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Acidentes ofídicos na Amazônia Responsável por normalizar a produção e distribuição dos soros e o controle de acidentes ofídicos Serpentes peçonhentas do Brasil Gênero Bothrops: jararaca Gênero Bothriopsis: jararaca verde (arborícola, cauda preênsil) Gênero Bothrocophias: jararaca bico de folha (terrestre, focinho levantado, corpo robusto) Gênero Lachesis: surucucu, pico-de-jaca (ágil, impulso em “s” ao dar o bote) Gênero Crotalus: cascavel, boicininga (terrestre, robusta, pouco ágil,chocalho na cauda) Família Elapidae: cobra coral (morde e não solta) Acidente botrópico Introdução: encontradas no Brasil todo, 90% dos acidentes ofídicos peçonhentos Epidemiologia: 15 a 49 anos, 70% em homens, parte mais acometidas são a perna e o pé, área rural Mecanismo de ação dos venenos: atuam na neurotransmissão, estrutura e função dos receptores nicotínicos, cascata de coagulação e fibrinólise, sistema complemento e processo inflamatório. Obs: B. Jararaca - veneno - captopril - enzima inibidora de conversão de angiotensina - Atividade inflamatória: aguda fenômenos locais - Atividades sobre a coagulação e plaquetas: veneno - ativa fator de coagulação sanguínea - consumo de fibrinogênio - fibrina intravascular - incoagulabilidade sanguínea - agregação e aglutinação plaquetária - trombocitopenia - Atividade hemorrágica: rompem a integridade do endotélio, inibem a agregação plaquetária Variabilidade na composição do veneno: fatores como idade do animal, distribuição geográfica e caráter individual Quadro clínico Local: picada, sangramento no sítio de inoculação, edema, equimose, quadro doloroso, linfadenomegalia regional, gânglio aumentado e doloroso, equimose no trajeto dos vasos linfáticos, bolhas (conteúdo seroso, hemorrágico ou necrótico) Sistêmico: sangramento sem repercussão hemodinâmica, gengivorragia, hematúria microscópica, púrpura, sangramentos em feridas recentes. Em caso grave: hemorragia intensa em regiões vitais, choque e insuficiência renal. Óbitos relacionados a hemorragia digestiva. Obs: Fator hemorrágico não influencia na coagulação assim como incoagulabilidade não causa sangramento Complicações locais Infecção local: abscesso, celulite, erisipela, fenômenos flogísticos dificultam análise de infecção,edema, eritema e calor local ocorrem tanto no envenenamento e na atividade inflamatória aguda quanto na infecção local Obs: Infecção secundária incipiente reativa sinais inflamatórios em paciente estável, surgimento súbito de picos febris, acentua infartamento ganglionar regional e presença de sinais de flutuação à palpação local Necrose: relacionada ao uso de torniquete ou demora entre o acidente e a soroterapia Síndrome compartimental: aumento da pressão dentro de um compartimento fechado que resulta em anormalidade da função neuromuscular Déficit funcional: lesões que levam a alteração de sensibilidade e motricidade no membro acometido, relacionada ao uso de torniquete, sucção, incisão e uso de substâncias sobre o local da picada Obs: Complicações sistêmicas - Insuficiência renal aguda (IRA) Classificação quanto à gravidade Leve: quadro clínico local discreto ou ausente com hemorragia no local da picada (2 a 4 ampolas) Moderado: edema disseminado e hemorragia sistêmica sem repercussão hemodinâmica (4 a 8 ampolas) Grave: complicações como choque, hipotensão, alteração da função renal, sangramento hemorragia digestiva, hemoptise, sangramento SNC, edema de rápida progressão e edema em cabeça e pescoço (12 ampolas) Fatores prognósticos nos acidentes ofídicos Fatores relacionados à serpente: comprimento, idade, espécie, variabilidade de veneno na mesma espécie Tempo entre a picada e o tratamento Qualidade da assistência Peso e idade do paciente região picada Uso de torniquete Venenemia Exames laboratoriais Teste de coagulação: tempo de coagulação (TC), alargamento de tempo de protrombina (TP) e consumo de fibrinogênio Hemograma Dosagem de veneno sérico Tratamento Medidas iniciais: repouso, tranquilizar, não garrotear, limpar com água e sabão, monitorar sinais vitais e volume urinário, levar ao hospital de referência para fazer soroterapia Específico: antiveneno, quanto antes melhor, IV, diluído em SF ou SG glicosado Geral: antibioticoterapia + heparina e reposição de fatores de coagulação + debridamento cirúrgico + fasciotomia + profilaxia de tétano Aspectos clínicos do acidente laquetico Sempre graves Quadro clínico: semelhante ao acidente botrópico Manifestações: clínicas semelhantes ao acidente botrópico Obs: Síndrome vagal - hipotensão, tontura, turvação visual, bradicardia, náusea, vômito, dor abdominal, diarreia e síncope A peçonha possui atividade ativador de plasminogênio, ação coagulante/desfibrinante e hemorrágica, ação inflamatória, ação proteolítica, ação miotóxica (fosfolipase) ação hemolítica (indireta), ação da cininogenase (hipotensão), ação de peptídeos potenciadores de bradicinina (choque) e ação neurotóxica Acidente crotálico Efeito hemolítico e neurotóxico, miotóxico, rabdomiólise Mecanismo de ação do veneno: - Ação neurotóxica (crotoxina): Bloqueio neuromuscular, paralisia motora e respiratória - Ação miotoxica (crotamina): produz lesões no tecido muscular esquelético - Ação coagulante (trombina): prolonga tempo de coagulação (TC) ou torna o sangue incoagulável Quadro clínico - Manifestações locais: marca da Presa, edema e eritema discretos, dor de baixa intensidade, parestesia - Manifestações sistêmicas: mal estar, náusea, você fala, prostração e sonolência ( início), vômito, agitação, variação de PA e tensão emocional. Manifestações clínicas Neurotóxica: fácies miastênica, ptose palpebral, flacidez na musculatura da face, fisionomia de bêbado, oftalmoplegia, visão turva, diplopia, midríase Miotóxica: dor muscular generalizada, escurecimento da urina (mioglobinúria), rabdomiólise Classificação quanto à gravidade Leve: sinais e sintomas neurotóxicos discretos ( 5 ampolas) Moderado: fácies miastênica, mialgia, urina de coloração alterada (10 ampolas) Grave: fácies miastênica, mialgia intensa, urina escura( oligúria ou anúria) Tratamento Local: lavar com água e sabão Específico: soro anticrotálico (SAC), IV, sem diluição, gotejamento contínuo Acidente elapídico São cobras fossoriais, com presas inoculadoras posteriores, não picam, acidentes são raros Ação do veneno - Miotóxica: mionecrose - Neurotóxica ( pós-sináptica): compete com acetilcolina pelos receptores e causa bloqueio neuromuscular (responde ao uso de anticolinesterásico) - Neurotóxica (pré-sináptico): bloqueia a liberação de acetilcolina e não deflagra o potencial de ação (não responde ao uso de anticolinesterásico) Quadro clínico Vômito, as tem astenia, ptose, oftalmoplegia, mialgia, paralisia dos músculos respiratórios, comprometimento da ventilação, insuficiência respiratória Esporotricose Agente etiológico: Sporothrix schenckii Lesões: gomosas, ulceradas, linfagíticas, dermo-epidérmica, ósseas e viscerais, inflamatório e exsudativas Lesão inicial (inoculação do fungo): cancro esporotricótico, início nodular e depois ulcerada Obs: Inoculação sanguínea (pontos afastados) e inoculação linfática (gânglios) Formas Clínicas: - Gomosa linfática: Cancro de inoculação- multiplicação- vasos linfáticos- linfangite e supuração dos gânglios- fístula exterior- inflamação dos gânglios- goma- vasos linfáticos - Gomosa isolada: tecido subcutâneo- sem relação com vasos linfáticos- goma em 12 ou mais partes do corpo (locais diferentes)-disseminação sanguínea - Ulcerosa: Lesões verrucosas e ulcerosas - Dermoepidérmica: lesões superficiais, isolas ou agrupadas- início nodular- depois supuradas - Mucosas/ ósseas/ viscerais: sem lesão característica Diagnóstico: cultura de S.schenkii, Coleta de esodato das lesões gomosas ou raspagem ou escarificaçãodas lesões tratamento: Iodeto de potássio ou de sódio