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Exercício de Imunologia Clínica - Marcadores tumorais Discentes: Amanda Camargo Edilene Matos Rodrigues Isabella Severo Silva Simões Letícia Gabriela Rocha Cunha Questão 1. Faça uma definição do que é o câncer e explique seu mecanismo patofisiológico. Câncer, também chamado de tumor ou neoplasia, é o termo usado para descrever a proliferação excessiva de células anormais, originadas a partir de uma única célula que sofreu alterações genéticas. O processo de desenvolvimento do câncer é denominado de carcinogênese ou oncogênese e, em geral, acontece lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa se prolifere e dê origem a um tumor visível. Os efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos ou carcinógenos são os responsáveis pelo início, promoção, progressão e inibição do tumor (INCA, 2022). A carcinogênese é determinada pela exposição a esses agentes, em uma dada frequência e em dado período de tempo, e pela interação entre eles. Devem ser consideradas, no entanto, as características individuais, que facilitam ou dificultam a instalação do dano celular. Esse processo é composto por três estágios: estágio de iniciação no qual as células geneticamente alteradas, sofrem o efeito dos agentes cancerígenos, estágio de progressão onde ocorre a multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas (INCA, 2022). Questão 2. Explique como a mutação do DNA em diferentes classes de genes pode contribuir para o desenvolvimento do câncer. As principais categorias de genes mutados são oncogenes e genes supressores de tumor. Os oncogenes surgem a partir de mutações nos proto- oncogenes e são capazes de promover o crescimento celular na ausência de sinais promotores de crescimento normal, o que leva à proliferação excessiva. Os genes supressores de tumor, por sua vez, são responsáveis por conter o crescimento celular descontrolado. Dessa forma, quando estão mutados, ocorre falha na inibição da proliferação, que é uma das alterações fundamentais da carcinogênese. Assim, tem- se a noção de que os tumores malignos surgem de uma sequência prolongada de eventos e que cada câncer resulta do acúmulo de múltiplas mutações. Questão 3. Cite as principais características de um marcador tumoral ideal e explique por que a maioria dos marcadores tumorais atuais possui utilidade apenas no monitoramento do câncer e na detecção de recidivas, e não no diagnóstico da doença. Um marcador tumoral ideal é aquele específico para um tipo de tumor, detectável em baixos níveis de carga de células tumorais, liberado apenas do tecido tumoral, além de ter relação direta com a carga de células tumorais e ocorrer em todos os pacientes com o câncer. Os marcadores tumorais atuais são úteis para monitoramento e detecção de recidivas, mas não têm utilidade no diagnóstico do câncer porque não há um marcador tumoral com todas as características ideais que proporcionem especificidade ou sensibilidade suficientes para o diagnóstico precoce. Questão 4. Explique as seguintes afirmativas: “O PSA é específico para próstata, mas não é específico para o câncer de próstata”. O PSA (antígeno prostático específico) é uma proteína produzida pelas células da próstata; portanto, é específico para esse órgão. Porém, esse marcador não é específico para o câncer de próstata porque pode estar aumentado em outras condições, como prostatite e hiperplasia prostática benigna. “A determinação do PSA não exclui a necessidade do exame de toque retal”. O exame de toque retal é menos eficaz que o exame do PSA no sangue para a detecção do câncer de próstata, mas às vezes pode sugerir a possibilidade de câncer em homens com níveis normais de PSA. Por essa razão, pode ser incluído como parte do rastreamento do câncer de próstata. É possível que o câncer se desenvolva em homens com níveis normais de PSA. Além disso, o exame de toque retal associado à dosagem de PSA aumenta a sua sensibilidade. Portanto, a despeito disso, o rastreamento com toque retal vem sendo amplamente propagado no Brasil. Cabe destacar que, o PSA e o toque retal são exames inadequados para o rastreamento, porém, as diretrizes nacionais e internacionais recomendam sua utilização para a investigação e a confirmação diagnóstica do câncer de próstata. Além disso, ambos os exames têm importante papel na avaliação do prognóstico do câncer de próstata e o PSA ainda é aplicado na avaliação de recorrência desse câncer. Questão 5. Cite as principais aplicações dos marcadores tumorais: gonadotrofina coriônica humana subunidade beta (ꞵ-HCG), alfa-fetoproteína (AFP), antígeno carcinoembrionário (CEA), ꞵ2-microglobulina (ꞵ2M), tireoglobulina, CA 15-3, CA 19-9, CA 125. Gonadotrofina coriônica humana subunidade beta (ꞵ-HCG): principal marcador laboratorial nas mulheres com neoplasia trofoblástica gestacional (NTG) e em cerca de dois terços dos homens com câncer testicular embrionário ou coriocarcinoma. Esse marcador está presente em níveis baixos em pessoas saudáveis e possui níveis elevados durante a gestação. Alfa-fetoproteína (AFP): recebeu esse nome por ser um produto fetal normal das células do fígado, mas também é encontrado no sangue de pacientes com carcinoma hepatocelular primário, tumores das células germinativas não seminomatosas e, quase sempre, carcinoma embrionário ovariano ou testicular. A depender dos níveis, pode ser útil para o diagnóstico ou para o prognóstico. Antígeno carcinoembrionário (CEA): proteína encontrada em tecidos embrionários e, quando elevada, pode indicar a presença de câncer de colo, apesar de poder estar aumentada em outros tipos de câncer, além de cirrose e colite ulcerativa. É útil para detectar recorrência após a excisão do tumor e para o prognóstico. ꞵ2-microglobulina (ꞵ2M): usada para o prognóstico de mieloma múltiplo e de alguns linfomas. Tireoglobulina: utilizada, principalmente, como marcador após a tireoidectomia total para detectar a recidiva do câncer de tireoide e acompanhar a resposta ao tratamento no câncer metastático de tireoide. Várias doenças da tireoide podem aumentar os níveis. CA 15-3: pacientes com câncer metastático de mama apresentam níveis elevados, mas também podem estar presentes em outras condições. É primariamente utilizado para monitorar a resposta à terapia CA 19-9: utilizado, principalmente, para julgar a resposta ao tratamento em pacientes com cânceres pancreáticos avançados. O CA 19-9 pode também estar elevado em outros tipos de câncer gastrointestinal, em particular no câncer dos ductos biliares e alguns distúrbios benignos dos ductos biliares e colestáticos. CA 125: usado para diagnosticar e monitorar a terapia de câncer ovariano, mas pode estar aumentado em processos peritoneais inflamatórios e outros cânceres. Questão 6. Explique a seguinte afirmativa: “As mutações BRCA1 e BRCA2 consistem em marcadores de suscetibilidade individual para o desenvolvimento de carcinoma mamário e ovariano, e não em marcadores tumorais em si”. Os BRCA1 e BRCA2 são genes supressores de tumor, comuns a todas as pessoas. São responsáveis por funções como o reparo de danos ao DNA, a regulação da expressão gênica e o controle do ciclo celular. Quando mutados, estão associados ao risco de desenvolvimento de câncer de mama e ovário. Mutações nos genes da família BRCA aumentam a probabilidade de desenvolvimento de câncer, especialmente quando há histórico familiar da doença. Os genes BRCA1 e BRCA2 são considerados genes supressores tumorais, desempenhando papéis fundamentais em processos celulares essenciais, como a reparação de danos ao DNA, a regulação da expressão gênica e o controle do ciclo celular. A incidência de câncer de mama em indivíduos portadores de mutações nos genes BRCA1 e/ouBRCA2 varia, sendo influenciada por interações genéticas (tipos de mutações presentes) e por fatores ambientais e individuais, que incluem idade, características reprodutivas e hormonais. Assim, a presença de mutações nos genes da família BRCA indica uma predisposição genética ao câncer, mas não garante o seu desenvolvimento. Referências INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, Brasil, Ministério da Saúde. Como surge o câncer?InstitutoNacionaldoCâncer,2022.Disponívelem:https://www.gov.br/inca/pt- br/assuntos/cancer/como-surge-o- cancer#:~:text=O%20c%C3%A2ncer%20surge%20a%20partir,s%C3%A3o%20inati vos%20em%20c%C3%A9lulas%20normais. Acesso em 24/08/2024. MCPHERSON, Richard A.; PINCUS, Matthew R. Diagnósticos clínicos e tratamento por métodos laboratoriais de Henry. 2012. IINSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER, Brasil, Ministério da Saúde. José Alencar Gomes da Silva. Detecção precoce do câncer / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Rio de Janeiro: INCA, 2021.