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Definição 
Ser humano: história de Ser Humano; mudanças da humanidade e complexidade do Ser. 
Humanização: cuidado com forma de humanização, decadências dos humanos, 
humanização do cuidado. 
Saúde: o normal e patológico, o conceito de saúde, o direito a saúde como direito natural, 
humano e fundamental. 
Propósito 
Compreender o Ser humano e como os seus conceitos influenciam na forma como ele 
desenvolve-se junto ao Outro, principalmente nas relações de poder, cuidado e saúde 
como direito. 
Objetivos 
Módulo 1 
Compreender as mudanças sobre o conceito de Ser humano e as consequências para a 
humanidade 
Módulo 2 
Descrever o cuidado e como ele está alinhado a humanização do homem principalmente 
no âmbito da saúde 
Módulo 3 
Discorrer sobre a saúde e como seus conceitos influenciam na construção de políticas 
públicas 
Módulo 4 
Compreender quais os direitos do Ser Humano e demonstrar a inserção da saúde como 
um direito fundamental 
 
Introdução 
E se uma criança lhe perguntasse o que é ser “ser humano”? Ser ser humano é algo 
muito complexo e diz respeito a forma como a sociedade nos diferencia de outras 
espécies e de nós mesmos. Logo de início então vamos navegar nos processos históricos 
da sociedade para compreender este Ser indo do homem cidadão ateniense, 
perpassando pelos movimentos humanistas até chegarmos aos ciborgues no trans-
humanismo. 
Em nosso próximo passo será adentrarmos no entendimento de que nossas relações 
sociais são marcadas pela interdependência e o cuidado é algo que obrigatoriamente 
encontra-se conosco como demonstração de nossa humanidade. Aqui também falaremos 
um pouco sobre a decadência do cuidado com outro em uma modernidade líquida ou do 
espetáculo. O cuidado humanizado na saúde é refletido como um resgate da humanidade 
dentro da atenção saúde. 
A saúde passa a ser foco do nosso debate, mas antes disto é necessário entendermos do 
que se trata do conceito de saúde e como a normal e o patológico demonstram-se como 
uma reflexão da sociedade e influenciam a construção deste conceito, inclusive quanto ao 
conceito do Organização Mundial da Saúde. 
Por fim, e não menos importante o direito a saúde como direito fundamental é 
apresentado utilizando aqui a Constituição Federal de 1988. 
Porém você sabe o que significa um direito fundamental? 
 
Módulo 1 
Ser Humano, Humanismo(s) e Pós-
Humanismos 
Ser Humano, Humanismo(s) e Pós-Humanismos 
História de (e não do) Ser Humano 
E se uma criança lhe perguntasse o que é ser “ser humano”? Você saberia responder a 
esta pergunta? Como adulto que somos podemos contar uma história baseada nos 
conhecimentos antropológicos, ofertando a criança uma linha do tempo onde ancestrais 
macacos, os Homos Habilis, Homos Erectus existiam, e que com a evolução nós nos 
tornamos os Homo Sapiens. Podemos ainda dizer que estes homens são diferentes pois 
são munidos de racionalidade, utilizam de ferramentas e são capazes de mudar o 
ambiente que vivem e por isto somos tão diferenciados. Mas será que isto é suficiente? 
Será que é isso que nos torna seres humanos? 
A história nos demonstra como o conceito de ser humano vai se modificando a partir dos 
interesses daqueles que constituem-se como o sujeitos dominantes das relações de 
poder. 
Vamos à antiguidade, onde a Grécia antiga é o útero da civilização. Atenas era a polis 
(cidade) e nela viviam os cidadãos. Os cidadãos são sujeitos ativamente participantes das 
decisões sobre a polis, porém somente seriam considerados assim os homens - mulheres 
e crianças não-, nascidos em Atenas - estrangeiros mesmo que residentes não- e livres - 
escravos não. 
A palavra HUMANITAS surge já na República Romana e esta trazia a diferença entre os 
homo humanus e homo barbarus. O primeiro dizia respeito aos atenienses e a segunda 
ao restante das pessoas da Terra não submetidas a Roma, os bárbaros. 
 
Douzinas, traduzido por Brandão (2021, p.5), apresenta o dizer do filósofo Cícero sobre 
esta distinção: “apenas aqueles que se conformam a certos padrões são realmente 
homens no sentido pleno, e merecem plenamente o epíteto ‘humano’ e o atributo de 
‘humanidade’”. 
Já na Alta Idade Média, marcada pelo Teocentrismo, o homem era entendido como o 
sujeito que deveria se subordinar aos desígnios de Deus, e assim deveria aceitar a tudo 
que a Igreja Católica - como mensageira deste Deus- determinava! A filosofia medieval 
cristã, marcada por pessoas como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e São Paulo, 
na busca de fieis as dogmáticas cristãs passa a ampliar a possibilidade de ser humano. 
Agora homens, mulheres, crianças, livres ou escravos (se convertidos) serão agraciados 
pela humanidade. 
Os bárbaros foram substituídos pelos pagãos, e se antes a fronteira que dividia o homem 
em humano e não humano era território (Atenas, Roma x o Resto do Mundo) agora e 
fronteira era internalizada (DOUZINAS; BRANDÃO, 2021), o que era bem pior, pois a 
Igreja empreendeu a luta contra a demonização dos pagãos e a Santa Inquisição e nela 
não havia julgamento imparcial. 
Um dos fatos marcantes desta época é que não havia a possiblidade de mudança de 
status social, ou seja, quem nascia plebeu se morreria plebeu e quem nascia nobre era 
nobre porque Deus quis. Com a ascensão da burguesia e suas revoluções a mudança 
desta perspectiva estática de status social fica clara! Agora o homem pode ser quem ele 
quiser através do trabalho. 
É preciso entretanto fazer uma crítica a este movimento burguês. A burguesia realizou 
revoluções em toda a Europa, as mais conhecidas são as Revoluções do Porto e a 
Revolução Francesa. Está última trás a slogan “liberdade, igualdade e fraternidade”, 
entretanto é preciso deixar claro que estes desígnios apenas serviriam para os 
burgueses. 
 
 
Dica 
Indicamos o documentário Revolução Francesa e o Brasil 
(2017) do professor Carlos Rolim, que demonstra que muitos 
plebeus, futuros proletariados, morreram sobre o comando dos 
burgueses e daquilo que estes almejavam. 
 
Por tal motivo a Igreja vai perdendo a sua força e Deus vai deixando de ser a resposta 
para todas as perguntas. No Renascimento o Antropocentrismo substituirá o 
Teocentrismo e muita coisa muda! Vejamos a tabela abaixo: 
 
Ênfase Teocentrismo Antropocentrismo 
Quanto ao Foco Centrado em Deus Centrado no Homem 
Quanto à Fé Confiança em Deus Confiança no Homem e no Ciência 
Quanto à Ética Absolutos Morais Relativismo Moral 
Quanto à Religião Religião Cristocêntrica Pluralismo Religioso 
 
A obra renascentista, intitulada A criação e Adão, foi pintada na Capela Cistina por 
Michelangelo Di Lodovico Buonarroti Simoni. O autor relutou muito para realizar a 
solicitação do Papa Julio ll dela Rovere, pois tinha como base para suas obras seus 
estudos sobre Anatomia Humana e realismo, o que batia de frente com as limitações dos 
dogmas religiosos da época. Considerado por muitos um revolucionário, a obra de 
Michelangelo acabou sendo associada ao Renascimento e ao Humanismo. 
 
Humanismo(s) 
O movimento Humanista, que tem origem no Renascentismo, na verdade retoma as 
ideias de Antiguidade Clássica, afastando o homem da espiritualidade e o trazendo-o de 
volta a Razão (Sócrates, Platão e Aristóteles) alinhando-o a ciência e ao empirismo como 
forma de ver o mundo. 
Contudo, havia uma crítica ao Humanismo, haja visto que como dito antes o mesmo foi 
idealizado por burgueses, homens, europeus e brancos. O anti-humanismo caracterizado 
pelos estudos de Michel Foucault, Gilles Deleuze e Jacques Derrida questionavam as 
ideias de exclusão em sua maioria veladas por um discurso de liberdade econômica. 
Para os anti-humanistas as relações de poder existentes em todas as épocas geram um 
ideal de homem pensado por quem detém o poder e não tendo como base a construção 
sóciohistórica e cultural de homem. Na verdade tal ideal justifica o poder, negando a 
existência de sujeitos não unitários e ainda trazendo o diferente como algo negativo. 
Apesar do Anti-humanismoLatin 
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Conteudista 
Satina Priscila Marcondes Pimenta Mello 
Advogada, Psicóloga inscrita. Mestre em Administração com ênfase em Gestão de 
Pessoas, Pós-graduada em Direito Público e em Saúde e Intervenção Psicossocial. 
Experiência em trabalhos interdisciplinares na Rede de Assistência Social e na Rede de 
Assistência a Saúde em diferentes complexidades. Professora Universitária atuante na 
área de ciências humanas e da saúde há 18 anos. Pesquisadora bolsista nas áreas de 
afinidade com diversos trabalhos publicados nacional e internacionalmente. Produtora de 
material didático no âmbito das ciências humanas e da saúde. Idealizadora do Projeto 
Ressignificando com atendimento Clínico em Psicologia para pessoas em situação de 
vulnerabilidade. 
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https://www.youtube.om/watch?v=vTtHMtH8hvg
https://www.scielo.br/j/rsp/a/ztHNk9hRH3TJhh5fMgDFCFj/?format=pdf&lang=pt
https://www.significados.com.br/?s=HUMANIZAÇAO+acima apresentado, o movimento humanista não perdeu força 
durante os séculos, na verdade ele foi sendo (re) elaborado por novos pensadores que o 
aprimoravam a partir de suas experiências ou da realidade sócio-cultural-econômica que 
vivenciavam. 
Três grandes exemplos são: humanismos logosófico, humanismo marxista e humanismo 
universalista ou novo humanismo. 
1) Humanismos Logosófico 
Humanismo logosófico de Carlos Bernando Gonzalez Pecotche que compreende que o 
homem é capaz de ir além de suas “capacidades”, ou seja, é capaz de evoluir 
constantemente. 
Diferentemente, pois, do conceito generalizado, nosso humanismo parte do próprio ser 
sensível e pensante, que busca consumar dentro de si o processo evolutivo que toda a 
humanidade deve seguir. Sua realização nesse sentido haverá, depois, de fazer dele um 
exemplo real daquilo que cada integrante da grande família humana pode alcançar. 
(PECOTCHE, 2007, p.107) 
2) Humanismo Marxista 
Humanismo marxista de Karl Marx onde ao serem analisados os textos produzidos pelo 
autor em sua adolescência percebe-se que para ele o homem é ser pertencente a 
natureza. Entretanto possui, diferente dos outros animais, uma característica peculiar: a 
consciência. É através da atividade consciente então que o homem transforma a natureza 
na qual faz parte, deixando-a cada vez mais parecida com ele. 
3) Humanismo Universalista ou Novo Humanismo 
Uma das bases mais conhecidas é e de Jörn Rüsen que entende que o homem é um Ser 
internacionalista, ou seja, todos somos humanos e devemos ser tratados como iguais, 
sendo respeitadas porém as nossas diferenças haja visto vivermos em um mundo de 
multiplicidades. Tal ideologia é materializada na atualidade pelo Movimento Humanista 
que nasce nas Cordilheiras dos Andes - Argentina- no ano de 1969 tendo com o fundador 
Mario Rodrigues Luis Cobos, conhecido como Silo. O movimento traçará suas lutas por 
esta igualdade através do principio de ações não violentas, tendo com base a filosofia de 
pessoas como Mahatma Gandhi e Martin Luther King. Uma destas ações são as Marchas 
Mundiais pela Paz e não violência. A frase de Silo (1994): "Nada acima do ser humano e 
nenhum humano abaixo de outro” demonstra um pouco do pensamento do referido 
Movimento.” 
De acordo com Cavalcante (2020, p.154): 
“(…) qualquer movimento filosófico que tome como fundamento a natureza 
humana ou os limites e interesses do homem. Ser humanista significa, 
portanto, valorizar o ser humano, defendendo-o das injustiças sociais 
impostas pela ordem vigente, significa, ainda, colocar o homem e sua 
dignidade acima de tudo na complexidade das relações sociais. É o homem 
sobrepondo-se aos dogmas, preconceitos e instituições injustas.” 
 
Pós-Humano, Trans-humanos, Ciborgues e outras 
relações 
Não importa a idade de quem estar lendo este material, todos nós em algum momento 
ouvimos falar sobre a possibilidade e efetividade de junção do homem com a máquina. 
O cinema e os quadrinhos nos auxiliaram um pouco no campo imaginário. O personagem 
Robocop (1987), o filme Repo Man (2019) e no dos quadrinhos e depois nos cinemas a 
DC Comics trás o personagem Cyborg (2016). 
 
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As obras indicadas possuem uma coisa em comum: a presença de um ou vários sujeitos 
que possuem corpos associados a tecnologias. Mas, será que trata-se de algo ilusório? A 
resposta é: não! As próteses são utilizadas há anos em situações de perda de certos 
órgãos e agora já estamos falando de transplantes de órgãos produzidos por impressoras 
3D no espaço (GABRIEL, 2021). 
A relação do homem com a tecnologia sempre existiu, porém no último século esta 
relação tornou-se mais intimista e muitos de nós não conseguimos mais conceber um 
mundo dissociado das máquinas. 
Neste ponto surge o conceito do pós-humano, que vem chamar atenção para o hibridismo 
entre homem e máquina, mas pode ser marcado por diversos sentidos, como descreve-se 
abaixo: 
Sentidos do Pós-Humanismo por Robert Pepperell 
1- Para marcar o fim do período de desenvolvimento social conhecido como humanismo, 
de modo que pós-humano vem a significar “depois do humanismo”. 
2- A expressão sinaliza o fato de que nossa visão do que constitui o humano está 
passando por profundas transformações. 
3- Refere-se a uma convergência geral dos organismos com as tecnologias até o ponto 
de tornarem-se indistinguíveis. 
Dentro do pós-humanismo encontraremos então, mediante a análise do sentido 3, o trans-
humanismo. Que se trata da utilização da tecnologia pelo homem buscando aumentar o 
seu potencial através da mesma. As pessoas que defendem esta vertente do pós-
humanismo compreendem que a relação do homem com a máquina é inevitável e por ser 
assim ela deve trazer benefícios aos seres humanos, sendo portanto algo que faz parte 
da evolução da humanidade. 
Porém, qual o limite desta evolução? Podemos virar máquinas? O trans-humanismo versa 
sobre o melhoramento do corpo humano, mas e se estivermos banalizando isto? 
Em uma conversa com crianças que estão emergidas em personagens como o Cyborg 
acima apresentado, verificam-se falas de possíveis substituições de corpos saudáveis em 
prol de uma super força mecânica. Com os avanços observados não se trata de uma 
realidade muito distante. Santella apresenta seu pensamento sobre a consequência dista 
forma de ser do homem pós-humano: 
“Tanto a força quanto o intelecto, até à morte, todos seriam modificados, de 
um modo ou de outro, no ciborgue.” 
(2003, p.134) 
Contudo, vamos deixar aqui um pedido de reflexão! No filme Repo Man (2019) é deixado 
claro que aqueles que possuem dinheiro vivem mais pois podem mudar seus órgãos 
obsoletos ou doentes por outros mecanizados, porém aqueles que não possuem tal 
condição econômica, morrem! 
 
A Complexidade do Ser Humano 
Edgar Morin, nascido em Paris no ano de 1921, antropólogo, sociólogo e também filósofo 
dedicou-se aos estudos da complexidade, utilizando daquilo que ele chamava de 
pensamento complexo ou paradigma da complexidade. 
 
O estudioso entendia que o homem é marcado por suas dualidades complexas: 
animais/humanos, egocêntricos/altruístas, biológicos/culturais etc. Indica ainda que ele, o 
ser humano, vai atuar no mundo a partir de três tríades (ou circuitos) descritos no artigo 
"Ensinar a condição humana" do livro "Os sete saberes necessários para a educação do 
futuro" publicado pela primeira vez em 1999. 
Vamos descrevê-las: 
Tríades ou circuitos de Edgar Morin 
Mente/cérebro/cultura 
Não há cultura sem o cérebro humano e não existe 
capacidade consciente (mente) sem a cultura. Há então 
uma retroalimentação. 
Razão/afeto/pulsão 
Dependendo das circunstâncias o Ser Humano vai agir 
sobre uma das vias. 
Indivíduo/sociedade/espécie. 
Ao mesmo tempo somos indivíduos, espécies e seres 
sociais, produzindo a sociedade e sendo por ela 
produzidos. 
Assim sendo, Morin nos demonstra que ser humano é ser complexo no seu trato consigo, 
com o outro e com o mundo que o cerca e tentar descrevê-lo de maneira simplória 
apenas desmerece a sua importância. 
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Vídeo 
Acesse o material digital para assistir ao vídeo. 
 
Verificando o aprendizado 
1) Durante a história o conceito de Seres Humanos nem sempre foi mesmo, muito pelo 
contrário, a escravidão, as guerras e outras manifestações históricas nos mostram a não 
universalidade do conceito. Um exemplo disto são os conceitos, na antiguidade do 
Império Greco-Romano, de homo humanus e homo barbarus. Assinale a alternativa que 
descreve quem seriam os homo humanus: 
a) Seriam os homens adultos, livres e nascidos no território greco-romano. 
b) Seriam todos os homens ou mulheres, livres e nascidos no território greco-romano. 
c)Seriam todos aqueles que se submetessem ao império greco-romano nos aspectos 
sociais, jurídicos e culturais. 
d) Seriam aqueles que estivessem no território do império greco-romano e 
cumprissem sua lei, não importando se homem, mulher, estrangeiro ou escravo. 
e) Eram aquele que lutavam contra o império greco-romano em busca da plena 
liberdade como sinônimo de humanidade. 
 
2) O movimento humanista surge no Renascimento, mas renova-se no decorrer dos 
tempos a partir da necessidade de se observar o ser humano e sua modificações. Desta 
forma relacione a primeira coluna com a segunda e após assinale a alternativa que possui 
a sequencia correta. 
 
I) O homem é capaz de ir além de suas “capacidades”, ou seja, é capaz de evoluir 
constantemente. 
II) O homem é ser pertencente a natureza e é através da atividade consciente então que o 
homem transforma a natureza na qual faz parte, deixando-a cada vez mais parecida com 
ele. 
III) Ser internacionalista, ou seja, todos somos humanos e devemos ser tratados como 
iguais, sendo respeitadas porém as nossas diferenças haja visto vivermos em um mundo 
de multiplicidades. 
 
1) Humanismos logosófico. 
2) Humanismo marxista. 
3) Humanismo Universalista ou Novo Humanismo. 
a) 1(I), 2(II), 3 (III) 
b) 1(II), 2(I), 3 (III) 
c) 1(III), 2(I), 3 (II) 
d) 1(I), 2(III), 3 (II) 
e) 1(II), 2(III), 3 (I) 
 
3) Edgar Morin entendia que o homem é marcado por suas dualidades complexas: 
animais/humanos, egocêntricos/altruístas, biológicos/culturais etc. Indica ainda que ele, o 
ser humano, vai atuar no mundo a partir de três tríades (ou circuitos), sendo uma delas a 
indivíduo/sociedade/espécie. Assinale a questão que melhor a determina. 
a) Ao mesmo tempo somos indivíduos, espécies e seres sociais, produzindo a 
sociedade e sendo por ela produzidos. 
b) Dependendo da circunstâncias o ser humano vai agir sobre uma das vias. 
c) Não há cultura sem o cérebro humano e não existe capacidade consciente (mente) 
sem a cultura. Há então uma retroalimentação. 
d) Trata-se da utilização da tecnologia pelo homem buscando aumentar o seu 
potencial através da mesma. 
e) Nenhuma das respostas acima. 
 
Módulo 2 
Cuidado e Humanização 
Do cuidado e do cuidar 
Iniciamos este tópico trazendo a seguinte afirmação: O cuidado é necessário para a 
existência humana! Basta pensarmos que o ser humano desde o momento que nasce 
precisa de cuidados para sobreviver no mundo, afinal um bebê não consegue alimentar-
se sozinho! No decorrer da sua vida o cuidado também estará presente e inclusive o 
ligará ao outros seres humanos gerando uma co-dependência ou interdependência entre 
os mesmos. 
Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, nascido em 1896 e falecido em 
1971, versa sobre a questão do cuidado e desta interdependência entre nós seres 
humanos e inicia está reflexão justamente com a relação entre a mãe e seu bebê. 
Winnicot afirma que quando do nascimento de uma criança a mesma possui uma 
dependência máxima, e que esta mãe, sendo o protótipo da confiabilidade, cuidará deste 
bebê para que ele possa sobreviver no mundo. 
É necessário deixar claro que a dependência entre as pessoas não deixa de existir depois 
da infância, o próprio autor em seus estudos afirma, que a necessidade de cuidados 
diminui na vida adulta (mas não cessa), porém retorna quando na velhice, marcada ou 
não pelo adoecimento. 
O psicanalista declara que a dependência e a confiabilidade estão ligadas ao campo do 
cuidado, sendo este a compreensão da necessidade real do outro não importando o que o 
cuidador deseje ou necessite, pois quando desta relação as necessidades reais precisam 
ser supridas para que o Outro sinta-se acolhido e protegido (1988). 
A confiabilidade quando alcançada trará a humanidade um processo de retroalimentação, 
haja visto que aquele que foi cuidado reconhece a ação e entende que deverá reproduzi-
la quando outros precisarem dele. 
 
Atenção 
Gentileza gera gentileza! Cuidado gera Cuidado! 
 
Apontamos a questão da necessidade real como ago importante. Por vezes o cuidador 
recebe daquele que precisa de cuidados informações que não são reais. Dores, desejos e 
necessidades que aparentam ser a demanda, mas não são. O cuidador ao deparar-se 
com tal situação precisa aprofundar seu olhar sobre o sujeito e assim ofertar o que ele 
realmente necessita. 
 
Tudo isto nos faz pensar sobre o cuidado de Martin Heidegger na obra "Ser e Tempo" 
datada de 1927. O filósofo, que não acredita na finitude das possibilidades do homem Ser 
(apenas acredita na finitude da morte), descreve que o cuidado vai além de um ato em si, 
haja visto que o homem em sua constante mudança gera a necessidade da mudança do 
próprio conceito de cuidado. Portanto, o cuidado não finda-se na teorização mas a 
modifica através do Estar do homem no mundo! 
Em sua palestra ao TedEX Julia Rocha, médica da saúde da família, conta a história de 
Dona Helena que chega a seu consultório em uma Unidade de Família reclamando de 
uma insistente dor nos ombros que há tempos estava tratando (inclusive com 
intervenções cirúrgicas) e não melhoravam, inclusive estavam sendo sentidas no outro 
ombro. 
Júlia conta então, que no decorrer da consulta entendeu que na verdade a dor de Dona 
Helena era outra, uma dor de saudades: naquele dia era a data de falecimento de sua 
filha. Júlia, coloca-se ao lado de dona Helena, saindo de sua mesa de médica, e a diz 
“mãe pode falar eu estou aqui”. 
A palestra é de emocionar! Mas, aqui queremos que você reflita como na prática a 
necessidade manifestada por alguém que precisa de cuidados (a dor no ombro) nem 
sempre é tão manifesta assim e que ao cuidarmos precisamos ter este olhar, para ofertar 
aquilo que o sujeito realmente precisa e não aquilo que ele crê precisar. 
Humanização 
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Você já entrou no ônibus e se deparou com aquela senhora idosa em pé enquanto o 
jovenzinho esta sentado (mesmo que não seja no lugar reservado a ela)? Já ouviu a frase 
“ele rouba mas faz” remetendo-se a postura de um político? Já viu uma mulher sofrer 
violência e as pessoas ao redor fingirem que nada esta acontecendo? Já ouviu as 
pessoas na faculdade se gabando que tiraram a nota máxima na avaliação pois colaram? 
Já entrou em um grupo de WhatsApp e deparou-se com fakenews descaradas que 
podem prejudicar a terceiros (ou a uma coletividade)? 
Nós poderíamos tecer diversas considerações sobre a ética neste momento, trazendo 
reflexões sobre teóricos diversos, mas este não é o objetivo! Aqui queremos que você 
reflita como tais ações dizem respeito a como nos comportamos como seres humanos em 
relação a outros seres humanos. Será que estamos perdendo a nossa humanidade? 
Banalizando as nossas relações com o Outro? Você mesmo, sem falsas imposições, já 
realizou algumas destas ações que citamos acima? 
Assim começamos a pensar sobre a questão do termo Humanização. Primeiro queremos 
dizer que há um debate teórico-epistemológico sobre isso: Se nascemos humanos 
(espécie) então já somos humanizados? Ou a humanização é um processo social, ou 
seja, aprendemos a ser humanos? 
 
Humanização é um processo social 
A imagem que pode vir a sua cabeça é do Mogli o Menino Lobo! Na história real um 
menino, com mais ou menos 6 anos, foi encontrado por um grupo de caçadores no ano 
de 1872 na Índia. De acordo com os caçadores o menino estava com um grupo de lobos 
e se comportava tal como eles. E aí, será que Mogli é um ser humano? 
 
Se nos remetermos as questões do segundo parágrafo deste subtítulo, a humanização 
tem haver com a forma como o homem se relaciona com o Outro. O termo no site 
Significados: "Humanização é a ação ou efeito de humanizar, de tornar humano ou mais 
humano, tornar benévolo, tornar afável” (2021). 
Portanto, quando afirmamos que uma pessoa é desumana estamos afirmando que amesma não possui esta benevolência para com o Outro, seja ele o outro Ser Humano ou 
outra espécie. 
Assim, quando falamos de Humanização em espaços físicos ou abstratos, como é o caso 
de um hospital ou da política de saúde respectivamente, estamos falando da necessidade 
de reflexões sobre as trocas exercidas entre Seres Humanos naquele espaço. Ações 
humanas (e não desumanas) ao serem realizadas permitirão que a humanidade seja 
vivenciada, exercida e garantida. 
Porém, é preciso deixar claro que a Humanização é um processo contínuo! Que o homem 
não é estático e ainda que as concepções éticas e morais sobre o que é certo ou errado 
mudam constantemente. Desta forma a reflexão nunca será exaurida porque a 
Humanidade está sempre modificando a sua forma de agir, sentir e pensar. 
Neste momento estamos vivendo a era da Modernidade e muito falamos sobre o 
individualismo. Com o capitalismo e com a mudança da estruturas sociais e econômicas 
marcadas pela exacerbação do consumismo, muito hoje se fala em TER e não em SER. 
Guy Debors, já em Sociedade do Espetáculo (1967) nos alertava para um mundo onde 
aquilo que apresentamos para o outro é aquilo que o outro espera de nós. Indica o autor 
que somos marionetes dos desejos da sociedade e sua forma de pensar, agir e sentir. 
Mas, o teórico que tem tomado os holofotes quanto a sociedade moderna e Sigmund 
Bauman, autor do livro Modernidade Líquida, publicado 2000, trás a frase emblemática do 
teórico “Vivemos em uma modernidade líquida, nada foi feito para durar”. 
Vamos fazer uma diferença entre duas modernidades: uma Sólida e outra Líquida! 
Modernidade Sólida Modernidade Líquida 
Revolução Industrial (até as décadas 60/70) Revolução tecnológica 
Consumo para sobrevivência Consumo para habilitação social 
Rigidez/Peso Fluidez/Leveza 
Disciplina/Segurança Liberdade 
Permanente Instântaneo 
Sociedade vertical/patriarcado 
Sociedade horizontal/crise de 
autoridade 
Política Global Políticas da Vida 
Simplificação e ordenamento dos fundamentos 
científicos 
Desconstrução dos fundamentos 
científicos 
Controle do Estado Nação Globalização 
 
Desta forma, o homem sendo ser desejante que é, tem seus desejos na modernidade 
líquida como efêmeros. Hoje eu quero, amanhã eu não quero mais! Portanto, se nada é 
feito para durar então por que vamos nos apegar a algo? 
Este "algo" pode ser um objeto, como um celular, uma roupa, uma casa, etc.! Mas, 
também pode ser uma pessoa ou um sentimento. 
Quanto aos objetos, o capitalismo/consumo nós ensinou a substituí-los por outros objetos 
mais novos e que nos tragam mais status social. 
 
E quando este “algo" são pessoas? De acordo com o autor agimos da mesma maneira, 
pois as pessoas estão no mundo para serem consumidas! A partir do momento que não 
nos servem mais elas também serão substituídas, e por isto, não precisamos destinar 
energia para que elas sejam mantidas em nossas vidas. Não precisamos nos preocupar a 
ter o sentimento de Empatia, de sermos educados, de termos responsabilidade emocional 
para com seus sentimentos! Isto não lhe soa desumano? 
Estas novas formas de estar no mundo vão alternar não só as relações interpessoais, 
mas também as formas de ação das instituições para com as pessoas (de dentro e de 
fora) e também entre as instituições. 
Obviamente a forma de construir o cuidado nas instituições de saúde serão atingidas por 
esta modernidade líquida. 
Humanização do Cuidado na Saúde 
Como descrito outrora a modernidade líquida forma uma sociedade composta por 
pessoas que buscam satisfazer os seus desejos efêmeros, deixando de lado inclusive 
determinações éticas e morais que circundam a relações humanas. Trata-se de uma 
sociedade de cria um campo fértil para a intolerância das diferenças e para a competição 
entre os "antigos" pares. 
Todavia, na contramão de tais comportamentos emergem movimentos sociais em busca 
da modificação desta sociedade. Movimentos estes direcionados aos Direitos humanos, a 
inclusão social, a cidadania, a bioética, as igualdades de gênero, raça, credo e orientação 
sexual, entre outras lutas. 
 
 
Exemplo 
Exemplos claros destes movimentos e sua força são os 
Movimentos Feministas e a Luta Antimanicomial no âmbito da 
saúde mental. 
Tais movimentos trazem ao debate a humanização das relações humanas em geral! 
Atingindo a sociedade e fazendo com que a ressignificação de políticas públicas pela 
governabilidade começasse a ser necessária. 
No âmbito da saúde isto não foi diferente! A inversão da concepção do conceito de saúde 
como ausência da doença e a implantação de uma política de prevenção e promoção de 
saúde em detrimento de políticas curativas são exemplos destas modificações. Porém 
nada disto poderia ser efetivado se a forma de cuidar não fosse modificada. 
 
 
Exemplo 
Um bom exemplo é que na atualidade imediatista, como 
apontamos em momento anterior, as pessoas buscam a cura 
entendendo-a como a erradicação da doença e de suas causas. 
Acreditam que apenas com o uso de medicamentos tudo vai 
passar. O saber farmacológico não poderá obviamente ser 
deixado de lado, porém o medicamento é apenas o tratamento 
que faz parte do cuidado e não o cuidado em si. 
 
Um bom exemplo é que na atualidade imediatista, como apontamos em momento 
anterior, as pessoas buscam a cura entendendo-a como a erradicação da doença e de 
suas causas. Acreditam que apenas com o uso de medicamentos tudo vai passar. O 
saber farmacológico não poderá obviamente ser deixado de lado, porém o medicamento é 
apenas o tratamento que faz parte do cuidado e não o cuidado em si. 
Na mesma perspectiva buscam por hospitais e pronto atendimentos, instituições de saúde 
aparentemente adequadas a diminuição do sofrimento, contudo estas instituições podem 
estar munidas dos melhores equipamentos, maquinários, estruturas física; mas se não 
forem munidas de humanidade, o nascimento de um filho desejado e amado desde a 
concepção, pode ser um evento traumático devido a violência obstétrica. 
No Brasil o Sistema Único de Saúde (SUS), que teve seu processo de criação nos anos 
1970 e 1980, já reflete uma luta para a garantida da humanização da saúde. Porém o 
modus operandi ainda é baseado no conceito de saúde como ausência de doença e 
mesmo que o sistema garanta o acesso a saúde isto não queria dizer que o cuidado seria 
humanizado. 
Os movimentos sociais da saúde passam a reivindicar esta humanização na prática! De 
acordo com Pina e Leitner (2020, p.180): 
“Uma prática humanizada é o conjunto de iniciativas que possibilita a 
prestação de cuidados capazes de conciliar a melhor tecnologia disponível 
com a promoção de acolhimento dos usuários, respeito ético e cultural ao 
indivíduo assistido, bem como a geração de espaços de trabalhos adequados 
e a satisfação dos usuários.” 
Pina e Leitner (2020, p.180). 
 
Como resposta a governabilidade, no início do ano 2000, através do Ministério da Saúde, 
lança uma política de institucionalização voltada para a humanização, qual seja: 
Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH). 
Por mais que o programa possuísse em seu bojo ideias de humanização, os diagnósticos 
situacionais e a promoção de ações humanizadoras de acordo com realidades locais 
(RIOS, 2009), ainda não se tinha a concepção de ações efetivas sobre a humanização. 
Assim sendo, o foco era atuar sobre a estrutura física das instituições de saúde, 
deixando-as mais confortáveis e acolhedoras. O nome dado a está ação é ambiência na 
saúde. 
Refere-se ao tratamento dado ao ambiente físico de algum espaço, no caso aqui a saúde, 
que será ocupado por pessoas, como pacientes e profissionais, que proporcionará a estes 
uma experiência mais acolhedora e humanizada enquanto nele estiverem. 
 
Posteriormente incluíram ações direcionadas aos pacientes que lhes tiravam do foco do 
hospital como brincadeiras e atividade lúdicas de lazer. 
Muitos estudos apontam que tanto a doença quanto ao hospitalizaçãosão fatores 
importantes a serem analisados no momento do processo de cuidado. Tanto que quando 
falamos de crianças hospitalizadas buscamos incluir técnicas terapêuticas ligadas ao 
lúdico em seu tratamento, e quando falamos de pacientes terminais, nos remetemos a 
desospitalização e a realização de cuidados paliativos em suas residências. 
Entretanto, ainda não se observava uma gestão humanizada concreta, onde cuidados e 
cuidadores eram vistos como seres humanos e não apenas como prontuários e 
funcionários. Era necessário mais! Era necessária uma Política Pública com uma Gestão 
humanizada. 
Assim, em 2003 o referido Programa foi revisado e lançou-se a Política Nacional de 
Humanização, onde visualizava-se a ampliação das práticas já colocadas para toda a 
rede pública de saúde e o foco em uma gestão humanizada. Cria-se então a rede 
HumanizaSUS baseado em diretrizes e princípios previstos na nova formulação da 
política de cuidado. 
Vídeo 
Acesse o material digital para assistir ao vídeo. 
Verificando o aprendizado 
1) Sigmund Barman descreve a Modernidade com uma sociedade líquida e de forma 
ilustrativa indica que as sociedade anteriores poderiam ser consideradas sólidas. Desta 
forma relacione a primeira coluna com a segunda e após assinale a alternativa que possui 
a sequencia correta. 
 
I) Consumo para sobrevivência 
II) Sociedade horizontal/crise de autoridade 
III) Permanente 
IV) Políticas da Vida 
 
1) Sociedade Líquida 
2) Sociedade Sólida 
a) I (2), II (1), III (2) e IV (1) 
b) I (1), II (1), III (2) e IV (2) 
c) I (2), II (2), III (1) e IV (1) 
d) I (1), II (1), III (2) e IV (2) 
e) I (2), II (2), III (2) e IV (1) 
 
2) Donald Woods Winnicott trabalha o conceito de cuidado, interdependência e 
confiabilidade. Assinale a alternativa INCORRETA quanto as teorias do autor. 
a) Winnicot afirma que quando do nascimento de uma criança a mesma possui uma 
dependência máxima, e que mãe torna-se o protótipo da confiabilidade. 
b) A dependência entre as pessoas deixa de existir depois da infância, o próprio autor 
em seus estudos afirma, depois das necessidades supridas na infância o Home. 
Adulto saudável precisa ser totalmente independente para constituir-se como 
sujeito. 
c) O psicanalista declara que a dependência e a confiabilidade estão ligadas ao 
campo do cuidado. 
d) Importante para a melhor realização do cuidado a compreensão da necessidade 
real do outro, não importando o que o cuidador deseje ou necessite. 
e) A confiabilidade quando alcançada trará a humanidade um processo de 
retroalimentação, haja visto que aquele que foi cuidado reconhece a ação e 
entende que deverá reproduzi-la quando outros precisarem dele. 
 
3) Sendo influenciadas diretamente pelos movimentos sociais, principalmente o 
Movimento feminista e a Luta Antimanicomial, as reflexões sobre as políticas publicas em 
saúde no Brasil voltaram-se para a lógica da humanização do cuidado. Assinale a 
alternativa INCORRETA sobre as ações direcionadas a partir desta reflexão: 
a) Desde o início das reflexões sobre um cuidado a saúde mais humanizado o Brasil 
garantiu através de políticas públicas nacionais ações para garantir a humanização 
principalmente no âmbito da gestão em saúde. 
b) No Brasil o Sistema Único de Saúde (SUS), já reflete uma luta para a garantida 
da humanização da saúde. Porém o modus operandi ainda é baseado no conceito 
de saúde como ausência de doença e mesmo que o sistema garanta o acesso a 
saúde isto não queria dizer que o cuidado seria humanizado. 
c) Mesmo com o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar 
(PNHAH) ainda não se observava uma gestão humanizada concreta, onde 
cuidados e cuidadores eram vistos como seres humanos e não apenas como 
prontuários e funcionários. 
d) Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) é 
revisado lançando-se a Política Nacional de Humanização, com ampliação das 
práticas já colocadas para toda a rede pública de saúde e o foco em uma gestão 
humanizada. 
e) Antes da Política Nacional de Humanização o foco do Programa Nacional de 
Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH) era atuar sobre a estrutura 
física das instituições de saúde, deixando-as mais confortáveis e acolhedoras. 
 
Módulo 3 
Saúde 
Do normal e do Patológico 
Conseguir apresentar um conceito de saúde não é fácil pois o mesmo modifica-se no 
decorrer da história da humanidade, ou seja, este será influenciado por aspectos sociais, 
econômicos, políticos, culturais e individuais. 
Estudos inclusive buscam compreender os significado do conceito de saúde para certas 
pessoas, como por exemplo Dalmolin et.al (2011) que estuda o olhar do docente da 
saúde, Moreira; Dupas (2003) a percepção de crianças e Fonseca (2010) o dos idosos. 
Importante apontar que as concepções sobre saúde e doença também variam de pessoa 
para pessoa, sendo influenciadas por suas experiencias de vida, valores morais e éticos, 
concepções filosóficas, religiosas, científicas entre outras. 
Moacyr Scliar possui artigo intitulado "História do Conceito Saúde”, publicado em 2007 
pela revista Physis: Revista de Saúde Coletiva. O mesmo é indicado como um dos 
artigos mais citados quando o tema é a História do Conceito Saúde de acordo com as 
métricas do Google Acadêmico. Nele o autor realiza um apanhado histórico sobre a 
evolução do conceito de saúde iniciando nos primórdios da humanidade e nos levando 
até os dias atuais. 
Vamos refletir sobre o que é normal e o que é patológico, o que é saúde e o que é 
doença. Para isto trazemos em voga o médico e filósofo Georges Canguilhem e a obra 
"O normal e o patológico”, resultado de sua tese "Ensaio sobre alguns problemas 
relativos ao normal e ao patológico” (1943). 
 
Canguilhem indicará que o patológico é visto a partir do normal. Pense bem! Palavras 
como distúrbio, transtorno e déficit designam o patológico. Mas, é o normal que sofre um 
distúrbio, que possui um transtorno e que está deficitário. Portanto, o que o indivíduo 
experimenta no patológico é a desordem do normal. Todavia, o que é normal? 
 
Normal 
Normal vem de norma! Norma de acordo com o dicionário Oxford Languages significa 
"aquilo que regula procedimentos ou atos; regra, princípio, padrão, lei.” (2021). 
Assim sendo, aquilo que é considerado normal é aquilo que é considerado padrão! Mas 
para quem? Georges Canguilhem fala sobre a questão da racionalidade e de início nos 
traz a percepção que esta se dá a partir do relação do organismo com o meio em que 
vive. 
 
 
Exemplo 
Vamos a um exemplo! Uma baleia fica encalhada na areia de 
uma praia, rapidamente pessoas se mobilizam para colocá-la 
novamente no mar. Uma criança aproxima-se de você e 
pergunta: Por que precisam colocá-la na água? Você usando de 
sua racionalidade e sabendo que esta é a forma com a qual a 
baleia se relaciona com o ambiente dirá: Porque as baleias 
vivem no mar! 
 
No caminhar da obra Canguilhem insere a "média" como termo. E a indica como um 
padrão para determinação do normal. O normal é que as crianças deixem de urinar na 
cama ao alcançarem certa idade! Porém, como sabemos disto? Pois o normal enquanto 
média observado nas crianças é este. 
 
Exemplo 
Podemos ofertar um exemplo mais fácil! Você vai ao médico e 
ele mede sua temperatura, ele exclama “está normal” e você já 
sabe que ela está a 37 graus celsius. Então o normal, passa a 
ser entendido como média, e o que não é normal passa a ser 
entendido como fora da média. 
 
O que é anormal então? Para o autor: Nada! Pois tudo é instituído de algum tipo de 
norma! Ele trás o termo anomalia para indicar aquilo que o senso comum diz ser anormal! 
O psicólogo Flavio Mendes (2021) nos apresenta o seguinte quadro analítico: 
 
Assim sendo, todos os organismos possuem normas. Contudo os desvios da médias 
aplicadas a estas normas são anomalias que precisarão ser exterminadas. 
Foucault, influenciado por Canguilhem no livro História da Loucura, vai afirmar que oconceito de normal ou anormal perpassa por aquilo que a sociedade naquele momento 
entende sobre o que cada um significa. 
No Brasil, e no mundo na verdade, podemos trazer como exemplo claro na atuação em 
saúde sobre este aspecto, quando buscamos a história de luta da população LGBTQIA+. 
No Caderno Internacional de Doenças-9 (CID-9) poderíamos encontrar o termo 
Homossexualidade no Capítulo dos Transtornos Mentais (Cap. 5), como uma como sub-
categoria (302.0) da categoria "Desvios e Transtornos Sexuais" (302). Isto só foi 
modificado no ano de 1990 com a publicação da versão 10 da Classificação 
Internacional de Doenças (CID-10). 
 
Classificação Internacional de Doenças 
Mas não era somente nos CIDs que a homossexualidade apresentava-se como distúrbio 
ou transtorno mental. A Associação Americana de Psiquiatria a manteve no Manual 
Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of 
Mental Disorders – DSM) até 1973. 
 
Atualmente o CID-10 Na CID-10, possui dentro da categoria F66, pertencente ao 
Capitulo de Saúde Mental, três transtornos ligados à orientação sexual 
(MEDICINANET,2021): 
Cid-10 Descrição 
Sexual maturation 
disorder 
Que associa a orientação sexual (homo, hetero ou bissexual) como 
causa de ansiedade ou depressão em razão da incerteza do 
indivíduo quanto ao seu desejo; 
Ego-dystonic 
sexual orientantio 
Quando o indivíduo, embora seguro de sua orientação, deseja 
mudá-la; 
Sexual 
relationship 
disorder 
Manifesta nos casos em que a orientação é responsável pela 
dificuldade em formar ou manter um relacionamento com um 
parceiro sexual. 
Durante todo o tempo que fora considerado um transtorno mental as políticas públicas 
direcionadas ao público LGBTQIA+ organizaram seus atendimentos e intervenções aos 
nestas perspectivas. No Brasil centenas de homossexuais foram internados em hospitais 
psiquiátricos além de passarem por procedimentos clínicos para não poderem mais se 
relacionar sexualmente. 
Na atualidade o Brasil possui a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, gays, 
bissexuais, travestis e transexuais, promulgada através da Portaria nº 2.836, de 1º de 
dezembro de 2011. A mesma com base no principio da Dignidade da Pessoa Humana 
(maior princípio do ordenamento jurídico brasileiro) versa sobre forma de atuação e 
cuidado humanizados, respeitando a diversidade e ao pacientes em seus necessidades. 
Desta forma, observamos uma mudança importante no processo de Humanização do Ser 
Humano não heteronormativo e a busca de uma política que esteja em consonância com 
esta humanização. Mas isto só é possível pois houve a mudança da percepção sobre os 
conceitos de gênero e sexualidade ligados a saúde na sociedade. 
 
Conceito de Saúde e a Organização Mundial da saúde 
(OMS) 
Divagamos pela filosofia de Georges Canguilhem, mas ainda não possuímos um conceito 
de saúde. Porém, não somos só nós que possuímos esta angústia pela busca de 
conceitos. Vejamos! 
Após a Segunda Guerra Mundial tornou-se necessário se determinar um conceito sobre 
saúde, com vistas a ofertar um direcionamento ao novo mundo que se reorganizava após 
tempos sombrios. No ano de 1948 as Nações Unidas criaram a Organização Mundial de 
Saúde (OMS) visando cuidar de questões relacionadas a saúde global a definiu como 
"um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas como a ausência 
de doença ou enfermidade”. 
Em sua palestra “Por um novo conceito de saúde” Christophe Dejour (1982), um dos 
nomes seminais da saúde do trabalhador faz duas críticas ao conceito apresentado pela 
OMS. A primeira que existe uma impossibilidade de saber o que realmente é um estado 
de bem estar; e segundo que este estado completo, nos remete a perfeição e está 
perfeição quando falamos e Seres humanos não existe. 
A amplitude de uma definição gera problemas de ação quanto a mesma. Portanto, se a 
OMS tinha como intuito criar um conceito que fosse o ponto norteador dos Estados 
membros, isto não deu muito certo! Muito pelo contrário para Moreira (2003) acredita que 
tal ação abriria espaço para os Estados intervirem na vida dos cidadãos de maneira 
deliberada, através de práticas higienistas disfarçadas de promoção de saúde. 
No caso do estado completo, o mesmo nos remete ao um homem ideal, que apesar de 
ser compreendido como inalcançável ainda assim é buscado nas práticas de saúde, 
massificando-a nesta jornada pela perfeição. 
Os autores Segre e Ferraz (1997) apresentam severas críticas aos termos utilizados pela 
OMS. Vamos sintetizá-las e trazer mais reflexões: 
A) Completo Bem-estar 
Iniciamos aqui pela palavra “completo”! O que é completude para você pode não ser 
completude para mim. Então aqui nos deparamos com um expressão extremamente 
subjetiva. 
Passemos agora para o conceito de “bem estar”. Os autores vão trazer a mesma reflexão 
acima e ainda pontuarão que o conceito de bem estar sendo concebido como plenitude e 
felicidade não coaduna com a objetividade que a Saúde Coletiva precisa para determinar 
ações e intervenções coletivas em individuais. Imagine criar instrumentos que meçam a 
felicidade? E mesmo que criássemos eles teriam que ser revistos a todo o tempo, pois 
como o homem é um ser em eterna mudança (lembra que falamos disso lá no início) 
estas métricas não caberiam. 
Freud (2020) no livro Mal Estar da Civilização, publicado originalmente em 1930, nos 
lembra que o homem ele tem como principal objetivo a busca do prazer, porém como ser 
social ele e precisar viver na sociedade normatizada ele abdica do prazer pleno. Por si só 
esta abdicação gera uma eterna angústia. 
O que percebemos aqui? Que na verdade este completo bem estar é utópico! E inclusive 
pode ser extremamente nocivo. 
Já ouviu falar de Normopatas? São pessoas que encontram-se em um estado de hiper-
adaptação mental. Com certeza já ouviram alguém dizer “E… tá tudo bem!”, o mundo 
pode estar desmoronando para aquela pessoa, mas ela suprime os seus sentimentos, 
não se permite o sofrimento ou a frustração, absorve-os na verdade para um ponto 
inconsciente de não acesso imediato! Tudo isto em busca de uma falsa felicidade. 
Desta forma, poderão aqueles que buscam a saúde construir um ideal sobre ela que ao 
invés de beneficiá-lo o atrapalhe ou ainda o prejudique. Muitos enganados por estes 
ideais de "completo bem-estar" podem engendrar uma busca incessante pela vida perfeita 
e como ela não existe acabam se frustrando. Tal frustração pode gerar além de questões 
relacionadas a saúde mental, doenças psicossomáticas. 
A imagem abaixo parece uma brincadeira mas não é: 
 
 
B) Separação entre físico, mental e social 
Há muito se tem trabalhado na superação da divisão do homem em Corpo e Mente! 
Assim, quando a OMS em seu conceito apresenta ao apresentar estes aspectos 
separadamente mostra-se desatualizada quanto ao homem não divido, mas inteiro em 
suas construções. 
Vamos pensar em um caso fictício: 
João, 67 anos, vai o médico indicando perda de peso, fadiga e outras queixas 
relacionadas a seu corpo. O médico solicita a João que realize exames para investigar as 
possíveis causas dos sintomas indicados. O paciente então é surpreendido por um 
diagnóstico de Câncer e com o aprofundamento dos exames descobre que o tumor está 
grande e precisará iniciar rapidamente o tratamento! 
João mora em uma cidade do interior e para conseguir fazer o tratamento indicado pelo 
médico (quimioterapia e radioterapia) deverá deslocar-se por 4 horas. João não tem carro 
e precisará pedir a parentes ou a prefeitura de sua cidade que o auxiliem neste processo. 
O paciente é viuvo, tem filhos, mas todos eles são muito “ocupados”, portanto João não 
possui alguém para cuidar dele. E antes que você pense: contratar um cuidador! Está não 
é a realidade financeira da família de João. 
Bom, apresentamos João e um pouco de sua realidade. Agora voltemos a pensar aqui! 
Quando eu analiso o caso acima eu consigo colocar cada situação emuma caixinha ? 
Uma para físico, outra para mental e outra para social? Ou eu preciso compreender que 
todos os aspectos atingirão João em todos os aspectos?! 
É neste ponto que a concepção a OMS peca! O homem não é ser divisível, mas sim 
inteiro. 
O princípio da Integralidade do Sistema Único de Saúde (SUS) compreende este Ser e 
data forma como demonstra De Souza et. al (2012): 
A integralidade permite a percepção holística do sujeito, considerando o contexto 
histórico, social, político, familiar e ambiental em que se insere. A atenção integral é, ao 
mesmo tempo, individual e coletiva, inviabilizando, portanto, ações dissociadas, 
evidenciando, assim, a necessidade de articulação entre a equipe multiprofissional. 
Mas, a OMS não foi de toda equivocada em seu conceito de saúde. Quando afirma que 
saúde não é a ausência de doença ou enfermidade ela enfim quebra um paradigma ha 
muito instituído e enraizado no campo de atuação. 
Podemos ofertar como exemplo pessoas que possuem doenças crônicas, como a 
diabetes, e possuem qualidade de vida muito melhor que outras que não são acometidas 
por doenças. 
 
Vídeo 
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Verificando o aprendizado 
1) Qual dos argumentos abaixo não constituem-se como crítica ao conceito de saúde da 
Organização Mundial de Saúde (OMS)? 
a) Há muito se tem trabalhado na superação da divisão do homem em Corpo e 
Mente! Assim, quando a OMS em seu conceito apresenta ao apresentar estes 
aspectos separadamente mostra-se desatualizada quanto ao homem não divido, 
mas inteiro em suas construções. 
b) O conceito de bem estar sendo concebido como plenitude e felicidade não 
coaduna com a objetividade que a Saúde Coletiva precisa para determinar ações 
e intervenções coletivas em individuais. 
c) Quando afirma que saúde não é a ausência de doença ou enfermidade ela quebra 
um paradigma há muito instituído e enraizado no campo de atuação da saúde. 
d) A amplitude de uma definição gera problemas de ação quanto a mesma. Acredita-
se que tal ação abriria espaço para os Estados intervirem na vida dos cidadãos de 
maneira deliberada, através de práticas higienistas disfarçadas de promoção de 
saúde. 
e) A primeira crítica é que existe uma impossibilidade de saber o que realmente é um 
estado de bem estar; e segunda é que este estado completo, nos remete a 
perfeição e está perfeição quando falamos e Seres humanos não existe. 
2) Georges Canguilhem escreve sua tese em 1943 que dará origem ao livro "O normal e o 
patológico”. Nesta obra o autor fala sobre conceitos como “normal”, “média”, “anormal" e 
“anomalia”. Assinale a alternativa que indique o último conceito. 
a) Trata-se do fato que todos os organismos tem normas, pois estas são aquilo que 
regulam a relação entre o organismo e a vida. 
b) É o valor ideal que representa diferentes normas. 
c) Trata-se daquilo que só existe porque o normal foi tomado como médio, pois existe 
aquilo que não é médio. 
d) Diz respeito a irregularidades existentes, não dizendo respeito as coisas positivas 
ou negativas, mas sim ao que é diferente. 
e) Nenhuma das alternativas versa sobre o conceito e anomalia descrita pelo autor. 
 
3) Quanto a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e 
transexuais podemos afirmar que? 
a) Ainda não é uma realidade no Brasil haja visto que pessoas LGBTQIA+ não 
possuem um olhar próprio na saúde para suas especificidades. Na verdade ainda 
estão ligadas a saúde mental. 
b) Trata-se de uma política pública em saúde que versa sobre a atuação de 
profissionais sobre a saúde menta dos pacientes, haja visto constituir-se como 
transtorno mental de acordo com o CID-10. 
c) Mesmo com as lutas dos movimentos sociais LGBTQIA+ alinhados aos direitos 
humanos, ainda possuímos uma política pública excludentes e não integrativa. 
d) A Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, gays, bissexuais, travestis e 
transexuais é consequência legal da luta os movimentos sociais LGBTQIA+ e 
ganha força quando a comunidade científica deixa de compreender a 
orientação/opção sexual como transtorno mental, sendo inclusive retiradas 
menções desta característica do CID-10 e do DSM-5. 
e) Nenhuma das alternativas acima demonstram a realidade da referida política. 
 
Módulo 4 
Direitos Humanos e Direito a Saúde 
Direitos Naturais 
Para iniciarmos nossa caminhada aqui precisamos fazer diferenças entre: direito natural, 
direito fundamental e direito humanos. 
Também devemos acabar com um paradigma que circunda a cabeça da maioria das 
pessoas: Direito não está resumido em LEI. Na verdade o Direito possui diversas fontes 
que auxiliarão aqueles que nele atuam a realizar suas funções como por exemplo: a lei, 
as jurisprudências (decisões de tribunais superiores quanto aos casos), a doutrina 
(construção de pensamento de quem estuda o direito), o costume e os princípios. 
Por este motivo decidimos iniciar este módulo falando um pouco sobre o Direito Natural! 
Mas o que é direito natural? De maneira simples trata-se daquilo que é inerente ao ser 
humano pelo simples fato de ele existir, ou seja, é natural ao ser. 
A corrente Jusnaturalista, existente desde a Antiguidade, afirma que não deveria ser 
necessário que uma lei, regra, norma, resolução ou tratado internacional o determinasse, 
pois este deveria ser-lhe garantido pelo simples fato de ser humano. 
Pare e pense em algum direito natural? Vida! Liberdade! Sabemos que ao mesmo tempo 
em que você pensou nestes direitos naturais, também veio a sua cabeça questões como 
aborto, pena de morte, escravização, prisão perpétua e outros! Teoricamente, os direitos 
naturais deveriam apenas ser negados a alguém quando este alguém viola o direito 
natural de outrem. 
O Direito natural possui algumas características: 
Universalidade: 
Não importa quem é o Ser humano. Não importa o seu gênero, raça, etnia, credo, 
nacionalidade, idade, classe social ou qualquer outro ponto. Todos são iguais e seus 
direitos naturais devem ser preservados. 
Imutabilidade: 
Tratam-se de direitos que não mudam no tempo e no espaço. Assim sendo pode-se estar 
nos anos de 1810, 2021 ou 3405 que os direitos naturais não deixarão de ser naturais. 
Independe da vontade humana: 
O direito existe independente de pessoa, governo ou instituição. 
Irrevogável: 
Ele não poderá ser anulado, apagado ou deixado de lado em nenhuma circunstância. 
Seria maravilhoso se conseguíssemos evoluir como sociedade ao ponto de todos termos 
como claro a importância dos direitos humanos. Entretanto, devido ao fato de isto não 
acontecer precisamos, como sociedade, instituir formalmente parâmetros de 
comportamento através de normas, ou penas, e do estado para garantir que estas normas 
e penas sejam aplicadas. 
Portanto, realizamos um Pacto Social (Rousseau, Hobbes, Locke - são os 
contratualistas mais conhecidos da história) e além disto uma nova vertente do direito 
emerge visando a garantia de condutas sociais: Juspositivismo. 
O Juspositivismo possui características opostas a primeira corrente, assim sendo ele é 
territorial, mutável, depende da vontade humana (em tese o legislador) e revogável. 
Assim, o direito torna-se formal e institucionalizado. 
As duas vertentes possuem problemas. A primeira quando aplicada sozinha parte do 
pressuposto de que todos as pessoas da sociedade serão justas e entenderão quais 
direitos naturais o ser humano possui e assim agirão e maneira a defendê-lo e garanti-lo, 
o que sabemos não ser verdade. Outra questão é a subjetividade do conceito do que é 
justo ou não, que diferentemente do que prega a corrente não é algo unânime. Já a 
segunda, que depende da existência da norma formal (direito positivo), passa por 
problemáticas porque o direito só existe se existir norma, então mesmo que algo 
obviamente precise ser protegido, enquanto não houver lei que o proteja nada poderá ser 
feito. Além disto, como parte da vontade do homem, acabamospor nos deparar com uma 
reflexão sobre as relações humanas e o poder! Precisamos lembrar que os homens 
possuem relações de poder e de exploração deste poder, portanto, por muitas vezes as 
leis não serão justas, pois são criadas por aqueles que detém o poder em detrimento 
daqueles que não o possuí. 
Nas ciências jurídicas isto é debatido por diversos autores mas não chegam a uma 
unanimidade sobre quem está certo ou quem está errado! Porém, quando estudamos 
sobre os Direitos Humanos percebemos que a maioria dos pensadores o compreendem 
como a positivação dos Direito Naturais. 
Então vamos a ele! 
Direitos Humanos Declarados 
Quando falamos de Direitos Humanos, nos remetemos rapidamente a Organização das 
Nações Unidas (ONU) que os conceitua como “garantias jurídicas universais que 
protegem indivíduos e grupos contra ações ou omissões dos governos que atentem 
contra a dignidade humana”. 
Veja, “garantia jurídicas universais”! Verificamos então que tais direitos são a positivação 
dos direitos naturais acima descritos, viabilizados através do comprometimento dos 
Estados Membros da ONU a garantir o "respeito universal e efectivo dos direitos do 
homem e das liberdades fundamentais” de acordo com a Declaração Universal dos 
Direitos Humanos (ONU, 1948). 
Mas como tudo isso acontece? Só começamos a falar de Direitos Humanos com a ONU? 
Não, em outros momentos históricos teremos ações e documentos que visam efetivar os 
direitos naturais através de normas instituídas pelo homem (Liga das Nações, 
Declaração do Direito do Homem e do Cidadão por exemplo), contudo, a Segunda 
Guerra Mundial é extremamente macabra e deixando marcas monstruosas na 
Humanidade, que não deveriam nunca mais se repetir. 
A ONU foi criada em 1945 inicialmente com 51 membros e atualmente possui mais de 
190 países-membros. Em sua criação os países membros se comprometiam, pela Carta 
das Nações Unidas, remetendo-se a história, a reafirmar sua crença nos direitos humanos 
baseados na dignidade e no valor do ser humano em toda a sua igualdade. 
No ano de 1948 a Declaração Universal dos Direitos Humanos vem então positivar 
estes direitos e através dos seus 30 artigos formalizam direitos naturais como a vida, a 
liberdade e a segurança pessoal (art. 1) e no decorrer de seu bojo ampliam a visão do 
que cada um deles abarca. 
Obviamente a referida declaração foi um ponta pé para a evolução dos Direitos Humanos 
e gradativamente houve a ampliação dos mesmos, haja visto o desenvolvimento da 
sociedade e também da complexidade de Ser humano como dispomos nos módulos 
anteriores. 
O jurista Karen Vazak, no ano de 1979, realizou uma teoria geracional dos Direitos 
Humanos vislumbrada através da classificação abaixo: 
Gerações Ano Direitos Humanos 
Primeira 
geração 
1780 
Direito natural: liberdade 
Direitos individuais: liberdade individual, expresso nos direitos civis e 
políticos. 
Direitos civis- Proteção da integridade Humana: liberdade de 
expressão; proteção a vida privada; presunção de inocência, etc. 
Direitos políticos - Para assegurar a participação popular: direito ao 
voto; direito a ser votado; direito de ocupar cargos públicos. 
Segunda 
geração 
1919 
MARCO HISTÓRICO: Fortalecimento do Estado de Bem-Estar 
Social. 
Direito natural: Igualdade Social 
Direitos Sociais - Dignidade da pessoa humana: direito a educação; 
a alimentação; previdência social, etc. 
Direitos Econômicos - Valorização Trabalho humano e livre iniciativa: 
propriedade privada, defesa do consumidor, princípio da livre 
concorrência. 
Direitos Culturais - Proteção e Valorização da Cultura Nacional: 
preservação do patrimônio histórico cultural, acesso à cultura, 
diversidade cultural. 
Terceira 
geração 
1960 
MARCO HISTÓRICO: Reação aos grandes conflitos mundiais do séc 
XX. 
Gerações Ano Direitos Humanos 
Direito natural: Justiça e Dignidade da pessoa humana 
Direitos transindividuais- Solidariedade e Fraternidade progresso 
sustentável; ao meio ambiente ecologicamente equilibrado; 
autodeterminação dos povos; direito dos hipossuficientes; direito à 
paz. 
Fonte: POLITIZE, 2018. 
 
 
Atenção 
Importante informar que estas gerações não se excluem, na 
verdade elas se complementam durante o processo de 
reconhecimento dos direitos humanos, haja visto que a 
efetividade de um direito depende da realização de outros. A 
liberdade não seria possível se não fosse garantida com 
dignidade! 
 
 
Em 2020 as Nações Unidas produziu a “Nossa Agenda Comum”, consolidada pela 
Declaração em comemoração aos septuagésimo quinto aniversário das Nações Unidas. 
Nesta, após serem ouvidas mais de um milhão e meio de pessoas de todo o mundo, 
foram determinadas 12 áreas de atuação aos países membros: 
1) Não vamos deixar ninguém para trás; 
2) Vamos proteger nosso planeta; 
3) Vamos promover a paz e prevenir conflitos; 
4) Cumpriremos o direito internacional e garantiremos justiça; 
5) Colocaremos mulheres e meninas no centro; 
6) Vamos construir confiança; 
7) Vamos melhorar a cooperação digital; 
8) Vamos atualizar as Nações Unidas; 
9) Vamos garantir um financiamento sustentável; 
10) Vamos impulsionar parcerias; 
11) Vamos ouvir e trabalhar com os jovens; e 
12) Estaremos preparados. 
 
Direitos Fundamentais 
Diversas são as teorias que buscam conceituar os Direitos Fundamentais, porém não 
vamos tecer comentários sobre elas aqui haja visto que não há um fechamento quanto a 
tal debate. 
Jorge Miranda (2000) e seu Manual de Direito Constitucional porém nos oferta a visão 
mais comumente utilizada quanto diferença entre os Direitos Humanos e os Direitos 
Fundamentais. De acordo com o jurista os direitos fundamentais são os direitos humanos 
reconhecidos e positivados na ordenamento jurídico máximo, ou seja, nas Constituições 
de um Estado. 
É importante deixar claro que os Estados, mesmo os membros das Nações Unidas, são 
munidos de soberania e que eles decidirão se reconhecerão dos direitos humanos como 
fundamentais e qual a forma mais adequada de fazê-lo. 
No Brasil, a Constituição Federal de 1988 (CRF/88), conhecida como Constituição 
Cidadão faz uma reviravolta no reconhecimento dos direitos fundamentais, pois o país 
havia passado por 21 anos de ditadura onde o um dos principais direitos humanos aqui 
falados não era garantido: A liberdade! 
A referida Constituição em seu preâmbulo diz: 
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional 
Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o 
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-
estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de 
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia 
social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução 
pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a 
seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.” 
(BRASIL, 1988) 
Perceba que o texto nos remete muito aos princípios, diretrizes e objetivos da Declaração 
Universal dos Direitos Humanos (ONU, 1948), demonstrando que o legislador 
preocupou-se em traçar uma linha de raciocínio baseado nos direitos humanos e sua 
universalidade. 
A Constituição brasileira trará no decorrer de seu conteúdo o Título II “Das garantias e 
direitos fundamentais" que serão divididos em cinco capítulos. Vamos observá-los: 
Das garantias e Direitos Fundamentais 
Cap. I: direitos e deveres individuais e coletivos 
Cap. II: os direitos sociais 
Cap. III: a nacionalidade 
Cap. IV: os direitos políticos 
Cap. V: regramento dos partidos políticos 
A saúde, apresenta-se como um Direito Social, sendo claramente indicada no artigo 6 da 
CRF/88 e ainda ratificada nos artigos 196 à 200 do mesmo ordenamento, que verso 
sobre a universalidade (saúde é direito de todos) e o dever do Estado de garanti-la. 
Saúde como Direito Fundamental 
Quando tratamos do conceito de saúde deixamosclaro que o mesmo não é a ausência de 
doença e que falar em saúde e falar de uma complexidade de ações destinadas a um ser 
multifacetado amplamente. É bem simples de entender porque trata-se de um direito 
natural, humano e fundamental! Quando a saúde do ser humano é afetada todos as suas 
facetas também o são, e vice e versa. 
 
 
Exemplo 
Vamos para um exemplo! A questão da violência pode ser 
entendida inicialmente como uma questão de segurança pública, 
contudo uma mulher que sobre com a violência doméstica 
(quaisquer dos tipos elencados na Lei Maria da Penha) será 
afetada no seu estado de saúde - física e/ou psíquica. 
Por outro lado uma pessoa acometida por uma doença, como 
dissemos outrora, tem diferentes aspectos de sua vida afetados 
por está condição. A família, o trabalho, o exercício da 
cidadania, por exemplo podem lhe ser tolhidos. 
 
A CRF/88 ao determinar a saúde como direito fundamental e colocar este direito sob 
responsabilidade do Estado deixa claro que a dignidade só existe se também a saúde 
existir. A partir deste olhar o já aqui citado Sistema Único de Saúde (SUS) criado em 
1990 e as leis infraconstitucionais que visam efetivar a garantia de saúde passam a 
emergir no ordenamento jurídico. E com o reconhecimento da modificação constante do 
Ser humano este ordenamento vem sendo repensado de maneira constante 
principalmente na lógica de cada vez mais entender a prestação e serviço a saúde de 
maneira humanizada. 
 
Vídeo 
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Verificando o aprendizado 
1) O Direito natural possui algumas características. Desta forma relacione a primeira 
coluna com a segunda e após assinale a alternativa que possui a sequencia correta. 
 
I) Universalidade 
II) Imutabilidade 
III) Independe da vontade humana 
IV) Irrevogável 
 
1) Não importa quem é o Ser humano. Não importa o seu gênero, raça, etnia, credo, 
nacionalidade, idade, classe social ou qualquer outro ponto. Todos são iguais e seus 
direitos naturais devem ser preservados. 
2) Tratam-se de direitos que não mudam no tempo e no espaço. 
3) Ele não poderá ser anulado, apagado ou deixado de lado em nenhuma circunstância. 
4) O direito existe independente de pessoa, governo ou instituição. 
a) 1(I), 2(II), 3(III) e 4(IV) 
b) 1(II), 2(III), 3(I) e 4(IV) 
c) 1(IV), 2(III), 3(II) e 4(I) 
d) 1(III), 2(II), 3(I) e 4(IV) 
e) 1(I), 2(II), 3(IV) e 4(III) 
 
2) O jurista Karen Vazak, no ano de 1979, realizou uma teoria geracional dos Direitos 
Humanos. Assinale a alternativa correta sobre tal teoria: 
a) Primeira geração - Direitos Transindividuais; Segunda geração - Direitos sociais, 
econômicos e culturais; Terceira geração: Direitos individuais, civis e políticos. 
b) Primeira geração - Direitos individuais, civis e políticos; Segunda geração - Direitos 
sociais, econômicos e culturais; Terceira geração: Direitos Transindividuais. 
c) Primeira geração - Direitos sociais, econômicos e culturais; Segunda geração - 
Direitos individuais, civis e políticos; Terceira geração: Direitos Transindividuais. 
d) Primeira geração - Direitos Transindividuais; Segunda geração - Direitos 
individuais, civis e políticos; Terceira geração- Direitos sociais, econômicos e 
culturais. 
e) Primeira geração - Direitos individuais, civis e políticos; Segunda geração - Direitos 
Transindividuais; Terceira geração: Direitos sociais, econômicos e culturais. 
 
3) A Constituição Brasileira de 1988 trará no decorrer de seu conteúdo o Título II “Das 
garantias e direitos fundamentais”. Quanto ao direito à saúde é correto afirmar: 
a) O direito a não está elencado no rol dos direitos fundamentais. 
b) O direito a saúde não é entendido como direito fundamental mas apenas como um 
direito social. 
c) A saúde está elencada como um direito fundamental logo no artigo 6 da 
Constituição e além disto no decorrer da lei este é entendido como direito de todos 
(universalidade) e responsabilidade do Estado. 
d) O direito à saúde sequer é apresentado na Constituição Federal de 1988, ele só 
será apresentado quando da criação do Sistema Único de Saúde (SUS). 
e) O direito a saúde é um direito humano apenas, não sendo no Brasil considerado 
um direito fundamental. 
 
Conclusão 
Considerações finais 
Que grande viagem em histórias, conceitos e sociedades fizemos né? 
A intenção aqui é nos prepararmos para compreender a necessidade de uma 
Humanização no cuidado da saúde. 
Para tanto precisamos verificar como era Ser humano, como é ser Ser humano e como 
será ser Ser humano no futuro que nos aguarda. 
Tivemos que reconhecer a decadência da sociedade quanto as suas relações 
interpessoais e como o cuidado foi sendo deixado de lado quanto mais a humanização 
também entrava em colapso. Falamos como os movimentos sociais fizeram uma 
reviravolta no processo de humanização e como a saúde vem sendo afetada por este 
novo olhar. 
Ah! Quanto a saúde debatemos o conceito de saúde e como a normal e o patológico e 
demonstramos como que a diferença entre eles é apenas a lógica da uma média. Aquele 
que está fora da média sendo o anormal e aquele que esta dentro o normal. Tudo isto 
alinhamos a construção deste conceito, inclusive quanto ao conceito do Organização 
Mundial da Saúde (OMS) devidamente criticado pela sua amplitude e busca do homem 
perfeito. 
Por fim, e não menos importante discorremos sobre o lugar do direito a saúde no 
ordenamento jurídico brasileiro, alinhado-o as concepções e direito natural, humano e 
fundamental e demonstrando que sim a saúde é direito de todos e deve ser garantido pelo 
Estado. Contudo, deseja-se uma saúde efetivamente humana e por isto nos próximos 
módulos aprofundaremos nas políticas nacionais de saúde do SUS já citadas aqui. 
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