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HISTÓRIA DO BRASIL IMPÉRIO
CAPÍTULO 3 – ONDE ESTAVAM OS
NEGROS NO BRASIL IMPERIAL?
Maíra Pires Andrade
INICIAR
Introdução
A história do Brasil possui diferentes fases, entre elas a América Portuguesa no
período do Brasil colônia e posteriormente o período do Brasil Império, constituído
do Primeiro Reinado, Período Regencial e o Segundo Reinado. Cada fase apresenta
características administrativas, políticas e sociais distintas. Entretanto, um único
aspecto permanece intacto e inerente à história Brasil: o sistema escravista que
durou quatro séculos.
A escravização dos africanos – desde a captura na África, o processo de diáspora e a
vida no Brasil – foi realizada sob intensa violência física, psicológica e simbólica,
objetivando em todo momento desumanizá-los, silenciá-los e transformá-los em
mercadorias e objetos.  Mas será que esses africanos não tinham consciência do que
estava acontecendo, e de que eram tratados como objetos e mercadorias? Será que
eles não tinham nenhuma ação de resistência frente ao sistema?
Apesar da tentativa constante de desumanização, os africanos escravizados
possuíam sua própria agência, tendo consciência desde o início do processo de
escravização; e em todo momento esses escravos inventavam e reinventavam suas
práticas, construíam novas redes afetivas e de sociabilidades, resultando em
resistências, ações e também no conformismo necessário para a sua sobrevivência.
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Neste capítulo, você conhecerá melhor essa história.
Bom estudo!
3.1 O Brasil Imperial e a Diáspora Negra
[parte I]
O conceito de diáspora, na sua origem, foi usado para fazer referência à dispersão
dos judeus de Israel. Porém, atualmente, diversos estudos têm mobilizado este
conceito para tratar da experiência das populações de origem africana dentro da
própria África e, também, fora deste continente. Este conceito tem sido utilizado
dentro do campo dos estudos culturais e pós-coloniais para tratar principalmente
das identidades étnico-raciais, das relações raciais e das influências do povo
africano pelo mundo entre suas culturas e ressignificações.
3.1.1 A diáspora africana: o conceito
O conceito de diáspora utilizado no centro dos estudos culturais e pós-coloniais,
para definir a experiência africana no mundo, aponta para o sentido de
deslocamento de um grande número de pessoas de um local para outro, forçadas
por alguma condição, a exemplo da escravidão, perseguição política e das guerras,
entre outros motivos.
No caso da diáspora africana, o processo de escravização foi a razão para esse
deslocamento forçado, ocasionado pela captura dos africanos na África e a sua
posterior escravização. A diáspora africana pela Europa, Ásia e América foi
intensificada durante o tráfico transatlântico de escravizados entre os séculos XV e
XIX, resultando em um número aproximado de até 5 milhões de africanos que foram
capturados e levados, principalmente, para as Américas.
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Contudo, para autores como Stuart Hall (2003), o conceito de diáspora não é
sinônimo apenas de um deslocamento físico, mas de um processo de ressignificação
cultural e histórica de pertencimento, ao qual os indivíduos são submetidos.  Nesse
Figura 1 - Representação dos africanos escravizados durante a viagem de navio rumo às Américas. Fonte:
Everett Historical, Shutterstock, 2018.
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sentido, a cultura africana e afro-brasileira desenvolvida no Brasil é consequência
não apenas de uma cultura puramente africana – que é projetada no país –, mas
resultado de redefinições históricas e culturais de sujeitos afrodescendentes que
passaram por estes deslocamentos e transformações, vividos no contexto do tráfico
transatlântico. Dessa maneira, os costumes e modos de pensar do seu local de
origem no continente africano não irão se apagar, mas serão ressignificados e
reconstruídos a partir da experiência da diáspora (MALAVOTA, 2013).
O conceito de diáspora pensado a partir de Gilroy (2001) expressa esse fenômeno
não apenas pelo seu lado catastrófico, mas como um processo que contribui para a
redefinição das fronteiras das múltiplas identidades e culturas. Esse processo acaba
por quebrar as noções dos discursos de uma comunidade imaginada ao modo de
Anderson (2008) baseada no lugar, território, língua e consciência, se afastando e
negando as concepções de uma identidade enraizada em um local, em uma
identidade autêntica e fechada. Dessa forma, esse deslocamento transnacional
rompe com o paradigma do Estado-nação e cria novas formas de identificação.
Figura 2 - Representação das atrocidades às quais os africanos escravizados eram submetidos nos navios.
Fonte: Morphart Creation, Shutterstock, 2018.
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Nesse segmento, entende-se que as culturas e as identidades culturais têm um
modo próprio de se estruturar que as fazem bases para novos intercâmbios e
resignações, ou seja, os africanos escravizados que passaram pelo processo de
diáspora forçada traziam consigo a sua própria cultura. Submetidos às condições
colocadas pela diáspora e pelo sistema escravista – ao contrário do que se esperava
pelas tentativas de desumanizá-los –, eles ressignificaram suas culturas, tradições,
costumes e experiências, e constituíram outros modos de ser e estar no mundo, isto
é, constituíram uma cultura afrodiaspórica construída nesse espaço-tempo do
Atlântico (HALL, 2003).
As reflexões expostas anteriormente são fundamentais para compreender as
múltiplas identidades que se formam no âmbito da diáspora, entendendo a partir de
então a identidade não como algo uno, estável e cartesiano, mas a identidade como
um processo de ressignificação constante, móvel e instável. Nessa mesma medida,
entender a diáspora nos possibilita compreender a cultura também como algo que
não é enraizado no passado, mas como algo que se modifica e se transforma ao
longo do tempo. Esses conceitos são essências para fugir das essencializações e
estereótipos que muitas vezes acompanham as temáticas relacionadas às
populações africanas e negras, assim como nos indicam a impossibilidade de
encontrar uma pureza cultural.
3.1.2 A cultura afrodiaspórica no Brasil
A formação de uma nova rede de sociabilidades e significações após a experiência
diaspórica resultou na formação de uma teia cultural complexa. Nos traços da
cultura brasileira, não podemos encontrar uma origem propriamente “africana”, e
nem podemos afirmar a perda de traços dessa cultura africana no Brasil, mas vemos
a mistura e a elaboração de novos signos culturais que expressam esse conceito da
diáspora. Isso irá se manifestar em diversos âmbitos da vida social no Brasil: na
religião, na comida, na língua, nas danças, nas identificações, nas crenças e, até
mesmo, nas músicas.
VOCÊ SABIA?
O sociólogo inglês Paul Gilroy, em seu livro “O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência”,
aprofunda a discussão sobre a diáspora africana, apresentando um novo conceito: o Atlântico Negro.
Essa seria uma metáfora do autor para se referir ao espaço-tempo da diáspora, isto é, àquele que deu
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origem às estruturas transnacionais e que resultará em trocas culturais, impossibilitando a existência
de uma cultura puramente africana, americana, ou britânica. Assim, este espaço de troca que é o
Atlântico Negro irá redefinir a África, mas também os outros continentes (GILROY, 2001).A língua falada no Brasil não é puramente portuguesa, indígena ou africana, mas é
fruto do intercâmbio desses encontros linguísticos que formam uma identidade
linguística própria. As religiões de matriz africana, como o candomblé, não eram
praticadas no continente africano na forma como se apresenta no Brasil, mas
passaram por um processo de mudança e sobrevivência à escravidão, alterando
suas formas e tradições. Sendo assim, estas religiões não foram elaboradas na
África, nem no Brasil, mas no trânsito, na diáspora. Desse modo a diáspora coloca,
em conflito, colonizados e colonizadores, opressão e resistência, revelando o
potencial criativo e inventivo das culturas que em todo momento negociam e se
reinventam (AZEVEDO; ANTONACCI, 2012; AZEVEDO, 2014).
Figura 3 - As oferendas são elementos das tradições religiosas de matriz africana. Fonte: Alf Ribeiro,
Shutterstock, 2018.
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As crenças da religião católica incorporaram, e foram incorporadas, pelas festas,
folguedos e ritmos das crenças africanas, nas quais vemos também a acomodação
das religiões africanas às crenças religiosas europeias: congadas, calundus,
maracatus, jongos, festas dos reis, uma complexa rede de culturas entrelaçadas
(AZEVEDO, 2014).
O samba é um dos gêneros musicais que remete aos batuques dos bantos do Congo-
Angola, os quais trouxeram para o Brasil novas formas musicais, de padrões, ritmos
e instrumentos antes não usados – como o berimbau e a cuíca. Mesmo misturando-
se com as tradições musicais europeias, o samba ficou conhecido como símbolo da
cultura negra no Brasil, passando por diversas ressignificações como o samba-choro,
samba-terreiro, samba-exaltação, bossa nova, samba jazz, entre outros.
Posteriormente o samba foi mobilizado pela narrativa da nação e passou a ser
representado como um símbolo da nação brasileira. Atualmente, o funk, o rap e o hip
hop congregam as concepções de uma estética negra, sendo vistos como símbolos
da resistência negra, pobre e da periferia (AZEVEDO, 2014).
Figura 4 - As homenagens a Iemanjá e a Nossa Senhora dos Navegantes são exemplos de sincretismo
religioso. Fonte: Cassiohabib, Shutterstock, 2018.
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Para além da música e da religião, a estética negra diaspórica se manifesta também
nas artes do corpo por meio de pinturas, tecidos e da própria moda, elementos que
dão continuidade entre os signos da África-Brasil. O corpo nas concepções africanas
evoca um modo de celebrar a vida, uma explosão de contradições e uma ruptura
com o corpo cartesiano (AZEVEDO, 2014). Da mesma forma, a capoeira – e toda a
ginga e a dança contida nesta prática – expressa esse processo de resistência à
opressão.
A perspectiva que pesquisa as populações de origem africana pelo viés do conceito
da diáspora compreende os estudos afro-diaspóricos, os quais têm uma importante
contribuição na reformulação e reinterpretação das abordagens sobre esses povos.
Estudiosos dessa perspectiva como John Thorthon, Anthony K. Appiah, Alberto da
Costa e Silva, Elikia M’Bokolo, Eliseé Soummouni, Paul Gilroy, Luiz Felipe de
Alencastro e Boubakar Barri argumentam sobre a importância da África e da
diáspora na construção de novas memórias, tradições, costumes, saberes e práticas
que foram elaborados sob o prisma do Atlântico.
3.2 O Brasil Imperial e a Diáspora Negra
[parte II]
A historiografia sobre a escravidão brasileira por muito tempo argumentou em favor
de uma suposta passividade e submissão dos africanos escravizados em relação ao
sistema escravista. Contudo, com os avanços dos estudos históricos, todo o
complexo agenciamento dos africanos veio à tona, evidenciando inclusive que estes
negociavam constantemente com o sistema escravista, o que foi resultado de um
jogo no qual em alguns momentos os senhores tinham de ceder às pressões; e em
outras ocasiões, quem cedia era o escravizado.
3.2.1 A resistência negra no Brasil Império
Com a independência do Brasil, em 1822, e a promulgação da constituição com
bases liberais, a escravidão permaneceu intocada e como uma garantia de
propriedade, mantendo ainda os privilégios e hierarquias do antigo regime.
Mesmo com essa garantia, existiram diversas formas de condição de escravização,
resultado principalmente das múltiplas referências culturais, expressadas pelos
africanos escravizados que forçaram seus senhores a se adaptarem a essas formas
(SCHWARCZ, 2003).
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É preciso destacar que o sistema escravista, mesmo dentro de um contexto em que a
dominação senhorial se tornava intrínseca à estruturação da sociedade, esta não
implicava uma subordinação passiva por parte dos africanos escravizados. Pelo
contrário, as relações entre senhores e escravizados eram sustentadas pelas
negociações estratégias entre ambos, constantes no seu cotidiano. Desde a captura
violenta dos nativos da África, a viagem pelos navios e a chegada no Brasil, estes
africanos reinventaram suas identidades culturais, estabelecendo estratégias para
sobreviver e criando novas teias de sociabilidade sustentadas por novos modos de
ser no mundo (REIS; SILVA, 1989).
O filme 12 anos de escravidão (2013) trata do contexto da escravidão nos Estados Unidos, ao abordar a
vida de Solomon Northup, um negro liberto que é raptado e levado novamente à condição de escravo. O
diretor Steve McQueen (II) apresenta cenas fortes e impactantes da relação entre senhor e escravo,
evidenciando as diversas formas de violência, não somente físicas, mas principalmente simbólicas, às
quais os escravos eram submetidos. Por outro lado, demonstra as resistências e a inventividade que
permeavam a vida dos escravizados para sobreviverem.
Esse panorama exposto anteriormente apresenta os diversos modos nos quais se
manifestavam a resistência africana escravizada. Entretanto, a historiografia
brasileira, por muito tempo, privilegiou como resistência apenas as fugas dos
africanos escravizados. No entanto, a fuga era uma resistência rara, pois era vista
como um ato extremo dentro da estrutura escravagista (REIS; SILVA, 1989). Segundo
Lara (1988), a maior parte da historiografia destaca como resistência as fugas,
quilombos, rebeliões, suicídios ou assassinatos. Nestas narrativas, a resistência
emerge como uma resposta violenta do escravizado ao sistema também violento.
A seguir, veremos como o conceito de resistência foi redefinido a partir dos estudos
sobre a escravidão realizados a partir da década de 1980.
3.2.2 Um outro conceito de resistência africana
A partir da década de 1980 do século XX, os novos estudos sobre a escravidão e as
populações de origem africana redefiniram o seu entendimento por resistência,
compreendendo-a como um modo de adaptação aos novos costumes e modos de
VOCÊ QUER VER?
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viver, e também uma tentativa de permanecer com a sua cultura de origem.
Conforme define Lara (1988), a resistência se afasta apenas do binômio da ação e
reação e se aproxima de outros modos de resistir, os quais incluem a negociação e a
acomodação, isto é, a conformação de estratégias para garantir a sobrevivência
dentro do violento sistema. E manter seus interesses, o que, em muitas vezes, não
era apenas a liberdade.
De acordo com Reis e Silva (1989), com isso, a busca pela alforria, as manifestações
culturais e religiosas, como também a própria aceitação, se tornam resistências,
conformando um espaço de negociação entre os escravizados e os senhores.
No processo de transformação dos africanos em escravizados – o que ocorria nos
portosou nas feitorias assim que desembarcavam dos navios –, o primeiro passo
dos senhores era a identificação desses africanos. Com isso, benguelas, angolas e
minas chegando no Brasil eram chamados pelas ideias de nação, que geralmente
eram nomeados pelos senhores a partir do local onde o africano foi embarcado
(FLORENTINO, 2003).
Essas novas identificações foram incorporadas e interiorizadas pelos escravizados,
que passavam a se chamar nagô, jêjês, preto minas, entre outras nomenclaturas.
Reconfiguraram suas identidades; contudo, os africanos escravizados continuaram
mantendo seus nomes próprios, mesmo aceitando a nova denominação. Isto é um
exemplo não apenas do processo de ressignificação cultural da diáspora, mas
também o evidenciamento da consciência ativa dos africanos escravizados, que
mesmo na conformação estavam resistindo – e não perdiam totalmente seus laços
passados (REIS; SILVA 1989).
A efetivação dos casamentos, a formação das famílias nucleares e as relações de
parentescos entre os africanos escravizados eram malvistas pelos senhores. Estas
uniões, para além de diminuir os direitos dos proprietários sobre os escravizados,
conformavam a possibilidade de alianças entre eles, o que ameaçava os senhores
(SLENES, 1999).
Reis e Silva (1989) abordaram como resistência o espaço de negociação e conflito
instituído entre os africanos escravizados e seus senhores. Um exemplo disso é
quando os autores citam os momentos em que os escravizados iam às autoridades
para garantir os seus direitos na propriedade, isto é, a sua autonomia, o direito ao
pecúlio e ao plantio. Outro modo de resistência era a chamada “brecha camponesa”,
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uma espécie de estratégia paternalista dos senhores que davam pedaços de terras
para o plantio próprio dos escravizado nas horas livres, possibilitando também que
estes vendessem seus produtos.
VOCÊ SABIA?
A denominação “escravo de ganho” se refere a um modo de exploração da mão de obra escrava
africana no qual os escravizados podiam circular pelas ruas das cidades e das vilas à procura por
trabalho. Contudo, eles tinham a obrigação de pagar uma determinada quantia ao seu senhor,
periodicamente (MORTARI; VIEIRA, 2014).
Ainda nesse viés, entre as reivindicações dos escravizados estavam as gratificações,
a possibilidade de descanso nos feriados e também um momento para culto
religioso. Todas essas demandas eram negociadas entre eles, e eram vistas pelo
senhor como uma alternativa para aumentar a produtividade e, também, manter a
ordem dentro das senzalas.
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Nesse contexto, vimos que a agência dos africanos escravizados era algo que se
estabelecia dentro do espaço de negociação com seus senhores; longe de serem
passivos e subordinados, em todo momento os escravos negociavam buscando
melhores condições de vida e sobreviverem, utilizando estratégias que tanto podiam
expressar conformismo quanto manifestações culturais, podendo chegar à revolta e
à insurreição.
Figura 5 - Capoeira, um exemplo de resistência dos africanos escravizados que permanece até hoje como
uma manifestação cultural. Fonte: Filipe Frazão, Shutterstock, 2018.
3.3 O Brasil Imperial e a Diáspora Negra
[parte III]
A historiografia brasileira acerca da escravidão por muito abordava as populações de
origem africana somente sob o olhar do sistema escravista. Em outras palavras,
tratar dessas populações era sinônimo de falar sobre escravidão.
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Contudo, apesar da tentativa de objetificá-los e desumanizá-los, todas as estratégias
dos escravizados para sobrevivência vieram à tona. Nesse sentido, estes afro-
brasileiros construíram suas histórias para além das amarras do sistema,
constituindo famílias e possuindo uma vida social que ocupava as ruas da cidade.
3.3.1 O cotidiano para além da escravidão
As novas historiografias sobre a escravidão vêm caminhando em oposição àqueles
discursos que abordavam as populações de origem africana somente sob a
perspectiva da escravização e do seu trabalho como mão de obra escrava, isto é,
ressaltava-se somente o “escravo” e não a agência dos africanos.
  Os novos estudos vêm apontando para a constituição de relações complexas
formadas por sujeitos imersos diariamente em processos de redefinição simbólica
cultural e social, que abrem espaço para histórias e experiências para além do
sistema escravista (MORTARI; VIEIRA, 2014).
Destacamos que, ao tratar das populações de origem africana no Brasil, estamos
falando não somente de escravos, mas de libertos, africanos livres, crioulos e
pardos. Por sua vez, dentro da categoria de “escravo”, não existe um grupo
homogêneo, mas havia africanos ou crioulos em experiências e modos de viver
distintos, tanto no modo como trabalhavam e eram empregados à sua mão de obra,
nas relações de sociabilidade, como também nas diferenças étnicas e culturais
(MORTARI; VIEIRA, 2014).
Observe o exemplo descrito no caso a seguir.
CASO
A professora do 1.º ano do Ensino Médio, ao abordar a temática do racismo que atinge as populações
africanas ou afrodescendentes no cotidiano do Brasil, perguntou aos estudantes se já vivenciaram ou
observaram alguma situação desse modo. Um dos alunos respondeu que viu uma moça, na portaria
do seu prédio, ser questionada pelo porteiro se ela era a empregada do apartamento. No entanto, a
moça era moradora do prédio – e o aluno mencionou tal situação. Contudo, após a exposição, o
aluno se questionou, pois a moça, para ele, não era negra: “Mas professora, na verdade não sei se
isso foi racismo, pois a moça não era tão negra assim, ela era moreninha, tipo parda.” Diante de tal
questionamento, a professora trouxe para a discussão um dos modos pelo qual o racismo se
manifesta na nossa sociedade: como embranquecimento das pessoas.
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É comum vermos pessoas que são negras de pele clara, ou aquelas “mestiças”, serem chamadas de
pardas, morenas, mulatas, entre outras nomenclaturas. Os estudos críticos da branquitude apontam
que estes termos são utilizados para escamotear o racismo presente na sociedade, e não deixam de
ser pejorativos. Com medo de utilizar o termo “negro”, ou por acharem ofensivo, muitos optam por
outros termos. O termo “pardo”, que já foi usado amplamente na história do Brasil desde o século
XVIII, na verdade faz referência a essa tentativa de embranquecer a população. Desse modo, muitas
pessoas que possuem a cor da pele que se afasta do padrão branco europeu, para não serem
enquadradas como negras, se autodenominam como “pardas”. No entanto, devido à crescente
mobilização dos movimentos sociais, sobretudo do movimento negro, atualmente vemos um
número maior de pessoas que vêm abdicando da nomenclatura de pardo e compreendendo a
importância de assumir a sua identidade política enquanto negra.
Destaca-se que mesmo as pessoas negras de pele clara, essas consideradas “pardas ou mestiças” são
ainda vítimas em potencial do racismo, podendo em diferentes situações serem alvos da
discriminação. É importante frisar que o racismo e a branquitude variam de acordo com a região, a
classe e o gênero; com isso, uma pessoa que é vista pela sociedade como negra no Sul do Brasil, local
de predominância branca, pode não ser vista como negra no Nordeste do Brasil, local de maioria
negra. Nesse sentido, argumenta-se que se identificar como negro é afirmar a resistência frente a
toda uma estrutura de racismo, que inclusive se manifesta no modo como nos denominamos
(SCHUCMAN, 2012).
No espaço rural, os africanosrealizavam diversas tarefas que podiam ser nas
plantações e no engenho; ou como cozinheiras, pescadores, domésticas, entre
outros. No espaço urbano, os africanos escravizados, forros ou livres
desempenhavam também variadas funções: domésticas, comércio de produtos nas
ruas, carregadores, construção de casa, aluguel, transporte marítimo, mecânicos ou
ainda na agricultura em pequenas propriedades. Mesmo os africanos escravizados
ocupavam diariamente o espaço das ruas, levando água de um lado para o outro,
comprando mantimento ou lavando roupas (MORTARI; VIEIRA, 2014).
Desse modo, vimos que os escravos atuavam em diversas atividades para além
daquelas vinculadas ao sistema escravista de dominação nas plantações, e, com
isso, circulavam pelo espaço urbano ao mesmo tempo em que constituíam novos
laços e tensões em busca de uma autonomia.
3.3.2 A constituição de laços de solidariedade
Para além de ocuparem espaços de trabalho, africanos e afrodescendentes também
criavam redes relacionais e afetivas, pois estavam mergulhados nas vivências de
encontros, amizades, uniões, conflitos, constituindo assim laços familiares e,
também, de solidariedade, essenciais para a sobrevivência. Estes laços resultaram
em famílias nucleares, ou famílias extensas, matrifocais.
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Roberto Slenes publicou, em 1999, o livro “Senzala uma flor: esperanças e recordações na formação da
família escrava”. Esta obra causou grande repercussão na historiografia brasileira, na medida em que sua
pesquisa evidencia a formação da família de africanos escravizados e também a criação de redes de
solidariedade entre eles. Estes estudos foram impactantes, pois muitos estudiosos argumentavam que
nas senzalas só existia a violência do sistema escravista (SLENES, 1999).
Entretanto, a perspectiva de estudo que tem como foco abordar a existência de
família de africanos escravizados, por muito tempo, foi inexistente na historiografia.
Alguns estudos como o de Queiroz (1998), que por meio da análise de fontes
legislativas aborda a constituição da família de escravizados, atentavam apenas ao
próprio sistema escravista. Queiroz (1998) apontou algumas dificuldades que
existiam frente às uniões entre os cativos, sobretudo dos senhores que se opunham
ao casamento e não se preocupavam em vender seus escravos para locais
diferentes.
VOCÊ QUER LER?
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Na pesquisa de Florentino e Góes (1997), estas famílias já surgem sob um outro
olhar, sendo vistas pelos senhores como uma possibilidade de manter a paz nas
senzalas. Slenes (1999) também argumenta que os senhores viam como positivos os
casamentos, e até mesmo estimulavam tal prática, desde que mantivessem a ordem
nas senzalas. Estes autores, assim como as pesquisas de Castro (1995), baseados em
fontes demográficas, irão evidenciar a existências dessas famílias em regiões como
Campinas, Campos, Capivari e Recôncavo da Guanabara, na Baixada Fluminense,
entre outros.
Figura 6 - Representação de uma grande família de africanos escravizados. Fonte: Everett, Shutterstock,
2018.
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Slenes (1999) ainda sublinha que em muitos casos os senhores optavam por vender
as famílias cativas juntas para um mesmo comprador, desse modo evitava-se
possíveis fugas. No entanto, não devemos examinar a formação dessas famílias
apenas como uma ferramenta das estratégias dos senhores. Nesse sentido, ressalta-
se que a constituição da família e desses laços de parentescos era um importante
modo de transmissão e ressignificação cultural após a experiência da diáspora. Isto
é, era um modo de resistência.
Figura 7 - A constituição da família pelos africanos escravizados era um modo de resistência e ressignificação
cultural. Fonte: Everett, Shutterstock, 2018.
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A tese de doutorado de Hebe Maria de Matos Castro, publicada em 1995, denominada de “Das cores do
silêncio: os significados da liberdade no sudeste escravista: Brasil século XIX” é uma importante obra para
a desconstrução das relações entre senhor e escravo no contexto brasileiro. A autora aborda os
contrastantes significados de liberdade para os sujeitos envolvidos na escravidão: senhor de engenho,
africanos escravizados e libertos. Nessa pesquisa, ela aponta também a existência de núcleos familiares
formados apenas por africanos escravizados (CASTRO, 1995).
A formação das associações fundadas por populações de origem africana também
traduz esses laços de solidariedade, por exemplo, as irmandades. As irmandades
religiosas emergiram no Brasil desde o século XVI, sendo as primeiras organizadas
por africanos datadas do século XVII, como a Irmandade de Nossa Senhora do
Rosário dos Homens Pretos (RASCKE; AMARAL, 2014). Estas irmandades que
passavam pelo crivo da Igreja, tinham a função não apenas religiosa, mas
principalmente de auxílio social, ajudando nas dificuldades econômicas ou de
saúde.
VOCÊ QUER LER?
3.4 O Brasil Imperial e a Diáspora Negra
[parte IV]
A abolição da escravidão, em 13 de maio de 1888, não foi um presente oferecido pela
Princesa Isabel, mas o resultado de um contexto de pressões internas e externas.
Nos últimos anos antes da abolição ocorreu um crescente número de revoltas,
insurreições, fugas e a formação de quilombos, assim como muitos africanos
escravizados já tinham conseguido a sua alforria.
Neste tópico, abordaremos os principais fatos da campanha abolicionista e
apresentaremos as leis que contribuíram para a abolição da escravatura.
3.4.1 A campanha abolicionista
Um dos primeiros clubes abolicionistas foi a Sociedade Abolicionista Dois de Julho,
fundada em 1852 por estudantes da Faculdade de Medicina da Bahia, que tinham
como propósito alforriar os escravizados. No entanto, entre 1860 e 1870, as
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discussões em torno da escravidão eram realizadas no âmbito dos políticos liberais e
conservadores, os quais argumentavam que a escravidão era o grande fator para o
desenvolvimento da economia.
Entre a elite, poucos viam com maus olhos o sistema escravista, entre eles estavam
José Bonifácio, que era a favor da autonomia lenta dos negros. Mas, em suma, os
pensamentos em prol do abolicionismo predominavam entre os grupos de negros
conscientizados e de liberais-radicais. Jornais como “O Homem de Cor” e “O
Brasileiro Pardo”, entre outros tantos, denunciaram não só a escravidão, como as
discriminações contra os africanos libertos, publicações que foram molas
propulsoras para a campanha abolicionista (SILVA, 2014).
No plano externo temos a Guerra Civil nos Estados Unidos e a abolição da escravidão
em outros países como Portugal, França e Dinamarca; no plano interno temos a
Guerra do Paraguai, que apontou as discussões em torno das dificuldades do
império. Em 1863, a escravidão foi abolida nos Estados Unidos, restando apenas a
existência da escravatura no Brasil e em Cuba. A Guerra do Paraguai ainda trouxe à
tona o debate sobre o alistamento militar, uma vez que ocorria o alistamento
forçado das populações mais pobres, sendo na sua maioria negros e indígenas
(SILVA, 2014).
Em 1871, o Visconde do Rio Branco promulgou a Lei do Ventre Livre, gerando
diversos conflitos e debates entre os proprietários rurais, os quais reclamavam ser
esta medida um desrespeito ao direito à propriedade, que gradualmente reduziria o
número de mão de obra escrava em suas plantações de café.
Nesse contextode insatisfação, emergiram ainda mais os debates pela abolição,
surgindo a criação de muitas associações entre 1870 e 1871, como a Sociedade
Emancipadora do Elemento Servil (Rio de Janeiro) e a Sociedade Redentora da
Criança Escrava (São Paulo). Dessa forma, o movimento se ampliou dos pequenos
grupos para outras províncias do Império, tendo a imprensa como principal meio de
circulação das ideias.
Nesse sentido, José do Patrocínio foi um dos defensores da abolição, criando, em
1880, a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão (SBCE). Formada por 15 membros –
entre eles estavam Visconde de Rio Branco e Joaquim Nabuco –, fundou o jornal “O
Abolicionista”, como meio de divulgação de suas ideias (SILVA, 2014).
É importante frisar que os abolicionistas não congregavam um grupo homogêneo,
mas era formado por diversas dissidências entre si. Silva (2014) evidencia que existia
um grupo, tendo Joaquim Nabuco como representante, vindo de uma família
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aristocrática, monarquista e liberal, que era a favor de abolição da escravidão por
meio da promulgação de leis. Outro grupo, que tinha as figuras de Luís Gama e
André Rebouças como grande expressão, defendia a abolição, mas seus membros
eram moderados, e suas ações não ultrapassavam os limites da lei, restringindo-se
em alguns momentos à ajuda humanitária, sem entrar nos entraves políticos. O
último grupo, que tinha como protagonistas José do Patrocínio e Lopes Trovão, era
incisivo em sua defesa, promovendo constantemente discursos nas ruas e caravanas
públicas, trazendo ao espaço público a realidade da condição dos negros.
João da Cruz e Sousa, conhecido como Cruz e Sousa ou Dante Negro, nascido na cidade de Desterro
(atual Florianópolis), foi um dos precursores da poesia simbolista brasileira. Ele era filho de ex-escravos,
mas teve sua educação patrocinada por uma família de proprietários de terra. Cruz e Sousa atuou
ativamente na campanha abolicionista quando era redator do jornal “O Moleque”, em 1885, trazendo à
tona discursos que envolviam o debate da abolição e contribuindo para a circulação das ideias
abolicionistas (SOARES, 1998).
Destacamos que, apesar da importância desses nomes, eles não agiram sozinhos,
compondo também o cenário da luta pela libertação dos negros alforriados e
africanos livres, e, sobretudo, das africanas escravizadas. Contudo, alguns
estudiosos como Reis e Silva (1989) apontam que os abolicionistas, em sua maioria,
eram contra qualquer tipo de insurgência ou revolta realizada pelas escravizadas;
nesse sentido, é possível perceber as faces das complexas ideias trazidas pela
campanha abolicionista que, acima de tudo, temia uma revolução.
A participação das mulheres nas lutas pela abolição iniciou-se em 1880, sendo elas
atuantes principalmente em associações abolicionistas e na organização de festas
beneficentes para unir fundos destinados à compra de alforria. Elas ainda
divulgavam suas ideias em periódicos e discursos nos clubes, que eram práticas até
então restritas aos homens.
VOCÊ O CONHECE?
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3.4.2 As leis abolicionistas
A primeira lei que dará início ao processo jurídico de abolição da escravidão será a
Lei Bill Aberdeen, aprovada pela Inglaterra. Esta lei permitia que as autoridades
britânicas apreendessem qualquer navio que transportasse africanos escravizados,
reduzindo, assim, o comércio para o Brasil. Contudo, tinha como intuito pressionar o
Brasil para extinguir a escravidão e transformar os africanos, antes escravizados, em
consumidores dos produtos ingleses (SILVA, 2014).
Diante de tal pressão, em 1850 foi assinada a Lei Eusébio de Queiroz, que proibia o
tráfico de escravizados, impedindo a entrada e saída de navios. Esta medida
resultou, em longo prazo, na redução da oferta de africanos escravizados em
território brasileiro, obrigando os proprietários a buscarem uma alternativa para a
mão de obra – nesse caso, os imigrantes europeus.  Mesmo com essa medida, ainda
existia o tráfico interno de africanos, havendo ainda o trabalho escravo destes nas
fazendas de café; entretanto, seu valor ficava cada vez mais caro, dificultando a
compra e venda (SILVA, 2014).
VOCÊ SABIA?
Francisco José do Nascimento, conhecido como Chico da Matilde, era um jangadeiro pobre do Ceará,
na época era visto como pardo. Aos 20 anos tornou-se marinheiro, e a partir de 1881 começou a se
envolver na campanha abolicionista. Apoiado pela Sociedade Cearense Libertadora, ele fechou o
Porto de Fortaleza nesse mesmo ano, e impediu a entrada de novas embarcações de africanos
escravizados. Sua casa também era um local para abrigar os africanos fugidos dos seus senhores.
Pela sua atitude, ficou conhecido pelos abolicionistas como “dragão do mar”, impulsionando o
movimento e promovendo o aumento das alforrias no Ceará. Em 1884, todos os escravizados do
Ceará estavam libertos (LOPES, 2004).
Como citado anteriormente, em 1871 foi assinada a Lei do Ventre Livre, tornando
libertos todos os filhos de escravizados que nascessem após aquela data.
Entretanto, a lei previa que os recém-nascidos ficariam sob as ordens do senhor até
os 8 anos de idade, momento em que o proprietário deveria escolher entre ganhar
uma indenização ou explorar o trabalho da criança, ou seja, o trabalho escravo
continuava. Em 1885 foi promulgada a Lei dos Sexagenários, libertando aqueles
escravizados maiores que 60 anos, o que na verdade era algo raro, devido à pouca
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expectativa de vida de um africano submetido a toda violência do sistema
escravista.  Essa lei foi considerada positiva pelos proprietários, pois estes não
teriam mais de arcar com os custos de um escravizado idoso (SILVA, 2014).
Em 13 de maio de 1888, a Princesa Isabel, que naquele momento assumia o trono,
devido às pressões da campanha abolicionista, às pressões externas e aos levantes
dos escravizados, assinou a Lei Áurea, concedendo a libertação aos escravos. No
entanto, a assinatura desse documento não alterou em nada a vida dos africanos no
Brasil, os quais permaneceram em situação de desamparo e marginalização, e ainda
sob os olhares preconceituosos do pensamento racista que ainda estrutura a
sociedade brasileira (SILVA, 2014).
Salientamos que a escrita da história do Brasil, por muito tempo, selecionou como
protagonista da abolição da escravidão a figura idealizada da Princesa Isabel,
concebendo a ela uma áurea de salvadora ampliada também aos abolicionistas
brancos. É preciso ressaltar que essa perspectiva da história silenciou um grande
número de revoltas de africanos escravizados e, também, a circulação de ideias
oriundas de abolicionistas negros, algo que deve ser considerado quando tratamos
da abolição, sendo esta entendida não como um fato, mas como resultado de um
complexo processo histórico.
Síntese
Concluímos o estudo sobre os principais aspectos que envolviam a tessitura social
dos africanos submetidos ao sistema escravista brasileiro, sobretudo, no período do
Brasil Império. Dessa forma, foi possível compreender que esses escravizados
elaboravam práticas e ações para além do trabalho escravo nas fazendas, inserindo-
se em redes de sociabilidade e de inventividade.
Neste capítulo, você teve a oportunidade de:
refletir sobre o conceito de diáspora, entendendo sua importância para os
estudos africanos e das relações raciais;
compreender o processo de insurgências, pressões internas e externas e de
circulação de discursos que levou à abolição da escravidão.
identificar os diferentes modos nos quais os africanos criavam práticas de
negociação e resistência ao sistema;
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conhecer a construção histórica criada sobre o 13 de maio de 1888, data da
abolição da escravidão, entendendo que, na prática, não mudou em nada
a vida dos africanos escravizados.
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