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Conteudista: Prof. Dr. Luciano Rossi Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin Objetivo da Unidade: Identificar os principais impactos que a Inteligência Artificial exerce sobre a vida das pessoas, focando em cidades inteligentes (smart cities), em mobilidade urbana, na utilização de assistentes pessoais e em Redes Sociais. ˨ Material Teórico ˨ Material Complementar ˨ Referências Impactos da Inteligência Artificial no Cotidiano do Cidadão Introdução Nesta Unidade, vamos analisar os impactos da Inteligência Artificial no cotidiano do cidadão comum. Inicialmente, conheceremos os conceitos que definem as cidades inteligentes (smart cities) e discutiremos sobre os benefícios que essas cidades podem trazer para a vida das pessoas. Outro ponto de interesse são os impactos na mobilidade. Discutiremos sobre o futuro no âmbito do transporte de pessoas e, finalmente, analisaremos a utilização dos assistentes pessoais no nosso dia a dia e o papel das Redes Sociais na atualidade. Smart Cities As cidades inteligentes ou, em inglês, smart cities, são definidas como um sistema de pessoas que interagem entre si e demandam a utilização de energia, materiais, serviços e financiamento, com o objetivo de gerar desenvolvimento econômico e melhorar a qualidade de vida das pessoas. A inteligência, nesse tipo de sistema, é inerente ao uso da infraestrutura instalada, dos serviços disponíveis e dos canais de informação e comunicação para a realização de um planejamento estratégico que atenda às demandas sociais e econômicas da população. De acordo com o estudo intitulado Cities in Motion Index, que avalia anualmente o desenvolvimento das cidades no mundo, existe um conjunto de dimensões que determinam o nível de inteligência de uma cidade: 1 / 3 ˨ Material Teórico Além das dimensões, listadas anteriormente, as cidades inteligentes podem ser caracterizadas por um conjunto de componentes. Veja na Figura 1 os componentes de uma cidade inteligente, que são destacadas pela professora Ieda Kanashiro Makiya. Governança: conjunto de medidas que são adotadas no sentido de governar a cidade; Administração pública: conjunto de órgãos, serviços e agentes que são responsáveis por atender às demandas sociais da cidade; Planejamento urbano: conjunto de programas e serviços que têm por objetivo a melhoria da qualidade de vida da população nas cidades; Tecnologia: conjunto de métodos, técnicas e ferramentas, resultado da aplicação do conhecimento científico, voltado para a solução de problemas; Meio ambiente: conjunto de fatores que cerca e impacta os seres vivos e pode ser impactado por eles; Conexões internacionais: conjunto de pessoas que representam grupos sociais internacionais com os quais as cidades têm algum tipo de relação; Coesão social: medida de união de um grupo social que pode ser baseada nos valores e nas normas que são comuns e que identificam o grupo; Capital humano: conjunto de atributos pessoais que são úteis para a realização de tarefas que resultam em valor econômico para a cidade; Economia: conjunto de atividades que os cidadãos realizam com o objetivo de produzir, consumir e distribuir bens e serviços, fundamentais para a sobrevivência e o bem-estar das pessoas. Teremos nosso foco na dimensão tecnológica e na forma como essa dimensão impacta as demais. Nesse sentido, vamos analisar as características que definem uma cidade inteligente, do ponto de vista da utilização da tecnologia. Existem muitos elementos que devem ser gerenciados em uma cidade. Dentre esses elementos, podemos citar o tráfego, a distribuição de água e energia elétrica, a ocupação de hospitais e as escolas e a oferta de diferentes tipos de serviços, dentre outros. O gerenciamento, em uma cidade inteligente, considera a utilização massiva de sensores, que têm por objetivo a coleta de dados que são resultados dos processos de execução dos elementos gerenciáveis. Desse modo, é possível, a partir do sensoriamento, determinar as vias que apresentam mais tráfego, ou o consumo de água e de energia elétrica de pontos específicos da cidade, além dos níveis de ocupação de hospitais e escolas. Figura 1 – Os principais componentes de uma cidade inteligente Fonte: Reprodução Além do sensoriamento amplo, é preciso que os elementos monitorados possam se comunicar entre si. Essa comunicação é possibilitada a partir da utilização da Internet das Coisas (IoT), que se refere à possibilidade de integração à Internet de Objetos. De forma geral, uma cidade inteligente conta com diferentes elementos da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) integrados por meio da IoT. Essa integração possibilita a otimização dos serviços que pode resultar na diminuição do consumo de recursos, o que está alinhado com o conceito de sustentabilidade. Suponha, em um exemplo fictício, uma cidade inteligente que conte com uma integração ampla de diferentes elementos. Nesse contexto, seria possível manter desligada a iluminação de ruas pouco movimentadas. Quando um veículo, monitorado por sensor, se aproximasse de uma fonte de iluminação, ela seria acionada para iluminar o caminho do veículo. De forma similar, a ideia poderia ser aplicada a pedestres, por meio de sensores de presença integrados. Quando uma pessoa estivesse em um determinado local, outros locais adjacentes “saberiam” da proximidade e poderiam acionar a iluminação. Desse modo, o consumo de energia elétrica ocorreria de forma inteligente e sustentável, resultando em economia para a cidade, sem produzir nenhum risco para os cidadãos. Ainda no contexto anterior, um automóvel monitorado poderia sugerir ao motorista que reduzisse a velocidade por ter identificado um semáforo fechado adiante. Dessa maneira, haveria uma economia de combustível e maior fluidez do tráfego, contribuindo, assim, para a dinâmica da cidade. Leitura 5 Qualidades de uma Smart City (Cidade Inteligente) Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE As soluções de hardware são importantes, em uma cidade inteligente, mas não são suficientes. No limite, uma cidade totalmente monitorada por sensores demandaria soluções de software para gerir o seu funcionamento. Essas soluções são baseadas em Inteligência Artificial, de modo a garantir uma operação otimizada, com baixo risco de intercorrências. A utilização das TICs em cidades inteligentes tem por objetivo o uso eficiente da infraestrutura física que é disponível. Essa infraestrutura pode ser descrita pelo conjunto de vias públicas, pelos ambientes de convivência, como praças e parques e pelas redes que integram diferentes elementos do mundo real, dentre outras possibilidades. Os benefícios da utilização eficiente da infraestrutura das cidades inteligentes são ligados ao desenvolvimento econômico e social e são possibilitados pela Inteligência Artificial aliada a estratégias de análise de dados classificados como Big Data. Outro objetivo que pode ser alcançado, a partir do uso da TICs, é a integração dos cidadãos. Nesse sentido, é possível a implementação de processos de comunicação que integrem governo e população local, de forma transparente, por meio da tecnologia. https://brasilescola.uol.com.br/clube-do-empreendedorismo/5-qualidades-de-uma-smart-city-cidade-inteligente.htm Assim, a maior participação da população resulta em mais inteligência na atuação coletiva de Órgãos Públicos e em mais cooperação entre os cidadãos, com foco no desenvolvimento da cidade. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Com maior visibilidade da dinâmica funcional das cidades inteligentes é mais fácil, para os gestores, encaminharem ações no sentido de desenvolver ou ampliar a instrumentalização dos espaços e serviços públicos, de modo a atender às demandas identificadas. Grande parte dos benefícios propiciados pelas cidades inteligentes é baseada na produção e no acesso amplo a informações. Essa característica pode ser um problema para muitos, que veem com preocupação o amplo monitoramento por parte dos gestores. Leitura Tecnologia da Informação e Comunicação Aprofunde seus conhecimentos sobre as TICs lendo o artigo a seguir. https://www.infoescola.com/informatica/tecnologia-da-informacao-e-comunicacao/ Assim, o alto nível de produção de dados é um ponto crítico que está ligado ao direito à privacidade dos cidadãos. Muitos consideram que as cidades inteligentes são espaços de vigilância constante dos cidadãos pelos gestores públicos. Outro ponto de crítica é a desigualdade social. É fácil observar que a implantação de uma cidade inteligente é baseada em grandes investimentos em tecnologia. No entanto, existem países em desenvolvimento nos quais a população média não tem acesso a serviços básicos, como saneamento, energia elétrica ou Internet. Muitos consideram que as cidades inteligentes seriam uma forma de intensificar as diferenças sociais, resultando em maior desigualdade e marginalização. As cidades inteligentes têm seus processos, fundamentalmente, baseados em Tecnologia. Desse modo, muitos serviços públicos estão integrados por meio da Internet. Uma crítica ao modelo é baseada na fragilidade que essa integração virtual pode trazer para as cidades, pois ataques hackers podem interromper serviços essenciais das cidades e/ou capturar dados sensíveis que poderão ser utilizados de maneira nefasta. Por fim, em um mundo polarizado, como o que vivemos na atualidade, os especialistas alertam para uma maior possibilidade de repressão em um contexto de cidade inteligente. Devido ao monitoramento constante de espaços urbanos, existe um receio sobre como a gestão pública utilizaria essas informações. Há a possibilidade de, por exemplo, uma repressão mais efetiva contra movimentos sociais legítimos. Na próxima seção, nós nos aprofundaremos em um dos desafios encontrado na implantação de uma cidade inteligente. Trata-se do problema da mobilidade urbana, o qual acomete a maior parte das grandes cidades pelo mundo. Mobilidade Quando analisamos as possibilidades futuras para os grandes centros urbanos, podemos considerar um importante desafio: a mobilidade. Aqueles que vivem em grandes cidades convivem, diariamente, com o problema do volume de tráfego que dificulta a mobilidade. É comum que o cidadão de um grande centro perca importante parte do seu dia parado dentro de um automóvel ou em algum tipo de transporte público. Além do tempo, outro problema é a poluição que os veículos à combustão, maioria até o momento, geram diariamente. Além de impactar o meio ambiente, a poluição é um fator de risco para a saúde das pessoas. Complementarmente, os combustíveis fósseis constituem uma matriz energética cara e não sustentável. Nesse contexto, as soluções apresentadas, a partir dos avanços tecnológicos, passam pelo desenvolvimento de veículos elétricos que possam ser conduzidos de forma autônoma. Ambas as tecnologias já estão disponíveis atualmente. Os carros elétricos começam a surgir, ainda de forma incipiente, contando com outras transformações necessárias na estrutura urbana atual. Alguns pontos para a recarga de baterias de carros elétricos são possíveis de serem observados juntos às tradicionais bombas de combustíveis em postos de abastecimento nas grandes cidades. Os mais modernos empreendimentos imobiliários já oferecem aos potenciais compradores pontos de recarga dos carros elétricos nas vagas de estacionamento. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Os carros elétricos são uma realidade que deve ser ampliada nos próximos anos. Ainda há alguns desafios para a massiva utilização desse tipo de modal de transporte. Leitura De Drones Autônomos a Semáforos, Inteligência Artificial pode Melhorar a Mobilidade Urbana Existem diferentes aplicações, que utilizam a Inteligência Artificial, que buscam melhorar a mobilidade urbana. Conheça algumas dessas iniciativas lendo o artigo a seguir. https://g1.globo.com/especial-publicitario/inovacao/noticia/2019/10/07/de-drones-autonomos-a-semaforos-inteligencia-artificial-pode-melhorar-a-mobilidade-urbana.ghtml Além da resistência a mudanças, que é comum na grande maioria das pessoas, há, ainda, fatores financeiros e de sustentabilidade. Os carros elétricos são mais caros que seus correspondentes à combustão. Além disso, não há vantagens para o meio ambiente se a energia utilizada pelos carros elétricos for produzida a partir da queima de combustível fóssil. Quando falamos sobre veículos autônomos, a história é um pouco diferente. Apesar do domínio da tecnologia para a implantação de veículos autônomos, ainda demora para que possamos contar com esse tipo de automóvel. O motivo pelo qual os veículos autônomos não serão implantados nos próximos anos passa pelas condições das cidades e pelo comportamento humano. As cidades não apresentam condições ideais para a circulação desse tipo de veículo. Semáforos inoperantes e vias esburacadas são exemplos da falta de condições para a operação de veículos autônomos. Os motoristas humanos apresentam comportamento não previsível. Por conta disso, a integração de carros sem motorista com outros guiados por pessoas parece ser um grande problema a ser solucionado. Os veículos autônomos são programados para identificar obstáculos e reagir a eles. Quando um obstáculo é um veículo guiado por humanos, o comportamento não pode ser, em grande parte das vezes, previsível. Carros que trafegam na contramão, em velocidade acima do permitido ou que fazem manobras perigosas são exemplos de problemas que um veículo autônomo encontrará, antes que seja viabilizada sua operação. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Apesar de os veículos autônomos ainda não serem uma realidade prática, é possível prever que o impacto de sua implantação será importante. Suponha um cenário no qual os veículos autônomos sejam uma realidade. Nesse cenário, as cidades poderão ter um crescimento físico da ordem de 30%. Considere a forma como utilizamos os automóveis atualmente. A maior parte das pessoas utiliza seus automóveis para a locomoção diária ao local de trabalho. Depois de chegarem, as pessoas vão estacionar seus carros, que ficarão parados aguardando o final do expediente para, então, retornarem com seus proprietários. Desse modo, as cidades disponibilizam grande parte de seu espaço útil como depósito de automóveis. Leitura Fundamentos, Tecnologias e Aplicações de Veículos Autônomos Para conhecer mais detalhes sobre os veículos autônomos, leia o artigo a seguir. http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/16201 Um olhar mais atento poderá verificar que esses espaços correspondem aos 30% de previsão de crescimento das cidades. Isso se torna mais evidente quando pensamos sobre os espaços dedicados para o estacionamento dos automóveis nas casas ou prédios residenciais. Além disso, em ruas que permitem o estacionamento de automóveis, uma parcela significativa do espaço de rodagem está ocupada por carros parados. Ainda nesse cenário, considere que não haja mais a necessidade de estacionar seus veículos, ou melhor, considere que a posse de veículo não faz mais sentido, sendo uma prática do passado. Você poderia se dirigir ao trabalho, pela manhã, utilizando um veículo autônomo, alimentado por energia elétrica. Os espaços dedicados a estacionamentos poderiam ser transformados em praças de convivência ou em um parque para atividades físicas. O veículo que levou você até o trabalho continuou a transportar pessoas, durante todo o dia. Assim, a necessidade de muitos veículos é reduzida, por conta de eles estarem mais tempo em operação. Segundo os especialistas, a implantação dos veículos autônomos impactaria, também, a redução do número de acidentes e, por consequência, um menor número de mortes associadas, a economia com gastos em combustível e a melhora dos níveis de poluição nas cidades. Isso tudo geraria impacto financeiro da ordem de bilhões de dólares. Os veículos autônomos podem ser o grande desafio como aplicação de Inteligência Artificial. Em termos de hardware, um veículo consome muitos sensores e atuadores que são responsáveis pela percepção do ambiente e pelas respectivas respostas. Os algoritmos que são responsáveis por orquestrar os elementos de hardware devem, também, possibilitar a integração com outros veículos e demais obstáculos existentes nas cidades. Não é uma tarefa fácil e qualquer problema pode impactar negativamente a aceitação das pessoas em utilizar esse tipo de serviço. Enquanto as Empresas se empenham em testar, exaustivamente, seus protótipos de veículos autônomos, os gestores públicos deveriam estar debruçados sobre o assunto, propondo leis e regulamentações que preparem as cidades e seus cidadãos para a inevitável convivência entre humanos e carros autônomos. Figura 2 – O carro autônomo em desenvolvimento pela Google. O protótipo não é conectado à Internet por motivos de segurança Fonte: Reprodução Assistentes Pessoais A evolução da Internet, culminando no conceito que chamamos de Internet das Coisas (IoT), resultou, dentre muitas outras coisas, na popularização dos “assistentes pessoais virtuais”. Os assistentes virtuais são dispositivos que respondem a comandos de voz e interagem com outros dispositivos conectados à Internet. Com a ajuda do assistente, é possível acender luzes, tocar a música predileta, pesquisar uma notícia, tudo a partir de comandos de voz, o que torna o uso desse tipo de dispositivo mais atraente, principalmente, para pessoas não familiarizadas com Tecnologia. O início dos assistentes virtuais ocorre na década de 1960, quando a IBM cria o ancestral mais antigo dos assistentes virtuais, chamado Shoebox. O aparato tinha o tamanho de uma caixa de sapatos e era capaz de realizar algumas funções matemáticas e reconhecer algumas poucas palavras. A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA), dos Estados Unidos, criou, na década de 1970, um software que era capaz de reconhecer um conjunto de mil palavras. Esse software foi chamado de Harpy e representava um avanço, comparado ao seu antecessor da IBM. Mais de vinte anos depois do Harpy, já na década de 1990, alguns modelos dos computadores da Apple contavam com o reconhecimento de fala. A partir dos anos 2000, o buscador desenvolvido pela Google incorporava aplicações, baseadas em Processamento de Linguagem Natural (PLN), as quais possibilitavam que pesquisas fossem feitas a partir de comandos de voz. A tecnologia por trás dos assistentes virtuais é baseada no PLN, que é uma subárea da Inteligência Artificial. O PLN trata da criação de estratégias que possam viabilizar a interação, entre humano e computador, a partir da linguagem falada ou escrita. Esta subárea é uma das que mais avançou nos últimos tempos, considerando as diversas aplicações possíveis de serem listadas. Os assistentes virtuais implementam softwares que são baseados em conceitos desenvolvidos no PLN. Além disso, esses dispositivos operam em conjunto com outros dispositivos (gadgets), também inteligentes, como alto-falantes, por exemplo. Em um contexto de integração, no campo doméstico, por exemplo, aliar dispositivos que possam ser conectados com à IoT e um assistente virtual pode produzir uma experiência muito interessante de automação, em alto nível. Os assistentes virtuais podem ser utilizados para controlar diversos dispositivos. Dentre esses dispositivos, podemos destacar as luzes inteligentes que, além de acender a apagar a partir de comandos de voz, disponibilizam a escolha de uma variada gama de cores e diferentes intensidades. Além do controle de dispositivos domésticos, os assistentes virtuais são especialmente úteis para a navegação na Internet. Você pode, a partir da interação por comandos de voz, realizar pesquisas, tocar músicas, fazer compras, dentre outras atividades possíveis. A automação é sempre citada como a principal responsável pelo fechamento de postos de trabalho. Nesse contexto, tarefas que eram realizadas, exclusivamente, por humanos passaram a ser realizadas, por vezes, de maneira mais efetiva, por máquinas. De fato, grande parte das tarefas que sumiram do Mercado de Trabalho foram automatizadas. No entanto, podemos citar um exemplo na contramão dessa dinâmica. Com a popularização do uso dos assistentes virtuais, os especialistas indicam o surgimento de uma nova oportunidade de ocupação, trata-se dos treinadores de assistentes virtuais. Além de todas as possibilidades descritas anteriormente, para a utilização dos assistentes virtuais há uma característica de destaque. Por serem baseados em Inteligência Artificial, os assistentes virtuais vão sendo ‘‘ensinados’’ a partir de sua utilização. Desse modo, esses dispositivos aprendem sobre as preferências de seus usuários, tornando a experiência de utilização mais assertiva e simples. Nesse contexto, os treinadores de assistentes virtuais são pessoas contratadas para auxiliar no processo de treinamento dos assistentes. Comumente, pessoas que não são muito familiarizadas com tecnologia, idosos, por exemplo, necessitam de auxílio para que a utilização de um assistente virtual seja plena e natural. Os treinadores cuidam para que as interações, entre o usuário e o assistente, sejam feitas de tal modo que facilitem o processo de aprendizagem da máquina. Além das aplicações domésticas, para os assistentes virtuais inteligentes, existem, também, as aplicações comerciais. Empresas estão investindo pesado na aquisição de softwares que possam interagir, de forma autônoma, com seus clientes. Esses softwares são capazes de resolver várias questões dos clientes, tudo via comando de voz. Outra vertente, com o mesmo objetivo, são os chatbots. A tecnologia dos chatbots também é baseada em PLN. A diferença está na forma de interação com os clientes. Os chatbots interagem por meio de mensagens de texto, enquanto os assistentes virtuais utilizam a linguagem falada. Redes Sociais O desenvolvimento da Internet possibilitou o surgimento de diferentes aplicações, de cunho tecnológico, que impactaram a Sociedade de muitas formas. As Redes Sociais Virtuais evoluíram com a Internet e é uma das evoluções mais impactantes na Sociedade contemporânea. Uma Rede Social é, no âmbito puramente sociológico, uma estrutura formada por pessoas ou organizações que estão interligadas por algum tipo de relação. Os membros de uma Rede Social partilham de algum valor ou objetivo comum, que os mantém coesos em um grupo de afinidade. Nesse sentido, o que mantém o grupo coeso é a identidade que os membros acreditam compartilhar. A Figura 3 apresenta um exemplo de Rede Social, estrutura na forma de um grafo. Os grafos são utilizados em diferentes áreas, como a Química, as Geociências ou a Medicina, e podem representar diversos contextos, como, por exemplo, uma Rede Social ou, mais especificamente, uma Rede de Orientação Acadêmica. O contexto acadêmico pode ser representado por outro tipo de Rede Social Acadêmica. Esse tipo de estrutura caracteriza-se como um grafo heterogêneo complexo, cujos elementos que o constituem ou, mais especificamente, seus vértices, podem representar acadêmicos, publicações, instituições de ensino e pesquisa e conferências, dentre outros. Nesse sentido, as relações que interligam esses elementos, que são representadas por arestas no grafo, podem ser citações, coautorias e conexões bibliográficas, dentre outras. As Redes Sociais Acadêmicas podem ser úteis para diferentes aplicações como classificação de pesquisadores (autores de publicações), identificação de especialistas, avaliação e predição de impacto de publicações e recomendação de colaborações, dentre outras possíveis. Os vértices e as arestas que compõem um grafo acadêmico representam, respectivamente, seus atores (acadêmicos/cientistas/pesquisadores) e os relacionamentos de tutoria que os interligam (orientação/supervisão). Especificamente, as arestas direcionadas indicam o sentido da tutoria, ou seja, o relacionamento de orientação emerge do orientador e incide no orientado. Os orientadores de um acadêmico formam a geração anterior à geração dele E, da mesma forma, seus orientados pertencem à geração posterior. Figura 3 – Exemplo de Rede Social Acadêmica. Os vértices representam pesquisadores e as arestas descrevem um relacionamento de orientação entre os acadêmicos Fonte: Acervo do Conteudista No contexto da Figura 3, os vértices representam um pesquisador. As cores dos vértices descrevem a área de atuação dos pesquisadores. As arestas direcionadas indicam a existência de um relacionamento de orientação entre os acadêmicos, ou seja, um acadêmico na origem de uma aresta orientou o acadêmico na extremidade oposta da aresta. A partir das subáreas da Inteligência Artificial, é possível explorar estruturas, como a apresentada na Figura 3, que são representativas de Redes Sociais. Pode-se, por exemplo, aplicar algoritmos de busca em grafos para identificar certos padrões na composição da estrutura. Para o contexto específico da estrutura, apresentada na Figura 3, o objetivo é a identificação das relações de orientação entre os acadêmicos, no sentido de verificar como um acadêmico que atua em uma determinada área do conhecimento, por exemplo, a Matemática, orienta outro acadêmico que, futuramente, atuará em uma Área distinta, como, por exemplo, a Biofísica. Com a popularização da Internet, as redes sociais extrapolaram os limites do mundo analógico e entraram no mundo digital. As Redes Sociais Virtuais são compostas por pessoas que compartilham espaços na Internet com o objetivo de trocar informações dos mais variados tipos. Existem grupos temáticos que reúnem pessoas de interesses similares ou, ainda, Redes mais amplas que não definem, explicitamente, um interesse comum dos participantes. As Redes Sociais genéricas, comumente, interligam pessoas que já se relacionam no mundo analógico, ou que têm conhecidos em comum. Atualmente, as Redes Sociais Virtuais constituem terreno fértil para as mais variadas ações. Devido ao grande número de pessoas que reúne, as Redes Sociais são especialmente interessantes para ações de marketing. Essas ações têm uma característica importante que, dificilmente, poderia ser repetida em outro contexto. Trata-se da criação de ações de marketing de forma personalizada, de acordo com o perfil de cada usuário. A Inteligência Artificial é aplicada nas Redes Sociais virtuais de diferentes formas. Uma das formas mais utilizadas é para a definição do perfil dos usuários. A partir da identificação do perfil é possível a realização de ações de marketing direcionadas. A personalização das ações pode tornar o consumo dos produtos ou serviços divulgados mais provável. A mesma lógica pode ser aplicada a outros contextos. Nos últimos anos, muito se discute sobre a utilização das Redes Sociais Virtuais para a proliferação de notícias que, por vezes, não correspondem à realidade. De outro modo, campanhas de candidatos a cargos públicos, em diferentes países, têm sido impactadas pela segmentação do eleitorado nas Redes. Assim, é possível a identificação de pontos de interesses em diferentes grupos e a produção de material publicitário de acordo com as crenças e demandas de cada grupo. Além disso, há relatos da utilização das Redes Sociais Virtuais para a distribuição de notícias falsas em grupos específicos, cujas crenças respaldarão aquelas notícias, produzindo uma realidade paralela e induzindo pessoas a partir de mentiras convenientemente apresentadas. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeos O Paradoxo dos Carros Autônomos Clique no botão ao lado para conferir o conteúdo. ACESSE Entenda: O que é uma Cidade Inteligente? 2 / 3 ˨ Material Complementar Entenda: o que é uma cidade inteligente? - TecMundo https://youtu.be/DN5zO36Wv-s https://www.youtube.com/watch?v=ka9mrG02p70 Alexa e Google, Assistentes Virtuais Por que Redes Sociais Viciam? Clique no botão ao lado para conferir o vídeo. ASSISTA Alexa e Google, assistentes virtuais. https://youtu.be/MBoOiWsQ-j4 https://www.youtube.com/watch?v=5eg82jPqMtc BROOKSHEAR, J. G. Ciência da computação: uma visão abrangente. 11. EE. Porto Alegre: Bookman, 2013. (e-book) COPPIN, B. Inteligência Artificial. Rio de Janeiro: LTC, 2010. (e-book) FACELI, K. et al. Inteligência Artificial: uma abordagem de aprendizado de máquina. Rio de Janeiro: LTC, 2011. (e-book) GARCIA, L. R. Lei Geal de Proteção de Dados Pessoais (LGPD): Guia de implantação. São Paulo: Blucher, 2020. HAYKIN, S. Redes neurais: princípios e prática. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. (e-book) MARINHO, F. Os 10 mandamentos da LGPD: como implementar a Lei Geral de Proteção de Dados em 14 passos. São Paulo: Atlas, 2020. NEISSER, U. et al. Intelligence: knowns and unknowns. American psychologist, v. 51, n. 2, p. 77, 1996. RUSSEL, S.; NORVIG, P. Inteligência Artificial. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. SANCTIS, F. M. Inteligência Artificial e Direito. São Paulo: Almedina, 2020. 3 / 3 ˨ Referências MAKIYA, I. K. Página pessoal. Disponível em: . Acesso em: 22/04/2022.