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PATOLOGIAS NAS ESTRUTURAS EM CONCRETO 
 
 
SUMÁRIO 
NOSSA HISTÓRIA 
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 
2. CONCEITO DE PATOLOGIA DE ESTRUTURAS DE CONCRETO ARMADO ...... 
3. PATOLOGIA GERADA NA ETAPA DE CONCEPÇÃO DA ESTRUTURA 
(PROJETO) ................................................................................................................... 
4. PATOLOGIA GERADA NA FASE DE EXECUÇÃO DA ESTRUTURA 
(CONSTRUÇÃO) .......................................................................................................... 
5. PATOLOGIA GERADA NA FASE DE UTILIZAÇÃO DA ESTRUTURA 
(MANUTENÇÃO) .......................................................................................................... 
6. PRINCIPAIS PROCESSOS DE DEGRADAÇÃO .................................................... 
 6.1 Causas mecânicas de deterioração ..................................................................... 
 6.2 Causa físicas de deterioração .............................................................................. 
6.3 Causas eletroquímicas de deterioração – corrosão das armaduras .................... 
7. PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS ESTRUTURAS DE 
CONCRETO .................................................................................................................. 
 7.1 Ninhos de concretagem/segregação do concreto ................................................ 
7.2 Fissuras de assentamento plástico ...................................................................... 
 7.3 Fissuras de retração por secagem ....................................................................... 
 7.4 Fissuras por movimentação térmica..................................................................10 
 7.5 Fissuras devido ao detalhamento insuficiente do projeto e falhas de 
execução....................................................................................................................10 
 7.6 Fissuras devido aos carregamentos.................................................................10 
 7.7 Fissuras devido a recalques de fundações.......................................................11 
8. ETAPAS DE 
RECUPERAÇÃO.......................................................................................................11 
 8.1 Tratamento de fissuras: injeção selagem e grampeamento.............................12 
 8.2 Reparos superficiais.........................................................................................12 
 8.3 Reparos semi-profundos..................................................................................12 
 8.4 Reparos profundos...........................................................................................13 
9. ALTERNATIVAS PARA REPAROS EM PROCESSOS 
CORROSIVOS...........................................................................................................14 
Referências ................................................................................................................... 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
Desde o início da civilização o homem vem utilizando materiais naturais como 
elementos constituintes da construção civil. Porém, com o passar dos anos, tem-se 
preocupado cada vez mais com a estabilidade e segurança das edificações e com o 
desenvolvimento de materiais, técnicas e métodos, consolidando cada vez mais a 
tecnologia das construções, abrangendo a análise, o cálculo e o detalhamento das 
estruturas bem como as respectivas técnicas construtivas. 
Esses processos de alterações e aprimoramento proporcionaram, dentro de 
certos limites, a construção de estruturas adaptadas as necessidades dos usuários, 
sejam elas habitacionais, laborais ou de infraestrutura (SOUZA E RIPPER, 1998). 
Os problemas patológicos não se restringem apenas as estruturas 
consideradas “velhas”. 
Estruturas bem projetadas e executadas, e corretamente utilizadas também 
podem apresentar desempenho insatisfatório. Porém, com o desenvolvimento do 
conhecimento dos processos destrutivos, equipamentos e técnicas de observação de 
estruturas e levando em conta a grande evolução tecnológica ficou possível 
diagnosticar com precisão a maioria dos problemas patológicos. 
A ocorrência de um problema patológico está associada a falhas ocorridas 
durante a realização de uma ou mais etapas da construção, seja no projeto, na 
execução ou na utilização da edificação e podem manifestar-se após o início da obra, 
durante a realização, a fase de uso ou após anos de conclusão da obra. 
Com o intuito de identificar e classificar corretamente estas anomalias surge a 
Patologia das Estruturas a qual se ocupa do estudo das origens, causas, sintomas e 
dos mecanismos de ocorrência dos problemas nas construções civis. O conhecimento 
do problema patológico, medidas preventivas na fase de projeto e cuidados na 
execução são de fundamental importância para sua correção. 
Assim sendo, uma obra de Engenharia não está apenas relacionada ao seu 
usuário direto, mas sim a coletividade a qual se insere e, assim, às exigências quanto 
à satisfação do cliente com relação à obra que devem ser atendidas, quer seja de 
natureza programática, quer sejam exigências essenciais de construção. 
O desenvolvimento da tecnologia e dos materiais permitiram nos últimos anos 
cada vez mais a existência de obras esbeltas, leves e de rápida construção. 
 
 
Esta nova realidade acabou por resultar, em parte das vezes, em obras 
construídas com menores rigores no controle de serviços e materiais (THOMAZ, 
1989). 
Consequentemente, uma parte dos edifícios passaram a apresentar um 
desempenho insatisfatório, quer fosse resultante de um erro de projeto, de execução 
ou ainda por falta de manutenção. 
As edificações possuem características relacionadas ao seu uso, que devem 
se manter ao longo de sua vida útil para que possam continuar em serviço. Neste 
contexto, surgiu a necessidade de consolidar e ampliar os conhecimentos na área de 
manifestações patológicas (LICHTENSTEIN, 1986). 
A saber, a patologia das construções se dedica ao estudo de anomalias ou 
problemas que prejudicam o desempenho das edificações (SILVA, 2011). 
Assim, a palavra patologia tem origem grega (phatos = doença, logia = estudo), 
como o próprio nome já diz, trata-se da ciência que estuda e tenta explicar, a 
ocorrência de tudo que se relaciona com a degradação de algo, e é muito utilizada em 
variadas áreas da ciência. 
No ramo da engenharia civil, a patologia visa tanto o diagnóstico e seu 
correspondente tratamento, quanto à prevenção. Afinal, a ruína de uma edificação, 
dependendo do seu porte, pode ocasionar na perdade inúmeras vidas, assim como 
numa perda financeira altíssima. 
Portanto, ao realizar vistorias periódicas e manutenções é possível que isso 
seja evitado (SILVA, 2011). 
Sabe-se que problemas nas estruturas podem ser causados por agentes de 
deterioração de diferentes naturezas, como agentes mecânicos, eletromagnéticos, 
térmicos, químicos e biológicos (LICHTENSTEIN, 1986). 
São exemplos de agentes mecânicos recorrentes em edificações, sobrecarga 
de utilização e recalque do solo. 
Os agentes eletromagnéticos podem ser radiação solar e corrente parasita. Já 
um agente térmico muito comum é o choque térmico, devido à mudança brusca de 
temperatura. 
Os agentes químicos existem diversos, como a umidade do ar, precipitação e 
matérias inertes (poeira). 
Por fim os agentes biológicos, que são bactérias, fungos e plantas domésticas 
(LICHTENSTEIN, 1986). 
 
 
2. CONCEITO DE PATOLOGIA DE ESTRUTURAS DE CONCRETO 
ARMADO 
 
O crescimento muito acelerado da construção civil provocou a necessidade de 
inovações, trazendo também a aceitação de certos riscos, que demandam um maior 
conhecimento sobre estruturas e materiais. 
Esse aprendizado provém das análises dos erros acontecidos, que têm 
resultado em deterioração precoce ou acidentes. 
Apesar disto tudo, tem sido constatado que algumas estruturas acabam por ter 
desempenho insatisfatório, confrontando-as com os objetivos as quais se propunham 
(SOUZA E RIPPER, 1998). 
Entende-se por Patologias do Concreto Armado a ciência que estuda as 
causas, mecanismos de ocorrência, manifestações e consequências dos erros nas 
construções civis ou nas situações em que a edificação não apresenta um 
desempenho mínimo preestabelecido pelo usuário. 
O concreto armado requer certos cuidados na sua preparação, visando 
assegurar sua vida útil e desempenho. 
A correta execução e uso envolvem estudo do traço, dosagem, manuseio e 
cura adequados e a manutenção periódica e a prevenção contra agentes agressivos. 
A maioria das patologias nas edificações ocorre em consequência de falhas de 
execução e pela falta de controle de qualidade, comprometendo a segurança e a 
durabilidade do empreendimento. 
Os problemas patológicos surgem devido a essas falhas, as quais ocorrem 
durante uma ou mais etapas das atividades inerentes à construção civil: 
concepção/projeto, execução e utilização. 
Para a etapa de concepção, exige-se a garantia de plena satisfação do cliente, 
de facilidade de execução e de possibilidade de adequada manutenção; já a etapa de 
execução, deverá garantir o fiel atendimento ao projeto, e para a etapa de utilização, 
é necessário garantir a satisfação do utilizador e a possibilidade de extensão da vida 
útil da obra, assegurando segurança e qualidade à construção. 
No caso das estruturas, vários problemas patológicos podem surgir em virtude 
do que já foi comentado. Uma fiscalização deficiente relacionada a uma baixa 
capacitação dos profissionais envolvidos pode levar a graves erros em determinadas 
 
 
atividades, como a implantação da obra, escoramento, formas, posicionamento, 
qualidade das armaduras e concretagem, desde a sua fabricação até a cura. 
Botelho (1996) afirma que: [...] a ocorrência de problemas patológicos cuja 
origem está na etapa de execução é devida, basicamente, ao processo de produção 
que é em muito prejudicado por refletir de imediato os problemas socioeconômicos, 
que provocam baixa qualidade técnica dos trabalhadores menos qualificados, como 
os serventes e os meio-oficiais, e mesmo do pessoal com alguma qualificação 
profissional (BOTELHO 1996, p.43). 
Também é valido ressaltar que a maioria dos materiais e componentes tem sua 
qualidade e forma de aplicação normatizada. 
Entretanto, o sistema de controle tem-se mostrado bastante falho, e o método 
para a fiscalização e aceitação dos materiais normalmente não é aplicado, 
demonstrando a fragilidade e a má organização da indústria da construção. Com tudo 
isso, as patologias podem ocorrer numa estrutura tanto na fase de construção como 
durante o período de pós entrega e uso. 
As condições apresentadas por uma estrutura que favoreça o aparecimento 
dessas manifestações patológicas são de responsabilidade do projetista, enquanto 
que o construtor responderá pelas falhas construtivas por inconformidade em relação 
ao projeto, com as normas de execução ou com a escolha de material inadequado. 
Porém, toda estrutura necessita de manutenção durante sua vida útil e a má 
conservação também é um fator para o surgimento de patologias, sendo então o 
usuário responsável pela durabilidade dessa estrutura. 
A figura 1 mostra os resultados de estudo de Fortes (1994) sobre a distribuição 
da origem de problemas patológicos conforme as etapas desde o projeto até o uso de 
estruturas de concreto armado. 
 
 
 
Figura 1 - Fatores de problemas patológicos segundo Fortes (1994), 
modificado. 
A figura 2 apresenta resultados relacionados com incidências e origens de 
manifestações patológicas, segundo estudo de Piancastelli (2014). 
Pode-se observar que a etapa de execução é a que apresenta grande 
concentração de ocorrências de patologias, diferente do encontrado por Fortes (1994). 
 
 
3. PATOLOGIA GERADA NA ETAPA DE CONCEPÇÃO DA ESTRUTURA 
(PROJETO) 
 
As dificuldades técnicas e o custo para solucionar um problema patológico, 
oriundo de uma falha de projeto, estão relacionados com a rapidez com que essa falha 
é solucionada. 
Uma falha originada no estudo preliminar necessita de uma solução muito mais 
complexa do que uma que venha a ocorrer na fase de projeto. Por outro lado, 
 
 
constata-se que as possíveis causas de falhas ocorridas durante a etapa de projeto 
são originadas de um estudo preliminar deficiente ou de anteprojetos equivocados, o 
que contribui para o encarecimento processo de construção, ou por transtornos 
relacionados a utilização da obra. 
Falhas ocorridas na realização do projeto final geralmente são as responsáveis 
pelo surgimento de problemas patológicos sérios, tais como: projetos inadequados 
(deficiência no cálculo da estrutura, equívoco na avaliação da resistência do solo, má 
definição do modelo analítico); falta de compatibilidade entre a estrutura e a 
arquitetura, bem como os demais projetos civis; especificação inadequada de 
materiais; detalhamento insuficiente ou errado; erros de dimensionamento. 
 
4. PATOLOGIA GERADA NA FASE DE EXECUÇÃO DA ESTRUTURA 
(CONSTRUÇÃO) 
 
Após a concepção do projeto, inicia-se a etapa de execução, ou seja, o 
planejamento da edificação, onde devem ser tomados todos os cuidados necessários 
para o bom andamento da obra, como programação de atividades, correta distribuição 
do canteiro de obras e boa previsão de compras. 
Assim, iniciado o processo de construção, as falhas podem ocorrer de diversas 
formas, tais como: condições de trabalho inadequadas, mão-de-obra desqualificada, 
inexistência de controle de qualidade, má qualidade de materiais, irresponsabilidade 
técnica. 
Segundo Souza e Ripper (1998), quando se trata de obras de edificação 
habitacional, alguns erros são grosseiros e saltam a vista. 
Dentre eles pode-se citar: falta de prumo, esquadro e alinhamento de partes 
estruturais e alvenaria, desnivelamento de pisos, falta de caimento correto em pisos 
com uso frequente de água, assentamento excessivamente espesso de revestimentos 
cerâmicos e flechas excessivas em lajes. 
A ocorrência de falhas na fase de execução é devida basicamente ao processo 
de produção, que reflete os problemas socioeconômicos, que por sua vez provocam 
baixa qualidade técnica dos trabalhadores menos qualificados e até mesmo da equipe 
que possui certa qualificação profissional. 
 
 
 
 
 
5. PATOLOGIA GERADA NA FASE DE UTILIZAÇÃO DA ESTRUTURA 
(MANUTENÇÃO) 
 
Para uma estrutura apresentar um bom desempenho deve ser observado o 
correto uso paraa qual foi projetada, especialmente quanto aos carregamentos e 
possível presença de materiais ou elementos agressivos ao concreto armado. 
Um adequado planejamento de manutenção periódica deve observado, 
principalmente nas partes onde é mais utilizada ou suscetível de desgaste, a fim de 
evitar problemas patológicos sérios e, em alguns casos, a própria ruína da estrutura. 
Problemas patológicos ocasionados por manutenção inadequada, ou pela falta 
de manutenção, têm sua origem no desconhecimento técnico, na incompetência e em 
problemas econômicos. 
6. PRINCIPAIS PROCESSOS DE DEGRADAÇÃO 
 
A deterioração do concreto ocorre muitas vezes como resultada de uma 
combinação de diferentes fatores externos e internos. 
Os processos de degradação alteram a capacidade de o material desempenhar 
suas funções e nem sempre se manifestam visualmente, podendo apresentar 
sintomas tais como a fissuração, o destacamento e a desagregação. 
São agrupados de acordo com a sua natureza em mecânicos, físicos, químicos, 
biológicos e eletromagnéticos. 
 
 
 
Tabela 1 - Agentes ou fatores de deterioração 
 
 
 
6.1 Causas mecânicas de deterioração 
 
Segundo Souza e Ripper (1998), as causas desse tipo de deterioração são 
devidas às solicitações mecânicas sofridas pelas estruturas de concreto, tais como: 
choques e impactos, recalque diferencial nas fundações e acidentes imprevisíveis 
(inundações, grandes tempestades, explosões e abalos sísmicos). 
Além de diminuir a resistência da estrutura, facilitam a entrada de agentes 
agressivos danificadores, principalmente quando o concreto e a armadura ficam 
expostos devido ao impacto das solicitações. 
As estruturas normalmente afetadas são: guarda-corpos, guarda-rodas de 
viadutos, pilares de garagem e fundações. 
Em pilares de garagem pode-se adotar como medida preventiva fazendo 
revestimento de borracha até certa altura para protegê-lo contra o choque de veículos 
 
6.2 Causa físicas de deterioração 
 
A Figura 9 mostra um esquema das principais causas físicas de deterioração 
do concreto relacionadas aos efeitos dos carregamentos estruturais, mudanças de 
volume e exposição a variações extremas de temperatura. 
 
 
 
a) Deterioração por ação de gelo-degelo 
 
Este tipo de deterioração ocorre em regiões de clima frio, onde existem ciclos 
frequentes de congelamento e degelo, requerendo altos gastos para reparo e 
substituição. 
As causas da deterioração podem ser relacionadas à complexa microestrutura 
do concreto, bem como das condições ambientais, em particular do número de ciclos 
de gelo degelo, da velocidade de congelamento e da temperatura mínima atingida. 
Se o congelamento ocorrer após o endurecimento do concreto, a expansão 
devido ao congelamento da água resultará em perdas significativas de resistência. 
Quando o concreto endurecido é exposto a baixas temperaturas, a água retida nos 
poros capilares congela e expande. 
Ao descongelar, há um acréscimo expansivo nos poros, causando uma pressão 
de dilatação que provoca fissuração do concreto, e consequentemente a sua 
deterioração. 
A degradação do concreto pode também ocorrer pela aplicação de sais de 
degelo, como os cloretos de cálcio e de sódio, que em contato com o concreto 
promove um agravamento da degradação em função dos mecanismos de corrosão 
das armaduras. 
 
 
A aplicação do sal produz uma diminuição da temperatura na superfície do 
concreto causando um choque térmico, além de tensões internas que podem provocar 
fissuras devido à diferença de temperatura entre a superfície e o interior do concreto. 
 
b) Deterioração por ação do fogo 
 
O concreto, comparado à madeira e ao plástico, apresenta bom comportamento 
diante do fogo, pois é incombustível e não emite gases tóxicos quando exposto a altas 
temperaturas. 
Diferentemente do aço, possui resistência suficiente por períodos longos 
quando exposto a altas temperaturas, permitindo assim operações de resgate pela 
redução de risco de colapso estrutural. 
Na prática, exige-se que o concreto preserve seu comportamento estrutural 
durante um período de tempo estabelecido, denominado período de resistência ao 
fogo. 
A temperatura pode alterar a cor do concreto feito com agregado silicoso ou 
calcário. 
A mudança de cor é permanente, podendo-se estimar a temperatura máxima 
atingida durante a exposição do concreto ao fogo e a sua resistência residual. 
Muitos fatores influenciam na resistência do concreto ao fogo, cuja composição 
é importante, pois tanto a pasta de cimento como os agregados possuem 
componentes que se decompõem ao serem aquecidos. 
A permeabilidade do concreto, a taxa de aumento da temperatura e o tamanho 
da peça são significantes porque controlam o desenvolvimento de pressões internas 
dos produtos gasosos de decomposição. 
 
c) Deterioração por desgaste superficial 
 
A perda progressiva de massa de uma superfície de concreto pode ocorrer 
devido a abrasão, erosão ou cavitação. 
A abrasão é a perda gradual e continuada da argamassa superficial e de 
agregados em uma área limitada, que se dá pelo mecanismo de fricção ou atrito, 
proveniente do tráfego de pessoas, veículos e até mesmo pela ação do vento. 
 
 
Esse tipo de desgaste é comum em pisos industriais ou em pavimentos 
rodoviários ou calçadas. 
A erosão é originada pela ação da água em movimento, que arrasta partículas 
sólidas em suspensão e se choca contra a superfície do concreto, provocando 
desgaste por colisão, escorregamento ou rolagem. 
Esse tipo de desgaste é comum em barragens, calhas de vertedouros, canais 
de irrigação e pilares de pontes. 
A cavitação é a perda de massa pela formação de vapor e sua subsequente 
ruptura devida a mudanças repentinas de direção do fluxo da água em altas 
velocidades. 
d) Deterioração por cristalização de sais nos poros 
Esse tipo de deterioração ocorre em ambientes salinos, onde os sais produzem 
tensões internas e fissuração na estrutura. 
Os concretos com elevada relação água/cimento são os mais suscetíveis a 
apresentar problemas devido à cristalização dos sais. 
Essa ação se dá pela cristalização no interior dos poros capilares do concreto, 
devido à evaporação da água e posterior reidratação, como um novo ciclo de 
umedecimento, ocupando um volume maior para acomodá-lo. 
e) Causas químicas de deterioração 
A Figura 19 apresenta um fluxograma indicando as diferentes reações químicas 
e seus efeitos na deterioração do concreto e consequentes mudanças nas 
propriedades de comportamento. 
 
 
 
a) Deterioração por sais Segundo Souza (1998), a ação do hidrogênio pode 
contribuir para a deterioração do concreto. 
O hidróxido de cálcio – Ca (OH2) - geralmente está presente na pasta de 
cimento endurecida, em uma elevada quantidade, sendo solúvel em água e capaz de 
reagir com sais dissolvidos, como cloretos e nitratos, além de trocas de cátions entre 
os sais e a própria base. 
b) Deterioração por ação de ácidos Concretos quando expostos a soluções 
ácidas, sofrem severas deteriorações devido ao caráter básico da pasta de 
cimento. Porém, concretos de baixa permeabilidade quando expostos à ação 
de ácidos fracos, podem resistir, principalmente se a exposição for ocasional. 
Os ácidos reagem com o hidróxido de cálcio da pasta de cimento, produzindo 
água e sais de cálcio, podendo ser facilmente lixiviados, caso sejam solúveis, 
aumentando a permeabilidade e a porosidade da pasta. 
c) Deterioração por ataque de sulfatos 
O ataque ao concreto produzido por sulfatos é devido a sua ação expansiva, 
que pode gerar tensões capazes de fissurá-lo. 
Os sulfatos podem estar nos agregados, na água de amassamento ou no 
próprio cimento. 
 
 
Sua presença é comum em áreas de operação de minas e indústrias químicas. 
Todos os sulfatos reagem com a pasta de cimento hidratado, sendo potencialmente 
prejudicial ao concreto. 
O ataquepor sulfato gera uma perda progressiva de resistência e de massa, 
devido à deterioração na coesão dos produtos de hidratação do cimento. 
Porém, pode-se aumentar a sua resistência baixando a permeabilidade do 
concreto, através da redução do fator água/cimento ou pelo emprego de cimentos com 
adições pozolânicas. 
 
f) Deterioração por reações álcalis-agregado 
A reação álcali-agregado pode ser entendida como a reação química que 
ocorre no interior de uma estrutura de concreto, envolvendo os hidróxidos alcalinos 
do cimento e certos minerais reativos que podem estar presentes no agregado. 
 Como resultado da reação forma-se produtos que na presença de umidade, 
são capazes de expandir, gerando fissurações, deslocamentos e podendo levar a um 
comprometimento da estrutura. 
Essa expansão acompanhada da fissuração causa perda de resistência, 
elasticidade e durabilidade do concreto. Geralmente essa deterioração ocorre em 
estruturas localizadas em ambientes úmidos, tais como barragens, casas de força, 
vertedores, canais, blocos de fundações, estacas de pontes e estruturas marinhas. 
g) Deterioração pela hidratação dos componentes do cimento - MgO e CaO. 
Os componentes MgO e CaO (óxido de magnésio e óxido de cálcio) cristalinos, 
quando presentes em grande quantidade no cimento, podem causar expansão no 
concreto, hidratando de forma muito lenta, após o endurecimento do cimento, 
resultando no aumento de volume e conseqüente fissuração do concreto. 
O efeito expansivo e altamente prejudicial da alta quantidade de MgO foi 
observado inicialmente em 1884 após a ruína de várias pontes e viadutos de concreto 
na França, logo após a sua construção. 
Na Alemanha, a prefeitura de Kassel teve que ser reconstruída pelos mesmos 
motivos, onde o percentual de MgO chegava a 30%. 
Atualmente, como medida preventiva, faz-se um controle da quantidade destes 
elementos no cimento. Recomenda-se que o teor máximo de MgO seja de 6% e o de 
CaO não seja maior que 1%. 
f) Deterioração por ataque de água pura 
 
 
A água pura age prejudicialmente no concreto através da lixiviação/hidrólise de 
componentes da pasta do cimento endurecido. 
Quando entra em contato com a pasta do cimento, a água tende a hidrolisar ou 
dissolver os componentes que contém cálcio. 
Nesse tipo de ataque, ocorre a percolação de água pura em concretos 
fissurados ou com alta permeabilidade, resultando na dissolução da pasta de cimento 
(ANDRADE e SILVA, 2005). 
Além da perda de resistência, a lixiviação do hidróxido de cálcio pode ser 
indesejável por razões estéticas. Porém, a dissolução pela água é tanto maior quanto 
mais pura ela for, ou seja, quanto menos carbonato de cálcio e de magnésio ela 
contém, mais fraca é a sua dureza. 
 
h) Deterioração por ataque de água do mar 
Segundo Helene (1994), a velocidade de corrosão em ambiente marinho pode 
ser de 30 a 40 vezes maior do que em atmosfera rural. 
Os danos podem ser ainda mais severos quando a estrutura está sujeita 
diretamente a variação do nível do mar. 
A água do mar, além de ser perigosa para a corrosão das armaduras, também 
pode agir diretamente sobre o concreto causando: erosão superficial, provocada pelas 
ondas ou pela maré, dilatação causada pela cristalização dos sais, ataque químico 
por parte dos sais dissolvidos (sulfatos, cloretos). 
O fator prejudicial da água do mar ao concreto é a presença de hidróxido de 
cálcio e dos aluminatos de cálcio hidratado. 
Por isso, os cimentos mais apropriados para estruturas na água do mar são os 
de alto-forno e os pozolânicos, pois possuem menos hidróxido de cálcio nos produtos 
de hidratação. 
i) Deterioração por carbonatação 
A carbonatação ocorre da ação dissolvente do anidrido carbônico (CO2), 
presente no ar atmosférico, sobre o cimento hidratado, com a formação do carbonato 
de cálcio e a conseqüente redução do pH do concreto até valores menores que 9. A 
reação principal da carbonatação pode ser representada pela Equação: 
 
 
 
Segundo Cascudo (1997), o processo de carbonatação se inicia na superfície 
do concreto, formando uma frente de avanço do processo, que separa duas zonas 
com pH muito diferentes: uma com pH menor que 9 (carbonatada) e outra com pH 
maior que 12 (não carbonatada). 
Esta frente é chamada de frente de carborbonatação e deve ser mensurada 
com relação à espessura de concreto de cobrimento da armadura. 
Conforme Figueiredo (1994) há vários fatores que influenciam na carbonatação 
do concreto, tais como: 
a) Concentração de CO2: para concretos de elevadas relações de água/cimento, a 
velocidade da carbonatação aumenta quando o ambiente possui uma maior 
concentração de CO2. 
b) Umidade Relativa (UR) do ambiente: segundo Guimatrães (1997) a umidade 
relativa do ar é um fator relevante na difusão do CO2, pois vai determinar a quantidade 
de umidade nos poros do concreto. 
Assim sendo, em condições de umidade relativa muito alta ou estruturas 
submersas, os poros se apresentam saturados. 
Por outro lado, para que o processo ocorra, é preciso que haja um mínimo de água 
nos poros, caso contrário, a baixa umidade impossibilitará a carbonatação. 
c) Relação água/cimento: este fator está relacionado com a quantidade e tamanho 
dos poros do concreto endurecido. 
Quanto maior a relação água/cimento, maior será a porosidade e a 
permeabilidade de um concreto, aumentando assim a penetração de CO2 para o 
interior do material. 
d) Condições de cura: quanto maior o tempo de cura, maior será o grau de hidratação 
do cimento, diminuindo a porosidade e a permeabilidade, minimizando os efeitos da 
carbonatação nos concretos. 
A comprovação das áreas carbonatadas pode ser feito através de indicadores 
de pH a base de fenolftaleína e timolftaleina. 
Com o uso da fenolftaleina, as regiões mais alcalinas adquirem cor violeta, 
enquanto as menos alcalinas são incolores. 
 
 
Já a timolftaleina adquire cor azul para regiões mais alcalinas, enquanto as 
menos alcalinas ficam incolores (SILVA, 1995). 
Determinação da frente de carbonatação deve ser realizada em uma fratura 
fresca de concreto, pois as superfícies expostas carbonatam rapidamente. 
O modelo da raiz quadrada do tempo é usado para representar a penetração 
de CO2 através da rede de poros do concreto. 
Foi inicialmente apresentado no Japão por Uchida e Hamada (1928), citados 
por Richardson (2002), sendo representado através da equação: 
x = k√t onde: 
x = profundidade de carbonatação (cm); 
k = coeficiente de carbonatação (cm/ano); e 
t = tempo (anos) 
A constante k depende de muitos fatores relacionados com a qualidade e 
resistência do concreto, da concentração de CO2 no ambiente, das condições de 
exposição da estrutura, entre outros fatores. 
Conhecendo k, pode-se determinar a velocidade de avanço da frente de 
carbonatação e o tempo em que demorará para chegar até a armadura, caso já não 
tenha alcançado. 
i) Biodeterioração do concreto 
A biodeterioração é a mudança indesejável nas propriedades do material, 
devido à ação de microrganismos, e pode levar a produção de ácidos, ocasionando 
uma dissolução dos compostos hidratados do cimento, particularmente o hidróxido de 
cálcio, além dos silicatos de cálcio hidratados. 
Tal problema leva à deterioração por ações químicas e à corrosão de 
armaduras. 
Os microrganismos podem atuar sobre o concreto em ações deletérias contra 
os agregados e a pasta de cimento, interferindo em sua estética, reduzindo a sua 
durabilidade comprometendo a sua integridade. Tal mecanismo ocorre em túneis e 
galerias de esgoto, pois são ambientes ácidos com um pH baixo e muito agressivos 
às estruturas. 
As principais causas de degradação do concreto por ação bacteriológica são: - 
concreto de resistência inadequada; 
- Cobrimento insuficiente das armaduras; 
- Má aeração das tubulações e/ou galerias; 
 
 
- Ausência de proteção e 
- Rupturas localizadaspela ação de cargas excessivas ou recalques. 
Como essa ação resulta de microrganismos vivos, os fatores ligados à 
manutenção da vida dos agentes envolvidos são determinantes para que o processo 
de biodeterioração se estabeleça. 
Assim, uma estratégia de prevenção desse problema deve incluir uma 
avaliação das condições ambientais em conjunto com a suscetibilidade dos materiais 
componentes da estrutura. 
Além disso, devem-se conhecer as características da obra, condições físicas e 
químicas do material e do meio ambiente, possíveis fontes de nutrientes, assim como 
a inter-relação com a população de microrganismos existentes. 
 
6.3 Causas eletroquímicas de deterioração – corrosão das armaduras 
 
A armadura dentro do concreto normalmente encontra-se protegida da 
corrosão devido à alta alcalinidade deste material (pH entre 12,7 e 13,8). 
Esse nível de pH favorece a formação de uma camada de óxidos passiva, 
compacta e aderente de Fe2O3 sobre a superfície da armadura. 
Tal camada protege a armadura da corrosão, desde que o concreto preserve 
sua boa qualidade, não fissure e não modifique suas características físicas e químicas 
devido à ação dos agentes agressivos externos. 
Porém, segundo Ferreira (2000), a corrosão eletroquímica da armadura ocorre 
devido à falta de uniformidade do aço, do contato com metais com menor potencial 
eletroquímico, assim como da heterogeneidade do meio físico e químico que o rodeia. 
O mecanismo de corrosão nos metais pode ocorrer basicamente de duas 
formas. 
A primeira é a oxidação e está relacionada com a corrosão de caráter 
puramente químico. Tal reação ocorre por uma reação gás/sólido na superfície do 
material, formando um filme delgado de produtos de corrosão na superfície do metal. 
A segunda é a corrosão eletroquímica, que é o tipo de deterioração que ocorre 
em estruturas de concreto armado. 
Essa corrosão é baseada na existência de um desequilíbrio elétrico entre os 
metais diferentes ou entre distintas partes do mesmo metal, formando o que se chama 
de pilha de corrosão ou célula de corrosão. 
 
 
A corrosão de armaduras pode se apresentar de diversas formas: corrosão 
generalizada, por pite e fissurante. 
Segundo Cascudo (1997), a corrosão generalizada ocorre devido a uma perda 
generalizada da película de passivação, resultante da frente de carbonatação no 
concreto e/ou presença excessiva de cloretos. 
A corrosão por pite é um tipo de corrosão localizada, no qual há formação de 
pontos de desgaste definidos na superfície metálica, os quais evoluem aprofundando-
se, podendo causar a ruptura pontual da barra. 
Já a corrosão sob tensão é outro tipo de corrosão localizada, a qual se dá com 
uma tensão de tração na armadura, podendo dar origem à propagação de fissuras na 
estrutura do aço. 
A corrosão é a transformação de um material, geralmente metálico, por ação 
química ou eletroquímica do meio em que se encontra. 
Esse fenômeno de natureza expansiva leva ao surgimento de elevadas tensões 
de tração no concreto, ocasionando a fissuração e posteriormente o lascamento do 
cobrimento do material. 
7. PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS NAS ESTRUTURAS DE 
CONCRETO 
7.1 Ninhos de concretagem/segregação do concreto 
 
Ninhos de concretagem são vazios deixados na massa de concreto, devido à 
dificuldade de penetração do mesmo nas formas durante o processo de lançamento 
e adensamento. 
Já a segregação do concreto ocorre devido ao não envolvimento dos 
agregados pela pasta de cimento e à falta de homogeneidade dos componentes da 
mistura. 
Tanto a segregação como os ninhos de concretagem podem ter várias origens, 
tais como: 
- Baixa trabalhabilidade do concreto devido ao baixo fator água/cimento; 
- Alta densidade de armaduras ou agregado de grande diâmetro; 
- Insuficiência no transporte, lançamento e adensamento do concreto. 
 
7.2 Fissuras de assentamento plástico 
 
 
 
São fissuras geradas pelo impedimento à sedimentação das partículas sólidas 
do concreto, quando encontram algum tipo de obstáculo, como as armaduras, 
agregados com diâmetros maiores ou até mesmo pela própria forma. 
Ocorrem nas primeiras horas após o lançamento do concreto (10 min a 3h) e 
são estáveis após o endurecimento do concreto. 
Suas prováveis causas são: 
- Armadura de grande diâmetro ou muito densa; 
- Concreto com elevada relação água/cimento ou mau adensado; 
- Perda excessiva de água da mistura por falta de estanqueidade das formas. 
 
7.3 Fissuras de retração por secagem 
 
São fissuras que ocorrem pela perda excessiva de água de amassamento do 
concreto no estado fresco, seja por evaporação, por absorção pelos agregados ou 
pelas formas. 
Tais fissuras apresentam uma morfologia em forma de mapa ou pele de 
crocodilo que se cortam formando ângulos aproximadamente retos. 
As fissuras aparecem entre trinta minutos a seis horas após o endurecimento 
do concreto. 
Para minimizar os casos de fissuras por dessecação superficial deve-se 
proteger a superfície do elemento, após a concretagem, da radiação solar e da ação 
do vento, e iniciar a cura logo após o adensamento do concreto. 
 
a. Fissuras por movimentação térmica 
 
Os elementos de concreto armado, quando submetidos à retração térmica, 
sofrem uma redução dos elementos estruturais gerando tensões de tração, levando 
ao aparecimento de trincas e/ou fissuras, dependendo do grau de deformabilidade do 
elemento. 
Todos os materiais empregados nas construções estão sujeitos a dilatações 
com o aumento da temperatura, e as contrações com a sua diminuição. 
Normalmente a fissuração térmica é observada em elementos maciços, onde a 
taxa de calor de hidratação é maior que a capacidade de dissipação para uma dada 
seção, podendo levar ao surgimento de microfissuras internas. 
 
 
Em paredes ou muros executados em concreto armado que apresentem 
grande comprimento sem juntas de dilatação adequadas, observa-se a formação de 
fissuras verticais no elemento. 
Suas prováveis causas são: 
- Grandes variações de temperatura diárias e anuais; 
- Escurecimento das superfícies de concreto pela deposição de fuligem e 
desenvolvimento de fungos; 
- Falta de ventilação em telhados. 
- Trinca típica presente no topo da parede paralela ao comprimento da laje 
 
b. Fissuras devido ao detalhamento insuficiente do projeto e falhas 
de execução 
 
São fissuras causadas por falhas de execução ou pela ausência ou 
insuficiência de detalhes, embora o dimensionamento em geral atenda aos esforços 
a que o elemento estrutural estará submetido. 
Tais problemas ocorrem devido a descuidos no mau posicionamento das 
armaduras no momento da concretagem ou por falhas de montagem e operação das 
formas, escoramentos deficientes, descimbramento errado. 
 
c. Fissuras devido aos carregamentos 
 
São fissuras geradas nos elementos estruturais pela incapacidade de 
resistência a ação do carregamento a que este está sujeito, seja por falha no cálculo 
estrutural, por sobrecarga ou falhas na execução. 
Nas estruturas de concreto armado a ocorrência de fissuras provoca uma 
redistribuição de esforços ao longo do componente fissurado, bem como nos 
elementos vizinhos, de maneira que a solicitação acaba sendo absorvida por toda a 
estrutura. 
Porém, esse tipo de fissura tem baixa incidência em uma peça de concreto 
armado, em função da existência e do posicionamento das armaduras. 
Os danos ocorridos em vigas, marquises e balanços devido à flexão geralmente 
manifestam-se através de fissuras localizadas no meio do vão, e, no caso das vigas, 
essa tende a inclinar-se à medida que se aproxima dos apoios. 
 
 
Tais problemas geralmente ocorrem em função dos erros de posicionamento 
das armaduras principais no elemento, deficiência de armaduras, ancoragem 
insuficiente ou sobrecargas não previstas. 
Já nos apoios das vigas, costuma-se surgir fissuras de cisalhamento,as quais 
apresentam geralmente uma inclinação de 45º em relação ao apoio dos elementos 
fletidos, progredindo até as armaduras e atingindo o ponto de aplicação das cargas. 
Tais fissuras ocorrem devido a presença de sobrecargas não previstas, à 
deficiência de resistência do concreto e à insuficiência ou mau posicionamento dos 
estribos 
 
d. Fissuras devido a recalques de fundações 
 
São fissuras que ocorrem quando as fundações sofrem deformações 
diferenciais ao longo da estrutura de sustentação das mesmas por adensamento ou 
recalques imediatos das camadas do solo, deformação ou ruptura de elementos de 
concreto da própria fundação. 
Tais problemas ocorrem devido à construção de fundações assentes em solos 
compressíveis, expansivos ou aterros, interferência no bulbo de tensões provocado 
por construções vizinhas, rebaixamento do lençol freático, sobrecargas ou falhas em 
elementos de fundação. 
8. ETAPAS DE RECUPERAÇÃO 
 
Para o início dos trabalhos de recuperação das estruturas de concreto, deve-
se realizar um trabalho de preparação da superfície que será tratada. 
Os processos e etapas necessários a este tipo de serviços serão 
detalhadamente descritos a seguir. 
a) Polimento 
Esta técnica é usada para diminuir a aspereza da superfície do concreto, devido 
ao desgaste natural ou a má execução da estrutura tornando-a novamente lisa e sem 
partículas soltas, utilizando-se de equipamentos como lixadeiras portáteis ou máquina 
de polir pesadas utilizadas quando a área a ser recuperada é muito grande. 
b) Técnicas de lavagem e limpeza da superfície do concreto 
Em razão de um longo período de exposição da estrutura a um ambiente 
bastante agressivo, deve-se realizar a limpeza das peças estruturais, procurando 
 
 
remover os poluentes impregnados, principalmente os óxidos de enxofre (SO2) que 
sob certas condições de umidade proporcionam a formação do ácido sulfúrico, ou 
chuva ácida. 
Há diversas técnicas de limpeza da superfície do concreto que será 
recuperado, porém deve-se tomar cuidado quando do uso de soluções ácidas com 
relação à armadura do concreto, aspecto que requer menos cuidado quando do uso 
de soluções alcalinas ou do uso de jatos d’água, areia, vapor, ar comprimido, dentre 
outros. 
c) Saturação 
O processo de saturação da superfície do concreto serve para aumentar a 
aderência do material de recuperação. 
Conforme Souza e Ripper (1998), a saturação dura em média 12 horas. Deve-se 
deixar a superfície a ser recuperada apenas úmida, evitando o acúmulo de poças 
d’água. 
d) Corte 
Neste processo, remove-se todo e qualquer material nocivo às armaduras, 
promovendo um corte, pelo menos 2 cm ou o diâmetro da barra, de profundidade além 
das mesmas, garantindo assim que toda armadura estará imersa em meio alcalino. 
Segundo Andrade e Perdrix (1992) “caso não haja o corte do concreto além 
das armaduras, limpando-se somente o lado exterior e deixando a parte posterior 
recoberta pelo concreto velho, isso dá início a uma pilha de corrosão eletroquímica 
por diferença de material. 
Isso ocorre, pois, a parte posterior atuará como ânodo e a parte recuperada 
fará o papel de cátodo, desencadeando assim um processo de corrosão ainda mais 
rápido que originalmente. ” 
Já conforme Souza e Ripper (1998), para melhor aderência do novo concreto, 
à superfície interna do corte deve ter suas arestas arredondadas e na forma de um 
talude de 1:3. 
Finalizado o corte a superfície do concreto deve passar por uma sequência de 
limpeza, que são: jateamento de areia, jateamento de ar comprimido e jateamento de 
água. 
Porém, devem-se observar certos fatores no momento do corte, tais como: 
 
 
- Remover completamente os agentes nocivos à estrutura, ou seja, o resquício por 
mais imperceptível que seja de uma película oxidada, promove a retomada do 
processo contaminante, comprometendo assim o trabalho realizado; 
- A retirada em demasia do concreto é contra a segurança da estrutura e 
antieconômica, pois está se removendo camadas de concreto sadio. 
e) Demolição 
A demolição geralmente é projetada em função do porte e tipo da estrutura a 
demolir, assim como dos aspectos condicionantes locais. Podem ser usados martelos 
demolidores, explosivos, agentes demolidores expansivos ou ainda a hidro demolição. 
Muitas vezes, devido a grandeza dos danos ou riscos ou ainda, devido a 
mudanças de destinação ou uso de uma estrutura, faz-se necessária a demolição total 
ou parcial. 
 
8.1 Tratamento de fissuras: injeção selagem e grampeamento 
 
O tratamento de fissuras necessita de uma identificação prévia do tipo de 
fissura, no que diz respeito a sua atividade. 
No caso de fissuras ativas, promove-se a vedação da fissura com material 
elástico e não resistente, de modo a impedir unicamente a degradação do concreto 
existente. 
Nas fissuras passivas, além desta proteção, tem-se o objetivo de garantir que 
a peça volte a trabalhar como um todo, empregando-se material resistente, como a 
nata do cimento Portland ou resina epoxídica. 
Em fissuras menores que 0,1 mm, procede-se a injeção das fissuras sob baixa 
pressão. 
Para fissuras maiores, porém pouco profundas, pode-se fazer o enchimento 
por gravidade. 
Após o preenchimento das fissuras é feita a selagem que prevê a vedação dos 
bordos, com o objetivo de arrematar a injeção, protegendo a própria resina. Para 
fissuras maiores que 30 mm, a selagem é feita como uma vedação de junta. 
Esta técnica tem melhor desempenho quando as fissuras acontecem em linhas 
isoladas e por deficiências localizadas de capacidade resistente. 
 
8.2 Reparos superficiais 
 
 
 
São reparos de profundidade inferior a 2,0 cm, não ultrapassando a espessura 
do cobrimento da armadura. 
Podem ser localizados ou generalizados. São exemplos característicos o 
enchimento de falhas, regularização de lajes, reconstituição de quinas quebradas, 
erosões ou desgaste, calcinação, entre outros. 
Nos reparos localizados, utilizam-se argamassas de base mineral, argamassa 
modificada com polímero, pré-dosada ou preparada na obra, ou ainda, argamassas 
com base epóxi ou poliéster, que exigem procedimentos específicos. 
Para reparos generalizados, empregam-se argamassas modificadas em 
polímeros ou o concreto ou argamassa projetados. 
Souza e Ripper (1998) sugerem que a aplicação de argamassa seja feita em 
faixas de 1,0 m de largura por 1,0 cm de espessura. 
A cura será úmida para material cimentício ou a ar para material orgânico. 
 
8.3 Reparos semi-profundos 
 
Os reparos semi-profundos são aqueles com profundidade entre 2,0 e 5,0 cm, 
normalmente atingindo a armadura (SOUZA e RIPPER, 1998). 
Geralmente requer a montagem de formas com cachimbos e a verificação da 
necessidade de escoramentos. 
A recuperação da seção pode ser feita com graute de base mineral com 
retração compensada e alta resistência mecânica, com cura úmida. 
 
a. Reparos profundos 
 
Os reparos profundos são aqueles que apresentam aberturas para retirada do 
concreto deteriorado ou contaminado, com profundidades superiores a 5,0 cm. 
São exemplos os ninhos de concretagem (segregações). Necessita da 
montagem de forma, preparação do substrato e verificação da necessidade de 
escoramentos. 
Utiliza normalmente micro concreto de retração compensada e alta resistência 
mecânica, com cura úmida. 
 
 
Segundo Helene (1988) o ideal é o uso de argamassa seca, graute de base 
mineral, concreto ou concreto pré-acondicionado. Já Souza e Ripper (1998) sugerem 
a utilização de argamassa seca ou convencional, com adesivo PVA ou acrílico. 
9. ALTERNATIVAS PARA REPAROS EM PROCESSOS CORROSIVOS 
 
Recuperar uma estrutura de concreto é devolvê-la às suas condições originais, 
antes de ser atacada pela corrosão das armaduras. 
Além de remover as oxidações, há a necessidade de reconstrução do 
cobrimento das armaduras, de preferência com concreto bemadensado. 
Segundo Cascudo (1997), a reconstituição da seção de concreto onde ocorreu 
a corrosão é feita geralmente usando concretos ou argamassas comuns. 
No caso de reparos profundos, utilizam-se argamassas auto adensáveis, ou 
grautes, que conseguem atingir locais de difícil acesso. 
Na limpeza da superfície das armaduras deve-se ter o cuidado de retirar todos 
os produtos da corrosão antes da colocação de outro material. 
Todo o concreto alterado deverá ser retirado e também aquele em volta do 
perímetro da armadura na região da corrosão. 
Uma maneira de proteção das armaduras contra a corrosão é a galvanização 
das barras, visto que o zinco utilizado na sua produção é muito mais estável que o 
aço frente à atmosfera e mais resistente aos cloretos. 
Conforme Andrade (1992) os parâmetros para a durabilidade do processo da 
galvanização são a espessura da capa galvanizada e o pH da fase aquosa presa nos 
poros do concreto. 
Já no caso da presença da frente de cloretos ou de carbonatação, em que a 
armadura não tenha sido atingida, emprega-se a retirada do concreto impróprio, 
mediante o uso de escarificação, jateamento ou hidro jateamento. 
Andrade (1992) indica a possibilidade de tentar a “realcalinização” do concreto 
através de aplicação superficial de argamassa rica em cimento, mantida úmida por 
muito tempo. 
No caso do concreto estar contaminado por elevados teores de cloreto, 
Andrade (1992) sugere o uso de resina que seja ao mesmo tempo ponte de aderência 
e barreira contra cloretos presente no concreto velho, dificultando a migração por 
difusão ao material do reparo. 
 
 
Quanto aos métodos alternativos de reparo, verifica-se na literatura os 
processos de remoção eletroquímica dos cloretos, o controle do processo catódico 
pelo uso de pinturas seladoras, a eliminação do eletrólito por secagem, a proteção 
catódica e técnicas de impregnação do concreto por polímeros ou inibidores de 
corrosão. 
É muito importante utilizar técnicas adequadas e materiais que não segreguem 
durante a aplicação. 
Qualquer segregação dos componentes do material de reparo provoca uma 
alteração das suas propriedades físicas e reduz a possibilidade de se obter a primeira 
premissa quando do início dos estudos: restaurar a estrutura o mais próximo possível 
do especificado no projeto original. 
Finalmente, cabe lembrar que, antes de qualquer recuperação, devem ser 
identificadas e sanadas as causas. 
Caso isso não seja observado, pode ocorrer corrosão em outros locais por 
haver criado mais descontinuidade na estrutura, além das que originalmente existiam. 
A importância da patologia das construções ficou bastante clara em relação 
Patologia em Estruturas de Concreto ao olhar crítico que o profissional adquire depois 
de aprofundar o conhecimento nesta área, como se nenhuma manifestação patológica 
passasse despercebida mais. 
Bem como no quesito da prevenção, de se estudar as causas e consequências 
dessas manifestações a fim de se evitar a ocorrência. 
Afinal, os danos podem ser irreversíveis e até ocasionar no colapso estrutural. 
É preferível prevenir a ter que reparar algum dano posteriormente, o que gera 
retrabalho e gastos não planejados no orçamento. 
Obras ficaram paradas deixadas à ação do tempo, sem um mínimo de cuidado 
ou manutenção ao saber que ficariam paradas por tanto tempo. 
Portanto, é válido que se intensifique a qualificação dos engenheiros civis 
dessa área a fim de que as vistorias técnicas periódicas se tornem uma ação 
recorrente para as práticas de prevenção. 
 
 
 
 
 
 
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