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Patologia e Recuperação de Estruturas Prof. Dr. Esequiel Fernandes Teixeira Mesquita Janeiro, 2021 1 Principais manifestações patológicas: corrosão Patologia e Recuperação de Estruturas 2 1. Introdução Diversos autores (MEHTA & MONTEIRO, 2007; CABRAL, 2000; HOFFMANN, 2001; DAL MOLIN, 1988; PEREIRA, 2011;) destacam que a corrosão das armaduras tem se apresentado com maior frequência e com danos bem mais sérios as estruturas, o que constitui, portanto um fator de grande impacto no desempenho da durabilidade. Patologia e Recuperação de Estruturas 3 Um levantamento realizado pela Federal Hightway Administratation nos Estados Unidos existem 134.000 pontes que requerem medidas de reparo imediatas e 226.000 pontes que apresentavam problemas de corrosão (Mehta & Monteiro, 2007). Patologia e Recuperação de Estruturas 4 Na Espanha, de acordo com Chamoza e Ottis (1985), citados por Nepomuceno (1992), foi realizado um levantamento estatístico de 586 casos, dentre os quais 7,3% estavam relacionados à corrosão das armaduras. Patologia e Recuperação de Estruturas 5 Um levantamento realizado por Dal Molin (1988) no estado do Rio Grande do Sul, no Brasil, em 275 edificações de pequeno e médio porte, verificou-se que 40% das manifestações patológicas estavam de algum modo relacionadas com a corrosão das armaduras. Patologia e Recuperação de Estruturas 6 Carmona e Marega (1988) citados pro Helene (1993) avaliaram 700 relatórios técnicos sobre manifestações patológicas de todo o Brasil, e verificaram que a corrosão apresentava-se em 27% do total das obras analisadas. Helene e Pereira (2007) estimam que a corrosão das armaduras seja responsável por 20% dos casos das manifestações patológicas. Patologia e Recuperação de Estruturas 7 A corrosão pode ser: • Química (ou seca): ocorre com contato direto entre o material e o agente corrosivo, sem presença de eletrólito (solução aquosa) e sem formação de corrente elétrica. Exemplo: formação da ferrugem pela reação entre ferro metálico e oxigênio do ar, com produção de óxido de ferro. • Eletroquímica (ou úmida ou galvânica): ocorre na presença de eletrólito (solução aquosa) e envolve a formação de corrente elétrica. É o tipo mais comum de corrosão que ocorre na boca. 2. Corrosão das armaduras Patologia e Recuperação de Estruturas 8 A corrosão é um fenômeno eletroquímico que tem como produtos os óxidos e hidróxidos de ferro, e que possui como agentes limitantes de sua ocorrência um meio eletrolítico, uma diferença de potencial e o oxigênio. Podendo esse mecanismo ser acelerado pela presença de agentes agressivos, que dentre os principais destacam-se os cloretos (HELENE & PEREIRA, 2007) Patologia e Recuperação de Estruturas 9 Patologia e Recuperação de Estruturas 10 O concreto oferece uma camada passiva para a permanência e durabilidade das armaduras, uma vez que apresenta pH básico (em torno de 13), e com isso constitui um meio que propicia uma elevada vida útil ao aço. Atribui-se a elevada basicidade do concreto, principalmente, aos hidróxidos de cálcio (Ca(OH)2) formados durante a etapa de hidratação do cimento (ANDRADE, 1996). Patologia e Recuperação de Estruturas 11 Patologia e Recuperação de Estruturas 12 Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=cX2FdjV4eOY Patologia e Recuperação de Estruturas 13 Diagrama de Pourbaix Patologia e Recuperação de Estruturas 14 A composição precisa dessa película ainda é objeto de discussão. Embora haja algumas teorias, uma das mais aceitas prevê a formação de uma película composta de duas camadas: uma mais interna, composta principalmente por magnetita, e outra mais externa, composta por óxidos férricos (NAGAYAMA & COHEN, 1962 apud ALONSO et al., 2010). A película passivadora protetora do aço é gerada a partir de uma rápida e extensa reação eletroquímica que resulta na formação de uma fina camada de óxidos, transparente e aderente ao aço (POURBAIX, 1987). Patologia e Recuperação de Estruturas 15 A ação dos íons cloretos é apontada como um dos mais importantes fatores relacionados ao início da corrosão. Os íons 𝑪𝒍! podem chegar até o interior do concreto por diferentes formas: • Uso de aceleradores que contenham CaCl2; • Impurezas dos agregados e da água; • Água do mar; • Spray (aerossol) marinho; • Uso de sais de degelo; • Processos industriais (branqueamento da celulose, por exemplo). Patologia e Recuperação de Estruturas 16 Os íons Cloretos podem ser encontrados no interior do concreto nas formas seguintes: • Quimicamente combinado com as fases alumino-ferríticas para formar os cloroaluminatos; • Fisicamente adsorvido na superfície dos poros capilares; • Livres na solução dos poros do concreto. Patologia e Recuperação de Estruturas 17 O mecanismo de entrada dos cloretos no interior do concreto pode se dar por: • Permeabilidade: • Absorção capilar; • Difusão e migração; • Mecanismos combinados Patologia e Recuperação de Estruturas 18 Patologia e Recuperação de Estruturas 19 LIMITE CRÍTICO DE CLORETOS Esquema de variação do teor crítico de cloretos / CEB- FIP, 1992 Patologia e Recuperação de Estruturas 20 O BUILDING Research Establishment (1982) considera que: • um baixo risco de corrosão está associado a uma quantidade de cloretos por massa de cimento inferior a 0,4%; • um risco intermediário de corrosão se dá entre 0,4% e 1,0% de cloretos por massa de cimento; • Elevado risco, para teores de cloreto por massa de cimento superior a 1%. Patologia e Recuperação de Estruturas 21 Patologia e Recuperação de Estruturas 22 3. Mecanismos eletroquímicos da corrosão e condições para seu desenvolvimento A corrosão eletroquímica pressupõe a formação de uma pilha eletroquímica de corrosão, em que há a presença de: • um ânodo o qual se caracteriza pela passagem do material do estado metálico para o estado iônico (oxidação); • um cátodo onde são consumidos os elétrons gerados na região anódica (redução); • uma diferença de potencial entre ambos, sendo o ânodo de potencial mais eletronegativo; • uma ligação metálica entre o ânodo e o cátodo, que pode ser caracterizada pelo mesmo material metálico; • e uma ligação externa caracterizada pela condução iônica através do eletrólito. Patologia e Recuperação de Estruturas 23 Eletrólito Diferença de potencial Oxigênio Corrosão metálica Patologia e Recuperação de Estruturas 24 Patologia e Recuperação de Estruturas 25 Dissolução do metal Oxidação Patologia e Recuperação de Estruturas 26 TIPOS DE CORROSÃO Na corrosão generalizada, o ataque é produzido em uma grande superfície do metal, na qual existem inúmeros ânodos e cátodos, formando micropilhas que mudam a todo tempo. Patologia e Recuperação de Estruturas 27 A corrosão localizada trata-se de um ataque intermediário entre a corrosão uniforme e a corrosão por pites, que pode ser associado à heterogeneidades dos materiais. Na corrosão por pites, o ataque se produz em zonas discretas do material, as quais são mais ativas do que o resto da superfície. A corrosão com fissuras ocorre quando, além da ação da corrosão, o metal se encontra submetido a tensões importantes de tração. Patologia e Recuperação de Estruturas 28 Patologia e Recuperação de Estruturas 29 Patologia e Recuperação de Estruturas 30 Patologia e Recuperação de Estruturas 31 Patologia e Recuperação de Estruturas 32 4. Fatores que influencia o início da corrosão • Com a penetração das moléculas de dióxido de carbono no concreto ocorrem as reações que fazem decrexer a alcalinidade, para níveis próximos de um pH 8.00. • Com esta redução, há um comprometimento da estabilidade da película passivadora, uma vez que o metal sai da zona de passivação e entra na zona de corrosão. CARBONATAÇÃO Patologia e Recuperação de Estruturas 33 Patologia e Recuperação de Estruturas 34 CLORETOS Patologia e Recuperação de Estruturas 35 • Interface aço-concreto • Possibilidade de acúmulo pontual de cloretos em locais específicos; • Falhas na formaçãoda película passivadora • Fatores relacionados ao concreto • Potencial alcalino da matriz • Capacidade de fixação de cloretos á microestrutura do concreto • Estabilidade das condições no entorno da amadura • Relação a/c • As variáveis relacionadas a fatores externos • Tipo de cloreto envolvido (cátion associado) • Forma de penetração no concreto • Presença de oxigênio • Condições de umidade e temperatura Patologia e Recuperação de Estruturas 36 Patologia e Recuperação de Estruturas 37 Patologia e Recuperação de Estruturas 38 Patologia e Recuperação de Estruturas 39 • Formas de representação • [Cl-]/[OH+] • % Cloretos livres (em relação à massa de cimento) • % Cloretos total (em relação à massa de cimento) • Limites usuais • 0,4% (massa do cimento) – Concreto armado • 0,2% (massa do cimento) – Concreto protendido Patologia e Recuperação de Estruturas 40 FATORES AMBIENTAIS Patologia e Recuperação de Estruturas 41 Patologia e Recuperação de Estruturas 42 Patologia e Recuperação de Estruturas 43 Patologia e Recuperação de Estruturas 44 Patologia e Recuperação de Estruturas 45 • O concreto seco possui uma alta resistividade, que nessas condições, não permite a mobilidade dos íons. • À medida que a umidade interna do concreto aumenta, a resistência õhmica vai diminuindo e o processo de corrosão pode se desenvolver caso a armadura esteja despassivada. • Quando os poros do concreto estão saturados de água, a resistividade é a menor possível, porém esta condição limita a entrada de oxigênio. • As velocidades máximas de corrosão ocorrem em concretos com teores de umidade altos, porém sem saturação total dos poros. UMIDADE, RESISTIVIDADE E OXIGÊNIO Patologia e Recuperação de Estruturas 46 EFEITO DA TEMPERATURA • O aumento da temperatura estimula a mobilidade das moléculas, favorecendo seu transporte através da microestrutura do concreto. • A cada aumento de 20°C a velocidade da corrosão aumenta 2x (Raphael & Shalon, 1971). • Tutti(1982) examinou os efeitos da temperatura a - 20°C e os resultados sugerem que a velocidade da corrosão é reduzida 10x a cada redução de 20°C abaixo de 0°C Patologia e Recuperação de Estruturas 3. Caso de estudo b)a) Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas b)a) Patologia e Recuperação de Estruturas b)a) c) Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas b)a) A1 A2 Patologia e Recuperação de Estruturas b)a) A3 A4 Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas 65 DETERMINAÇÃO DO DIÂMETRO DAS ARMADURAS Patologia e Recuperação de Estruturas 66 DETECÇÃO ELETROMAGNÉTICA Patologia e Recuperação de Estruturas 67 Patologia e Recuperação de Estruturas 68 Módulo de Elasticidade Dinâmico do concreto (Ed), calculado conforme a equação 2, onde V é a velocidade do pulso ultrassônico, em metros por segundo, Ed é o módulo de elasticidade dinâmico, em GPa, e v é o coeficiente de Poisson, adotado como 0,30, e ρ é a massa específica do concreto, em Kg/m3, adotada como sendo 2400 Kg/m3. b)a) A6 A5 Patologia e Recuperação de Estruturas b)a) A9 A7 Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas PROFUNDIDADE DE CARBONATAÇÃO MÉDIA Patologia e Recuperação de Estruturas 72 Fachada Oeste Fachada Norte Fachada Leste Fachada Sul Patologia e Recuperação de Estruturas POTENCIAL DE CORROSÃO Fachada Oeste Fachada Norte Fachada Leste Fachada Sul Patologia e Recuperação de Estruturas Fachada Oeste Fachada Norte Fachada Leste Fachada Sul Patologia e Recuperação de Estruturas Fachada Oeste Fachada Norte Fachada Leste Fachada Sul Patologia e Recuperação de Estruturas Patologia e Recuperação de Estruturas 77 Obrigado pela atenção! emesquita@ufc.br