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NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA Navegação Aérea Avançada André Luis Simões Andrade André Luis Simões Andrade GRUPO SER EDUCACIONAL gente criando o futuro O que é navegação aérea avançada? Por que estudá-la? Realmente utilizarei esse co- nhecimento na minha vida pro� ssional ou pessoal? Essas e outras perguntas vêm à mente quando se começa a estudar essa disciplina, e estes são processos naturais de validação de um novo projeto, objetivo ou tarefa. Como resposta para essas indagações, e estímulo ao estudo dessa disciplina, cito a céle- bre frase do � lósofo e matemático René Descartes: cogito ergo sum, que popularmen- te é traduzida como “penso, logo existo”. Aplicando essa frase ao contexto e conteúdo dessa disciplina, é possível chegar à conclusão de que questionar, analisar e encontrar o propósito de tudo que se sente, pensa ou faz é importante para a vida em sua totalidade. Além disso, independentemente do contexto tecnológico, os conhecimentos de nave- gação aérea avançada não apenas respondem às questões iniciais como também podem salvar vidas, em especial a do aluno e futuro piloto. Conhecer a origem da navegação aérea, seus conceitos básicos, suas terminologias, suas evoluções tecnológicas e seus métodos é muito importante. Além de agregar conhecimentos, isso lhe capacitará para os processos avaliativos no segmento da aviação, como uma banca da ANAC, a seleção para uma companhia aérea ou na con- cepção de um empreendimento que explore algum dos diversos serviços auxiliares na aviação, como tornar-se proprietário ou sócio de uma ESATA (empresa de serviço auxiliar de tráfego aéreo). Capa_SER_CA_NAVAEA.indd 1,3 25/08/2020 17:29:25 SER_ADS_PROGOO_UNID1_1.indd 2 26/06/20 12:53 Navegação Aérea Avançada © Ser Educacional 2020 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira André Luis Simões Andrade DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 2 25/08/2020 14:34:09 Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 3 25/08/2020 14:34:09 Unidade 1 - Da teoria à prática do planejamento do voo Objetivos da unidade ........................................................................................................... 12 A Terra e a navegação aérea ............................................................................................. 13 A Terra e suas características ...................................................................................... 13 A navegação aérea e seus procedimentos ................................................................ 17 Sistema de coordenadas geográficas ......................................................................... 19 Teoria e planejamento para o voo ..................................................................................... 20 Gestão da tripulação, aeronave e condições meteorológicas ............................... 21 Planejamento da rota e contingências ........................................................................ 24 Princípios dos cálculos de subida, rota, descida, alternativa, combustível e autonomia . .29 Métodos de navegação ....................................................................................................... 32 Navegação para piloto privado: visual, celestial e estimada .................................. 32 Navegação para piloto comercial: eletrônica, rádio e satélite ............................... 34 Orientação sobre a superficie da Terra ........................................................................... 35 Sintetizando ........................................................................................................................... 38 Referências bibliográficas ................................................................................................. 39 Sumário SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 4 25/08/2020 14:34:09 Sumário Unidade 2 - Unidades, mapas e equipamentos de navegação aérea Objetivos da unidade ........................................................................................................... 42 Unidades de medidas de velocidade ............................................................................... 43 Unidades de medida: distância, velocidade e geodésicas ...................................... 43 Cálculo de distância: carta aeronáutica e diferenças entre pontos de latitude e longitude ........................................................................................................................... 44 Rota ortodrômica e loxodrômica .................................................................................. 46 Mapas e cartas ..................................................................................................................... 47 Tipos de projeções .......................................................................................................... 48 Escalas e leituras de direção e distâncias ................................................................. 50 Componentes das cartas WAC ..................................................................................... 53 Instrumentos e conhecimentos básicos de navegação aérea .................................... 56 Sistema Pitot-estático .................................................................................................... 57 Altímetro e correções .................................................................................................... 61 Outros equipamentos ...................................................................................................... 65 Sintetizando ........................................................................................................................... 68 Referências bibliográficas ................................................................................................. 69 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 5 25/08/2020 14:34:09 Sumário Unidade 3 - A navegação aérea e os cálculos de proas e rumos Objetivos da unidade ........................................................................................................... 71 A navegação aérea e os cálculos de proas e rumos ..................................................... 72 Magnetismo terrestre .......................................................................................................... 73 NorteUnidos a unida- de é a milha terrestre (ST – statute mile). Porém, na navegação aérea, o padrão utilizado é a milha náutica (NM – nautical mile). A equivalência é 1 NM = 1,150 ST = 1.852 m ou 1,852 km. Pautado nos conhecimentos da geografi a física, o valor aproxi- mado de um minuto do círculo máximo (a linha imaginária do Equador, que divide a Terra nos hemisférios Norte e Sul) permite o procedimento NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 43 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 43 25/08/2020 14:39:08 prático de medida diretamente nas cartas aeronáuticas, podendo utilizar al- gum dos meridianos e o próprio Equador. Já as unidades de medida de velocidade são derivadas da razão entre a dis- tância percorrida e o tempo empregado para tal, resultando, então, em unida- des de medida de velocidade como: km/h (quilômetro por hora), mi/h (milha terrestre por hora) e KT (nós, ou milha náutica por hora), sendo a correspon- dência entre elas: 1 KT = 1,852 km/h = 1,15 mi/h. Menos utilizadas, as unidades geodésicas são empregadas na medição e representação da superfície terrestre, no princípio da relação entre grau, arco e distância. Sabendo-se que a medida em graus, minutos e segundos do círculo máximo (Equador ou meridianos) tem sua equivalência em milha náutica, é possível obter a distância entre dois pontos de uma carta de nave- gação aeronáutica de forma direta, bastando aplicar as diferenças de latitude e de longitude. Cálculo de distância: carta aeronáutica e diferenças entre latitude e longitude As facilidades resultantes do uso de sistemas eletrônicos, aplicativos, programas e sites para realização dos cálculos de distâncias, velocidades, autonomias etc. impactaram signifi cativamente na redução do trabalho para a realização do planejamento e execução do voo e controle técnico e administrativo de manutenções e de operações das aeronaves. No entan- to, conhecer a metodologia manual para realizar esses cálculos é essencial para as boas práticas e prevenção da aviação, pois eles se confi guram como o último recurso em situações de crise, como falhas ou erros nos sistemas, indisponibilidade de acesso à internet e pane nos equipamentos. O método é simplório, uma vez que exige apenas a coleta de forma gráfi - ca dos graus para depois transformá-los em milhas náuticas. A metodologia consiste em unir os pontos A e B, ou seja, origem e destino, utilizando uma régua, compasso ou mesmo um pedaço de papel, marcando a dimensão en- tre os pontos (conforme Figura 1). O objeto utilizado é sobreposto em algum meridiano (nunca em um paralelo, porque as marcações não correspondem a 1 NM), ou mesmo sobre a linha do Equador, caso esta esteja visível na NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 44 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 44 25/08/2020 14:39:08 carta de navegação em uso. O quantitativo de graus e minutos correspon- dentes é convertido em milha náutica, em uma correspondência direta de: 1º = 60 NM e 1’ = 1 NM. Figura 1. Cálculo de distâncias em carta aeronáutica. O método de cálculo utilizando as coordenadas geográficas tem como base o uso da fórmula do teorema de Pitágoras. A reta que conecta os pon- tos é inclinada, portanto, a distância será a hipotenusa do triângulo retân- gulo, cujo cálculo se dá pela raiz quadrada da soma dos quadrados dos ca- tetos. Esses valores são obtidos dos cálculos de distância entre as latitudes (DLA) e de distância entre as longitudes (DLO) dos referidos pontos e seus valores convertidos em distância (NM). Por exemplo, tomando como ponto de origem o Aeroclube de Campina Grande, em São José da Mata – PB/ SNKB (07°10’S/036°00’W), e de destino o Ae- roporto Internacional de João Pessoa, em Santa Rita – PB (07°07’S/034°55’W), a diferença entre as latitudes dos pontos será de 3’ = 3 NM e entre as longitu- des de 5’ = 5 NM. A distância é de 32 + 52 = 5,83 NM. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 45 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 45 25/08/2020 14:39:16 CURIOSIDADE Você sabia que, geralmente, em sistema de informação geográfi ca (GIS), web mappings e em dispositivos de GPS é mais comum encontrar referên- cias de coordenadas geográfi cas expressas em graus decimais (quando a latitude e a longitude se apresentam como frações decimais) do que em graus, minutos e segundos? A diferença é explicada pelo fato de que, em vez de utilizar os referenciais dos hemisférios, utilizam-se as notações positivas para as latitudes ao norte da Linha do Equador e longitudes a oeste do Meridiano de Greenwich, e negativas para as latitudes ao sul da Linha do Equador e a leste de meridiano primário. Rotas ortodrômica e loxodrômica Um conteúdo conceitual que aborde a navegação em longas distâncias se faz necessário para a compreensão da influência entre uma rota com rumo constante e uma com rumo variável. Isso porque a gestão de um voo deve considerar os seguintes fatores: o percurso (o mais curto otimiza combustível e tempo); uma eventual necessidade de apoio em solo du- rante a rota (pousos técnicos para abastecimento, manutenção preventiva etc.); e a existência de previsões meteorológicas que possam impactar na segurança, custo ou conforto dos passageiros durante o voo (considerar os níveis de voo sob a possibilidade de existência de trovoadas, ventos contrários, través ou turbulências). O planejamento da rota de um voo deve considerar a esfericidade da Terra, optando, assim, por rotas orto- drômica ou loxodrômica. Rota ortodrômica x loxodrômica A rota ortodrômica permite rotas mais curtas, mas com correções regu- lares do rumo, tendo em vista que o voo cruza os meridianos em ângulos diferentes. Já uma rota loxodrômica permite uma gestão mais simplifi cada do voo, uma vez que o rumo intercepta os meridianos em ângulos cons- tantes; mas, por outro lado, demanda mais tempo e custo de combustível, considerando que o percurso é o de um arco curvo, se projetado em um um plano. Em voos visuais e/ou de curta distância, o usual é realizá-los com rota loxodrômica, porque em voos longos ou realiza-se uma rota ortodrômica ou uma rota mesclada. Na Figura 2 é possível observar as diferenças entre os dois tipos de rota em um deslocamento de longa distância. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 46 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 46 25/08/2020 14:39:16 A η η η B Ortodrômica Loxodrômica N Figura 2. Rota ortodrômica e loxodrômica. Mapas e cartas No que se refere à teoria de cartografi a, é necessário compreender quais são os tipos de projeções, confi gurações e itens importantes, como escalas, representações gráfi cas de informações importantes etc. O uso desses co- nhecimentos na prática de navegação aérea permite a correta manipulação, leitura e interpretação das cartas aeronáuticas para aplicação das regras de voo adequadas, estejam elas em versão física ou digital. Mapa é uma representação geográfi ca da superfície elipsoidal da Terra, em uma escala pequena, em geral apresentando caracte- rísticas culturais, naturais, artifi ciais e em especial geo- gráfi cas, limitadas por elementos físicos e político-admi- nistrativos (SENE; MOREIRA, 2012, p. 58). Por outro lado, as cartas apresentam no plano, em escalas média ou grande, as representações dos aspectos artifi ciais e naturais referenciados pelos paralelos e meridianos, possuindo, assim, características complexas e conteú- NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 47 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 47 25/08/2020 14:39:16 dos técnicos necessários à aplicação em atividades como a aviação. Os auto- res ainda defi nem o conceito de plantas, que são cartas apresentando infor- mações bem detalhadas da área representada (SENE; MOREIRA, 2012, p. 59). Tipos de projeções A difi culdade de representar as superfícies da Terra é justifi cada pela transferência de pontos referenciados em coordenadas esféricas (isto é, em três dimensões) para uma superfície 2D com coordenadas cartesianas. O processo de projeção repercute em distorções, maiores ou menores, inde- pendentemente da técnica.É possível observar na Figura 3 a maneira como os mapas são obtidos com as técnicas de projeção gnomônica (a fonte de luz no centro da terra), estereográfi ca (a fonte da luz tangencia o lado oposto da superfície da Terra) e ortográfi ca (a fonte de luz no infi nito, gerando feixes de luz paralelos). Gnomônica Estereográfi ca Ortográfi ca 8 8 O C O C 8 C Figura 3. Projeção gnomônica, estereográfi ca e ortográfi ca.. Fonte: JOLY, 1990. A gnomônica, ou central, é utilizada em projeções tipo Mercator e Lam- bert, que são as mais usuais. Já a estereográfi ca e a ortográfi ca são menos utilizadas, a exemplo da projeção estereográfi ca polar. Dependendo da fi nalidade da carta, é selecionada a projeção que melhor se adéqua (cilíndrica, cônica e plana ou azimutal). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 48 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 48 25/08/2020 14:39:16 As projeções de Mercator e de Peters são do tipo cilíndrica, de origem gno- mônica, e cuja metodologia consiste em projetar a superfície terrestre em um cilindro a partir do centro, tangenciando sua linha central ao Equador, o que gera distorções nas áreas mais próximas aos polos. Já a projeção de Lambert é do tipo cônica planificada, também de origem gnomônica, podendo apenas representar um hemisfério ou parte dele, como, por exemplo, áreas de altas latitudes. Por fim, a projeção plana ou azimutal considera como centro da projeção o ponto de tangência, gerando distorções significativas dos pontos mais afastados. Esse tipo de projeção é geralmente utilizado para representar áreas próximas aos polos. A Figura 4 apresenta as representações destas projeções. Cilíndrica Cônica Azimutal Figura 4. Projeção cilíndrica, cônica e azimutal. Fonte: FERREIRA, 2003. As projeções mais aplicadas em cartas de navegação aérea são as cilín- dricas e cônicas, pois preservam a forma (ou seja, geram menores distorções). As relações angulares são mantidas e a escala é aplicável em toda a superfície da carta. Um exemplo de carta de navegação aérea que utiliza projeção tipo Lambert é a carta WAC, que permite o planejamento do voo com referência nas marcações rádio existentes nas áreas. Nas cartas de projeção cilíndrica tipo Mercator é possível traçar linhas retas para as rotas loxodrômicas, o que facilita a identificação do rumo da navegação. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 49 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 49 25/08/2020 14:39:23 Veja as principais características das cartas Mercator e Lambert na Tabela 1. Carta Mercator Carta Lambert Paralelos Linhas retas horizontais não equidistantes Arcos de círculos concêntricos Meridianos Linhas retas verticais equidistantes Linhas retas convergentes Conforme Sim Sim Círculos máximos Linhas curvas, exceto os meridianos e o Equador Linhas aproximadamente retas Ortodromia Linha curva, exceto meridianos e Equador aproximadamente uma Linha reta Ioxodromia Linha reta Linha curva Linha de rota Linha reta Linha curva Direção da rota Medida em qualquer meridiano ao longo da rota Medida no meridiano médio da rota traçada Medida de distância Medida na latitude média Medida em qualquer meridiano Escala de distância Variável Constante Aumento da escala Aumenta com a distância do Equador Aumenta com a distância do centro da projeção Origem da projeção Gnomônica Gnomônica Usos para a navegação Navegação em geral, principalmente a marítima Navegação estimada e eletrônica, princi- palmente aérea Linhas retas horizontais não Linhas retas horizontais não Linhas retas verticais equidistantes Linhas retas horizontais não equidistantes Linhas retas verticais equidistantes Linhas curvas, exceto os meridianos e Linhas retas horizontais não equidistantes Linhas retas verticais equidistantes Linhas curvas, exceto os meridianos e Linhas retas horizontais não equidistantes Linhas retas verticais equidistantes Linhas curvas, exceto os meridianos e Linha curva, exceto meridianos e Linhas retas verticais equidistantes Sim Linhas curvas, exceto os meridianos e Linha curva, exceto meridianos e Linhas retas verticais equidistantes Linhas curvas, exceto os meridianos e o Equador Linha curva, exceto meridianos e Linhas retas verticais equidistantes Linhas curvas, exceto os meridianos e o Equador Linha curva, exceto meridianos e Equador Medida em qualquer meridiano ao Arcos de círculos concêntricos Linhas curvas, exceto os meridianos e Linha curva, exceto meridianos e Equador Linha reta Medida em qualquer meridiano ao Arcos de círculos concêntricos Linhas curvas, exceto os meridianos e Linha curva, exceto meridianos e Linha reta Linha reta Medida em qualquer meridiano ao Arcos de círculos concêntricos Linhas retas convergentes Linha curva, exceto meridianos e Linha reta Medida em qualquer meridiano ao longo da rota Medida na latitude média Arcos de círculos concêntricos Linhas retas convergentes Linhas aproximadamente retas Medida em qualquer meridiano ao longo da rota Medida na latitude média Aumenta com a distância do Equador Arcos de círculos concêntricos Linhas retas convergentes Linhas aproximadamente retas aproximadamente uma Linha reta Medida em qualquer meridiano ao longo da rota Medida na latitude média Variável Aumenta com a distância do Equador Arcos de círculos concêntricos Linhas retas convergentes Sim Linhas aproximadamente retas aproximadamente uma Linha reta Medida em qualquer meridiano ao Medida na latitude média Variável Aumenta com a distância do Equador Navegação em geral, principalmente Linhas retas convergentes Linhas aproximadamente retas aproximadamente uma Linha reta Medida na latitude média Aumenta com a distância do Equador Gnomônica Navegação em geral, principalmente Linhas aproximadamente retas aproximadamente uma Linha reta Medida no meridiano médio da rota Aumenta com a distância do Equador Gnomônica Navegação em geral, principalmente Linhas aproximadamente retas aproximadamente uma Linha reta Linha curva Medida no meridiano médio da rota Aumenta com a distância do Equador Gnomônica Navegação em geral, principalmente a marítima aproximadamente uma Linha reta Linha curva Linha curva Medida no meridiano médio da rota Medida em qualquer meridiano Aumenta com a distância do Equador Navegação em geral, principalmente a marítima aproximadamente uma Linha reta Linha curva Medida no meridiano médio da rota traçada Medida em qualquer meridiano Aumenta com a distância do centro da Navegação em geral, principalmente Medida no meridiano médio da rota traçada Medida em qualquer meridiano Aumenta com a distância do centro da Navegação em geral, principalmente Medida no meridiano médio da rota Medida em qualquer meridiano Constante Aumenta com a distância do centro da Medida no meridiano médio da rota Medida em qualquer meridiano Constante Aumenta com a distância do centro da Navegação estimada e eletrônica, princi- Medida em qualquer meridiano Aumenta com a distância do centro da projeção Gnomônica Navegação estimada e eletrônica, princi- Aumenta com a distância do centro da projeção Gnomônica Navegação estimada e eletrônica, princi- palmente aérea Aumenta com a distância do centro da Gnomônica Navegação estimada e eletrônica, princi- palmente aérea Aumenta com a distância do centro da Navegação estimada e eletrônica, princi- palmente aérea Navegação estimada e eletrônica, princi- palmente aérea Navegação estimada e eletrônica, princi- TABELA 1. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS CARTAS DE MERCATOR E LAMBERT Escalas e leituras de direção e distâncias Os recursos disponibilizados nas cartas servem para realizar metodolo- gias de leitura, localização, dimensionamento e orientação. Um dos princi- pais elementos é a escala, que permite realizar a equivalência entre o valor gráfi co na carta e o valor real na superfície da Terra. No planejamento de ASSISTA Para compreender a complexidadedo serviço de con- troladores de tráfego aéreo e de gestão dos recursos humanos, operacionais, técnicos e educacionais que o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) mobiliza para promover a gestão do tráfego aéreo brasi- leiro, assista ao vídeo Dia do Controlador. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 50 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 50 25/08/2020 14:39:26 uma rota, esse recurso permite a utilização das medidas na carta para obter a dimensão real do deslocamento e proceder com o cálculo do consumo, velocidade e autonomia, por exemplo. Um percurso medindo 10 cm em uma carta de escala 1:1.000.000 corresponde a 10.000.000 cm na superfície, isto é, 10 km. Outra consideração que pode ser feita é no que se refere à quan- tidade de informações contidas, tendo em vista que uma carta de escala maior apresenta uma área menor da superfície da Terra com mais detalhes que do que uma de escala menor. Quanto ao tipo e localização habituais das cartas, elas podem ser: escala gráfica, que é posicionada na parte de baixo, por meio de segmentos de re- tas graduadas cada uma com unidades de medidas de distância diferentes (milha náutica, quilômetro e milha terrestre); ou escala fracionária, que é representada por uma fração matemática, sendo o centímetro a unidade métrica usual, e é situada na área inferior central das cartas ou no canto inferior direito, conforme o exemplo da Figura 5. Figura 5. Escala gráfica e fracionária de uma carta WAC (Carta Aeronáutica Mundial). Fonte: INDE, 2016. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 51 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 51 25/08/2020 14:39:35 A orientação em uma carta é aplicável tanto na etapa do planejamento da rota quanto durante o voo, ressaltando mais uma vez que este conhe- cimento é de grande importância para a prevenção de acidentes, pois a dependência de sistemas automáticos pode ser um problema em situa- ções de pane em que os meios digitais estejam indisponíveis. Conforme demonstrado na Figura 6, o processo manual consiste em posicionar o centro de um transferidor sobre a linha que une os pontos de origem e destino do trecho do voo, referenciando o ângulo 0° (zero grau) com um paralelo, ou o de 90° com um meridiano, e realizando a medição do ângulo no sentido do voo. Vale lembrar que o rumo obtido tem relação com o nor- te verdadeiro, ao qual a carta está referenciada, sendo necessário provi- denciar a correção da declinação magnética para obter o rumo magnético para a orientação em voo. Figura 6. Marcação de rumo em carta WAC. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/06/2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 52 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 52 25/08/2020 14:39:44 Componentes das cartas WAC A Carta Aeronáutica Mundial (WAC – World Aeronau- tical Chart) é uma projeção cônica, como a de Lam- bert, com escala de 1:1.000.000, cuja finalidade é con- ceder informações suficientes para o planejamento e navegação aérea apoiada por referência visual. No Brasil, ela é elaborada pelo Instituto de Car- tografia da Aeronáutica (INDE, 2016), seguindo as orientações do Anexo 4 da Convenção sobre Avia- ção Civil Internacional e o Doc 8697 da International Civil Aviation Organization (OACI) para a confecção das cartas aeronáu- ticas, compiladas a partir de uma base cartográfica do IBGE e DSG de es- cala maior, de forma a obter o nível de precisão requerida de informações geográficas físicas, políticas e, em especial, de informações aeronáuticas, a exemplo de: auxílios de navegação (NDB, VOR etc.), aeródromos (dimen- sões, orientações de pistas etc.), espaços aéreos (condicionados, proibi- dos, restritos), altitudes máximas de quadrícula (VEM) etc. ASSISTA A fim de aprofundar a compreensão acerca da com- plexidade da cartografia da aeronáutica, indicando as ações realizadas no Instituto de Cartografia da Aero- náutica (ICA), assista ao vídeo FAB no Controle – Car- tografia Aeronáutica. De forma a viabilizar a apresentação de toda a extensão do territó- rio com o nível de detalhes adequados à aviação (MINISTÉRIO DA DEFESA, 2019a, 2019b; DECEA, 2018), a WAC é composta por 46 partes compreendi- das entre os números 2.827 (Serra Pacaraima) e 3.434 (Rio da Prata). Para selecionar a carta adequada, basta consultar o portal AISWEB con- forme consta nas referências bibliográficas, acessar a seção Cartas, sele- cionar o arquivo Mapa-Índice e observar a enumeração correta para a área que compreende a região na qual o voo será realizado. É o que demonstra a Figura 7. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 53 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 53 25/08/2020 14:39:44 Figura 7. Mapa-Índice das Cartas de Navegação Visual. Fonte: DECEA, 2019. Todos os componentes das cartas WAC são importantes, e, por isso, há sempre uma legenda contendo exemplos de como interpretar as informa- ções. No MCA 96-1: manual de confecção de cartas visuais é possível encontrar, no capítulo 2, a descrição de cada um dos componentes da Carta Aeronáutica Mundial (WAC), tais como escala, formato, projeção e sistema de referência, título e identificação, construções e topografia, declinação magnética e in- formação aeronáutica (aeródromos, obstáculos, áreas proibidas, restritas ou perigosas, auxílios à navegação aérea e informações suplementares como fa- róis aeronáuticos e marítimos). Quanto à topografia do relevo, deve-se destacar especialmente a infor- mação referente aos valores das elevações máximas (VEM) que apresenta as elevações máximas indicadas nas quadrículas limitadas pelos paralelos NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 54 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 54 25/08/2020 14:39:57 e meridianos, identificando em algarismos grandes a informação dos mi- lhares de pés e em algarismos pequenos as centenas de pés acima do ní- vel médio do mar. Para realizar o voo com segurança, o padrão é somar 1.000 FT à informação do VEM, de modo que seja realizada a seleção do nível ou altitude de voo. As construções e informações aeronáuticas, tais como cidades, estradas, limites das fronteiras, aeródromos, auxílios à navegação, espaço aéreo con- dicionado, obstáculos, dentre outras, são utilizadas para realizar a navegação apoiada por referência visual, conforme exemplificado na Figura 8. 1 - Rodovia 2 - Estrada de ferro 3 - Obstáculo natural Aeroporto de Campina Grande1 2 3 Figura 8. Navegação apoiada em referências visuais. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 55 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 55 25/08/2020 14:40:05 Considerando a Figura 8, dois aspectos devem ser ressaltados: o risco das operações aéreas visuais, levando em conta a existência de linhas de transmis- são de energia praticamente alinhadas ao prolongamento da pista de pouso/ decolagem por uma das cabeceiras (destaque na seta pequena em vermelho); e a informação da declinação magnética (destaque da caixa tracejada em azul), essencial para determinar o rumo e a proa magnéticos. De forma a garantir a segurança, uma recomendação importante é man- ter na aeronave as cartas WAC da região a ser voada nas versões físicas para poder realizar procedimentos de cross-check das informações das cartas e do solo, mesmo que o nível de confi ança nos equipamentos GPS seja elevado. Segundo a ANACpédia, cross-check é o procedimento por meio do qual o piloto realiza uma verifi cação de segurança de determinado item, seja de ins- trumentos, equipamentos de handling ou de comunicação bilateral etc. Con- fi ra mais informações no link que consta nas referências bibliográfi cas. Instrumentos e conhecimentos básicos de navegação aérea Para que seja seguro e efi ciente, um voo visual (VFR) ou por instrumento (IFR) deve possuir três classes de instrumentos básicos e operantes: os que utilizam a variação da pressão do ar para realizar as indicações (velocímetro, altímetro e climb); os giroscópicos, pautados no princípio da inércia giroscó- pica (Turn and Bank, giro direcional e horizonte artifi cial); e aqueles baseados no campo magnético da Terra como referência (bússola magnética). Figura 9. Six-pack:da utilização do referen- cial de separação das aeronaves em níveis de voo/altitude, demonstrando como evitam os riscos de conflito de tráfego aéreo em altitude ou nível de voo, acesse o link do Blog Sobrevoo do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, disponível nas referências bibliográficas. Algumas considerações sobre altitude são necessárias para a compreensão das ações em prol da segurança do voo. A correspondência exata da informação de altitude só ocorre quando a aeronave está realizando voo em uma região que apresenta condições idênticas às da Atmosfera Padrão da ICAO (ISA) – pressão de 1013,2 hPa, temperatura de 15 °C e gradiente de temperatura de 2 °C/1000 FT. Po- rém, a pressão e a temperatura atmosférica apresentam variações dependen- do da região e da distância da superfície, além do período do dia e do ano. A preocupação é quanto ao grau de diferença entre a altitude verdadeira e a calculada com referência à ISA, pois certas condições podem implicar em voos inseguros. A forma de corrigir os possíveis erros, isto é, de mitigar o risco de conflito de tráfego ou de colisão com o solo, é efetuar ajustes no altímetro com a pressão do local. Como exemplo, se uma aeronave decola do Aeroporto Internacional do Recife (SBRF, Recife – PE), situado ao nível do mar, com pressão de 1016,0 hPa e temperatura ambiente de 27 °C, com destino ao Aeroporto Presidente João Suassuna (SBKG, Campina Grande – PB), situado a 500 m acima do nível do mar, e no momento do pouso encontra uma pressão local de 1009,0 hPa e 27 °C, o erro NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 62 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 62 25/08/2020 14:40:49 pela diferença de pressão é de 210 pés, agravando o perigo ao voo, tendo em vista que na região de destino encontra-se a Serra da Borborema, com relevos significativos. Assim, é mandatório que o piloto, ao cruzar o nível de transição, realize o ajuste do altímetro para 1009,0 hPa. Alguns importantes conceitos de altimetria: • Altitude indicada: quando o altímetro está ajustado com a pressão do local (QNH) na janela de ajuste de pressão, esta será a informação lida; • Altitude calibrada: obtida quando o altímetro é ajustado para corrigir os erros do instrumento; • Altitude de pressão: ou QNE, é a informação lida quando o altímetro está ajustado com a pressão da Atmosfera Padrão da ICAO (ISA), de 1013,2 hPa. Aplica-se quando a etapa do voo está sendo realizada acima da altitude de transição, sendo o nível de voo; • Altitude verdadeira: quando a altitude está acima do nível médio do mar (MSL) e os cálculos dos erros de temperatura e pressão foram realizados. Não é usual em voo, mas é comumente utilizada para informar as altitudes dos obstáculos, elevações e aeródromos em cartas aeronáuticas; • Altitude absoluta: quando é conhecida a altitude da aeronave e da eleva- ção do terreno, pode-se obter a altura da aeronave em relação ao terreno; • Altitude de densidade: obtida quando se aplica à altitude de pressão cor- reções da variação da temperatura do ar com relação à do padrão ISA. É apli- cada na análise da performance da aeronave, principalmente na decolagem; • Erros altimétricos: podem ocorrer devido a falhas de fábrica, instalação ou manutenção do altímetro, obstrução da tomada estática de pressão, di- nâmica do voo e, em especial, a variações da pressão e da temperatura am- biente. Estas são muito importantes para a condução do voo em rota segu- ra no que se refere à separação das outras aeronaves que estão voando em níveis de voos distintos, pois a variação da pressão e da temperatura implica em não correspondência com a altitude verdadeira. Exemplos de erros altimétricos: se uma aeronave decola de uma região com alta pressão e se desloca para outra de baixa pressão, a altitude verdadeira será menor do que a altitude indicada pelo altí- NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 63 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 63 25/08/2020 14:40:49 metro. Quanto à temperatura, se uma aeronave decola no raiar do dia de uma localidade para realizar um voo de navegação e retorna duas horas mais tarde, ela encontrará uma temperatura mais elevada, portanto, a altitude verdadeira será maior do que a altitude indicada pelo altímetro. Podem ocorrer também situações combinadas, pois, se o voo ocorre de uma localidade situada em uma região serrana, sob a influência de alta pressão e alta temperatura, para uma área litorânea de baixa pressão e baixa temperatura, o risco será majorado, já que a altitude verdadeira será bem menor do que a altitude indicada pelo altímetro; • Ajustes altimétricos: para cada fase do voo, o altímetro deve estar ajus- tado para indicar corretamente os distanciamentos, seja dos obstáculos e referências em solo, seja entre aeronaves que estejam voando na mesma região, o que contribui para a gestão segura e eficiente do tráfego aéreo e das operações de pouso e decolagem. Há quatro ajustes possíveis: QFE, QFF, QNH e QNE. Os mais usuais na execução do voo são QNH e QNE; • QNH: indicação da altitude em relação ao nível médio do mar. É utilizado nas fases de decolagem, aproximação e pouso, pois é a altitude corrigida para os erros de pressão. O fornecimento dos dados dessa pressão é realizado pelos órgãos de comunicação e controle do tráfego aéreo (ATIS, ERAA, AFIS, TWR ou APP do local). Quando no solo com o altímetro ajustado em QNH, este informará a altitude do aeródromo; • QNE: esta indicação de altitude indica o nível de pressão de 1013,2 hPa, conhecido como ajuste-padrão. O altímetro revelará o nível de voo em que a aeronave se desloca quando estiver realizando voo de cruzeiro em rota, po- rém não considera os erros de pressão e temperatura, divergindo da altitude verdadeira, o que pode implicar em riscos de conflito de tráfego. Altitude de transição é aquela em que, após a decolagem, o piloto deve trocar de QNH para QNE. E nível de transição é aquele em que o piloto, des- cendo para pouso, deve trocar de QNE para QNH. O cheque do altímetro no solo é um procedimento de segurança possível em aeródromos que possuem estação meteorológica, permitindo a avalia- ção da confiabilidade do altímetro, ou da informação de pressão recebida. Consiste na verificação pelo piloto em comando durante a preparação para o voo, que deve inserir o ajuste QNH no altímetro e verificar se a altitude NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 64 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 64 25/08/2020 14:40:49 indicada corresponde à informação existente na carta aeronáutica de refe- rência quanto à altitude do aeródromo. Se a diferença for de mais ou menos pés, é necessário acionar uma manutenção corretiva e o voo não deve ser realizado. Figura 15. Equipamentos do six-pack: velocímetro, horizonte artifi cial, altímetro, turn coordinator, giro direcional e climb. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/06/2020. Outros equipamentos A Figura 15 exemplifi ca o velocímetro e o altímetro, bem como os demais equipamentos básicos, como horizonte artifi cial, turn coordinator, giro direcio- nal e climb. O horizonte artifi cial, também conhecido como indicador de atitude em re- lação ao pitch (nariz da aeronave) e ao bank (inclinação), utiliza os princípios de giroscópio e tem como função básica a indicação da altitude da aeronave em relação ao horizonte. Foi desenvolvido para permitir que o piloto pudesse orientar-se em situações em que não fosse possível manter referências visuais com os referenciais em solo, em especial o horizonte, o que poderia ocasionar desorientação espacial e riscos ao voo. Ele compôs os primeiros instrumentos NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 65 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 65 25/08/2020 14:40:59 que permitiram a realização dos voos IMC, isto é, sob condições meteorológi- cas de voo por instrumentos (instrument meteorological conditions), e tal recurso permite que o piloto mantenha a altitude correta do voo apenas se orientando por instrumentos. O equipamento chamado turn coordinatorpossui outras denominações: in- clinômetro, “pau e bola” e Turn and Bank, e, da mesma maneira que o horizonte artificial, tem como princípio de funcionamento o uso do giroscópio. Suas fun- ções são demonstrar a velocidade de inclinação da curva indicada por uma aero- nave ao centro do monitor e coordenar a curva por meio de uma pequena bola no segmento inferior do monitor, o que permite o acompanhamento da atuação combinada entre manche e pedal, que, por sua vez, comandam os ailerons e o leme, respectivamente, evitando a glissagem ou derrapagem. O giro direcional, mais um instrumento baseado no uso de giroscópio, per- mite ao piloto realizar de forma adequada e precisa a manutenção da proa mag- nética da aeronave em voo, uma vez que a informação foi comparada com a indicação da bússola. Havendo apenas a necessidade de observar a ocorrência de desvios do alinhamento ocasionados por um fator mecânico, a precessão do giroscópio pode ser agravada por questões de manutenção incorreta, como falta de lubrificação ou presença de sujidades. É possível realizar ajustes em solo ou em voo por meio de um botão no canto inferior esquerdo do instrumento, inse- rindo a mesma proa indicada pela bússola magnética no giro direcional. A verifi- cação do giro direcional no solo deve ser feita no momento das curvas durante o taxiamento da aeronave e em voo em intervalos de 15 minutos. É interessante atentar para o fato de que os equipamentos horizonte artifi- cial, turn coordinator e giro direcional são instrumentos giroscópicos, alimenta- dos por uma bomba de vácuo. O funcionamento desta bomba deve ser verifica- do quanto à pressão de sucção, que deve estar entre 4.5 e 5.5 in.Hg, pois caso esteja apresentando valores menores, os instrumentos poderão apresentar defasagem. O instrumento denominado climb, ou variômetro, indi- ca a velocidade vertical, ou razão de descida ou subida em unidades de pés por minuto (FT/min), que permi- te observar se a aeronave está em procedimento de subida (valores positivos), descida (valores negativos) ou NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 66 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 66 25/08/2020 14:40:59 nivelada (valor zerado). Seu funcionamento é baseado no uso da pressão obti- da pela linha da tomada estática do sistema Pitot, que provoca deformações na cápsula aneroide, que as transmite para o ponteiro no mostrador. O check de funcionamento se dá em solo, com o ponteiro permanecendo em zero. E seu uso auxilia o piloto de aeronaves de trem de pouso retrátil, ou escamoteável, a verificar o momento adequado para recolher o sistema, observando valores positivos do climb e do aumento dos valores do altímetro. Além do six-pack, a bússola magnética é um dos instrumentos mais impor- tantes e básicos para a realização das ações de navegação e orientação em voo. A finalidade é a indicação das direções magnéticas na superfície terrestre, mas é afetada por reações dinâmicas em voo, como em situações de turbu- lências, aceleração e redução da velocidade. Seu funcionamento é pautado no magnetismo terrestre, por isso é constituída por uma agulha imantada equili- brada sobre seu centro de massa, podendo girar sobre uma superfície circular graduada em graus de 0° a 360° dentro de uma cuba, na qual é gravada uma referência intitulada de linha de fé, alinhada rigorosamente com o eixo longitu- dinal da aeronave. De maneira a facilitar a leitura da direção, essa cuba é preenchida com líqui- do (água e álcool ou querosene, por exemplo, para evitar o congelamento) e no mostrador há uma rosa dos ventos alinhada com o seu eixo norte-sul. Portan- to, o ângulo indicado na rosa dos ventos entre a linha de fé e a linha norte-sul da agulha será igual ao ângulo entre a proa da aeronave e o norte magnético. O check de funcionamento da bússola deve ser realizado em solo e também em voo, pois equipamentos e a própria estrutura da aeronave podem gerar cam- pos magnéticos internos e desviar a indicação correta da bússola. Outro instrumento trivial é o relógio, munido também da funcionalidade cronômetro, e sua utilidade na navegação aérea é para cálculos de estimativas, de tempos em curvas etc. O check de funcionamento deste instrumento deve ser feito em relação ao horário indicado no mostrador, que deverá ser a hora UTC ou Zulu, sempre comunicada pelo órgão de informação automática, de comunicação ou controle do aeródromo, denominado de “hora certa”. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 67 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 67 25/08/2020 14:40:59 Sintetizando Nesta unidade, avançamos na compreensão da navegação aérea, abordando as bases dos cálculos, as unidades de medida de distâncias e velocidades, e os conhecimentos de cartografia necessários para localização e orientação. Vimos ainda quais os principais equipamentos de navegação, de forma a assegurar que esses conteúdos permitam que os futuros profissionais no segmento da aviação possam decidir por soluções adequadas à segurança dos voos. Nos aprofundamos sobre os elementos mais básicos da aviação, as unida- des de medida e suas corretas conversões e cálculos para aplicação nas etapas de planejamento do voo. Logo depois, observamos como os mapas aeronáuticos são constituídos, em especial a Carta Aeronáutica Mundial (WAC), buscando entender as escalas, metodologias de leitura de distâncias e direções e a identificação das simbolo- gias utilizadas para alertar e orientar os pilotos a executarem voos seguros e regulares. Por fim, as informações sobre os principais instrumentos a bordo das aero- naves foram destrinchadas, e são conhecimentos de suma importância para a operação dos voos, pois cada equipamento apresenta suas próprias peculiari- dades, tanto na configuração, quanto na apresentação dos dados, e necessida- des de correções e verificações. As bases do conhecimento são as mais importantes para a carreira, ten- do em vista que devem ser pautadas nelas as decisões estratégicas, táticas e operacionais que poderão ser mais assertivas, resultando, consequentemente, em melhores práticas. Nesta unidade, a aprendizagem dos conhecimentos so- bre unidades, mapas e equipamentos de navegação aérea alicerçam os futuros profissionais de forma adequada e oportuna, atinente aos princípios de segu- rança, eficiência e regularidade da aviação. Bons estudos! NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 68 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 68 25/08/2020 14:40:59 Referências bibliográficas CROSS-CHECK. In: ANACpédia. Brasília, [s. d.]. Disponível em: . Acesso em: 02 jun. 2020. MINISTÉRIO DA DEFESA. Comando da Aeronáutica. ICA 96-1: cartas aeronáuti- cas. Brasília, DF, 2019a. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. MINISTÉRIO DA DEFESA. Comando da Aeronáutica. MCA 96-1: manual de con- fecção de cartas visuais. Brasília, DF, 2019b. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. DECEA – DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AÉREO. AISWEB: Mapa-ín- dice. [S. l.], 2019. Disponível em: . Acesso em: 02 jun. 2020. DIA do controlador. Postado por Canal DECEA (02min. 27s.). son. color. port. Dis- ponível em: . Acesso em: 31 maio 2020. FAB no controle – cartografia aeronáutica. Postado por Força Aérea Brasileira (11min. 09s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 02 jun. 2020. FEDERAL ADMINISTRATION AVIATION. Pilot’s handbook of aeronautical kno- wledge. 2016. Disponível em: . Acesso em: 31 maio 2020. FERREIRA, G. M. L. Moderno atlas geográfico. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2013. INDE – INFRAESTRUTURA NACIONAL DE DADOS ESPACIAIS.Carta Aeronáutica Mundial. WAC 3018 – Natal. Catálogo de Metadados, [s. l.], out. 2016. Dispo- nível em: . Acesso em: 31 maio 2020. JOLY, F. A cartografia. Campinas: Papirus, 1990. MARINHO, D. Departamento de Controle Aéreo. Qual distância mínima um avião deve manter ao voar acima de outro? Blog Sobrevoo, [s. l.], 12 jun. 2017. Dispo- nível em: . Acesso em: 31 maio 2020. SENE, E.; MOREIRA, J. C. Geografia geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2012. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 69 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 69 25/08/2020 14:40:59 A NAVEGAÇÃO AÉREA E OS CÁLCULOS DE PROAS E RUMOS 3 UNIDADE SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 70 25/08/2020 14:42:57 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Conceituar e descrever o magnetismo terrestre e sua aplicação na navegação aérea; Compreender e aplicar os conhecimentos sobre declinação magnética e desvio de bússola na determinação de proas e rumos; Demonstrar conhecimento sobre os computadores de voo e seu uso na resolução de problemas de aeronavegação. A navegação aérea e os cálcu- los de proas e rumos Magnetismo terrestre Norte magnético e declinação magnética Linhas magnéticas Construção da calunga ou pé-de-galinha Proas e rumos Influência do vento Computador (ou calculador) de voo Tipos de computador de voo Cálculos com a face A Cálculos com a face B NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 71 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 71 25/08/2020 14:42:58 A navegação aérea e os cálculos de proas e rumos Desde os seus primórdios, a aviação se pautou nos outros modais de transporte (terrestre e marítimo), aplicando e adaptando as técnicas de navegação já existentes para realizar deslocamentos seguros, rápidos e eficientes, mesmo sob influências de variáveis atmosféricas que interfe- rem no sentido e na velocidade das aeronaves. Fato que demonstra que os conhecimentos básicos do uso da bússola ainda são indispensáveis frente ao avanço das tecnologias. Os sistemas de navegação aplicados à navegação aérea são resultados da busca incessante das ciências e engenharias por soluções que permi- tam o ser humano realizar suas ações de forma segura, em especial em atendimento à velocidade de deslocamento e orientação sobre a super- fície que o transporte aéreo exige, se comparado aos transportes terrestre e marítimo. Nesse sentido, a compreensão dos fenômenos da natureza sempre norteou as pesquisas e o conhecimento de que a Terra se comporta como um grande imã; o magnetismo gera linhas de atuação e pontos com po- tenciais (positivo e negativo) e serviu adequadamente à navegação aérea, buscando alinhar a direção de voo da aeronave em ângulos que referen- ciam o polo norte magnético da Terra, mesmo em situações que a velo- cidade e intensidade do vento impõem ao voo derivas em sua rota, caso não seja corrigida. Esse conhecimento, inclusive, transcende a evolução tecnológica atual, que busca, no georreferenciamento por satélites, a so- lução mais eficiente e eficaz para as rotas aéreas. Evidentemente, como há a possibilidade de indisponibilizações dos sistemas eletrônicos, seja por panes a bordo das aeronaves, ou mesmo devido ao vento solar sobre os satélites, há a necessidade de recorrer aos conhecimentos do uso da bús- sola para realizar a navegação. Assim, de forma atemporal, conhecer sobre o magnetismo da terra e como aplicá-lo à navegação aérea, principalmente sob condições que ne- cessitem executar correções na rota, devido às influências das variáveis meteorológicas, demonstra ser de suma importância para a definição das proas e rumos e a realização de voos seguros, regulares e eficientes. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 72 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 72 25/08/2020 14:42:58 Magnetismo terrestre Observando o eixo de rotação da Terra, quando comparado ao alinha- mento entre os polos magnéticos, percebemos que não há coincidência entre eles. Além disso, por meio dos estudos da petrologia (estudo das rochas), tomamos conhecimento de que a posição dos polos magnéticos varia de localização com o tempo, inclusive, surgindo até mesmo mais de dois polos com inversões de posição. Existe a indicação da diferença angular entre o Norte verdadeiro e o norte magnético nos mapas, chamada de declinação magnética (DMG). Observe na Figura 1 como era a variação da DMG na superfície da Terra em 1910. Figura 1. Mapa de declinações magnéticas – 1910. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 22/07/2020. Em 100 anos, os polos magnéticos da Terra se deslocaram sob a super- fície com velocidades diferentes. O polo Norte se movia a 14 km por ano no início do século e, atualmente, movimenta-se a 54 km por ano, enquanto o polo Sul mantém sua posição com poucas variações, exigindo que o mo- delo magnético mundial e os mapas de navegação sejam atualizados, bus- cando apresentar nas quadrículas a relação entre os meridianos, orienta- dos em relação ao Norte verdadeiro e às declinações magnéticas. Tudo isso para que seja possível utilizarmos a bússola de forma adequada. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 73 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 73 25/08/2020 14:43:21 Nas cartas aeronáuticas, os meridianos são plotados referenciando o Norte verdadeiro. Assim, para que as rotas possam ser traçadas e cor- relacionadas com as etapas de voo, é necessário estabelecer a proa e o rumo da rota por meio das linhas isogônicas, linhas que unem pontos com a mesma variação magnética, utilizadas para efetuar a correção do desvio bússola e permitir a realização do voo de forma adequada quanto a sua localização e direcionamento. Norte magnético e declinação magnética O estabelecimento do norte magnético e a correlação com o Norte verda- deiro, exige estudo e monitoramento contínuo das mudanças do campo mag- nético da Terra, para que seja possível a adequada atualização dos mapas de navegação. Para exemplifi car a não coincidência entre os polos verdadeiros e magnéticos, segundo Bianchini (2014), em 2005 o polo Norte se encontrava na coordenada 78°18’N/104°11’W, enquanto o polo Norte verdadeiro estava localizado na latitude 90°N, em que ocorre a convergência dos meridianos. Realizando um cálculo simples, tomando a menor distância entre essas duas posições, a diferença entre os polos norte magnético e o verdadei- ro era de aproximadamente 11°42’, que corresponde a 702’ (minu- tos de graus) que, por sua vez, correspondem a 702 nm, ou 1003 km. Essa distância tem diminuído rapidamente nos últimos anos, segundo o NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) e a British Geological Survey, responsáveis pela atualização dos modelos do campo magnético terrestre. A declinação magnética (DMG) é o ângulo formado entre o Norte ver- dadeiro (ou geográfico) e o norte magnético, medido em graus. Ele é codi- ficado com E (Leste), W (Oeste), para informar se o meridiano magnético está à esquerda ou à direita do meridiano verdadeiro. Segundo um estudo realizado por Livermore et al. (2020), a variação da posição dos polos magnéticos da Terra e das linhas de atuação sobre a face da Terra é explicada pelo fluxo, de ferro e níquel fundidos no interior do nosso planeta. Quando há alterações nesse fluxo, ocorre a alteração da NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 74 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 74 25/08/2020 14:43:21 posição e intensidade do campo magnético da Terra. Dessa forma, os orga- nismos mundiais de navegação, pautados nesses estudos, atualizam seus produtos cartográficos para que os transportes que realizam navegação com orientação por bússola tenham produtos confiáveis. Na aviação, para os cálculos de rotas, o valor da declinação magnética deve ser obtido nas cartas aeronáuticas. As linhas demarcadas, contendo valores iguais de DMG, são denominadas de isogônicas e as que indicam DMG nula (zero grau), são denominadas de agônicas. Observe na Figura 2 a presença de linhasisogônicas em uma carta de rota (ENRC): Figura 2. Carta de rota H5 – exemplo de plotagem de linhas isogônicas. Fonte: DECEA, 2019, p. 1. (Adaptado). Com essas informações, é possível calcular proa e rumo verdadeiros e mag- néticos de uma aeronave, bastando observar na quadrícula da carta aeronáuti- ca correspondente a região de realização do voo, o valor da DMG, com exceção quando a DMG é nula (0°), já que haverá coincidência entre a direção para o norte magnético e para o Norte verdadeiro. Caso o voo cruze mais de uma linha isogônica, é possível utilizar a declina- ção magnética média para os cálculos de navegação, evitando retrabalhos ao longo do voo. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 75 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 75 25/08/2020 14:43:31 Linhas magnéticas Observando o funcionamento da bússola, pode-se compreender o mag- netismo terrestre como a agulha imantada que aponta para o polo norte magnético. Podemos observar a atuação das linhas do campo magnético (linhas magnéticas) que apresentam inclinações diferentes, à medida que realizamos medições a partir do equador magnético em direção aos polos. Essas medições apresentarão dois parâmetros, referentes ao magnetismo terrestre do lugar, um horizontal e outro vertical, denominados de (H) e (Z), respectivamente, sendo apresentados em cartas espaciais. A variação da componente horizontal (H) vai de zero nos polos magné- ticos e alcança valor máximo no equador magnético, enquanto a compo- nente vertical (Z) vai de zero no equador magnético ao valor máximo nos polos magnéticos. Para o uso correto da bússola, o valor da componente horizontal (H) é o que deverá ser considerado. Para cancelar a influência da componente (Z), contudo, é necessário que haja um contrapeso em sua haste, de forma a compensar a inclinação. 30º 60º 60º 60º Z = 60º 30º 30º 30º 60º 30º Figura 3. Componente Z - inclinação da agulha imantada da bússola. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 76 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 76 25/08/2020 14:43:31 Como podemos observar, para cada ponto da superfície da Terra há uma inclinação magnética, sendo esse o ângulo, em um plano vertical, entre o componente horizontal e o campo magnético. Outra observação quanto ao uso da bússola é que alguns erros podem ocorrer, seja por falha na instalação, oscilações bruscas das variáveis atmos- féricas ou atitudes da aeronave em voo. Alguns desses fatores afetam a lei- tura das bússolas, situação gerada pela possível infl uência de outras fontes magnéticas ou má instalação da bússola, que pode implicar no desvio em alguns graus do alinhamento da agulha imantada do meridiano magnético (li- nha de força do campo magnético terrestre). No caso das fontes, elas podem provir de ferros e aços constituintes da fuselagem da aeronave ou de equipa- mentos elétricos instalados ou a bordo. O desvio bússola (DB) é a defi nição dada ao ângulo entre o norte magné- tico (NM) e o norte bússola (NB), com a indicação para Leste (E), se o desvio for para a direita do NM, ou para Oeste (W), se o desvio for para esquerda do NM. Para cada tipo de aeronave, existindo esse erro, é necessário que um cartão, contendo os valores do desvio, esteja fi xado próximo à bússola. Geralmente, as correções do desvio da bússola são pequenas, mas é importante dar atenção a esses números, principalmente ao operar uma aeronave nova. Construção da calunga ou pé-de-galinha A aplicação do conhecimento sobre magnetismo terrestre para a nave- gação aérea se apresenta na construção da calunga, ou, segundo o senso comum, pé-de-galinha. Essa é a metodologia de definição da direção da proa e rumo da aeronave, ou seja, a base para a execução da rota planeja- da na navegação horizontal. Nesse sentido, os termos devem ser conhecidos para a execução cor- reta da metodologia. Primeiramente, temos a proa, que consiste na di- reção do eixo longitudinal da aeronave; em outras palavras, é a direção para onde o nariz da aeronave está apontado. Aplicando o conhecimento de norte verdadeiro e magnético, tem-se a proa verdadeira (PV), ângulo formado no sentido horário entre o Norte verdadeiro (NV) e o eixo lon- NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 77 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 77 25/08/2020 14:43:31 gitudinal da aeronave. Já a proa magnética (PM), é um ângulo formado no sentido horário entre o norte magnético (NM) e o eixo longitudinal da aeronave. Observando as indicações da bússola, define-se a proa bússola (PB), ângulo formado no sentido horário entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal da aeronave. Tem-se, também, o rumo, que é a direção da trajetória (rota) expres- sa em graus em relação ao norte. Ela poderá coincidir com o rumo quando a correção de deriva for realizada cor- retamente. Tem-se também o rumo verdadeiro (RV), ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada e o rumo magnético (RM), que é um ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota pla- nejada. Como mencionado, a rota é a projeção na superfície da Terra, ou seja, da trajetória prevista ou executada pela aeronave durante o voo. Há, também, a influência do vento no voo, implicando em um desvio da rota, chamado de deriva (DR). Ela é determinada pelo ângulo formado entre a proa e a rota no sentido do vento. Nesse sentido, para que o voo seja executado de forma segura e regular, deve-se aplicar a correção de deriva (CD), determinada pelo ângulo formado entre a proa e o rumo, no sentido contrário ao vento. A metodologia consiste no preenchimento de uma tabela simples, com cinco colunas: 1) Valor da PV; 2) Operação da DMG (- para E e + para W); 3) Valor da PM; 4) Inserir a operação da DB (- para E e + para W); 5) Valor da PB. Observe a Figura 4, que demonstra a execução desse cálculo de forma gráfica. Observação: para DMG para Leste (E), subtrai-se a DMG da PV e se for (W) soma-se para obter a PM. Para o DB, o cálculo ocorre de maneira si- milar: quando para Leste (E), subtrai-se o DB da PM, e quando para Oeste (W), soma-se para obter a PB. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 78 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 78 25/08/2020 14:43:32 PROA RUMO PV = 088º DM G = 10 º E DB = 4º E PM = 078º PB = 074º NV NM NB PV DMG PM DB PB 088º -10º E = 078º -4º E = 74º A B Proa Vento Rumo NV NM NB DM G = 10 o E DB = 4o E PM = 078 o DR = +5o CD = -5o RM = 083 o RV = 093 o PV = 088 o PB = 74 o PV DMG PM DB PB 088o -10o E = 078o -4o E = 074o PV DR RV DMG RM 88o +5o = 093o -10o E = 083o Figura 4. Determinação da PV, PM e PB. Figura 5. Determinação da PV, PM e PB, RV e RM. Evidentemente, não é sempre que encontramos, ao longo de toda a rota, condições ideais de navegação. Na existência de ventos que não se- jam calmos ou alinhados no sentido do rumo da aeronave, deriva (DR), há a necessidade de realizar a correção de deriva (CD). Nesse caso, precisamos determinar o rumo verdadeiro (RV) e o rumo magnético (RM). Observe na Figura 5 a alteração na metodologia, considerando a in- fluência do vento: NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 79 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 79 25/08/2020 14:43:32 Observa-se que, quando a deriva for para a direita, terá valor positivo (e vice-versa). Fato similar ocorrerá com a correção de deriva. De forma resumida, a Tabela 1 apresenta as cor- relações aplicáveis à execução da metodologia pé-de-galinha. PV = PM + / - DMG DMG NV para NM PM = PV + / - Dmg DB NM para NB PB = PM + / - DB PV NV para Proa RV = PV + / - DR PM NM para Proa RM = RV + / - Dmg PB NB para Proa DR = RV + / - PV RV NV para Rumo CD = - - DR RM NM para Rumo - - - - - CD Rumo para Proa - - - - - DR Proa para Rumo PM PB PV RV + / - PM Dmg + / - Dmg PV = DB + / - DB NM para NB DR + / - NM para NBNM para NB NV para Proa PM Dmg NV para ProaNV para Proa NM para Proa PB NM para ProaNM para Proa NB para ProaNB para ProaNB para Proa DR CD RV + / - DR RV NV para Rumo RM NVpara RumoNV para RumoNV para Rumo NM para Rumo CD - NM para RumoNM para RumoNM para Rumo Rumo para Proa DR Rumo para ProaRumo para Proa Proa para RumoProa para RumoProa para Rumo TABELA 1. CORRELAÇÕES APLICÁVEIS AO PÉ-DE-GALINHA NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 80 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 80 25/08/2020 14:43:37 Proas e rumos Os conceitos relacionados à execução do voo devem ser compreendidos, pois, mesmo com o planejamento adequado, a responsabilidade da condu- ção de uma aeronave da origem ao destino implica também na economici- dade de tempo e dos recursos. Se a realidade fosse apenas defi nir uma rota, ligando o ponto de partida ao ponto de destino, teoricamente, não haveria complexidade em manter a aeronave com a proa direcionada ao destino. Mas o meio em que a aeronave desenvolve o voo é dinâmico: a massa de ar possui características de pressão, temperatura e umidade que a impelem a desen- volver um fl uxo interno e a realizar o deslocamento de uma região para outra. Essas movimentações afetam o voo, tanto em escala micro, em eventos como uma turbulência ou de uma tesoura de vento, como em escala macro, em si- tuações de ocorrência de vento de través ou de proa ao longo de uma região e nível de voo, implicando em riscos ou custos às operações. O Quadro 1 apresenta os termos e defi nições relacionadas às proas e rumos. Termo Defi nição Proa Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Proa verdadeira (PV) Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Proa magnética (PM) Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- dinal da aeronave. Proa bússola (PB) Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal da aeronave. Rumo É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Rumo verdadeiro (RV) Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Rumo magnético (RM) Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. Rota É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela aeronave durante o voo. Deriva (DR) Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Correção de deriva (CD) Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- dinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- dinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- dinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal da aeronave. É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Consiste na direção do eixo longitudinal da aeronave. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- dinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal da aeronave. É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal da aeronave. É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Indica o ângulo entre o norte verdadeiro (NV) e o eixo longitudinal da aeronave. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte magnético (NM) e o eixo longitu- Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Ângulo formado, no sentido horário, entre o norte bússola (NB) e o eixo longitudinal É a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada.Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o nortemagnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela aeronave durante o voo. Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela aeronave durante o voo. Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela aeronave durante o voo. Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela aeronave durante o voo. Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela aeronave durante o voo. Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o Norte verdadeiro (NV) e a linha traçada da rota planejada. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. Ângulo formado entre o norte magnético (NM) e a linha traçada da rota planejada. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. É a projeção na superfície da Terra, da trajetória prevista ou executada pela Ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento.Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento.Ângulo formado entre a proa e o rumo no sentido contrário ao vento. QUADRO 1. TERMOS E DEFINIÇÕES APLICADAS A PROAS E RUMOS NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 81 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 81 25/08/2020 14:43:42 Assim, a aplicação correta desses termos para a realização adequada da gestão do voo garante a segurança, efi ciência e regularidade das operações aé- reas, evitando infl uências na navegação horizontal da aeronave com ações cor- retivas, seja compensando as infl uências do vento ou do magnetismo terrestre. O vento poderá alterar a proa e o rumo da aeronave em voo, bem como a diferença entre o Norte verdadeiro e o magnético em cada região da superfície terrestre também implicará em ações corretivas ao longo do voo. Na Figura 6, é possível observar uma situação hipotética em que a aeronave derivou e alcançou um outro ponto que não o de destino, devido a infl uência do vento, que não foi corrigido. Rumo Rota pretendida Deriva Vento Rota percorrida Proa NV Ângulo de correação de deriva A B C Figura 6. Infl uência da deriva no percurso de voo de uma aeronave. Influência do vento O vento, ar em movimento, altera a performance e a direção do voo da aeronave, em especial, se for considerada a navegação horizontal. O único recurso para não haver influência significativa é o uso das previsões de temperatura e vento em altitude, cartas prognosticadas (Wind Aloft Prog). Mesmo, porém, havendo um nível de assertividade nessas previsões, ga- NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 82 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 82 25/08/2020 14:43:43 rantido pelas constantes implementações tecnológicas na coleta dos da- dos e melhoria dos modelos matemáticos de previsão, ainda há incertezas que, por vezes, surpreendem os pilotos, implicando em custos, redução dos níveis de segurança de voo e atrasos. Uma forma de manter um nível elevado de confiabilidade na execução do voo é executar a ação de cross-check das informações que o piloto obtém dos equipamentos com o planejado. Detectada as alterações, é pre- ciso realizar as correções necessárias para manter a programação da rota. Um voo adequadamente executado, com as correções de deriva realiza- das ao longo da rota, anulará o efeito do vento e, assim, permitirá que a ae- ronave permaneça na rota pretendida, como podemos observar na Figura 7: NV Rota pretendida Rota percorrida Proa Ângulo de correação de deriva Rumo A B Vento Figura 7. Correção de deriva. Outra situação possível é quando, no nível de voo em rota, o vento não possui direção ou intensidade, isto é, vento calmo. Outra situação possí- vel, também, é quando há o alinhamento da direção do vento com o rumo da aeronave que, caso seja “de cauda”, contribuirá para o voo, reduzindo o consumo de combustível e tempo. Caso o alinhamento do vento seja de proa, ele comprometerá a eficiência, regularidade e até mesmo a segurança do voo, devido ao consumo de combustível. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 83 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 83 25/08/2020 14:43:43 ASSISTAmagnético e declinação magnética .................................................................. 74 Linhas magnéticas .......................................................................................................... 76 Construção da calunga ou pé-de-galinha ................................................................... 77 Proas e rumos........................................................................................................................ 81 Influência do vento .......................................................................................................... 82 Computador (ou calculador) de voo .................................................................................. 84 Tipos de computador de voo ......................................................................................... 84 Cálculos com a face A .................................................................................................... 85 Cálculos com a face B .................................................................................................... 90 Sintetizando ........................................................................................................................... 92 Referências bibliográficas ................................................................................................. 93 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 6 25/08/2020 14:34:09 Sumário Unidade 4 - Tempo e planejamento: navegação estimada e instrumento Objetivos da unidade ........................................................................................................... 95 Tempo, fusos horários, hora e seus designativos .......................................................... 96 Tempo-longitude .............................................................................................................. 96 Fusos horários .................................................................................................................. 98 Padrões horários ........................................................................................................... 100 Navegação estimada: planejamento de voo em rota .................................................. 102 Checklists para o voo .................................................................................................... 107 Campos do plano de voo (considerações) ................................................................ 111 Radiocomunicação de baixa frequência ....................................................................... 114 Equipamentos de radionavegação ............................................................................. 115 Navegação (atualidades) ............................................................................................. 121 Sintetizando ......................................................................................................................... 124 Referências bibliográficas ............................................................................................... 125 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 7 25/08/2020 14:34:09 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 8 25/08/2020 14:34:09 O que é navegação aérea avançada? Por que estudá-la? Realmente utilizarei esse conhecimento na minha vida profi ssional ou pessoal? Essas e outras per- guntas vêm à mente quando se começa a estudar essa disciplina, e estes são processos naturais de validação de um novo projeto, objetivo ou tarefa. Como resposta para essas indagações, e estímulo ao estudo dessa disci- plina, cito a célebre frase do fi lósofo e matemático René Descartes: cogito ergo sum, que popularmente é traduzida como “penso, logo existo”. Aplicando essa frase ao contexto e conteúdo dessa disciplina, é possível chegar à conclusão de que questionar, analisar e encontrar o propósito de tudo que se sente, pensa ou faz é importante para a vida em sua totalidade. Além disso, independentemente do contexto tecnológico, os conhecimen- tos de navegação aérea avançada não apenas respondem às questões iniciais como também podem salvar vidas, em especial a do aluno e futuro piloto. Conhecer a origem da navegação aérea, seus conceitos básicos, suas ter- minologias, suas evoluções tecnológicas e seus métodos é muito importante. Além de agregar conhecimentos, isso lhe capacitará para os processos avalia- tivos no segmento da aviação, como uma banca da ANAC, a seleção para uma companhia aérea ou na concepção de um empreendimento que explore algum dos diversos serviços auxiliares na aviação, como tornar-se proprietário ou só- cio de uma ESATA (empresa de serviço auxiliar de tráfego aéreo). Bons estudos! NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 9 Apresentação SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 9 25/08/2020 14:34:09 Dedico esse conteúdo a Deus e a todos aqueles que buscam o conhecimento para se tornarem melhores e realizarem o máximo para atingir o desenvolvimento individual, familiar e da sociedade, sempre com autonomia, ética e responsabilidade. O professor André Luis Simões Andrade é doutor (2019), mestre (2014) e bacharel (2009) em Enge- nharia e Ciências dos Materiais, pela Universidade Federal de Campina Grande – UFCG, além de técnico em Meteorologia, pelo Colégio Técnico Antônio Teixeira Fernandes (2013). Possui cursos de Gerenciamento da Segurança Operacional, pela Empre- sa Brasileira de Infraestrutura Ae- roportuária – INFRAERO (2013), de Operador de Estação e Centro Me- teorológico Aeronáutico (1997) e de Operador de Telecomunicações Ae- ronáuticas (1995), ambos os últimos pela Seção de Instrução e Atualiza- ção Técnica da Força Aérea Brasileira – SIAT-BE / FAB. Atualmente, é pesquisador e profes- sor em áreas ligadas à navegação aé- rea e meteorologia aeronáutica Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9922792912017424 NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 10 O autor SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 10 25/08/2020 14:34:12 DA TEORIA À PRÁTICA DO PLANEJAMENTO DO VOO 1 UNIDADE SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 11 25/08/2020 14:34:35 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Compreender as principais características da Terra; Correlacionar Terra e aviação por meio de plotagens com coordenadas geográficas; Apreender os conceitos de referenciamento sobre a superfície terrestre; Aprender diferentes métodos de navegação; Conhecer os equipamentos necessários para planejar e executar deslocamentos em voo. A Terra e a navegação aérea A Terra e suas características A navegação aérea e seus procedimentos Sistema de coordenadas geográficas Teoria e planejamento para o voo Gestão da tripulação, aeronave e condições meteorológicas Planejamento da rota e con- tingências Princípios dos cálculos de subida, rota, descida, alternativa, combustível e autonomia Métodos de navegação Navegação para piloto privado: visual, celestial e estimada Navegação para piloto comercial: eletrônica, rádio e satélite Orientação sobre a superfície da Terra NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 12 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 12 25/08/2020 14:34:35 A Terra e suas características Atualmente, graças às tecnologias de imagem por satélite, pode-se confi r- mar que a forma da Terra não é esférica, mas sim de um geoide, devido ao achatamento nas regiões dos polos. A distância entre os polos é de 12.713 km, e a distância entre pontos opostos ao longo do diâmetro máximo no sentido horizontal é de 12.756 km, totalizando 45 km de diferença. Baseando-se nas características estáticas do planeta, defi niram-se parâme- tros para que o referenciamento sobre a superfície terrestre fosse possível. Um exemplo são os círculos máximos, tomados a partir de planos que seg- mentam a terra de forma igual e passam por seu centro. Um exemplo é a Linha do Equador, que divide o globo nos hemisférios norte e sul. Na superfície, há as linhas imaginárias horizontais, conhecidas como para- lelos, que tomam o Equador o marco zero. Essas linhas imaginárias também podemAssista ao vídeo 767 rough crosswind landing para ver uma sequência de ocorrência de vento de través na etapa de pouso da aeronave, sendo possível observar a infl uência do vento na realização dos pousos. Computador (ou calculador) de voo Segundo Bianchini (2014), o computador de voo, na verdade, é uma régua de cálculo percursora dos atuais computadores eletrônicos. Seu princípio de funcionamento se baseia na aplicação dos conceitos de es- calas logarítmicas que permitem a realização de cálculos aproximados de forma simplificada, por meio de algum mecanismo mecânico (linear, cir- cular ou esférico), em que um cursor percorrerá a graduação, permitindo, assim, obter resultados aproximados. No caso específico do computador de voo, é uma régua de cálculo ajustada para resolver questões práticas comuns ao planejamento do voo, como conversões de unidades, cálculos de ventos, de consumo de combustível etc. Fisicamente, é um equipamento constituído de metal ou papelão plas- tificado. Dependendo, o modelo apresentará duas partes circulares que se movem sobre uma régua graduada ou base móvel que percorre uma régua graduada com duas faces. As faces ou lados possuem funções específicas que facilitam a realização de cálculos úteis à navegação, como conversões de unidades e até consumo de combustível, distância, tempo, velocidade, altitude, efeitos do vento etc. Tipos de computador de voo Existem diversos tipos de computadores de voo mecânicos, os mais co- muns são o tipo régua (E6-B) e o circular (CR-3). A diferença entre ambos é que o primeiro consiste em uma régua que desliza dentro de um mostra- dor fixo, enquanto o segundo é feito de círculos concêntricos fixados pelo centro que deslizam uns sobre os outros. Mesmo ambos apresentando as mesmas funções, há mais facilidade de manuseio com o tipo régua. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 84 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 84 25/08/2020 14:43:43 A real utilização dos computadores de voo na vida prática de um piloto é rara, devido à facilidade que os aplicativos e sistemas on-line disponibi- lizam aos pilotos para que executem o planejamento do voo. Assim, o uso dessas réguas de cálculo acaba por limitar-se ao período de formação dos pilotos e preparação para a realização de avaliações, especialmente nas etapas de planejamento e de execução dos voos. Evidentemente, há pilo- tos conservadores e precavidos que buscam ter equipamentos por perto para utilizá-los em qualquer situação emergente. O manuseio do computador de voo não é algo complexo ao ponto de prejudicar a operacionalidade do planejamento do voo, na verdade, o seu propósito é simplificar os procedimentos de cálculos. Assim, o mito de dificuldade se desfaz ao longo do aprendizado e prática, conduzindo os pilotos ao domínio da ferramenta. O modelo E6-B é o mais utilizado, pela simplicidade e facilidade de manuseio, especialmente para cálculos dos efeitos do vento que utilizam a face B desse modelo. Cálculos com a face A Nas faces dos computadores de voo há diversas indicações e gradua- ções. Na face A, são executados os cálculos e a face B trata das informa- ções relativas ao vento. A face A é constituída por um disco móvel interno, com escalas gra- duadas e janelas de leituras para cálculos de tempo em minutos e segun- dos, altitude calibrada e velocidade calibrada. A outra lateral contempla o tempo em horas e minutos e uma externa, com uma escala fixa, apresenta valores para cálculos de distâncias, velocidades, galões, litros, pés, velo- cidade aerodinâmica e altitude verdadeira, empregados na determinação dos respectivos dados. As numerações das escalas vão de 10 a 99, porém, podem ser aplicadas para cálculos com múltiplos ou sub- múltiplos de 10. Por exemplo, podemos utilizar o número 22 da escala para representar 0.22, 2.2, 22, 220 ou 2200, dependendo do cálculo reali- zado. A leitura dos números deve ser realizada NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 85 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 85 25/08/2020 14:43:43 observando que, ao alinhar o número 60 das duas escalas à faixa de 60 a 15, cada marcação valerá apenas uma unidade, de 15 a 30: duas e de 30 a 60: cinco unidades. Nesse sentido, aplicamos a face A para realizar cálculos de multiplica- ções, divisões, velocidade, distância, tempo, consumo de combustível, auto- nomia etc., bem como para realizar conversões de unidades, utilizando as várias áreas dessa face do computador de voo, seja do tipo E6-B ou CR-3, como índice de velocidade ou índice de 60 ou mesmo como seta horária, jane- la de altitude pressão ou de altitude densidade, escala de horas etc. Observe a Figura 8, que exibe a similaridade entre os dois computadores na face A: A) Computador de voo tipo E6-B B) Computador de voo tipo CR-3 Figura 8. Face A: computador de voo tipo: a) E6-B, b) CR-3. Fonte: JEPPESEN, 1981. (Adaptado). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 86 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 86 25/08/2020 14:43:57 EXEMPLIFICANDO Para realizar uma multiplicação: 1) alinha-se o número (que pode corres- ponder a um múltiplo ou submúltiplo) correspondente ao multiplicando da escala externa, como o número 10 na escala interna; 2) procura-se o número correspondente ao multiplicador nela e 3) realiza-se a leitura na escala externa que estiver alinhado. Um exemplo: caso deseje multiplicar 12 por 8: alinha-se 12 da externa com 10 da interna, procura-se 80 na inter- na e lê-se na externa o número alinhado a ele, obtendo 96. Figura 9. Exemplo de multiplicação com E6-B. Fonte: JEPPESEN, 1981. (Adaptado). Algumas das conversões que podem ser realizadas no computador de voo são aplicáveis às várias etapas do planejamento do voo e cálculos de navegação aérea. Dentre elas: conversão de massa: quilograma/libra; de volumes: galões imperiais/litros/US galões; de velocidades: nós (kT)/ milha terrestre (st)/quilômetro (km); de distâncias: pés/metros/quilôme- tros/milhas náuticas/milhas terrestres; de longitude e tempo; bem como de escalas térmicas: Celsius/Fahrenheit, bastando realizar as leituras dos números da escala interna nas respectivas referências das unidades na escala externa. Para as conversões de valores, basta ajustar as setas da escala exter- na com a unidade da referida informação desejada mais a do número a ser calculado/convertido na escala interna, como quando se deseja converter valores de peso de libras (LBS) para quilogramas (KG). Assim, basta alinhar a escala exterior LBS com a interior KG e obter a conversão, caso seja ne- cessário converter valores de distância entre escalas. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 87 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 87 25/08/2020 14:44:01 Para cálculos de tempo de voo, distância, velocidade e altitudes, o procedimento consiste em identificar a “seta horária”. A maior seta preta do disco móvel, que está sobre a indicação numérica 60, representa uma hora; havendo a escala de minutos na janela lateral, é possível efetuar cálculos de multiplicação ou divisão entre essa variável e as de distância e velocidade. EXEMPLIFICANDO Sabendo-se que uma aeronave percorreu 120 NM em 48 minutos, fornecendo assim dois valores das três variáveis (distância, tempo, velocidade), basta alinhar as janelas de forma adequada para obter a terceira variável. Ajustamos a veloci- dade na escala externa com a distância 120 (valor numérico 12) e depois o tempo indicado, no valor 48 (valor numérico 4,8). Assim, lemos na seta horária o valor da velocidade na escala externa, que corresponde a 150 kT, conforme a Figura 10. Figura 10. Cálculo de velocidade, tempo e distância com E6-B. Fonte: JEPPESEN, 1981. (Adaptado). Para consumo de combustível, autonomia e consumo horário, seleciona- mos na escala externa os valores respectivos de litros, tempo e litros por hora. Assim, havendo a necessidade de calcular o tempo de voo de uma aeronave que tem consumo horário em voo de rota ou de subida ou descida de 47 l/h e que gastou 29 l, alinha-se o valor de 47 da escalafixa com a seta horária na es- cala móvel e, por fim, realizamos a leitura de tempo abaixo do valor do combus- tível gasto, que será, aproximadamente, de 38 minutos, conforme a Figura 11. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 88 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 88 25/08/2020 14:44:06 291 471 Figura 11. Cálculo de consumo, tempo e consumo horário com E6-B. Fonte: JEPPESEN, 1981. (Adaptado). Outro exemplo útil é o de cálculo da velocidade aerodinâmica, utilizando a ve- locidade indicada (VI). Para esse cálculo é necessário ter, além da VI, o nível de voo e a temperatura do ar desse mesmo nível. Para executar o cálculo, ajusta-se na janela da temperatura do ar no nível de voo de cruzeiro nas janelas de leitura, depois no disco interno localizamos a VI e lemos o valor que estiver alinhado na escala externa, que será a VA. Analisemos um exemplo: sabendo-se que uma aeronave está em voo de cruzeiro no nível 070, em que a temperatura do ar exterior é de 10 °C, com uma VI de 130 kT, qual seria a VA? Para esse cálculo, alinhamos na janela correspondente a temperatura do nível sobre o nível de cruzeiro, depois buscamos a velocidade indicada de 130 e lemos o valor alinhado com ele na escala externa. Assim, encontramos o valor de 146 kT para a VA, conforme Figura 12: Figura 12. Cálculo de velocidade aerodinâmica com E6-B. Fonte: JEPPESEN, 1981. (Adaptado). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 89 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 89 25/08/2020 14:44:15 Cálculos com a face B Já a face B do vento é usada para calcular os efeitos do vento na nave- gação e resolver os problemas relativos ao “triângulo de vento”. Nessa face, estão disponíveis a rosa dos ventos, índices, o grommet (círculo pe- queno central), as linhas de velocidade, ângulo entre a linha de proa e a linha de rumo, linhas de rumos e linhas de proa. Esses cálculos podem ser aplicados, por exemplo, para determinar a correção da proa e a velocidade no solo. Nesse caso, a manipulação do computador do tipo E6-B é mais prática do que o do tipo CR-3, por conta da disposição das informações para as correspondências, conforme Figura 13: a) Computador tipo E6-B a) Computador tipo CR-3 Figura 13. Face B do computador de voo tipo: a) E6-B e b) CR-3. Fonte: JEPPESEN, 1981; 1994. (Adaptado). Por exemplo, para identifi carmos a proa verdadeira (PV) e a velocidade no solo (VS) precisamos dos valores do rumo verdadeiro (RV), da deriva verda- deira (DV), da velocidade do vento (VV) e da velocidade aerodinâmica (VA) para executarmos o procedimento. Observe os passos: 1) Ajuste a direção do vento (DV) abaixo do true index, girando o disco da rosa dos ventos, depois, ajuste o grommet sobre uma linha de velocidade e realize uma marcação referente à velocidade do vento (VV); 2) Para cima do grommet, sobre a linha central da régua, coloque o RV abai- xo do true index e mova a régua até que o ponto coincida com a linha corres- pondente à VA; NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 90 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 90 25/08/2020 14:44:22 3) Leia a correção de deriva (CD), por meio do ângulo formado entre a linha central (rumo) até a linha que passa pelo ponto marcado; 4) Some este valor ao RV e obtenha a PV (sendo que, para somar, o ponto fica à direita e, para subtrair, o ponto ficará à esquerda); 5) Por fim, leia a VS pelo valor da linha que passa abaixo do grommet. Analisemos um exemplo: sabendo-se que uma aeronave está em voo de cruzeiro com RV de 190°, VA de 214 kT, DV de 230° e VV igual a 30 kT, qual o valor da PV e VS? Para efetuar esse cálculo na face B do computador de voo tipo E6-B: ajusta-se a direção do vento (230º) abaixo do true index; em seguida, por meio do grom- met, marca-se a velocidade de 30 kT em qualquer linha de velocidade alinhada sobre a linha central da régua; em seguida, coloca-se o RV de 190° abaixo do true index; desloca-se a régua até que o ponto marcado coincida com o valor da VA de 214 kT. Em seguida, lê-se a correção de deriva (CD) por meio do ângulo do rumo até a linha que passa pelo ponto marca- do. Realize a correção de deriva para a direita, encontrando valor de 195° para a PV. Por fim, lê-se o valor da VS na linha que passa por baixo do grommet, no valor de 190 kT. Figura 14. Cálculo de proa verdadeira e velocidade no solo com E6-B. Fonte: JEPPESEN, 1981. (Adaptado). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 91 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 91 25/08/2020 14:44:28 Sintetizando Nesta unidade, compreendemos como utilizar os conhecimentos sobre mag- netismo terrestre e influências dos ventos para as etapas de planejamento e exe- cução do voo, bastando realizar algumas metodologias de cálculos para deter- minar as correções necessárias para garantir um voo seguro, regular e eficiente. No primeiro tópico estudamos sobre a dinâmica do magnetismo terrestre e como ela afeta a navegação, abordando os conceitos sobre declinação magnéti- ca e desvio bússola. Em seguida, compreendemos os cálculos necessários para o ajuste da etapa do planejamento do voo com cartas aeronáuticas orientadas com o Norte verdadeiro. Vimos, também, que a etapa do voo é executada com referencial ao norte magnético. Depois, abordamos os conceitos de proa e rumo e como o vento em todas as etapas do voo pode influenciar na execução planejada. Assim, para saber como reverter o efeito de deriva do voo, conversamos sobre os cálculos para estabele- cer a proa da aeronave de forma a manter o voo no rumo correto. Discorremos sobre os computadores de voo, que são réguas de cálculo cria- das para auxiliar no planejamento do voo. Vimos que, mesmo não tão usuais no dia a dia dos pilotos, devido aos avanços tecnológicos, elas são ferramentas úteis e práticas para cálculos de combustível, altitude, conversões de unidades, entre outros. Por fim, avançamos nos conhecimentos de navegação aérea, abordando conteúdos primordiais da aviação prática. Desmistificando os fatores relacio- nados ao magnetismo terrestre e a dinâmica da atmosfera (ventos) que in- fluenciam na gestão dos voos. Para tal, aprendemos cálculos para correções dessas influências, bem como aprendemos que existem réguas de cálculos ma- nuais para auxiliar na determinação de variáveis necessárias ao planejamento e execução das etapas dos voos. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 92 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 92 25/08/2020 14:44:28 Referências bibliográficas 767 rough crosswind landing. Postado por Flugsnug. (0min. 40s.). son. color. leg. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2020. BIANCHINI, D. Navegação visual para piloto privado. São Paulo: Editora Bianch, 2014. DECEA. Carta de Rota (ENRC): Campo Grande. AISWEB. [s.l.], 20 jun. 2019. Dis- ponível em: . Acesso em: 22 jul. 2020. JEPPESEN, S. I. CR-3 flight computer instructions manual. Englewood: Jeppe- sen Sanderson, 1994. JEPPESEN, S. I. E6-B flight computer instructions manual. Alemanha: Jeppesen Sanderson, 1981. LIVERMORE, P. W; FINLAY, C. C; BAYLIFF, M. Recent north magnetic pole accelera- tion towards Siberia caused by flux lobe elongation. Nature Geoscience, Leeds. v. 13, n. 5, p. 387-391, 05 maio 2020. LOPES, R. Voo de Nova York para Londres chega uma hora antes do previsto e bate recorde. Giz Modo Brasil. [s.l.], 19 jan. 2018. Disponível em: . Acesso em: 22 jul. 2020. MINISTÉRIO DA DEFESA. Comando da aeronáutica. Departamento de Controle do Espaço Aéreo. ICA96-1: cartas aeronáuticas. [s.l], 25 jun. 2020. 154 p. Dispo- nível em: . Acesso em: 22 jul. 2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 93 SER_CA_NAVAEA_UNID3.indd 93 25/08/2020 14:44:28 TEMPO E PLANEJAMENTO: NAVEGAÇÃO ESTIMADA E INSTRUMENTO 4 UNIDADE SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 94 25/08/2020 14:45:42 Objetivos da unidade Tópicos de estudoExplicar o porquê dos fusos horários e identificar seus principais referenciais e os aplicáveis sobre o território brasileiro; Avaliar os campos de um plano de voo, analisando e reconhecendo as responsabilidades quanto à definição da autonomia e/ou alcance da aeronave, rota etc; Analisar quais contingências deverão ser planejadas; Reconhecer os equipamentos de radionavegação (ADF, NDB, VOR) e suas utilizações; Descrever como o uso do GPS na navegação aérea se apresenta como uma inovação em prol da otimização do tráfego aéreo. Tempo, fusos horários, hora e seus designativos Tempo-longitude Fusos horários Padrões horários Navegação estimada: planeja- mento de voo em rota Checklists para o voo Campos do plano de voo (con- siderações) Radiocomunicação de baixa frequência Equipamentos de radionave- gação Navegação (atualidades) NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 95 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 95 25/08/2020 14:45:42 Tempo, fusos horários, hora e seus designativos O conteúdo desta unidade aborda a navegação aérea quanto ao tempo e planejamento das etapas do voo. Sendo assim, estudaremos os conceitos so- bre fusos horários, a Linha Internacional de Data (LID) e as horas padronizadas (UTC, HLE, HLO, HZ e HBV), bem como suas aplicações para o preenchimento do plano de voo. Serão abordados os cálculos necessários no voo em rota e etapas de subida e descida, realizando considerações sobre os equipamentos de radionavegação, e os checklists relacionados aos princípios de efi ciência e segurança na aviação, não esquecendo as avaliações das possíveis contingências. Por fi m, abordare- mos sobre Sistema Global de Navegação por Satélite (GNSS) no âmbito da avia- ção, seu funcionamento e implementações na segurança e efi ciência dos voos. A velocidade é o principal diferencial da aviação, em comparação aos de- mais modais de transporte. Dessa maneira, todas as considerações possíveis quanto à variável tempo são de suma importância para as operações aéreas. Para que um piloto ou despachante operacional de voo (DOV) possa realizar os cálculos estimativos de consumo de combustível e tenha autonomia para preencher os planos de voo, deve saber avaliar as infl uências do vento e do tipo de navegação na rota. Além disso, é necessário considerar os fusos horários que a aeronave irá cruzar correlacionando com o horário padrão utilizado na coordenação do tráfego aéreo. Por isso, iremos abordar neste tópico a relação entre tempo e longitude, bem como os conceitos sobre fusos horários e as horas de referência, em es- pecial a UTC, ou Zulu, para a aviação. CITANDO Segundo as matérias de Oliveira (2010) e Rosenbaum (2018), sobre o setor de aviação, o fator que mais gera ações judiciais contra as companhias aéreas está rela- cionado ao tempo, seja pelos clientes que alegam perdas, danos e prejuízos morais gerados pelos atrasos e cancela- mentos de voos, ou pelos sindicatos em ações trabalhistas devido aos impactos gerados nas tripulações pelo descum- primento das escala de voo ao ultrapassarem as horas NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 96 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 96 25/08/2020 14:45:43 Tempo-longitude A translação, rotação e o posicionamento de uma região quanto à lati- tude são parâmetros que influenciavam no cálculo das horas pelo tempo de iluminação solar diurna e o referenciamento dos países quanto às lon- gitudes, pois permitia a comparação entre os horários de uma região em relação à outra, determinando os fusos horários, que podiam ser compa- rados às horas locais. Considerando que a rotação completa da Terra é realizada em perío- dos de aproximadamente 24 horas, que esse movimento ocorre no sentido de leste para oeste, isto é, no sentido anti-horário dos relógios analógicos, e correlacionando os 360° da circunferência da Terra, encontra-se uma correspondência de uma hora para cada 15°, podendo assim definir ho- rários teóricos para cada faixa da Terra. Essa foi a lógica empregada para definir o conceito de fuso horário, em meados do final do século XIX. A motivação para buscarem uma padronização das horas a nível mun- dial se deu porque existiam muitas diferenças de horários, que resultavam em dificuldades para a coordenação dos transportes. Mesmo entre países relativamente próximos, como os do continente europeu, houve uma épo- ca em que existiam 27 horas diferentes, e nas Américas chegaram a existir 74. A primeira proposta de uma padronização dos horários mundial foi feita pelo engenheiro civil e cientista canadense Sandford Fleming, por volta de 1874: observando a necessidade de coordenar os horários dos comboios ferroviá- rios, ele propôs um padrão de contagem de 24 horas, em que todos os países de- veriam referenciar um único relógio loca- lizado no centro da Terra, e, tomando como referência os meridianos, dividiria o planeta regulamentares devido a voos longos. A falta de descanso e o jet lag podem resultar em fadiga pela privação cumu- lativa do sono, levando à interrupção dos ciclos do corpo, conhecida como dessincronização circadiana, referida também como insônia situacional. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 97 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 97 25/08/2020 14:45:43 em faixas de 15° cada, classificadas com as letras do alfabeto. Observe na Figura 1 o modelo que Fleming utilizou para apresentar sua proposta na Conferência de Roma, em 1883. Desse conceito se realiza uma correspon- dência tempo-longitude, obtendo subdivisões da hora pelos graus e seus submúltiplos: 360° – dia (24 horas); 15° – 1 hora; 1° – 4 minutos; 15’ – 1 minuto; 1’ – 4 segundos; e 15” – 1 segundo. Figura 1. Modelo do padrão de hora mundial defendido por Sir. Fleming em 1879. Fonte: WikiTree. Acesso em 23/07/2020. CONTEXTUALIZANDO A medição da duração dos dias antes da padronização mundial dos fusos horários era pautada na observação do percurso do Sol no céu. Assim, quando se comparava a duração do dia ao longo do ano, observavam- se variações de duração para uma mesma localidade, e quando se comparavam países situados em latitudes próximas ao Equador com de localizações mais elevadas, o intervalo entre o nascer e o pôr do Sol será diferente. Por exemplo, enquanto é verão no hemisfério norte e inverno no sul, o pôr do sol em Recife, no Brasil, ocorre às 18h, já em Paris, na França, ocorre às 22h30. Inclusive, em regiões próximas aos círculos polares (Ártico e Antártico), devido à inclinação do eixo de rotação em relação ao plano de translação, durante o inverno o Sol não se eleva muito acima do horizonte, permanecendo as regiões sob penumbra por dias. Já no verão ocorre o famoso “Sol da meia noite”, pois durante mais de 24 horas o sol não se põe. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 98 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 98 25/08/2020 14:45:55 Fusos horários Segundo Sene (2012), a padroniza- ção internacional uma hora para cada fuso horário ocorreu na Conferência Internacional do Primeiro Meridiano, em Washington, D. C., Estados Unidos, em 1884, quando 25 países aceitaram a ideia base das zonas horárias, pro- postas por Sir. Fleming, e defi niram o Meridiano de Greenwich com referen- cial. A partir dessa conferência, deter- minou-se que a longitude 0° seria a do meridiano em que o Observatório Real de Greenwich se localiza, considerado esse o fuso horário padrão, defi nido o Tempo Médio de Greenwich (GMT), a partir do qual os outros seriam defi ni- dos. Sua dimensão seria de 7°30’ para leste a 7°30’ para oeste do meridiano de Greenwich, o que totaliza uma faixa de 15°, gerando 12 à leste (E) considerados “positivos”, e 12 à oeste (W) “negativos”, e, no antemeridiano, isto é, à 180º, situando no Oceano Pacífi co, foi defi nida a Linha Internacional de Mudança de Data (LID). A padronização em linhas retas, coincidentes com os meridianos, não era adequadamente aplicável para algumas cidades de países por onde passavam, por gerar inconveniências político-administrativas devido às horas distintas.Assim, desvios nas linhas foram adequados às necessidades locais, em especial à LID, pois haveria uma diferença na data entres as partes divididas por ela. Outra padronização pautada na proposta de Fleming foi a de utilizar sequências numéricas e alfabéticas para referenciar cada fuso horário, em que o que continha o meridiano de Greenwich seria o Z (zero). Esta classi- ficação facilita os cálculos para determinar as Horas Locais (HLE), através da diferença entre o fuso de denominação desejada em relação ao horário do fuso zero (Z), assim qualquer fuso horário situados à esquerda, ou a oeste (W), do fuso zero (Z) tem valores negativos para cálculo do HLE e NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 99 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 99 25/08/2020 14:46:03 Figura 2. Mapa mundial com os fusos horários. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/07/2020. Para saber a diferença entre os fusos horários de duas cidades de forma direta, isto é, sem fazer cálculos parciais utilizando a diferença dos horários locais com o de Greenwich, aplica-se a lei de Aldrin, pela qual deve-se cal- cular a diferença em graus entre as regiões tomando-se suas longitudes, com subtração se as regiões estiverem no mesmo hemisférios e somando se em diferentes (L e W), depois divide-se esse resultado por 15, achando a diferença entre os fusos horários das regiões. Para o Brasil, foram definidos quatro fusos horários: O, com menos três horas que o de Greenwich, correspondente à região do arquipélago de Fer- nando de Noronha e a ilha da Trindade; P, com menos 3 horas, que inclui os positivos, quando estão à direita, ou a leste (E). A exemplo: sabendo-se que no fuso horário P, logo situado três fusos a oeste de Z, são 20h00, o horário em Z seria 23h00. Observe, na Figura 2, o mapa mundial com os fusos horários com a LI em destaque. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 100 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 100 25/08/2020 14:46:11 estados Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janei- ro, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Pará, Amapá e Distrito Federal; o Q, com menos quatro horas, engloba os esta- dos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Roraima e parte do Estado do Amazonas; e o R, com menos 5 horas que o fuso Z, compreende o estado do Acre e parte do Estado do Amazonas. Padrões horários Existem diversos padrões de contagem do tempo para as mais diferen- tes finalidades das ações humanas. Na aviação, por exemplo, pela necessi- dade de coordenação de todos os voos ao redor do mundo com o mesmo horário, é utilizada a hora UTC, ou Zulu, mas para as programações no mundo digital é mais adequado o padrão SIT, ou BMT (Swatch Internet Time, ou Biel Meantime), com contagem do tempo em um sistema decimal. Um dos primeiros padrões para as horas, o AM/PM, considerava que o dia era constituído de dois ciclos de 12 horas, 0 a 12 a.m. (antes do meio- -dia, em latim Ante Meridiem) e 0 a 12 p.m. (depois do meio-dia, em latim Post Meridiem). Já o Tempo Médio de Greenwich (TMG, em inglês, Greenwich Mean Time GMT), ou mesmo Hora de Greenwich faz referência à média aparente do horário solar observável no Observatório Real de Greenwich, em Londres, considerando para a contagem o horário em que o sol cruza o meridiano de Greenwich exatamente ao meio-dia (12:00:00). Porém, devido à orbita da Terra ser elíptica, quando mais próxima do Sol, mais rápido se desloca, chegando a 110.700 km/h, e na posi- ção mais afastada reduz para 103.536 km/h, gerando uma variação de até 16 minutos a mais ou a menos, o que torna o GMT, de certa forma, um horário impreciso. Em janeiro de 1972, buscando um padrão de hora mais preciso, o GMT ou UT0 foi substituído pelo Tempo Universal NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 101 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 101 25/08/2020 14:46:11 Coordenado (UTC), baseado nos padrões atômicos para medida do tempo, isto é, utilizando uma medida derivada do Tempo Atômico Internacional (TAI), que é a coordenada de localização temporal estabelecida pelo BIH (Bureau Internacional da Hora). Essa tem como base as indicações do sis- tema de relógios atômicos mundial, que, por sua vez, referencia o UT1, padrão de Tempo Universal que corrige o UT0 dos efeitos de pequenos movimentos da Terra, relativo à inclinação do eixo de rotação da Terra, existindo ainda o UT2, que corrige o UT1 dos efeitos sazonais de varia- ção da rotação. A finalidade é sempre obter a hora mais precisa possível, assim, quando necessário, somam-se ou subtraem-se segundos de salto (leap seconds), que são determinados pelo Serviço Internacional de Siste- mas de Referência e Rotação da Terra (IERS). Hora Legal e Oficial do Brasil (TUC) é definida, divulgada e fiscalizada pelo Departamento do Serviço da Hora do Observatório Nacional do Rio de Janeiro desde 1850; é também conhecida como hora legal (HLE) ou hora oficial. A Hora local (HLO) é utilizada em regiões que definem o ajuste do horário pela passagem do sol sobre o meridiano local, considerando essa como 12h. Já a Hora da zona (HZ) - (zone time) é a hora tomada no fuso central e definida pelo movimento de 15° horários do Sol considerando o meridiano central nessa faixa. Como dito, há diversos outros padrões de tempo, como o Tempo das Efemérides (ET), aplicado aos interesses da astronomia, pautado em so- luções das equações dinâmicas dos movimentos dos planetas em torno do Sol, no caso específico no movimento de translação da Terra em torno do Sol. E o Swatch Internet Time, ou Tempo Internet, cuja unidade de referên- cia é o beat, equivalente a 1 minuto e 26,4 segundos, também conhecido como Biel Meantime (BMT); seu referencial é o @000, localizado na rua Jakob-Staempfli, em Biel, na Suíça, independe de base hexadecimal e dos fusos horários, conta o dia com 1000 beats. O horário de verão considera que a inclinação da Terra em relação ao plano de translação em torno do Sol repercute em uma diferenciação de ir- radiação solar sobre as regiões do planeta, ou melhor, em diferentes perío- dos de horas iluminadas. Assim, permite que ajustes legais nas horas locais possam ser realizados para melhor aproveitamento dos períodos diurnos. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 102 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 102 25/08/2020 14:46:11 Navegação estimada: planejamento de voo em rota Avaliações das etapas dos voos (cálculos) A responsabilidade do piloto em comando ou despachante operacional de voo, juntamente com o proprietário da aeronave ou operador, é legislada no Bra- sil pelo Código Brasileiro de Aeronáutica (CBA), normativos do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e também as emitidas pela Agência Nacio- nal de Aviação Civil (ANAC), todas pautadas nas recomendações da Organização Mundial de Aviação Civil (OACI). Sendo assim, o planejamento e a execução de voo exigem o cumprimento de procedimentos específi cos para garantir a segu- rança das operações, mesmo acima da efi ciência e/ou regularidade. Os cálculos relacionados às etapas de subida, voo em cruzeiro e descida, seleção dos níveis de voo e procedimentos a serem realizados na saída, rota e descida implicam aprovisionamento de combustível sufi ciente para atender aos tempos dos procedimentos. Além disso, é necessário ter uma reserva bastante segura para o caso de quaisquer ocorrências de eventualidades, como desenvolvimento inesperado de tempo adverso na etapas de rota, des- cida e pouso, ou mesmo de eventos fortuitos, como impraticabilidade de pis- tas de pouso. Assim, primeiramente, deve-se compreender a diferença entre as defi ni- ções de alcance e autonomia da aeronave. Sendo assim, o alcance é a distân- cia em que uma aeronave voa com uma quantidade de combustível específi ca, e autonomia é o tempo que consegue se manter em voo com uma quantidade de combustível específi ca. Os cálculos, independentemente serealizados com computador de voo, aplicativo, calculadora digital, ou através de algum sistema web, deve disponi- bilizar ao piloto dados para o planejamento do voo com precisão para atender às determinações normativas como: Nenhuma pessoa pode iniciar uma operação VFR em um avião, a menos que, considerando o vento e as condições meteorológicas conhecidas, esse avião tenha combustível sufi ciente para voar até o aeródromo de destino e, assumindo consumo normal de combus- tível em cruzeiro: durante o dia, voar pelo menos mais 30 minutos; ou durante a noite, voar pelo menos mais 45 minutos (ANAC, 2019). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 103 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 103 25/08/2020 14:46:11 A exigência normativa apenas da autonomia da aeronave se dá porque está implícito que, para o cálculo e fornecimento dessa informação, já existem previamente as considerações sobre a performance e o estado operacional e técnico da aeronave, bem como das possíveis implicações das condições me- teorológicas ao longo do voo. As variáveis, consideradas nos cálculos para o preenchimento do plano de voo, levarão primeiramente em conta o tipo de navegação que irá realizar, se Visual ou Instrumento, por estimativa, ou performance, assim como selecio- nando o procedimento de saída, o percurso da rota e o procedimento de apro- ximação e pouso; com isso, pode obter a distância total a percorrer, o tempo total de voo, levando em consideração o alcance da aeronave, e a possível in- fluência do vento, para poder calcular o consumo de combustível. De uma forma simplificada, sabendo a distância em milhas náuticas de um ponto a outro da rota, a velocidade de cruzeiro em nós (velocidade ae- rodinâmica) e o consumo por hora de combustível da aeronave seria possí- vel calcular o tempo de voo, a autonomia mínima regulamentar, bem como o alcance da aeronave e a quantidade de combustível necessária nessa etapa através de cálculos aritméticos simples. O tempo de voo, sendo obtido pela razão entre a velocidade e a distância, desse resultado, somado aos 30 mi- nutos regulamentares caso o voo seja diurno, obteria a autonomia mínima regulamentar; com o produto desse valor pela velocidade se obtém o alcance da aeronave e, por fim, com a autonomia mínima regulamentar multiplicada pelo consumo obtém-se a quantidade de combustível necessária. Caso houvesse a influência do vento, ou se realizariam os cálculos com o auxílio de um computador de voo, ou se realizaria a decomposição da direção do vento e das componentes ortogonais ao rumo da aeronave para conhecer a sua influência e poder avaliar quanto gerará deriva e quanto se oporia, ou impulsionaria, a aeronave. Para realizar os cálculos totais deve-se conside- rar as etapas de subida, descida e cruzeiro, sepa- radamente, para depois realizar o somatório das variáveis tempo de voo, distância percorrida, autonomia e alcance; observe as etapas e suas variáveis na Figura 3. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 104 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 104 25/08/2020 14:46:11 Figura 3. Variáveis de cálculo nas etapas do voo. Na subida, as variáveis serão: distância percorrida na subida, com DEP (hora de decolagem) e o TOC, que é a altitude que a aeronave deve subir para chega ao nível de cruzeiro (do termo em inglês Top of climb). Deve-se considerar que, com a altitude, a temperatura e a pressão atmos- férica diminuem e influenciam na velocidade aerodinâmica da aeronave ao influenciarem na densidade do ar. Assim, faz-se necessário determinar: a al- titude média de subida (AMS), sendo a metade da soma das altitudes do ae- ródromo de decolagem com o nível de voo de cruzeiro; a temperatura média de subida (TMS), que será a metade do valor da soma das temperaturas do ar ao nível da pista com a do nível de cruzeiro; e a velocidade aerodinâmica média de subida (VAMS), sendo obtida com o uso do computador de voo com os valores anteriores. A altitude a ser subida é obtidaosubtraindo a altitude de cruzeiro da altitu- de do aeródromo de decolagem. Já o tempo de subida é obtida aplicando uma regra de três simples, ou usando o computador de voo, observando a relação de que a razão de su- bida está para o tempo de subida, assim como a altitude a ser subida está para 1 minuto. Outra consideração deve ser feita: para que a influência do vento seja leva- da em conta, é necessária a utilização da velocidade no solo (VS ou GS), que é obtida através da VAMS com o uso de um computador de voo. DEP TOC TOD Distância percorrida Al tit ud e de su bi da Altitude de descida Medias da altitude, temperatura e velocidade aerodinâmica. Medias da altitude, temperatura e velocidade aerodinâmica. Cruzeiro DescidaSubida Distância percorrida ARR NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 105 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 105 25/08/2020 14:46:11 A distância percorrida na subida é obtida aplicando uma regra de três simples, considerando a relação de que a VS de subida está para o tempo de subida, assim como a distância percorrida na subida está para 60 minutos. Por fim, o combustível gasto na subida, igualmente ao cálculo anterior, é obtido através de uma regra de três, considerando que o consumo horário na subida está para o tempo de subida, assim como o combustível gasto na subida está para 60 minutos. Para exemplificar, considere uma aeronave que tem performance de deco- lagem com consumo horário de combustível na subida de 55 l/h, decolando às 1100Z (DEP) de um aeródromo situado a 1000 ft (DEP), com temperatura do ar de 15 °C, necessitando ascender para o nível 080 (TOC), numa razão de subida de 500 ft/min, apresentando velocidade indicada (VI) de 80 kt em uma região de vento calmo. Para calcular a hora de nivelamento, determinamos a altitude a ser subida (8000 - 1000 = 7000 ft) e dividimos esse valor pela razão de subida, isto é: 7000 500 = 14 min; esse valor acrescentado a DEP resulta em 11:14Z, já a distância percorrida na subida necessita da determinação da altitude média de subida, que será AMS = 1000 + 8000 2 = 4500 ft para o cálculo da temperatura média. De- ve-se lembrar que para cada 1000 ft há um decréscimo de 2 °C, com isso des- cobre-se a temperatura do ar no FL080, sabendo-se que no aeródromo a 1000 ft a temperatura do ar era de 15°, (8000 - 1000) . 2 = 14 °C, logo a temperatura média será TMS = (15 + 1) 2 = 8 °C; inserindo esses valores no computador de voo, obtêm-se a VAMS de 85 kt, com esse valor e a informação de que o vento na região é calmo, é possível obter a distância percorrida = 85 . 14 60 = 19,8 l. Por fim, o combustível gasto nessa etapa = 55 . 14 60 = 12,8 l. Na descida, deve-se ter: o ponto de início de descida TOD (do inglês top of descent), até o pouso (ARR); e os procedimentos de cálculos são simétricos, apenas com novas abreviaturas para os termos em- pregados: TMD (temperatura média de descida); VAMD (velocidade média de descida), altitude de descida. Considere uma a aeronave que apresenta uma razão de descida de 300 ft/min e um consu- NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 106 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 106 25/08/2020 14:46:11 mo horário de combustível na descida de 42 l/h, descerá do nível de cruzeiro FL065, com velocidade indicada (VI) de 110 kt, para pouso em um aeródromo com altitude de 200 ft, em que a temperatura do ar é de 30 °C em uma região de vento calmo. Tomando a atitude a ser descida = (6500 – 200) = 6300 ft, e dividindo esse valor por 300 ft da razão de descida, têm-se 21 minutos para o tempo de des- cida. O próximo passo é a obtenção da distância percorrida na descida, que, de forma simétrica ao de subida, exige as considerações sobre os valores médios de altitude, temperatura e velocidade aerodinâmica, AMD = (200 + 6500) 2 = 3350 ft, TMD = (30 + 17,4) 2 = 23,7 °C tendo calculado a temperatura do TOD considerando o gradiente de temperatura de -2° C 1000 , e VAMD = 118 kt, obtida com o uso do computadorde voo. A VS de descida é igual ao VAMD devido à não influência do vento, porém, caso haja, o computador de voo deverá ser empregado. A distância percorrida de descida é obtida utilizando a VS e o tempo de descida, obtendo 41,3 nm, com os valores de consumo horário n descida e o tempo de descida calcula-se o combustível gasto na descida, 14,7 l. Para a etapa de voo em cruzeiro, iniciada no TOC e finalizada no TOD, a prin- cipal consideração deverá ser a seleção do nível de voo, observando os ventos previstos nas cartas prognosticadas WIND ALOFT PROG, as condições de tempo previstas nas SIG-WX, SIGMET, GAMET etc., a regra do voo, a altitude de seguran- ça, a separação dos demais tráfegos na rota com as coordenações e autorização do plano de voo, de forma que a eficiência e segurança sejam priorizadas. Os valores considerados nos cálculos do voo em cruzeiro são: a distância percorrida, tempo de voo e o combustível gasto, em que serão utilizadas as variáveis obtidas anteriormente, distância percorrida em cruzeiro = distância total do voo – distância da DEP até o TOC – distância do TOD até o ARR. De pos- se desse valor, e fazendo a consideração de que a velocidade em solo (VS) não irá variar ao longo do voo em cruzeiro, obtêm-se o tempo em voo de cruzeiro com o uso do computador de voo ou realizando o cálculo de: tempo de voo em cruzeiro = VS (60 . distância em cruzeiro) , lembrando que para a determinação da VS é necessário realizar os cálculos da influência do vento nessa etapa. Além disso, deve-se avaliar novamente a temperatura no nível conside- rando a temperatura do aeródromo de decolagem, para assim poder utilizar o computador de voo com os valores de VI e temperatura no FL para obter a NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 107 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 107 25/08/2020 14:46:11 VA de cruzeiro. Por fi m, para o cálculo do combustível gasto em cruzeiro, pode-se utilizar o computador de vou realizar o cálculo por regra de três, em que o combustível gasto em cruzeiro = consumo horário em cruzeiro . tempo em cruzeiro 60 . Assim, se uma aeronave que realizará um deslocamento total de 196 nm, decolou de um aeródromo em que a temperatura do ar é de 26 °C e está voan- do em cruzeiro no nível 105, onde o vento está calmo, apresentando consumo horário de combustível em cruzeiro de 62 l/h a uma VI de 110 kt, sendo co- nhecido que a distância total de subida foi de 44 nm e de descida será 51 nm. Obtém-se o valor da distância total percorrida em cruzeiro = distância total - distância de subida - distância de descida = 196 - 44 - 51 = 101 nm. Para o tem- po de voo em cruzeiro, avalia-se a temperatura no nível, através do cálculo do gradiente térmico da atmosfera ( 2 °C 1000 ft ), obtendo 10050 . 2 1000 = 20,1°C e subtraindo este da temperatura no solo do aeródromo de decolagem = 6 °C. Inserindo a VI, FL e Temp. no FL no computador de voo, obtêm-se a VA = 132 kt. Avaliando a infl uência do vento no computador, obtém-se a VS, no caso em que o vento é calmo no nível, VA=VS. E assim pode-se calcular o tempo de voo em cruzeiro realizando o cálculo = 101 . 60 132 = 46 minutos. Calcula-se também o combustível gasto em cruzeiro = 62 . 46 60 = 47,5 l. Checklists para o voo Tão importante quanto os cálcu- los, os procedimentos relacionados à segurança operacional (SO), tan- to pré-voos, como durante o voo e pós-voo são de suma importância para a gestão dos riscos na avia- ção. Os conceitos, procedimentos de identificação dos perigos, análise dos riscos, implementação de ações e controle dos resultados por índi- ces recebem total atenção tanto da OACI, como dos órgãos reguladores, certificadores e operacionais ligados à aviação civil dos países signatários da Conferência de Chicago. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 108 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 108 25/08/2020 14:46:20 No Anexo 19 da OACI, há normas e métodos recomendados para ajudar os países a implementarem e executarem a gestão dos riscos de segurança operacional da aviação. Busca nortear a política e objetivos de segurança operacional, a gestão de riscos de segurança operacional, a manutenção e garantia da segurança operacional e a promoção da SO. No Brasil, o Plano de Segurança Operacional (PSO-BR) é desenvolvi- do através dos planos específicos de SO; as ações são implementadas no tráfego aéreo através do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), do Comando da Aeronáutica e no âmbito da aviação civil pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Ambos desenvolvem diversas ações, nos níveis estratégicos, táticos e operacionais, como elaboração ou revisão de normativos, realização de ações de supervisão de SO, estrutu- ração de processos, bem como coleta e análise de dados e informações de ocorrências para elaboração de projetos visando a promoção da seguran- ça operacional, entre outros. Os checklists operacionais, lista de verificações, em português, são guias práticos de ações que devem ser realizadas pelos operadores ae- ronáuticos, pilotos, mecânicos, funcionários de empresas prestadoras de serviços auxiliares de tráfego aéreo e pelos profissionais dos mais diver- sos setores e empresas que prestam serviços de Navegação Aérea. Um exemplo de item: Lembre-se que antes de decolar, as prerrogativas que são conferidas ao detentor de um certificado de habilitação técnica (CHT) somente poderão ser exercidas quando forem atendidos três requisitos:1) estar com certificado médico ae- ronáutico (CMA) válido e adequado à licença/certificado de que é titular; 2) estar com as habilitações correspondentes válidas e 3) possuir experiência recente correspondente à licença ou ao certificado (ANAC, 2018). Essa recomendação está pautada em normativos, como o RBAC n° 61 - Licenças, Habilitações e Certificações de pilotos. Outra ação em prol da Segurança Operacional é desen- volvida através de aplicativos e sistemas on-line como o DCERTA, que permite acompanhar e verificar certificados NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 109 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 109 25/08/2020 14:46:20 e licenças de aeronaves, de tripulações, aeródromos etc., utilizando os da- dos do plano de voo. O checklist pessoal de mínimos operacionais foi elaborado pela ANAC, para servir como ferramenta de gerenciamento da segurança operacional aplicada pelos pilotos durante a fase de planejamento do voo. Ele contém tópicos relacionados a fatores de riscos associados a voo, como: piloto (ou tripulação), aeronave, meio ambiente/aeródromos e pressões externas. O processo consiste em observar cada item proposto e analisar se há possibili- dade de cumprimento de pelo menos os seus mínimos recomendados. Destacando apenas um dos temas, o piloto, que também se aplica à tripulação, com todos os conhecimentos de CRM (Crew Resource Manager – Gestão de Recursos de Cabine), deve observar se tem experiência re- cente na operação do voo, conforme RBAC 61, se suas condições físicas estão adequadas (sono, alimentação, hidratação e atendendo à RBAC 91, estando abstêmio a pelo menos 8 horas, ou com teor alcoólico no sague abaixo de 0,04%, e isento de quaisquer drogas que afetem suas faculdades mentais) e se possui habilitações e certificações válidas requeridas para o voo. Outro ponto apontado é quanto ao caráter ético e responsável que o piloto em comando deve ter, pois, segundo a RBAC 67, deve informar ao ór- gão adequado (ANAC), ou ao examinador de sua certificação se sente que alguma das suas aptidões psicofísicas foram afetadas por alguma razão, aguardando sem exercer suas funções até estar plenamente apto pelos órgãos examinadores e ANAC. O checklist de passagem de serviço, em órgão de Controle do Tráfego Aéreo, foi elaborado e normatizado pelo DECEA através da Circular Norma- tiva de Controle do Espaço Aéreo número 100-57, intitulado Modelo opera- cional e manual do órgão ATC, e tem como finalidade realizar um programa de controlee melhoria contínua dos serviços ATC, orientar os profissionais quanto à observância dos item que poderiam gerar erros, lapsos ou ne- gligências durante a passagem do serviço entre controladores de tráfego aéreo e de alguma forma contribuir para incidentes e acidentes. Os operadores aéreos e os fabricantes de aeronaves desenvolvem checklists das aeronaves, específicas para cada modelo, com suas alte- rações homologadas e certificadas, de forma que os pilotos possam rea- NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 110 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 110 25/08/2020 14:46:20 lizar as inspeções visuais pré-voo e durante o voo realizar ações de cross-check dos instrumentos de bordo, observando danos nas estru- turas, desgastes de peças, falhas de sistemas, mau funcionamentos de instrumentos etc.; caso observe que algum item apresenta um valor de inspeção abaixo do valor mínimo re- comendado e que o item se constitui “NO-GO item”, o voo não poderá ser iniciado ou continuado. Além disso, há as questões das manutenções, certificações (de matrícula da aeronave e de aeronavegabilidade), homologações, checagens dos documentos de bordo, como diário de bordo, manual de voo e lista de verificações, NSCA 3-5 e 3-7 expedidas pelo CENIPA com exceções, ainda tem que apresentar apólice de seguro ou equivalente, licença de estação da aeronave, ficha de inspeção anual de manutenção, etc. Buscando promover ações de prevenções de acidentes aéreos, o SI- PAER (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) busca promover seminários, palestras e cursos de formação para divulgar temas importantes para as operações aéreas, como o checklist de fadiga de voo. Essas ações são idealizadas, primordialmente, para assessorar os pilotos militares quanto à tomada de decisão de interromper ou continuar operações de transporte de longo devido à fadiga da tripulação. Outra área tão importante para a segurança dos voos é a manuten- ção da aeronave: usualmente a cada etapa e principalmente na finalização dos serviços preventivos ou corretivos, as equipes envolvidas realizam um checklist mecânico, que se constitui de diálogos com a tripulação, walk- -around (um passeio ao redor da aeronave para inspeção visual das estru- turas), acompanhamento dos itens estabelecidos no manual do fabricante da aeronave, checagem dupla, etc. Esse assunto não se encerra aqui, há muitos outros checklists empre- gados na aviação, os executados pelos agentes da ANAC em inspeções de NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 111 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 111 25/08/2020 14:46:29 rampa, aquelas executadas pelos funcionários das ESATAs (Empresas de Serviços Auxiliares de Trafego Aéreo), como aquelas que realizam o serviço de handlings, prestados em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, entre todas as outras atividades relacionadas às operações aeroportuárias nos terminais. Campos do plano de voo (considerações) A apresentação de um plano de voo, com responsabilidade, compro- misso, conhecimento e propriedade é resultado da compreensão sobre todo o sistema envolvido na aviação. Cada campo repercute em um pro- cesso que foi concluído anteriormente visando a segurança do voo sob a égide da prevenção a acidentes e das normas internacionais, esforços tecnológicos, humanos e de procedimentos. Vejamos melhor cada campo do plano de voo. Há três tipos de planos de voo na aviação civil; O PVC, plano de voo completo, o PVS, plano de voo simplificado, e o RPL, plano de voo repetiti- vo, que podem ser apresentados por internet, telefone ou radiotelefonia. O piloto em comando, ou despachante operacional de voo, é responsável pela ciência de todas as informações necessárias ao planejamento e exe- cução do voo. Referente ao item 7: identificação da aeronave – essa deve estar com uma série de exigências previamente atendidas, como existência e vali- dade dos certificados, homologações, manutenções, taxas aeroportuárias pagas etc. Item 8: regra de voo – a aeronave e o piloto de- vem corresponder às exigências normativas de habilitações, certificações e experiências, os equi- pamentos a bordo devem estar operando adequa- damente e as informações pertinentes as con- dições meteorológicas em todas as etapas do voo, adequadamente observadas e compreen- didas. Há quatro tipos possíveis de informa- ções que correspondem às regras e mudanças NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 112 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 112 25/08/2020 14:46:29 de regras ao longo do voo, são elas V para voos sobre regras visuais, I para instrumento, Y e Z para quando houver mudança de regra de voo, exigindo descriminação no item Rota, onde será o ponto definido para a mudança; E tipo de voo, o operador da aeronave deve ter obtido as autorizações correspondentes, o piloto em comando deve corresponder aos padrões do tipo de operação. Item 9: número – mais aplicável a operações de shows acrobáticos, cor- responde a quantas aeronaves irão realizar as manobras, exigindo o aten- dimento a diversas exigências operacionais, de segurança, coordenação, homologações, certificações de piloto e aeronaves, autorizações etc. Item 10: tipo de aeronave e Item 11: categoria de esteira de turbu- lência, da mesma forma que o item 7, correspondem às especificações da aeronave segundo o fabricante e implicam na separação dos demais tráfe- gos quando em voo e ao ingressar na pista para pouso e decolagem após outros tráfegos, bem como na priorização para pouso. Item 12: equipamento – correspondente aos equipamentos aviônicos disponíveis para às operações e o tipo de transponder. Item 13: aeródromo de partida – deverá estar operacional, e a movi- mentação nas áreas de movimento, manobras e pouso/decolagem deve ter sido previamente observada nas Cartas ADC. Item 14: hora – deverá corresponder ao horário em que a aeronave deseja operar para decolagem, que deve ser apresentado com 45 minutos de antecedência e tendo um período de 35 minutos para poder alterar novamente o horário e mais 15 minutos de validade do plano. Se for apre- sentado por internet, a antecedência diminui para 30 minutos. Ainda há a exigência adequada de coordenação e planejamento, seja com o proprie- tário da aeronave, passageiros, car- gas, abastecimento, administrador aeroportuário etc, com a finalidade de que atrasos não comprometam a operação, ou exijam um tempo de permanência do piloto em espera, de forma que possa conduzir a uma NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 113 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 113 25/08/2020 14:46:38 regulamentação de tempo em serviço. Se for um plano de voo simplifica- do, isto é, que ocorre sob regra de voo VFR, inteiramente em ATZ (Zona de Tráfego de Aeródromo), CTR (Zona de Controle), TMA (Área Terminal) e FIZ (Zona de Informação de Voo), deverá ser apresentado com pelo menos 10 minutos de antecedência a hora estimada de decolagem (EOBT). Item 15: velocidade de cruzeiro – item de conhecimento operacional e técnico, correspondendo à performance da aeronave, limites exigidos pelas categorias dos espaços aéreos etc.; nível de voo, ou altitude, sele- cionado segundo critérios de regra de voo, altitude segura em rota con- siderando as MEFs das cartas aeronáuticas mundiais, a seleção do nível também deve corresponder às condições meteorológicas, seja de tempo significativo previsto ou observado na rota e a intensidade e direção do vento, para obter eficiência e segurança no voo na etapa de voo em rota. Também deve ser observado de forma que corresponda aos cálculos de tempo, percurso, autonomia realizado no planejamento do voo; e rota, deve observar a regra de voo, exigências de cruzamento de fixos aero- náuticos, ou coordenadas geográficas dependendo do tipo de navegação planejada, este planejamento repercute nos cálculos de autonomia, tempo e consumo de combustível. Item 16: aeródromo de destino – deve estar homologado e seguro para as operações,a seleção deve ser realizada com planejamento ade- quado, observando a performance da aeronave, correspondência entre peso da aeronave e compactação das pistas e pátio do aeroporto (ACN/ PCN), bem como da existência de infraestrutura adequada para as ope- rações, etc. EET total, duração total prevista de voo, obtido após todos os cálculos das etapas, há uma responsabilidade junto à coordenação do tráfego aéreo, pois caso esse estimado não corresponda à operação e não seja atualizado de forma adequada, ou mesmo ocorra perda de contato, poderá repercutir em acionamento das fases de emergência e aciona- mento do serviço de busca e salvamento. E aeródromo de alternativa de destino, que deverá ser selecionado com os mesmos critérios do de destino, acrescentando as considerações sobre a autonomia necessária para chegar nele após cancelar a primeira opção e ainda ter uma reserva adequada conforme o RBAC respectivo. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 114 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 114 25/08/2020 14:46:38 Item 18: outros dados – nesse item todas as informações complemen- tares que repercutem em dados para a segurança do voo, investigação em caso de incidentes e acidentes, bem como busca e salvamento, operações especiais, questões de contingências (equipamentos disponíveis) etc. CITANDO Para mais detalhes sobre o item 18 e outras considerações a respeito do preenchimento, apresentação e modifi ca- ções de horários, consulte a publicação MCA 100-11 – Pre- enchimento dos Formulários de plano de Voo, do DECEA. Como dito, o plano de voo é a demonstração da essência de todos os critérios empregados na aviação, assim como consideração extra, todos os documentos, cálculos e planejamento de contingências avaliados deverão ser levados em voo, inclusive com certa redundância se forem utilizados equipamentos digitais, para que seja possível consultar ao longo do voo, principalmente em ações de cross-check de instrumentos ou de navegação. Radiocomunicação de baixa frequência Um dos recursos de comunicação mais usual na aviação, ainda nos tempos atuais, são os sinais de rádio. Esse recurso tecnológico das telecomunicações utiliza a transcepção de informações codifi cadas em sinal eletromagnético. Dentre todas as frequências utilizadas, a aviação utiliza a baixa frequência (LF - Lower Fequency) para seus serviços de navegação e VHF para comunicação bilateral de voz. A implementação na aviação de recursos tecnológicos que permitissem tanto a comunicação entre aeronaves quanto com as bases em solo também permitiu o desenvolvimento de equipamentos que auxiliassem a navegação em situações de clima adverso, ou mesmo que otimizassem a navegação e gestão do tráfego aéreo. Ao longo da história da aviação, muitos equipamen- tos foram desenvolvidos, padronizados e aprimorados. São exemplos o ADF, VOR, ILS e DME, que mesmo com a crescente implementação e utilização das constelações de satélites para prover o serviço de georreferenciamento, ainda demonstram sua utilidade ao redor do mundo. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 115 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 115 25/08/2020 14:46:39 Equipamentos de radionavegação O ADF (localizador automático de direção, em inglês, Automatic Direc- tion Finder) é um dos equipamentos presentes a bordo das aeronaves desde a década de 1920, operando na recepção de sinais na faixa de 190 a 535 kHz emitidos pelos NDB (rádio farol não direcional, em inglês, No Directional Beacon), os quais se utilizavam das transmissões das estações emissoras de rádio AM (radio difusão broadcast), que operam na faixa de 190 a 1750 kHz, e essas já sujeitas a interferências de outras fontes eletromagnéticas. Cada NDB emite periodicamente uma identifi cação em código Morse com duas ou três letras. Na Figura 4, observa-se um equipamento ADF em um painel de aeronave. A baixa frequência utilizada nesses equipamentos está compreendida na banda de rádio (RF) de 30 kHz até 300 kHz; por não ser afetada pelos diversos meios entre o transmissor, a ionosfera e o receptor são adequados a utilização na aviação. Porém, os equipamentos de transmissão necessitam muitas vezes de antenas verticais, como a dos sistemas NDB (radiofarol não direcional, em inglês Non-Directional Beacon), que pode medir em média 10 metros. Existem outros modelos de antenas de mastro que podem ter formatos em T, L ou se- rem compostas por fi os paralelos longos, chamadas long-wire, e para trans- missores de navegação mais poderosos a altura das torres poderá ser de até aproximadamente 100 metros, que implicam considerações operacionais, de manutenção e de uso do solo nas redondezas (visando evitar danos em caso de tombamento), que devem ser consideradas na atualidade, em que os espaços urbanos cada vez mais estão escassos. Segundo o DECEA (2020), a desativação de estações de NDB visa tam- bém a otimização da navegação aérea brasileira, buscando a transição da navegação dependente de NDBs e VORs, pautada no conceito de sistema baseado em performance, bem como em procedimentos georreferencia- dos. Além dessa consideração, a substituição irá impactar na redução dos custos da infraestrutura de navegação aérea do SISCEAB, pois não serão mais necessários investimentos de implantação, operação e manutenção desses equipamentos de solo. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 116 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 116 25/08/2020 14:46:39 Figura 4. ADF no painel de aeronave. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 30/07/2020. O sinal emitido em ondas não direcionais do NDB pode sofrer interferên- cias, seja por efeito noturno (o adensamento da atmosfera traz a ionosfera para mais perto da superfície do planeta), pela presença de alguma monta- nha na região (gerando reflexão), atmosférico (presença de fenômenos) ou mesmo pelo efeito de costa (devido aos efeitos do meio de propagação sobre a água e em direção à costa), entre outros, assim o NDB é considerado como um instrumento de navegação de não precisão. Devido a estas considerações cada vez mais o uso do NDB vem sendo re- duzido, utilizados apenas como marcador do sistema ILS e em países onde é utilizado para balizar procedimentos IFR em aeroportos com pouco fluxo de tráfego aéreo. O princípio de funcionamento do ADF é através de um ponteiro no painel da aeronave que irá indicar a direção onde está a estação NDB que foi sin- tonizada, permitindo saber se a aeronave está se aproximando, passando ao lado (través), ou se afastando do NDB. Um dos modelos de ADF é o de “Limbo móvel manualmente”, que apresenta as indicações de: QDM, quando a aeronave está se aproximando de uma estação transmissora, que significa proa magnética (vento nulo), em inglês Magnetic hearding (zero wind); e de QDR, quando está se afastando, que significa marcação magnética, em in- glês, Magnetic bearing. Uma consideração operacional desse tipo de ADF é que quando ocorrem as mudanças da proa da aeronave, essa informação deverá ser atualizada no NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 117 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 117 25/08/2020 14:46:47 topo do ADF, para que a informação do QDM e QDR seja correta. Isso leva ao aumento da carga de trabalho na cabine em procedimentos de pouso. Essa demanda impulsionou inovações nos ADFs, como a criação dos ADFs com “Limbo móvel automático”, de denominação RMI (indicador radiomagnético, ou indicador rádio magnético, em inglês, Radio Magnetic Indicator). A informa- ção deste ADF acoplado ao HSI (instrumento que indica sua proa magnética), ou giro direcional, permite o RMI indicar automaticamente a proa atual da aeronave, desta maneira o ponteiro indicará sempre o QDM ou QDR. Quando o ADF indica in, a aeronave estará “bloqueando” o NDB, isto é, a aeronave está passando sobre o “cone de silêncio” do NDB. Quando a aeronave estiver na vertical do equipamento transmissor não haverá sinal de transmis- são, ficando o ADF inoperante. Uma consideração importante para o procedi- mento de bloqueio é quequanto mais alto a aeronave estiver, maior será a área sem sinal, logo os procedimentos de aproximação e pouso consideram essa questão para que o bloqueio permita a precisão adequada à segurança da ope- ração. Observe, na Figura 5, a representação do NDB nas cartas aeronáuticas. Símbolo do NDB Figura 5. Procedimento de pouso não precisão NDB para a pista 15 do Aeroporto de Campina Grande – PB (SBKG). Fonte: DECEA. Acesso em: 30/07/2020. (Adaptado). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 118 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 118 25/08/2020 14:46:58 Como observado, o NDB é representado por um círculo. Ao lado do NDB há um quadro que informa os seus dados de: nome, a frequência e a identificação de três letras e em código Morse. CURIOSIDADE O cone de silêncio é uma zona formada na vertical do transmissor omnidi- recional, assim como é transmitido por uma antena polarizada na vertical; a emissão eletromagnética se dá no sentido horizontal, e praticamente nulo na vertical. Essa ausência de sinal vertical se expande com a altura, configurando-se como um cone invertido. Marcação magnética (QDM) por definição é o ângulo formado (sentido ho- rário) entre o norte magnético e a linha da estação (NDB ou Rádio AM), e deverá coincidir com o rumo da aeronave em procedimentos de aproximação para bloqueio. Após o bloqueio o ADF indicará a linha de posição (QDR), que por definição é a linha medida a partir do norte magnético a partir do NDB, sobre a qual o avião se desloca. Observe na Figura 6 o QDM e QDR de uma aeronave em procedimento NDB. Figura 6. QDM e QDR referente ao sinal de NDB. Outro equipamento transmissor utilizado na navegação aérea para opera- ções de voos sobre regras instrumento é o VOR (radiofarol omnidirecional em VHF, em inglês, Very High-Frequency Omnidirectional Range). Seu diferencial é a NM NM Proa Marcação relativa Linha a partir do NDB/Rádio QDM QDR NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 119 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 119 25/08/2020 14:46:59 precisão e longo alcance do sinal, permitindo inclusive ser aplicado como ba- lizador de aerovias, bem como nos procedimentos de saída (SID) e nos proce- dimentos de aproximação (de não precisão) e quando acoplado a um sistema de medição de distâncias (DME - equipamento radiotelemétrico) permite que procedimentos de aproximação possam ser executados com maior precisão. Um VOR Doppler é constituído de uma antena direcional mais potente que um VOR comum, permitindo a redução das distorções multipath, que por sua vez permitem que o sinal possa ser direcionado para longe dos objetos que podem refletir o sinal; este tipo de VOR recebe a designação de DVOR. A precisão do dá porque as indicações de radiais, isto é, os rumos magnéticos que partem do transmissor permitem as aeronaves se referenciarem precisamente a estes equipamentos. Observe na Figura 7 um equipamento VOR com seus módulos de antenas direcionais. Figura 7. Equipamento VOR. Fonte: Camara Caxias. Acesso em: 29/07/2020. A banda de transmissão dos VOR é VHF de frequência muito alta, entre 108.0 a 117.95 kHz, com sinais direcionais em todas as direções, porém com aplica- ção limitada para voos a baixa altitude, pois as ondas de rádio não conseguem acompanhar as elevações da superfície, assim a recepção deste equipamento é melhor obtida do equipamento de bordo em maiores altitudes. A bordo da aeronave o receptor AM convencional com circuitos para de- modular os sinais variáveis e de referência do VOR sintonizado, possui um NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 120 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 120 25/08/2020 14:47:08 indicador, “agulha vertical” que indica a posição lateral em relação a trajetó- ria selecionada, que apresentando o desvio de curso (CDI), um seletor om- nidirecional (OBS), utilizado para selecionar a radial ou o curso desejado e um indicador que indica se a aeronave está se aproximando ou afastando do VOR (PARA/DE, em inglês, TO/FROM), bem como bandeirolas, utilizadas para indicar se a aeronave está fora do alcance do VOR selecionado ou se está no bloqueio. Além disso, em uma aproximação de precisão ILS, uma agulha hori- zontal permite ao piloto situar a aeronave em uma rampa de descida ajustada ao ponto de toque na pista. Há três tipos de receptores de VOR: CDI, o mais simples e utilizado na maio- ria das aeronaves de pequeno porte; o HSI (Figura 8), que apresenta no mesmo painel dados de giro direcional e do VOR, facilitando a compreensão do deslo- camento em relação ao VOR; e o RMI (Figura 9) que apontará sempre para o VOR, indicando o curso para o VOR. Figura 8. Receptor HSI de sinal VOR. Fonte: Ftcdn. Acesso em: 29/07/2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 121 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 121 25/08/2020 14:47:21 Figura 9. Receptor RMI de sinal VOR. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 29/07/2020. Navegação (atualidades) O uso do georreferenciamento por satélite tem revolucionado a navegação aérea e o controle do espaço aéreo, permitindo operações mais precisas, segu- ras, efi cientes e efi cazes, reduzindo custos operacionais e impactos ambientais. A utilização do sistema global de navegação por satélite (GNSS), substituindo as convencionais infraestrutura de navegação com sistemas transmissores em solo, permite a implementação dos conceitos de navegação de área (RNAV), de Performance de Navegação Requerida (RNP), da redução dos mínimos de se- paração vertical (RVSM) e navegação baseada em performance (PBN), em con- sonância ao conceito CSN/ATM vem sendo discutida, implementada e inovada constantemente desde 1991, quando este conceito foi ofi cializado na 10ª Con- ferência de Navegação organizada pela Organização de Aviação Civil Interna- cional (OACI), buscando estabelecer um sistema de comunicações, navegação, vigilância e gerenciamento do tráfego aéreo, fundamentado em tecnologias di- gitais, sistemas de base terrestre e satelital, bem como automação de alto nível. CNS/ATM é uma expressão que engloba quatro termos, C de Comunicação Aeronáutica, N de Navegação Aérea, S de Vigilância (do inglês, Surveillance) e ATM de Gerenciamento de Tráfego Aéreo (do inglês, Air Traffi c Managment). A utilização da tecnologia digital e os comandos de dados no lugar da co- municação bilateral por voz, ou complementando esta, tem o intuito de re- NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 122 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 122 25/08/2020 14:47:46 duzir, ou mesmo eliminar, as incompreensões nas comunicações, que podem implicar fatores de riscos para acidentes e incidentes aéreos. A navegação por georreferenciamento por satélites (GNSS - Global Naviga- tion Satellite Systems), além de aumentar a precisão, oportunizar mais dados para análises posicionais devido à existência de mais constelações disponí- veis (GPS, GLONASS, GALILEO, Beidou e SBAS) permite a gestão do tráfego aéreo de forma mais segura e eficaz mesmo no cenário futuro de aumento do tráfego aéreo. A navegação baseada em performance (PBN), em inglês, Performance Based Navigation, possibilita a criação de rotas diretas, implicando redução nas dis- tâncias, que por sua vez, reduz tempo de voo e custos operacionais. É pautada em especificações das aeronaves que operam em uma rota ATS, quanto aos requisitos de desempenho do sistema RNAV, garantindo a precisão, integrida- de, continuidade, disponibilidade e funcionalidades das operações aéreas de- finidas para o conceito de espaço aéreo otimizado. Observe na Figura 10 um infográfico sobre a temática, demonstrando os benefícios à aviação. Figura 10. Navegação baseada em Performance (PBN). Fonte: Senado Federal. Acesso: 29/07/2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 123 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 123 25/08/2020 14:48:03 As demais vantagens estão relacionadas a questões de segurança na ges- tão do tráfego aéreo, com a adoção da tecnologia ADS (vigilância dependente automática) em substituição e/ou complemento ao sistema radar, inclusive com MLAT (multilateração), um recurso de vigilância independentecoope- rativa, que utiliza os sinais transmitidos pelo transponder de um avião para avaliar a posição do mesmo, em ambiente operacional específico. Com esses recursos o Controle de Tráfego Aéreo (ATC) deixa de ser essencialmente tático e passa a apresentar uma gestão estratégica do tráfego aéreo utilizando de forma otimizada as tecnologias e recursos humanos. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 124 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 124 25/08/2020 14:48:03 Sintetizando Nesta unidade, vimos como a contagem do tempo é importante para a ges- tão do tráfego aéreo e conhecemos os conceitos, padronizações e tecnologias empregados para tal, como os fusos horários e a hora UTC. Também vimos que, para realizar o preenchimento de um plano de voo, diversos conhecimentos, me- todologias e tecnologias são empregadas em etapas anteriores, possibilitando que o planejamento garanta operações aéreas seguras, regulares e eficientes, aplicando para tal os checklists Vimos como a radionavegação, uma inovação tecnológica que possibilitou a navegação orientada por auxílios em solo que transmitiam sinais eletromagnéti- cos de baixa e média frequência, interpretados pelos equipamentos receptores a bordo, como o ADF, HSI e RMI. Isso permitiu a gestão do tráfego aéreo em con- dições meteorológicas favoráveis ou adversas. Por fim, vimos que os avanços tecnológicos vêm buscando a constante me- lhoria do sistema de tráfego aéreo, com a aplicação do georreferenciamento por satélites através de conceitos inovadores como o CNS/ATM e navegação baseada em performance (PBN). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 125 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 125 25/08/2020 14:48:03 Referências bibliográficas ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. Checklist de Mínimos Ope- racionais. 2018. Disponível em: . Acesso em: 30 jul. 2020. ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. RBAC 135: Operações de transporte aéreo público com aviões com configuração máxima certificada de assentos para passageiros de até 19 assentos e capacidade máxima de carga paga de até 3.400 kg (7.500 lb), ou helicópteros. Brasília, 2010. Dispo- nível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. RBAC 526. Regras Gerais de Operação para Aeronaves Civis. Brasília, 2019. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2020. ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. RBAC 61: Licenças, habili- tações e certificados para pilotos. regulamento brasileiro da aviação civil. Brasília, 2013. Disponível em: . Acesso em: 08 ago. 2020.ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. RBAC 67. Requisitos para concessão de certificados médicos aeronáuticos (CMA). Brasília, 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. RBAC 91. Requisitos gerais de operação para aeronaves civis. Brasília, 2020Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. BRASIL. Lei nº 7.565, de 19 de dezembro de 1986. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 19 dez. 1986. Disponível em: . Acesso em: 30 jul. 2020. DECEA – DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AERÉO. MCA 100-11. Preen- chimento dos Formulários de plano de Voo. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 126 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 126 25/08/2020 14:48:03 DECEA – DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AERÉO. CIRCEA 100- 57. Modelo operacional e manual do órgão ATC. Boletim do Comando da Aeronáutica: Comando da Aeronáutica 2018. Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. DECEA – DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AERÉO. ICA 100-12. Regras do Ar e Serviços de Tráfego Aéreo. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. DECEA – DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AERÉO. Plano de de- sativação gradual das estações NDB: Comando da Aeronáutica. Rio de Ja- neiro, 2020. ICAO – INTERNATIONAL CIVIL AVIATION ORGANIZATION. Annex 2 – Rules of the Air. Estados Unidos: International Standards, 2005. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. ICAO – INTERNATIONAL CIVIL AVIATION ORGANIZATION. Annex 19 – Safety Management. Estados Unidos: International Civil Aviation Organization, 2013. Disponível em: . Acesso em: 18 ago. 2020. OLIVEIRA, M. Anac avalia 520 reclamações trabalhistas contra empresas aéreas. G1 Economia e Negócios. 2020. Disponível em: . Acesso em: 30 jul. 2020 ROSENBAUM. Ações contra companhias aéreas e as principais causas. 2018. Disponível em: . Acesso em: 30 jul. 2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 127 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 127 25/08/2020 14:48:03ser verticais; nesse caso, elas são conhecidas como meridianos. O mais famoso meridiano é o de Greenwich. Diametralmente oposto a ele, está seu antimeridiano, também de- nominado Linha Internacional da Data. Juntos, eles dividem o globo em Ocidente e Oriente (respectivamente situados a Leste e Oeste de Greenwich). A Terra e a navegação aérea Para poder executar os procedimentos relacionados às operações aéreas, como planejamento do voo, gestão dos riscos operacionais e gestão do tráfe- go aéreo, além de ações em solo de parqueamento e parada, são necessários conhecimentos oriundos de diversas áreas de estudo e ciência relacionadas, sobretudo, ao planeta Terra. Isso posto, pode-se afi rmar que é imprescindível conhecer as característi- cas físicas estáticas e dinâmicas da Terra, assim como normatizações sobre a distribuição de suas massas (sólida, líquida e gasosa) e posicionamentos espa- ciais, a fi m de que seja possível orientar os deslocamentos horizontais e verti- cais tanto sobre a terra como na atmosfera. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 13 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 13 25/08/2020 14:34:35 Essas linhas imaginárias são expressas em graus, minutos e segundos. Os paralelos determinam as latitudes, que são ângulos formados tomando o cen- tro da terra como origem e elevam-se, a partir do Equador, até os polos Norte e Sul, variando de 0° a 90°. Outros paralelos, gerados por planos que segmentam a Terra em partes dife- rentes entre si, são intitulados círculos menores. Exemplos deles são os Trópicos de Capricórnio, Câncer e Círculos Polares. Eles caracterizam as zonas térmicas do planeta pelo grau de iluminação recebida do Sol ao longo da translação. Já os meridianos são limitados pelos polos Norte e Sul verdadeiros e cruzam o Equador em um ângulo de 90°. Eles definem as longitudes, sendo o meridia- no de Greenwich a longitude 0º e variando até 180°. Pautados nesses referenciais, define-se o sistema de coordenadas geográfi- cas e os fusos horários, possibilitando o referenciamento e navegação a partir de qualquer ponto na superfície terrestre. Isso posto, pode-se afirmar que a Terra realiza dois movimentos: a rotação e a translação. O primeiro deles é um processo de giro no sentido anti-horário em torno do seu próprio eixo, que possuí inclinação de 23,5° em relação ao plano de translação ao redor do Sol (eclíptica). A rotação permite a existência do referencial de tempo (contabilizado em ho- ras, minutos e segundos) que conhecemos como dia. Assim, o dia possui uma fase diurna e outra noturna, totalizando 23 horas, 56 minutos e 4 segundos. Já a translação, o movimento que a Terra faz ao redor do Sol, permite a existência do referencial de tempo do ano. Por conta desse movimento, há fa- ses de afastamentos e aproximações do Sol conhecidas como afélio, periélio e equinócios. Elas são, respectivamente, as fases de maior distância entre Terra e Sol, de maior proximidade e de equidistância. É através desse movimento que definimos as estações do ano e os meses, totalizando 365 dias, 6 horas, 9 minutos e 13 segundos em um ano. Esses movimentos são os responsáveis pelas diferenças de aquecimento da superfície terrestre de forma desigual. Ademais, isso gera os deslocamentos das massas de ar que podem ocorrer no sentido vertical, em pequenas escalas de dezenas de quilômetros, ou no sentido horizontal, ao longo da superfície em escalas sinóticas de centenas de quilômetros. Assim, esse fenômeno gera os fenômenos meteorológicos de tempo e define o clima e as estações do ano. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 14 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 14 25/08/2020 14:34:35 A Figura 1 apresenta a superfície terrestre, os movimentos de rotação e translação e seus efeitos na configuração do dia, ano e estações: Figura 1. Configurações de tempo e sazonalidades definidos pelos movimentos de translação e rotação. Fonte: BRASIL ESCOLA, [s.d.]. Acesso em: 01/06/2020. (Adaptado). Figura 2. Latitude e longitude. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/06/2020. (Adaptado). Já a Figura 2 mostra a definição de referenciais (latitudes, longitudes e siste- ma de coordenadas geográficas) que são de suma importância para as práticas relacionadas à navegação aérea: Longitude Latitude NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 15 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 15 25/08/2020 14:36:09 Na Figura 3, observam-se as coordenadas geográficas de latitude e longitu- de sendo utilizadas para a definição dos fusos horários: Figura 3. Sistema de coordenadas geográficas e fusos horários. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/06/2020. Entende-se, então, a necessidade de um processo mais complexo de pla- nejamento e coordenação para a realização de navegações de longa distância, exigindo a padronização de um referencial de horário para a gestão do tráfego aéreo ao redor do planeta. Esse referencial padrão é conhecido como Tempo Universal Coordenado (UTC). Por isso, compreende-se que especificamente no desenvolvimento da avia- ção, diferentemente de outros tipos de transporte (aquaviário e terrestre), exige-se um aporte tecnológico superior, tanto para gerenciar os riscos rela- cionados ao deslocamento em um referencial 3D sob condições atmosféricas variáveis, quanto para atender aos três pilares que norteiam suas atividades: segurança, regularidade e eficiência. Com a difusão do conhecimento, a prática de metodologias científicas e padronizações normativas, diversas inovações tecnológicas foram implemen- tadas na navegação das aeronaves. Isso agregou qualidade ao arcabouço teó- rico, técnico e procedimental, além de conceber inúmeras ferramentas para realizar as operações de planejamento, execução e análise dos voos de forma apropriada. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 16 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 16 25/08/2020 14:36:14 A navegação aérea e seus procedimentos Entende-se como navegação aérea a atividade de realizar voos pautando- -se em orientações de posição e direção. Essas orientações podem ser conse- guidas de forma visual, por meio de cálculos estimativos, ou através do uso de instrumentos a bordo das aeronaves, que coletam informações de disposi- tivos em solo e/ou satélites. Isso permite que a execução do voo corresponda aos procedimentos e rotas planejados no plano de voo. Esses procedimentos, quando relativos a voos que estão sob regas de voo instrumento (IFR), exigem certas condições para serem executados, como: homologação dos pilotos e certifi cação das aeronaves, transmissores e re- ceptores funcionando adequadamente, e garantia de que o nível de voo (di- ferença entre a posição da aeronave em voo e o nível padrão de pressão atmosférica) e rota selecionados estejam adequadamente planejados e, em casos específi cos, autorizados. Os equipamentos em solo, como estações de rádio; equipamentos espe- cífi cos de rota, como NDB e VOR; e de aproximação e pouso, como DME, ILS e sistema GBAS, auxiliam a gestão do tráfego aéreo juntamente com os rada- res primários e secundários, principalmente em regiões de voo nas quais há grande fl uxo de tráfego aéreo. Para poder realizar todas as etapas da navegação, é necessário aplicar os conhecimentos de posicionamento e orientação, utilizando cartas aero- náuticas e sistemas. O planejamento de um voo obedece à uma metodologia técnica precisa, em que a rota que se deseja realizar é traçada unindo origem e destino, obedecendo às regras normativas de voos e se referenciando de forma visual (voo VFR) ou através de instrumentos (voo IFR). Também existem condicionantes quanto à gestão do tráfego aéreo; à manutenção dos distanciamentos entre aeronaves; e procedimentos de decolagem, rota e pouso realizados, estritamente, sob responsabilidade do piloto ou recebendo serviços de informação, alerta, assesso- ramento ou controle. Esses serviços, no Brasil, são executados por um dos órgãos integrantes do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA17 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 17 25/08/2020 14:36:14 Assim, o caminho, direção, velocidade e altura são orientados utilizando mapas do solo, cartas de rotas preestabelecidas, referências de solo ou com o auxílio de equipamentos de bordo. Inclusive, cabe ressaltar que mesmo vi- vendo em uma sociedade digital, os conhecimentos e procedimentos do uso da bússola ainda são muito necessários. É preciso entender que a operacionalidade de uma bússola é pautada no magnetismo terrestre, aliada à uma agulha imantada. Por meio dela, pode- -se obter a indicação do norte magnético sobre uma rosa dos ventos e, as- sim, conseguir a orientação do voo sobre as direções cardeais, colaterais e subcolaterais. Isso pode ser útil em eventos (pouco prováveis) nos quais os equipamentos digitais falhem, ou o Sistema de Posicionamento Global, o GPS, seja suspenso. Em caso de falhas desse tipo, não haverá outro meio de navegação dispo- nível a não ser utilizar as cartas de navegação, sempre levando em considera- ção que elas são plotadas utilizando o referencial do norte verdadeiro, e que é necessário observar as declinações magnéticas sob as regiões para poder realizar os cálculos corretos quanto ao deslocamento real. Na Figura 4, é possível observar elementos utilizados nos procedimentos de navegação aérea, seja em navegações visuais (mapa WAC), estimadas (com uso de bússola, velocímetro e relógio), por rádio navegação (corredores vi- suais, ENRs), eletrônicas, por satélite e por performance. Figura 4. Produtos para navegação aérea (mapas, cartas, computador de voo e telas de navegação aérea). Fonte: BIANCH PILOT SHOP, [s.d.]. Acesso em: 01/06/2020. (Adaptado). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 18 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 18 25/08/2020 14:36:23 Sistema de coordenadas geográficas A defi nição de um sistema de posicionamento na superfície da Terra deve ser simples, clara e precisa. Assim, utilizando-se as coordenadas geográfi cas e com os dados de latitude e longitude, pode-se defi nir a posição exata de um ponto em um referencial. Se tomarmos o mapa do mundo como um sistema de plano coordenado cartesiano, defi nindo a origem pelo cruzamento da linha do Equador (latitude 0) com o meridiano de Greenwich (longitude 0), podemos mensurar as latitu- des e longitudes em graus, minutos e segundos até o limite de 180° horizon- talmente (Oeste e Leste) e 90° verticalmente (Norte e Sul). Para determinar uma latitude, seleciona-se um meridiano e mede-se o arco (distância angular) formado a partir da linha do Equador até o ponto que se deseja referenciar. Para a longitude, observando o meridiano de Greenwich, deve-se observar se o ponto que se deseja referenciar está no hemisfério Oes- te (W), ou Leste (E), medindo o menor arco sobre a linha do equador, conforme é possível observar na Figura 5. Linha do equador Linha do equador Linha do equador Longitude Latitude Hemisfério oeste Hemisfério norte Hemisfério sul Hemisfério leste Lin ha d o m er id ian o de gr ee nw ich Lin ha d o m er id ian o de gr ee nw ich Lin ha d o m er id ia no d e gr ee nw ich Lin ha d o m er id ia no d e gr ee nw ich Figura 5. Defi nição de latitudes e longitudes. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 01/062020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 19 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 19 25/08/2020 14:36:39 Teoria e planejamento para o voo Na aviação, a excelência é um fator primordial para que todos os profi s- sionais, equipamentos e metodologias empregadas promovam a execução de voos seguros, efi cientes e pontuais. O resultado esperado só é obtido por meio da soma de fatores, como planejamento, avaliação, execução, acompanha- mento, registros e análises posteriores de todas as ações na aviação. Qualquer negligência, erro ou lapso pode se tornar um fator contribuinte para um incidente ou acidente aeronáutico. Nesse contexto, a máxima “co- nhecimento é poder” se torna adequadamente aplicável. O planejamento de um voo não se restringe às consultas sobre as infor- mações de operacionalidade dos aeródromos, condições meteorológicas observadas e previstas, cálculos de tempo, autonomia e distribuição de carga e às docu- mentações. Ele envolve gestão de riscos operacionais concernentes a fatores humanos, técnicos, operacionais e ambientais, além de ações de contingência. O cruzamento dos dados de latitude e longitude defi nem um ponto de coordenada geográfi ca, que é utilizado para defi nir a localização de um ponto na superfície terrestre. A informação será expres- sa com a confi guração GGG°MM’SS”H para longitude e GG°MM’SS”H para latitude. GG são os graus, MM os mi- nutos, SS os segundos e H o hemisfério, sendo W para Oeste (longitude), E para Leste (longitude), N para Norte (latitude) e S para Sul (latitude). CURIOSIDADE Em sistemas de informação geográfi ca, web mappings e dispositivos de GPS, é mais comum encontrar referências de coordenadas geográfi cas expressas em graus decimais (DD) do que em graus, minutos e segundos (DMS). A diferença é que, em vez de usar os referenciais dos hemisférios, utilizam-se as notações positivas para as latitudes ao Norte do Equador e longitudes a Oeste do meridiano de Greenwich, e negativas para as latitudes ao Sul do Equador e a Leste de meridiano de Greenwich. As coordenadas geográfi cas são expressas na seguinte sequência: latitude e longitude. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 20 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 20 25/08/2020 14:36:39 Assim sendo, é importante pontuar que a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) regulamenta as ações dos gestores aeroportuários, proprietários de aeronaves, companhias aéreas, escolas de aviação, ofi cinas mecânicas e servi- ços de empresas auxiliares de tráfego aéreo. Já o Departamento do Controle de Tráfego Aéreo (DECEA) gerencia o tráfego aéreo, as ações de investigação, a prevenção de acidentes aéreos, as buscas e os salvamentos. Juntos, eles procuram contribuir para o correto funcionamen- to dessas ações de contingência, pautando-se nas recomendações da Organi- zação de Aviação Civil Internacional (OACI). Uma dessas ações é o Checklist Pessoal de Mínimos Operacionais, que apresenta recomendações para a gestão segura do planejamento, execução e fi nalização dos voos. ASSISTA Recomendamos que o aluno assista ao vídeo Dia do contro- lador, postado pelo Canal DECEA. Nele, é possível observar como é complexo o serviço dos controladores de tráfego aéreo, que realizam uma elaborada gestão de recursos humanos, operacionais, técnicos e educacionais. Gestão da tripulação, aeronave e condições meteorológicas Um dos diferenciais da aviação é a capacitação em CRM (Crew Resource Management), o gerenciamento de recursos da tripulação, que promove a redução de ocorrências de incidentes e acidentes relacionados ao fator hu- mano, dando à tripulação uma variedade de estratégias para a melhoria de sua efi cácia, em especial em situações de crise. As ações englobam a promoção de uma cultura de segurança operacional nos indivíduos e/ou empresas, com ações administrativas como a validade do Certifi cado de Habilitação Técnica (CHT) e dos Certifi cados Médicos Ae- ronáuticos (CMA). Ambos são itens de exigência prevista no artigo n° 160 do Código Brasileiro de Aeronáutica, sendo regulamentado pelo Regulamento Brasileiro de Aviação Civil (RBAC) n° 61 e fi scalizado por agentes da ANAC nos aeroportos civis brasileiros. O documento fora de ordem é passível de multa e impedimento da realização dos voos. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 21 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 21 25/08/2020 14:36:39 Isso posto, o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), regulamentado por meio da resolução ANAC nº 293/2013, controla marcas de matrícula e na- cionalidades das aeronaves; emite certificados de matrícula e de aeronave- gabilidade; reconhece direitos reais, de uso e de aquisição de domínio na transferência de propriedade; processa cancelamento de matrículas,regis- tros, inscrições; realiza averbações; e fornece certidões. A autoavaliação das condições físicas, técnicas e psicológicas da tripu- lação também é de suma importância para a condução do voo. Situações como cansaço, uso de medicamentos, uso de drogas, falta de conhecimen- tos operacionais obrigatórios ou simplesmente o caso de o tripulante não se sentir apto ou confiante para voar são critérios que devem ser considerados para a não realização do voo ou não embarque de algum dos tripulantes, uma vez que o nível de consciência situacional de todos os envolvidos em um voo deve estar sempre alto. Soma-se à mitigação dos riscos operacionais relacionados aos fatores humanos as ações que consideram os fatores técnicos. Esses fatores podem englobar as condições da aeronave e alguns detalhes burocráticos, como atualização das documentações da aeronave (livro de bordo, manual de voo, lista de verificações, apólice de seguro, licença da aeronave, entre outros). Segundo as Regras Gerais de Operação para Aeronaves Civis da ANAC, de 2019, o piloto em comando é o responsável pelas condições da aeronave. Logo, ele deverá observar o livro de bordo da aeronave, realizar uma inspe- ção visual antes do voo e realizar um diálogo prévio com o responsável pela manutenção da aeronave. Assim, ele poderá tomar ciência sobre possíveis condições de risco, como falhas técnicas ocorridas nos últimos voos e ne- cessidade de manutenções preventivas ou corretivas. Ademais, são mitigações aos fatores operacionais do voo, a fim de garantir uma gestão eficaz: tomar conhecimento da climatologia da região em que se pretende operar; consultar as condições meteorológicas atuais e previstas para os aeródromos de decolagem, destino e pos- sível alternativa do voo; e consultar a rota planejada. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 22 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 22 25/08/2020 14:36:39 Para a obtenção dos dados necessários sobre o clima e o tempo, há di- versos canais oficiais de meteorologia aeronáutica de empresas e órgãos seguros que prestam serviços de tempo e previsão meteorológica. Alguns deles são o portal REDEMET, mostrado na Figura 6; o site do Centro Nacio- nal de Gerenciamento de Navegação Aérea (CGNA), mostrado na Figura 7; e o site do Instituto Nacional de Meteorologia. As informações básicas se constituem de mensagens meteorológicas co- dificadas, como os METAR (mensagem regulares de condições meteoroló- gicas de aeródromos) e os SPECI (mensagens especiais de atualizações das condições meteorológicas). Também há informações de previsões como os TAF (previsão de terminal de aeródromo), para os aeródromos que possuem estações meteorológicas de superfície (dotadas de pessoal, ou automatiza- das, e identificadas pelo código AUTO nos METAR e SPECI). Para os aeródromos desprovidos de estações de condições meteoroló- gicas, informações obtidas com os gestores dos aeródromos, mesmo não sendo informações oficiais, podem auxiliar no planejamento do voo. Os pilotos, despachantes operacionais de voo (DOV), proprietários e/ou exploradores de aeronaves podem solicitar previsões especiais, como as dadas para rotas e aproximações, através do Centro Integrado de Meteoro- logia Aeronáutica (CIMAER), no telefone (21) 2101-6865. Figura 6. Portal de consulta de informações de meteorologia aeronáutica. Fonte: REDEMET, [s.d.]. Acesso em: 01/06/2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 23 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 23 25/08/2020 14:36:46 Figura 7. Portal do Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea. Fonte: PORTAL OPERACIONAL CNGA, 2020. Acesso em: 01/06/2020. As condições previstas para a rota planejada podem ser obtidas através de análises de imagens de satélite, previsões de baixa altura (cartas de superfície, mensagens GAMET e AIRMET) e em altitude (SIGMET), em cartas de previsão de fenômenos signifi cativos (SIGWX) e em cartas de vento e temperatura em altitude (WIND ALOFT PROG). Essas ferramentas de previsão permitem a seleção da rota e do nível de voo, buscando mitigar os riscos relacionados às condições de mau tempo, como: áreas de formação de gelo moderado e severo, áreas de turbulências, áreas de instabilidade devido ao progresso de frentes, ocorrência de baixa visibilidade horizontal por nevoeiro, chuvas moderadas ou fortes, chuviscos moderados ou fortes, entre outros. Com o advento do serviço de autoatendimento de aeródromo, segundo o DECEA (2020), a consulta nas salas AIS dos principais aeródromos é realizada através de um terminal. Nele, está disponível o acesso aos sites de plano de voo, REDEMET e AIS-WEB, com a possibilidade de dirimir dúvidas através do serviço de HelpMet, provido pelo Centro Meteorológico Integrado (CMI), órgão operacional do Centro Integrado de Meteorologia Aeronáutica (CIMAER). Planejamento da rota e contingências Uma etapa complementar ao planejamento da rota é a obtenção das infor- mações das condições técnicas, administrativas e operacionais dos aeródromos de origem e decolagem. Em caso de imprevistos que impossibilitem o pouso no aeródromo previsto, deve-se ter um planejamento de ações de contingên- cia, como a possibilidade de realizar voos em órbita, aguardando a melhoria do tempo, sanar a impraticabilidade do aeródromo ou rumar para o aeródromo de alternativa de pouso. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 24 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 24 25/08/2020 14:36:50 Para obter os dados necessários sobre as infraestruturas e condições ope- racionais dos aeródromos envolvidos na operação, o portal de serviços do DECEA (Figura 8) permite, para auxiliar os aeronavegantes no planejamento e realização do voo, o acesso às publicações AIS (serviço de informação ae- ronáutica), como o ROTAER, AIP (informação de publicação aeronáutica), seus suplementos e os NOTAM (avisos aos aeronavegantes). Assim, o planejamento do voo poderá ser realizado pautado em todas as informações técnicas e operacionais, tendo conhecimento, inclusive, de possí- veis modificações, suspensões, ou impraticabilidades de qualquer instalação, estabelecimento, serviço ou procedimento dos aeródromos ou da rota, como ativações de áreas restritas, perigosas ou proibidas. Figura 8. Fonte oficial de informações aeronáuticas do Brasil. Fonte: AISWEBb, [s.d.]. Acesso em: 01/06/2020. Na área de planejamento e realização do voo do ROTAER (Manual Auxiliar de Rotas Aéreas) criado pelo DECEA, podem ser encontrados dados imprescin- díveis para as operações. Exemplos deles são: existência de auxílios lumino- sos ao pouso; aproximação visual simplificada (AVASIS); indicador de percurso de aproximação de precisão (PAPI); existência e horários de atendimento do serviço de abastecimento (CMB); informações sobre o serviço de combate a incêndio (SCI); informações de dimensões; tipo de compactação da pista de pouso e pátio de aeronaves. Essas, entre outras informações, são cruciais para a avaliação de compatibilidade com a performance e exigências das aeronaves que pretendem operar naquele aeródromo. Munido das informações básicas, o planejamento da navegação, quanto à rota e nível, deverá ser realizado tomando-se como base o tipo de voo a ser realizado: se sob regras de voo visual, em uma das etapas ou em sua totalida- de, ou sob regras de voo por instrumentos. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 25 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 25 25/08/2020 14:37:09 Deve-se selecionar as cartas adequadas ao tipo de voo. Para voo visual, são: WAC, Carta de Navegação Aérea Visual (CNAV), Rotas Especiais de Ae- ronaves sem Transponder (REAST), Carta Aeronáutica de Pilotagem (CAP), Cartas de Corredores Visuais (CCV) para aeronaves de asas fixas, Cartas de Corredores Visuais - Rotas Especiais de Helicópteros (CCV – REH) para aerona- ves de asas rotativas, Carta – Imagem Aeronáutica de Pilotagem (CIAP), entre outras. Para voo por instrumentos, são necessárias as Cartas de Rota (ENRC) da região a ser voada. A análise dessas cartaspermite o reconhecimento da região a ser sobre- voada, informando quanto à existência de auxílios de rota, pontos compulsó- rios, áreas (restritas, perigosas e proibidas), nomenclaturas e informações de rumos magnéticos e dimensões das aerovias. Para os voos visuais, alguns aspectos da região demandam mais atenção, como tipo de relevo, altura e tipos de obstáculos; classificação dos espaços aéreos; orientações das pistas dos aeródromos da região; e, em especial, a declinação magnética da área. Ao traçar a rota ligando os aeródromos de partida e destino, deve-se con- siderar um percurso seguro, eficiente e que obedeça à regulamentação do tipo de voo. O voo deve ser, de preferência, feito em linha reta, a fim de se percorrer a menor distância possível. As variáveis a serem consideradas são o tipo de navegação, as condições meteorológicas, o relevo da região, os pon- tos de referência, entre outros. Além disso, para a realização dos cálculos da navegação horizontal é ne- cessário o levantamento dos dados de distâncias entre os waypoints, o rumo verdadeiro (RV), a declinação magnética (DMG), o rumo magnético (RM), a correção de deriva (CD), a proa verdadeira (PV), a proa magnética (PM), o des- vio bússola (DB) e a proa bússola (PB). Para os cálculos da navegação vertical, da razão de subida e descida e para a seleção da altitude ou nível de cruzeiro, deve-se obter: o valor da máxima elevação (MEF) da região em que se pretende voar, a performance da aeronave, a distância do voo, o teto de serviço da aeronave e a tabela de níveis de voo e vento em cruzeiro. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 26 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 26 25/08/2020 14:37:09 As considerações para o planejamento são: • Quanto ao MEF, deve-se selecionar a altitude de cruzeiro com uma mar- gem de segurança de no mínimo 1000 ft a mais do que o valor do MEF; • A performance da aeronave e teto de serviço são parâmetros a serem analisados através de tabelas e gráficos fornecidos pelo fabricante. Eles limi- tam a altitude ou nível de voo, bem como fornecem as velocidades máximas do vento em altitude e nos procedimentos de pouso e decolagem aos quais a aeronave pode se submeter dentro de um nível de segurança quanto à sua manobrabilidade; • A distância do voo permite análises como a de custos das operações com a seleção dos tipos de aeronaves. Um exemplo pode ser dado se considerar- mos que uma companhia aérea, para realizar um voo de rota regional (curta distância), possui aeronaves turboélice e turbojato. Ela deverá selecionar aque- la que tenha melhor performance na rota; • Em voos IFR, ou com partes IFR, seleciona-se o nível de cruzeiro pautado na tabela de níveis de voo apropriados à rota, em função do rumo magnético da etapa do voo. Apenas quando autorizado pelo órgão ATC, os voos IFR pode- rão ser efetuados em um nível diferente da tabela de níveis de voo. A tabela pode ser vista na Figura 9; • A influência do vento na etapa do voo em cruzeiro, principalmente em voos de longa distância e para aeronaves de grande performance que podem atingir níveis mais elevados, é de ex- trema importância para a eficiência do voo, posto que a variação de ven- to pode ocasionar derivas, atrasos e aumento do custo do voo quando a direção e intensidade dos ventos, em altitude, exigem correções constan- tes e maior consumo de combustível. Quando bem planejado, é possível oti- mizar os voos, com redução no tempo de voo e consumo de combustível, se- lecionando níveis propensos a ventos de calda, ou de regiões de ocorrência de correntes de jato. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 27 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 27 25/08/2020 14:37:14 CURIOSIDADE Em 18 de novembro de 1952, a empresa aérea Pan Am realizou em 11,5 horas um voo de 6195 km, de Tóquio para Honolulu, inicialmente estimado em 18 horas de voo. Houve uma economia de quase um terço do tempo, assim como do combustível. A ocorrência se deu pelo fato de que, naquele dia, no nível de voo selecionado pela aeronave, aproximadamente a 7600 metros de altura com relação ao nível de pressão de 1013,2 hPA, ocorreu um fenômeno denominado corrente de jato subtropical, com direção de vento alinhada à direção do voo. Isso favoreceu o voo com um vento de calda, promovendo o ocorrido. Figura 9. Níveis de cruzeiro. Fonte: AISWEBb. Acesso em: 01/06/2020. Altímetro: 1013.2 HPA 29,92 POL 760 MM Rumos Magnéticos Altímetro: 1013.2 HPA 29,92 POL 760 MM Rumos Magnéticos Exceto casos previstos nas cartas de rota para continuidade de níveis em algumas aerovias. Nas aeronaves de mão única, todos os níveis estão disponíveis, independente do quadrante a ser voado. Voos IFR Voos VFR Níveis de cruzeiro 000º00 0º 35 9º 359º 180º 18 0º 17 9º 179º 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360 380 400 430 470 510 FL ETC 2000 4000 6000 8000 10000 12000 14000 16000 18000 20000 22000 24000 26000 28000 30000 32000 34000 36000 38000 40000 43000 47000 51000 PÉS 30 50 70 90 110 130 150 170 190 210 230 250 270 290 310 330 350 370 390 410 450 490 530 FL ETC 3000 5000 7000 9000 11000 13000 15000 17000 19000 21000 23000 25000 27000 29000 31000 33000 35000 37000 39000 41000 45000 49000 53000 PÉS 000 º 359º 180 º 179º 00 0º 359º 18 0º 179º 45 65 85 105 125 145 FL 4500 6500 8500 10500 12500 14500 PÉS 35 55 75 95 115 135 FL 3500 5500 7500 9500 11500 13500 PÉS Na aviação, em torno de 80% dos esforços são direcionados para a pre- venção dos incidentes e acidentes. Isso se dá por meio de constantes imple- mentações tecnológicas, treinamentos adequados, capacitações e estudos de melhores procedimentos operacionais. Assim, por parte dos responsáveis pelo planejamento dos voos, deve haver um esforço na prevenção desses problemas. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 28 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 28 25/08/2020 14:37:15 Para o planejamento de ações de contingência, ou seja, ações mitiga- tórias de riscos inerentes às operações das aeronaves, deve-se selecionar previamente na rota os aeródromos disponíveis e adequados ao pouso, considerando as exigências da aeronave em situações de degradação (pane de motor, de rádio, condições meteorológicas adversas, consumo excessivo de combustível, impraticabilidade ou interdição do aeródromo de destino, entre outros). Deve-se observar a existência de serviços de abastecimento no aeródro- mo de destino, ou se será necessário realizar um pouso técnico de abas- tecimento, em rota. Também deve-se considerar se há outros serviços ne- cessários ao atendimento de emergência nesses aeródromos, como o de combate a incêndios com categoria compatível com a aeronave. Deve-se observar quais as cartas de procedimentos IFR disponíveis nos aeródromos previstos. O objetivo é reduzir o tempo de resposta na ocor- rência de eventos críticos, a fi m de que não haja prejuízos nas tomadas de decisão pela memória operacional do piloto em comando e da tripulação. Princípios dos cálculos de subida, rota, descida, alternativa, combustível e autonomia Na realização dos cálculos necessários para o planejamento de voo, é neces- sário considerar o UTC como referência, além de levantar os seguintes dados referentes à navegação vertical do voo: • Identifi car a máxima elevação do relevo (MEF) da região a ser sobrevoada; • Defi nir a altitude ou nível de cruzeiro; • Calcular a razão de subida; • Calcular as distâncias e rotas do voo em cruzeiro; • Calcular a razão de descida. Por exemplo, com base nos dados de relevo nas cartas WAC, observa-se o maior MEF. Deve-se considerar o parâmetro de segurança de 1000 ft acima da altura do maior relevo, assim como a distância do voo, performance da ae- ronave, tabela de níveis de voo quanto ao rumo magnético (RM) da etapa do voo, teto de serviço da aeronave e ventos em cruzeiro. Defi ne-se, também, a altitude ou nível de cruzeiro. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 29 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 29 25/08/2020 14:37:15 Issoposto, pode-se afirmar que os cálculos de subida geram tempo de subida e hora do nivelamento, distância per- corrida na subida e consumo de combustível nessa etapa do voo. Para calcular a altitude a ser subida, subtrai-se a al- titude desejada da altitude do aeródromo de decolagem. Com a razão de subida selecionada, é possível determinar o tempo de subida, e com esse dado é possível definir a hora do nivelamento. Basta calcular o tempo gasto na subida e adicionar esse valor à hora de decolagem. Agora, calculemos o tempo para atingir a altitude a ser alcançada: 8500 ft (ALT do FL de cruzeiro) - 33 ft (ALT do AD de DEP) = 8467 ft (ALT a subir) X = 8467 ft ∙ 1 min / 400 ft = 21 min Hora de nivelamento = tomando-se 1000 Z como hora de DEP + 0021 (tempo de subida) =1021 Z (hora do nivelamento) Para o cálculo da distância percorrida na subida, é necessário obter a altitu- de média de subida (AmS), a temperatura média de subida (TmS) e a velocidade aerodinâmica média de subida (VAmS). Com a VAmS, calcula-se a velocidade no solo (VS ou GS) durante a subida e, por fim, a distância percorrida. A AmS é obtida somando-se as diferenças de altitude (do aeródromo e alti- tude, ou nível de voo) e dividindo-se por 2. Por exemplo: 33 ft+8500 ft = 8533 ft → = 4266 ft 8533 ft 2 Para o cálculo da TmS, deve-se conhecer o gradiente de temperatura po- sitiva, que é a razão de queda de temperatura ao elevar-se na atmosfera. Essa razão, para atmosferas secas e sem a presença de vapor d’água, é de 2 °C para cada 1000ft. Assim, para obter a diferença entre a temperatura estimada na altitude, ou nível de voo pretendido, e a temperatura no aeródromo, calcula-se a TmS por meio do seguinte cálculo: temperatura inicial + temperatura final, dividida por 2. Por exemplo: Tms = 28º + 11º = 39º → = 19,5º 39º 2 NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 30 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 30 25/08/2020 14:37:15 Para os cálculos da VAmS e VS, utiliza-se um equipamento auxiliar de cál- culo: o computador de voo, considerando a AmS, a TmS e a direção e intensi- dade do vento na subida. Com o mesmo equipamento, realizam-se os cálculos da distância percorrida e do combustível gasto na subida. Também é possível avaliar a taxa de consumo de combustível, bastando utilizar o valor de tempo empregado nesse trecho. De forma similar, é possível realizar os cálculos do tempo de descida, dis- tância percorrida na descida, altitude média de descida (Amd), temperatura média de descida (Tmd), VA média de descida (VAmD) e combustível gasto na descida. Os cálculos para a etapa em cruzeiro levam em conta a distância percorri- da, o tempo de voo e o combustível gasto em cruzeiro. A distância percorrida em cruzeiro é obtida pela soma da distância percorrida na subida e na desci- da subtraída da distância total do voo. Já para o cálculo do tempo de voo em cruzeiro, pode-se utilizar o compu- tador de voo com as variáveis de temperatura no nível de cruzeiro, a VA de cruzeiro e a VS. Com o valor obtido, pode-se auferir o quantitativo e a taxa de combustível gasto nesse trecho. Considerando os cálculos das três etapas, estabelece-se a autonomia, pautando-se na regulamentação RBAC 121 ou 135, dependendo do tipo e pro- pósito de exploração da aeronave. Para motores turboélice ou convencionais, soma-se 30 minutos ao tempo de voo do aeródromo de origem ao de destino e posteriormente ao de alternativa. Para aeronaves com motor a reação, so- mam-se os tempos de voo da origem ao destino, mais 10% desse período, acrescenta-se o tempo para o aeródromo de alternativa mais distante (se requerido) e mais 30 minutos. Em relação ao cálculo de combustível, e considerando o consumo-horário de combus- tível do motor para as diversas fases do voo, recomen- da-se abastecer a aeronave com uma quantidade de combustível superior à mínima regulamentar, des- de que de acordo com os cálculos de peso e balan- ceamento da aeronave. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 31 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 31 25/08/2020 14:37:15 Métodos de navegação Ao longo da história da navegação aérea, a orientação dos pilotos para a condução do voo evoluiu, mas sem extinguir o uso das práticas mais antigas. Em situações críticas, como a de inoperância dos equipamentos de bordo, é necessário ter o conhecimento das metodologias mais básicas de orientação, para que seja possível rumar para um destino seguro e realizar os pousos de forma efi ciente. A navegação visual e a estimada são competências inerentes à obtenção de licenças de pilotos de balão livre, de planador e privado (PP), e são muito aplicadas na aviação de menor porte e com menos recursos. Já a rádio navegação, a navegação eletrônica, por satélite e por performan- ce são de competência para os que têm licenças de pilotos comerciais (PC), de tripulação múltipla (PTM) e de linha aérea (PLA). Navegação para piloto privado: visual, celestial e estimada O método de navegação mais simples é o de navegação aérea visual, ou navegação por contato. Nela, o piloto deve se conservar sob condições meteo- rológicas visuais, além de manter constantes referências visuais do terreno e distanciamento de outras aeronaves em voo. Para fazer isso, durante a etapa de planejamento, o piloto deve ter selecionado nas cartas de voo pontos de referências na superfície pelos quais irá se orientar na navegação. Esses pon- tos de referência podem ser corpos hídricos (rios e lagos), estruturas do relevo (morros, litorais e depressões) ou construções (estradas, pontes, ferrovias e aeródromos). Esse tipo de navegação é empregado na aviação de pequeno porte, em que são usadas aeronaves desprovidas de sistemas aviônicos de navegação, ou com performances inferiores, que resultam em voos mais lentos e em alturas e níveis mais baixos. Isso permite que o piloto mantenha sempre o contato visual com a superfície e com os pontos de referência estabelecidos. Esse tipo de navegação é fundamento básico na formação dos pilotos, e é considerado como último recurso para mitigação de incidentes e acidentes quando surgem eventos críticos, como perda de equipamentos de bordo. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 32 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 32 25/08/2020 14:37:15 Na Figura 10, observa-se uma carta de WAC utilizada para o planejamento de uma navegação visual. O piloto de um helicóptero facilmente pode definir dois pontos (A e B) e traçar a rota desde a decolagem do ponto A, navegando com re- ferências de solo como rios, estradas e relevo, até poder realizar o procedimento para pouso no ponto B. Figura 10. WAC - Carta Aeronáutica Mundial. Fonte: AISWEBc, [s.d.]. Acesso em: 01/06/2020. Para a navegação estimada, nas etapas de planejamento e execução, o piloto precisa realizar cálculos para determinar os estimados em cada um dos pontos (waypoint) da rota. Lançando mão de bússola, velocímetro e relógio, ele poderá estimar o posicionamento da aeronave durante o voo, fazendo verificações perió- dicas de segurança. É um voo de ações conjuntas de navegação visual e estimada. Com os tempos calculados previamente (duração total da viagem e tempos de sobrevoos em cada etapa da rota), as proas que devem ser mantidas e consi- derando possíveis influências de vento e da declinação magnética, o piloto pode executar a navegação estimada com segurança e eficiência. Pautada nos séculos de experiências da navegação marítima, a aviação também se utilizou da navegação celeste para orientação. Também conhecida como navegação astronômica, os referenciais de posicionamento e desloca- mento são obtidos pelo navegador tomando-se como referenciais o Sol, a Lua ou outro corpo celestial. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 33 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 33 25/08/2020 14:37:21 O equipamento essencial para esse tipo de navegação é o sextante, ins- trumento com o qual é possível determinar a altitude de um corpo celestial em graus, em relação ao horizonte. Essa informaçãoé avaliada em cartas celestes e torna possível a determinação da localização e sentido em que se deseja navegar. Navegação para piloto comercial: eletrônica, rádio e satélite Como o próprio nome já diz, a navegação eletrônica é o método que utiliza equipamentos eletrônicos para determinar o posicionamento de uma aeronave em voo, de forma muito mais eficiente e eficaz do que os métodos convencionais. Com a evolução das tecnologias empregadas na aviação, surge a rádio navegação, na qual o equipamento ADF (Automatic Directional Findem) insta- lado à bordo das aeronaves é capaz de captar ondas de rádio emitidas por estações em terra NDB (Non Directional Finder), ou de uma antena de rádio AM (broadcast), possibilitando ao piloto a determinação da sua localização e sentido de deslocamento com a utilização das cartas de navegação. O salto qualitativo na precisão da navegação aérea foi obtido quando realizou-se a implantação de uma constelação de satélites de cobertura mundial, permitindo o desenvolvimento de um sistema de posicionamen- to global, o GPS, que é fácil de usar, tem baixo custo e alta precisão. Em 2019, já havia várias constelações de satélites provendo o serviço. Essas constelações são: GPS (Estados Unidos), GLONASS (Rússia), Galileo (União Europeia) e BeiDou (China). Essa grande variedade busca promo- ver a independência de seus usuários, principalmente na possibilidade de indisponibilidade dos serviços por decisões políticas, estratégicas ou de guerra dos detentores de quaisquer desses sistemas. O nível tecnológico empregado nos satélites, nas estações rastreadoras e nos aparelhos portáteis, que recebem os sinais e realizam os cálculos de determinação das localiza- ções, é muito elevado, mas os fundamentos do funcionamento não passam de processos de triangulação. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 34 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 34 25/08/2020 14:37:21 Nas aeronaves, basta que o equipamento de bordo receba os sinais de três satélites para que seja possível a determinação precisa do posicio- namento, o que é denominado modo 2D. Quando são captados sinais de quatro ou mais satélites, o receptor pode determinar mais rapidamente, e com maior acuidade, o posicionamento da aeronave, além de sua altitude, configurando o modo 3D. Orientação sobre a superfície da Terra Na aviação, os métodos de localização e orientação sobre a superfície da Terra tem como princípio prover uma navegação segura, regular e efi caz. Para tal, imagi- na-se que, seguindo os princípios da geometria euclidiana, para se defi nir o menor caminho que una o ponto de início ao ponto de destino (ambos defi nidos com dados de coordenadas geográfi cas e elevação) basta traçar uma reta. Porém, é normal que se esqueça de que a superfície do planeta obedece a um sistema de coordenadas esféricas e não cartesianas, como se observa nas cartas planas de navegação. Assim, para traçar uma rota, não basta compreender que o percurso será rea- lizado sobre um arco de circunferência, mas também que deverá considerar as irregularidades do terreno, as limitações de performance da aeronave, as variáveis meteorológicas, de tráfego aéreo e as regras dos espaços aéreos a serem voados. Nos primórdios da história humana, os deslocamentos eram realizados to- mando-se como referência características do relevo, da fauna, fl ora e referências celestes. Com o advento tecnológico da bússola, a partir da observação da exis- tência de uma força atrativa que orienta uma peça metálica imantada, adotou-se como referencial de orientação o norte magnético. Há outro ponto da aviação que é relacionado à direção do deslocamento. Para simplifi car o planejamento do voo, o percurso da aeronave no espaço (um referen- cial 3D) é considerado apenas quanto à sua projeção na superfície (referencial 2D), permitindo defi nir proa e rumo. Isso posto, a rosa dos ventos apresenta as informações orientativas com rela- ção ao Norte verdadeiro. Os pontos cardeais, colaterais e subcolaterais, compara- dos com a orientação em graus de uma circunferência (360°), permitem a corre- lação entre as orientações aproximadas com as de precisão, sendo o Norte (N) o azimute de grau 0°. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 35 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 35 25/08/2020 14:37:21 Na etapa de planejamento do voo, em que a rota é traçada sobre a superfície representada nas cartas de navegação e mapas, uma linha liga os pontos de partida, waypoints (fixos aeronáuticos, ou mesmo pontos RNAVs) e de destino, ou às alternativas, quando necessário. Sendo assim, teoricamente a aeronave deveria manter a proa orienta- da ao norte magnético da Terra até chegar à localidade pretendida. Porém, diversas variáveis podem afetar o voo, pois a navegação é realizada na at- mosfera terrestre, considerada como um fluido em constante movimento e que apresenta variações nas suas propriedades de temperatura, umidade e pressão, com a possibilidade de ocorrências de fenômenos naturais e antró- picos, como chuvas fortes, granizos, cinzas vulcânicas e fumaças industriais e nuvens radioativas, bem como a evolução de outros tráfegos. Isso pode gerar riscos às operações e à navegação, como a declinação magnética. Todavia, é importante ressaltar que, por definição, proa é a direção do eixo longitudinal da aeronave, ou seja, a direção para onde o “nariz” da aeronave está apontado, ao passo que rota é a projeção da trajetória pre- vista ou percorrida da aeronave na superfície da Terra, e rumo é a direção da trajetória (rota) expressa em graus em relação ao norte magnético. Já deriva é o ângulo formado entre a proa e a rota, no sentido do vento. Correção de deriva é o ângulo formado entre a proa e o rumo, no sentido contrário ao vento. Assim, a rota se iguala ao rumo quando a correção de deriva for realizada corretamente. Por fim, declinação magnética é a dife- rença em graus com referência ao norte magnético e o norte geográfico da Terra. A proa e o rumo poderão sofrer variações ao longo da navegação, seja devido à declinação magnética ou influência do regime dos ventos em alti- tude. Isso exige uma constante conferência de seus estimados quando as navegações são realizadas sem equipamentos autônomos de correção. DICA A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (ABEAR) disponibilizou uma curta matéria sobre a importância da segurança do voo pelo uso do sistema de piloto automático. Recomenda-se ao aluno que a leia. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 36 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 36 25/08/2020 14:37:21 Para realizar adequadamente o planejamento e operações de navegação, alguns conhecimentos e habilidades devem ser adquiridos, como a leitura dos mapas e cartas de navegação. Isso permite a identificação de direção, com- preensão e uso das escalas dos mapas para a realização de cálculos e a inter- pretação de outras informações visuais contidas nesses documentos. A identificação manual e prática do sentido da rota que a aeronave deve- rá realizar exige o uso de transferidor sobre um mapa, situando o seu centro sobre o ponto de origem, alinhando a base com algum paralelo e medindo a inclinação em graus da linha que liga o ponto de origem ao próximo ponto da rota, obtendo-se o sentido da rota com relação ao norte verdadeiro. Porém, para realizar o cálculo adequado à navegação aérea, é necessário considerar a declinação magnética da área, bem como a influência dos ventos; assim, deve-se selecionar as cartas aeronáuticas de navegação e a previsão meteorológica referente ao horário e nível do voo que contenham a tempera- tura, direção e intensidade dos ventos em altitude (WIND ALOFT PROG). Outras informações devem ser observadas, como as unidades de medida de distância apresentada nas cartas. Deve-se realizar adequadamente os cál- culos de distâncias utilizando as coordenadas geográficas, bem como de con- versão de velocidades. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 37 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd37 25/08/2020 14:37:21 Sintetizando Iniciamos nosso estudo com os conceitos básicos referentes às proprieda- des e movimentos da Terra, junto com um breve histórico da evolução das me- todologias aplicadas a navegação aérea. Tratamos, em seguida, dos procedi- mentos de posicionamento e orientação sobre a superfície terrestre por meio do sistema de coordenadas geográficas. Depois, apresentamos os conceitos relacionados à localização e orientação, direcionando-os para a teoria e planejamento do voo. Também abordamos conteúdos norteadores da aviação quanto à gestão dos riscos inerentes, ges- tão da tripulação, gestão da aeronave e condições meteorológicas, buscando realizar um planejamento da rota adequado e atentar-se a possíveis necessida- des de ações de contingência. Acrescemos ao arcabouço de conhecimentos de navegação aérea, os con- ceitos teóricos e práticos referentes aos cálculos das etapas dos voos e do com- bustível, citando determinadas característica destes. Mais adiante, abordamos os métodos de navegação, tanto para pilotos pri- vados quanto para comerciais, demonstrando a importância do conhecimento desses métodos, mesmo que alguns sejam arcaicos quando comparados aos pautados nas tecnologias mais recentes. Por fim, possibilitamos o entendimento a respeito das orientações sobre a superfície da Terra e da leitura e direção nas cartas de navegação para sua aplicação operacional no voo. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 38 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 38 25/08/2020 14:37:21 Referências bibliográficas AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL - ANAC. Registro aeronáutico bra- sileiro. [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. AISWEBa. Cartas de rota (ENRC). [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. AISWEBb. Fonte oficial de informações aeronáuticas do Brasil, 2020. Pá- gina inicial. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. AISWEBc. Visuais. [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. AISWEBd. ROTAER. [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS AÉREAS - ABEAR. Qual o papel do piloto automático durante um voo? 2018. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. BIANCHI. Bianchi Pilots Shop. [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 01/05/2020. BRASIL. ICA 105-17 - Centros meteorológicos, de 01 de abril de 2020. Depar- tamento de Controle do Espaço Aéreo - DECEA, [s. l.], Ministério da Defesa - Comando da Aeronáutica, 06 abr. 2020. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. BRASIL. RBAC – 121, de 06 de agosto de 2019. Diário Oficial da União, Brasí- lia, DF, 24 mar. 2020. Disponível em: . Acesso em: 09 jun. 2020. BRASIL. RBAC – 135, de 24 de agosto de 2010. Diário Oficial da União, Bra- sília, DF, 20 mar. 2020. Disponível em: . Acesso em: 09 jun. 2020. BRASIL. RBAC – 61, de 05 junho de 2012. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 20 mar. 2020. Disponível em: . Acesso em: 09 jun. 2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 39 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 39 25/08/2020 14:37:21 BRASIL. Resolução n. 293, de 19 de novembro de 2013. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 25 nov. 2013. Disponível em: . Acesso em: 09 jun. 2020. BRASIL. Resolução n. 526, de 06 de agosto de 2019. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 07 ago. 2019. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. DIA do controlado. Postado por Canal DECEA. (02min. 27s.). son. color. port. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. ESPAÇO AÉREO. O que é computador de voo? 2019. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. MATIAS, A. Movimento de translação. Brasil Escola. [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. PORTAL OPERACIONAL CNGA. Centro de gerenciamento de navegação aé- rea - CGNA, 2020. Disponível em: . Aces- so em: 01 jun. 2020. REDEMET. Portal de Consultas Meteorológicas. [s.d.] Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. UNITED NATIONS. The interoperable global navigation satellite systems space service volume. 2018. Disponível em: . Acesso em: 01 jun. 2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 40 SER_CA_NAVAEA_UNID1.indd 40 25/08/2020 14:37:21 UNIDADES, MAPAS E EQUIPAMENTOS DE NAVEGAÇÃO AÉREA 2 UNIDADE SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 41 25/08/2020 14:39:08 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Conhecer as unidades usualmente aplicadas para efetuar cálculos e, quando necessário, realizar conversões, a fim de obter distâncias e velocidade aplicáveis à navegação; Identificar, descrever e conhecer o uso dos principais instrumentos de navegação aérea. Unidades de medidas de velo- cidade Unidades de medida: distância, velocidade e geodésicas Cálculo de distância: carta aeronáutica e diferenças entre pontos de latitude e longitude Rota ortodrômica e loxodrômica Mapas e cartas Tipos de projeções Escalas e leituras de direção e distâncias Componentes das cartas WAC Instrumentos e conhecimentos básicos de navegação aérea Sistema Pitot-estático Altímetro e correções Outros equipamentos NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 42 SER_CA_NAVAEA_UNID2.indd 42 25/08/2020 14:39:08 Unidades de medidas de velocidade Seja na linguagem escrita ou falada, as comunicações aeronáuticas precisam ser estabelecidas com clareza e objetividade para que não haja ruídos e incompreensões que possam contribuir em eventos de inciden- tes e/ou acidentes. Da igual maneira, é fundamental o conhecimento das terminologias, unidades e procedimentos utilizados. Seja na etapa de pla- nejamento, realizando os cálculos de distâncias e velocidades pelo uso de cartas aeronáuticas e procedimentos de plotagens, ou na etapa de execu- ção da navegação aérea em voo, com a interpretação adequada dos equi- pamentos, de modo que resultem em segurança, regularidade e eficiência na aviação. A padronização internacional é mister na aviação, e no que se refere à seleção dos idiomas ou às unidades de medidas de distância e velocida- des, os objetivos são a inexistência de divergências nos resultados, e com essa uniformidade, que o planejamento e realização dos voos e a gestão do tráfego aéreo operem de forma sinérgica. Unidades de medida: distância, velocidade e geodésicas A medida da distância advém dos conhecimentos básicos das ciências. É sabido que a diferença entre dois pontos de um sistema coordenado pode ser mensurada por meio de cálculos simples, e o resultado é denominado de dis- tância, com unidades e subunidades padronizadas pelo sistema selecionado. As unidades mais empregadas são o quilômetro, a milha terrestre e a milha náutica. No Sistema Internacional adotado no Brasil, a unidade quilômetro (km) é a mais usual para o transporte terrestre, enquanto nos Estadoscoope- rativa, que utiliza os sinais transmitidos pelo transponder de um avião para avaliar a posição do mesmo, em ambiente operacional específico. Com esses recursos o Controle de Tráfego Aéreo (ATC) deixa de ser essencialmente tático e passa a apresentar uma gestão estratégica do tráfego aéreo utilizando de forma otimizada as tecnologias e recursos humanos. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 124 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 124 25/08/2020 14:48:03 Sintetizando Nesta unidade, vimos como a contagem do tempo é importante para a ges- tão do tráfego aéreo e conhecemos os conceitos, padronizações e tecnologias empregados para tal, como os fusos horários e a hora UTC. Também vimos que, para realizar o preenchimento de um plano de voo, diversos conhecimentos, me- todologias e tecnologias são empregadas em etapas anteriores, possibilitando que o planejamento garanta operações aéreas seguras, regulares e eficientes, aplicando para tal os checklists Vimos como a radionavegação, uma inovação tecnológica que possibilitou a navegação orientada por auxílios em solo que transmitiam sinais eletromagnéti- cos de baixa e média frequência, interpretados pelos equipamentos receptores a bordo, como o ADF, HSI e RMI. Isso permitiu a gestão do tráfego aéreo em con- dições meteorológicas favoráveis ou adversas. Por fim, vimos que os avanços tecnológicos vêm buscando a constante me- lhoria do sistema de tráfego aéreo, com a aplicação do georreferenciamento por satélites através de conceitos inovadores como o CNS/ATM e navegação baseada em performance (PBN). NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 125 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 125 25/08/2020 14:48:03 Referências bibliográficas ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. Checklist de Mínimos Ope- racionais. 2018. Disponível em: <https://www.anac.gov.br/assuntos/pa- ginas-tematicas/gerenciamento-da-seguranca-operacional/checklist-pes- soal-de-minimos-operacionais>. Acesso em: 30 jul. 2020. ANAC – AGÊNCIA NACIONAL DE AVIAÇÃO CIVIL. RBAC 135: Operações de transporte aéreo público com aviões com configuração máxima certificada de assentos para passageiros de até 19 assentos e capacidade máxima de carga paga de até 3.400 kg (7.500 lb), ou helicópteros. Brasília, 2010. 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Acesso em: 18 ago. 2020. DECEA – DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AERÉO. ICA 100-12. Regras do Ar e Serviços de Tráfego Aéreo. Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: <https://publicacoes.decea.gov.br/?i=publicacao&id=4429>. Acesso em: 18 ago. 2020. Disponível em: <https://publicacoes.decea.gov.br/?i=publica- cao&id=5098>. Acesso em: 18 ago. 2020. DECEA – DEPARTAMENTO DE CONTROLE DO ESPAÇO AERÉO. Plano de de- sativação gradual das estações NDB: Comando da Aeronáutica. Rio de Ja- neiro, 2020. ICAO – INTERNATIONAL CIVIL AVIATION ORGANIZATION. Annex 2 – Rules of the Air. Estados Unidos: International Standards, 2005. Disponível em: <https://www.icao.int/Meetings/anconf12/Document%20Archive/an02_ cons%5B1%5D.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2020. ICAO – INTERNATIONAL CIVIL AVIATION ORGANIZATION. Annex 19 – Safety Management. Estados Unidos: International Civil Aviation Organization, 2013. Disponível em: <https://www.icao.int/safety/SafetyManagement/WebsiteDe- signJuly2016/Flyer_US-Letter_ANB-ANNEX19-SM_2016-10-03.AP.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2020. OLIVEIRA, M. Anac avalia 520 reclamações trabalhistas contra empresas aéreas. G1 Economia e Negócios. 2020. Disponível em: <http://g1.globo. com/economia-e-negocios/noticia/2010/08/anac-avalia-520-reclamacoes- -trabalhistas-contra-empresas-aereas.html>. Acesso em: 30 jul. 2020 ROSENBAUM. Ações contra companhias aéreas e as principais causas. 2018. Disponível em: <https://www.rosenbaum.adv.br/acoes-contra-com- panhias-aereas>. Acesso em: 30 jul. 2020. NAVEGAÇÃO AÉREA AVANÇADA 127 SER_CA_NAVAEA_UNID4.indd 127 25/08/2020 14:48:03