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01- Introdução à Epidemiologia 
O que é epidemiologia? 
A epidemiologia é a ciência que estuda o processo 
saúde-doença em coletividades humanas, analisando 
a distribuição e os fatores determinantes das 
enfermidades, danos à saúde e eventos associados à 
saúde coletiva. Ela propõe medidas de prevenção, 
controle e erradicação, além de planejar, administrar 
e avaliar as ações de saúde. 
Etimologia: 
Epi = sobre 
Demo = população 
Logos = estudo 
Em resumo, a epidemiologia estuda o que afeta a 
população. É uma ciência multidisciplinar que se 
baseia em três pilares: Ciências Biológicas, Ciências 
Sociais e Estatística. 
Distribuição das doenças: 
As doenças não se distribuem de maneira uniforme 
na população. 
História da Epidemiologia: 
Hipócrates: Considerado o "Pai da Medicina", 
observou a doença como produto das relações 
complexas entre o indivíduo e o ambiente. 
Teoria dos Miasmas: Acreditava-se que a emanação 
de odores fétidos de matéria orgânica em 
decomposição causava doenças. 
John Snow: Conhecido como o "Pai da 
Epidemiologia", seu trabalho na epidemia de cólera 
em Londres (1849-1854) demonstrou a importância 
da análise geográfica e o papel da água contaminada 
na transmissão da doença. 
Pandemias: 
A pandemia de COVID-19 ilustra a importância da 
epidemiologia na compreensão e controle de surtos 
de doenças em larga escala. 
Diagnóstico da situação de saúde: 
Três etapas críticas no diagnóstico da situação de 
saúde: planejamento (evitando viés de seleção, 
amostragem e segmentação), execução (garantindo a 
coleta completa e apropriada de dados) e análise de 
dados (evitando erros no cálculo dos indicadores de 
saúde). 
Investigação etiológica: 
O controle de doenças pode ocorrer através de 
vacinação (ex: poliomielite, varíola, febre tifoide) ou 
tratamento (ex: tuberculose, hanseníase). 
Outras aplicações da epidemiologia: 
Determinação de risco 
Determinação de prognósticos 
Verificação do valor de procedimentos diagnósticos 
Planejamento e organização de serviço 
Processo saúde-doença: 
O processo saúde-doença engloba todas as variáveis 
envolvidas nos estados de saúde e doença de um 
indivíduo ou população, considerando sua 
interligação e consequências dos mesmos fatores. 
História natural da doença: 
É o conjunto de processos interativos que 
compreendem as inter-relações do agente etiológico, 
do suscetível e do meio ambiente, desde as variações 
ambientais/biológicas até a resposta do susceptível ao 
agente. Essa resposta pode resultar em doença, 
invalidez, recuperação ou morte. O modelo apresenta 
três vertentes: epidemiológica, patológica e 
desenlace. 
Fatores envolvidos no processo saúde-doença: 
Sociais: fatores econômicos, políticos, culturais e 
psicossociais. 
Ambientais: vetores, poluentes, estrutura sanitária, 
ocupação desordenada de ambientes naturais (clima, 
geografia, hidrografia, desastres naturais, etc.). 
Próprios do suscetível: biológicos, genéticos e 
imunológicos. 
Modelos de atenção à saúde: 
Impedir o processo de instalação da doença 
Identificação das necessidades individuais e coletivas 
Planejamento de ações preventivas 
Modelos dos aspectos etiológicos: 
Cadeia de eventos: indivíduo infectado → 
reservatório → agente → vetor → indivíduo 
suscetível → doença 
Modelos ecológicos: Tríade ecológica (hospedeiro, 
agente, meio ambiente) e Dupla ecológica 
(considerando o meio físico, biológico, social e 
cultural, além de serviços de saúde e genética do 
homem). 
Rede de causas: ilustra as múltiplas causas que 
contribuem para o desenvolvimento de uma doença 
(ex: doença coronariana). 
Modelos sistêmicos: abordagem holística, 
considerando a célula, órgão, indivíduo, família e 
sociedade. 
Modelo de determinação social: mostra a complexa 
interação de fatores socioeconômicos, culturais e 
ambientais que influenciam a saúde-doença. 
02-Medindo Saúde & Doença 
 História Natural da Doença 
Vertente Epidemiológica: Abrange o período pré-
patogênese, com a configuração de máximo e mínimo 
risco e a força do estímulo patológico. A saúde é o 
ponto de partida. 
Vertente Patológica: Engloba o período de 
patogênese, com cronicidade, sinais e sintomas, e o 
horizonte clínico, além de alterações bioquímicas, 
fisiológicas e histológicas e a interação estímulo-
suscetível. 
Desenlace: Apresenta os possíveis resultados, como 
morte, invalidez ou a recuperação através da cura e o 
retorno à saúde. 
Modelos para analisar os aspectos etiológicos: 
Cadeia de eventos: Um modelo linear que mostra a 
progressão da doença: indivíduo infectado → 
reservatório → agente → vetor → indivíduo 
suscetível → doença. 
Modelos ecológicos: Mostra a interação entre 
agente, hospedeiro e meio ambiente (tríade 
ecológica) e um modelo mais complexo, chamado 
dupla ecológica, que considera vários aspectos 
relacionados ao meio (físico, biológico, cultural e 
social), o homem (genética, anatomia, fisiologia) e os 
serviços de saúde. 
Modelos sistêmicos: Um modelo de círculos 
concêntricos, representando níveis de organização: 
célula, órgão, indivíduo, família e sociedade. 
Modelo de determinação social: Mostra as 
condições socioeconômicas, culturais e ambientais 
que influenciam a saúde-doença, incluindo: educação, 
ambiente de trabalho, desemprego, redes sociais e 
comunitárias, estilo de vida, acesso a água e esgoto, 
produção agrícola de alimentos, idade, sexo, fatores 
hereditários, serviços sociais de saúde e habitação.
 
Definindo Saúde e Doença: 
Conceito tradicional: Saúde como o silêncio dos 
órgãos e a ausência de doenças. 
Definição da OMS (1948): Saúde é o estado de 
completo bem-estar físico, mental e social, e não 
apenas a ausência de doença. 
Definição mais recente (Porto, 2019): Saúde como o 
mais completo estado de bem-estar físico, mental e 
social. 
Medindo a ocorrência de doença: 
Importância de diferenciar medidas de ocorrência e 
risco: 
Presença vs. Ausência: A doença pode ser avaliada 
pela sua presença (ocorrência) ou pela probabilidade 
de sua ocorrência (risco). 
Medidas de ocorrência: 
Incidência: Frequência com que surgem novos casos 
de uma doença num intervalo de tempo. 
Prevalência: Número de casos existentes de uma 
doença num determinado momento (casos antigos + 
casos novos). 
População em risco: O total de indivíduos expostos e 
que podem vir a ter a doença (nem sempre é possível 
determinar com exatidão). 
Taxa de prevalência: Cálculo utilizando o número de 
casos existentes dividido pela população em risco, 
multiplicado por uma potência de 10. O exemplo da 
taxa de prevalência de cáries numa creche é utilizado 
para ilustração. Suponha que um grupo de pesquisa 
vai a uma creche com 200 crianças e que 120 têm 
lesões de cárie. Qual a taxa de prevalência de cárie na 
creche? (120/200 x 100 = 60%).
 
10 n é uma constante que pode ser representada por 
qualquer número de base 10 (100, 1.000, 10.000, 
100.000). Ela representa o cálculo de incidência por um 
número estabelecido de habitantes, de modo a facilitar a 
compreensão da informação, visto que gera números 
inteiros. 
 
 
 
 
 
Taxa de Incidência: Cálculo com o número de casos 
novos num período específico, dividido pela 
população em risco neste mesmo período, 
multiplicado por uma potência de 10. A aula usa o 
mesmo exemplo da creche com o acréscimo de 7 
novos casos de cáries em 6 meses (7/200 x 100 = 
3,5%). 
 
Mortalidade: Refere-se à quantidade de mortes em 
uma população específica, independentemente da 
causa. É calculada dividindo o número de mortes pelo 
número total de pessoas da população num período 
de tempo. Exemplo: Em uma cidade com 100.000 
habitantes, se 500 pessoas morreram por qualquer 
causa em um ano, a taxa de mortalidade seria 0,5%. 
Letalidade: Refere-se à proporção de mortes entre 
as pessoas que contraíram uma doença. É calculada 
dividindo o número de mortes pelo númerototal de 
casos da doença. Exemplo: 10% de letalidade para 
100 casos e 10 mortes. 
Mortalidade Infantil: Taxa calculada dividindo o 
número de óbitos em menores de 1 ano no período 
pelo número de nascidos vivos no mesmo período 
multiplicado por 1000. Um gráfico mostra a taxa de 
mortalidade infantil no Brasil por regiões de 2000 a 
2011.
Razão de Mortalidade Materna: Mostra a fórmula 
para calcular a Razão de Mortalidade Materna 
(número de óbitos de mulheres por causas ligadas ao 
parto dividido pelo número de nascidos vivos no 
período, multiplicado por 100.000).
Outros indicadores em saúde: 
Indicadores nutricionais: utilizados para a avaliação 
das condições de saúde e nutrição de populações. 
Proporção de recém-nascidos com baixo peso ao 
nascer e a proporção de crianças com peso e altura 
inferiores para o esperado. 
Indicadores demográficos: utilizados para 
compreender outros indicadores de saúde. População 
total, razão de gênero, taxa de crescimento da 
população, proporção de idosos na população 
Indicadores socioeconômicos: utilizados para 
compreender os fatores de risco para determinados 
agravos. 
Taxa de analfabetismo, escolaridade da população por 
faixa etária, produto interno bruto, proporção de 
pessoas com baixa renda 
Indicadores de serviços: refletem o que ocorre no 
âmbito da assistência à saúde. No de 
médicos/dentistas por 1.000 habitantes, no de leitos 
hospitalares por 1.000 habitantes, proporção de 
gestantes que fazem pré-natal, cobertura vacinal 
Confiabilidade dos Dados: 
A confiabilidade dos dados utilizados para o cálculo 
destes indicadores, exemplos: as admissões e altas 
hospitalares, consultas ambulatoriais e de atenção 
primária, serviços de especialistas e registros de 
doenças. 
"Você pode ter dados sem informação, mas não pode 
ter informação sem dados" (Daniel Keys Moran) 
03-Vigilância Epidemiológica 
Ciclo contínuo que envolve conhecimento, detecção, 
prevenção e ações para a saúde individual e coletiva. 
Seu objetivo principal é recomendar e adotar medidas 
de prevenção e controle de doenças ou agravos. 
Bases Legais: leis e portarias que fundamentam a 
vigilância epidemiológica no Brasil 
Lei 8.080/90 (SUS): Define a vigilância 
epidemiológica como um conjunto de ações que 
proporcionam o conhecimento, a detecção ou 
prevenção de mudanças em fatores determinantes e 
condicionantes de saúde, com a finalidade de 
recomendar e adotar medidas de prevenção e 
controle de doenças ou agravos. 
Lei nº 6.259 de 30/10/1975: Dispõe sobre a 
organização das ações de vigilância epidemiológica, 
sobre o PNI (Programa Nacional de Imunizações), 
estabelece normas relativas à notificação compulsória 
de doenças e dá outras providências. 
Decreto nº 78.231 de 12/08/1976: Regulamenta a Lei 
nº 6.259 de 30/10/1975. 
Constituição Federal: A Constituição Federal também 
aborda a vigilância epidemiológica. 
Lei nº 8.080 de 16/09/1990: Contribui para o 
arcabouço legal da vigilância. 
Portaria nº 204 de 17/02/2016: Define a relação das 
Doenças de Notificação Compulsória (DNC) para todo 
o território nacional. 
Portaria nº 3.252 de 22/12/2009: Regulamenta 
aspectos da vigilância. 
Portaria 420 de 2022: Incluiu a Síndrome Congênita 
associada à infecção pelo Zika vírus na lista de 
notificação compulsória. 
Vigilância Epidemiológica em Zoonoses no Brasil: 
Evolução da vigilância epidemiológica em zoonoses 
no Brasil: 
Anos 1970: Primeiros Centros de Controle de 
Zoonoses (CCZ) em capitais, focados em captura, 
vacinação antirrábica e eutanásia de cães, 
principalmente pela preocupação com a raiva. 
FUNASA (Fundação Nacional de Saúde): expandiu a 
vigilância para animais peçonhentos, roedores e 
vetores. 
Anos 1990: Unidades de Zoonoses integradas ao SUS 
(Sistema Único de Saúde). 
2014: Portaria do Ministério da Saúde criou normas 
para atividades de vigilância, prevenção e controle de 
zoonoses e acidentes por animais peçonhentos e 
venenosos. Essas atividades são executadas pela 
vigilância de zoonoses dos municípios, através das 
Unidades de Vigilância em Zoonoses (UVZ). 
2014: Criação das Unidades de Vigilância em 
Zoonoses (UVZ). Localizadas principalmente em 
grandes municípios, cidades fronteiriças e sedes 
regionais de saúde. 
Principais Zoonoses Acompanhadas: 
Raiva, leishmaniose, arboviroses, acidentes por 
animais peçonhentos, leptospirose, hantavirose e 
doença de Chagas. 
Objetivos do Sistema de Vigilância Epidemiológica: 
• Acompanhar o comportamento 
epidemiológico das doenças sob vigilância. 
• Detectar surtos e epidemias. 
• Propiciar a adoção oportuna de medidas de 
controle. 
• Aprofundar o conhecimento sobre as 
doenças. 
• Avaliar as medidas, programas e 
intervenções de prevenção, controle e 
erradicação. 
Surtos, Epidemias e Pandemias: 
A apresentação diferencia surtos, epidemias e 
pandemias: 
• Surto: Aumento no número de casos de uma 
doença em uma região específica. 
• Epidemia: Ocorrência de surtos em várias 
regiões. 
• Pandemia: Epidemia que se estende a níveis 
mundiais (ex: gripe A, AIDS/SIDA, COVID-19). 
• Endemia: Doença que se manifesta com 
frequência e somente em determinada 
região. 
Propósitos da Vigilância Epidemiológica: 
• Fornecer orientações técnicas permanentes 
aos profissionais de saúde. 
• Constituir um instrumento importante para o 
planejamento, organização e 
operacionalização dos sistemas de saúde. 
Funções da Vigilância Epidemiológica: 
• Coletar dados. 
• Processar os dados coletados. 
• Analisar e interpretar os dados processados. 
• Recomendar medidas de controle 
apropriadas. 
• Promover as ações de controle indicadas. 
• Avaliar a eficácia e efetividade das medidas 
adotadas. 
• Divulgar informações pertinentes. 
Histórico da Vigilância Epidemiológica: 
• Século XIV: Quarentena para infectados com 
a peste. 
• 1881 (Itália): Notificação compulsória de 
doenças infecciosas. 
• 1901 (EUA): Notificação compulsória de 
varíola, tuberculose e cólera. 
• Evolução: A vigilância evoluiu de um foco em 
pessoas para a vigilância de doenças e 
agravos de população. 
Notificação Compulsória: 
A notificação compulsória é a comunicação 
obrigatória à autoridade de saúde, realizada por 
médicos, profissionais de saúde ou responsáveis por 
estabelecimentos de saúde, sobre a ocorrência de 
suspeita ou confirmação de doença, agravo ou evento 
de saúde pública. A apresentação inclui a Lista 
Nacional de Notificação Compulsória de doenças, 
agravos e eventos de saúde pública, com a 
periodicidade de notificação (imediata ou semanal) e 
as entidades envolvidas (Ministério da Saúde, 
Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde). A lista 
inclui diversas doenças, agravos e eventos. 
Definições: 
Agravo: Qualquer dano à integridade física ou mental 
do indivíduo, provocado por circunstâncias nocivas 
(acidentes, intoxicações, abuso de drogas, violência, 
lesão autoprovocada). 
Evento de Saúde Pública: Situação que pode 
constituir ameaça à saúde pública (surto, epidemia, 
doença desconhecida, alteração no padrão clínico-
epidemiológico, epizootias, desastres, acidentes). 
Epizootia: Doença ou morte de animal ou grupo de 
animais que possa apresentar riscos à saúde pública. 
Doença: Enfermidade ou estado clínico que 
represente ou possa representar um dano 
significativo para os seres humanos. 
Medidas de controle: Lockdown, quarentena, 
isolamento e distanciamento.
Histórico no Brasil (1892-1918): 
A administração sanitária no Brasil (1892-1918) era 
pautada pela organização e efetividade, sustentando-
se em três pilares: polícia sanitária, campanhas e 
pesquisa (menciona a Revolta da Vacina). 
Coleta de Dados: Sistemas de Informação: 
1. Notificação Compulsória de Casos: 
• Forma a base do sistema de vigilância. 
• Consiste na comunicação oficial das 
ocorrências às autoridades de saúde. 
• Gera indicadores do quadro epidemiológico. 
• Permiteidentificar falhas em medidas de 
controle prévias. 
• Serve de base para investigações 
epidemiológicas. 
• Se baseia na Lista Nacional de Doenças e 
Agravos de Notificação (a apresentação 
mostra exemplos de itens listados na 
notificação compulsória, com periodicidade 
de notificação imediata ou semanal, para 
diferentes doenças e agravos à saúde, 
incluindo a Portaria 420 de 2022 que incluiu 
a Síndrome Congênita associada à infecção 
pelo Zika Vírus. 
2. Tipos de Dados: 
A coleta de dados abrange diversas categorias: 
• Dados Ambientais, Demográficos e 
Socioeconômicos: Incluem dados sobre o 
número de habitantes, nascimentos e óbitos; 
renda, escolaridade e ocupação; 
pluviometria, temperatura, umidade e 
cobertura vegetal. 
• Dados de Morbidade: Abrangem dados 
provenientes de sistemas de informação, 
investigações epidemiológicas e dados 
laboratoriais. 
• Dados de Mortalidade: São obtidos através 
de sistemas de informação específicos 
(menciona o SIM, sistema de informação de 
mortalidade, como exemplo). 
3. Fontes de Dados: 
Os dados são coletados de várias fontes: 
1. Notificação Compulsória de Casos 
2. Prontuários Médicos 
3. Atestados de Óbitos e Registro de Anatomia 
Patológica 
4. Resultados Laboratoriais 
5. Registros de Bancos de Sangue 
6. Investigação de Casos e Epidemias 
7. Inquéritos Comunitários 
8. Distribuição de Vetores e Reservatórios 
9. Uso de Produtos Biológicos 
10. Notícias Veiculadas na Imprensa 
4. Sistemas de Informação: utilizados no Brasil: 
Sistema de Informação de Agravos de Notificação 
(SINAN): Desenvolvido entre 1990 e 1993, 
alimentado por notificação e investigação, com 
autonomia para estados e municípios. 
Ficha Individual de Notificação (FIN) Preenchida 
para cada paciente suspeito de doença ou agravo de 
notificação 
Compulsória. Notificação negativa: informar que não 
ocorreu, diferenciando da falta de notificação por 
desatenção/falha 
• Notificação de surtos 
- Casos de agravos inusitados 
- Casos agregados, ausentes na lista de notificação 
compulsória 
Ficha Individual de Investigação (FII) 
• Para informação mais detalhada 
• Formulários específicos 
• Serve para investigar: 
- Fonte de infecção 
- Mecanismos de transmissão 
• Sistema de Informações sobre Mortalidade 
(SIM): Implantado em 1975, utiliza a 
Declaração de Óbito (DO) emitida pelo 
Ministério da Saúde (MS). As causas básicas 
são codificadas, e os dados são processados 
pelos municípios. Serve como fonte primária 
de dados de incidência e diagnóstico, 
complementando o SINAN. Apresenta 
exemplos de declarações de óbito. 
• Sistema de Informações sobre Nascidos 
Vivos (SINASC): Implantado em 1990, coleta 
dados sobre gravidez, parto e condições de 
nascidos vivos, através da Declaração de 
Nascidos Vivos (DN). Mostra um exemplo de 
formulário. 
• Sistema de Informações Hospitalares 
(SIH/SUS): Concebido em 1984, contém 
informações de cerca de 70% das 
internações no Brasil, fornecendo dados 
sobre agravos que necessitam de internação, 
e informações sobre gestão de serviços. Usa 
AIH (Autorização de Internação Hospitalar). 
Um exemplo de Laudo para Solicitação de 
Autorização de Internação Hospitalar é 
apresentado. 
• Outros sistemas nacionais: A apresentação 
menciona o Sistema de Informações 
Ambulatoriais (SAI/SUS), o Sistema de 
Informações da Atenção Básica (SIAB), o 
Sistema de Informações do Programa 
Nacional de Imunização (SI-PNI) e o Sistema 
de Informação de Vigilância da Qualidade da 
Água para consumo humano (SISAGUA), 
além de dados do IBGE, IPEA e Ministério do 
Trabalho. 
 
Por que investigar epidemiologicamente um surto? 
Identificar o agente etiológico 
• Encontrar a fonte da infecção (paciente, local) e taxa 
de ataque específica 
• Recomendações para impedir disseminação da 
doença 
Por que e quando investigar 
1) Doenças prioritárias 
- Das doenças notificáveis, algumas representam 
maior risco 
- Notificação prioritária: feita mais cedo 
 
2) Número de casos em excesso 
- Diagrama de controle aponta números muito fora do 
previsto 
- Melhor quando se acompanha grupos populacionais 
específicos, de baixa incidência 
 
3) Fonte comum de infecção 
- epidemias ligadas a fonte comum de exposição 
(água, alimento) 
- rápido crescimento requer medidas corretivas 
imediatas 
 
4) Quadro clínico grave 
- aumento de número de casos graves de uma doença 
- maior letalidade, internações, feita ao trabalho, etc 
5) Doenças desconhecida na região 
- ocorrência de casos raros ou inéditos 
- às vezes nem há confirmação diagnóstica 
 
 
04- Indicadores 
Determinantes e Indicadores de Saúde, os 
epidemiologistas não se preocupam apenas com a 
ocorrência de doenças, mas também com suas 
principais consequências: limitação, incapacidade e 
deficiência. 
A Classificação Internacional de Funcionalidade, 
Incapacidade e Saúde (CIFIS) da OMS é apresentada 
como uma ferramenta útil para medir e compreender 
esses desfechos, tanto em serviços formais de saúde 
quanto em pesquisas populacionais. 
Parâmetros-chave da CIFIS: 
• Limitação: Qualquer perda ou anormalidade 
de estrutura ou função psicológica, fisiológica 
ou anatômica. 
• Incapacidade: Qualquer restrição ou falta 
(resultante de uma limitação) de habilidade 
para realizar uma atividade considerada 
normal para o ser humano. 
• Deficiência: Desvantagem resultante de 
limitação ou incapacidade que impede o 
indivíduo de desempenhar uma vida normal, 
considerando idade, sexo e fatores sociais e 
culturais. 
Desfechos não fatais em saúde 
 
Indicadores de Saúde, as informações 
epidemiológicas (riscos, fatores de risco, etc) 
normalmente são apresentadas sob a forma de 
Indicadores de Saúde. 
A construção de indicadores é importante para 
analisar a situação atual de saúde, fazer comparações 
e avaliar mudanças ao longo do tempo. 
A apresentação esclarece que indicadores de saúde 
são expressos em frequência absoluta ou relativa. 
Números absolutos não são utilizados para avaliar o 
nível de saúde porque não levam em conta o tamanho 
da população. Por isso, os indicadores são 
construídos por meio de razões (frequências 
relativas), em forma de proporções ou coeficientes. 
Os indicadores de saúde são construídos a partir de: 
• Dados relativos a eventos vitais 
(nascimentos, óbitos, etc.). 
• Estrutura da população. 
• Morbidade (doenças). 
• Serviços e atividades sanitárias. 
A apresentação categoriza os tipos de indicadores 
em saúde: 
1. Demográficos: Exemplos: população total, 
razão de sexos, proporção de idosos e grau 
de urbanização. 
2. Socioeconômicos: Exemplos: taxa de 
analfabetismo, proporção de pobres, níveis 
de escolaridade, taxa de desemprego e taxa 
de trabalho infantil. 
3. Mortalidade: Exemplos: taxa de mortalidade 
infantil, taxa de mortalidade por causa 
específica, taxa de mortalidade por causas 
externas e taxa de mortalidade por acidentes 
de trabalho. 
4. Morbidade e fatores de risco: Exemplos: 
incidência de febre amarela, taxa de 
incidência de doenças relacionadas ao 
trabalho, prevalência de pacientes em diálise 
(SUS) e proporção de nascidos vivos por 
idade materna. 
5. Recursos: Exemplos: número de leitos por 
habitante, gasto médio por atendimento 
ambulatorial, gasto público com saúde (como 
proporção do PIB) e gasto federal com 
saneamento. 
6. Cobertura: Exemplos: proporção de partos 
cesáreos, número de consultas médicas SUS 
por habitante, cobertura de planos e seguros 
privados de saúde suplementar e cobertura 
vacinal no primeiro ano de vida. 
Os coeficientes mais utilizados na área da saúde 
baseiam-se em dados sobre doenças (morbidade) e 
sobre eventos vitais (nascimentos e mortes). 
Estudos Epidemiológicos 
Visam descrever e caracterizar o processo saúde-
doença. 
Classificação dos Estudos Epidemiológicos: 
Os estudos epidemiológicos são classificados de 
acordo com três critérios:• Unidade: 
• Individual: Abordagem focada em 
um único sujeito. 
• Ecológico: Abordagem populacional, 
utilizando dados secundários. 
• Intervenção: 
• Observacional: Observa-se o 
fenômeno sem intervenção, por 
exemplo, analisando fatores de 
exposição. 
• Experimental: Há intervenção em 
um grupo, por exemplo, um grupo 
recebe um medicamento e outro 
não. 
• Propósito Geral: 
• Descritivo: Tem como objetivo 
apenas a descrição do fenômeno, 
por exemplo, a descrição dos 
primeiros casos de raiva. 
• Analítico: Visa a comparação entre 
grupos e cenários, buscando 
identificar as causas e os efeitos das 
doenças. 
Variáveis: 
São definidas as variáveis envolvidas: 
• Independente: O fator causal (exemplo: um 
cientista testando o efeito da luz e da 
escuridão no comportamento de mariposas). 
• Dependente: A condição final (exemplo: a 
reação da mariposa à luz). 
Fluxograma de Classificação: 
Um fluxograma ajuda a classificar o tipo de estudo: 
1. O investigador interfere no estudo? 
• Não: Estudo Observacional (com 
comparação entre grupos de 
pessoas?) 
• Não: Estudo Descritivo ou 
Ecológico 
• Sim: Estudo de Coorte, 
Caso-Controle ou 
Transversal 
• Sim: Estudo Experimental (com 
alocação randomizada?) 
• Não: Ensaio de Comunidade 
• Sim: Ensaio Clínico; 
Randomizado 
Estudo Experimental: 
Este tipo de estudo envolve a intervenção direta do 
pesquisador. 
O diagrama mostra a alocação aleatória dos 
participantes em grupos: doentes tratados, sadios 
tratados, doentes controles e sadios controles. As 
variáveis investigadas podem incluir novas drogas ou 
tratamentos, novas tecnologias de saúde, novos 
métodos de prevenção, novos programas de 
rastreamento, novas formas de organização dos 
serviços de saúde, e novos programas comunitários 
de saúde. 
PRESSUPOSTO ESSENCIAL 
• Grupos diferem apenas com relação a exposição; 
• Grupos similares em relação a todos os fatores. 
 
A randomização Processo por meio do qual os 
indivíduos são alocados nos grupos tratamento e 
controle de forma aleatória. É crucial para garantir que 
os grupos sejam comparáveis em relação às variáveis 
observáveis e não observáveis, evitando o efeito 
placebo. 
O cegamento (simples, duplo ou triplo) é discutido 
como uma forma de minimizar o viés e o efeito 
placebo. Um exemplo de ensaio de comunidades é 
dado, avaliando a eficácia de um programa alimentar 
escolar. 
CEGAMENTO SIMPLES: Participante desconhece o 
tratamento 
DUPLO CEGO: Paciente + examinador desconhecem 
o tratamento 
TRIPLO CEGO: Paciente + examinador + estaticista 
desconhecem o tratamento 
 
ENSAIOS DE COMUNIDADE 
EFICÁCIA DE UM PROGRAMA ALIMENTAR ESCOLAR 
OBJETIVO 
Avaliar a eficácia de um plano alimentar de dieta 
saudável em duas escolas. 
GRUPOS 
Controle: A escola segue o plano alimentar habitual. 
Intervenção: A escola segue recebe um plano 
alimentar especifico para as necessidades 
nutricionais. 
AVALIAÇÃO 
Peso no início e após 6 meses de intervenção. 
Estudo Observacional 
Estudo de Coorte: 
Este estudo acompanha um grupo de pessoas 
(coorte) ao longo do tempo, para determinar a 
incidência de desfechos clínicos. Os participantes 
são selecionados por sua exposição (ou não-
exposição) a um fator de interesse. A aula diferencia 
estudos de coorte prospectivos, retrospectivos e 
mistos.
 
(doentes/sadios, expostos/não-expostos) são 
apresentados. 
VANTAGENS • Observação da sequência temporal de 
eventos – relações causais; • Investigação de 
múltiplos desfechos e exposições; • Estocagem de 
material biológico para análises futuras; • Melhor 
controle de mudanças de status de exposição e na 
distribuição de fatores de risco ao longo do tempo. 
DESVANTAGENS • Pouco adequados para desfechos 
raros ou com longos períodos de latência e indução; 
• Muito suscetível a perda de seguimento • Envolve a 
observação de um grande número de indivíduos 
durante um período de tempo geralmente 
prolongado; • Estudos caros e de operacionalização 
complexa. 
Estudo Caso-Controle: 
Neste tipo de estudo, indivíduos com a doença 
(casos) são comparados com indivíduos sem a 
doença (controles), analisando retrospectivamente 
a exposição a fatores de risco. É um estudo 
observacional útil para identificar fatores associados 
a doenças raras. 
 
• Se inicia com a seleção de pessoas 
portadoras de uma doença ou condição 
específica (casos), e um outro grupo de 
pessoas que não sofrem dessa doença ou 
condição (controles). 
• Identificar características (exposições ou 
fatores de risco) que ocorrem em maior (ou 
menor) frequência entre casos do que entre 
controles. 
• O número de casos e de controles é definido 
arbitrariamente pelo investigador e não 
reflete a relação real entre casos e controles 
no total da população (máximo de 4 
controles:1 caso). 
Estudo de casos e controles 
• Delineamento observacional em nível individual 
• Característica principal: os participantes são 
selecionados com base em terem ou não o desfecho 
• Ou seja: no momento do recrutamento, são 
identificados indivíduos com o desfecho (casos) 
• Como grupo de comparação, são incluídos 
indivíduos sem o desfecho (controles) 
• Após o recrutamento, casos e controles são 
medidos quanto ao histórico de exposição 
• Útil para identificar fatores associados à ocorrência 
de doenças raras 
• A seleção de participantes com base no desfecho 
garante que a amostra incluirá o número desejado de 
casos. 
• Diferente dos estudos transversais e de coorte! 
- Etapas principais 
• Recrutamento: seleção dos indivíduos que farão 
parte da amostra 
• Definição da população alvo 
• Seleção de casos: devem ser selecionados de forma 
a serem representativos do total de doentes na 
população alvo 
• Seleção de controles: devem ser selecionados de 
forma a serem representativos do total de não 
doentes na população alvo 
• Mensuração do histórico de exposição 
• Gerando 4 grupos: casos expostos e não expostos; 
e controles expostos e não expostos 
• Idealmente, seria possível assegurar-se que a 
exposição corresponde apenas ao período anterior ao 
desfecho 
VANTAGENS • Em geral, antecede estudos de coorte 
e experimental nas investigações etiológicas; • Menor 
custo e mais rápido; • Doença de baixa incidência: 
maior eficiência do que coorte para identificar os 
casos; • Menor tamanho de amostra; • Doença que 
tem período de latência prolongado; • Mais rápido. 
DESVANTAGEM • Não permitem a estimativa da 
incidência; • Não são bons para investigar exposições 
muito raras; • Controles podem não representar 
indivíduos sob risco de adoecer na população que deu 
origem aos casos; • Casos podem não ser 
representativos da população de casos da população 
de referência; • Taxas de participação e a qualidade 
dos dados podem diferir entre casos e controles. 
 
Estudo Transversal: 
• Investigações que produzem um “fotografia” da 
situação atual de saúde de uma população ou 
comunidade, com base na avaliação individual do 
estado de saúde de cada um dos participantes do 
estudo; 
• Apenas na análise é que se descobrem os expostos 
ou nãoexpostos, doentes e sadios; 
• Diagnósticos situacional atual de comunidades; 
• Descreve a prevalência das variáveis e seus padrões 
de distribuição; 
• Caracteriza apenas a associação da doença e a 
exposição naquele ponto no tempo. 
VANTAGENS • Estimativa da prevalência; • Logística 
mais eficiente; • Relativamente rápido. • Grande 
número de participantes: grandes inquéritos. • Medir 
várias exposições e várias doenças; • Em geral, 
permite generalizar resultados. 
DESVANTAGENS • Necessita de um elevado tamanho 
amostral quando a doença ou exposição são raros. • 
Não é adequado para doenças de curta duração; • Não 
é adequado para situações em que doença/ exposição 
mudam ao longo do tempo; • Ausência de ordem 
temporal; • Inclui somente indivíduos vivos no 
momento do estudo.Estudo Ecológico: 
A unidade de observação é a área geográfica definida. 
• Neste estudo não se sabe se um indivíduo em 
particular da população estudada é doente ou 
exposto. 
VANTAGENS • Indicar os riscos a que a população 
está sujeita; • Acompanhar a disseminação dos 
agravos à saúde; • Fornecer subsídios para 
explicações causais; • Definir prioridades de 
intervenção; • Avaliar o impacto das intervenções; • 
Refere-se à população como um todo, e não a 
indivíduos; PORTANTO não é possível ligar fator de 
risco à ocorrência da doença na mesma pessoa; • 
Baixo custo e rápida execução → dados disponíveis: 
SIM, SINAN, IBGE • Estudes de série temporal. 
DESVANTAGENS • Dados de diferentes fontes – 
qualidade variável; • Impossível inferir causalidade 
sobre um fenômeno individual. 
 Aplicações: 
Gerar hipóteses etiológicas - explicar a ocorrência da 
doença. Avaliar a efetividade de intervenções na 
população - testar a aplicação de nosso conhecimento 
para prevenir doença ou promover saúde. 
Exemplos 
Realizou-se um estudo de COORTE PROSPECTIVA, 
com 87 pacientes sintomáticos ambulatoriais, 
acompanhados em duas Unidades Básicas de Saúde 
de referência para atendimento de COVID-19 em 
Teresina-Piauí, Brasil, no período de novembro a abril 
de 2021 
Trata-se de um estudo estudo TRANSVERSAL 
realizado com 117 pessoas frequentadores de um 
parque localizado em Teresina-PI, estipulando os 
seguintes critérios de inclusão: ter idade igual ou 
maior a 18 anos; assinar o Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido e frequentarem as atividades 
desse espaço recreativo. A coleta de dados deu-se 
através de questionário com 18 questões objetivas 
fechadas sobre os fatores de risco predisponentes ao 
surgimento de AVC incluindo informações sobre o 
conhecimento desses fatores e ainda, peso, altura, 
idade, Índice de Massa Corporal (IMC) e Pressão 
Arterial (PA) dos participantes. 
A halitose crônica, ou mau hálito persistente, afeta 
uma grande parte da população e pode ter um 
impacto negativo significativo na qualidade de vida. 
Este ENSAIO CLÍNICO RANDOMIZADO avaliou a 
eficácia de probióticos específicos no tratamento da 
halitose crônica. Cem pacientes com halitose crônica 
foram divididos em dois grupos (n=50 por grupo) de 
maneira aleatória: grupo probiótico (recebeu 
comprimidos contendo Lactobacillus reuteri) e grupo 
placebo (recebeu comprimidos inertes de farinha). Os 
comprimidos foram administrados diariamente 
durante 4 semanas. A halitose foi medida usando um 
monitor de sulfeto portátil (Halimeter) e escalas 
subjetivas de auto-relato no início do estudo, após 2 
semanas, e ao final de 4 semanas. Análises 
estatísticas foram realizadas para comparar as 
mudanças nos níveis de halitose entre os grupos. Os 
pacientes no grupo probiótico mostraram uma 
redução significativa nos níveis de compostos 
sulfurados voláteis (VSC) medidos após 4 semanas 
(média redução=30%) em comparação ao grupo 
placebo (média redução=10%) (p

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