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RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SEMANA 03 
 
Caderno de Comentários 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
2 
 
Sumário 
DIREITO PENAL: TEORIA DO CRIME – PARTE III ................................................................................................. 3 
DIREITO PENAL: CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES .................................................................................. 34 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: AÇÃO PENAL.................................................................................................... 70 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE DROGAS ............................................................................................. 112 
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE TORTURA ........................................................................................... 134 
DIREITO CONSTITUCIONAL: TEORIA DA CONSTITUIÇÃO ............................................................................... 156 
CRIMINOLOGIA: NOÇÕES INICIAIS ................................................................................................................ 181 
CRIMINOLOGIA: HISTÓRIA DA CRIMINOLOGIA ............................................................................................. 204 
DIREITO TRIBUTÁRIO: CONCEITOS, ESPÉCIES, NORMAS GERAIS .................................................................. 217 
DIREITO TRIBUTÁRIO: LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA ........................................................................................... 232 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
3 
 
DIREITO PENAL: TEORIA DO CRIME – PARTE III 
 
1 - 2021 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2021 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
 
Alfredo, no dia 01 de abril de 2020, quando andava pelas ruas da região central do pequeno município em 
que vivia, cruzou o caminho de Luana, que também era moradora daquele lugar. Luana, por simples picardia 
– até porque o fato de Alfredo ser pessoa com deficiência, paciente de saúde mental, era de todos conhecido, 
inclusive dela - passou a agredi-lo com tapas violentos e empurrões, momento em que Alfredo, revidando, 
bateu em Luana, até fazer com que ela cessasse seus atos. À vista da confusão que se formou, a polícia foi 
chamada ao local e conduziu Alfredo à delegacia local. Diante da situação hipotética narrada e, assumindo 
que a condição de saúde mental de Alfredo era capaz de afastar totalmente sua capacidade de 
discernimento, é CORRETO afirmar que deve ser 
 
A-aplicada a Alfredo medida de segurança detentiva, considerando sua condição de saúde mental e a sanção 
cabível para a conduta por ele praticada. 
B-aplicada a Alfredo medida de segurança restritiva, em razão da condição de Alfredo e da sanção cabível 
para a conduta por ele praticada. 
C-reconhecida a ausência de culpabilidade da conduta de Alfredo, em razão de sua condição de pessoa com 
deficiência, que lhe afasta a responsabilidade penal, sem aplicação de qualquer sanção jurídico-penal. 
D-reconhecida a falta das condições para a imposição de qualquer resposta penal a Alfredo, inexistindo 
injusto penal em seu comportamento. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da imputabilidade e causas de exclusão da ilicitude. 
 
De acordo com a teoria tripartite, adotada pela doutrina brasileira majoritária, o conceito 
analítico de crime consiste em fato típico, ilícito e culpável. No fato típico estão inseridos a 
conduta humana, o resultado (nos crimes materiais) o nexo de causalidade e a tipicidade. A 
ilicitude, conforme a teoria finalista (adotada pelo CP), é contrariedade do fato típico praticado 
e o ordenamento jurídico, observada quando o fato não está amparado por nenhuma das 
causas excludentes de ilicitude (legitima defesa, estado de necessidade, estrito cumprimento 
do dever legal e exercício regular de direito). Já a culpabilidade, para os finalistas, consiste no 
juízo de reprovação, sendo composta pela imputabilidade, a potencial consciência da ilicitude 
e exigibilidade de conduta diversa. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
4 
 
A legítima defesa é uma causa que afasta a ilicitude do fato, quando usando moderadamente 
dos meios necessários, o agente repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de 
outrem (art. 25, CP). 
 
A imputabilidade penal é a capacidade do indivíduo, ao tempo do crime (ação ou omissão), 
entender o caráter ilícito de sua conduta E de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
Já a inimputabilidade penal, de modo contrário, é a incapacidade do indivíduo, ao tempo do 
crime (ação ou omissão), entender o caráter ilícito de sua conduta E de determinar-se de 
acordo com esse entendimento (art. 26, CP). 
 
Pelo enunciado da questão verifica-se que Alfredo é inimputável, pois sua saúde mental 
retirava sua capacidade de entendimento. Contudo, o que afasta a responsabilidade penal de 
Alfredo é o fato dele agir amparado pela excludente de ilicitude da legítima defesa, visto que 
usando moderadamente dos meios necessários, repeliu injusta agressão, atual ou iminente, a 
direito seu (art. 25, CP) e conforme o art. 23, II do CP, não há crime quando o agente pratica o 
fato em legítima defesa. Cabe destacar que a condição de inimputável não afasta a 
possibilidade de agir sob o amparo de legítima defesa, conforme doutrina majoritária. 
 
A análise da ilicitude, nos termos do conceito analítico, é substrato que antecede a 
culpabilidade, de modo que verificado que o comportamento não é contrário ao ordenamento 
jurídico – amparado por excludente – a culpabilidade sequer é objeto de verificação, uma vez 
que não há o cometimento de injusto penal (fato típico + ilícito). 
 
A – INCORRETA 
A medida de segurança somente poderia ser aplicada caso Alfredo houvesse cometido um fato 
típico e ilícito, o que, conforme apontado acima, não ocorreu, visto que o agente atuou 
amparado pela legítima defesa, causa excludente de ilicitude. 
 
Quanto à aplicação de medida de segurança, cabe destacar que o atual ordenamento jurídico 
penal adota o sistema vicariante, de modo que, em caso de inimputabilidade aplica-se apenas 
a medida de segurança, não podendo, por conseguinte, ser cumulada com outra sanção penal 
(pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos). 
 
Há duas espécies de medidas de segurança: 1) medida de segurança detentiva, que consiste na 
internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico (art. 96, I, do CP); 2) medida de 
segurança restritiva, que envolve a sujeição a tratamento ambulatorial (art. 96, II, do CP). 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
5 
 
B - INCORRETA 
VIDE comentário da alínea “A” que se aplica aqui igualmente. 
 
C - INCORRETA 
A culpabilidade é o terceiro elemento ou substrato do crime, só sendo aferida depois de 
constatar a tipicidade (primeiro elemento do crime) e ilicitude (segundo elemento do crime) 
do fato. Assim, verificada a licitude do ato não há que se falar em culpabilidade. 
 
D - CORRETA 
A ilicitude e a tipicidade formam o injusto penal. Dessa forma, ilicitude é uma parte do injusto 
e, conforme explicado acima, estando afastada a ilicitude do comportamento de Alfredo, não 
há crime e, portanto, não é possível submetê-lo a qualquer resposta penal. 
 
GABARITO: D 
 
2 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado de Polícia 
 
Sobre a teoria do erro, analise as afirmações a seguir. 
I - Para a teoria extremada do dolo, tanto o erro de tipo quanto o erro de proibição, quando inevitáveis, 
sempre excluirão o dolo. 
II - A teoria extremada da culpabilidade, empreendida pela doutrina finalista, com a qual surgiu e cujos 
maiores representantes foram Welzel, Maurach e Kaufmann, separa o dolo da consciência da ilicitude. Assim, 
o dolo, em seu aspecto puramente psicológico (dolo natural), é transferidode crimes, sem que haja com 
desígnios autônomos. 
Neste caso aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade (art. 70, primeira parte, CP). 
• CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO OU IMPERFEITO: Quando o agente mediante 
apenas uma conduta (ação ou omissão) pratica uma pluralidade de crimes, mediante 
desígnios autônomos. 
Aqui, as penas aplicam-se cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os 
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos (art. 70, parte final, CP). 
 
CONCURSO FORMAL OU IDEAL: Ocorre quando o agente, mediante uma só conduta (ação ou 
omissão), pratica uma pluralidade de crimes, idênticos ou não. 
 
CRIME CONTINUADO OU CONTINUIDADE DELITIVA: Trata-se de uma ficção jurídica que 
quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
37 
 
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras 
semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro. Nesse caso 
o agente pratica dois ou mais crimes, mas responderá como se tivesse cometido apenas um 
crime, por razões de política criminal. 
 
Vamos, então, para a análise das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
De acordo com a jurisprudência assente não só no STJ como também no STF, havendo no 
mesmo contexto fático a subtração mediante violência ou grave ameaça de patrimônios 
distintos pertencente a diversas vítimas, haverá tantos crimes de roubo quanto forem os 
patrimônios subtraídos e as vítimas da violência ou da grave ameaça. Nesse sentido: 
(...) 
4. Conforme a iterativa jurisprudência desta Corte, não há que se 
falar em crime único quando, num mesmo contexto fático, são 
subtraídos bens pertencentes a vítimas distintas, caracterizando 
concurso formal, por terem sido atingidos patrimônios diversos, 
nos moldes do art. 70 do Código Penal. 
(...) 
6. Não há que se falar em crime único em relação ao roubo e à 
extorsão, considerando que quatro vítimas tiveram seus pertences 
subtraídos no interior da residência e, em seguida, duas delas 
foram obrigadas a realizarem saques e compras utilizando seus 
cartões bancários, restando configurados os crimes descritos no art. 
157, § 2º, I, II e V e art. 158, § 3º, ambos do Código Penal. (...) 
(STJ, HC 435792 / SP, Relator Ministro RIBEIRO DANTAS; QUINTA 
TURMA Publicado no DJe 30/05/2018 
 
B - CORRETA 
Com efeito, a situação descrita no enunciado da questão corresponde ao concurso formal 
impróprio, também conhecido como imperfeito ou ideal, que se encontra previsto na 
segunda parte do art. 70, CP. 
 
C – INCORRETA 
A conduta descrita não corresponde ao crime continuado, uma vez que, na continuidade 
delitiva o agente pratica mais de uma conduta, e não apenas uma como mencionado no 
enunciado que faz referência à prática de uma conduta de roubo. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
38 
 
 
D – INCORRETA 
No concurso material, o agente pratica duas ou mais condutas, enquanto o enunciado faz 
referência à prática de apenas uma conduta de roubo. 
 
E – INCORRETA 
O concurso formal próprio configura-se quando o agente, mediante uma ação ou omissão, 
pratica mais de um crime com desígnio comum. Quando o agente praticar mais de um crime, 
mediante apenas uma conduta com desígnios autônomos, caracteriza-se o concurso formal 
impróprio. 
GABARITO: B 
 
3 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
A, B e C são atores. Pelo fato de B obter o papel de personagens de maior destaque, secretamente A o inveja 
e despreza. No intuito de livrar-se de B, A troca as balas de festim por munição real do revólver de C, que, ao 
disparar em cena de novela contra B, causa sua morte. Nesse caso, 
 
A-segundo a teoria objetivo-material, C poderá ser enquadrado na autoria imprópria em relação ao homicídio 
de B. 
B-com base na teoria objetivo-formal, A poderá ser considerado autor mediato do homicídio de B. 
C-conforme a teoria do domínio do fato, C seria considerado partícipe do homicídio de B. 
D-A e C agiram em autoria colateral, sendo que A será considerado mandante e C responderá culposamente. 
E-houve autoria incerta, e A e C responderão por tentativa de homicídio, pois, quanto à tentativa, existia 
certeza, mas, quanto à ocorrência do resultado, havia dúvida. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Concurso de pessoas é a colaboração entre duas ou mais pessoas para a prática de infração 
penal (crime ou contravenção penal). Para a sua configuração devem estar presentes os 
seguintes requisitos: 
i. Pluralidade de agentes; 
ii. Relevância causal da conduta; 
iii. Vínculo subjetivo entre os agentes; 
iv. Unidade de infração penal; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
39 
 
v. Existência de fato punível; 
 
O concurso de pessoas pode se dar na modalidade de coautoria ou participação. Nesse 
sentido, existem algumas teorias que buscam distinguir o conceito de autor e de participe: 
 
AUTOR: 
• TEORIA SUBJETIVA OU UNITÁRIA: Não há qualquer diferença entre autor e partícipe. 
Tem fundamento na teoria da equivalência dos antecedentes (conditio sine qua non). 
• TEORIA EXTENSIVA: Também não distingue autor ou partícipe, pois todos os que dão 
causa ao resultado são autores, mas a lei distingue os graus de responsabilidade. 
• TEORIA OBJETIVA OU DUALISTA: Diferencia autor de partícipe, a partir da premissa 
de que nem todo aquele que causa o resultado é autor do delito. Divide-se em: 
 
a) TEORIA OBJETIVO-FORMAL: Autor é quem realiza o verbo descrito no tipo penal e 
partícipe concorre (ajuda) sem cometer o verbo do tipo. 
b) TEORIA OBJETIVO-MATERIAL: Autor do crime não é necessariamente quem comete o 
verbo do tipo, mas sim quem contribui de forma mais relevante para o resultado. Já o 
partícipe é quem contribui de forma menos efetiva (para esta teoria tanto o autor como 
partícipe podem praticar o verbo do tipo, o que vai diferencia-los é a sua efetividade para 
o resultado). 
 
• TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO: que se divide em: 
a) Domínio da AÇÃO: autor é quem realiza o fato típico diretamente; 
b) Domínio da VONTADE: autor é aquele que utiliza de outra para o cometimento do crime. 
Assim, o autor imediato age sob coação ou induzido ao erro pelo autor mediato; 
c) Domínio FUNCIONAL: há uma divisão de tarefas entre os autores do fato criminoso. 
 
PARTÍCIPE: É quem induz, instiga ou auxilia na prática do crime, embora não pratique conduta 
típica. Algumas teorias visam explicar a participação no concurso de pessoas. O Brasil adotou 
a teoria da acessoriedade limitada. 
• TEORIA DA ACESSORIEDADE MÍNIMA: Basta que o autor cometa um fato típico para 
que o participe seja punido. 
• TEORIA DA ACESSORIEDADE LIMITADA: Para a que o partícipe seja punido o autor 
tem que praticar um fato típico e ilícito. 
• TEORIA DA ACESSORIEDADE MÁXIMA OU EXTREMA: Para que o partícipe seja punido 
o autor deverá praticar um fato típico, ilícito e culpável. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
40 
 
• TEORIA DA HIPERACESSORIEDADE: para que o partícipe seja punido exige-se o 
cometimento de um fato típico, ilícito, culpável e punível. 
 
Outras definições relevantes: 
AUTORIA COLATERAL OU IMPRÓPRIA: Ocorre autoria colateral ou imprópria quando duas ou 
mais pessoas concorrem para a prática de um crime sem saber da conduta umas das outras. 
AUTORIA INCERTA: Ocorre autoria incerta, quando na autoria colateral, não se descobre qual 
das pessoas efetivamente causou o resultado. 
AUTORIA DESCONHECIDA OU IGNORADA: Ocorre quando não se sabe quem foi o autor do 
fato. A autoria desconhecida ou ignorada não se confunde com a autoria incerta, poisnesta 
conhece os autores do fato, apenas desconhece quem causou a conduta lesiva, já naquela 
desconhece quem são os autores do fato, ou seja, na autoria incerta a dúvida reside em saber, 
entre as duas ou mais pessoas conhecidas, quem causou a lesão, na autoria desconhecida a 
dúvida é saber quem foi quem cometeu a ação. 
 
Vamos, então, para a análise das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
Autoria colateral ou imprópria ocorre quando duas ou mais pessoas concorrem para a prática 
de um crime sem saber da conduta umas das outras. No caso do enunciado, A é autor mediato 
e C autor imediato, pois A utilizou-se de C que sem saber que a arma estava municiada matou 
B. 
 
B - CORRETA 
Conforme exposto (vide alternativa A), A é autor mediato e C autor imediato. 
 
C – INCORRETA 
De acordo com a teoria do domínio da vontade, C é autor imediato do homicídio de B. 
 
D – INCORRETA 
Ocorre autoria colateral ou imprópria quando duas ou mais pessoas concorrem para a prática 
de um crime sem saber da conduta umas das outras. Contudo, as duas ou mais pessoas tem 
que agir dolosamente. Não é o caso da questão, pois C não tinha o dolo de matar B e não há 
participação culposa em crime doloso. 
 
E – INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
41 
 
Ocorre autoria incerta, quando na autoria colateral, não se descobre qual das pessoas 
efetivamente causou o resultado. No caso não houve autoria colateral (vide alternativa D). 
GABARITO: B 
 
4 - 2021 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2021 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
Michel ordena a Alexandre, caseiro de sua fazenda, que corte árvores de uma porção lateral da propriedade, 
situada na zona rural do Município de Itabirito – MG, entendendo que elas atrapalhavam a construção de 
uma cerca. Por se tratar de área de preservação permanente, seria necessária autorização do órgão 
competente para o corte, a qual, no entanto, não foi ao menos cogitada por Michel. Embora ambos tivessem 
conhecimento desse fato e da ilicitude de seu comportamento, Alexandre obedece à ordem de seu patrão 
Michel, e realiza a conduta. Tendo em vista o disposto no art. 40, da Lei n.º 9.605/98 (Art. 40. Causar dano 
direto ou indireto às Unidades de Conservação e às áreas de que trata o art. 27 do Decreto nº 99.274, de 6 
de junho de 1990, independentemente de sua localização: Pena - reclusão, de um a cinco anos.) e as teorias 
atinentes ao concurso de pessoas, é CORRETO afirmar: 
 
A-Michel, levando em conta a legislação penal brasileira em vigor, deve ter em seu favor reconhecida a 
cooperação dolosamente distinta. 
B-Pela teoria objetivo-formal, Michel é considerado autor do fato criminoso. 
C-Pela teoria objetivo-formal, Michel seria considerado partícipe do fato criminoso, mas a aplicação da teoria 
do domínio do fato lhe atrairia para a posição de autor da conduta. 
D-Pela teoria objetivo-formal, Michel seria considerado partícipe do fato criminoso e a aplicação da teoria 
do domínio do fato não lhe atrairia para a posição de autor da conduta. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO. 
 
Criada em 1939, por Hans Welzel, com o propósito de ocupar posição intermediária entre as 
teorias objetiva e subjetiva. Para essa concepção, autor é quem possui controle sobre o 
domínio final do fato. Ou seja, aquele que domina finalisticamente o trâmite do crime e 
decide acerca da sua prática, suspensão, interrupção e condições. De fato, autor é aquele que 
tem a capacidade de fazer continuar, bem como de impedir a conduta penalmente ilícita. 
 
O art. 29, caput, do Código Penal, acolheu a TEORIA OBJETIVO-FORMAL, conforme doutrina 
majoritária. Nesse contexto, o ordenamento jurídico diferencia autor e partícipe, sendo 
aquele quem realiza o núcleo do tipo penal e este quem de qualquer modo concorre para o 
crime, sem executar a conduta criminosa. A teoria deve, todavia, ser complementada pela 
teoria da autoria mediata. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
42 
 
 
A TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO amplia o alcance da autoria mediata, para legitimar a 
responsabilização do autor direto do crime, bem como do seu mandante, quando presente 
uma relação de subordinação entre eles, no âmbito de uma estrutura organizada de poder 
ilícito, situada às margens do Estado. 
 
No caso concreto, a relação de subordinação NÃO ocorreu no âmbito de uma estrutura 
organizada de poder ilícito, portanto aplica-se a teoria objetivo-formal. 
 
GABARITO: D 
 
5 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado de Polícia 
“A teoria do domínio do fato, como toda teoria jurídica o deve ser, direta ou indiretamente, é uma resposta 
a um problema concreto. O problema que a teoria se propõe a resolver, como já se insinuou, é o de distinguir 
entre autor e partícipe. Em geral, assim, não se trata de determinar se o agente será ou não punido, e sim se 
o será como autor, ou como mero partícipe. (...) O CP brasileiro (art. 29, caput), todavia, e como já se 
observou, não o exige, e mesmo insinua uma interpretação segundo a qual todo aquele que concorre para o 
crime – quem efetuou o disparo, quem convenceu esse primeiro a que cometesse o delito, quem emprestou 
a arma – é simplesmente autor do homicídio.” 
(GRECO, Luís; LEITE, Alaor; TEIXEIRA, Adriano; ASSIS, Augusto. Autoria como domínio do fato: estudos 
introdutórios sobre o concurso de pessoas no Direito Penal brasileiro. São Paulo: Marcial Pons. 2014. p. 22) 
Em que pesem as críticas doutrinárias direcionadas à aplicação prática da teoria do domínio do fato no Direito 
Penal brasileiro, considerando-se, dentre outros fatores, a amplitude normativa do artigo 29 do Código Penal, 
fato é que essa teoria tem sido invocada pelos Tribunais para fundamentar, em algumas situações, a 
atribuição da autoria a pessoas que não chegaram a praticar a conduta nuclear do tipo penal, como se deu, 
por exemplo, na Ação Penal n. 470 (caso Mensalão), julgada pelo Supremo Tribunal Federal no ano de 2014. 
Assim, com base na teoria do domínio do fato, aprimorada por Claus Roxin e estudada pela doutrina nacional, 
assinale a alternativa INCORRETA. 
 
A-É possível a autoria mediata nos crimes próprios – como, por exemplo, no peculato –, desde que o autor 
mediato reúna todas as qualidades ou condições exigidas pelo tipo. Em outros termos, tratando-se de autoria 
mediata, todos os pressupostos necessários de punibilidade devem se encontrar na pessoa do homem de 
trás. 
B-Se duas ou mais pessoas, partindo de uma decisão conjunta de praticar o fato, contribuem para a sua 
realização com um ato relevante de um delito, elas terão o domínio funcional do fato, o que fará com que 
cada um dos envolvidos responda como coautor do fato como um todo. Ocorre nessa hipótese o que Luís 
Greco chama de imputação recíproca. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
43 
 
C-O domínio da vontade, uma das três manifestações da ideia de domínio do fato formulada por Roxin, 
amolda-se com perfeição à figura do autor mediato, pois todo o processo de realização da figura típica, na 
autoria mediata, apresenta-se como obra da vontade reitora do homem de trás, que possui absoluto controle 
sobre o executor direto do fato. 
D-Uma das propostas originais de Roxin com a teoria do domínio do fato é a de se reconhecer a possibilidade 
de domínio por meio de um aparato organizado de poder. O mandante que, valendo-se de uma organização 
hierarquicamente estruturada e apartada, dissociada da ordem jurídica, emite uma ordem a executores 
fungíveis, isto é, a seus subordinados que funcionam como meras engrenagens de uma estrutura automática, 
deve ser tratado como autêntico autor e não como mero partícipe. 
E-A ideia de domínio da organização, conforme sustentada por Roxin, pode perfeitamente ser aplicada no 
âmbito empresarial para responsabilizar gerentes ou diretores, como coautores, pelos crimes cometidos por 
funcionáriosa eles diretamente vinculados, pois a teoria do domínio do fato permite atribuir a autoria àquele 
que desempenha posição de chefia dentro de uma organização, independentemente da existência ou não 
de absoluto controle sobre os subordinados. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO. 
 
TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO: trata-se de uma teoria objetivo-subjetiva. 
Na visão de Hans Welzel, o autor possui o domínio final do fato, com a vontade final de 
realização (dolo do tipo), decidindo sobre a forma de execução, seu início, sua cessação e as 
condições de realização. É quem tem o poder de decisão final sobre o fato. Assim, partindo 
da doutrina de Welzel, autor é aquele que possui controle finalístico sobre a ação delituosa, 
enquanto o partícipe colabora para sua produção do resultado ou para a prática delitiva, sem 
domínio sobre a ação, ou seja, sem controle sobre o início ou a cessação da atividade ilícita. 
Na visão de Roxin, o autor é a figura central do acontecimento da ação, ou seja, da conduta 
criminosa. Partícipe é aquele que colabora dolosamente para o alcance do resultado, sem 
exercer o domínio sobre a ação. O autor é a figura central da conduta típica, aquele que possui 
domínio sobre a execução dos atos executórios e até mesmo sobre a consumação. 
Assim, para a Teoria do Domínio do fato, autor é aquele que possui poder de decisão sobre a 
realização do tipo, o que pode ocorrer em 3 contextos: 
(1) Domínio da AÇÃO (AUTOR IMEDIATO): É aquele que possui domínio sobre a própria 
ação. O autor realiza pessoalmente os elementos do tipo. 
(2) Domínio da VONTADE (AUTOR MEDIATO): É autor aquele que domina a vontade de 
um terceiro que é utilizado como instrumento. O domínio da vontade se dá por erro, 
coação ou aparatos organizados de poder. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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44 
 
(3) Domínio FUNCIONAL (AUTOR FUNCIONAL): O termo funcional refere-se a divisão de 
funções entre coautores. Em havendo divisão de tarefas, autor é aquele que 
prepara/pratica ato relevante na execução. Temos, aqui, a hipótese de coautoria. 
 
Assim, temos que: 
É AUTOR: 
• Aquele que, possuindo todo domínio da conduta típica, pratica diretamente o fato 
(autor direto ou executor); 
• Aquele que, mesmo não praticando diretamente o fato, possui atividade 
indispensável no plano global; 
• Controla finalisticamente o fato, ou seja, quem decide sua forma de execução, seu 
início, cessação e demais condições. 
• Aquele que se vale de um terceiro para executar um fato: AUTORIA MEDIATA. 
É PARTÍCIPE: Quem concorre para o crime sem ter o domínio do fato, a exemplo da instigação 
e auxílio. 
 
Vamos, então, analisar as alternativas 
 
A – INCORRETA 
Admite-se a autoria mediata nos crimes próprios desde que o autor mediato reúna as 
condições pessoais exigidas, pelo tipo penal, do autor imediato. 
 
B - INCORRETA 
Seguindo a linha do domínio funcional, que delimita o papel do coautor, diferenciando-o do 
partícipe, na coautoria, todos os agentes possuem o co-domínio ou domínio funcional do fato, 
que se caracteriza por uma atuação conjunta e coordenada baseada na divisão de tarefas. Ou 
seja: cada indivíduo, para ser considerado coautor, contribui com um ato relevante para o 
delito, a partir de uma decisão tomada em conjunto. 
 
C – INCORRETA 
No que se chama de domínio da vontade o autor da conduta não a pratica de mão própria, 
mas, sim, por meio da utilização de outro sujeito, que atua em erro ou em estado de não 
culpabilidade. 
 
D – INCORRETA 
A teoria se propõe justamente a reconhecer que o indivíduo que detém o controle de uma 
organização hierarquicamente estruturada e apartada, dissociada da ordem jurídica, emite 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
45 
 
uma ordem a executores fungíveis deve ser tratado como autêntico autor e não como mero 
partícipe. 
 
E – CORRETA 
Segundo Rogério Sanches: 
 
O dirigente de organização criminosa que emite ordens para o 
cometimento de infrações penais deve ser responsabilizado pelos 
atos dos subordinados que cumpram tais ordens, ainda que não 
tome parte diretamente na execução dos crimes. (...) A teoria se 
aplica apenas no âmbito de organizações constituídas para fins 
ilícitos, não daquelas que operam licitamente mas são 
eventualmente utilizadas para a prática de crimes. 
GABARITO: E 
 
6 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
Considere o seguinte caso hipotético: 
A.A. descobriu que seus sócios, B.B. e C.C., desviaram recursos substanciais da empresa para contas bancárias 
de familiares destes. Com o propósito de se vingar, A.A. chamou os sócios B.B. e C.C. para uma reunião entre 
os três. Anteriormente, A.A. havia envenenado o café que B.B. e C.C. sempre consumiam nessas ocasiões, 
sendo que A.A. não tomava café. B.B. e C.C. tomaram o café e morreram em decorrência da ingestão do 
veneno. 
A partir das noções sobre o concurso de crimes, é correto afirmar que A.A. cometeu dois crimes de homicídio 
qualificado em: 
 
A-continuidade delitiva. 
B-continuidade delitiva especial. 
C-concurso formal próprio. 
D-concurso formal impróprio. 
E-concurso material. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE CRIMES. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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Ocorre concurso de crimes sempre que forem cometidas duas ou mais infrações penais. 
Existem 3 espécies, conforme previsão no Código Penal 
• Concurso material (art. 69, CP) 
• Concurso formal (art. 70, CP) 
• Crime continuado (art. 71, CP) 
 
CONCURSO MATERIAL OU REAL: Ocorre quando o agente, mediante uma pluralidade de 
condutas (ação ou omissão), pratica uma pluralidade de crimes, idênticos ou não. 
O concurso material é classificado em: 
• CONCURSO FORMAL HOMOGÊNEO: Quando os crimes são idênticos. Ex.: 2 crimes de 
roubo. 
• CONCURSO FORMAL HETEROGÊNEO: Quando os crimes são diferentes. Ex.: 1 furto, 
1 roubo e 1 extorsão. 
 
• CONCURSO FORMAL PRÓPRIO OU PERFEITO: Quando o agente mediante apenas 
uma conduta (ação ou omissão) pratica uma pluralidade de crimes, sem que haja com 
desígnios autônomos. 
Neste caso aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade (art. 70, primeira parte, CP). 
• CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO OU IMPERFEITO: Quando o agente mediante 
apenas uma conduta (ação ou omissão) pratica uma pluralidade de crimes, mediante 
desígnios autônomos. 
Aqui, as penas aplicam-se cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os 
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos (art. 70, parte final, CP). 
 
CONCURSO FORMAL OU IDEAL: Ocorre quando o agente, mediante uma só conduta (ação ou 
omissão), pratica uma pluralidade de crimes, idênticos ou não. 
 
CRIME CONTINUADO OU CONTINUIDADE DELITIVA: Trata-se de uma ficção jurídica que 
quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da 
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras 
semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro. Nesse caso 
o agente pratica dois ou mais crimes, mas responderá como se tivesse cometido apenas um 
crime, por razões de política criminal. 
 
Vamos, então, para a análise das alternativas da questão. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
47 
 
A – INCORRETA 
Na descrição contida no enunciado, há menção apenas a uma conduta praticada pelo agente: 
o envenenamento do café a ser consumido pelas vítimas. 
 
B – INCORRETA 
A situação descrita no enunciado da questão (vide alternativa A), não caracteriza a 
continuidade delitiva, não havendo falar-se, portanto, em incidência da continuidade delitiva 
especial. 
 
C – INCORRETA 
No caso descrito, o agente nitidamente tem como objetivodois resultados típicos 
consubstanciados nas mortes de B.B. e C.C. 
 
D – CORRETA 
A.A. tinha por objetivo matar tanto B.B. como C.C., ou seja, visava dois resultados típicos, 
mediante a prática de uma conduta, logo, há o concurso formal impróprio. 
 
E – INCORRETA 
No caso narrado, o agente praticou uma única conduta visando, e consumando, a mais de 
um resultado típico. 
GABARITO: D 
 
7 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Após discutir com alguns vizinhos, Lúcio efetuou disparos de arma de fogo para o alto na via pública, 
atingindo o telhado de uma das casas, o que fez com que os moradores da localidade, dois dias depois, 
registrassem o fato na delegacia de polícia. A autoridade policial representou pela busca e apreensão de 
eventual prova de crime na residência de Lúcio, o que foi deferido pelo juízo competente. No cumprimento 
do mandado, foi apreendida na residência uma arma de fogo sem registro, sendo certo que Lúcio não tinha 
autorização legal para portar ou possuir qualquer tipo de arma. Restando comprovados os fatos por prova 
oral e pericial, Lúcio: 
 
A-responderá pelos crimes de posse de arma de fogo e de disparo de arma de fogo, na forma continuada; 
B-responderá apenas pelo crime de disparo de arma de fogo, ficando o crime de posse absorvido pela 
consunção; 
C-responderá pelos crimes de posse de arma de fogo e de disparo de arma de fogo, em concurso material; 
D-responderá apenas pelo crime de posse de arma de fogo, configurando o disparo pós-fato impunível; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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E-não responderá por qualquer delito, pois os crimes de posse e disparo de arma de fogo exigem perigo 
concreto. 
 
COMENTÁRIO 
De acordo com o art. 12, da Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento): 
 
Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou 
munição, de uso permitido, em desacordo com determinação legal 
ou regulamentar, no interior de sua residência ou dependência 
desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular 
ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa configura o 
crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido. 
 
O crime de posse irregular de arma de fogo de uso permitido tem como objeto jurídico a 
segurança pública e a paz social. Além disso, é crime de perigo abstrato, ou seja, não é 
necessário demonstração de efetiva situação de perigo e apenas o fato de possuir a arma já 
configura o crime. 
 
Já o art. 15, da Lei 10.826/03 (Estatuto do Desarmamento) dispõe que: 
 
Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou 
em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que 
essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime 
configura o crime de disparo de arma de fogo. 
 
Percebe-se que Lúcio cometeu os dois crimes em CONCURSO MATERIAL, pois no momento 
que adquiriu e guardou a arma em casa praticou o crime de posse irregular de arma de fogo 
e quando efetuou os disparos consumou o crime de disparo de arma de fogo. 
 
 
Os crimes foram cometidos mediante duas condutas, ocorrendo em contextos distintos, pois 
Lúcio efetuou disparos de arma de fogo em via pública (contexto 1) e guardou a arma em sua 
casa (contexto 2). Assim, de acordo com o entendimento do STJ (Tese – Edição 102): 
 
Não se aplica o princípio da consunção quando os delitos de posse 
ilegal de arma de fogo e disparo de arma em via pública são 
praticados em momentos diversos e em contextos distintos. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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Pelo exposto, a alternativa que se correta é a letra C. 
GABARITO: C 
 
8 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
Referente ao Direito Penal, assinale a alternativa correta. 
 
A-São exemplos de crimes que não admitem a tentativa: os preterdolosos, os unissubsistentes, os omissivos 
próprios e os de perigo concreto. 
B-Os crimes próprios são incompatíveis com a coautoria, haja vista que são delitos em que o tipo penal exige 
uma situação de fato ou de direito diferenciada por parte do sujeito ativo. 
C-Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até 
o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um terço até 
a metade. 
D-O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos 
secundários, penais ou extrapenais. 
E-Em relação ao concurso formal próprio, o Código Penal adotou o sistema da exasperação, aplicando-se a 
pena de qualquer dos crimes, se idênticos, ou então a mais grave, aumentada, em qualquer caso, de um 
sexto até dois terços. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
São delitos que NÃO admitem a tentativa: 
• Culposo; 
• Condicionado; 
• Habituais 
• Omissivos próprios; 
• Unissubsistente; 
• Preterdoloso; 
• Empreendimento (ou atentado). 
 
#DICA: mnemônico CCHOUPE. 
 
B – INCORRETA 
Os crimes próprios, apesar de exigirem qualidade específica do autor, admitem autoria 
mediata, participação e coautoria, até porque, conforme prevê o Código Penal em seu art. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
50 
 
30, nos casos em que a circunstância ou condição de caráter pessoal é elementar do crime, 
perde ela seu condão de incomunicabilidade. 
Em regra, não se admite a coautoria em crimes de mão própria, por se tratar de conduta 
infungível. 
 
C – INCORRETA 
O art. 16, do CP dispõe sobre o instituto do arrependimento posterior: 
 
Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, 
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da 
denúncia ou queixa, por ato voluntário do agente, a pena será 
reduzida de um a dois terços. 
 
D – CORRETA 
Assim estabelece a SUM 631, STJ: 
 
O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão 
executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais ou 
extrapenais. 
 
E – INCORRETA 
O art. 70 disciplina o concurso formal de crimes: 
 
Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois 
ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das 
penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, 
em qualquer caso, de um sexto até metade. 
GABARITO: D 
 
9 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
Cléber e Davi possuem um inimigo em comum, qual seja, Evandro. Em determinado dia, sem prévio ajuste, 
ambos portando arma de fogo de igual calibre e munições idênticas, escondem-se, em diferentes locais, 
próximo ao trabalho de Evandro, esperando o momento em que este chegue ao trabalho para, enfim, 
eliminar a vida dele. Quando Evandro chega ao local, Cléber e Davi atiram simultaneamente em sua direção, 
sendo Evandro atingido e vindo a falecer. Posteriormente, o exame pericial concluiu que Evandro foi morto 
por um único disparo de arma de fogo, sendo que os demais tiros não o atingiram, todavia, o laudo não 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
51 
 
conseguiu identificar de qual arma de fogo partiu o tiro que eliminou a vida de Evandro. Considerando o caso 
hipotético narrado, assinale a alternativa correta. 
 
A-Trata-se de hipótese de concurso de pessoas, em que Cléber e Davi respondem por homicídio consumado. 
B-Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria desconhecida. Cléber e Davi respondem por 
homicídio consumado. 
C-Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria desconhecida. Cléber e Davi respondem por 
tentativa de homicídio. 
D-Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria incerta. Cléber e Davi respondem por homicídio 
consumado. 
E-Não há concurso de pessoas, sendo hipótese de autoria incerta. Cléber e Davi respondem por tentativa de 
homicídio. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS.Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Concurso de pessoas é a colaboração entre duas ou mais pessoas para a prática de infração 
penal (crime ou contravenção penal). Para a sua configuração devem estar presentes os 
seguintes requisitos: 
i. Pluralidade de agentes; 
ii. Relevância causal da conduta; 
iii. Vínculo subjetivo entre os agentes; 
iv. Unidade de infração penal; 
v. Existência de fato punível; 
 
Definições relevantes: 
AUTORIA COLATERAL OU IMPRÓPRIA: Ocorre autoria colateral ou imprópria quando duas ou 
mais pessoas concorrem para a prática de um crime sem saber da conduta umas das outras. 
AUTORIA INCERTA: Ocorre autoria incerta, quando na autoria colateral, não se descobre qual 
das pessoas efetivamente causou o resultado. 
AUTORIA DESCONHECIDA OU IGNORADA: Ocorre quando não se sabe quem foi o autor do 
fato. A autoria desconhecida ou ignorada não se confunde com a autoria incerta, pois nesta 
conhece os autores do fato, apenas desconhece quem causou a conduta lesiva, já naquela 
desconhece quem são os autores do fato, ou seja, na autoria incerta a dúvida reside em saber, 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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entre as duas ou mais pessoas conhecidas, quem causou a lesão, na autoria desconhecida a 
dúvida é saber quem foi quem cometeu a ação. 
 
Vamos, então, para a análise das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
Não há concurso de pessoas por estar ausente o requisito do vínculo subjetivo entre os 
agentes. 
 
B – INCORRETA 
Realmente não há concurso de pessoas, contudo, também não é o caso de autoria 
desconhecida, mas de autoria incerta, pois a morte de Evandro decorreu de disparo oriundo 
da arma de Cléber OU Davi. Diante disso, ambos respondem por homicídio tentado, uma vez 
que é certo que apenas um deles provocou a morte de Evandro e, não sendo possível saber 
quem, descabe a imputação pelo resultado. 
 
C – INCORRETA 
Não é o caso de autoria desconhecida, mas de autoria incerta (vide alternativa B). 
 
D – INCORRETA 
Cléber e Davi não respondem por homicídio consumado, mas por homicídio tentado (vide 
alternativa B). 
 
E – CORRETA 
Trata-se de autoria incerta e Cléber e Davi respondem pela tentativa de homicídio (vide 
alternativa B). 
GABARITO: E 
 
10 – 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP – 2021 – PC-PA – Delegado de Polícia Civil 
Em determinado restaurante, almoçam João, Pedro e José. Pedro se retira para ir ao banheiro. Nesse 
momento, João aproveita a oportunidade e solicita que José passe o sal, a fim de salgar excessivamente a 
comida de Pedro. José, agindo culposamente, entrega veneno no lugar. João, notável químico, percebe o 
engano de José e, mesmo assim, coloca o veneno na comida de Pedro, que o ingere e vem a falecer em 
seguida. Considerando o caso hipotético narrado, assinale a alternativa correta. 
 
A-Trata-se de hipótese de erro determinado por terceiro, na qual o agente provocador atua culposamente e, 
por isso, responde pelo crime de homicídio culposo. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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B-Trata-se de hipótese de concurso de pessoas, na qual ambos respondem pelo homicídio qualificado, João 
como autor e José na condição de coautor. 
C-Não se trata de hipótese de erro determinado por terceiro e também não há concurso de pessoas. João 
responde por homicídio qualificado doloso e José por homicídio culposo. 
D-Não se trata de hipótese de erro determinado por terceiro e também não há concurso de pessoas. João 
responde por homicídio qualificado doloso e José permanecerá impune. 
E-Trata-se de hipótese de concurso de pessoas, na qual ambos respondem pelo homicídio qualificado, João 
como autor e José na condição de partícipe. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
O erro determinado por terceiro, previsto no art. 20, §2º do CP, ocorre quando o agente 
provocador induz o provocado a cometer um crime, aquele é o agente mediato e este o 
agente imediato. Nesse caso, responde pelo crime o terceiro que determina o erro. 
 
Não é o caso da questão em análise, pois quando João solicitou que José passasse o sal a 
intenção era apenas salgar a comida de Pedro, ou seja, não queria cometer crime, entretanto, 
após José culposamente entregar o veneno ao invés do sal, o dolo do agente mudou. 
 
B – INCORRETA 
Não cabe participação culposa em crime doloso. 
 
Não há liame subjetivo entre João e José, pois José sequer sabia que estava entregando um 
veneno. Para que houvesse o concurso os dois agentes teriam que ter concorrido para a 
pratica do delito com a vontade de obter o resultado. 
 
C –CORRETA 
Não se trata de erro determinado por terceiro nem de concurso de pessoas (vide alternativas 
A e B). 
 
João responderá pelo homicídio qualificado por emprego de veneno (art. 121, §2º, III CP) e 
José responderá pelo crime culposo, visto que havia previsibilidade, mas o enunciado diz 
expressamente que José agiu culposamente. 
 
D – INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Não se trata de hipótese de erro determinado por terceiro e também não há concurso de 
pessoas (vide alternativas A e B). João responde por homicídio qualificado doloso (vide 
alternativa C). 
 
Contudo, José não permanecerá impune. Poderíamos a priori, imaginar que José não teve 
culpa, pois não teria como saber que entregou veneno, porém o enunciado da questão é 
expresso no sentido de apontar que José agiu culposamente, trouxe a previsibilidade objetiva, 
desse modo, ele teria que responder pelo crime de forma culposa. 
 
E – INCORRETA 
Não se trata de concurso de pessoas (vide alternativa B). 
GABARITO: C 
 
11 – 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE – 2021 – Polícia Federal – Delegado 
de Polícia Federal 
Com relação à teoria geral do direito penal, julgue o item seguinte. 
 
Conforme a autoria de escritório, tanto o agente que dá a ordem como o que cumpre respondem pelo tipo 
penal. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A expressão “autoria de escritório”, cunhada por Zaffaroni, está ligada à teoria do domínio do 
fato. Ocorre quando, dentro de uma “máquina de poder”, o agente ordena que outrem 
execute determinada conduta. Em razão da fungibilidade dos membros, o executor pode ser 
substituído a qualquer momento por outro integrante da organização. 
 
Requisitos para configurar a autoria de escritório: 
1) Poder de Mando: dentro da organização criminosa. 
2) O aparato organizado de poder deve ser desvinculado do Ordenamento Jurídico (Para 
Roxin, trata-se de requisito essencial). 
3) Fungibilidade o executor: o executor pode ser substituído por outro integrante da 
organização criminosa. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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4) Alta disposição do executor para cumprir a ordem: o executor da ordem está sujeito à 
inúmeras influências que o tornam mais disposto ao fato que outros delinquentes, razão pela 
qual, contribuem com domínio do fato pelo homem de trás. 
 
Assim, tratando-se da teoria do domínio do fato, tanto o autor mediato quanto o imediato 
respondem pelo tipo penal corresponde à conduta delitiva praticada. 
 
Ante essas considerações, verifica-se que a assertiva constante da questão está correta. 
GABARITO: CERTO 
 
12 – 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE – 2021 – Polícia Federal – Delegado 
de Polícia Federal 
Com relação à teoria geral do direito penal, julgue o item seguinte. 
 
A teoria do domínio do fato permite, isoladamente, que se faça uma acusação pela prática de crimes 
complexos, como o de sonegação fiscal, sem a descrição da conduta. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A questão envolve o entendimento da jurisprudência acerca da teoria do domínio do fato. 
 
O STJ decidiu que a teoria do domínio do fato não permite, isoladamente, que se faça uma 
acusação pela prática de qualquer crime. A acusação da prática de qualquer crime deve seracompanhada da devida descrição. Inclusive quando se trata de sonegação fiscal, exige-se 
que a conduta seja dolosa. Vejamos a decisão: 
 
A teoria do domínio do fato não permite, isoladamente, que se 
faça uma acusação pela prática de qualquer crime, eis que a 
imputação deve ser acompanhada da devida descrição, no plano 
fático, do nexo de causalidade entre a conduta e o resultado 
delituoso. A teoria do domínio do fato funciona como uma ratio, a 
qual é insuficiente, por si só, para aferir a existência do nexo de 
causalidade entre o crime e o agente. É equivocado afirmar que um 
indivíduo é autor porque detém o domínio do fato se, no plano 
intermediário ligado à realidade, não há nenhuma circunstância 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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56 
 
que estabeleça o nexo entre sua conduta e o resultado lesivo. Não 
há como considerar, com base na teoria do domínio do fato, que a 
posição de gestor, diretor ou sócio administrador de uma empresa 
implica a presunção de que houve a participação no delito, se não 
houver, no plano fático-probatório, alguma circunstância que o 
vincule à prática delitiva. Em decorrência disso, também não é 
correto, no âmbito da imputação da responsabilidade penal, partir 
da premissa ligada à forma societária, ao número de sócios ou ao 
porte apresentado pela empresa para se presumir a autoria, 
sobretudo porque nem sempre as decisões tomadas por gestor de 
uma sociedade empresária ou pelo empresário individual, - seja ela 
qual for e de que forma esteja constituída -implicam o absoluto 
conhecimento e aquiescência com os trâmites burocráticos 
subjacentes, os quais, não raro, são delegados a terceiros. STJ. 6ª 
Turma. Resp 1.854.893-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado 
em 08/09/2020 (Info 681). 
 
Logo, a assertiva está incorreta 
GABARITO: ERRADO 
 
13 – 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE – 2018 – PC-SE – Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
 
De acordo com a teoria objetivo-subjetiva, o autor do delito é aquele que tem o domínio final sobre o fato 
criminoso doloso. 
 
Certo 
Errado 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
57 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Concurso de pessoas é a colaboração entre duas ou mais pessoas para a prática de infração 
penal (crime ou contravenção penal). Para a sua configuração devem estar presentes os 
seguintes requisitos: 
i. Pluralidade de agentes; 
ii. Relevância causal da conduta; 
iii. Vínculo subjetivo entre os agentes; 
iv. Unidade de infração penal; 
v. Existência de fato punível; 
 
O concurso de pessoas pode se dar na modalidade de coautoria ou participação. Nesse 
sentido, existem algumas teorias que buscam distinguir o conceito de autor e de participe: 
 
AUTOR: 
• TEORIA SUBJETIVA OU UNITÁRIA: Não há qualquer diferença entre autor e partícipe. 
Tem fundamento na teoria da equivalência dos antecedentes (conditio sine qua non). 
• TEORIA EXTENSIVA: Também não distingue autor ou partícipe, pois todos os que dão 
causa ao resultado são autores, mas a lei distingue os graus de responsabilidade. 
• TEORIA OBJETIVA OU DUALISTA: Diferencia autor de partícipe, a partir da premissa 
de que nem todo aquele que causa o resultado é autor do delito. Divide-se em: 
 
a) TEORIA OBJETIVO-FORMAL: Autor é quem realiza o verbo descrito no tipo penal e 
partícipe concorre (ajuda) sem cometer o verbo do tipo. 
b) TEORIA OBJETIVO-MATERIAL: Autor do crime não é necessariamente quem comete o 
verbo do tipo, mas sim quem contribui de forma mais relevante para o resultado. Já o 
partícipe é quem contribui de forma menos efetiva (para esta teoria tanto o autor como 
partícipe podem praticar o verbo do tipo, o que vai diferencia-los é a sua efetividade para 
o resultado). 
 
• TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO (OBJETIVO-SUBJETIVA): que se divide em: 
a) Domínio da AÇÃO: autor é quem realiza o fato típico diretamente; 
b) Domínio da VONTADE: autor é aquele que utiliza de outra para o cometimento do crime. 
Assim, o autor imediato age sob coação ou induzido ao erro pelo autor mediato; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
58 
 
c) Domínio FUNCIONAL: há uma divisão de tarefas entre os autores do fato criminoso. 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
Na teoria objetivo- subjetiva (teoria do domínio do fato), o autor não é somente aquele que 
realiza a figura típica, mas também aquele indivíduo que detém o controle finalístico sobre o 
domínio final do fato, ou seja, determina a forma de execução do crime, o seu início, 
suspensão e também as demais condições da infração penal, independentemente da 
realização do verbo núcleo do tipo. Neste sentido, a situação hipotética está correta. 
GABARITO: CERTO 
 
 
14 – 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE – 2018 – PC-SE – Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
 
Para que fique caracterizado o concurso de pessoas, é necessário que exista o prévio ajuste entre os agentes 
delitivos para a prática do delito. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Concurso de pessoas é a colaboração entre duas ou mais pessoas para a prática de infração 
penal (crime ou contravenção penal). Para a sua configuração devem estar presentes os 
seguintes requisitos: 
i. Pluralidade de agentes; 
ii. Relevância causal da conduta; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
59 
 
iii. Vínculo subjetivo entre os agentes; 
iv. Unidade de infração penal; 
v. Existência de fato punível; 
 
O concurso de pessoas pode se dar na modalidade de coautoria ou participação. 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
Para o concurso de pessoas é necessário um vínculo subjetivo entre os agentes, uma vontade 
homogênea voltada à produção do mesmo resultado. Sem esse nexo psicológico, há vários 
crimes autônomos, e não concurso de agentes. O liame subjetivo independe de prévio ajuste, 
bastando que um agente tenha ciência da vontade do outro e decida cooperar. Ou seja, basta 
a adesão de um à conduta do outro. Neste sentido, a alternativa está incorreta. 
GABARITO: ERRADO 
 
15 – 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE – 2018 – PC-SE – Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
ficaramvigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
 
Na situação considerada, configurou-se a autoria imprópria decorrente do concurso de pessoas. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Concurso de pessoas é a colaboração entre duas ou mais pessoas para a prática de infração 
penal (crime ou contravenção penal). Para a sua configuração devem estar presentes os 
seguintes requisitos: 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
60 
 
i. Pluralidade de agentes; 
ii. Relevância causal da conduta; 
iii. Vínculo subjetivo entre os agentes; 
iv. Unidade de infração penal; 
v. Existência de fato punível; 
 
O concurso de pessoas pode se dar na modalidade de coautoria ou participação. 
 
Outras definições relevantes: 
AUTORIA COLATERAL OU IMPRÓPRIA: Ocorre autoria colateral ou imprópria quando duas ou 
mais pessoas concorrem para a prática de um crime sem saber da conduta umas das outras. 
AUTORIA INCERTA: Ocorre autoria incerta, quando na autoria colateral, não se descobre qual 
das pessoas efetivamente causou o resultado. 
AUTORIA DESCONHECIDA OU IGNORADA: Ocorre quando não se sabe quem foi o autor do 
fato. A autoria desconhecida ou ignorada não se confunde com a autoria incerta, pois nesta 
conhece os autores do fato, apenas desconhece quem causou a conduta lesiva, já naquela 
desconhece quem são os autores do fato, ou seja, na autoria incerta a dúvida reside em saber, 
entre as duas ou mais pessoas conhecidas, quem causou a lesão, na autoria desconhecida a 
dúvida é saber quem foi quem cometeu a ação. 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
No caso da questão, é evidente que os agentes (João, Pedro e Ana) agiram com liame 
subjetivo (vontade e ciência de colaborar para o mesmo crime), afastando a hipótese de 
autoria imprópria. Para a configuração da autoria imprópria é necessário que cada autor, 
momento de execução do crime, ignore a conduta do outro, de modo que atuem de forma 
independente, embora com o mesmo objetivo. No caso os agentes estavam cientes de todas 
as condutas e acordaram com a prática conjunta, razão pela qual ficou configurado o 
CONCURSO DE PESSOAS, uma vez verificados os 5 requisitos supramencionados. Logo, a 
alternativa está incorreta. 
GABARITO: ERRADO 
 
 
16 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
 
Como as ações paralelas de João, Pedro e Ana — agentes diversos — lesionaram o mesmo bem jurídico, 
constata-se a ocorrência da autoria colateral, haja vista que o resultado foi previamente planejado em 
conjunto. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Concurso de pessoas é a colaboração entre duas ou mais pessoas para a prática de infração 
penal (crime ou contravenção penal). Para a sua configuração devem estar presentes os 
seguintes requisitos: 
i. Pluralidade de agentes; 
ii. Relevância causal da conduta; 
iii. Vínculo subjetivo entre os agentes; 
iv. Unidade de infração penal; 
v. Existência de fato punível; 
 
O concurso de pessoas pode se dar na modalidade de coautoria ou participação. 
 
Outras definições relevantes: 
AUTORIA COLATERAL OU IMPRÓPRIA: Ocorre autoria colateral ou imprópria quando duas ou 
mais pessoas concorrem para a prática de um crime sem saber da conduta umas das outras. 
AUTORIA INCERTA: Ocorre autoria incerta, quando na autoria colateral, não se descobre qual 
das pessoas efetivamente causou o resultado. 
AUTORIA DESCONHECIDA OU IGNORADA: Ocorre quando não se sabe quem foi o autor do 
fato. A autoria desconhecida ou ignorada não se confunde com a autoria incerta, pois nesta 
conhece os autores do fato, apenas desconhece quem causou a conduta lesiva, já naquela 
desconhece quem são os autores do fato, ou seja, na autoria incerta a dúvida reside em saber, 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
62 
 
entre as duas ou mais pessoas conhecidas, quem causou a lesão, na autoria desconhecida a 
dúvida é saber quem foi quem cometeu a ação. 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
No caso da questão, é evidente que os agentes (João, Pedro e Ana) agiram com liame 
subjetivo (vontade e ciência de colaborar para o mesmo crime), afastando a hipótese de 
autoria colateral. Para a configuração da autoria colateral é necessário que cada autor, 
momento de execução do crime, ignore a conduta do outro, de modo que atuem de forma 
independente, embora com o mesmo objetivo. No caso os agentes estavam cientes de todas 
as condutas e acordaram com a prática conjunta, razão pela qual ficou configurado o 
CONCURSO DE PESSOAS, uma vez verificados os 5 requisitos supramencionados. Logo, a 
alternativa está incorreta. 
GABARITO: ERRADO 
 
 
17 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
 
Na situação descrita, está presente a hipótese de participação necessária imprópria. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
O concurso de pessoas consiste na reunião de mais de um agente, em que todos concorrem 
com unidade de propósitos e de modo relevante para a prática da conduta típica. É o 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
63 
 
cometimento da mesma infração penal por duas ou mais pessoas, que serão chamadas de 
coautor/autor ou partícipe (art. 29, CP). Essas pessoas devem atuar de forma relevante para 
o resultado e possuir identidade de propósito. 
 
A doutrina distingue duas espécies de concurso a depender da natureza do crime: 
 
CRIMES UNISSUBJETIVOS OU DE CONCURSO EVENTUAL: São os delitos que podem ser 
praticados apenas por um sujeito ou por vários. O concurso de pessoas é eventual, ou seja, 
pode ou não ocorrer. 
CRIMES PLURISSUBJETIVOS OU DE CONCURSO NECESSÁRIO: São delitos nos quais o 
concurso de pessoas é elementar do tipo, ou seja, o tipo penal exige a pluralidade de agentes 
(plurissubjetivos). 
Excepcionalmente, admite-se participação em delitos plurissubjetivos. Ex.: sujeito empresta 
casa para quadrilha se reunir, sem participar da quadrilha, pode ser consideradopartícipe do 
crime. 
 
Luiz Regis Prado (2018, p.320), tratando dos crimes que só podem ser praticados com a 
participação de várias pessoas (PLURISSUBJETIVOS / CONCURSO NECESSÁRIO), denomina de 
PARTICIPAÇÃO NECESSÁRIA IMPRÓPRIA as hipóteses de DELITOS DE ENCONTRO OU DE 
CONVERGÊNCIA, dos quais são exemplos o art. 288 do CP (crime de associação criminosa) e 
art. 235 do CP (crime de bigamia). 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
O crime de furto, é um CRIME UNISSUBJETIVO, que pode ser praticado por uma única pessoa, 
bem como, eventualmente, com a participação de diversas pessoas. Com efeito, a situação 
descrita não representa a participação necessária imprópria, logo, a alternativa está incorreta. 
GABARITO: ERRADO 
 
18- 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
64 
 
 
Aquele que planeja toda a ação criminosa é considerado autor intelectual do delito, ainda que não detenha 
o controle sobre a consumação do crime. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO. 
 
TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO: trata-se de uma teoria objetivo-subjetiva. 
Na visão de Hans Welzel, o autor possui o domínio final do fato, com a vontade final de 
realização (dolo do tipo), decidindo sobre a forma de execução, seu início, sua cessação e as 
condições de realização. É quem tem o poder de decisão final sobre o fato. Assim, partindo 
da doutrina de Welzel, autor é aquele que possui controle finalístico sobre a ação delituosa, 
enquanto o partícipe colabora para sua produção do resultado ou para a prática delitiva, sem 
domínio sobre a ação, ou seja, sem controle sobre o início ou a cessação da atividade ilícita. 
Na visão de Roxin, o autor é a figura central do acontecimento da ação, ou seja, da conduta 
criminosa. Partícipe é aquele que colabora dolosamente para o alcance do resultado, sem 
exercer o domínio sobre a ação. O autor é a figura central da conduta típica, aquele que possui 
domínio sobre a execução dos atos executórios e até mesmo sobre a consumação. 
Assim, para a Teoria do Domínio do fato, autor é aquele que possui poder de decisão sobre a 
realização do tipo, o que pode ocorrer em 3 contextos: 
(1) Domínio da AÇÃO (AUTOR IMEDIATO): É aquele que possui domínio sobre a própria 
ação. O autor realiza pessoalmente os elementos do tipo. 
(2) Domínio da VONTADE (AUTOR MEDIATO): É autor aquele que domina a vontade de 
um terceiro que é utilizado como instrumento. O domínio da vontade se dá por erro, 
coação ou aparatos organizados de poder. 
 
OBS.: O AUTOR INTELECTUAL é aquele que planeja a ação delituosa para ser executada 
por outras pessoas (DICA: Lembrar do “Professor” do seriado La casa de papel). 
Embora haja entendimento em sentido contrário (Rogério Greco), a doutrina majoritária 
e especializada entende que o autor intelectual somente poderá ser responsabilizado se 
tiver o domínio do acontecer típico. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
65 
 
(3) Domínio FUNCIONAL (AUTOR FUNCIONAL): O termo funcional refere-se a divisão de 
funções entre coautores. Em havendo divisão de tarefas, autor é aquele que 
prepara/pratica ato relevante na execução. Temos, aqui, a hipótese de coautoria. 
 
Assim, temos que: 
É AUTOR: 
• Aquele que, possuindo todo domínio da conduta típica, pratica diretamente o fato 
(autor direto ou executor); 
• Aquele que, mesmo não praticando diretamente o fato, possui atividade 
indispensável no plano global; 
• Controla finalisticamente o fato, ou seja, quem decide sua forma de execução, seu 
início, cessação e demais condições. 
• Aquele que se vale de um terceiro para executar um fato: AUTORIA MEDIATA. 
É PARTÍCIPE: Quem concorre para o crime sem ter o domínio do fato, a exemplo da instigação 
e auxílio. 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
Segundo a teoria do domínio do fato, autor seria todo aquele que possui o domínio da 
conduta criminosa, seja ele o executor ou não. Autor, para esta teoria, seria aquele que decide 
o trâmite do crime, sua prática ou não, por exemplo. Neste sentido, o autor intelectual possui 
o domínio da ação, mesmo que não a realize materialmente. Portanto, o autor intelectual 
possui controle sobre, inclusive, a consumação do delito. Logo, a alternativa está incorreta. 
GABARITO: ERRADO 
 
19 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
 
Mesmo se tivesse assumido a condição de autora mediata por colocar em seu lugar na prática do delito 
pessoa inimputável, Ana seria responsabilizada pelo resultado do crime. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
66 
 
Certo 
Errado 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO. 
 
TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO: trata-se de uma teoria objetivo-subjetiva. 
Na visão de Hans Welzel, o autor possui o domínio final do fato, com a vontade final de 
realização (dolo do tipo), decidindo sobre a forma de execução, seu início, sua cessação e as 
condições de realização. É quem tem o poder de decisão final sobre o fato. Assim, partindo 
da doutrina de Welzel, autor é aquele que possui controle finalístico sobre a ação delituosa, 
enquanto o partícipe colabora para sua produção do resultado ou para a prática delitiva, sem 
domínio sobre a ação, ou seja, sem controle sobre o início ou a cessação da atividade ilícita. 
Na visão de Roxin, o autor é a figura central do acontecimento da ação, ou seja, da conduta 
criminosa. Partícipe é aquele que colabora dolosamente para o alcance do resultado, sem 
exercer o domínio sobre a ação. O autor é a figura central da conduta típica, aquele que possui 
domínio sobre a execução dos atos executórios e até mesmo sobre a consumação. 
Assim, para a Teoria do Domínio do fato, autor é aquele que possui poder de decisão sobre a 
realização do tipo, o que pode ocorrer em 3 contextos: 
• Domínio da AÇÃO (AUTOR IMEDIATO): É aquele que possui domínio sobre a própria 
ação. O autor realiza pessoalmente os elementos do tipo. 
• Domínio da VONTADE (AUTOR MEDIATO): É autor aquele que domina a vontade de 
um terceiro que é utilizado como instrumento. O domínio da vontade se dá por erro, 
coação ou aparatos organizados de poder. 
 
OBS.: O AUTOR INTELECTUAL é aquele que planeja a ação delituosa para ser executada 
por outras pessoas (DICA: Lembrar do “Professor” do seriado La casa de papel). 
Embora haja entendimento em sentido contrário (Rogério Greco), a doutrina majoritária 
e especializada entende que o autor intelectual somente poderá ser responsabilizado se 
tiver o domínio do acontecertípico. 
 
• Domínio FUNCIONAL (AUTOR FUNCIONAL): O termo funcional refere-se a divisão de 
funções entre coautores. Em havendo divisão de tarefas, autor é aquele que 
prepara/pratica ato relevante na execução. Temos, aqui, a hipótese de coautoria. 
 
Assim, temos que: 
É AUTOR: 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
67 
 
• Aquele que, possuindo todo domínio da conduta típica, pratica diretamente o fato 
(autor direto ou executor); 
• Aquele que, mesmo não praticando diretamente o fato, possui atividade 
indispensável no plano global; 
• Controla finalisticamente o fato, ou seja, quem decide sua forma de execução, seu 
início, cessação e demais condições. 
• Aquele que se vale de um terceiro para executar um fato: AUTORIA MEDIATA. 
É PARTÍCIPE: Quem concorre para o crime sem ter o domínio do fato, a exemplo da instigação 
e auxílio. 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
A autoria mediata se caracteriza quando o autor mediato se vale de pessoa não-culpável ou 
que atue sem dolo ou culpa, de modo a funcionar como um mero instrumento para o autor 
mediato. Dessa forma, na autoria mediata, quem responde é o autor mediato. Neste caso, 
então, Ana seria responsabilizada pelo resultado do crime. Logo, a assertiva está correta. 
GABARITO: CERTO 
 
20- 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
João e Pedro, maiores e capazes, livres e conscientemente, aceitaram convite de Ana, também maior e capaz, 
para juntos assaltarem loja do comércio local. Em data e hora combinadas, no período noturno e após o 
fechamento, João e Pedro arrombaram a porta dos fundos de uma loja de decoração, na qual entraram e 
ficaram vigiando enquanto Ana subtraía objetos valiosos, que seriam divididos igualmente entre os três. 
Alertada pela vizinhança, a polícia chegou ao local durante o assalto, prendeu os três e os encaminhou para 
a delegacia de polícia local. 
Considerando essa situação hipotética, julgue o item subsequente. 
João e Pedro tiveram participação de menor importância no crime de furto; assim, eventual indiciamento 
dos dois será na condição de partícipes, razão por que eles poderão ser beneficiados pela diminuição de um 
a dois terços da pena. 
 
Certo 
Errado 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE PESSOAS. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
68 
 
Concurso de pessoas é a colaboração entre duas ou mais pessoas para a prática de infração 
penal (crime ou contravenção penal). Para a sua configuração devem estar presentes os 
seguintes requisitos: 
i. Pluralidade de agentes; 
ii. Relevância causal da conduta; 
iii. Vínculo subjetivo entre os agentes; 
iv. Unidade de infração penal; 
v. Existência de fato punível; 
 
O concurso de pessoas pode se dar na modalidade de coautoria ou participação. Nesse 
sentido, existem algumas teorias que buscam distinguir o conceito de autor e de participe: 
 
AUTOR: 
• TEORIA SUBJETIVA OU UNITÁRIA: Não há qualquer diferença entre autor e partícipe. 
Tem fundamento na teoria da equivalência dos antecedentes (conditio sine qua non). 
• TEORIA EXTENSIVA: Também não distingue autor ou partícipe, pois todos os que dão 
causa ao resultado são autores, mas a lei distingue os graus de responsabilidade. 
• TEORIA OBJETIVA OU DUALISTA: Diferencia autor de partícipe, a partir da premissa 
de que nem todo aquele que causa o resultado é autor do delito. Divide-se em: 
 
a) TEORIA OBJETIVO-FORMAL: Autor é quem realiza o verbo descrito no tipo penal e 
partícipe concorre (ajuda) sem cometer o verbo do tipo. 
b) TEORIA OBJETIVO-MATERIAL: Autor do crime não é necessariamente quem comete o 
verbo do tipo, mas sim quem contribui de forma mais relevante para o resultado. Já o 
partícipe é quem contribui de forma menos efetiva (para esta teoria tanto o autor como 
partícipe podem praticar o verbo do tipo, o que vai diferencia-los é a sua efetividade para 
o resultado). 
 
• TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO: que se divide em: 
a) Domínio da AÇÃO: autor é quem realiza o fato típico diretamente; 
b) Domínio da VONTADE: autor é aquele que utiliza de outra para o cometimento do crime. 
Assim, o autor imediato age sob coação ou induzido ao erro pelo autor mediato; 
c) Domínio FUNCIONAL: há uma divisão de tarefas entre os autores do fato criminoso. 
 
PARTÍCIPE: É quem induz, instiga ou auxilia na prática do crime, embora não pratique conduta 
típica. Algumas teorias visam explicar a participação no concurso de pessoas. O Brasil adotou 
a teoria da acessoriedade limitada. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
69 
 
• TEORIA DA ACESSORIEDADE MÍNIMA: Basta que o autor cometa um fato típico para 
que o participe seja punido. 
• TEORIA DA ACESSORIEDADE LIMITADA: Para a que o partícipe seja punido o autor 
tem que praticar um fato típico e ilícito. 
• TEORIA DA ACESSORIEDADE MÁXIMA OU EXTREMA: Para que o partícipe seja punido 
o autor deverá praticar um fato típico, ilícito e culpável. 
• TEORIA DA HIPERACESSORIEDADE: para que o partícipe seja punido exige-se o 
cometimento de um fato típico, ilícito, culpável e punível. 
 
Vamos, então, para a análise da assertiva. 
 
A participação pode ser dividida em auxílio material, quando o agente auxilia materialmente 
a prática do crime, ou em auxílio moral, quando induz ou instiga outro agente a cometer o 
delito. Neste sentido, no caso trazido pelo enunciado, não se trata de participação, pois os 
agentes contribuíram para a prática do delito de forma incisiva, então, serão considerados 
coautores, pois ambos arrombaram uma porta para a prática do crime de furto. Logo, a 
assertiva está incorreta. 
GABARITO: ERRADO 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
70 
 
DIREITO PROCESSUAL PENAL: AÇÃO PENAL 
 
1 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Dentro do modelo de Direito Penal Consensual, os institutos despenalizadores ganharam especial relevo no 
sistema brasileiro. No entanto, esses institutos geralmente estão associados a uma determinada categoria 
de infrações penais, não tendo incidência às demais. 
 
Assinale a opção que corresponde a um instituto que, observados seus requisitos legais, tem incidência em 
infrações penais, independentemente da sua categoria. 
 
A-Composição dos danos civis. 
B-Transação penal. 
C-Acordo de não persecução penal. 
D-Sursis. 
E-Suspensão condicional do processo. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca dos INSTITUTOS DESPENALIZADORES. 
 
A – INCORRETA 
A composição civil dos danos (art. 74, Lei 9.099/95) é aplicável apenas aos crimes de menor 
potencial ofensivo. 
 
B - INCORRETA 
A transação penal (art. 76, Lei 9.099/95) é aplicável apenas aos crimes de menor potencial 
ofensivo. 
 
C - INCORRETA 
O acordo de não persecução penal (art. 28-A, CPP) constitui faculdade do órgão ministerial e 
não direito subjetivo do investigado, conforme entendimento da doutrina majoritária, bem 
como dos Tribunais Superiores. Assim, não existe o caráter mandatório a incidir na infração 
penal quando obedecidos os requisitos legais. 
 
D - INCORRETA 
O sursis da pena (art. 77, CP) se caracteriza como direito subjetivo do condenado, de modo 
que, verificados os requisitos legalmente previstos, constitui uma faculdade do sujeito. Isto é, 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
71 
 
presentes as condicionantes legais que permitem a suspensão condicional da pena, o 
condenado poderá optar se lhe é conveniente aceitar tal instituto ou não. 
 
E – CORRETA 
A suspensão condicional do processo (art. 89, Lei 9.099/95) aplica-se independentemente da 
categoria da infração, uma vez que, embora previsto na Lei 9.099/95 não se limita a incidência 
sobre as infrações de menor potencial ofensivo. Ademais, o instituto é mandatório, nãocomportando análise volitiva do agente ou do órgão ministerial, quando verificados os 
requisitos legais. 
 
OBS.: Trata-se de questão que foi amplamente questionada / criticada, contudo, a Banca 
indeferiu os recursos interpostos. Nem sempre as questões de concursos são bem elaboradas, 
o que no leva, por vezes, a buscar a “alternativa menos errada”. 
GABARITO: E 
 
2 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
Assinale a opção correta a respeito da disciplina legal dos crimes contra o meio ambiente. 
 
A-O recolhimento domiciliar é espécie de pena restritiva de direitos prevista na Lei de Crimes Ambientais. 
B-O desmatamento é considerado crime se praticado em terras de domínio público ou devolutas e desde 
que a floresta seja nativa, salvo se o delito for praticado por necessidade de subsistência imediata pessoal do 
agente ou de sua família. 
C-Verificada a ocorrência de infração penal ambiental que envolva animais, estes deverão ser 
obrigatoriamente libertados em seu habitat. 
D-Não é cabível a suspensão condicional do processo ou o acordo de não persecução aos crimes ambientais, 
por expressa vedação legal. 
E-Se o abate de animal for praticado para proteger lavouras de ação predatória, será cabível a redução da 
pena de um a dois terços, desde que a circunstância seja atestada pela autoridade competente. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da Lei 9.605/98, que trata dos CRIMES AMBIENTAIS. 
 
A – CORRETA 
O art. 8º, V, da Lei de Crimes Ambientais, prevê o recolhimento domiciliar como espécie de 
pena restritiva de direitos. 
Lei 9.605, Art. 8º As penas restritivas de direito são: 
I - prestação de serviços à comunidade; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
72 
 
II - interdição temporária de direitos; 
III - suspensão parcial ou total de atividades; 
IV - prestação pecuniária; 
V - recolhimento domiciliar. 
(...) 
 
Art. 13. O recolhimento domiciliar baseia-se na autodisciplina e 
senso de responsabilidade do condenado, que deverá, sem 
vigilância, trabalhar, freqüentar curso ou exercer atividade 
autorizada, permanecendo recolhido nos dias e horários de folga 
em residência ou em qualquer local destinado a sua moradia 
habitual, conforme estabelecido na sentença condenatória. 
 
B - INCORRETA 
Realmente não há crime se o desmatamento for praticado por necessidade de subsistência. 
Contudo, o art. 50-A da Lei de Crimes Ambientais ao tipificar o crime de desmatamento em 
floresta, NÃO faz distinção se plantada ou nativa. 
 
Lei 9.605, Art. 50-A. Desmatar, explorar economicamente ou 
degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de domínio 
público ou devolutas, sem autorização do órgão competente: 
Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa. 
§ 1º Não é crime a conduta praticada quando necessária à 
subsistência imediata pessoal do agente ou de sua família. 
 
C - INCORRETA 
A libertação dos animais deverá ocorrer prioritariamente em seu habitat, mas não de forma 
obrigatória, conforme estabelecido no art. 25, da Lei de Crimes Ambientais. 
 
Lei 9.605, Art. 25, § 1º Os animais serão prioritariamente libertados 
em seu habitat ou, sendo tal medida inviável ou não recomendável 
por questões sanitárias, entregues a jardins zoológicos, fundações 
ou entidades assemelhadas, para guarda e cuidados sob a 
responsabilidade de técnicos habilitados. 
 
D - INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
73 
 
NÃO há qualquer vedação à suspensão condicional do processo ou o acordo de não 
persecução na Lei de Crimes Ambientais. Ao contrário, o art. 28, da mencionada lei, prevê, 
com modificações, a possibilidade de suspensão condicional do processo fazendo remissão 
ao art. 89 da Lei 9.099/95, que trata do instituto em caráter geral. 
 
Lei 9.605, Art. 28. As disposições do art. 89 da Lei nº 9.099, de 26 de 
setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de menor potencial 
ofensivo definidos nesta Lei, com as seguintes modificações: 
I - a declaração de extinção de punibilidade, de que trata o § 5° do 
artigo referido no caput, dependerá de laudo de constatação de 
reparação do dano ambiental, ressalvada a impossibilidade prevista 
no inciso I do § 1° do mesmo artigo; 
II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar não ter sido 
completa a reparação, o prazo de suspensão do processo será 
prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido no 
caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da 
prescrição; 
III - no período de prorrogação, não se aplicarão as condições dos 
incisos II, III e IV do § 1° do artigo mencionado no caput; 
IV - findo o prazo de prorrogação, proceder-se-á à lavratura de novo 
laudo de constatação de reparação do dano ambiental, podendo, 
conforme seu resultado, ser novamente prorrogado o período de 
suspensão, até o máximo previsto no inciso II deste artigo, 
observado o disposto no inciso III; 
V - esgotado o prazo máximo de prorrogação, a declaração de 
extinção de punibilidade dependerá de laudo de constatação que 
comprove ter o acusado tomado as providências necessárias à 
reparação integral do dano. 
 
E – INCORRETA 
O abate de animal praticado para proteger lavouras de ação predatória, desde que 
devidamente autorizado pela autoridade competente NÃO configura crime, nos termos do 
art. 37, da Lei de Crimes Ambientais. 
 
Lei 9.605, Art. 37. Não é crime o abate de animal, quando realizado: 
(...) 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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74 
 
II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação predatória 
ou destruidora de animais, desde que legal e expressamente 
autorizado pela autoridade competente; 
GABARITO: A 
 
3 - 2021 – NC UFPR – PC-PR – Delegado de Polícia 
Sobre o acordo de não persecução penal (ANPP), considere as seguintes afirmativas: 1. Aplica-se ao acordo 
de não persecução penal a mesma lógica da transação penal, sendo dispensável a confissão do crime para a 
realização do acordo. 2. Se o agente tiver sido beneficiado nos 5 anos anteriores ao cometimento da infração 
com uma transação penal, tal agente não poderá realizar o acordo de não persecução penal. 3. A reincidência 
genérica não impede a realização do acordo de não persecução penal, mas apenas a reincidência específica. 
4. Não é cabível a realização do acordo de não persecução penal em favor do agressor nos crimes praticados 
no âmbito de violência doméstica e familiar, ou praticados contra a mulher, por razões da condição de sexo 
feminino. Assinale a alternativa correta. 
a) Somente a afirmativa 2 é verdadeira. 
b) Somente as afirmativas 1 e 3 são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas 2 e 4 são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas 1, 3 e 4 são verdadeiras. 
e) As afirmativas 1, 2, 3 e 4 são verdadeiras. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos a uma breve revisão do instituto. 
 
O acordo de não persecução penal foi inicialmente por uma resolução do CNMP. Com a Lei 
13.964/19, o acordo de não persecução penal passou a ser expressamente previsto e 
disciplinado no art. 28-A, CPP. Nesse cenário, o investigado, a partir do cumprimento dos 
requisitos legais e não sendo verificada qualquer das vedações impostas, poderá celebrar o 
acordo com o Ministério Público. Uma vez cumprido, haverá a declaração de extinção da 
punibilidade do agente que não será, portanto, submetido a uma ação penal e eventual 
sanção dela decorrente. 
 
A lei estabelece como pressupostos para a realização do acordo de não persecução penal a 
existência de procedimento investigativo; não ser caso de arquivamento dos autos; pena 
mínima inferior a quatro anos; crime cometido sem violência ou grave ameaça a pessoa e a 
confissão formal e circunstanciada da prática do crime. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
75para o injusto, enquanto a 
consciência da ilicitude passa a fazer parte da culpabilidade, num puro juízo de valor. Dolo e consciência da 
ilicitude são, portanto, para a teoria extremada da culpabilidade, conceitos completamente distintos e com 
diferentes funções dogmáticas. 
III - Influenciada pelo sistema finalista de Hans Welzel, a reforma da parte geral do Código Penal brasileiro, 
realizada em 1984, rompeu com a tradição jurídico-penal estabelecida até então, que trabalhava com a teoria 
limitada da culpabilidade, e passou a adotar a teoria extremada da culpabilidade, defendida pelo renomado 
professor da Escola de Bonn, deixando expresso tal opção no item 19 da Exposição de Motivos. 
IV - No erro de tipo, o erro recai sobre o elemento intelectual do dolo – a consciência –, impedindo que a 
conduta do autor atinja corretamente todos os elementos essenciais do tipo. É essa a razão pela qual essa 
forma de erro sempre exclui o dolo, que, no finalismo, encontra-se no fato típico e não na culpabilidade. 
V - A teoria limitada da culpabilidade situa o dolo como elemento do fato típico e a potencial consciência da 
ilicitude como elemento da culpabilidade; adota o erro de tipo como excludente do dolo e admite, quando 
for o caso, a responsabilização por crime culposo. 
Assinale a alternativa correta. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
6 
 
 
A-Apenas I, II e V estão corretos. 
B-Apenas II, III e V estão corretos. 
C-Apenas II e V estão corretos. 
D-Apenas I, II, IV e V estão corretos. 
E-Todos os itens estão corretos. 
 
COMENTÁRIO 
A questão envolve o entendimento acerca das teorias do dolo e da culpabilidade. 
 
• Teoria Estrita / Extrema / Extremada do Dolo: O dolo é normativo (consciência das 
elementares do tipo penal + vontade de realizar a conduta e de produzir o resultado + 
consciência atual da ilicitude) e reside na culpabilidade. Assim, quando o agente incorre 
em erro quanto à existência de uma elementar do tipo penal, seja quando ele atua sem 
ter a atual consciência da ilicitude, o dolo é excluído. Uma vez afastado o dolo, não há 
culpabilidade. Desse modo, todo erro quanto a uma causa de justificação (quanto aos 
pressupostos fáticos ou quanto à existência ou limites da causa de justificação) exclui 
a culpabilidade ao argumento da inexistência do dolo normativo. 
• Teoria Limitada do Dolo: O dolo é normativo (consciência das elementares do tipo 
penal + vontade de realizar a conduta e de produzir o resultado + consciência potencial 
da ilicitude) e reside na culpabilidade. Assim, quando o agente incorre em erro quanto 
à existência de uma elementar do tipo penal, seja quando ele atua sem ter a potencial 
consciência da ilicitude, o dolo é excluído. Uma vez afastado o dolo, não há 
culpabilidade. Desse modo, todo erro quanto a uma causa de justificação (quanto aos 
pressupostos fáticos ou quanto à existência ou limites da causa de justificação) exclui 
a culpabilidade ao argumento da inexistência do dolo normativo. 
 
A distinção entre as teorias do dolo no tratamento das causas de justificação diz respeito 
unicamente a que na teoria extremada o dolo normativo exige consciência atual da ilicitude; 
na teoria limitada o dolo, que também é normativo, requer apenas que a consciência da 
ilicitude seja meramente potencial. 
 
Seja como for, as teorias do dolo foram superadas pela Teoria Finalista da Ação, de Hans 
Welzel, pela qual o dolo foi deslocado da culpabilidade para a conduta (e esta integra o tipo 
penal incriminador), e o elemento normativo do dolo foi removido deste e inserido na 
culpabilidade enquanto “consciência potencial da ilicitude”. A culpabilidade, portanto, passou 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
7 
 
a ser totalmente normativa (sem qualquer elemento psicológico, portanto), composta por 
imputabilidade; consciência potencial da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. 
 
No tratamento da natureza do erro quanto às causas de justificação (descriminantes putativas) 
surgiram, então, as Teorias da Culpabilidade, para as quais o agente sempre age com dolo 
quando opera naquele erro (não se fala, assim, em exclusão do dolo). 
 
• Teoria Estrita / Extrema / Extremada da Culpabilidade: Todo erro quanto a uma causa 
de justificação (seja o erro quanto à existência dos pressupostos fáticos da justificante, 
seja o erro quanto à existência ou limites da justificante) é sempre erro de proibição 
indireto. 
• Teoria Limitada da Culpabilidade: O erro quanto a uma causa de justificação pode ser 
erro de proibição indireto (art. 21 do CP), caso recaia sobre a existência ou os limites 
de uma justificante; ou a descriminante putativa ocorre por erro de tipo permissivo 
(art. 20, § 1º, do CP), quando incidir sobre os pressupostos fáticos de uma justificante. 
Trata-se da teoria adotada pelo ordenamento jurídico brasileiro, segundo a doutrina 
majoritária à luz do item 19 da exposição de motivos do Código Penal. 
 
I - CORRETA 
Conforme a doutrina de Cezar Roberto Bitencourt, a teoria extremada do dolo, a mais antiga, 
situa o dolo na culpabilidade e a consciência da ilicitude, que deve ser atual, no próprio dolo. 
Defende, consequentemente a existência de um dolo normativo, constituído de: vontade, 
previsão e conhecimento da realização de uma conduta proibida (consciência atual da ilicitude). 
Para essa teoria, o erro jurídico penal, independentemente de ser erro de tipo ou erro de 
proibição, exclui sempre o dolo, quando inevitável, por anular ou o elemento normativo 
(consciência da ilicitude) ou o elemento intelectual (previsão) do dolo. Equipara, assim, as duas 
espécies de erro quanto aos seus efeitos, pois qualquer deles incidirá sempre em um elemento 
do dolo. 
 
II- CORRETA 
A teoria extremada transferiu o dolo e a culpa da culpabilidade para o fato típico, sendo que o 
dolo não contém a consciência da ilicitude. Por influência desta teoria, a culpabilidade tem 
como elementos a imputabilidade, a exigibilidade de conduta diversa e a consciência da 
ilicitude. A culpabilidade resta a imputabilidade aliada a exigibilidade da conduta diversa com 
a potencial consciência da ilicitude, pois o dolo abandona esse conceito, tornando-se natural. 
 
III - INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
8 
 
O Código Penal é finalista, sendo que o finalismo adota a teoria normativa pura da 
culpabilidade. Esta, é dividida por outras duas: teoria extremada ou limitada da culpabilidade. 
Estruturalmente, para elas, a culpabilidade possui os mesmos elementos: imputabilidade, 
potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa. A única diferença está no 
tratamento das descriminantes. 
• Para a teoria extremada (ou estrita) da culpabilidade: O erro quanto às descriminantes 
putativas deverão sempre receber a mesma consequência jurídica do erro de 
proibição. É o que a doutrina chama de erro de proibição indireto (o agente sabe que 
a conduta é proibida, mas acredita estar acobertado por causa excludente de ilicitude). 
• Para a teoria limitada da culpabilidade: O erro quanto às descriminantes putativas 
poderá receber o tratamento de erro de tipo, chamado pela doutrina de erro de tipo 
permissivo (excluindo o fato típico) ou erro de proibição (excluindo a culpabilidade), a 
depender da “espécie”: a) Se o erro é sobre a situação fática: erro de tipo permissivo; 
b) Se o erro é sobre a existência ou limites de uma justificante: erro de proibição 
indireto. 
Nesse contexto, para a doutrina majoritária, o Código Penal adotou a Teoria Limitada da 
Culpabilidade, conforme o item 19 da exposição de motivos do Código Penal. 
 
IV - CORRETA 
No erro de tipo (art. 20, CP), o sujeito desconhece a situação fática que o cerca, não 
constatando em sua conduta a presença das elementares de um tipo penal. 
 
V - CORRETA 
Para a teoria limitada da culpabilidade a descriminante putativa fática possui naturezaPor outro lado, não será cabível o acordo de não persecução penal nas seguintes hipóteses: 
1) se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos 
da lei; 2) se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem 
conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações 
penais pretéritas; 3) ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao 
cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão 
condicional do processo; e 4) nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou 
familiar, ou praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do 
agressor. 
 
Já com relação as condições do acordo de não persecução penal, estas serão ajustadas 
cumulativa e alternativamente, sendo as seguintes: 1) obrigação de reparar o dano ou 
restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo; 2) deverá o investigado 
renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como 
instrumentos, produto ou proveito do crime; 3) o investigado deverá prestar serviço à 
comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima cominada 
ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução; 4) 
pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, 
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser 
indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens 
jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; 5) cumprir, por prazo 
determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional e 
compatível com a infração penal imputada. 
 
Por fim, com relação ao procedimento, tem-se que o acordo será realizado pelo Ministério 
Público com o investigado e seu defensor, sendo designada uma audiência na qual o Juiz irá 
verificar a voluntariedade. Cumprido o acordo o Juiz declarará extinta a punibilidade e, no 
caso de descumprimento, o MP comunicará ao Juiz para a sua rescisão. 
 
1. INCORRETA 
Para a celebração do acordo de não persecução penal é necessário que o investigado tenha 
confessado formal e circunstancialmente a prática da infração penal. 
 
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado 
confessado formal e circunstancialmente a prática de infração 
penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições 
ajustadas cumulativa e alternativamente: 
 
2. CORRETA 
Conforme previsão do art. 28-A, §2º, III, CPP. 
 
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado 
confessado formal e circunstancialmente a prática de infração 
penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 
4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições 
ajustadas cumulativa e alternativamente: 
(...) 
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes 
hipóteses: 
I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados 
Especiais Criminais, nos termos da lei; 
II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos 
probatórios que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou 
profissional, exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas; 
III - ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao 
cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, 
transação penal ou suspensão condicional do processo; e". 
 
3. INCORRETA 
A reincidência genérica (crimes de espécies diferentes) também impede a realização do 
acordo de não persecução penal. 
 
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado 
confessado formal e circunstancialmente a prática de infração 
penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 
4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e suficiente para 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições 
ajustadas cumulativa e alternativamente: 
(...) 
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes 
hipóteses: 
I - se for cabível transação penal de competência dos Juizados 
Especiais Criminais, nos termos da lei; 
II - se o investigado for reincidente ou se houver elementos 
probatórios que indiquem conduta criminal habitual, reiterada ou 
profissional, exceto se insignificantes as infrações penais pretéritas. 
. 
 
4. CORRETA 
a vedação do acordo de não persecução penal aos crimes praticados mediante violência 
doméstica e familiar contra a mulher está prevista no artigo 28-A, §2º, IV, CPP. 
 
Art. 28-A. Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado 
confessado formal e circunstancialmente a prática de infração 
penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 
4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não 
persecução penal, desde que necessário e suficiente para 
reprovação e prevenção do crime, mediante as seguintes condições 
ajustadas cumulativa e alternativamente: 
(...) 
§ 2º O disposto no caput deste artigo não se aplica nas seguintes 
hipóteses: 
(...) 
IV - nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou 
familiar, ou praticados contra a mulher por razões da condição de 
sexo feminino, em favor do agressor. 
 
Logo, temos que as afirmativas 2 e 4 são as únicas corretas. 
GABARITO: C 
 
4 - 2021 – NC UFPR – PC-PR – Delegado de Polícia 
V.M. e H.R. são candidatos ao cargo de vereador na cidade de Pérola do Oeste. Em um debate transmitido 
pela rádio local, V.M. faz inflamado discurso e arremata com a frase de caráter dúbio: “H.R. tem esse 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
78 
 
expressivo patrimônio porque pegou na mão grande, é amigo do alheio”. H.R., sentindo-se profundamente 
ofendido, procura a tutela de seus direitos por meio de um advogado. Diante do caso prático, assinale a 
alternativa correta. 
 
a) O advogado poderá ingressar com um Pedido de Explicações, preparatório ao oferecimento da ação penal 
privada, providência que suspende o prazo decadencial enquanto não houver decisão judicial. 
b) O advogado poderá ingressar com um Pedido de Explicações, preparatório ao oferecimento da ação penal 
privada, providência que não interrompe o prazo decadencial. 
c) O advogado poderá ingressar com um Pedido de Explicações, preparatório ao oferecimento da ação penal 
privada, providência que prorroga o prazo decadencial em 6 meses. 
d) Independentemente da propositura do Pedido de Explicações, o prazo para oferecimento da ação penal 
privada é aumentado em 1/3 em virtude do número potencial de pessoas que tiveram conhecimentoda 
ofensa. 
e) O advogado deverá ingressar com um Pedido de Explicações, imprescindível para a propositura da ação 
penal privada. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do instituto do PEDIDO DE EXPLICAÇÕES. 
 
O Pedido de Explicações, conforme a doutrina de Renato Brasileiro: 
Constitui típica providência de ordem cautelar, destinada a aparelhar 
ação penal principal tendente à sentença penal condenatória. O 
interessado, ao formulá-lo, invoca, em juízo, tutela cautelar penal, 
visando a que se esclareçam situações revestidas de equivocidade, 
ambiguidade ou dubiedade, a fim de que se viabilize o exercício 
futuro de ação penal condenatória. A notificação previstano Código 
Penal (art. 144) traduz mera faculdade processual sujeita à discrição 
do ofendido. E só se justifica na hipótese de ofensas equívocas. 
(LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de Processo Penal: volume 
único. 8ª ed. rev. atual. e ampl. Editora JusPodivm. Salvador. 2020. p. 
579) 
 
Logo, verifica-se que o Pedido de Explicações constitui um procedimento de natureza cautelar, 
processável perante o mesmo órgão judiciário competente para o julgamento da causa penal 
principal. É cabível em qualquer das modalidades de crimes contra honra e só se justifica 
quando ocorrentes situações de equivocidade, ambiguidade ou dubiedade. Traduz faculdade 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
79 
 
processual sujeita à discrição do ofendido e não obriga aquele a quem se dirige, pois o 
interpelado não poderá ser constrangido a prestar os esclarecimentos solicitados. 
 
A – INCORRETA 
De fato, o advogado poderá ingressar com Pedido de Explicações, porém a providência NÃO 
suspende o prazo decadencial. 
 
B – CORRETA 
O advogado poderá ingressar com um Pedido de Explicações, preparatório ao oferecimento da 
ação penal privada, providência que não interrompe o prazo decadencial. 
 
C - INCORRETA 
O Pedido de Explicações NÃO modifica o prazo prescricional ou decadencial, nem o prorroga. 
 
D - INCORRETA 
Não há aumento do prazo para o oferecimento da ação. Ocorre que o Código Penal, no art. 
141, III, estabelece o aumento da pena em 1/3 se qualquer dos crimes é cometido: 
 
Art. 141. As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um 
terço, se qualquer dos crimes é cometido: 
(...) 
III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a 
divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria. 
 
E - INCORRETA 
O Pedido de Explicações é medida facultativa, então não é imprescindível para a propositura 
da ação penal privada. 
GABARITO: B 
 
5 – 2021 – FGV - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Ao sair de sua casa, em 17/05/2020, Miriam foi surpreendida por faixa anônima estendida na via pública com 
diversas ofensas à sua honra. Diante da humilhação sofrida, Miriam deixou o país e foi morar no exterior sem 
se interessar em descobrir o responsável pelos fatos. Em 03/01/2021, Miriam recebeu mensagem de Sandra, 
sua antiga vizinha, confessando ser ela a autora das ofensas, bem como esclarecendo que informou os fatos 
ao delegado de polícia, em razão de seu arrependimento. Miriam entrou em contato com seu advogado, em 
25/01/2021, para esclarecimentos jurídicos, informando que permanece no exterior. O advogado deverá 
esclarecer naquela data que o crime praticado seria de injúria, de ação penal privada, logo: 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
80 
 
 
A-a abertura do inquérito policial poderá ser determinada pela autoridade policial, diretamente, mas a ação 
penal depende da iniciativa da vítima; 
B-a abertura do inquérito policial não poderá ser determinada pela autoridade policial nem requerida por 
Miriam, pois operou-se o prazo prescricional para representação; 
C-a queixa-crime poderá ser oferecida por Miriam, mas, se através de procurador, exigem-se poderes 
especiais; 
D-a inicial acusatória não poderá ser oferecida por Miriam, pois operou-se o prazo decadencial; 
E-a queixa-crime poderá ser oferecida por Miriam, pessoalmente ou por procurador sem poderes especiais. 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da AÇÃO PENAL PRIVADA. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos a uma breve revisão do tema 
 
Nas ações penais privadas a titularidade continua com o Estado (como na ação penal pública), 
visto que ele possui o monopólio do direito de punir. Contudo, a iniciativa é transferida, por 
lei, ao ofendido ou de seu representante legal, visto que os fatos atingem a intimidade da 
vítima, que pode preferir ou não o ajuizamento da ação e discussão do fato em juízo. Nesse 
caso, o Ministério Público atua como custos legis, nos termos do art. 45, CPP. 
 
Nas ações penais privadas a peça inicial é a queixa-crime, que pode ser ajuizada pelo ofendido 
ou por seu representante legal e, no caso de morte do ofendido ou de este ser declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer a queixa ou prosseguir na ação penal 
passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 30 e 31, CPP). 
 
#DICA: mnemônico CADI. 
 
O prazo para a oferta da queixa-crime é de 6 (seis) meses, contado do dia em que tomar 
conhecimento da autoria do delito (art. 38, CPP). Trata-se de prazo de natureza decadencial. 
 
Os princípios aplicáveis a ação penal privada são: 
• PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE / CONVENIÊNCIA: a vítima tem a faculdade de ofertar 
ou não a ação penal, sendo a decadência e a renúncia instrumentos pelos quais a 
vítima pode optar por não exercer esse direito. 
• PRINCÍPIO DISPONIBILIDADE: a vítima pode desistir da ação, pelo perdão ou pela 
perempção, esta nas hipóteses do art. 60, CPP; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
81 
 
• PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE: quando a parte optar por oferecer a ação penal 
deverá realizar em face de todos os autores, conforme preconiza o art. 48, CPP. 
 
Vamos, então, analisar cada uma das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
Para a abertura de inquérito nos crimes de ação penal privada é necessário requerimento de 
quem tenha qualidade para intentar a ação penal privada. 
 
Art. 5, §5º Nos crimes de ação privada, a autoridade policial 
somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem 
tenha qualidade para intentá-la. 
 
B – INCORRETA 
O prazo para oferecimento da queixa-crime é decadencial (e não prescricional) de 6 (seis) 
meses, contado do dia em que a vítima vier a saber quem é o autor do crime. 
 
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou 
seu representante legal, decairá no direito de queixa 
ou de representação, se não o exercer dentro do prazo 
de seis meses, contado do dia em que vier a saber 
quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia 
em que se esgotar o prazo para o oferecimento da 
denúncia. 
 
C - CORRETA 
A queixa-crime é a peça inicial nas ações penais privadas e deverá ser oferecida por 
procurador com poderes especiais. 
 
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes 
especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do 
querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais 
esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser 
previamente requeridas no juízo criminal. 
 
D - INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
82 
 
O prazo para a oferta da queixa-crime é decadencial de 6 (seis) meses, contado do dia em 
que tomar conhecimento da autoria do delito. 
 
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou 
seu representante legal, decairá no direito de queixa 
ou de representação, se não o exercer dentro do prazo 
de seis meses, contado do dia em que vier a saber 
quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do dia 
em que se esgotar o prazo para o oferecimento da 
denúncia. 
 
E - INCORRETA 
O CPP é expresso com relação a necessidade de poderes especiais ao procurador para a oferta 
da queixa-crime. 
 
Art. 44. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes 
especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do 
querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais 
esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser 
previamente requeridas no juízo criminal. 
GABARITO: C 
 
6 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Delegado de Polícia 
No que pertine à inépcia da denúncia ou da queixa, é correto afirmar que 
 
a)a doutrina a entende como sinônimo de criptoimputacao. 
b)ocorre quando, na denúncia/queixa, não há a identificação do acusado com seu verdadeiro nome ou outros 
qualificativos. 
c)sucede quando faltar justa causa para o regular exercício da ação penal. 
d)tem cabimento quando ausenteuma ou algumas das condições da ação penal. 
e)acontece quando a inicial acusatória não contém o rol de testemunhas. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos a uma breve revisão do instituto. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
83 
 
O acordo de não persecução penal foi inicialmente por uma resolução do CNMP. Com a Lei 
13.964/19, o acordo de não persecução penal passou a ser expressamente previsto e 
disciplinado no art. 28-A, CPP. Nesse cenário, o investigado, a partir do cumprimento dos 
requisitos legais e não sendo verificada qualquer das vedações impostas, poderá celebrar o 
acordo com o Ministério Público. Uma vez cumprido, haverá a declaração de extinção da 
punibilidade do agente que não será, portanto, submetido a uma ação penal e eventual 
sanção dela decorrente. 
 
A lei estabelece como pressupostos para a realização do acordo de não persecução penal a 
existência de procedimento investigativo; não ser caso de arquivamento dos autos; pena 
mínima inferior a quatro anos; crime cometido sem violência ou grave ameaça a pessoa e a 
confissão formal e circunstanciada da prática do crime. 
 
Por outro lado, não será cabível o acordo de não persecução penal nas seguintes hipóteses: 
1) se for cabível transação penal de competência dos Juizados Especiais Criminais, nos termos 
da lei; 2) se o investigado for reincidente ou se houver elementos probatórios que indiquem 
conduta criminal habitual, reiterada ou profissional, exceto se insignificantes as infrações 
penais pretéritas; 3) ter sido o agente beneficiado nos 5 (cinco) anos anteriores ao 
cometimento da infração, em acordo de não persecução penal, transação penal ou suspensão 
condicional do processo; e 4) nos crimes praticados no âmbito de violência doméstica ou 
familiar, ou praticados contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, em favor do 
agressor. 
 
Já com relação as condições do acordo de não persecução penal, estas serão ajustadas 
cumulativa e alternativamente, sendo as seguintes: 1) obrigação de reparar o dano ou 
restituir a coisa à vítima, exceto na impossibilidade de fazê-lo; 2) deverá o investigado 
renunciar voluntariamente a bens e direitos indicados pelo Ministério Público como 
instrumentos, produto ou proveito do crime; 3) o investigado deverá prestar serviço à 
comunidade ou a entidades públicas por período correspondente à pena mínima cominada 
ao delito diminuída de um a dois terços, em local a ser indicado pelo juízo da execução; 4) 
pagar prestação pecuniária, a ser estipulada nos termos do art. 45 do Decreto-Lei nº 2.848, 
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), a entidade pública ou de interesse social, a ser 
indicada pelo juízo da execução, que tenha, preferencialmente, como função proteger bens 
jurídicos iguais ou semelhantes aos aparentemente lesados pelo delito; 5) cumprir, por prazo 
determinado, outra condição indicada pelo Ministério Público, desde que proporcional e 
compatível com a infração penal imputada. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
84 
 
Por fim, com relação ao procedimento, tem-se que o acordo será realizado pelo Ministério 
Público com o investigado e seu defensor, sendo designada uma audiência na qual o Juiz irá 
verificar a voluntariedade. Cumprido o acordo o Juiz declarará extinta a punibilidade e, no 
caso de descumprimento, o MP comunicará ao Juiz para a sua rescisão. 
 
Vamos, então, a análise das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
Embora Francisco tenha confessado a prática de crime cuja pena mínima é de 2 anos (ou seja, 
inferior a 4 anos), NÃO há possibilidade de se propor o ANPP, diante do não preenchimento 
do requisito relacionado à ausência do emprego de violência e grave ameaça, uma vez que o 
crime praticado por Francisco possui, na sua essência, a violência física contra pessoa. 
 
Além disso, ainda que houvesse o preenchimento dos requisitos, o delegado NÃO possui 
atribuição para oferecer a proposta. 
 
OBS.: Em que pese haver debate acerca da atuação da autoridade policial na formalização do 
ANPP, a interpretação que se faz é pautada na estrita literalidade da lei, a qual atribui apenas 
ao Ministério Público a função de aventar o ANPP, nos termos do art. 28-A, caput do CPP, o 
que não impede o delegado de, estando presentes os requisitos, advertir o investigado 
quanto a sua expectativa de direito para a realização do acordo. 
 
B – CORRETA 
Vide alternativa A. 
 
C - INCORRETA 
O art. 28-A do CPP exige que ao crime seja cominado pena mínima inferior a 4 anos (NÃO 
trata sobre pena máxima superior a 4 anos). 
 
D - INCORRETA 
Vide alternativa A e C. 
 
E - INCORRETA 
No caso concreto está ausente um dos requisitos para o acordo (vide alternativa A). 
Além disso, mesmo na eventualidade de todas as exigências estarem presentes, a 
homologação judicial é imprescindível (art. 28-A, §§ 4º a 8º, CPP). 
GABARITO: B 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
85 
 
7 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Delegado de Polícia 
Marcio, por intermédio de um advogado, ingressou com uma queixa-crime em face de Arnaldo, uma vez que, 
pelas redes sociais, Arnaldo imputou a ele, falsamente, um fato definido como crime. No curso do processo, 
Marcio tomou conhecimento por meio de amigos em comum que Arnaldo teria perdido um filho assassinado 
em um assalto, fato que o comoveu e em sede de alegações finais, Márcio, por seu advogado, postula a 
absolvição do réu em relação ao crime contra a honra cometido. 
 
Diante desta situação, é correto afirmar que o juiz 
 
a)poderá, ainda assim, condenar o réu, uma vez que a ação penal, nesta hipótese, é privada, cabendo a ele 
tal decisão. 
b)deverá, nestas situações, chamar o autor e o réu a fim de que possa promover a reconciliação entre eles. 
c)não terá outra alternativa que não seja reconhecer a extinção da punibilidade de Arnaldo. 
d)poderá condenar ou absolver Arnaldo, independentemente do fato de Márcio ter, em sede de alegações 
finais, postulado a absolvição do agente. 
e)ficará obrigado a absolver Arnaldo, porquanto Márcio é o titular da ação penal privada, podendo assim 
desistir dela a qualquer tempo. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da AÇÃO PENAL PRIVADA. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos a uma breve revisão do tema 
 
Nas ações penais privadas a titularidade continua com o Estado (como na ação penal pública), 
visto que ele possui o monopólio do direito de punir. Contudo, a iniciativa é transferida, por 
lei, ao ofendido ou de seu representante legal, visto que os fatos atingem a intimidade da 
vítima, que pode preferir ou não o ajuizamento da ação e discussão do fato em juízo. Nesse 
caso, o Ministério Público atua como custos legis, nos termos do art. 45, CPP. 
 
Nas ações penais privadas a peça inicial é a queixa-crime, que pode ser ajuizada pelo ofendido 
ou por seu representante legal e, no caso de morte do ofendido ou de este ser declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer a queixa ou prosseguir na ação penal 
passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 30 e 31, CPP). 
 
#DICA: mnemônico CADI. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
86 
 
O prazo para a oferta da queixa-crime é de 6 (seis) meses, contado do dia em que tomar 
conhecimento da autoria do delito (art. 38, CPP). Trata-se de prazo de natureza decadencial. 
 
Os princípios aplicáveis a ação penal privada são: 
• PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE / CONVENIÊNCIA: a vítima tem a faculdade de ofertar 
ou não a ação penal, sendo a decadência e a renúncia instrumentos pelos quais a 
vítima pode optar por não exercer esse direito. 
• PRINCÍPIO DISPONIBILIDADE: a vítima pode desistir da ação, pelo perdão ou pela 
perempção, esta nas hipóteses do art. 60, CPP; 
• PRINCÍPIO DA INDIVISIBILIDADE: quando a parteoptar por oferecer a ação penal 
deverá realizar em face de todos os autores, conforme preconiza o art. 48, CPP. 
 
Vamos, então, analisar cada uma das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
A ação penal privada tem como um de seus princípios a disponibilidade, uma vez oferecida 
da ação penal o querelante pode desistir desta, perdoando ou pela perempção, estando esta 
configurada no caso, conforme hipótese prevista no art. 60, III, CPP. 
 
Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, 
considerar-se-á perempta a ação penal: 
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o 
andamento do processo durante 30 dias seguidos; 
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua 
incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no 
processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das 
pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; 
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo 
justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, 
ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações 
finais; 
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir 
sem deixar sucessor. 
 
B – INCORRETA 
Trata-se de situação de perempção (vide alternativa A), que configura hipótese de extinção 
da punibilidade, nos termos do art. 107, IV, CP. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
87 
 
 
Art. 107 - Extingue-se a punibilidade: 
(...) 
IV - pela prescrição, decadência ou perempção; 
 
C - CORRETA 
A ação penal privada tem como um de seus princípios a disponibilidade, uma vez oferecida 
da ação penal o querelante pode desistir desta perdoando ou pela perempção, nos termos 
do art. 60, CPP (vide alternativa A). A perempção é causa de extinção da punibilidade, 
conforme o art. 107, IV, CP (vide alternativa B). 
 
D - INCORRETA 
A decisão será declaratória de extinção da punibilidade (vide alternativas A e B). 
 
E - INCORRETA 
A decisão será declaratória de extinção da punibilidade (vide alternativas A e B). 
GABARITO: C 
 
8 - 2018 - UEG - PC-GO - Delegado de Polícia 
A natureza da ação penal no crime de ameaça praticado em situação de violência doméstica e familiar contra 
a mulher é 
 
a)pública incondicionada. 
b)de iniciativa privada exclusiva. 
c)pública condicionada a requisição. 
d)de iniciativa privada personalíssima. 
e)pública condicionada à representação. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da AÇÃO PENAL. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos a uma breve revisão do tema 
 
As ações penais podem classificadas como públicas, que têm como titular o Ministério 
Público. Essas ações podem ser públicas incondicionadas e públicas condicionadas. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
88 
 
Nas ações penais públicas condicionadas a titularidade continua a ser do Ministério Público, 
mas este para atuar depende da manifestação/autorização da vítima ou seu representante 
legal, sendo a representação considerada uma condição de procedibilidade. 
 
Já nas ações penais privadas a titularidade continua com o Estado (como na ação penal 
pública), visto que ele possui o monopólio do direito de punir. Contudo, a iniciativa é 
transferida, por lei, ao ofendido ou de seu representante legal, visto que os fatos atingem a 
intimidade da vítima, que pode preferir ou não o ajuizamento da ação e discussão do fato em 
juízo. Nesse caso, o Ministério Público atua como custos legis, nos termos do art. 45, CPP. 
 
Nas ações penais privadas a peça inicial é a queixa-crime, que pode ser ajuizada pelo ofendido 
ou por seu representante legal e, no caso de morte do ofendido ou de este ser declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer a queixa ou prosseguir na ação penal 
passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 30 e 31, CPP). 
 
#DICA: mnemônico CADI. 
 
Vamos, então, analisar cada uma das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
Conforme julgamento do STF na ADI 4424 a ação penal relativa a lesão corporal resultante de 
violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada, notadamente diante da 
inaplicabilidade da Lei 9.099/95 no âmbito da Lei 11.340/06. 
 
B – INCORRETA 
A ação penal privada exclusiva ou ação penal privada propriamente dita é a que deve ser 
ajuizada pelo ofendido ou por seu representante legal e no caso de morte do ofendido ou de 
este ser declarado ausente por decisão judicial, o direito de oferecer a queixa ou prosseguir 
na ação penal passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (sucessão 
processual). 
 
C - INCORRETA 
A lei poderá exigir na ação penal pública a representação da vítima ou requisição do Ministro 
da Justiça. Como exemplos de hipóteses que dependem de requisição do Ministro da Justiça 
podemos citar os crimes contra a honra do Presidente da República ou Chefe de governo 
estrangeiro, art. 141, I e 145, §único, CP e o crime cometido por estrangeiro contra brasileiro 
fora do Brasil, art. 7, §3º, “b”, CP. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
89 
 
 
D - INCORRETA 
Na ação penal privada personalíssima NÃO é possível a sucessão processual. O único 
exemplo art. 236, CP (crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento). 
 
E - CORRETA 
O crime de ameaça, mesmo que praticado em situação de violência doméstica e familiar 
contra a mulher, é de ação penal pública condicionada a representação, diante da previsão 
no art. 147, §único, CP 
GABARITO: E 
 
9 - 2018 - VUNESP - PC-BA - Delegado de Polícia 
A retratação da representação, de acordo com o art. 25 do CPP e do art. 16 da Lei no 11.340/06 (Lei Maria 
da Penha), respectivamente, 
 
a)é admitida até o recebimento da denúncia; não é admitida. 
b)é admitida até o recebimento da denúncia; só será admitida perante o juiz, antes do recebimento da 
denúncia. 
c)é inadmitida; só será admitida perante o juiz, antes do recebimento da denúncia. 
d)é inadmitida depois de oferecida a denúncia; não é admitida. 
e)é inadmitida depois de oferecida a denúncia; só será admitida perante o juiz, antes do recebimento da 
denúncia. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do instituto da RETRATAÇÃO. 
 
Em regra, a retratação é admitida até o oferecimento da denúncia. Exceção a essa regra é os 
casos que envolvem violência doméstica e familiar contra a mulher, visto que, a Lei 11.340/06 
disciplina a matéria de forma especial, conferindo a possibilidade de retratação até o 
recebimento da denúncia. 
 
Art. 25, CPP. A representação será irretratável, depois de oferecida 
a denúncia. 
 
Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação 
da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à 
representação perante o juiz, em audiência especialmente 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
90 
 
designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e 
ouvido o Ministério Público. 
GABARITO: E 
 
10 - 2018 - CESPE - PC-MA - Delegado de Polícia 
Um garoto de sete anos de idade foi atendido no pronto-socorro de um hospital com quadro de crise 
asmática. Embora tenha sido regularmente medicado, ele faleceu trinta e seis horas depois devido a 
insuficiência respiratória. A médica plantonista foi indiciada por homicídio culposo com imputação de 
negligência no atendimento. O promotor de justiça, após exaustivas diligências, que incluíram o parecer de 
renomado pneumologista e outras diligências realizadas pela própria assessoria médica do órgão acusador, 
pediu o arquivamento da peça inquisitória um mês depois de encerrado o prazo previsto em lei para a 
propositura da ação penal, a partir da apresentação do relatório final pelo delegado. Nesse ínterim, o pai da 
criança, inconformado com a demora do MP em promover a denúncia no prazo da lei, ajuizou ação penal 
privada subsidiária. 
 
Acerca dessa situação hipotética e de aspectos aela correlatos, assinale a opção correta à luz do 
entendimento dos tribunais superiores. 
 
a)O simples fato de os autos terem ficado sem movimentação externa ao MP por prazo superior a quinze 
dias não autorizaria a propositura da ação penal privada. 
b)Se os autos tiverem estado em diligência a cargo de órgão auxiliar técnico do MP para análise das questões 
médicas envolvidas, então não houve omissão e, por isso, esteve suspenso o prazo para o exercício da ação 
penal privada. 
c)Caso a família da vítima tomasse ciência da realização de diligências no âmbito interno do MP para 
esclarecimento dos fatos e se manifestasse nos autos dessas diligências sem questioná-las, isso implicaria 
anuência, obstando o direito à ação penal privada. 
d)O direito de propor ação penal privada subsidiária poderia ser exercido a qualquer tempo, desde que 
decorrido o prazo legal conferido ao MP. 
e)Tendo a CF erigido como fundamental o direito da vítima e de sua família à aplicação da lei penal, a vítima 
e sua família podem tomar as rédeas da ação penal se o MP não o fizer no devido tempo. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre o 
tema da ação penal, conforme aponta expressamente o enunciado. 
 
Assim, antes de analisar as alternativas, vejamos um precedente sobre a matéria, que 
demonstra o entendimento da Corte sobre o tema. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
91 
 
 
Ementa: Recurso extraordinário com agravo. Repercussão geral. Constitucional. Penal e 
processual penal. 2. Habeas corpus. Intervenção de terceiros. Os querelantes têm 
legitimidade e interesse para intervir em ação de habeas corpus buscando o trancamento da 
ação penal privada e recorrer da decisão que concede a ordem. 3. A promoção do 
arquivamento do inquérito, posterior à propositura da ação penal privada, não afeta o 
andamento desta. 4. Os fatos, tal como admitidos na instância recorrida, são suficientes para 
análise da questão constitucional. Provimento do agravo de instrumento, para análise do 
recurso extraordinário. 5. Direito a mover ação penal privada subsidiária da pública. Art. 5º, 
LIX, da Constituição Federal. Direito da vítima e sua família à aplicação da lei penal, inclusive 
tomando as rédeas da ação criminal, se o Ministério Público não agir em tempo. Relevância 
jurídica. Repercussão geral reconhecida. 6. Inquérito policial relatado remetido ao Ministério 
Público. Ausência de movimentação externa ao Parquet por prazo superior ao legal (art. 46 
do Código de Processo Penal). Surgimento do direito potestativo a propor ação penal 
privada. 7. Questão constitucional resolvida no sentido de que: (i) o ajuizamento da ação 
penal privada pode ocorrer após o decurso do prazo legal, sem que seja oferecida denúncia, 
ou promovido o arquivamento, ou requisitadas diligências externas ao Ministério Público. 
Diligências internas à instituição são irrelevantes; (ii) a conduta do Ministério Público 
posterior ao surgimento do direito de queixa não prejudica sua propositura. Assim, o 
oferecimento de denúncia, a promoção do arquivamento ou a requisição de diligências 
externas ao Ministério Público, posterior ao decurso do prazo legal para a propositura da ação 
penal, não afastam o direito de queixa. Nem mesmo a ciência da vítima ou da família quanto 
a tais diligências afasta esse direito, por não representar concordância com a falta de iniciativa 
da ação penal pública (STF, RG no REXT com Ag no RG ARE 859251 DF, Dje 21/05/2015). 
 
A – INCORRETA 
Aplica-se ao caso o prazo do art. 46, do CPP, qual seja, 15 dias para oferecimento da denúncia 
relativa a investigado solto independentemente de movimentação. 
 
Art. 46. O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu 
preso, será de 5 dias, contado da data em que o órgão do Ministério 
Público receber os autos do inquérito policial, e de 15 dias, se o réu 
estiver solto ou afiançado. No último caso, se houver devolução do 
inquérito à autoridade policial (art. 16), contar-se-á o prazo da data 
em que o órgão do Ministério Público receber novamente os autos. 
 
B – INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
92 
 
Não se trata de hipótese de prorrogação de prazo, nos termos do art. 46, do CPP (vide 
alternativa A). 
 
C – INCORRETA 
Inexiste referida previsão no ordenamento jurídico. 
 
D - INCORRETA 
A propositura de queixa-crime na hipótese de ação penal privada subsidiária da pública se 
submete ao prazo decadencial do art. 38 do CPP. 
 
Art. 38. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu 
representante legal, decairá no direito de queixa ou de 
representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, 
contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no 
caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o 
oferecimento da denúncia. 
 
Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de queixa 
ou representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, 
parágrafo único, e 31. 
 
E - CORRETA 
Conforme a jurisprudência supramencionada e os dispositivos do CPP. 
 
Art. 29 CPP. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, 
se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério 
Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia substitutiva, 
intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de 
prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do 
querelante, retomar a ação como parte principal. 
 
Art. 38 do CPP. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu 
representante legal, decairá no direito de queixa ou de 
representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, 
contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no 
caso do art. 29, do dia em que se esgotar o prazo para o 
oferecimento da denúncia. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
93 
 
 
GABARITO: E 
 
11 - 2017 - CESPE - PJC-MT - Delegado de Polícia 
Assinale a opção correta no que se refere à ação penal. 
 
a)Aplica-se a perempção como forma extintiva da punibilidade às ações penais exclusivamente privadas e às 
ações privadas subsidiárias das públicas. 
b)O princípio da indivisibilidade, quando não observado, impõe ao juiz a rejeição da denúncia nas ações 
penais públicas. 
c)Há legitimidade concorrente do ofendido e do MP para a persecução de crimes contra a honra de 
funcionário público em razão de suas funções. 
d)Na ação penal privada, todas as manifestações de disponibilidade pelo ofendido serão extensivas a todos 
os réus e(ou) responsáveis pelo fato delituoso, independentemente de qualquer reserva ou condição 
apresentada por eles. 
e)Diante de concurso formal entre um delito de ação penal pública e outro de ação penal privada, caberá ao 
representante do MP oferecer denúncia em relação aos dois crimes. 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
A perempção é uma sanção processual pela desídia do querelante na ação privada (art. 60, 
CPP). Assim, conforme entendimento da jurisprudência, descabe o seu reconhecimento em 
sede de ação penal privada subsidiária da pública, uma vez que, originariamente, trata-se de 
hipótese de ação penal pública. 
 
Impossível reconhecer a extinção da punibilidade pela perempção 
em ação penal privada subsidiária de ação penal pública. (RHC 
26.530/SC, Rel. Ministra LAURITA VAZ, QUINTA TURMA, DJe 
21/11/2011) 
 
B – INCORRETA 
Trata-se de tema divergente na doutrina. 
Há controvérsia sobre o caráter divisível da ação penal pública. 
1ª Corrente (majoritária na doutrina): Entende que a ação penal pública é indivisível. 
2ª Corrente (Tribunais Superiores): A ação penal pública admite a divisibilidade. Ou 
seja: o MP pode oferecer denúncia em face de alguns investigados, sem prejuízo do 
prosseguimento das investigações dos demais autores. Nesse contexto, até a 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
94 
 
sentençafinal, o MP pode incluir novas pessoas no polo passivo, por meio do 
aditamento da denúncia. (é a corrente que deve ser adotada em provas objetivas!) 
 
Na ação penal pública não vigora o princípio da indivisibilidade. 
Assim, o MP não está obrigado a denunciar todos os envolvidos no 
fato tido por delituoso, não se podendo falar em arquivamento 
implícito em relação a quem não foi denunciado. Isso porque o 
Parquet é livre para formar sua convicção, incluindo na denúncia as 
pessoas que ele entenda terem praticado o crime, mediante a 
constatação de indícios de autoria e materialidade. STJ. 6ª Turma. 
RHC 34233-SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 
6/5/2014 (Info 540). 
 
C – CORRETA 
Trata-se de entendimento sumulado do STF. 
 
Súmula 714 STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, 
mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à 
representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a 
honra de servidor público em razão do exercício de suas funções. 
 
D - INCORRETA 
O perdão é instituto que, embora seja extensivo a todos os réus, só produz efeitos em relação 
a quem o aceita. 
 
Art. 51. O perdão concedido a um dos querelados aproveitará a 
todos, sem que produza, todavia, efeito em relação ao que o 
recusar. 
 
E - INCORRETA 
Sobre o tema, os ensinamentos de Damásio de Jesus: 
 
Quando há concurso formal entre um crime de ação penal pública 
e outro de ação penal privada, o órgão do Ministério Público não 
pode oferecer denúncia em relação aos dois. (...) É imprescindível 
que se forme um litisconsórcio entre o Promotor e o titular do jus 
querelandi, para que ambos os delitos sejam objeto de acusação e 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
95 
 
possam ser apreciados conjuntamente na sentença, aplicando-se o 
disposto no art. 77, II, do CPP. Cada ação penal é promovida por seu 
titular, nos termos do art. 100, caput, do CP. 
 
(Damásio de Jesus, Direito penal. vol 1. Parte geral. 32ª ed., p. 713-
714). 
 
Parte da doutrina denomina tal hipótese de ação penal adesiva, visto que há litisconsórcio 
ativo facultativo entre MP e querelante ante a conexão entre um crime de ação penal pública 
e outro de ação penal privada. 
GABARITO: E 
 
12 - 2017 - FCC - PC-AP - Delegado de Polícia 
No instituto da representação, 
 
a)a renúncia à representação é vedada no âmbito no Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a 
Mulher. 
b)a autoridade policial tem autonomia para instaurar inquérito policial mesmo na ausência de representação 
da vítima, nos crimes em que a ação pública dela depender. 
c)a representação tem caráter personalíssimo, de modo que a morte do ofendido implica na imediata 
extinção da punibilidade do autor do fato criminoso. 
d)o direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, 
mediante declaração à autoridade policial. 
e)a retratação da representação pode ser feita a qualquer tempo, dado o caráter disponível do direito 
envolvido. 
 
COMENTÁRIO 
A questão exige conhecimentos acerca do instituto da REPRESENTAÇÃO. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos realizar uma breve revisão da temática. 
 
Os crimes de ação penal pública (em contraponto as de ação penal privada) são aqueles cuja 
titularidade da ação é atribuída ao Ministério Público. A ação penal pública pode se dar 
conforme duas espécies: 
 
• Ação penal pública incondicionada: basta a ocorrência do crime para que o Ministério 
Público (após a apuração dos fatos) ingresse com a ação penal. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
96 
 
• Ação penal pública condicionada a representação: Ministério Público fica 
condicionado a representação da vítima para que possa ingressar com a ação penal, 
tratando-se de condição de procedibilidade. 
 
No âmbito da investigação, do mesmo modo, a manifestação da vítima ou seu representante 
legal é exigida para a instauração do inquérito policial, tratando-se de condição de 
persequibilidade. 
 
Art. 5, §4º, CPP. O inquérito, nos crimes em que a ação pública 
depender de representação, não poderá sem ela ser iniciado. 
 
Nesse sentido, a representação nada mais é que uma manifestação de vontade da vítima 
autorizando ao Delegado de Polícia a instaurar o Inquérito Policial e o Ministério Público a 
ingressar com a ação penal. 
 
O prazo para que o ofendido represente (autorize as autoridades públicas a atuarem) é de 6 
meses, contados a partir do dia em que vier a saber quem é o autor do crime. Durante este 
prazo a vítima pode desistir de representar (retratação). 
 
Vamos, então, analisar cada uma das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
A retratação da representação é possível nos casos em que a lei condiciona à ação penal a 
representação da vítima, isso se aplica tanto as infrações penais comuns como as que 
envolvam violência doméstica. 
 
Em regra, pode ocorrer até o oferecimento da denúncia (art. 25, CPP), salvo no âmbito da Lei 
Maria da Penha, hipótese na qual é admitida até o recebimento da inicial acusatória, perante 
o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da 
denúncia e ouvido o Ministério Público. (art. 16 da Lei n°. 11.340/06). 
 
B – INCORRETA 
O CPP condiciona o inquérito, nos casos de ação penal pública condicionada, à manifestação 
de interesse da vítima. 
 
Art. 5º, §4º. O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender 
de representação, não poderá sem ela ser iniciado. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
97 
 
 
C – INCORRETA 
A representação não possui caráter personalíssimo, visto que envolve direito que se 
estenderá aos familiares do ofendido no caso de ausência judicial ou morte da vítima. 
 
Art. 31, CPP. No caso de morte do ofendido ou quando declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou 
prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente 
ou irmão. 
 
D - CORRETA 
Trata-se da literalidade do art. 39, CPP. 
 
Art. 59. O direito de representação poderá ser exercido, 
pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante 
declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério 
Público, ou à autoridade policial. 
 
E - INCORRETA 
A retratação da representação é direito que encontra limitação temporal para ser exercido. 
 
Em regra, pode ocorrer até o oferecimento da denúncia (art. 25, CPP), salvo no âmbito da Lei 
Maria da Penha, hipótese na qual é admitida até o recebimento da inicial acusatória, perante 
o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da 
denúncia e ouvido o Ministério Público. (art. 16 da Lei n°. 11.340/06). 
GABARITO: D 
 
13 - 2016 - FUNCAB - PC-PA - Delegado de Polícia 
Sobre ação penal é correto afirmar que: 
 
a)a ação penal privada, em certos casos é personalíssima, só podendo o delegado de polícia instaurar 
inquérito, exclusivamente, no caso de requerimento do próprio ofendido. 
b)na ação penal subsidiária da pública, quando o querelado deixa de comparecer aos atos do processo, 
ocorre a perempção. 
c)quanto ao exercício, classifica-se em pública incondicionada, condicionada a representação do ofendido ou 
a resolução do Ministério da Justiça. 
d)na ação penal privada o querelante tem legitimidade ordinária. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
98 
 
e)a ação penal pública rege-se pelos princípios da obrigatoriedade e disponibilidade, enquanto a privada 
rege-se pela oportunidade e indivisibilidade. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca da AÇÃO PENAL. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos a uma breve revisão do tema. 
 
As ações penais podem classificadas como públicas, que têm como titular o Ministério 
Público. Essas ações podem ser públicas incondicionadas e públicas condicionadas. 
 
Nas ações penais públicas condicionadas a titularidadecontinua a ser do Ministério Público, 
mas este para atuar depende da manifestação/autorização da vítima ou seu representante 
legal, sendo a representação considerada uma condição de procedibilidade. 
 
Já nas ações penais privadas a titularidade continua com o Estado (como na ação penal 
pública), visto que ele possui o monopólio do direito de punir. Contudo, a iniciativa é 
transferida, por lei, ao ofendido ou de seu representante legal, visto que os fatos atingem a 
intimidade da vítima, que pode preferir ou não o ajuizamento da ação e discussão do fato em 
juízo. Nesse caso, o Ministério Público atua como custos legis, nos termos do art. 45, CPP. 
 
Nas ações penais privadas a peça inicial é a queixa-crime, que pode ser ajuizada pelo ofendido 
ou por seu representante legal e, no caso de morte do ofendido ou de este ser declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer a queixa ou prosseguir na ação penal 
passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão (art. 30 e 31, CPP). 
 
#DICA: mnemônico CADI. 
 
Vamos, então, analisar cada uma das alternativas. 
 
A – CORRETA 
Na ação penal personalíssima, apenas a vítima pode exercer o direito de ação e não admite a 
sucessão processual, ou seja, em caso de falecimento do ofendido a ação penal não poderá 
seguir por familiares. 
 
B – INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
99 
 
A ação penal subsidiária da pública tem caráter de pública, NÃO estando sujeita a 
perempção. Caso o querelado (réu) deixar de comparecer aos atos do processo, o MP retoma 
a ação como parte principal. 
 
C – INCORRETA 
Quanto ao exercício, a ação penal classifica-se em pública incondicionada, condicionada a 
representação do ofendido ou a requisição do Ministério da Justiça. 
 
D - INCORRETA 
O direito de punir pertence ao Estado, razão pela qual este possui a legitimidade ordinária. 
No caso de ação penal privada, por questões de política criminal, o Estado transfere ao 
particular o direito de ação, de modo que este tem legitimidade extraordinária. 
 
E - INCORRETA 
Princípios da ação penal pública (entre outros): 
• Obrigatoriedade: o MP deve oferecer a denúncia quando verificados os pressupostos 
para a propositura da ação. 
• Indisponibilidade: o MP não pode desistir da ação penal. 
 
Princípios da ação penal privada (entre outros): 
• Oportunidade: a vítima opta por oferecer a queixa, que constitui um direito de ver 
responsabilizado penalmente o autor de um delito. 
• Indivisibilidade: havendo mais de um autor, a denúncia e feita contra todos. 
GABARITO: A 
 
14 - 2016 - FUNCAB - PC-PA - Delegado de Polícia 
Sobre ação penal, assinale a correta. 
 
a)No crime de lesão corporal culposa no trânsito, a representação é uma condição específica de 
prosseguibilidade. 
b)Para a doutrina tradicional são condições da ação penal a legitimidade, o interesse de agir e a causa de 
pedir. 
c)Na ação penal privada podemos observar a hipótese de legitimidade extraordinária que dá azo a ocorrência 
da sucessão processual. 
d)Parte da doutrina sustenta, quanto a ação penal condenatória, a existência de 05 (cinco) condições para o 
regular exercício do direito de ação, a saber: legitimidade, interesse de agir, possibilidade jurídica da 
demanda, justa causa e originalidade. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
100 
 
e)Não existe no processo penal a figura do assistente litisconsorcial. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
A representação é condição específica de procedibilidade (condição da ação), pois 
circunstância inicial que condiciona o exercício da ação, e não de prosseguibilidade, que é 
condição superveniente (no andamento do processo). 
 
B – INCORRETA 
Para a doutrina tradicional, são condições da ação: 
1) Legitimidade para agir; 
2) Interesse de agir; 
3) Possibilidade jurídica do pedido + Justa Causa (lastro probatório mínimo de 
suporte para início da ação penal). 
Logo, causa de pedir NÃO é condição da ação. 
 
C – INCORRETA 
A legitimidade extraordinária NÃO se confunde com a hipótese de sucessão processual. São 
institutos diversos, ambos possíveis no processo penal. A legitimação extraordinária 
(substituição processual) ocorre na ação penal privada, em que a vítima defende interesse 
alheio (do Estado) como próprio. Logo, envolve as hipóteses de ação penal privada de modo 
geral. Já a sucessão processual ocorre nas restritas hipóteses do art. 31 do CPP. 
 
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou 
prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente 
ou irmão. 
 
D - CORRETA 
Segundo Afrânio Silva Jardim, a “originalidade” como condição genérica para o regular 
exercício de qualquer ação. O autor sustenta que os tradicionais pressupostos objetivos 
extrínsecos denominados “litispendência” e “coisa julgada” são, em verdade, condições da 
ação, porquanto não são sanáveis, sem viabilidade de renovação da demanda com correção 
do vício. Em outros termos, a ação (penal) tem que ser original, não se admitindo 
reproduções, em face da vedação de dupla persecução penal. No mesmo sentido a doutrina 
de André Nicolitt. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
101 
 
Cuidado! Trata-se de entendimento minoritário na doutrina. 
 
E - INCORRETA 
A doutrina sustenta que os art. 29 e art. 45, CPP expressam hipóteses de assistente 
litisconsorcial, uma vez que regulamentam a possibilidade de que o MP aditar e intervir, a 
todo tempo, na ação penal privada subsidiária da pública, bem como assuma a sua 
titularidade quando a parte for desidiosa ou manifestar interesse em desistir. 
 
Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no 
prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá-la e oferecer denúncia 
substitutiva, intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor 
recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte 
principal. 
 
Art. 45. A queixa, ainda quando a ação penal for privativa do ofendido, poderá ser aditada 
pelo Ministério Público, a quem caberá intervir em todos os termos subsequentes do 
processo. 
GABARITO: D 
 
15 - 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia 
Em consonância com a doutrina majoritária e com o entendimento dos tribunais superiores, assinale a opção 
correta acerca dos sistemas e princípios do processo penal. 
 
a)O princípio da obrigatoriedade deverá ser observado tanto na ação penal pública quanto na ação penal 
privada. 
b)O princípio da verdade real vigora de forma absoluta no processo penal brasileiro. 
c)Na ação penal pública, o princípio da igualdade das armas é mitigado pelo princípio da oficialidade. 
d)O sistema processual acusatório não restringe a ingerência, de ofício, do magistrado antes da fase 
processual da persecução penal. 
e)No sistema processual inquisitivo, o processo é público; a confissão é elemento suficiente para a 
condenação; e as funções de acusação e julgamento são atribuídas a pessoas distintas. 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
O princípio da obrigatoriedade é aplicado apenas à ação penal pública, visto que uma vez 
presentes os requisitos da justa causa, deverá ser proposta pelo Ministério Público. Lado 
outro, a ação penal privada é regida pelo princípio da oportunidade, vez que o particular não 
está obrigado a ajuizar a medida, sendo um direito que possui. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
102 
 
 
B – INCORRETA 
Inicialmente, destaca-se que NÃO há princípios absolutos no ordenamento jurídico brasileiro. 
Além disso, na perspectiva do sistema acusatório o princípio da verdade real é substituído 
pelo princípio da busca da verdade, devendo a prova ser produzida com fiel observância ao 
contraditório e a ampla defesa, à luz de um processo penal garantista de matrizconstitucional. 
 
C – CORRETA 
O princípio da oficialidade implica no atuar do próprio Estado, enquanto parte responsável 
pela persecução penal, a qual é levada a efeito através do Ministério Público. Contudo, 
embora o MP atue como parte no processo penal, acumula a função de custos legis, motivo 
pelo qual NÃO deve proceder com parcialidade. Cabe ao MP a tutela dos interesses tanto da 
acusação quanto da defesa, consagrando-se o dever do Estado de tutelar a liberdade do réu. 
Por isso podemos afirmar que o princípio da oficialidade mitiga, na ação penal pública, a ideia 
de paridade de armas. 
 
D - CORRETA 
O sistema acusatório caracteriza-se pela presença de partes distintas, contrapondo-se 
acusação e defesa em igualdade de condições e ambas se sobrepondo um juiz, de maneira 
equidistante e imparcial. Aqui, há uma separação das funções de acusar, defender e julgar. O 
processo caracteriza-se, assim, como legítimo actum trium personarum. 
A gestão da prova recai precipuamente sobre as partes, de modo que, na fase investigatória, 
o juiz só deve intervir quando provocado. Ademais, a atuação na fase judicial ocorre de forma 
excepcional, o que compatibiliza a garantia da imparcialidade e com o princípio do devido 
processo legal. 
 
E - INCORRETA 
No sistema inquisitório o processo é sigiloso e as funções de acusar e julgar são atribuídas a 
uma única pessoa. Em contrapartida, no sistema acusatório o processo é público e as funções 
de acusar e julgar são atribuídas a pessoas distintas. 
GABARITO: C 
 
 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
103 
 
16 - 2016 - CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia 
Acerca da ação penal, suas características, espécies e condições, assinale a opção correta. 
 
a)A perempção incide tanto na ação penal privada exclusiva quanto na ação penal privada subsidiária da ação 
penal pública. 
b)Os prazos prescricionais e decadenciais incidem de igual forma tanto na ação penal pública condicionada 
à representação do ofendido quanto na ação penal pública condicionada à representação do ministro da 
Justiça. 
c)De regra, não há necessidade de a queixa-crime ser proposta por advogado dotado de poderes específicos 
para tal fim, em homenagem ao princípio do devido processo legal. 
d)Tanto na ação pública condicionada à representação quanto na ação penal privada, se o ofendido tiver 
menos de vinte e um anos de idade e mais de dezoito anos de idade, o direito de queixa ou de representação 
poderá ser exercido por ele ou por seu representante legal. 
e)É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do MP, condicionada à representação do 
ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas 
funções. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
A perempção é a perda do direito de prosseguir com o exercício da ação penal 
exclusivamente privada ou personalíssima em virtude da desídia do querelante, com a 
consequente extinção da punibilidade. Trata-se de decorrência do princípio da 
disponibilidade da ação penal privada. 
 
Art. 60. Nos casos em que somente se procede mediante queixa, 
considerar-se-á perempta a ação penal: 
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o 
andamento do processo durante 30 dias seguidos; 
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua 
incapacidade, não comparecer em juízo, para prosseguir no 
processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das 
pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto no art. 36; 
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo 
justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, 
ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais; 
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir 
sem deixar sucessor. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
104 
 
 
B – INCORRETA 
Ao contrário da representação, que deve ser oferecida no prazo decadencial de 6 meses, 
contados do conhecimento da autoria, a lei silenciou acerca de eventual prazo para o 
oferecimento da requisição. Entende-se, portanto, que a requisição NÃO está sujeita ao 
prazo decadencial, podendo ser oferecida a qualquer tempo, desde que não tenha havido a 
extinção da punibilidade pelo advento da prescrição. 
 
C – INCORRETA 
A queixa-crime é a peça processual em crimes de ação penal de iniciativa privada (exclusiva, 
personalíssima e subsidiária da pública), subscrita por advogado dotado de procuração com 
poderes especiais, tendo como destinatário o órgão jurisdicional competente, por meio do 
qual o querelante solicita a instauração do processo penal condenatório em face do autor do 
delito (querelado), a fim de que lhe seja aplicada a pena privativa de liberdade ou medida de 
segurança. 
 
Art. 44, CPP. A queixa poderá ser dada por procurador com poderes 
especiais, devendo constar do instrumento do mandato o nome do 
querelante e a menção do fato criminoso, salvo quando tais 
esclarecimentos dependerem de diligências que devem ser 
previamente requeridas no juízo criminal. 
 
D - INCORRETA 
A alternativa se refere a dispositivo tacitamente revogado do Código de Processo Penal, a 
partir do advento do Código Civil de 2002. 
 
Art. 34. Se o ofendido for menor de 21 (vinte e um) e maior de 18 
(dezoito) anos, o direito de queixa poderá ser exercido por ele ou 
por seu representante legal. (TACITAMENTE REVOGADO) 
 
Com o Art. 5, CC/02 e a revogação do Art. 194 do CPP pela Lei 10.792/03, entende-se que ao 
completar 18 anos, a vítima já é plenamente capaz, não havendo mais possibilidade de o 
direito de representação ou queixar ser exercido por ascendente, já que este não é mais seu 
representante legal. 
 
E - CORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
105 
 
Súmula 714 do STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, 
mediante queixa, e do Ministério Público, condicionada à 
representação do ofendido, para a ação penal por crime contra 
honra do servidor público em razão do exercício de suas funções. 
 
No entendimento de Renato Brasileiro, a palavra "concorrente" foi uma imprecisão técnica. 
Na verdade, o termo correto seria legitimidade "alternativa", uma vez que ao ser oferecida 
representação pelo ofendido, autorizando o MP a agir, não seria mais possível o oferecimento 
da queixa-crime. Portanto, cabe ao ofendido escolher a via eleita, ou representação ou 
queixa-crime. 
GABARITO: E 
 
17 - 2015 - FUNIVERSA - PC-DF - Delegado de Polícia 
Assinale a alternativa correta em relação ao inquérito policial. 
 
a)Há, no ordenamento jurídico brasileiro, expressa previsão do inquérito policial judicialiforme. 
b)Nos crimes em que a ação pública depender de representação, o inquérito não poderá sem ela ser iniciado. 
c)O inquérito policial, cuja natureza é cautelar, constitui uma das fases processuais. 
d)O inquérito policial é dispensável à propositura da ação penal privada e da ação penal pública condicionada, 
mas é indispensável à propositura da ação penal pública incondicionada. 
e)Segundo jurisprudência pacificada no STF, o poder de investigação do Ministério Público é amplo e 
irrestrito. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do INQUÉRITO POLICIAL. 
 
Antes de analisar as alternativas, vamos a uma breve revisão do tema. 
 
O Inquérito Policial, conforme a doutrina tradicional, consiste em um procedimento 
administrativo preparatório para o oferecimento da denúncia que tem como objetivo a 
reunião dos elementos de convicção que habilitem o órgão de acusação para a propositura 
da ação penal (pública ou privada). 
NÃO é processo, pois não há contraditório, e possui natureza inquisitiva, pois decorre da 
reunião, em uma mesma pessoa, das funções de iniciar, presidir e decidir o procedimento. 
 
Segundo Renato Brasileiro, o inquérito policial deve ser compreendido como sendo: 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁSSEMANA 03/13 
 
106 
 
Procedimento administrativo inquisitório e preparatório, presidido 
pela autoridade policial, com o objetivo de identificar fontes de 
prova e colher elementos de informação quanto à autoria e 
materialidade da infração penal, a fim de permitir que o titular da 
ação penal possa ingressar em juízo. 
 
A doutrina aponta como principais características do Inquérito Policial: 
• OFICIOSIDADE: a autoridade policial deverá atuar de ofício (art. 5, CPP). 
• DISCRICIONARIEDADE: diz respeito a condução da investigação e as diligências 
determinadas pelo Delegado de Policia (art. 6 e 7, CPP). 
• ESCRITO: as peças do Inquérito Policial serão reduzidas a termo e juntadas no caderno 
investigatório (art. 9, CPP). 
• SIGILOSO: a autoridade policial deve autoridade assegurar o sigilo necessário à 
elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade (art. 20, CPP). 
• AUTORITARIEDADE: presidido com exclusividade pelo Delegado de Polícia. 
• INDISPONIBILIDADE: a Autoridade Policial não pode mandar arquivar os autos do 
Inquérito Policial. 
• INQUISITIVO: não há neste momento o contraditório. 
• OFICIALIDADE: o inquérito policial é um procedimento oficial. 
 
Vamos, então, analisar cada uma das alternativas. 
 
A – INCORRETA 
O procedimento judicialiforme, ocorria na hipótese em que a ação penal, quando envolvesse 
contravenções penais, seria iniciada com o auto de prisão em flagrante ou com portaria 
expedida pela autoridade policial ou judicial, conforme previsão no art. 26, CPP. Ocorre que 
referido artigo NÃO foi recepcionado pela CF/88. O art. 129, CF traz as funções institucionais 
do Ministério Público, dentre estas “promover, privativamente, a ação penal pública, na 
forma da lei”. 
 
B – CORRETA 
Trata-se do disposto no art. 5, §4º, CPP. 
Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: 
(...) 
§4º O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de 
representação, não poderá sem ela ser iniciado. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
107 
 
 
C – INCORRETA 
O inquérito policial tem natureza administrativa e visa apurar as infrações penais e sua 
autoria. 
 
D - INCORRETA 
Uma das características do inquérito policial é a dispensabilidade, podendo ocorrer a 
promoção de qualquer espécie ação penal, independente da sua instauração prévia. Em 
relação a ação penal pública, basta que a denúncia esteja minimamente consubstanciada nos 
elementos exigidos em lei. 
 
OBS.: Doutrina mais moderna (de caráter policial) trata da indispensabilidade do inquérito, 
contudo, além de ser entendimento ainda minoritário, NÃO há distinção no que se refere a 
natureza da ação como apontado no enunciado. 
 
E - INCORRETA 
Trata-se de entendimento contrário a jurisprudência do STF que, no julgamento do RE 
593.727 destacou o poder de investigação do Ministério Público e os limites impostos ao seu 
exercício, fixando tese de repercussão geral no seguinte sentido: 
 
O Ministério Público dispõe de competência para promover, por 
autoridade própria, e por prazo razoável, investigações de natureza 
penal, desde que respeitados os direitos e garantias que assistem 
a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob investigação do 
Estado, observadas, sempre, por seus agentes, as hipóteses de 
reserva constitucional de jurisdição e, também, as prerrogativas 
profissionais de que se acham investidos, em nosso País, os 
Advogados (Lei 8.906/94, artigo 7º, notadamente os incisos I, II, 
III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da possibilidade – sempre 
presente no Estado democrático de Direito – do permanente 
controle jurisdicional dos atos, necessariamente documentados 
(Súmula Vinculante 14), praticados pelos membros dessa 
instituição. 
GABARITO: B 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
108 
 
18 - 2015 - VUNESP - PC-CE - Delegado de Polícia 
No caso de morte do ofendido 
 
a)o direito de oferecer queixa passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão; nos crimes de ação 
privada, o juiz, a requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, instaurará de ofício a ação penal. 
b)o direito de oferecer queixa se extinguirá; nos crimes de ação privada, o juiz, a requerimento da parte que 
comprovar a sua pobreza, instaurará de ofício a ação penal. 
c)o direito de oferecer queixa passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão; nos crimes de ação 
privada, o juiz, a requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado para promover a 
ação penal. 
d)no curso da ação privada, declarar-se-á a extinção da punibilidade do ofensor; nos crimes de ação pública 
condicionada, o juiz, a requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado para 
promover a ação penal. 
e)no curso da ação pública condicionada, declarar-se-á a extinção da punibilidade do ofensor; nos crimes de 
ação pública condicionada, o juiz, a requerimento da parte que comprovar a sua pobreza, nomeará advogado 
para promover a ação penal. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
O juiz NÃO pode instaurar ação penal de ofício, notadamente diante do princípio da inércia 
da jurisdição. 
No caso das ações penais públicas, a iniciativa cabe ao Ministério Público, conforme se infere 
da leitura do art. 129, I, da CF/88, por outro lado, nas ações de iniciativa privada, inclusive da 
ação penal privada subsidiária da pública ou supletiva, dependerá da iniciativa do ofendido. 
 
B – INCORRETA 
O direito de oferecer queixa NÃO se extingue diante da morte do ofendido, tendo em vista 
que se tornarão legitimados ativos todos os indivíduos elencados no artigo 31 do CPP, quais 
sejam: cônjuge, ascendentes, descendentes e irmãos. 
 
Art. 31. No caso de morte do ofendido ou quando declarado 
ausente por decisão judicial, o direito de oferecer queixa ou 
prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente 
ou irmão. 
 
C – CORRETA 
Trata-se do que dispõe os art. 31 e art. 32, CPP. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
109 
 
 
D - INCORRETA 
A punibilidade do ofensor não será extinta, tendo em vista a legitimidade dos sucessores (vide 
alternativa B). 
 
E - INCORRETA 
A legitimidade dos sucessores também se aplica na ação penal pública condicionada, razão 
pela qual NÃO há a extinção da punibilidade 
 
Art. 24. Nos crimes de ação pública, esta será promovida por 
denúncia do Ministério Público, mas dependerá, quando a lei o 
exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do 
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. 
 
§ 1º No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente 
por decisão judicial, o direito de representação passará ao cônjuge, 
ascendente, descendente ou irmão. 
GABARITO: C 
 
19 - 2014 - ACAFE - PC-SC - Delegado de Polícia 
De acordo com a Lei de Introdução ao Código de Processo Penal, assinale a alternativa correta. 
 
a)O juiz da denúncia, ao classificar o crime, apenas quando consumado, não poderá reconhecer a existência 
de causa especial de diminuição da pena. 
b)O juiz da pronúncia, ao classificar o crime, consumado ou tentado, poderá reconhecer a existência de causa 
especial de diminuição da pena. 
c)O juiz da pronúncia, ao classificar o crime, apenas quando tentado, não poderá reconhecer a existência de 
causa especial de diminuição da pena. 
d)Se tiver sido intentada ação pública por crime que, segundo o Código Penal, só admite ação privada, esta, 
salvo decadência intercorrente, poderá prosseguir nos autos daquela, desde que a parte legítima para 
intentá-la ratifique os atos realizados e promova o andamento do processo. 
e)Se tiver sido intentada ação pública por crime que, segundo o Código Penal, só admite ação privada, esta, 
salvo prescrição intercorrente, não poderá prosseguir nos autos daquela, desde que a parte legítima para 
intentá-la ratifique os atos realizados e promova o andamento do processo. 
 
 
 
RETAFINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
110 
 
COMENTÁRIO 
Para responder a questão é necessário conhecer o teor do disposto nos art. 5 e art. 7, da Lei 
de introdução ao Código de Processo Penal (DECRETO-LEI 3.931/41). 
 
Art. 5º Se tiver sido intentada ação pública por crime que, segundo 
o Código Penal, só admite ação privada, esta, salvo decadência 
intercorrente, poderá prosseguir nos autos daquela, desde que a 
parte legítima para intentá-la ratifique os atos realizados e promova 
o andamento do processo. 
 
Art. 7º O juiz da pronúncia, ao classificar o crime, consumado ou 
tentado, não poderá reconhecer a existência de causa especial de 
diminuição da pena. 
 
Diante do teor dos artigos acima apontados, tem-se como correta a alternativa D. À luz do 
art. 5, está incorreta a alternativa. Tendo em vista o art. 7, estão incorretas as alternativas A, 
B e C. 
GABARITO: D 
 
20 - 2014 - ACAFE - PC-SC - Delegado de Polícia 
De acordo com o Código de Processo Penal, e considerando o inquérito policial nos crimes de ação pública, 
analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta. 
 
I Será iniciado de ofício. 
II Será iniciado mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a requerimento do 
ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo. 
III Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito não caberá recurso. 
IV O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de representação, não poderá sem ela ser 
iniciado. 
 
a)Todas as afirmações estão corretas. 
b)Todas as afirmações estão incorretas. 
c)Apenas I, II e III estão corretas. 
d)Apenas II e IV estão corretas. 
e)Apenas I, II e IV estão corretas. 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
111 
 
COMENTÁRIO 
I - CORRETA 
É o que dispõe o art. 5º, CPP: "Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: I 
- de ofício; (...)". 
 
II – CORRETA 
É o que dispõe o art. 5º, CPP: "Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: 
(...) II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público, ou a 
requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-lo (...)". 
 
III – INCORRETA 
Cabe recurso. Art. 5º, §2º, CPP: "Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de 
inquérito caberá recurso para o chefe de Polícia". 
 
IV – CORRETA 
É o que dispõe o art. 5º, §4º, CPP: "O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender 
de representação, não poderá sem ela ser iniciado". 
 
Logo, estão corretas as assertivas I, II e IV. 
GABARITO: D 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE DROGAS 
 
1 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Em cumprimento a mandado de busca e apreensão regularmente expedido por juiz competente, agentes da 
polícia civil localizaram 19 gramas de crack no telhado de banheiro externo do imóvel, quantidade que 
permitiu o fracionamento em cem pedras, além de um estilete, duas balanças de precisão, mais de R$800,00 
em dinheiro em notas trocadas e anotações contábeis rústicas. 
Os dois ocupantes do imóvel, que vinham sendo monitorados, foram denunciados pela conduta estampada 
no Art. 33, caput, da Lei nº 11.343/06. No curso do processo, a defesa técnica dos imputados requereu a 
realização de perícia de dependência química. 
 
Diante do quadro narrado, quanto ao exame solicitado, é correto afirmar que 
 
A-deve ser deferido, pois a produção da prova é direito absoluto das partes. 
B-deve ser deferido, sob pena de cerceamento de defesa, diante do direito à prova da parte. 
C-deve ser deferido, pois o exame constitui prova obrigatória para comprovação da materialidade. 
D-deve ser indeferido, diante da discricionariedade judicial e desnecessidade da prova. 
E-deve ser indeferido, diante do não cabimento da espécie de prova ao fato imputado. 
 
COMENTÁRIO 
A questão exige conhecimentos acerca da jurisprudência recente do STJ a Lei 11.343/06. 
 
Nos casos de apreensão de drogas, na avaliação da finalidade da posse da droga, se para 
consumo pessoal ou se para traficância, devem ser levadas em consideração pelo juiz diversas 
circunstâncias, como, por exemplo, a quantidade da droga, a forma de acondicionamento, o 
encontro de valores em espécies etc. 
 
Conforme entendimento do STJ, não há a obrigatoriedade da realização de exame 
toxicológico, seja para verificar a condição de usuário dos agentes encontrado com a posse 
das substâncias entorpecentes, seja para verificar a sua inimputabilidade. O deferimento ou 
indeferimento desta espécie de prova dependerá das circunstâncias do caso concreto, pois 
não se trata de prova obrigatória. 
 
HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO PRÓPRIO. NÃO 
CABIMENTO. TESE DE CERCEAMENTO DE DEFESA. EXAME DE 
DEPENDÊNCIA TOXICOLÓGICA. PROVA INÚTIL. INDEFERIMENTO 
MOTIVADO. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. MODUS 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
113 
 
OPERANDI TÍPICO DE TRÁFICO DE DROGAS. TESE DE DEPENDÊNCIA 
QUÍMICA QUE NÃO AFASTA O DELITO. HABEAS CORPUS NÃO 
CONHECIDO. 
(...) 
II - Não obstante o acusado, no processo penal, tenha direito à 
produção de provas, o Magistrado tem discricionariedade para 
indeferir aquelas que reputar protelatórias, irrelevantes ou 
impertinentes, desde que em decisão fundamentada. Precedentes. 
III - In casu, não constituiu constrangimento ilegal o indeferimento 
motivado da elaboração de laudo de dependência química dos 
pacientes, tendo em vista que o modus operandi delitivo, em tese, 
é típico do crime de tráfico de drogas, pois os policiais, "em 
cumprimento a um mandado de busca e apreensão no local dos 
fatos, localizaram no telhado do banheiro externo do imóvel 19 
gramas de crack, quantidade essa que permite o fracionamento em 
cem pedras, além de um estilete, duas balanças de precisão, mais 
de R$ 800,00 em dinheiro em notas trocadas e anotações típicas da 
prática do tráfico de drogas" (fl. 301). Da mesma forma, as provas 
apresentadas pela d. Defesa sequer comprovam a concomitância da 
suposta dependência toxicológica, tendo em vista que os 
"documentos juntados a fls. 239/240, constata-se que são 
posteriores aos fatos" (fl. 301). 
IV - Diante do caso concreto, tem-se que o d. Magistrado, 
analisando os elementos constantes nos autos, decidiu 
fundamentadamente que a prova era desnecessária para a 
formação de seu convencimento. 
V - Verifica-se, assim, que foram declinadas justificativas plausíveis 
para a negativa ao pleito da d. Defesa, sendo certo que, para se 
concluir em sentido contrário, seria necessário o revolvimento de 
matéria fático-probatória, providência incompatível com a via 
eleita. Precedentes. Habeas corpus não conhecido. 
(STJ; Quinta Turma; HC 697.735/SP; Relator Ministro Jesuíno 
Rissato – Desembargador Convocado do TJDFT; Publicado no DJE de 
15/12/2021). 
 
Nesse sentido, a alternativa que se adéqua ao entendimento supramencionado é a letra D. 
GABARITO: B 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
114 
 
2 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RJ - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RJ - Delegado de Polícia 
Considerando o disposto na Lei n.º 11.343/2006 (Lei de Drogas), assinale a opção correta. 
 
A-Tratando-se da conduta prevista no art. 28 dessa lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor 
do fato ser imediatamente encaminhado ao juízo competente, que lavrará o termo circunstanciado e 
providenciará as requisições dos exames e perícias necessárias; se ausente o juiz, as providências deverão 
ser tomadas de imediato pela autoridade policial, no local em que se encontrar, vedada a detenção do 
agente. 
B-A audiência de instrução e julgamento será realizada dentro dos sessenta dias seguintes ao recebimento 
da denúncia, salvo se determinada a realização de avaliação para atestar dependência de drogas,jurídica 
de erro de tipo. Desse modo, se invencível, exclui o dolo; se vencível, deverá subsistir o crime 
culposo, desde que previsto em lei. 
 
Assim, as afirmações I, II, IV e V estão corretas. 
GABARITO: D 
 
3 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
 
Sobre a legítima defesa, é INCORRETO afirmar: 
 
A-A legítima defesa putativa ocorre quando o sujeito supõe, por um erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias, a existência de uma agressão injusta, atual ou iminente, contra bem jurídico (direito) próprio 
ou de terceiro. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
9 
 
B-A exigência do meio necessário para configurar a legítima defesa não corresponde à exigência de ‘paridade 
de armas’ como meio para repelir uma agressão injusta. 
C-Mesmo uma agressão lícita a um bem jurídico (direito) próprio ou de terceiro pode ser repelida mediante 
legítima defesa, desde que haja o emprego moderado dos meios necessários. 
D-Após quem se defende conseguir cessar a agressão injusta, não é lícito continuar agindo de forma típica, 
pois a legítima defesa pressupõe o uso moderado dos meios necessários. 
E-Segundo parte da doutrina, mesmo o excesso de legítima defesa pode ser considerado não culpável, 
quando for determinado por medo, susto ou perturbação. 
 
COMENTÁRIO 
A – CORRETA 
A legítima defesa está prevista no art. 25, CP, que assim dispõe: 
 
Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos 
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a 
direito seu ou de outrem. 
 
A legítima defesa putativa ocorre quando o agente acredita, por erro plenamente justificado 
pelas circunstâncias concretas, que age encoberto pelo instituto, ou seja, que está diante de 
uma agressão injusta, atual ou iminente, contra direito seu ou de outrem, porém, em verdade, 
não incorre em tal situação. As discriminantes putativas são disciplinadas no art. 20, §1º, CP, 
que assim dispõe: 
 
É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a 
ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa 
e o fato é punível como crime culposo. 
 
B – CORRETA 
Meios necessários são aqueles eficazes e suficientes para repelir a uma agressão injusta e que 
estejam ao alcance da vítima sejam eles quais forem. A paridade de armas, portanto, não é 
exigível para caracterização da legítima defesa. 
 
C – INCORRETA 
Apenas agressões injustas ou ilícitas podem ser objeto de legítima defesa, nos termos do art. 
25, CP. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
10 
 
ATENÇÃO! A agressão deve ser injusta e ilícita, portanto, contrária ao Direito. NÃO se exige que 
configure crime, ou seja, que esteja prevista como infração penal, bastando a verificação de 
contradição com o ordenamento jurídico. 
 
D - CORRETA 
Quando se extrapola na legítima defesa, ou seja, quando agente continua a reação contra o 
agente originário da agressão, mesmo após a cessação desta, incidindo em excesso de legítima 
defesa. Não é lícito ao agente continuar a agir de modo típico nesse caso, pois fica afastada a 
incidência da descriminante mencionada, o que configura o excesso extensivo. 
 
E - CORRETA 
O excesso de legítima defesa, conforme visto, é punível (art. 23, §único, CP). Contudo, em casos 
concretos, devido a determinadas circunstâncias subjetivas, conforme parte da doutrina, pode 
ser considerado não culpável, por inexigibilidade de conduta diversa, quando a vítima é 
dominada pelo medo, susto e perturbação, que naturalmente se fazem presentes quando se 
suporta uma agressão injusta. 
 
Sobre o tema, Guilherme de Souza Nucci afirma que: 
Trata-se de uma causa supralegal de exclusão da culpabilidade, não 
prevista expressamente em lei. Como vimos defendendo na 
possibilidade do reconhecimento de excludentes supralegais, o 
excesso exculpante seria o decorrente de medo, surpresa ou 
perturbação de ânimo, fundamentadas na inexigibilidade de conduta 
diversa. O agente, ao se defender de um ataque inesperado e 
violento, apavora-se e dispara seu revólver mais vezes do que seria 
necessário para repelir o ataque, matando o agressor. Pode 
constituir-se uma hipótese de flagrante imprudência, embora 
justificada pela situação especial por que passava. 
 
Tendo em vista que, na legítima defesa, a vítima desconhece as intenções do agressor bem 
como o alcance da agressão, não se pode exigir que reaja na mesma proporção da agressão. A 
pessoa agredida tem, via de regra, seu estado psicológico-emocional alterado diante da 
situação que se impõe, o que deve ser sopesado pelo julgador. 
GABARITO: C 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
11 
 
4 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
 
Assinale a alternativa que contém três excludentes de ilicitude (causas de exclusão ou excludentes de 
antijuridicidade). 
 
A-Estrito cumprimento do dever legal, legítima defesa e estado de necessidade. 
B-Erro sobre a ilicitude do fato, estado de necessidade e estrito cumprimento do dever legal. 
C-Coação irresistível, legítima defesa e consentimento do ofendido. 
D-Erro de proibição direto, inimputabilidade por doença mental e obediência hierárquica. 
E-Obediência hierárquica, estado de necessidade e coação irresistível. 
 
 
COMENTÁRIO 
A questão exige o conhecimento acerca das excludentes de ilicitude previstas no Código Penal. 
 
A- CORRETA. 
É o que dispõe o Código Penal, em seu art. 23: 
Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de 
direito. 
 
B - INCORRETA. 
O estado de necessidade e o estrito cumprimento do dever legal são causas de exclusão de 
ilicitude (vide alternativa A). 
Já o erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, exclui a culpabilidade, conforme dispõe o art. 
21: 
 
O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do 
fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de 
um sexto a um terço. 
 
C - INCORRETA. 
A legítima defesa é causa de exclusão de ilicitude (vide alternativa A). Igualmente, o 
consentimento do ofendido é causa de exclusão da ilicitude, contudo, não está previsto no CP, 
sendo causa supralegal de exclusão de ilicitude. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
12 
 
Já a coação irresistível não é causa de exclusão de ilicitude. Sendo física, exclui a tipicidade; 
sendo moral, exclui a culpabilidade. O CP dispõe expressamente apenas acerca da coação moral 
irresistível no art. 22: 
 
Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência 
a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é 
punível o autor da coação ou da ordem. 
 
D - INCORRETA. 
O erro de proibição direto é o erro sobre a ilicitude do fato, previsto no art. 21 e, sendo 
inevitável, exclui a culpabilidade (vide alternativa B). Igualmente, a inimputabilidade por 
doença (mental) e a obediência hierárquica excluem a culpabilidade, conforme os art. 25 e art. 
22, CP. 
 
Art. 25: É isento de pena o agente que, por doença (...) ou 
desenvolvimento mental incompleto (...), era, ao tempo da ação ou 
da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato 
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. 
 
Art. 22: Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita 
obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior 
hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem. 
 
E - INCORRETA. 
Apenas o estado de necessidade é causa de exclusão de ilicitude (vide alternativa A). 
A obediência hierárquica e a coação irresistível, se inevitáveis, são causas de exclusão de 
culpabilidade (vide alternativas C e D). 
GABARITO: A 
 
5 - 2021 - FGV - PC-RNquando a 
referida audiência se realizará em noventa dias. 
C-Prescrevem em dois anos a imposição e a execução das penas, observado, no tocante à interrupção do 
prazo, o disposto no art. 107 e seguintes do Código Penal e, quando houver concurso material com outro 
delito específico previsto nessa lei, deverão ser observados os ditames do art. 109 do Código Penal. 
D-Nos crimes previstos nessa lei, o indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação 
policial e com o processo criminal na identificação dos demais coautores ou partícipes do crime e na 
recuperação total ou parcial do produto do crime, terá, no caso de condenação, pena reduzida de um sexto 
a dois terços. 
E-No que se refere ao crime previsto no art. 33, caput dessa lei, recebidos em juízo os autos do inquérito 
policial, dar-se-á vista ao Ministério Público para que este, no prazo de cinco dias, ofereça denúncia e arrole 
até cinco testemunhas, requerendo as demais provas que entender pertinentes. 
A questão exige conhecimentos acerca literalidade das disposições da Lei 11.343/06. 
A – CORRETA 
Trata-se da literalidade do art. 48, §2º. 
 
Art. 48, §2º. Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, 
não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser 
imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta 
deste, assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se 
termo circunstanciado e providenciando-se as requisições dos 
exames e perícias necessários. 
 
OBS.: O STF julgou constitucional o dispositivo na ADI 3807, visto que “o Termo 
Circunstanciado não é procedimento investigativo, mas peça informativa com descrição 
detalhada do fato e as declarações do condutor do flagrante e do autor do fato, deve-se 
reconhecer que a possibilidade de sua lavratura pelo órgão judiciário não ofende os §§ 1° e 
4° do art. 144 da Constituição, nem interfere na imparcialidade do julgador”. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
115 
 
 
B – INCORRETA 
Audiência de instrução e julgamento será realizada dentro dos 30 (trinta) dias seguintes ao 
recebimento da denúncia, salvo se determinada a realização de avaliação para atestar 
dependência de drogas, quando se realizará em 90 (noventa) dias (art. 56, § 2° da lei n° 
11.343/2006). 
 
C – INCORRETA 
No crime de porte ou posse de drogas para consumo pessoal (art. 28) prescrevem em 2 anos 
a imposição e a execução das penas, observado, no tocante à interrupção do prazo, o disposto 
nos arts. 107 e seguintes do Código Penal (art. 30). 
Mesmo havendo concurso material com crime diverso, o delito do art. 28 da Lei de Drogas 
continua com o prazo prescricional de 2 anos. 
 
D – INCORRETA 
O indiciado ou acusado que colaborar voluntariamente com a investigação policial e o 
processo criminal na identificação dos demais co-autores ou partícipes do crime e na 
recuperação total ou parcial do produto do crime, no caso de condenação, terá pena reduzida 
de um terço a dois terços (art. 41). 
 
E – INCORRETA 
O prazo para oferecimento da denúncia é 10 dias (art. 54). 
GABARITO: A 
 
3 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RJ - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RJ - Delegado de Polícia 
Soraia possui doença neurológica para a qual existe indicação terapêutica do uso de canabidiol. A fim de 
controlar os sintomas da doença, ela importou medicamentos à base de canabidiol, amparada em decisão 
judicial, embora sem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Como os 
medicamentos são caros, Soraia requereu, judicialmente, autorização para plantio de Cannabis sativa e 
consectária extração do óleo necessário ao tratamento. O magistrado, ao se pronunciar, negou a liminar 
pleiteada, sustentando que a autorização para plantio só poderia ser concedida pela ANVISA. Irresignada, 
Soraia viajou ao exterior, para a aquisição de algumas poucas sementes de Cannabis, com as quais pretendia 
iniciar o cultivo clandestino para utilização própria. Ao retornar ao Brasil, o carro de Soraia foi parado em 
uma blitz, tendo os policiais encontrado as sementes em seu poder. Para se defender, Soraia decidiu 
demonstrar o propósito terapêutico de sua iniciativa, levando os policiais espontaneamente à sua casa, onde 
estavam cópias de prontuários, receitas e atestados médicos. Lá os policiais encontraram diversos utensílios 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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destinados ao cultivo das plantas psicotrópicas, além de frascos do medicamento outrora adquirido mediante 
decisão judicial autorizativa. 
A respeito dessa situação hipotética, assinale a opção correta. 
 
A-Soraia praticou comportamento penalmente típico, mas estava amparada pelo estado de necessidade. 
B-A manutenção dos utensílios para cultivo de drogas destinadas a consumo pessoal é crime autônomo 
expressamente previsto na Lei n.º 11.343/2006. 
C-A aquisição dos medicamentos, a importação das sementes e a posse dos utensílios mencionados não 
constituem infrações penais previstas na Lei n.º 11.343/2006. 
D-A aquisição dos medicamentos à base de canabidiol foi criminosa, já que foi realizada sem autorização da 
ANVISA. 
E-A importação de sementes de Cannabis sativa constitui crime previsto na Lei n.º 11.343/2006, salvo se for 
autorizada, pois as sementes são matéria-prima para a produção de drogas. 
 
A questão exige conhecimentos acerca jurisprudência recente dos Tribunais Superiores sobre 
a Lei 11.343/06. 
 
Para que se configure a lesão ao bem jurídico tutelado pelo art. 34 da Lei nº 11.343/06, a ação 
de possuir maquinário e/ou objetos deve ter o especial fim de fabricar, preparar, produzir ou 
transformar drogas, visando ao tráfico. 
 
Assim, ainda que o crime previsto no art. 34 da Lei nº 11.343/06 possa subsistir de forma 
autônoma, não é possível que o agente responda pela prática do referido delito quando a 
posse dos instrumentos se configura como ato preparatório destinado ao consumo pessoal 
de entorpecente. 
 
As condutas previstas no art. 28 da Lei de Drogas recebem tratamento legislativo mais brando, 
razão pela qual não há respaldo legal para punir com maior rigor as ações que antecedem o 
próprio consumo pessoal do entorpecente. STJ. 6ª Turma. RHC 135617-PR, Rel. Min. Laurita 
Vaz, julgado em 14/09/2021 (Info 709). 
 
É atípica a conduta de importar pequena quantidade de sementes de maconha. STJ. 3ª Seção. 
EREsp 1624564-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/10/2020 (Info 683). STF. 2ª Turma. 
HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 11/9/2018 (Info 915). 
 
Esse entendimento foi estabelecido a partir dos seguintes fundamentos: 
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DELEGADO GOIÁS 
 
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(1) A semente não possui o princípio ativo THC e não está listada na portaria da Anvisa, 
nesse sentido seria mero ato preparatório; 
(2) O § 1º do art. 33 prevê que também é crime a importação de “matéria-prima” ou 
“insumo” destinado à preparação de drogas → não se faz droga misturando a 
semente de maconha com qualquer coisa, ela não tem substância psicoativa. 
(3) Não obstante adequar-se tipicamente a figura do contrabando → exceção à regra da 
inaplicabilidade da bagatela nesses crimes. 
GABARITO: C 
 
4 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
Assinale a opção correta acerca do entendimento dos tribunais superiores em relação ao crime de tráfico 
ilícito de substâncias entorpecentes. 
 
A-A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito de entorpecentes não exige 
o reconhecimento da traficância pelo acusado, bastando a mera admissão da posse ou propriedade para uso 
próprio. 
B-A importação de pequena quantidade de sementes da planta conhecida como maconha é atípica. 
C-Não se admite a substituição das penas privativas de liberdade por restritivas de direitos nas condenações 
por tráfico de drogas. 
D-A existência de ações penais em curso eregistros de atos infracionais serve para impedir o reconhecimento 
do tráfico privilegiado. 
E-O crime de tráfico de drogas é equiparado a hediondo, ainda que em sua forma privilegiada. 
A questão exige conhecimentos acerca jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre a Lei 
11.343/06. 
 
A – INCORRETA 
Súmula 630 STJ: A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de tráfico ilícito 
de entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado, não bastando a mera 
admissão da posse ou propriedade para uso próprio. 
 
B – CORRETA 
Trata-se do entendimento expresso no Informativo 915 STF. 
 
Atipicidade da importação de pequena quantidade de sementes de 
maconha. STF. 2ª Turma. HC 144161/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, 
julgado em 11/9/2018 (Info 915). 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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C – INCORRETA 
O Plenário do STF, no HC 97.256, cujo relator foi o Ministro Carlos Ayres Britto, julgado em 1º 
de setembro de 2010, firmou o entendimento de que a vedação à substituição da pena 
privativa de liberdade pela restritiva de direitos, prevista na Lei de Drogas, é inconstitucional 
por violação ao princípio da individualização da pena. O artigo que previa essa vedação, artigo 
33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006, foi, inclusive, suspenso no trecho a ela pertinente pela 
Resolução nº 5 de 2012. 
 
D – INCORRETA 
Para a aplicação do privilégio no crime de tráfico de drogas, nos termos do artigo 33, § 4º, da 
Lei nº 11.343/2006, o agente tem que ser primário, de bons antecedentes, não se dedicar a 
atividades criminosas nem integrar organização criminosa. 
Quanto à possiblidade de ações penais em curso e registros de infrações impedirem a 
incidência do privilégio nos casos de tráfico de entorpecentes, verifica-se decisão recente que 
não admite essa possibilidade: 
 
Agravo regimental no habeas corpus. 2. Penal e Processo Penal. 3. 
Tráfico de drogas. 4. Incidência da causa especial de diminuição de 
pena prevista no art. 33, § 4ª, da Lei 11.343/2006. Fundamentação 
abstrata para lastrear o afastamento do tráfico privilegiado. 5. À luz 
do princípio constitucional da presunção da não culpabilidade, a 
existência de inquéritos ou ações penais em curso não constitui 
fundamento válido para afastar a incidência da causa de 
diminuição de pena prevista no art. 33, §4º, da Lei de Drogas. 
Precedentes. 6. Ausência de argumentos capazes de infirmar a 
decisão agravada. 7. Agravo regimental desprovido". (STF; Segunda 
Turma; HC 211.327 AgR/SP; Relator Ministro Gilmar Medes; 
Publicado no DJe 22/03/2022). 
 
Cuidado! Trata-se de entendimento que encontra decisões em sentido diverso no âmbito dos 
Tribunais Superiores. 
 
E – INCORRETA 
O Plenário do STF no HC 118.533/MS, da relatoria da Ministra Cármen Lúcia, concluiu que o 
crime de tráfico privilegiado de drogas não possui natureza hedionda. 
A Terceira Seção do STJ, na Petição 11796/DF, em Recurso Repetitivo da relatoria da Ministra 
Maria Thereza de Assis Moura, publicado no de 29/11/2016, aderiu ao posicionamento 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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sedimentado no STF, cancelando, inclusive, a Súmula nº 512 (A aplicação da causa de 
diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do 
crime de tráfico de drogas). 
GABARITO: B 
 
5 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
Sobre os tipos penais previstos na Lei de Drogas (Lei nº 11.343/2006), e considerando a interpretação que 
lhes é dada pelo STJ, assinale a alternativa correta. 
 
A-A comprovação da materialidade do delito de posse de drogas para uso próprio não depende da 
elaboração de laudo de constatação da substância entorpecente que evidencie a natureza e a quantidade da 
substância apreendida. 
B-Para a configuração do crime de associação para o tráfico de drogas é indispensável que haja a apreensão 
de drogas na posse direta do agente. 
C-A conduta de posse de droga para consumo próprio foi descriminalizada pela referida lei, tendo havido, 
portanto, abolitio criminis. 
D-O tráfico ilícito de drogas na sua forma privilegiada não é crime equiparado a hediondo. 
E-Prescrevem em 4 anos a imposição e a execução das penas referentes à conduta de posse de droga para 
consumo próprio. 
 
A questão exige conhecimentos acerca jurisprudência dos Tribunais Superiores sobre a Lei 
11.343/06. 
 
A – INCORRETA 
Para a comprovação da materialidade do delito se exige laudo de constatação da substância 
entorpecente, no caso do crime previsto no art. 28 da Lei nº 11.343/2006. 
Nesse sentido o enunciado Jurisprudência em Teses, edição nº 131, item 12: “A comprovação 
da materialidade do delito de posse de drogas para uso próprio (art. 28 da Lei nº 11.343/2006) 
exige a elaboração de laudo de constatação da substância entorpecente que evidencie a 
natureza e a quantidade da substância apreendida". 
 
B – INCORRETA 
A configuração do crime de associação para o tráfico de drogas (art. 35) NÃO exige a 
apreensão de drogas na posse direta do agente. 
Nesse sentido o enunciado Jurisprudência em Teses, edição nº 131, item 27: “Para a 
configuração do crime de associação para o tráfico de drogas, previsto no art. 35 da Lei n. 
11.343/2006, é irrelevante apreensão de drogas na posse direta do agente". 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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C – INCORRETA 
NÃO houve descriminalização da conduta de posse de droga para uso próprio. 
Nesse sentido o enunciado Jurisprudência em Teses, edição nº 131, item 6: “A conduta de 
porte de substância entorpecente para consumo próprio, prevista no art. 28 da Lei n. 
11.343/2006, foi apenas despenalizada pela nova Lei de Drogas, mas não descriminalizada, 
não havendo, portanto, abolitio criminis". 
 
D – CORRETA 
É a orientação do Superior Tribunal de Justiça, consoante se observa no enunciado 
Jurisprudência em Teses, edição nº 131, edição nº 131, item 21: “O tráfico ilícito de drogas na 
sua forma privilegiada (art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006) não é crime equiparado a 
hediondo.” 
 
 
E – INCORRETA 
O prazo prescricional, para a imposição e a execução das penas referentes à conduta de posse 
de droga para consumo próprio é de 2 anos, consoante estabelece o art. 30 da Lei nº 
11.343/2006. 
GABARITO: D 
 
6 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Após receber informação de que uma grande quantidade de droga estaria chegando a certa comunidade, a 
polícia civil planejou uma operação objetivando a apreensão do material entorpecente e a prisão de vários 
traficantes. Joaquim, policial civil lotado na delegacia em que a operação era planejada, no momento de sua 
execução, ciente de que o líder do tráfico do local era um antigo colega de infância, acende, escondido, fogos 
de artifício que ficavam na comunidade para acionamento em diligências policiais. Em razão do aviso, a 
diligência tem resultado negativo, ninguém sendo preso e não sendo apreendida qualquer droga. O 
comportamento de Joaquim foi descoberto, devendo ele responder pelo(s) seguinte(s) crime(s) previsto(s)na 
Lei nº 11.343/2006: 
 
A-associação para o tráfico, apenas; 
B-tráfico de drogas, apenas; 
C-colaboração ou informante do tráfico, apenas; 
D-associação para o tráfico e colaboração ou informante do tráfico, em concurso material; 
E-tráfico de drogas e associação para o tráfico, em concurso material. 
 
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DELEGADO GOIÁS 
 
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7 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Maria, 61 anos, primária e de bons antecedentes, é responsável pela criação de três netos com idades entre 
10 e 16 anos. Em dificuldade financeira, aceita proposta de um vizinho para levar 1 kg de maconha da cidade 
de Natal, onde reside, para Mossoró, no mesmo Estado, recebendo um salário mínimo pelo serviço. Maria, 
porém, foiflagrada por policiais militares em abordagem de rotina quando transportava a droga em uma 
bolsa que estava no maleiro do ônibus intermunicipal por ela utilizado, admitindo a empreitada criminosa. 
Diante desse quadro fático, o comportamento de Maria configura, de acordo com a jurisprudência dos 
Tribunais Superiores,crime de: 
 
A-tráfico majorado pela infração ter sido praticada no interior de transporte público, não fazendo jus à forma 
privilegiada; 
B-tráfico majorado pela infração ter sido praticada no interior de transporte público, reconhecida a forma 
privilegiada; 
C-tráfico privilegiado sem causa de aumento, admitindo a substituição da pena privativa de liberdade por 
restritiva de direitos; 
D-tráfico privilegiado sem causa de aumento, não podendo a pena privativa de liberdade ser substituída por 
restritiva de direitos por ter natureza assemelhada aos crimes hediondos; 
E-tráfico majorado em razão da intermunicipalidade do transporte, não sendo aplicável a causa de 
diminuição de pena decorrente do tráfico privilegiado. 
 
Trata-se do denominado “informante do tráfico”, cuja conduta é tipificada no art. 37, Lei 
11.343/06. 
 
Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou 
associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos 
nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 desta Lei. 
 
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e pagamento de 300 
(trezentos) a 700 (setecentos) dias-multa. 
 
OBS: O STF possui o entendimento de que o sujeito ativo desse crime NÃO pode integrar 
efetivamente o grupo criminoso e, muito menos, tomar parte no tráfico. Sua atuação, 
portanto, limita-se a passar informações aos seus integrantes. 
GABARITO: C 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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8- 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de 
Polícia Federal 
 Após ligação anônima, a polícia realizou busca em determinada casa, onde encontrou pessoas preparando 
pequenos pacotes de determinada substância — aparentemente entorpecente —, os quais foram 
apreendidos, além de armas de fogo de alto calibre. Durante a diligência, o delegado, informalmente, 
realizou entrevistas com as pessoas que estavam no domicílio. Durante essas entrevistas, um dos indivíduos 
confessou a prática do delito e, posteriormente, colaborou com a identificação dos demais membros da 
organização criminosa. A partir das informações do colaborador, foi realizada uma ação controlada. 
A partir dessa situação hipotética, julgue o próximo item. 
 
A substância apreendida deve ser submetida à perícia para a elaboração do laudo de constatação provisório 
da natureza e da quantidade da droga, análise que deve ser realizada por perito, o qual, por sua vez, ficará 
impedido de elaborar o laudo definitivo. 
 
Certo 
Errado 
A questão exige conhecimentos acerca da literalidade da Lei 11.343/06 no que se refere a 
disciplina do laudo de constatação da natureza e quantidade da droga. 
 
Trata-se do disposto no art. 50 e §§. 
 
Art. 50. Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia 
judiciária fará, imediatamente, comunicação ao juiz competente, 
remetendo-lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao 
órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) horas. 
§ 1º Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e 
estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de 
constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito 
oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. 
§ 2º O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1º deste 
artigo não ficará impedido de participar da elaboração do laudo 
definitivo. 
 
Desta forma, o perito que elabora o laudo de constatação, conforme infere-se da leitura do 
dispositivo acima transcrito (artigo 50, § 2º da Lei 11.343/2006), não ficará impedido de 
elaborar o laudo definitivo. 
GABARITO: ERRADO 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
123 
 
 
9 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de 
Polícia Federal 
Com relação aos crimes previstos em legislação especial, julgue o item a seguir. 
 
A importação de sementes de maconha em pequena quantidade é considerada conduta atípica. 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da jurisprudência acerca da Lei 11.343/06. 
 
O STF decidiu que a semente de maconha, por não conter substancia alucinógena, não 
configuraria crime a sua importação. 
 
Habeas corpus. 2. Importação de sementes de maconha. 3. 
Sementes não possuem a substância psicoativa (THC). 4. 26 (vinte e 
seis) sementes: reduzida quantidade de substâncias apreendidas. 5. 
Ausência de justa causa para autorizar a persecução penal. 6. 
Denúncia rejeitada. 7. Ordem concedida para determinar a 
manutenção da decisão do Juízo de primeiro grau. (HC 144161, 
Relator (a): Min. GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 
11/09/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-268 DIVULG 13-12-2018 
PUBLIC 14-12-2018) 
(STF - HC: 144161 SP - SÃO PAULO 0005281-52.2017.1.00.0000, 
Relator: Min. GILMAR MENDES, Data de Julgamento: 11/09/2018, 
Segunda Turma, Data de Publicação: DJe-268 14-12-2018). 
GABARITO: CERTO 
 
10- 2020 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE / CEBRASPE - 2020 - PC-SE - Delegado de Polícia - Curso de 
Instrução 
A respeito de tóxicos e entorpecentes, julgue o item que se segue. 
 
A apreensão de drogas deve ser realizada de ofício pela autoridade policial; a de aparelhos celulares, 
entretanto, depende de autorização judicial, sob pena de nulidade das provas obtidas a partir destes, em 
decorrência do sigilo telefônico. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
124 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da jurisprudência sobre a apreensão de bens no 
âmbito da Lei 11.343/06. 
 
O art. 6, CPP determina as providências a serem tomadas pela autoridade policial logo que 
tiver conhecimento da infração penal, estando autorizada legalmente a apreensão de objetos 
que tiverem relação como fato, após liberados pelos peritos criminais, bem como a colheita 
de todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias. Não há 
dúvidas, portanto, de que a autoridade policial pode apreender tanto as drogas quanto os 
aparelhos celulares, de ofício. 
 
O que ela não pode é acessar as conversas por aplicativos, as mensagens e as ligações 
telefônicas realizadas ou recebidas que estão registradas no aparelho, sem autorização 
judicial, dado o sigilo de comunicações telefônica e de dados assegurado pela Constituição da 
República (art. 5º, inciso XII). A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal adotou este 
entendimento no HC 16668.052/SP, da Relatoria do Ministro Gilmar Mendes, julgado em 
20/10/2020 e publicado em 02/12/2020. 
GABARITO: ERRADO 
 
11 - 2020 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE / CEBRASPE - 2020 - PC-SE - Delegado de Polícia - Curso de 
Instrução 
A respeito de tóxicos e entorpecentes, julgue o item que se segue. 
 
O laudo preliminar, requisito para lavratura do auto de prisão em flagrante de crimes relacionados ao tráfico 
de drogas, deverá ser assinado por, pelo menos, um perito oficial. 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da jurisprudência sobre o exame pericial na Lei 
11.343/06. 
 
O art. 159, § 2º, CPP, determina que na falta de perito oficial o exame de corpo de delito será 
realizado por 2 pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
125 
 
No entanto, a Lei 11.343/06 traz norma específica sobre a matéria, razão pela qual não se 
aplica a regra geral do CPP. O art. 50, § 1º, da Lei 11.343/2006, determina que o laudo de 
constatação da natureza e quantidade da droga deverá ser firmado por perito oficial ou, na 
falta deste, por pessoa idônea. 
 
OBS.: O laudopreliminar é requisito para a lavratura do auto de prisão em flagrante, mas, 
para a condenação, é imprescindível a juntada aos autos do laudo definitivo. 
GABARITO: ERRADO 
 
12- 2020 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE / CEBRASPE - 2020 - PC-SE - Delegado de Polícia - Curso de 
Instrução 
A respeito de tóxicos e entorpecentes, julgue o item que se segue. 
 
os casos de tráfico de drogas, a caracterização inequívoca da procedência internacional do entorpecente não 
é suficiente para deslocar para a justiça federal a competência para processar e julgar o crime. 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da jurisprudência sobre o tráfico internacional de 
drogas. 
 
A competência para o julgamento do crime de tráfico de drogas é em princípio da Justiça 
Estadual, não se justificando vislumbrar a competência da Justiça Federal apenas em função 
da constatação de que a droga adveio do exterior. 
 
Nesse sentido, a jurisprudência do STJ: 
 
CRIMINAL. HC. TRÁFICO DE ENTORPECENTES. INTERNACIONALIDADE 
DO TRÁFICO NÃO CONFIGURADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA 
ESTADUAL. (...) II. Embora existam indícios de que o entorpecente 
teria sido adquirido na Bolívia, inexiste prova da transnacionalidade 
da conduta, firmando-se a competência da justiça estadual para o 
processo e julgamento do feito. III. O simples fato de a cocaína ter 
sido provavelmente adquirida na Bolívia não atrai a competência da 
Justiça Federal, pois, se assim fosse considerado, toda a apreensão 
de droga no país configuraria tráfico internacional, eis que o Brasil 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
126 
 
não produz tal entorpecente. (...) (Superior Tribunal de Justiça – 5ª 
Turma - no HC 66292 MT/2006 / 0200564, da relatoria do Ministro 
Gilson Dipp, julgado em 13/02/2007 e publicado em 19/03/2007). 
GABARITO: CERTO 
 
13 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia - Anulado 
João Pedro foi abordado por policiais militares que faziam ronda próximo a uma Universidade particular. Ao 
perceberem a atitude suspeita de João, os policiais resolveram proceder a revista pessoal e identificaram que 
João portava um cigarro de maconha para consumo pessoal. Nessa situação hipotética, a expressão “não se 
imporá prisão em flagrante”, descrita no art. 48 da lei 11.343/06, significa que é vedado a autoridade policial: 
 
A-Efetuar a condução coercitiva até a delegacia de polícia. 
B-Efetuar a lavratura do auto de prisão em flagrante. 
C-Lavrar o termo circunstanciado. 
D-Apreender o objeto de crime. 
E-Realizar a captura do agente. 
 
A questão exige conhecimentos acerca da literalidade da Lei 11.343/06. 
 
Art. 48, § 2º Tratando-se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não 
se imporá prisão em flagrante, devendo o autor do fato ser 
imediatamente encaminhado ao juízo competente ou, na falta deste, 
assumir o compromisso de a ele comparecer, lavrando-se termo 
circunstanciado e providenciando-se as requisições dos exames e 
perícias necessários. 
GABARITO: B 
 
14 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
Acerca do tráfico ilícito de entorpecentes, de ações de prevenção e repressão a delitos praticados por 
organizações criminosas, de abuso de autoridade e de delitos previstos na Lei de Tortura, julgue o item que 
se segue. 
 
Situação hipotética: Em um mesmo contexto fático, um cidadão foi preso em flagrante por manter em 
depósito grande variedade de drogas, entre elas, cocaína, maconha, haxixe e crack, todas para fins de 
mercancia. Foram apreendidos também maquinários para o preparo de drogas, entre eles, uma balança 
digital e uma serra portátil. Assertiva: Nessa situação, afastada a existência de contextos autônomos entre 
as condutas delitivas, o crime será único. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
127 
 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da jurisprudência sobre a Lei 11.343/06. 
 
O artigo 34 da Lei de Drogas fica absorvido pelo artigo 33 se ambos 
forem praticados no mesmo contexto fático, por ser um ante factum 
impunível, com base no princípio da consunção na modalidade crime 
progressivo. HC 109708/SP, rel. Min. Teori Zavascki, 23.6.2015. (HC-
109708) 
GABARITO: CERTO 
 
15- 2018 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Em diligência com o objetivo de combater o tráfico internacional de entorpecentes, policiais federais 
localizaram uma plantação de maconha, onde encontraram equipamentos utilizados para embalar a droga. 
No local, foram apreendidos dinheiro e veículos e foram presas cinco pessoas que se encontravam na posse 
dos bens e cuidavam da plantação. 
 
Nessa situação hipotética, 
 
havendo indícios suficientes da existência de outros bens adquiridos pelos indivíduos presos com os 
proventos decorrentes da comercialização da maconha, a autoridade policial deverá imediatamente 
apreender esses bens, ainda que eles estejam na posse de terceiros, devendo, ainda, determinar às 
autoridades supervisoras do Banco Central do Brasil o bloqueio de valores existentes em movimentações 
bancárias em nome desses indivíduos presos. 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da literalidade da Lei 11.343/06 sobre as medidas 
assecuratórias. 
 
A autoridade policial deve representar ao juiz pela apreensão desses bens, nos termos do 
artigo 60 da Lei nº 11.343/2006. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
128 
 
OBS.: O dispositivo ganhou nova redação com o advento da Lei n º 13.980/2019, mas não 
houve alteração que altere a incorreção da assertiva, pois manteve-se a reserva de jurisdição 
para medidas que causem constrição patrimonial ao investigado. 
 
REDAÇÃO ANTIGA: 
 
Art. 60. O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou 
mediante representação da autoridade de polícia judiciária, ouvido 
o Ministério Público, havendo indícios suficientes, poderá decretar, 
no curso do inquérito ou da ação penal, a apreensão e outras 
medidas assecuratórias relacionadas aos bens móveis e imóveis ou 
valores consistentes em produtos dos crimes previstos nesta Lei, ou 
que constituam proveito auferido com sua prática, procedendo-se 
na forma dos arts. 125 a 144 do Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de 
outubro de 1941 - Código de Processo Penal. 
 
REDAÇÃO ATUAL: 
 
Art. 60. O juiz, a requerimento do Ministério Público ou do 
assistente de acusação, ou mediante representação da autoridade 
de polícia judiciária, poderá decretar, no curso do inquérito ou da 
ação penal, a apreensão e outras medidas assecuratórias nos casos 
em que haja suspeita de que os bens, direitos ou valores sejam 
produto do crime ou constituam proveito dos crimes previstos 
nesta Lei, procedendo-se na forma dos arts. 125 e seguintes do 
Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 - Código de Processo 
Penal. 
 
 Logo, verifica-se que com a alteração do dispositivo legal, as medidas assecuratórias: 
a) não podem ocorrer de ofício; 
b) prescindem oitiva do MP; 
c) não exige a comprovação de “indícios suficientes”; 
d) são relacionadas a bens, direitos e valores. 
GABARITO: ERRADO 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
129 
 
16 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Em diligência com o objetivo de combater o tráfico internacional de entorpecentes, policiais federais 
localizaram uma plantação de maconha, onde encontraram equipamentos utilizados para embalar a droga. 
No local, foram apreendidos dinheiro e veículos e foram presas cinco pessoas que se encontravam na posse 
dos bens e cuidavam da plantação. 
 
Nessa situação hipotética, 
 
independentemente de autorização judicial, a autoridade policial deverá proceder de forma a garantir a 
imediata destruição da plantação— que poderá ser queimada —, devendo preservar apenas quantidade 
suficiente da droga para a realização de perícia. 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da literalidade da Lei 11.343/06 sobre a destruição de 
drogas. 
 
É preciso distinguir algumas situações disciplinadas em lei: 
 
(1) Com prisão em flagrante (art. 50, §4º): 
• O delegado faz a destruição mediante determinação judicial; 
• O prazo máximo é de 15 dias contados da determinação do juiz; 
• Ocorre na presença do MP e da Autoridade Sanitária. 
 
(2) Sem prisão em flagrante (art. 50-A): 
• O delegado faz a destruição de ofício (sem determinação do juiz); 
• O prazo máximo é de 30 dias contados da apreensão; 
• Ocorre na presença do MP e da Autoridade Sanitária. 
 
(3) Plantações ilícitas (art. 32): 
• Destruição imediata mediante incineração pelo delegado. 
GABARITO: CERTO 
 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
130 
 
17- 2018 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Em cada item seguinte, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, a 
respeito de crime de tráfico ilícito de entorpecentes, crime contra a criança e adolescente e crimes 
licitatórios. 
 
Em viagem pela Europa, Ronaldo, primário, de bons antecedentes e não integrante de organização criminosa, 
adquiriu quinze cápsulas do entorpecente LSD com o objetivo de obter lucro capaz de custear as despesas 
com a viagem. De volta ao Brasil, Ronaldo foi preso em flagrante quando tentava vender a droga. Nessa 
situação, caso seja condenado pelo crime tráfico de entorpecentes, Ronaldo poderá obter a redução da pena 
de um sexto a dois terços. 
 
Certo 
Errado 
 
A causa de diminuição da pena de um sexto a dois terços, aplicável às hipóteses de tráfico de 
drogas tem seus requisitos estabelecidos no art. 33, §4º, da Lei 11.343/06: 
 
Art. 33, 4º Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as 
penas poderão ser reduzidas de um sexto a dois terços, vedada a 
conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente seja 
primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades 
criminosas nem integre organização criminosa. (Vide Resolução nº 
5, de 2012). 
 
Assim, para incidência da minorante, exige-se o concurso de todos os requisitos constantes 
do referido dispositivo de lei: primariedade e bons antecedentes do agente, que o agente não 
se dedique às atividades criminosas nem integre organização criminosa. 
 
Logo, a assertiva da questão está correta, uma vez que Ronaldo reúne todos os pressupostos 
para fazer jus à mitigação da pena. 
GABARITO: CERTO 
 
18 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
Acerca de tráfico ilícito de entorpecentes, crimes contra o meio ambiente, crime de discriminação e 
preconceito e crime contra o consumidor, julgue o próximo item. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
131 
 
Aquele que adquirir, transportar e guardar cocaína para consumo próprio ficará sujeito às mesmas penas 
imputadas àquele que adquirir, transportar e guardar cocaína para fornecer a parentes e amigos, ainda que 
gratuitamente. 
 
Certo 
Errado 
 
A questão exige conhecimentos acerca da literalidade das disposições da Lei 11,343/06. 
 
A conduta de adquirir, transportar e guardar cocaína para consumo próprio está prevista no 
art. 28 da Lei nº 11.343/2006. 
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou 
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou 
em desacordo com determinação legal ou regulamentar será 
submetido às seguintes penas: 
I - advertência sobre os efeitos das drogas; 
II - prestação de serviços à comunidade; 
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso 
educativo. 
 
Lado, a conduta de adquirir, transportar e guardar cocaína para fornecer a parentes e amigos, 
ainda que gratuitamente, mencionada no enunciado da questão, é denominada pela doutrina 
e pela jurisprudência brasileiras de "uso compartilhado" e se subsome a conduta prevista no 
art. 33, § 3º, da Lei nº 11.343/2006. 
 
Art. 33, §3º. Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de 
lucro, a pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem: 
Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e pagamento de 
700 (setecentos) a 1.500 (mil e quinhentos) dias-multa, sem 
prejuízo das penas previstas no art. 28. 
 
Trata-se de um crime autônomo em relação ao tráfico de entorpecente sendo apenado de 
forma menos gravosa do que o delito previsto no caput e outros dispositivos do artigo 33 da 
Lei nº 11.343/2006. 
GABARITO: ERRADO 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
132 
 
19- 2018 - UEG - PC-GO - UEG - 2018 - PC-GO - Delegado de Polícia 
O juiz, na fixação das penas previstas na Lei n. 11.343/2006, considerará, com preponderância sobre o 
previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade 
e 
 
A-os motivos do agente. 
B-a culpabilidade do agente. 
C-os antecedentes do agente. 
D-a conduta social do agente. 
E-a condição financeira do agente. 
A questão exige conhecimentos acerca da literalidade das disposições da Lei 11,343/06. 
 
Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com 
preponderância sobre o previsto no art. 59 do Código Penal, a 
natureza e a quantidade da substância ou do produto, a 
personalidade e a conduta social do agente. 
GABARITO: D 
 
20 - 2018 - UEG - PC-GO - UEG - 2018 - PC-GO - Delegado de Polícia 
Dispõe a Lei n. 11.343/2006, em seu art. 28, que quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou 
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal 
ou regulamentar, será submetido às seguintes penas: I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação 
de serviços à comunidade; III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. 
Referida lei dispõe ainda que as penas previstas nos incisos II e III do caput do referido artigo serão aplicadas 
pelo prazo máximo de 
 
A-quatro meses e, em caso de reincidência, serão aplicadas pelo prazo máximo de oito meses. 
B-cinco meses e, em caso de reincidência, serão aplicadas pelo prazo máximo de dez meses. 
C-três meses e, em caso de reincidência, serão aplicadas pelo prazo máximo de seis meses. 
D-dois meses e, em caso de reincidência, serão aplicadas pelo prazo máximo de quatro meses. 
E-um mês e, em caso de reincidência, serão aplicadas pelo prazo máximo de dois meses. 
 
A questão exige conhecimentos acerca da literalidade das disposições da Lei 11,343/06. 
 
Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou 
trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
133 
 
em desacordo com determinação legal ou regulamentar será 
submetido às seguintes penas: 
I - advertência sobre os efeitos das drogas; 
II - prestação de serviços à comunidade; 
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso 
educativo. 
(...) 
§ 3o As penas previstas nos incisos II e III do caput deste artigo 
serão aplicadas pelo prazo máximo de 5 (cinco) meses. 
§ 4o Em caso de reincidência, as penas previstas nos incisos II e III 
do caput deste artigo serão aplicadas pelo prazo máximo de 10 
(dez) meses. 
GABARITO: B 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE TORTURA 
 
1 - 2022 - CESPE / CEBRASPE -PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
Assinale a opção correta em relação às disposições estabelecidas na Lei n.° 9.455/1997. 
 
A-A configuração do crime de tortura exige a prática de violência. 
B-Para a caracterização do delito de tortura, é necessário quea conduta criminosa se destine a atingir um 
fim específico, como a obtenção de informação, declaração ou confissão sobre determinado fato. 
C-O agente que se omite em face das condutas previstas nessa lei quando tinha o dever de apurá-las incorre 
nas mesmas penas previstas para os crimes nela descritos. 
D-A perda do cargo público não é efeito automático da sentença que condena o servidor público pela prática 
do crime de tortura. 
E-Não se exige que o sujeito ativo da tortura seja agente público para a caracterização dessa infração penal. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental com o fim de obter informação, declaração ou 
confissão da vítima ou de terceira pessoa; para provocar ação ou omissão de natureza 
criminosa; em razão de discriminação racial ou religiosa (art. 1°, I, alíneas a, b e c); ou 
submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave 
ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou 
medida de caráter preventivo (art. 1°, II) ambos da lei n° 9.455/1997. 
 
Assim, pela leitura do dispositivo legal percebe-se que o crime de pode ser praticado 
mediante violência, mas também pode ser praticado mediante ameaça, ou seja, nem sempre 
no crime de tortura haverá violência. 
 
B – INCORRETA 
Embora o art. 1°, I, alíneas a, b e c da lei n° 9.455/97 exija uma finalidade específica de obter 
informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; para provocar ação ou 
omissão de natureza criminosa; em razão de discriminação racial ou religiosa, há o crime de 
previsto no art. 1°, § 1° da lei n 9.455/97, que não exige nenhuma finalidade específica (dolo 
genérico). 
 
C – INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
135 
 
O crime de tortura (cometido de forma comissiva), previsto no art. 1° da lei 9.455/97 tem 
pena de reclusão de 2 a 8 anos. Lado outro, “aquele que se omite em face dessas condutas, 
quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro 
anos” (art. 1°, § 2° da lei 9.455/97). 
 
Portanto, a pena para quem comete o crime de tortura de forma omissiva é diferente de 
quem comete tortura de forma comissiva. 
 
D – INCORRETA 
A condenação pelo crime de tortura acarretará a perda do cargo, função ou emprego público 
e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada, conforme o art. 1°, § 
5 da lei 9.455/97, esse efeito é automático. 
 
OBS.: A perda do cargo público, em regra, não constitui efeito automático da condenação, 
salvo duas exceções, previstas em legislação especial: Lei de Tortura e Lei de Organizações 
Criminosas. 
 
E – CORRETA 
Para ser sujeito ativo do crime de tortura não é necessário que seja funcionário público, pode 
ser qualquer pessoa que detenha poder sobre a vítima, por exemplo, um pai pode ser sujeito 
ativo do crime de tortura contra um filho. 
 
OBS.: A legislação interna possui um conceito mais amplo de tortura em detrimento da 
Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou 
Degradantes, cuja conduta é praticada por funcionário público. 
GABARITO: E 
 
2 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
A Lei nº 9.455/1997 tipifica o crime de tortura e aponta as suas diversas espécies. Sobre o delito em questão, 
analise as afirmativas a seguir. 
I. admite tentativa; 
II. é insuscetível de graça ou anistia, mas permite o indulto; 
III. pode ser praticado por conduta comissiva ou omissiva. 
 
Está correto somente o que se afirma em: 
 
A-I; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
136 
 
B-III; 
C-I e II; 
D-I e III; 
E-II e III 
 
COMENTÁRIO 
I - CORRETA 
Conforme a doutrina de Fernando Capez: “No crime de tortura será admissível a tentativa e 
a desistência voluntária, quando, no último caso, o agente interromper voluntariamente sua 
conduta. Arrependimento eficaz: Não é possível, uma vez que, encerrado o constrangimento, 
ou resultou sofrimento e o crime está consumado, ou não resultou e o delito ficou na esfera 
tentada.” 
 
II – INCORRETA 
NÃO há vedação a fiança. Nos termos da Lei 8.072/90: 
 
Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: 
I - anistia, graça e indulto; 
 
 
III – CORRETA 
A tortura omissiva é expressamente prevista no art. 1, §2º, Lei de Tortura. 
 
Art. 1º, § 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando 
tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção 
de um a quatro anos. 
GABARITO: D 
 
3 – 2018 – CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia 
Em cada item que se segue, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada 
com relação a crime de tortura, crime hediondo, crime previdenciário e crime contra o idoso. 
 
Cinco guardas municipais em serviço foram desacatados por dois menores. Após breve perseguição, um dos 
menores evadiu-se, mas o outro foi apreendido. Dois dos guardas conduziram o menor apreendido para um 
local isolado, imobilizaram-no, espancaram-no e ameaçaram-no, além de submetê-lo a choques elétricos. Os 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
137 
 
outros três guardas deram cobertura. Nessa situação, os cinco guardas municipais responderão pelo crime 
de tortura, incorrendo todos nas mesmas penas. 
 
Certo / Errado 
 
COMENTÁRIO 
A conduta dos dois guardas que conduziram o menor apreendido para local isolado se 
subsome diretamente ao tipo penal do artigo 1º, inciso II, da Lei nº 9.455/1997. Em relação à 
conduta dos guardas que deram cobertura, aplica-se, ainda que de modo indireto (adequação 
típica mediata), por força do disposto no art. 29, CP, o referido dispositivo da Lei de Tortura. 
Sendo assim, todos os guardas municipais incorreram nas mesmas penas. 
GABARITO: CERTO 
 
4 – 2018 – UEG - PC-GO - Delegado de Polícia 
Na hipótese de um servidor público ser condenado pelo crime de tortura qualificada pelo resultado morte a 
uma pena de doze anos de reclusão, referida condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego 
público e a interdição para seu exercício por 
 
a) cinco anos 
b) dez anos 
c) doze anos 
d) vinte e quatro anos 
e) trinta e seis anos 
 
COMENTÁRIO 
Lei 9455/99. Art. 1º Constitui crime de tortura: 
(...) 
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego 
público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da 
pena aplicada. 
GABARITO: D 
 
5 – 2018 – NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia 
Após a Segunda Guerra Mundial, adotada e proclamada a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os 
direitos inerentes à pessoa humana passam a ser protegidos mundialmente. No Brasil, os atos de tortura e 
as tentativas de praticar atos dessa natureza são coibidos. Marque abaixo a alternativa CORRETA quanto ao 
crime de tortura. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
138 
 
 
a) O crime de tortura é inafiançável, embora suscetível de graça ou anistia. 
b) Se o crime de tortura é cometido contra maior de 60 (sessenta) anos aumenta-se a pena em de 1/3 (um 
terço) até à metade. 
c) Se o crime de tortura é cometido por agente público, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) até à metade. 
d) Não se constitui crime de tortura o constrangimento de alguém com o emprego de violência ou grave 
ameaça, causando-lhe sofrimento físico, em razão de discriminação racial ou religiosa. 
e) Constitui crime de tortura: constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe 
sofrimento físico ou mental com o objetivo de obter alguma informação, declaração ou confissão. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
O art. 5, XLIII, CF dispõe que o crime de tortura é insuscetívelde graça ou anistia. 
 
Art. 5, XLIII a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de 
graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de 
entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como 
crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os 
executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem. 
 
B – INCORRETA 
O art. 1º, §4º, II dispõe que a pena será aumentada de 1/6 até 1/3 ao crime cometido contra 
maior de 60 (sessenta) anos. 
 
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: 
I - se o crime é cometido por agente público; 
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de 
deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; 
III - se o crime é cometido mediante seqüestro. 
 
C – INCORRETA 
O art. 1º, §4º, II dispõe que a pena será aumentada de 1/6 até 1/3 ao crime cometido por 
funcionário público. 
 
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço: 
I - se o crime é cometido por agente público; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
139 
 
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de 
deficiência, adolescente ou maior de 60 (sessenta) anos; 
III - se o crime é cometido mediante seqüestro. 
 
D – INCORRETA 
Trata-se da conduta prevista no art. 1, I, c, Lei 9;455/97. 
 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave 
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: 
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima 
ou de terceira pessoa; 
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; 
 
E – CORRETA 
Trata-se da conduta prevista no art. 1, I, a, Lei 9;455/97. 
 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental: 
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima 
ou de terceira pessoa; 
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; 
GABARITO: E 
 
6 – 2018 – CESPE - DPE-PE - Defensor Público 
De acordo com a legislação penal especial, assinale a opção correta. 
 
a) Comete o crime de tortura aquele que, tendo o dever de evitar a conduta, se mantém omisso ao tomar 
ciência ou presenciar pessoa presa ser submetida a sofrimento físico ou mental, por meio da prática de ato 
não previsto legalmente. 
b) A autoridade policial pode praticar a ação controlada — que consiste no retardamento da intervenção 
policial para aguardar o momento mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações — 
independentemente de prévia comunicação ao juiz competente. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
140 
 
c) Será interditado do exercício da atividade pública por igual período ao da pena privativa de liberdade 
prevista no Código Penal para o crime de lavagem de dinheiro o indivíduo que, exercendo cargo ou função 
pública de qualquer natureza, for condenado pela prática de tal crime. 
d) Sendo o servidor público condenado por crime de abuso de autoridade, será decretada a perda do cargo 
e a sua inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública pelo prazo de até cinco anos. 
e) Em qualquer hipótese, configura-se o crime de disparo de arma de fogo disparar arma de fogo com a 
finalidade de praticar outro crime. 
 
COMENTÁRIO 
A – CORRETA 
O art. 1º, §2º da lei 9.455/97 tipifica a “tortura-omissão” em que o agente se omite em seu 
dever de evitar o resultado, consistente na tortura perpetrada por outrem. O sujeito ativo 
desta modalidade de tortura será, então, a pessoa que possui o dever de evitar ou apurar o 
resultado. 
 
Art. 1º, 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando 
tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção 
de um a quatro anos. 
 
B – INCORRETA 
O art. 8, §1º, Lei 12.850/13 prevê a necessidade apenas de comunicação. 
 
Art. 8, §1º será previamente comunicado ao juiz competente que, 
se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao 
Ministério Público. 
 
C – INCORRETA 
O art. 7, II Lei 9.613/98 dispõe sobre os efeitos da condenação: 
 
Art. 7, II - a interdição do exercício de cargo ou função pública de 
qualquer natureza e de diretor, de membro de conselho de 
administração ou de gerência das pessoas jurídicas referidas no art. 
9º, pelo dobro do tempo da pena privativa de liberdade aplicada. 
 
Trata-se de efeito transitório, diverso da pena prevista no Código Penal. Podem ser aplicados 
os efeitos alternada ou cumulativamente, eis que não há incompatibilidade lógica ou jurídica. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
141 
 
D – INCORRETA 
De acordo com o art. 4.898/65 a perda do cargo é pelo prazo de até três anos, exceto para 
abuso cometido por agente de autoridade policial, civil ou militar, de qualquer categoria, que 
fica inabilitado por até 5 anos. Além disso, vale lembrar, que existem diversos tipos de sanção, 
então, a pessoa que praticar abuso de autoridade, não necessariamente vai ter decretada a 
perda do cargo ou sua inabilitação. 
 
E – INCORRETA 
O art. 15, da Lei 10.826/03 estabelece que, se a conduta tiver por finalidade a prática de algum 
outro crime, estará descaracterizada a prática do crime de disparo de arma de fogo. 
GABARITO: A 
 
7 – 2016 – CESPE - PC-PE - Delegado de Polícia 
Da sentença penal se extraem diversas consequências jurídicas e, quando for condenatória, emergem-se os 
efeitos penais e extrapenais. Acerca dos efeitos da condenação penal, assinale a opção correta. 
 
a) A licença de localização e de funcionamento de estabelecimento onde se verifique prática de exploração 
sexual de pessoa vulnerável, em caso de o proprietário ter sido condenado por esse crime, não será cassada, 
dada a ausência de previsão legal desse efeito da condenação penal. 
b) A condenação por crime de racismo cometido por proprietário de estabelecimento comercial sujeita o 
condenado à suspensão do funcionamento de seu estabelecimento, pelo prazo de até três meses, devendo 
esse efeito ser motivadamente declarado na sentença penal condenatória. 
c) Segundo o CP, constitui efeito automático da condenação a perda de cargo público, quando aplicada pena 
privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou 
violação de dever para com a administração pública. 
d) A condenação por crime de tortura acarretará a perda do cargo público e a interdição temporária para o 
seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada, desde que fundamentada na sentença condenatória, 
não sendo efeito automático da condenação. 
e) A condenação penal pelo crime de maus-tratos, com pena de detenção de dois meses a um ano ou multa, 
ocasiona a incapacidade para o exercício do poder familiar, quando cometido pelo pai contra filho, devendo 
ser motivado na sentença condenatória, por não ser efeito automático. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
A cassação da licença de localização e de funcionamento de estabelecimento onde se 
verifique a prática de exploração sexual de pessoa vulnerável, em caso de o proprietário ter 
sido condenado por esse crime, é efeito obrigatório da condenação por força do § 3º, do art. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
142 
 
218 - B, do Código Penal, que trata do crime de "Favorecimento da prostituição ou de outra 
forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável". 
 
B – CORRETA 
Nos termos explícitos do art. 16 da Lei 7.716/1989 (lei que define os crimes resultantes de 
preconceito de raça ou de cor), "constitui efeito da condenação a perda do cargo ou função 
pública, para o servidor público, e a suspensão do funcionamento do estabelecimento 
particular por prazo não superior a três meses." 
 
C – INCORRETA 
Nos termos do art. 92, p. único, do Código Penal, a perda do cargopúblico quando o crime 
for praticado com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública, 
não é efeito automático da condenação, dependendo de motivação a ser declarada na 
fundamentação da sentença. 
 
D – INCORRETA 
O § 5º, do art. 1º, da Lei 9.455/97, expressamente estatui que a sentença condenatória pela 
prática do crime de tortura, desde que transitada em julgado, acarreta a automática perda do 
cargo, função ou emprego público do agente público. Cuida-se, no caso, de efeito automático 
da condenação, não dependente de motivação, sendo, em relação à tortura, aplicável a regra 
especial da referida lei e não regra geral do art. 92, p. único, do Código Penal. 
 
E – INCORRETA 
De acordo com o inciso II do artigo 92, a perda do poder familiar, ainda que dependa de 
motivação nos termos do parágrafo único do dispositivo legal citado, é possível somente nos 
crimes apenados com reclusão. A assertiva contida neste item fala em crime apenado com 
detenção. 
GABARITO: A 
 
8 – 2015 – CESPE - DPE-RN - Defensor Público 
Assinale a opção correta no que se refere a revisão criminal, crime de tortura, nulidades, execução penal, 
prerrogativas e garantias dos DPs relacionadas com o processo penal. 
 
a) A condenação de policial civil pelo crime de tortura acarreta, como efeito automático, independentemente 
de fundamentação específica, a perda do cargo público e a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo 
da pena aplicada. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
143 
 
b) A ausência de intimação da expedição de carta precatória para a inquirição de testemunhas gera, segundo 
entendimento sumulado do STF, nulidade absoluta, por cerceamento de defesa e violação do devido 
processo legal. 
c) Para impugnar decisão do juiz da execução penal que unifique as penas impostas ao sentenciado, é cabível 
a interposição de recurso em sentido estrito. 
d) A ação de revisão criminal deve ser ajuizada no prazo decadencial de dois anos, contados do trânsito em 
julgado da sentença condenatória. 
e) Segundo o entendimento do STJ, à DP, quando ela atua na qualidade de assistente de acusação, 
representando a vítima de determinado crime em uma ação penal, não se aplica a prerrogativa institucional 
da concessão de prazo em dobro para a realização de atos processuais. 
 
COMENTÁRIO 
A – CORRETA 
A condenação de funcionário público pela prática de crime de tortura enseja, como efeito 
automático, independente de fundamentação específica na sentença, a perda do cargo 
público por ele ocupado, bem como a interdição para seu exercício pelo dobro do prazo da 
pena aplicada, por determinação do § 5º do artigo 1º da Lei 9.455/1997. 
 
B – INCORRETA 
Consoante a Súmula 155 do Supremo Tribunal Federal, “é relativa a nulidade do processo 
penal por falta de intimação da expedição de precatória para inquirição de testemunha". 
 
C – INCORRETA 
O recurso cabível para as decisões tomadas no âmbito da execução penal é o agravo em 
execução, previsto no art. 197 da Lei de Execução Penal, a ser interposto no prazo de cinco 
dias, nos termos do enunciado da súmula nº 700 do Supremo Tribunal Federal. 
 
D – INCORRETA 
Nos termos do que dispõe o art. 622 do Código de Processo Penal, a revisão criminal pode ser 
requerida a qualquer tempo, antes da extinção da pena ou após. 
 
E – INCORRETA 
O entendimento do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a Defensoria Pública 
pode atuar como assistente de acusação, e terá, mesmo nesta condição, a prerrogativa 
institucional da concessão de prazo em dobro para a realização de atos processuais, nos 
termos do § 5º do artigo 5º da Lei 1.060/1950 (STJ, 5ª Turma. HC 24079/PB - 2002/0105441-
0. Relator Ministro Felix Fischer. Data de julgamento: 19/08/2003).. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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GABARITO: A 
 
9 – 2015 – CESPE – DPU - Defensor Público 
Em relação aos crimes contra a fé pública, aos crimes contra a administração pública, aos crimes de tortura 
e aos crimes contra o meio ambiente, julgue o item a seguir. 
 
Caracteriza uma das espécies do crime de tortura a conduta consistente em, com emprego de grave ameaça, 
constranger outrem em razão de discriminação racial, causando-lhe sofrimento mental. 
 
Certo / Errado 
 
COMENTÁRIO 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave 
ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: 
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima 
ou de terceira pessoa; 
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; 
GABARITO: CERTO 
 
10 – 2014 – FCC - DPE-RS - Defensor Público 
Sobre a Lei nº 9.455/97 (Crimes de Tortura), é correto afirmar que 
 
a) se a vítima da tortura for criança, a Lei nº 9.455/97 deve ser afastada para incidência do tipo penal 
específico de tortura previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (art. 233 do ECA). 
b) há previsão legal de crime por omissão. 
c) é inviável a suspensão condicional do processo para qualquer das modalidades típicas previstas na lei. 
d) o regramento impõe, para todos os tipos penais que prevê, que o condenado inicie o cumprimento da 
pena em regime fechado. 
e) há vedação expressa, no corpo da lei, de aplicação do sursis para os condenados por tortura. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
Aplica-se a lei de tortura e não o ECA, uma vez que a lei de tortura é norma especial. Aliás, o 
art. 233 do ECA foi revogado pela lei de tortura (Lei nº 9.455/97). 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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B – CORRETA 
Art. 1º, Lei nº 9.455/97 - Constitui crime de tortura: (...) § 2º Aquele que se omite em face 
dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção 
de um a quatro anos. 
 
C – INCORRETA 
Na tortura por omissão cabe a suspensão condicional do processo, uma vez que a pena deste 
delito é de 1 a 4 anos de detenção. 
 
D – INCORRETA 
Exceto no caso da tortura por omissão, a regra é que se inicia o cumprimento da pena no 
regime fechado. 
 
E – INCORRETA 
Não existe vedação expressa, a lei não fala nada a respeito de sursis. 
GABARITO: B 
 
11 – 2014 – FCC - DPE-PB - Defensor Público 
Com relação à tortura, cabe afirmar: 
 
a) Genericamente trata-se de crime próprio. 
b) Não está tipificada distintamente a conduta cometida com finalidade puramente discriminatória. 
c) Na versão especificamente omissiva, trata-se de cri- me comum. 
d) Trata-se de crime insuscetível de graça, porém não de anistia. 
e) Pode ser aplicada a lei brasileira ao crime praticado por brasileiro no estrangeiro. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
O ordenamento jurídico brasileiro não exige uma qualidade especial do agente para que se 
configure o crime de tortura. Da leitura da Lei nº 9455/97, que define os crimes de tortura, 
verifica-se que sequer se exige que o agente seja funcionário público ou autoridade. 
 
B – INCORRETA 
A prática de tortura cometida com finalidade discriminatória está tipificada distintamente na 
alínea “c” do inciso I do artigo 1º da Lei nº 9455/97. 
 
C – INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Na versão omissiva não se trata de crime comum, considerando-se que o agente se omite tem 
como atributo pessoal o dever legal de impedir que a prática tortura e de apurar suas 
circunstâncias. Sendo assim, configura, nesse caso específico, crime próprio. 
 
D – INCORRETA 
Em consonância com o comando insculpido no inciso XLIII da Constituição Federal, o artigo 
1º, §6º da Lei nº 9455/97 dispõe que o crime de tortura é insuscetível de graça e de anistia. 
 
E – INCORRETA 
O artigo 2º da Lei nº 9455/97 adotou explicitamente o princípio da nacionalidade passiva, um 
dos princípios que orientam a aplicação extraterritorial da lei penal brasileira, também 
previsto no artigo 7º, II, b, do CódigoPenal, definindo que “O disposto nesta Lei aplica-se 
ainda quando o crime não tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima 
brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição brasileira. “ 
GABARITO: B 
 
12 – 2014 – ACAFE - PC-SC - Delegado de Polícia 
De acordo com a legislação em vigor, assinale a alternativa correta. 
 
a) Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 21 (vinte e um) anos ou pessoa 
portadora de deficiência motora se apodere de arma de fogo que esteja sob sua posse ou que seja de sua 
propriedade, sujeita o agente a uma pena de um a dois anos de detenção e multa. 
b) Violar direitos de autor de programa de computador que consista na reprodução, por qualquer meio, de 
programa de computador, no todo ou em parte, para fins de comércio, sem autorização expressa do autor 
ou de quem o represente, sujeita o agente a uma pena de seis meses a dois anos de detenção ou multa. 
c) Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe 
sofrimento físico ou mental, com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira 
pessoa. 
d) Não constitui crime publicar anúncio de publicidade de estabelecimentos autorizados a realizar 
transplantes e enxertos, relativo a estas atividades. 
e) Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, 
direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de infração administrativa, sujeita o agente a uma 
pena de três a dez anos de reclusão e multa. 
 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
147 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
A assertiva não corresponde à descrição típica contida no artigo 13 da Lei 10.826/2003, que 
tem a seguinte definição: “Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor 
de dezoito anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que 
esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade". A pena cominada para o referido crime 
é de detenção, de um a dois anos, e multa. 
 
B – INCORRETA 
A descrição típica apresentada nesta assertiva está correta, correspondendo à figura 
criminosa descrita no § 1º do artigo 12 da Lei nº 9.609/1998, mas a pena cominada é de 
reclusão, de um a quatro anos, e multa, estando incorreta a que fora indicada na assertiva. 
 
C – CORRETA 
A modalidade de tortura descrita está prevista no artigo 1º, inciso I, alínea “a", da Lei n° 
9.455/1997. 
 
D – INCORRETA 
O artigo 11, alínea “a", da Lei n° 9.434/1997, estabelece a proibição de veiculação, através de 
qualquer meio de comunicação social de anúncio que configure publicidade de 
estabelecimentos autorizados a realizar transplantes e enxertos, relativa a estas atividades. 
O artigo 20 do mesmo diploma legal, prevê como crime a conduta de publicar anúncio ou 
apelo público em desacordo com o disposto no art. 11, cominando pena de multa, de 100 a 
200 dias-multa. 
 
E – INCORRETA 
A assertiva não corresponde efetivamente ao crime descrito no artigo 1º da Lei nº 
9.613/1998, cuja figura típica é assim definida: “Ocultar ou dissimular a natureza, origem, 
localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores 
provenientes, direta ou indiretamente, de infração penal". Trata-se, portanto, de um crime 
acessório, que exige a ocorrência de uma infração penal antecedente e não de uma infração 
administrativa, tal como afirmado nesta proposição. No mais, vale destacar que a pena 
cominada para o referido crime é de reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos, e multa. 
GABARITO: C 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
148 
 
13 – 2013 – CESPE - PC-BA - Delegado de Polícia 
Determinado policial militar efetuou a prisão em flagrante de Luciano e o conduziu à delegacia de polícia. Lá, 
com o objetivo de fazer Luciano confessar a prática dos atos que ensejaram sua prisão, o policial responsável 
por seu interrogatório cobriu sua cabeça com um saco plástico e amarrou-o no seu pescoço, asfixiando-o. 
Como Luciano não confessou, o policial deixou-o trancado na sala de interrogatório durante várias horas, 
pendurado de cabeça para baixo, no escuro, período em que lhe dizia que, se ele não confessasse, seria 
morto. O delegado de polícia, ciente do que ocorria na sala de interrogatório, manteve-se inerte. Em 
depoimento posterior, Luciano afirmou que a conduta do policial lhe provocara intenso sofrimento físico e 
mental. 
Considerando a situação hipotética acima e o disposto na Lei Federal n.º 9.455/1997, julgue o item 
subsequente. 
 
O delegado não pode ser considerado coautor ou partícipe da conduta do policial, pois o crime de tortura 
somente pode ser praticado de forma comissiva. 
Certo / Errado 
 
COMENTÁRIO 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
(...) 
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com 
emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico 
ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de 
caráter preventivo. 
(...) 
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha 
o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de 
um a quatro anos. 
GABARITO: ERRADO 
 
14 – 2013 – CESPE - PC-BA - Delegado de Polícia 
Para a comprovação da materialidade da conduta do policial, é imprescindível a realização de exame de corpo 
de delito que confirme as agressões sofridas por Luciano. 
 
Certo / Errado 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
149 
 
COMENTÁRIO 
Não há necessidade de exame de corpo de delito, pois nem sempre o sofrimento deixa 
vestígios, como no caso da tortura praticada mediante grave ameaça. Nesse sentido: 
 
PROCESSUAL PENAL. HABEAS-CORPUS. SENTENÇA 
CONDENATÓRIA. RELATÓRIO SUCINTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. 
TORTURA (LEI 9.455/97). EMPREGO DE VIOLÊNCIA OU GRAVE 
AMEAÇA. TIPO ALTERNATIVO. CRIME TRANSEUNTE. EXAME DE 
CORPO DE DELITO. INEXIGIBILIDADE. EXAME DE PROVAS. 
INIDONEIDADE DO WRIT . 
- Não merece acatamento a alegação de nulidade de sentença 
condenatória, por deficiência no relatório, se este, apesar de 
sucinto, contém os elementos necessários ao julgamento da 
questão posta nos autos. 
- Configura-se o crime de tortura quando o agente, com emprego 
de violência ou grave ameaça, alternativa ou cumulativamente, 
constrange alguém, causando-lhe sofrimento físico ou mental. 
- A prática de tortura mediante grave ameaça não deixa vestígios, 
não se exigindo, para a sua constatação, a realização de exame de 
corpo de delito (art. 158 do CPP). 
- O habeas-corpus, ação constitucional destinada a assegurar o 
direito de locomoção em face de ilegalidade ou abuso de poder, não 
se presta para desconstituir decisão condenatória fundada em 
judicioso exame de provas, pois o estudo do fato não se compadece 
com o rito especial do remédio heróico. 
- Habeas-corpus denegado. 
(HC 16.142/RJ, Rel. Ministro VICENTE LEAL, SEXTA TURMA, julgado 
em 07/02/2002, DJ 11/03/2002, p. 281). 
GABARITO: ERRADO 
 
 
15 – 2011 – FUMARC - PC-MG - Delegado de Polícia 
Com relação à legislação especial, é INCORRETO afirmar que 
 
a) nos crimes contra a ordem tributária, o pagamento do tributo, antes do recebimento da denúncia, 
caracteriza causa extintiva de punibilidade. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
150 
 
b) motorista de táxi que se distrai conversando com passageiro e atropela pedestre, causando-lhe lesões 
corporais e é induzido pelo acompanhante a deixar de prestar socorro à vítima, responde pelo crime de lesão 
corporal culposa, funcionando a omissão de socorro e a circunstância de estar no exercício da profissão como 
causas especiais de aumento de pena, conforme a Lei nº 9.503/97, respondendo o passageiro pelo crime de 
omissão de socorro, previsto no art. 135 do Código Penal. 
c) a Lei de Tortura prevê exceção, ao princípio da territorialidade,determinando a aplicação da lei brasileira 
a crimes ocorridos fora do território brasileiro, sempre que a vítima for brasileira. 
d) para o crime de tráfico ilícito de entorpecentes, a associação eventual constitui causa de aumento de pena, 
sendo a associação para o tráfico, prevista no art. 35 da Lei nº 11.343/2006, delito autônomo que demanda 
comprovação da estabilidade e permanência da societas sceleris. 
 
COMENTÁRIO 
A – CORRETA 
Nos termos do artigo 34 da Lei 9.249/95, "extingue-se a punibilidade dos crimes definidos na 
Lei nº 8.137/90, de 27 de dezembro de 1990, e na Lei nº 4.729, de 14 de julho de 1965, quando 
o agente promover o pagamento do tributo ou contribuição social, inclusive acessórios, antes 
do recebimento da denúncia." 
 
B – INCORRETA 
Tratando-se de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, aplica-se a regra 
estabelecida no artigo 303, parágrafo único da Lei nº 9.503/97, norma especial aplicável à 
modalidade criminosa em questão. No que tange à omissão de socorro, o passageiro 
responde pelo crime previsto no artigo 135 do CP, uma vez que ao se omitir de prestar socorro 
e de pedir socorro à autoridade pública o passageiro, incide diretamente nas condutas 
previstas no tipo penal do artigo 135 do CP. 
 
C – INCORRETA 
A Lei de Tortura, Lei nº 9455/97, prevê, em seu artigo 2º, a extraterritorialidade da lei penal 
brasileira, nos casos de crime de tortura sempre que a vítima for brasileira. 
 
D – INCORRETA 
A associação eventual para fins de tráfico ilícito de entorpecentes não se encontra no rol das 
causas de aumento de pena constante do artigo 40 da Lei nº 11.343/2006. A segunda parte 
da questão está correta. Para que se configure o delito autônomo de associação para tráfico, 
previsto no artigo 35 do diploma legal mencionado, há de se demonstrar a estabilidade e 
permanência da societas sceleris. 
GABARITO: A 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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16 – 2011 - INSTITUTO CIDADES - DPE-AM - Defensor Público 
Acerca do crime de tortura previsto pela Lei 9.455/97, marque a alternativa errada: 
 
a) constitui crime de tortura a conduta de constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima 
ou terceira pessoa, bem como para provocar ação ou omissão de natureza criminosa, dentre outras 
hipóteses; 
b) constitui também crime de tortura, a submissão de alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com o 
emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo 
pessoal ou medida de caráter preventivo, dentre outras hipóteses; 
c) a pessoa que se omite em face das condutas definidas como crime de tortura, quando tenha o dever de 
evitá-las ou apurá-las, responde por crime também e está sujeito às mesmas penas previstas para o crime de 
tortura; 
d) a condenação por crime de tortura praticado por funcionário público acarreta a perda do cargo, função ou 
emprego público, bem como a interdição para o seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada; 
e) os crimes de tortura são inafançáveis e insuscetiveis de graça e anistia. 
 
COMENTÁRIO 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental: 
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima 
ou de terceira pessoa; 
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa; 
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com 
emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico 
ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de 
caráter preventivo. 
Pena - reclusão, de dois a oito anos. 
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita 
a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por 
intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante 
de medida legal. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
152 
 
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o 
dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um 
a quatro anos. 
(...) 
§ 6º O crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça ou 
anistia. 
 
A – CORRETA 
Art. 1º, I, Lei 9.455/97. 
 
B –CORRETA 
Art. 1º, II, Lei 9.455/97. 
 
C – INCORRETA 
Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou apurá-
las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos (art. 1º, §2º, da Lei nº 9455/97), ao 
passo que quem pratica a tortura está sujeito à pena de reclusão de dois a oito anos. 
 
D – CORRETA 
Art. 1º, §5º, Lei 9.455/97. 
GABARITO: C 
 
17 – 2010 – CESPE - DPE-BA - Defensor Público 
Com base no direito penal, julgue o item que se segue. 
 
Pela lei que define os crimes de tortura, o legislador incluiu, no ordenamento jurídico brasileiro, mais uma 
hipótese de extraterritorialidade da lei penal brasileira, qual seja, a de o delito não ter sido praticado no 
território e a vítima ser brasileira, ou encontrar-se o agente em local sob a jurisdição nacional. 
 
Certo / Errado 
 
COMENTÁRIO 
Art. 2º O disposto nesta Lei aplica-se ainda quando o crime não 
tenha sido cometido em território nacional, sendo a vítima 
brasileira ou encontrando-se o agente em local sob jurisdição 
brasileira. 
GABARITO: CERTO 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
153 
 
 
18 – 2009 – FUNCAB - PC-RO - Delegado de Polícia 
Caio, Delegado de Polícia, percebe que, na sala ao lado, Antônio, agente policial lotado em sua Delegacia, 
submete Tício, preso em flagrante, a sofrimento físico mediante violência, como forma de aplicar-lhe castigo 
pessoal. Caio nada fez para impedir tal conduta. Pode-se afirmar que Caio e Antônio cometeram as seguintes 
condutas, respectivamente: 
 
a) Caio será punido por sua omissão na forma da Lei nº 9.455/1997 e Antônio não responderá por crime 
algum, por ser seu subordinado. 
b) Caio não praticou crime algum e Antônio cometeu o crime de tortura. 
c) Caio responderá pelo crime de constrangimento ilegal em concurso de agentes com Antônio. 
d) Caio não praticou crime algum e Antônio responderá pelo crime de abuso de autoridade. 
e) Caio será punido por sua omissão na forma da Lei nº 9.455/1997 e Antônio responderá pelo crime de 
tortura. 
 
COMENTÁRIO 
Antônio (agente policial): 
Art 1º Constitui crime de tortura: 
(...) 
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com 
emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico 
ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de 
caráter preventivo. 
 
Caio (Delegado de Polícia): 
Art 1º, § 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando 
tinha o dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção 
de um a quatro anos. 
GABARITO: E 
 
19 – 2009 – CEPERJ - PC-RJ - Delegado de Polícia 
Relativamente à legislação penal extravagante, assinale a afirmativa incorreta. 
 
a) Considera-se autoridade, para os efeitos da Lei nº 4898/65, o serventuário da justiça. 
b) Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de grave ameaça, causando-lhe sofrimento 
mental, em razão de discriminação religiosa. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
154 
 
c) Constitui crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente submeter à tortura criança ou 
adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância. 
d) De acordo com a doutrina, os sistemas de definição dos crimes hediondos são o legal, o misto e o judicial, 
sendo certo que o ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema legal 
e) A pena do crime de tortura é aumentada se o crime é cometido mediante sequestro. 
 
COMENTÁRIO 
A - CORRETA. 
Art. 5º, Lei 4.898/65 Considera-se autoridade, para os efeitos desta 
lei, quem exerce cargo, emprego- FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
 
Durante uma partida de futebol, Rogério agrediu Jonas com um soco, que lhe causou um leve ferimento no 
olho direito. No dia seguinte, Jonas vai tirar satisfação com Rogério e, no meio da discussão, saca uma arma 
de fogo e parte na direção de Rogério, que, então, retira de sua mochila um revólver que carregava 
legalmente e dispara contra Jonas, causando sua morte. 
Considerando a situação apresentada, com relação à morte de Jonas, Rogério: 
 
RETA FINAL 
 
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A-responderá por homicídio, ficando, porém, isento de pena por ter atuado no exercício regular de direito; 
B-responderá por homicídio, pois provocou a situação em que se encontrava, afastando eventual excludente 
de ilicitude; 
C-não responderá por homicídio, considerando que agiu em legítima defesa, que é causa de exclusão da 
culpabilidade; 
D-responderá por homicídio culposo, pois agiu em excesso de legítima defesa; 
E-não responderá por homicídio, pois agiu em legítima defesa, o que afasta a ilicitude de sua conduta. 
 
COMENTÁRIO 
A situação hipotética descrita no enunciado da questão corresponde à atuação por legítima 
defesa, não respondendo Rogério por homicídio. 
Embora o soco desferido por Rogério em Jonas durante a partida de futebol configure uma 
agressão injusta, quando Jonas foi tirar satisfação, ela já havia cessado (o que afasta eventual 
hipótese de legítima defesa sucessiva). Nesse momento, é Jonas que incorre em injusta 
agressão contra Rogério (uma vez que não se admite legítima defesa pretérita, ou seja, contra 
agressão passada), que foi repelida com o meio disponível, o revólver que carregava em sua 
mochila, efetuando os disparos que provocaram a morte de Jonas. 
 
ATENÇÃO! Para que fique configurado o excesso de legítima defesa é preciso que o enunciado 
deixe claro que o agente tinha outros instrumentos menos gravosos para repelir a agressão OU 
que continuou a agir mesmo após cessada a agressão. 
 
Portanto, conforme visto, ficou caracterizada a legítima defesa, nos termos do art. 23, II e do 
art. 25, do CP. 
 
A – INCORRETA 
Conforme exposto, Rogério atuou amparado pela legítima defesa. 
 
B – INCORRETA 
Conforme exposto, não se pode afirmar que Rogério provocou a situação, visto que a agressão 
originária ocorreu em contexto distinto (no dia anterior). 
 
C – INCORRETA 
Conforme exposto, Rogério atuou por uma causa excludente de ilicitude. 
 
D – INCORRETA 
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DELEGADO GOIÁS 
 
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Conforme exposto, não se pode afirmar que Rogério agiu com excesso, posto que se utilizou 
do meio disponível para repelir a injusta agressão. O CP não exige a proporcionalidade do meio 
utilizado em relação a agressão sofrida. 
 
E - CORRETA 
GABARITO: E 
 
6 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
 
Mário, comerciante, emprestou determinada quantia para Eliseu. Um dia após a data ajustada para o 
pagamento, após ser informado por telefone de que Eliseu não teria o montante para quitar o empréstimo, 
Mário se dirige à casa do devedor e, clandestinamente, subtrai um notebook no valor da dívida, acreditando 
estar amparado por uma causa de justificação que tornaria a sua conduta lícita, qual seja, a dívida vencida. 
Considerando os fatos hipotéticos narrados, pode-se afirmar que Mário incorreu em 
 
A-erro de proibição direto que, se escusável, exclui a ilicitude do fato. 
B-erro de proibição direto que, caso inescusável, subsiste a culpabilidade, mas a pena deve ser diminuída de 
um sexto a um terço. 
C-erro de proibição indireto que, se escusável, exclui a culpabilidade do agente. 
D-erro de proibição indireto que, caso inescusável, subsiste a culpabilidade, mas a pena deve ser diminuída 
de um sexto a dois terços. 
E-erro de tipo que, se escusável, exclui o dolo e a culpa, tornando o fato atípico. 
 
COMENTÁRIO 
A solução da questão exige o conhecimento acerca do erro de proibição e o erro de tipo. 
 
O erro de tipo incide sobre os elementos objetivos do tipo e nesse caso, exclui o dolo, mas 
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei a modalidade culposa do crime, 
conforme o disposto no art. 20, CP. 
 
O erro sobre a ilicitude, também chamado de erro de proibição, ocorre quando o indivíduo se 
equivoca sobre uma determinada regra de conduta, ou seja, ele pratica um ilícito, porém 
desconhece que tal conduta seja proibida. Desse modo, o indivíduo se equivoca sobre o caráter 
ilícito do fato e, se tal erro for inevitável, ocorrerá a isenção de pena, que excluirá a 
culpabilidade e não a tipicidade. O erro sobre a ilicitude do fato se inevitável, isenta de pena; 
se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço e está previsto no art. 21 do CP. 
 
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DELEGADO GOIÁS 
 
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Ainda sobre o erro de proibição, a doutrina aponta 3 espécies: 
• Erro de proibição direto: agente erra quanto ao conteúdo da norma proibitiva, seja 
porque desconhece a existência do tipo penal incriminador ou porque não compreende 
seu âmbito de incidência. 
• Erro de proibição indireto: agente atua conhecendo a tipicidade de sua conduta, porém 
supõe estar ela acobertada por alguma excludente da ilicitude. 
• Erro mandamental: recai sobre uma norma que determina que o agente realize uma 
conduta positiva e este, por desconhecer o dever de agir, acaba ficando inerte e 
infringindo o tipo penal. 
 
A - INCORRETA 
O erro de proibição direto ocorre quando o agente não conhece da ilicitude da conduta 
praticada, entendendo que se trata de conduta atípica. Além disso, o erro de proibição não 
exclui a ilicitude do fato, mas exclui a culpabilidade, isentando de pena (invencível) ou 
possibilitando a diminuição da pena (vencível). 
 
B - INCORRETA 
Conforme exposto, não se trata de erro de proibição direito e, se o erro for inescusável 
(evitável), poderá haver a diminuição da pena de um sexto a um terço. 
 
C - CORRETA 
Trata-se de erro de proibição indireto, também chamado de erro de tipo permissivo quando o 
agente pratica um crime acreditando estar amparado por uma justificante. No caso em análise, 
Márcio acreditou que estaria no exercício regular de seu direito e, sendo este erro inevitável, 
há exclusão da culpabilidade, isentando o autor de pena. 
 
D - INCORRETA 
Quando o erro é inescusável (evitável), que ocorre a redução de um sexto a um terço (art. 21 
do CP). 
 
E - INCORRETA 
Conforme exposto, não se trata de erro de tipo e, ainda que o fosse, ele exclui o dolo, mas 
permite a punição por crime culposo, se previsto em lei. 
 
GABARITO: C 
 
 
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7 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de 
Polícia Federal 
 
Com relação à teoria geral do direito penal, julgue o item seguinte. 
 
A imputabilidade é a possibilidade de se atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma infração 
penal. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A imputabilidade é elemento da culpabilidade, terceiro substrato do conceito analítico do 
crime, conforme a corrente majoritária, ao lado da potencial consciência da ilicitude e da 
inexigibilidade de conduta diversa, à luz da teoria finalista. 
 
Consiste na aptidão do agente de responder por uma conduta ilícita, de modo que, só existe 
imputabilidade quando o agente é capaz de entender a ilicitude de sua conduta e seja apto a 
agir de acordo com esse entendimento. 
 
Para Capez a imputabilidade é a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de 
determinar-se de acordo com esse entendimento, o agente deve ter condições físicas, 
psicológicas, morais e mentais de saber que está realizando um ilícito penal. 
GABARITO: CERTO 
 
8 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Políciaou função pública, de natureza 
civil ou militar, ainda que transitoriamente e sem remuneração. 
 
B - CORRETA 
Art. 1º. Lei 9.455/97 Constitui crime de tortura: 
I- constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, 
causando-lhe sofrimento físico ou mental: 
(...) 
c) em razão de discriminação racial ou religiosa. 
 
C – INCORRETA 
O art 4º lei 9.455/97 revogou o art. 233 ECA. 
 
D – CORRETA 
Para escolha do rol de crimes hediondos foram propostos três sistemas: 
1) Judicial ou Subjetivo: o legislador dizia apenas as características que o delito deveria ter, 
para que o juiz fixasse no caso concreto o que seria considerado crime hediondo. A lei não 
enumeraria um rol de crimes hediondos. 
2) Misto: propõe que na lei haveria um rol exemplificativo, podendo o juiz reconhecer em 
outras hipóteses a hediondez de crime não constante da relação legal. 
3) Legal ou Objetivo: cabe somente a lei definir quais são os crimes hediondos. Não cabe ao 
intérprete definir outros tipos e deixar de considerar hediondo os ali existentes. Se o delito 
se enquadra no rol do art. 1º da lei de crimes hediondos, necessariamente será hediondo. 
 
E – CORRETA 
Art. 1º §4º, III, Lei 9455/97 - Aumenta-se a pena de 1/6 a 1/3 se o 
crime é mediante sequestro. 
GABARITO: C 
 
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DELEGADO GOIÁS 
 
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20 – 2009 – FCC - DPE-MA - Defensor Público 
Frederico encontrava-se custodiado pelo Estado em medida de segurança legalmente imposta. Permaneceu 
por vários dias solicitando atendimento de um médico porque apresentava febre, dores de cabeça, falta de 
ar e tosse. Foi atendido apenas por auxiliares de enfermagem que se limitaram a recomendar a interrupção 
do cigarro. Ao final do décimo dia teve um desmaio e foi hospitalizado. O médico deste nosocômio 
prescreveu-lhe antibióticos em razão de um processo infeccioso avançado nos pulmões. Tal medicação, 
entregue pelo médico que a prescreveu, jamais foi administrada pelos funcionários do Hospital de Custódia 
e Tratamento Psiquiátrico, onde cumpria a medida de segurança. Frederico acabou morrendo em 
decorrência de um abcesso causado por pneumonia. As condutas dos funcionários amoldam-se ao seguinte 
tipo penal: 
 
a) homicídio culposo porque agiram com imprudência, negligência e perícia. 
b) homicídio doloso porque a eles incumbia o dever jurídico de agir para evitar o resultado. 
c) conduta atípica, por superveniência de causa absolutamente independente. 
d) crime de tortura por submeterem pessoa sujeita a medida de segurança a sofrimento físico e mental, 
omitindo-se, quando tinham o dever de evitá-lo. 
e) crime de omissão de socorro qualificada pelo resultado. 
 
COMENTÁRIO 
Art. 1º Constitui crime de tortura: 
(...) 
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou 
sujeita a medida de segurança a sofrimento físico ou mental, por 
intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante 
de medida legal. 
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o 
dever de evitá-las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um 
a quatro anos. 
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a 
pena é de reclusão de quatro a dez anos; se resulta morte, a 
reclusão é de oito a dezesseis anos. 
GABARITO: D 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL: TEORIA DA CONSTITUIÇÃO 
 
1 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Em um período no qual a região norte do País estava sendo atingida por uma calamidade de grandes 
proporções da natureza, um grupo de vinte Senadores subscreveu uma proposta de emenda constitucional, 
visando a alterar a sistemática afeta à estruturação dos órgãos de segurança pública. Acresça-se que proposta 
idêntica fora apresentada e rejeitada pelo Senado Federal na mesma legislatura, mais especificamente no 
ano anterior. 
 
À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que essa proposta afronta 
 
A-os limites formais, materiais, circunstanciais e temporais de reforma constitucional. 
B-apenas os limites formais, circunstanciais e temporais de reforma constitucional. 
C-apenas os limites circunstancias e temporais de reforma constitucional. 
D-apenas os limites formais e materiais de reforma constitucional. 
E-apenas os limites formais de reforma constitucional. 
 
COMENTÁRIO 
 
OBSERVE: CRFB, art. 60 da CF/88: 
 
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante 
proposta (limites formais): 
I - de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados 
ou do Senado Federal; 
II - do Presidente da República; 
III - de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da 
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa 
de seus membros. 
§ 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de 
intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de 
sítio (limites circunstanciais). 
§ 2º A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso 
Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em 
ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros. 
§ 3º A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da 
Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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número de ordem. 
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente 
a abolir (limites materiais): 
I - a forma federativa de Estado; 
II - o voto direto, secreto, universal e periódico; 
III - a separação dos Poderes; 
IV - os direitos e garantias individuais. 
§ 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida 
por prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma 
sessão legislativa (limites temporais)". 
 
A CF/88 exige a assinatura de 1/3 dos senadores (27 senadores) e a proposta apresentada 
contém apenas 20 assinaturas. 
OBS. O art. 60, §5º da CF/88 proíbe é a reapresentação de PEC rejeitada na mesma sessão 
legislativa (ou seja, no mesmo ano), não na mesma legislatura. 
 
GABARITO: E 
 
 
2 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Maria, destacada estudiosa da interpretação constitucional, defendeu que a norma não apresenta uma 
relação de sobreposição com o texto. Em verdade, é o resultado do processo de interpretação, durante o 
qual o intérprete desenvolve uma atividade argumentativa e tipicamente decisória, já que deve resolver as 
conflitualidades intrínsecas que se apresentam durante esse processo, de modo a identificar os significados 
potencialmente atribuíveis ao texto interpretado e decidir qual deles deve preponderar, considerando as 
nuances da realidade e a situação concreta na qual a norma se projetará. 
 
A explicação de Maria está lastreada na concepção de que 
 
A-construções originalistas, que buscam reconstruir a vontade constituinte, devem embasar o processo de 
interpretação. 
B-o formalismo se ajusta plenamente à atividade do intérprete, pois valoriza o papel do texto e a importância 
da realidade. 
C-as nuances do ambiente sociopolítico podem influir no delineamento de alterações não formais da ordem 
constitucional. 
D-a tópica pura, na qual o texto é tratado como um ponto de vista, sendo utilizado, ou não, conforme as 
peculiaridades do problema concreto, deve direcionar a interpretação. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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E-o realismo jurídico não só valoriza a força normativa do texto constitucional como explica a forma como se 
desenvolve a mutação constitucional, preservando a vontade constituinte. 
 
 
 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
As diretrizes do originalismo possuem por base a restrição da margem de ação dos juízes e à 
promoção da democracia, devendo-se, dentre outros, o respeito absoluto à vontade do 
constituinte histórico e a interpretação limitada ao previsto ou contemplado como possível 
peloconstituinte histórico, de forma a efetivar sua mensagem, sem acréscimo de direitos não 
previstos originariamente no texto. 
 
B - INCORRETA 
O formalismo jurídico considera o direito como algo autônomo, prezando a atuação dos juízes 
por meio de uma atividade puramente mecânica. 
Assim, não cabe interpretação pelo juiz e sim somente a aplicação da lei. 
 
C - CORRETA 
Maria, destacada estudiosa da interpretação constitucional, defendeu que a norma não 
apresenta uma relação de sobreposição com o texto. Em verdade, É O RESULTADO DO 
PROCESSO DE INTERPRETAÇÃO, durante o qual o intérprete desenvolve uma atividade 
argumentativa e tipicamente decisória, já que deve resolver as conflitualidades intrínsecas que 
se apresentam durante esse processo, DE MODO A IDENTIFICAR OS SIGNIFICADOS 
POTENCIALMENTE ATRIBUÍVEIS AO TEXTO INTERPRETADO E DECIDIR QUAL DELES DEVE 
PREPONDERAR, CONSIDERANDO AS NUANCES DA REALIDADE E A SITUAÇÃO CONCRETA NA 
QUAL A NORMA SE PROJETARÁ. 
 
- as nuances do ambiente sociopolítico podem influir no delineamento de ALTERAÇÕES NÃO 
FORMAIS DA ORDEM CONSTITUCIONAL. 
 
Observe que a resposta nada mais é que a reafirmação do comando da questão. 
Apesar de ser uma questão complexa e de difícil compreensão mormente por utilizar temáticas 
não recorrentes (originalismo, realismo, formalismo), o “filtro” deve ser interpretativo para se 
buscar uma resposta. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Conclui-se que a questão versa sobre mutação constitucional que, segundo a doutrina 
majoritária, é também chamada de Poder Constituinte Difuso, e consiste na alteração de 
sentido de um dispositivo constitucional, de modo informal, ou seja, considerando vários 
elementos, dentre eles, contexto de aplicação da norma, efeitos, aspectos culturais, entre 
outros. É dizer, e realizada uma reinterpretação da norma constitucional, sem alteração a 
formal. 
 
D - INCORRETA 
A tópica pura é o emprego dessa técnica pelo intérprete com ampla liberdade para escolher o 
topoi adequado para solucionar o problema, ainda que este extrapole os limites do texto 
normativo. 
 
E - INCORRETA 
Em verdade, para o realismo, os magistrados decidem de acordo com o que os fatos provocam 
em seus ideários, ou seja, conforme interpreta a lei. Assim, o direito é uma permanente criação 
do juiz no momento em que decide:a lei é o que juiz diz que ela é. Em suma, o direito é uma 
permanente criação do juiz no momento em que decide uma controvérsia. 
 
GABARITO: C 
 
 
3 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Após uma revolução que culminou com a derrubada do regime anterior, o grupo político dominante do País 
Alfa resolveu solicitar que uma comissão de notáveis elaborasse um projeto de Constituição, submetendo-o, 
ato contínuo, a referendo popular. A Constituição assim elaborada buscou conciliar inúmeras correntes 
políticas aparentemente opostas entre si e direcionar as políticas públicas a serem adotadas para a 
implementação dos direitos sociais, além de ter exigido um procedimento qualificado para a reforma de 
parte de seus comandos, considerados materialmente constitucionais, enquanto a outra parte poderia ser 
alterada com observância do mesmo procedimento afeto à lei ordinária. Por fim, observa-se que essa 
Constituição era demasiado extensa. 
 
A Constituição assim descrita é classificada como 
 
A-bonapartista, compromissória, de garantia, rígida e sintética. 
B-cesarista, compromissória, dirigente, semirrígida e analítica. 
C-bonapartista, ortodoxa, dirigente, semirrígida e analítica. 
D-cesarista, pragmática, dirigente, semirrígida e sintética. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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E-outorgada, eclética, de garantia, flexível e analítica. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
Cesarista ou plebiscitárias: As constituições outorgadas submetidas a plebiscito ou referendo 
na tentativa de aparentarem legitimidade são denominadas de constituições cesaristas 
(NOVELINO, Marcelo. Direito Constitucional. São Paulo: Editora Método, 2009, 3ª ed. p. 108). 
Em outras palavras, cesarista é a constituição em que a participação popular restringe-se a 
ratificar a vontade do detentor do poder. 
 
Constituição Compromissória: É a constituição que reflete a pluralidade das forças políticas e 
sociais. Típica da sociedade plural e complexa em que vivemos, ela é fruto de conflitos 
profundos. O procedimento constituinte de elaboração das constituições compromissórias é 
tumultuado pelas correntes convergentes e divergentes de pensamento, mas que ao fim 
encontram o consenso (compromisso constitucional). 
 
OBS.: A Constituição brasileira de 1988 e a portuguesa de 1976 são constituições 
compromissórias. 
 
Constituição Dirigente (J. J. Gomes Canotilho): Constituição que pretende dirigir a ação 
governamental do Estado. Propõe que se adote um programa de conformação da sociedade, 
no sentido de estabelecer uma direção política permanente. Significa que o texto constitucional 
seria uma lei material, para preordenar programas a serem realizados, objetivos e princípios de 
transformação econômica e social. A ideia de constituição dirigente diverge daquela visão 
tradicional de constituição, que a concebe como lei processual ou instrumento de governo, 
definidora de competências e reguladora de processos. 
No sentido dirigente, a constituição é o “estatuto jurídico do político”, o plano global 
normativo de todo o Estado e de toda a sociedade, que estabelece programas, definindo fins 
de ação futura. 
 
OBS.: A constituição brasileira de 1988 e a portuguesa de 1976 são exemplos de constituições 
dirigentes. 
 
Semirrígida: É a Constituição que exige que apenas uma parte do seu texto seja alterado por 
processo legislativo diferenciado e mais dificultoso. Quanto ao restante do texto, é possível a 
alteração pelo procedimento ordinário. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Constituição Analítica: É Constituição extensa e prolixa, a exemplo da CF/88. 
 
GABARITO: B 
 
 
4 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RJ - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RJ - Delegado de Polícia 
O direito constitucional reclama a existência de princípios específicos, que compõem a denominada 
metodologia constitucional, para que a Constituição Federal de 1988 seja interpretada. Um dos referidos 
princípios prevê que, sempre que possível, deve o intérprete buscar a interpretação menos óbvia do 
enunciado normativo, fixando-a como norma, de modo a salvar a sua constitucionalidade. Trata-se do 
princípio de 
 
A-concordância prática. 
B-proporcionalidade. 
C-interpretação conforme a Constituição. 
D-ponderação de interesses. 
E-supremacia constitucional. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
INTERPRETAÇÃO CONFORME A CF: No caso de normas plurissignificativas (vários significados), 
deve-se preferir aquela que mais se aproxime da Constituição. Aqui, não há declaração de 
inconstitucionalidade. Pelo contrário, busca-se preservar a constitucionalidade da norma de 
modo a evitar que ela seja expurgada do Ordenamento Jurídico. 
Nas palavras do professor Marcelo Novelino: “na interpretação conforme, exclui-se uma 
interpretação do dispositivo que seja possível, mas que, se empregada, violaria a Constituição. 
Seria, no caso, um tipo de situação constitucional imperfeita (ADI 2415)”. 
 
São, portanto, consequências da interpretação conforme: 
• O dispositivo permanece válido no sistema normativo 
• Não há declaração de nulidade da norma (pois, se houvesse, deveria ser 
declarada inconstitucional); 
• A interpretação escolhida obriga todos a segui-la (pois, afasta todas as demais 
incompatíveis); 
• Faz surgir uma situação constitucional IMPERFEITA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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GABARITO: C 
 
 
5 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RJ - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RJ - Delegado de Polícia 
O estudo dos princípios que regema interpretação constitucional, em especial os da razoabilidade e da 
proporcionalidade, estabelece que as normas da Constituição Federal de 1988 devem ser analisadas e 
aplicadas de modo a permitir que os meios utilizados estejam adequados aos fins pretendidos, devendo o 
intérprete buscar conceder aos bens jurídicos tutelados uma aplicação justa. Considerando isso, assinale a 
opção correta. 
 
A-Com base nos princípios que dão sustentação a uma interpretação sistemática do texto constitucional, é 
correto afirmar que os direitos e garantias constitucionais devem ser considerados absolutos, sendo possível 
invocar a norma de maneira irrestrita, em razão do que dispõe a dignidade da pessoa humana, um dos 
fundamentos da República Federativa do Brasil. 
B-O princípio da harmonização tem por objetivo promover a harmonia entre os Poderes Legislativo, 
Executivo e Judiciário. Apesar dos Poderes serem independentes, a harmonia entre eles é de fundamental 
importância para que o Estado brasileiro realize seus objetivos, na forma do que estabelece o art. 3.º da 
Constituição Federal de 1988. 
C-Em razão do que preceitua o princípio da concordância prática, pode-se dizer que, na ocorrência de conflito 
entre bens jurídicos garantidos por normas constitucionais, o intérprete deve priorizar a decisão que melhor 
os harmonize, de forma a conceder a cada um dos direitos a maior amplitude possível, sem que um deles 
acabe por impor a supressão do outro. 
D-O princípio da harmonização permite afirmar que, em razão dos axiomas que fundamentam a República 
Federativa do Brasil, o intérprete da Constituição deverá sempre observar a supremacia do interesse público, 
evidenciado, nesse caso específico, o caráter absoluto dos direitos e garantias fundamentais. 
E-Em se tratando de conflito entre a liberdade de expressão na atividade de comunicação e a inviolabilidade 
da intimidade da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, como quando um jornal impresso publica 
notícias que são de interesse público, mas que acabam por invadir a esfera privada de alguém, o intérprete 
do texto constitucional deverá sempre optar pelo interesse público, descartando o interesse privado. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
Não há, no ordenamento pátrio, direitos absolutos. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
163 
 
B - INCORRETA 
A separação reflete de maneira mais direta com o princípio da justeza ou da conformidade 
funcional, o qual aduz que o intérprete não pode subverter o esquema organizacional imposto 
pelo poder constituinte. 
JUSTEZA OU CONFORMIDADE FUNCIONAL: Tem por finalidade impedir que os órgãos 
encarregados da interpretação constitucional cheguem a um resultado que subverta ou 
perturbe o esquema organizatório-funcional estabelecido pela Constituição. É um princípio de 
competência constitucional. 
 
C - CORRETA 
CONCORDÂNCIA PRÁTICA OU HARMONIZAÇÃO: No caso de aparente conflito entre normas 
constitucionais, devem ser harmonizadas ao caso concreto, respeitando ambas. Não pode 
haver sacrifício total de um em relação ao outro, faz uma redução proporcional (sem 
supressão), para harmonizá-los. Há uma ponderação de interesses, já que não há diferença de 
hierarquia ou de valor entre os bens constitucionais. E só NO CASO CONCRETO é que podemos 
dizer qual prevalece, já que não há hierarquia entre normas constitucionais (unidade da 
Constituição). 
 
Em suma: O princípio da concordância prática objetiva, diante da hipótese de colisão entre 
direitos fundamentais, impedir o sacrifício total de um em relação ao outro, estabelecendo 
limites à restrição imposta ao direito fundamental subjugado, por meio, por exemplo, da 
proteção do núcleo essencial. 
 
D - INCORRETA 
Vide a explicação da C. 
 
E - INCORRETA 
O interesse público nem sempre prepondera sobre o privado. Os direitos fundamentais 
implicam em uma atenção constitucional maior ao indivíduo e seu espectro de direitos 
essenciais que podem colidir com o interesse coletivo e sobre ele preponderar se tiver relação 
com o núcleo rígido de sua dignidade. Essa necessidade de ponderação evidencia o caráter 
relativo dos direitos fundamentais. 
 
GABARITO: C 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
164 
 
6 - 2021 -FUMARC -PC-MG - FUMARC - 2021 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
Cláusulas pétreas são: 
 
A-aquelas que não podem ser modificadas no texto constitucional. 
B-consideradas limites materiais para emendas à Constituição, pois constituem conteúdo que não pode ser 
modificado no texto constitucional no sentido de o abolir (extinguir) ou tender a tanto. 
C-dispositivos constitucionais que só podem ser alterados, por meio de emendas ao texto constitucional. 
D-impedimentos à atuação do Poder Constituinte Originário. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
Limites Materiais - excluem determinadas matérias do Poder Constituinte derivado 
reformador. Os limites podem ser EXPRESSOS ou IMPLÍCITOS; 
• Expressos: são as cláusulas de intangibilidade ou cláusulas pétreas do art. 60, §4º, da 
CF. Tutela-se a proposta tendente a ABOLIR. Impede-se que haja a DELIBERAÇÃO da 
emenda. O STF entende possível a impetração de MS por parlamentar (controle de 
constitucionalidade preventivo judicial); 
 
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: 
§ 4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente 
a abolir: 
I - a forma federativa de Estado; 
II - o voto direto, secreto, universal e periódico; 
III - a separação dos Poderes; 
IV - os direitos e garantias individuais. 
 
GABARITO: B 
 
 
7- 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
Sobre a classificação das constituições e das normas constitucionais, assinale a alternativa correta. 
 
A-A vedação à censura prévia para a liberdade de expressão confirma que as normas que expressam 
vedações e proibições podem ser consideradas normas de eficácia imediata. 
B-São consideradas formalmente constitucionais as disposições que regulam o exercício das funções 
políticas, a estruturação do sistema de governo e da federação, e os direitos fundamentais. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
165 
 
C- As constituições dirigentes correspondem a um ideal de Constituição típico do constitucionalismo liberal 
que prescreve um Estado mínimo. 
D-As constituições garantias são a expressão de um constitucionalismo social que defende a Constituição 
como forma de garantia dos direitos sociais e de um Estado interventor. 
E-São consideradas normas materialmente constitucionais as disposições que estão escritas na Constituição, 
não importando o seu tema e sua relevância para a comunidade política. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
A – CORRETA 
Art. 5º, IX da CRFB– “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de 
comunicação, independentemente de censura ou licença.” Trata-se de norma de eficácia 
plena, 
 
B - INCORRETA 
As normas que versam sobre disposições que regulam o exercício das funções políticas, a 
estruturação do sistema de governo e da federação, e os direitos fundamentais são normas 
com relevância constitucional e, por isso, são consideradas materialmente constitucionais. 
 
 
C - INCORRETA 
Constituição Dirigente (J. J. Gomes Canotilho): Constituição que pretende dirigir a ação 
governamental do Estado. Propõe que se adote um programa de conformação da sociedade, 
no sentido de estabelecer uma direção política permanente. Significa que o texto constitucional 
seria uma lei material, para preordenar programas a serem realizados, objetivos e princípios de 
transformação econômica e social. A ideia de constituição dirigente diverge daquela visão 
tradicional de constituição, que a concebe como lei processual ou instrumento de governo, 
definidora de competências e reguladora de processos. 
No sentido dirigente, a constituição é o “estatuto jurídico do político”, o plano globalnormativo de todo o Estado e de toda a sociedade, que estabelece programas, definindo fins 
de ação futura 
 
D - INCORRETA 
As constituições-garantia, tendem a concentrar a sua atenção normativa nos aspectos de 
estrutura do poder, cercando as atividades políticas das condições necessárias para o seu 
correto desempenho. Aparentemente, não fazem opções de política social ou econômica. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
166 
 
As constituições dirigentes, não se bastam com dispor sobre o estatuto do poder. Elas também 
traçam metas, programas de ação e objetivos para as atividades do Estado nos domínios 
social, cultural e econômico. 
 
E - INCORRETA 
São formalmente constitucionais. 
 
GABARITO: A 
 
 
8- 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
Assinale a alternativa correta a respeito da teoria da Constituição e de suas classificações. 
 
A-O conceito moderno de Constituição pressupõe uma norma jurídico-política que prevê direitos 
fundamentais e que organiza os poderes políticos. 
B-O sentido sociológico da Constituição coincide com o sentido jurídico, pois ambos representam os fatores 
reais do poder em uma sociedade. 
C-De acordo com o sentido político de Constituição, ela é a norma jurídica fundamental que ocupa o último 
escalão na hierarquia das normas de um ordenamento jurídico. 
D-Em razão da sua força normativa, o preâmbulo orienta a interpretação constitucional e serve como 
parâmetro para o controle de constitucionalidade. 
E-Segundo o sentido jurídico de Constituição, ela é a decisão concreta sobre o modo e a forma de existência 
da comunidade. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
A – CORRETA 
O conceito moderno de Constituição abrange “ordenação jurídico-política plasmada num 
documento escrito; declaração, nessa carta escrita, de um conjunto de direitos fundamentais 
e do respectivo modo de garantia; organização do poder político segundo esquemas tendentes 
a torná-lo um poder limitado e moderado" (Gomes Canotilho, ob. cit., p. 52 e texto de José 
Miguel Garcia Medina). 
 
B - INCORRETA 
Concepção SocioLógica (Ferdinand Lassale): uma Constituição só seria legítima se 
representasse o efetivo poder social, refletindo as forças sociais que constituem o poder, do 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
167 
 
contrário seria uma simples “folha de papel”. Portanto, a Constituição, segundo Lassale, seria 
a somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade. 
 
C e E - INCORRETAS 
Concepção Jurídica (Hans Kelsen): A Constituição é norma pura, dever-ser, dissociada de 
qualquer fundamento sociológico, político ou filosófico. Kelsen dá dois sentidos à palavra 
Constituição: 
• SENTIDO LÓGICO-JURÍDICO – a Constituição é a NORMA HIPOTÉTICA FUNDAMENTAL, 
responsável por dar sustentação ao sistema posto, e é o fundamento de validade de 
todas as outras leis. 
• SENTIDO JURÍDICO-POSITIVO - é a Constituição positiva, conjunto de normas que 
regulam a criação de outras normas, da qual todas as outras normas 
infraconstitucionais extraem seu fundamento de validade. Logo, a Constituição é a lei 
máxima do direito positivo e encontra-se no topo da pirâmide normativa. 
Concepção PolíTica (Carl SchimiTt): A Constituição seria a decisão política fundamental, 
emanada do titular do poder constituinte, enquanto a lei constitucional representaria os 
demais dispositivos que estão inseridos no texto constitucional e que não contém matéria de 
decisão política fundamental. Faz a distinção entre Constituição (decisão política fundamental) 
e lei constitucional (lei formalmente Constitucional). 
 
D - INCORRETA 
O Preâmbulo não tem força obrigatória, não cria direitos nem obrigações. Não serve o 
preâmbulo como parâmetro de controle de constitucionalidade. 
 
GABARITO: A 
 
 
9- 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
O poder constituinte e o poder de reforma constitucional são dois dos temas mais relevantes do Direito 
Constitucional. A respeito do assunto, assinale a alternativa correta. 
 
A-Diante de grande necessidade, a Constituição Federal poderá ser emendada durante a vigência de estado 
de sítio e de estado de defesa. 
B-Em seu exercício, o poder constituinte estadual deve reproduzir integralmente as disposições da 
Constituição Federal a respeito de direito, deveres e organização da ordem social. 
C-A proteção ao direito adquirido resguarda o direito do titular em face de tentativas de violar esse direito, 
sejam elas do poder constituinte ou do poder de reforma da Constituição. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
168 
 
D-Mais da metade das assembleias legislativas podem propor uma emenda à Constituição, se houver a 
manifestação da maioria relativa de cada uma delas. 
E-A proposta de emenda à Constituição rejeitada pode ser reapresentada na mesma sessão legislativa, se 
houver a concordância da maioria absoluta da casa. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
CRFB, Art. 60, § 1º. A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção 
federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. 
 
B - INCORRETA 
Não há obrigatoriedade de reprodução expressa das normas de reprodução obrigatória. 
 
C - INCORRETA 
O direito adquirido é aquele que já foi incorporado ao patrimônio jurídico de uma pessoa 
física ou jurídica, podendo ser exercido a qualquer momento. 
 
O direito adquirido encontra respaldo no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal de 1988, que 
dispõe: ''a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada''. 
Há entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que não existe direito adquirido 
em face da promulgação de uma nova Constituição, pois o Poder Constituinte Originário é um 
poder de fato (político) ilimitado não sujeito a quaisquer restrições do direito positivo, eis que 
implica uma ruptura da ordem jurídica e institucional. 
 
(...) No tocante ao direito adquirido, como já comentamos ao tratar 
da teoria do poder constituinte, não se poderá alegá-lo em face da 
manifestação do poder constituinte originário, uma vez que este é 
incondicionado e ilimitado juridicamente. No entanto, em se 
tratando de manifestação do poder constituinte derivado 
reformador, em virtude do limite material da cláusula pétrea 
prevista no art. 60, § 4.º, IV, entendemos que os direitos adquiridos 
deverão ser preservados. (...) (Lenza, Pedro. Direito constitucional 
esquematizado. 25. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2021. fl. 1729) 
D - CORRETA 
CRFB: 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
169 
 
Art. 60. A Constituição poderá ser emendada mediante proposta: III - 
de mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da 
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de 
seus membros. 
E - INCORRETA 
CRFB, Art. 60, § 5º A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por 
prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa. 
 
GABARITO: D 
 
 
10- 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
No processo de interpretação constitucional, a pré-compreensão do intérprete não pode ocupar uma posição 
hegemônica e incontrastável, de modo a tornar esse processo uma encenação que busque tão somente 
justificar conclusões prévias, indiferentes aos limites do texto constitucional, aos aspectos circunstanciais e 
às exigências de ordem metódica. 
Na interpretação constitucional, a narrativa acima se mostra: 
 
A-errada, pois a pré-compreensão não pode ser utilizada na interpretação constitucional, sob pena de 
consagrar o subjetivismo em detrimento do caráter objetivo da norma; 
B-correta, pois o conhecimento adquirido pelo intérprete é apenas condição de desenvolvimento da 
compreensão, que resulta na atribuição de significado ao texto; 
C-correta, pois a interpretação evidencia uma total separaçãoentre o sujeito cognoscente e o objeto 
cognoscido, de modo que a compreensão é da alçada do legislador; 
D-errada,pois o intérprete, em sua atividade intelectiva, deve se limitar a conhecer o sentido imanente ao 
texto, não participando da construção do significado; 
E-contraditória, pois a pré-compreensão e a compreensão apresentam uma relação de sobreposição, não 
ocupando planos sucessivos. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
Método Hermenêutico-concretizador (Concretista) [HESSE] 
 
Parte da ideia de que a leitura de todo o texto e da Constituição deve se iniciar pela 
pré-compreensão do seu sentido através de uma atividade criativa do intérprete. 
Admite o primado da norma constitucional sobre o problema. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
170 
 
O método considera a interpretação constitucional como uma atividade de 
concretização da Constituição, circunstância que permite ao intérprete determinar o próprio 
conteúdo material da norma. 
Afasta-se do método tópico-problemático porque a interpretação, para ele, está 
limitada e se inicia pelo texto, superando o problema da abertura e indeterminação dos 
enunciados normativos através da pré-compreensão do intérprete. 
Parte da ideia de que a leitura do texto, em geral, e da Constituição, deve se iniciar 
pela pré-compreensão do seu sentido através de uma atividade criativa do intérprete. Ao 
contrário do método tópico-problemático, que pressupõe o primado do problema sobre a 
norma, o método concretista admite o primado da norma constitucional sobre o problema. 
Essa pré-compreensão faz com que o intérprete, na primeira leitura do texto, extraia dele um 
determinado conteúdo, que deve ser comparado com a realidade existente. 
Desse confronto, resulta a reformulação, pelo intérprete, de sua própria pré-
compreensão, no intuito de harmonizar os conceitos por ele preconcebidos àquilo que deflui 
do texto constitucional, com base na observação da realidade social. Essa reformulação e 
consequente releitura do texto, cotejando cada novo conteúdo obtido com a realidade, deve 
repetir-se sucessivamente, até que se chegue à solução mais harmoniosa para o problema. 
Impõe-se, assim, um "movimento de ir e vir", do subjetivo para o objetivo - e, deste, de volta 
para aquele -, denominado "círculo hermenêutico” (Vicente Paulo e Marcelo Alexandrino). 
 
GABARITO: B 
 
 
11 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Sensível à necessidade de zelar pela probidade administrativa, a Assembleia Legislativa do Estado Alfa 
promulgou a Emenda Constitucional nº XX/2019, de iniciativa parlamentar, dispondo sobre as infrações 
político-administrativas passíveis de serem praticadas pelo Governador do Estado, as quais poderiam 
acarretar, na hipótese de condenação, a perda do mandato eletivo e a inabilitação para o exercício de outra 
função pública. 
 
A Emenda Constitucional nº XX/2019 é: 
 
A-formalmente inconstitucional, pois a matéria deve ser disciplinada em lei ordinária estadual, de iniciativa 
exclusiva do Chefe do Poder Executivo; 
B-formalmente inconstitucional, pois a matéria só pode ser disciplinada pela Constituição da República de 
1988, não pela legislação infraconstitucional; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
171 
 
C-formal e materialmente constitucional, considerando o disposto na Constituição da República de 1988 e o 
princípio da simetria; 
D-materialmente inconstitucional apenas em relação à sanção de inabilitação, que não pode ser cominada; 
E-formalmente inconstitucional, pois a matéria é de competência legislativa privativa da União. 
 
COMENTÁRIO 
 
Súmula Vinculante 46: A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das 
respectivas normas de processo e julgamento são de competência legislativa privativa da 
União. 
 
GABARITO: E 
 
 
12- 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
O poder constituinte produz normas constitucionais tanto ao elaborar a constituição quanto ao alterá-la, 
podendo ser originário ou derivado. A respeito do poder constituinte, assinale a alternativa correta. 
 
A-O poder constituinte originário é soberano e está acima da vontade popular. 
B-O poder constituinte originário encontra-se no texto da própria Constituição que ele irá alterar. 
C-Ao contrário do poder constituinte originário, o poder constituinte derivado é ilimitado e autônomo. 
D-A teoria do poder constituinte não está relacionada à legitimidade do poder, à soberania nacional e à 
soberania popular de um Estado. 
E-Ainda que exercido de forma ilegítima, o poder constituinte originário será sempre o criador de uma nova 
constituição que estabeleça uma nova ordem constitucional em um Estado. 
 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
CRFB, art. 1º: todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou 
diretamente, nos termos desta Constituição. 
 
B - INCORRETA 
O poder constituinte originário é um poder político, e não jurídico. 
 
C - INCORRETA 
O poder constituinte derivado é limitado e condicionado. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
172 
 
 
D - INCORRETA 
Pelo contrário, a teoria do poder constituinte discorre sobre todos esses fatores. 
 
E - CORRETA 
Poder Constituinte Originário é aquele que instaura uma nova ordem 
constitucional, independentemente da forma de sua atuação. Nesses termos, ainda que 
exercido de forma ilegítima será sempre o criador de uma nova constituição. 
Ademais, o poder constituinte originário não guarda limites na ordem jurídica anterior, 
portanto, pode ser "ilegítimo". Afinal, não é vinculado às regras de alteração constitucional da 
antiga ordem. 
 
GABARITO: E 
 
13- 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
Segundo a doutrina, o Neoconstitucionalismo tem como uma de suas marcas a concretização das prestações 
materiais prometidas pela sociedade, servindo como ferramenta para implantação de um Estado 
Democrático Social de Direito. São características do Neoconstitucionalismo, EXCETO 
 
A-encolhimento da justiça distributiva. 
B-positivação e concretização de um catálogo de direitos fundamentais. 
C-inovações hermenêuticas. 
D-densificação da força normativa do Estado. 
E-onipresença dos princípios e das regras. 
 
COMENTÁRIO 
 
“O neoconstitucionalismo tem como uma de suas marcas a 
concretização das prestações materiais prometidas pela sociedade, 
servindo como ferramenta para a implantação de um Estado 
Democrático Social de Direito. Ele pode ser considerado como um 
movimento caudatário do pós-modernismo. Dentre suas principais 
características podem ser mencionadas: a) positivação e 
concretização de um catálogo de direitos 
fundamentais; b) onipresença dos princípios e das 
regras; c) inovações hermenêuticas; d) densificação da força 
normativa do Estado; e) desenvolvimento da justiça distributiva". 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
173 
 
(Lenza, Pedro. Direito constitucional esquematizado. 23. ed. – São 
Paulo: Saraiva Educação, 2019). 
 
GABARITO: A 
 
14 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
Ao conceber a constituição como a soma de fatores reais do poder que regem a nação, ou seja, um produto 
dos pleitos das forças sociais de determinada época, está se tratando da ideia de constituição concebida por 
 
A-Carl Schmitt. 
B-José Afonso da Silva. 
C-Hans Kelsen. 
D-Ferdinand Lassalle. 
E-Peter Häberle. 
COMENTÁRIO 
 
Concepção SocioLógica (Ferdinand Lassale): uma Constituição só seria legítima se 
representasse o efetivo poder social, refletindo as forças sociais que constituem o poder, do 
contrário seria uma simples “folha de papel”. Portanto, a Constituição, segundo Lassale, seria 
a somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade. 
 
Veja também: 
 
ConcepçãoPolíTica (Carl SchimiTt): A Constituição seria a decisão política fundamental, 
emanada do titular do poder constituinte, enquanto a lei constitucional representaria os 
demais dispositivos que estão inseridos no texto constitucional e que não contém matéria de 
decisão política fundamental. Faz a distinção entre Constituição (decisão política fundamental) 
e lei constitucional (lei formalmente Constitucional). 
 
c) Concepção Jurídica (Hans Kelsen): A Constituição é norma pura, dever-ser, dissociada de 
qualquer fundamento sociológico, político ou filosófico. Kelsen dá dois sentidos à palavra 
Constituição: 
• SENTIDO LÓGICO-JURÍDICO – a Constituição é a NORMA HIPOTÉTICA FUNDAMENTAL, 
responsável por dar sustentação ao sistema posto, e é o fundamento de validade de 
todas as outras leis. 
• SENTIDO JURÍDICO-POSITIVO - é a Constituição positiva, conjunto de normas que 
regulam a criação de outras normas, da qual todas as outras normas 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
174 
 
infraconstitucionais extraem seu fundamento de validade. Logo, a Constituição é a lei 
máxima do direito positivo e encontra-se no topo da pirâmide normativa. 
Constituição como processo público (Peter Haberle): Compreende o texto constitucional como 
documento de uma sociedade pluralista e aberta, como obra de vários partícipes, como uma 
ordem jurídica fundamental do Estado e da sociedade. Para essa corrente, as constituições não 
são atos voluntarísticos do poder constituinte, porque dizem respeito à evolução social da 
comunidade. Assim, o texto constitucional é o reflexo de um processo interpretativo aberto e 
conduzido à luz da força normativa da publicidade. 
 
GABARITO: D 
 
15 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
No que se refere à classificação das constituições, assinale a alternativa correta. 
 
A-Quanto ao conteúdo, as constituições podem ser classificadas como constituição garantia ou constituição 
dirigente. 
B-A constituição classificada como substancial ou material, segundo a doutrina, está mais relacionada ao 
universo do “ser” que do “dever ser”. 
C-A constituição garantia, que também é chamada de programática ou social, disciplina o mínimo possível 
de matérias. 
D-O Brasil é regido por uma Constituição classificada pela doutrina, quanto ao conteúdo, como constituição 
garantia. 
E-O Brasil é regido por uma Constituição classificada pela doutrina, quanto à função, ou finalidade, como 
constituição formal. 
 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
Quanto ao conteúdo, há a classificação em constituição material e formal. 
 
B - CORRETA 
 A constituição classificada como substancial ou material, segundo a doutrina, está mais 
relacionada ao universo do “ser” que do “dever ser”. 
 
C - INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
175 
 
A Constituição garantia é aquela que apenas estabelece garantias para limitar o poder (ex: 
direitos fundamentais). Já a Constituição dirigente traz metas a serem concretizadas pelo 
Estado, programas. 
 
D - INCORRETA 
O Brasil adota o conceito de Constituição-dirigente: É aquela que dirige programas 
institucionais para o Estado (CF/1988). O termo “dirigente” significa que a Constituição “dirige” 
a atuação futura do Estado, por meio da previsão de metas. Caracteriza-se pela presença de 
normas constitucionais de eficácia limitada definidoras de princípios programáticos. 
 
E - INCORRETA 
Na classificação quanto á finalidade, a Carta de 1988 é tida como Constituição orgânica, ou seja, 
é sistematizada em um único documento. 
 
GABARITO: B 
 
16 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de 
Polícia Federal 
Acerca dos sentidos e das concepções de constituição e da posição clássica e majoritária da doutrina 
constitucionalista, julgue o item que se segue. 
 
Sob a ótica da constituição política, um Estado pode ter uma constituição material sem que tenha uma 
constituição escrita que descreva a sua organização de poder. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
 
No conceito político desenvolvido por Carl Schmitt, a Constituição é uma decisão política 
fundamental, um conjunto de opções políticas de um Estado. Em sua obra, o jurista afirmou 
que o fundamento da Constituição não está em uma norma jurídica precedente e nem em si 
mesma, mas na vontade política que a antecede. Dessa feita, a decisão política tem existência 
autônoma e não se subordina à Lei organizadora do Estado. 
 
Concepção SocioLógica (Ferdinand Lassale): uma Constituição só seria legítima se 
representasse o efetivo poder social, refletindo as forças sociais que constituem o poder, do 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
176 
 
contrário seria uma simples “folha de papel”. Portanto, a Constituição, segundo Lassale, seria 
a somatória dos fatores reais do poder dentro de uma sociedade. 
 
Concepção PolíTica (Carl SchimiTt): A Constituição seria a decisão política fundamental, 
emanada do titular do poder constituinte, enquanto a lei constitucional representaria os 
demais dispositivos que estão inseridos no texto constitucional e que não contém matéria de 
decisão política fundamental. Faz a distinção entre Constituição (decisão política fundamental) 
e lei constitucional (lei formalmente Constitucional). 
 
Concepção Jurídica (Hans Kelsen): A Constituição é norma pura, dever-ser, dissociada de 
qualquer fundamento sociológico, político ou filosófico. Kelsen dá dois sentidos à palavra 
Constituição: 
• SENTIDO LÓGICO-JURÍDICO – a Constituição é a NORMA HIPOTÉTICA FUNDAMENTAL, 
responsável por dar sustentação ao sistema posto, e é o fundamento de validade de 
todas as outras leis. 
• SENTIDO JURÍDICO-POSITIVO - é a Constituição positiva, conjunto de normas que 
regulam a criação de outras normas, da qual todas as outras normas 
infraconstitucionais extraem seu fundamento de validade. Logo, a Constituição é a lei 
máxima do direito positivo e encontra-se no topo da pirâmide normativa. 
 
 
GABARITO: Certo 
 
17- 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de 
Polícia Federal 
Acerca dos sentidos e das concepções de constituição e da posição clássica e majoritária da doutrina 
constitucionalista, julgue o item que se segue. 
 
Quanto ao objeto das constituições, são exemplos tradicionais o estabelecimento do modo de aquisição do 
poder e a forma de seu exercício. 
 
Certo 
Errado 
 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
177 
 
COMENTÁRIO 
 
José Afonso da Silva: 
“As Constituições têm por objeto estabelecer a estrutura do Estado, 
a organização de seus órgãos, o modo e aquisição do poder e a 
forma de seu exercício, limites de sua atuação, assegurar os direitos 
e garantias dos indivíduos, fixar o regime político e disciplinar os fins 
socioeconômicos do Estado, bem como os fundamentos dos direitos 
econômicos, sociais e culturais”. 
SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo. São Paulo: Malheiros, 2005. 
 
GABARITO: C 
 
18- 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de 
Polícia Federal 
Acerca dos sentidos e das concepções de constituição e da posição clássica e majoritária da doutrina 
constitucionalista, julgue o item que se segue. 
 
A Constituição Federal brasileira pode ser considerada uma constituição-garantia, pois regulamenta, de 
forma analítica, os assuntos mais relevantes à formação, à destinação e ao funcionamento do Estado. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
 
O Brasil adota o conceito de Constituição-dirigente: É aquela que dirige programas 
institucionais para o Estado (CF/1988). O termo “dirigente” significa que a Constituição “dirige” 
a atuação futura do Estado, por meio da previsão de metas. Caracteriza-se pela presença de 
normas constitucionaisde eficácia limitada definidoras de princípios programáticos. 
A constituição garantia, também denominada de "Constituição-quadro", é assim chamada por 
atuar restringindo o poder estatal, ao criar esferas de não ingerência do poder público na vida 
dos indivíduos. Ela possui um corpo normativo repleto de direitos individuais oponíveis ao 
Estado que são justamente as denominadas liberdades. Muito comum nas constituições de 
primeira geração ou dimensão de direitos fundamentais, podendo-se destacar: a Constituição 
Norte Americana de 1787 e a francesa de 1791, que teve como preâmbulo a Declaração 
Universal do Direito do Homem e do Cidadão, de 1789. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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178 
 
 
GABARITO: Errada 
 
19- 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia - Anulado 
Em julgamento de Recurso Extraordinário (RE-AgR 436.996), o Supremo Tribunal Federal entendeu que o 
atendimento em creche e o acesso à unidades de pré-escola à criança menor de 05 (cinco) anos de idade não 
podem fundar-se em juízo de simples conveniência ou de mera oportunidade. Isto porque o sistema de 
ensino municipal é consituticionalmente regido por normas de eficácia 
 
A-submetida ao princípio da reserva do possível. 
B-contida, ou seja, têm aplicabilidade indireta, mediata e reduzida. 
C-limitada, ou seja, têm aplicabilidade indireta, mediata e reduzida e estabelecem diretrizes para as políticas 
públicas. 
D-plena, ou seja, têm aplicabilidade direta, imediata e integral, que não se submetem ao princípio da reserva 
do possível. 
E-contida, ou seja, têm aplicabilidade direta, imediata e possivelmente não integral. 
 
COMENTÁRIO 
 
O Poder Judiciário pode obrigar o Município a fornecer vaga em creche a criança de até 5 anos 
de idade. 
A educação infantil, em creche e pré-escola, representa prerrogativa constitucional 
indisponível garantida às crianças até 5 anos de idade, sendo um dever do Estado (art. 208, IV, 
da CF/88). 
Os Municípios, que têm o dever de atuar prioritariamente no ensino fundamental e na 
educação infantil (art. 211, § 2º, da CF/88), não podem se recusar a cumprir este mandato 
constitucional, juridicamente vinculante, que lhes foi conferido pela Constituição Federal. 
STF. Decisão monocrática. RE 956475, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 12/05/2016 (Info 
827). 
 
GABARITO: D 
 
20 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia - Anulado 
“Para alguns espíritos, ou ingênuos em relação aos fatores reais que influem efetivamente nos governos 
chamados democráticos, os interessados em transformar os meios em fins, idealizando-os para o efeito de 
assegurar, pela reverência pública, a sua continuação, a democracia não se define pelos valores ou pelos fins, 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
179 
 
mas pelos meios, pelos processos, pela máquina, pela técnica ou pelos diversos expedientes mediante os 
quais os políticos fabricam a opinião ou elaboram os substitutos legais da vontade do povo ou da Nação. 
 
Ora, a máquina democrática não tem nenhuma relação com o ideal democrático. A máquina democrática 
pode produzir e tem, efetivamente, produzido exatamente o contrário da democracia ou do ideal 
democrático. Dadas as condições de um país, quanto mais se avoluma e aperfeiçoa a máquina democrática, 
tanto mais o Governo se distancia do povo e mais remoto da realidade se torna o ideal democrático. 
 
Não haverá ninguém de boa-fé que dê como democrático um regime pelo simples fato de haver sido 
montada, segundo todas as regras, a máquina destinada a registrar a vontade popular. Seja, porém, qual for 
a técnica ou a engenharia de um governo, este será realmente democrático se os valores que inspiram a sua 
ação decorrem do ideal democrático.” (CAMPOS, Francisco. O Estado Nacional. Editora Senado Federal, 
2001) 
 
Tendo como referência o texto acima citado, podemos afirmar que, o modelo de constitucionalismo 
defendido pelo autor, mais se aproxima do constitucionalismo 
 
A-substancial. 
B-aberto aos intérpretes da constituição. 
C-procedimental. 
D-liberal. 
E-como integridade. 
 
COMENTÁRIO 
 
Frequentemente se cogita qual seria o papel da Constituição em um Estado de Direito. 
 
1. Para a teoria procedimentalista (Jürgen Habermas): 
 A Constituição deve se limitar à regulação formal do processo democrático, sem 
estabelecer de antemão quais as metas ou valores substantivos a serem perseguidos por aquela 
sociedade. Para esta concepção, uma vez assegurado um procedimento democrático, caberá à 
própria sociedade compreender seus problemas e encontrar soluções, por meio de processos 
comunicacionais. De fato, para a “teoria do agir comunicativo” de Habermas, o direito deve 
ser construído a partir desta interação intersubjetiva entre os cidadãos na esfera pública, de 
modo que a legitimidade das normas repousaria no “princípio do discurso”, isto é, na 
possibilidade de que todos seus destinatários com elas consintam. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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2. Para a teoria substancialista: 
 Defende que a Constituição deve consagrar metas e valores a serem perseguidos por 
aquela sociedade, traduzindo-se em uma Constituição dirigente, na expressão de Canotilho. 
Tal vertente critica, ainda, a concepção liberal do Estado de Direito pregada pelo 
constitucionalismo clássico, que defendia que a Constituição deveria se restringir à previsão de 
normas limitadoras do poder político. Tais normas correspondem aos chamados “direitos 
fundamentais de primeira geração ou dimensão”, tais como os direitos civis e políticos, que 
tinham como fundamento impor ao Estado um dever negativo, de abstenção e não intervenção 
na esfera particular. 
 
GABARITO: A 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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CRIMINOLOGIA: NOÇÕES INICIAIS 
 
1 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-RJ - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-RJ - Delegado de Polícia 
Maria, de 35 anos de idade, compareceu a uma delegacia de polícia noticiando ao policial plantonista que 
havia sido abusada sexualmente por um médico-cirurgião renomado, o qual teria manipulado o órgão genital 
dela enquanto ela ainda se encontrava sob efeito de anestésico após ter realizado mamoplastia. Diante da 
gravidade da denúncia, o policial verificou se havia anotações criminais contra o noticiado e não localizou 
nenhum registro de ocorrência nesse sentido. Então, indagou à noticiante se ela tinha certeza do que estava 
afirmando, pois se tratava de uma acusação muito séria e ela poderia ter-se confundido em função do efeito 
anestésico. Desconfortável com a indagação feita, a noticiante pediu que fosse chamada uma policial do sexo 
feminino para atendê-la. Assim feito, Maria narrou o fato vivenciado à policial, a qual, por sua vez, considerou 
conveniente chamar a autoridade policial para avaliar se o fato deveria ser efetivamente registrado, diante 
de quem, mais uma vez, a noticiante relatou o abuso sofrido. 
Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta, considerando as normas de direito penal e 
os estudos críticos criminológicos. 
 
A-Os policiais foram diligentes, a fim de evitar eventual denunciação caluniosa em desfavor do médico. 
B-Os policiais agiram corretamente, uma vez que a Lei n.º 13.869/2019 tipifica como crime de abuso de 
autoridade a conduta de dar início à persecução penal sem justa causa fundamentada. 
C-Os policiais foram diligentes, porque, em sua atuação funcional, levaram em consideração a figura 
criminológica da síndrome da mulher de Potifar. 
D-Os policiais foram diligentes ao terem levado em consideração, no exercício funcional, a possibilidade de 
falsas memórias da vítima. 
E-A noticiante foi submetida a um processo de revitimização ao ter sido questionada sobre a credibilidade 
da notitia criminis e ao ter que relatar o abuso sofridoa diferentes profissionais da delegacia. 
 
COMENTÁRIO 
 
VITIMIZAÇÃO SECUNDÁRIA 
A revitimização – vitimização secundária ou sobrevitimização - é o sofrimento adicional que a 
dinâmica da Justiça Criminal (Poder Judiciário, Ministério Público, Polícias e sistema 
penitenciário), com suas mazelas, provoca normalmente nas vítimas. 
No processo penal ordinário e na fase de investigação policial, a vítima é tratada com descaso 
e, muitas vezes, com desconfiança pelas agências de controle estatal da criminalidade, motivo 
pelo qual alguns autores chegam a afirmar que a revitimização é uma forma de violência 
institucional cometida pelo Estado contra a vítima. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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182 
 
Nesse sentido, a vitimização secundária diz respeito aos custos adicionais causados à vítima 
em razão da necessária interferência das instâncias formais de controle social. 
Podemos citar, como exemplo, as inúmeras vezes que a vítima precisa reviver o fato criminoso: 
Ela é submetida a prestar depoimento em sede policial, novamente prestar depoimento em 
juízo, declarações extraoficiais, reconhecimento do investigado, exames de corpo de delito, 
etc. Sem esquecer o fato de que, muitas vezes, precisa lidar com todo o aparato estatal 
desconfiando e contestando sua versão dos fatos. 
Considerando que a vitimização secundária consiste no sofrimento causado à vítima em razão 
do próprio funcionamento do sistema punitivo, deve o Poder Público agir para evitar isso, 
como, por exemplo: 
• Adoção de providências a fim de que a vítima não seja ouvida repetidas vezes sobre 
o mesmo tema; 
• Deve-se fazer com que o ambiente em que os depoimentos são prestados seja 
acolhedor; 
• Deve-se evitar perguntas que invadam a vida privada da vítima ou que induzam à 
ideia de que ela teve “culpa” pelo fato, transformando a investigação ou o processo 
em um “julgamento” sobre o comportamento da vítima. 
 
“A revitimização no atendimento às mulheres em situação de 
violência, por vezes, tem sido associada à repetição do relato de 
violência para profissionais em diferentes contextos o que pode gerar 
um processo de traumatização secundária na medida em que, a cada 
relato, a vivência da violência é reeditada. Além da revitimização 
decorrente do excesso de depoimentos, revitimizar também pode 
estar associado a atitudes e comportamentos, tais como: 
paternalizar; infantilizar; culpabilizar; generalizar histórias 
individuais; reforçar a vitimização; envolver-se em excesso; 
distanciar-se em excesso; não respeitar o tempo da mulher; 
transmitir falsas expectativas. A prevenção da revitimização requer o 
atendimento humanizado e integral, no qual a fala da mulher é 
valorizada e respeitada.” (Diretrizes gerais e protocolos de 
atendimento. Programa “Mulher, viver sem violência”. Brasil: 
Governo Federal. Secretaria Especial de Políticas para mulheres. 
2015). 
 
GABARITO: E 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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2- 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
O princípio da ofensividade ou lesividade, segundo o qual somente devem ser criminalizadas condutas por 
violação a um bem jurídico, e não por mero enquadramento legal ou vontade legislativa, foi desenvolvido 
por 
 
A-Luigi Ferrajoli. 
B-Edwin H. Sutherland. 
C-Robert K. Merton. 
D-Erving Goffman. 
E-George Kelling. 
 
COMENTÁRIO 
 
Lembre-se: 
 
FERRAJOLI: LESIVIDADE/OFENSIVIDADE 
SUTHERLAND: ASSOCIAÇÃO DIFERENCIAL 
MERTON: ANOMIA 
GOFFMAN: ETIQUETAMENTO 
 
GABARITO: A 
 
 
3 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
Assinale a opção correta acerca da criminologia e de seus métodos. 
 
A-Na análise do fenômeno criminal, é preferível a abordagem multidisciplinar, que apresenta visões 
independentes e distintas de um mesmo problema e que é mais ampla que o método interdisciplinar. 
B-A criminologia usa o método dedutivo, partindo de premissas genéricas para fazer inferências. 
C-A criminologia é uma ciência cultural, do dever-ser. 
D-No método criminológico, os fatos se sobrepõem a argumentos subjetivos de autoridade. 
E-O método experimental confunde-se com o método empírico. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
184 
 
A criminologia é considerada uma ciência interdisciplinar, pois soma o conhecimento de várias 
ciências, e não meramente multidisciplinar, com distintas visões tratadas de maneira 
compartimentada. 
 
B – INCORRETA 
O método é indutivo. 
 
C - INCORRETA 
A criminologia é uma ciência do “ser”, empírica, na medida em que seu objeto (crime, 
criminoso, vítima e controle social) é visível no mundo real e não no mundo dos valores, como 
ocorre com o direito, que é uma ciência do “dever-ser”. 
 
"A criminologia qualifica-se por ser ciência empírica de observação da 
realidade, que opera no mundo do ser, e emprega o método indutivo 
e experimental. Diferentemente do Direito Penal, ciência cultural que 
atua no plano do dever ser, por meio do método dedutivo." Eduardo; 
HOFFMANN, Henrique. Criminologia. Salvador: Juspodivm, 2018. 
D - CORRETA 
No método criminológico, os fatos se sobrepõem a argumentos subjetivos de autoridade. 
 
E - INCORRETA 
Trata-se de método empírico, mas não necessariamente experimental. A observação é 
necessária, pois o objeto da investigação pode tornar inviável ou ilícita a experimentação. Dessa 
forma, considerando a complexidade do fenômeno delitivo, é possível completar o método 
empírico com outros métodos de natureza qualitativa, não incompatíveis com aquele. 
 
GABARITO: D 
 
 
4 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
Julgue os itens que seguem quanto à função dos três pilares das ciências criminais. 
 
I A criminologia apresenta estratégias e meios de controle social da criminalidade. 
II A política criminal fornece o substrato empírico do sistema. 
III O direito penal analisa as condutas indesejadas, tipificando infrações e combinando sanções penais. 
 
Assinale a opção correta. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
185 
 
 
A-Apenas o item I está certo. 
B-Apenas o item II está certo. 
C-Apenas o item III está certo. 
D-Apenas os itens II e III estão certos. 
E-Todos os itens estão certos. 
 
COMENTÁRIO 
 
• CRIMINOLOGIA 
• É a ciência empírica e interdisciplinar que se ocupa do estudo do crime, do criminoso, 
da vítima e do controle social. 
• É uma ciência do SER. 
• “Ciência que tem por objeto o estudo causal-explicativo do delito”. (Rafaelle Garófalo). 
• Utiliza o método indutivo, empírico e interdisciplinar. 
 
 
• DIREITO PENAL 
• É uma ciência normativa que usa metodologia lógica e abstrata, por método 
dedutivo (parte da regra geral para depois enfrentar uma regra particular). 
• É uma ciência do DEVER (regulamenta um modelo de comportamento). 
• Utiliza o método lógico dedutivo. 
 
 
• POLÍTICA CRIMINAL: 
• A Política Criminal é uma disciplina que oferece aos poderes públicos as opções 
científicas concretas mais adequadas para controle do crime, de tal forma a 
servir de ponte eficaz entre o direito penal e a criminologia. Ou seja: são 
diretrizes e soluções práticas para o fenômeno da criminalidade no campo da 
prevenção. 
• A política criminal interpreta a realidade, ao passo que a criminologia transforma 
esta realidade. 
• Para a doutrina majoritária, a política criminal não possui método próprio, 
motivo pelo qual não tem autonomia de ciência. 
• Exemplo de atuação de Política Criminal: melhoria do sistema de iluminação em 
locais com alta incidência de crimes em período noturno. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
186 
 
“Do incessante processo de mudança social, dos resultados que 
apresentem novas ou antigas propostasdo direito penal, das 
revelações empíricas propiciadas pelo desempenho das instituições 
que integram o sistema penal, dos avanços e descobertas da 
criminologia, surgem princípios e recomendações para a reforma ou 
transformação da legislação criminal e dos órgãos encarregados de 
sua aplicação. A este conjunto de princípios e recomendações 
denomina-se política criminal.” (Nilo Batista, Introdução ao direito 
penal, p. 34) 
 
GABARITO: C 
 
 
5 - 2021 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2021 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
Ao conduzir sua argumentação tendo como ponto de referência a criminologia crítica e a genealogia do poder 
desenvolvida por Michel Foucault, Thiago Fabres de Carvalho assume a dignidade humana como “condição 
antropológica existencial da comunidade política”, eixo central das reflexões criminológicas sobre o controle 
penal da subcidadania no Brasil. 
Nesse sentido, avalie as assertivas abaixo: 
I. A visão da condição humana apresentada por Hannah Arendt, formada pelo conjunto da vita activa, é 
absolutamente apropriada para se apreender o inicial significado da dignidade humana como elemento 
existencial instituinte da comunidade política, pois a condição humana não se confunde com a busca de uma 
natureza humana universal, intrínseca, o que remeteria a uma espécie de deidade. 
II. A partir das reflexões de Axel Honneth, a dignidade humana determina a condição de pluralidade da 
comunidade política, de modo que a construção da realidade social, costurada, sobretudo, na esfera pública, 
é engendrada a partir da necessidade da manifestação da diversidade e, por conseguinte, da luta por 
reconhecimento. 
III. A construção do sentido subjetivo e social da dignidade, possibilitada pelas experiências de 
reconhecimento, assume uma importância decisiva na reflexão criminológica, uma vez que a valorização 
negativa de determinados indivíduos ou grupos, isto é, a produção social da invisibilidade, converte-se em 
gravíssimos problemas de integração social. 
São CORRETAS as assertivas: 
 
A-I e II, apenas. 
B-I e III, apenas. 
C-I, II e III. 
D-II e III, apenas. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
187 
 
 
 
COMENTÁRIO 
 
I- (...) daquilo que Arendt (2010) designa vita activa. Por esse termo, a filósofa compreende a 
própria condição humana, composta de três atividades fundamentais: trabalho, obra e ação. 
Cada uma delas corresponde a uma das condições básicas mediante as quais a vida foi dada ao 
homem na Terra. Para a autora, o trabalho (labor) é a atividade que corresponde ao processo 
biológico do corpo humano e, por essa razão, a condição humana do trabalho é a própria vida. 
A obra (work), por sua vez, é a atividade correspondente ao artificialismo da existência humana, 
capaz de produzir um mundo artificial de coisas. Em vista disso, a condição humana do trabalho 
é a mundanidade. Finalmente, a ação (action) é a atividade exercida diretamente entre os 
homens sem a mediação das coisas ou da matéria, correspondente à condição humana da 
pluralidade, ao fato de que os homens, e não o Homem, vivem na Terra e habitam o mundo. 
Com efeito, a visão da condição humana apresentada por Hannah Arendt, formada pelo 
conjunto da vita activa, é absolutamente apropriada para se apreender o inicial significado 
da dignidade humana como elemento existencial instituinte da comunidade política. Nesse 
propósito, Arendt assinala de plano a convicção de que a condição humana não se confunde 
com a busca de uma natureza humana universal intrínseca, o que remeteria, segundo sugere, 
a uma espécie de "deidade", isto é, "ao deus dos filósofos que, desde Platão, não passa em 
uma análise mais profunda, de uma espécie de ideia platônica de homem". Essa questão parece 
clara quando a autora assevera que "as condições da existência humana - a própria vida, a 
natalidade e a mortalidade, a mundanidade, a pluralidade e o Planeta Terra - jamais podem 
'explicar' o que somos ou responder à pergunta sobre o que somos, pela simples razão de que 
jamais nos condicionam de modo absoluto". (...) (fl. 31) 
II e III- (...) Parece igualmente claro que a dignidade humana, tal como hoje percebida, no 
arcabouço jurídico-político das democracias constitucionais, não apenas apresenta o eixo das 
ficções operatórias, o qual assegura a unidade e a legitimidade da comunidade política, mas 
acima de tudo determina a condição da pluralidade. A construção da realidade social, 
costurada, sobretudo, na esfera pública, é engendrada a partir da necessidade da 
manifestação das diferenças e, por conseguinte, da luta por reconhecimento. A edificação 
desse sentido subjetivo e social da dignidade, possibilitada pelas experiências de 
reconhecimento, assume uma importância decisiva, visto que a valorização negativa de 
determinados indivíduos ou grupos, isto é, a produção social da invisibilidade, converte-se 
em gravíssimos problemas de integração social. (...) (Carvalho, Thiago Fabres de. Criminologia, 
(in)visibilidade, reconhecimento: o controle penal da subcidadania no Brasil. Rio de Janeiro: 
Revan, 2014. fl. 37) 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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GABARITO: C 
 
 
6 - 2021 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2021 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
No que diz respeito aos objetos da Criminologia, estão corretas as assertivas, EXCETO: 
 
A-A vitimização primária é o sofrimento, direto ou indireto, por parte de uma pessoa que suporta os efeitos 
decorrentes do crime, sejam estes materiais ou psíquicos. Por outro lado, a vitimização secundária 
compreende os custos suportados pelo agente penalizado em decorrência da prática do crime. 
B-Críticos do livre-arbítrio como ilusão subjetiva, os autores positivistas compreendiam o infrator como um 
prisioneiro da sua patologia (determinismo biológico), ou de processo causais alheios (determinismo social). 
C-Para o Direito Penal, o delito é uma ação ou omissão típica, ilícita e culpável, centrando-se a análise no 
comportamento do indivíduo. 
D-Se, de um lado, o controle social informal passa pela instância da sociedade civil: família, escola, profissão, 
opinião pública, grupos de pressão, clubes de serviço etc., o controle social formal evidencia a atuação do 
aparelho político do Estado, realizado por meio da Polícia, da Justiça, do Ministério Público, da Administração 
Penitenciária e de todos os consectários de tais agências. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
A – INCORRETA 
• VITIMIZAÇÃO PRIMÁRIA 
 Ao contrário do aspecto racional, que seria o fim do sofrimento ou a abrandamento da 
situação em face da ação do sistema repressivo estatal, a vítima criminal muitas vezes sofre 
danos psíquicos, físicos, sociais e econômicos adicionais, em consequência da reação formal e 
informal derivada do fato. Não são poucos os autores a afirmar que essa reação traz mais 
danos efetivos à vítima do que o prejuízo derivado do crime praticado anteriormente 
(vitimização primária). 
 Em resumo, a vitimização primária é normalmente entendida como aquela provocada 
pelo cometimento do crime, pela conduta violadora dos direitos da vítima – pode causar 
danos variados, materiais, físicos, psicológicos, de acordo com a natureza da infração, a 
personalidade da vítima, sua relação com o agente violador, a extensão do dano etc. 
 Então, é aquela que corresponde aos danos à vítima decorrentes do crime. 
 Ex: Em um crime de roubo a subtração patrimonial (efeito direto) e o trauma 
psicológico (efeito indireto). 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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• VITIMIZAÇÃO SECUNDÁRIA 
 A revitimização – vitimização secundária ou sobrevitimização - é o sofrimento 
adicional que a dinâmica da Justiça Criminal (Poder Judiciário, Ministério Público, Polícias e 
sistema penitenciário), com suas mazelas, provoca normalmente nas vítimas. 
 No processo penal ordinário e na fase de investigação policial, a vítima é tratada com 
descaso e,muitas vezes, com desconfiança pelas agências de controle estatal da criminalidade, 
motivo pelo qual alguns autores chegam a afirmar que a revitimização é uma forma de violência 
institucional cometida pelo Estado contra a vítima. 
 Nesse sentido, a vitimização secundária diz respeito aos custos adicionais causados à 
vítima em razão da necessária interferência das instâncias formais de controle social. 
 Podemos citar, como exemplo, as inúmeras vezes que a vítima precisa reviver o fato 
criminoso: Ela é submetida a prestar depoimento em sede policial, novamente prestar 
depoimento em juízo, declarações extraoficiais, reconhecimento do investigado, exames de 
corpo de delito, etc. Sem esquecer o fato de que, muitas vezes, precisa lidar com todo o 
aparato estatal desconfiando e contestando sua versão dos fatos. 
 Considerando que a vitimização secundária consiste no sofrimento causado à vítima 
em razão do próprio funcionamento do sistema punitivo, deve o Poder Público agir para evitar 
isso, como, por exemplo: 
• Adoção de providências a fim de que a vítima não seja ouvida repetidas vezes sobre 
o mesmo tema; 
• Deve-se fazer com que o ambiente em que os depoimentos são prestados seja 
acolhedor; 
• Deve-se evitar perguntas que invadam a vida privada da vítima ou que induzam à 
ideia de que ela teve “culpa” pelo fato, transformando a investigação ou o processo 
em um “julgamento” sobre o comportamento da vítima. 
 
“A revitimização no atendimento às mulheres em situação de 
violência, por vezes, tem sido associada à repetição do relato de 
violência para profissionais em diferentes contextos o que pode gerar 
um processo de traumatização secundária na medida em que, a cada 
relato, a vivência da violência é reeditada. Além da revitimização 
decorrente do excesso de depoimentos, revitimizar também pode 
estar associado a atitudes e comportamentos, tais como: 
paternalizar; infantilizar; culpabilizar; generalizar histórias 
individuais; reforçar a vitimização; envolver-se em excesso; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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distanciar-se em excesso; não respeitar o tempo da mulher; 
transmitir falsas expectativas. A prevenção da revitimização requer o 
atendimento humanizado e integral, no qual a fala da mulher é 
valorizada e respeitada.” (Diretrizes gerais e protocolos de 
atendimento. Programa “Mulher, viver sem violência”. Brasil: 
Governo Federal. Secretaria Especial de Políticas para mulheres. 
2015). 
 
GABARITO: A 
 
 
7 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado de Polícia 
Considerando os conceitos doutrinários de Direito Penal, de Criminologia e de Política Criminal, assinale a 
alternativa INCORRETA. 
 
A-O Direito Penal é o conjunto de normas jurídicas que preveem os crimes e lhes cominam sanções, bem 
como disciplinam a incidência e a validade de tais normas, a estrutura geral do crime e a aplicação e a 
execução das sanções cominadas. 
B-A Criminologia é uma disciplina de caráter preponderantemente dogmático e representa a atividade 
intelectual que estuda os processos de criação das normas penais e das normas sociais que estão 
relacionadas com o comportamento desviante, os processos de infração e de desvio destas normas e a reação 
social. 
C-A Criminologia reúne uma informação válida e confiável sobre o problema criminal, que se baseia em um 
método empírico de análise e de observação da realidade. 
D-Em sua obra, Franz von Lizst formulou um modelo tripartido de “ciência conjunta”, que reunia as 
ramificações do saber que constituem objeto de estudo do Direito Penal, Criminologia e Política Criminal. 
E-Diferentemente do Direito Penal, a Criminologia pretende conhecer a realidade para explicá-la, enquanto 
aquela ciência valora, ordena e orienta a realidade, com o apoio de uma série de critérios axiológicos. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
Tal parte "ciência dogmática, processo de criação de normas penais", já demonstra a incorreção 
da questão, pois Criminologia é um nome genérico designado a um grupo de temas 
estreitamente ligados: o estudo e a explicação da infração legal; os meios formais e informais 
de que a sociedade se utiliza para lidar com o crime e com os atos desviantes; a natureza das 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
191 
 
posturas que as vítimas desses crimes serão atendidas pela sociedade; e, por derradeiro, o 
enfoque sobre o autor desses atos desviantes (Shecaria, 2014). 
 
GABARITO: B 
 
 
8 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia 
A respeito das escolas criminológicas, é correto afirmar: 
 
A-A escola positivista, cujos representantes principais são Lombroso, Ferri e Garófalo, apresentou uma severa 
crítica às teses do direito penal do inimigo, contribuindo para o surgimento de doutrinas abolicionistas. 
B-A escola liberal clássica do direito penal teve origem no Iluminismo e possibilitou o surgimento de medidas 
substitutivas da prisão, baseadas na ideia de periculosidade do sujeito delinquente. 
C-A escola clássica apresenta duas fases: a filosófica, cujo principal representante é Cesare Beccaria, e a 
jurídica, representada por Enrico Ferri e seu conceito de crime como ente jurídico. 
D-Cesare Beccaria, cujo pensamento é apontado como uma das mais influentes bases da escola clássica, fez 
uma forte crítica ao sistema penal do Antigo Regime e lançou bases filosóficas limitadoras do poder punitivo 
estatal. 
E-A escola positivista, tributária do método científico experimental, explica a criminalidade a partir do estudo 
do homem delinquente, o qual pratica crimes porque é dotado de livre arbítrio. 
 
COMENTÁRIO 
 
A criminologia nasce com a escola clássica (Beccaria, Carrara e outros), que se destacam por 
basear suas ideias exclusivamente na razão iluminista, com enfoque no crime; 
 
A criminologia inicia com a escola positivista italiana (Lombroso, Garofalo e Ferri), que se 
destaca pelo uso da experimentação racional (métodos empíricos), com enfoque no criminoso. 
 
GABARITO: D 
 
 
9 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Dentro da perspectiva criminológica, os órgãos de polícia e justiça se referem a instâncias de: 
 
A-criminalização primária; 
B-vitimização terciária; 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
192 
 
C-controle social formal; 
D-prevenção primária; 
E-controle social informal. 
 
 
COMENTÁRIO 
 
O controle social formal é formado pelas instâncias das quais o Estado pode lançar mão para 
controlar a criminalidade: polícia, administração penitenciária, Ministério Público, juiz. 
“Quando as instâncias informais de controle social falham ou são ausentes, entram em ação as 
agências de controle formais” (Shecaria, 2014), sendo estas marcadas pelo formalismo e 
coerção, que dizer, uso organizado (racional) da força, operando através das polícias, do 
Ministério Público, do Poder Judiciário e da Administração Penitenciária, os quais tem como 
norte a pena (repressão) como instrumento ordenador da conduta dos indivíduos. 
A efetividade do controle formal é sempre relativa e, além disso, opera de forma seletiva e 
discriminatória, de modo que é recomendável que a atuação do controle social formal opere 
de forma articulada com o informal – exemplo das polícias comunitárias – e baseado no direito 
penal mínimo (pena, principalmente a privativa de liberdade, como ultima ratio). 
 
GABARITO: C 
 
 
10 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Vários estudos indicam que a população carcerária brasileira é formada essencialmente por jovens pretos e 
pardos, com baixa escolaridade e processados por delitos patrimoniais e relacionados ao tráfico de drogas. 
Parte da criminologia analisa essa dinâmica através das noções: 
 
A-microssociológicas e macrossociológicas da ideologia da defesa social, propostas pelas teorias conflituais;- Anulado 
 
Considere os sete critérios enumerados abaixo: 
 
I - Clamor público e relevância social; 
II - Determinação objetiva com previsão legal; 
III - Residência fixa e comprovante de registro de trabalho; 
IV- Contexto social do autor e antecedentes criminais; 
V - Critério psicológico; 
VI - Fator personalíssimo, psicossocial e natural; 
VII - Critério biológico. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Marque a alternativa correta que relacione apenas os critérios que devem ser adotados para a avaliação da 
inimputabilidade e/ou imputabilidade em esfera penal, para aquele que praticar uma conduta prevista no 
Código Penal. 
 
A-I, II e III. 
B-I, IV e V. 
C-III, V e VII. 
D-II, IV e VII. 
E-II, V e VII. 
 
COMENTÁRIO 
Como regra o CP adotou o critério biopsicológico, aplicado na embriaguez e doença mental, e 
será analisada no momento da conduta, conforme previsão no art. 26 (item II e V). 
Como exceção utiliza-se o critério biológico no que tange aos atos infracionais de menores, nos 
termos do art. 27, CP (item VII). O perito trata da questão biológica e o juiz da questão 
psicológica. Logo o laudo pericial é meio de prova indispensável para prova da 
inimputabilidade. 
 
Assim, temos que: 
• Menoridade: critério biológico. 
• Doença Mental: critério biopsicológico, quando inteiramente incapaz. 
 
Caso a perturbação seja parcial (não era inteiramente capaz) será semi-imputável e terá 
apenas diminuição de pena (o juiz condena o semi-imputável e aplica a diminuição de pena 
de 1/3 a 2/3). 
 
OBS.: A embriaguez patológica enquadra-se como doença mental. 
GABARITO: E 
 
9 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia - Anulado 
 
A legítima defesa e o estado de necessidade possuem similitudes que as os enquadram como excludentes de 
ilicitude. Não obstante, suas diferenças implicam em modalidades diversas com conceitos distintos. Em 
relação à comparação da legítima defesa e do estado de necessidade, marque a alternativa correta. 
 
A-De acordo com o conceito analítico de crime, para a verificação da atipicidade da conduta, a legitima defesa 
e o estado de necessidade devem ser observados para confirmar se a conduta é ou não típica. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
18 
 
B-Na legítima defesa, assim como no estado de necessidade, somente é admitido o excesso culposo. 
C-Em relação ao estado de necessidade, diferentemente da legitima defesa, qualquer excesso será punível, 
já que nos casos em que ocorre a legitima defesa não há punição para eventuais excessos na tutela do bem 
jurídico do agredido injustamente. 
D-No caso do estado de necessidade, é cabível uma agressão injusta na defesa de bem jurídico menos 
relevante. Já no caso da legítima defesa, a preservação de bens jurídicos de mesmos valores é promovida 
pelo uso da força de quem inicia agressão. 
E-A legitima defesa é uma garantia que permite a defesa de interesse legítimo por parte de quem sofre a 
agressão injusta a um bem jurídico. Não obstante os interesses em conflito no caso de estado de necessidade, 
todos os interesses são considerados legítimos ao se tratar de oposição de bens jurídicos de mesmo valor. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
No que tange ao grau de relação entre o fato típico e a ilicitude, o CP adotou a teoria da 
indiciariedade ou da ratio cognoscendi, que aduz que se há fato típico, presume-se que ele é 
ilícito. O fato típico é o indício da ilicitude, que admite o afastamento (presunção relativa) 
mediante prova em contrário, a cargo (ônus) da defesa. Assim, a verificação da tipicidade 
independe da análise de excludentes de ilicitude. 
A afirmativa aponta os preceitos da teoria da absoluta dependência ou ratio essendi, não 
adotada pelo CP, segundo a qual a ilicitude é a essência da tipicidade, em uma absoluta relação 
de dependência. Logo, não havendo ilicitude, não há fato típico. Nesse contexto, tem-se o 
conceito de tipo total do injusto, levando a ilicitude para o campo da tipicidade, de modo que 
a verificação da tipicidade depende da inexistência de excludentes de ilicitude, como apontado 
na assertiva. 
 
B – INCORRETA 
Tanto o excesso doloso como o excesso culposo são puníveis, conforme previsão no art. 23, 
§único, CP: 
 
O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo 
excesso doloso ou culposo. 
 
C – INCORRETA 
A responsabilidade penal do agente nas hipóteses de excesso doloso ou culposo aplica-se a 
TODAS as causas de excludentes de ilicitude previstas no CP, conforme previsão no art. 23, 
§único. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
19 
 
D – INCORRETA 
O CP adotou a teoria unitária (teoria monista), só se admitindo o estado de necessidade 
justificante, ou seja, que exclui a ilicitude, verificado quando o bem jurídico defendido possui 
igual ou maior valor que aquele sacrificado (art. 24, CP). Se o bem jurídico sacrificado se reveste 
de valor superior ao bem jurídico preservado, não haverá estado de necessidade, sendo típica 
a conduta, ocorrendo, somente a diminuição da pena de 1 a 2/3. Ademais, no estado de 
necessidade, há dois bens jurídicos protegidos em confronto, ou seja, os interesses em conflito 
são legítimos, não sendo cabível agressão injusta, já que sua agressão será justa, na medida 
que irá atuar para resguardar bem jurídico legítimo. 
Na legítima defesa a lei permite ao agente reagir porque a agressão sofrida é injusta, ou seja, 
os interesses do agressor são ilegítimos. Assim, tratando-se de defesa contra interesses 
ilegítimos, está autorizada a reação usando os meios necessários, seja quais forem, mediante 
o uso moderado. 
 
E – CORRETA 
Vide alternativa D. 
GABARITO: E 
 
10 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia - Anulado 
 
O Código Penal (CP) trouxe, em seu conjunto de leis, a previsão das excludentes de ilicitude, a saber: o estado 
de necessidade, a legítima defesa e o estrito cumprimento de dever legal, além do exercício regular do 
direito. 
Em relação ao estrito cumprimento do dever legal, seguem-se seis afirmações: 
 
I - Para seu cumprimento, é indispensável o cumprimento do dever legal; 
II - Para seu cumprimento, é indispensável o cumprimento do dever ético; 
III - A prática da conduta deve ser promovida nos exatos termos da lei; 
IV - A ordem da autoridade subsome a lei no cumprimento da ordem emanada por funcionário público; 
V - A boa-fé permite a extrapolação da lei para o cumprimento do dever; 
VI - Hierarquia e autoridade pública são diplomas supralegais; 
 
Marque a alternativa que contenha somente as afirmações corretas acerca dos elementos caracterizadores 
do estrito cumprimento do dever legal. 
 
A-V e VI. 
B-II e III. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
20 
 
C-I e III. 
D-I e VI. 
E-I e IV. 
 
COMENTÁRIO 
I – CORRETA 
O estrito cumprimento do dever legal consiste na prática de um fato típico em razão do 
cumprimento de uma obrigação imposta por lei (de natureza penal ou não). A lei não determina 
apenas a faculdade (ou seja, a escolha do agente em obedecer ou não a regra por ela 
estabelecida). 
 
II - INCORRETA 
O dever legal é aquele imposto pela lei, não se podendo confundir com dever moral, religioso, 
social ou ético. Estes, portanto, não são deveres indispensáveis. 
 
III – CORRETA 
Se a norma tiver caráter particular, de cunho administrativo, poderá, eventualmente, 
configurar a obediência hierárquica (art. 22, 2ª parte, do CP), mas não o dever legal. Além disso, 
o cumprimento deve ser estrito, isto é, não abrange excessos ou desvios que, inclusive, podem 
ensejar a prática de crime de abuso de responsabilidade (Lei 13.869/19). 
 
IV – INCORRETA 
A norma permissiva não autoriza que os agentes do Estado possam, amiúde, matar ou ferir 
pessoas apenas porque são marginais ou estão delinquindo ouB-de criminalização primária, criminalização secundária e seletividade do sistema penal, propostas pelo 
paradigma etiológico; 
C-de desigualdade e estrutura social, propostas pelo modelo do consenso; 
D-de subculturas criminais e adequação social, propostas pelo paradigma da reação social; 
E-de criminalização primária, criminalização secundária e seletividade do sistema penal, propostas pela 
criminologia crítica. 
 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
193 
 
COMENTÁRIO 
 
Também chamada de Interacionismo Simbólico, Etiquetamento, Rotulação ou Reação Social. 
É uma teoria do conflito. 
A teoria do etiquetamento rompeu paradigmas. Ela deu um giro profundo na forma de se 
analisar o crime. Deixou de centrar estudos no fenômeno delitivo em si e passou a focar suas 
atenções na reação social, no efeito criminógeno do sistema de repressão penal, em especial 
das prisões (como eles são catalizadoras da delinquência secundária e reincidência). 
(...) Teoria da criminalização secundária (Zaffaroni, Alagia e 
Slokar): O sistema de Administração de Justiça atuaria de forma 
altamente seletiva no sentido de que nem todo mundo e nem todos 
os delitos têm as mesmas possibilidades de ser etiquetados como 
criminosos, ainda que se trate de atos de criminalização primária; O 
programa punitivo estabelecido pela criminalização primária é tão 
extenso que simplesmente não é possível a persecução de todos os 
delitos que se cometem: "a imunidade é a regra, a criminalização 
secundária a exceção". A consequência , portanto, é que a 
criminalização secundária é altamente seletiva; 
Isto significa que a criminalização secundária se concentraria 
sobretudo nos delitos mais simples e, portanto, mais fáceis de se 
detectar e processar; além disso, os aparatados do controle 
social focam nos indivíduos com menos poder, pois são mais 
vulneráveis e com menos possibilidades de proteger-se e evitar o 
seu etiquetamento. Isso explicaria por que os delitos sofisticados e 
realizados por pessoas com poder econômico tendem a não ser 
perseguidos; 
A criminalização secundária, portanto, é responsável por construir 
o estereotipo de quem é o delinquente e dito estereótipo se impõe 
em uma comunidade. (...) (Viana, Eduardo. Criminologia - 6. ed. 
Salvador: JusPODIVM, 2018. fl. 358). 
 
GABARITO: E 
 
 
11 - 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto 
Após ser agredida por seu marido, Ana Cláudia busca auxílio em delegacia policial próxima a sua residência. 
Após narrar todo o ocorrido ao servidor responsável, ele afirmou que não parecia ser nada grave porque ela 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
194 
 
não apresentava nenhuma marca de lesão, sugerindo, em tom jocoso, que ela deveria voltar logo para casa 
porque “marido está difícil de encontrar”. Diante disso na Cláudia deixa a delegacia de polícia sem realizar o 
registro de ocorrência pretendido. Dentro de uma perspectiva criminológica, os fatos hipotéticos acima 
narrados descrevem, respectivamente, as noções de: 
 
A-vitimização secundária e vitimização primária; 
B-vitimização primária e vitimização terciária; 
C-seletividade primária e vitimização primária; 
D-vitimização primária e vitimização secundária; 
E-seletividade secundária e vitimização secundária. 
 
COMENTÁRIO 
 
• VITIMIZAÇÃO PRIMÁRIA 
 Ao contrário do aspecto racional, que seria o fim do sofrimento ou a abrandamento da 
situação em face da ação do sistema repressivo estatal, a vítima criminal muitas vezes sofre 
danos psíquicos, físicos, sociais e econômicos adicionais, em consequência da reação formal e 
informal derivada do fato. Não são poucos os autores a afirmar que essa reação traz mais 
danos efetivos à vítima do que o prejuízo derivado do crime praticado anteriormente 
(vitimização primária). 
 Em resumo, a vitimização primária é normalmente entendida como aquela provocada 
pelo cometimento do crime, pela conduta violadora dos direitos da vítima – pode causar 
danos variados, materiais, físicos, psicológicos, de acordo com a natureza da infração, a 
personalidade da vítima, sua relação com o agente violador, a extensão do dano etc. 
 Então, é aquela que corresponde aos danos à vítima decorrentes do crime. 
 Ex: Em um crime de roubo a subtração patrimonial (efeito direto) e o trauma 
psicológico (efeito indireto). 
 
 
• VITIMIZAÇÃO SECUNDÁRIA 
 A revitimização – vitimização secundária ou sobrevitimização - é o sofrimento 
adicional que a dinâmica da Justiça Criminal (Poder Judiciário, Ministério Público, Polícias e 
sistema penitenciário), com suas mazelas, provoca normalmente nas vítimas. 
 No processo penal ordinário e na fase de investigação policial, a vítima é tratada com 
descaso e, muitas vezes, com desconfiança pelas agências de controle estatal da criminalidade, 
motivo pelo qual alguns autores chegam a afirmar que a revitimização é uma forma de violência 
institucional cometida pelo Estado contra a vítima. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
195 
 
 Nesse sentido, a vitimização secundária diz respeito aos custos adicionais causados à 
vítima em razão da necessária interferência das instâncias formais de controle social. 
 Podemos citar, como exemplo, as inúmeras vezes que a vítima precisa reviver o fato 
criminoso: Ela é submetida a prestar depoimento em sede policial, novamente prestar 
depoimento em juízo, declarações extraoficiais, reconhecimento do investigado, exames de 
corpo de delito, etc. Sem esquecer o fato de que, muitas vezes, precisa lidar com todo o 
aparato estatal desconfiando e contestando sua versão dos fatos. 
 Considerando que a vitimização secundária consiste no sofrimento causado à vítima 
em razão do próprio funcionamento do sistema punitivo, deve o Poder Público agir para evitar 
isso, como, por exemplo: 
• Adoção de providências a fim de que a vítima não seja ouvida repetidas vezes sobre 
o mesmo tema; 
• Deve-se fazer com que o ambiente em que os depoimentos são prestados seja 
acolhedor; 
• Deve-se evitar perguntas que invadam a vida privada da vítima ou que induzam à 
ideia de que ela teve “culpa” pelo fato, transformando a investigação ou o processo 
em um “julgamento” sobre o comportamento da vítima. 
 
“A revitimização no atendimento às mulheres em situação de 
violência, por vezes, tem sido associada à repetição do relato de 
violência para profissionais em diferentes contextos o que pode gerar 
um processo de traumatização secundária na medida em que, a cada 
relato, a vivência da violência é reeditada. Além da revitimização 
decorrente do excesso de depoimentos, revitimizar também pode 
estar associado a atitudes e comportamentos, tais como: 
paternalizar; infantilizar; culpabilizar; generalizar histórias 
individuais; reforçar a vitimização; envolver-se em excesso; 
distanciar-se em excesso; não respeitar o tempo da mulher; 
transmitir falsas expectativas. A prevenção da revitimização requer o 
atendimento humanizado e integral, no qual a fala da mulher é 
valorizada e respeitada.” (Diretrizes gerais e protocolos de 
atendimento. Programa “Mulher, viver sem violência”. Brasil: 
Governo Federal. Secretaria Especial de Políticas para mulheres. 
2015). 
 
 
GABARITO: D 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
196 
 
 
12 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil 
É correto afirmar que a cifra negra corresponde à criminalidade 
 
A-sem registro oficial, desconhecida, impune e não elucidada. 
B-registrada, investigada, todavia impune. 
C-registrada, mas não investigada pela Polícia. 
D-sem registro oficial, não investigada, porém denunciada pelo Ministério Público. 
E-registrada, investigada, contudo não elucidada. 
 
COMENTÁRIO 
 
O termo CIFRA NEGRA (zona obscura, "dark number" ou "ciffre noir") refere-se à porcentagem 
de crimes não solucionados ouentão estão sendo 
legitimamente perseguidas (destaque para os agentes dos órgãos de segurança pública). Não 
há o dever legal de matar. 
 
VI – ERRADO 
A legalidade (princípio basilar da administração pública) aduz que o administrador público está, 
em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às exigências do bem 
comum, e deles não se pode afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e expor-se a 
responsabilidade. Assim, as ordens emanadas de autoridades hierarquicamente superiores não 
podem ser contrárias a lei. 
 
Logo, os itens I e III estão corretos. 
GABARITO: C 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
21 
 
11 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
 
Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, 
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de 
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube 
depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos 
amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser 
socorrida. 
Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item. 
 
A culpabilidade de Carlos poderá ser afastada por inexigibilidade de conduta diversa. 
 
Certo 
Errado 
 
 
COMENTÁRIO 
A questão requer conhecimento sobre as excludentes de culpabilidade. 
A culpabilidade, terceiro substrato do conceito analítico do crime, conforme a corrente 
majoritária, tem como elementos a imputabilidade, o potencial consciência da ilicitude e a 
inexigibilidade de conduta diversa, à luz da teoria finalista. 
São hipóteses de inexigibilidade de conduta diversa: 
• Estado de necessidade exculpante; 
• Coação moral irresistível; 
• Obediência hierárquica; 
• Impossibilidade de dirigir as ações conforme a compreensão da antijuridicidade; 
• Causas supralegais. 
Tratam-se de situações em que o agente não conseguiria agir de maneira diferente porque 
algo interfere na sua culpabilidade. Estas causas podem excluir o delito ou diminuir a pena. 
 
Conforme previsão expressa no Código Penal, não se enquadram nessas situações a emoção 
e a paixão (art. 28, I). 
 
Por fim, destaca-se que o domínio de violenta emoção pode configurar hipótese de crime 
privilegiado (art. 121, §1º), enquanto a influência de violenta emoção pode atenuar a pena 
imposta (art. 65, III, c) 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
22 
 
GABARITO: ERRADO 
 
12 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
 
Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, 
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de 
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube 
depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos 
amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser 
socorrida. 
Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item. 
 
Carlos agiu sob o pálio da legítima defesa putativa. 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
A legítima defesa putativa é aquela que o agente, por erro justificado nas circunstâncias do caso 
concreto, acredita existir uma agressão injusta, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. 
Ex.: A foi jurado de morte por B. Em determinada noite, em uma rua escura, encontram-se. B 
coloca a mão no bolso, e A, acreditando que ele iria pegar uma arma, mata-o. Posteriormente, 
descobre-se que B iria lhe oferecer uma Bíblia, pois havia se convertido. 
De acordo com o art. 20, § 1º, CP: 
 
é isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas 
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a 
ação legítima. Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa 
e o fato é punível como crime culposo. 
 
Neste sentido, a figura putativa é aquela que o agente acredita que haverá uma injusta agressão 
e um perigo iminente, ou seja, para o agente a legítima defesa se faz necessária porque ele, ou 
terceiro, de fato acredita que corre algum perigo, que de fato não existe. Não é o caso da 
situação hipotética. 
GABARITO: ERRADO 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
23 
 
13 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - PC-SE - CESPE - 2018 - PC-SE - Delegado de Polícia 
 
Em um clube social, Paula, maior e capaz, provocou e humilhou injustamente Carlos, também maior e capaz, 
na frente de amigos. Envergonhado e com muita raiva, Carlos foi à sua residência e, sem o consentimento de 
seu pai, pegou um revólver pertencente à corporação policial de que seu pai faz parte. Voltando ao clube 
depois de quarenta minutos, armado com o revólver, sob a influência de emoção extrema e na frente dos 
amigos, Carlos fez disparos da arma contra a cabeça de Paula, que faleceu no local antes mesmo de ser 
socorrida. 
Acerca dessa situação hipotética, julgue o próximo item. 
 
Carlos agiu sob o pálio da excludente de legítima defesa justificante. 
 
COMENTÁRIO 
Segundo o art. 25, CP: 
 
entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos 
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a 
direito seu ou de outrem. 
 
Carlos não estava sob injusta agressão e nem tampouco era atual ou iminente, neste sentido, 
não agiu sob a excludente da legítima defesa. Além disso, caso estivesse sob injusta agressão 
iminente, ainda sim teria agido de forma desproporcional. 
 
GABARITO: ERRADO 
 
 
14 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal 
 
Em cada item seguinte, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada com 
base na legislação de regência e na jurisprudência dos tribunais superiores a respeito de exclusão da 
culpabilidade, concurso de agentes, prescrição e crime contra o patrimônio. 
Arnaldo, gerente de banco, estava dentro de seu veículo juntamente com familiares quando foi abordado 
por dois indivíduos fortemente armados, que ameaçaram os ocupantes do veículo e exigiram de Arnaldo o 
fornecimento de determinada senha para a realização de uma operação bancária, o que foi por ele 
prontamente atendido. Nessa situação, o uso da senha pelos indivíduos para eventual prática criminosa 
excluirá a culpabilidade de Arnaldo. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
24 
 
Certo 
Errado 
 
COMENTÁRIO 
O caso descrito configura coação moral irresistível (vis compulsiva). Em hipóteses em que o 
agente age sob tal circunstância, ficará isento de pena. Trata-se de uma causa de exclusão de 
culpabilidade prevista no art. 22, CP, que dispõe: 
 
Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência 
a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é 
punível o autor da coação ou da ordem. 
 
ATENÇÃO! Não confunda com a situação de coação física irresistível, visto que esta, por sua 
vez, afasta a tipicidade do crime, uma vez ausente o elemento conduta, que atinge o fato típico. 
GABARITO: CERTO 
 
15 - 2018 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2018 - PC-SP - Delegado de Polícia 
 
O Direito Penal trabalha com a necessidade de se apurar a responsabilidade subjetiva para punir o autor do 
crime. No que concerne à responsabilidade objetiva, o Direito Penal 
 
A-admite-a excepcionalmente, quando pune aquele que agiu em estado de completa embriaguez culposa. 
B-não a admite, em hipótese alguma. 
C-admite-a excepcionalmente, quando determina a punição do coautor particular nos crimes cometidos por 
funcionários públicos. 
D-admite-a excepcionalmente,quando estabelece a figura dos garantes nos crimes comissivos por omissão. 
E-admite-a excepcionalmente, quando estabelece os crimes omissivos próprios. 
 
COMENTÁRIO 
A responsabilidade subjetiva é aquela que depende da existência de dolo ou culpa por parte do 
agente delituoso. A responsabilidade penal pertence a seu autor, é própria dele, subjetiva, na 
medida em que é responsável pelo fato praticado porque quis (dolo) ou porque tal fato 
ocasionou-se devido à falta de um dever de cuidado (culpa), ou por omissão quando tinha o 
dever legal de agir. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
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É por esta razão, por exemplo, que não se pode imputar a alguém uma conduta penal tão 
somente pelo fato de ocupar determinado cargo, pois isto significa adotar a responsabilização 
objetiva na esfera penal. 
 
A responsabilidade objetiva, por sua vez, como regra, não existe no direito penal, mas tão 
somente na seara civil (art. 927, CC), administrativa e consumerista. Trata-se da 
responsabilidade advinda da prática de um ilícito ou de uma violação ao direito de outra pessoa 
e que, para ser imputada, independe da aferição de culpa ou dolo. Não é analisada a intenção 
do agente como na responsabilidade subjetiva. 
 
Diante disso, conforme aponta a doutrina majoritária, embora a responsabilidade penal seja, 
em regra, subjetiva, há vestígios de responsabilidade objetiva no ordenamento jurídico penal. 
São eles: 
• Rixa qualificada; 
• Teoria da actio libera in causa. 
 
A – CORRETA 
De acordo com Cleber Masson, a teoria da actio libera in causa foi desenvolvida na Itália, para 
explicar os crimes praticados em estado de embriaguez preordenada. Em uma tradução literal, 
actio libera in causa é a “ação livre na causa”, o que diz muito pouco. Há uma frase que diz “a 
causa da causa também é a causa do que foi causado”. 
 
Na embriaguez preordenada o sujeito se embriaga para o cometimento do delito, com o intuito 
justamente de remover seu freio inibitório para a prática delitiva. Essa teoria propõe a 
antecipação da análise da imputabilidade penal, isto é, a imputabilidade não será analisada no 
momento em que o crime foi praticado, pois o estado psicológico era de inconsciência, mas no 
momento em que livremente passou a se embriagar para a atuação criminosa, momento em 
que havia o dolo. 
 
Não obstante, a maioria da doutrina brasileira afirma que a teoria da actio libera in causa 
também foi adotada para a embriaguez voluntária e para a culposa, nos termos descritos no 
art. 28, II, do CP, embora o agente não tenha se embriagado visando a prática de crimes 
propriamente. Logo, não havia dolo. 
 
Sobre o tema, há 3 correntes na doutrina: 
1ª Corrente: A adoção da teoria da actio libera in causa na embriaguez voluntária e na culposa, 
constitui um resquício da responsabilidade penal objetiva. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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2ª Corrente: Trata-se de responsabilidade penal objetiva justificada pelo interesse público. 
3ª Corrente: Não se configura responsabilidade penal objetiva, visto que o ébrio quando pratica 
um delito o faz com dolo ou culpa, em função da vontade residual. Nesse sentido, Nelson 
Hungria. 
 
Em resumo, a teoria da actio libera in causa se aplica à embriaguez preordenada para a qual foi 
criada (Itália), bem como, por extensão, à voluntária e culposa. Lado outro, não tem 
aplicabilidade para a embriaguez fortuita ou acidental, pois nesse caso o sujeito não deseja 
livremente consumir o álcool, tampouco se embriagar. 
 
B - INCORRETA 
Conforme visto, em regra, a responsabilidade penal é subjetiva. A doutrina aponta duas 
hipóteses de “resquícios de responsabilidade objetiva” previstas na legislação penal: rixa 
qualificada e teoria da actio libera in causa. 
 
C – INCORRETA 
Vide alternativa B. 
 
D – CORRETA 
Vide alternativa B. 
 
E - INCORRETA 
Vide alternativa B. 
 
GABARITO: A 
 
16 - 2018 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2018 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
 
Com relação ao erro no Direito Penal, é CORRETO afirmar: 
 
A-Quando, por erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir a pessoa que pretendia 
ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse praticado o crime contra aquela, considerando-se 
as qualidades da vítima que almejava. No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia 
ofender, aplica-se a regra do concurso formal: estamos diante da figura conhecida como aberratio criminis. 
B-O agente que, objetivando determinado resultado, termina atingindo resultado diverso do pretendido, 
responde pelo resultado diverso do pretendido somente por culpa, se for previsto como delito culposo. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Quando o agente alcançar o resultado almejado e também resultado diverso do pretendido, responderá pela 
regra do concurso formal, restando configurada a aberratio causae. 
C-Mãe que, a fim de cuidar do machucado de seu filho, aplica sobre o ferimento ácido, pensando tratar-se 
de pomada cicatrizante, age em erro de proibição. 
D-Fazendeiro que, para defender sua propriedade, mata posseiro que a invade, pensando estar nos limites 
de seu direito, atua em erro de proibição indireto. 
 
COMENTÁRIO 
A – INCORRETA 
Trata-se da figura aberratio ictus ou erro de tipo acidental na execução (erro na execução), 
previsto no art. 73, CP. 
 
B - INCORRETA 
Trata-se da figura aberratio criminis ou resultado diverso do pretendido, previsto no art. 74, 
CP. 
 
C – INCORRETA 
Trata-se de erro de tipo, visto que a genitora não sabe que está aplicando ácido, 
desconhecendo a realidade e não a proibição do comportamento, conforme o art. 20, CP. 
 
D – CORRETA 
Trata-se do erro de proibição indireto, que incide sobre ilicitude da conduta, pois o fazendeiro 
percebe a realidade, contudo equivoca-se quanto as regras de conduta, por acreditar que há 
uma causa que permite agir de tal modo. 
GABARITO: D 
 
17 - 2018 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2018 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
 
Com relação à culpabilidade e suas teorias, é INCORRETO afirmar: 
 
A-A teoria normativa pura, a fim de tipificar uma conduta, desloca a análise do dolo ou da culpa para o fato 
típico, transformando a culpabilidade em um juízo de reprovação social incidente sobre o fato típico e 
antijurídico e sobre seu autor. 
B-O Código Penal vigente adota a teoria limitada da culpabilidade, pela qual as descriminantes putativas 
incidentes sobre a existência ou os limites de uma causa de justificação sempre são consideradas erro de 
proibição. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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C-São elementos da culpabilidade, tanto para a teoria normativa quanto a limitada, a imputabilidade, a 
consciência potencial da ilicitude e a exigibilidade de conduta diversa. 
D-Segundo a teoria psicológica idealizada por Von Liszt e Beling, a imputabilidade é pressuposto da 
culpabilidade, fazendo o dolo e a culpa parte de sua análise. Por sua vez, as teorias normativas, seja a 
extremada seja a limitada, excluem o dolo e a culpa de sua apreciação. 
 
COMENTÁRIO 
A – CORRETA 
A teoria normativa pura (extrema ou estrita), com origem no finalismo de Hans Welzel, único 
sistema compatível, afasta os elementos psicológicos da culpabilidade, deslocando a análise do 
dolo ou da culpa para o fato típico, mais precisamente para a conduta, transformando a 
culpabilidade em um juízo de reprovação social incidente sobre o fato típico e antijurídico e 
sobre seu autor. 
 
B - INCORRETA 
O Código Penal adota a teoria limitada da culpabilidade, pela qual as descriminantes putativas 
incidentes sobre a existência ou os limites de uma causa de justificação sempre são 
consideradas erro de proibição. 
Para a teoria limitada da culpabilidade (que tem os mesmos elementos da teoria normativa 
pura) as descriminantes putativas podem ser erro de tipo (art. 20, §1º,CP) ou erro de proibição 
(art. 21,CP). 
Na verdade, é para a teoria normativa pura que as descriminantes putativas são sempre erro 
de proibição (isenta de pena ou diminui a pena), e é neste ponto que se diferenciam. 
 
C – CORRETA 
São elementos da culpabilidade, tanto para a teoria normativa pura quanto a limitada, a 
imputabilidade (arts. 26, 27, 28 do CP), a consciência potencial da ilicitude (consciência 
potencial de antijuridicidade art. 21 do CP) e a exigibilidade de conduta diversa (art. 22 do CP). 
A teoria normativa, reconhecida como a da proposta finalista de culpabilidade, adota, a partir 
de Welzel, a teoria extremada da culpabilidade. Em termos estruturais, no entanto, a teoria 
extremada e a limitada (que parte da noção dos elementos negativos do tipo) têm os mesmos 
elementos. A distinção entre a teoria normativa pura e a teoria limitada da culpabilidade reside 
unicamente no tratamento das descriminantes putativas (vide comentário acima). 
 
D – CORRETA 
Para Listz e Belling (teoria clássica da conduta) o pressuposto fundamental da culpabilidade é 
a imputabilidade, compreendida como a capacidade do ser humano de entender o caráter 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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ilícito e determinar-se de acordo com ele. A culpabilidade é o vínculo psicológico entre o sujeito 
e o fato típico e ilícito por ele praticado. Além disso, o dolo é normativo, e guarda em seu 
interior a consciência da ilicitude. Já para a teoria normativa, o dolo é natural, sem consciência 
da ilicitude e é analisado na conduta. 
GABARITO: B 
 
 
18 - 2018 - FUMARC - PC-MG - FUMARC - 2018 - PC-MG - Delegado de Polícia Substituto 
 
Com relação às causas de exclusão da ilicitude, é CORRETO afirmar: 
 
A-Astrogildo colocou cacos de vidro, visíveis, em cima do muro de sua casa, para evitar a ação de ladrões. 
Certo dia, uma criança neles se lesionou ao pular o muro da casa de Astrogildo para pegar uma bola que ali 
havia caído. Nessa situação, ainda que se tratando da defesa de um perigo incerto e ou remoto, a conduta 
de Astrogildo restaria acobertada por excludente da ilicitude. 
B-No caso de legítima defesa ou estado de necessidade de terceiros, é imprescindível a prévia autorização 
destes para que a conduta do agente não seja ilícita. 
C-Caio, lutador de boxe, durante uma luta em que seguia as regras desportivas, atinge região vital de Tício, 
causando-lhe a morte. Ante a gravidade da situação fática, a violência não encontra amparo em nenhuma 
causa de exclusão da ilicitude, devendo Caio responder pela morte causada. 
D-Nos moldes do finalismo penal, pode a inexigibilidade de conduta diversa ser considerada causa supralegal 
de exclusão de ilicitude. 
 
COMENTÁRIO 
A questão requer conhecimento sobre as causas de exclusão de ilicitude previstas no Código 
Penal. 
 
A – CORRETA 
Os ofendículos são aparatos pré-ordenados para defesa do patrimônio, ou seja, meio que as 
pessoas utilizam para defender principalmente a propriedade e a inviolabilidade domiciliar, 
devendo ser visíveis. De acordo com a doutrina moderna, podem possuir duas naturezas 
jurídicas: exercício regular do direito e legítima defesa preordenada. Enquanto o ofendículo 
não é acionado, o indivíduo age em exercício regular de um direito. Porém, quando é acionado 
o aparato protetor, a fim de repelir a injusta agressão, o indivíduo agirá em legítima defesa 
preordenada. 
 
B - INCORRETA 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Apesar da divergência doutrinária, há entendimento majoritário no sentido da desnecessidade 
de prévia autorização para a legítima defesa ou estado de necessidade de direito de terceiros. 
 
OBS.: Rogério Greco separa em bens disponíveis e indisponíveis. No caso de bens disponíveis, 
é necessária a prévia autorização, diversamente dos bens indisponíveis não é necessário tal 
autorização. 
 
C - INCORRETA 
Caio agiu amparado pelo exercício regular do direito, sob a forma de lesões desportivas. Trata-
se, portanto, de causa de exclusão da ilicitude. 
 
D - INCORRETA 
Nos moldes do finalismo penal, pode a inexigibilidade de conduta diversa ser considerada causa 
supralegal de exclusão de culpabilidade. 
 
GABARITO: A 
 
19 - 2017 - FCC - PC-AP - FCC - 2017 - PC-AP - Delegado de Polícia 
 
De acordo com os dispositivos da parte geral do Código Penal, é correto afirmar: 
 
A-Na hipótese de abolitio criminis a reincidência permanece como efeito secundário da prática do crime. 
B-O território nacional estende-se a embarcações e aeronaves brasileira de natureza pública, desde que se 
encontrem no espaço aéreo brasileiro ou em alto-mar. 
C-Crimes à distância são aqueles em que a ação ou omissão ocorre em um país e o resultado, em outro. 
D-O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se evitável, isenta de pena; se 
inevitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço. 
E-É isento de pena o agente que pratica crime sem violência ou grave ameaça à pessoa, desde que, 
voluntariamente, repare o dano ou restitua a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa. 
 
COMENTÁRIO 
A - INCORRETA 
Nos termos do artigo 2º do Código Penal: 
 
Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de 
considerar crime, cessando em virtude dela a execução e os efeitos 
penais da sentença condenatória. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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Sendo a reincidência a prática de crime após o trânsito em julgado da condenação pela prática 
de crime anterior, nos termos do artigo 63 do Código Penal. Trata-se de efeito secundário da 
prática do crime, de modo que, havendo aboliito criminis, a reincidência não subsiste. 
 
B – INCORRETA 
Nos termos do artigo 5º, § 1º, do Código Penal: 
 
Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território 
nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública 
ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem 
como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de 
propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço 
aéreo correspondente ou em alto-mar. 
 
Logo, o território nacional estende-se a embarcações e a aeronaves brasileiras de natureza 
pública onde quer que se encontrem. Não há, portanto, exigência de que se encontrem no 
espaço aéreo brasileiro ou em alto-mar. 
 
C – CORRETA 
Os crimes à distância são aqueles praticados em território nacional cujo resultado se produz no 
estrangeiro (ou vice-versa), considerando-se lugar do crime tanto o lugar da ação ou omissão 
quanto o do lugar em que se produziu ou deveria produzir-se o resultado. O Código Penal faz 
referência implícita a essa modalidade delitiva no art. 6, que trata do lugar do crime. 
 
D – INCORRETA 
Nos termos explícitos do art. 21 do Código Penal: 
 
O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do 
fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de 
um sexto a um terço. 
 
E – INCORRETA 
A reparação do dano e a restituição da coisa realizadas voluntariamente pelo agente de crime 
sem violência ou grave ameaça à pessoa, desde que antes do recebimento da denúncia ou 
queixa, configuram arrependimento posterior, previsto no art. 16, CP. Com efeito, quando 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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ocorre o arrependimento posterior, o agente do crime não está isento de pena, mas apenas faz 
jus à redução da pena de um a dois terços. 
GABARITO: C 
 
20 - 2017 - IBADE - PC-AC - IBADE - 2017 - PC-AC - Delegado de Polícia Civil 
 
Acerca do consentimento real do ofendido, é correto afirmar que: 
 
A-o consentimento, para ser válido, pressupõe que o titular do bem jurídico atingido possua capacidade de 
entendimento quanto ao caráter e à extensão da autorização. 
B-invariável e indiscutivelmente, a vida humana é um bem jurídico indisponível, de sorte que não pode ser 
objeto de consentimentopara sua extinção. 
C-se uma pessoa autoriza que médico aplique determinado medicamento em seu corpo, suportando efeitos 
severamente prejudiciais à saúde inerentes ao uso da substância, os quais desconhecia, o consentimento 
real se mantém válido, pois é a vítima quem deve buscar todas as informações sobre as consequências de 
sua autorização. 
D-De acordo com a doutrina de Claus Roxin. o consentimento do ofendido exclui a antijuridicidade da 
conduta praticada, jamais recaindo sobre a esfera da tipicidade. 
E-em regra, o consentimento deve ser anterior à ação consentida, mas nada impede seu reconhecimento 
mesmo quando posterior, como no caso de ausência de representação do ofendido no crime de lesão 
corporal leve, hipótese em que o crime deixa de existir. 
 
COMENTÁRIOS 
 
A - CORRETO 
Para que que seja válido o consentimento do ofendido deve ser válido, ou seja, deve ser 
dotado de liberdade e consciência no momento da sua emissão. 
Nesse contexto, a doutrina aponta alguns requisitos: 
i. Único titular; 
ii. Agente capaz de consentir; 
iii. Consentimento moral e que respeita os bons costumes; 
iv. Prévio ou simultâneo à conduta, não admitindo que seja posterior (caso seja, pode 
ser causa extintiva da punibilidade, como por exemplo a renúncia ou o perdão nas 
ações privadas); 
v. Bem disponível; 
vi. O agente que comete o fato típico deve ter ciência desse. 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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B - INCORRETO 
É amplamente majoritária na doutrina e na jurisprudência que a vida humana é bem jurídico 
que não se pode dispor. Entretanto, esta conclusão não é uníssona, principalmente quanto a 
questões, por exemplo, sobre a eutanásia (morte provocada por sentimento de piedade à 
pessoa que sofre) e sobre o auxílio, instigação e induzimento ao suicídio quando a pessoa 
sofre doença gravíssima e incurável (principalmente no direito estrangeiro). Portanto, não é 
correto dizer que a indisponibilidade da vida é indiscutível e que não pode sofrer variações, 
inclusive em decorrência da diversidade cultural que existe entre os países. 
 
ATENÇÃO! Alternativas que apontam expressões absolutas costumam estar erradas, tais 
como: apenas, somente, exclusivamente, sempre, nunca, jamais (lembre-se que no direito a 
resposta mais comum é “depende”). 
 
C - INCORRETO 
Não seria válido o consentimento do ofendido, por ausência de consciência sobre o que 
estava consentindo, uma vez que a pessoa desconhecia os possíveis efeitos prejudiciais à 
saúde. 
 
D - INCORRETO 
Na doutrina de Claus Roxin, o consentimento do ofendido pode recair tanto sobre a 
antijuridicidade da conduta (como causa supralegal excludente de ilicitude) como sobre a 
esfera de tipicidade (quando o consentimento do ofendido é elemento normativo do tipo 
penal). 
 
E - INCORRETO 
Diante da ausência de representação do ofendido, o crime continua existindo, sendo fato 
típico, ilícito e culpável. Só há exclusão da punibililidade, em razão da decadência do direito 
de representação. Além disso, a maioria da doutrina entende que o consentimento do 
ofendido deve ser prévio ou, no máximo, concomitante à conduta formalmente delituosa. 
GABARITO: A 
 
 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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DIREITO PENAL: CONCURSO DE PESSOAS E DE CRIMES 
 
1 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01 
Na hipótese de um agente ter praticado um crime de estupro e um crime de atentado violento ao pudor, 
contra a mesma vítima e no mesmo contexto fático, a partir do advento da Lei nº 12.015/2009, deverá 
responder por 
 
A-concurso material. 
B-concurso formal próprio. 
C-concurso formal impróprio. 
D-continuidade delitiva. 
E-crime único. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE CRIMES. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Ocorre concurso de crimes sempre que forem cometidas duas ou mais infrações penais. 
Existem 3 espécies, conforme previsão no Código Penal 
• Concurso material (art. 69, CP) 
• Concurso formal (art. 70, CP) 
• Crime continuado (art. 71, CP) 
 
CONCURSO MATERIAL OU REAL: Ocorre quando o agente, mediante uma pluralidade de 
condutas (ação ou omissão), pratica uma pluralidade de crimes, idênticos ou não. 
O concurso material é classificado em: 
• CONCURSO FORMAL HOMOGÊNEO: Quando os crimes são idênticos. Ex.: 2 crimes de 
roubo. 
• CONCURSO FORMAL HETEROGÊNEO: Quando os crimes são diferentes. Ex.: 1 furto, 
1 roubo e 1 extorsão. 
 
• CONCURSO FORMAL PRÓPRIO OU PERFEITO: Quando o agente mediante apenas 
uma conduta (ação ou omissão) pratica uma pluralidade de crimes, sem que haja com 
desígnios autônomos. 
Neste caso aplica-se a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, 
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade (art. 70, primeira parte, CP). 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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• CONCURSO FORMAL IMPRÓPRIO OU IMPERFEITO: Quando o agente mediante 
apenas uma conduta (ação ou omissão) pratica uma pluralidade de crimes, mediante 
desígnios autônomos. 
Aqui, as penas aplicam-se cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os 
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos (art. 70, parte final, CP). 
 
CONCURSO FORMAL OU IDEAL: Ocorre quando o agente, mediante uma só conduta (ação ou 
omissão), pratica uma pluralidade de crimes, idênticos ou não. 
 
CRIME CONTINUADO OU CONTINUIDADE DELITIVA: Trata-se de uma ficção jurídica que 
quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes da 
mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras 
semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro. Nesse caso 
o agente pratica dois ou mais crimes, mas responderá como se tivesse cometido apenas um 
crime, por razões de política criminal. 
 
Vamos, então, para a análise do enunciado da questão. 
 
A Lei n° 12.015/2009 fundiu os delitos de estupro (art. 213) e atentado violento ao pudor (art. 
214), ou seja, os delitos passaram a ser crime único sob a rubrica de estupro tipificado no art. 
213, CP. Assim, “como a Lei 12.015/2009 unificou os crimes de estupro e atentado violento 
ao pudor em um mesmo tipo penal, deve ser reconhecida a existência de CRIME ÚNICO de 
estupro, caso as condutas tenham sido praticadas contra a mesma vítima e no mesmo 
contexto fático" (AgRg no AREsp n. 233.559/BA, Rel. Ministra Assusete Magalhães, 6ª T., DJe 
10/2/2014). 
 
Logo, verificamos que a hipótese é de CRIME ÚNICO. 
GABARITO: E 
 
2 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil 
O roubo perpetrado contra diversas vítimas em um único evento, estando comprovados os desígnios 
autônomos do autor do fato, configura 
 
A-crime único. 
B-concurso formal impróprio. 
C-crime continuado. 
D-concurso material. 
RETA FINAL 
 
DELEGADO GOIÁS 
 
SEMANA 03/13 
 
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E-concurso formal próprio. 
 
COMENTÁRIO 
A questão cobrou conhecimentos acerca do CONCURSO DE CRIMES. 
 
Antes de analisar o enunciado, vamos a uma breve revisão da temática. 
 
Ocorre concurso de crimes sempre que forem cometidas duas ou mais infrações penais. 
Existem 3 espécies, conforme previsão no Código Penal 
• Concurso material (art. 69, CP) 
• Concurso formal (art. 70, CP) 
• Crime continuado (art. 71, CP) 
 
CONCURSO MATERIAL OU REAL: Ocorre quando o agente, mediante uma pluralidade de 
condutas (ação ou omissão), pratica uma pluralidade de crimes, idênticos ou não. 
O concurso material é classificado em: 
• CONCURSO FORMAL HOMOGÊNEO: Quando os crimes são idênticos. Ex.: 2 crimes de 
roubo. 
• CONCURSO FORMAL HETEROGÊNEO: Quando os crimes são diferentes. Ex.: 1 furto, 
1 roubo e 1 extorsão. 
 
• CONCURSO FORMAL PRÓPRIO OU PERFEITO: Quando o agente mediante apenas 
uma conduta (ação ou omissão) pratica uma pluralidade

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