de stress,
muitas faltas e têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma
pesquisa poderia ser desenvolvida para levantar os possíveis fatores
causadores desses sintomas? Bons estudos!
Vamos Começar!
Uma busca que parece ser constante nos diferentes períodos da história da
humanidade é a que se faz pela verdade, a busca por respostas ao
questionamento sobre o mundo e a existência humana. Questionar, buscar
saber é algo intrínseco ao ser humano, é próprio dos indivíduos, pois o
saber nos dá segurança em relação à realidade que nos cerca. Apesar
disso, os métodos utilizados para se tentar chegar a essa verdade foram se
alterando ao longo do tempo e ainda hoje se modificam acompanhando a
dinâmica que é própria da ciência. Dessa maneira, diferentes caminhos
foram construídos na busca por essas respostas e diferentes objetos de
estudo também se fizeram pertinentes nesse percurso (Baptista; Campos,
2016).
Sabemos que existem diversos tipos de pesquisas científicas, cada qual
com seus objetivos, particularidades e, principalmente, objetos de estudos.
A diversidade da pesquisa científica permite estudar diversos problemas, da
origem do Universo ao comportamento humano; também permite estudar
um mesmo problema sob diferentes perspectivas metodológicas, com o
objetivo de enriquecer o conhecimento científico, proporcionando uma visão
de mundo mais ampla e consistente com as evidências científicas.
  A escolha também pelo objeto de estudo e pelo método está
diretamente relacionada com a forma como o ser humano compreende
o mundo. Perante este, devemos nos perguntar em que nos
fundamentamos para responder às seguintes questões: o que é e o que
não é realidade? (Questão ontológica). Quais caminhos escolhemos
para chegar à compreensão dessa realidade? (Questão
epistemológica). Qual é a concepção que temos de ser humano? Como
concebemos a sociedade? Qual é a ética subjacente na nossa forma de
conceber o mundo? Que tipos de ações imprimimos no mundo de
acordo com nossa concepção? Essas ações promovem mudanças,
transformações, ou somente colaboram para a manutenção do status
quo? Todas essas questões estão implicadas nos pressupostos de
todas as teorias. A escolha por uma teoria em detrimento de outra nos
mostra não só a forma como concebemos o mundo, como também
qual é o nosso posicionamento político perante este, principalmente
quando se trata de teorias das Ciências Sociais e Humanas. (Baptista;
Campos, 2016, p. 244).
Precisamos ter claro que a ciência não se constitui apenas da coleta e
análise dos dados, eles precisam ser articulados à realidade e sustentados
por uma teoria. Cada tipo de pesquisa tem sua importância dentro da
ciência, focando no objeto de maneiras diferentes. Vamos conhecer o olhar
das pesquisas qualitativas para o desenvolvimento de pesquisas científicas.
Pesquisa qualitativa
A pesquisa qualitativa é aplicada quando não há necessidade de empregar
ferramentas estatísticas. No entanto, não é isso que a define; dados
estatísticos podem ser utilizados no desenvolvimento de pesquisas
qualitativas. As duas formas de fazer pesquisa, qualitativa e quantitativa,
não são opostas e não se sobrepõe, elas podem se complementar. Os
dados estatísticos podem ser usados para dar sustentação a uma
argumentação ou a alguma análise feita em determinada área, por exemplo.
Feita essa observação, vamos definir a pesquisa qualitativa e falar de
maneira mais específica da pesquisa exploratória, explicativa e descritiva.
Na perspectiva qualitativa, considera-se a relação entre a realidade e o
sujeito em questão. O que isso significa? Existe um vínculo entre as
questões objetivas e a subjetividade do sujeito objeto da pesquisa que, na
maioria das vezes, não é traduzido em números. Dessa maneira, os
princípios básicos são a interpretação dos fenômenos e a atribuição de
significados, sendo o pesquisador um instrumento chave nesse processo
(Gil, 2002).
Dessa forma, o objetivo da pesquisa qualitativa é a compreensão dos
fenômenos de maneira aprofundada, fazendo a sua exploração e a sua
descrição a partir de diferentes perspectivas. É necessário também buscar
entender os significados e interpretações que os participantes dão aos
fenômenos em questão. Olhando para a pesquisa qualitativa e quantitativa
de maneira a compará-las, o “enfoque quantitativo se volta para a descrição,
previsão e explicação, bem como para dados mensuráveis ou observáveis,
enquanto o enfoquequalitativo se atém na exploração, descrição e
entendimento do problema” (Marconi; Lakatos, 2022, p. 295).
A pesquisa qualitativa é um método de investigação utilizado em diversas
áreas, como Ciências Sociais, Psicologia, Antropologia, Educação, Saúde,
entre outras. Ela se concentra na compreensão aprofundada e na
interpretação dos significados e das características implícitas a
determinadas características sociais ou humanas. Se preocupa em
compreender a complexidade e a riqueza de experiências individuais e
contextos sociais, sendo frequentemente utilizada para explorar questões
multifacetadas, compreender a dinâmica social, investigar processos
culturais e capturar perspectivas subjetivas.
A abordagem envolve uma coleta de dados descritivos e normalmente, são
utilizados como instrumentos entrevistas, observações participantes,
análise de documentos e outros materiais que podem fornecer uma
compreensão profunda de um determinado tema ou problema de pesquisa.
Os dados encontrados são frequentemente analisados por meio de
métodos interpretativos, como análise de conteúdo, análise temática e
análise de narrativas, a fim de identificar padrões e tendências
subentendidas (Marconi; Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021).
Os procedimentos da pesquisa (como, quando, onde, em quanto tempo) vão
depender dos instrumentos utilizados e dos sujeitos que vão compor a
amostra da pesquisa. A amostragem (ou seja, os sujeitos que participam da
pesquisa) é intencional; os participantes são selecionados com base em
critérios específicos que são relevantes para o tópico da pesquisa (Marconi;
Lakatos, 2022; Mattar; Ramos, 2021).
A pesquisa qualitativa é valiosa para explorar diferentes questões que estão
presentes na nossa realidade de maneira explícita ou implícita. Ela nos
auxilia a entender as motivações e a importância das pessoas em situações
determinadas, a desenvolver teorias e a construir uma compreensão mais
profunda de especificidades sociais e humanas. Ela complementa a
pesquisa quantitativa, que fornece informações numéricas e estatísticas,
permitindo uma visão mais completa e rica de um tópico de pesquisa.
Siga em Frente...
Tipos de abordagem qualitativa
Nós vimos que a pesquisa qualitativa busca se aprofundar sobre as formas
de apreensão e compreensão do mundo social a partir de seus significados,
das relações e representações humanas e sua intencionalidade.
Precisamos agora entender que, assim como existem diversas perspectivas
teóricas buscando compreender e explicar a realidade, também existem
diferentes formas de realizar a pesquisa por meio de métodos e técnicas
que sejam adequados aos objetivos da pesquisa. Vamos falar sobre as
pesquisas: exploratória, descritiva e explicativa (Shishito, 2018).
Pesquisa exploratória
A pesquisa exploratória é um tipo de investigação inicial que visa explorar
um tema ou problema pouco conhecido, para familiarizar o pesquisador
com esse tema ou para formular hipóteses mais precisas. Ela pode ser
utilizada no início de um estudo, quando há poucas informações disponíveis
sobre o assunto de interesse, ou quando se deseja adquirir uma
compreensão inicial antes de se realizar uma pesquisa mais detalhada.
Assim, a pesquisa exploratória é conduzida de maneira flexível e aberta; ela
pode ser feita a partir de pesquisa bibliográfica ou estudos de caso
(Shishito, 2018).
Podemos elencar quatro características relevantes da pesquisa
exploratória:
1. Familiarização com o tema: a pesquisa exploratória ajuda os
pesquisadores a se familiarizarem com um tema ou problema pouco
conhecido, a fim de compreender sua complexidade e nuances.
2. Identificação de questões relevantes: ela ajuda a identificar questões e
problemas importantes que merecem uma investigação mais
aprofundada.
3. Formulação de hipóteses iniciais: uma pesquisa exploratória pode
ajudar na formulação de hipóteses preliminares ou teorias que podem
ser testadas em estudos posteriores.
4. Geração de ideias para estudos futuros: ela pode gerar insights
importantes que podem orientar o desenvolvimento de estudos mais
detalhados no futuro.
Pesquisa descritiva
A pesquisa descritiva é um tipo de estudo que visa descrever características
de um grupo ou fenômeno estudado e permite também estabelecer a
relação entre eles. Ela se concentra em fornecer uma representação precisa
de fatos e características observáveis, sem manipulação das variações ou
tentativa de estabelecer relações de causa e efeito. Uma pesquisa descritiva
é frequentemente usada para responder perguntas sobre quem, o quê, onde,
quando e como algo acontece. Os dados podem ser coletados por meio de
questionários, observações estruturadas, entrevistas ou análise de dados
secundários. Os resultados de uma pesquisa descritiva ajudam a oferecer
uma compreensão mais profunda das características e padrões associados
àquilo que está sendo estudado. Eles fornecem uma visão geral de uma
população ou situação e podem ser úteis para fins de planejamento,
formulação de políticas, tomada de decisões e estabelecimento de
diretrizes para futuras investigações mais aprofundadas (Shishito, 2018; Gil,
2002).
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa descritiva:
1. Descrição de características: ela descreve características específicas
de uma população ou grupo, como comportamentos, atitudes, opiniões
e características demográficas.
2. Documentação de dados observáveis: uma pesquisa descritiva
documenta e registra informações observáveis e mensuráveis
relacionadas ao objeto de estudo.
3. Identificação de tendências: ela ajuda a identificar padrões ou
tendências que podem estar presentes em uma população ou grupo.
4. Formulação de hipóteses posteriores: ela pode fornecer uma base
para o desenvolvimento de hipóteses ou teorias mais precisas que
podem ser testadas em estudos subsequentes.
Pesquisa explicativa
A pesquisa explicativa é um tipo de investigação que se concentra em
identificar e explicar as relações de causa e efeito entre diferentes variáveis.
Ela vai além da descrição de um determinado assunto/fenômeno, buscando
explicar por que e como certos eventos ocorreram. Ao contrário da
pesquisa descritiva, que se concentra na descrição de características, a
pesquisa explicativa tenta fornecer uma compreensão mais profunda das
relações entre variáveis, muitas vezes testando hipóteses causais. Os
pesquisadores podem conduzir pesquisas explicativas de diferentes
maneiras: experimentos controlados, estudos longitudinais, estudos de
caso comparativos e até mesmo a análise estatística avançada. Os
resultados dessas pesquisas contribuem para o avanço do conhecimento
em uma área específica, fornecendo maior clareza sobre as relações entre
variáveis e ajudando a estabelecer uma base teórica mais sólida (Shishito,
2018; Gil, 2002).
Podemos citar quatro características relevantes da pesquisa explicativa:
1. Identificação de relações de causa e efeito: ela procura identificar e
explicar as relações de causa e efeito entre diferentes variáveis,
ajudando a estabelecer a ligação entre as variáveis independentes e
dependentes.
2. Validação de hipóteses: a pesquisa explicativa muitas vezes envolve a
formulação e teste de hipóteses, com o objetivo de confirmar ou
refutar relações causais postuladas entre variáveis.
3. Compreensão de fatores implícitos: ela busca entender os fatores
implícitos que ligam as variáveis e como esses mecanismos
influenciam os resultados observados.
4. Generalização de resultados: a pesquisa explicativa pode ajudar na
generalização dos resultados para além do contexto específico do
estudo, contribuindo para teorias e modelos mais abrangentes.
Intrumentos para coleta de dados
Existem vários instrumentos e técnicas de coleta de dados que podem ser
usados em diferentes tipos de pesquisas; cada instrumento tem suas
próprias vantagens e limitações, e a escolha do instrumento mais adequado
depende dos objetivos e da natureza da investigação.Ao selecionar um
instrumento de coleta de dados, é importante considerar a validade,
confiabilidade e praticidade do instrumento, bem como a capacidade de
obter as informações possíveis para responder às perguntas de pesquisa.
Vamos analisar o Quadro 1 a seguir para conhecer alguns desses
instrumentos:
Questionários
São formas estruturadas de coleta de dados que
geralmente consistem em uma série de perguntas
pré-determinadas, fechadas ou abertas, que podem
ser administradas em formato físico ou digital.
Entrevistas
Entrevista estruturada: as perguntas são pré-
determinadas e feitas na mesma ordem para todos
os entrevistados. Elas são padronizadas para
garantir consistência nas respostas e facilitar a
comparação entre os entrevistados.
Entrevista não estruturada (aberta): não há um
roteiro fixo de perguntas. O entrevistador tem mais
liberdade para explorar tópicos de interesse e
permitir que o entrevistado responda de forma mais
aberta. Esse tipo de entrevista é mais flexível e
permite uma análise mais aprofundada dos temas
discutidos.
Entrevista semiestruturada: combina elementos de
entrevistas estruturadas e não estruturadas. O
entrevistador segue um roteiro de perguntas
predefinidas, mas também tem a liberdade de
explorar tópicos adicionais que podem surgir
durante uma entrevista. Isso proporciona um
equilíbrio entre a consistência das perguntas
estruturadas e a flexibilidade para abordar temas
mais complexos.
Observações
Observação direta: os pesquisadores observam o
comportamento dos participantes sem intervenção.
Isso pode ser feito de forma participante ou não
participante.
Observação estruturada: os pesquisadores seguem
um protocolo específico e registram o
comportamento observado de acordo com
categorias predefinidas.
Análise de Documentos
Envolve a coleta e análise de documentos relevantes,
como registros oficiais, relatórios, artigos
acadêmicos, jornais, entre outros, que podem
fornecer informações úteis para a pesquisa.
Testes e Avaliações
Psicométricas
Testes de personalidade, inteligência, habilidades e
outros tipos de avaliações psicométricas são usados
 para coleta de dados em pesquisas psicológicas e
educacionais.
Testes e Experimentos
Podem ser usados para coleta de dados em um
ambiente controlado, permitindo a manipulação de
variáveis independentes para observar os efeitos
sobre as variáveis dependentes.
Diário de Campo
Utilizado amplamente na etnografia, é uma
ferramenta na qual os pesquisadores registram
observações, reflexões, notas e eventos relevantes
relacionados ao seu estudo.
Grupos Focais
São sessões de discussão em grupo, geralmente
compostas por participantes que reúnem
características semelhantes, com o objetivo de
explorar atitudes, percepções e experiências em
torno de um tópico específico.
Quadro 1 | Instrumentos e técnicas para coleta de dados. Fonte: elaborado
pela autora.
Vamos Exercitar?
Compreendemos os princípios de uma pesquisa qualitativa, olhamos para
os sujeitos, instrumentos e procedimentos e entendemos as características
da pesquisa exploratória, descritiva e explicativa. Você se lembra da nossa
situação inicial? Um assistente social de uma escola estadual tem notado
que os professores têm apresentado alto nível de stress, muitas faltas e
têm se queixado de adoecimento. De que maneira uma pesquisa poderia
ser desenvolvida para levantar os possíveis fatores causadores desses
sintomas?  
Inicialmente, poderia ser realizada uma pesquisa exploratória, buscando
estudos que já tenham sido feitos anteriormente e que relatem possíveis
causas de stress, desânimo, falta de motivação em professores que atuam
na faixa etária da escola em quem ele trabalha. Feito isso, poderia ser
proposta a realização de grupos focais nas horas-atividades dos
professores, de modo que fossem realizadas discussões nas quais os
professores pudessem expor seu ponto de vista a respeito da rotina escolar
e das questões que os têm afligido. Também podem ser realizadas
entrevistas abertas ou semiestruturadas com os professores, com questões
direcionadas a motivação/desmotivação, stress, cansaço, etc.
Saiba Mais
1. É fundamental compreender a diferença entre a realização de uma
pesquisa qualitativa e uma pesquisa quantitativa. A partir disso, é
possível pensar nos sujeitos da pesquisa, nos instrumentos para coleta
de dados e nos procedimentos para sua realização. Assim, leia o
Capítulo 8, “Metodologia qualitativa e quantitativa”, de Marconi e
Lakatos (2022) para se aprofundar no assunto.
MARCONI, Marina de Andrade.; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia
qualitativa e quantitativa. In: MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS,
Eva Maria. Metodologia científica. 8ª ed. Barueri: Atlas, 2022. p. 295-
344.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786559770670/epubcfi/6/32[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4
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2. O uso de diferentes técnicas de coleta e análise de dados, bem como
dos métodos de pesquisa, pode ser um forte aliado no momento da
condução da pesquisa científica. Precisamos compreender que em
alguns momentos esses métodos e técnicas podem não ser
compatíveis entre si, mas em outros eles podem e devem ser utilizados
de forma aliada no desenvolvimento das pesquisas. Isso contribui para
maior riqueza no momento da exploração e para o aprofundamento no
tema estudado. Considerando essas questões, leia o artigo:
“Perspectivas metodológicas na pesquisa sobre o comportamento do
consumidor”, de Tonetto, Brust-Renck e Stein (2013). Os autores
mostram como a pesquisa exploratória, descritiva e experimental
podem ser utilizadas na compreensão do perfil de um consumidor.
 
 
Referências Bibliográficas
BAPTISTA, Makilim Nunes; CAMPOS, Dinael Corrêa de. Metodologias de
Pesquisa em ciências: análises quantitativas e qualitativas. 2ª ed. Rio de
Janeiro: Ltc, 2016.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
MATTAR, João; RAMOS, Daniela Karine. Metodologia da pesquisa em
educação: abordagens qualitativas, quantitativas e mistas. São Paulo:
Edições 70, 2021.
MINAYO, Maria Cecília de Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e
criatividade. 26ª ed. Petrópolis: Vozes, 2007.
SHISHITO, Katiani Tatie. Pesquisa aplicada às Ciências Sociais. Londrina:
Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2018.
https://www.scielo.br/j/pcp/a/b4YYN9wycwMHNhdMn9dVXsv/#
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Encerramento da Unidade
CIÊNCIA E PESQUISA
Videoaula de Encerramento
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação profissional.
Vamos assisti-la? 
 
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta unidade, que é
“aprender sobre o conhecimento científico e suas aplicações no mundo real,
evidenciando suas consequências práticas e implicações nas tomadas de
decisão e a partir dessa reflexão, entender as diferentes perspectivas da
pesquisa científica”, você deverá primeiramente compreender algumas
características do conhecimento científico, entender as diferenças entre as
pesquisas qualitativas e quantitativas e a importância da leitura para a
construção das pesquisas acadêmicas.
Embora a ciência leve em consideração um conjunto de procedimentos
teóricos, experimentais e éticos ao longo de sua investigação e construção
de conhecimento, existem diversas ferramentas formais que contribuem
para sua melhor objetividade, evitando as armadilhas da linguagem
corriqueira e a subjetividade interpretativa.
O conhecimento científico é uma forma de conhecimento que se baseia em
evidências empíricas e segue um processo sistemático de investigação,
análise e interpretação. Ele se distingue de outras formas de conhecimento
por sua abordagemobjetiva e verificável, que segue métodos específicos e
rigorosos para a obtenção de resultados confiáveis, sendo fundamental
para o avanço do entendimento humano sobre o mundo. As suas
características, como a falibilidade, a acumulabilidade e a verificabilidade,
também contribuem para que se perceba o porquê é possível confiar nos
conhecimentos produzidos pela ciência.
Nesse contexto, a leitura é imprescindível para a construção de pesquisas
que sejam baseadas em conhecimentos confiáveis. Ela é essencial para
adquirir uma compreensão mais aprofundada e abrangente do assunto em
estudo. Permite que os pesquisadores direcionem seus esforços para áreas
que ainda não foram exploradas ou que possam ser investigadas de
maneira mais aprofundada. É por meio da leitura que os pesquisadores
podem estabelecer uma base teórica sólida para fundamentar suas
pesquisas. Isso ajuda a estruturar o pensamento e a construir um
arcabouço conceitual para a análise dos dados e a interpretação dos
resultados. Em suma, a leitura é um componente essencial do processo de
pesquisa, fornecendo uma base sólida de conhecimento, estimulando o
pensamento crítico e auxiliando na construção de uma pesquisa robusta e
bem fundamentada.
Quando pensamos em diferentes tipos de pesquisas ou diferentes
abordagens metodológicas precisamos ter claro que essas diferenças em
muitos momentos se complementam na realização das pesquisas. A
pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa são dois métodos distintos de
investigação usados no campo científico, cada um com suas próprias
características e aplicabilidades. Ambos os métodos desempenham papéis
importantes na produção de conhecimento científico; a escolha entre eles
depende dos objetivos específicos da pesquisa, das perguntas que se
pretendem responder e das especificidades do estudo. Muitas vezes, os
pesquisadores optam por combinar esses métodos para obter uma
compreensão mais completa e abrangente das informações em análise.
Enquanto uma pesquisa qualitativa ajuda a entender a complexidade e o
contexto por trás de uma especificidade, uma pesquisa quantitativa fornece
números e dados precisos que podem ser analisados estatisticamente. Ao
combinar essas abordagens, os pesquisadores podem obter uma
compreensão mais abrangente e profunda de um tópico específico. Essa
abordagem flexível permite que os pesquisadores adaptem sua
metodologia de acordo com as necessidades da pesquisa. Em resumo, as
pesquisas qualitativas e quantitativas não são mutuamente excludentes.
Pelo contrário, elas podem ser usadas de forma complementar para
fornecer uma visão mais completa e aprofundada de um determinado
assunto.
É Hora de Praticar!
Aliar pesquisa qualitativa e quantitativa é algo interessante na estruturação
da pesquisa e na justificativa/argumentação a respeito dos dados em
questão. Acesse o site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE)  e, na parte dos indicadores sociais, procure e analise os dados
referentes à escolarização e ao analfabetismo dos últimos anos.
Depois, busque as metas estabelecidas pelo Plano Nacional de Educação
(PNE – Lei nº. 13.005/2014). Atente-se especificamente para a “Meta 2 –
Universalizar o ensino fundamental de 9 (nove) anos para toda a população
de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos e garantir que pelo menos 95% (noventa e
cinco por cento) dos alunos concluam essa etapa na idade recomendada,
até o último ano de vigência deste PNE [2024]”; e para a “Meta 9 – Elevar a
taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou mais para
93,5% (noventa e três inteiros e cinco décimos por cento) até 2015 e, até o
Reflita
Em tempos de profunda desinformação como os que vivemos, como o
ceticismo pode nos ajudar a construir um conhecimento verificável e
confiável?
Como a leitura acadêmica nos auxilia na produção de pesquisas
científicas?
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://www.ibge.gov.br/indicadores.html
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
final da vigência deste PNE [2024], erradicar o analfabetismo absoluto e
reduzir em 50% (cinquenta por cento) a taxa de analfabetismo funcional”
(BRASIL, 2014, [s. p.]).
Após realizar essas duas tarefas, responda aos seguintes questionamentos:
Como a análise dos dados estatísticos referentes ao analfabetismo e à
escolarização podem contribuir para a compreensão das metas propostas
no PNE e a verificação do cumprimento dessas metas? Bons estudos!
 
 
Reflita
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados
também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso
cotidiano. Como você pode trazer esses elementos para enriquecerem os
seus trabalhos acadêmicos e o seu ambiente profissional?
 
Resolução do estudo de caso
Os dados coletados pela Pesquisa Nacional de Amostras por Domício
(PNAD) tem por objetivo mostrar a situação socioeconômica do país por
meio de vários indicadores. Os dados referentes à educação compreendem
informações que abrangem condição de alfabetização, frequência a creche
ou escola, rede e área de ensino, grau de instrução, e gestão da educação,
entre outros aspectos. Por sua vez, o PNE determina diretrizes, metas e
estratégias para a política nacional educacional por um período de 10 anos.
O prazo de vigência do PNE que teve as Metas 2 e 9 apresentadas
anteriormente era de 2014 a 2024, ano previsto para a proposta de um novo
PNE.
Quando se analisam os dados divulgados pelo IBGE referentes à
escolarização de pessoas de 6 a 14 anos que frequentam a escola, percebe-
se que de 2016 (99,2%) até 2022 (99,4%) o percentual ficou praticamente
estagnado. Isso indica que a Meta 2 do PNE provavelmente não foi
cumprida, visto que se pretendia universalizar o ensino fundamental de 9
(nove) anos para toda a população de 6 (seis) a 14 (quatorze) anos.
Em relação ao analfabetismo, o percentual de pessoas analfabetas de 15
anos ou mais em 2016 era de 6,7% da população. Em 2022 esse percentual
caiu para 5,6%. A queda é pequena quando se pensa na Meta 9 do PNE, que
é elevar a taxa de alfabetização da população com 15 (quinze) anos ou
mais para 93,5% até 2015 e, até o final da vigência do PNE, erradicar o
analfabetismo absoluto. O percentual de 2016 indicou que a meta estava
caminhando para ser concretizada, mas acabou estagnando. Considerando
que os dados de 2022 indicaram 94,4% da população alfabetizada, é
possível que não houve o atingimento da meta em 2024.
Esse é um exemplo de como os dados estatísticos podem ser utilizados
também em análises qualitativas e em questões presentes no nosso
cotidiano. Você pode trazer esses elementos para enriquecer os seus
trabalhos acadêmicos e profissionais.
Dê o play!
Assimile
Vamos analisar o esquema a seguir pensando na relação mútua que existe
entre os procedimentos do método científico, a leitura acadêmica e os
diferentes tipos de pesquisa.
Fonte: elaborada pelo autora.
Referências
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando:
introdução à filosofia. 3ª ed. São Paulo: Moderna, 2003.
BRASIL. Plano Nacional de Educação – Lei n° 13.005/2014. Mec.gov, 2014.
Disponível em: https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-
educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014. Acesso em:
12 jan. 2024.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia científica.
8ª ed. Barueri: Atlas, 2022.
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014
https://pne.mec.gov.br/18-planos-subnacionais-de-educacao/543-plano-nacional-de-educacao-lei-n-13-005-2014

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