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Processo de criação do planejamento logístico Durante o processo de construção do planejamento, deve haver, no mínimo, a consulta das áreas a serem impactadas. O ideal é que seja uma construção compartilhada, na qual participem todos os departamentos que irão implementar e executar o que será planejado. Todas as partes envolvidas devem analisar e verificar o momento da empresa, se a meta cogitada é plausível e se ela pode ser alcançada a curto prazo. Caso negativo, é preciso, então, verificar a viabilidade na implementação a médio ou longo prazo. Mais uma vez, vamos usar o exemplo da indústria têxtil, detalhando alguns pontos para compreensão do processo de desenvolvimento do planejamento logístico. No nosso exemplo, o diretor comercial deseja expandir a atuação da indústria têxtil a nível internacional. Este desejo surgiu a partir de um estudo de mercado realizado por ele, no qual foi verificada a oportunidade de abertura de uma filial em Portugal, por conta das semelhanças com a cultura e o povo brasileiro. Bem, vimos anteriormente que os gerentes de logística e financeiro não são favoráveis à expansão neste momento. A divergência é normal nessas situações. Portanto, o próximo passo solicita que o diretor comercial encontre argumentos e verifique alternativas para defender a sua ideia. Assim, as partes conversam e avaliam alternativas. Após algumas reuniões e estudos mais detalhados sobre: a economia no Brasil e em Portugal, os concorrentes, as empresas do mesmo segmento que já atuam na Europa e a possibilidade de um empréstimo bancário. Os responsáveis entram em consenso e indicam que a expansão é possível, mediante algumas mudanças internas. Sendo assim, o planejamento de expansão será implementado a longo prazo, o que permitirá a estruturação da indústria durante esse período. O planejamento é aprovado pela presidência da indústria têxtil e esta será preparada de acordo com o planejamento acordado, de forma a exportar produtos para Portugal. Serão compradas novas máquinas de costura, contratados novos profissionais e aqueles que já estão na empresa irão passar por treinamentos de atualização (conforme a função de cada um) etc. O contato com outras áreas possibilita o que vimos nesse exemplo, o encontro de soluções. É imprescindível a opinião dos especialistas de cada área, pois todas serão impactadas com o plano de mudanças. O processo de construção do planejamento não deve ser realizado por um único profissional, o presidente de uma empresa que aceita tal atitude não está sendo responsável. Há uma série de informações a serem analisadas, interna e externamente (como vimos em nosso exemplo). Apresentamos, agora, de forma resumida o que estudamos até aqui: A partir dessa análise, será possível averiguar o momento em que se encontra a empresa e o que será necessário para implementar determinado planejamento. Ou ainda, cancelá-lo momentaneamente. Todo o planejamento logístico busca, basicamente, atender a uma demanda. A demanda pode ser uma meta ou um fator para se adequar a determinada situação de mercado. Por exemplo, a meta pode ser aumentar o faturamento da empresa, e um fator pode ser a readequação da estrutura da empresa devido a uma crise de mercado. Portanto, dentro do processo de criação do planejamento, é preciso considerar a demanda como uma variável importante, a qual requer uma atenção especial. Demanda Os níveis de demanda assim como a dispersão geográfica dos centros de distribuição (CD) impactam diretamente na configuração das redes logísticas. É normal que empresas tenham oscilações de demandas em diferentes regiões de um país. Nessas situações, o planejamento proposto incialmente poderá ser revisto. Para tal, cabe avaliar a necessidade de expansão ou redução das instalações já existentes. O declínio no nível de demanda em determinada região, por exemplo, pode tornar indispensável o fechamento do respectivo CD. Agora, o crescimento de poucos pontos percentuais ao ano, pode ser o suficiente para justificar um novo planejamento da rede logística. Nem mais, nem menos, o planejamento deve determinar níveis apropriados de serviços aos clientes. A seguir, é possível compreender de que forma ocorre essa relação: Figura 1 – Triângulo das decisões logísticas Notamos que todas as estratégias – de estocagem, de localização e de transporte – convergem em direção às metas de serviços ao cliente. Conforme o planejamento estipulado pela organização, cada uma dessas áreas será adequada para atingir o objetivo/a meta proposta. Podemos imaginar que uma multinacional automobilística, a qual vinha contratando novos funcionários e trabalhando em todos os turnos nos últimos anos, identificou que a demanda na compra de veículos zero km diminuiu no último semestre. Afetando, em especial, a sua fábrica de Betim/MG, a qual atende toda a região sudeste, centro-oeste e sul do Brasil. Além disso, a previsão para o próximo semestre não é nada boa. Sendo necessário, por parte da equipe logística, readequar a produção (redução), oferecer férias para parte da equipe de produção e suspender o contrato com a transportadora contratada (a qual realiza a entrega dos veículos nos caminhões-cegonha). Até normalizar a produção, a empresa irá realizar a entrega com sua própria frota de caminhões e equipe de motoristas. Por fim, será necessário também, por parte das equipes do setor comercial e de marketing, uma nova estratégia para vender os veículos acumulados no estoque. Portanto, nesse exemplo, trabalhamos com as três áreas: · Estoque Diminuir o estoque por meio da diminuição na produção e de uma nova estratégia de marketing, a qual será elaborada pelas equipes do comercial e do marketing. · Transporte Os veículos continuarão a ser entregues por meio de modal terrestre, entretanto será utilizada frota própria. · Localização Foi identificada a diminuição na demanda no último semestre, a empresa vinha ofertando (produzindo) mais do que o mercado demandava (solicitava). Sendo a principal prejudicada a unidade de Betim/MG. Então, com o planejamento logístico elaborado, precisamos garantir que os objetivos traçados sejam alcançados. Mas, para tal, não basta simplesmente colocar o plano em prática. A sua implementação, por si só, não garante a concretização do que foi proposto. É necessário ter controle sobre o que está sendo executado. Este controle irá medir se o planejamento está sendo executado de forma correta. Controle da operação logística Dentro do gerenciamento logístico, o controle apresenta a função de manter o desempenho alinhado aos objetivos pretendidos. Exemplo, se uma empresa de bebidas pretende aumentar a produção de refrigerantes em 1.500 unidades/dia, devido à grande demanda. Para tal, será definido um nível de desempenho considerado adequado para se chegar a esse objetivo. O qual pode ser a produção de 500 unidades a mais em cada um dos turnos da manhã, tarde e noite (fechando a quantidade 1.500/dia). Mas, se o desempenho em um dos três turnos for menor do que o esperado, isso afetará diretamente no objetivo proposto. O controle fará isso, irá comparar o desempenho real com o desempenho planejado e realizará, se necessário, qualquer ação corretiva para aproximá-los. Processo de controle Quando falamos de controle relacionado ao desempenho, este não se refere somente aos colaborares (desempenho de equipe, por exemplo). Está relacionado também a incertezas futuras, as quais podem prejudicar o alcance dos objetivos e são difíceis de prever. Estas podem ser: greves, incêndios, inundações, mudanças políticas e econômicas no país, avanços tecnológicos e mudanças nas preferências dos clientes etc. Todos estes representam cenários difíceis de prever no momento da elaboração de um planejamento. Mesmo assim, o processo de controle também é o de monitorar condições cambiantes ou circunstâncias. O objetivo é antecipar de forma suficiente para permitir ações corretivas, realinhando o desempenho real com o planejado. O papel do controle fica sob responsabilidade, em especial, do gerente logístico, o qual controlaas atividades de planejamento logístico. Dentre tais atividades, podemos citar: o manuseio de materiais, armazenagem, estoque, processamento de pedidos e transporte. Esse profissional irá verificar, basicamente, se os custos das atividades e o nível de serviço entregue ao cliente estão alinhados com o que foi previamente planejado. Para realizar o controle, o gerente terá o apoio de relatórios gerados por meio de sistemas informatizados e também por auditorias, conforme já estudado em outros momentos. A seguir, verifique todos os elementos que estão envolvidos no fluxo do processo de controle logístico: Figura 2 – Fluxograma do processo de controle logístico No fluxograma acima verificamos: Entrada Atividades correntes na cadeia de suprimentos Forças externas e internas Saída O período em que a mercadoria permanece parada, aguardando a transportadora para o carregamento, representa um lead time. Em paralelo a isto, temos o cliente aguardando a mercadoria. Situações como essa são um desafio para as organizações. Uma vez que, qualquer alteração no fluxo da cadeia logística, sempre terá impacto na sua meta final: o cliente. Lead time Grande parte das organizações encontram dificuldades na relação entre o tempo para adquirir, produzir e entregar um produto acabado ao cliente final e o tempo que este cliente está disposto a esperar. Normalmente, o tempo de espera desejado pelo cliente é menor que o tempo de processamento da cadeia logística. O período de tempo que ele está disposto esperar, é denominado de ciclo de pedido. O termo ciclo vem justamente do período entre a realização do pedido até o seu recebimento. A mensuração de tempo pode basear-se em horas, dias, semanas ou até meses. Condições como concorrência de mercado e natureza do produto podem influenciar na disposição para espera por parte do cliente. Nessas condições, um cliente pode esperar algumas semanas para receber um automóvel com determinados opcionais. Porém, pode também, esperar somente um dia para entrega de um novo conjunto de pneus. A lacuna que há entre o lead time (tempo necessário para finalizar o processo de insumos até a entrega do produto) e o ciclo de pedido do cliente (período em que este está disposto a aguardar até a entrega), só será resolvido por meio de planejamento e controle. Grande parte das organizações tentam prever as necessidades de mercado montando o seu estoque antecipadamente à demanda. Para tal, é necessário planejamento, adequando o estoque à previsão de demanda, e controlando os níveis desse estoque. Ou seja, é preciso conferir se eles estão saindo de acordo com o previsto ou se será necessário um novo plano. Outra alternativa, a qual também requer planejamento e controle, trata-se da redução da lacuna entre os dois períodos, conforme é possível verificar na imagem abaixo: Figura 3 – Fluxograma do processo de controle logístico Essa alternativa é um desafio. A vantagem dela é a de não necessitar de previsão. O desafio é, justamente, identificar os pontos em que os leads podem ser reduzidos ou até fechados. A redução ocorrerá por meio do encurtamento do lead time de logística (tempo na cadeia de ponta a ponta) e aproximando o máximo possível o ciclo do pedido do cliente a esse lead (conforme imagem anterior). Será possível maior visibilidade da demanda com a obtenção de avisos antecipados de solicitações. Uma vez identificado esse ponto, será necessário planejamento para colocá-lo em prática. Em seguida, será necessário controle para averiguar se realmente está ocorrendo redução do tempo de espera do cliente. Um exemplo é o trabalho que a empresa Netshoes realiza com os seus parceiros logísticos de transporte. São vinte no total, e cada um tem um posto avançado dentro dos centros de distribuição da empresa. Desta maneira, não é necessário o produto passar pelo centro de operações da transportadora antes de ser enviado ao consumidor. Portanto, temos acima, um exemplo de encurtamento entre o lead time e o ciclo de pedido do cliente, o qual (no lead time) ocorre na etapa de carregamento e transporte da mercadoria. Quanto menor a lacuna entre os dois períodos de tempo, melhor será para a satisfação do cliente. Recursos necessários Ao longo do nosso estudo, vimos uma série de recursos, os quais são indispensáveis para o processo de desenvolvimento e execução do planejamento logístico, assim como para o seu controle. Estes recursos estão presentes ao longo de todos os processos referidos. De forma objetiva, retomando e resumindo os recursos vistos, temos: · Criação do planejamento logístico Durante esta etapa, é necessário reunir profissionais especialistas de todas as outras áreas, os quais indicarão se é viável ou não realizar determinado planejamento. Eles também informarão sobre o que é necessário para colocar o planejamento em prática. · Execução Com relação à estrutura, estabelecemos referência aos funcionários capacitados, os quais devem estar atentos ao que ocorre no mercado, mas também devem cuidar de todo o funcionamento interno da empresa (investir em recursos humanos, talvez seja necessário). Também nos referimos à tecnologia e equipamentos necessários para execução daquilo que é almejado. Como exemplo, podemos citar sistemas integrados de informação, os quais conectam empresas e fornecedores, reduzindo o tempo de reposição do estoque. Nesta etapa o maquinário presente na empresa interfere no aumento da produção (quanto mais atual e moderno, mais eficiente será). · Controle Podemos citar novamente funcionários capacitados para realizar tal controle, assim como ferramentas adequadas para o controle desejado. Como ferramentas disponíveis, podemos citar, por exemplo, sistemas como o WMS, ERP e TMS (cada um indicado para determinado controle). Portanto, antes de definir um planejamento, é necessário estar atento ao que ocorre de maneira interna e externa à empresa. Elaborando um planejamento plausível à atual realidade da organização. Ter esta percepção permitirá que ajustes, se necessários, sejam realizados. Todo o investimento realizado, seja em capital humano, em tecnologia, entre outros, permitirá que os objetivos traçados sejam alcançados e, ainda, novos planos sejam desenvolvidos.