Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA Bacharelado em Administração EAD Aluna: Joana Cristina Amado dos Santos Matrícula: 1210401191 Disciplina: Análise Econômica de Mercado (IL60006) Tutor: Neliton Gomes Azevedo Ava 1 – Análise Econômica de Mercado Rio de Janeiro/RJ 2023 Crise econômica mundial Crises não são acidentes! São “gestadas” dentro da dinâmica do próprio sistema capitalista. Podem ocorrer por excesso de confiança, pela incerteza nos rumos da economia ou até mesmo ser desencadeada por especulações. Independentemente das causas, uma crise tende a extrapolar fronteiras geográficas, alastrando-se pelo mundo, impondo uma reestruturação na condução da política econômica de cada economia. Texto O Índice Down Jones de 1921 até 1929 subiu vertiginosamente. Acreditando que o mercado sustentaria uma alta permanente dos preços, corretores chegavam a emprestar até 2/3 do valor das ações para que seus compradores pudessem seguir investindo na bolsa. Muitos utilizaram hipotecas e todas suas economias para comprar ações, pois não acreditavam que o crash seria possível. Após 3 de setembro de 1929, dia em que o Índice Down Jones atingiu seu pico, 381.17 pontos, a Bolsa de Valores começou a apresentar uma crescente volubilidade. Nos dias que se seguiram, foram registrados períodos de grande volume de vendas de ações, intercalados por uma alta nos preços, e uma leve recuperação. A indústria automobilística percebeu, em meados de 1929, que seus revendedores não dispunham de meios para absorver mais carros. Decidiram por um corte severo na produção, reduzindo as encomendas de borracha, cobre, vidro e aço. Essa drástica redução na produção alertou os especuladores mais atentos, que descarregaram os papéis da United States Steel. A siderúrgica assistiu a suas ações em queda livre na Bolsa, por todo o mês setembro de 1929. A perspectiva da diminuição dos dividendos dessas companhias fez com que esses títulos sofressem uma enorme depreciação no seu valor no período de setembro a novembro. Em outubro de 1929, o impensável aconteceu. No dia 24, posteriormente conhecido como “quinta-feira negra”, um número aproximado de 12,9 milhões de ações foi vendido em apenas um dia. Por todo o final de semana, os eventos foram largamente noticiados na imprensa americana. Em 29 de outubro de 1929, que ficou conhecida por “terça-feira negra”, a quebra se revelou inevitável. O pânico tomou conta dos investidores, e mais de 15,6 milhões de ações foram vendidas até o final do dia. O mercado norte-americano somou uma perda de US$ 14 bilhões. A crise teve um efeito em cadeia na economia americana, levando ao desemprego, ao congelamento de empréstimos, à falência de empresas e à queda dos lucros — o período conhecido como a Grande Depressão, combatido mais tarde pelo New Deal do presidente Roosevelt. Fonte: Estadão. Esquema Fonte: . Acesso em: 17 fev. 2018. Com base no texto e no esquema apresentados responda as questões solicitadas: a) Descreva o contexto de cada crise da economia mundial, identificando as principais causas e os desdobramentos para a geopolítica mundial. Crise de 1929 A primeira crise da economia mundial contemporânea foi em 1929, como foi explicitado no texto acima. Após o fim da primeira Guerra mundial, o Estados Unidos saiu como a primeira economia do mundo e a maior produtora de bens industrializados. De uma forma resumida podemos citar como fatores que geraram a crise, uma superprodução que não tinha mercado para escoar, o número elevado de empréstimo por um tipo de hipoteca, a recuperação da economia européia, a falta do Estado para regulamentar a economia, e a especulação monetária,que acabaram gerando uma bolha que culminou na crise. A crise gerou desemprego, falência de empresas e bancos, queda do PIB, a redução da produção industrial e a queda do preço de ações, redução do crédito internacional, e nesse ponto os Estados Unidos era o que mais concedia empréstimos, atingindo não só a America, mas o mundo todo. Nesse momento foi possível perceber que a máxima do liberalismo, em que o mercado se auto regulava, entrou em declínio, vendo a necessidade da intervenção do Estado na economia. O que só aconteceu 1933, quando o Presidente Roosevelt tomou consciência que se não interviesse na crise, ela poderia se estender causando mais danos a https://juizofinal.wordpress.com/2009/02/06/entenda-a-evolucao-da-crise-que-atinge-a-economia-dos-eua https://juizofinal.wordpress.com/2009/02/06/entenda-a-evolucao-da-crise-que-atinge-a-economia-dos-eua população e a economia como um todo, colocando os preceitos keynesianos em prática, criando o New Deal, investindo em obra públicas de infra estrutura criando empregos. Essa intervenção do Estado na Economia de forma mais intensa, pode ser percebida nos anos seguintes à crise, no surgimento de governos Estadistas no mundo todo, como Hitler na Alemanha, Getúlio Vargas no Brasil, na Itália com Mussolini. Crises do Petróleo No início de 1970, os Estados Unidos, maior produtor e consumidor de Petróleo, tem uma queda na sua produção e um aumento no consumo, tornando-se dependente dos países do Oriente Médio, e outros países da OPEP. O quadro foi agravado quando EUA e alguns países europeus declararam apoio a Israel durante a guerra do Yom Kippur, sofrendo posteriormente retaliação dos países árabes embargando a exportação de Petróleo para EUA e Europa. Em 1973, com alta do preço do Petróleo, cada ano ia crescendo devido à descoberta sendo um produto findável,o seu preço começou a valorizar encarecendo os seus derivados, gerando uma nova crise. Os bancos vendo na crise uma oportunidade aumentaram a oferta de empréstimos e financiamentos principalmente para os países da América Latina que sentiram de forma mais intensa o aumento dos preços. No momento o endividamento externo ou o racionamento de gasolina seria a solução mais viável. Em 1979 surgiu uma nova crise, triplicando o preço dos barris de petróleo, fazendo com que a inflação americana chegasse a 12%, fazendo com o Presidente americano elevasse a taxa de juros quase a 20%. Isso fez com que o crédito mundial fosse diminuído e o juros dos empréstimos aumentassem. Essa conjuntura levou vários países em desenvolvimento, como na América do Sul, a quebrarem. Era uma crise global que gerou um endividamento mundial, restrição de créditos, um período de inflação alta e depressão mundial. Crise Bolha Imobiliária e das Ações Entre 1980 e 1991 com o crescimento acelerado do PIB do Japão que chegava a mais de 62% estimulou o aumento de crédito, que impulsionou o consumismo e o mercado imobiliário, valorizando o preço dos imóveis que passaram a custar o tripo do valor. Toda essa especulação criou uma bolha criando uma “ farra”de financiamento de imóveis que quando chegou ao fim causou dificuldades financeiras para a população. O preço dos imóveis desvalorizou no período de 1990 fazendo com que o preço das ações caíssem também. A crise do Japão refletiu em todo o mundo, principalmente nos países da Escandinávia e Finlândia que sofreram especulações parecidas. 1994 - A crise dos mercados emergentes O primeiro a sentir a crise foi México. O país era considerado um mercado seguro para investimentos , pois havia o crescimento do PIB de 4% e estava se integrando ao NAFTA. Após a instabilidade política crescente causada pela morte do candidato à presidência Luis Donaldo Colosio, o Peso sofreu pressões. O governo Méxicano adotou o sistema de “ crawling peg”, com o intuito de manter o Peso em equilíbrio com o Dólar, e para conseguir manter a balança comercial acumulou déficits, tendo que usar suas reservas e aumentando sua taxa de juros. 1995 as diretrizes econômicas levaram o méxico a recessão com o encolhimento do PIB em 6,3%. Em seguida o mercado asiático também foi atingido devido ao endividamento externo e as “bolhas” de crédito para estimular a economia.A especulação monetária com a que das moedas japonesas e chinesas em relação ao dólar, agravou a crise em países como a Tailândia , Indonésia, Coréia e Malásia, atingindo também suas moedas. A crise reduziu o preço dos commodities e do petróleo, afetando a Rússia como produtora e exportadora, tendo também um encolhimento do PIB. Crise 2008 - Crise Mundial Subprime Depois de um período de crescimento na economia mundial a partir de 2004, a crise retorno devido a inadimplência no Mercado imobiliário americano, gerando a falência de grandes empresas americanas, fazendo com que o juros fosse aumentando é que o governo tivesse e intervir economicamente comprando 700 bilhões de ações, para que mais empresas não quebrassem. Sendo uma característica global no momento para absorver a crise. A Inglaterra investiu 500 bilhões de libras esterlinas no sistema bancário do País. Islândia assumiu bancos. EUA, União Europeia e Japão tiveram queda do PIB e países Ibéricos e Grécia e Itália viram suas dívidas aumentarem e a economia encolher. b) Disserte sobre as políticas implementadas no Brasil para a superação de cada crise. Crise de 1929 no Brasil. O Brasil na época tinha parte da sua economia dependente da produção de café e exportação do café, que era quase 70% da economia, onde seu maior mercado consumidor era o Estados Unidos. Como esse encontrava-se em crise, o Brasil não conseguiu vender sua supersafra, causando a desvalorização do preço do Café. Quando Vargas assume o governo em 1930, uma das medidas que toma é comprar a safra que não foi vendida e queimá-la para conseguir gerar uma oferta e valorizar o preço do café. Diferente do que aconteceu nos Estados Unidos, o Estado interferiu assim que teve https://pt.wikipedia.org/wiki/Crawling_peg oportunidade na economia. O Brasil começa a diversificar sua produção econômica, dando início ao processo de industrialização. Crises do Petróleo no Brasil e de 1980. Depois de um crescimento econômico meteórico durante o período da ditadura, o Brasil por importar 80% do Petróleo que consumia sentiu a crise mundial. O Brasil não tinha dinheiro para pagar pela importação do Petróleo, o que dificultava a produção industrial, pois, tudo dependia dos seus derivados, gerando uma queda brusca do PIB. Em vez de fazer uma recessão, diminuir o consumo do petróleo, preferiu pegar empréstimos e se endividar, já que os bancos internacionais ofereciam empréstimos. Esses financiamentos permitiram investir em infra-estrutura, como a criação de empresas estatais, o que aumentou o endividamento brasileiro a longo prazo. Em 1979, o preço do petróleo sobe outra vez de forma brusca quase triplicando seu preço, aumentando a dívida externa e a interna que também já se encontrava alta, já que o câmbio era flutuante e os Estados Unidos aumentaram a taxa a quase 20%. Esses fatores levaram à quebra do Brasil em 1980. Segundo Netto( NETTO, 2014, página 213)a solução foi: “ Delfim determinou a redução dos juros, expandiu o crédito e operou uma maxidesvalorização (30%) da moeda em dezembro de 1979 (e mais outra seria realizada em 1983)”. O que gerou futuramente um aumento brusco anual da inflação, disparando a cada ano, e um PIB irregular e regressivo durante a década de 80. Em 1986 com a democracia já restaurada, é criado o plano Cruzado e feito reformas que pudessem amenizar os problemas econômicos encontrados como a inflação e a dívida externa. A crise de 1994 e o Brasil Depois de anos lutando contra a inflação , passando pelo cruzado, cruzado novo, cruzeiro e cruzeiro real, o Brasil consegue acabar com a alta inflação através do plano Real, não sendo o suficiente para fugir da crise mundial dos países emergentes, já que faltava ajustar problemas estruturais como a taxa de juros ainda alta e câmbio sobrevalorizado. Mesmo enxugando as despesas e aumentando os tributos, a dívida externa ainda crescia com a divida pública, o que causou um dano na economia. Crise 2008 no Brasil O Governo já havia conseguido estabilizar a economia e conseguiu diminuir os seus efeitos aumentando crédito para os consumidores, investindo na baixa das taxas IPI para eletrodomésticos e automóveis, estimulando a economia. Apesar disso teve um aumento da inflação, a alta do dólar e um recuo do PIB em 2009. Referências Bibliograficas: 2020_07_Crises_Economicas_5_Causas.pdf (febraec.org.br) - acessado em 22/06/2023 (648) Ep. 04 da série 'ECONOMIA BRASILEIRA' : 1929 – 1973 – Desenvolvimentismo - YouTube - acessado em 22/06/2023 (648) Ep.05 da série 'ECONOMIA BRASILEIRA : 1973 – 1986 – Tropeços e crises - YouTube - acessado 22/06/2023 https://cbie.com.br/como-foram-as-crises-do-petroleo/ - Acessado em 22/06/2023 NETTO, José P. Pequena história da ditadura brasileira: (1964-1985). [Biblioteca Digital]: Cortez, 2014. E-book. ISBN 9788524922787. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788524922787/. Acesso em: 22 jun. 2023. DAMAS, Roberto D. Crises econômicas internacionais, 1ª edição.. Biblioteca Digital]: Editora Saraiva, 2016. E-book. ISBN 9788547212575. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547212575/. Acesso em: 22 jun. 2023. https://febraec.org.br/site/arquivo/2020_07_Crises_Economicas_5_Causas.pdf https://www.youtube.com/watch?v=YKhnJQjXUN0 https://www.youtube.com/watch?v=YKhnJQjXUN0 https://www.youtube.com/watch?v=rke0-Sc5tBA https://www.youtube.com/watch?v=rke0-Sc5tBA https://cbie.com.br/como-foram-as-crises-do-petroleo/